18/06/2009 - 10:16h Parque de skatistas não durou 4 meses

Só o Diário de São Paulo noticiou ontem o protesto de mães contra Serra e Kassab no CEU. O protesto exigindo as necessárias obras de manutenção e consertos, recebeu da dupla frases de sarcasmo. “O CEU foi feito pela Marta, mas nós consertaremos”, subentendendo como anormal consertos em obra pública feita mais de cinco anos atrás.

Vindo daqueles que até hoje não conseguiram entregar todos os CEU’s prometidos para o ano retrasado, além de alguns serem reformados antes mesmo de inaugurados, a ironia e o sarcasmo parecem fora de lugar.

Hoje os jornais O Estado SP e Jornal da Tarde ilustram o “estilo” na “gestão” das obras de Kassab.

Como consolo do pessoal de Perdizes, o tratamento é o mesmo que o realizado na reforma da Paulista. Não teve discriminação. LF

Inaugurado em fevereiro, por R$ 7 mil, local apresentou problemas e agora passa por reforma

Felipe Oda, felipe.oda@grupoestado.com.br

Quatro meses depois de inaugurado, o Parque Zilda Natel, conhecido como parque dos skatistas, está fechado para reformas. Localizado na esquina da Avenida Dr. Arnaldo com a Rua Cardoso de Almeida, em Perdizes, zona oeste, custou R$ 7 mil para ser construído. O valor da reforma não foi divulgado pela Secretaria do Verde e do Meio Ambiente (SVMA), que assumiu a área depois da construção do parque.

Frequentadores reclamam que as três pistas de skate estavam rachadas e esburacadas, parte do gradil que cerca o local está quebrado e os canos usados nas manobras dos skatistas estão soltos. “A obra não foi feita no capricho. Não é normal em tão pouco tempo o lugar se deteriorar assim”, afirma o empresário Luiz Fernando Ghepardi, de 29 anos, skatista.

Conselheiro gestor do parque, o skatista Flávio Ascânio, de 45 anos, diz que os problemas começaram na concepção das pistas e se agravaram porque a SVMA abandonou o local.

Segundo ele, o projeto apresentado pela construtora que venceu a licitação para construir as pistas era “ultrapassado e perigoso”. Uma comissão de skatistas sugeriu modificações. “A construtora acatou muitos conselhos, mas a licitação deveria ter escolhido alguém com experiência nesse tipo de obra.”

Foi a Secretaria de Coordenação de Subprefeituras que escolheu e contratou a empresa que construiu o parque. Segundo o assistente de áreas verdes da Coordenação das Subprefeituras, André Graziano, a obra foi transferida para a SVMA no momento da entrega do parque. “Cabe a ela assumir o local. Esperamos que a Secretaria do Verde assuma a administração e mantenha a estrutura construída.”

Mas a Secretaria Municipal de Esportes também está de olho nele. É dessa pasta que saem os projetos para torneios.Thiago Lobo, coordenador da área de esportes radicais da secretaria, confirma o interesse. “É uma estrutura para a prática de esportes radicais e tem mais ligação com a Secretaria de Esportes.”

Por e-mail, a SVMA informou que os defeitos foram causados pela “ação de vândalos” – além de um dos portões ter sido arrombado, alguns equipamentos do parque foram depredados. “Isso não aconteceria se tivesse um zelador cuidando do parque”, reclama Ghepardi. “Alguém para varrer as pistas, limpar os banheiros, arrumar os bebedouros”, emenda Ascânio.

A pasta informou que a interdição momentânea foi necessária para garantir a segurança dos frequentadores. O parque deve ser reaberto no próximo domingo, com um campeonato universitário de skate. “Tomara que agora, reformado, o poder público assuma conservação e administração do parque”, diz Ascânio.

ZELADOR

“A obra não foi feita no capricho. Não é normal em tão pouco tempo o lugar se deteriorar assim. Isso não aconteceria se tivesse um zelador cuidando do parque”

LUIZ GHEPARDI, 29 ANOS
EMPRESÁRIO E SKATISTA

10/03/2009 - 14:55h A nova moda na mídia paulista

Uma nova moda ganha corpo nos jornais de São Paulo.

Em se tratando dos problemas da cidade, um esforço é feito nos artigos para restituir a história dos mesmos.

Assim, os uniformes entregues com atraso por Kassab hoje, viram “os uniformes que atrasam desde 2002″ (mas porque não aproveitar e dizer que em 2002 foi a primeira vez que a prefeitura entregou uniformes e material escolar de graça para os alunos da rede municipal. Um atraso… a primeira vez…). As enchentes e pontos de alagamento que não receberam nenhuma atenção da gestão demo-tucana, viram pontos que alagam desde 2002 (mas porque não aproveitar e dizer quantos piscinões foram construídos desde 2002 até 2004, e quantos depois). O vertedouro do Parque Aclimação que não tinha vistoria “desde 1938″ etc., e por aí vai.

Provavelmente se trate de um esforço em favor da formação dos cidadãos no entendimento das raízes históricas dos problemas do Brasil, visando assim a um entendimento melhor das dificuldades para resolver problemas a curto prazo.

Os problemas da cidade não se resolvem em apenas dois mandatos dos atuais gestores. Mesmo contando com muito mais dinheiro que seus predecessores.

Se trata de uma nova modalidade da cobertura jornalistica que introduz uma mudança radical no tratamento da notícia. No passado, mesmo com as finanças destruídas e com o descalabro da administração Pitta, a gestão Marta Suplicy devia resolver os problemas e ponto. O inefável Clóvis Rossi, por exemplo, cobrava resultados após seis meses da gestão petista.

Agora, o que não deixa de ser um progresso, os problemas são restituídos ao seu histórico e assim os responsáveis de várias gestões carregam nas suas costas o produto dos seus “descasos”.

A originalidade já tinha sido introduzida um ano atrás, pelo mesmo Clóvis Rossi para falar do trânsito da cidade. Por isso me parece adequado reproduzir novamente uma nota minha, escrita em 21 de março de 2008, respondendo ao eminente jornalista. Ela vale para a nova modalidade que conquistou o jornalismo na cidade.

Tenho minhas dúvidas sobre a eficiência do método que conquistou as redações dos jornais.

Em todo caso, vale a pena refletir…

Luis Favre

 21/03/2008

Quem o pariu, que o embale

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Clovis Rossi na sua coluna de opinião na Folha de São Paulo expõe sua indignação contra os administradores de São Paulo por conta dos problemas do trânsito.

Dono de inesgotável munição verbal, do alto de sua torre de observação, atira com sua metralhadora girátoria contra todos os prefeitos que, diferentemente dele, nada previram e nada fizeram para poupar os infelizes moradores da paulistéia da vaticinada paralisia.

O grosso da artilharia parece dirigida ao atual ocupante do cargo, Gilberto Kassab, mas aparentemente todos recebem as chicotadas pelo descaso com que trataram a questão do transporte público e o trânsito.

Maluf, Pitta, Marta, Serra no mesmo saco junto com o titular do time dos descompromissados, Gilberto Kassab (estranhamente o único que nada tem a ver é Geraldo Alckmin).

O objetivo de Clóvis é, em verdade, desviar a justa indignação da população contra os verdadeiros responsáveis da incúria com o transporte público, para um genérico “nenhum político presta”, bem confortável para os tucanos hoje na berlinda.

A impostura intelectual é ousada, contando, para ser bem sucedida, da conhecida capacidade do ser humano ao esquecimento e uma grande dose de propaganda. Mas a memória da população não é tão preguiçosa como gostaria Clóvis Rossi e a propaganda dos tucanos, mesmo apoiada nas pregações de alguns veículos de comunicação, não parece suficiente para fazer engolir o engôdo.

Com efeito, como dizer que foi igual o Pitta que tolerou a instauração de quase 30 mil perueiros clandestinos, uma frota de ônibus reduzida e com mais de 10 anos de uso, nenhum investimento em corredores e uma tarifa das mais caras do país, comparado com Marta Suplicy que enfrentou a “máfia do transporte”, regularizou o sistema, obrigou a renovação dos ônibus e instaurou o Bilhete-Único?

Como comparar 4 anos de administração de Marta com os 13 anos de controle tucano do governo estadual, uma boa parte sob comando de Alckmin, que responsáveis pelo metrô, quase nada construíram. A linha 4, prevista para ser entregue agora em 2008, só será parcialmente entregue em 2011. A linha 5 (que liga o Capão Redondo a Santo Amaro) vive às moscas e está parada desde 2002. Como passar sob silêncio que o Rodoanel avançou como tartaruga até hoje, mesmo tendo nas mãos, além do governo estadual, as rédeas do governo federal durante 8 anos?

Ou não é uma impostura intelectual dizer que Marta e Kassab são farinha do mesmo saco, quando a primeira construiu 100 km de corredores e o segundo concluiu apenas 10 Km, dos mais de 200 km programados para serem concluídos até 2008?

Fica evidente que o objetivo do membro do Conselho editorial da Folha não é apontar os responsáveis e sim diluir as responsabilidades, em momentos em que os olhos de toda a população apontam em uma direção que não é do agrado do articulista.

Para quem é arauto da indignação, ter que dar o nome aos bois deveria ser natural. Para quem só posa como tal, a gritaria generalizada basta.

No meu caso, sou adepto do principio de “a César o que é de César…” e aos tucanos e Clóvis Rossi o que é deles.

Quem o pariu, que o embale.

Luis Favre

A seguir o articulo de Clóvis Rossi

CLÓVIS ROSSI

Nem o Duda

SÃO PAULO – Na campanha eleitoral paulistana de 1996, o marqueteiro Duda Mendonça, então a serviço do malufismo ou, mais exatamente, do candidato malufista Celso Pitta, espalhou outdoors pela cidade com a ordem: “Não deixe São Paulo parar”.
À época, escrevi: “São Paulo já parou faz tempo. E o padrinho de Pitta, Paulo Maluf, tem parte da culpa. Quem já foi prefeito, governador e secretário de Transportes deveria ter descoberto que só há um caminho para evitar ou atenuar o colapso do trânsito urbano: transporte coletivo, especialmente metrô, de boa qualidade”.
Doze anos depois, ficamos assim: além do malufismo, diretamente e pela interposta pessoa de Pitta, governaram São Paulo o petismo (Marta Suplicy e, antes dela e de Maluf, Luiza Erundina), o tucanato (José Serra) e agora o demo, digo, o DEM (Gilberto Kassab).
Ou, posto de outra forma, todas as famílias políticas relevantes na cidade e no Estado já tiveram sua chance de “não deixar São Paulo parar” e fracassaram redondamente.
Se, em 1996, já era óbvio que São Paulo havia parado, o que dizer agora?
Talvez bancar o avestruz, como o fez a Secretaria Municipal de Transportes, em carta ao “Painel do Leitor”, para informar que mudou a metodologia de medição dos congestionamentos e os 100 km de antes são iguais aos 200 km de agora.
Deveria, antes de escrever tolices, combinar com o prefeito, que acaba de lançar o seu pacote de trânsito, exatamente porque os congestionamentos se tornaram mais agudos e mais insuportáveis.
Pena que o pacote seja tímido. Desconfio até que meu palpite de 12 anos atrás (transporte coletivo de boa qualidade) esteja superado. Ou, mais exatamente, antes de que se consiga implementá-lo, a cidade vai parar definitiva e irremediavelmente. Não haverá Duda Mendonça capaz de dar jeito.
crossi@uol.com.br

09/03/2009 - 11:08h Tucanos “em ação”: área de preservação, criada por decreto há três anos, continua com as obras paradas

Esgoto ameaça Parque Tizo

http://www.jornalexpress.com.br/noticias/imagem.php?id_jornal=9194&id_noticia=723

http://www.parqueipe.org.br/sabipe/images/jequitiba.jpg

Diego Zanchetta – O Estado SP

No extremo da zona sul de São Paulo, às margens do Rodoanel, um terreno coberto com 70% de mata nativa, quase do tamanho do Parque Ibirapuera, preserva cinco nascentes e espécies de veados, jararacas, tatus e araras. Em março de 2006, após o Ministério Público proibir o Estado de construir uma central de abastecimento na área, um decreto do governador Geraldo Alckmin (PSDB) definiu que o terreno seria transformado no Parque Tizo (Terras Institucionais da Zona Oeste), voltado para o desenvolvimento de pesquisas biológicas. A medida surgiu após uma década de reivindicação de ambientalistas e parecia colocar fim à intenção de construtoras de erguerem novos empreendimentos na região.

Passados três anos, as obras do futuro parque seguem paradas. A previsão inicial do Estado era de que pelo menos a infraestrutura estivesse pronta em 2007. Só que nem a instalação da cerca para proteger o entorno da mata foi feita. Vista do alto, a vegetação exuberante contrasta com o avanço de barracos de madeira nas encostas, a menos de dez metros da área de preservação permanente, no limite dos municípios de São Paulo e Taboão da Serra.

A maior ameaça ao parque hoje, segundo ambientalistas, é o esgoto de uma invasão com cerca de 500 famílias, chamada Vila Nova Esperança, que escorre para dentro da mata do futuro parque. Os próprios moradores da ocupação vizinha relatam que toda semana invasores tentam levantar barracos dentro do parque. “A mata só não foi invadida de vez porque nós não deixamos”, diz Valdemir Monteiro de Sales, de 43 anos, líder comunitário da Vila Nova Esperança.

As famílias rejeitaram a proposta da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) de mudança para um conjunto habitacional em Cotia. Com as chuvas intensas desde dezembro, pelo menos oito barracos desmoronaram, após seguidos deslizamentos. “Nós pedimos a urbanização do bairro. O saneamento aqui é fundamental, também não queremos que o esgoto escorra para a mata”, argumentou Sales. Para o governo, contudo, a melhor alternativa é a remoção das famílias, para evitar futuros impactos ambientais.

É comum, por exemplo, moradores encontrarem cobras e tatus vindos da mata. Alguns ainda costumam caçar aves, como coleiros e araras, para revender. “Esta ainda é pequena”, diz o pedreiro Rafael Marques dos Santos, de 41 anos, ao mostrar uma jararaca que havia acabado de matar. “Ela estava no meu quarto. Sorte que eu vi antes de deitar para um cochilo depois do almoço.”

Para Mário Mantovani, ambientalista da Fundação SOS Mata Atlântica, o projeto do parque está abandonado. “O problema é que a região sofre com constantes invasões. E um espaço como aquela mata, não ocupado pelo poder público, torna-se suscetível às invasões numa região com alta densidade populacional como é o extremo da zona sul”, apontou o ambientalista. “Pela construção do Rodoanel, a Dersa também teria de fazer compensações na área verde, como o replantio de mudas e um viveiro. O receio é de que essas contrapartidas sejam esquecidas com o passar do tempo, com a chegada de novas eleições em 2010.”

A Sabesp informou que realizará serviços de coleta de esgotos na Vila Nova Esperança, com 2,7 mil metros de redes coletoras, totalizando um investimento de R$ 843 mil. As obras de saneamento estão previstas no cronograma da terceira etapa do Programa de Despoluição do Tietê. “A previsão da empresa é começar os trabalhos no primeiro semestre do ano que vem e a finalização das obras está prevista para o segundo semestre de 2010″, informou a Sabesp.

AVES EM EXTINÇÃO

A área do parque ecológico também abriga aves ameaçadas de extinção, como o pica-pau rei e a araponga, além de espécies de canelas e plantas arbóreas, caso da guaçatonga (planta usada como anti-inflamatório e cicatrizante) e da flor hirtella triandra. Como parte da área do parque segue aberta, moradores fazem trilhas dentro da mata, cortando pequenos arbustos e galhos. Oito seguranças se revezam em dois turnos na vigilância de 1,3 milhão de metros quadrados do parque e tentam coibir as invasões na mata.

Paralelamente às constantes invasões de barracos no entorno do parque, em 2007, um ano após a área ser definida como de proteção permanente, o Ministério Público desbaratou o esquema de uma cooperativa de Cotia que vendia ilegalmente lotes no terreno. “Por isso é tão importante que o parque seja logo ocupado para o desenvolvimento de pesquisas”, completou Mantovani.

01/03/2009 - 10:50h Moradores pedem que lago seja limpo

 
São Paulo Protesto da comunidade da Aclimação contra a decisão da prefeitura de São Paulo sobre o enchimento do lago que se esvaziou devido ao rompimento do vertedouro que controlava a saída de água do lago. O secretário do Verde e Meio ambiente, Eduardo Jorge, deu algumas explicações sobre a decisão da prefeitura onde gerou protesto da comunidade.27-02-2009. Foto: Leo Barrilari/FotoRepórter/AE

Ato pacífico vira bate-boca com a chegada de secretário do Verde, Eduardo Jorge

NAIANA OSCAR, JT

naiana.oscar@grupoestado.com.br

Era para ser um abraço pacífico, com moradores de mãos dadas em torno do lago seco da Aclimação. Mas a manifestação que ocorreu ontem pela manhã no parque acabou em bate-boca com a chegada do secretário do Verde e Meio Ambiente, Eduardo Jorge. Em meio a vaias e gritos de protesto, ele tentou justificar os problemas do lago e por que a Prefeitura não vai entregá-lo limpo tão cedo. Numa previsão otimista, o secretário estima que isso ocorrerá só em março do ano que vem.

A maior crítica da população, ontem, era em relação à decisão municipal de tornar a encher o lago sem antes tirar o lodo e a sujeira que se acumulam ali. A Prefeitura prometeu que esse procedimento começaria entre ontem e hoje, com o bombeamento de água feito pela Sabesp. Segundo nota divulgada pela secretaria, a remoção do lodo exige sua diluição em água para posterior desidratação e transporte.

“Sou leiga, mas acho que a ocasião para fazer a limpeza é agora. Como vamos saber mais tarde se ele está limpo, se a água vai esconder de novo a poluição?”, disse a professora aposentada Cecília Fusaro, que frequenta o parque há quase três décadas. Ontem, ela estava entre os 300 usuários do parque que “abraçaram” o lago e cobraram soluções do secretário.

O presidente da Associação de Usuários do Parque da Aclimação, Miguel Adoud, também é contra as ações da Prefeitura. Ele defende que a limpeza seja feita imediatamente, mesmo que isso signifique manter o lago seco por mais tempo. “Vai acabar virando um piscinão. E os nossos problemas com enchente só vão aumentar”, afirmou.

Os moradores tentaram convencer o secretário de que a limpeza do lago precisa ser realizada com urgência. Por várias vezes, ele deu a mesma resposta. “É preciso fazer uma licitação, porque a retirada do lodo não justifica um contrato de emergência”, repetia. “Ele está aí há mais de 50 anos e não colocou a vida de ninguém em risco. Por isso, não é emergencial”, completou o chefe de gabinete, Hélio Neves. Com esse caráter, a Prefeitura contratou apenas a empresa responsável pela reforma do vertedouro danificado que causou, na última segunda-feira, o escoamento dos 75 milhões de litros de água do lago.

Poluição

Análises realizadas entre maio e dezembro de 2008 pela Prefeitura indicaram uma baixa taxa de poluição no lago da Aclimação. O índice médio foi de 24 miligramas de oxigênio por litro. De acordo com critérios informados pela Sabesp, quando essa taxa está entre 10 e 30, a qualidade da água é considerada boa. Acima disso, há restrição à existência de peixes, cheiro ruim e a necessidade de tratamento especial.

Um relatório divulgado ontem pela Secretaria do Verde e Meio Ambiente mostra que desde 2005 foram investidos R$ 4,1 milhões no Parque da Aclimação. Desse total, 44% foram para despoluição do lago, redirecionamento de nascentes, modernização da estação da Sabesp, vistoria e “recirculação” da água. Segundo a Prefeitura, todo o complexo hídrico do lago foi vistoriado em 2007 pela Secretaria de Infraestrutura Urbana a um custo de R$ 460 mil.

28/02/2009 - 10:37h Prefeitura omite dados sobre manutenção e vistoria em lago do parque da Aclimação

DA REPORTAGEM LOCAL – FOLHA SP

Cinco dias após o lago do parque da Aclimação secar por causa do rompimento da estrutura que regulava o nível de suas águas, a gestão do prefeito Gilberto Kassab (DEM) ainda não divulgou dados sobre a última vistoria realizada no local nem informou a periodicidade das inspeções feitas para evitar o que ocorreu na segunda-feira.
Na quarta-feira, a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente limitou-se a dizer que a estrutura que se rompeu -a base do vertedouro do lago- havia sido vistoriada por técnicos “em 2007″. A prefeitura não soube dizer, porém, em qual data ela foi feita nem o nome do funcionário que a fez.
Um relatório sobre parques municipais divulgado pela prefeitura em 2006 pediu, entre outras providências, a criação de “mecanismos de manutenção de volume de água” do lago.
Na terça-feira, um dia após o lago secar, a gestão Kassab afirmou que o vertedouro nunca havia passado por manutenção porque não houve necessidade.
A Folha voltou a questionar ontem a prefeitura sobre providências tomadas após o alerta do relatório de 2006, mas não obteve respostas nem da pasta do Verde e do Meio Ambiente nem da de Infraestrutura.
O reparo de emergência no vertedouro foi concluído ontem, permitindo que o lago já começasse a se encher lentamente com as minas d’água. Moradores da região marcaram para hoje, às 11h, uma manifestação em defesa do lago.
Até ontem, a estação de tratamento da Sabesp que despeja no lago a água tratada do córrego Pedra Azul estava fechada. Funcionários da prefeitura estimam que, se for abastecido só pela mina, o lago levará uma semana para ficar cheio.
A limpeza do lodo do fundo -contaminado pelo esgoto que por décadas foi depositado no local- será feita com o lago cheio. De acordo com o superintendente da Secretaria de Infraestrutura, Edward Boretto, será utilizado um equipamento capaz de dragar o material e ao mesmo tempo secá-lo.
Ainda assim, ele diz que será preciso que o lodo passe um tempo secando em uma parte do parque, ainda não definida, antes de ser encaminhado a um local de descarte, para evitar que escorra no transporte.
A retirada do lodo faz parte de uma obra de R$ 20 milhões que inclui um novo vertedouro e o aumento da profundidade do lago. Deve levar mais seis meses.

(MARIANA BARROS, CONRADO CORSALETTE e RICARDO SANGIOVANNI)

28/02/2009 - 10:19h Limpar depois de encher pode ter custo mais alto

Vitor Sorano – JT

O Jornal da Tarde consultou empresas de dragagem sobre a retirada de lodo de um lago em duas condições: seco e cheio d’água. A opinião dominante é que, em tese, fazer o serviço na segunda hipótese – a ser adotada pela gestão Kassab (DEM) no caso Aclimação -, provavelmente sai mais caro. Em alguns casos, a reportagem se identificou e informou qual era o local de execução dos serviços.

“A retirada com o lago seco é três vezes mais em conta”, disse um representante da Wüstenjet Engenharia que não quis se identificar. Ele respondeu sabendo que se tratava do lago do Parque da Aclimação. Mesma avaliação foi dada por uma empresa de Santa Bárbara D’Oeste, no interior do Estado – à qual o JT não se identificou. “Seco é bem melhor. Dá bastante diferença de preço, umas três vezes.”

Avaliação positiva sobre a secagem também teve uma empresa de Ribeirão Preto. “Seco seria mais viável. A vantagem é que o acabamento é outro, mas tem de ver as condições”, disse um funcionário.

“Se conseguir desidratar o sedimento, é mais econômico. Por ser uma área urbana, quanto menos água tiver é melhor, porque o volume (a ser transportado) é menor”, afirmou o coordenador da Associação Brasileira de Dragagem, Paulo Roberto Rodriguez, falando em tese sobre o caso Aclimação. “Mas não é uma questão de custo, e sim de técnica. ”

Na FOS Engenharia Limitada, a opinião era de que o serviço com água irá causar menos impacto para a população. “Para esperar esse lodo secar vai demorar mais e vai provocar mau cheiro.”

 

Obra rápida para encher lago

Água de minas é liberada uma hora e meia depois do fim da concretagem de equipamento que falhou

Vitor Sorano, JT

vitor.sorano@grupoestado.com.br

Uma hora e meia depois de concluída a concretagem do vertedouro – equipamento de controle de volume de água – que quebrou e esvaziou o lago do Parque da Aclimação na última segunda, a água voltou a ser liberada para encher o local, por volta das 15h30 de ontem. A Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente não divulgou estimativa de quando o reservatório estará completo. Uma das variáveis que influencia esse prazo é a quantidade de chuva.

A água começou a voltar ao lago a partir de minas – há três mapeadas no local – que estavam contidas. As outras fontes são a chuva que atinge o local e o excesso de água que transborda do Córrego da Pedra Azul, próximo ao parque, e é desviado para o lago.

A concretagem do vertedouro terminou por volta das 14 horas. Hoje a Épura, empresa contratada pela Prefeitura, voltará ao local para implantar tubos um pouco abaixo do limite superior do vertedouro. Cada um deles funcionará como uma espécie de “ladrão” de caixa-d’água. A mudança permitirá que o equipamento comece a escoar um eventual excesso de água antes de chegar ao nível máximo, o topo do vertedouro.

A medida, diz a Épura, dá mais segurança. Uma das hipóteses da Prefeitura para o incidente é que o excesso de chuva tenha colocado muita pressão na base do vertedouro, causando o rompimento e a drenagem total do lago.

Para o engenheiro José Eduardo Cavalcanti, do Instituto de Engenharia, especialista em remoção e transporte de resíduos, “o enchimento nesse momento é como se colocasse um carpete novo sobre um piso podre”.

Quase metade da capacidade do lago está ocupada por lodo, segundo a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras (Siurb). O volume do lago, até hoje, é de 75 milhões de litros de água. Com a retirada do lodo, diz a prefeitura, esse volume chegará a aproximadamente 100 milhões de litros.

A limpeza de lagos, na maioria das vezes, é feita por meio de dragagem dos sedimentos. Para Cavalcanti, esse procedimento é mais custoso (leia ao lado) e traz inconvenientes ambientais.

Já Kassab disse que é indiferente retirar o lodo com o lago vazio ou cheio. “A Secretaria do Verde e Meio Ambiente fez estudos mostrando que não é necessária a retirada do lodo para as próximas obras que serão feitas no lago.” A terceira fase das obras, que inclui a remoção do lodo e a construção de novo vertedouro, custará R$ 20 milhões. A licitação deve ser aberta nas próximas semanas.

A pasta diz que é necessário encher o lago para fazer a limpeza. Um dos motivos é que o transporte do material sem isso geraria grande transtorno para o parque e para o bairro. O outro é que será usada a técnica de bombeamento, que exige água. Eduardo Reina, Mônica Cardoso e Vitor Sorano

28/02/2009 - 09:45h No lago, água nova e sujeira antiga

Para engenheiros, Prefeitura perde chance única de limpar área

O Estado SP

A Prefeitura de São Paulo vai perder uma grande oportunidade de realizar a limpeza da sujeira acumulada por anos e anos no fundo do lago do Parque da Aclimação e economizar dinheiro. Essa é a opinião do engenheiro José Eduardo Cavalcanti, do Instituto de Engenharia, especialista em remoção e transporte de resíduos. “Encher o lago nesse momento é como colocar um carpete novo sobre um piso podre”, afirmou Cavalcanti.

Segundo ele, a retirada de toda a lama e do material sólido que está no local poderia demorar semanas, já que é preciso fazer a separação do material sólido do líquido. “Provavelmente o lodo teria de passar por um processo de secagem antes de ser enviado a um aterro”, explicou o engenheiro. Atualmente, os aterros que podem receber esse tipo de material cobram em torno de R$ 120 por tonelada a ser despejada.

Quase metade da capacidade do lago está ocupada hoje por lodo, de acordo com a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras (Siurb). O volume do lago é de 75 milhões de litros de água. Desse total, cerca de 30 milhões de litros correspondem ao lodo existente, composto por terra, água e material orgânico como esgoto, algas, micro-organismos, animais mortos e vegetais que chegam ao local pelo Córrego Pedra Azul.

Antes de entrar no corpo do lago, a água do Pedra Azul passa por processo de flotação numa estação ao lado do parque. Mas parte das impurezas acaba ficando no líquido. Com o esvaziamento do lago, foi possível ver a quantidade de sujeira existente no local. Há desde garrafas plásticas e pneus até carrinho de feira.

DRAGAGEM

O processo de limpeza de corpos de água, na maioria das vezes, é feito através de dragagem dos sedimentos. Para o engenheiro Cavalcanti, esse procedimento é mais custoso e traz inconvenientes ambientais. Com o local vazio, poderia ser feito com escavadeiras e caminhões. “Está se desperdiçando uma oportunidade única de limpar o lago da Aclimação”, disse.

O enchimento do lago nas atuais condições seria ruim para o local, segundo Julio Cerqueira Cesar Neto, outro engenheiro da área sanitária e ambiental e ex-presidente da Agência da Bacia do Alto Tietê. “Esse lago sempre esteve sujo. E já que está vazio, é preciso corrigir. Se tirar os detritos do fundo, ao reencher, as condições serão excelentes. A limpeza a céu aberto é mais barata”, disse Cesar Neto.

Já o prefeito Gilberto Kassab disse que é indiferente retirar o lodo com o lago vazio ou cheio. “A Secretaria do Verde e Meio Ambiente fez estudos mostrando que não é necessária a retirada do lodo para as próximas obras que serão feitas no lago.” A terceira fase das obras, que inclui a remoção do lodo e a construção de um novo vertedouro, custará R$ 20 milhões. A licitação deve ser aberta nas próximas semanas.

TAMPÃO

Ontem, dois tubos de concreto foram colocados no interior do vertedouro – sistema hidráulico que regula o nível do lago. Foi formada uma peça que funcionará como tampão provisório permitindo o acúmulo de água que virá de algumas minas de água próximas do parque e também da chuva.

27/02/2009 - 09:54h Kassab vai manter lago poluído

Gabriela Gasparin do Agora

Sob descontentamento dos frequentadores do parque da Aclimação, a prefeitura voltará a encher o lago da área verde amanhã sem a retirada do lodo e lixo acumulados no fundo do ex-lago. O material, além de malcheiroso, transmite doenças à população.

O lago esvaziou na segunda-feira após o vertedouro (equipamento que controla o nível de água do lago) ter a base rompida durante um temporal. Animais morreram.

O Prefeito Gilberto Kassab (DEM) disse que o motivo da tragédia não foi falta de manutenção, mas a pressão que a água da chuva provocou no equipamento.

O reparo da base do vertedouro deve ser finalizado hoje pela empresa contratada emergencialmente por cerca de R$ 160 mil. Será feito o encaixe de um tubo de concreto na base rompida e o lago voltará a ser enchido.

Kassab disse anteontem que não haverá a necessidade de retirar o lodo antes de encher. Segundo o prefeito, o material será removido com o lago já cheio, quando será colocado um novo vertedouro e as galerias da região serão revistas. A previsão do prefeito é que essa etapa esteja concluída em até 10 meses por causa da licitação. Kassab disse que a obra já estava prevista antes da tragédia e estava orçada em R$ 20 milhões.

Descontentamento
A ideia de colocar água sobre o lamaçal que restou do que era um lago, entretanto, não agradou nem um pouco os frequentadores do parque.

Indignada, a população quer que o material seja retirado antes de encher o lago de novo. Além de peixes mortos que provocarão mal cheiro, há pneus, bacias, entulho, pedaços de madeiras e garrafas no lodo.

A Assuapa (Associação dos Usuários e Amigos do Parque Aclimação) fará um movimento amanhã exigindo a retirada do lodo antes de o lago encher. “Aconteceu uma tragédia, a prefeitura não tem que ficar fazendo licitação para a retirada do lodo”, disse o diretor da entidade, Roberto Casseb. A associação pretende montar um conselho para a recuperação do lago.

Ontem pela manhã, a sujeira do lago seco prendia a atenção visitantes do parque, que paravam para assistir à cena. “Eu queria saber como que essa sujeira entrou aqui. Podia aproveitar que o lago secou para tirar a lama”, disse a atendente Solange Guimarães, 28 anos, que visitava o parque na tarde de ontem.

O lodo do parque pode transmitir doenças, como hepatite e leptospirose, às pessoas, segundo o infectologista Paulo Olzon. O zootecnista da Unesp (Universidade do Estadual Paulista) disse que, apesar de não fazer mal aos peixes, é correto retirar o lodo do fundo do local onde havia o lago.

27/02/2009 - 09:42h 4 anos mais tarde…

Ontem formulei aqui algumas perguntas sobre os problemas de manutenção do lago do Parque da Aclimação. O lago seco do engenheiro Kassab

“Em 2005, o então prefeito José Serra soltou um decreto autorizando as empresas privadas a “assumirem” a manutenção dos lagos dos parques municipais. Os quatro parques visados pelo decreto eram: Ibirapuera, Aclimação, Carmo e Cidade de Toronto. As empresas deveriam, segundo o decreto de Serra, cuidar de poluição da água, erosão ribeirinha, vegetação local, assoreamento dos lagos, fauna aquática, avaliação de qualidade da água e campanhas que estimulem a participação da população na conservação dos lagos. Em troca fariam a publicidade nos locais.

Que fim recebeu o decreto? Quais empresas assumiram “cuidar” do lago?

Segundo a Folha de São Paulo da época “Um relatório com a atual condição desses lagos e as medidas de manutenção e recuperação necessárias em cada um deles deve ser publicado pela Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA) em 120 dias.” (Folha SP 10/8/2005).

O relatório foi feito? Quais foram suas conclusões?”

Segundo o jornal O Estado SP a prefeitura produziu um relatório em 2006 identificando os problemas. Aparentemente a lista é a mesma que figurava no decreto de Serra em 2005. Segundo o Estado SP nenhuma empresa assumiu cuidar do lago e o jornal não consegue saber se a prefeitura cuidou do que seu próprio diagnostico considerava problemas à resolver.

Como para evitar que estes e outros elementos provantes do desfuncionamento da administração demo-tucana veiam a luz do dia, Kassab quer encher o lago rapidamente sem proceder a remoção do lodo contaminado, nem a limpeza da sujeira acumulada e isto contrariando opinião de técnicos ouvidos pela imprensa.

Kassab está preocupado com o cheiro de podre que emana do lago seco. Para esconder o cheiro, quer pressa para pôr água encima.

O acidente deveria servir para passar a limpo o tratamento dado pela prefeitura durante estes 4 anos, questão de pelo menos alguma coisa ficar limpa depois do ocorrido, já que aparentemente o lago continuará com o lodo contaminado e o fundo sujo. LF

Prefeitura identificou problemas na área em 2006

Vitor Sorano – O Estado SP

Um relatório da Prefeitura de São Paulo divulgado em 2006 apontava a necessidade de cinco “intervenções” no Lago da Aclimação – que se esvaziou na segunda-feira. Dentre elas estava a promoção de “mecanismos de manutenção do volume de água”. A Secretaria do Verde e Meio Ambiente não informou quando e como esses serviços foram realizados nem quanto foi gasto.

O Relatório Preliminar do Estado dos Lagos dos Parques Municipais de São Paulo – no qual constam as intervenções necessárias – foi elaborado pela atual gestão para subsidiar convênios com entidades públicas e privadas. O objetivo do prefeito Kassab (DEM) era passar a responsabilidade por cuidar dos lagos de parques públicos a terceiros. Nenhuma parceria, porém, foi fechada para o caso da Aclimação.

Além da manutenção do volume de água, o relatório ainda cita a necessidade de recomposição da flora à beira do lago. “Em áreas ao redor ocorre ausência da vegetação, provocando erosão”, diz o documento. Também são previstos o diagnóstico da profundidade do lago e das características do lodo ao fundo.

As obras de melhoria no lago são feitas há cerca de um ano, segundo a Prefeitura. A primeira e a segunda etapas – que incluem a despoluição do Córrego Pedra Azul e a retomada da circulação de água – já foram concluídas. A terceira etapa, que entrará em fase de licitação, prevê a retirada do lodo e a construção de um novo vertedouro. Após a licitação, a obra deve ser concluída até o fim do ano. Dessa forma, a capacidade vai aumentar de 70 milhões para 110 milhões de litros.

27/02/2009 - 09:12h Lodo contaminado de lago vaza para as ruas da Aclimação

Lama e peixes mortos vieram de bueiros; prefeito admite que sujeira pode até fazer mal

Marcela Spinosa e Mônica Cardoso – O Estado SP

Pelo menos três ruas vizinhas do Parque da Aclimação, na região central de São Paulo, amanheceram ontem com lama e peixes mortos. A sujeira subiu pelos bueiros, por onde passa a galeria de água pluvial. A tubulação sai do vertedouro, que rompeu segunda-feira e sugou, em menos de uma hora, a água do lago. Sem a “tampa”, a sujeira escoou pela estrutura, com a chuva de anteontem. Segundo a Prefeitura, o refluxo da água pelo bueiro pode ter sido causado pela própria galeria, que não suportaria o volume de água.

Os moradores receiam pegar algum tipo de doença se entrarem em contato com o lodo, uma vez que o lago recebeu esgoto até 2007, quando foram fechadas 42 ligações clandestinas. O prefeito Gilberto Kassab admitiu que o material está contaminado. Para o professor de Clínica Médica da Universidade Federal de São Paulo, Paulo Ozon, é preciso evitar o contato. “As pessoas que entraram em contato com o lodo podem desenvolver leptospirose e salmonelose (doenças causadas por bactérias). Elas devem procurar o médico e fazer uso de antibióticos.”

Os sintomas da leptospirose incluem febre alta, dor de cabeça forte, calafrio, dor muscular, vômito, olhos e pele amarelada, dor abdominal, diarreia e erupções na pele. Os sintomas mais comuns da salmonelose são diarreia, febre, cãibras estomacais, náusea, vômitos e dores de cabeça.

Apesar de estarem acostumados com enchentes, os moradores das Ruas Oscar Guanabarino, Maracaí e Albina Barbosa nunca imaginaram que veriam as vias com lodo. “Jorrava pelo bueiro. Parecia um poço de petróleo de tão escura que a água estava”, afirmou a aposentada Neide Moraes Fera, de 63 anos. Ela disse que a chuva durou cerca de 20 minutos, mas foi suficiente para deixar marcas de quase 1 metro de altura nas paredes. E pelo menos 17 rachaduras abriram no asfalto da Albina Barbosa, por onde passa a tubulação.

OBRA

Para evitar que o lodo do lago da Aclimação caia no vertedouro, a empresa Épura, responsável pelo conserto da estrutura, cercou ontem com pedaços de madeira o buraco por onde a água do lago escoa. A reconstrução da parte danificada deve começar hoje. No interior da estrutura será colocado um tubo de concreto, que pesa 2.300 quilos.

26/02/2009 - 09:52h O lago seco do engenheiro Kassab

http://www.estadao.com.br/lago2.jpg

O que aconteceu na manutenção do lago do Parque da Aclimação? Porque o lago secou? O acidente era evitável?

Estas e outra interrogações devem estar na cabeça de muitos frequentadores do parque e também dos cidadãos que se preocupam pela situação da cidade.

Estas perguntas são legitimas e outras surgem à leitura dos jornais.

Em 2005, o então prefeito José Serra soltou um decreto autorizando as empresas privadas a “assumirem” a manutenção dos lagos dos parques municipais. Os quatro parques visados pelo decreto eram: Ibirapuera, Aclimação, Carmo e Cidade de Toronto. As empresas deveriam, segundo o decreto de Serra, cuidar de poluição da água, erosão ribeirinha, vegetação local, assoreamento dos lagos, fauna aquática, avaliação de qualidade da água e campanhas que estimulem a participação da população na conservação dos lagos. Em troca fariam a publicidade nos locais.

Que fim recebeu o decreto? Quais empresas assumiram “cuidar” do lago?

Segundo a Folha de São Paulo da época “Um relatório com a atual condição desses lagos e as medidas de manutenção e recuperação necessárias em cada um deles deve ser publicado pela Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA) em 120 dias.” (Folha SP 10/8/2005).

O relatório foi feito? Quais foram suas conclusões?

Segundo Gilmar Altamirano, 50, gerente de águas da SVMA, – citado no artigo da Folha na época- “o lago da Aclimação, na zona sul, é o que apresenta mais problemas. Levantamento da Sabesp (agência de saneamento paulista) apontou a existência de 23 imóveis que lançam irregularmente o esgoto nas galerias destinadas à água das chuvas -os dejetos são levados ao córrego Pedra Azul, que abastece o lago.”

Pois bem, é demais perguntar o que foi implementado nesses 4 anos para sanear esses e os outros problemas? A sujeira encontrada no lago pode ter sido uma das causas do rompimento do vertedouro?

Hoje, a Folha SP, mostra o jogo de esconde-esconde da prefeitura para escapulir das suas responsabilidades. Segundo o jornal: “A gestão do prefeito Gilberto Kassab (DEM) afirmou ontem ter realizado uma inspeção técnica em conjunto com a Sabesp no vertedouro do lago do parque da Aclimação em 2007, sem ter encontrado qualquer problema na estrutura que, na segunda-feira, se rompeu e dragou os 78 milhões de litros d’água que banhavam o local.
A companhia de saneamento do Estado de São Paulo, porém, desmentiu a prefeitura, ao ser procurada pela Folha, também ontem, para falar sobre o assunto. A assessoria de imprensa da Sabesp ressaltou que a empresa se limita a lidar com a qualidade da água do lago e que nunca participou de inspeções estruturais.”

Como se vê, muitas interrogações e poucas certezas. Uma dessas poucas certezas, pelo que mostram os jornais, é que Kassab não deseja transparência sobre o assunto. Os vereadores talvez desejem passar a limpo o assunto. A mídia poderá ir atrás é mostrar o que realmente levou a esse lamentável acidente que esvaziou o lago. LF

Nota.- A ação dos trolls*, completada pela preguiça de alguns jornais provavelmente devido ao carnaval, dificulta o entendimento sobre o acidente que esvaziou o lago do Parque da Aclimação.

É inverídica a afirmação dos trolls* sobre suposta reforma do lago durante a gestão petista como possível causa do acidente. Trata-se de uma campanha de propaganda visando a proteger a gestão Kassab sobre as carências em matéria de manutenção dos espaços e equipamentos públicos.

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