11/03/2009 - 10:34h Mercado volta a crescer na China

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Tian Ying, Bloomberg, de Pequim – VALOR

As vendas de veículos na China dispararam 25% em fevereiro, a primeira alta em quatro meses, depois que o governo reduziu os impostos sobre alguns modelos, o que contribuiu para que o país aumentasse a sua vantagem como o maior mercado de automóveis do mundo este ano.

As vendas de carros de passageiros, ônibus e caminhões cresceram para 827,6 mil unidades, informou em Pequim a Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis. O cômputo nos dois primeiros meses do ano cresceu 2,7%, para 1,56 milhão de unidades, em comparação com a queda de 39%, para 1,35 milhão de unidades, ocorrida nos EUA.

A China reduziu à metade os impostos sobre as vendas de carros de pequeno porte e tem planos de subsidiar veículos nas áreas rurais, para revitalizar a demanda, depois de as vendas de automóveis terem atingido o menor crescimento em uma década, no ano passado. Junto com o pacote de estímulo econômico do país, de 4 trilhões de yuan (US$ 585 bilhões), as políticas do governo fizeram com que a General Motors (GM) dobrasse, grosso modo, a sua projeção de crescimento das vendas de veículos na China para este ano.

“Os consumidores estão recuperando a confiança, devido ao pacote de estímulo”, disse Ricon Xia, analista do Instituto de Pesquisas Daiwa em Xangai. “Mesmo assim, as vendas de veículos deverão flutuar nos próximos meses.”

A alta nas vendas de fevereiro, a maior em 18 meses, foi ajudada pelo fato de neste ano o feriado do Ano-Novo Lunar ter caído no mês anterior. Em fevereiro de 2007, o feriado, aliado às nevascas, contribuiu para reduzir as vendas de veículos. A GM elevou a sua projeção de vendas de automóveis na China para 5% a 10%, em comparação com a projeção anterior, de menos de 3%.

03/02/2009 - 14:47h China: menor apetite chinês vai tirar US$ 1,5 bi da exportação brasileira

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Menor apetite chinês vai tirar US$ 1,5 bi da exportação brasileira

Raquel Landim, de São Paulo – VALOR

Um dos países mais beneficiados pelo voraz apetite chinês por commodities, o Brasil vai sofrer com a desaceleração do gigante asiático. O país deve perder pelo menos US$ 1,5 bilhão em vendas de apenas três produtos – soja, minério de ferro e petróleo – para os chineses este ano. Especialistas em comércio exterior acreditam que a China está trocando os banquetes de commodities por uma dieta mais equilibrada. Por isso, além desta perda, investimentos futuros com alvo no mercado chinês devem ser bem estudados, dizem os analistas.

Conforme a estimativa do Conselho Brasil-China, as exportações para o país asiático de soja, minério de ferro e petróleo vão cair 12%, de US$ 12,7 bilhões em 2008 para US$ 11,2 bilhões em 2009. Essas commodities representam 77% da pauta de exportação do Brasil para a China. As projeções apontam queda de 19,4% nas vendas de soja para a China em 2009, 46,4% no petróleo, e alta de 13,7% no minério de ferro. O conselho parte da premissa que as exportações serão prejudicadas apenas pela queda de preços, porque os volumes de soja e petróleo vão se manter constantes, enquanto o do minério pode subir 10% graças ao pacote de estímulo fiscal chinês . A hipótese é considerada otimista por outros analistas, para quem a queda das exportações para a China pode ser ainda mais significativa.

“A corrente comercial entre os dois países inevitavelmente vai cair. Vamos enfrentar uma redução substancial em valor com a queda dos preços das commodities, mas o volume dificilmente será afetado”, disse Rodrigo Tavares Maciel, secretário-executivo do conselho. Maurício Moreira Mesquita, economista do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), discorda e avalia que a tendência é de queda para as exportações brasileiras para a China, não apenas em preço, mas também em volume. “Se a desaceleração da economia chinesa se aprofundar, o impacto para a América Latina vai ser severo”, ponderou.

Em seis anos, os chineses quintuplicaram a compra desses produtos no Brasil. As exportações brasileiras de soja para a China saltaram de US$ 1,3 bilhão em 2003 para US$ 5,3 bilhões em 2008. No minério de ferro, as vendas saíram de US$ 765 milhões para US$ 4,9 bilhões no período. O petróleo – que sequer aparecia entre os principais produtos de exportação para a China em 2003 – rendeu US$ 1,7 bilhão ao país em 2008.

Dois fatores aplacaram a sofreguidão dos chineses por commodities brasileiras: a desaceleração do crescimento da economia do país – provocada pela crise global e pela fraqueza das exportações – e a consolidação da sua indústria pesada. O ritmo de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da China desacelerou de 13% em 2007 para 9% em 2008 e deve ficar em 8% em 2009 nas expectativas otimistas. A indústria pesada chinesa está contaminada pelo excesso de produção, o que vai exigir a consolidação em empresas maiores e mais competitivas e limitar a construção de novas plantas. A preocupação do país com a poluição também deve desestimular investimentos.

“A posição de exportadores de commodities como o Brasil é mais forte que uma década atrás, mas planos de expansão baseados no ritmo de crescimento dos últimos anos têm que ser revistos”, disse ao Valor Arthur Kroeber, diretor-executivo da Dragonomics, consultoria especializada em economia chinesa, sediada em Pequim. Kroeber avalia que a “chave” é que a demanda da China por commodities brasileiras vai seguir forte, mas a taxa de crescimento será bem menor, derrubando preços.

É o contrário do ciclo que levou as commodities às alturas. Entre 2003 e 2007, o crescimento da China saltou de 8% para 12% e a capacidade da indústria intensiva em recursos naturais aumentou muito. Como resultado, os preços de commodities como soja e petróleo saltaram 115% e 213%, respectivamente, entre 2003 e 2007, mas parte desses ganhos já foi devolvida. Desde 2008, as cotações da soja e do petróleo caíram 20,5% e 58,2%. No minério de ferro, que subiu mais de 70% só no ano passado, as siderúrgicas chinesas e a mineradora brasileira Vale estão travando uma queda-de-braço para definir o preço de 2009. A expectativa é de pelo menos 30% de queda.

O minério de ferro é bom exemplo das mudanças que estão ocorrendo na China e vão atingir o Brasil. Em 2000, a China produzia 100 milhões de toneladas de aço. Graças ao forte crescimento da economia local, chegou a um ritmo anualizado de 570 milhões de toneladas no início de 2008, quatro vezes mais do que em 2000. Preocupado com a inflação, o governo chinês introduziu medidas para desacelerar a economia. Em conjunto com a crise global, as medidas derrubaram a produção de aço para 420 milhões de toneladas no fim de 2008. Os analistas estimam que a China vai seguir produzindo entre 420 milhões e 450 milhões de toneladas de aço por ano, volume acima do de 2000, mas praticamente estável na comparação com o fim de 2008.

A demanda chinesa por soja – outro importante item da pauta de exportação do Brasil pela China – deve ser menos afetada. Para Trevor Houser, pesquisador do Instituto Peterson para Economia Internacional, o consumo de commodities agrícolas não sofre como as metálicas, já que a dieta alimentar da população varia muito menos que os ciclos de investimento. A soja é um produto importante na alimentação chinesa e sua substituição por outros alimentos é complicada. Os preços do grão, porém, devem permanecer baixos por conta da crise financeira, que reduziu a liquidez dos mercados.

O pacote de estímulo fiscal da China e a recuperação do mercado imobiliário local podem ajudar a sustentar o consumo de aço, cimento e cobre em 2009, evitando uma queda mais brusca da demanda pelo minério de ferro brasileiro. Mas o tamanho do impacto depende da eficácia do pacote, o que divide os analistas. O governo chinês anunciou US$ 586 bilhões em gastos para estimular a economia. Boa parte do investimento será destinado à infraestrutura, à recuperação das áreas afetadas pelo terremoto de Sichuan e à construção de casas populares.

“O declínio da demanda chinesa não será tão forte quanto alguns especulam, mas não é razoável esperar que os preços permaneçam no mesmo patamar dos últimos anos, porque os fundos de investimento inflaram as commodities”, disse Li Gang Liu, economista-chefe do BBVA do departamento de pesquisa econômica da China e ex-funcionário do Banco Central de Hong Kong. Para Houser, o Brasil deve se preocupar mais com o colapso dos preços nos últimos seis meses do que com uma eventual queda de demanda, que levaria à redução do volume exportado. “Os preços devem continuar fracos até que o apetite chinês se recupere, o que ainda pode demorar um ano.”

03/02/2009 - 14:02h China: crise afetou o país, mas pacote oficial pode garantir PIB de 8%

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De São Paulo – VALOR

Com o desenrolar da crise global complicando as previsões, circulam dois números “mágicos” para o crescimento da China em 2009. Os mais otimistas estimam que o Produto Interno Bruto (PIB) vai crescer 8% este ano. Os pessimistas – categoria que inclui muitos bancos internacionais – apostam em “apenas” 5%, um percentual significativo para o restante do mundo, mas modesto para os padrões chineses.

As duas estimativas estão abaixo dos 9% que a China cresceu em 2008 e bem abaixo dos 13% de 2007, mas a magnitude da desaceleração este ano é vital para o Brasil, a América Latina e o mundo. O ritmo do crescimento da economia chinesa será fundamental para determinar a evolução dos preços das commodities e, consequentemente, da balança comercial brasileira.

No centro das discussões sobre o rumo do gigante asiático, está a eficácia do pacote de estímulo fiscal de US$ 586 bilhões do governo e o grau de dependência da economia em relação às exportações. Para seguir crescendo, a China deverá tornar o mercado interno o motor da expansão da sua economia. A dúvida é o quão rapidamente isso pode ser feito.

A crise global já atingiu a China de frente. No quarto trimestre anualizado, o PIB do país cresceu 6,8%. A produção industrial avançou 6,4% entre outubro e dezembro, abaixo dos 16,2% de janeiro a março. É um resultado direto do enfraquecimento das exportações, que caíram 2,2% em novembro e 2,8% em dezembro. No primeiro trimestre de 2008, as exportações da China cresciam 21,2%.

O oito é considerado um número da sorte pelos chineses e se tornou uma espécie de meta informal de crescimento. O assunto é bastante sensível, pois existe uma crença entre os funcionários de Pequim de que um avanço inferior a 7% pode gerar insatisfação e protestos contra o regime comunista.

Arthur Kroeber, diretor-executivo da Dragonomics, estima que o avanço da economia chinesa em 2009 está mais próximo de 8% do que de 5%. “Principalmente porque acredito que existe dinheiro suficiente que pode ser mobilizado para gerar esse crescimento”, disse. Ele citou alguns canais pelos quais os recursos podem fluir: gastos governamentais, sistema bancário local, e empresas estatais.

“A China será severamente atingida pela crise porque se tornou mais dependente da economia global”, disse Li Gang Liu, economista-chefe do BBVA em Hong Kong. Ele reforça, no entanto, que o crescimento de 8% pode ser alcançado com ajuda do pacote de estímulo fiscal, de redução de juros e de um sistema bancário relativamente sólido. Ele calcula que apenas o pacote fiscal pode estimular uma alta de 3% a 5% do PIB.

Os pessimistas – que preveem um avanço próximo de 5% para o PIB da China em 2009 – também dispõem de bons argumentos. Primeiro, que o pacote de estímulo do governo será ineficaz. Segundo, mesmo que o pacote seja bem implementado, a participação do governo na economia da China é muito menor hoje, o que reduz o efeito para o setor privado. E terceiro, o impacto da crise global para a China será muito expressivo.

Para Trevor Houser, pesquisador visitante do Peterson Institutute, o aumento nos gastos do governo chinês deve ajudar o PIB do país a crescer 7%, mas, se isso não ocorrer, alta de 5% é um número realista. Ele acredita que o consumo doméstico e os gastos do governo serão “a esperança da economia” pelos próximos dois a cinco anos, já que a crise global reduzirá significativamente as exportações da China. “O quão rápido Pequim vai conseguir reequilibrar a economia em direção ao mercado interno ainda está para ser visto”, disse.

Maurício Moreira Mesquita, economista do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), tem dúvidas sobre o impacto de mais gastos em infraestrutura em um país que já investe 40% do PIB. Ele disse que as oportunidades de investimento são reduzidas no leste do país, a região onde estão Pequim, Xangai e a província de Guangdong. Os investimentos são necessários no Oeste, mas as externalidades geradas para o restante da economia serão menores. “Existe uma crença de que a China é imune à crise e aos ciclos da economia. Não é”, disse. (RL)

10/11/2008 - 11:28h China lança pacote de quase US$ 600 bilhões

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Governo tenta conter crise investindo em infra-estrutura e bem-estar social. Medida é saudada por G-20 e FMI

Gilberto Scofield Jr.* Correspondente – O Globo

PEQUIM e SÃO PAULO. Num comunicado breve publicado em sua página na internet e reproduzido pela agência de notícias estatal Xinhua, o Conselho de Estado da China anunciou ontem um pacote de estímulo ao setor produtivo que chegará a quatro trilhões de yuans — US$ 586 bilhões — em 2010, focado em investimentos públicos, políticas de estímulo fiscal, além do relaxamento da política monetária (com prováveis novas reduções nas taxas de juros), para garantir um crescimento da economia chinesa entre 8% e 9% a partir do ano que vem.

O pacote inclui dez programas com alvos específicos, como projetos de infra-estrutura, microcrédito e crédito para pequenas e médias empresas, construção de casas para baixa renda, infra-estrutura rural, logística, estímulo à inovação tecnológica, à adoção de tecnologias de geração de energia limpa e a aceleração na reconstrução das áreas destruídas pelo terremoto na província de Sichuan.

Mas a medida mais esperada pelos chineses será mesmo a redução das alíquotas do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) que incide sobre tudo que é fabricado e comercializado no país. A medida ainda não foi explicada, mas estima-se que, com a redução do imposto em determinados setores, a economia só para as empresas seja de 120 milhões de yuans por ano (US$ 17,5 milhões).

— A melhor maneira que a China possui de ajudar nesta crise internacional é manter o seu nível de crescimento — afirmou o presidente do Banco Popular da China, o BC do país, Zhou Xiaochuan, que prevê que as medidas ajudarão a China a crescer entre 8% e 9% a partir de 2009.

Operações de fusões e aquisições terão mais crédito Foi suspenso o teto para empréstimos dos bancos estatais para determinados projetos, como infra-estrutura rural, abertura de empresas em setores de tecnologia, fusões e aquisições e compra de equipamentos de proteção ao meio-ambiente. Os integrantes do Conselho de Estado da China, liderado pelo primeiro-ministro Wen Jiabao, esteve reunido durante todo o fim de semana elaborando o pacote.

Em São Paulo para a reunião do G-20 (grupo que reúne países ricos e emergentes), o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, afirmou que a situação fiscal da China é forte para sustentar o crescimento do país e, desta forma, ajudar o planeta a sair da espiral de crise que vem empurrando para a recessão alguns países da Europa e os EUA. Zoellick afirmou que os investimentos em infra-estrutura feitos pela China nos últimos anos foram uma decisão “muito sábia” e agora estes investimentos ajudarão o país a responder mais rapidamente ao pacote de estímulo anunciado em Pequim.

Banco central de Taiwan corta juros novamente Também presente ao fórum do G-20, o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique StraussKahn, afirmou que o pacote chinês é “uma boa notícia”.

— O FMI vinha argumentando há algum tempo que a China deveria deslocar o eixo de sua economia de um crescimento baseado em exportações para um baseado no crescimento interno. Estou muito feliz por ver que essa decisão foi tomada — disse ele, acrescentando que o pacote beneficiará não só a China, mas a economia mundial também.

David McCormick, vice-secretário do Tesouro dos EUA para Assuntos Internacionais, também festejou o pacote, afirmando em São Paulo que ajudará a Ásia a sair da crise financeira.

Na esteira de ações contra a crise, o banco central de Taiwan cortou ontem, sem aviso prévio, sua taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 2,75% ao ano. O objetivo é estimular a economia. Trata-se da quarta redução em um mês.

26/09/2008 - 12:31h O desafio da Copa 2014

Copa 2014 poderá ter hospedagem em navios e, em terra, a volta da classificação de hotéis por estrelas, diz ministro do Turismo, Luiz Barreto

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Ministro de Turismo, Luiz Barreto, presidente Lula e Jeanine Pires, presidente da Embratur, em New York fazendo campanha para o turismo no Brasil

Cristina Massari – O Globo

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RIO – A volta das estrelas para classificar os hotéis brasileiros, a possibilidade de se hospedar num navio de cruzeiro durante a Copa de 2014, a reforma da área portuária do Rio de Janeiro, e a reformulação da gestão do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, além da abertura de capital da Infraero são alguns dos temas que ocupam a mente do ministro do Turismo, Luiz Barreto, e entram na agenda do setor para os próximos anos. De Londres, onde fez o lançamento da nova campanha publicitária da Embratur para promover o Brasil no exterior , o ministro recém-empossado formalmente no cargo (estava como interino desde o desligamento de Marta Suplicy, em junho, para concorrer à Prefeitura de São Paulo), concedeu entrevista ao site do Globo.

Com a Copa de 2014 e a campanha para o Rio sediar as Olimpíadas em 2016 no Rio de Janeiro, na mira, o ministro tem aproveitado as viagens que faz para observar soluções e idéias para o planejamento destes eventos, assim como fez em Pequim e na África do Sul, lugares onde esteve recentemente em missão oficial. Esta semana, Barreto esteve em Nova York e Londres. Em seguida, sua trupe ruma para América do Sul. ( veja no YouTube, o filme da campanha publicitária da Embratur )

- Os preparativos para a Copa já são uma agenda nossa. E, mais importante até que o equipamento esportivo são o transporte e a acessibilidade e a infra-estrutura turística. Aqui, vamos à BBC para conhecer o projeto que fizeram com a China, em que eles ensinaram inglês aos chineses, preparando-os para as Olimpíadas. Aproveito também para conhecer as estratégias de promoção destes países e verifico não só as instalações da infra-estrutura esportiva, mas também como estão sendo resolvidas questões como a ampliação da oferta hoteleira durante os eventos.

Usando o Rio, candidata à sede das Olimpíadas como exemplo, Barreto menciona a possibilidade de expansão do parque hoteleiro pela Barra da Tijuca, mas também a necessidade de reforma dos hotéis existentes. E afirma que está buscando linhas de financiamento para isso junto ao BNDES e ao Banco do Brasil:

- É um desafio ter linhas de financiamento mais atrativas para ampliação e reforma do parque hoteleiro. Podemos criar um fundo que reduza o custo dos juros, por parte do governo federal, prefeitura e estadual, com contrapartida do empresário – diz Barreto.

” Voltam as estrelas para a certificação hoteleira, porque é um padrão de aceitação internacional “

Entende-se como contrapartida dos empresários, explicou o ministro, adotar a certificação para a classificação hoteleira:

- A Lei Geral do Turismo (sancionada no dia 17/09 pelo presidente Lula) inclui a classificação hoteleira. Só teria direito a estas linhas de financiamento quem se sujeitasse a certificação do ministério. Voltam as estrelas, porque é um padrão de aceitação internacional.

Considerando que megaeventos geram uma demanda por hotéis que podem não se perpetuar, Barreto cita também a possibilidade de uma oferta hoteleira de ocasião, ou literalmente ‘flutuante’ a partir de exemplos dados por Montreal, no Canadá; em Sydney, na Austrália e Atenas, na Grécia.

- Precisamos pensar em alternativas com sustentabilidade. Aproveitar os leitos de navios em rotas de cruzeiros é um mecanismo como se verificou na Grécia, no Canadá e na Austrália – sugere.

O ministro do Turismo, Luiz Barreto; Lula e Jeanine Pires, em Nova York, no lançamento da campanha publicitária da Embratur em Nova York / Foto: Divulgação Se infra-estrutura é palavra-chave nos preparativos para a Copa, os portos também passam a ser tema da agenda do Ministério do Turismo, à medida que os transatlânticos são vistos como possíveis hotéis flutuantes durante o evento. Barreto vai se reunir com o ministro-chefe da Secretaria Especial de Portos, Pedro Brito, para pensar remodelação do serviço receptivo nos portos.

- Primeiro temos que ver as idéias que já existem. Sem inventar muito. Há os exemplos do Píer 17, em Nova York, de Barcelona, Puerto Madero, na Argentina. E Belém, que é tem experiência interessante. Era uma cidade que vivia de costas par o rio, hoje de frente. E o Rio de Janeiro tem tudo para um grande projeto turístico para transformar toda a área do porto – diz o ministro.

” O Rio de Janeiro tem tudo para um grande projeto turístico para transformar toda a área do porto “

Cauteloso, o novo ministro se esforça para citar a importância de muitos destinos brasileiros, mas como foco das atenções para os dois megaeventos em pauta, o Rio de Janeiro é cidade recorrente no discurso do novo ministro. Com a revisão do compromisso assumido para as Olimpíadas, ano que vem o Rio passa por sua prova de fogo para vencer suas concorrentes Chicago, Madri, Tóquio. E o ministro sabe que a infra-estrutura aeroportuária brasileira é ponto fundamental nesta disputa.

- O BNDES entrega no fim de outubro a primeira versão de um estudo para o modelo de concessão privada para os aeroportos. Galeão e Viracopos serão os pilotos e, além disso, existe o debate sobre a abertura de capital da Infraero – diz, contando como ponto a favor desta campanha, o fato de o presidente Lula ter pedido ao Bndes a elaboração do estudo.

Para tantas realizações, o ministro se mostra otimista com relação aos investimentos privados para a obtenção dos recursos necessários:

- Percebi que na África do Sul, onde a situação do transporte público é dramática, eles estão correndo atrás do tempo. Na China, a situação era parecida, mas muita coisa foi construída. Nos dois casos houve investimento grande com recursos do estado. Mas para a Copa no Brasil, acho que na mescla, o investimento privado será maior.

Do Bolsa Família para o turismo

Em breve, contou o ministro, o turismo se somará à construção civil na iniciativa de dar oportunidades aos inscritos no programa Bolsa Família do governo federal:

- Convencemos o Ministério do Trabalho, a Casa Civil e o Ministério do Desenvolvimento Social a incluir o turismo como possibilidade de porta de saída do Bolsa Família. Serão aplicados recursos do FAT para capacitação na área de gastronomia, artesanato, hotelaria, transportes, feiras, visando também a capacitação do receptivo para a Copa do Mundo. O projeto deverá entrar em execução em 2009 e ficará em vigor até 2014 – disse o ministro.

12/08/2008 - 10:12h JUDÔ: Tiago Camilo conquista outra medalha

Judô ganha terceiro bronze do Brasil

Tiago Camilo vence o japonês Takashi Ono - Reuters

Com a medalha de Tiago Camilo, judô passa a ser o esporte brasileiro com maior número de medalhas na história das Olimpíadas

12/08/2008 - 10:06h JUDÔ: Ketleyn, uma heroína

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Judoca brasiliense foi matriculada na natação, mas espiava, com curiosidade, as aulas no tatame do Sesi de Ceilândia.

Família lembra os momentos difíceis e a determinação da menina para treinar

 


Marcelo Abreu – Correio braziliense

 

 

Fotos: Cadu Gomes/CB/D.A Press

A avó Marilda, 80 anos:
“Tinha dia que a gente não tinha dinheiro para pagar a passagem”

 

 

 

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Faixa na casa da judoca, em Ceilândia,
que se tornou visita obrigatória para amigos e vizinhos:
a gritaria na hora da medalha contagiou os moradores da rua

 

 

O humilde salão de beleza — com duas cadeiras e dois espelhos, montado na garagem da casa em reforma, em Ceilândia — está fechado há uma semana. A dona, Rosemary Oliveira Lima, de 42 anos, três filhas, separada, não está. Viajou para outro continente. Nunca, em toda a vida, pensou chegar tão longe. Na verdade, o lugar mais longe em que estivera havia sido no Piauí.

Na tarde de ontem, do outro lado do mundo, ela gritou como nunca. Quase não agüentou. Desesperou-se. Depois, chorou. Pensou que vivia um sonho. Na verdade, tudo era um sonho. Até estar ali. Muito longe do Ginásio da Universidade de Ciência e Tecnologia de Pequim, onde a dona do salão gritava e chorava de alegria, a vizinhança invadiu a casa humilde. E a gritaria era uma só.

Era verdade. A filha da dona do salão havia ganhado a luta. A brasiliense Ketleyn Lima Quadros, judoca de 20 anos, acabara de conquistar a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Pequim. Derrotou a australiana Maria Pekli. Tornou-se, em todos os tempos, a primeira atleta brasileira a subir ao pódio em uma prova individual. Naquela casa do conjunto H da QNM 17 de Ceilândia Sul, uma faixa pendurada no alto avisava: “Minha filha Ketleyn Quadros está nas Olimpíadas de Pequim 2008”. Lá dentro, a gritaria ecoava. Tomou conta da rua. E ainda era madrugada.

Marilda José de Oliveira, de 80 anos, avó de Ketleyn, não pregou os olhos. “Meu Deus, minha Nossa Senhora, foi impressionante”, ela dizia, com forte sotaque mineirinho, ainda em estado de choque. Ex-doméstica, era Marilda quem levava a neta para os treinos, no Sesi de Ceilândia. Aos 7 anos, a menina danada começou a treinar judô. “As dificuldades foram muitas. Tinha dia que a gente não tinha dinheiro para pagar a passagem de ônibus. E hoje ver a minha neta chegar tão longe é a melhor recompensa da vida”, extasia-se a avó. E o coração? “Tem que agüentar, uai! Tem que ficar firme”. Com os olhos marejados, confessa: “Tô louca para dar um abraço nela”.

Em Pequim, Ketleyn subia ao pódio. Em Ceilândia, o povo — amigos, parentes e vizinhos — começou a invadir a casa da medalhista olímpica. As duas irmãs, Aline, de 14 anos, e Maria Eduarda, 1, vibraram como se elas fossem as vitoriosas. A menorzinha acordou com a confusão dentro de casa. Logo nas primeiras horas da manhã, o tititi estava formado. Havia quem, ao passar pela rua e ver a faixa pregada no alto, dizia: “É aí que ela mora!” Outros, incrédulos, duvidavam: “Será mesmo?”

E a romaria de curiosos só aumentava. Reginalda Soares, 33 anos, dona do mercadinho da quadra, levou o filho Wallace, 8, para conhecer as medalhas e os troféus de Ketleyn — expostos como santuário na varanda da casa. Ali, a família colocou todas as conquistas da menina que sonhou vencer. “Trouxe ele aqui para ver se toma isso como exemplo”, explicou.

A família mandou confeccionar, com o dinheirinho suado de cada um, 19 camisetas verdes com a foto de Ketleyn. E a mensagem: “Lutar sempre, cair talvez, desistir jamais”. Cada uma custou R$ 20. Sobrou para o tio da atleta, José Milton Oliveira Lima, 47, que deu o cheque com o valor total. “Espero que todos me paguem”, ele brinca. Depois, comovido, agradece a Deus pela conquista da sobrinha: “É o resultado de toda a luta, da força de vontade e da persistência de Catarina (é assim que o ele a chama, na intimidade)”.

Brigona na rua
E foi assim, com essa persistência, que tudo começou na vida de Ketleyn. Aos 7 anos, uma professora da Escola Classe de Ceilândia, onde a menina estudava, chamou a mãe. E a aconselhou que colocasse a filha numa atividade física. Ketleyn era hiperativa. Gostava de andar de patins, skate, jogava futebol, vôlei e handebol. “Ela nunca gostou de brincar de bonecas”, conta a tia, Roselene Lima, 40, que trabalha nos Correios como carteira.

Ketleyn tinha energia demais e precisava extravasá-la. Rosemery tremeu. Nunca antes ouvira falar em hiperatividade. Chegou até a pensar que a filha fosse diferente. Teria que tomar remédio? Era apenas uma criança normal que precisava ser orientada para usar tanto talento e disposição. A cabeleireira, que trabalhava fora, faltou ao trabalho. Foi atrás de uma vaga para a menina em algum lugar.

Parou no Sesi, de Ceilândia. E logo Ketleyn foi matriculada na natação. Mas quem a levaria para as aulas? A missão coube a Marilda, a avó. Cheia de energia, a danada Ketleyn saía da piscina e ficava olhando os treinos de judô. Espiava com o olho comprido. Queria muito estar ali, naquele tatame. Um dia, o professor Éder Marques da Silva, hoje com 45 anos, chamou a menina para treinar. Ela não pensou duas vezes.

Esqueceu a natação e, ainda aos 7 anos, começava com o esporte que mudaria sua vida para sempre e a consagraria. “Ela, por ser muito danada, gostava de brigar na rua. Com o judô, nunca mais brigou”, lembra Éder, o primeiro técnico. Logo, ganhou sua primeira medalha, em competição infantil. Era de prata. “Ela sempre teve raça”, ele diz, comovido. E continua: “Vê-la hoje (ontem) ganhando uma medalha nas Olimpíadas é sentir o que eu mesmo não consegui. É minha realização. Toda vez que ela volta a Brasília, ela vem aqui. A Ketleyn não se esqueceu da gente”.

O talento da menina logo começou a ser notado. Vieram as competições e as primeiras conquistas. Em 2000, aos 12 anos, ela saiu do Sesi e foi treinar no Espaço Marques Guiness, em Taguatinga. E mais uma vez a mãe cabeleireira se desdobrou para que ela nunca deixasse de ir aos treinos por não ter o dinheiro da passagem do ônibus. “A determinação da Katleyn sempre me impressionou”, admira-se o segundo treinador, Robert Marques, 31. Em 2006, por falta de patrocínio em Brasília, a atleta mudou-se para Minas Gerais. Passou a integrar a equipe do Minas, de Belo Horizonte. E nunca mais parou de competir. Vieram as conquistas nacionais e internacionais. E o sonho das Olimpíadas só aumentava. No próprio Minas, arrumou até um namorado. O rapaz é da equipe de futsal do clube.

Suor e lágrimas
Na madrugada de ontem, o sonho virou realidade. Estava lá, para o mundo ver. Rosemary também quis ver de perto. Chegou à China graças a um mutirão de solidariedade alheia. Patrocínio — de um supermercado, um comércio, de uma faculdade e até de uma farmácia — garantiu a ida da cabeleireira aos Jogos Olímpicos de Pequim. Na manhã insone de ontem, Aline, a irmã de 14 anos, definiu a medalhista: “Ela é uma batalhadora”. João Lima, 44, o tio, revela: “Ela é luz, irradia energia. Tinha certeza que conseguiria uma medalha. E fez isso com muito suor e muita lágrima, mesmo que digam (alguns setores da imprensa a chamam assim pela forma aparentemente fria com que enfrenta as adversárias ) que ela é mulher de gelo. É só aparência. Ketleyn é apenas uma menina e tem uma sensibilidade muito grande”.

A parentada toda, de todos os cantos do Distrito Federal — Taguatinga P Sul, M Norte, Luziânia, Brazlândia, Águas Lindas — lotou a casa humilde da atleta. Marilda, a avó, perdeu a fome. “Uai, como é que a gente come numa hora dessas?” Na madrugada de ontem, Maria Eduarda, a irmãzinha de 1 ano, tocou o rosto de Ketleyn quando ela apareceu na televisão. Bateu palma. Quis beijá-la. Os parentes e amigos também correram para perto da imagem. Queriam abraçá-la. E chamá-la de campeã, heroína, vitoriosa, inacreditável. Como é longe a Ceilândia de Pequim…

12/08/2008 - 09:37h JUDÔ: de Ceilândia para a história

ketleyn_quadros.jpg Brasiliense Ketleyn Quadros é a primeira mulher a ganhar uma medalha olímpica para o Brasil em esporte individual.

Mãe obteve ajuda para ir à china e pediu ingressos na porta do ginásio

Ivan Drummond -Enviado especial – Correio braziliense

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Pequim — O dia 11 de agosto entra para a história do esporte brasileiro como a data em que foi conquistada a primeira medalha olímpica feminina do país num esporte individual. A proeza foi realizada pela judoca peso leve Ketleyn Quadros, de 20 anos, nascida em Brasília e moradora de Ceilândia.

Foi um dia, aliás, de brilho extremo do judô, que teve ainda conquista de outra medalha de bronze, de Leandro Guilheiro, na mesma categoria. Ele tornou-se o único judoca a ter duas medalhas olímpicas consecutivas. O feito de ontem transformou o judô na modalidade esportiva, junto com o iatismo, com o maior número de medalhas conquistadas pelo Brasil na história dos Jogos Olímpicos. São 14 de cada esporte.

Até ontem, o judô era o terceiro colocado, com 12 medalhas, atrás ainda do atletismo, que soma 13. Foi também a primeira vez que o esporte chegou à decisão de duas medalhas na mesma categoria. E além disso, foram as duas primeiras medalhas do país em Pequim. Há a perspectiva de mais duas, já que ainda entrarão em disputa dois campeões mundiais, o meio-médio Thiago Camilo e o meio-pesado Luciano Corrêa.

Em transe
Ontem, depois de ganhar a medalha, “a ficha demorou a cair”, diz Ketleyn. “Eu não sei nem o que aconteceu. Lembro que olhei para os lados, para a nossa técnica, a Rosicléia Campos, para o meu técinco, o Florian, que estava nas arquibancadas, para minha mãe, que me fez uma tremenda surpresa ao aparecer aqui. Foi ao ver as pessoas vibrando que tive a certeza de que tinha vencido a luta e que era medalhista.”

Só aos poucos ela foi saindo da espécie de transe em que entrou. Ketleyn lembrou da primeira luta, quando foi derrotada pela holandesa Deborah Gravenstijn.

Daí em diante, não perdeu mais e derrotou até mesmo a campeã olímpica, a espanhola Isabel Fernandez. Depois, na seqüencia bateu a japonesa Aiko Saito e a australiana Maria Pekli, por ippon, no golden score, o que lhe valeu a medalha. “As coisas aconteceram muito rápido pra mim. Eu sonhava em estar nas Olimpíadas, mas não achava que seria agora”, admite a moça, que compete pelo Minas Belo Dente. Talvez por isso, Ketleyn deixou o ginásio tarde da noite, ainda sem entender bem o significado de sua conquista.

Ajuda providencial

Feliz da vida com a realização da filha, a cabeleireira Rosemary Oliveira Lima mostrou ter a mesma garra de Ketleyn, quando decidiu, com a cara e com a coragem, encarar dois dias de viagem para ver a jovem em Pequim. “Eu não tinha dinheiro para vir. Por isso, resolvi sair pedindo. Ver minha filha nas Olimpíadas não era só o meu desejo, mas o dela também. Nove pessoas ajudaram, entre elas, o diretor da Faculdade da Terra, que doou R$ 2.500”, explicou.

Rosemary tem a companhia da comadre Antônia Samia Ribeiro: “Nós fomos de porta em porta, para pedir a ajuda. Mas houve muita gente que ajudou, os amigos, parentes, enfim, conseguimos juntar R$ 6.300 para as passagens e mais US$ 1.500”.

O curioso era que, mesmo com o dinheiro em mãos para a viagem, e a passagem comprada, havia um empecilho: elas não tinham ingresso. Mas esse era um problema para resolver na chegada a Pequim, o que aconteceu na última sexta-feira, dia da cerimônia de abertura.

Rosemary não entende uma palavra de mandarim. Mas ainda assim conseguiu encontrar alguém que fala português e a língua local para escrever um cartaz. “Sou mãe de uma atleta brasileira de judô e estou sem ingresso. Preciso de ajuda.”

A amiga estava descrente. Não acreditava que fosse dar certo a tática maluca de Rosemary. “O mais engraçado é que as pessoas passavam, liam e pediam desculpa por não ter ingresso para ceder.” Mas depois de dois dias em frente ao portão do ginásio de judô, apareceram os ingressos. E, por isso, Ketleyn ficou surpresa com a presença da mãe. “Esse cartaz, vou guardar. Vou por num quadro, pois ele deu sorte”, diz a cabelereira.

09/08/2008 - 14:53h Olimpíadas: Lula ‘aumenta temperatura’ na briga por 2016, diz jornal

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Jonne Roriz/AEO

ginasta brasileiro Diego Hypólito executa exercício durante competição de Ginástica Artística masculina
no Estádio Nacional Indoor, em Pequim, na China. 09/08/2008

Reportagem do ‘Chicago Tribune’ fala da disputa entre Rio, Chicago, Madri e Tóquio para sediar a Olimpíada

BBC Brasil – Estado.com

PEQUIM – Uma reportagem publicada neste sábado pelo jornal americano Chicago Tribune afirma que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva “aumentou a temperatura” na disputa para sediar a Olimpíada de 2016. O jornal é baseado em Chicago, que disputa com Rio de Janeiro, Madri e Tóquio pelos Jogos de 2016.

“Sentado na modesta biblioteca dentro das paredes amarelo cor-do-sol da embaixada da sua nação, Lula aumentou a temperatura na sexta-feira na corrida com Chicago e outras duas cidades para sediar as Olimpíadas de 2016.” O jornal afirma que Lula se tornou o primeiro chefe de Estado a fazer campanha aberta pela sua cidade para sediar Jogos de 2016.

A reportagem destacou que no passado a estratégia deu resultado no caso do britânico Tony Blair – na vitória de Londres como sede dos Jogos de 2012 – e do russo Vladimir Putin – a cidade russa de Sochi sediará os Jogos de Inverno de 2014. O Chicago Tribune, junto com a BBC, foi um dos cinco órgãos estrangeiros de imprensa que entrevistou Lula na sexta-feira.

Bush e Chicago 2016

A reportagem também cita uma entrevista com o diretor do Comitê Olímpico Americano, na qual ele elogia Lula e a campanha brasileira. Segundo Peter Ueberroth, Lula é “um líder dinâmico e popular” e a campanha do presidente brasileiro é “uma novidade, mas adequada”.

O jornal também destaca a presença em Pequim do presidente americano, George W. Bush, e do prefeito de Chicago, Richard Daley. “Bush veio à Pequim para a cerimônia de abertura, e a equipe de Chicago 2016 tem esperança que ele vai expressar seu apoio pela campanha na medida em que ele se encontra com pessoas aqui”, afirma a reportagem. “Mas a abordagem deve ser casual, segundo Patrick Sandusky, porta-voz da campanha de Chicago.”

08/08/2008 - 09:52h A altura do desafio

A Folha rotula como “mania de grandeza” o esforço feito pelo Brasil para assegurar uma representação de peso nos Jogos Olímpicos e pesar em favor do país sediar os jogos em 2016. O artigo vale pelo reconhecimento, involuntário por parte da Folha, do esforço feito pelo governo federal. Como constata irônico o artigo “Resultado direto de uma aproximação nunca vista entre o governo federal e o esporte. Nunca se gastou tanto dinheiro. Nunca se cobrou tanto. E nunca se sonhou tão alto.” A Folha gosta de ficar na torcida do contra, mesmo quando os ventos sopram na boa direção para o Brasil. Vamos sonhar alto, sim e nos aproximar cada dia mais de nossos sonhos, é assim que se forja o destino das grandes nações. LF

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Mania de grandeza

DOS ENVIADOS A PEQUIM – DO ENVIADO A SHENYANG – FOLHA DE SÃO PAULO

Um Brasil com mania de grandeza desfila hoje no Ninho de Pássaro, em Pequim, na festa de abertura da 29ª edição dos Jogos Olímpicos. A cerimônia terá início às 9h (de Brasília), noite na China.

Na 70ª posição do ranking do Índice de Desenvolvimento Humano e na 38ª do quadro de medalhas de todos os tempos, o Brasil que está na China, entretanto, carrega traços de nação potente fora e dentro das arenas de competição.

Resultado direto de uma aproximação nunca vista entre o governo federal e o esporte. Nunca se gastou tanto dinheiro. Nunca se cobrou tanto. E nunca se sonhou tão alto.

No último ciclo olímpico, iniciado em 2005, o governo federal injetou cerca de R$ 1,2 bilhão no esporte de alto rendimento. A cobrança: contrariando política do Comitê Olímpico Brasileiro, de não divulgar metas, o Ministério do Esporte projeta o país entre o 16º e o 20º lugar no quadro geral -em Atenas-2004, com cinco ouros, o Brasil acabou em 16º.

A embalagem para tudo isso é o sonho de Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB, em promover os Jogos no Brasil. Sonho já interrompido três vezes e que, agora, conta com boa vontade recorde de Brasília. A ponto de o presidente Lula circular por Pequim com camisa da candidatura, dizendo-se “cabo eleitoral” dela.

A mania de grandeza se materializa na delegação montada pelo COB, que prioriza modalidades mais nobres -nelas as medalhas são mais difíceis- e que inclui equipe de apoio digna de países endinheirados.
Das 150 medalhas de ouro que a equipe nacional, composta por 277 atletas, vai disputar em Pequim, 62, ou 42%, são no atletismo e na natação, justamente as mais nobres e competitivas modalidades do programa olímpico e que contam com os EUA como maior força.

O Brasil é um dos únicos sete países que mandaram a Pequim três competidores para os 100 m do atletismo, o supra-sumo dos Jogos Olímpicos. E nenhum deles tem chances reais de medalha.

Vinte e duas posições acima do Brasil na história olímpica e novamente mais cotada agora, Cuba praticamente ignora a natação (só terá dois atletas nesse esporte em Pequim) e disputa menos provas que os brasileiros no atletismo (26 contra 33). Ao todo, somente 29% dos ouros que os esportistas caribenhos vão disputar serão nas pistas e nas piscinas.

Priorizar os esportes coletivos, que distribuem poucas medalhas, é mais uma marca do Brasil nos Jogos de Pequim. Somente handebol, futebol, basquete e vôlei somam cem competidores do país.

O Brasil tem número de dirigentes e integrantes de comissões técnicas acima do registrado por outros países em desenvolvimento. De acordo com a organização dos Jogos, são 200 não-atletas (treinadores, cartolas, médicos etc.) brasileiros, o que equivale a 71% dos atletas -na conta também entram alguns competidores reservas.

No Quênia, a proporção da equipe de apoio em relação aos atletas é de apenas 45%. Em Belarus, 57%. Nos casos de Argentina e Cuba, fica em 62%.

O Brasil tem uma proporção de não-atletas maior do que a da China (70%) e próxima à dos Estados Unidos (75%).

Apesar dos sonhos grandiosos do COB, o país está distante de atingir o seleto grupo dos “top 10″ no quadro de medalhas de Pequim. Muito mais perto está do topo da “Série B” do universo olímpico. Se mantiver suas conquistas dos Mundiais (ou torneios equivalentes) dos últimos dois anos, a delegação nacional ficará na 12ª colocação no quadro de medalhas (sete ouros, três pratas e cinco bronzes) da maior edição de todos os tempos da Olimpíada.

Isso representaria 11% dos ouros e 3% do total de medalhas entre os países fora do grupo dos dez.

É um salto em relação às duas participações olímpicas anteriores. Em Atenas-04, a delegação nacional conquistou 4% dos ouros e 2% do total de medalhas entre os nanicos.

21/07/2008 - 12:58h Olimpíadas com arte

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Conhecido como 798, este é o bairro de Pequim que reúne o maior número de artistas, estúdios e galerias e parece praticamente imune à rígida censura do país

Cláudia Trevisan – O Estado de São Paulo


A meteórica ascensão econômica da China se replica no mundo das artes plásticas, no qual a produção contemporânea do país bate sucessivos recordes de preços no mercado internacional. O bairro que reúne o maior número de estúdios e galerias de Pequim se transforma em um dos principais pontos turísticos da cidade, depois da Grande Muralha e da Cidade Proibida.

Conhecido como 798, o distrito artístico da capital chinesa é um enorme território livre de criação – ou pelo menos mais livre que seu entorno, submetido à estrita censura chinesa. O local era um parque industrial construído nos anos 50 com ajuda de arquitetos da ex-Alemanha Oriental, que conceberam os edifícios no melhor estilo Bauhaus, simples e funcionais.

Várias fábricas identificadas por números se dedicaram durante anos à produção de equipamentos eletrônicos para as Forças Armadas. Desativadas nos anos 90, muitas delas começaram a ser ocupadas por artistas no fim da década, o que transformou a região em uma versão chinesa do SoHo nova-iorquino.

A que tinha o número 798 foi recriada como um dos primeiros locais de exposição e acabou emprestando seu nome a todo o distrito. Em suas paredes, ainda estão os slogans da Revolução Cultural (1966-1976), que pediam longa vida ao comandante Mao Tsé-tung (1893-1976), escritos em ideogramas vermelhos.

As galerias seguiram os artistas e atrás deles foram restaurantes, bares, livrarias e lojas. No ano passado, o distrito 798 recebeu 1,5 milhão de visitantes, número três vezes maior do que em 2005. Livre das amarras ideológicas do passado, a arte contemporânea chinesa floresceu a partir de meados dos anos 80, pelas mãos de artistas que nasceram ou cresceram durante a Revolução Cultural, o movimento que levou ao extremo a idéia de que a criação deveria estar submetida aos interesses da construção do socialismo.

A arte contemporânea chinesa começou a ganhar o mundo na década atual, com exibições na Europa e nos Estados Unidos e colecionadores dispostos a pagar preços cada vez mais altos por seus trabalhos.

O caso mais emblemático da ascensão meteórica dos chineses no mercado internacional é a obra Execução, de Yue Minjun, de 46 anos. Inspirado no massacre de estudantes na Praça Tiananmen, em 1989, o quadro foi pintado em 1995 e vendido em seguida por US$ 5 mil ao marchand de Hong Kong Manfred Schoeni. No ano seguinte, o investidor Trevor Simon desembolsou US$ 32 mil pela pintura, com a condição de não exibi-la em público durante dez anos em razão de seu tema ‘’sensível”. Em outubro de 2007, Execução foi arrematada por US$ 5,9 milhões em um leilão da Sotheby’’s de Londres, tornando-se a mais cara obra contemporânea chinesa vendida até então.

O recorde logo foi quebrado por Zeng Fenzhi, de 44 anos, e seu quadro Série Máscaras,1996, nº 6, vendido em maio de 2008 por US$ 9,7 milhões, o mais alto preço já pago por uma obra de arte contemporânea asiática.

A cifra foi o triplo da estimativa inicial de US$ 3,2 milhões feita pela Christie’’s, responsável pelo leilão. O quadro mostra oito jovens de braços dados, com máscaras sorridentes e os lenços vermelhos no pescoço, típicos da Revolução Cultural.

Os artistas chineses que nasceram na década de 60 tentam captar o turbilhão de mudanças no qual o país mergulhou nos últimos 30 anos e refleti-lo de diferentes maneiras em suas criações. Muitos deles sofreram influência decisiva do massacre de estudantes na Praça Tiananmen, em 1989, que enterrou as aspirações por mudanças democráticas e mais liberdade alimentadas desde o início daquela década.

O resultado foi o movimento ”Realismo Cínico”, do qual fazem parte Yue Minjun e Fang Lijun, outro artista que usa figuras carecas em suas pinturas. A escola é marcada pela ironia, o desencanto e o fim do idealismo dos primeiros anos do processo de reforma e abertura da China, iniciado por Deng Xiaoping em 1978.

A memória do passado socialista está presente nos quadros de Zhang Xiaogang, que realiza séries inspiradas na estética de fotografias de família do início do século passado, mas com a maioria dos personagens vestidos com o guarda-roupa que imperou durante o maoísmo.

”Os retratos familiares mudos de Zhang Xiaogang parecem ter capturado a verdadeira essência do drama histórico, ou mesmo trauma, da construção de uma sociedade contemporânea próspera a partir das brasas de uma revolução”, diz o catálogo da Sotheby’’s sobre sua obra.

O impacto das transformações econômicas na vida de milhares de chineses é refletido nas criações de Liu Xiaodong, pintor figurativista, autor de uma longa série sobre a construção da gigantesca hidrelétrica de Três Gargantas, que inundou um trecho de 600 km de extensão e 1,1 km de largura e forçou a realocação de pelo menos 1,4 milhão de pessoas. Xiaodong estabeleceu um novo nível de preço para a arte contemporânea chinesa em 2006, quando sua obra Pessoas Recentemente Deslocadas foi vendida por US$ 2,7 milhões.

ESTRELAS CHINESAS

AI WEIWEI
Ano de nascimento: 1959

Misto de artista e agitador cultural, Ai Weiwei já realizou trabalhos de design, arquitetura, escultura, instalações, performances e foi consultor da dupla Jacques Herzog e Pierre de Meuron, arquitetos responsáveis pelo desenho do Estádio Olímpico de Pequim, batizado de Ninho de Pássaros. Ai Weiwei é diretor do China Art Archives and Warehouse, galeria voltada para a arte conceitual e experimental

ZENG FENZHI
Ano de nascimento: 1964

Bateu o recorde de preço de arte contemporânea asiática depois que seu quadro Série Máscaras, 1996, nº 6 foi arrematado por US$ 9,7 milhões em maio deste ano. A série ”máscaras” é seu mais célebre trabalho e mostra personagens dos anos 90 usando máscaras com olhos bem abertos e expressões ensaiadas e artificiais

YUE MINJUN
Ano de nascimento: 1962

Sua marca registrada são auto-retratos sorridentes (foto acima)que aparecem em todos os seus trabalhos, sejam pinturas ou esculturas. Inspirado pelo massacre de estudantes na Praça Tinanmen, em 1989, seu quadro Execução foi vendido por US$ 5,9 milhões em outubro de 2007, o mais alto preço pago por uma obra contemporânea chinesa até então. Yue integra o movimento Realismo Cínico, que surgiu depois do massacre na Praça Tiananmen, em 1989

ZHANG XIAOGANG
Ano de nascimento: 1958

Inspirados no estilo de fotos de família do início do século passado, seus quadros mostram figuras tristes e silenciosas, que evocam com suas roupas ‘’socialistas” a memória do período maoísta que a China começou a abandonar em 1978 em favor do crescimento econômico. Zhang é um dos artistas chineses preferidos pelas galerias internacionais

FANG LIJUN
Ano de nascimento: 1963

Um dos líderes do movimento Realismo Cínico, que surgiu com o sentimento de desencanto provocado pelo massacre de estudantes na Praça Tiananmen, em 1989. Seus personagens costumam ser homens carecas, com expressões ambíguas, apresentados sobre paisagens infinitas

LIU XIAODONG
Ano de nascimento: 1963

Pintor figurativista que se destacou com uma série sobre o custo humano e ambiental da hidrelétrica de Três Gargantas, que forçou a realocação de pelo menos 1,4 milhão de pessoas. Seu quadro Pessoas Recentemente Deslocadas foi vendido por US$ 2,7 milhões em 2006 e estabeleceu um novo patamar de preço para a arte contemporânea chinesa

Melhor da produção contemporânea, fora das quadras

Durante os jogos olímpicos, estão programadas exposições, performances, instalações e arte digital

Cláudia Trevisan, Pequim


Os estrangeiros que forem a Pequim para os Jogos Olímpicos terão a chance de ver a mais completa mostra de arte contemporânea chinesa já realizada em todo o mundo. Apenas no distrito 798, 27 galerias vão realizar 103 exibições no período próximo ao das competições, que começam dia 8 e terminam dia 24 de agosto.

A mostra mais representativa foi organizada pela Ullens Center for Contemporary Art (Ucca), começou no sábado e segue até 12 de outubro. Fundada no mês de novembro de 2007, a galeria reúne a coleção de arte contemporânea chinesa que o casal belga Guy e Myriam Ullens começou a construir em meados dos anos 80 e é o maior centro de exposições do 798, com uma área de 8 m². A exibição da Ucca reúne 92 trabalhos de 60 artistas e inclui performances, instalações e arte digital.

O interesse do casal surgiu quando ninguém fora da China prestava atenção à produção artística do país. Ao longo de duas décadas, eles reuniram cerca de 1.700 obras, que representam os trabalhos de diferentes gerações de artistas, em vários momentos de suas carreiras.

Desde março, a Ucca é dirigida pelo francês Jérôme Sans, co-fundador e ex-diretor do museu de arte contemporânea Palais de Tokyo, em Paris. “As exibições têm o melhor da arte contemporânea chinesa e os visitantes podem ver os artistas de milhões de dólares, mas também os talentos emergentes”, observa Robert Bernell, dono da livraria e editora Timezone8, especializada em livros de arte e criador do site www.chinese-art.com.

O 798 é o mais badalado endereço da arte contemporânea de Pequim, mas está longe de ser o único. A pioneira nessa área foi a galeria Red Gate, fundada em 1991 pelo australiano Brian Wallace em uma antiga torre de observação que integrava a Muralha de Pequim – quase toda destruída depois da Revolução Comunista de 1949. No ano passado, a Red Gate emprestou seu prestígio ao distrito 798 e abriu uma filial no local.

Na medida em que os aluguéis começaram a subir no antigo distrito industrial, alguns artistas se mudaram para uma área a cinco quilômetros de distância, chamada Caochangdi. O primeiro endereço do local foi a China Art Archives and Warehouse, dedicada à arte experimental e conceitual.

A galeria é dirigida por Ai Wewei, um dos mais importantes artistas chineses, com talento para design, arquitetura, performances, instalações e escultura. Filho do poeta Ai Qing, enviado para o campo durante a Revolução Cultural, Ai trabalhou como consultor dos arquitetos Jacques Herzog e Pierre de Meuron na concepção do Ninho de Pássaros, o Estádio Olímpico de Pequim que sediará as principais competições dos Jogos de agosto.

21/07/2008 - 12:09h Fúria chinesa

Mais famoso artista da China e um dos responsáveis pelo projeto do Estádio Nacional, Ai Weiwei diz que a Olimpíada é uma “decepção” e os intelectuais do país, “vergonhosos’

Frederic J. Brown – 29.jan.08/France Presse
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O artista Ai Weiwei em sua casa-ateliê no bairro de Caochangdi,
em Pequim

RAUL JUSTE LORES – FOlha de São Paulo

DE PEQUIM

O mais famoso artista chinês vivo, que deu a idéia de que o novo Estádio Nacional se parecesse a um ninho de passarinho, não participará da abertura da Olimpíada de Pequim. Nem foi convidado.

Rara voz crítica da ditadura comunista que não enfrenta prisão ou exílio, Ai Weiwei, 51, diz que os Jogos são uma decepção para quem esperava mais abertura na China. Para ele, os intelectuais do país são “vergonhosos” por se calarem.

E, sem nunca ter pisado no Brasil, diz que a China segue o “modelo brasileiro” -”ricos no topo, intocáveis, e o resto são pobres sem direito”.

A história de Ai com o regime comunista é conflituosa. Seu pai, Ai Qing, foi o maior poeta moderno do país. Apesar de protegido do líder comunista Mao Tse-tung, ele caiu em desgraça durante a Revolução Cultural e foi enviado para um campo de trabalhos forçados, onde Ai cresceu, vendo seu pai lavar privadas, proibido de publicar por quase uma década.

Ai ficou famoso quando morou em Nova York, entre 1981 e 1993, mas voltou à China quando seu pai agonizava e nunca mais deixou Pequim. Na cidade, especula-se que Ai ainda não foi para a cadeia porque é muito popular no circuito de arte (sua prisão provocaria uma gritaria) e porque tem amigos influentes no governo.

Há dez anos, instalou-se em Caochangdi, bairro rural de Pequim, onde foi seguido por dezenas de artistas. Lá, em sua casa-ateliê, recebeu a Folha.


ENTREVISTA:
AI WEIWEI


Artistas e autores chineses nuncam acham nada

“Os intelectuais deveriam ser a consciência dessa sociedade, mas não são”, diz artista

DE PEQUIM

Veja os principais trechos da entrevista que o artista Ai Weiwei, 51, concedeu à Folha em sua casa, em Pequim, entre o luminoso “Fuck” na entrada e uma escultura de uma mão com o dedo médio em riste.


DECEPÇÃO OLÍMPICA

Estou cansado da propaganda. Todos os chineses queriam a Olimpíada, convidar o mundo a nos conhecer, falar a mesma língua, fazer a China ser aceita na comunidade internacional. Tínhamos esperança que forçasse o governo a ser mais democrático, houve promessas de mudanças. Para mim, foi uma decepção. Não foram honestos.

SEM FESTA
A Olimpíada não será uma festa para o povo. Há barreiras, política de segurança, blitz, repressão, proibição de circulação de carros, parece tempo de guerra. Não é uma festa. Acho que até reunião de ex-colegas do colegial, com gente bebendo, tem mais diversão. Nesses Jogos, o governo está ensinando até como os chineses devem sorrir. É vergonhoso, nojento. O povo chinês é mais esperto, divertido, e esse governo é tão sem humor, parece que veio de outro planeta.

SOCIEDADE PRIMITIVA
O país tem 5.000 anos, mas ainda sofre com a insegurança do que o mundo vai achar da Olimpíada. Esse governo tem 30 anos, é inexperiente. Não são nada relaxados. Na verdade, eu deveria ser o chanceler. Deveriam me nomear. Pegaria mais leve internacionalmente. A China não ficou mais aberta por causa da Olimpíada, ao contrário. O país até estava mais aberto, mas, às vésperas dos Jogos, os líderes chineses estão controlando tudo demais. Pelo lado positivo, é porque têm muito medo de cometer erros, então exageram. Vira bagunça se controla demais, se não controla é bagunça do mesmo jeito. Nossa sociedade é ainda muito primitiva.

BRASIL?
A China está seguindo um modelo brasileiro, perigoso. No topo, os ricos, intocáveis, e o resto, pobre, que não tem nada. Os ricos definitivamente ficam mais ricos aqui nesse capitalismo socialista, onde existe o poder do socialismo, do partido, que leva o dinheiro a mãos privadas, a gente com boa relação com o governo. Esse é o maior crime. Os pobres não têm direito, não podem votar ou se expressar. Isso só vai criar problemas. Não sou muito otimista se teremos democracia, mas temos que lutar por ela.

CENSURA
Há muito menos censura no mundo da arte que em outras esferas na China. Mas não há muito o que censurar, a maioria dos artistas não adota confronto ou crítica dura ao governo. O cinema, a TV, os meios de massa são muito mais censurados. A arte ainda atinge uma minoria. Nessa sociedade, ninguém fala nada. Intelectuais, artistas, escritores nunca acham nada. Fico parecendo o louco. Acho que os intelectuais chineses são sem-vergonha, querem tirar vantagem, não usam sua suposta reflexão, sua responsabilidade de falar a verdade. Os intelectuais deveriam ser a consciência dessa sociedade, mas não são.

A NOVA PEQUIM

Não gosto da Pequim antiga, nem da moderna. A velha era da sociedade imperial, onde havia a monarquia vivendo bem nos palácios e o resto vivia como ratos, tempos sombrios. A nova é resultado da corrupção, da falta de planejamento, da feiúra. Ambas não são humanas. Precisamos de democracia. Se fosse mais feia, mais bagunçada, sem a mão pesada do governo, já seria mais confortável. Cidades precisam de variedade, aqui tem governo demais. Eles dão novo visual, mas não dão nova vida.

NÃO É NINHO!
Não fui convidado para a abertura do estádio, não dão a mínima para mim nem para os arquitetos suíços que o desenharam. Nunca são citados. Jacques Herzog e Pierre de Meuron me convidaram, não o governo, a ser consultor da obra do estádio. Não é ninho de passarinho. Se quiséssemos, seria mais parecido com um ninho de verdade. Na verdade, descrevemos o conceito, que tem a estrutura construtiva de um ninho, interligado. Mas não a forma, que é abstrata.

REVOLUÇÃO CULTURAL
Muitos artistas usam imagens da Revolução Cultural como uma maneira de se livrar dessa memória política terrível do país. Mas muitos usam essas imagens só para vender. É a imagem que os estrangeiros entendem e procuram da China. Há muito comercialismo, escuto dizer que o bairro 798 [distrito artístico de Pequim] é bem comercial, mas não participo. Espero que Caochangdi continue calmo e acessível para os artistas.

ARTE CHINESA
Há comercialismo e há artistas que não são comerciais no mundo inteiro. Só que na China é mais óbvio porque, em apenas 30 anos, o país ficou rico, surgiram muitos ricos. Há artistas que fazem arte, outros que estão mais atrás de fazer dinheiro. Há cinco anos, ninguém conseguia vender uma obra e me perguntavam o porquê. Hoje todo mundo pergunta: por que todos os artistas chineses vendem tanto? Obras são vendidas ou não, quem explica é mercado, não é a arte.
Faço arte contemporânea desde o final dos anos 70. Ninguém dava muita bola para o nosso trabalho, não vendia. Só comecei a vender em Nova York, nos anos 80. Fiquei mais de uma década lá e não era esse sucesso. Não sei porque compram arte chinesa.
(RAUL JUSTE LORES)

11/05/2008 - 12:49h Nova lei dá direitos a operário chinês e encarece trabalho

Legislação permite que trabalhador receba indenizações e pagamentos atrasados de finais de semana e horas extras

Lei está em vigor desde 1º de janeiro deste ano; para empresários, “custo China” está crescendo, e contratar ficará mais difícil agora

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RAUL JUSTE LORES – Folha SP

DE PEQUIM

Apenas um mês depois de começar a trabalhar em uma empresa de construção, o operário Huang Yugang, 40, quebrou o braço ao cair com um tronco que carregava em um jardim do bairro mais caro de Pequim.
“O patrão disse que meu contrato de trabalho não previa nenhuma compensação por acidente de trabalho e fiquei desempregado”, disse Huang à Folha. Mas, apenas um mês depois, a central sindical estatal chinesa pressionou a empresa e conseguiu uma indenização de US$ 200 e o pagamento do tratamento de Huang.
Tal feito é novidade na China. Diversos trabalhadores estão conseguindo indenizações e pagamentos atrasados de finais de semana e horas extras nunca pagos. Uma nova legislação trabalhista, que entrou em vigor em 1º de janeiro, é considerada revolucionária no relacionamento entre patrões e empregados.
Mas a nova lei, que também determina estabilidade no emprego, depois de dois contratos temporários, foi criticada pelas câmaras de comércio da União Européia e dos Estados Unidos em Xangai. Os empresários dizem que o “custo China” está crescendo e que fazer contratações ficará mais difícil a partir de agora (leia as principais regras da nova lei no quadro).
A China precisa criar 10 milhões de empregos por ano para saciar sua população de 1,4 bilhão de habitantes. Nas últimas duas décadas, o governo chinês adotou uma permissividade quase irrestrita para atrair investimentos e empregar uma enorme massa de trabalhadores com pouca qualificação.
“A nova lei tem procedimentos que preenchem antigas brechas legais. A maioria das ações trata de ausência de contratos, pagamento por horas extras ou seguros e compensações por acidentes de trabalho”, diz o advogado chinês Jeff Ren, do escritório Deheng. “Em 90% dos casos, os empregados vencem as ações trabalhistas.”

Jornada de 70 horas
Há milhões de trabalhadores sem contrato no país. Não há férias remuneradas, greves são reprimidas e os sindicatos pertencem ao governo. Há salários mínimos regionais, comumente desrespeitados. As jornadas de trabalho podem chegar a 70 horas semanais.
Em Pequim, onde a situação é bem melhor do que no interior do país, 44% da mão-de-obra trabalha 6,9 dias por semana, em média 56 horas. Em Guangzhou, capital da mais rica província chinesa, o antigo Cantão, é comum achar funcionárias que trabalham 80 horas por semana, em turnos de até 12 horas.
Há 210 milhões de chineses nascidos no campo, mas que trabalham como migrantes nas grandes cidades chinesas, principalmente na construção e nas fábricas.
Com tamanha mão-de-obra querendo escapar da pobreza, os abusos são generalizados.
Milhares moram em alojamentos precários ao lado das obras e fábricas em que trabalham, com apenas algumas horas livres para dormir. A legislação, aprovada no ano passado, depois de dois anos de discussões, revela a preocupação do governo sobre as crescentes disparidades sociais na China.

Custos em alta
“Na teoria, as regras de mercado são as melhores, mas na China há um enorme desequilíbrio entre a força dos empregadores e a dos empregados. O governo precisava tomar responsabilidade”, diz Ren.
As queixas do empresariado contra a nova legislação coincidem com um momento considerado crítico pela indústria exportadora do país. Além da queda da demanda dos Estados Unidos, principal importador, a moeda chinesa não pára de se valorizar diante do dólar, encarecendo os custos chineses. O yuan se valorizou em 20% em apenas dois anos.
Cerca de 80 empresas coreanas mudaram parte de suas linhas de montagem no último ano para países como Vietnã e Camboja, atrás de custos de produção menores.
“A nova lei não aumenta custos trabalhistas, mas provocou uma onda de maior fiscalização das autoridades. Como muitas fábricas e construtoras não pagavam horas extras ou finais de semana, agora esse custo terá de ser acrescentado”, diz à Folha o advogado americano Steve Dickinson, de Xangai.
“Antes, sem demanda, você demitia. A nova lei dificulta isso e complica a vida de quem tem necessidades sazonais, da agricultura à construção. Depois do prédio pronto, o que se faz com o funcionário? Há regras um tanto inapropriadas para um país que muda todo dia.”

03/04/2008 - 11:26h Acima de 60 anos, hotéis com 50% de desconto

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Brasília (03/04) – O Ministério do Turismo lança nesta sexta (4), no Guarujá (SP), o Viaja Mais Melhor Idade para Hotéis. Na presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ministra Marta Suplicy vai apresentar a ampliação das ações do ministério para o público da melhor idade. A novidade é que agora essa parcela da população poderá contar também com desconto de 50% na tarifa cobrada pelos hotéis cadastrados no programa.

Em 2007, o MTur lançou o Viaja Mais Melhor Idade, desenvolvido em parceria com entidades do setor turístico, oferecendo pacotes adaptados às necessidades da terceira idade, com preços atrativos e oferta de crédito consignado, para aposentados e pensionistas do INSS. Em 2008, a ação está ampliada. O desconto de 50% será válido para o ano inteiro, desde que o destino escolhido esteja em período de baixa ocupação. Ao contrário dos pacotes comercializados no programa Viaja Mais Melhor Idade, que tem períodos pré-determinados para as viagens.

A partir do dia 7 de abril, o público poderá consultar a lista dos hotéis cadastrados no site do Programa Viaja Mais (www.viajamais.com.br) e no Portal de Hospedagem (www.portaldehospedagem.com.br), um guia on-line de informações sobre os meios de hospedagem do país criado pelo SEBRAE Nacional e pelo Ministério do Turismo, sob a gestão do Instituto Marca Brasil. Também há uma opção gratuita para informações por meio do telefone 0800 77 07 202.

Até o dia 01 de abril, o programa contava com 1.126 hotéis cadastrados distribuídos em 281 cidades espalhadas por todos os estados e Distrito Federal. Esse número atualiza-se diariamente.

Reunião do Conselho Nacional de Turismo

A ministra do Turismo, Marta Suplicy, convidou os integrantes do Conselho Nacional do Turismo (CNT) a participarem do lançamento do Programa Viaja Mais Melhor Idade para Hotéis, que acontece nesta sexta-feira (04) no Guarujá (SP), às 16h, na presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. O convite foi feito durante a 20ª Reunião do CNT, na tarde desta quarta-feira (2) em Brasília. O Viaja Mais Melhor Idade Hotel é uma ampliação dos produtos ofertados pelo Viaja Mais Melhor Idade, e, com ele, pessoas acima de 60 anos, aposentados e pensionistas terão, durante a baixa ocupação, desconto de 50% na tarifa cobrada pelos hotéis credenciados.

Durante a reunião do CNT, a ministra também destacou o aumento nos repasses previsto pelo Orçamento Geral da União para o turismo. “Conseguimos a aprovação, no Congresso Nacional, de um orçamento recorde para o turismo: R$ 2,641 bilhões. Para se ter uma idéia, o valor saltou de R$ 372 milhões em 2003 para os números atuais”, destacou a ministra. Segundo ela, os investimentos serão de R$ 456 milhões em promoção internacional e nacional; R$ 1,812 bilhão em infra-estrutura; R$ 187,8 milhões no Prodetur; R$ 42,3 milhões em qualificação; e mais R$ 142 milhões em outras ações, como apoio a eventos.

A ministra lembrou ainda que, além destes valores, em março também foi lançado o Prodetur Nacional, uma linha de crédito de US$ 1 bilhão disponibilizada pelo BID, iniciando um novo conceito no programa, com maior abrangência, agora para todo o país, e com um novo formato, onde estados e municípios com mais de um milhão de habitantes, poderão solicitar os recursos diretamente ao BID, dentro de suas respectivas capacidades de endividamento. “São recursos que vão garantir mais infra-estrutura e mais qualificação aos destinos brasileiros e, na ponta, mais capacidade de competição no mercado internacional e no próprio Brasil”, explicou a ministra.

A viagem feita à China no final do mês de março também mereceu destaque na fala da ministra. Ela contou que participou de encontros, reuniões e seminários, com autoridades, empresários e profissionais do turismo. Segundo ela, foi possível perceber que existe interesse numa aproximação maior com o Brasil. “E um dos bons resultados que colhi nesta viagem foi a obtenção do apoio à nossa proposta de instalação de um escritório da Embratur no país”, contou a ministra, destacando as ações do Ministério para atrair parte dos mais de 44 milhões de turistas chineses que viajaram para o exterior em 2007. “Nós já temos várias ações para mostrar nosso país a esses viajantes, como a inserção de filmes nas transmissões de TV do Campeonato Brasileiro de Futebol para a Ásia, que é um acordo que fizemos com o Clube dos 13. A Embratur tem marcado presença em feiras na China. E, é claro, nossas ações antes e durante as Olimpíadas de Pequim, em parceria com o COB – Comitê Olímpico Brasileiro”, afirmou a ministra.

Para aumentar o número de turistas vindos da China, há o entendimento que é preciso contar com mais vôos entre os dois países. Atualmente, existem três freqüências semanais (terças, quintas e domingos), com saídas de São Paulo. A boa notícia é que há o interesse das autoridades chinesas na ampliação dos vôos, e as negociações para tanto estão em estágio avançado. Fonte MinTur.

03/04/2008 - 06:05h ‘Cesar é irresponsável em tudo o que faz‘

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Assessor de Lula manda prefeito cuidar dos mosquitos

Karla Correia – JB

Brasília

cap_jb.jpgO prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia, atiçou a ira do assessor especial da Presidência Marco Aurélio Garcia ao afirmar, em seu ex-blog, a existência de fotos do assessor no computador do guerrilheiro Raul Reyes, o segundo homem na hierarquia das Farc, morto no mês passado em ação do exército colombiano em território da Bolívia. Marco Aurélio reagiu com irritação. Negou ter visitado qualquer acampamento ou escritório das Farc e criticou as declarações do prefeito, chamando-o de “irresponsável”. Citando matéria do Jornal do Brasil sobre a ausência de Cesar Maia em meio à crise gerada pela epidemia de dengue, o assessor falou para o prefeito “voltar a governar o Rio”.

O avanço da dengue na capital carioca foi o ponto escolhido pelo assessor para atacar o prefeito.

– César Maia que cuide dos mosquitos dele e não me obrigue a falar dele como meu aluno na Faculdade de Economia no Chile – disparou Marco Aurélio Garcia, logo depois de participar de almoço oferecido ao presidente da Eslovênia, Danilo Türk. Questionado se o prefeito carioca teria sido irresponsável em sua declaração, Marco Aurélio aproveitou para subir o tom.

‘Olhem a manchete do JB’

– Ele é irresponsável em tudo o que faz. Olhem a manchete do JB hoje: o prefeito sumiu. O que ele tem de fazer é governar o Rio.

Em seu ex-blog, boletim que envia por correio eletrônico, o prefeito Cesar Maia faz referência a suposta declaração feita pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, durante sua visita ao Brasil, no mês passado. Na cidade de Recife, Chávez teria chamado atenção para a existência de fotos de Marco Aurélio no computador do guerrilheiro Raul Reyes, o que, de acordo com o assessor da Presidência, não teria passado de uma “piada” do presidente venezuelano.

– Não estive em nenhum acampamento das Farc e, se estivesse, não haveria nenhum problema em dizer porque estaria em missão oficial. Eu não tenho missões extra-oficiais, nem vida clandestina – retrucou.

O assessor especial da Presidência disse, ontem, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deve comparecer à abertura dos Jogos Olímpicos em Pequim, mas que isso não significa a adesão do governo brasileiro a um movimento de boicote por conta do conflito entre China e Tibet, país considerado pelo governo chinês como parte do território da China. A violência crescente nos confrontos entre tibetanos e o exército chinês em Lhasa, capital do Tibet, já levou o Parlamento Europeu a admitir medidas de boicote contra a China.

Marco Aurélio disse desconhecer a posição do presidente Lula sobre o assunto e se esquivou de falar sobre um possível boicote do Brasil às Olimpíadas de Pequim. O assessor responsabilizou o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) por qualquer decisão sobre a ida de atletas brasileiros aos Jogos Olímpicos e criticou movimentos de boicote.

– Acho sempre complicada essa mistura de política com esportes – disse Marco Aurélio.

03/04/2008 - 03:43h Blogueiros se unem contra censura a jornalista do ‘Globo’ na China

O Globo Online

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RIO – O blogueiro Jorge Antonio Barros lançou um movimento de solidariedade ao correspondente do jornal O GLOBO na China, Gilberto Scofield Jr., cujos blogs No Oriente e Pequim 2008 , sobre as Olimpíadas deste ano, foram bloqueados pelo governo chinês. Mesmo com o veto, Scofield continua publicando informações sobre os recentes confrontos no país asiático por causa da crise no Tibete.

O movimento já tem a adesão de outros blogueiros, como Mauro Ventura , Renato Pacca , Antônio Carlos Miguel , Ronald Villardo e a dupla Lidia Marôpo/Renata Ramalho .
Assine O Globo e receba todo o conteúdo do jornal na sua casa.


Eu também sou solidário do movimento contra a censura na China. LF

02/04/2008 - 03:56h China já se prepara para crescimento de um dígito

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Andrew Batson, The Wall Street Journal, de Pequim – VALOR

A economia chinesa está finalmente perdendo furor.

O investimento em fábricas e infra-estrutura, há muito o principal motor de crescimento do país, começou a enfraquecer. Está mais difícil conseguir financiamento. As construtoras, em particular, sentem os efeitos dos limites ao crédito impostos pelo governo no final de 2007. Algumas empresas, apertadas pela alta de preço de matérias-primas, estão divulgando lucro menor, o que as deixa com menos caixa para financiar expansão.

Esse desaquecimento das bolhas especulativa e de investimento é algo que o governo da China buscava há algum tempo, sem muito sucesso. Agora, os efeitos já aparecem nos mercados. Os preços de imóveis se estabilizaram, após os fortes ganhos do ano passado, e a Bolsa de Xangai está 46% abaixo do recorde atingido em outubro.

A modesta desaceleração que as autoridades conseguiram na economia interna ocorre num momento em que há incertezas por todo o mundo. O crescimento das exportações chinesas tem diminuído há meses, à medida que se enfraquece a economia dos Estados Unidos, e é pouco provável que as vendas ao exterior ajudem muito a expansão econômica da China de uma maneira geral neste ano.

“No total, todos esses fatores já começam a ter impacto no crescimento. Já há evidências de que as empresas menores estão sentindo bastante”, diz Qu Hongbin, economista do HSBC em Hong Kong.

Os dados econômicos da China para os primeiros dois meses deste ano mostram desaceleração tanto no lado externo (o crescimento das exportações ficou abaixo de 20% pela primeira vez nos últimos anos) quanto no interno. Embora a economia continue em forte expansão, e alguns setores estejam resistindo bem, os números ainda apontam para crescimento bem mais lento no primeiro trimestre deste ano. A magnitude da redução só ficará mais clara quando a China divulgar seu Produto Interno Bruto (PIB) do período, dia 17.

“A questão crucial é como as pessoas vão reagir”, diz Qu. “Quantas pessoas estão pensando sobre uma redução significativa do crescimento na China?”

O Banco Mundial acaba de reduzir duas previsões para a China à luz da deterioração da economia dos EUA. Agora, prevê que o crescimento de 2008 cairá para 9,4%, dois pontos percentuais abaixo do de 2007. Ainda é muito para os padrões de qualquer outra economia, mas seria um ajuste para a China, após cinco anos seguidos com ganhos de 10% ou mais.

“Uma redução do crescimento para taxas de um dígito vai chocar os mercados e pode deflagrar um recuo dos preços de combustíveis e commodities industriais”, disse Carl Weinberg, economista-chefe da High Frequency Economics nos EUA, num relatório de análise distribuído esta semana.

Parte do enfraquecimento este ano foi devido ao mau tempo. Tempestades de neve em várias regiões do país interromperam o transporte e fecharam lojas e fábricas no fim de janeiro e início de fevereiro. Acredita-se que isso tenha reduzido temporariamente o crescimento no começo do ano. Indicadores preliminares mostram alguma recuperação em março.

Mas, segundo outros indicadores, a economia chinesa pode estar freando mais do que os números oficiais indicam. Por exemplo, a medida referencial de gastos de capital, chamada investimento urbano em ativos fixos, subiu 24,3% no primeiro bimestre, em relação ao início de 2007. É uma queda pequena em relação ao crescimento de 25,8% um ano atrás. Mas os números divulgados pelo Escritório Nacional de Estatísticas não são corrigidos pela inflação, que tem subido. Levando-se em consideração a alta de custos, o investimento cresceu 18% ou menos este ano, depois de ficar entre 23% e 25% na maior parte do ano passado. Analistas culpam o enfraquecido mercado imobiliário, assim como a redução da expansão industrial por parte de exportadores às voltas com menor demanda nos EUA.

A alta das matérias-primas também pode espremer as margens de lucro das empresas. A pesquisa anual com indústrias feita pela agência de estatísticas concluiu que os lucros no primeiro bimestre de 2008 subiram 16,5% em relação a um ano atrás; mas em 2007 esse porcentual chegou a 36,7%. Entre empresas de capital aberto, tanto na indústria pesada quanto na leve, mesmo as de bom desempenho agora estão sofrendo.

A Weiqiao Textile, produtora de tecidos e linhas negociada na bolsa de Hong Kong, divulgou esta semana queda de 20% no lucro líquido de 2007. O presidente do conselho, Zhang Hongxia, culpou a queda do dólar, as mudanças na lei tributária do país e a alta das matérias-primas. A Baoshan Iron & Steel também divulgou recentemente uma queda inesperada de 2,8% no lucro líquido do ano. A maior siderúrgica chinesa já elevou preços de vários produtos este ano para tentar compensar a alta do minério de ferro e dos combustíveis.

Esses primeiros sinais de esfriamento da economia não bastaram para os líderes chineses relaxarem o combate à inflação, que no acumulado de 12 meses até fevereiro chegou a 8,7%, maior nível em dez anos. Em resposta, o Banco do Povo da China, o banco central, fez a moeda local, o yuan, subir 4,1% ante o dólar no primeiro trimestre, a maior alta desde que o atrelamento informal ao dólar foi encerrado, em 2005. O BC divulgou nota na segunda, após sua reunião trimestral, dizendo que vai manter o “aperto” monetário e alertou que pressões inflacionárias ainda são fortes e que o investimento pode voltar a crescer mais tarde.

Contudo, o premiê Wen Jiabao também tem enfatizado que acompanha atentamente a economia mundial e que o governo está preparado para mudar a política com rapidez, se necessário. Depois de um inesperado superávit fiscal em 2007, o governo tem recursos de sobra para estimular o crescimento. Muitos analistas já prevêem uma expansão dos gastos em infra-estrutura ainda este ano.

“Precisamos achar um equilíbrio entre desenvolvimento econômico e controle da inflação”, disse em março Wen, que prometeu criar 10 milhões de empregos urbanos este ano. “Precisamos manter um certo ritmo de crescimento econômico para resolver a pressão do desemprego.”

01/04/2008 - 05:25h China: governo bloqueia blog do Globo Online

Página de correspondente do GLOBO não pode mais ser acessada em Pequim

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O Globo

PEQUIM. O governo da China está sofisticando seus filtros para a censura de sites na internet a apenas quatro meses para a abertura das Olimpíadas, passando a incluir agora blogs e sites de notícias sobre o país em outras línguas que não o inglês.

Desde domingo, o blog “No Oriente”, hospedado no portal de notícias do Globo Online e produzido pelo jornalista Gilberto Scofield Jr., não é mais acessível de dentro de Pequim.
Quem clica no blog, vê a mensagem “A página não pode ser exibida”, típica de sites censurados.

Todos os outros blogs do Globo Online estão visíveis.

Provavelmente o blog foi bloqueado por seu conteúdo sobre os recentes conflitos no Tibete, com análises de especialistas e relatos de tibetanos que acusam a China de não admitir a invasão, promover uma repressão sistemática na região e não tentar dialogar com a sociedade local, não apenas em Lhasa, capital do Tibete, mas em outras províncias densamente habitadas por tibetanos, como Qingnhai, Gansu e Sichuan.

Alguns sites de notícias em inglês que sempre foram bloqueados no país — como o da rede inglesa BBC, há pelo menos três anos fora do ar — passaram a ser abertos à visitação dentro da China, mas as notícias sobre o país continuam bloqueadas. O mesmo ocorre agora com o site de vídeos YouTube, que deixou de ser totalmente bloqueado e passa a censurar apenas os vídeos de conflitos no Tibete ou sobre o Dalai Lama.

Este mês, o correspondente em Xangai da revista americana “The Atlantic Magazine”, James Fallows, um apaixonado por informática, diz que o gigantesco aparato de controle da internet chinesa pode agora também censurar lugares específicos em Pequim de modo a garantir, em locais freqüentados por estrangeiros, um acesso menos bloqueado da rede.

“O que os visitantes estrangeiros para as Olimpíadas vão perceber não é uma abordagem mais relaxada da internet, mas seu refinamento”, diz a revista americana. Segundo Fallows, o bloqueio agora segue um padrão de uso de IP (o endereço do micro na rede), podendo liberar acessos de determinados cibercafés, quartos de hotel ou centros de convenção pela capital chinesa. 

31/03/2008 - 05:46h A era do trabalho barato na China acabou

Dexter Roberts – VALOR

banner_china.jpgO empresário Tim Hsu começou a fabricar lâmpadas há mais de 20 anos em Taiwan. E como dezenas de milhares de outros donos de fábricas em Taiwan, Hong Kong e Macau, ele posteriormente transferiu suas operações para a região de Guangdong, no delta do Rio da Pérola, no sul da China. Lá ele estabeleceu sua empresa, a Shan Hsing Lighting, num rincão sonolento de arrozais e granjas de patos denominado Dongguan. De lá para cá, a região cresceu e transformou-se na maior base industrial do mundo em uma série de setores, como os de produtos eletrônicos, sapatos, brinquedos, mobiliário e iluminação. A combinação de baixos salários, regulamentação mínima e uma moeda barata era imbatível. Hsu estava tão confiante no futuro de Guangdong como “fábrica do mundo” que investiu US$ 7 milhões em instalações maiores, que começaram a operar neste ano.

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Agora, muitos dos fabricantes chineses – entre eles a Shan Hsing – estão vivendo o tipo de reestruturação que dilacerou o coração dos EUA uma geração atrás. O mercado habitacional americano, que gerou demanda por tudo o que vinha da China – de móveis modulados a louças para banheiros-, despencou. Uma nova lei trabalhista chinesa que entrou em vigor em 1º de janeiro fez subir consideravelmente os custos em um mercado de trabalho já apertado. A disparada nos preços de commodities e energia, assim como o cancelamento, por Pequim, de políticas preferenciais para exportadores, prejudicaram os industriais. A valorização da moeda chinesa já tornou mínimas as margens, levou milhares de fabricantes para a beira da falência e pôs em risco o papel da China como o maior exportador de produtos baratos.

(mais…)

31/03/2008 - 04:00h ‘Tibete é estratégico para a China’

photo of Dr Andrew Martin Fischer

Andrew Martin Fischer: professor da London School of Economics;

Plano de governo é de assimilação: tibetanos são forçados a se ‘achinesar’ para se integrar ao sistema econômico

Cláudia Trevisan, PEQUIM – O Estado de São Paulo

O forte crescimento econômico do Tibete na última década – média de 12% ao ano – beneficiou principalmente os chineses da etnia han e marginalizou os tibetanos. Isso, aliado à forte repressão política, foi a origem dos protestos dos dias 14 e 15 de março em Lhasa, na opinião de Andrew Martin Fischer, da London School of Economics. Segundo ele, a estratégia de Pequim para a região é de assimilação – os tibetanos são forçados a se “achinesar” se quiserem se integrar ao sistema econômico. O Tibete é estratégico para Pequim por abrigar o platô Qinghai-Tibete, uma fonte crucial de abastecimento para o país – cujas outras reservas são escassas e mal distribuídas. Além disso, o território abriga o maior depósito de cobre da China e também é rico em minas de ferro, chumbo, zinco e cádmio – necessários para alimentar o voraz crescimento econômico da indústria chinesa.

Qual é o problema da estratégia chinesa no Tibete?

É uma região ocupada, essencialmente por chineses han e o Partido Comunista. A Região Autônoma do Tibete é governada a partir de uma mentalidade de segurança pública. É uma região estratégica, as decisões são tomadas em Pequim e a questão militar é muito importante. No fim dos anos 80, houve grandes manifestações, que foram reprimidas. Desde então, o governo segue a estratégia de impulsionar o rápido crescimento econômico e, ao mesmo tempo, impor uma política autoritária de forte controle da população.

A China usa o crescimento para tentar legitimar sua presença no Tibete, dizendo que a vida dos tibetanos agora é melhor do que antes.

O Tibete teve um crescimento econômico espetacular e superior à média da China nos últimos dez anos. Mas isso foi produzido basicamente por subsídios concedidos por Pequim e canalizados por meio de empresas chinesas ou do próprio governo, o que cria uma situação muito desigual e polarizada. Os que têm fluência em chinês, relações com chineses, com corporações chinesas ou fortes conexões políticas e econômicas na China se dão muito bem. Mas a maioria dos tibetanos não tem nada disso. Só 15% têm educação formal secundária e só esses podem ter algum grau de fluência em chinês. Mesmo os tibetanos mais educados têm dificuldade em competir com os migrantes chineses, porque estes tendem a ter um grau de educação superior ao dos mais educados tibetanos. É uma situação muito desigual, e as desigualdades são muito determinadas pela questão étnica.

As manifestações recentes refletem essa polarização?

Sim. Os protestos ocorreram principalmente em áreas urbanas, e provavelmente representam o descontentamento da população excluída do rápido crescimento. Quanto mais as áreas urbanas crescem, mais migrantes são atraídos. O problema é que os tibetanos têm um enorme atraso educacional em relação ao resto da China, porque a infra-estrutura educacional é muito pior. Mas mesmo que o governo promova a educação, a estratégia é de assimilação, de colocar cada vez mais a língua chinesa no sistema educacional, com o argumento de que, se os tibetanos forem competir com os migrantes, têm de aprender chinês. A educação tibetana vem sendo enfraquecida, o que tem um impacto cultural e provoca a sensação de que a única maneira de sobreviver nesse sistema é ser assimilado e perder sua cultura.

O que exatamente é essa estratégia de assimilação?

É reduzir gradualmente a educação média tibetana e introduzir cada vez mais a chinesa, minando as maneiras pelas quais a educação tibetana poderia se desenvolver. Mesmo se você decidir estudar tibetano muito bem, não conseguirá um emprego público, porque os concursos para os cargos são feitos em chinês. Se quiser competir nesse sistema, o melhor é ir para uma escola chinesa. Há uma enorme força nesse sistema para as pessoas se tornarem han, o que provoca frustração. Se você é um funcionário público em um local onde a maioria da população é tibetana e nem mesmo fala chinês, seria lógico que um dos requisitos para ocupar o cargo deveria ser falar tibetano. Mas isso não ocorre. Em 2006, houve uma manifestação de universitários em Lhasa, porque o governo ofereceu cem empregos públicos e apenas dois tibetanos foram selecionados, já que os chineses se saem bem melhor em exames feitos em chinês. Isso em um contexto em que 90% da população é tibetana. Os que saem das universidades têm dificuldade em competir no mercado. O governo não dá nenhuma proteção aos trabalhadores locais. Eles têm essa mentalidade de livre mercado, pela qual os tibetanos têm de competir com os migrantes, ainda que em condições bastante desiguais, o que cria uma situação muito discriminatória em todas as indústrias. As pessoas que estão no poder agora são muito mais linha-dura e querem assimilação em larga escala. Querem que os tibetanos sejam cada vez mais como os chineses. Ao mesmo tempo, estão adotando políticas repressivas muito fortes. Desde 1996, implantaram a educação patriótica nos mosteiros, que força os monges a denunciar o dalai-lama e também a receber educação política.

O que pode acontecer?

Pode ficar pior. A maneira como o governo está reagindo ao que ocorreu é quase como tentar transformar um fracasso em uma oportunidade, para desacreditar reivindicações de mais autonomia e promover políticas mais repressivas. É possível que o governo use o que ocorreu em uma política de relações públicas. No Ocidente, ninguém vai acreditar no governo, mas eu não creio que eles estejam falando com o Ocidente. O governo está falando com seus próprios membros. O Partido Comunista não é um organismo uniforme e é integrado por várias facções. Há uma facção mais linha-dura que deseja assimilar o Tibete e outra que é mais tolerante. O que estão fazendo é usar esses eventos para tentar desacreditar a outra facção e reforçar suas políticas. Não creio que o Tibete se torne independente porque os chineses jamais aceitarão isso. O que nós podemos esperar é que a facção linha-dura seja desacreditada e haja um movimento na direção de políticas preferenciais em relação aos tibetanos. Isso é o que podemos realisticamente esperar.

Quem é:
Andrew M. Fischer

Professor do Instituto de Estudos do Desenvolvimento (DESTIN) da London School of Economics (LSE)

É autor do livro “State Growth and Social Exclusion in Tibet: Challenges of Recent Growth”, publicado em 2005

Presta assessoria a vários governos sobre a situação e o desenvolvimento do território autônomo do Tibete

29/03/2008 - 03:54h Brasil tem aliado chinês para defesa de candidatura do Rio às Olimpíadas de 2016

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Árvore é plantada nos arredores do Estádio Nacional, cujas obras para as Olímpiadas estão sendo concluídas em Pequim / Reuters

Cristina Massari, do Globo Online

RIO – A candidatura do Rio de Janeiro para sediar as Olimpíadas de 2016 já conta com um importante aliado. Em viagem à China nesta semana, a ministra Marta Suplicy recebeu do vice-presidente da Administração Nacional de Turismo da China (CNTA), DU Jiang, um aceno: a recomendação ao comitê olímpico chinês que apóie a candidatura do Brasil.

- Eles falaram sobre isso com muita pompa e circunstância. O vice-presidente do órgão do turismo chinês disse que, a partir de estudos e avaliação feita previamente, que está enviando formalmente ao comitê olímpico chinês o apoio à candidatura do Brasil. Entretanto, os votos são pessoais, e serão dados por duas pessoas diferentes, conforme ele ponderou, acrescentando apenas que iam recomendar ao comitê que apóie a nossa candidatura. Acredito que isso terá certo peso e impacto na decisão do comitê olímpico – disse a ministra ao Globo Online, de Xangai, após ter feito visita em Pequim pelos locais onde estão construídas as instalações olímpicas.

A forma de captação dos recursos necessários aos investimentos demandados para organizar os Jogos Olímpicos de Pequim saltou aos olhos da ministra do Turismo, que cumpriu na viagem à China uma agenda combinando a promoção do Brasil para aumentar o fluxo de turistas chineses, e uma espécie de `benchmarking` para os preparativos da Copa de 2014 , apesar de ela mesma já ter se declarado indecisa entre concorrer pela prefeitura de São Paulo ou permanecer à frente do turismo – onde a enfrentará a disputa pela candidatura das Olimpíadas de 2016.

- Foram investidos US$ 44 bilhões, contando com as obras em estádios e aeroportos. Quando eles foram escolhidos para sediar as Olimpíadas, sabiam que não teriam condições de fazer um investimento deste porte. Encontraram uma forma de captação muito interessante, em parcerias com a iniciativa privada. Foram buscar o investimento estrangeiro com parceria chinesa. Isso possibilitou transferência de tecnologia e trabalho para os chineses.

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Trabalhadores limpam as estruturas de vidro e aço do Estádio Nacional em Pequim, conhecido como o ninho de pássaros / Foto: Reuters

Aos olhos da ministra brasileira, os resultados destas parcerias foram ‘impressionantes’:

- Visitamos o `cubo`, que é o espaço das provas de natações. Fora a beleza estética, é todo feito de losangos e quadrados de vidro leitoso, mas tudo de forma harmoniosa, é feito com a tecnologia mais avançada. O nado rítmico permitirá que o som ouvido debaixo d’água pelo atleta e fora da água pela platéia seja sincronizado. É tudo muito moderno, de um grau de estética e sofisticação impressionante.

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Tudo pronto no “cubo” para as provas de natação

O Centro Olímpico foi erguido numa região onde há 15 anos era uma zona rural, voltada para a produção de legumes. Nem ônibus passava. E agora já está tudo praticamente terminado e o que vê é cidade muito dinâmica e nervosa, criativa. Pequim sofreu uma grande transformação nos últimos 30 anos. É outro mundo. Em cada quarteirão há prédios novos, onde afloram a modernidade e a tecnologia – descreve Marta Suplicy.

” Visitamos o `cubo`, que é o espaço das provas de natações. Fora a beleza estética, é todo feito de losangos e quadrados de vidro leitoso, mas tudo de forma harmoniosa, tem a tecnologia mais avançada “

Após visita a Hong Kong, nesta sexta-feira, a ministra deixa a China. Em Xangai, onde esteve depois da estada em Pequim, a ministra Marta tratou, entre outros assuntos, da participação do Brasil na Expo Xangai 2010, evento que integra o calendário de feiras mundiais e que, em termos econômicos e culturais, segundo avaliação do Ministério do Turismo, é precedido apenas pela Copa do Mundo e pelos Jogos Olímpicos.

O Comitê Organizador da Expo Xangai espera que a exposição conte com a participação de mais de 29 organizações internacionais e 167 países (dentre eles o Brasil, que ainda não definiu o tema de seu estande), e atraia cerca de US$ 3 bilhões em recursos, coma a visita de cerca de 70 milhões de pessoas.

Para construir o local da exposição o governo de Xangai escolheu uma área de 5.28 Km2 no centro da cidade, onde cerca de oito mil residentes e 272 empresas estavam instalados em condições precárias. O governo local comprou a área e relocou os antigos moradores e empresas para duas áreas residenciais, com melhor estrutura e maior metragem quadrada, oferecendo condições especiais de compra.

O projeto adotado para o desenvolvimento da rede de transporte terrestre da cidade inclui a construção mais três novas linhas de metrô, que totalizarão, até 2010, mais 166 quilômetros e 110 estações à rede hoje existente, que já conta com 234 estações de metrô.

Além disso, Marta e o secretário de Turismo de Xangai, Dau Chu Ming, estabeleceram um acordo de cooperação no desenvolvimento de um programa para capacitar cozinheiros brasileiros na produção de pratos da tradicional culinária chinesa.

- A capacidade brasileira de aumentar sua oferta de restaurantes de culinária chinesa, com qualidade e produção compatíveis com o que se faz hoje nos melhores restaurantes das cidades da China, deve ser mais um importante elemento de diferenciação e aumento de nosso potencial de atração do turista chinês – avaliou a ministra.

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Trabalhador faz os últimos reparos em templo tibetano em Pequim / Reuters

Marta Suplicy lembrou ainda das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e de outras, feitas pelo ministério, que têm melhorado a capacidade do Brasil de atender turistas.

- Nos próximos anos, essas obras vão ampliar muito nossa oferta de serviços, beneficiando não só o turista, mas a população residente, uma vez que o investimento se traduz em mais qualidade de vida nas localidades beneficiadas – disse Marta.

Segundo a ministra, o número de visitantes que o Brasil recebe da China vem aumentando a cada ano, assim como é crescente o contingente de turistas chineses que viajam pelo mundo. Em 2007 foram 44 milhões.

- Hoje são 36 mil chineses que viajam para o Brasil e os brasileiros, 38 mil. É ainda um número muito modesto em relação ao potencial, porque há alguns limites, como a distância e a falta de conhecimento do Chinês sobre o Brasil.

” A China buscou o investimento estrangeiro com parceria chinesa. Isso possibilitou transferência de tecnologia e trabalho para os chineses “

- O maior impedimento, fora a distância é acesso, o transportes aéreo. A Air China Faz três vôos semanais via Madri e a Varig, que tinha a concessão da rota, passou por problemas e não reassumiu as linhas. Visitamos a Air China, para colocar para eles a importância do aumento da freqüência. E sugeri uma rota Pequim Brasília Estados Unidos, mas eles não estavam familiarizados com esta história, mas afirmaram que a linha Pequim Madri São Paulo é lucrativa e que há interesse no aumento da freqüência. Mas, acrescentou a ministra, a Air China enfrenta problemas de disponibilidade de aeronaves para a ampliação desta oferta no curto prazo.

- O fabricante atrasou a entrega de 20 aviões novos em um ano.

Para reduzir estes limites, a agenda da ministra incluiu reuniões com as autoridades chinesas que trataram de negociações para o aumento da oferta de assentos nos vôos entre a China e o Brasil e a abertura de um escritório de promoção turística do Brasil naquele país. Por parte da possibilidade de as companhias brasileiras abrirem uma rota para China, Marta disse que ia consultar a Anac para verificar a ocorrência de eventuais consultas.

- Ainda não vimos com Anac a possibilidade de uma brasileira assumir a rota para a China. O mais interessante é que Varig assumisse. Ela vem recuperando suas inhas paulatinamente e foi a primeira – comenta.

Leia também: Capital do Tibete volta aos poucos ao normal, diz diplomata brasileiro que acompanha protestos no Tibete contra o governo chinês

e Cidades da Copa serão conhecidas até dezembro

27/03/2008 - 09:18h Jogos Olímpicos de Pequim: ‘Uma faca de dois gumes’

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O regime autoritário em alerta máxima

O GLOBO ENTREVISTA JOSEPH CHENG YU-SHEK

PEQUIM. O professor de ciências políticas Joseph Cheng Yu-shek, da Universidade Chinesa de Hong Kong, afirma que as Olimpíadas são uma faca de dois gumes para qualquer regime autoritário que decida sediar os jogos, e o governo da China está descobrindo isso agora.

O GLOBO: A China corre o perigo de ver as Olimpíadas de Pequim serem boicotadas?

JOSEPH CHENG: As Olimpíadas são um perigo natural para regimes autoritários, e o que a China está experimentando é uma ameaça que se materializou nas Olimpíadas de Moscou, em 1980. Quando se joga luz sobre um país, mostram-se também suas práticas antidemocráticas. É uma faca de dois gumes.

E a China tem como reverter isso?

CHENG: A China está exercitando seus músculos diplomáticos na área externa, buscando apoio. Internamente, amplia a mobilização através de críticas aos tibetanos e à imprensa estrangeira. É um jogo típico em situações de pressão extrema. Na área externa, pode ser que consigam apoio dos aliados de sempre, mas há uma tendência das democracias mais independentes de apoiar movimentos de liberdades civis. Do ponto de vista doméstico, é hora de mobilizar a população contra inimigos do país, reforçando o nacionalismo.Esta é a estratégia de defesa.

A ameaça de boicote pode fazer a China mudar sua atitude com relação ao Tibete?

CHENG: Não acredito. Neste aspecto, as respostas da China são as mais equivocadas.
Eles mandaram à região dos conflitos, Meng Jianzhu, o chefe do Ministério da Segurança Pública, que representa a repressão. Pequim deveria ter mandado alguém com perfil conciliador, como o premier Wen Jiabao. Ele deveria fazer como na crise das nevascas, quando visitou estações de trem e disse que estava fazendo tudo para melhorar a situação. Já é mais do que hora de o governo ouvir os tibetanos, desculpar-se pelos abusos da Revolução Cultural e buscar um encontro com o Dalai Lama para tentar dar alguma legitimidade à sua presença na região.

O que o governo tem feito até agora para garantir essa legitimidade?

CHENG: China tem uma estratégia dura com a questão tibetana, que é o massacre da dissidência e o controle religioso; e um lado suave, que busca desenvolver a região.
Mas Pequim deveria aprender com a própria situação de exclusão no interior da China e ver que o crescimento econômico com políticas assistencialistas, sozinhos, nada legitimam. É preciso dialogar, e o governo da China não é bom nisso. (G.S.J.)

27/03/2008 - 09:05h Tudo quase pronto para os jogos olímpicos em Pequim

Estádio onde será a cerimônia de abertura dos jogos olímpicos de Pequim

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Onde serão as provas de natação (esq.)…

 

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… com design futurista e tecnologia de ponta

27/03/2008 - 05:39h China é o Bric que se mostra mais preocupado com crise

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Marcos de Moura e Souza – VALOR

À primeira vista, a desaceleração da economia americana e a consequente redução da demanda poderia até parecer útil à China. Pequim tem lançado mão de uma série de medidas para conter o acelerado crescimento do país e afastar o fantasma do superaquecimento. A redução do crescimento dos EUA – o principal mercado para as exportações da China – ajudaria, portanto, a esfriar um pouco o ritmo da economia. Mas autoridades chinesas não escondem que estão temerosas.

Na semana passada, o premiê Wen Jiabao disse que os reflexos da crise americana e dos riscos de expansão das turbulências financeiras tornarão mais difícil para Pequim encontrar um equilíbrio entre o controle do crescimento interno e o combate da inflação, que em fevereiro chegou a 8,7%.

“Estou acompanhando de perto e me sinto profundamente preocupado com a situação econômica mundial, especialmente com a economia dos EUA”, disse Wen. “O que me preocupa é a contínua depreciação do dólar e quando o dólar chegará ao seu nível mais baixo.” A queda do dólar levou a China a ver suas reservas se desvalorizarem (em relação ao iuan) em quase US$ 200 bilhões.

Wen pontuou que a piora das condições externas, deflagrada pela crise americana, tem pressionado o dólar, afetado as bolsas pelo mundo e alimentando a alta nos preços dos combustíveis.

O desafio para as autoridades chinesas é acertar a dose das medidas antiinflacionárias e de controle do crescimento econômico num momento marcado pelas incertezas das turbulências globais.

A China tem adotado uma sucessão ações para conter o aquecimento de sua economia – entre as quais aumento dos juros e do compulsório bancário. Nos últimos cinco anos, o país cresceu em média 10,6% – mais de cinco pontos acima da média mundial mundial. Este ano, graças às medidas e à desaceleração mundial, a previsão é de um crescimento de 9,6%.

As vendas para os EUA representam 11% das exportações chinesas – ou 8% do Produto Interno Bruto do país. No início do ano, essas vendas já tiveram uma forte queda, em parte pela redução da demanda, em parte pelas nevascas que atingiram a China e afetando o sistema de transportes. Outros países da Ásia dependem muito mais do mercado americano: as exportações de Cingapura, Hong Kong e Malásia, por exemplo, equivalem a 20% ou mais de seus PIBs.

Mas, como apontou Jiang Yong, do Instituto Chinês de Relações Internacionais Contemporâneas, num artigo publicado há uma semana no “China Daily”, “a economia dos EUA pode não afetar a economia da China toda vez que ‘espirrar’, mas a China não pode ficar totalmente imune quando Japão e Europa também estão sofrendo da mesma ‘gripe’”.

A opinião coincide com a avaliação do presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China, Charles Tang, que também prevê uma redução das exportações chinesas à medida que a desaceleração americana contagiar outras economias. Ele lembra, no entanto, que diferentemente do período inicial da abertura chinesa, a economia do país não tem mais uma dependência tão intensa das receitas das exportações. “Os investimentos e a fortíssima demanda interna assumiram uma papel muito importante. Há dez anos, a indústria têxtil chinesa exportava 50% de sua produção; hoje são 25%”.

A turbulência financeira global, no entanto, traz à tona também preocupações em relação a outra possível vulnerabilidade chinesa: seu sistema bancário.

“A história mostra que os piores sistemas bancários podem parecer razoáveis durante períodos de crescimento forte do PIB”, diz Charlene Chu, diretora sênior da Fitch Ratings. O foco das atenções é que os bancos chineses acumularam grandes quantidades de créditos podres. Os bancos dizem que os créditos estão em níveis administráveis. Mas alguns analistas já acenderam luz amarela para o risco de uma crise financeira no país, que num momento de choques externos. O que poderia detonar essa crise? Uma repentina desaceleração da economia chinesa, causada por uma redução da demanda global. “A Fitch continua preocupada com o fato de que os bancos chineses podem estar subestimando potenciais futuras perdas.”

26/03/2008 - 13:09h A democratização na China

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Por Luiz Eduardo para o Blog de Nassif

O nº de março da revista inglesa Prospect traz um interessante artigo de Mark Leonard sobre “A nova intelligentsia chinesa”. Tento resumir.

Somente em Pequim há uma dúzia de think tanks. Um só deles, a Academia Chinesa de Ciências Sociais conta 50 centros e 4.000 pesquisadores em cerca de 260 disciplinas. Leonard faz uma comparação: na Inglaterra, toda a comunidade de think-tankers é de algumas centenas, em toda a Europa mil e pouco, e os próprios EUA não teriam muito mais de 10.000. Enfim, uma enormidade de “intelectuais, think-tankers e ativistas, todos eles envolvidos num intenso debate sobre o futuro do seu país”. Alguns são membros do partido, outros não “mas todos são, de certo modo, insiders.” É intenso o debate “nos fóruns do partido, mas também nas universidades, em think tanks semi-independentes, na imprensa e na internet”.

Certos temas são tabus, claro: o unipartidarismo, o Tibete, o massacre da praça Tianmen, mas o debate sobre o modelo econômico, a luta contra a corrupção e questões internacionais (Coréia, Japão) é relativamente aberto na grande imprensa e na imprensa acadêmica. Esse debate faz parte da vida política, havendo um intercâmbio ativo entre a intelligentsia e os tomadores de decisão: os think-tankers são convidados a participar das “`sessões de estudo´ do politburo” e se pronunciar sobre documentos do governo. Cerca de 20% da população de 18-30 anos cursam a universidade.

A “nova direita”, como são chamados os economistas liberais, foi a alma das reformas dos 80 e 90. Mas a China agora “voltou-se contra a nova direita. As pesquisas de opinião mostram que são o grupo menos popular [...] As idéias mercadistas são afrontadas por uma nova esquerda, que advoga uma forma mais amena [gentler form] de capitalismo.” Jornais como o Dushu dão guarida às idéias dessa “nova esquerda”. Ela questiona a “justiça dos mercados livres não regulados” e considera que o “Estado deve desempenhar um papel na prevenção da desigualdade”, mas sem descartar o mercado (daí ser chamada de “nova” esquerda). Segundo Wang Hui, um representante desta, que depois de participar de Tianmen esteve exilado nos EUA e hoje é professor da univ. Qinghua: “A China está presa entre dois extremos, o socialismo mal conduzido e o capitalismo de igrejinhas, sofrendo o pior de ambos. Sou a favor de orientar o país no sentido de reformas mercadistas, mas o desenvolvimento da China tem de ser mais equilibrado. Não devemos dar prioridade total ao cresc. do PIB, em detrimento dos direitos trabalhistas e do meio ambiente.” “O equilíbrio do poder”, diz Leonard, “está deslizando sutilmente para a esquerda.”

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Operários em trabalho semi-escravo na China de hoje