25/07/2009 - 15:35h Olhos Secos

LIVROS

Crítica/”Olhos Secos”

Memória move livro de Ajzenberg Ao falar de sua geração, livro do escritor, que foi ombudsman da Folha, auxilia na construção de identidade brasileira

MOACYR SCLIAR
COLUNISTA DA FOLHA

Escritor e jornalista, o paulista Bernardo Ajzenberg tem feito uma bela carreira em ambas as áreas, ficção e jornalismo. Trabalhou na revista “Veja” e nos jornais “Última Hora”, “Gazeta Mercantil” e Folha, onde foi secretário de Redação e ombudsman. Paralelamente, publicou contos em revistas e coletâneas, os romances “Carreiras Cortadas” (1989), “Efeito Suspensório” (1993), “Goldstein & Camargo” (1994), “Variações Goldman” (1998), “A Gaiola de Faraday” (2002, prêmio de ficção da Academia Brasileira de Letras) e o livro de contos “Homens com Mulheres” (2005, finalista do Prêmio Jabuti) -os três últimos saíram pela Rocco. Ao completar 50 anos, Bernardo Ajzenberg dá-nos o seu sexto romance, “Olhos Secos”. Uma obra que se lê, antes de mais nada, com interesse. Ajzenberg sabe usar a experiência jornalística na ficção: o resultado é uma prosa fluente, objetiva. São duas narrativas paralelas, uma na primeira pessoa, outra na terceira. A primeira é um diário de viagem: acompanhamos o jovem Leon Zaguer, primeiro em Israel, onde, como muitos jovens de sua geração, ele foi fazer um estágio num kibutz, colônia socialista, e, depois, no clássico périplo mochila-às-costas pela Europa. Na segunda narrativa, Zaguer, adulto, casado e pai de uma filha, trabalhando num cartório, está às voltas com um sério problema: alguém quer que ele oficialize, mediante documentação, uma falcatrua.

Figura do pai
Ao longo da história, Zaguer evoca seu passado, sobretudo a figura do pai, Adolpho Zaguer, o protótipo do judeu comunista, homem autoritário que acusa o filho de fraqueza (o discurso que faz para Leon no hospital parece a “Carta ao Pai”, de Kafka, ao contrário) e o amigo Moti, que também funciona como uma figura paterna e que classifica Leon como “quarentão trabalhador, honesto e grande cagão”. A narrativa é pontilhada de diálogos com várias pessoas, diálogos esses que contribuem para situar o personagem numa realidade que, até certo ponto, é paradigmática quanto ao judaísmo brasileiro e quanto à geração que agora chega à maturidade. Mas a questão da memória desempenha aí um papel fundamental: “A memória nunca nos abandona, eis o problema”, suspira o personagem. “Olhos Secos” é o romance da memória. Pode ser também classificado como um romance de trajetória. O título define o problema do personagem: olhos secos são olhos que não se umedecem pelas lágrimas da emoção. O Leon adulto não é capaz de assumir suas emoções e não é capaz de virar a mesa, pelo menos até o -até certo ponto inesperado- final. Nesse sentido, as duas linhas narrativas evidenciam as contradições do personagem: o jovem aventureiro, que fez de uma viagem pelo exterior um momento de descobertas, é substituído por um adulto convencional, paralisado por suas indecisões. O livro aparece num momento importante. O Brasil está em busca de sua identidade, em busca de respostas para perguntas do tipo: quem somos nós? Ao narrar uma história que certamente fala muito de sua geração e de seu background cultural, Ajzenberg dá uma bela contribuição para esse debate e confirma a sua posição de destaque entre os novos ficcionistas brasileiros.


OLHOS SECOS

Autor: Bernardo Ajzenberg
Editora: Rocco
Quanto: R$ 28 (184 págs.)
Avaliação: bom

25/06/2009 - 19:27h Os lugares da literatura

Dos lugares suecos puestos de moda por sendos escritores.

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La ciudad de Millenium en el centro de Estocolmo.

En Södermalm, Estocolmo, tienen lugar las historias de la trilogía Millenium de Stieg Larsson -editadas en Argentina las dos primeras, Los hombres que no amaban a las mujeres y La chica que soñaba con una cerilla y un bidón de gasolina-. El éxito mundial de la trilogía y el rodaje de la película basada en la primera novela, hicieron que la barrio de convirtiera en un fenómeno turístico a tal punto que el Museo de la Ciudad de Estocolmo organiza bajo el nombre de Millennium Phenomeno un tour de dos horas por la ciudad donde circularon los personajes de la trilogía de super ventas.

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Una vista de Ystad



Otra ciudad sueca, Ystad, donde tienen lugar la saga del detective Wallander escrita por Henning Mankell, es el destino de un concurso organizado por la editorial Tusquets para dos personas a dicha ciudad.

Un fenónemo literario que deviene en un evento turístico pero que más allá de ello da cuenta de como los espacios se convierten en protagonistas de las historias, en otros espacios estos relatos serían inconcebibles.

27/04/2009 - 15:48h Que bom se a literatura fosse uma zona livre de celular…

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MATT RICHTELL

Conspirando com um namorado distante? Experimente mandar um torpedo. Perdido na floresta/ na natureza/ no mar Jônico? Use o GPS. Um caso de identidade trocada? Consulte o Facebook!
A tecnologia está tornando obsoletos alguns elementos de trama da narrativa clássica: ligações perdidas, comunicações erradas, a incapacidade de ir a um encontro. Esses artifícios não passam no teste de credibilidade quando até os destinos mais remotos têm cobertura wireless. (Aqui é Ulisses; alguém pode ver o caminho para Ítaca? Use a rota “sem sereias”.)
Qual o significado da perda para o ato de contar histórias se os personagens, da floresta de Sherwood aos Portões do Inferno, podem se conectar instantaneamente, mesmo que não constantemente?
Muito, e pelo menos parte dele é pessoal. Recentemente terminei meu segundo livro de suspense, ou assim pensava. Quando o enviei para vários amigos bons escritores, recebi esta resposta: o protagonista e sua namorada não podem passar o livro inteiro sem conseguir fazer contato um com o outro. Não na era do celular.
Então comecei a falar com amigos escritores e descobri um fermento de antagonismo contra os equipamentos de comunicação atuais. “Queremos um mundo onde haja distância entre as pessoas; é daí que vêm as grandes histórias”, disse Kamran Pasha, escritor e produtor de “Kings”, drama do canal de TV americano NBC baseado na história de Davi. Ele diz que mesmo o desenrolar da Bíblia teria sido prejudicado pela conectividade.
No Antigo Testamento, por exemplo, os irmãos de José atiram-no em um buraco. Ele é recolhido pelos negociantes de escravos e levado para o Egito, um desenvolvimento vital na narrativa do Êxodo que é central para o judaísmo. Imagine se, em vez disso, ele ligasse do poço, pedindo ajuda. “É engraçado pensar que, se José tivesse um iPhone, não haveria o judaísmo”, diz Pasha.
Hoje devemos “deletar” a tensão que fervilha em centenas de páginas enquanto os personagens se perguntam, por exemplo, o que aconteceu com uma namorada? Certamente Rick Blaine não teria sofrido a dolorosa incerteza de por que Ilsa o deixou esperando na estação ferroviária em Casablanca. (Por que ela não apareceu? Devíamos fugir juntos! Hum, deixe-me checar o e-mail… Está bem, tem sentido. Agora vou ver se a encontro no Google Earth…) E muitos enganos nas comédias de Shakespeare teriam sido desfeitos com uma simples mensagem: “Pode esclarecer se você é homem ou mulher?”
Os filmes de suspense, é claro, há muito se beneficiam da tecnologia, que oferece novas ferramentas de descoberta. Mas a tecnologia também afetou esse gênero. O autor de best-sellers Douglas Preston lembra de um momento no final dos anos 1990, quando ele estava escrevendo com Lincoln Child. Eles tinham uma personagem feminina que era seguida em um beco escuro em Nova York, sem ninguém para pedir ajuda. “Eu disse: ‘Lincoln, ela tem um celular’. Preston disse: ‘Bem, talvez os leitores não percebam’.” Eles deslocaram a cena para o metrô, onde na época não “havia sinal”.
Alguns autores estão simplesmente rejeitando a modernidade. M. J. Rose, cujos livros sobre reencarnação são a base para um projeto piloto da TV Fox, pretende ambientar parte de seu próximo livro em 1948, para que possam agir as conexões perdidas e erradas.
“Você perde um trem em 1888 ou mesmo em 1988 e não tem contato com a pessoa que espera na estação do outro lado”, ela disse. “Ele pensa que você mudou de ideia, foi sequestrada, não conseguiu escapar… Se você perde um trem em 2009, pega o celular e manda um torpedo: ‘Vou atrasar duas horas’.”

05/04/2009 - 15:44h La ninfa inconstante

Lujuriosa casa de citas

 

 Crítica de libros / Narrativa Latinoamericana

 

 Lujuriosa casa de citas

La ninfa inconstante , novela póstuma del cubano Guillermo Cabrera Infante, narra la melancólica historia de un crítico cinematográfico y una adolescente en La Habana de los años cincuenta con el lúdico y proliferante estilo verbal de un autor inimitable

 

 

Por Pedro B. Rey
De la Redacción de LA NACION

La Ninfa Inconstante
Por Guillermo Cabrera Infante
Galaxia Gutenberg
284 páginas
$ 54 – Argentina

 

Lujuriosa casa de citas
Cabrera Infante Foto: EFE   /   J.F.Moreno

Guillermo Cabrera Infante (Gibara, 1929-Londres, 2005) es el único de los escritores del así llamado boom latinoamericano que parece no haberse propuesto la construcción de un monumental edificio literario que decline la historia de una nación o las tribulaciones de un cómodo territorio mítico. Marcado por el desarraigo (fue precoz objetor del régimen castrista, en unos años, los sesenta, en que esas críticas eran anatema), el cubano fue haciendo su obra de modo inevitablemente episódico. La parodia, el pastiche, la prosa incontenible sembrada de juegos de palabras frenéticos y alusiones intertextuales dan forma a sus dos novelas magnas ( Tres tristes tigres y La Habana para un infante difunto ), pero también a sus ensayos y artículos para la prensa, donde anidan algunos de sus mejores hallazgos. Son pocos los autores -pertenezcan a la lengua que fuera- que han vuelto a tal punto tautológicas palabras como hombre y estilo.

A partir del exilio, la literatura de Cabrera se abocó a una original anatomía de la melancolía en que el humor, la ironía, el virtuosismo ofician de antídoto, pero también, en ocasiones, de catalizador, de la nostalgia (”Esa puta del recuerdo”, como la definió alguna vez). En La ninfa inconstante , novela póstuma y brevísima si se la compara con sus hermanas mayores, el autor dedica varias páginas a reflexionar sobre la memoria y su aliada más díscola, la literatura, esa “máquina del tiempo” que permite espacializar el pasado y recobrar lo que uno fue durante apenas un momento. No puede citarse cada frase, pero sí destacar esta definición sobre la fugacidad de los días: “La vida es un prêt- à -porter si pret es una abreviatura de pretérito”.

La anécdota es sencilla. El narrador, crítico cinematográfico, trabaja en la revista Carteles . De poder ver su imagen en el espejo de alguna de las tantas piezas en que transcurre parcialmente la novela, nos encontraríamos con el escorzo del propio Cabrera Infante, con anteojos de sol, en los años en que firmaba sus crónicas como Caín. La bohemia del oficio permite ágiles pinceladas de las redacciones habaneras, la introducción de personajes estrafalarios (el amigo Branly, el jefe Wangüemert) y recrear el ajetreo de una ciudad que representa la propia juventud.

Durante una jornada soleada y fantasmal, a finales del régimen de Batista, el crítico se topa con una muchacha que busca las oficinas de un canal televisivo. “Su melena corta, rubia, suelta, se movía con el aire o tal vez seguía sus movimientos de cabeza, ladeados, vivaces, ella se veía como una mujer muy joven que se veía muy vieja o una muchacha que acababa de hacerse mujer”: así describe ese primer encuentro, sin temer la cursilería, la primera persona que narra. El encuentro carece de la aparente fatalidad que experimenta Humbert Humbert cuando descubre a Lolita en el jardín de la casa suburbana de Charlotte Haze. Cabrera Infante, que supo escribir de modo ejemplar sobre la nínfula de Nabokov, aprovecha esa referencia como contrapunto, nunca como guía. Estela Morris -en diminutivo, Estelita- ya tiene dieciséis años, y, codiciada por muchos, el protagonista llega tarde para entrenarla en el arte del nihilismo, fundamental para sus fines. El crítico deja a su mujer y emprende con ella la huida. Estela le reclama, como en un mal film noir , que el amante mate a la madre. La infatuación amorosa poco a poco se disgrega, aunque -pasados tantos años, desde el presente de la escritura- Cabrera o su álter ego se las ingenian para mostrar el destino que el futuro les depararía a los diversos actores del drama.

No hay en La ninfa inconstante -como no suele haber en sus textos de ficción- diatribas de tenor político. La historia principal parece signada, sin embargo, por una claustrofobia que recuerda la maldita circunstancia del agua por todas partes (que desesperaba a Virgilio Piñera), aunque ese agobio apenas se sintetiza en la pasajera visión de Cuba como una “Creta rodeada de cretinos”.

Lo que domina y reluce, como siempre, es la impenitente lujuria verbal del autor de O . Los juegos de palabras, alusiones literarias y cinéfilas alcanzan por página una densidad tal que parecen proliferar ex profeso para provocar a los malthusianos minimalistas de la literatura. El escritor cubano parodia, con genio y fluidez, el comienzo de Anna Karenina (”Todos los crímenes con éxito son iguales. Sólo los crímenes que fallan se diferencian entre sí”), describe el cielo de La Habana (similar a un paciente eterizado sobre la mesa) con versos tomados de T. S. Eliot o profetiza que todo autor perecerá (en referencia a Todo verdor perecerá , la novela de Eduardo Mallea, muy leída en los tiempos en que transcurre la acción), pero ninguno de estos malabares forma el núcleo duro de la obra. Esta “consolación por la prosopopeya”, como la denomina el autor, ese enciclopedismo a veces críptico, funciona como canto maníaco dirigido a Estelita, dueña de una ignorancia supina sin complejos. “Estás lleno de citas”, le dice en un momento ella, siempre distante y desapasionada, cansada de tanta pulla, a punto de iniciar su rebelión de las musas. “Ahora que lo dices, reflexiono que estamos, de hecho, en una casa de citas”, le responde el implicado al darse cuenta de que están en un hotel de paso (casi, casi un motel nabokoviano).

El procedimiento termina por estancarse. Esto acaso se deba a que La ninfa inconstante es una novela acabada pero inconclusa, o, tal vez, al simple engolosinamiento. Es imposible sustraerse, contra todo, al encanto de esas frases filosas que terminan dañando la cordura del propio narrador. Ese derroche, que compromete la estructura, no alcanza a velar el verdadero trasfondo de la historia. La protagonista femenina tiene puntos de contacto con Dolores Haze (alias Lolita), pero más se asemeja a una suerte de Daisy Miller caribeña, condenada a la frustración y la anomia. A Estela Morris no hace falta corromperla porque algo, profundo e indeleble, ya la corrompió. Cabrera Infante, que tanto amaba la literatura inglesa, bien podría haber iniciado su relato con la variación desolada de otro principio, aquella frase de El buen soldado que decía: “Esta es la historia más triste que escuché en mi vida”.

12/03/2009 - 17:02h Novelas, sexo e sociologia

Television in Brazil

Soaps, sex and sociology

Mar 12th 2009 | SÃO PAULO
From The Economist print edition

Do women who watch telenovelas have fewer babies (but more men)?

Illustration by Claudio Munoz

THE glamorised world portrayed on the nightly telenovelas (soap operas) on Brazilian television is, superficially at least, about as representative of the country as a whole as Marie Antoinette and her shepherdesses were of 1780s’ France. But they are all about aspiration. About 40m people watch the mid-evening novela from Globo, the leading network. The action often takes place in Rio de Janeiro, where Globo is based, among families which are smaller, whiter and richer than average. New research suggests that by selling this version of the country to itself, Globo has boosted two important social trends.

The soaps blossomed under Brazil’s military regime of 1964-85. The generals subsidised sales of television sets to build a sense of nationhood in a large and then largely illiterate country. National news was meant to do the job, but the soaps got the audience. Their scriptwriters and directors, many of whom were on the left, saw them as a tool with which to reach the masses. Their plots often tilt in a progressive direction: AIDS is discussed, condoms are promoted and social mobility exemplified.

How much impact do the soaps have on real life? As recounted in papers from the Inter-American Development Bank, researchers tracked Globo’s expansion across the country and compared this to data on fertility and divorce.*

The results are most striking for the total fertility rate, which dropped from 6.3 children per woman in 1960 to 2.3 in 2000, despite contraception being officially discouraged for some of that time. This was because women moved to cities and opted to have fewer babies. The papers argue that the small, happy families portrayed on television contributed to this trend. Controlling for other factors, the arrival of Globo was associated with a decline of 0.6 percentage points in the probability of a woman giving birth in a given year. That is equivalent to the drop in the birth rate associated with a woman having two extra years of schooling

The effect on divorce was smaller, but noticeable. The researchers found that between 1975, when divorce was first mooted, and 1984 about one in five of the main characters in Globo soaps were divorced or separated, a higher percentage than in the real Brazil. These break-ups were not just a result of machismo: from the mid-1960s to the mid-1980s about 30% of female lead characters in novelas were unfaithful to their partners. The researchers find that the arrival of Globo in an area was associated with a rise of 0.1-0.2 percentage points in the share of women aged 15-49 who were divorced or separated. The authors reckon that watching “empowered” women having fun in Rio made other women (a few of them anyway) more independent.

Other research shows that divorce and lower fertility are linked to less domestic violence. So the influence of soaps may be far more positive than critics of their vapidity claim. If Globo could now come up with a seductive novela about tax reform its transformation of Brazil would be complete.


* “Television and Divorce: Evidence from Brazilian Novelas,” by Alberto Chong and Eliana La Ferrara (January 2009) and “Soap Operas and Fertility: Evidence from Brazil,” by Eliana La Ferrara, Alberto Chong and Suzanne Duryea (October 2008).

06/02/2009 - 14:25h Luces y sombras de Susan Sontag

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La novelista y ensayista estadounidense tuvo un apetito desbordante por la vida y una actitud intelectual independiente e irreverente. Su hijo edita ahora los diarios íntimos de esta aristócrata de la contracultura

TOMÁS ELOY MARTÍNEZ – El País

Susan Sontag dejó, al morir hace cuatro años, un caudal incontable de notas dispersas, ensayos inconclusos, anotaciones para un diario.

Su hijo, el periodista y editor David Rieff, dice que jamás recibió instrucciones sobre lo que debía hacer con esos textos. Aunque Sontag sufría un cáncer de la sangre que en general resiste a los tratamientos más avanzados, “siguió creyendo, hasta pocas semanas antes de su muerte, que iba a sobrevivir”.

Dos veces antes había afrontado otras formas de cáncer y había ganado la pelea. De la primera experiencia, a los 42 años, surgieron las ideas de La enfermedad y sus metáforas (1977), uno de sus grandes ensayos.

“Amaba vivir, y tanto su sed de experiencias como sus expectativas de escritora habían aumentado con el paso del tiempo”, escribió Rieff en un libro desolado, Un mar de muerte: recuerdos de un hijo. Allí cita un pasaje de los diarios juveniles de Sontag, que acaba de publicar en los Estados Unidos: “No puedo siquiera imaginar que un día dejaré de vivir”.

Esos diarios y una crónica de Rieff describen el comienzo y el final del personaje de Sontag, esa aristócrata de la contracultura, crítica y protagonista del star-system intelectual. Si en el ocaso se relatan los sufrimientos físicos a los que se sometió para seguir viviendo (un trasplante de médula sin esperanza, entre ellos), en el origen se cuenta el sufrimiento mental por el que pasó hasta descubrir que su vida estaba regida por el afán de conocer más, por saberlo todo.

“Quiero escribir, quiero vivir en una atmósfera intelectual”, anotó a comienzos de 1949, cuando tenía 15 años y estudiaba en Berkeley, poco antes de aceptar una beca en la Universidad de Chicago. “En cuanto llegue a Chicago voy a buscar la experiencia y no esperar que la experiencia venga a mí”.

En París, a fines de 1957, vislumbró lo que de veras quería y, como siempre, se trazó planes y mandatos que cumplía sin vacilar: “Uno debe ir a varios cafés: en promedio, cuatro por noche”. Esas andanzas le permitieron decidir que quería ser una escritora, no una académica.

El registro de los años de bohemia, desde sus 15 a sus 30, cubre la transformación de una adolescente apasionada por La montaña mágica y por Shakespeare en una intelectual compleja. Ante los ojos del lector renace, va inventándose a sí misma, tal como ella misma escribe y como el hijo eligió titular el primero de tres volúmenes de los diarios de Sontag: Reborn.

“Todo comienza ahora”, escribió a mediados de 1949. “He vuelto a nacer”. Se refería a la revelación de su identidad homosexual y a la fe en su pasión intelectual.

La última página de Reborn llega hasta el momento en que está por publicar su primer libro, la novela El benefactor (1963), tres años antes del ensayo que inauguró su fama, Contra la interpretación (1966).

En el medio se abre la cita del escritor francés François de La Rochefoucauld que acompañó muchas de sus reflexiones e inspiró el título de su último libro, Ante el dolor de los demás (2003): “Todos tenemos la fuerza suficiente para soportar el dolor de los demás”.

Su apetito por la vida desbordaba las exigencias cotidianas. Se desvelaba anotando listas de las cosas que necesitaba vivir o conocer. Palabras que alguna vez usaría, como el argot gay, o “noctámbulo”, “prolepsis”, “demótico”. Observaciones sobre sí misma: las cosas en las que creía (”Creo en la vida privada, en la música, en Shakespeare, en los edificios antiguos”), las que le disgustaban (las tareas como madre sola) y las que prefería evitar (”Hablar de dinero”). Una de sus listas enumera los seres que deben coexistir dentro de un escritor: “1) El loco, el obsesivo, 2) el idiota, 3) el estilista, 4) el crítico”.

“Libros por leer” y “Libros para comprar” son entradas que se repiten y van dando cuenta del paso del tiempo en la formación de Sontag: desde Henry James y Joseph Conrad a Saul Bellow y Philip Roth, del filósofo estadounidense John Dewey al filósofo austriaco Ludwig Wittgenstein.

Sontag lanza afirmaciones con peligrosa seguridad: “La poesía debe ser exacta, intensa, concreta, significante, rítmica, formal, compleja”. A veces incurre en pobres lugares comunes: “Los amores perfectos son los ilícitos”.

Cada una de sus intervenciones, aun las menos lúcidas, confirman la imagen de intelectual irreverente que la marcó hasta el final y que le valió el escarnio de la opinión pública en su país cuando, al hablar de los atentados contra las Torres Gemelas y el Pentágono, dijo que eran “una consecuencia natural de las alianzas y las acciones de los Estados Unidos”, y que de los atacantes se podía decir todo menos que fueran cobardes.

El matrimonio irrumpe por sorpresa en su vida. En los diarios menciona por primera vez al sociólogo Philip Rieff el 21 de noviembre de 1949. El 2 de diciembre registra su compromiso y el 3 de enero de 1950 anota: “Me caso con Philip con plena conciencia y con miedo a mi vocación por la autodestrucción”.

Estaba por cumplir 17 años. El resto de sus notas sobre el matrimonio serían diatribas contra la institución y detalles sórdidos de peleas.

La edición del diario desborda de anécdotas sobre la homosexualidad de Sontag, quien compartió los últimos años de su vida con la fotógrafa Annie Leibovitz. Aunque la escritora habló pródigamente de su intimidad, eludió el punto con extremo cuidado.

Desde la primera mención a sus “tendencias lésbicas” en 1948 hasta sus dolorosas relaciones con una mujer identificada como H. y con la dramaturga cubana Maria Irene Fornes, Reborn muestra la lucha de Sontag por aceptar su identidad sexual.

En abril de 1949 se esfuerza por acercarse a un hombre: “¡Lo intenté! ¡Yo quería reaccionar! Quería sentirme físicamente atraída por él y probar que, al menos, soy bisexual”. Un mes después anota, junto a esa frase: “¡Qué pensamiento estúpido, ‘al menos bisexual’!”.

H. la llevó por los bares de gays en San Francisco, de los que también hay una lista, y le reveló una noción que gana peso mientras avanzan las páginas: “Nada, nada me impide hacer cualquier cosa. Sólo yo me lo impido”.

En la selección de textos, Rieff se revela como un hijo indigno del talento enorme de su madre. Deja en pie los fragmentos que podrían saciar la curiosidad morbosa de los lectores y escamotea otros que supone aburridos pero que servirían para entender cómo se fueron conformando las visiones del mundo de Sontag.

Ella, sin embargo, veía el diario como un instrumento para entender cómo iba haciéndose a sí misma, cómo su yo se iba creando día tras día. Esa creación se extinguió el 28 de diciembre de 2004 en el Memorial Sloan-Kettering Cancer Center de Nueva York. Murió defendiéndose contra la muerte, tras un tenaz combate cuyo final inevitable no quería aceptar.

“Mi ambición o mi consuelo”, se lee en el diario, “ha sido entender la vida”.

La entendió con una lucidez de la que carece la mayoría de los seres humanos. Sólo ante el último paso de la vida se volvió ciega y se privó de una experiencia irrepetible, la más misteriosa de todas.

Distribuido por The New York Times Syndicate.

Tomás Eloy Martínez es escritor y periodista argentino. © 2009 Tomás Eloy Martínez.

18/01/2009 - 14:39h “La capacidad de hacer el mal que tiene el periodista es devastadora”

REPORTAJE: MAESTROS DEL PERIODISMO Jean Daniel Fundador de ‘Le Nouvel Observateur’

JUAN CRUZ – El País

Jean Daniel tiene su estudio lleno de fotografías, y entre todas destaca las que guarda de su maestro, Albert Camus, que es para él no sólo un paisano (Argelia les une, la guerra de Argelia les dividió) sino una fuente constante de inspiración. Le acaba de dedicar un libro, Camus a contracorriente (Galaxia Gutenberg), que es al tiempo un homenaje al periodista e intelectual que fue premio Nobel de Literatura, sino que es también un libro de estilo para ejercer este oficio.

El periodista, Jean Daniel
“La fascinación del poder no debe hacer caer en la complacencia, la indulgencia y la corrupción”
“Puede ocurrir que los periódicos de hoy sean mañana suplementos de Internet”
“Hemos perdido los instrumentos de previsión. Obama es la confirmación total de ello”
“La filosofía de la transparencia, cuando se lleva al extremo, viola la vida privada”

En ese libro hay una imagen, de la que no hay fotos, en las que se ve a Camus entrando en una boîte, con sus colegas del periódico Combat, resistente contra la ocupación nazi de París; habían hecho un buen periódico ese día, Camus estaba exultante y al entrar a la sala de copas exclamó: “¡Vale la pena luchar por una profesión como esta!” Jean Daniel tiene una larga trayectoria como periodista, acaso el más influyente de Francia en algún momento, sobre todo como director y cabeza pensante de Le Nouvel Observateur, una revista elitista que él decidió convertir en un magazine de gran tirada sin disminuirle su ambición cultural.

En esa abigarrada colección de fotos que son las cuatro paredes de su estudio parisino hay alguna muesca de ese éxito, por ejemplo una información que le recuerda que en 1978 fue elegido el mejor periodista francés, el premio Príncipe de Asturias que le concedió la Fundación Príncipe de Asturias, y otras señales de su gran influencia, cerca, por ejemplo, del presidente Mitterrand. Es complicado escribir (en prensa) sobre los amigos políticos, pero en libros lo hace y lo hará, “porque ahí me puedo detener en detalles”.

Ya tiene 88 años, mantiene alertas todas sus facultades, escribe sus artículos (también para EL PAÍS), viaja, presenta libros, y está en permanente contacto con la revista. Y con la realidad. Detrás de su asiento está la portada del New York Times del último 5 de noviembre; en primera página, el gran periódico norteamericano le cita como un referente izquierdista europeo que ha glosado “la épica” gloriosa de Barack Obama, y él está feliz con ese recorte, que tiene enmarcado. Su aversión a las fotos, dicen, es una cuestión de coquetería de un galán que ya ha juntado demasiados años como para que no haya caído alguno sobre su rostro, pero Mordzinsky le sacó unos retratos a los que él accedió con su buen humor cansado. ¿Y aquella frase de Camus? ¿Vale la pena luchar por este oficio? De eso le preguntamos, pero antes hablamos de él, de cómo empezó.

Pregunta. Empezaré por una pregunta que usted le hizo a Albert Camus. ¿Cómo ha llegado usted a ser periodista?

Respuesta. Por casualidad. En mi generación los jóvenes con posibilidades de escribir no diferenciaban entre la filosofía, la literatura, el compromiso político y el periodismo; eran cuatro tentaciones. Los dioses de esta época, los maestros del pensamiento de estos jóvenes, eran americanos: Hemingway, Dos Passos, Steinbeck…; en Francia, Malraux, que hizo aquel reportaje sobre la guerra en Teruel… Era gente que lo hacía todo: el compromiso político, la literatura, la filosofía -no siempre-, y el periodismo. Así que cuando se es joven y se han cursado estudios de humanismo no es necesario hacer una elección entre los cuatro. Si se elige uno se eligen también los otros, no se sacrifica nada. Cuando empecé a escribir siempre fue con la idea de que si hacía un artículo podía hacer un libro. ¿Y qué lo decidió todo? En primer lugar, encontrar a Camus.

P. Un encuentro trascendental.

R. Yo era muy, muy joven, y fue una suerte encontrar a Camus; yo hacía una revista, Caliban, y él me quiso conocer. Otra de las causas de nuestro encuentro fue la guerra de Argelia… Si no hubiera existido esa guerra, que fue tan importante para Francia, para el mundo árabe y para el mundo en general, no hubiera escrito sobre Argelia, probablemente, y quizá no hubiera tenido con él una relación tan intensa… Y desde que me hice periodista nunca he dejado de estar poseído por la necesidad de los libros. He escrito unos veinticuatro libros, y eso distribuye mis anhelos. Pero ha sido muy difícil hacerlos siendo director de periódico. Ser director de periódico no es lo mismo que ser periodista, en absoluto. A menudo es incluso peor. Está la presión de tener a jóvenes a tu lado; hay que animarles, hay que crear con ellos, la gente te concede poderes.

P. ¿Y qué papel le gusta más, periodista o director?

R. No tienen nada que ver. Siempre me han gustado mucho los grandes reportajes. Los reportajes míos que han tenido más éxito son como pequeñas novelas. Sin quererlo, salieron espontáneamente. Me gustaba descubrir un país, interesarme por unos hombres, unas situaciones… Elegía países donde habían vivido hombres que admiraba. Ese fue un gran momento. La dirección me ha apasionado porque tenía la ambición, quizá pretenciosa, de crear otra cosa, no hacer lo mismo que los demás. Siempre se quiere hacer algo diferente, y yo quería crear periodismo cultural. En este sentido la dirección me interesaba. Pero, ¿cuál es el problema? El periodismo es un equilibrio entre la imagen y la rentabilidad del periódico. Un periódico cultural no es para el público en general. Me he rodeado de las personas más competentes y he tenido uno de los mejores equipos de Europa. Y todos han destacado; algunos están en la Academia francesa, otros en la de Bellas Artes, todos han conseguido algo, y el periódico ha destacado sin romper su imagen ni su rentabilidad. De ese equilibrio estoy orgulloso.

P. Se interesa por las personas. Y por el poder. ¿Cómo debe ser la relación del periodista con el poder?

R. El poder fascina. Fascina a los periodistas muy a menudo porque si tienen el gusto por la literatura quieren saber cómo se hace la historia… La historia: los pueblos la sufren, los dictadores (o los poderosos) la hacen, y los periodistas la contemplan para describirla. Los periodistas están entre el poder y la historia. Y han de saber cómo funciona el poder, con la condición de que la fascinación no caiga en la complacencia, la indulgencia y la corrupción… Con esas condiciones es muy interesante ver cómo funciona un hombre que detenta todos los poderes. En este momento hay que desconfiar de todo, hasta del más mínimo detalle. A mi siempre me invitaban, siempre, y tenía un método: o rechazaba la invitación o la aceptaba haciéndola notar. Una vez me invitó el Rey de Marruecos a un gran hotel de Marrakech, y me dijeron que sería ofensivo si pagaba yo la cuenta. Acepté la invitación e hice un donativo por ese importe para obras benéficas de la ciudad, e hice público el gesto… Es muy difícil juzgar con rigor y objetivamente a gente que tienes frente a ti. Tiene que haber una disciplina, sobre todo si estás muy interesado en esas personas; y debes cuidar en todo momento cada detalle.

A mi me han ofrecido de todo: una casa en México, en Túnez también querían ser muy amables conmigo… He tenido la tendencia a ser más crítico cuanto mejor me recibían. Pero la relación del poder con la prensa es un problema en los dos sentidos. He conocido periodos en que había corrupción de los periodistas, pero he conocido periodos en los que existía acoso de los periodistas. Un hombre con poder es un hombre que esconde algo y hay que descubrirlo. Hay que descubrir el crimen. ¿Qué crimen? No se sabe, pero hay que descubrirlo. Es una actitud equivocada pensar que siempre hay un crimen. Existen los dos excesos, y ahora existe el exceso de la transparencia: no se sabe qué crimen hay pero hay que descubrirlo.

Es cierto que un dictador lo esconde todo, y nuestro papel es descubrir qué esconde. Pero se han pasado los límites: la filosofía de la transparencia, cuando se lleva hasta el extremo, por virtud o por vicio, llega hasta la violación de la vida privada. Y existe una intromisión nueva, la intrusión de la fotografía en la vida íntima… Cuando se traspasan los límites se llega a aberraciones. Mire lo que ha pasado ahora con Milan Kundera, el gran novelista checo, acusado de haber denunciado a un compañero… En aquel tiempo él tenía veinte años, ahora tiene setenta. No había pruebas. Los periodistas se fueron a Praga y no encontraron pruebas. Pero hubo un titular junto a una gran foto de Kundera: Kundera habría sido… Y con ese condicional, la enorme foto y el titular ya Kundera es… El texto en sí era honesto, pero el lector se fija tan solo en la imagen, y en la fuerza del condicional. El fin del periodismo es escribir, el texto. Pero en esa información existe sólo la fuerza de la imagen, la fuerza del título y la fuerza del condicional. Quizá el periodista fuera honesto, pero mire usted el resultado.

P. Es el principio de la calumnia.

R. Absolutamente, salvo que la calumnia ahora se apoya en las nuevas tecnologías.

P. En la dispersión de los rumores.

R. No es exactamente eso. Hace algunos años sí se producía la difusión del rumor, un término que arranca de Beaumarchais. Pero ahora lo nuevo es la presentación de las noticias. Enciendes la televisión y ves una cara. ¿Qué ha hecho? Y después de la cara alguien dice: “Ha sido acusado de …” Sin pruebas. No es sólo la difusión del rumor, es la fuerza que se da a la presentación del rumor.

P. Internet es un instrumento que difunde rápidamente todo lo que toca.

R. Sí, es una posibilidad de multiplicación del rumor.

P. ¿Cuál es su posición sobre el porvenir de la prensa a partir de la aparición de este poderoso instrumento?

R. ¡Si yo lo supiera! Saberlo es muy importante para mucha gente, también para los editores de periódicos. Es verdad que existe una crisis de la prensa; puede ocurrir que los periódicos de hoy sean suplementos de Internet. La realidad será Internet. Es una posibilidad. Con el libro no va a pasar lo mismo. Se ha demostrado que la gente quiere tener algo en las manos, un objeto como este. Hay algo de mágico en el libro, la forma, las páginas…

P. ¿Y qué aporta Internet al periodismo?

R. A los periodistas les aporta el gusto por la velocidad. La posibilidad de que cualquiera pueda contestar a cualquiera. El hecho de que todo el mundo pueda ser un periodista, y, en este caso, que los propios periodistas ya no crean en ellos mismos, porque se les cuestiona en todo momento. Se está produciendo un descrédito de la función del periodista.

P. Que se preparó para ser periodista.

R. Todo ese itinerario de preparación, que terminaba con un estatuto de prestigio y de autoridad del periodista, es destruido por la repentina aparición de alguien que ha encontrado una foto y la pone en Internet. Y esa foto puede destruir a alguien. Hay ventajas, no son para el periodista, pero hay ventajas. Es el sueño de la opinión pública, es verdad que se le abre una posibilidad infinita a la capacidad de expresarse. Pero lo que le decía con respecto al peligro que hay en esta situación supone una preocupación para mi.

P. Camus decía que el periodismo era la información crítica. Acaso la velocidad puede cambiar esa definición de periodismo.

R. No es forzosamente malo reaccionar ante las opiniones. Además, esa velocidad proporciona una impresión inmediata del sentir popular. Todo no es malo, no. Se puede saber de manera instantánea si lo que uno escribe suscita interés… Pero es cierto que todo el mundo tiene miedo. Y hay gente que explota ese miedo y piensan que Internet va a acabar con la prensa escrita, que cada vez va a haber más prensa gratuita, y que los periódicos serán suplementos de Internet. Yo no estoy capacitado para hacer una predicción. ¡Y además no soy un magnate de la prensa! Soy tan solo director de Redacción, y soy el único director de periódico que no tiene ni una acción de la compañía. ¿Se da cuenta de lo que esto supone?

P. Debe ser muy bueno para un periodista… Balzac decía que si la prensa no existiera había que procurar no inventarla…

R. ¡Lo decía porque ya existía, existió siempre! En el sentido moderno existe desde Gutenberg y desde la invención del correo. Pero antes de todo eso había personas que repetían las cosas, gente que distribuía gacetas, libelos…, existía la necesidad de repetir lo que pasaba. ¿Qué es el periodismo? Es decir a otro lo que uno sabe y el otro desconoce. Es tratar de saber algo incluso con riesgo de tu vida, como el corredor de Maratón que va a llevar la noticia de la victoria de los atenienses. ¿Hay porteros en España?

P. Sí, y hubo serenos.

R. Pues cuando un portero va a contarle a otro qué pasa en su casa, eso es el principio del periodismo.

P. En su libro sobre Albert Camus usted recoge cuatro pautas sobre las obligaciones de un periodista: “Reconocer el totalitarismo y denunciarlo. No mentir y saber confesar lo que se ignora. Negarse a dominar. Negarse siempre y eludiendo cualquier pretexto a toda clase de despotismo, incluso provisional”. ¿Cuáles son para usted las obligaciones de un periodista hoy?

R. La lista de Camus sigue vigente. ¿Qué hay que agregar a esa lista? Probablemente, la capacidad de conocer las nuevas trampas de la tecnología. Cuando Camus enumera esas obligaciones no existía aun la televisión. Y el reino de la imagen lo ha cambiado todo, incluso la forma de escribir. Imagine un novelista que escribe una novela y en cada párrafo alguien le dijera que su nivel de audiencia baja o sube. ¡Escribir en función de la reacción inmediata del lector! La gran innovación que ha incrementado los temores enunciados por Camus es la simultaneidad, la ubicuidad, el hecho de que cuando alguien habla faltan segundos para que lo sepa toda la Tierra. Es algo extraordinario.

P. Esa simultaneidad afecta también a la vida privada, otra de sus preocupaciones. Dice usted que la amenaza a la vida privada es el peor defecto del periodismo actual.

R. Somos muchos los que pensamos eso; hay mucha gente que piensa que la transparencia es algo muy importante, y que si la vida pública se ha mezclado con la vida privada el lector tiene derecho a conocer ésta. Es una postura, y no es la mía en absoluto. Pero hay gente de alto nivel que piensa eso. Piensan que si Berlusconi mezcla su vida pública con sus intereses privados tenemos derecho a conocer detalles de esos hechos. Hay gente que no es deshonesta que piensa eso. Y eso nos puede llevar muy lejos.

P. Por eso dice usted que el periodista tiene un poder injusto.

R. Naturalmente, muy a menudo es así. La capacidad de hacer el mal que tiene el periodista es devastadora. En un día o en una hora se puede deshacer una reputación, se puede transformar a alguien que tiene fama de ser honesto en un terrible malhechor. Es un poder terrible.

P. ¿Y cómo se puede limitar ese poder sin llegar a la censura?

R. Es una apreciación difícil que depende en primer lugar del director de Redacción, del redactor jefe, del jefe de departamento, de la forma como se concibe el periódico. Esto pasa de paredes para adentro, no hace falta una ley para eso.

P. Usted advierte, como Camus, contra la primicia: es mejor verificar que lanzarse con una noticia que está segura, no hace falta ser los primeros…

R. Es mejor ser el segundo pero verídico que el primero pero equivocado. Todo el mundo quiere ser el primero… En la época de Camus había un gran asunto, la violencia, y él quería ahondar más en eso, el asunto de las primicias estaba en segundo lugar… Hablé con él muchas veces de eso: cuándo acabará el Mal, cómo se da respuesta a la agresión, ¿se llega a imitar al enemigo? ¿Qué porvenir tendrá nuestra Causa si empleamos las mismas armas que nuestros enemigos? ¿Y el periodista, es honesto utilizando medios que considera inaceptables para otros? Ahora tenemos preguntas parecidas. ¿Qué hacemos con Irán? ¿Tenemos que hacer como Irán para ir contra Irán? La pregunta es si hoy estamos condenados a imitar los medios de los enemigos. Camus me interesó y me sigue interesando porque su gran preocupación tiene que ver con el modo que el periodismo tiene de enfrentarse al gran tema de nuestro tiempo, la violencia. Cada texto fundamental sobre el periodismo debería de ir acompañado por una filosofía de la violencia.

P. “Sueño con un periódico que destierre todo tipo de mentira, en el que la virtud fue, no obstante, divertida, y en donde se defendieran encarnizadamente tres principios: los de la Justicia, el Honor y la Felicidad”.

R. Muy de Camus… ¡El honor, tan castellano! No sé si hoy habría un periódico como ese que soñaba Camus. Él iba muy lejos, y era un puritano. Cortó una serie de reportajes porque estaba harto de que comiéramos del dolor de las mujeres. Un puritano. El mundo ha cambiado. El día en que el Times de Londres puso una foto en portada el mundo periodístico cambió radicalmente.

P. Usted dice que el periodismo consiste en vivir la historia mientras ésta se hace. ¿Cómo ve la historia haciéndose ahora?

R. Hemos perdido los instrumentos de previsión; eso es lo más novedoso. No hay ciencia económica, no hay conocimiento analítico financiero: se han equivocado todos. Desde hace diez años se han equivocado todos. Hemos perdido los instrumentos de previsión y nos faltan paradigmas. Estoy rodeado de jóvenes economistas, muy seductores y muy simpáticos, pero si los reúno no saco nada en claro. Primero, porque no están de acuerdo entre ellos y cuando están de acuerdo no saben qué va a pasar. Levi-Strauss me lo ha dicho y lo he escrito: la ciencia es importante, todo el mundo se alegra de ello, pero nada es verdadero porque el mundo se ha vuelto imprevisible. Eso decía.

R. ¿Incluso con Obama?

R. Sobre todo con Obama. ¿Quién había previsto a Obama? Es la confirmación total de lo anterior. La historia de Obama es increíble. Uno de mis mejores amigos es un gran economista americano. Le conozco desde hace treinta años, es un banquero. La semana pasado hablamos por teléfono y al cabo de un rato me dice: “No sé quién será el secretario de Estado; cualquiera, menos Hillary Clinton”. ¡Ese era el hombre en quien yo confiaba más desde hace décadas! Y al día siguiente llega la noticia del nombramiento de Hillary Clinton… Y él está allí, en ese mundo. Imprevisible.

P. Usted recuerda esa escena: Camus llega a una boîte, está feliz por la edición del último número de Combat y exclama: “¡Vale la pena luchar por una profesión como esta!” ¿Usted diría lo mismo hoy?

R. [Después de un largísimo silencio] Merece la pena. Sí, creo que merece la pena. He tardado en responderle porque me he vuelto muy preocupado y hasta un poco pesimista. Pero digamos que merece la pena luchar. Él decía: “Vale la pena”. Yo digo que merece la pena luchar.

11/01/2009 - 17:05h O tédio

La epidemia del aburrimiento

Lo consideran el mal por excelencia del hombre de hoy. Quien lo padece, siente el vacío abrumador de la vida. ¿Aceptarlo o huir?

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Humano, demasiado humano
Muchos lo consideran el mal por excelencia del hombre de hoy. Quien lo padece, siente el vacío abrumador de la vida. Para huir de él, algunos se alienan con el trabajo, y así se ganan, a la vez, aprobación social y desdicha; otros creen que la solución es satisfacer los deseos, pero pronto advierten que el deseo asegura el infierno. Heidegger piensa que aburrirse hace tomar conciencia de que se tocó fondo y permite así alcanzar la autenticidad. ¿Habrá que aceptar ese molesto estado de ánimo?

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Por Diana Cohen Agrest Para LA NACION – Buenos Aires, 2009

Cómo se nos habrá hecho carne que hasta Kierkegaard hace del aburrimiento la piedra fundacional de la Creación, imaginando que “los dioses estaban tan aburridos que entonces crearon a los seres humanos”. No sólo los dioses. También “Adán estaba aburrido porque estaba solo, entonces crearon a Eva. Desde entonces, el aburrimiento ingresó en la Creación”. Nietzsche no le fue en zaga cuando, con su demoledor sarcasmo, sugirió que en su descanso sabatino Dios se habría aburrido espantosamente. Y Kant aportó lo suyo cuando, a modo de consuelo del devenir de la historia misma, advirtió que, de permanecer en el Paraíso, Adán y Eva se habrían aburrido soberanamente.

Tantas citas ilustres prueban que, parafraseando a Camus, si hay un problema verdaderamente filosófico, es el del aburrimiento. Raramente reconocido en su magnitud, el tema no suele ser un objeto de reflexión de la filosofía académica ni del común de los mortales. Se trata, sin embargo ,de una experiencia inescindible de la existencia humana.

También la escritura en torno al aburrimiento corre el riesgo de resultar, precisamente, aburrida. Sin embargo, la histórica y sospechosa omisión de este asunto nos convoca a su examen: ¿Qué es? ¿Cuándo aparece? ¿Por qué aparece? ¿Por qué nos afecta? ¿Cómo nos afecta?

Aun cuando, por una suerte de reduccionismo, rotulamos con la etiqueta de “aburrido” todo aquello que no despierta nuestro interés, lo cierto es que convivimos con el aburrimiento de una manera tan atroz como imperceptible, como con “una especie de polvo. Uno va y viene sin verlo, un respira en él, uno lo come, lo bebe, y es tan fino que ni siquiera cruje entre los dientes. Pero si uno se detiene un momento, se extiende como una manta sobre el rostro y las manos”, en la descarnada descripción que de él hace Georges Bernanos en su Diario de un cura rural . El aburrimiento se apodera de nosotros, penetrando en cada intersticio con la sutileza de un escalpelo en manos de un hábil cirujano y termina por ser vivido como una compañía tan fastidiosa como irreconocible.

El aburrimiento irrumpe cuando el deseo se divorcia de los hechos, en pocas palabras, cuando no podemos hacer lo que queremos hacer o cuando debemos hacer aquello que no queremos hacer. Pero también se cierne, amenazador, cuando no tenemos ni idea de lo que queremos hacer. Podemos estar aburridos de cosas (el hastío es el alimento por excelencia de la sociedad de consumo) o de personas (de otros o hasta de nosotros mismos), aunque también podemos sentirnos aburridos cuando nada en particular nos aburre. Lo peor es que, enunciado tautológicamente, el aburrimiento es aburrido.

Pese a esta caracterización intimista, el aburrimiento no es un mero estado subjetivo sino también una característica del mundo: es tan verdad que todos los hombres son mortales como que todos, absolutamente todos, participamos en prácticas sociales saturadas de aburrimiento.

No hay nada nuevo bajo el sol

Hay quienes creen que se trata de un fenómeno relativamente reciente. Sin embargo, su origen se remonta a la Antigüedad tardía, cuando apareció un fenómeno que en griego se designó athymía y en latín, accidia (en castellano, acedia), expresiones que aludían a una condición subsumible en lo que tiempo después se difundiría con un nombre tan vago como indefinible: la melancolía. Curiosamente, los monjes eran particularmente proclives a la acedia. Alertados de un fenómeno tenido por obra del Demonio, hasta los mismos Padres de la Iglesia consideraron la acedia el peor de los pecados, no sólo porque de ella brotaban todos los demás sino porque era la expresión de cierto descontento ante la Creación de Dios, ante cuya sombra amenazadora hasta San Jerónimo exhortaba con festiva piedad: “Bebed, hermanos, bebed, para que el diablo no os halle ociosos”.

A partir del Renacimiento, la acedia enclaustrada en los muros de la vida monacal fue desplazada por la melancolía, cuya sede era un alma indisociable de un cuerpo carnal, que había sido celebrado en la Antigüedad clásica y era redescubierto por el Humanismo. Fue precisamente un médico y hombre de ciencia inglés, Robert Burton, quien condensó su novedosa concepción en un célebre ensayo publicado en 1621. En su Anatomía de la melancolía , con un espíritu más científico que apocalíptico, diagnosticó que lejos de ser atribuible a Satanás, la melancolía es una enfermedad que suele atacar particularmente a las gentes consagradas al estudio, cuyas meditaciones pueden fácilmente caer en un mórbido rumiar. A modo de fármacos anímicos, Burton recomendaba un tratamiento tan natural como placentero: diversificar las actividades y frecuentar menos los libros y más las mujeres hermosas, cuya vista regocija el corazón, siempre y cuando el trato con ellas se ejerciera -se cuidaba de aclarar el galeno- en el marco de una vida equilibrada. Sin embargo, pese a sus tan floridos consejos, su autor terminaba por admitir que no existe un remedio universal para ese mal.

La melancolía perduraría en la obra de Freud, quien en Duelo y melancolía declaró que el melancólico vive la pérdida del objeto de amor como una pérdida del Yo. Este empobrecimiento del Yo es vivido por la subjetividad como una confrontación con una vida vaciada de su sentido. En el mismo campo del psicoanálisis, Lacan finalmente reconoce en el aburrimiento su estatuto bien ganado en Televisión , donde, frente a las clásicas seis pasiones del alma propuestas por Descartes en el siglo XVII (la admiración, el amor y el odio, el deseo, el gozo y la tristeza), despliega otras tantas en versión aggiornata : la felicidad, el gay saber, la beatitud, el mal humor, la tristeza y, pues no podía faltar, el aburrimiento. Semejante linaje teórico no es suficiente, sin embargo, para dotar al aburrimiento de un bien ganado estatuto epistémico: exonerado del campo de las patologías, el aburrimiento no suele ser de interés ni para los psicológos ni para los psiquiatras, aun cuando es vivido como una pérdida de identidad que denuncia el corte entre el sentido y el vacío de sentido.

Aunque dignas de atención, acedia y melancolía se distinguen sutilmente del aburrimiento: mientras que la primera era una noción moralmente demoníaca, atribuible a unos pocos elegidos, el aburrimiento es una condición psicológica que nos afecta a todos. Y mientras que la melancolía hunde sus raíces en una tradición aristocrática, asociada a la sensibilidad y a la belleza, el aburrimiento es un descastado.

En Filosofía del tedio (Tusquets, 2006), Lars Svendsen baraja la hipótesis de que, visto desde la historia de las ideas, el Romanticismo sentaría las bases del aburrimiento contemporáneo, exacerbado por la proclama de la muerte de Dios, en cuya estela el sujeto pierde el sentido de la trascendencia y comienza a verse como un individuo que debe realizarse a sí mismo. Al hombre, confrontado con ese mandato inmanente, la vida cotidiana se le antoja ni más ni menos que una prisión.

Los méritos (o, nunca mejor dicho, los deméritos) del aburrimiento no son pocos, en particular si nos guiamos por el juicio de Kierkegaard, para quien “es la raíz de todo mal”, desde las adicciones hasta los desórdenes de la alimentación, pasando por el vandalismo, la depresión, la violencia y las conductas de riesgo, placebos sociales que funcionan como efímeros remedios que, al fin de cuentas, justifican el imaginario medioeval en el que la acedia figuraba entre los frutos de poderes demoníacos. Cuando se perpetúa, se transforma en el taedium vitae , el tedio de la vida ante el cual la jurisprudencia de la antigua Roma legitimaba el derecho al suicidio. Pues así como se ha dicho que el aburrimiento aportó más infelicidad al mundo que todas las pasiones juntas, incluso más que el Mal provocado por todas las guerras juntas, se ha dicho a su favor que ha puesto fin a numerosos males, por la simple razón de que terminaron por resultar aburridos. En Prejudices: A Philosophical Dictionary (1983), Robert Nisbet sostiene que la quema de brujas fue abandonada como práctica no por motivos legales, morales o religiosos, sino simplemente porque la gente pensó: “Una vez que viste una quema, viste todas”.

El undécimo mandamiento: “Diviértete”

Si la fórmula para superar el aburrimiento parece hoy empujar al yo más allá de sí, es porque el yo quiere encontrar algo novedoso, algo distinto de lo mismo que amenaza hundirlo en el aburrimiento. Según una lógica transgresora, todo placer impulsa la búsqueda de un nuevo placer para evitar la rutina de lo mismo, en un movimiento que persigue la búsqueda de nuevos límites que puedan ser transgredidos. Vivimos arrojándonos a lo nuevo, con la ilusión de que eso nuevo nos proporcionará, generosa y finalmente, un sentido personal. Pero ese intento está destinado, una y otra vez, al fracaso, pues esa promesa de un sentido personal jamás se cumple. Y además, porque lo nuevo rápidamente se torna una rutina. George Bernard Shaw ilustró lúcidamente esta imposibilidad de origen cuando reconoció que “hay dos catástrofes en la existencia: la primera, cuando nuestros deseos no son satisfechos. La segunda, cuando lo son”, coronando esa existencia pendular denunciada por Schopenhauer, quien notaba que cuando deseo lo que no tengo, sólo obtengo sufrimiento, y que cuando el deseo es satisfecho, sólo obtengo aburrimiento.

Esta exacerbación del deseo insatisfecho ha sido un caldo de cultivo del aburrimiento, “privilegio” por excelencia del sujeto de la Posmodernidad, quien sumido en la cultura del ocio corre en procura de divertimentos para matar el tiempo superfluo. Su maleabilidad se explica porque el aburrimiento no se conecta con necesidades reales sino con el deseo. Y el deseo suele traducirse en una constante búsqueda de estímulos sensoriales, lo único que, hoy por hoy, parece resultar “interesante”. En su manifestación más perversa, la exhibición obscena de violencia gratuita se sostiene en la premisa marketinera de sacudirnos el aburrimiento. A propósito de los efectos mediáticos sobre el deseo, Orrin Klapp exploró el impacto de la información en la calidad de vida de la cultura contemporánea. En Overload and Boredom: Essays on the Quality of Life in the Information Society , Klapp sostiene que, pese a todos sus esfuerzos para escapar de ese destino, la sociedad de la información se ha tornado una cultura tan saturada de pseudoconocimientos como aburrida. De la metralla constante de flashes “en vivo y en directo”, resulta un desgaste del sentido. El ruido y la redundancia, añade, reemplazaron la resonancia y la diversidad del mundo nacido de la Ilustración. Así pues, traicionando los ideales dieciochescos, en lugar de emular el Progreso, la sociedad de la información se ha vuelto entrópica, desordenada, de lo que resulta un déficit en la calidad de vida.

En una línea semejante, en La tragedia educativa, Guillermo Jaim Etcheverry observó que los hijos -cuando no los mismos padres- suelen tildar a la escuela de “aburrida”, calificativo más apropiado para un programa de televisión o para un festival de rock. Banalmente, se aspira a imitar el modelo Disneylandia, aun a costa de que el mandato de ser divertido penetre, como un fluido viscoso, en actividades tradicionalmente no asociadas a la diversión. Traducido en el registro discursivo, participamos directa o indirectamente de esta suerte de reduccionismo infantojuvenil, dominado por una retórica empobrecida donde todo es “divertido” o, con suerte, “redivertido”.

El vacío del tiempo en el aburrimiento no es un vacío de acción porque, en verdad, siempre acontece algo: el vacío del tiempo es el vacío del sentido. No importa tanto lo que hacemos o el objeto al que nos dirigimos (mirar una y otra vez el reloj) sino estar ocupados en algo sin importar cuán intrascendente sea (como puede serlo el mero contar cuántas moscas hay adheridas al vidrio de la ventana). Y aunque mejor vistos, los “pasatiempos”, expresión autorreferencial si la hay, son medidas paliativas toda vez que el tiempo, en lugar de aparecérsenos como un horizonte de oportunidades, se nos antoja como algo que ha de ser engañado, ocupándolo ilusoriamente en la creencia de que nos liberaremos del vacío del aburrimiento.

Si cada cosa tiene su propio tiempo, Heidegger observa que el aburrimiento aparece cuando el tiempo cronológico y el tiempo subjetivo no coinciden. Una circunstancia casual viene a cuento: cuando, consternados, nos enteramos de que un vuelo fue reprogramado y despegará con siete horas de retraso, nos vivimos anclados e impotentes en un bloque temporal que se nos ha impuesto, más allá de nuestra voluntad, y sobre el que no ejercemos control alguno. Sin consulta previa con nuestro deseo, se nos ha robado un tiempo que sólo atinamos a llenar con actos tan irrisorios como devaluados en cuanto no elegidos: en el peor de los casos, vagabundear por el duty free o comer una hamburguesa, en el mejor, leer de un tirón una novela que queríamos disfrutar sin ser forzados a hacerlo por factores extemporáneos.

Taxonomías del aburrimiento

En Bouvard y Pécuchet , Flaubert distingue el aburrimiento común del aburrimiento moderno, el “común” es el anhelo de poseer un objeto deseado (un amor perdido, un objeto suntuario, cualquier cosa que por el momento se me presenta inalcanzable), mientras que el llamado “moderno” es el anhelo mismo de deseo que se siente una vez perdida la capacidad de sentir deseo (propio del abúlico a quien el mundo se le antoja aburrido y desea, simplemente, recuperar la capacidad de desear). Kundera complejiza esta clasificación, pues en La identidad se refiere a tres clases de aburrimiento: el aburrimiento pasivo (la chica que baila y bosteza), el aburrimiento activo (los aficionados a los hobbies , al sudoku, a los crucigramas y a los rompecabezas) y por último, el aburrimiento rebelde (los jóvenes que incendian autos y rompen vidrieras).

Una última clasificación que atiende a sus modalidades, distingue el aburrimiento situacional, semejante al aburrimiento común de Flaubert, que es aquel que sentimos durante una actividad especifica (esperamos a alguien, escuchamos una conferencia); el aburrimiento de la saciedad (cuando uno tiene demasiado de lo mismo); el aburrimiento creativo, caracterizado no por su contenido sino por sus resultados (nos sentimos obligados a hacer algo nuevo). Y por último, el aburrimiento existencial -otro nombre para el aburrimiento moderno de Flaubert- que es siempre un estado de ánimo que nos invade toda vez que nos resulta aburrido el mundo como tal.

Terapéutica del aburrimiento

A menudo no puedo identificar exactamente qué me aburre. Heidegger lo ilustra con una situación por la cual, quien más, quien menos, todos pasamos alguna vez: una vez concluida una agradable velada con amigos, vuelvo a casa y me doy cuenta de que, en verdad, me aburrí espantosamente toda la noche. El “pasatiempo” no se dio en una situación, era la situación. Y la conciencia tardía del aburrimiento es la conciencia del vacío revelado en la toma de conciencia de que podría haber hecho otra cosa durante ese tiempo. En ese escenario, piensa el filósofo alemán, la tarea del aburrimiento es llamar la atención sobre esta ausencia. Este “tocar fondo”, precisamente, puede ser el inicio del retorno hacia una dimensión existencial, haciendo del aburrimiento una experiencia que conduzca hacia la autenticidad. Pese a los esfuerzos heiedeggerianos redentores de ese estado del ánimo, se le ha criticado al filósofo que, con su optimismo residual de creer que puede ser superado, permanece preso de la lógica de la transgresión.

A la solución de Heidegger de rescatar el aburrimiento como fuente redentora de sentido, se han contrapropuesto un puñado de terapias más pedestres. Por ejemplo, nos repetimos hasta el cansancio que el aburrimiento se cura a fuerza de sudor. Sin embargo, quien recurre al trabajo como remedio confunde la desaparición temporaria de los síntomas con la cura de la enfermedad. Ya Theodor Adorno asoció el aburrimiento a la alienación en el trabajo, idea ilustrada magníficamente por la célebre escena del clásico Tiempos modernos , donde Chaplin encarna risueña y lúcidamente al obrero que, reiterando una y otra vez un único movimiento, se ha metamorfoseado en una mera prótesis de la máquina, con la cual comparte la ausencia de autodeterminación en el proceso productivo. Incluso la expresión “tiempo libre” alude al lapso en que no se trabaja, cuando en rigor de verdad no se es ni más ni menos libre en un tiempo que en otro, ni necesariamente tiene más sentido uno que otro. Lo que cambia es el rol, en uno somos productores y en el otro, consumidores. Milan Kundera, en La identidad , observa que antiguamente los oficios se ejercían con pasión, el zapatero conocía de memoria cuánto calzaba cada uno de los habitantes del pueblo, y cada ocupación creaba una forma de ser. “Hoy somos todos iguales, mancomunados por nuestra apatía compartida hacia el trabajo. Esa apatía se ha tornado una pasión. La única gran pasión colectiva de nuestro tiempo.” El trabajo ya no ofrece una respuesta, y cuando parece serlo, es apenas un vano intento de huir del tiempo.

Una vez desestimada la cura a través del trabajo, ¿acaso puede ser superado por un acto de la voluntad? Bien mirado, estimular a quien siente un profundo aburrimiento diciéndole algo así como “ponele ganas” es como ordenarle a un enano ser más alto de lo que es. Porque lo cierto es que el aburrimiento es más una cuestión de sentido que de pereza, desocupación o vagancia.

La aceptación

En lugar de hacer del aburrimiento, su destino, otros rescataron el ideal filosófico de la ataraxia, esa imperturbabilidad de ánimo gracias a la cual alcanzaríamos cierto equilibrio emocional, mediante la disminución de la intensidad de nuestras pasiones y deseos. Lejos de ser malo, proclaman, es un sentimiento natural que nos asalta cuando sentimos que no somos productivos. Pero lo cierto es que si no se tolera cierto grado de ese mal, se vive una vida reducida a huir del aburrimiento. Frente a esa amenaza, y una vez resignados ante el factum del aburrimiento, se dice que en lugar de ser abolido, debería ser incorporado como un dispositivo tan funcional a la psiquis como lo suelen ser el temor, la ira o la indignación.

En una suerte de apología, lejos de buscar un antídoto, tal vez se trate de hacer del aburrimiento una parte esencial a la condición humana. Como el nacimiento, el sexo o la muerte, una más entre las tantas otras por aceptar. O, por qué no, tal vez hasta por celebrar. Reconciliándonos con él, como cuando redescubrimos a un antiguo y entrañable amigo de quien, con el tiempo, aprendimos a querer sus defectos.

04/01/2009 - 18:05h Em nome da mãe

“Maysa – Quando Fala o Coração”, minissérie sobre a vida turbulenta da cantora de “Meu Mundo Caiu”, dirigida por seu filho, Jayme Monjardim, estreia amanhã na Globo

L. Alberto/ Reprodução do livro ‘Maysa’

Maysa em intervalo da gravação da novela ‘O Cafona’, da TV Globo

 

LAURA MATTOS – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

Jayme Monjardim, 53, é conhecido, entre outros trabalhos, pela direção inovadora na novela “Pantanal” e pelo filme “Olga”. A partir de amanhã, será o filho da cantora Maysa.
Diretor da Globo, ele leva ao ar na emissora o grande projeto de sua vida: uma minissérie de nove capítulos sobre a turbulenta vida de sua mãe (1936-1977), estrela da música brasileira de carreira internacional, celebrizada pela interpretação de “Meu Mundo Caiu”, entre outros grandes sucessos do samba-canção e da bossa nova.
Fora dos palcos, sua vida foi marcada por atitudes controversas, paixões polêmicas, abuso de álcool, de moderadores de apetite e tentativas de suicídio. Morreu aos 40, em um acidente de carro na ponte Rio-Niterói.
Monjardim tinha apenas dois anos quando Maysa se separou de seu pai, o bilionário André Matarazzo, e foi deixado na casa de avós, sendo criado por uma empregada. Aos seis, quando o pai morreu, o “jogaram” em um colégio interno na Espanha por quase dez anos.
Uma cena criada pelo autor da minissérie, Manoel Carlos (leia entrevista à pág. E3), tenta resumir o sofrimento e a sensação de abandono: em uma rara visita ao internato, Maysa se depara com o filho pequeno doente e diz que não irá beijá-lo para não correr o risco de se resfriar e prejudicar sua voz. Monjardim, que diz nunca ter feito análise, contou à Folha como se manteve “congelado” ao rever -e dirigir- cenas tão dramáticas de seu passado.FILHO X DIRETOR
Consegui separar o filho do diretor, ter um distanciamento suficiente para não sofrer ou me emocionar. Sem isso, não poderia ter feito esse trabalho.
Já imaginou gravar essa cena [em que Maysa não beija Monjardim no internato] e começar a chorar? Me dediquei a esse projeto, talvez o mais importante na minha vida, para contar uma linda história de amor. O projeto é tão elevado, já sofri tanto por ser um menino sozinho, que parece outra encarnação. Mas, quando assistir na TV, não sou mais diretor, e sim o filho. Aí não me responsabilizo pelo que vou fazer, porque até agora estou congelado.

CENAS FORTES
A minissérie é um resumo muito sutil do que aconteceu. Aquilo foi um beijo, mas imagina passar dez anos em um colégio interno sozinho. Os dez anos foram tão violentos que essa cena não é mais violenta para mim. O que tinha que chorar já foi. [A cena em que Maysa é encontrada em uma banheira cheia de sangue após cortar os pulsos] Não vi, mas vi muitas outras. Vivi cenas muito difíceis. Mas isso não é um problema para mim. Não tenho defeitos de fabricação por causa disso. Todos os filhos de artistas passam por problemas não tão diferentes dos que eu passei. As grandes estrelas são complicadas, polêmicas, intensas. Algo tem de especial, não são normais. Acabam fazendo besteiras e vivendo loucuras.

ABANDONO
Nunca fiz análise. Na minha vida inteira me virei sozinho. Imagina ficar sozinho em um colégio interno, sem sair nem para as férias, durante dez anos.
Não falava português direito e até hoje não sei escrever em português. Mas foram 30 anos de análise em dois anos que estou nesse projeto da minissérie. Não tenho por que ficar me lamentando. Eu sou tão realizado. Tenho três filhos lindos, uma mulher linda, ganho muito bem para fazer o que gosto.
Por que reclamar do meu passado? Trabalhei anos para acabar com os meus monstrinhos.

ACERTO DE CONTAS?
[Sobre cena em que André Matarazzo cobra de Maysa atenção ao filho: "Um dia ele vai crescer e há de julgar a boa mãe que você foi ou deixou de ser"] É lógico que já a julguei mal pra caramba. Tinha raiva, era revoltado, pô, como minha mãe me largou em um colégio? Mas, à medida em que cresci, fui entendendo que Maysa agia assim por milhões de motivos. Entendia por que ela bebia, por que a vida dela era difícil. E vivi os dois últimos anos da vida dela muito bem, como grandes amigos. Consegui admirá-la.

HOMENAGEM
Acho que ela ia achar [a minissérie] uma graça, ficar impressionada de andar no Projac e ver um carrinho com o nome dela. Ela morreu endividadíssima, tadinha, ferrada. Eu me sinto à vontade. A minissérie é para cima, não uma lavação de roupa, é uma purificação, uma recuperação de nossa memória e uma homenagem à música brasileira. O país estava esquecendo um patrimônio nacional.

12/11/2008 - 18:22h Não se fazem mais homens assim

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Último grande romântico da ópera italiana e influenciador dos musicais modernos, Puccini é homenageado pelos 150 anos

Eduardo Fradkin – O Globo

Dois gênios se encontram e fazem um mexerico que entra para o anedotário da música clássica. A iniciativa é do russo Dmitri Shostakovich, que inquire o inglês Benjamin Britten sobre sua opinião a respeito do italiano Giacomo Puccini. O interpelado responde: “Eu acho as óperas dele horrorosas”. Shostakovich retruca: “Não, Ben, você está errado. Ele fez óperas maravilhosas, mas música horrorosa”. Esse talvez seja o exemplo mais notório do desprezo de alguns modernistas do século XX por Puccini. Ele viveu até 1924, mas estilisticamente nunca se afastou muito de meados do século anterior, no qual nascera. Mais especificamente há 150 anos, a serem festejados no próximo dia 22 de dezembro.

Festejados por quem? Todos os amantes de doces melodias e enredos sentimentais baseados em dramas de cunho realista. Essas eram as especialidades do aniversariante e os principais motivos para ataques num século em que tais atributos foram considerados populismo de apelo fácil.

Chegou a ser taxado de efeminado, logo ele que cultivava fama de galanteador (“sou um caçador de aves selvagens, libretos operísticos e mulheres atraentes”, dizia). Parte da vanguarda e da crítica podem ter esnobado seu romantismo, mas não as platéias, que têm prestigiado suas óperas ao longo do tempo. Esta semana, dois recitais gratuitos o homenageiam.

O primeiro é hoje, às 18h30m, no Istituto Italiano di Cultura (Av. Antônio Carlos 40), com vários cantores e uma pianista num programa que traz árias de seis óperas. Na sexta, às 19h30m, a série “Ópera nas igrejas” apresenta uma versão para vozes e piano de “Suor Angelica”, de um só ato, na Paróquia Santa Mônica, no Leblon (Rua José Linhares 96).

Em tempos recentes, a reputação de Puccini foi bastante reabilitada.

Ironicamente, para alguém às vezes chamado de retrógrado, ele se mostra afinado com os dias atuais. Sua influência é palpável em musicais popularíssimos.

E isso é reconhecido por autores do gênero. A dupla Claude-Michel Schönberg e Alain Boublil, por exemplo, recontou a história da ópera “Madama Butterfly” em “Miss Saigon” e usou uma melodia dessa mesma fonte em outra famosa produção, “Les misérables” (na canção “Bring him home”).

O musical “Rent”, de 1996, é inspirado em “La bohème”, composta exatamente um século antes.

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Operista criticava obras de colegas

Quem melhor, portanto, do que um cantor que transita entre o mundo da ópera e o dos musicais para opinar sobre o que o compositor tem de melhor? Com a palavra o barítono astro da Broadway Paulo Szot: — Puccini amava sopranos e tenores….
para barítono e mezzo-soprano não tem muita coisa. Mas eu adoro mesmo assim. Eu tive a oportunidade de cantar “La bohème” muitas vezes, por esse motivo é minha favorita.

A última montagem em que cantei foi em Bordeaux, em 2007. Quem sabe um dia encaro “Gianni Schicchi”? Opa, melhor seguir o conselho de Szot e procurar sopranos e tenores, então. A japonesa Eiko Senda cita “Madama Butterfly” — sobre uma conterrânea abandonada com um filho no colo por seu amante americano — como a ópera mais completa do italiano. Mas não é sua preferida.
— Eu gosto especialmente de “Edgar”, que é pouco montada no Brasil.

Adoro as melodias e a história — afirma a cantora, citando a segunda ópera da carreira de Puccini, um retumbante fracasso. — Já fiz “Madama Butterfly” muitas vezes. Sempre perco cinco quilos em cada apresentação.

É cansativa física e emocionalmente.

É muito dolorosa para qualquer mulher, ainda mais para quem tem um filho, como eu.

— Os personagens de Puccini equivalem aos personagens das novelas de hoje — diz o tenor Fernando Portari, que atuará numa montagem de “La bohème” na Deutsche Oper de Berlim em dezembro.

— Ele foi um profundo conhecedor da alma feminina — elogia a soprano Céline Imbert, cuja ópera favorita é “Suor Angelica”.

Uma das críticas mais comuns que se faz a Puccini é também um dos maiores deleites de seus fãs: o abuso das cordas em uníssono. Ele explorou a técnica da violinata, em que as cordas da orquestra, em diferentes oitavas, vão se agregando a uma melodia cantada pelo solista num crescendo de intensidade. O maestro Ricardo Prado rejeita a acusação de sacaroso que ocasionalmente ainda recai sobre o compositor por conta disso: — Uma de suas qualidades era a orquestração. Para lembrar apenas um exemplo, as cordas que acompanham Scarpia e Tosca no dueto “E qual via scegliete?”, no segundo ato da “Tosca”, são de uma escrita sofisticada e beleza extraordinária.

Em algumas óperas tardias, Puccini usa harmonias mais arrojadas, com dissonâncias e bitonalidade, sob influência de inovações trazidas por Debussy, Stravinsky e outros. Isso é particularmente notado em “La fanciulla del West” (elogiada por Anton Webern) e em “Turandot”, sua última grande obra-prima que ficou incompleta devido a um tratamento experimental para câncer na garganta que lhe tirou a vida. Embora tivesse reclamado das tendências mais radicalmente modernas de seu tempo (“música sem lógica que não faz sentido”, disse certa vez), Puccini se manteve antenado com as novidades.

Numa viagem a Florença em seu último ano de vida, assistiu a “Pierrot Lunaire”, obra atonal de Schoenberg. O musicólogo Luiz Paulo Sampaio lembra outros casos: — Sua correspondência com Giulio Ricordi (editor de suas óperas) mostra bem como ele reagiu aos modernistas, seus contemporâneos. Após ouvir “Pelléas et Mélisande”, destacou as “extraordinárias qualidades harmônicas e os delicados efeitos instrumentais” de Debussy. E concluiu: “Interessante, apesar de seu colorido sombrio e sem relevos, como o hábito de um monge franciscano”. Em relação à “Salomé” de Strauss, registrou o sucesso da obra mas disse que “a orquestra parecia uma salada russa mal misturada”. Sua reação à “Sagração da primavera” foi de choque: “a coreografia é ridícula e a música, mera cacofonia. Há alguma originalidade e um certo talento, mas, no todo, mais parece a criação de um louco”.

Sorte de Shostakovich e Britten que Puccini não tenha vivido para ouvir algumas de suas obras mais iconoclastas. Provavelmente retribuiria os comentários cáusticos que os dois lhe dirigiram.

Madama Butterfly de Puccini – Ópera imaginária

01/11/2008 - 17:22h El ’strip-tease’ literario de Philip Roth

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JAVIER APARICIO MAYDEU – El País

El autor escribe sobre su obra y dispara a bocajarro contra quienes pretenden tergiversar sus principios estéticos o leen sus libros como una mera autobiografía

Para los muchos lectores en español del autor de Pastoral americana o Elegía, flamante Nobel in pectore (Bellow dixit) y uno de los autores del mainstream que más y mejor ha sabido reflexionar acerca del oficio de novelista y del arte de la ficción, la traducción de Reading Myself and Others (Vintage, Nueva York, 2001, ampliando las primeras ediciones de Jonathan Cape y de Farrar, Straus & Giroux de 1975) es sin duda alguna una gran noticia, por cuanto las entrevistas, artículos y ensayos que contiene el volumen constituyen un mapa certero y detallado de la poética de Roth, de sus ideas literarias y de los procesos y circunstancias de la composición de sus obras más significativas, y asimismo una guía imprescindible para marchar seguro por el fascinante pero abstruso universo del narrador norteamericano, poblado por heterónimos, álter egos con disfraz de narrador y personajes que transitan por distintas novelas enmarañando la madeja de su ficción.

El oficio: un escritor, sus colegas y sus obras (Shop Talk. A Writer and his Collegues and their Work, 2001, cuya traducción en Seix-Barral, de 2003, tuvimos ya ocasión de comentar en estas mismas páginas), aquel volumen en el que el autor de La mancha humana departía sobre narrativa, política y cultura con Primo Levi, Ivan Klíma, Bashevis Singer, Kundera o Edna O’Brien, al tiempo que comentaba textos de Kafka, Bellow y Malamud, se ve ahora complementado por Lecturas de mí mismo, volumen en el que aborda los principales temas de su obra y dispara a bocajarro contra quienes pretenden tergiversar sus principios estéticos o, con mayor frecuencia, se empecinan en leer una y otra vez la mayor parte de su ficción como mera autobiografía.

Efectivamente, en Lecturas de mí mismo Roth muestra sus cartas reuniendo textos fundamentales para entender su obra: ‘Escribir narrativa norteamericana’, el célebre ensayo de 1961 que tuvo su origen en su conferencia en el simposio de Stanford de 1960, esclarece cuestiones como la posición de los novelistas en la cultura norteamericana contemporánea, el valor de la ficción en un país en el que la realidad la supera con frecuencia o la enrarecida política nacional como fuente para la construcción de ficciones, con comentarios sumamente francos acerca de la obra de Salinger, Mailer, Bellow o Malamud; ‘Escribir sobre los judíos’, otro artículo clásico, tiene mucho que ver con el lobby literario judío norteamericano, del que forman parte Bellow, Malamud, Mailer o el propio Roth, con los pioneros Henry Roth y Bashevis Singer, y sus razones de ser; ‘Mis años de béisbol’ ventila su afición por este deporte nacional, que comparte con DeLillo y otros; ‘La imaginación de lo erótico: Tres introducciones’ representa la obsesión por el sexo del narrador de Nueva Jersey; y el lector encontrará artículos dedicados a Nuestra pandilla (Our Gang, que Mondadori acaba también de publicar), El pecho, El lamento de Portnoy, La gran novela americana y Mi vida como hombre, así como un ensayo acerca de la obra de Kafka, tan influyente en la narrativa de Roth, con el que se cierra un volumen que incluye cuatro entrevistas clásicas que revisten un interés inmenso para los lectores del autor y para cualquier interesado en familiarizarse con los mecanismos de la ficción narrativa.

En la de Le Nouvel Observateur (1981), un Roth vehemente desmiente que su obra revista un carácter constantemente autobiográfico (”debería usted leer mis libros como obras de ficción. No tengo nada que confesar. Etiquetar unos libros como los míos con los términos ‘autobiográfico’ o ‘confesional’ es falsear su naturaleza. Esas palabras constituyen otro obstáculo entre el lector y la obra, al reforzar la tentación de trivializar la narración convirtiéndola en chismorreo”), y reflexiona acerca de su condición de judío, de las motivaciones que lo llevaron a ser escritor y de su desdoblamiento en distintos heterónimos (”¿Soy Lonoff? ¿Soy Zuckerman? ¿Soy Portnoy? De momento no soy nada tan nítidamente delineado como un personaje de libro. Sigo siendo el amorfo Roth”).

En la entrevista de The London Sunday Times (1984) diserta en torno a los estatutos de la ficción, aguijando al lector a no quedarse con el prejuicio autobiográfico y a descubrir “los delicados artificios con los que las novelas crean la ilusión de una realidad más parecida a lo real que la nuestra”. Entrevistado por The Paris Review el mismo año, Roth entra sin ambages en el propio proceso de creación de sus ficciones (el arranque, las versiones en borrador, los bloqueos y la búsqueda de los “párrafos que tengan vida”), explica el funcionamiento de unos heterónimos que ha concebido como resultado de determinados protocolos de identidad, reflexiona sobre realidad y ficción (”la idea es convertir la carne y el hueso en personajes literarios y a éstos en carne y hueso”), y enuncia la que podría denominarse “teoría del ventrílocuo” a propósito de su álter ego principal, el escritor Zuckerman, autor de sus novelas La contravida o La visita al maestro: “Tramar una existencia semiimaginaria a partir del drama real de mi vida es mi vida. Ir por ahí disfrazado. Interpretar un personaje. Fingir. La socarrona y astuta mascarada. Piense en el ventrílocuo. Su arte consiste en estar presente y ausente; es más él mismo al ser simultáneamente otro”. Habla de solipsismo frente a distanciamiento irónico en el narrador, y habla también de las funciones sociales de la ficción, y del modo en que ésta actúa en un lector que no ignora que “continuamente estamos escribiendo versiones ficticias de nuestras vidas”. Habla sobre todo de creación literaria, no en vano Joyce Carol Oates ha confesado que “Philip es muy consciente como artesano” (Una especie en peligro de extinción. Doce escritores hablan sobre su oficio, sus ideas y su vida; Lawrence Grobel, Belacqva, 2008).

En fin, que en Lecturas de mí mismo, esencial en su bibliografía, Roth se despacha a gusto ventilando sus ideas literarias y sociales en un strip-tease con muchas luces y varios taquígrafos.

05/10/2008 - 13:40h “Experimentemos que somos eternos”, “ponto por ponto”

Alain Badiou

Badiou. Piensa que se debe construir una nueva política a partir de la idea de que hay un solo mundo, donde todos debemos convivir
 Foto: Soledad Aznarez

 

 

La filosofía y una vida más fuerte que la vida

A propósito de su nuevo libro, Lógicas de los mundos (Manantial), segunda parte de su obra mayor, El ser y el acontecimiento, el filósofo francés habla del platonismo, el nuevo período de la “hipótesis comunista” que abrió Mayo del 68 y la política de Sarkozy que busca instaurar muros de miedo, como los que existen entre México y estados Unidos, y entre Israel y los palestinos. Además se refiere a lo que el hombre trasciende al hombre y comenta su frase “La Historia no existe”

Por María del Carmen Rodríguez de la Redacción de LA NACION

El arte -escribe Alain Badiou en su “Esbozo para un primer manifiesto del afirmacionismo”- “debe estar tan sólidamente ligado como una demostración, ser tan sorprendente como un ataque nocturno y tan elevado como una estrella”. El tono contundente de esta afirmación es uno de los tantos con que el máximo exponente de la filosofía francesa contemporánea, orador sin par, suele sumir en el más atento de los mutismos a todos sus oyentes. Lo recuerdan, sin duda, quienes asistieron en 2003 -para atenernos sólo a los eventos locales más recientes- a sus charlas y a su seminario “El cine como experimentación filosófica” (publicado en G. Yoel, comp., Pensar el cine 1 , Manantial, 2004) o a sus conferencias de 2004, entre ellas, las dictadas en Rosario (publicadas en Justicia, filosofía y literatura , Homo Sapiens, 2007). Lo disfrutarán quienes se acerquen a escucharlo en la primera semana de diciembre, cuando Badiou nos visite para hablarnos -entre otros temas- de “Filosofía y matemática” y de “Filosofía y política”, y para presentar el segundo tomo de su obra mayor, El ser y el acontecimiento (1988; Manantial, 1999), publicado en Francia en 2006 y cuya traducción, Lógicas de los mundos (Manantial), está disponible en librerías desde hace una semana.

Más allá del tono, la afirmación de Badiou con respecto al arte podría trasponerse a su propia obra filosófica, cuya novedad y cuya complejidad exigirán una lectura atenta, lápiz en mano, a los lectores deseosos de un pensamiento fuerte. En cuanto a la variedad de sus tonos y a la versatilidad de su lengua, cabe recordar que este gran filósofo cuya obra, por su sistematicidad y su consistencia, podría compararse con la de Hegel, es a la vez matemático, novelista, dramaturgo, militante de terreno y (¿por qué no decirlo?) hombre de armas tomar.

Alain Badiou nació en Rabat (Marruecos) en 1937 y pasó gran parte de su infancia y de su adolescencia en Toulouse. Se instaló en 1956 en París, donde hizo sus estudios de filosofía en la École normale supérieure (allí preside hoy el Centre international d étude de la philosophie française contemporaine) y entró de lleno en las primeras manifestaciones universitarias contra la guerra de Argelia, preludio de otras tantas en las que participaría en su tenaz militancia política, entre ellas -por supuesto- las de Mayo del 68, acontecimiento en cuyas consecuencias sigue trabajando. En la etapa decisiva de su formación filosófica tuvo tres maestros: Sartre, Lacan y Althusser. Publicó dos novelas antes de 1969, año en que apareció su primer libro de filosofía, El concepto de modelo, y otra a fines de los años noventa, década en la que desplegó su obra de dramaturgo. Desde 1969 y hasta 1999 fue profesor en la Universidad de París VIII, donde se cruzó más de una vez en los pasillos con Gilles Deleuze, con quien mantuvo una relación alternativamente hostil, amistosa o evasiva sobre la cual se extiende en el primer capítulo de Deleuze, “El clamor del Ser” (1997; Manantial, 2002).

El punto de contacto y de cortocircuito entre ambos filósofos supone puntos en común nada desdeñables: ambos permanecen indiferentes al anuncio del “fin de la filosofía” y no rehúyen los desafíos de la metafísica; ambos construyen -cada uno a su modo- una filosofía potente y afirmativa, lo cual los confrontó abiertamente con un enemigo común: los denominados “nuevos filósofos” (entre ellos, Bernard-Henri Lévy y André Glucksmann), mediáticos y consensuales, cuyo pensamiento Deleuze supo calificar de “nulo”. Lo que los separa lleva más lejos y remite -como señala Badiou- a dos grandes tradiciones de la filosofía francesa: Deleuze es el portavoz de la tradición “vitalista”, que parte de Bergson y en la que se incluyen, digamos, Foucault y Simondon; Badiou, por su parte, se enlista de buen grado en la tradición del idealismo matematizante de Brunschvicg, en la que se eslabonan también, de maneras disímiles, Althusser y Lacan. Si remontamos más lejos, basta con recordar que el proyecto de Deleuze -en la estela de Nietzsche- es “invertir el platonismo”, y que Platón es, para Badiou, un referente mayor.

Que los medios galos se refieran a Badiou como “nuestro pensador faro de la izquierda radical” marca otro tono: su radicalismo afirmativo, tanto en la acción como en el pensamiento. En esas arenas lidió con otros grandes filósofos (Derrida y Lyotard, por ejemplo) que poblaron, desde los años setenta, el fecundo campo de las ideas en Francia, y que en Petit panthéon portatif (”Pequeño panteón portátil”, 2008) se ven hoy cálidamente homenajeados -junto a quienes fueron sus maestros o amigos-, “elevados como estrellas” en esa constelación mallarmeana que reaparece, intermitentemente, en esta obra en que el suelo y el cielo forman más de una conjunción.

Alain Badiou concedió generosamente a adn CULTURA esta entrevista, robándole tiempo a su tiempo para responder a algunas preguntas por correo electrónico, y en el punto de llegada de cada respuesta parecía entreverse su inmensa figura cuando el campo de batalla, o la amistad, llama.

(mais…)

28/09/2008 - 09:39h Duas garrafas de rum

Best-sellers quando foram lançados, “Uma História dos Piratas”, de Daniel Defoe, e “Os Tigres de Mompracem”, de Emilio Salgari, revivem o imaginário sobre o tema

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CRISTOVÃO TEZZA ESPECIAL PARA A FOLHA

A figura clássica do pirata ocupa um lugar ambíguo no imaginário do Ocidente. Num aspecto, é a barbárie -alguém que abdica das regras dos Estados constituídos e rompe seu eixo moral, assumindo o direito de matar, saquear e violentar ao sabor do arbítrio.

Mas, em outro aspecto, que poderíamos chamar de literário, o pirata é uma figura fascinante que se confunde com o justiceiro vingador, aquele que não se submete a viver com o rebanho e afirma a sua individualidade sobre todas as coisas.

Nessa representação romântica, explorada pela ficção popular e pelo cinema, ele é no fundo um bom sujeito, que, por força das vicissitudes e crueldades da vida, se viu obrigado a viver solitário, à margem da sociedade. E o navio, o habitat do pirata, será o símbolo da liberdade, da aventura e do desconhecido que emergiu a partir do século 15 para desenhar o mapa de um mundo novo a ser conquistado.

Dois livros revisitam o tema, na ficção e na não-ficção -e é interessante observar como essa fronteira, ao falar em piratas, é difusa.

“Uma História dos Piratas”, de Daniel Defoe (1660-1731), apresenta-se como uma historiografia, ainda que o autor nos advirta em um momento de seu relato: “Os estranhos acidentes das suas vidas errantes são tais que muitos ficarão tentados a achar que toda essa história nada mais é que uma novela ou um romance”.

Literatura de massa

E “Os Piratas de Mompracem”, de Emilio Salgari (1862-1911), é a cristalização do mito do pirata em sua forma mais folhetinesca, realizando plenamente, na entrada do século 20, o que de certa forma obras como “Robinson Crusoe”, do próprio Defoe, já anunciavam dois séculos antes -uma literatura de massa para abastecer um novo público leitor, ávido de aventuras laicas, que começava a se criar nos grandes centros urbanos europeus.

O livro de Defoe -ficamos sabendo pela apresentação de Luciano Figueiredo, professor da Universidade Federal Fluminense que fez a seleção dos textos, com abundantes notas informativas- foi à época um grande sucesso.

Originalmente assinado por um fictício capitão Charles Johnson, para reforçar a idéia de que o autor era do ramo, se estrutura mais ou menos como informação jornalística.

Sempre atento à presumida veracidade do fatos, o livro procura mostrar fidelidade aos dados concretos para abastecer a curiosidade dos leitores, revelando fontes, assinalando dúvidas e transcrevendo aqui e ali documentos de época.

Situação ambígua

O grande interesse pelo tema se explica porque a própria Inglaterra viveu uma situação ambígua com a atividade corsária. Figuras históricas relevantes, como sir Francis Drake (1545-1596), por exemplo, praticaram pirataria a serviço da coroa, mas então os tempos eram outros. Os heróis de antanho que ajudaram a firmar o poder naval do país passavam a ser “o terror da atividade comercial do mundo”, uma área que os ingleses começavam a dominar e que viam ameaçada pelos corsários.

Essa passagem traumática de um tempo para outro é visível em vários momentos e personagens do livro, como o pirata Stede Bonnet, que, antes de se aventurar na vida criminosa, era um “senhor de uma imensa fortuna”, conhecendo “todas as vantagens de uma educação liberal”; ou William Kidd, oficialmente contratado para combater os piratas e que acabou enforcado por se tornar um deles.

Num momento, o Brasil aparece com otimismo, como sempre (”o ouro dali é considerado o melhor”), sem faltar o detalhe picante que vem nos celebrizando: “As mulheres são loucas por estrangeiros. Não só as cortesãs (…), mas também as mulheres casadas, que se mostram muito gratas quando alguém lhes brinda com um encontro secreto”.

Aliás, duas piratas mulheres que se passavam por homens, Mary Read e Anne Bonny, são outro capítulo curioso do inventário de Defoe.
Dois séculos depois, nas obras do italiano Emilio Salgari, um escritor imensamente popular no seu tempo, a figura do pirata já não tem mais lugar no mundo real e se refugia na fantasia.

http://img.photobucket.com/albums/v298/welcometoelsinore/sando.jpgEm “Os Tigres de Mompracem”, de 1900 -obra reeditada agora numa edição que reproduz as ilustrações originais-, acompanhamos as aventuras extraordinárias de Sandokan, um terrível pirata que tem seu “covil” na ilha de Mompracem, na Malásia, de onde sai com sua inesgotável tripulação de foras-da-lei, sempre prontos a morrer por ele a um estalar de dedos, para raptar a amada Marianna, a “Pérola de Labian”.

Orientalismo

Arrancando-a das mãos implacáveis do tio, lorde James, que a havia prometido ao baronete William, o herói Sandokan dispõe-se a abandonar a vida de pirata para dedicar-se a sua rainha, dura decisão que lhe dá a sombra de um destino trágico.

As mais mirabolantes e inverossímeis aventuras tiram o fôlego do leitor, que nada precisa temer; seguindo a fórmula consagrada, as páginas avançam sempre com a garantia de um final feliz.

Sandokan sintetiza a imagem exótica do orientalismo romântico alimentado pela Europa do século 19 e, ao mesmo tempo, marca o imperialismo inglês como vilão, que será sua grande novidade e o seu tempero libertário multicultural.

CRISTOVÃO TEZZA é escritor, autor de “O Filho Eterno” (ed. Record), pelo qual ganhou, na semana passada, o Jabuti de melhor romance.

UMA HISTÓRIA DOS PIRATAS

Autor: Daniel Defoe
Tradução: Roberto Franco Valente
Editora: Jorge Zahar (tel. 0/xx/21/ 2108-0808)
Quanto: R$ 34 (264 págs.)

OS TIGRES DE MOMPRACEM
Autor: Emilio Salgari
Tradução: Maiza Rocha
Editora: Iluminuras (tel. 0/xx/11/ 3031-6161).
Quanto: R$ 44 (336 págs.)

http://img.photobucket.com/albums/v112/aniballetra/Anibal/sandokan_2.jpg

Kabir Bedi, Sandokan na TV

04/09/2008 - 17:04h As divas de Manuel Puig

Las divas de Manuel Puig

Sus divas fueron dos: las de carne y hueso y las películas, y a las dos, junto al mismo Manuel Puig, se les rinde homenaje en estos días.

Así es, el Complejo Teatral de Buenos Aires y la Fundación Cinemateca Argentina arrancan mañana con un ciclo que promete: Los ojos de Manuel Puig. Tendrá lugar en la Sala Leopoldo Lugones del Teatro San Martín (Avenida Corrientes 1530) hasta el 14 de septiembre.

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Greta

El ciclo incluye diez films del período clásico de Hollywood que sirvieron de disparador al genial Manuel Puig para escribir su novela The Buenos Aires Affair, publicada por primera vez en 1973.
“Desde chico, Puig desarrolló una cinefilia voraz que se veía sujeta a los títulos -en su gran mayoría películas hollywoodenses- estrenados en su General Villegas natal.

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Bette

Este ‘cine de la transparencia’ y la excelente memoria del escritor para recordar escenas y diálogos -afirma el crítico Luciano Monteagudo, director de la Sala Lugones- fueron utilizados por Puig para encabezar cada capítulo esta novela tan controvertida y perseguida por la censura de su época”.

The Buenos Aires affair fue el desencadenante para el exilio definitivo del escritor.

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Rita

Como complemento del ciclo se proyectará también Felices juntos rodada enteramente en Buenos Aires por Wong Kar Wai, quien afirma haberse basado en la novela de Puig para su realización.

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Marlene

El ciclo es, además, una excusa oportuna para celebrar los 35 años de la edición de esta obra clave y de ruptura en la literatura argentina contemporánea.

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Joan

Toda la info sobre el ciclo la podés encontrar aquí.

02/09/2008 - 15:36h No Sitio do Leo bufão da imprensa vira espeto

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Metralhadora giratória e suas casualidades

Quis o destino ou um editor sacana que a coluna de conhecido bufão da imprensa saísse ao lado da matéria da Veja sobre um brucutu personagem de novela que maltrata a mulher. E bem ao lado da foto, com o brutamontes e a mulher que aceita sem reparos a violência cotidiana do marido, o colunista escreve o que deve considerar uma divertida piadinha, a ser repetida ao som de pedrinhas de gelo no úisque bebericado com os amigos durante o churrasco de fim de semana:“…(John McCain) realizou o sonho secreto de todos os homens casados do planeta e despachou sua mulher, Cindy, para a zona de guerra”.

Todos os homens casados de que planeta, cara pálida? Pegue o canhão com quem casou e vá se queixar ao ministério da Defesa.

(No churrasco com os amigos, a piada deve ser acompanhada de um tapa no traseiro da esposa, que interromperá o serviço de mesa para dar um risinho e comentar algo do gênero “ah, esse Dioguinho não tem jeito mesmo!” É muito divertida a vida dessa classe média intelectualizada)

posted by Sergio Leo

Sergio Leo é jornalista do VALOR e anima um blog Sitio do Sergio Leo

12/08/2008 - 20:25h “Hoy cualquier imbécil en la tele puede llegar a millones de personas ¿y un libro a cuántos?”, pregunta el escritor italiano Antonio Tabucchi

 

 

adncultura*com

SAN LORENZO DE EL ESCORIAL (Madrid) (EFE).– El escritor italiano Antonio Tabucchi considera que la voz crítica de los intelectuales queda apagada en la actualidad “por el inmenso poder de los medios de comunicación”.

La obra de Tabucchi es objeto esta semana de análisis en un curso de la Universidad Complutense en El Escorial y, en una entrevista concedida a EFE, se confesó “escéptico” respecto a la capacidad de intervención de la literatura o de los intelectuales en la sociedad contemporánea, frente a la influencia de los medios.

“Estadísticamente hablando es imposible luchar contra las cuatro o cinco horas que, por ejemplo, pasan los italianos frente al televisor. Hoy cualquier imbécil en la tele puede llegar a millones de personas ¿y un libro a cuántos?”, se pregunta el escritor.

Autor de una docena de títulos, entre ellos “Sostiene Pereira”, “Requiem” y “La cabeza perdida de Damasceno Monteiro”, Tabucchi (Pisa, 1943) se ha caracterizado siempre por su conciencia crítica al firmar todo aquello que reivindique derechos y libertades y por reflexionar acerca de la literatura.

El curso que le dedica la Complutense sirve para recordar a Tabucchi su condición de literato: “La verdad es que estos actos me obligan a pensar que soy escritor, y que tengo que decir cosas inteligentes porque se deben de pensar que lo soy – comenta entre risas-, pero quiero decir que aunque esto me es muy grato yo reivindico constantemente la vida”.

“Si hoy no escribes una hoja no pasa nada, la puedes escribir mañana; sin embargo, lo que hoy no vivas ya no lo podrás vivir mañana, eso seguro, y el mundo está lleno de vida, de complicaciones. Hay que experimentarlas y luego, eso sí, si puedes contarlas”.

Tabucchi habló hoy en este seminario de sus libros y su relación con la historia, y reivindicó la necesidad de la memoria.

“La memoria se mantiene contando las cosas”, y para ello es muy importante la voz. La voz es vida, el silencio nada, y la escritura es el mineral que después queda”.

Este amante de los relatos más que de las novelas, cree que una de las características que debe tener el escritor es la paciencia: “Primero se pone la semilla y luego va saliendo la flor pero hay que tener paciencia”, aconseja.

Amante de Portugal, Tabucchi dice que empezó a escribir por un poema de Fernando Pessoa, de quien es un gran experto y traducto; está además preparando una edición de sus obras completas.

Tabucchi Vive a caballo entre Lisboa y París porque en Italia ya no tiene familia, pero aún así está muy atento a todo lo que pase en su país de origen.

“En Italia son más necesarias las leyes que los intelectuales, porque son las leyes las que tienen que decir al señor (primer ministro Silvio) Berlusconi que no se puede ser presidente de un país, ser el dueño de tres televisiones y también tener el control absoluto de la televisión nacional, pero el Parlamento es así. Él ganó democráticamente”, dice.

Cuando el viernes acabe este seminario, Tabuchhi volverá a la búsqueda de su soledad para seguir escribiendo un libro de relatos que tiene entre manos, con el concepto del tiempo como protagonista, y seguir tomando el pulso a la salud del mundo.

Carmen Sigüenza

09/08/2008 - 18:44h A tragédia argentina vista por um adolescente

Com História do Pranto, Alan Pauls faz seu exercício estilístico mais radical, cruzando o íntimo e o político numa só dimensão

Antonio Gonçalves Filho – O Estado de São Paulo

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Mais Nietzsche do que Schopenhauer. A teoria do escritor argentino Alan Pauls sobre o problema da dor aponta para o primeiro filósofo não tanto por identificação com os ideais pagãos de uma Europa pré-cristã, que fizeram da filosofia de Nietzsche um manual de sobrevivência na selva das cidades. A uma certa altura de seu novo livro, A História do Pranto, Pauls diz que a dor que o protagonista sente “é sua educação e sua fé”. A dor, continua o autor, “o torna crente”. Como em Nietzsche, ela obriga o sofredor a se tornar mais forte. E, no caso, o sofredor é um adolescente de 13 anos, filho de pais divorciados, que acompanha a tragédia política da América Latina nos anos 1970, tentando inutilmente derramar uma lágrima pelas vítimas de ditaduras.

Dito assim, o livro de Alan Pauls pode parecer uma novela política lacrimosa. Não é lacrimosa e nem mesmo uma novela. A despeito de sugerir um gênero, ao incorporar o subtítulo Um Testemunho à História do Pranto, o talentoso autor de O Passado guia seus leitores por uma trilha enganosa, recheando esse “testemunho” de aforismos, à maneira de Nietzsche, e criando com esses o desejo de interpretar, não de conhecer, a história desse adolescente introspectivo e fixado na imagem do Super-Homem – outra pista que conduz o leitor à estrada principal, ou seja, ao sentido moral da crítica de Nietzsche à metafísica. Nada de platonismo pós-moderno. Pauls dá nome às ditaduras e faz da memória do menino sem nome um registro da história tenebrosa de uma Argentina afogada em sangue.

É bem verdade que o elogio do Super-Homem e a teoria da vontade de potência de Nietzsche acabaram servindo ao nacional-socialismo alemão – não por sua culpa, evidentemente, ele que considerava o nacionalismo uma neurose. Porém, no caso da admiração que o adolescente de Pauls sente pelo Super-Homem dos quadrinhos, trata-se inversamente de investigar a posição de fragilidade, de vulnerabilidade desse ser, acossado por um dilema moral e desgarrado da comunidade que pretende proteger. Mais uma vez recorrendo – deliberadamente ou não – a Nietzsche, Pauls adota uma narrativa marcada pelo tempo cíclico e pela alternância entre criação e destruição. Quando o leitor pensa que localizou no adolescente traços autobiográficos do autor, plasmado no narrador, ele desaparece como desapareceram milhares de crianças durante a ditadura argentina.

Críticos ciosos de uma revisão política do período ou de um ensaio antropológico sobre o modelo neoliberal que engendrou seres incapazes de se emocionar, como o garoto de Alan Pauls, vão se decepcionar com História do Pranto, mas não o leitor que anda atrás de um autor capaz de renovar a linguagem literária com uma escritura mais digressiva que a do chileno Bolaño, para citar um nome caro ao argentino.

As palavras surgem em cascata na narrativa desse garoto prodígio “que considera as lágrimas uma espécie de moeda, um instrumento de troca com o qual compra ou paga coisas”, um desses monstros que assombram as platéias de televisão respondendo a perguntas impossíveis em programas de auditório. Isso explica a sintaxe ornamental e a sofisticação barthesiana de Pauls, às voltas com a consciência de si, que se desdobra no outro e rememora a história coletiva por meio de lembranças pessoais. Esse exercício proustiano, intimista, que se choca com a tumultuada história argentina, é menos uma biografia – ou autobiografia – que um projeto mais ambicioso de atar numa única história todos os seus títulos anteriores (especialmente O Passado), a história da nostalgia da tragédia que têm os argentinos e deu origem ao tango.

O adolescente de História do Pranto não consegue evitar a lembrança da cena que comoveu seu pai até as lágrimas, a do show “mítico” de um cantor de protesto que reencontra os fãs após seis anos de exílio, chamado ironicamente de “Bondade Humana” pelo autor dessas memórias que a ninguém e a todos pertencem. Em outra ocasião, mais histórica, a da derrubada de Allende, vista pela TV, o protagonista tenta até chorar, ao ver seu amigo revolucionário desabar diante da invasão do Palácio de La Moneda pelos brucutus do general Pinochet, em 1973. Tempo perdido: não consegue verter uma só lágrima.

Numa entrevista, Pauls argumentou que, na origem do livro, está esse desejo de fundir o político e o íntimo num único registro em que ambas dimensões sejam indistinguíveis. Encontrou a saída nas memórias de um adolescente, um ser ainda em formação, um arauto além do bem e do mal que anuncia a urgência de ultrapassar os valores argentinos, dos quais o choro parece o mais evidente.

23/07/2008 - 18:06h Anomalias e FLAP em São Paulo

Anomalías y FLAP 2.0 08 por Alan Mills (blog Revolver)

{n} Siempre me he considerado un ser anómalo. Lo dije recién, en Guatemala, durante un conversatorio sobre la exposición Mundo Capitol y me quedé helado al ver a varias personas asintiendo desde el público. Ay. A veces esperas que te digan “no Alancito, usted es bien normal, mijito”. Pero no existe entidad más sincera que un público concentrado en lo que les estás hablando. Se los digo.

{ñ} Entonces, el ser anómalo debe hablar de su anomalía, integrarla a su universo, a la comunidad. Así se va entendiendo, haciendo entender. Pienso.

{o} Y tiene que conversar sobre otras anomalías, sus parientes, seres análogos, sus estímulos. Así se comunica. Intuyo.

{p} Este sábado 26 de 10:00 a 17:00 horas, en el espacio B_arco de arte contemporáneo en Sâo Paulo (rua dr. virgílio de carvalho pinto, 426), Ana Rüsche y yo impartiremos el taller ANOMALIAS: la enfermedad na tradiçâo. Conversaremos sobre diversos exponentes de las artes plásticas y la literatura contemporánea latinoamericana (de la década del 60 hasta hoy), obras que experimentan con elementos anómalos, híbridos, disonantes, cuyo impacto corroe las estructuras más previsibles, instalando un arte capaz de modificar su entorno.

{q} Serán comentados: El poeta Roberto Piva (Brasil), voz de la locura y los inadaptados, un blasfemo contra la ciudad hipócrita y decadente, a la que le confiere polaridades celestiales e infernales; la producción de los años 70 y 80 del artista plástico Cildo Meireles (Brasil), con la que ataca al régimen totalitario, construyendo obras en soportes “circulables”, como papel moneda, botellas retornables de Coca Cola, cuestionando también la distribución del arte a la población; el proyecto estético del CADA (Colectivo de Acciones de Arte), formado por Diamela Eltit, Raúl Zurita, Lotty Rosenfeld e Fernando Balcells, los cuales, entre 1978 e 1981, elaboraron propuestas artísticas interdisciplinarias desafiando la dictadura de Augusto Pinochet y ampliando de manera radical los limites de las artes; El tiempo principia en Xibalbá, novela de Luis de Lión (Guatemala). Se trata de la novela de una persona de origen maya, donde se desarrolla una visión extrema de la vida en una sociedad fragmentada y violenta, donde la sexualidad manifiesta toda su carga de poder y dominación; las crónicas de Pedro Lemebel (Chile), registro fiel de su posición como artista queer, irónicas y feroces piezas que desmantelan la moral burguesa chilena. Fundador del colectivo Las yeguas del Apocalipsis, Lemebel realizó diversas intervenciones urbanas; Los cuentos de Marcelino Freire (Brasil), escritor que desde los años 90 trabaja la oralidad de los que no tienen voz y de lo políticamente incorrecto, trazando en sus textos un lenguaje directo, que prescinde de ornamentos, discursos contradictorios, donde habla lo que no quiere ser escuchado; sobre los años 2000, serán presentados los trabajos de las artistas Alessandra Cestac (Brasil) y Regina Galindo (Guatemala), que exploran el propio cuerpo como material poético, exponiendo sus distorsiones, dolores y la usurpación de lo femenino, la usurpación de lo humano.

{r} Están todos invitados, incluso los que se sienten así más normalitos, pa’ que nos entiendan.

{s} Dentro de poco se dejará sentir una avalancha de sujetos poéticos (anómalos muchos de ellos) pelas ruas de Sâo Paulo. O festival latinoamericano de poesia, FLAP (1 al 8 de agosto), traerá a muchos amigos de América Latina para hacer lecturas y debatir sobre a poesia y los nuevos medios, cómo se transforma el habla poética en los nuevos soportes virtuales, el mundo de la web 2.0 y las relaciones entre poesía e mercado editorial, marketing y publicidad. A lingua oficial será o portuñol, el cual ya manejo a la perfección. Según la nota de Elisa Andrade Buzzo “a programação inclui debates sobre música (”Zona Franca v: o rap atura a literatura (e vice-versa)”, se destaca a presença em massa de latinos, com mais de vinte escritores (Alan Mills, da Guatemala; Héctor Hernández Montecinos, do Chile; Virginia Fuente, da Argentina; Ernesto Carrión, do Equador; Rodrigo Flores, do México, dentre outros), além dos convidados brasileiros, alguns deles já presentes em outros anos”. Por ahí andaremos, entonces, celebrando la palabra, again.

{t} Viva la conexión! Até mais, caras.

Imágenes: Alessandra Cestac, Cildo Meireles, ww.literaturaguatemalteca.org, fragmento de Purgatorio y afiche de la FLAP por Jozz.

31/05/2008 - 21:05h Erotic Stories by women

Edited by Richard Glyn Jones and A. Susan Williams
Penguin books

Erotic Stories by women é uma antologia publicada pela Penguin books, organizada por Richard Glyn Jones e A. Susan Williams. Richard G. é escritor e editor, já compilou mais de vinte antologias, incluindo Killer couples – um estudo da loucura a dois. Por dez anos ele dirigiu sua pequena editora onde publicou, por exemplo, Jorge Luis Borges. A. Susan é pesquisadora da Universidade de Londres, o seu foco é a literatura produzida por mulheres, é dela a introdução a esta antologia que abarca trabalhos escritos por mulheres de diferentes países: Japão, Rússia, França, Botswana, Estados Unidos, Canadá, China, etc. O Brasil, infelizmente, não está representado por nenhuma autora.

Os Contos foram organizados de forma cronológica e vão de 1882 aos nossos dias o que reflete, segundo Susan, grande diversidade histórica e cultural. Algumas poucas histórias foram extraídas de trabalhos mais longos, mas os organizadores tomaram o cuidado de publicar textos que fossem completos, mesmo nesse caso. Como afirma a autora da introdução, uma consideração sobre o significado da palavra Erótico não poderia faltar numa antologia que tem este título. Erótico, como é sabido, vem do grego, mas, se pergunta Susan, em que extensão a palavra era usada para descrever a paixão sexual sentida pelas mulheres já que a sociedade ateniense era comandada pelos homens? Sugere que seria, inclusive, mais apropriado chamar essa sociedade de ‘androcracia’ ao invés de democracia já que o poder não emanava realmente do ‘povo’ como sugere a palavra e sim do homem. “Relegar a mulher a um papel puramente biológico era perfeitamente natural”, explica Eva Canterella.

Susan prossegue explicando que, até muito recentemente, trabalhos escritos por mulheres estavam quase ausentes das coleções de ficção erótica. O bestseller Histoire d’O (1954) de Pauline Réage, é uma exceção, foi um dos raros livros de conteúdo erótico escrito por uma mulher, porém, observa Joan Smith, a autora replicou o discurso masculino no qual o homem domina a mulher. É a história de uma moça que se torna, por escolha própria, “escrava sexual de um grupo de homens que a torturam, estupram, batem e humilham até que ela desista de toda liberdade ou vontade.” As autoras representadas nesta antologia rejeitaram estas convenções e encontraram outra forma de escrever sobre desejo, explica Susan.

A primeira história, Violette, é um episódio da novela Le roman de Violette que foi publicado anonimamente em Bruxelas em 1882, hoje sabe-se que foi escrito pela Marquesa de Mannoury D’Ectot. Violette é uma criada de dezesseis anos que foge da casa – e das garras – de seu patrão, vai procurar ajuda na casa do narrador desta história. Este, com muita ternura e respeitando a vontade de Violette, vai lhe mostrando os caminhos do prazer.

Outras escritoras francesas presentes nesta antologia são Colette, com o conto Mitsou, (1919) e Simone de Beauvoir com Marcelle (1942). É preciso entender de forma muito ampla o conceito de erótico para que se inclua nele este conto de Beauvoir que tem, isso sim, muito de engajamento feminista. Marcelle, uma mulher inteligente, procura um ‘homem de gênio’, entrega-se a um poeta que, ela imagina, seria este homem. Sofre, se anula, aceita as condições e os caprichosos do homem criador, a tudo justifica e ao ser rejeitada, descobre que não precisa mais procurar este homem, pois, em meio às lágrimas, percebe que ela sim, era ‘uma mulher de gênio’.

Algumas das autoras desta antologia são mundialmente conhecidas: Kate Chopin, Katherine Mansfield, Gertrude Stein, Isabel Allende…, outras são conhecidas somente no seu país de origem ou regionalmente. Siv Holm, escritora dinamarquesa, tornou-se famosa após a publicação de sua novela autobiográfica (em partes) I, a Woman (1965) que mais tarde foi adaptada para o cinema. É um extrato da novela que encontramos nesta antologia. Trata-se da história de uma mulher que ‘se libera da sua família e da vida numa pequena cidade. O livro chocou a sociedade na época porque mostrava uma mulher que quer – e encontra – sexo fora do casamento e sem compromisso de qualquer relacionamento durável. ’ Nesse extrato escolhido para a antologia percebemos também a reflexão da personagem sobre a escrita, o momento em que toma a decisão de comprar uma máquina de escrever, em que se pergunta sobre o que vai escrever e decide que só pode começar escrevendo sobre si, seus desejos. “É, provavelmente, o caminho mais seguro e mais honesto.”(….) “Deve ser fácil se você escrever do mesmo jeito que pensa.” Conclui.

Alifa Rifaat é uma escritora egípcia que, diz a apresentação, trabalha unicamente dentro da cultura árabe. O título do trabalho apresentado neste livro é My World of the Unknown (1971), um conto fantástico em que a personagem apaixona-se por um djinn, um espírito presente na cultura islâmica, aqui ele aparece na forma de uma serpente. É um conto delicado e impregnado de sensualidade. Outra escritora que preferiu falar de sexo de forma indireta, ou seja, através da ficção científica, foi Joanna Russ. Ela afirma que ‘É impossível escrever sobre sexo de forma direta.’ No seu conto, An Old-fashioned girl, a narradora apresenta às amigas o seu homem-robô.

Bessie Head (1937-1986)é sul africana, filha de uma escocesa e um zulu, nasceu num hospital psiquiátrico (prisão, dizem outros) para onde a sua mãe foi enviada para o resto da vida por causa da união ilícita com um negro. Bessie é a autora do conto, The collector of treasures, onde, como em muitos dos outros trabalhos da autora, o tema é a injustiça de que tantas mulheres africanas são vítimas. Dikeledi, personagem principal do conto, aceita casar-se com um homem insensível e egoísta porque não tinha outra saída, órfã, vivia na casa do tio que queria livrar-se dela. O marido a abandona com três filhos, ela trabalha duro e consegue alimenta-los e educa-los sozinha. Um dia, talvez contrariado por ver a mulher se dando bem sem ele, o marido aparece para reclamar sexo e mordomias. Uma mulher negra não tinha condições de recusar sexo ao marido, reflete Dikeledi e, fingindo aceitá-lo, prepara o seu banho, o jantar, bebidas e uma faca bem afiada com a qual arranca fora o seu membro. Um excelente conto, o erótico, aqui, acho que fica na conversa entre Dikeledi e uma vizinha que narra a sua vida sexual. Ela tem a sorte de ter um marido atencioso e, com pena da amiga que desconhece o prazer na cama, propõe-lhe que sirva-se do seu marido enquanto ela estava grávida. Dikeledi agradece a atenção, mas, sabiamente, recusa a oferta.

A japonesa Amy Yamada é famosa no seu país e relativamente conhecida nos Estados Unidos, viveu em Nova York e muitos dos seus trabalhos são traduzidos para o inglês. O universo de Kneel Down and Lick My Feet, o conto apresentado nesta antologia, é o dos clubes de sadomasoquismo. A narradora trabalha em um destes clubes e vai contando sobre o trabalho, a importância de se amarrar bem as cordas, por exemplo, e, uma das partes mais interessantes, a linguagem usada nestes lugares. “A linguagem é uma das coisas mais críticas neste tipo de jogo.” Avisa. “Você tem que falar de um modo altivo, mas é preciso também mostrar respeito e ser educada.” A narradora é uma ‘rainha’. “Nós, rainhas, somos personagens extremamente importantes, no final das contas. Nós temos que usar palavras que elevam nossas ações. Pense nelas fora de contexto e você não pode se impedir de rir.” “Escravos que exaltam cada ação da rainha chamam meu xixi de água sagrada.” É um dos melhores contos do livro, em minha opinião.

Evelyn Lau deve ser a escritora mais jovem desta antologia, ela é canadense, de família chinesa e nasceu em 1971. Decidiu cedo que queria escrever, mas a família, sobretudo a mãe queria que ela fosse médica. A exigência e pressão eram tão grandes que, com 14 anos, Evelyn deixou a casa dos pais e foi viver na rua, casa de amigos eventualmente ou ainda albergues. Para viver prostituiu-se e, durante todo o tempo manteve um diário que foi publicado com o título de Runaway: Diary of a street kid, traduzido para o português como A fugitiva – diário de uma menina de rua. O livro tornou-se um bestseller no Canadá, depois disso Evelyn já publicou outros livros e recebeu vários prêmios. Nesta antologia podemos ler o conto Fetish Night, retirado de Fresh girls, seu livro de 1993.

A vantagem de uma antologia como esta é a possibilidade de se conhecer escritoras muito diferentes umas das outras. Se, numa livraria, eu desse de cara com um livro de Alifa Rifaat, Amy Yamada etc, o nome não me chamaria a atenção, hoje eu não sairia dali sem eles.
Leila Silva Terlinchamp – Cadernos da Bélgica
Na foto: Colette, Simone de Beauvoir.

Fonte Rosebud – Livros
Quinta-feira, Dezembro 14, 2006

12/05/2008 - 16:14h Voyeurismo na sala de psicoterapia

A nova série Em Terapia (In Treatment), na HBO, derruba um dos últimos segredos que escapavam à curiosidade da sociedade atual

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Márlio Vilela Nunes – O Estado de São Paulo

A série Em Terapia (in Treatment, no título original em inglês), estréia hoje, às 20h30, no canal HBO, trazendo o ator Gabriel Byrne no papel do angustiado psicoterapeuta Paul Weston. A cada dia, de hoje a quinta, poderemos acompanhar uma sessão de terapia conduzida por ele. Seus pacientes, nesta primeira fase da série, são, respectivamente, uma mulher apaixonada por ele, um ex-combatente que voltou traumatizado do Iraque, uma ginasta acidentada e um casal em crise. Na sexta, veremos o terapeuta ocupando a posição inversa em sua própria terapia: é o dia em que ele discutirá seus problemas com sua analista, vivida pela atriz Diane Wiest. A série tem 43 episódios que serão exibidos ao longo de nove semanas, de hoje até metade de julho.

Em um formato ousado para os padrões de uma série televisiva, toda a ação de Em Terapia se passa dentro do consultório: a atenção é mantida apenas pelos diálogos precisos entre pacientes e terapeuta. Ao apresentar personagens com perfis psicológicos bem definidos, a série mostra-se fidedigna ao que imaginamos encontrar em um ambiente de psicoterapia na vida real. Byrne se esforça na gesticulação, nos silêncios e no controle emocional que associamos a um profissional dessa área. Os dramas, as dúvidas e as culpas dos pacientes são bem próximos aos vivenciados no dia-a-dia dos consultórios, mesmo que não tenhamos como desencadeante uma experiência traumática na Guerra do Iraque. O tratamento oferecido pelo psiquiatra da série, que se limita basicamente em associar um problema atual com um trauma inconsciente, é o padrão psicanalítico incorporado pela imensa maioria dos profissionais. Esta correspondência imaginária pode ser sinal de competência e de uma rigorosa pesquisa na construção da série, mas é, também, a sua principal limitação.

O que se passava no interior de um consultório de psicoterapia era um dos últimos segredos que ainda escapavam ao voyeurismo da sociedade atual. No mundo big brother, buscamos desesperadamente saber o que existe por trás das aparências da vida social, enxergar a verdade que cada um esconde em sua vida particular. Só que, a cada edição do Big Brother, descobrimos que as pessoas ‘reais’ que participam do programa não são muito diferentes dos personagens das novelas. Seus romances, suas intrigas e traições são os mesmos. Atrás da aparência, só encontramos uma outra aparência.

Ainda que seja uma ficção, Em Terapia nos oferece um duplo voyeurismo. Em primeiro lugar, temos a oportunidade de vislumbrar o que ocorre dentro de uma sessão de psicoterapia e, depois, o que se esconde no inconsciente dos personagens. Mas o que encontramos, assim como em todas as edições do Big Brother, é o que já imaginávamos. Não existe surpresa ou engano. A série confirma nossa convicção e entretém (e talvez nem pudesse ser diferente), mas não traz um novo olhar sobre os outros ou sobre nós. Portanto, ela não nos modifica, não nos trata, apesar de percebermos as semelhanças entre as dificuldades e angústias que vivemos e as relatadas pelos personagens. O que não compreendemos, ao assistir ao programa, é a razão pela qual o tratamento ocorre. Provavelmente um paciente real não alteraria seu comportamento se fosse submetido ao tratamento oferecido por Weston. Na prática clínica, sabemos que localizar um sentido inconsciente para um problema não é suficiente para modificar uma pessoa. Em uma análise, o que trata, o que permite a mudança está além da cena (consciente ou inconsciente), além do que o olhar televisivo pode mostrar. É algo que se descobre apenas pela experiência pessoal em ser analisado.

Em Terapia é mais um ótimo programa de televisão. Mas seu voyeurismo nada nos esclarece sobre o enigma que é uma análise.

Márlio Vilela Nunes é psiquiatra e autor do blog Psicanálise Presente (www.psicanalisepresente.blogspot.com)

05/05/2008 - 17:26h Nélida Piñon em Buenos Aires: “minha geografia literaria é a liberdade”

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“La audacia de Borges fue imaginar que el mundo era Argentina”

En esta entrevista, Nelida Piñon, habla de sus últimas obras y de una historia de la literatura no oficial

Por Susana Reinoso
De la Redacción de LA NACION

Su literatura exhibe una poética profunda y sin tiempo. Y cuando habla, su sabiduría parece provenir de un alma cuya antigüedad excede en mucho su cronología.

La escritora brasileña Nélida Piñon habla y escribe como si un misterio insondable la habitara: “Mi geografia literaria es la libertad. No tengo miedo. Como no pienso en el éxito ni en los premios cuando escribo, puedo ser una aventurera en cualquier geografia cósmica y en cualquier parte de la Tierra. A lo que no puedo renunciar es a la lengua portuguesa”.

Este año, se espera en español su ensayo Aprendiz de Homero, que acaba de publicar en portugués. Allí rastrea la trayectoria civilizadora y los grandes maestros del pensamiento narrativo. Y también el primer volumen de sus memorias, Corazón andariego. Ambas obras a cargo de Grupo Santillana.

“Ese corazón andariego soy yo”, dice la notable narradora como si hiciera falta. “Mi vida entre dos culturas –la gallega de mi familia y la brasileña- es el fundamento. He tenido la fortuna de nacer con un doble imaginario. Soy una mujer con dos visiones del mundo”, subraya.

La ganadora del Premio Príncipe de Asturias de las Letras 2005 estuvo en la Feria del Libro de Buenos Aires para hablar sobre el padre de la novela moderna brasileña, Joaquim Machado de Assis, y de su último trabajo literario traducido al español, Voces del desierto (Alfaguara).

-Como Kafka, que escribió en alemán, y tantos otros ¿podría usted haber elegido una lengua literaria distinta a la portuguesa?

-En el caso de Kafka parece una naturalidad histórica, no crees? Cuando yo era muy joven –tendría 16 años- me pregunté sobre esa posibilidad. Pero hubiera sido renunciar a la grandeza del portugués. Hubiera sido un acuerdo espurio para facilitar mi trayectoria literaria. Y no lo quise así. Sé que no elegí el camino más fácil. Pero elegí, sin arrepentimientos, ser una escritora brasileña.

-¿Qué le brindó la lengua portuguesa?

-Cuando asumí como presidenta de la Academia Brasileña de Letras, la mayor institución cultural de mi país fundada por Machado de Assis y Joaquim Nabuco, dije que me sentía como una brasileña reciente. Ya no tengo ese sentimiento, pero durante muchos años me sentí como si hubiera golpeado hacía poco tiempo la puerta del corazón brasileño. Y de ese modo tenía que hacer un doble esfuerzo por interpretar ese país. Como una cristiana nueva que no abjura de su anterior creencia, me tocaba mirar desde un ángulo singular por el hecho de ser de familia inmigrante gallega. Esto me ha dado una antigüedad, porque me siento como una mujer de 5000 años. Aunque soy nueva en América, soy antigua en algún sitio y he aportado esta antigüedad a mi mirada americana. La lengua portuguesa, además, ganó modernidad al llegar a Brasil…

-Como el español en América latina.

-Exacto. En el momento en que ingresamos en la corriente atlántica, el espíritu del portugués fue afectado. Empezamos a buscar interpretaciones y palabras que se ajustaran al nuevo espíritu de América.

-¿La historia de la literatura comete muchas injusticias, como el olvido al que se condenó a Machado de Assis?

-Es inevitable, porque muchas veces hay un epicentro decisorio que varía. Ese epicentro no siempre favorece el periférico. Y a Machado de Assis lo tuvimos siempre en el periférico. Machado, un genio extraordinario, fue el primer gran narrador de América Latina, el padre de la novela moderna, el que se atreve a tomar el mundo urbano como hilo conductor de su narrativa. Hace de Río de Janeiro la metáfora de Brasil. Por eso hay que considerarlo como el extraordinario intérprete de Brasil. La tendencia en nuestros países es buscar a los intérpretes en la sociología o en la enseñanza social. Pero creo que la psiquis brasileña, sus laberintos y su misterio están en la obra de Machado. Y a través de la obra de creación se puede incursionar en lo humano.

-¿Machado es a Brasil lo que Borges, a la Argentina?

-Borges es, para las últimas generaciones, un escritor cuya audacia fue imaginar que el mundo era Argentina. No hacía falta estar en la Argentina para ser argentino. El circula por el mundo, como si estuviera en la calle Posadas, de Buenos Aires. Y tiene una vocación universal. A mi juicio fue muy argentino. El abolió fronteras para las últimas generaciones. E inventó universos. Hasta un punto fue él quien ayudó a liberar el concepto de ciudades imaginarias. En ese sentido es un escritor extraordinario, a quien admiro profundamente.

-En Voces del desierto, la mujer parece detener el tiempo para que no corra sangre. ¿Sería el papel deseable para el género en un mundo dispuesto a la guerra?

-Convendría que lo fuera, pero no estoy segura. Es impredecible lo que la mujer vaya a hacer con su trayectoria. Lo importante es que ponga las pautas para hacer algo inaugural. Esa criatura tendrá que ser puesta a prueba, por si la sociedad es tan dañina que lo devasta todo y no deja espacio para la redención moral. Seria un atrevimiento. Pero hay que saber que la libertad exige una responsabilidad ética muy grande. Desde ese espacio inaugural, ella pueda aportar un elemento inesperado.

-¿Por qué los políticos prescinden de los intelectuales?

-Porque son egocéntricos y cada vez más incultos. Para ellos el libro es una abstracción. Además, piensan que los intelectuales son incómodos, un peso desagradable. Y con ideas no se gobierna. Creación, ideas y acción pública no se llevan. Ha pasado muy pocas veces en la historia. Para los políticos las ideas siempre están vinculadas a un sueño imposible y peligroso.

-¿Por qué el hombre necesita historias para sentirse vivo?

-Porque nuestra historia personal es insuficiente. Siempre tenemos que contrastarla con las de los otros, sea el vecino o quien fuera. Eso tiene que ver con un sentimiento de vacío que sólo puede ser llenado con la intriga, con el rumoreo. Para avanzar hacia sí mismo el hombre tiene que saber qué pasa en la casa del otro. Es inevitable: si no sé de tu vida, la mía reduce su dimensión. Estoy convencida de que no se puede volver a casa todos los días, desde el trabajo o de donde sea, sin llevar una pequeña intriga en el bolso. No se puede llegar a casa y decirle a otro: “No he vivido nada”. Uno siempre tiene que dar pruebas al otro de que ha vivido una aventura diaria. Hay que legitimar lo cotidiano. Entonces uno llega y cuenta una historia ampliada. No somos narradores simples, nuestra vida personal no lo permite. Quien vuelve a su casa en silencio es muy peligroso. Le falta horizonte, imaginación y acepta una vida traducida, sin darse el trabajo de traducirla. Los escritores no inventamos la literatura, sino la poética. Ha sido la sociedad humana la que, desde el principio de la tribu, exigió que alguien le contara su historia. Por eso la comunidad acepta la invención literaria como si fuera suya.

-¿Cuál es la ciudad más literaria de Brasil?

-Si hablo de Machado de Assis, tengo que decir que es Río de Janeiro. Machado no cuenta la historia de Río, sino la de Brasil. Río de Janeiro es para Machado de Assis un escenario teatral. El sertón (desierto) brasileño sirvió muchas veces de escenario mítico. La materia de la realidad tiene que pasar por muchos filtros para ganar verosimilitud. Todo sirve para convencer en el arte.

-¿La lectura puede ayudar a la gente a preservarse en los países asolados por la violencia?

-Nos conviene creer eso, porque la lectura es una expresión de la civilización contra la barbarie. Es como si trabáramos batallas para enfrentar a aquellos que quieren hacernos renunciar a nuestro humanismo. Y la lectura es extraordinaria. Basta leer a Antígona para responder esa pregunta. Por eso es tan raro que la sociedad lea cada vez menos. Y eso se nota. Hoy, en el ascensor, saludé a dos brasileños que no reconocieron mi acento, porque hablé en español. Ellos hablaban un portugués indigente y hacían chistes indigentes. Hay que ser brillante en la ironía. De inmediato pensé: “¡Dios mío! Ya no es posible encontrar gente que suspenda la realidad con una frase”. Es raro que te sorprenda alguien con una frase comprometedora. Al contrario, te expulsan.

-Cunde una sensación de no pertenencia.

-Exacto, es como si tú no pertenecieras ya a un universo cosmopolita, culto y civilizado. Todo es muy indigente. Y además la gente está renunciando al uso pleno de la lengua. Una sola palabra define todo. ¿Donde ha quedado el mundo de las ideas y los conceptos? ¿Debajo de la alfombra?

-Pensando en el erotismo de Voces del desierto, ¿no cree usted que el vértigo de lo cotidiano ha afectado ese elemento que atraviesa todos los vínculos?

-El erotismo está en todas las expresiones. También entre los amigos, y no hace falta que uno tenga conciencia de que es erótico en un gesto o en un anhelo temporario. Vivimos con tanta velocidad, con tanto estrés, con tanta presión, que sólo queda el sexo mecánico. Pero ese sentimiento inefable del cuerpo, que es el erotismo, está desapareciendo. La gente ya no tiene una mirada erótica, que no es de lujuria, sino de complicidad. Hoy ya no se hace el amor para dos, sino para la mirada de un tercer observador que evalúa tus habilidades. Esto provoca una obsolescencia muy fuerte y te obliga a acelerar mucho más una vida que tendría que ser vivida con otra plenitud. Parece que tuvieras que dar pruebas evidentes de que no estás muerto. Es un miedo terrible a dejarse atrapar por la finitud.

-Y aparece el botox para extender la vida…

-Vivimos en una sociedad que se vanagloria de su juventud, de los pechos grandes, de la delgadez, de la cirugía estética, del botox en todas partes. Eso es la expresión del descontento con el propio ser. Es la no aceptación de quien eres. Y además no le da tiempo al cuerpo a vivir la dramática emoción de su envejecimiento, que es algo impresionante. Cada mañana te das cuenta que tus movimientos son distintos, que tienes que caminar de una determinada manera para no caerte. Es muy fascinante. Una experiencia única. Entonces simulas que la cara que ves no es la tuya. Pero ¿a quien se la pediste prestada? A quien le estás pagando copyright?

-Usted, que es aprendiz de Homero, ¿con qué personaje homérico se identifica?

-Creo que Paris y Elena son dos tontos. Aquiles me parece interesante. Pero el mayor de todos es Ulises, por mucho más que por su astucia. Ulises es quien aprenderá a envejecer. Es quien, en verdad, sabe que puede perderlo todo y entonces engaña a las fuerzas de la naturaleza para llegar un día, quién sabe, a Ítaca. Es el gran sobreviviente de Troya. Todos hacen su acuerdo con la eternidad, pero quien sobrevive es Ulises. Es quien cruza todas las épocas.

29/03/2008 - 17:09h Estimado cliente

Camila do Valle – Jornal do Brasil


Estimado cliente : você mesmo, digníssimo e nem sempre digníssimo leitor. Quem mais seria cliente em se tratando de um texto? E desde já saiba que aqui você nem sempre tem razão. Senhoras e senhores, aviso que o título da coluna é roubado e que vou fazer uma revelação bombástica: é possível construir outros cânones literários contemporâneos sem passar pela Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), embora também possamos passar por ali.

Não é que a vida literária no Brasil, a dita inteligente, salvo poucas exceções, pensa, se é que pensa nisso, que os escritores argentinos, mexicanos, uruguaios, paraguaios, peruanos, bolivianos, equatorianos, colombianos – ooops, deixei equatorianos e colombianos juntos logo agora que andam meio “apartados”… – guatemaltecos e chilenos são somente esses poucos e já requentados que aparecem nas livrarias?

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04/10/2007 - 12:09h Público desliga a TV

Audiência perdida pela Globo não migra

Cristina Padiglione – O Estado de São Paulo

Entre o fim de Paraíso Tropical e o início de Duas Caras, a Globo perdeu audiência, mas muita gente não mudou de canal: só desligou a TV. Entre a terça-feira da semana passada e a última terça, 7 pontos porcentuais foram perdidos no índice total de aparelhos ligados na Grande São Paulo no horário da novela das 9. São 380 mil lares a menos.

O segundo capítulo do novo folhetim da Globo, anteontem, amargou média de 35 pontos de audiência na Grande São Paulo. Para um produto que começou nos 40, a baixa, fruto da ressaca entre o fim de um enredo e início de outro, não era exatamente inesperada. Mas pede alerta laranja da direção da casa para resgate urgente.

Mesmo na terça-feira anterior, com a trama de Gilberto Braga bombando de suspense, a média do capítulo ficou em 47 pontos de média, índice abaixo do que a emissora costuma alcançar em reta final de novela das 9. O total de aparelhos ligados na Grande São Paulo registrava então 71% -anteontem, durante Duas Caras, o total de ligados somava 64%.

A Record, que tinha esperança de abocanhar parte da platéia perdida pela Globo, não mostrou progresso significativo no horário.