27/07/2008 - 12:59h Já tentou dançar ao ritmo do minueto?
Forró universitário
O jovem autor deste artigo vai acabar colunista na Folha de São Paulo, se o seu artigo é levado ao pé da letra. Já se for uma critica ácida do elitismo snob, expondo seu gigantesco preconceito, Leandro Sarubo poderá almejar um prêmio literário, e também trabalhar na Folha de São Paulo. Tem Folha para todos os gostos, incluso os meus. LF
ARTIGO
Leandro Sarubo
Nota errada
Passei dois dias analisando os dados sobre os gêneros musicais prediletos dos jovens. Queria encontrar um que fosse positivo.
Que me fizesse parar com essa minha mania de reclamar do Brasil. Perdi tempo.
O primeiro dado negativo está no líder da pesquisa: o forró. No Nordeste, a adesão é ainda maior. As chances de o Nordeste evoluir cessam nesse dado. Pois, por mais preconceituoso que isso possa parecer, o Nordeste só evoluirá quando abandonar suas arcaicas raízes culturais.
O pagode aparece em segundo lugar, com 23% de masoquistas, mesmo índice de quem ainda não desistiu do rock.
É difícil entender essa relação de amor entre os brasileiros e o batuque. O samba, variante do pagode com letras mais chateadas, foi lembrado por 11% dos jovens. O axé, patrocinado por cantoras que só sabem gritar “sai do chão”, tem a atenção de 15%.
A MPB ficou em sexto lugar: 40% dos ouvintes estão no mais alto nível de escolaridade. O gênero cresce no público que, em tese, deveria reparar na inaptidão musical de nossos artistas.
E é aqui que constatamos uma nuance do Brasil: independentemente do nível de escolaridade, sempre a música mais tosca, mais atolada de frases de duplo sentido, será a predileta.
Com o tempo, a educação passou a elitizar nossas asneiras. O efeito disso é que os jovens e o Brasil vão regredir ano após ano. O lado bom é que podemos escolher o batuque que será a trilha da derrota tupiniquim.
LEANDRO SARUBO, 20, é estudante de jornalismo em Sorocaba/SP