23/11/2009 - 09:43h Antonio Donato foi eleito presidente do PT municipal no primeiro turno. Edinho Silva foi releito presidente estadual também no primeiro turno e José Eduardo Dutra deve ser confirmado hoje como o novo presidente nacional do PT

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Apuradas 80% das urnas da capital paulista, durante a noite de ontem, o vereador Antonio Donato contabilizava 65% dos votos. Também na capital paulista Edinho Silva atingia 94% dos votos e José Eduardo Dutra 82%. Estes resultados parciais concernem a votação na cidade de São Paulo. LF fonte twitter Donato


da Folha Online

O ex-senador e ex-presidente da Petrobras José Eduardo Dutra (SE), favorito na disputa à presidência do PT, deve ser confirmado ainda hoje para o cargo.

Dutra tem o apoio dos principais líderes do partido, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e conseguiu unir três correntes do partido: Novos Rumos, PT de Lutas e Massas e Construindo um novo Brasil.

Ele defende a aliança do partido com o PMDB para 2010, mas não descarta antigos aliados, como o PC do B e o PSB.

O PED (Processo de Eleição Direta) do PT, realizado neste domingo (22), é considerado o maior processo de eleição de um partido no país. A expectativa era de que 200 mil filiados fossem às urnas.

Como a votação é manual, a apuração das cédulas só deve ser finalizada nesta terça-feira.

Se houver segundo turno, Dutra deve disputar o comando do PT com o atual secretário-geral, deputado José Eduardo Cardozo (SP), que conta com o apoio do ministro Tarso Genro (Justiça).

Também estão na corrida interna: Iriny Lopes (Chapa Esquerda Socialista), Markus Sokol (Chapa Terra, Trabalho e Soberania), Geraldo Magela (Chapa Movimento: Partido para Todos) e Serge Goulart (Chapa Virar à Esquerda, Reatar com o Socialismo).

A nova direção deve tomar posse em fevereiro, durante o 4º Congresso do partido, em Brasília, quando deve ser confirmada oficialmente a candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) à sucessão presidencial.

Ao longo do dia de ontem, os líderes do partido marcaram presença em todo o país na escolha do futuro comando do PT. A maior movimentação foi na sede do Diretório Nacional em Brasília. Pela manhã, o presidente Lula votou acompanhado da primeira-dama Marisa Letícia, da ministra Dilma, de seu chefe de gabinete Gilberto Carvalho e do atual presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini.

Descontraído, Lula aproveitou para mandar recados aos correligionários e aos possíveis aliados do PT para 2010. Recomendou prioridade para o projeto de fazer seu sucessor e defendeu que se houver divergência, não seja um obstáculo para a campanha majoritária.

“Eu não tenho mais ilusão quando se trata de disputas locais, por mais que a gente oriente as pessoas de que deve prevalecer é o projeto nacional, normalmente, o que tem acontecido é que cada um olha para o seu umbigo e prevalece as questões dos Estados. O que é importante é que se houver divergências dentro da base aliada nos Estados, isso não seja impeditivo para a ministra Dilma”, disse Lula.

Dilma também falou das dificuldades em se conciliar os problemas nacionais com os regionais, mas usou um tom conciliador. “Eu sempre acho que não pode ser fundamentalista. Tem essa ótica nacional que ela sobrepõe necessariamente, mas há de se levar em conta as realidades locais porque os interesses locais são legítimos”, disse.

A ministra ainda recorreu a um discurso amigável para falar de um possível retorno de petistas à direção do partido que são réus do processo do mensalão no STF (Supremo Tribunal Federal). Para Dilma, é natural que eles exerçam seus direitos políticos porque ainda não foram condenados.

“Olha, eu acho que o PT está procedendo de forma correta. Você não pode adotar uma prática que ocorreu muito no Brasil ao longo dos últimos anos que era, ao contrário da conquista democrática do ocidente que havia que provar que uma pessoa era culpada e não a pessoa provar que era inocente. Até agora, nós não temos nenhuma dessas pessoas julgadas ou condenadas em definitivo, então, acho normal que elas exerçam seus direitos políticos. Ninguém pode ser cassado a priori”, disse.

Segundo reportagem da Folha publicada no sábado (21), os favoritos, Dutra e Cardozo, afirmam que, se eleitos, não colocarão obstáculo à volta de petistas que são réus no mensalão, com o ex-ministro José Dirceu e os deputados federais José Genoino e João Paulo Cunha.

Na avaliação do presidente, o PT que foi às urnas ontem aprendeu com os erros. “O PT está hoje muito maior, muito mais consolidado, mais calejado, muito mais senhor da situação. Não existe na história da humanidade, na história política do mundo, um partido que estando no poder não tenha cometido erros. Isso aconteceu no mundo inteiro e aconteceu no PT. O que nós precisamos é ter clareza que os erros cometidos devem servir de ensinamentos para que a gente não erre outra vez.”

23/11/2009 - 08:43h PT escolhe direção e congresso que definirá programa de governo

Paulino Menezes
Foto Destaque
Lula: voto na direção do PT e reclamações contra diretórios que mantêm candidaturas contra o interesse da candidatura de Dilma; “cada um olha para seu umbigo”


Cristiane Agostine, Maria Inês Nassif, Paola de Moura e Sérgio Bueno, de Brasília, São Paulo, Rio e Porto Alegre – VALOR

No dia em que o PT fechou as urnas do seu Processo Eleitoral Direto (PED) como uma coroação do protagonismo que deverá retomar no processo eleitoral de 2010 e num governo de Dilma Rousseff, se a candidata vencer as eleições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva votou de camisa vermelha e deixou registrado o seu desagrado ao ao comportamento dos diretórios regionais do partido que não cederam nas negociações de aliança eleitoral com o PMDB. “Eu não tenho mais ilusão quando se trata de disputas locais. Por mais que a gente oriente as pessoas de que o que deve prevalecer é o projeto nacional, normalmente o que tem acontecido é que cada um olha para o seu umbigo e prevalecem as questões dos Estados”, disse. “O que é importante é que se houver divergências dentro da base aliada nos Estados, que isso não seja impeditivo para a ministra Dilma ter dois ou mais candidatos apoiando sua candidatura”, relativizou.

Lula referiu-se aos casos de Estados como Minas, Rio e Bahia, que mantém decisão de candidatura própria apesar de isso poder resultar no fracasso da negociação nacional com o PMDB. O presidente votou ontem pela manhã, na sede nacional do PT, em Brasília, acompanhado de sua esposa, Marisa Letícia, e da ministra Dilma.

Em Minas, o PED tornou mais remotas as chances de o partido abrir mão de uma candidatura própria (ver matéria). No Rio, a eleição está polarizada entre os grupos do PT que querem a aliança com o PMDB já no primeiro turno da eleição de 2010 e os que pleiteiam uma candidatura própria a governo do Estado. A pré-candidatura ao governo que está na mesa é a do prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, que interpretou as declarações de Lula como reconhecimento de que partido não vai conseguir unificar todos os Estados.

Ao lado do presidente Lula na votação, a ministra e pré-candidata Dilma disse que o PT não pode “ser fundamentalista” na articulação de alianças com outros partidos nos Estados. A ministra, no entanto, afirmou que o que for decidido pelo Congresso do PT, em fevereiro, sobre as alianças deverá ser seguido nos Estados.

Embora pareça uma contradição, terminado o PED o PT deverá se envolver na construção do “protagonismo” reclamado por todos os candidatos a presidente durante a campanha que terminou ontem, com a provável vitória em primeiro turno do ex-senador e ex-presidente da Petrobras José Eduardo Dutra, candidato da tendência Construindo um Novo Brasil (CNB), que teve o apoio do grupo Novo Rumo, que tem na ex-prefeita Marta Suplicy uma de suas expoentes, e do PT de Lutas e de Massas, facção ligada à família Tatto que chegou ao segundo turno PED de 2009, na disputa pela presidência do PT. O resultado oficial deve ser proclamado na terça-feira.

Além de definir o presidente do partido e a composição do Diretório Nacional – que deverá escolher a Executiva – pelos próximos três anos, os filiados que compareceram ao PED escolheram também os delegados do congresso nacional que será realizado em fevereiro. Instância máxima do PT, tem o poder de definir as diretrizes partidárias, as políticas de alianças e normas de condução interna.

Com número de delegados proporcional à votação do PED, cada uma das oito chapas ao Diretório Nacional (que concorreram simultaneamente aos seis candidatos a presidente da sigla) terá condições de participar do congresso, que deve ter cerca de 1.300 delegados – um para cada mil filiados. “Por menor que os grupos sejam, eles têm sempre voz; se não disputarem, somem da dinâmica partidária”, afirmou o deputado José Genoíno, ex-presidente da legenda.

Durante o processo eleitoral, questões programáticas e de alianças foram intensamente debatidas e todos as candidaturas, mesmo as mais ligadas ao presidente Lula, concordam que num terceiro governo do PT, sem Lula, o partido terá de ter um protagonismo maior nas definições programáticas e nas decisões de governo. “O partido não tem que conceber políticas públicas apenas quando está na oposição”, afirmou o deputado federal José Eduardo Martins Cardozo (SP), candidato a presidente pela Mensagem ao Partido, que deve sair como a segunda força do PT dessas eleições, mesmo sendo uma tendência relativamente nova – foi criada após o escândalo do mensalão, em 2005. “A confusão entre partido e governo permeou a ação partidária, muitas vezes com os presidentes do partido agindo como porta-vozes do governo, e não do partido”, disse.

Eleitor de Cardozo, o ministro Tarso Genro defendeu, num eventual governo de Dilma Rousseff, um partido “mais organizado, mais vinculado aos movimentos sociais e mais integrado às grandes decisões políticas do governo.” Com a ressalva de que o atual presidente, deputado Ricardo Berzoini (SP), “desempenhou seu papel num momento difícil da vida do partido”, durante a chamada crise do Mensalão, a ex-prefeita Marta Suplicy, que apoiou a chapa de Dutra, disse que ele foi a “reboque” de Lula e de Dilma e o PT tende a retomar o controle nessas eleições.

Também há uma convergência nas questões programáticas e nas opiniões sobre políticas de alianças – embora os candidatos à esquerda, como Markus Sokol, da Tendência “Terra, Trabalho e Soberania” e Serge Goulart, da “Virar à Esquerda, Reatar com o Socialismo”, sejam contrários à aliança com o PMDB. As demais tendências, agrupadas em torno dos candidatos José Eduardo Dutra, Geraldo Magela, Iriny Lopes e Cardozo defenderam o fortalecimento do núcleo de esquerda na aliança eleitoral e numa eventual coalizão sem, no entanto, descartar uma aliança eleitoral com o PMDB. Essa confluência resulta também num entendimento generalizado de que programaticamente o PT pode caminhar para compromissos mais progressistas com Dilma do que nos dois governos de Lula. “Existem tarefas que agora podem ser realizadas; antes não podiam”, afirmou o ex-deputado e ex-presidente do partido José Dirceu. Ele aponta como temas o aprofundamento da distribuição de renda e reformas política, educacional, tecnológica e de gestão pública, além de questões ambientais no agronegócio e na agricultura familiar. “A sociedade espera um maior papel do Estado e não sei se isso é guinar à esquerda, porque não sei se o empresariado vai ser contra.”

Integrantes de tendências mais à esquerda do partido, no entanto, estão pessimistas quanto a possibilidade de o PT dar uma guinada à esquerda. Sokol disse que houve uma recomposição do antigo Campo Majoritário, que tinha ampla maioria no partido até o escândalo do mensalão. O dirigente e candidato defende o debate da atualização do índice de produtividade da terra e o aumento do controle estatal sobre as reservas de petróleo.

23/11/2009 - 08:18h Ex-senador deve ser eleito presidente do PT

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José Eduardo Dutra, Edinho Silva e Antonio Donato, são os favoritos para presidente nacional, estadual e municipal do PT

DA REPORTAGEM LOCAL FOLHA SP

O ex-senador José Eduardo Dutra deve confirmar hoje seu favoritismo e ser eleito presidente do PT. Segundo dados extra-oficiais da noite de ontem, eram grandes as chances de uma vitória ainda no primeiro turno. Dutra é da chapa Construindo um Novo Brasil (CNB), o antigo Campo Majoritário do partido. Seu principal rival é o deputado federal e atual secretário-geral petista, José Eduardo Cardozo, do grupo Mensagem ao Partido.
Os outros quatro candidatos à presidência são Geraldo Magela, Iriny Lopes, Markus Sokol e Serge Goulart.
Os filiados ao partido votavam diretamente nas chapas. Além da direção nacional, foram eleitas lideranças estaduais e municipais.
Os filiados foram às urnas em mais de quatro mil municípios no país. O resultado oficial será anunciado até amanhã. A nova direção será escolhida com base no número de votos das chapas. A posse ocorrerá em fevereiro. O mandato foi estendido de dois para três anos.
As eleições do PT neste ano marcaram a união das principais correntes da sigla ainda no primeiro turno da disputa. “Esse foi o PED [Processo de Eleição Direta] de maior convergência entre as candidaturas. Não vai deixar sequelas, como aconteceu em outros anos”, afirmou Dutra.
Na eleição anterior do partido, em 2007, Ricardo Berzoini, atual presidente, e o deputado federal Jilmar Tatto, do PT de Lutas e Massas, foram para o segundo turno.
No Estado onde está pelo menos um terço dos filiados do partido, a CNB e as correntes Novo Rumo e PT de Lutas e Massas fecharam um acordo que envolveu as três esferas de poder da sigla -municipal, estadual e nacional.
A tendência Novo Rumo, ligado à ex-prefeita da capital Marta Suplicy e uma dissidência da antiga ala majoritária, fechou apoio ao nome de Dutra para a presidência.
Em troca, a CNB apoiou Antonio Donato, do Novo Rumo, para o Diretório Municipal. Edinho Silva foi escolhido pelas duas correntes para comandar o partido no Estado, pelo segundo mandato consecutivo.
“O PT conseguiu uma união sem grandes turbulências, uma lição de maturidade que todos deveriam aproveitar”, afirmou Marta. (ANA FLOR E JOSÉ ALBERTO BOMBIG)

20/11/2009 - 12:03h PT vai às urnas

estrela_sobePartidos: Eleição do PT tenta manter hegemonia em 2010 com estratégia para fortalecer bancada federal

PT vai às urnas na tentativa de sobreviver a Lula

Caio Junqueira, de São Paulo – VALOR

Os filiados que o PT convoca para a eleição interna neste domingo vão, mais do que escolher a direção que conduzirá o partido na disputa de 2010, dar início à retomada do protagonismo petista num horizonte em que, pela primeira vez, Luiz Inácio Lula da Silva não é presidente ou candidato. A tentativa do PT é agregar a popularidade lulista e retomar a autonomia na relação com o Palácio do Planalto, que o partido pretende continuar ocupando a partir de 2011.

Sob o governo Lula, o partido cresceu. Passou de 828,7 mil filiados em 2002 para 1,35 milhão no Processo de Eleições Diretas (PED) deste domingo. No Executivo, passou de 174 prefeitos para 545 e de 3 governadores para 5. No Senado, de 7 para 10, mas minguou na Câmara Federal. Elegeu em 2006 seis deputados a menos do que em 2002.

O desafio de imediato é, a partir da candidatura da ministra Dilma Rousseff, impor a hegemonia do partido frente à aliança partidária que lhe dará sustentação.

A aliança com o PMDB e com outros partidos que não os históricos aliados à esquerda (PCdoB, PSB e PDT) é amplamente defendida pelos candidatos no PED, em diferentes escalas de maior ou menor simpatia. Nenhum deles, porém, abre mão das rédeas da elaboração do programa de governo de Dilma.

A mais do que provável eleição já em primeiro turno do ex-presidente da Petrobras e da BR Distribuidora José Eduardo Dutra é o retrato mais acabado desse momento do partido. Carioca de nascimento, foi senador por Sergipe entre 1995 e 2002, mas nunca teve grande atuação na máquina partidária petista. Os cargos que desempenhou no governo o aproximaram de Dilma e o PT conta com isso para que sua relação com ela difira da relação submissa que tem com Lula.

“Não adianta querer ser protagonista se não tiver voto, por isso a prioridade também é aumentar as bancadas”, afirma Dutra, que não acredita em grandes alterações na relação do partido com o Planalto no pós-Lula. “Será um governo de coalizão, assim como este”.

A ausência de Lula, porém, tem sido ventilada pelas hostes petistas. “É um cenário novo porque coloca em prova o que sempre defendemos: ter várias lideranças. Todo partido quer sempre ter mais presença, mas não há uma obsessão em crescer no governo”, afirma o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini.

O fato de a eleição ser dada como certa em 1º turno – a primeira desde José Dirceu em 2001 – explica-se por uma reaproximação de forças que não se compunham desde o mensalão, em 2005, e deixou em alerta as correntes adversárias.

O que ficou conhecido como Campo Majoritário, cujo núcleo de poder esteve na cúpula do governo e do partido no primeiro mandato de Lula – Antonio Palocci, Luiz Gushiken, José Genoino, Delúbio Soares e Dirceu -, hoje está rebatizado de Construindo um Novo Brasil (CNB) e lança Dutra presidente com o apoio de antigos integrantes: a corrente Novo Rumo, de Marta Suplicy, e a PT de Lutas e de Massas, de Jilmar Tatto. Juntos, os mais otimistas falam que o grupo pode chegar a 60% dos votos.

Para esses grupos, a aliança pró-Dutra é uma convergência em nome do projeto Dilma. Para as outras candidaturas, é mais uma tática eleitoral para manter a maioria que sempre deu as cartas no partido no momento em que se configura um futuro incerto sem a presença de Lula.

“Ninguém sabe qual será o impacto de Dilma presidente sobre a vida interna do PT. É evidente que os ex-integrantes do Campo Majoritário pensaram nisto quando buscaram montar uma chapa única para o PED: querem se fortalecer para atuar num ambiente desconhecido”, afirma o secretário de Relações Internacionais do PT, Valter Pomar.

Para ele, a melhor mostra de que se trata de uma tática eleitoral, e não de unidade, é a diferença entre os partidários de Dutra quanto a apoiar ou não a candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) ao governo paulista. Pomar integra a corrente Articulação de Esquerda, cuja candidata a presidente é a deputada Iriny Lopes (ES). A previsão é de que ela tenha 15% dos votos.

A vitória no 1º turno dependerá da mobilização dos filiados nos principais colégios eleitorais: SP, RJ, MG, BA, RS e BA. São nesses locais que a CNB tem mais força. Em se mantendo o patamar de votação de 30% das últimas eleições, a vitória é tida como certa. Mas o otimismo em demasia preocupa dirigentes. Muitos filiados, por acreditarem nisso, não vão votar.

Candidato pela segunda vez, o deputado José Eduardo Martins Cardozo (SP), da corrente Mensagem ao Partido -uma dissidência do antigo Campo Majoritário- avalia que há chances reais de 2º turno. “Estamos confiantes. E se houver, pode ter mudanças profundas no quadro”, diz.

Ao lado do deputado federal pelo DF e candidato pela corrente Movimento PT, Geraldo Magela, Cardoso concentra-se na crítica à forma como a CNB conduz o partido. As duas correntes avaliam que, em geral, a hegemonia do ex-Campo permanece, embora com “cara e jeito diferentes”. Integrantes do Movimento acreditam na possibilidade de chegar a 14% dos votos.

Havendo segundo turno, as chances de as correntes minoritárias terem maior participação interna aumentaria, embora a atual direção garanta que isso já ocorra. A candidata da AE, deputada Iriny Lopes (ES), aposta que o PT, qualquer que seja o resultado de sua disputa interna, deve focar a busca pelo protagonismo não apenas pelo poder, mas para comandar uma efetiva discussão programática.

“A importância do PT não será medida pelos ministérios, mas na articulação no Congresso e sobretudo na condução do programa de governo. O PT será fortalecido na medida em que tiver participação na construção do projeto vencedor numa terceira etapa”, diz.

Berzoini garante que essa terceira etapa terá a participação de todas as correntes. “É pouco relevante fazer mais de 50% dos votos. O que importa é valorizar todas as chapas”. Pode ser o prenúncio de uma nova fase do PT. Se Dilma vencer as eleições.


Minas e Rio terão as disputas mais decisivas da legenda

César Felício e Paola de Moura, de Belo Horizonte e do Rio – VALOR

É em Minas Gerais e no Rio que o PT terá as disputas mais decisivas do Processo de Eleições Diretas deste domingo. A divisão entre os cerca de 40 mil filiados do PT mineiro aptos a votar é menor do que aparenta a inscrição de cinco candidatos a presidente do diretório estadual e 12 chapas locais. Em maior ou menor grau, todas as alas do partido defendem a candidatura própria ao governo estadual nas eleições do próximo ano e não há dissidência em relação ao apoio à candidatura presidencial da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. A única disputa real é entre as candidaturas ao governo estadual do ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel e do ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias. Os aliados de Pimentel são os favoritos para vencer as eleições de domingo.

Pimentel já conta com o apoio do deputado federal Reginaldo Lopes, presidente do diretório estadual, e do dirigente Aluisio Marques, presidente do diretório municipal. Lopes deve ser reeleito e o vice-prefeito de Belo Horizonte, Roberto de Carvalho, um aliado de Pimentel, deve ganhar a eleição municipal. A vitória dos aliados do ex-prefeito é tão provável que sua estratégia é tentar converter a eleição de domingo em uma prévia da escolha do futuro candidato ao governo.

Em todos os últimos embates internos, ficou nítido que Patrus e seus principais aliados, como o secretário-geral da Presidência, Luiz Dulci, contam com mais sustentação na cúpula nacional petista, enquanto Pimentel é hegemônico em Minas.

A eleição direta do PT em Minas não deverá impedir a realização de prévias no próximo ano. Os aliados de Patrus já sinalizaram que o ministro permanecerá candidato independente do resultado da disputa interna. “Os colégios eleitorais da eleição interna e da primária não são idênticos”, afirmou o secretário nacional de Comunicação do PT, Gleber Naime, que concorre com o apoio de Patrus à presidência estadual da sigla. Um trunfo do ministro é o maior apoio entre os detentores de cargo eletivos, em movimentos sociais e em partidos aliados.

Patrus e Dulci estão em um grupo que conta ainda com o ex-secretário nacional de Direitos Humanos Nilmário Miranda, dois deputados federais, cinco estaduais e os prefeitos de Betim, Governador Valadares e Teófilo Otoni. Patrus ainda conta com a CUT regional. O ministro participa da mesma chapa nacional dos ex-deputados federais José Dirceu e Marta Suplicy, do secretário particular da Presidência, Gilberto Carvalho, e do deputado federal José Genoino.

O ministro tem a simpatia de lideranças de todos os possíveis aliados em 2010 em Minas, com a exceção do PSB, que prefere Pimentel. Mas o ex-prefeito tem cerca do dobro das intenções de voto a Patrus nas pesquisas. E conta com quatro deputados federais e três estaduais, entre eles Cecília Ferramenta que ao lado do marido Chico, comanda as bases de Ipatinga, cidade com o maior número de petistas.

No Rio, o PED reedita disputas históricas com a direção nacional. Parte do PT do Rio tenta novamente se insurgir e lançar candidatura própria ao governo do Estado. O prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, lançou-se como um dos concorrentes do atual governador Sérgio Cabral e é apoiado por Vladimir Palmeira e pelo deputado Carlos Santanna. No entanto, o destino é quase certo: “Se a direção do PT não concordar, acabou”, afirma o líder do PT na Câmara, o deputado Cândido Vaccarezza (SP), que acrescenta que não existe PT do Rio ou de São Paulo, “só existe o PT nacional”.

No PED do domingo, dos cinco candidatos a presidente estadual, dois apoiam a proposta de Lindberg e um a da aliança com Garotinho. O prefeito alega que, para Dilma, uma candidatura independente seria o melhor dos mundos, já que, teoricamente, ela teria três palanques no Estado: PT, PMDB e PR de Garotinho. Com entusiasmo, Lindberg diz já ter o apoio do PDT, do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) e do PSC. “O PT está muito submisso, mendigando no pé do PMDB”, afirmou o prefeito.

Lindberg garante que ainda não foi pressionado pela direção nacional. “Lula até hoje não falou nada”. Mas admite já ter tido conversas com o deputado federal Ricardo Berzoini (SP) e com o ex-ministro José Dirceu. “Mas eles não me pressionam porque sabem que não adianta”. Aliado do prefeito na luta pela candidatura, Vladimir Palmeira, que, em 1998, após vencer a candidatura regional para governador, teve que abandonar o projeto e engolir uma aliança com o PDT de Brizola e Garotinho, acredita no projeto de Lindberg. “O Cabral não cumpriu nenhuma das cinco promessas que nos fez”, reclama Palmeira. Entre elas a de dar acesso ao núcleo do poder e de não fazer indicações na secretaria dada ao partido. Palmeira também acredita que o PT nacional desta vez não vai se intrometer. “Eles vão ter que brigar com o PT de Minas, do Rio Grande do Sul e da Bahia”.

Carlos Santanna, deputado federal mais antigo do PT no Rio, com cinco mandatos é mais radical: “O PT do Rio é um partido de cartório, que não participa da luta da sociedade. Temos que ter posição”. Santanna está otimista quanto à vitória do grupo que apoia Lindberg. “Nós vencemos duas vezes nas eleições para o tempo de TV”, referindo-se às votações na executiva e no diretório que deu ao prefeito direito a 30 das 40 inserções que o PT do Rio terá na programação dos canais abertos de TV a partir de quarta-feira.

Há, no entanto, quem discorde de Lindberg. O deputado federal Antonio Carlos Biscaia é a favor da aliança com o governador Cabral. “Vejo aspectos positivos no governo, mas não gosto do lado impositivo que não negocia a candidatura e diz que a chapa será Cabral, Pesão e Picciani”. No entanto, o deputado acredita que a aliança é melhor para o partido. Biscaia ainda levanta dúvidas sobre o projeto de Lindberg. “Mesmo que o grupo dele vença, temos que ver qual a real intenção. Pode ser que depois, queira negociar”, questionou. Biscaia, no entanto, afirma que a decisão do PT do Rio deve ser respeitada – “Não admito intervenção nacional”.

Vaccarezza, acredita que esta intevenção não vai ser necessária . “É apenas uma vontade do Lindberg. Tenho a sensação de que a aliança com Cabral sairá vitoriosa no domingo”, diz o deputado.

05/07/2009 - 10:55h Base petista segue discurso de Lula pela manutenção de Sarney

Não faço parte da corrente petista Mensagem, de Tarso Genro e José Eduardo Cardoso, mas apoio a postura deles em relação a crise no Senado (ver embaixo).

O que está em jogo passa bem longe da ética ou da necessária luta contra os privilégios. Os que exigem o afastamento de Sarney em nome dos princípios republicanos só poderiam ser credíveis se exigissem Comissão de Ética para Arthur Virgílo e todos os outros senadores que como ele, mamaram conscientemente nas tetas irregulares desses privilégios.

Não o fazem porque o que os motiva é outra coisa. Bastaria José Sarney ingressar na ala do PMDB hoje alinhada com José Serra, para que cesse imediatamente a campanha contra ele. Se José Sarney proclamasse uma aliança com seus colegas, o senador Pedro Simon e o ex-governador Orestes Quercia, declarasse com força sua oposição a qualquer CPI do governo gaúcho e denunciasse como “eleitoreiras” as denuncias contra Beto Richa, os jornais passariam novamente a reverenciar o autor de Saraminda, considerando um prestigio contar com ele como articulista nas suas páginas.

Curioso é que os desmandos no senado perdurarem durante 14 anos e só agora à existência dos mesmos e os privilégios da sua burocracia mancomunada com uma parte dos senadores, apareçam a luz do dia. É que procuram cargar nas costas de Sarney, já bastante cargadas pela sua própria história, os desmandos que preexistiam a sua eleição como presidente.

Contrariamente as acusações que agora são lançadas contra Lula e o PT -a de determinar sua postura pelos interesses de Dilma e de 2010-, é precisamente porque os que visam Sarney o fazem exclusivamente pensando em derrotar Dilma e o PT em 2010 e não por ética alguma, que defendo a posição assumida pela corrente de José Eduardo Cardozo e por todo o PT. Trata-se de aproveitar está crise para passar a limpo a instituição, corrigir os desvios, aprimorar os mecanismos de controle e de transparência e acabar com os privilégios.

A tentativa de desbancar Sarney e debilitar o PMDB que governa com Lula, para depois manter toda essa podridão, mudando de foco para o próximo escândalo, não pode contar com o aval de nenhum militante honesto de qualquer partido.

Uma filiada ao PSDB fez circular um e-mail que dizia, grosso modo, como vou atacar os outros se “os nossos” agem igual (em referência a conduta escandalosa, irregular e vergonhosa do líder do PSDB no senado). A resposta me parece ser dupla: atuar politicamente em favor do fim das irregularidades no funcionamento do Senado e não reeleger Senadores como Arthur Virgílio. Pode juntar ao nome dele a de vários outros preeminentes líderes do seu próprio partido e aí sim, acrescentar o de Sarney e outros que ela considerar igualmente nefastos ao sistema democrático e republicano.

Perceberá rapidamente que, contrariando um certo niilismo alimentado por uma certa imprensa, encontrará sim no PT, PSDB, PMDB e outros partidos políticos, suficientes nomes para escolher. Pois, contrariamente ao udenismo rasteiro que ocupa o noticiário, a democracia brasileira e seus partidos -assim como as instituições republicanas- estão compostas em sua imensa maioria por homens e mulheres honestos e que agem nos partidos por paixão pela política e os destinos da nação. LF


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Deputado, José Eduardo Cardoso, dirigente da corrente Mensagem “Não acho que a saída dele (Sarney) neste momento possa resolver o problema”

Importância de aliança com PMDB é destacada em reunião de corrente de Tarso Genro

Silvia Amorim – O Estado SP

O recado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos senadores petistas para que apoiem a permanência de José Sarney (PMDB-AP) na presidência do Senado, em defesa de um projeto vitorioso do PT em 2010, já surtiu efeitos na base do partido. Ontem, em encontro de uma das correntes do PT – a Mensagem ao Partido – , em São Paulo, o discurso dominante foi a favor da manutenção de Sarney no cargo.

Lançado oficialmente no fim da manhã como candidato da Mensagem ao Partido à presidência do PT, o deputado José Eduardo Martins Cardozo (SP) pediu uma apuração rigorosa das denúncias envolvendo Sarney e o Senado, mas defendeu a tese de que a crise – iniciada com o caso dos atos secretos – não é de uma pessoa, mas da instituição. “O PT deve ter posição firme para que se apure e puna quem quer que seja. Isso não se discute”, disse, em entrevista antes da abertura da reunião. “O que também não se pode imaginar é que a saída pura e simples de quem preside o Senado resolva todo o problema ético. Não acho que a saída dele neste momento possa resolver o problema.”

O ex-prefeito do Recife João Paulo, uma das lideranças da Mensagem ao Partido, corrente que tem entre seus líderes o ministro da Justiça, Tarso Genro – que não participou da reunião – , foi ainda mais enfático. Em discurso, ele disse que o PT não pode trocar “o acessório pelo essencial”. “A manutenção de Sarney (na presidência), pela importância que tem para uma candidatura da ministra Dilma (Rousseff, da Casa Civil), é o essencial. Estamos pagando um preço altíssimo e caríssimo, mas é em função do estratégico”, afirmou.

Os discursos indicam que o pedido de Lula deverá ser atendido no Senado e, mais importante, que já encontra apoio na militância. A Mensagem ao Partido nem é a ala petista mais ligada a Lula.

Na quinta-feira à noite, o presidente fez em um jantar com os senadores petistas e pediu apoio a Sarney, alegando que a aliança entre PT e PMDB não poderia se romper, sob a ameaça de desestabilizar a candidatura de Dilma ao Planalto em 2010. No dia anterior, parte dos senadores do PT havia se colocado publicamente favorável à saída do peemedebista da presidência.

Na próxima terça-feira, a bancada do PT no Senado fará uma reunião para fechar uma posição em relação a Sarney.

ELEIÇÕES INTERNAS

Se não houver surpresas até o dia 25 de julho, data final para o registro das chapas, cinco candidatos disputarão a presidência do PT. As eleição estão marcadas para novembro.

O favorito é o ex-senador e atual presidente da BR Distribuidora José Eduardo Dutra, nome da corrente Construindo um Novo Brasil, grupo de Lula e do atual presidente Ricardo Berzoini.

Com a bandeira da renovação do partido, Cardozo, hoje secretário-geral do PT, disse que o objetivo da disputa interna não é aprofundar as diferenças. “A ideia não é fazer uma disputa que desagregue o partido É fazer uma disputa que agregue. Precisamos estar muito coesos para eleger Dilma em 2010.”

É a segunda vez que o deputado lança uma candidatura à presidência do PT. Na anterior foi derrotado pelo atual presidente, Berzoini.

15/06/2009 - 12:07h Divisão do PT em eleição interna mantém a salvo apoio a Dilma

Raymundo Costa, de Brasília – VALOR

estrela_sobe1.jpgNo momento em que o PSDB não consegue superar a divisão interna, a consolidação da candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) uniu o PT e devolveu ao partido a expectativa de manter o poder, o que não dispunha, de fato, até bem pouco tempo. O resultado é que a lógica de fração que preside a sigla deve prevalecer na renovação do comando partidário, em 22 de novembro, mas esta será uma eleição em que os petistas devem demonstrar um raro entendimento entre suas tendências.

“Agora temos um candidato de verdade”, diz o líder na Câmara, Cândido Vacarezza (SP). Há até quem defenda a formação de uma chapa única com base na proporção de cada grupo na última eleição, caso do deputado José Genoino (SP). “Então nós transformaríamos o dia da eleição num grande evento de unidade política”, diz o deputado.

É difícil, como reconhece o próprio candidato do grupo majoritário, o presidente da BR Distribuidora, José Eduardo Dutra. Integrante da tendência Construindo um Novo Brasil (CNB), Dutra tem o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e já abriu negociações com as demais tendências do PT, inclusive a segunda maior delas, a Mensagem, que tem como líder o ministro Tarso Genro e deve concorrer com o deputado José Eduardo Cardozo (SP). Dutra acha que a lógica de fração deve se manter em mais essa eleição: é a maneira que os grupos petistas têm de medir sua força – “contar as garrafas”, como dizem os petistas históricos. Afastado há sete anos da rotina petista, Dutra procura agora restabelecer a convivência partidária para se favorito.

Uma demonstração do novo clima vivido pelo PT é o apoio dado pelo ex-ministro José Dirceu ao candidato Dutra, embora o ex-presidente da Petrobras não seja o seu candidato dos sonhos. O governador Marcelo Déda, que encampou a tese de refundação do ministro Tarso Genro, na crise do mensalão, apoia a candidatura do aliado, que antes do governo Lula era senador por Sergipe. Dutra agora conversa com outras três tendências que já haviam fechado com a CNB, se o candidato fosse Gilberto Carvalho (Lula não liberou seu chefe de gabinete): Novo Rumo, do líder na Câmara, Cândido Vacarezza (SP), que deve apoiá-lo, PT de Lutas de Massa, do deputado Jilmar Tatto (SP) e Movimento PT, capitaneada pelo deputado Arlindo Chinaglia (SP). “Já tivemos uma conversa. Mas no momento a posição que prevalece é a que foi tirada em encontro nacional pela candidatura própria”, diz Chinaglia.

Vacarezza acredita que “essa eleição não será ditada pela lógica das tendências”, isso porque o partido fechou com Dilma e pelo fato de as pesquisas indicarem que a candidatura da ministra é viável. E expectativa de manter o poder era algo que o PT não tinha, a ponto de o partido namorar com a ideia do terceiro mandato: Genoino é o relator da emenda que tramita no Congresso e pretende apresentar seu parecer na próxima quinta-feira ou, no máximo, na terça-feira 23. “No mérito eu sou contra, mas a fundamentação lá na CCJ tem de ser de técnica, e eu ainda não escrevi o parecer”, diz o deputado. De fato, cabe à Comissão de Constituição e Justiça apenas se manifestar sobre a constitucionalidade da emenda e não sobre seu mérito.

Para o líder na Câmara, a consolidação da candidatura Dilma permitiu dois movimentos ao PT, um ofensivo, no sentido da unidade, e outro defensivo, pois fica claro ao partido que “se nós começarmos a brigar entre nós, vamos ter problemas”. Integrante do Diretório Nacional, o ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh lista os aspectos em torno dos quais se costura a unidade petista, no momento: “A candidatura Dilma, a defesa do governo e a política de alianças”. Vacarezza acrescenta mais um: “Os elementos já postos para a campanha da Dilma, como a continuidade com mudanças”, diz. Ou seja, “a correção de eventuais erros e o aprofundamento dos acertos”, acentua Vacarezza.

O reconhecimento da viabilidade da candidatura Dilma, no entanto, não ilude o candidato favorito para presidir o PT, José Eduardo Dutra: “Vai ser uma eleição polarizada com o Serra (José Serra, governador de São Paulo) e muito difícil, mas temos todas as condições de vencer”, diz ele. O PT celebra uma pesquisa que encomendou ao instituto Vox Populi, na qual aparece com 29% dos 49% dos eleitores que declararam ter preferência partidária, muito à frente do PMDB, com 8% e do PSDB, com 7%. Outra medição: o PT é o partido com maior “recall”, com 35%, enquanto o PSDB parece em terceiro, com 14%, atrás do PMDB e seus 24%. E caiu por terra a percepção de que o PT atrapalhava o governo Lula: 70% responderam que o partido ajuda no país a crescer.

Apesar do otimismo sobre a unidade manifestado pelos petistas, no entanto, pelo menos um aspecto da lista de convergências já está dando problemas: a política de alianças. Todos concordam que a aliança nacional deve reger os acordos regionais. Dutra inclusive acredita que pode formalizar a coligação com o PMDB, de vez que na próxima eleição não haverá mais verticalização (a lei que condicionava as coligações estaduais à coligação nacional). O problema é que cada petista concorda com a tese da aliança ou prioridade de coligação com o PMDB desde que seja no Estado vizinho.

No Rio Grande do Sul, o argumento é que PT e PMDB são partidos que, tradicionalmente, polarizam as eleições gaúchas. Em Minas Gerais, são dois os candidatos de porte desavindos desde a eleição municipal: o ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) e o ex-prefeito Fernando Pimentel – mas é Hélio Costa (PMDB) quem está na frente das pesquisas. No Rio de Janeiro o PT quer quebrar o acordo com o PMDB.

Certo, mesmo, parece ser a adesão do PMDB paulista a Serra e a convicção da cúpula petista de que poderá convencer Ana Júlia Carepa que ela não tem chance de reeleição ao governo do Pará, se não se aliar ao deputado Jader Barbalho, mais forte pemedebista no Estado.

18/05/2009 - 15:30h Aliança PT/PMDB é inviável em 1/3 dos Estados

Rumo a 2010: Pemedebistas alegam que sem os acordos locais, não conseguem aprovar chapa nacional com Dilma

estrela_pt.jpg http://guilhermefonseca.files.wordpress.com/2009/01/pmdb.jpg

Raquel Ulhôa e Paulo de Tarso Lyra, de Brasília – VALOR

A cúpula do PMDB aguarda o retorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva da viagem que está fazendo a China, Turquia e Arábia Saudita, para cobrar uma solução – e rápida – para os principais confrontos estaduais do partido com o PT, sob pena de estar ameaçado o apoio nacional dos pemedebistas à candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) à Presidência da República.

O problema considerado mais emblemático é o de Minas Gerais, onde o PMDB tem o candidato até agora mais competitivo, segundo as pesquisas, mas o PT rejeita apoiá-lo, mesmo sendo ministro do governo Lula – Hélio Costa (Comunicações). A situação de Minas é relevante, porque o Estado tem o maior número de delegados do PMDB que irão decidir, na Convenção Nacional de junho de 2010, se o partido fará aliança com Dilma, com o candidato do PSDB ou terá candidato próprio.

“Sem os votos de Minas, a gente não ganha a convenção”, afirma o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), um dos defensores do apoio à candidatura do governo. Por isso mesmo, é ele quem faz a cobrança mais dura por uma ação efetiva de Lula sobre os diretórios regionais do PT que se negam a apoiar candidatos do PMDB nos Estados, ainda que mais competitivos.

“O PT terá que decidir se a prioridade para o partido é ou não a eleição da ministra Dilma presidente. Para nós, o fundamental são as nossas bases estaduais. Queremos estar no projeto nacional com o presidente Lula, mas não podemos sacrificar nossas bases”, diz Alves. Ele diz que Lula antecipou o processo eleitoral, ao lançar a candidatura de Dilma, e que o PT e o PMDB são os partidos que mais têm candidatos a governador. “Não podemos brigar em tudo que é canto”, afirma.

O líder está se reunindo com os deputados pemedebistas mais representativos de cada Estado para analisar a relação com o PT. É o resultado desse levantamento que a direção do PMDB levará a Lula, segundo Alves, tão logo ele retorne da viagem. “Teremos uma conversa muito séria e sincera”, diz.

O presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), calcula que, dos 27 Estados, a aliança entre PT e PMDB é certa em nove, “bem encaminhada” em outros nove e praticamente impossível no restante. Para o secretário de comunicação do PT, Gleber Naime, uma grande aliança nacional com o PMDB vai sempre esbarrar nas particularidades regionais dos dois partidos. “Mas precisamos nos esforçar, para dar continuidade aos avanços do governo Lula”.

O embate entre PT e PMDB em Estados eleitoralmente estratégicos – como Rio Grande do Sul, Bahia e Rio de Janeiro, além de Minas – também preocupa petistas que consideram a aliança entre as duas legendas fundamental para a construção da candidatura da ministra.

A avaliação é que a cúpula nacional do PT não está agindo com energia sobre os diretórios estaduais, que, em sua maioria, preferem lançar candidatura própria a apoiar o PMDB. A queixa estende-se a Lula, que, segundo petistas e pemedebistas, estaria deixando os problemas avançarem demais.

Com isso, tanto petistas quanto pemedebistas estão avançando nas articulações de seus próprios interesses, e o afastamento pode se tornar irreversível. “É igual pasta de dente: depois que sai do tubo não volta mais”, afirmou um observador do processo.

Como em 2010 não estará em vigor a regra que obrigava os partidos a repetirem nos Estados a aliança nacional (verticalização), o PMDB, em tese, pode se compor livremente em cada local e, ainda assim, estar na chapa de Dilma. O problema, como alertam os próprios petistas, é que a candidatura da ministra precisa ser construída e, para isso, é fundamental ter palanques fortes, especialmente nos maiores colégios eleitorais.

Em alguns Estados onde os aliados estarão separados poderia até render dois palanques a Dilma, o que pode levar a outro problema: há locais em que a relação é tão conflituosa que pode obrigar a ministra a optar por um dos candidatos aliados ou ignorar comícios no Estado.

Por esses fatores, manter os aliados unidos deve interessar mais ao PT que ao PMDB, que não tem candidato próprio à Presidência e prioriza a eleição de governadores.

A falta de alianças consistentes causaria outro problema ao PT: comprometeria a quantidade de deputados e senadores a serem eleitos pelo partido. E uma boa base parlamentar é fundamental a qualquer projeto de governo nacional.

Uma das razões dessa aparente falta de conexão entre a Executiva nacional e os diretórios estaduais do PT pode estar no vazio político instalado na cúpula. A atual direção, com Berzoini (SP) à frente, está em fim de mandato. Em novembro, o partido realiza o PED (Processo de Eleições Diretas) para a troca dos comandos nacional e estaduais. E há indefinição quanto à nova presidência.

O mais cotado, Gilberto Carvalho, não pode assumir as rédeas do processo pré-eleitoral, porque continua exercendo função de chefe de gabinete da Presidência. Além disso, Lula ainda não decidiu se libera Carvalho para a missão partidária. O resultado é um vácuo de comando, que começa a preocupar petistas atentos ao jogo eleitoral.

Apesar da resolução aprovada no dia 8, estabelecendo que as alianças estaduais só podem ser feitas depois da definição da aliança nacional, a mensagem parece não ter chegado aos Estados. Continuam prevalecendo os interesses locais, em detrimento da aliança nacional.

Um dos locais onde há mais atrito é o Rio Grande do Sul. A determinação nacional é de apoio ao candidato do PMDB, provavelmente José Fogaça. Mas os petistas locais não aceitam. O ministro Tarso Genro é o pré-candidato do partido. “Eu sou da segunda geração do PT. O Genro é fundador. Não é possível que ele não tenha juízo suficiente para ver que seus gestos estão atrapalhando”, reclamou um integrante do diretório nacional.

O PSDB, por sua vez, tenta montar uma estratégia pré-eleitoral nos Estados mais programática. Pretende formar palanques fortes para seu candidato a presidente – os governadores José Serra (SP) ou Aécio Neves (MG) -, mas não está jogando todas as fichas numa aliança nacional com o PMDB. “Não vamos fechar projetos regionais incoerentes com o projeto nacional. O desespero é deles [PT]“, disse o deputado Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB-ES), presidente do Instituto Teotonio Vilela, ele próprio candidato a governador para garantir palanque a Serra.

Uma preocupação é comum a PT e PSDB: não querem depender de pemedebistas que estão “em cima do muro” e, mais à frente, podem mudar de lado. Essa é uma das explicações dos petistas para a resistência em apoiar Fogaça no Rio Grande do Sul. Como o PMDB também conversa com o PSDB, o PT teme ficar isolado e, consequentemente, deixar Dilma sem palanque consistente no Estado. Entre Dilma e Serra, o PMDB do Rio Grande do Sul escolhe nenhum dos dois. Defende candidatura própria.

Nesse jogo, há outras peças sobre a mesa. Por exemplo: pemedebistas temem que a doença de Dilma a tire do jogo e o PT fique sem opção. Avaliam, ainda, que se a candidatura de Dilma não decolar e Serra se mantiver na liderança, o tucano terá maior poder de atração. Um ministro próximo do presidente afirma que não será o número de cargos que garantirá fidelidade do PMDB a Dilma. “Se entregarmos a Esplanada inteira e Serra disparar nas pesquisas, eles mudam de lado”, diz.

23/12/2008 - 09:14h A menor taxa de desemprego desde 1998

Quadro do jornal O Globo

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Nas seis regiões metropolitanas do País pesquisadas, o desemprego ficou em 13% em novembro, o menor desde janeiro de 1998.

E desemprego cai em SP

Com 12,3%, taxa Seade/Dieese é a menor desde fevereiro de 1995, mas coordenador já vê ’sinais leves’ da crise

Carolina Ruhman – O Estado SP

Com critérios diferentes do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) da Fundação Estadual de Análise de Dados (Seade) e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socio-Econômicos (Dieese) apontou queda do desemprego na região metropolitana de São Paulo para 12,3% em novembro. O resultado é o menor para um mês de novembro desde 1992, quando o desemprego estava em 14,6%. E também é o menor da série desde fevereiro de 1995, quando foi de 12,9%.

A diferença entre os índices ocorre porque, enquanto a pesquisa Seade/Dieese mede todos os tipos de trabalho (em apenas seis regiões metropolitanas), o Caged computa dados de todas as regiões do País, mas apenas nos casos de trabalho com carteira assinada.

Na comparação com outubro, o desemprego na região metropolitana de São Paulo recuou 0,2 ponto porcentual. O contingente de desempregados foi estimado em 1,297 milhão de pessoas, 20 mil a menos do que em outubro.

Em relação ao rendimento médio real, a pesquisa Seade/Dieese apontou aumento de 0,5% em outubro ante setembro. Porém, na comparação com outubro de 2007, houve recuo de 0,9%, passando a R$ 1.216. A massa de rendimentos dos ocupados – índice que combina ocupação e rendimento – cresceu 1,5%. Em relação a outubro de 2007, houve alta de 3,6%.

Nas seis regiões metropolitanas do País pesquisadas, o desemprego ficou em 13% em novembro, o menor desde janeiro de 1998. Em outubro, era de 13,4% e em novembro de 2007, de 14,6%. O levantamento foi feito em Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Salvador, São Paulo e Distrito Federal. O número de desempregados foi estimado em 2,627 milhões, 71 mil a menos do que em outubro.

O rendimento médio real dos ocupados subiu 0,6% em outubro ante setembro. Em relação a outubro de 2007, cresceu 3,1%, passando a R$ 1.178. A massa de rendimentos dos ocupados subiu 1,5%. Em relação a outubro de 2007, cresceu 8,3%.

Na avaliação dos coordenadores da pesquisa, o mercado de trabalho já começou a sentir os primeiros sinais de que a crise internacional está afetando as contratações. “São sinais leves”, ressaltou o diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, ao comparar com países desenvolvidos, mais afetados pela crise, que experimentam altas expressivas no desemprego.

O coordenador chamou a atenção para a queda do desemprego na região metropolitana de São Paulo em novembro. Mas o recuo foi explicado mais pela estabilidade da População Economicamente Ativa (PEA) do que por um aumento nas contratações. Na região, a PEA totalizou 10,546 milhões de pessoas em novembro, apenas 0,1% mais que no mês anterior.

De acordo com a pesquisa Seade/Dieese, a criação de 33 mil vagas em novembro foi compensada com a entrada de 13 mil pessoas no mercado, o que reduziu em 20 mil pessoas o número de desempregados, estimado em 1,297 milhão no período. “A taxa caiu porque menos pessoas se apresentaram ao mercado de trabalho”, disse o coordenador da Fundação Seade, Alexandre Loloian.

Os coordenadores da pesquisa Seade/Dieese também evitaram fazer previsões para dezembro e para o início do ano que vem, destacando a incerteza do cenário econômico.

09/05/2008 - 16:30h Fazendo justiça social

Proteção social ao trabalhador deve recuperar nível de 30 anos atrás

Quando o presidente Lula deixar o governo, 50% dos ocupados deverão ter alguma proteção social, percentual parecido com o de 1980, segundo o Ipea

Sao Bernardno do Campo
Operarios das fábricas Volkswagen e Ford em comício do PT em 2002. Valeu!

FÁTIMA FERNANDES e CLAUDIA ROLLI – FOLHA DE SÃO PAULO

DA REPORTAGEM LOCAL

Quando o presidente Lula deixar o governo em 2010, a proporção de trabalhadores com alguma proteção social deverá ser parecida com a que existia quando ele ainda era sindicalista, no fim dos anos 70.

Em 2006, 48,8% das pessoas ocupadas tinham alguma proteção social mínima, como acesso à Previdência Social, considerando dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE.

Se a economia brasileira mantiver crescimento até 2010 parecido com o do ano passado, de 5,4%, e o mercado de trabalho criar por ano 2,5 milhões de vagas, essa proporção pode subir para algo próximo a 50%, percentual parecido com o de 1980, de 50,3%. O que significa que há 30 anos a proporção de trabalhadores com proteção social não se alterou no país.

Os cálculos e as projeções foram feitas por Marcio Pochmann, presidente do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). Para ele, trabalhador com proteção social é aquele que tem ao menos acesso à Previdência Social, como o assalariado, o autônomo, o trabalhador por conta própria e também o funcionário público.

“De 1976 até 1980 houve aumento da proteção social. Com a crise da dívida externa brasileira, em 1980, a proporção de trabalhadores protegidos voltou a cair [para 47,4,%, em 1984]. Depois houve nova recuperação, mas, com a abertura do mercado brasileiro, voltou a cair [para 43%, em 1994]. A partir da década de 90 ganhou dimensão a geração de postos de trabalho precários, sem proteção social e trabalhista”, diz.

A partir de 2000, segundo Pochmann, com a mudança no regime cambial, a criação de ocupações com proteção social passou a ocorrer num ritmo maior do que a de postos de trabalho sem proteção.
“Essa tendência de recuperação ainda levará de dois a três anos para voltarmos ao percentual próximo de 50%. Nos últimos 30 anos o mercado de trabalho não foi favorável ao brasileiro”, diz Pochmann.

Se a economia continuar crescendo no ritmo de 2007, na avaliação Clemente Ganz Lucio, diretor técnico do Dieese, a tendência é de criação de empregos com proteção social ser maior do que a criação de empregos sem proteção.

Nos últimos 12 meses terminados em março deste ano, os postos de trabalho com carteira assinada cresceram 9,2% e as ocupações sem carteira, 5,7%, segundo a PED (Pesquisa de Emprego e Desemprego), do Dieese, realizada em seis regiões metropolitanas do país.

Nas regiões metropolitanas a proteção social do trabalhador é maior, segundo Ganz Lucio. “Cerca de 60% dos trabalhadores têm proteção. No final dos anos 90 esse percentual era da ordem de 50%. E está melhorando cada vez mais. Em algumas regiões do país esse percentual chega a 65%”, afirma.

O grande desafio do país hoje, na opinião do diretor técnico do Dieese, é a busca por mecanismos de proteção social para os trabalhadores que não são assalariados, como o trabalhador autônomo da construção civil e o trabalhador rural com várias ocupações no mês.

“Se um autônomo sofre um acidente e não é contribuinte da Previdência Social, fica sem renda. A idéia é fazer com que a proteção se estenda para mais trabalhadores”, diz Ganz Lúcio.


Rendimento

O estudo feito pelo presidente do Ipea sobre a situação do mercado de trabalho nos últimos 30 anos no país mostra também que o rendimento do trabalhador cresceu menos que o PIB (Produto Interno Bruto).
Enquanto o PIB cresceu em média 2,8% ao ano entre 1976 e 2006, o rendimento médio real dos trabalhadores ocupados aumentou 1,1%, em média.

“Tivemos um período de regressão do ponto de vista da remuneração, em um cenário de elevado desemprego e precarização do trabalho”, afirma o presidente do Ipea.

Em 1979, o número de desempregados era de 1,2 milhão de pessoas, o que correspondia a 2,7% da população ocupada no Brasil, segundo dados da Pnad. Em 2006, esse número chegou a 8 milhões, o que equivalia a 8,7% dos ocupados.

O estudo também mostra que, em 1980, 50% da renda nacional era formada pelo rendimento do trabalho. Em 2005, esse percentual foi de 39,1%.

“Apesar de o rendimento médio real ter iniciado um movimento de recuperação nos últimos cinco anos, a trajetória para recuperar o poder de compra dos salários é longa”, diz.

27/12/2007 - 20:55h Lula: ” O Brasil não aceita mais ser um país de poucos. Está se tornando um país de muitos. E não descansará enquanto não for de todos.”

da Folha Online

Pronunciamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 27 de dezembro de 2007:

“Minhas amigas e meus amigos,

Nesta noite, quero fazer com vocês um balanço de 2007. Deste excelente momento do brasil. Quero começar agradecendo a todos que, com seu trabalho, esforço e determinação, tornaram esse momento possível.

Quero agradecer ao Congresso Nacional e ao Poder Judiciário.

Quero agradecer tanto aos que apoiaram como aos que criticaram o governo ao longo desses anos. Sem a participação de todos seria impossível unir o país e encontrar os melhores caminhos para o futuro.

A todos vocês, meu muito obrigado.

Já podemos dizer com certeza que nossa economia cresceu mais de 5% em 2007. E 2008 será também muito bom, pois estamos iniciando o ano com um ritmo bem vigoroso.

O desemprego está em queda. De janeiro a novembro, criamos 1,936 milhão empregos com carteira assinada, um recorde histórico. Segundo o IBGE, o índice de desemprego no mês passado foi de 8,2%. O mais baixo de toda história desta pesquisa.

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18/12/2007 - 08:46h Reeleito, Berzoini diz que PT terá candidato próprio em 2010

Paulo de Tarso Lyra

Valor

Ricardo Marques/Folha Imagem


Berzoini: “Seria absolutamente incongruente
que um partido com o nosso histórico de disputas
e a experiência de governar o país
não apresentasse candidato

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18/12/2007 - 08:39h Reeleito, Berzoini diz que PT terá candidato próprio em 2010

Paulo de Tarso LyraValor

Ricardo Marques/Folha Imagem


Berzoini: “Seria absolutamente incongruente
que um partido com o nosso histórico de disputas
e a experiência de governar o país
não apresentasse candidato

Pouco mais de um ano depois do escândalo dos aloprados – que o afastou temporariamente da presidência do partido – o deputado Ricardo Berzoini foi reeleito para presidir o PT no biênio 2008/2009. Com mais de 75% das urnas apuradas, Berzoini liderava com folga a disputa, com 62,03% dos votos válidos, contra 37,97% do também deputado Jilmar Tatto (SP). O novo presidente do PT, que foi convencido pelo Palácio do Planalto a disputar a reeleição após o veto do campo majoritário a Marco Aurélio Garcia, teve sua candidatura fortalecida com o apoio explícito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E terá como principal missão preparar o partido para a primeira eleição presidencial sem Lula candidato. “A política é feita de liderança pessoal, mas também de coletivo, é feita de programas”, afirmou.

Apesar do desejo expresso de Lula de não antecipar o debate sucessório e da torcida para um consenso entre os aliados em 2010, Berzoini deixou claro, ontem, que não faz sentido o PT abrir mão da candidatura própria. “Um partido do nosso tamanho, com o perfil ideológico do PT, o histórico de disputas presidenciais que tivemos nos últimos cinco embates – o que significa todas as eleições após a redemocratização -, aliado à experiência de governar o país com o presidente Lula durante 8 anos, seria absolutamente incongruente não apresentar candidato em 2010″. Até ser eleito presidente do PT Berzoini vinha defendendo que o PT apresentasse um nome aos aliados, para disputar a indicação com os candidatos dos outros partidos da base de Lula.

Berzoini não quer, contudo, adiantar os nomes que poderão disputar a sucessão presidencial pelo PT. Para ele, o momento é de fortalecimento partidário e elaboração de um programa político para o partido. “Não podemos ficar presos apenas aos nomes, mas trabalhar um programa político que seja capaz, por exemplo, de dar consistência para um arco de alianças políticas”.

Essa escolha de qual será o candidato do PT em 2010 – pesquisas recentes reforçaram que o partido não tem um nome forte para suceder Lula – caberá, segundo Berzoini, à direção partidária que assumir a legenda daqui a dois anos. “A direção do PT que for eleita em 2009 terá que receber o trabalho feito. A preparação dos nomes e a administração de um programa político. Ela vai fazer as conversas com todos os partidos para as composições”.

O petista nega que a legenda esteja com uma postura arrogante, apesar de integrar uma coalizão governamental com outros 10 partidos. “O PT terá candidato em 2010 porque construiu uma história para isso. Outros partidos poderão ter também e nós, partidos da coalizão, podemos não estar todos unidos. É desejável que estejamos? É desejável. Mas sabemos que essa não é tarefa e caminho fácil”, disse.

Ele lembra que nas eleições de 2006, com Lula candidato, alguns partidos optaram por projetos políticos próprios e, temendo os efeitos da verticalização, não compor oficialmente a chapa presidencial. Uma dessas legendas é o PSB. “A complexidade do sistema partidário brasileiro se torna um obstáculo alto para composição. O PSB, que tinha ministros importantes como Ciro Gomes, Sérgio Rezende, que teve o governador Eduardo Campos como ministro, não compôs aliança formal”.

Mas se as alianças acontecerem, o presidente reeleito do PT afirmou que a tendência é de que elas privilegiem as legendas com as quais o PT tem maior afinidade: justamente o PSB, PC do B e PDT. Essas três romperam com o PT – não com o governo – após o acordo firmado entre os petistas e o PMDB na eleição de Arlindo Chinaglia (SP) para a presidência da Câmara, em fevereiro de 2007 e formaram o chamado “bloquinho de esquerda”.

Berzoini reconhece que um empecilho para a aproximação é o projeto político eleitoral desses partidos, sobretudo um dos fiéis mais históricos, o PCdoB. “O PC do B preparou nomes para lançar em várias capitais. Em alguns locais, eles estão tendo sucesso em reproduzir o bloco de esquerda e em outros, estão com dificuldades. Em algumas capitais têm aproximação mais histórica conosco. Já fiz contatos antes das eleições para buscar ampliar esse diálogo”, declarou ele.

Para 2008, o PT deve mesclar o lançamento de candidatos próprios com as alianças envolvendo os demais partidos da coalizão. “A decisão vai depender de cada município. O PT tem tido a tradição de lançar candidatos nas grandes capitais. E isso tem dado um resultado positivo”. Berzoini acredita que, após administrar capitais importantes, como Belo Horizonte, Recife, Vitória, Fortaleza, Palmas, Rio Branco e Porto Velho, o PT conseguiu amadurecer sua atuação como gestor municipal. “O fundamental é, onde tivermos chance de lançar um candidato ou chances de fazer o PT crescer, lançar e disputar, porque candidato próprio sempre enseja a apresentação do programa do partido”.

Ontem, enquanto o ex-presidente do partido, José Genoino (SP) e o ex-presidente da Câmara, João Paulo Cunha (SP) faziam depoimento à Justiça Federal acusados de envolvimento com o escândalo do mensalão, Berzoini confirmava a criação do código de ética do partido. Disse que as punições permanecerão as mesmas e que o objetivo é fazer com que episódios como a crise de 2005 não se transformem meramente em “disputa política interna”. Sobre o fato de sua vitória representar ou não a superação da montagem de falsos dossiês contra adversários eleitorais do PT, que agiam na campanha de 2006 sob sua coordenação, Berzoini disse que, como em todo veículo, “temos de ter um retrovisor para olhar bem o passado, mas também olhar bem para a frente, senão desgovernamos o carro”.

Para Tatto, centro petista sai fortalecido

Caio Junqueira – Valor

Embora as urnas não o tenham feito presidente do PT, o deputado federal Jilmar Tatto (SP) apontou ontem o que considera duas vitórias políticas do seu grupo no processo eleitoral interno da legenda: o fortalecimento do centro do partido e o afastamento da hipótese do apoio do partido a uma não-candidatura petista à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Uma das marcas da nossa campanha foi a candidatura própria para 2010. Demos ênfase muito grande a essa questão e é evidente que, nesse particular, o debate político nós ganhamos. Todos os candidatos acabaram defendendo isso”, afirmou.

Tatto rechaçou a possibilidade de que o vencedor da disputa, o também deputado federal Ricardo Berzoini (SP), abra mão da candidatura petista em prol de um nome da base governista, como o do deputado Ciro Gomes (PSB-CE). “Ele defendeu no processo eleitoral que o PT tem que ter candidatura própria. A militância ficará vigilante em relação a isso para que não aconteça uma negociação por cima onde o PT ficaria vendido. Mas a dinâmica que imprimimos no debate interno leva para uma candidatura própria. Isso é muito bom, tem um ganho político muito forte.”

O petista é um crítico do comportamento dos aliados, em especial na derrota da votação da CPMF. “Se não for para votar com o governo nas matérias que tem dificuldade não tem sentido estar na base e ter espaço no governo. Deveria dar o exemplo e demitir três ou quatro desses para aprenderem. O PT deveria ter um papel mais estratégico nesse processo. É um partido solidário, dá exemplo de unidade e de compromisso com o governo e muitas vezes não temos isso em relação aos outros partidos.”

Ontem pela manhã o partido confirmou a vitória de Berzoini, mesmo sem a totalidade dos votos apurados. Na terceira parcial divulgada, ele alcançou 62,2 % dos votos (69.869), contra 37,7 % (42.292) de Tatto. Foram apurados 118.499 votos (65% do total estimado de petistas que votaram). De acordo com a Secretaria Nacional de Organização da sigla, com essa projeção não haveria mais a possibilidade de reversão do resultado. Das 81 cadeiras do diretório nacional, 34 foram ocupadas pelo grupo de Berzoini, o antigo Campo Majoritário, 16 vão para a tendência de Tatto e duas outras para os que o apoiaram. Outras 14 cadeiras foram para o grupo Mensagem ao Partido, cujo candidato a presidente era o deputado José Eduardo Cardozo (SP).

Com essa configuração, Tatto disse que se consolidou no partido um grupo de centro, capitaneado por três forças políticas: o seu, PT de Lutas e de Massas, que tem como principal figura a ministra do Turismo, Marta Suplicy; o dos deputados federais paulistas Cândido Vaccarezza, Carlos Zarattini, Devanir Ribeiro e José Mentor e estadual Rui Falcão, intitulado Novos Rumos; e o Movimento PT, encabeçado em São Paulo pelo presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia.

“O centro do partido sai fortalecido nesse processo eleitoral. Houve um deslocamento de forças que se agrupou na minha candidatura, mas que na verdade sao três forças política que estão construindo um centro político no PT muito importante e que consegue dialogar com as outras correntes”, afirmou.

17/12/2007 - 13:43h Ricardo Berzoini é reeleito presidente nacional do PT para o biênio 2008/2009



Com 62% dos votos ( o resultado é aproximado) Ricardo Berzoini foi eleito presidente nacional do PT. Jilmar Tatto obteve 38% e já cumprimentou o novo presidente, reconhecendo assim os resultados.

Ricardo Berzoini teve o apoio nas urnas do grupo de Tarso Genro (no primeiro turno Berzoini obteve 43% e o grupo de Tarso e Cardoso 19%). Jilmar Tatto obteve o apoio da corrente de Valter Pomar (no primeiro turno Tatto teve 20% e o grupo de Pomar 12%)
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17/12/2007 - 13:00h Ricardo Berzoini é reeleito presidente nacional do PT para o biênio 2008/2009


Com 62% dos votos ( o resultado é aproximado) Ricardo Berzoini foi eleito presidente nacional do PT. Jilmar Tatto obteve 38% e já cumprimentou o novo presidente, reconhecendo assim os resultados.

Ricardo Berzoini teve o apoio nas urnas do grupo de Tarso Genro (no primeiro turno Berzoini obteve 43% e o grupo de Tarso e Cardoso 19%). Jilmar Tatto obteve o apoio da corrente de Valter Pomar (no primeiro turno Tatto teve 20% e o grupo de Pomar 12%)

Mesmo com menor participação no segundo turno em relação ao primeiro, a realização do PED, nome da escolha pelos filiados das suas direções, foi um triunfo para o PT pois a participação no processo mostrou uma vitalidade muito acima do que a mídia esperava, tendo participado mais filiados que na eleição anterior em 2006.

O debate interno, por sua vez, mostrou que longe do “internismo” ou da guerra intestina, o PT soube levar a discussão, mesmo com insuficiências, para o terreno das relações governo-partido, 2008 e 2010, política de alianças e programa.

Isto foi facilitado pelo processo de convergência manifestado pelas diferentes correntes internas, com destaque para a postura do grupo de Tarso Genro que mostrou sua capacidade para se unir ao antigo campo majoritário, do qual em aparência era seu crítico feroz.

Mas, fundamentalmente, porque os dois candidatos do segundo turno representam correntes majoritariamente identificadas com a política implementada pelo governo federal, não só no que concerne seus projetos sociais, mas essencialmente com a política econômica implementada desde 2003, as alianças decorrentes da governabilidade e uma maior combatividade em relação aos adversários da oposição.

A eleição do presidente após o segundo turno, ao mesmo tempo que assegura uma representatividade ao eleito, pois permite um voto majoritário, confirmou um reequilíbrio de forças e mudanças nas composições partidárias. Isto pode permitir a construção de novos consensos majoritários no PT dando maior peso ao partido em seu conjunto, tanto em relação ao governo, como em relação aos seus aliados.

O presidente Lula, Ricardo Berzoini e Jilmar Tatto, saem deste processo fortalecidos e o PT em melhores condições de unidade para enfrentar as eleições municipais de 2008.

Luis Favre

16/12/2007 - 10:20h Berzoini e Tatto disputam segundo turno para presidência do PT neste domingo

O Globo Online Os deputados Ricardo Berzoini e Jilmar Tatto, que disputam a presidência nacional do PT em segundo turno, durante debate organizado pelo partido - Givaldo Barbosa/ O Globo

RIO – Os deputados federais por São Paulo Ricardo Berzoini (Construindo um Novo Brasil) e Jilmar Tatto (Partido é pra Lutar) disputam neste domingo o segundo turno da eleição que vai escolher o presidente do PT para os próximos dois anos. No primeiro turno, votaram 326.147 militantes, e Berzoini teve 131.699 votos, contra 61.440 de Tatto. A expectativa é de que o número de eleitores seja até 50% menor. O resultado deve sair até quarta-feira. A votação começou às 9h (horário de Brasília) e vai até as 17h.

Os candidatos das tendências esquerdistas devem apoiar Tatto, porém, a corrente Mensagem ao Partido, do ministro da Justiça, Tarso Genro, e de José Eduardo Cardozo, terceiro colocado no turno inicial com 57.964 votos, liberou o voto dos militantes. A expectativa é que a maioria vote em Berzoini, atual presidente e favorito no pleito deste domingo.

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16/12/2007 - 10:20h Berzoini e Tatto disputam segundo turno para presidência do PT neste domingo

O Globo Online

Os deputados Ricardo Berzoini e Jilmar Tatto, que disputam a presidência nacional do PT em segundo turno, durante debate organizado pelo partido - Givaldo Barbosa/ O Globo

RIO – Os deputados federais por São Paulo Ricardo Berzoini (Construindo um Novo Brasil) e Jilmar Tatto (Partido é pra Lutar) disputam neste domingo o segundo turno da eleição que vai escolher o presidente do PT para os próximos dois anos. No primeiro turno, votaram 326.147 militantes, e Berzoini teve 131.699 votos, contra 61.440 de Tatto. A expectativa é de que o número de eleitores seja até 50% menor. O resultado deve sair até quarta-feira. A votação começou às 9h (horário de Brasília) e vai até as 17h.

Os candidatos das tendências esquerdistas devem apoiar Tatto, porém, a corrente Mensagem ao Partido, do ministro da Justiça, Tarso Genro, e de José Eduardo Cardozo, terceiro colocado no turno inicial com 57.964 votos, liberou o voto dos militantes. A expectativa é que a maioria vote em Berzoini, atual presidente e favorito no pleito deste domingo.

A sede nacional do PT, em Brasília, promoveu debate entre os dois candidatos nesta reta final de campanha. Durante mais de uma hora, eles apresentaram suas propostas e posicionamentos políticos com relação à condução do PT nos próximos dois anos.

Berzoini e Tatto destacaram o acúmulo político conquistado pelo PT, principalmente nas eleições de 2006, com a reeleição de Lula à presidência da República, a maior votação para deputados federais entre todas as legendas e a conquista de cinco governos estaduais.

Tanto Berzoini como Tatto consideram a preparação do PT para a disputa das eleições presidenciais em 2010 um dos grandes desafios para o partido.

Para Tatto, o PT deve trabalhar para consolidar uma candidatura própria em 2010, com a apresentação de um programa que defenda o governo Lula e da negociação de uma aliança com os partidos de centro-esquerda que já fazem parte da coalizão atual.

Berzoini afirmou que não existem argumentos contra uma candidatura própria do partido para a sucessão de Lula, mas adiantou que para isso é necessária a construção de um cenário político favorável, com a elaboração de um programa que não tenha apenas o apoio dos partidos aliados, mas do conjunto da sociedade brasileira.

Candidatos debateram muito a relação do PT com os movimentos sociais

A relação do PT com os movimentos sociais do país foi bastante debatida pelos dois candidatos. Tatto acredita que o partido precisa mudar a sua agenda política para resgatar o diálogo com os movimentos popular e sindical, para atuar na defesa de questões como a implantação das 40 horas semanais e o debate em torno de uma educação pública de qualidade. Ele defende uma relação mais direta entre o governo Lula e os movimentos.

Para Berzoini, o partido não se afastou dos movimentos sociais porque existem diversos petistas atuando na organização da sociedade civil e em diversas frentes de luta. Ele afirmou que o petista que atua no movimento está investido de poder para reivindicar melhorias, enquanto que os que estão no governo federal estão investidos da condição de realizar políticas de Estado. Na sua opinião, as contradições resultantes deste processo são naturais, principalmente para um partido que tem projeto de poder como o PT.

16/12/2007 - 09:44h Berzoini e Tatto fazem hoje embate do 2º turno

de esq. a dir. Marco Aurelio Garcia, Jilmar Tatto e Ricardo Berzoini

Disputa define novo comando do PT e dá largada para eleições de 2008

Clarissa Oliveira – O Estado de São Paulo

Filiados do PT em todo o País retornam hoje às urnas para escolher um novo presidente nacional da legenda. Depois do primeiro turno, que atraiu mais de 326 mil petistas no último dia 2, a disputa agora será travada entre o atual presidente, deputado Ricardo Berzoini (SP), e o deputado Jilmar Tatto (SP).

Mais do que definir quem estará no topo da burocracia partidária, a escolha da nova direção petista dá a largada para a corrida municipal de 2008. Encerrada a apuração, o novo presidente do PT terá de conduzir as prévias para a escolha de candidatos, liderar o debate sobre a política de alianças e coordenar o relacionamento com partidos da base. Para completar, atuará como uma espécie de embaixador das lideranças municipais junto ao governo, protagonizando o leva-e-traz de cobranças de investimentos e pedidos de declarações de apoio.

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16/12/2007 - 09:38h Berzoini e Tatto fazem hoje embate do 2º turno

de esq. a dir. Marco Aurelio Garcia, Jilmar Tatto e Ricardo Berzoini

Disputa define novo comando do PT e dá largada para eleições de 2008

Clarissa Oliveira – O Estado de São Paulo

Filiados do PT em todo o País retornam hoje às urnas para escolher um novo presidente nacional da legenda. Depois do primeiro turno, que atraiu mais de 326 mil petistas no último dia 2, a disputa agora será travada entre o atual presidente, deputado Ricardo Berzoini (SP), e o deputado Jilmar Tatto (SP).

Mais do que definir quem estará no topo da burocracia partidária, a escolha da nova direção petista dá a largada para a corrida municipal de 2008. Encerrada a apuração, o novo presidente do PT terá de conduzir as prévias para a escolha de candidatos, liderar o debate sobre a política de alianças e coordenar o relacionamento com partidos da base. Para completar, atuará como uma espécie de embaixador das lideranças municipais junto ao governo, protagonizando o leva-e-traz de cobranças de investimentos e pedidos de declarações de apoio.

“ O PT é um partido trabalhoso”, diz Berzoini, que no primeiro turno ficou com os votos de 43,4% dos militantes. Tatto, que obteve 20,2%, reconhece que a tarefa exigirá união interna e cuidado na avaliação da realidade partidária em cada região.

Antes de encerrada, a eleição do PT já está cercada de pretendentes para a disputa do ano que vem. Derrotado no primeiro turno, o deputado José Eduardo Martins Cardozo (SP) oficializou nos últimos dias seu desejo de concorrer à Prefeitura de São Paulo. “Em princípio, meu nome está colocado.”

Tatto aparece também entre os cotados para a corrida municipal. A tendência, entretanto, é de que fique fora do páreo, mesmo se for derrotado por Berzoini na eleição de hoje. Dentro do partido, espera-se que ele retribua o apoio que recebeu na eleição interna de outro interessado na prefeitura: o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (SP).

Os três têm outro ponto em comum além do interesse em comandar a capital paulista – qualquer pretensão só será levada adiante se a ex-prefeita e atual ministra do Turismo, Marta Suplicy, não entrar na briga. “Tenho dito que o melhor nome para a Prefeitura de São Paulo é Marta Suplicy”, afirma Tatto. “Se ela optar pela candidatura, acho difícil outro nome atrair tanto apoio”, completa Martins Cardozo. Chinaglia diz partilhar da opinião e acrescenta: “Quanto mais tempo demorar, mais ela é candidata. Não se constrói um nome alternativo de uma hora para a outra.”

Sem Marta, Chinaglia admite encarar a disputa. “Temos de trabalhar por um nome que aglutine. Se meu nome tiver essa capacidade, claro que eu disputaria”, afirma. Marta é também o nome favorito de Berzoini. Nesse caso, a desistência da ex-prefeita tende a conduzir os votos do deputado e seu grupo para Martins Cardozo.

Apesar de preferida, Marta manifestou a aliados nos últimos dias que, em tese, prefere não concorrer. Apesar disso, não descartou a possibilidade. Se depender da avaliação dos colegas, ela só disputará o cargo se for a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

16/12/2007 - 09:37h ‘O PT é bucha de canhão do governo’


Candidato à presidência do PT, Jilmar Tatto diz que legenda tem a sensação de quem ‘ganhou, mas não levou’ O Estado de São Paulo

Depois de conquistar mais de 60 mil votos no primeiro turno da eleição interna do PT, o deputado Jilmar Tatto (SP) afirma que a nova direção da legenda deve ter como principais bandeiras a candidatura própria em 2010 e o fortalecimento do partido na relação com o governo federal. Tatto avalia que o PT se transformou na “bucha de canhão” do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Tudo quanto é problema o PT defende, o PT está lá, é o principal partido da coalizão,que dá sustentação ao governo”, afirma o deputado. “Mas a sensação que nós temos é de quem ganhou e não levou.”
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16/12/2007 - 09:34h ‘O PT é bucha de canhão do governo’


Candidato à presidência do PT, Jilmar Tatto diz que legenda tem a sensação de quem ‘ganhou, mas não levou’ O Estado de São Paulo

Depois de conquistar mais de 60 mil votos no primeiro turno da eleição interna do PT, o deputado Jilmar Tatto (SP) afirma que a nova direção da legenda deve ter como principais bandeiras a candidatura própria em 2010 e o fortalecimento do partido na relação com o governo federal. Tatto avalia que o PT se transformou na “bucha de canhão” do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Tudo quanto é problema o PT defende, o PT está lá, é o principal partido da coalizão,que dá sustentação ao governo”, afirma o deputado. “Mas a sensação que nós temos é de quem ganhou e não levou.”

CANDIDATURA PRÓPRIA

“Eu acredito que será uma traição ao povo brasileiro e à militância do PT se a nossa direção não reivindicar e colocar como questão de princípio uma candidatura do PT para disputar 2010. A razão principal é que mudança, no Brasil, é com o PT. Foram 27 anos que nos transformaram no principal partido do País. Temos que exercer essa autoridade sobre nossos aliados. Isso se faz com diálogo, mas o tamanho faz diferença na política.”

ELEIÇÕES 2008

“A estratégia tem que ser a do fortalecimento do PT, lançando candidaturas próprias onde for possível e, onde não for, ter uma influência no programa. Segundo, temos que discutir um programa para a disputa municipal que inclua a defesa do governo Lula, o fortalecimento do movimento social, a democratização do Estado, com orçamento participativo.”

POLÍTICA DE ALIANÇAS

“Acho que a base das coligações em 2008 deve seguir o que acontece no governo federal. Mas você tem alguns municípios onde isso é impossível, tem que discutir caso a caso. Em São Paulo, por exemplo, eu sou contra discutir uma aliança com o Maluf. E o PP está na base do governo. Em tese, acho que as alianças têm que ocorrer preferencialmente dentro da base. Mas acho que devemos tirar, por exemplo, uma decisão política de não fazer alianças com PSDB e PFL (atual DEM).”

PRÉVIAS

“Nós temos um histórico no partido de democracia de prévias que já é muito tranqüilo. Na medida do possível, tem de haver diálogo, fazer pesquisas, verificar qual o melhor nome. Não havendo consenso, realizam-se as prévias. A militância decide quem é o candidato do PT.”

RELAÇÃO DO PT COM GOVERNO

“Precisa aperfeiçoar essa relação. Eu considero que o PT não está sendo tratado com carinho em relação ao governo federal. O PT é a bucha de canhão. Tudo quanto é problema o PT defende, o PT está lá, é o principal partido da coalizão,que dá sustentação ao governo. Mas a sensação que nós temos é de quem ganhou e não levou. O PT tem perdido espaço, do ponto de vista político. A próxima direção tem que ter uma relação institucional com o governo, não de pessoas, de correntes.”

NOVO DIRETÓRIO DO PT

“Acredito que esta seja uma direção mais de centro. Acho que é possível, desde que a gente consiga montar uma Executiva consensual, sem conflitos – por isso eu defendo que o secretário-geral e o tesoureiro não sejam da mesma chapa do presidente -, podemos retirar tensões da direção do PT. Acho que temos que criar mecanismos internos para que a direção aprimore a forma de conduzir a política do PT e, ao mesmo tempo, sinalize para a sociedade, para a militância, para o movimento social, que o PT está mudando.”

DISPUTA INTERNA

“Precisamos de uma direção mais democrática e o presidente é fundamental nesse processo. Acho que tenho mais condições de fazer esse trabalho que o Ricardo Berzoini. Primeiro, ele já está naturalmente desgastado, por já estar no comando do partido. E as forças políticas que me apóiam, evidentemente, me ajudam a ter condições, internamente, de unificar o PT. Em função desse esgotamento que vemos na chapa Construindo um Novo Brasil.”

DEBATE ÉTICO

“Neste primeiro turno, tivemos 53% dos filiados do PT que votaram pela mudança, que votaram por alguma forma de renovação. E dentro dessa renovação, obviamente, está a questão dos métodos, da forma de dirigir o PT, da criação de um código de ética que seja uma construção coletiva, para evitar inclusive erros cometidos no passado, cometidos por integrantes do antigo Campo Majoritário. Essa questão está colocada e temos que tratar como prioridade a questão do comportamento ético dos dirigentes, deputados e filiados. Está na ordem do dia e compete à nova direção fazer essa discussão.”

APOIOS

“Acho que os apoios (de lideranças da Mensagem ao Partido a Berzoini) são legítimos, eu respeito. Aqueles que defendem Berzoini são os que defendem a continuidade. Acham que as coisas têm que ficar como estão. Mas quem acha que tem que ter renovação, vai votar em mim. Agora, a característica que vemos é muito chapa branca. Muito ministro apóia o Berzoini. Os grupos que me apóiam são militantes, de base.” C.O.

16/12/2007 - 09:33h ‘Nosso centro será eleição de 2008′


Candidato a mais um mandato de presidente do PT, Ricardo Berzoini diz que disputa ajudará a unificar a sigla

Clarissa Oliveira – O Estado de São Paulo

Atual presidente do PT e candidato à reeleição, o deputado Ricardo Berzoini (SP) acredita que a eleição municipal do ano que vem entrará na pauta do partido assim que a nova direção for escolhida. Para ele, esse quadro contribuirá para unificar as tendências da legenda e amenizar o clima de disputa que se formou nos últimos meses. “Passada a eleição interna, nosso centro vai ser a eleição municipal de 2008. Com isso, a tendência de unidade interna e de soma de esforços é muito grande”, afirma o parlamentar.
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16/12/2007 - 09:28h ‘Nosso centro será eleição de 2008′


Candidato a mais um mandato de presidente do PT, Ricardo Berzoini diz que disputa ajudará a unificar a sigla

Clarissa Oliveira – O Estado de São Paulo

Atual presidente do PT e candidato à reeleição, o deputado Ricardo Berzoini (SP) acredita que a eleição municipal do ano que vem entrará na pauta do partido assim que a nova direção for escolhida. Para ele, esse quadro contribuirá para unificar as tendências da legenda e amenizar o clima de disputa que se formou nos últimos meses. “Passada a eleição interna, nosso centro vai ser a eleição municipal de 2008. Com isso, a tendência de unidade interna e de soma de esforços é muito grande”, afirma o parlamentar.

CANDIDATURA PRÓPRIA

“O PT não tem a obrigação política de fazer isso, mas tem todas as condições. E, na minha opinião, terá candidato próprio em 2010. O PT tem razões suficientes para se preparar para isso e construir essa candidatura. Não há nenhum motivo para o PT supor que possa abrir mão de um direito que é de todos os partidos e que muito menos um partido do porte do PT pode abrir mão.”

ELEIÇÕES 2008

“Defendo que o PT, nacionalmente, oriente uma política de alianças, mas que olhe com muito cuidado o debate de cada Diretório Estadual, de cada Diretório Municipal. O Brasil não é homogêneo. Nem na economia, nem na área social, nem na política. Portanto, tendo uma linha geral como orientação, é obrigação nossa interagir com diretórios regionais para avaliar eventuais exceções.”

ALIANÇAS

“Claro que nossa prioridade de alianças é com partidos de esquerda, além de todos os partidos da base do governo Lula. Mas isso não exclui, por exemplo, em cidades onde tenhamos situações políticas específicas que levem a frentes mais amplas, o PT se recusar a participar, quando tiver evidentemente razão para isso.”

PRÉVIAS

“O PT tem uma regra estatutária, que é: onde não tem acordo, tem prévia. Vamos, na primeira reunião do ano, fazer a orientação de prazos para prévias. Mas vamos evitá-las onde for possível, pois são sempre um elemento de tensão e desgaste. Vamos trabalhar para entrar em acordo na imensa maioria das cidades, com destaque, evidentemente, para cidades que têm maior influência nacional.”

RELAÇÃO DO PT COM GOVERNO

“O PT, normalmente, é criticado, seja por estar excessivamente ligado ao governo, ou por apresentar propostas diferentes das do governo. A crítica vem dos dois lados. O que temos que fazer – e não é decisão do presidente do PT, é decisão da Direção Executiva – é combinar a solidariedade com um governo que é nosso, que nós avaliamos que tem um papel importante para o Brasil, com a crítica necessária e inteligente. Ou seja, não fazer críticas a esmo ou, antes de fazê-las publicamente, fazê-las reservadamente ao governo. E de outro lado discutir as linhas políticas partidárias que não precisam de nenhum tipo de aval do governo.”

NOVO DIRETÓRIO DO PT

“O PT sempre vai ser um partido complexo para dirigir. O que temos hoje que me anima muito, a despeito das críticas públicas na campanha, é um ambiente de cooperação muito grande na Executiva. Fico muito feliz com as últimas reuniões da comissão que, mesmo durante uma eleição, foram todas tratadas com muita responsabilidade por todos os dirigentes, sem exceção. Não houve tentativa de transferir a disputa eleitoral para dentro da Executiva, para dentro do Diretório.”

DISPUTA INTERNA

“Passada a eleição interna, nosso centro vai ser a eleição municipal de 2008. Com isso, a tendência de unidade interna e de soma de esforços é muito grande. Vi isso na campanha do Lula. Mesmo nas campanhas estaduais, as pessoas deixam um pouco de lado as disputas de regiões e Estados para pensar em fazer o PT crescer. E, de certa forma, conquistamos esse ambiente. O fato de hoje não termos maioria é um fator de estabilidade no partido. Propicia a idéia de que ninguém tem um rolo compressor pronto para ser exercido. Tudo tem que ser discutido e conquistado no debate. É bom para o partido, não é ruim.”

DEBATE ÉTICO

“O debate da crise está, digamos, parcialmente superado, mas não totalmente superado. Precisamos ter muita atenção com os ensinamentos que a crise nos trouxe. Acho que precisamos ter a sensibilidade de ver que esse Processo de Eleições Diretas do PT é complexo mesmo, é difícil.”

APOIOS

“No primeiro turno, eles (a Mensagem ao Partido) apresentaram uma candidatura com o objetivo de atingir uma determinada meta. Mas, ao mesmo tempo, sempre teve um reconhecimento do trabalho que a gente fez. Fico feliz porque, num ambiente eleitoral, a existência desse reconhecimento mostra, primeiro, a grandeza dos adversários. E mostra também que no PT não vale tudo em uma eleição. Pode-se também reconhecer os méritos.”

13/12/2007 - 13:07h PT debate na rádio CBN a escolha de seu presidente

Sexta-feira
14 de dezembro
Debate do
Jilmar Tatto
com
Ricardo Berzoini

Rádio CBN
Das 9h10 às
9h30 da manhã
Mediação:
Heródoto Barbeiro

Você poderá ouvir a programação pela
internet no
www.cbn.com.br
ou pelas seguintes
freqüências:

São Paulo – 90,5 FM e 780 AM
Rio de Janeiro – 92,5 FM e 860 AM
Brasília – 95,3 FM
Belo Horizonte – 106,1 FM
Blumenau/SC – 820 AM
Campinas / SP – 99,1 FM
Cascavel / PR – 1.340 AM
Cuiabá / MT – 590 AM
Curitiba/ PR – 90,1 FM
Florianópolis / SC – 740 AM
Fortaleza / CE – 1.010 AM
Goiânia / GO – 1.230 AM
João Pessoa / PB – 1.230 AM
Londrina / PR – 830 AM E 93,5 FM
Maceió / AL – 104,5 FM
Manaus / AM – 91,5 FM
Maringá / PR – 95,5 FM
Mogi Mirim / SP – 610 AM
Natal / RN – 1.190 AM
Paranaguá / PR – 1.570 AM
Ponta Grossa / PR – 1.300 AM
Porto Alegre / RS – 1.340 AM
Recife / PE – 90,3 FM
Ribeirão Preto / SP – 96,9 FM
Salvador / BA – 1.050 AM
Santos / SP – 102,1 FM
Teresina / PI – 910 AM
Vitória / ES – 93,5 FM

13/12/2007 - 13:04h PT debate na rádio CBN a escolha de seu presidente

Sexta-feira
14 de dezembro
Debate do
Jilmar Tatto
com
Ricardo Berzoini

Rádio CBN
Das 9h10 às
9h30 da manhã
Mediação:
Heródoto Barbeiro

Você poderá ouvir a programação pela
internet no
www.cbn.com.br
ou pelas seguintes
freqüências:

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08/12/2007 - 11:22h PT: 17 presidentes eleitos


CORREIO BRAZILIENSE

Diretórios estaduais terminam contagem de votos. Para analistas, vitórias no 1º turno desmonstram a força das lideranças partidárias em busca de consenso


Izabelle Torres
Da equipe do Correio As eleições para a presidência do PT nos diretórios regionais já foram decididas em 17 estados brasileiros. Em Pernambuco, o nome do novo presidente do partido só será conhecido depois do julgamento de recursos judiciais. Minas Gerais também iniciou uma disputa jurídica, mas ontem o candidato Durval Ângelo retirou a sua candidatura e Reginaldo Lopes tornou-se o vencedor, com 49,61% dos votos. Nos demais estados e no diretório nacional, as disputas foram para o segundo turno e as campanhas seguem até o próximo dia 16, quando acontece a eleição. Para o cientista político e professor da Universidade de Brasília (UnB) David Fleisher é possível fazer uma ligação entre os candidatos eleitos em primeiro turno e a força das lideranças partidárias que o apoiaram. “O consenso em torno de um nome pode demonstrar quem são as lideranças políticas com maior força entre os militantes”, analisa.Para o Fleischer, um exemplo de vinculação entre o candidato eleito e os caciques petistas pode ser notado na eleição do diretório do partido em São Paulo. Na disputa, o candidato Zico Prado, apoiado pelo presidente nacional da sigla, Ricardo Berzoini, e pelos deputados João Paulo Cunha e Cândido Vacarezza, foi derrotado por Edinho Silva, que teve como principais cabos eleitorais o presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia, e a ministra do Turismo, Marta Suplicy. “Com a proximidade das eleições municipais, creio que vale uma análise sobre as forças partidárias que estavam por trás de cada candidato eleito nos estados”, disse o professor.O placar das decisões em primeiro turno demonstra que houve disputas mais acirradas, como em São Paulo e no Rio de Janeiro, onde os candidatos eleitos obtiveram 56% e 52,8% dos votos, respectivamente. Em outras regiões, como o Acre, a vitória foi folgada. O candidato Léo Brito obteve 91,3% dos votos. Os estados do Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e o Distrito Federal realizam segundo turno no próximo dia 16. No mesmo dia, o diretório nacional do partido decide a eleição entre os candidatos Ricardo Berzoini e Jilmar Tatto, que obtiveram 43,42% e 20,25% dos votos, respectivamente.

Leia também: PT: Se espelhar no exemplo de São Paulo

 

Leia o artigo de Luis Favre, militante do PT de São Paulo, sobre a realização do segundo turno da eleição presidencial nacional