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	<title>Blog do Favre &#187; Obama</title>
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	<description>Cultura, Política, Economia, Mundo, Sociedade, Comportamento</description>
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		<title>Israel &#8211; Palestina: Solução de 2 Estados está em xeque</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Nov 2009 12:47:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Sem acordo até 2011, palestinos pressionarão por Estado único

John V. Whitbeck &#8211; O Estado SP
O &#8220;processo de paz&#8221; do Oriente Médio, um processo aparentemente perpétuo, chegou ao momento da verdade. Foi o que o principal negociador palestino, Saeb Erekat, afirmou em entrevista no último dia 4.
As esperanças dos palestinos de que o governo Barack Obama [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Sem acordo até 2011, palestinos pressionarão por Estado único</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong></strong><img class="aligncenter" style="cursor: -moz-zoom-out;" src="http://laionmonteiro.files.wordpress.com/2009/01/nena_palestina_tanque_israel.jpg" alt="http://laionmonteiro.files.wordpress.com/2009/01/nena_palestina_tanque_israel.jpg" width="555" height="417" /></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">John V. Whitbeck &#8211; O Estado SP</span></h2>
<p>O &#8220;processo de paz&#8221; do Oriente Médio, um processo aparentemente perpétuo, chegou ao momento da verdade. Foi o que o principal negociador palestino, Saeb Erekat, afirmou em entrevista no último dia 4.</p>
<p>As esperanças dos palestinos de que o governo Barack Obama continuasse insistindo com firmeza para que Israel parasse de expandir os assentamentos em território palestino frustraram-se. Houve um momento particularmente decepcionante, quando a secretária americana de Estado, Hillary Clinton, usou o termo &#8220;sem precedentes&#8221; ao elogiar a promessa mínima de Israel de reduzir seu programa de expansão dos assentamentos.</p>
<p>Reagindo rapidamente, o presidente palestino, Mahmoud Abbas, anunciou que não se candidataria à reeleição porque agora estava claro que os Estados Unidos não se oporiam a Israel. A capitulação de Washington sugere a possibilidade de que &#8220;a solução dos dois Estados deixou de ser uma opção, e agora talvez o povo palestino deva voltar suas atenções para a solução de um Estado único, em que muçulmanos, cristãos e judeus possam viver em condições iguais&#8221;, disse Erekat.</p>
<p>Sua declaração clamorosa poderá assinalar uma guinada na longa e frustrante busca da paz com algum grau de justiça entre Israel e a Palestina.</p>
<p><strong>STATUS QUO</strong></p>
<p>Durante os longos anos do chamado processo de paz, os prazos foram constantemente desrespeitados, como era previsível. Este fracasso foi facilitado pela realidade prática de que, para Israel, o &#8220;fracasso&#8221; não teve outra consequência senão a continuação do status quo, que para todos os governos israelenses tem sido não apenas tolerável, como preferível a qualquer alternativa realizável de um ponto de vista realista. Para Israel, o &#8220;fracasso&#8221; sempre constituiu um &#8220;sucesso&#8221;, permitindo que continuasse confiscando terra palestina, expandindo suas colônias na Cisjordânia, construindo desvios acessíveis unicamente aos judeus, e em geral tornando a ocupação cada vez mais permanente e irreversível.</p>
<p>No interesse de todos, esta situação terá de mudar. Para que haja alguma perspectiva de sucesso numa nova rodada de negociações, o fracasso deve ter consequências claras, convincentes e inapeláveis para os israelenses.</p>
<p>A liderança palestina, com ou sem Abbas, agora deveria anunciar que está disposta a retomar as negociações com Israel, mas somente com base num entendimento expresso e irrevogável: se não houver um acordo de paz definitivo com base na &#8220;solução de dois Estados&#8221;, e se este não for assinado até o final de 2010, o povo palestino não terá outra escolha senão buscar a justiça e a liberdade pela democracia &#8211; mediante plenos direitos de cidadania em um Estado único em todos os territórios que, antes de 1948, constituíam a Palestina, livre de toda discriminação de raça ou religião, com direitos iguais para todos os que viverem neste Estado, como ocorre numa verdadeira democracia.</p>
<p>A Liga Árabe deveria então declarar publicamente que a generosa Iniciativa de uma Paz Árabe, que desde março de 2002 oferece a Israel uma paz permanente e relações diplomáticas e econômicas normais em troca do cumprimento da lei internacional pelos israelenses, expirará e será retirada da mesa de negociações, caso um acordo de paz definitivo palestino-israelenses não seja assinado até o final de 2010.</p>
<p>Neste momento &#8211; e não antes &#8211; poderão começar negociações sérias e cruciais. Considerando a extensão do avanço dos assentamentos israelenses em terras palestinas, talvez já seja tarde demais para se chegar a uma solução de dois Estados satisfatória, mas uma solução satisfatória nesse sentido jamais terá maior chance de ser alcançada. Se de fato for tarde demais, israelenses, palestinos e o mundo poderão, então, concentrar suas mentes e esforços de modo construtivo na única alternativa satisfatória.</p>
<p>É até mesmo possível que, se obrigados a trabalhar no próximo ano na perspectiva de viver num Estado totalmente democrático, muitos israelenses consigam considerar esta &#8220;ameaça&#8221; menos terrível do que têm feito tradicionalmente.</p>
<p>A este propósito, talvez os israelenses devessem conversar com alguns sul-africanos brancos. A transformação da ideologia da supremacia racial e do sistema político da África do Sul num sistema plenamente democrático os transformou de marginalizados em pessoas bem-vindas em toda a região.</p>
<p>Além disso, garantiu a permanência de uma presença branca forte e vital na África do Sul de um modo que nunca seria possível com flagrante injustiça de uma ideologia e um sistema político com base na supremacia racial e com a imposição aos nativos de &#8220;Estados independentes&#8221; fragmentados e dependentes. Este não é um precedente a ser menosprezado, mas poderá e deverá servir de inspiração.</p>
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		<title>Judeus israelenses apoiam negociações de paz com palestinos</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Nov 2009 19:04:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Pesquisa da Universidade de Tel Aviv também aponta equilíbrio na opinião sobre as intenções de Netanyahu
Efe &#8211; Agência Estado
JERUSALÉM &#8211; Um total de 75% da população judaica israelense apoia o desenvolvimento de negociações de paz com a Autoridade Nacional Palestina (ANP), a percentagem mais alta em anos, revelou uma pesquisa da Universidade de Tel Aviv [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Pesquisa da Universidade de Tel Aviv também aponta equilíbrio na opinião sobre as intenções de Netanyahu</strong></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Efe &#8211; Agência Estado</span></h2>
<p>JERUSALÉM &#8211; Um total de 75% da população judaica israelense apoia o desenvolvimento de negociações de paz com a Autoridade Nacional Palestina (ANP), a percentagem mais alta em anos, revelou uma pesquisa da Universidade de Tel Aviv divulgada nesta quarta-feira, 18.</p>
<p>O levantamento mostra que, entre os que apoiam as negociações com os palestinos, 57% consideram a suspensão da construção de colônias judaicas como importante &#8211; algo que os palestinos estabelecem como condição para avançar nas conversas -, em comparação com 37% que opinaram o contrário.</p>
<p>Entre os que rejeitaram o diálogo, 93% disseram não acreditar que a construção de assentamentos judaicos no território ocupado palestino deva ser interrompida.</p>
<p>Este é o chamado &#8220;Índice de Guerra e Paz&#8221;, elaborado mensalmente pelo Programa Evans de Pesquisa da Resolução de Conflitos da Universidade de Tel Aviv após consultar mais de 500 israelenses. A margem de erro é de 4,5%.</p>
<p>Obama</p>
<p>A pesquisa também mostra uma queda no número de israelenses que considera o presidente dos EUA, Barack Obama, como pró-palestino, e um aumento no percentual daqueles que acham que a posição do americano é neutra ou inclusive pró-israelense.</p>
<p>Contra os 55% que consideravam que as políticas de Obama beneficiavam a parte palestina na edição da pesquisa feita em maio de 2009, apenas 40% dizem o mesmo no último levantamento, feito em novembro.</p>
<p>Os entrevistados se mostram igualmente divididos em relação às supostas intenções do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, de retornar às negociações com os palestinos. Assim, 46% disseram crer que suas intenções são sinceras, enquanto 45% afirmam o contrário.</p>
<p><strong><span style="font-size: xx-large;">Obama diz que construção de assentamentos por Israel é perigosa</span></strong></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Reuters/Brasil Online &#8211; O Globo</span></h2>
<p>WASHINGTON (Reuters) &#8211; O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, voltou a colocar pressão sobre Israel para que o país ponha fim a seus projetos de assentamentos nesta quarta-feira, afirmando que a sua construção leva a uma situação perigosa com os palestinos.</p>
<p>&#8220;Acho que a continuação da construção de assentamentos não contribui para a segurança de Israel. Acho que torna mais difícil eles fazerem a paz com seus vizinhos&#8221;, disse Obama à Fox News.</p>
<p>&#8220;Acho que isso desagrada os palestinos de uma maneira que pode acabar sendo bastante perigoso.&#8221;</p>
<p>(Reportagem de Jeff Mason)</p>
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		<title>EUA e China adiam para 2010 a possibilidade de acordo climático</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Nov 2009 14:17:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[MEIO-AMBIENTE]]></category>
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		<description><![CDATA[CoP-15: Posição assumida por Obama e Hu Jintao deve levar a prolongamento de negociações

Edward Luce, Kevin Brown, Fiona Harvey e Joshua Chaffin, Financial Times &#8211; VALOR
O presidente dos EUA, Barack Obama, admitiu ontem que a cúpula de Copenhague, no mês que vem, não vai produzir um tratado com força de lei para combater o aquecimento [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>CoP-15: Posição assumida por Obama e Hu Jintao deve levar a prolongamento de negociações</strong></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://img.timeinc.net/time/daily/2009/0904/obama_hu_0401.jpg" alt="http://img.timeinc.net/time/daily/2009/0904/obama_hu_0401.jpg" width="518" height="291" /></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Edward Luce, Kevin Brown, Fiona Harvey e Joshua Chaffin, Financial Times &#8211; VALOR</span></h2>
<p>O presidente dos EUA, Barack Obama, admitiu ontem que a cúpula de Copenhague, no mês que vem, não vai produzir um tratado com força de lei para combater o aquecimento global, mas manteve a porta aberta para uma negociação substantiva de um novo quadro sobre mudanças climáticas.</p>
<p>Ao dizer que &#8220;não devemos transformar o &#8216;perfeito&#8217; em inimigo do &#8216;bom&#8217; &#8220;, o presidente americano selou o crescente consenso internacional de que o melhor a ser esperado do encontro no mês que vem é um forte comprometimento político.</p>
<p>A posição de Obama, assumida durante o encontro do Fórum de Cooperação Econômica Ásia Pacífico (Apec, na sigla em inglês), foi apoiada por todos os 21 países presentes, inclusive a China.</p>
<p>Analistas dizem que isso reflete um entendimento entre americanos e chineses de que não há a possibilidade ainda de os dois maiores poluidores do planeta de entrar num acordo mais amplo sobre mudanças climáticas.</p>
<p>Autoridades americanas disseram que os membros da Apec, responsáveis por dois terços das emissões mundiais, chegaram a um consenso sobre a fórmula de &#8220;um acordo, dois passo&#8221;, elaborada pelo premiê dinamarquês, Lars Rasmussen. Por essa abordagem, Copenhague produziria um acordo em questões substantivas, incluindo cortes significativos nas emissões dos países desenvolvidos até 2020, além de medidas dos países em desenvolvimento para segurarem os crescimentos de emissões.</p>
<p>Os países podem assinar um acordo sem força de lei, mas de &#8220;comprometimento político&#8221;.</p>
<p>Advogados poderiam então produzir um tratado articulado pronto para ser assinado na conferência da ONU em Bonn, em junho, ou no próximo encontro sobre mudanças climáticas, no México, em dezembro de 2010.</p>
<p>Michael Froman, conselheiro-sênior de Obama, disse: &#8220;Essa abordagem de dois passos significa que houve uma avaliação dos líderes de que não seria realístico esperar um acordo internacional com força de lei a ser negociado entre agora e o início da cúpula de Copenhague, em 22 dias&#8221;.</p>
<p>Autoridades europeias disseram não terem ficado surpresas com os comentários de Obama, mas pediram aos governos que tentassem fazer progressos reais no mês que vem.</p>
<p>Entretanto mesmo chegar a acordos políticos será difícil.</p>
<p>Obama ainda encontra muita dificuldade em adotar dois dos principais objetivos de Copenhague: chegar a um comprometimento dos EUA de cortar suas emissões até 2020 e definir o financiamento por parte dos EUA e dos outros países ricos para ajudar os países pobres a cortar suas emissões. E os EUA não podem adotar esses compromissos até que a legislação de clima e energia que está sendo analisada no Senado seja votada.</p>
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		<title>Livre para perder</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Nov 2009 12:38:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Paul Krugman* &#8211; O Estado SP
Considerem, por um momento, uma história de dois países. Ambos sofreram severa recessão e perderam empregos &#8211; não na mesma escala. No país A, o emprego caiu mais de 5% e a taxa de desemprego mais que dobrou. No país B, o emprego caiu apenas 0,5% e o desemprego é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><img class="size-full wp-image-16156 alignleft" title="Krugman_paul" src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Krugman_paul.jpg" alt="Krugman_paul" width="190" height="201" /><span style="background-color: #ffff99;">Paul Krugman* &#8211; O Estado SP</span></h2>
<p>Considerem, por um momento, uma história de dois países. Ambos sofreram severa recessão e perderam empregos &#8211; não na mesma escala. No país A, o emprego caiu mais de 5% e a taxa de desemprego mais que dobrou. No país B, o emprego caiu apenas 0,5% e o desemprego é apenas ligeiramente mais alto que antes da crise.</p>
<p>Vocês não acham que o país A poderia ter algo a aprender com o B? Essa história não é hipotética. O país A são os Estados Unidos, onde os preços das ações estão em alta, o PIB está crescendo, mas a situação terrível do desemprego continua se agravando. O país B é a Alemanha, que sofreu um grande golpe no PIB, quando o comércio mundial desmoronou, mas tem sido extremamente bem-sucedido em evitar perdas de emprego em massa.</p>
<p>O milagre dos empregos na Alemanha não recebeu muita atenção nos EUA, mas ele é real e suscita questões sérias sobre se o governo americano está fazendo as coisas certas para combater o desemprego.</p>
<p>Nos EUA, a filosofia por trás da política de emprego pode ser resumida em &#8220;se crescermos, eles virão&#8221;. Isto é, nós não temos uma efetiva política de emprego, temos uma política de PIB. A teoria é que, ao estimular o consumo em geral, podemos fazer o PIB crescer mais depressa, e isso induzirá as companhias a deixar de demitir e retomar as contratações.</p>
<p>A alternativa seriam políticas que enfrentem a questão do emprego. Poderíamos, por exemplo, ter programas de frentes de trabalho, no estilo do New Deal, do governo do presidente Roosevelt, na época da Depressão. Uma coisa dessas talvez seja impossível agora, mas deveríamos anotar, para registro, que em seu auge esses programas empregaram milhões de americanos a custo relativamente baixo para o orçamento.</p>
<p>Alternativamente, ou além disso, poderíamos ter políticas que apoiem o emprego no setor privado. Essas políticas poderia variar de regras trabalhistas que desestimulem demissões a incentivos financeiros a companhias que contratem trabalhadores ou reduzam as horas trabalhadas.</p>
<p>E foi isso que os alemães fizeram. A Alemanha entrou na Grande Recessão com uma forte legislação de proteção ao emprego. Essa foi suplementada por um &#8220;esquema de trabalho de curto prazo&#8221; que fornece subsídios a empregadores que reduzem as jornadas dos trabalhadores em vez de dispensá-los. Essas medidas não impediram uma perversa recessão, mas a Alemanha atravessou a recessão com perdas de empregos notavelmente baixas.</p>
<p>Os EUA deveriam fazer algo nessa linha? Numa entrevista recente, Lawrence Summers, o economista de maior peso no governo Obama, desdenhou: &#8220;Pode ser desejável ter uma dada quantidade de trabalho dividida entre mais pessoas. Mas isso não é tão desejável quanto expandir a quantidade total de trabalho&#8221;. É fato. Mas a verdade é que nós não estamos expandindo a quantidade total de trabalho &#8211; e o Congresso não parece estar disposto a gastar o suficiente em estímulo para mudar esse fato lamentável.</p>
<p>A objeção usual a políticas de emprego ao estilo europeu é que elas são ruins para o crescimento no longo prazo &#8211; que proteger empregos e encorajar a partilha do trabalho torna as companhias de setores em expansão menos propensas a contratar e reduz os incentivos para trabalhadores se transferirem para ocupações mais produtivas. E, em tempos normais, há algo a se defender nos mercados de trabalho &#8220;livres para perder&#8221; no estilo americano, em que os empregadores podem demitir à vontade mas também enfrentam poucas barreiras para contratar.</p>
<p>Mas estes não são tempos normais. Neste momento, os trabalhadores que perdem empregos não estão se transferindo para os empregos do futuro; estão entrando nas filas dos desempregados e ficando nelas. O desemprego prolongado já está nos níveis mais altos desde os anos 1930, e continua crescendo.</p>
<p>E o desemprego prolongado inflige danos prolongados. Os trabalhadores que estão fora de um emprego por muito tempo encontram dificuldade para voltar ao mercado de trabalho mesmo quando as condições melhoram. E existem custos ocultos também &#8211; não menos para as crianças, que sofrem física e emocionalmente quando seus pais passam meses ou anos desempregados.</p>
<p>Então, já é hora de tentar algo diferente.<br />
<strong><br />
* Paul Krugman é Prêmio Nobel de Economia </strong></p>
]]></content:encoded>
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		<title>EUA decaem, mas China ainda não é páreo</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Nov 2009 16:15:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[ECONOMIA]]></category>
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		<description><![CDATA[Nova ordem: Analistas creem na emergência de um mundo multipolar, mas não na débâcle total americana


John Plender, Financial Times &#8211; VALOR
Com o presidente Barack Obama iniciando uma viagem por capitais asiáticas, a suposição corrente no Ocidente é de que ele vai se encontrar com líderes de países tidos como parceiros inferiores aos EUA. Mas, a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Nova ordem: Analistas creem na emergência de um mundo multipolar, mas não na débâcle total americana</strong></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" style="cursor: -moz-zoom-out;" src="http://www.galizacig.com/avantar/files/images/20080723_sonho-americano.JPG" alt="http://www.galizacig.com/avantar/files/images/20080723_sonho-americano.JPG" width="555" height="443" /></p>
<p style="text-align: center;">
<h2><span style="background-color: #ffff99;">John Plender, Financial Times &#8211; VALOR</span></h2>
<p>Com o presidente Barack Obama iniciando uma viagem por capitais asiáticas, a suposição corrente no Ocidente é de que ele vai se encontrar com líderes de países tidos como parceiros inferiores aos EUA. Mas, a realidade é mais complexa. Em meio aos escombros da crise financeira, a posição dos EUA de superpotência e líder da economia mundial parece cada vez mais ameaçada.</p>
<p>Em especial, quando ele chegar a Pequim, no domingo, nada conseguirá disfarçar o fato de que Obama estará fazendo uma visita ao maior credor de seu país.</p>
<p>Aqueles que ficam satisfeitos com o desconforto dos EUA observam que esse colosso econômico global carrega o maior endividamento internacional do mundo e vem sendo abalado por uma moeda em desvalorização. É consenso geral que a China é a principal beneficiária de uma débâcle financeira e uma séria desafiante à hegemonia dos EUA.</p>
<p>Como o poder econômico frequentemente anda de mãos dadas com o poderio militar, essa mudança no poder econômico, juntamente com a fraqueza recente do dólar, vem sendo proclamada como um prenúncio do declínio americano. Esse clima é descrito de maneira primorosa por Fareed Zakaria em seu mais recente livro de sucesso, &#8220;The Post-American World And The Rise Of The Rest&#8221; (&#8221;O Mundo Pós-Americano&#8221;, Companhia das Letras). Assim veio a referência de Obama, em seu discurso de posse, de &#8220;um enfraquecimento da confiança em nosso país; um temor incômodo de que o declínio da América é inevitável, de que a próxima geração terá que reduzir suas esperanças&#8221;.</p>
<p>Paul Volcker, ex-presidente do Federal Reserve (Fed) e conselheiro do presidente, declarou em uma entrevista recente à PBS, a rede de televisão pública dos EUA, que a ascensão dos mercados emergentes é &#8220;simbólica da menor posição dominante relativa dos EUA, não só na economia, mas também na liderança intelectual e de outras formas&#8221;.</p>
<p>Os bancos centrais dos países em desenvolvimento estão esfregando sal nas feridas do gigante enfermo. O Reserve Bank da Índia juntou-se, na semana passada, aos bancos centrais de China, Rússia, México e Filipinas na decisão de aumentar suas reservas em ouro, em detrimento dos títulos denominados em dólar. Um verdadeiro coro de formuladores de políticas de países que estão com superávit em conta corrente declarou que a posição do dólar como moeda de reserva é insustentável.</p>
<p>A essa altura, é importante lembrar que já estivemos aí antes. No fim da década de 80, Paul Kennedy, da Yale University, chocou o mundo com sua afirmação, em &#8220;The Rise And Fall Of The Great Powers&#8221; (&#8221;Ascensão e Queda das Grandes Potências&#8221;, Ed. Campus), de que &#8220;a única resposta à questão cada vez mais discutida da capacidade dos EUA de preservar ou não sua atual posição é &#8216;não&#8217;&#8221;.</p>
<p>Esse veredito pessimista surgiu na época do crash do mercado de ações, em 1987, quando houve uma preocupação contínua com os déficits gêmeos dos EUA e os déficits em conta corrente. O país havia se tornado um devedor internacional pela primeira vez e dependia crescentemente da entrada de capital europeu e japonês. Um Japão extremamente confiante estava em ascensão. O sentimento de decadência chegou perto da histeria nos EUA quando empresas japonesas compraram o Rockefeller Center, em Nova York, a Columbia Pictures, em Hollywood, e o campo de golfe de Pebble Beach, na Califórnia. &#8220;Quem é o dono da América?&#8221;, exigiu saber a ABC News.</p>
<p>De certa forma, a tese do professor Kennedy estava certa. Com a China, a Índia e os outros mercados emergentes alcançando o mundo desenvolvido, os EUA deverão sofrer um declínio econômico relativo, na forma de uma parcela menor do PIB mundial, mesmo com o país crescendo mais do que a maioria das grandes economias desenvolvidas e ainda sendo a maior economia do mundo em termos absolutos.</p>
<p>A globalização e a liberalização doméstica estão dando a esses países em desenvolvimento a chance de obter uma participação no PIB mundial proporcional ao seu tamanho na história. O desempenho econômico da China antes de 1978 era, afinal de contas, uma aberração vista a partir de uma perspectiva de séculos.</p>
<p>Em um estudo sobre as maiores economias, Angus Maddison, da Universidade de Groningen, calcula que a a participação da China no PIB mundial em 1820, antes de a Revolução Industrial na Europa ganhar força, era de mais de 30%, o que é bem mais do que a participação atual dos EUA. Assim, um retorno a algo mais normal pode estar a caminho.</p>
<p>Mas a tese de Kennedy parecia errada ao sugerir que os EUA talvez tivessem ampliado demais o seu império, ao ponto de não conseguirem mais administrá-lo, como aconteceu com a Espanha no século XVII e o Reino Unido no século XX. O caso mais óbvio de incapacidade de administração da década de 80 foi na verdade a União Soviética, que entrou em colapso, enquanto os EUA foram bem-sucedidos logo depois no restabelecimento de seu equilíbrio orçamentário, durante o governo Clinton, sem um recuo integral em seus compromissos internacionais.</p>
<p>Enquanto isso, o desafio econômico japonês perdeu o passo com o estouro das bolhas imobiliária e acionária, e o país se viu ameaçado pela deflação. O pânico da mídia americana com a invasão japonesa se mostrou um indicador perfeito, ainda que involuntário, de um ponto de virada.</p>
<p>A questão agora é se a tese da incapacidade de administração do império estava errada ou era simplesmente prematura. Mesmo assim, prever os períodos de ascensão e queda de nações e economias é uma coisa notoriamente difícil. Charles Kindleberger, o falecido historiador econômico, foi um dos muitos que acreditavam que a vitalidade nacional se movimentava em um ciclo de vida. Entre as causas internas do declínio identificadas por ele, estavam o aumento do consumo, a queda da poupança, a resistência à tributação, a desigualdade, a corrupção, grandes endividamentos e as finanças se tornarem mais dominantes na economia do que a indústria.</p>
<p>Mesmo que isso bata com as atuais circunstâncias, é preciso observar que muitas dessas coisas também estavam presentes nos EUA em 1929, quando a crise financeira coincidiu com a longa transição da hegemonia econômica do Reino Unido para os EUA. Quando Kindleberger escreveu &#8220;World Economic Primacy 1500-1990&#8243;, em 1996, ele acreditava que os EUA estavam decaindo. Mas ele não tinha ideia de qual país provavelmente surgiria como a próxima potência econômica mundial, e tinha a China apenas como &#8220;azarão&#8221; para o posto.</p>
<p>O argumento mais poderoso de apoio à hipótese da decadência envolve o que o professor Kennedy chamava de &#8220;tarefa antiga de relacionar as intenções nacionais às finalidades nacionais&#8221;. Como há uma correlação significativa de longo prazo entre a capacidade produtiva e a capacidade de aumentar as receitas, e o poderio militar, muita coisa depende da sustentabilidade da política fiscal. Aqui, os prognósticos não são bons para os EUA.</p>
<p>Sob as pressões gêmeas da crise financeira e do problema de longo prazo do envelhecimento dos &#8220;baby boomers&#8221;, as projeções oficiais apontam para déficits orçamentários numa escala sem precedentes. O Peterson Institute for International Economics, de Washington, estima que, depois de chegar perto de US$ 1,5 trilhão no ano fiscal corrente &#8211; mais de três vezes o recorde anterior -, o déficit provavelmente ficará perto de US$ 1 trilhão ao ano até 2020 ou além.</p>
<p>Da perspectiva do fluxo de recursos que entra na economia, a contrapartida desses déficits será em grande parte encontrada na conta corrente do balanço de pagamentos. Aqui, o instituto calcula que o déficit em conta corrente poderá subir de um recorde anterior de 6% do PIB para surpreendentes 15% ou mais até 2030, o equivalente a mais de US$ 5 trilhões por ano. Ele avalia que a dívida externa subirá dos atuais US$ 3,5 trilhões para até US$ 50 trilhões, ou 140% do PIB, no mesmo período.</p>
<p>Esses números representam um desafio assustador para o governo Obama e uma ameaça evidente ao dólar, uma vez que há um volume muito grande de reservas em dólares em mãos estrangeiras. O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que, do fim de 2000 até metade de 2009, as reservas internacionais subiram de US$ 1,9 trilhão para US$ 6,8 trilhões, dos quais US$ 2,3 trilhões estão sendo mantidos pela China. Mais de 60% dessas reservas estão em dólares.</p>
<p>A retórica chinesa recente, que inclui um pedido para a substituição do dólar como principal moeda de reserva do mundo por direitos especiais de saque (uma unidade contábil usada pelo FMI no trato com seus membros), sugere uma perda preocupante de confiança nas políticas monetária e fiscal dos EUA. Ao mesmo tempo, Fred Bergsten, diretor do Peterson Institute, afirma que agora é interesse dos EUA reduzir o papel do dólar e encorajar um fluxo maior de reservas para o euro, o yuan e os direitos especiais de saque (SDR, na sigla em inglês).</p>
<p>Mesmo assim, a ameaça ao dólar pode estar sendo exagerada. A China está sacudindo as barras da gaiola que ela mesma fez, uma vez que as reservas são uma consequência da intervenção colossal para impedir a valorização de sua moeda. Na verdade, ela está presa ao equivalente econômico da aniquilação mútua descrita pelos teóricos da guerra nuclear durante Guerra Fria. Com as exportações chegando a dois quintos do PIB, convém à China ter os EUA como tomador e gastador de último instância na economia mundial. E ela não pode abandonar o dólar sem reduzir o valor de suas próprias reservas em dólar.</p>
<p>Quanto ao potencial da moeda chinesa de desafiar o papel do dólar de moeda de reserva, isso poderá existir no longuíssimo prazo, mas na ausência de mercados financeiros desenvolvidos e um compromisso muito mais forte de internacionalização do yuan, isso continua sendo muito remoto.</p>
<p>Na verdade, o elemento mais fraco do ponto de vista do declínio dos EUA pode ser as atuais estimativas elevadas da força do desafio chinês. Elas foram elegantemente apontados em um ensaio recente sobre assuntos externos de Josef Joffe, editor adjunto do jornal alemão &#8220;Die Zeit&#8221;. A China, diz ele, é um lugar onde o resto do mundo essencialmente aluga trabalhadores e espaço de trabalho a preços muito baixos e taxas de câmbio distorcidas. Sua dependência das exportações, além de ser um calcanhar-de-aquiles econômico, tem consequências políticas. Estas incluem 70 mil casos de distúrbio social todos os anos, que não são computados nas previsões lineares de crescimento de que os banqueiros de investimento tanto gostam.</p>
<p>A demografia da China não ajuda: Joffe afirma que a população vai crescer antes de começar a enriquecer. Pelos números do Goldman Sachs, a China terá em 2050 superado os EUA, com um PIB de US$ 45 trilhões, contra os US$ 35 trilhões dos EUA. A idade média nos EUA será, então, a menor entre todas as grandes potências mundiais com exceção da Índia. Na verdade, a população economicamente ativa dos EUA terá crescido cerca de 30%, enquanto que na China haverá queda de 3%.</p>
<p>Junto com a dependência das exportações, isso representa um grande desafio para as autoridades chinesas, num país que é muito pobre. Enquanto isso, os EUA ainda possuem um sistema de ensino superior e de pesquisas sem paralelos. E, em 2008, seu orçamento militar foi de US$ 607 bilhões, representando quase metade dos gastos militares totais no mundo. O orçamento militar da China, frequentemente alardeada como a próxima superpotência, é de menos de um sétimo disso.</p>
<p>Ninguém pode negar as conquistas extraordinárias da China na mais acelerada revolução industrial da história humana. Estamos claramente nos movimentando para um mundo multipolar e um sistema de reserva multimoedas, no qual o poder dos EUA será mais restrito. Mesmo assim, os EUA continuam sendo de longe a mais flexível das grandes economias. A história não se move sobre trilhos &#8211; exceto para os marxistas. Se as autoridades dos EUA se mostrarem à altura do desafio fiscal e se os americanos passarem e poupar mais, há todas as chances do país escapar de um declínio significativo e continuar sendo a principal economia e potência militar do mundo por muito tempo ainda.</p>
<p>Isso é um &#8220;se&#8221; enorme. Mas, para o prazer de muitos, a próxima geração de americanos não vai reduzir suas esperanças e ambições no curto prazo.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://www.danielsansao.com.br/motocontinuo/arquivos/images/xian.jpg" alt="http://www.danielsansao.com.br/motocontinuo/arquivos/images/xian.jpg" /></p>
<p><strong><em>Retranca</em></strong><br />
<span style="font-size: xx-large;"><strong><br />
China já viveu uma decadência como império</strong></span></p>
<p><span style="font-size: xx-large;"><strong><br />
</strong></span></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Financial Times &#8211; VALOR</span></h2>
<p>A teoria da expansão excessiva dos impérios, lançada por Paul Kennedy em &#8220;The Rise And Fall of The Great Powers&#8221;, afirma que, se uma proporção grande demais dos recursos do Estado é desviada da criação de riqueza para os gastos militares, o poder nacional vai se enfraquecer no longo prazo. A questão é se um determinado Estado pode conseguir um equilíbrio razoável entre as necessidades básicas de defesa e os recursos econômicos.</p>
<p>A tarefa fica ainda mais difícil quando uma nação está sofrendo um declínio econômico relativo. O professor Kennedy afirmava também que os EUA não conseguiriam preservar sua posição relativa porque &#8220;simplesmente a nenhuma sociedade é conferido o direito de continuar permanentemente à frente das outras, uma vez que isso implicaria num congelamento dos padrões diferenciados das taxas de crescimento, dos desenvolvimentos tecnológico e militar, que existem desde tempos imemoriais&#8221;.</p>
<p>Ele concluiu que era dever dos estadistas americanos reconhecer essa ampla tendência e administrar o país, de modo que a corrosão relativa da supremacia ocorresse lentamente e tranquilamente, em vez de implementar políticas vantajosas no curto prazo, mas que seriam prejudiciais no longo prazo.</p>
<p>Isso carrega um reflexo notável da observação feita por Robert Temple Armstrong, o ilustre servidor público britânico, que disse na década de 70 que &#8220;o negócio do serviço civil é a administração ordeira do declínio&#8221;.</p>
<p>A China, embora vista por muitos como a principal beneficiária da potencial exaustão dos EUA, já passou por uma experiência própria de declínio. Até a meta de milênio anterior, ela era tecnologicamente mais avançada que a Europa, com uma agricultura mais eficiente, e a classe dos mandarins não tinha rivais em seu profissionalismo. Mesmo depois que o Ocidente a superou, economica e tecnologicamente, entre os séculos XVI e XVIII, a economia da China ainda era a maior do mundo quando a revolução industrial começou.</p>
<p>No entanto, entre 1820 e 1952, quando a Europa experimentou taxas de crescimento econômico sem precedentes na história, a produtividade per capita da China caiu, enquanto sua participação no PIB mundial despencou de um terço para um vigésimo. A renda per capital caiu de um nível igual ao mundial, para um quarto de média mundial no período*.</p>
<p>Esse desempenho terrível tem sido atribuído a várias causas, incluindo a intervenção colonial estrangeira, distúrbios internos e a inflexibilidade da burocracia diante dos desafios apresentados pelo renascimento do Ocidente.</p>
<p><strong>Todos os números foram extraídos de &#8220;Chinese Economic Performance In The Long Run&#8221;, de Angus Maddison </strong></p>
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		<title>La negociación secreta de un acuerdo mundial sobre el &#8216;copyright&#8217; alarma a los internautas</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Nov 2009 19:28:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[MÍDIA]]></category>
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		<category><![CDATA[copyright]]></category>
		<category><![CDATA[direitos autorais]]></category>
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		<category><![CDATA[Obama]]></category>
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		<category><![CDATA[USA]]></category>

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		<description><![CDATA[Grupos civiles envían una carta a Obama protestando por el secretismo de las reuniones.- El texto autorizaría a los propietarios de derechos a exigir a los proveedores de Internet actuaciones contra los clientes que intercambien obras protegidas


TOMÀS DELCLÓS - Barcelona &#8211; 09/11/2009 &#8211; El País

  

  La negociación secreta de un acuerdo comercial [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3>Grupos civiles envían una carta a Obama protestando por el secretismo de las reuniones.- El texto autorizaría a los propietarios de derechos a exigir a los proveedores de Internet actuaciones contra los clientes que intercambien obras protegidas</h3>
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<div>
<h2><span style="background-color: #ffff99;"><strong>TOMÀS DELCLÓS</strong> <em>- Barcelona &#8211; </em>09/11/2009 &#8211; El País</span></h2>
</div>
<p><!-- ***** Contenido noticia ***** --> <!-- ***** Estructura_2col_1zq ***** --> <!-- ***** Votos y comentarios ***** --></p>
<div></div>
<p><!-- ***** Fin Votos y comentarios ***** --> <!-- ***** Entradilla ***** --> <!-- google_ad_section_start() -->La negociación secreta de un acuerdo comercial mundial que autorizaría a las empresas y propietarios de derechos a exigir a los proveedores de acceso a Internet la vigilancia sobre el tráfico de sus clientes ha desatado la alarma de los internautas. De las negociaciones para redactar el Anti-Counterfeiting Trade Agreement (ACTA) se tienen noticias desde el año pasado, pero la semana pasada trascendió un documento de la Unión Europea en la que explicaba a sus estados miembros la posición de Estados Unidos, que se ha reservado la redacción del capítulo dedicado a Internet.</p>
<p><!-- google_ad_section_end() --> <!-- ***** Fin de Entradilla ***** --> <!-- ***** Info complementaria ***** --></p>
<div><!-- ***** Despiece ***** --> <!-- ***** Despiece ***** --> <!-- ***** Hermanas ***** --> <!-- ***** Fin Hermanas ***** --> <!-- ***** Agrupa gris ***** --></p>
<div><!-- ***** Imagenes, audios y video  peso 8, 7 y 6 **** --> <!-- Inicio Mod grafico --></p>
<div>
<div><a href="http://www.elpais.com/elpaismedia/ultimahora/media/200911/09/tecnologia/20091109elpeputec_1_Pes_PDF.pdf"><img src="http://www.elpais.com/im/ico_80_descarga.gif" alt="Foto" /></a></div>
<div>
<h3><a href="http://www.elpais.com/elpaismedia/ultimahora/media/200911/09/tecnologia/20091109elpeputec_1_Pes_PDF.pdf">Carta a Obama reclamando un debate público</a></h3>
<h4>DOCUMENTO (PDF &#8211; 42,77Kb) &#8211; 09-11-2009</h4>
<p>Grupos civiles critican el secretismo de la administración sobre ACTA</p></div>
</div>
<p><!-- Fin Mod grafico --> <!-- Inicio Mod grafico --></p>
<div>
<div><a href="http://www.elpais.com/elpaismedia/ultimahora/media/200911/09/tecnologia/20091109elpeputec_2_Pes_PDF.pdf"><img src="http://www.elpais.com/im/ico_80_descarga.gif" alt="Foto" /></a></div>
<div>
<h3><a href="http://www.elpais.com/elpaismedia/ultimahora/media/200911/09/tecnologia/20091109elpeputec_2_Pes_PDF.pdf">Documento filtrado de la UE sobre ACTA</a></h3>
<h4>DOCUMENTO (PDF &#8211; 107,15Kb) &#8211; 09-11-2009</h4>
<p>El texto informa de la posición de Estados Unidos sobre el acuerdo comercial contra el intercambio de archivos en Internet.</p></div>
</div>
<p><!-- Fin Mod grafico --></div>
<p><!-- ***** Agrupa gris ***** --> <!-- ***** Otros webs ***** --></p>
<div></div>
<p><!-- ***** Otros webs ***** --></div>
<p><!-- ***** Fin Info Complementaria ***** --> <!-- ***** Cuerpo ***** --> <!-- google_ad_section_start() --> <!-- Info complementaria --></p>
<div><!-- ************* Tabla **************** --> <!-- ************* Fin Tabla **************** --> <!-- ************* Destacados **************** --> <!-- ************* Fin Destacados **************** --> <!-- ************* El dato **************** --> <!-- ************* Fin El dato **************** --> <!-- ************* La cifra **************** --> <!-- ************* Fin La cifra **************** --> <!-- ************* La frase **************** --> <!-- ************* Fin La frase **************** --> <!-- ************* Las claves **************** --> <!-- ************* Fin Las claves **************** --></div>
<p>Aunque formalmente se trata de un acuerdo mundial para combatir la falsificación, el texto incluye una propuesta sobre Internet. Grupos civiles han remitido una carta al presidente norteamericano en el que critican el secretismo sobre estas negociaciones, que contradice la política de transparencia anunciada por Obama.</p>
<p>El acuerdo, en cuya negociación intervienen unos 40 países desde Estados Unidos a la Unión Europea pasando por importantes países asiáticos, como Japón y Corea, empezó a trabajarse en secreto bajo el mandato de Bush y prosigue ahora. La semana pasada hubo una nueva reunión en Seúl y en enero se celebrará otra en México. El documento propone perseguir a quienes elaboren o distribuyan programas que desactiven DRM (sistemas anticopia) y obliga a los proveedores de acceso a Internet a controlar el tráfico de sus clientes para evitar el intercambio o distribución de material protegido por <em>copyright.</em> Actualmente, en muchos países, los proveedores de acceso no son responsables de la conducta telemática de sus clientes salvo que tengan noticia, documentada por la administración o un juez, de que infringen la ley.</p>
<p>En la citada carta se reclama que ACTA, como un instrumento que afecta a las leyes y políticas de múltiples naciones, &#8220;debería ser negociado públicamente&#8221;, a la vista de todos. &#8220;Sin el necesario balance entre intereses&#8221; se puede dañar la economía y el bienestar cívico, añaden. Estados Unidos ha comentado el documento a empresas y distintos grupos pero bajo la obligación de confidencialidad lo que les impide participar en un debate público o dar detalles sobre el proyecto. La propia UE, al informar de la propuesta de Estados Unidos, habla de que ha recibido información oral sobre el mismo.</p>
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		<title>Obama enfrenta sua batalha de Anzio</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Nov 2009 15:34:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[ECONOMIA]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[crise]]></category>
		<category><![CDATA[Democrats]]></category>
		<category><![CDATA[EUA]]></category>
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		<category><![CDATA[Obama]]></category>

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		<description><![CDATA[
Paul Krugman* &#8211; O Estado SP
Lembram de quando os republicanos se gabavam de que transformariam o problema da reforma da saúde na derrota de Waterloo do presidente Obama? Bem, as pesquisas de opinião sugerem que a questão trabalhou a favor dos democratas nas eleições de terça-feira. Mas, embora não deva constituir o Waterloo de Obama, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://economico.sapo.pt/public/uploads/articles/foto_pagina/obama15_PAGINA.jpg" alt="O Presidente Barack Obama tem até ao fim do seu mandato para reduzir o défice orçamental dos EUA, o maior do mundo." width="320" height="209" /><img class="alignnone size-full wp-image-15721" title="krugman" src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/11/krugman.jpg" alt="krugman" width="139" height="209" /></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Paul Krugman* &#8211; O Estado SP</span></h2>
<p>Lembram de quando os republicanos se gabavam de que transformariam o problema da reforma da saúde na derrota de Waterloo do presidente Obama? Bem, as pesquisas de opinião sugerem que a questão trabalhou a favor dos democratas nas eleições de terça-feira. Mas, embora não deva constituir o Waterloo de Obama, a política econômica começa a se parecer com o drama americano na batalha de Anzio.</p>
<p>Evidentemente, as eleições não foram um plebiscito sobre Obama. Na realidade, a maioria dos eleitores concentrou-se nos problemas locais &#8211; e os que se concentraram nas questões de âmbito nacional tenderam a favorecer a política democrata. Em Nova Jersey, o eleitorado que considerou a saúde o aspecto fundamental, votou no governador Jon Corzine por uma margem de 4 a 1; e Chris Christie conquistou os eleitores preocupados com os impostos sobre bens imóveis e a corrupção.</p>
<p>Entretanto, nessas eleições o que pesou foi um elemento de âmbito nacional. O eleitorado de todo o país está de péssimo humor, em grande parte por causa da situação econômica que continua sombria. E quando o eleitorado está mal-humorado, volta-se contra quem está no governo. O próprio Michael Bloomberg, prefeito de Nova York, viu sua reeleição supostamente fácil transformar-se numa competição muito acirrada.</p>
<p>Por outro lado, os concorrentes saíram-se bem, mesmo quando não tinham uma alternativa coerente para oferecer. Christie jamais explicou de que maneira pretende reduzir os impostos sobre bens imóveis, considerando a situação calamitosa de Nova Jersey &#8211; mas, apesar disso, os eleitores resolveram correr o risco.</p>
<p>Isso não é nada auspicioso para os democratas nas eleições de meio de mandato, no ano que vem &#8211; não porque os eleitores rejeitarão seu programa, mas porque tudo indica que, daqui a um ano, o desemprego continuará dolorosamente elevado. E os republicanos poderão beneficiar-se disso, apesar de terem se tornado o partido sem ideias.</p>
<p>O que me traz de volta à analogia com o episódio de Anzio.</p>
<p>A batalha de Anzio, na Segunda Guerra Mundial, foi um exemplo clássico dos perigos de uma excessiva cautela. As forças aliadas desembarcaram muito atrás das linhas inimigas, apanhando de surpresa seus adversários. Em vez de aproveitar da vantagem, o comandante americano ficou parado em sua cabeça de praia, e logo foi atacado pelas forças alemãs do alto das colinas à sua volta, sofrendo pesadas baixas.</p>
<p>O paralelo com a atual política econômica é o seguinte: no início deste ano, o presidente Obama assumiu o cargo com um forte mandato, proclamando a necessidade de agir de maneira ousada no campo da economia. No entanto, suas medidas concretas foram mais cautelosas do que ousadas. Embora suficientes para tirar a economia da beira do precipício, não bastaram para reduzir o desemprego.</p>
<p>Assim, o pacote de estímulo não chegou a ser o que muitos economistas &#8211; entre eles alguns do próprio governo &#8211; consideravam necessário.</p>
<p>Segundo o jornal The New Yorker, Christina Romer, presidente do Conselho de Assessores Econômicos da presidência, avaliou que seria justificável um pacote superior a US$ 1,2 trilhão.</p>
<p>No meio tempo, o governo recuou diante das propostas de injetar enormes somas de capital suplementar nos bancos, exigindo provavelmente a estatização temporária das instituições mais frágeis. Ao contrário, adotou uma estratégia de negligência benevolente &#8211; basicamente, esperando que os bancos conseguissem se recuperar e reencontrar o caminho da saúde financeira.</p>
<p>Funcionários do governo poderão alegar que não dispunham de campo de manobra por causa da realidade política, e que uma estratégia mais ousada não seria aprovada pelo Congresso. Mas nunca puseram à prova esse pressuposto e também nunca apresentaram indicação de que estavam fazendo menos do que queriam. A linha oficial foi que a sua política era correta, o que torna difícil explicar, agora, o motivo pelo qual há necessidade de fazer mais.</p>
<p>E é preciso fazer mais. De fato, a economia cresceu bastante rapidamente no terceiro trimestre &#8211; mas não o suficiente para que houvesse um progresso significativo em relação ao emprego. E não há muitos motivos para se esperar que as coisas possam melhorar daqui para frente. O estímulo já produziu seu efeito máximo no que se refere ao crescimento. O próprio Timothy Geithner, o secretário do Tesouro, admite que os bancos continuam relutando a conceder empréstimos. Muitos economistas preveem que a expansão da economia, na sua situação atual, desaparecerá no decorrer do próximo ano.</p>
<p>O problema é que não está claro o que Obama poderá fazer diante desta perspectiva. Em Washington, o senso comum parece estar congelado na ideia de que os déficits orçamentários impedem um novo estímulo fiscal &#8211; ideia totalmente errada do ponto de vista da economia, mas aparentemente não importa. Ao mesmo tempo, a base democrata, tão vibrante no ano passado, perdeu grande parte do seu ímpeto e paixão, em parte porque aparentemente muitos consideraram a estratégia pouco enérgica do governo a respeito de Wall Street uma traição aos seus ideais.</p>
<p>Então, como o presidente não explorou suas oportunidades iniciais, está preso em sua cabeça de praia excessivamente limitada.</p>
<p>Se os democratas sofrerem uma pesada derrota nas eleições de meio de mandato, os gurus da mídia dirão que Obama quis fazer demais, que afinal esta é uma nação de centro-direita e assim por diante. Mas a verdade é que Obama pôs em risco seu programa ao fazer pouco demais. A decisão fatal, no início do ano, de adotar meias medidas econômicas poderá perseguir os democratas nos anos que virão.</p>
<p><strong>*Paul Krugman é Prêmio Nobel de Economia </strong></p>
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		<title>Conceição, a crise e o Brasil</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Nov 2009 19:22:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Valor: Como é sua avaliação do governo Lula?
Conceição: Muito boa. Esta é a minha avaliação e de 70% da população. Na verdade, só a classe média dita ilustrada e a grande imprensa são contra. Contra também não sei o quê. Caiu a inflação. Portanto, mantiveram a política econômica dura que diziam que não iam manter, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><span style="font-size: large;"><strong>Valor</strong>: Como é sua avaliação do governo Lula?</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: large;"><strong>Conceição:</strong> Muito boa. Esta é a minha avaliação e de 70% da população. Na verdade, só a classe média dita ilustrada e a grande imprensa são contra. Contra também não sei o quê. Caiu a inflação. Portanto, mantiveram a política econômica dura que diziam que não iam manter, mas mantiveram. Contra meu ponto de vista. Perdi a parada, mas fico contente que tenha perdido, porque naquela altura ia ser complicado. Como estava tudo fora do lugar, era muito ousado fazer uma política alternativa no início do primeiro mandato. Do ponto de vista da política macro, eles começaram a fazer coisas no segundo mandato. Mas não creio que vão terminar. Fizeram o correto na infraestrutura, contemplando obras nas regiões Norte e Nordeste, como a ferrovia Transnordestina, a Norte-Sul, a transposição do rio São Francisco e portos. O PAC é uma seleção de projetos muito pesada e muito boa, de que não convém desviar. Também acertaram na política social, com o Bolsa Família. O governo Lula está tocando três coisas importantes: crescimento, distribuição de renda e incorporação social. E ainda por cima fez uma política externa independente. Por que acha que ganhamos a Olimpíada? [a escolha do Rio de Janeiro para sede dos jogos, em 2016]. Porque passamos a ter prestígio de fato lá fora.</span></p>
<p style="margin: 0px 0px 10px; color: #2e5368; font-size: 14px; font-weight: bold;">
<h2><span style="font-style: italic; color: #2e5368;"><span style="background-color: #ffff99;">Valor Economico /<span style="font-style: italic; color: #2e5368;">06 de novembro de 2009</span></span></span></h2>
<h2><span style="font-style: italic; color: #2e5368;"> </span></h2>
<p style="margin: 0px 0px 10px; color: #2e5368; font-size: 14px; font-weight: bold;"><span style="font-style: italic; color: #2e5368;"><br />
</span></p>
<p style="margin: 0px 0px 10px; color: #2e5368; font-weight: bold;"><img class="alignleft" src="http://www.ipea.gov.br/sites/000/2/destaque/imagens/maria_da_conc_tavares_4.jpg" alt="http://www.ipea.gov.br/sites/000/2/destaque/imagens/maria_da_conc_tavares_4.jpg" /></p>
<p style="margin: 0px 0px 10px; color: #2e5368; font-size: 14px; font-weight: bold;"><span style="font-style: italic; color: #2e5368;"></p>
<p></span><span style="color: #cc0000;">Maria da Conceição Tavares, pessimista com os Estados Unidos e o mundo, tem crítica menos dura para o Brasil, &#8220;que vai bem na crise&#8221;.</span></p>
<p><span style="color: #cc0000;"> </span></p>
<p><strong><span style="color: #cc0000;">É ela mesmo, 55 anos depois</span></strong></p>
<p><span style="color: #cc0000;"> </span></p>
<h2><span style="color: #cc0000;"><span style="background-color: #ffff99;">Por Vera Saavedra Durão, do Rio &#8211; VALOR</span></span></h2>
<p><span style="color: #cc0000;"><br />
Fiel ao seu estilo questionador e arrebatado, a economista Maria da Conceição Tavares continua contestando as apostas dos mercados financeiros. &#8220;A crise não acabou&#8221;, alerta a decana dos economistas brasileiros e representante da tradição crítica do pensamento econômico latino-americano, no melhor estilo de Celso Furtado. &#8220;Com a subida das bolsas, fica todo mundo no oba-oba e parece que passou. O mau sintoma é justamente a bolsa ter refluído, os bancos terem voltado a ganhar dinheiro. Isso é simplesmente aparência.&#8221;</span></p>
<p><span style="color: #cc0000;">Conceição, como é sempre chamada, fala com ceticismo sobre as perspectivas da economia americana. &#8220;O Estado está tendo de sustentar como um Hércules todo um sistema falido, mas não consegue fazer as coisas mudarem de rumo, não tem se mostrado ativo. Está fraco e isso é ruim.&#8221;</span></p>
<p><span style="color: #cc0000;">A seu ver, o governo Obama não está tendo apoio suficiente para fazer as mudanças necessárias. &#8220;Não dá para fazer reforma da saúde porque os laboratórios e os seguros de saúde não querem. Não dá para fazer reforma financeira porque os bancos não querem. Como é uma sociedade de lobby pesado, fica difícil reformar.&#8221;</span></p>
<p><span style="color: #cc0000;">Os Estados Unidos não têm, aparentemente, uma &#8220;saída boa&#8221;, diz. Para ela, todas as indicações de estagnação mais longa estão presentes na economia americana, o que coloca a liderança do país sobre a economia mundial em xeque. &#8220;Eles não têm mais liderança nenhuma. Têm peso político, diplomático e militar. Mas isso não é liderança. É império. Não têm como resolver seus problemas [financeiros e militares], nem conseguem avançar. São um império congelado.&#8221;</span></p>
<p><span style="color: #cc0000;">Conceição se diz pela primeira vez otimista com o Brasil de Lula. &#8220;Ele é um gênio político.&#8221; Mas adverte que o problema básico da economia brasileira, no momento, é o câmbio. &#8220;O Brasil não pode continuar engolindo dólares.&#8221;<br />
</span></p>
<p align="justify"><span style="color: #cc0000;">Conceição tem 55 anos de Brasil. Chegou em fevereiro de 1954, casada com o engenheiro português Pedro Soares. A filha Laura nasceria meses depois. Naturalizou-se em 1957. Seu segundo marido, Antonio Carlos Macedo, professor de ciências biológicas da UFRJ, é o pai de Bruno, 44 anos. É amistoso seu relacionamento com os ex-maridos.</span></p>
<p align="justify"><span style="color: #cc0000;">Portuguesa de Anadia, nascida em 24 de abril de 1930, formada em matemática em Lisboa, Conceição conta que optou pela economia influenciada por três clássicos do pensamento econômico brasileiro: Celso Furtado (1920-2004), Caio Prado Jr. (1907-1990) e Ignácio Rangel (1908-1994) &#8211; que a despertou para as questões relacionadas ao capital financeiro. &#8220;Eles marcaram profundamente minhas ideias.&#8221;</span></p>
<p align="justify"><span style="color: #cc0000;">Na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Conceição foi aluna de Octávio Gouvêa de Bulhões (1906-1990) e Roberto Campos (1917-2001). Escreveu centenas de artigos e vários livros, dos quais o clássico dos clássicos é &#8220;Auge e Declínio do Processo de Substituição de Importações no Brasil &#8211; Da Substituição de Importações ao Capitalismo Financeiro&#8221;, de 1972. O texto original foi escrito no fim dos anos 1960, quando chefiava o escritório da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) no Brasil. Na época da ditadura militar, autoexilou-se no Chile, depois de escapar da prisão graças à intervenção de Mario Henrique Simonsen, seu ex-aluno, ministro do governo Geisel.</span></p>
<p><span style="color: #cc0000;">Teve rápida passagem pelo MDB, então partido de oposição à ditadura militar. Em 1994, foi eleita deputada federal pelo PT do Rio de Janeiro, ao qual continua filiada. Aposentou-se como catedrática do Instituto de Economia da UFRJ, onde é professora emérita, e da Universidade de Campinas (Unicamp). Mas permanece ativa, dando cursos de economia internacional no Instituto Rio Branco e aulas na pós-graduação da UFRJ.</span></p>
<p><span style="color: #cc0000;">No momento, Conceição trabalha num ensaio sobre a América do Sul para um livro que José Luís Fiori, também professor na UFRJ, ex-aluno, a quem conhece desde o exílio, pretende lançar em 2010 sobre questões econômicas, financeiras e sociais da região, temas aos quais sempre esteve ligada.</span></p>
<p><span style="color: #cc0000;"> </span><span style="color: #cc0000;">Mesmo com problemas de bronquite por causa do cigarro &#8211; quando deputada, operou um nódulo benigno no pulmão &#8211; Conceição ainda consome dois maços por dia. Não tem intenção de parar. Diz que morrerá se deixar de fumar. &#8220;Para minha idade, estou ótima&#8221;, avalia a economista de palavra sempre apaixonada, que pretende comemorar seus 80 anos, em 2010, com os dois filhos, dois netos e os muitos amigos e admiradores.</span></p>
<p><span style="color: #000099;"><strong>A seguir, os principais trechos da entrevista que Maria da Conceição Tavares concedeu ao Valor.</strong></span></p>
<p><span style="color: #000000;">Valor: Quais lições podemos tirar da crise ?</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Maria da Conceição Tavares: A crise ainda não passou e não deu as lições . Nos Estados Unidos já tem um pessoal dizendo que o gasto fiscal é muito, que isso acaba dando inflação e tem que parar. Se parar o gasto fiscal, como é a única componente ativa que vem sendo acionada pelo governo Obama, as coisas não vão melhorar. Todos os sintomas estão ainda muito embaralhados. E aí sobe a Bolsa de Valores, porque houve uma pequena bolha e o pessoal já começa a dar vivas . O desemprego também não terminou, e há muita capacidade ociosa. Então, todas as indicações que apontam para uma estagnação mais longa estão lá presentes. Não houve nenhuma mudança estrutural até agora para reverter a crise.</span></p>
<p><span style="color: #000000;"> </span></p>
<p><span style="color: #000000;">Valor: Como fica, então, o papel do Estado neste momento?</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Conceição: O Estado americano está fraco. Não está ativo. E está botando o dinheiro todo em cima dos bancos e também em cima do seguro social, do desemprego que subiu muito. Todo o sistema falido, ele sustentando, feito um Hércules, e não está fazendo essa coisa tomar rumo. É um estado fraco, desse ponto de vista. E isso é ruim, porque denota que o governo americano não tem realmente força. Não tem apoio, nem na sociedade, que é dilapidada pelo neoliberalismo, nem no &#8220;establishment&#8221;. Então, não dá para fazer a reforma da saúde porque os laboratórios e os seguros-saúde não querem. Não dá para fazer reforma financeira porque os bancos não querem. Como é uma sociedade de lobby pesado, não tem como reformar. E não tem mecanismos de demanda efetiva do lado do setor privado para aumentar o emprego. O que não é bom.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Valor: Isso significa que a liderança dos Estados Unidos sobre a economia mundial está em xeque?</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Conceição: Está. Não tem mais liderança nenhuma. Eles têm peso político, diplomático e militar. Mas isso não é liderança. É império. Eles têm um poder imperial sustentado num poder militar e financeiro. A iniciativa diplomática e militar só visa manter com mão de ferro o que já conquistaram. Mas não têm como resolver os problemas, nem avançar . Os Estados Unidos não podem tomar iniciativa militar em mais lugar nenhum. Primeiro, quem vai pagar e, depois, quem vai dar o apoio? É o império congelado.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Valor: Essa fraqueza americana pode arrastar o mundo para onde?</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Conceição: É uma fraqueza sistêmica. O sistema era todo estruturado por eles. Como estão débeis, o sistema fica com um peso morto muito grande. Só tem possibilidade de sair quem tem dimensão para sair, como os BRICs. O que vão fazer o México, a Argentina, o Chile? São todos atrelados à economia mundial. Quem está puxando o comércio é a Ásia. A Alemanha não está puxando mais nada. Se a Europa e os Estados Unidos puxam para baixo, só sobra a Ásia.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Valor: E a China, especificamente?</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Conceição: Os chineses estão tentando substituir os americanos nos investimentos em matérias-primas que eles precisam. Estao investindo em toda parte. Em petróleo, em infraestrutura na África. Aqui na América Latina estão vindo para tudo. Siderurgia, portos. Estão fazendo um movimento de expansão não pelo comércio apenas, mas principalmente via investimento direto. Isso é que é novidade. Sobretudo na África. Coitados dos africanos. Saem de um imperialismo e entram em outro.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Valor: A China teria a liderança?</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Conceição: O mundo caminha para uma multipolaridade.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Valor: Então, nesse mundo a China pode vir a ser uma liderança ?</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Conceição: Aí entra outra questão. Como se resolve o nó do entrelaçamento entre China e Estados Unidos? É uma simbiose. A China tem resolvido não ser agressiva com os Estados Unidos. Do ponto de vista diplomático e militar, tem estado &#8220;low profile&#8221;. Não está dizendo que os Estados Unidos são um &#8220;tigre de papel&#8221;, como na época do Mao. É consenso em Pequim que não é para enfrentar os Estados Unidos. Mas eles têm que resolver esse impasse. O que fazem? Compram ativos dos Estados Unidos? Foi o que o Japão fez e se deu mal. E é claro que eles viram o Japão fazer isso e não vão fazer. Então, estão vindo pela periferia. Que é o correto. O Japão saiu da periferia para investir nos Estados Unidos, disparado. Os chineses não estão fazendo isso. Eles têm participação daqueles fundos soberanos em várias coisas. No Citi, por exemplo. Fazem essas aplicações para sustentar os dólares que têm, para ter alguma aplicação.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Valor: China e Estados Unidos vão se pôr de acordo para garantir uma saída da crise?</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Conceição: Difícil. Não vejo nenhuma semelhança de estrutura política e ideológica. São muito dessemelhantes. Se não vão se pôr de acordo, como vai ser? A China abre mão crescentemente do mercado americano e aumenta o mercado no resto do mundo. Ela pode fazer isso. Os Estados Unidos vão fazer o quê? Estão no mundo inteiro, mas são uma potência comercial declinante.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Valor: Vão se voltar para o mercado interno?</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Conceição: É o que deveriam fazer, como prometeu Obama, mas aí têm que resolver primeiro a situação da regulação do sistema bancário, das empresas e do desemprego.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Valor: Qual o papel dos BRICs na recuperação da economia global?</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Conceição: Vão ter papel importante, porque têm peso específico. Não podem estabelecer uma política comum, porque são estruturas diferentes. Somos uma economia mista, a China é estatal, a Rússia era tudo privado, quebrou tudo, e está em processo de reconstrução pelo Estado. O Brasil não é potência militar, mas tem tomado muitas iniciativas na política externa e vai bem na crise.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Valor: Ben Bernanke, presidente do Fed, anunciou que pode aumentar os juros.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Conceição: Coisa sem pé nem cabeça. A dívida externa e a dívida pública deles, gigantescas, vão ficar caríssimas. Eles estão querendo fazer isso porque estão com medo da inflação. Inflação de demanda não é, porque não tem demanda efetiva. Inflação de custos de matéria-prima também não é, pois não está tendo nenhuma explosão de matéria-prima. Acho que o Bernanke está com medo é de que rejeitem a dívida pública. Ninguém está querendo comprar aqueles papéis [títulos do Tesouro]. Uma forma de atrair investidores seria subir os juros. Mas tudo isso são perfumarias. Não vai para lugar nenhum. A raiz do problema seria a reforma do sistema bancário.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Valor: O que mais, além dessa reforma, o governo americano teria que fazer?</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Conceição: Reforçar o papel do Estado e fazer um ajuste global que teria que ser negociado com a China. Os dois países teriam que acertar um acordo na área comercial. Mas não há negociação entre os dois. Os Estados Unidos não têm aparentemente uma saída boa. O Obama está falando no vazio. É por isso que os conservadores prenunciam um golpe.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Valor: Existe esse risco?</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Conceição: O primeiro risco que existe é que o matem. Esse é um risco clássico nos Estados Unidos. E existe o risco de ele não se reeleger. Fico com muita pena. Ele seguramente não é o cara. Parecia, mas não é.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Valor: Como as dificuldades vividas pelo Estado americano podem impactar o mundo?</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Conceição: Vai depender do resto do mundo. Vamos tentar esquecer um pouco os Estados Unidos. Temos que buscar construir outras lideranças. O ideal é que houvesse um acordo mínimo entre todos os grandes, para aliviar a crise e resolver o problema global. Bastava o G-20, bastavam os 20 se porem de acordo. Mas não há acordo.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Valor: E o dólar?</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Conceição: Não dá ainda para tirar o dólar [de seu papel de moeda de reserva internacional]. O dólar está fraco. Os países, em geral, se pudessem, saiam do dólar. Está ruim acumular reservas em dólar. O problema é com os que já estão acumulados, como os BRICs, sobretudo a China.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Valor: O que a China vai fazer com US$ 2 trilhões de reservas?</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Conceição: Está empacada. E os títulos americanos que ela detém servem de lastro às reservas. Ela não tem como vendê-los no mercado. Está com um mico na mão. É um patrimônio morto. Não tem o que fazer com as reservas. É como se tivesse no cofre, de um lado, o patrimônio futuro, de fábricas, de realizações etc. e, do outro, um montão de estrume que não pode jogar fora.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Valor: O que pode vir daí ?</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Conceição: Prevejo uma coisa arrastada, prolongada, com crises que vêm uma atrás da outra, uma bolha disso, uma bolha daquilo.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Valor: Qual a próxima bolha?</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Conceição: A bolsa. Já temos uma aí montada, é a bolsa, que voltou a subir. O pessoal está investindo pesado. Mas isso mostra que o sistema está frágil, ao contrário do que julgam, não é um bom sinal. É um mau sinal. Aqui, no Brasil, por exemplo, na Bovespa, o grosso do dinheiro que está vindo de fora pra cá é pra bolsa. Não é para investimento direto no sentido autêntico da palavra. Direto, vieram US$ 11 bilhões e para a bolsa vieram US$ 17 bilhões, este ano.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Valor: Qual seria a consequência dessa bolha?</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Conceição: Volta de novo a afundar. Aí vem nova bolha. Se o mercado de commodities estiver melhor, vão fazer bolha de commodities. Podem fazer outra vez bolha em cima do petróleo. Acho que vamos de bolha em bolha.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Valor: Então, a crise não acabou&#8230;.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Conceição: É uma falsa euforia. Provavelmente o governo americano vai ter que parar de ajudar o setor privado, pois o déficit fiscal já está em 17% do PIB. Como já socorreram no limite, já gastaram trilhões de dólares, na próxima crise não vão poder socorrer. Foi o que aconteceu no decorrer da crise de 1929. Em 1931 e 1932, nada mudou. Só ocorreu mudança no sistema financeiro depois, quando teve outra crise bancária, em 1933. Na primeira crise ninguém se deu conta, pois despejaram toneladas de dólares em cima dos bancos. Como agora.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Valor: A história pode se repetir?</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Conceição: A crise atual começou em 2007 com os empréstimos &#8220;subprime&#8221;. Em 2008 foi o auge. E agora, neste segundo semestre, está com ares de que se vai respirar. Em 2010 pode haver uma recuperação, mas em 2011 ninguém sabe o que pode acontecer.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Valor: Como o Brasil ficaria com uma reforma bancária nos Estados Unidos?</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Conceição: O Brasil tem um sistema financeiro público e privado. E os bancos privados não entraram em crise. Já tinham entrado em crise com o Fernando Henrique. Aí limparam e não deixaram de manter o controle. Não temos um sistema financeiro que opera &#8220;à la livre&#8221;. Não existe isso. Temos regulação. Nosso problema básico é o câmbio. Tem que dar um jeito. A coisa cambial vai mudar no próximo governo. Não teremos mais esse presidente no Banco Central, e nem Dilma, nem Serra estão a favor dessa política cambial.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Valor: Obama disse que o cara é o Lula&#8230;</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Conceição: É. O Lula, um gênio político, mistura de Vargas e JK, uma liderança do povo brasileiro que tem uma sorte danada, ademais de ser muito competente. Tem que ter competência e sorte. As coisas têm que estar a favor.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Valor: Como é sua avaliação do governo Lula?</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Conceição: Muito boa. Esta é a minha avaliação e de 70% da população. Na verdade, só a classe média dita ilustrada e a grande imprensa são contra. Contra também não sei o quê. Caiu a inflação. Portanto, mantiveram a política econômica dura que diziam que não iam manter, mas mantiveram. Contra meu ponto de vista. Perdi a parada, mas fico contente que tenha perdido, porque naquela altura ia ser complicado. Como estava tudo fora do lugar, era muito ousado fazer uma política alternativa no início do primeiro mandato. Do ponto de vista da política macro, eles começaram a fazer coisas no segundo mandato. Mas não creio que vão terminar. Fizeram o correto na infraestrutura, contemplando obras nas regiões Norte e Nordeste, como a ferrovia Transnordestina, a Norte-Sul, a transposição do rio São Francisco e portos. O PAC é uma seleção de projetos muito pesada e muito boa, de que não convém desviar. Também acertaram na política social, com o Bolsa Família. O governo Lula está tocando três coisas importantes: crescimento, distribuição de renda e incorporação social. E ainda por cima fez uma política externa independente. Por que acha que ganhamos a Olimpíada? [a escolha do Rio de Janeiro para sede dos jogos, em 2016]. Porque passamos a ter prestígio de fato lá fora.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Valor: Como vê a questão ambiental no mundo e no Brasil, às vésperas da reunião de Copenhague?</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Conceição: Para variar, os Estados Unidos não assinam meta nenhuma. O país de Obama, digo, o Departamento de Estado, não assina nada. O problema ambiental está complicado e complexo. No Brasil, independente do desmatamento da Amazônia, a floresta vai sofrer com o aquecimento global. Mas a coisa da Amazônia, no nosso caso, é importante e é difícil. Mas não somos decisivos para o aquecimento global. Decisivos são os Estados Unidos e a China.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Valor: A exploração do petróleo das camadas do pré-sal pode impactar as boas intenções ambientais do Brasil?</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Conceição: Começamos com a ideia do verde, o álcool combustível, mas, agora que veio o pré-sal, ninguém fala mais nisso. Agora, tudo vai depender do próximo governo.</span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Copo meio cheio</title>
		<link>http://blogdofavre.ig.com.br/2009/11/copo-meio-cheio/</link>
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		<pubDate>Mon, 02 Nov 2009 13:45:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[CULTURA]]></category>
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		<description><![CDATA[LÚCIA GUIMARÃES &#8211; NOVA YORK &#8211; O Estado SP
A última semana começou com um número que preocupou muitos jornalistas americanos. A rede CNN despencou para o quarto lugar de audiência do jornalismo na TV a cabo. E a Fox, comemorando sua condição de &#8220;perseguida&#8221; pelo governo Obama, disparou para um folgado primeiro lugar.
A CNN inventou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><span style="background-color: #ffff99;">LÚCIA GUIMARÃES &#8211; NOVA YORK &#8211; O Estado SP</span></h2>
<p>A última semana começou com um número que preocupou muitos jornalistas americanos. A rede CNN despencou para o quarto lugar de audiência do jornalismo na TV a cabo. E a Fox, comemorando sua condição de &#8220;perseguida&#8221; pelo governo Obama, disparou para um folgado primeiro lugar.</p>
<p>A CNN inventou o jornalismo de 24 horas e o fundador da Fox, Roger Aisles, inventou o comício eletrônico travestido de jornalismo.</p>
<p>Desde que uma assessora de Barack Obama fez o calculado primeiro disparo, no dia 12 de outubro, afirmando que a Fox não passa de uma ala do Partido Republicano, comentaristas de variada coloração ideológica discutem a sensatez da tática.</p>
<p>A venerada Primeira Emenda da constituição americana, que garante a liberdade de expressão, imprensa e religião, é invocada frequentemente pelos que não acreditam nela.</p>
<p>No ciclo viral de notícias, a estupidez se propaga com a velocidade da luz. Exemplo: Barack Obama foi comparado a Richard Nixon, o garoto-pôster da perseguição à imprensa. Desde quando um presidente que se indispõe com a imprensa ou setores dela é uma anomalia? E qual é a semelhança entre Nixon, notoriamente paranoico e conspirador, que grampeava e ameaçava jornalistas, e o atual presidente americano?</p>
<p>Um excelente artigo editorial no Wall Street Journal assinado por Thomas Frank, cujo espaço é um oásis de sensatez entre as tropas de choque de Rupert Murdoch, lembrou que a perseguição nas mãos das &#8220;elites&#8221; é um dos motes da rede Fox.</p>
<p>O levante conservador americano a partir da década de 90 alimentou-se desta falácia narrativa &#8211; entre Nova York e Los Angeles, a middle-America é explorada e desprezada pelas hordas de privilegiados que comem rúcula e dirigem carros híbridos.</p>
<p>Frank oxigenou o debate com dois argumentos: Obama está certo, a Fox News é um contínuo talk-show conservador. Ela foi criada pelo homem que salvou a carreira de Nixon na década de 60, reinventando o futuro presidente para a TV. Roger Ailes perde seu sono com a Primeira Emenda tanto quanto eu perco o meu com golfe.</p>
<p>Obama está errado na forma desajeitada como colocou a rede na berlinda. Frank diz que a Casa Branca &#8220;jogou gasolina numa fogueira&#8221; ao alimentar as teorias conspiratórias da rede adversária quando podia ter apelado para o humor, a ironia e o sarcasmo.</p>
<p>Um bom cursinho preparatório para enfrentar jornalista crasso é assistir a gravações não editadas das coletivas de John Kennedy, que reagia com um humor relaxado de quem está diante de um Martini e não de um microfone.</p>
<p>E assim voltamos a uma fundação que tem aparecido com frequência na imprensa americana. O Pew Research Center for the People &amp; the Press toma o pulso do público americano em sua reação à mídia. O centro se tornou uma fonte preciosa de informação neste momento de confluência de duas angústias coletivas: a crise econômica na mídia tradicional e a epidemia de jornalismo ideológico.</p>
<p>A última pesquisa do Pew Center confirma o que sabemos: o papel da ideologia no consumo de notícias é cada vez maior. E a Fox é vista como a mais ideológica das redes de cabo. Explica-se o quarto e último lugar da CNN, atrás até de sua parente, o canal HLN, um híbrido de notícias curtas e talk-shows. A rede, apesar de vista pela maioria como &#8220;liberal&#8221; (à esquerda do espectro político americano) e de abrigar figuras como Lou Dobbs, o profeta do apocalipse causado por imigrantes, não se posiciona como pró ou contra Obama. A ópera-bufa da esquerda e da direita no cabo é protagonizada pela MSNBC e a Fox.</p>
<p>Enquanto o musculoso e peripatético Anderson Cooper enxuga as lágrimas com a queda de mais de 70% da audiência de seu programa em horário nobre na CNN, vale a pena notar um número mais interessante para quem acredita que o jornalismo tem um papel em qualquer democracia.</p>
<p>O site cnn.com de notícias está muito à frente das rivais. O publisher do New York Times, Arthur &#8220;Pinch&#8221; Sulzberger, fez analogias com o Titanic, ao ser consultado, num evento público, sobre o futuro dos jornais mas não destacou outro dado: o seu notável site teve sólidos 21 milhões e 500 mil visitantes únicos em setembro.</p>
<p>Vou argumentar que o declínio do jornal impresso convive com o apetite por noticiário objetivo. Já a falta de apetite pelas aventuras de Anderson Cooper pode mostrar o que acontece quando o jornalismo fica com o ouvido no chão, tentando detectar o tropel dos cavalos.</p>
<p>A revista Time perguntou aos leitores, logo após a morte do lendário Walter Cronkite, em julho, qual o âncora em que os americanos mais confiam. Jon Stewart, o comediante com vasta audiência jovem e apresentador do falso telejornal The Daily Show, ganhou disparado, com 44% de votos. Um sinal de triunfo da ironia como embalagem da notícia?</p>
<p>Em 2008, metade dos espectadores da Fox tinha mais de 63 anos e a maioria dos espectadores dos programas mais agressivamente ideológicos da rede era formada por homens. Os números foram citados por Louis Menand, na New Yorker, que comparou a cólera da Fox a um Viagra político.</p>
<p>Estou enganada ou há uma luz demográfica no fim deste túnel?</p>
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		<title>No Irã, ponto para Obama, e para Lula</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Oct 2009 20:50:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Clovis Rossi &#8211; Folha Online
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			<content:encoded><![CDATA[<h2><span style="background-color: #ffff99;">Clovis Rossi &#8211; Folha Online</span></h2>
<p>Recupero o essencial de um diálogo entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Barack Obama sobre o Irã, travado em Pittsburgh, à margem da recente cúpula do G20, conforme reprodução do próprio Lula. Dá para acreditar na versão do presidente brasileiro a partir da versão do porta-voz de Obama, Robert Gibbs, para conversa anterior entre os dois presidentes sobre o mesmo assunto, esta na Itália.</p>
<p>Vamos lá, então. Segundo Lula, Obama aprovou a intenção de Lula de manter diálogo com o Irã (em torno da questão nuclear), concordando em que nem todo o mundo deveria colocar o regime dos aiatolás contra a parede, porque acabaria sendo contraproducente.</p>
<p>Detalhe: o diálogo deu-se no mesmo dia em que Obama, ao lado do presidente Nicolas Sarkozy, da França, e do primeiro-ministro Gordon Brown, do Reino Unido, fazia uma dura crítica ao Irã, acompanhada de ameaças, pelo fato de ter revelado só naquele momento a existência de uma usina nuclear nas imediações da cidade de Qom, considerada o Vaticano do xiismo.</p>
<p>Bem feitas as contas, Lula parece estar mais certo do que os &#8220;duros&#8221;, a julgar pelo acordo entre o Irã e as grandes potências nucleares pelo qual boa parte do urânio iraniano será enriquecido na Rússia e talvez na França, o que reduz a possibilidade/velocidade da fabricação da bomba.</p>
<p>É claro que sempre cabe qualificar o acordo: primeiro porque ele terá que ser submetido às supremas autoridades iranianas. Segundo, porque o urânio restante sempre pode ser desviado para enriquecimento para fins militares.</p>
<p>Feitas essas ressalvas, anote agora o comentário para o jornal britânico &#8220;Guardian&#8221; de Abbas Barzegar, candidato a PhD em estudos religiosos pela Emory University, de Atlanta, Geórgia.</p>
<p>&#8220;O astuto Juan Cole apontou [depois do início das conversas em Genebra que acabaram no pré-acordo agora anunciado] que Obama conseguiu mais do Irã em sete horas e meia do que Cheney [Dick Cheney, vice-presidente de George Walker Bush, duro entre os duros] em sete anos e meio&#8221;. Juan Cole vem a ser presidente do Global Americana Institute, um centro de estudos obviamente norte-americana.</p>
<p>A partir dessa interessante comparação, Barzegar acrescenta que se trata de &#8220;uma demonstração de que o engajamento diplomático quase sempre funciona&#8221;.</p>
<p>Não é, na essência, o mesmo que Lula disse a Obama e que Obama comprou?</p>
<p>Mas é bom notar também que a avaliação sobre o pré-acordo entre os especialistas está longe de ser linear ou consensual. Depende muito de quem o analisa.</p>
<p>Do lado israelense, por exemplo, Yossi Melman escreve no &#8220;Haaretz&#8221;, talvez o melhor jornal israelense, que, confirmado o acordo, &#8220;ele remove qualquer justificativa para um ataque aos locais nucleares iranianos&#8221;.</p>
<p>A hipótese de um ataque por parte de Israel era o cenário de pesadelo para todo o mundo &#8211; menos, claro, para os próprios israelenses, para os quais o pesadelo é a aquisição da bomba pelo Irã.</p>
<p>De todo modo, convém notar que diferentes círculos diplomáticos dizem que o problema com o Irã não é a confirmação ou não do pré-acordo mas a confiabilidade do regime dos aiatolás.</p>
<p>É uma opinião muito parecida com a que Richard Haass, do Council on Foreign Relations, deu ao &#8220;Financial Times&#8221;: segundo ele, é o caráter político do regime iraniano, não apenas a sua capacitação para fabricar a bomba, que deveria definir a resposta da comunidade internacional às ambições nucleares do país.</p>
<p>Tudo somado, parece claro que o &#8220;engajamento&#8221;, princípio essencial da política externa de Obama, marcou um belo ponto. Mas o jogo ainda não está inteiramente jogado.</p>
<table border="0">
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<strong>Clóvis Rossi</strong> é repórter especial e membro do Conselho Editorial da <strong>Folha</strong>, ganhador dos prêmios Maria Moors Cabot (EUA) e da Fundación por un Nuevo Periodismo Iberoamericano. Assina coluna às quintas e domingos na página 2 da <strong>Folha</strong> e, aos sábados, no caderno Mundo. É autor, entre outras obras, de &#8220;Enviado Especial: 25 Anos ao Redor do Mundo e &#8220;O Que é Jornalismo&#8221;.</p>
<p><strong>E-mail:</strong> <a href="mailto:crossi@uol.com.br">crossi@uol.com.br</a></td>
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