13/12/2008 - 15:42h FDA pode banir drogas para asma

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Serevent e Foradil, broncodilatadores aprovados pela Anvisa, são amplamente usados no Brasil

Recomendação é de painel de especialistas da agência, que avaliam que remédios aumentam risco de morte; posição não é definitiva

FERNANDA BASSETTE – FOLHA SP

Especialistas da FDA (agência norte-americana que regulamenta a aprovação de alimentos e fármacos) sugeriram a proibição do uso dos medicamentos Serevent e Foradil para tratar pacientes com asma sob a justificativa de que eles aumentam os riscos de morte. No Brasil, os dois remédios são aprovados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e são amplamente prescritos pelos médicos.
A recomendação foi feita durante uma reunião realizada anteontem nos Estados Unidos e ainda não é a posição definitiva da FDA, que costuma seguir a mesma linha de decisão.
A discussão envolvendo os riscos dos medicamentos para asma incluía outros dois remédios: Advair (que ainda não é aprovado no Brasil) e Symbicort. Esses não tiveram associação direta com o aumento do número de mortes e continuam indicados para tratar asma.
Segundo o alergista Celso Henrique de Oliveira, professor da pós-graduação em pediatria da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Foradil e Serevent são medicamentos broncodilatadores de ação prolongada, indicados apenas quando associados a um corticóide inalatório. Já Advair e Symbicort possuem corticóide na formulação. “O broncodilatador abre os brônquios e ajuda o paciente a respirar, enquanto o corticóide tem ação antiinflamatória e age no tratamento da doença.”
O problema, explica Oliveira, é que muitos pacientes usam os broncodilatadores por conta própria e para alívio imediato da crise, sem associar com um corticóide -o que não é recomendado. Em tese, esses remédios deveriam ser vendidos apenas com receita médica.
“A gente sabe que no Brasil a venda acontece indiscriminadamente. O remédio é indicado para uso duas vezes por dia, mas o paciente usa cinco, seis, até dez vezes. Isso causa uma sobrecarga mesmo. Além disso, as causas das mortes ainda estão sendo investigadas”, afirmou o alergista.
Segundo Oliveira, Serevent e Foradil são medicamentos “primos” dos broncodilatadores Aerolin e Berotec, de ação curta e que são usados no tratamento de asma há mais de 30 anos. “Serevent e Foradil são melhores, melhoram a qualidade de vida do paciente e têm uma indicação específica. Em vez de proibir o uso, as agências reguladoras deveriam controlar a venda, feita de maneira indiscriminada, pois qualquer remédio ingerido em excesso pode aumentar o risco de morte.”
Na opinião da alergista Yara Mello, diretora da Associação Brasileira de Asmáticos (Abra), os dois medicamentos possuem ação comprovada, demonstrada em inúmeros estudos clínicos, então ainda não há motivo para pânico.
“O que a FDA está apresentando agora são evidências estatísticas de que há mais casos de morte de pacientes que usaram os remédios sem o corticóide, mas eles ainda não comprovaram qual mecanismo está envolvido nisso. Por isso, acho complicado associar o medicamento à morte”, ponderou.

Nenhum caso grave

A assessoria de imprensa da Anvisa informou que a agência está acompanhando as discussões internacionais sobre a indicação de Serevent e Foradil para tratar asma, mas avisou que, por enquanto, não há indícios suficientes de riscos para proibir os medicamentos no Brasil e também não há nenhum registro de reação adversa ou efeito colateral grave associados aos medicamentos.
Tatiana Matozo, da Novartis (fabricante do Foradil) e Robson Lima, da GlaxoSmithKline (que fabrica o Serevent) informaram que as empresas acreditam na segurança dos produtos, quando usados de acordo com o que está previsto na bula -uso do remédio associado a um corticóide inalatório. As duas informaram também que a decisão não é definitiva.
(Colaborou RACHEL BOTELHO)

15/04/2008 - 03:52h Projetos bilionários mudam perfil da economia de PE

Suape vai gerar mais de 260 mil empregos até 2011

Cibelle Bouças – VALOR

Um conjunto de investimentos nas áreas petroquímica e logística superior a US$ 10 bilhões estimulará a interiorização e a diversificação do perfil industrial de Pernambuco nos próximos três anos. O Estado, que tem perfil industrial focado nas áreas têxtil, de alimento e metalurgia, recebe aportes na construção da refinaria Abreu e Lima, da Petroquímica Suape e no estaleiro Atlântico Sul – áreas com pouca ou nenhuma presença no Estado.

Juntos, esses projetos reforçarão a logística local e estimularão outros investimentos, disse o secretário de Desenvolvimento Econômico, Fernando Bezerra Coelho, durante o seminário “Pernambuco Novo: Cenários e Oportunidades para 2008″, promovido pelo Valor, em parceria com o governo do Estado.

“Pernambuco vive um momento importante, onde uma nova economia está se construindo”, afirmou o governador Eduardo Campos (PSB).

Parte das apostas concentra-se em Suape, que receberá R$ 1,2 bilhão em recursos públicos até 2010 para melhoria da infra-estrutura portuária. Segundo Bezerra, o governo do Estado aguarda autorização da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), neste ano, para a construção de um novo terminal, que terá capacidade para 10 milhões de toneladas por ano. Em 2007, o porto movimentou 7 milhões de toneladas de minério e a previsão é elevar esse volume para 9 milhões neste ano.

A meta é elevar a capacidade a 35 milhões de toneladas/ano, para escoar combustíveis da refinaria Abreu e Lima, fruto de parceria da Petrobras com a venezuelana PDVSA e que terá aporte de US$ 4 bilhões até 2010. De acordo com Paulo Roberto Costa, diretor de abastecimento da Petrobras, a refinaria processará 200 mil barris de petróleo por dia. O complexo também envolve investimento de US$ 657 milhões na Petroquímica Suape, com inauguração prevista para 2010. A empresa tem como sócios confirmados a Petrobras e a Companhia Integrada Têxtil do Nordeste. Segundo Costa, a entrada de novos sócios -e suas participações acionárias – será discutida hoje em Recife.

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Outro projeto anunciado é a construção do Estaleiro Atlântico Sul, investimento de US$ 5,8 bilhões para a construção de dez navios já encomendados pela Petrobras, disse Sérgio Machado, presidente da Transpetro.

Fora do complexo industrial de Suape, alguns setores ganham musculatura. É o caso da criação do pólo farmoquímico de Goiana, no litoral norte do Estado, que recebe investimentos de R$ 1,1 bilhão para a instalação de unidades dos grupos Hemobrás, Laboratório Farmacêutico do Estado de Pernambuco (Lafepe) e Novartis. Em Barreiros, Sul do Estado, o grupo espanhol Qualta investe ? 500 milhões em um complexo turístico. “Até junho, o governo deve fechar acordos para instalação de 25 empreendimentos, totalizando US$ 8,6 bilhões”, disse Bezerra.

Na área de fruticultura, estão previstos R$ 2 bilhões em um projeto de irrigação de 110 mil hectares em Petrolina e está em fase de negociação o projeto Canal do Sertão, de outros 140 mil hectares de irrigação, que terá aporte de US$ 4 bilhões. O projeto tem à frente os grupos Itochu, Petrobras, Odebrecht e Queiroz Galvão. “Estamos discutindo a criação de uma empresa de propósito específico (EPE) para a inclusão desse projeto no PAC”, disse Bezerra.

O avanço desses projetos dependerá da expansão da rede de gás. Ricardo Lamassa, assessor comercial da Copergás, disse que a empresa tem planos de investir R$ 600 milhões na expansão da rede de gasodutos em 880 quilômetros, e outros R$ 450 milhões na construção de terminal de gás natural liquefeito (GNL) para elevar a produção de gás dos atuais 1,1 milhão de metros cúbicos/dia para 6,5 milhões até 2015.

19/09/2007 - 11:08h Antiinflamatório "top" no Brasil é proibido na Austrália

MÁRCIO PINHO
da Folha de S.Paulo

O governo da Austrália proibiu a venda do medicamento Prexige, para tratamento de dores e problemas de artrite, após a morte de dois pacientes que usavam a droga no país. Fabricado pelo laboratório suíço Novartis, o remédio é o segundo mais vendido do Brasil em sua categoria.

A decisão ocorreu após o relato de oito casos de problemas: dois no Brasil, cinco na Austrália e um na Argentina. Dois dos pacientes tiveram de transplantar o fígado.

O gerente médico do laboratório no Brasil, João Navarro, diz que, “na grande maioria dos casos, houve utilização por tempo longo com dose não recomendada pela Novartis”.

Ele diz que na Austrália, por exemplo, a menor dose –100 mg, recomendada para tratamentos longos– tinha sido aprovada pouco antes de o medicamento ser proibido. Na maioria dos casos dos pacientes que reagiram à droga, foi usada a dose de 200 mg por tempo maior que o recomendado pela empresa. No Brasil, o medicamento é vendido na apresentação de 100 mg e 400 mg.

“O remédio é seguro, e a Novartis monitora o seu uso em todo o mundo. Mas, como todos dessa linha, tem algumas contra-indicações e precisa ser usado e receitado adequadamente”, afirma Navarro.

O Prexige está em mais de 50 países. No Brasil, a venda foi aprovada em 2005 pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Dois anos depois, ele está em segundo lugar na classe de antiinflamatórios e anti-reumáticos. A categoria vendeu cerca de 6 milhões de unidades em 2007 (até agosto).

A Anvisa pediu dados à Novartis e diz estar revisando as “novas informações de segurança relacionadas a eventos adversos hepáticos graves em pacientes que usam o Prexige”.

Apesar da precaução, a agência afirma que os pacientes brasileiros que tiveram problemas no fígado melhoraram após a suspensão do remédio. Havia, porém, “outros fatores que contribuíam para o agravamento do dano”, como o uso exagerado da droga e histórico de problemas hepáticos.

Em um dos casos, o paciente tomava uma dose quatro vezes maior que a prescrita. A Anvisa não divulga o nome deles nem dá mais informações.

A bula do Prexige, diz a Anvisa, cita a chance de “eventos adversos hepáticos” e ressalta a contra-indicação em pacientes com problemas de fígado.

Além da Austrália, o Prexige enfrenta problemas nos Estados Unidos. Desde 2002, a Novartis espera o aval do FDA (órgão que regula o uso de medicamentos no país). Para João Navarro, isso ocorre porque houve problemas com produtos similares –caso do Vioxx, fora do mercado desde 2004.

Médicos

Médicos brasileiros defendem o Prexige. O presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, Antonio Carlos Lopes, diz que o remédio é bem aceito e que o veto na Austrália pode envolver uma disputa entre laboratórios. Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia, Fernando Neubarth, não houve nenhum alerta quanto ao Prexige.

Ambos dizem que todos os medicamentos têm efeitos colaterais e que é ter preciso ter critérios para prescrevê-los.