18/05/2009 - 22:35h Blog de Josias: DEM decide aderir à CPI contra a tucana Yeda no RS

  Folha
Complicou-se o drama político da governadora gaúcha Yeda Crusius (PSDB).

 

Reuniu-se nesta segunda (18) a direção do DEM no Rio Grande do Sul.

 

Embora integre a gestão Yeda, o DEM decidiu aderir à CPI contra a governadora.

 

A bancada ‘demo’ aguarda apenas pela definição do PDT local.

 

Dono de uma tropa de seis deputados estaduais, o PDT pende para o apoio à CPI.

 

Dois dos seis integrantes do PDT hesitam em assinar o pedido de CPI.

 

Mas os outros quatro mostram-se dispostos a apoiar o pedido, formulado pelo PT.

 

No momento, o pedido de CPI conta com 12 assinaturas. São necessárias 19.

 

Confirmando-se a adesão do PDT –total ou parcial—chega-se perto desse número.

 

Daí a importância da decisão tomada pelo DEM.

 

O deputado Paulo Borges, líder do DEM na Assembléia, não deixou dúvidas quanto à posição a ser adotada pelo partido:

 

“Vamos aguardar a movimentação do PDT, que é o maior partido e tem pelo menos quatro assinaturas…”

 

“…Se obtivermos essas assinaturas, estaremos assinando junto, sem dúvida nenhuma”.

 

O vice-governador de Yeda é o ‘demo’ Paulo Feijó (na foto lá do alto). Está brigado com Yeda.

 

Desde o ano passado, Feijó fustiga o governo de que participa com denúncias.

 

Uma de suas iniciativas foi a organização de um dossiê.

 

O calhamaço incluiu papéis que reforçam a suspeita de que as arcas eleitorais de Yeda foram borrifadas, em 2006, com verbas de má origem.

 

O repórter Igor Paulin trouxe à luz um dos documentos colecionados por Paulo Feijó.

 

Foi exposto nas páginas da última edição de Veja (só assinantes). Trata-se de um e-mail que Feijó enviou a Rubens Bordini.

 

Quem é Bordini? Hoje, responde pela vice-presidência do Banrisul.

 

Na época da campanha era o tesoureiro oficial do comitê de Yeda Crusius.

 

Na mensagem eletrônica endereçada a Bordini (veja reprodução abaixo), Feijó dá notícia da coleta de R$ 25 mil.

 

Veja/Reprodução

 

O dinheiro foi doado à campanha de Yeda pela Simpala, uma concessionária da General Motors.

 

Para desassossego de Yeda, essa doação não consta da prestação de contas da campanha dela.

 

No e-mail de setembro de 2006, Feijó anotou: “Recebi R$ 25 000 em cash da simpala (sic)”.

 

Bordini respondeu: “Que sorte que o pacote não estava bem feito e tiveste que reforçá-lo. Agradeço os brindes que são de muito bom gosto e muito úteis”.

 

Instado a se explicar, o ex-tesoureiro Bordini nega que tenha recebido os R$ 25 mil.

 

Pior: insinua que Feijó conduziu, durante a campanha, uma coleta “paralela”.

 

Abespinhado, o vice-governador emitiu, nesta segunda (18), uma nota.

 

No texto, Feijó reconhece que auxiliou na captação de verbas eleitorais.

 

Sustenta, contudo, que “Bordini era o responsável pela gestão financeira na campanha”.

 

Afirma que “cabia a ele a prestação de contas dos recursos captados e a conseqüente emissão dos recibos eleitorais”.

 

Ao partido, Feijó informou que dispõe de outros documentos que, se divulgados, aumentarão as labaredas que ardem sob Yeda.

 

O DEM deliberou que Feijó deve manter-se distante dos jornalistas.

 

A “munição” será guardada para utilização na CPI cuja criação parece cada vez mais iminente.

 

Rodrigo Maia (RJ), presidente nacional do DEM, disse ao blog que não vai interferir na posição a ser adotada pelo diretório gaúcho da legenda.

 

Disse ter liberado a seccional gaúcha para tomar a atitude que lhe parecer mais apropriada.

 

Fez apenas uma recomendação: “Peço que o partido não sirva, no Rio Grande do Sul, de trampolim para a candidatura de Tarso Genro”.

 

Ministro de Lula, Genro é o nome mais cotado do PT para a sucessão de Yeda. Deve medir forças com José Fogaça, do PMDB.

 

Feijó, o vice-problema de Yeda, tenta empinar sua própria candidatura. O mais provável, porém, é que o DEM se alie ao PMDB de Fogaça.

 

O PSDB se encaminha para a mesma solução. Em privado, a cúpula do tucanato reconhece que Yeda perdeu as condições políicas de disputar a reeleição.

Escrito por Josias de Souza às 21h00

15/06/2008 - 18:45h A voz rouca das ruas

Rosana de Oliveira do jornal ZERO HORA de POA

gaucho.gif“A interatividade proporcionada pela comunicação moderna já indicava alto índice de aprovação ao vice-governador Paulo Feijó, por ter gravado e divulgado uma conversa que teve no dia 26 de maio com o então chefe da Casa Civil, Cézar Busatto. Eram torpedos, mensagens, cartas, palpites em programas de rádio e TV, mas faltava a pesquisa com base científica e amostra representativa do universo de eleitores gaúchos. Não falta mais: a sondagem encomendada pelo Grupo RBS à Fato está dissecada nas páginas 4 e 5 desta edição (ver aqui no Blog). Poucas vezes se viram resultados tão arrasadores para um governo.

Ela mostra que 61,8% dos eleitores aprovam a atitude de Feijó de gravar a conversa, ato definido por Busatto como covarde, traiçoeiro, revelador de falta de caráter. É quase o mesmo percentual (59,6%) dos que consideram legítimas a gravação e a divulgação da conversa. Bem maior é o índice dos que definem as declarações de Busatto como muito comprometedoras para o ex-secretário e para o governo: 75,5%.

Somente um terço dos entrevistados compartilha a tese corrente no Palácio Piratini de que a motivação de Feijó é “forçar Yeda a sair para assumir como governador em seu lugar”. O percentual de 44,7% dos que sugerem a Feijó deixar o cargo para fazer oposição a Yeda fora do governo comporta duas leituras: uma, de que ele está sendo desleal ao atacar o governo do qual participa; outra, de que deve se afastar para não ser contaminado pela impopularidade.

Passados 18 meses desde a posse, 62,2% desaprovam o governo de Yeda. Em uma pergunta sobre a atuação da governadora em relação ao escândalo do Detran tem-se uma medida mais precisa do desgaste provocado pela crise: 16,4% disseram que é boa ou ótima e 43,1% que é ruim ou péssima.”

19/05/2008 - 16:07h RS Urgente: Há um cheiro de podre no reino da Yeda

tucano_jaula3.jpg

“Lair Ferst arrecadou recursos no 2° turno da campanha de Yeda Crusius”

Garantindo estar falando em nome do vice-governador Paulo Feijó (DEM), Enio Bacci informou que Lair Ferst foi arrecadador de recursos no segundo turno da campanha de Yeda Crusius. “O vice-governador me autorizou a dizer isso”, disse o ex-secretário da Segurança. “Ele acompanhou a campanha e me disse que está disposto a vir a CPI para contar o que sabe”. Bacci sugeriu ao presidente da CPI, deputado Fabiano Pereira (PT) que faça um convite a Paulo Feijó. “Ele quer vir na CPI, reforçou o deputado pedetista.
Enio Bacci disse ainda que Paulo Feijó contou-lhe que ao ver, durante a campanha eleitoral, uma planilha de custos com o valor de R$ 6,5 milhões para pagar o marqueteiro Chico Santa Rita achou a soma exagerada e comentou o fato com o próprio Santa Rita. A resposta do publicitário surpreendeu o candidato a vice de Yeda: “Me pediram para colocar este valor, mas por R$ 1 milhão eu faço”.

Ênio Bacci acusa governadora de omissão

Em seu pronunciamento inicial na CPI do Detran, o ex-secretário da Segurança Pública Ênio Bacci (PDT) confirmou que levou ao conhecimento da governadora Yeda Crusius (PSDB) um conjunto de denúncias sobre irregularidades no Detran. Segundo ele, mais da metade dos contratos do Detran tem problemas. Entre eles, citou uma licitação para contratação de uma empresa de limpeza que trabalharia nas delegacias de polícia do Estado. Segundo ele, há fortes indícios de que a licitação foi dirigida para que a empresa Santos Alves fosse vencedora.Uma cláusula do edital de licitação estabelecia como exigência que as empresas candidatas tivessem uma declaração por escrito afirmando que conheciam todas as 700 delegacias do Estado. Curiosamente, acrescentou o ex-secretário, em 30 dias a empresa Santos Alves tinha em mãos declarações de todas as delegacias. Foi um contrato de 480 mil/mês, 6 milhões/ano. Bacci também denunciou uma “farra nas locações de veículos” no Detran, com práticas de superfaturamento e de emissão de notas falsas.O deputado federal acusou a governadora e o ex-secretário de Segurança, José Otávio Germano (PP) de omissão diante das denúncias e anunciou que está preparando uma ação civil pública para fazer com que as autoridades do Poder Executivo que não apuraram as denúncias sejam responsabilizadas, inclusive do ponto de vista da reparação dos prejuízos para os cofres públicos.
O relator da CPI, deputado Adilson Troca (PSDB), tentou defender a governadora, perguntando a Bacci se, entre as denúncias que teriam sido encaminhadas por ele à governadora, estavam os contratos do Detran com a Fatec e a Fundae, fundações universitárias acusadas de envolvimento na fraude. O ex-secretário respondeu que, enquanto esteve na secretaria, não ficou sabendo de problemas com as fundações mas salientou que alertou Yeda Crusius sobre uma série de outras irregularidades que estariam sendo praticadas pelas mesmas pessoas que, posteriormente, foram presas pela Polícia Federal. Ainda segundo Bacci, o que foi revelado pela Operação Rodin é apenas a ponta do iceberg.