26/05/2009 - 12:04h Fundamentos económicos bons leva aplicadores internacionais a dar preferência pelos ativos brasileiros

De Olho na Bolsa:
Fluxo externo já é o maior da história

Daniele Camba – VALOR

Em um dia bastante chocho devido o feriado nos EUA e no Reino Unido em homenagem a todos os mortos em guerras (Memorial Day), os novos números sobre investimento estrangeiro vieram a calhar. No mês, até dia 20, o saldo líquido (diferença entre as compras e vendas) está positivo em R$ 4,683 bilhões, uma das melhores cifras desde o início de 2007, perdendo apenas para abril do ano passado (mês em que o Brasil foi alçado ao grau de investimento pela primeira vez), positivo em R$ 6 bilhões. O melhor número, no entanto, é no acumulado do ano que, até dia 20, está positivo em R$ 9,8 bilhões, o maior fluxo externo da história, desde que os estrangeiros passaram a poder aplicar na Bovespa, em 1994, a partir de uma regulamentação conhecida como Anexo IV. Até agora, o melhor saldo anual foi em 2003, de R$ 7,495 bilhões, exatamente no ano em que a bolsa brasileira começou a sua trajetória de cinco anos consecutivos de valorização.

Em dólar, segundo cálculos da própria bolsa, o saldo deste ano continua sendo recorde, de US$ 4,618 bilhões. Até então, o maior era o de 1996, de US$ 3,372 bilhões. O fluxo atual de entrada de recursos na bolsa é ainda mais animador se comparado aos números dos últimos dois anos, desde que a crise financeira internacional se instalou no mundo. Entre 2007 e 2008, houve uma saída líquida de R$ 28,9 bilhões. Só no ano passado, a fuga foi de R$ 24,6 bilhões. Pois é exatamente essa volta dos investidores estrangeiros a grande patrocinadora da acentuada recuperação da Bovespa desde abril, a despeito do movimento negativo da bolsa americana. Para se ter ideia, no ano, em dólar, o Índice Bovespa acumula uma alta de 56,30%, enquanto o índice Standard and Poor’s de 500 empresas (S&P-500) cai 1,80% e o índice Dow Jones, 5,69%.

Esse caminhão de dinheiro desembarcando no mercado brasileiro é, segundo analistas, um sinal de que esses investidores já vislumbram uma recuperação da economia mundial se não este ano, no mais tardar em 2010. Como os fundamentos tanto do Brasil quanto das empresas locais são superiores aos da maioria dos outros países, os aplicadores internacionais dão preferência pelos ativos brasileiros de risco.

A enorme diferença entre o desempenho da Bovespa e da Bolsa de Nova York (Nyse) é algo que merece toda a atenção. Pode ser um sinal de alerta, que o mercado brasileiro poderá passar por uma fase de realização de lucros, ou que o americano irá se valorizar. “Essa distância entre as duas bolsas é muito grande e no mínimo estranha até pela histórica correlação que existe entre ambas”, diz o gestor de renda variável da Infinity Asset Management, George Sanders. Na visão dele, no que depender da onda de notícias, é o Índice Bovespa que ficará quieto no seu canto. “O Ibovespa na casa dos 51 mil pontos já reflete todos os indicadores econômicos positivos que saíram recentemente; ou saem novos números bons, o que parece pouco provável, ou as ações ficarão onde estão”, completa Sanders. Ontem, o Ibovespa fechou em tímida alta de 0,49%, aos 50.816 pontos, com volume financeiro de apenas R$ 1,5 bilhão.

Melhor que um, pior que outro

Em relatório divulgado ontem, a Ativa Corretora faz uma análise dos balanços do primeiro trimestre. O lucro líquido de 122 companhias brasileiras de capital aberto nos primeiros três meses do ano caiu 26% ante o mesmo período de 2008. Já comparado ao último trimestre do ano passado, os resultados do primeiro trimestre de 2009 representam um crescimento de 13%. Uma possível leitura desse levantamento é que o pior momento da crise já pode ter ficado para trás, mas ainda é muito cedo para dizer que tudo vai bem, obrigada. Para este trimestre, a Ativa recomenda ações voltadas ao mercado interno, como teles, elétricas, shopping centers, consumo, tecnologia, varejo e logística.

Daniele Camba é repórter de Investimentos

E-mail: daniele.camba@valor.com.br

09/12/2007 - 12:01h Brasil já é o 2º país em empresas na Bolsa de Nova York


São 33 empresas listadas, mais do que a França e o Reino Unido e abaixo apenas do Canadá, que tem 80

Jamil Chade e Patrícia Campos Mello

O Estado de São Paulo

O Brasil já é o segundo país estrangeiro em número de empresas listadas na Bolsa de Nova York (NYSE), com 33, atrás apenas do Canadá, que tem 80. Nos últimos 12 meses, o País passou na frente da França e do Reino Unido. Segundo levantamento do Bank of New York Mellon obtido pelo Estado, o volume negociado de ações das empresas brasileiras com ADRs listadas em bolsa (Bolsa de Nova York e Nasdaq) ultrapassou o volume das ações na Bovespa.

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09/12/2007 - 11:56h Brasil já é o 2º país em empresas na Bolsa de Nova York


São 33 empresas listadas, mais do que a França e o Reino Unido e abaixo apenas do Canadá, que tem 80

Jamil Chade e Patrícia Campos Mello

O Estado de São Paulo

O Brasil já é o segundo país estrangeiro em número de empresas listadas na Bolsa de Nova York (NYSE), com 33, atrás apenas do Canadá, que tem 80. Nos últimos 12 meses, o País passou na frente da França e do Reino Unido. Segundo levantamento do Bank of New York Mellon obtido pelo Estado, o volume negociado de ações das empresas brasileiras com ADRs listadas em bolsa (Bolsa de Nova York e Nasdaq) ultrapassou o volume das ações na Bovespa.

Em 2006, as ADRs das 32 empresas brasileiras listadas movimentaram US$ 251 bilhões, ante US$ 233 bilhões negociados pela 394 empresas da Bovespa. De janeiro a setembro de 2007, a tendência se manteve (434 empresas com volume de US$ 342 bilhões, ante 33 empresas e US$ 354 bilhões). Os ADRs são recibos de empresas estrangeiras negociados nos Estados Unidos, equivalentes a ações.

“Hoje, o Brasil está mais bem representado que Reino Unido, França ou China na bolsa americana”, afirmou ao Estado Alexandre Ibrahim, diretor-gerente do departamento responsável por atrair clientes para a Bolsa de Nova York. “Estamos muito satisfeitos com os resultados.Esperamos que esse número de empresas continue a crescer e possamos passar para 40 em 2008”, disse Ibrahim. Ele afirma que a Bolsa está em negociações com algumas companhias. Segundo fontes do mercado, a BM&F seria uma das empresas cogitando lançar ADRs.

Ibrahim adverte que, apesar da liderança brasileira, os chineses vem crescendo a um ritmo acelerado nos últimos anos e já contam com 25 empresas listadas. Entre as empresas estrangeiras, o Canadá é quem está mais bem representado, com cerca de 80 companhias. A proximidade da economia americana, porém, é o que explica a presença canadense.

SUCESSO

Além do maior número de empresas listadas, o Brasil tem também as ações estrangeiras mais negociadas – Petrobrás e Companhia Vale do Rio Doce são, ano após ano, as ações estrangeiras com maior liquidez na NYSE. Segundo Curtis Smith, vice-presidente da área de ADRs do Bank of New York Mellon, o Brasil está se beneficiando do volume de investimento recorde em fundos internacionais, principalmente nos chamados “fundos de mercados emergentes”, “fundos BRIC” e “fundos regionais”.

Em 2006, 93% dos novos recursos aplicados em fundos de ações nos EUA foram investidos em ações estrangeiras. Os fundos de ações globais captaram US$ 148 bilhões e os de ações americanas, apenas US$ 12 bilhões. “Muitos investidores querem ter parte de seu dinheiro aplicado no Brasil – e grande parte opta por investir em ADRs, porque é menos burocrático do que abrir uma conta de investidor estrangeiro no Brasil e comprar ações locais na Bovespa”, diz Smith.

O volume de negócios envolvendo os papéis das multinacionais brasileiras na NYSE aumentou 84% em 12 meses e as ações já movimentam US$ 2,2 bilhões por dia, um recorde. A alta ficou bem acima da média das ações latino-americanas, de 55% em um ano.

Para as empresas brasileiras, estar listada em Nova York dá acesso a um volume enorme de recursos. No total, 20% dos US$ 4,1 trilhões investidos em ações nos EUA estão em papéis de empresas estrangeiras (em 2006 eram 18%). Além disso, vários fundos querem pegar carona na “onda BRICs”, mas só podem investir em ações que liquidam no mercado americano, para não ter risco de conversão. “Muitos investidores que começaram a investir em empresas do Brasil recentemente optam por ADRs, pois é mais fácil”, diz Smith. “Já um investidor maior ou mais sofisticado, que vai investir em 20, 30 ações brasileiras diferentes, vai na Bovespa.”

Segundo os executivos da Bolsa de Nova York, há um interesse cada vez maior de traders pelos papéis de companhias brasileiras. E por que não há mais empresas lançando ADRs? “Existe uma demanda enorme dos investidores por ADRs brasileiras, o problema é que é difícil e caro cumprir todas as exigências para listagem, elas ficaram muito mais rígidas depois da Lei Sarbanes-Oxley (baixada após os escândalos contábeis da Enron)”, diz Smith.

A burocracia e o custo de se adaptar à Sarbanes-Oxley afastou muitas empresas do mercado acionário americano. “Mas está em curso a simplificação da lei, para que a barreira no mercado americano seja mais palatável”, acrescenta Smith.