08/03/2009 - 11:23h Folha avalia que errou, mas reitera críticas

Folha de São Paulo

DA REDAÇÃO

O diretor de Redação da Folha, Otavio Frias Filho, divulgou ontem as seguintes declarações:

“O uso da expressão “ditabranda” em editorial de 17 de fevereiro passado foi um erro. O termo tem uma conotação leviana que não se presta à gravidade do assunto. Todas as ditaduras são igualmente abomináveis.

Do ponto de vista histórico, porém, é um fato que a ditadura militar brasileira, com toda a sua truculência, foi menos repressiva que as congêneres argentina, uruguaia e chilena -ou que a ditadura cubana, de esquerda.

A nota publicada juntamente com as mensagens dos professores Comparato e Benevides na edição de 20 de fevereiro reagiu com rispidez a uma imprecação ríspida: que os responsáveis pelo editorial fossem forçados, “de joelhos”, a uma autocrítica em praça pública.

Para se arvorar em tutores do comportamento democrático alheio, falta a esses democratas de fachada mostrar que repudiam, com o mesmo furor inquisitorial, os métodos das ditaduras de esquerda com as quais simpatizam.”

Otavio Frias Filho

17/04/2008 - 11:25h Artigo do presidente do PT recusado pela Folha de S. Paulo

Como presidente municipal do PT, enviei este artigo no começo de abril para a seção Tendências e Debates da Folha de S. Paulo em resposta a artigo do presidente municipal do PSDB, José Henrique Reis Lobo, publicado naquela seção no dia 31 de março, com ataques ao PT e à ministra Marta Suplicy. Meu artigo foi recusado pelo editor da seção, depois pela secretária de redação, Suzana Singer e, finalmente, pelo diretor do jornal, Otávio Frias Filho.

Nas conversas que tive tanto com Suzana como com Otávio, eu argumentei que os ataques de Lobo justificavam uma resposta minha, na condição de presidente municipal do PT. Mas que isso era até mais importante para a própria Folha de S. Paulo, que tem a obrigação de manter o equilíbrio no espaço concedido aos partidos políticos. E que a recusa era inaceitável, pois o jornal estaria fugindo do compromisso de fomentar o debate democrático de idéias justamente na seção Tendências e Debates.

Meus argumentos foram em vão. Eles alegaram que o foco principal do artigo de Lobo não eram as críticas ao PT. Daí a sua justificativa para a recusa. Discordo totalmente deste ponto de vista. Por isso, estou publicando o artigo no espaço deste blog, para que todos os nossos amigos e leitores possam lê-lo e formular sua própria opinião. Leiam também o artigo do presidente municipal do PSDB, através do link
http://www1.folha.uol.com. br/fsp/opiniao/fz3103200809.htm

A seguir, a íntegra do meu artigo recusado pela Folha de S. Paulo.

“O vício aristocrático de querer falar pelo povo”


Os tucanos receberam com amargura a dianteira de Marta sobre Alckmin nas pesquisas do Datafolha e do Ibope

“As situações de pânicos servem, de maneira especial, para mostrar a verdadeira face das pessoas. E quando o pânico se instaura em um grupo político faz brotar, sem filtros e sem freios, seus verdadeiros conteúdos e suas convicções mais profundas. O retrato mais completo disso é o artigo de José Henrique Reis Lobo, presidente do diretório municipal do PSDB de São Paulo, publicado na seção Tendências e Debates (página3), no dia 31 de março, que produz uma síntese perfeita e irretocável do pensamento vivo – e amargurado – do tucanato.

O texto de Lobo é uma pérola, brilhante e cristalina, de alguns conteúdos profundos e permanentes do ideário tucano. Os principais deles : o viés aristocrático de falar falsamente em nome do povo; a capacidade de distorcer os dados com a sinceridade neurótica dos que só enxergam o próprio umbigo; a fragilidade infantil de distribuir culpas para os outros; e a forte e irreversível inclinação para a direita, que faz com que o antigo PFL seja hoje, a bússola e a tábua de salvação dos tucanos.

O PSDB tem um vício incorrigível. Sempre que deseja se vangloriar, ou defender seus interesses internos, atacando quem não aceita a sua conversa fiada, trata de tentar colocar palavras suas na boca do povo. E não hesita – para isso e por isso mesmo – em distorcer, rasteira e grosseiramente, os fatos. Daí, as pérolas que produz. Pérolas e pílulas da mentira e da mistificação.

Vejam o que Lobo diz: “para a maioria da população, não dá para pensar em ter mais uma administração do PT na cidade. Não sou eu quem digo, são as pesquisas”. Que pesquisas? – é o caso de perguntar. Lobo não se dá ao trabalho de citar. Nem poderia. Pelo simples motivo de que as pesquisas dizem justamente o contrário do que ele afirma.

A pesquisa Datafolha publicada no dia 30 de março, por exemplo, registra um crescimento de 4 pontos da ex-prefeita, Marta Suplicy, em relação ao levantamento do instituto realizado em fevereiro. Ela ultrapassou Alckmin, ainda que persista a situação de empate técnico entre ambos, e abriu uma ampla dianteira sobre Gilberto Kassab, do DEM. Já na pesquisa do Ibope, divulgada no dia 7 de abril, ela abre uma vantagem de 8 pontos sobre Alckmin. Além disso, Marta tem recebido aprovação consagradora em todas as pesquisas que avaliam os prefeitos de São Paulo na última década, bem à frente de Maluf, Serra e Kassab.

Em um ambiente politicamente dividido como sempre foi São Paulo, existe melhor prova da aceitação e apoio à administração do PT? Para desespero de Lobo, o povo não é tucano. Nem está contente com o que vê. Achar, como Lobo, que a população está satisfeita, contente com as administrações do PSDB, é coisa de quem não consegue se afastar um minuto sequer do espelho, sem se dignar a olhar em volta. Mas o PSDB, nesse sentido, é mesmo um partido sedentário. Sedentarizou-se, aristocrática e hipnoticamente, diante do espelho. Não quer ouvir o que vem das ruas.

Por que Marta, antes mesmo de confirmar sua candidatura, cresce nas pesquisas? Por duas razões muito claras : em primeiro lugar, porque, numa visão retrospectiva, a população reconhece, mais e mais, os avanços e os pontos altos de sua gestão, em coisas fundamentais, como educação, transportes e inclusão social. Em segundo lugar, porque as administrações tucano-democratas têm fracassado, exatamente nestas áreas. E mais globalmente naquilo que venderam falsamente nas campanha passada : a suposta capacidade de planejar. A cidade de São Paulo é, hoje, uma prova viva disso tudo. É só ver o caos no transporte coletivo e no trânsito que tanto têm incomodado os paulistanos nos últimos meses.

O artigo do Sr. Lobo mostra, igualmente, que a cúpula do tucanato parece que não sabe pensar. Pois é um equívoco descomunal imaginar que a derrota que se avizinha vai se dar por causa do fracasso político da união de democratas e tucanos. A derrota vai se dar, isto sim, pelo fracasso administrativo deles em áreas vitais cidade. E pela incapacidade da gestão DEM/Tucana de produzir idéias novas e arrebatadoras.

O que está vindo das ruas é um sonoro “não” ao PSDB. Cresce a percepção do desgaste e da inoperância das administrações tucanas. Crescem o cansaço e a insatisfação diante de um PSDB que não resolve nada, que se firma, cada vez mais, como o partido do não fez, não faz, nem vai fazer. O partido da retórica. Dos melindres personalistas e das filigranas discursivas.

Por fim, depois de toda a lábia enviesada e falsificadora, Lobo nos vem com o latinório de praxe. Diz que ainda é tempo de rezar um “ora pro nobis”, antes que a vaca se encaminhe solenemente para o brejo. Mas não tem “ora pro nobis”, nem “opus Dei” que dê jeito. Os acordes que estamos ouvindo, em São Paulo, falam inequivocamente de um réquiem. Final e definitivo, como todos os réquiens. Porque – contra democratas ou contra tucanos, ou com democratas e tucanos juntos, fazendo a cena de farinha do mesmo saco – a vitória será do PT”.

José Américo Dias é jornalista, vereador e presidente do Diretório Municipal do PT de São Paulo.