19/09/2009 - 12:47h Estadão publica cartas de leitores contra Kassab

KASSAB E A MERENDA

Depoimento atribuído ao prefeito Gilberto Kassab (18/9, C8), comentando denúncia do corte na merenda escolar, merece atenção por dois detalhes, um, pela interpretação do caráter didático que a situação oferece ao público leitor e o outro, calcado na visão ideológica oferecida pelo detentor do cargo: 1) ele alegar que desconhecia o fato; 2) defender a medida. No primeiro caso fica no ar certa negligência de uma autoridade eleita com expressiva votação para dirigir a maior cidade do continente sul-americano no tocante a um assunto que, imagino, deveria exigir boa parte de sua energia como administrador, ou seja, preocupar-se com o que sua administração realiza no tocante à alimentação de nossas crianças. Quanto ao segundo caso, explicita a ideologia que carrega seu partido, o DEM, que, na ânsia de pregar um certo pragmatismo político calcado na menor participação possível do Estado na vida dos cidadãos, acha normal, pelo fato de as “decisões serem técnicas”, tirar comida da boca de criança pobre. Na outra ponta do nosso espectro político temos o PT com seu Bolsa-Família, que, embora acerte na intenção – assegurar um instrumento de distribuição de renda para minorar os efeitos da pobreza na parcela mais expressiva de nossa população -, erra feio no conteúdo, achando que o Estado pode indefinidamente sustentar com esse tipo de repasse, sem pensar na opção ensejada pela antiga máxima de que o mais sensato é dar a vara e ensinar o camarada a pescar. Quo Vadis?

Fernando Cesar Gasparini phernando.g@bol.com.br

Mogi-Mirim

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CAOS NO TRANSPORTE

A reportagem de ontem divulgando pesquisa encomendada pelo Movimento Nossa São Paulo revela que a imensa maioria dos usuários de ônibus da capital já sente o reflexo das ações da Prefeitura, que, além de aumentar os subsídios às empresas de ônibus, ainda permitiu a diminuição do número de coletivos circulando na cidade. Tudo isso para poder cumprir a promessa populista feita pelo prefeito na eleição do ano passado de não aumentar a passagem este ano. Mas não se preocupem, no ano que vem o aumento já vai cobrir os três anos em que o preço permaneceu igual. Kassab parece que aprendeu bem como se faz política quando foi secretário de Pitta: na eleição, muita maquiagem e propostas mirabolantes, depois vemos a máscara cair!

Leonardo Fontes leo.ofontes@gmail.com

São Paulo

03/06/2009 - 17:00h Um lulista em El Salvador

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Mauricio Funes e Lula

Editorial do jornal O Estado SP

Nem o venezuelano Hugo Chávez, nem o boliviano Evo Morales e nem o nicaraguense Daniel Ortega foram à posse do primeiro presidente de esquerda de El Salvador, Mauricio Funes, na segunda-feira. Seria o caso de dizer que a ausência do trio bolivariano preencheu uma lacuna. Porque se há uma coisa de que o menor país da América Latina precisa desesperadamente é moderação política, para assegurar a cicatrização das marcas de uma guerra civil de 12 anos entre regimes repressivos e a guerrilha marxista da Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN) que deixou 75 mil mortos, a que se seguiram duas décadas de governos oligárquicos da Aliança Republicana Nacionalista (Arena).

Mas a ausência de Chávez e de seus apadrinhados numa solenidade a que compareceram numerosos dirigentes regionais (e, pelos Estados Unidos, a secretária de Estado Hillary Clinton) foi sobretudo sintomática. Traduziu o inconfundível desconforto do chavismo diante da ascensão de um líder esquerdista que prega a “sensatez” em um país que, pelo retrospecto de violência política, a desigualdade social e a pobreza extrema em que vivem 40% dos seus 6,9 milhões de habitantes, deveria ser campo fértil para a implantação do “socialismo do século 21″. Esse é o mote que serve de pretexto para o coronel venezuelano impor a sua autocracia e reunir seguidores entre os incautos que confundem o futuro com o velho caudilhismo latino-americano.

O fato de a maioria absoluta dos salvadorenhos ter sufragado um candidato como Funes – o ex-jornalista que se filiou à FMLN quando o movimento já havia deposto as armas e se convertido em partido político – não apenas evidencia um grau de maturidade surpreendente para um país com o histórico de arcaísmo típico das estereotipadas repúblicas bananeiras. Representa um vivo desmentido às teorias simplistas segundo as quais, na América Latina, quanto mais uma sociedade arcar com o fardo de um passado do gênero tanto mais a polarização política extrema estará inscrita na ordem natural das suas coisas. E não se pode alegar que Funes iludiu os seus concidadãos.

Em momento algum de sua campanha (e tampouco depois de sua vitória) se conduziu como um radical, embora proclamasse em alto e bom som os seus compromissos com a promoção da justiça social em seu país. Coerentemente com isso, não hesitou em dizer, no discurso de posse, que “vivemos um tempo de crise de ideologias e falência de modelos”. Reiterou os apelos de campanha à união nacional, falando em “seguirmos juntos em uma nova estrada na democracia”. Mas o progressismo pragmático de Funes tem, sim, um modelo: o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva. Talvez uma circunstância fortuita – o fato de ser casado com uma petista de carteirinha desde os anos 1980, Vanda Pignato, ligada à Secretaria de Relações Internacionais do partido – tenha “feito a cabeça” do salvadorenho.

Seja como for, os vínculos de Funes com o lulismo se consolidaram no curso da campanha eleitoral, conduzida pelo marqueteiro do Planalto, João Santana. Depois, Lula enviou a San Salvador o seu chefe de gabinete, Gilberto Carvalho, para auxiliar o vitorioso na transição de governo. E ele se prepara para lançar uma versão local do Bolsa-Família brasileiro. Era de esperar que, ao assumir, elogiasse o mentor. Mas, arguto, o associou a Barack Obama como exemplos de dirigentes que devem ser seguidos por encarnar “um caminho novo e seguro”. (Como havia prometido, logo ao assumir anunciou o restabelecimento das relações com Cuba. El Salvador era o único país do Continente, além dos Estados Unidos, que ainda não reatara com Havana.)

Repetindo o que o seu mentor havia dito quando assumiu, o primeiro presidente lulista da América Latina afirmou que não tem “o direito de errar”. Mas acertar exigirá muito mais dele. À parte as enormes diferenças entre os países, Lula teve a seu favor um ciclo sem precedentes de crescimento econômico global. Funes tem contra si a retração que já afeta duramente as remessas dos seus 3 milhões de compatriotas expatriados, vitais para a economia nacional, e que interrompeu um processo de diversificação das exportações salvadorenhas. Resta esperar que a sensatez com que pretende orientar o seu governo amenize o baque.

07/05/2009 - 18:05h O mito do Estado inchado

 

Carta enviada pela assessoria do Ipea ao jornal O Estado de São Paulo

Desde que foi publicado o Comunicado “Emprego Público no Brasil: Comparação Internacional e Evolução”, que se desenrola polêmica a respeito de um suposto inchaço do Estado brasileiro. Nada mais saudável. Até então, havia somente uma certeza: a de que o Estado brasileiro é inchado e ponto final. Mas baseada em quê? Quais os números? Que critérios de comparabilidade?

Quem se der ao trabalho de ler o Comunicado (www.ipea.gov.br) vai perceber que se trata de algo meramente descritivo, sem quaisquer ilações, para além das que os números podem sustentar. Metodologicamente, tivemos o cuidado e o rigor de levantar, exaustivamente, todas as conceituações para o emprego público, passíveis de operacionalização pelas fontes de dados disponíveis, a saber: os Censos Demográficos, a Pnad e o Rais. Além disso, mapeamos, na literatura internacional, os conceitos de emprego público utilizados pela Cepal, OCDE, OIT e Banco Mundial, e optamos, no caso do Brasil, pelo conceito o mais amplo possível, mesmo em relação aos utilizados por esses organismos internacionais. Por outro lado, estamos cientes das limitações dos conceitos, dado as novas dimensões do emprego público, especialmente no que tange ao universo dos terceirizados no setor público.

A radiografia e a evolução do emprego público, que ora esquadrinhamos, e da qual extraímos o trabalho em tela, faz parte de uma pesquisa mais ampla, que tem como foco a gestão dos recursos humanos no serviço público, desenvolvida em parceria com a Secretaria de Recursos Humanos e a Secretaria de Gestão do MPOG, a Enap, e que conta com a colaboração do IBGE. Institucionalmente, a Pesquisa se insere no âmbito do Eixo Temático de Investigação do Ipea: Estado, Instituições e Democracia.

A propósito, a pesquisa foi concebida a partir da idéia de que o aperfeiçoamento das instituições e dos organismos estatais, voltado para uma atuação cada vez mais qualificada, em prol do desenvolvimento econômico e social do país, é um processo que requer ação continuada. Assim, numa perspectiva de longo prazo, a questão da gestão dos recursos humanos no setor público passa a ser uma área de investigação permanente no Ipea.

Recomendam a boa literatura sobre a gestão dos recursos humanos no setor público, serem fundamental o dimensionamento do número de servidores, sua distribuição, modalidades etc. Só por isso a pesquisa se iniciou com o levantamento do quantitativo do emprego público. Aliás, coisa que nunca se fez. Na última reforma administrativa, nos anos 90, por exemplo, o diagnóstico do Estado inchado fundamentou os Programas de Demissão Voluntária, os denominados PDVs. Nos governos estaduais, a implantação dos PDVs comprometeu a oferta de serviços de saúde, educação e segurança, sem contar que iniciativas desse tipo levam à saída dos bons servidores, mais aptos e dinâmicos, com maior capacidade de inserção alternativa no mundo do trabalho, justamente aqueles os quais uma boa gestão dos recursos humanos deve buscar retê-los.

Do acima exposto, não nos cabe a pecha de defensores do empreguismo público de per si. De outra parte, cientes de que cerca da metade dos jovens, na faixa etária de 15 a 25 anos no país estão fora do ensino médio, e de que somente cerca de 40% das crianças aptas para a educação infantil estão matriculadas na pré-escola, que o Estado brasileiro precisa aumentar e melhorar sua presença nas áreas de fronteira, de conflito agrário e de preservação ambiental, de que a porta de entrada no SUS ainda é estreita e que para estes não cabem a solução do mercado é que identificamos a tendência à expansão dos serviços públicos e, por conseguinte, do emprego público no País.

Eneuton Dornellas Pessoa de Carvalho é pesquisador no Ipea e um dos autores do trabalho “Emprego Público no Brasil: Comparação Internacional e Evolução”

17/04/2009 - 10:41h A Nova Luz provoca polemica de tucano com o jornal O Estado SP

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O editorial do Estadão “Projeto interminável” que desmascara a inoperância e politicagem demo-tucana no projeto do Centro, provocou uma reação epistolar de Andrea Matarazzo, Secretário das Subprefeituras e um dos responsáveis diretos do descaso da Prefeitura com a Nova Luz e a revitalização do Centro.

Reproduzo a seguir a carta enviada por Andrea Matarazzo ao jornal O Estado de São Paulo, assim como a sucinta e pertinente resposta dos editorialistas.

Este debate me parece primordial e gostaria acrescentar alguns esclarecimentos que a carta do “gestor” tucano procura esconder.

Em relação a importante questão da implantação de moradias na região da Nova Luz, Andrea Matarazzo escreve: “A questão de moradias no local também sempre esteve prevista, já que para a revitalização de qualquer área urbana é preciso haver movimento durante 24 horas por dia. Além disso, há Zona Especial de Interesse Social (Zeis) na área, o que obriga à construção de moradias.”

Efetivamente, as Zeis obrigam a construir moradias na região e foram estabelecidas no Plano Diretor de Marta Suplicy ainda em vigor. Os atuais “gestores”, portanto, não podiam legalmente não prever habitação popular no projeto. Eles então previram 170 apartamentos para dar satisfação à exigência legal e ponto.

No debate na Câmara de Vereadores, o líder do governo municipal acabou aceitando aumentar para 1.000 esse número, por pressão da bancada do PT. Na última discussão ele afirmou que aceitava modificar o projeto. “Pelo estabelecido, 40% do total terá de ser destinado a HIS (habitação de interesse social, destinada para famílias que tenham renda de até três salários mínimos) e 40% de HMP (habitação de moradia popular). O restante ficará a critério daquele que vencer a licitação.”(Folha Online ver Após protesto e audiência pública, vereador diz que Nova Luz terá novo projeto). Falta ainda por isto claramente no projeto que será votado.

Em relação a revitalização do Centro, Andrea Matarazzo nada diz sobre o dinheiro do BID, nem sobre a multa que a “gestão” Kassab paga por não ter utilizado os recursos emprestados e ter paralisado o projeto iniciado por Marta Suplicy. O jornal faz bem em relembrar este fato.

Com os recursos do BID, Marta reformou o Mercado Municipal, o Parque Dom Pedro, a Praça da Sé, mudou a sede da prefeitura e indemnizou os moradores do São Vito para eles desocuparem o prédio, eliminou a Favela do gato, com moradia no mesmo local para seus moradores etc. A “gestão” Kassab não deu continuidade ao projeto, às garagens públicas para o Mercado Municipal não foram construídas, a passarela de ligação com o antigo Palácio das Industrias que Marta previu como Museu, tampouco, o São Vito ficou parado e a região abandonada (Só agora, 4 anos depois, uma ONG acabou dando utilidade ao velho Palácio). Na Cracolândia, nada avançou realmente, e o editorial do Estadão está coberto de razão quando mostra isto.

Como o dinheiro do BID estava carimbado para o projeto de reabilitação apresentado e executado por Marta Suplicy e o projeto fora engavetado pela dupla Serra-Kassab, a Prefeitura acabou pagando multa ao BID pela não utilização dos recursos a sua disposição. Sobre estes fatos graves, Andrea Matarazzo não diz uma palavra.

A Cracolândia, lamentavelmente, continua a Cracolândia, como inúmeras reportagens dos jornais e da TV se cansaram de mostrar. Mesmo na carta de Matarazzo, estamos longe da apresentação manipuladora da Nova Luz como uma nova realidade, apresentação que ocupou generoso espaço na Veja e na campanha eleitoral demo-tucana. Em cinco anos, pouco ou nada foi feito e isto com enormes recursos financeiros disponíveis. O projeto está novamente em discussão e talvez a Câmara dos Vereadores consiga dar um rumo adequado ao assunto.

Andrea Matarazzo afirma que para ele a Nova Luz levaria 10 anos a ser realidade. Como já se passaram quase 5, ao ritmo que vai a coisa…

Para os crentes nas virtudes “gestoras” dos demo-tucanos a questão da realidade não tem maior importância, pois poderão sempre enxergar a Nova Luz graças a fé. Alguns afirmam até que a Nova Luz só é enxergada nos instantes que precedem a “longa viagem”. Para o resto dos mortais, será necessário aprender com a experiencia e trocar os responsáveis do fornecimento da eletricidade. LF

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A Nova Luz e a mesma velha Cracolândia 5 anos depois

PROJETO NOVA LUZ

Permitam-me discordar e esclarecer alguns pontos do editorial Projeto interminável (14/4, A3). 1) O projeto Nova Luz começou em março de 2005, já na gestão do então prefeito José Serra. Nada existia a respeito da área até essa data – nem a verba do BID estava prevista para ali ser utilizada. Portanto, não é projeto da administração anterior. Não havia nada previsto para a região – nenhuma obra, ação ou projeto. 2) Desde a criação da Lei de Incentivos Fiscais se definiu a vocação do bairro como polo de TI, cultural, de educação, serviços, etc. Este perfil diverso, detalhado no próprio texto da lei, até hoje, portanto, não sofreu alterações. A questão de moradias no local também sempre esteve prevista, já que para a revitalização de qualquer área urbana é preciso haver movimento durante 24 horas por dia. Além disso, há Zona Especial de Interesse Social (Zeis) na área, o que obriga à construção de moradias. 3) Desde março de 2005, além das ações de fiscalização e de policiamento, não há falta de ações concretas, já que foi realizado recapeamento das ruas, remodelação da rede de iluminação, implantação da rotina de limpeza pública. No plano urbanístico, passos vitais foram dados: o perímetro da Nova Luz foi decretado de utilidade pública em 2005; em 2005 foi sancionada a Lei de Incentivos Fiscais; 65 imóveis foram desapropriados; 57, demolidos; a Guarda Civil Metropolitana foi instalada no local; atualmente estão sendo investidos R$ 13,7 milhões para revitalização de calçadas, implantação de valas técnicas, iluminação e paisagismo em ruas do bairro e está em fase final a desapropriação de imóveis para a construção da Escola Técnica do Centro Paula Souza e de dois prédios do CDHU. 4) Em relação à Santa Ifigênia, nunca foi prevista desapropriação dos imóveis, já que a ideia do polo de tecnologia foi fruto da própria vocação local. Em 2005 estimei um prazo de dez anos a partir do início do projeto para que a Nova Luz esteja completamente recuperada. Passados quatro anos, já avançamos muito e certamente nos próximos anos a região terá uma realidade completamente diferente.

Andrea Matarazzo, secretário das Subprefeituras

São Paulo

N. da R. – A origem do Nova Luz é o Procentro, um projeto da administração anterior para a revitalização de vários pontos do centro, inclusive a Cracolândia. Em 2003, o governo Marta Suplicy obteve no BID empréstimo de US$ 100 milhões, mais US$ 60 milhões de contrapartida, para obras de revitalização do centro, inclusive da Cracolândia. Por último, devem ter-se preocupado à toa os comerciantes da Santa Ifigênia que, no início do mês, foram em passeata até a Câmara Municipal para exigir que no texto do novo projeto Nova Luz constasse a garantia de que aqueles quarteirões não seriam desapropriados.

Sobre este assunto clique no tag Nova Luz, Cracolândia e Centro (embaixo) para ler mais artigos e post no blog.

11/02/2009 - 12:57h Carta ao Estadão sobre as creches na cidade de São Paulo

No sábado retrasado o jornal O Estado de São Paulo dedicou um editorial a questão das creches na cidade de São Paulo e atacou a administração Marta Suplicy sobre o assunto (ver As distorções do Estadão para defender os demo-tucanos).

A Secretária de Educação na gestão Marta Suplicy, Cida Perez, enviou carta na segunda-feira contestando os dados utilizados no editorial e as ponderações nele contidas. Até agora a carta não foi publicada e os termos da mesma não obtiveram qualquer comentário dos editorialistas do Estadão.

Reproduzo a seguir a carta para os leitores do blog, esperando que ela seja publicada também para os leitores do Estadão. LF

O Editorial do Estadão cita os números do Censo Escolar e peca na sua análise por não comparar os números da gestão Kassab com a de Marta Suplicy. Os dados sobre matriculas no Censo Escolar são separados pela oferta: Federal, Estadual, Municipal e Privada. As vagas em creches conveniadas no Censo Escolar estão computadas como oferta em escolas privadas.

Nas creches administradas diretamente pela Prefeitura, em 2000 existiam 26.058 crianças matriculadas, em 2004 este número subiu para 44.796 e em 2008 cai para 41.040. Em percentuais em 2004 houve um crescimento de 72% e em 2008 um decréscimo de 8%.

Nas creches privadas/conveniadas, em 2000 existiam 55.789 crianças matriculadas, em 2004 eram 93.073 e em 2008, 107.825. Um aumento de 63% e de 16% respectivamente. O dado de 2000 foi publicado pela SME em dezembro de 2004, os de 2004 e 2008 são dados do Censo Escolar.

Por estes números quem apostou na política de convênios foi Kassab, aliás, como fez Maluf e Pitta. E quem criou mais vagas, quem mais investiu em Educação Infantil nessa cidade foi sem sombra de dúvida a Gestão Marta Suplicy. Construiu novos equipamentos, reformou e equipou os antigos, financiou a formação das professoras de creche, realizou concursos.

Nos últimos 4 anos a cidade de São Paulo ampliou apenas em 8% a oferta de vagas em creches, índice inferior ao crescimento das vagas em creche no país que foi de 11%. Em 2000 eram 81.847, em 2004 eram 137.869 e em 2008 são 148.865.

O Estadão cita o crescimento de vagas em 2008 como sendo fantástico. O aumento de matriculas em 2008 (149.152) em relação a 2007 (115.648) foi de 28,97% – considerando toda a oferta existente na cidade e não 30,24% como dito no editorial. E nos anos anteriores, foi de quanto?

Em 2005 e 2006 as matriculas em creche diminuíram de acordo com os dados do Censo Escolar. Em 2005 diminuiu 6,34% e em 2006 as matriculas diminuíram ainda mais, 12,83%. Será que não tinha fila de espera? Já em 2007 e 2008 as matriculas voltaram a crescer 20,61% e 28,94%, respectivamente. Estranho é crescer no ano das eleições municipais, não?

Quanto aos pagamentos citados, não deixamos pagamentos em atraso. As despesas de dezembro citadas como atraso, só poderiam ser pagas em janeiro após a análise das prestações de contas como todo e qualquer convênio de acordo com a legislação.

Várias ações para abertura de vagas em creches foram iniciadas nas gestões anteriores e finalizadas na nossa gestão. Assinamos dois termos de Conduta com o MP e sim, criamos 67.901 novas vagas em EMEIs. Nas palavras do editorial soa como pecado!

Vamos aos números, em 2004 havia 275.875 crianças nas EMEIs. E em 2008? Temos 271.661 crianças! Nenhuma vaga nova, pelo contrário temos menos 4.124 vagas. E o Estadão elogia essa conduta?

Criamos muito mais vagas que Kassab com muito menos recursos. Na nossa época ainda não tínhamos os recursos do FUNDEB destinados à Educação Infantil e estávamos dando os primeiros passos para a recuperação econômica do país e da cidade de São Paulo.


Maria Aparecida Perez
Secretaria Municipal de Educação na Gestão Marta Suplicy
Maria-perez@uol.com.br

13/10/2008 - 08:36h Vale a pena ler de novo (II)

10/10/2008 – 15:37h Instrumento de desinformação

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ato_estadao1.jpg

A cobertura da campanha de Marta, no jornal O Estado de São Paulo de hoje, ilustra muito bem o que tenho escrito no post anterior sobre o debate que importa.

Ontem 11 ministros e uma sala cheia acompanharam o lançamento feito por Marta de uma carta-compromisso com São Paulo. A ministra Dilma Rousseff; o ministro da Justiça, Tarso Genro; o ministro da Educação, Fernando Haddad; o ministro do Trabalho, do Turismo, da Presidência, todos expondo o porque do engajamento em favor da Marta.

O jornal decidiu ocultar de fato este ato, diminuir sua importância e tentar contribuir assim a desinformar os leitores sobre a campanha de Marta. Para isto o jornal utiliza os artigos da Vera Rosa dedicados a semear intrigas e ocupa o espaço “nobre” da página para tratar do marido da Marta.

O jornal dedica menos espaço, sem fotos, ao encontro de 11 ministros do governo, às propostas apresentadas por Marta no Compromisso com São Paulo, jogado ao pé da página, que a minha presença junto com minha esposa na sinagoga.

Para justificar os objetivos políticos evidentes nessa escolha do jornal, a manchete do artigo com foto de 1/4 de página proclama uma mentira: Favre reaparece ao lado da ex-prefeita.

Vou repetir, a manchete é uma mentira. Estive presente, por exemplo, em todos os debates que foram organizados pelas emissoras durante o primeiro turno. Estive em todos os comícios nos quais o presidente Lula participou da campanha. Estive na convenção do lançamento da candidatura e também em todos os seminários organizados pela Marta antes do horário eleitoral na TV. Em todos estes eventos fui fotografado e conversei com inúmeros jornalistas. Como foi o caso, por exemplo, no lançamento do livro da Marta, recentemente. Não acompanhei minha esposa na votação porque fiquei em casa com os netinhos, enquanto Marta e seus filhos iam votar.

Acontece que, diferentemente das eleições de 1989, 1994, 1998, 2000, 2002, 2004 e 2006, nestas eleições não estou participando da campanha porque escolhi dedicar meu tempo a animar este blog e contribuir assim ao debate de idéias e a compartilhar as informações e minhas leituras neste espaço.

A primeira mentira, a manchete, serve para “justificar”, volto a repetir, a decisão de evitar que a questão da força da participação dos ministros e das questões levantadas nos seus discursos, assim como o conteúdo do Compromisso da Marta com São Paulo sejam objeto de atenção, destaque e possam alimentar alguma reflexão nos leitores do jornal. Trata-se de sonegar informação de maneira deliberada para, ao mesmo tempo, procurar explorar os preconceitos e a vida privada da Marta.

O resto do artigo nauseabundo da Vera Rosa envereda para minha nacionalidade, onde o “argentino” e oposto a “homem bom”; não por ela claro mas por supostas pesquisas, que supostos anônimos, comunicaram a ela. A xenofobia e o preconceito propalado com o pretexto de tratar da “rejeição”, com o objetivo, volto a repetir de ocultar o ato de ontem, assim como o conteúdo do manifesto lançado por Marta.

Alguns dos leitores deste blog se perguntam como se contrapor a esta campanha contra Marta e em favor da direita?

Penso, em primeiro lugar, que a resposta é: falando do ato de ontem e distribuindo o Compromisso com o povo de São Paulo entre seus amigos e conhecidos.

Em segundo lugar, recusando a tentação de “fazer igual”, falando da vida privada dos outros. Abaixar-se ao nível do esgoto, sob pretexto de combater uma ignomínia, é se arriscar a ficar como os outros, que no lodaçal se esfregam todo dia.

Luis Favre

10/10/2008 - 15:37h Instrumento de desinformação

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A cobertura da campanha de Marta, no jornal O Estado de São Paulo de hoje, ilustra muito bem o que tenho escrito no post anterior sobre o debate que importa.

Ontem 11 ministros e uma sala cheia acompanharam o lançamento feito por Marta de uma carta-compromisso com São Paulo. A ministra Dilma Rousseff; o ministro da Justiça, Tarso Genro; o ministro da Educação, Fernando Haddad; o ministro do Trabalho, do Turismo, da Presidência, todos expondo o porque do engajamento em favor da Marta.

O jornal decidiu ocultar de fato este ato, diminuir sua importância e tentar contribuir assim a desinformar os leitores sobre a campanha de Marta. Para isto o jornal utiliza os artigos da Vera Rosa dedicados a semear intrigas e ocupa o espaço “nobre” da página para tratar do marido da Marta.

O jornal dedica menos espaço, sem fotos, ao encontro de 11 ministros do governo, às propostas apresentadas por Marta no Compromisso com São Paulo, jogado ao pé da página, que a minha presença junto com minha esposa na sinagoga.

Para justificar os objetivos políticos evidentes nessa escolha do jornal, a manchete do artigo com foto de 1/4 de página proclama uma mentira: Favre reaparece ao lado da ex-prefeita.

Vou repetir, a manchete é uma mentira. Estive presente, por exemplo, em todos os debates que foram organizados pelas emissoras durante o primeiro turno. Estive em todos os comícios nos quais o presidente Lula participou da campanha. Estive na convenção do lançamento da candidatura e também em todos os seminários organizados pela Marta antes do horário eleitoral na TV. Em todos estes eventos fui fotografado e conversei com inúmeros jornalistas. Como foi o caso, por exemplo, no lançamento do livro da Marta, recentemente. Não acompanhei minha esposa na votação porque fiquei em casa com os netinhos, enquanto Marta e seus filhos iam votar.

Acontece que, diferentemente das eleições de 1989, 1994, 1998, 2000, 2002, 2004 e 2006, nestas eleições não estou participando da campanha porque escolhi dedicar meu tempo a animar este blog e contribuir assim ao debate de idéias e a compartilhar as informações e minhas leituras neste espaço.

A primeira mentira, a manchete, serve para “justificar”, volto a repetir, a decisão de evitar que a questão da força da participação dos ministros e das questões levantadas nos seus discursos, assim como o conteúdo do Compromisso da Marta com São Paulo sejam objeto de atenção, destaque e possam alimentar alguma reflexão nos leitores do jornal. Trata-se de sonegar informação de maneira deliberada para, ao mesmo tempo, procurar explorar os preconceitos e a vida privada da Marta.

O resto do artigo nauseabundo da Vera Rosa envereda para minha nacionalidade, onde o “argentino” e oposto a “homem bom”; não por ela claro mas por supostas pesquisas, que supostos anônimos, comunicaram a ela. A xenofobia e o preconceito propalado com o pretexto de tratar da “rejeição”, com o objetivo, volto a repetir de ocultar o ato de ontem, assim como o conteúdo do manifesto lançado por Marta.

Alguns dos leitores deste blog se perguntam como se contrapor a esta campanha contra Marta e em favor da direita?

Penso, em primeiro lugar, que a resposta é: falando do ato de ontem e distribuindo o Compromisso com o povo de São Paulo entre seus amigos e conhecidos.

Em segundo lugar, recusando a tentação de “fazer igual”, falando da vida privada dos outros. Abaixar-se ao nível do esgoto, sob pretexto de combater uma ignomínia, é se arriscar a ficar como os outros, que no lodaçal se esfregam todo dia.

Luis Favre

12/09/2008 - 10:16h O anteparo ideológico afronta a inteligência

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O jornal O Estado de São Paulo produziu várias das melhores matérias sobre o metrô de São Paulo, que foram reproduzidas aqui no blog. Os jornalistas do Estadão mostraram que a rede de metrô na cidade é pequena, menor que a de Santiago de Chile, por exemplo, que tem metade dos habitantes de São Paulo. O metrô começou no mesmo ano que aqui, hoje eles tem 85 quilômetros de malha e nós 61 Km. (Se continuar do jeito que vai…).

Foi também no jornal O Estado de São Paulo que os leitores ficaram sabendo que o metrô aqui é o mais lotado do planeta e um dos que tem a tarifa mais cara (Metrô de SP é o mais lotado do mundo, afirma CoMET; Não foi um negocio da China). Foram nas páginas do jornal que apareceu a falta de fiscalização do metrô entre as causas que explicam o desabamento da linha 4 com a morte de 7 pessoas (Metrô falhou na fiscalização). Foi também no Estadão que teve amplo destaque as acusações de pagamentos de propina da empresa Alstom para contratos com o metrô de São Paulo, incluindo políticos tucanos (Linha 4-Amarela: mais cara e demorada).

Este resumo de fatos objetivos, incontestes, que os jornalistas do Estadão levaram para suas páginas permite, neste momento de debate eleitoral, que os leitores avaliem os problemas do transporte público na cidade com elementos claros de julgamento. Tanto sobre o que não foi feito, ou planejado e o que deveria ser feito para responder aos desafios e a delicada situação gerada pela falta de previsão, de investimento e de prioridade no transporte público.

Pois bem, nas páginas reservadas para expressar as opiniões do jornal, O Estado de São Paulo publica hoje um editorial sobre a questão do metrô, onde tudo o que resumi acima é jogado fora.

O metrô de São Paulo é o mais lotado do mundo, segundo os editores do Estadão, porque tem muitos passageiros. E o metrô tem muitos passageiros porque o Bilhete-Único facilitou o uso do transporte público e a culpa disto é de… Marta!

Sim, vocês leram bem. O jornal esconde a informação que o Bilhete-Único só foi introduzido na cidade depois que Marta acabou com o transporte clandestino, obrigou a renovação da frota de ônibus, construiu mais de 100 quilômetros de corredores, fez vários terminais modernos e finalmente introduziu o Bilhete-Único permitindo um retorno dos passageiros ao sistema de transporte coletivo, assegurando um direito essencial do cidadão. O editorial omite que esse esforço não foi prosseguido, mesmo tendo publicado ontem no próprio jornal que em 4 anos Kassab ainda não fez licitação para construir um único corredor (Único corredor de Kassab, Celso Garcia vai atrasar). Nem uma palavra sobre o fato que em 14 anos de governo tucano a expansão do metrô foi menor que 1 km por ano.

O editorial está reproduzido a seguir e configura um concentrado da má fé, onde o anteparo ideológico afronta a inteligência.

Luis Favre

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Editorial do Estadão
O metrô mais lotado do mundo

Entre as 11 maiores redes de metrô do mundo, a de São Paulo ocupa dois extremos: é a mais congestionada de todas, transportando 10 milhões de passageiros por quilômetro de linha, embora seja a menor delas, com apenas 61,3 quilômetros divididos por quatro linhas. Conforme dados da CoMET – entidade criada em 1992 para assistir as principais redes metroviárias do planeta, permitindo a troca de experiências entre elas -, nos horários de pico, cada metro quadrado dos vagões do metrô de São Paulo é ocupado por 8,6 passageiros, quando o limite do suportável é de 6 pessoas.

Tamanha lotação obrigou a Companhia do Metropolitano a reduzir em 10% a velocidade média das composições, o que aumentou em até 4 minutos o tempo de viagem. Nas plataformas de embarque, o empurra-empurra é tal que impede a abertura e fechamento das portas das composições no intervalo adequado, o que consome 26% do tempo de viagem. Paradas que deveriam durar 20 segundos ultrapassam os 37 segundos em muitas estações.

Na análise de especialistas em transporte público, como o professor Telmo Giolito Porto, do Departamento de Transportes da Escola Politécnica da USP, o metrô paulistano foi asfixiado pela demanda. Uma demanda que cresceu absurdamente, em grande parte, por interesses políticos.

O déficit do transporte público na região metropolitana se transformou em bandeira eleitoral nas últimas campanhas de candidatos à Prefeitura e ao governo do Estado. Em vez de políticas abrangentes, medidas eleitoreiras foram sendo adotadas para oferecer ônibus e trens para a população mais carente, sem que as autoridades se preocupassem com os limites da capacidade dos sistemas em operação.

Na cidade, um novo modelo de transporte por ônibus foi planejado na administração de Marta Suplicy (2001-2004). Previa construção de corredores de ônibus em toda a cidade, estações de transferência dotadas de alta tecnologia, terminais, distribuição da demanda em linhas estruturais e locais atendidas por veículos de grande e pequeno portes, e a integração entre os sistemas de ônibus, metrô e trens por meio do bilhete único.

Pouco do que se previu em termos de infra-estrutura para o transporte foi realizado. Mas tudo se fez para a adoção do bilhete único, que só deveria ter acontecido no fim da reforma do sistema. Às vésperas das eleições de 2004, os passageiros passaram a realizar quatro viagens com tarifa única no período de duas horas.

Naquele ano, as viagens gratuitas – para os passageiros, mas pagas pela Prefeitura – passaram de 3 milhões, em maio, para 50 milhões, em novembro. Antes do bilhete único, as chamadas gratuidades não passavam de 80 mil por mês. O resultado foi o aumento substancial dos subsídios repassados pela Prefeitura ao setor e cortes nos investimentos em obras, como os corredores exclusivos de ônibus.

No metrô, não foi diferente. O bilhete único causou forte impacto nas contas da Companhia do Metropolitano e provocou superlotação excepcional dos trens. Em 2006, com a implantação do cartão magnético, o metrô passou a receber mais 300 mil passageiros por dia. Segundo a Pesquisa Origem-Destino do metrô, em 2007, os trens passaram a receber 750 mil novos passageiros por dia, estimulados pelo bilhete único.

Apesar do aumento de 35% da oferta de lugares na última década, o ritmo de expansão da malha metroviária não consegue acompanhar a demanda. O metrô avança 1,5 quilômetro por ano apenas e ainda que os planos do governador José Serra sejam cumpridos, com a inauguração da Linha 4-Amarela, que ligará a Vila Sônia à Luz, e a extensão da Linha 2-Verde até a Vila Prudente, a capital deverá ter apenas 80,5 quilômetros de linhas até 2010.

Diante do crescimento da demanda, além dos investimentos na expansão da malha, o governo estuda reduzir o intervalo entre trens, renovar a frota e explorar a malha já existente da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos.

O metrô de São Paulo precisa voltar a ser exemplo de boa gestão, de limpeza, segurança e organização.

04/09/2008 - 13:42h JT também flagrou Kassab na sabatina

Clique na imagem do JT para ampliar e ler

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24/08/2008 - 12:05h Estadão: duas edições, duas leituras

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A primeira edição do Estadão tinha uma pequena chamada de capa dizendo; “Pesquisa confirma avanço de Marta” seguido de “Datafolha aponta vantagem de 17 pontos para a petista. Pág A8″. Na página A8 a matéria abria com o título “Datafolha mostra Marta com 17 pontos de vantagem” e imediatamente abaixo do título “Candidata do PT subiu e Geraldo Alckmin, segundo colocado, caiu; pesquisa confirma movimento detectado pelo Ibope no último dia 16″.

A segunda edição do mesmo jornal, O Estado de São Paulo, a chamada de capa diz: “Pesquisa aponta avanço de Kassab” seguido de “Diferença para Alckmin caiu pela metade, indica Datafolha”. No interior o artigo passa a levar como título “Pesquisa mostra Kassab mais próximo de Alckmin” e no lide “Distância entre os dois caiu de 21 para 10 pontos, aponta Datafolha; Marta lidera, com 41%, confirmando movimento detectado pelo Ibope no dia 16″.

Acontece que contrariamente a chamada de capa da segunda edição do Estado, a pesquisa não aponta avanço de Kassab e sim constatou a queda de Alckmin. Kassab só oscilou dentro da margem de erro. Já Alckmin caiu e a dianteira de Marta passa a ser de 17 pontos. De todos os candidatos, Marta é a única a crescer acima da margem de erro em relação ao Datafolha anterior. A maioria dos eleitores que abandonaram Alckmin, entre as duas pesquisas, o fizeram em favor de Marta. LF

18/08/2008 - 15:19h SAMU e Farmácia Popular: governo federal entra com a verba e a prefeitura de Kassab com o “trololó”

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“O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) na Capital tem um saldo de aproximadamente R$ 35 milhões aplicados no mercado financeiro. Mas faltam médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, motoristas, técnicos administrativos. Faltam também ambulâncias, bases operacionais, rádios de comunicação, pontos de abastecimento de combustível.

Os recursos vieram do Ministério da Saúde e, desde 2005, estão praticamente intocados. Dos R$ 13,7 milhões repassados naquele ano, R$ 1,5 milhão foi revertido efetivamente para o Samu. O restante, a Prefeitura aplicou e rendeu R$ 1,2 milhão.

Em 2006, a história se repetiu. O repasse do governo federal foi de R$ 20 milhões. Só que, dessa vez , os gastos foram inferiores ao rendimento da aplicação. No ano, foram usados R$ 3,2 milhões, enquanto o dinheiro rendeu R$ 3,3 milhões. O ano acabou com R$ 33,7 milhões nos cofres do Município.

O repasse mensal da União, de R$ 1,5 milhão, é para custeio (manutenção e contratação de terceirizados). Não pode ser usado na folha de pagamento. O restante deve vir dos governos municipal e estadual. Em São Paulo, a Prefeitura contribui com R$ 2,7 milhões por mês, para gastos com pessoal.” (Jornal da Tarde, artigo de maio 2007).

Assim começa o artigo do jornal dando conta do descaso com o dinheiro da saúde na maior prefeitura demo-tucnana do país, a Prefeitura de São Paulo. A situação chegou a tal ponto que o jornal O Estado de São Paulo acabou publicando dias atrás um editorial que já reproduzi no blog com o título de Vergonha.

O Editorial do jornal começava assim:

“As verbas do Samu

O Serviço de Atendimento Móvel de Emergência (Samu) da cidade de São Paulo deveria ter recebido investimentos de R$ 168,2 milhões desde 2005, mas, desse total, apenas R$ 16,7 milhões foram efetivamente utilizados. Há pouco mais de um ano, o Estado noticiou que pelo menos R$ 35 milhões das verbas destinadas pelo Ministério da Saúde para financiamento dos serviços de socorro urgente a doentes e vítimas de acidentes estavam aplicados no mercado financeiro, enquanto o atendimento de urgência de doentes e acidentados demorava três vezes mais do que o recomendado pelos organismos internacionais. Faltavam motoristas, médicos, enfermeiros e ambulâncias em bom estado de conservação, embora sobrasse dinheiro. A frota de ambulâncias era de 137 veículos, que atendiam, em média, a 800 casos por dia. O tempo de espera variava entre 30 e 40 minutos.” (OESP 14/08/2008).

A imagem “http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/jpg/farmacia.jpg” contém erros e não pode ser exibida.

Hoje o mesmo jornal, O Estado de São Paulo, pública matéria na qual Artur Virgilio (PSDB) ataca Lula, pretendendo que o governo federal direciona para sua base de apoio nas prefeituras, os recursos para as Farmácias Populares. “Será possível que os quase 900 prefeitos do PSDB no Brasil não tenham interesse em ter uma Farmácia Popular na sua cidade? É claro que isso é uma desculpa esfarrapada“, declarou o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM). “Esses números refletem o aparelhamento do programa.”

O jornal prossegue: “Ao todo, o Farmácia Popular já liberou neste ano R$ 26 milhões para a implementação e manutenção do programa em todo País, segundo os números do Portal da Transparência, que mostra a execução orçamentária do governo federal. Lançado em 2004, o programa já atendeu até hoje mais de 20 milhões de pessoas em 471 farmácias distribuídas pelo País. Há atualmente 142 unidades em fase de implantação.

Nessas farmácias, 96 remédios podem ser obtidos a preços bem abaixo dos de mercado. Preservativos são distribuídos de graça. A cartela de um anticoncepcional fica em R$ 0,42, enquanto o preço numa farmácia é R$ 7. Mas os campeões de venda são captopril, para hipertensão, e sinvastatina, para colesterol. “

Segundo o artigo: “Em ano de eleição municipal, prefeituras do PT e do PMDB foram as mais beneficiadas na obtenção de recursos do Farmácia Popular, um programa do governo federal que subsidia o preço de medicamentos para a população carente.

Das 351 cidades de todo o País que, em 2008, receberam dinheiro do governo federal para instalar as Farmácias Populares, 73% estão ligadas a partidos da base governista. O PMDB, do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, é o líder em conseguir recursos, com 86 municípios beneficiados. É seguido do PT, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com 63 cidades.”

Mas é fácil esclarecer a situação perguntando ao prefeito Kassab quantas Farmácias Populares procurou implementar na cidade de São Paulo? Se ele apresentou projetos em esse sentido e se alguma demanda de Farmácia Popular foi recusada pelo Ministério da Saúde? Depois de tudo a prefeitura de São Paulo é a maior das prefeituras controladas pelos demo-tucanos.

A pergunta é simples: foi apresentado algum pedido de financiamento ao governo federal entre 2005 e 2008 para construir alguma nova Farmácia Popular? Se sim, qual foi o resultado? Se não foi apresentado nenhum projeto, porque motivo? Para as Farmácias Populares existentes é repassado dinheiro do governo federal? Quanto e aonde foi aplicado esse dinheiro?

Fácil, muito fácil para esclarecer os leitores.

Lançado em 2004, Marta Suplicy foi quem inaugurou a primeira destas Farmácias Populares e ao final do seu mandato, em menos de 1 ano, entregou 16 delas em São Paulo. Quantas ainda estão em funcionamento? quantas novas Farmácias Populares foram criadas em 4 anos de administração demo-tucana? Teve qualquer recusa do governo federal para desenvolver as Farmácias?

Aproveitando que Kassab gosta de comparar, a questão será indiscutivelmente esclarecida por ele: ou ele fez mais Farmácias Populares que Marta, o que prova que o governo federal de Lula aprovou mais projetos para ele que para sua própria correligionária; ou ele fez menos, talvez nenhuma, porque foram contra quando o projeto foi lançado e implementado pelo governo e a prefeitura do PT, e continuaram contra; ou os pedidos de Kassab ao governo federal foram recusados; ou não há novas demandas destas farmácias, além daquelas implantadas na gestão Marta Suplicy. Como se vê, será muito fácil fazer essa verificação perguntando a Kassab.

A não ser que, como no caso do Samu descrito acima, o dinheiro federal foi parar no banco e está rendendo juros para o caixa do prefeito.

Que tal o jornal nos esclarecer a situação com o exemplo das Farmácias Populares na maior prefeitura demo-tucana do país?

Será que a mídia nos esclarecerá sobre as Farmácias Populares na cidade de São Paulo?

Luis Favre

P.S.

Portal da Prefeitura de São Paulo

FARMÁCIAS POPULARES


Farmácias Populares em São Paulo (por subprefeitura)
Atendimento:
Segunda a sexta-feira, das 8h às 18h
Sábado, das 8h às 12h
Endereços:

  1. - Campo Limpo – Rua Batista Cresto, 65/71
  2. – Capela do Socorro – Av. Carlos Oberhuber, 394
  3. – Freguesia do Ó – Rua Javoraú, 70
  4. - Ipiranga – Avenida do Cursinho, 1274 – Saúde
  5. – Itaquera – Av. Américo Salvador Novelli, 382
  6. – Lapa – Rua Guaicurus, 1000
  7. – Mooca – Av. Celso Garcia, 3815
  8. – Penha – Largo do Rosário, 121
  9. – Pinheiros – Rua Cunha Gaco, 241
  10. - Pirituba – Avenida Mutinga, 652 – São Domingos
  11. - Santana – Rua Força Pública, 64 – Santana
  12. – Santo Amaro – Av. Barão de Duprat, 123
  13. – Sé – Largo São Bento 405 – Loja 11 (entrada pela São Jorge, 33)
  14. – Vila Maria – Av. Guilherme Cothing, 1061
  15. – Vila Mariana – Av. Jabaquara, 1820
  16. – Vila Prudente – Av. Zelina, 1011


    Informações: 0800-611997

    Internet: www.saude.gov.br/farmaciapopular

    05/08/2008 - 11:51h Em campanha na Vila Nova Cachoeirinha, Marta ouve e conversa com a população

    Marta é abordada por simpatizantes durante campanha
    Evelson de Freitas/AE

    Marta é abordada por simpatizantes durante campanha

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    Jornal DCI
     Veja o editorial do jornal O Estado de São Paulo. clique aqui

    07/02/2008 - 16:57h Errata


    Esta aparentemente errada a cifra de R$ 150 milhões gastos com Cartões corporativos do governo federal em 2007 que figura no meu post Coerência. Segundo o jornal O Estado de São Paulo esses gastos em 2007 foram de 75,6 milhões.

    Os gastos do governo estadual de São Paulo com os cartões foram, segundo Paulo Henrique Amorim, de 108 milhões. Deste total, segundo Paulo Henrique Amorim, 44,56%foram em dinheiro tirado no caixa e não 48% como eu escrevi no meu post Coerência. LF

    27/01/2008 - 12:16h O Estado de São Paulo mostra que sobra papel e falta informação


    O jornal O Estado de São Paulo publica hoje uma dessas reportagens contra os políticos, no caso os governadores, e seus supostos “privilégios” com viagens. No fundo, não dá para estabelecer rigorosamente nada, da página dedicada pelo jornal ao assunto.

    Quer dizer, nada não. Dá para ver o viés udenista do Estadão que chega ao ridículo na sua manchete de somar os dias em que todos os governadores ficaram no exterior, totalizando 373 dias, como se tivessem viajado juntos um ano inteiro.

    Talvez até a matéria mostre alguma coisa, mas sobre o que o Estadão não aprofundou.

    A página do jornal inclui uma coluna que recensa as viagens dos governadores ao exterior e os dias que ficaram fora. Nada esclarece sobre os motivos dessas viagens e pelo tanto não permite qualquer julgamento sobre a pertinência das mesmas.

    Pelas informações transmitidas pelas autoridades estaduais, sabe-se que o governador Luiz Henrique (PMDB) de Santa Catarina ficou, no ano de 2007, 56 dias fora e o governador de Piauí, Wellington Dias (PT) 9 dias.

    Podemos notar, por exemplo, que o governador Aécio Neves, de Minas, ficou 20 dias no exterior, tendo visitado nas diferentes viagens países como Colômbia, EUA, Inglaterra, Suíça e Israel.

    A única coisa que chama a atenção é que só cinco governadores comunicaram os gastos com essas viagens, o que dependendo dos assuntos tratados nestas visitas, tampouco tem maior significado.

    A curiosidade fica por conta destes dados. O governador de Maranhão, Jackson Lagos (PDT) por exemplo, teve custo de R$ 37.200 por duas viagens, uma para Argentina 1 dia e outra para Uruguay onde ficou dois dias. Total 3 dias para dois países próximos, por R$ 37.200. O governador de Alagoas, Teotônio Vilela (PSDB) viajou 5 dias para Espanha e Portugal e gastou R$ 43.800. Já o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), esteve em Portugal, foi para os EUA, viajou para India, para França, para Suiça, para Itália e Portugal, viagens todas elas feitas em datas diferentes durante todo 2007 e que totalizam 27 dias fora do Brasil. Só que ele gastou apenas R$ 17.884. Será que as cifras estão certas?

    Alguma coisa soa extranha, não é? Será que nosso Sherlock Serra pesquisou para conseguir vôos charters, Albergues da juventude, Restaurantes bom prato e foi de ônibus para suas reuniões ou encontros? e os outros são uns descuidados com o dinheiro público? Provavelmente, nem uma coisa, nem outra.

    Por último, tem governador que não fez uma única viagem em 2007. Deveria receber um prêmio? ou são incompetentes para fazer convênios e trazer recursos para seus Estados?

    Será que o Estadão não tem nada mais importante para informar aos seus leitores no domingo.

    Luis Favre

    20/01/2008 - 12:30h Turismo tem que gastar mais, disse Luis Nassif



    Das denúncias irrelevantes

    Não vou dizer que essa prática seja de agora. Mas essa questão de levantar gastos com diárias e passagens de funcionários públicos sem deixar claro onde foram gastos é recurso antigo e ruim dos jornais.

    Há alguns anos, quando ainda estava na “Folha” o repórter Rubens Valente publicou uma “denúncia” informando que eu e a Mirian Leitão havíamos recebido passagens aéreas do Ministério da Previdência… para ir a Brasília. Foi um seminário em que participamos sem custos para o governo. Faltou apenas informar que pagaram o almoço também. E nem incluíram um passeio pelo Paranoá.

    O “Estadão” de hoje publica denúncia sobre gastos com pessoal e dá destaque à funcionária pública Jeanine Pires que gastou R$ 328 mil no “período” (clique aqui). O período em questão são quatro anos e a matéria informa que, nesse período, antes de ser presidente da Embratur ela foi Diretora de Turismo e Negócios e Eventos.

    No total, foram R$ 6 mil por mês, em quatro anos. A denúncia deveria ser outra. Como uma Diretora de Eventos, que precisa estar permanentemente viajando, gastou apenas R$ 6 mil por mês. O que ficou fazendo nos demais dias em que não recebeu diárias?

    enviada por Luis Nassif

    29/12/2007 - 11:08h Cartas publicadas no Estadão: Samba de uma nota só!

    Quem acompanha a publicação das cartas dos leitores no jornal O Estado de São Paulo, por exemplo, percebe que uma rigorosa seleção “permite” mostrar uma “opinião pública” forjada pela vontade dos responsáveis da publicação.

    (mais…)

    15/12/2007 - 13:19h Entrevistas do Kassab: A mídia de São Paulo é do bem!

    Os dois principais jornais de São Paulo, a Folha e o Estadão, trazem hoje, coincidentemente, uma entrevista com o Prefeito Gilberto Kassab. Vale a pena ler as duas entrevistas, pois elas são uma aula que vale mais que cem discursos.

    Uma aula sobre a atuação dos jornais, não sobre a fala do prefeito. Nada ilustra melhor a relação da mídia com os adversários do PT, no caso a aliança DEM-PSDB na cidade, que a maneira e o conteúdo das perguntas ou questionamentos (ou sua ausência) nas entrevistas em questão.

    Você pode pensar que entrevistar o prefeito hoje permitiria entender o porque da ação de despejo na favela Real Parque, qual o destino das familias brutalmente expulsas e quais os planos e o balanço da atual administração em matéria de habitação? Isto para falar em coisa recente, incluso abordada pelo próprio Ombudsman da Folha (ver aqui no blog A Folha é tucana?; Refrescando a memória do Estadão).

    Ou saber porque foi adiada a inspeção veicular para 2009, sendo que o aumento dos engarrafamentos esta asfixiando e a circulação e as pessoas na cidade.

    Oportunidade também para abordar em toda sua dimensão a questão do transporte público na cidade, onde um deterioro é visível, ao ponto das pessoas não conseguirem mais usar o Bilhete único pois suas viagens aumentaram para além das duas horas, em particular na zona sul. (ver aqui no Blog Administração DEM-PSDB anula efeito do Bilhete Único em São Paulo).

    Saber porque persiste a falta de médicos na periferia, porque faltam médicos nas equipes do Programa Saúde da Familia, equipes que foram reduzidas (ver aqui no blog Casos de dengue aumentam mais de 400% na cidade de SP; Jornal da Tarde denuncia saúde da administração Kassab). Ou descobrir da boca do prefeito o que aconteceu com a licitação e o preço do leite da distribuição gratuita. (ver aqui no blog Vale a pena ler de novo)

    A Folha poderia ter abordado a questão do lixo, que esta sendo debatida na pagina 3 do próprio jornal, depois que a prefeitura acabou reconhecendo de fato a correção dos contratos feitos pela administração precedente, questionando o prefeito pelo abandono dos investimentos nos aterros, no recolhimento do lixo nas favelas, no descaso com a coleta seletiva. (Ver aqui no blog Um bom debate para no jogar o lixo embaixo do tapete).

    (mais…)

    15/12/2007 - 10:53h Entrevistas do Kassab: A mídia de São Paulo é do bem!

    Os dois principais jornais de São Paulo, a Folha e o Estadão, trazem hoje, coincidentemente, uma entrevista com o Prefeito Gilberto Kassab. Vale a pena ler as duas entrevistas, pois elas são uma aula que vale mais que cem discursos.

    Uma aula sobre a atuação dos jornais, não sobre a fala do prefeito. Nada ilustra melhor a relação da mídia com os adversários do PT, no caso a aliança DEM-PSDB na cidade, que a maneira e o conteúdo das perguntas ou questionamentos (ou sua ausência) nas entrevistas em questão.

    Você pode pensar que entrevistar o prefeito hoje permitiria entender o porque da ação de despejo na favela Real Parque, qual o destino das familias brutalmente expulsas e quais os planos e o balanço da atual administração em matéria de habitação? Isto para falar em coisa recente, incluso abordada pelo próprio Ombudsman da Folha (ver aqui no blog A Folha é tucana?; Refrescando a memória do Estadão).

    Ou saber porque foi adiada a inspeção veicular para 2009, sendo que o aumento dos engarrafamentos esta asfixiando e a circulação e as pessoas na cidade.

    Oportunidade também para abordar em toda sua dimensão a questão do transporte público na cidade, onde um deterioro é visível, ao ponto das pessoas não conseguirem mais usar o Bilhete único pois suas viagens aumentaram para além das duas horas, em particular na zona sul. (ver aqui no Blog Administração DEM-PSDB anula efeito do Bilhete Único em São Paulo).

    Saber porque persiste a falta de médicos na periferia, porque faltam médicos nas equipes do Programa Saúde da Familia, equipes que foram reduzidas (ver aqui no blog Casos de dengue aumentam mais de 400% na cidade de SP; Jornal da Tarde denuncia saúde da administração Kassab). Ou descobrir da boca do prefeito o que aconteceu com a licitação e o preço do leite da distribuição gratuita. (ver aqui no blog Vale a pena ler de novo)

    A Folha poderia ter abordado a questão do lixo, que esta sendo debatida na pagina 3 do próprio jornal, depois que a prefeitura acabou reconhecendo de fato a correção dos contratos feitos pela administração precedente, questionando o prefeito pelo abandono dos investimentos nos aterros, no recolhimento do lixo nas favelas, no descaso com a coleta seletiva. (Ver aqui no blog Um bom debate para no jogar o lixo embaixo do tapete).

    Na entrevista a Folha, Kassab dize que o pior em São Paulo é saúde e educação. Não caberia alguma pergunta sobre o fato que os tucanos governam o Estado faz mais de 12 anos, tendo responsabilidade pela metade das escolas da capital? É muito pedir saber o que esta sendo feito, além de continuar o que a Marta criou e fez? Pode um jornalista se contentar com o fato do prefeito declarar, como se estivesse opinando sobre algo que não o interpela: “É evidente que elas (a maioria das pessoas da cidade) não estão tendo o ensino público que a cidade poderia oferecer. É muito provavelmente são essas pessoas que precisam de saúde pública.” (Folha). (ver aqui no Blog Demos e tucanos no mundo do faz de conta; Demos e tucanos em ação: crianças na rua e dinheiro no banco; JT denuncia: ‘Ano da educação’ já repetiu no 1º semestre).

    Por exemplo, na entrevista no Estadão, Gilberto Kassab disse que a prefeitura arrecada hoje o dobro que na administração da Marta. Não caberia perguntar porque não aproveitar para reduzir os impostos, o IPTU e outros impostos. Não é que a carga tributária é excessiva, como pregam quando atacam o governo Lula?. Ou não dá para inquerir sobre as prioridades de investimento, onde ou como investir mais e melhor (a prefeitura tem 5 bilhões de reais aplicados no mercado financeiro), ou contratar mais policiais municipais para assegurar pelo menos todas as escolas? Ou pelo menos questionar a origem desta multiplicação dos pães? Será a indústria das multas? será o crescimento econômico promovido pelo governo federal? Ou alguém pode engolir calado, como os jornalistas que o entrevistaram fizeram, que o milagre foi obtido pela rigor na arrecadação dos tributos? Volto a repetir, o governo municipal tem um orçamento que equivale ao dobro do orçamento de quatro anos atrás.

    Agora, pode-se argüir que o foco da entrevista era outro, não a administração da cidade e sim a política é as eleições do ano próximo. Mesmo nesse caso, como explicar que os entrevistadores do Estadão, por exemplo, nada perguntem em relação a Alckmin. O nome Alckmin, aliás, não aparece nenhuma única vez em toda a pagina consagrada a entrevista, nem na Folha, nem no Estadão.

    Alckmin, o grande ausente
    das entrevistas

    Por isso aparece mais grosseira a tentativa persistente dos entrevistadores da Folha para arrancar de Gilberto Kassab ataques a Marta Suplicy. Soá ridículo perguntar ao Kassab quem será o candidato do PT, (porque não perguntar se Alckmin vai ser, se Serra vai demovê-lo da idéia etc.) e quando ele disse que acha que o PT ainda não definiu, os jornalistas de apresentar e insistir na Marta, para tentar depois arrancar uma crítica, que percebe-se Kassab procura evitar.

    Se o jornalismo consiste em servir de escadinha para deixar os entrevistados fazerem publicidade de se mesmos e nada questionar, qual é o significado mais profundo do valor da liberdade de imprensa?

    Luis Favre

    ‘Tenho vontade de ser candidato’

    Carlos Marchi – O Estado de São Paulo

    Apesar do cuidado em não avançar sinais, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) afirmou ao Estado que tem vontade de ser o candidato à Prefeitura de São Paulo em 2008 pela aliança PSDB-DEM. “ Tenho vontade de continuar o trabalho, mas jamais vou fazer uma postulação de nível pessoal”, ressalvou. “Uma eventual candidatura minha vai estar atrelada a um projeto coletivo”, disse. Mas Kassab adverte que a definição do candidato aliado em São Paulo não é uma questão local: “É uma questão nacional.” Confiante, ele diz que até o final da sua gestão vai entregar “uma cidade bem melhor”. Eis a entrevista:

    O sr. está se sentindo à vontade na prefeitura?

    Estou bastante satisfeito, entrando no último ano, três anos de gestão e os resultados aparecendo. O que eu percebo é que a política traçada deu resultados previstos. Os resultados das políticas públicas, em especial no campo social – saúde e educação -, começam a aparecer e isso dá muita esperança e traz muita confiança. Até o final da gestão, vamos entregar uma cidade bem melhor.

    O sr. tem sentido isso nas ruas?

    Sinto. A população começa a notar a ação da prefeitura. Porque, nas últimas décadas, o que foi feito foram grandes obras. Todos percebem que nós paramos com as grandes obras para fazer um trabalho centrado na saúde e educação. Eu sinto isso, que a população reconhece as coisas que estão acontecendo numa dimensão que não existia antes.

    O sr. sempre se disse um continuador do ex-prefeito José Serra, mas agora já executa políticas suas. O sr. está imprimindo toques pessoais às políticas da prefeitura?

    À medida que o tempo passa, vão surgindo novos desafios e aí fica a marca da atual gestão, sempre com a mesma equipe, com a mesma linha de metas. Mas esses novos desafios que surgem têm mais a nossa marca, é natural. Veja o exemplo do Cidade Limpa, um projeto que se iniciou com Serra. Quando eu assumi, percebi um momento favorável para aprovar o projeto na Câmara, um projeto muito mais radical do que a gente havia desenhado. Se ele estivesse aqui, também teria enxergado essa oportunidade. E não deixa de ser mérito dele, que trouxe o tema à discussão. As AMAs (unidades de Assistência Médica Ambulatorial) foram uma criação dele. Depois, quando os resultados foram aparecendo, nós percebemos que era o caminho correto e pisamos fundo no acelerador. Agora, estamos próximos de, até o mês de março, chegar a 110 AMAs.

    No que facilita vocês serem tão próximos?

    Acho que nunca um Estado teve uma relação com a capital no País tão próxima e tão convergente como temos hoje. É lógico que as ações acontecem com mais velocidade. Não preciso perder muito tempo para explicar a ele. Vamos pegar um exemplo – córregos. São Paulo tem 11 milhões de habitantes e trezentos córregos para onde são direcionados esgotos. Quando ele assumiu o governo estadual, criamos um convênio, com 80% de verbas do Estado e 20% do município. Não acabou o primeiro ano do governo Serra e estamos concluindo o processo de execução de 40 daqueles córregos.

    Todo administrador reclama da falta de recursos. Por que o sr. não se queixa?

    O principal problema dos recursos não é ampliar as fontes, mas ter austeridade no gasto e rigor na fiscalização. Nós aumentamos a nossa arrecadação: em 2004, tivemos uma receita total de R$ 12 bilhões; no orçamento de 2008, que mandamos para a Câmara, já teremos R$ 25 bilhões. Mais que o dobro, em quatro anos. Pergunto: qual foi o aumento da carga tributária, nesses quatro anos? Zero. Ao contrário, abrimos mão da taxa do lixo, que significava R$ 400 milhões por ano, em 2005, e abrimos mão da taxa de iluminação pública nas ruas que não têm lâmpadas. Nós aumentamos a arrecadação com rigor na fiscalização. Rigor mesmo. Não quero fazer acusação de que antes havia corrupção. O que não havia é rigor.

    Como será o seu último ano? Uma enxurrada de obras?

    Não vai ter nada de especial, não vai mudar a rotina da administração. Vamos dar seqüência no que estamos fazendo. É evidente que, por ser o último ano, há uma conclusão maior de projetos iniciados. Você não conclui nada no primeiro ano. Pode anotar: nada, nada que tenha vinculação com um ano eleitoral. Não existe essa preocupação.

    Qual será, a seu juízo, a sua grande marca na Prefeitura de São Paulo?

    A cidade percebeu que existe hoje uma prefeitura preocupada com a melhoria da qualidade de vida das pessoas, com a manutenção da cidade. Hoje o paulistano identifica a prefeitura dessa maneira. E não identificava antes. Hoje ele sente a cidade mais bem cuidada, sente uma preocupação com o ensino e a saúde públicas.

    Como vai a aliança PSDB-DEM?

    A minha avaliação é que a aliança nunca esteve tão sólida. Juntos, a gente governa São Paulo, elegemos o Serra e eu; juntos elegemos o Serra, Goldman e quase elegemos Afif. E juntos fazemos oposição ao governo federal, mas uma oposição com espírito público, com proposta, com bastante determinação.

    Essa aliança vai perdurar para as eleições municipais de 2008 em São Paulo?

    Eu acho. É evidente que, se trouxermos o assunto para esse ano, quando as eleições não estão na pauta, qualquer dirigente de um grande partido, seja os Democratas, seja o PSDB, seja o PT, seja o PMDB, vai afirmar que a diretriz do partido é ter candidatura própria nas eleições majoritárias no País inteiro. Só faltava ser diferente… Mas na medida em que o assunto for discutido, e a discussão acontece no ano das eleições, é compreensível que os partidos aliados se sentem à mesa de negociação e cheguem à conclusão de que a aliança é mais proveitosa para implantar os programas de cada um. Eu me coloco entre aqueles que defendem a continuidade da aliança.

    Essa conversa de sentarem juntos deve acontecer quando?

    De março a maio do ano que vem.

    Até que ponto as eleições municipais influirão na eleição de 2010?

    Quem ganhar as eleições de 2008, se mostrar boa administração, se fortalece para 2010. Os partidos podem se credenciar ou se descredenciar para as eleições de 2010.

    Que prognóstico o sr. faz para o desempenho da aliança PSDB-DEM nas eleições de 2008?

    Acho que será muito bom, da mesma forma que acredito nela em 2010.

    Se PSDB e DEM tiverem dois candidatos um deles poderá ser o vencedor ou a divisão abala os dois?

    É difícil admitir duas candidaturas, até porque acredito que o caminho seja a aliança. Ano que vem, quando o assunto for discutido, minha priorização como dirigente partidário será defender a manutenção da aliança.

    Que obstáculos hoje devem ser retirados para a aliança persistir?

    O obstáculo natural em qualquer processo de composição de aliança, quando os partidos querem, legitimamente, ocupar o cargo titular. Na medida em que o tempo passa, as coisas vão ficando mais claras, mais nítidas e aí, naturalmente, surge a opção da formalização da aliança e a ocupação dos cargos conforme o processo de negociação.

    O sr. tem vontade de ser candidato à reeleição?

    Tenho. Tenho vontade de continuar o trabalho, mas jamais vou fazer uma postulação em nível pessoal. Uma eventual candidatura minha vai estar atrelada a um projeto coletivo, de unir os partidos numa aliança, de mostrar à cidade que existe responsabilidade na postulação. Jamais faria uma candidatura centrada num projeto pessoal. Para que ela tenha naturalidade numa cidade das dimensões de São Paulo, é fundamental que ela tenha lastro nos partidos, num projeto. Se não, eu não teria nenhum problema em não ser candidato, ficaria contente pelos resultados da boa gestão.

    Esse lastro existe. O seu partido tem manifestado, de forma muito expressiva, a idéia de que o sr. é candidato.

    Sim, o partido apresenta a minha candidatura e é muito natural que o faça, assim como cada partido tem a sua. O que eu tenho dito é que, como existe uma aliança em São Paulo, é muito correto e natural que a gente procure manter essa aliança para preservar a dimensão do lastro. Essa é a prioridade, para que a gente não enfraqueça o projeto político que governa a cidade.

    O sr. tem crescido a cada pesquisa. O nível de conhecimento popular do seu nome é satisfatório?

    É. Aliás, eu tenho uma situação peculiar. Assumi o cargo de prefeito sem nunca ter disputado uma eleição majoritária. À medida que eu fui tendo visibilidade e as ações da prefeitura também, e a gestão é muito boa, é muito gratificante ver as pessoas reconhecendo a boa gestão.

    O que seria fundamental para definir a sua candidatura? A opinião do governador Serra, por exemplo?

    Ela é fundamental. A aliança em São Paulo é como se fosse um único partido. E a aliança em São Paulo tem um líder. E o líder, evidente, é o Serra. Assim como o presidente Fernando Henrique, que tem um papel preponderante. Assim como o presidente Jorge Bornhausen, o presidente Rodrigo Maia. São todos figuras importantes nesse processo.

    O sr. está dizendo que…

    São Paulo é uma questão nacional.

    E naturalmente o candidato será decidido nesse fórum?

    Em processo de discussão com a direção nacional. E não será diferente este ano. É sempre uma diretriz nossa, em São Paulo, associarmos nossas decisões à direção nacional.

    Para onde PSDB e Democratas podem crescer?

    Se ganharmos as eleições em São Paulo e Belo Horizonte, por exemplo, chegaremos às eleições de 2010 governando dois dos principais Estados e suas respectivas capitais. Quando Serra foi candidato, em 2002, não tinha o governo de Minas e nem as prefeituras de São Paulo e Belo Horizonte. É uma situação bem diferenciada.

    Se o sr. for candidato, dê uma boa razão para o eleitor votar no sr.

    Se eu for candidato é porque haverá continuidade de um projeto para a cidade, fruto de uma vontade coletiva, e não pessoal. Hoje a cidade tem projeto e será a continuidade desse projeto.

    ENTREVISTA – GILBERTO KASSAB – Folha de São Paulo

    Saúde e educação são os piores problemas de SP

    Prefeito criticou a gestão Marta Suplicy (PT), possível adversária na eleição, e disse que fará mais CEUs do que ela

    ROGÉRIO GENTILE
    EDITOR DE COTIDIANO

    EVANDRO SPINELLI
    DA REPORTAGEM LOCAL

    O PREFEITO GILBERTO KASSAB (DEM) considera a educação e a saúde como os piores problemas de São Paulo. Na resposta ao questionamento da Folha, deu maior ênfase à educação que, segundo ele, atinge metade da população da cidade -incluindo os pais.
    Kassab recebeu ontem a Folha pouco antes de se encontrar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na inauguração de uma unidade do INSS, a quem elogiou. Na entrevista, evitou falar sobre candidatura à reeleição, mas disse que começará a discutir o assunto no início de 2008. Questionado, criticou a gestão de Marta Suplicy, possível adversária na eleição, e disse que fará mais CEUs do que ela.

    FOLHA – O que falta para o senhor decidir se será candidato ou não?
    GILBERTO KASSAB -
    Ninguém me cobra essa questão de posicionamento nas eleições. Até porque não está na pauta. O melhor indicativo de que a decisão é correta, de começar a refletir sobre o tema [só] ano que vem, é a população, que não me cobra.

    FOLHA – Qual é o prazo?
    KASSAB -
    No início do ano você começa a fazer umas análises.

    FOLHA – O senhor tem mais medo da Marta ou de Alckmin?
    KASSAB -
    Não me preocupo, porque não está na pauta. Para se preocupar, você precisa de uma análise maior. Eu não tenho feito nenhuma análise.

    FOLHA – É possível que PSDB e DEM tenham duas candidaturas?
    KASSAB -
    Nunca os Democratas e o PSDB tiveram uma aliança tão sólida. Juntos, elegeram Serra e eu à prefeitura; juntos, elegeram Serra e Goldman, e quase elegeram o Afif; juntos, fazem oposição ao governo federal. É muito natural que existam, quando o assunto começar a ser discutido, critérios que procurem direcionar para a manutenção da aliança.

    FOLHA – Do lado do PT, quem será candidato? Marta?
    KASSAB -
    Acho que o PT não tem essa definição. Até porque eles estão vivendo um processo de eleição interna. Eu, pelo menos, não tenho conhecimento de nenhuma discussão.

    FOLHA – A Marta não será?
    KASSAB -
    É eventual candidata.

    FOLHA – Marta foi boa prefeita?
    KASSAB -
    Como qualquer gestão, teve seus altos e baixos. Se achássemos que merecesse a aprovação da cidade, o Serra não teria sido candidato para enfrentá-la. É evidente que temos muitas discordâncias.

    FOLHA – Onde ela foi mal?
    KASSAB -
    No campo social, na saúde, educação.

    FOLHA – Ela fez os CEUs.
    KASSAB -
    Ela fez 21, nós faremos 25. Na área social, foi uma gestão que teve dificuldades para apresentar resultados expressivos.

    FOLHA – E onde ela foi bem?
    KASSAB -
    É difícil identificar avanços. Acho que [o governo Marta] foi positivo para a cidade, mas faltaram muitas ações para aperfeiçoar, talvez no campo… Mesmo no campo dos corredores de ônibus, eu ia falar, mas não… É difícil elogiar uma gestão de que você discorda e, por isso, apresentou uma alternativa: o Serra e eu, como vice. Então você tem dificuldades para elogiar.

    FOLHA – Não há continuidade de projetos, como os CEUs?
    KASSAB -
    Sim. Aliás, não paramos nada.

    FOLHA – O Serra tinha parado.
    KASSAB -
    Imagina. O Serra começou 5 dos 25.

    FOLHA – E fez duras críticas, dizendo que era caro, desnecessário.
    KASSAB -
    Também faço. Nós mudamos o projeto. Hoje eles são mais bem distribuídos, cabem mais alunos, são projetos mais inteligentes, [têm] manutenção mais barata.

    FOLHA – Por que São Paulo vai tão mal nas avaliações escolares?
    KASSAB -
    A complexidade de administrar São Paulo é muito maior do que qualquer outra cidade. Também no campo da educação. Nós temos, na cidade de São Paulo, 2,2 milhões alunos, metade na prefeitura, metade no Estado. Nas administrações anteriores, faltou priorizar o social: saúde, educação e assistência social. É evidente que os resultados, se essa priorização tivesse acontecido, seriam bem melhores.

    FOLHA – Quando o senhor acha que os resultados vão aparecer?
    KASSAB -
    Não é possível que não melhore quando você dá uma atenção, uma prioridade, como nós estamos dando nesta administração. São inúmeras ações muito expressivas. Como as condições serão melhores, os resultados vão ser melhores.

    FOLHA – Qual é o maior problema de São Paulo?
    KASSAB -
    Saúde e educação, quando a gente fala de 2,2 milhões de crianças na rede pública. Uma continha: bota só pais e mães, sobe para 5,3 milhões com nome, endereço, RG. Pai, mãe e aluno. É metade da população da cidade. É evidente que elas não estão tendo o ensino público que a cidade poderia oferecer. E, muito provavelmente, são essas pessoas que precisam de saúde pública.

    FOLHA – Por que o projeto da cracolândia está demorando tanto?
    KASSAB -
    Nova Luz? Não existe, acabou cracolândia.

    FOLHA – Se o senhor passar ali depois das 21h, vai ver que existe cracolândia ainda.
    KASSAB -
    Você tem um imóvel seu, o poder público chega, desapropria e estipula um valor. Você tem o direito de contestar. É a democracia. A primeira fase é lenta. Agora, já avançamos muito nesta primeira fase.

    FOLHA – Dá para levar a sério uma Câmara que, no mesmo dia, aprova o rodízio e acaba com ele?
    KASSAB -
    Estava tão equivocada essa postura da Câmara, que o vereador [Ricardo Teixeira, PSDB] retirou o projeto.

    FOLHA – Isso não elimina a sensação de que a Câmara vota de acordo apenas com compromissos políticos. A maioria dos parlamentares nem leu o que votou.
    KASSAB -
    Prefiro fazer uma análise diferente. O Legislativo paga o preço dos seus equívocos perante a opinião pública. As eleições são feitas para ratificar os mandatos ou não, renovar, mudar. Mas também tem o lado positivo. Os bons projetos foram aprovados. Eu falo no campo da saúde, por exemplo. As parcerias com as organizações sociais. E foi um projeto aprovado pela Câmara. A criação das AMAs [Assistência Médica Ambulatorial, que tem como função o atendimento não agendado de pacientes portadores de patologias de baixa e média complexidade]. Então, errou a Câmara com a aprovação [dos projetos do rodízio], lógico que errou. Tanto errou, que ela voltou atrás. E, se não voltasse, pagaria pelo erro.

    FOLHA – O fim da CPMF atrapalha sua gestão em alguma coisa?
    KASSAB -
    O governo federal vai ter que redimensionar os seus gastos. Essa resposta é muito difícil de dar porque cabe ao governo, depois, avaliar onde, e o presidente Lula tem tido muito bom senso e uma excelente relação conosco. Se tiver que fazer cortes, ele vai fazer cortes em algo que ele acha que vai ser menos nocivo para o desenvolvimento do seu programa.

    FOLHA – O senhor acha que o Congresso agiu certo ou foi um erro?
    KASSAB -
    O Congresso e o Poder Executivo erram na medida em que eles não fazem a reforma tributária. Toda essa polêmica em relação à CPMF não existiria se tivesse sido feita a reforma tributária.

    FOLHA – Não haverá redução de repasse para a prefeitura?
    KASSAB -
    Confio no bom senso do presidente. O que tem sido importante fazer, em São Paulo, ele tem feito.

    FOLHA – Por exemplo, as AMAs, o senhor tem quase 50 a fazer para cumprir a meta.
    KASSAB -
    Já estou inaugurando algumas neste ano. Até março a meta é inaugurar cem.

    FOLHA – É a principal medida de seu governo?
    KASSAB -
    Acho que tem um conjunto de projetos que sinto que têm uma avaliação muito positiva. As AMAs, a construção de dois novos hospitais -M’Boi Mirim e Cidade Tiradentes-, a informatização da rede. Há três anos, faltava remédio todo dia. Há quanto tempo, na Folha, vocês não dão notícias de que falta remédio? A reforma das UBSs, a construção de 25 CEUs no contexto de acabar com o terceiro turno, de quase 200 escolas, a reforma e manutenção. A Cidade Limpa.

    FOLHA – O que o sr. está lendo?
    KASSAB -
    No momento? Prefeitura, prefeitura, prefeitura.

    FOLHA – Não dá para ler?
    KASSAB -
    Até daria, mas no momento, não.

    FOLHA – Vida particular fica completamente comprometida?
    KASSAB -
    A vida particular é muito integrada com a vida do prefeito. Você vai a uma peça de teatro, mas a peça faz parte do calendário da prefeitura, vai ao cinema, é a Mostra Internacional de Cinema. Confunde um pouco, mas é gratificante.

    FOLHA – Os vizinhos batem na porta para pedir as coisas?
    KASSAB -
    Não. Mas também quase não fico em casa.

    FOLHA – Reclamaram da obra do shopping Iguatemi. Está resolvido o problema?
    KASSAB -
    Não me envolvi nisso. Achei que não seria ético.

    03/11/2007 - 10:07h Mídia: o pluralismo em questão

    O episódio da peça publicitária travestida de reportagem sobre o “Bolsa-Aluguel” acabou mostrando as consequências nefastas para a liberdade de imprensa do partidarismo do jornal O Estado de São Paulo: prepotência e censura.

    Até hoje as cartas continuam censuradas e de forma arrogante o jornal se recusa a reconhecer o problema.

    Mas a questão não se limita a esse exemplo de mau jornalismo, que solapa o pilar essencial da liberdade de imprensa e da liberdade de expressão que é o pluralismo.

    Observem os jornais de São Paulo e perceberão um tratamento diferente das questões políticas nacionais, das que concernem o âmbito estadual ou municipal.

    Os temas nacionais são sempre, ou quase sempre, tratados respeitando o pluralismo político. Não tem tema, projeto ou denúncia que não comporte, quase que diariamente, as opiniões do governo ou de sua base e também da oposição.

    Assim deve ser, inclusive equilibrando os espaços, independentemente da representatividade maior ou menor das forças políticas. Isto permite que o leitor possa se confrontar com diferentes pontos de vista sobre uma questão.

    Pode-se dizer que as manchetes, a distribuição dos artigos e o conteúdo da maioria deles são negativos ao governo ou mais simpáticos à oposição. Mas o pluralismo e a democracia na mídia quase que exigem que as minorias tenham maior destaque até para compensar o poder maior do governo e sua máquina, independentemente do partido que governa.

    Isto não justifica o verdadeiro preconceito destilado muitas vezes pelos jornais contra Lula e o PT, nem o viés oposicionista da maioria dos articulistas. Mas o pluralismo está presente, apesar de tudo, garantindo assim o confronto democrático e a diversidade da informação.

    Já nas questões de política estadual ou do município de São Paulo o tratamento é radicalmente diferente. O pluralismo se limita às manifestações dos respectivos governos e aos questionamentos, denúncias ou críticas que eventualmente os jornais ou seus articulistas venham a expressar. Excepcionalmente um ou outro opositor aparece citado, mas a menção é rara.

    Um exemplo: ontem reproduzi aqui no blog a informação dada pelo Estadão de privatização da CESP pelo governo Serra. Hoje a Folha de São Paulo confirma o teor da reportagem do Estadão (postarei o artigo da Folha depois). Pois bem, em nenhum dos artigos e sobre um tema mais que polêmico, a oposição consegue se manifestar. Ela simplesmente não aparece.

    O mesmo pode-se dizer também, sobre a questão do leilão do Rodoanel e o pedágio, com as mudanças anunciadas hoje; nenhum representante da oposição é chamado a dar sua opinião.

    Muito raramente, por não dizer quase nunca, os deputados estaduais ou os vereadores do PT são citados e suas posições reproduzidas. Por isso acabou acontecendo a manipulação aqui denunciada sobre o “Bolsa-Aluguel”. A correspondente do Estadão “comprou” como verdadeira a informação inverídica do Secretário de Kassab e seu editor nada viu. Tivesse solicitado, conforme ao pluralismo e equilibro jornalístico, uma declaração de algum representante da oposição e a mistificação teria sido descoberta.

    A ausência do “outro lado”, que não pode ser exclusivamente o próprio jornal e que deveria quase sempre incluir o ponto de vista dos partidos de oposição, nem sempre foi assim. Durante o governo de Marta Suplicy, a oposição tinha espaço e destaque em todos os jornais. Suas manifestações, pronunciamentos, críticas etc. quase que sempre eram acolhidas de forma democrática e pluralista pela mídia impressa.

    A mudança de atitude é flagrante. Isto contribui para o processo de enfraquecimento do papel da mídia impressa e a sensação de parcialidade que provoca sua leitura. Este afastamento dos leitores, reforçada pelo surgimento da mídia na internet e nos blogues, não deveria suscitar a alegria de ninguém. Trata-se de um empobrecimento da democracia e de um dos seus principais instrumentos: uma imprensa independente e pluralista ou seja, com credibilidade.

    Luis Favre

    01/11/2007 - 19:15h Jornal O Estado de São Paulo: após artigo fajuto, a censura

    Cartas censuradas e pluralismo ignorado

    O jornal O Estado de São Paulo insiste em silenciar os fatos que indicam que o artigo sobre o “Bolsa-Aluguel” era uma peça publicitária a serviço da administração Kassab. Até hoje nenhuma palavra.

    Para lembrar: o artigo em questão dizia que inspirado na sua visita a Nova York, onde ainda se encontra, o secretário de Assistência Social da Prefeitura de São Paulo , Floriano Pessaro, iria propor a criação do programa “Bolsa-Aluguel”. Acontece que esse programa já existia em São Paulo, criado por Marta Suplicy e foi fechado pelo próprio Floriano Pessaro. Mais ainda, os beneficiários do programa tiveram que recorrer a justiça contra o governo municipal para preservar seus direitos e o judiciário acolheu favoravelmente o pedido obrigando a Prefeitura a continuar pagando o “Bolsa-Aluguel”. (ver neste blog O jornal O Estado de São Paulo continua a se fingir de morto; Refrescando a memória do Estadão; Administração Kassab, com ajuda do Estadão, vai até New York para descobrir o que a Marta já fez; um artigo por dia com reprodução de farto material sobre o “Bolsa-Aluguel”).

    Quatro dias já se passaram e o jornal não dá nenhuma explicação. Pior, uma carta do Deputado Federal Paulo Texeira e outra missiva do Vereador Antonio Donato até hoje não foram publicadas apesar de estarem em possessão dos responsáveis do jornal desde o mesmo dia em que a generosa página foi publicada (ver as cartas de ambos, a seguir).

    O jornal é um auto-proclamado defensor da liberdade de imprensa e da democracia. Mas a democracia e a liberdade de imprensa são inseparáveis do pluralismo e incompatível com a censura. Neste caso, claramente, o jornal ignora o pluralismo e se serve da censura.

    Sonegando a informação aos seus leitores, a própria liberdade de imprensa é deturpada e confiscada em beneficio de um lado, de uma versão e no caso, pior, de uma mentira.

    Os leitores do jornal, entre os quais me encontro, merecem e esperam que o jornal volte atrás e corrija o erro, levante a censura e permita a expressão plural nas suas páginas.

    Luis Favre

    As cartas não publicadas pelo Estadão

    São Paulo, 29 de outubro 2007

    Programa Bolsa Aluguel já existe em São Paulo
    Quando secretário da habitação na gestão da prefeita Marta Suplicy, criamos, em janeiro de 2004, através de resolução do Conselho Municipal de Habitação, o Programa Bolsa Aluguel com o objetivo de conceder subsídio para locação de imóvel, viabilizando o acesso de famílias de baixo poder aquisitivo a uma moradia digna no município de São Paulo.
    Mais de 1.400 famílias, inclusive moradores em situação de rua, foram beneficiadas e outras 1.000 foram aprovadas para o atendimento.
    No entanto a atual gestão do Município de São Paulo interrompeu o programa. As famílias que locaram os seus imóveis pelo Bolsa Aluguel só não foram despejadas no final dos 30 meses de locação, em função da liminar concedida pela Fazenda Pública, a pedido do Ministério Público, que garantiu a prorrogação da concessão do benefício pela Prefeitura.

    Paulo Teixeira
    Deputado Federal – PT
    Secretário da Habitação do Município de São Paulo (2001 a 2004)

    São Paulo, 29 de outubro 2007

    Nova York é aqui

    É impressionante ver o secretário municipal de Assistência Social, Floriano Pesaro, reinventar a roda. A reportagem “SP cria ‘bolsa aluguel’ para morador de rua e estuda projetos de Nova York” (Metrópole, 29/10) expõe que ele trabalha para “subsidiar o aluguel de apartamentos para quem hoje está nas ruas”. Na verdade, a gestão Marta Suplicy já fazia isso. Alugava quartos em hotéis e casas para moradores de rua. O pior é que justamente a atual administração municipal tentou acabar com o programa bolsa aluguel criado na gestão Marta Suplicy e que subsidia famílias de baixa renda que não têm condições de pagar um aluguel ou comprar um imóvel. O programa está mantido por força de liminar concedida pelo juiz Emílio Muigliano Neto, da 7ª Vara da Fazenda Pública, em Ação Civil Pública proposta pelo Ministério Público. Se não fosse a determinação do juiz, hoje mais 1.473 famílias, cerca de 6.000 pessoas, poderiam estar nas ruas. Os contratos firmados na gestão Marta tinham vigência por 30 meses, e a atual gestão não iria renová-los. É, no minímo, extravagante ver agora o secretário Pesaro ir a Nova York para conhecer uma política que ajudou a desmontar aqui. Bastava ter dado andamento ao que existia, para já estarmos colhendo melhores resultados.

    Antonio Donato (vereador, PT)