07/05/2008 - 18:30h 11 anos sem Paulo Freire – O Educador da Liberdade

Paulo Freire

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Edson Fasano e Jeane de Jesus Zanetti Garcia

Em nossa cidade, extremamente desigual, refletida em sua arquitetura, nos guetos, nos becos, nas favelas, ecoa a voz dos marginalizados e excluídos. Interessante pensar no eco! O eco, resultado da voz humana, da nossa ação política, exige espaços específicos para ecoar. Ecoar não como mera repetição, mas como espaço de propagação e recriação.

Como nos afirmava Freire, os opressores não libertam os oprimidos, mas os oprimidos libertando-se acabam por libertar os opressores. Quem mais sente a ausência do nosso mestre? Em quais espaços mais se ecoa a Pedagogia do Oprimido? Nas periferias das grandes cidades, no sertão, em Guiné Bissau …

Um dia desses ouvindo um documentário, jovens adolescente, participantes do projeto de hip-hop, afirmavam: “ - … se Paulo Freire estivesse vivo, com certeza não desprezaria nosso movimento”.

A educação como ato político, precisa romper com o silenciamento, com a educação bancária e fundamentar-se na dialogicidade, objetivando a construção do “ mundo comum” em um estreito diálogo com a cultura popular.

Falar de Paulo Freire dispensa maiores apresentações. Educador brasileiro, Pernambucano, que ao falar de Educação nos remete a pensá-la na sua íntima relação com o homem, com o povo, com a sociedade, com os sonhos e acima de tudo com a capacidade de indignação frente a opressão, a marginalização e as injustiças sofridas pelos “excluídos e esfarrapados do mundo”.

Para pensar a Educação, Freire desenvolve um campo conceitual, onde as palavras assumem a condição de conceitos como ferramentas para compreensão de sua obra. Destacamos algumas: oprimido, opressor, esperança, utopia, sonho, consciência ingênua, consciência crítica, diálogo, transformação, liberdade, cultura, bancarismo, ética, etc.

Em sua extensa obra Freire traz o HOMEM e os conflitos para a centralidade da história. Compreende que o processo de educação tem início no estabelecimento de relações entre o sujeito e o mundo e que antes do sujeito tomar consciência dos códigos escolares, ele toma consciência do mundo, por estar nele e compreendê-lo, compreende a si e aos outros e as relações que se estabelecem no mundo.

A utopia se caracteriza para Paulo Freire como a mola propulsora da ação humana. Sua utopia está espelhada em projetos como os CEUs: proposta de uma educação integral, com estreito diálogo entre as diferentes culturas, pensando o ser humano em sua inteireza e diversidade. Espaços potencialmente dialógicos, abertos, não bancários. E onde se localizam? Na periferia, nos espaços de silenciamento, impostos pelas diferentes dimensões de opressão, que procuram ser rompidos pelo reconhecimento do direito. Direito à palavra, direito à expressão, direito ao mundo comum, direito à vida.

Sentimos os onze anos de ausência física de Paulo Freire, de sua sensibilidade em nos ajudar a ler o mundo, mas percebemos a sua imortalidade na utopia de uma educação libertadora.

*Edson Fasano e Jeane de Jesus Zanetti Garcia são educadores