11/12/2008 - 08:35h PIB de 6,8% nos prepara para o que virá

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Alberto Tamer* - O Estado SP

O excelente crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre, surpreendentes 6,8%,mostra que o Brasil armazenou força para enfrentar a crise que só ganhou proporções inesperadas a partir de outubro. Ele nós dá mais espaço para nos prepararmos diante de tudo que ainda está por vir.

Pode parecer contraditório, mas esse mesmo resultado nos deve levar a ficar mais alerta, mesmo porque não incorpora os assustadores acontecimentos dos últimos dois meses, que levaram a economia mundial à recessão.

Se há razão para comemorar, há mais ainda para preocupar. Estranho, mas é assim. Tudo piorou lá fora, faltam recursos para nos financiar e mercado. Nada de projeções fáceis, pois há ainda uma enorme carga negativa a carregar e é no mínimo ingênuo acreditar que a economia mundial vai recuperar-se nos próximos meses.

GOVERNO REALISTA

Nesse sentido, a reação da equipe econômica do governo foi realista. Não houve festas, além dos discursos populares do presidente que, na verdade, significam pouco. A economia crescerá 5%, neste ano, mas essa taxa não se repetirá no último trimestre do ano e muito menos em 2009.

Bem mais importante, o governo prepara-se para aprovar e anunciar, a qualquer momento, um pacote de medidas de redução de impostos para estimular a produção industrial, o comércio e a demanda. Essa redução abrangeria o Imposto de Renda das classes média e menos favorecidas, porque são as que ainda podem consumir mais, e de impostos sobre produtos industrializados, reduzindo seus preços.

ARRECADAÇÃO MENOR? NÃO.

Isso mostra que a equipe econômica decidiu antecipar-se ao que virá e a aprovar as medidas que tardavam. Sei que haverá sempre o argumento de que corte de imposto significa menor arrecadação - e o governo vai precisar de mais dinheiro para investir. Mas não é bem assim; seguramente essa queda da arrecadação será bem maior se a economia afundar na recessão. O certo é perder agora um pouco para não ter que perder muito mais depois. Aí, sim, a recessão seria inevitável.

Sem esse realismo, sem a concretização antecipada de medidas que visem criar produção, emprego e demanda, decididamente,não poderemos evitar que a onda recessiva que invade o mundo no derrube. Tudo o que incentive a produção, a criação de emprego, a renda e a demanda é urgente hoje.

6,8% AJUDAM INVESTIMENTOS

Esse crescimento do PIB tem um significado externo ainda pouco ressaltado; ele pode atrair mais investimentos num mundo em que todas as economias recuam. Neste cenário desolador, o Brasil surge, pelo menos por enquanto, como uma oportunidade para as empresas estrangeiras que vêem aqui um mercado interno em expansão. Isso explica a entrada constante de investimento externo que escasseia em outros países. É verdade que isso provavelmente não se repetirá em 2009, pois muitas das empresas visavam também a exportar para um mercado que desacelera e se contrai em 2,5%, de acordo com previsão do Banco Mundial. Ao mesmo tempo, não poderemos manter em 2009 o mesmo ritmo de expansão do mercado interno.

INVESTIMENTOS VITAIS

E é aqui que deveria entrar o governo com um novo plano, um novo pacote de projetos para atrair esses investimentos que tendem a escassear à medida que a recessão se aprofunda e o mercado financeiro luta para sobreviver.

O governo sabe que o Brasil está precisando urgentemente desses investimentos não só para animar a economia, mas para atrair dólares. São dólares simplesmente vitais neste momento em que nossas reservas cambiais começam a ser pressionadas para socorrer a economia e enfrentar a falta de liquidez externa.

SEM PIB, SEM INVESTIMENTO

Este é um desdobramento importante do PIB de 6,8%. Luis Afonso Fernandes Lima, presidente da Sobeet, entidade que congrega as transacionais no Brasil - na verdade as grandes investidoras externas -, afirma à coluna que “o crescimento é fator-chave na atração de investimentos diretos”.

“Não foi por acaso que só até outubro os investimentos estrangeiros diretos (IED) chegam a US$ 34,7 bilhões. Trata-se do maior valor nos primeiros três trimestres do ano em toda a série histórica do Banco Central, iniciada em 1947. Até o mês de outubro, já ultrapassamos o recorde do ano inteiro de 2007, de US$ 34,6 bilhões.” Mas não é só. “No ano todo de 2008 o investimento direto poderá atingir US$ 40 bilhões.” Um resultado que só se explica por esse crescimento de 6,8% do PIB.

“O que mais surpreende nesse resultado excelente é que ocorre em meio ao aumento da aversão global ao risco e à intensificação do ajuste global de liquidez, uma forte contração dos fluxos globais de capitais.”

De acordo com a OCDE, de países que respondem por 86% do IED no mundo, os investimentos diretos mundiais devem retrair-se em 37% neste ano,em relação a 2007. O Brasil está hoje apenas atrás da China, Hong Kong e Rússia entre os países emergentes que receberam esses investimentos em 2007.

Luis Afonso Lima prevê que a situação pode se reverter,com a queda dos preços das commodities e a desaceleração econômica mundial.

Daí a importância de o governo associar, em 2009, os incentivos à demanda interna à execução de projetos que mantenham vivo esse interesse excepcional dos investidores externos pelo Brasil.

O Brasil não estará imune. E justamente em um momento de deterioração do seu saldo em transações correntes. Hoje, 57% desses investimentos se voltam para o mercado externo, para “bens exportáveis”.

*E mail: at@attglobal.net

06/12/2008 - 11:35h Brasil tem cenário melhor que resto do mundo, diz OCDE

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Tendência no país permanece de avanço, enquanto perspectiva global é de forte desaceleração

Entre os países analisados, só o Brasil não aparece em desaceleração; em outubro de 2007, apenas três não tinham cenário positivo

FOLHA SP

Em um cenário de aprofundamento da desaceleração para a economia global em outubro, o Brasil aparece como o único ponto positivo, apesar de já dar sinais de recuo. Segundo a OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), entre os principais industrializados e emergentes como China e Índia, só o Brasil não aponta para uma “forte desaceleração”.

De acordo com relatório mensal da entidade que reúne 30 dos países mais ricos do mundo, os dados “continuam a apontar para um enfraquecimento em todas as sete grandes economias, mas, comparado com o mês anterior [setembro], o cenário se deteriorou significativamente para as economias que não integram a OCDE, com China, Índia e Rússia agora também enfrentando fortes desacelerações”. O Brasil, diz a OCDE, está em um cenário de inflexão, isto é, está em expansão, mas a curva aponta para uma perda de ritmo.

Entre os 31 países analisados pela OCDE, apenas o Brasil não aparecia com forte desaceleração em outubro. Cenário bem diferente do registrado no mesmo período de 2007: nessa época, apenas Japão, Coréia do Sul e Nova Zelândia, entre os 34 países estudados, apareciam em cenário de desaceleração.

Em outubro do ano passado, o mundo já começava a sentir os efeitos da crise, mas eles ganharam ainda mais força nos últimos meses, especialmente a partir de setembro, quando ocorreu o pedido de concordata do banco de investimento americano Lehman Brothers.

Para chegar a essa previsão, a OCDE usou os chamados indicadores antecedentes, que são vários dados dos países aglutinados para “tentar indicar momentos de mudanças na atividade econômica com aproximadamente seis meses de antecedência”. Ele é, por isso, considerado um termômetro para as economias dos países.

No caso brasileiro, em que são usados dados como produção industrial e exportações, o índice da entidade mostra tendência de crescimento desde junho de 2006.

No final do mês passado, a OCDE previu que a economia brasileira vai se desacelerar. Segundo ela, o PIB brasileiro vai se expandir em 5,3% neste ano e 3% em 2009 -mesma estimativa que foi feita dias antes pelo FMI (Fundo Monetário Internacional).

Ela afirmou ainda que vários dos seus países-membros caminham para a pior recessão desde o início da década de 1980 e que deve crescer 8 milhões o número de desempregados até 2010 nos 30 integrantes da entidade, chegando a 42 milhões de pessoas sem trabalho. Para a OCDE, os Estados Unidos, o Japão e a zona do euro (bloco de 15 países europeus) terão 12 meses consecutivos de contração, a partir do terceiro trimestre deste ano.

04/12/2008 - 10:42h Por qué los profetas no lo vieron venir

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Los ‘gurús’ de la economía no anticiparon la crisis por miedo a disentir y por interés - Muchos analistas también viven del negocio

DAVID FERNÁNDEZ - EL PAÍS

Imagínese que usted forma parte de una de las instituciones económicas más influyentes del mundo como es la London School of Economics. Imagínese también que ejerce de anfitrión junto con sus colegas durante una visita de la reina Isabel II a la sede del centro. En principio, uno de tantos actos protocolarios de guante blanco. Imagínese que la soberana de todo un Imperio se salta el protocolo para lanzar al aire una pregunta que seguro también se la hace el tendero de la esquina: “¿Por qué nadie ha sido capaz de anticipar la que se nos ha venido encima?”. Deje de imaginar. La situación es real, ocurrió el pasado noviembre y ejemplifica cómo la crisis económica ha puesto en evidencia los pronósticos económicos. Hasta tal punto han fallado las previsiones que uno de los pocos que anticipó el crash, Nouriel Roubini, ha traspasado la línea que separa al economista de la estrella del pop y ahora va impartiendo doctrina por medio mundo en conferencias avaladas con cheques de varios ceros.

Simples turbulencias, desaceleración, crisis, recesión, ¿depresión? Ésta es la secuencia que han seguido las previsiones de Gobiernos (incluido el español, que hasta bien entrado 2008 se negó a hablar de crisis), organismos internacionales, escuelas de negocios, reputados consultores y gurús de la gestión empresarial. Nadie tiene una bola de cristal para anticipar el futuro. Como decía Karl Popper, “predecir el nacimiento de la rueda es inventarla”. Además, una crisis económica como la actual, la peor para muchos desde 1929, presenta varias raíces inéditas que han aflorado al mismo tiempo, lo que complica cualquier análisis. Sin embargo, estas dificultades no deben servir de excusa para esconder que los modelos de estimación económica presentan algunos vicios que limitan sus probabilidades de éxito. Conflictos de intereses, falta de transparencia, miedo a ir contracorriente (”fuera del consenso hace mucho frío”, ironiza un experto) o la resistencia a dar voz a los críticos con el sistema económico durante el largo periodo de bonanza porque sus teorías no venden son algunos de estos vicios.

Hace un año este periódico pidió a 15 casas de Bolsa que dijeran en qué nivel se situaría el Ibex 35 en diciembre de 2008. El precio objetivo medio situaba el índice bursátil español en 17.300 puntos. El Ibex 35 está hoy por debajo de los 9.000 enteros. En defensa de los analistas hay que decir que en ese momento la crisis financiera aún no había mostrado su cara más violenta y que la economía real no se había contagiado. Lo que ya tiene menos explicación es que el pasado junio, cuando la metástasis de las hipotecas basura se había extendido por todo el sistema, la venta de optimismo seguía siendo la tónica dominante.

Credit Suisse, UBS, Citigroup, JPMorgan, Deutsche Bank, Goldman Sachs y Exane BNP Paribas son algunas de las firmas de Bolsa más importantes del mundo. En conjunto analizan las acciones de más de 10.000 compañías cotizadas. Pues bien, en junio sólo un 13% de sus consejos eran de vender acciones. El resto de recomendaciones a sus clientes eran de comprar o en el peor de los casos de mantener los títulos en cartera.

¿Por qué cuesta tanto escribir en un informe de Bolsa la palabra vender? “Por la propia estructura del mercado. Una entidad financiera suele tener conflictos entre el análisis y el negocio. Esta situación puede significar que la independencia de los analistas a la hora de emitir sus opiniones se vea limitada”, reconoce Rafael Sarandeses, secretario general del Instituto Español de Analistas Financieros. A pesar de entonar el mea culpa, Sarandeses matiza que esta crisis no se debe a los errores de los analistas sino “a los fallos de los supervisores financieros y a las malas prácticas de las agencias de calificación de riesgos”.

Sería injusto centrar todas las críticas en los analistas de Bolsa. Sus colegas macroeconómicos tampoco han estado muy finos. En enero de 2007 el consenso de mercado (bajo este concepto se engloban organismos supranacionales como el FMI, el Banco Mundial o la OCDE cuyos juicios deberían estar a salvo de las tentaciones que acechan a las instituciones privadas) preveía un crecimiento del PIB en EE UU y en la zona euro del 3% y del 2,1%, respectivamente. En noviembre de 2008 esas expectativas habían caído al 1,4% y al 1%. “Las crisis ocurren porque son inesperadas. Si todo el mundo las esperase no se materializarían. Además, en este caso nos hemos topado no con una crisis, sino con tres al mismo tiempo: la financiera, la hipotecaria y la económica”, se defiende José Luis Martínez, economista jefe de Citigroup en España. Entonces, ¿no cree que haya que ajustar en nada los modelos económicos? “Todos los economistas manejamos varios escenarios. Quizás esta crisis lo que nos enseñe es que debemos aprender a asignar una determinada probabilidad al escenario elegido. No es lo mismo que digamos que va a producirse determinado acontecimiento cuando el margen de acierto que manejamos es de sólo el 40% que cuando asignamos a nuestro pronóstico el 80% de probabilidades. Esta crisis va a forzar una mayor transparencia en las previsiones”.

Al calor de cada burbuja suelen surgir teorías que hablan de cambios revolucionarios que transformarán por completo el sistema económico. Estos planteamientos, sin embargo, suelen desinflarse casi a la misma velocidad que la burbuja que los amparó. A finales del siglo pasado se popularizó el concepto de Nueva Economía según el cual el desarrollo de Internet y otras tecnologías harían que pasásemos de una economía industrial a una economía del conocimiento y, como consecuencia de ello, se acabarían los ciclos económicos. Que le pregunten a las personas que hacen cola a cientos a las puertas del Inem si todavía existen los altibajos en economía… Con la burbuja financiera de los últimos años, diferentes think tanks han puesto de moda otra teoría no menos visionaria bautizada con el nombre de decoupling. La corriente de pensamiento que está detrás de este vocablo viene a decir que las reformas estructurales acometidas por los países emergentes les permitirán seguir con su senda de crecimiento con independencia de lo que ocurra en las economías desarrolladas. En los últimos dos meses se ha vuelto a comprobar que cuando las economías occidentales tosen, el resto, como mínimo, se resfría. China echa el freno a su espectacular crecimiento, los inversores castigan las divisas de México y Brasil, Rusia se ve forzada a cerrar en varias ocasiones sus mercados, Argentina desempolva medidas confiscatorias… En fin, todo un déjà vu.

“No creo en los gurús. Es una tendencia a abolir”, sentencia José de Rafael, director de la Asociación Española de Empresas de Consultoría. “No se puede opinar más que con altos conocimientos de la situación. Se han corrido muchos riesgos por la proliferación de los mal llamados gurús. Siempre están los arribistas que tiene más pico que los demás, y en un determinado momento sus teorías pueden llegar a convencer”. A pesar de la fuerte crítica a los analistas estrella, De Rafael opina que las previsiones económicas en esta crisis no han resultado tan erróneas. “La crisis se veía venir desde hace 14 meses. Lo que los expertos no han sabido anticipar ha sido su intensidad. Además, la raíz de la crisis no es financiera, sino de valores, y esto es imposible de predecir. La codicia y la corrupción han prevalecido sobre la ética empresarial”, añade este experto.

El escritor especializado en temas de management Peter Drucker solía decir que el término gurú se había convertido en una palabra bastante popular debido a que la etiqueta alternativa de charlatán era demasiado larga para usarla en un titular periodístico. En los últimos años las conferencias de los grandes expertos en gestión empresarial han desbordado todos los aforos. Cientos de discursos y power points para encontrar la receta del éxito, pero pocas voces que alarmasen sobre lo que se estaba gestando. “Que yo recuerde, de los economistas extranjeros sólo adelantaron la crisis Nouriel Roubini y Paul Krugman mientras que entre los españoles destacan Ignacio Garikano y Xabier Mena”, recuerda Alberto Saiz, director de HSM España, empresa especializada en contenidos de gestión empresarial y organizadora de Expomanagement. “Es más fácil subirse a la ola del pensamiento reinante que hacer un estudio profundo de la situación. En este sentido, yo también criticaría la actitud de los medios de comunicación por popularizar algunos mensajes”, añade. “La verdad absoluta no la tiene nadie. Nuestra misión es inspirar a los ejecutivos para que encuentren alternativas para desarrollar sus estrategias, no decirles lo que tienen que hacer”.

Tanto Saiz como el resto de expertos consultados para este reportaje reconocen que ante el tema de las previsiones, sean estas económicas o de otra índole, las personas se mueven con un marcado sentido gregario y que, al igual que hace dos años era un milagro que un libro de management o un economista crítico se abrieran paso, ahora se corre el peligro, por la ley del péndulo, de que sólo quede espacio para los agoreros. “Los seres humanos queremos oír aquello que se adecúa a nuestros patrones mentales. Si antes lo único que parecía vender eran las noticias buenas, ahora parece que triunfan las previsiones pesimistas”, señala el director de HSM. “Tanta incertidumbre obliga a converger en posiciones, se traduce en una cierta opinión consensuada. Aunque con puntuales discrepancias, todos buscamos saber la opinión del de al lado. Ahora puede que corramos el riesgo de irnos al otro extremo: caer en el pesimismo absoluto y no valorar las cosas buenas que se están haciendo”, añade José Luis Martínez.

Pero, cuidado, conviene no pasarse de frenada en la teoría del caos. La realidad es tozuda y el éxito efímero. Y si no que se lo pregunten a Ariun Murti, experto de materias primas en Goldman Sachs. En marzo de 2005 Murti predijo que el precio del petróleo daría el salto de 50 dólares a 105 en sólo cuatro años. Se desvió sólo unos meses. La situación del mercado le llevó a doblar su apuesta en mayo pasado, situando el barril de crudo en 200 dólares en sólo dos años. Coincidiendo con este segundo augurio de Murti, el petróleo inició un vertiginoso descenso que le ha devuelto de nuevo a la zona de los 50 dólares.

Otra consecuencia de la crisis actual es que se ha puesto en duda un dogma de fe económico de los últimos años: el poder casi religioso del libre mercado. Incluso en el santa sanctorum del capitalismo como es Wall Street han tenido que hincar la rodilla y rogar una inyección de dinero público para resolver sus pecados. El retorno a políticas de corte más intervencionista ha vuelto a poner de moda al economista británico John Maynard Keynes, partidario de la intervención del Gobierno para estimular la economía.

Pero incluso él también erraba a veces en sus previsiones. Un día tuvo que salir del paso de las críticas de un economista rival que le acusaba de inconsistencia en sus argumentos. “Cuando los hechos cambian, yo cambio mi opinión, ¿qué hace usted, caballero?”. Habría sido interesante oír la respuesta que hubiera dado Keynes a la pregunta de la reina Isabel II.

26/11/2008 - 18:33h Malos índices para Latinoamérica

Un informe advierte de que se empieza a vislumbrar la recesión en la región

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La presidenta de Argentina, Cristina Fernández, ayer lunes, durante la reunión con su homólogo mexicano, Felipe Calderón, en Buenos Aires.- AFP

SOLEDAD GALLEGO-DÍAZ - Buenos Aires - El País

Las esperanzas de un aterrizaje suave de las economías latinoamericanas en medio de la crisis mundial empiezan a desvanecerse. Lo que hasta hace unos meses se suponía que podría ser una desaceleración o un deterioro de las condiciones económicas se empieza a vislumbrar como un verdadero clima de recesión. Los últimos datos publicados por la fundación brasileña Getulio Vargas, en colaboración con el instituto alemán IFO, no dejan lugar a muchas especulaciones: el llamado Índice de Clima Económico (ICE), elaborado trimestralmente desde octubre de 1997, se ha colocado cerca del valor más bajo obtenido en diez años: 3,4 puntos.

El ICE estaba experimentando un declive continuado desde octubre de 2007, pero se combinaba con un Índice de Situación Actual todavía positivo y un Índice de Expectativas bajo, pero sostenido. En este nuevo estudio, todos los índices están por debajo de los promedios históricos en 10 años. El bajón en tres meses ha sido enorme: El ICE ha pasado de 4,6 a 3,4, pero la valoración de expectativas ha tocado fondo, pasando de 3,4 a sólo 2,5. La valoración de la situación actual, que se había mantenido invariablemente por encima de los 5 puntos, baja por primera vez a poco más de 4.

La percepción del clima económico de América Latina, asegura la encuesta, ha dejado de estar por encima de la media mundial. “El escenario se puede describir ya como tendencia recesiva mundial”.

Realidades diferentes

El informe de la Fundación Getulio Vargas (creada en 1944 con el objetivo de incentivar la mejora de la administración pública y privada y el análisis y prospectiva económica y convertida en uno de los principales centros de investigación del país) refleja, sin embargo, realidades diferentes, según los países. En Argentina -explica- la situación sigue caracterizada por un muy desfavorable clima económico. Es cierto que el ICE aumentó de 2,7 a 3,2 en el último trimestre, pero partía de niveles muy bajos y además las expectativas siguen siendo “sumamente pesimistas” (1,7 puntos).

Los mejor situados parecen ser Uruguay, Perú y Brasil, que siguen teniendo un índice de clima económico ligeramente por encima del 5. Llama la atención el descenso de la valoración del ICE en México, donde ha pasado de 4 a 2,3 puntos, seguramente como resultado del empeoramiento de la crisis en Estados Unidos.

El problema de la inflación

La encuesta incluye un cuestionario sobre los problemas económicos que enfrentan los distintos países. Los analistas de la fundación señalan que predomina la preocupación por la inflación. Argentina, Bolivia, Ecuador y Venezuela la consideran el primer factor, junto a la falta de confianza en las políticas gubernamentales. “La inflación también se menciona en Chile, Colombia, México, Perú y Uruguay. Solamente en Brasil y Paraguay no se señala entre los dos temas principales”.

Lo más significativo de la encuesta es su comparación con los datos del pasado mes de julio. El mundo estaba ya en fase recesiva, pero América Latina en general y Brasil en particular estaban solamente en una fase declinante de ciclo. En la encuesta hecha pública ahora, América Latina entra también en la fase recesiva y Brasil es el único que continua en la fase de descenso del ciclo, todavía no recesiva.

En el ranking por países del Índice de Clima Económico, las primeras posiciones son para Uruguay, Perú y Brasil, que lideran el ICE promedio de los cuatro últimos trimestres. Argentina y Ecuador siguen en las últimas posiciones. “El único cambio es el intercambio de posiciones entre Venezuela y México, en la octava y novena posición”.

Perspectivas

Los datos de la Fundación Getulio Vargas han coincidido con nuevos análisis hechos públicos ayer martes por la Organización para la Cooperación y el Desarrollo Económico (OCDE) y también relacionados con la economía latinoamericana. Según la OCDE, nuevas caídas en los precios de las materias primas y las presiones inflacionistas por la depreciación de las monedas, son los dos riesgos principales que afronta América Latina.

Para los expertos de la OCDE, Brasil crecerá sólo un 3% en 2009, pero empezará repuntar en 2010 (4,5%). México tiene perspectivas más difíciles: un crecimiento del PIB de únicamente un 0,4% el año próximo y de un 1,8% en 2010. Para Chile, el crecimiento oscilará entre un 2,6% en 2009 y un 3,1% en 2010.

La OCDE coincide en que la presión inflacionista seguirá siendo importante, porque aunque la actividad económica decae, la depreciación de las monedas aumenta la presión sobre los precios. “El Banco Central de Brasil probablemente tenga que reanudar su campaña de ajuste monetario”. El real brasileño ha perdido ya un 24% de su valor frente al dólar en este año. El peso mexicano ha caído un 19% y el chileno, más del 26%. En Argentina, la industria local lucha por lograr una devaluación, pero el Gobierno de Fernández Kirchner intenta mantener el nivel de cambio entre 3,30 y 3,40 pesos por dólar.

25/11/2008 - 15:28h La France en récession en 2009, selon l’OCDE


AFP/PHILIPPE HUGUEN - “Le repli de l’activité se répercute rapidement sur le marché du travail, puisque les pertes nettes d’emplois au second semestre 2008 devraient faire grimper le taux de chômage aux alentours de 7,5 % d’ici à la fin de l’année”, indique l’OCDE.

 

 

Le Monde

La crise financière internationale devrait plonger la France dans la récession en 2009, avec un recul du PIB de 0,4 % et un taux de chômage à 8,2 % de la population active, creusant nettement déficit public et dette, selon les perspectives économiques de l’Organisation pour la coopération et le développement économiques (OCDE) publiées mardi 25 novembre. Selon l’OCDE, la croissance française serait de seulement 0,9 % en 2008 ; le PIB reculerait ensuite de 0,4 %, avant de se redresser fortement en 2010 (+1,5 %). Le gouvernement français table, pour sa part, sur une croissance comprise entre 0,2 et 0,5 % en 2009, et de 2,0 % en 2010. Ce “repli marqué de l’activité en 2008 et 2009 devrait entamer sensiblement les recettes budgétaires, notamment les rentrées d’impôts sur les bénéfices”, tandis que “la montée du chômage exerce des pressions à la hausse sur les dépenses sociales”, analyse l’OCDE.

“Le repli de l’activité se répercute rapidement sur le marché du travail, puisque les pertes nettes d’emplois au second semestre 2008 devraient faire grimper le taux de chômage aux alentours de 7,5 % d’ici à la fin de l’année, précise l’OCDE. Jusqu’à présent, la montée du chômage a principalement touché les jeunes et les actifs embauchés par l’intermédiaire d’agences de travail temporaire, mais elle va probablement prendre un caractère plus généralisé dans un avenir proche.” Dans ce contexte d’incertitudes, les ménages devraient augmenter leur taux d’épargne malgré des gains de revenu disponible limités, ajoute l’OCDE. Sur le plan extérieur, l’OCDE s’attend à ce que l’économie française continue à perdre des parts de marché à l’exportation.

Le déficit public (Etat, Sécurité sociale et collectivités locales) devrait passer de 2,9 % du PIB cette année à 3,7 % l’an prochain, puis à 3,9 % en 2010, bien au-delà de la limite de 3 % autorisée par la Commission européenne. Dans le même temps, la dette publique devrait dépasser 70 % du PIB d’ici à 2010, alors que le pacte de stabilité européen préconise un taux de 60 % au plus. L’objectif du gouvernement français est de ramener le déficit public à 2,7 % du PIB en 2010, après l’avoir laissé se creuser à 3,1 % en 2009 en raison de l’impact de la crise sur les finances publiques.

14/11/2008 - 09:50h Alemanha não resiste à crise e entra em recessão

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Maior economia européia vive seu pior momento desde o pós-Guerra; OCDE prevê contração nos EUA, Japão e UE

Jamil Chade, Genebra; Andrei Netto - O Estado SP

A maior economia da Europa não resiste e entra em recessão. A Alemanha, conhecida como a locomotiva do Velho Continente, anunciou ontem que sua economia se contraiu pelo segundo trimestre consecutivo. A queda no crescimento coloca o país em sua pior situação nos últimos 12 anos, o que deve ter repercussões em toda a Europa e mesmo para as exportações brasileiras. Para o Deutsche Bank, 2009 pode ainda registrar o pior desempenho econômico da Alemanha desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Segundo os dados oficiais, o PIB foi reduzido em 0,5% entre agosto e outubro. No segundo trimestre, a queda já havia sido de 0,4%. Tecnicamente a recessão é declarada quando uma economia registra contração por dois trimestres consecutivos. França, Reino Unido e Irlanda já estão na mesma situação da Alemanha, mas a esperança era de que a maior economia do bloco resistisse.

O cenário é bem diferente do que os políticos alemães previam. No início da crise, a chanceler Angela Merkel deixou claro que a Alemanha “não entraria em recessão”. Agora, a queda é superior até mesmo às previsões mais negativas dos analistas. A última recessão foi registrada em 1996.

Desta vez, o temor é de que a crise seja prolongada. A Bolsa de Frankfurt já perdeu mais de 40% neste ano e a falta de confiança dos empresários bate recorde. O consumo também caiu e o país deve perder o posto de maior exportador do mundo, posição que ocupava havia quatro anos.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) já havia alertado que 2009 verá uma contração da economia alemã de 0,8%.

Todo o bloco europeu também deve sofrer com a recessão. Em meados da semana passada, foi a Inglaterra que admitiu estar em recessão.

OCDE PESSIMISTA

Estados Unidos, Japão e os 15 países da zona euro, cujas economias já enfrentam a estagnação, também devem sofrer recessão severa em 2009. A estimativa é do relatório de previsões econômicas da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento (OCDE), divulgado ontem, em Paris.

Segundo os especialistas, os 30 países-membros da entidade crescerão 1,4% em 2008, mas enfrentarão queda de 0,3% no PIB em 2009. Em 2010, vem a retomada. O maior decréscimo no próximo ano se dará nos Estados Unidos: -0,9%.

Os Estados Unidos devem enfrentar quatro trimestres de contração. A crise se agrava de forma progressiva no país: no terceiro trimestre, a retração será de 0,3%, chegando no fim do ano ao fundo do poço, com 2,8% negativos. Em 2009, a previsão é de decréscimo de 2% no primeiro trimestre e de 0,8% no segundo. A queda brusca na primeira metade do ano levará à retração do PIBdo país a valores próximos de 1%.

Só no segundo semestre de 2009, conforme os experts da OCDE, começa o reaquecimento nos EUA. Em 2010 a previsão é de 1,6% de crescimento.

O relatório da OCDE confirma o recuo também na União Européia. No grupo de 15 países que adotam a moeda única - entre os quais Alemanha, França, Itália e Espanha -, também deve viver quatro trimestres consecutivos de contração: -0,5% no terceiro trimestre de 2008, -1% no quarto, -0,8% no início de 2009 e -0,4% no segundo trimestre do próximo ano.

Jorgen Elmeskov, diretor de Estudos Econômicos da entidade, disse que os 30 países que integram a OCDE - Brasil não incluso - entram em recessão, com perspectivas de desaceleração prolongada da atividade.

O relatório também reitera a convicção de que os grandes países emergentes, como China, Índia e Brasil, embora em desaceleração, sustentarão o crescimento internacional durante a recessão no G-7. “O crescimento em países não-membros da OCDE também se desacelera”, diz Elmeskov, “mas é claro que o nível de elevação do PIB destes emergentes ajuda os países desenvolvidos a enfrentar a crise”. Questionado pelo Estado sobre quando China, Índia e Brasil voltarão a acelerar, o economista não respondeu. “Vamos divulgar um relatório exclusivo sobre o tema em 25 de novembro.”

28/10/2008 - 10:00h OCDE pede mais ação contra crise prolongada

Assis Moreira, de Genebra - VALOR

Secretário-geral da OCDE, o mexicano José Ángel Gurría
acha que o tamanho e a duração da dramática crise financeira global
continuam incertos - foto AP


O secretário-geral da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), José Ángel Gurría, estima que o tamanho e a duração da dramática crise financeira global continuam incertos. Certeza mesmo ele tem de uma coisa: de que medidas governamentais são essenciais para evitar que a crise se prolongue. Ele vê as perspectivas econômicas especialmente sombrias no curto prazo. Economistas da OCDE projetam volta de crescimento global acima de 3% só em 2010.

Para o secretário-geral dessa espécie de clube dos países mais industrializados, se a crise persistir, a América Latina se tornará especialmente vulnerável, incluindo o Brasil, especialmente pelo lado das exportações.

Em entrevista ao Valor, Gurría faz um diagnóstico severo da crise financeira e recomenda aos atores do mercado voltarem a estudar finanças e gestão de riscos, e sugere criação de mecanismos para que ela não possa se repetir.

Ex-ministro de Finanças do México e secretário-geral da OCDE desde junho de 2006, Ángel Gurría lançará hoje o relatório Latin America Outlook 2009, numa cerimônia em El Salvador. O estudo enfatiza o papel de política fiscal também como uma ferramenta para o desenvolvimento da América Latina. Mostra que a desigualdade de rendimentos brutos não difere muito entre os países europeus da OCDE e os países da América Latina. Mas os impostos e transferências são eficientes na redução das desigualdades apenas nos países europeus da OCDE. Ou seja, o que é importante é o uso dos impostos.

Leia a seguir os principais trechos de sua entrevista:

Valor: Como a OCDE avalia essa crise? O sr. viu em certo momento o colapso da economia mundial?

Angel Gurría: Essa crise financeira que está varrendo os mercados mundiais é sem dúvida a pior desde a Grande Depressão. Ao mesmo tempo em que tem impacto direto sobre a economia real, estão sendo aprendidas duras lições. O tamanho e a duração da crise continuam incertos, mas o custo é imenso, em perdas com subprimes, desvalorização de ações, pacotes de socorro e outros. Vimos antes ciclos de prosperidade e de quedas, mas agora estamos vivendo circunstâncias excepcionais. Desta vez, o sistema financeiro, motor que irriga o funcionamento da economia, foi bloqueado. A crise colocou sérias dúvidas na cabeça das pessoas sobre a confiabilidade dos bancos e dos serviços financeiros, e sobre a própria credibilidade do sistema de mercado.

Valor: Para a OCDE, qual o impacto da crise na economia real?

Gurría: As perspectivas no curto prazo são sombrias, pretas, achamos que haverá uma acumulação de desacelerações econômicas. Nossas projeções apontam para uma estagnação na atividade até o final deste ano, com crescimento negativo em alguns casos. Nos EUA, o desemprego cresce rapidamente, as pessoas cortam o consumo. Na zona euro, também as projeções são de declínio, com queda forte nas autorizações para construção, e aperto do crédito afetando os investimentos. No Japão, o consumo fraco - aliado à falta de confiança - também é inquietante. As economias emergentes também deverão sofrer desaceleração econômica, ainda mais com a redução da demanda no comércio internacional.

Valor: O que os governos precisam fazer mais para restaurar uma certa confiança?

Gurría: Há uma ampla concordância de que os mercados precisam de monitoramento e regulação efetivas, e de governança corporativa mais forte. É verdade que pode ter havido ignorância sobre o montante das dívidas nos balanços e da exposição dos bancos, mas claramente a estrutura regulatória foi incapaz de tratar de questões como securitização baseada em hipotecas, derivativos, CDS (credit-default swaps). Agora, precisamos assegurar que os pacotes de socorro funcionem, que o crédito seja retomado e os sistemas de pagamentos sejam garantidos. Para isso, os mercados precisam recobrar um mínimo de normalidade, evitando-se excessiva volatilidade.

De maneira geral, uma cultura mais holística de gestão de riscos, questões de compensação e responsabilidade, gestão ética e responsável devem ser criados, baseados em melhores estruturas regulatórias e implementação mais forte de padrões que já existem, como os Princípios da OCDE de Governança Corporativa. Também é preciso melhorar a educação financeira e a consciência de risco entre os usuários do mercado financeiro. Outras medidas devem ser reforçadas, não apenas em relação aos bancos, mas no setor imobiliário, por exemplo, de forma que famílias de baixa renda não sejam expostos injustamente a riscos hipotecários.

Valor: Qual será o custo dessa crise para as populações?

Gurría: O que realmente conta é o bem-estar das pessoas, suas casas, empregos e negócios. O objetivo mais importante para nossas ações é evitar uma longa desaceleração econômica global, é restaurar as condições para o crescimento e assegurar que a crise não possa se repetir. Ainda não está clara em qual extensão a intervenção governamental afetará orçamentos deficitários e a demanda agregada, mas está claro que será necessária uma gestão fiscal séria, que mais gastos de um lado precisam ser compensados com economias em outro lugar para não se cair na armadilha de riscos descontrolados. Também continua incerto o grau pelo qual uma inflação menor permitirá uma política monetária mais acomodativa.

Medidas governamentais são essenciais para restaurar o crescimento econômico. Devemos examinar o que nos permitirá uma nova era de maior produtividade e crescimento. E, fazendo isso, é preciso tratar também de questões como concorrência, educação e reformas. Medidas sociais precisarão ser reforçadas para atacar a alta prevista de desemprego. E não devemos negligenciar outros desafios, como mudança climática.

Valor: Como a OCDE vê as perspectivas e desafios para o Brasil?

Gurría: O desempenho econömico recente do Brasil tem sido forte. O principal fator do crescimento nos últimos anos foi a demanda doméstica. Investimentos têm sido elevados, o que é bom para aumentar o potencial de crescimento de longo prazo. O desemprego tem sido baixo.

Mas a economia brasileira não está imune da situação global. Tem o aperto considerável nas condições de crédito externos, afetando liquidez nos mercados domésticos. O real desvalorizou fortemente desde meados de setembro devido a diminuição rápida do apetite por risco. Isso apesar do fato de os bancos brasileiros estarem em geral bem capitalizados e com pouca dependência de financiamento externo.

O efeito sobre o comércio é importante, mas é menor que o efeito do canal financeiro por dois motivos: o Brasil é uma economia bastante fechada, apesar da abertura dos últimos tempos, e de outro lado tem avançado com êxito na diversificação geográfica de suas exportações. Apesar disso, uma queda generalizada dos termos de intercâmbio prejudicaria vários setores.

A demanda por exportações brasileiras pode enfraquecer. A queda nos preços de commodities pode ajudar a aliviar pressões inflacionárias, mas podem também um impacto negativo no valor das exportações.

Valor: Até que ponto a OCDE vê a América Latina afetada?

Gurría: Como se pode ver na história econômica, quando os Estados Unidos espirram, a América Latina pega uma gripe. O crescimento na região é altamente correlacionado com os influxos de capital privado e, portanto, com as condições financeiras externas. Os títulos emitidos por países da região tendem a flutuar junto aos títulos de “alto rendimento” dos Estados Unidos, títulos de empresas americanas de maior risco que o governo e que algumas empresas gigantes. Quando essas firmas dos EUA sofrem falta de crédito, o mesmo acontece para a América Latina.

Tradicionalmente, as recessões nos EUA impactam fortemente a América Latina, mais quando os EUA desaceleram só um pouco, e sem entrar em recessão, a América Latina pode não sentir efeito negativo nenhum.

Hoje a crise é financeira, e os governos da região devem estar preocupados. Mas a região tem vários suportes recentes que puseram a maioria dos países, incluindo o Brasil, sobre um fundamento melhor para suportar a crise.

A forte reestruturação da dívida pública e da dívida externa faz possível que o governo e a indústria possam suportar a seca de crédito e a possível perda no preço das importações. Mas este suporte tem limite, e só será possível se a crise não se estender por muito tempo.

Há portanto fatores a favor: maior credibilidade dos bancos centrais para conter pressões inflacionárias, taxa de câmbio flexíveis, reservas estrangeiras (só como sinal de responsabilidade fiscal), diversificação do destino das exportações.

Mas a região é ainda vulnerável, em especial se a crise continuar por longo tempo, porque a dívida é ainda elevada na região, os preços relativos das importações/exportações poderiam se deteriorar, e nem todos os setores tem a liquidez do setor exportador. E a saúde do setor bancário continua sendo mais importante para o crédito doméstico que as subidas e quedas da bolsa.

Valor: O que os governos da América Latina deveriam evitar?

Gurría: Não devem cair na tentação do protecionismo. Num mundo mais globalizado, não tem lugar a volta das economias autárquicas. O jeito de se desenvolver e sabendo como navegar em águas tormentosas é não ficando em terra.

Valor: A OCDE lança hoje o Latin American Economic Outlook 2009. Quais as principais conclusões?

Gurría: Basicamente que a política fiscal é não apenas um instrumento macroeconômico, mas é também uma ferramenta para o desenvolvimento da América Latina. Uma boa política fiscal, bons gastos públicos e uma boa gestão da dívida podem melhorar o crescimento e ajudar a combater a pobreza e a desigualdade.

Um aspecto interessante é que a desigualdade de rendimentos brutos não difere muito entre os países europeus da OCDE e os países da América Latina. Mas os impostos e transferências são eficientes na redução das desigualdades apenas nos países europeus da OCDE. O que é importante é o uso dos impostos. Sobretudo as contribuições sociais são muito regressivas (na região). Existem também duas questões principais por resolver a respeito dos impostos: as receitas fiscais são baixas e a importância dos impostos indiretos nas receitas fiscais é elevada.

Valor: O sr espera para quando a entrada do Brasil na OCDE ?

Gurría: Os governos da OCDE decidiram em maio de 2007 reforçar a cooperação da entidade com o Brasil, China, Indonésia e África do Sul em vista de uma possível entrada. Isso é particularmente importante para a OCDE cumprir seu mandato de promover políticas convergentes e desenvolvimento econômico global. Ao mesmo tempo, não há uma data-alvo para a adesão do Brasil. Se e quando for aberta a discussão, será determinada com base na disposição, preparação e capacidade do Brasil e dos outros quatro países para adotar práticas, políticas e padrões da OCDE.

Quando esse momento chegar, o Brasil decidirá se estará interessado em lançar um processo de acessão. Há todos os sinais da importância que o Brasil dá ao desenvolvimento de seu engajamento com a OCDE.

Valor: O que é preciso para o país se tornar membro?

Gurría: O conselho (da organização) determina o procedimento a ser seguido e aciona os comitês especializados em áreas relevantes de política econômica para examinar as políticas e regulamentações do país para assegurar que este está pronto a assumir as responsabilidades como membro. O país candidato deve declarar sua posição em relação aos “instrumentos legais” da OCDE, que são as decisões, recomendações e declaracões adotadas. Ou seja, é preciso mostrar tanto a vontade como capacidade de adotar os principais princípios da organização e as obrigações legais e políticas que resultam disso.

Esses “instrumentos” são mais de 160 no total, agrupados por setores, e a posição do país em cada setor é examinado por um comitê. Os países podem fazer reservas sobre “instrumentos” ou parte deles, os quais são incapazes ou relutam aplicar. Essas reservas sao submetidas a um comitê que as discutem até que um consenso sobre sua aplicação seja obtido. Isso pode consumir um bom tempo.

A OCDE tem estado na vanguarda para desenvolvimento internacional de “regras do jogo” sobre movimento de capital, investimento externo e comércio em serviços. Nesse contexto, o Brasil assinou em 1997 a Declaracão e Decisões sobre Investimento Internacional e Empresas Multinacionais, um acordo politico entre os países para cooperação em questões de investimentos. Também se associou à Recomendação do Conselho Envolvendo Ações Efetivas contra Cartéis, Convenção de Combate ao Suborno.

28/10/2008 - 09:30h Crise será revertida logo, diz especialista da OCDE

Mas reflexo nos bancos será maior, diz Schmidt-Hebbel

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Andrei Netto - O Estado SP

A manutenção da crise dos mercados financeiros na Ásia, com conseqüências nas bolsas de valores da Europa e das Américas, não afeta a confiança do economista-chefe da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), Klaus Schmidt-Hebbel. Em entrevista publicada pela revista OECD Observer, ontem, o expert previu que o derretimento dos mercados será revertido em curto prazo. Mas a crise financeira, entende, terá reflexos duradouros nos lucros e na capitalização dos bancos, assim como na confiança do sistema.

A equipe de Schmidt-Hebbel prepara o novo relatório da organização sobre a situação econômica de seus 30 países-membros e de outros 10 não-membros - Brasil incluso -, que será publicado em 25 de novembro.

Em declaração à revista, o economista adiantou alguns pontos: “Nosso cenário de base parte da premissa de que a crise nas negociações de curto termo nos mercados financeiros será resolvida em curto prazo, mas o lucro e a recapitalização dos bancos, como a reconstrução da confiança nos mercados, demorará mais tempo”.

Schmidt-Hebbel acredita que “muitas economias da OCDE” entrarão em recessão “cedo ou tarde” em razão da “crise sistêmica”. “A questão é por quanto tempo”, disse, referindo-se ao tempo de recessão. “A retomada será mais lenta do que em desacelerações anteriores.” Segundo o especialista, o momento é propício para cortes em taxas de juros pelos bancos centrais e para estímulos fiscais temporários, que teriam como efeito reaquecer o consumo e a produção.

O economista-chefe da OCDE alerta que um dos riscos da crise atual é o custo orçamentário que as intervenções nos mercados causarão aos balanços dos governos. O ponto positivo é o controle indireto dos preços das commodities, como petróleo e alimentos, já em curso. O especialista considera, porém, que as medidas anunciadas pelos governos nos Estados Unidos, na Europa e, recentemente, na Ásia restauraram a confiança e reconstruíram instituições financeiras arruinadas. “Foram medidas sem precedentes de escala”, definiu, elogiando a coordenação internacional das decisões. “Agora veremos o quanto rápidas e efetivas serão essas ações.”

De acordo com um relatório da OCDE, a importação de produtos pelos países-membros do G-7 - Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Japão - caiu 1,4% no segundo trimestre de 2008, em relação ao primeiro. No mesmo período, as exportações cresceram 4,9%.

Na Alemanha, a balança comercial nos últimos 12 meses - encerrados em junho - variou positivamente: as exportações cresceram 7,1%, enquanto as importações, apenas 2,1%. Nos Estados Unidos, a tendência foi equivalente: crescimento de 3,9% no volume exportado e de 1,9% no importado. No Japão, exportações e importações caíram.

26/10/2008 - 10:20h El mundo después del ‘crash’

La crisis financiera ha acabado con los dogmas dominantes de los últimos 25 años

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JOAQUÍN ESTEFANÍA - El País

Hay en economía un concepto más enérgico que el de recesión para explicar lo que está sucediendo: depresión. La depresión es más grave y duradera que la recesión, y se manifiesta en el frenazo en seco de la actividad, la debilidad de la demanda, la contracción del comercio internacional, el incremento del paro, la caída del poder adquisitivo, etcétera, todos ellos procesos muy dolorosos y contrarios al progreso. Pues bien, el profesor de Economía de la Universidad de Nueva York Nouriel Roubini, el gurú que se ha hecho famoso por haber anticipado la crisis financiera que se inició con el estallido de las hipotecas tóxicas, ya ha utilizado el concepto de depresión como síntoma de lo que ocurre en la economía a escala planetaria. Hace unos días escribía Roubini: “No podemos descartar un fracaso sistémico y una depresión global. (…) Se corre el riesgo de un desplome del mercado, una debacle financiera y una depresión mundial”. El economista plantea que más que una coyuntura en forma de V (caída y pronta recuperación) estamos en otra en forma de U (caída en la que la economía se mantiene un tiempo, para luego ascender), o quizá en forma de L (caída y letargo a largo plazo).

Un arranque ciertamente tenebroso sobre la coyuntura quizá pueda compensar el optimismo del titular de este que parece llevar implícito -y no es así, como se ha visto la semana pasada- la superación del desplome bursátil que, en otras ocasiones históricas, ha sido la antesala de una recesión o de una depresión. Crash y depresión se retroalimentan. Hay muchas similitudes -y bastantes diferencias- con la Gran Depresión de 1929. Es urgente desempolvar los viejos manuales de entonces y establecer las comparaciones. “Pensar el presente desde un punto de vista histórico” (Walter Benjamin).

En diciembre de 2006 caía el Ownit Mortgate Solutions, un pequeño banco hipotecario de California especializado en productos de alto riesgo. Es el antecedente más cercano del estallido de la burbuja inmobiliaria y de las hipotecas subprime, que devendría en la norma a partir de julio de 2007. Desde entonces hay muchas víctimas sin enterrar. Entre ellas, la economía real en forma de estrangulamiento del crédito (que es su sistema sanguíneo), desaparición de los bancos de inversión y nacionalización de otras entidades que formaban parte de la aristocracia financiera internacional, desprestigio de los organismos reguladores nacionales y de las agencias de calificación de riesgos, profundísima descapitalización bursátil de muchas empresas financieras y no financieras, parón de la actividad económica y de la inversión, contracción de la demanda, suspensiones de pagos, desempleo, etcétera. Y sobre todo, un escalofrío en muchos ciudadanos en forma de inseguridad: no sólo miedo al terrorismo y a otras formas de inquietud ciudadana, sino a la inseguridad económica y el temor al otro, al diferente, al que compite con el puesto de trabajo y carga de obligaciones al Estado de bienestar.

Otra víctima de la crisis es una forma de entender el mundo, un modo de pensar que se identifica ampliamente con la ideología neoliberal. La máxima acuñada por la revolución conservadora de Margaret Thatcher y Ronald Reagan, que ha durado un cuarto de siglo, de que el Estado es el problema y no la solución, ha saltado hecha trizas en cuanto se han acumulado las dificultades. La “destrucción creativa” de Schumpeter sólo se hizo realidad cuando las autoridades americanas dejaron hundirse al que era cuarto banco de negocios estadounidense, Lehman Brothers (y casi todos los analistas califican esta inacción como un grave error y el principio del pánico); las demás instituciones financieras con problemas han sobrevivido con una u otra fórmula de intervención pública, con paquetes de rescates a babor o a estribor, en forma de avales públicos, compras de activos o directamente de acciones. Lo explica resignado un economista español: “Hemos generado mucho riesgo moral para evitar el riesgo sistémico”. Ahora, la retórica del libre mercado se utiliza con más soltura, más selectivamente: se asume cuando sirve a intereses especiales y se descarta cuando no es así. Sin complejos, el presidente de la patronal española llegó a exigir “un paréntesis” a la economía de mercado.

Hace escasamente año y medio, todavía la economía mundial continuaba en la senda de crecimiento más larga y profunda de la historia contemporánea. La teoría de los ciclos económicos parecía extinguida y el planeta se instalaba en el denominado ciclo Kondratief, una onda larga de prosperidad debida -se decía- a la confluencia de las nuevas tecnologías de la información y la comunicación (TIC) con la flexibilidad empresarial y la innovación financiera. Los mantras más citados eran los de la desregulación y la autorregulación. Hasta tal punto que cuando se encienden las primeras luces rojas de las dificultades hay una generación de jóvenes ejecutivos, los que mandan en muchas empresas y en bastantes Gobiernos, que no tienen puntos de referencia para saber lo que es una crisis y qué tratamiento preventivo darle.

Es muy interesante seguir las mutaciones que ha sufrido la naturaleza de esta crisis en apenas 18 meses: primero se identificó con el estallido de la burbuja inmobiliaria y el abuso en la concesión de hipotecas de alto riesgo; a ello se le añadió un tsunami protagonizado por las materias primas alimentarias y los elevadísimos precios de la energía, de modo que entonces se habló de “tormenta perfecta” y se hizo una equivalencia con los primeros años setenta del anterior siglo, al aparecer la estanflación (alta inflación y crecimiento cero). Cuando se hicieron sentir los primeros efectos de la sequía crediticia en forma de reducción del crecimiento económico bajaron los precios de las materias primas; como consecuencia de ello, la inflación dejó de estar en primer plano, pero a las víctimas de la coyuntura se añadieron los países emergentes, principales productores de materias primas, y de los que se había dicho que en esta ocasión estarían exentos del efecto contagio. Conforme pasaban las semanas y dejaba de funcionar el mercado interbancario debido a la desconfianza que las entidades se tenían entre sí (¿cuál de ellas tenía en su interior la metástasis de los productos estructurados y colaterales sin valor alguno en el mercado?), la crisis hipotecaria devino en crisis financiera y los Gobiernos salieron al rescate en el entendido de que la desconfianza de los ciudadanos en las entidades de crédito es la antesala de una catástrofe en la economía real. Hubo un momento en que en algunas plazas y sucursales bancarias los clientes, después de hacer colas para sacar sus ahorros, intentaban transmutar sus depósitos en lingotes de oro, en la creencia de que este metal precioso era la inversión más segura.

Sólo cuando los ciudadanos, airados, comenzaron a preguntarse en alto por qué habían de rescatar a quienes habían sido víctimas de su codicia, es cuando se sofisticó un poco el discurso: la mayor inyección de dinero público utilizada en la historia para salvar a los bancos en dificultades era tan sólo una etapa intermedia para salvar a la economía real. Lo que es bueno para Wall Street es también bueno para la calle. Proteger a Wall Street es proteger a Main Street. Así lo ve el grupo de banqueros con chistera y puro que aparecen en la tira satírica del New Yorker. Uno de ellos grita indignado: “¡Maldita sea, para nosotros Wall Street es Main Street”.

Las ayudas oficiales a la banca (”Aportaremos todo lo que sea necesario”, ha declarado Berlusconi, el más desvergonzado de los políticos actuales) han servido hasta ahora para detener el pánico de los clientes y para que emerja un hilillo de liquidez en los mercados, que se ha concretado en una pequeña baja de los tipos de interés (Euríbor y Líbor). Pero sigue sin saberse si tanto dinero aportado por el Estado se trasladará del sistema financiero al conjunto de las empresas con inmediatez, para que la situación tienda a normalizarse, y a qué precio. Esto era así hasta anteayer. Pero resuelta al menos en parte la dificultad financiera más urgente, los mercados bursátiles han reaccionado extraordinariamente a la baja cuando en el frontispicio ha aparecido el problema de fondo: el colapso de la economía real. La mayor parte de los países de la Organización de Cooperación y Desarrollo Económico (OCDE) -los 30 países más ricos del mundo- han entrado en recesión o están a punto de hacerlo (dos trimestres seguidos de reducción de sus productos brutos), y sin visos de salida. Además, el contagio afecta a muchos países emergentes, que han tenido que gastar las reservas de divisas en defensa de sus monedas, mientras aumenta su riesgo país y ven bajar los precios de sus exportaciones. Se ha llegado a la madre de todas las crisis. Cada uno de los pronósticos que han ido elaborando las organizaciones multilaterales (OCDE, Fondo Monetario Internacional, etcétera) se han tirado a la papelera en el mismo momento en que se hacían públicas. La velocidad de la metástasis es tal que todas las explicaciones de la coyuntura se han quedado antiguas en tiempo real. Aun hace dos fines de semana, en su asamblea semestral, el FMI preveía un ligero crecimiento en 2009 para el conjunto de las economías avanzadas y del orden del 6% en las emergentes. Sin embargo, el pasado miércoles, el Foro Económico Mundial sentenciaba: “La crisis financiera afecta ya a la economía real en un nivel alto y el riesgo de una profunda y prolongada recesión crece”.

Con esta crisis multiforme y poliédrica ha desaparecido también una forma de hacer la política económica, que ha sido dominante en el último cuarto de siglo. Aquella que había formalizado el dogma de que los mercados son los que mejor saben qué hacer. Del mismo modo que hay ciclos en la coyuntura también hay ciclos ideológicos que conceden el énfasis a las distintas herramientas económicas. Y ha comenzado otro. En el año 1936, el que probablemente ha sido el economista más influyente del siglo XX (y lo vuelve a ser ahora), John Maynard Keynes, escribió en su obra magna Teoría general de la ocupación, el interés y el dinero: “Las ideas justas o falsas de los filósofos de la economía y de la política tienen más importancia de lo que en general se piensa. A decir verdad, ellas dirigen casi exclusivamente el mundo. Los hombres de acción que se creen plenamente eximidos de las influencias doctrinales son normalmente esclavos de algún economista del pasado”. Las ideas keynesianas, tan menospreciadas en el último cuarto de siglo, están siendo aplicadas ahora por quienes tratan de sacar a la economía de la camisa de fuerza de la revolución conservadora y de la desregulación permanente. No por casualidad, sino como un signo de los tiempos, la Academia Sueca ha concedido hace unos días el Nobel de Economía a quien es uno de los neokeynesianos más insignes: Paul Krugman.

El New Deal del presidente Franklin Delano Roosevelt, respuesta a la Gran Depresión de 1929, inauguró un ciclo progresista de intervención en la económía que duró casi medio siglo y que ha sido denominado la edad dorada del capitalismo: el mundo creció mucho y los países más avanzados construyeron su Estado de bienestar. El 31 de diciembre de 1933, 10 meses después del inicio del New Deal, Keynes escribe una carta abierta al presidente en The New York Times, en la que le aconseja actuaciones adicionales, entre las que sobresale “una atención predominante en el más alto grado al incremento de la capacidad de compra resultante de los gastos públicos, financiados mediante créditos”.

A finales de los años setenta y principios de los ochenta se inició la revolución conservadora, que tuvo sus principales ideólogos en Margaret Thatcher y Ronald Reagan, y su continuidad en los neocons que han gobernado en la Casa Blanca y en la Reserva Federal. Francis Fukuyama, el constructor del concepto del fin de la historia, ha matizado aquella forma de entender el mundo y recientemente ha hecho un balance de ese tiempo: la revolución conservadora perdió su rumbo porque se convirtió en una ideología irrebatible, y no en una respuesta pragmática a los excesos del Estado de bienestar. En ella había dos conceptos sacrosantos: que las reducciones de impuestos se autofinanciarían y que los mercados financieros podrían autorregularse. Pues bien, el balance es clarificador: Reagan y Bush dejan a EE UU con gigantescos déficit, la economía creció tanto con Clinton como con Reagan y con superávit público, y de las secuelas de la autorregulación del mercado financiero tenemos suficientes ejemplos catastróficos en los últimos meses.

La crisis traza una frontera, la del final (por ahora) de otra edad dorada: el crédito fácil, la liquidez extrema, los riesgos fuera del balance, los sueldos astronómicos de los grandes ejecutivos ligados a la creación de valor a corto plazo y no a la calidad de lo que se fabrica o con lo que se trabaja, los cambios legales para facilitar la especulación sin límites y las zonas de sombra (el capitalismo gris), una psicología mediante la cual los ahorradores se convirtieron en inversores y los inversores en activos apalancados, la autorregulación como pretexto para administrar sin límites, etcétera.

Cada ciclo ideológico en economía está provocado por una crisis. El New Deal llegó por la Gran Depresión; la revolución conservadora, como reacción a la estanflación; y el paradigma que parece instalarse a principios del siglo XXI, por la crisis iniciada con las hipotecas subprime llevada al paroxismo. Las matrices que lo componen son las de la intervención del Estado siempre que sea necesaria, la regulación financiera, quien contamina paga (en relación a los activos tóxicos) y la necesidad de dotar de gobernanza a la globalización realmente existente. Por ello se ha dado tanta significación a la construcción de un nuevo Bretton Woods, en analogía con la Conferencia Monetaria y Financiera de las Naciones Unidas, celebrada en New Hampshire del 1 al 22 de julio de 1944, al final de la II Guerra Mundial, y que ha constituido hasta ahora el intento más ambicioso por configurar un nuevo orden económico internacional. Entonces participaron 44 países. Hoy se trata, como se declara con ampulosidad, de “refundar el capitalismo”: cambiar todo para que nada cambie.

Se trata de evitar otra Gran Depresión e ir, por el contrario, a una Gran Transformación, como tituló su libro de referencia Karl Polanyi en 1943. En él demostraba, acudiendo a la historia y a los datos empíricos, que no existe nada parecido a una mano invisible que ordene a los mercados; éstos se regulan por la acción del Estado. Hay que actualizar la Gran Transformación a la era de la globalización en la que los Estados tan sólo son entes intermedios.

07/10/2008 - 09:25h Turbulência ameaça se tornar tsunami, diz diretor da OCDE

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Andrei Netto - O Estado de São Paulo

As ondas de turbulência da crise econômica internacional ameaçam “se transformar em tsunami”, segundo o secretário-geral da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), José Angel Gurría. Convidado a um seminário sobre economia e integração entre União Européia e América Latina, em Paris, o economista, ao lado do diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Juan Somavía, disparou contra a globalização.

A intervenção foi a segunda manifestação pública do chefe da entidade - que reúne 30 dos países mais ricos do mundo - depois do agravamento da crise de liquidez do sistema financeiro internacional. Desde então, os especialistas da instituição estão instruídos pelo Serviço de Relações com a Mídia a não falar à imprensa. Ontem, no entanto, discursando em Paris a um público de economistas, diplomatas, acadêmicos, estudantes e jornalistas, o secretário-geral da OCDE não poupou palavras duras para definir o momento mundial, que definiu como a crise mais grave desde a Grande Depressão, nos anos 1930.

Gurría defendeu a tese de que a globalização “criou novas desigualdades” e que a política fiscal e orçamentária de países em desenvolvimento deveria tornar melhor o ambiente social, mas “não funciona”. “Os países da América Latina não devem se contentar em usar seus impostos e orçamentos para estabilizar a economia, mas também para reduzir as desigualdades.”

03/09/2008 - 09:27h OCDE indica recessão na Europa

Sob impacto da alta nas matérias-primas e nos alimentos, países da zona do euro tiveram recuo de 0,8% no PIB

Andrei Netto - O Estado de São Paulo


O impacto da crise internacional sobre o crescimento dos países continua considerável, segundo levantamento divulgado ontem pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em Paris. E o foco das atenções mudou: antes eram os Estados Unidos, agora é a zona do euro. Exceção feita à economia americana, que cresceu 3,3%, os países enfrentaram recessão no segundo trimestre. Na zona do euro, houve recuo de 0,8%, enquanto no Japão a queda foi acentuada: 2,4%.

Os dados forçaram a organização a rever suas estimativas de crescimento. Para os Estados Unidos, a nova previsão de avanço do Produto Interno Bruto (PIB) é de 1,8% em 2008, frente a 1,2% inicialmente estimado. Na zona do euro, a perspectiva é inversa: a evolução do PIB deve ficar em 1,3%, frente ao 1,7% previsto. O diretor-adjunto do Departamento Econômico da OCDE, Jean-Luc Schneider, indicou que os países da zona do euro e o Reino Unido deverão enfrentar estagnação econômica até o fim do ano. Entre as causas está o fraco desempenho das exportações, impactadas pela moeda forte.

Apesar dos números, o economista-chefe interino da OCDE, Jorgen Elmeskov, não foi totalmente pessimista. Ele disse que, se os preços das matérias-primas se mantiverem nos níveis recentes, pode-se esperar a moderação dos índices de inflação global. “O preço do petróleo está em baixa em relação aos picos de meados do ano, em razão da diminuição da demanda e da produção recorde nos países exportadores.” O preço dos alimentos, disse, dá sinais de ter atingido a estabilidade, ainda que em níveis elevados.

O relatório da OCDE aponta que a instabilidade nos mercados de capitais e nos mercados imobiliários e a pressão sobre os preços das matérias-primas não permitem prever a profundidade da crise financeira internacional e não descarta novas perdas nas operações de financiamento imobiliário e na construção. Porém, Elmeskov faz uma ressalva positiva sobre o crescimento global, baseada na evolução de países em desenvolvimento. “No segundo trimestre, haverá crescimento bem mais forte que o esperado em países não-membros, como China e Índia, e, por isso, teremos de rever a alta do crescimento anual prevista inicialmente.”

INFLAÇÃO

A inflação nos países desenvolvidos segue em alta, segundo a OCDE. A variação de preços no grupo de 30 países mais ricos em julho, ante o mesmo mês de 2007, foi de 4,8%. Em junho, a havia sido de 4,4%, na mesma base de comparação. Nos EUA, o aumento foi de 5,6%, ante 5% em junho.

Os indicadores apontam que a pressão inflacionária continua a ser resultado, basicamente, dos preços da energia e dos alimentos. O principal fator foi a variação da energia, que subiu 22,5% entre os meses de julho de 2007 e 2008. Na avaliação anterior, em junho, a alta havia sido de 19,3%. Os preços dos alimentos seguem a tendência de alta: 7,2% em julho, ante 6,5% em junho. Sem esses dois grupos a inflação teria se mantido quase estável: em 2,3% em julho, frente a 2,2% em junho.

Na zona do euro, a inflação bateu o recorde desde a adoção da moeda, em janeiro de 2002, mas ficou próxima do índice anterior. A variação foi de 4,1%, frente a 4% em junho. Se extraído do cálculo o preço da energia e da alimentação, a alta seria 1,7% em julho e de 1,8% em junho. Na região, a Itália teve o índice mais preocupante: 4,1%. Na França e na Alemanha as altas foram de 3,6% e 3,3%, respectivamente.

O Reino Unido, fora da zona do euro, enfrentou inflação de 4,1%. Houve aceleração também no Japão, onde a variação dos preços foi de 2,3% em julho ante 2% no mês anterior.

NÚMEROS

4,8% foi a alta
da inflação em julho no grupo de 30 países mais ricos ante o
mesmo mês de 2007

5,6% foi o aumento
dos preços nos Estados Unidos

7,2% foi a alta
nos preços dos alimentos nos países desse grupo

2,4% foi a queda
no PIB do Japão no segundo trimestre

3,3% foi o crescimento
do PIB americano no período

09/08/2008 - 13:58h Brasil lidera expansão econômica, diz OCDE

O Estado de São Paulo

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O Brasil lidera a expansão do ciclo de atividade econômica entre as principais economias do mundo, acompanhado apenas pela China: as únicas grandes economias em crescimento. Segundo um estudo da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o crescimento dos países do G-7 (mais desenvolvidos) deve sofrer uma desaceleração ainda maior nos próximos meses. Índia e Rússia também devem perder potência na expansão. Os indicadores da OCDE servem para dar sinais antecipados de “picos e de retração num ciclo de crescimento das atividades econômicas”.

03/06/2008 - 17:52h Crise alimentaire : comment produire plus et vite

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Selon les projections du Food and Agricultural Policy Research Institute (Fapri), un centre de recherche américain, le monde aura besoin de 200 millions de tonnes de céréales supplémentaires dès 2015 – il en a produit 2,1 milliards en 2007.

Le Monde

Comment le monde assurera-t-il sa sécurité alimentaire, alors que la demande explose, que les prix s’affolent et que le réchauffement climatique complique toute volonté d’augmenter la production ? La question est discutée lors de la conférence internationale de l’Organisation des Nations unies pour l’alimentation et l’agriculture (FAO), du 3 au 5 juin à Rome.

Selon les prévisions, il sera nécessaire de doubler la production agricole d’ici à 2050, au regard de la croissance démographique et de l’évolution des habitudes alimentaires. Avec l’élévation du niveau de vie, la consommation de viande augmente, et donc les besoins en céréales pour nourrir le bétail également.

Les émeutes contre la “vie chère” ont fait prendre conscience qu’il fallait produire plus et vite. Selon les projections 2007 du Food and Agricultural Policy Research Institute (Fapri), un centre de recherche américain, le monde aura besoin de 200 millions de tonnes de céréales supplémentaires dès 2015 – il en a produit 2,1 milliards en 2007.

Pour produire plus, deux leviers existent : l’augmentation des surfaces et celle des rendements. Selon la FAO, il y a 1,5 milliard de terres cultivées à l’échelle mondiale, et 4 milliards de cultivables. Avec plus ou moins de potentiel néanmoins, car celles cultivées aujourd’hui sont les meilleures et les plus accessibles.

“Il est certes possible d’augmenter le nombre de terres cultivées, mais cela se fera au détriment des forêts ou des pâtures, des surfaces importantes pour le stockage du carbone et la biodiversité”, explique Bruno Dorin, chercheur au Centre de coopération internationale en recherche agronomique pour le développement (Cirad).

Tout cela est donc question d’arbitrages. “Les pâtures servant à l’alimentation animale, ne vaut-il pas mieux laisser brouter le bétail que de cultiver des céréales pour le nourrir?”, interroge l’économiste. Deux autres points font également question : le développement des agrocarburants et la culture des OGM.

Le niveau élevé des prix agricoles devrait constituer l’une des principales incitations à produire davantage, estime l’institut technique Arvalis. Dans sa revue Perspectives agricoles, cet organisme vient de publier une carte des marges de manœuvre pour augmenter rapidement la production mondiale. Si les potentiels existent, il pointe les limites spécifiques à chaque région.

Amérique du Sud. La zone constitue un important potentiel des terres à mettre en culture, hors région amazonienne et prairies, principalement au Brésil. “Cependant, plus on y défriche, plus on se dirige vers le centre du pays, donc loin des zones de consommation et des ports. La logistique reste un frein puisqu’il y a peu d’infrastructures routières”, explique Crystel L’Herbier, économiste chez Arvalis. En Argentine, il existe plutôt une possibilité d’accroître les rendements, à condition que la trésorerie des agriculteurs puisse leur permettre d’investir.

Amérique du Nord. Un changement d’affectation des terres au profit des céréales est envisageable au Canada et aux Etats-Unis, selon les “Perspectives agricoles 2008-2017″ de l’Organisation de coopération et de développement économiques (OCDE) et de la FAO, publiées jeudi 29 mai.

Si les surfaces disponibles sont peu nombreuses, il s’agit de bonnes terres (13 millions d’hectares en jachères aux Etats-Unis). Côté rendements, des innovations sont escomptées pour le maïs. Mais, pour l’instant, les Américains misent sur les agrocarburants.

Union européenne.
Selon la Commission, l’UE pourrait dans les dix ans augmenter sa production de céréales de 50millions de tonnes (256 millions en 2007). Elle envisage d’en gagner 38 millions par une hausse de 1 % des rendements par an, le reste provenant d’hectares supplémentaires. La jachère pourrait être supprimée.

C’est dans les nouveaux Etats membres que les rendements peuvent réellement progresser. Dans les pays à forte productivité comme la France, l’Allemagne ou la Grande-Bretagne, ils plafonnent désormais. Selon une étude du ministère de l’agriculture publiée vendredi 30 mai, le blé s’est stabilisé depuis dix ans en France autour de 70 quintaux par hectare, contre moins de 30 au début des années 1960.

Russie et autour de la mer Noire.
Il existe là un important potentiel d’anciennes terres agricoles qu’il serait possible de remettre en culture. En Russie, selon Arvalis, plus de 20 millions d’hectares de céréales ont disparu ces quinze dernières années. Si les prix restent incitatifs, des investisseurs pourraient s’y intéresser. Les freins majeurs restent le délai et le coût de la remise en culture, ainsi que les problèmes de propriété foncière qui peuvent se révéler dissuasifs.

Afrique.
Près de 210 millions d’hectares sont cultivés, alors que plus de 1 milliard pourrait l’être, dont 400 millions de très bonnes terres. Mais les experts d’Arvalis ne comptent pas sur l’Afrique pour augmenter d’ici à 2015 la production mondiale. “Nous y imaginons certes un développement, mais escomptons des résultats plutôt pour la décennie suivante”, explique MmeL’Herbier.

“Nombreux sont ceux qui ont une vision catastrophiste de l’agriculture africaine. Pourtant, en vingt-cinqans, l’Afrique de l’Ouest a doublé voire triplé sa production en consommant des surfaces sur le mode de l’exploitation extensive”, plaide Roger Blein, coauteur d’une étude sur la question publiée en février par la Fondation pour l’agriculture et la ruralité dans le monde (FARM).

Il reconnaît cependant que les sols africains sont fragiles et peu fertiles. Selon lui, les freins au développement de la production résident dans le manque d’accès aux intrants, à la formation, au crédit, au stockage et aux marchés urbains du fait de l’inexistence de routes. “Si la production de riz augmente de 50 %, tout le monde aura sa marchandise sur les bras, ce sera catastrophique”, estime-t-il.

Asie et Australie.
Il y a peu de potentiel d’augmentation des rendements en Australie, sauf à trouver des variétés résistantes à la sécheresse. Le manque d’eau constitue aussi un problème en Inde et en Chine, où l’urbanisation grignote notamment les meilleures terres agricoles. C’est aussi en Asie que les rendements ont le plus progressé, notamment en Inde, grâce à la révolution verte. “Il sera difficile d’y intensifier la production, d’autant plus que l’on y pratique déjà plusieurs cultures par an sur une même terre”, explique M.Dorin.

Pour produire plus et vite, l’OCDE et la FAO tablent plutôt sur les gains de productivité que sur les terres. Mais le recours aux engrais sera moins avantageux qu’avant, car leurs prix flambent, emportés par l’envolée du pétrole. Et, surtout, l’intensification de la production a causé des dégâts sur l’environnement désormais bien connus. A moyen terme, l’espoir réside dans l’“intensification écologique” de l’agriculture, mais “la recherche en est encore à la préhistoire”, explique M. Dorin.

Laetitia Clavreul - Le Monde

11/05/2008 - 13:35h A bomba da mala da Alstom tem mais de dez anos

Elio Gaspari - O Globo e Folha SP

Pelo rastro, essa carruagem francesa pernoitou numa cocheira amiga dos grão-tucanos

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EM 2005, O PT foi acusado de ter recebido US$ 3 milhões de Cuba. O dinheiro teria sido entregue dentro de três caixas de bebida (duas de uísque e uma de rum), engordando a campanha de Lula em 2002. A denúncia teve enorme repercussão, mas, com todas as suas mirabolâncias, foi para o arquivo morto das maledicências.
Agora a bola da caixa dois multinacional está de volta, em outros cofres. Uma investigação conduzida na Suíça dá conta de que a Alstom, grande fornecedora de equipamentos pesados, pagou pelo menos uma comissão de US$ 8,6 milhões ao lubrificador de uma compra de trens para o metrô de São Paulo. Os suíços encontraram propinas pagas pela empresa em diversos países entre 1993 e 2003. Noutro caso, revelado pelo presidente do Grupo Anticorrupção da OCDE ao repórter Assis Moreira, houve outra dentada em São Paulo, em 2005. O dinheiro dessa comissão iria para uma caixa de partido.
As primeiras informações mencionavam “um intermediário de um político” na mordida tomada pela Alstom. É mais que isso. Um ervanário de US$ 8,6 milhões é dinheiro federal e não dá sopa para qualquer roedor de metrô. Tendo fornecido turbinas para Tucuruí e Itaipu, a Alstom é parceira de todas as grandes empreiteiras nacionais e não tomaria uma tunga tão rudimentar. Pelo rastro dessa carruagem, ela partiu de uma cocheira muito amiga dos grão-tucanos federais dos anos 90. Era aí que circulavam os mandarins da fornecedora, algumas vezes conduzidos pelo empresário José Américo Pinto Ramos. Ele chegou a ser identificado pela revista “U.S. News & World Report” como “assessor do presidente Fernando Henrique Cardoso”. Mentira, Pinto Ramos era amigo fraterno de Sergio Motta, chefe da campanha de FHC e seu ministro das Comunicações até morrer, em 1998.
A mala da Alstom tem mais densidade que a das fantásticas caixas de bebidas cubanas, pois o caso repousa em processo formal, com investigadores conhecidos, depoimentos, certidões e fé pública.

10/05/2008 - 15:49h Brasil aparece em lista da corrupção feita pela OCDE

São mais de 30 os contratos da Alstom no Estado de São Paulo. Além do Metrô, há negócios com a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), a Dersa, a Sabesp e várias empresas do setor elétrico, como CTEEP e Cesp.

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Órgão internacional registra cinco casos em que empresas atuantes no país foram alvo de pedido de propina

O Estado de São Paulo

Cinco empresas que atuam no Brasil estão numa lista de suposta corrupção ativa elaborada pelo Grupo Anticorrupção da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A propina paga tinha o objetivo de obter contratos e/ou aumentar vendas. O Brasil aparece nesse rol 150 casos de suborno pago por empresas em transações internacionais para servidores públicos e políticos.

Em entrevista ao jornal Valor, o professor da Universidade da Basiléia Marck Pieth disse que funcionários públicos teriam cobrado propina de empresas estrangeiras interessadas em negócios no Brasil. Sem citar nomes, Pieth contou que, em 2005, servidores públicos que eram responsáveis pela compra de equipamentos sugeriram que uma empresa fornecedora fizesse “pagamento ou presente político” para o caixa de um partido político.

Promotorias da Suíça e da França investigam a empresa Alstom, suspeita de pagamento de propina a brasileiros. Os contratos sob investigação são do Metrô de São Paulo e da usina hidrelétrica de Itá, na fronteira entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Reportagem publicada pelo Wall Street Journal revelou que a empresa teria pago US$ 6,8 milhões a políticos para ganhar uma licitação de US 45 milhões do Metrô paulista. “Uma companhia deixou entender que tinha esse pagamento político. Mas não posso confirmar oficialmente que foi Alstom”, disse Pieth ao Valor.

Os investigadores suíços e franceses têm em mãos os nomes de pelo menos seis pessoas envolvidas no caso de suborno ao Metrô. O Ministério Público Estadual aguarda os documentos da investigação. A Polícia Federal investiga a transferência de dinheiro pela Alstom e prestadores de serviços e fornecedores de equipamentos para a empresa em contratos no Brasil. Essa verba seria utilizada para pagar as “facilitações” e comissões a políticos.

São mais de 30 os contratos da Alstom no Estado de São Paulo. Além do Metrô, há negócios com a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), a Dersa, a Sabesp e várias empresas do setor elétrico, como CTEEP e Cesp.

O Metrô criou uma comissão de sindicância para apurar as denúncias de propina paga pela Alstom. O grupo é coordenado pelo gerente de Recusos Humanos Fábio José do Nascimento. Também está sendo elaborado um relatório detalhado dos contratos entre o Metrô e a Alstom, a partir de 1992, para ser entregue ao Ministério Público.

O Banco Mundial calcula que a corrupção em todo o mundo gire verba em torno de US$ 1 trilhão por ano. De acordo com Mark Pieth, os setores mais envolvidos nesses esquemas são os de armamento e de defesa, mas também é grande a participação da construção civil.