10/11/2009 - 09:27h Partidos da base lulista fecham acordo por Ciro

São Paulo: Candidatura de deputado cearenese ao governo paulista une PT, PDT, PSB, PSL, PSC, PRB, PTN e PCdoB

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Vandson Lima, de São Paulo – VALOR

Reunidos na sede do PDT em São Paulo, a convite do deputado federal Paulo Ferreira da Silva, o Paulinho da Força, os líderes de oito partidos da base governista de Luiz Inácio Lula da Silva fecharam acordo para elaborar uma agenda política em comum, seguindo também unidos na disputa pelo governo de São Paulo.

E o candidato deverá ser o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE). Único nome a unir boa colocação nas pesquisas de opinião e aceitação de todos os partidos envolvidos (PT, PDT, PSB, PSL, PSC, PRB, PTN, PPL e PCdoB), Ciro contaria ainda com o apoio declarado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O grupo ainda buscará o apoio do PR, do PP e do PTB.

O acordo praticamente tira da disputa o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, que não conta com apoio do PT e do PDT. Outra possibilidade seria a aliança apoiar um candidato petista, o que só ocorrerá caso Ciro Gomes se candidate à Presidência.

Para o deputado federal e líder do PSB, Márcio França, “Ciro tentará à Presidência caso se mantenha crescendo nas pesquisas, à frente de Dilma, até março. Mas Ciro está ciente de que, cada vez mais, o cenário se torna favorável à sua candidatura em São Paulo”. Márcio calcula que, com a atual configuração, o candidato da aliança recém formada terá 9 minutos na propaganda eleitoral, enquanto o candidato da coligação PSDB-DEM-PMDB terá cerca de 10 minutos.

O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) acredita que o acordo muda a qualidade da disputa em São Paulo, na medida em que propõe um novo projeto de oposição, com viabilidade eleitoral e em sintonia com o governo federal. Ao final de sua fala, ouviu do anfitrião, Paulinho: “Esse é um bom discurso para ser candidato a governador”, deixando o senador encabulado e provocando riso nos presentes.

O PT foi o partido que enviou mais nomes de peso para a reunião. Além de Mercadante, compareceram o deputado federal e presidente do PT, Ricardo Berzoini, o presidente estadual Edinho Silva, o líder do PT na Assembleia Legislativa e deputado estadual Rui Falcão, além da vice-prefeita de Bauru, Estela Almagro.

A aliança formará três grupos de trabalho: de deputados, presidentes dos partidos e lideranças. Esses grupos avaliarão as condições de se eleger uma bancada forte na Assembleia e elaborarão uma agenda política comum, com encontros para apresentação de propostas, criando uma plataforma alternativa para o governo de São Paulo.

No encontro nacional do PT, realizado no sábado, em Guarulhos (SP), nomes antes cogitados para a disputa, como o prefeito de Osasco, Emídio de Souza, e a ex-prefeita da capital, Marta Suplicy, relativizaram o discurso pela candidatura própria, mostrando que o partido está resignado à ideia de concentrar forças na disputa presidencial e, como é do desejo do presidente Lula, compor chapa com Ciro em São Paulo.

Emidio disse ontem no Twitter (microblog) que mantém sua candidatura. ” Acabei de sair da reunião com a executiva estadual do PT. Oficializei minha disposição para ser candidato ao governo de São Paulo.

09/11/2009 - 18:37h Um bom começo

Bloco de apoio a Lula se une em SP em torno de candidato único e amplia oposição a Serra

REGIANE SOARES da Folha Online

Dirigentes e parlamentares PDT, PT, PC do B, PSB PSL, PSC, PRB, PTN e PPL (ainda em formação) se reuniram hoje em São Paulo para definir as estratégias para a construção de uma candidatura única ao governo do Estado.

No plano nacional, esses partidos fazem parte da base de sustentação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em São Paulo, entretanto, algumas dessas legendas –como PDT e PSB– são aliados do governador José Serra (PSDB), que faz oposição a Lula.

Na reunião, os partidos formaram grupos de trabalho para elaborar uma agenda política comum. Os grupos serão divididos entre os dirigentes estaduais dos partidos, os parlamentares na Assembleia Legislativa, na Câmara e no Senado, que farão um diagnósticos dos problemas do Estado, a elaboração de propostas para um programa de governo, além da elaboração de seminários para discutir o assunto. Serão agendada pelo menos mais três ou quatro reuniões até o fim do ano.

A reunião foi realizada a convite do presidente estadual do PDT em São Paulo, deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, e reuniu os principais líderes dos partidos no Estado, como o presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, o presidente nacional do PSB, Márcio França, entre outros.

“Nosso objetivo é a construção de uma candidatura única do campo popular progressista em São Paulo”, afirmou Paulinho, que não informou quando será definido ou anunciado o nome do candidato da oposição. “Quem sabe em junho [de 2010], nas convenções dos partidos”, disse.

Berzoini disse que o PT está aberto a discutir as indicações e ressaltou que a reunião de hoje não era para falar em nomes. “Estamos abertos para disputar qualquer arranjo”, afirmou.

A candidatura dessa frente em São Paulo está indefinida. O PT, por exemplo, tem pelo menos seis pré-candidatos a governador, entre eles o deputado Antonio Palocci e o senador Eduardo Suplicy. Outro nome que ganhou força entre os aliados é o do senador Aloizio Mercadante (PT-SP) –defendido hoje por Paulinho.

“Esse é um bom discurso para ser candidato ao governo”, afirmou Paulinho depois que Mercadante defendeu a mudança no comando do Estado –que há mais de 16 anos é administrado pelo PSDB.

O PSB também não definiu se lançará o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) ao governo paulista, como deseja o presidente Lula, ou à Presidência da República. A definição deve sair em 2010.

Independentemente de quem seja o candidato, o presidente estadual do PT em São Paulo, Edinho Silva, acredita que a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), pré-candidata do PT à Presidência, terá um palanque forte em São Paulo. “Não será um palanque frágil”, afirmou o petista, que pretende atrair ainda partidos como o PTB, PP, PR, PTB e PMDB, que está rachado e em São Paulo defende a candidatura do governador José Serra (PSDB) à Presidência.

Assembleia Legislativa

Além da discussão de uma candidatura única, a reunião de hoje também deve ter consequências na Assembleia Legislativa de São Paulo.

A ideia é que os partidos que se reuniram hoje comecem a fazer parte da bancada de oposição a Serra, que atualmente reúne apenas o PSOL, PC do B e o PT.

09/11/2009 - 10:23h Aliados cobram definição do PT em SP

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Histórico de derrotas e força dos tucanos levam líderes a pedir pressa na escolha do candidato ao Bandeirantes

Julia Duailibi e Clarissa Oliveira – O Estado SP

A indefinição sobre o palanque que sustentará a candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), em São Paulo na eleição de 2010 tem causado desconforto nos partidos da base governista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A força dos adversários tucanos e o histórico de derrotas do PT no maior colégio eleitoral do País levaram aliados a intensificarem a articulação no Estado para definir uma candidatura já no começo do ano que vem.

Os principais partidos da base aliada se encontram hoje na capital paulista para discutir a aliança que sustentará a candidatura petista e qual o papel que cada um terá no processo. PT, PDT, PSB e PC do B debaterão a eventual candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB) – o nome mais forte do grupo – e colocarão as condições do apoio aos planos do PT.

A reunião, organizada pelo deputado Paulo Pereira da Silva (PDT), o Paulinho da Força, será na sede do partido em São Paulo. Participarão os presidentes estaduais do PSB, Márcio França, e do PT, Edinho Silva, e representantes do PC do B.

O PT ouvirá os demais partidos do bloquinho para saber como está o clima na aliança e que tipo de fatura eles pretenderão em troca do apoio. O partido prepara o terreno para Ciro ser o candidato, mas depende do ânimo do deputado – ele diz pretender disputar a Presidência.

“Se ele não decide lá, a gente fica a pé aqui. Precisamos pensar num plano B e fechar um pacto em São Paulo”, disse Paulinho. O partido já pensa em um nome no PT, provavelmente o deputado Antonio Palocci Filho ou, num caso extremo, o prefeito de Osasco, Emídio de Souza.

A avaliação no PT é de que não será possível agradar a todos. O cenário mais provável, se Ciro for o candidato, é o PSB ficar com a cabeça de chapa e uma cadeira para o Senado com o vereador Gabriel Chalita, o mais votado do País. A vice seria do PT, assim como a outra vaga para o Senado, que ficaria com o senador Aloizio Mercadante, que tentará se reeleger.

É aí que está o nó. Aliado de Lula, o deputado Aldo Rebelo (PC do B) estava de olho na vaga do Senado. Seu colega de partido, o vereador Netinho, tem o compromisso de parte do PC do B de que receberá a vaga na disputa. Aldo disputaria a reeleição na Câmara.

Diante do xadrez, o comando petista já enxerga como única saída negociar espaço no governo, em caso de vitória. Boa parte do plano, entretanto, se apoia nas negociações feitas na esfera federal pelo presidente.

PLANO B

Enquanto isso, o PT paulista tenta garantir um plano B na disputa estadual e, de quebra, amenizar a imagem de que está nas mãos de Ciro em São Paulo.

O partido autorizou desde o dia 1º inscrições de pré-candidatos ao Palácio dos Bandeirantes e inicia esta semana uma série de sabatinas com possíveis nomes. Emídio fará a estreia.

O PT disse ter solicitado reuniões com o ministro da Educação, Fernando Haddad, a ex-prefeita Marta Suplicy e o deputado Arlindo Chinaglia. E promete convencer Palocci a participar do ciclo, apesar de ele resistir a falar de candidatura.

31/10/2009 - 13:29h PT vai priorizar Presidência e Congresso em 2010, diz Genoíno


Em entrevista à ‘Agência Estado’, deputado conta que PT deve ceder nos Estados e traça um mapa das alianças

Denise Madueño - Agência Estado

Para Genoino, campanha será plebiscitária, entre projeto do governo e da oposição

Pablo Valadares/AE – 07/07/2009

Para Genoino, campanha será plebiscitária, entre projeto do governo e da oposição

BRASÍLIA - Com o comando do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o PT encerrou nesta semana com a pré-candidata Dilma Rousseff, ministra da Casa Civil, a rodada de encontros com a cúpula e as bancadas dos partidos da base em busca de fechar um leque de alianças para a eleição de 2010. Enquanto o PSDB não define seu candidato à sucessão presidencial, Lula e o PT mostram que têm uma estratégia clara e vêm conquistando espaço com os partidos para garantir palanques fortes para Dilma nos Estados. É o que revela o deputado José Genoino (SP), ex-presidente do PT, nesta entrevista à repórter Denise Madueño, da Agência Estado. A prioridade é eleger Dilma e, em nome da aliança nacional em torno de sua candidatura, o PT deve ceder nos Estados e apoiar nomes de partidos aliados, conta Genoino. A segunda meta é para o futuro, em caso de vitória petista. O PT e Lula estão preocupados em eleger um grande número de deputados e de senadores para não correr o risco de ficar sem base de sustentação no Congresso. A intenção é não repetir o governo Lula, que teve que acertar apoios já durante o exercício do mandato, depois das dificuldades que enfrentou com uma base parlamentar frágil. Genoino afirma ser melhor para o partido abrir mão de eleger governadores para, em troca, garantir o domínio no Congresso. Na entrevista a seguir, o petista traça um mapa das alianças eleitorais com o PMDB nos Estados considerados problemáticos.

Agência Estado – Fechado o pré-compromisso com o PMDB, o que avançou até agora nesses dez dias?

José Genoino – O que avançou é que agora nós temos uma diretriz nacional, e é fundamental a aliança com o PMDB. São dois os motivos: o PMDB participa do governo, tem sido um fator de estabilidade e dará palanques fortes e tempo na televisão para Dilma. O PMDB deve compor a chapa majoritária, e para isso nós temos de avançar nos Estados para termos palanques unificados. A existência de mais de um palanque deve ser exceção e não regra. Nós temos de ter uma aliança com palanques estaduais que vá do bloco de esquerda até o centro, que é o PMDB, passando pelo PR.

AE – A ministra Dilma e a cúpula do PT já conversaram com o PR, com o PDT, com o PMDB. É uma tentativa de fazer uma campanha no estilo “nós contra a oposição”, personificada no PSDB, no DEM e no PPS?

Genoino – A campanha deve ser plebiscitária com dois projetos: o liderado por Lula e Dilma e o da aliança demo-tucana. São dois projetos, não tem terceira nem quarta via. Portanto, plebiscitar é o conteúdo da campanha. Esse plebiscito tem de se materializar nos Estados porque a eleição das bancadas de deputados estaduais, deputados federais e de senadores se dá no primeiro turno. Interessa-nos eleger grandes bancadas. Por isso, reafirmo, a prioridade é, primeiro, eleger presidente; em seguida, bancadas fortes e, depois, governadores dentro de uma eleição polarizada nacionalmente.

AE – Por que a preocupação de eleger uma bancada grande de deputados e de senadores é maior do que a de eleger governadores?

Genoino – Em primeiro lugar, pela nossa experiência. Nós temos de ter uma aliança e uma coalizão programática na eleição nacional e manter essa relação com a eleição para o Congresso Nacional. É muito difícil fazer maioria depois da eleição. É melhor construir essa maioria política durante a campanha eleitoral. Então, o importante é, primeiro, eleger bancadas afinadas com o programa da companheira Dilma. A nossa experiência do mandato do presidente Lula mostra a importância de ter uma maioria mais definida na Câmara e no Senado. Nós temos de trabalhar com isso, inclusive mostrar para a população que é importante eleger senadores e deputados.

AE – E a bancada de governadores?

Genoino – No caso de governadores, nós temos de analisar em cada Estado de acordo com quem tem viabilidade e quem pode montar um palanque unificado. O palanque unificado facilita a eleição de deputado e de senador, e nós temos de ter tempo na televisão. Como nós temos um bom governo, precisamos de palanques estaduais e tempo na televisão para falar bem desse governo. Se o PT não tem nome competitivo, deve ceder espaço para os aliados de maneira programática.

AE – A prioridade de eleger grandes bancadas no Congresso já é preventiva ante eventual dificuldade de governar no caso de a ministra Dilma ser eleita?

Genoino – Ter uma boa e grande bancada é importante para garantir a manutenção, com avanços, dos programas do governo Lula. E nós aprendemos e vivemos essa experiência que a governabilidade no Congresso Nacional tem de avançar para uma governabilidade programática. Qual o caminho que nós temos? Fazer alianças em primeiro turno de maneira transparente. Nós temos de ter bancadas mais unidas, tanto na Câmara quanto no Senado, e o PT tem de priorizar isso. Onde o PT tiver chance de eleger senador, é melhor abrir mão de governador.

AE – Para evitar o que aconteceu com o governo Lula, que precisou compor para montar a base?

Genoino – O governo Lula fez uma experiência de governabilidade que viabilizou esse projeto que está mudando o Brasil. Esse caminho que, no fundamental, foi vitorioso, nos indica a necessidade de ter bancadas mais programáticas. Principalmente, porque nós queremos continuar com avanços e nós temos de ter mais unidade no programa que vai eleger deputado e senador.

AE – Se a prioridade é eleger uma grande bancada para dar sustentação ao governo, como será a atuação do PT no caso de o PSDB ganhar a disputa para Presidência da República?

Genoino – Eu quero ganhar a eleição com a Dilma e ter maioria no Congresso Nacional, portanto eu só falo sobre esse cenário.

AE – E se o PT voltar a ser oposição?

Genoino – Eu não discuto essa possibilidade porque estou 100% empenhado em continuar sendo governo e continuar transformando o Brasil.

AE – Como fechar as alianças nos Estados?

Genoino – Para ter palanques estaduais unificados, o PT deve reivindicar a cabeça de chapa onde tiver nome competitivo e onde o PT já está governando. Onde não tiver condições, o PT deve ceder espaço para os partidos aliados, para o PMDB, para o PSB, para o PDT, para o PR. O melhor caminho é fazer essa coalizão no voto, nas urnas e na rua. Nós estamos mostrando nossa candidata, nosso programa e estamos dizendo que vamos eleger a Dilma com essas bancadas de senadores e de deputados porque nós temos de ter maioria no Congresso Nacional.

AE – O deputado Ciro Gomes (PSB-SP), que pretende se candidatar à Presidência, é um problema para a estratégia de campanha plebiscitária?

Genoino – Ciro Gomes é um parceiro, uma pessoa muito importante na defesa do governo Lula e está no nosso projeto. Nós temos de dialogar com o Ciro e com o PSB para ele somar nesse projeto estratégico. O melhor caminho é Ciro formar um grande palanque no Estado de São Paulo, junto com o PT, com o PSB, como PDT, com o PCdoB e com o PR. O PT, abrindo a possibilidade de ter Ciro como candidato ao governo, dará uma grande demonstração de que prioriza a eleição nacional e mostrará que o caminho é eleger uma bancada forte para o Congresso. Defendo uma aliança ampla com Ciro na cabeça de chapa e com Chalita (ex-tucano, o vereador Gabriel Chalita é do PSB) e Mercadante para o Senado.

AE – Como convencer os petistas paulistas a abrirem mão de um candidato próprio ao governo?

Genoino – No debate. Mostrando que o decisivo e o determinante é a aliança nacional. O que contribuir para a aliança nacional o PT dos Estados tem de ceder. Onde o PT não tem viabilidade política eleitoral, nós temos de ceder para os aliados. Em São Paulo, por exemplo, a pré-candidatura de Ciro Gomes conforma um bloco de partidos. O PT pode ter um nome próprio, desde que seja cumprida a condição de esse nome reunir a aliança com os demais partidos, PSB, PCdoB e PDT. O PT sair sozinho em São Paulo é ruim para o projeto nacional de eleger a Dilma.

AE – E no Rio de Janeiro? (A cúpula petista apoia a reeleição de Sérgio Cabral, do PMDB, aliança considerada fundamental para o acordo nacional, mas o prefeito de Nova Iguaçu, o petista Lindberg Farias, se lançou na disputa pelo cargo do peemedebista).

Genoino – Nós temos uma aliança de governo com Sérgio Cabral. Se nós participamos do governo, temos de ajudar a reeleição de Sérgio Cabral, compondo a chapa majoritária com candidatos ao Senado. Se Garotinho (ex-governador do Rio Anthony Garotinho, que está no PR) for candidato a governador, nós não podemos hostilizá-lo nem criticá-lo na medida em que ele é de um partido da base e vai apoiar Dilma. Garotinho não pode se transformar em um adversário nosso. Ele terá autonomia para apoiar a Dilma, e é bom que isso aconteça. Agora, o PT ter candidato próprio no Rio de Janeiro é um grande equívoco. Nós temos um triângulo político do colégio eleitoral: São Paulo, Rio de Janeiro e Minas. Nós não podemos errar nestes Estados.

AE – O que fazer em Minas Gerais? (São pré-candidatos os ministros das Comunicações, o peemedebista Hélio Costa, e do Desenvolvimento Social, o petista Patrus Ananias, e o petista e ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel).

Genoino – Em Minas, o PT passa por uma disputa interna (Processo de Eleição Direta que vai escolher a nova direção do partido em 22 de novembro) e precisamos esperar o seu resultado. Com o peso de Minas e com a responsabilidade dos protagonistas envolvidos nesta disputa, nós temos de apelar para que haja bom senso e juízo. Os tucanos são fortes em Minas, com Aécio Neves (governador do Estado), e em São Paulo, com José Serra (governador do Estado), e nós não podemos errar. Portanto, a precondição é concretizar a aliança com o PMDB e nós temos de avaliar quem estará na cabeça de chapa.

AE – Qual é o critério para a escolha do candidato em Minas, estar na frente das pesquisas de intenção de voto?

Genoino – O critério é estar na frente da pesquisa. Segundo critério, quem tem melhores condições de ganhar. Terceiro critério, quem soma mais apoio político, aliança e voto para a candidatura nacional. Toda a análise está amarrada na prioridade da eleição nacional com a companheira Dilma, que é o projeto estratégico nosso. Esse projeto estratégico orienta, decide e induz as alianças estaduais.

AE – E na Bahia? (O ministro da Integração Nacional, peemedebista Geddel Vieira Lima, vai disputar com o governador petista Jaques Wagner, que busca reeleição).

Genoino – Na Bahia, se forem dois palanques, nós temos de ter uma relação respeitosa. Onde tiver dois palanques apoiando a Dilma, ela e Lula terão de estar nesses dois palanques.

AE – Pará? (O PMDB do deputado Jader Barbalho está de olho no cargo da governadora petista Ana Júlia Carepa, candidata à reeleição).

Genoino – No Pará, nos somos governo. O PT tem candidatura e temos de viabilizar a reeleição de Ana Júlia. Para isso, temos de negociar a composição da chapa majoritária, para o Senado. Tanto na Bahia quanto no Pará, nós temos candidatos competitivos.

AE – E em Mato Grosso do Sul? (O governador peemedebista André Puccinelli quer a reeleição, mas o petista e ex-governador Zeca do PT quer concorrer).

Genoino – O PT tem de fazer uma discussão nacional com o PT de Mato Grosso do Sul e buscar uma negociação com o PMDB. O PT não deve ficar sozinho na disputa nesse Estado. Se o PT quer reeleger um governador em Estado que está governando e quer o apoio do PMDB, o mesmo deve acontecer no inverso. O PMDB em Mato Grosso do Sul tem governador e está nos chamando para apoiá-lo, como chamamos os peemedebistas do Pará e da Bahia. O PT tem de ser mais flexível e fazer uma aliança com (André) Puccinelli.

AE – Ceder nesse caso?

Genoino – É. Qual o critério que estou defendendo? O partido tem governador, é um nome competitivo e apoia Dilma? O raciocínio serve em todos os Estados. É uma boa aliança para o PT apoiar Puccinelli e priorizar a composição para o Senado.

AE – Em quais Estados o PT já considera inviável o acordo com o PMDB?

Genoino – São Paulo, Acre, Rio Grande do Sul, que já têm definições em curso. Agora, em outros Estados com problemas, devemos criar o consenso processual. Unir o possível e deixar algumas questões para depois. Vamos construindo o acordo.

AE – Um eventual governo de Dilma será mais petista do que o de Lula, que tem o perfil mais conciliador?

Genoino – O Lula é petista, e o PT é lulista. Essa tentativa de tratar o Lula separado ou diferente do PT é de marqueteiro que não conhece a história do PT nesses quase 30 anos. São cinco elementos que constroem essa maioria: Lula, PT, movimento social, governo e alianças. Isso nos dá condição de construir maioria. O PT é um elemento central para a campanha da Dilma, porque as alianças serão costuradas pelo PT no plano nacional e em cada Estado. O PT será uma força central na governabilidade do próximo período. Por isso, temos de definir alianças para a Câmara e para o Senado.

21/10/2009 - 15:49h Os desdobramentos do Dilma lá e Ciro aqui

A candidatura Ciro Gomes ao governo de São Paulo (ver Lula: Dilma lá e Ciro aqui) teria como primeiro resultado a unificação de uma boa parte da base do governo Lula, arrancando o PSB estadual da base de apoio de Serra.

Persistindo Ciro no seu legítimo desejo de ser candidato à presidente em 2010, o PSB estadual estaria embarcado na candidatura do presidente da Fiesp ao governo de Estado -candidatura que dificilmente poderá alavancar a campanha Dilma em São Paulo, ou fechar uma aliança com o PT-, ou no apoio diretamente ao candidato tucano (ambas posturas estão longe de serem incompatíveis e podem se complementar).

Ao contrário, a candidatura Ciro ao governo estadual, afasta Skalf da disputa e reduz o peso dos serristas no PSB. A aliança PT-PSB poderá incorporar sem maiores dificuldades o PC do B e o PDT, assegurando essa frente à candidatura Ciro com um perfil opositor aos demo-tucanos e atraindo apoios a própria campanha da Dilma no bastião tucano.

Mas para isso é necessário convencer Ciro a desistir de sua candidatura nacional, o que exige também uma clara disposição do PT-SP -e não só de Lula- para pressionar o candidato socialista a aceitar esta mudança.

Como ficaria, nesse contexto, a legítima preocupação dos petistas com a eleição de deputados e senadores, na ausência do 13 na disputa do executivo paulista?

Este problema é bem menor na eleição dos deputados federais, que na disputa ao senado, por razões que dificultam objetivamente a disputa dos cargos ao Senado, para o PT.

A candidatura Ciro ao governo do Estado pode pesar na decisão de Serra de pleitear a reeleição, perante as crescentes incertezas do desfecho da disputa presidencial. Isto puxaria Alckmin para o Senado, além da candidatura Quercia garantida pelo PSDB, para manter o apoio do PMDB aqui (mesmo sem este cenário, setores do DEM, do PMDB e do PSDB querem descartar Alckmin para governador, em favor de Aluisio Nunes ou Kassab).

No campo do centro-esquerda as candidaturas ao Senado incluem, além de Mercadante que só poderá disputar, nesse contexto, sua reeleição; a candidatura Chalita pelo PSB (eventualmente a do próprio Skalf) e o candidato do PC do B (com Netinho ou o próprio Aldo Rebelo). Como se vê, uma profusão de candidatos mais ou menos fortes. Para Mercadante e para o PT, uma verdadeira dificuldade a enfrentar, mas que não é insuperável. A condição sine qua non para Mercadante conseguir sua reeleição é o PT não apresentar nenhum outro nome próprio e de peso para o cargo e se mobilizar unido em favor do seu senador. Se for verdadeira a afirmação da jornalista Maria Inês Nassif que “O recuo do líder do PT, Aloizio Mercadante (SP), quando, em plena crise no Senado, deixou a liderança, é atribuído à pressão de Lula – que teria deixado claro ao senador que não faria nenhum empenho por sua candidatura à reeleição se ele expusesse o governo com sua renúncia ao cargo.” (ver Resistência a Ciro só será superada com intervenção de Lula), Mercadante poderá contar a seu lado agora, e novamente, com o apoio de Lula para sua própria reeleição.

A disposição da ex-prefeita Marta Suplicy em disputar algum cargo em 2010, e tendo em conta as implicações que provocaria uma eventual candidatura Ciro a governador e de Chalita ao Senado, a levarão provavelmente a disputar para deputada federal -salvo a deslanchar uma guerra fratricida no PT, hoje com resultado mais que incerto- e permitirá ao PT obter uma expressiva bancada federal, diminuindo, para os atuais deputados candidatos à reeleição, o peso de não ter o 13 na disputa para governador. A ex-prefeita será assim o alicerce do crescimento do número de deputados federais do PT de São Paulo, ajudando a seu fortalecimento após os escândalos que o atingiram particularmente.

Os beneficios e os riscos da candidatura Ciro Gomes se deslocar para São Paulo justificam plenamente a atitude de Lula, tanto para a campanha da Dilma como para seu desdobramento no plano estadual. Mas, diferentemente do PT onde a voz de Lula será prevalecente e preponderante, a decisão de Ciro depende dele próprio.

A lógica da articulação de Lula é que a candidatura Ciro à presidência, sem espaço político na polarização, sem alianças substanciais e sem tempo de TV, será desidratada. Ele conta, no momento oportuno, com a boa disposição do governador de Pernambuco do PSB, Eduardo Campos, para dar uma mãozinha no convencimento do Ciro. Ela requer que o Ciro não possa invocar pretextos para persistir na sua empreitada nacional. Lula espera que o PT-SP não forneça esse pretexto.

Tudo indica que será ouvido pelo PT de São Paulo.

A única incógnita será a resposta final do próprio Ciro… que chegará com as águas de março.

Luis Favre

Ver também artigo do Estadão de hoje

Acordo deve deixar Ciro fora da corrida pelo Planalto. Projeto para 2010, com apoio de Lula, seria concorrer à sucessão de Serra

08/10/2009 - 14:33h PDT sinaliza apoio a Dilma em 2010

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VALOR

O PDT deve apoiar a candidatura de Dilma Rousseff a presidente em 2010. Este foi o principal sinal dado pelo partido à chefe da Casa Civil, em jantar realizado na noite de terça-feira. Apesar de ser a primeira reunião do partido com a pré-candidata, a maior parte dos pedetistas afirma que Dilma representa a continuidade dos avanços obtidos pelo governo Lula e fica com ela. Os líderes do partido cobraram, no entanto, reciprocidade política, traduzida em alianças estaduais – especialmente no Paraná, onde o PDT lançará o nome do senador Osmar Dias para o governo estadual e espera conta com o apoio dos petistas locais.

Durante o jantar, Osmar afirmou que tem ouvido de integrantes do PT paranaense que “apoiam sua candidatura para ter um palanque forte para Dilma no Estado”. Para o senador, este não é um bom início de conversa. “O ideal seria ouvir que eles apoiam a candidatura porque veem em mim e no PDT um governador aliado”, reclamou Osmar. Ele reforçou, contudo, que a parceria é fundamental e que, mesmo ainda não sacramentada oficialmente, já estaria se refletindo nas pesquisas eleitorais. Segundo um assessor da legenda, Osmar aparece à frente do atual prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), nas pesquisas de intenção de voto.

O deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (PDT-SP), declarou que ainda existem integrantes do partido que defendem o adiamento da decisão sobre o apoio a Dilma. Este grupo acha mais prudente aguardar para ver se Dilma será a única candidata da base governista ou se o deputado Ciro Gomes (PSB-SP) manterá a intenção de também disputar a Presidência em 2010. “Nós achamos que Dilma representa melhor o papel de sucessora de Lula”, completou Paulinho, que, em 2002, foi vice de Ciro Gomes quando este ainda era filiado ao PPS.

De acordo com o deputado Brizola Neto (PDT-RJ), Dilma disse aos presentes que tem limitações para articular palanques aliados porque “ainda é ministra e não foi lançada oficialmente candidata do PT”. Paulinho surpreendeu-se com a desenvoltura da ministra. “Nós estamos acostumadas a vê-la como uma figura extremamente técnica. Ela está mais solta, quer passar a imagem de articuladora. E está bastante à vontade neste papel”, reconheceu o parlamentar.

Além das bancadas do PDT na Câmara e no Senado e da ministra Dilma, participaram do jantar o presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP) e o líder do partido na Casa, Cândido Vaccarezza (SP). Brizola Neto afirmou que a aproximação entre o PT e o PDT, feita em 2004, está muito mais forte hoje. “Muitas das críticas que fazíamos ao governo Lula, durante o primeiro mandato, foram deixadas para trás. O segundo mandato consolidou a visão defendida pelo PDT sobre o papel do Estado como indutor da economia e a importância de resgatar o direito dos trabalhadores, uma bandeira do PDT que vem desde os tempos de Getúlio”, afirmou Brizola. “E Dilma faz bem esta aproximação, por ter sido 20 anos filiada ao nosso partido antes de transferir-se para o PT”, completou. (PTL)

06/07/2009 - 11:03h Ciro pode se candidatar por São Paulo, mas não decidiu ainda a qual cargo

Muito longe ainda das eleições de 2010, as especulações sobre o pleito, particularmente no Estado de São Paulo, são isso: especulações.

No caso de Ciro, que não definiu sua posição, a especulação faz parte do debate mais geral sobre a candidatura a presidente da qual, por enquanto, não se afastou.

Pessoalmente vejo com bons olhos a possibilidade de Ciro ser candidato em São Paulo, mais ainda que, segundo o artigo do jornal VALOR, “Ciro não descarta participar da corrida ao Palácio dos Bandeirantes mesmo que o PT lance candidato próprio, caso os aliados avaliem que a participação de dois nomes da base de sustentação de Lula pode evitar a vitória de Alckmin no primeiro turno.”, foi o que eu defendi em A questão de Ciro em São Paulo: factóide ou opção?:

“A eleição presidencial sendo prioritária para os partidários da continuidade do governo Lula, tudo deveria estar subordinado no Estado de São Paulo a este objetivo. Ainda mais que aqui se concentra quase um quarto do eleitorado do país. Esta prioridade significa que o PT deve constituir suas chapas majoritárias com aqueles dirigentes experientes em disputas eleitorais de peso, com cacife eleitoral e isto concerne os cargos de governador e vice, assim como ao Senado e à Câmara federal para obter o melhor percentual possível na disputa nacional neste Estado. Ao mesmo tempo o PT deve sim, conversar com seus aliados para convence-los de lançar os nomes mais fortes e viáveis aqui, para forçar um segundo turno na disputa para governo do Estado.”

Essa hipótese me parece a mais adequada e, diria eu, a única realmente plausível no Estado, pois permitiria sim reforçar o campo da oposição aos demo-tucanos e talvez forçar um segundo turno. Já a substituição de um candidato próprio do PT por Ciro, nada acrescentaria ao potencial eleitoral da oposição e pouco reforçaria a votação de Dilma no Estado. LF

Raquel Ulhôa, de Brasília – VALOR

O deputado Ciro Gomes (PSB-CE) já tomou as primeiras providências necessárias a uma eventual troca de domicílio eleitoral de Fortaleza para São Paulo, abrindo caminho à possibilidade de disputar o governo do Estado, em uma estratégia de partidos aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para enfrentar a hegemonia do PSDB.

O prazo final para a transferência é um ano antes das eleições, que serão realizadas no primeiro domingo outubro de 2010. No entanto, a residência mínima de três meses no novo endereço é requisito para a troca, segundo o Código Eleitoral. Para cumprir a exigência, Ciro já providenciou imóvel em seu nome, garantindo comprovante de residência. “Já deve ter conta de luz no meu nome”, disse na semana passada.

O cumprimento da formalidade legal não significa que a decisão esteja tomada. As conversas entre PT, “bloco de esquerda” (PSB, PDT e PC do B) e partidos aliados em São Paulo estão avançadas. Falta, ainda, uma conversa decisiva entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador Eduardo Campos (Pernambuco), presidente nacional do PSB. Lula tem dado sinais de que apoia a candidatura Ciro por São Paulo, mas falta oficializar a decisão.

Ciro trabalha com a hipótese de transferir seu domicílio eleitoral dentro do prazo e deixar para depois a definição sobre a candidatura. Por São Paulo, ele poderá concorrer a qualquer cargo eletivo – até à Presidência da República, plano não totalmente abandonado.

No Ceará, governado por Cid Gomes (PSB), seu irmão, Ciro teria um leque menor de opções, pela regra de inelegibilidades. Segundo a Constituição (artigo 14), cônjuge e parentes consanguíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, de presidente da República, governador e prefeito são inelegíveis, no território de jurisdição do titular. Como exceção, a pessoa pode concorrer à reeleição, se já for titular de mandato eletivo.

Mantendo domicílio eleitoral no Ceará, portanto, Ciro poderia concorrer apenas a presidente e vice-presidente e à reeleição como deputado federal – alternativa que ele rejeita totalmente, “por falta de aptidão”. Em São Paulo, teria, além das anteriores, outras opções: governador, vice-governador, senador e até a deputado estadual.

Com relação à disputa para governador de São Paulo, o próprio Ciro mantém dúvidas. Diz que só concordará “se for para cumprir uma tarefa política”, com uma estratégia eleitoral definida. “Preciso compreender qual é o grande projeto em que isso se inscreve, adquire legalidade e naturalidade”, afirmou.

A ideia de Ciro disputar o governo paulista partiu do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical. Nasceu pela falta de nome competitivo da oposição ao governo José Serra (PSDB) para disputar com o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB). O tucano surge nas pesquisas com forte chance de eleição no primeiro turno.

Para avaliar as chances do deputado, aliados de São Paulo encomendaram ao Ibope pesquisa de opinião pública no Estado. Ciro aparece com 18%, mesmo percentual da petista Marta Suplicy, que não quer concorrer. Os outros nomes desse grupo (PT e bloquinho) ficam bem atrás. O prefeito de Osasco, Emídio de Souza (PT), lançado por 15 dos 19 deputados estaduais do PT, aparece com 3%.

O lançamento de Emídio não suspendeu as negociações entre PT e aliados. Segundo o líder na Câmara dos Deputados, Cândido Vaccarezza (SP), o partido apresenta o prefeito de Osasco, mas deve estar aberto a discutir as opções dos parceiros. “E ver qual o melhor nome para dar consistência a um programa de desenvolvimento, criação de emprego e geração de renda para o Estado, que cole São Paulo ao Brasil, rompendo com o núcleo que o governa há quase 15 anos”, disse.

Nesse contexto, Ciro “é visto com respeito pelo PT”, por sua história e compromisso com o projeto do governo Lula. De acordo com outros dirigentes nacionais do PT, o forte discurso do deputado cearense contra os tucanos pode “empolgar” a base do partido em São Paulo. Há, por outro lado, certo receio de seus “rompantes”. O PT já foi alvo de críticas do deputado.

Na sexta-feira, o Ibope divulgou nova pesquisa em que Ciro aparece com no máximo 12%, percentual menor do que os registrados na enquete encomendada por seus aliados. Isso ocorreu, segundo o deputado Márcio França (PSB-SP), lider do “bloquinho” na Câmara, porque nessa segunda pesquisa o nome de Ciro não aparece como única opção da frente antitucana. Ele é colocado como concorrente de Marta Suplicy (PT), Paulo Maluf (PP) e Paulinho da Força (PDT).

“Essa hipótese não existe”, diz França. Segundo ele, a articulação em curso pressupõe aliança dos partidos do “bloquinho” com PT, PP e PR, todos oposição a Serra. Analisando os percentuais obtidos por essas siglas na pesquisa, França calcula que o bloco da oposição poderá ter um percentual de largada de cerca de 40% – conseguindo equilíbrio com o bloco governista (PSDB, DEM, PMDB, PPS, PV e PTB).

O tempo de propaganda eleitoral na televisão será praticamente o mesmo para cada lado: dez minutos. Por enquanto, é tudo especulação. Mas o mais provável é haver dois grandes blocos na disputa pelo governo, segundo França. Numa eleição polarizada, a tendência é decisão no primeiro turno.

Ciro não descarta participar da corrida ao Palácio dos Bandeirantes mesmo que o PT lance candidato próprio, caso os aliados avaliem que a participação de dois nomes da base de sustentação de Lula pode evitar a vitória de Alckmin no primeiro turno.

A eventual candidatura em São Paulo tiraria Ciro da eleição para a Presidência da República, o que seria conveniente à campanha da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). “Há uma conjunção de interesses. A negociação passa por uma estratégia nacional”, diz França.

Ciro tem consultado aliados e analisado os cenários à vista. De antemão, rebate argumentos de que ele é um “forasteiro”, já que nasceu em Pindamonhangaba (SP), terra de Alckmin, e tem família no Estado, onde sempre esteve presente durante seus 30 anos de carreira política – especialmente como ministro da Fazenda do governo Itamar Franco durante quatro meses (1994).

Ex-prefeito de Fortaleza, ex-governador do Ceará, ex-ministro da Integração Nacional da Lula e duas vezes candidato a presidente, Ciro contabiliza também a seu favor os cerca de 3,5 milhões de nordestinos que vivem na capital paulista (27% do eleitorado da cidade).

O deputado não acredita que os ataques desferidos por ele contra a elite econômica de São Paulo prejudiquem uma eventual candidatura sua ao governo do Estado. “Eu cobro palestras a empresários. Eles me convidam e pagam. É um indicativo, no mínimo, de respeito.”

26/06/2009 - 11:46h Em condições de ser tudo. Ou nada

por Alon Feuerwerker – Correio Braziliense

(25/06) Ciro transita bem, pode ser a segunda opção de muita gente, mas no momento corre o risco de não ser a primeira de ninguém

O deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) tem uma grande qualidade: sua força política pessoal. Ela faz dele um aliado sempre desejado, ou então um candidato possível a qualquer cargo de relevo na República. Ciro disputou duas eleições presidenciais (1998 e 2002), e nas duas obteve votação expressiva. E mesmo sem entrar na última corrida pelo Palácio do Planalto aparece em todas as pesquisas com números de dar inveja.

Mas Ciro tem também fragilidades. Não conta até o momento com nenhuma corrente partidária expressiva disposta a correr grandes riscos para ajudá-lo num projeto nacional. É um general ainda sem exército. E no estado dele, o Ceará, o grupo político que o projetou e ele ajudou a consolidar dá sinais de fraqueza preocupante. Um sintoma da debilidade é o senador Tasso Jereissati (PSDB) estar em perigo eleitoral.

Nacionalmente, Ciro transita bem, pode ser a segunda opção de muita gente, mas no momento corre o risco de não ser a primeira de ninguém. Nem mesmo em seu partido.

O PSB é controlado com mão de ferro pelo governador Eduardo Campos (PE), que vai dormir e acorda pensando na reeleição ano que vem. Campos está bem avaliado, é favorito mas não pode vacilar. Deve enfrentar em 2010 uma coalizão de políticos com história, no estado e fora dele. As duas vagas pernambucanas em jogo no Senado são hoje do duas vezes vice-presidente da República Marco Maciel (DEM) e do presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra.

E sempre existe a ameaça de o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB) desejar voltar à cadeira que ocupou por dois mandatos. PSDB e DEM pressionam-no dia e noite para isso, ainda que ele por ora resista a bater de frente com a aliança PT-PSB num Pernambuco em que Luis Inácio Lula da Silva tem mais de 85% de aprovação.

Ciro candidato a presidente só seria um trunfo para Campos caso o PT decidisse lançar o ex-prefeito do Recife João Paulo na luta pelo governo estadual. João Paulo não controla a máquina partidária no estado, mas tem grande prestígio pessoal. Seria uma pedra no sapato do governador. E o PT joga com essa carta para convencer Campos a arquivar o projeto Ciro e engatar desde já o vagão do PSB no trem da ministra Dilma Rousseff.

O esforço tem dado resultado. Se fosse organizado um grid nacional de políticos entusiasmados com Dilma, o governador pernambucano seria forte candidato à pole position. Até porque a última coisa que o neto de Miguel Arraes deseja é Lula subindo em outro palanque local.

O cenário do PSB não é diferente nos demais lugares em que a legenda tem chances. E o fenômeno se estende ao PCdoB. O partido já esteve bem mais inclinado a levar adiante, como alternativa de poder, o bloco com o PSB em torno de Ciro, ou mesmo de Campos. Com a aproximação de 2010, começa a falar mais alto entre os comunistas o pragmatismo, que é diretamente proporcional aos incrementos na musculatura de Dilma.

E também porque a terceira perna do possível bloco, o PDT, bem instalado no Ministério do Trabalho, já está faz muito tempo com a chefe da Casa Civil para o que der e vier. Até porque a própria Dilma vem do partido de Leonel Brizola.

Uma solução para ajeitar Ciro seria a vice na chapa do PT. Mas tal saída dependeria de 1) o PMDB abrir mão de vaga que considera naturalmente sua ou 2) o PMDB conflagrar-se e não chegar a uma maioria pela aliança com o PT ou 3) o PMDB não alcançar acordo sobre o nome para a vice. Pode acontecer, há no governo inclusive quem torça por isso, mas sempre que a coisa depende mais dos outros do que de você mesmo é bom colocar as barbas de molho. Ainda mais na política, onde ninguém dá colher de chá para ninguém.

E São Paulo? Um pedaço do PT e o próprio PSB paulista gostam da ideia de ver Ciro candidato a governador, mas há problemas. O primeiro é a proximidade local da sigla com o governador José Serra (PSDB). O segundo é a resistência interna no PT, especialmente no grupo da ex-prefeita Marta Suplicy, a não ter candidato próprio. E o terceiro é o medo no PSB de abrir mão de um trunfo nacional em troca de um espaço em São Paulo que muito provavelmente seria apenas virtual, dado o favoritismo tucano. Como me disse um deputado paulista do PSB, “seria um pastel de vento, e sem o pastel”.

Coluna (Nas entrelinhas) publicada hoje no Correio Braziliense.

@alonfeuerwerker no twitter.com

18/05/2009 - 22:35h Blog de Josias: DEM decide aderir à CPI contra a tucana Yeda no RS

  Folha
Complicou-se o drama político da governadora gaúcha Yeda Crusius (PSDB).

 

Reuniu-se nesta segunda (18) a direção do DEM no Rio Grande do Sul.

 

Embora integre a gestão Yeda, o DEM decidiu aderir à CPI contra a governadora.

 

A bancada ‘demo’ aguarda apenas pela definição do PDT local.

 

Dono de uma tropa de seis deputados estaduais, o PDT pende para o apoio à CPI.

 

Dois dos seis integrantes do PDT hesitam em assinar o pedido de CPI.

 

Mas os outros quatro mostram-se dispostos a apoiar o pedido, formulado pelo PT.

 

No momento, o pedido de CPI conta com 12 assinaturas. São necessárias 19.

 

Confirmando-se a adesão do PDT –total ou parcial—chega-se perto desse número.

 

Daí a importância da decisão tomada pelo DEM.

 

O deputado Paulo Borges, líder do DEM na Assembléia, não deixou dúvidas quanto à posição a ser adotada pelo partido:

 

“Vamos aguardar a movimentação do PDT, que é o maior partido e tem pelo menos quatro assinaturas…”

 

“…Se obtivermos essas assinaturas, estaremos assinando junto, sem dúvida nenhuma”.

 

O vice-governador de Yeda é o ‘demo’ Paulo Feijó (na foto lá do alto). Está brigado com Yeda.

 

Desde o ano passado, Feijó fustiga o governo de que participa com denúncias.

 

Uma de suas iniciativas foi a organização de um dossiê.

 

O calhamaço incluiu papéis que reforçam a suspeita de que as arcas eleitorais de Yeda foram borrifadas, em 2006, com verbas de má origem.

 

O repórter Igor Paulin trouxe à luz um dos documentos colecionados por Paulo Feijó.

 

Foi exposto nas páginas da última edição de Veja (só assinantes). Trata-se de um e-mail que Feijó enviou a Rubens Bordini.

 

Quem é Bordini? Hoje, responde pela vice-presidência do Banrisul.

 

Na época da campanha era o tesoureiro oficial do comitê de Yeda Crusius.

 

Na mensagem eletrônica endereçada a Bordini (veja reprodução abaixo), Feijó dá notícia da coleta de R$ 25 mil.

 

Veja/Reprodução

 

O dinheiro foi doado à campanha de Yeda pela Simpala, uma concessionária da General Motors.

 

Para desassossego de Yeda, essa doação não consta da prestação de contas da campanha dela.

 

No e-mail de setembro de 2006, Feijó anotou: “Recebi R$ 25 000 em cash da simpala (sic)”.

 

Bordini respondeu: “Que sorte que o pacote não estava bem feito e tiveste que reforçá-lo. Agradeço os brindes que são de muito bom gosto e muito úteis”.

 

Instado a se explicar, o ex-tesoureiro Bordini nega que tenha recebido os R$ 25 mil.

 

Pior: insinua que Feijó conduziu, durante a campanha, uma coleta “paralela”.

 

Abespinhado, o vice-governador emitiu, nesta segunda (18), uma nota.

 

No texto, Feijó reconhece que auxiliou na captação de verbas eleitorais.

 

Sustenta, contudo, que “Bordini era o responsável pela gestão financeira na campanha”.

 

Afirma que “cabia a ele a prestação de contas dos recursos captados e a conseqüente emissão dos recibos eleitorais”.

 

Ao partido, Feijó informou que dispõe de outros documentos que, se divulgados, aumentarão as labaredas que ardem sob Yeda.

 

O DEM deliberou que Feijó deve manter-se distante dos jornalistas.

 

A “munição” será guardada para utilização na CPI cuja criação parece cada vez mais iminente.

 

Rodrigo Maia (RJ), presidente nacional do DEM, disse ao blog que não vai interferir na posição a ser adotada pelo diretório gaúcho da legenda.

 

Disse ter liberado a seccional gaúcha para tomar a atitude que lhe parecer mais apropriada.

 

Fez apenas uma recomendação: “Peço que o partido não sirva, no Rio Grande do Sul, de trampolim para a candidatura de Tarso Genro”.

 

Ministro de Lula, Genro é o nome mais cotado do PT para a sucessão de Yeda. Deve medir forças com José Fogaça, do PMDB.

 

Feijó, o vice-problema de Yeda, tenta empinar sua própria candidatura. O mais provável, porém, é que o DEM se alie ao PMDB de Fogaça.

 

O PSDB se encaminha para a mesma solução. Em privado, a cúpula do tucanato reconhece que Yeda perdeu as condições políicas de disputar a reeleição.

Escrito por Josias de Souza às 21h00

12/04/2009 - 13:43h Aos 63 anos, morre o deputado federal João Herrmann Neto em SP

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O deputado federal João Herrmann Neto morreu aos 63 anos em Presidente Alves

da Folha Online

Aos 63 anos, o deputado federal João Herrmann Neto (PDT-SP) morreu na madrugada deste domingo em Presidente Alves (397 km a noroeste de SP). Ele passava o final de semana prolongado de Páscoa com a família em sua fazenda, localizada no distrito de Guaricanga.

Os assessores de Herrmann informaram que ele sofreu um choque térmico e edema pulmonar após sair da sauna e mergulhar na piscina. Eles acreditam que Herrmann tenha se sentido mal e batido a cabeça na piscina. No entanto, segundo eles, o IML (Instituto Médico Legal) informou que a causa da morte foi natural.

O corpo de Herrmann será velado a partir das 18h de hoje na Prefeitura de Campinas. O enterro está marcado para as 9h de amanhã, no Cemitério da Saudade, também em Campinas.

Herrmann estava no seu quinto mandato como deputado federal. Ele assumiu o último mandato em 6 de janeiro deste ano após a renúncia do deputado Reinaldo Nogueira (PDT). Antes de se filiar do PDT, Herrmann foi do PMDB, PSB e PPS.

Ele também foi prefeito de Piracicaba no período de 1977-1982. Engenheiro agrônomo, Herrmann nasceu em Campinas. Ele era casado com Jussara Herrmann e deixa cinco filhos.

26/03/2009 - 22:14h Estranho, muito estranho…

No tenho por habito comentar aqui ações da Polícia Federal, particularmente no meio de uma investigação. Muitas vezes, motivações obscuras são ignoradas e só aparecem com o tempo.

Mas não posso deixar passar minha revolta à leitura de artigos, como o que reproduzo embaixo do portal O Globo.

Segundo a PF, a empreitera Camargo Correia teria procedido a doações ilegais para os seguintes partidos: PPS, PSB, PDT, DEM, PP, PMDB e PSDB.

Pois não é que O Globo faz uma matéria cobrando explicações dos candidatos do…PT!

Curiosamente, nenhuma menção é feita à noticia publicada hoje pelo Jornal da Tarde (JT) do grupo Estado e que também reproduzo a seguir.

Muito estranho este comportamento de alguns jornais. Muito estranho. LF

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Castelo de Areia

Candidatos do PT dizem que só receberam doações legais da Camargo Corrêa

Publicada em 26/03/2009 às 19h23m

Wagner Gomes – portal O Globo

SÃO PAULO – A construtora Camargo Corrêa, que está sendo investigada pela Polícia Federal por desvio de recursos públicos e financiamento ilegal de campanhas políticas , fez várias doações para candidatos do PT. Tais doações são consideradas legais pela Justiça Eleitoral. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), alguns candidatos chegaram a receber no ano passado R$ 500 mil. É o caso da candidata a prefeitura de Curitiba, no Paraná, Gleisi Hoffmann, que acabou perdendo as eleições para o tucano Beto Richa. Gleisi recebeu R$ 150 mil no dia 30 de julho, outros R$ 150 mil no dia 22 de agosto e mais R$ 200 mil no dia 29 do mesmo mês.

De acordo com o Ministério Público Federal, entre os partidos que teriam recebido dinheiro por fora, em doações ilegais, estão PPS, PSB, PDT, DEM, PP, PMDB e PSDB. A operação Operação Castelo de Areia prendeu 10 pessoas na quarta-feira. Nesta quinta-feira, os partidos negaram as irregularidades e lançaram suspeitas sobre a PF . O ministro da Justiça, Tarso Genro, negou que haja uma conotação política na operação da PF .

- A doação foi feita obedecendo a legislação em vigor. Não tenho elementos para avaliar a referida operação, mas considero que a Polícia Federal esteja cumprindo o seu papel constitucional, assim como acredito que a Justiça também o fará – disse Gleisi, atual presidente do PT no Paraná.



O prefeito eleito de Recife, o petista João da Costa Bezerra Filho, recebeu durante a campanha de 2008 R$ 200 mil da Camargo Corrêa. Doações menores foram feitas para Antônio Donato, candidato a vereador por São Paulo (R$ 50 mil), Maria das Dores de Oliveira Viana, candidata do PT a prefeitura de Deodápolis, no Mato Grosso do Sul (R$ 20 mil), Mário Alberto Kruger, que disputou pelo partido a prefeitura de Rio Verde de Mato Grosso (R$ 20 mil), e Sebastião Alves de Almeida, candidato a prefeitura de Guarulhos (R$ 15 mil).

Receberam R$ 5 mil Carlos José de Almeida, que disputou a prefeitura de São José dos Campos, Maria de Fátima Andrade da Silva Prado, candidata a vereadora por Taubaté, Paulo Afonso Mendonça de Siqueira, que disputou a vaga de vereador por Caraguatatuba, e Wagner Ocimar Balieiro, candidato a vereador por São José dos Campos.

Camargo Corrêa doou R$ 6,9 milhões em 2006

De acordo com o site Contas Abertas, que registra os gastos do governo, a Camargo Corrêa doou R$ 6,9 milhões em 2006 para campanhas de diversos partidos. O repasse é legal e também foi registrado no TSE. Na lista dos beneficiados estão os governadores de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB-MG), e da Bahia, Jaques Wagner (PT-BA), além da senadora Roseana Sarney (DEM-MA) e o atual secretário do Trabalho no Estado de São Paulo, Guilherme Afif Domingos (DEM-SP). Wagner recebeu naquele ano R$ 200 mil da construtora. Os demais receberam R$ 300 mil cada um.

Em 2008, a construtora, que está entre as maiores doadoras em campanhas políticas, repassou R$ 2 milhões para os candidatos que disputaram uma vaga nos pleitos municipais. Conforme o Contas Abertas, a Camargo Corrêa recebeu R$ 129 milhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) nos últimos três anos.

Em nota, Afif confirmou que recebeu no dia 6 de setembro de 2006 R$ 300 mil da construtora quando disputava uma vaga no Senado. Segundo ele, o pagamento foi feito em cheque e registrado no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP). Roseana Sarney disse que todas as doações foram realizadas dentro da lei e preferiu não comentar eventuais problemas de empresas que a apoiaram.

O vereador Antônio Donato, do PT, disse que ficou surpreso com a Operação Castelo de Areia. Ele afirmou que espera que a Camargo Corrêa, uma empresa de tradição no Brasil, tenha feito repasses legais para os candidatos. No Paraná, o prefeito Beto Richa, do PSDB, também recebeu dinheiro da construtora durante as eleições. A Camargo Corrêa, responsável pela construção da Linha Verde, principal obra viária de Curitiba, que liga o norte ao sul da cidade, e a Construtora Triunfo doaram cada uma R$ 300 mil para a campanha do tucano.

22/03/2009 - 12:18h Datafolha: aguardando segunda-feira

Domingo é o dia em que os jornais vendem mais. A Folha de hoje traz pesquisa Datafolha sobre intenção de voto em alguns Estados, a 19 meses das eleições. Não tem qualquer sorte de importância, como prova entre outros exemplos, o fato de Geraldo Alckmin liderar com mais de 50% das intenções de voto a 8 meses das eleições municipais em São Paulo e acabou fora do segundo turno.

A escolha dos nomes para configurar os cenários eventuais deixou de lado o nome de Gilberto Kassab, que os demos gostariam de ver como candidato a governador em 2010, assim como o nome de Aloizio Mercadante que foi candidato a governador pelo PT nas últimas eleições. No caso de Kassab, a sua ausência da pesquisa permite a Alckmin atingir um patamar de intenção de voto superior, pois é o único candidato do campo demo-tucano. Já no campo da oposição de centro-esquerda o Datafolha incluiu em todas as simulações o nome de Luiza Erundina e a dos eventuais nomes do PT, com a consequente divisão das intenções de voto do eleitorado. Na última eleição na capital paulista, Luiza Erundina não foi candidata e apoiou Marta Suplicy. Para dar um exemplo do significado da eliminação do nome de Kassab e a de manter Erundina, basta olhar as intenções de voto na capital, onde Alckmin aparece com 34%, Marta com 20% e Erundina com 10%.

Em fim, como já escrevi pesquisa eleitoral com 19 meses de antecipação serve só para alimentar a projeção de nomes e as disputas internas nos partidos. Carece de qualquer outro valor ou interesse. Bem diferente de avaliar a situação dos governantes, particularmente em momentos delicados como os de hoje com o impacto da crise econômica. Teria sido interessante sim, a Folha publicar hoje os resultados da avaliação do governo estadual e do prefeito de São Paulo, que seguramente o Datafolha fez. A questão é de atualidade e permitiria comparar com a avaliação feita sobre o governo Lula.

Provavelmente ficará para segunda-feira, dia em que os jornais vendem menos. LF

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DATAFOLHA

Alckmin lidera com folga e opositor está indefinido

Tucano obtém de 41% a 46% das intenções de voto para o governo de SP em 2010

Ex-governador obtém pior resultado em confronto com Marta; Datafolha diz que favoritismo de Alckmin está ligado a “recall” de eleições

JOSÉ ALBERTO BOMBIG- Folha SP

DA REPORTAGEM LOCAL

O tucano Geraldo Alckmin, derrotado ainda no primeiro turno da eleição do ano passado para prefeito de São Paulo, é o preferido dos paulistas na corrida para governador, segundo o Datafolha. Trata-se da primeira pesquisa de intenção de voto nas eleições de 2010 para governos estaduais.
Atual secretário de Desenvolvimento do governador José Serra (PSDB), ele obtém entre 41% e 46% das intenções de voto -sempre na liderança- em todos os cenários em que ele foi citado.
Serra, nome mais cotado entre os tucanos para disputar a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva também em 2010 e líder nas pesquisas, não aparece em nenhum deles.
A 19 meses da eleição, nenhum dos adversários de Alckmin atinge sequer a metade de suas intenções de voto nos cenários em que ele é apresentado. Os mais bem posicionados são os ex-prefeitos Marta Suplicy (PT) e Paulo Maluf (PP).
O melhor desempenho do tucano (46%), que governou São Paulo de 2001 a 2006, ocorre quando o candidato do PT é o ministro da Educação de Lula, Fernando Haddad. Contra Marta, o tucano obtém seu pior resultado (41%).
Na hipótese de o deputado federal e ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci concorrer pelo PT, Alckmin chega a 45%.
O outro nome tucano apresentado pelo Datafolha, o do secretário da Casa Civil de Serra, Aloysio Nunes Ferreira, oscila de 2% a 3% das intenções. Ele e Alckmin já travam uma batalha dentro do partido e do Palácio dos Bandeirantes pelo direito de concorrer em 2010.
A pesquisa foi realizada entre 16 e 19 deste mês. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

“Recall”
O diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino, diz que o levantamento mostra “amplo favoritismo de Alckmin”. Mas ele ressalva que Aloysio, Haddad e o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf -também testado em todos os cenários-, ainda são pouco conhecidos.
“Os demais já concorreram nas urnas muitas vezes e recentemente. A campanha para o governo costuma ficar escondida por conta da disputa pela Presidência, e o eleitor, por causa disso, só se lembra dela mais adiante”, afirma Paulino.
Como exemplo, ele cita o desempenho de Paulo Maluf (PP), que chega a liderar com 20% quando Alckmin sai da disputa. Também sem o ex-governador tucano, a ex-prefeita Luiza Erundina (PSB) atinge 14%, seu melhor índice.
O resultado da pesquisa deve servir de combustível para Marta na disputa interna do PT. Derrotada por Gilberto Kassab (DEM) no segundo turno da eleição para a Prefeitura de São Paulo, ela chegou a ser apontada como nome descartado do processo.
No entanto, Palocci e Haddad, que seriam os preferidos de Lula, ainda mostram pouca viabilidade. O ex-ministro da Fazenda oscila de 3% a 5%.
O ministro da Educação não passa de 2%. Já Marta chega a liderar com 19% no cenário sem Alckmin e com Aloysio.
Além de Skaf (sem partido), também foram apresentados em todos os cenários Campos Machado (PTB), Ivan Valente (PSOL), Paulinho (PDT) e Soninha (PPS).

13/03/2009 - 15:00h Lula, um ator em 27 palcos

César Felício – VALOR

Não é apenas em relação à própria sucessão presidencial que a ação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva se faz notar neste ano de pré-campanha. Além de consolidar o nome da sua preferida, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, dentro do partido, Lula começa a agir em um raio de Porto Alegre a Salvador, de Curitiba a Fortaleza.

A sombra do lulismo paira sobre cada unidade da federação. O presidente é polo aglutinador em alguns Estados e o ponto de equilíbrio em outros, onde há a disputa entre o PT e algum aliado. Serão raras as sucessões estaduais que não terão a sua ação decisiva. Um observador atento da cena petista aponta que até mesmo uniões tidas em passado recente como impensáveis começam a se desenhar, como a aproximação entre o PT e o PMDB no Rio Grande do Sul. Na arena gaúcha, os dois partidos jamais se coligaram em suas histórias. Agora esta aliança entra pela primeira vez no terreno da hipótese, em um cenário onde a governadora tucana Yeda Crusius sofre um desgaste avassalador. O ministro da Justiça, Tarso Genro, pelo PT, e o ex-governador Germano Rigotto, pelo PMDB, podem ser os protagonistas de uma coligação inédita, que, se surgir, nascerá no Planalto Central, e não no Guaíba. É com Lula, e não com líderes regionais petistas, que o PMDB poderá se coligar.

A ação de Lula também desenha uma grande frente no Paraná, onde o governador Roberto Requião (PMDB) e os petistas já tiveram várias aproximações e rompimentos. No ano passado, sob recomendação expressa de Lula, o governador paranaense nomeou o técnico Valter Bianchini para a Secretaria Estadual de Agricultura. Na ocasião, empossou outro petista, Enio Verri, para a Secretaria do Planejamento. É um aliado do ministro do Planejamento, o petista Paulo Bernardo. Não está claro quem poderá ser o candidato ao governo paranaense que una Requião e o petismo, mas é evidente a ofensiva lulista para isolar o PSDB, que caminha para uma divisão entre o senador Álvaro Dias e o prefeito de Curitiba, Beto Richa. O próximo lance do Planalto poderá ser a atração do irmão de Álvaro, o também senador Osmar Dias (PDT) para o governismo, rachando a família.

A depender das conversas com o PSB, o Planalto também poderá ser a chave para uma aliança que isole o senador tucano Tasso Jereissati no Ceará. No desenho imaginado, o governador Cid Gomes poderia disputar a reeleição, apoiado por PT e PMDB, que lançariam respectivamente para o Senado o ministro da Previdência, José Pimentel, e o deputado Eunício Oliveira. Em Pernambuco, o pacto envolveria o apoio petista à reeleição do governador Eduardo Campos e a candidatura do ex-prefeito do Recife João Paulo, ao Senado. Tanto em um caso como no outro, são equações que necessariamente envolvem a desistência do deputado Ciro Gomes (PSB) em tentar a Presidência pela terceira vez.

O quadro é mais delicado na Bahia, onde Lula já começou a agir para diminuir a competição entre o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB) e o governador petista Jaques Wagner. Aos petistas baianos, o presidente pediu que a escalada verbal fosse interrompida. Na disputa pela prefeitura de Salvador, no ano passado, o PMDB baiano aproximou-se muito dos tucanos e dos integrantes do DEM. O lado oposicionista já ofereceu a Geddel o apoio para concorrer ao governo estadual, em troca de seu empenho para impedir que o PMDB apoie o PT na eleição presidencial. Não está claro o que pode ser oferecido a Geddel para que permaneça na trincheira governista.

As maiores dificuldades de atuação presidencial estão nos dois grandes colégios eleitorais. Em Minas Gerais, a divisão do PT entre as possíveis candidaturas do ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, e do ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel impede uma movimentação por cima. O provável é que se aguarde o resultado da eleição direta dos dirigentes petistas, no fim do ano passado. Um resultado claro a favor de um dos adversários internos em Minas poderá destravar a ação de Brasília. Ao longo dos últimos meses, a atuação do presidente em Minas visou apenas a enfraquecer Aécio: com sucesso, Lula impediu que o governador mineiro tentasse enredar Pimentel na construção de uma candidatura ao governo estadual fora da órbita do PT.

Em São Paulo, está a pior situação. Diante da provável candidatura do governador José Serra à Presidência, é o PT que está isolado. O governador paulista monta uma aliança com lugar para o PMDB de Orestes Quércia e o DEM de Gilberto Kassab, além de todas as alas e subalas do tucanato. Já o PT oscila entre duas possibilidades, inviáveis eleitoralmente cada uma a seu modo: o deputado federal Antonio Palocci e a ex-prefeita paulistana Marta Suplicy. Fato novo, que poderá representar uma saída para o bloco governista, é a articulação de partidos aliados ao Planalto em torno de uma hipotética candidatura do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf. A construção de um cenário de dois turnos para a eleição paulista atenua a fraqueza do palanque regional para a virtual candidata presidencial do PT, Dilma Rousseff.

César Felício é correspondente em Belo Horizonte.

E-mail cesar.felicio@valor.com.br

20/02/2009 - 11:46h Montagem de chapa de Skaf ao governo de SP reúne bloco de esquerda e Maluf

Anna Carolina Negri/Valor

Paulo Skaf: presidente da Fiesp pode dispor de sete minutos na televisão para expor discurso de união entre capital e trabalho no enfrentamento da crise

 

Caio Junqueira, de São Paulo – VALOR

O presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, empresário ligado ao setor têxtil, tem mantido conversas com o chamado bloco de esquerda formado por PDT, PSB e PCdoB, para viabilizar sua candidatura ao governo do Estado de São Paulo em 2010. A ideia é que ele se filie até maio ao PSB e que a possível chapa contenha ainda o PR e o PP, somando, assim, cerca de sete minutos no horário eleitoral gratuito.

Na formulação da chapa, a vice ficaria com o deputado em terceiro mandato Milton Monti (PR-SP), economista que foi secretário estadual de Relações do Trabalho no governo Luiz Antonio Fleury Filho (1991-1994). Ex-prefeito de São Manuel, pequeno município paulista a 272 km a noroeste da capital paulista, sua entrada daria o viés interiorano à composição. A vaga para o Senado seria do deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (PDT-SP). Uma pesquisa Vox Populi para testar os nomes já está em negociação.

O deputado federal Paulo Maluf, presidente do PP paulista, e o ex-deputado Valdemar Costa Neto, participam diretamente da negociação, além do próprio Paulinho, e do deputado federal e presidente do PSB paulista, Márcio França, que é muito próximo de Skaf.

Em um provável cenário em São Paulo com políticos não tão conhecidos do eleitorado, à exceção do ex-governador Geraldo Alckmin, a aposta é que a constante exposição de Skaf à mídia nos últimos seis anos seja um diferencial, junto com um discurso de capital e trabalho unidos pelo desenvolvimento. Os ideários da composição entre de empresário com sindicalista inspiram-se na chapa que elegeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu vice e o fundador da Coteminas, José Alencar. Até o marqueteiro que fez vitoriosa essa dupla em 2002 é cogitado para a provável chapa: Duda Mendonça.

Os tucanos, embalados na máquina estadual desde 1995, viriam favoritos para a disputa, dentro de uma aliança com seis partidos (PMDB, PTB, PPS, PV, PPS, PSDB), mais de dez minutos de horário eleitoral e cerca de 450 das 645 prefeituras do interior. Embora Alckmin pareça ser o candidato eleitoralmente mais forte, o governador de São Paulo, José Serra, tem preferência por seu secretário da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira. A última eleição majoritária que disputou foi em 1992, para a Prefeitura de São Paulo, onde, mesmo com apoio do então governador Fleury, não foi ao segundo turno.

A avaliação do bloquinho é de que haverá em 2010 espaço para neófitos na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes, na medida em que o Estado se divide basicamente entre petistas e anti-petistas. Com a composição, Skaf poderia se fortalecer sendo uma terceira via e incorporando votos dos dois lados.

Uma aliança que inclui o PT não é descartada pelo bloquinho, mas os petistas descartam a ideia. Não cogitam ceder espaço no maior colégio eleitoral do país nem tampouco compor com Skaf, um crítico constante do governo Lula que notabilizou-se no embate pelo fim da CPMF e pela queda de juros. Nas palavras de um integrante da cúpula petista, “esperava-se uma postura diferente dele em relação ao governo”. Na legenda, a disputa deve ficar entre os deputados federais Arlindo Chinaglia e Antonio Palocci. Entretanto, caso prospere uma aliança bloquinho, Skaf, PP e PR, o tempo de propaganda eleitoral gratuita do PT será o menor.

Oficialmente, a Fiesp informa que muitos partidos procuram o empresário. As incursões políticas de empresários ligados a Fiesp têm sido discreta nos últimos anos.

O último de seus presidentes a ingressar na política foi Carlos Eduardo Moreira Ferreira, eleito deputado federal em 1998 pelo então PFL, hoje DEM. Com uma campanha tendo por mote “Produção, Emprego e Educação”, obteve 91.194 votos em 520 municípios. Quatro anos depois, frustrado com a atividade política, por não conseguir emplacar as reformas tributária, trabalhista e política, desistiu de tentar a reeleição. “Jogar para a plateia é outra característica marcante da política nacional, à qual é extremamente difícil para alguém proveniente do meio empresarial se adaptar”, escreveu em sua justificativa pela desistência de tentar um novo mandato.

O adversário de Moreira Ferreira pela presidência da Fiesp em 1992, Emerson Kapaz, foi secretário de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico do governo Mário Covas antes de se eleger deputado federal pelo PSDB em 1998. Deixou o partido para tentar a candidatura a Prefeitura de São Paulo pelo PPS em 2000, disputa em que acabou como vice da candidatura Luiza Erundina (PSB). Foi reeleito deputado federal em 2002, mas iniciava a função de arrecadador da campanha de Alckmin à Presidência em 2006 quando acabou envolvido no escândalo das sanguessugas, deixando a política. Em um seminário do PPS em 2007, disse que “a política já não faz mais diferença no Brasil”.

À margem das urnas, Pedro Piva, pai do ex-presidente da Fiesp Horácio Lafer Piva, foi o último empresário ligado à instituição a exercer mandato majoritário por São Paulo. Financiador de campanha e suplente do então senador José Serra (PSDB), eleito em 1994, ocupou sua cadeira durante quase todos os oito anos do mandato, do qual o atual governador paulista ausentou-se para ocupar, consecutivamente, dois ministérios no governo Fernando Henrique Cardoso, Planejamento e Saúde.

12/02/2009 - 10:03h Refrão de campanha dá início à aproximação com militância petista

 

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Paulo de Tarso Lyra, de Brasília – VALOR

Pré-candidata do PT à presidência, nome preferido de Luiz Inácio Lula da Silva à sua sucessão, executora do principal programa de investimentos do governo federal, a chefe da Casa Civil, ministra Dilma Rousseff, teve integral agenda de candidata nos eventos partidários ao longo desta semana, em Brasília. Inclusive com direito a, no jantar comemorativo de 29 anos do PT, ver o seu nome incorporado ao grito de guerra da militância petista na campanha presidencial de 1989. Ao ser chamada ao palco para discursar como maior estrela do evento, Dilma foi recepcionada efusivamente: “Olê, olê, olá, olá. Dilma, Dilma”.

A frase é emblemática para o PT, já que sempre impulsionou as aparições de Lula em eventos públicos desde que ele se lançou candidato a presidente pela primeira vez, há quase 20 anos. Ter seu nome incluído em um jingle histórico é, na opinião de um petista com cargo estratégico no Planalto, sinal de que a base petista incorporou o nome da ministra como a candidata petista em 2010. E Dilma começa, cada vez mais, a se sentir à vontade no figurino de presidenciável. Em uma fala rápida, de quase dez minutos, fez questão de elogiar a militância do partido.

Segundo a ministra, que chegou a ser criticada até pelo ministro Tarso Genro (Justiça) de não ter vida partidária, os militantes petistas foram fundamentais para que a legenda chegasse ao poder. E foram vitais para que o governo Lula atingisse as marcas e conquistasse as vitórias que alçaram o presidente a uma aprovação pessoal recorde. Em rápidas palavras, enumerou alguns feitos da gestão petista. Nada muito longo, para não entendiar a plateia. “Discurso de meia hora é só para o Lula”, brincou um petista com gabinete no quarto andar.

Dilma sabe muito bem das diferenças em relação ao seu mentor político. Mas vem treinando para melhorar. Segundo uma pessoa próxima, ela tem recebido aulas de retórica, para que seus discursos, que carregam sempre um teor administrativo e professoral, penetrem no “imaginário das pessoas”. Só assim, reconhecem os petistas, ela poderá ter sucesso em uma campanha eleitoral. “Não podemos compará-la com o presidente. Isso seria mortal. Aliás, essa comparação é mortal para qualquer político”, declarou um petista ligado à cúpula partidária.

Um dos escalados para ajudar na campanha presidencial de Dilma, o ex-governador do Acre, Jorge Viana, acha que a ministra tem que viajar mais e, nessas viagens, dialogar mais com os movimentos sociais e com a base petista. “Diferente de outros colegas, não acho que esta eleição será mais difícil para o PT. Temos um governo para mostrar, um governo que deu certo. Mas Dilma precisa se embrenhar pelos rincões deste país”, defendeu ele.

Viana sugere algo que reconhece ser muito difícil neste momento: separar a agenda da Dilma ministra e da Dilma candidata. “Eu sei que é complicado, mas ela tem que dar um jeito. Até o final do ano vamos conseguir isto”. Um dirigente petista disse que, mesmo que a agenda “maluca” da ministra não permita, é preciso aproveitar cada brecha para que ela interaja com os movimentos sociais e com os partidos aliados.

Na noite desta sexta-feira Dilma vai aproveitar uma dessas brechas para se encontrar com um dos grupos mais importantes para que sua campanha presidencial deslanche de fato: os representantes do PT paulista. A ministra da Casa Civil será recebida por Marta Suplicy em um jantar que vai reunir a cúpula do partido no Estado. Estão convidados para o encontro toda a bancada federal e estadual do partido, prefeitos petistas da Grande São Paulo, além dos vereadores da capital. “É um encontro de aproximação com o PT de São Paulo”, afirma o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP), um dos convidados do jantar.

Um outro caminho a ser percorrido pela ministra é retomar a química com os integrantes do chamado bloquinho de esquerda: PCdoB, PSB e PDT. Para isto, Dilma delineou a estratégia ao declarar, no jantar de aniversário do PT, que o partido tem uma diretriz socialista. Isto aproxima sua candidatura de aliados históricos, não descarta a ala progressista do PMDB e estabelece uma diferenciação clara de outros aliados que sempre provocaram ojeriza a alas petistas: PTB, PR e PP. “Ela também deve aproveitar seu histórico político de combate à pobreza e à ditadura. Ela dedicou sua vida a isto”, disse um influente parlamentar petista. (Colaborou Yan Boechat, de São Paulo)

19/12/2008 - 13:25h Planilha indica doação ilegal de R$ 3,5 mi a políticos

Entre os supostos beneficiados do esquema estão cinco deputados estaduais e um federal de 5 partidos

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Bruno Tavares e Marcelo Godoy – O Estado SP

A máfia dos parasitas fez investimentos de pelo menos R$ 3,5 milhões em 26 candidatos a prefeito – 18 deles foram eleitos em três Estados. Isso é o que o Ministério Público Estadual sustenta com base em documentos que indicam, na visão dos promotores, doações ilegais feitas pela Home Care Medical Ltda, a principal empresa suspeita de envolvimento em fraudes de R$ 100 milhões em contratos de material e serviços hospitalares. Um dos documentos em mãos dos promotores registra “investimentos” de R$ 3,5 milhões em candidatos a prefeito. Em outra lista, feita a mão, os valores somados chegam a R$ 4,1 milhões. Entre os supostos beneficiados do esquema estão cinco deputados estaduais e um federal de cinco partidos.

Um mapa, de acordo com o Ministério Público, registra os sucessos e insucessos eleitorais do grupo. Na coluna “municípios que ganhamos”, há indicação de vitórias em cidades como Marília (Mário Bulgarelli, PDT), São Carlos (Oswaldo Barba, PT), São Caetano do Sul (José Auricchio, PTB), Taubaté (Roberto Peixoto, PMDB) e Botucatu (João Cury, PSDB). Ao todo, esses candidatos teriam recebido R$ 1,5 milhão. Há referências a pagamentos mensais feitos de junho a setembro de R$ 75 mil, R$ 50 mil e R$ 25 mil para os candidatos a prefeito.

Os deputados estaduais supostamente beneficiados pelas doações são Chico Sardelli (PV), Marco Bertaiolli (DEM), Roque Barbieri (PTB), Orlando Morando (PSDB) e Celso Giglio (PSDB). O federal é Reinaldo Nogueira (PDT-SP). Só dois deles se elegeram prefeito – Bertaiolli, em Mogi das Cruzes, e Nogueira, em Indaituba (SP). O Estado procurou todos os candidatos. Eles negaram o uso de caixa 2.

Ao todo, a Home Care teria registrado seus “investimentos” em campanhas de candidatos de oito partidos políticos – PT, PSDB, PMDB, PR, DEM, PDT, PV e PTB. Uma das tabelas mostraria que os candidatos do suposto esquema foram derrotados em oito municípios, entre eles Osasco (Celso Giglio, PSDB), São Bernardo do Campo (Morando), Americana (Chico Sardelli, PV), e Resende (Silvio de Carvalho, PMDB).

TSE

No site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), há doações registradas da Home Care para cinco candidatos. Três deles concorriam a uma vaga de vereador em Uberlândia (MG) e um a vereador em São Bernardo do Campo, além de Carlos Vilela (DEM), candidato a prefeito de Caçapava (SP). Somadas, essas doações chegaram a R$ 45 mil. Há ainda o registro de duas doações – ao todo R$ 700 mil – para o comitê da candidatura de Morando, em São Bernardo. Na contabilidade apreendida pela polícia na Home Care há o registro de doações de R$ 1,08 milhão para Morando e de R$ 55 mil para Vilela, em Caçapava.

MAPEAMENTO

Os empresários foram denunciados pelo Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) sob as acusações de formação de quadrilha, peculato, fraude em licitação e lavagem de dinheiro. Sem citar os políticos suspeitos, os promotores afirmaram na denúncia que os documentos mostram “a existência de mapeamento político de diversas administrações (com referências a doações para campanhas políticas, denominadas pela quadrilha de ?investimentos?) em cidades variadas, apontando locais de vitórias e derrotas de candidatos municipais apoiados pelos criminosos”.

Ainda segundo os três promotores que assinaram a denúncia – José Reinaldo Guimarães Carneiro, Luiz Henrique Cardoso Dal Paz e Roberto Porto -, os empresários Renato Pereira Júnior e Marcos Agostinho Paioli Cardoso conversavam “abertamente sobre a influência que detinham junto a prefeitos do interior do Estado de São Paulo, comemorando resultados políticos bem delineados”. O grupo, segundo o Gaeco, elaborou um “organograma de sua própria atuação criminosa, igualmente apreendido” na operação.

A investigação que resultou na descoberta do esquema nasceu de uma denúncia feita à Corregedoria-Geral da Administração do Estado de São Paulo. Foi montada uma força-tarefa composta por auditores da Receita Estadual, integrantes da inteligência da Polícia Civil e promotores do Gaeco, que investigaram durante 11 meses a atuação das empresas suspeitas. O suposto esquema seria dividido em duas células – uma atuaria nas prefeituras e outra que fraudaria licitações em hospitais públicos.

Candidatos alegam que tiveram contas aprovadas

Roberto Almeida – O Estado SP


Candidatos eleitos e derrotados acusados de receber dinheiro da Home Care Ltda. negaram os “investimentos” em suas candidaturas, sob alegação de que suas contas de campanha foram aprovadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Consultados pelo Estado, eles disseram ter confirmado com as assessorias jurídicas de suas campanhas que não houve doação paralela para suas candidaturas.Os deputados estaduais Orlando Morando (PSDB) e Chico Sardelli (PV) responderam pessoalmente às acusações. Morando teve R$ 700 mil em doações da Home Care contabilizadas e apresentadas pelo TSE. Ele confirmou o valor e disse desconhecer a cifra da planilha, que passa de R$ 1 milhão. “A doação foi oficializada, foi dado recibo”, rebateu. “Nós recebemos R$ 700 mil, este é o número que nós temos.”

Já Sardelli, que segundo o documento teria recebido R$ 90 mil, sublinhou que “todas as doações foram declaradas”. “Tem de apurar os fatos, a minha campanha foi transparente, clara, está lá, já foi entregue e assinada. Não me lembro de nada nesse sentido”, disse.

O tucano Celso Giglio, deputado estadual, candidato derrotado em Osasco (SP), informou por meio de nota que também recebeu doação contabilizada da Home Care, aprovada pelo TSE. Ressalvou, porém, que “nunca houve contato pessoal entre o deputado e sócios ou dirigentes da empresa”. O quarto deputado citado na planilha, Marco Bertaiolli (DEM), foi contatado por meio de sua assessoria de imprensa, mas não respondeu às ligações.

Em Cotia (SP), o advogado da campanha de Carlão Camargo (PSDB), Francisco Festa, ressaltou também que, “se existe uma contabilidade paralela, é a Home Care que tem de explicar”. O mesmo defende a campanha do petista Oswaldo Barba, candidato eleito em São Carlos (SP). “As contas da campanha são públicas e estão à disposição da imprensa e dos cidadãos”, afirmou o presidente do PT na cidade, Rosoé Donato.

O prefeito reeleito de Itu, Herculano (PV), faz coro aos demais candidatos. Segundo ele, a Home Care trabalhou para a administração da cidade, mas não houve doações. Em São Caetano do Sul, a empresa também participou da gestão. Segundo o prefeito reeleito, Auricchio (PTB), “não houve nenhum doador não-contabilizado da campanha”.

Os candidatos de Barra Mansa (RJ), Taboão da Serra (SP) e Botucatu (SP) não responderam aos recados deixados pela reportagem. Os demais não foram encontrados até o fechamento desta edição.

Advogado contesta acusação

Podval diz que doações da empresa foram todas legais

Bruno Tavares e Marcelo Godoy – O Estado SP


O advogado Roberto Podval, que defende os empresários Renato Pereira Júnior e Marcos Agostinho Paioli Cardoso, donos da Home Care Medical Ltda, afirmou que a empresa fez doações a partidos e candidatos nas últimas eleições, mas todas foram legais. Ele disse desconhecer os documentos que indicariam a existência de um mapeamento de supostas doações ilegais da empresa. “Não acredito que haja disparidade dos valores”, disse.

Seus clientes, disse Podval, foram investigados durante um ano sem que fossem achadas provas de corrupção. Os promotores e a polícia tiveram acesso a toda a contabilidade da Home Care, quebraram os sigilos bancários e fiscal da empresa e de seus proprietários e não teriam encontrado nada que os incriminasse. “Depois disso tudo, o que eles apresentam é um papel escrito a mão? A verdade é que eles não têm nada que comprove as acusações.”

Podval disse estranhar que os documentos tenham sido vazados na véspera do julgamento no Tribunal de Justiça de São Paulo do habeas corpus pedido por ele para seus clientes. “A denúncia apresentada pelo Ministério Público Estadual contra meus clientes é absolutamente vazia”, afirmou. Segundo ele, os promotores não conseguiram demonstrar o valor da suposta fraude e apresentaram como valor o total do valor dos contratos da Home Care com as prefeituras – R$ 61 milhões.

“A Home Care prestou todos os serviços contratados pelas prefeituras.” A Home Care faz o gerenciamento de estoques e fornecimento de medicamentos e materiais hospitalares e odontológicos. Ela atua no mercado desde 1990.

04/12/2008 - 11:50h Paulinho é absolvido por 10 x 4 na Comissão de Ética

Cristiane Agostine, de Brasília – VALOR

Poucas horas depois de comandar uma manifestação de sindicalistas em frente ao Congresso, o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho, foi absolvido pela Comissão de Ética na Câmara da acusação de quebra de decoro parlamentar. Investigado por suspeita de desvio de recursos do BNDES, o parlamentar recebeu apoio de deputados do PT, PSDB, DEM, PP, PMDB, PSB e PV, além do governo federal.

Na Comissão de Ética, 10 dos 14 deputados rejeitaram o parecer do relator, Paulo Piau (PMDB-MG), que pedia a cassação do mandato do parlamentar. Além do apoio da base governista, em especial do PT, Paulinho teve voto de um deputado do PSDB, Rômulo Gouveia (PB), e um do DEM, José Carlos Araújo (BA). Os parlamentares, entretanto, negaram corporativismo. “Votei de acordo com a minha consciência. Não há nada provado contra ele”, afirmou Marcelo Ortiz (PV-SP). Sem muita convicção do motivo de ter rejeitado a cassação de Paulinho, o deputado Leonardo Monteiro (PT-MG) também alegou que não há fatos concretos que incriminem o parlamentar, mas defendeu uma “punição parcial”, mais branda que a perda do mandato.

O relator do caso reclamou da decisão de seus colegas e disse que “há um conjunto de provas” contra Paulinho, e que seus pares “não analisaram tecnicamente a questão”. O advogado de Paulinho, Leônidas Ribeiro, argumentou que “não há provas” de que o deputado recebeu recursos de forma ilícita.

Paulinho comemorou o resultado e disse que foi vítima de “armação política”, porque “defende os direitos dos trabalhadores”. Presidente da Força Sindical, o deputado afirmou que teve “apoio de todas as centrais sindicais” e que a “imprensa floreia demais as denúncias”.

A rejeição da cassação do mandato do deputado gerou indignação em parlamentares. Representando o P-SOL, partido que entrou com uma representação contra Paulinho, o deputado Chico Alencar (RJ) criticou a comissão e classificou-a como um “cemitério de iniciativas”.

Alvo de dois inquéritos de desvio de dinheiro público, no Supremo Tribunal Federal, Paulinho não participou da reunião da Comissão de Ética. Junto a sindicalistas de seis centrais sindicais, reunidos na 5 Marcha Nacional dos Trabalhadores, em Brasília, o deputado foi à Câmara e ao Senado, para reunir-se com lideranças de governo e os presidentes das duas Casas. Paulinho recebeu telefonemas de parlamentares, líderes partidários e do ministro Luiz Dulci, para tratar, entre outras questões, da marcha dos trabalhadores.

Antes da reunião do conselho, pela manhã, cerca de 30 mil sindicalistas, segundo a organização, reuniram-se em frente ao Congresso para pressionar o Legislativo e o Executivo a aprovarem medidas que minimizem o efeito da crise financeira sobre os trabalhadores. Algumas faixas estampavam apoio a Paulinho. Entre as bandeiras da manifestação estão a correção da tabela do Imposto de Renda, e redução da jornada de trabalho, sem redução de salários.

19/11/2008 - 13:44h Esquerda: uma armação limitada

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Rosângela Bittar – VALOR

Numa rápida conversa, ontem, em seu gabinete, minutos antes de discursar em sessão solene de registro dos 100 anos da morte do escritor Machado de Assis, o que fez sem preparação prévia pois é assunto que conhece profundamente, o deputado Aldo Rebelo, um dos principais políticos do bloco de esquerda que integra a aliança do governo Lula, traçou o perfil da ação que deve orientar os passos do seu grupo a caminho da sucessão presidencial. Ou seja, como serão ensaiados os passos de um bom número de partidos que já vinham marcando seus sinais particulares, desde três anos atrás, tendo como último fato as eleições municipais de 2008.

Estas eleições não significaram, ao contrário de avaliações que podem ter se precipitado a partir da experiência em São Paulo, uma rasteira para o bloquinho, em geral, e para Aldo, em particular. Ele vinha construindo uma candidatura a prefeito da capital, a partir de uma concepção de fortalecimento político da esquerda e do bloco que reúne PCdoB, PSB, PDT e PRB. Teve que recuar, por instâncias do presidente Lula, para uma candidatura a vice-prefeito, na chapa derrotada de Marta Suplicy, numa campanha em que acabou aparecendo pouco e os partidos que o apoiaram menos ainda. Ele próprio não achava esta a melhor solução, mas as quatro legendas a que estava ligado, na pré-candidatura a prefeito, evoluíram para a composição com o PT, que acabara isolado depois de recusar estas históricas parcerias.

Fora São Paulo, e até mesmo neste caso específico, porque permaneceu unido e não se fragmentou como outros partidos, o bloquinho, segundo a análise de Aldo, saiu-se muito bem. As eleições municipais levaram estes partidos a serem o segundo grupo em número de vereadores, só perdendo para o PMDB, mesmo assim por pouco. O bloco conseguiu ainda cerca de 15 milhões de votos, mais de 700 prefeitos, e prestígio em regiões inteiras, como no Nordeste.

“A eleição para prefeito é necessariamente fragmentária, ela impõe um movimento de dispersão”, afirma Aldo. E foi, ao seu ver, o que aconteceu, com praticamente todos os partidos. O PMDB saiu forte da disputa, se for considerado isoladamente, mas viu naufragar, inclusive, a principal aposta política que fez pós- 2006, que foi a aliança de centro-esquerda com o PT, que resultou na eleição de um petista para a presidência da Câmara, em troca do revezamento com os pemedebistas, ano que vem. Esta aposta incluía a união interna do PMDB para ampliação dos seus espaços no governo Lula. Tudo combinado para dar frutos em 2008, mas o fracasso da empreitada foi total, em todo o Brasil, havendo uma ou outra exceção, muito sofrida, a confirmar a regra, como foi o caso da capital de Goiás, Goiânia, onde a aliança PT-PMDB subsistiu por apenas um voto.

O PSDB, na avaliação de Aldo, saiu das municipais com menos prefeitos do que entrou e, em São Paulo, ficou fora das mais importantes cidades. O DEM, praticamente desapareceu do país, opina. Assim, crê que o desempenho da esquerda nas eleições de 2008, na comparação, foi muito bom.

Agora cuidam os partidos do bloco de armar o futuro, porque até sob este ponto de vista as eleições municipais não foram pródigas para muitos. José Serra, governador de São Paulo, saiu delas como um candidato forte de partidos frágeis, no ponto de vista que Aldo, hoje, traduz. “É um candidato das forças de oposição à espera de um adversário”, resume. Aécio Neves, nesta análise, saiu enfraquecido, a não ser que vá para o PMDB, transferência que continua claramente nas suas cogitações. A ministra Dilma Rousseff, apontada como candidata do presidente Lula e do PT é, até o momento, “uma incógnita”.

Isto porque, na opinião do líder de esquerda, o candidato se revela a partir do momento que as pessoas o percebem como candidato, em que deixa notar os traços de sua personalidade, suas aptidões, que vão se revelar na campanha. “O que era o Obama? Foi a campanha que o revelou”, afirma, sobre o presidente eleito dos Estados Unidos.

O candidato a suceder Lula, nesta perspectiva da esquerda, pode, sim, ser do PT. Mas também pode não ser, pode ser do próprio bloquinho. Ciro Gomes, por exemplo, é um nome, que já demonstrou suas potencialidades e limites, está afastado da política no momento, levou uma refrega nas municipais, mas se tiver uma oportunidade, volta à cena. Outra hipótese para a esquerda é construir uma alternativa de unificação do PT e do bloco, “mas não podemos transformar isto em cláusula pétrea”, diz Aldo, provando que tudo está, de novo, em aberto.

O tempo certo de engajar-se nesta construção será determinado, na sua opinião, por dois fatos concretos. “A esquerda tem que se armar na apreciação da crise, e é o que está fazendo, em estudos e seminários internos. O bloco tem uma posição segundo a qual a crise não pode ser enfrentada com a redução de investimentos e desprezo pelo mercado interno”, assinala.

Para Aldo Rebelo, a crise é que vai definir o que será 2010 para Lula, para a base do governo, para os governadores dos partidos aliados. O segundo aspecto desta armação do futuro é a posição a ser adotada diante da eleição para a Mesa da Câmara. O bloco tem o compromisso de ter posição conjunta, mas também aqui não há cláusula pétrea nem sinal ainda de decisão, o que só deverá ocorrer em meados de janeiro.

Tanto pode a esquerda lançar candidatura própria – o nome do deputado Miro Teixeira, que se revela um especialista em legislação eleitoral e em Legislativo, entrou na roda – ou definir apoio a Ciro Nogueira, ou até ficar com orientação de Lula, embora, pessoalmente, ele vá apoiar Ciro Nogueira (PP), por quem foi apoiado quando disputou contra a aliança PT-PMDB.

A única real dificuldade que se coloca para a opção dos partidos, na avaliação de Aldo, será uma solução que entregue ao PMDB o comando das duas Casas, Câmara e Senado. “Fechar o círculo nas duas pontas, ficando tudo com o PMDB, das decisões sobre Medidas Provisórias, sobre crédito, às emendas à Constituição, ensejará uma insegurança muito forte entre os deputados e os partidos”.

Rosângela Bittar é chefe da Redação, em Brasília. Escreve às quartas-feiras

E-mail rosangela.bittar@valor.com.br

09/11/2008 - 17:35h CSN 20 anos depois da greve histórica

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Episódio impulsionou organização sindical, mas valeu pouco a seus personagens

Alexandre Rodrigues - O Estado de S. Paulo

 


RIO - Pouco mais de um mês depois da promulgação da Constituição de 1988, chamada “cidadã” por institucionalizar a democracia e direitos como o de greve, mais de 20 mil metalúrgicos decidiram cruzar os braços e ocupar o interior da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) para exigir a correção dos salários e as condições de trabalho previstas na Carta. Sabiam que desafiariam o autoritarismo que se recusava a sair de cena, mas não esperavam que a invasão do Exército para cumprir o mandado judicial de reintegração de posse os faria deixar a usina de Volta Redonda, marco do impulso industrializador getulista, com os corpos de três “companheiros” nos braços.Veja também:

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A reação do País àquele 9 de novembro impulsionou a organização política dos trabalhadores na redemocratização, mas deu muito pouco aos operários. Vinte anos depois, a memória do episódio que ganhou repercussão internacional se diluiu em meio à impunidade, ao desamparo das vítimas e às disputas internas do sindicalismo de Volta Redonda – que não conseguiu evitar o desemprego e as conseqüências sociais da privatização da CSN em 1993.

William Fernandes Leite, de 23 anos, foi baleado no pescoço quando observava a incursão militar do alto da aciaria, coração da siderúrgica, onde a maior parte dos grevistas se refugiou. Walmir Freitas de Monteiro, de 28, teve o tórax atravessado por uma bala de fuzil quando deu de cara com os militares na saída de um refeitório. O corpo de Carlos Augusto Barroso, de 19, foi encontrado com sinais de espancamento e afundamento de crânio.

Apesar da abertura de um inquérito militar, não houve culpados. Nenhum militar foi autorizado a depor na Justiça comum, que rejeitou as denúncias do Ministério Público. Em vez de réu, o general José Luís Lopes da Silva, que comandou a invasão, tornou-se juiz em 1999, indicado ministro do Superior Tribunal Militar pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Na ocasião, diante do mal-estar provocado por sua nomeação, defendeu a ação em Volta Redonda, classificando-a de “bem-sucedida”. Ele se aposentou em 2004.

Revezes

Os líderes sindicais que mobilizaram os operários, conquistando toda a cidade para a causa, tiveram recentemente seus revezes reconhecidos pelo governo. Cerca de 70 ingressaram com pedido de reparação na Comissão de Anistia do Ministério da Justiça e pelo menos 18 já obtiveram julgamento favorável este ano pelas perseguições e demissões decorrentes da série de greves anteriores, iniciada em 1984. A comissão não divulgou a lista dos beneficiados, mas segundo alguns deles as indenizações vão de R$ 25 mil a R$ 200 mil.

Já pelo assassinato dos três operários, o Estado não foi responsabilizado. Os familiares receberam na época uma compensação financeira da estatal a título de “acidente de trabalho”. Parte do acordo que pôs fim à greve, a indenização foi calculada cruzando seus modestos salários de 75 mil cruzados e suas expectativas de vida. João Campanário, advogado do sindicato até hoje, diz que o acordo foi fechado às pressas para abreviar o desamparo das famílias.

No 1.° de Maio de 1989, o sindicato reforçou o culto a William, Barroso e Walmir como mártires da luta operária ao inaugurar na cidade um monumento aos mortos projetado por Oscar Niemeyer. Não ficou 24 horas de pé. Na madrugada do dia seguinte, tombou sob o impacto de explosivos, num atentado atribuído a militares descontentes que nunca foi totalmente esclarecido. A pedido do arquiteto, o monumento não foi reformado para que as marcas servissem de alerta e memória para as próximas gerações.

Aos 77 anos, aposentado da indústria naval, Manoel Monteiro, pai de Walmir, trabalha como barbeiro num pequeno salão na periferia de Volta Redonda. Ele perdeu a mulher logo depois do filho. A nora, Luciene, mergulhou na depressão que a levou ao alcoolismo, e morreu há cinco anos na pobreza. “Ela era apaixonada pelo Walmir. Ficou sem rumo.” Ele ainda sofre ao lembrar da afinidade que tinha com o filho. Sempre que passa pela praça onde estão os escombros do memorial, pára para reler a placa que o homenageia, mas não tem orgulho: “Herói? Não foi. Ele foi vítima.”

Helvécio Alves, de 53 anos, detesta o monumento. Exibindo o punho direito sem movimento desde que uma bala de fuzil o atravessou na verdadeira batalha que se instalou com a tomada da usina pelos militares naquela noite de novembro, ele lembra que as seqüelas interromperam sua carreira à frente da locomotiva que pilotava na aciaria. Desistiu de buscar uma indenização depois de anos na Justiça sem sucesso. Amargurado, não enxerga benefícios para os trabalhadores depois da greve. Sente-se usado pelos sindicalistas e injustiçado pelo País.

“Briguei por um direito e me negaram, como se eu fosse culpado. Todos se beneficiaram: general, sindicalista, juiz, presidente da CSN. Quem perdeu foi o trabalhador, que ficou esquecido”, reclama Helvécio, que dá expediente num box do camelódromo de Volta Redonda para complementar a aposentadoria, que não chega a R$ 2 mil. Até hoje não tem casa própria. “Não tenho nada.”

Pintura da guerra

Dispostos a resistir, os operários receberam com paus, pedras e instrumentos de trabalho os 2 mil soldados das brigadas de Infantaria Motorizada da capital e de Petrópolis, deslocadas pelo comando do Exército para reforçar as tropas do batalhão de Barra Mansa. Os militares, que tinham o rosto pintado para o combate, responderam com bombas e tiros de fuzil. Ao ver que as balas eram de verdade, os grevistas se embrenharam na escuridão dos galpões que conheciam como a palma da mão. Quando um se mostrava, os soldados atiravam.

Atordoado pelo barulho, Helvécio buscava abrigo quando foi visto por soldados entrincheirados. “Eu ouvi uma voz dizer: ‘atacar!’ Aí foi aquela explosão no meu ouvido e a pancada no braço, que tinha levantado. Eles queriam acertar minha cabeça, atiraram para matar”, relembra Helvécio, que não tinha parado de trabalhar.

25/10/2008 - 14:44h Oposição a Lula deve perder 10 milhões de eleitores após o segundo turno

Arte e fonte Folha Online

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Mesmo se confirmar a vitória em São Paulo, oposição deve amargar perda de 10 milhões de eleitores pelo país após segundo turno

22/10/2008 - 09:00h Na guerra da informação morre a verdade

ELIO GASPARI – O Globo

serra_caricatura.jpgNão é o caso de se começar o que o governador José Serra chamou de uma “guerra de informações”, em torno dos desastres de seus policiais.

Nas guerras prevalece o mais forte, e nem sempre ele tem razão. O surto de incompetência e dissimulação apresentado pela polícia e pelo governo de Serra é apenas um caso de malversação do poder.

O governo paulista varre para debaixo do tapete o motim de uma parte do grupo de elite da Polícia Civil mobilizado para ajudar a PM a conter a manifestação da quarta-feira passada.

Esses policiais abandonaram a posição em que estavam e mudaram de lado, aderindo à passeata. Alguns tinham armas. Ecoaram os fuzileiros navais que, em 1964, deixaram os oficiais a ver navios e aderiram à baderna dos marinheiros amotinados no sindicato dos metalúrgicos, no Rio.

Serra não deveria demonizar o PT e o deputado Paulinho da Força, responsabilizando-os pela passeata que pretendia seguir até o Palácio dos Bandeirantes. A manifestação se movia em lugar proibido e bastaria esse argumento. Ademais, Paulinho já era o notório Paulinho quando apoiou a candidatura de Serra à prefeitura de São Paulo, em 2004.

Nessa transação seu PDT ganhou a Secretaria do Trabalho.

Para efeito de raciocínio, admitase que mexer com a rebelião dos policiais poderá radicalizar uma divisão na categoria. Tudo bem. Então tome-se o caso do seqüestro das jovens Eloá Cristina Rodrigues e Nayara Rodrigues da Silva. Nele não houve política.

As duas meninas ficaram em cativeiro durante 100 horas, tempo suficiente para que uma polícia capaz desfizesse a malfeitoria. Num lance inédito na história dos seqüestros, permitiram que uma refém menor de idade voltasse ao local do seqüestro.

Fizeram isso sem a autorização de seus pais. Se uma mulher quiser embarcar para a Disney com a filha de 15 anos é obrigada a mostrar a autorização do pai à Polícia Federal. Para entrar no valhacouto de um delinqüente não foi necessária nenhuma das duas. O coronel Eduardo Félix, comandante do Batalhão de Choque da PM, disse que colocaria seu filho em situação semelhante, mas, ofendendo a lei, ele pôs a filha dos outros.

O pai de Nayara, o metalúrgico Luciano Vieira da Silva, foi expulso do posto de comando das operações da PM.

Seu crime foi ter-se exaltado quando lhe disseram que não poderia falar com o comandante. Em vez de desentocar o bandido, chuçaram o pai da vítima. A tragédia terminou com a morte de Eloá e com Nayara ferida no rosto. O seqüestrador saiu ileso.

O comandante do Policiamento de Choque, coronel Eduardo Félix, defendeu sua operação tabajara dizendo que não atirou no bandido por se tratar de um “garoto em crise amorosa”.

Romântico o coronel, mas ele foi além: “Se a operação tivesse sido bem-sucedida, os policiais estariam sendo aplaudidos e o resultado não seria contestado.” Bingo. Se o goleiro Barbosa tivesse defendido o chute de Ghiggia em 1950, teria sido aplaudido.

Fracassar é uma coisa, apresentar justificativas néscias, bem outra.

A patuléia não é volúvel, ela até prefere aplaudir a polícia. Descarregar o infortúnio nas justas reclamações de quem lhe paga o soldo é covardia a serviço da empulhação.

Na “guerra de informações” da polícia paulista a primeira vítima foi a verdade. A segunda, a inteligência.

08/10/2008 - 10:15h O mapa dos resultados eleitorais dos partidos, por região e em números de votos

O jornal O Globo publicou um mapa com os resultados eleitorais comparativos entre 2004 e 2008. Os resultados mostram, como já indicamos no blog, uma importante vitória eleitoral dos partidos da base do governo Lula e quedas expressivas dos partidos de oposição.

É assim, por exemplo, no Nordeste, onde o PMDB registra um crescimento de 25% no número de prefeituras conquistadas, o PDT um crescimento de 126% de prefeituras ganhas, o PSB mais 91% de novas prefeituras e o PT um crescimento de 105% novas conquistas. Em contraposição, o DEM (ex-PFL) registra menos 63%, o PSDB menos 16% e o PPS menos 78%.

Estes resultados aparecem em todas as regiões do país, em maior ou menor medida. Ao mesmo tempo na região sudeste e em parte também na região sul, a oposição resiste melhor. Nesse sentido se repete o que já foi constatado na eleição presidencial de 2006, são essas regiões as que dão maior sustentação para a oposição.

Mas é significativo que no sudeste, onde a oposição ao governo Lula esta mais implantada e onde seu resultado foi menos ruim, o DEM (ex-PFL) tenha sofrido um recuo de 11% de prefeituras a menos e o PPS uma perda de 25%, compensadas em parte pela melhora do PSDB que conquistou 8% de novas prefeituras. O PT, por sua vez, conseguiu nesta região um crescimento de 18% no número de prefeituras novas, o PDT 23% e o PSB 36%.

No mesmo jornal O Globo, na coluna de Ilimar Franco, um quadro retrata os resultados em votantes para cada partido. O quadro mostra que os partidos de oposição a Lula (PSDB, DEM e PPS) fizeram 5,2 milhões de votos a menos que em 2004. Já só os partidos de esquerda (PT, PCdoB e PSB) conseguiram 2,2 milhões de votos a mais que em 2004 e o PMDB, que também faz parte da base de apoio do presidente, amplio sua votação em 4,1 milhões. LF

Clicar na imagem para ampliar e ler o mapa do jornal O Globo

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Clique na imagem para ampliar e ler o gráfico da coluna de Ilimar Franco, do jornal O Globo

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07/10/2008 - 10:43h As urnas mostram uma derrota da oposição e vitória dos partidos do governo Lula, em primeiro lugar do PT

Eleições municipais no Brasil mostra que o PT é quem mais prefeituras novas conquistou e o DEM e PSDB, os que mais perderam

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Ontem a Folha de São Paulo informava assim sobre o resultado nacional das eleições municipais, após o primeiro turno:
“Passado o primeiro turno, PT, PMDB e PSDB são os maiores vencedores nas 26 capitais e nos 53 municípios com mais de 200 mil eleitores, o chamado G79 -um universo de 46.819.495 eleitores, o equivalente a 36,4% do total dos habilitados a votar para prefeito.” (Folha SP, 6/10/2008 “PT, PMDB e PSDB dominam capitais e maiores cidades”).

Aqui no blog, apoiado em artigos precisos do jornal O Estado de São Paulo, mostrei que existia uma vontade de ofuscar e confundir sobre os resultados eleitorais, sonegando a questão central: o primeiro turno consagrou uma vitória expressiva do governo Lula e sua base de apoio, com destaque para o PT.

Hoje a Folha de SP (ver nos post precedentes) tem que reconhecer os fatos ignorados ontem. DEM e PSDB são os partidos que mais prefeituras perderam e o PT foi o partido que ganhou mais prefeituras. A oposição perdeu duplamente. Primeiro na política, fugindo de qualquer questionamente ao governo ou “federalização” da disputa municipal, ao contrário do que ela fez em 2004. A oposição perdeu também nas urnas, no voto. O DEM quase desaparecendo e o PSDB, encolhendo. O DEM já perdeu neste primeiro turno 176 prefeituras, foi o partido que mais perdeu. Em segundo lugar, com 109 prefeituras a menos, o PSDB e em terceiro lugar do ranking dos derrotados, o aliado dos demo-tucanos, o PPS de Roberto Freire e a Soninha, que perdeu 70 prefeituras.

O resultado das eleições municipais neste primeiro turno, obscurecido pelo interesse político e a parceria mídia-oposição, não conseguiu tapar o sol com a peneira. Os demo-tucanos estão cada vez mais confinados ao Estado de São Paulo e mesmo aqui o avanço do PT foi importante, particularmente nas cidades do cinturão indústrial de São Paulo.

Luis Favre

 

 

07/10/2008 - 09:52h Oposição perde espaço pelo país; PT tem o maior crescimento

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Desempenho do partido de Lula, porém, ficou aquém do projetado por sua direção; em números absolutos, o PMDB foi o partido mais vencedor do domingo, com 1.194 prefeitos eleitos no primeiro turno

ALAN GRIPP – LETÍCIA SANDER da FOLHA SP

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Os três principais partidos de oposição ao governo Lula foram os que mais perderam prefeituras no primeiro turno da eleição de domingo. O DEM deixará o poder em 176 cidades; o PSDB, em 109; e o PPS, em 70.

Embora com desempenho aquém do projetado por sua direção, o PT sai das urnas com o maior crescimento no número de municípios. O partido tem atualmente 391 prefeitos, esperava chegar a 700 e saiu das urnas com 548 eleitos.

Mas, pelo critério de número de votos nominais, o grande vencedor no primeiro turno é o PMDB. Seus candidatos a prefeito receberam 18,4 milhões de votos, embora o número de prefeituras do partido tenha ficado praticamente estável (de 1.212 para 1.194).

A comparação foi feita pela Folha entre os resultados parciais da eleição divulgados até o fechamento desta edição pelo Tribunal Superior Eleitoral e a lista dos partidos hoje no poder, elaborada pela CNM (Confederação Nacional de Municípios), a principal entidade municipalista do país. Esse cruzamento retrata mais fielmente a realidade política brasileira, pois contempla o troca-troca partidário desde 2004.

O TSE havia computado até o final da tarde de ontem os votos em 5.544 municípios -em 29 deles, a eleição será decidida somente no segundo turno.

Além do PT, o PTB e siglas que compõe o chamado “bloquinho de esquerda” foram os partidos que mais ganharam prefeitos. O PT fez 157 prefeituras a mais do que tem hoje e ainda disputa o segundo turno em 15 cidades, entre elas 3 capitais (São Paulo, Salvador e Porto Alegre).
O PSB obteve o resultado mais consistente entre as legendas do bloquinho -95 prefeitos a mais do que os 214 que governa hoje, de acordo com os dados da CNM. O PTB terá a partir do próximo ano 35 prefeituras a mais, e o PDT, 33. PC do B e PV também cresceram -cada um ganhou no primeiro turno 21 prefeituras a mais.

Hoje, os 14 partidos que apóiam o governo Lula no plano federal têm 3.360 prefeituras, contra 1.852 governadas pelas demais siglas. Os três principais partidos de oposição no plano federal -PSDB, DEM e PPS- têm juntos 1.761.

No primeiro turno desta eleição, os partidos da chamada base aliada conquistaram 4.036 cidades, um crescimento de 20% em relação a hoje. Os demais enxugaram seus quadros -saíram do primeiro turno com 1.479, uma queda de 20%. PSDB, PPS e DEM fizeram 1.406 prefeituras, de acordo com os dados parciais do TSE.

Parte do declínio do DEM no número de prefeituras se deve ao fraco desempenho da sigla na Bahia, na primeira eleição após a morte do ex-governador Antônio Carlos Magalhães. O partido tem atualmente 116 prefeitos, de acordo com a lista da CNM. Neste primeiro turno, só elegeu 44, aponta o TSE. Se comparado ao resultado no primeiro turno da eleição de 2004, a derrocada do DEM fica ainda maior (71%) na Bahia. Naquele ano, a legenda chegou ao poder em 153 cidades.

O PMDB, comandando na Bahia pelo ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional), sai deste primeiro turno como o grande herdeiro do carlismo. Em 2004, os peemedebistas fizeram 20 prefeituras no Estado. Atualmente têm 57. Saem das urnas com 113.

O PT, do governador Jaques Wagner e que disputa com o PMDB o espólio político de ACM, elegeu 66 prefeitos no domingo -hoje tem 25, seis a mais do que elegeu em 2004.

Sob a liderança do governador Eduardo Campos, o PSB consolidou Pernambuco como um forte reduto do partido. Em 2004, a legenda fez 12 prefeituras no Estado. Agora, assegurou o controle de 49.

Considerando o número total de votos nominais computados até agora, o PT ficou em segundo lugar, atrás do PMDB, com 16,5 milhões de votos. Em terceiro, ficou o PSDB, com 14,45 milhões de votos, seguido do DEM, com 9,3 milhões, puxado pelo bom desempenho de Gilberto Kassab em São Paulo.

No fim da tarde, em reunião do conselho político, Lula ironizou a oposição, segundo relato de presentes: “Existem três partidos que estão muito nervosos: o DEM, porque perdeu muitas prefeituras, e o PSDB e o PPS, que perderam boas prefeituras”.

07/10/2008 - 09:36h Sem medo de ser feliz

PT continua líder nas capitais e nas maiores cidades do país

Partido confirma favoritismo, elege 13 prefeitos e está no 2º turno em 15 municípios

Já o PMDB pode eleger até 21 prefeitos e o PSDB pode governar 19 prefeituras do grupo das 79 cidades com mais de 200 mil eleitores

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FERNANDO RODRIGUES – FOLHA SP

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Apurados os votos em todas as 26 capitais e nos 53 municípios com mais de 200 mil eleitores, o PT confirmou seu favoritismo nas urnas e avançou nesse universo de grandes centros. O partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva conquistou 13 dessas cidades no primeiro turno e disputa outras 15 localidades no segundo turno, no dia 26 deste mês.
Hoje, os petistas governam 17 cidades do chamado G79, o grupo das capitais e cidades grandes que abriga 46,8 milhões de eleitores, o equivalente a 36,4% do total do país. Na eleição de domingo estavam em jogo 5.563 prefeituras.
Na sua hipótese mais otimista, o PT poderá chegar a 28 cidades governadas no G79, o que daria ao partido um eleitorado governado de 21,2 milhões nessas localidades.
É raro um partido ter sucesso em todos os segundos turnos para os quais se qualifica. O melhor indicador nesta fase da campanha é saber se o candidato passou à fase final na primeira ou na segunda colocação. Quem sai na frente, em geral, leva alguma vantagem -embora viradas também não sejam impossíveis. Dos 15 petistas no segundo turno, 11 terminaram o 1º turno na frente do adversário mais direto.
Junto com o PT no topo da tabela do G79 estão PMDB e PSDB, quase empatados. Os peemedebistas elegeram dez prefeitos no primeiro turno e disputam mais 11 cidades. Os tucanos já garantiram nove municípios grandes no domingo e estão em outros dez segundos turnos.
A diferença entre PMDB e PSDB é que seis candidatos peemedebistas passaram ao turno final na primeira colocação. Entre os tucanos, só quatro estão nessa situação.
Essa trinca somada -PT, PMDB e PSDB- tem hoje mais da metade das capitais e cidades com mais de mais de 200 mil eleitores. Em 2009, há uma tendência de leve ampliação nesse domínio.

DEM e segundo pelotão
Há um segundo pelotão de partidos no G79 cujo número de cidades governadas gravita em torno de quatro a nove. O grupo pode ser agora liderado pelo DEM (quatro cidades no primeiro turno e duas disputas no segundo). A atenção sobre os democratas está em São Paulo, onde a sigla disputa para valer pela primeira vez em sua história. A capital paulista é considerada a jóia da coroa por todos os partidos -pela exposição nacional e por causa do número de eleitores (8,2 milhões).
Junto nesse grupo intermediário de partidos nos grandes centros estão o PSB (três prefeitos eleitos no primeiro turno e outros seis em disputa agora), PDT (quatro primeiros turnos e um no segundo) e PP (três no último domingo e outros três em disputa no final do mês).
Na parte de baixo da tabela, várias siglas pequenas se esforçam para aparecer, mas sempre de maneira isolada. O caso mais notório desta vez é o PV, que já elegeu a prefeita Micarla de Souza, em Natal (RN), e disputa pela primeira vez a Prefeitura do Rio, com o deputado federal Fernando Gabeira.

Segundos turnos

Das 79 cidades grandes e capitais, 50 liqüidaram a eleição no domingo durante o primeiro turno. Em 29 municípios a definição foi para o segundo turno. Entre as 26 capitais, 15 já têm os seus prefeitos definidos.
O PT já está com seis capitais. PMDB, PSDB e PSB garantiram duas cada. PC do B, PP, e PV tem, até agora, uma capital cada um.