10/02/2009 - 14:24h É hora de romper o círculo vicioso

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Amos Oz, International Herald Tribune* – O Estado SP

Ehud Olmert, premiê israelense, declarou que Israel dará uma resposta “desproporcional” a qualquer novo ataque do Hamas contra seus civis. Acho que uma resposta desproporcional é uma resposta imoral. Uma punição desproporcional é uma punição imoral.

Essa desproporcionalidade fortaleceria os candidatos extremistas nas eleições israelenses e atenderia aos objetivos dos fanáticos na Faixa de Gaza e no mundo árabe.

Operações militares desproporcionais nada mais são do que vingança. E vingança nada mais é do que a satisfação de instintos primitivos básicos.

Vejo o Hamas como um bando de criminosos que, há muito tempo, direciona sua ação contra civis israelenses. Nos últimos anos, nada menos do que 10.000 foguetes foram lançados pelo grupo contra cidades e povoados dentro de Israel.

O Hamas também é um bando de criminosos porque usa civis palestinos como escudos humanos e porque, cinicamente, esconde-se atrás de mulheres e crianças.

Mas matar mais civis palestinos não vai levar a nada, já que os radicais islâmicos não se importam absolutamente com essas mortes.

Como o líder do grupo na Síria, Khaled Meshal, disse recentemente, “a atual geração de palestinos pode ser sacrificada”.

A única resposta eficaz é um ataque bem calculado, proporcional, contra os criminosos do Hamas, que tente ao máximo poupar a vida de palestinos inocentes. O Egito está intermediando um cessar-fogo e Israel tem de dar uma chance a essa mediação.

Não devemos nos esquecer que o maior revés para o Hamas seria um eventual acordo de paz entre o governo de Israel e a Autoridade Palestina do presidente Mahmud Abbas. Um acerto desse tipo entre palestinos e israelenses é possível – e talvez até mesmo iminente.

* Amos Oz é escritor israelense

01/02/2009 - 12:28h ”Solução de dois Estados só depende de Israel”

http://www.chinadaily.com.cn/world/2007-05/21/xin_18050421084960260554.jpghttp://arrastao.org/ficheiros/800px-israel_and_palestine_peace.png

Jimmy Carter: ex-presidente americano; segundo Carter, medida não foi adotada até agora porque israelenses rejeitam se retirar da Cisjordânia

 

Reza Aslan, Global Viewpoint – O Estado SP

 


O ex-presidente dos EUA Jimmy Carter debate as perspectivas para uma solução de dois Estados para a crise palestino-israelense, bem como a política externa americana diante do Irã.

Segundo os argumentos do seu novo livro, “Podemos chegar à paz na Terra Santa: Um plano que vai funcionar”, a imensa maioria dos israelenses e palestinos já aceita os parâmetros de uma solução de dois Estados. Então por que a solução de dois Estados ainda parece tão longe de se tornar realidade?

Até o momento isso se deveu ao fato de os israelenses não estarem dispostos a dar um passo fundamental, que é a retirada da Cisjordânia. Isso é central para a solução do conflito, e Israel não apenas continuou a aumentar o número de assentamentos no território como também construiu uma muralha na área palestina da Cisjordânia. Se os israelenses aceitarem a solução, terão de se retirar da Cisjordânia e eles ainda não demonstraram disposição em fazê-lo.

Parece que durante cerca de 40 anos o status quo beneficiou Israel. Mas agora parece que ocorreu uma virada, em termos demográficos. Não falta muito tempo para que haja mais árabes do que judeus entre o Mediterrâneo e o Rio Jordão. Esta não é a verdadeira ameaça à existência de Israel?

Exato. Logo haverá uma maioria árabe naquele território de um único Estado, o que significa que Israel terá apenas três opções completamente inaceitáveis. Uma delas é o que se pode chamar de limpeza étnica, coisa que ninguém deseja, e isto significa obrigar os palestinos a deixar o território. A segunda opção seria ter um país dentro do qual houvesse duas classes de cidadãos: uma delas seria composta pelos judeus, que teriam direito ao voto; a outra seria formada pelos árabes sem direito ao voto. E isso seria equivalente ao apartheid sul-africano.

A terceira e última opção é deixar que os árabes detenham a maioria dos votos, e com alguma divisão entre os judeus, e os árabes votando em bloco, eles controlariam todo o governo e não haveria mais um Estado judaico. Estas são as opções, excluída a solução de dois Estados.

Parece que a opinião pública e a mídia americanas estão mais dispostas a criticar Israel após a guerra em Gaza.

As pesquisas mostram que isso é verdade. Acho que veremos grandes mudanças, e a demonstração mais concreta é a eleição de Barack Obama. Desde sua primeira semana na presidência, ficou claro que a paz no Oriente Médio será uma de suas prioridades. E o enviado especial escolhido por ele, George Mitchell, é muito mais qualificado do que muitos de seus predecessores.

A maioria dos israelenses está disposta a abrir mão da Cisjordânia em troca da paz, e os palestinos desejam a mesma coisa. A poderosa voz do presidente dos EUA terá um imenso impacto sobre a opinião pública, não somente no seu país, mas também nos territórios palestinos e em Israel.

Qual seria a principal lição que o presidente deveria aprender a partir da sua experiência nas tentativas de encerrar o conflito no Oriente Médio?

Os EUA precisam desempenhar um papel forte desde os primeiros momentos de seu governo, sendo enfáticos nos esforços para conduzir as negociações até a sua conclusão. É necessário agir logo, demonstrar comprometimento profundo e ser persistente.

Este processo começa com o reconhecimento do papel desempenhado pelo Hamas nas negociações?

Ainda é cedo para isto. O Hamas se comprometeu a aceitar qualquer acordo negociado com Israel, desde que seja submetido ao povo palestino em um plebiscito, ou se for eleito um governo de unidade e os representantes do governo aprovarem o acordo. Este é um importante passo a ser dado quando chegar o momento nas negociações com o Hamas.

Talvez agora tenhamos a oportunidade de reconsiderar os últimos 30 anos de política externa americana em relação ao Irã. Que conselho daria a Obama a respeito do melhor modo de tentar uma aproximação com o Irã?

Ele já prometeu, antes e depois de ser eleito presidente, que abrirá todas as formas de comunicação com o Irã. Se você descartar o presidente Mahmud Ahmadinejad e se aproximar de membros mais responsáveis do governo do Irã, penso que, quando Obama enviar alguém para explorar as possibilidades de negociação, acho que essa pessoa será bem recebida. Meu conselho para Obama é simplesmente fazer o que prometeu que faria: abrir um canal de comunicações com o Irã.

O senhor é otimista com relação à situação no Irã e no Oriente Médio daqui a oito anos?

Sim, comparando com as circunstâncias atuais, de onde partimos. O melhor meio de restringir os movimentos potenciais do Irã para aumentar sua capacidade nuclear é conseguir a paz entre israelenses e palestinos, acabar com a guerra oficial entre Israel e Síria, Israel e Líbano. Acho que isso eliminaria, e muito, a ameaça da qual os iranianos sentem que precisam se defender. E de uma maneira mais geral, debilitaria a influência de Teerã e seu prestígio, que cresceu por causa da guerra do Iraque. Assim, o fim da guerra no Iraque e a paz no Oriente Médio seriam duas coisas que colocariam o Irã de volta a uma posição em que sua influência negativa em prol do terrorismo diminuiria, e o país sentiria menos necessidade de ter armas nucleares para se defender.

28/01/2009 - 12:53h Dia Internacional em memória das vitimas do Holocausto

Discurso do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante solenidade do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto
São Paulo-SP, 27 de janeiro de 2009

 Foto Ricardo Stuckert / PR
Presidente Lula participa de cerimônia do Dia Internacional de Lembrança das Vítimas do Holocausto _(São Paulo, SP, 27/01/2009) _Foto: Ricardo Stuckert/PR

Meus amigos e minhas amigas,

Agradeço o convite para participar, pelo quarto ano consecutivo, do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto. Eu posso dizer que me sinto pessoalmente envolvido com a instituição desta data. Em agosto de 2004, recebi de uma comitiva do Congresso Judaico Mundial e de líderes comunitários brasileiros – certamente alguns deles estão aqui presentes – uma petição à ONU solicitando medidas mais concretas na luta contra o anti-semitismo. Assinei de imediato o documento, afinal, o Estado brasileiro foi co-patrocinador de diversas resoluções da ONU afirmando a importância de rememorar aquela tragédia. Mais tarde, eu soube que o Brasil foi o primeiro país a subscrever aquela petição. Soube também que ela serviu de base para consagrar 27 de janeiro como o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto.
Hoje, como em todos os dias, devemos nos empenhar na luta da memória contra o esquecimento. É preciso manter viva a lembrança, para que nunca mais se repita o assassinato em massa, o genocídio como ideologia e a limpeza étnica como razão de Estado.
O regime nazista promoveu a mutilação espiritual, a humilhação moral, a ruína material e a eliminação física de milhões de homens, mulheres e crianças. Vitimou judeus, comunistas, homossexuais, negros, ciganos, testemunhas de Jeová e todos que considerou inferiores na raça, no credo e na cor. O holocausto marcou o auge da crueldade humana e configurou o maior episódio de violência e covardia de nossa história, um episódio que não deveria ter ocorrido e que não pode nunca mais voltar a ocorrer.
É certo que a intolerância e a xenofobia ainda não foram totalmente extintas. No entanto, em todo o mundo a sociedade vem dando importantes passos na superação dos preconceitos. Um grande exemplo acaba de se concretizar nos Estados Unidos. Lá, há poucas décadas, negros e brancos não tinham os mesmos direitos. E hoje, pela primeira vez, um negro é presidente dos Estados Unidos. O combate ao ódio e à discriminação já não é um grito isolado, mas integra o ideário das sociedades dos mais diferentes países.
Minhas amigas e meus amigos,
Ao participar deste evento, ano após ano, busco demonstrar o profundo respeito que eu e todo o governo nutrimos pelas comunidades que compõem a grande nação brasileira. Eu me orgulho de ser presidente de um país marcado pela diversidade, onde a tolerância garante o respeito mútuo a todos. Temos uma legislação clara e rigorosa no que se refere a todas as formas de intolerância. Somos uma das poucas democracias do mundo, talvez a única, em que a Constituição garante que para crime de racismo não deve existir nem fiança, nem prescrição.
O Brasil não aceita discriminação. Judeus e árabes, sejam religiosos ou não, convivem pacífica e harmoniosamente em nossas cidades, dividem espaços e compartilham a construção e o desenvolvimento do Brasil. Por isso, o conflito entre Israel e Palestina, no Oriente Médio, atinge os corações e as mentes de todos, e nos obriga a evitar que o ódio contamine o nosso país. Mais do que tudo, o Brasil pode se valer dessa convivência pacífica para colaborar para a construção da paz.
Minhas amigas e meus amigos,
A diplomacia brasileira tem uma larga tradição de atuar de forma conciliatória na solução de conflitos, e no que se refere aos povos israelense e palestino, nosso Estado vem ao longo de seis décadas ratificando as resoluções internacionais que têm por objetivo garantir a coexistência pacífica e segura de dois Estados soberanos. Esse tem sido o sentido de todas as nossas manifestações, pois só assim alcançaremos a paz naquela região. Eu tenho me esforçado pessoalmente para impedir que o ódio mútuo, acumulado ao longo de décadas, acabe sufocando ainda mais as alternativas de paz.
Como vocês sabem, recentemente determinei ao chanceler Celso Amorim que viajasse à região com o objetivo de apoiar os esforços para o cessar-fogo, o alívio da situação humanitária e o estabelecimento de uma paz reguladora. Na ocasião, a diplomacia brasileira reiterou às autoridades sírias, israelenses, palestinas, jordanianas e egípcias, a necessidade de se evitar mais mortes e sofrimento na população civil de ambos os lados.
Lembramos às partes envolvidas que há outros atores interessados em agir a favor de um entendimento, e a paz só tem a ganhar com a participação de países como o Brasil. Todos sabem que o Brasil não está interessado nos resultados políticos e nos dividendos econômicos que podem ser obtidos na região. Nosso interesse exclusivo é o de contribuir para a paz duradoura e definitiva na região.
O Brasil tem condições e credenciais para participar, junto com outros países, de iniciativas que conduzam a um consenso para superar a violência e a irracionalidade. Por isso mesmo, apoiamos a realização de uma conferência internacional em seguimento à reunião de Annapolis, ocorrida em novembro de 2007, como um passo importante para o restabelecimento da paz na região, com base no reconhecimento do direito de constituição do Estado palestino viável, e da existência de Israel em condições de segurança e de soberania. O Brasil não aceita a escalada da violência como solução para os conflitos.
Lamentamos profundamente a morte de civis, mulheres e crianças. Conclamamos o pronto estabelecimento das condições que permitam a plena retomada da assistência humanitária à população de Gaza e a tranquilidade para a população de Israel. Guardo uma profunda esperança na construção do diálogo e continuarei empenhado para que, o mais rápido possível, aquela região viva uma trégua consistente que seja prenúncio de uma paz duradoura.
Minhas amigas e meus amigos,
Que este Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto ajude a todos os homens e mulheres a se recordarem das iniquidades que tanto macularam a trajetória da Humanidade. Que ele fale à consciência coletiva sobre a necessidade de se reparar os danos sofridos no passado, de se interromper as injustiças do presente e de se evitar tragédias no futuro.
Espero, sobretudo, que este dia nos convide a olhar para as novas gerações, que não podem ser hostilizadas pelos erros cometidos por seus antepassados. Devemos garantir que as crianças e jovens se desenvolvam em um ambiente onde a desconfiança mútua seja substituída pelo preceito bíblico, quando diz: “Ama teu próximo como a ti mesmo”.
Shalom. Muito obrigado.

23/01/2009 - 20:27h Os dois povos devem viver juntos

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Muamar Kadafi*, The New York Times – O Estado de São Paulo


A chocante intensidade da última onda de violência entre israelenses e palestinos nos impele a considerar a extrema urgência de uma solução final para a crise do Oriente Médio. É vital não apenas romper este ciclo de destruição e injustiça, mas também negar aos radicais religiosos que se alimentam do conflito uma desculpa para promover suas próprias causas.

Mas para onde quer que olhemos, entre os discursos e as iniciativas da diplomacia, não há um caminho concreto para um avanço. Uma paz justa e duradoura entre Israel e palestinos é possível, mas deve ser procurada na história do povo dessa terra em constante conflito, e não na desgastada retórica das soluções que apontam para a criação de dois Estados.

Embora seja difícil de perceber, depois dos horrores que acabamos de testemunhar, entre judeus e palestinos nem sempre existiu um estado de guerra. Na realidade, muitas das rupturas ocorridas entre os dois povos são recentes. O próprio nome “Palestina” era usado comumente para definir toda a região, até mesmo pelos judeus que viviam ali, até 1948, quando começou a ser usado o nome “Israel”.

Judeus e muçulmanos são primos e descendem de Abraão. Ao longo dos séculos, ambos sofreram cruéis perseguições e, muitas vezes, se ajudaram mutuamente. Os árabes ofereceram guarida aos judeus e os protegeram quando estes sofriam sob o governo de Roma e quando foram expulsos da Espanha, na Idade Média.

A história da região é marcada por governos transmitidos entre tribos, nações e grupos étnicos, que resistiram a muitas guerras e a ondas migratórias de povos vindos de todas as direções. É por isso que a questão se torna tão complicada quando uma das partes reivindica o direito de ser dona dessa terra.

O cerne do moderno Estado de Israel é a inegável perseguição ao povo judeu, que foi escravizado, massacrado, perseguido por egípcios, romanos, ingleses, babilônios, cananeus e, mais recentemente, pelos nazistas. O povo judeu merece uma pátria, mas os palestinos também têm uma história de perseguições e consideram as cidades de Haifa, Acra, Jafa como a terra de seus ancestrais, transmitida de geração em geração, até pouco tempo atrás.

Portanto, os palestinos acreditam que o que agora se chama Israel é parte de sua nação, mesmo que fiquem com Cisjordânia e Gaza. E os judeus acreditam que a Cisjordânia é a Samaria e a Judeia, parte da sua pátria, mesmo que ali venha a estabelecer-se um Estado palestino.

Com o cessar-fogo em Gaza ressurgiram os apelos para uma solução de dois Estados, que nunca funcionará. Essa solução criará uma ameaça para a segurança de Israel. Um Estado árabe armado na Cisjordânia daria a Israel menos de 16 quilômetros de profundidade estratégica em seu ponto mais estreito. Além disso, um Estado palestino na Cisjordânia e em Gaza não solucionaria o problema dos refugiados. Qualquer situação que mantenha a maioria dos palestinos em campos de refugiados e não ofereça uma solução dentro de suas fronteiras históricas não é uma solução.

Pelas mesmas razões, a divisão da Cisjordânia em áreas judaicas e árabes, com zonas-tampão entre elas, não funcionará. As áreas palestinas não teriam condições de abrigar todos os refugiados e as zonas-tampão simbolizariam a exclusão e alimentariam tensões.

Em termos absolutos, os dois movimentos terão de permanecer em um perpétuo conflito ou chegar a um compromisso: o da criação de um Estado único para todos, uma “Isratina”, que permita que as pessoas de cada lado sintam que podem viver em toda a região.

Um requisito fundamental da paz é o direito dos palestinos refugiados de regressarem para as casas que suas famílias deixaram, em 1948. É uma injustiça que os judeus que não viviam originalmente na Palestina, nem seus antepassados, venham do exterior para se estabelecer ali, enquanto essa permissão é negada aos palestinos que foram obrigados a fugir dali há relativamente pouco tempo.

É um fato incontestável que, até recentemente, os palestinos viviam nessa terra, eram donos de fazendas e casas, mas tiveram de sair com medo da violência dos judeus após 1948. Por isso, somente o território total da Isratina poderá abrigar todos os refugiados e favorecer a justiça, que é o elemento fundamental da paz.

A assimilação é um fato concreto da vida em Israel. Mais de 1 milhão de árabes muçulmanos vivem no país. Eles têm nacionalidade israelense, participam da vida política e constituem partidos. Por outro lado, há assentamentos israelenses na Cisjordânia. As fábricas israelenses dependem da mão-de-obra palestina e há intercâmbio de produtos e serviços. Essa assimilação, por seu sucesso, pode ser um modelo para Isratina.

Se a atual interdependência e o fato histórico da coexistência de judeus e palestinos servirem de orientação a seus líderes, e se, na busca de uma solução de longo prazo, eles olharem além da violência recente e da sede de vingança, perceberão que a coexistência debaixo de um único teto é a única opção para uma paz duradoura.

*Muamar Kadafi é presidente da Líbia

17/01/2009 - 10:19h “Insanidade” pede reforma na ONU, diz Lula

Foto: AFP

FABIANO MAISONNAVE – FOLHA SP

ENVIADO ESPECIAL A EL DILÚVIO (VENEZUELA)

Em visita à Venezuela, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva qualificou o conflito israelo-palestino de “insanidade” e defendeu a reforma da ONU como um dos passos para resolver a violência na região.
“O Brasil é um exemplo de convivência pacífica entre árabes e judeus. Nós temos aproximadamente 10 milhões de árabes no Brasil e temos algumas centenas de milhares de judeus, que não têm nenhuma culpa da insanidade daqueles que tomam decisões de atirar em gente inocente”, disse, durante discurso ao lado do presidente Hugo Chávez.
Ao defender a reforma do Conselho de Segurança -o Brasil postula um assento permanente-, Lula disse que a ONU está “enfraquecida e debilitada” por não ter tido força para impedir a Guerra do Iraque nem a ofensiva em Gaza.
Lula mencionou a recente visita do chanceler Celso Amorim ao Oriente Médio e disse ser necessário “mudar os interlocutores”. “Não pode ser apenas os EUA ou um outro país. E a primeira coisa que temos que fazer é que sejam resolvidos os conflitos internos. A Autoridade Nacional Palestina não pode negociar a paz se o Hamas não concorda com a paz.”
Depois que Chávez se queixou de que o presidente eleito dos EUA, Barack Obama, repete a retórica de George W. Bush ao vinculá-lo às Farc colombianas, Lula disse esperar que ocorra logo um encontro entre o venezuelano e Obama. “Espero que Obama não veja aqui a região dos anos 60, mas uma região que aprendeu a viver em democracia”, disse.

16/01/2009 - 23:10h Petistas divulgam carta sobre nota do partido em relação ao Oriente Médio

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16 de janeiro de 2009

Ao companheiro Ricardo Berzoini,
Presidente Nacional do PT,

Nós aqui subscritos, na qualidade de militantes do PT profundamente consternados com a tragédia que vem se desenrolando no Oriente Médio e com o número crescente de vítimas, inclusive de crianças, gostaríamos de manifestar publicamente desacordo com o teor da nota do Partido sobre o conflito, divulgada a 4 de janeiro corrente.

Em nossa visão, a nota posiciona equivocadamente o PT em relação a um conflito de notável complexidade, devido, em síntese, aos seguintes pontos:
i. ignora a posição histórica do Partido, que sempre se pautou pela defesa da coexistência pacífica dos povos;
ii. banaliza e distorce o fenômeno histórico do nazismo;
iii. não registra a necessária condenação ao terrorismo;
iv. não afirma o reconhecimento do direito de existência de Israel negado pelo Hamas;
v. não se coaduna com a posição equilibrada assumida pelo governo brasileiro sobre a questão; e
vi. queima, ao invés de construir, pontes para o entendimento.

Estamos convictos de que o Brasil, conforme propõe o Governo Lula e com base na convivência exemplar das duas comunidades em sua sociedade, pode contribuir para o engajamento das partes na busca de uma paz duradoura, baseada na coexistência pacífica de um Estado Palestino viável e próspero e de um Estado de Israel definitivamente seguro.

Nosso partido pode desempenhar um papel importante no aprofundamento do debate e na defesa, junto às partes e à sociedade brasileira, do caminho do cessar-fogo imediato e do desbloqueio da entrada de ajuda humanitária.

Assinam*:

Alberto Kleiman
Alexandre Padilha
Alfredo Schechtman
Aloizio Mercadante
Ana Copat Mindrisz
Carlos Minc Baumfeld
Clara Ant
Denise Rosa Lobato
Diogo de Sant’Ana
Edna Cassimiro
Esther Bemerguy de Albuquerque
Fernando Haddad
Fernando Kleiman
Itajaí Oliveira de Albuquerque
Ivo Bucaresky
Ivone de Santana
Jaques Wagner
José Genoino
Luciano Pereira da Silva
Marcelo Behar
Marcelo Zero
Marcos Damasceno
Maria Luíza Falcão
Marta Suplicy
Mauricio Mindrisz
Nadia Somekh
Paul Israel Singer
Paulo Moura
Paulo Vannuchi
Pedro Vieira Abramovay
Rômulo Paes de Sousa
Sergio Gusmão Suchodolski
Suzanne Serruya
Tarso Genro
Thiago Melamed de Menezes
Vitor Sarno
……………………………………….

*até o momento

16/01/2009 - 14:04h Perspectiva de paz torna a guerra ainda mais desumana

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Gilles Lapouge* – O Estado SP

O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, reconheceu: aviões israelenses bombardearam o complexo da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinos (UNRWA) em Gaza. O Hospital Al-Quds também foi atingido. Qual a razão desses ataques? Respostai: havia 700 palestinos refugiados no complexo. Era preciso atingi-los. É a lógica. Ataca-se onde os inimigos se encontram.

Alguns objetam, porém, que é igualmente lógico que civis, nas circunstâncias com alguns combatentes entre eles, presos em sua cidade, e correndo como um bando de ratos perseguidos por um caçador, procuram escapar da morte forçando as portas dos lugares pretensamente protegidos pelo direito. O direito? Por duas vezes, nos últimos dias, verificou-se que é uma péssima ideia esconder-se em lugares neutros. É a melhor maneira de atrair o raio. Cerca de 40 mortos numa escola da ONU, na semana passada, deram prova disso.

Mas a verdadeira razão desse ato deve ser procurada em outro lugar. As negociações entre Israel e o Hamas, com intermediação do Egito, haviam progredido de tal forma que, na manhã de ontem, a expectativa era de que as armas parassem de troar em um ou dois dias. Foi, portanto, na véspera desse evento que Israel empreendeu ataques de uma violência sem precedente, incluindo a destruição no complexo da ONU de assistência a uma população que morre de fome quando escapa da morte que vem do céu .

A ideia aponta, portanto, para um quadro duplo. De um lado, a paz é vislumbrada. De outro, a guerra se torna mais desumana. Ora, essas duas faces, longe de se contradizerem, se completam. “No último minuto”, disse um diplomata da região, “tenta-se obter progressos no terreno antes de a paz se impor. É a estratégia clássica de Israel”. Será o caso admitir que se multiplique o número de mortos para aumentar a chance de viver? Estranha dialética! E se, em vez de preparar a paz, esses excessos dessem uma nova chance à guerra?

Não se trata de fazer um julgamento, favorável ou indignado, sobre a guerra lançada por Israel. As provocações do Hamas, seus bombardeios cínicos das cidades israelenses, eram ignóbeis. No entanto, são muitos os que se escandalizaram com a maneira como essa guerra foi conduzida. A Federação Internacional dos Direitos Humanos pediu ao Conselho de Segurança da ONU que investigue “crimes na Faixa de Gaza que devem ser qualificados como de guerra, se não forem crimes contra a humanidade”. As bombas de fósforo Dime (Dense Inert Metal Explosive) são aceitas pelo direito internacional, é verdade, mas são abjetas. A agência Associated Press cita testemunhas que viram os efeitos dessas bombas: “Viu-se a fumaça branca vinda do céu descolar a pele do rosto e dos membros.” Eis a questão: para restaurar a paz, seria realmente necessário primeiro bombardear as instalações da ONU, um hospital, e atingir civis com bombas capazes de descolar a pele dos rostos e dos membros?


*Gilles Lapouge é correspondente em Paris

13/01/2009 - 17:35h Atos antissemitas aumentam na França

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CÍNTIA CARDOSO COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE PARIS

A tensão do conflito entre Israel e o Hamas em Gaza parece ter sido exportada para a França. Em uma semana, vários atos antissemitas foram registrados no país, e, por precaução, sinagogas e outros centros judaicos tiveram a segurança reforçada.
Domingo, dois coquetéis molotov foram lançados contra a sinagoga Ohr Menahem, em Saint-Denis, periferia de Paris. Os explosivos provocaram um pequeno incêndio na lanchonete vizinha.
O presidente Nicolas Sarkozy disse ontem que esse tipo de violência é “inaceitável” e expressou “solidariedade às vitimas diretas e indiretas desses comportamentos indignos do nosso país e do século 21″.
Ontem, dezenas de pichações antissemitas apareceram no muro de um centro social perto de uma mesquita. As inscrições traziam palavras como: “É preciso matar os judeus” e frases de apoio à causa palestina. Na madrugada de ontem, em Schiltigheim, na Alsácia, coquetéis Molotov foram lançados contra um templo judaico. Na semana passada, uma sinagoga em Toulouse, sul do país, fora atacada e quatro jovens foram detidos por agressão a uma adolescente judia.
Apesar da escalada, o sociólogo Michel Wieviorka contemporiza os conflitos entre as comunidades judaica e muçulmana na França. Em primeiro lugar, avalia Wieviorka, um movimento antissemita é difuso. Há quem se identifique com o problema dos palestinos, quem se diga defensor do islã e ainda grupos vagamente antissionistas -conjunto heterogêneo com pouca chance de se unir e radicalizar as manifestações.
No campo judeu, destaca o sociólogo, alguns se sentem constrangidos em relação à proporção dos ataques. Mesmo entre aqueles que sustentam que Israel tem direito de se defender, não há consenso em relação à ofensiva de Israel.
De acordo com sondagem publicada ontem pelo jornal “Le Parisien”, para 18%, o governo israelense é o principal responsável pelo conflito, para 23% é o Hamas e, para 28%, os dois lados são culpados.

Apelos a paz
Em comunicado, Dalil Boubakeur, do Instituto Árabe da Grande Mesquita de Paris, pede que a “comunidade muçulmana mantenha a calma diante da grande comoção gerada pela situação em Gaza” e evite “todos os tipos de provocação”. Ele condenou “o ato de violência cometido contra a sinagoga da cidade de Saint-Denis”.
O prefeito de Saint-Denis, Didier Paillard, organizou um ato pacifista diante da sinagoga atacada. Na quinta, Paillard havia coordenado uma manifestação a favor dos palestinos. Algumas associações judaicas o acusaram de ter inflamado os ânimos da cidade, onde parte da população é de origem muçulmana e magrebina.
Em Israel, a chanceler Tzipi Livni afirmou que seu governo tem pedido aos líderes mundiais que condenem qualquer forma de violência contra judeus. “Recebemos com grande preocupação relatos de agressões física, moral, verbal e outras manifestações de antissemitismo pelo mundo.”

12/01/2009 - 14:30h O fim moral da política israelense

Mario Vargas Llosa – O Estado de São Paulo

http://img.terra.com.br/i/2007/05/09/507439-3634-cp.jpgHaverá alguma possibilidade de a invasão militar de Israel na Faixa de Gaza “destroçar a infraestrutura terrorista” do Hamas – objetivo oficial da operação – e pôr fim ao disparo de foguetes artesanais dos integristas palestinos de Gaza contra as cidades israelenses da fronteira? Acho que nenhuma. Ao contrário, essa operação militar, que até este exato momento deixou milhares de feridos e já matou quase 900 palestinos, entre eles um grande número de crianças e de civis, terá o efeito de um massacre de parte da comunidade palestina, da qual o Hamas sairá fortalecido, e o setor moderado, ou seja, a Autoridade Nacional Palestina (ANP), liderada por Mahmud Abbas, será diminuída.

Para que o argumento usado por Ehud Olmert e seus ministros como justificativa do ataque tivesse uma aparência de realidade, Israel deveria voltar a ocupar Gaza com uma enorme força militar permanente ou perpetrar um genocídio que nem mesmo os mais fanáticos de seus falcões se atreveriam a assumir, e nem, esperamos, o resto do mundo toleraria, embora a opinião pública internacional tenha demonstrado – mais uma vez – uma total indiferença pelo destino dos palestinos.

A verdade dos fatos é que, por mais feroz que tenha sido o castigo infligido pelo Exército de Israel a Gaza, e precisamente em razão do sentimento de impotência e ódio pelo ocorrido com o 1,5 milhão de palestinos que vivem esfomeados e quase asfixiados nessa ratoeira, é provável que, uma vez que o Exército se retire da Faixa e a “paz” seja restabelecida, as ações terroristas se renovem com mais brio e um desejo de vingança alimentado pelos sofrimentos destes dias.

Os defensores dos bombardeios e da invasão respondem a seus críticos com a pergunta: “Até quando um país pode suportar que suas cidades sejam vítimas de foguetes terroristas disparados em suas fronteiras, durante dias, meses, por uma organização como o Hamas, que não reconhece a existência de Israel nem esconde seu propósito de acabar com o país?”A pergunta é muito pertinente e ninguém que não seja fanático ou terrorista pode justificar o assédio criminoso constante do Hamas contra as populações civis de Israel.

Ora, ao se procurar as causas do conflito, na minha opinião é desonesto ficar somente nos foguetes artesanais do Hamas, e não retroceder um pouco mais no tempo para entender (o que não significa justificar, evidentemente) o que acontece nesse explosivo pedaço do mundo.

A vitória eleitoral que levou o Hamas ao poder na Faixa de Gaza não foi um ato de adesão maciça dos palestinos ao fanatismo integrista nem aos atos terroristas. Foi o repúdio perfeitamente legítimo dos cidadãos da ineficiência e, principalmente, da descarada corrupção dos dirigentes da ANP. E, ainda, um típico ato de autodestruição ao qual os seres humanos, indivíduos ou coletividades estão propensos quando chegam a situações-limite, na impossibilidade de se defender e no desespero total.

Desde cedo, a retirada de Israel de Gaza e o abandono dos 21 assentamentos de colonos que havia na região, no verão de 2005, despertou grandes esperanças. O gesto impulsionaria o processo de paz, conduzindo à criação de um Estado Palestino que coexistiria com Israel e garantiria sua segurança no futuro.

Não só isso deixou de acontecer, como o Hamas se fortaleceu com o poder. Suas disputas com o Fatah, com tiroteios e assassinatos, e a política de Israel de impedir a comunicação a Gaza e de mantê-la em uma espécie de quarentena implacável – proibindo que exportasse e importasse, fechando-lhe o uso do ar e do mar, permitindo que seus habitantes só saíssem desse gueto de maneira muito limitada e depois de trâmites opressivos e humilhantes – contribuíram para o “grande fracasso econômico” que hoje em dia os falcões de Israel exibem como prova da incompetência dos palestinos para governar a si mesmos.

Eu me pergunto se algum país do mundo poderia progredir e modernizar-se nas condições atrozes de existência do povo de Gaza.

Ninguém me contou isso, não sou vítima de nenhum preconceito contra Israel, um país que sempre defendi, principalmente quando era alvo de uma campanha internacional orquestrada por Moscou, que apoiava toda a esquerda latino-americana. Eu vi com meus próprios olhos. E senti asco e revolta pela miséria atroz, indescritível, na qual estão morrendo aos poucos, sem trabalho, sem futuro, sem espaço para viver, nas covas estreitas e imundas dos campos de refugiados ou nessas cidades densamente povoadas e cobertas de lixo, por onde passeiam ratazanas diante dos olhos e a paciência dos transeuntes, essas famílias palestinas condenadas simplesmente a vegetar, a esperar que a morte venha pôr fim a existência sem esperança, de absoluta desumanidade, que é a sua.

São esses pobres infelizes, crianças, velhos e jovens, privados de tudo o que torna a vida humana, condenados a uma agonia tão injusta e tão larval quanto a dos judeus nos guetos da Europa nazista, que agora estão sendo massacrados pelos caças e tanques de Israel, sem que isso sirva para aproximar-se um milímetro da paz tão ansiada. Ao contrário, os cadáveres e os rios de sangue dos últimos dias só servirão para afastá-la e levantar novos obstáculos e semear mais ressentimentos e raiva no caminho da negociação.

Tudo isso é sabido, e muito melhor do que eu ou qualquer observador possa saber, pelos dirigentes de Israel, que podem ter perdido os sentimentos e a moral, mas não a inteligência. A classe dirigente israelense tem um nível muito elevado, é bem mais culta e preparada que a média do Ocidente.

Sendo assim, para que lançar uma operação militar que não acabará com o terrorismo dos fanáticos do Hamas e, em vez disso, servirá para desprestigiar um Estado, que com ações punitivas como essa perdeu a superioridade moral que tinha sobre seus inimigos no passado, por exemplo quando Yitzhak Rabin firmou os Acordos de Oslo de 1993?

Acredito que a resposta é a seguinte: desde o fracasso das negociações de Camp David e de Taba de 2000-2001, nas quais o governo israelense liderado por Ehud Barak esteve disposto a fazer importantes concessões que Arafat cometeu a insensatez de recusar, a sociedade israelense, profundamente decepcionada, viveu um processo de “direitização” radical e, em sua grande maioria, chegou à conclusão de que não há acordo razoável possível com os palestinos.

Portanto, somente uma política de força, de repressão e castigo sistemáticos os submeterá, fazendo-os aceitar, no fim, uma paz imposta segundo as condições de Israel.

Isso explica a popularidade que teve Ariel Sharon e o aumento do apoio ao movimento dos colonos, que continuam implantando assentamentos onde bem lhes agrada na Cisjordânia, e à construção do Muro que isola, divide e encolhe a Cisjordânia palestina.

E explica também que, desde o início das chuvas de bombas sobre Gaza, tenha disparado a popularidade dos trabalhistas de Ehud Barak, o atual ministro da Defesa, e da líder do Kadima, a chanceler Tzipi Livni, os quais, graças à operação militar contra Gaza, reduziram a vantagem de que desfrutava, às vésperas das próximas eleições, o conservador Benjamin Netanyahu. Não devemos esquecer que, segundo as pesquisas, mais de dois terços dos israelenses aprovam a ação militar contra Gaza.

“Nossos corações endureceram e nossos olhos se turvaram”, afirma o jornalista israelense Gideon Levy, em um artigo publicado no jornal Haaretz, na edição do dia 4, comentando a incursão do Exército de seu país contra o Hamas em Gaza. Como tudo que ele escreve, seu texto transpira decência, lucidez e coragem.

É um lamento por esse progressivo desaparecimento da moral da vida política de seu país, fenômeno que, segundo Albert Camus, antecede sempre os cataclismos históricos, e uma crítica a intelectuais progressistas como Amos Oz e David Grossman, que antes costumavam protestar energicamente contra acontecimentos como os bombardeios de Gaza e agora, timidamente, refletindo a involução generalizada da vida política israelense, só se animam a reclamar a paz.

Obrigado por demonstrar-nos que ainda existem homens justos em Israel, amigo Gideon Levy.

11/01/2009 - 10:38h É hora de reconhecer os emergentes

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Obama deve olhar além da guerra na Faixa de Gaza para reformar o sistema multilateral global

James Traub* – O Estado SP

Antes mesmo de Israel lançar os ataques a Gaza há duas semanas, a equipe de segurança nacional de Barack Obama compreendeu que as crises poderiam facilmente eclipsar a agenda de transformação que o presidente eleito adiantou durante a campanha.

Guerras no Iraque e no Afeganistão, instabilidade no Paquistão e ameaça de proliferação nuclear no Irã seriam mais do que suficientes para desalojar qualquer ideia de planejamento de longo prazo. Agora, o Oriente Médio está em chamas de novo. No entanto, um amplo leque de especialistas em política externa insiste para o futuro presidente olhar além da fumaça e do derramamento de sangue para reformar as estruturas governantes mundiais.

Essas estruturas – como a ONU – datam do fim da 2ª Guerra, quando os vitoriosos tinham o monopólio do poder econômico e político, e o sistema de Estados parecia sólido. Não vivemos mais nesse mundo. Uma prova disso veio em novembro, quando George W. Bush reuniu o G-20 para tratar da crise financeira.

Até então, a diretoria executiva do planeta era conhecida desde que se reuniu pela primeira vez, em 1975, como G-7 (ou G-8 quando a Rússia participava). Robert Hormats, ex-funcionário do Departamento de Estado, presente naquela primeira reunião, observa que, por muito tempo, as potências ocidentais “podiam gerir a economia global sozinhas”. Agora, diz ele, “isso é inconcebível”.

A reforma está no ar. Em janeiro de 2008, o premiê britânico, Gordon Brown, fez um pronunciamento em Nova Délhi no qual observou que a globalização havia trazido novas potências para o primeiro plano. Ele pediu um novo momento de “criação” que incluiria mudanças na composição das instruções do pós-guerra e novos mecanismos para lidar com mudança do clima, pobreza, energia e não-proliferação nuclear.

Bem mais provocativo para o mundo em desenvolvimento é a composição do Conselho de Segurança da ONU, cujo rol de membros permanentes com direito de veto não mudou desde a sua criação. Obama, diferentemente de seu antecessor, vê a ONU como um instrumento fundamental para a política externa americana, mas poderá ter algumas iniciativas bloqueadas pela antipatia do Terceiro Mundo à influência desproporcional do Ocidente. Especialistas dizem que ele angariaria uma enorme boa vontade se apoiasse abertamente assentos no conselho para os atuais aspirantes: Índia, Brasil, Alemanha, Japão e África do Sul.

Será que um Conselho de Segurança ampliado ajudaria Obama a cortar o nó górdio no Oriente Médio? Infelizmente, não. A ONU desempenha hoje um papel apenas secundário de mediação entre Israel e palestinos, para os quais a Casa Branca e potências selecionadas do Oriente Médio continuarão sendo os interlocutores preferidos. Um novo Conselho de Segurança não poderia resolver tampouco as tensões criadas por um de seus membros permanentes, como uma Rússia, cada vez mais impaciente e belicosa.

No entanto, da última vez que a ONU fez uma iniciativa séria para ampliar o conselho, em 2005, cada candidato tinha seu próprio inimigo jurado – geralmente, um vizinho. Alguns defensores sugeriram que Washington se concentrasse primeiro na limitação do uso do veto e, só depois, no acesso de novos membros.

EFICIÊNCIA

Ademais, tornar uma organização mais representativa não a torna necessariamente mais eficaz. A crise financeira demonstrou a necessidade de novos mecanismos regulatórios globais. Esses serão agora reunidos segundo instruções de ministros da economia do mundo em desenvolvimento e do Ocidente.

Isso as tornará mais sólidas? Considerando a resistência de muitos membros do G-20 a padrões mais rígidos de contabilidade, a resposta é: “Não necessariamente.” Então, qual será a alternativa? O Ocidente quer que China, Rússia e as economias emergentes se vejam como atores globais responsáveis. Isso significa dar-lhes participação no sistema e esperar que essa participação os torne partes interessadas melhores.

Os defensores da reinvenção parecem ter os méritos do seu lado. Qual a importância de criar e reformar essas novas estruturas em comparação com a administração da crise? Essas perguntas foram feitas a elementos da equipe de transição de Obama, que não quiseram comentar.

É evidente que a ONU pode esperar, ao passo que a paz no Oriente Médio, não. Mas existe outra maneira de olhar para a questão: um governo que queira trabalhar via instituições, e não por meio de coalizões, terá de escolher entre reformar essas instituições ou vê-las cair na irrelevância.

Em outras palavras, a mudança virá, de um jeito ou de outro. Segundo David Rothkopf, especialista em segurança nacional, a questão é: “Permitiremos que ela avance no seu próprio ritmo, descoordenada, aos poucos, ou veremos isso como uma oportunidade e produziremos uma nova visão de um sistema que promova interesses americanos assim como a visão do pós-guerra fez por 60 anos?”

*James Traub é direto de políticas para o Global Center for the Responsibility to Protect

10/01/2009 - 14:10h A opinião pacifista de Israel manifesta


CESSAR-FOGO JÁ!

Os Amigos Brasileiros do PAZ AGORA – PAZ AGORA|BR manifestam seu apoio à interrupção imediata da ação militar em Gaza, e o restabelecimento de condições humanitárias básicas para a população da Faixa.

A continuação da ofensiva militar israelense é contrária aos melhores interesses do seu próprio povo. Só acrescenta mais ódio, mais perdas civis e mais terror.

Ao mesmo tempo em que defendemos com firmeza que o Estado de Israel deve proteger seus cidadãos, também reafirmamos que a segurança permanente do país só será conseguida através da paz com seus vizinhos, que será obtida por meio de negociações.

Apoiamos todos os esforços diplomáticos que possam levar a um cessar-fogo, especialmente a mediação oferecida pelo governo brasileiro. As gestões do Itamaraty unirão nossas comunidades árabe e judaica – que aqui sempre conviveram em perfeita harmonia -  na busca de uma solução justa e pacífica no conflito do Oriente Médio.

Um imediato cessar-fogo é vital para minorar o sofrimento de milhões de seres humanos – israelenses e palestinos – que merecem vidas normais, sem foguetes, sem violência e sem ocupação.

É HORA DE PARAR

PAZ AGORA !

 

  

 

HOJE - Grande Manifestação do PAZ AGORA

sábado - 10|01 - 19h30 

em frente ao Ministério da Defesa em Tel Aviv

 

Continuamos convencidos, apesar das ações dos grupos terroristas que pregam a destruição do Estado de Israel, de que a única forma de resolver o conflito na região é através de ações políticas e pela concretização da solução de dois Estados.

 

As últimas guerras mostraram claramente que é impossível vencer grupos terroristas apenas com o uso me meios militares

 

Mesmo que a guerra contra o Hamas seja justificada, é impossível ignorar a terrível mortandade, destruição e sofrimento que ela vem causando ao povo de Gaza.

 

Chamamos a população de Israel às ruas para pressionar o governo por um cessar-fogo

imediato.

 

“É HORA de PARAR e PENSAR !”

10/01/2009 - 14:05h O ponto de vista do governo de Israel

http://iarnoticias.com/images/varios/5_libano_soldados_israel.jpg

 

Publicado no Jornal do Brasil em 09 de janeiro de 2009.

O conflito do Hamas em cores
Giora Becher, Embaixador de Israel no Brasil
O mundo livre ficou chocado quando terroristas explodiram trens e um ônibus em Londres e Madri, e transformaram os dois prédios mais altos do mundo em uma pilha de detritos, em Nova York. Todos concordaram que deveria existir uma cooperação internacional conjunta dirigida a ataques terroristas perpetrados por fanáticos islâmicos. A operação de Israel na Faixa de Gaza faz parte da luta mundial contra o terror. Os israelenses têm o mesmo direito básico dos cidadãos de São Paulo, Rio de Janeiro ou Brasília de viverem em segurança em suas cidades e lares, sem estarem expostos aos perigos de foguetes que possam “cair sobre eles” a qualquer momento.

Onde quer que os israelenses estejam, têm meros 15 segundos para correr com suas familias até o abrigo mais próximo e salvar suas vidas. Por oito longos anos, a cidade de Sderot, localizada a apenas 4 km de Gaza, tem vivido assim. Um quarto da população da cidade já saiu. Vocês estariam dispostos a viver sob estas condições, dia e noite, por oito anos, alvos de projéteis lançados pelo Hamas? O povo palestino não é nosso inimigo. Eles são nossos vizinhos. Queremos realmente “construir pontes” de diálogo e esperança de um futuro melhor com os palestinos.

O Hamas é nosso inimigo. Esta é uma organização terrorista islâmica violenta, membro do eixo radical Teerã-Hezbolá. Com sua linha dura de aderência a uma doutrina religiosa extremista, eles não querem fazer nenhum compromisso e não respeitam nenhum acordo. Seu objetivo declarado é o de eliminar o Estado de Israel e assassinar todos os seus cidadãos. O Hamas já explodiu ônibus lotados de passageiros em Tel Aviv, Haifa e Jerusalém. O Hamas enviou terroristas suicidas para assassinar centenas de israelenses em muitos locais. Como vocês agiriam se uma organização terrorista brutal fosse enviada para matar civis e crianças em seus restaurantes e ônibus? Além do mais, o Hamas não é apenas inimigo de Israel, mas inimigo de todos os árabes moderados.

Pouco tempo atrás, quando o Hamas tomou Gaza à força, seus homens não se importaram quando jogaram seus opositores políticos, que apoiavam a Autoridade Palestina, do alto de prédios. Muitos foram mortos pelo fogo do Hamas, enquanto o poder era tirado das mãos do presidente Abbas. Os palestinos moderados conhecem a amarga verdade sobre o Hamas. Eu gostaria que vocês soubessem a verdade também. O Hamas é uma encarnação do pior pesadelo da região. Ele não representa o desejo nacional palestino de independência, porque se opõe à “solução de dois Estados”, isto é, um Estado israelense e um palestino vivendo lado a lado em paz e segurança. Ao invés disto, defende a idéia de um Estado islâmico fanático que seria estabelecido sobre as ruínas do Estado judaico. O objetivo do Hamas não é estabelecer um Estado palestino e nunca foi. Pelo contrário, seu objetivo é a destruição do Estado de Israel, pura e simplesmente. Se uma organização terrorista quisesse a destruição de seu país como condição de parar com a agressão violenta, vocês balançariam a cabeça e diriam: “amém”?

No verão de 2005, Israel retirou-se de Gaza completamente. Aos palestinos foi dada uma histórica oportunidade de mudar seu destino e fazer com que Gaza se tornasse um milagre econômico, nacional e cultural. Com uma ajuda internacional maciça, eles poderiam ter transformado Gaza em um paraíso. Mas o Hamas tomou o controle e transformou Gaza em um antro de terrorismo e opressão. Ele violou todos os acordos de cessar-fogo com Israel, contrabandeou foguetes fabricados no Irã através de túneis na fronteira e ignorou as necessidades humanitárias básicas da população civil palestina. Qual é a fórmula certa para responder ao fogo direcionado contra suas casas com o intuito de te matar? Seria certo responder com 8 mil foguetes direcionados às casas dos atacantes? Qual é a aritmética moral correta? O Hamas dispara contra nossos civis a partir de seus esconderijos entre sua própria população civil. Eles se encolhem entre crianças, em mesquitas e hospitais, esperando que Israel responda para que possam posar de vítimas na imprensa mundial. Israel sabe lidar com isto bem melhor do que qualquer exército no mundo, que já se encontrou em circunstâncias bem menos difíceis.

Há aqueles entre a mídia mundial que caem facilmente nas armadilhas de falsas fotos. Peço que não sejam convencidos. Apesar da luta contínua, Israel se esforça para transferir ajuda humanitária para Gaza. Quase todos os dias, aproximadamente 80 caminhões descarregam toneladas de alimentos e medicamentos nas passagens da fronteira para serem transportadas até Gaza. A Força Aérea de Israel investe esforços tremendos para evitar atingir civis. Em suas reuniões, 80% do tempo são dedicados a discutir maneiras de atingir alvos terroristas conhecidos sem atingir civis inocentes, como jogar folhetos do ar dizendo aos residentes quais áreas estão para ser bombardeadas. Vocês conhecem qualquer outra Força Aérea no mundo que toma tais medidas em tempo de guerra? Nosso pessoal telefona para casas em Gaza, avisando aos civis inocentes o que está para acontecer com um prédio que aloja um quartel general do Hamas ou armazena foguetes. Apesar de todos os nossos esforços, nem sempre obtemos sucesso.

As casualidades civis são profundamente sentidas. Erros ocorrem até em tempos de paz, quanto mais na guerra. Nossa guerra contra o Hamas tem o objetivo de proteger as vidas de nossos cidadãos que moram no Sul de Israel, mas é bem mais do que isso. Pode proteger o processo político e a chance de paz entre Israel e os palestinos, chance esta constantemente “torpedeada” pelo Hamas. Tem também o intuito de evitar que esta região caia em um abismo de fanatismo e hegemonia iraniana. É parte da luta legítima contra o terrorismo e extremismo assassino. Se vocês se colocarem por um momento em nossos lugares e entenderem as dificuldades passadas pelos israelenses, vocês poderão ter um retrato colorido da situação real.

10/01/2009 - 12:06h Assessor de Lula discorda de nota do PT

Brasília - Coletiva do presidente interino do Partido dos Trabalhadores, Marco Aurélio Garcia. Foto: Fabio Pozzebom/ABr

A Folha de São Paulo não considerou importante incluir na sua edição eletrônica, o artigo de Eliane Cantanhêde, em página A10 da edição impressa de São Paulo, com declarações de Marco Aurélio Garcia sobre o Oriente-Médio e a nota do PT.

O assessor internacional da Presidência, Marco Aúrelio Garcia, discordou ontem da nota do PT sobre a guerra no Oriente Médio, informa o artigo. Para Marco Aurélio Garcia “o texto cometeu uma omissão: a de não ter reiterado a orientação histórica do partido em defesa do Estado de Israel”.

Para o assessor de Lula, a nota do PT comporta também “uma adjetivação inadequada” quando evoca as práticas nazistas.

Vale lembrar que a posição do governo brasileiro em favor da moderação, a trégua e a paz foi considerada positiva até pelo ministro de Assunto Sociais de Israel, Issac Herzog, que recusou a tentativa de amalgama que a Folha tentou fazer entre a nota do PT e a posição do governo Lula (ver Gotas). O ministro israelense declarou a Folha: “Temos muito respeito pelo Brasil e excelentes relações com o seu governo e consideramos bem-vinda qualquer iniciativa para contribuir com a paz na região. Parte dos esforços do Brasil e da comunidade internacional em geral poderia ser o fortalecimento do processo que já começamos com os palestinos moderados da Autoridade Nacional Palestina e o presidente Mahmoud Abbas, para melhorar a economia da Cisjordânia. Espero que em algum ponto esse esforço também possa se estender a Gaza, com forças moderadas que reconhecem Israel e estão dispostas a continuar o processo de paz.” (FSP 9/1/2008)

A clara manifestação do assessor do presidente Lula contribui para reafirmar a maneira séria e responsável com a qual o governo e Itamaraty agem para contribuir ao estabelecimento das condições de um cessar-fogo e negociações de paz. LF

08/01/2009 - 22:30h Governo Brasileiro soma esforços na busca da paz duradoura

Nota nº 5 – 08/01/2009 -

Ministério das Relações Exteriores

Visita do Ministro Celso Amorim ao Oriente Médio

Entre 11 e 13 de janeiro, o Ministro Celso Amorim fará visitas a Israel, Palestina, Síria e Jordânia, para tratar do conflito na Faixa de Gaza. No dia 11, em Damasco, será recebido pelo Presidente Bachar Al-Assad e pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros, Wallid Muallem. No mesmo dia, segue para Jerusalém, onde manterá encontro com a Ministra dos Negócios Estrangeiros de Israel, Tzipi Livni. No dia seguinte, em Ramalá, o Ministro Amorim terá reuniões de trabalho com o Presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, com o Primeiro-Ministro Salam Fayaad, e com o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Riad Malki. Em 13 de janeiro, cumpre programação em Amã, onde estão previstos encontros com o Rei Abdullah II e com o Ministro do Exterior Salah Bashir.

Também em Amã, no dia 13, o Ministro participará de cerimônia de entrega da doação, pelo Governo brasileiro, de 6 toneladas de medicamentos e 8 toneladas de alimentos aos palestinos afetados pelo conflito em Gaza.

O objetivo da visita é apoiar os esforços para um cessar-fogo imediato, o alívio da situação humanitária e o estabelecimento de uma paz duradoura na região. A visita ocorre na sequência de contatos mantidos pelo Ministro Amorim com alguns dos principais líderes políticos envolvidos na busca de uma solução para o conflito – o Secretário-Geral da ONU, o Presidente palestino, o Secretário-Geral da Liga Árabe, o Presidente da Comissão da União Européia, a Secretária de Estado dos Estados Unidos e os Ministros dos Negócios Estrangeiros de Israel, França, Egito, Turquia, Espanha, Suíça e Síria.

08/01/2009 - 15:17h O debate faz parte da luta pela paz entre palestinos e israelenses

Reproduzo a seguir duas cartas trocadas entre o presidente da Conib (entidade representativa da comunidade judaica brasileira) e do presidente da ONG ABC Sem Racismo, sobre a intervenção militar na Faixa de Gaza.

Tenho reproduzido aqui alguns artigos para alimentar a reflexão dos leitores sobre o conflito no Oriente-Médio. Minha opinião está registrada em Paz em Gaza: uma solução complexa

LF

 

 

 

Prezado Senhor Cláudio Lottenberg,
Presidente da CONIB

Não sou um ativista anti-judeu. Ao contrário: sou um admirador da luta do povo judeu e de sua milenar história. Mais do que isso: me considero um parceiro do povo judeu na luta contra o racismo e qualquer espécie de discrimnação.
Mas, por favor, me responda: como é possível que um povo que há menos de cem anos foi vítima de crimes contra a humanidade como o holocausto praticados pelo nazismo, possa estar, precisamente hoje, repetindo os mesmos crimes, com a mesma crueldade, contra um povo inteiro – o palestino?
As imagens falam mais forte do que mil palavras e de nada adianta a propaganda do seu Exército mostrar ao mundo que se trata apenas de uma guerra contra o Hamas, a quem o seu Governo e Bush acusam de terrorista. Os mortos, às centenas, senhor Lottenberg, são na sua maioria civis – homens, mulheres e crianças desarmadas.
Como explicar esse crime às gerações futuras, senhor Lottenberg? Como poderá o povo judeu continuar falando de holocausto, quando transformou a Palestina, há décadas, em verdadeiro campo de concentração, com todos os requintes a que a crueldade humana pode chegar? Porque o seu Exército e os seus Governos sistematicamente, sob proteção americana, descumprem Resoluções da ONU que asseguram o direito inalienável do povo palestino ao seu Estado, onde possa viver em paz e em segurança? Por que o seu Governo recusa-se ao cessar fogo proposto pela União Européia? É apenas para ganhar tempo para perpretar o massacre contra civis indefesos?
Estamos todos cansados, senhor Lottenberg, da sua propaganda. Quando jovem eu e muitos da minha geração ficamos alarmados com as imagens de Sabra e Chatila, o senhor se lembra? Também lá, homens, mulheres e crianças palestinas foram vítimas de um verdadeiro massacre, praticados sob o comando do seu Exército. Na época, senhor Lottenberg, o Hamas sequer existia.
Assim como não há propaganda capaz de apagar as imagens da resistência judaica no gueto de Varsóvia; assim como não há palavras para descrever os sofrimentos do seu povo, Senhor Lotenberg, nos campos de concentração sob o nazismo; tampouco há propaganda e ou palavras que possam apagar os crimes contra a humanidade que hoje são praticados à luz do dia e sob as câmeras de TV pelo seu Exército. Protegido, apoiado e amparado pelas vítimas de ontem!
Chega! Basta de mentira e de hipocrisia!
Cordialmente,
Dojival Vieira
Jornalista Responsável pela Afropress – www.afropress.com
Presidente da ONG ABC SEM RACISMO
Fones: 9647-7322

Resposta do presidente da CONIB

Prezado Senhor Dojival:

Agradeço que me escreva e fico feliz que o senhor seja um admirador, como assim se manifesta, do povo judeu e de sua historia milenar, colocando-se como um verdadeiro parceiro na luta contra o racismo.

Ao tomar a liberdade de me escrever também tomo à liberdade de lhe contestar a luz da sugestão de que o senhor aprofunde o seu conhecimento no sentido de admirar de forma consistente, baseado em fatos concretos, e não alimentado por informações isoladas e não verdadeiras como o senhor aqui coloca.

A historia relativa ao Estado de Israel tem dados sobre os quais eventualmente o senhor desconheça. Em 1948 este Estado foi criado com a participação decisiva do brasileiro Osvaldo Aranha e, desde então uma longa historia vem acontecendo. Acordos são realizados e desrespeitados, diálogos são interrompidos e acredite que nos desaponta muito que o caminho da paz ainda não tenha sido atingido.

Comparar a situação da Faixa de Gaza com o Holocausto reflete um desconhecimento absoluto acerca dos dois episódios. O Holocausto foi fruto de uma indiferença de uma sociedade que condenou um povo à morte, liderado por um grupo minoritário. Este povo não caminhava com morteiros, não lançava foguetes e não matou civis, como é o caso daquilo que ocorreu na faixa de Gaza. Estes civis que morreram no Holocausto não morreram por serem terroristas ou por quererem a exterminação de um povo. Morreram por serem judeus.

Em 2005, Israel se retirou da Faixa de Gaza e entregou conforme acordado a região a Autoridade Palestina. Esta foi aos poucos lateralizada pelo braço terrorista Hamas, que é assim denominado pela União Européia e pelos EUA que progressivamente iniciou estimulado pelo Iran, um processo de agressões sistemáticas aos israelenses, moradores da região vizinha a Faixa de Gaza. Foguetes e morteiros eram lançados diariamente, civis assassinados e Israel inutilmente avisava que tomaria medidas caso isto não fosse interrompido. O Hamas, braço terrorista, coloca claramente que com Israel não há dialogo e que Israel deve ser destruído, e que, portanto mesmo os acordos previamente realizados não têm valor. Optou, portanto, em manter os ataques aos civis e aí, efetivamente, não haveria alternativa que não aquela tomada legitimamente de defesa. Cabe a toda estrutura de Estado garantir a segurança de seus cidadãos e exigir que seus vizinhos tenham um comportamento adequado. Portanto deixo claro ao senhor que a comparação com o Holocausto é no mínimo um reflexo de falta de sensibilidade, de desrespeito e que suas informações sobre a Faixa de Gaza são incompletas e fruto de manchetes de jornal isoladas de um contexto maior.

Quero lhe dizer mais uma coisa. Sou brasileiro e, portanto peço ao senhor respeito, pois meu julgamento é acerca de um comportamento de uma situação internacional, mas o meu governo é o governo brasileiro assim como o seu. Portanto, faça suas observações, mas não me cobre como o senhor assim o faz, pois a minha contribuição junto a este país tem sido enorme bastando que o senhor levante parte das atividades que desenvolvi. Acho que este cuidado que o senhor não teve, reflete o perfil de uma pessoa que por sua posição deveria ser um pouco mais justa e informada na maneira de se dirigir a um cidadão.

Eu, pelo contrario. Tomei o cuidado de ver suas contribuições, saber sobre o seu passado e se respondo é porque uma pessoa como o senhor merece minha atenção e quem sabe um pouco de compartilhamento de meu conhecimento para quem sabe rever seus pontos de vista.

Aprendi em minha vida que certas atitudes têm importância compensatória, pois são momentâneas. Elas passam mais rapidamente e são pontuais. Existem outras que são estruturantes, por trazerem propostas que a médio e longo prazo mudam situações para sempre. Ao escrever-lhe, peço que não tome minha resposta como algo para o momento, mas sim que dentro do espírito de união e de entendimento, que marca a relação entre as nossas comunidades, o senhor se proponha a entender o contexto que fez com que Israel legitimamente defendesse seus cidadãos.

Cordialmente,

Claudio Lottenberg

08/01/2009 - 14:41h Israelenses e palestinos manifestam pela paz

 

Portal do Le Monde

 

 

Ceux qui sont pour la paix ont du mal à se faire entendre.
La vidéo suivante, sous-titrée en anglais, montre, d’une part, une manifestation israélienne contre l’attaque sur Gaza (elle venait de commencer) et, d’autre part, une séance de dialogue entre Israéliens et Palestiniens.

Jews and Arabs refuse to be enemies
[Clique na imagem para ver o vídeo - Cliquer sur l’image pour voir la video]

Elle a été mise en ligne le 28 décembre 2008.
La deuxième vidéo, du 3 janvier, montre que le mouvement a continué et pris de l’ampleur

Thousand of Israelis protest
[Clique na imagem para ver o vídeo - Cliquer sur l’image pour voir la video]

07/01/2009 - 23:13h Israel acepta los principios del plan de alto el fuego de Egipto

Tel Aviv asegura que aún hay que discutir los términos del acuerdo. -El presidente francés asegura que la Autoridad Palestina también respalda la propuesta

 

 EL PAÍS

 

 

Los esfuerzos diplomáticos para detener la ofensiva del ejército israelí en Gaza, intensificados en las últimas horas, han arrancado una respuesta de Israel, que ha aceptado los principios del plan para un alto el fuego presentado ayer por el presidente egipcio, Hosni Mubarak, y el francés, Nicolas Sarkozy, según han confirmado fuentes israelíes. “Hay un acuerdo sobre los principios pero todavía hay que trasladarlos a la práctica”, aseguran las mismas fuentes.
Después de que esta madrugada, en la ONU, la secretaria de Estado de EE UU, Condoleezza Rice, y el presidente palestino, Mahmud Abbas, dieran su respaldo al plan, ahora mismo la única salida a la situación, los esfuerzos diplomáticos se han intensificado para que sea aceptado y puesto en marcha. Varios países y organismos lo apoyan, entre otros EE UU, la UE, la ONU, Siria o Líbano.

Tras la respuesta de Israel, sólo falta la de Hamás, que ha manifestado a través de un portavoz que el plan egipcio “está aún en discusión” y exige el fin del bloqueo israelí para suscribir el acuerdo.

Tel Aviv había manifestado hoy sus reticencias acerca del plan, tras el anuncio precipitado de Sarkozy sobre la aceptación israelí del acuerdo. Mark Regev, portavoz de del primer ministro israelí, había declarado que “una paz duradera debe basarse sobre la total ausencia de fuego hostil desde Gaza contra Israel y un embargo de armas efectivo sobre Hamás que cuente con apoyo internacional”.

No obstante, Israel no ha descartado todavía ampliar la ofensiva, dar luz verde a una “tercera fase”, que incluiría la entrada masiva de soldados en las poblaciones de Gaza para acabar con Hamás. Para ello se ha reunido esta mañana el gabinete de seguridad del primer ministro, que reúne a los líderes políticos y militares. Finalmente, la decisión de ampliar la ofensiva ha sido aplazada sin fecha. El sábado, la ofensiva entró en una segunda fase con la entrada de militares israelíes en las afueras de Gaza. La primera, que comenzó el 27 de diciembre, consistía en bombardeos.

Una posibilidad

El plan de Mubarak parece ahora el único asidero para salir de la situación. Al menos así lo ve Javier Solana. Entrevistado por la Cadena SER, el jefe de la diplomacia europea, que se encuentra en El Cairo, donde anoche se entrevistó con el presidente egipcio y con el francés, Nicolas Sarkozy, cree que “hay una posibilidad” de lograr un alto el fuego, dado que la propuesta egipcia ha sido “muy bien acogida” por los palestinos, la ONU, Siria, Líbano y Turquía, e incluso aventura que el primer ministro israelí, Ehud Olmert, podría viajar hoy a Egipto para debatirla con Mubarak. Cree que este plan podría acabar, “al menos en este momento de gravedad total, con la tremenda maldición de que todas las iniciativas de paz en Oriente Medio están llamadas a frustrarse”. Solana viajará hoy a Turquía e Israel para tratar de lograr el fin de la violencia.

Por el momento, lo único que ha hecho Olmert es anunciar la apertura de un corredor humanitario y un parón diario de tres horas a las acciones militares para permitir la entrada de ayuda humanitaria. La reunión se produce tras uno de los peores días de la operación Plomo Fundido, ayer, cuando más de 50 palestinos murieron al caer bombas israelíes sobre dos escuelas de la ONU. La ONU ha negado hoy que hubiese combatientes en esas escuelas, como aseguraba Israel.

Durante la noche, el ejército israelí ha seguido con su ofensiva sobre Gaza, matando a 11 palestinos, según fuentes médicas, 22 según la agencia palestina Maan. La operación, en respuesta a los cohetes que Hamás lanza contra Israel -hoy han caído 8, sin causar víctimas-, ha entrado en su duodécimo día. Un total de 642 palestinos han muerto en la ofensiva.

¿Qué propone Egipto?

El Cairo propone un cese de las hostilidades seguido del inicio de reuniones para llegar a acuerdos de largo recorrido incluido el fin del bloqueo sobre Gaza. El presidente egipcio Hosni Mubarak ha presentado su propuesta en una breve comparecencia después de mantener una reunión con Sarkozy, que también mantiene un papel activo en la búsqueda de una solución a la crisis, en el balneario de Sharm el-Sheikh.Con todo, el plan no hace mención a muchos de los elementos que fuentes diplomáticas aseguran que estaban bajo discusión, como el despliegue de una fuerza internacional que impida a Hamás rearmarse, tal y como exige Israel para garantizar que no habrá nuevos ataques con cohetes contra su territorio.Mubarak no ha explicado qué papel exacto jugará el movimiento islamista que gobierna Gaza en las charlas que propone. La propuesta, tal y como ha sido enunciada por Mubarak, contiene los siguientes puntos:1) Israel y las facciones palestinas deben de acordar de inmediato un alto el fuego por un tiempo limitado, que permita abrir con seguridad un corredor humanitario para que llegue la ayuda a Gaza y que de tiempo a Egipto para continuar con sus esfuerzos de lograr un alto el fuego duradero.

2) Egipto convocaría a israelíes y palestinos a un encuentro urgente en el que se pudiera llegar a acuerdos que garanticen que la actual escalada de violencia no vuelva a repetirse. Además, dichos acuerdos deberían desembocar en la protección de las fronteras, la reapertura de los pasos fronterizos y la suspensión del bloqueo.

3) Las autoridades de El Cairo invitan también a la Autoridad Palestina y al resto de facciones palestinas a que se unan a los esfuerzos de Egipto en la búsqueda de un acuerdo que logre la reconciliación nacional.

07/01/2009 - 22:57h “En Israël, le soutien massif à l’opération a commencé à s’éroder”

Michel Warschawski, président du mouvement pacifiste israélien Centre d’information alternative

LE MONDE

http://www.stevenfeuerstein.com/outrage/capt.palestinian_protest_2an.jpg

A la veille du début de la phase terrestre de l’opération “Plomb durci”, le 3 janvier, 95 % des juifs israéliens soutenaient l’offensive dans la bande de Gaza, dont 80 % “sans réserve”, selon un sondage paru dans le quotidien Maariv. Le militant pacifiste anticolonial Michel Warschawski, président du mouvement israélien Centre d’information alternative, analyse l’évolution de l’opinion publique et fait le point sur l’état du “camp de la paix” en Israël.

L’offensive militaire semble trouver un soutien très large dans la population israélienne. Le mouvement pacifiste est-il audible ?

Samedi 3 janvier, à Tel-Aviv, nous étions entre 6 000 et 8 000 à manifester pour la cessation des combats. C’était le point d’orgue de notre mobilisation jusqu’à présent. C’est beaucoup plus que ce que nous avons mobilisé pendant la deuxième guerre du Liban en 2006, mais encore très loin de la mobilisation de la première guerre du Liban [en 1982]. La population arabe (20 % de la population israélienne) est mobilisée en permanence. La grande manifestation de samedi à Sakhnine en Galilée a rassemblé au moins 50 000 personnes, ce qui est énorme. Il y a des tensions croissantes entre les deux communautés. Le racisme ambiant inter-israélien, qui se développe depuis quelques temps déjà, s’est particulièrement durci ces dix derniers jours.

Si cette guerre avait été menée par le président du Likoud, Benyamin Nétanyahou, il y aurait eu rapidement des dizaines de milliers de personnes dans la rue. Mais lorsque les travaillistes sont au pouvoir, le “camp de la paix”, au sens large, n’existe pas.

Comment évolue l’opinion israélienne depuis le début de la phase terrestre des opérations ?

Le soutien massif, quasi consensuel, de l’opinion israélienne à l’opération a commencé à s’éroder avec le début de l’offensive terrestre, car les gens sont conscients qu’elle peut coûter des vies. On en est aujourd’hui à sept morts côté israélien, et l’opinion est en train de bouger sensiblement. On assiste à un revirement graduel de l’opinion publique, qui commence à attendre qu’un cessez-le-feu soit imposé à Israël.

Dans les éditoriaux de la presse quotidienne, le ton a changé. Certains journalistes reconnus, qui estimaient que cette guerre était justifiée, inévitable même, expliquent aujourd’hui qu’il faut utiliser le rapport de force sur le terrain pour obtenir un accord politique avec le Hamas. Cette offensive qui visait à neutraliser le Hamas a donc eu pour effet de lui accorder une reconnaissance de fait… Une partie de la classe politique, qui n’est pas insensible à cette opinion publique, suggère désormais de mettre fin aux affrontements. Le gouvernement israélien sait qu’un cessez-le-feu est inévitable à court terme, mais il demande encore un peu de temps pour finir le “travail”.

Quel est, selon vous, l’objectif de l’armée israélienne ?

Echaudé par l’exemple libanais en 2006, le gouvernement et l’armée se sont bien gardés de fixer un objectif clair. On n’a jamais entendu parler dans les déclarations officielles de l’éradication du Hamas comme cela avait été le cas pour le Hezbollah, parce qu’ils savent que c’est impossible. Ils parlent d’”affaiblissement”, de “marquer au fer rouge” les mentalités, c’est-à-dire de terroriser la population au point qu’elle accepte que des mesures soient prises pour mettre fin aux tirs de roquettes.

De manière générale, dans quel état se trouve aujourd’hui le “camp de la paix” en Israël ?

Je reprendrais une métaphore d’un grand journaliste israélien : le mouvement de la paix en Israël est une bicyclette avec une grande roue et une petite roue. La grande roue, représentée par “La Paix maintenant” et le mouvement travailliste, était capable de mobiliser à ses bons moment des centaines de milliers de personnes. La petite roue, représentée par les forces plus radicales, mobilise entre 5 000 et 10 000 selon les périodes. Ce mécanisme a été extrêmement efficace dans les années 80. Lors de la première guerre du Liban puis de l’Intifada, la petite roue se mettait très rapidement en branle et entraînait avec elle la grande.

Aujourd’hui, la petite roue, quoique plus faible qu’avant, est encore active et visible, mais le problème c’est qu’il n’y a plus de grande roue. Le mouvement de la paix a cessé d’exister. C’est la tragédie de la société israélienne.

Pourquoi cette foi en la paix a-t-elle disparu ?

A son retour de Camp David, en août 2000, Ehoud Barak a tenu un discours totalement mystificateur sur l’absence de partenaire côté palestinien. Dans la deuxième partie de son discours, il disait avoir démasqué le vrai plan d’Arafat, qui visait selon lui à nous “jeter à la mer”. Ce discours a détruit en quelques semaines le mouvement de la paix. Il ne s’en est jamais remis.

En 2001, l’opinion publique israélienne modérée commençait à se remettre des effets de ce discours quand est arrivé le 11 septembre 2001, qui a globalisé le slogan “il n’y a pas de partenaire”. On était désormais face à une menace existentielle représentée par l’islam militant dont les Palestiniens constituaient la ligne de front. C’est ce qui explique l’état de siège à Gaza puis l’offensive militaire. C’est la conjonction de ces deux facteurs qui explique pourquoi il n’y a plus de mouvement de la paix capable d’avoir un impact. Nous avons aujourd’hui un discours, mais aucune prise sur la politique gouvernementale.

Propos recueillis par Soren Seelow

07/01/2009 - 17:56h Paz


Pomba da Paz
(Picasso)

Se eu te pedisse a paz, o que me darias
pequeno insecto da memória de quem sou
ninho e alimento? Se eu te pedisse a paz,
a pedra do silêncio cobrindo-me de pó,
a voz limpa dos frutos, o que me darias
respiração pausada de outro corpo
sob o meu corpo?

Perdoa-me ser tão só, e falar-te ainda
do meu exílio. Perdoa-me se não te peço
a paz. Apenas pergunto: o que me darias
em troca se ta pedisse? O sol? A sabedoria?
Um cavalo de olhos verdes? Um campo de batalha
para nele gravar o teu nome junto ao meu?
Ou apenas uma faca de fogo, intranquila,
no centro do coração?

Nada te peço, nada. Visito, simplesmente,
o teu corpo de cinza. Falo de mim,
entrego-te o meu destino. E a morte vivo
só de perguntar-te : o que me darias
se te pedisse a paz
e soubesses de como a quero construída
com as matérias vivas da liberdade?

Casimiro de Brito

Fonte Blog Encosta do mar

07/01/2009 - 14:32h La guerra de nunca acabar

El conflicto en Oriente Próximo

Soldados en un blindado israelí en la frontera de la franja de Gaza

M. Á. BASTENIER – EL PAÍS

Israel se retira de Gaza en 2005; Hamás gana las elecciones -democráticas- en los territorios ocupados en 2006, y en junio de 2007 se apodera de la franja, tras eliminar la resistencia de los militantes de la Autoridad Palestina; Israel controla todo lo que entra y sale de Gaza manteniendo a su millón y medio de habitantes a nivel de subsistencia; más o menos simultáneamente Hamás hace llover sobre localidades israelíes cohetes artesanales que aterrorizan a la población, pero causan conciso número de muertos; a mediados de 2008, Hamás establece una tregua que expira el pasado día 19 y los terroristas ofrecen renovarla sólo si se levanta el cerco; Israel el 27 lanza la operación Plomo fundido para destruir a Hamás, lo que acarrea un gran número de muertos civiles en el territorio de mayor densidad del mundo, 5.000 habitantes por kilómetro cuadrado.

Es tarde para jugar a quién fue primero, si el huevo o la gallina. Hay que volver a lo básico: Israel ocupa una parte sustancial de Palestina más allá de la línea verde, la frontera del armisticio militar con Jordania de 1948, a ambos lados de la cual el Estado sionista se extiende por el 77%-78% del antiguo mandato británico, y los árabes retienen menos del 23%. Todo parte de ahí.

El 13 de septiembre de 1993, en la Casa Blanca y ante el presidente Clinton, Israel y la OLP firman un acuerdo marco para el establecimiento de una autonomía de naturaleza indefinida sobre todos o parte de los territorios ocupados en la guerra de 1967, que debía en el plazo de cinco años convertirse en una entidad política de naturaleza tampoco previamente definida, que debía hacer la paz con Israel. Pero no se preveía limitación alguna a la expansión de las colonias sionistas en el territorio, Cisjordania, Jerusalén árabe y Gaza, que, con poco más de 5.000 kilómetros cuadrados, tienen una extensión menor que las provincias de Madrid o Barcelona, en un territorio que es las tres cuartas partes de Cataluña.

En 1993 había en los territorios unos 200.000 colonos, incluyendo los instalados en Jerusalén-Este; hoy no bajan de medio millón, de los que una mitad vive en la parte árabe de la capital. La negociación era inviable: se discutía el reparto de un territorio mientras una de las partes, la que tenía todos los cañones, lo iba llenando tan rápido como inmigrantes recibía de la ya extinta Unión Soviética. Todo un torpedo en la línea de flotación de unas conversaciones que llamaban de paz.

Es probable que, cualquiera que fuese la amplitud de la retirada israelí, incluso hasta la línea verde, siguiera existiendo hoy Hamás u otra organización parecida, decidida a no reconocer a Israel y a recurrir al terrorismo -aunque el movimiento integrista ha dicho que aceptaría una tregua indefinida a cambio de la total retirada israelí-, pero lo seguro es que no tendría la fuerza actual, que nace del apoyo prestado por Israel al fundamentalismo en los años setenta y ochenta para debilitar a la OLP, y, más aún, de los continuos desaires infligidos a la AP en la negociación, primero con Yasir Arafat, y luego con su sucesor Mahmud Abbas.

La AP ha enarbolado todo este tiempo como programa la resolución 242 del Consejo de Seguridad, que pide la retirada completa de los territorios, y con mucha menor fe porfía por el regreso o una compensación económica a los palestinos que tuvieron que huir de lo que hoy es Israel, y a sus descendientes; el Estado judío sólo hizo público en las conversaciones de Camp David II, julio de 2000, una aproximación de mapa de retirada, que implicaba la anexión de cerca de un 20% de los territorios, grosso modo lo que ya está rodeado por un muro-verja-valla o separación, que incluye todo Jerusalén.

La hora de la verdad pudo haber llegado en marzo de 2002 cuando la Liga Árabe reunida en Beirut le ofrecía a Israel el reconocimiento pleno de todos sus miembros a cambio de una retirada también plena, y los dirigentes israelíes, como el hoy presidente Simón Peres, respondieron con sarcasmos. Nadie pedía, sin embargo, a Jerusalén que asumiera con fe ciega esa declaración; muy al contrario, habría hecho falta negociar a fondo para cerciorarse de que la oferta iba en serio, pero el desdén israelí probaba que Jerusalén sólo quería la paz de la victoria. Y de ésa, el pueblo palestino resulta que no tiene.

07/01/2009 - 11:15h Proposta de França e Egito ganha força

Chaque jour, les bombardements cesseront pendant trois heures à Gaza.

EUA e Autoridade Palestina apoiam plano para pôr fim a ofensiva em Gaza

 

Nova York – O Estado SP

 


Os presidentes da França e do Egito, Nicolas Sarkozy e Hosni Mubarak, apresentaram ontem um plano para obter uma trégua imediata e encerrar o conflito entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza. O chanceler francês, Bernard Kouchner, disse ontem à noite durante reunião do Conselho de Segurança da ONU em Nova York que o plano levará as principais partes, incluindo a Autoridade Palestina, a adotar “todas as medidas” para encerrar o conflito.

A proposta, apresentada por Mubarak e Sarkozy durante uma entrevista coletiva em Sharm el-Sheikh, pede um cessar-fogo por um período limitado destinado a permitir o envio de ajuda humanitária a Gaza, um encontro urgente entre israelenses e palestinos para discutir meios de impedir novas ações militares e motivos para o conflito, incluindo o fim do bloqueio de Gaza. Também pede a retomada de diálogo sobre uma reconciliação entre o Hamas e a Autoridade Palestina, que perdeu o controle de Gaza para o grupo em meados de 2007.

“Deter a violência é a prioridade. O Conselho de Segurança – que a França passará a presidir em fevereiro – precisa apoiar e encorajar esse esforço promissor”, declarou Kouchner. “Estamos esperando a resposta israelense e temos esperança de que será positiva”, disse. A embaixadora israelense na ONU, Gabriela Shalev, disse que Israel está analisando “seriamente” a proposta.

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, e os EUA apoiaram imediatamente o plano Mubarak-Sarkozy. Abbas pediu ao CS que pressione por uma trégua e o levantamento do “sítio sufocante” a Gaza.

“Precisamos urgentemente concluir um cessar-fogo que perdure a traga real segurança”, disse a secretária americana de Estado, Condoleezza Rice, ao CS da ONU. “Nesse sentido, estamos satisfeitos e desejamos elogiar o presidente do Egito e seguir sua iniciativa”, disse.

À tarde, durante um encontro em Damasco com o presidente sírio, Bashar Assad, Sarkozy afirmou que um acordo de cessar-fogo em Gaza entre Israel e o Hamas “não está distante”. Sarkozy pediu à Síria – um dos principais aliados do Hamas – que pressione os líderes do grupo radical palestino a firmar uma trégua com Israel. “É preciso simplesmente que um dos atores envolvidos comece a encaminhar as coisas na direção certa”, afirmou.

O otimismo sobre um cessar-fogo foi compartilhado pelo ex-premiê britânico e enviado especial à região, Tony Blair. A violência pode ser “freada rapidamente”, garantiu Blair, que representa o chamado “Quarteto” – grupo de negociação do conflito palestino-israelense formado pela ONU, EUA, União Europeia e Rússia.

Em entrevista ao jornal Haaretz, o premiê de Israel , Ehud Olmert, garantiu que não tem interesse em prolongar a ofensiva em Gaza. “O quanto antes, melhor”, disse Olmert em relação ao fim da ação. “Há diferentes ideias para um arranjo diplomático e estou em discussão com vários líderes sobre elas.” Pela primeira vez após 11 dias de ataque, Israel estaria considerando as propostas de trégua, admitiram funcionários do governo israelense à Reuters.

AL-QAEDA SOLIDÁRIA

O número 2 da Al-Qaeda, Ayman al-Zawahiri, convocou os muçulmanos do mundo a atacar alvos israelenses e ocidentais como resposta à ação de Israel contra o Hamas em Gaza. “Acerte os interesses dos sionistas e dos cruzados em qualquer lugar e de qualquer modo que você conseguir”, disse Zawahiri em um site jihadista. “Este ataque é o presente do presidente eleito Obama a vocês (palestinos).”
REUTERS E AP

05/01/2009 - 10:06h Região não terá paz com invasão e bombardeios

Lluvia de fuego

Artillería imparable

La primera baja israelí

Víctimas civiles

Sami Abdel-Shafi *, The Guardian – O Estado SP

Ontem bem cedo, subi para o terraço de minha casa para ver o sol nascer. Colunas de fumaça negra subiam no horizonte de Gaza, mostrando de maneira inquietante que a ofensiva por terra das tropas israelenses já havia infligido mais sofrimento indiscriminado ao povo desta cidade palestina.

Refleti sobre a bola de fogo, fruto do total fracasso da tentativa de se chegar a um acordo e, até certo ponto, no plano internacional, que caiu no colo dos civis de Gaza. No prazo de segundos, o som fundo e apavorante do bombardeio que vinha do mar me obrigou a descer rapidamente.

Ao meio-dia de domingo, depois de cerca de 12 horas de incursão, as tropas israelenses chegavam às imediações de Jabaliya – a cidade e o campo de refugiados com uma população de 200 mil pessoas – enquanto helicópteros Apache disparavam projéteis de grande calibre sobre o campo, aos quais se somava o fogo da artilharia. Mas a Cidade de Gaza, onde moro, tampouco é um refúgio seguro, pois fica a apenas 8 quilômetros de Jabaliya, e a 3 quilômetros dos combates do lado leste.

Nove dias depois do início da guerra, e após 800 incursões sobre Gaza, muitas vezes parece que os hangares da Força Aérea israelenses devem estar vazios, enquanto seus aviões martelam incessantemente a cidade, acabando com os sobreviventes.

Mas a capacidade de recuperação destas pessoas é realmente notável. O homem de meia idade que me ajuda em casa apareceu ontem ao meio-dia, trazendo más notícias. Quando saía de casa, em meio a um tiroteio esporádico, no campo de Jabaliya, viu uma menina de 10 anos levar uma saraivada de tiros de grande calibre de um helicóptero Apache em cima da casa. O pai gritava: tentara segurar os filhos dentro da casa, mas ela quis tomar um pouco de sol.

Neste momento, meus vizinhos pensam única e exclusivamente em sua sobrevivência pessoal: como conseguir comida; como atravessar a rua; como ver se os parentes estão a salvo a poucas centenas de metros; como conseguir algum dinheiro para comprar coisas básicas; será que vou despertar com um soldado na porta da minha casa; será que vou poder viver uma vida normal? Quanto à política, eles não estão pensando nas disputas internas entre o Fatah e o Hamas – deixaram de lado todo espírito partidário. Só pensam na desumanidade que Israel nos está infligindo.

Não sabemos quanto tempo ainda as linhas que alimentam as comunicações de Gaza pela Internet sobreviverão. A perspectiva de perder as últimas linhas de comunicação com o mundo exterior é extremamente preocupante, principalmente porque a maior parte das agências de notícias e os diplomatas foram impedidos de testemunhar a carnificina.

Milhares de pessoas já pereceram ou foram feridas. Mas o espírito dos sobreviventes não morrerá, pois se isto acontecer, também perecerá a verdade de sua tragédia.

Assim como outras pessoas, não tenho mais dinheiro para comprar coisa alguma, mesmo que tivesse coragem para sair de casa. Raciono o pão, legumes, verduras e pedaços de queijo. Alguns tabletes de chocolate me ajudam a ficar alerta e a enganar a fome. Tenho mais sorte do que muitos outros, que estão tão pobres que não têm comida nenhuma.

O dono da mercearia diz que o chocolate foi trazido pelos túneis no sul da Faixa de Gaza, o mundo subterrâneo para o qual os habitantes de Gaza foram encurralados na tentativa de driblar o cerco prolongado imposto por Israel. Durante muitos meses, Israel pareceu fechar os olhos aos túneis, porque contribuíam para reduzir a pressão sobre sua estratégia de fechar os postos de fronteira de Gaza na maior parte dos dias. Ao mesmo tempo, algumas pessoas na cidade passaram a se dedicar ao mercado negro. Mas muitos destes túneis agora foram destruídos pelos bombardeios israelenses.

É difícil prever as consequências desta guerra. Se o Conselho de Segurança da ONU tivesse pressionado Israel a expor claramente suas intenções, agora talvez tivéssemos um cessar-fogo. Mas do jeito que as coisas estão, Gaza provavelmente terá pela frente vários anos de mais desespero e instabilidade.

Será extremamente difícil para os palestinos, particularmente para os habitantes de Gaza, reconstruir e aprimorar as instituições e os serviços públicos. Mas talvez seja este mesmo o objetivo da política de Israel contrária à paz: o fim da tenacidade do povo de Gaza em querer a chance de uma vida pacífica e digna. Não é este o caminho da paz.


*Sami Abdel-Shafi, sócio de uma empresa de consultoria, escreveu este artigo da Faixa de Gaza, onde vive com a família

04/01/2009 - 10:37h Proposta árabe de paz é melhor solução

 Las víctimas de la guerraExtinción de los incendios

Turki al-Faisal*, The Washington Post – O Estado de São Paulo

O presidente eleito dos EUA, Barack Obama, herdará dentro em breve não apenas uma nação refém de duas guerras, mas um mundo de instabilidade e todo o Oriente Médio mergulhado na discórdia. Embora os conflitos na região pareçam eternos, há razões para certo otimismo. Se Obama se unir às forças da paz e da estabilidade e agir de maneira corajosa, sua presidência terá um forte impacto no panorama internacional.

O melhor remédio já formulado para a disputa palestino-israelense é a iniciativa de paz árabe de 2002. A perspectiva de “paz” deve ser analisada em relação ao seu contexto.

Em maio, Israel comemorou o 60º aniversário de sua criação. Para os palestinos e seus irmãos árabes e muçulmanos, a fundação de Israel é “al-Naqba” ou “a catástrofe”. É o dia em que o sonho de um Estado palestino se despedaçou; o dia em que a ideia de um mundo com base na igualdade, na liberdade e na autodeterminação morreu.

Há um consenso universal segundo o qual o povo palestino vive sob ocupação e foi privado de sua terra. É indiscutível que seus direitos – derivados de textos inspirados em fontes divinas, do direito internacional e dos princípios básicos da justiça e da equidade – foram ignorados, assim como todas as tentativas de buscar uma reparação.

Os Acordos de Oslo de 1993, o primeiro pacto direto entre palestinos e israelenses, assinalaram um marco histórico. Na época, existiu um verdadeiro espírito de cooperação, expresso pelo desejo de israelenses e palestinos de viver juntos em paz. O assassinato de Yitzhak Rabin, em 1995, acabou tragicamente com essa esperança.

Em 1998, ficou evidente que a paz prefigurada em Oslo não se concretizaria. Cada uma das partes defende suas razões ao explicar o fracasso. Mas analisando as discussões parece que os israelenses usaram Oslo como justificativa para se apropriar de mais terras palestinas, principalmente ao redor de Jerusalém. Os negociadores israelenses discutiram obstinadamente os problemas secundários, recusando-se a negociar as questões relativas ao status final, a questão fundamental para uma paz duradoura e segura.

O mundo árabe apresentou duas propostas claras, o plano de paz de Fahd, de 1981, e a iniciativa de paz árabe de 2002. Ambos tinham o endosso de todas as nações árabes. O mundo árabe estava disposto a pagar um preço elevado pela paz, não apenas reconhecendo Israel como um Estado legítimo, como normalizando as relações e pondo um fim às hostilidades que existem desde 1948.

Em troca, pedia a Israel que seguisse o curso estabelecido pelas resoluções e pelas leis internacionais, retirando-se completamente dos territórios ocupados em 1967, o que inclui o lado leste de Jerusalém; aceitando uma solução justa do problema dos refugiados palestinos; e reconhecendo o Estado independente da Palestina, com Jerusalém Oriental como sua capital.

Se a paz for o verdadeiro objetivo, Israel deverá cessar toda provocação, como persistir na construção de assentamentos em território palestino, que constitui uma clara violação da lei internacional. Se não fizer isto, o mundo concluirá, como o ex-presidente Jimmy Carter, que Israel está interessado apenas em aumentar seu poder e sua posição de barganha.

Shimon Peres ofereceu-se para discutir a iniciativa de paz árabe a qualquer momento e nós aplaudimos sua resposta. Atualmente, o governo saudita não pode manter conversações diretas com Israel, portanto Egito e Jordânia foram autorizados a reunir-se com Israel em nome do mundo árabe. Assim que forem conseguidos acordos entre palestinos, Líbano, Síria e Israel, a Arábia Saudita se dedicará ao fim das hostilidades e ao estabelecimento de relações diplomáticas com Israel.

A paz exigirá esforços mundiais. Os EUA, a União Europeia, a Federação Russa e a ONU deverão abraçar as iniciativas árabes e pressionar Israel a fazer o mesmo. Depois de tomar posse, Obama não poderá perder a ocasião crucial para conduzir a região rumo à paz empreendendo uma política abrangente para tratar de todos os pontos críticos do Oriente Médio. Para tanto, deveria:

pedir a retirada imediata das forças israelenses das Fazendas de Sheba no Líbano. Isso acabaria com o arsenal da propaganda do Hezbollah e reduziria a interferência da Síria e do Irã no Líbano;

colaborar com o Conselho de Segurança da ONU para uma resolução que garanta a integridade territorial do Iraque. Isto esfriaria as ambições dos políticos iraquianos de desmembrar o país e os obrigaria a negociar uma reconciliação nacional, colocando os interesses iraquianos acima dos interesses de árabes, curdos, xiitas ou sunitas. Além disso acabaria com as ambições econômicas ou territoriais que os vizinhos podem estar avaliando;

encorajar negociações de paz sírio-israelenses, o que envolveria a Síria e reduziria a intervenção iraniana. Também obrigaria os grupos palestinos na Síria a seguir o exemplo sírio;

declarar a intenção dos EUA de trabalhar por um Oriente Médio sem armas de destruição em massa, com um sistema de segurança abrangente e outros incentivos para os países que o assinassem, e um regime de sanções para os que não o assinassem. Isso acabaria com a questão das duas normas usadas pelo governo iraniano para angariar apoio entre seu povo para sua política nuclear.

A estabilização da situação no Oriente Médio exigirá paciência, determinação, uma diplomacia firme e empatia. Mas o resultado desses esforços valerá a pena. Como disse a diplomata indiana Vijaya Laskshmi Nehru Pandit: “Quanto mais suamos pela paz, menos sangramos na guerra.”

*Turki al-Faisal é filho do falecido rei Faisal da Arábia Saudita e diretor do Centro Rei Faisal para Pesquisa e Estudos Islâmicos

04/01/2009 - 10:28h Para que termine a insanidade

http://english.aljazeera.net/mritems/images/2008/2/28/1_241948_1_5.jpg

SAID MOURAD ESPECIAL PARA A FOLHA SP

Às vésperas de um Ano Novo, prenúncio de bons votos, o Oriente Médio mergulhou em nova onda de insanidade. Um ataque arrasador de Israel causou a morte de centenas de pessoas na faixa de Gaza. Inclusive crianças, mulheres e idosos.
Na verdade, esse ataque causou muito mais vítimas do que os mortos de Gaza. Para começar, ele atinge em cheio milhões de palestinos de Gaza, da Cisjordânia e da diáspora, junto com seus sonhos de levar uma vida normal, só isso, em seu próprio Estado.
O massacre atinge também todo o mundo árabe, solidário aos palestinos de Gaza, atacados apenas poucos meses depois de uma outra agressão israelense, daquela vez ao Líbano. Vítimas também são as centenas de milhões de muçulmanos, que sangram um pouco mais a cada morte na faixa de Gaza. Sem esquecer que os bombardeios israelenses acontecem pouco antes da posse de Barack Obama na Presidência dos Estados Unidos.
O recado de Israel a Obama parece claro: ou a Casa Branca freia o projeto nuclear do Irã, que tem sólidas ligações com o Hamas palestino, ou os israelenses podem fazer em território iraniano a mesma barbaridade que vêm cometendo contra Gaza. Pode parecer estranho, mas vítimas também do ataque são os próprios israelenses e os judeus de todo o mundo. Sim, porque, a propósito de combater o terror, Israel bombardeia os esforços de dirigentes palestinos favoráveis a uma paz duradoura no Oriente Médio.
Ninguém que defenda a coexistência pacífica entre árabes e israelenses pode ser favorável ao disparo de foguetes desde Gaza contra cidades de Israel.
Mas as dimensões gigantescas da reação israelense certamente farão com que vozes favoráveis à paz se sintam cada vez mais intimidadas.
A consequência é previsível.
Os palestinos e seus aliados irão usar todos os instrumentos ao seu alcance para resistir. E se vingar. É evidente que presenciaremos uma nova onda de violência também contra os israelenses. Muitas vezes, civis inocentes; tão inocentes como as dezenas de crianças, velhos e mulheres que morrem a cada dia na Gaza indefesa.
Mas por que digo que os judeus de todo o mundo também são vítimas dos bombardeios israelenses? Porque é compreensível que eles terminem sentindo efeitos compreensíveis (embora não aceitáveis) do ódio dos árabes e muçulmanos de todo o mundo.
Trata-se de um prato cheio para quem prega o rancor como método de ação política. O “ataque contra o terror” em Gaza certamente está fazendo com que os mestres terroristas esfreguem as mãos de contentamento: eles são os maiores aliados de Israel, ambos engajados em destruir qualquer possibilidade de paz no Oriente Médio.
Muita gente aqui nos trópicos talvez comente, com um certo desdém: “Eles que se matem. Não temos nada a ver com isso”. Temos -e muito.
Sou brasileiro, descendente de árabes, muçulmano, representante do povo paulista, torcedor do Corinthians e pai de uma menina recém-nascida. Orgulho-me da convivência pacífica construída por católicos, evangélicos, muçulmanos, judeus espíritas e umbandistas em meu país.
Mas temo que a intolerância reforçada pelo bárbaro ataque de Israel e a opressão ao povo palestino estimulem cada vez mais a intolerância. Uma intolerância que, cedo ou tarde, chegará até nós. O Brasil foi o único país latino-americano convidado a participar da Conferência de Annapolis, nos EUA, em 2007, que tentou retomar os esforços por uma paz duradoura no Oriente Médio. O presidente Lula tem feito grandes esforços para ampliar a presença brasileira no cenário geopolítico.
É fundamental que o Brasil, reconhecido pela tolerância e pelo equilíbrio, adote uma posição firme contra essa insanidade, condenando e agindo para frear a agressão israelense aos palestinos da faixa de Gaza. Muçulmanos, palestinos, israelenses e brasileiros de todas as origens agradecerão.

SAID MOURAD, engenheiro civil, é deputado estadual pelo PSC-SP

23/09/2008 - 16:10h Lula defende “regulação” na economia mundial, no seu discurso na ONU

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Agencia Estado

 

SÃO PAULO - Na abertura da 63ª Assembléia Geral das Organizações das Nações Unidas (ONU), em Nova York, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira, 23, citando o economista Celso Furtado, que a privatização dos lucros e a socialização das perdas é uma atitude “inadmissível”. Lula centrou seu discurso na crise financeira global. “A crise financeira é dura realidade. A euforia dos especuladores transformou-se em angústia dos povos, após a sucessão de naufrágios financeiros que ameaçam a economia mundial”, acrescentou.Em clara referência ao pacote de socorro implementado pelo governo norte-americano, o presidente observou que as “indispensáveis intervenções” realizadas pelo Estado mostram que “é chegada hora da política”. “Somente ação determinada dos governantes, em especial de países que estão no centro da crise, será capaz de combater a desordem que se instalou nas finanças internacionais, com efeitos perversos na vida cotidiana de milhões de pessoas”.

Leia abaixo a íntegra do discurso:

Discurso do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na abertura do debate geral da 63ª Assembléia Geral das Nações Unidas, Nova Iorque-EUA, 23 de setembro de 2008

Senhores e senhoras chefes de Estado e de Governo,

Senhor Miguel d’Escoto, presidente da Assembléia Geral das Nações Unidas,

Senhor Ban Ki-moon, secretário-geral das Nações Unidas,

Senhoras e senhores chefes de Delegação,

Saúdo, com alegria, o presidente da Assembléia Geral, meu ilustre amigo Miguel d’Escoto. Desejo-lhe pleno êxito em sua missão.

Esta Assembléia realiza-se em um momento particularmente grave. A crise financeira, cujos presságios vinham se avolumando, é hoje uma dura realidade. A euforia dos especuladores transformou-se em angústia dos povos após a sucessão de naufrágios financeiros que ameaçam a economia mundial.

As indispensáveis intervenções do Estado, contrariando os fundamentalistas do mercado, mostram que é chegada a hora da política. Somente a ação determinada dos governantes, em especial naqueles países que estão no centro da crise, será capaz de combater a desordem que se instalou nas finanças internacionais, com efeitos perversos na vida cotidiana de milhões de pessoas.

A ausência de regras favorece os aventureiros e oportunistas, em prejuízo das verdadeiras empresas e dos trabalhadores. É inadmissível, dizia o grande economista brasileiro Celso Furtado, que os lucros dos especuladores sejam sempre privatizados e suas perdas, invariavelmente socializadas.

O ônus da cobiça desenfreada de alguns não pode recair impunemente sobre os ombros de todos. A economia é séria demais para ficar nas mãos dos especuladores. A ética deve valer também na economia. Uma crise de tais proporções não será superada com medidas paliativas. São necessários mecanismos de prevenção e controle, e total transparência das atividades financeiras.

Os organismos econômicos supranacionais carecem de autoridade e de instrumentos práticos para coibir a anarquia especulativa. Devemos reconstruí-los em bases completamente novas. Dado o caráter global da crise, as soluções que venham a ser adotadas deverão ser também globais, tomadas em espaços multilaterais legítimos e confiáveis, sem imposições. Das Nações Unidas, máximo cenário multilateral, deve partir a convocação para uma resposta vigorosa às ameaças que pesam sobre nós.

Há outras questões igualmente graves no mundo de hoje. É o caso da crise alimentar, que ameaça mais de um bilhão de seres humanos; da crise energética, que se aprofunda a cada dia; dos riscos para o comércio mundial, se não chegarmos a um acordo na Rodada de Doha; e da avassaladora degradação ambiental, que está na origem de tantas calamidades naturais, golpeando sobretudo os mais pobres.

Senhor Presidente,

Senhoras e senhores,

O Muro de Berlim caiu. Sua queda foi entendida como a possibilidade de construir um mundo de paz, livre dos estigmas da Guerra Fria. Mas é triste constatar que outros muros foram se construindo, e com enorme velocidade. Muitos dos que pregam a livre circulação de mercadorias e capitais são os mesmos que impedem a livre circulação de homens e mulheres, com argumentos nacionalistas, e até fascistas, que nos fazem evocar, temerosos, tempos que pensávamos superados.

Um suposto “nacionalismo populista”, que alguns pretendem identificar e criticar no Sul do mundo, é praticado sem constrangimento em países ricos. As crises financeira, alimentar, energética, ambiental e migratória, para não falar das ameaças à paz em tantas regiões, demonstram que o sistema multilateral deve se adequar aos desafios do século XXI. Aos poucos vai sendo descartado o velho alinhamento conformista dos países do Sul aos centros tradicionais.

Essa nova atitude não conduz, no entanto, a uma postura de confrontação. Simplesmente pelo diálogo direto, sem intermediação das grandes potências, os países em desenvolvimento têm-se credenciado a cumprir um novo papel no desenho de um mundo multipolar. Basta citar iniciativas como o IBAS, o G-20, as cúpulas América do Sul-África ou América do Sul-Países Árabes e a articulação dos BRICs.

Está em curso a construção de uma nova geografia política, econômica e comercial no mundo. No passado, os navegantes miravam a estrela polar para “encontrar o Norte”, como se dizia. Hoje estamos procurando as soluções de nossos problemas contemplando as múltiplas dimensões de nosso Planeta. Nosso “norte” às vezes está no Sul.

Em meu continente, a Unasul, criada em maio deste ano, é o primeiro tratado – em 200 anos de vida independente – que congrega todos os países sul-americanos. Com essa nova união política vamos articular os países da região em termos de infra-estrutura, energia, políticas sociais, complementaridade produtiva, finanças e defesa.

Reunidos em Santiago do Chile há pouco mais de uma semana os presidentes da América do Sul, comprovamos a capacidade de resposta rápida e eficaz da Unasul frente a situações complexas, como a que vive a nação-irmã boliviana. Respaldamos seu governo legitimamente eleito, suas instituições democráticas e sua integridade territorial e fizemos um apelo ao diálogo como caminho para a paz e a prosperidade do povo boliviano.

Em dezembro, o Brasil irá sediar, na Bahia, uma inédita cúpula de toda a América Latina e do Caribe sobre integração e desenvolvimento. Será uma reunião de alto nível, sem qualquer tutela, assentada em uma perspectiva própria latino-americana e caribenha.

Todos esses esforços no plano multilateral são complementados por meio de ações de solidariedade de meu país para com nações mais pobres, especialmente na África. Quero também enfatizar nosso compromisso com o Haiti, país em que exercemos o comando das tropas da Minustah e ajudamos a restabelecer a paz. Renovo meu chamamento à solidariedade dos países desenvolvidos com o Haiti, muito prometida e pouco cumprida.

Senhor Presidente,

A força dos valores deve prevalecer sobre o valor da força. É preciso que haja instrumentos legítimos e eficazes de garantia da segurança coletiva.

As Nações Unidas discutem há quinze anos a reforma do Conselho de Segurança. A estrutura vigente, congelada há seis décadas, responde cada vez menos aos desafios do mundo contemporâneo. Sua representação distorcida é um obstáculo ao mundo multilateral que todos nós almejamos. Considero, nesse sentido, muito auspiciosa a decisão da Assembléia Geral de iniciar prontamente negociações relativas à reforma do Conselho de Segurança.

O multilateralismo deve guiar-nos também na solução dos complexos problemas ligados ao aquecimento global, com base no princípio de responsabilidades comuns, porém diferenciadas. O Brasil não tem fugido a suas responsabilidades. Nossa matriz energética é crescentemente limpa.

As crises alimentar e energética estão profundamente entrelaçadas. Na inflação dos alimentos estão presentes – ao lado de fatores climáticos e da especulação com as commodities agrícolas – os aumentos consideráveis do petróleo, que incidem pesadamente sobre o custo de fertilizantes e transporte.

A tentativa de associar a alta dos alimentos à difusão dos biocombustíveis não resiste à análise objetiva da realidade. A experiência brasileira comprova – o que poderá valer também para outros países com características semelhantes – que o etanol de cana-de-açúcar e a produção de biodiesel diminuem a dependência de combustíveis fósseis, criam empregos, regeneram terras deterioradas e são plenamente compatíveis com a expansão da produção de alimentos. Queremos aprofundar esse debate, em todos os seus aspectos, na Conferência Mundial sobre biocombustíveis que convocamos para novembro, na cidade de São Paulo.

Minha obsessão com o problema da fome explica o empenho que tenho tido, junto a outros líderes mundiais, para chegar a uma conclusão positiva da Rodada de Doha. Continuamos insistindo em um acordo que reduza os escandalosos subsídios agrícolas dos países ricos. O êxito da Rodada de Doha terá impacto muito positivo na produção de alimentos, sobretudo nos países pobres e em desenvolvimento.

Senhor Presidente,

Há quatro anos, junto com vários líderes mundiais, lancei aqui em Nova Iorque a Ação contra a Fome e a Pobreza. Nossa proposta era, e continua sendo, a de adotar mecanismos inovadores de financiamento. A Unitaid, Central de Compra de Medicamentos, é um primeiro resultado dessa iniciativa, ajudando a combater Aids, tuberculose e malária em vários países da África. Mas não basta. Precisamos avançar, e muito, se queremos que a Humanidade cumpra efetivamente as Metas do Milênio.

Em dezembro serão comemorados os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que não pode ser objeto de uma homenagem meramente protocolar. Ela traduz compromissos inalienáveis, que nos interpelam a todos. Como governantes, mais do que a defesa retórica da Declaração, somos chamados a lutar para que os valores proclamados há seis décadas se transformem em realidade em cada país e em todo o mundo.

Senhor Presidente,

O Brasil de hoje é muito distinto daquele de 2003, ano em que assumi a Presidência do meu país e em que, pela primeira vez, compareci a esta Assembléia Geral. Governo e sociedade deram passos decisivos para transformar a vida dos brasileiros. Criamos quase 10 milhões de empregos formais. Distribuímos renda e riqueza. Melhoramos os serviços públicos. Tiramos 9 milhões de pessoas da miséria e outras 20 milhões ascenderam à classe média. Tudo isso em um ambiente de forte crescimento, estabilidade econômica, redução da vulnerabilidade externa e, o que é mais importante, fortalecimento da democracia, com intensa participação popular.

No ano em que celebramos o centenário do grande brasileiro Josué de Castro, o primeiro diretor-geral da FAO e um dos pioneiros da reflexão sobre o problema da fome no mundo, vale a pena recordar sua advertência: “Não é mais possível deixar-se impunemente uma região sofrendo de fome, sem que o mundo inteiro venha a sofrer as suas conseqüências.” Tenho orgulho de dizer que o Brasil está vencendo a fome e a pobreza.

Senhor Presidente,

Reitero o otimismo que expressei aqui há cinco anos. Somos muito maiores do que as crises que nos ameaçam. Dispomos de sentimento, razão e vontade para vencer qualquer adversidade. Esse, mais do que nunca, é o espírito dos brasileiros.

Muito obrigado.