11/09/2009 - 14:55h 2010: Provável futuro presidente do PT diz que candidatura de Marina estimulou Ciro a se candidatar também


Para Dutra, base irá fragmentada no 1º turno

César Felício, de Belo Horizonte – VALOR

Favorito para a eleição interna para a presidência do PT, o ex-senador José Eduardo Dutra (SE), da corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), já trabalha com um cenário de fragmentação do quadro eleitoral em 2010 tanto para a Presidência da República quanto nas eleições estaduais.

“Qual foi o efeito imediato da possível candidatura da senadora Marina Silva pelo PV? o Ciro Gomes (PSB) se sentiu estimulado a ser candidato. Ele tem uma tese que a eleição no próximo ano não deve ser plebiscitária. O Ciro vinha sendo convencido da importância de uma eleição bipolarizada, mas agora reposicionou-se como candidato”, afirmou Dutra, referindo-se ao deputado cearense a quem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta convencer a transferir o título eleitoral para São Paulo e lançar-se candidato a governador.

Segundo Dutra, “o PT vai insistir na aliança, até porque quer manter a unidade nos Estados governados pelo PSB, mas é certo que no segundo turno, o campo governista estará unido”, disse.

Dutra afirmou ainda que o partido estará preparado para a multiplicidade de candidatos da base governista nos Estados. Minas Gerais é um dos Estados onde a divisão é possível. O ministro das Comunicações, Hélio Costa , é o virtual candidato do PMDB e há uma disputa dentro do PT pela cabeça de chapa entre o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, e o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel.

“Vamos tentar reproduzir ao máximo a aliança nacional. Mas em Estados onde isso não for possível, será possível um consenso por regras de convivência. Minas Gerais não é o quadro mais grave. O mais grave é na Bahia”, afirmou. Na Bahia, o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB), colocou-se como candidato, contra a reeleição do governador petista Jaques Wagner.

Dutra visitou Belo Horizonte para o lançamento da candidatura à presidência estadual do PT do dirigente Gleber Naime, que apoia a pré-candidatura de Patrus. No dia 26, deve voltar a Minas para o lançamento da candidatura estadual à reeleição do deputado Reginaldo Lopes, que apoia Pimentel. O ex-senador negou que a eleição direta petista seja uma prévia da disputa interna entre Patrus e Pimentel.

“O processo de eleição direta do PT não tem a tarefa de substituir a prévia para a escolha do candidato ao governo. Nem aqui em Minas e nem em outros Estados”, afirmou. Hegemônico no atual comando do partido no Estado, Pimentel continua apostando na eleição interna petista para evitar as prévias. Seu grupo político lançou uma chapa própria, chamada “PT para Todos”, para a disputa nacional, sem indicar um candidato a presidente.

É uma forma de apoiar Dutra para o comando da sigla e ao mesmo tempo demarcar seu território no Estado. Uma vitória da “PT para Todos” em Minas será utilizada por Pimentel como um sinal de que tem o apoio da maior parte do partido para concorrer ao governo em 2010.

Uma possível aliança entre PT e o PMDB também passará por uma disputa interna pemedebista. Com apoio do ex-governador Newton Cardoso, o deputado estadual Adalclever Lopes disputa a presidência estadual da sigla contra o deputado federal Antonio Andrade, ligado a Hélio Costa. Dentro do PT, uma vitória de Adalclever seria vista como o fim da possibilidade de uma composição de Hélio Costa com o PSDB do governador Aécio Neves. Se Antonio Andrade ganhar, o ministro das Comunicações fica fortalecido para negociar apoio à sua candidatura tanto entre os petistas como com Aécio.

20/05/2009 - 11:41h Governo Lula amplia o Bolsa-família para moradores de rua, acampamentos, indígenas e remanescentes de quilombos

Ministro confirma ampliação do Bolsa-Família

BRASÍLIA – O Estado SP

O ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, confirmou ontem que o governo vai ampliar a concessão do Bolsa-Família para moradores de rua, remanescentes de quilombos, indígenas e pessoas instaladas nos acampamentos de sem-terra. A informação foi dada pelo ministro ao participar do 2º Encontro Nacional da População em Situação de Rua.

A ampliação do atendimento a esses segmentos faz parte de um plano que visa a estender o programa a 1,8 milhão de novas famílias até o fim de 2010. Com isso, a lista de pagamento passaria dos atuais 11,1 milhões de famílias para 12,9 milhões. Na segunda-feira, o Ministério do Desenvolvimento Social anunciou a inclusão de mais 382 mil famílias na lista de pagamento do Bolsa-Família. Em agosto outras 550 mil serão acrescentadas.

Patrus disse que o objetivo do governo é atender todas as famílias com rendimentos mensais abaixo de R$ 137, valor atual do benefício. Em relação aos acampados da reforma agrária, ele destacou que o dinheiro irá para as famílias, mas não para o Movimento dos Sem-Terra (MST) ou outras organizações similares.

Segundo assessores do Ministério do Desenvolvimento Social, as prefeituras receberam orientação para ir atrás das pessoas em situação de maior risco, sob o ponto de vista da segurança alimentar. Isso inclui moradores de rua, quilombolas e grupos indígenas.

18/05/2009 - 15:00h Hélio Costa e Patrus aproximam-se para isolar Pimentel

Rumo a 2010: Com o maior número de delegados na convenção, PMDB de Minas é crucial para o apoio a Dilma

Ruy Baron/Valor

Hélio Costa: ministro das Comunicações vê menos intransigência no PSDB do que no PT na busca de uma aliança local

Daniel Rittner e Paulo de Tarso Lyra, de Brasília – VALOR

A dificuldade em fechar uma parceria entre PT e PMDB, mesmo onde eles são aliados , tornou-se emblemática em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país. O partido tem dois ministros no governo federal – Hélio Costa (Comunicações) e Patrus Ananias (Desenvolvimento Social). E ambos querem concorrer ao governo estadual. E ainda há a opção do também petista Fernando Pimentel, ex-prefeito de Belo Horizonte, mas que precisa disputar internamente com Patrus.

A cúpula petista e parte do governo apostam em um acordo, com Hélio Costa, que lidera as pesquisas até o momento, na cabeça de chapa, independentemente do petista contra o qual dispute. “Estamos bem na foto”. Por orientação do PMDB nacional e do diretório mineiro, o partido irá às eleições estaduais em uma aliança, preferencialmente com o PT.

Segundo um pemedebista, as conversas com Patrus Ananias, tendo como interlocutores o secretário-geral da Presidência, Luiz Dulci e o vice-presidente José Alencar, têm sido boas – embora outros petistas mineiros sejam contra – e ele dá sinais de que aceita um acordo para sair da disputa. Para Alencar, as eleições estaduais devem buscar, ao máximo, reproduzir as alianças que se formaram para apoiar o governo Lula.

O empecilho seria Pimentel, que, em público, tem dito que é cedo para falar em alianças, contrariando as orientações do próprio Planalto. Em privado, despreza um acordo. Petistas ligados ao ex-prefeito afirmam, ironicamente: “Querem acordo? Tudo bem. Convençam o PMDB de Orestes Quércia a apoiar um dos nossos em São Paulo que abrimos mão aqui em nome de um pemedebista”, disse um aliado do ex-prefeito, dando a dimensão das dificuldades que serão encontradas.

O PMDB colocou suas cartas na mesa. O plano A é convencer o PT a ceder o vice na chapa de Hélio Costa, que deverá mesmo concorrer ao governo. Nesse caso, o PMDB não disputaria o Senado, apoiando o candidato petista (Patrus). Se não der certo com o PT, a ideia é dar o vice ao PSDB, graças às ótimas relações do partido com o governador Aécio Neves.

O grande problema, diz Hélio Costa, é que o PT acredita que terá dois palanques em Minas: o de Dilma – ou qualquer outro candidato do governo – e o do PMDB. “Isso não existe”, afirma Costa. Segundo ele, o PSDB tem sido muito menos intransigente do que o PT para fazer essa composição. Há ainda um terceiro cenário, se surgir uma dificuldade imprevista nas eleições para o Palácio da Liberdade. O PSDB lideraria a chapa para o governo (com Antonio Anastasia, vice de Aécio) e o PMDB indicaria o vice. Aécio e Hélio Costa saem para o Senado, inviabilizando qualquer candidatura do PT.

Uma corrente do PMDB começa a trocar informações sobre a possibilidade, também, de Costa ser o vice de Dilma, caso Aécio decida compor uma chapa puro sangue com o governador José Serra à Presidência da República. “Seria uma forma de diminuir o prejuízo de Dilma no Estado”, afirma um correligionário de Costa.

Por enquanto, o ministro das Comunicações tem esperança de que Lula enquadre Pimentel e o convença a desistir da candidatura para fechar uma aliança. Uma forma de seduzi-lo seria lhe oferecer algum ministério num eventual governo Dilma Rousseff.

11/03/2009 - 14:30h A visão toda azul do vermelho

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Rosângela Bittar – VALOR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é o que avaliam seus discípulos, está acertando todas nesta pré-campanha para eleger Dilma Rousseff sua sucessora na Presidência da República. São atribuídos, já, diretamente ao presidente, vários êxitos, entre os quais o primeiro é o seguinte: definição de um cenário de eleição plebiscitária, em 2010, o que só interessaria ao PT e às hostes governistas. Segundo raciocina um político da confiança do presidente, não interessa ao adversário enfrentar um governo com 84% de aprovação, numa disputa polarizada.

Para evitar demonstrações de arrogância, o quartel general da candidatura governista evita constatar, em público, que está escolhendo o adversário, mas no âmbito privado é o que todos admitem, no rol de êxitos da orientação de Lula. Acreditam os envolvidos na campanha que já se desenvolve, célere, sem preocupações com justificativas vazias, que o presidente, com muita habilidade, conduziu seu rebanho em direção a um cenário polarizado, plebiscitário, com uma aposta mais centrada em um dos adversários, o mais forte junto ao eleitorado, o governador de São Paulo, José Serra.

Com esta conclusão a seara governista anota mais uma vantagem para si, que é acirrar o ânimo do segundo nome do partido adversário, o do governador de Minas, Aécio Neves, provocando atritos, irritações e divisões, o que também favorece a candidata do governo.

Foi também o presidente Lula quem detonou os primeiros fatos políticos mais contundentes e diretos para levantar a candidata que escolheu. Aí estão, por exemplo, a convocação dos 5 mil prefeitos a Brasília, com telefonemas pessoais aos mais importantes, para a ministra anunciar benefícios e ser fotografada com eles. É ainda de sua lavra o convite a governadores de Estado, inclusive os que são candidatos de oposição, a pretexto de reunirem-se com ele, Lula, mas na verdade para integrarem uma mesa de negociações presidida por Dilma para divulgar e pedir colaboração para o projeto de construção de um milhão de casas populares.

A transferência, sem dor aparente, do ministério da Fazenda para a ministra Dilma do controle e divulgação deste novo projeto popular do governo, que forma uma frente de trabalho eleitoral com o PAC e o Bolsa Família, é ordem de quem está no comando. Em reuniões nos Estados, a ministra até já costumizou o programa: em comemorações com mulheres, anunciou benefícios especiais e vantagens adicionais para elas. Dilma faz viagens ao lado do presidente para inaugurações e fiscalização de obras, já se fala em organizar para ela um calendário parecido com o que Lula cumpriu na campanha da sua reeleição, que contempla uma viagem na sexta-feira, a pretexto de tratar de projeto do governo, seguida de atividade política no sábado e domingo. E, numa especulação mais avançada, menciona-se a hipótese de casar, desde logo, esta campanha com a campanha pelo governo de São Paulo, deixando Dilma mais livre como maestra dos programas populares e passando a Casa Civil para Antonio Palocci, onde o ex-ministro se reintegraria à plataforma do governo para lançar-se em ouras disputas. Um turbilhão na agenda de Dilma Rousseff.

Em mano a mano, Lula a orienta sobre a estratégia política que deve seguir, em parceria com os especialistas em marketing. Também sob seu escrutínio, funciona um grupo de políticos do seu partido para praticar ações de campanha e aconselhamento da candidata.

Foi o presidente quem convidou e designou para esta tarefa Marta Suplicy, Fernando Pimentel e João Paulo, todos ex-prefeitos com experiência na administração, treinados em mais de uma campanha eleitoral, os três sem mandato e sem cargo no governo, portanto imunes à acusação de uso da máquina pública para fins eleitorais.

Marta já organizou jantar com a cúpula do partido, em São Paulo, mais refratária às soluções políticas que não passem pelo grupo. João Paulo foi um dos anfitriões de um carnaval em Recife onde colocou a ministra em um palanque, do governo estadual, para acenar a um milhão e meio de eleitores integrantes do Galo da Madrugada. Fernando Pimentel vocalizou, em entrevista à revista “Veja”, a visão interna desta candidatura, consolidando o projeto.

Disse, por exemplo, que Dilma Rousseff é a candidata, plano único, não existe plano B. Afastou, com isto, as hipóteses que o próprio PT alimentava para o caso de Dilma “não decolar”: Patrus Ananias a até Aécio Neves, se saísse do PSDB e fosse para um partido da base do governo. O candidato do PSDB, segundo Pimentel, na entrevista, é Serra, e Aécio será candidato ao Senado. É o governo nominando seu adversário. Uma entrevista reveladora da estratégia do presidente Lula.

O PT, avisado que não há outra hipótese (embora ainda haja no partido quem reserve a desconfiança de que ainda pode ser o próprio Lula para aquele famoso fantasma-terceiro-mandato-sequencial) tem cumprido seu papel para esta fase: organiza encontros, conferências, visitas da ministra Brasil afora, inaugurações, com Lula ou sozinha, para se tornar conhecida, identificada com o presidente e os programas que integram a grade de maior divulgação do governo, as obras, as bolsas e, agora, as casas.

Políticos ligados ao presidente avaliam que Lula, com habilidade, está dando o tom desta campanha e impondo a ela o ritmo e velocidade adequados para a candidata e seu partido. Os rumos dados por ele podem sofrer ajustes de acordo com resultados de pesquisas de opinião, quantitativas e qualitativas. Se o acaso não criar nuvens negras neste céu de brigadeiro, acreditam políticos do PT que a ministra chega ao fim do ano com 20% da preferência do eleitorado (atualmente tem 12%, em média), e daí para uma investida forte tendo em vista a vitória no primeiro turno.

Rosângela Bittar é chefe da Redação, em Brasília. Escreve às quartas-feiras

E-mail rosangela.bittar@valor.com.br

02/03/2009 - 14:00h João Paulo quer fazer campanha para Dilma

Capa do dia 02/03/2009 da editoria de Política


Sucessão // Em vez de ocupar cargo no governo federal, ele pretende ajudar a eleger a ministra
Leonardo Augusto // Do Estado de Minas – Diário de Pernambuco

Brasília – O ex-prefeito do Recife João Paulo (PT) defendeu que ele e os colegas de partido, Fernando Pimentel, ex-prefeito de Belo Horizonte, e Marta Suplicy, candidata derrotada à Prefeitura de São Paulo, não ocupem cargos no governo federal, conforme começou a ser ventilado em Brasília depois das eleições municipais de outubro. Na avaliação de João Paulo, o ideal seria que os três começassem a trabalhar na campanha da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Presidência da República, com o objetivo de vencer a disputa pelo Palácio do Planalto no primeiro turno.

João Paulo, Pimentel e Marta participam de encontro do PT no próximo sábado, em São Paulo, para debater “os desafios da unidade partidária na nova conjuntura”, nas palavras do ex-prefeito do Recife. Na prática, a reunião será para começar a traçar estratégias para a candidatura do PT à presidência no ano que vem.

Para João Paulo, tanto ele como Pimentel e Marta tiveram bons resultados nas eleições deoutubro e, por serem possíveis candidatos ao Senado ou ao governo de seus estados, os três ficariam pouco tempo ocupando cargos no governo federal antes do início das campanhas. João Paulo já se coloca como candidato ao Senado. Pimentel disputa espaço no PT com o ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, para se lançar ao Palácio da Liberdade. Quanto a Marta Suplicy, existe a possibilidade de que se candidate ao governo de São Paulo.

“Fiz o meu sucessor. O Pimentel, apesar das dificuldades, também fez, e a Marta teve 40% dos votos em um colégio eleitoral importante como São Paulo. Então, o melhor é ajudar na coordenação da campanha de Dilma”, argumenta. Depois de dois mandatos, João Paulo lançou João da Costa (PT), que venceu a disputa em primeiro turno. Em Belo Horizonte, Fernando Pimentel apoiou Márcio Lacerda (PSB), favorito para vencer também no primeiro turno por contar com o apoio do ex-prefeito e do governador de Minas, Aécio Neves, mas foi obrigado a disputar o segundo turno para chegar ao comando da capital.

No caso específico de Pimentel, estava praticamente certa a ida do ex-prefeito para a Secretaria Geral do Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (CNDES), mas houve resistência do ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, que acumula o cargo. Como se não bastasse, Pimentel chamou de xiita o grupo petista que se opôs à aliança que fez com Aécio para o lançamento de Lacerda à prefeitura. Entre os contrários ao acordo estavam os ministros Patrus Ananias e Luiz Dulci (Secretaria-Geral da Presidência da República).

22/01/2009 - 14:38h Lula sofre pressão de Dilma e setores do PT para levar Fernando Pimentel para o ministério

http://www.estadao.com.br/fotos/fernando-pimentel-grande.jpg

O Globo

BRASÍLIA – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem recebido pressão de setores do PT e até mesmo da chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, para trazer ao Palácio do Planalto um dos políticos mais próximos da ministra: o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel (PT). Ele passou a ser cogitado para assumir o cargo de ministro-chefe do Conselho do Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), órgão que hoje é vinculado à pasta das Relações Institucionais, comandada pelo ministro José Múcio Monteiro. Mas há também pressão contrária à manobra.

No cargo, Pimentel passaria a ser um dos principais articuladores da candidatura de Dilma para a sucessão de 2010. O ex-prefeito esteve duas vezes com Lula entre a noite de terça-feira e a manhã de quarta. O presidente disse a Pimentel que quer aproveitá-lo no governo, mas falta decidir onde. Essa definição só acontecerá depois da eleição para as presidências da Câmara e do Senado.

A maior resistência é do grupo liderado pelos ministros mineiros Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) e Luiz Dulci (Secretário Geral). Além de ter contrariado esses petistas ao fazer uma aliança com o governador tucano Aécio Neves na eleição municipal, Pimentel articula para disputar o governo mineiro, posto também cobiçado por Patrus. Também haveria resistência do próprio ministro José Múcio, que em conversas reservadas avalia que sua pasta poderia ficar esvaziada caso seja deslocado o CDES.

” O presidente Lula quer chamar para conversas ex-prefeitos do PT para saber qual papel político eles terão nesses dois anos “

Os defensores da nomeação de Pimentel acreditam que ele poderia desenvolver uma dupla função. Como economista, poderia coordenar a ação de governo junto a empresários e trabalhadores para encontrar soluções para diminuir os reflexos da crise financeira internacional no Brasil. Com bom trânsito entre os ministros da área econômica, principalmente Guido Mantega (Fazenda) e Paulo Bernardo (Planejamento), Pimentel ajudaria na área que hoje mais preocupa Lula.

Outra função de Pimentel seria política. Amigo pessoal da ministra Dilma desde que militaram juntos em movimentos contra a ditadura militar, no início dos anos 1970, Pimentel trabalharia a candidatura presidencial da chefe da Casa Civil não só no PT, mas também entre os partidos aliados.

Lula também quer uma maior aproximação com dois ex-prefeitos petistas: João Paulo, de Recife, e Marta Suplicy, de São Paulo. Os dois também estiveram com Lula na noite de terça-feira, em uma reunião que não constava da agenda oficial do presidente. João Paulo deve voltar a ver Lula nesta quinta. O pernambucano já se dispôs a ajudar o governo com os prefeitos – ele é presidente da Frente Nacional de Prefeitos – e ajudar Dilma.

Segundo fontes do governo, Marta não tem chance de voltar a ter um emprego no primeiro escalão do governo, mas Lula considera importante ter a ex-prefeita próxima do Planalto. Além disso, a avaliação palaciana é de que Marta é o nome mais forte do PT em São Paulo e é preciso revitalizar sua liderança no maior colégio eleitoral do país. A mesma avaliação é feita em relação ao ex-prefeito de Recife, o nome cotado do PT para disputar o governo de Pernambuco ou um cargo de senador.

- O presidente Lula quer chamar para conversas ex-prefeitos do PT para saber qual papel político eles terão nesses dois anos – explicou o presidente do PT, deputa do Ricardo Berzoini (SP).

21/11/2008 - 15:14h De caótico a aliado do Vaticano

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Maria Cristina Fernandes – VALOR

“Lula não é católico, é caótico”. A frase, proferida por um dos mais altos integrantes da cúpula eclesiástica do país, o cardeal do Rio de Janeiro, d. Eusébio Scheidt, há apenas três anos, soaria como um absoluto disparate na sala do Vaticano em que, na semana passada, o presidente da República e o papa Bento XVI selaram o acordo de reconhecimento do estatuto jurídico da Igreja Católica no Brasil.

O documento de 20 artigos, minuciosamente discutido pela diplomacia dos dois Estados, era o primeiro item da pauta de reivindicações da cúpula da Igreja brasileira há pelo menos 17 anos, quando começou a ser negociado.

O texto final foi comemorado pela cúpula do episcopado nacional. Em sua visita ao Brasil em maio, o papa já havia tentado, sem sucesso, vencer as resistências do presidente. O documento não avança mais do que a Lei das Diretrizes e Bases da Educação em relação ao ensino religioso nas escolas públicas, nem evita que o país, no futuro, venha a reconhecer o aborto legal.

O foco da relutância governista estava na demanda da Igreja por um artigo que aliviasse o tesouro eclesiástico das crescentes reclamações trabalhistas tanto de leigos que trabalham nas instituições sociais católicas quanto de ex-padres e ex-freiras.

O documento que o governo brasileiro, finalmente, concordou em assinar, prevê que padres, missionários e leigos consagrados pelo voto, mas não ordenados, realizam tarefas de caráter voluntário sem vínculo empregatício.

O texto do acordo, que é claro em relação àqueles que abandonaram o hábito e agora reivindicam direitos indenizatórios, levantou entre milhares de leigos que trabalham nas pastorais sociais da igreja, grande parte delas conveniadas com programas assistenciais da administração pública, a incerteza sobre a natureza jurídica de sua prestação de serviço.

O acordo foi comemorado pela cúpula de uma igreja que, além da perda de fiéis, vê reduzida a fonte de recursos provenientes, por exemplo, de sua rede de escolas. No último balanço da Associação Nacional de Mantenedoras de Escolas Católicas (Anamec), em apenas três anos, 130 escolas católicas de ensino fundamental e médio fecharam suas portas.

A precariedade da situação financeira de muitos hospitais e escolas e centros assistenciais católicos foi um dos motivos que levou o ministro do Desenvolvimento Social, um dos principais interlocutores da cúpula católica no governo, Patrus Ananias, a se empenhar pela aprovação da MP das filantrópicas.

A medida provisória acabou estendendo isenções de débitos como os do INSS, para entidades que fraudaram dados a fim de conseguir cadastro no Conselho Nacional de Assistência Social e foi espetacularmente devolvida pelo presidente do Congresso ao Executivo. O gesto vai prorrogar a agonia de muitas dessas instituições católicas que buscavam um alívio fiscal na MP.

Se a cúpula da Igreja católica festeja o acordo, os setores mais progressistas que comandam as maiores pastorais sociais, como a do Menor e da Terra, podem vir a enfrentar insatisfações de seus colaboradores leigos que, a partir do acordo com o Vaticano, temem a mitigação dos seus direitos trabalhistas.

Ao desgaste paulatino das alas mais progressistas do catolicismo com o governo Lula, que é anterior ao acordo, e teve como um de seus protagonistas o Frei Cappio em greve de fome, sobrevém o feito da cúpula da Igreja em obter a assinatura do documento. A migração do apoio ao presidente das bases do catolicismo fundador do PT, para a cúpula da Igreja, coincide com ascensão, ao mais alto cargo já ocupado por um eclesiástico brasileiro na hierarquia do Vaticano (Prefeito para a Congregação para o Clero), do cardeal d. Cláudio Hummes, que, bispo de Santo André no final dos anos 1970, protegera o emergente movimento sindical do ABC.

Antes da visita do papa ao Brasil, d. Cláudio já chamara a atenção para a pauta das relações do Brasil com o pontificado de Joseph Ratzinger. Não é uma agenda moralista, mas política, advertiu. Desde que assumiu o posto, o cardeal brasileiro jogou a carta do estreitamento das relações entre os dois países rumo a uma aliança entre Lula e Bento XVI na diplomacia mundial. É outra explicação para o acordo em que o presidente sindicalista escuda a Igreja contra seus reclamantes trabalhistas.

Maria Cristina Fernandes é editora de Política. Escreve às sextas-feiras

E-mail mcristina.fernandes@valor.com.br

18/11/2008 - 13:45h Encontro sela divisão de petistas em campanha ao governo de Minas

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Fernando Pimentel e Patrus Ananias

Ivana Moreira, de Belo Horizonte – VALOR

Abrigado na tendência majoritária Construindo um Novo Brasil, o grupo petista que não apoiou a aliança informal com o PSDB para a eleição de Márcio Lacerda (PSB) como prefeito de Belo Horizonte, já entrou em campanha para 2010, lançando o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, como candidato ao governo do Estado. Embora as principais lideranças do PT de Minas falem em reunificação da legenda, o que o encontro do grupo mostrou, no último fim de semana, em Contagem, foi um distanciamento cada vez maior entre os aliados de Patrus e do atual prefeito da capital, Fernando Pimentel.

Para os membros do grupo, como o ministro Luiz Dulci, da Secretaria Geral da Presidência, o PT mineiro precisa liderar uma aliança com partidos da base do presidente Lula, oferecendo à população mineira uma alternativa “antineoliberal”. É o oposto do que vem propondo o prefeito Pimentel, um aliado do governador tucano Aécio Neves na tese da convergência entre PT e PSDB.

O apoio de Aécio Neves a uma eventual candidatura de Pimentel ao governo do Estado sempre foi o pano de fundo das discussões que levaram à aliança para eleição do socialista Márcio Lacerda. A avaliação do grupo próximo a Pimentel é que Aécio, um governador com altos indíces de aprovação, tem tudo para fazer seu sucessor. Dificilmente o PT conseguiria chegar ao Palácio da Liberdade com uma candidatura de confronto.

Em Contagem, durante o encontro da Articulação, Patrus Ananias procurou ser cauteloso ao falar de uma possível candidatura ao governo. Mas deixou claro que está “disponível” e “preparado” para ser o candidato se esta for uma construção coletiva. “Estou me colocando sim para construirmos um projeto político alternativo e de desenvolvimento econômico vinculado a um projeto democrático popular para Minas.”

Sobre as rugas que ficaram do polêmico processo eleitoral na capital, que acabou por rachar a legenda, o ministro afirmou que é assunto encerrado. É momento de “passar a borracha”. Segundo ele, não cabem punições a nenhum dos lados. Nem ao grupo de Pimentel que teria desrespeitado uma determinação da executiva nacional contra alianças com o PSDB, nem ao grupo ligado ao Construindo um Novo Brasil que se envolveu com a campanha do pemedebista Leonardo Quintão, contra Márcio Lacerda. “Um bom ponto de partida para a unificaçao do PT em Minas é zerarmos esse processo difícil, equivocado”, declarou Patrus.

Enquanto o ministro do Desenvolvimento Social era lançado candidato em Contagem, Fernando Pimentel acompanhava Aécio Neves em agenda na França, onde o Estado celebra convênios para as comemorações do ano da França no Brasil, em 2009. O governador já disse publicamente que gostaria de ter Pimentel em sua equipe de secretários, o que serviu para alimentar boatos sobre o prefeito ter intenção de deixar o Partido dos Trabalhadores. Fontes próximas ao prefeito duvidam dessa possibilidade e acham que a fala de Aécio serviu apenas para colocar o nome de Pimentel, em destaque, na mídia. O nome do prefeito continua cotado para assumir uma pasta na reforma ministerial.

28/10/2008 - 12:00h Depois da vitória, Pimentel busca reunificar partido em MG

Danilo Jorge, para o Valor, de Belo Horizonte

Um dia depois da conclusão do processo eleitoral em Belo Horizonte, em que o PT saiu dividido devido à polêmica aliança firmada com o PSDB em torno da candidatura de Márcio Lacerda (PSB), o prefeito Fernando Pimentel (PT), um dos principais avalistas da aproximação com os tucanos, deu início à reunificação do partido.

Roosewelt Pinheiro/ABr

Pimentel sobre Patrus: ”
Nosso projeto, que é eleger o sucessor ou a sucessora de Lula,
nos une e vamos estar juntos”

Ontem, Pimentel conversou longamente por telefone com o deputado federal Ricardo Berzoini, presidente nacional do PT e um dos dirigentes do partido que criticaram a aliança com o PSDB. O prefeito fez também claros acenos de reconciliação aos ministros Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência) e Patrus Ananias (Desenvolvimento Social e Combate à Fome), que se opuseram igualmente à coligação com os tradicionais adversários.

“Houve divergências na condução da aliança e isto está superado”, afirmou Pimentel. Segundo ele, o que irá reunificar o partido é o objetivo comum das lideranças petistas, que é o de fazer o sucessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Patrus é muito amigo meu e não temos projetos pessoais, ambições de cargos. Nosso projeto nacional, que é eleger o sucessor ou a sucessora de Lula, nos une e vamos estar juntos”, disse o prefeito, refutando as perspectivas de confronto entre ele e o ministro, que são cotados para disputar o governo de Minas em 2010.

Pimentel fez questão de frisar que a aliança firmada com os tucanos, tendo à frente o governador Aécio Neves (PSDB), é muito mais um projeto de conteúdo político que eleitoral. “Essa tese da convergência, entre dois partidos opostos, é possível em determinadas circunstâncias, mas não podemos transformar a exceção em regra. Foi possível em BH, o que foi muito raro. Isso se repetir é muito difícil”, disse o prefeito petista.

Para Eduardo Campos, governador de Pernambuco e presidente do PSB, a vitória de Lacerda abre espaço para a ampliação da aliança PT-PSDB-PSB. “O PSB ajudou na construção dessa frente, já que Márcio Lacerda era secretário de Desenvolvimento Econômico do governo Aécio”, afirmou Campos. “Tivemos uma vitória bonita e madura em BH. Agora, abre-se uma oportunidade para consolidar ainda mais essa parceria”, disse ele, seguindo o discurso já feito por Aécio no domingo, durante a votação. O governador pernambucano não quis, porém, falar sobre como essa aliança ficaria em 2010, ano de eleições estaduais e presidencial. “É muito cedo para ilações sobre 2010. O que foi definido agora é o futuro das cidades. Em experiências anteriores, já vimos que as prefeituras não influenciam tanto o cenário federal.”

Campos considera que o resultado final das eleições foi equilibrado, apesar de o PMDB ter saído com o maior número de prefeituras. “Alguns partidos se fortaleceram aqui, mas perderam importantes cidades acolá. Acho que o resultado foi bom para todos”, explicou.

Lacerda também avalia que as divergências entre as principais lideranças petistas deverão ser superadas em breve. “Certamente o PT, através de sua direção municipal, estadual e nacional, vai buscar recompor os cacos”, disse o futuro prefeito, em entrevista ontem à TV Globo. Ele disse acreditar que os ministros Dulci e Patrus deverão agora, após os embates eleitorais, trabalharem pela reunificação do partido. “São pessoas idealistas e querem o bem de Minas e de BH e certamente vão se associar a um processo de recomposição interna do PT”.

Pimentel e Lacerda se encontram hoje para dar início ao processo de transição. A equipe que será designada para essa tarefa vai ter um papel estratégico, pois ficará encarregada de atuar na composição do futuro secretariado municipal e no redesenho dos instrumentos de planejamento da prefeitura, com vistas a adequá-los à execução das propostas defendidas por Lacerda durante a campanha eleitoral.

“Vamos conversar com todos os nossos apoiadores e lideranças, não só dos partidos mas também de todas as entidades, todas as organizações setoriais que nos apoiaram e ouvir a todos sobre as sugestões sobre composição de governo”, afirmou o futuro prefeito – eleito por uma coligação formada por 12 partidos (PSB, PT, PTB, PP, PR, PV, PMN, PSC, PSL, PTN, PTC, PRP), além dos apoios informais do PSDB e do PPS. Segundo ele, não haverá loteamento de cargos entre essas legendas, mas indicações com critérios técnicos, balizadas nos compromissos políticos constituídos na campanha.(Colaborou Carolina Mandl, do Recife)

04/06/2008 - 12:58h Tarso nega conspiração de petistas anti-Dilma

 

 

Na volta das férias, ministro da Justiça se esforça para contornar crise política provocada por entrevista na qual disse que a colega da Casa Civil não tinha militância no PT. Mas afirma que há outras opções para 2010

Cadu Gomes/CB/D.A Press

Ministro quer mais força do PT
para definir sucessão de Lula

Gustavo Krieger – Correio Braziliense

O ministro da Justiça, Tarso Genro, teve um agitado retorno de férias. Ele passou as duas últimas semanas na Argentina e no Rio Grande do Sul, administrando uma crise política que gerou antes de viajar. Tarso deu uma entrevista ao jornal Zero Hora, na qual anunciou a formação de um novo núcleo dirigente no PT, que além dele incluía o secretário-geral da Presidência, Luiz Dulci, o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, e o assessor especial do Palácio do Planalto, Marco Aurélio Garcia. Na mesma entrevista, defendeu que a escolha do candidato à sucessão presidencial em 2010 passe pelo comando petista e disse que a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, não tem militância partidária. Ontem, antes mesmo de reassumir o gabinete e voltar a usar gravata, ele se esforçou para apagar o incêndio causado por suas declarações.

O problema foi que a entrevista foi interpretada como se Tarso estivesse anunciando que o grupo de ministros trabalhava contra a candidatura de Dilma, até aqui o nome preferido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Isso estremeceu as relações dentro do Palácio do Planalto e na cúpula do governo. O ministro da Justiça esforçou-se ontem para retirar qualquer suspeita de conspiração contra a chefe da Casa Civil. “As posições que assumi são pessoais e não envolvem Dulci, Marco Aurélio ou Patrus”, diz o ministro da Justiça. Para ele, houve uma confusão de papéis. “Eu não soube precisar a distinção sobre a formação de um novo grupo dirigente, que envolve pessoas de várias origens dentro do partido e isso foi confundido com articulações entre ministros.”


Lula

Tarso diz que a escolha do candidato governista será presidida por Lula. “O presidente será o grande eleitor do Brasil. Nós todos que estamos no governo vamos seguir a orientação dele. Eu farei isso mesmo se não for a minha posição.” Mas argumenta que “isso não significa que os dirigentes partidários não devam ter opinião. Podemos e devemos ter opinião”.

Segundo o ministro, o fato de Lula não poder disputar as eleições de 2010 fortalece a importância do PT. “A relação do partido com o governo, que hoje se baseia na figura de Lula, terá de ser reconstruída sobre novas bases.”

Veja o vídeo: da entrevista no Blog do Krieger

“Não há uma candidatura”

Na entrevista ao Correio, Tarso Genro esforçou-se para não parecer um adversário da ministra da Casa Civil. Elogiou Dilma Rousseff e disse estar disposto a apoiá-la se ela for a candidata à sucessão de Lula. Mas o ministro da Justiça deixou claro que não considera resolvida a questão da candidatura governista. “Não há porque dizer que não existem outras possibilidades além da ministra Dilma”, diz.

Ao mesmo tempo em que promete seguir as orientações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Tarso diz que não há nenhuma indicação de que ele já tenha optado por Dilma. “Até hoje, não há nenhuma manifestação do presidente em relação a isso. As pessoas dão como certo que há uma candidatura em movimento. Não há. O que existe é uma pessoa que se destaca (Dilma), tem o acolhimento de todos nós e é uma das possibilidades. No momento adequado, o presidente vai nos dar uma orientação. Nós vamos seguir, mas isso não significa que não podemos opinar sobre o processo.”

Articulações

O ministro nega que tente “blindar” o PT contra a pré-candidatura de Dilma Rousseff. Argumenta, no entanto, que o partido precisa participar das articulações. “A candidatura Dilma sequer foi colocada de maneira formal dentro do partido ou dentro do governo.”

Embora freqüente as listas de presidenciáveis petistas, Tarso descarta. “Não me considero uma possibilidade como candidato”, diz. Ele avalia que comprou brigas internas demais ao liderar a formação da corrente Mensagem ao Partido, que disputou a direção petista.

03/06/2008 - 12:08h “Não há grupo algum”, diz Dulci

L'image “http://www.pt.org.br/portalpt/images/stories/easygallery/thumbs/227/1196183697_congresso-06.jpg” ne peut être affichée car elle contient des erreurs.Ministro Tarso Genrohttp://www.pt.org.br/portalpt/images/stories/easygallery/thumbs/227/1196183478_congresso-04.jpg

VALOR

Ao contrário do governador de Minas Gerais, Aécio Neves, o ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento) não distingue uma “era pós-Lula” ao final do segundo mandato do presidente. O que o PT deve discutir, em sua opinião, é como consolidar e ampliar as conquistas sociais do governo, que ainda tem dois anos e meio pela frente.

Um problema com o avião que o traria de volta de El Salvador, onde esteve com Lula na semana passada, impediu Patrus de participar da reunião do Diretório Nacional do PT que discutiu a situação da eleição para prefeito de Belo Horizonte. O ministro é contrário à aliança que o prefeito Fernando Pimentel negociou com o PSDB de Aécio.

Como Pimentel é correligionário declarado da candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) a presidente, os petistas que se opõem à aliança tucano-petista em Belo Horizonte foram logo carimbados de “anti-Dilma”. E relacionado ao grupo que Tarso Genro (Justiça) tenta articular para construir um novo campo hegemônico no PT.

Além de Patrus, o ministro Tarso Genro incluiu dois outros palacianos no grupo: Luiz Dulci (Secretaria Geral) e Marco Aurélio Garcia, o assessor de assuntos internacionais de Lula. Genro estava em férias, andou por Porto Alegre, Buenos Aires e hoje deve estar em Brasília. Vai se deparar com o olhar enviesado de ministros. Se for o caso, Dulci talvez faça uma cobrança pública sobre o tal grupo: “Não há grupo algum”, diz.

Os petistas estão intrigados com o anúncio feito por Genro da criação de um novo campo hegemônico no PT, do qual participariam os ministros mencionados, e com o desdém com que tratou a eventual candidatura de Dilma.

Das duas, uma: ou Genro quer chamar a atenção de Dilma para alguma questão estadual ou se convenceu de que a união de interesses temporária dos grupos a Mensagem e Construindo um novo Brasil, na eleição do Diretório Nacional, sirva para assentar as bases de uma nova maioria no PT.

Patrus tem boa relação com Dilma, e pode apoiar sua candidata em 2010. O ministro também é lembrado para a disputa presidencial, especialmente por comandar o maior programa social do governo, o Bolsa Família, mas tem no governo de Minas Gerais o desdobramento mais provável de sua carreira política. Nisso, Pimentel é seu concorrente direto.

Olhares enviesados esperam Tarso Genro

http://carosamigos.terra.com.br/da_revista/edicoes/ed81/images/debate005.jpgO que Patrus considera muito prematura é a discussão sobre a sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva, quando faltam ainda dois anos e meio de mandato.

“Estamos olhando muito para 2010 e esquecendo o município”, dizia o ministro na sexta-feira, ainda em El Salvador enquanto refazia seu roteiro de viagem para ir se encontrar com Lula em Roma. O ministro reconhece que tem discutido questões partidárias, ido a fundo na questão de Belo Horizonte, mas decididamente não acha hora de falar de 2010.

Segundo Patrus Ananias, “os temas devem ser discutidos no seu tempo próprio”, como a “integração do econômico com o social, consolidando um mercado interno no pais. A integração das políticas sociais, o controle da inflação para nós é essencial. Essa é a discussão nos encontros que temos tido”, afirma o ministro do Desenvolvimento. A sucessão presidencial é definitivamente um assunto prematuro”.

Patrus conta que o seu “compromisso com o presidente da República é o da integração positiva, em como consolidar e ampliar conquistas sociais do governo Lula”.

“O PT não é um fim em si mesmo, mas um instrumento a serviço do povo brasileiro, muito importante para a consolidação de um projeto nacional”, argumenta. “É preciso discutir a sua responsabilidade no momento em que estamos vivendo. Não vejo uma era pós-Lula, mas de consolidação progressiva de um governo histórico”.

A ligação normal de Dulci seria com o conterrâneo Patrus , mas na hipótese de não haver nenhum candidato natural, tende a optar pelo que chama de “perfil novo”, ou seja, Dilma Rousseff. Na falta do “candidato natural”, Dulci acha que Lula deve assumir a coordenação da própria sucessão, no que está de acordo Ananias.

O PT espera ser ouvido por Lula, os ministros dizem que é isso o que Lula quer fazer, e – todos – que Genro articule a maioria que puder, mas sem envolver artificialmente terceiros.

Raymundo Costa é repórter especial de Política, em Brasília. Escreve às terças-feiras

02/06/2008 - 11:34h Petistas articulam frente contra Dilma

Katia Lombardi/Valor
Fernando Pimentel: ao conseguir apoio tácito de Lula, reverteu derrota política no Diretório Nacional do partido, que vetaria aliança em Belo Horizonte

Raymundo Costa – VALOR

http://diariodonordeste.globo.com/imagem.asp?Imagem=271394A ofensiva desencadeada pelo ministro Tarso Genro (Justiça) para a construção de um novo campo hegemônico no PT tem objetivo determinado: impedir a consolidação e que se torne irreversível a candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) ao Palácio do Planalto, com o patrocínio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O veto da Executiva Nacional petista à aliança com o PSDB, na eleição para a prefeitura de Belo Horizonte (MG), é reflexo dessa disputa, na qual está em jogo quem vai conduzir o processo de sucessão de Lula.

Boa parte da cúpula petista julga que o partido deve ter autonomia na escolha do candidato. Mas o presidente não pretende perder o controle do processo e demonstrou força ao levar a direção do PT a ser menos rigorosa em relação à disputa pela prefeitura da capital de Minas Gerais do que na decisão que adotara semana antes.http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/a/aa/Dilma_Rousseff.jpeg/429px-Dilma_Rousseff.jpeg

Na ocasião, o PT foi taxativo e decidiu “comunicar” a seção mineira que não autorizaria, “em nenhuma hipótese, o PT a participar de qualquer coligação da qual faça parte o PSDB naquela capital”. O tom foi outro na resolução aprovada na última sexta-feira, e em vez de “nenhuma hipótese” o PT resolveu “recomendar” aos mineiros uma nova discussão “afastando a possibilidade de coligação com PSDB e PPS”.

A questão mineira está longe de ser resolvida, mas na segunda-feira passada o Diretório Nacional era majoritariamente favorável ao veto radical da Executiva ao lançamento da candidatura de Márcio Lacerda (PSB) a prefeito de Belo Horizonte numa aliança com o PT – que indicará o candidato a vice – e o PSDB do governador Aécio Neves.

O que aconteceu entre a reunião da Executiva e o encontro Diretório foi a entrada em cena de Lula. E antes disso, uma entrevista do ministro Tarso Genro (Justiça) ao jornal “Zero Hora”, de Porto Alegre, que deu contornos bem delineados ao que antes não passava de um rumor entre os petistas: mais que insatisfação, havia uma reação articulada entre os potenciais presidenciáveis petistas aos privilégios de Lula à eventual candidatura Dilma.

Aliados de Lula acreditam que até então o presidente não havia se dado conta da extensão da ofensiva do gaúcho. Tarso nominou inclusive alguns dos petistas – cerca de 10 – que estariam empenhados na construção desse novo campo hegemônico. Entre eles dois ministros, Luiz Dulci (Secretaria Geral) e Patrus Ananias (Desenvolvimento Social), e o assessor para Assuntos Internacionais do Palácio do Planalto, Marco Aurélio Garcia.

L'image “http://www.videversus.com.br/fotos/6979/6979_jaques_wagner.jpg” ne peut être affichée car elle contient des erreurs.Entre os governadores, o ministro citou Jaques Wagner, da Bahia. Também não descartou a hipótese dele próprio vir a ser candidato. Sobre Dilma, foi bem claro que, entre as hipóteses possíveis, ela era “uma das”. O manifesto gaúcho levou vários setores do PT a acreditar que estava em formação uma “frente anti-Dilma”. O Valor apurou, no entanto, que há nuances e posições diversas entre os petistas citados.

O discurso de Genro encerra no partido autonomia para decidir sobre a candidatura. Mas Marco Aurélio Garcia, por exemplo, apenas teria dúvidas sobre a oportunidade da escolha – seria ainda cedo – e os métodos de gestão de Dilma Rousseff, mas nenhuma oposição a entrega do comando da sucessão a Lula.

Responsável pelo programa-símbolo do governo Lula, o Bolsa Família, o ministro Patrus Ananias diz que sim, tem debatido questões partidárias, inclusive é parte diretamente interessada na questão de Belo Horizonte, onde preferia uma aliança do PT com o PMDB. Mas definitivamente acha que não é hora de se falar em 2010. Patrus é um dos nomes citados no PT para a sucessão de Lula, para o governo de Minas Gerais, e seu ministério tem boa interação com o de Dilma.

Nesse contexto, Lula decidiu ir a Belo Horizonte no início da semana passada, onde tirou fotos com Lacerda ao lado do governador Aécio Neves e do prefeito Fernando Pimentel, os dois principais articuladores da candidatura. Nesse meio tempo, encontrou com a deputada Maria do Carmo e cobrou “a onda” que o PT estava fazendo. O deputado Ricardo Berzoini, presidente do PT, nega, mas tanto Aécio como Pimentel confirmam que Lula telefonou para o deputado a fim de dizer que apoiava a aliança.

A posição de Lula teve adesões previsíveis, como a de seu chefe de gabinete, Gilberto Carvalho, e dos ministros Paulo Bernardo (Planejamento) e Luiz Marinho (Previdência e Assistência Social; mas também algumas inesperadas para os conhecedores dos meandros da política petista. O exemplo mais ilustrativo é o de Marta Suplicy, ministra do Turismo, e assim como Dilma, Genro, Patrus e Jaques uma das opções consideradas no PT.

Se vencer a eleição para prefeito de São Paulo, Marta Suplicy em dois anos pode se candidatar ao governo do Estado ou até mesmo à Presidência da República, segundo avaliação feita no PT. No embate mineiro, Marta teve como aliado o ex-ministro Antonio Palocci, também citado como opção, na hipótese de conseguir se livrar das ações judiciais em que está envolvido até agora. Marta quer o apoio de Lula na eleição de São Paulo, mas o presidente está inclinado a não participar das eleições onde houver mais de um candidato aliado na disputa, caso de São Paulo.

Na véspera da reunião do Diretório Nacional do PT, no dia 30, o embate sobre o candidato e a condução do processo sucessório presidencial ficou m ais claro aos petistas no decorrer do dia. À noite, Pimentel, que estava em Brasília mas no dia seguinte não participaria da reunião do DN, chegou a dizer em alto e bom som, como se estivesse arrebatado: “Eu prefiro perder com o Lula a ganhar contra ele”. Quatro dias antes, o prefeito achava que seria derrotado no DN.

Um grupo de deputados teve ação decisiva na negociação de uma solução em que parecesse que nenhum dos lados perdeu, especialmente José Genoino (SP), Andre Vargas (PR), João Paulo Cunha (SP) e Maurício Rands (PE). A idéia era recuperar um pouco a força da Executiva, que parecia prestes a uma derrota após a entrada de Lula, e reduzir “um pouco o ímpeto do Pimentel”, segundo esse grupo. Mas a avaliação que fica é que a atual Executiva do PT tem pouca condição de enfrentamento. Depois de rosnar, fincou mansa. Resta esperar a solução para Belo Horizonte, onde o próximo passo é do PSB e será de ratificação da aliança com os tucanos.

22/05/2008 - 12:51h Mensagem a Dilma

VALDO CRUZ

http://diariodonordeste.globo.com/imagem.asp?Imagem=271394

BRASÍLIA - Dilma Rousseff, a chefe da Casa Civil e nome preferido de Lula para sucedê-lo, não gostou nada do que andou lendo nos últimos dias. Mais precisamente uma entrevista do colega Tarso Genro ao jornal “Zero Hora”, publicada no último domingo.

Nela, o ministro da Justiça dá declarações que, na visão de aliados de Dilma, revelam uma articulação contra a candidatura presidencial da gerente do PAC. Além de mostrar que grupos do PT não estariam satisfeitos com a forma como Lula vem conduzindo sua sucessão. Dilma largou na frente na preferência do presidente e deixou para trás o próprio Tarso e o ministro Patrus Ananias. Pelo menos por enquanto.

Em resumo, Tarso diz que o candidato petista à sucessão de Lula tem de ter “profundo vínculo partidário” com o PT. Questionado se Dilma terá de criar tal vínculo, responde que “esse é um enigma ainda não proposto para nós”.

Na entrevista, o ministro revela ainda que foi criado um grupo de 10 a 12 dirigentes para discutir o papel do PT num tempo sem Lula na Presidência. E que, pós-eleição municipal, esse grupo tratará do candidato do partido em 2010.

Vista como uma conspiração contra Dilma por seus aliados, a fala de Tarso ganha outra leitura entre os amigos do ministro. Primeiro, lembram que ele se expôs publicamente na defesa da ministra no episódio do dossiê contra os tucanos.

Segundo, o objetivo de Tarso teria sido enviar uma mensagem a Dilma, um recado para ela se aproximar mais do PT. Em outras palavras, tudo bem, ela é a preferida de Lula, mas precisa construir sua candidatura com o partido. Amigos de Tarso ressalvam apenas que ele exagerou um pouco na dose, mas acertou no conteúdo.

O fato é que o estilo independente de Dilma, sem militância partidária, não agrada a muita gente no PT. Vai que ela ganha e fica livre para montar o governo que desejar. Em suma, a disputa pelo ponto futuro petista esquentou.

11/05/2008 - 09:51h ‘Aécio não é obcecado pela idéia de ser candidato como Serra’

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Vera Rosa – O Estado de São Paulo

Disposto a selar uma aliança com o PSDB do governador Aécio Neves para a eleição, o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), desistiu de brigar com a Executiva Nacional do PT, que vetou a coligação. Trocou a luva de boxe pelo tom conciliador e garantiu que a parceria com Aécio, criticado um dia sim e outro também pelo PT, não tem impacto na sucessão do presidente Lula, em 2010.

“Aécio não é obcecado pela idéia de ser candidato a presidente, como José Serra”, diz Pimentel, referindo-se ao governador de São Paulo. Com fala mansa e discurso sob medida para convencer a cúpula do PT a voltar atrás na decisão de proibir o casamento com os tucanos em Belo Horizonte, ele não desiste. “Não podemos transformar a política num eterno Fla-Flu, numa disputa do bem contra o mal”, insiste. “Aécio é um adversário político, mas não é um inimigo.”

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Ex-guerrilheiro que militou em organizações de esquerda com Dilma Rousseff, hoje ministra da Casa Civil, o prefeito defende a amiga de juventude do escândalo do dossiê com gastos do governo FHC: “Com todo respeito à oposição, o dossiê é um episódio secundário.”
Para arrepio dos que o consideram o mais tucano dos petistas, Pimentel diz que Dilma – a favorita de Lula na corrida ao Planalto – é tão qualificada para ser presidente quanto Aécio e o deputado Ciro Gomes (PSB-CE). Não falta a ela jogo de cintura política? “Eu acho que Dilma tem treinado com aquele bambolê que o PMDB deu para ela de presente”, diverte-se. E, mesmo com todas as divergências no PT, Pimentel jura que não fará as malas para deixá-lo. “Se eu sair do PT, é só para ir para casa”, garante.

Por que o sr. defende uma coligação do PT com o PSDB para a Prefeitura de Belo Horizonte?

Precisávamos buscar uma solução eleitoral que contemplasse aquilo que a cidade quer. Belo Horizonte quer esse modelo de governança, de gestão compartilhada, que tem obtido resultados excepcionais porque criamos um clima político-administrativo de bom entendimento com os governos estadual e federal. As pesquisas indicam que até 85% da população vê com absoluta naturalidade uma candidatura que ponha na mesma campanha o prefeito e o governador. Não acha isso nenhuma aberração.

A Executiva do PT diz que a gestão Aécio é comprometida com políticas distintas das que estão no ideário petista e no programa de governo. Em que o sr. diverge disso?

Eu respeito a posição da Executiva, mas não concordo.O governador Aécio Neves é um adversário político nosso, mas não é um inimigo. Não temos nenhuma grande divergência de fundo. Estou mencionando Aécio, e não o PSDB. Eu acho que o PSDB é, sim, em âmbito nacional, um adversário incontornável do PT. E daqui até 2010 isso não vai mudar.

Qual é a saída para o impasse na eleição em Belo Horizonte?

Agora é o momento de decantação das paixões. Reconhecemos que a Executiva Nacional tem obrigação de acomodar num grande eixo de políticas todas as realidades do Brasil, o que não é tarefa fácil e merece o nosso respeito. Mas é preciso haver alguma flexibilização, tanto da nossa parte quanto da parte dos nossos companheiros da Executiva. Nós também não vamos recorrer à Justiça de nenhuma decisão. É um episódio que devemos superar sem que haja vencidos nem vencedores.

Para a aliança em Belo Horizonte vingar é preciso que o PSB apóie a candidatura da ministra do Turismo, Marta Suplicy, em São Paulo?

Eu quero crer que há interesse do PSB em abrir com o PT um campo de entendimento que contemple várias cidades. Isso pode incluir São Paulo, Belo Horizonte, Rio, Natal, Manaus.pimentel.jpg

O presidente Lula vai ajudar?

Ele já tem problemas demais. Eu vi com muita alegria as declarações que ele deu, dizendo que vê com naturalidade o que estamos fazendo em Minas. Por dever de lealdade, sempre dei ciência ao presidente de todos os meus movimentos. Mas nunca usei o nome dele para endossar nada.

Se o sr. for derrotado, vai sair do PT? Integrantes do PSB disseram que será bem recebido se sua situação ficar insustentável no PT.

Eu não tenho para onde ir se eu sair do PT. Sou militante do PT desde a fundação do partido e sempre busquei resolver as questões pela via do entendimento. Se eu sair do PT é só para ir para casa. Tenho respeito pelo PSB, mas não cogito deixar o meu partido.

A aliança em Belo Horizonte não fortalece a candidatura de Aécio para a Presidência em 2010, como alega o PT?

Em primeiro lugar, 2010 está muito longe e não devemos trabalhar com essas ilações. É um erro porque sequer sabemos se o governador Aécio vai ser candidato a presidente ou não. É uma superestimação do papel que esse episódio tem. Aécio é um homem público qualificado para ser presidente da República. É capaz, honrado, um bom gestor. Mas está num partido adversário, o que significa que, se for candidato, nós não poderemos marchar juntos. Serei fiel ao meu partido.

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A coligação em Minas poderia ser eficaz para se contrapor à candidatura de Serra ao Planalto?

O governador Aécio nunca mencionou que essa construção nossa faça parte de uma grande estratégia para fortalecê-lo ou enfraquecer Serra. Não quero cometer inconfidências, mas percebo que Aécio trabalha a questão da candidatura num diapasão um pouco diferente de Serra.

Por quê?

Ele não vê essa candidatura como uma coisa inevitável. Não vai forçar o destino. O governador Aécio não é obcecado pela idéia de ser candidato a presidente, como o governador Serra. Acho que Serra, com quem também tenho boas relações, trabalha com mais determinação. Tem uma boa obsessão. Ele, sim, está determinado a ser candidato a presidente e trabalha 24 horas por dia para isso. São posturas diferentes.

No PT, os comentários são de que o sr. atropelou o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, ao fechar acordo com Aécio que pressupõe o apoio tucano à sua candidatura ao governo de Minas. Em troca, o sr. seria cabo eleitoral de Aécio para a Presidência ou para o Senado…

Não atropelei ninguém, muito menos Patrus, que é meu amigo dileto. Patrus seria o nosso candidato natural a prefeito se esse tivesse sido o seu desejo. E não foi. Por isso começamos a construir esse outro caminho, que é a candidatura do Márcio Lacerda, do PSB, com um vice do PT, o deputado Roberto Carvalho.

Mas o senhor é candidato a governador de Minas…

Está cedo para a gente dizer isso. Se na ocasião houver um conjunto de forças organizadas em torno dessa idéia, não vou ser hipócrita de dizer que não aceito. Mas não existe acordo com o governador Aécio. Existe, sim, um entendimento comum sobre como conduzir a administração pública. Nós achamos que a política é para construir convergências e não para aprofundar divergências. Mas é um entendimento pragmático. O PT vai ter candidato à Presidência em 2010, e eu certamente estarei na campanha desse candidato.

E se Aécio for para o PMDB, um partido da base aliada?

Acho isso muito difícil. Hoje nós temos quatro nomes colocados no cenário: a ministra Dilma Rousseff, do PT, o ex-ministro Ciro Gomes, do PSB, e os governadores Aécio Neves e José Serra, do PSDB.

Dilma saiu do depoimento no Senado fortalecida, mas o caso do dossiê não que pode prejudicar a candidatura dela mais à frente?

Não acho que haja dano maior. Esse assunto está sendo esclarecido de maneira adequada.Com todo respeito à oposição, esse é um episódio secundário, que não mereceria tanta dedicação dos parlamentares.

Mas o sr. não acha grave terem sido usados dados de gastos do governo FHC para municiar aliados na disputa na CPI dos Cartões?

É grave, mas não é suficientemente grave para paralisar a vida política em torno de um tema desses, porque nós temos instituições que funcionam, como a Polícia Federal. Eu não quero ser juiz moral de ninguém, mas, fosse eu um senador que tivesse recebido material sigiloso, teria imediatamente procurado a ministra, entregue os documentos a ela e pedido que abrisse investigação para saber quem vazou.

O sr. acha que o senador Álvaro Dias deveria agir assim? O PT, na oposição, nunca fez isso.

É o que eu faria fosse eu um senador. Felizmente eu não sou. Sou apenas prefeito e o senador sabe o que faz.

dilma.jpgNão falta jogo de cintura à ministra para ser candidata?

Acho que Dilma tem treinado com aquele bambolê que o PMDB deu para ela de presente (risos). Isso é um aprendizado. Eu também era um técnico quando fui para o governo do Patrus, como secretário da Fazenda. A vida vai ensinando. Temos sorte de ter uma pessoa qualificada como ela para ser candidata a presidente. Se vai ser mesmo ou não é outra história. Se for, fará bonito.

Desde quando o sr. a conhece?

Fomos companheiros de militância em 1968, 1969. Primeiro numa organização menor, em Minas, chamada Colina. Depois formou-se a VAR-Palmares. Passei alguns meses como militante da VAR e a Dilma também. Depois eu saí, fui para a VPR (Vanguarda Popular Revolucionária). Ela continuou na VAR. E depois fomos presos. Sou amigo da ministra desde essa época, ainda na luta contra a ditadura. Dilma talvez seja o melhor quadro que minha geração política produziu.

Ainda é possível uma aproximação entre o PT e o PSDB mais adiante, no plano nacional?

Nem no longo prazo consigo vislumbrar uma confluência entre PT e PSDB. Os dois têm identidades e características muito definidas e caminham paralelamente. Então, não vão se encontrar. Agora, tem de haver um território em que os homens públicos do PSDB e do PT conversem sobre uma agenda de temas para o Brasil.

Que pontos teria essa agenda?

Podemos trabalhar juntos na questão da reforma tributária. Não vejo por que a gente precise ter uma divergência com o PSDB nesse aspecto. Também acho que não há dificuldade em estabelecer identidades em torno da reforma política.

O PT é seu maior adversário?

É uma maldade dizer isso. O PT é minha casa. Às vezes você também tem incompreensões dentro de casa. Já me disseram que sou o mais tucano dos petistas. Não é verdade. Nem eu quero ser tucano nem estou querendo convencer nenhum tucano a virar petista. Mas não podemos transformar a política num eterno Fla-Flu, numa disputa do bem contra o mal. Tenho uma frase que eu mesmo cunhei e gosto muito: a política é o território onde a virtude paga tributo ao interesse para construir o bem comum. Em todos os partidos existem homens de bem, corretos, honestos.

O senhor é favorável a um terceiro mandato para o presidente Lula?

Não. Ele também não quer. A reeleição foi uma coisa boa. O ciclo hoje é de oito anos, dá estabilidade ao sistema político e ao horizonte econômico de investimento. Mais do que isso seria uma violência.

Quem é: Fernando Pimentel

Um dos fundadores do PT, elegeu-se prefeito de Belo Horizonte em 2004.

Foi secretário de Fazenda de Patrus Ananias (1993 a 1996).

Economista, chegou a ser sondado em 2006 para ocupar o Ministério da Fazenda na vaga de Antonio Palocci.

28/04/2008 - 18:24h CNT/Sensus: Aprovação do governo ultrapassa índice de 2003. Maioria aprova nova candidatura de Lula

Pesquisa

O Globo

 

Rodrigo Vizeu – O Globo OnlineBRASÍLIA – Pesquisa do Instituto Sensus divulgada nesta segunda-feira pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT) mostra que maioria aprova uma mudança na Constituição para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva possa se candidatar a mais uma reeleição. O levantamento indica também um novo recorde de aprovação do governo Lula.


Segundo a pesquisa, 50,4% da população se dizem a favor de uma proposta que permitisse um terceiro mandato. O número de contrários à idéia é de 45,4%. Não souberam ou não responderam 4,3% dos entrevistados. Em entrevista concedida aos jornais do grupo Diários Associados e publicada no domingo o presidente voltou a condenar a idéia do terceiro mandato, dizendo que é “obsceno para a democracia”.

A consolidação da aprovação tem como principal fator o desempenho da economia


Caso existisse a possibilidade um terceiro mandato, 51,1% dariam a vitória ao presidente Lula, enquanto 35,7% prefeririam o governador de São Paulo, José Serra (PSDB). Em uma simulação de votos válidos, a vitória de Lula sobre Serra (58,8% contra 41,2%) seria menos ampla do que foi em 2002 (61,3% contra 38,7%) e em 2006, contra Geraldo Alckmin (60,8% a 39,2%).

Aprovação do governo sobe cinco pontos em relação a fevereiro

O governo do presidente Lula alcançou 57,5% de aprovação em abril, segundo a CNT/Sensus. A aprovação do governo Lula é cinco pontos acima do resultado de fevereiro, quando se registrou 52,7% de avaliação positiva, e mais alto mesmo que o antigo recorde de aprovação: 56,6%, em janeiro de 2003, mês da posse de Lula. Em relação a fevereiro de 2008, o índice de avaliação negativa caiu de 13,7% para 11,3% e o de regular foi de 32,5% a 29,6%.

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A opinião positiva da população sobre o desempenho pessoal do presidente Lula também subiu, de 66,8% em fevereiro para 69,3% em abril. A desaprovação caiu de 28,6% para 26,1%.

- A consolidação da aprovação tem como principal fator o desempenho da economia, a geração de empregos. Há também os programas sociais. Ressaltamos ainda a boa e fácil comunicação do presidente, sintetizada na sigla PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Existe uma sensação de um governo eficiente. Existe a sensação de que o crescimento está ocorrendo por causa dessas obras – analisou o presidente da CNT, Clésio Andrade.

Serra lidera pesquisa de intenção de voto para 2010

A pesquisa também perguntou sobre as intenções de voto dos entrevistados para as eleições presidenciais de 2010. O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), estaria em primeiro lugar com 36,4%, em um dos cenários criados pela pesquisa. O deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) teria 16,9% dos votos, contra 11,7% da ex-senadora Heloísa Helena (PSOL) e 6,2% da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT).

Em uma hipótese em que o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, seria o candidato tucano, Ciro lideraria com 23,5% das intenções de votos, contra 17,5% de Heloísa Helena, 16,4% de Aécio e 7% de Dilma. Caso o PSDB lançasse o ex-governador paulista Geraldo Alckmin, Ciro continuaria na liderança, com 23,2%, contra 17,2% de Alckmin, 16,3% de Heloísa Helena e 7,6% de Dilma.

Em um último cenário, a CNT/Sensus trocou a candidata petista Dilma pelo ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Social e Combate à Fome), gestor do Bolsa Família. Neste caso, Serra seria o líder, com 34,2%, seguido de Ciro (17,8%), Heloísa (14,1%) e Patrus (3,8%).

No caso de um segundo turno, a CNT indicou os seguintes cenários: Serra venceria Dilma por 53,2% a 13,6%, Aécio derrotaria a ministra por 32,1% e 18,3%, Serra ficaria com 55,1% contra 8,2% de Patrus e Serra superaria Ciro por 43,7% contra 25,5%.

Dossiê: 51,2% têm conhecimento e 17,4% citam Dilma

A sondagem mostrou que 51,2% da população têm acompanhado ou ao menos ouviu falar do episódio do dossiê com gastos sobre o governo Fernando Henrique Cardoso. 36,4% desconhecem o caso. Dos que estão a par das denúncias, a maioria (21,1%) acredita que a principal responsabilidade da elaboração e divulgação do dossiê é de membros da CPI mista do Cartão Corporativo. A ministra Dilma é citada por 17,4% dos entrevistados. Em seguida aparecem assessores da ministra (13,1%), a instituição Casa Civil (9%) e a Secretaria-Geral da Presidência da República (8,3%).

O levantamento apontou que 57,9% dos entrevistados têm acompanhado ou ouviram falar dos trabalhos da CPI do Cartão. No entanto, 58,1% não acreditam que a comissão vai analisar de forma isenta as denúncias. A maior parte das pessoas (57,8%) defende que o Congresso apure as denúncias de mau uso do cartão tanto no governo do PT quando no do PSDB. 12,7% querem investigação apenas das contas petistas e 6,1% só na gestão tucana. Outros 12,2% são contra que o Congresso investigue as denúncias.

Mas é óbvio que a visibilidade dela (Dilma) influencia. Quem está do lado do presidente Lula e acredita que ele não fez nada, também vai achar que ela não fez nada


Chamou atenção que, em meio à crise do dossiê da Casa Civil sobre gastos do governo FH, a ministra Dilma Rousseff tenha melhorado seus índices em todos os cenários na pesquisa de intenção de voto. Apesar de o maior deles terem sido dentro da margem de erro da pesquisa, Dilma se destacou na hipótese de segundo turno com Aécio Neves, saltando de 14,5% em fevereiro para 18,3% em abril, e no embate com Serra, indo de 9,2% a 13,6%.

- Está na margem de erro, não é possível falar em crescimento. Mas é óbvio que a visibilidade dela influencia. Quem está do lado do presidente Lula e acredita que ele não fez nada, também vai achar que ela não fez nada – afirmou o presidente da CNT, Clésio Andrade.

No caso da pesquisa espontânea, em que não é apresentado aos entrevistados uma lista de candidatos, o presidente Lula lidera com 29,4%. Serra tem 5%, seguido de Aécio (2,9%), Alckmin (2,4%), Heloísa (1,7%) e Ciro (1,5%). Somadas, as demais citações chegam a 3%.

O pesquisador do Instituto Sensus Ricardo Guedes ressalta para o alto índice de pessoas que não souberam responder a pergunta, algo esperado a mais de dois anos da eleição, chegando a 44,5% no caso da pesquisa espontânea e 11,2% no cenário com Serra, Ciro, Heloísa e Dilma.

Dengue: para 43,2%, responsabilidade é da sociedade

Para 43,2% dos entrevistados, o surto de dengue é culpa da falta de atuação de toda a sociedade. A responsabilidade apenas dos moradores é apontada por 32,7% da população, seguido de prefeituras (7,7%), Ministério da Saúde (7,6%) e governos estaduais (4,3%). Para 2,8%, a situação não tem culpados, já que os fatores que levaram ao aumento de casos doença seriam naturais.

Caso Isabella é de conhecimento de 98,2%A pesquisa indica ainda que 98,2% da população brasileira tem conhecimento do assassinato da menina Isabella Nardoni, ocorrido no final de março. Apenas 1,2% afirmaram desconhecer o episódio, contra 0,7% que não soube ou não quis responder. Segundo Ricardo Guedes, pesquisador do Instituto Sensus, esse foi o maior índice de conhecimento sobre algum assunto já registrado na série de pesquisas CNT/Sensus, iniciada em 1998.

Para 71,8% dos entrevistados, a mídia tem acompanhado o caso de forma adequada e com competência. Outros 24,3% acreditam que a cobertura noticiosa tem sido feita de forma inadequada ou incompetente.

A pesquisa CNT/Sensus foi realizada entre 21 e 25 de abril e entrevistou 2.000 pessoas em 136 municípios de 24 estados do país, em todas as cinco regiões. A margem de erro é de três pontos percentuais.

06/04/2008 - 13:38h Aécio cria em BH embrião de aliança para disputar Planalto

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KENNEDY ALENCAR
Colunista da Folha Online

O governador de São Paulo, José Serra, é o favorito nas pesquisas sobre a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que acontecerá em outubro de 2010. Esse é o maior trunfo do tucano paulista.

Mas o governador de Minas, o tucano Aécio Neves, conseguiu uma façanha política que lhe dá um trunfo de peso para a corrida pelo Palácio do Planalto. Na articulação política, Aécio hoje tem franca vantagem em relação a Serra, que sofre com uma crise política na tradicional PSDB-DEM em São Paulo.

Alternando-se no poder federal desde 1994, PT e PSDB vivem às turras no cenário nacional. A principal jogada de Aécio foi demonstrar que essa guerra pode ser superada. E fechou com o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, uma aliança para apoiar Márcio Lacerda (PSB) na eleição municipal de outubro.

Houve reações contrárias no PT, partindo principalmente de dois ministros: Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) e Luiz Dulci (Secretaria Geral). Derrotados na tentativa de minar a aliança, Patrus e Dulci tentaram patrocinar a mudança do candidato do PSB. Foram ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não comprou a tese, apesar de versões terem sido vendidas para a impressa nesse sentido.

Em reunião no Palácio do Planalto, Lula cobrou de Pimentel gestos políticos para dar “conforto” a aliados federais que ficaram fora do acerto mineiro: o vice-presidente José Alencar, do PRB, e o ministro das Comunicações, Hélio Costa, do PMDB.

Aécio entrou em campo na hora. Alencar será o convidado de honra do 21 de Abril em Minas. E Hélio Costa já conversou com o governador a respeito da importância da união de políticos mineiros. No futuro, se a operação der certo, Costa será um dos homens fortes de uma eventual Presidência de Aécio.

Resultado: Patrus e Dulci ficaram isolados. A aliança para tentar eleger Márcio Lacerda deverá contar com PSB, PT, PSDB, PMDB e PRB, entre outras siglas. Aécio tem interesse em se viabilizar como candidato a presidente desse arco de forças daqui a dois anos.

Mas o PT apoiará um tucano em 2010? De jeito nenhum. O mais provável é que o partido lance um candidato no primeiro turno. Até agora, não há um nome forte do petismo para concorrer. Por isso, Aécio quer deixar aberta a possibilidade de um entendimento para a segunda etapa.

O Plano A do mineiro é ser candidato pelo PSDB, mas ele ainda não descartou um Plano B, que seria a migração para outro partido antes da eleição. Numa outra legenda, seria mais fácil ainda um eventual entendimento se Aécio fosse ao segundo turno de 2010.

Para vitaminar os planos do tucano mineiro, outro fator importante é a boa relação com Ciro Gomes, presidenciável do PSB e hoje o nome do campo lulista mais forte nas pesquisas. Ciro, porém, não descarta ser vice de Aécio se esse for o preço para inviabilizar a candidatura de Serra no PSDB e para criar uma chapa bem competitiva.

Lula tem interesse na boa relação com Aécio, que pode, sim, ser uma saída de emergência do petista. O presidente não vai embarcar na tese da re-reeleição, apesar da espuma que esse assunto produz e ainda produzirá. Sabe que será difícil emplacar um petista. Teme que, sozinho, Ciro perca força na hora em que o jogo começar. Daí ser conveniente a boa relação com Aécio, que já disse que será um candidato pós-Lula. Ou seja, vai olhar para frente.

Em conversa reservada, Lula tirou o chapéu para o tamanho da aliança que Aécio montou em Minas.

Kennedy Alencar, 40, é colunista da Folha Online e repórter especial da Folha em Brasília. Escreve para Pensata às sextas e para a coluna Brasília Online, sobre os bastidores da política federal, aos domingos. Também é comentarista do telejornal “RedeTVNews”, no ar de segunda a sábado às 21h10.

E-mail: kalencar@folhasp.com.br

04/04/2008 - 04:34h Ensaio sobre a cegueira tucana

VALOR 

A trapalhada do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), que vazou como crime dossiê que acusa a ex-primeira dama Ruth Cardoso de comprar lixa de unha, é apenas mais um sintoma do desnorteamento que acometeu o PSDB. Nessa terra de cegos em que se transformou o partido, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), seria rei ainda que tivesse um só olho. É o único tucano hoje capaz de olhar para o céu de brigadeiro lulista e divisar uma chance de produzir notícia positiva relacionada ao PSDB.

O Congresso é o palco por excelência das trombadas do PSDB. Num surto, o senador Arthur Virgílio (AM) chegou a subir à tribuna do Senado para denunciar o transporte clandestino de armas brasileiras à Venezuela em vôo da TAM, a partir de uma nota de internet.

As obstruções que lidera no Senado não chegam a durar 24 horas. Em compensação, tem sido capaz de fazer escola de oratória trepidantes, com seguidores como o senador Mão Santa (PMDB-PI) que arrumou esta semana o apelido de ‘galinha cacarejadora’ para a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Foi o bastante para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva exercitar sua competente retórica de vitimização da ministra.

A cegueira tucana também faz vítimas a rodo no Executivo. O fracasso do leilão da Cesp corre o risco de privar o partido de uma de suas mais caras bandeiras, a de que o governo petista vai bem porque não enfrentou crise internacional como a asiática (1997).

Não há como condenar o governador de São Paulo, José Serra (PSDB) por ter atribuído o fracasso no leilão à “pior crise econômica mundial desde o pós-guerra”, nem tampouco por sua recusa em vender a empresa na bacia das almas, mas ainda carece de melhor explicação a razão por que o Palácio do Bandeirantes rejeitou a Cemig nos consórcios que se candidataram à compra.

Tivesse aceito a estatal mineira, Serra não apenas abriria espaço à participação da companhia de saneamento paulista, a Sabesp, em consórcios semelhantes Brasil afora, como romperia, magnânimo, um isolamento que se lhe tenta impor, juntando-se ao inimigo que tem sido mais ágil na articulação política.

Aécio já tinha dado provas dessa agilidade ao passar flanando sobre os escombros do valerioduto mineiro, mas ficou difícil não reconhecê-lo depois que ele foi capaz de posar de magistrado na disputa de Belo Horizonte, quando não dispõe de um único candidato competitivo. A proclamada aliança com o PT em apoio a um nome do PSB à Prefeitura de BH ainda não saiu, mas o governador já ganhou tudo o que quis com a farofa em torno do tema.

Enquanto o prefeito Fernando Pimentel (PT) enfrenta a inquisição petista, Aécio já conta os pontos. Ganhou, junto ao condestável do PT mineiro – o ministro Patrus Ananias – interlocução como o próprio Pimentel nunca teve, e assentou imagem de conciliador. Aferrou-se ao discurso de que é a encarnação do pós-lulismo de tal maneira que fez submergir a percepção de que não há nada mais anti-petista do que a reforma da máquina pública mineira.

Só Aécio vincula PSDB à notícia positiva

Sairá vitorioso, ainda que a aliança não vingue, pela iniciativa de se aproximar do PT. Já Serra, que, ao contrário de Aécio, dispõe de dois candidatos competitivos, terá que se esforçar muito para não sair como perdedor de uma guerra fratricida, ainda que o cenário convirja para uma improvável conciliação entre o prefeito Gilberto Kassab (DEM) e o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB).

As razões do eleitor

E leitor sempre tem razão. Nas eleições municipais, suas razões movem-se, prioritariamente, pela capacidade do candidato de arregimentar recursos para sua cidade. Como estas têm, na média, menos de um quarto de sua receita total oriunda de arrecadação própria, não se pode acusar o voto de faltar com racionalidade. Nas duas últimas eleições municipais, esta capacidade sobrepujou até mesmo o julgamento do eleitor sobre a competência administrativa do candidato.

A conclusão está em artigo dos pesquisadores Maurício Bugarin (Ibmec SP) e Ivan Ferreira (BC) publicado no último número da Revista Brasileira de Economia (”Transferências Voluntárias e Ciclo Político-Orçamentário no Federalismo Fiscal Brasileiro”).

Eles analisaram o comportamento das transferências voluntárias para municípios em que os prefeitos pertenciam à mesma coligação de seus governadores ou do presidente. A amostra de que se utilizam em seu estudo econométrico, restrita àqueles que prestam informações de seu orçamento ao Tesouro, é de 2090 municípios, um pouco mais de um terço do total do país.

A transferência voluntária não tem o mesmo caráter das obrigatórias, destinadas a amenizar desigualdades regionais. Ao serem criadas, foram definidas como repasse de recursos para obras ou serviços de interesse comum entre União, Estados e Municípios. Acabaram tão marcadamente associadas à desigualdade de oportunidades entre candidatos que, há dez anos, a Justiça a proíbe nos três meses que antecedem as eleições.

Isso não impediu que essas transferências obtivessem carimbo político. De posse de seus dados, Bugarin assegura que o eleitor vê no apoio do governador e do presidente ao candidato compensação mais do que suficiente para eventuais deficiências administrativas, o que o leva a advogar por mais critérios técnicos às transferências voluntárias.

O transplante do estudo à disputa eleitoral de outubro levaria a crer, por exemplo, que o deputado estadual Alessandro Molon (PT), a despeito de ter alcançado 1% na última pesquisa, já poderia se considerar eleito prefeito do Rio por ter sido lançado pelo governador Sérgio Cabral (PMDB) e pertencer ao partido de Lula.

Mas Bugarin adverte que o peso das transferências voluntárias na decisão do voto é inversamente proporcional à renda do município. Não se arrisca a reduzir a complexidade das grandes capitais à barganha das transferências.

Maria Cristina Fernandes é editora de Política. Escreve às sextas-feiras

mcristina.fernandes@valor.com.br

02/03/2008 - 10:45h Lula dá aval a pacto em MG de olho em 2010

VALDO CRUZ – DA SUCURSAL DE BRASÍLIA FOLHA DE SÃO PAULO

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Aécio e Pimentel, com Lula

O acordo entre o petista Fernando Pimentel e o tucano Aécio Neves tem a bênção do presidente Lula. De olho em 2010, ele autorizou pessoalmente o prefeito de Belo Horizonte a fechar um entendimento com o governador na disputa pelo comando da capital mineira.

O sinal verde foi dado em um almoço no Palácio da Alvorada, em janeiro, logo após o balanço de um ano do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Sob a justificativa de que “vamos precisar do Aécio” e de que o nome sugerido como candidato é da “nossa base”, Lula liberou Pimentel, sinalizando que aposta na divisão no ninho tucano para fazer seu sucessor.

Os três fazem seus movimentos mirando 2010. Lula tenta atrair Aécio para seu campo na sucessão; o governador busca aliados para construir sua candidatura ao Planalto; e o prefeito sonha com o lugar do tucano mineiro. Na tentativa de viabilizar esse arranjo, Aécio e Pimentel foram buscar no PSB o candidato de consenso para a Prefeitura de BH: Márcio Lacerda, ex-assessor do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) e hoje secretário de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais.

No início do ano, quando as negociações avançaram, Fernando Pimentel decidiu consultar o presidente. “Eu não sou louco de fazer um acordo desse sem aprovação do Lula”, confidenciou a amigos. Ele esteve em Brasília no dia do balanço de um ano do PAC, 22 de janeiro. Acabou convidado para um almoço no Alvorada.
Em uma mesa com os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil), Franklin Martins (Comunicação) e o chefe do gabinete particular da Presidência, Gilberto Carvalho, Lula falou do acordo desejado por Pimentel e deu seu aval.
Primeiro, comentou que os dois ministros petistas de Minas, Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) e Luiz Dulci (Secretaria Geral), não serão candidatos. Em seguida, disse que não via motivos para vetar o entendimento com Aécio.

Márcio Lacerda trabalhou no governo como secretário-executivo de Ciro no Ministério da Integração Nacional. Deixou o cargo depois de seu nome ser mencionado no escândalo do mensalão como tendo recebido dinheiro de Delúbio Soares. Os recursos, porém, não eram para ele, mas para o publicitário da campanha de Ciro ao Planalto.
Filiado há pouco ao PSB, Lacerda é aprovado pelo Diretório Municipal do PT, controlado pelo prefeito, mas não agrada ao Diretório Estadual do partido. Mas o prefeito não acredita numa intervenção do Diretório Nacional do partido em Belo Horizonte para solucionar um impasse. Confia no fato de ter obtido o aval de Lula e no interesse presidencial em manter um canal com o governador mineiro.

Lula está convencido de que José Serra será o candidato tucano em 2010 e que o tucano mineiro pode sair insatisfeito do processo de escolha do PSDB. Daí sua frase “vamos precisar do Aécio”, durante a conversa no Alvorada. No ano passado, Lula insistiu com Aécio para que ele se transferisse para o PMDB. Para fugir de uma punição da Justiça eleitoral, como a perda do mandato, Lula chegou a lhe sugerir, numa viagem a Minas, que deveria renunciar no final de 2009, deixando no comando o vice de confiança, Antonio Anastasia.

19/02/2008 - 07:51h Rumo a 2010

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Merval Pereira

O Globo 

Só há uma má notícia para o presidente Lula na nova rodada de pesquisas do Instituto Sensus para a Confederação Nacional dos Transportes: o governo não tem um candidato que consiga representálo. Ia escrevendo substituí-lo, mas isso não é de agora que parece impossível de acontecer. O PT mesmo nunca teve um outro candidato viável que não fosse Lula, mesmo para perder e continuar viável.

Com um formidável taxa de aprovação pessoal de 66,8%, e em ascensão no segundo mandato, Lula vai confirmando que é um fenômeno político e, mesmo não podendo se candidatar novamente, recebe, em votação espontânea, 18,6% dos votos, enquanto o governador de São Paulo, José Serra, que é o mais bem colocado dos candidatos à sua sucessão, tem apenas 5,1%.

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09/12/2007 - 09:38h Datafolha em Belo Horizonte: Ministro do PT é maior adversário do PSDB

Patrus Anania, ministro de Desenvolvimento Social Pesquisa mostra Patrus tecnicamente empatado com Azeredo e João Leite

Tucanos lideram com folga quando candidato petista é Roberto Carvalho, deputado estadual, que obtém apenas 3% das intenções de voto

DA AGÊNCIA FOLHA
DA AGÊNCIA FOLHA, EM BELO HORIZONTE

A dez meses das eleições municipais, o ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) aparece como o principal adversário do PSDB na disputa pela Prefeitura de Belo Horizonte. Ele está tecnicamente empatado tanto com o senador Eduardo Azeredo quanto com o deputado estadual João Leite.

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09/12/2007 - 09:27h Datafolha em Belo Horizonte: Ministro do PT é maior adversário do PSDB

Pesquisa mostra Patrus tecnicamente empatado com Azeredo e João Leite

Tucanos lideram com folga quando candidato petista é Roberto Carvalho, deputado estadual, que obtém apenas 3% das intenções de voto

DA AGÊNCIA FOLHA
DA AGÊNCIA FOLHA, EM BELO HORIZONTE

A dez meses das eleições municipais, o ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) aparece como o principal adversário do PSDB na disputa pela Prefeitura de Belo Horizonte. Ele está tecnicamente empatado tanto com o senador Eduardo Azeredo quanto com o deputado estadual João Leite.
No cenário em que o candidato tucano é Leite e o petista, Patrus, o deputado ficaria com 25% das intenções de voto, contra 23% do ministro. A margem de erro é de cinco pontos percentuais. Antônio Roberto, do PV, tem 9%, em terceiro.
Também há empate técnico, com vantagem tucana, quando o cenário opõe Patrus e o senador Azeredo. Nessa simulação, Azeredo tem 24% das intenções de voto, e Patrus, 22%. Antônio Roberto (PV) vem logo em seguida, com 9%.
Os tucanos lideram com folga nos cenários em que Patrus cede o lugar para o deputado estadual Roberto Carvalho -nessa situação, o petista aparece com apenas 3% das intenções de voto.
Na situação com Leite na disputa, o tucano está na frente com 31%, contra 10% do segundo colocado, Antônio Roberto (PV). Quando o candidato do PSDB é Azeredo, o senador lidera com 26%, contra 10% do candidato verde.
Os deputados federais Antônio Roberto (PV), Jô Moraes (PC do B), Leonardo Quintão (PMDB), o deputado estadual Gustavo Valadares (DEM) e o presidente do PDT em BH, Sérgio Miranda, aparecem em todas as simulações do Datafolha.
O máximo que o candidato do DEM atingiu foi 2%. Quintão, do PMDB, chega a 9% no cenário com Azeredo, mas sem Patrus. Moraes, do PC do B, tem melhor desempenho sem Patrus e Azeredo, com 8%.
Com o desempenho na pesquisa, Leite reforça seu desejo de disputar pela terceira vez a prefeitura da capital mineira. Seu nome, contudo, é tratado com certo ceticismo no PSDB, pelo fato de o ex-goleiro do Atlético-MG ter sido derrotado duas vezes para a prefeitura, e sempre para a coligação liderada pelo PT.
Leite é o único tucano que não esconde o anseio de concorrer novamente ao posto, e a pesquisa poderá fazer com que o PSDB passe a considerá-lo um pré-candidato de fato.
Até recentemente, o nome de Azeredo sempre foi o mais lembrado no PSDB como capaz de ameaçar os 16 anos de gestão petista na cidade. O problema sempre foi a desconfiança por causa do valerioduto tucano -o suposto esquema criminoso de financiamento de sua campanha em 1998 para o governo de Minas, quando Azeredo tentava a reeleição.
Com a denúncia oferecida pela Procuradoria Geral da República no mês passado, Azeredo foi praticamente descartado da disputa.
No PT, a maior dificuldade é convencer Patrus a aceitar ser candidato mais uma vez -ele foi prefeito de 1993 a 1996.
(THIAGO GUIMARÃES e PAULO PEIXOTO)

07/12/2007 - 06:48h Presidente eleito do PT paulista aproximou Lula de agronegócio

César Felício

VALOR

Davilym Dourado/Valor

Edinho Silva defende que o partido reconquiste a classe média: “Precisamos voltar a ocupar este espaço”

Vereador em uma cidade do interior de São Paulo com base no agronegócio, duas vezes eleito prefeito e colocado no comando estadual do PT em São Paulo por um acordo entre diversas tendências, o novo presidente do PT paulista, Edinho Silva, eleito com 55% dos votos, começa a repetir a trajetória do deputado e ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci.

O atual prefeito de Araraquara, cidade de duzentos mil habitantes a apenas 80 quilômetros da Ribeirão Preto que foi governada por Palocci, Edinho pode representar uma reaproximação do partido com o empresariado rural e a classe média. Na eleição de 2006, a votação de Lula caiu em quase todos os municípios com forte base no agronegócio e Araraquara não foi exceção: a votação do PT para presidente despencou de 50% para 31% entre uma votação e outra no primeiro turno.

Retrato de um PT que se expandiu no interior de São Paulo longe do operariado e alicerçado na classe média, o novo presidente do PT paulista quer que o partido volte a competir pelas preferências dos setores médios com nível de educação superior. “Estamos com dificuldades em setores tradicionais que sustentaram o PT no passado remoto e recente. Precisamos voltar a ocupar estes espaços”, afirma.
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07/12/2007 - 06:41h Presidente eleito do PT paulista aproximou Lula de agronegócio

César Felício

VALOR

Davilym Dourado/Valor

Edinho Silva defende que o partido reconquiste a classe média: “Precisamos voltar a ocupar este espaço”

Vereador em uma cidade do interior de São Paulo com base no agronegócio, duas vezes eleito prefeito e colocado no comando estadual do PT em São Paulo por um acordo entre diversas tendências, o novo presidente do PT paulista, Edinho Silva, eleito com 55% dos votos, começa a repetir a trajetória do deputado e ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci.

O atual prefeito de Araraquara, cidade de duzentos mil habitantes a apenas 80 quilômetros da Ribeirão Preto que foi governada por Palocci, Edinho pode representar uma reaproximação do partido com o empresariado rural e a classe média. Na eleição de 2006, a votação de Lula caiu em quase todos os municípios com forte base no agronegócio e Araraquara não foi exceção: a votação do PT para presidente despencou de 50% para 31% entre uma votação e outra no primeiro turno.

Retrato de um PT que se expandiu no interior de São Paulo longe do operariado e alicerçado na classe média, o novo presidente do PT paulista quer que o partido volte a competir pelas preferências dos setores médios com nível de educação superior. “Estamos com dificuldades em setores tradicionais que sustentaram o PT no passado remoto e recente. Precisamos voltar a ocupar estes espaços”, afirma.

Empresários do agronegócio descrevem o prefeito de Araraquara como uma espécie de herdeiro de Palocci, que quando prefeito de Ribeirão Preto estabeleceu o diálogo entre o PT e o empresariado rural e montou a estrutura para o partido se espalhar na região, conquistando diversas prefeituras, entre elas a de Araraquara.

Edinho atuou para conseguir apoio empresarial para Lula nas campanhas presidenciais de 2002 e 2006 e tornou-se uma ligação estratégica com o agronegócio.

Foi Edinho, já prefeito de Araraquara, quem estabeleceu o primeiro contato entre José Luiz Cutrale e o então candidato a presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002. Na primeira conversa com Lula, a preocupação do empresário não foi apresentar demandas, mas obter de Lula garantias de que o presidente não iria implementar a plataforma da ala mais radical de seu partido, hostil aos grandes proprietários rurais.

Dada as garantias, depois de uma degustação de charutos em um restaurante de São Paulo, veio o apoio na campanha presidencial e os gestos de apreço logo que Lula tomou posse: Cutrale foi nomeado membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e o presidente compareceu à abertura de uma feira agroindustrial em Araraquara. Na ocasião, diante de Edinho e Lula, o empresário fez uma doação de R$ 4 milhões ao programa Fome Zero.

A proximidade entre Cutrale e o presidente da República, da qual Edinho foi o fio condutor, garantiu o apoio empresarial a Lula em 2006, mas não impediu que a relação do setor se tornasse atribulada. A maior zona de atrito entre o setor da indústria de suco de laranja e o governo federal diz respeito às constantes denúncias de formação de cartel para a compra da matéria-prima, que culminaram na operação da Polícia Federal em janeiro do ano passado chamada “Operação Fanta”, em que houve busca e apreensão de documentos nos escritórios das empresas. Sob a alegação de irregularidades na ação da PF, as empresas impediram por liminar a análise dos documentos. O assunto está pendente na Justiça. Caso a prática de cartel fique caracterizada, o setor corre risco de perder mercados internacionais.

Uma vitória foi obtida este ano, com a colaboração do PT paulista. As empresas do setor de suco de laranja, conseguiram em maio deste ano convencer o governo a aceitar que o deputado Jilmar Tatto (PT-SP) – candidato à presidência do partido que foi ao segundo turno na eleição interna da sigla e que apoiou a eleição de Edinho Silva no plano regional – colocasse em seu parecer sobre uma medida provisória que alterava o Imposto de Renda uma emenda que tornava possível a realização dos acordos chamados “termos de compromissos de cessação (TCC)” em processos de cartel no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), proibidos desde 2000.

Segundo Tatto, a emenda foi colocada na medida provisória por orientação do então líder do governo na Câmara, José Múcio Monteiro (PTB-SP), hoje ministro de Relações Institucionais. O parlamentar nega ter tido contato com empresários de qualquer setor. Entre os conselheiros do CADE, o novo texto da lei chegou a ser chamado de “lei do suco”, mas na realidade o dispositivo beneficiou vários outros setores, como o da indústria frigorífica, do cimento e da informática, entre outros. No momento que a lei foi aprovada, estavam sob análise do Cade 40 processos de cartel contra empresas.

Empresa que representa 9% do valor adicionado no ICMS no município, o que a coloca como a maior da cidade, Cutrale rompera com o prefeito anterior, Waldemar De Santi (PP) e ameaçava retirar investimentos de Araraquara por causa de uma rua. A empresa mantém uma indústria na área central do município e suas chaminés são o principal marco urbano da cidade. De Santi não permitiu que a empresa fechasse uma via pública que cortava a unidade fabril ao meio.

Até então integrante da corrente Democracia Socialista, de tendência trotskista, Edinho Silva resolveu a situação negociando com a empresa a construção de um posto de saúde como contrapartida. A rua não existe mais. A ligação de Edinho com o trotskismo também não.

Sociólogo de formação, militante da Pastoral Operária e da Pastoral do Migrante na juventude, Edinho hoje se irrita com as críticas de setores ambientalistas e é defensor aberto do incentivo à produção do etanol, atividade que mantém sete usinas na região. “É um equívoco ficarmos nesta crítica a uma matriz energética renovável, sem que haja uma proposta alternativa”, diz.

Procurada por este jornal, a Cutrale enviou um comunicado aonde informa ser “de sua obrigação apoiar boas idéias de gestão, principalmente àquelas em benefício da melhoria do social”. Na nota, disse ainda que “a aproximação com todos os governos é mútua e independente de seus partidos”. Garante ainda que jamais tentou agir politicamente para mudar o rumo das ações que sofre pela acusação de formar cartel. “A Cutrale entende que as instituições governamentais tenham de agir de acordo com as leis que orientam seus trabalhos e, em nenhum momento esperou que sua atuação fosse influenciada por seu relacionamento com outras esferas governamentais. A empresa ressalta que o processo está na fase investigatória”, diz o texto.

A eleição de Edinho representa ainda uma mudança de eixo dentro da estrutura de poder do PT paulista. Egresso das correntes de esquerda do país, Edinho foi um ponto de união entre o grupo ligado à ministra do Turismo, Marta Suplicy e os apoiadores na eleição interna petista do deputado José Eduardo Cardozo, do grupo “Mensagem”. Teve desde a primeira hora o apoio do deputado Antonio Palocci, do antigo Campo Majoritário e próximo a Edinho desde que era prefeito de Ribeirão Preto.

Ficaram do lado do deputado estadual Zico Prado, o principal adversário, o deputado João Paulo Cunha e o atual presidente regional, Paulo Frateschi, até então extremamente próximos do ex-ministro da Casa Civil e deputado cassado José Dirceu. Em colisão com os antigos comandados, Dirceu apoiou Edinho.

Consolidada a vitória, uma das preocupações do novo comando do partido é impedir que o grupo derrotado tente atuar de forma paralela, negociando alianças eleitorais à revelia da direção estadual.

No jogo para 2010, Edinho entra como um aliado da ministra do Turismo, a quem defende até para a sucessão de Lula. Mas foi cortejado por outro presidenciável, o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, que telefonou assim que soube do resultado. A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, não o procurou.