04/01/2009 - 10:37h Proposta árabe de paz é melhor solução

 Las víctimas de la guerraExtinción de los incendios

Turki al-Faisal*, The Washington Post - O Estado de São Paulo

O presidente eleito dos EUA, Barack Obama, herdará dentro em breve não apenas uma nação refém de duas guerras, mas um mundo de instabilidade e todo o Oriente Médio mergulhado na discórdia. Embora os conflitos na região pareçam eternos, há razões para certo otimismo. Se Obama se unir às forças da paz e da estabilidade e agir de maneira corajosa, sua presidência terá um forte impacto no panorama internacional.

O melhor remédio já formulado para a disputa palestino-israelense é a iniciativa de paz árabe de 2002. A perspectiva de “paz” deve ser analisada em relação ao seu contexto.

Em maio, Israel comemorou o 60º aniversário de sua criação. Para os palestinos e seus irmãos árabes e muçulmanos, a fundação de Israel é “al-Naqba” ou “a catástrofe”. É o dia em que o sonho de um Estado palestino se despedaçou; o dia em que a ideia de um mundo com base na igualdade, na liberdade e na autodeterminação morreu.

Há um consenso universal segundo o qual o povo palestino vive sob ocupação e foi privado de sua terra. É indiscutível que seus direitos - derivados de textos inspirados em fontes divinas, do direito internacional e dos princípios básicos da justiça e da equidade - foram ignorados, assim como todas as tentativas de buscar uma reparação.

Os Acordos de Oslo de 1993, o primeiro pacto direto entre palestinos e israelenses, assinalaram um marco histórico. Na época, existiu um verdadeiro espírito de cooperação, expresso pelo desejo de israelenses e palestinos de viver juntos em paz. O assassinato de Yitzhak Rabin, em 1995, acabou tragicamente com essa esperança.

Em 1998, ficou evidente que a paz prefigurada em Oslo não se concretizaria. Cada uma das partes defende suas razões ao explicar o fracasso. Mas analisando as discussões parece que os israelenses usaram Oslo como justificativa para se apropriar de mais terras palestinas, principalmente ao redor de Jerusalém. Os negociadores israelenses discutiram obstinadamente os problemas secundários, recusando-se a negociar as questões relativas ao status final, a questão fundamental para uma paz duradoura e segura.

O mundo árabe apresentou duas propostas claras, o plano de paz de Fahd, de 1981, e a iniciativa de paz árabe de 2002. Ambos tinham o endosso de todas as nações árabes. O mundo árabe estava disposto a pagar um preço elevado pela paz, não apenas reconhecendo Israel como um Estado legítimo, como normalizando as relações e pondo um fim às hostilidades que existem desde 1948.

Em troca, pedia a Israel que seguisse o curso estabelecido pelas resoluções e pelas leis internacionais, retirando-se completamente dos territórios ocupados em 1967, o que inclui o lado leste de Jerusalém; aceitando uma solução justa do problema dos refugiados palestinos; e reconhecendo o Estado independente da Palestina, com Jerusalém Oriental como sua capital.

Se a paz for o verdadeiro objetivo, Israel deverá cessar toda provocação, como persistir na construção de assentamentos em território palestino, que constitui uma clara violação da lei internacional. Se não fizer isto, o mundo concluirá, como o ex-presidente Jimmy Carter, que Israel está interessado apenas em aumentar seu poder e sua posição de barganha.

Shimon Peres ofereceu-se para discutir a iniciativa de paz árabe a qualquer momento e nós aplaudimos sua resposta. Atualmente, o governo saudita não pode manter conversações diretas com Israel, portanto Egito e Jordânia foram autorizados a reunir-se com Israel em nome do mundo árabe. Assim que forem conseguidos acordos entre palestinos, Líbano, Síria e Israel, a Arábia Saudita se dedicará ao fim das hostilidades e ao estabelecimento de relações diplomáticas com Israel.

A paz exigirá esforços mundiais. Os EUA, a União Europeia, a Federação Russa e a ONU deverão abraçar as iniciativas árabes e pressionar Israel a fazer o mesmo. Depois de tomar posse, Obama não poderá perder a ocasião crucial para conduzir a região rumo à paz empreendendo uma política abrangente para tratar de todos os pontos críticos do Oriente Médio. Para tanto, deveria:

pedir a retirada imediata das forças israelenses das Fazendas de Sheba no Líbano. Isso acabaria com o arsenal da propaganda do Hezbollah e reduziria a interferência da Síria e do Irã no Líbano;

colaborar com o Conselho de Segurança da ONU para uma resolução que garanta a integridade territorial do Iraque. Isto esfriaria as ambições dos políticos iraquianos de desmembrar o país e os obrigaria a negociar uma reconciliação nacional, colocando os interesses iraquianos acima dos interesses de árabes, curdos, xiitas ou sunitas. Além disso acabaria com as ambições econômicas ou territoriais que os vizinhos podem estar avaliando;

encorajar negociações de paz sírio-israelenses, o que envolveria a Síria e reduziria a intervenção iraniana. Também obrigaria os grupos palestinos na Síria a seguir o exemplo sírio;

declarar a intenção dos EUA de trabalhar por um Oriente Médio sem armas de destruição em massa, com um sistema de segurança abrangente e outros incentivos para os países que o assinassem, e um regime de sanções para os que não o assinassem. Isso acabaria com a questão das duas normas usadas pelo governo iraniano para angariar apoio entre seu povo para sua política nuclear.

A estabilização da situação no Oriente Médio exigirá paciência, determinação, uma diplomacia firme e empatia. Mas o resultado desses esforços valerá a pena. Como disse a diplomata indiana Vijaya Laskshmi Nehru Pandit: “Quanto mais suamos pela paz, menos sangramos na guerra.”

*Turki al-Faisal é filho do falecido rei Faisal da Arábia Saudita e diretor do Centro Rei Faisal para Pesquisa e Estudos Islâmicos

19/09/2008 - 11:10h Pnad: Emprego formal cresce para 35,7%

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Índice de trabalhadores com registro em carteira é o maior da série histórica da pesquisa, iniciada em 1992

Jacqueline Farid, O Estado SP

O recorde no índice de formalidade foi o destaque do mercado de trabalho no País em 2007 - ano em que se manteve a evolução positiva do emprego, com queda na taxa de desocupação e alta no rendimento dos trabalhadores. Segundo dados da Pnad, o porcentual de trabalhadores com carteira assinada no total de ocupados chegou a 35,7%, ante 34,3% em 2006. Esse é o maior nível da série histórica da pesquisa, iniciada em 1992. Apesar dos avanços, 8,1 milhões de pessoas ainda estavam desempregadas no País.

O gerente da pesquisa mensal de emprego do IBGE, Cimar Azeredo, destacou que o aumento das ocupações formais já vinha sendo revelado nas principais regiões metropolitanas - a coleta de dados do instituto é feita em seis delas - e a Pnad mostra que o fenômeno é nacional. O levantamento divulgado ontem indica que, entre 2006 e 2007, o número de trabalhadores com carteira assinada cresceu 6,1% no País, com destaque para a Região Nordeste, onde a alta foi de 8,5%.

No que diz respeito aos empregados sem carteira, houve, no total do País, uma queda de 0,7% de 2006 para 2007. Os analistas da Pnad ressaltaram que o contingente de 20,6 milhões de trabalhadores sem registro “ainda é elevado”.

CAUSAS

O economista-chefe da consultoria MB Associados, Sérgio Vale, avalia que os principais fatores que têm elevado a formalidade são a segurança de um crescimento mais sólido da economia, o aumento da fiscalização e, sobretudo, a iniciativa de empresas de registrar em carteira a mão-de-obra para ter acesso a linhas de crédito para investimentos.

A gerente da Pnad, Maria Lúcia Vieira, afirmou que o aumento da formalização foi puxado especialmente pelo ganho de vagas na indústria, o segmento do mercado de trabalho que mais contrata com carteira assinada. A exemplo de Vale, ela citou o aumento da fiscalização do Ministério do Trabalho como um motivo para o crescimento.

Mas para Fabio Romão, da LCA Consultores, a fiscalização teve pouca influência no fenômeno. Segundo ele, o número de trabalhadores com carteira está crescendo acima da média dos ocupados porque há evolução sustentável da economia no País, aumento da confiança dos empresários e expansão do mercado interno e dos investimentos.

Assim como Vale, Romão cita o aumento da formalização na construção civil como um dos motivos para o acréscimo nas contratações com carteira. Ele lembrou que muitas empresas de construção abriram o capital em 2007 e, para isso, tiveram de garantir a formalidade da mão-de-obra.

A Pnad mostrou também aumento de 1,6% no número de pessoas ocupadas no País, que totalizaram 90,8 milhões de trabalhadores em 2007. Houve pequeno recuo no nível de ocupação (parcela de pessoas ocupadas no total da população acima de 10 anos), para 57%, ante 57,2% no ano anterior. Mas, segundo a gerente da Pnad, a queda ocorreu “onde tinha que acontecer”, ou seja, nas faixas etárias entre 10 e 14 anos e acima dos 50 anos. De acordo com Maria Lúcia, o nível de ocupação mostra tendência de elevação desde 1996 e essa perspectiva não foi revertida no ano passado.

DESEMPREGO

Os dados do desemprego na Pnad também mostraram leve melhora em 2007. A taxa de desocupação recuou para 8,2%, ante 8,5% no ano anterior. O número total de 8,1 milhões de pessoas que estavam sem emprego e em busca de trabalho apurado pela Pnad representa uma queda de 1,8% ante o ano anterior.

O desemprego apresenta recuos sucessivos desde 2004, mas ainda está em patamar superior a 1997, quando a taxa era de 7,8%. No início da série da pesquisa, em 1992, a taxa de desemprego era ainda menor, de 6,5%.

Para Romão, da LCA, o desemprego não caiu mais porque pessoas que tinham desistido de procurar trabalho voltaram ao mercado, entusiasmadas com o aquecimento da economia. Ele afirmou que as maiores quedas na taxa estão ocorrendo em 2008 e serão captadas pela próxima Pnad.

09/09/2008 - 12:18h Emprego industrial tem a maior alta mensal desde 2004. Renda do trabalhador sobe e uso da capacidade industrial é recorde

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Em julho, o emprego teve crescimento de 0,7% ante o mês anterior. Renda tem 3º mês de alta

Agencia Estado


O emprego industrial teve o maior crescimento mensal desde maio de 2004. Com o ajuste sazonal - que leva em consideração os efeitos temporais -, o crescimento foi de 0,7% em julho ante junho, segundo os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em maio de 2004, a alta havia sido de 1,0%. Ante julho de 2007, a ocupação na indústria cresceu 2,8% e acumula no ano alta também de 2,8% e em 12 meses, de 2,9%.

O IBGE informou ainda que, ante julho de 2007, o número de trabalhadores aumentou em 11 das 14 áreas investigadas, com destaque para São Paulo (4,3%), Minas Gerais (6,6%) e regiões Norte e Centro-Oeste (2,8%). Por outro lado, foram observadas reduções em Pernambuco (-4,4%), Santa Catarina (-1,1%) e região Nordeste (-0,3%).Em nível nacional, o pessoal ocupado aumentou, ante julho do ano passado, em 13 dos 18 setores, com máquinas e equipamentos (12,3%), meios de transporte (9,6%), máquinas, aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (11,6%) e produtos químicos (11,1%) respondendo pelos impactos positivos mais importantes. Na direção contrária, as contribuições negativas mais significativas vieram de calçados e artigos de couro (-9,8%), vestuário (-4,7%), têxtil (-6,2%) e madeira (-8,2%).

Renda

Já o valor da folha de pagamento real dos trabalhadores da indústria aumentou 1,3% em julho ante junho, também na série com ajuste sazonal. Este é o terceiro mês consecutivo de aumento ante mês anterior. Nos confrontos com iguais períodos do ano anterior, os resultados continuaram positivos: 6,9% em julho; 6,6% no acumulado de janeiro a julho e 6,4% em 12 meses.

Com atividade aquecida, uso da capacidade industrial é recorde

Segundo dados da CNI, faturamento real do setor registra expansão de 13,2% no mês de julho e de 9% no ano

Fabio Graner, da Agência Estado


BRASÍLIA - O aquecimento da atividade industrial nos últimos meses tem se refletido na maior utilização da capacidade instalada do País. Em julho, esse índice atingiu 83,5%, o maior nível da série histórica, segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Em julho do ano passado, a utilização da capacidade instalada estava em 82,5%.

Já o faturamento real da indústria de transformação cresceu 13,2% em julho, ante o mesmo mês de 2007. Na comparação com junho, já com o ajuste sazonal, a alta foi de 0,2%. De janeiro a julho, o faturamento real teve expansão de 9%, em relação a igual período do ano passado.As horas trabalhadas na indústria tiveram alta de 0,5% em julho, ante junho, pelo critério dessazonalizado. Sem o ajuste sazonal, a alta foi de 2,7%. Na comparação com julho de 2007, as horas trabalhadas subiram 7,2%. No acumulado do ano, tiveram expansão de 6,1%.

O emprego na indústria, por sua vez, subiu 0,6% em julho, ante junho, com ajuste sazonal. Sem ajuste, a alta foi também de 0,6%. Na comparação com igual mês de 2007, o emprego subiu 4,4%, mesmo índice do acumulado do ano.

A massa salarial real subiu 3,5% em julho, ante junho. Esse indicador foi divulgado sem ajuste sazonal. Na comparação com julho de 2007, a alta da massa salarial foi de 5,7% e no acumulado do ano, 5,6%.

“A atividade industrial em julho segue em forte trajetória de expansão. O crescimento da atividade industrial em julho é especialmente relevante por ocorrer sobre uma base de comparação muito alta”, diz o relatório da CNI.

04/09/2008 - 11:06h Emprego cresce 15% na construção e setor antecipa contratações

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(…) Em 2007, foram criadas 176 mil novas vagas - o dobro da média dos anos anteriores - e que representou 11% do total de empregos formais abertos no Brasil naquele ano. Em 2008, apenas até julho, já foram 232 mil novas vagas na construção civil, alta de 15% em relação ao estoque total de empregos formais existentes no setor em dezembro do ano passado. E o ritmo de 15% foi três vezes superior ao de geração de vagas em toda a economia brasileira, que ficou em 5,4% até julho.

Antes do aquecimento do setor, a disponibilidade de mão-de-obra possibilitava às empresas recrutarem seus funcionários um mês antes do início das construções. Hoje, já há companhias iniciando o processo de contratação de pessoal com seis meses de antecedência para assegurar a disponibilidade de mão-de-obra e para dar mais tempo para a capacitação. (…).

Quadro e fonte jornal Valor, artigo de Samantha Maia “Emprego cresce 15% na construção e setor antecipa contratações” (leia a integra no Valor)

12/08/2008 - 09:15h Indústria tem alta recorde de 2,7% no emprego

Crescimento no primeiro semestre é o maior para o período desde o início da série histórica, em 2002

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Jacqueline Farid - O Estado de São Paulo

O bom desempenho da indústria provocou um crescimento recorde na ocupação do setor no primeiro semestre deste ano. Dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam aumento de 2,7% no emprego industrial no primeiro semestre, a maior expansão para o período desde o início da série histórica da pesquisa, em 2002. A folha de pagamento real subiu 6,5%, o que foi considerado praticamente estabilização do desempenho, uma vez que o setor vem apresentando taxas semelhantes de crescimento nos últimos meses.

Em junho, o emprego industrial cresceu 0,5% em relação a maio, e na comparação com igual mês do ano passado a alta foi de 2,5%, com a contribuição principal do mercado de trabalho de São Paulo e Minas Gerais. Segundo a economista da coordenação de indústria do instituto, Isabella Nunes, o número de vagas já cresce há 24 meses seguidos, comparado com o mesmo mês do ano anterior, o que confirma um cenário de expansão “consistente” da ocupação do setor.

Para Isabella, os resultados do mercado de trabalho ainda não refletiram a aceleração de junho. O aumento da atividade industrial só vai rebater no emprego se for confirmado como tendência e, mesmo assim, em cerca de três meses.

Ariadne Vitoriano, da Tendências Consultoria, avalia que a pesquisa de junho “mostrou evolução favorável do emprego no setor, em linha com a expansão da produção industrial”. Segundo ela, houve um bom desempenho no emprego industrial no primeiro semestre, que acompanha a expansão de 6,3% da produção física no período.

Isabella diz que os bons resultados do emprego estão sendo puxados exatamente por segmentos que se destacam no nível de atividade, como máquinas e equipamentos (alta de 12,6% no primeiro semestre), material de transporte (10,8%) e produtos eletroeletrônicos e de comunicações (12,9%).

Os segmentos que empregam mais mão-de-obra, como calçados (-11,1% no primeiro semestre), vestuário (-5%) e têxtil (-5,4%) prosseguiram com resultados negativos no primeiro semestre, o que impede um crescimento ainda mais vigoroso do emprego industrial.

O consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) e ex-secretário de política econômica do Ministério da Fazenda, Julio Sérgio Gomes de Almeida, lembra que esses setores com emprego em queda são os que mais sofrem com a valorização cambial. Apesar da influência negativa desses segmentos, Isabella observou que “cerca de 70% da indústria está em crescimento no emprego”.

Entre as regiões pesquisadas pelo IBGE, São Paulo, que lidera a atividade industrial, também está puxando os resultados do emprego. A região mostrou uma alta na ocupação de 3,6% em junho ante igual mês do ano passado e, como tem maior peso na pesquisa, foi destaque entre as expansões, junto com Minas Gerais (5,3%). No primeiro semestre, a ocupação industrial em São Paulo cresceu 4,1% e a de Minas Gerais, 3,7%.

24/07/2008 - 12:13h IBGE: 17% de desempregados a menos em um ano e aumento da renda real do trabalhador

Desemprego no Brasil no 1º semestre é o menor desde 2003

Emprego com carteira sobe para 58% nas seis principais regiões metropolitanas e também bate recorde

Jacqueline Farid, da Agência Estado

RIO DE JANEIRO - A taxa média de desemprego no primeiro semestre de 2008 ficou em 8,3%, a menor apurada na nova série histórica da pesquisa mensal de emprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), iniciada em 2002. Porém, não há dados fechados do primeiro semestre para 2002 porque houve problemas nos resultados da pesquisa no primeiro bimestre daquele ano.Nos anos da nova série, os resultados para o primeiro semestre foram os seguintes: 2003 (12,2%); 2004 (12,3%); 2005 (10,3%); 2006 (10,1%) e 2007 (9,9%). As informações foram divulgadas nesta quinta-feira, 24, pelo IBGE.O índice de formalização do mercado de trabalho também foi recorde nas seis principais regiões metropolitanas do País no primeiro semestre de 2008. A participação dos trabalhadores formais (com carteira assinada e funcionários públicos) no total dos ocupados nas seis regiões subiu de 56% no primeiro semestre de 2007 para 58% em igual período de 2008.

Segundo o gerente da pesquisa, Cimar Azeredo, o nível de ocupação (porcentual de ocupados em relação à população de 10 anos ou mais de idade) de 52% no primeiro semestre deste ano também é o maior desde o início da nova série histórica da pesquisa, em 2002.

No mês de junho, a taxa de desocupação no país atingiu 7,8%, ante 7,9% em maio. A taxa ficou dentro do intervalo das expectativas dos analistas ouvidos pela Agência Estado, que variavam de 7,50% a 8%, com mediana em 7,70%.

Para Azeredo, os resultados do primeiro semestre confirmam que a taxa de desemprego total deste ano deverá ser menor do que a registrada no ano passado (9,3%). “Isso mostra que a procura por uma vaga tem sido atendida com mais freqüência em 2008, não temos bola de cristal, mas a situação tem que piorar muito para que este ano feche com uma taxa menor que no ano passado. Historicamente, a tendência é que o segundo semestre apresente taxas menores”, disse.

O número de ocupados nas seis principais regiões metropolitanas do País somou 21,7 milhões em junho, com aumento de 1,1% ante maio e de 4,5% na comparação com junho do ano passado. Foram geradas 932 mil vagas em um ano nas seis regiões.

Já o número de desocupados (sem trabalho e procurando emprego) chegou a 1,84 milhão, com aumento de 0,2% ante maio, mas apresentando forte recuo (-17%) na comparação com junho de 2007.

A pesquisa do instituto revelou também que, em junho, houve aumento no número de empregados com carteira assinada (0,5% ante maio e 9,5% ante junho de 2007) e alta também nos ocupados sem carteira (2,7% ante o mês anterior e 0,1% ante igual mês do ano passado).

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08/05/2008 - 12:56h Escritor diz que Israel é ‘anormal e sem limites’

Guila Flint

De Tel Aviv para a BBC Brasil

Comemorações dos 60 anos de Israel

Escritor diz que país, que celebra 60 anos, está em conflito permanente

O escritor israelense Sefi Rachlevsky defende em seu livro No Limit (Sem Limites) a idéia de que o Estado de Israel e sua sociedade têm um caráter “anormal”, em comparação com outros países.

“O que aconteceu aqui é uma verdadeira tragédia. A maioria dos imigrantes que vieram para cá, principalmente depois da Segunda Guerra Mundial e do Holocausto, queria viver em um país tranqüilo, normal e secular”, disse Rachlevsky, em entrevista à BBC Brasil.

Mas, para o escritor, Israel, que completa 60 anos de existência nesta quinta-feira, está em conflito permanente com seus vizinhos e não é tranqüilo, normal ou secular. Rachlevsky diz que Israel é um país “sem limites”.

“Uma das questões básicas que demonstram a falta de limites é a interferência da religião nas questões do Estado, em muitos aspectos Israel é uma teocracia.”

“Imagine que Israel é o único país do mundo onde um judeu não pode se casar com uma pessoa não judia, aqui não temos casamento civil, só religioso”, afirma. “Não temos uma Constituição que possa traçar os limites entre o Estado e a religião.”

“Problemas de personalidade”

Rachlevsky usa instrumentos da psicologia para analisar o impacto da ausência de limites sobre a sociedade israelense.

“Uma criança criada sem limites terá problemas sérios no desenvolvimento de sua personalidade”, diz. “São os limites que possibilitam o desenvolvimento de uma personalidade saudável e a capacidade de raciocínio e até de memória.”

“Sem limites se cria uma situação cognitiva difusa e dificuldades de desenvolver um pensamento conceitual, uma diferenciação entre a vontade e a realidade, uma lógica organizadora.”

Para Rachlevsky a ausência de limites é a chave para entender Israel, tanto sob o aspecto do conflito com o mundo árabe como fenômenos internos observados na sociedade israelense.

Sefi Rachlevsky nasceu em 1966, um ano antes da Guerra de 1967, quando Israel ocupou os territórios palestinos da Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental, as colinas do Golã da Síria e o deserto do Sinai, do Egito.

Embora não tenha lembranças diretas dos primeiros 19 anos de Israel, antes da ocupação de 67, o escritor expressa uma certa nostalgia por aquele período.

“Aquela foi a primavera de Israel”, lembra. “Naquela época a sociedade israelense estava começando a consolidar uma certa normalidade, mas a ocupação destruiu esse processo, desde então não temos mais limites.”

De acordo com a análise do escritor, a falta de limites cria a violência, que se volta tanto para fora como para dentro da própria sociedade israelense.

“Nos primeiros anos do Estado havia uma solidariedade interna, as pessoas podiam deixar as portas de suas casas abertas, se alguém caísse na rua muitos corriam para socorrê-lo.”

Jimmy Carter

Rachlevsky também menciona uma ausência de limites morais e de parâmetros de conduta. “Veja como o governo de Israel tratou o ex-presidente americano Jimmy Carter, em sua última visita (em abril).”

“Nenhum país do mundo trataria Carter com tanta grosseria. Olmert se recusou a encontrá-lo e até os serviços de segurança se negaram a colaborar com os agentes americanos que o acompanhavam.”

O governo israelense criticou o livro que Carter escreveu, no qual acusou Israel de conduzir um regime de apartheid em relação aos palestinos.

Outro tema que despertou a indignação de Israel foram os encontros de Carter com líderes do Hamas, e o resultado foi o boicote do ex-presidente americano durante sua visita ao país.

Mas para Rachlevsky “isso não se faz”. “Não é só uma Constituição que falta em Israel, faltam normas de conduta, uma noção do que se faz e do que não se faz.”

“Carter intermediou o acordo de paz entre Israel e o Egito (em 1979), o maior país árabe, e Israel deveria agradecer e tratá-lo com a gentileza que ele merece, embora não concorde com suas posições atuais.”

Rachlevsky considera a colonização israelense nos territórios ocupados um dos efeitos mais significativos do caráter “sem limites” de Israel.

“Como pode um Estado enviar seus cidadãos para morar fora de suas fronteiras e depois lutar contra o próprio Estado e minar o próprio conceito de Estado?”, pergunta.

O escritor manifesta preocupação com a própria capacidade de Israel de continuar existindo e afirma que a ausência de limites pode destruir Israel “tanto por fora como por dentro”.

“Se Israel quer sobreviver vai ter que começar tudo de novo, realizar uma mudança enorme, como começar do zero. Terá que estabelecer fronteiras físicas e políticas, princípios básicos de conduta para a sociedade e seus líderes, uma Constituição e construir um sistema de valores.”

06/05/2008 - 20:00h A felicidade sob a ocupação


Blog A Francesa de Mário Camera

Do lado de fora da Biblioteque Historique de la Ville de Paris (BHVP) caem gotas frias de uma primavera que não se esforça para chegar. Do lado de dentro, penduradas na parede, três jovens francesas sorriem para uma lente que já não existe mais. Bem vestidas e bem penteadas por trás de modernos óculos de 1943. O sol bate em seus rostos. Elas estão felizes e a França, ocupada pelos nazistas.
A mais polêmica exposição dos últimos tempos em Paris traz dezenas de fotos da capital feitas por André Zucca durante o período da ocupação (1940-1944). O que se vê é alegria, elegância e uma vida que parece ter sido inventada para uma bizarra colagem dentro de uma Europa sangrando por causa da Segunda Guerra Mundial.
Antes da ocupação, Zucca trabalhava para várias publicações, entre elas a Paris Match. Quando a França capitulou, ele foi “convocado” pelos nazistas para ser fotógrafo da Signal, publicação bimestral que circulava pelos países dominados pelo Terceiro Reich. A colaboração com o regime nazista é uma das acusações dos detratores da exposição. O que não se vê nas fotos de Zucca é a outra. Filas para comprar comida, execuções de resistentes, abrigos antiaéreos lotados não estão pendurados nas paredes da BHVL.

 

André Zucca/Divulgação Marie de Paris

A exposição “Des Parisiens sous l’occupation” está dividida por bairros e nenhuma das fotografias foi publicada na Signal. Entre as salas, aparecem cartazes de filmes franceses exibidos durante a ocupação. Não é difícil encontrar oficiais nazistas, com seus uniformes cinza, passeando durante o que parece ser um ensolarado domingo de primavera.
É estranho percorrer as ruas de Paris nas fotografias de Zucca. Os clichês contrastam ruas vazias e aglomerações estivais em torno do Sena. Enquanto uma velha judia caminha por uma quase deserta Rue de Rivoli portando uma estrela de David costurada na roupa, dezenas de pessoas se espremem em uma piscina montada na beira do rio.
Diante do bombardeio de críticas causado pela felicidade, o prefeito da capital, Bertrand Delanoe, decidiu entrar no jogo e cedeu, em parte.

 

André Zucca/Divulgação Marie de Paris

Os cartazes que promoviam a exposição foram retirados das ruas, o nome da mostra foi trocado e o visitante recebe um aviso antes de entrar na sala. Um texto traduzido em cinco idiomas explicando que o que se vê emoldurado é apenas uma parte da sociedade aproveitando os anos de ocupação. As medidas só fizeram crescer a curiosidade pela mostra. A pequena BHVP estava lotada na última terça-feira.
Des Parisisiens sous l’occupation toca em um assunto sensível para os franceses. A colaboração com o regime nazista é um órfão inoportuno que passa de braço em braço, acompanhado de uma expressão clássica por aqui: “c’est pas ma faute”.

Quase no final da exposição, talvez adivinhando algo no meu olhar, um velho meio surdo, que tinha “16,17” anos durante a ocupação, me pergunta se eu entendo uma das fotos. Digo que estou tentando entender tudo aquilo e pergunto se existia aquela felicidade emoldurada. Ele não entende direito, não sei se por causa do meu francês ou por sua surdez. Mas diz: eu estou feliz. Acho que os estudantes deveriam ver isto. Eu concordo com ele.

Serviço:
“Des Parisiens sous l’occupation”
Bibliothèque historique de la Ville de Paris
22, rue Malher (4e)
Até 1 de julho.