31/01/2009 - 15:48h Brasil passa de vidraça a estilingue para os países ricos. Para empresários, país continua “sólido”

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ENVIADO ESPECIAL A DAVOS- FOLHA SP

José Sergio Gabrielli, o presidente da Petrobras, foi escolhido por seus pares das empresas do ramo para presidir a “Cúpula da Energia”, que faz anualmente seu encontro em Davos.
Passará, pois, a coordenar as reuniões do grupo, que conta com as grandes petrolíferas do planeta, estatais ou privadas.
A escolha de Gabrielli é uma óbvia homenagem à empresa que preside, especialmente em foco depois das descobertas no pré-sal. Mas é também um homenagem ao Brasil, que, neste ano, no encontro do Fórum Econômico Mundial, passou nitidamente da velha condição de vidraça para a de estilingue.
Tanto é assim que Ricardo Villela Marino, executivo-chefe para a América Latina do banco Itaú e eleito um dos jovens líderes globais deste ano pelo Fórum, estufou o peito para dizer que “o Brasil e os bancos brasileiros não são parte do problema, são parte da solução”, sendo o mal, como é óbvio, a crise.
Marino lembrou os “bilhões” despejados pelo mundo rico para evitar a quebra de seus bancos e emendou: “Nada disso aconteceu no Brasil”.
Logo depois, Gabrielli tomou a palavra para fazer outra comparação representativa da troca de vidraça por estilingue. Afirmou que não era só no setor bancário que o Brasil tinha algo a ensinar ao mundo rico. “Também em matéria de política fiscal sadia estamos melhor que os Estados Unidos” [cujo déficit cresce a cada hora].
O bordão “política fiscal sadia” foi usado pelo mundo rico anos a fio para passar sermões em empresários e autoridades brasileiros. Que Gabrielli o use agora tem sabor de vingança.
Na sua vez, o chanceler Celso Amorim lembrou, por exemplo, dos US$ 20 bilhões que as empresas brasileiras investiram no exterior, quando, em anos anteriores, empresários e autoridades brasileiras usavam Davos para uma espécie de passada de chapéu, implorando por investimentos externos.
O próprio tema do almoço já era uma homenagem ao Brasil, ao tratá-lo como “new power broker”, um mediador internacional de peso, em tradução livre. Claro que é preciso alguma ginástica para evitar pessimismo ou números negativos. Pouco antes do almoço, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, havia clamado pela retomada dos créditos por parte do sistema financeiro, “no mundo todo”.
Villela Marino, do Itaú, preferiu desconversar. Afirmou que “o crédito não desapareceu; apenas ficou mais focado e mais seletivo”. À Folha, depois da sobremesa, contou que continua havendo aumento dos empréstimos no Brasil, mas que a curva é bem inferior à anterior à crise, até setembro.
“O crédito tornou-se mais escasso e mais caro, mas continua crescendo”, afirmou.
O moderador do almoço, David Schlesinger, editor-chefe da agência Thomson-Reuters, introduziu uma provocação, ao perguntar a Amorim se o fato de o presidente Lula ter preferido ir ao Fórum Social Mundial, em Belém, em vez de Davos, era um “manifesto”.
Amorim, como é óbvio, disse que não, lembrando que Lula, em seus seis anos de mandato, esteve já três vezes em Davos. Brincou: “O problema é que a demanda por Lula é maior que a oferta de Lulas”. (CR)
Para empresários, país continua “sólido”

MARIA CRISTINA FRIAS
ENVIADA ESPECIAL A DAVOS

O Brasil e outros países emergentes devem ser os primeiros a sair da crise, dizem participantes do Fórum Econômico Mundial.
O presidente da Braskem, Bernardo Gradin, disse ontem acreditar que o país deva sair mais rapidamente da crise, tão logo a liquidez volte aos mercados, em razão de seus bons fundamentos. “Temos bancos sólidos, líquidos e sem ativos podres; grandes empresas também estão capitalizadas. Se éramos competitivos com dólar a R$ 1,50, mais ainda agora. Mas o pior ainda pode vir e devemos estar preparados caso o fundo do poço não tenha chegado.”
Mike Kubena, executivo da PriceWaterhouseCoopers baseado na República Tcheca, focado em mercados emergentes, também é da opinião de que mesmo os emergentes muito dependentes de commodities, como o Brasil, serão os primeiros a se recuperar, tão logo a liquidez melhore. De um lado, graças à sua flexibilidade e capacidade de se adaptar a muitas crises e, de outro, por não ter problemas no sistema financeiro e, sim, bons fundamentos.
“Esta crise não é dos emergentes”, disse, repercutindo uma frase comum entre palestrantes de países como Índia e África do Sul.
O secretário da Fazenda do Rio de Janeiro, Joaquim Levy, secretário do Tesouro na equipe do ex-ministro Antonio Palocci, por sua vez, disse que deverá haver uma sincronia na melhora dos países. “O mais provável é que os efeitos sejam menores no Brasil, mas é difícil não haver um certo sincronismo. Em vez de crescer 6%, cresceremos 3%, talvez, mas cresceremos”, afirmou.
“O Brasil tem sido visto aqui em Davos, é arriscado dizer, como um oásis, o que não é. Mas tem sido considerado um país onde as oportunidades são maiores que os problemas”, disse Gradin, depois de participar de sessão sobre o Brasil.
Um ponto a favor do país, comentado no encontro por mais de um participante, é a combinação do crescimento da renda familiar do país, sem alavancagem, e de programas sociais, como o Bolsa Família.
Brasileiros presentes em Davos compartilham o temor geral de que países se fechem em medidas protecionistas.
Mesmo assim, o painel sobre o Brasil foi repleto de otimismo da parte dos brasileiros. “As sessões sobre o Brasil tinham sempre como título algo que o evocasse como o país do futuro, e agora somos o “novo poder”. O país tem um papel na economia global”, disse Luiz Fernando Furlan, presidente do Conselho de Administração da Sadia.
Para ele, a queda da atividade será assimétrica. “Acabamos de ouvir neste painel que as vendas de Coca-Cola estão normais agora em janeiro, assim como as nossas. No mês passado, a Sadia teve recorde de vendas para meses de dezembro.”
Já Sérgio Fogel, membro do Conselho de Administração da Odebrecht S.A., disse que, apesar de o Brasil estar relativamente bem, “não devemos nos iludir”. “É preocupante ficarmos só entoando loas a nós mesmos. Seria bom aproveitar esse momento para avançar nas grandes reformas de que o país precisa.”

10/11/2008 - 13:42h Fim de festa

Gestão Maluf-Pitta tem de devolver R$ 160 mi para Prefeitura

Decisão do STJ mantém a condenação de gestores públicos, CBPO, Odebrecht e Cliba por irregularidades

Eduardo Reina, de O Estado de S.Paulo

SÃO PAUILO – O Superior Tribunal de Justiça (STJ), em última instância, mantém a decisão do Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo de condenar as empresas CBPO, Odebrecht e Cliba, ex-diretores do Departamento de Limpeza Urbana (Limpurb) e um ex-secretário municipal a devolverem cerca de R$ 160 milhões aos cofres de São Paulo por irregularidades nos contratos de limpeza pública nas gestões de Paulo Maluf e Celso Pitta. O dinheiro é referente ao prejuízo causado com a antecipação das datas de pagamento e dos reajustes do contrato, assinado em 1995.

As três empresas foram multadas e ficam proibidas de firmar contratos com o poder público por cinco anos. Além das contratadas, o ex-secretário municipal de Serviços Alfredo Mário Savelli, os ex-diretores do Limpurb José Reis da Silva, Paulo Gomes Machado, Carlos Alberto Venturelli e o diretor interino na época Afonso Celso Teixeira de Moraes foram citados na sentença.

A decisão da Justiça, apesar de ter sido assinada em agosto, ainda não foi publicada no Diário Oficial, percurso necessário para valer. A publicação é prevista para as próximas semanas, segundo o STJ. As irregularidades cometidas durante o contrato caracterizam improbidade administrativa, pois, segundo ação do Ministério Público Estadual, desrespeitou a Lei de Licitações Públicas, que limita o valor dos aditamentos em 25% do contrato original. Os réus são acusados de enriquecimento.

O contrato foi assinado em abril de 1995, na gestão Maluf, com valor de R$ 82 milhões. Seis meses depois, o primeiro reajuste o elevou para R$ 101 milhões. Na gestão Pitta, outros 14 aditamentos foram efetuados, subindo o valor para R$ 162 milhões, diferença de quase 100% do custo original.

O TJ aceitou a denúncia em 1999 e considerou que os aumentos eram irregulares e que houve improbidade administrativa dos ex-diretores da Prefeitura. Os aditivos estavam em total desconformidade com o edital, extrapolando o limite da Lei de Licitações. Os acusados recorreram e perderam.

No STJ, a ministra Eliana Calmon negou todos os recursos. Ela observou que as empresas foram contempladas com série de benefícios, como pagamentos antecipados, feitos a cada dez dias, em vez de mensais. Para a ministra, tudo isso provocou uma série de transtornos para a administração pública.

No mesmo tribunal e no TJ tramitam ainda outros seis processos idênticos, envolvendo outras empresas que prestaram serviço de varrição de ruas e coleta de lixo na capital. Apesar das condenações, as empresas continuaram a celebrar contratos com o poder público amparadas por uma liminar obtida em Brasília.

05/05/2008 - 10:20h Aquecido, setor de construção civil lidera criação de vagas

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Trabalhadores atuam em obra da construção civil em Brasília (Foto: Roberto Fleury/UnB Agência)

VALOR

O setor de construção civil liderou a criação de vagas com carteira assinada no país no primeiro trimestre de 2008, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Do saldo de 554,4 mil postos de trabalho registrados no país entre janeiro e março, 99,6 mil foram no setor da construção. O número é 189% superior às vagas criadas no primeiro trimestre de 2007. Com o crescimento explosivo, o setor passou a responder por 18% da abertura de vagas de emprego formais no país, ante 8,6% no mesmo intervalo do ano passado.

“A indústria de construção pesada está muito aquecida. Só para as obras no Rio Madeira serão contratadas 9 mil pessoas”, diz Paulo Lacerda de Melo, vice-presidente de engenharia da Construtora Norberto Odebrecht, que atualmente conta com 51 mil funcionários. Antonio de Sousa Ramalho, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil de São Paulo (Sintracon-SP) estima que no total as obras das duas hidrelétricas do Madeira exigirão a contratação de 31 mil profissionais da construção civil neste ano e em 2009. Para a construção do novo porto em Peruíbe (SP), serão necessários outros 30 mil operários. A expectativa é de que o setor registre um crescimento de 10,2% em 2008, considerando os investimentos já anunciados de R$ 180 bilhões em novos projetos, dos quais 45% são de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). “Existe uma falta de 200 mil profissionais qualificados para o setor de construção civil no país”, diz Ramalho.

Com a demanda por empregados aquecida, o setor da construção ultrapassa a área agrícola na criação de vagas no país. De janeiro a março, o saldo de criação de empregos formais no campo foi de 48,7 mil, 3,6% abaixo do registrado no primeiro trimestre do ano passado. O resultado está associado ao aumento do grau de mecanização da colheita e do fato de a safra de cana-de-açúcar não ter sido antecipada neste ano, como ocorreu em 2007. Até março, o setor agrícola respondeu por 8,8% do saldo de empregos criados no país, quase quatro pontos percentuais abaixo da participação que tinha no ano passado.

Entre os setores que registraram maior incremento na criação de postos de trabalho está a indústria de transformação, que apresentou um aumento de 32,8%, totalizando 153 mil novas vagas. No trimestre, o setor respondeu por 27,6% do saldo de vagas criadas no país, participação pouco inferior aos 28,8% verificados no mesmo intervalo de 2007. “Os setores metalúrgico, de tecnologia da informação, construção naval e siderurgia são os que mais buscam profissionais com formação no mercado. Muitos deles pedem diariamente ajuda ao governo para que qualifiquem os trabalhadores. Em alguns casos, pode-se dizer que se vive um apagão de mão-de-obra qualificada”, afirma Ezequiel Nascimento, secretário de Políticas Públicas de Emprego do Ministério do Trabalho e Emprego.

Ricardo Amorim, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), observa que a indústria havia perdido espaço enquanto empregadora nos anos 80 e 90, voltando a recuperar participação mais expressiva nesta década. “O que se percebe, de 2007 para cá, é que a demanda por trabalhadores cresceu rapidamente. No ano passado faltou mão-de-obra especializada para determinadas áreas e neste ano esse quadro ainda deve se manter”, afirma. De acordo com estimativas do Ipea, os setores que apresentam maior número de vagas em aberto são a indústria química e petroquímica (com um déficit de 25,4 mil trabalhadores), de produtos de transporte (23,9 mil), de produtos mecânicos (21,4 mil) e de minerais metálicos (15,8 mil).

“A maior demanda hoje não atendida pelo mercado é por trabalhadores com formação técnica, resultado da falta mesmo de cursos profissionalizantes na rede de ensino pública”, avalia Deyse Gomes, diretora de educação e desenvolvimento de pessoas da Vale. Segundo Deyse, faltam técnicos nos diversos segmentos que compõem a cadeia siderúrgica. Nos últimos três anos, a empresa investiu na formação de 18 mil profissionais de nível técnico, dos quais 5 mil foram incorporados à companhia e o restante foi absorvido por outras empresas ligadas à Vale. “Foi a maneira que a empresa encontrou de garantir oferta de mão-de-obra qualificada para os projetos que realiza”, diz Deyse. Até 2012, a Vale estima criar 62 mil empregos diretos e outros 152 mil indiretos no país para a realização de seus projetos de expansão, sendo 7 mil vagas dentro da empresa neste ano. Para isso, a Vale está destinando parte do orçamento de R$ 59 bilhões na realização de cursos em parceria com universidades, Senai e Cefets para qualificar a mão-de-obra disponível.

No primeiro trimestre deste ano, apenas dois setores reduziram a sua participação na criação de novas vagas. O segmento de serviços registrou um incremento de 26,6% no total de postos de trabalho gerados no país, o equivalente a 233,8 mil. No período, o setor respondeu por 42,2% das novas contratações, 4 pontos percentuais abaixo do registrado nos três primeiros meses do ano passado.

O comércio também arrefeceu o seu ritmo de contratações neste ano. No trimestre, o número de novas vagas ampliou-se em 30,7%, gerando um saldo de 19,3 mil postos. No período – um dos mais fracos para o comércio varejista – , o setor respondeu por 3,5% da geração de postos de trabalho, ante 3,7% em igual intervalo do ano passado. (CB)

15/04/2008 - 03:52h Projetos bilionários mudam perfil da economia de PE

Suape vai gerar mais de 260 mil empregos até 2011

Cibelle Bouças – VALOR

Um conjunto de investimentos nas áreas petroquímica e logística superior a US$ 10 bilhões estimulará a interiorização e a diversificação do perfil industrial de Pernambuco nos próximos três anos. O Estado, que tem perfil industrial focado nas áreas têxtil, de alimento e metalurgia, recebe aportes na construção da refinaria Abreu e Lima, da Petroquímica Suape e no estaleiro Atlântico Sul – áreas com pouca ou nenhuma presença no Estado.

Juntos, esses projetos reforçarão a logística local e estimularão outros investimentos, disse o secretário de Desenvolvimento Econômico, Fernando Bezerra Coelho, durante o seminário “Pernambuco Novo: Cenários e Oportunidades para 2008″, promovido pelo Valor, em parceria com o governo do Estado.

“Pernambuco vive um momento importante, onde uma nova economia está se construindo”, afirmou o governador Eduardo Campos (PSB).

Parte das apostas concentra-se em Suape, que receberá R$ 1,2 bilhão em recursos públicos até 2010 para melhoria da infra-estrutura portuária. Segundo Bezerra, o governo do Estado aguarda autorização da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), neste ano, para a construção de um novo terminal, que terá capacidade para 10 milhões de toneladas por ano. Em 2007, o porto movimentou 7 milhões de toneladas de minério e a previsão é elevar esse volume para 9 milhões neste ano.

A meta é elevar a capacidade a 35 milhões de toneladas/ano, para escoar combustíveis da refinaria Abreu e Lima, fruto de parceria da Petrobras com a venezuelana PDVSA e que terá aporte de US$ 4 bilhões até 2010. De acordo com Paulo Roberto Costa, diretor de abastecimento da Petrobras, a refinaria processará 200 mil barris de petróleo por dia. O complexo também envolve investimento de US$ 657 milhões na Petroquímica Suape, com inauguração prevista para 2010. A empresa tem como sócios confirmados a Petrobras e a Companhia Integrada Têxtil do Nordeste. Segundo Costa, a entrada de novos sócios -e suas participações acionárias – será discutida hoje em Recife.

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Outro projeto anunciado é a construção do Estaleiro Atlântico Sul, investimento de US$ 5,8 bilhões para a construção de dez navios já encomendados pela Petrobras, disse Sérgio Machado, presidente da Transpetro.

Fora do complexo industrial de Suape, alguns setores ganham musculatura. É o caso da criação do pólo farmoquímico de Goiana, no litoral norte do Estado, que recebe investimentos de R$ 1,1 bilhão para a instalação de unidades dos grupos Hemobrás, Laboratório Farmacêutico do Estado de Pernambuco (Lafepe) e Novartis. Em Barreiros, Sul do Estado, o grupo espanhol Qualta investe ? 500 milhões em um complexo turístico. “Até junho, o governo deve fechar acordos para instalação de 25 empreendimentos, totalizando US$ 8,6 bilhões”, disse Bezerra.

Na área de fruticultura, estão previstos R$ 2 bilhões em um projeto de irrigação de 110 mil hectares em Petrolina e está em fase de negociação o projeto Canal do Sertão, de outros 140 mil hectares de irrigação, que terá aporte de US$ 4 bilhões. O projeto tem à frente os grupos Itochu, Petrobras, Odebrecht e Queiroz Galvão. “Estamos discutindo a criação de uma empresa de propósito específico (EPE) para a inclusão desse projeto no PAC”, disse Bezerra.

O avanço desses projetos dependerá da expansão da rede de gás. Ricardo Lamassa, assessor comercial da Copergás, disse que a empresa tem planos de investir R$ 600 milhões na expansão da rede de gasodutos em 880 quilômetros, e outros R$ 450 milhões na construção de terminal de gás natural liquefeito (GNL) para elevar a produção de gás dos atuais 1,1 milhão de metros cúbicos/dia para 6,5 milhões até 2015.

11/12/2007 - 17:42h Leilão desafia teses do mercado

Vista aérea da capital de Rondônia, às margens do Rio Madeira Foto: Wilson Dias/ABr

vista aérea Rondônia e rio Madeira

VINICIUS TORRES FREIRE

Folha de São Paulo


Preço baixo da eletricidade em usina do Madeira abala críticas ao novo modelo do setor e à presença estatal no negócio

O GOVERNO adultera leilões de concessão de serviços públicos, tem dito o mercado. Perverte as disputas por meio de estatais, que ofertariam preços baixos e irreais a fim manter o controle dos empreendimentos na mão do Estado e/ou obrigar as empresas privadas a aceitar rentabilidades baixas.

Como as empresas não podem nem devem perder dinheiro, tais limitações reduziriam o ânimo do investidor privado e, assim, a oferta futura do serviço de utilidade pública.

Bem, o preço espantosamente baixo da energia que será vendido pela usina de Santo Antônio vai obrigar os críticos a dar muitos tratos à bola a fim de remendar o, digamos, paradigma de suas queixas.

(mais…)

11/12/2007 - 17:33h Leilão desafia teses do mercado

Vista aérea da capital de Rondônia, às margens do Rio Madeira Foto: Wilson Dias/ABr

vista aérea Rondônia e rio Madeira

VINICIUS TORRES FREIRE

Folha de São Paulo


Preço baixo da eletricidade em usina do Madeira abala críticas ao novo modelo do setor e à presença estatal no negócio

O GOVERNO adultera leilões de concessão de serviços públicos, tem dito o mercado. Perverte as disputas por meio de estatais, que ofertariam preços baixos e irreais a fim manter o controle dos empreendimentos na mão do Estado e/ou obrigar as empresas privadas a aceitar rentabilidades baixas.

Como as empresas não podem nem devem perder dinheiro, tais limitações reduziriam o ânimo do investidor privado e, assim, a oferta futura do serviço de utilidade pública.

Bem, o preço espantosamente baixo da energia que será vendido pela usina de Santo Antônio vai obrigar os críticos a dar muitos tratos à bola a fim de remendar o, digamos, paradigma de suas queixas.

De fato, geradoras estatais de eletricidade certas vezes venderam energia a preços estranhamente baixos. Nos leilões mais recentes, em que o MWh foi vendido em torno de R$ 125, o mercado baixou o tom, mas ainda argumentava que estatais e normas oficiais continuavam a distorcer a formação de preços.

No mês passado, numa reunião do mercado com o governo, dizia-se que vender eletricidade a menos de R$ 116 por MWh seria inviável. Bem, o teto do preço da energia de quem pretendia ficar com a usina de Santo Antônio era R$ 122 (antes de se ouvir o TCU, era R$ 130). Faz um mês, as empresas concorrentes estimavam reservadamente que o vencedor daria um lance de R$ 100. Saiu por R$ 78,87 para a energia vendida no mercado regulado, “cativo” (nós e empresas que não negociam diretamente seus contratos no mercado livre, de grandes consumidores de energia). Os outros consórcios deram lances de R$ 98 e R$ 94, no nível de leilões de energia “velha” (de usinas já amortizadas etc).

O consórcio vencedor não rasga dinheiro, não é ingênuo nem junta uma chusma de ignorantes. Trata-se de duas das três maiores empreiteiras do país (Odebrecht e Andrade Gutierrez), a segunda e a sexta empresas de geração de energia (Furnas e Cemig) e um dos três maiores bancos privados, o Santander.

Um cidadão mais paranóico pode achar que se trata de um golpe futuro: ganha-se o leilão e, a seguir, arma-se um trambique qualquer a fim de baixar custos, elevar preços ou atrasar a usina. Tudo é possível, estamos no Brasil. Mas é difícil argumentar que o negócio seja ruim. Santo Antônio equivale a um quarto de Itaipu. Quem levou a usina sai na dianteira para o próximo leilão, da usina de Jirau, no mesmo rio Madeira e quase do mesmo tamanho. Haverá financiamento de 75% do BNDES para a obra, a perspectiva de mais sócios (Vale, fundos de pensão, BNDES) e de preços em alta para os 30% da energia que irá para o mercado livre. Os grandes consumidores, na prática, compensarão o preço baixo da energia no mercado regulado pelo governo, uma novidade deste leilão, menos “regulado” pelo Estado que outros.

Ontem, o pessoal do mercado financeiro estava entre amuado e irritado. Diziam alguns que o resultado do leilão vai afastar investidores, dada a baixa rentabilidade. Sim, é provável que a taxa de retorno do negócio fique menor. As empresas talvez lucrem menos e, pois, rendam menos na Bolsa. Mas isso não é concorrência e sinal de que caiu o custo de oportunidade de investir no país?


vinit@uol.com.br