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Nada como um dia depois de outro. Lembram a campanha eleitoral municipal de 2004. Serra e seu vice Kassab atacavam os tuneis da Marta dizendo que fazia obra em “bairro rico” e que eles fariam na periferia. Não adiantava explicar que o dinheiro para esses tuneis não era do orçamento e sim de operações urbanas que por lei só podiam ser investidas nos bairros das próprias operações. Tampouco adiantava dizer que a obra no era só túnel e contemplava também a construção de moradias populares para eliminar as favelas existentes nesses ” bairros ricos”.
A soberbia, o ar de profundos conhecedores, a arrogância demo-tucana com amplo espaço na mídia, seguramento enganou a mais de um. Mesmo alguns dos que diariamente transitavam por esse túneis, ganhando tempo, assentiam como “experts”.
Pois bem, mesmo com a crise e as dificuldades de arrecadação. Mesmo com o grau de endividamento no limite da lei. Mesmo com necessidades prementes em outras áreas. Kassab vai investir R$2,5 bilhões em 4 túneis (um na Av. Juscelino Kubitschek, outro na Av. Roberto Marinho , outro na Av. Sena Madureira e o quarto de lado do Campo de Marte).
A hipocrisia demo-tucana em todo seu esplendor. Sua “ética” em mão dupla, escancarada nos jornais (que passam sob silêncio este histórico do debate sobre os túneis).
Pois bem, pode ser que esses túneis sejam necessários e importantes. Um deles, ligando a Av. Roberto Marinho a Imigrantes, penso que é essencial e faz parte da Operação Urbana Águas Espraiadas e do projeto feito por Marta Suplicy com a construção da Ponte estaiada e a transformação da favela Jardim Edit em habitações decentes para seus moradores.
Sublinhar a impostura demo-tucana, sua falta de ética nos seus discursos e praticas administrativas, sua demagogia barata para iludir os eleitores, não deve implicar agir como eles. Cada ação da “gestão” demo-tucana deve ser apreciada a partir do critério do interesse público estreitamente ligado às necessidades de uma cidade para todos, particularmente para os que dela estão quase sempre excluídos. LF
Túnel Max feffer e Ponte Estaiada, projetos de Marta Suplicy financiados com Cepac das operações urbanas
Kassab planeja construir “pacote” de túneis
Obras em quatro pontos da cidade têm custo estimado de R$ 2,5 bi, suficientes para aumentar em 10 km a malha de metrô
Técnicos de transportes criticam as intervenções no sistema viário pelo fato de elas serem prioritariamente voltadas para os carros
ALENCAR IZIDORO
EVANDRO SPINELLI
DA REPORTAGEM LOCAL
A gestão Gilberto Kassab (DEM) planeja construir grandes túneis em pelo menos quatro pontos nobres de São Paulo.
O custo dessas obras -criticadas por técnicos e prioritariamente voltadas para os carros- atinge R$ 2,5 bilhões, equivalente a 10 km de metrô (tamanho da linha 2-verde).
Na zona sul, o plano abrange a extensão subterrânea da av. Roberto Marinho até a rodovia dos Imigrantes, além de túneis para eliminar a intersecção das avenidas Sena Madureira e Domingos de Moraes e também para construir um bulevar na avenida Juscelino Kubitschek.
Essas intervenções criam corredores alternativos de tráfego à av. dos Bandeirantes.
Na zona norte, as obras de Kassab têm o objetivo de ligar as avenidas Cruzeiro do Sul e Engenheiro Caetano Álvares.
A atual gestão, que teme repercussão inicial negativa, trata desses projetos sem alarde. Kassab criticou nos últimos anos a construção dos túneis das avenidas Rebouças e da Cidade Jardim no final da gestão Marta Suplicy (PT), em 2004.
A prefeitura afirma que essas obras estão nos planos para os próximos anos, mas não fixa prazos e incluiu só uma -a da Roberto Marinho, estimada em R$ 1,9 bilhão – em seu programa de metas entregue nesta semana à Câmara Municipal.
Os paulistanos, portanto, não devem se surpreender se, de uma hora para outra, grandes obras em algum desses pontos começarem a ser tocadas.
Isso porque os processos formais de contratação de três dessas quatro obras foram retomados nos últimos três meses pela gestão Kassab. E uma -a do bulevar JK- tem contrato pronto desde os anos 80 e já está até mesmo com preparativos para desvio do tráfego.
A Emurb (Empresa Municipal de Urbanização) começou a fase de licitação dos túneis da Roberto Marinho, Sena Madureira e Cruzeiro do Sul por meio de uma pré-qualificação das empresas interessadas.
Essa é a etapa inicial da concorrência (que demanda, além do tempo dos servidores, gastos do município com trâmites burocráticos), por meio da qual são selecionadas as construtoras em condições técnicas de tocar as obras. A entrega dos envelopes ocorreu em fevereiro e março. Em seguida, haverá a escolha do menor preço.
A construção de grandes obras viárias voltadas aos carros é atacada pela maioria dos especialistas sob a justificativa de que a prioridade deve ser dada ao transporte coletivo.
O engenheiro Jaime Waisman, professor da USP, considera que a parte positiva de intervenções como a da Roberto Marinho é não provocar a concentração de viagens no centro.
Mas ressalva: “Preferia que fosse investido em transporte público”; “são obras voltadas ao automóvel e que não resolvem os problemas do trânsito. Vai até ter impacto, mas limitado”.
O especialista Horácio Augusto Figueira considera que túnel voltado aos carros “é jogar uma fortuna no lixo”. Ele compara a obra da Sena Madureira ao túnel da Rebouças. “Vai ter congestionamento no semáforo seguinte e até dentro do túnel. É ir na contramão.”