18/05/2009 - 13:00h Ou São Paulo está nas mãos do crime organizado ou as autoridades são incompetentes. Ou as duas coisas
Faz um certo tempo pipocam nos jornais matérias que atribuem à ação de criminosos as dificuldades encontradas pelos governantes de São Paulo para responder convenientemente às reclamações da população.
Hoje no Estadão, a justificativa para deixar ruas sem luz na periferia é à ação de criminosos. O outro dia, a manifestação de moradores de uma favela foi ação do PCC. A não construção das moradias previstas no Jardim Edite? o mesmo responsável.
Em todos estes casos e outros, como na escola que sofreu intervenção da polícia, o mesmo argumento se repete.
A tese que tudo isto é ação da criminalidade é transmitida pelas autoridades para os jornais. Quando a população é interrogada pelos jornalistas, a informação é outra.
Difícil saber onde está a verdade. O descaso dos governos de São Paulo, estadual e municipal, com as necessidades dos mais pobres não significa que o crime organizado não esteja efetivamente por trás de todos esses problemas. O descaso das mesmas autoridades para com a segurança, explicaria este fato.
Ou é só pretexto para justificar a incompetência e o abandono da periferia?
Em ambos os casos, a responsabilidade da gestão Serra – Kassab fica em evidência, mas o jogo de esconde-esconde permite de preservar as apariencias. LF

Para moradores, ameaças de bandidos são desculpa para atraso e preconceito
Camilla Haddad – O Estado SP
Na Rua Padre Francisco de Moura Roli, em Artur Alvim, zona leste, moradores contestam a informação do Departamento de Iluminação Pública (Ilume) de que técnicos teriam sido impedidos por criminosos na primeira tentativa de trocar as lâmpadas da rua. Para eles, o envolvimento de bandidos seria uma “desculpa” para a demora do órgão em devolver luz à via. “Que eu saiba, é desculpa da empresa para justificar a demora no atendimento. Ficamos três meses sem enxergar o chão”, diz uma moradora, que pediu anonimato.
Rafael Jesus Santos foi um dos primeiros que reclamaram das lâmpadas quebradas da rua. Foi ele quem recebeu do Ilume a resposta de que técnicos não iam ao local por causa de “maus elementos” que impediam os reparos. “A luz voltou no dia 3, mas com muito custo.”
Segundo a dona de casa Josefa dos Santos, que vive na Rua Padre Francisco há 30 anos, mais de cinco postes estavam sem lâmpadas. Apesar de dizer que o local é tranquilo, ela diz que tinha medo da escuridão. “Meu marido voltava muito tarde e dava preocupação”, afirma a moradora.
Ao lado dela, um grupo de vizinhos jogava baralho e tomava cerveja na segunda-feira passada, por volta das 15 horas. “Não sabemos de violência aqui. Nessa região não tem”, garantiu um dos rapazes, Pedro Luiz. Segundo ele, já as lâmpadas queimam com frequência na rua.
Para o pedreiro Aluísio Soares, em São Paulo, todas as ruas e bairros representam perigo à noite. “Isso é preconceito dos técnicos com o pessoal da periferia. A demora para trocar as lâmpadas sempre rende desculpa diferente. Nós já estamos acostumados”, ironizou.
Traficantes impedem prefeitura de iluminar ruas de São Paulo
Em alguns locais das zonas norte e leste, funcionários só trocam lâmpadas com escolta da Polícia Militar
Camilla Haddad – O Estado SP
Traficantes de drogas têm impedido a restauração da iluminação pública em ruas da cidade de São Paulo. A fim de manterem as vias às escuras, bandidos proíbem a troca de lâmpadas e o conserto de transformadores, entre outros serviços, segundo o Departamento de Iluminação Pública (Ilume). Para trabalhar, os funcionários do órgão têm recebido escolta da Polícia Militar ou da Guarda Civil Metropolitana. Quem ousa realizar a manutenção sozinho sofre ameaças e abandona a atividade.
Ocorrências do tipo foram registradas em pelo menos sete ruas da capital, a maioria nas zonas leste e norte. O caso mais recente de represália aconteceu na Rua Padre Francisco de Moura Roli, em Artur Alvim, na zona leste. A via ficou sem iluminação por dois meses, depois de todas as lâmpadas queimarem. O serviço de troca dos equipamentos foi realizado no dia 3, quando técnicos do Ilume trabalharam escoltados por PMs. Antes disso, os moradores da rua só tinham a lamentar pela demora do serviço. Para eles, o medo do tráfico é uma desculpa.
Assim que a reclamação foi registrada, funcionários do Ilume visitaram o local. A resolução do problema, por sua vez, foi adiada. Na ocasião, o departamento alegou aos moradores que a equipe responsável pela manutenção foi expulsa sob a ameaça de “maus elementos”. Após essa justificativa para a não realização do serviço, os moradores continuaram a apelar até que os técnicos voltaram ao local. A PM confirmou que recebe chamados do Ilume pelo telefone 190.
Por questão de segurança, empresas que prestam serviço ao Ilume não comentaram o caso. O Ilume informou apenas que os técnicos normalmente saem às ruas em dupla. Eles utilizam caminhonetes ou caminhões para casos de reparos maiores, como a troca de um transformador. O trabalho, muitas vezes arriscado, é realizado durante as 24 horas do dia.
No total, são 47 equipes, que atuam distribuídas em seis áreas e cobrem toda a cidade, incluindo os túneis, que também sofrem com a ação de vândalos que furtam os fios de cobre nas madrugadas. Também procurada, a Eletropaulo não quis manifestar-se sobre o assunto. Um técnico da empresa, flagrado na rua pela reportagem, contou que colegas já foram impedidos por bandidos de entrar com caminhão de trabalho em bairros da cidade.
O sistema de iluminação pública da cidade é o maior do mundo, segundo a Prefeitura. São 560 mil pontos de luz, distribuídos por 17 mil quilômetros de rede – o equivalente ao trajeto entre o Brasil e o Japão. Cerca de 300 lâmpadas da iluminação pública queimam diariamente por causa do término de sua vida útil, ação do tempo ou vandalismo.
RECLAMAÇÕES
Para reclamações sobre o serviço prestado pelo Ilume ou pedidos de troca de lâmpadas queimadas, os moradores devem ligar para o Ligue-Luz, no telefone 0800-7220156. Esse mesmo número registra sugestões e oferece informações sobre iluminação pública.
Só em abril, de acordo com o Ilume, foram registrados 800 pedidos de reparos por dia. O prazo de atendimento é de quatro dias para a troca de lâmpadas. No caso de substituição de um transformador, a demora é maior – de dez a 15 dias. Para pedidos de instalação de iluminação pública, a orientação é procurar a subprefeitura.
NÚMEROS
560 mil pontos de
luz estão instalados na cidade de São Paulo
17 mil quilômetros é o
tamanho da rede de energia elétrica, distância equivalente ao trajeto entre Brasil e Japão
800 pedidos de reparo por dia foram feitos ao
Departamento de Iluminação Pública, da Prefeitura, em abril
300 lâmpadas
de rua queimam diariamente na capital por causa do
término de sua vida útil, ação do tempo ou vandalismo



