10/10/2008 - 18:22h A realidade está nos números
Nada mais “chato” que os números e porem, nada mais esclarecedor. O balanço da gestão demo-tucana em São Paulo está retratado nas finanças municipais.
Balancete Patrimonial de Janeiro /2005
Hoje, Gilberto Kassab gosta de dizer que, na época, seu governo foi “prevenido” e “responsável”, por isso não contou com a receita excedente de janeiro…. Então, tá: mas como explicar que, ao fim do primeiro trimestre, esse valor de superávit já passasse de R$2 bilhões e, desse dinheiro, 90% engordasse os lucros dos bancos onde eles aplicaram os recursos da Prefeitura?
Balancete Patrimonial de Março /2005
E o imobilismo desses “gestores modernos” continuou. Ao final do primeiro semestre de 2005, o dinheiro sobrando no caixa da Prefeitura somava quase R$ 2,3 bilhões. E mais de R$ 2 bilhões continuavam nas aplicações financeiras.
A falácia da “crise de endividamento” simulada no começo daquele ano se mostraria por inteiro quando da publicação dos resultados econômicos e financeiros ao final de 2005. O superávit era quase quatro vezes maior do que a soma dos investimentos feitos naquele período, de pouco mais de R$ 680 milhões!
Esse desempenho se repetiria por toda a gestão “demo-tucana”. Ao final do segundo ano de governo, em 2006, o superávit passava de R$ 4 bilhões, dos quais R$ 3,3 bilhões ainda dormiam nas aplicações financeiras da Prefeitura de São Paulo.
O ápice desta maneira “pouco ortodoxa” de governar chegaria no final do primeiro ano
A Prefeitura de uma cidade não é uma empresa, portanto, não visa lucro nem acumulação de capital. Mas, mesmo que fosse como é no conceito do “Estado mínimo”, porque não distribuir então os “dividendos” entre os acionistas”? Porque não proceder a uma redução dos impostos e da carga tributária, já que o dinheiro arrecadado não é gasto?
Uma administração pública deve, sem dúvida, manter equilíbrio entre receitas e despesas - seja por responsabilidade moral, seja por responsabilidade legal – como Marta, aliás, fez em todo seu governo. Mas as contas devem fechar em “zero”, ou seja, deve-se gastar tudo o que foi arrecadado em prol da cidade. Dinheiro aplicado em bancos é coisa de especulador, não de administrador público comprometido com sua cidade.
Os recursos das Prefeituras têm que ser aplicados em ações de ampliação e melhoria dos atendimentos prestados em saúde, educação, assistência social, transportes, habitação, cultura – enfim, em todas as frentes em que a população, sobretudo a mais pobre, é mais dependente das ações governamentais.
Tentando patética e desesperadamente caracterizar sua inação como “responsabilidade” e “equilíbrio gerencial”, o que Kassab faz, na verdade, é escancarar sua profunda incompetência e falta de projetos para a cidade.
O gráfico abaixo não deixa dúvidas a esse respeito. Veja a enorme distância que o governo “demo-tucano” vai abrindo, a partir de 2005, ano a ano, entre o saldo do dinheiro que sobrava nas suas contas e era aplicado em bancos no mercado financeiro (cada vez maior, em verde) e os investimentos feitos
Aplicações Financeiras x Investimentos
PMSP – 2005 / 2008 (R$ mil – valores nominais)
Em verde as aplicações financeiras e em vermelho os investimentos
* Últimos dados disponíveis, publicados em setembro / 2008
Por isso a propaganda e a realidade mostram tamanha disparidade. Como no exemplo do cheque de R$1 bilhão para o metrô ilustrado nesta reportagem do Jornal da Tarde. Ou no anuncio repetido de novas licitações e obras nas vésperas das eleições. A intenção é a manipulação eleitoral e não um projeto de verdade para melhorar a vida das pessoas, nem para diminuir a desigualdade social.
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