20/05/2009 - 15:29h Brasil é possível candidato a upgrade, diz Moody’s

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REGINA CARDEAL – Agencia Estado

SÃO PAULO – O Brasil e o Peru são possíveis candidatos para uma elevação da nota de crédito (upgrade) após provarem que são resilientes à crise global, embora não haja planos imediatos de elevação do rating, disseram analistas da agência de classificação de risco Moody´s Investor Service. “As crises revelaram a capacidade de resistência dos países aos choques e o Brasil e o Peru se saíram muito bem”, disse Mauro Leos, responsável da Moody´s para os ratings regionais, em teleconferência.

Enquanto a Standard & Poor´s e a Fitch Ratings conferiram grau de investimento à dívida soberana do Brasil e do Peru no ano passado, a Moody´s assumiu uma postura mais cautelosa, mantendo os dois países um nível abaixo do grau de investimento. Leos destacou que a Moodys se sente confortável ao elevar ratings durante uma crise, como fez com o Chile, mas sua equipe de analistas se reservará o julgamento até que veja mais dados econômicos sobre o impacto da crise. Os ratings para a dívida soberana do Brasil e do Peru têm perspectiva estável e normalmente a Moody´s altera a perspectiva antes de mudar o rating.

Segundo o analista sênior da Moody´s Gabriel Torres, o México está bem estabelecido três níveis acima do grau de investimento e tem amplo acesso aos mercados. O México, no entanto, é vulnerável por causa de sua dependência dos EUA, acrescentou. Torres indicou que a Moody´s não tem pressa para mudar o rating do México.

Os países da América Latina estão se saindo melhor do que muitos outros na desaceleração global, particularmente do que a Europa Oriental. “Os ratings da dívida da região começaram em geral mais baixos do que os de outras áreas. De fato, a crise tem mostrado que alguns são mais fortes do que muitos pensavam”, disse Torres. Enquanto isso, o impacto político da crise foi muito limitado e os sistemas bancários se mantiveram, em geral, sólidos, ele acrescentou.

No lado fiscal, alguns países da América Latina apresentavam superávits até serem atingidos pela crise e o declínio na renda não foi suficientemente dramático para atingir a maioria dos países, disse Torres. A Moody´s prevê um déficit fiscal médio de 3% do Produto Interno Bruto em 2009.

No caso da Argentina, o país não pode ser rebaixado mais a menos que haja um default ou risco iminente de default. “Em geral, estamos confortáveis com nossos ratings na região”, disse Leos. As informações são da Dow Jones.

10/05/2009 - 15:26h Vila El Salvador

Um bairro pobre de Lima é o cenário escolhido por dois realizadores franceses para percorrer a história dos esquecidos pela história. Para os leitores de Paris deste blog, um documentário a ver absolutamente. LF

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“Villa El Salvador, les bâtisseurs du désert”

Un documentaire de 52’
En présence des réalisateurs Marina Paugam & Jean Michel Rodrigo
Ce film retrace l’histoire de centaines de milliers de paysans, d’ouvriers, de sans toit, de sans droit, de sans voix du Pérou qui ont eu l’outrecuidance de croire qu’il était possible de construire une cité idéale, libre et fraternelle sur un bout de désert de sable. L’utopie est devenue réalité malgré des obstacles gigantesques: le manque d’argent, le chômage généralisé, la violence des autorités, une guérilla haineuse…
C’est l’histoire d’un rêve commun ou plutôt de la conjugaison de rêves : l’eau, l’électricité, des cuisines collectives, des écoles pour les enfants, des universités, des adultes qui travaillent dans leurs propres entreprises… et des Anciens
qui font du Taichi!

www.mecanosprod.com
Quand l’Utopie a droit de cité…
Entrée libre dans la limite des places disponibles.
RÉSERVATION INDISPENSABLE au 01 42 38 23 99 ou
à casasantafeparis@yahoo.fr
avec l’ appui de La Casa de Santa Fé à Paris et France Amérique Latine Paris (FAL)

22/01/2009 - 18:53h Ricardo Palma

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QUÉ É POESIA

Poema de Ricardo Palma

Tradução de Solon Borges dos Reis

— É arte do demônio ou bruxaria

isso de escrever versos? — lhe dizia

não sei se a Victor Hugo ou a Campoamor,

um rapazote de nenhum valor.

—Ensina-me a fazer, ao menos, mestre,

obra qualquer, mesmo que não me adestre.

— É preciso estar fora do juízo

para que um homem aspire a ser poeta,

mas, a receita, enfim, não é secreta:

faze as linhas com métrica e iguais,

e se em fila depois as aproximas,

no final dessas linhas ponhas rimas…

— E no meio? E no meio? Esse é o intento!

— É preciso por talento…


SINFONIA COM TODA A ORQUESTRA

Poema de Ricardo Palma

Versão de Antonio Miranda

De tanto e quanto carcomido in-fólio

pude tornar monopólio

(tarefa de verdugo, presumo)

já suguei o sumo.

Vice-reis, frades, damas, senhores

e ricos e cobradores

mostraram, como em um caleidoscópio,

traje e semblante próprio.

Eles e eu conversamos sem lisonjas

nem escrúpulos de monjas

e ficou toda alma e existência,

para mim em transparência.

Os vivos de antes eram melhores

que os de hoje? “Não, senhores”.

O homem é sempre igual: muda de aparência

mas nunca em sua própria essência.

Muito escrever poderia do presente;

meter-me em litígios extemporâneos

com nossos coetâneos.

Há gente suscetível; e bem presume

que não há de ser perfume

o que poderei queimar dos pretéritos

ao relatar os méritos.

Muito em meu século julguei bom e mau

mas não um varapau

a levar me resigno. Seja tal empreitada

em outro século consumada.

“Tradicionalista” haverá que luzindo saque

bastante badulaque

que hoje brilha no político proscênio,

sem virtude e sem gênio.

 

*

Quantos que agora buscam página na história

com as sobras da glória

serão apenas coadjuvantes de zarzuela,

figurantes de novela!

De anotações guardo calhamaços

para as atenções de meus netos

se se dignam, melhor que iguarias,

a fuçar as velharias.

O que é presente logo será passado,

e já não haverá minguado

que eleve o coque e faça chororó

por uma tataravô.

Ao tratar o século em que estamos

é vide de ágrios de ágrios ramos,

!que lástima!, são puras simulações

para mil tradições.

Até tentei, confesso, e com afinco;

e escrevi quatro ou cinco,

e então me disseram: “Cavalheiro,

não toque esse pandeiro!”

Esse de quem se ocupa foi meu tio;

senhor meu, de que me fio;

e se prossegue, senhor, com um trabuco,

por Deus!, que o desnuco”.

Sem provar nada se mete no saco

que Fulano foi um velhaco

ou um santo, ainda que de Pajares

ou com nicho em altares.

Contanto não nos arme emboscada,

que é um asno de albarda

quem pela história e a verdade se imola…,

deixe correr a bola!

Não se exponha a que digam: “Este Palma

bílis traz na alma,

e derrama veneno de mão cheia

sobre a reputação alheia.”

Siga pois sendo um bom pater-familias

e jejue nas vigílias

se preferir, e não se afane dando guerra

aos que descuidam terra.

Bom será, amigo, que perceba a tempo

que se expõe a um contratempo

e pondo a pluma em recesso, penso

que provará seu bom senso.

 *

 

Certo! Tornando-me odioso nada tiro;

pois ao culto de Baco me refiro

disse que dava um prócer da história,

e um me vi como uma escória.

E o que disse já tão verdade era

como que há, na esfera

celeste, estrelas e astros infinito

e cometas crinitos.

Deixemos, pois, passar a outras idades

mentiras como verdades;

e por andar retificando enganos

não tenhamos desenganos.

Quando apresso o tempo que nos move

ao século dezenove,

passarão cem Pigmeus e ignorantes

por sábios e gigantes.

Pois a verdade se torna um revérbero,

e nem tantos cantou Homero

heróis, nem sábios consignaram outros

como teremos estoutros.

Mentiras aceitamos aos milhões

em nome e em ações…

Oh! século dezenove de alta glória,

assim verterá tua história!

Comungar —século vinte!—, é teu empenho

como roda de um engenho;

deglutirás, oh! século insensato

em vez de lebre… gato.

 

 *

Guardaremos, pois, a pluma. A série esta

(de minhas leituras a sexta)

a última caso em que minha pluma

tinta e papel consuma.

Fazer, em me propus, populares

fatos nada vulgares,

e exumando esqueletos de defuntos,

na empreitada achei assuntos

para tirar do historial ossário,

ora um tipo estrafalário,

ora uma dama gentil, ora um homem digno,

ou um qüidam maligno.

Quantas, da boca de loquazes rábulas

pude escutar fábulas,

e quantos em papéis já amarelos

eram boatos singelos,

tantos foram soberbos argumentos

para alinhavar meus testamentos;

e, por fim, conforme meu nume receia

já se esgotou a veia.

Acharei novo filão? Deus ‘que sabe.

Por hoje fecho com chave

O baú de crônicas cheinho

e… basta!… saio devagarinho.

Miraflores, dezembro de 1880

Extraído de TRADICIONES PERUANAS. Lima: La República División Cultural/ Universidad Ricardo Palma, s.d. Tomo VI, p. 95-98

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Ricardo Palma, tela de Teodoro Núñez Ureta