16/09/2008 - 17:56h Cidade de Paris: Internet para todos

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PARVI, Paris Ville Numérique, est un programme et un label sous lequel sont regroupées les initiatives de la ville visant à mettre tout le potentiel des Nouvelles Technologies de l’Information et de la Communication au service des Parisiens.
Tous les secteurs d’activité sont concernés :
- services sociaux, vie associative
- développement économique, scientifique
- administration
- citoyenneté
- affaires culturelles, écoles, etc.
Paris, Ville Numérique touche également à l’aménagement de la Ville et à au prolongement de son héritage. La première manifestation de PARVI a été la mise en place d’une série de sites Internet : Paris.fr, sites d’arrondissements, Paris Jeunesse, site de l’Office du Tourisme et des Congrès, etc. Ils permettent aux Parisiens de disposer d’une information moderne et à visée interactive. Ces sites Internet permettent aux Parisiens de mieux vivre leur environnement, d’animer leurs démarches en ligne, et fournissent toutes les informations sur la vie et les richesses culturelles de leur Ville. Le programme PARVI concerne également l’emploi avec le financement d’incubateurs et de pépinières pour de jeunes entreprises innovantes.
Récemment, on a pu voir réaffirmée par le maire devant les élus parisiens sa volonté de faire de Paris une capitale à la pointe de la vie numérique, en favorisant le développement du très haut débit et d’un service Internet universel destiné au plus grand nombre de Parisiens. Le programme PARVI vient d’intégrer de nouvelles mesures concernant les infrastructures (Fibre optique et réseau sans fil), l’accès pour tous à Internet (ordinateurs et lieux de connexion) et enfin des nouveaux usages qui seront rendus possible par le déploiement de ces réseaux. D’ici 2010, au moins 80% des immeubles parisiens seront reliés en fibre optique et l’accès au wi-fi et aux technologies de l’information et de la communication (TIC) sera démocratisé. Paris souhaite ainsi accompagner la révolution numérique qui est en cours et dont les innovations technologiques permettent aux parisiens et aux acteurs économiques de la Ville de disposer d’outils et de perspectives inédits. La disponibilité d’une offre performante et compétitive en matière de très haut débit et de mobilité est en effet un atout essentiel pour la compétitivité des entreprises implantées à Paris, TPE comme PME.

Par ailleurs, la création de 19 EPN (Espaces Publics Numérique) à ce jour a permis de lutter très efficacement contre la « fracture numérique ». Dans le cadre du programme PARVI, deux nouveaux Espaces Publics Numériques (EPN) voient le jour chaque année.
Il est important de noter que l’implication de la Mairie de Paris concerne aussi la l’utilisation de logiciels libres de droits puisque qu’elle a développé sa propre plate-forme open source, un logiciel nommé Lutèce que d’autres villes n’hésitent pas à utiliser librement.
Ce Dossier PARVI détaille toutes les opérations menées par la Ville dans le domaine des Nouvelles Technologies.

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13/06/2008 - 19:37h Signes - Sinais

Signes  - Bonus

Crédits : Opéra national de Paris © Christian Leiber

BALLET DE L’OPÉRA

Signes - Carolyn Carlson / Olivier Debré

Sur une idée originale d’Olivier Debré

Vidéo - Signes

Signes célèbre les noces de la peinture et de la danse à travers la rencontre de deux grands artistes : le peintre Olivier Debré et la chorégraphe Carolyn Carlson. Sur la musique de René Aubry, les flamboyants paysages peints s’animent et nous plongent dans un univers où couleurs, gestes et sons se répondent secrètement. Un voyage artistique et spirituel.

06/06/2008 - 18:12h A artista que amou demais

Com esculturas, documentos pessoais e desenhos, mostra no Museu Rodin tira Camille Claudel da sombra a que foi confinada por desafiar cânones de sua época

Luiz Carlos Merten - O Estado de São Paulo

Você, se assistiu ao filme de Bruno Nuytten Camille Claudel, de 1989, deve se lembrar da cena em que a enlouquecida Isabelle Adjani destrói as obras em seu ateliê. A cena, fortíssima, deve ter contribuído para a indicação que Isabelle recebeu para o Oscar, mas seria preciso esperar até Marion Cotillard, a Piaf, neste ano, para que uma atriz, representando em francês, bisasse o prêmio da Academia de Hollywood que Simone Signoret havia recebido, falando em inglês, por Almas em Leilão, em 1959. Foi grande a comoção quando Camille Claudel irrompeu nas telas. Críticos irados viram no filme uma mistificação romântica, protofeminista, destinada a confirmar a tese absurda de que a irmã do escritor Paul Claudel, como escultora, teria sido uma artista maior do que o próprio Auguste Rodin, de quem foi amante obsessiva (e, por isso, enlouqueceu de amor, ao ser rejeitada).

Nos anos 50, uma grande exposição havia resgatado Camille Claudel (1864-1943) das sombras a que fora relegada. Outra mostra, que se realiza agora no Museu Rodin, em Paris, e vai até 20 de julho, é a prova de que a tese de Nuytten, ex-fotógrafo (e marido de Isabelle), não era furada como parecia. Frio e chuva, inesperados no verão parisiense, não impediram que extensas filas se formassem em frente do Museu Rodin no começo da semana passada. Não apenas turistas, mas os próprios franceses estão correndo para prestigiar Camille Claudel - Une Femme, Une Artiste, a maior exposição já realizada sobre a escultora. O evento compara-se, pela magnitude, à grande exposição sobre Gustave Courbet que, no começo do ano, resgatou outra glória um tanto subestimada da arte francesa (e que agora corre mundo, provocando reações de entusiasmo em toda parte).Além de suas grandes obras - e dos numerosos estudos em mármore e bronze, a título de preparativos -, a mostra de Camille Claudel reúne documentos pessoais e desenhos que ela fez ao longo de sua tumultuada carreira. Camille foi, sim, maior do que Rodin, o que em absoluto não diminui o escultor de O Pensador, mas recupera o lugar do qual ela havia sido alijada por desafiar os cânones não apenas da Academia. Os da sociedade machista do fim dos anos 1800, também

Obra de Camille Claudel “La Valse”, coleção particular, de 1895

 

 

Camille Claudel (1864-1943), em foto de 1877.
Artista inspira a mostra “Une Femme, Une Artiste”, no Museu Rodin.
Era irmã do poeta Paul Claudel e amante de Auguste Rodin, autor de “O Pensador”.

“Vertumne el Pomone”, de Camille Claudel, mármore de 1905.

 

 

Bronze e pedra para captar a alma

A grande exposição de Camille Claudel em Paris reafirma a força e a técnica superior da artista que foi tratada como louca

Luiz Carlos Merten


Camille Claudel, a mulher, a artista. A mostra no Museu Rodin divide-se em partes - Retratos de Família, O Ateliê de Rodin, La Valse e Clotho, Sakantala, L”Âge Mûr (A Idade Madura) e As Pequenas Coisas Novas. Em cada uma delas, há pelo menos uma obra-prima, e não apenas A Onda, La Vague, peça de pequeno tamanho - ao contrário de outras - que exibe três banhistas, esculpidas em bronze, prestes a serem engolidas por uma onda gigantesca que a artista criou em mármore e a unidade da peça vem justamente da disposição das figuras femininas e do movimento da onda que, em diferentes suportes, expressam o embate do humano com as forças da natureza. A Onda é quase sempre considerada a obra-prima de Camille Claudel, mas você fica em dúvida, face à riqueza descortinada pela exposição. Ela viveu com intensidade. E foi, com certeza, uma artista adiante de sua época. Num momento em que, às mulheres, era vetado o ingresso na Academia de Belas Artes, Camille começou produzindo retratos de família, que desenhava e modelava sozinha, até entrar, como estudante, no ateliê de Auguste Rodin, que já era o maior escultor da França. Ele foi o modelo de diversos desenhos e esculturas de Camille. Foi seu amante. Ela se tornou cada vez mais possessiva. A atração fatal (o desejo incontido de Camille, a repulsa de Rodin, a fratura psicológica da mulher e seu internamento num instituto psiquiátrico pelo próprio irmão e pela mãe, cansados de seus escândalos) fornecem a trama do longa realizado por Bruno Nuytten, mas o tema do filme é a genialidade (incompreendida) da artista.

link Confira galeria de fotos da mostra mais imagens

As fotos que acompanham a exposição dão conta dessa trajetória singular. Vê-se a jovem Camilla, que antecipa um pouco Isabelle Adjani; a artista mergulhada no trabalho, em seu ateliê; e a velhinha que teve apenas uma amiga, devotada e fiel, para assisti-la no longo período em que esteve internada. Camille melhor do que ninguém, numa tradição que remonta a Miguel Ângelo - tão fascinado por seu Moisés que, diante da escultura pronta, teria nela batido com o cinzel, ordenando que sua criação falasse -, conseguiu o prodígio de petrificar aquilo que seus admiradores hoje proclamam como ”os movimentos da alma”. Uma de suas peças mais admiráveis é Sakuntala, a primeira realmente narrativa e simbólica, na qual ela encara (e resolve) os problemas da composição, indo buscar inspiração no mito indiano da mulher que se perde de seu príncipe e eles só se reencontram no Nirvana. Sakuntala virou mito greco-romano e, depois, tornou-se paradigma da noção psicológica do abandono, no sentido amoroso do termo. Camille fez diferentes versões do tema. O Salmo reutiliza o rosto de Sakuntala, Vertumne et Promone introduz pequenas variações no conjunto e O Abandono vira outra de suas obras maiores, cinzeladas em bronze ou em mármore.

Também existem diferentes versões de La Valse, cujo movimento oblíquo é representativo do tipo de composição que ela gostava de criar. A peça foi elaborada em 1890 e apresentada no Salão de 1893. As diferentes versões reafirmam uma tendência da escultora - embora as diferenças sejam mínimas, a mudança de material, ou a ênfase num movimento, modificam a percepção das obras pelo observador. À vertigem do movimento segue-se a representação da dor e da morte na Idade Madura, que atinge o patetismo e, em algumas peças, metaforiza a relação com Rodin, que vira, ele próprio, a morte a arrebatar a donzela. O sommet, o ápice da exibição, pega carona na expressão de Kierkegaard, que em sua correspondência fala das ”pequenas coisas insignificantes, acidentais” que dão sentido à vida. Numa carta ao irmão, Paul, Camille também anuncia que quer experimentar ”les petites choses nouvelles”, as pequenas coisas novas. É a fase de La Vague ou Les Bagnistes, e de Profonde Pensée ou Rêve au Coeur du Feu, que vão além da representação para expressar atitudes metafísicas diante da vida.

É interessante comparar La Profonde Pensée com o Pensador, de Rodin, presente na coleção permanente do mesmo museu. O homem que viaja interiormente, com a cabeça apoiada pela mão em sua perna, vira esta mulher de joelhos, com as mãos em adoração. É a própria Camille, com certeza, imersa em pensamentos profundos, na dor que a consumia. O catálogo da exposição sustenta a tese de que ela não pôde realizar monumentos públicos nem obter, antes de 1906, quando já era tarde demais, a encomenda de um mármore ou de um bronze que permitiria a sua entrada no círculo dos artistas reconhecidos. Mas Camille teve os seus mecenas - os Rothschild e a Condessa de Maigret, para quem ela executou a versão em mármore de Sakuntala. A derradeira obra-prima, Niobide Blessée, é mais uma variação da figura feminina de Sakuntala, que tanto obcecava a escultora. Uma das pérolas da exposição não é nenhuma escultura, mas uma folha escrita pela própria Camille, quando jovem, na qual ela revela suas aspirações e preferências. Qual é a maior virtude do homem? Aprender com a mulher. Qual é a maior virtude da mulher? Ensinar o homem. Personagem masculino preferido? Ricardo III. Personagem feminina? Lady Macbeth. Se não fosse você, o que gostaria de ser? Um cavalo de fiacre. A indomável Camille Claudel queria ser domesticada.

Tão grande personagem encontrou em Isabelle Adjani a intérprete definitiva no cinema. Lançada por François Truffaut na pele de outra heroína obsessiva - Adele H, a filha de Victor Hugo -, Isabelle rapidamente se converteu em mito. Em 1987, com a carreira no auge, ela revelou que se chamava Yasmine, era filha de pai argelino e mãe alemã. A combinação incômoda para a maioria silenciosa francesa desencadeou uma reação imediata. Surgiram rumores de que Isabelle estaria morrendo de aids. Ela precisou ir à TV para provar que não. Como redatora-chefe de uma edição especial de Figaro Magazine, Isabelle, em seguida, entrevistou o então presidente Jacques Chirac, o que a tornou non grata para a esquerda bem pensante da França. Além de aidética, seria ”chiraquista”. Odiada à esquerda e à direita, Isabelle ameaçava ir para o limbo. Salvou-a Camille Claudel. Há quase 20 anos, não foi só com a personagem histórica que a França se reconciliou, mas com uma de suas maiores atrizes.

04/06/2008 - 21:55h Mais cinema brasileiro em Paris

por Mário Camera - Blog À Francesa

O cinema brasileiro continua tomando conta de Paris. Depois do Festival du Cinéma Brésilien, chegou a vez do “Brésil en Mouvements” e do “Nossas Novas”.

O “Brésil en Mouvements” é uma mostra politizada, que apresenta projeções seguidas por debates sobre direitos humanos, meio ambiente e questões sociais no Brasil. A 4ª edição começa hoje e vai até o dia oito.

A iniciativa é da Autres Brésils, associação que promove discussões em torno da atual situação social no Brasil, fugindo da santíssima trindade dos clichês sobre o país: bunda-samba-praia. A responsável por tudo é a Érika Campelo, jornalista que eu conheci há dois anos, quando comecei na rádio. Foi com a Érica que fiz o meu primeiro “ao vivo”, durante o fatídico França-Brasil da última Copa.
Além disso, o Brésil en Mouvements tem os melhores cartazes de todos os festivais de cinema brasileiro que eu já vi.

 

Brèsil en Mouvement/Divulgação

Cinema também no “Nossas Novas”, que tem apoio da universidade Paris VIII e no próximo domingo inaugura sua primeira edição trazendo curtas e longas brasileiros a Paris. Os documentários são, em sua maioria, produções independentes recentes.
O festival é organizado pelo coletivo Vira Lata, formado por estudantes brasileiros na França e capitaneado pela mineira Telena Teles, que conheci, primeiro, pelos pães de queijo preparados por ela e, depois, em volta de uma garrafa de vinho “bon marché”, em uma dessas noites que nunca acabam quando estou em sua casa.

Festival Nossas Novas/Divulgação

Para a programação:

Brésil en Mouvements
Nossas Novas

23/05/2008 - 11:09h Greve geral é novo golpe para Sarkozy

Paralisação convocada por maiores centrais sindicais protesta contra plano de aumentar tempo de contribuição para aposentadoria

Apesar de adesão parcial, organizadores dizem que 700 mil foram às ruas; atos têm o apoio de 60% da população, afirma enquete


Manifestantes protestam em Paris contra projeto do governo de aumentar o tempo de contribuição para a aposentadoria na França

CÍNTIA CARDOSO

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM PARIS

Centenas de milhares de franceses pararam de trabalhar e saíram às ruas ontem contra o projeto do governo de Nicolas Sarkozy de aumentar de 40 para 41 anos o tempo de contribuição para a aposentadoria. As cinco principais centrais sindicais do país convocaram greve geral e protestos disseminados.

A CGT, principal entidade sindical, estimou em 700 mil os manifestantes que saíram às ruas para protestar. Só em Paris, dizem terem sido 70 mil -já a polícia fala em 28 mil.

O governo francês argumenta que a combinação do déficit das contas públicas e o aumento da esperança de vida da população torna imprescindível a mudança no sistema previdenciário. O regime único de aposentadoria tem um rombo de 4,6 bilhões.

Uma sondagem divulgada pelo jornal “Libération” mostra que 60% dos entrevistados apóiam a greve de ontem e 36% são contra. Os franceses, no entanto, estão divididos quanto à necessidade de reformas.

Para 49%, inevitavelmente a França será obrigada a adotar um regime de aposentadoria inspirado do modelo americano. Ou seja, onde cada empregado é responsável pelo pagamento de sua própria aposentadoria.

Paradoxalmente, apenas 22% concordam com um período mais longo de contribuição. O engenheiro de sistemas Samuel Marchand é um dos partidários da mudança. “Eu comecei a contribuir aos 25 anos. Acho justo ter que contribuir mais tempo, mas me preocupo com a questão do desemprego na faixa dos 50 anos. Não adianta nada eu ter disposição para trabalhar e perder o emprego quando ficar mais velho”, afirmou.
Essa , aliás, parece ser uma das principais preocupações de Xavier Bertrand, ministro do Trabalho. O governo determinou que, até o fim de 2009, as empresas assinem acordos de compromisso para aumentar a participação de empregados entre 55 e 64 anos.

O gesto, entretanto, não foi suficiente para acalmar os ânimos. As centrais argumentam que é injusto elevar os anos de contribuição com base em cálculos da expectativa de vida porque um operário vive, em média, menos tempo do que um executivo.

Uma das centrais, a CFDT, apóia o princípio de prolongamento da contribuição, mas afirma que é inútil passar de 40 anos para 41 anos com uma taxa de emprego de apenas 38% entre os trabalhadores entre 55 e 64 anos. Já as centrais CGT e FO discordam das propostas do governo. Esse cisma sindicalista parece ter sido sentido na taxa de adesão à greve. A média nacional entre os funcionários públicos foi de 8%, chegando a 25% em alguns setores, como o ferroviário.

Os representantes sindicais, porém, minimizaram esses dados. Em comunicado, as centrais afirmaram que o mais importante foi a mobilização nas ruas. Além da manifestação na praça da Bastilha, em Paris, também foram realizados protestos em outras 80 cidades. (leia mais na Folha SP)

saiba mais

Apoio cai entre população e partidários

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

As greves na França ocorrem em um momento em que o presidente Nicolas Sarkozy enfrenta dificuldades para melhorar sua popularidade. Pouco mais de um ano após subir ao poder, sondagem divulgada pelo instituto Ipsos revela que só 40% dos entrevistados aprovam o governo, contra 58% de julgamentos desfavoráveis.
Esses percentuais são próximos aos verificados em abril. No governo havia a expectativa que, após a entrevista televisiva em 24 de abril, houvesse uma recuperação dos índices.
No centro do descontentamento, está o poder aquisitivo em queda ou estagnado. Sarkozy, na campanha, fez da promessa de recuperação da economia o pilar do seu discurso. Mas o balanço dos últimos 12 meses mostra uma economia morosa sob um cenário internacional adverso de alta do petróleo. As reformas propostas pelo presidente, potencialmente impopulares, tornam-se ainda mais indigestas com uma economia lenta.
A personalidade de Sarkozy também afeta a opinião publica. Os franceses parecem ter enjoado da superexposição de sua vida pessoal, das amizades com milionários e da aparição freqüente em revistas de celebridades.
Os baixos índices resvalam no premiê, François Fillon, que vê o sua aprovação, hoje em 50%, seguir uma trajetória de queda.
Não bastassem os dissabores da opinião pública, Sarkozy passa por uma crise dentro do próprio partido. Projeto de lei de regulamentação de organismos geneticamente modificados foi derrotado no Parlamento com o apoio do UMP, e grandes nomes de sua bancada, como o ex-premiê Jean-Pierre Raffarin, criticam abertamente o presidente por tentar passar reformas sem consultar o partido.
Com esse clima, Sarkozy antevê dificuldades para passar projetos mais difíceis -como a abolição da jornada de 35 horas. (CC)

12/05/2008 - 17:20h L’année 1968 en photographies

A Saïgon, le 1er février 1968, alors que débute “l’offensive du Têt”, le chef de la police sud-vietnamienne exécute d’une balle dans la tête un officier communiste. Cette photo vaut à son auteur, Eddie Adams, le prix Pulitzer.

Le 31 janvier 1968, la nuit du Nouvel An lunaire, les soldats nord-vietnamiens communistes du Front national de libération se lancent à l’assaut des villes du Sud-Vietnam et encerclent les principales bases américaines à Huê et Khe Sanh. C’est un échec militaire pour le FNL, mais une victoire politique. Les Américains se rendent compte qu’une victoire rapide au Vietnam est hors de portée.

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12/05/2008 - 08:41h Maio 68: Um ano que continua a resistir a qualquer teoria ou interpretação

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No campo da memória, cada pessoa colore os eventos de Maio de 68 com os próprios pincéis

Gilles Lapouge - O Estado de São Paulo

Estamos em maio, esse belo mês, com sua suave luminosidade, os lírios do campo, o verde, as rosas e, como acontece a cada dez anos, as comemorações do Maio de 68, as amplas revoltas estudantis que não conseguiram demolir o governo francês mais poderoso e mais respeitável do século, o governo do general De Gaulle.

Nenhuma cerimônia de aniversário, mas muitas reuniões, artigos, livros, um “espírito da época”. Por que tantos discursos? Em primeiro lugar, porque 40 anos se passaram. Um lapso de tempo que dá àqueles eventos um “ar histórico”.

Além disso, o presidente Nicolas Sarkozy, quando ainda era um homem “glorioso” e não um “ineficaz” (ou seja, há um ano), definiu-se como “o homem que ia liquidar Maio de 68”. Bravo Nicolas! (alguns meses depois, Sarkozy casou-se com uma espécie de ressurreição dos estudantes de Maio de 68, a bela Carla Bruni, “queridinha” da “esquerda festiva”, superlativamente).

E, de novo, percebe-se que Maio de 68 continua rebelde a todas as interpretações, teorias e recuperações. Cada um colore Maio de 68 com os próprios pincéis, com cores que, segundo o caso, são ou anarquistas, ou festivas, utópicas, tirânicas, sexuais, dirigistas, individualistas, comunitárias, etc.

mai68.jpgMaio de 68 é um episódio incompreensível sobre o qual todos os modelos apenas resvalam. Mesmo com 40 anos de distância, ninguém sabe realmente o que foi exatamente. É um “objeto histórico não identificado”, não identificável; não se parece com nada. E nada do que se faz ou do que se pensa hoje poderia se dizer que é um eco, um reflexo, mesmo deformado, de Maio de 68.

Por exemplo, hoje, nesta primavera de 2008, as ruas de Paris ferveram, com alunos, estudantes, professores, gritando. Imediatamente, os jornais evocaram uma espécie de “prolongamento” ou um obscuro “retorno” de Maio de 68. Ora, basta ouvir os slogans gritados hoje para compreender que são antípodas daqueles de 68.

Em Maio de 68, os estudantes se manifestaram contra a disciplina, contra os mestres que impunham uma ordem austera, contra as faculdades onde os professores, os “mandarins”, davam seus cursos em toga e arminho. Maio de 68 queria, ao contrário, que as obrigações e as lições desaparecessem, que os exames fossem abolidos, que os professores se recolhessem no seu canto, que as idéias se fizessem sozinhas, por partenogênese, por qualquer um e por todo o mundo.

Em 2008, os netos dos magníficos doidivanas de 68 são sérios como cardeais. Invadem a rua para reclamar o contrário da liberdade cara a seus “jovens avós” de 1968: eles querem mais professores, mais lições para “decorar”, mais disciplina, mais exames, mais seriedade.

Os manifestantes de 68 eram alegres como as borboletas, os loucos, os malabaristas. Os de 2008 são circunspectos, angustiados. Têm medo de seus estudos, da profissão que não vão encontrar, da sociedade macilenta que os aguarda.

Salvo alguns casos um pouco patológicos, os estudantes de 2008 não falam em revolução, mas de ordem, regulamentos. Empreendem um combate corporativista, sem jamais questionar as estruturas da sociedade presente. Querem apenas melhorar as engrenagens e, sobretudo, que os mestres os façam trabalhar, que os preparem para a sua futura inserção, sem dramas, na sociedade liberal.

Em Maio de 68, o termo “revolução” estava em todas as bocas. E cada grupo desse “conjunto em fusão”, como disse Sartre, produzia o próprio modelo de revolução. Cada um tentava trazer novamente à tona uma antiga revolução fracassada ou subvertida.

Era a “tomada da Bastilha” em 1789, Lenin dançando na neve de Moscou em 1905 durante a revolução bolchevique (fracassada), ou a Comuna de Paris (anarquista) em 1871, a revolução literária do surrealismo em 1920, ou mesmo a revolução de Mao Tsé-tung.

Por isso, houve tantas barricadas nas ruas de Paris: como os estudantes souberam que, em julho de 1848, e na primavera de 1871, os insurgentes erigiram barricadas com paralelepípedos, resolveram fazer a mesma coisa, numa imitação um tanto supersticiosa e nostálgica, atirando-os contra os pobres policiais.

http://www.mtholyoke.edu/~cjpulver/mai-68/mai68.jpg

Mas, mesmo quando invocavam esta ou aquela antiga revolução, torciam o seu sentido. Era uma referência mais “literária” do que “política”. Maio de 68 não pretendia tanto repensar a sociedade, mas mudar a visão do mundo, inventar uma nova filosofia. Os estudantes apostavam que, após a sua revolução, uma outra sociedade, como nunca houve até então na história, aliás bastante imprecisa, seria construída com base naquela nova visão do homem.

Por isso, a herança mais concreta de 1968 se inscreve menos no âmbito da política e mais no campo dos costumes, quase da filosofia. A primeira centelha de Maio de 68 não foi uma reivindicação financeira ou de uma alternativa à sociedade capitalista: foi um pedido apresentado pelos estudantes para se permitir que os rapazes fossem ao quarto das meninas no campus da universidade de Nanterre.

E o mesmo para convidar os professores das faculdades a sacudirem a poeira na qual dormitavam há dois séculos, a virem se juntar à “modernidade”. Pouco tempo depois de Maio de 68, assistimos a um espetáculo extraordinário: um professor chegou à sala de aula em “jeans” (da marca Lévi Strauss 501, aliás impecável), na faculdade revolucionária de Vincennes. Era o grande lingüista americano Noam Chomsky.

Inútil dizer que as mudanças desencadeadas por Maio de 68 em relação aos costumes, no cotidiano, na “visão do mundo”, são uma das maiores heranças desse mês extraordinário: a permissão de as mulheres usarem calças compridas, a fraternidade, a simplicidade, a liberação sexual, o direito ao aborto, o reconhecimento dos casais homossexuais, tudo isso foi efeito direto, às vezes tardio, de 68.

Com os dias passando, esse movimento lúdico constatou com espanto que aquela agitação se comunicava por si só: de amigo para amigo, ela foi para outras universidades e depois passou para a França inteira e foi além. Os estudantes viram que, sem que fosse aquele o objetivo, tinham adquirido um enorme contrapoder que fez vacilar o majestoso e brilhante general De Gaulle.

A palavra até então acorrentada se soltou, como louca, meio embriagada. Todo mundo falava com todo mundo. As barreiras sociais, cívicas, educacionais, geracionais, os códigos glaciais de comportamento, tudo desmoronou… Paris falava, falava, como um ébrio. Falava-se qualquer coisa, uma profusão de besteiras e algumas idéias inspiradas.

Com o passar do tempo, conceitos mais nitidamente políticos se insinuaram, tanto mais que o movimento se ampliou de tal maneira que contagiou outras classes, além da estudantil: operários, patrões, médicos, cineastas, todo o mundo. O movimento, ao crescer, se politizou.

E desse segundo capítulo, mais político, o que restou? Aparentemente nada. A sociedade se reconstituiu com seus altos edifícios, suas cidadelas, seus softwares. Ela se desenvolveu ao contrário das esperanças de 68, com Reagan, Thatcher, a ordem moral, etc…

Mas, na realidade, assim mesmo Maio de 68 se inscreveu na “política”. Para mim, um dos momentos mais bizarros dessas jornadas bizarras foi o grande desfile organizado no coração de Paris, em torno da praça Denfert-Rochereau.

Era um início de tarde. Nessa praça há uma estátua de um grande leão de bronze. Os manifestantes afluem de todas as partes, em grupos distintos: libertários, poetas, comunistas, vândalos, maoístas, arruaceiros, anarquistas, tipos divertidos.

Um jovem escala a estátua do leão. É um ruivo. Chama-se Daniel Cohn-Bendit. Parece um duende. É ele quem vai organizar o imenso cortejo. Com um megafone, chama os diferentes grupos: libertários, “fourieristas”, trotskistas, etc. E termina, gritando: “… e a crápula stalinista, no fim do cortejo!” Nesse dia, alguma coisa se passou no fundo das consciências. Maio de 68 permitia à juventude, pela primeira vez e solenemente, ser ao mesmo tempo “de esquerda” (pois Maio de 68 foi um movimento de esquerda) e, no entanto, ferozmente anti-stalinista, anticomunista, anti-soviética.

Não vamos dizer que Maio de 68 prefigurou os tremores de terra que se verificaram 20 anos depois e que derrubaram a fortaleza soviética. Pelo menos, precisamos reconhecer que, nessa ocasião, esses revoltosos, um pouco loucos e um pouco infantis, de Maio de 68, alguns dias antes de serem rechaçados ao seu silêncio pelo retorno triunfal de De Gaulle, pressentiram os enormes abalos que se seguiram, do arquipélago de Gulag às pregações do papa João Paulo II, da glasnost de Gorbachev às revoltas, também corajosas e grandiosas, das populações de Varsóvia ou de Berlim Oriental, cujo resultado seria a morte do comunismo, nos anos 90.

11/05/2008 - 13:58h Maio 68: A revolução que não houve… e mudou tudo

Talvez a geração de 1968 não tenha chegado aonde queria, mas mesmo assim deixou suas marcas na História, o que é uma outra maneira de vencer

 

Le 13 mai 1968
A manifestação do 13 maio 1968. A greve geral começou

Luiz Zanin Oricchio - O Estado de São Paulo

O número de adjetivos opostos que se podem aplicar a 1968 é praticamente inesgotável. Diz-se que foi o último suspiro do espírito coletivo, mas preparou o caminho para o individualismo contemporâneo. 68 falou em paz e amor mas teria praticado a guerra e levado à aventura da luta armada. Foi em essência anticapitalista e de esquerda, mas teria preparado terreno para o capitalismo global e consumista do mundo de hoje. Esse ano mítico, que teve seu epicentro em Paris durante o mês de maio, desperta até hoje reações e opiniões contraditórias, com pouco acordo possível entre elas. Tanto assim que, a cada dez anos, nos sentimos convocados a fazer reavaliações sobre tudo aquilo que aconteceu durante os 12 meses especiais de uma década toda particular. Foi um avanço? Um recuo? Uma aceleração da História? Símbolo da luta contra os autoritarismos, ou, pelo contrário, o mais radical e intolerante dos anos? Tudo cabe em 68. Ou quase tudo.

Revendications salariales

E por quê? Porque, provavelmente, cada um projeta sobre 1968 o que bem entende, segundo suas inclinações pessoais (políticas, ideológicas, e mesmo psicológicas). Por exemplo, quem apoiava o general De Gaulle na França, ou o governo militar no Brasil, tem poucos motivos para lembrar com carinho de 1968. Já quem, mesmo após a queda do Muro de Berlim, conserva o coração à esquerda, pode evocar 68 como uma espécie de idade de ouro da contestação. Quem ama a ordem acima de todas as coisas vê poucos motivos para admirar uma época em que tudo era questionado e posto de pernas para o ar. Quem prefere a instabilidade à injustiça lança outro olhar sobre o mesmo período. Espíritos clássicos tendem a evitar sobressaltos. Românticos os toleram melhor. E assim por diante. Nossa atitude em relação a 68 diz muito a respeito de quem somos.

Les salariés ne sont pas à vendre

No entanto, apesar desse subjetivismo de julgamento (o passado muda segundo os olhos que o enxergam), 1968 pode ser visto como um conjunto de fatos bem definido e que envolve uma efervescência fora do comum da juventude, sobretudo universitária. Fala-se muito em Paris e nas barricadas do Quartier Latin, mas as revoltas pipocaram em toda parte. No arco de alguns meses, os distúrbios passaram por Paris, Praga, Cidade do México, San Francisco, Varsóvia, Rio, São Paulo e outras cidades. O mundo parecia revirado pelo avesso e nenhuma das venerandas instituições ficou ao abrigo de petardos, morais ou físicos - Estado, Família, Igreja, Exército, Polícia, Educação, Partido. Tudo podia e devia ser contestado - e essa era a palavra de ordem comum.

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Contestado em nome de quê? De um bem tão concreto quanto abstrato chamado liberdade. Se em Paris exigia-se o fim de um governo de velhos, em Varsóvia e Praga o alvo era o stalinismo. Praga vivia a sua primavera particular, sob o governo de Alexander Dubcek e sua proposta de socialismo com rosto humano. No Brasil, o alvo era bem visível - o governo militar, instalado quatro anos antes. Aqui, a tensão teve seu ponto alto após o assassinato do estudante Edson Luiz, e na posterior Passeata dos Cem Mil, que reuniu universitários, intelectuais, artistas e padres no centro do Rio. As manifestações se sucederam e o enfrentamento atingiu o clímax em São Paulo na luta entre os estudantes da USP e os do Mackenzie, que ocupavam lados opostos na ideologia e nas calçadas da Rua Maria Antônia. O conflito deixou um morto, um rastro de destruição e posições cada vez mais radicais de lado a lado. Dez dias depois, ‘caía’ o clandestino 30º Congresso da UNE em Ibiúna e as principais lideranças estudantis eram presas. O desfecho do ano rebelde brasileiro veio na forma de um radical fechamento do governo militar com o AI-5, decretado a 13 de dezembro, data que marca o fim de 1968 no País.

A vaga de 68 (porque, de fato, foi uma onda) mostra contornos particulares em cada país onde se quebrou. Nem poderia ter sido diferente, dada a diversidade de condições entre Praga e São Paulo, Paris e Cidade do México, por exemplo. Mas havia um aspecto comum. As lutas de 68 foram sempre antiautoritárias. Quer fosse um governo democrático mas sentido como ‘antiquado’, quer fosse uma ditadura militar ou a opressão de um império comunista - e lá estavam os jovens para se opor e, nas ruas, mostrar seu inconformismo.

Foi também uma época de invenções, que se multiplicavam sob a forma de frases, grafites, músicas, filmes, teatro, performances. A idéia era que tudo deveria ser jovem e ‘novo’, uma ideologia, na verdade, dos anos 60 mas que, como todas, em 68 se intensifica. Experimentou-se, em arte e na vida, como poucas vezes antes. Aliás, arte e vida passaram a ser tratadas como se fossem uma só. Viver artisticamente - essa era uma das utopias. Criar na rua, enquanto se vive. Abolir limites entre agir e pensar. Precisava-se mudar a sociedade, como queria Marx, e mudar a vida, como desejava Rimbaud.

Se isso não era possível na prática, parecia bem tangível no desejo. Por isso, 68 foi uma época de entrega generosa, pois sentia-se que todas as possibilidades estavam abertas. E, também por isso, viveu-se um voluntarismo que às vezes beirava a insanidade.

Como para mostrar que existe um abismo entre o desejo e sua realização, todas essas lutas terminaram, do ponto de vista prático, em derrotas inquestionáveis. No Brasil, o AI-5; na França, a volta de De Gaulle; em Praga, os tanques soviéticos; no México, o massacre da praça Tlatelolco; nos EUA, a eleição de Nixon, etc..

No entanto, do aparente fracasso, muita coisa ficou. Talvez mais no campo comportamental que no político. Apesar de a grande maioria das lideranças estudantis serem masculinas, deu-se um impulso vital ao feminismo e à igualdade entre os sexos. O autoritarismo foi questionado e cedeu em diversos níveis, nas famílias e nas escolas. Mesmo em instituições fechadas, como hospitais psiquiátricos, passou-se a questionar o ‘lugar do poder’ com os movimentos antimanicomiais. A ordem era duvidar de tudo e o argumento de autoridade perdeu a razão de ser.

Quando se relembra a cronologia de 1968, pode-se perguntar como tanta coisa pôde acontecer em tão pouco tempo. Vivia-se como numa febre, em estado de exaltação permanente. Uma espécie de embriaguez política e cultural, que não deixou de fabricar a sua própria ressaca. O day after de 68 foi menos ameno em algumas praças do que em outras. Se o voluntarismo se associa à crença de que os métodos violentos devem ser empregados em algumas circunstâncias históricas, então 68 pode estar na origem das lutas armadas que ocorreram na América do Sul e na Europa. No Brasil, o AI-5 fechou as válvulas de escape da política e abriu caminho para as tentações da ação direta, que já existiam de forma embrionária (a guerrilha do Caparaó é de 1966). A Itália e a Alemanha tiveram de enfrentar grupos armados como as Brigadas Vermelhas e a Baader-Meinhoff. E o fizeram sem abdicar das liberdades democráticas, é bom que se diga.

Outro ’subproduto’ de 68, a apologia das drogas como forma de expansão da consciência, deve ser relativizado. Quem viveu aquele tempo sabe que as esquerdas brasileiras eram em geral muito ‘caretas’ a esse respeito. As drogas circulavam mais na cultura 68 americana que nas outras. Depois sim, espalhou-se para outros países e generalizou-se nos anos 70. A droga foi mitificada como a chave para as portas da percepção (lembrando que o livro de Aldous Huxley, com esse título, é de 1954) e o seu potencial destrutivo e as implicações sociais quando ligadas ao crime organizado não eram percebidos ainda.

Talvez por tudo isso, mas também por propor uma sociedade menos hierarquizada em todos os níveis, 1968 seja permanente má referência para conservadores. Não por acaso, o atual presidente francês Nicolas Sarkozy, durante a campanha eleitoral, afirmou que havia chegado a hora de enterrar de vez o legado de 68. Responsabilizou o maio parisiense por um sem número de males como a confusão entre o bem e o mal, o verdadeiro e o falso, o belo e o feio. Disse até mesmo que 68 havia promovido o culto ao dinheiro, à especulação e ao lucro fácil. Só faltou culpar 68 pela cabeçada de Zidane em Materazzi. No entanto, em pesquisa da revista Le Nouvel Observateur, a maior parte dos seus compatriotas sustenta o contrário. A imensa maioria (77%) afirma que em 68 teria ficado com os estudantes e apenas 14% ao lado das forças da ordem. Os franceses entendem que 68 teve efeitos positivos sobre vários aspectos da vida social como a repartição de tarefas entre homens e mulheres, os direitos sindicais, a sexualidade, relações entre pais e filhos, costumes, a vida política, a relação entre professores e alunos.

Seja como for, parece que durante 1968 a História pisou fundo e acelerou. Em ritmo febril, muitas lutas foram perdidas e outras ganhas, num balanço ainda por fazer. Por isso, voltamos a 68 a cada data redonda. Dez anos atrás, a mesma revista Le Nouvel Observateur revisitava a primavera parisiense com um título que talvez a defina muito bem: ‘La fausse révolution qui a tout changé.’ A falsa revolução que tudo mudou.

Em 1968, nos jogos no Mexico, dois atletas norte-americanos Tommie Smith et John Carlos levantam o punho fechado durante a entrega das medalhas

06/05/2008 - 20:00h A felicidade sob a ocupação


Blog A Francesa de Mário Camera

Do lado de fora da Biblioteque Historique de la Ville de Paris (BHVP) caem gotas frias de uma primavera que não se esforça para chegar. Do lado de dentro, penduradas na parede, três jovens francesas sorriem para uma lente que já não existe mais. Bem vestidas e bem penteadas por trás de modernos óculos de 1943. O sol bate em seus rostos. Elas estão felizes e a França, ocupada pelos nazistas.
A mais polêmica exposição dos últimos tempos em Paris traz dezenas de fotos da capital feitas por André Zucca durante o período da ocupação (1940-1944). O que se vê é alegria, elegância e uma vida que parece ter sido inventada para uma bizarra colagem dentro de uma Europa sangrando por causa da Segunda Guerra Mundial.
Antes da ocupação, Zucca trabalhava para várias publicações, entre elas a Paris Match. Quando a França capitulou, ele foi “convocado” pelos nazistas para ser fotógrafo da Signal, publicação bimestral que circulava pelos países dominados pelo Terceiro Reich. A colaboração com o regime nazista é uma das acusações dos detratores da exposição. O que não se vê nas fotos de Zucca é a outra. Filas para comprar comida, execuções de resistentes, abrigos antiaéreos lotados não estão pendurados nas paredes da BHVL.

 

André Zucca/Divulgação Marie de Paris

A exposição “Des Parisiens sous l’occupation” está dividida por bairros e nenhuma das fotografias foi publicada na Signal. Entre as salas, aparecem cartazes de filmes franceses exibidos durante a ocupação. Não é difícil encontrar oficiais nazistas, com seus uniformes cinza, passeando durante o que parece ser um ensolarado domingo de primavera.
É estranho percorrer as ruas de Paris nas fotografias de Zucca. Os clichês contrastam ruas vazias e aglomerações estivais em torno do Sena. Enquanto uma velha judia caminha por uma quase deserta Rue de Rivoli portando uma estrela de David costurada na roupa, dezenas de pessoas se espremem em uma piscina montada na beira do rio.
Diante do bombardeio de críticas causado pela felicidade, o prefeito da capital, Bertrand Delanoe, decidiu entrar no jogo e cedeu, em parte.

 

André Zucca/Divulgação Marie de Paris

Os cartazes que promoviam a exposição foram retirados das ruas, o nome da mostra foi trocado e o visitante recebe um aviso antes de entrar na sala. Um texto traduzido em cinco idiomas explicando que o que se vê emoldurado é apenas uma parte da sociedade aproveitando os anos de ocupação. As medidas só fizeram crescer a curiosidade pela mostra. A pequena BHVP estava lotada na última terça-feira.
Des Parisisiens sous l’occupation toca em um assunto sensível para os franceses. A colaboração com o regime nazista é um órfão inoportuno que passa de braço em braço, acompanhado de uma expressão clássica por aqui: “c’est pas ma faute”.

Quase no final da exposição, talvez adivinhando algo no meu olhar, um velho meio surdo, que tinha “16,17” anos durante a ocupação, me pergunta se eu entendo uma das fotos. Digo que estou tentando entender tudo aquilo e pergunto se existia aquela felicidade emoldurada. Ele não entende direito, não sei se por causa do meu francês ou por sua surdez. Mas diz: eu estou feliz. Acho que os estudantes deveriam ver isto. Eu concordo com ele.

Serviço:
“Des Parisiens sous l’occupation”
Bibliothèque historique de la Ville de Paris
22, rue Malher (4e)
Até 1 de julho.

12/04/2008 - 19:19h Os limites do Wi-Fi

Un internaute connecté en Wi-Fi dans le jardin du Luxembourg, à Paris. | Mairie de Paris
Un internaute connecté en Wi-Fi dans le jardin du Luxembourg, à Paris

Le Monde

Le Wi-Fi est partout. Cette technologie permet de raccorder par les ondes ordinateurs, imprimantes, et presque tout autre appareil électronique. Si personne ne peut encore affirmer que les ondes émises par le Wi-Fi sont nocives pour la santé, une chose est certaine : c’est le Wi-Fi qui est aujourd’hui malade. “Il est victime de son succès”, résume Yves Nouailhetas, responsable en France de Devolo, une société qui développe et commercialise des solutions de transfert de

Actuellement, la plupart des appareils dotés d’une connexion Wi-Fi fonctionnent sur une douzaine de canaux. Or, “la bande de fréquence utilisée est hyper-saturée dans les grandes villes”, observe Laurent Masia, directeur marketing chez Netgear, fabricant d’équipements de réseau. “Au fur et à mesure que le nombre de canaux utilisés augmente, cela crée une sorte de bruit de plus en plus important, qui perturbe l’émission et la réception”, explique M. Nouailhetas. “Cette saturation nous conduit, parfois, à modifier le canal des bornes que nous avons installées pour maintenir la qualité du service”, constate Joe Brunoli, vice-président de free-hotspot.com, qui gère un des plus grands parcs d’accès Wi-Fi gratuits dans le monde. Les interférences sont d’autant plus importantes que les ondes Wi-Fi sont sensibles à l’environnement : un mur de béton armé, des téléphones sans fil…

Résultat, la vitesse de transmission des données entre deux appareils est susceptible d’être ralentie. Pis, des coupures de réseau peuvent se produire. Les conséquences ne sont pas trop perceptibles lorsque l’on surfe sur Internet mais elles sont plus gênantes quand on regarde une vidéo.

Chez la plupart des fournisseurs d’accès à Internet (FAI), les boîtiers de réception de la télévision par l’ADSL sont connectés par Wi-Fi à la box qui est, elle-même, branchée sur le réseau téléphonique. Quand cette liaison est perturbée, l’image se gèle, ce qui oblige souvent à débrancher le boîtier raccordé à la télévision, plutôt rageant lorsqu’on est pris dans l’action d’un film.

Pour minimiser ces perturbations, on peut tenter de placer en hauteur son émetteur Wi-Fi, d’éviter de le coller contre un mur ou encore de chercher un canal libre pour sa connexion. Mais cela ne suffit pas à résoudre tous les problèmes.

Les constructeurs de matériels électroniques sont conscients des difficultés croissantes du Wi-Fi. De plus en plus de produits intègrent la récente norme Wi-Fi baptisée “n”. Elle multiplie théoriquement par cinq la vitesse de transmission des données. Elle permet surtout d’accéder à une nouvelle bande de fréquence hertzienne qui dispose d’une quarantaine de canaux moins sujets aux interférences. Pour bénéficier de ces améliorations, il faut être équipé d’un matériel compatible avec la nouvelle norme, ce qui est souvent le cas pour les appareils (PC ou Mac) les plus récents. Les derniers produits d’Apple, comme l’ordinateur portable Mac Book Air, le disque dur Time Capsule ou la borne Wi-Fi AirPort utilisent tous cette dernière norme.

En attendant, la cause n’est pas totalement perdue pour ceux qui possèdent un matériel ancien. Une solution toute simple permet de connecter deux appareils sans fil : l’utilisation de son réseau électrique grâce au courant porteur en ligne (CPL).

La technique n’est pas récente. Elle est utilisée depuis les années 1950, notamment pour allumer l’éclairage public à distance. Pour relier ses appareils, il suffit de les connecter, via un câble Ethernet, à un boîtier qui se branche sur n’importe quelle prise de courant. Des kits sont disponibles à moins de 100 euros.

Même s’ils jurent que ce n’est pas en raison des problèmes rencontrés avec le Wi-Fi, les fournisseurs d’accès à Internet se mettent aussi au courant porteur en ligne. Depuis le 22 janvier, l’opérateur Free livre à ses nouveaux abonnés des boîtiers CPL pour relier sa box à son boîtier de télévision. Toutefois le CPL n’est pas non plus sans inconvénients. D’abord, il n’est pas toujours performant sur une vieille installation électrique. Ensuite, certains appareils électriques peuvent venir perturber la transmission du signal.

Joël Morio

12/04/2008 - 06:26h Síndrome de Paris

Relação de amor e ódio com a França pautou Brasil pós D. João

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Marília Martins - O Globo

Era uma vez uma fuga em massa em que os fugitivos chegaram ao seu refúgio e…
reencontram seus perseguidores na forma de um delírio de poder. Este é o enredo de um livro surpreendente sobre um conhecido episódio da História do Brasil.

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“Versalhes Tropical”, da historiadora americana Kristen Schultz, reconta a fuga, em 1807, do príncipe regente, da família real e de mais de 10 mil membros da Corte portuguesa, uma multidão de nobres que se lançou mar a dentro para escapar das tropas de Napoleão. E reinterpreta os 13 anos de D. João no Brasil a partir deste ponto de vista: a Corte lusa fugia de um imperador (Napoleão) que sonhava restaurar a grandeza dos tempos do Rei-Sol (Luis XIV), mas também admirava a opulência de Versalhes.

Mais do que isso: os portugueses imaginavam fazer do Rio uma Versalhes tropical.

Como foi possível que a Corte portuguesa elegesse como modelo exatamente a França, o país do qual tentava escapar, quando historicamente a monarquia inglesa havia sido sempre muito mais próxima dos interesses portugueses? — A transferência da Corte para o Rio foi simultaneamente resposta a um tempo de revolução e solução original para a crise do modelo da monarquia no século XIX — explica Kristen, cujo livro será publicado em português pela Record no fim de junho. — De um lado, a Corte fugia de uma Europa convulsionada pela Revolução Francesa e pelas guerras napoleônicas.

E, do outro, partia na direção de um continente que havia abrigado a Revolução Americana, a violenta revolta no Haiti e vários movimentos de independência nas colônias espanholas.

Delírio mais forte que a realidade

Segundo ela, esses movimentos desafiavam, no continente americano, não só os princípios e as práticas da hereditariedade como hierarquias de status, raça, cultura e valores que regiam as relações entre a Europa e as terras do além mar.

Os ingleses estavam mais próximos dos portugueses, mas a monarquia inglesa não poderia servir de modelo porque eles buscavam um ideal absolutista que os ingleses não ofereciam.

Noutras palavras: em pânico diante das cabeças coroadas cortadas pela Revolução Francesa, os portugueses sonhavam ter um refúgio, em busca de um final feliz para o poder imperial. Assim teve origem, segundo Kristen, o fascínio pelo estilo de vida de Versalhes e pela cultura francesa de modo geral.

d_joao_carlota.jpgUm fascínio que perdurou não só nos 13 anos em que a Corte portuguesa permaneceu no Brasil, como deixou marcas nas missões de artistas franceses, na arquitetura do Rio e também na visão que os brasileiros que lutaram pela Independência tinham da pátria que sonhavam construir.

— Esse fascínio pelos maneirismos franceses, que depois da volta da Corte a Portugal ampliou-se, adotando a cultura francesa como um modelo, teve profundas consequências no Brasil do século XIX e em especial no Rio. É verdade que politicamente os portugueses eram aliados dos ingleses, mas apesar disso, a influência francesa foi muito maior, mais efetiva e duradoura. Neste caso, o imaginário teve um peso importante — acredita Kristen.

Professora de história latinoamericana, especializada em Brasil, na Faculdade de Ciências Sociais da Cooper Union, em Nova York, Kristen passou um tempo pesquisando no Brasil. A trama de manuscritos, documentos e estudos que serve de base para sua hipótese sobre os 13 anos da Corte portuguesa no Rio, de 1808 e 1821, dá uma nova pista sobre como os defensores da Independência acabaram por entronizar o próprio herdeiro português, entregando a coroa brasileira para o filho do monarca que combatiam.

Fantasmas de uma monarquia

A curiosa e contraditória combinação entre os ideais da Independência e os da monarquia levou o Brasil a construir uma organização políticosocial inteiramente diversa da do restante do continente, que tem origens, ainda não completamente compreendidas, nestes 13 anos que transformaram o Rio de Janeiro e o Brasil.

— O que me atraiu na história da fuga da Corte portuguesa para o Brasil foi perceber como, num período de só 13 anos, se tornaram evidentes contradições e fantasmas que mais tarde estiveram na base da monarquia brasileira — diz Kristen.

Ela investiga a forma como o sistema colonial foi combinado com o cotidiano da sociedade escravocrata do século XIX, desafiando a política antiescravocrata da monarquia inglesa, que condenava o tráfico negreiro.

Das gravuras de Jean-Baptiste Debret aos manuscritos de época, Kristen desvenda como senhores e escravos se relacionavam com base num singular paternalismo autoritário que ganhou força nos anos de invenção delirante da Versalhes tropical.

— O sistema escravocrata brasileiro pagou tributo a esta passagem da Corte portuguesa pelo Rio.

E os escravos da capital também exploraram as contradições no projeto real de transformar o país.

Um projeto que procurou reafirmar o poder monárquico por meio de uma vassalagem típica do Novo Mundo — avalia Kristen.

Entre desqualificar a colônia e torná-la o centro do império, por força das circunstâncias, os portugueses no Brasil deixaram bem mais do que a fonte quase inesgotável de anedotas e descrições grotescas dos costumes lusos de então, que até hoje são muito populares quando se fala sobre os anos brasileiros de D.João. Como revela o passeio pelo Rio do começo do século XIX feito por Kristen Schultz, ficou um legado de imagens e contradições que sobreviveu aos 13 anos da aventura lusitana em terras do além-mar.

10/04/2008 - 18:47h La contestation lycéenne contre les suppressions de postes prend de l’ampleur

AFP/BERTRAND GUAY
“On a atteint d’une certaine manière le point de non retour”, a expliqué le président de l’UNL, Florian Lecoultre.

Le Monde

Pour la cinquième fois en deux semaines, les lycéens se sont mobilisés, jeudi 10 avril, pour dénoncer les suppressions de postes dans l’éducation nationale. A Paris, de 30 000 à 40 000 manifestants, selon l’Union nationale lycéenne (UNL), étaient au départ du cortège reliant le jardin du Luxembourg à la station de métro Saint-François-Xavier, à proximité du ministère de l’éducation. La police avance le chiffre de 19 000 manifestants, soit deux fois plus que mardi.

En province, la mobilisation a aussi pris de l’ampleur. 5 500 lycéens et 400 fonctionnaires ont défilé dans la matinée à Grenoble, selon la préfecture de l’Isère. De légers incidents ont éclaté à la fin du défilé. A Lyon, un millier de lycéens ont défilé, soit le double de la manifestation de mardi. A Toulouse, les manifestants étaient 3 000 selon les organisateurs et 1 700 d’après la police, contre 400 il y a deux jours.

“ON A TOUS EU 16-20 ANS”

L’UNL et la Fédération indépendante lycéenne (FIDL) ont reçu le soutien d’une quinzaine d’organisations syndicales, d’enseignants, d’étudiants et de parents d’élèves. Dans un communiqué conjoint diffusé mercredi soir, ils ont réaffirmé leur “volonté commune de défendre le service public d’éducation aujourd’hui menacé”, notamment par les 11 200 suppressions de postes prévues cette année, dont environ 8 500 postes d’enseignants. Le secondaire devrait à lui seul perdre environ 8 800 postes.

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Pour le ministre de l’éducation nationale, Xavier Darcos, interrogé jeudi par Le Parisien, “le nombre de manifestants évolue dans des proportions raisonnables et reste très concentré sur l’Ile-de-France”. “Derrière l’écran parisien, moins de 2 % des lycées du pays sont bloqués”, assure-t-il. “On a tous eu 16-20 ans, tous pu être inquiets pour notre avenir. C’est naturel, inévitable même”, a ajouté le ministre. Un ton mâtiné de “paternalisme pour le moins poussiéreux”, accuse le Parti communiste dans un communiqué.
Selon le président de l’UNL, Florian Lecoultre, qui s’exprimait jeudi sur LCI, “en plus de cinq ans, on a accumulé 50 000 postes perdus”. “On a atteint d’une certaine manière le point de non-retour car à plus de trente-cinq par classe dans la plupart des établissements, c’est impossible d’étudier en terminale”, a ajouté le leader du syndicat lycéen.

Xavier Darcos justifie les réductions d’effectifs annoncées par les évolutions démographiques. Les effectifs du second degré ont baissé de 145 000 élèves en trois ans, et devraient encore reculer de 40 000 à la rentrée prochaine.

07/04/2008 - 02:35h Imagem

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EM MARCHA. CRISTINA KIRCHNER, ONTEM, EM PARIS, ARVORANDO UM CARTAZ POR INGRID BETANCOURT, NA MOBILIZAÇÃO QUE FOI DA ASSEMBLÉIA NACIONAL ATE OPERA.

07/04/2008 - 02:28h Policiers et manifestants prêts à accueillir la flamme olympique à Paris

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Le Monde

La flamme olympique, copieusement chahutée dimanche à Londres par des manifestants dénonçant la répression des autorités chinoises au Tibet, effectue lundi 7 avril à Paris sa dernière étape européenne, sous la menace de nouvelles manifestations. La flamme olympique est arrivée dimanche à 23 heures 45 au pavillon d’honneur de l’aéroport Roissy-Charles-de-Gaulle, où l’attendaient l’ambassadeur de Chine en France M. Kong Quan, l’ancien athlète et ex-ministre des sports, représentant du CIO en France, Guy Drut et le sous-préfet chargé des aéroports Patrick Espagnol. Elle a ensuite été transportée sous haute protection à l’hôtel Méridien, boulevard Gouvion Saint Cyr, dans le 17e arrondissement de Paris, non loin de la place de l’Etoile.

Tandis que la neige, première invitée surprise de cette jounée, s’abat depuis dimanche soir sur Paris, de nombreuses autres “perturbartions” sont attendues sur le parcours de la flamme. Portée par 80 relayeurs sur 28 km, elle partira peu après midi du premier étage de la Tour Eiffel pour arriver au Stade Charléty vers 17 heures, après être passée notamment devant l’Arc de Triomphe, sur les Champs-Elysées, l’Ile de la Cité, et le Boulevard St-Germain. L’organisation Reporters sans Frontières (RSF), qui avait déjà réussi à déjouer les services de sécurité lors de la cérémonie d’allumage de la flamme, a déjà prévenu qu’elle prévoyait de mener des actions “symboliques, spectaculaires (…) mais respectueuses des Jeux” sur le parcours de la torche. Les Tibétains de France organisent également une “journée citoyenne de solidarité” sur le Parvis des droits de l’Homme au Trocadéro.

À LONDRES, LE PORTEUR DE FLAMME DANS UN BUS À IMPÉRIALE

Un impressionnant dispositif de sécurité, digne de la protection d’un chef d’Etat, est prévu, avec pas moins de 3 000 policiers mobilisés, sur terre, dans les airs et même sur la Seine. Un cordon d’environ 200 mètres de long sera constituée autour du porteur de l’emblème des JO, composée de 65 motards, 100 policiers en rollers et autant de pompiers de Paris. Le porteur de la flamme sera suivi par 32 véhicules de CRS, soit 160 hommes, un groupe de motards fermant la marche. 1 600 policiers devraient être répartis sur le trajet pour parer à toute éventualité.

Les athlètes français devraient porter un badge arborant les anneaux olympiques, le mot “France” et le slogan “pour un monde meilleur”, un geste en faveur des droits de l’Homme, en Chine et ailleurs. Sur la façade de l’Hôtel de ville sera déployée une banderole proclamant : “Paris défend les droits de l’Homme partout dans le monde”. En revanche, il n’y aura pas de drapeau tibétain sur le fronton de l’Assemblée nationale mais le Comité France Tibet a prévu de se montrer.

Après son périple européen, la flamme olympique partira lundi soir pour les Amériques, où deux étapes l’attendent, à San Francisco mercredi et à Buenos Aires vendredi. Les médias officiels chinois condamnent lundi les “vils méfaits” des manifestants qui ont perturbé le passage à Londres de la flamme olympique. Au moins 35 personnes ont été arrêtées par la police britannique, qui a dû faire monter le porteur de flamme dans un bus à impériale dans le centre-ville face à la tentative d’une centaine de manifestants de s’en emparer.

06/04/2008 - 13:59h Ontém a noite, no Nix Nox de Paris: Brothers of Brazil

No intermezzo (na barra lateral a direita) uma janela para o show que a dupla, formada por Supla e João Suplicy, apresentou ontem na peniche ancorada no Quai de la Gare, do Pont de Bercy. O lugar estava lotado, com muitos brasileiros. A festa foi até as 3 da manhã. Hoje eles embarcaram para Londres.

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