07/01/2009 - 17:56h Paz


Pomba da Paz
(Picasso)

Se eu te pedisse a paz, o que me darias
pequeno insecto da memória de quem sou
ninho e alimento? Se eu te pedisse a paz,
a pedra do silêncio cobrindo-me de pó,
a voz limpa dos frutos, o que me darias
respiração pausada de outro corpo
sob o meu corpo?

Perdoa-me ser tão só, e falar-te ainda
do meu exílio. Perdoa-me se não te peço
a paz. Apenas pergunto: o que me darias
em troca se ta pedisse? O sol? A sabedoria?
Um cavalo de olhos verdes? Um campo de batalha
para nele gravar o teu nome junto ao meu?
Ou apenas uma faca de fogo, intranquila,
no centro do coração?

Nada te peço, nada. Visito, simplesmente,
o teu corpo de cinza. Falo de mim,
entrego-te o meu destino. E a morte vivo
só de perguntar-te : o que me darias
se te pedisse a paz
e soubesses de como a quero construída
com as matérias vivas da liberdade?

Casimiro de Brito

Fonte Blog Encosta do mar

07/01/2009 - 14:32h La guerra de nunca acabar

El conflicto en Oriente Próximo

Soldados en un blindado israelí en la frontera de la franja de Gaza

M. Á. BASTENIER - EL PAÍS

Israel se retira de Gaza en 2005; Hamás gana las elecciones -democráticas- en los territorios ocupados en 2006, y en junio de 2007 se apodera de la franja, tras eliminar la resistencia de los militantes de la Autoridad Palestina; Israel controla todo lo que entra y sale de Gaza manteniendo a su millón y medio de habitantes a nivel de subsistencia; más o menos simultáneamente Hamás hace llover sobre localidades israelíes cohetes artesanales que aterrorizan a la población, pero causan conciso número de muertos; a mediados de 2008, Hamás establece una tregua que expira el pasado día 19 y los terroristas ofrecen renovarla sólo si se levanta el cerco; Israel el 27 lanza la operación Plomo fundido para destruir a Hamás, lo que acarrea un gran número de muertos civiles en el territorio de mayor densidad del mundo, 5.000 habitantes por kilómetro cuadrado.

Es tarde para jugar a quién fue primero, si el huevo o la gallina. Hay que volver a lo básico: Israel ocupa una parte sustancial de Palestina más allá de la línea verde, la frontera del armisticio militar con Jordania de 1948, a ambos lados de la cual el Estado sionista se extiende por el 77%-78% del antiguo mandato británico, y los árabes retienen menos del 23%. Todo parte de ahí.

El 13 de septiembre de 1993, en la Casa Blanca y ante el presidente Clinton, Israel y la OLP firman un acuerdo marco para el establecimiento de una autonomía de naturaleza indefinida sobre todos o parte de los territorios ocupados en la guerra de 1967, que debía en el plazo de cinco años convertirse en una entidad política de naturaleza tampoco previamente definida, que debía hacer la paz con Israel. Pero no se preveía limitación alguna a la expansión de las colonias sionistas en el territorio, Cisjordania, Jerusalén árabe y Gaza, que, con poco más de 5.000 kilómetros cuadrados, tienen una extensión menor que las provincias de Madrid o Barcelona, en un territorio que es las tres cuartas partes de Cataluña.

En 1993 había en los territorios unos 200.000 colonos, incluyendo los instalados en Jerusalén-Este; hoy no bajan de medio millón, de los que una mitad vive en la parte árabe de la capital. La negociación era inviable: se discutía el reparto de un territorio mientras una de las partes, la que tenía todos los cañones, lo iba llenando tan rápido como inmigrantes recibía de la ya extinta Unión Soviética. Todo un torpedo en la línea de flotación de unas conversaciones que llamaban de paz.

Es probable que, cualquiera que fuese la amplitud de la retirada israelí, incluso hasta la línea verde, siguiera existiendo hoy Hamás u otra organización parecida, decidida a no reconocer a Israel y a recurrir al terrorismo -aunque el movimiento integrista ha dicho que aceptaría una tregua indefinida a cambio de la total retirada israelí-, pero lo seguro es que no tendría la fuerza actual, que nace del apoyo prestado por Israel al fundamentalismo en los años setenta y ochenta para debilitar a la OLP, y, más aún, de los continuos desaires infligidos a la AP en la negociación, primero con Yasir Arafat, y luego con su sucesor Mahmud Abbas.

La AP ha enarbolado todo este tiempo como programa la resolución 242 del Consejo de Seguridad, que pide la retirada completa de los territorios, y con mucha menor fe porfía por el regreso o una compensación económica a los palestinos que tuvieron que huir de lo que hoy es Israel, y a sus descendientes; el Estado judío sólo hizo público en las conversaciones de Camp David II, julio de 2000, una aproximación de mapa de retirada, que implicaba la anexión de cerca de un 20% de los territorios, grosso modo lo que ya está rodeado por un muro-verja-valla o separación, que incluye todo Jerusalén.

La hora de la verdad pudo haber llegado en marzo de 2002 cuando la Liga Árabe reunida en Beirut le ofrecía a Israel el reconocimiento pleno de todos sus miembros a cambio de una retirada también plena, y los dirigentes israelíes, como el hoy presidente Simón Peres, respondieron con sarcasmos. Nadie pedía, sin embargo, a Jerusalén que asumiera con fe ciega esa declaración; muy al contrario, habría hecho falta negociar a fondo para cerciorarse de que la oferta iba en serio, pero el desdén israelí probaba que Jerusalén sólo quería la paz de la victoria. Y de ésa, el pueblo palestino resulta que no tiene.

07/01/2009 - 11:15h Proposta de França e Egito ganha força

Chaque jour, les bombardements cesseront pendant trois heures à Gaza.

EUA e Autoridade Palestina apoiam plano para pôr fim a ofensiva em Gaza

 

Nova York - O Estado SP

 


Os presidentes da França e do Egito, Nicolas Sarkozy e Hosni Mubarak, apresentaram ontem um plano para obter uma trégua imediata e encerrar o conflito entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza. O chanceler francês, Bernard Kouchner, disse ontem à noite durante reunião do Conselho de Segurança da ONU em Nova York que o plano levará as principais partes, incluindo a Autoridade Palestina, a adotar “todas as medidas” para encerrar o conflito.

A proposta, apresentada por Mubarak e Sarkozy durante uma entrevista coletiva em Sharm el-Sheikh, pede um cessar-fogo por um período limitado destinado a permitir o envio de ajuda humanitária a Gaza, um encontro urgente entre israelenses e palestinos para discutir meios de impedir novas ações militares e motivos para o conflito, incluindo o fim do bloqueio de Gaza. Também pede a retomada de diálogo sobre uma reconciliação entre o Hamas e a Autoridade Palestina, que perdeu o controle de Gaza para o grupo em meados de 2007.

“Deter a violência é a prioridade. O Conselho de Segurança - que a França passará a presidir em fevereiro - precisa apoiar e encorajar esse esforço promissor”, declarou Kouchner. “Estamos esperando a resposta israelense e temos esperança de que será positiva”, disse. A embaixadora israelense na ONU, Gabriela Shalev, disse que Israel está analisando “seriamente” a proposta.

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, e os EUA apoiaram imediatamente o plano Mubarak-Sarkozy. Abbas pediu ao CS que pressione por uma trégua e o levantamento do “sítio sufocante” a Gaza.

“Precisamos urgentemente concluir um cessar-fogo que perdure a traga real segurança”, disse a secretária americana de Estado, Condoleezza Rice, ao CS da ONU. “Nesse sentido, estamos satisfeitos e desejamos elogiar o presidente do Egito e seguir sua iniciativa”, disse.

À tarde, durante um encontro em Damasco com o presidente sírio, Bashar Assad, Sarkozy afirmou que um acordo de cessar-fogo em Gaza entre Israel e o Hamas “não está distante”. Sarkozy pediu à Síria - um dos principais aliados do Hamas - que pressione os líderes do grupo radical palestino a firmar uma trégua com Israel. “É preciso simplesmente que um dos atores envolvidos comece a encaminhar as coisas na direção certa”, afirmou.

O otimismo sobre um cessar-fogo foi compartilhado pelo ex-premiê britânico e enviado especial à região, Tony Blair. A violência pode ser “freada rapidamente”, garantiu Blair, que representa o chamado “Quarteto” - grupo de negociação do conflito palestino-israelense formado pela ONU, EUA, União Europeia e Rússia.

Em entrevista ao jornal Haaretz, o premiê de Israel , Ehud Olmert, garantiu que não tem interesse em prolongar a ofensiva em Gaza. “O quanto antes, melhor”, disse Olmert em relação ao fim da ação. “Há diferentes ideias para um arranjo diplomático e estou em discussão com vários líderes sobre elas.” Pela primeira vez após 11 dias de ataque, Israel estaria considerando as propostas de trégua, admitiram funcionários do governo israelense à Reuters.

AL-QAEDA SOLIDÁRIA

O número 2 da Al-Qaeda, Ayman al-Zawahiri, convocou os muçulmanos do mundo a atacar alvos israelenses e ocidentais como resposta à ação de Israel contra o Hamas em Gaza. “Acerte os interesses dos sionistas e dos cruzados em qualquer lugar e de qualquer modo que você conseguir”, disse Zawahiri em um site jihadista. “Este ataque é o presente do presidente eleito Obama a vocês (palestinos).”
REUTERS E AP

05/01/2009 - 10:06h Região não terá paz com invasão e bombardeios

Lluvia de fuego

Artillería imparable

La primera baja israelí

Víctimas civiles

Sami Abdel-Shafi *, The Guardian - O Estado SP

Ontem bem cedo, subi para o terraço de minha casa para ver o sol nascer. Colunas de fumaça negra subiam no horizonte de Gaza, mostrando de maneira inquietante que a ofensiva por terra das tropas israelenses já havia infligido mais sofrimento indiscriminado ao povo desta cidade palestina.

Refleti sobre a bola de fogo, fruto do total fracasso da tentativa de se chegar a um acordo e, até certo ponto, no plano internacional, que caiu no colo dos civis de Gaza. No prazo de segundos, o som fundo e apavorante do bombardeio que vinha do mar me obrigou a descer rapidamente.

Ao meio-dia de domingo, depois de cerca de 12 horas de incursão, as tropas israelenses chegavam às imediações de Jabaliya - a cidade e o campo de refugiados com uma população de 200 mil pessoas - enquanto helicópteros Apache disparavam projéteis de grande calibre sobre o campo, aos quais se somava o fogo da artilharia. Mas a Cidade de Gaza, onde moro, tampouco é um refúgio seguro, pois fica a apenas 8 quilômetros de Jabaliya, e a 3 quilômetros dos combates do lado leste.

Nove dias depois do início da guerra, e após 800 incursões sobre Gaza, muitas vezes parece que os hangares da Força Aérea israelenses devem estar vazios, enquanto seus aviões martelam incessantemente a cidade, acabando com os sobreviventes.

Mas a capacidade de recuperação destas pessoas é realmente notável. O homem de meia idade que me ajuda em casa apareceu ontem ao meio-dia, trazendo más notícias. Quando saía de casa, em meio a um tiroteio esporádico, no campo de Jabaliya, viu uma menina de 10 anos levar uma saraivada de tiros de grande calibre de um helicóptero Apache em cima da casa. O pai gritava: tentara segurar os filhos dentro da casa, mas ela quis tomar um pouco de sol.

Neste momento, meus vizinhos pensam única e exclusivamente em sua sobrevivência pessoal: como conseguir comida; como atravessar a rua; como ver se os parentes estão a salvo a poucas centenas de metros; como conseguir algum dinheiro para comprar coisas básicas; será que vou despertar com um soldado na porta da minha casa; será que vou poder viver uma vida normal? Quanto à política, eles não estão pensando nas disputas internas entre o Fatah e o Hamas - deixaram de lado todo espírito partidário. Só pensam na desumanidade que Israel nos está infligindo.

Não sabemos quanto tempo ainda as linhas que alimentam as comunicações de Gaza pela Internet sobreviverão. A perspectiva de perder as últimas linhas de comunicação com o mundo exterior é extremamente preocupante, principalmente porque a maior parte das agências de notícias e os diplomatas foram impedidos de testemunhar a carnificina.

Milhares de pessoas já pereceram ou foram feridas. Mas o espírito dos sobreviventes não morrerá, pois se isto acontecer, também perecerá a verdade de sua tragédia.

Assim como outras pessoas, não tenho mais dinheiro para comprar coisa alguma, mesmo que tivesse coragem para sair de casa. Raciono o pão, legumes, verduras e pedaços de queijo. Alguns tabletes de chocolate me ajudam a ficar alerta e a enganar a fome. Tenho mais sorte do que muitos outros, que estão tão pobres que não têm comida nenhuma.

O dono da mercearia diz que o chocolate foi trazido pelos túneis no sul da Faixa de Gaza, o mundo subterrâneo para o qual os habitantes de Gaza foram encurralados na tentativa de driblar o cerco prolongado imposto por Israel. Durante muitos meses, Israel pareceu fechar os olhos aos túneis, porque contribuíam para reduzir a pressão sobre sua estratégia de fechar os postos de fronteira de Gaza na maior parte dos dias. Ao mesmo tempo, algumas pessoas na cidade passaram a se dedicar ao mercado negro. Mas muitos destes túneis agora foram destruídos pelos bombardeios israelenses.

É difícil prever as consequências desta guerra. Se o Conselho de Segurança da ONU tivesse pressionado Israel a expor claramente suas intenções, agora talvez tivéssemos um cessar-fogo. Mas do jeito que as coisas estão, Gaza provavelmente terá pela frente vários anos de mais desespero e instabilidade.

Será extremamente difícil para os palestinos, particularmente para os habitantes de Gaza, reconstruir e aprimorar as instituições e os serviços públicos. Mas talvez seja este mesmo o objetivo da política de Israel contrária à paz: o fim da tenacidade do povo de Gaza em querer a chance de uma vida pacífica e digna. Não é este o caminho da paz.


*Sami Abdel-Shafi, sócio de uma empresa de consultoria, escreveu este artigo da Faixa de Gaza, onde vive com a família

04/01/2009 - 10:37h Proposta árabe de paz é melhor solução

 Las víctimas de la guerraExtinción de los incendios

Turki al-Faisal*, The Washington Post - O Estado de São Paulo

O presidente eleito dos EUA, Barack Obama, herdará dentro em breve não apenas uma nação refém de duas guerras, mas um mundo de instabilidade e todo o Oriente Médio mergulhado na discórdia. Embora os conflitos na região pareçam eternos, há razões para certo otimismo. Se Obama se unir às forças da paz e da estabilidade e agir de maneira corajosa, sua presidência terá um forte impacto no panorama internacional.

O melhor remédio já formulado para a disputa palestino-israelense é a iniciativa de paz árabe de 2002. A perspectiva de “paz” deve ser analisada em relação ao seu contexto.

Em maio, Israel comemorou o 60º aniversário de sua criação. Para os palestinos e seus irmãos árabes e muçulmanos, a fundação de Israel é “al-Naqba” ou “a catástrofe”. É o dia em que o sonho de um Estado palestino se despedaçou; o dia em que a ideia de um mundo com base na igualdade, na liberdade e na autodeterminação morreu.

Há um consenso universal segundo o qual o povo palestino vive sob ocupação e foi privado de sua terra. É indiscutível que seus direitos - derivados de textos inspirados em fontes divinas, do direito internacional e dos princípios básicos da justiça e da equidade - foram ignorados, assim como todas as tentativas de buscar uma reparação.

Os Acordos de Oslo de 1993, o primeiro pacto direto entre palestinos e israelenses, assinalaram um marco histórico. Na época, existiu um verdadeiro espírito de cooperação, expresso pelo desejo de israelenses e palestinos de viver juntos em paz. O assassinato de Yitzhak Rabin, em 1995, acabou tragicamente com essa esperança.

Em 1998, ficou evidente que a paz prefigurada em Oslo não se concretizaria. Cada uma das partes defende suas razões ao explicar o fracasso. Mas analisando as discussões parece que os israelenses usaram Oslo como justificativa para se apropriar de mais terras palestinas, principalmente ao redor de Jerusalém. Os negociadores israelenses discutiram obstinadamente os problemas secundários, recusando-se a negociar as questões relativas ao status final, a questão fundamental para uma paz duradoura e segura.

O mundo árabe apresentou duas propostas claras, o plano de paz de Fahd, de 1981, e a iniciativa de paz árabe de 2002. Ambos tinham o endosso de todas as nações árabes. O mundo árabe estava disposto a pagar um preço elevado pela paz, não apenas reconhecendo Israel como um Estado legítimo, como normalizando as relações e pondo um fim às hostilidades que existem desde 1948.

Em troca, pedia a Israel que seguisse o curso estabelecido pelas resoluções e pelas leis internacionais, retirando-se completamente dos territórios ocupados em 1967, o que inclui o lado leste de Jerusalém; aceitando uma solução justa do problema dos refugiados palestinos; e reconhecendo o Estado independente da Palestina, com Jerusalém Oriental como sua capital.

Se a paz for o verdadeiro objetivo, Israel deverá cessar toda provocação, como persistir na construção de assentamentos em território palestino, que constitui uma clara violação da lei internacional. Se não fizer isto, o mundo concluirá, como o ex-presidente Jimmy Carter, que Israel está interessado apenas em aumentar seu poder e sua posição de barganha.

Shimon Peres ofereceu-se para discutir a iniciativa de paz árabe a qualquer momento e nós aplaudimos sua resposta. Atualmente, o governo saudita não pode manter conversações diretas com Israel, portanto Egito e Jordânia foram autorizados a reunir-se com Israel em nome do mundo árabe. Assim que forem conseguidos acordos entre palestinos, Líbano, Síria e Israel, a Arábia Saudita se dedicará ao fim das hostilidades e ao estabelecimento de relações diplomáticas com Israel.

A paz exigirá esforços mundiais. Os EUA, a União Europeia, a Federação Russa e a ONU deverão abraçar as iniciativas árabes e pressionar Israel a fazer o mesmo. Depois de tomar posse, Obama não poderá perder a ocasião crucial para conduzir a região rumo à paz empreendendo uma política abrangente para tratar de todos os pontos críticos do Oriente Médio. Para tanto, deveria:

pedir a retirada imediata das forças israelenses das Fazendas de Sheba no Líbano. Isso acabaria com o arsenal da propaganda do Hezbollah e reduziria a interferência da Síria e do Irã no Líbano;

colaborar com o Conselho de Segurança da ONU para uma resolução que garanta a integridade territorial do Iraque. Isto esfriaria as ambições dos políticos iraquianos de desmembrar o país e os obrigaria a negociar uma reconciliação nacional, colocando os interesses iraquianos acima dos interesses de árabes, curdos, xiitas ou sunitas. Além disso acabaria com as ambições econômicas ou territoriais que os vizinhos podem estar avaliando;

encorajar negociações de paz sírio-israelenses, o que envolveria a Síria e reduziria a intervenção iraniana. Também obrigaria os grupos palestinos na Síria a seguir o exemplo sírio;

declarar a intenção dos EUA de trabalhar por um Oriente Médio sem armas de destruição em massa, com um sistema de segurança abrangente e outros incentivos para os países que o assinassem, e um regime de sanções para os que não o assinassem. Isso acabaria com a questão das duas normas usadas pelo governo iraniano para angariar apoio entre seu povo para sua política nuclear.

A estabilização da situação no Oriente Médio exigirá paciência, determinação, uma diplomacia firme e empatia. Mas o resultado desses esforços valerá a pena. Como disse a diplomata indiana Vijaya Laskshmi Nehru Pandit: “Quanto mais suamos pela paz, menos sangramos na guerra.”

*Turki al-Faisal é filho do falecido rei Faisal da Arábia Saudita e diretor do Centro Rei Faisal para Pesquisa e Estudos Islâmicos

04/01/2009 - 10:28h Para que termine a insanidade

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SAID MOURAD ESPECIAL PARA A FOLHA SP

Às vésperas de um Ano Novo, prenúncio de bons votos, o Oriente Médio mergulhou em nova onda de insanidade. Um ataque arrasador de Israel causou a morte de centenas de pessoas na faixa de Gaza. Inclusive crianças, mulheres e idosos.
Na verdade, esse ataque causou muito mais vítimas do que os mortos de Gaza. Para começar, ele atinge em cheio milhões de palestinos de Gaza, da Cisjordânia e da diáspora, junto com seus sonhos de levar uma vida normal, só isso, em seu próprio Estado.
O massacre atinge também todo o mundo árabe, solidário aos palestinos de Gaza, atacados apenas poucos meses depois de uma outra agressão israelense, daquela vez ao Líbano. Vítimas também são as centenas de milhões de muçulmanos, que sangram um pouco mais a cada morte na faixa de Gaza. Sem esquecer que os bombardeios israelenses acontecem pouco antes da posse de Barack Obama na Presidência dos Estados Unidos.
O recado de Israel a Obama parece claro: ou a Casa Branca freia o projeto nuclear do Irã, que tem sólidas ligações com o Hamas palestino, ou os israelenses podem fazer em território iraniano a mesma barbaridade que vêm cometendo contra Gaza. Pode parecer estranho, mas vítimas também do ataque são os próprios israelenses e os judeus de todo o mundo. Sim, porque, a propósito de combater o terror, Israel bombardeia os esforços de dirigentes palestinos favoráveis a uma paz duradoura no Oriente Médio.
Ninguém que defenda a coexistência pacífica entre árabes e israelenses pode ser favorável ao disparo de foguetes desde Gaza contra cidades de Israel.
Mas as dimensões gigantescas da reação israelense certamente farão com que vozes favoráveis à paz se sintam cada vez mais intimidadas.
A consequência é previsível.
Os palestinos e seus aliados irão usar todos os instrumentos ao seu alcance para resistir. E se vingar. É evidente que presenciaremos uma nova onda de violência também contra os israelenses. Muitas vezes, civis inocentes; tão inocentes como as dezenas de crianças, velhos e mulheres que morrem a cada dia na Gaza indefesa.
Mas por que digo que os judeus de todo o mundo também são vítimas dos bombardeios israelenses? Porque é compreensível que eles terminem sentindo efeitos compreensíveis (embora não aceitáveis) do ódio dos árabes e muçulmanos de todo o mundo.
Trata-se de um prato cheio para quem prega o rancor como método de ação política. O “ataque contra o terror” em Gaza certamente está fazendo com que os mestres terroristas esfreguem as mãos de contentamento: eles são os maiores aliados de Israel, ambos engajados em destruir qualquer possibilidade de paz no Oriente Médio.
Muita gente aqui nos trópicos talvez comente, com um certo desdém: “Eles que se matem. Não temos nada a ver com isso”. Temos -e muito.
Sou brasileiro, descendente de árabes, muçulmano, representante do povo paulista, torcedor do Corinthians e pai de uma menina recém-nascida. Orgulho-me da convivência pacífica construída por católicos, evangélicos, muçulmanos, judeus espíritas e umbandistas em meu país.
Mas temo que a intolerância reforçada pelo bárbaro ataque de Israel e a opressão ao povo palestino estimulem cada vez mais a intolerância. Uma intolerância que, cedo ou tarde, chegará até nós. O Brasil foi o único país latino-americano convidado a participar da Conferência de Annapolis, nos EUA, em 2007, que tentou retomar os esforços por uma paz duradoura no Oriente Médio. O presidente Lula tem feito grandes esforços para ampliar a presença brasileira no cenário geopolítico.
É fundamental que o Brasil, reconhecido pela tolerância e pelo equilíbrio, adote uma posição firme contra essa insanidade, condenando e agindo para frear a agressão israelense aos palestinos da faixa de Gaza. Muçulmanos, palestinos, israelenses e brasileiros de todas as origens agradecerão.

SAID MOURAD, engenheiro civil, é deputado estadual pelo PSC-SP

23/09/2008 - 16:10h Lula defende “regulação” na economia mundial, no seu discurso na ONU

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Agencia Estado

 

SÃO PAULO - Na abertura da 63ª Assembléia Geral das Organizações das Nações Unidas (ONU), em Nova York, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira, 23, citando o economista Celso Furtado, que a privatização dos lucros e a socialização das perdas é uma atitude “inadmissível”. Lula centrou seu discurso na crise financeira global. “A crise financeira é dura realidade. A euforia dos especuladores transformou-se em angústia dos povos, após a sucessão de naufrágios financeiros que ameaçam a economia mundial”, acrescentou.Em clara referência ao pacote de socorro implementado pelo governo norte-americano, o presidente observou que as “indispensáveis intervenções” realizadas pelo Estado mostram que “é chegada hora da política”. “Somente ação determinada dos governantes, em especial de países que estão no centro da crise, será capaz de combater a desordem que se instalou nas finanças internacionais, com efeitos perversos na vida cotidiana de milhões de pessoas”.

Leia abaixo a íntegra do discurso:

Discurso do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na abertura do debate geral da 63ª Assembléia Geral das Nações Unidas, Nova Iorque-EUA, 23 de setembro de 2008

Senhores e senhoras chefes de Estado e de Governo,

Senhor Miguel d’Escoto, presidente da Assembléia Geral das Nações Unidas,

Senhor Ban Ki-moon, secretário-geral das Nações Unidas,

Senhoras e senhores chefes de Delegação,

Saúdo, com alegria, o presidente da Assembléia Geral, meu ilustre amigo Miguel d’Escoto. Desejo-lhe pleno êxito em sua missão.

Esta Assembléia realiza-se em um momento particularmente grave. A crise financeira, cujos presságios vinham se avolumando, é hoje uma dura realidade. A euforia dos especuladores transformou-se em angústia dos povos após a sucessão de naufrágios financeiros que ameaçam a economia mundial.

As indispensáveis intervenções do Estado, contrariando os fundamentalistas do mercado, mostram que é chegada a hora da política. Somente a ação determinada dos governantes, em especial naqueles países que estão no centro da crise, será capaz de combater a desordem que se instalou nas finanças internacionais, com efeitos perversos na vida cotidiana de milhões de pessoas.

A ausência de regras favorece os aventureiros e oportunistas, em prejuízo das verdadeiras empresas e dos trabalhadores. É inadmissível, dizia o grande economista brasileiro Celso Furtado, que os lucros dos especuladores sejam sempre privatizados e suas perdas, invariavelmente socializadas.

O ônus da cobiça desenfreada de alguns não pode recair impunemente sobre os ombros de todos. A economia é séria demais para ficar nas mãos dos especuladores. A ética deve valer também na economia. Uma crise de tais proporções não será superada com medidas paliativas. São necessários mecanismos de prevenção e controle, e total transparência das atividades financeiras.

Os organismos econômicos supranacionais carecem de autoridade e de instrumentos práticos para coibir a anarquia especulativa. Devemos reconstruí-los em bases completamente novas. Dado o caráter global da crise, as soluções que venham a ser adotadas deverão ser também globais, tomadas em espaços multilaterais legítimos e confiáveis, sem imposições. Das Nações Unidas, máximo cenário multilateral, deve partir a convocação para uma resposta vigorosa às ameaças que pesam sobre nós.

Há outras questões igualmente graves no mundo de hoje. É o caso da crise alimentar, que ameaça mais de um bilhão de seres humanos; da crise energética, que se aprofunda a cada dia; dos riscos para o comércio mundial, se não chegarmos a um acordo na Rodada de Doha; e da avassaladora degradação ambiental, que está na origem de tantas calamidades naturais, golpeando sobretudo os mais pobres.

Senhor Presidente,

Senhoras e senhores,

O Muro de Berlim caiu. Sua queda foi entendida como a possibilidade de construir um mundo de paz, livre dos estigmas da Guerra Fria. Mas é triste constatar que outros muros foram se construindo, e com enorme velocidade. Muitos dos que pregam a livre circulação de mercadorias e capitais são os mesmos que impedem a livre circulação de homens e mulheres, com argumentos nacionalistas, e até fascistas, que nos fazem evocar, temerosos, tempos que pensávamos superados.

Um suposto “nacionalismo populista”, que alguns pretendem identificar e criticar no Sul do mundo, é praticado sem constrangimento em países ricos. As crises financeira, alimentar, energética, ambiental e migratória, para não falar das ameaças à paz em tantas regiões, demonstram que o sistema multilateral deve se adequar aos desafios do século XXI. Aos poucos vai sendo descartado o velho alinhamento conformista dos países do Sul aos centros tradicionais.

Essa nova atitude não conduz, no entanto, a uma postura de confrontação. Simplesmente pelo diálogo direto, sem intermediação das grandes potências, os países em desenvolvimento têm-se credenciado a cumprir um novo papel no desenho de um mundo multipolar. Basta citar iniciativas como o IBAS, o G-20, as cúpulas América do Sul-África ou América do Sul-Países Árabes e a articulação dos BRICs.

Está em curso a construção de uma nova geografia política, econômica e comercial no mundo. No passado, os navegantes miravam a estrela polar para “encontrar o Norte”, como se dizia. Hoje estamos procurando as soluções de nossos problemas contemplando as múltiplas dimensões de nosso Planeta. Nosso “norte” às vezes está no Sul.

Em meu continente, a Unasul, criada em maio deste ano, é o primeiro tratado - em 200 anos de vida independente - que congrega todos os países sul-americanos. Com essa nova união política vamos articular os países da região em termos de infra-estrutura, energia, políticas sociais, complementaridade produtiva, finanças e defesa.

Reunidos em Santiago do Chile há pouco mais de uma semana os presidentes da América do Sul, comprovamos a capacidade de resposta rápida e eficaz da Unasul frente a situações complexas, como a que vive a nação-irmã boliviana. Respaldamos seu governo legitimamente eleito, suas instituições democráticas e sua integridade territorial e fizemos um apelo ao diálogo como caminho para a paz e a prosperidade do povo boliviano.

Em dezembro, o Brasil irá sediar, na Bahia, uma inédita cúpula de toda a América Latina e do Caribe sobre integração e desenvolvimento. Será uma reunião de alto nível, sem qualquer tutela, assentada em uma perspectiva própria latino-americana e caribenha.

Todos esses esforços no plano multilateral são complementados por meio de ações de solidariedade de meu país para com nações mais pobres, especialmente na África. Quero também enfatizar nosso compromisso com o Haiti, país em que exercemos o comando das tropas da Minustah e ajudamos a restabelecer a paz. Renovo meu chamamento à solidariedade dos países desenvolvidos com o Haiti, muito prometida e pouco cumprida.

Senhor Presidente,

A força dos valores deve prevalecer sobre o valor da força. É preciso que haja instrumentos legítimos e eficazes de garantia da segurança coletiva.

As Nações Unidas discutem há quinze anos a reforma do Conselho de Segurança. A estrutura vigente, congelada há seis décadas, responde cada vez menos aos desafios do mundo contemporâneo. Sua representação distorcida é um obstáculo ao mundo multilateral que todos nós almejamos. Considero, nesse sentido, muito auspiciosa a decisão da Assembléia Geral de iniciar prontamente negociações relativas à reforma do Conselho de Segurança.

O multilateralismo deve guiar-nos também na solução dos complexos problemas ligados ao aquecimento global, com base no princípio de responsabilidades comuns, porém diferenciadas. O Brasil não tem fugido a suas responsabilidades. Nossa matriz energética é crescentemente limpa.

As crises alimentar e energética estão profundamente entrelaçadas. Na inflação dos alimentos estão presentes - ao lado de fatores climáticos e da especulação com as commodities agrícolas - os aumentos consideráveis do petróleo, que incidem pesadamente sobre o custo de fertilizantes e transporte.

A tentativa de associar a alta dos alimentos à difusão dos biocombustíveis não resiste à análise objetiva da realidade. A experiência brasileira comprova - o que poderá valer também para outros países com características semelhantes - que o etanol de cana-de-açúcar e a produção de biodiesel diminuem a dependência de combustíveis fósseis, criam empregos, regeneram terras deterioradas e são plenamente compatíveis com a expansão da produção de alimentos. Queremos aprofundar esse debate, em todos os seus aspectos, na Conferência Mundial sobre biocombustíveis que convocamos para novembro, na cidade de São Paulo.

Minha obsessão com o problema da fome explica o empenho que tenho tido, junto a outros líderes mundiais, para chegar a uma conclusão positiva da Rodada de Doha. Continuamos insistindo em um acordo que reduza os escandalosos subsídios agrícolas dos países ricos. O êxito da Rodada de Doha terá impacto muito positivo na produção de alimentos, sobretudo nos países pobres e em desenvolvimento.

Senhor Presidente,

Há quatro anos, junto com vários líderes mundiais, lancei aqui em Nova Iorque a Ação contra a Fome e a Pobreza. Nossa proposta era, e continua sendo, a de adotar mecanismos inovadores de financiamento. A Unitaid, Central de Compra de Medicamentos, é um primeiro resultado dessa iniciativa, ajudando a combater Aids, tuberculose e malária em vários países da África. Mas não basta. Precisamos avançar, e muito, se queremos que a Humanidade cumpra efetivamente as Metas do Milênio.

Em dezembro serão comemorados os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que não pode ser objeto de uma homenagem meramente protocolar. Ela traduz compromissos inalienáveis, que nos interpelam a todos. Como governantes, mais do que a defesa retórica da Declaração, somos chamados a lutar para que os valores proclamados há seis décadas se transformem em realidade em cada país e em todo o mundo.

Senhor Presidente,

O Brasil de hoje é muito distinto daquele de 2003, ano em que assumi a Presidência do meu país e em que, pela primeira vez, compareci a esta Assembléia Geral. Governo e sociedade deram passos decisivos para transformar a vida dos brasileiros. Criamos quase 10 milhões de empregos formais. Distribuímos renda e riqueza. Melhoramos os serviços públicos. Tiramos 9 milhões de pessoas da miséria e outras 20 milhões ascenderam à classe média. Tudo isso em um ambiente de forte crescimento, estabilidade econômica, redução da vulnerabilidade externa e, o que é mais importante, fortalecimento da democracia, com intensa participação popular.

No ano em que celebramos o centenário do grande brasileiro Josué de Castro, o primeiro diretor-geral da FAO e um dos pioneiros da reflexão sobre o problema da fome no mundo, vale a pena recordar sua advertência: “Não é mais possível deixar-se impunemente uma região sofrendo de fome, sem que o mundo inteiro venha a sofrer as suas conseqüências.” Tenho orgulho de dizer que o Brasil está vencendo a fome e a pobreza.

Senhor Presidente,

Reitero o otimismo que expressei aqui há cinco anos. Somos muito maiores do que as crises que nos ameaçam. Dispomos de sentimento, razão e vontade para vencer qualquer adversidade. Esse, mais do que nunca, é o espírito dos brasileiros.

Muito obrigado.

26/07/2008 - 18:13h “Sonho que os israelenses e os palestinos tenham a coragem de enfrentar o passado”

Após uma introdução dos jornalistas do Le Monde, um texto de Daniel Barenboim sobre sua vida, sua família, sua luta e sua visão sobre o que o obsede: o conflito israelo-palestino. Um texto cheio de humanidade e de paixão. Uma aspiração profunda ao entendimento, em favor da paz e um conhecimento apurado da historia. Pena que este texto não esteja em português. Mas para os leitores da língua de Molière, uma oportunidade imperdível de tocar a alma de um grande homem, que é também um grande maestro. LF

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Raphaëlle Bacqué et Annick Cojean - Le Monde

Zoom

Permission nous avait été donnée de nous glisser furtivement, en cet après-midi de juin, dans la vaste salle obscure de la Scala de Milan, où Daniel Barenboim, penché sur un pupitre faiblement éclairé, dirigeait une répétition du Joueur, l’opéra de Prokofiev. Il était concentré, le regard suivant alternativement ses partitions, l’orchestre dans la fosse et la scène où de jeunes chanteurs évoluaient dans un décor étrangement moderne. Soudain, l’air contrarié, il laissa échapper quelques mots en russe. Il interrompit la musique pour interpeller le chanteur, cette fois en anglais. Au moment de reprendre, il interrogea la régie, en français, pour savoir si la scène avait un bon retour du son ; il fit, en allemand, quelques remarques à un assistant ; et il donna à ses musiciens des indications… en italien.

On ne lui a pas demandé, ensuite, en quelle langue il rêvait. En espagnol, sa langue natale, puisqu’il est né en Argentine ? En hébreu, celle du pays qui accueillit très tôt sa famille, occupe son coeur, obsède son esprit ? C’est en tout cas dans un français parfait que le maestro exprima son rêve de paix entre les peuples israélien et palestinien. Un rêve qui est aussi un engagement ancien, profond, renouvelé, comme le prouve l’orchestre arabo-israélien qu’il a créé et qui se produit à Paris le 25 août. Comme le montre aussi ce passeport palestinien qu’il a reçu il y a peu, et dont il se dit immensément fier.

barenboim3.jpgDaniel Barenboim : “Je rêve qu’Israéliens et Palestiniens aient le courage d’affronter le passé”

Il n’y a pas de jour sans que je ne réfléchisse au conflit israélo-palestinien. Et il n’y a pas de jour sans qu’il me fasse souffrir. Tout ce que je fais est inspiré de cette souffrance, de cette blessure que le temps ne fait qu’augmenter.

Que je dirige à Berlin, que je fonde l’orchestre Divan, composé d’Israéliens et d’Arabes, ou que je donne, comme récemment à Jérusalem, un concert à destination de nos deux peuples. Ce conflit me ronge, m’obsède. Avoir serré, enfant, les mains de David Ben Gourion ou de Moshe Dayan ne m’a guère converti à la politique. Je considère que politiques et militaires n’ont fait qu’envenimer le conflit. Un conflit dont les racines sont profondément et uniquement humaines. C’est pour cela que je me sens qualifié pour évoquer le sujet. Cela fait si longtemps que je rêve à la “solution”.

(more…)

16/05/2008 - 12:52h Rancor por ‘60 anos de opressão’

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Paz - Shalom - Salam

Gilles Lapouge* - O Estado de São Paulo

Israel celebra seu 60º aniversário de fundação. Festas iluminam o país. Personalidades estrangeiras, entre elas o presidente George W. Bush, participam das comemorações. E os palestinos? Para os israelenses, a data é gloriosa. Para os palestinos é de luto, é o “dia da catástrofe”, ou “nakba. Já vimos algum dia um povo celebrar a sua “catástrofe”? O rancor palestino é total.

Até mesmo o moderado e indulgente presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, declarou em Ramallah que não receberia nenhuma delegação. E o premiê palestino, Salam Fayad, também mostrou seu mau humor: “Como vocês podem celebrar esta data enquanto o povo palestino padece sob o jugo de suas colônias e suas ações”, perguntou aos israelenses.

Por toda a parte é o furor. E uma rajada de críticas: a nakba começou em 1948, com a destruição de 400 povoados e o exílio de 760 mil palestinos expulsos de suas terras, enquanto 160 mil ficaram em Israel e se consideram cidadãos de “segunda classe”. Os palestinos forçados ao exílio tornaram-se 5 milhões. Israel proíbe seu retorno a um território que considera seu. Os que permaneceram em Israel, dizem-se vítimas de um apartheid. Mesmo a Corte Suprema de Israel reconheceu que eles eram discriminados.

Quando olhamos para os dois territórios palestinos, a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, o quadro é ainda mais terrível. O famoso muro, erguido em 2000, foi sentido pelos palestinos como uma camisa-de-força mortífera com o fim de privá-los de seus campos e poços, para sufocá-los lentamente, matá-los sem muito ruído. Para eles, o objetivo do muro é tornar impossível o retorno dos palestinos às terras das quais foram espoliados.

A isso tudo se juntam os tiroteios, os foguetes, às vezes as bombas. Na quarta-feira, quatro palestinos foram mortos em Gaza. Desde o início das negociações de paz projetadas por Bush em novembro, 467 palestinos foram mortos (bem entendido, a essas acusações os israelenses replicam que foram os palestinos que começaram. Mas hoje fazemos eco das palavras dos palestinos, e não dos israelenses).

Os palestinos são vítimas de uma perseguição similar àquela sofrida pelos judeus nos tempos infames de Hitler. Gaza é “um campo de concentração”. O bloqueio paralisa a região. A vida ali é desumana. Para os palestinos, trata-se de um holocausto cometido pelos antigos mártires judeus.

O estranho é que essas acusações também são feitas por judeus europeus. Em Londres, cem personalidades judaicas assinaram um texto, publicado no jornal The Guardian, em que afirmam: “Nós não celebraremos o aniversário de um Estado criado tendo como base o terrorismo, os massacres e a espoliação das terras de outras pessoas. Um Estado que procede à limpeza étnica e inflige uma monstruosa punição coletiva à população civil de Gaza. É tempo de reconhecer o preço pago por um outro povo pelo anti-semitismo europeu e o genocídio hitlerista.”

* Gilles Lapouge é correspondente em Paris

23/04/2008 - 09:53h Governo já fala em mudar tarifa

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Celso Amorim diz que país não deve ser imperialista com Paraguai, mas Lobão discorda de aumento

Soraya Aggege*, Ricardo Galhardo*, Mônica Tavares e Chico de Gois - O Globo

ACRA, ASSUNÇÃO e BRASÍLIA.

O ministro do Exterior, Celso Amorim, esclareceu ontem em Gana, na África, que o governo brasileiro não modificará o tratado de Itaipu, mas poderá negociar alterações nas tarifas da energia elétrica excedente repassada ao país pelo Paraguai, pelas brechas do próprio tratado. Um dia depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter dito que o tratado — que estipula o preço destinado à dívida do Paraguai pela construção da usina e o que é diretamente entregue ao país — não será renegociado, o chanceler declarou que o Brasil precisa ser “generoso”, e não “imperialista”, na sua relação com seus vizinhos.

Uma possível negociação com o Paraguai, com aumento da tarifa para o Brasil, foi tema de uma reunião da coordenação política do governo ontem, com a presença do presidente Lula. Essa possibilidade, no entanto, enfrenta resistência dentro do próprio governo, como no Ministério de Minas e Energia.

Amorim considera que as negociações com o Paraguai não prejudicarão os interesses nacionais, mas podem manter a paz na América do Sul: — Passamos da era de pensar: “Somos grandes e o resto da América do Sul que se adapte a nós.” Não podemos ser assim. O presidente Lula sabe que não pode ser assim. Temos que ter uma visão generosa. E quando falamos em generosidade, não é só ser bonzinho. Generosidade é também ver seu próprio interesse de longo prazo, que é o de uma região pacífica. O Brasil não quer ser visto como um país imperialista, que só quer tirar vantagem. Quer o progresso do conjunto.

Lugo reafirma que preço é injusto

Segundo o chanceler, não houve contradição entre suas declarações e as do presidente.
— Na verdade, nós declaramos a mesma coisa, com palavras diferentes.
Às vezes, a gente diz (o mesmo) com outras palavras. Mas a maneira como acabou publicado dá a impressão de que são duas linhas diferentes.
Eu acho que conversar a gente deve, para entender qual é o problema do outro. O fato é que o tratado não pode ser mudado — disse o ministro do Exterior ontem, em Acra, onde participa da 12ª Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad).
A questão está sendo analisada pelo governo brasileiro, que não descarta sequer um pequeno reajuste da tarifa paga pelo país ao Paraguai.
Isso foi discutido ontem numa reunião da coordenação política.

A postura, porém, não agrada a setores do governo. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou ontem que o preço da energia pago pelo Brasil ao Paraguai é justo e que uma elevação de tarifa não está, hoje, nos horizontes brasileiros. Segundo ele, a energia produzida por Itaipu custa cerca de US$ 46 (R$ 77 em valores de ontem) o megawatt (MW), “mais ou menos” o valor da energia a ser produzida pela hidrelétrica de Santo Antonio, no rio Madeira, que foi licitada no final do ano passada com preço de R$ 78 o MW.

— O que o Paraguai tem falado é uma revisão de tarifas, achando que a que se pratica não é justa. E posso dizer que esta é uma tarifa justa. É a tarifa que se pratica no mercado brasileiro.
O ministro Celso Amorim entende que o preço deve ser um preço justo.
E o preço é justo — afirmou o ministro, apontado nos bastidores como um defensor dos critérios puramente técnicos na negociação.

Segundo Lobão, se o Paraguai tiver reivindicações a fazer, o governo brasileiro poderá examinar, “com todo o cuidado como sempre fizemos”. Mas o ministro afirmou que o Brasil já faz muitas concessões ao Paraguai. Em 2007 o vizinho vendeu toda a energia a que tinha direito ao Brasil — e não apenas os 95% tradicionais — a US$ 45 e usou para consumo próprio o que Itaipu gerou a mais do que o previsto pela metade do preço. Ganhou US$ 100 milhões com esta operação.

O presidente eleito do Paraguai, Fernando Lugo, reafirmou ontem que não abre mão da revisão do preço da energia comprada do país, mas se mostrou disposto ao diálogo com o Brasil sobre o tema: — Consideramos o tratado injusto.
Independentemente de não podermos renegociar o tratado em si, porque teria que haver vontade de ambas as partes, cremos que o preço da energia tem que ser um preço justo.
A proposta de Lugo é criar uma comissão técnica binacional para debater o tema. Ontem ele revelou que pretende indicar os representantes na segunda semana de governo.
— Seguramente começaremos na segunda semana depois da posse (em 15 de agosto), indicando as equipes técnicas para podermos iniciar as conversas — afirmou.

Reunião de líderes antes da posse

Embora não abra mão de reajustar os preços e de cobrar uma relação “racional”, Lugo se mostrou disposto ao diálogo e a rejeitar a possibilidade de medidas radicais.
— Ninguém pode se negar a manter relações justas, equitativas, no marco da racionalidade. É o que pedimos aos nossos irmãos dos países vizinhos. O próprio presidente Lula nos disse que inclusive os técnicos não concordam sobre os números (de Itaipu).

Lula e Lugo devem se encontrar antes da posse do presidente eleito do Paraguai. aO presidente brasileiro foi convidado ontem por Lugo para a posse. Lula ainda não confirmou se comparecerá, mas disse a Lugo que pretende conversar com o paraguaio antes de ele assumir o governo.

14/06/2007 - 13:15h Give Peace a Number

Time Magazine

The U.S. is one of the world’s least peaceful countries, according to the Global Peace Index, a new gauge from the Economist Intelligence Unit, which ranks countries based on peacefulness, both domestically and abroad. Using 24 indicators, including the number of soldiers killed overseas, the level of violent domestic crimes and relations with neighboring countries, the rankings show how poorly the U.S. and Russia score compared with other members of the Group of Eight (in red).

1 NORWAY

2 NEW ZEALAND

3 DENMARK

4 IRELAND

5 JAPAN

6 FINLAND

7 SWEDEN

8 CANADA

9 PORTUGAL

10 AUSTRIA

11 BELGIUM

12 GERMANY

13 CZECH REPUBLIC

14 SWITZERLAND

15 SLOVENIA

16 CHILE

17 SLOVAKIA

18 HUNGARY

19 BHUTAN

20 THE NETHERLANDS

21 SPAIN

22 OMAN

23 HONG KONG

24 URUGUAY

25 AUSTRALIA

26 ROMANIA

27 POLAND

28 ESTONIA

29 SINGAPORE

30 QATAR

31 COSTA RICA

32 SOUTH KOREA

33 ITALY

34 FRANCE

35 VIETNAM

36 TAIWAN

37 MALAYSIA

38 UNITED ARAB EMIRATES

39 TUNISIA

40 GHANA

41 MADAGASCAR

42 BOTSWANA

43 LITHUANIA

44 GREECE

45 PANAMA

46 KUWAIT

47 LATVIA

48 MOROCCO

49 BRITAIN

50 MOZAMBIQUE

51 CYPRUS

52 ARGENTINA

53 ZAMBIA

54 BULGARIA

55 PARAGUAY

56 GABON

57 TANZANIA

58 LIBYA

59 CUBA

60 CHINA

61 KAZAKHSTAN

62 BAHRAIN

63 JORDAN

64 NAMIBIA

65 SENEGAL

66 NICARAGUA

67 CROATIA

68 MALAWI

69 BOLIVIA

70 PERU

71 EQUATORIAL GUINEA

72 MOLDOVA

73 EGYPT

74 DOMINICAN REPUBLIC

75 BOSNIA AND HERZEGOVINA

76 CAMEROON

77 SYRIA

78 INDONESIA

79 MEXICO

80 UKRAINE

81 JAMAICA

82 MACEDONIA

83 BRAZIL

84 SERBIA

85 CAMBODIA

86 BANGLADESH

87 ECUADOR

88 PAPUA NEW GUINEA

89 EL SALVADOR

90 SAUDI ARABIA

91 KENYA

92 TURKEY

93 GUATEMALA

94 TRINIDAD AND TOBAGO

95 YEMEN

96 U.S.

97 IRAN

98 HONDURAS

99 SOUTH AFRICA

100 THE PHILIPPINES

101 AZERBAIJAN

102 VENEZUELA

103 ETHIOPIA

104 UGANDA

105 THAILAND

106 ZIMBABWE

107 ALGERIA

108 MYANMAR

109 INDIA

110 UZBEKISTAN

111 SRI LANKA

112 ANGOLA

113 IVORY COAST

114 LEBANON

115 PAKISTAN

116 COLOMBIA

117 NIGERIA

118 RUSSIA

119 ISRAEL

120 SUDAN

121 IRAQ

CRIME

Life at the Extremes

Driven by a big jump in robberies, violent crime in the U.S. edged up 1.3% last year, according to preliminary FBI data. Only in the Northeast did the crime rate hold steady. Violent crimes per 1,000 people (cities with a population of at least 100,000) [This article contains a complex diagram and map. Please see hardcopy of magazine.]