02/11/2009 - 19:46h Soneto XLIV (44)

Pablo Neruda

Saberás que não te amo e que te amo
posto que de dois modos é a vida,
a palavra é uma asa do silêncio,
o fogo tem uma metade de frio.

Eu te amo para começar a amar-te,
para recomeçar o infinito
e para não deixar de amar-te nunca:
por isso não te amo ainda.

Te amo e não te amo como se tivesse
em minhas mãos as chaves da fortuna
e um incerto destino desafortunado.

Meu amor tem duas vidas para amar-te.
Por isso te amo quando não te amo e por isso te amo quando te amo.

(Tradução de Maria Teresa Almeida Pina)


Soneto XLIV

Pablo Neruda

Sabrás que no te amo y que te amo
puesto que de dos modos es la vida,
la palabra es un ala del silencio,
el fuego tiene una mitad de frío.

Yo te amo para comenzar a amarte,
para recomenzar el infinito
y para no dejar de amarte nunca:
por eso no te amo todavía.

Te amo y no te amo como si tuviera
en mis manos las llaves de la dicha
y un incierto destino desdichado.

Mi amor tiene dos vidas para armarte.
Por eso te amo cuando no te amo
y por eso te amo cuando te amo.

Poesia Latina

05/10/2009 - 22:00h Boa noite


Te amo – Pablo Neruda

te amo de uma maneira inexplicável,
de uma forma inconfessável,
de um modo contraditório.
Te amo, com meus estados de ânimo que são muitos
e mudar de humor continuadamente
pelo que você já sabe
o tempo,
a vida,
a morte.
Te amo, com o mundo que não entendo
com as pessoas que não compreendem
com a ambivalência de minha alma
com a incoerência dos meus atos
com a fatalidade do destino
com a conspiração do desejo
com a ambigüidade dos fatos
ainda quando digo que não te amo, te amo
até quando te engano, não te engano
no fundo levo a cabo um plano
para amar-te melhor
Te amo , sem refletir, inconscientemente
irresponsavelmente, espontaneamente
involuntariamente, por instinto
por impulso, irracionalmente
de fato não tenho argumentos lógicos
nem sequer improvisados
para fundamentar este amor que sinto por ti
que surgiu misteriosamente do nada
que não resolveu magicamente nada
e que milagrosamente, pouco a pouco, com pouco e nada,
melhorou o pior de mim.
Te amo
Te amo com um corpo que não pensa
com um coração que não raciocina
com uma cabeça que não coordena.
Te amo incompreensivelmente
sem perguntar-me porque te amo
sem importar-me porque te amo
sem questionar-me porque te amo
Te amo
simplesmente porque te amo
eu mesmo não sei porque te amo…


Antes de amarte, amor, nada era mio – Pablo Neruda

Antes de amar-te, amor, nada era meu
Vacilei pelas ruas e as coisas:
Nada contava nem tinha nome:
O mundo era do ar que esperava.
E conheci salões cinzentos,
Túneis habitados pela lua,
Hangares cruéis que se despediam,
Perguntas que insistiam na areia.
Tudo estava vazio, morto e mudo,
Caído, abandonado e decaído,
Tudo era inalienavelmente alheio,
Tudo era dos outros e de ninguém,
Até que tua beleza e tua pobreza
De dádivas encheram o outono.

Tengo miedo – Pablo Neruda

Tengo miedo. La tarde es gris y la tristeza
del cielo se abre como una boca de muerto.
Tiene mi corazón un llanto de princesa
olvidada en el fondo de un palacio desierto.

Tengo miedo -Y me siento tan cansado y pequeño
que reflojo la tarde sin meditar en ella.
(En mi cabeza enferma no ha de caber un sueño
así como en el cielo no ha cabido una estrella.)

Sin embargo en mis ojos una pregunta existe
y hay un grito en mi boca que mi boca no grita.
¡No hay oído en la tierra que oiga mi queja triste
abandonada en medio de la tierra infinita!

Se muere el universo de una calma agonía
sin la fiesta del Sol o el crepúsculo verde.
Agoniza Saturno como una pena mía,
la Tierra es una fruta negra que el cielo muerde.

Y por la vastedad del vacío van ciegas
las nubes de la tarde, como barcas perdidas
que escondieran estrellas rotas en sus bodegas.

Y la muerte del mundo cae sobre mi vida.

04/05/2009 - 19:09h A palavra

Pablo Neruda

… Sim Senhor, tudo o que queira, mas são as palavras as que cantam, as que sobem e baixam … Prosterno-me diante delas… Amo-as, uno-me a elas, persigo-as, mordo-as, derreto-as … Amo tanto as palavras … As inesperadas … As que avidamente a gente espera, espreita até que de repente caem … Vocábulos amados … Brilham como pedras coloridas, saltam como peixes de prata, são espuma, fio, metal, orvalho … Persigo algumas palavras … São tão belas que quero colocá-las todas em meu poema … Agarro-as no vôo, quando vão zumbindo, e capturo-as, limpo-as, aparo-as, preparo-me diante do prato, sinto-as cristalinas, vibrantes, ebúrneas, vegetais, oleosas, como frutas, como algas, como ágatas, como azeitonas … E então as revolvo, agito-as, bebo-as, sugo-as, trituro-as, adorno-as, liberto-as … Deixo-as como estalactites em meu poema; como pedacinhos de madeira polida, como carvão, como restos de naufrágio, presentes da onda … Tudo está na palavra … Uma idéia inteira muda porque uma palavra mudou de lugar ou porque outra se sentou como uma rainha dentro de uma frase que não a esperava e que a obedeceu … Têm sombra, transparência, peso, plumas, pêlos, têm tudo o que ,se lhes foi agregando de tanto vagar pelo rio, de tanto transmigrar de pátria, de tanto ser raízes … São antiqüíssimas e recentíssimas. Vivem no féretro escondido e na flor apenas desabrochada … Que bom idioma o meu, que boa língua herdamos dos conquistadores torvos … Estes andavam a passos largos pelas tremendas cordilheiras, pelas .Américas encrespadas, buscando batatas, butifarras*, feijõezinhos, tabaco negro, ouro, milho, ovos fritos, com aquele apetite voraz que nunca. mais,se viu no mundo … Tragavam tudo: religiões, pirâmides, tribos, idolatrias iguais às que eles traziam em suas grandes bolsas… Por onde passavam a terra ficava arrasada… Mas caíam das botas dos bárbaros, das barbas, dos elmos, das ferraduras. Como pedrinhas, as palavras luminosas que permaneceram aqui resplandecentes… o idioma. Saímos perdendo… Saímos ganhando… Levaram o ouro e nos deixaram o ouro… Levaram tudo e nos deixaram tudo… Deixaram-nos as palavras.

*Butifarra: espécie de chouriço ou lingüiça feita principalmente na Catalunha, Valência e Baleares. (N. da T.)

Pablo Neruda, pseudônimo de Neftalí Ricardo Reyes Basoalto, nasceu a 12 de julho de 1904, em Parral, no Chile. Prêmio Nobel de Literatura em 1971, sua poesia transpira em sua primeira fase o romantismo extremo de Walt Whitman. Depois vieram a experiência surrealista, influência de André Breton, e uma fase curta bastante hermética. Marxista e revolucionário, cantou as angústias da Espanha de 1936 e a condição dos povos latino-americanos e seus movimentos libertários. Diplomata desde cedo, foi cônsul na Espanha de 1934 a 1938 e no México. Desenvolveu intensa vida pública entre 1921 e 1940, tendo escrito entre outras as seguintes obras: “La canción de la fiesta”, “Crepusculario”, “Veinte poemas de amor y una canción desesperada”, “Tentativa del hombre infinito”, “Residencia en la tierra” e “Oda a Stalingrado”. Indicado à Presidência da República do Chile, em 1969, renuncia à honra em favor de Salvador Allende. Participa da campanha e, eleito Allende, é nomeado embaixador do Chile na França. Outras obras do autor: “Canto General”, “Odas elementales”, “La uvas y el viento”, “Nuevas odas elementales”, “Libro tercero de las odas”, “Geografía Infructuosa” e “Memorias (Confieso que he vivido — Memorias)”. Morreu a 23 de setembro de 1973 em Santiago do Chile, oito dias após a queda do Governo da Unidade Popular e da morte de Salvador Allende.


Do livro “Confesso que Vivi — Memórias”, Difel — Difusão Editorial — Rio de Janeiro, 1978, pág. 51, traduzido por Olga Savary, extraímos o texto acima. Fonte Releituras

07/11/2008 - 19:40h Os que mais influenciaram a cultura de América Latina

Los personajes más influyentes de América latina

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Miles de personas de la región votaron online a las cien personalidades más relevantes de la cultura latinoamericana. Neruda, García Márquez y de Moraes encabezan la lista

Cadena Antena 3 y la Organización Capital Americana de la Cultura dieron a conocer la lista de los cien personajes, vivos o ya fallecidos, que han influido en la cultura de Latinoamérica. La elección fue producto de una votación popular de miles de personas de todos los países latinoamericanos, a través de Internet.

Pablo Neruda, Gabriel García Márquez y Vinicius de Moraes quedaron en el tope de la tabla, al ser escogidos por miles de personas de todos los países de la región.

La elección de estos cien personajes se realizó con motivo de los diez años de la instauración de la Capital Americana de la Cultura. El objetivo consiste en divulgar la cultura de esta parte del continente de una manera rigurosa, didáctica, pedagógica, lúdica y, a la vez, profundizar en el conocimiento de los personajes elegidos.

En la primera fase (21 de abril hasta el 31 de agosto de este año), la votación fue por países, primando mayor representación de los países pequeños que los de mayor población.

En la segunda fase (del 15 de septiembre y hasta el 30 de octubre), los personajes aportados por todos los países latinoamericanos han sido puestos a votación común, de donde ha salido la lista definitiva ordenada por votos.

Xavier Tudela, presidente de la Organización Capital Americana de la Cultura, aseguró que con dicha elección se pretende que cada país asuma la cultura como un elemento de inclusión social. “Más allá del resultado final, lo importante ha sido la gran participación de todos los países latinoamericanos y el conocimiento cultural que se ha obtenido de esta participación”, comentó.

Por su parte, Mar Martínez-Raposo, directora de Antena 3 Internacional, afirmó que la presencia en 19 países latinoamericanos de Antena 3 Internacional “ha sido el vehículo ideal para hacer llegar esta importante campaña de promoción cultural”.

Los personajes que les siguen a García Márquez, Neruda y Moraes son Octavio Paz, Andrés Bello, Jorge Luis Borges, Rubén Darío, Rómulo Gallegos, Gabriela Mistral, Simón Bolívar, Miguel Ángel Asturias, Carlos Gardel y Raúl García Zárate.

En la lista se encuentran nueve colombianos. El mejor posicionado después de ´Gabo´ es Juanes, en el puesto 15; luego están Fernando Botero en el 33, Francisco José de Caldas en el 42 y Gonzalo Arango en el lugar 48.

LA LISTA COMPLETA

1) Pablo Neruda

2) Gabriel García Márquez

3) Vinicius de Moraes

4) Octavio Paz

5) Andrés Bello

6) Jorge Luis Borges

7) Rubén Darío

8) Rómulo Gallegos

9) Gabriela Mistral

10) Simón Bolívar

11) Miguel Ángel Asturias

12) Carlos Gardel

13) Raúl García Zárate

14) Oscar Niemeyer

15) Juanes

16) Alejo Carpentier

17) Frida Kahlo

18) Augusto Roa Bastos

19) Julio Jaramillo

20) Franz Tamayo

21) Astor Piazzolla

22) Antonio Carlos Jobim

23) Alfonso Reyes

24) Arturo Uslar Pietri

25) José María Figueres Ferrer

26) Quino

27) Jorge Amado

28) María Isabel Granda Larco

29) Pedro Henríquez Ureña

30) Eugenio María de Hostos

31) Mercedes Sosa

32) Cecilia Meireles

33) Fernando Botero

34) Violeta Parra

35) José Martí

36) Machado de Assis

37) Ernesto Guevara

38) Rigoberta Menchú

39) Miguel Hidalgo

40) Tarsila do Amaral

41) Julio Cortázar

42) Francisco José de Caldas

43) Roque Dalton García

44) Jesús Soto

45) João Gilberto

46) Benito Juárez

47) Víctor Jara

48) Gonzalo Arango

49) Mario Moreno

50) Joaquín Torres García

51) José Carlos Mariátegui La Chira

52) Francisco de Paula Santander

53) Jorge Negrete

54) Froylán Turcios

55) Ricardo J. Alfaro

56) Mário de Andrade

57) Domingo Faustino Sarmiento

58) Justo Arosemena

59) Policarpa Salavarrieta

60) Oswaldo Guayasamín

61) Shakira

62) Augusto César Sandino

63) Pelé

64) Paulo Coelho

65) Juan Carlos Onetti

66) José Antonio Abreu

67) José Vasconcelos Calderón

68) Mario Vargas Llosa

69) Juan Luis Guerra Sijes

70) Roman Chalbaud

71) Julia de Burgos

72) Carlos Mérida

73) Juan Diego Flórez Salom

74) José Hernández

75) Manuel Elkin Patarroyo

76) Juana Inés de la Cruz

77) Adela Zamudio

78) Alicia Moreau de Justo

79) João Guimarães Rosa

80) Eloy Alfaro

81) Pancho Villa

82) Gertrudis Gómez de Avellaneda

83) José Napoleón Duarte

84) Carlos Drummond de Andrade

85) Graciliano Ramos

86) Dolores del Río

87) Luis Alberto del Paraná

88) José Gabriel Condorcanqui

89) Juan Pablo Duarte

90) Guillermo Meneses

91) Ricardo Arjona

92) Adolfo Pérez Esquivel

93) Luis Muñoz Marín

94) Carmen Lyra

95) Wilfredo Lam

96) Manuel Ricardo Palma Soriano

97) Jorge Icaza Coronel

98) José Alfredo Jiménez Sandoval

99) Eduardo Abaroa Hidalgo

100) José Francisco Morazán Quezada

25/10/2008 - 19:24h Posso escrever os versos mais tristes esta noite

25/10/2008 - 19:19h Poema XX

de Pablo Neruda em “Vinte poemas de amor e uma canção desesperada”

Poema XX

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Escrever, por exemplo: “A noite está estrelada,
e tiritam, azuis, os astros lá ao longe”.
O vento da noite gira no céu e canta.

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu amei-a e por vezes ela também me amou.
Em noites como esta tive-a em meus braços.
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.

Ela amou-me, por vezes eu também a amava.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que já a perdi.

Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como no pasto o orvalho.
Importa lá que o meu amor não pudesse guardá-la.
A noite está estrelada e ela não está comigo.

Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
A minha alma não se contenta com havê-la perdido.
Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a.
O meu coração procura-a, ela não está comigo.

A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores.
Nós dois, os de então, já não somos os mesmos.
Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei.
Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido.

De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos.
Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda.
É tão curto o amor, tão longo o esquecimento.

Porque em noites como esta tive-a em meus braços,
a minha alma não se contenta por havê-la perdido.
Embora seja a última dor que ela me causa,
e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.

Pablo Neruda

17/10/2008 - 18:14h Poemas de Neruda

As plêiades, de Max Ernst

É assim que te quero, amor,
assim, amor, é que eu gosto de ti,
tal como te vestes
e como arranjas
os cabelos e como
a tua boca sorri,
ágil como a água
da fonte sobre as pedras puras,
é assim que te quero, amada,
Ao pão não peço que me ensine,
mas antes que não me falte
em cada dia que passa.
Da luz nada sei, nem donde
vem nem para onde vai,
apenas quero que a luz alumie,
e também não peço à noite explicações,
espero-a e envolve-me,
e assim tu pão e luz
e sombra és.
Chegastes à minha vida
com o que trazias,
feita
de luz e pão e sombra, eu te esperava,
e é assim que preciso de ti,
assim que te amo,
e os que amanhã quiserem ouvir
o que não lhes direi, que o leiam aqui
e retrocedam hoje porque é cedo
para tais argumentos.
Amanhã dar-lhes-emos apenas
uma folha da árvore do nosso amor, uma folha
que há de cair sobre a terra
como se a tivessem produzido os nosso lábios,
como um beijo caído
das nossas alturas invencíveis
para mostrar o fogo e a ternura
de um amor verdadeiro.

Pablo Neruda

Plena mulher, maçã carnal, lua quente,
espesso aroma de algas, lodo e luz pisados,
que obscura claridade se abre entre tuas pernas?
que antiga noite o homem toca com seus sentidos?
Ai, amar é uma viagem com água e com estrelas,
com ar opresso e bruscas tempestades de farinha:
amar é um combate de relâmpagos e dois corpos
por um so mel derrotados.
Beijo a beijo percorro teu pequeno infinito,
tuas margens, teus rios, teus povoados pequenos,
e o fogo genital transformado em delícia
corre pelos tênues caminhos do sangue
até precipitar-se como um cravo noturno,
até ser e não ser senão na sombra de um raio.

Pablo Neruda