04/08/2008 - 19:25h Isto não é o Sitio de Sergio Leo

A arte do Duchamp não é penico

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por Sergio Leo - roubado do Sitio de Sergio Leo

Ah, finado Duchamp, quanta tonteria se fala em seu nome! Talvez por isso ele dizia não ser artista, mas jogador de xadrez (na imprensa francesa, seu obituário saiu na seção de enxadrismo; para os esnobes do Velho Mundo, Duchamp era coisa de novo-rico americano). Leio no Estadão, em artigo do Daniel Piza, que Duchamp não caiu no jogo da arte conceitual, que botava a mão na massa… Menas, querido Daniel, menas.

Duchamp, é, sem dúvida, o pai da arte conceitual, como bem aponta o Geraldo Tomás na Folha deste domingo. O artigo, como boa parte dos escritos do Tomas é de uma panaquice sem fundo; o Geraldo se descabela e exagera quando fala do Duchamp como único pai do pessoal do Fluxus, gente como o John Cage, o cara que fez por merecer não um, mas quatro minutos e meio de silêncio após a morte.

Ora, a turma Dada já estava botando a tuba do avesso quando o Duchamp lustrava o penico para a exposição dos recusados.

Mas acabo caindo no erro do Geraldo Tomas, recitando como aluno arrogante coisas que os estudantes de Artes Plásticas aprendem no primeiro ano de faculdade. O Geraldo errou no tom, mas acertou na substância: é meio ridículo acreditar que a obra do Duchamp será acessível com uma retrospectiva da “obra” dele, como a que está em exibição, nesse momento, em Sampa. Isso porque, a menos que tenham treinado direito os monitores (e os comentários do público perplexo, transcritos pela Folha, me indicam que não), a “obra” de Duchamp que lhe garantiu lugar na história das artes plásticas pouco tem a ver com exposições museológicas, de objetos criados pelo artista. (Duchamp até reproduziu obras dele mesmo, em fotos e objetos depois arrumados em maletas que distribuía aos amigos; mas isso era, em si, uma outra obra).

mona_lisa_lhooq.jpg Ironia e humor são elementos inseparáveis do trabalho de Duchamp. Ao apresentar um urinol _ e fazer com que um amigo, no corpo de jurados, garantisse sua inclusão no Salão alternativo montado em Paris_, ele punha em xeque o conceito de arte e os limites da rebeldia, dos artistas que se insurgiam contra a arte sancionada pela academia, pelo status quo. (Depois, o Andy Warhol poria a arte em cheque, lucrando muito com o pop; mas isso é tema doutro post). A Mona Lisa com bigodes tem um título (”L.H.O.O.Q.”)que, lido em francês, soa como “ela tem fogo no rabo”, piadinha tão incompreensível quanto reveladora da mania de Duchamp de jogar com os títulos das obras (Ao lado, uma interpretação de um grafiteiro inglês que pegou o espírito da coisa).

Duchamp começa mais careta, porém, aplicando à pintura conceitos de Cèzanne e dos cubistas, misturados a idéias do futurismo (influência que ele renegava), com um elemento adicional: o non-sense evocativo dos surrealistas. “Nu descendo a escada” choca os contemporâneos, não pela imagem, uma representação dinâmica quase monocromática e movimento, mas pelo título. Nus reclinavam-se, assumiam poses mitológicas, até assemelhavam-se a figuras banais; mas não movimentavam-se pelo mundo, como gente, descendo escadas, nem se encaixavam no conceito de arte contestatória dos rebeldes de então.
Os irmãos de Duchamp o recriminam pela tela, recusam a obra no Salão dos Independentes, e ele briga com eles e os amigos, vai a Nova York, onde é recebido como um sopro de modernidade européia pelos apreciadores de arte ávidos de novidade. É nos EUA emergentes do pós-guerra que Duchamp emerge também como figura lendária. The right man in the right place.
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Duchamp _ e aí está o erro do Daniel Piza _ reprovava os cubistas pela sua subserviência a uma arte “retiniana”, “ótica”, voltada aos sentidos. Ele é pai e avô dos conceitualistas porque, mais que enfant terrible como os Dadas e seu gosto pelo irracionalismo e pela contestação, ele tem uma pretensão teórica; e é o primeiro a condenar sériamente a estética como padrão de julgamento da arte. O artista não é mais um artesão iluminado, mas uma espécie de medium, um intermediário que vai traduzir em Arte o espírito, desafios e ameaças de sua época.
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Até hoje escandaliza, e intriga. Duchamp e seus netinhos me fazem lembrar Platão, que excluiria os artistas de sua República ideal porque eles enganavam o povo, com imagens que não passavam de ilusões montadas sobre outra ilusão _ aquilo que pensamos ser realidade e que, para Platão, não passa de fantasmas da verdadeira realidade, a Idéia. Diferentemente de Platão, porém, os idealistas da Arte contemporânea valorizam (claro) e repensam o papel do artista, que não seria mais reproduzir o visível (há máquinas para fazer isso), mas vasculhar esse mundo das idéias, para trazer novas idéias ao mundo.

Nu descendo a escada
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O mais importante não seriam os objetos, os resultados dessa pesquisa, mas o próprio processo executado pelo artista nessa busca de novas significações para aquilo que nós experimentamos sem ter consciência exata do que estamos experimentando. Um dos bispos dessa nova religião, Joseph Kosuth, vai dizer que os quadros cubistas são meros cadáveres, resquícios da verdadeira arte dos cubistas. A arte não é o quadro, mas o processo pelo qual eles revolucionaram a forma de representar o mundo visível.

Instalação de Joseph Kosuth
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É um caminho onde a arte vai encontrar a filosofia e brigar para tomar o lugar dela, com regras próprias. O conservador Tom Wolfe, com um estilo que falta a muitos críticos inconformados com a arte contemporânea, vai zombar disso num livro, A Palavra Pintada, em que prevê exposições onde as tabuletas explicativas chamarão mais atenção que os objetos de arte. O que ele não aceita é que a experiência pura, dessa arte que exige explicações, às vezes possa abrir a cabeça das pessoas dispostas a compreender novidades.

Sobre esse mundo aberto pelo Duchamp, de uma arte não representativa e conceitual, quem tem um comentário bacana e mais inteligente que a do Wolfe é o iconoclasta Michel Onfray, ao falar da necessidade de “fabricação do gosto” no mundo contemporâneo:
“Aceite, no princípio de sua iniciação (à Arte) perder-se, não compreender tudo, misturar, enganar-se, aproximar-se, de não obter, de cara, resultados excelentes”. Ninguém se arrisca a criticar um grande intelectual sem dedicar algum tempo a entender o que ele fala, argumenta o Onfray.

Com a arte que debocha de si mesma, essa dedicação a entender é mais difícil. Mas necessária, como mostra a fertilidade do trabalho esquisito do Duchamp. É curioso como certos achados da criticada arte contemporânea vão sendo apropriados, com o passar do tempo, pela publicidade, pelo cinema, pela arquitetura e pelo design e incorporados na vida daqueles que achavam uma empulhação as obras que inspiraram essas apropriações.
(e pensar que eu ia escrever sobre a Marina Abramovic e um artigo sobre os limites da vanguarda chocante. Fica para o próximo domingo).

Sergio Leo

04/08/2008 - 18:07h Atletas britânicos posam nus para campanha publicitária

Saltador Phillips Idowu, ciclista Rebecca Romero e nadador Gregor Tait foram fotografados durante atividades

Reuters - Agencia Estado

LONDRES - Três dos melhores atletas britânicos posaram nus para uma campanha publicitária do Powerade, uma bebida para esportistas. O saltador Phillips Idowu, a ciclista Rebecca Romero e o nadador Gregor Tait foram clicados pelo fotógrafo Nadav Kander durante suas atividades, sem nenhuma peça de roupa.

Phillips Idowu. Foto: Reuters

 

Idowu afirmou que a sessão de fotos foi “sem dúvida umas das mais incomuns de que já participei, mas também uma das que mais gostei”.

Rebecca Romero. Foto: Reuters

 

“Todo mundo está acostumado a ver atletas competindo ou ganhando, mas queríamos mostrar a preparação real de um atleta, seus músculos e seu poder”, afirmou Cathryn Sleight, diretora de marketing da Coca-Cola para o Reino Unido, que lançou a campanha da bebida.

Gregor Tait. Foto: Reuters

21/07/2008 - 22:02h Edward Weston

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Nudes - Foto de Edward Weston

Edward Weston was born in 1886 in Highland Park, Illinois. When he was sixteen years old his father gave him a Kodak Bulls-Eye #2 camera and he began to photograph at his aunt’s farm and in Chicago parks. In 1903 Weston first had his photographs exhibited at the Chicago Art Institute. Soon after the San Francisco earthquake and fire on April 19, 1906, Weston came to California to work as a surveyor for San Pedro, Los Angeles and Salt Lake Railroad. For a short while Weston returned to Chicago and attended the Illinois College of Photography, but came back to California to live in 1908 where he became a founding member of the Camera Pictorialists of Los Angeles. He married Flora Chandler in 1909 and they soon gave birth to two sons: Edward Chandler Weston, in 1910 and Theodore Brett Weston in 1911. Weston had his own portrait studio in Tropico, California and also began to have articles published in magazines such as American Photography, Photo Era and Photo-Miniature where his article entitled “Weston’s Methods” on unconventional portraiture appeared in September, 1917. Weston’s third son, Laurence Neil Weston, was born in 1916 and his fourth, Cole Weston, in 1919. Soon after Weston met Tina Modotti which marked the starting point of their long relationship, photographic collaborations in Mexico and later much publicized love affair. Modotti’s husband, a political radical in Mexico, died in 1922. That same year Weston traveled to Ohio to visit his sister and there took photographs of the Armco Steel Plant. From Ohio he went to New York and met Alfred Stieglitz, Paul Strand, Charles Sheeler and Georgia O’Keefe. At this time Weston renounced Pictorialism and began a period of transition, self-analysis and self-discipline while making voyages to Mexico, often with Modotti and one of his sons. Some of the photographs that he and Modotti made in Mexico were published in Anita Brenner’s book Idols Behind Altars. Weston began photographing shells, vegetables and nudes in 1927. Weston kept very detailed journals or “Day Books” of his daily activities, thoughts, ideas and conversations. His first publication of these writings “From My Day Book” appeared in 1928 - others were published after his death. Two years later he had his first New York exhibit at Alma Reed’s Delphic Studios Gallery and later exhibited at Harvard Society of Contemporary Arts with Walker Evans, Eugene Atget, Sheeler, Stieglitz, Modotti and others. Weston was a Charter member of the “Group f/64″ that was started in 1932 and included Ansel Adams, Imogen Cunningham, Consuelo Kanaga and others. They chose this optical term because they habitually set their lenses to that aperture to secure maximum image sharpness of both foreground and distance. Weston went even further toward photographic purity in 1934 when he resolved to make only unretouched portraits. Even though several large exhibitions followed, he was still of modest means and in 1935 initiated the “Edward Weston Print of the Month Club” offering photographs at $10 each. In 1937 he was the first photographer to be awarded a Guggenheim fellowship taking his assistant Charis Wilson along on his travels whom he married the next year. In 1940 the book California and the West was published with text by Charis and photographs by Edward. The same year he participated in the U.S. Camera Yosemite Photographic Forum with Ansel Adams and Dorthea Lange. In 1941 he was commissioned by Limited Editions Club to illustrate a new edition of Walt Whitman’s Leaves of Grass. Weston started experiencing symptoms of Parkinson’s disease in 1946 and in 1948 made his last photographs at Point Lobos. In 1952 his Fiftieth Anniversary Portfolio was published with his images printed by Brett. In 1955 Weston selected several of what he called “Project Prints” and began having Brett, Cole and Dody Warren print them under his supervision. Lou Stoumen released his film The Naked Eye in 1956 of which he used several of Weston’s print as well as footage of Weston himself. Edward Weston died at home on January 1, 1958.

A imagem “http://www.exeter.edu/media/content/Photograph_by_Edward_Weston_rdax_300x404.jpg” contém erros e não pode ser exibida.
Frida Kahlo por Edward Weston

Edward Weston (Highland Park, Illinois, 24 de março de 1886Widcat Hill, 1 de janeiro de 1958) foi um dos fotógrafos estadunidenses mais importantes do século XX.

Aos 16 anos ganhou sua primeira máquina fotográfica e fez suas primeiras fotos, demonstrando um grande talento em sua infante prática no campo da fotografia artística. Com 20 anos já havia publicado seus trabalhos.

Em 1922, Weston fotografou seu filho Neil nu. Apesar de não ser exatamente um trabalho do estúdio, a imagem foi aceita como uma clássica escultura em fotografia.

Viajou ao México em 1923, acompanhado de sua companheira Tina Modotti, quando esta ficou viúva, e de um dos seus quatro filhos, Chandler, e lá permaneceram por três anos. Com a ajuda de Modotti, realizou um trabalho fotográfico de mais de 200 obras para o livro Ídolos por trás dos altares, de Anita Brenner.

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Retrato de Tina Modotti, por Edward Weston (1923).

Em 1926 voltou para a Califórnia. Esse período de 1296 a 1930 significou para Weston um dos mais significantes de sua carreira, realizando seus trabalhos mais representativos.

Visitou o Deserto de Mojave em 1928, onde se deparou pela primeira vez com a paisagem. O deserto o impressionou, e como resultado, abriu portas para novos caminhos criativos.

A partir de 1929, iniciou sua célebre série de arte abstrata. Realizou sua primeira exposição individual em Nova Iorque no ano de 1930. Dois anos depois, publicou seu primeiro livros de fotografias, The Art of Edward Weston (A arte de Edward Weston).

Em 1935 se estabeleceu em Santa Mônica, onde encontrou lugares de grande inspiração, como nas dunas da Baía de Oceano. Nos últimos anos de sua vida, sua obra se fez mais sutil e diversa, porém, sem a força dos trabalhos anteriores. Em 1946 se divorciou de sua segunda esposa, Charis, e lhe apareceram os primeiros sintomas da síndrome de Parkinson.

Em 1947 teve seu primeiro contato com a fotografia em cores, mas não sem certas reticências. (wikipedia)

O fotógrafo Edward Weston (1886-1958) é considerado um pioneiro e um dos representantes mais sólidos da “fotografia direta” americana. Gostava de fazer experiências, de procurar motivos abstratos, angulos de observação e condições de iluminação. Fotografou fragmentos de rostos e nus e começou a usar técnicas de foco variável. Para Weston, as coisas do dia-a-dia transformavam-se em esculturas orgânicas, cujas formas eram ao mesmo tempo expressão e justificativa da vida que abrigavam, uma qualidade quase tátil.(Blog Um postal para um amigo).

20/04/2008 - 19:16h Jean-Loup Sieff

Jeanloup Sieff, Agent de police, New York, 1992
Jeanloup Sieff, Agent de police, New York, 1992 © Sieff

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Jeanloup Sieff, Alfred Hitchcock posant pour la photo de mode avec Ina, Hollywood, 1962
Jeanloup Sieff, Alfred Hitchcock posant pour la photo de mode avec Ina, Hollywood, 1962 © Sieff

Jeanloup Sieff, Corset, New York, 1962
Jeanloup Sieff, Corset, New York, 1962 © Sieff

Jeanloup Sieff, Ecosse, 1972
Jeanloup Sieff, Ecosse, 1972 © Sieff

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Jeanloup Sieff, Harper’s Bazaar, Italie, 1962
Jeanloup Sieff, Harper’s Bazaar, Italie, 1962 © Sieff

Jeanloup Sieff, Harper’s Bazaar, Palm Beach, 1964
Jeanloup Sieff, Harper’s Bazaar, Palm Beach, 1964 © Sieff

Jeanloup Sieff, Ina à East Hampton, New York, 1964
Jeanloup Sieff, Ina à East Hampton, New York, 1964 © Sieff

Jeanloup Sieff, Silhouette nue de profil, Paris, 1974
Jeanloup Sieff, Silhouette nue de profil, Paris, 1974 © Sieff

Jeanloup Sieff, Sonia Sieff, Normandie, 1992
Jeanloup Sieff, Sonia Sieff, Normandie, 1992 © Sieff

Jeanloup Sieff, Talons vernis, Normandie, 1985
Jeanloup Sieff, Talons vernis, Normandie, 1985 © Sieff

Jeanloup Sieff, Torses nus, Tierney, 1986
Jeanloup Sieff, Torses nus, Tierney, 1986 © Sieff

Jeanloup Sieff, Vallée de la Mort, Californie, 1977
Jeanloup Sieff, Vallée de la Mort, Californie, 1977 © Sieff

Jeanloup Sieff, Vallée de la mort, Californie, 1977
Jeanloup Sieff, Vallée de la mort, Californie, 1977 © Sieff

08/10/2007 - 20:05h Tunick ataca em Miami

 

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O fotógrafo Spencer Tunick, especialista em nus pelo mundo, semeou pelados em hotel art-deco da Florida