12/02/2009 - 10:35h De volta à cena o ex-Campo Majoritário

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Maria Inês Nassif – VALOR

O ex-Campo Majoritário do PT paulista está se articulando rapidamente em torno da candidatura da ministra Dilma Rousseff à Presidência da República e de um único nome na disputa para o governo de São Paulo em 2010. Com isso, procura retomar a hegemonia na estrutura nacional do partido e o poder de barganha que tinha no passado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A tentativa do ex-Campo Majoritário, agora distribuído em mais de uma tendência, é para que essa articulação recomponha o equilíbrio de poder interno do PT que deu a vitória ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2002. A partir de 1998, e até 2002, prevaleceu um pacto de convivência entre um líder carismático conhecido nacionalmente e uma estrutura burocrática que era forte e capilarizada. Lula usava da estrutura para disputar eleições e sua popularidade contribuia para o crescimento da legenda. Recompor agora com Lula significa proporcionar à Dilma o uso de uma máquina partidária grande – e muito organizada no Estado mais rico da Federação – e capitalizar a excepcional popularidade de Lula. De quebra, a tendência pode ganhar mais densidade num futuro governo Dilma, se ela vencer as eleições.

Foram os integrantes do ex-grupo chamados por Lula no Palácio do Planalto, no começo do ano, e encarregados de transitar internamente o nome da ministra Dilma Rousseff como candidata à sua sucessão, em 2010. Os ex-prefeitos Marta Suplicy (SP) e Fernando Pimentel (MG) e o deputado João Paulo (SP) foram os encarregados da tarefa. Os paulistas articularam-se rapidamente. Venceram a resistência de José Dirceu. O presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, já deu uma declaração pública em favor da ministra – com a ressalva implícita de que a candidatura tem que obrigatoriamente passar pelo partido. Amanhã, haverá uma reunião de Dilma com os petistas paulistas, na casa da ex-prefeita. Simultaneamente, fecharam um acordo entre os três postulantes ao governo – Marta Suplicy, o ex-presidente da Câmara Arlindo Chinaglia e o ex-ministro Antonio Palocci – e vão se entender em torno de um único candidato. Isso levará um grupo grande e coeso para a candidatura de Dilma e fortalecerá a sua posição no Diretório Nacional.

No período que antecedeu ao escândalo do mensalão, o Campo Majoritário paulista era hegemônico, tanto na tendência como no partido. Enfraqueceu-se devido ao envolvimento de vários de seus integrantes no escândalo do mensalão, em 2005, e dividiu-se. O grupo perdeu posições no partido – apesar da eleição para a presidência nacional do deputado Ricardo Berzoini – e no governo, com a queda dos dois ministros mais poderosos do primeiro mandato de Lula: José Dirceu, da Casa Civil, e Antonio Palocci, da Fazenda. São Paulo perdeu espaço para outros líderes que cresceram na contramão das agruras sofridas principalmente por líderes que irradiavam do Estado a sua influência para o resto do país. O presidente Lula distanciou-se da legenda e garantiu uma reeleição quase que apenas contando com a sua popularidade. É certo, usou a estrutura partidária, mas sem estabelecer uma relação orgânica com o seu partido.

Dilma, no pontapé inicial de sua candidatura, conta com a popularidade de Lula, mas não conseguirá se viabilizar sem uma relação estreita com o PT, que continua grande e capilarizado mesmo depois de passar pelos revezes de 2005. Vai definir suas relações com o PT pelas mãos do ex-Campo Majoritário. O grupo que tenta se reunificar conta com a sua experiência de articulação interna, que lhe dá rapidez, e com a concordância tácita das outras tendências de que a candidatura deve ser a da ministra. Segundo um dos petistas envolvidos na articulação, para qualquer dos grupos é vantajoso que o partido capitalize a popularidade de Lula. Como é importante que o partido continue sendo governo, onde todos estão representados na estrutura ministerial.

Ao que parece, o ex-Campo retoma suas articulações com a força que tinha antes. Mostra-se capaz de passar como um trator por interesses que contrariem a sua estratégia. A vitória de dois peemedebistas para a presidência da Câmara e do Senado passa por uma articulação já em andamento para negociar, com cada diretório regional do PMDB, a aliança com Dilma. Na Câmara, o grupo lutou até o último minuto para conseguir a vitória do deputado Cândido Vaccarezza (SP) como líder. O outro candidato, Paulo Teixeira (SP), era aliado do ministro da Justiça, Tarso Genro (RS), que vê a sua postulação à Presidência da República reduzir-se a pó.

Maria Inês Nassif é editora de Opinião. Escreve às quintas-feiras

E-mail maria.inesnassif@valor.com.br

03/10/2007 - 13:33h Petistas criticam retomada de privatizações em SP


Deputados do PT criticaram ontem a decisão do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), de retomar a privatização de empresas públicas do estado. Na semana passada, o tucano abriu processo de licitação para verificar o valor de mercado de 18 empresas do patrimônio de São Paulo. Entre elas, o Metrô, a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU) e a Nossa Caixa.

O deputado Devanir Ribeiro (PT-SP) disse que a medida “é a proposta pronta e acabada do PSDB”. “O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso iniciou as privatizações em âmbito nacional. Acho isso ruim. Eles defendem o Estado mínimo e nós, o Estado com responsabilidade com seu povo. Não queremos um país inchado, mas não concordamos em se pegar tudo o que foi construído com o dinheiro público e vender para a iniciativa privada. Agora só faltar vender o Palácio dos Bandeirantes”, disse, em referência à sede do governo paulista.

Também fazem parte da lista de privatizações a Companhia Energética de São Paulo (Cesp), a Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp), a Desenvolvimento Rodoviário (Dersa) e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Cálculos divulgados pelo jornal Valor Econômico indicam que as empresas poderiam valer mais de R$ 30 bilhões.

A deputada Janete Rocha Pietá (PT-SP) classificou a medida como “um absurdo”. “É lógico que o governador José Serra continua a política privatizadora da era FHC. Porém, acho que ele não entendeu o recado que o povo deu nas urnas. Na eleição do presidente Lula, ficou claro que a questão das privatizações polarizou o eleitorado. O voto em Lula reflete a defesa da população ao fortalecimento do Estado, que deve ter sempre o papel de desenvolvimento da Nação. Nós, deputados, temos que pressionar. Mas a população, também. Para paralisar essa retomada privatizante”, afirmou.

Para o deputado Carlos Zaratini (PT-SP), a intenção do PSDB “é enxugar e liqüidar com a capacidade do Estado de intervir nos serviços públicos”. “Isso prova que tínhamos total razão quando afirmávamos que essa era a intenção de Geraldo Alckmin (candidato tucano à Presidência da República em 2006). Se ele estivesse ganho, estaríamos vendo a privatização do Banco do Brasil e da Petrobras”, disse.

De 1996 a 2006, o tucanato vendeu cerca de R$ 37,7 bilhões em termos nominais. Em valores reais (pelo IGP-DI), isso equivale a mais de R$ 77,5 bilhões. Em 1997, os tucanos iniciaram o processo de privatização com a transferência para a União da Estações Ferroviárias do Estado de São Paulo (Fepasa) e da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), a alienação de participação da Sabesp e Eletropaulo.

Segundo o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), “o PSDB aprofundou o processo de liqüidação do setor público”. “Eles fizeram um ciclo de privatização muito negativo. Privatizaram o setor de energia, as estradas e o Banespa. Comparativamente com outros estados, São Paulo perdeu muita capacidade e instrumentos de desenvolvimento em relação a Minas Gerais e Paraná, por exemplo. A proposta de voltar com esse processo é infeliz”, afirmou.

Fonte Boletim da liderança do PT na Câmara dos deputados