09/11/2009 - 15:42h Bicicletas são alvo de vândalos em Paris

newyorktimes_folha

Por STEVEN ERLANGER e MAÏA DE LA BAUME

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PARIS – Assim como, anos atrás, as torres cruciformes brancas criadas por Le Corbusier instigaram visões de uma Paris da era industrial do futuro, o sistema de aluguel de bicicletas parisiense, conhecido como Vélib’, inspirou um novo etos urbano para a era das mudanças climáticas.
Os moradores de Paris podem alugar uma bicicleta em centenas de postos públicos. É uma alternativa barata, saudável e de baixa emissão de carbono aos carros e ônibus. Mas essa utopia francesa mais recente se choca com uma realidade prosaica: muitas das bicicletas, especialmente desenhadas para o projeto por US$ 1.050 cada, andam aparecendo nos mercados negros do Leste Europeu e norte da África. Outras são levadas para passeios urbanos não pagos e então largadas nas ruas, com suas rodas torcidas e sem seus pneus, que são roubados.
Cerca de 80% das 20, 6 mil bicicletas iniciais do projeto foram roubadas ou danificadas, obrigando os organizadores do programa a contratar centenas de pessoas para consertá-las. Além do prejuízo para o orçamento do projeto, subsidiado pela prefeitura, é a psique parisiense que sofreu um golpe.
“O símbolo de uma cidade ecológica e bem resolvida virou nova fonte de criminalidade”, lamentou o “Le Monde” em editorial. “O Vélib’ visava civilizar os transportes urbanos. Mas acabou provocando um aumento da incivilidade.”
As bicicletas pesadas do Vélib’, com sua cor bronze arenosa, são vistas como acessório típico dos “bobos”, ou “burgueses boêmios” -a classe média descolada-, e suscitam ressentimentos e cobiça.
O sociólogo Bruno Marzloff, especializado em transportes, disse que “é preciso relacionar isso a outras incivilidades, especialmente a queima de carros” – referência às gangues de jovens imigrantes que atearam fogo a veículos durante tumultos em 2005.
“Há um elemento de negligência”, disse Marzloff, “que significa ‘não temos o direito à mobilidade como outras pessoas. Chegar até Paris é uma dificuldade, não temos carros e, quando temos, é longe demais e custa muito caro’”.
Algumas bicicletas do programa Vélib’ já foram encontradas com os pneus furados, jogadas no rio Sena, sendo usadas nas ruas de Bucareste ou dentro de contêineres de navios, a caminho do norte da África. Outras são simplesmente roubadas e repintadas.
Usado principalmente para deslocamentos no centro urbano de Paris, o programa Vélib’ é um sucesso segundo muitos parâmetros. Mas a construção sólida das bicicletas, fabricadas na Hungria, e seus pontos de estacionamento eletrônicos significam que elas são caras, e nem todo o mundo compartilha o espírito de respeito pela propriedade pública comum promovido pelo prefeito socialista de Paris, Bertrand Delanoë.
“Erramos em nossas estimativas de danos e roubos”, disse Albert Asséraf, diretor de marketing da JCDecaux, principal organizadora e financiadora do projeto. “Mas não temos referências em nenhum outro lugar do mundo de iniciativas desse tipo.”
“Fizemos a bicicleta mais forte, lançamos campanhas publicitárias contra o vandalismo e tentamos informar as pessoas na internet”, disse. “Mas a verdadeira solução está no respeito individual.”

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06/04/2009 - 14:09h Brazuca em Paris

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Severino Francisco – Correio Braziliense

Severinofrancisco.df@diariosassociados.com.br

“Vou voltar, vamos comigo?”, perguntou a namorada francesa, de passagem pelo Brasil. E, sem pensar muito, meio na louca, o brasiliense Daniel Carrielo se mandou para Paris com Charlote, a namorada francesa. Certo dia, encontrou numa banca uma revista sobre cultura brasileira, intitulada Brazuca. Na edição seguinte, ele já era o cronista de Brazuca. E, três meses depois, tornou-se o editor. Sem desmerecer o Itamaraty, a revista faz um pouco o papel de embaixadora do Brasil na França.

Brazuca tem uma tiragem de 20 mil exemplares e é feita, principalmente, para belgas e franceses apaixonados pela cultura brasileira. Não é uma revista de comunidade, dirigida apenas aos brasileiros. O que a revista pretende passar é uma visão diferente do Brasil, longe dos estereótipos. Por isso, ela entrevistou o compositor Tom Zé, o jogador Nilton Santos, a atriz Brigitte Bardot e o diretor de cinema Fernando Meirelles. No ano passado, logo após um show do Gilberto Gil na França, Daniel levou a revista para que ele a conhecesse: “Ah, é a Brazuca? Já conheço, gosto dela”, comentou Gil.

No ano passado, Brazuca foi além do papel e lançou virtualmente duas coletâneas de música brasileira. A primeira foi do rock independente, em parceria com o site Senhor F. E a segunda foi com a produtora, selo e festa Criolina, com as novidades do groove brasileiro. Ambas tiveram um alto índice de downloads.

O Nélson Rodrigues escreveu uma crônica hilária sobre a passagem do filósofo francês Jean-Paul Sartre pelo Brasil. Segundo a ótica delirante do Nelson, Sartre olhava para todos os brasileiros com um franco desprezo, como se dissesse: “Vocês são todos uns cretinos”. Aí alguém trouxe um balde de jaboticabas e o Sartre passou a mirar as frutas com o mesmo asco: “Vocês também são umas cretinas”.

Embora achando graça na história, Daniel discorda inteiramente do Nelson, pois os franceses são fascinados pelo Brasil e pela cultura brasileira. O brasileiro tem uma ginga que o francês não tem, argumenta Daniel. Essa ginga pode ser representada por manifestações culturais como o samba, a capoeira, o funk. Pelo drible no futebol. Ou pela capacidade que o brasileiro tem de se adaptar rapidamente às situações imprevistas, o famoso jogo de cintura. Os franceses gostam de samba, de Cartola, de Beth Carvalho, de Bossa nova, de Cinema Novo, de Glauber Rocha. Mas, atualmente, o brasileiro que reina na França é o pernambucano Lenine.

Morar na França fez com que Daniel olhasse Brasília com novos olhos. No mês passado, ele estava dirigindo e, de repente, deu de cara com a Catedral. Foi um choque estético, pois precisou estar longe do Brasil para perceber o quanto a Catedral é bonita. Mas, por outro lado, ele também se deu conta do enorme equívoco de se conceder tanto espaço para os carros em Brasília. Em Paris, o transporte público é excelente, com 14 linhas de metrô e 20 mil bicicletas públicas. Alargar avenidas não resolve o problema. A solução é investir no transporte público como uma prioridade, sentencia o brazuca e brasiliense desgarrado em Paris.

19/03/2009 - 16:29h França enfrenta greve geral hoje

Des responsables de la CFDT, de la CGT, de FO et de la FSU défilent à Paris le 19 mars.

Ben Hall, Financial Times, de Compiègne, França – VALOR

AP

Empregados da Continental em Grenoble, França, colocam fogo em pneus durante protesto:

trabalhadores franceses já dão sinais de radicalismo

Após serem atingidos por ovos jogados por trabalhadores que bloqueavam a entrada da fábrica de pneus da Continental às margens do rio Oise, diretores da fábrica foram vistos entrando sorrateiramente por uma entrada lateral cujo acesso se dá por barco.

“As pessoas estão perturbadas”, afirma Christian Lahargue, um funcionário da Continental que corre o risco de ser demitido. “Vamos fazer de tudo para manter esta fábrica aberta.”

Este impasse agressivo no norte da França às vésperas de uma greve nacional sugere que a tensão social está aumentando e contribuindo para a impressão de que o outrora confiante Nicolas Sarkozy, o presidente da França, está perdendo o passo.

A segunda maior economia da zona do Euro deverá enfrentar distúrbios hoje, por causa de uma greve nacional convocada por sindicatos, que deverá contar com centenas de manifestações em protesto contra a política econômica e o programa de reformas de Sarkozy.

Sindicalistas prometeram superar a última greve, feita em janeiro, quando entre 1 milhão e 2,5 milhões de pessoas foram às ruas.

A escala dos protestos de sete semanas atrás pegou o governo de surpresa, forçando-o a oferecer ? 2,6 bilhões (US$ 3,38 bilhões) em pagamentos extras de auxílio-desemprego e corte de impostos para famílias de baixa renda. Mas as concessões não satisfizeram os sindicatos, nem impressionaram a população.

Segundo uma pesquisa de opinião feita pelo instituto Ifop para a revista “Paris Match” , 78% dos franceses consideram a greve de hoje justificada. Os franceses “deram autorização ao movimento sindical para articular sua oposição a Nicolas Sarkozy”, afirma Stéphane Rozès, presidente-executiva do instituto de pesquisas CSA.

De acordo com outra pesquisa, os franceses acreditam que Olivier Besancenot, o líder trotskista da extrema esquerda, tem tanta “credibilidade” quanto o presidente.

Sarkozy está na defensiva desde o começo do ano, com o agravamento da situação da economia. O governo foi lento em reagir a uma greve geral de seis semanas e a tumultos em Guadalupe, um território francês no Caribe.

O presidente vem encontrando oposição dentro de seu partido de centro-direita em uma série de questões, do retorno da França ao comando militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) à redução da carga tributária para os ricos.

Sarkozy foi forçado a recuar na reforma universitária, uma de suas principais medidas de modernização, em meio a temores de que um movimento de protesto estudantil liderado pela extrema esquerda pudesse se tornar violento. A concessão preocupou alguns empresários. “Os mais radicais estão conseguindo resultados”, diz Maurice Lévy, presidente-executivo do grupo de propaganda Publicis.

Sarkozy tem motivo para se sentir ressentido. A economia francesa deverá se sair bem melhor que as de seus vizinhos depois que Sarkozy implementou rapidamente um plano de socorro bancário, garantias de empréstimos para pequenas empresas, seguro de crédito comercial bancado pelo governo e outra medidas para manter o crédito fluindo para a economia.

Ele mobilizou o outrora intervencionista e desdenhoso Estado francês e entendeu a mensagem que estava sendo passada pela população com sua crítica ao capitalismo financeiro.

Mas, ao mesmo tempo em que celebra o retorno do Estado, Sarkozy está se agarrando às suas metas de cortar os impostos, diminuir a burocracia do governo e conter os gastos.

É por isso que os franceses acreditam que as políticas de Sarkozy “não são coerentes, eficientes ou justas”, diz Rozès. Os franceses sentem que os bancos estão sendo ajudados com poucos limites, enquanto o governo vem dando pouca ajuda às famílias comuns.

A oposição a Sarkozy deverá se concentrar na redução dos impostos para os ricos, o chamado escudo que limita o imposto de renda devido de um indivíduo a 50% da renda. Sindicatos e alguns membros do partido do presidente não querem isso. Sarkozy reage, reforçando sua imagem de amigo dos ricos.

Não está nem um pouco claro se a tensão social vai acabar resultando em um movimento político coerente capaz de paralisar o governo Sarkozy. “Ele não está numa espiral de queda”, afirma Zaki Laidi, da Sciences Po, que aponta para a confusão entre os socialistas da oposição e diz que as críticas da população e dos sindicatos ao presidente são bastante difusas. “Não estamos na iminência de uma greve geral.”

Mas outros observadores temem a possibilidade de tumultos. “O verdadeiro problema para qualquer um é saber como a opinião pública vai evoluir”, diz Lévy. “Será que as pessoas vão acreditar que com a economia mundial em tamanha dificuldade elas precisam ficar calmas e razoáveis, além de trabalhar juntas para superar tudo isso? Ou será que vai levar as pessoas a atos desesperados? Minha sensação é de que não chegamos lá ainda, mas poderemos nos encontrar em uma situação com as sementes de um descontentamento muito profundo e uma espiral negativa que poderão levar a repetidas greves. Isso iria forçar o governo a desistir.”

04/03/2009 - 11:59h Kassab no Líbano e Paris 1 semana com comitiva: discrição na mídia

A coluna Você precisa saber, do Jornal da Tarde, publica pequena nota. Os outros nada dizem. Qual é o objetivo da viagem? porque 10 pessoas? quais benefícios para a cidade? Quais convênios serão estabelecidos? quais acordos? Não interessa saber?

Clique na imagem para ampliar e ler

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01/03/2009 - 17:29h Os bistrôs parisienses através dos tempos

Blog Images & Visions

© Foto de Fernando Rabelo. Marais, Paris, 2006

© Foto de Henri Cartier-Bresson, Paris, 1969

© Foto de Michel Maiofiss, La Joconde, Paris, 1977© Foto de Louis Stettner, Soir de Noel, ile Saint Louis, Paris 1951

© Foto de Edouard Boubat, Saint-Germain-de-Pres, Paris 1953

© Foto de Dennis Stock, Cafe de Flore, Paris 1958© Foto de Robert Doisneau, Paris 1966

23/02/2009 - 15:50h Todos os talentos de Jacques Prévert

A exposição Paris la Belle, na França, e o lançamento em DVD, no Brasil, de Trágico Amanhecer resgatam um artista de gênio

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Luiz Carlos Merten – O Estado SP

Cidade-luz, Paris é a Meca e a Medina dos cinéfilos, que nela encontram, permanentemente, ciclos de filmes e autores que não podem ser rastreados com tanta facilidade em nenhum outro lugar do mundo. Mas Paris não é só uma festa de cinema. Se você quer saber o que ocorre no mundo do design e das artes visuais deve seguir de olho na capital francesa. O Centro Charles Pompidou, o Beaubourg, dedica uma grande mostra – até março – ao arquiteto e designer Ron Arad. Só para ver os móveis que ele cria – verdadeiras obras de arte, mas fica a dúvida se são também confortáveis – já valeria a pena ir à França, mas Paris, encerrada a grande retrospectiva Picasso et les Maitres, no Grand Palais, agora sedia, até dia 28, no Hôtel de Ville, a mais completa exposição sobre Jacques Prévert feita na França.

Paris la Belle. O título vem de um curta que Jacques realizou em parceria com o irmão Pierrre, em 1928, Paris Express, e que foi rebatizado como Paris la Belle, ao ser resgatado, em 1960. Houve outras grandes exposições sobre o artista, antes, mas elas privilegiavam partes de sua obra – as colagens, as fotografias. N.T. Binh, crítico e historiador – autor de uma acurada análise da obra de Joseph L. Mankiewicz na coleção Cahiers du Cinéma – e Eugénie Bachelot-Prévert, neta de Jacques, coassinam a curadoria do evento que revela a multiplicidade dos talentos do grande artista. Se há um artista multimídia, é ele. Homem de teatro, cinema, poeta, autor infantil, pintor, compositor, deixou uma notável contribuição em cada uma dessas mídias. Eugénie sonhava com essa exposição há dois anos, quando se completaram 30 anos da morte de seu avô, em 1977. A falta de patrocínio, na época, inviabilizou o projeto, mas ela teve a sorte de encontrar N.T. Binh, que organizara em 2006, no Hôtel de Ville – a Prefeitura de Paris -, o evento Paris no Cinema e tinha cacife para propor outra grande mostra. Binh propôs Prévert. Por quê? No catálogo da exposição, ele explica singelamente – “Porque Prévert foi sempre um artista identificado com os parisienses…”

O próprio prefeito de Paris, Betrand Deanoë, escreve, na abertura do catálogo, que, durante toda a sua vida, Jacques Prévert estabeleceu (e manteve…) uma excepcional cumplicidade com a capital francesa. Conhecedor das passagens mais secretas dos Grands Boulevards, amigo dos operários, dos pintores de Montmartre e dos escritores de Saint-Germain-des-Près, Prévert cravou a essência de sua poesia no coração de Paris e de seus habitantes. A questão é que não existe um Prévert, mas vários, compondo o itinerário de um artista que foi engajado – e libertário – como poucos. N. T. Binh sustenta que, durante toda a sua vida, Prévert não fez outra coisa senão tentar reencontrar a Paris de sua infância. A exposição estabelece etapas do percurso – a infância, próxima dos Jardins de Luxemburgo; a juventude, quando ele se liga aos surrealistas, integrando a república ‘boullionnante’ da Rua Chateu (Castelo).

Após o rompimento com os surrealistas, Prévert produz para o teatro, escrevendo textos engajados para o grupo Outubro. Os anos 30 foram de muita agitação social na França. Prévert, que visitou a Rússia em 1933, voltou militante de causas radicais. Os operários da Citröen preparavam uma greve para hoje à tarde e lhe pediam um texto – ele o produzia num piscar de olhos. O Prévert dramaturgo vira roteirista de cinema, associando-se a Marcel Carné numa memorável série de filmes que instala a tendência do chamado ‘realismo poético’. O maior desses filmes, O Boulevard do Crime (Les Enfants du Paradis, de 1945) foi considerado numa pesquisa, há cerca de dez anos, como a obra-prima de toda a história do cinema francês, mas a parceria Carné-Prévert inclui outros filmes, como Trágico Amanhecer (Le Jour Se Lève, de 1939), com a dupla clássica Jean Gabin/Arlétty, que acaba de sair em DVD.

Como as coisas ocorrem por ciclos na obra de Prévert, em 1946, ele começa a se afastar do cinema, orientando-se para a poesia (com Paroles) e a canção. É muito interessante assistir aos trechos de filmes e aos clipes que mapeiam o Prévert roteirista e letrista. Ele produziu letras para Edith Piaf, Yves Montand, Juliette Gréco e Nat King Cole. Os três últimos apresentam suas diferentes versões de Feuilles Mortes. Para o espectador brasileiro, é um choque ver a musa do existencialismo cantar Folhas Mortas. Juliette Gréco foi o modelo de Maysa. Existem ainda o Prévert autor infantil, o pintor das colagens e o retratista. Amigo de Juan Miró, Pablo Picasso e Alexander Calder, Jacques brincava com Picasso e dizia que ele era um grande cineasta, embora não soubesse filmar. Picasso retrucava que ele era um grande pintor, mesmo sem saber pintar (nem desenhar). Suas colagens são de uma riqueza – e uma criatividade e um humor – extraordinários. O legado da exposição é que Prévert não se fixou em rótulos nem dogmas. Foi libertário de si mesmo. Criou-se, por isso, um verbo. O diretor Jean-Pierre Jeunet conta que, enquanto escrevia O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, ao dar-se conta de que algumas coisas simplesmente não iriam funcionar, ele pedia à sua roteirista, Guillaume Laurant – “Aqui, nós precisamos prévertizar.”

Juliette Greco

Yves Montand – Les feuilles mortes

15/02/2009 - 17:57h Cartier-Bresson: o olhar do século 20

O jornalista Pierre Assouline escreveu a biografia, agora lançada no Brasil pela editora L&PM, sobre o fotógrafo francês

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Luiz Zanin Oricchio – O Estado SP

Você com certeza já deve ter visto algumas dessas imagens: Sartre na Pont des Arts, Gandhi, um casal se beijando em Paris, um garoto sorridente carregando duas garrafas de vinho na Rue Mouffetard, o rosto trágico de Edith Piaf. São de Henri Cartier-Bresson (1908-2004), sinônimo de fotografia no século 20. Contra sua vontade, ele fundou uma escola e um estilo. A teoria do “instante decisivo”, a opção pelo preto-e-branco, a Leica, a recusa ao uso do flash – tudo isso constituiu uma mitologia em torno do homem que elevou a fotografia à condição de arte (teve exposições em Nova York e no Louvre num tempo em que a fotografia era considerada apenas registro técnico). Ao mesmo tempo, com Robert Capa, fundou o fotojornalismo. Virou ícone e mito mas fez questão de manter sua vida pessoal numa zona de sombra. Seu biógrafo Pierre Assouline tenta levantar o véu de mistério que cerca esse personagem em Cartier-Bresson – O Olhar do Século, que sai agora pela L&PM (tradução de Julia da Rosa Simões, 352 págs., R$ 56).

Assouline não se contenta em fazer uma biografia convencional. Além de reconstruir a vida de Cartier-Bresson (designado, na França, pela sigla HCB), procura compreender seu processo de trabalho, entender o que faz de uma foto dele algo único, singular, inimitável. Assouline tem prática na coisa. Entre outros, já biografou personalidades como Georges Simenon, Gaston Gallimard e Hergé, o criador de Tintin. É jornalista cultural do Le Monde e mantém no ar o blog literário de maior sucesso em seu país (http://passouline.blog.lemonde.fr/), com milhares de acessos e centenas de comentários por dia. Certo, é na França, mas mesmo assim, invejável.

Compreensão implica entendimento do contexto. HCB vem de família rica. Essa contingência, independente da vontade do sujeito pois ninguém escolhe o berço em que nasce, pode conduzir à soberba, à indiferença ou a nada disso. Já a riqueza do jovem Henri fazia-o sentir culpa em relação às classes desfavorecidas. Menino, recortou do jornal L?Echo de Paris o artigo intitulado De Onde Vem o Dinheiro? e o pregou em cima do espelho, para vê-lo todas as manhãs. A culpa é elemento importante na motivação, ensinou Freud (”Não é a fé, é a culpa que remove montanhas”, dizia).

Isso pode em parte explicar a escolha de temas, mas de onde vem a “estética” das fotos de HCB, sua incomparável noção de volume, os retratos famosos, instantâneos que parecem resumir toda uma vida dos fotografados? Nesse caso é preciso lembrar que a primeira vocação de Cartier-Bresson foi a pintura – ele ama Cézanne, em particular. Mas também a literatura, tendo Proust como guia de toda a vida. “São suas verdadeiras referências culturais”, escreve Assouline. “São seus ?fotógrafos? de cabeceira.” O jovem Henri cuida também da parte “técnica” e se matricula na escola de André Lothe, onde trabalha a pintura e, em especial, o desenho. Vai com regularidade ao Louvre e copia obras dos mestres. De Lothe apanha o “vírus” da geometria. Adota como seu o lema da Academia de Platão: “Quem não for geômetra, não entre.”

O curioso é que, na composição da personalidade de HCB, o espírito de geometria tenha de se afinar com o que parece ser seu oposto – a convivência com Breton e Aragon, e portanto com o surrealismo, seu flerte com o inconsciente, o acaso e o desejo. Dessas exigências contrárias ele tira a síntese que seria a grande lição de Lothe: não existe liberdade sem disciplina. Na verdade, o que acontece nesses anos de formação é menos a aquisição de uma técnica ou o aprendizado de um ofício do que a formação de um olhar. Olhar que, por sua vez, encontra na flexibilidade de um aparelho fotográfico alemão o seu veículo perfeito. Esse é um dos casamentos do século: HCB e a sua Leica.

União que poderia ser menos fértil caso HCB fosse um artista de gabinete. Pelo contrário, ele se mostrou viajante incansável, tendo morado em vários países. Além disso, buscou sempre fazer-se presente onde as coisas aconteciam, ou poderiam acontecer. Esteve na guerra civil na Espanha, foi feito prisioneiro durante a 2ª Guerra Mundial, escapou e assistiu à Liberação de Paris. Registrou, com terror, a caça aos colaboracionistas. Estava na Índia quando Gandhi foi assassinado e foi dos últimos a vê-lo com vida. Em contato com o inesperado da experiência, era insuperável na escolha daquele momento único no qual o obturador deve ser disparado para captar uma imensidão de vida em uma fração dela. Toda a arte da fotografia está na escolha desse momento, que HCB definiu como o “instante decisivo”. Por isso, um dos seus personagens, Sartre, pôde defini-lo como “o homem que fotografou a eternidade”.

Em tempo: o próprio Henri Cartier-Bresson odiava ser fotografado. Só deixou sua imagem ser captada em raras e especiais ocasiões.

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”Tive toda a liberdade, esse era nosso pacto”

Assouline fala sobre seu biografado, de quem foi amigo

Luiz Zanin Oricchio


Você é biógrafo e era amigo de Cartier-Bresson. Essas duas condições não se contradizem?

Não há contradição, mas complementariedade. Eu tinha toda a liberdade e jamais refreei meu espírito crítico. Caso contrário eu não poderia escrever e teria renunciado ao projeto. Era nosso pacto.

No fim do volume você escreve que o livro é produto de cinco anos de conversas, correspondência, pesquisas, etc. Como organizou o material?

Exatamente da mesma maneira que as outras nove biografias que escrevi. Recolhi material durante alguns anos e, em seguida, coloquei tudo no chão, olhei as peças do quebra-cabeça, ajeitei-as e escrevi.

Duas reaparições constantes na vida de HCB, que fazem pensar no “rosebud”, de Welles: a frase “de onde vem o dinheiro” e sua faca de estimação Opinel.

A frase é seu rosebud escrito, Opinel, seu rosebud objeto. Isso guiou sua vida. A frase o influenciou porque ele era complexado pelo fato de ser filho de família rica.

A trajetória de HCB parece surpreendente – da pintura à foto e da foto de volta à pintura. Como compreendê-la ?

Nem tão surpreendente assim, porque se trata menos da pintura do que do desenho. Ele formou seu olhar de fotógrafo no Louvre e na Academia Lothe. O importante não é nem o material e nem a técnica. É o olhar.

Em todo caso, essa formação parece bastante paradoxal: da pintura (da educação com Lothe, vem o senso de geometria e a admiração por Piero della Francesca); da convivência com os surrealistas, o trabalho com o inconsciente, o amor pelo acaso, etc. Como conciliar tudo isso?

O surrealismo é a sua juventude. A geometria é seu ser profundo. É o ying e o yang, o surrealismo e a geometria. Ele é produto dos dois. Da loucura na razão, a emoção que corrige a regra, é isso a irrupção permanente do surrealismo em seu espírito de geometria. Pode-se mesmo dizer, em alusão a Pascal, que HCB é o encontro entre o espírito de fineza e o espírito de geometria.

HCB era um viajante, cobriu guerras, esteve em vários países em momentos importantes como o assassinato de Gandhi, por exemplo. Você o imagina fora do contexto de um século tão violento e cheio de contradições como o século 20?

Não imagino. Eu o tomo como ele é e no tempo em que ele viveu. Imaginar um outro HCB seria da ordem da ficção científica.

Alguns aspectos técnicos são interessantes em sua carreira. Por que o preto-e-branco e não as cores? Por que a Leica e não outra câmera?

Abaixo a técnica! O preto-e-branco correspondia à sua sensibilidade. Quanto à Leica, era o aparelho que melhor correspondia, por sua leveza, sua manejabilidade, sua discrição, ao seu desejo de ser repórter.

A teoria do instante decisivo, o preto-e-branco, etc. – para HCB tudo isso diz respeito a uma estética ou a uma ética da imagem.

Uma somada à outra.

Entre as viagens de HCB notei a ausência de América Latina, com exceção de Cuba. Por quê?

Uma vida não é suficiente para esgotar o mundo. Ele era europeu antes da guerra. Com uma longa permanência no México. Em seguida, voltou-se para a Ásia.

As relações de HCB com o cinema são muito interessantes, em especial sua colaboração com Jean Renoir. Por que ele não seguiu esse caminho?

Porque ele compreendeu que seria melhor fotógrafo que cineasta. A foto é o individualismo, a solidão, a liberdade. O cinema é o coletivo, o grupo, o peso.

Muitas vezes os biógrafos tentam esgotar o assunto. Notei que você preserva um lado “misterioso” de HCB…

Concordo plenamente. Guardemo-nos da tentação de tudo explicar.

Por que as biografias e como explica o sucesso de seu blog sobre literatura?

Em relação ao blog é a fidelidade dos leitores a um blog que, por sua vez, lhes é fiel porque temos um encontro marcado em torno de um novo artigo a cada dia. E depois há a questão da credibilidade. Quanto ao porquê da biografia, eu precisaria escrever um tratado para lhe responder. Tenho uma nova biografia em preparação, sobre um personagem em relação ao qual ninguém pensa e com uma forma que pretende revolucionar o gênero…

02/01/2009 - 17:24h Os anos 70 na fotografia norte-americana

Le Monde

27/12/2008 - 14:48h Uma idéia estranha em Paris

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Gilles Lapouge * – O Estado SP

Comerciantes franceses esperavam o Natal com angústia. Temiam um naufrágio. Após seis meses de crise, donos de mercearias, butiques de luxo ou hipermercados estavam com a pulga atrás da orelha. Mas foi o contrário. Os franceses gastaram muito. Eles se entregaram às compras “descontroladas”, segundo observadores especializados. No total, os gastos na festas de 2008 deverão ser iguais ou um pouco superiores aos de 2007.

Não demorou para aparecer o tradicional exército de sociólogos, psicanalistas, filósofos para explicar o paradoxo. Eles foram rapidamente convocados às estações de rádio e televisão para despejar os habituais oceanos de banalidades. Dois pontos de vista se destacam. Para uns, a França tem uma poupança enorme. Sendo assim, as famílias esbanjaram as reservas por estar convencidas de que a crise não será longa.

Para outros, é o contrário. Os franceses esperam um ano de 2009 execrável: falências, desemprego, suicídios. E resolveram gozar uma última vez antes do desastre, escolheram “morrer sorrindo”. É a síndrome do Titanic.

Uma idéia estranha circula por Paris: a presente crise não existe. Os políticos a inventaram, por razões obscuras, e os meios de comunicação, encantados, seguiram atrás. Tudo isso é uma mentira, um embotamento dos espíritos. A verdade é que tudo vai muito bem. Uma sondagem de opinião espantosa foi publicada: 50% dos franceses acham que “tudo vai muito bem”.

Nada parecido com isso na Inglaterra. Lá, as pessoas estão apertando o cinto. As grandes lojas, atoladas em encalhes, lançam liquidações com oito dias de antecedência, na célebre Knighstbridge, na Harvey Nichols, na Selfridges.

Woolworths, MFI e Zavvi (ex-Virgin Megastores) estão sob administração judicial. Espera-se a bancarrota de dez cadeias comerciais em janeiro.

Para o Natal, as lojas baixaram seus preços de 20% a 50%, mas os porta-moedas ficaram hermeticamente fechados.

A explicação seria a seguinte: a economia inglesa está sendo puxada cada vez mais pelos serviços e, sobretudo, os serviços financeiros. O parque produtivo inglês é reduzido e de baixa qualidade.

Assim, a crise, que é financeira, atingiu com toda força a Inglaterra, mais que qualquer outro país, e, singularmente, as altas finanças da City, o distrito financeiro de Londres.

Há semanas se recolhem os operadores arruinados com pás nas calçadas da City, como se fossem as folhas mortas de outono. Ora, esses traders, jovens luxuosos, esnobes, dândis, aristocráticos e vulgares tinham o hábito de esbanjar as enormes gratificações, suas gratificações imorais, no Natal.

Nada de gratificações neste ano. Em lugar das gratificações, chutes no traseiro! Nessas condições, com o traseiro dolorido e os bolsos vazios, quem iria despejar fortunas na Harrods, na Woolworths ou na Knightsbridge?

É essa a desgraça da Inglaterra. Já se explicou amiúde aos países subdesenvolvidos que é perigoso basear toda uma economia numa “monocultura”, de trigo, milho, cacau ou canela. Isso também vale para os países superdesenvolvidos, como a Inglaterra, que se entregou cegamente a uma “monocultura”, a monocultura do dinheiro.

*Gilles Lapouge é correspondente em Paris

18/12/2008 - 19:31h Inverno no museu

cartas de paris


Não por acaso é no inverno que os museus de Paris desabrocham. Com a abstinência de parques e jardins que o frio impõe, eles são o programa inescapável da estação. Resultado: filas gigantescas e público recorde em várias exposições temporárias organizadas nos quatro cantos da cidade. Difícil é decidir onde ir primeiro.

A maior atração da atual temporada é a exposição Picasso e os mestres, que fica até 2 de fevereiro no Grand Palais. Parisienses e turistas se apertam em filas rocambolescas e se sujeitam a listas de espera para fazer parte das 6,5 mil pessoas que diariamente visitam o evento. A proposta é estabelecer um diálogo entre a obra do pintor espanhol e os principais artistas que o influenciaram. Assim, As Meninas, de Vélazquez (emprestado do Museu do Prado, em Madri) está ao lado da tela homônima em que Picasso fez a releitura cubista da obra. Além destas, outras duas centenas de obras demonstram a grandiosidade do trabalho do pintor cubista, reunindo num mesmo espaço diversas referências da história da arte. Em uma palavra: imperdível.

Eu não me canso de ver Monet e por isso mesmo sou assídua frequentadora do pouco conhecido museu criado pelo espólio da família dele, chamado Marmottan. Até o dia 15 de fevereiro acontece por lá uma exposição chamada O olho impressionista, que relaciona a evolução da obra do artista à doença visual de que ele sofria, uma catarata que na época era irreversível. Como o trabalho dele sempre se baseou na releitura das mesmas paisagens (uma ponte, as flores aquáticas), fica bem perceptível a perda da definição e a confusão de cores ao se comparar peças produzidas depois de uma certa idade com aquelas feitas ainda com a visão perfeita. Junto das obras, as cartas do artista relatando sua frustração são de uma sinceridade emocionante.

Aos amantes da arte moderna também não faltam opções. No palácio de Versailles, a vinte minutos de Paris, acontece até 4 de janeiro a primeira retrospectiva da obra do nova-iorquino Jeff Koons, um dos mais famosos artistas plásticos contemporâneos. A idéia de colocar uma lagosta inflável gigante no meio de um dos aposentos do rei Luís XIV ou um coelho prateado de um metro de altura no chamado salão da Abundância chocou a sociedade parisiense – muitos foram os que escreveram artigos raivosos na imprensa chamando a exposição de desrespeito. O artista, claro, adorou a polêmica, e nem que seja só por curiosidade, a visita vale a pena.

A lista de grandes exposições não acaba aí. Uma retrospectiva histórica da ocupação de Napoleão no Egito organizada pelo Instituto do Mundo Árabe, fotos de Henri-Cartier Bresson e da francesa Sabine Weiss, uma homenagem ao artista plástico Jacques Villeglé, que utilizou cartazes publicitários de uma Paris convulsionada pelas manifestações de 1968 como matéria-prima de colagens cheias de conteúdo político – tem para todo gosto. Quem está de viagem marcada para Paris e gosta de arte nem vai sentir tanto o inverno gelado que se anuncia.

Carolina Nogueira é jornalista e mora há dois anos em Paris, de onde mantém o blog Le Croissant (www.le-croissant.blogspot.com). Em Brasília, trabalhou no Correio Braziliense e no Jornal do Brasil e hoje é repórter licenciada da TV Câmara. Mãe dos gêmeos João e Pedro, ela faz um mestrado em literatura lusófona na Sorbonne e escreve no Blog de Noblat sempre às quintas-feiras.

04/12/2008 - 16:47h Na França a mesa é coisa séria

Cartas de Paris

A prática de fooding

Paris é cheia das manifestações culturais, e esta semana o assunto são os eventos fooding. O conceito foi criado há sete anos por um grupo de chefs e outros aficionados pela cozinha francesa que militam pela inovação, pela abertura da cozinha tradicional. Pode-se questionar a falta de originalidade do nome (uma fusão das palavras em inglês comida e sentimento), jamais a qualidade dos eventos e dos restaurantes que eles chancelam.

Este ano, além da tradicional premiação dos melhores do ano, a semana fooding vai realizar acontecimentos culinários em espaços especialmente criados para o evento. São, ao mesmo tempo, uma amostra da inventividade do grupo e a ocasião de participar de happenings divertidos, tipo o desafio feito ao mais temido crítico culinário da cidade, que vai passar para o outro lado do balcão e cozinhar para uma clientela louca para pregá-lo na cruz.

Invenção, eles dizem. Liberdade. Reivindicação que faz sentido num país em que a preservação da tradição culinária pode se tornar quase limitante. Basta dizer que a receita da baguete francesa assada em cada padaria é regida por lei. Basta dizer que o presidente deles quer propor à Unesco um tombamento das culinária francesa como patrimônio cultural da humanidade.

Longe dos atos oficiais, esta relação apaixonada com a comida se deixa perceber no dia a dia – no hábito quase religioso de ir ao restaurante. Por restaurante entenda-se algo bem além do clichê taças de cristal, conta astronômica e um pratinho deste tamanho.

Tem restaurante para todo bolso, para todo público, em ambientes formais ou completamente informais. Sair para comer bem é, ao lado da paixão nacional pelo cinema, o programa oficial dos parisienses. Para eles, não faz o menor sentido ficar horas em um bar, só bebendo.

Outra coisa que fui percebendo com o tempo é que, ao contrário do hábito brasileiro, a refeição mais importante do dia deles é o jantar. A hora de diminuir o ritmo, sentar com todo tempo do mundo, começar pela entrada, passar pelo prato principal, provar um pedaço de queijo, terminar delicadamente com uma sobremesa leve.

A preferência é disparado o jantarzinho tête à tête ou um petit comité de, digamos, cinco ou seis amigos no máximo –, nada das nossas mesas compridas à italiana. Um bom prato, um bom vinho, uma boa conversa: está feita a noitada parisiense perfeita.

Carolina Nogueira é jornalista e mora há dois anos em Paris. Em Brasília, ela foi repórter do Correio Braziliense e do Jornal do Brasil e hoje é servidora licenciada da TV Câmara. Mãe dos gêmeos João e Pedro, faz mestrado em literatura lusófona na Sorbonne. Ela tem um blog chamado Le croissant. Fonte Blog de Noblat

24/11/2008 - 19:48h EUA 70

Garry Winogrand, Los Angeles, Califórnia, 1969
© The estate of Garry Winogrand, cortesia Fraenkel Gallery, San Francisco

 

 

Seventies, Le Choc de la Photographie Américaine é uma das mais fortes exposições do Mois de la Photo que está a decorrer em Paris. Construído a partir da colecção da Biblioteca Nacional de França – que tem mais de 3 mil fotografias provenientes dos EUA deste período -, o conjunto traça uma boa perspectiva do que foram estes anos de liberdade criativa e experimentações férteis. As provas de época estão divididas em seis sequências temáticas que não pretendem fazer historial cronológico, mas sim um percurso plástico indicador de tendências e escolhas dialogantes.

São elas:
Des Précurseurs;
L`influence du Snapshop;
Géométrie et espace;
Paysage;
Matière et Forme;
Le Miroir Obscur.

Para ver uma apresentação em vídeo da exposição feita pela comissária Anne Biroleau (ver mais embaixo)

“I wanted Christina to learn some responsibilities for cleaning her room, but didn`t work”, da série Suburbia, 1971
© Bill Owens

 

Seventies. Le choc de la photographie américaine

 

 

Seventies. Le choc de la photographie américaineGraphisme Wijntje van Rooijen & Pierre Péronnet

site Richelieu / Galerie de photographie

En 1971 la Bibliothèque Nationale présenta, sous le titre Photographie nouvelle des États-Unis, une exposition consacrée à de jeunes Américains alors peu connus. Leurs photographies rompaient avec la conception du médium qui prévalait en Europe, où régnait la photographie « humaniste ». On découvrit alors Diane Arbus, Lee Friedlander, Garry Winogrand, et bien d’autres. Chacun à sa manière engageait une singulière évolution, interrogeait sans a priori les multiples possibilités de cet art. Loin du pictorialisme, à distance du pur document, ils ne rompaient pourtant pas avec la riche tradition que représentaient Walker Evans, Harry Callahan ou Aaron Siskind. La collection de la BnF conserve, grâce à ce lien consolidé au fil des ans, plus de deux mille tirages d’époque. L’exposition n’entend pas pour autant tracer une histoire de la photographie américaine des années 1970. Les quelque trois cents photographies, rassemblées autour d’un nombre restreint de thèmes esquissent un parcours dans le territoire iconographique qu’elles constituent, un travelling dans cette partie de notre collection. Le portrait (Diane Arbus), le paysage (Paul Caponigro, Lewis Baltz ou Joe Deal), les expérimentations photographiques (Duane Michals ou Les Krims) font écho dans l’exposition aux scènes de rue de Garry Winogrand, William Klein, Bruce Gilden, aux héros marginaux de Larry Clark, à l’humour décalé de Bill Owens et Ken Graves, aux recherches raffinées de Ralph Gibson. L’ensemble offre la part belle à l’onirisme et au fantasme, tradition très anglo-saxonne interprétée par Ralph Eugene Meatyard, Arthur Tress ou Joel Peter Witkin. Cette exposition entend mettre en évidence l’audace et la vigueur des formes, montrer la confondante liberté qui, à cette époque, balaya les stéréotypes et exerce encore son emprise sur la conception post-moderne de la photographie.

Dans le cadre du Mois de la Photo à Paris, novembre 2008, et de Paris Photo.

En partenariat avec : Images magazine, les Inrockuptibles, Metro et FIP

Présentation vidéo de l’exposition
Mardi-samedi de 10h à 19h, dimanche de 12h à 19h
Fermé lundi et jours fériés tarif plein : 7.00 euros
tarif réduit : 5.00 euros
Visites guidées
• Pour les individuels : renseignements et réservation au 01 53 79 87 93
• Pour les groupes : réservation obligatoire au 01 53 79 49 49

24/11/2008 - 17:57h França e Brasil: trocando ”figurinhas”

Grande mostra idealizada para o ano da França no Brasil, em 2009, reunirá 250 trabalhos de fotógrafos veteranos e novos

Simonetta Persichetti – O Estado SP

 


História e memória do e sobre o Brasil serão os eixos da exposição que entre abril e junho do próximo ano estará na Pinacoteca durante a programação do ano França no Brasil. Pensada e elaborada por Diógenes Moura, curador da Pinacoteca, em parceria com a CulturesFrance e o Consulado Geral da França de São Paulo, a exposição pretende ser um bate-papo entre os diversos artistas selecionados: “Como se eles estivessem numa mesa de bar trocando fotografias entre eles”, exemplifica Diógenes.

O primeiro eixo, histórico, será composto pelas imagens de Pierre Verger, Marcel Gautherot, Jean Manzon e Claude Lévi-Strauss, três franceses que têm em comum o fato de terem vivido no Brasil e registrado o País do ponto de vista humanista, do cotidiano da arte e religiosidade. Nas palavras do curador, o antropólogo Claude Lévi-Strauss (1908) aparece como uma epígrafe da mostra, visto que, enquanto seus conterrâneos terão a oportunidade de mostrar seu olhar com 30 imagens, o antropólogo, um dos fundadores e professores da USP, onde lecionou sociologia de 1935 a 1939, aparece com poucas imagens: “É apenas uma pontuação. Poucas e eficientes imagens.”

Isso se deve ao fato de os três primeiros terem – em épocas, momentos e intencionalidades diferentes – fotografado os mesmos lugares. Coincidentemente, os três autores tiveram suas fotografias publicadas na revista O Cruzeiro numa época em que essa publicação era o sonho de vários fotógrafos e ajudou a criar entre nós a idéia do que era realmente a estética fotojornalística.

Jean Manzon (1915-1990), mais que seus colegas, foi determinante para trazer para o Brasil a modernização do fotojornalismo que nos anos 40 ainda engatinhava entre nós. Devemos a ele – que na Europa já havia trabalhado para as mais importantes revistas ilustradas da época, como por exemplo, a Paris Match – a introdução das câmeras mais ágeis para o trabalho do repórter, e trouxe também o respeito e o reconhecimento da profissão.

Já Marcel Gautherot (1910- 1996) chega ao Brasil em 1939. Na França, ele estava ligado à antropologia visual, sendo um dos responsáveis, em 1936, pela criação do Musée de L?Homme, em Paris. No Brasil, seu interesse se voltou sobretudo para o folclore, arquiteturas e festas brasileiras. Alguns desses seus trabalhos foram publicados na revista O Cruzeiro.

A vida e a obra de Pierre Verger (1932-1996) é há muito nossa conhecida. Seus estudos e viagens sobre o homem, que o levaram a percorrer de 1932 a 1946 o mundo todo, são bastante conhecidos. Desembarca no Brasil em 1946, mais precisamente na Bahia, pela qual – como não podia ser diferente – se encanta e onde decide se estabelecer pelo resto de sua vida. Procurou conhecer em detalhes a vida dos descendentes africanos, seus ritmos, sua religiosidade. Para tanto, durante anos fez a ponte aérea África-Brasil. Em 1948, passou a se dedicar ao estudo do candomblé. E foi na África, onde também estudou a religiosidade, que em 1953 recebeu o título de Fatumbi “nascido de novo graças ao Ifá”.

São essas visões de Brasil, dos marinheiros no porto, dos cultos e do cotidiano, que ele também registra e publica: “Esses nomes, com um período de atuação que atravessa as décadas de 1940 e 1980, reafirmam a importância e a sensibilidade de como um olhar estrangeiro seria incorporado aos mais diferentes temas da nossa cultura, podendo traduzi-la num documento sem precedentes para o entendimento da fotografia no Brasil”, conta o curador. A foto como descoberta do mundo.

Para que esta conversa se amplie e atualize, a Pinacoteca do Estado escolheu três brasileiros que, de alguma forma, décadas depois, também caminharam pelos mesmos lugares fotografados pelo olhar europeu. Luiz Braga, de Belém; Tiago Santana, de Fortaleza; e Mauro Restiffe, de São Paulo, contribuem com seu olhar moderno, ou pós-moderno, sobre o cotidiano brasileiro para o diálogo com o registrado nos anos 40 e 50 em especial, quando o ufanismo se fazia presente e a identidade nacional precisava ser reafirmada.

O olhar dos jovens – em relação aos colegas franceses – fotógrafos muito mais do detalhe, do pequeno, do aprofundamento e da interpretação dos locais desvelados pelos antecessores: “Trinta anos depois, três fotógrafos brasileiros parecem andar e registrar as mesmas imagens realizadas por Pierre Verger e Marcel Gautherot”, explica Diógenes. Claro que não são as mesmas imagens, mas as mesmas necessidades de encontro.

O fotógrafo Tiago Santana está realizando um novo ensaio para essa exposição: panorâmicas realizadas no interior do Ceará. Luiz Braga comparece com seu olhar particular sobre o cotidiano amazonense e Mauro Restiffe, o mais urbano de todos, coloca um ponto final nesta deliciosa conversa.

Mas é então que mais uma surpresa se faz presente: três fotógrafos contemporâneos franceses foram convidados para nos mostrar imageticamente como entendem e imaginam o Brasil. Já estão por aqui Antoine D?Agata, Bruno Barbey e Olivia Gay. Os três fazem parte da agência Magnum e cada um está realizando um ensaio específico para a mostra. D?Agata, preferiu fixar-se em São Paulo, mais precisamente no entorno da própria Pinacoteca, mas também vai trazer imagens do Rio e de Salvador. Ele trabalha sempre com as situações-limite do ser humano, buscando humanidade em lugares onde há muito ela foi esquecida ou abandonada. Barbey resolveu flutuar por São Paulo, Rio, Maranhão e Belém, enquanto que Olivia Gay fixou-se na Bahia, resolveu seguir famílias baianas e acompanhar seu dia-a-dia, em especial no que diz respeito à culinária.

Todas essas imagens – aproximadamente 250 – ocuparão cinco salas da Pinacoteca. Um diálogo franco-brasileiro que deverá viajar por todo o Brasil durante o ano de 2009 para aportar em 2010 na França, em Paris e no festival de Fotografia de Arles.

23/11/2008 - 16:04h La vie est dure: des milliardaires réaménagent les hôtels particuliers parisiens

http://www.lefigaro.fr/medias/2007/05/30/20070530.FIG000000001_4754_1.jpg

Le Monde

Au 14, rue de l’Université, dans le 7e arrondissement de Paris, l’immeuble emmailloté de bâche grise est une verrue bien disgracieuse aux côtés des hôtels particuliers de la même époque – le XVIIe siècle – aux porches cintrés et balcons à encorbellement, qui l’entourent.

Placardé sur l’échafaudage, le permis de construire date du 30 janvier 2004. Le toit a disparu. La façade aux fenêtres à chapiteau semble “tenir” en trompe-l’oeil. Le chantier est arrêté pour infraction : les travaux de démolition engagés outrepassent le permis octroyé. Le procès de l’Etat contre le propriétaire, qui doit débuter lundi 24 novembre, au Palais de justice de Paris, devrait servir de cas d’école, à l’heure où les transactions sur le patrimoine historique de Paris sont en plein boom.

Les hôtels particuliers en vente, pour la plupart construits entre cour et jardin aux XVIIe et XVIIIe siècles, souvent cédés par l’Etat pour faire rentrer de l’argent dans les caisses, font le miel, depuis 2006, des milliardaires du monde entier. “Des bâtiments à usage privé et extrêmement luxueux, dont les acquéreurs viennent des grandes familles princières du monde arabe, du Golfe, du Maghreb, de Russie ou des pays émergents. Ce ne sont ni les Anglais, ni les Américains, ni les Français, même s’ils pèsent des milliards”, précise Charles-Marie Jottras, président du groupe immobilier Féau (Belles Demeures de France, Christie’s Great Estates), dont une vente a dépassé, avant l’été, les 60 millions d’euros. Parmi les offres du jour chez Féau, l’hôtel du Grand-Veneur, d’époque Louis XIII, inscrit aux Monuments historiques, rue de Turenne (3e), est mis à prix 29 millions d’euros.

France Domaine, institution dépendant du ministère des finances, affiche sur son site Internet les offres immobilières de l’Etat, photos à l’appui. Le 21 novembre, à la rubrique “L’Etat vend à Paris”, l’hôtel de Montesquiou, façade Louis XVI sur jardin, au 20, rue Monsieur (7e), anciennement occupé par le ministère de la coopération, portait la motion “vendu”. Il serait cédé à un promoteur russe. Autre affaire à saisir : l’hôtel de Seignelay, 80, rue de Lille (7e), dépendant du ministère de l’économie et dont la date de dépôt des offres était fixée au 20 novembre… L’Etat, très discret, n’affiche pas les prix pour vendre au plus offrant.

Une fois le contrat signé commencent les difficultés. L’acquéreur veut bénéficier des dernières commodités et mettre au goût du jour sa propriété. La tendance est au gain d’espace. Puisque, à Paris, on ne peut construire en hauteur, creusons les sous-sols, pour installer piscines, garages, climatisation.

Les requêtes sont déposées à la direction de l’urbanisme de Paris qui transmet les dossiers aux Architectes de bâtiments de France (ABF), lesquels délivrent les autorisations et contrôlent les travaux. Les règles sont strictes lorsqu’il s’agit de bâtiments classés ou inscrits aux Monuments historiques, ou simplement situés dans le 7e arrondissement et le Marais, deux zones régies par le Plan de sauvegarde et de mise en valeur de la capitale (PSMV) établi en 1996 et en cours de révision. Ou encore, lorsque l’immeuble est préservé au titre du Plan local d’urbanisme (PLU) qui, depuis 2006, protège 5 000 immeubles intra-muros.

Les demandes de permis de construire sont révélatrices. Une dizaine de gros dossiers sont étudiés. Dont celui de l’hôtel de Bourbon-Condé, classé Monument historique, 12, rue Monsieur (7e), acheté par la famille royale du Bahrein, qui inclut la création en sous-sol de parking et salle de cinéma.

“TRAVAUX PHARAONIQUES”

Une demande similaire de construction d’un garage souterrain émane de l’hôtel Lambert (1639-1644), construit par Louis Le Vau, qui agrandira Versailles. Ancré à la pointe de l’île Saint-Louis, avec son jardin suspendu et sa rotonde sur la Seine, il a logé, un temps, l’actrice Michèle Morgan : c’était l’attraction des bateaux-mouches. Avec ses décors peints par Le Brun, ce joyau a été cédé, en 2007, par le baron Guy de Rothschild à la famille de l’émir du Qatar (autour de 80 millions d’euros), lequel, amateur de vieilles pierres, possède l’hôtel d’Evreux, place Vendôme, et l’hôtel de Coislin, place de la Concorde.

Le PSMV, établi en 1996 et en cours de révision, protège très mal les sous-sols de ces hôtels. “Pratiquement tous les bâtiments que je connais, repris récemment, envisagent des travaux pharaoniques dans les caves ou sous les cours pavées”, précise Christine Fabre, de l’association SOS-Paris. Au 81, rue de Grenelle (7e), le chantier sur le petit hôtel d’Estrées est spectaculaire, comme l’état de la cour, trou béant garni d’échafaudages. Deux permis de construire ont été délivrés. Le premier autorisait, en octobre 2006, trois niveaux de sous-sol (avec piscine, sauna, parking), le second, de septembre 2008, accepte un ascenseur à voiture.

“Il faut stopper cet élan pour éviter les excès. Le petit hôtel d’Estrées fait partie des polémiques”, indique Jean-Marc Blanchecotte, architecte en chef des bâtiments historiques, à Paris. Etudier au cas par cas, en hiérarchisant les hôtels particuliers, telle est l’actuelle démarche. Pour le spécialiste, “il ne faut pas tout bloquer, l’esprit de reconquête est l’occasion de restauration des bâtiments historiques”.

Un point sensible pour les ensembles de grande valeur vendus par l’Etat, souvent mal protégés par la loi. La problématique des sous-sols est au coeur des discussions. Colombe Brossel, adjointe au maire chargée du patrimoine, parle des réunions qui s’enchaînent, entre Etat, mairie, experts et associations, afin d’établir une “doctrine” avant fin 2008.
Florence Evin

21/11/2008 - 15:25h Aubry est plus “crédible et compétente” que son adversaire, selon Delanoë

A disputa pela presidencia do Partido Socialista da França foi para um segundo turno, nenhum dos candidatos obteve a maioria absoluta.
Ségolène Royal, que foi a candidata derrotada contra Sarkozy, obteve 42,51% dos votos, Martine Aubry, filha de Delors e prefeita de Lille, foi para o segundo turno com 34,70. O candidato que se proclama mais a esquerda, com 22,79% fez um bom percentual e seus eleitores vão definir o resultado. O prefeito de Paris, Bertrand Delanoë desistiu de ser candidato e apoia Aubry. LF

LE MONDE

14 h 17 – Pour Razzy Hammadi, seule Martine Aubry “peut préserver l’unité du parti”

Razzy Hammadi, secrétaire national proche de Benoît Hamon, a déclaré qu’une victoire de Martine Aubry était “la condition sine qua non pour préserver l’unité du parti et entamer une rénovation” du PS. Pour ce proche de Benoît Hamon, “le renouvellement, ce n’est pas simplement le papier glacé, c’est d’abord un contenu“. “Etre soutenu par celui qui a été l’auteur d’un ouvrage intitulé : ‘il faut saborder le PS’, il y a mieux comme rénovation !”, a-t-il lancé. En novembre 2007, Georges Frêche avait fait paraître sous ce titre un livre d’entretiens.

13 h 40 – Delanoë : Aubry est plus “crédible et compétente” que son adversaire

“Martine est vraiment la candidate, le premier secrétaire qui peut le mieux” être “crédible et compétente sur la question sociale”, a déclaré le maire de Paris Bertrand Delanoë. Selon lui, la maire de Lille “aura plus facilement une majorité politique et ce sera important pour la solidarité du parti pendant trois ans”. A l’inverse, “Ségolène a du caractère, des qualités, mais elle personnaliserait trop les choses si elle gagnait, et elle tendrait un petit peu les rapports” au sein du parti, a-t-il indiqué.

13 h 25 – Royal “cueillera la poire dans deux ans toute mûre”, selon Georges Frêche

L’ex-socialiste et président divers-gauche de la région Languedoc-Roussillon, Georges Frêche, a estimé que Martine Aubry avait deux chances sur trois de l’emporter face à l’ancienne candidate socialiste à la présidentielle.  Mais “si c’est Ségolène qui perd, c’est sa chance”, a-t-il déclaré. “Parce que si elle perd, (…) elle va rester tapie pendant deux ans hors des coups et des flèches pour préparer l’avenir. Et les autres, qui ont cinq présidentiables dans leurs rangs, se battront comme des chiens pendant deux ans”. Alors Ségolène Royal “cueillera la poire dans deux ans toute mûre”, en a conclu Georges Frêche.

13 h 00 – Aubry : “Si je gagne, je tendrai la main à Ségolène”
Pour Martine Aubry, le “renouvellement” aura lieu au PS quel que soit le résultat du vote des militants, l’élection d’une femme à la tête du parti constituant en soi “une révolution”.  Ce renouvellement aura lieu “aussi et peut-être surtout” par “la mixité que je m’engage à faire partout, par de nouveaux visages, par le renouvellement des générations”, a-t-elle ajouté. “Si je gagne, je tendrai la main à Ségolène, ce sera la première à qui je passerai un appel pour lui dire : nous ne sommes pas rassemblées sur la même ligne politique mais nous devons être unies pour les Français”, a-t-elle réaffirmé. “Si je perds, j’attendrai qu’elle me passe un coup de téléphone et moi, je travaillerai toujours pour mon parti”, a-t-elle assuré.

12 h 15 – Royal lance un appel aux partisans de Benoît Hamon
Ségolène Royal s’est présentée vendredi comme “la garantie de ce changement, de cet ancrage à gauche, mais aussi de l’ouverture sur toutes les idées neuves” à laquelle aspirent les militants, notamment “celles et ceux qui ont voté pour Benoît” Hamon. Elle a promis de s’ouvrir aux autres équipes et de les intégrer à la direction du parti.

Discours de Ségolène Royal – 20 11 2008
envoyé par lespoiragauche

11 h 55 – Derniers résultats
D’après les nouveaux chiffres communiqués vendredi par le parti, Ségolène Royal a obtenu jeudi 42,51% des voix au premier tour de l’élection du premier secrétaire du PS, devant Martine Aubry à 34,70% et Benoît Hamon à 22,79%. Ces résultats tiennent compte du vote de 230 442 électeurs sur 232 912 inscrits, moins ceux de la fédération de la Guadeloupe.

10 h 20 – Hamon craint un scrutin “serré”
“Arithmétiquement”, la maire de Lille devrait l’emporter mais le scrutin “s’annonce serré”, a déclaré Benoît Hamon sur LCI, évoquant “une très grand lassitude des militants”.

07 h 00 – Le courant Aubry conteste les résultats officiels
Christophe Borgel, mandataire national de la motion Aubry, a formellement contesté les nouveaux chiffres de la direction attribuant 43,10% des voix à Ségolène Royal, et 34,50% à Martine Aubry Des chiffres “différents de ceux donnés lors de l’annonce officielle des résultats une heure plus tôt”. “Il s’agit soit d’une erreur, soit d’une manipulation qui vise à essayer de montrer que le résultat de Ségolène Royal est plus haut qu’annoncé initialement et qu’elle a déjà gagné, avant même le second tour”. Les premiers résultats ne tenaient pas compte des votes en Nouvelle-Calédonie, à Wallis et Futuna, en Polynésie, à Saint-Pierre-et-Miquelon, en Guyane et Martinique, soit 260 bulletins, en se basant sur la participation au vote du 6 novembre. “Même en admettant que toutes ces voix soient allées à Ségolène Royal, cela représente un écart de 0,1 point par rapport à son résultat annoncé officiellement par la direction”, a argué M. Borgel.

03 h 35 – Manuel Valls y croit
Ce proche de Ségolène Royal estime le second tour “très, très gagnable”. “Plus de 11 000 voix d’avance nous séparent de Mme Aubry. L’arithmétique n’est absolument pas la dynamique dans une campagne électorale, quelle qu’elle soit”, a-t-il déclaré. Le député compte notamment sur une plus grande mobilisation des “militants qui ne sont pas venus voter lors de ce premier tour”.

02 h 30 – Aubry promet de “changer” le parti
“Heureuse”
du ralliement de Benoît Hamon, la maire de Lille a promis de “changer profondément le parti socialiste, de le renouveler dans sa composition, dans ses comportements, dans son attitude vis-à-vis de la société et de porter les valeurs de gauche”, si elle est élue vendredi.

02 h 00 – Hamon appelle à voter “massivement” pour Aubry au deuxième tour
Arrivé troisième lors du premier tour de l’élection du premier secrétaire du PS, Benoît Hamon a appelé dans la nuit de jeudi les militants socialistes ayant voté pour lui à apporter “massivement” leur voix à Martine Aubry. “Mon choix est dicté par ce que je crois être l’intérêt de la gauche” en pensant à “celles et ceux qui attendent de la gauche une alternative à la droite”, a déclaré l’eurodéputé. Il a recueilli 22,8% des voix en métropole soit 30 880 suffrages, derrière Ségolène Royal (43,1%) et Martine Aubry (34,5%).

20/11/2008 - 20:08h Paris vale uma missa

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Paris#7 (notas atrasadas)

Lee Miller, Women with Fire Masks, Downshire Hill, Londres, 1941
© Lee Miller Archives

**É possível ir a Paris sem tirar uma única fotografia? É.

**Há quem duvide da existência de uma “escola de Düsseldorf” da fotografia. As catalogações são sempre redutoras e formadoras de equívocos, mas o certo é que um grupo alargado de artistas que a frequentaram, guiados pela nova objectividade, se destacou no panorama artístico contemporâneo formando um corpo de trabalho que, apesar de muito diversificado na forma e no conteúdo, partilha a mesma filiação estética, as mesmas orientações criativas – a do arquivo e a da tipificação. E isto é capaz de ser uma “escola”. A exposição Objectivités, que junta professores e alunos da Kunstakademie de Düsseldorf, é uma das propostas mais interessantes da programação do Mois de la Photo. Foi publicado um catálogo que se reveste de particular importância para compreender a produção fotográfica actual.

**Uma rapariga fotografava outra rapariga de ar acabrunhado e cabelo colado à cara pela chuva miudinha. Cenário escolhido: uma fotografia de publicidade a um perfume francês. Aposto que ela não gostou de se ver. O ficheiro deve ter sido apagado.

**Nos 70` americanos fotografou-se com despudor, criatividade e ilusão. Já vimos muitas das imagens que foram escolhidas para a exposição sobre fotografia americana deste período, patente na Biblioteca Nacional de França. Mas o que emociona nunca cansa. E para lá da emoção do reencontro, há a emoção da descoberta pessoal, como a que fiz de Louis Faurer e Bruce Gilden.

**Garry Winogrand: I photograph to find out what something looks like when photographed.

**Parecia uma barata tonta ali para os lados da Bastilha à procura da rua Jules-Cousin. Perguntei a um farmacêutico, a um jornaleiro e a mais meia dúzia de pessoas com cara de quem fosse capaz de me apontar o dedo da direcção certa. Nada, nem um. Depois de meia hora à deriva, desisti. Ou quase: no metro espreitei o mapa outra vez. Zero. Arrisquei mais uma pergunta, a última. A mulher, que notou o sotaque estrangeirado, sorriu, sacou um guia de ruas da mala, seguiu as coordenadas e com um sotaque britânico carregado deu-me as indicações que me levariam à Galeria Vu (uma inglesa a orientar-me em Paris!). Subi à superfície outra vez, andei os quarteirões que precisava e… bati com o nariz na porta quando o programa garantia o contrário. Atrás de mim, duas italianas que vinham ao mesmo entoaram de rajada 10 palavras por segundo. Aí umas 9 deviam ser asneiras, pragas e amaldiçoamentos. À minha conta, os senhores da Vu também devem ter ficado com as orelhas a arder.

**Na Maison Européenne de la Photographie a bicha para entrar chegava à rua. Sabine Weiss apresenta um trabalho de fotojornalismo clássico que inclui uma dúzia de fotografias de Portugal dos anos 50 e 80. Parei algum tempo à frente de uma imagem da Baixa de Lisboa onde uma mulher com um cesto de flores à cabeça corre para o outro lado da estrada, talvez em direcção à Praça do Rossio, onde as rosas e os malmequeres já reinaram. MacDermott & MacGough andam fascinados pelos antigos processos fotográficos (cianotipia, papel salgado…) mas não se deixaram enredar pela armadilha arqueológica. An Experience of Amusing Chemistry é um olhar delicado, actual e criativo para as antigas maneiras de ver. No fotojornalismo, destaque também para a obra do turco Göksin Sipahioglu, mítico fundador da agência Sipa.

**Na rua Gosciny as indicações aparecem em balões de banda de desenhada e letra de brincar. Nos postes e no chão. Parece que estamos dentro dos quadradinhos a disparar mais rápido do que Lucky Luke. Pum! Morri.

**Alguém me pode explicar por que é que o Metro de Lisboa nos obriga a sacar do bilhete sempre que queremos sair de uma estação? Em Paris, e na generalidade das cidades com metro, as portas abrem-se e já está.

**Desilusão máxima: Expérimentations Photographiques en Europe des Anées 20 à Nos Jours. Não há aqui um retrato das experimentações fotográficas coisa nenhuma. O que há é um percurso metido à pressão por meia dúzia de salas onde aparecem artistas avant-garde que usaram a fotografia como suporte.

**Desilusão mínima: Gabriele Basilico, Moscou Verticale. Esta aposta na vertigem pela monumentalidade pode não resultar muito bem e pode até transformar-se na visão de um turista embriagado. Basilico deslumbrou-se até à miopia com a grandeza dos mastodontes arquitectónicos do antigo império russo ou então bebeu uns copitos de vodka a mais.

**O melhor, ao vivo e a preto e branco: Philip Jones Griffiths, Recollections.

**A surpresa, ao vivo e a cores: Reiner Riedler, Fake Holidays.

**O que não vi e gostava de ter visto: John Bulmer, Hard Sixties, l´Angleterre post-industrielle; Nathan Lerner, L`héritage du Bauhaus à Chicago; Xavier Lambours, XElles27; Werner Bischof, Images d`Après-guerre; Jackie Nickerson, Faith; Joakim Eskildsen, Voyages chez les Roms; Miguel Rio Branco, Photos Volées; Pierre Verger, L`Espagne Prémonitoire; Sarah Moon, 1-2-3-4-5; Henri Cartier-Bresson e Walker Evans, Photographier l`Amérique, 1929-1947.

**No Jeu de paume, logo de manhã, há casa cheia. Lee Miller é rainha – pelas fotografias que tirou, pelas fotografias que lhe tiraram.

**Em frente ao Centro Cultural Sueco, onde vi fotografias de Lars Tunbjörk, há um pequeno jardim onde apetece ficar muito tempo. As folhas começaram a cair e os tons de castanho parecem infinitos. O trabalho de Tunbjörk é uma imitação esforçada da crítica consumista de Martin Parr, mas não passa disso. É das heras a ganhar terreno às paredes que me vou lembrar.

14/11/2008 - 17:32h Zoom sobre o Japão

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Paris#5 (prémio)

Yao lu, New Landscape part 1 – YL01 Ancient Spring-time Fey, 2006

O prémio BMW Paris Photo deste ano (12 mil euros) foi atribuído ao chinês Yao lu, pelo trabalho New Landscape part 1 – YL01 Ancient Spring-time Fey.
Foram galardoados com menções honrosas o sueco J. H. Engström, o japonês Nobuhiro Fukumi e o norte-americano Andrew Bush. O tema proposto era Never Stand Still.

Paris#4 (o Japão e o livros)

As prateleiras dos cinco editores japoneses convidados são os espaços mais concorridos do Carrousel. Percebe-se bem porquê. Já tinha ouvido falar muito dos livros de fotografia japoneses. Mas nunca tinha sentido desta maneira e tantas vezes a intensidade que a escolha de um tipo de papel ou o desenho de um livro podem transmitir. Não é que alguma vez tivesse duvidado do que me foram segredando. O certo é que hoje pude confirmar a delícia e o privilégio que é ficar, por exemplo, com o livro de Tamotsu Fuji (Araki, luz) nas mãos, ou o de Yasumasa Morimura que ainda vou descobrir por que é que se chama Barco Negro na Mesa, assim mesmo, em português.

Não há muitos países no mundo onde as revistas e os livros joguem um papel tão importante para a fotografia. No catálogo, Mariko Takeuchi, comissário da representação nipónica, relaciona este enamoramento com a falta de um esquema de galerias ou um mercado organizado de venda de fotografia. E fala também na longa tradição japonesa nos métodos de impressão em papel que conheceu a sua época dourada durante o período Edo (1603-1867).As editoras e livrarias japonesas no Paris Photo são estas:
»»Akaaka Art Publishing
»»Little More
»»Book Shop M
»»Seigensha Art Publishing

»»Tosei-Sha

Paris#3 (notas)

Asako Narahashi, Kawaguchiko, da série half awake and half asleep in the water, 2003
© Asako Narahashi, Cortesia galeria Priska Pasquer, Colónia

**

Quem anda pela cidade não sente que este é o mês em que Paris se torna o centro do mundo na fotografia. A constelação trazida pelas galerias mais destacadas e a maior armada fotográfica japonesa alguma vez vista na Europa mereciam outra visibilidade para lá dos andares subterrâneos do Louvre.*** As revistas fotográficas digitais quase não têm representação na feira. A honra do convento é salva pelo portal de fotografia berlinense Photography Now. Em contrapartida, as revistas de fotografia em papel tem uma representação de peso e parecem que não param de aparecer novos títulos.*** No espaço da Simon Finch Rare Books (Reino Unido) a distinção para o livro mais caro pertencia a Les Joux de la Poupe, com fotografias de Hans Bellmer e textos de Paul Éluard (62,500 euros); a primeira edição de The Americans, de Robert Frank, estava a seguir (15,000).*

Paris#2 (abertura)

Kim Joon, Bird Land – Swarovski, 2008
© Cortesia Keumsan Gallery, Seul

A festa de apresentação da Paris Photo aconteceu na quarta à noite no Carrousel du Louvre. Enquanto uns festejavam outros davam os últimos retoques nos trabalhos a expor (por que raio é que nestas ocasiões arranjam sempre uns “happenings” manhosos…).
O resumo em vídeo da festa está aqui

Paris#1

Keisuke Shirota, A Sense of Distace #33, 2008
© Keisuke Shirota, cortesia Base Gallery, Tóquio

Em japonês fotografia diz-se shashin – reproduzir (sha) a verdade (shin).
Do pouco que vi hoje, a verdade está longe, se é que alguma vez se conseguiu chegar perto dela.

Post de Sérgio B. Gomes

22/10/2008 - 08:57h Governos europeus mudam foco de ajuda para estimular a economia

http://www.debom.blogger.com.br/europa_mundo.JPG

VALOR – David Gauthier-Villars, Leila Abboud, Sara Schaefer Muñoz e Mike Esterl, The Wall Street Journal, de Paris, Londres e Frankfurt

Cada vez mais receosos de que uma queda brusca no crédito bancário possa prejudicar ainda mais suas economias, governos europeus estão apresentando novas propostas para diminuir as conseqüências de uma provável recessão.

Ontem, o governo italiano informou que está elaborando um pacote de medidas para estimular a economia. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, propôs a criação de fundos soberanos para evitar que grandes empresas do continente sejam adquiridas por não-europeus a preço de pechincha e chegou a esboçar proposta de um “governo econômico” para a zona do euro.

As sugestões de Sarkozy foram feitas depois que o governo da França anunciou que vai injetar 10,5 bilhões de euros (US$ 14 bilhões) nos seis maiores bancos do país. A medida, tomada com a intenção de promover a retomada dos empréstimos bancários, demonstra a clara mudança do foco do governo, passando das instituições financeiras doentes para a economia real. O temor é que, se os bancos emprestarem menos, empresas e pessoas não vão gastar dinheiro, reduzindo a atividade econômica num período em que a maior parte das grandes economias européias parece estar rumando para a recessão.

Em outra medida para facilitar o crédito, bancos centrais europeus inundaram os mercados, ontem, com dinheiro por meio de leilões de fundos ilimitados, ajudando a baixar as taxas de juros. Leilões feitos pelo Banco Central Europeu, o Banco da Inglaterra e o Banco Nacional da Suíça ajudaram a baixar a Libor, a taxa de Londres que serve de parâmetro para empréstimos entre bancos.

Há sinais de que está cada vez mais difícil para as empresas obter financiamento. A empresa francesa de serviços públicos Veolia Environnement SA, por exemplo, havia garantido o financiamento de investidores externos para um projeto de infra-estrutura de abastecimento de água em Abu Dhabi de 400 milhões de euros. Ela foi depois informada que teria de pagar juros mais altos sobre o empréstimo. A empresa desistiu e, em vez daquele grupo, pegou financiamento do seu cliente, o emir de Abu Dhabi.

Na França, onde os bancos ficaram relativamente incólumes à crise, o financiamento para mutuários da casa própria caiu 26% no terceiro trimestre, segundo pesquisa do instituto de pesquisa Observatoire Crédit Logement e da agência CSA. A inadimplência está cada vez maior. Na Espanha, a venda de carros está em queda porque há mais requisitos para se conseguir financiamento.

Ao mesmo tempo, os bancos estão procurando ajuda direta. Ontem, no fim do dia, o Bayerische Landesbank informou que vai pedir uma injeção de capital de 5,4 bilhões de euros do fundo de resgate de 500 bilhões de euros do governo alemão, tornando-se o primeiro banco do país a levantar a mão para pedir socorro desde que o pacote de resgate foi aprovado pelo Legislativo federal, na sexta-feira.

Na Islândia, representantes do governo estão “atando pontas soltas” num pacote de resgate liderado pelo Fundo Monetário Internacional, segundo uma porta-voz informou ontem, na esperança de salvar uma economia estilhaçada pelo colapso do seu sistema bancário.

O plano francês para bancos foi uma surpresa. Na semana passada, quando governos da União Européia concordaram com um cardápio de medidas para restaurar confiança no setor financeiro, a maioria dos bancos franceses afirmou ter fundos suficientes. Mas o governo argumentou que quer que os bancos concedam mais empréstimos, a fim de que mais dinheiro flua para as empresas e famílias. A França está fazendo sua injeção de capital na condição de que os bancos se comprometam a aumentar, em 2009, o volume de crédito em 3% a 4% do total atual, de 1,85 trilhão de euros.

Autoridades francesas disseram que as injeções de capital não são um pacote de resgate. O presidente do Banco da França, Christian Noyer, disse que, em vez disso, o governo “está fornecendo o capital de que os bancos precisam para expandir sua atividade de crédito”.

Diferentemente do Reino Unido, onde o governo nacionalizou vários bancos agonizantes, o governo francês não vai receber ações das instituições financeiras que aceitarem sua ajuda. “De forma nenhuma este é um plano de resgate”, disse Baudouin Prot, diretor-presidente do BNP Paribas SA, que pretende aceitar a oferta do governo. “Assim que os mercados melhorem, devemos pagar a dívida.”

No Reino Unido já surgem diferenças entre bancos que concordaram em ceder uma fatia ao governo e outros que não. O Royal Bank of Scotland Group PLC, o Lloyds TSB Group PLC e o HBOS PLC devem receber 37 bilhões de libras esterlinas (US$ 63,5 bilhões) como parte do pacote de resgate anunciado na semana passada, enquanto o HSBC Holdings PLC e o Barclays PLC informaram que vão levantar capital por conta própria.

O plano britânico colocará membros aprovados pelo governo no conselho dos bancos e os proibirá de distribuir dividendos aos acionistas até que o governo resgate suas ações, o que analistas dizem que pode levar até cinco anos. Isso deixou alguns investidores receosos: as ações do RBS, Lloyds e HBOS caíram logo depois da notícia do plano de capitalização britânico, enquanto ações do Barclays e do HSBC subiram.

Ao longo do mês, a França anunciou uma série de medidas para apoiar sua economia. Ela também fez uma série de apelos por um plano pan-europeu de recuperação – sem muito sucesso. Ontem, Sarkozy disse a legisladores europeus, em Estrasburgo, que os 15 países que usam o euro deveriam criar um “governo econômico” para coordenar melhor suas políticas.

16/09/2008 - 17:56h Cidade de Paris: Internet para todos

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PARVI, Paris Ville Numérique, est un programme et un label sous lequel sont regroupées les initiatives de la ville visant à mettre tout le potentiel des Nouvelles Technologies de l’Information et de la Communication au service des Parisiens.
Tous les secteurs d’activité sont concernés :
- services sociaux, vie associative
- développement économique, scientifique
- administration
- citoyenneté
- affaires culturelles, écoles, etc.
Paris, Ville Numérique touche également à l’aménagement de la Ville et à au prolongement de son héritage. La première manifestation de PARVI a été la mise en place d’une série de sites Internet : Paris.fr, sites d’arrondissements, Paris Jeunesse, site de l’Office du Tourisme et des Congrès, etc. Ils permettent aux Parisiens de disposer d’une information moderne et à visée interactive. Ces sites Internet permettent aux Parisiens de mieux vivre leur environnement, d’animer leurs démarches en ligne, et fournissent toutes les informations sur la vie et les richesses culturelles de leur Ville. Le programme PARVI concerne également l’emploi avec le financement d’incubateurs et de pépinières pour de jeunes entreprises innovantes.
Récemment, on a pu voir réaffirmée par le maire devant les élus parisiens sa volonté de faire de Paris une capitale à la pointe de la vie numérique, en favorisant le développement du très haut débit et d’un service Internet universel destiné au plus grand nombre de Parisiens. Le programme PARVI vient d’intégrer de nouvelles mesures concernant les infrastructures (Fibre optique et réseau sans fil), l’accès pour tous à Internet (ordinateurs et lieux de connexion) et enfin des nouveaux usages qui seront rendus possible par le déploiement de ces réseaux. D’ici 2010, au moins 80% des immeubles parisiens seront reliés en fibre optique et l’accès au wi-fi et aux technologies de l’information et de la communication (TIC) sera démocratisé. Paris souhaite ainsi accompagner la révolution numérique qui est en cours et dont les innovations technologiques permettent aux parisiens et aux acteurs économiques de la Ville de disposer d’outils et de perspectives inédits. La disponibilité d’une offre performante et compétitive en matière de très haut débit et de mobilité est en effet un atout essentiel pour la compétitivité des entreprises implantées à Paris, TPE comme PME.

Par ailleurs, la création de 19 EPN (Espaces Publics Numérique) à ce jour a permis de lutter très efficacement contre la « fracture numérique ». Dans le cadre du programme PARVI, deux nouveaux Espaces Publics Numériques (EPN) voient le jour chaque année.
Il est important de noter que l’implication de la Mairie de Paris concerne aussi la l’utilisation de logiciels libres de droits puisque qu’elle a développé sa propre plate-forme open source, un logiciel nommé Lutèce que d’autres villes n’hésitent pas à utiliser librement.
Ce Dossier PARVI détaille toutes les opérations menées par la Ville dans le domaine des Nouvelles Technologies.

(mais…)

13/06/2008 - 19:37h Signes – Sinais

Signes  - Bonus

Crédits : Opéra national de Paris © Christian Leiber

BALLET DE L’OPÉRA

Signes – Carolyn Carlson / Olivier Debré

Sur une idée originale d’Olivier Debré

Vidéo – Signes

Signes célèbre les noces de la peinture et de la danse à travers la rencontre de deux grands artistes : le peintre Olivier Debré et la chorégraphe Carolyn Carlson. Sur la musique de René Aubry, les flamboyants paysages peints s’animent et nous plongent dans un univers où couleurs, gestes et sons se répondent secrètement. Un voyage artistique et spirituel.

06/06/2008 - 18:12h A artista que amou demais

Com esculturas, documentos pessoais e desenhos, mostra no Museu Rodin tira Camille Claudel da sombra a que foi confinada por desafiar cânones de sua época

Luiz Carlos Merten – O Estado de São Paulo

Você, se assistiu ao filme de Bruno Nuytten Camille Claudel, de 1989, deve se lembrar da cena em que a enlouquecida Isabelle Adjani destrói as obras em seu ateliê. A cena, fortíssima, deve ter contribuído para a indicação que Isabelle recebeu para o Oscar, mas seria preciso esperar até Marion Cotillard, a Piaf, neste ano, para que uma atriz, representando em francês, bisasse o prêmio da Academia de Hollywood que Simone Signoret havia recebido, falando em inglês, por Almas em Leilão, em 1959. Foi grande a comoção quando Camille Claudel irrompeu nas telas. Críticos irados viram no filme uma mistificação romântica, protofeminista, destinada a confirmar a tese absurda de que a irmã do escritor Paul Claudel, como escultora, teria sido uma artista maior do que o próprio Auguste Rodin, de quem foi amante obsessiva (e, por isso, enlouqueceu de amor, ao ser rejeitada).

Nos anos 50, uma grande exposição havia resgatado Camille Claudel (1864-1943) das sombras a que fora relegada. Outra mostra, que se realiza agora no Museu Rodin, em Paris, e vai até 20 de julho, é a prova de que a tese de Nuytten, ex-fotógrafo (e marido de Isabelle), não era furada como parecia. Frio e chuva, inesperados no verão parisiense, não impediram que extensas filas se formassem em frente do Museu Rodin no começo da semana passada. Não apenas turistas, mas os próprios franceses estão correndo para prestigiar Camille Claudel – Une Femme, Une Artiste, a maior exposição já realizada sobre a escultora. O evento compara-se, pela magnitude, à grande exposição sobre Gustave Courbet que, no começo do ano, resgatou outra glória um tanto subestimada da arte francesa (e que agora corre mundo, provocando reações de entusiasmo em toda parte).Além de suas grandes obras – e dos numerosos estudos em mármore e bronze, a título de preparativos -, a mostra de Camille Claudel reúne documentos pessoais e desenhos que ela fez ao longo de sua tumultuada carreira. Camille foi, sim, maior do que Rodin, o que em absoluto não diminui o escultor de O Pensador, mas recupera o lugar do qual ela havia sido alijada por desafiar os cânones não apenas da Academia. Os da sociedade machista do fim dos anos 1800, também

Obra de Camille Claudel “La Valse”, coleção particular, de 1895

 

 

Camille Claudel (1864-1943), em foto de 1877.
Artista inspira a mostra “Une Femme, Une Artiste”, no Museu Rodin.
Era irmã do poeta Paul Claudel e amante de Auguste Rodin, autor de “O Pensador”.

“Vertumne el Pomone”, de Camille Claudel, mármore de 1905.

 

 

Bronze e pedra para captar a alma

A grande exposição de Camille Claudel em Paris reafirma a força e a técnica superior da artista que foi tratada como louca

Luiz Carlos Merten


Camille Claudel, a mulher, a artista. A mostra no Museu Rodin divide-se em partes – Retratos de Família, O Ateliê de Rodin, La Valse e Clotho, Sakantala, L”Âge Mûr (A Idade Madura) e As Pequenas Coisas Novas. Em cada uma delas, há pelo menos uma obra-prima, e não apenas A Onda, La Vague, peça de pequeno tamanho – ao contrário de outras – que exibe três banhistas, esculpidas em bronze, prestes a serem engolidas por uma onda gigantesca que a artista criou em mármore e a unidade da peça vem justamente da disposição das figuras femininas e do movimento da onda que, em diferentes suportes, expressam o embate do humano com as forças da natureza. A Onda é quase sempre considerada a obra-prima de Camille Claudel, mas você fica em dúvida, face à riqueza descortinada pela exposição. Ela viveu com intensidade. E foi, com certeza, uma artista adiante de sua época. Num momento em que, às mulheres, era vetado o ingresso na Academia de Belas Artes, Camille começou produzindo retratos de família, que desenhava e modelava sozinha, até entrar, como estudante, no ateliê de Auguste Rodin, que já era o maior escultor da França. Ele foi o modelo de diversos desenhos e esculturas de Camille. Foi seu amante. Ela se tornou cada vez mais possessiva. A atração fatal (o desejo incontido de Camille, a repulsa de Rodin, a fratura psicológica da mulher e seu internamento num instituto psiquiátrico pelo próprio irmão e pela mãe, cansados de seus escândalos) fornecem a trama do longa realizado por Bruno Nuytten, mas o tema do filme é a genialidade (incompreendida) da artista.

link Confira galeria de fotos da mostra mais imagens

As fotos que acompanham a exposição dão conta dessa trajetória singular. Vê-se a jovem Camilla, que antecipa um pouco Isabelle Adjani; a artista mergulhada no trabalho, em seu ateliê; e a velhinha que teve apenas uma amiga, devotada e fiel, para assisti-la no longo período em que esteve internada. Camille melhor do que ninguém, numa tradição que remonta a Miguel Ângelo – tão fascinado por seu Moisés que, diante da escultura pronta, teria nela batido com o cinzel, ordenando que sua criação falasse -, conseguiu o prodígio de petrificar aquilo que seus admiradores hoje proclamam como ”os movimentos da alma”. Uma de suas peças mais admiráveis é Sakuntala, a primeira realmente narrativa e simbólica, na qual ela encara (e resolve) os problemas da composição, indo buscar inspiração no mito indiano da mulher que se perde de seu príncipe e eles só se reencontram no Nirvana. Sakuntala virou mito greco-romano e, depois, tornou-se paradigma da noção psicológica do abandono, no sentido amoroso do termo. Camille fez diferentes versões do tema. O Salmo reutiliza o rosto de Sakuntala, Vertumne et Promone introduz pequenas variações no conjunto e O Abandono vira outra de suas obras maiores, cinzeladas em bronze ou em mármore.

Também existem diferentes versões de La Valse, cujo movimento oblíquo é representativo do tipo de composição que ela gostava de criar. A peça foi elaborada em 1890 e apresentada no Salão de 1893. As diferentes versões reafirmam uma tendência da escultora – embora as diferenças sejam mínimas, a mudança de material, ou a ênfase num movimento, modificam a percepção das obras pelo observador. À vertigem do movimento segue-se a representação da dor e da morte na Idade Madura, que atinge o patetismo e, em algumas peças, metaforiza a relação com Rodin, que vira, ele próprio, a morte a arrebatar a donzela. O sommet, o ápice da exibição, pega carona na expressão de Kierkegaard, que em sua correspondência fala das ”pequenas coisas insignificantes, acidentais” que dão sentido à vida. Numa carta ao irmão, Paul, Camille também anuncia que quer experimentar ”les petites choses nouvelles”, as pequenas coisas novas. É a fase de La Vague ou Les Bagnistes, e de Profonde Pensée ou Rêve au Coeur du Feu, que vão além da representação para expressar atitudes metafísicas diante da vida.

É interessante comparar La Profonde Pensée com o Pensador, de Rodin, presente na coleção permanente do mesmo museu. O homem que viaja interiormente, com a cabeça apoiada pela mão em sua perna, vira esta mulher de joelhos, com as mãos em adoração. É a própria Camille, com certeza, imersa em pensamentos profundos, na dor que a consumia. O catálogo da exposição sustenta a tese de que ela não pôde realizar monumentos públicos nem obter, antes de 1906, quando já era tarde demais, a encomenda de um mármore ou de um bronze que permitiria a sua entrada no círculo dos artistas reconhecidos. Mas Camille teve os seus mecenas – os Rothschild e a Condessa de Maigret, para quem ela executou a versão em mármore de Sakuntala. A derradeira obra-prima, Niobide Blessée, é mais uma variação da figura feminina de Sakuntala, que tanto obcecava a escultora. Uma das pérolas da exposição não é nenhuma escultura, mas uma folha escrita pela própria Camille, quando jovem, na qual ela revela suas aspirações e preferências. Qual é a maior virtude do homem? Aprender com a mulher. Qual é a maior virtude da mulher? Ensinar o homem. Personagem masculino preferido? Ricardo III. Personagem feminina? Lady Macbeth. Se não fosse você, o que gostaria de ser? Um cavalo de fiacre. A indomável Camille Claudel queria ser domesticada.

Tão grande personagem encontrou em Isabelle Adjani a intérprete definitiva no cinema. Lançada por François Truffaut na pele de outra heroína obsessiva – Adele H, a filha de Victor Hugo -, Isabelle rapidamente se converteu em mito. Em 1987, com a carreira no auge, ela revelou que se chamava Yasmine, era filha de pai argelino e mãe alemã. A combinação incômoda para a maioria silenciosa francesa desencadeou uma reação imediata. Surgiram rumores de que Isabelle estaria morrendo de aids. Ela precisou ir à TV para provar que não. Como redatora-chefe de uma edição especial de Figaro Magazine, Isabelle, em seguida, entrevistou o então presidente Jacques Chirac, o que a tornou non grata para a esquerda bem pensante da França. Além de aidética, seria ”chiraquista”. Odiada à esquerda e à direita, Isabelle ameaçava ir para o limbo. Salvou-a Camille Claudel. Há quase 20 anos, não foi só com a personagem histórica que a França se reconciliou, mas com uma de suas maiores atrizes.

04/06/2008 - 21:55h Mais cinema brasileiro em Paris

por Mário Camera – Blog À Francesa

O cinema brasileiro continua tomando conta de Paris. Depois do Festival du Cinéma Brésilien, chegou a vez do “Brésil en Mouvements” e do “Nossas Novas”.

O “Brésil en Mouvements” é uma mostra politizada, que apresenta projeções seguidas por debates sobre direitos humanos, meio ambiente e questões sociais no Brasil. A 4ª edição começa hoje e vai até o dia oito.

A iniciativa é da Autres Brésils, associação que promove discussões em torno da atual situação social no Brasil, fugindo da santíssima trindade dos clichês sobre o país: bunda-samba-praia. A responsável por tudo é a Érika Campelo, jornalista que eu conheci há dois anos, quando comecei na rádio. Foi com a Érica que fiz o meu primeiro “ao vivo”, durante o fatídico França-Brasil da última Copa.
Além disso, o Brésil en Mouvements tem os melhores cartazes de todos os festivais de cinema brasileiro que eu já vi.

 

Brèsil en Mouvement/Divulgação

Cinema também no “Nossas Novas”, que tem apoio da universidade Paris VIII e no próximo domingo inaugura sua primeira edição trazendo curtas e longas brasileiros a Paris. Os documentários são, em sua maioria, produções independentes recentes.
O festival é organizado pelo coletivo Vira Lata, formado por estudantes brasileiros na França e capitaneado pela mineira Telena Teles, que conheci, primeiro, pelos pães de queijo preparados por ela e, depois, em volta de uma garrafa de vinho “bon marché”, em uma dessas noites que nunca acabam quando estou em sua casa.

Festival Nossas Novas/Divulgação

Para a programação:

Brésil en Mouvements
Nossas Novas

23/05/2008 - 11:09h Greve geral é novo golpe para Sarkozy

Paralisação convocada por maiores centrais sindicais protesta contra plano de aumentar tempo de contribuição para aposentadoria

Apesar de adesão parcial, organizadores dizem que 700 mil foram às ruas; atos têm o apoio de 60% da população, afirma enquete


Manifestantes protestam em Paris contra projeto do governo de aumentar o tempo de contribuição para a aposentadoria na França

CÍNTIA CARDOSO

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM PARIS

Centenas de milhares de franceses pararam de trabalhar e saíram às ruas ontem contra o projeto do governo de Nicolas Sarkozy de aumentar de 40 para 41 anos o tempo de contribuição para a aposentadoria. As cinco principais centrais sindicais do país convocaram greve geral e protestos disseminados.

A CGT, principal entidade sindical, estimou em 700 mil os manifestantes que saíram às ruas para protestar. Só em Paris, dizem terem sido 70 mil -já a polícia fala em 28 mil.

O governo francês argumenta que a combinação do déficit das contas públicas e o aumento da esperança de vida da população torna imprescindível a mudança no sistema previdenciário. O regime único de aposentadoria tem um rombo de 4,6 bilhões.

Uma sondagem divulgada pelo jornal “Libération” mostra que 60% dos entrevistados apóiam a greve de ontem e 36% são contra. Os franceses, no entanto, estão divididos quanto à necessidade de reformas.

Para 49%, inevitavelmente a França será obrigada a adotar um regime de aposentadoria inspirado do modelo americano. Ou seja, onde cada empregado é responsável pelo pagamento de sua própria aposentadoria.

Paradoxalmente, apenas 22% concordam com um período mais longo de contribuição. O engenheiro de sistemas Samuel Marchand é um dos partidários da mudança. “Eu comecei a contribuir aos 25 anos. Acho justo ter que contribuir mais tempo, mas me preocupo com a questão do desemprego na faixa dos 50 anos. Não adianta nada eu ter disposição para trabalhar e perder o emprego quando ficar mais velho”, afirmou.
Essa , aliás, parece ser uma das principais preocupações de Xavier Bertrand, ministro do Trabalho. O governo determinou que, até o fim de 2009, as empresas assinem acordos de compromisso para aumentar a participação de empregados entre 55 e 64 anos.

O gesto, entretanto, não foi suficiente para acalmar os ânimos. As centrais argumentam que é injusto elevar os anos de contribuição com base em cálculos da expectativa de vida porque um operário vive, em média, menos tempo do que um executivo.

Uma das centrais, a CFDT, apóia o princípio de prolongamento da contribuição, mas afirma que é inútil passar de 40 anos para 41 anos com uma taxa de emprego de apenas 38% entre os trabalhadores entre 55 e 64 anos. Já as centrais CGT e FO discordam das propostas do governo. Esse cisma sindicalista parece ter sido sentido na taxa de adesão à greve. A média nacional entre os funcionários públicos foi de 8%, chegando a 25% em alguns setores, como o ferroviário.

Os representantes sindicais, porém, minimizaram esses dados. Em comunicado, as centrais afirmaram que o mais importante foi a mobilização nas ruas. Além da manifestação na praça da Bastilha, em Paris, também foram realizados protestos em outras 80 cidades. (leia mais na Folha SP)

saiba mais

Apoio cai entre população e partidários

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

As greves na França ocorrem em um momento em que o presidente Nicolas Sarkozy enfrenta dificuldades para melhorar sua popularidade. Pouco mais de um ano após subir ao poder, sondagem divulgada pelo instituto Ipsos revela que só 40% dos entrevistados aprovam o governo, contra 58% de julgamentos desfavoráveis.
Esses percentuais são próximos aos verificados em abril. No governo havia a expectativa que, após a entrevista televisiva em 24 de abril, houvesse uma recuperação dos índices.
No centro do descontentamento, está o poder aquisitivo em queda ou estagnado. Sarkozy, na campanha, fez da promessa de recuperação da economia o pilar do seu discurso. Mas o balanço dos últimos 12 meses mostra uma economia morosa sob um cenário internacional adverso de alta do petróleo. As reformas propostas pelo presidente, potencialmente impopulares, tornam-se ainda mais indigestas com uma economia lenta.
A personalidade de Sarkozy também afeta a opinião publica. Os franceses parecem ter enjoado da superexposição de sua vida pessoal, das amizades com milionários e da aparição freqüente em revistas de celebridades.
Os baixos índices resvalam no premiê, François Fillon, que vê o sua aprovação, hoje em 50%, seguir uma trajetória de queda.
Não bastassem os dissabores da opinião pública, Sarkozy passa por uma crise dentro do próprio partido. Projeto de lei de regulamentação de organismos geneticamente modificados foi derrotado no Parlamento com o apoio do UMP, e grandes nomes de sua bancada, como o ex-premiê Jean-Pierre Raffarin, criticam abertamente o presidente por tentar passar reformas sem consultar o partido.
Com esse clima, Sarkozy antevê dificuldades para passar projetos mais difíceis -como a abolição da jornada de 35 horas. (CC)

12/05/2008 - 17:20h L’année 1968 en photographies

A Saïgon, le 1er février 1968, alors que débute “l’offensive du Têt”, le chef de la police sud-vietnamienne exécute d’une balle dans la tête un officier communiste. Cette photo vaut à son auteur, Eddie Adams, le prix Pulitzer.

Le 31 janvier 1968, la nuit du Nouvel An lunaire, les soldats nord-vietnamiens communistes du Front national de libération se lancent à l’assaut des villes du Sud-Vietnam et encerclent les principales bases américaines à Huê et Khe Sanh. C’est un échec militaire pour le FNL, mais une victoire politique. Les Américains se rendent compte qu’une victoire rapide au Vietnam est hors de portée.

(mais…)

12/05/2008 - 08:41h Maio 68: Um ano que continua a resistir a qualquer teoria ou interpretação

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No campo da memória, cada pessoa colore os eventos de Maio de 68 com os próprios pincéis

Gilles Lapouge – O Estado de São Paulo

Estamos em maio, esse belo mês, com sua suave luminosidade, os lírios do campo, o verde, as rosas e, como acontece a cada dez anos, as comemorações do Maio de 68, as amplas revoltas estudantis que não conseguiram demolir o governo francês mais poderoso e mais respeitável do século, o governo do general De Gaulle.

Nenhuma cerimônia de aniversário, mas muitas reuniões, artigos, livros, um “espírito da época”. Por que tantos discursos? Em primeiro lugar, porque 40 anos se passaram. Um lapso de tempo que dá àqueles eventos um “ar histórico”.

Além disso, o presidente Nicolas Sarkozy, quando ainda era um homem “glorioso” e não um “ineficaz” (ou seja, há um ano), definiu-se como “o homem que ia liquidar Maio de 68”. Bravo Nicolas! (alguns meses depois, Sarkozy casou-se com uma espécie de ressurreição dos estudantes de Maio de 68, a bela Carla Bruni, “queridinha” da “esquerda festiva”, superlativamente).

E, de novo, percebe-se que Maio de 68 continua rebelde a todas as interpretações, teorias e recuperações. Cada um colore Maio de 68 com os próprios pincéis, com cores que, segundo o caso, são ou anarquistas, ou festivas, utópicas, tirânicas, sexuais, dirigistas, individualistas, comunitárias, etc.

mai68.jpgMaio de 68 é um episódio incompreensível sobre o qual todos os modelos apenas resvalam. Mesmo com 40 anos de distância, ninguém sabe realmente o que foi exatamente. É um “objeto histórico não identificado”, não identificável; não se parece com nada. E nada do que se faz ou do que se pensa hoje poderia se dizer que é um eco, um reflexo, mesmo deformado, de Maio de 68.

Por exemplo, hoje, nesta primavera de 2008, as ruas de Paris ferveram, com alunos, estudantes, professores, gritando. Imediatamente, os jornais evocaram uma espécie de “prolongamento” ou um obscuro “retorno” de Maio de 68. Ora, basta ouvir os slogans gritados hoje para compreender que são antípodas daqueles de 68.

Em Maio de 68, os estudantes se manifestaram contra a disciplina, contra os mestres que impunham uma ordem austera, contra as faculdades onde os professores, os “mandarins”, davam seus cursos em toga e arminho. Maio de 68 queria, ao contrário, que as obrigações e as lições desaparecessem, que os exames fossem abolidos, que os professores se recolhessem no seu canto, que as idéias se fizessem sozinhas, por partenogênese, por qualquer um e por todo o mundo.

Em 2008, os netos dos magníficos doidivanas de 68 são sérios como cardeais. Invadem a rua para reclamar o contrário da liberdade cara a seus “jovens avós” de 1968: eles querem mais professores, mais lições para “decorar”, mais disciplina, mais exames, mais seriedade.

Os manifestantes de 68 eram alegres como as borboletas, os loucos, os malabaristas. Os de 2008 são circunspectos, angustiados. Têm medo de seus estudos, da profissão que não vão encontrar, da sociedade macilenta que os aguarda.

Salvo alguns casos um pouco patológicos, os estudantes de 2008 não falam em revolução, mas de ordem, regulamentos. Empreendem um combate corporativista, sem jamais questionar as estruturas da sociedade presente. Querem apenas melhorar as engrenagens e, sobretudo, que os mestres os façam trabalhar, que os preparem para a sua futura inserção, sem dramas, na sociedade liberal.

Em Maio de 68, o termo “revolução” estava em todas as bocas. E cada grupo desse “conjunto em fusão”, como disse Sartre, produzia o próprio modelo de revolução. Cada um tentava trazer novamente à tona uma antiga revolução fracassada ou subvertida.

Era a “tomada da Bastilha” em 1789, Lenin dançando na neve de Moscou em 1905 durante a revolução bolchevique (fracassada), ou a Comuna de Paris (anarquista) em 1871, a revolução literária do surrealismo em 1920, ou mesmo a revolução de Mao Tsé-tung.

Por isso, houve tantas barricadas nas ruas de Paris: como os estudantes souberam que, em julho de 1848, e na primavera de 1871, os insurgentes erigiram barricadas com paralelepípedos, resolveram fazer a mesma coisa, numa imitação um tanto supersticiosa e nostálgica, atirando-os contra os pobres policiais.

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Mas, mesmo quando invocavam esta ou aquela antiga revolução, torciam o seu sentido. Era uma referência mais “literária” do que “política”. Maio de 68 não pretendia tanto repensar a sociedade, mas mudar a visão do mundo, inventar uma nova filosofia. Os estudantes apostavam que, após a sua revolução, uma outra sociedade, como nunca houve até então na história, aliás bastante imprecisa, seria construída com base naquela nova visão do homem.

Por isso, a herança mais concreta de 1968 se inscreve menos no âmbito da política e mais no campo dos costumes, quase da filosofia. A primeira centelha de Maio de 68 não foi uma reivindicação financeira ou de uma alternativa à sociedade capitalista: foi um pedido apresentado pelos estudantes para se permitir que os rapazes fossem ao quarto das meninas no campus da universidade de Nanterre.

E o mesmo para convidar os professores das faculdades a sacudirem a poeira na qual dormitavam há dois séculos, a virem se juntar à “modernidade”. Pouco tempo depois de Maio de 68, assistimos a um espetáculo extraordinário: um professor chegou à sala de aula em “jeans” (da marca Lévi Strauss 501, aliás impecável), na faculdade revolucionária de Vincennes. Era o grande lingüista americano Noam Chomsky.

Inútil dizer que as mudanças desencadeadas por Maio de 68 em relação aos costumes, no cotidiano, na “visão do mundo”, são uma das maiores heranças desse mês extraordinário: a permissão de as mulheres usarem calças compridas, a fraternidade, a simplicidade, a liberação sexual, o direito ao aborto, o reconhecimento dos casais homossexuais, tudo isso foi efeito direto, às vezes tardio, de 68.

Com os dias passando, esse movimento lúdico constatou com espanto que aquela agitação se comunicava por si só: de amigo para amigo, ela foi para outras universidades e depois passou para a França inteira e foi além. Os estudantes viram que, sem que fosse aquele o objetivo, tinham adquirido um enorme contrapoder que fez vacilar o majestoso e brilhante general De Gaulle.

A palavra até então acorrentada se soltou, como louca, meio embriagada. Todo mundo falava com todo mundo. As barreiras sociais, cívicas, educacionais, geracionais, os códigos glaciais de comportamento, tudo desmoronou… Paris falava, falava, como um ébrio. Falava-se qualquer coisa, uma profusão de besteiras e algumas idéias inspiradas.

Com o passar do tempo, conceitos mais nitidamente políticos se insinuaram, tanto mais que o movimento se ampliou de tal maneira que contagiou outras classes, além da estudantil: operários, patrões, médicos, cineastas, todo o mundo. O movimento, ao crescer, se politizou.

E desse segundo capítulo, mais político, o que restou? Aparentemente nada. A sociedade se reconstituiu com seus altos edifícios, suas cidadelas, seus softwares. Ela se desenvolveu ao contrário das esperanças de 68, com Reagan, Thatcher, a ordem moral, etc…

Mas, na realidade, assim mesmo Maio de 68 se inscreveu na “política”. Para mim, um dos momentos mais bizarros dessas jornadas bizarras foi o grande desfile organizado no coração de Paris, em torno da praça Denfert-Rochereau.

Era um início de tarde. Nessa praça há uma estátua de um grande leão de bronze. Os manifestantes afluem de todas as partes, em grupos distintos: libertários, poetas, comunistas, vândalos, maoístas, arruaceiros, anarquistas, tipos divertidos.

Um jovem escala a estátua do leão. É um ruivo. Chama-se Daniel Cohn-Bendit. Parece um duende. É ele quem vai organizar o imenso cortejo. Com um megafone, chama os diferentes grupos: libertários, “fourieristas”, trotskistas, etc. E termina, gritando: “… e a crápula stalinista, no fim do cortejo!” Nesse dia, alguma coisa se passou no fundo das consciências. Maio de 68 permitia à juventude, pela primeira vez e solenemente, ser ao mesmo tempo “de esquerda” (pois Maio de 68 foi um movimento de esquerda) e, no entanto, ferozmente anti-stalinista, anticomunista, anti-soviética.

Não vamos dizer que Maio de 68 prefigurou os tremores de terra que se verificaram 20 anos depois e que derrubaram a fortaleza soviética. Pelo menos, precisamos reconhecer que, nessa ocasião, esses revoltosos, um pouco loucos e um pouco infantis, de Maio de 68, alguns dias antes de serem rechaçados ao seu silêncio pelo retorno triunfal de De Gaulle, pressentiram os enormes abalos que se seguiram, do arquipélago de Gulag às pregações do papa João Paulo II, da glasnost de Gorbachev às revoltas, também corajosas e grandiosas, das populações de Varsóvia ou de Berlim Oriental, cujo resultado seria a morte do comunismo, nos anos 90.