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	<title>Blog do Favre &#187; Partidos</title>
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	<description>Cultura, Política, Economia, Mundo, Sociedade, Comportamento</description>
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		<title>A cara, do Cara</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Oct 2009 13:42:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Dilma, a cara do Lula

A oposição não tem proposta, não tem programa e está sem rumo. Setores da mídia estão apavorados por não encontrar na oposição defensores aguerridos de combate ao governo Lula. 
O melhor resumo do desamparo que expressa, entre outros, a coluna de Celso Ming no Estadão de hoje (ver a seguir) foi [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" style="cursor: -moz-zoom-in;" src="http://oglobo.globo.com/fotos/2009/03/25/25_MHG_Lula_Dilma.jpg" alt="http://oglobo.globo.com/fotos/2009/03/25/25_MHG_Lula_Dilma.jpg" width="521" height="333" /></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: xx-small;"><em>Dilma, a cara do Lula</em></span></p>
<p style="text-align: center;">
<p><em>A oposição não tem proposta, não tem programa e está sem rumo. Setores da mídia estão apavorados por não encontrar na oposição defensores aguerridos de combate ao governo Lula. </em></p>
<p><em>O melhor resumo do desamparo que expressa, entre outros, a coluna de Celso Ming no <strong>Estadão</strong> de hoje (ver a seguir) foi dado ontem, na entrevista do marketeiro tucano Gonzáles. Respondendo a pergunta do <strong>VALOR</strong>: &#8220;O senhor aposta numa campanha pela biografia, mas não acha que o governo vai se pautar por temas como Bolsa Família, crédito popular, valorização do salário mínimo?&#8221; A resposta do publicitário tucano foi &#8220;Mas para cuidar disso aí você prefere esse cara aqui ou essa mulher [Dilma] que ninguém conhece?&#8221;. Ou seja, Serra seria o igual do Lula.</em></p>
<p><em>Acontece que o estelionato eleitoral consistente em pretender ser uma coisa durante a campanha eleitoral e depois executar outra, a exemplo do realizado na Prefeitura de São Paulo pela dupla Serra-Kassab, encontra cada vez mais dificuldades. Uma delas é que emperra a implementação plena da política conservadora e privatizante defendida por setores importantes da mídia e do empresariado, porque o &#8220;estelionatário&#8221; tem que manobrar para apagar as promessas eleitorais e dar livre curso ao seu &#8220;programa&#8221;, para não chocar violentamente os eleitores.</em></p>
<p><em>No fundo, o que certos jornais reclamam é que não exista uma força assumidamente de direita, o que se compreende pois nem José Serra, nem os demo-tucanos, têm vocação para o ostracismo. </em></p>
<p><em>Em um certo sentido a grande vitória de Lula é essa: para se eleger, a oposição tem que pretender que sua cara é a do &#8220;sapo barbudo&#8221;. </em></p>
<p><em>Caberá aos partidos da base do governo mostrar a cara do conquistado pelo povo nos 8 anos extraordinários que o Brasil vive, ou seja a cara, do cara, para tirar a mascara do travestimento demo-tucano e mostrar o verdadeiro rosto do conservadorismo reacionário. LF</em></p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-14699 aligncenter" title="Lula_boneco_tucano" src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/10/Lula_boneco_tucano.jpg" alt="Lula_boneco_tucano" width="555" height="370" /></p>
<p style="text-align: center;">
<p><strong><span style="font-size: xx-large;">Procura-se a oposição</span></strong></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">CELSO MING &#8211; O Estado SP</span></h2>
<p>Está difícil de encontrar a oposição no Brasil.</p>
<p>Isso não acontece apenas porque a política econômica colocada em prática pelo governo Lula pouco mudou em relação à do governo anterior. A oposição está sumida porque não consegue ter alguma opinião consistente sobre o que é realmente relevante na economia e também na política.</p>
<p>Tome-se um dos temas mais importantes para o futuro do País, que é o marco regulatório do pré-sal. O governo levou mais de um ano para definir um modelo e encaminhou ao Congresso alguns projetos de lei que, para o bem e para o mal, mudam muita coisa.</p>
<p>Durante esse meio tempo, a oposição não se preparou, não discutiu, não formou opinião. E agora se comporta passivamente diante das propostas. Não foi até aqui capaz de propor nada de substancialmente novo e parece conformada com o sistema de partilha, com a criação de uma nova estatal para administrar a renda proveniente do pré-sal e com o papel que será confiado à Petrobrás no desenvolvimento e na exploração dos novos campos.</p>
<p>Entre as 258 emendas aos projetos do governo encaminhadas pelos parlamentares, nenhuma questiona de maneira relevante nem melhora efetivamente o que está proposto. As poucas críticas que pipocaram na imprensa pareceram irrelevantes e vêm sendo facilmente rebatidas pela Petrobrás ou pelas autoridades da área no governo.</p>
<p>Em outra matéria importante, a da reforma política, a oposição vinha balbuciando propostas a respeito da adoção do sistema de financiamento público de campanha, do voto distrital e do novo tratamento a ser dado à questão da fidelidade partidária. Mas discussões sobre o tema morrem nas vacilações e na pouca convicção de que é preciso mudar o sistema em vigor.</p>
<p>Outro assunto de grande relevância é a questão ambiental, que será objeto da 15ª Conferência do Clima das Nações Unidas (COP 15), a ser realizada dentro de dois meses em Copenhague, na Dinamarca.</p>
<p>Embora também vacile nesses temas e pouco tenha a propor, o governo até que vem buscando algumas posições a serem defendidas na Conferência. Mas a oposição está completamente parada; parece incapaz de sugerir e incapaz de confrontar eventuais fragilidades da posição do governo.</p>
<p>Lá de vez em quando alguém do PSDB ou do DEM faz um pronunciamento contra o processo de aparelhamento do Estado pelo PT e por outros partidos da base do governo. Mas não se vê nenhum plano de ação, nenhuma consistência de proposta para acabar com a apropriação do patrimônio público.</p>
<p>E não é coisa diferente disso que se pode dizer a respeito dos demais projetos de reforma: Reforma da Previdência, Reforma Tributária, Reforma Trabalhista. Todas essas iniciativas de outrora dormem em alguma gaveta de Brasília.</p>
<p>Paradoxalmente, a oposição parece hoje em melhores condições de eleger o futuro Presidente da República. No entanto, não se tem a menor ideia das bandeiras que submeterá ao crivo do eleitor. Isso acontece provavelmente porque ela não tem bandeiras diferentes das de tudo o que está aí. E não as tem não porque elas não existam, mas porque seus líderes não pensaram, não discutiram, não formaram posição sobre nada de importante.</p>
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		<title>Tucanos querem o mandato de Chalita. A &#8220;civilização do amor&#8221; não é com eles</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Oct 2009 12:40:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
		<category><![CDATA[Chalita]]></category>
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		<description><![CDATA[
PSDB decide pedir mandato de Chalita
CATIA SEABRA &#8211; FOLHA SP 
DA REPORTAGEM LOCAL
A Executiva do PSDB de São Paulo decidiu na noite de ontem, por unanimidade, requerer o mandato do vereador Gabriel Chalita à Justiça Eleitoral. Recém-filiado ao PSB, Chalita fez ataques ao governador José Serra para justificar sua saída do partido.
Apesar de afirmar que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://img.cancaonova.com/noticias/noticia/253342.jpg" alt="http://img.cancaonova.com/noticias/noticia/253342.jpg" /></p>
<p><strong>PSDB decide pedir mandato de Chalita</strong></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">CATIA SEABRA &#8211; FOLHA SP </span></h2>
<p>DA REPORTAGEM LOCAL</p>
<p>A Executiva do PSDB de São Paulo decidiu na noite de ontem, por unanimidade, requerer o mandato do vereador Gabriel Chalita à Justiça Eleitoral. Recém-filiado ao PSB, Chalita fez ataques ao governador José Serra para justificar sua saída do partido.<br />
Apesar de afirmar que entrará na Justiça com base no argumento jurídico de que o mandato pertence ao PSDB, o presidente municipal do partido, José Henrique Lobo, admitiu que as declarações do vereador pesaram. &#8220;Ele deixou o partido de maneira deselegante e descortês e investiu pesadamente contra Serra.&#8221;<br />
Lobo disse esperar que Chalita não adote um &#8220;discurso tão destrambelhado quanto o do seu novo líder Ciro Gomes&#8221;. &#8220;Se antes eu podia ter algum constrangimento, diante dos ataques dirigidos a Serra e ao PSDB, não o tenho mais.&#8221;<br />
Embora a administração Serra se esforce para limitar a decisão à esfera partidária, o vice-governador, Alberto Goldman, foi um dos defensores da ideia de recuperação do mandato. &#8220;Eticamente, Chalita deveria devolver o mandato&#8221;, afirmou.<br />
Procurado ontem pela Folha, Chalita não havia ligado de volta até o fechamento desta edição.</p>
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		<title>Reforma política virou palavrão</title>
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		<pubDate>Fri, 08 May 2009 21:32:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Kennedy Alencar &#8211; Folha Online


É saudável uma dose de ceticismo em relação ao mais recente desejo do Congresso de retomar o tema da reforma política. Afinal, em outros momentos difíceis para os políticos, essa surrada bandeira foi levantada como forma de tentar mudar de assunto e tirar o foco de escândalos.
Ora, não é ilegítimo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="sectionName pensata"> <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/"><img src="http://f.i.uol.com.br/folha/furniture/4/masthead/images/lgo-pensata.gif" alt="Pensata" width="230" border="0" height="26" /></a></div>
<h1 style="background-color: #ffff99" class="mastheadTitle localPensata"><font size="4"><a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/kennedyalencar/">Kennedy Alencar &#8211; Folha Online</a></font></h1>
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<div id="articleBy"></div>
<p><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/05/reforma-politica-virou-palavrao/11129/" rel="attachment wp-att-11129" title="kennedy_alencar50x50.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/05/kennedy_alencar50x50.jpg" alt="kennedy_alencar50x50.jpg" align="left" /></a>É saudável uma dose de ceticismo em relação ao mais recente desejo do Congresso de retomar o tema da reforma política. Afinal, em outros momentos difíceis para os políticos, essa surrada bandeira foi levantada como forma de tentar mudar de assunto e tirar o foco de escândalos.</p>
<p>Ora, não é ilegítimo quem está com a barra suja tentar limpá-la. Ainda que seja uma reação, uma tentativa de instituir uma &#8220;agenda positiva&#8221;, não há mal nisso. Basta não tratar o assunto com ingenuidade. Tampouco com desprezo. Parece que reforma política virou palavrão. É um erro subestimar a sua importância e a chance de votar ainda neste ano alguns pedaços dessa reforma. Há três pontos principais na crista da onda: financiamento das campanhas, lista fechada de candidatos elaborada pelos partidos e uma janela um ano ou seis meses antes das eleições para permitir troca de partido.</p>
<p>Certa demofobia atribui ao grosso do eleitorado uma recusa de antemão a esses pontos, como se fossem absurdos. São polêmicos, mas nada absurdos.</p>
<p>Dizer que motorista de táxi acha que financiamento público significa dar dinheiro para políticos ladrões é um argumento primário para dinamitar a discussão. É tratar o povo como estúpido. Muita gente no debate público brasileiro acha mesmo o povo idiota. Há aqueles que se surpreendem com a ousadia de a maioria da população achar que Lula faz um bom governo porque, vejam só!, Lula faz um bom governo. Para esse pessoal, o povo é idiota ao conferir ao presidente da República a popularidade que tem. Deve ser algum vodu lulista e não a percepção de melhoria de vida.</p>
<p>Carimbar a possibilidade de voto em lista como ditadura partidária parece o velho jogo de desqualificar a discussão para evitar descer aos detalhes. Dizer que os políticos querem uma janela de infidelidade porque são vagabundos que adoram trocar de partido por interesses escusos também é uma maneira de desqualificar o debate.</p>
<p>Vamos aos pontos:</p>
<p><strong>Dinheiro de campanha</strong></p>
<p>O atual financiamento de campanha conta com dinheiro público. Já temos um sistema misto. O fundo partidário e o horário eleitoral gratuito em rádio e TV custam dinheiro aos cofres públicos. Há uma proposta para acabar totalmente com o financiamento privado.</p>
<p>Cerca de R$ 1 bilhão para o primeiro turno das eleições de 2010 seria o valor para bancá-lo. Ora, não é uma quantia exorbitante para um país da importância do Brasil. Com o financiamento público total, deveria ser votada uma lei para cassar o mandato de quem for pego fazendo caixa 2.</p>
<p>Explicar à opinião pública que esse tipo de financiamento reduziria a influência do poder econômico sobre os políticos é um argumento convincente. Só muita demofobia para achar que o povo não o entenderia.</p>
<p>Este jornalista não tem uma posição fechada sobre o financiamento público puro. Mas é simpático à proposta e acha fundamental debatê-la. Talvez fosse possível permitir contribuições privadas de pessoas físicas e jurídicas até um determinado valor &#8211;algo bem baixo. Mil reais por CPF e R$ 10 mil por CNPJ poderiam conviver com o financiamento público.</p>
<p>As grandes empresas, se desejam mesmo contribuir para a democracia, poderiam fazer aportes no fundo público, como sugeriu o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB). Não dirigiriam a verba para o partido tal ou candidato tal, mas fariam doações para que o Tesouro tivesse de entrar com todos os recursos.</p>
<p>O que está claro é que o atual sistema de financiamento não está dando resultado. Mudá-lo pode ser uma boa ideia. As próprias empresas já estão ressabiadas. As contribuições para os partidos são uma forma de evitar doações para os candidatos individuais. O atual sistema de financiamento está doente.</p>
<p><strong>Voto em lista</strong></p>
<p>Em sua coluna na versão impressa da <strong>Folha</strong>, o craque Clóvis Rossi mostrou que o voto em lista não é nenhum bicho papão. &#8220;São pobres e completamente divorciados dos fatos os argumentos até aqui usados para vetar o voto em lista&#8221;, escreveu Rossi. E ele está certo.</p>
<p>Ora, há mesmo risco de uma ditadura partidária. Sobretudo na primeira eleição sob o novo sistema. Mas será que a sociedade aceitaria passivamente essa ditadura? Os diversos grupos de interesse não iriam brigar nos partidos para colocar seus representantes na lista?</p>
<p>O voto hoje é nominal. E temos isso aí na política.</p>
<p>Parece bastante simpática a possibilidade de um sistema misto, com metade dos candidatos eleitos nominalmente e a outra metade pela lista. Como é na Alemanha, lembrou Rossi.</p>
<p>Enfim, mesmo que não seja uma panaceia, o voto em lista não é golpe contra o eleitor. Esse argumento é torcida.</p>
<p><strong>Mudança de partido</strong></p>
<p>O STF (Supremo Tribunal Federal) confirmou o entendimento do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que praticamente acaba com o troca-troca partidário. Se o deputado muda de partido no meio do mandato, pode perdê-lo para a sigla. Antes da restrição, valia tudo e era péssimo. Agora, há argumentos honestos que dizem que se mudou da água para o vinho.</p>
<p>Permitir a um político que migre de partido uma vez a cada quatro anos, pouco antes de se apresentar para a próxima eleição, não é absurdo.</p>
<p><strong>2010 e 2014</strong></p>
<p>Também não é absurda a possibilidade de que eventuais novas regras eleitorais valham para as eleições de 2014. Facilitaria a aprovação agora e daria tempo para um período de transição.</p>
<p><strong>Cotação</strong></p>
<p>Hoje, o ministro José Múcio (Relações Institucionais) está mais perto de ser indicado para uma vaga ao TCU (Tribunal de Contas da União) do que a secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra. A vaga será aberta no mês que vem.</p>
<p><strong>E-mail:</strong> <a href="mailto:kennedy.alencar@grupofolha.com.br">kennedy.alencar@grupofolha.com.br</a></p>
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		<title>PT ratifica apoio a Dilma, pressiona por Carvalho e negocia palanques estaduais</title>
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		<pubDate>Fri, 08 May 2009 14:55:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ruy Baron/Valor &#8211; 15/9/2005

 Gilberto Carvalho: chefe de gabinete é o único nome de consenso para comandar partido, mas Lula resiste a cedê-lo
&#160;
Paulo de Tarso Lyra, de Brasília &#8211; VALOR
O Diretório Nacional do PT reúne-se hoje e amanhã em Brasília para discutir a sucessão de 2010 e a eleição interna para a presidência da legenda [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><font size="1"><em>Ruy Baron/Valor &#8211; 15/9/2005<br />
</em></font><img src="http://www.valoronline.com.br/imagens/impresso/ed_0002253/imagens/foto08pol-cadrvalho-a9.jpg" border="0" /><br />
<font size="1"><em> Gilberto Carvalho: chefe de gabinete é o único nome de consenso para comandar partido, mas Lula resiste a cedê-lo</em></font></p>
<p align="center">&nbsp;</p>
<p style="background-color: #ffff99">Paulo de Tarso Lyra, de Brasília &#8211; VALOR</p>
<p><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/05/estrela_sobe.jpg" title="estrela_sobe.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/05/estrela_sobe.thumbnail.jpg" alt="estrela_sobe.jpg" align="left" /></a>O Diretório Nacional do PT reúne-se hoje e amanhã em Brasília para discutir a sucessão de 2010 e a eleição interna para a presidência da legenda em novembro deste ano, que terá 1,35 milhão de filiados aptos a votar. O encontro vai ratificar o apoio à candidatura da chefe da Casa Civil, ministra Dilma Rousseff, e espera avançar na escolha do chefe de gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho, como candidato de consenso para presidir o partido pelos próximos dois anos. O problema é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não quer ceder tão facilmente seu assessor pessoal.</p>
<p>Segundo apurou o Valor, três razões reforçam a resistência de Lula: a primeira, oficial, é que Carvalho exerce um papel importante no governo, filtrando conversas e visitantes e falando em nome do presidente, autorização concedidas a poucos na administração federal. A segunda, já expressada pelo próprio Lula a Carvalho, é que ele é &#8220;por demais cordato, cavalheiro&#8221;, o que poderia torná-lo presa fácil da máquina partidária. O terceiro, uma vingança pelo fato de o assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia, ter sido presidente interino em 2006 e, quando houve a eleição interna de 2007, ter sido massacrado por diversas correntes petistas.</p>
<p>Nenhuma das razões significa que Carvalho não possa tornar-se o presidente da legenda, como sonha a maioria do partido. Mas significa que muito há por se desenrolar daqui até novembro. &#8220;O jogo ainda está verde&#8221;, resumiu um dos mais próximos colaboradores do presidente Lula. Mas o PT está cada vez mais angustiado com a demora.</p>
<p>&#8220;Se o Carvalho lançar-se candidato, ele terá 70% de apoio assegurado. Não que não tenhamos outros nomes qualificados para o cargo. Mas sem ele, haverá disputa interna e o partido perderá um tempo enorme posteriormente reconstruindo alianças internas&#8221;, justificou o ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel.</p>
<p>Uma pessoa próxima do presidente Lula lembra que este é o mesmo discurso de 2006, quando Garcia foi obrigado a assumir interinamente a presidência da legenda. Na época, o atual presidente do partido, Ricardo Berzoini (SP), foi obrigado a licenciar-se por &#8220;escândalo dos aloprados&#8221;, a montagem e compra de um suposto dossiê contra a candidatura de tucanos em São Paulo. Lula cedeu Garcia, que era seu assessor especial para assuntos internacionais &#8211; cargo que voltou a ocupar posteriormente -, para presidir o PT.</p>
<p>&#8220;Foi um presidente excepcional, que liderou o partido em um momento complicado&#8221;, recorda um ministro. &#8220;Ele não apenas consolidou a vitória de Lula como costurou uma aliança com o PMDB, viabilizando a eleição de Arlindo Chinaglia (PT-SP) para a presidência da Câmara, embrião da entrada do PMDB no governo&#8221;.</p>
<p>Veio a eleição interna do partido no ano seguinte e Garcia foi boicotado publicamente por diversas correntes, alegando que ele era atrelado ao governo e que o partido precisava de um nome mais independente. Na cabeça de Lula, o cenário pode se repetir. &#8220;Naquela época o problema também não era do presidente, mas ele acabou ajudando. Tornou-se um problema dele quando Garcia foi queimado internamente. Lula quer que o PT queime um pouco a cabeça em busca de soluções&#8221;, repetiu um ministro.</p>
<p>Internamente, a cada dia que passa, o PT se convence cada vez mais de que Carvalho é o melhor candidato. &#8220;Só precisamos convencer o Lula&#8221;, enfatiza o líder do partido na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP). Internamente, eles até fazem uma analogia com a candidatura Dilma.</p>
<p>Pleiteada por diversos nomes, num leque que passa pelos ministros Tarso Genro (Justiça), Fernando Haddad (Educação) e Patrus Ananias (Desenvolvimento Social), a vaga de pré-candidato do PT foi entregue a Dilma por uma decisão pessoal do presidente. E o partido calou-se. Há seis meses, ela nem sequer era um nome viável, muitos alegavam que Dilma não tinha vida partidária. Hoje, aparece como um nome consensual, que paira sobre todas as tendências.</p>
<p>Da mesma maneira, Lula, na visão dos petistas, poderia se convencer de que não há alternativas a Carvalho e ceder de uma vez o auxiliar. O ex-governador do Acre Jorge Viana entende as razões do presidente Lula. Segundo ele, quem foi do Executivo sabe a importância de algumas peças na estrutura de governo. Mas, lembra que, apesar da eleição interna ser em novembro, o futuro presidente do PT só assumirá o cargo no início do ano que vem. &#8220;Não podemos ficar até o fim do ano discutindo outros nomes. Precisamos unir forças para construir e consolidar a candidatura Dilma&#8221;, declarou.</p>
<p>Um petista que conhece bem o presidente Lula intui que todos os caminhos levarão a Carvalho. Mas acredita que o feeling político do presidente Lula fará com que ele só libere seu auxiliar mais para frente. &#8220;A eleição será em novembro, as regras gerais serão divulgadas apenas em agosto. Por que Lula se anteciparia lançando o Carvalho agora&#8221;? questionou.</p>
<p>Fontes do governo e do PT citam pelo menos outros oito nomes que estão na agenda da sucessão petista, mas há restrições a todos, entre eles Luiz Dulci, Fernando Pimentel, José Eduardo Dutra, José Eduardo Cardozo, Marta Suplicy, Ideli Salvatti, José Fillipi Júnior, nome pouco conhecido da legenda, ex-tesoureiro do partido.</p>
<p>O futuro presidente terá a tarefa de consolidar as alianças estaduais, com a maior parte dos aliado mas, principalmente, com o PMDB, considerado parceiro preferencial. Em pelo menos quatro estados, esta parceria está praticamente descartada: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Pernambuco. Nos demais, apesar de algumas rixas sérias &#8211; como Bahia, Rio de Janeiro, Pará e Maranhão &#8211; a atual direção petista acha viável a dobradinha, desde que as conversas sejam bem conduzidas.</p>
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		<title>Estranho, muito estranho&#8230;</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Mar 2009 01:14:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[No tenho por habito comentar aqui ações da Polícia Federal, particularmente no meio de uma investigação. Muitas vezes, motivações obscuras são ignoradas e só aparecem com o tempo.
Mas não posso deixar passar minha revolta à leitura de artigos, como o que reproduzo embaixo do portal O Globo.
Segundo a PF, a empreitera Camargo Correia teria procedido [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No tenho por habito comentar aqui ações da Polícia Federal, particularmente no meio de uma investigação. Muitas vezes, motivações obscuras são ignoradas e só aparecem com o tempo.</p>
<p>Mas não posso deixar passar minha revolta à leitura de artigos, como o que reproduzo embaixo do portal <strong>O Globo</strong>.</p>
<p>Segundo a PF, a empreitera Camargo Correia teria procedido a doações ilegais para os seguintes partidos: <strong> PPS, PSB, PDT, DEM, PP, PMDB e PSDB</strong>.</p>
<p>Pois não é que <strong>O Globo</strong> faz uma matéria cobrando explicações dos candidatos do&#8230;PT!</p>
<p>Curiosamente, nenhuma menção é feita à noticia publicada hoje pelo <strong>Jornal da Tarde (JT)</strong> do grupo <strong>Estado</strong> e que também reproduzo a seguir.</p>
<p>Muito estranho este comportamento de alguns jornais. Muito estranho. LF</p>
<p><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/03/estranho-muito-estranho/10372/" rel="attachment wp-att-10372" title="kassab_camargocorreia.jpg"></a></p>
<div style="text-align: center"><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/03/estranho-muito-estranho/10372/" rel="attachment wp-att-10372" title="kassab_camargocorreia.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/03/kassab_camargocorreia.jpg" alt="kassab_camargocorreia.jpg" /></a></div>
<p><strong class="at">Castelo de Areia</strong><!-- google_ad_section_start --></p>
<h3>Candidatos do PT dizem que só receberam doações legais da Camargo Corrêa</h3>
<p id="atual">Publicada em <strong>26/03/2009</strong> às 19h23m</p>
<p style="background-color: #ffff99"><cite>Wagner Gomes &#8211; portal O Globo</cite></p>
<p>SÃO PAULO &#8211; A construtora Camargo Corrêa, que está sendo investigada pela Polícia Federal   <a href="http://oglobo.globo.com/pais/mat/2009/03/25/esquema-de-corrupcao-da-camargo-correa-patrocinou-campanhas-politicas-diz-mp-754990973.asp" target="_self">por desvio de recursos públicos e financiamento ilegal de campanhas políticas</a> , fez várias doações para candidatos do PT. Tais doações são consideradas legais pela Justiça Eleitoral. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), alguns candidatos chegaram a receber no ano passado R$ 500 mil. É o caso da candidata a prefeitura de Curitiba, no Paraná, Gleisi Hoffmann, que acabou perdendo as eleições para o tucano Beto Richa. Gleisi recebeu R$ 150 mil no dia 30 de julho, outros R$ 150 mil no dia 22 de agosto e mais R$ 200 mil no dia 29 do mesmo mês.</p>
<p>De acordo com o Ministério Público Federal, entre os partidos que teriam recebido dinheiro por fora, em doações ilegais, estão PPS, PSB, PDT, DEM, PP, PMDB e PSDB. A operação Operação Castelo de Areia prendeu 10 pessoas na quarta-feira. Nesta quinta-feira, <a href="http://oglobo.globo.com/pais/mat/2009/03/25/camargo-correa-partidos-negam-irregularidades-lancam-suspeita-sobre-pf-754998078.asp" target="_self">os partidos negaram as irregularidades e lançaram suspeitas sobre a PF</a>  . O ministro da Justiça, Tarso Genro,   <a href="http://oglobo.globo.com/pais/mat/2009/03/26/camargo-correa-tarso-nega-conotacao-politica-em-operacao-da-pf-dem-ameaca-ir-ao-stf-para-ter-acesso-as-investigacoes-755004505.asp" target="_self">negou que haja uma conotação política na operação da PF</a>  .</p>
<p>- A doação foi feita obedecendo a legislação em vigor. Não tenho elementos para avaliar a referida operação, mas considero que a Polícia Federal esteja cumprindo o seu papel constitucional, assim como acredito que a Justiça também o fará &#8211; disse Gleisi, atual presidente do PT no Paraná.</p>
<div class="opn ftr">
<blockquote><p><span class="abr"></span><span class="fch"><br />
</span></p></blockquote>
<hr /></div>
<p>O prefeito eleito de Recife, o petista João da Costa Bezerra Filho, recebeu durante a campanha de 2008 R$ 200 mil da Camargo Corrêa. Doações menores foram feitas para Antônio Donato, candidato a vereador por São Paulo (R$ 50 mil), Maria das Dores de Oliveira Viana, candidata do PT a prefeitura de Deodápolis, no Mato Grosso do Sul (R$ 20 mil), Mário Alberto Kruger, que disputou pelo partido a prefeitura de Rio Verde de Mato Grosso (R$ 20 mil), e Sebastião Alves de Almeida, candidato a prefeitura de Guarulhos (R$ 15 mil).</p>
<p>Receberam R$ 5 mil Carlos José de Almeida, que disputou a prefeitura de São José dos Campos, Maria de Fátima Andrade da Silva Prado, candidata a vereadora por Taubaté, Paulo Afonso Mendonça de Siqueira, que disputou a vaga de vereador por Caraguatatuba, e Wagner Ocimar Balieiro, candidato a vereador por São José dos Campos.</p>
<p><strong>Camargo Corrêa doou R$ 6,9 milhões em 2006</strong></p>
<p>De acordo com o site Contas Abertas, que registra os gastos do governo, a Camargo Corrêa doou R$ 6,9 milhões em 2006 para campanhas de diversos partidos. O repasse é legal e também foi registrado no TSE. Na lista dos beneficiados estão os governadores de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB-MG), e da Bahia, Jaques Wagner (PT-BA), além da senadora Roseana Sarney (DEM-MA) e o atual secretário do Trabalho no Estado de São Paulo, Guilherme Afif Domingos (DEM-SP). Wagner recebeu naquele ano R$ 200 mil da construtora. Os demais receberam R$ 300 mil cada um.</p>
<p>Em 2008, a construtora, que está entre as maiores doadoras em campanhas políticas, repassou R$ 2 milhões para os candidatos que disputaram uma vaga nos pleitos municipais. Conforme o Contas Abertas, a Camargo Corrêa recebeu R$ 129 milhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) nos últimos três anos.</p>
<p>Em nota, Afif confirmou que recebeu no dia 6 de setembro de 2006 R$ 300 mil da construtora quando disputava uma vaga no Senado. Segundo ele, o pagamento foi feito em cheque e registrado no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP). Roseana Sarney disse que todas as doações foram realizadas dentro da lei e preferiu não comentar eventuais problemas de empresas que a apoiaram.</p>
<p>O vereador Antônio Donato, do PT, disse que ficou surpreso com a Operação Castelo de Areia. Ele afirmou que espera que a Camargo Corrêa, uma empresa de tradição no Brasil, tenha feito repasses legais para os candidatos. No Paraná, o prefeito Beto Richa, do PSDB, também recebeu dinheiro da construtora durante as eleições. A Camargo Corrêa, responsável pela construção da Linha Verde, principal obra viária de Curitiba, que liga o norte ao sul da cidade, e a Construtora Triunfo doaram cada uma R$ 300 mil para a campanha do tucano.</p>
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		<title>Teste de QI e a rasteira no eleitor</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Mar 2009 14:48:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ Ficar conhecido como alguém que combate o fisiologismo é uma coisa boa. Você ganha o direito de cuidar dos seus próprios interesses fisiológicos sem ser incomodado
Alon Feuerwerker &#8211; Correio Braziliense
alonfeuerwerker.df@diariosassociados.com.br
A brigalhada pelo comando dos fundos de pensão faz lembrar uma história que conheço há mais de 30 anos. Uma piada de centro acadêmico. E [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <strong><font size="4">Ficar conhecido como alguém que combate o fisiologismo é uma coisa boa. Você ganha o direito de cuidar dos seus próprios interesses fisiológicos sem ser incomodado</font></strong></p>
<p style="background-color: #ffff99">Alon Feuerwerker &#8211; Correio Braziliense</p>
<p>alonfeuerwerker.df@diariosassociados.com.br</p>
<p>A brigalhada pelo comando dos fundos de pensão faz lembrar uma história que conheço há mais de 30 anos. Uma piada de centro acadêmico. E nem é tão piada assim. Dois líderes de facções adversárias conversam para tentar montar uma chapa de consenso na entidade. Estão num impasse. Quem terá a maioria? Um dos chefes políticos traz a ideia. “40% para vocês, 40% para nós e o resto para os independentes.” O outro sorri. “Ótimo. A gente interrompe a conversa agora e voltamos a falar amanhã de manhã. Eu trago a lista dos meus independentes e você traz a dos seus.”</p>
<p>Minhas homenagens ao eterno Centro Acadêmico Oswaldo Cruz, escola insubstituível de política e jornalismo. Toda vez que leio em algum lugar sobre a necessidade de “não ceder às pressões dos partidos” e de “preencher com técnicos” as vagas que dependem de indicação arbitrária do poder eu me recordo da historinha e ajusto o ceticismo um grau acima. Para o meu juízo de observador (crítico?) dos fatos, sempre que alguém comparece à imprensa argumentando que determinada posição estatal deve estar blindada contra indicações políticas eu desconfio de que o sujeito deseja mesmo é defender as suas próprias indicações políticas — e naturalmente resistir à ocupação de espaços pelos adversários. Modéstia à parte, a taxa de acerto nessas análises tem ficado perto dos 100%. Não por eu ser particularmente esperto. Talvez por ter tido a oportunidade de um dia montar uma chapa de centro acadêmico.</p>
<p>Uma arte na luta política é apresentar objetivos partidários (de uma parte) como a expressão do interesse geral. Daí que os meus apaniguados sejam sempre “técnicos” e “competentes”. Já os seus, se você estiver na rinha comigo, são necessariamente “políticos” e comprometidos com o “fisiologismo”. Entre nós brasileiros, aliás, ficar conhecido como alguém que combate o fisiologismo é uma coisa muito boa. Você ganha o direito de cuidar dos seus próprios interesses fisiológicos sem ser incomodado.</p>
<p>Viu gente brigando por causa de um cargo qualquer no governo? Faça o teste de “QI” (quem indica). Com essa medida simples, você evita cair em conversas que só enganam os ingênuos.</p>
<p>Eles de novo<br />
Por falar em explorar a ingenuidade alheia, o governo planeja relançar o debate sobre a reforma política. A probabilidade de ela avançar não é grande, mas convém estar alerta. Como aprendi com o meu bom amigo Fernando Rodrigues, toda vez que a turma se move para mudar o sistema político há uma chance enorme de a mudança ser para pior.</p>
<p>Agora não é diferente. A proposta do governo para a reforma é uma estrovenga com a finalidade de limitar ainda mais o poder e o controle do eleitor sobre os políticos. Se ela passar tal como foi articulada no Palácio do Planalto, as cúpulas partidárias é que vão definir quem será eleito para o Legislativo (federal, estadual ou municipal) e o partido do governo terá sempre mais dinheiro do que a oposição para fazer campanha eleitoral. E se o detentor de mandato não estiver de acordo que o seu voto seja negociado com o Executivo pelos caciques partidários pode perder a legenda na eleição seguinte.</p>
<p>Sobre a reforma política, uma curiosidade. O sistema defendido pelo PT, de lista fechada (com financiamento exclusivamente público) e cláusula de barreira, é vendido no mercado das ideias como a solução contra a dispersão partidária. Pois em Israel o voto é em lista fechada nacional e existe uma cláusula de barreira. O eleitor vota no partido e a legenda que não obtém um mínimo de votos fica fora do Knesset (Parlamento). E o principal problema do sistema israelense é justamente a dispersão partidária.</p>
<p>Por uma razão simples. Lá, como aqui, o eleitor tem preferido espalhar o voto por um número maior de legendas do que seria do agrado dos candidatos a monopolizar a política. Dos bem-pensantes. E ali, do mesmo jeito que aqui, ainda não encontraram um modo de obrigar o eleitor a votar de uma maneira mais conveniente aos bem relacionados. Por isso persiste, e se agrava, a dispersão. O que impõe complicadas negociações para formar um governo, dado que o sistema é parlamentarista. Pelo menos isso, o parlamentarismo, parece que desta vez aqui não vão querer propor. Parece.</p>
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		<title>O Jarbas hoje é mais PSDB que PMDB, diz Sarney</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Mar 2009 14:04:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Ruy Baron/Valor

Pela primeira vez, Sarney responde às críticas feitas por Jarbas Vasconcelos: &#8220;Jarbas é mais PSDB do que PMDB&#8221;

PT e PSDB disputam apoio do PMDB, mas querem o partido fraco, diz Sarney
Raquel Ulhôa, de Brasília &#8211; VALOR
O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), afirma que a pecha de corrupto colada ao seu partido resulta de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div align="center"><font size="2"><em><span id="ctl00_Conteudo_LblConteudo"></p>
<div class="descricao_foto_credito"><font size="1">Ruy Baron/Valor</font></div>
<p><img src="http://www.valoronline.com.br/Imagens/Impresso/ed_0002207/imagens/foto02pol-sdarney-a16.jpg" /></p>
<div class="descricao_foto_legenda">Pela primeira vez, Sarney responde às críticas feitas por Jarbas Vasconcelos: &#8220;Jarbas é mais PSDB do que PMDB&#8221;</div>
<p></span></em></font></div>
<p><font size="5">PT e PSDB disputam apoio do PMDB, mas querem o partido fraco, diz Sarney</font></p>
<p style="background-color: #ffff99">Raquel Ulhôa, de Brasília &#8211; VALOR</p>
<p>O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), afirma que a pecha de corrupto colada ao seu partido resulta de uma &#8220;campanha organizada&#8221; que teria como principais interessados o PT e o PSDB &#8211; que buscam o apoio da maior legenda do país para seus projetos presidenciais de 2010. O ex-presidente da República que, como presidente do Senado, tem a função de comandar as sessões do Congresso Nacional, sintetiza o que considera ser o objetivo do PT e PSDB: &#8220;Querem o PMDB fraco&#8221;.</p>
<p>O ataque mais duro ao PMDB, de prática de corrupção e fisiologismo, partiu de um histórico filiado da sigla, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE). A avaliação partidária feita por ele pode se resumir ao fato de ser esta uma legenda essencialmente corrupta, em atos e atitudes, segundo Jarbas.</p>
<p>Jarbas explicou para quê, segundo seu entendimento, o PMDB quer cargos no governo: &#8220;Para fazer negócios e ganhar comissões&#8221;. A maioria do partido, avaliou, &#8220;se move por manipulação de licitações e contratações dirigidas&#8221;. Citou nominalmente, nesta análise, apenas o líder do partido no Senado, Renan Calheiros (AL), e o presidente da Casa, José Sarney (AP). Sobre Sarney, disse que sua eleição &#8220;foi um processo tortuoso e constrangedor, um completo retrocesso&#8221;. De acordo com a crítica do senador pernambucano, Sarney apareceu como candidato, &#8220;sem nenhum compromisso ético, sem nenhuma preocupação com o Senado, e se elegeu. A moralização e a renovação são incompatíveis com a figura do senador Sarney&#8221;.</p>
<p>Em entrevista ao Valor, concedida na manhã de sexta-feira, em Brasília, o senador José Sarney respondeu, pela primeira vez objetivamente desde que eclodiu a crise, aos comentários de Jarbas Vasconcelos. O revide de Sarney definiu, em uma só frase, sua opção para 2010 e a opinião que dará ao ser consultado sobre que rumo deve tomar o PMDB na sucessão presidencial: &#8220;Jarbas é mais PSDB do que PMDB&#8221;.</p>
<p>O presidente do Senado, no entanto, não nega esses maus hábitos políticos do seu partido, mas &#8211; assim como fez o senador Pedro Simon (PMDB-RS) da tribuna &#8211; estende o comportamento à vida política em geral. &#8220;O homem não nasceu anjo&#8221;, justifica.</p>
<p>Eleito há um mês para seu terceiro mandato como presidente do Senado, Sarney teve, até agora, pouco a comemorar. Nenhuma das 11 comissões técnicas foi instalada, por causa da disputa entre partidos, nada foi votado em plenário e a adesão da Venezuela ao Mercosul &#8211; processo ao qual é totalmente contrário &#8211; foi aprovada pela comissão de parlamentares que representam o Brasil no bloco.</p>
<p>A partir desta semana, o presidente do Senado espera livrar-se dessa agenda negativa que só lhe tem causado dissabores. Pretende criar, junto com o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), uma comissão mista para analisar todas as propostas de reforma política que tramitam no Congresso e, no fim, elaborar um substitutivo que, acredita-se, teria tramitação mais fácil.</p>
<p>O senador também quer instalar a comissão de senadores que vai monitorar a crise econômica. Crise que, na sua opinião, influenciará a posição do seu partido na sucessão presidencial de 2010. Sarney defende a manutenção da aliança com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, resultando no apoio dos pemedebistas à candidatura governista. Mas ele diz que é cedo para o partido tomar a decisão. &#8220;Isso vai depender da crise econômica&#8221;, diz. A seguir, os principais trechos da entrevista ao Valor:</p>
<p><strong>Valor:   A pecha de corrupto que seu partido tem não incomoda?</strong></p>
<p>José Sarney: Essa é uma campanha organizada, estruturada, que realmente não tem profundidade. Acho que o partido está pagando por ter ganho as eleições e ser o partido mais forte. Ele está debaixo de um fogo cruzado de todos os outros partidos, inclusive os dois grandes, PT e PSDB, que querem o apoio do PMDB, mas querem, ao mesmo tempo, o PMDB fraco.<br />
<strong><br />
Valor: O senhor concorda com Pedro Simon, quando ele diz que o PMDB não é mais corrupto que o PT ou o PSDB? São todos iguais?</strong></p>
<p>Sarney: O Simon está falando o que é a realidade. A sociedade é o que é. Tem gente boa, tem gente má em todos os lugares. O primeiro documento que existe sobre política, democracia no mundo é o discurso de Péricles aos mortos na guerra do Peloponeso, no qual ele já acusa o adversário de ter roubado o ouro da estátua de Fídias. Então, essa é uma maneira de desqualificar o adversário. Em todo lugar, em toda a campanha, a todo momento, esse é um tema que não falha, porque faz parte de uma das ideias fundamentais políticas do mundo ocidental.</p>
<p><strong>Valor: É arma de campanha porque existe&#8230;</strong></p>
<p>Sarney: Claro que existe. Corrupção existe em todos os setores, em todo lugar do mundo. O homem não nasceu anjo. Mas o Brasil avançou demais no combate à corrupção, com os controles de Tribunais de Contas, a Lei de Responsabilidade Fiscal, o Siafi (Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal, por meio do qual é possível acompanhar os gastos públicos), a transparência legislativa, o controle geral de verbas, os controles internos, enfim, tudo isso existe e funciona.<br />
<strong><br />
Valor: Uma das acusações feitas por Jarbas é que &#8220;o comportamento do governo Lula contribui para a banalização&#8221; da corrupção. Até que ponto o relacionamento do Executivo com o Legislativo estimula essas práticas?</strong></p>
<p>Sarney: São acusações que foram feitas ao Fernando Henrique Cardoso, estão sendo feitas ao Lula, foram feitas ao Juscelino Kubitschek e são feitas a todos os presidentes. É o jogo político. É uma arma de jogo político.<br />
<strong><br />
Valor: Além das críticas ao PMDB, o senador Jarbas Vasconcelos afirmou que sua eleição foi um &#8220;retrocesso&#8221; e que o senhor não fará as mudanças políticas necessárias na Casa. Como a convivência será possível?</strong></p>
<p>Sarney: O Jarbas hoje é mais PSDB que PMDB. Hoje, Jarbas tomou uma posição que o aproxima mais do PSDB do que do PMDB.<br />
<strong><br />
Valor: Mas isso não impede que ele continue no partido.</strong></p>
<p>Sarney: Hoje tem a cláusula da fidelidade partidária, que tornou muito difícil a saída do partido.<br />
<strong><br />
Valor: E o senhor acha que é possível alterar essa regra dentro da reforma política que se pretende?</strong></p>
<p>Sarney: Eu e o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), vamos criar uma comissão para consolidar todas as propostas de reforma política que existem dentro do Congresso e fazer um substitutivo, com vários projetos que serão submetidos às duas Casas. Até o fim do ano temos que dar uma solução a isso.</p>
<p><strong>Valor: Mas essa reforma nunca avança. O que pode ser mudado de fato? A tal &#8220;janela&#8221; para que um político mude de partido sem perder o mandato? Pode ser o fim da reeleição?</strong></p>
<p>Sarney: Não quero discutir os casos em si, porque não quero provocar discussões que possam interromper, prejudicar a comissão que estamos criando agora. Vamos fazer tudo para votar neste ano. Um ponto que considero fundamental é acabar com o voto proporcional. Sem mexer nisso não há reforma política. Só existe no Brasil. Não existe em lugar nenhum no mundo. É uma reminiscência do século 19. O mundo mudou e nós ficamos no século 19.<br />
<strong><br />
Valor: E quanto à reeleição?</strong></p>
<p>Sarney: Sempre fui contrário. Acho que deve ter um mandato mais longo, de cinco ou até seis anos. Quatro anos é um prazo muito curto para realizar. Mas não quero entrar no mérito do que pode ou não ser votado.<br />
<strong><br />
Valor: A paralisia do Senado está sendo criticada. Como o senhor responde a isso?</strong></p>
<p>Sarney: Quero dizer que as últimas reformas de profundidade no país foram aprovadas na última vez em que fui presidente do Senado: as reformas do Judiciário e da Previdência Social. Deu muito certo a do Judiciário, os efeitos estão sendo colhidos pelo povo brasileiro. E vou me dedicar a justamente votar a reforma política, a reforma tributária e a mudança nas regras das medidas provisórias.</p>
<p><strong>Valor: Há dias o senhor chegou a defender o fim da verba indenizatória (R$ 15 mil mensais que os parlamentares podem gastar com despesas relacionadas à atividade legislativa), que a Mesa Diretora da Câmara decidiu divulgar na internet. É possível extingui-la?</strong></p>
<p>Sarney: Vou fazer a mesma coisa que a Câmara fez. Vou propor à Mesa do Senado a publicação de tudo, com a maior transparência com relação à verba indenizatória. De minha parte, acho que essa não foi uma solução das mais felizes encontradas pelo Congresso.</p>
<p><strong>Valor: O senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) tem uma proposta que acaba com a verba indenizatória, mas aumenta o salário do parlamentar. É uma solução?</strong></p>
<p>Sarney: É uma das propostas, mas tem que ser decidida pelo Congresso. Não é matéria a ser decidida pela Mesa Diretora. É um caso delicado, porque todos os deputados e senadores têm que apoiar e votar.</p>
<p><strong>Valor: Uma questão que deve ser decidida na sua gestão é o pedido de adesão da Venezuela ao Mercosul, que o senhor sempre foi publicamente contra. O senhor acha que o Senado pode barrar?</strong></p>
<p>Sarney: Não vou colocar minha posição pessoal para bloquear uma proposta pelo Senado. Não vou fazer com essa nem com nenhuma. Sou presidente da Casa, senão perco a autoridade. Mas minha posição continua a mesma. Não entendi até agora o que é &#8220;democracia bolivariana&#8221;. E tem a cláusula do Mercosul, que estabelece a plena vigência das instituições democráticas como condição essencial para a adesão de um país. E toda democracia adjetivada para mim passa a ficar sob contestação. Era o que acontecia com as democracias populares. Acho que a entrada da Venezuela, neste momento, vai ser um elemento perturbador no Mercosul, que hoje atravessa uma fase muito difícil. Não podemos transformar o Mercosul num fórum político.<br />
<strong><br />
Valor: E com Hugo Chávez (presidente da Venezuela) isso seria inevitável?</strong></p>
<p>Sarney: Tenho a impressão que, se Chávez ingressar, vai querer transformá-lo num fórum político. É do temperamento político.</p>
<p><strong>Valor: O PSDB também é contra. Como a oposição é forte no Senado, há chance de rejeição?</strong></p>
<p>Sarney: Pelo que sinto, pelo movimento dentro da Casa, tenho a impressão de que terminam aprovando. Pode encontrar resistência, mas a minha impressão é que vai passar.<br />
<strong><br />
Valor: Voltando ao PMDB, o senador Simon afirmou que em 2010 o partido estará com quem pagar mais. Lula poderá contar com o partido na chapa de seu candidato, seja ou não a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil)?</strong></p>
<p>Sarney: Eu, pelo menos, defendo a posição de que o PMDB deve manter a aliança que tem com o PT, porque as afinidade que o partido tem com o PT são maiores do que as que tem com outros partidos. Mas é cedo para falar nisso.</p>
<p><strong>Valor: Qual é o momento da decisão?</strong></p>
<p>Sarney: Vai depender da crise econômica, de como ela vai surgir e de que modo ela vai influenciar a campanha no Brasil. O lado econômico vai ter reflexo na área política.</p>
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		<title>Itamar diz que Aécio tem de cruzar o Rubicão já</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Feb 2009 15:40:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Katia Lombardi/Valor

Na presidência do conselho de administração do BDMG, Itamar Franco hoje afirma que é ex-político, mas estuda três convites para filiar-se a um partido
Paulo Totti, de Belo Horizonte &#8211; VALOR
Com vista para a serra do Curral, no décimo e último andar do edifício sede do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), centro de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><font size="1"><em>Katia Lombardi/Valor<br />
<span id="ctl00_Conteudo_LblConteudo"><img src="http://www.valoronline.com.br/Imagens/Impresso/ed_0002198/imagens/foto13pol-idtamar-a16.jpg" /></span><br />
Na presidência do conselho de administração do BDMG, Itamar Franco hoje afirma que é ex-político, mas estuda três convites para filiar-se a um partido</em></font></p>
<p style="background-color: #ffff99">Paulo Totti, de Belo Horizonte &#8211; VALOR</p>
<p>Com vista para a serra do Curral, no décimo e último andar do edifício sede do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), centro de Belo Horizonte, está o escritório de quem já foi quase tudo na vida brasileira: prefeito, senador, vice-presidente e presidente da República, governador, embaixador em Washington, Lisboa, Roma. Nas urnas só sofreu duas derrotas, no início da carreira, para as funções modestas de vereador e vice-prefeito de Juiz de Fora, que só não é sua terra natal porque não nasceu em terra, mas no mar, num &#8220;ita&#8221; que saiu de Salvador e chegou ao Rio com um passageiro a mais, há 78 anos. Desde que voltou de Roma, Itamar Augusto Cautiero Franco é presidente do conselho de administração do BDMG. Fundador do PMDB, Itamar saiu do partido quando, em 2006, ao pretender voltar ao Planalto, numa disputa contra Luiz Inácio Lula da Silva, foi preterido pelo então governador do Rio, Anthony Garotinho. No mesmo ano, o ex-governador Newton Cardoso derrotou-o na convenção do PMDB mineiro que escolheu o candidato ao Senado. Nesta entrevista, Itamar conclama o governador Aécio Neves, a quem apoia para a Presidência em 2010, a desinibir-se e assumir ainda este mês a candidatura, &#8220;cruzar o Rubicão&#8221;. Perguntado sobre quem será o candidato ao governo de Minas na chapa de Aécio, Itamar diz que está sem partido &#8211; &#8220;sou ex-político&#8221; &#8211; , mas estuda três convites. &#8220;Apenas para ter uma filiação&#8230;&#8221;</p>
<p><strong>Valor: O senhor deu poucas entrevistas desde que voltou da Itália. Numa delas, se queixou do tratamento que diz receber em São Paulo da imprensa e da classe política. A que atribui essa má-vontade?</strong></p>
<p>Itamar Franco: Ao fato de eu não ser de São Paulo. Ao preconceito. A elite paulista não aceita, de um modo geral, quem não faz parte de seu clã. Mas não guardo mágoas&#8230; Você vai ver como essa elite vai tratar o governador Aécio Neves, que é de Minas.</p>
<p><strong>Valor: O governador Aécio é o seu candidato a presidente?</strong></p>
<p>Itamar: É o meu candidato. E é o candidato de Minas.</p>
<p><strong>Valor: O senhor vê chances de ele sair candidato pelo PMDB, pois José Serra parece mais articulado que Aécio no PSDB? E como o senhor analisa este momento da política?</strong></p>
<p>Itamar: Acompanhei essa eleição no Congresso e lembrei os tempos de estudante de física. Quando você olha através de um espelho côncavo um objeto numa determinada posição, vê uma imagem real e outra virtual. O que eu vi nessa eleição para as mesas? A imagem virtual. O PMDB elegeu os presidentes das duas Casas. Tenho certo direito de falar no PMDB porque fundei esse partido, fui o nono a assinar a ficha nacional, fiz parte da primeira executiva, quando ainda era MDB. Lá em Juiz de Fora, tínhamos que manter o livro de fundação do partido escondido da polícia. Fui prefeito em eleição direta numa cidade em que, dois anos antes, o general Olímpio Mourão Filho deflagrara o golpe. E fiquei 22 anos no PMDB, até que a ditadura partidária não me permitiu continuar. Mas, você pergunta se o governador Aécio vai entrar para o PMDB. Aí, é uma questão muito pessoal. Não sou intérprete do pensamento do governador.</p>
<p><strong>Valor: O senhor ia comentar o quadro eleitoral para 2010. E falava da eleição no Congresso.</strong></p>
<p>Itamar: [Desenha nomes no papel e vai unindo-os com setas; depois faz um círculo em torno dos dois blocos formados).O presidente José Sarney é ligado ao Lula. O Michel Temer é ligado a José Serra mais Orestes Quércia. Temer é um bom nome dos quadros do partido, mas pertence ao PMDB de São Paulo. O PMDB de São Paulo é comandado por Quércia que, por sua vez, já está apoiando o Serra. Por via de consequência, Quércia é o possível candidato a senador, numa composição PMDB/PSDB. Então, o quadro político tem mais ou menos esse desenho. O grave é que o PMDB, que é base do governo, que tem ministros, se alia a quem? Ao DEM, que é oposição. Como é que a opinião pública pode entender a política nacional se na Câmara alta da República dois partidos que deveriam ser diferenciados ideologicamente se unem? Não visaram os interesses nacionais. Por quê? Porque daqui a pouco, este aqui [aponta para o círculo em que colocou Temer, Quércia, Serra e DEM] vai estar combatendo o governo Lula. E este outro pode estar somando com o presidente e até dar o candidato a vice. Mas nunca este estará na linha deste [mostra com a caneta um e outro círculos]. Por isso digo que nosso quadro político é imagem virtual. Não real.</p>
<p><strong>Valor: Qual é a relação dessa eleição no Congresso com 2010?</strong></p>
<p>Itamar: Serra foi beneficiado pela eleição do Temer, mas não foi beneficiado pela do Sarney. Não dá para dizer, porém, que o governador Aécio foi o beneficiado. Entendo que o presidente Sarney ficará ainda mais ligado ao Lula e fará o que Lula determinar. Sarney não é um simples apoiador do Lula. Ele comanda todo o sistema energético brasileiro. Dou um exemplo. Furnas sempre foi dirigida por mineiros. O dr. José Pedro [Rodrigues dos Santos, mineiro, amigo de Itamar] saiu há pouco da presidência de Furnas. Não foi nenhum mineiro para lá, não. Foi quem o Sarney determinou. Ele controla o próprio ministro [Edison Lobão], a Eletrobrás, Furnas, a Eletronorte. Até na Petrobras tem influência. Então, este homem está hoje devedor de Lula, muito mais do que Lula lhe deve pelo apoio. Controlar o sistema energético é ter muito poder. Quando Fernando Henrique tentou privatizar Furnas, eu era governador, e lutei contra. Graças a minha resistência, Furnas e Cemig continuam brasileiras. Mas isso, hoje, a gente só comenta. Para alguns eu não existi nem existo. Quando saí da Presidência ainda fiquei aborrecido, mas me lembrei de um verso de Castro Alves. Percebi que algumas pessoas que eu achava que eram estrelas eram apenas pirilampos ["Julguei-te estrela - e eras pirilampo", do poema "Dalila"].</p>
<p><strong>Valor: Quem são os pirilampos?</strong></p>
<p>Itamar: Quando era criança pegava os pirilampos e punha numa caixinha de fósforos. Meus arquivos têm alguns pirilampos&#8230; Mas por enquanto não mostro para ninguém.</p>
<p><strong>Valor: Como é isso de ditadura partidária no PMDB?</strong></p>
<p>Itamar: As ditaduras partidárias são reais. E se tornaram mais fortes quando o Tribunal Superior Eleitoral decidiu que o mandato pertence ao partido. O que penso é que precisávamos ter um percentual de candidatos independentes, para não ficarmos submetidos à ditadura partidária. Por que o governador Aécio quer prévias? Porque não quer se submeter à ditadura partidária, que também existe no PSDB. Num PMDB controlado por Sarney, Quércia, Geddel, Jader, Padilha, quem os derrota?</p>
<p><strong>Valor: O Aécio é candidato a presidente. Se não for, vai para o Senado. Quem sai para governador?</strong></p>
<p>Itamar: Aí vem o cacoete de engenheiro. Na matemática, quando o número de incógnitas é muito maior do que as equações, a questão não se resolve. A política mineira e a nacional têm excesso de incógnitas. Quem será o candidato a governador? Não sei. Eu estou sem partido, mas estudo o convite de três partidos. Não vou dizer quais. Possivelmente vou me filiar a um deles. Apenas para ter uma filiação.</p>
<p><strong>Valor: O senhor sente falta de políticos que expressem abertamente o que pensam?</strong></p>
<p>Itamar: Essa eleição no Congresso me fez pensar nisso. Os presidentes das duas Casas não falam nada sobre seus alinhamentos. E também não dizem o que pensam da reforma tributária, da fiscal, e sobretudo da reforma política. Desde estudante, estive ao lado de quem defendia ideias. Na política, meu primeiro inspirador foi Alberto Pasqualini [1901-1960], senador gaúcho que me fez entrar para o Partido Trabalhista Brasileiro, PTB, um homem com ideias avançadíssimas para a época. Até há pouco tempo você era eleito pelo que falava em praça pública. Hoje não. Você é preparado no estúdio, lhe dão um discurso para ler no teleprompter. Fui de um tempo que tinha de chegar na televisão e dizer o que pensava. Se falasse besteira estava liquidado.</p>
<p><strong>Valor: E numa campanha chegou a brigar no estúdio. Como foi?</strong></p>
<p>Itamar: O adversário é que quis me bater. Eu era candidato a senador em 1974. Os programas eleitorais eram ao vivo. O juiz eleitoral ficava assistindo, se alguém falasse algo que contrariasse a legislação o juiz interrompia. Eu estava viajando pelo interior. Aí o sujeito que já era senador e candidato à reeleição [senador José Augusto Ferreira Filho, Arena] colocava uma cadeira vazia e dizia: &#8220;Que dê esse prefeitinho que não veio? Tá com medo de debater&#8221;. Todo programa dele tinha o diabo daquela cadeira vazia. Um dia fui lá. A porta do estúdio estava aberta, entrei e sentei na cadeira. Falei pro locutor. &#8220;Estou aqui pra debater&#8221;. O juiz achou que era combinado e deixou minha imagem no ar. O locutor disse que desta vez era o candidato deles que estava viajando. E eu disse: &#8220;Então vou ficar aqui sentado&#8221;. Tudo isso no ar. O juiz percebeu que não era combinado e cortou o programa. Nisso o candidato que estava viajando chegou. Pegou um pedaço de pau e veio pra cima de mim. O estúdio ficou cheio de deixa disso. Um fotógrafo da Veja bateu a foto do meu adversário com o porrete na mão.</p>
<p><strong>Valor: E a crise mundial como vai se refletir por aqui?</strong></p>
<p>Itamar: Os Estados Unidos, têm um quarto do PIB mundial, e são o epicentro desta crise. É evidente que a crise vai chegar aqui. Desde 1983, os Estados Unidos já tiveram picos trimestrais de crescimento de 9,3%. Mesmo depois do 11 de setembro, um ano depois, chegaram a 7,5%. Mas 2008 fechou com menos 3,8%, uma queda muito grande. Para o Brasil, as projeções de 2009 são do professor Carlos Alberto Teixeira, um mineiro. Nosso PIB vai crescer 2%, depois de ter crescido 5,4% em 2007 e estimar-se 5,6% em 2008. O saldo comercial será de apenas US$ 9 bilhões, e déficit de conta corrente de US$ 25 bilhões. Não será uma marolinha. Mas no mundo todos parecem meio perdidos. Os economistas também. Até setembro não vi um economista de consultoria alertar sobre a crise iminente.</p>
<p><strong>Valor: O governo está agindo corretamente? O que precisa mudar?</strong></p>
<p>Itamar: Não vou analisar o presidente. Em 2002, eu era governador de Minas. Fui o primeiro governador de oposição a apoiar a candidatura de Lula. Eu tinha um bom relacionamento com o depois ministro Zé Dirceu e ele pediu para me engajar na campanha. E fui o único governador de oposição a falar no comício de encerramento em São Bernardo. Era chuva que só Deus sabe. O candidato Lula pegou no meu braço e disse &#8221; gostaria que você falasse&#8221;. Depois nos afastamos não sei por quê. Ele me convidou para ser embaixador na Itália, falei que só ficava dois anos, fiquei, Ele ofereceu outro posto, eu não quis, voltei. Hoje não temos nenhum contato.</p>
<p><strong>Valor: O senhor não respondeu sobre o que deve ser feito no Brasil.</strong></p>
<p>Itamar: A primeira coisa que o governo tem de fazer não é novidade. Mudar a política monetária. Não se pode continuar com a taxa de juro mais alta do mundo.</p>
<p><strong>Valor: A crise atrapalha os planos de Lula de fazer o sucessor?</strong></p>
<p>Itamar: Não. Só se ela for realmente avassaladora. Do modo que está vindo, não. A gente tem que reconhecer. O Brasil está mais preparado do que antes de 2003. Acho que a crise não vai afetar o presidente. Se você andar pelo interior, e eu tenho andado, vai perceber que o Bolsa Família beneficia mais ou menos 11 milhões de famílias. Se multiplicar isso por baixo, por três, pois elas têm parentes, amigos pobres que ajudam outros pobres, vai dar muita gente. E esta gente o presidente está conseguindo manter ao seu lado. Vou dar um exemplo, me permita que não cite a cidade. Há uma cidade em Minas, ribeirinha ao São Francisco, cuja praia fica do outro lado do rio. Tem uma barcaça que faz a travessia. Quando a prefeitura não paga a passagem de R$ 1, a prainha da outra margem recebe mais ou menos seiscentas pessoas no fim de semana. Quando a prefeitura paga a passagem, há dez mil na prainha. O cidadão vai de graça e gasta o real dele com um peixe, uma pinguinha. Agora ponha nisso 90 reais por filho em idade escolar&#8230; Conversei com um prefeito de outra cidade do interior. Perguntei: &#8220;Me diz lá, o que estão achando do senhor presidente?&#8221;. E ele: &#8221; Ó, vou dizer uma coisa. Já falam em terceiro mandato&#8221;. Não aprovo o terceiro mandato, nem o prefeito apoia. Mas isso mostra que a crise tem de ser mesmo avassaladora, para desfazer o prestígio do Lula.</p>
<p><strong>Valor: E a Dilma?</strong></p>
<p>Itamar: Acredito que a ministra Dilma Roussef é uma candidata muito forte. Não está falando o mineiro em favor da conterrânea. Fala o observador da política, homem que já foi político e hoje não é mais.</p>
<p><strong>Valor: E espera que os leitores e a torcida do Atlético acreditem que não é mais político&#8230;</strong></p>
<p>Itamar: Um ex-político. Mas, como ia dizendo, essa senhora vai dar trabalho. São aqui de Minas três figuras que mais entendem de energia neste Brasil: José Pedro Rodrigues dos Santos, ex-presidente de Furnas; o presidente da Cemig, dr. Djalma Morais e o dr. Marcelo Siqueira, também ex-presidente de Furnas. Eles podem atestar que ela entende muito de energia. A ministra fez uma palestra no Copacabana Palace, falou mais de duas horas sem olhar uma vez para o papel. É candidata forte. Não se iludam.</p>
<p><strong>Valor: Dizem que não é política.</strong></p>
<p>Itamar: Já vi tanta gente que não era política chegar lá. Eu até discordo um pouco, ela é política desde jovem. Tanto que foi presa política aos 21 anos.</p>
<p><strong>Valor: Mas o seu candidato é o governador Aécio, não?</strong></p>
<p>Itamar: É o governador Aécio. Mas ele tem que assumir-se como candidato. Ele tem de chegar e dizer &#8220;Vim, vi e quero vencer&#8221;.</p>
<p><strong>Valor: Como César?</strong></p>
<p>Itamar: Exatamente. Como César, ter a ousadia de atravessar o Rubicão. Alea jacta est, a sorte está lançada, que, aliás, César não disse em latim, mas em grego. Se não atravessar o Rubicão, não vai a Roma. Aécio tem de atravessar o Rubicão logo. Este mês ainda.</p>
<p><strong>Valor: Por que este mês?</strong></p>
<p>Itamar: Porque a luta está aí. O Serra já atravessou o Rubicão dele, só não sei se vai transpor as montanhas&#8230; Nada contra o Serra, só estou analisando. Faz dois meses que não converso com o governador Aécio, a não ser pelo telefone. Acho que ele tem um bom combate a fazer no campo das ideias. Tem que mostrar o que quer para o país.</p>
<p><strong>Valor: E o que ele quer?</strong></p>
<p>Itamar: Ah, não sei. Sei que o presidente Lula está bem com a opinião pública não só porque tem o Bolsa Família. É porque a oposição não tem mensagem.</p>
<p><strong>Valor: Depois de se reeleger governador, Aécio disse que ia percorrer o país para pregar uma nova forma de o PSDB fazer política. Isso parece que não andou.</strong></p>
<p>Itamar: Sabe por que não andou? Porque tem que atravessar o Rubicão. E o Rubicão não é tão difícil de atravessar. Em verdade é um riacho&#8230; Mas há um anseio em Minas para que Minas volte à Presidência da República. Minha opinião é de que o presidente Fernando Henrique fez um mal ao país ao inventar a reeleição. Ele me disse que não ia fazer isso. Mas ele tem uma memória que eu chamo de peneira, retém algumas coisas e deixa escorrer as outras. Ele e o grupo dele acham até que ele é que assinou o Plano Real. Não fui eu não. Quando chega a noite, no seu quarto, ele apaga as luzes, joga um foco e proclama: &#8220;Olha aí, eu é que assinei o Plano Real&#8221;. Mas esquece de uma coisa: o grande sacerdote do plano real chama-se Rubens Ricupero&#8230; Eleito graças ao Plano Real, Fernando Henrique deveria fazer em seguida as reformas tributária, a fiscal e a política.</p>
<p><strong>Valor: Mas tinha condições políticas de fazer logo essas reformas?</strong></p>
<p>Itamar: Tinha, pois foi eleito em primeiro turno. Mas ficou mordido pela reeleição. Não queria briga, contrariar interesses, sacrificou tudo pela reeleição. Depois dele, os presidentes pensarão antes de tudo na reeleição. Quando eu estava na Presidência, disse ao meu líder no Senado: &#8220;Pedro Simon, não vamos lutar pela reeleição&#8221;. Estávamos em 1994 revisando a Constituição. E a reeleição não passou no Congresso por nove votos. Sabe por quê? Porque o Fernando Henrique tinha cerca de 16% e o Lula vinha com uns 35% nas pesquisas. Eles tinham medo de colocar a reeleição por causa do Lula. O mesmo aconteceu com o mandato de quatro anos. Não foi de cinco, por causa do medo da vitória do Lula. A história terá de me fazer justiça: fui presidente, não me candidatei à reeleição. Fui governador, e não me candidatei à reeleição. Sou contra.</p>
<p><strong>Valor: E como foi sua primeira eleição a senador, em 1974, em pleno regime militar?</strong></p>
<p>Itamar: Teve um homem bom, chamado senador Franco Montoro. Em 1974, eu era prefeito e fui à casa do doutor Tancredo. Falei: &#8220;O senhor vai ser candidato ao Senado?&#8221; &#8220;Eu não sou burro&#8221;, ele me disse. &#8220;Pois eu gostaria de ser&#8221;, eu disse. &#8220;Você não vai ter 300 mil votos&#8221;, mas mandou consultar a cúpula do então MDB de Minas. Consultei e ninguém queria. Daí fui ao Franco Montoro em São Paulo. Expliquei a situação. O que Montoro me disse nunca mais esqueci: &#8220;Os políticos brasileiros só estamos enxergando a superfície e na superfície vamos ser derrotados. Governo militar, presidente Geisel, imprensa, tudo é contra nós. Mas se você aprofundar um pouquinho o olhar, eu lhe aconselharia a ser candidato porque vamos fazer mais de dez senadores&#8221;. O MDB elegeu 16 senadores, inclusive o Quercia em São Paulo.</p>
<p><strong>Valor: E agora será que só estamos enxergando a superfície?</strong></p>
<p>Itamar: Não sei. Não temos mais um Montoro na vida.</p>
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		<title>A incógnita Dilma</title>
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		<pubDate>Thu, 27 Nov 2008 15:01:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ Dilma será a cara do PT em 2010. Mas como será a cara de Dilma?
Por Gustavo Krieger &#8211; Correio Braziliense
gustavokrieger.df@diariosassociados.com.br
O PT já se conformou em ter a ministra Dilma Rousseff como candidata à Presidência da República em 2010. O termo que descreve o sentimento da legenda é esse. Não se encontra na direção do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <strong>Dilma será a cara do PT em 2010. Mas como será a cara de Dilma?</strong></p>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>Por Gustavo Krieger &#8211; Correio Braziliense</strong></p>
<p><a href="mailto:gustavokrieger.df@diariosassociados.com.br">gustavokrieger.df@diariosassociados.com.br</a></p>
<p><img src="http://stat.correioweb.com.br/cw/EDICAO_20081127/fotos/entrelinhas.jpg" align="right" />O PT já se conformou em ter a ministra Dilma Rousseff como candidata à Presidência da República em 2010. O termo que descreve o sentimento da legenda é esse. Não se encontra na direção do partido nenhum defensor apaixonado da idéia. No governo, a candidatura da ministra da Casa Civil provoca muito resmungo. Mas ela tem o único voto de que precisa por enquanto: o do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele ungiu Dilma e, diante da relação de dependência que o partido estabeleceu com o presidente, ninguém vai desafiá-lo. As questões que ocupam as principais cabeças petistas são outras: qual será o caráter da candidatura de Dilma? Ela tem chances de vencer os candidatos tucanos, que aparecem mais bem colocados nas pesquisas? E o que acontecerá ao PT depois de 2010, vencendo ou perdendo as eleições presidenciais?</p>
<p>Ninguém tem as respostas. Dilma pilota hoje uma não candidatura. Sabe que um dos motivos que levaram o presidente a escolhê-la foi a lealdade absoluta que sempre demonstrou. Lula acredita, com toda a razão, que seu mandato começa a acabar no dia em que a sucessão começar. Por isso, adia o quanto pode seus movimentos. Além disso, a ministra não tem conselheiros políticos. Continua a agir dentro do governo como uma grande gerente. Discute programas do governo, mas nada que se assemelhe a desenhar um projeto político.</p>
<p>Não que ela deixe de ser política. Ao contrário. Dilma é uma militante. Sempre foi. Tem posições políticas pessoais firmes e estabelecidas. Mas uma candidatura presume um programa construído coletivamente. E isso ela não faz.</p>
<p>É um erro imaginar que, se for presidente, ela será uma mera continuidade de Lula. Quem conhece os bastidores do governo sabe que, apesar de todo o seu poder, Dilma foi voto vencido em muitas questões importantes. Questões onde a opinião dela não fechava com a do presidente. Nesses casos, a disciplina falou mais forte e ela não externou as divergências. Mas elas existem. E nem Lula acredita que ela poderá ser teleguiada se ocupar o principal gabinete do Palácio do Planalto.</p>
<p>Mas se Dilma não é Lula, quem ela seria como presidente? Essa é uma das questões que inquietam os petistas, inclusive dentro do governo. Uma candidatura implica programa, compromissos. E isso precisa ser negociado com os aliados. No momento, os petistas não se sentem protagonistas desse processo.</p>
<p>Para complicar, o PT terá de se reinventar nas eleições de 2010. Para o bem e para o mal, a experiência do governo Lula esgotou o modelo construído pelo PT. De um lado, os escândalos políticos e os acordos construídos retiraram do partido o discurso udenista que marcou parte sua história. Por outro, boa parte das propostas da legenda se tornaram realidade, como os programas sociais e a redução das desigualdades.</p>
<p>Como os tucanos descobriram, depois de algum tempo, as conquistas e benefícios sociais passam a ser contabilizados como direitos adquiridos e deixam de ser elementos definidores de voto. O controle da inflação foi suficiente para reeleger Fernando Henrique em 1998, mas não deu a vitória a José Serra em 2002. O Bolsa Família e o crescimento econômico reconduziram Lula em 2006, mas podem ser pouco para eleger Dilma.</p>
<p>Até porque os dois presidenciáveis tucanos, Serra e Aécio Neves, já deixaram claro que não farão campanha contra o governo Lula. Pretendem olhar para frente, no melhor estilo Obama. Se quiser vencer, o PT terá de apresentar uma perspectiva de futuro. E hoje o partido não sabe qual é. Dilma será a cara do PT em 2010. Mas como será a cara de Dilma?</p>
<p>Será a primeira vez que o PT disputará uma eleição presidencial sem Lula à frente da chapa. Supostamente, seria um momento em que as forças internas se agitariam na luta para definir como será o partido no pós-Lula. Até aqui, poucos se dispuseram a esse movimento. A maioria continua presa a uma lógica meramente eleitoral, preocupados em saber quantos pontos a candidata escolhida pelo presidente consegue nas pesquisas.</p>
<p>Se o partido não se repensar, será refém do resultado eleitoral. Se a aposta de Lula der certo e Dilma tornar-se presidente, o PT continuará a tirar sua força da máquina estatal. Mas, e se ela perder?</p>
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		<title>PT: reflexões de Gleisi Hoffman</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Nov 2008 13:40:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Rosângela Bittar &#8211; VALOR
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			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por onde o PT se renova</strong></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://ptcuritiba.org.br/files/2008/07/gleisi7.jpg" alt="http://ptcuritiba.org.br/files/2008/07/gleisi7.jpg" width="500" height="334" /></div>
<p style="background-color: #ffff99">Rosângela Bittar &#8211; VALOR</p>
<p>Aguerrido, como se sabe, no presente, mesmo sem muitas opções à escolha, o PT, ao contrário de seus principais adversários, preocupa-se, sim, com o futuro, e tem permitido que novas lideranças, insinuadas nas duas últimas eleições majoritárias, desenvolvam suas chances. Exemplo puro desta situação é o da paranaense Gleisi Hoffman, 43 anos, dois filhos, duas campanhas eleitorais &#8211; candidata a senadora, teve 2,3 milhões de votos (começou com 2%) quando o vencedor ganhou com 2,5 milhões, e candidata a prefeita de Curitiba, recebeu 18% porcento dos votos &#8211; é atualmente presidente do PT do Paraná.</p>
<p>Vestida com elegância clássica, bastante articulada e pensamento organizado para o perfil do meio em que vem galgando degraus, Gleisi, depois de transitar dois dias em Brasília para contatos no governo e no partido, exibiu, docemente mas firme, uma avaliação resumida e realista sobre a política, tal como praticada no seu Estado e no seu partido, mostrando como vê o futuro e as tarefas mais urgentes.</p>
<p>&#8220;Não estou pensando em mim ou em 2012, o foco é 2010, para construirmos um bom palanque para a Dilma no Paraná&#8221;, afirma, referindo-se ao objetivo imediato, a candidatura da ministra chefe da Casa Civil a presidente da República, com apoio do presidente Lula. Neste palanque a que se refere há, para governador do Estado, dois nomes também em processo de construção. Um, Jorge Samek, presidente de Itaipu Binacional, e o outro o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, seu marido. Não está definido qual deles será o candidato do PT nem as alianças que serão firmadas com outros partidos para as demais candidaturas, mas é o trabalho a partir de agora</p>
<p>&#8220;Vamos fortalecer o projeto local com a consciência de que precisamos dar muita atenção ao projeto nacional&#8221;, assinala, indicando qual é a sua expectativa política, no momento: &#8220;Ter feito o Presidente da República, ter mudado tanto o país, e não conseguir manter isto&#8221;&#8230;Não pode, subentende-se de suas reticências.</p>
<p>Há algo com que Gleisi convivia mal, uma estranheza imposta a uma técnica formada na política pela prática eleitoral, mas que agora, como presidente do partido, terá que enfrentar, além de procurar formas de mudar as regras não escritas de que não gosta: a articulação política, interna, no PT, e com partidos aliados. &#8220;Estas articulações são conversações sem nenhum resultado concreto, articulações abstratas, e a vida está correndo&#8221;, traduz. Se há algo que a mobiliza é o desejo de levar a vida real para a política, interferir de forma direta no seu conteúdo. Destaca, por exemplo, que recentemente o Paraná registrou o assassinato brutal de cinco meninas, e o assunto ficou confinado à segurança. &#8220;Temos que trazer isso para a política, não adianta ficar só na polícia&#8221;.</p>
<p>Outro exemplo de quem reconhece ser a articulação política seu papel, mas pretende reinventá-la, é a questão agrícola. &#8220;O Paraná é um estado agrícola, o futuro da economia e da solução da crise está no agronegócio. Enfrentamos problemas sérios, como a crise do álcool, temos grandes produtores no Paraná, precisamos dar respostas&#8221;.</p>
<p>Gleisi se volta também para seu partido, o PT, que, segundo identifica, sofre um vácuo no planejamento do futuro. &#8220;Éramos um partido de esquerda, ganhamos as eleições em um país continental, passamos a administrar com uma coalizão de forças que não tinham a mesma visão dos problemas, isto gerou uma crise no partido. Quando nos preparávamos para viver este debate, veio outra crise, a do mensalão, e gastamos nossa energia nisto em vez de discutir os grandes temas. Chegou a reeleição do presidente, e nós não paramos para pensar&#8221;.</p>
<p>Afastando o conformismo com o que está posto, Gleisi dá indicações de que vai mudar, a começar do discurso. Política substantiva, não usa adjetivos para o governo, para a oposição, nem mesmo para os adversários locais. A análise é objetiva: &#8220;Beto (Richa) fez mais que (Cássio) Tanigushi, capitalizou bem os investimentos federais e nós não conseguimos capitalizar para o PT&#8221;. Ou: &#8220;As pessoas estavam indiferentes, não estavam querendo discutir política e não conseguimos politizar a campanha&#8221;. Richa, do PSDB, foi reeleito com quase 80% dos votos no primeiro turno, e Gleisi diz que, quem via a campanha de perto, imaginava que a disputa estava equilibrada. As pessoas me cercavam e diziam: &#8216;Estou em dúvida, gosto muito de você, mas gosto muito do Beto, por que te colocaram nisso logo agora?&#8217; Na campanha para o Senado, Gleisi viajou todo o Estado, saiu mais conhecida mas com idéias mais diluídas. Na campanha municipal acredita ter sido possível expor melhor as idéias e explicar quem é, de onde veio e para onde quer ir.</p>
<p>Militante do PT desde 1989, Gleisi, formada em Direito, Administração Financeira e Gestão Pública, fez sua carreira, em alguns momentos, de forma paralela à de Paulo Bernardo. Foi Secretária de Reforma do Estado no Mato Grosso do Sul quando ele assumiu lá a Secretaria da Fazenda. Em outra fase, transferiram-se para Londrina, onde Paulo Bernardo foi Secretário de Fazenda e, ao deixar o governo para ser candidato a deputado, Gleisi se viu compatibilizada a assumir a Secretaria de Administração e Gestão. No Congresso, em Brasília, onde viveram outro período, trabalhou com Orçamento, área em que permaneceu quando integrou a equipe de transição para o governo Lula. Foi, no primeiro mandato do presidente, Diretora Financeira de Itaipu, de onde saiu para as recentes candidaturas.</p>
<p>Hoje, é presidente do PT no Paraná, e tem muitos planos. &#8220;Estamos fazendo uma intervenção política conjuntural. Isto nunca foi do PT&#8221;. Seu desafio é levar o partido à reflexão sobre seu papel meio a campanhas, eleições e sucessão. &#8220;Esta análise é que aproximará o partido da sociedade&#8221;. O que acha mais que necessário, principalmente em se tratando de um estado conservador, berço do MST onde, até por isto, o PT ainda inspira alta rejeição e onde, em 2006, o popularíssimo Lula foi derrotado no primeiro turno e só conseguiu empatar com seu adversário no segundo.</p>
<p><strong>Rosângela Bittar é chefe da Redação, em Brasília. Escreve às quartas-feiras</strong></p>
<p><strong>E-mail rosangela.bittar@valor.com.br</strong></p>
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