02/07/2008 - 15:33h Templo da arte

Ópera - Garnier de Paris. Foto D.R.
- Luis Favre

Ópera - Garnier de Paris. Foto D.R.
Placido Domingo canta “La fleur que tu m’avais jetée” da Ópera “Carmen” de Georges Bizet .
Ópera de Viena, maestro Carlos Kleiber. Cenografia Zeffirelli.
Don José (Placido Domingo)
La fleur que tu m’avais jetée
dans ma prison m’était restée,
flétrie et sèche, cette fleur
gardait toujours sa douce odeur;
et pendant des heures entières,
sur mes yeux, fermant mes paupières,
de cette odeur je m’enivrais
et dans la nuit je te voyais!
Je me prenais à te maudire,
à te détester, à me dire:
pourquoi faut-il que le destin
l’ait mise là sur mon chemin!
Puis je m’accusais de blasphème,
et je ne sentais en moi-même,
je ne sentais qu’un seul désir,
un seul désir, un seul espoir:
te revoir, ô Carmen, oui, te revoir!
Car tu n’avais eu qu’à paraître,
qu’à jeter un regard sur moi,
pour t’emparer de tout mon être,
ô ma Carmen!
Et j’étais une chose à toi!
Carmen, je t’aime!
In prison I kept lovingly
The flower you had thrown at me.
Though it had faded and turned dry,
It still smelled sweet as time went by;
And I would put that special flower
On my closed eyes, hour after hour.
Drunk with that fragrance, I felt light,
And there I saw you in the night!
At times I would begin to hate you,
To curse you and to execrate you,
To say: why did it have to be
That fate brought her so close to me!
Then I thought that faith had defied me,
And I only felt deep inside me,
I only felt but one desire,
But one desire, one hope, one yen,
To see you, Carmen, yes, see you again!
For all you needed was to be there,
To throw a fleeting glance my way,
To have full mastery of me there,
Oh, Carmen, dear!
And all you did with me was play!
Carmen, I love you!
Translation by Jacob Lubliner
Libretto : Henri Meilhac and Ludovic Halévy
Renata Scotto canta a ária “Senza mamma”, da Ópera de Puccini Suor Angélica
No
(na parte superior da barra lateral vermelha, a direita) durante toda a semana o vídeo dos começos da carreira da soprano Natalie Dessay, na Ópera de Viena em 1993. A performance mostra um registro vocal remarcavel. Frühlingsstimmenwaltzeré o nome impronunciavel da valsa de Johann Strauss II escrita em 1882.
Mesmo que estejamos no inverno, é a voz da primavera.
A música e a voz valem o desvio.
Basta você dar um clique no
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METROPOLITAN OPERA HOUSE, MAESTRO JAMES LEVINE
Va, pensiero
Coro dos escravos hebraicos, da Ópera Nabucco de Verdi
Va, pensiero, sull’ali dorate;
Va, ti posa sui clivi, sui colli,
Ove olezzano tepide e molli
L’aure dolci del suolo natal!
Del Giordano le rive saluta,
Di Sïone le torri atterrate…
Oh mia patria s? bella e perduta!
Oh membranza s? cara e fatal!
Arpa d’ôr dei fatidici vati
Perchè muta dal salice pendi?
Le memorie nel petto raccendi,
Ci favella del tempo che fu!
O simile di Solima ai fati
Traggi un suono di crudo lamento,
O t’ispiri il Signore un concento
Maria Callas canta a ária da Ópera Tosca de Puccini no Covent Garden de Londres, com Tito Gobbi no papel de Scarpa
Renee Fleming canta “Depuis le jour” da Ópera Louise, de Charpentier
“O Franco-Atirador” estréia hoje no Teatro São Pedro
JOÃO BATISTA NATALI - Folha de São Paulo
DA REPORTAGEM LOCAL
“O Franco-Atirador” (”Der Freischütz”), ópera de Carl Maria von Weber (1786-1826), é considerada uma espécie de certidão de nascimento da arte lírica alemã. Mas é desconhecida no Brasil. Foi interpretada apenas três vezes desde 1865 (Municipal do Rio), mas nenhuma em São Paulo.
Pois ela estréia hoje no teatro São Pedro, em apenas três récitas -as outras serão domingo e terça-feira-, numa produção da Secretaria de Estado da Cultura e da Associação Paulista dos Amigos da Arte. Trará uma orquestra de 40 jovens músicos, regida por João Maurício Galindo, direção geral de Mauro Wrona e bons solistas, como a soprano Taís Bandeira e o tenor Rubens Medina. “Der Freischütz” é um conto germânico provavelmente do século 14. Narra a história de um pacto diabólico em que determinado caçador não errará o tiro quando disparar sua arma nas seis primeiras vezes. Na sétima, no entanto, o alvo será definido pelo demônio.
Na versão do libretista Friedrich Kind, que trabalhou com Weber, a ação se passa no século 17, na Boêmia. Max está apaixonado por Ágata, filha de Kuno, o guardião das florestas.
Mas, para ter direito a sua mão, deverá vencer um concurso de tiro. É convencido pelo demoníaco Kaspar a lançar mão da magia. A sétima bala que ele dispara atinge Ágata, que, no entanto, sai levemente ferida. Kuno o perdoa e promete entregar-lhe a filha como mulher depois de um ano de expiação.
O maestro Galindo diz que a ausência dessa bela ópera dos palcos paulistanos se justifica certamente pela existência de um gosto musical por décadas voltado ao repertório italiano.
Cantada em alemão, mas com cenas faladas interpretadas em português, Galindo diz ter ficado impressionado com os efeitos musicais e teatrais do instante em que Max funde os projéteis que lhe darão poderes.
O FRANCO-ATIRADOR
Quando: hoje e terça, às 20h30; domingo, às 17h
Onde: teatro São Pedro (r. Barra Funda, 171, tel. 0/xx/11/3667-0499; classificação: 12 anos)
Quanto: R$ 20 e R$ 10 (estudantes)
Elisabeth Schwarzkopf: Ária de ‘Agata da ópera ” O franco-atirador”
A ária do O Franco-Atirador cantada no you tube acima é uma beleza poética e romântica. Vejam as palavras traduzidas do alemão ao inglês, clique em leia mais.
Plácido Domingo na ária “Nessun Dorma” da Ópera Turandot de Puccini
1992, Conductor: Zubin Mehta.
Beniamino Gigli canta “PARIGI, O CARA” da “TRAVIATA” de Verdi. filme italiano “DIVINE ARMONIE”, sobre a vida de Giuseppe Verdi.
Maria Ewing canta a morte de Dido (Hampton Court Palace, London). Maestro: Richard Hickox
Maria Callas, Paris 1959
Concerto em Hamburgo Maio 15, 1959. Regido por Nicola rescigno

Tenor espanhol fez o que pôde em apresentação em Curitiba, mas problemas técnicos evidenciaram problemas na voz
João Luiz Sampaio, CURITIBA - O ESTADO DE SÃO PAULO
O tenor espanhol José Carreras não precisou cantar uma só nota para conquistar a platéia presente a seu concerto na noite de sábado, em Curitiba. Bastou entrar no palco para ser ovacionado pelas mais de duas mil pessoas que estiveram no Teatro Positivo - ali estava uma das vozes mais belas da segunda metade do século 20, representante daquele punhado raro de artistas líricos cuja fama extravasa o mundo da ópera. Duas horas de música depois, no entanto, fica um gostinho melancólico nos ouvidos - o que vale mais, afinal: o mito ou o homem?
Carreras surgiu no cenário nos anos 70. Foi logo adotado pelo maestro Herbert Von Karajan - o belo timbre, a técnica refinada, um canto que saboreava cada palavra de personagens como o jovem apaixonado Rodolfo, de La Bohème, um de seus primeiros grandes papéis: enquanto Luciano Pavarotti e Plácido Domingo disputavam o posto de maior tenor da época, Carreras corria por fora. Até que, no fim dos anos 80, foi diagnosticado com leucemia, iniciando uma longa luta contra a doença. Saiu vitorioso e, o destino faz dessas coisas, voltou à cena ao lado justamente de Pavarotti e Domingo, iniciando, em 1990, a série de concertos dos Três Tenores, franquia mais bem-sucedida da história da ópera.
Ao chegar a Curitiba, Carreras falou sobre o projeto. Repetiu aquilo que os três sempre defenderam - o objetivo da iniciativa foi criar, com concertos ao ar livre, quase sempre para multidões, um novo público para a ópera. Quase 20 anos depois do surgimento da série, porém, cabe a pergunta: será que se criou um novo público para a ópera ou, na verdade, se criou um novo gênero, uma mistura de música popular e ópera, com estilos e interpretações próprias emprestadas de uma para a outra, gerando filhotes como Sarah Brightman, Andrea Boccelli, Charlotte Church?
O próprio Carreras, hoje, sobrevive à luz dessa mistura. Longe da ópera, o repertório de sua apresentação em Curitiba foi um mosaico de canções italianas, catalãs, operetas austríacas e espanholas, as chamadas zarzuelas. Individualmente, cada uma delas têm seu encanto: Marechiare, Era de Maggio, Musica Proibita, Chitarra Romana, Granada. Em conjunto, no entanto, formam um programa que esbarra no kitsch, com arranjos sinfônicos bonitos, sim, mas que matam a espontaneidade de sentimentos que, afinal, está na gênese de sua criação.
Carreras, não há dúvida, é um grande artista. Extrai o máximo dessas canções, constrói momentos dramáticos interessantes onde é possível fazê-lo. O belo timbre ainda aparece e é notável a maneira como consegue preservar contrastes na voz, que, se perdeu o brilho nas notais mais agudas, ganhou força nos graves. Mas as falhas no sistema de microfones, duplicando sua voz e causando efeitos incômodos sempre que o cantor se movimentava, se distanciando ou aproximando dos microfones posicionados no chão do palco, eram um lembrete constante de que aquele era um artista longe de seu auge, com problemas de sustentação e emissão. Carreras, por tudo que significou e ainda significa, merecia tratamento melhor por parte da produção do espetáculo.
Ao seu lado, participou do concerto a soprano chilena Veronica Villarroel. É um timbre encantador, espontâneo, bonito mesmo. Couberam a ela os únicos trechos de ópera da noite - entre árias de Adriana Lecouvrer e A Força do Destino, seu melhor momento foi “Un Bel Dì”, de Madame Butterfly. Juntos, ela e Carreras fizeram um dueto muito bonito, “Lippen Schweigen”, da opereta A Viúva Alegre, de Franz Léhar; e o mesmo vale para o dueto da zarzuela El Dúo de la Africana, de Manuel Caballero, com sua complicada mistura de ritmos tradicionais espanhóis. Foram os dois grandes momentos do espetáculo, no que colaborou a atuação da Sinfônica do Paraná, regida por Enrique Ricci, evidenciando a boa acústica do novo teatro.
Como bis, uma homenagem à música brasileira - Carreras cantou Manhã de Carnaval, Veronica escolheu Eu Sei Que Vou Te Amar. Mas a elegante inclusão de músicas brasileiras no programa virou patriotada barata com uma enorme bandeira brasileira descendo no fundo do palco ao som de Aquarela do Brasil, levando a platéia de VIPs e autoridades (aquelas que permaneceram até o final, pelo menos) ao delírio.
A pergunta do começo permanece. O que vale mais: o mito ou o homem? É bem provável que a resposta esteja em algum lugar no meio do caminho, o que a gente chama de realidade. Ou na escolha da emoção - lágrimas, afinal, podem surgir da mais profunda satisfação; ou da melancolia mais nostálgica.
Placido Domingo é Calaf em Turandot de Puccini, junto com Katia Ricciarelli e Kurt Rydl. Dirigido por Lorin Maazel. Scala de Milão 1983
Shirley Verrett e Jon Vickers em Samson et Dalila de Saint-Saens . Covent Garden, 1981