02/10/2009 - 10:42h Ciro muda título para São Paulo e amplia leque de opções do PSB

Deputado prefere disputar a Presidência ao governo do Estado, mas aliados dizem que ele pode ser vice de Dilma

Mudança de endereço eleitoral do pré-candidato será assinada nesta sexta-feira

Julia Duailibi e Angela Lacerda – O Estado SP

O pré-candidato à Presidência da República pelo PSB, o deputado Ciro Gomes (CE) anunciou ontem que vai transferir o seu domicílio eleitoral do Ceará para São Paulo, o que abre a possibilidade de concorrer ao governo paulista. Apesar da decisão, que acata desejo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o parlamentar reforçou a disposição, até o momento, de concorrer ao Palácio do Planalto.

A movimentação, que teve como avalista o presidente do PSB, Eduardo Campos (PE), ampliou o poder do partido nas negociações para 2010 e amarrou o PT paulista, que sem candidato natural em São Paulo tem de aguardar o PSB decidir seu futuro. Além de ter nas mãos a possibilidade de concorrer à Presidência e ao governo de São Paulo, a articulação do partido para transformar Ciro num “candidato paulista” reforça seu nome como uma alternativa a vice da candidata de Lula, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, num cenário em que o PT não consiga fechar uma aliança nacional com o PMDB.

O deputado anunciou a decisão após almoço em Recife com Campos, governador de Pernambuco. Ciente de que a transferência do título causa “ruído” nas articulações, ele ligou para o presidente da Fiesp, Paulo Skaf. Disse pretender disputar a Presidência, não o Palácio dos Bandeirantes. O empresário se filiou ao PSB anteontem, após ter a sinalização de que poderia sair para o governo estadual.

Ciro, que trocará o domicílio hoje, em São Paulo, voltou a afirmar que “o instinto era de não fazer” a transferência, mas não descartou a corrida ao Bandeirantes. “Vamos deixar todas as portas abertas. Vamos fazer essa homenagem, com muito prazer, a uma das análises que o presidente Lula faz”, disse. “Desde que ninguém vá me pedir que tenha intimidade com a rotina de São Paulo”, completou. Lula defende Ciro como candidato em São Paulo por ser contra lançar dois nomes governistas na corrida presidencial. Apoiando o projeto de Ciro em São Paulo, e amarrando o PT paulista a essa estratégia, Lula desmobiliza também os planos do PSB de indicar o vice.

Aliados do parlamentar sustentam que a candidatura a vice seria o melhor caminho para o PSB e Ciro estaria disposto a abrir mão da corrida solo por um voo conjunto com a candidata do PT. A pedra no caminho é o PMDB. A mudança do domicílio, no entanto, não só não compromete os planos do partido, como ajuda a receber ainda mais exposição ao criar outro “fato midiático”. A direção da legenda pretende alçar Ciro para além dos 20% nas pesquisas de intenção de voto até o começo do ano que vem.

“O PSB está com uma posição política correta. Tem uma perspectiva de poder de curto prazo, com Ciro. E de longo prazo, com Eduardo Campos”, afirmou Rodrigo Rollemberg (DF), líder do PSB na Câmara. O partido estima que na eleição ampliará o número de deputados federais de 29 para, no mínimo, 45.

“Nós temos um trio em São Paulo preparado para disputar a eleição”, declarou o presidente estadual do PSB, Márcio França, numa referência a Skaf e ao vereador paulistano Gabriel Chalita. Questionado sobre a decisão de Ciro, o presidente estadual do PT, Edinho Silva, afirmou que o partido se reúne na segunda-feira para discutir a questão no Estado. “O PSB é um parceiro importante para o PT”, afirmou.

CRÍTICAS

No anúncio da transferência do domicílio, Ciro voltou a atacar o governador de São Paulo, José Serra, nome mais forte no PSDB para disputar a Presidência. “Nosso adversário José Serra era ministro durante oito anos do governo Fernando Henrique Cardoso, que quebrou o governo três vezes”, afirmou.

Ao abordar sua preocupação com “a ameaça que o passado volte”, tentou associar Serra a números do governo FHC. Disse nada ter de pessoal contra Serra e tentou minimizar o fato de tê-lo recentemente chamado de feio.

30/09/2009 - 18:45h Paulo Skaf se filia ao PSB

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RENATA LO PRETE do Painel da Folha

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, acaba de assinar a ficha de filiação ao PSB, partido pelo qual pretende disputar o governo de São Paulo, informa Renata Lo Prete, editora do Painel da Folha. A sigla, que tem Ciro Gomes como pré-candidato à Presidência da República, já havia filiado ontem o vereador tucano Gabriel Chalita para concorrer ao Senado.

Antes de se acertar com o PSB, Paulo Skaf tentou PV, PMDB e PR. Mas, por diferentes razões, nenhuma dessas siglas lhe ofereceu a garantia da candidatura ao Palácio dos Bandeirantes.

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Skaf se filia ao PSB e deve concorrer ao governo de SP

GUSTAVO URIBE E ANNE WARTH – Agencia Estado

SÃO PAULO – O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, filiou-se na tarde de hoje ao PSB. A informação foi confirmada à Agência Estado pela direção do próprio partido.

Após assinar a ficha do partido, Skaf e o presidente nacional da legenda, Márcio França, conversaram sobre os planos da sigla em lançar o empresário à sucessão ao governo do Estado de São Paulo nas eleições 2010. Antes de se filiar ao PSB, Skaf manteve contato com outras legendas, como o PMDB, PR e PV.

Ontem, o PSB realizou um grande evento na Capital para marcar a filiação do vereador de São Paulo Gabriel Chalita, que deixou o PSDB para integrar os quadros da sigla e tentar, no pleito do ano que vem, concorrer a uma vaga ao Senado.

A festa de ontem teve ares de lançamento da candidatura do deputado federal Ciro Gomes (PSB) à Presidência da República em 2010. O partido é um dos que compõem a base aliada do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

20/02/2009 - 11:46h Montagem de chapa de Skaf ao governo de SP reúne bloco de esquerda e Maluf

Anna Carolina Negri/Valor

Paulo Skaf: presidente da Fiesp pode dispor de sete minutos na televisão para expor discurso de união entre capital e trabalho no enfrentamento da crise

 

Caio Junqueira, de São Paulo – VALOR

O presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, empresário ligado ao setor têxtil, tem mantido conversas com o chamado bloco de esquerda formado por PDT, PSB e PCdoB, para viabilizar sua candidatura ao governo do Estado de São Paulo em 2010. A ideia é que ele se filie até maio ao PSB e que a possível chapa contenha ainda o PR e o PP, somando, assim, cerca de sete minutos no horário eleitoral gratuito.

Na formulação da chapa, a vice ficaria com o deputado em terceiro mandato Milton Monti (PR-SP), economista que foi secretário estadual de Relações do Trabalho no governo Luiz Antonio Fleury Filho (1991-1994). Ex-prefeito de São Manuel, pequeno município paulista a 272 km a noroeste da capital paulista, sua entrada daria o viés interiorano à composição. A vaga para o Senado seria do deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (PDT-SP). Uma pesquisa Vox Populi para testar os nomes já está em negociação.

O deputado federal Paulo Maluf, presidente do PP paulista, e o ex-deputado Valdemar Costa Neto, participam diretamente da negociação, além do próprio Paulinho, e do deputado federal e presidente do PSB paulista, Márcio França, que é muito próximo de Skaf.

Em um provável cenário em São Paulo com políticos não tão conhecidos do eleitorado, à exceção do ex-governador Geraldo Alckmin, a aposta é que a constante exposição de Skaf à mídia nos últimos seis anos seja um diferencial, junto com um discurso de capital e trabalho unidos pelo desenvolvimento. Os ideários da composição entre de empresário com sindicalista inspiram-se na chapa que elegeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu vice e o fundador da Coteminas, José Alencar. Até o marqueteiro que fez vitoriosa essa dupla em 2002 é cogitado para a provável chapa: Duda Mendonça.

Os tucanos, embalados na máquina estadual desde 1995, viriam favoritos para a disputa, dentro de uma aliança com seis partidos (PMDB, PTB, PPS, PV, PPS, PSDB), mais de dez minutos de horário eleitoral e cerca de 450 das 645 prefeituras do interior. Embora Alckmin pareça ser o candidato eleitoralmente mais forte, o governador de São Paulo, José Serra, tem preferência por seu secretário da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira. A última eleição majoritária que disputou foi em 1992, para a Prefeitura de São Paulo, onde, mesmo com apoio do então governador Fleury, não foi ao segundo turno.

A avaliação do bloquinho é de que haverá em 2010 espaço para neófitos na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes, na medida em que o Estado se divide basicamente entre petistas e anti-petistas. Com a composição, Skaf poderia se fortalecer sendo uma terceira via e incorporando votos dos dois lados.

Uma aliança que inclui o PT não é descartada pelo bloquinho, mas os petistas descartam a ideia. Não cogitam ceder espaço no maior colégio eleitoral do país nem tampouco compor com Skaf, um crítico constante do governo Lula que notabilizou-se no embate pelo fim da CPMF e pela queda de juros. Nas palavras de um integrante da cúpula petista, “esperava-se uma postura diferente dele em relação ao governo”. Na legenda, a disputa deve ficar entre os deputados federais Arlindo Chinaglia e Antonio Palocci. Entretanto, caso prospere uma aliança bloquinho, Skaf, PP e PR, o tempo de propaganda eleitoral gratuita do PT será o menor.

Oficialmente, a Fiesp informa que muitos partidos procuram o empresário. As incursões políticas de empresários ligados a Fiesp têm sido discreta nos últimos anos.

O último de seus presidentes a ingressar na política foi Carlos Eduardo Moreira Ferreira, eleito deputado federal em 1998 pelo então PFL, hoje DEM. Com uma campanha tendo por mote “Produção, Emprego e Educação”, obteve 91.194 votos em 520 municípios. Quatro anos depois, frustrado com a atividade política, por não conseguir emplacar as reformas tributária, trabalhista e política, desistiu de tentar a reeleição. “Jogar para a plateia é outra característica marcante da política nacional, à qual é extremamente difícil para alguém proveniente do meio empresarial se adaptar”, escreveu em sua justificativa pela desistência de tentar um novo mandato.

O adversário de Moreira Ferreira pela presidência da Fiesp em 1992, Emerson Kapaz, foi secretário de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico do governo Mário Covas antes de se eleger deputado federal pelo PSDB em 1998. Deixou o partido para tentar a candidatura a Prefeitura de São Paulo pelo PPS em 2000, disputa em que acabou como vice da candidatura Luiza Erundina (PSB). Foi reeleito deputado federal em 2002, mas iniciava a função de arrecadador da campanha de Alckmin à Presidência em 2006 quando acabou envolvido no escândalo das sanguessugas, deixando a política. Em um seminário do PPS em 2007, disse que “a política já não faz mais diferença no Brasil”.

À margem das urnas, Pedro Piva, pai do ex-presidente da Fiesp Horácio Lafer Piva, foi o último empresário ligado à instituição a exercer mandato majoritário por São Paulo. Financiador de campanha e suplente do então senador José Serra (PSDB), eleito em 1994, ocupou sua cadeira durante quase todos os oito anos do mandato, do qual o atual governador paulista ausentou-se para ocupar, consecutivamente, dois ministérios no governo Fernando Henrique Cardoso, Planejamento e Saúde.

13/11/2007 - 06:16h Jatene para Skaf: "Os ricos não pagam imposto e por isso o Brasil é tão desigual. Têm que pagar!"

Mônica Bergamo

bergamo@folhasp.com.br

Dedo em riste, falando alto, o cardiologista Adib Jatene, “pai” da CPMF e um dos maiores defensores da contribuição, diz a Paulo Skaf, presidente da Fiesp e que defende o fim do imposto: “No dia em que a riqueza e a herança forem taxadas, nós concordamos com o fim da CPMF. Enquanto vocês não toparem, não concordamos. Os ricos não pagam imposto e por isso o Brasil é tão desigual. Têm que pagar! Os ricos têm que pagar para distribuir renda”.


Numa das rodas formadas no jantar beneficente para arrecadar fundos para o Incor, no restaurante A Figueira Rubaiyat, Skaf, cercado por médicos e políticos do PT que apóiam o imposto do cheque, tenta rebater: “Mas, doutor Jatene, a carga no Brasil é muito alta!”. E Jatene: “Não é, não! É baixa. Têm que pagar mais”. Skaf continua: “A CPMF foi criada para financiar a saúde e o governo tirou o dinheiro da saúde. O senhor não se sente enganado?”. E Jatene: “Eu, não! Por que vocês não combatem a Cofins (contribuição para financiamento da seguridade social), que tem alíquota de 9% e arrecada R$ 100 bilhões? A CPMF tem alíquiota de 0,38% e arrecada só R$ 30 bilhões”. Skaf diz: “A Cofins não está em pauta. O que está em discussão é a CPMF”. “É que a CPMF não dá para sonegar!”, diz Jatene.

Skaf circula. O deputado Adriano Diogo, do PT, levanta o dedo positivo para ele: “E aí, contente em detonar a saúde?”. Nova discussão. “Não adianta. São visões de mundo diferentes”, conforma-se o empresário. Em outra mesa, Tião Viana (PT-AC), presidente do Senado, diz que a votação da CPMF segue indefinida. “Está difícil para os dois lados.”

Cada um dos 400 convidados do jantar desembolsou R$ 250, com direito a saladas, tortellis e carnes preparadas pelo médico David Uip, por José Aristodemo Pinotti e por Paulo Renato Souza. Em meio aos comes e bebes, uma boa notícia: o BNDES negociou a dívida do Incor: de R$ 140 milhões, ela caiu para R$ 80 milhões. O governo de SP pagará R$ 40 milhões. O próprio Incor, os outros R$ 40 milhões, em dez anos. Uma das últimas “missões” de David Uip, que deixará a presidência do Incor em dezembro, será a assinatura do acordo com o banco.

Marlene Bergamo/Folha Imagem
 

O cardiologista Adib Jatene (ao centro) conversa com Paulo Skaf, presidente da Fiesp (à esq.), e o deputado Arlindo Chinaglia, em jantar beneficente em prol do Incor, no A Figueira Rubaiyat