20/07/2008 - 11:47h “O Brasil está no lado “ganhador” e esta havendo uma boa administração no geral”

“Estou certo de que já estamos em recessão”

Para economista americano, crise nos EUA pode se agravar. Mas Brasil está no lado ganhador das ‘commodities’

http://www.austinchronicle.com/binary/e3ee/pols_feature6.jpg

ENTREVISTA Paul Krugman

Às vésperas de vir ao Brasil — onde dará palestras, no Rio e em São Paulo, quarta e quinta-feira — Paul Krugman vê a economia brasileira como “uma das partes vigorosas do mundo”. Em entrevista por telefone, Krugman não se mostra otimista com os EUA que, na sua opinião, já estão em recessão. Tampouco mostra ânimo com as eleições americanas — aprova o democrata Barack Obama, mas o considera moderado demais. Autor de diversos livros (o mais recente, “The Conscience of a Liberal”, ainda não lançado em português), professor de Princeton e colunista do “New York Times”, Krugman acredita que o mundo vive o terceiro choque do petróleo e alerta que não há muito o que fazer para conter a inflação global

Luciana Rodrigues - O GLOBO

O GLOBO: A crise financeira americana pode se agravar?

PAUL KRUGMAN
: Sim, pode piorar. Mas, agora, estou menos assustado do que estava no início deste ano. Tivemos uma crise que levou a um colapso completo da confiança no sistema. Agora, apesar de algumas falências (de bancos) e da crise na Fannie Mae e na Freddie Mac (grandes companhias hipotecárias dos EUA), os problemas estão ocorrendo numa parte da economia em que há mecanismos muito bem estabelecidos para lidar com isso. Pode haver uma corrida a bancos, mas os depósitos estão assegurados. As duas grandes financiadoras imobiliárias, Fannie e Freddie, são parcialmente patrocinadas pelo governo. Então, é ruim que a crise continue atingindo as instituições. Mas, de certa maneira, o quadro agora é mais controlável. Porém, a economia real continuará sofrendo, e estou certo de que já estamos numa recessão.

Uma recessão nos EUA afetará o mundo da mesma forma do que no passado?

KRUGMAN
: O contágio será menos intenso. Os EUA não são mais o motor da economia mundial. Podemos ter uma recessão nos EUA sem termos uma recessão no resto do mundo. Mas é preciso levar em conta que a economia européia está tendo sérios problemas também. Há uma crise similar na Europa, com bolha imobiliária. Uma crise que afeta as duas principais economias do mundo é um grande choque. Apesar disso, eu ficaria surpreso se houvesse uma recessão global.

Os grandes emergentes, Brasil, Rússia, Índia e China, chamados de Brics, assumiram novo papel na economia global?

KRUGMAN
: A categoria Brics é estúpida. São todos grandes, todos são economias em desenvolvimento. Além disso, não têm mais nada em comum. Índia e China podem em algum sentido serem agrupadas. Rússia é um grande exportador de petróleo. O Brasil é grande exportador de commodities e de manufaturados. A questão principal é que o centro de gravidade do mundo migrou dos EUA e da Europa. Ambos continuam sendo grandes economias, continuam sendo os principais jogadores em campo, mas grande parte da economia mundial não está mais nos centros industriais tradicionais. A maior parte do crescimento econômico está vindo dos países emergentes.

O senhor vem ao Brasil na próxima semana. Quais são suas impressões sobre a economia brasileira?

KRUGMAN
: No próximo fim de semana (ontem e hoje), farei meu dever de casa pesquisando mais sobre o Brasil. Mas, claramente, é uma das partes vigorosas do mundo, tem ido melhor do que o resto (do mundo). Não tem tido um desempenho espetacular, mas está com um crescimento razoável. O Brasil está no lado “ganhador” da alta das commodities . E também está havendo uma boa administração no geral (na política econômica brasileira).

O governo do presidente George W. Bush pode ser responsabilizado pela crise financeira nos EUA?

KRUGMAN
: Provavelmente, teríamos uma bolha imobiliária de qualquer maneira, com ou sem o governo Bush. Mas eles (o governo Bush) sistematicamente flexibilizaram as regulamentações e mecanismos de precaução que deveriam limitar os bancos a tomarem riscos excessivos, no exato momento em que mais precisávamos dessa regulamentação. Então, o governo Bush não causou a crise, mas a tornou consideravelmente pior.

E a postura de Alan Greenspan à frente do Federal Reserve (Fed, banco central americano)?

KRUGMAN
: Greenspan pode levar grande parte da responsabilidade. Recentemente, o Fed editou novas regras para a concessão de crédito pelos bancos, para restringir financiamentos irresponsáveis. Isso poderia ter sido feito há cinco anos. E Greenspan foi avisado sobre os riscos dos empréstimos subprime (para clientes com histórico ruim), mas não fez nada. Argumentou que o mercado saberia tomar conta de si mesmo. E ainda deu garantias de que as coisas iriam bem. Disse publicamente que os preços de imóveis nunca caem, que as pessoas deveriam pegar empréstimos e fazer hipotecas. Greenspan é mais vilão do que o governo Bush.

Outra grande preocupação é o avanço da inflação mundial. O que explica a alta de preços?

KRUGMAN
: Bom, em primeiro lugar, temos o preço do petróleo, que tem subido basicamente por uma combinação de crescimento dos países emergentes com piores condições geológicas. Está mais difícil prospectar petróleo. E a China e outras economias emergentes estão consumindo muito mais petróleo. Então, temos uma combinação de demanda em expansão e oferta estagnada. No que diz respeito à alta dos alimentos, há várias razões simultâneas. A primeira é que a alta do petróleo tem muito efeito nos alimentos. Principalmente nos países em desenvolvimento, a agroindústria usa muita energia e também há o efeito dos fertilizantes (cujos preços são influenciados pelo petróleo). E há o aumento da demanda de países emergentes, principalmente da China, onde as pessoas estão ganhando mais dinheiro e, por isso, comendo mais carne. E em terceiro lugar, há questões ambientais. Tivemos eventos climáticos sem precedentes, como a seca na Austrália, que muito provavelmente já é efeito da mudança climática.
Estamos começando a ver os primeiros efeitos econômicos do aquecimento global. E, por último, há os biocombustíveis, que, na Europa e nos EUA, definitivamente, estão desviando recursos antes destinados aos alimentos.

O senhor conhece o programa brasileiro de etanol?

KRUGMAN
: Para os preços de alimentos, o etanol brasileiro é inocente. Não há um desvio na produção de alimentos nem de longe parecido com o etanol americano. E a cana-de-açúcar é uma fonte muito mais eficiente para etanol do que o milho (usado nos EUA). Então, em termos econômicos, o programa brasileiro tem muito mais sentido.
Mas as informações que recebi de especialistas em meio ambiente é que o problema com o etanol brasileiro é que ele é mais danoso em termos de emissão de gases poluentes do que parece à primeira vista. Mas eu não endosso essa afirmação, porque não fiz pesquisas independentes a respeito desse assunto.

No que diz respeito à alta do petróleo, podemos dizer que estamos no meio de um terceiro choque do petróleo?

KRUGMAN
: De certa forma sim. Não temos o mesmo impacto (dos choques anteriores).
Mas as cotações do petróleo, em termos reais, atingiram novos patamares.

Nos países pobres, alimentos caros são sinônimo de fome. A fome se tornou um efeito colateral da globalização?

KRUGMAN
: Não se pode atribuir isso à globalização. Eu sou um crítico da globalização por muitos motivos. Mas, nesse caso, havia muito mais famintos entre os anos 50 e 70 (do século passado) do que há hoje. A situação hoje está melhor em termos de segurança alimentar. Mas havia uma crença de que sempre teríamos abundância na oferta mundial de alimentos, e agora vivemos uma escassez para a qual não estávamos preparados.

O que pode ser feito para conter a inflação mundial?

KRUGMAN
: Na verdade, não há muito a ser feito. Poderíamos pensar numa política de juros mais altos para conter a demanda. Mas não está claro porque deveríamos fazer isso, se tudo que temos até agora é um choque de alimentos e de energia. A longo prazo, mais energia alternativa e mais conservação poderiam reduzir a demanda mundial por petróleo. Mas, por agora, acho que teremos que absorver esse choque.

Os americanos elegem um novo presidente este ano. Barack Obama (candidato democrata) ou John McCain (republicano) podem se sair melhor na economia do que George W. Bush?

KRUGMAN
: Bom, é difícil ser pior (do que Bush). McCain não está oferecendo qualquer mudança. E Obama está oferecendo mudanças sustentáveis, numa direção que eu aprovo, mas minhas críticas são que suas propostas não vão longe o suficiente. E, historicamente, na economia, os governos democratas sempre têm melhor desempenho. Então, temos todas as razões para acreditar que Obama oferece uma perspectiva melhor.

Historicamente, os democratas são mais protecionistas em comércio que os republicanos. Há esse risco com Obama?

KRUGMAN
: É pouco provável. É preciso fazer uma distinção entre o que os partidos falam e o que eles fazem. Se pensarmos em quais foram os governos mais protecionistas nos últimos 40 anos, foram Reagan (Ronald Reagan, de 1981 a 1989) e Bush (filho). Eles falavam sobre livre comércio, mas não o praticavam.
Enquanto isso, os democratas constantemente falam em proteger os EUA da economia mundial, mas não agem de forma protecionista. E uma das razões para isso é que os democratas, e especialmente a equipe de Obama, levam muito a sério as regras internacionais, respeitam as organizações e os tratados internacionais. Então, se tivermos um governo Obama, não voltaremos atrás em acordos comerciais já fechados. Mas, provavelmente, não haverá avanços em novos acordos. E isso é verdade para qualquer governo. Então, é muito difícil pensarmos em acordos na Organização Mundial do Comércio (OMC) ou na Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Não acredito que um governo Obama gastaria capital político com isso

18/07/2008 - 16:16h Cada vez mais subsidios agricolas nos Estados Unidos

La ley más desastrosa de EE.UU.

Por Andrés Oppenheimer publicado por Clarín de Argentina

biocarburant_milho.jpgMIAMI.- Mientras muchos estábamos distraídos con otros temas, el Congreso estadounidense aprobó una ley agrícola que difícilmente podría ser peor: subsidia a los agricultores más ricos del país, perjudica a la mayoría de los consumidores, contamina el medio ambiente, no ayuda a reducir el hambre en el mundo y perjudica a los países latinoamericanos productores de alimentos. Lo que es peor, la ley hace todas estas cosas -y más- en un momento en el que muchos productores estadounidenses tienen ganancias récord gracias a los altos precios internacionales de las materias primas.

Todo esto sería difícil de entender si no fuera porque estamos en un año de elecciones. Pero el amplio respaldo ofrecido a esa legislación por la mayoría demócrata y de 100 legisladores republicanos logró que el Congreso invalidara un veto de la Casa Blanca por 318 votos contra 106.

Además de los US$ 5000 millones que el gobierno norteamericano pagará directamente a agricultores que en muchos casos ganan muy buen dinero, la nueva ley está repleta de dádivas propias de un año electoral. Ellas incluyen US$ 170 millones a la industria salmonera de la Costa Oeste; US$ 93 millones en recortes impositivos a criadores de caballos de carrera de Kentucky; US$ 260 millones de reducción impositiva a la industria maderera, y US$ 15 millones para los productores de espárragos, que en el pasado no recibían estos subsidios.

“Es una desgracia nacional”, me señaló Gary C. Hufbauer, ex funcionario de la Secretaría del Tesoro que se desempeña actualmente en el Instituto Peterson para la economía internacional. “Estamos en una época de prosperidad para muchos productores agrícolas. Si alguna vez hubo un momento adecuado para liberalizar la industria agrícola, es precisamente el actual.”

El probable candidato presidencial demócrata Barack Obama -que ha sido objeto de elogios en esta columna en las últimas semanas- dio su apoyo a la ley. Los partidarios de la norma señalan que la legislación prevé US$ 209.000 millones para programas de nutrición, incluyendo fondos para bonos de comida para los pobres.

El probable candidato presidencial republicano John McCain criticó la ley. Dijo que en un momento en que las materias primas han alcanzado un precio récord los agricultores no necesitan subsidios. Entre los peores efectos de la ley agrícola se cuentan:

• Perjuicio a la mayoría de los consumidores estadounidenses con el subsidio al etanol de maíz, que desvía el 25% de la producción maicera a la producción de etanol subsidiado. Como resultado, los precios del maíz en el supermercado aumentan al igual que los precios de la carne de vaca y pollo.

• Perjudica el medio ambiente, entre otras cosas, porque en vez de eliminar las trabas a la importación de etanol de azúcar procedente de Brasil -que se produce de manera más eficaz, es más barato y menos contaminante-, la nueva ley conserva las barreras tarifarias que protegen a los productores estadounidenses de etanol de maíz.

• Perjudica a América latina porque mantiene las barreras, tanto tarifarias como no tarifarias, para los productos agrícolas de la región. En vez de contribuir a la reducción de los precios del azúcar en Estados Unidos facilitando la importación de países centroamericanos o del Caribe, la ley mantiene los cupos de importación para proteger a los magnates azucareros de Palm Beach. Como resultado, los estadounidenses pagan mucho más que los precios internacionales por el azúcar que consumen.

• Está en abierta contradicción con la prédica oficial de Washington a favor del libre comercio. Hasta ahora, Estados Unidos les decía a los productores latinoamericanos: “Nosotros vamos a reducir los subsidios agrícolas si la Unión Europea hace lo mismo . Ahora, con este voto bipartidista, el Congreso le dice al mundo que no le permitirá a ningún presidente norteamericano reducir los subsidios.

Mi opinión: el daño ya está hecho. Ahora, Bush debería hacer algo realmente audaz, que lo ayudaría a dejar la presidencia en algo menos que un descrédito absoluto.

Tal como me dijo Hufbauer, Bush debería anunciar después de las elecciones de noviembre la propuesta más ambiciosa que haya hecho Estados Unidos para reducir sus subsidios agrícolas a cambio de concesiones razonables de sus socios comerciales.

Esto no tendría ningún resultado inmediato, pero obligaría al próximo presidente estadounidense a ocuparse del tema y, tal vez, le daría al próximo gobierno una excusa para continuar con una política heredada de su antecesor. La alternativa, que es no hacer nada, será desastrosa para Estados Unidos, y desastrosa para el mundo.

17/07/2008 - 19:57h Veríssimo: O disco rígido de Fátima

O GLOBO

verissimo.jpgEstão dizendo que as informações contidas no disco rígido do computador do Daniel Dantas apreendido pela Polícia Federal vão acabar com a República. Descontando-se nosso gosto pelo exagero, pode-se comparar o disco rígido do Daniel Dantas ao terceiro segredo revelado pela Virgem Maria às crianças de Fátima, que só o Vaticano — no nosso caso, a polícia — conhecia, e não contava.

Também se especulava que a revelação da Virgem era um anúncio do fim de tudo. Como o rompimento do sétimo selo da Bíblia, a abertura do disco rígido do Daniel Dantas provocaria vozes e trovões, relâmpagos e terremotos, e saraiva e fogo misturado com sangue lançados sobre a Terra. Ou, para usar um tom menos apocalíptico, embaraços terminais. O Papa João Paulo II acabou tranqüilizando os fiéis, anunciando que a coisa terrível que era para acontecer, na interpretação da Igreja, já tinha acontecido: o atentado fracassado contra a sua vida. Ou seja, a Virgem exagerara um pouco.

A Polícia Federal bem que poderia fazer como o Papa e dar um vislumbre do que está no disco rígido, para acalmar os cristãos, e os nem tão cristãos. Confesso que me desapontei com o nome dado pela Polícia Federal à investigação dos negócios do Eike Batista, Operação Rei Midas, ou coisa parecida. Não está à altura do nome da operação que destampou o escândalo do Detran do Rio Grande do Sul (”Rodin”, porque uma das principais empresas envolvidas se chamava “Pensant”) ou o “Satiagraha” da operação pega-Dantas. Depois de nos acostumar com sua erudição e sofisticação, a Polícia Federal não pode frustrar assim nossa expectativa. Queremos criação literária no mesmo nível da ação anticorrupção. Não nos decepcionem!

A reação à capa da revista “The New Yorker” desta semana prova, mais uma vez, os perigos da sátira incompreendida. A capa mostra o Barack Obama vestido de muçulmano e sua mulher, Michelle, vestida e armada como guerrilheira, os dois no gabinete oval da Casa Branca, com um retrato do Bin Laden na parede em cima de uma lareira onde arde a bandeira americana. Os dois se cumprimentam por terem chegado lá. Satirizados no desenho estão os piores temores que a direita americana tenta espalhar entre os eleitores a respeito do casal. Mas quem está protestando é a turma do Obama, que não gostou da brincadeira. Bem explicado, não pode haver dúvidas sobre a intenção do cartum. Mas humor que precisa ser explicado é humor que não funciona.

16/06/2008 - 09:11h Sonhos

Seria realmente ótimo se o Brasil fosse esse paraíso mestiço que os nãoracialistas apregoam

L'image “http://www.carlosabicalil.com.br/prouni_escada.jpg” ne peut être affichée car elle contient des erreurs.

NEI LOPES - O GLOBO

Contrariando expectativas que já duram mais de cem anos, no Brasil, “país com maior população afro-descendente fora da África”, “negros e pardos vão superar o número de brancos neste ano” de 2008, conforme afirmações textuais do jornalista Ivan Martins, em reportagem publicada na edição do último de junho da revista “Época”, publicação semanal da Editora Globo. As afirmações, acompanhadas da constatação de que o país “não tem um único político negro de projeção nacional”, vem a propósito da candidatura do senador Barack Obama à Presidência dos Estados Unidos.

No momento em que o Congresso Nacional prepara a votação do Estatuto da Igualdade Racial, um grupo de intelectuais e artistas lidera a corrente contrária à aprovação do texto, colocandose contra a “grave ameaça” de secessão da sociedade brasileira em “negros” (pretos e pardos) e “brancos” (louros e “morenos”), como se essa divisão, em termos de poder e capital, já não fosse a grande característica desta sociedade.

Invocam, agora, esses arautos da “desracialização”, no calor da discussão sobre o problema social brasileiro, o suposto exemplo de Obama, o qual, em pura retórica de campanha, afirmou num discurso que “não existe uma América branca, uma negra, uma asiática, uma hispânica: e sim os Estados Unidos da América”. E os “desracializadores” invocam o candidato americano, nos apontando o dedo, como se dissessem: “Estão vendo? Ele não exibe a cor da pele como uma arma ou um escudo!” Para nós seria realmente ótimo se o Brasil fosse esse paraíso mestiço que os não-racialistas apregoam.

Se além dos mulatos “no sentido lato”, como diz a canção, também aqueles no sentido estrito (com a indisfarçável fenotipia dos majoritariamente afro-descendentes), como o autor destas linhas se vê e considera, tivessem as possibilidades de poder e influência que tem o afro-americano Barack Obama. Mas esta, infelizmente, não é a nossa realidade.

Atrasados em pelo menos cinqüenta anos com relação às conquistas sociais do povo negro nos Estados Unidos, no Brasil, nós, herdeiros do mesmo brutal despojamento que plasmou a sociedade norte-americana (e do qual Obama, esclareça-se, não é vítima direta), vimos sendo, há mais de 120 anos, forçados a acreditar que neste país “alegremente mestiço e desracializado” nunca houve segregação nem ku-kluxklan, e que nossa inferioridade se deve apenas a problemas econômicos e pode ser zerada com boas escolas e boas merendas para todos.

Mas aí vem o jornalista Ivan Martins, da “Época”, e, depois de dar a palavra ao idealizador e diretor da paulista Universidade Zumbi dos Palmares, “gerida por negros, subsidiada e voltada para as classes mais pobres”, pergunta, na reportagem mencionada: “Quanto tempo, porém, será necessário para que se produza um líder como Obama no Brasil?” Enquanto isso não ocorre, meu amigo Martinho da Vila segue cantando seus belos sambas-enredo.

Principalmente, o “Sonho de um sonho”, com que sua escola chegou em segundo lugar (empatada com mais duas) no disputado carnaval de 1980.

15/06/2008 - 22:03h 2008, o ano em que tudo mudou

A política macroeconômica tem o desafio de sustentar as oportunidades

palocci_lula.jpg

ANTÔNIO PALOCCI - O GLOBO

O ano em curso deve ficar na História. São tão grandes os desafios, as surpresas e as oportunidades que já é quase impossível termos um ano “normal”. A economia mais importante do planeta tenta lidar com seus enormes desarranjos acumulados, que tem levado o dólar a se enfraquecer frente às principais moedas do mundo. Nesses mesmos Estados Unidos — e talvez por causa da própria economia — ocorre o furacão Obama, com o slogan, quem diria, “CHANGE”. Se ele ganhar, é bem capaz de alguém sair com uma frase meio conhecida entre nós: A Esperança Venceu o Medo.O petróleo ultrapassa 130 dólares.Achávamos caro aos 50 ou 60.Achávamos caríssimo aos 100. Agora, já achamos melhor não achar nada e tratar de encontrar alternativas.O etanol poderia ajudar muito, mas os americanos resolveram produzilo com seu milho, o que ajudou a encarecer as commodities agrícolas, gerando uma grita geral contra ele. O Brasil tenta explicar que o nosso etanol é de cana-de-açúcar e não pressiona preços agrícolas, dada sua alta produtividade energética, fruto de mais de três décadas de avanço sem tecnologia agrícola e industrial.Mas aí surgem novos ataques, sempre partindo dos países mais ricos e mais protecionistas, muitas vezes puxados também por petroleiras dos mais diversos matizes.Responder aos grandes desafios postos na atualidade com mais protecionismo comercial é o pior dos caminhos. Fechar mercados, principalmente agrícolas, é condenar as nações pobres ao mais absoluto isolamento.Os grandes países emergentes até agora vão salvando a lavoura, mostrando o poder da industrialização e do progresso tecnológico, inclusive no campo. Há uma grande mobilidade de forças produtivas em curso. O PIB dos países emergentes, em termos de paridade de poder de compra, já é igual ao do chamado mundo desenvolvido e a renda disponível dos asiáticos continua a crescer.Como milhões de famílias subitamente passaram a consumir mais, os preços dominam a cena; é aquilo que os economistas chamam de choque de oferta. Há inflação pipocando no mundo todo. Os bancos centrais, que durante anos surfaram na desinflação produzida pela indústria barata na China, agora correm atrás do prejuízo.Afinal, se a inflação está em todo lugar, todos terão de combatê-la.A curto prazo tudo indica que este será o maior dos desafios.No Brasil, a alta do petróleo veio junto com a revelação dos campos do pré-sal, que representam reservas de bilhões de barris de petróleo e gás. Somada ao etanol e às hidrelétricas, a descoberta faz com que o Brasil comece a ser visto como potência energética em ascensão. O que já estimula um amplo e saudável debate sobre o que deve ser feito com todo este potencial petrolífero: gastar no presente ou investir no futuro das novas gerações? (vamos ter que reler “O Valor do Amanhã”, o belo livro do Eduardo Giannetti da Fonseca).Neste ano turbulento, o país também cresce nos minérios e na siderurgia; lidera os mercados mundiais de cítricos, carnes vermelhas e brancas, café, açúcar e soja. Principalmente, em uma economia saudável e livre, o Brasil vai reafirmando a diversidade da sua base produtiva, ganhando força nos mercados da moda, marcas, desenho, aeronáutica, software, petroquímica e mesmo no da mecânica, ajudado por uma política industrial responsável, com ênfase na inovação. As oportunidades são muitas e a política macroeconômica tem o desafio de sustentá-las, sem deixar a euforia criar armadilhas para mais adiante.Se cuidarmos bem das nossas coisas e da nossa gente, é provável que 2008 seja visto, daqui a quarenta anos, como o ano em que, em meio a grandes mudanças ao redor do mundo, o Brasil mostrou que uma sociedade aberta, inclusiva e diversificada como a nossa pode crescer e aproveitar as oportunidades com democracia e competência. Seria o melhor presente que daríamos às novas gerações.ANTÔNIO PALOCCI é deputado federal (PT-SP) e foi ministro da Fazenda

15/06/2008 - 19:00h Verissimo

Crônica

O Globo

Rir ou não rir

verissimo.jpgCasal de judeus americanos em visita a Israel entra num clube noturno de Tel Aviv onde se apresenta um cômico local. As piadas do cômico fazem grande sucesso com o público e quem ri mais do que todos é o americano.

Sua mulher estranha. As piadas são em hebraico. O marido não sabe hebraico. Por que está rindo tanto?

— Por que não? — responde o marido. — Eu confio nesta gente!

Dependendo do jornal que você lê, e às vezes do analista num mesmo jornal, o otimismo com a situação do Brasil se justifica, é um delírio ou é um embuste. Poucas vezes na nossa história recente entender o que se passa dependeu tanto da predisposição, ou do preconceito, de cada um. A economia do país raramente esteve tão bem, nunca se comprou tanto carro e casa própria, estamos finalmente a caminho de ter um bendito mercado para sustentar nosso desenvolvimento — ou a caminho do caos. Você decide. Os números não provam nada, ou provam tudo, o que dá no mesmo. Uma correta avaliação é improvável, já que os profissionais da avaliação se contradizem. Os fatos não influem muito na decisão de ser otimista ou catastrófico.

Ou seja: saber hebraico é secundário. Para rir ou não rir das piadas, basta confiar ou não confiar em quem está rindo.

FOFOCA

Com Barack Obama definido como candidato dos democratas à Casa Branca, espera-se para qualquer momento não um atentado contra ele mas uma fofoca sexual, que nos Estados Unidos também costuma ser uma arma. Em países latinos as revelações sexuais não têm o mesmo efeito, portanto não têm o mesmo risco político.

A filha que o Mitterrand tinha com sua amante foi motivo apenas de curiosidade, e de afetuosa surpresa com um pecado menor do velho, e não prejudicaria sua carreira política mesmo se tivesse aparecido antes. E o boato de que o Chirac era amante da Claudia Cardinale só aumentou sua reputação. No Brasil existe um imenso lençol subterrâneo, se este é o termo, de indiscrições conhecidas do poder que nunca vêm à superfície. Tipo todo o mundo sabe mas ninguém publica.

O que é saudável, já que a vida particular do político só é relevante quando surgem falhas de caráter que afetarão o nosso bolso, como uma tara por dinheiro público, e qual é o problema de namorar um pouco se ajuda a relaxar e até a governar e legislar melhor, desde que a patroa não fique sabendo? Mas há quem diga que a falta de inconfidências no mercado se deve a uma insuficiência do nosso setor editorial, que ainda não pôde fazer ofertas convincentes.

Quando morreu Buddy, o labrador dos Clinton, talvez o cachorro com mais histórias para contar do mundo, suspeitou-se que o atropelamento se devesse aos rumores de um contrato milionário para publicar um livro seu, título provável “Memórias da Casa Branca, ou Babando no tapete do Salão Oval”. Buddy, presumivelmente, estava presente nos encontros de Clinton com estagiárias para fins não reprodutivos. Inconfidências de assessores, empregados, amantes etc. são um risco constante para dirigentes americanos e ingleses, incluindo até a família real — no caso dos Estados Unidos, os Kennedy.

As revelações podem ser moderadamente embaraçosas (como a da atriz Angie Dickenson, que descreveu seu caso com John Kennedy como “os quinze segundos mais memoráveis da minha vida”) ou podem acabar com reputações para sempre. Do Bush nunca se soube nada, salvo os atos antinaturais que praticou com o país. Do Barack Obama, devem estar catando.

05/06/2008 - 14:14h Colaboradores

VERISSIMO - O Estado de São Paulo

http://www.portrasdasletras.com.br/pdtl2/img/luis_sax.jpgA imprensa americana está comentando o recém-lançado livro de Scott McClellan, que foi porta-voz da presidência durante três anos e agora conta tudo sobre a campanha mentirosa para justificar a invasão do Iraque e outras sujeiras do governo Bush. A única novidade do relato é ser feito por alguém que estava dentro da Casa Branca e participou - muitas vezes enganado também, diz ele agora - do logro que resultou na guerra mais longa em que o país já se meteu, e cujo custo em vidas humanas continua a subir. A imprensa americana está comentado menos outra coisa que já se sabia mas ninguém com as credenciais de McClellan tinha dito antes: a sua cumplicidade na campanha mentirosa. Com a autoridade de quem se encontrava com ela quase todos os dias, McClellan descreve uma imprensa subserviente que raramente questionava as mentiras do governo e, com poucas exceções, aceitava todas as razões da direita guerreira.

O próprio New York Times, besta negra dos conservadores americanos com sua linha pró-democratas e internacionalista, forneceu os exemplos mais notórios de colaboração com o engodo nas matérias de primeira página em que sua super-repórter Judith Miller transmitia as alarmantes ficções do escroque iraquiano no exílio Ahmad Chalabi sobre armas de destruição em massa do Saddam. O Times depois pediu desculpas aos seus leitores mas nenhum outro grande jornal americano que ajudou a promover a guerra teve o mesmo escrúpulo. McClellan chama a atitude da maior parte da imprensa com relação a Bush, antes e depois da invasão do Iraque, de “reverencial”.

Apesar de persistir nos Estados Unidos o mito de uma imprensa dominada por “liberais”, o fato é que - de novo, com exceções - a direita não tem do que se queixar dos jornais americanos. Mesmo os não abertamente reacionários como o Wall Street Journal preferem um centrismo não muito bem equilibrado. Agora mesmo, com as eleições presidenciais se aproximando, o desequilíbrio aparece.

Não fizeram metade do barulho com as ligações do republicano McCain com religiosos malucos mas brancos, como o que disse que Deus castigou Nova Orleans pelos seus pecados com o furacão, que fizeram com a ligação de Obama com aquele pastor radical negro. “Double standards” é o termo em inglês para dois pesos e duas medidas.

Como diria o Ancelmo Góis, deve ser horrível viver num país em que a imprensa age assim.

Dois belos livros novos. Caminhos da Conquista - A Formação do Espaço Brasileiro, da Editora Terceiro Nome, sobre o que só pode ser descrito como a história da nossa geografia, com ótimo texto de Ricardo Maranhão e ilustrações primorosas de Vallandro Keating. E A Mão Devota - Santeiros Populares das Minas Gerais nos Séculos 18 e 19, do artista plástico José Alberto Nemer, publicado pela Editora Bem-Te-Vi. Fantásticos.

01/06/2008 - 19:26h Clinton Beats Obama in Puerto Rico

http://clinton.senate.gov/images/photos/500k/6-11-06-Puerto-Rican-Day-pa.jpg

By Chris Cillizza - washingtonpost.com staff writer

Sen. Hillary Rodham Clinton claimed a convincing win over Sen. Barack Obama (Ill.) in today’s Puerto Rico primary, a victory that may well be her last in her fading bid for the Democratic presidential nomination.

Polls closed in Puerto Rico at 3 p.m. Eastern time and the race was called for Clinton almost immediately by the major television networks and the Associated Press.

For Clinton, the win provides a quick bounce-back from her campaign’s resounding setback on Saturday at the hands of the Democratic National Committee’s Rules and Bylaws Committee, which ruled in Obama’s favor in a dispute over the seating of the Florida and Michigan delegations, but does little to change the overarching dynamic of the primary fight.

While Clinton will win a clear majority of Puerto Rico’s 55 delegates, she will still stand well behind Obama in the overall count. Coming into today’s vote, Obama had 2,052 delegates, 66 short of clinching the nomination. Clinton had a total of 1,877 delegates.

Clinton launched new ads in South Dakota and Montana on Sunday asserting that she is the popular vote leader, securing more votes than any previous primary candidate. “Some say there isn’t a single reason for Hillary to be the Democratic nominee,” says the ad’s narrator. “They’re right. There are over 17 million of them.”

Bill Burton, a spokesman for the Obama campaign, responded by noting that “both Barack Obama and Hillary Clinton have gotten more votes than any presidential campaign in primary history”, adding: “We are, however, ahead in the popular vote now and will be ahead when all of the votes are counted Tuesday.”

According to Real Clear Politics, Obama actually has 166,186 vote lead over Clinton in the popular vote — 17,267,658 to 17,101,472. If Michigan’s primary is included, where Clinton received 328,307 votes and Obama none due to the fact he removed his name from the ballot, Clinton takes a 162,123 vote lead.

The popular vote debate is largely a semantic and symbolic one at this point, however, as the nominee for the party is selected by delegates and Obama appears to be all-but-certain to reach the magic number of 2,118 sometime soon after Tuesday’s primaries in South Dakota and Montana.

Clinton’s last, best hope to reverse that math came and went yesterday when the Rules and Bylaws Committee met to resolve the fate of Florida and Michigan whose delegates were stripped by the DNC after moving their respective primaries too early in the nominating calendar.

The committee granted Clinton less than half the delegates she had hoped to claim from the two states, which were sanctioned by the DNC for moving their primaries up too early in the year in the nomination fight.

http://msnbcmedia4.msn.com/j/msnbc/Components/Photo_StoryLevel/071103/071103_obama_vmed_8p.widec.jpgThe committee’s decision — particularly with regards to Michigan — was met with derision in the Clinton campaign, which floated the possibility of taking the fight over the Wolverine State to the party’s national convention in late August. “We reserve the right to challenge this decision before the Credentials Committee and appeal for a fair allocation of Michigan’s delegates that actually reflect the votes as they were cast,” the campaign said in a statement released immediately following Saturday’s proceedings.

Nonetheless, the committee’s decision to seat the Florida and Michigan delegations at the convention, but grant each delegate only half a vote, resolves a major piece of the nomination puzzle in Obama’s favor.

Puerto Rico was the largest delegate prize left on the board, South Dakota, with 15 delegates, and Montana, with 16 delegates, will bring the 2008 presidential primary process to a close on Tuesday. Even the most ardent Clinton backers acknowledge that their candidate’s pledged delegate deficit will stand in triple digits when all votes are counted on Tuesday

Polling in Puerto Rico, albeit limited, suggested that Clinton was headed for a significant victory. A survey done by Greenberg Quinlan Rosner Research, a Democratic firm, showed Clinton with 59 percent of the vote to Obama’s 40 percent.

Clinton’s demonstrated strength among Hispanic voters during the primary process and her popularity among the large Puerto Rican community in New York (more than one million residents, according to the 2000 Census) combined to give the Empire State senator a significant leg up.

Clinton also lavished Puerto Rico with attention. She and her husband, former president Bill Clinton, and the couple’s daughter Chelsea spent 14 combined days there of late. Hillary Clinton spent Saturday touring local communities on the back of a flatbed truck. Today she made stops in and around San Juan, the country’s capital city.

“Campaigning in Puerto Rico is like one long Puerto Rican Day Parade,” Clinton said on Saturday, in a reference to the annual celebration in New York City. “It is incredibly energizing, exciting.”

Obama devoted far less time to Puerto Rico. His most recent campaign visit was last weekend, and he spent Sunday campaigning in South Dakota. The Illinois Senator will travel to Michigan and Minnesota — two key general election battlegrounds — in the early part of this coming week.

Election officials were preparing for lower-than-average turnout, estimating that a quarter or fewer of the island’s 2.3 million registered voters would go to the polls. There are no local candidates or initiatives on the ballot, and the battle between Clinton and Obama appears all but over.

Washington Post staff writers Anne E. Kornblut and Shailagh Murray contributed to this report

01/06/2008 - 10:35h A luta pela qualidade da informação

O sociólogo espanhol Ignacio Ramonet defende a pressão pacífica pela verdade

http://bellaciao.org/fr/IMG/jpg/Ignacio_Ramonet-2.jpg

Ubiratan Brasil - O Estado de São Paulo

Jornalista e sociólogo espanhol, Ignacio Ramonet tornou-se uma das vozes mais vibrantes contra a globalização no formato atual. Diretor desde 1991 da publicação francesa Le Monde Diplomatique e fundador das organizações Media Watch Global e ATTAC, ele escreveu vários livros sobre geopolítica e crítica da comunicação mundial, nos quais relaciona os meios de comunicação com o projeto estratégico da globalização.

Sua defesa da esquerda e, em especial, do governo cubano de Fidel Castro, provocou diversas críticas pelo mundo, especialmente contra seu livro Biografia a Duas Vozes (Boitempo, 624 págs., R$ 66, tradução de Emir Sader), considerado dócil e servil ao ex-ditador cubano. ‘Ramonet tem a companhia de Noam Chomsky, caso flagrante de esquizofrenia intelectual, que é inspirado e até genial quando limita-se à lingüística transformacional e um ‘idiota’ irredimível quando desata a falar de política’, observou Vargas Llosa, em artigo publicado no Estado no ano passado.

Controverso, Ramonet esteve em São Paulo na semana passada, quando participou de um debate, no Instituto Cervantes, ao lado do sociólogo Emir Sader. Juntos, discutiram sobre o poder dos meios de comunicação frente aos sistemas econômicos. Antes, Ramonet respondeu as seguintes perguntas.

Como enfrentar os perigos dos conglomerados de mídias, que podem ameaçar a informação de qualidade?

Os conglomerados de mídia dominam hoje a informação. Sua preocupação básica não é a qualidade da informação. Nem sequer sua veracidade. O que mais lhe interessa é a rentabilidade da empresa. Essa é sua obsessão principal. Por isso, dão absoluta prioridade à informação-espetáculo, à informação-entretenimento. Concebem a notícia como uma variedade da cultura de massas e não como item da formação e educação do cidadão. O que importa é um maior número de pessoas consumindo essa informação-lixo. Porque, hoje em dia, o negócio noticioso não consiste em vender novidades aos cidadãos, mas vender cidadãos aos anunciantes. Essa é a nova equação, que constitui uma regressão copernicana. A população precisa tomar consciência dessa mudança radical. E defender seu direito a ser bem informada, porque a qualidade da informação depende da qualidade da democracia.

O crescimento da internet está diretamente ligado à formação desses conglomerados?

A internet foi apresentada, em princípio, como uma possibilidade para os cidadãos se livrarem da dominação dos conglomerados de mídia. Mas hoje, na prática, a internet foi integrada ao império desses conglomerados. Ainda assim, todos podemos abrir um blog, que nos permite falar com todo o planeta. Na realidade, se consideramos o ranking dos sites de informação mais freqüentados em qualquer país, vemos que os primeiros lugares são ocupados por empresas de mídia que dominam a informação nesse país. Por isso, a internet só veio a reforçar o poderio dos conglomerados.

Na França, dois grupos de imprensa, Dassault e Lagardère, têm ligação com atividades militares. Qual o perigo disso quando se travam guerras como a do Iraque?

Sim, na França, os grupos Lagardère e Dassault, cujas atividades industriais principais são militares, estão entre os que dominam o setor de mídia. O perigo é que a informação difundida por esses grupos (como acontece nos Estados Unidos com os meios dominados pela General Electric) seja, em caso de conflitos, favorável, independente do pretexto, a uma intervenção francesa com a única intenção de que, dessa forma, as empresas proprietárias conquistem maiores benefícios. Até o momento, isso não aconteceu, tampouco em 2003 quando se comentava sobre a possibilidade de a França integrar a coalizão que invadiu o Iraque no dia 20 de março daquele ano.

Como os cidadãos devem atuar contra este desvio da liberdade de imprensa?

Os cidadãos devem se organizar como fizeram os consumidores, durante os anos 1960, contra os abusos dos construtores de automóveis ou contra o uso de produtos cancerígenos nos alimentos. Consumimos a informação com nossa mente e, se ela é de má qualidade, acaba por envenenar nosso espírito e nossa personalidade. Devemos criar observatórios dos meios - no Brasil, já existem e são muito sérios e profissionais - para denunciar mentiras, manipulações ou o silêncio dos meios de comunicação. Essa denúncia não tem caráter ideológico (meios de qualquer ideologia podem errar), mas unicamente a busca da perfeição da qualidade da informação. Os cidadãos devem mobilizar-se e fazer pressão pacífica e democrática para os meios melhorarem a informação.

O senhor conversou muito com Fidel Castro e até escreveu um livro sobre esse relacionamento. O senhor acredita que o destino de Cuba, agora sem Fidel, depende diretamente de quem será o próximo presidente dos Estados Unidos?

Sim. Fala-se muito, nos meios de comunicação, sobre a ‘necessidade de Cuba mudar’. Mas inúmeros jornalistas se esquecem da enorme responsabilidade que têm os Estados Unidos em algumas das dificuldades, particularmente econômicas, sofridas por Cuba. A manutenção do cruel bloqueio durante quase 50 anos é um grande crime. Por isso, os Estados Unidos devem iniciar uma mudança em relação a Cuba, no sentido de reconhecer os direitos daquele país de descobrir seu próprio destino. Mudar no sentido de respeitar Cuba e considerá-lo um Estado soberano. Se o republicano John McCain vencer a eleição presidencial de novembro, a atitude de Washington pode endurecer ainda mais - mesmo que essa atitude beligerante não tenha frutificado em meio século. Por outro lado, a eleição de um candidato como o democrata Barack Obama abre certas perspectivas positivas. O temor de muitos observadores é o de que, especificamente sobre essa opinião a respeito de Cuba, Obama seja simplesmente assassinado antes de novembro pela máfia anticubana de Miami.

Qual a melhor herança deixada por Fidel? E a pior?

Fidel Castro é o maior latino-americano da história, ao lado de Simon Bolívar. Ainda que sua contribuição continue muito valiosa, sua herança é imensa. Não apenas material (educação, saúde, cultura, ciência, emprego pleno) mas também espiritual: latinoamericanidade, ética, independência real, resistência. Graças a ele e à revolução, Cuba foi depositária, durante o período negro da repressão e das ditaduras (1964-1979), dos grandes valores latinos de independência, soberania e republicanismo. Valores que hoje estão no auge em todo o continente, democraticamente aprovados pela maioria dos cidadãos.

21/05/2008 - 10:24h As idéias políticas de um homem da moda

http://www.greymondain.fr/public/images/2006/2006-02/vanity%20fair.jpg

Tom Ford defende Obama e união civil gay

http://songedunenuitdete.hautetfort.com/images/medium_tom-ford-b.jpg

Estilista que salvou a Gucci veio a São Paulo para inaugurar loja própria na Daslu

Espaço, que venderá peças da linha masculina assinada por Ford, é a primeira loja do designer ex-Yves Saint-Laurent na América Latina

VIVIAN WHITEMAN
DA REPORTAGEM LOCAL - FOLHA DE SÃO PAULO

Tom Ford é um homem admirado e invejado no mundo da moda. Salvou a maison Gucci da falência, colocando-a no topo do mercado fashion, e foi diretor de criação da Yves Saint-Laurent. Em 2004, no auge de sua fama, jogou tudo para o alto após desentendimentos com o poderoso conglomerado Pinault-Printemps-Redoute, que havia comprado o grupo Gucci.

Quando muitos declaravam sua aposentadoria precoce, Ford reapareceu em 2005 e criou uma marca com seu nome. Com várias parcerias na manga, lançou linhas de óculos, produtos de beleza e, em 2006, em acordo com o grupo Ermenegildo Zegna, anunciou a chegada da Tom Ford Menswear, que vende roupas masculinas altamente sofisticadas.

Anteontem, Ford esteve em São Paulo para inaugurar uma filial de sua grife masculina na Daslu (a flagship, luxuosíssima, fica em Nova York), a primeira na América Latina.

Bonitão, bem-humorado e charmoso, Ford não aparenta seus 46 anos e arrasta olhares femininos e masculinos por onde passa. Mas avisa logo: é muito bem casado, há 22 anos, com o jornalista Richard Buckley.
O estilista deu entrevista à Folha numa das suítes do hotel Fasano, onde ficou hospedado em São Paulo, e falou de moda, união civil gay e política. Texano como o presidente George W. Bush, ele não quer saber dos republicanos e pretende votar em Barack Obama.

FOLHA - Por causa de seu tipo físico e também de suas criações e campanhas ousadas, você ficou com a fama de ser um homem muito sexy…

FORD - Acho isso divertido, embora não me sinta um cara especialmente sexy. Eu sou muito tranqüilo, engraçado, gosto de dizer bobagens, de relaxar com os meus amigos. Mas percebo que as pessoas que não me conhecem esperam que eu seja um cara esnobe e sexualmente agressivo, com uma atitude muito atirada. Bem, sinto frustrar essa fantasia, mas ela não corresponde à realidade.

FOLHA - Sua vida é mais sossegada do que seus fãs imaginam, então?

FORD - Não diria sossegada, porque trabalho muito, viajo demais e tenho muitos amigos famosos, que dão festas e me convidam para eventos badalados. Mas não tenho uma vida maluca com segredos impublicáveis. Sou bastante comum, na verdade. A maioria das celebridades têm vidas e rotinas muito menos interessantes do que se pensa. Sabe, até a rainha Elizabeth deve cantar pelada no chuveiro, é o tipo de coisa banal que todo mundo faz…

FOLHA - Você está numa relação homossexual estável. O que pensa da legalização do casamento gay?

FORD - Quando me falam em casamento gay, eu sempre digo, vamos esquecer a palavra casamento. Dá a impressão errada, é uma palavra que sugere igreja, religião, e isso é um outro assunto. O que defendo é a união civil entre pessoas do mesmo sexo, a garantia de que casais gays possam dividir o patrimônio que construíram juntos, como qualquer outro casal. Infelizmente, os EUA estão bem atrasados nessa discussão.

FOLHA - Em quem pretende votar na próxima eleição presidencial?

FORD - Meu voto será certamente do Partido Democrata, mas temo que, com tanta divisão interna, John McCain acabe vencendo. Eu comecei no time da Hillary [Clinton], mas Barack Obama me parece o homem certo para os americanos neste momento. Os EUA estão perdendo o seu lugar de potência econômica, e não vão recuperá-lo. Ninguém quer mais guerras, esse tipo de solução militarizada não nos levará a nada. China, Rússia, Brasil, essas serão as potências econômicas futuras. Porém, os Estados Unidos podem ser a nova potência moral do mundo, um país com um governo disposto a trabalhar com as outras nações e a difundir valores de cooperação, de crescimento humano. Precisamos recuperar a essência dos EUA, que é muito bonita: um país que acolhe estrangeiros e dá chances a homens e mulheres com espírito empreendedor. Eleger Obama passaria uma mensagem positiva e nova para o mundo.

FOLHA - Então você considera o Brasil como um mercado promissor?

FORD - Sim, e não só para a moda. O Brasil vive uma onda de crescimento que ao que tudo indica não vai acabar tão cedo. Com os avanços na economia e as novas reservas de petróleo descobertas recentemente, as expectativas são ótimas.

FOLHA - Por que você escolheu a Daslu para instalar a sua loja?

FORD - É uma loja com público selecionado, que gosta de coisas exclusivas. Esse é o espírito da minha grife: roupas de altíssima qualidade, de corte impecável, para homens que viajam o mundo e prezam a elegância. Mas o principal atrativo da loja é o tipo de serviço que é oferecido. Os clientes são muito mimados e há dezenas de serviços à sua disposição. Poucas lojas no mundo têm esse tipo de atendimento. É o topo do VIP.

16/05/2008 - 18:12h “Bush é horrível demais para ser esquecido”, diz Philip Roth

Philip Roth

Blog Rosebud

O escritor americano Philip Roth falou à Spiegel sobre envelhecimento, sobre por que George W. Bush é o pior presidente americano da história, e revelou por que nunca dá o seu número de celular a ninguém.

Philip Roth, que vai completar 75 anos em março, é um dos autores norte-americanos vivos mais aclamados pela crítica. Seu livro “O Complexo de Portnoy”, de 1969, levou-o à fama, e ele deu continuidade ao sucesso, ganhando o prêmio Pulitzer com o livro “Pastoral Americana”, de 1997.

Muitos de seus livros têm o alter-ego ficcional de Roth, Nathan Zuckerman, como personagem principal. Zuckerman aparece novamente no último trabalho de Roth, “Exit Ghost”, em que o personagem volta a Nova York depois de muitos anos de exílio no interior da Nova Inglaterra.

A Spiegel conversou com Roth sobre “Exit Ghost”, as eleições americanas e os prazeres da vida no campo.

(more…)

06/05/2008 - 17:31h A Test for the Clinton Campaign


Hillary Clinton campaigns at the Indianapolis Motor Speedway on election day, May 6, 2008. She received an endorsement there from driver Sarah Fisher. (Linda Davidson / The Washington Post)

By Dan Balz - Washington post

If Hillary Clinton hopes to prove she should be the Democratic nominee, today is the day to show it.

The political environment heading into Tuesday’s primaries in Indiana and North Carolina has been ideal from Clinton’s perspective. Barack Obama has been on the defensive over the Rev. Jeremiah Wright and the issue terrain is better than she could ask for.

Indiana is as close to a toss-up state as the Democrats have seen in a long time, giving Clinton the chance to demonstrate superiority in a head-to-head competition. North Carolina seemingly offers her an opportunity to embarrass Obama — if in no other way than by holding down his expected victory margin — in what should be solid territory for him.

Obama spent last week trying to shake the Rev. Jeremiah Wright off his back. His decision to break with his former pastor won applause from some Democrats and earned him superdelegate support. But Obama strategists know the issue has not gone away. As one Republican put it Monday, when you spend the first 20 minutes of “Meet The Press” answering questions about your pastor, you know you’ve still got a problem.

Economic issues, the staple of Clintonian politics, are at the center of the campaign now. Whenever Iraq dominated the debate, Clinton was on the defensive because of her vote to authorize the war. But Iraq, while important, has receded. Rising gasoline prices, the home foreclosure crisis, fears of job losses and recession, and, as ever, the cost and availability of health care, play to her inherent strengths as a champion of the middle class.

Obama has been dogged with question: Why didn’t he break with Wright sooner? Why can’t he win working-class white voters? Why does Clinton beat him in states like Ohio and Pennsylvania when he is heavily outspending her? The concentration on his problems has turned Indiana and North Carolina into tests he must pass — or face more questions about whether his once high-flying campaign has been permanently brought back to ground.

Clinton has largely escaped intensive scrutiny. Not, of course, on her gas tax holiday proposal. Economists and Obama have roundly criticized that idea, but to her apparent relish. Other ideas she has thrown out — putting OPEC in the dock at the World Trade Organization, for one — have not been well scrubbed. That is what happens when (a) you have won recent contests and (b) your chances of becoming the nominee are seen as remote.

As part of Post’s the “8 Questions” project that runs in Tuesday’s newspaper, I asked a group of strategists a ninth question: Has the emergence of the economy as the dominant issue in the election made Clinton a stronger general election candidate than Obama? Or do her high negatives make Obama the party’s better choice?

More of the respondents said her high negatives remained such a problem that Obama was likely the stronger general election nominee, despite the shift in the issue terrain.

Those who said yes cited the Clintons’ long history on the economy. “What’s left of the Clinton brand remains economic common sense,” wrote one Democrat. “Economy has allowed HRC to shine with her depth of knowledge and feel for the economy [and] has highlighted Obama’s weakness,” wrote a pro-Clinton Democrat.

But they were in the minority. Bill Carrick, who was a top strategist in Dick Gephardt’s 2004 campaign, which was heavily focused on the economy, said Obama is still the party’s better choice. “Senator Clinton has adjusted to the ascendancy of economic issues with great skill but her negatives have gone even higher as the campaign has become nastier,” he wrote. “Obama is still better positioned for the general election.”

“The nominee has to be able to say, ‘John McCain supports all of George Bush’s economic policies. I’m going to make the economy work for the middle class again,’” wrote Steve Murphy, another ex-Gephardt adviser who was part of Bill Richardson’s campaign team this year. “I think Obama can handle that.”

Can Clinton overcome those perceptions, which may be a major obstacle for superdelegates? One Democratic strategist offered this thought on Monday. “If she performs higher than expected [in areas where her negatives are high], it might suggest that folks are starting to believe she is the better general election candidate and are willing to put aside their negative assumptions about her.”

That makes Indiana and North Carolina so important to Clinton. She needs strong performances — victory in Indiana and a close finish in North Carolina — to prompt a reappraisal of her general election prospects by the remaining uncommitted superdelegates.

After Tuesday, there will be no real opportunity for her to change the race. The remaining states offer predictable outcomes and the delegate math remains all in Obama’s favor. Whether she will risk a bloody rules or credentials fight over Michigan and Florida is not clear right now, but as one Democrat put it, Clinton probably doesn’t have the time to overtake Obama and still unify the party.

Still, the past week has played to her advantage and she has campaigned as if she knows it. A slow grind to the final primaries on June 3 is not in her interest. If she cannot capitalize in Indiana and North Carolina, there’s little reason to think she will be given another opportunity like this during the rest of the campaign to demonstrate why she should be the nominee. That’s why May 6 long has been circled on calendars as so significant.

29/04/2008 - 00:56h Hillary aparece com mais chances de vencer McCain que Obama

http://www.smh.com.au/ffximage/2007/01/29/hillaryclinton_wideweb__470x308,0.jpg

da Folha Online

A pré-candidata democrata à Presidência dos EUA Hillary Clinton aparece com 9% a mais de intenções de voto que o provável candidato republicano John McCain, em pesquisa da Associated Press-Ipsos, dando força ao seu argumento de que ela tem mais chances de ser eleita que seu rival, Barack Obama. Em um cenário entre Obama e McCain, os dois estão tecnicamente empatados, segundo a pesquisa.

A sondagem divulgada nesta segunda-feira dá à senadora por Nova York um novo impulso em seus esforços por arrecadação de verbas e para persuadir superdelegados indecisos a ficarem ao seu lado, na convenção nacional da legenda, que decidirá o candidato do partido.

Ajudada por independentes, jovens e eleitores mais velhos, Hillary ganhou terreno neste mês em uma disputa hipotética com o senador pelo Arizona, que já alcançou o número necessário de delegados para se tornar o candidato republicano e aguarda a nomeação oficial. A ex-primeira-dama aparece liderando com 50% das intenções de voto contra 41%, enquanto Obama aparece tecnicamente empatado com McCain, com 46% contra 44%.

Os dois democratas apareciam praticamente empatados com McCain na pesquisa anterior, há cerca de três semanas.

Desde então, Hillary venceu a primária democrata na Pensilvânia, levantando dúvidas se Obama pode atrair eleitores de perfis diversos necessários para vencer em grandes Estados em novembro, quando o candidato democrata enfrentará McCain. Hillary venceu as primárias de praticamente todos os grandes Estados dos EUA, como Califórnia, Ohio e Texas.

Ao mesmo tempo, Obama foi colocado na defensiva após afirmar que os residentes de pequenas cidades dos EUA, amargurados, estavam recorrendo a armas e à religião, tendo sido deixados para trás no processo político. O senador pelo Illinois também teve que continuar a lidar com as controversas declarações de seu ex-pastor Jeremiah Wright.

Disputa democrata

“Não acho que exista nenhuma questão nas últimas três semanas que tenha melhorado sua situação (de Hillary)”, disse Harrison Hickman, pesquisador democrata que não apoiou nenhum dos pré-candidatos. Ele atribuiu os resultados de Hillary à mudança da população de um “estado de admiração”, no qual escolhiam o candidato que mais gostavam, para um “estado de tomada de decisão”, onde determinam quem deve ser o melhor presidente.

A pesquisa Associated Press-Ipsos mostra Hillary e Obama praticamente empatados na disputa pela nomeação democrata. Destacando as profundas divisões dentro do Partido Democrata –e um possível impacto negativo a longo prazo–, 30% dos eleitores de Hillary e 21% dos que apóiam Obama afirmaram que votarão em McCain em novembro se o seu candidato não vencer a nomeação.

Obama conseguiu mais delegados que Hillary nas primárias, mas ela têm vantagem sobre os superdelegados, sendo que cerca de um terço dos 800 pesos pesados do partido que participam da decisão do nomeado ainda não declararam quem apóiam.

Howard Dean, líder do Partido Democrata, disse nesta segunda que um dos dois saberá que é hora de desistir quando a temporada de primárias terminar, em junho, em tempo de os democratas se unirem antes da convenção em agosto e da campanha até novembro.

Dean também pediu aos superdelegados indecisos –membros do Comitê Nacional Democrata, assim como governadores e legisladores democratas– a se alinharem com um dos pré-candidatos antes da convenção, para que o partido se una contra McCain.

Cerca de metade dos entrevistados na sondagem disse que a longa disputa democrata irá prejudicar as chances do partido em novembro. Mais simpatizantes de Obama que de Hillary manifestaram essa impressão.

Com Associated Press

22/04/2008 - 23:03h Hillary vence em Pensilvânia e o suspense continua…

hillary_pensilvania.jpg

L'image “http://graphics8.nytimes.com/images/2008/04/22/us/politics/22liveblog1.fs.jpg” ne peut être affichée car elle contient des erreurs.Os resultados obtidos por Hillary Clinton na Pensilvânia foram uma vitória clara da senadora (55% para ela, contra 45% para Obama) e porém, será provavelmente insuficiente para reverter o favoritismo de Barack Obama e obter a investidura do partido Democrata. Agora provavelmente ela não desistirá e muito dependerá do voto nos Estados de Indiana e Carolina do Norte em 6 de maio, onde estarão em jogo 218 delegados e posteriormente na disposição dos super-delegados durante a própria convenção.

Por enquanto, e sem contar os delegados eleitos esta noite em Pensilvânia, segundo calculo do jornal The New York Times, Obama já obteve no país 1,418 delegados enquanto 1,250 foram para Hillary Clinton (em votos de eleitores, Obama abriu uma diferença de 700 mil votos sobre Hillary. Um pouco menos, 600 mil, com os resultados de hoje). O candidato vencedor será quem obtiver 2,024 delegados no final das primárias do Partido Democrata.

Com os resultados de hoje e se obtiver uma vitória esmagadora nos Estados restantes, Hillary Clinton poderá tentar levar uma maioria dos super-delegados a preferirem seu nome. Como se vê muitos se no percurso da senadora.

Ao que tudo indica e salvo reviravolta provocada por algum acontecimento inesperado e de muito peso, Barack Obama acabará ungido candidato para enfrentar o Republicano McCain.

As longas primárias Democratas terão sido desgastantes para seu candidato ou ao contrário facilitado a mobilização dos seus partidários?

Hillary Clinton desistirá antes da convenção ou persistira em sua cruzada? Os resultados de Pensilvânia a incitam a continuar a briga até a convenção.

Um será o vice do outro? Poderia ser uma solução para tentar recolar os cacos na divisão partidária.

Os resultados de hoje fizeram crescer as incertezas e adiaram as definições, mas a aspiração a mudança encarnada pelo senador negro já fez dele um vitorioso entre os Democratas e o vento da derrota sopra para o lado de Hillary Clinton, apesar da nítida vitória de hoje.

Talvez este desfecho acabe permitindo aos Republicanos conservar o poder. Nesse caso a “primavera” de Obama terá vivido o tempo de uma primária e acabará com a queda das folhas outonais. LF

13/04/2008 - 06:33h USA: O boom econômico que poucos viram

bandeiradolares.jpg

O Estado de São Paulo - David Leonhardt *

Como foi que a economia americana chegou a este ponto? Não é apenas a aparente recessão. Recessões acontecem. O maior problema é que o boom agora encerrado não foi, para a maioria dos americanos, um boom.

Em 2000, ao fim da expansão econômica anterior, a família americana média ganhava em torno de U$ 61 mil. Em 2007, no que parece ter sido o ano final da expansão mais recente, a família americana, surpreendentemente, parece ter ganhado menos - cerca de U$ 60,5 mil. Isso nunca aconteceu antes, pelo menos desde que o governo começou a compilar os dados.

Em todas as outras expansões, desde a 2ª Guerra Mundial, o poder de compra da maioria das famílias americanas cresceu junto com a economia. Pode-se pensar nisso como o teste mais básico da saúde de uma economia: será que ela faz com que o padrão de vida de seus cidadões seja sempre crescente?

Na segunda metade do século 20, os Estados Unidos passaram no teste de uma maneira que nenhum outro país passou, provavelmente. Eles se tornaram, como diz o clichê, o país mais rico do globo. A maioria das famílias, porém, já não está enriquecendo.

“Tivemos expansões antes em que os de baixo não se saíram bem”, disse Lawrence F. Katz, um economista de Harvard que estuda o mercado de emprego. “Mas nunca tivemos uma expansão em que a faixa intermediária da distribuição de renda não teve nenhum crescimento salarial.” Mais do que tudo - mais até do que a guerra no Iraque -, a estagnação da grande máquina da classe média americana explica o desalento nacional vigente.

Como parte de uma pesquisa divulgada esta semana, o Pew Research Center perguntou a pessoas como elas se saíram nos últimos cinco anos. Vale lembrar que nesse período a economia em geral cresceu todos os anos, freqüentemente, num ritmo acelerado. Mas a maioria dos entrevistados respondeu que permaneceu no lugar ou regrediu. O Pew diz que essa é a avaliação de curto prazo do progresso pessoal, mais pessimista do que em quase meio século de sondagens.

As causas da desaceleração salarial vêm se formando faz tempo. Elas têm relativamente pouco a ver com o presidente George W. Bush ou qualquer outro político individual (embora seja fato que a administração Bush mostrou pouco interesse pelo problema).

A desaceleração começou nos anos 70, com o choque do petróleo. Depois vieram a revolução tecnológica e a expansão do comércio global, reduzindo o poder de barganha de uma grande parte da força de trabalho. Nos últimos anos, o custo da assistência à saúde agravou o problema, abocanhando uma parte enorme do salário da maioria dos trabalhadores.

A renda familiar média real mais que dobrou do fim dos anos 40 ao fim dos anos 70. Ela subiu menos de 25% nas três décadas seguintes. Estatísticas como essas são hoje tão familiares que não impressionam mais. Mas a questão maior ainda é crucial: a economia americana moderna distribui os frutos de seu crescimento a uma fatia relativamente estreita da população. Não é preciso mais uma década de evidências para se chegar a essa conclusão.

A angústia com a estagnação da renda eclodiu em vários momentos das três últimas décadas. Ela parecia estar crescendo na primeira metade dos anos 90, quando os eleitores não reelegeram George H. W. Bush, e em seguida, dois anos depois, quando fizeram o mesmo com os líderes democratas do Congresso.

Aí veio a bolha de tecnologia que fez tudo parecer melhor durante algum tempo. Os preços do petróleo em baixa nos anos 90 também ajudaram. O mesmo fez a bolha imobiliária permitindo que famílias complementassem suas rendas usando o capital de suas casas.

casas_venda_indice.jpg

Agora, porém, as bolhas parecem ter acabado. É difícil perceber como a economia voltará aos trilhos sem algumas mudanças fundamentais. Penso que isso pode ser considerado o principal projeto econômico à espera do próximo presidente.

Felizmente, existe um modelo óbvio esperando para ser espanado. Os ganhos da renda no período pós-guerra não aconteceram simplesmente. Eles foram produto de um programa deliberado para aumentar a classe média, com o sistema de rodovias interestaduais, a GI Bill (lei de assistência a veteranos da 2ª Guerra) e outras medidas.

É fácil imaginar uma nova versão desse programa, com investimentos na criação de empregos em pesquisa biomédica, energia alternativa, rodovias e educação. Hillary Clinton, John McCain e Barack Obama mencionaram idéias nesse sentido.

Mas ainda existe uma falta de seriedade estratégica na discussão, como observa Bruce Katz, da Brookings Institution. Afinal, os EUA já gastaram uma fortuna em educação, mas mesmo assim perderam sua posição de país com a maior taxa de graduação universitária do mundo. (Coréia do Sul e alguns outros países nos passaram, enquanto Japão, Grã-Bretanha e Canadá estão na cola.)

O mesmo acontece com obras públicas. Os gastos em infra-estrutura estão no seu ponto mais alto em 20 anos como proporção do Produto Interno Bruto, mas uma parte excessiva do dinheiro é gasta em programas ineficientes. Gastos para beneficiar correligionários não contribuem para uma estratégia econômica nacional.

A assistência à saúde e os impostos terão de fazer parte da discussão também. O dr. Ezekiel Emanuel dos Institutos Nacionais de Saúde assinalou que um esforço sério para reduzir os gastos médicos supérfluos ajudaria os trabalhadores. Isso os pouparia de pagar prêmios de seguro e taxas que hoje cobrem essa assistência.

O código fiscal, por sua vez, se tornou bem mais favorável aos trabalhadores de alta renda ao mesmo tempo em que eles - e apenas eles - receberam grandes aumentos antes de impostos. Isso não faz muito sentido, faz? É uma lista e tanto de coisas a fazer. Mas temos um problema e tanto também. Como a economia parece estar em recessão, e como as recessões trazem seus próprios cortes salariais, minha idéia é que o problema parecerá ainda maior quando o próximo presidente tomar posse.

*David Leonhardt escreve para o ‘The New York Times’

04/04/2008 - 04:47h Negro e branco, brilhante e flexível, Obama revitaliza King

memorial_luther_king.jpg

barack_obama3.jpg

O Estado de São Paulo - Gilles Lapouge*

Barack Obama tinha 6 anos quando Martin Luther King foi assassinado em Memphis. Desde aquele 4 de abril de 1968, a história mundial tornou-se tão efervescente que esquecemos a face dolorosa dos EUA. A candidatura de Obama é um convite a nos lembrarmos dela. No entanto, se o eloqüente Obama é um herdeiro da epopéia de King, ele o é de maneira longínqua, imprecisa.

King, pastor na Geórgia, foi o representante exemplar dos descendentes de escravos africanos que viviam no sul, repelidos e desprezados pela maioria dos brancos. Obama vem de outra parte. Ou melhor, vem de todos os lugares ao mesmo tempo - e essa é a sua força. Ele é negro e branco. Nasceu no Havaí, de pai queniano e mãe branca de alta linhagem: entre seus ancestrais está Jefferson Davies, presidente dos Estados Confederados da América. Muito jovem, retornou ao Quênia. Estudou em uma escola muçulmana na Indonésia. Fez seus estudos superiores nos EUA. Tornou-se cristão e participou de uma igreja negra de Chicago. Nada disso lembra a história de King. Lembra mais a de um imigrante do que a de um negro americano.

Há outra diferença. King não se inscrevia no jogo normal dos EUA e de suas instituições. Ele não conduziu uma ação política. Era um pastor que a miséria e a injustiça vieram interpelar. Já Obama é um homem político. Seguiu todos os currículos. Sabe das dificuldades. Conhece todas as sutilezas. Assim, o combate que empreende não é exatamente o mesmo que o de King. É por isso que evitou tão ferozmente apresentar-se como o recuperador da bandeira de King.

Nem sempre foi fácil. Ele tinha um desafio sutil: não se passar por um representante natural da comunidade negra, mas sem negligenciá-la. Nesse caso também, ele precisava estar aqui e lá ao mesmo tempo: negro e branco, nem negro nem branco.

O fato de pertencer, se não à comunidade negra, mas pelo menos ao mundo mestiço, não conseguiu descarrilar sua carruagem em várias ocasiões em que isso poderia ter ocorrido. O momento mais perigoso foi no início de março, quando vídeos lembraram que o antigo pastor da igreja de Obama em Chicago, o reverendo Jeremiah Wright, era um inimigo dos EUA. Em 2003, Jeremiah, que foi uma espécie de guia espiritual de Obama, clamou: “Em vez de dizer ‘Que Deus abençoe os EUA’, é preciso dizer: ‘Que Deus amaldiçoe os EUA’, que tratam como subumanos alguns de seus cidadãos.” Pior: após os atentados de 11 de setembro de 2001, Jeremiah ousou dizer: “Surpreende-me que as pessoas se espantem de que tudo o que os EUA fizeram no estrangeiro seja jogado hoje em sua cara.” Diante desse terremoto, Obama reagiu com sangue-frio. Finalmente, ousou encarar de frente a questão racial, essa ferida dos EUA que ele até então evitava. Fez um discurso inspirado sobre o tema, à maneira de um Lincoln ou de King.

De fato, há algumas semelhanças entre sua luta política e a luta humana de King. Os dois homens, num dado momento, defrontaram-se com o mesmo inimigo: o ódio dos extremistas. Por volta de 1960, os negros americanos, constatando que a não-violência não dava resultado, distanciaram-se de King e cometeram excessos sangrentos. King assistiu, desesperado, a esse retorno do horror.

Obama também deparou com o mesmo tipo de excesso. Mas soube acalmar os ânimos. E exatamente por causa de sua personalidade ambígua, meio queniana e meio americana, meio negra e meio branca, um pouco religiosa, mas não muito. Ele tem uma suavidade, uma flexibilidade que King não podia conhecer. E ele tem outros trunfos. Além de seu charme e seu brio dialético, é um homem absolutamente novo. King era muito velho, dos inícios da história americana. Obama, com apenas 46 anos, é um homem livre em relação às tradições políticas asfixiantes às quais todos os seus concorrentes estão extremamente ligados.

O fato de ele pertencer à comunidade negra, longe de aliená-lo dos brancos, como ele próprio temia, é, ao contrário, aceito. Melhor ainda: muitos americanos brancos, desesperados ao constatar o desprezo, o ódio ou a aversão aos EUA no mundo todo, se perguntam se este homem brilhante, negro e ileso de todos os clichês americanos não poderia reconquistar o coração dos homens. A cor da sua pele não poderá fazer esquecer a imagem corrompida e despedaçada dos EUA de Bush?

*Gilles Lapouge é correspondente em Paris

03/04/2008 - 17:25h A dream deferred?

From Economist.com

Forty years after the murder of Martin Luther King, is America any closer to realising his dreams?

AFP/AP

MARTIN LUTHER KING dreamed of a day when his children would be judged not by skin colour but by character. Black America has moved far since his murder on April 4th 1968, at least on the political front. Four decades ago racists blew up churches and beat civil-rights marchers. Today, at least at the top, black America has found its voice: a black woman, Condoleezza Rice, is secretary of state, and a black man, Barack Obama, may capture the presidency in November.

In social and economic matters across the black population as a whole, however, blacks are still much worse off than whites. They endure far greater rates of poverty, crime and other social ills. Efforts to tackle these problems have produced dismal results, as opposing groups lay claim to King’s dream of colour-blindness.

Schooling shows some of the most intractable difficulties. Last year the Supreme Court declared unconstitutional plans by two school districts to assign students, according to race, to various schools (in an effort to balance the mix of races in classrooms). The court narrowly declared that the plans were against the constitution’s promise of equality before the law.

Yet few tools exist to tackle de facto educational resegregation. Aggressive federal intervention in the 1960s got black and white pupils to mix more. But by the 1980s white parents and conservative jurists had turned against controversial programmes such as the bussing of students to distant schools. Today blacks are again increasingly concentrated, if not legally segregated, into failing schools. Some 73% of black children study where over half the students are non-white, and 38% attend “intensely segregated” schools (over 90% non-white). Those schools get less funding and have less qualified teachers than average. In turn fewer blacks finish their studies. The most hopeful estimate—a 2006 report by the Economic Policy Institute—suggests that 74% of black students graduate. That is still ten percentage points below whites.

Another difficulty on the road to King’s colour-blind America concerns higher education. In 2006, the average white student scored 1063, out of 1600 on the Scholastic Aptitude Test, which is widely used for university admissions. The average black score was just 863. A 200-point gap usually means the difference between admission to an excellent university and a decent one, or between a decent one and a mediocre one.

The traditional remedy was “affirmative action”: various measures by universities to ensure higher rates of black enrolment. Here, too, jurisprudence has pushed back, most notably in a 2003 Supreme Court ruling, Gratz v Bollinger. The court found that universities may seek “diversity” in admissions, but the mechanistic system used by the University of Michigan, which gave points to students merely for being black, was unconstitutional. A simultaneous ruling on Michigan’s law-school admissions programme provided some ambiguity, when the court said that an “individualised, holistic” review of each application could consider race as a factor. Voters in Michigan responded by approving a 2006 ballot measure that banned affirmative action. The issue may now arise in the presidential campaign. A prominent (and black) opponent of affirmative action, Ward Connerly, is trying to get an initiative on the ballots of five states that would ban public institutions from considering race, sex or ethnicity when, for example, hiring staff.

Affirmative action—and other efforts—have certainly failed to rid America of sharp inequalities. Past oppression probably counts for much of the persistence of black poverty: in 1967, according to the census, the average black person had an income that was just 54% of the average white one. By 2005 the gap had only closed to 64%. And lingering prejudice makes life harder for many black job applicants. Social experiments have repeatedly shown that employers who are offered two otherwise identical résumés prefer one that carries a typically white name to one with a typically black name. Increasingly it is poorer and less educated black Americans who use “typically black” names, according to research by Steven Levitt, an economist at the University of Chicago.

With educational and economic opportunities skewed, no wonder that health and welfare indicators are too: the Justice Department estimates that one in three black men will go to jail at some point. An astounding 68% of blacks are overweight or obese, compared with (a still high) 58% of whites. Black people get cancer slightly more often than whites (despite smoking the same amount), and are more than twice as likely to be shot dead. Overall, black lives are five years shorter than white ones.

King is widely remembered as an inspirational speaker and moral leader. But John McWhorter of the Manhattan Institute concludes that his more mundane efforts may end up mattering as much: “I wish more people thought about the long, hard work he did behind the scenes on policy and negotiation.” Rows continue over the relative merits of race-blind policies and the need to level out America’s inequalities. Four decades after King’s death much remains to be done.

25/03/2008 - 04:41h Domando a fera

wall_street2.jpg

Paul Krugman - O Globo

 Estamos, agora, no meio de uma épica crise financeira, que deveria ser o centro do debate eleitoral. Mas não é.
Na verdade, não espero muito de John McCain, que admitiu ter pouco conhecimento sobre economia e negou ter dito isso depois.
Do lado dos democratas, é decepcionante que Barack Obama — em cuja campanha foi destacada sua oposição à guerra do Iraque em contraste com o apoio inicial de Hillary — tenha tentado ganhar alguns pontos sugerindo que a guerra, além de todos seus outros custos, tenha sido responsável por nossos problemas econômicos.
Hillary Clinton não fez, até onde posso dizer, qualquer comentário comparável.
Mas, assim como o senhor Obama, tem permanecido em silêncio sobre a questão chave: a necessidade de reformar nosso sistema financeiro sem controle.
Deixe-me explicar.
Os Estados Unidos saíram da Grande Depressão com uma rede de segurança financeira bastante efetiva, baseada no princípio quid pro quo (isto por aquilo, em português): o governo estava pronto para salvar os bancos se eles enfrentassem problemas, desde que aceitassem uma regulação dos riscos que assumiriam.
Com o tempo, no entanto, boa parte do papel que os bancos tradicionalmente exerciam foi assumido por instituições que não estavam sob regulação — “a sombra do sistema bancário”, que se apóia em arranjos financeiros complexos desenhados para burlar aquela regulação.
Agora, a sombra do sistema bancário está enfrentando o equivalente à onda de corridas bancárias que varreu os Estados Unidos no início dos anos 30. E o governo está correndo para ajudar, com centenas de bilhões.
Diante dos riscos para a economia se o sistema financeiro derreter, essa missão de resgate é justificada. Mas você não precisa ser um economista radical para perceber que o que está acontecendo agora é o quid sem o quo.
Essa lógica vai prevalecer politicamente? Não se o senhor McCain chegar à Casa Branca. Seu principal assessor econômico, o senador Phil Gramm, é um fervoroso defensor da desregulamentação.
Quanto aos democratas, nenhum deles se comprometeu com qualquer reforma financeira.
Agora, a indústria de seguros e de investimentos está colocando dinheiro tanto nas campanhas do senhor Obama quanto da senhora Clinton. E certamente acreditam que terão algo em troca.
Vamos esperar que eles estejam errados.

24/03/2008 - 22:28h Taming the Beast

wall_street.jpg

By PAUL KRUGMAN - The New York Times

We’re now in the midst of an epic financial crisis, which ought to be at the center of the election debate. But it isn’t.

Now, I don’t expect presidential campaigns to have all the answers to our current crisis — even financial experts are scrambling to keep up with events. But I do think we’re entitled to more answers, and in particular a clearer commitment to financial reform, than we’re getting so far.

In truth, I don’t expect much from John McCain, who has both admitted not knowing much about economics and denied having ever said that. Anyway, lately he’s been busy demonstrating that he doesn’t know much about the Middle East, either.

Yet the McCain campaign’s silence on the financial crisis has disappointed even my low expectations.

And when Mr. McCain’s economic advisers do speak up about the economy’s problems, they don’t inspire confidence. For example, last week one McCain economic adviser — Kevin Hassett, the co-author of “Dow 36,000” — insisted that everything would have been fine if state and local governments hadn’t tried to limit urban sprawl. Honest.

On the Democratic side, it’s somewhat disappointing that Barack Obama, whose campaign has understandably made a point of contrasting his early opposition to the Iraq war with Hillary Clinton’s initial support, has tried to score a twofer by suggesting that the war, in addition to all its other costs, is responsible for our economic troubles.

The war is indeed a grotesque waste of resources, which will place huge long-run burdens on the American public. But it’s just wrong to blame the war for our current economic mess: in the short run, wartime spending actually stimulates the economy. Remember, the lowest unemployment rate America has experienced over the last half-century came at the height of the Vietnam War.

Hillary Clinton has not, as far as I can tell, made any comparably problematic economic claims. But she, like Mr. Obama, has been disappointingly quiet about the key issue: the need to reform our out-of-control financial system.

Let me explain.

America came out