23/11/2009 - 16:33h Brazilian protests greet Ahmadinejad at start of South American tour

Thousands take to streets in Sao Paulo and Rio de Janeiro to denounce Iranian president’s record on rights and Israel

A crowd protests against the visit of Mahmoud Ahmadinejad in Brasilia
Protesting against the visit of Mahmoud Ahmadinejad in Brasilia. Photograph: Andre Penner/AP



Protests greeted Mahmoud Ahmadinejad in Brazil at the start of a South American tour intended to bolster the Iranian president’s legitimacy and ease his country’s international isolation.

Thousands of demonstrators took to the streets in Sao Paulo and Rio de Janeiro on the eve of Ahmadinejad’s arrival to denounce his record on human rights, homosexuality and Israel.

The Brazilian president, Luiz Inácio Lula da Silva, was expected to welcome the visitor with red carpet pomp in the capital, Brasilia, before holding talks on economic and political co-operation. “It doesn’t help isolating Iran,” Lula said in his weekly radio address today.

Around 200 Iranian businessmen accompanied Ahmadinejad’s delegation, in a sign of their eagerness to tap opportunities in a continent that does not consider Tehran a pariah. Iran’s leader faces simmering discontent at home and hostility in the west, but in Latin America he has friends and allies among a leftist bloc led by Venezuela’s Hugo Chávez and including Bolivia, Ecuador and Nicaragua.

“This is the first time in Latin American history that an Islamic government has been so present in the US backyard,” Hamid Molana, an Ahmadinejad adviser, told the Irna state news agency.

Luis Inácio Lula da Silva and Mahmoud Ahmadinejad in Brasilia
Luis Inácio Lula da Silva and Mahmoud Ahmadinejad in Brasilia. Photograph: Fernando Bizerra Jr/EPA

Achieving a first head of state invitation to Brazil was a diplomatic coup for Tehran because the region’s heavyweight had previously kept its distance. Hobnobbing with Lula, one of the world’s most popular leaders, shows that Ahmadinejad has diplomatic cards to play even if Europe, the US and much of the Middle East are against him.

“New orders should be established in the world,” Ahmadinejad said before leaving Tehran. “Iran, Brazil and Venezuela in particular can have determining roles in designing and establishing these new orders.”

Israel made a pre-emptive diplomatic strike last week when the president, Shimon Peres, visited Argentina and Brazil to lobby for a tough line on Iran’s suspected quest for a nuclear bomb.

On Rio’s Ipanema beach, groups representing gay people, artists, Christians, Jews, and Holocaust survivors carried protest banners and a giant cage containing white balloons as a symbol of Iran’s “repressed values”.

Opposition politicians criticised the visit. “One thing is a diplomatic relationship with dictatorships, another is to welcome their leaders in your home,” Jose Serra, the Sao Paulo state governor, wrote in a newspaper article.

Ahmadinejad and Lula are expected to sign accords on biotechnology, energy and farming which, Tehran hopes, could boost bilateral trade from $2bn to $15bn. They may discuss co-operation on building nuclear plants. The Iranian president is due to address Brazil’s congress and speak to university students before heading on to Bolivia and Venezuela.

The visit will test Brazil’s ambition to be a serious diplomatic player by courting friendship with everyone. It has urged dialogue with Iran instead of cornering the regime with sanctions.

“If Brazil is somehow able to moderate Iran’s policies on the nuclear question, or its practice in support of terrorist groups, it would give the Lula government a tremendous boost and enhanced global stature,” said Michael Shifter, an analyst with the Inter-American Dialogue thinktank.

“But if Brazil doesn’t succeed in influencing Iran’s conduct, or is seen as indulging and legitimising such a questionable regime, then it risks alienating some in the US and Europe who expect Brazil to take a firm stand, and might even hurt its chances to get a seat on the UN security council.”

Brazil has reportedly asked Ahmadinejad to steer clear of homophobic comments, Holocaust denial and threats against Israel. Another delicate point will be Tehran’s crackdown on dissent after June’s presidential election.

The US has welcomed Brazil’s burgeoning diplomatic role but some members of Congress accused it of erring in “lending legitimacy” to Iran’s leader.

23/11/2009 - 13:30h O “jogo da paz” no Oriente Médio

Foto: Alba Valéria Mendonça/ G1

Lula minimiza polêmica sobre o encontro

Em nome da paz, presidente propõe jogo da seleção contra combinado Israel-Palestina

Chico de Gois e Gustavo Paul – O Globo

BRASÍLIA. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva procurou minimizar a polêmica em torno da visita ao país do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, hoje. Lula preferiu explorar o gesto feito pelo Brasil para tentar influenciar o processo de paz no Oriente Médio. E propôs o que chamou de “jogo da paz”: uma partida da seleção contra um combinado Israel-Palestina.

Lula ressaltou os encontros que teve na semana passada com o presidente de Israel, Shimon Peres, e da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, e disse que a visita de Ahmadinejad está dentro do contexto de conversar com todos os atores da região para tentar estabelecer a paz.

— Fico extremamente feliz que o Brasil possa, num espaço de 10 a 15 dias, receber o presidente de Israel, o presidente da Autoridade Palestina e o presidente do Irã. Isso mostra a diversidade das relações internacionais do Brasil. Com todos vou conversar sobre a mesma coisa: conversei sobre paz com o presidente Shimon Peres, conversei sobre paz com o Mahmoud Abbas e vou conversar sobre paz com o Ahmadinejad — disse Lula.

Lula disse que conhece os problemas da região e que é necessário identificar quem não quer a paz.

— Nós sabemos quem quer a paz no Oriente Médio. O povo quer a paz e alguns governantes querem a paz. O que precisamos detectar agora é quem não quer a paz. A quem interessa que não haja paz no Oriente Médio? Alguém está ganhando com isso. E é esse alguém que está ganhando com a não existência de paz no Oriente Médio que nós precisamos colocar para escanteio e conversar com aqueles que querem construir a paz.

“Jogo da paz” foi proposto a Peres e Abbas O presidente acredita que uma partida de futebol pode ser o pontapé inicial para selar a paz entre palestinos e israelenses. Os dois lados vivem em conflito permanente, com milhares de mortos de ambas as partes, desde a criação do Estado de Israel, em 1948.

A exemplo do que fez no Haiti em agosto de 2004, Lula está disposto a promover um jogo entre a seleção brasileira e um combinado de jogadores palestinos e israelenses. O local da partida seria um campo neutro.

A ideia foi apresentada a Peres e a Abbas. De acordo com o presidente, os dois gostaram da proposta e ficaram de discutir melhor o assunto.

Para a efetivação do jogo, no entanto, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) terá de encaixar a partida no calendário de 2010, ano da Copa.

— Vou à região entre os dias 10 e 16 de março e estamos trabalhando com a ideia de fazer um jogo da paz, como fizemos no Haiti — declarou o presidente, dizendo que os dois países demonstraram disposição de montar uma seleção mista. — Se derem colher de chá, até eu posso jogar de centroavante. Poderia ser meia armador — brincou Lula.

O presidente defendeu que os Estados Unidos tenham uma ação mais ativa na região para buscar a paz.

— É preciso que as grandes potências, países como os Estados Unidos, também tenham uma ação mais positiva, mais construtiva. Se a gente conseguir fazer com que a paz no Oriente Médio não seja uma primazia dos Estados Unidos ou de outro país, mas que seja uma decisão das Nações Unidas e, com base nisso, todos os países do mundo trabalharem para construir a paz, nós estaremos tranquilos.

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, também defendeu a aproximação entre Brasil e Irã. Para ela, esse diálogo é reflexo do papel que o país passou a desempenhar no mundo.

— A gente tem que se acostumar com a presença mais forte do Brasil no cenário internacional. Quanto mais forte for nossa presença, mais vamos ser instados a contribuir para solucionar conflitos, para resolver pendências, para dar posições em relações às grandes questões internacionais — declarou.

Dilma vê a presença do presidente iraniano no país como um sinal da relevância do Brasil no cenário internacional: — Ninguém antes queria saber nossa opinião sobre o conflito árabeisraelense, nem pedia para a gente uma posição no sentido de construir a paz no Oriente Médio. É importante que o Brasil assuma esses papéis que cada vez mais serão dele.

AFP PHOTO/Eduardo Romero / Manifestantes pediam ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que não faça acordos com o governo do Irã
Em Ipanema, um protesto para lá de ecumênico

Judeus, homossexuais, negros, mulheres e até muçulmanos em manifestação contra visita de iraniano

Carolina Ribeiro – O Globo

“Ahmadinejad, apesar de você amanhã há de ser outro dia”, cantaram cerca de mil pessoas na manhã de ontem, em frente à Rua Maria Quitéria, na Praia de Ipanema, em protesto contra a visita do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que chega hoje a Brasília.

— A visita do Ahmadinejad não afeta apenas a comunidade judaica.

Não é uma ameaça para judeus, negros e homossexuais. É uma ameaça para a democracia. Quem nega o Holocausto, nega a escravidão no Brasil. Estamos reunidos para protestar contra qualquer tipo de discriminação e defender um mundo livre — observou Michel Gherman, representante da comunidade judaica Hillel.

A passeata reuniu representantes de diversas entidades, como Instituto de Fomento à Cidadania, Afoxé Filhos de Ghandi, Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, Academia Brasileira de Filosofia, Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, Ordem dos Advogados do Brasil, Museu Judaico, Grupo Arco Íris, União Cigana do Brasil, Sociedade Beneficente de Desenvolvimento Islâmico, entre outros.

— Outra vez, nunca mais. Não é possível que hoje em dia o Holocausto não seja reconhecido. Temos que sair da invisibilidade. Estamos presentes para promover o movimento político-racista-religioso — defendeu Miovacite, presidente da União Cigana do Brasil.

— Vim aqui lamentar a atitude do presidente Lula em receber um terrorista no nosso país. Considero isso uma afronta à sociedade — exclamou a vereadora Teresa Bergher, representante da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher.

Foram distribuídos apitos e cartões vermelhos. Placas com dizeres como “Senhor presidente: discriminação é crime. Explique ao convidado,”, “O Holocausto não existiu?” e “Perseguições a minorias religiosas?” foram erguidas pelos manifestantes.

O protesto durou cerca de duas horas e, ao meio-dia, foram lançados no ar balões de gás presos numa gaiola. Eles foram pintados com expressões como “liberdade de expressão”, “liberdade sexual”, “paz” e “memória ao Holocausto” em homenagem às vítimas da violência do atual regime do Irã.

Único sobrevivente de uma família judia dizimada no Holocausto, Alexander Laks, de 83 anos, está indignado com a visita.

— Fico ofendido com o fato de um nazista desses pisar em solo brasileiro.

Gostaria de saber quantos integrantes tem a família dele. Se não houve Holocausto, para onde então foi toda a minha família? Quem nega o Holocausto, nega os direitos humanos — ressaltou Laks.

22/11/2009 - 10:47h Israel – Palestina: Solução de 2 Estados está em xeque

Sem acordo até 2011, palestinos pressionarão por Estado único

http://laionmonteiro.files.wordpress.com/2009/01/nena_palestina_tanque_israel.jpg

John V. Whitbeck – O Estado SP

O “processo de paz” do Oriente Médio, um processo aparentemente perpétuo, chegou ao momento da verdade. Foi o que o principal negociador palestino, Saeb Erekat, afirmou em entrevista no último dia 4.

As esperanças dos palestinos de que o governo Barack Obama continuasse insistindo com firmeza para que Israel parasse de expandir os assentamentos em território palestino frustraram-se. Houve um momento particularmente decepcionante, quando a secretária americana de Estado, Hillary Clinton, usou o termo “sem precedentes” ao elogiar a promessa mínima de Israel de reduzir seu programa de expansão dos assentamentos.

Reagindo rapidamente, o presidente palestino, Mahmoud Abbas, anunciou que não se candidataria à reeleição porque agora estava claro que os Estados Unidos não se oporiam a Israel. A capitulação de Washington sugere a possibilidade de que “a solução dos dois Estados deixou de ser uma opção, e agora talvez o povo palestino deva voltar suas atenções para a solução de um Estado único, em que muçulmanos, cristãos e judeus possam viver em condições iguais”, disse Erekat.

Sua declaração clamorosa poderá assinalar uma guinada na longa e frustrante busca da paz com algum grau de justiça entre Israel e a Palestina.

STATUS QUO

Durante os longos anos do chamado processo de paz, os prazos foram constantemente desrespeitados, como era previsível. Este fracasso foi facilitado pela realidade prática de que, para Israel, o “fracasso” não teve outra consequência senão a continuação do status quo, que para todos os governos israelenses tem sido não apenas tolerável, como preferível a qualquer alternativa realizável de um ponto de vista realista. Para Israel, o “fracasso” sempre constituiu um “sucesso”, permitindo que continuasse confiscando terra palestina, expandindo suas colônias na Cisjordânia, construindo desvios acessíveis unicamente aos judeus, e em geral tornando a ocupação cada vez mais permanente e irreversível.

No interesse de todos, esta situação terá de mudar. Para que haja alguma perspectiva de sucesso numa nova rodada de negociações, o fracasso deve ter consequências claras, convincentes e inapeláveis para os israelenses.

A liderança palestina, com ou sem Abbas, agora deveria anunciar que está disposta a retomar as negociações com Israel, mas somente com base num entendimento expresso e irrevogável: se não houver um acordo de paz definitivo com base na “solução de dois Estados”, e se este não for assinado até o final de 2010, o povo palestino não terá outra escolha senão buscar a justiça e a liberdade pela democracia – mediante plenos direitos de cidadania em um Estado único em todos os territórios que, antes de 1948, constituíam a Palestina, livre de toda discriminação de raça ou religião, com direitos iguais para todos os que viverem neste Estado, como ocorre numa verdadeira democracia.

A Liga Árabe deveria então declarar publicamente que a generosa Iniciativa de uma Paz Árabe, que desde março de 2002 oferece a Israel uma paz permanente e relações diplomáticas e econômicas normais em troca do cumprimento da lei internacional pelos israelenses, expirará e será retirada da mesa de negociações, caso um acordo de paz definitivo palestino-israelenses não seja assinado até o final de 2010.

Neste momento – e não antes – poderão começar negociações sérias e cruciais. Considerando a extensão do avanço dos assentamentos israelenses em terras palestinas, talvez já seja tarde demais para se chegar a uma solução de dois Estados satisfatória, mas uma solução satisfatória nesse sentido jamais terá maior chance de ser alcançada. Se de fato for tarde demais, israelenses, palestinos e o mundo poderão, então, concentrar suas mentes e esforços de modo construtivo na única alternativa satisfatória.

É até mesmo possível que, se obrigados a trabalhar no próximo ano na perspectiva de viver num Estado totalmente democrático, muitos israelenses consigam considerar esta “ameaça” menos terrível do que têm feito tradicionalmente.

A este propósito, talvez os israelenses devessem conversar com alguns sul-africanos brancos. A transformação da ideologia da supremacia racial e do sistema político da África do Sul num sistema plenamente democrático os transformou de marginalizados em pessoas bem-vindas em toda a região.

Além disso, garantiu a permanência de uma presença branca forte e vital na África do Sul de um modo que nunca seria possível com flagrante injustiça de uma ideologia e um sistema político com base na supremacia racial e com a imposição aos nativos de “Estados independentes” fragmentados e dependentes. Este não é um precedente a ser menosprezado, mas poderá e deverá servir de inspiração.

20/11/2009 - 14:27h Abbas quer que Lula dê recado a Teerã


Líder palestino pedirá ao Brasil que interceda junto ao presidente do Irã por fim de apoio ao grupo radical islâmico Hamas

À Folha presidente da ANP diz que país pode agir mais pela paz no Oriente Médio; em Salvador, ele se reúne com o colega brasileiro hoje


Ricardo Stucker/PR

Presidente Lula come acarajé em jantar em Salvador com o líder da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas (esq.), e um tradutor


SAMY ADGHIRNI – FOLHA SP

ENVIADO ESPECIAL A SALVADOR

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, quer que Luiz Inácio Lula da Silva use suas boas relações com o iraniano Mahmoud Ahmadinejad para pedir que Teerã pare de apoiar o grupo radical Hamas, seu maior rival interno.
A declaração de Abbas foi feita ontem em entrevista exclusiva à Folha na véspera de seu encontro oficial com Lula (os dois líderes tiveram um jantar privado ontem) e quatro dias antes da visita de Ahmadinejad ao Brasil. Em conversa com a reportagem, o presidente da ANP acusou Israel de alimentar as divisões entre palestinos e disse que o atual governo israelense é o primeiro da história a não querer a paz.
Abbas, que viaja em avião cedido pelo governo do Marrocos, defendeu que o projeto de proclamação da independência palestina seja levado à ONU.

FOLHA – O que o sr. dirá ao presidente Lula?
MAHMOUD ABBAS -
Há muito tempo que temos relações com Lula. Acreditamos que o Brasil deveria ter um papel no processo de paz e pediremos que ele tome a oportunidade de assumir esse papel. Sei que é respeitado por israelenses e árabes, palestinos em particular. Não estamos falando de coisas específicas, mas de aspectos gerais.
O Brasil, como país importante, e o presidente Lula, como líder respeitado, podem ter um papel importante. Há muitas maneiras de atuar pela paz.

FOLHA – O sr. quer o apoio do Brasil a uma declaração unilateral de independência palestina?
ABBAS -
Não dizemos que proclamaremos independência unilateralmente. O que planejamos é que a Liga Árabe leve a questão de um Estado palestino ao Conselho de Segurança [da ONU]. Trabalharemos com os países árabes para chegar a um projeto concreto. Mas não agora, nem unilateralmente.

FOLHA – É coincidência o sr. vir ao Brasil poucos dias após a visita do presidente de Israel, Shimon Peres?
ABBAS -
Sim. Perguntamos ao governo brasileiro qual data seria mais conveniente para nossa visita e foi essa que eles ofereceram. Não planejamos nada.

FOLHA – O Brasil gostaria que o sr. recuasse da decisão de não tentar a reeleição. Existe essa chance?
ABBAS -
Não serei candidato. A decisão que tomei é definitiva. Temos instituições, governo, autoridade, gabinete, aparato policial e estabilidade. Não acho que minha decisão levará ao fim da Autoridade Palestina [como sugerido por analistas].

FOLHA – O sr. crê que o Irã apoia o Hamas? Gostaria que o Brasil intercedesse sobre a questão junto ao presidente Ahmadinejad?
ABBAS -
Sim. O Irã apoia o Hamas com dinheiro. As decisões do Hamas estão nas mãos de Teerã. Espero que ele [Lula] possa lhe dizer [a Ahmadinejad] algumas coisas a respeito de tudo o que acontece no Oriente Médio. Acho que o presidente o fará.

FOLHA – As divisões entre palestinos servem aos interesses de Israel?
ABBAS -
Isso é claro. As divisões entre palestinos são um pretexto que serve para reforçar o argumento de Israel de que não se sabe quem são os interlocutores do nosso lado. Não acho que os israelenses o tenham provocado [o racha], mas eles o estimulam e o mantêm para benefício próprio.

FOLHA – O que mudou após a posse do atual governo israelense?
ABBAS -
Este governo não acredita na paz. Os anteriores, especialmente o de Ehud Olmert, conversavam com a gente sobre todos os temas da negociação. Estivemos muito perto de alcançar uma solução final, mas isso não foi possível devido a problemas internos em Israel [acusações de corrupção contra o governo]. Olmert caiu, e sua sucessora [a então chanceler Tzipi Livni] não conseguiu formar um governo, e perderam as eleições. Hoje há no poder uma coalizão que não crê na paz.

FOLHA – Israel alega que são os palestinos que travam o diálogo ao exigir o congelamento das assentamentos na Cisjordânia sem considerar seu crescimento natural.
ABBAS -
Israel deveria cumprir com o que está determinado no Mapa do Caminho, que diz claramente: Israel deve cessar a expansão de todo tipo de assentamento, incluindo a expansão natural. É obrigação dos israelenses. Aliás, nós cumprimos com todas as nossas obrigações, os americanos e israelenses reconhecem isso. Israel não cumpriu nenhuma das suas.

FOLHA – Quando o sr. voltará a se encontrar com o atual premiê israelense, Binyamin Netanyahu?
ABBAS -
Quando ele aceitar dois princípios: o fim dos assentamentos e a retirada israelense até as fronteiras de 1967. Voltaremos a conversar no mesmo dia em que ele concordar com isso. Antes disso não há razão alguma para vê-lo. Estive com ele nos EUA, não passou de uma formalidade.

FOLHA – Como o sr. vê a política de Barack Obama no Oriente Médio?
ABBAS -
No início ele chegou a dizer que Israel deveria pôr fim à expansão dos assentamentos, mas infelizmente mudou de ideia. Mesmo assim, ainda cremos que ele acredita na paz e tem boas intenções para resolver os problemas na região.

FOLHA – Cresce o coro dos que advogam pela solução de um Estado para dois povos. O que sr. acha?
ABBAS -
Acreditamos na solução de dois Estados. Também não acreditamos na solução das fronteiras provisórias. Nosso Estado deveria ser criado dentro dos limites anteriores à guerra de 1967, com Jerusalém sendo a capital. São essas as fronteiras do Estado palestino. É a única maneira de podermos conviver com os israelenses em paz e segurança.

18/11/2009 - 17:04h Judeus israelenses apoiam negociações de paz com palestinos

Pesquisa da Universidade de Tel Aviv também aponta equilíbrio na opinião sobre as intenções de Netanyahu

Efe – Agência Estado

JERUSALÉM – Um total de 75% da população judaica israelense apoia o desenvolvimento de negociações de paz com a Autoridade Nacional Palestina (ANP), a percentagem mais alta em anos, revelou uma pesquisa da Universidade de Tel Aviv divulgada nesta quarta-feira, 18.

O levantamento mostra que, entre os que apoiam as negociações com os palestinos, 57% consideram a suspensão da construção de colônias judaicas como importante – algo que os palestinos estabelecem como condição para avançar nas conversas -, em comparação com 37% que opinaram o contrário.

Entre os que rejeitaram o diálogo, 93% disseram não acreditar que a construção de assentamentos judaicos no território ocupado palestino deva ser interrompida.

Este é o chamado “Índice de Guerra e Paz”, elaborado mensalmente pelo Programa Evans de Pesquisa da Resolução de Conflitos da Universidade de Tel Aviv após consultar mais de 500 israelenses. A margem de erro é de 4,5%.

Obama

A pesquisa também mostra uma queda no número de israelenses que considera o presidente dos EUA, Barack Obama, como pró-palestino, e um aumento no percentual daqueles que acham que a posição do americano é neutra ou inclusive pró-israelense.

Contra os 55% que consideravam que as políticas de Obama beneficiavam a parte palestina na edição da pesquisa feita em maio de 2009, apenas 40% dizem o mesmo no último levantamento, feito em novembro.

Os entrevistados se mostram igualmente divididos em relação às supostas intenções do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, de retornar às negociações com os palestinos. Assim, 46% disseram crer que suas intenções são sinceras, enquanto 45% afirmam o contrário.

Obama diz que construção de assentamentos por Israel é perigosa

Reuters/Brasil Online – O Globo

WASHINGTON (Reuters) – O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, voltou a colocar pressão sobre Israel para que o país ponha fim a seus projetos de assentamentos nesta quarta-feira, afirmando que a sua construção leva a uma situação perigosa com os palestinos.

“Acho que a continuação da construção de assentamentos não contribui para a segurança de Israel. Acho que torna mais difícil eles fazerem a paz com seus vizinhos”, disse Obama à Fox News.

“Acho que isso desagrada os palestinos de uma maneira que pode acabar sendo bastante perigoso.”

(Reportagem de Jeff Mason)

12/11/2009 - 14:17h Oriente Médio: Imprensa vê disputa pelo apoio do Brasil

País começa a ganhar destaque como ator importante na política da região

Os dois presidentes conversam no Itamaraty: Lula dá sinais de que aceitará o convite de Peres para visitar Israel em 2010 - (Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press )

Gustavo Chacra, CORRESPONDENTE, NOVA YORK – O Estado SP

O Brasil consegue aos poucos se destacar como um ator importante na política do Oriente Médio, e o apoio brasileiro passou a ser disputado pelos países envolvidos em conflitos na região. Esta é a avaliação de órgãos de imprensa de Israel que cobrem a visita do presidente Shimon Peres a Brasília, São Paulo e Rio.

Nos Estados Unidos, o peso brasileiro também é sentido, com críticas a Luiz Inácio Lula da Silva por receber o líder iraniano Mahmoud Ahmadinejad ainda neste mês e por ter uma viagem agendada a Teerã no início do próximo ano. Outros veem a iniciativa do presidente como positiva pela neutralidade do país, ajudando em um difícil acordo para a questão nuclear iraniana, prioridade da administração de Barack Obama.

O governo brasileiro também tem sido ativo no conflito envolvendo israelenses e palestinos. No mês passado, o Brasil liderou, sem obter sucesso, uma proposta no Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, para encontrar uma saída para a questão do relatório Goldstone, que acusa Israel e o Hamas de terem cometido crimes durante a guerra em Gaza no início deste ano.

A embaixadora brasileira nas Nações Unidas em Nova York, Maria Luiz Viotti, foi, na semana passada, uma das vozes mais fortes no debate sobre o tema. A posição brasileira, nos dois casos, teve destaque nos principais jornais americanos e europeus, algo impensável desde quando o diplomata Osvaldo Aranha presidiu a Assembleia Geral da ONU na votação que criou o Estado de Israel, em 1948.

Em análise, o diário israelense Haaretz afirma que “as visitas dos presidentes do Irã e de Israel ao Brasil demonstram o crescimento da potência sul-americana no Oriente Médio”. Na avaliação do jornal, considerado de centro-esquerda em Israel, um apoio do Brasil ao Irã poderia dar credibilidade ao programa nuclear iraniano, e os israelenses visam impedir justamente que isso aconteça.

Neste envolvimento na política do Oriente Médio, o Brasil é visto como anti-Israel. Em primeiro lugar, pela forma como Lula trata Ahmadinejad, considerado o principal inimigo israelense no mundo. O presidente brasileiro também já esteve em uma série de países árabes e visitará o Irã, mas não foi a Israel. Para completar, a posição brasileira em relação ao relatório Goldstone foi vista como dura pelos israelenses. Na ONU, Viotti afirmou que “Israel precisa respeitar as leis internacionais ao se defender, especialmente em áreas densamente populosas”.

10/11/2009 - 19:52h Shimon Peres destaca papel do Brasil em pressão contra o Irã

Brasil e Israel discutirão acordo de defesa e combate ao terrorismo

10/11/2009 – 14h53 ( – Agência EFE)

foto: EFE
Shimon Peres, Israel, Nelson Jobim
O presidente de Israel, Shimon Peres (d), cumprimenta o ministro da Defesa do Brasil, Nelson Jobim (e) nesta terça-feira, 10 de novembro

Os Governos brasileiro e israelense decidiram iniciar negociações para um acordo de defesa e combate ao terrorismo, anunciou nesta terça-feira o ministro da Defesa brasileiro, Nelson Jobim, após uma reunião com o presidente de Israel, Shimon Peres.”No mundo, não existem mais os conflitos regulares, e todos os conflitos que existem são irregulares”, disse Jobim a jornalistas, após a reunião com Peres, que iniciou nesta terça-feira uma visita oficial de cinco dias ao Brasil.

No começo da reunião, que depois foi fechada para a imprensa, Peres disse que “os Exércitos têm leis, uniformes e fronteiras”, mas avaliou que “o terrorismo aparece de diversas formas” e “em momentos inesperados”. Jobim não explicou os termos do acordo que os dois países pretendem discutir, mas disse estar convencido de que o Brasil e Israel “podem caminhar juntos em busca de uma nova visão de mundo que possa levar à paz”.

O ministro disse que, durante seu encontro com Peres, não se falou da visita que o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, fará ao Brasil no próximo dia 23, que gerou críticas de setores conservadores e da comunidade judaica no país.”Esse não é um assunto para mencionar” em uma reunião com Peres, disse Jobim, acrescentando que “Brasil fala com todos aqueles com os quais considera que deve falar”.

Após receber o ministro brasileiro, Peres foi a um centro de convenções de Brasília para uma reunião com autoridades da capital, na qual receberá o título de cidadão honorário da cidade.Depois, o presidente israelense deve visitar a sede do Congresso, onde fará um discurso perante a Câmara dos Deputados e do Senado.

Peres se reunirá na quarta-feira com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e depois viajará a São Paulo, onde na quinta-feira participará de uma reunião com empresários dos dois países.
Na sexta-feira, o presidente israelense se reunirá no Rio de Janeiro com autoridades locais e com o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli.

O líder israelense permanecerá no Rio de Janeiro no sábado, mas sem atividades oficiais, já que os judeus guardam esse dia da semana, e no domingo partirá para Buenos Aires.

Shimon Peres destaca papel do Brasil em pressão contra o Irã

REUTERS – Agência estado

BRASÍLIA – Dias antes de o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, visitar o país, o presidente israelense Shimon Peres destacou nesta terça-feira o papel que o Brasil pode desempenhar para reforçar a pressão internacional contra o Irã e o terrorismo.

Em discurso no Congresso brasileiro, Peres afirmou que, historicamente, Israel e o povo iraniano não são inimigos, assim como não o são judeus e muçulmanos. No entanto, ele criticou os esforços do governo iraniano para ter armas nucleares e seu apoio a grupos militantes palestinos.

“Não quero discutir em território brasileiro com o presidente do Irã, mas achamos que a política dele é um perigo mundial”, afirmou o israelense.

“Não posso ignorar que o Irã produz arma nuclear ao mesmo tempo em que manda destruir Israel. Isso é contra o tratado da ONU e o direito de viver.”

O líder iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, deve visitar o Brasil no dia 29 de novembro.

Para Peres, o Brasil tem um papel a desempenhar nas iniciativas da comunidade internacional contra o programa nuclear iraniano, que Teerã garante estar voltado para a geração de energia.

“Eu sei que o Brasil nega ameaças de destruição, nega o terror, e a voz clara e positiva do Brasil tem um eco muito forte no mundo inteiro”, destacou o presidente de Israel.

“Sei que o Brasil apoia o processo de paz (entre Israel e palestinos) que leve a dois Estados para dois povos. Isso então é a única alternativa.”

NEGOCIAÇÕES PARA A PAZ

Peres aproveitou para convidar palestinos e sírios a retomarem as negociações de paz com Israel.

“Chamo aqui o presidente Assad (Bashar al-Assad). Vamos entrar numa negociação agora, sem adiar mais, sem intermediários.”

Ao defender a criação de um Estado palestino que tenha uma voz contra o terror e a destruição, Peres também fez um chamamento às lideranças palestinas.

“Me dirijo ao meu colega Abu Mazen (como é conhecido o presidente palestino, Mahmoud Abbas) para continuar com a negociação de paz. Israel já avisou que está pronto para fazer concessões difíceis e dolorosas”, destacou.

(Reportagem de Fernando Exman)

18/10/2009 - 08:44h Pela paz: judeus americanos recusam alinhamento automático com Israel

“- O termo ‘pró-Israel’ foi sequestrado por aqueles que têm visões a que a maioria dos americanos, judeus e não judeus, se opõe, seja apoiar a guerra no Iraque, rufar os tambores para uma guerra com Irã ou colocar obstáculos no caminho para acabar com o conflito entre palestinos e israelenses- afirma Ben-Ami.” (fundador da ONG JStreet, grupo judeu de apoio a Israel na comunidade judaica de Estados-Unidos).

Clique na imagem do jornal O Globo para ampliar
JStreet_Israel

18/05/2009 - 08:59h China e petróleo no futuro do Brasil

http://www.terra.com.br/istoedinheiro/edicoes/525/imagens/lulaconvoca5.jpg

Sergio Leo – VALOR

Para felicidade dos que apreciam a inteligência, o professor Antônio Barros de Castro, recém-saído de uma delicada sucessão de cirurgias, volta hoje ao debate público, numa participação de última hora no Fórum Nacional promovido pelo ex-ministro Reis Velloso. Barros de Castro apresentará a última revisão do estudo mostrado pela primeira vez durante a comemoração dos 200 anos do ministério da Fazenda, no ano passado. Ele garante que, apesar da crise financeira, inaugurou-se um novo grande ciclo na economia mundial, puxado pela China e favorável a países ricos em recursos naturais. Como o Brasil.

Na semana em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visita a China e a Petrobras é ameaçada com uma CPI pela oposição, as teses do professor Barros de Castro ganham um valor especial. O economista, ex-presidente do BNDES, onde hoje é assessor, afirma que, mesmo antes da crise financeira mundial, o mundo vinha deslocando o eixo de sua atividade comercial para a China, onde o recente dinamismo industrial “veio para ficar”; o mercado interno chinês promete ser fonte inesgotável de estímulo e pressão duradoura sobre certos mercados de matérias primas e fontes de energia.

Esse novo ciclo cria desafios para o Brasil, grande produtor de bens primários, que ganharam mais importância com o achado das gigantescas reservas de petróleo na chamada camada pré-sal da costa brasileira. Estudos do BNDES com base nos “preços de referência” projetados pelo Departamento de Energia dos EUA (barril de petróleo a US$ 72 entre 2015 e 2020, e a US$ 78 em 2025) indicam que, deixadas ao sabor das forças de mercado, as exportações brasileiras de petróleo chegariam a 27% do total das vendas externas do país em 2025 e a 28% em 2030; e ultrapassariam 40% se os preços acompanhassem as hipóteses mais fortes, acima de US$ 130 o barril, nesses anos.

O Brasil está bem servido de instituições para lidar com a maior importância do petróleo na economia nacional e distribuição das riquezas e responsabilidades geradas pela exploração do pré-sal, acredita Barros de Castro. Mais complicado é definir políticas a serem aplicadas nesse novo cenário, diz ele. Deixar a exploração de petróleo aos interesses do mercado seria esgotar mais rapidamente esse “bilhete premiado”, e aprofundar a dependência da economia brasileira em relação a um recurso natural específico, trazendo efeitos negativos como dívidas e desestímulo à indústria.

Ele cobra uma visão de longo prazo, principalmente na maneira lidar com a forte entrada de recursos estrangeiros, de investimentos e exportações associados ao petróleo – fenômeno que estimula perigosamente o endividamento externo.

“Para que acelerar o avanço da oferta, gerando recursos que não devem e possivelmente não serão proximamente usados?”, pergunta Barros de Castro, ao sugerir que o governo controle a expansão da exploração do petróleo e concilie essa atividade com outras mudanças e outros objetivos na estrutura industrial brasileira. O economista prevê um “conflito de interesses” com “ressonâncias no plano interno”: de um lado, os interesses de longo prazo do país; do outro, os dos potenciais consumidores e produtores do óleo brasileiro.

Vai ter gente defendendo explorar com intensidade o pré-sal, até com o argumento de que petróleo deixará de ser importante fonte de energia em breve. Essa previsão é, porém, um motivo a mais para evitar que a economia brasileira se subordine à exploração desse recurso esgotável, contra-argumenta ele. Barros de Castro afirma que a descoberta do pré-sal só dramatizou a guinada econômica para a qual o Brasil vem sendo empurrado com a emergência consumidora da China. Uma mudança expressa na crescente importância de commodities na pauta de exportações brasileira.

É preciso entender essa mudança ao promover o apoio governamental ou tomar decisões empresariais no setor produtivo. Há atividades no Brasil fadadas à extinção e outras que merecem apoio e podem ser atropeladas pela pressão sobre os recursos naturais de exportação, alerta Barros de Castro. Forte estímulo à tecnologia e à indústria pode acompanhar o investimento nas commodities, com iniciativas como projetos de automação para equipamentos de águas profundas ou o desenvolvimento de máquinas agrícolas mais apropriadas para as características do campo brasileiro (e africano ou sul-americano).

Barros de Castro dá uma lição importante: as políticas para regiões ou empresas em dificuldades devem basear-se no “potencial por eles apresentado no novo contexto, não por suas qualidades ou problemas no passado recente”. Como sempre, o professor vai muito além da velha quizília sobre se o governo deve ou não intervir na economia. Deveriam ouvi-lo mais.

Enquanto isso, na Arábia…

A Arábia Saudita, visitada neste fim de semana pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem o que se pode chamar de governo baseado numa interpretação radical e anacrônica do Alcorão. O homossexualismo é punido até com decapitação; a única religião permitida é o islamismo, judeus são discriminados e um blogueiro de lá foi preso por revelar que havia se tornado cristão; mulheres não podem votar nem andar desacompanhadas nas ruas (no Irã, podem). Trabalhar ou tirar documentos de identidade, só autorizadas por um homem. Além disso, não há imprensa ou sindicatos livres.

Ao receber o ministro Celso Amorim, na Câmara, na semana passada, deputados como Fernando Gabeira nem notaram a visita de Lula a esse país de regime medieval. Também se calaram os defensores dos direitos humanos que condenam, veementes, a política do Itamaraty para Irã e África. A Arábia, ao contrário do Irã, é aliada dos EUA e não ameaça o monopólio de Israel no domínio da tecnologia nuclear no Oriente Médio.

Amorim ganhou mais um argumento para sua tese de que certos críticos da política externa brasileira parecem guiados pelas agendas internacionais de outros países.

Sergio Leo é repórter especial em Brasília. Escreve às segundas-feiras

E-mail sergio.leo@valor.com.br

01/02/2009 - 12:28h ”Solução de dois Estados só depende de Israel”

http://www.chinadaily.com.cn/world/2007-05/21/xin_18050421084960260554.jpghttp://arrastao.org/ficheiros/800px-israel_and_palestine_peace.png

Jimmy Carter: ex-presidente americano; segundo Carter, medida não foi adotada até agora porque israelenses rejeitam se retirar da Cisjordânia

 

Reza Aslan, Global Viewpoint – O Estado SP

 


O ex-presidente dos EUA Jimmy Carter debate as perspectivas para uma solução de dois Estados para a crise palestino-israelense, bem como a política externa americana diante do Irã.

Segundo os argumentos do seu novo livro, “Podemos chegar à paz na Terra Santa: Um plano que vai funcionar”, a imensa maioria dos israelenses e palestinos já aceita os parâmetros de uma solução de dois Estados. Então por que a solução de dois Estados ainda parece tão longe de se tornar realidade?

Até o momento isso se deveu ao fato de os israelenses não estarem dispostos a dar um passo fundamental, que é a retirada da Cisjordânia. Isso é central para a solução do conflito, e Israel não apenas continuou a aumentar o número de assentamentos no território como também construiu uma muralha na área palestina da Cisjordânia. Se os israelenses aceitarem a solução, terão de se retirar da Cisjordânia e eles ainda não demonstraram disposição em fazê-lo.

Parece que durante cerca de 40 anos o status quo beneficiou Israel. Mas agora parece que ocorreu uma virada, em termos demográficos. Não falta muito tempo para que haja mais árabes do que judeus entre o Mediterrâneo e o Rio Jordão. Esta não é a verdadeira ameaça à existência de Israel?

Exato. Logo haverá uma maioria árabe naquele território de um único Estado, o que significa que Israel terá apenas três opções completamente inaceitáveis. Uma delas é o que se pode chamar de limpeza étnica, coisa que ninguém deseja, e isto significa obrigar os palestinos a deixar o território. A segunda opção seria ter um país dentro do qual houvesse duas classes de cidadãos: uma delas seria composta pelos judeus, que teriam direito ao voto; a outra seria formada pelos árabes sem direito ao voto. E isso seria equivalente ao apartheid sul-africano.

A terceira e última opção é deixar que os árabes detenham a maioria dos votos, e com alguma divisão entre os judeus, e os árabes votando em bloco, eles controlariam todo o governo e não haveria mais um Estado judaico. Estas são as opções, excluída a solução de dois Estados.

Parece que a opinião pública e a mídia americanas estão mais dispostas a criticar Israel após a guerra em Gaza.

As pesquisas mostram que isso é verdade. Acho que veremos grandes mudanças, e a demonstração mais concreta é a eleição de Barack Obama. Desde sua primeira semana na presidência, ficou claro que a paz no Oriente Médio será uma de suas prioridades. E o enviado especial escolhido por ele, George Mitchell, é muito mais qualificado do que muitos de seus predecessores.

A maioria dos israelenses está disposta a abrir mão da Cisjordânia em troca da paz, e os palestinos desejam a mesma coisa. A poderosa voz do presidente dos EUA terá um imenso impacto sobre a opinião pública, não somente no seu país, mas também nos territórios palestinos e em Israel.

Qual seria a principal lição que o presidente deveria aprender a partir da sua experiência nas tentativas de encerrar o conflito no Oriente Médio?

Os EUA precisam desempenhar um papel forte desde os primeiros momentos de seu governo, sendo enfáticos nos esforços para conduzir as negociações até a sua conclusão. É necessário agir logo, demonstrar comprometimento profundo e ser persistente.

Este processo começa com o reconhecimento do papel desempenhado pelo Hamas nas negociações?

Ainda é cedo para isto. O Hamas se comprometeu a aceitar qualquer acordo negociado com Israel, desde que seja submetido ao povo palestino em um plebiscito, ou se for eleito um governo de unidade e os representantes do governo aprovarem o acordo. Este é um importante passo a ser dado quando chegar o momento nas negociações com o Hamas.

Talvez agora tenhamos a oportunidade de reconsiderar os últimos 30 anos de política externa americana em relação ao Irã. Que conselho daria a Obama a respeito do melhor modo de tentar uma aproximação com o Irã?

Ele já prometeu, antes e depois de ser eleito presidente, que abrirá todas as formas de comunicação com o Irã. Se você descartar o presidente Mahmud Ahmadinejad e se aproximar de membros mais responsáveis do governo do Irã, penso que, quando Obama enviar alguém para explorar as possibilidades de negociação, acho que essa pessoa será bem recebida. Meu conselho para Obama é simplesmente fazer o que prometeu que faria: abrir um canal de comunicações com o Irã.

O senhor é otimista com relação à situação no Irã e no Oriente Médio daqui a oito anos?

Sim, comparando com as circunstâncias atuais, de onde partimos. O melhor meio de restringir os movimentos potenciais do Irã para aumentar sua capacidade nuclear é conseguir a paz entre israelenses e palestinos, acabar com a guerra oficial entre Israel e Síria, Israel e Líbano. Acho que isso eliminaria, e muito, a ameaça da qual os iranianos sentem que precisam se defender. E de uma maneira mais geral, debilitaria a influência de Teerã e seu prestígio, que cresceu por causa da guerra do Iraque. Assim, o fim da guerra no Iraque e a paz no Oriente Médio seriam duas coisas que colocariam o Irã de volta a uma posição em que sua influência negativa em prol do terrorismo diminuiria, e o país sentiria menos necessidade de ter armas nucleares para se defender.

17/01/2009 - 13:27h Chega de horror. Cessar-fogo já!

Uma TV israelense transmitiu ao vivo o desespero de um médico palestino, Dr. Abu El-Aish, pacifista que trabalhou em Israel e acabara de ter sua casa bombardeada. Era comum sua participação pelo telefone contando a situação em Gaza. Suas três filhas morreram e outras duas foram feridas. O vídeo é do Youtube e está legendado em espanhol. Tem uma versão legendada em ingles.

16/01/2009 - 23:10h Petistas divulgam carta sobre nota do partido em relação ao Oriente Médio

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16 de janeiro de 2009

Ao companheiro Ricardo Berzoini,
Presidente Nacional do PT,

Nós aqui subscritos, na qualidade de militantes do PT profundamente consternados com a tragédia que vem se desenrolando no Oriente Médio e com o número crescente de vítimas, inclusive de crianças, gostaríamos de manifestar publicamente desacordo com o teor da nota do Partido sobre o conflito, divulgada a 4 de janeiro corrente.

Em nossa visão, a nota posiciona equivocadamente o PT em relação a um conflito de notável complexidade, devido, em síntese, aos seguintes pontos:
i. ignora a posição histórica do Partido, que sempre se pautou pela defesa da coexistência pacífica dos povos;
ii. banaliza e distorce o fenômeno histórico do nazismo;
iii. não registra a necessária condenação ao terrorismo;
iv. não afirma o reconhecimento do direito de existência de Israel negado pelo Hamas;
v. não se coaduna com a posição equilibrada assumida pelo governo brasileiro sobre a questão; e
vi. queima, ao invés de construir, pontes para o entendimento.

Estamos convictos de que o Brasil, conforme propõe o Governo Lula e com base na convivência exemplar das duas comunidades em sua sociedade, pode contribuir para o engajamento das partes na busca de uma paz duradoura, baseada na coexistência pacífica de um Estado Palestino viável e próspero e de um Estado de Israel definitivamente seguro.

Nosso partido pode desempenhar um papel importante no aprofundamento do debate e na defesa, junto às partes e à sociedade brasileira, do caminho do cessar-fogo imediato e do desbloqueio da entrada de ajuda humanitária.

Assinam*:

Alberto Kleiman
Alexandre Padilha
Alfredo Schechtman
Aloizio Mercadante
Ana Copat Mindrisz
Carlos Minc Baumfeld
Clara Ant
Denise Rosa Lobato
Diogo de Sant’Ana
Edna Cassimiro
Esther Bemerguy de Albuquerque
Fernando Haddad
Fernando Kleiman
Itajaí Oliveira de Albuquerque
Ivo Bucaresky
Ivone de Santana
Jaques Wagner
José Genoino
Luciano Pereira da Silva
Marcelo Behar
Marcelo Zero
Marcos Damasceno
Maria Luíza Falcão
Marta Suplicy
Mauricio Mindrisz
Nadia Somekh
Paul Israel Singer
Paulo Moura
Paulo Vannuchi
Pedro Vieira Abramovay
Rômulo Paes de Sousa
Sergio Gusmão Suchodolski
Suzanne Serruya
Tarso Genro
Thiago Melamed de Menezes
Vitor Sarno
……………………………………….

*até o momento

16/01/2009 - 14:04h Perspectiva de paz torna a guerra ainda mais desumana

http://www.jornalmudardevida.net/wp-content/uploads/2008/02/gaza2_72dpi.jpg

Gilles Lapouge* – O Estado SP

O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, reconheceu: aviões israelenses bombardearam o complexo da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinos (UNRWA) em Gaza. O Hospital Al-Quds também foi atingido. Qual a razão desses ataques? Respostai: havia 700 palestinos refugiados no complexo. Era preciso atingi-los. É a lógica. Ataca-se onde os inimigos se encontram.

Alguns objetam, porém, que é igualmente lógico que civis, nas circunstâncias com alguns combatentes entre eles, presos em sua cidade, e correndo como um bando de ratos perseguidos por um caçador, procuram escapar da morte forçando as portas dos lugares pretensamente protegidos pelo direito. O direito? Por duas vezes, nos últimos dias, verificou-se que é uma péssima ideia esconder-se em lugares neutros. É a melhor maneira de atrair o raio. Cerca de 40 mortos numa escola da ONU, na semana passada, deram prova disso.

Mas a verdadeira razão desse ato deve ser procurada em outro lugar. As negociações entre Israel e o Hamas, com intermediação do Egito, haviam progredido de tal forma que, na manhã de ontem, a expectativa era de que as armas parassem de troar em um ou dois dias. Foi, portanto, na véspera desse evento que Israel empreendeu ataques de uma violência sem precedente, incluindo a destruição no complexo da ONU de assistência a uma população que morre de fome quando escapa da morte que vem do céu .

A ideia aponta, portanto, para um quadro duplo. De um lado, a paz é vislumbrada. De outro, a guerra se torna mais desumana. Ora, essas duas faces, longe de se contradizerem, se completam. “No último minuto”, disse um diplomata da região, “tenta-se obter progressos no terreno antes de a paz se impor. É a estratégia clássica de Israel”. Será o caso admitir que se multiplique o número de mortos para aumentar a chance de viver? Estranha dialética! E se, em vez de preparar a paz, esses excessos dessem uma nova chance à guerra?

Não se trata de fazer um julgamento, favorável ou indignado, sobre a guerra lançada por Israel. As provocações do Hamas, seus bombardeios cínicos das cidades israelenses, eram ignóbeis. No entanto, são muitos os que se escandalizaram com a maneira como essa guerra foi conduzida. A Federação Internacional dos Direitos Humanos pediu ao Conselho de Segurança da ONU que investigue “crimes na Faixa de Gaza que devem ser qualificados como de guerra, se não forem crimes contra a humanidade”. As bombas de fósforo Dime (Dense Inert Metal Explosive) são aceitas pelo direito internacional, é verdade, mas são abjetas. A agência Associated Press cita testemunhas que viram os efeitos dessas bombas: “Viu-se a fumaça branca vinda do céu descolar a pele do rosto e dos membros.” Eis a questão: para restaurar a paz, seria realmente necessário primeiro bombardear as instalações da ONU, um hospital, e atingir civis com bombas capazes de descolar a pele dos rostos e dos membros?


*Gilles Lapouge é correspondente em Paris

12/01/2009 - 15:32h Um blog no meio da zona de conflito

SAMEH A. HABEEB 23 anos, blogueiro e jornalista palestino de Gaza


DIVULGAÇÃO
PERIGO – Por causa do blog, Sameh (acima) recebeu ameaças de morte

Blogando, jovem torna-se olhos dos principais veículos do mundo sobre o lado palestino do bombardeio à Gaza

 

Filipe Serrano – O Estado SP – Caderno Link

 

A voz do jovem palestino e blogueiro Sameh Akram Habeeb, de 23 anos, soava cansada no telefone ao falar com o Link pela segunda vez na última semana enquanto o 13º dia da ofensiva de Israel contra o Hamas na Faixa de Gaza chegava ao fim, na noite de quinta-feira. “Está tudo bem por aqui… Só que os bombardeios ainda não acabaram (suspiro). Você já escreveu meu nome no jornal?”, ele pergunta, curioso, mas sem entusiasmo.

É que, desde o início do cerco a Gaza, há duas semanas, Sameh teve poucas horas de descanso. Ele se dispôs a reportar voluntariamente, pela internet, a situação na Cidade de Gaza, onde vive com seus pais, irmãos e irmãs.

Sua casa está sem eletricidade e, a cada dia, ele percorre quatro quilômetros até um local onde pode recarregar a bateria de seu notebook. Nas horas seguintes, telefona para hospitais, ouve as notícias pelo rádio do seu celular e tira fotografias do caos que tomou a região. Em casa, na região leste da cidade, se conecta à internet usando uma precária conexão discada.

Ela é lenta, mas, desde que a banda larga deixou de funcionar, tem sido a única opção para atualizar seu blog Gaza Strip, the Untold Story (http://gazatoday.blogspot.com) e o álbum virtual de fotografias que mantém no site http://picasaweb.google.com/sameh.habeeb.

No blog, que em português quer dizer Faixa de Gaza, a História Não Contada, Sameh descreve as dificuldades pelas quais os palestinos habitantes de Gaza têm passado nos últimos dias. Falta de água potável, energia, comida, gasolina, gás e assistência média são alguns dos problemas citados na página. Ele também enumera os acontecimentos do dia com uma sobriedade de manchete jornalística: “A casa da família Bawadi, em Jabalia, foi destruída”, dizia uma das atualizações de quinta-feira.

A sobriedade não é à toa. Sameh é formado em Língua Inglesa em 2008, mas também faz trabalhos como jornalista independente. Por isso, a cobertura em seu blog tem um tom objetivo, mesmo que ele, pessoalmente, tenha opiniões contrárias às ações de Israel.

Blogueiros palestinos como Sameh têm feito um papel importante durante a ofensiva israelense porque nenhum jornalista estrangeiro teve permissão de Israel para entrar na Faixa de Gaza até sexta-feira. Israel informou à organização Repórteres Sem-Fronteira que um cinegrafista da BBC entrou acompanhado do Exército. Com informações de pessoas como Sameh, a mídia internacional conseguiu dizer o que ocorria dentro da Faixa de Gaza.

Sameh é um caso especial porque, além de ter experiência como jornalista, deixa todos os seus contatos no blog. “Estou disponível 24 horas para atender jornalistas. Você pode me ligar a qualquer hora em minha casa”, avisa ele no blog.

Sua primeira entrevista para um jornalista estrangeiro foi em março, depois de um ataque na Faixa de Gaza. O palestino foi encontrado por causa do blog, que já publicava desde o início de 2008. Nas últimas duas semanas, porém, ele foi procurado diversas vezes para contar sua experiência como um palestino vivendo em meio aos ataques. “Muitas emissoras me procuraram, como CNN, ABC, CBS, Skynews, e jornais grandes, como USA Today, New York Times, Libération e Le Figaro”, diz.

“Meu telefone toca como o de um escritório cheio. Tenho um celular que fica ocupado toda hora também. Imagino que recebi umas 200 ligações nas últimas duas semanas. Não foram só jornalistas, mas algumas pessoas ligaram para dar apoio, dizer boa sorte e essas coisas”, afirma.

O blogueiro não esconde seu orgulho pessoal de ter recebido tantas ligações do mundo todo. “Tenho uma boa experiência já. Sou um bom fotógrafo, um fotógrafo fantástico. Você viu minhas imagens no site Skynews? Fotos fantásticas”, gaba-se.

A vontade de ajudar e de contar a situação de Gaza trouxe consequências perigosas. Na quinta-feira, Sameh recebeu três ligações anônimas ameaçando-o de morte se não parasse de escrever no blog. Ele diz não ter medo e que apenas não quer que sua família seja machucada. “Vou continuar escrevendo mais e mais. Não vou parar. Sinto que preciso mandar notícias sobre esta guerra”.

Após a declaração, Sameh conta que adora o Brasil e quer visitar o País quando tiver férias. Fica curioso para saber se é o custo de vida aqui é alto e ainda diz que em Gaza há muitos fãs de Ronaldo, o jogador. “Sabia que ele já esteve em Ramallah (cidade palestina próxima a Jerusalém)?”

A conversa é interrompida e ele diz “Look, breaking news (olhe, últimas notícias): um jornalista de Gaza foi morto em sua casa. Era um cinegrafista. Acho que foi atingido por um foguete. Nossa, agora estou com medo.”

12/01/2009 - 14:30h O fim moral da política israelense

Mario Vargas Llosa – O Estado de São Paulo

http://img.terra.com.br/i/2007/05/09/507439-3634-cp.jpgHaverá alguma possibilidade de a invasão militar de Israel na Faixa de Gaza “destroçar a infraestrutura terrorista” do Hamas – objetivo oficial da operação – e pôr fim ao disparo de foguetes artesanais dos integristas palestinos de Gaza contra as cidades israelenses da fronteira? Acho que nenhuma. Ao contrário, essa operação militar, que até este exato momento deixou milhares de feridos e já matou quase 900 palestinos, entre eles um grande número de crianças e de civis, terá o efeito de um massacre de parte da comunidade palestina, da qual o Hamas sairá fortalecido, e o setor moderado, ou seja, a Autoridade Nacional Palestina (ANP), liderada por Mahmud Abbas, será diminuída.

Para que o argumento usado por Ehud Olmert e seus ministros como justificativa do ataque tivesse uma aparência de realidade, Israel deveria voltar a ocupar Gaza com uma enorme força militar permanente ou perpetrar um genocídio que nem mesmo os mais fanáticos de seus falcões se atreveriam a assumir, e nem, esperamos, o resto do mundo toleraria, embora a opinião pública internacional tenha demonstrado – mais uma vez – uma total indiferença pelo destino dos palestinos.

A verdade dos fatos é que, por mais feroz que tenha sido o castigo infligido pelo Exército de Israel a Gaza, e precisamente em razão do sentimento de impotência e ódio pelo ocorrido com o 1,5 milhão de palestinos que vivem esfomeados e quase asfixiados nessa ratoeira, é provável que, uma vez que o Exército se retire da Faixa e a “paz” seja restabelecida, as ações terroristas se renovem com mais brio e um desejo de vingança alimentado pelos sofrimentos destes dias.

Os defensores dos bombardeios e da invasão respondem a seus críticos com a pergunta: “Até quando um país pode suportar que suas cidades sejam vítimas de foguetes terroristas disparados em suas fronteiras, durante dias, meses, por uma organização como o Hamas, que não reconhece a existência de Israel nem esconde seu propósito de acabar com o país?”A pergunta é muito pertinente e ninguém que não seja fanático ou terrorista pode justificar o assédio criminoso constante do Hamas contra as populações civis de Israel.

Ora, ao se procurar as causas do conflito, na minha opinião é desonesto ficar somente nos foguetes artesanais do Hamas, e não retroceder um pouco mais no tempo para entender (o que não significa justificar, evidentemente) o que acontece nesse explosivo pedaço do mundo.

A vitória eleitoral que levou o Hamas ao poder na Faixa de Gaza não foi um ato de adesão maciça dos palestinos ao fanatismo integrista nem aos atos terroristas. Foi o repúdio perfeitamente legítimo dos cidadãos da ineficiência e, principalmente, da descarada corrupção dos dirigentes da ANP. E, ainda, um típico ato de autodestruição ao qual os seres humanos, indivíduos ou coletividades estão propensos quando chegam a situações-limite, na impossibilidade de se defender e no desespero total.

Desde cedo, a retirada de Israel de Gaza e o abandono dos 21 assentamentos de colonos que havia na região, no verão de 2005, despertou grandes esperanças. O gesto impulsionaria o processo de paz, conduzindo à criação de um Estado Palestino que coexistiria com Israel e garantiria sua segurança no futuro.

Não só isso deixou de acontecer, como o Hamas se fortaleceu com o poder. Suas disputas com o Fatah, com tiroteios e assassinatos, e a política de Israel de impedir a comunicação a Gaza e de mantê-la em uma espécie de quarentena implacável – proibindo que exportasse e importasse, fechando-lhe o uso do ar e do mar, permitindo que seus habitantes só saíssem desse gueto de maneira muito limitada e depois de trâmites opressivos e humilhantes – contribuíram para o “grande fracasso econômico” que hoje em dia os falcões de Israel exibem como prova da incompetência dos palestinos para governar a si mesmos.

Eu me pergunto se algum país do mundo poderia progredir e modernizar-se nas condições atrozes de existência do povo de Gaza.

Ninguém me contou isso, não sou vítima de nenhum preconceito contra Israel, um país que sempre defendi, principalmente quando era alvo de uma campanha internacional orquestrada por Moscou, que apoiava toda a esquerda latino-americana. Eu vi com meus próprios olhos. E senti asco e revolta pela miséria atroz, indescritível, na qual estão morrendo aos poucos, sem trabalho, sem futuro, sem espaço para viver, nas covas estreitas e imundas dos campos de refugiados ou nessas cidades densamente povoadas e cobertas de lixo, por onde passeiam ratazanas diante dos olhos e a paciência dos transeuntes, essas famílias palestinas condenadas simplesmente a vegetar, a esperar que a morte venha pôr fim a existência sem esperança, de absoluta desumanidade, que é a sua.

São esses pobres infelizes, crianças, velhos e jovens, privados de tudo o que torna a vida humana, condenados a uma agonia tão injusta e tão larval quanto a dos judeus nos guetos da Europa nazista, que agora estão sendo massacrados pelos caças e tanques de Israel, sem que isso sirva para aproximar-se um milímetro da paz tão ansiada. Ao contrário, os cadáveres e os rios de sangue dos últimos dias só servirão para afastá-la e levantar novos obstáculos e semear mais ressentimentos e raiva no caminho da negociação.

Tudo isso é sabido, e muito melhor do que eu ou qualquer observador possa saber, pelos dirigentes de Israel, que podem ter perdido os sentimentos e a moral, mas não a inteligência. A classe dirigente israelense tem um nível muito elevado, é bem mais culta e preparada que a média do Ocidente.

Sendo assim, para que lançar uma operação militar que não acabará com o terrorismo dos fanáticos do Hamas e, em vez disso, servirá para desprestigiar um Estado, que com ações punitivas como essa perdeu a superioridade moral que tinha sobre seus inimigos no passado, por exemplo quando Yitzhak Rabin firmou os Acordos de Oslo de 1993?

Acredito que a resposta é a seguinte: desde o fracasso das negociações de Camp David e de Taba de 2000-2001, nas quais o governo israelense liderado por Ehud Barak esteve disposto a fazer importantes concessões que Arafat cometeu a insensatez de recusar, a sociedade israelense, profundamente decepcionada, viveu um processo de “direitização” radical e, em sua grande maioria, chegou à conclusão de que não há acordo razoável possível com os palestinos.

Portanto, somente uma política de força, de repressão e castigo sistemáticos os submeterá, fazendo-os aceitar, no fim, uma paz imposta segundo as condições de Israel.

Isso explica a popularidade que teve Ariel Sharon e o aumento do apoio ao movimento dos colonos, que continuam implantando assentamentos onde bem lhes agrada na Cisjordânia, e à construção do Muro que isola, divide e encolhe a Cisjordânia palestina.

E explica também que, desde o início das chuvas de bombas sobre Gaza, tenha disparado a popularidade dos trabalhistas de Ehud Barak, o atual ministro da Defesa, e da líder do Kadima, a chanceler Tzipi Livni, os quais, graças à operação militar contra Gaza, reduziram a vantagem de que desfrutava, às vésperas das próximas eleições, o conservador Benjamin Netanyahu. Não devemos esquecer que, segundo as pesquisas, mais de dois terços dos israelenses aprovam a ação militar contra Gaza.

“Nossos corações endureceram e nossos olhos se turvaram”, afirma o jornalista israelense Gideon Levy, em um artigo publicado no jornal Haaretz, na edição do dia 4, comentando a incursão do Exército de seu país contra o Hamas em Gaza. Como tudo que ele escreve, seu texto transpira decência, lucidez e coragem.

É um lamento por esse progressivo desaparecimento da moral da vida política de seu país, fenômeno que, segundo Albert Camus, antecede sempre os cataclismos históricos, e uma crítica a intelectuais progressistas como Amos Oz e David Grossman, que antes costumavam protestar energicamente contra acontecimentos como os bombardeios de Gaza e agora, timidamente, refletindo a involução generalizada da vida política israelense, só se animam a reclamar a paz.

Obrigado por demonstrar-nos que ainda existem homens justos em Israel, amigo Gideon Levy.

10/01/2009 - 12:06h Assessor de Lula discorda de nota do PT

Brasília - Coletiva do presidente interino do Partido dos Trabalhadores, Marco Aurélio Garcia. Foto: Fabio Pozzebom/ABr

A Folha de São Paulo não considerou importante incluir na sua edição eletrônica, o artigo de Eliane Cantanhêde, em página A10 da edição impressa de São Paulo, com declarações de Marco Aurélio Garcia sobre o Oriente-Médio e a nota do PT.

O assessor internacional da Presidência, Marco Aúrelio Garcia, discordou ontem da nota do PT sobre a guerra no Oriente Médio, informa o artigo. Para Marco Aurélio Garcia “o texto cometeu uma omissão: a de não ter reiterado a orientação histórica do partido em defesa do Estado de Israel”.

Para o assessor de Lula, a nota do PT comporta também “uma adjetivação inadequada” quando evoca as práticas nazistas.

Vale lembrar que a posição do governo brasileiro em favor da moderação, a trégua e a paz foi considerada positiva até pelo ministro de Assunto Sociais de Israel, Issac Herzog, que recusou a tentativa de amalgama que a Folha tentou fazer entre a nota do PT e a posição do governo Lula (ver Gotas). O ministro israelense declarou a Folha: “Temos muito respeito pelo Brasil e excelentes relações com o seu governo e consideramos bem-vinda qualquer iniciativa para contribuir com a paz na região. Parte dos esforços do Brasil e da comunidade internacional em geral poderia ser o fortalecimento do processo que já começamos com os palestinos moderados da Autoridade Nacional Palestina e o presidente Mahmoud Abbas, para melhorar a economia da Cisjordânia. Espero que em algum ponto esse esforço também possa se estender a Gaza, com forças moderadas que reconhecem Israel e estão dispostas a continuar o processo de paz.” (FSP 9/1/2008)

A clara manifestação do assessor do presidente Lula contribui para reafirmar a maneira séria e responsável com a qual o governo e Itamaraty agem para contribuir ao estabelecimento das condições de um cessar-fogo e negociações de paz. LF

09/01/2009 - 15:59h Obama quer dialogar com Hamas, diz jornal

Segundo ‘The Guardian’, que cita membros da equipe de transição do presidente eleito, ele pretende contatar o grupo palestino quando assumir

 

The Guardian, Washington – O Estado SP

 


O jornal britânico The Guardian publicou ontem em seu site que o presidente eleito dos EUA, Barack Obama, pretende mudar a política do atual governo americano de isolar o Hamas. De acordo com três membros da equipe de transição ouvidos pelo jornal, Obama estabelecerá um diálogo com o grupo palestino, que hoje faz parte da lista de organizações consideradas terroristas pelos EUA.

Os contatos com o Hamas, que seriam feitos por agências de inteligência, começariam aos poucos. No início, não seriam de alto nível e poderiam ser feitos até mesmo de maneira clandestina. Segundo os membros da equipe de Obama, há cada vez mais consenso em Washington de que a estratégia de isolar o Hamas é contraproducente.

Uma das alternativas que estão sendo analisadas é o estabelecimento de contatos entre o Hamas e agências de inteligência dos EUA por meio de encontros secretos, um processo muito parecido com o que foi usado pelos americanos para negociar com a OLP, nos anos 70.

MUDANÇA

Richard Haass, que seria o escolhido de Obama como enviado dos EUA ao Oriente Médio, apoia esse tipo de contato preliminar com o Hamas.

Em artigo publicado esta semana no site da revista Foreign Affairs – escrito antes do conflito em Gaza -, Haass, que é presidente do Council on Foreign Relations, escreveu que se houver um cessar-fogo entre Israel e o Hamas e uma reconciliação entre o grupo islâmico e a Autoridade Palestina, os EUA deveriam negociar com as duas facções palestinas. “Se isso ocorrer, Obama deve autorizar contatos preliminares entre funcionários dos EUA e o Hamas em Gaza.”

Para Steve Clemons, diretor do programa de Estratégia Americana da New America Foundation, existem várias maneiras de dialogar com o Hamas sem passar a impressão de estar legitimando o grupo. “Enviados secretos, diálogos multilaterais, negociações feitas por meio de diplomatas europeus, enfim, os dias de isolamento total do Hamas ditados por Bush acabarão”, disse.

Um analista de política externa bastante próximo da equipe de transição confirmou a intenção de diálogo com o Hamas, mas advertiu que, provavelmente, o andamento das negociações não vazará para a imprensa.

A disposição de negociar com o Hamas marcaria um rompimento radical na forma como o governo George W. Bush encara o extremismo islâmico. No mês passado, o general Anthony Zinni, que foi enviado do atual presidente ao Oriente Médio, já havia pedido publicamente para que Obama mudasse a estratégia dos EUA para a região e dialogasse com o Hamas.

Até agora, Obama não deu pessoalmente nenhuma pista de como será sua política externa para a região. Sempre que questionado por jornalistas, o presidente eleito responde que agirá apenas após a posse para não passar por cima da autoridade do atual presidente americano.

09/01/2009 - 14:55h Uma guerra desnecessária em Gaza

Jimmy Carter*, The Washington Post – O Estado SP

http://www.smh.com.au/ffximage/2008/05/27/Jimmy_Carter_narrowweb__300x459,0.jpgDepois de visitar Sderot, em abril, e observar os danos psicológicos causados pelos foguetes que caíram naquela área, minha mulher, Rosalynn, e eu concluímos que esses ataques com foguetes lançados de Gaza eram imperdoáveis, um ato de terrorismo. Embora as vítimas sejam raras (três mortes em sete anos), a cidade estava traumatizada pelas explosões. Cerca de 300 moradores mudaram para outras comunidades e as ruas, playgrounds e shopping centers estavam vazios. O prefeito Eli Moyal reuniu um grupo de cidadãos em seu gabinete para conversar conosco e eles se queixaram que o governo de Israel não conseguia pôr um fim a esses ataques, seja pela diplomacia ou por uma ação militar.

Sabendo que logo mais veríamos os líderes do Hamas em Gaza e também em Damasco, prometemos avaliar as perspectivas de um cessar-fogo. Ficamos sabendo pelo chefe do serviço de inteligência egípcio, Omar Suleiman, encarregado das negociações entre israelenses e o Hamas, que existia uma divergência fundamental entre os dois lados. O Hamas queria um cessar-fogo amplo, que abrangesse Cisjordânia e Gaza, e os israelenses recusavam-se a discutir qualquer outra coisa além de Gaza.

Soubemos que 1,5 milhão de habitantes de Gaza estavam passando fome quando o relator da ONU declarou que a desnutrição na região estava no mesmo nível dos países pobres do sul do Saara.

Os líderes palestinos de Gaza foram evasivos quanto a esses problemas, afirmando que os foguetes eram o único meio de reagir a seu confinamento e de chamar a atenção para a dramática situação humanitária dos palestinos. Mas em Damasco, os líderes do alto escalão do Hamas aceitaram analisar um cessar-fogo apenas em Gaza, desde que Israel não atacasse a região e permitisse que a ajuda humanitária chegasse até os palestinos.

Depois de extensas discussões com os companheiros de Gaza, os líderes do Hamas em Damasco também mostraram-se dispostos a aceitar um acordo de paz negociado entre israelenses e o presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, líder da Organização para Libertação da Palestina (OLP), contanto que fosse aprovado pela maioria dos palestinos em referendo ou por um governo de unidade eleito pela população.

Como estávamos ali como observadores e não como negociadores, transmitimos a informação aos egípcios, que prosseguiram com a proposta de cessar-fogo. Depois de um mês, egípcios e o Hamas informaram que as ações militares dos dois lados seriam interrompidas em julho por um prazo de seis meses e a ajuda humanitária seria retomada, voltando ao nível de antes da saída de Israel da região em 2005 (700 caminhões por dia).

Não conseguimos confirmar esses acertos em Jerusalém porque Israel não quis admitir qualquer negociação com o Hamas. Mas os disparos de foguetes foram interrompidos e os suprimentos de alimentos, água, remédios e combustível para Gaza foram reforçados embora o aumento tenha sido só de 20%.

Essa frágil trégua foi parcialmente violada em novembro, quando Israel lançou seus ataques para destruir um túnel que vinha sendo escavado pelo Hamas entre a fronteira de Gaza e o Egito.

Em outra visita à Síria, em dezembro, tentei conseguir que a trégua de seis meses, que estava expirando, fosse ampliada. Mas estava claro que a questão mais importante era a abertura das fronteiras para Gaza. Representantes do Centro Carter reuniram-se com autoridades israelenses em Jerusalém e indagaram se isso era possível em troca de uma interrupção dos ataques com foguetes.

O governo israelense disse informalmente que 15% dos carregamentos normais de ajuda humanitária seriam retomados se o Hamas interrompesse os ataques por 48 horas, o que não foi aceito pelos palestinos. Então, as hostilidades irromperam.

Depois de 12 dias de “combates”, as forças israelenses informaram que mais de mil alvos tinham sido bombardeados. Israel rejeitou as pressões internacionais por um cessar-fogo, com apoio de Washington. Dezessete mesquitas, a Escola Internacional Americana, residências particulares e boa parte da infraestrutura desse pequeno território foram destruídas, bem como os sistemas de fornecimento de água e de eletricidade.

A esperança é que, quando as hostilidades cessarem, Israel, o Hamas e os EUA aceitem um novo cessar-fogo, com a interrupção dos lançamentos de foguetes e a permissão para a entrada da ajuda humanitária aos palestinos . O próximo passo possível deve ser uma paz ampla e permanente.

*Jimmy Carter foi presidente dos EUA de 1977 a 1981. Fundou, em 1982, o Centro Carter, ONG que busca colaborar para a paz no mundo

08/01/2009 - 15:17h O debate faz parte da luta pela paz entre palestinos e israelenses

Reproduzo a seguir duas cartas trocadas entre o presidente da Conib (entidade representativa da comunidade judaica brasileira) e do presidente da ONG ABC Sem Racismo, sobre a intervenção militar na Faixa de Gaza.

Tenho reproduzido aqui alguns artigos para alimentar a reflexão dos leitores sobre o conflito no Oriente-Médio. Minha opinião está registrada em Paz em Gaza: uma solução complexa

LF

 

 

 

Prezado Senhor Cláudio Lottenberg,
Presidente da CONIB

Não sou um ativista anti-judeu. Ao contrário: sou um admirador da luta do povo judeu e de sua milenar história. Mais do que isso: me considero um parceiro do povo judeu na luta contra o racismo e qualquer espécie de discrimnação.
Mas, por favor, me responda: como é possível que um povo que há menos de cem anos foi vítima de crimes contra a humanidade como o holocausto praticados pelo nazismo, possa estar, precisamente hoje, repetindo os mesmos crimes, com a mesma crueldade, contra um povo inteiro – o palestino?
As imagens falam mais forte do que mil palavras e de nada adianta a propaganda do seu Exército mostrar ao mundo que se trata apenas de uma guerra contra o Hamas, a quem o seu Governo e Bush acusam de terrorista. Os mortos, às centenas, senhor Lottenberg, são na sua maioria civis – homens, mulheres e crianças desarmadas.
Como explicar esse crime às gerações futuras, senhor Lottenberg? Como poderá o povo judeu continuar falando de holocausto, quando transformou a Palestina, há décadas, em verdadeiro campo de concentração, com todos os requintes a que a crueldade humana pode chegar? Porque o seu Exército e os seus Governos sistematicamente, sob proteção americana, descumprem Resoluções da ONU que asseguram o direito inalienável do povo palestino ao seu Estado, onde possa viver em paz e em segurança? Por que o seu Governo recusa-se ao cessar fogo proposto pela União Européia? É apenas para ganhar tempo para perpretar o massacre contra civis indefesos?
Estamos todos cansados, senhor Lottenberg, da sua propaganda. Quando jovem eu e muitos da minha geração ficamos alarmados com as imagens de Sabra e Chatila, o senhor se lembra? Também lá, homens, mulheres e crianças palestinas foram vítimas de um verdadeiro massacre, praticados sob o comando do seu Exército. Na época, senhor Lottenberg, o Hamas sequer existia.
Assim como não há propaganda capaz de apagar as imagens da resistência judaica no gueto de Varsóvia; assim como não há palavras para descrever os sofrimentos do seu povo, Senhor Lotenberg, nos campos de concentração sob o nazismo; tampouco há propaganda e ou palavras que possam apagar os crimes contra a humanidade que hoje são praticados à luz do dia e sob as câmeras de TV pelo seu Exército. Protegido, apoiado e amparado pelas vítimas de ontem!
Chega! Basta de mentira e de hipocrisia!
Cordialmente,
Dojival Vieira
Jornalista Responsável pela Afropress – www.afropress.com
Presidente da ONG ABC SEM RACISMO
Fones: 9647-7322

Resposta do presidente da CONIB

Prezado Senhor Dojival:

Agradeço que me escreva e fico feliz que o senhor seja um admirador, como assim se manifesta, do povo judeu e de sua historia milenar, colocando-se como um verdadeiro parceiro na luta contra o racismo.

Ao tomar a liberdade de me escrever também tomo à liberdade de lhe contestar a luz da sugestão de que o senhor aprofunde o seu conhecimento no sentido de admirar de forma consistente, baseado em fatos concretos, e não alimentado por informações isoladas e não verdadeiras como o senhor aqui coloca.

A historia relativa ao Estado de Israel tem dados sobre os quais eventualmente o senhor desconheça. Em 1948 este Estado foi criado com a participação decisiva do brasileiro Osvaldo Aranha e, desde então uma longa historia vem acontecendo. Acordos são realizados e desrespeitados, diálogos são interrompidos e acredite que nos desaponta muito que o caminho da paz ainda não tenha sido atingido.

Comparar a situação da Faixa de Gaza com o Holocausto reflete um desconhecimento absoluto acerca dos dois episódios. O Holocausto foi fruto de uma indiferença de uma sociedade que condenou um povo à morte, liderado por um grupo minoritário. Este povo não caminhava com morteiros, não lançava foguetes e não matou civis, como é o caso daquilo que ocorreu na faixa de Gaza. Estes civis que morreram no Holocausto não morreram por serem terroristas ou por quererem a exterminação de um povo. Morreram por serem judeus.

Em 2005, Israel se retirou da Faixa de Gaza e entregou conforme acordado a região a Autoridade Palestina. Esta foi aos poucos lateralizada pelo braço terrorista Hamas, que é assim denominado pela União Européia e pelos EUA que progressivamente iniciou estimulado pelo Iran, um processo de agressões sistemáticas aos israelenses, moradores da região vizinha a Faixa de Gaza. Foguetes e morteiros eram lançados diariamente, civis assassinados e Israel inutilmente avisava que tomaria medidas caso isto não fosse interrompido. O Hamas, braço terrorista, coloca claramente que com Israel não há dialogo e que Israel deve ser destruído, e que, portanto mesmo os acordos previamente realizados não têm valor. Optou, portanto, em manter os ataques aos civis e aí, efetivamente, não haveria alternativa que não aquela tomada legitimamente de defesa. Cabe a toda estrutura de Estado garantir a segurança de seus cidadãos e exigir que seus vizinhos tenham um comportamento adequado. Portanto deixo claro ao senhor que a comparação com o Holocausto é no mínimo um reflexo de falta de sensibilidade, de desrespeito e que suas informações sobre a Faixa de Gaza são incompletas e fruto de manchetes de jornal isoladas de um contexto maior.

Quero lhe dizer mais uma coisa. Sou brasileiro e, portanto peço ao senhor respeito, pois meu julgamento é acerca de um comportamento de uma situação internacional, mas o meu governo é o governo brasileiro assim como o seu. Portanto, faça suas observações, mas não me cobre como o senhor assim o faz, pois a minha contribuição junto a este país tem sido enorme bastando que o senhor levante parte das atividades que desenvolvi. Acho que este cuidado que o senhor não teve, reflete o perfil de uma pessoa que por sua posição deveria ser um pouco mais justa e informada na maneira de se dirigir a um cidadão.

Eu, pelo contrario. Tomei o cuidado de ver suas contribuições, saber sobre o seu passado e se respondo é porque uma pessoa como o senhor merece minha atenção e quem sabe um pouco de compartilhamento de meu conhecimento para quem sabe rever seus pontos de vista.

Aprendi em minha vida que certas atitudes têm importância compensatória, pois são momentâneas. Elas passam mais rapidamente e são pontuais. Existem outras que são estruturantes, por trazerem propostas que a médio e longo prazo mudam situações para sempre. Ao escrever-lhe, peço que não tome minha resposta como algo para o momento, mas sim que dentro do espírito de união e de entendimento, que marca a relação entre as nossas comunidades, o senhor se proponha a entender o contexto que fez com que Israel legitimamente defendesse seus cidadãos.

Cordialmente,

Claudio Lottenberg

08/01/2009 - 14:41h Israelenses e palestinos manifestam pela paz

 

Portal do Le Monde

 

 

Ceux qui sont pour la paix ont du mal à se faire entendre.
La vidéo suivante, sous-titrée en anglais, montre, d’une part, une manifestation israélienne contre l’attaque sur Gaza (elle venait de commencer) et, d’autre part, une séance de dialogue entre Israéliens et Palestiniens.

Jews and Arabs refuse to be enemies
[Clique na imagem para ver o vídeo - Cliquer sur l’image pour voir la video]

Elle a été mise en ligne le 28 décembre 2008.
La deuxième vidéo, du 3 janvier, montre que le mouvement a continué et pris de l’ampleur

Thousand of Israelis protest
[Clique na imagem para ver o vídeo - Cliquer sur l’image pour voir la video]

04/08/2007 - 17:36h Reflexões pessoais sobre o acordo PT – Baath da Síria

O presidente do PT e o secretário de relações internacionais do partido, assinaram no mês de maio um protocolo de acordo com o partido Baath da Síria.

Como disse a carta enviada ao Centro Simon Wiesenthal pelos companheiro Ricardo Berzoini e Valter Pomar “Ter um acordo de cooperação com um determinado partido, não significa necessariamente que o PT esteja de acordo, total ou parcial, com a ideologia, com a história e com as ações governamentais destes partidos.”

Isto é verdade e não significa, é claro, que possamos ignorar a ideologia, a história e as ações dos partidos com que estabelecemos acordos de cooperação.

Considerar o partido Baath da Síria como um partido democrático ou de esquerda ou ao menos uma organização antimperialista seria um equivoco que o PT não fez e seguramente não fará. Tenho dúvidas, inclusive, se o Baath é realmente um partido ou uma simples correia de transmissão do poder ditatorial da familia Assaf que governa esse país com mão de ferro, e de pai para filho, faz quase meio século.

Uma coisa é considerar como legitima a reivindicação da Síria de restituição dos territórios ocupados por Israel (como é o caso do Golán) e outra, diferente, endossar a política reacionária, ditatorial e anti-democrática do regime do Baath. O protocolo assinado não entra nestas questões, nem em qualquer acordo ou compromisso político, o que é saudável, porem é bom evitar declaracões confusas ou simpáticas para com um regime que faz muito tempo deixo de ser “progressista”. Os dirigentes petistas devem, na minha opinião, estar atentos para que ninguém possa associar nosso partido a essa ditadura, mesmo secular e com rotulo “socialista”.

Pretender que o regime sírio é adversário da “política imperialista norte-americana” é só parcialmente verdadeiro e isto não faz deles, ipso facto, nossos amigos e aliados. Este raciocínio é reducionista e infantil, além de não condizer com a tradição do PT.

Vale lembrar que foi o regime de Assad e do Baath que em 1970 colaborou com Hussein da Jordania para massacrar a OLP e o povo Palestino (40 mil mortos), fechando suas fronteiras e obrigando os partidários de Arafat a se refugiar em condições mais que precárias no Líbano.

Convém insistir também que a rejeição da ocupação por Israel do sul do Líbano nunca significou apoio a ocupação da Beeka pelas tropas da Síria, cuja retirada do Líbano, junto com as de Israel, configurou um primeiro passo importante no caminho de negociações pacificas e de restituição da soberania nacional do povo libanês.

Nossa solidariedade para com o povo palestino e sua luta pela constituição de um Estado Palestino democrático e independente, que respeite a existência e a segurança do Estado de Israel; postura oficial do PT e manifestação inequívoca de nosso engajamento em favor dos oprimidos no oriente-médio, assim como repúdio a política dos governos de Israel que com apoio dos USA pratica uma linha belicista na região, nunca podem servir para avalizar nem grupos islâmicos radicais, nem regimes ditatoriais e partidos reacionários ou grupos terroristas. Faz bem ao PT reafirmar isto permanentemente.

Não estamos discutindo das necessárias e normais relações diplomáticas, comerciais, econômicas e culturais com os diversos governos da região por parte do governo brasileiro e que devem continuar e se aprofundar.

Não estou questionando contatos políticos com forças políticas das mais diversas no mundo e no médio-oriente, em particular, o que faz parte do pluralismo e tradição democrática do PT e que não exige assinatura de nenhum protocolo especifico. Não precisamos dar atestados “democráticos” a partidos com os quais nos reunimos de vez em quando e com os quais não temos nada em comum. E menos ainda a partidos como o Baath.

Se a democracia é um valor universal como consta da posição histórica do PT, ela tem que nortear também nossos compromissos políticos no plano internacional.

Luis Favre

04/08/2007 - 17:33h resposta ao Centro Simon Wiesenthal

São Paulo, 02 de agosto de 2007.

Ao Dr. Shimon Samuels
Diretor de relações internacionais

Ao Lic. Sergio D. Widder
Representante para a América Latina

Centro Simon Wieshental

Recebemos hoje, através de um jornalista da agência Reuters, em formato PDF enviado por correio eletrônico, a carta que vocês dirigiram ao Partido dos Trabalhadores, acerca do protocolo de cooperação firmado entre o Partido Baath da Síria e o PT do Brasil.

Posteriormente, recebemos uma ligação do jornal O Globo, solicitando nossa opinião sobre vossa carta, que chegou aos escritórios do Partido, via fax, as 11h28, horário Brasília.

Registramos com estranheza este procedimento.

Sobre o conteúdo de vossa carta, rogamos que façam novamente a leitura do acordo de cooperação assinado no dia 30 de maio de 2007.

Lá se fala em “incentivar a troca de visitas de delegações oficiais entre os Partidos em datas acordadas antecipadamente, objetivando a troca de idéias e pontos de vista a respeito das causas comuns”; promover “a troca de visitas entre delegações especializadas, em datas acordadas antecipadamente, objetivando a troca de experiência a respeito da logística de trabalho de cada Partido, e a troca de experiências”; promover a “troca de publicações e de documentos partidários importantes”; promover “a troca de convites para que cada Partido possa participar nos Congressos e Conferências do outro, de acordo com as tradições de cada Partido”; “em buscar coordenar os pontos de vista durante a sua participação em Congressos e Fóruns regionais e internacionais”; em trabalhar “no sentido de fortalecer as relações de amizade e cooperação entre as organizações populares e as sociedades representantes da sociedade civil, objetivando o intercâmbio de experiências”.

O PT mantém acordos de cooperação deste tipo, com vários partidos políticos, na Europa, na América Latina, na Ásia e na África.

Ter um acordo de cooperação com um determinado partido, não significa necessariamente que o PT esteja de acordo, total ou parcial, com a ideologia, com a história e com as ações governamentais destes partidos.

O PT defende a paz e a democracia no mundo e no Oriente Médio. Somos contra o terrorismo, inclusive o terrorismo de Estado. E somos contra a política de guerra adotada pelo governo norte-americano, que tem contribuído para desestabilizar toda a região.

Para conseguir a paz, não ajuda sair distribuindo “certificados seletivos de terrorismo”, que na prática servem para alguns governos que se consideram campeões da democracia, excluírem do diálogo atores de enorme importância política, partidos políticos reconhecidos em seus países, com grande apoio popular, parlamentares e governantes eleitos.

Por tudo isto, achamos que o acordo de cooperação firmado entre o PT e o Partido Baath da Síria é um ato em favor da paz.

Nos colocamos a disposição do Centro Simon Wieshental, tanto para esclarecer algo mais, quanto como facilitar nos contatos que queiram manter com o próprio Partido Baath e/ou com o governo da Síria, para apresentar quaisquer queixas, demandas e posicionamentos.

Atenciosamente,

Ricardo Berzoini
Presidente nacional do PT

Valter Pomar
Secretário de relações internacionais do PT

04/08/2007 - 17:23h Protocolo de acordo entre o Baath da Síria e o PT – maio 2007

ACORDO DE COOPERAÇÃO ENTRE O PARTIDO BAATH ÁRABE SOCIALISTA E O PARTIDO DOS TRABALHADORES PARA O PERÍODO DE 2007-2010.

Partindo da vontade comum do Partido Baath Árabe Socialista e do Partido dos Trabalhadores de constituir relações de cooperação metódica entre ambas as instituições, com o objetivo de estreitar os laços de amizade entre os povos amigos da República Árabe da Síria e da República Federativa do Brasil, e de melhor servir aos interesses comuns dos dois países e povos, assinaram o seguinte acordo de cooperação:

1. Incentivar a troca de visitas de delegações oficiais entre os Partidos em datas acordadas antecipadamente, objetivando a troca de idéias e pontos de vista a respeito das causas comuns.

2. Promover a troca de visitas entre delegações especializadas, em datas acordada antecipadamente, objetivando a troca de experiência a respeito da logística de trabalho de cada Partido, e a troca de experiências.

3. Promover a troca de publicações e de documentos partidários importantes.

4. Promover a troca de convites para que cada Partido possa participar nos Congressos e Conferências do outro, de acordo com as tradições de cada Partido.

5. Concordam ambos os Partidos em buscar coordenar os pontos de vista durante a sua participação em Congressos e Fóruns regionais e internacionais.

6. Trabalhar no sentido de fortalecer as relações de amizade e cooperação entre as organizações populares e as sociedades representante da sociedade civil, objetivando o intercâmbio de experiências.

7. Encarregar o escritório de Relações Internacionais no partido Baath Árabe Socialista e a Secretaria de Relações Internacionais no Partido dos Trabalhadores de acompanhar a execução dos Itens deste acordo.

8. Este acordo terá duas versões em árabe e em português, tendo o mesmo efeito.

Partido Baath Árabe Socialista – Partido dos Trabalhadores

16/07/2007 - 13:02h "Ya es hora de salir de Auschwitz y fundar el Estado de Israel"


“Definir el Estado como judío y democrático es explosivo. Al final, prevalece la teocracia”,

Avraham Burg (foto izquierda), ex presidente de la Agencia Judía y del Parlamento israelí- AP

JUAN MIGUEL MUÑOZ - Jerusalén – EL País

Avraham Burg (Jerusalén, 1955) luce kipá, reloj azul celeste y atuendo informal. Ex presidente de la Agencia Judía, el organismo promotor de la Aliya (emigración de judíos a Israel) y del Parlamento, este ex dirigente laborista educado en yeshivas (escuelas religiosas) ha desatado la polémica tras la publicación de Defeating Hitler (Derrotando a Hitler). A su juicio, Israel está sofocado por la ausencia de espíritu. Observa de cerca la evolución de las comunidades judías de Estados Unidos y Francia, mucho más abiertas al resto de la sociedad, y alienta a los israelíes a obtener pasaportes de otro país. Superar el trauma del Holocausto es, para el ahora hombre de negocios, imprescindible para el porvenir del Estado hebreo. “Ya es hora de salir de Auschwitz y fundar el Estado de Israel”, dice, al tiempo que alerta de ciertas similitudes entre la sociedad israelí y la alemana anterior al advenimiento del nazismo: “No hay diferencia entre el ‘judíos fuera’ y el ‘árabes fuera’. Está escrito en las paredes, y lo más preocupante es la indiferencia de la gente”.

Pregunta. ¿Cuáles son los rasgos principales de la sociedad israelí hoy?

Respuesta. Confusión, trauma y esperanza. Somos una sociedad increíblemente exitosa. Estamos asombrados. Pero también conmocionados, porque todo es cada vez mucho más difícil. En 1945 se conoció la existencia de Auschwitz, tres años antes de la fundación de Israel. Sin embargo, fue un periodo muy optimista. La gente estaba llena de inspiración y energía. Hoy hablas con la gente y dice: “Todos son unos corruptos”. Es una realidad confusa. Los logros son increíbles, pero no mejoramos desde el punto de vista psicológico. En los primeros años de Israel, el trauma fue suprimido por los desafíos inmediatos: el establecimiento del Estado y la guerra de independencia… La gente no tenía tiempo para curar sus heridas. Ahora volvemos a revivir el trauma.

P. Está siempre presente.

R. Mi tesis es que, después de 60 años, ya es hora de salir de Auschwitz y fundar el Estado de Israel. Dejar atrás el trauma, que se ha convertido en el elemento principal que configura la sociedad. Cada enemigo es el enemigo máximo; cada amenaza es la amenaza final; cada antisemita es el nazi número uno. Mi argumento es que cuando te traumatizas a ti mismo, has perdido la esperanza. Se puede sospechar, dada la experiencia de los judíos. Pero sospechar siempre es una enfermedad. Si la sociedad israelí no reacciona será porque es una sociedad enferma. Debemos desafiar los pilares fundacionales de esta sociedad. La puerta de entrada a Israel para los jefes de Estado no puede ser el Yad Vashem (Museo del Holocausto). Parte de la visita, sí, porque la gente debe conocer nuestra dramática experiencia. Pero no la puerta. Algo induce al optimismo: las generaciones jóvenes están dispuestas a reexaminar los dogmas de Israel. No sé cuál será el resultado, pero esto induce al optimismo.

P. ¿Por qué dice que Hitler define la identidad israelí?

R. Cuando comencé a escribir el libro, el título era Hitler ganó. Mi punto de partida era muy melancólico y pesimista. Netanyahu, Hamás, Ahmadineyad. Cualquiera es calificado como un Hitler. Todos quieren aniquilarnos. El antisemitismo es el segundo Holocausto. Es cierto que hay enemigos que se fortalecen, pero si Israel sólo siente enemigos y cree que todo el mundo está contra nosotros, es el fin. Mi madre nació en Hebrón en 1921. En 1929, la mitad de su familia fue asesinada en una revuelta árabe. La otra mitad fue salvada, también por árabes.

P. ¿Por qué cree que la concepción del Estado como judío y democrático es la clave de su destrucción?

R. El Estado no debería tener un componente religioso en sus mecanismos de funcionamiento. Definir el Estado como judío y democrático es explosivo, porque siempre habrá una pugna entre la estructura religiosa y la democrática. Cuando se da esta lucha, especialmente en las actuales circunstancias históricas -una era muy religiosa y fundamentalista en el islam, la cristiandad y el judaísmo-, al final la teocracia prevalece sobre la democracia.

P. “Estamos perdidos. Todavía no han llegado las noticias, pero ya estamos muertos. Esto no funcionará más”, ha advertido usted.

R. Lo que ha muerto es el espíritu de los fundadores de Israel. El espíritu de apertura, universalismo, libertades y democracia moderna se ha erosionado enormemente. La cuestión religiosa ha sido abandonada en manos de los ultraortodoxos. Son los guardianes del Monte del Templo. Se les ha cedido una parte de tu identidad: los rituales, las costumbres, la memoria. Y la responsabilidad sobre la relación del pueblo con la tierra se ha dejado en manos de los colonos mesiánicos. Esto es contrario a la fundación de una civilización israelí moderna. Si continuamos así, estos dos elementos nos matarán. Hay que mirar a la diáspora americana y europea. Ellos pueden ofrecer una interpretación fantástica de la relación entre nosotros y el resto del mundo, relaciones de confianza en lugar de relaciones traumatizadas.

P. ¿Por qué se siente Israel tan aislado?

R. La tradición dice, desde tiempos de la Biblia, que no se puede creer a los no judíos. Pero si analizas la situación del pueblo judío hoy y la comparas con las etapas anteriores de la historia, nunca hemos tenido una relación tan increíble como la que sostenemos ahora con el mundo. La Iglesia católica ha aceptado la legitimidad del Estado de Israel como expresión de la realidad política del pueblo judío. Jamás había sucedido. Nunca todas las superpotencias en el mundo habían ofrecido un respaldo inequívoco al Estado. Hay gente superficial que odia a los judíos por las políticas de Israel, pero decir que estamos ante el segundo Holocausto, no, por favor. No, no. El antisemitismo es hoy sólo parte del odio extendido por el mundo, como la arabofobia, la islamofobia…