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	<title>Blog do Favre &#187; Palestina</title>
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	<description>Cultura, Política, Economia, Mundo, Sociedade, Comportamento</description>
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		<title>O &#8220;jogo da paz&#8221; no Oriente Médio</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Nov 2009 15:30:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Lula minimiza polêmica sobre o encontro
Em nome da paz, presidente propõe jogo da seleção contra combinado Israel-Palestina
Chico de Gois e Gustavo Paul &#8211; O Globo
BRASÍLIA. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva procurou minimizar a polêmica em torno da visita ao país do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, hoje. Lula preferiu explorar o gesto feito [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://g1.globo.com/Noticias/Rio/foto/0,,33010113-FMM,00.jpg" alt="Foto: Alba Valéria Mendonça/ G1" width="555" height="395" /></p>
<p><strong>Lula minimiza polêmica sobre o encontro</strong></p>
<p><strong>Em nome da paz, presidente propõe jogo da seleção contra combinado Israel-Palestina</strong></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Chico de Gois e Gustavo Paul &#8211; O Globo</span></h2>
<p>BRASÍLIA. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva procurou minimizar a polêmica em torno da visita ao país do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, hoje. Lula preferiu explorar o gesto feito pelo Brasil para tentar influenciar o processo de paz no Oriente Médio. E propôs o que chamou de “jogo da paz”: uma partida da seleção contra um combinado Israel-Palestina.</p>
<p>Lula ressaltou os encontros que teve na semana passada com o presidente de Israel, Shimon Peres, e da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, e disse que a visita de Ahmadinejad está dentro do contexto de conversar com todos os atores da região para tentar estabelecer a paz.</p>
<p>— Fico extremamente feliz que o Brasil possa, num espaço de 10 a 15 dias, receber o presidente de Israel, o presidente da Autoridade Palestina e o presidente do Irã. Isso mostra a diversidade das relações internacionais do Brasil. Com todos vou conversar sobre a mesma coisa: conversei sobre paz com o presidente Shimon Peres, conversei sobre paz com o Mahmoud Abbas e vou conversar sobre paz com o Ahmadinejad — disse Lula.</p>
<p>Lula disse que conhece os problemas da região e que é necessário identificar quem não quer a paz.</p>
<p>— Nós sabemos quem quer a paz no Oriente Médio. O povo quer a paz e alguns governantes querem a paz. O que precisamos detectar agora é quem não quer a paz. A quem interessa que não haja paz no Oriente Médio? Alguém está ganhando com isso. E é esse alguém que está ganhando com a não existência de paz no Oriente Médio que nós precisamos colocar para escanteio e conversar com aqueles que querem construir a paz.</p>
<p>“Jogo da paz” foi proposto a Peres e Abbas O presidente acredita que uma partida de futebol pode ser o pontapé inicial para selar a paz entre palestinos e israelenses. Os dois lados vivem em conflito permanente, com milhares de mortos de ambas as partes, desde a criação do Estado de Israel, em 1948.</p>
<p>A exemplo do que fez no Haiti em agosto de 2004, Lula está disposto a promover um jogo entre a seleção brasileira e um combinado de jogadores palestinos e israelenses. O local da partida seria um campo neutro.</p>
<p>A ideia foi apresentada a Peres e a Abbas. De acordo com o presidente, os dois gostaram da proposta e ficaram de discutir melhor o assunto.</p>
<p>Para a efetivação do jogo, no entanto, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) terá de encaixar a partida no calendário de 2010, ano da Copa.</p>
<p>— Vou à região entre os dias 10 e 16 de março e estamos trabalhando com a ideia de fazer um jogo da paz, como fizemos no Haiti — declarou o presidente, dizendo que os dois países demonstraram disposição de montar uma seleção mista. — Se derem colher de chá, até eu posso jogar de centroavante. Poderia ser meia armador — brincou Lula.</p>
<p>O presidente defendeu que os Estados Unidos tenham uma ação mais ativa na região para buscar a paz.</p>
<p>— É preciso que as grandes potências, países como os Estados Unidos, também tenham uma ação mais positiva, mais construtiva. Se a gente conseguir fazer com que a paz no Oriente Médio não seja uma primazia dos Estados Unidos ou de outro país, mas que seja uma decisão das Nações Unidas e, com base nisso, todos os países do mundo trabalharem para construir a paz, nós estaremos tranquilos.</p>
<p>A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, também defendeu a aproximação entre Brasil e Irã. Para ela, esse diálogo é reflexo do papel que o país passou a desempenhar no mundo.</p>
<p>— A gente tem que se acostumar com a presença mais forte do Brasil no cenário internacional. Quanto mais forte for nossa presença, mais vamos ser instados a contribuir para solucionar conflitos, para resolver pendências, para dar posições em relações às grandes questões internacionais — declarou.</p>
<p>Dilma vê a presença do presidente iraniano no país como um sinal da relevância do Brasil no cenário internacional: — Ninguém antes queria saber nossa opinião sobre o conflito árabeisraelense, nem pedia para a gente uma posição no sentido de construir a paz no Oriente Médio. É importante que o Brasil assuma esses papéis que cada vez mais serão dele.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="AFP PHOTO/Eduardo Romero / Manifestantes pediam ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que não faça acordos com o governo do Irã" src="http://portal.rpc.com.br/midia/tn_620_600_portesto2.jpg" alt="AFP PHOTO/Eduardo Romero / Manifestantes pediam ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que não faça acordos com o governo do Irã" width="514" height="346" /><br />
<span style="font-size: xx-large;"><strong> Em Ipanema, um protesto para lá de ecumênico</strong></span></p>
<p><strong>Judeus, homossexuais, negros, mulheres e até muçulmanos em manifestação contra visita de iraniano</strong></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Carolina Ribeiro &#8211; O Globo</span></h2>
<p>“Ahmadinejad, apesar de você amanhã há de ser outro dia”, cantaram cerca de mil pessoas na manhã de ontem, em frente à Rua Maria Quitéria, na Praia de Ipanema, em protesto contra a visita do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que chega hoje a Brasília.</p>
<p>— A visita do Ahmadinejad não afeta apenas a comunidade judaica.</p>
<p>Não é uma ameaça para judeus, negros e homossexuais. É uma ameaça para a democracia. Quem nega o Holocausto, nega a escravidão no Brasil. Estamos reunidos para protestar contra qualquer tipo de discriminação e defender um mundo livre — observou Michel Gherman, representante da comunidade judaica Hillel.</p>
<p>A passeata reuniu representantes de diversas entidades, como Instituto de Fomento à Cidadania, Afoxé Filhos de Ghandi, Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, Academia Brasileira de Filosofia, Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, Ordem dos Advogados do Brasil, Museu Judaico, Grupo Arco Íris, União Cigana do Brasil, Sociedade Beneficente de Desenvolvimento Islâmico, entre outros.</p>
<p>— Outra vez, nunca mais. Não é possível que hoje em dia o Holocausto não seja reconhecido. Temos que sair da invisibilidade. Estamos presentes para promover o movimento político-racista-religioso — defendeu Miovacite, presidente da União Cigana do Brasil.</p>
<p>— Vim aqui lamentar a atitude do presidente Lula em receber um terrorista no nosso país. Considero isso uma afronta à sociedade — exclamou a vereadora Teresa Bergher, representante da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher.</p>
<p>Foram distribuídos apitos e cartões vermelhos. Placas com dizeres como “Senhor presidente: discriminação é crime. Explique ao convidado,”, “O Holocausto não existiu?” e “Perseguições a minorias religiosas?” foram erguidas pelos manifestantes.</p>
<p>O protesto durou cerca de duas horas e, ao meio-dia, foram lançados no ar balões de gás presos numa gaiola. Eles foram pintados com expressões como “liberdade de expressão”, “liberdade sexual”, “paz” e “memória ao Holocausto” em homenagem às vítimas da violência do atual regime do Irã.</p>
<p>Único sobrevivente de uma família judia dizimada no Holocausto, Alexander Laks, de 83 anos, está indignado com a visita.</p>
<p>— Fico ofendido com o fato de um nazista desses pisar em solo brasileiro.</p>
<p>Gostaria de saber quantos integrantes tem a família dele. Se não houve Holocausto, para onde então foi toda a minha família? Quem nega o Holocausto, nega os direitos humanos — ressaltou Laks.</p>
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		<title>Israel &#8211; Palestina: Solução de 2 Estados está em xeque</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Nov 2009 12:47:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Sem acordo até 2011, palestinos pressionarão por Estado único

John V. Whitbeck &#8211; O Estado SP
O &#8220;processo de paz&#8221; do Oriente Médio, um processo aparentemente perpétuo, chegou ao momento da verdade. Foi o que o principal negociador palestino, Saeb Erekat, afirmou em entrevista no último dia 4.
As esperanças dos palestinos de que o governo Barack Obama [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Sem acordo até 2011, palestinos pressionarão por Estado único</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong></strong><img class="aligncenter" style="cursor: -moz-zoom-out;" src="http://laionmonteiro.files.wordpress.com/2009/01/nena_palestina_tanque_israel.jpg" alt="http://laionmonteiro.files.wordpress.com/2009/01/nena_palestina_tanque_israel.jpg" width="555" height="417" /></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">John V. Whitbeck &#8211; O Estado SP</span></h2>
<p>O &#8220;processo de paz&#8221; do Oriente Médio, um processo aparentemente perpétuo, chegou ao momento da verdade. Foi o que o principal negociador palestino, Saeb Erekat, afirmou em entrevista no último dia 4.</p>
<p>As esperanças dos palestinos de que o governo Barack Obama continuasse insistindo com firmeza para que Israel parasse de expandir os assentamentos em território palestino frustraram-se. Houve um momento particularmente decepcionante, quando a secretária americana de Estado, Hillary Clinton, usou o termo &#8220;sem precedentes&#8221; ao elogiar a promessa mínima de Israel de reduzir seu programa de expansão dos assentamentos.</p>
<p>Reagindo rapidamente, o presidente palestino, Mahmoud Abbas, anunciou que não se candidataria à reeleição porque agora estava claro que os Estados Unidos não se oporiam a Israel. A capitulação de Washington sugere a possibilidade de que &#8220;a solução dos dois Estados deixou de ser uma opção, e agora talvez o povo palestino deva voltar suas atenções para a solução de um Estado único, em que muçulmanos, cristãos e judeus possam viver em condições iguais&#8221;, disse Erekat.</p>
<p>Sua declaração clamorosa poderá assinalar uma guinada na longa e frustrante busca da paz com algum grau de justiça entre Israel e a Palestina.</p>
<p><strong>STATUS QUO</strong></p>
<p>Durante os longos anos do chamado processo de paz, os prazos foram constantemente desrespeitados, como era previsível. Este fracasso foi facilitado pela realidade prática de que, para Israel, o &#8220;fracasso&#8221; não teve outra consequência senão a continuação do status quo, que para todos os governos israelenses tem sido não apenas tolerável, como preferível a qualquer alternativa realizável de um ponto de vista realista. Para Israel, o &#8220;fracasso&#8221; sempre constituiu um &#8220;sucesso&#8221;, permitindo que continuasse confiscando terra palestina, expandindo suas colônias na Cisjordânia, construindo desvios acessíveis unicamente aos judeus, e em geral tornando a ocupação cada vez mais permanente e irreversível.</p>
<p>No interesse de todos, esta situação terá de mudar. Para que haja alguma perspectiva de sucesso numa nova rodada de negociações, o fracasso deve ter consequências claras, convincentes e inapeláveis para os israelenses.</p>
<p>A liderança palestina, com ou sem Abbas, agora deveria anunciar que está disposta a retomar as negociações com Israel, mas somente com base num entendimento expresso e irrevogável: se não houver um acordo de paz definitivo com base na &#8220;solução de dois Estados&#8221;, e se este não for assinado até o final de 2010, o povo palestino não terá outra escolha senão buscar a justiça e a liberdade pela democracia &#8211; mediante plenos direitos de cidadania em um Estado único em todos os territórios que, antes de 1948, constituíam a Palestina, livre de toda discriminação de raça ou religião, com direitos iguais para todos os que viverem neste Estado, como ocorre numa verdadeira democracia.</p>
<p>A Liga Árabe deveria então declarar publicamente que a generosa Iniciativa de uma Paz Árabe, que desde março de 2002 oferece a Israel uma paz permanente e relações diplomáticas e econômicas normais em troca do cumprimento da lei internacional pelos israelenses, expirará e será retirada da mesa de negociações, caso um acordo de paz definitivo palestino-israelenses não seja assinado até o final de 2010.</p>
<p>Neste momento &#8211; e não antes &#8211; poderão começar negociações sérias e cruciais. Considerando a extensão do avanço dos assentamentos israelenses em terras palestinas, talvez já seja tarde demais para se chegar a uma solução de dois Estados satisfatória, mas uma solução satisfatória nesse sentido jamais terá maior chance de ser alcançada. Se de fato for tarde demais, israelenses, palestinos e o mundo poderão, então, concentrar suas mentes e esforços de modo construtivo na única alternativa satisfatória.</p>
<p>É até mesmo possível que, se obrigados a trabalhar no próximo ano na perspectiva de viver num Estado totalmente democrático, muitos israelenses consigam considerar esta &#8220;ameaça&#8221; menos terrível do que têm feito tradicionalmente.</p>
<p>A este propósito, talvez os israelenses devessem conversar com alguns sul-africanos brancos. A transformação da ideologia da supremacia racial e do sistema político da África do Sul num sistema plenamente democrático os transformou de marginalizados em pessoas bem-vindas em toda a região.</p>
<p>Além disso, garantiu a permanência de uma presença branca forte e vital na África do Sul de um modo que nunca seria possível com flagrante injustiça de uma ideologia e um sistema político com base na supremacia racial e com a imposição aos nativos de &#8220;Estados independentes&#8221; fragmentados e dependentes. Este não é um precedente a ser menosprezado, mas poderá e deverá servir de inspiração.</p>
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		<title>Abbas quer que Lula dê recado a Teerã</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Nov 2009 16:27:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Líder palestino pedirá ao Brasil que interceda junto ao presidente do Irã por fim de apoio ao grupo radical islâmico Hamas
À Folha presidente da ANP diz que país pode agir mais pela paz no Oriente Médio; em Salvador, ele se reúne com o colega brasileiro hoje


Ricardo Stucker/PR

 Presidente Lula come acarajé em jantar em Salvador [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><br />
Líder palestino pedirá ao Brasil que interceda junto ao presidente do Irã por fim de apoio ao grupo radical islâmico Hamas</strong></p>
<p><strong>À Folha presidente da ANP diz que país pode agir mais pela paz no Oriente Médio; em Salvador, ele se reúne com o colega brasileiro hoje</strong></p>
<p><strong><br />
</strong></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: x-small;"><em>Ricardo Stucker/PR<br />
</em></span><img src="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/images/e2011200901.jpg" border="0" alt="" /><br />
<span style="font-size: x-small;"><em> Presidente Lula come acarajé em jantar em Salvador com o líder da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas (esq.), e um tradutor</em></span></p>
<p><em><br />
</em></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">SAMY ADGHIRNI &#8211; FOLHA SP</span></h2>
<p>ENVIADO ESPECIAL A SALVADOR</p>
<p>O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, quer que Luiz Inácio Lula da Silva use suas boas relações com o iraniano Mahmoud Ahmadinejad para pedir que Teerã pare de apoiar o grupo radical Hamas, seu maior rival interno.<br />
A declaração de Abbas foi feita ontem em entrevista exclusiva à Folha na véspera de seu encontro oficial com Lula (os dois líderes tiveram um jantar privado ontem) e quatro dias antes da visita de Ahmadinejad ao Brasil. Em conversa com a reportagem, o presidente da ANP acusou Israel de alimentar as divisões entre palestinos e disse que o atual governo israelense é o primeiro da história a não querer a paz.<br />
Abbas, que viaja em avião cedido pelo governo do Marrocos, defendeu que o projeto de proclamação da independência palestina seja levado à ONU.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; O que o sr. dirá ao presidente Lula?<br />
MAHMOUD ABBAS -</strong></em> Há muito  tempo que temos relações com  Lula. Acreditamos que o Brasil  deveria ter um papel no processo de paz e pediremos que ele  tome a oportunidade de assumir esse papel. Sei que é respeitado por israelenses e árabes,  palestinos em particular. Não  estamos falando de coisas específicas, mas de aspectos gerais.<br />
O Brasil, como país importante,  e o presidente Lula, como líder  respeitado, podem ter um papel importante. Há muitas maneiras de atuar pela paz.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; O sr. quer o apoio do Brasil  a uma declaração unilateral de independência palestina?<br />
ABBAS -</strong></em> Não dizemos que proclamaremos independência  unilateralmente. O que planejamos é que a Liga Árabe leve a  questão de um Estado palestino ao Conselho de Segurança  [da ONU]. Trabalharemos com  os países árabes para chegar a  um projeto concreto. Mas não  agora, nem unilateralmente.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; É coincidência o sr. vir ao  Brasil poucos dias após a visita do  presidente de Israel, Shimon Peres?<br />
ABBAS -</strong></em> Sim. Perguntamos ao  governo brasileiro qual data seria mais conveniente para nossa visita e foi essa que eles ofereceram. Não planejamos nada.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; O Brasil gostaria que o sr.  recuasse da decisão de não tentar a  reeleição. Existe essa chance?<br />
ABBAS -</strong></em> Não serei candidato. A  decisão que tomei é definitiva.  Temos instituições, governo,  autoridade, gabinete, aparato  policial e estabilidade. Não  acho que minha decisão levará  ao fim da Autoridade Palestina  [como sugerido por analistas].</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; O sr. crê que o Irã apoia o  Hamas? Gostaria que o Brasil intercedesse sobre a questão junto ao  presidente Ahmadinejad?<br />
ABBAS -</strong></em> Sim. O Irã apoia o Hamas com dinheiro. As decisões  do Hamas estão nas mãos de  Teerã. Espero que ele [Lula]  possa lhe dizer [a Ahmadinejad] algumas coisas a respeito  de tudo o que acontece no  Oriente Médio. Acho que o presidente o fará.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; As divisões entre palestinos servem aos interesses de Israel?<br />
ABBAS -</strong></em> Isso é claro. As divisões entre palestinos são um  pretexto que serve para reforçar o argumento de Israel de  que não se sabe quem são os interlocutores do nosso lado.  Não acho que os israelenses o  tenham provocado [o racha],  mas eles o estimulam e o mantêm para benefício próprio.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; O que mudou após a posse  do atual governo israelense?<br />
ABBAS -</strong></em> Este governo não acredita na paz. Os anteriores, especialmente o de Ehud Olmert,  conversavam com a gente sobre todos os temas da negociação. Estivemos muito perto de  alcançar uma solução final,  mas isso não foi possível devido  a problemas internos em Israel  [acusações de corrupção contra  o governo]. Olmert caiu, e sua  sucessora [a então chanceler  Tzipi Livni] não conseguiu formar um governo, e perderam as  eleições. Hoje há no poder uma  coalizão que não crê na paz.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Israel alega que são os palestinos que travam o diálogo ao  exigir o congelamento das assentamentos na Cisjordânia sem considerar seu crescimento natural.<br />
ABBAS -</strong></em> Israel deveria cumprir  com o que está determinado no  Mapa do Caminho, que diz claramente: Israel deve cessar a  expansão de todo tipo de assentamento, incluindo a expansão  natural. É obrigação dos israelenses. Aliás, nós cumprimos  com todas as nossas obrigações, os americanos e israelenses reconhecem isso. Israel não  cumpriu nenhuma das suas.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Quando o sr. voltará a se  encontrar com o atual premiê israelense, Binyamin Netanyahu?<br />
ABBAS -</strong></em> Quando ele aceitar  dois princípios: o fim dos assentamentos e a retirada israelense até as fronteiras de 1967.  Voltaremos a conversar no  mesmo dia em que ele concordar com isso. Antes disso não  há razão alguma para vê-lo. Estive com ele nos EUA, não passou de uma formalidade.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Como o sr. vê a política de  Barack Obama no Oriente Médio?<br />
ABBAS -</strong></em> No início ele chegou a  dizer que Israel deveria pôr fim  à expansão dos assentamentos,  mas infelizmente mudou de  ideia. Mesmo assim, ainda cremos que ele acredita na paz e  tem boas intenções para resolver os problemas na região.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Cresce o coro dos que advogam pela solução de um Estado  para dois povos. O que sr. acha?<br />
ABBAS -</strong></em> Acreditamos na solução de dois Estados. Também  não acreditamos na solução das  fronteiras provisórias. Nosso  Estado deveria ser criado dentro dos limites anteriores à  guerra de 1967, com Jerusalém  sendo a capital. São essas as  fronteiras do Estado palestino.  É a única maneira de podermos  conviver com os israelenses em  paz e segurança.</p>
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		<title>Judeus israelenses apoiam negociações de paz com palestinos</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Nov 2009 19:04:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Palestina]]></category>

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		<description><![CDATA[Pesquisa da Universidade de Tel Aviv também aponta equilíbrio na opinião sobre as intenções de Netanyahu
Efe &#8211; Agência Estado
JERUSALÉM &#8211; Um total de 75% da população judaica israelense apoia o desenvolvimento de negociações de paz com a Autoridade Nacional Palestina (ANP), a percentagem mais alta em anos, revelou uma pesquisa da Universidade de Tel Aviv [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Pesquisa da Universidade de Tel Aviv também aponta equilíbrio na opinião sobre as intenções de Netanyahu</strong></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Efe &#8211; Agência Estado</span></h2>
<p>JERUSALÉM &#8211; Um total de 75% da população judaica israelense apoia o desenvolvimento de negociações de paz com a Autoridade Nacional Palestina (ANP), a percentagem mais alta em anos, revelou uma pesquisa da Universidade de Tel Aviv divulgada nesta quarta-feira, 18.</p>
<p>O levantamento mostra que, entre os que apoiam as negociações com os palestinos, 57% consideram a suspensão da construção de colônias judaicas como importante &#8211; algo que os palestinos estabelecem como condição para avançar nas conversas -, em comparação com 37% que opinaram o contrário.</p>
<p>Entre os que rejeitaram o diálogo, 93% disseram não acreditar que a construção de assentamentos judaicos no território ocupado palestino deva ser interrompida.</p>
<p>Este é o chamado &#8220;Índice de Guerra e Paz&#8221;, elaborado mensalmente pelo Programa Evans de Pesquisa da Resolução de Conflitos da Universidade de Tel Aviv após consultar mais de 500 israelenses. A margem de erro é de 4,5%.</p>
<p>Obama</p>
<p>A pesquisa também mostra uma queda no número de israelenses que considera o presidente dos EUA, Barack Obama, como pró-palestino, e um aumento no percentual daqueles que acham que a posição do americano é neutra ou inclusive pró-israelense.</p>
<p>Contra os 55% que consideravam que as políticas de Obama beneficiavam a parte palestina na edição da pesquisa feita em maio de 2009, apenas 40% dizem o mesmo no último levantamento, feito em novembro.</p>
<p>Os entrevistados se mostram igualmente divididos em relação às supostas intenções do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, de retornar às negociações com os palestinos. Assim, 46% disseram crer que suas intenções são sinceras, enquanto 45% afirmam o contrário.</p>
<p><strong><span style="font-size: xx-large;">Obama diz que construção de assentamentos por Israel é perigosa</span></strong></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Reuters/Brasil Online &#8211; O Globo</span></h2>
<p>WASHINGTON (Reuters) &#8211; O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, voltou a colocar pressão sobre Israel para que o país ponha fim a seus projetos de assentamentos nesta quarta-feira, afirmando que a sua construção leva a uma situação perigosa com os palestinos.</p>
<p>&#8220;Acho que a continuação da construção de assentamentos não contribui para a segurança de Israel. Acho que torna mais difícil eles fazerem a paz com seus vizinhos&#8221;, disse Obama à Fox News.</p>
<p>&#8220;Acho que isso desagrada os palestinos de uma maneira que pode acabar sendo bastante perigoso.&#8221;</p>
<p>(Reportagem de Jeff Mason)</p>
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		<title>Oriente Médio: Imprensa vê disputa pelo apoio do Brasil</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Nov 2009 16:17:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[País começa a ganhar destaque como ator importante na política da região


Gustavo Chacra, CORRESPONDENTE, NOVA YORK &#8211; O Estado SP
O Brasil consegue aos poucos se destacar como um ator importante na política do Oriente Médio, e o apoio brasileiro passou a ser disputado pelos países envolvidos em conflitos na região. Esta é a avaliação de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>País começa a ganhar destaque como ator importante na política da região</strong></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Os dois presidentes conversam no Itamaraty: Lula dá sinais de que aceitará o convite de Peres para visitar Israel em 2010 - (Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press )" src="http://www.correiobraziliense.com.br/files/app/noticia182/2009/11/11/154212/20091111235025506120a.jpg" border="0" alt="Os dois presidentes conversam no Itamaraty: Lula dá sinais de que aceitará o convite de Peres para visitar Israel em 2010 - (Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press )" width="554" height="305" /></p>
<p style="text-align: center;">
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Gustavo Chacra, CORRESPONDENTE, NOVA YORK &#8211; O Estado SP</span></h2>
<p>O Brasil consegue aos poucos se destacar como um ator importante na política do Oriente Médio, e o apoio brasileiro passou a ser disputado pelos países envolvidos em conflitos na região. Esta é a avaliação de órgãos de imprensa de Israel que cobrem a visita do presidente Shimon Peres a Brasília, São Paulo e Rio.</p>
<p>Nos Estados Unidos, o peso brasileiro também é sentido, com críticas a Luiz Inácio Lula da Silva por receber o líder iraniano Mahmoud Ahmadinejad ainda neste mês e por ter uma viagem agendada a Teerã no início do próximo ano. Outros veem a iniciativa do presidente como positiva pela neutralidade do país, ajudando em um difícil acordo para a questão nuclear iraniana, prioridade da administração de Barack Obama.</p>
<p>O governo brasileiro também tem sido ativo no conflito envolvendo israelenses e palestinos. No mês passado, o Brasil liderou, sem obter sucesso, uma proposta no Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, para encontrar uma saída para a questão do relatório Goldstone, que acusa Israel e o Hamas de terem cometido crimes durante a guerra em Gaza no início deste ano.</p>
<p>A embaixadora brasileira nas Nações Unidas em Nova York, Maria Luiz Viotti, foi, na semana passada, uma das vozes mais fortes no debate sobre o tema. A posição brasileira, nos dois casos, teve destaque nos principais jornais americanos e europeus, algo impensável desde quando o diplomata Osvaldo Aranha presidiu a Assembleia Geral da ONU na votação que criou o Estado de Israel, em 1948.</p>
<p>Em análise, o diário israelense Haaretz afirma que &#8220;as visitas dos presidentes do Irã e de Israel ao Brasil demonstram o crescimento da potência sul-americana no Oriente Médio&#8221;. Na avaliação do jornal, considerado de centro-esquerda em Israel, um apoio do Brasil ao Irã poderia dar credibilidade ao programa nuclear iraniano, e os israelenses visam impedir justamente que isso aconteça.</p>
<p>Neste envolvimento na política do Oriente Médio, o Brasil é visto como anti-Israel. Em primeiro lugar, pela forma como Lula trata Ahmadinejad, considerado o principal inimigo israelense no mundo. O presidente brasileiro também já esteve em uma série de países árabes e visitará o Irã, mas não foi a Israel. Para completar, a posição brasileira em relação ao relatório Goldstone foi vista como dura pelos israelenses. Na ONU, Viotti afirmou que &#8220;Israel precisa respeitar as leis internacionais ao se defender, especialmente em áreas densamente populosas&#8221;.</p>
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		<title>Shimon Peres destaca papel do Brasil em pressão contra o Irã</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Nov 2009 21:52:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Brasil e Israel discutirão acordo de defesa e combate ao terrorismo
10/11/2009 &#8211; 14h53  ( &#8211; Agência EFE)


foto: EFE

O presidente de Israel, Shimon Peres (d), cumprimenta o ministro da Defesa do Brasil, Nelson Jobim (e) nesta terça-feira, 10 de novembro


Os Governos brasileiro e israelense decidiram iniciar negociações para um acordo de defesa e combate ao [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h1>Brasil e Israel discutirão acordo de defesa e combate ao terrorismo</h1>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">10/11/2009 &#8211; 14h53  ( &#8211; Agência EFE)</span></h2>
<div>
<div style="margin: 11px; overflow: hidden; width: 340px; float: left;">
<div style="padding: 5px; font-size: 10px; color: #333333;">foto: EFE</div>
<div><img src="http://gazetaonline.globo.com/_midias/jpg/203784-4af999d0911e6.jpg" alt="Shimon Peres, Israel, Nelson Jobim" width="340" height="210" align="Left" /></div>
<div style="padding: 5px; background-color: #eeeeee; color: #333333;">O presidente de Israel, Shimon Peres (d), cumprimenta o ministro da Defesa do Brasil, Nelson Jobim (e) nesta terça-feira, 10 de novembro</div>
</div>
</div>
<p>Os Governos brasileiro e israelense decidiram iniciar negociações para um acordo de defesa e combate ao terrorismo, anunciou nesta terça-feira o ministro da Defesa brasileiro, Nelson Jobim, após uma reunião com o presidente de Israel, Shimon Peres.&#8221;No mundo, não existem mais os conflitos regulares, e todos os conflitos que existem são irregulares&#8221;, disse Jobim a jornalistas, após a reunião com Peres, que iniciou nesta terça-feira uma visita oficial de cinco dias ao Brasil.</p>
<p>No começo da reunião, que depois foi fechada para a imprensa, Peres disse que &#8220;os Exércitos têm leis, uniformes e fronteiras&#8221;, mas avaliou que &#8220;o terrorismo aparece de diversas formas&#8221; e &#8220;em momentos inesperados&#8221;. Jobim não explicou os termos do acordo que os dois países pretendem discutir, mas disse estar convencido de que o Brasil e Israel &#8220;podem caminhar juntos em busca de uma nova visão de mundo que possa levar à paz&#8221;.</p>
<p>O ministro disse que, durante seu encontro com Peres, não se falou da visita que o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, fará ao Brasil no próximo dia 23, que gerou críticas de setores conservadores e da comunidade judaica no país.&#8221;Esse não é um assunto para mencionar&#8221; em uma reunião com Peres, disse Jobim, acrescentando que &#8220;Brasil fala com todos aqueles com os quais considera que deve falar&#8221;.</p>
<p>Após receber o ministro brasileiro, Peres foi a um centro de convenções de Brasília para uma reunião com autoridades da capital, na qual receberá o título de cidadão honorário da cidade.Depois, o presidente israelense deve visitar a sede do Congresso, onde fará um discurso perante a Câmara dos Deputados e do Senado.</p>
<p>Peres se reunirá na quarta-feira com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e depois viajará a São Paulo, onde na quinta-feira participará de uma reunião com empresários dos dois países.<br />
Na sexta-feira, o presidente israelense se reunirá no Rio de Janeiro com autoridades locais e com o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli.</p>
<p>O líder israelense permanecerá no Rio de Janeiro no sábado, mas sem atividades oficiais, já que os judeus guardam esse dia da semana, e no domingo partirá para Buenos Aires.</p>
<p><span style="font-size: xx-large;">Shimon Peres destaca papel do Brasil em pressão contra o Irã</span></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">REUTERS &#8211; Agência estado</span></h2>
<p>BRASÍLIA &#8211; Dias antes de o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, visitar o país, o presidente israelense Shimon Peres destacou nesta terça-feira o papel que o Brasil pode desempenhar para reforçar a pressão internacional contra o Irã e o terrorismo.</p>
<p>Em discurso no Congresso brasileiro, Peres afirmou que, historicamente, Israel e o povo iraniano não são inimigos, assim como não o são judeus e muçulmanos. No entanto, ele criticou os esforços do governo iraniano para ter armas nucleares e seu apoio a grupos militantes palestinos.</p>
<p>&#8220;Não quero discutir em território brasileiro com o presidente do Irã, mas achamos que a política dele é um perigo mundial&#8221;, afirmou o israelense.</p>
<p>&#8220;Não posso ignorar que o Irã produz arma nuclear ao mesmo tempo em que manda destruir Israel. Isso é contra o tratado da ONU e o direito de viver.&#8221;</p>
<p>O líder iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, deve visitar o Brasil no dia 29 de novembro.</p>
<p>Para Peres, o Brasil tem um papel a desempenhar nas iniciativas da comunidade internacional contra o programa nuclear iraniano, que Teerã garante estar voltado para a geração de energia.</p>
<p>&#8220;Eu sei que o Brasil nega ameaças de destruição, nega o terror, e a voz clara e positiva do Brasil tem um eco muito forte no mundo inteiro&#8221;, destacou o presidente de Israel.</p>
<p>&#8220;Sei que o Brasil apoia o processo de paz (entre Israel e palestinos) que leve a dois Estados para dois povos. Isso então é a única alternativa.&#8221;</p>
<p>NEGOCIAÇÕES PARA A PAZ</p>
<p>Peres aproveitou para convidar palestinos e sírios a retomarem as negociações de paz com Israel.</p>
<p>&#8220;Chamo aqui o presidente Assad (Bashar al-Assad). Vamos entrar numa negociação agora, sem adiar mais, sem intermediários.&#8221;</p>
<p>Ao defender a criação de um Estado palestino que tenha uma voz contra o terror e a destruição, Peres também fez um chamamento às lideranças palestinas.</p>
<p>&#8220;Me dirijo ao meu colega Abu Mazen (como é conhecido o presidente palestino, Mahmoud Abbas) para continuar com a negociação de paz. Israel já avisou que está pronto para fazer concessões difíceis e dolorosas&#8221;, destacou.</p>
<p>(Reportagem de Fernando Exman)</p>
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		<title>Pela paz: judeus americanos recusam alinhamento automático com Israel</title>
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		<pubDate>Sun, 18 Oct 2009 11:44:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>&#8220;- O termo &#8216;pró-Israel&#8217; foi sequestrado por aqueles que têm visões a que a maioria dos americanos, judeus e não judeus, se opõe, seja apoiar a guerra no Iraque, rufar os tambores para uma guerra com Irã ou colocar obstáculos no caminho para acabar com o conflito entre palestinos e israelenses- afirma Ben-Ami.&#8221;</strong> (<em>fundador da ONG <strong>JStreet</strong>, grupo judeu de apoio a Israel na comunidade judaica de Estados-Unidos</em>).</p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;">Clique na imagem do jornal <strong>O Globo</strong> para ampliar<br />
<img class="alignnone size-full wp-image-14927" title="JStreet_Israel" src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/JStreet_Israel.jpg" alt="JStreet_Israel" width="555" height="533" /></p>
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		<title>Brasil poderá assumir a liderança mundial num projeto reformista que implique uma mudança multidimensional &#8220;conduzida por homens de boa vontade para criar uma nova civilização&#8221;.</title>
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		<pubDate>Sun, 02 Aug 2009 13:07:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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&#8221;Nosso pensamento está muito preso ao passado&#8221;
Para Edgar Morin, intelectuais devem ampliar participação nas reformas do mundo atual

Antonio Gonçalves Filho &#8211; O Estado SP


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Aos 88 anos, o filósofo, sociólogo, historiador e economista francês Edgar Morin trocou a revolução (&#8221;reduzida a uma dimensão violenta&#8221;) pela metamorfose, que, para ele, traduz uma &#8220;transformação natural e radical&#8221;; ao [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090802/img/arteelazer.jpg" width="267" height="472" /></div>
<p><strong></strong></p>
<p><strong><font size="5">&#8221;Nosso pensamento está muito preso ao passado&#8221;</font></strong></p>
<p>Para Edgar Morin, intelectuais devem ampliar participação nas reformas do mundo atual</p>
<div class="grupoC2">
<p style="background-color: #ffff99" class="fonte">Antonio Gonçalves Filho &#8211; O Estado SP</p>
<p class="tmTexto" id="ctrl_texto"><span style="color: #155e91" id="tm04" onclick="sizeFonts(14),selectedFonts('tm04'); return false"><br />
</span></p>
<p><script>Componentes.montarControleTexto("ctrl_texto")</script></div>
<div id="corpoNoticia">
<div class="ImagemMateria"></div>
<p>Aos 88 anos, o filósofo, sociólogo, historiador e economista francês Edgar Morin trocou a revolução (&#8221;reduzida a uma dimensão violenta&#8221;) pela metamorfose, que, para ele, traduz uma &#8220;transformação natural e radical&#8221;; ao mesmo tempo, prossegue investindo contra a onda neoliberal que virou tsunami no mundo globalizado e, sobretudo, proclama o surgimento de uma religião da fraternidade, resultante do fato &#8220;de estarmos perdidos e, assim, necessitarmos uns dos outros&#8221;. Se há, como sempre, combatividade em suas palavras, o que se nota hoje neste que se destaca como um dos mais vigorosos pensadores em atividade na Europa é uma absoluta crença num futuro mais humanista &#8211; que, para tanto, passa pelo Brasil.</p>
<p>Morin, a propósito, passou pelo País no último mês, a convite do diretor regional do Sesc São Paulo, Danilo Santos de Miranda. Veio para o relançamento da página dedicada a ele no Portal SescSP. E aproveitou para proferir &#8211; com o apoio do espaço cultural Universo do Conhecimento -, uma palestra sobre a urgência de um novo modelo geopolítico, Pensar o Sul. Depois dela, recebeu a reportagem do Estado para uma entrevista exclusiva.</p>
<p>Nela, Morin anunciou uma nova montagem de seu clássico documentário Crônica de Um Verão, feito em parceria com Jean Rouch em 1960. Comentou também assuntos relacionados a três livros seus recentemente lançados, O Ano Zero da Alemanha (Editora Sulina, 319 págs., R$ 60) e, pela Bertrand Brasil, O Mundo Moderno e a Questão Judaica (208 págs., R$ 35), Cultura e Barbárie Europeias (108 págs., R$ 29), e o segundo volume de Cultura de Massas no Século XX &#8211; Necrose (208 págs., R$ 35).</p>
<p>De todos, o mais controvertido talvez seja O Mundo Moderno e a Questão Judaica, em que Morin &#8211; judeu marrano que abordou, entre outros temas, o preconceito racial em Crônica de Um Verão &#8211; afirma que o Estado de Israel possui uma marca dominadora e colonizadora. Na entrevista, ele não se mostra otimista a respeito de uma solução política entre judeus e palestinos. Defende a intervenção no plano internacional dos EUA e países europeus &#8211; e não teme que o chamem mais uma vez de traidor. Lembra que já foi chamado assim em relação à França por sua oposição à guerra da Argélia e também de &#8220;traidor do socialismo&#8221; por haver resistido à sedução stalinista. Está pronto para ser chamado de &#8220;traidor dos judeus&#8221; por ter manifestado sua &#8220;compaixão pelos palestinos que sofrem as misérias e humilhações de uma ocupação&#8221;.</p>
<p>Na entrevista a seguir são reproduzidos excertos de uma conversa que durou mais de três horas. Entusiasmado, Edgar Morin pediu que ela se prolongasse por mais um dia, pois queria falar sobre a &#8220;grandeza do Brasil&#8221;. Como Stefan Zweig, ele acredita que este seja mesmo &#8220;o país do futuro&#8221;, mas que precisa, antes, enfrentar seu maior obstáculo: a corrupção. E sugere para isso uma reforma no campo educacional, defendendo a transdisciplinaridade e o incentivo à ideia de solidariedade, que irá prevalecer necessariamente no futuro, segundo o filósofo.</p>
<p>Os trunfos do Brasil em relação ao restante do mundo, diz Morin, estão na miscigenação cultural e na biodiversidade da Amazônia. Se o País souber aproveitar isso, assegura, poderá assumir a liderança mundial num projeto reformista que implique uma mudança multidimensional &#8220;conduzida por homens de boa vontade para criar uma nova civilização&#8221;.</p>
<p><strong>Certa vez o senhor disse que, para a educação reformar o espírito, ela precisaria ser reformada. Como a educação pode mudar num mundo em que o conhecimento parece servir mais a interesses econômicos que culturais?</strong></p>
<p><img src="http://www.mcxapc.org/images/photos/emorin.jpg" alt="http://www.mcxapc.org/images/photos/emorin.jpg" align="left" />É sempre o problema da transformação das instituições. Nesse sentido, é conveniente lembrar o exemplo da Universidade de Berlim criada por um educador prussiano liberal, Humboldt, no começo do século 19 (em 1810), e que marcou profundamente a educação europeia, fornecendo o modelo de outras universidades ocidentais. Da mesma forma, o pensamento neoliberal fornece hoje um modelo de universidade que precisa ser revisto, para que a reforma educacional acompanhe uma reforma moral, baseada na solidariedade planetária, e melhore a qualidade de vida. Para isso é preciso mudar nosso modo de pensar. Ou seja, no lugar de separar o conhecimento em compartimentos, devemos pensar como a complexidade pode levar a um conexão entre esses vários modos de pensar. Há, hoje, algumas universidades que resistem ao processo de uniformização do conhecimento, e uma delas fica no Peru, o que me leva a crer que uma reforma educacional acontecerá primeiro na América Latina e só depois na Europa. No Brasil, por exemplo, vejo algumas iniciativas na escola secundária que poderão frutificar, assim como nos centros de formação do professor.</p>
<p><strong>O senhor fala muito em reforma. Parece que a palavra revolução foi abolida de seu vocabulário. O tempo das revoluções chegou ao fim?</strong></p>
<p>Bem, eu prefiro trocar a palavra revolução, que está desgastada pelo uso, por metamorfose. E por quê? Porque a palavra revolução foi reduzida a uma dimensão violenta. Essa violência cria apenas sistemas autoritários, como bem provou a União Soviética. Já a metamorfose permite uma transformação natural e radical como a de uma borboleta, que se destrói e se constrói para se transformar, para adquirir novas habilidades, como a de voar.</p>
<p><strong>Já que tocou nesse tema, o da metamorfose, num de seus livros, O Homem e a Morte, o senhor fala de religião como um problema fundamental da humanidade, uma dificuldade de aceitar o fim. Deus ainda é um conjunto de ideias ou ele tomou outra configuração à medida que o senhor se aproxima do seu centenário?</strong></p>
<p>No livro mencionado, parto da constatação de que, desde que os seres humanos surgiram, essa é uma questão fundamental da humanidade, sempre às voltas, desde tempos remotos, com religiões que tentam superar a morte. Então, temas como o renascimento e as religiões salvacionistas precisam ser estudados &#8211; a história de um Deus que morre e renasce, como a de Jesus, é fascinante. Nas sociedades arcaicas existem os espectros, os espíritos dos mortos, mas não Deus, e sim deuses, que são ideias, mas que obrigam comunidades a exigir sacrifícios humanos. Então, a questão é saber se as sociedades modernas podem viver sem religião. Não acredito em religiões de revelação, como o cristianismo e o islamismo, mas, além delas e das arcaicas, existe ainda uma terceira religião, que eu classificaria de laica, ou a religião da fraternidade humana. Estamos perdidos num pequeno planeta dentro de um sistema e, justamente por estarmos perdidos, precisamos ajudar uns aos outros. Assim, ou enfrentamos a metamorfose ou seremos destruídos.</p>
<p><strong>A ideia de que se pode ser feliz, apesar disso, acompanha o senhor há pelo menos meio século, desde que rodou com o cineasta Jean Rouch o documentário Crônica de Um Verão, para o qual foi cunhada a expressão &#8220;cinéma verité&#8221;. Há mesmo uma possibilidade que o cinema seja a expressão da verdade, se ele passa por um processo de montagem, sempre um ato subjetivo, eletivo?</strong></p>
<p>Quando rodamos Crônica de Um Verão, novos equipamentos cinematográficos estavam sendo testados, entre eles gravadores de som direto, que nos permitiram sair às ruas e perguntar aos entrevistados se eles se consideravam felizes. Fui muito influenciado na época pela linguagem de Robert Flaherty e Dziga Vertov e por um filme de Lionel Rogosin, rodado um ano antes de nosso documentário e chamado Come Back Africa (sobre o apartheid na África do Sul e como a separação racial afetou a vida de todos, do cidadão comum à cantora Miriam Makeba). Inicialmente, após um jantar, pensamos, eu e Jean Rouch, em chamar o filme de Como Vive Você? Já, então, pretendíamos explorar a questão da felicidade não apenas do ponto de vista material, mas psicológico. Temendo que ficasse um pouco monótono por conta dos depoimentos e das discussões sobre racismo e a guerra da Argélia, resolvemos incluir cenas de Saint-Tropez para introduzir um elemento alegre, o que resultou no título final. Na época, fomos muito criticados por conta da expressão &#8220;cinéma verité&#8221;. Diziam que não éramos portadores de nenhuma verdade, que tudo não passava de uma interpretação, e nos defendíamos dizendo que não tínhamos a pretensão de representar a verdade, e sim de procurar por ela. Não via o filme desde a morte de Jean Rouch (ocorrida em 2004) e, ao revê-lo, no ano passado, senti que ele está mais atual que nunca, ao falar da juventude desorientada dos anos 1960, que se parece muito com a de agora. Rodamos mais de 25 horas e ainda há muito material &#8211; que eu julgava perdido -, para explorar sobre ele. Recuperamos os negativos e estamos remontando com quatro horas de duração, pois a montagem original foi um massacre. Talvez possamos ter uma nova versão do filme em 2010.</p>
<p><strong>No livro que acaba de ser lançado no Brasil, O Mundo Moderno e a Questão Judaica, o senhor afirma que o Estado de Israel tem uma marca colonizadora e dominadora. Como vê a solução para o impasse da questão palestina e o futuro das relações entre judeus e palestinos?</strong></p>
<p>Chegamos ao momento crítico da situação. Israel não abre mão de seu atual modelo de desenvolvimento econômico, que implica a expansão territorial e a afirmação de sua marca colonizadora. O tempo da paz se desintegrou. Vale dizer, Israel passou de uma concessão sionista, socialista, de esquerda, para uma concepção nacionalista, com a religião ocupando cada vez mais o papel principal nessa história. Acho que essa desintegração impede que qualquer tipo de negociação de fato aconteça. Além disso, há o problema da Palestina, dividida em duas, sendo o Hamas outro grande obstáculo para a paz. Infelizmente, mesmo com a mudança da política americana após a saída de Bush, Obama ainda terá de enfrentar o conservadorismo de quem detém o poder em Israel. Temos a solução nas mãos, mas a política de Israel é contra ela. Só acredito numa pressão internacional forte dos EUA e da Europa, que até agora se mostrou passiva.</p>
<p><strong>Nesse sentido, um dos problemas críticos do mundo globalizado parece ser o inevitável choque de civilizações. Parece cada vez mais grave o confronto entre a cultura ocidental laica e o fundamentalismo islâmico. Trata-se de um conflito entre o mundo ancestral e a modernidade?</strong></p>
<p>Não diria que se trata propriamente de um conflito entre o mundo moderno e a ancestralidade. Seria um choque de civilizações se o mundo muçulmano não estivesse ocidentalizado. O problema é a identificação da cultura islâmica com o radicalismo de organizações terroristas. No desespero dos países árabes-islâmicos, onde a democracia fracassou, o povo se agarra na lei islâmica com tábua de salvação. Ocorre o mesmo do lado de Israel, onde a visão religiosa escamoteia um problema nacionalista. Não se trata, mais uma vez, de um choque das civilizações, mas de um retorno à barbárie.</p>
<p><strong>O Brasil escaparia a essa barbárie? O senhor costuma dizer que a pluralidade do País reflete a grandeza do Brasil, um possível modelo para o mundo. Como e onde vê essa grandeza?</strong></p>
<p>Para alguém que vem da Europa, um continente de nacionalidades fechadas, o Brasil sempre me pareceu aberto a outras etnias &#8211; e é essa civilização da mestiçagem brasileira que me interessa. Vejo a grandeza do Brasil na pluralidade étnica de Salvador e na biodiversidade da Amazônia. Acho, porém, que é importante a restituição dos territórios e o reconhecimento das culturas das populações indígenas, porque o mundo considera a Amazônia patrimônio da humanidade, mas pensa pouco na preservação dessas culturas. A noção de desenvolvimento hoje corrente pode ser devastadora para os índios &#8211; e não apenas para eles, mas para toda a humanidade, considerando que a integração dos índios à sociedade não pode significar a desintegração da cultura indígena. Isso pode trazer consequências graves, como a degradação da floresta pelo uso de pesticidas nos projetos agrícolas dos latifundiários. Claro, há também a questão urbana e a favelização das cidades, tão grave como o crescimento do número de carros em circulação. O Brasil é um país pacífico, sem espírito colonialista ou de revanche contra os outros. É também um país em desenvolvimento, embora esse desenvolvimento seja o da classe média &#8211; o que pode representar no futuro uma intoxicação consumista. É preciso, antes de consumir, recuperar o hábito de reparar os objetos para que o mundo não vire um depósito de sucata.</p>
<p><strong>O senhor falou da grandeza da Amazônia. Como vê, então, a possibilidade de proteger a floresta com a precária educação ambiental dos invasores?</strong></p>
<p>Assentar os migrantes é, de fato, um grande problema, e acho que a demora em fazer uma reforma agrária no Nordeste pode significar o avanço da agroindústria na Amazônia, um perigo para a ecologia, como já disse. Infelizmente, a corrupção no Brasil ainda é muito grande &#8211; considero mesmo o problema principal do País. Respeito profundamente o passado e o presente do presidente Lula, mas acho que ele tem de enfrentar essa máquina infernal do liberalismo econômico que ainda vai destruir a Amazônia e as culturas indígenas, que são não só um patrimônio brasileiro, mas de toda a humanidade.</p>
<p><strong>Sendo a Amazônia um patrimônio universal, o senhor acredita que o mundo assistirá passivamente à destruição da floresta ou que o Brasil será forçado a permitir a vigilância &#8211; vale dizer, a intervenção &#8211; estrangeira?</strong></p>
<p>A África arranjou um jeito de parar com a devastação ao pressionar os países ricos a ajudar economicamente quem vive da exploração da madeira. O Brasil não é um país pobre, mas vai precisar da ajuda internacional para proteger esse patrimônio &#8211; porque não se trata só do território amazônico, mas da água, um bem universal. E também da solidariedade. Essa é a palavra que vai reger o futuro da humanidade, não mais o individualismo e a burocratização, que é o reverso da solidariedade. A grandeza do Brasil será um exemplo para essa civilização do futuro, que eu chamo de civilização do Sul, calorosa em oposição à cultura anglo-saxônica. Essa não suporta o toque e, infelizmente, influenciou muito a cultura brasileira, que sempre subestimou sua capacidade. O brasileiro não só assimila bem outras culturas, mas demonstra uma curiosidade inusual, uma cordialidade única.</p>
<p><strong>Seu discurso sobre solidariedade e um futuro mais humanista contrasta com o literário. A literatura contemporânea parece mais inclinada à distopia. Como o senhor analisa esse ceticismo dos escritores?</strong></p>
<p>A crise da humanidade deve-se em parte a uma crise do pensamento. A filosofia contemporânea está muito presa ao passado. O mundo dos intelectuais é, ao mesmo tempo, positivo e negativo. Nunca se precisou tanto deles e, ao mesmo tempo, nunca se viu tanta superficialidade nesse mundo. Penso num romance de Victor Hugo que se chama Quatrevingt-Treize (alusão ao ano 1793, em que Luís 16 foi decapitado e Robespierre espalhou o terror). Trata-se de um romance que mostra o horror provocado também por intelectuais de diferentes ideologias &#8211; um herói é condecorado por bravura e ao mesmo tempo condenado por negligência. Também é um ajuste de contas de Hugo com a história francesa e a própria história. É difícil escrever sem refletir sobre o presente, imaginando apenas o futuro. Temos de interagir com o mundo, participar dele, não apenas observar o que acontece. É o que mostra Muriel Barbery em L?Élégance du Hérisson (romance sobre um intelectual autodidata que, disfarçado de zelador inculto, interage com os moradores de seu prédio, entre eles um japonês). Recomendo entusiasticamente. É uma pequena maravilha.</p>
<p><strong>A cultura francesa perdeu o lugar que ela tinha no mundo. Ao que o senhor atribui essa falta de interesse?</strong></p>
<p>Estamos falando da hegemonia da cultura norte-americana, mas é preciso lembrar a época do nouveau roman e da nouvelle vague, quando a cultura francesa estava no auge. Tratava-se, então, de uma literatura e um cinema experimental. O nouveau roman introduziu não apenas inovações que mudaram radicalmente o romance, como abordou temas até então ausentes na literatura. A nouvelle vague também foi um momento histórico importante, permitindo o advento do cinema de autor e uma liberdade nunca antes vista na escolha dos assuntos, não só na França como no resto do mundo. Isso vale tanto para os EUA como para o Brasil, se considerarmos o Cinema Novo como descendente da nouvelle vague. Não tenho acompanhando a produção contemporânea, mas a reverberação do movimento é inegável. Basta citar dois exemplos de ousadia não só formal como temática: Amores Perros e 21 Gramas, do mexicano Alejandro González Iñárritu. São filmes soberbos, ao lado do mais recente, Babel.</p>
<p><strong>Frases<br />
</strong><br />
&#8220;O pensamento neoliberal fornece hoje um modelo de universidade que precisa ser revisto, para que a reforma educacional<br />
acompanhe uma reforma moral e melhore a qualidade de vida. Para isso é preciso mudar nosso modo de pensar. No lugar de separar o<br />
conhecimento em compartimentos, devemos pensar como a complexidade pode levar a um conexão entre vários modos de<br />
pensar.&#8221;</p>
<p>&#8220;Não acredito em religiões de revelação, como o cristianismo e o<br />
islamismo, mas, além delas e das arcaicas, existe ainda uma terceira religião, que eu classificaria de laica, ou a religião a<br />
Fraternidade humana.Estamos perdidos num pequeno planeta<br />
dentro de um sistema e, justamente por estarmos perdidos, precisamos ajudar uns aos outros.&#8221;</p>
<p>&#8220;O Brasil é um país em desenvolvimento, embora ele seja o da classe média, o que pode representar no futuro uma<br />
Intoxicação consumista. É preciso recuperar o hábito de reparar os objetos para que o mundo não vire um depósito de sucata.&#8221;</p>
<div style="text-align: center"><img src="http://www.alcoberro.info/imatges/morin.jpg" style="cursor: -moz-zoom-out" alt="http://www.alcoberro.info/imatges/morin.jpg" /></div>
<div id="c">
<h3><font size="5">A corrida pelo poder</font></h3>
</div>
<div class="grupoC2">
<p class="fonte">Antonio Gonçalves Filho</p>
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</span></p>
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<div id="corpoNoticia">
<div class="ImagemMateria"></div>
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<div id="corpoNoticia"> O livro de estréia de Edgar Morin, O Ano Zero da Alemanha (1946), escrito quando ele tinha apenas 25 anos, acaba de ganhar sua primeira tradução brasileira. A obra chega no mesmo momento em que é lançado aqui O Mundo Moderno e a Questão Judaica. Entre ambos, a distância de 63 anos não diminuiu a importância do primeiro, que trata de um tema correlato: a corrida pelo poder. Se, em O Ano Zero da Alemanha, Morin analisa o momento de transição em que as potências mundiais disputam o espólio alemão após a morte de Hitler, em O Mundo Moderno e a Questão Judaica ele mostra como os acordos internacionais só servem para tornar ainda mais explosiva uma região marcada pela violência das disputas territoriais, analisando a ação de um Estado que nasceu justamente das ruínas do nazismo.</p>
<p>Dois outros livros de Morin também lançados este ano dialogam entre si: Cultura e Barbárie Europeias e o segundo volume de Cultura de Massas no Século XX. No primeiro, o ensaísta propõe uma reflexão sobre o avanço da barbárie. A obra mostra como a Europa sobreviveu a cinco séculos de dominação bárbara. No segundo volume de seu estudo sobre massificação cultural, apropriadamente batizado de Necrose, Morin analisa o tecido morto de um organismo que sobrevive às crises que estouram entre 1965 e 1975, obrigando o mundo a repensar o conceito de cultura, que, para o filósofo, significa a capacidade de quebrar, de transgredir as fronteiras entre os diferentes domínios do saber. Este, aliás, é o tema de seu livro Diálogo sobre a Natureza Humana, escrito com Boris Cyrulnik.</p></div>
<div id="corpoNoticia"></div>
<div id="corpoNoticia">
<div style="text-align: center"><img src="http://www.elpais.com/recorte/20080113elpepirtv_3/LCO340/Ies/Edgar_Morin.jpg" alt="http://www.elpais.com/recorte/20080113elpepirtv_3/LCO340/Ies/Edgar_Morin.jpg" /></div>
</div>
<div id="corpoNoticia">
<div id="c">
<h3><font size="5">Um mosaico de sequências em oposição</font></h3>
</div>
<div class="grupoC2">
<p class="fonte">Antonio Gonçalves Filho</p>
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<div id="corpoNoticia">
<div class="ImagemMateria"></div>
<p>É primorosa a edição de Crônica de Um Verão lançada pela Videofilmes. Vem com um encarte que traz o manifesto de Edgar Morin sobre o cinéma verité e faixas comentadas por Eduardo Escorel, Eduardo Coutinho e Carlos Alberto Mattos. No entanto, uma nova versão ampliada do documentário &#8211; que inaugurou o cinéma verité com base na experiência de Flaherty e nas teorias de Dziga Vertov -, deverá sugerir outras leituras. A montagem está sendo supervisionada pelo próprio Morin (uma vez que Jean Rouch não está mais entre nós).</p>
<p>Não se trata apenas de um problema técnico, esse o de reduzir 25 horas filmadas a quatro ou cinco horas. É certo que há meio século já foi difícil para a dupla Rouch-Morin extrair do material original um filme de apenas 85 minutos &#8211; ainda mais uma produção ambiciosa que usava a palavra ?verdade? para se vender. A simples transformação do tempo real em cinematográfico, segundo Morin, era capaz de produzir novos significados a partir da montagem &#8211; e, se na época, já foi difícil juntar depoimentos heterogênios sobre um tema um tanto vago &#8211; como você vive? -, 50 anos depois parece uma tarefa impossível.</p>
<p>Pelo menos agora Morin não será pressionado pela produtora, a Argos Filmes, a montar um filme palatável. Ele promete uma edição sem concessões. Em 1960, Morin concebeu essa montagem com base numa cronologia, que começava na primavera e terminava no outono, acompanhando a evolução de certo número de pessoas escolhidas para dar depoimentos sobre seu cotidiano &#8211; de um operário da Renault a jovens africanos imigrantes, passando por um mecânico e uma pesquisadora.</p>
<p>Todos esses personagens emergem da vida cotidiana para falar de seus sonhos e discutir temas como a guerra da Argélia, as relações inter-raciais e o exibicionismo moderno (o biquíni acabava de conquistar Saint-Tropez). A montagem de Rouch desses depoimentos chegou a uma edição final de sete horas. A de Morin, quatro. Morin eliminou três horas. Rouch não concordou. Morin queria um mosaico &#8220;composto de sequências em oposição&#8221; conduzidas pelo tema &#8220;como você vive&#8221;. Rouch queria um filme mais biográfico. Para complicar, o produtor Anatole Dauman não dava nenhum crédito a Morin e tampouco aceitava a montagem de Rouch.</p>
<p>Revendo o filme, é compreensível a preocupação do produtor. Os próprios personagens não gostam muito do resultado. Nem mesmo os realizadores. Ficam frustrados e decidem que o ideal seria fazer uma versão de quatro horas para ser exibida em cineclubes, porque Crônica de Um Verão não era apenas um filme etnográfico como os outros de Rouch, mas um documentário &#8220;existencial&#8221;. E isso implica assumir o olho da câmera como psicanalítico. Não foi por acaso que alguns críticos, na época, acusaram a dupla Rouch-Morin de fazer psicanálise com ela. Teriam os dois o direito de convocar pessoas para um projeto como esse?</p>
<p>Passados quase 50 anos, essa é uma pergunta ainda difícil de responder, especialmente quando se acompanha o depoimento de uma deprimida. O filme é híbrido e desordenado, como admite Morin, mas de uma coisa ninguém pode acusá-lo: falta de ousadia.</p></div>
</div>
</div>
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		<title>É hora de romper o círculo vicioso</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Feb 2009 16:24:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Amos Oz, International Herald Tribune* &#8211; O Estado SP
Ehud Olmert, premiê israelense, declarou que Israel dará uma resposta &#8220;desproporcional&#8221; a qualquer novo ataque do Hamas contra seus civis. Acho que uma resposta desproporcional é uma resposta imoral. Uma punição desproporcional é uma punição imoral.
Essa desproporcionalidade fortaleceria os candidatos extremistas nas eleições israelenses e atenderia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/02/e-hora-de-romper-o-circulo-vicioso/9585/" rel="attachment wp-att-9585" title="israel_palestina.jpg"></a></p>
<div style="text-align: center"><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/02/e-hora-de-romper-o-circulo-vicioso/9585/" rel="attachment wp-att-9585" title="israel_palestina.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/02/israel_palestina.jpg" alt="israel_palestina.jpg" width="552" height="369" /></a></div>
<p style="background-color: #ffff99"><font size="4"><strong>Amos Oz, International Herald Tribune* &#8211; O Estado SP</strong></font></p>
<p>Ehud Olmert, premiê israelense, declarou que Israel dará uma resposta &#8220;desproporcional&#8221; a qualquer novo ataque do Hamas contra seus civis. Acho que uma resposta desproporcional é uma resposta imoral. Uma punição desproporcional é uma punição imoral.</p>
<p>Essa desproporcionalidade fortaleceria os candidatos extremistas nas eleições israelenses e atenderia aos objetivos dos fanáticos na Faixa de Gaza e no mundo árabe.</p>
<p>Operações militares desproporcionais nada mais são do que vingança. E vingança nada mais é do que a satisfação de instintos primitivos básicos.</p>
<p>Vejo o Hamas como um bando de criminosos que, há muito tempo, direciona sua ação contra civis israelenses. Nos últimos anos, nada menos do que 10.000 foguetes foram lançados pelo grupo contra cidades e povoados dentro de Israel.</p>
<p>O Hamas também é um bando de criminosos porque usa civis palestinos como escudos humanos e porque, cinicamente, esconde-se atrás de mulheres e crianças.</p>
<p>Mas matar mais civis palestinos não vai levar a nada, já que os radicais islâmicos não se importam absolutamente com essas mortes.</p>
<p>Como o líder do grupo na Síria, Khaled Meshal, disse recentemente, &#8220;a atual geração de palestinos pode ser sacrificada&#8221;.</p>
<p>A única resposta eficaz é um ataque bem calculado, proporcional, contra os criminosos do Hamas, que tente ao máximo poupar a vida de palestinos inocentes. O Egito está intermediando um cessar-fogo e Israel tem de dar uma chance a essa mediação.</p>
<p>Não devemos nos esquecer que o maior revés para o Hamas seria um eventual acordo de paz entre o governo de Israel e a Autoridade Palestina do presidente Mahmud Abbas. Um acerto desse tipo entre palestinos e israelenses é possível &#8211; e talvez até mesmo iminente.</p>
<p><strong>* Amos Oz é escritor israelense</strong></p>
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		<title>Dia Internacional em memória das vitimas do Holocausto</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Jan 2009 14:53:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Discurso do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante solenidade do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto
São Paulo-SP, 27 de janeiro de 2009
 Foto Ricardo Stuckert / PR


Meus amigos e minhas amigas,
Agradeço o convite para participar, pelo quarto ano consecutivo, do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto. Eu posso dizer [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Discurso do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante solenidade do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto<br />
São Paulo-SP, 27 de janeiro de 2009</strong></p>
<div align="center"> <font size="1"><em>Foto Ricardo Stuckert / PR</em><br />
</font></div>
<div style="text-align: center"><img src="http://www.info.planalto.gov.br/imagens/Fotografia_imagens/foto_grande/27012009G00007.JPG" alt="Presidente Lula participa de cerimônia do Dia Internacional de Lembrança das Vítimas do Holocausto _(São Paulo, SP, 27/01/2009) _Foto: Ricardo Stuckert/PR" width="553" height="357" /></div>
<p>Meus amigos e minhas amigas,</p>
<p>Agradeço o convite para participar, pelo quarto ano consecutivo, do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto. Eu posso dizer que me sinto pessoalmente envolvido com a instituição desta data. Em agosto de 2004, recebi de uma comitiva do Congresso Judaico Mundial e de líderes comunitários brasileiros – certamente alguns deles estão aqui presentes – uma petição à ONU solicitando medidas mais concretas na luta contra o anti-semitismo. Assinei de imediato o documento, afinal, o Estado brasileiro foi co-patrocinador de diversas resoluções da ONU afirmando a importância de rememorar aquela tragédia. Mais tarde, eu soube que o Brasil foi o primeiro país a subscrever aquela petição. Soube também que ela serviu de base para consagrar 27 de janeiro como o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto.<br />
Hoje, como em todos os dias, devemos nos empenhar na luta da memória contra o esquecimento. É preciso manter viva a lembrança, para que nunca mais se repita o assassinato em massa, o genocídio como ideologia e a limpeza étnica como razão de Estado.<br />
O regime nazista promoveu a mutilação espiritual, a humilhação moral, a ruína material e a eliminação física de milhões de homens, mulheres e crianças. Vitimou judeus, comunistas, homossexuais, negros, ciganos, testemunhas de Jeová e todos que considerou inferiores na raça, no credo e na cor. O holocausto marcou o auge da crueldade humana e configurou o maior episódio de violência e covardia de nossa história, um episódio que não deveria ter ocorrido e que não pode nunca mais voltar a ocorrer.<br />
É certo que a intolerância e a xenofobia ainda não foram totalmente extintas. No entanto, em todo o mundo a sociedade vem dando importantes passos na superação dos preconceitos. Um grande exemplo acaba de se concretizar nos Estados Unidos. Lá, há poucas décadas, negros e brancos não tinham os mesmos direitos. E hoje, pela primeira vez, um negro é presidente dos Estados Unidos. O combate ao ódio e à discriminação já não é um grito isolado, mas integra o ideário das sociedades dos mais diferentes países.<br />
Minhas amigas e meus amigos,<br />
Ao participar deste evento, ano após ano, busco demonstrar o profundo respeito que eu e todo o governo nutrimos pelas comunidades que compõem a grande nação brasileira. Eu me orgulho de ser presidente de um país marcado pela diversidade, onde a tolerância garante o respeito mútuo a todos. Temos uma legislação clara e rigorosa no que se refere a todas as formas de intolerância. Somos uma das poucas democracias do mundo, talvez a única, em que a Constituição garante que para crime de racismo não deve existir nem fiança, nem prescrição.<br />
O Brasil não aceita discriminação. Judeus e árabes, sejam religiosos ou não, convivem pacífica e harmoniosamente em nossas cidades, dividem espaços e compartilham a construção e o desenvolvimento do Brasil. Por isso, o conflito entre Israel e Palestina, no Oriente Médio, atinge os corações e as mentes de todos, e nos obriga a evitar que o ódio contamine o nosso país. Mais do que tudo, o Brasil pode se valer dessa convivência pacífica para colaborar para a construção da paz.<br />
Minhas amigas e meus amigos,<br />
A diplomacia brasileira tem uma larga tradição de atuar de forma conciliatória na solução de conflitos, e no que se refere aos povos israelense e palestino, nosso Estado vem ao longo de seis décadas ratificando as resoluções internacionais que têm por objetivo garantir a coexistência pacífica e segura de dois Estados soberanos. Esse tem sido o sentido de todas as nossas manifestações, pois só assim alcançaremos a paz naquela região. Eu tenho me esforçado pessoalmente para impedir que o ódio mútuo, acumulado ao longo de décadas, acabe sufocando ainda mais as alternativas de paz.<br />
Como vocês sabem, recentemente determinei ao chanceler Celso Amorim que viajasse à região com o objetivo de apoiar os esforços para o cessar-fogo, o alívio da situação humanitária e o estabelecimento de uma paz reguladora. Na ocasião, a diplomacia brasileira reiterou às autoridades sírias, israelenses, palestinas, jordanianas e egípcias, a necessidade de se evitar mais mortes e sofrimento na população civil de ambos os lados.<br />
Lembramos às partes envolvidas que há outros atores interessados em agir a favor de um entendimento, e a paz só tem a ganhar com a participação de países como o Brasil. Todos sabem que o Brasil não está interessado nos resultados políticos e nos dividendos econômicos que podem ser obtidos na região. Nosso interesse exclusivo é o de contribuir para a paz duradoura e definitiva na região.<br />
O Brasil tem condições e credenciais para participar, junto com outros países, de iniciativas que conduzam a um consenso para superar a violência e a irracionalidade. Por isso mesmo, apoiamos a realização de uma conferência internacional em seguimento à reunião de Annapolis, ocorrida em novembro de 2007, como um passo importante para o restabelecimento da paz na região, com base no reconhecimento do direito de constituição do Estado palestino viável, e da existência de Israel em condições de segurança e de soberania. O Brasil não aceita a escalada da violência como solução para os conflitos.<br />
Lamentamos profundamente a morte de civis, mulheres e crianças. Conclamamos o pronto estabelecimento das condições que permitam a plena retomada da assistência humanitária à população de Gaza e a tranquilidade para a população de Israel. Guardo uma profunda esperança na construção do diálogo e continuarei empenhado para que, o mais rápido possível, aquela região viva uma trégua consistente que seja prenúncio de uma paz duradoura.<br />
Minhas amigas e meus amigos,<br />
Que este Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto ajude a todos os homens e mulheres a se recordarem das iniquidades que tanto macularam a trajetória da Humanidade. Que ele fale à consciência coletiva sobre a necessidade de se reparar os danos sofridos no passado, de se interromper as injustiças do presente e de se evitar tragédias no futuro.<br />
Espero, sobretudo, que este dia nos convide a olhar para as novas gerações, que não podem ser hostilizadas pelos erros cometidos por seus antepassados. Devemos garantir que as crianças e jovens se desenvolvam em um ambiente onde a desconfiança mútua seja substituída pelo preceito bíblico, quando diz: “Ama teu próximo como a ti mesmo”.<br />
Shalom. Muito obrigado.</p>
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