15/12/2008 - 15:49h “Se eu me calasse, seria omissa”

Mãe de vítima ajudou a prender militar, 1.º indiciado por nova lei

 

Pedro Dantas, RIO - O Estado SP

 


Há menos de um mês, a perita civil Fátima Freire, de 45 anos, foi a primeira mãe a romper o silêncio e denunciar à polícia do Rio o assédio de um pedófilo pela internet. A vítima era sua filha V. , de 12 anos, chantageada durante cinco meses por um terceiro-sargento da reserva da Marinha, que acabou preso. Agora, Fátima conta o drama que ela e V. viveram e defende que a luta contra a pedofilia não deve ser uma “guerra envergonhada”. Ela planeja fazer um site para ajudar vítimas e pais que sofrem em silêncio. “Os pais devem sair detrás da cortina. Imagina o número de meninas passando o mesmo que a minha filha e não contam às mães”, afirma.

A filha de Fátima começou a ser assediada em julho, quando passava férias no Recife. No site de relacionamentos Orkut, o militar Francisco Luís Dias, de 49 anos, morador de São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos, clonou o perfil de uma colega de escola da menina e a adicionou como amiga. A vítima aceitou e logo o criminoso teve acesso a dezenas de fotos de V. e informações sobre a sua vida.

Sempre se passando pela colega, o militar passou a falar com a menina em um programa de conversa instantânea. V. ligou a webcam sem saber que era gravada. A imagem foi editada em um filme como se a menina aparecesse nua. A falsa amiga virtual começou a chantageá-la. Mostraria o filme aos colegas, caso ela não aceitasse um encontro com um “amigo”.

O tormento durou cinco meses. Em troca da não divulgação do vídeo, a falsa colega pedia que V. mostrasse o corpo. Como recusou o encontro com o militar, o pedófilo divulgou o vídeo para os colegas de V.

Em seguida, diante de novas recusas da vítima, o militar clonou o perfil de V. e se passou por ela para enviar filmes amadores pornográficos em que ele fazia sexo com outras crianças para os amigos da escola da garota. Sob a falsa identidade, ele dizia que os vídeos eram protagonizados por V. A menina começou a ser hostilizada no colégio e entrou em depressão.

Sem saída, no dia 1º de novembro, ela contou tudo para a mãe. “Eu percebia que tinha algo errado. Ela passou a faltar às aulas, tinha febre sem estar doente, mas não falava o que era. Resolvi não pressionar e ela contou tudo, até que mesmo que não agüentava mais e queria se matar”, conta Fátima.

A mãe entrou em ação rapidamente. Procurou a Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) e os policiais a orientaram a manter conversas com o pedófilo até marcar um encontro. “O constrangimento de ficar ao lado da minha filha por até três horas, durante quase um mês, vendo obscenidades, foi o sacrifício para livrá-la dessa situação. A pedofilia matou o sonho de ver o sexo entrar na vida da minha filha de forma natural e orientá-la sobre o tema. Hoje, aos 12 anos, ela faz tratamento psicológico e mudou de escola. Não sei por quanto tempo essa sombra estará sobre ela”, lamenta a mãe.

O conteúdo das conversas é impublicável. “Ele se excitava toda vez que ameaçava minha filha. Usava gírias de adolescentes e assumia várias identidades. No fim, se revelou como homem, ligava a câmera, mas só mostrava o sexo e se masturbava. No entanto, notei que o relógio era o mesmo usado pelo homem nos vídeos com outras crianças”, conta a mãe. O militar da reserva Francisco Luis Dias, de 49 anos, foi preso no dia 28 de novembro ao ir ao encontro da menina no estacionamento de um supermercado em Nova Iguaçu, armado com uma pistola PT 380, munição e um laptop com vários vídeos pornográficos amadores.

O militar foi o primeiro brasileiro indiciado na nova lei contra a pedofilia na internet, que pune o armazenamento de imagens pornográficas, criminaliza as fotomontagens com crianças e o assédio ou a incitação de adolescentes à auto-exibição. As punições variam de um a oito anos de prisão, além de multa. No caso de Dias, se condenado, a pena será aumentada em um terço, pois ele é pai de um menino de 6 anos e de uma adolescente de 16.

O drama da filha fez Fátima encarar novamente o pesadelo que enfrentou na infância. Ela diz que foi abusada aos 5 anos por um parente que passou as férias na casa de seus pais. Mais tarde, o abusador foi preso após engravidar a própria filha. “A primeira vez eu era uma criança e não tinha discernimento. Agora, com a minha filha, se me calasse, seria omissa”, avalia.

O delegado-titular da DRCI, Fernando Vila Pouca de Sousa, diz que o medo do julgamento alheio ou de estigmatizar socialmente a criança inibe a denúncia. Há cinco meses no comando do distrito, ele afirma que Fátima foi a primeira a denunciar o assédio. “Ela é uma exceção. As vítimas, pais de classe média e esclarecidos, deveriam buscar Justiça, mas não o fazem com medo de submeterem a filha a um prejulgamento”, afirma o delegado.

Fátima confirma que após denunciar sentiu como é ser julgada mesmo sendo vítima. “Algumas pessoas me perguntaram se a minha filha mostrou ou não o corpo. Não entendo a diferença, pois V. estava sendo chantageada por um adulto em uma luta desigual”, conta.

O mercado da pornografia infantil, de acordo com dados da CPI da Pedofilia, movimenta cerca de R$ 3 milhões por ano no País. Esse montante é gerado pela compra e venda de fotos de material pornográfico com crianças para Estados Unidos e Europa. O crime na internet desconhece fronteiras. Ao tentar identificar as outras vítimas do militar pedófilo, a polícia descobriu entre elas uma adolescente do interior paulista. “A pedofilia é um crime que entra em nossa casa, mesmo com as portas fechadas”, alerta Fátima.

ATENÇÃO, PAIS

Proibir não educa e não previne nada. As tecnologias mais
avançadas para proteger crianças e adolescentes continuam sendo diálogo e orientação

Coloque-se sempre à disposição para que as crianças peçam ajuda quando se sentirem ameaçadas ou receberem conteúdos impróprios online

Alerte os filhos para não divulgarem dados pessoais na internet, não aceitarem convites para encontros com amigos virtuais nem receberem arquivos de estranhos

Espionar e gravar o que os filhos fazem não são boas saídas. Você fere a privacidade e pode fragilizar a confiança

Ensine que não podemos acreditar em tudo nem em todos. A internet é território fértil para pessoas mal-intencionadas e mentirosas

Estabeleça regras e limites para o uso da internet, adequadas à idade da criança. Fixe um horário ou tempo limite de acesso, converse sobre os sites e serviços que ela pode ou não usar e
explique o motivo. Monitore o uso de salas de bate-papo e de comunicadores instantâneos

Mostre às crianças que a internet é apenas mais uma
opção de lazer e educação entre várias. A web não deve substituir opções de interação social realizadas fora do computador

Use os recursos que seu provedor de acesso puser ao seu dispor para bloquear o acesso a sites com conteúdo impróprio para seu filho. Você também pode utilizar programas de filtragem de conteúdo, disponíveis na internet

Fonte: SaferNet Brasil (prevencao@safernet.org.br)

COMBATE AO ABUSO

20/12/2007: Operação Carrossel

A Polícia Federal cumpriu 102 mandados de busca e apreensão de material pornográfico em residências e empresas de suspeitos de crimes sexuais contra crianças, em 14 Estados e no Distrito Federal. Foram detectados cerca de 3,8 mil acessos à material pornográfico infantil na internet. Três pessoas foram presas em flagrante, duas em São Paulo e uma em Fortaleza

25/3/2008: CPI

Senado instala a CPI da Pedofilia para propor projetos de lei para combater os crimes sexuais contra crianças e adolescentes no País

23/3/2008: Orkut

CPI da Pedofilia consegue quebra de sigilo de 3.261 usuários do Orkut, suspeitos de estimularem a pedofilia, com divulgação de material pornográfico com menores

2/7/2008: PF e Google

Polícia Federal e Google assinam o Termo de Ajustamento de Conduta para combater a pedofilia no site de relacionamentos Orkut

9/7/2008: Projeto

Em desdobramento dos trabalhos da CPI da Pedofilia, o Senado aprova projeto de lei que pune com mais rigor os crimes de pornografia infantil e pedofilia na internet. O projeto é encaminhado para votação na Câmara

3/9/2008: Carrossel 2

A Polícia Federal fez buscas e apreensões de material de pornografia infantil em 113 endereços de 17 Estados e do Distrito Federal, de onde o material era distribuído pela internet. O Estado campeão de mandados foi São Paulo, seguido pelo Rio Grande do Sul

11/11/2008: Câmara

Câmara aprova o projeto de lei, que foi, então, para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva

25/11/2008: Lei

O presidente Lula sanciona o projeto de lei que aumenta a punição e a abrangência de crimes de pedofilia na internet, durante o 3.º Congresso Mundial de Enfrentamento da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, no Rio

27/11/2008: Quebra de sigilo na internet

PF assina acordo com ONG SaferNet para ter acesso às denúncias de pedofilia na internet no www.denunciar.org.br; ação da PF faz varredura em 3.261 perfis no Orkut e identifica 117 pedófilos no País

29/11/2009: O 1.º indiciado pela nova lei

O militar da reserva da Marinha, Francisco Luís Dias, de 49 anos, foi o primeiro indiciado pela nova lei. Ele foi flagrado em encontro com uma menina de 12 anos que estava sendo chantageada para posar em fotos pornográficas

15/09/2008 - 16:23h Festival abre espaço para filmes raros de Bergman

Seleção da Mostra apresentará obras indisponíveis no país, em cópias novasRetrospectiva terá longas como “Crise”, o primeiro do cineasta sueco, e uma exposição fotográfica; autobiografia é relançada

O sueco Ingmar Bergman, em 1967; ele faria 90 anos em 2008

LEONARDO CRUZ - FOLHA SP  EDITOR-ASSISTENTE DA ILUSTRADA

Bergman morreu. Viva Bergman. Um ano após a morte do cineasta sueco, quando ele completaria 90 anos, a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo prepara um tributo à altura do mestre europeu: uma retrospectiva de filmes raros, uma exposição fotográfica e, em parceria com a editora Cosac Naify, o relançamento de uma autobiografia do diretor.
“Os 90 anos são uma boa desculpa para homenagear Ingmar Bergman. Ele é um autor eterno. Sempre que o revemos, descobrimos novos elementos, novas nuances em sua obra”, afirma  Leon Cakoff, diretor da Mostra, que fará sua 32ª edição de 16 a 30 de outubro.
A retrospectiva trará ao Brasil filmes atualmente indisponíveis em DVD no país. “Nosso critério de seleção privilegiou obras pouco vistas por aqui, difíceis de encontrar”, diz Renata de Almeida, co-diretora do festival. Ou seja, ficam de fora clássicos como “O Sétimo Selo” (1956), “Morangos Silvestres” (1957) e “Gritos e Sussurros” (1973), títulos sempre presentes em ciclos dedicados ao cineasta. E entram longas como “Crise” e “Chove em Nosso Amor”, ambos de 1946, os primeiros dirigidos por Bergman.
“No começo, Bergman tentou vários estilos, mas a linguagem que predomina nos anos 40 e 50 é mais expressionista, inspirada por Michael Curtiz [”Casablanca”, 1942], entre outros. É um cinema de sombras e fortes contrastes entre branco e preto, especialmente em interiores”, analisa Fredrik Gustafsson, coordenador da obra de Bergman no Instituto Sueco, órgão público de difusão da cultura sueca no mundo.
Em 2007, Gustafsson supervisionou a produção de cópias novas, em 35 mm, de todos os filmes do cineasta. “Só não fizemos de um, “Isto Não Aconteceria Aqui”, thriller de espionagem de 1950 que Bergman sempre detestou e que ele dizia que nunca deveria ser mostrado.”
São essas cópias que virão ao Brasil. Até o momento, dez títulos estão confirmados (veja quadro ao lado), mas outros devem entrar, inclusive uma divertida série de comerciais que o diretor fez para a marca de sabonete Bris em 1951.
Além dos longas, a Mostra apresentará a exposição “Meus Encontros com Bergman”, seleção de registros que o fotógrafo sueco Ove Wallin fez do cineasta entre as décadas de 50 e 80 -sempre durante filmagens. A série foi exibida pela primeira vez em junho, em Estocolmo, e ficou em cartaz em Tóquio no mês seguinte.

“Lanterna Mágica”
Ainda durante a Mostra de SP, voltará às livrarias “Lanterna Mágica”, obra de memórias de 1987 em que Bergman escreve sobre episódios como a infância conturbada, o contato com a Alemanha nazista na adolescência, as crises amorosas, o trabalho no teatro. Focada na vida pessoal, é peça obrigatória para entender os temas centrais da obra do cineasta.
A primeira edição brasileira, lançada em 1988 pela Guanabara, está esgotada há mais de uma década. A nova terá tradução a partir dos originais suecos por Magali Garcindo de Sá, imagens do cineasta em locações e, provavelmente, artigos de Woody Allen e Mikael Timm, autor de uma biografia de Bergman. Com capa dura e 320 páginas, editado pela Cosac Naify em sua coleção da Mostra, o livro custará R$ 59.

Sétimo Selo


por Sylvia Manzano


setimo_selo.jpg
A Morte joga xadrez com o cavaleiro Antonius em cena antológica.

O Sétimo Selo

Direção: Ingmar Bergman

Sinopse: Antonius Block retorna das cruzadas e encontra sua vila destruída pela peste negra. Depois disso passa a refletir sobre o sentido da vida, mas a Morte (Bengt Ekerot) aparece para levá-lo. Porém, Block se recusa a morrer sem ter entendido o sentido da vida e propõe um jogo de Xadrez, onde se ele ganhar continua a viver. Apesar de perder o jogo, a Morte continua a perseguí-lo enquanto viaja pela Suécia medieval.

“O Sétimo Selo revela uma alegoria em preto e branco sobre a busca infinita pelo sentido em um mundo caótico: o mundo do século XIII, devastado pela Peste Negra.
Antonius Block (Max Von Sydow) retorna das Cruzadas e encontra sua vila destruída pela doença. A Morte aparece para levá-lo, mas Block se recusa a morrer sem ter entendido o sentido da vida. Propõe então um jogo de xadrez, em uma tentativa de burlar a única certeza que o habita.
Apesar de perder o jogo de xadrez, a Morte continua a perseguí-lo enquanto viaja pela Suécia medieval. Block descobre os aspectos mais repugnantes do fervor religioso: a tortura, a caça às bruxas, o espectro da Morte alimentando-se da fraqueza humana. “
Se a busca infinita pelo sentido em um mundo caótico, existiu no século XIII, hoje isso parece completamente fora de moda.
O que existe hoje é a busca infinita pelo interior de nosso corpo e haja raio-x, tomografia, exames de laboratório e sei lá mais o quê.
Hoje é como se fôssemos apenas corpo e a alma, essa que se dane.
O psiquismo? Oras, o que é isso?
As memórias, as lembranças? A falta de um pai, o excesso de mães?
Oras, o que é isso?
Somos corpo e se o corpo adoece é só o corpo que adoeceu.
Sinto saudades desse momento do século XIII, saudades de um tempo em que havia a busca infinita pelo sentido da vida e posso ser uma pessoa completamente fora de moda hoje em dia, mas minha vida ainda se resume nisso: pela busca infinita pelo sentido da vida, corpo, alma, mente e psiquismo.
Dia e noite percorro labirintos dentro de mim, que vão ficando cada vez mais claros e luminosos, à medida que os encaro e não fujo deles.
Cachoeiras me habitam, posso me sentar à sombra de frondosas árvores, saborear os frutos sazonados da maturidade e depois arrotar de felicidade, porque como já disse em texto anterior, na sofreguidão de viver, como sem mastigar e depois fico “empachada”.
Sempre, porém, vou atrás de meus recursos.
Era o que eu tinha a dizer por este mês.
No próximo mês tem mais.
escrito por Sylvia Manzano

04/09/2008 - 16:48h Ciúme

CONTARDO CALLIGARIS

Folha de São Paulo

contardo_calligaris.jpg


Pesquisa oferece duas sugestões para que uma relação não seja envenenada pelo ciúme


A CADA semana, ouço a queixa de alguém que encontra, no celular de seu parceiro ou parceira, a “prova” de uma traição: o ciúme vinga com a tecnologia, mas entendê-lo continua difícil.

Para os darwinistas, a evolução favoreceu os ciumentos: sobrevive a linhagem dos que evitam sustentar rebentos ilegítimos, poupando assim seus recursos. Problema: o argumento evolucionista vale só para o ciúme masculino (mesmo no pleistoceno, os homens que pulavam a cerca não voltavam grávidos para casa), e, restaria explicar, o ciúme feminino. Várias pesquisas mostram que todos, homens e mulheres, são mais sensíveis à infidelidade emocional (que não engravida ninguém) do que à infidelidade sexual.

Os cognitivistas, em geral, entendem o ciúme como uma reação contra algo que ameaça a relação e fere o amor-próprio do “traído”. Faz sentido, mas o ciúme (sobretudo patológico) nem sempre é reativo: às vezes, o ciumento inventa situações para alimentar seu ciúme.

Os terapeutas psicodinâmicos notam que o ciumento é mais preocupado consigo e com seus rivais do que com o objeto de seu amor. Eles reconhecem, grosso modo, dois tipos de ciúme, que ambos seriam restos neuróticos da infância:

1) Há o ciúme possessivo de quem não deixa a primeira infância, continua querendo ser um único corpo, junto com a mãe, e só enxerga ameaças - no pai, nos irmãos etc. Nesse estilo, uma tia minha passou a vida recluída pelo marido: não saía de casa, nenhum médico podia examiná-la. Por essa razão, eu não a conheci, mas minha avó dizia que o homem era louco e que ela era louca também, por aceitar.

2) Há o ciúme inseguro de quem nunca se sente “tranqüilamente” amável e está sempre revivendo as emoções da pré-puberdade, quando descobrimos que a mãe tem interesses diferentes da gente (experiência dolorosa, mas também prazerosa, pois, traindo-nos, ela nos liberta para desejarmos outras coisas).

Então? Pois é, acabo de ler uma pesquisa, de Visser e McDonald, no “British Journal of Social Psychology” (vol. 46, nº 2, junho 2007): “Swings and Roundabouts: Management of Jealousy in Heterosexual Swinging Couples” (suingue e carrosséis: administração do ciúme em casais heterossexuais que praticam o suingue).

Questão dos pesquisadores: há casais que praticam regularmente o suingue, a troca sexual de parceiros; como eles administram o ciúme?

Resultado previsível: os casais que praticam suingue transformam seu ciúme em excitação sexual. Essa transformação é mais fácil para o homem; na mulher, a visão do parceiro nos braços de outra produz facilmente insegurança. Seja como for, a transformação do ciúme em excitação sexual é possível à condição que seja garantida a confiança absoluta de ambos na coesão do casal. Garantida como?

1) A primazia do envolvimento afetivo sobre o sexual é permitida pela sinceridade. O parceiro é sempre o primeiro a saber: essa prioridade garante a superioridade do laço afetivo do casal sobre o laço sexual com outros. De fato, na infidelidade, o que mais causa aflição é que, por exemplo, o amante sabe do marido, e o marido não sabe do amante (diga para um amante que sua performance é comentada na mesa do casal, e ele, provavelmente, sumirá para sempre).

2) O próprio suingue, como fantasia constantemente elaborada pelos dois, consolida o laço do casal, torna-o muito mais importante do que os parceiros ocasionais de cada um.

Será que, dessas constatações, há como deduzir uma receita contra o ciúme ordinário?

Parece que sim: à condição de não precisar repetir os restos da infância mencionados antes, deve ser possível construir uma relação em que o ciúme seja tolerável.

Para isso, segundo a pesquisa, é bom:

1) que as “infidelidades” (todas, não só as sexuais) sejam prenunciadas, ou seja, que elas existam primeiro na conversa do casal;

2) que os membros do casal compartilhem uma aventura, um sonho (voar de asa delta, aprender sânscrito ou praticar suingue, tanto faz).

Mais duas observações. A maior traição é a traição do próprio desejo da gente; portanto, pedir ao outro para não nos trair é menos importante do que lhe pedir para não trair a si mesmo. Até porque um parceiro ou uma parceira que traísse seu próprio desejo para ficar com a gente acabaria, a médio prazo, odiando-nos por ter-se traído.

Enfim, uma infidelidade não é razão para acabar com uma relação. No máximo, é razão para perguntar-se se a relação vale a pena.

ccalligari@uol.com.br

swing-de-casais.jpg

04/09/2008 - 15:04h Lula lança hoje programa Saúde na Escola

 

lula_saude.gif

Presidente Lula durante o lançamento do programa Mais Saúde (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

A partir de 2008, 26 milhões de crianças terão atendimento médico nas escolas em que estiverem matriculadas. Nos próximos quatro anos, serão investidos mais de R$ 844 milhões no atendimento médico e odontológico de estudantes da educação básica. Entre as medidas previstas estão o fornecimento de óculos e próteses auditivas a alunos da rede pública.

“Quando eu tinha dez anos de idade, tive atendimento médico e odontológico na escola pública. Ter essa atenção com nossas crianças é cuidar do povo brasileiro como ele precisa ser cuidado”, destacou o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Nesta quarta-feira, 5, no Palácio do Planalto, ele assinou o decreto que institui o Programa Saúde na Escola (PSE). Os ministros da Educação, Fernando Haddad, e da Saúde, José Gomes Temporão, participaram da solenidade de assinatura.

O programa também prevê a realização de consultas com otorrinolaringologistas e oftalmologistas e o diagnóstico precoce de hipertensão arterial nas salas de aula. O projeto será implantado por meio da adesão dos estados, do Distrito Federal e dos municípios. No prazo máximo de 90 dias, os ministérios da Saúde e da Educação devem firmar acordos com as entidades federadas para promover as ações previstas no programa.

Prevenção — Hábitos saudáveis, como a prática de esportes, também serão incentivados. Pelo menos uma vez por ano, 3,5 mil municípios receberão a visita de equipes do programa Saúde da Família para promover a atividade física e incentivar a alimentação saudável nas escolas. Além disso, serão promovidas oficinas de prevenção ao uso de álcool, tabaco e drogas em 56.550 escolas de todo o Brasil.

Iniciativas como educação para a saúde sexual e orientações sobre a prevenção da gravidez precoce e de doenças sexualmente transmissíveis serão desenvolvidas em outras 74.890 escolas de ensino técnico, médio e fundamental. Para tanto, serão investidos cerca de R$ 3,3 milhões em realização de oficinas e distribuição de kits.

O Saúde na Escola faz parte do Plano de Aceleração do Crescimento da Saúde, o Mais Saúde. Com o plano, serão investidos R$ 89 bilhões em saúde pública ao longo dos próximos quatro anos. Mais informações na página eletrônica do Ministério da Saúde.


O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, lança, nesta quinta-feira (4), em Recife, o Programa Saúde na Escola. Até 2011, cerca de 26 milhões de alunos brasileiros terão atenção integral à saúde por meio das Equipes Saúde da Família nas escolas da rede pública que estiverem matriculados.

Antes, em Petrolina (PE), inaugura do Hospital de Urgências e Traumas (HUT) de Petrolina, que será referência na região para serviços de serviços de alta complexidade em Neurocirurgia, Ortopedia, Terapia Intensiva e Tratamento de Queimados, além da abertura da primeira etapa do campus local da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), que conta com mais três campi e terá capacidade para atender um total de 4,1 mil alunos a partir de 2010.

Os dados do programa:

Alunos da rede pública terão atenção integral à saúde
Até 2011, cerca de 26 milhões de alunos da rede pública de 1.242 municípios com baixo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) terão atenção integral à saúde por meio das Equipes Saúde da Família. Trata-se do Programa Saúde na Escola (PSE), parceria entre os ministérios da Educação e da Saúde. A largada do Programa será dada nesta quinta-feira (4) pelo presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, em Pernambuco, em cerimônia de lançamento na Escola Estadual São Francisco de Assis.

Para a escolha dos municípios foi feito o cruzamento de cobertura de 100% da estratégia Saúde da Família (SF) nesses municípios, que resultou numa lista de 647 municípios (dados de abril/2008). Além desses municípios, serão contempladas as escolas localizadas nos municípios do Programa Mais Educação, aproximadamente 2.050, em 52 municípios - que são capitais e grandes cidades de regiões metropolitanas, onde será possível a adesão ao PSE, mediante o número de Equipes de Saúde da Família implantadas, na proporção de uma Equipe Saúde da Família para uma Escola Pública.

Componentes - Quatro componentes integram o PSE: avaliação das condições de saúde; promoção da saúde e prevenção; educação permanente e capacitação dos profissionais e de jovens; monitoramento e avaliação da saúde dos estudantes.

O primeiro deles, a “avaliação das condições de saúde”, refere-se à atenção ao estudante por meio de avaliação clínica e psicossocial, da atualização do calendário vacinal, da detecção precoce da hipertensão arterial sistêmica, da avaliação oftalmológica, auditiva, nutricional e da saúde bucal. Para os quatro anos do Programa estão previstas cinco milhões de consultas oftalmológicas e o fornecimento de 460 mil óculos para esta população, bem como 800 mil avaliações auditivas e o fornecimento de 33 mil próteses auditivas. A “promoção da saúde e prevenção” incorpora o segundo tema e se efetivará por meio de ações: de segurança alimentar e promoção da alimentação saudável, buscando a melhora nutricional dos escolares; promoção das práticas corporais e atividade física nas escolas, estimulando-os a fazê-los como uma escolha, uma atitude frente à vida; educação para a saúde sexual, saúde reprodutiva e prevenção das DST/AIDS, ações de prevenção de gravidez na adolescência chegarão a 87 mil escolas em 3,5 mil municípios; prevenção ao uso de álcool, tabaco e outras drogas; e, promoção da Cultura de Paz e das violências.

“Educação permanente e capacitação dos profissionais e de jovens” faz parte do terceiro componente e prevê a realização de educação permanente de Jovens para Promoção da Saúde e Educação permanente e capacitação de profissionais da educação nos temas da saúde e constituição das equipes de saúde que atuarão nos territórios do PSE. O projeto de Formação Permanente tem sido elaborado a partir de três eixos: gestão da formação, operacionalização e organização dos diferentes formatos de formação.

O quarto tema é o “monitoramento e avaliação da saúde dos estudantes” e tem duas ações. A primeira é a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense), que é amostral e tem como foco os jovens estudantes de 13 a 15 anos, que aborda: o perfil socioeconômico, alimentação, atividade física, cigarro, álcool e outras drogas, situações em casa e na escola, saúde sexual, segurança, saúde bucal, e imagem corporal.

Comissão - As ações previstas no PSE serão acompanhadas por uma comissão intersetorial de educação e de saúde, formada por pais, professores e representantes da saúde, que poderão ser os integrantes da equipe de conselheiros locais.

Os municípios terão de manifestar interesse em aderir ao Programa. Uma portaria do Ministério da Saúde definirá os critérios e recursos financeiros pela adesão e orientará também a elaboração dos projetos pelos municípios.

Além do incentivo, o Ministério da Saúde ficará responsável pela publicação de almanaques para distribuição aos alunos das escolas atendidas pelo PSE. A tiragem da publicação poderá chegar a 300 mil exemplares este ano. O Ministério fará ainda cadernos de atenção básica para as 5.500 Equipes de Saúde da Família que atuarão nas escolas.

Fonte Ana Guimarães - Portal do MEC; Diário do Pará e Boletim Em questão

15/08/2008 - 15:55h Herança maldita: descoberta causa genética do câncer de cólon

http://www.oncolink.org/types/images/colorectal/pathology_colon1.jpg

EFE - O Globo

WASHINGTON - Cientistas americanos descobriram uma irregularidade em um par de genes que seria responsável pela maioria dos casos de câncer colo-retal, revela um estudo divulgado nesta quinta-feira pela revista “Science”. Segundo os pesquisadores do Centro de Oncologia Integral da Universidade Estadual de Ohio, esta é a primeira vez que se constata uma causa conclusiva do câncer de cólon.

” (O estudo) sugere que (a disfunção genética) desempenha um importante papel (no câncer colo-retal) ”

A descoberta, que se deu através de uma análise de 138 pacientes com câncer colo-retal, poderia proporcionar aos oncologistas uma nova forma de identificar as pessoas que correm um alto risco de sofrer essa doença, dizem os cientistas. Em todo o mundo, são diagnosticados anualmente mais de um milhão de casos de câncer colo-retal e, nos Estados Unidos, a doença causa a morte de cerca de 50 mil pessoas a cada ano.

Os genes do fator beta de transformação do crescimento, mais conhecidos como TGFBR1, normalmente ajudam a prevenir o câncer. Cada pessoa herda um gene do pai e outro da mãe e as duas cópias geralmente desenvolvem a mesma atividade para produzir o TGFBR1. No entanto, em algumas pessoas um desses genes é menos produtivo que o outro, segundo revelou o estudo.

- O fato de termos visto uma diferença anormal na expressão genética em pelo menos 10% dos pacientes de câncer de cólon e em muito poucas pessoas sem a doença sugere que (a disfunção genética) desempenha um importante papel (no câncer colo-retal) - diz Albert de la Chapelle, um dos pesquisadores.

A diferença na expressão genética parece aumentar nove vezes o risco de uma pessoa sofrer de câncer de cólon, acrescenta Chapelle. Segundo o cientista, se for confirmada a relação entre a irregularidade genética e a doença, familiares dos doentes devem ficar atentos, pois podem tê-la herdado.

10/08/2008 - 12:27h Tal pai, tal filho? depende de você

Se precisar das dicas é que você já perdeu o pé, mas dá para consertar. Reproduzir estereótipos é repetir besteiras. Ninguém deveria calcar imagens e cargar, além da conta , o peso de sua própria infância. Quebrar a rigidez de papeis e manter a essência do lugar distinto do pai e da mãe, pode virar um instrumento de superação. Gostei das “dicas” publicadas no Correio Braziliense. LF

bebe.jpg

PASSOS PARA SE TORNAR UM ENCANTADOR

Você se considera um bom pai? Acha que tem uma relação próxima e saudável com seu filho? Então responda rápido: qual a cor preferida dele? Qual é o super-herói com quem ele mais se identifica? Quem são seus melhores amigos? Qual é o seu maior sonho? E seu maior medo? E seu filme predileto? Se depois dessas perguntas você sentiu que é hora de se envolver mais com a família e, quem sabe, entrar para o ilustre hall de pais encantadores, veja abaixo um pequeno guia elaborado com a ajuda dos pais entrevistados e com o respaldo dos psicanalistas Wadson Damascena e Roberto Menezes, com idéias que podem mudar a história do relacionamento entre pai e filho:

1 Assuma tarefas diárias da babá ou da mãe, como preparar o café da manhã, dar o banho, levar para a escola, colocar para dormir ou ajudar na lição de casa. “O pai tem que criar junto. Falta de tempo é a pior desculpa que alguém pode arrumar para justificar a distância com o filho. Tempo a gente sempre arruma quando há um real interesse”, opina Wadson.

2 Muitos subestimam a capacidade e a inteligência das crianças e dos jovens. Crianças são boas de papo e têm pensamentos e histórias fascinantes para dividir. “Criar o hábito de conversar é uma excelente forma de aproximação”, afirma Wadson.

3 Na hora do almoço não há nada mais desagradável do que um pai que pede silêncio aos familiares que querem conversar para poder assistir ao telejornal ou ao programa de esportes. As refeições são boas oportunidades de socialização, aproximação e divertimento.

4 Crie um hobby em comum com seu filho. Descubra algo que ambos gostem e ponha em prática esse gosto, pelo menos uma vez por semana. Pode ser andar de bicicleta, praticar algum esporte, ir ao cinema, exposição ou aprender a desenhar, por exemplo.

5 Saia da rotina. Surpreenda a família com um passeio, uma viagem ou um programa diferente.

6 Conte histórias sobre sua infância. As crianças adoram imaginar os pais quando jovens. Deixe-o contar suas histórias também.

7 Preste atenção no que ele fala. Valorize-o. Se um dia ele contar que aprendeu sobre os animais mamíferos na escola, por exemplo, leve-o ao jardim zoológico.

8 Brinque com ele. Brincar é o que as crianças fazem melhor. Na companhia dos pais, acham esse prazer ainda mais divertido.

10/08/2008 - 12:27h Cresce convívio familiar de filhos e pais homossexuais

Grupo se reúne mensalmente em SP, sob orientação de psicóloga da PUC, para tratar da criação das crianças

Gustavo Miranda - O Estado de São Paulo

A imagem “http://www.estadao.com.br/fotos/paulo(6).jpg” contém erros e não pode ser exibida.Henrique, de 3 anos, é negro, nasceu em Salvador (BA) e foi adotado em 2007, quando passou a ter pai e endereço fixo em São Paulo. Felipe e Pedro são brancos, têm 13 e 11 anos, nasceram em São Paulo, onde moram com a mãe - e visitam o pai periodicamente. Os três são filhos de pais gays - um solteiro e outro separado - e ilustram uma nova configuração familiar que tem se mostrado mais comum na sociedade brasileira.

Henrique é filho do diretor da São Paulo Fashion Week (SPFW), Paulo Borges. Sua história ilustra bem a pluralidade de algumas famílias. “Desde o início, queria um menino, negro e não recém-nascido. Um amigo que trabalha no Judiciário falou que seria fácil, porque estava fora do perfil”, conta. O interesse mais comum em adoção é por meninas, brancas e recém-nascidas.

O processo para que Paulo tivesse a guarda de Henrique foi rápido. “Ele tinha 1 ano e 10 meses. Eu o conheci no dia 1º de agosto do ano passado, no dia 6 de setembro vieram a guarda e o registro como meu filho.”

Milton é executivo, tem 39 anos e pede para não ter o sobrenome revelado. Ele não teme discriminação por ser homossexual, mas diz que seus filhos Felipe e Pedro não estão preparados para receber a carga de preconceito contra os gays. Os meninos moram com a mãe e há um ano ouviram do pai a revelação. “Anos depois da separação, eles perguntaram sobre um amigo meu. Aproveitei o momento e contei tudo. Continuei amigo da mãe dos meninos e isso foi importante para que quase nada mudasse no nosso relacionamento”, diz. “É um alívio ver que minha família dá certo.”

Uma vez por mês um grupo de pais homossexuais, entre 28 e 50 anos, discute a criação de filhos e o desafio da revelação às crianças. Eles são orientados pela psicóloga Vera Moris, doutoranda da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP). “No começo, se achavam isolados. Agora, sabem que não estão sós”, diz Vera.

Os freqüentadores das reuniões são homens que inicialmente se achavam heterossexuais e só depois descobriram-se gays. “Agora, o que eles mais discutem é o quanto a sexualidade deles pode atingir os filhos. Tudo o que menos querem é que eles sofram por isso. Com proteção no ambiente familiar, isso não vai afetá-los”, diz.