20/08/2012 - 09:41h Programa de apoio à pesquisa investirá R$ 1,5 bi em 4 anos

Entre as medidas que devem sair até o fim do ano destaca-se o programa Ciência Inovadora Brasil, que vai complementar o Ciência Sem Fronteiras

Por João Villaverde | VALOR

De Brasília

O governo vai anunciar até o fim do ano uma série de medidas para estimular a inovação na indústria de transformação e na economia como um todo. Entre elas destaca-se o programa Ciência Inovadora Brasil, que vai complementar o Ciência Sem Fronteiras, e está em fase final de detalhamento entre os técnicos do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O novo programa deve consumir R$ 1,5 bilhão entre 2013 e 2016, e já tem o sinal verde da presidente Dilma Rousseff.

O governo também deve editar uma medida provisória que vai fortalecer a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii). Em outra frente, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) deve concluir até o fim de setembro um programa de apoio à inovação nas micros e pequenas empresas. Finalmente, os estudos sobre a transformação da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) em instituição financeira estão avançados e uma decisão do Palácio do Planalto sobre o assunto pode ser tomada até o início de 2013.

Depois do ativismo pela inovação no início do governo, em 2011, quando foi lançado o programa Ciência Sem Fronteiras – que deve conceder, até 2014, bolsas de estudos de até três anos no exterior para 101 mil estudantes de graduação, mestrado e doutorado -, e o orçamento da Finep foi dobrado, o tema perdeu força na área econômica. Segundo técnicos do governo, o agravamento da crise mundial determinou a mudança de enfoque do governo.

Por meio do programa Ciência Inovadora Brasil, o governo quer estimular os pesquisadores e professores com doutorado completo a desenvolver projetos em parceria com empresas privadas em diversas regiões do país. Apenas nas universidades públicas são quase 75 mil pesquisadores docentes com doutorado e todos poderão participar do novo programa. “Nosso interesse é aproximar o pesquisador brasileiro das demandas empresariais”, disse o ministro Marco Antônio Raupp, de Ciência, Tecnologia e Inovação.

A ideia do governo é tornar disponível ao pesquisador uma bolsa de produtividade de R$ 50 mil para que desenvolva, no prazo de três anos, um projeto de pesquisa com foco em áreas consideradas estratégicas, que serão detalhadas nos editais. O pesquisador terá direito também a uma bolsa de iniciação científica para oferecer a um estudante de graduação e duas bolsas de iniciação científica júnior para alunos do ensino médio da região onde o projeto será realizado. O objetivo do governo é estimular a “regionalização” da pesquisa.

Outra iniciativa do programa será disponibilizar, por meio do CNPq e da Capes, 6 mil bolsas para pesquisadores (3 mil para pesquisadores com mestrado concluído e 3 mil para doutores) para projetos de pesquisa feitos em parceria com empresas. Para ter acesso a uma dessas bolsas, o pesquisador deve apresentar um projeto inovador para a companhia, que, por seu lado, deve ceder um “co-orientador” para a pesquisa a ser desenvolvida.

Na visão do governo e do CNPq, o programa deve funcionar como um “complemento” ao Ciência Sem Fronteiras. “Quando o estudante enviado ao exterior por meio do Ciência Sem Fronteiras voltar ao Brasil, o novo programa do governo, focado em mestres e doutores, poderá funcionar como uma extensão da experiência internacional”, diz Glaucius Oliva, presidente do CNPq.

Ao mesmo tempo, o secretário de Inovação do Ministério do Desenvolvimento, Nelson Fujimoto, prepara um programa nacional de apoio à inovação nas micros e pequenas empresas. “Precisamos não apenas dar financiamento a esses empresários, mas também condicioná-lo a inovar, aproximando centros e instituições de pesquisa na indústria.” Fujimoto estuda formar uma parceria entre Sebrae e Finep com companhias privadas.

O governo também estuda tornar a Finep uma instituição financeira, como quer o presidente da instituição, Glauco Arbix. Caso seja efetivamente aprovada, a mudança vai permitir à Finep emitir títulos em mercado e, com isso, se capitalizar sem depender de recursos do Tesouro e fundos setoriais.


“Inovação não depende só do governo”

Ruy Baron/Valor / Ruy Baron/Valor
Marco Antonio Raupp, ministro de Ciência e Tecnologia: “Temos muito cacique e pouco índio, precisamos de mais índios, de pesquisadores do chão de fábrica”


O governo vai editar uma medida provisória ainda neste ano que vai estruturar a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) e dotá-la de mais recursos, afirmou o ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, ao Valor. Criada em caráter experimental em outubro de 2011, a Embrapii teve a adesão de apenas três institutos tecnológicos – Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), de São Paulo, Instituto Nacional de Tecnologia (INT), do Rio, e Senai-Cimatec, da Bahia. Com a reestruturação, passará a contar com mais institutos e centros de pesquisa, uma gestão própria e mais recursos.

Segundo Raupp, a Embrapii é “a perna que falta” na estrutura de inovação no país, uma vez que vai “fazer a ponte” entre centros de pesquisa e institutos tecnológicos e as empresas. Na entrevista, o ministro defendeu a política nuclear e uma atuação mais “empresarial” e “corporativa” dos centros de pesquisa e institutos federais. A seguir os principais trechos da entrevista.

Valor: Empresários e especialistas em inovação criticam o “distanciamento” entre empresas e centros e institutos de pesquisa. Como aproximar as duas pontas?

Marco Antônio Raupp: Em primeiro lugar, é importante destacar que a inovação não depende somente do governo, mas de um protagonismo das empresas. Precisamos ter uma cultura empresarial inovadora, algo que está ocorrendo no Brasil. O governo deve funcionar como um facilitador. Para isso, vamos estruturar a Embrapii, que vai aproximar os centros de pesquisa e os institutos tecnológicos das empresas. Fizemos uma experiência, com a gestão compartilhada com a CNI, e a participação de três institutos. Agora negociamos a adesão de mais institutos, como o Coppe (RJ), o Cesar (PE) e ITA (SP), uma gestão própria, que vai caracterizar a estruturação de fato da nova empresa, e, claro, mais recursos. A Embrapii vai fechar esse circuito de inovação no Brasil, servindo de ponte entre pesquisadores e empresários.

Valor: Pesquisadores e cientistas criticaram o fato de o orçamento do ministério ter sido cortado pelo contingenciamento de recursos no início do ano…

Raupp: Mas nosso braço de financiamento direto à inovação, a Finep, dobrou de tamanho. A Finep operava cerca de R$ 2 bilhões por ano até 2010, e desde o ano passado passou a operar R$ 4 bilhões. Queremos mais que isso. Esses R$ 4 bilhões são praticamente um orçamento paralelo ao do ministério, de ação direta na economia, injeção de recursos na veia. Costumo dizer que a inclusão do termo “inovação” no nome do ministério [que chamava-se apenas Ministério de Ciência e Tecnologia] custou R$ 4 bilhões.

Valor: Que avaliação o sr. faz dos institutos tecnológicos brasileiros?

Raupp: São de altíssimo nível. Mas há uma questão cultural que preciso destacar: temos uma tradição no Brasil que é a educação, a formação muito “bachaleresca”. Precisamos ter uma orientação diferente, mais técnica, ligada às demandas do país e das companhias instaladas aqui. Temos muitos caciques e poucos índios, e precisamos de mais índios, de pesquisadores do chão de fábrica, que ponham mais a mão na massa. Precisamos difundir uma cultura de inovação no sistema produtivo como um todo, porque às vezes o industrial acha que só precisa de um câmbio desvalorizado para que tudo funcione. Estamos no caminho de nos tornar país plenamente inovador, não estamos no zero, mas precisamos andar mais.

Valor: O sr. é favorável ao desenvolvimento de uma política nuclear mais ativa. Por quê?

Raupp: Sou francamente favorável, o Brasil deveria investir bastante na produção de energia de origem nuclear. Defendo isso, porque se trata de uma tecnologia limpa, não emite carbono. Precisamos, é claro, desenvolver soluções para armazenamento do lixo e ter segurança nos processos, mas isso tudo é inovação, por si só. Nossos riscos de desastres naturais, como o que ocorreu em Fukushima [Japão], é muito menor, mas ainda há problema de aceitação popular. Infelizmente, porque trata-se de algo fundamental para o país. (JV)


Patentes são poucas e difíceis de registrar no país

Por João Villaverde e Lucas Marchesini | VALOR

De Brasília

Fazer do Brasil uma economia inovadora foi uma das metas de campanha da presidente Dilma Rousseff, em 2010, e uma das prioridades de sua agenda. O governo lançou o programa Ciência Sem Fronteiras, condicionou o estímulo fiscal concedido à indústria automobilística a investimentos em inovação, dobrou o tamanho da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e até incluiu o termo “inovação” no nome do Ministério de Ciência e Tecnologia. Mas, segundo empresários, cientistas, pesquisadores, especialistas e gestores públicos, o esforço do governo terá de ser ainda maior e concentrado se quiser atingir seu objetivo.

A economia brasileira ainda não é inovadora, entende o próprio governo. O conceito de que as empresas brasileiras não têm cultura inovadora foi repetido por cientistas, autoridades e empresários em diferentes polos de atuação, como Helena Nader, presidente da Sociedade Brasileira de Pesquisa Científica (SBPC), e Glaucius Oliva, presidente do CNPq, e mesmo gestores públicos, como Nelson Fujimoto, secretário de Inovação do Ministério do Desenvolvimento. Como afirmou Oliva, “os níveis de inovação são ainda muito preocupantes”.

Ainda são poucas as patentes feitas por empresas brasileiras (31,7 mil pedidos em 2011) e é menor ainda a concessão de patentes (3,8 mil em 2011) pelo Instituto Nacional de Patentes Industriais (Inpi). O desempenho poderia ser ainda pior se o Inpi não estivesse “se esforçando além do limite”, segundo seu presidente Jorge Ávila, para reduzir a burocracia e aumentar a produtividade dos examinadores.

Empresas como a Dedini, fabricante de bens de capital sob encomenda, fazem parte de um grupo seleto de companhias que investem em pesquisa. Mas, segundo o vice-presidente José Luiz Olivério, “obter patentes no Brasil ainda demora enormemente”. Ele conta que a empresa fez um pedido de patente de aperfeiçoamento técnico de etanol celulósico ao mesmo tempo em 15 países, em 1996, e o Brasil foi o penúltimo a conceder a patente, em 2005.

O professor Henrique Barros, especialista em inovação do Ibmec, avalia que o Brasil está atrasado no campo da inovação principalmente por conta da baixa qualificação dos gestores e trabalhadores, de modo geral, e os mais qualificados esbarram no excesso de burocracia. De acordo com a pesquisadora Isa Assef, presidente da Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica e Inovação (Abipti), os diferentes elos – universidades, institutos e empresários – não estão integrados.

Desde o início do ano passado, o governo federal tem intensificado contatos com o Instituto Fraunhofer, de Berlim, Alemanha, e ainda na gestão de Aloizio Mercadante no Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação foi fechado um convênio entre o instituto e o Brasil. O atual ministro, Marco Antônio Raupp, diz que o governo deve editar até o fim do ano uma medida provisória estruturando a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), que foi inspirada no modelo desenvolvido pelo Instituto Fraunhofer na Alemanha desde 1949.

“O governo brasileiro não deve esperar o sucesso da Embrapii da noite para o dia, o importante é manter uma relação direta entre pesquisadores, cientistas, acadêmicos e as empresas, em especial a indústria de transformação”, diz o diretor-presidente do Instituto Fraunhofer, Eckhart Bierdümpel.

25/07/2012 - 09:23h Saúde é prioridade para os eleitores


Datafolha mede os temas que os eleitores querem que o próximo prefeito de São Paulo, Rio, BH, Recife, Curitiba e Porto Alegre deem prioridade

Por Raphael Di Cunto | VALOR

De São Paulo

O principal problema e a maior prioridade para o próximo prefeito na visão dos eleitores de seis capitais brasileiras é o sistema de saúde da cidade, mostra pesquisa do Instituto Datafolha realizada entre 19 e 20 de julho.

O problema é, de longe, o mais citado em Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo nesta campanha. Só rivaliza com outro tema em Curitiba, onde o prefeito Luciano Ducci (PSB), candidato à reeleição, tem a segurança como maior problema para 31% da população – próximos dos 37% que citaram saúde.

Entre as seis cidades pesquisadas, aquela em que os entrevistados dão maior prioridade à melhoria na rede de hospitais e postos de atendimento é o Rio, do prefeito e também candidato à reeleição Eduardo Paes (PMDB). Favorito na disputa, o pemedebista, que já chamou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), de “incompetente” devido ao resultado de uma avaliação da Pasta sobre a eficiência do Sistema Único de Saúde (SUS) que deu ao Rio a menor nota entre as capitais, vê 54% dos eleitores colocarem a área como prioridade.

Como é a primeira vez que o Datafolha faz o levantamento das prioridades e problemas na visão dos eleitores de seis capitais, não é possível comparar com anos anteriores. O percentual de moradores preocupados com a Saúde, porém, aumentou nas duas cidades que mediram este índice: São Paulo e Recife.

Em novembro de 2007, 45% dos recifenses diziam que a falta de segurança e criminalidade eram os principais problema da cidade, que era a terceira capital mais violenta do país. Saúde, na época, era apenas o terceiro item mais lembrado, com 6% das respostas, atrás de saneamento básico, que tinha 11%.

A cinco meses do fim da gestão do prefeito João da Costa (PT), o índice mudou. Agora, os moradores da capital pernambucana acreditam que a saúde é o maior problema, lembrado por 19% dos recifenses. A violência ficou com 11% das citações, em quarto lugar, atrás de calçamento (16%) e saneamento básico (14%).

Situação semelhante ocorreu com os paulistas. Em agosto de 2007, a preocupação com saúde rivalizava com a falta de segurança – cada uma era citado por 16% dos eleitores como maior problema. Desde então, a cidade registrou um aumento no número de moradores preocupados com a rede de hospitais e postos de saúde, que chegou a 29% na pesquisa do fim de semana. A violência manteve-se estável como o principal problema para 14% dos paulistanos.

O resultado pode mostrar uma insatisfação não apenas com a rede pública, mas também com os hospitais privados. Na capital paulista, o número de conveniados a planos de saúde cresceu 13% desde 2009, enquanto a rede de atendimento privado diminuiu no período com o fechamento de oito hospitais. Na avaliação dos eleitores, seria prioridade para o novo prefeito, então, dar incentivos ou estímulos à instalação de novas unidades.

22/05/2012 - 09:07h Brasileiro é mais feliz que ricos, diz pesquisa

Por Assis Moreira | VALOR

De Paris

O brasileiro é mais feliz do que as pessoas que vivem nos países ricos, apesar de o país se situar apenas na 32ª posição entre 36 no “Índice para Viver Melhor”, da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O Brasil fica atrás de todos os países desenvolvidos no índice, somando 11 indicadores com o mesmo peso, indo de renda a emprego, satisfação de vida e segurança, para capturar a diversidade da sociedade e as prioridades de cada um.

No entanto, no que é mais comparável, o Brasil fica na frente de Rússia, Turquia, México e China. “O Brasil está relativamente bem, há uma melhor dimensão de bem-estar no país”, diz Romina Boarini, assessora da OCDE.

A entidade anunciará hoje a entrada do Brasil no índice, lançado no ano passado, e pelo qual espera ajudar cada cidadão a avaliar e comparar a sua própria qualidade de vida, por meio de instrumentos que vão além das tradicionais estatísticas do Produto Interno Bruto. Sem surpresa, a Dinamarca e o Canadá lideram o ranking.

Quando perguntados se estavam satisfeitos com sua vida, numa escala de zero a dez, a resposta dos brasileiros foi de 6,8 na média, ante 6,5% no caso de pessoas de países ricos.

Um indicador que reflete a satisfação dos brasileiros é o vínculo social. Mais de 91% acham que podem contar com os amigos em caso de necessidade, ante 82% no México e 90% nos países ricos.

Os brasileiros dizem ser bem integrados socialmente. Ao mesmo tempo, o Brasil é o país com maior número de homicídios entre os 36 pesquisados. São 36 mortes por 100 mil habitantes, em comparação com a média de 2,1 na OCDE.

Também o número de agressões físicas declaradas no ano precedente da pesquisa é grande, de 9,4% dos consultados, só atrás do México, com 11%. Na OCDE, o percentual foi de 4%. A esperança de vida no Brasil, de 73 anos, é inferior à dos países da OCDE, de 80 anos, em média.

Por outro lado, o Brasil destaca-se na participação no mercado de trabalho, com mais de 68% da população entre 15 e 64 anos empregados, em comparação com 66% nos países ricos. A diferença é que 80% dos homens e 56% das mulheres trabalham. Nos ricos, a taxa é de 70% e 66%, respectivamente.

Na harmonia entre trabalho e vida privada o quadro é outro: 12,5% dos brasileiros pesquisados dizem trabalhar mais de 50 horas por semana, em comparação com 9,5% na média da OCDE.

A renda do brasileiro melhorou, mas em termos de paridade de poder de compra fica ainda em US$ 2 mil per capita, enquanto quem mora num país rico recebe, em média, US$ 22 mil. O número de residências sem equipamentos sanitários é seis vezes maior nos países ricos do que no Brasil.

No Brasil, 41% das pessoas dizem ter estudado até o segundo grau, em comparação com 74% nos países desenvolvidos. O índice mostra também, conforme Romina Boarini, que os brasileiros estudam cada vez mais, reduzindo um atraso histórico. “O índice não traz um ranking único, depende de cada utilizador usar os indicadores que acha importantes”, diz ela.

19/01/2012 - 08:55h População perde confiança na Prefeitura de São Paulo, diz Ibope

VALOR

A Prefeitura de São Paulo, sob o comando de Gilberto Kassab (PSD), tem perdido influência na percepção do paulistano sobre os órgãos que mais contribuem para a melhoria da sua qualidade de vida, mostra pesquisa do Ibope divulgada ontem. Em 2008, 12% dos entrevistados pelo instituto disseram que a administração municipal era a principal responsável por essa melhora. Agora, só 7% escolheram esta opção.

O órgão melhor avaliado nesse quesito é o governo federal, que se manteve estável no índice – era apontado por 14% dos moradores como o que mais contribuia para o seu progresso em 2008 e desta vez foi citado por 15% dos entrevistados. Houve uma queda, porém, em relação a 2010, último do governo Lula (PT), quando 21% atribuíam às ações da União a responsabilidade pela melhoria da qualidade de vida da população.

A pesquisa foi contratada para medir a satisfação do paulistano com a cidade e os serviços públicos pela Rede Nossa São Paulo, organização que reúne mais de cem entidades da sociedade civil. Foram ouvidos 1.512 moradores entre de 25 de novembro a 12 de dezembro. A margem de erro é de três pontos percentuais.

O número ajuda a explicar a forte influência que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a presidente Dilma Rousseff têm como puxadores de voto desta eleição em São Paulo e é um dos motivos da articulação de Kassab para tentar uma aliança com o PT, partido que faz oposição ao seu governo.

“As pessoas têm mais renda, mais emprego, e veem isso como ação do governo federal”, afirma o secretário-executivo da Rede Nossa São Paulo, Oded Grajew. “Já a diferença crescente entre a influência da prefeitura e do governo federal é que a administração do município está sendo mal avaliada”, analisa.

A rejeição ao prefeito nunca foi tão alta, segundo a pesquisa. Apenas 17% da população avalia a gestão dele como boa ou ótima, enquanto 30% a consideram ruim ou péssima. É o pior índice desde 2008, primeiro ano da aferição, quando 46% dos paulistanos eram favoráveis ao governo Kassab e só 12% eram contra.

A prefeitura também é o terceiro órgão público em que o paulistano menos confia, à frente apenas da Câmara Municipal e do Tribunal de Contas do Município. Dos entrevistados, 35% disseram acreditar na administração municipal, contra 64% que não confiam – 2% não responderam. Em 2008, a prefeitura tinha a confiança de 50% dos moradores, ante 46% que não confiavam na instituição.

A avaliação ruim atinge todos os setores da cidade. Dos 25 aspectos da vida em São Paulo pesquisados pelo Ibope, 19 tiveram nota abaixo do valor considerado bom pelo instituto, de 5,5 pontos em uma escala de 0 a 10. A nota média de satisfação com a cidade foi de 4,9.

Segundo a diretora executiva do Ibope, Márcia Cavallari, há uma relação direta entre a satisfação do morador e a percepção que ele tem sobre a violência. 35% dos entrevistados que disseram não se sentir nada seguros em São Paulo deram nota 4,6 para a cidade, enquanto o 1% que se sente muito seguro atribuiu 5,7.

“Quanto mais insegura a pessoa se sente, menor é a satisfação geral dela, o que mostra a importância dos investimentos nesta área”, afirma Márcia. Dado ruim para o prefeito, já que a 54% da população se diz pouco segura, enquanto apenas os outros 10% afirmam que estão seguros.

01/12/2011 - 08:38h Inclusão de Doria em pesquisa surpreende tucanos

Por Sérgio Bueno e Vandson Lima | VALOR

De Porto Alegre e São Paulo

A inclusão do empresário e apresentador de televisão João Doria Júnior em uma pesquisa sobre os possíveis candidatos do PSDB à Prefeitura de São Paulo, em 2012, pegou de surpresa os quatro postulantes tucanos já inscritos para as prévias do partido, ainda sem data definida.

Os secretários estaduais José Aníbal (Energia), Andrea Matarazzo (Cultura), Bruno Covas (Meio Ambiente) e o deputado federal Ricardo Tripoli afirmaram não terem sido informados de que o partido encomendara qualquer pesquisa. “Estou estranhando essa história, porque faço parte da executiva municipal e ninguém me contou”, afirmou Tripoli. Covas se limitou a dizer que ficou sabendo “pelos jornais”. Matarazzo e Aníbal informaram, por meio de suas assessorias de imprensa, desconhecer a realização da pesquisa.

O presidente do diretório estadual do PSDB, deputado estadual Pedro Tobias, seguiu a mesma toada. “Vou até ligar para o pessoal e descobrir quem encomendou e está pagando isso. Não fui consultado”, afirmou. Sobre a inclusão de Doria, Covas disse achar “ótima”. “Ele é supercapacitado e tem todo o direito de participar”.

Conforme Doria relatou ao Valor, tanto o convite para se filiar ao partido quanto o para ter seu nome incluído na pesquisa partiram do governador Geraldo Alckmin. Disse ainda que Júlio Semeghini, presidente do diretório municipal e secretário de Planejamento, lhe telefonou para falar a respeito. Contactado, Semeghini não retornou as ligações da reportagem.

A sondagem consiste em um questionário aplicado a cerca de 1,2 mil paulistanos desde a semana passada. Nele, verifica-se a opinião do eleitor sobre seis tucanos – os quatro pré-candidatos, Doria e o ex-governador do Estado, José Serra -, sua receptividade a uma eventual aliança entre o PSDB e o PSD, do prefeito Gilberto Kassab (PSD), bem como sua avaliação sobre uma eventual chapa encabeçada pelo vice-governador Guilherme Afif Domingos (PSD).

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), disse ontem em Porto Alegre que o partido está fazendo um “esforço” para fechar uma aliança com o PSDB para a eleição na capital paulista em 2012. Ele defendeu que não haja “imposição” antecipada de nenhum nome encabeçar a chapa, mas garantiu apoio “incondicional” aos tucanos caso o escolhido seja Serra.

“Ele confiou na minha ação me delegando a gestão da cidade por três anos”, lembrou Kassab, referindo-se a 2006, quando era vice de Serra na prefeitura e o tucano lhe transferiu o cargo para concorrer ao governo estadual. “Foi uma prova inequívoca de confiança”.

Conforme Kassab, o PSD pretende também atrair outros partidos que participam da administração atual, como PSB, PDT, PP, PR, PMDB e PV. Ele reafirmou que o vice-governador Guilherme Afif Domingos e o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles são os dois principais nomes do PSD para a disputa.

As críticas à sua administração, feitas nesta semana em debate entre os quatro pré-candidatos do PSDB, foram consideradas por Kassab naturais e não comprometem a formação de uma aliança. “Um candidato se apresenta para resolver problemas que ele vê na cidade. É natural e não abala em nada a relação”, afirmou.

Fora de São Paulo a estratégia será negociar a formação de chapas com o PSB, afirmou o prefeito, para quem o PSD não tem um “compromisso” com o PSB, mas a “convicção” de que devem caminhar juntos. O PSD tem quatro prefeitos e 85 vereadores no Rio Grande do Sul, três deles em Porto Alegre. Segundo o presidente estadual da sigla, o deputado federal Danrlei de Deus, a meta é ampliar a representação na Câmara de Porto Alegre em mais uma ou duas vagas.

Kassab fez uma palestra na Federação das Associações Comerciais do Rio Grande do Sul. Ele convidou o presidente da entidade José Paulo Cairoli para se filiar ao PSD. O empresário recusou a oferta pelo menos até a conclusão do mandato na federação, em abril.

28/09/2011 - 11:36h Parceria de países sul-americanos vai construir laboratório subterrâneo nos Andes

México esta ao norte da linha do Equador, mas a manchete…

O chamado projeto Andes envolve cientistas de Argentina, Brasil, Chile e México e custará custará US$ 15 milhões

28 de setembro de 2011

Efe -Agencia Estado

Veja também:
link Saiba mais sobre o projeto
link Partícula viaja mais rápido que a luz
link Cientistas debatem descoberta na Suíça

BUENOS AIRES – Um grupo de cientistas vai estudar os segredos do universo em um laboratório subterrâneo de física de partículas que será instalado em um túnel na cordilheira do Andes em uma região entre a Argentina e o Chile.

O projeto Andes envolve cientistas de Argentina, Brasil, Chile e México que receberam o apoio de colegas americanos e europeus em troca da cooperação no estudo da “matéria escura”, os neutrinos e outras partículas subatômicas, explicou o coordenador da iniciativa, o físico franco-argentino Xavier Bertou.

Também “há grande interesse” em usar o laboratório para estudos de impacto dos raios cósmicos sobre o envelhecimento celular, de geofísica – para criar uma rede de sismógrafos entre a Argentina e o Chile – e de meio ambiente, com base em medições de baixíssima radioatividade, explicou o cientista.

A construção do laboratório custará US$ 15 milhões, “o equivalente a 2%” do custo do túnel rodoviário Água Negra, que unirá a cidade de Iglesia, na província argentina San Juan, à chilena de Vicuña.

O túnel que começará a ser construído no ano que vem, terá 14 quilômetros de extensão e um laboratório que será instalado a mais de 1.500 metros abaixo da superfície.

Segundo o site do projeto, em uma caverna principal serão feitos dois ou três experimentos maiores, enquanto uma cavidade secundária abrigará três ou quatro andares destinados a estudos variados, cortados por túneis de acesso que ocuparão 2.500 metros quadrados da superfície subterrânea.

Possivelmente será construída uma terceira caverna em forma de poço, com 15 a 20 metros de diâmetro e 20 de profundidade para experimentos maiores, informou.

Bertou afirmou ainda que falta pelo menos US$ 5 milhões para equipar o laboratório para estudos de física de partículas. Segundo ele, “grande parte” desses estudos só pode ser feita em locais abaixo de rochas que protegem da interferência dos raios cósmicos (que produzem os neutrinos).

Os neutrinos são partículas subatômicas que atravessam a Terra em uma velocidade de bilhões de quilômetros por segundo, e entender seu comportamento “é fundamental” para o estudo da física, acrescentou Bertou.

Os cientistas acreditam que 85% da matéria do universo é composta por “matéria escura”, cujas características são totalmente desconhecidas.

O coordenador do projeto Andes ressaltou que atualmente há mais de dez laboratórios subterrâneos no hemisfério norte, entre eles o italiano Grande Sasso, onde foram medidos os neutrinos que, aparentemente, “são mais rápidos que a luz”.

O laboratório localizado no hemisfério sul permitirá que sejam feitos estudos cruzados dos neutrinos. “Devido ao movimento da Terra, alguns estudos ganhariam muito se fossem feitos nos dois hemisférios para que os eventos extrassolares possam ser triangulados”, disse Bertou.

O projeto Andes tem o potencial de incentivar a criação de empresas de alta tecnologia, como aconteceu nas regiões próximas aos laboratórios na Europa, disseram os cientistas.

21/09/2011 - 10:21h Pesquisa aponta ‘novo’ discurso para o PSDB

21 de setembro de 2011

O Estado de S.Paulo

Pesquisa encomendada pelo PSDB para moldar o novo discurso do partido concluiu que os tucanos devem defender os programas de transferência de renda, como o Bolsa Família. O levantamento, feito com 2 mil pessoas acima de 16 anos em todo o País, mostrou ainda que 67% dos entrevistados são favoráveis a esse tipo de iniciativa, desde que atrelada a algum tipo de contrapartida.

De acordo com apresentação feita ontem, na Executiva do PSDB, pelo sociólogo Antonio Lavareda, responsável pelo estudo, o partido tem a oportunidade de resgatar a bandeira dos programas sociais durante a eleição de 2014.

Os tucanos reivindicam a autoria dos programas de transferência de renda, ao dizerem que o Bolsa Família nasceu da unificação de projetos como o Bolsa Escola, lançado durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Bandeira. Na reunião, da qual participaram o presidente nacional do partido, Sérgio Guerra, e os senadores Aécio Neves e Álvaro Dias, entre outros, foi mencionada a existência de programas de transferência de renda considerados bem-sucedidos pela população em alguns Estados, como São Paulo, Minas Gerais e Paraná.

O partido quer agora difundir melhor essas bandeiras, mas destacando as contrapartidas criadas pelos governadores do PSDB. No mês passado, o paulista Geraldo Alckmin e o mineiro Antonio Anastasia anunciaram a unificação de seus programas com o Bolsa Família, do governo federal.

Além dos programas sociais, a pesquisa mostrou que o Plano Real é apontado por 22% dos entrevistados como um ato positivo da era FHC. A pesquisa também mostrou que o partido precisará investir mais em mídias sociais, como Facebook e Twitter, para melhorar a comunicação.

23/06/2011 - 12:58h Brasileiro teme mais a inflação que a violência


Instituto Ipsus pesquisou os fatores capazes de tirar o sono do brasileiro. 26% disseram temer a alta dos preços

Marcelo Rehder – O Estado de S.Paulo

A volta da inflação assusta mais o brasileiro hoje que a violência urbana, o desemprego e a situação da saúde pública, segundo uma pesquisa feita pelo Instituto Ipsus para a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O questionário incluía a pergunta “o que faria você perder o sono?”. Do total de mil entrevistados, 26% escolheram a alternativa “a volta da inflação”, enquanto 23% assinalaram “a violência urbana” e outros 20%, “o desemprego”. Para 10%, o que assusta mais é “a saúde pública” . Já outros 7% temem mais “o aumento de novas taxas e impostos”.

Os resultados da pesquisa mostraram ainda que o medo da volta da inflação é maior entre os brasileiros acima dos 45 anos que entre os mais jovens. “Quem viveu aqueles tempos de hiperinflação sabe como é bom viver sem ela, enquanto os mais jovens não têm essa percepção”, diz o economista André Rebelo, assessor para assuntos estratégicos da presidência da Fiesp.

Na avaliação por faixa etária, a volta da inflação é o principal fator de temor para 39% dos entrevistados com mais de 60 anos. Na faixa entre 45 e 59 anos, 34% dos entrevistados deram a mesma resposta. Já entre 35 e 40 anos, 25% temem o desemprego em primeiro lugar, enquanto 23% assinalaram “a volta da inflação”. O medo de ficar desempregado, assinalado por 28% dos entrevistados, é a principal preocupação também entre os entrevistados com idade entre 25 e 34 anos. Para aqueles com idade entre 16 e 24 anos, o que mais tira o sono hoje é a violência, citada por 27% dos entrevistados.

A Fiesp incluiu a mesma questão em uma pesquisa feita em janeiro de 2008, antes de a crise financeira mundial chegar ao País, e quando a economia brasileira ainda crescia a um ritmo bastante forte e a inflação estava em níveis baixos e sob controle.

Não por acaso, o medo do desemprego foi o mais citado, por 42% dos entrevistados, enquanto a preocupação com a inflação se restringia a apenas 13%.

“A volta da inflação, naquela época, não metia medo em ninguém, da mesma forma que hoje o desemprego deixou de ser a principal fonte de preocupação”, frisa Rabelo. “O medo da volta da inflação passou a dominar a maior parcela dos brasileiros, justamente porque a taxa acumulada em 12 meses saiu de 4% para 6%.”

Na avaliação do economista, a trajetória da inflação nos próximos meses será cadente. “Provas disso é que já faz sete semanas que a pesquisa Focus, do Banco Central, está revendo para baixo a inflação no fim do ano.”

09/03/2011 - 09:27h Brasil lidera melhora na imagem positiva

Pesquisa: BBC mede popularidade de 16 países em enquete mundial e atesta avanço recorde do Brasil

Ana Paula Grabois | VALOR

De São Paulo

O Brasil obteve o maior crescimento de imagem positiva no exterior, segundo pesquisa divulgada pela BBC em uma lista de 16 países. Na média, a avaliação positiva do Brasil cresceu nove pontos percentuais em apenas um ano, o maior crescimento entre os países pesquisados. A avaliação positiva do Brasil aumentou para 49% ante os 40% verificados no levantamento feito um ano antes.

Apenas 20% dos entrevistados no mundo veem negativamente o Brasil, uma queda de três pontos sobre a pesquisa divulgada no ano passado.

A imagem positiva do Brasil ficou semelhante à dos Estados Unidos (50%), que ganhou quatro pontos percentuais sobre o levantamento anterior. O total de avaliações negativas sobre os Estados Unidos, de 30%, no entanto, foi superior à média brasileira.

Dentre os 27 países onde a pesquisa foi feita, 25 avaliaram o Brasil positivamente. Os outros dois – Alemanha e China – estão divididos. O país que mais destoou da média de avaliações positivas foi a China. As opiniões positivas dos chineses sobre o Brasil caíram dez pontos percentuais e ficaram em 45%. Já as opiniões negativas aumentaram 29 pontos percentuais, alcançando 41%.

Na Alemanha, as visões negativas sobre o Brasil corresponderam a 32%, um ponto acima das avaliações positivas.

À melhora de imagem também corresponde um maior grau de informação sobre o país. O número de entrevistados que deixou de responder caiu seis pontos em comparação à pesquisa anterior.

A Alemanha foi o país com a maior taxa de avaliação positiva no mundo, de 62%, três pontos acima da média do ano passado.

Dentre os 16 países avaliados, 13 tiveram crescimento em comparação ao ano anterior.

O levantamento da BBC foi feito pela empresa de pesquisas GlobeScan em parceria com a Universidade de Maryland.

O instituto de pesquisa ouviu 28.619 mil pessoas em 27 países entre os dias 2 dezembro de 2010 e 4 de fevereiro. Os países que receberam as piores avaliações foram Irã, com 59% de respostas negativas, seguido por Paquistão (56%) e Coreia do Norte (55%).

“A maior credibilidade das potências médias é a principal notícia desta rodada. O salto na avaliação positiva do Brasil revela a bem sucedida da transição democrática do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para Dilma Rousseff”, disse o presidente da GlobeScan, Doug Miller.

07/03/2011 - 10:39h Para Patriota, modelo democrático e ações contra pobreza explicam popularidade

Ministro de Relações Exteriores diz que Brasil conquistou ‘alcance global’ nos últimos anos.

BBC – O Estado SP

Para Patriota, postura pacífica do Brasil também influencia imagem no exterior

O ministro de Relações Exteriores, Antonio Patriota, diz que a melhora na avaliação sobre a influência do Brasil no mundo, verificada em pesquisa da BBC divulgada nesta segunda-feira, se deve ao modo com que o país se relaciona com as outras nações e à aprovação ao modelo de desenvolvimento brasileiro.

“Acho que podemos atribuir isso (a melhora na avaliação) a um modelo no Brasil que associa democracia com crescimento inclusivo, geração de emprego e também uma forma de interagir com o resto do mundo que é baseada em soluções diplomáticas para problemas, cooperação para reduzir a fome e a pobreza e cooperação para criar mais mecanismos democráticos para lidar com questões globais”, diz Patriota à BBC Brasil.

Segundo o ministro, nos últimos anos, o Brasil estabeleceu como prioridade “comunicar-se com o mundo”.

Essa postura implicou a abertura de embaixadas em vários países da África, Oriente Médio e Ásia Central, regiões onde a diplomacia brasileira ampliou consideravelmente sua atuação.

De acordo com o Itamaraty, 52 missões brasileiras foram abertas nos últimos oito anos. Como resultado, hoje o Brasil mantém relações diplomáticas com 191 dos 192 países membros da ONU.

“Hoje acho possível dizer que o Brasil tem um alcance global verdadeiro”, afirma o ministro.

Relações pacíficas

Patriota avalia também que a imagem mundial do país é favorecida por suas “relações exclusivamente pacíficas com o resto do mundo”.

“Não temos armas nucleares, não somos uma potência militar e não pretendemos ser uma. Nossa agenda é verdadeiramente uma agenda para a paz”, diz ele.

O ministro diz ainda que contam a favor do Brasil alguns elementos de “soft power” (poder suave, em inglês), expressão que designa a habilidade de um país em influenciar atitudes e posturas por meio de valores, instituições ou da cultura.

Entre esses fatores, ele cita o futebol brasileiro e as vitórias do país nas disputas para abrigar a próxima Copa do Mundo, em 2014, e os Jogos Olímpicos de 2016.

Pesquisa

Conduzida em 27 países, a pesquisa do Serviço Mundial da BBC revelou que as opiniões positivas sobre a influência do Brasil no mundo tiveram o maior salto entre as nações pesquisadas, passando de 40% a 49%.

Já as visões negativas sobre a atuação brasileira caíram três pontos percentuais, para 20%. Somente num país – a Alemanha – as opiniões negativas sobre o Brasil suplantam as positivas (32% a 31%).

O levantamento, coordenado pelo instituto de pesquisas GlobeScan/PIPA, foi feito entre dezembro de 2010 e fevereiro de 2011 com 28.619 pessoas, que opinaram sobre a influência de 16 países e da União Europeia.

07/03/2011 - 10:35h Popularidade do Brasil é a que mais cresce em pesquisa global


Levantamento da BBC revela que 49% da população global aprovam influência do país, uma alta de 9 pontos em relação a 2010.

BBC – O Estado SP

Ativismo do Brasil na área ambiental favorece visão do país, diz pesquisador

Uma pesquisa anual do Serviço Mundial da BBC conduzida em 27 países revela que as opiniões positivas sobre a influência do Brasil no mundo tiveram o maior aumento entre as nações pesquisadas, passando de 40% a 49%.

Já as visões negativas sobre a atuação brasileira caíram três pontos percentuais, para 20%. Somente em um país, a Alemanha, as opiniões negativas sobre o Brasil suplantam as positivas (32% a 31%).

Outra nação a destoar do resultado geral foi a China, maior parceiro comercial do Brasil, onde a visão positiva da influência brasileira caiu 10 pontos percentuais, para 45%, e a opinião negativa subiu 29 pontos, para 41%.

O levantamento, coordenado pelo instituto de pesquisas GlobeScan e pelo Programa de Atitudes em Política Internacional (PIPA, na sigla em inglês) da Universidade de Maryland (EUA), foi feito entre dezembro de 2010 e fevereiro de 2011 com 28.619 pessoas, que opinaram sobre a influência de 16 países e da União Europeia.

Para Fabián Echegaray, diretor do Market Analysis, empresa que realizou a pesquisa no Brasil, a melhor avaliação do país pode ser atribuída à aprovação à diplomacia brasileira, à popularidade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à atuação de empresas e ONGs brasileiras no exterior.

“Nos últimos dois, três anos, ONGs brasileiras tiveram grande destaque na discussão sobre as mudanças climáticas. Esse papel é bastante percebido lá fora e acaba projetando a imagem do país”, diz ele à BBC Brasil.

Segundo Echegaray, o bom desempenho da economia brasileira nos últimos anos, período em que muitos países sofreram intensamente os efeitos da crise financeira, também contou pontos a favor do Brasil, principalmente entre nações europeias.

A melhora na avaliação sobre o Brasil fez com que o país igualasse o desempenho obtido pelos Estados Unidos, cuja influência também foi considerada positiva por 49% dos entrevistados.

Os dois países ocupam posições intermediárias no ranking da pesquisa, que tem a Alemanha (com 62% de aprovação) e a Grã-Bretanha (58%) nos primeiros lugares e Irã e Coreia do Norte (ambos com 16% de aprovação) nas últimas colocações.

Auto-imagem

Echegaray destaca ainda, entre os resultados da pesquisa, a excelente opinião que os brasileiros têm da influência do próprio país, só comparável à dos sul-coreanos.

De acordo com o levantamento, 84% dos brasileiros acham que o Brasil tem influência positiva com o mundo, mesma porcentagem medida em 2009 e mesmo índice da Coreia do Sul.

Em 2008, ano em que o Brasil passou a figurar no questionário, 74% aprovavam a atuação do país.

Neste ano, a aprovação à influência do próprio país atingiu 77% na China e na Índia, 69% na Grã-Bretanha, 68% na França, 64% nos Estados Unidos e 39% no Japão.

Para o pesquisador, a boa avaliação do Brasil entre seus cidadãos indica como o brasileiro está processando o acúmulo de notícias no exterior a respeito do país.

“Os dados revelam um apoio à atuação externa do Brasil, seja via políticas públicas ou iniciativas de setores da sociedade.”

O levantamento no Brasil foi feito com 800 adultos moradores de Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Goiânia, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.

Projeção

A pesquisa revela ainda que a imagem do Brasil ao redor do mundo ganhou mais clareza no último ano: o número de entrevistados que optaram por não avaliar a influência do país caiu seis pontos percentuais em relação à pesquisa anterior.

A visão positiva do Brasil cresceu principalmente na Nigéria (22 pontos percentuais, chegando a 60% do total), na Turquia (29 pontos, 48%), Coreia do Sul (17 pontos, 68%) e Egito (19 pontos, 37%).

Na Europa, as maiores aprovações ocorreram em Portugal (76%) e na Itália (55%). Na Grã-Bretanha, embora a avaliação positiva do Brasil tenha crescido 12 pontos, chegando a 47%, a opinião negativa aumentou 13 pontos, atingindo 33%.

Além de ser o único país onde a avaliação favorável ao Brasil foi inferior à desfavorável, a Alemanha foi a única nação europeia a registrar aumento no número de entrevistados que optaram por não avaliar a influência brasileira.

Entre os países latino-americanos pesquisados, a aprovação à influência do Brasil chegou a 65% no México, 63% no Peru e 70% no Chile, ainda que neste país a opinião positiva tenha caído sete pontos, e a negativa, aumentado em seis.

Outros países onde as opiniões favoráveis ao Brasil cresceram foram a Austrália (50%, ante 32 na pesquisa anterior), Estados Unidos (60%, ante 42%), Canadá (53%, ante 38%) e Indonésia (50%, ante 42%).

14/02/2011 - 08:49h Inovação deve ter foco, dizem analistas

Políticas públicas : Ideia não é abandonar a indústria, mas definir onde é possível avançar mais

Leo Pinheiro/Valor

Carlos Américo Pacheco, professor da Unicamp, sobre as escolhas do país: “Não vamos conseguir resolver todos os problemas sistêmicos no curto prazo”

Heloisa Magalhães | VALOR

A indústria brasileira vem perdendo espaço no mercado doméstico para os produtos importados e também perdeu competitividade para concorrer em outros países com produtos “made in China”, “made in Coreia”, “made in” algum país asiático. Embora o câmbio seja hoje apontado como o grande vilão da indústria brasileira, ele não é o único responsável pela perda de participação dos produtos brasileiros no consumo doméstico e também no de outros países. Para um grupo cada vez maior de especialistas, a recuperação da participação perdida e a conquista de novos espaços passa pela inovação. Mas o importante, insistem, é traçar uma rota de incentivo à inovação com foco nos segmentos onde o país tem capacitação e possa fazer diferença. A ideia, dizem, não é abandonar a indústria, mas fazer “escolhas” em setores nos quais o país pode dar um salto a médio e longo prazo.

Na última década, o país perdeu competitividade de tal forma que levou o professor Antonio Barros de Castro, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a caracterizar a indústria brasileira, com honrosas exceções, de “descartável do ponto de vista internacional”. Para Barros de Castro é preciso “um ativismo forte, mas não para manter, e sim para transformar”.

Ele e outros dois especialistas em política industrial – os professores David Kupfer, também da UFRJ, e Carlos Américo Pacheco, do Instituto de Economia da Unicamp – avaliam que há a necessidade de uma política científica e tecnológica diferente daquela que vem sendo realizada. “O foco da política tecnológica brasileira tem que ser para segmentos ou setores ou para parte de setores ou para um conjunto de setores similares. A questão de ciência e tecnologia é um desafio em qualquer lugar do mundo. O Brasil não é diferente”, avalia Kupfer.

Carlos Américo Pacheco destaca que o Brasil vai ter que fazer escolhas. “Não vamos conseguir resolver todos os problemas sistêmicos no curto prazo. Há falta de recursos humanos e de ação coordenada, e toda essa agenda é de médio e longo prazos. Temos que resolver questões de logística e de infraestrutura, e o problema cambial não vai ser solucionado de um dia para outro. Temos aí dois anos para equilibrar apenas as questões macroeconômicas e depois poderemos realmente avançar ” diz.

Tanto ele como Kupfer destacam áreas nas quais o país pode avançar e posicionar-se internacionalmente de uma forma mais competitiva e diferenciada, observando que esses segmentos “são até óbvios”, como lembra o professor da Unicamp. “Andar firme no agronegócio, em toda a cadeia que envolve o petróleo, com o pré-sal, manter a base de desenvolvimento científico no que diz respeito aos recursos da biodiversidade, energia, na aeronáutica, setor aerespacial que são indutores de tecnologia pelo mundo afora são setores que formariam um mapa interessante para serem depois completados com dimensões da economia do conhecimento”, lista Kupfer.

Ele avalia que todos os setores citados contam com bases bem constituídas, mas precisam continuar recebendo investimentos para abrir caminhos novos e acumular mais massa critica para avançar. “Não se deveria definir um número muito grande de áreas, mas algumas com margem ampla de ação de longo prazo, envolvendo recursos de empresas e governamentais”, diz o professor da UFRJ.

Kupfer lembra que não foi por acaso que o país avançou no agronegócio. “A ideia de celeiro do mundo não é porque temos terra e sol. Foi reflexo de décadas de um sistema de acumulação, inovação e pesquisa tecnológica. Na agropecuária recente, houve um puxão na ciência que deu oportunidade para descobertas na biologia e genética, e, do lado econômico, a questão do alimento ganhou uma difusão de teses de segurança alimentar. A bioenergia, por exemplo, poderá encontrar soluções na agropecuária. Trata-se de uma linha que podemos avançar muito e chegar o mais próximo da fronteira internacional”, diz ele.

O professor lembra que já existe toda uma cadeia voltada à inovação que, se exacerbada, tem tudo para avançar ainda mais. O amplo envolvimento de um setor trouxe resultados importantes para o país, lembra Carlos Américo Pacheco, citando o exemplo da indústria aeronáutica. Tudo começou nos anos 40, com a criação de órgãos e a formação de mão de obra no setor, que levaram à criação da Embraer, empresa com destaque no cenário internacional.

O professor da Unicamp lembra que as energias renováveis estão na agenda mundial e nessa agenda o Brasil está devendo ao mundo. “Os Estados Unidos estão buscando novas fronteiras na biotecnologia e a China também. Para sermos cada vez mais competitivos, é preciso recursos para termos uma biotecnologia de classe mundial”, afirma.

Na avaliação dos especialistas, o país tem uma “joia da coroa”, como define Kupfer ao se referir a tecnologia envolvendo o pré-sal. “É preciso concentrar toda a política pública nessa mina de ouro para potencializar o conhecimento que se transfere para a indústria eletrônica, mecânica, a robótica e a ligada à tecnologia do conhecimento que estará envolvida ao redor”, afirma o professor da UFRJ.

Ao tomar posse no fim de janeiro do comando da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia, Glauco Arbix, especialista em politica industrial e inovação, deu um sinal da razão de ter sido escolhido. Ele foi taxativo: “O Brasil precisa de um choque de inovação em todas as esferas e dimensões, na economia e na sociedade”, disse. Falou em “mobilizar o Brasil para inovação”, mas lembrou que “a inovação é uma combinação de processos, conclusões e síntese de eventos anteriores”. E reconheceu: “Não há varinha de condão. Há travessia, criação e uso intensivo de conhecimento processado por pessoas”, disse.

Em dez anos, investimento na área cresce 75%

Tarso Veloso | VALOR

De Brasília

A decisão do governo de promover avanços nas áreas de pesquisa e tecnologia no país, especialmente em inovação, está evidente desde a posse da presidente Dilma Rousseff. O assunto dominou os primeiros passos de pelo menos dois ministros, Aloizio Mercadante, da Ciência e Tecnologia, e Fernando Pimentel, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Atualmente, os principais projetos de fomento ao setor estão ligados ao Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), cuja pasta será afetada pelos cortes no Orçamento de 2011.

São vários os programas de incentivo à inovação, entre os quais se destaca a Lei do Bem. Sancionada em 2006, ela oferece incentivos fiscais a empresas que realizam pesquisas tecnológicas e de informação. O Congresso discute alguns mecanismos para expansão da lei, mas ainda não estão claras as mudanças que os parlamentares pretendem fazer. No primeiro ano de vigência, em 2006, 130 empresas declararam investimentos de aproximadamente R$ 2,2 bilhões em pesquisa e inovação. O número saltou, em 2009, para 542 empresas e R$ 8,3 bilhões em investimentos. A contrapartida do governo em renúncias fiscais chegou a R$ 1,38 bilhão apenas em 2009. Na lista de empresas participantes existem desde pequenas fábricas até gigantes multinacionais como a Ambev e a Alcoa.

Os investimentos, por meio da Lei do Bem, ainda estão muito concentrados no Sudeste. Dos R$ 8,3 bilhões investidos em 2009 em pesquisa e desenvolvimento, R$ 7,2 bilhões foram aplicados nessa região. Das 542 empresas que investiram em 2010, 111 foram da área de mecânica e transportes, 53 de eletrônica, 47 da área química, 43 de metalurgia, e 40 de alimentação.

O ministro do MCT, Aloizio Mercadante, anunciou nos primeiros dias de sua gestão a intenção de avançar com os programas de incentivos à inovação para ganhar mais autonomia nos setores da indústria, aviação e automotivo. Dados do MCT indicam que o dispêndio total em pesquisa e desenvolvimento, no Brasil, cresceu de R$ 12 bilhões no ano 2000, correspondentes a R$ 25 bilhões corrigidos, para R$ 44,4 bilhões em 2010, um aumento real de 75%. Quanto à relação com o Produto Interno Bruto (PIB), o setor passou de 1,02% para uma estimativa de 1,25% em 2010.

Em seu discurso de posse, Mercadante chegou a dizer que o primeiro grande desafio do país é o da sustentabilidade ambiental e a obrigação de gerar baixos índices de emissão dos gases de efeito estufa e outros agentes poluidores. Esse, a seu ver, é um desafio importante para os cientistas envolvidos com a inovação.

Ainda de acordo com dados do ministério, até pouco tempo atrás havia poucas opções de financiamento para a pesquisa e inovação nas empresas. Recentemente, as duas áreas passaram a ser uma prioridade comum da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP) e do Plano de Ciência, Tecnologia e Inovação 2007-2010 (Pacti). O MCT firmou acordo com entidades empresariais, federações de indústrias, associações setoriais e o Sebrae para fomentar a inovação nas empresas nacionais.

Alguns dos primeiros novos programas anunciados pelo governo Dilma estão também ligados à inovação. Por exemplo, o aumento do acesso à internet rápida no país. O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, disse, em janeiro, que o governo deverá investir na produção de um tablet (aparelho portátil com acesso à internet) nacional. Atualmente, com os impostos de importação, o valor dos aparelhos se torna impeditivo para a maioria da população.

09/01/2011 - 12:20h ”Integração entre cérebro e máquinas vai influenciar evolução”


Para Nicolelis, corpo não vai mais limitar ação da mente sobre o mundo. Pesquisador também comenta os desafios impostos à ciência no País pela burocracia e desorganização

Alexandre Gonçalves – O Estado de S.Paulo

Miguel Nicolelis é um dos pesquisadores brasileiros de maior prestígio. Pioneiro nos estudos sobre interface cérebro-máquina, suas descobertas aparecem na lista das dez tecnologias que devem mudar o mundo, divulgada em 2001 pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês). Em 2009, tornou-se o primeiro brasileiro a merecer uma capa da Science. Na quarta-feira, foi nomeado membro da Pontifícia Academia de Ciências, no Vaticano. Ao Estado, Nicolelis falou sobre o impacto da neurociência no futuro da humanidade. Criticou de forma contundente a gestão científica no País, especialmente em São Paulo. Também questionou os critérios – marcadamente políticos – que teriam norteado a escolha do ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante.

O que as interfaces cérebro-máquina devem proporcionar no futuro?

No curto prazo, penso que as principais aplicações serão na medicina, com novos métodos de reabilitação neurológica, para tratar condições como paralisia. No médio, chegarão às aplicações computacionais. Não usaremos mais teclados, monitores, mouse… o computador convencional deixará de existir. Vamos submergir em sistemas virtuais e nos comunicaremos diretamente com eles. No longo prazo, o corpo deixará de ser o fator limitante da nossa ação no mundo. Nossa mente poderá atuar com máquinas que estão à distância e operar dispositivos de proporções nanométricas ou gigantescas: de uma nave espacial a uma ferramenta que penetra no espaço entre duas células para corrigir um defeito. E, no longuíssimo prazo, a evolução humana vai se acelerar. Nosso cérebro roubará um pouco o controle que os genes têm hoje sobre a evolução. Daqui a três meses, publicarei um livro em que comento esses temas.

O que o sr. chama de curto, médio, longo e longuíssimo prazo?

Curto prazo são os próximos anos. Médio prazo, as próximas duas décadas. Longo prazo, o próximo século. Longuíssimo prazo, milhares de anos.

Como andam suas linhas de pesquisa na medicina?

Estamos avançando rapidamente no exoesqueleto (um dispositivo que dá sustentação ao corpo de uma pessoa paralisada e é capaz de se mover obedecendo ao controle da mente). Outra linha de pesquisa importante é Parkinson. Publicamos um artigo na Science no ano passado. Estimulamos com eletricidade a medula espinhal de ratos com uma doença semelhante ao Parkinson e conseguimos reverter o congelamento motor característico da doença.

Ainda precisaremos dos sentidos para dialogar com sistemas computacionais?

Vamos publicar um trabalho em breve descrevendo o envio do sinal de uma máquina diretamente ao tecido neural de um animal, sem mediação dos sentidos: na prática, criamos um sexto sentido. Vai ser uma novidade explosiva, mas não posso dar mais detalhes, pois o artigo ainda não foi publicado. Mas posso afirmar que a internet como conhecemos hoje vai desaparecer. Teremos uma verdadeira rede cerebral. A comunicação não será mediada pela linguagem, que deixará de ser o único ou o principal canal de comunicação.

Quais as implicações antropológicas e sociológicas no longo prazo?

Costumo dizer que será a verdadeira libertação da mente do corpo, porque será a mente que determinará nosso alcance e potencial de ação na natureza. O que definimos como ser mudará drasticamente no próximo século.

O que o sr. acha da política científica brasileira?

Está ultrapassada. Principalmente a gestão científica. Foi por isso que eu escrevi o Manifesto da Ciência Tropical (mais informações nesta página). O talento humano é sufocado por normas absurdas nas universidades. Devemos ter uma carreira para pesquisadores em tempo integral e oferecer suporte administrativo profissional aos cientistas. Mas aqui no Brasil há a cultura de que, subindo na carreira científica, o último passo de glória é virar um administrador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) ou da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Uma tragédia.

O sr. afirmou diversas vezes que a ciência precisa ser democratizada.

Sem dúvida. É uma atividade extremamente elitizada. Não temos a penetração popular adequada nas universidades. Quantos doutores são índios ou negros? A ciência deve ir ao encontro da sociedade brasileira. Há bem pouco tempo, a ciência ainda era uma atividade da aristocracia brasileira.

Como o sr. se vê na Academia?

Sou um pária. Não tenho o menor receio de falar isso. Sou tolerado. Ninguém chega para mim de frente e fala qualquer coisa. Mas, nos bastidores, é inacreditável a sabotagem de que fomos vítimas aqui em Natal nos últimos oito anos. Em 2010, na avaliação dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs), tivemos um dos melhores pareceres técnicos da área de biomedicina. E nosso orçamento foi misteriosamente cortado em 75%. Pedi R$ 7 milhões. Recebemos R$ 1,5 milhão. As pessoas têm medo de abrir a boca, pois você é engolido pelos pares.

Qual é o futuro dos jovens pesquisadores no País?

Atualmente, eles têm uma dificuldade tremenda para conseguir dinheiro, porque não são pesquisadores 1A do CNPq. Você precisa ser um cardeal da academia para conseguir dinheiro e sobressair. Cheguei à conclusão de que Albert Einstein não seria pesquisador 1A do CNPq, porque não preenche todos os pré-requisitos – número de orientandos de mestrado, de doutorado… Se Einstein não poderia estar no topo, há algo errado. Até agora, ninguém teve coragem de enfrentar o establishment da ciência brasileira. Minhas críticas não são pessoais. Quero que o Brasil seja uma potência científica para o bem da humanidade. As pessoas precisam ver que a juventude científica está de mãos atadas. Devemos libertar esse povo.

O sr. tem uma opinião bastante crítica sobre a política científica no País. Mas, na eleição, manifestou apoio público a Dilma. Por quê?

Porque a outra opção era trágica. Basta olhar para o Estado de São Paulo: para a educação, a saúde e as universidades públicas. Eu adoro a USP, onde me formei. Mas a liderança que temos hoje na USP é terrível. A Fapesp é uma joia, um ícone nacional, reconhecida no mundo inteiro. Mas isso não quer dizer que as últimas administrações foram boas. Temos de ser críticos. Esta última administração, em especial, foi muito ruim. A Fapesp está perdendo importância. Veja só: a Science (no artigo publicado há algumas semanas sobre a ciência no Brasil) não dedicou uma linha à Fapesp.

Como o sr. avalia o governo Lula?

Apoiei e apoio incondicionalmente o presidente Lula, porque vivemos hoje o melhor momento da história do País. A proposta global de inclusão do governo Lula – e espero que será a mesma com a Dilma – é aquela em que eu acredito. Contudo, detalhes devem ser corrigidos. Admiro o ex-ministro da Ciência e Tecnologia Sérgio Rezende. Tivemos grandes avanços com a criação dos INCTs e dos fundos setoriais. Mas o ministro não enfrentou a estrutura. Em oito anos, nunca fui chamado para dar uma opinião no ministério ou para apresentar os resultados do projeto de Natal. Sei que outros cientistas, melhores que eu, também não foram chamados. Mas fui chamado pelo Ministério da Educação. O ministro (Fernando Haddad) é o melhor que já tivemos.

O que o sr. achou da escolha de Aloizio Mercadante para o MCT?

Estou curioso para saber qual é o currículo dele para gestão científica. Fiquei surpreso com a indicação, mas não o conheço. Não tenho a mínima ideia do seu grau de competência. Mas não fica bem para a ciência brasileira um ministério tão importante virar prêmio de consolação para quem perdeu a eleição. Não é uma boa mensagem. Mas talvez seja bom que o futuro ministro não seja um cientista de bancada, alguém ligado à comunidade científica. Assim, se ele tiver determinação política, poderá quebrar os vícios.

30/12/2010 - 10:23h 55% dos paulistanos aprovam Kassab

Pesquisa exclusiva do Ibope mostra que 37% dos moradores da cidade acham gestão do prefeito regular, 6% ótima e 16% péssima

Bruno Tavares e Vitor Hugo Brandalise – O Estado de S.Paulo

No fim do seu quarto ano na administração de São Paulo, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) alcançou 55% de aprovação dos paulistanos, segundo pesquisa Ibope publicada com exclusividade pelo Estado. Na avaliação qualitativa, porém, a maior fatia dos entrevistados (37%) ainda considera a gestão regular. Para 33%, ela é boa e para 6%, ótima. Há ainda 16% que a definem como péssima e 8%, como ruim.

A pesquisa Ibope foi realizada entre 21 e 23 de dezembro, antes do anúncio do aumento da tarifa de ônibus – de R$ 2,70 para R$ 3. As áreas apontadas como mais problemáticas coincidem com as bandeiras de campanha de Kassab, como Saúde (64% indicaram deficiências) e Educação (32% apontaram problemas), em que o governo tem enfrentado dificuldades para implementar seus projetos.

Na Saúde, por exemplo, o prefeito ainda não conseguiu dar início às obras de construção de três hospitais, previstos para serem entregues até 2012. A terceirização de unidades médicas, outra aposta do Executivo, também não engrenou e, pior, virou alvo de contestações do Tribunal de Contas do Município.

Na Educação, a falta de vagas em creches dobrou nos últimos dois anos: hoje, 125 mil crianças esperam lugar na sala de aula; em 2008, eram 57 mil. Para cumprir o plano de metas da gestão, Kassab terá de reverter o quadro e zerar esse déficit até 2012.

Para 31% dos entrevistados, o principal problema não resolvido são as enchentes. No início do ano, elas já haviam sido responsáveis pela queda na popularidade do prefeito. Nessa área, também há promessas não cumpridas, como a construção de piscinões na Pompeia, zona oeste, e Anhangabaú, no centro.

Violência e drogas, temas que Kassab passou a focar desde a criação da Operação Delegada – parceria com a Polícia Militar para combate ao comércio ilegal -, estão entre os piores problemas para 43% dos entrevistados. Embora a polícia seja atribuição do Estado, o Ibope incluiu a questão por considerar a segurança “sério problema, ligado à vida na cidade”.

A pesquisa avaliou ainda a percepção do paulistano em relação a serviços e eventos promovidos pela Prefeitura, ou que têm impacto na capital, como a Fórmula 1 e a Fórmula Indy.

No ranking dos cinco eventos e serviços mais bem avaliados, três têm cunho cultural, como as Viradas Cultural e Esportiva e o Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso. Na parte de baixo da lista, todos os itens se referem a zeladoria e organização da cidade – Córrego Limpo, Cidade Limpa, urbanização de favelas e organização das Fórmulas 1 e Indy. “É nas avaliações de sua cidade que as pessoas são mais críticas, já que lidam com questões de seu dia a dia”, diz a diretora do Ibope, Márcia Cavallari. “Por isso, prefeitos são mais sujeitos a oscilações e é difícil ver índices de aprovação muito altos.”

O Ibope ouviu 812 pessoas, todas eleitoras de 16 anos ou mais, residentes em todas as regiões da cidade. A margem de erro é de 3 pontos, para mais ou menos.

FATOS MARCANTES
Cargos. Gilberto Kassab (DEM), de 50 anos, foi secretário de Planejamento do governo Celso Pitta de 1997 a 2000. Em 2006, assumiu como vice-prefeito na chapa do tucano José Serra (PSDB).

Bandeira. É autor do decreto que criou a Lei Cidade Limpa, que proibiu outdoors e disciplinou a publicidade na fachada de imóveis comerciais. A norma entrou em vigor em 1º de janeiro de 2007.

Polêmica. Em 2007, expulsou de um posto de saúde do bairro de Pirituba, aos gritos de “vagabundo”, o manifestante Kaiser Paiva Celestino da Silva, dono de uma empresa de placas, contrário à Lei Cidade Limpa.

Enchentes. Em setembro de 2009, cortou 20% da verba de limpeza pública da cidade. Após as enchentes, culpou administrações anteriores pelos alagamentos. Os estragos fizeram sua popularidade cair de 61% para 39%.


”Fico muito contente. O número é positivo”

Gilberto Kassab, prefeito de São Paulo

Vitor Hugo Brandalise – O Estado de S.Paulo

Os planos do prefeito Gilberto Kassab (DEM) para a administração da cidade em 2011 incluem “relembrar” e fortalecer uma antiga bandeira – a Cidade Limpa – e “ampliar e espalhar” uma nova – a Operação Delegada (parceria com a Polícia Militar para o combate ao comércio irregular e aumento da segurança). Em entrevista exclusiva ao Estado na noite de ontem, Kassab também comentou os resultados da pesquisa Ibope, que apontou aprovação de 55% dos paulistanos à sua gestão. Ele classificou o índice como “muito positivo” e se disse “entusiasmado” com o resultado.

O índice de aprovação de 55% fica acima ou abaixo de suas expectativas?

A expectativa de qualquer pessoa na vida pública é fazer o seu melhor e, fazendo o melhor, ser reconhecido. Fico muito contente em saber que 55% da população aprova a gestão. O número é muito positivo.

Mas 37% dos entrevistados consideram sua gestão regular. Como melhorar esse índice?

Continuar trabalhando e corrigindo falhas. O importante é que, olhando para trás, a gente sabe que hoje as coisas estão melhores do que ontem. O balanço da nossa gestão é muito positivo.

Saúde e Educação, bandeiras de sua gestão, ainda são vistas como áreas problemáticas pela população. Isso o preocupa?

São quase 7 milhões de usuários do sistema público de saúde. Então, se você perguntar a qualquer cidadão qual é a sua maior preocupação, ele vai dizer que quer melhorias na Saúde. Agora, se você fizer a pergunta ao cidadão: “Melhorou (a Saúde)?” Pode ter certeza que mais de 90% vão dizer que melhorou muito. Está longe do ideal, mas melhorou muito.

Na Educação, o déficit de vagas em creches continua. Quando esse problema será, enfim, resolvido?

Tem fila em creche, mas nós dobramos o número de vagas. De 60 mil, passamos para aproximadamente 120 mil vagas. Os números estão na internet, tudo é feito com transparência. E vamos criar mais, com a parceria que vamos fazer com empresários e empreendedores mediante licitação. Com o terreno no Itaim-Bibi (zona sul) que a Prefeitura vai vender, vamos receber 200 creches.

O que sua gestão tem feito para ajudar o governo do Estado na questão da violência e das drogas, que aparecem na pesquisa como áreas problemáticas?

Não podemos fugir da responsabilidade. É um dever também da Prefeitura. Temos ações, como a Operação Delegada, muito bem sucedida, que reduziu os índices de criminalidade. Melhorou, mas precisamos melhorar ainda mais.

A Operação Delegada vai ser ampliada?

A ideia é espalhar a operação por toda a cidade. Estamos estudando levar a Operação Delegada para os arredores dos cemitérios, por exemplo. Mas ainda não há prazo.

Os cinco serviços mais mal avaliados na pesquisa são de zeladoria da cidade. É um ponto fraco?

Não. Eles foram bem avaliados. São pontos positivos, mas que devem ser aperfeiçoados. Por outro lado, os equipamentos bem avaliados, como o Centro de Cultura da Juventude Ruth Cardoso, merecem ser repetidos. Em Cidade Tiradentes (zona leste), estamos fazendo outro igual. E há planos de fazer em outros pontos da cidade.

Enchentes são outro ponto apontado como problemático. Há obras que ainda não saíram do papel, como os piscinões na Vila Pompeia e no Anhangabaú.

Desde 2005, fizemos aproximadamente 150 grandes obras no sistema de drenagem. Cerca de 120 foram concluídas, 20 estão em andamento e o resto em licitação. Há quase 100 ações desenvolvidas em áreas de risco. É evidente que se você perguntar para o cidadão se ainda tem muito o que solucionar, ela vai dizer que sim. Mas nessa questão também, se a pergunta for feita se a Prefeitura fez bastante ações, a resposta vai ser que sim, que fez muito. Não houve recurso para resolver todas, mas vamos continuar avançando.

54% dos paulistanos acham que a cidade está “no caminho certo”. No próximo ano, qual será o caminho a seguir?

A continuidade das ações, o início de novas, como a PPP (Parceria Público-Privada) da Saúde, a construção do centro de eventos em Pirituba, que será um dos maiores do mundo.

A Lei Cidade Limpa vai ser flexibilizada?

Ao contrário. Vai aumentar o rigor com a fiscalização. Haverá forças-tarefas que vão atuar com as subprefeituras para fiscalizar a lei. O objetivo é lembrar à cidade que a Prefeitura não vai esmorecer. A Lei Cidade Limpa veio para ficar. As forças-tarefas serão ainda mais intensas. Ações em imóveis tombados a própria lei já previa, estava aguardando a regulamentação. Já a (permissão de) anúncios em cinzeiros e em portas de bares não será discutido, nem aprovado. Não será implantada na nossa gestão.

A dois anos do fim do seu mandato, a Prefeitura concluiu apenas 5 das 223 propostas do Plano de Metas da gestão. O senhor já considera rever essas metas?

A própria legislação prevê a atualização das metas. Mas o importante é que quase 100% já estão sendo executadas. A finalização, evidente, virá no final da gestão. Pode haver adequações, por conta de circunstâncias que naturalmente surgem, mas nosso objetivo é concluir todas.

Com a eleição de José Police Neto (PSDB), político da base aliada do governo, para a presidência da Câmara Municipal de São Paulo, o Executivo terá mais facilidade na aprovação de projetos?

Seria uma injustiça fazer essa afirmação. Esta será uma administração parceira da cidade, com projetos sendo discutidos com independência no Legislativo.

16/12/2010 - 09:22h Medo do desemprego é o menor da história

Pesquisa da CNI mostra mais que metade dos entrevistados não teme ficar sem trabalho

Francisco Carlos de Assis – O Estado de S.Paulo

O consumidor brasileiro está mais otimista com relação ao mercado de trabalho e se mostra bastante seguro de que o desemprego não irá afetá-lo ou a sua própria família. É o que mostra o Índice de Medo do Desemprego que a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou ontem.

O índice para dezembro ficou em 79,3 pontos, um recuo de 2,2% na comparação com a pesquisa anterior, realizada em setembro, e de 7,3% na comparação com o levantamento de dezembro de 2009. É a primeira vez, desde 1996, que o indicador situa-se abaixo de 80 pontos, em uma escala que vai de zero a 100 pontos. “Quanto menor a pontuação, maior a confiança na preservação do emprego”, afirma Marcelo de Azevedo, economista da CNI.

Mais da metade do universo pesquisado, entre os dias 4 a 7 de deste mês, afirmou não estar com medo do desemprego. De acordo com os técnicos da CNI, o porcentual alcançou 56,7% das respostas válidas.

A proporção dos entrevistados que afirmou estar com muito medo do desemprego, por sua vez, recuou 15,3% em setembro para 13,6% em dezembro e também atingiu no menor porcentual da história. Já o porcentual de entrevistados que afirmou estar com medo do desemprego manteve-se praticamente estável, em 29,7%.

Para Azevedo, o menor Índice de Medo do Desemprego se explica pelo alto nível de formalização do mercado de trabalho e pela redução contínua da taxa de desemprego no País.

“Com todos estes indicadores extremamente positivos, o brasileiro se sente seguro sobre seu emprego. Ele percebe, no dia a dia, que há disponibilidade de vagas”, diz.

“De acordo com dados do Ministério do Trabalho, duplicou a criação de empregos com carteira assinada nos dez primeiros meses do ano comparativamente a igual período de 2009, com mais de 2,4 milhões de empregos. A criação de empregos formais, conforme o IBGE, foi responsável por 96% das novas vagas abertas nos últimos 12 meses até outubro passado”, afirma nota da entidade.

Confiança. O nível de confiança do consumidor brasileiro caiu 1,6% em dezembro em comparação com novembro, de acordo com o Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (Inec), pesquisado pela CNI. É a segunda queda consecutiva. Para o gerente da Unidade de Pesquisa da companhia, Renato Fonseca, a redução ocorreu, sobretudo, por conta de uma expectativa maior de crescimento da inflação e desemprego.

O indicador de expectativa de evolução da inflação nos próximos seis meses recuou 7,1% na comparação com novembro e acumula queda de 15% em dois meses. Com o recuo, o índice situa-se 5% abaixo de sua média histórica, o que mostra que um temor dos consumidores com a alta da inflação é maior que a usual. Fonseca explica que, pela metodologia do INEC, que será alterada em janeiro para facilitar o entendimento – quando o indicador de expectativa de inflação recua, significa que o porcentual dos que estão preocupados com a inflação aumentou.

15/12/2010 - 08:15h Carioca muda de opinião e agora acredita na segurança

Políticas públicas: Pesquisa mostra otimismo com papel das UPPs


Aline Massuca/Valor
Glauco Neves: retomada das comunidades do poder do tráfico se dará em momento econômico muito bom para o Rio


Paola Moura | VALOR

Do Rio

Dois anos depois do início da implantação das Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs) no Rio de Janeiro o carioca mudou completamente de opinião quanto à segurança na cidade. Em 2006, no início do governo Sérgio Cabral, 99% das pessoas entrevistadas numa pesquisa feita pela Macroplan e pelo Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets) diziam que as perspectivas para a segurança nos próximos anos seriam ruins ou muito ruins. Este ano, a pesquisa, batizada de Barômetro do Rio, está sendo refeita e apenas 18% têm a mesma percepção.

Naquela época, a população carioca não via com bom olhos a integração entre os governos federal, estadual e municipal. Numa cidade conhecida por ser sempre de oposição, 95% considerava esse tipo de acordo entre os três poderes ruim ou muito ruim. Depois do forte apoio do governo Lula ao governo Cabral, que resultou em investimentos maciços nos programas do PAC no Estado, a população também mudou de ideia e agora 75% das pessoas acreditam que a união entre as três esferas de poder é boa ou muito boa.

A melhora da expectativa quanto à segurança começa a fazer o carioca se preocupar mais com outros problemas crônicos da cidade, como infraestrutura e mobilidade. Em 2006, já havia certa preocupação com o tema: 82% dos entrevistados tinham uma percepção negativa do problema. Mas ele ficava em segundo lugar na lista de prioridades, batido de longe pela segurança. Agora, o tema passou a ser o mais mal avaliado, com 86%. O mesmo aconteceu com educação. O tema passou de 51% dos entrevistados com percepção negativa para 65%.

A primeira pesquisa realizada em 2006 com 2.500 pessoas foi entregue ao governador Sérgio Cabral (PMDB). Agora, os institutos voltaram a campo ainda em fase inicial. Em novembro foram entrevistadas 400 pessoas.

Para Glauco Neves, diretor da Macroplan, o resultado parcial da pesquisa mostra que é preciso aproveitar a mudança em relação à expectativa. “O Rio vive um momento único, que deve ser aproveitado pelo Estado para montar uma estratégia e colocar a cidade num rumo sem retorno de crescimento e melhoria da qualidade de vida de toda a população”, sugere. André Urani, diretor-executivo do Iets conta que não é só o Brasil que está olhando para a cidade, mas o mundo. “Em Harvard, há vários professores que estão planejando vir para o Rio para participar deste momento, para realizar projetos aqui”, conta Urani.

Glauco Neves ainda relembra que a retomada das comunidades do poder do tráfico se dará junto com um momento econômico muito bom para o Rio. “Só a Petrobras vai investir R$ 220 bilhões, sem falar em Copa do Mundo e Olimpíada. Vamos precisar de mão de obra, de treinamento, de trabalhadores qualificados”, diz.

Os dois propõem que os órgãos federais, junto com a iniciativa privada, montem um plano estratégico único para desenvolver a cidade. “Há iniciativas isoladas, a prefeitura tem seu plano, criou um bolsa-família carioca. O Cabral [governador Sérgio Cabral] quer que todos os prefeitos da região metropolitana façam o mesmo, mas não há uma pessoa que coordene essas ações”, critica Urani.

O diretor-executivo do Iets conta que o exemplo mais citado de legado de Olimpíada para uma cidade, Barcelona, teve um plano estratégico que ultrapassou as fronteiras do evento e tinha previsão até 2025. “Eles uniram a localização do porto, do aeroporto e da ferrovia, para transformar a cidade num centro de transportes mundial. O subúrbio de Barcelona não foi beneficiado na época da Olimpíada, mas agora está sendo”, diz Urani, ao acrescentar que o projeto do Rio tem de ser de longo prazo.

“No Iets ou na Macroplan não podemos organizar, mas o objetivo é sugerir que o governo aproveite essa oportunidade única e crie um plano estratégico para mais 20 anos, até 2030, por exemplo. Que ultrapasse vários mandatos. E a gente vai dar de presente os subsídios”, conclui.

14/12/2010 - 17:00h Brasil produz droga melhor contra colesterol

Cientistas sintetizam de forma mais eficaz e barata fármaco usado para limpar as artérias

Antônio Marinho – O Globo

● Os brasileiros que precisam tomar todos os dias comprimidos de estatinas para controlar o colesterol elevado terão uma opção de tratamento tão boa quanto um dos melhores fármacos do mercado e mais barata. Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), integrantes do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Fármacos e Medicamentos (INCT-Inofar), descobriram uma forma inédita de produzir a atorvastatina (o princípio ativo do Lípitor, da Pfizer), a mais vendida de sua classe no mundo. A descoberta permitirá que um maior número de pacientes se beneficie de uma droga considerada boa, porém, muito cara. A patente do Lípitor expira no fim deste mês.

Cientistas liderados pelo professor Luiz Carlos Dias, do Laboratório de Síntese Orgânica do Instituto de Química da Unicamp, desenvolveram uma maneira mais viável e eficiente de obter a atorvastatina — indicada para baixar o colesterol ruim, o LDL, associado a doenças cardiovasculares. Para produzir a nova atorvastatina, foi preciso investigar reação por reação descrita na patente original (depositada nos Estados Unidos em 1989). Os cientistas também usaram menos solventes e reagentes para obter a fórmula, o que melhora o rendimento para produção em grande quantidade.

Essa pesquisa abre caminho para a fabricação de outros medicamentos caros e de uso pelo resto da vida. — Preparamos o medicamento a partir de uma rota, um
caminho, de síntese inédita, antes não descrita. A nossa atorvastatina é igual a da Pfizer, mas a estratégia de produção agora ficou mais curta e eficiente. Nosso produto poderá ser preparado em maior quantidade, de forma mais rápida, prática e barata — explica Dias.

O desenvolvimento do princípio ativo no Brasil terá grande impacto econômico, inclusive no Sistema Único de Saúde, já que o preço da atovarstatina de marca varia de R$ 120 a R$ 200, a caixa de 30 comprimidos, dependendo da concentração e da região do país. Mesmo o genérico do laboratório EMS, já disponível aqui, é caro: cerca de R$ 80. — Com esses preços, menos de 5% da população brasileira têm acesso ao medicamento que oferece o melhor efeito terapêutico para baixar o colesterol — afirma Dias. — Agora há uma chance desse número aumentar.

Estima-se que, só em 2009, as vendas do Lípitor geraram uma receita de R$ 400 milhões para Pfizer. No mundo, as vendas atingiram US$ 13 bilhões.

Composto também poderá ser exportado

A próxima ação do INCTInofar é patentear a nova atorvastatina — se houver verba, inclusive no exterior — e buscar parceria com laboratórios brasileiros interessados em produzi-la em larga escala, com o mesmo grau de pureza do produto de marca, visando até a exportação da molécula.

Uma grande dificuldade para se obter uma droga genérica é que as indústrias se antecipam ao fim de uma patente, registrando possíveis rotas sintéticas. Como as empresas farmacêuticas brasileiras não têm tradição nesse tipo de pesquisas, terminam comprando insumos para remédios de países como Índia e China. — A pesquisa nessa área no Brasil pode nos ajudar a produzir compostos mais complexos, inclusive para o mercado externo — comenta Dias. — Depois da aprovação da substância na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não será necessário fazer testes em seres humanos porque a droga já existe, é a mesma do Lípitor.

A patente do Lípitor já deveria ter expirado há dois anos, mas a Pfizer conseguiu na Justiça prorrogá-la até o fim deste ano. O INCT-Inofar foi criado em 2009, no âmbito do Programa dos INCTs do Ministério da Ciência e Tecnologia e é administrado pelo CNPq, com apoio do Ministério da Saúde, MCT e da Faperj. ■

A ação das estatinas

● A maior parte do colesterol, cerca de 60%, é produzida no fígado pela enzima HMG. Ele participa de reações importante, como, por exemplo, manter a integridade
das membranas das células. Para cumprir sua missão, o colesterol pega carona em moléculas formadas por gorduras e proteínas. A de baixa densidade, LDL, é ruim
porque leva o colesterol do fígado para o sangue, entupindo as artérias. As estatinas impedem que a enzima HMG atue no fígado, e o órgão reage aumentando o número de receptores de LDL.

Com o maior número de receptores, o órgão captura mais LDL no sangue. Isso ajuda a eliminar a quantidade de gorduras nocivas nas paredes das artérias.

07/11/2010 - 10:11h Entre mais pobres, Dilma teve 26 pontos de folga

Daniel Bramatti, José Roberto de Toledo – O Estado de S.Paulo

Na votação do último domingo, a petista Dilma Rousseff teve 26 pontos de vantagem sobre o tucano José Serra no eleitorado mais pobre, com renda de até um salário mínimo.
Dilma também venceu por larga margem entre os eleitores católicos, mas praticamente empatou com o adversário entre os evangélicos.
Esses e outros detalhes do capítulo final da história da campanha presidencial de 2010 só podem ser conhecidos porque o Ibope, além de sua tradicional pesquisa de boca de urna, realizou no dia da votação uma segunda sondagem domiciliar, com 3.010 eleitores, perguntando não apenas seu voto, mas também, sua renda, religião, escolaridade e cor.

Os números mostram que houve empate – ou vantagem mínima para um dos lados – nos segmentos de mais alta renda e escolaridade.
A diferença pró-Dilma se deve ao comportamento dos mais pobres. Na faixa de renda familiar que vai até dois salários mínimos, a candidata do presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve quase 10 milhões de votos a mais que Serra – mais de 80% da vantagem total que abriu sobre o tucano, de aproximadamente 12 milhões de votos.

Gênero. Dilma venceu entre mulheres e homens, mas com margem maior entre eles do que entre elas. No segmento masculino, a petista teve cerca de 8,6 milhões de votos a mais que o adversário, segundo projeção feita a partir de dados do Ibope. Já as eleitoras deram 3,4 milhões de votos de vantagem à primeira mulher eleita para governar o Brasil.

Em um segundo turno marcado por discussões de fundo religioso, eleitores de diferentes orientações mostraram comportamentos distintos nas urnas.

Os católicos preferiram Dilma por um placar de 58% a 42%. Já entre os evangélicos a pesquisa apontou um resultado de 52% para a petista e 48% para o tucano – como os números estão no limite da margem de erro, não é possível saber quem ganhou, apenas que o vencedor teve margem bastante apertada.

A segmentação do eleitorado por cor indica um placar muito próximo entre os eleitores que se denominam brancos: 52% para Dilma e 48% para Serra. Entre negros, a petista venceu por 30 pontos de vantagem (65% a 35%), e entre pardos, por 20 (60% a 40%).

10/10/2010 - 18:36h Campeões de infidelidade e disfunção sexual

Brasileiros estão entre os que mais traem; homens apresentam os maiores índices de distúrbios na ereção


imagem do templo de Khajuraho, na Índia

Roberta Jansen – O Globo

Nem tudo são flores no país da liberdade sexual. Embora os brasileiros se revelem muito liberais na cama quando comparados com boa parte de seus vizinhos latino-americanos, eles enfrentam alguns problemas sérios em seus relacionamentos.

Pesquisa sobre a sexualidade na América Latina, feita pelo instituto Tendencias Digitales em 11 países da região a pedido do GDA, mostra que o Brasil apresenta os maiores índices de infidelidade e disfunções sexuais.

Quem olha para os casos de infidelidade declarados pelos brasileiros corre o risco de perder o sono. Entre os homens, o percentual daqueles que dizem já ter traído pelo menos uma vez na vida chega a 70,6%. Entre as mulheres, o número é 56,4% — o maior da região. O levantamento mostra que apenas 36,3% dos brasileiros nunca traíram um parceiro.

Só a Colômbia consegue ter um número ainda menor de fiéis convictos: 33,6%.

— É mais fácil trair no Brasil e na América Latina, onde se lida com a questão de um jeito diferente, de forma não tão condenável, especialmente no caso dos homens — afirma a psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade da USP. — É um traço cultural do latino em geral, presente também nos franceses, espanhóis e italianos.

Se incorpora ao casamento a ideia de que é complicado viver anos com uma pessoa sem ter ao menos uma experiência extraconjugal.

Um sintoma de problemas graves na relação O assunto é tema de um encontro no Colégio Brasileiro de Cirurgiões, em Botafogo, nos próximos dias 22 e 23, que reunirá especialistas da área, entre eles a terapeuta de família Mônica Lobo. Segundo ela, os homens em geral seguem o modelo antigo e ainda fazem distinção entre relações afetivas e sexuais.

Mas a percepção cresce também entre as mulheres, como mostra a pesquisa.

— Isso está ocorrendo porque as mulheres estão ocupando um lugar diferenciado no mercado de trabalho, estão mais independentes, sabem o que querem, não aceitam qualquer coisa em termos de sexo e se sentem no direito de ir buscar isso em outros relacionamentos — sustenta a sexóloga Carla Cecarello, presidente da Associação Brasileira de Sexualidade.

Mas a infidelidade, masculina ou feminina, sobretudo em percentuais tão altos, segundo os especialistas, é um sintoma dos mais gritantes de que os casais não estão sabendo enfrentar seus problemas e se relacionar de forma mais saudável.

— O que as pessoas muitas vezes têm dificuldade de ver é que, em primeiro lugar, a traição está ligada a uma disfunção da relação, em que cada um dos cônjuges têm tem uma parcela igual de responsabilidade — sustenta a terapeuta Mônica Lobo.

Alexandre Sadeeh, especialista em sexualidade do Hospital das Clínicas da USP, concorda com a colega: — Falta intimidade entre os casais — diz. — A paixão, o encantamento, o amor do início do casamento são destruídos pela rotina. As pessoas pensam, ‘já conheço, já sei, não preciso me dedicar tanto’. Vão mudando e isso não é percebido pelo outro. E vão se distanciando.

A pesquisa mostra que falta mesmo diálogo aos casais, sobretudo no que diz respeito às preferências sexuais. Segundo o levantamento, menos da metade das pessoas dizem falar sempre com o parceiro sobre o que mais gostam na cama.

Metade (49,8%) diz que só às vezes fala sobre o assunto e 6,4% afirmam que isso nunca acontece. No Brasil, 42% dizem conversar sempre.

— Acho um percentual baixo num país que fala tanto de sexo — diz Carmita Abdo. — Mostra que 60% não falam, não têm intimidade verbal, não comunicam suas preferências, fantasias, gostos.

Com o distanciamento, o sexo se torna cada vez mais raro.

— Muitos casais, a medida que os filhos chegam, se voltam muito para a função parental e deixam de lado a conjugal — constata Mônica.

Para os especialistas, esses problemas estão também na raiz das disfunções sexuais. O levantamento revela que, na América Latina, o brasileiro é quem apresenta maior dificuldade para ter uma ereção (29,8%) e para mantê-la (40,1%). Metade diz já ter sentido dor durante as relações.

— Isso tem a ver com idade, estresse, mas também com o tipo de relação do casal, com a falta de intimidade — explica Sadeeh.

Brasileiros são os que mais fazem sexo pela internet A pesquisa mostra também que os brasileiros são os que mais fazem sexo pela internet (53,1% dizem ter tido a experiência), contra 45,8% no restante do continente. A prática pode ser apenas a exploração de mais uma ferramenta da sexualidade, mas pode se tornar um problema, de acordo com os especialistas, se for compulsiva.

— É mais comum entre os homens, que buscam os sites de pornografia e as salas de bate-papo para se masturbar — explica Carla Cecarello. — Se for ocasionalmente, só para apimentar a relação, ok, mas em geral não é assim. Os homens se masturbam excessivamente e não assumem o que está acontecendo em seu relacionamento. Não se dão conta de que a relação não está dando conta de suprir as suas necessidades.

Por isso mesmo, a prática vem cada vez mais se tornando um problema sério também entre casais. Afinal, sexo pela internet é traição? — É uma questão muito discutida, inclusive juridicamente — conta Carla. — O fato é que quem se utiliza dessas coisas não acha que está traindo, mas o parceiro que descobre sempre se sente traído.

sex_Br4

10/10/2010 - 18:15h Faz a fama e deita na cama

Estudo revela que Brasil confirma estereótipos sobre liberalidade sexual

Roberta Jansen – O GLOBO

SexoO Brasil das praias, do carnaval, das roupas sumárias, das mulheres liberadas, dos homens galanteadores e destino preferido dos homossexuais cumpre a risca o estereótipo. Pesquisa sobre a sexualidade dos latino-americanos, realizada em 11 países da região, confirma algumas das mais propaladas características dos latinos em geral e dos brasileiros em particular no que diz respeito ao sexo e aos relacionamentos amorosos.

Realizada pelo instituto Tendencias Digitales, sob encomenda do Grupo Diarios America (GDA), integrado pelo GLOBO, com 13.349 pessoas via internet, a pesquisa revelou que o Brasil é o país em que homens e mulheres têm o maior número de parceiros sexuais ao longo da vida, uma média de 12, contra 10 na América Latina em geral. O país registra também o maior percentual de pessoas da região que associa relação sexual a prazer, 35,6%. Nos demais países, a média é de 27,6%. E a proporção se mantém mesmo quando o recorte é feito por gênero. As mulheres e os homens associam sexo a amor, sim, mas, em quase igual medida, também ao prazer.

— Acho que é uma coisa cultural nossa mesmo (a maior liberalidade em relação ao sexo).

Apesar da influência católica, ela aqui adquiriu outras vias — afirma o especialista em sexualidade Alexandre Sadeeh, do Hospital das Clínicas da USP. — O brasileiro se permite assumir que tem mais parceiros e faz isso com mais naturalidade do que em outros países. A sexualidade está presente no nosso dia a dia, nas mulheres de biquíni, nos olhares dos homens. As danças, as roupas, as propagandas sempre têm um teor erótico embutido.

O país registra também o maior percentual de homossexuais ou bissexuais: 16,6% se declaram assim — o maior percentual da região, cuja média é de 13,3%. Quando a pergunta é sobre o sexo do atual parceiro, o percentual sobe ainda mais. Entre os homens, 21,1% dizem estar fazendo sexo com outro homem. As mulheres que estão mantendo relações com outras mulheres perfazem um percentual bem menor, 5,4%, mas, ainda assim, acima da média regional, de 4,9%.

— No Brasil, se assumir homossexual é menos complexo do que em outros países da América Latina, onde a tradição machista parece ser mais intensa — sustenta a psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade da USP.

Vibradores: as brasileiras são as que mais usam

SexoApesar, claro, de o machismo ainda ser muito presente no Brasil, em relação aos demais países da América Latina, o país é um dos mais liberais para as mulheres. Vale lembrar que, como o levantamento foi feito pela internet, o nível socioeconômico dos participantes é mais elevado. A pesquisa mostra que as brasileiras são as que mais usam vibradores para se masturbar (13,5%) e as que mais chegam ao orgasmo pelo sexo oral (33,9%). Embora muitas ainda finjam gozar (mais da metade dizem que de vez em quando fazem isso), uma parcela considerável diz ter orgasmos múltiplos regularmente (19,3%) e às vezes (54,3%).

— Os brasileiros são mais livres para se aproximar, conquistar. O latino, em geral, é machista, a mulher é mais submissa, a questão do pecado é muito forte — diz a sexóloga Carla Cecarello, presidente da Associação Brasileira de Sexualidade. — Por aqui, o corpo é muito cultuado, há muita sensualidade, e tudo isso é um agente facilitador a estimular a troca de parceiras, há uma procura por experimentar mais nesse sentido. E as mulheres estão se permitindo mais a busca do prazer não necessariamente ligado ao amor.

Na análise dos especialistas, a posição sexual preferida pelos latinos — e, particularmente, pelos brasileiros — revela ainda o caráter machista do sexo na região. Nos onze países da região, a posição preferida (24,1%) é aquela em que o casal fica de joelhos e o homem penetra a mulher por trás. No Brasil, esta é a posição ideal para 29,1% da população.

Em segundo lugar na preferência nacional, com 22,7%, vem o tradicional papai-mamãe.

— O padrão aqui ainda é bem machista: ou o homem vem por trás ou está por cima — avalia Sadeeh. — Por isso, a proporção em que a mulher fica por cima é menor.

Carla Cecarello concorda com o colega. Ela afirma que as posições sexuais favoritas são aquelas em que o homem tem todo o controle da relação. Mas acrescenta ainda uma explicação mais prosaica: — O brasileiro é fissurado por bunda. Nessa posição, ele tem o controle total dos movimentos, é ele que está segurando a parceira, e ainda tem todo aquele visual, que é um grande estimulante.

sex_Br

sex_Br2

sex_Br3

17/09/2010 - 10:20h Paulistano perde 27 dias por ano no trânsito


Pesquisa mostra ainda que 68% dos entrevistados consideram tráfego ruim

Eduardo Reina – O Estado de S.Paulo

Os paulistanos perdem, em média, 27 dias por ano no trânsito da cidade. Pesquisa do Ibope, feita a pedido do Movimento Nossa São Paulo, mostra que o tempo médio gasto no trânsito para realizar todos os deslocamentos diários é de 2 horas e 42 minutos, um minuto a menos do que a média do ano passado. Isso significa que a cada mês o cidadão passa dois dias e seis horas no carro ou no transporte público para se locomover.

A avaliação do trânsito continua a mesma: 68% dos entrevistados o consideram ruim ou péssimo, uma variação de três pontos a menos do índice registrado no ano passado. Esta é a quarta edição da pesquisa anual “Nossa São Paulo/Ibope – Dia Mundial Sem Carro”. As entrevistas foram feitas entre os dias 25 e 30 de agosto. Foram ouvidos 805 paulistanos nas cinco regiões da capital, todos com mais de 16 anos. A margem de erro é de três pontos para mais ou para menos.

Cansados dos engarrafamentos, 76% dos entrevistados afirmaram que deixariam de usar o carro se houvesse boa alternativa de transporte público de passageiros. Segundo o Ibope, o número de paulistanos que utilizam carros todos os dias ou quase todos os dias é de aproximadamente 2 milhões de pessoas. Isso significa que cerca de 1,5 milhão de motoristas – o equivalente a 20% da população da capital – estão dispostos a deixar o carro na garagem. Para 67%, o transporte público deveria receber mais atenção dos governos.

Segundo Oded Grajew, do Nossa São Paulo, é preciso haver uma grande mobilização para que a promessa de usar menos o carro se torne real. “É preciso um transporte de qualidade, que atenda a todas as regiões da cidade”, afirma. Boa oportunidade é colocar a ação em prática na quarta-feira, quando ocorrerá o Dia Mundial Sem Carro.

“Sem gastar milhões de reais é possível deixar os ônibus andarem em faixas exclusivas. A Marginal do Tietê, por exemplo, comporta um corredor metropolitano exclusivo de ônibus unindo cidades da Região Metropolitana. Para isso é preciso planejar, fazer passarelas para os usuários, plataformas e bilheterias externas. Mesmo porque os congestionamentos na Marginal estão voltando”, afirma Horário Figueira, engenheiro e consultor de trânsito.

Meu carro, minha vida. Na cidade dos carros, moradores da região central, onde a oferta de metrô e transporte público é maior e melhor, são os que mais utilizam veículos para se locomover diariamente ou quase todos os dias na cidade. Somam 83% neste ano. Em 2009, a pesquisa mostrou que eram 86%. Já os moradores motorizados da zona leste são hoje 79%, contra 74% no ano passado. Na zona sul, são 80%, na oeste 72%, na norte 66%. Segundo o Departamento Estadual de Trânsito (Detran), São Paulo tem cerca de 6,8 milhões de veículos registrados. A cada dia, pelo menos 600 novos emplacamentos são feitos.

Pouco mais da metade dos paulistanos – 55% – afirmou usar mais de um meio de locomoção diariamente. São mais comuns os deslocamentos a pé (45%), de ônibus (16%), carro (14%), lotação (7%) e metrô (6%). A bicicleta é adotada por 3% da população, o equivalente a 223 mil paulistanos, de acordo com a pesquisa. E 25% afirmaram que passariam a usar esse meio de transporte para se locomover na capital se fossem construídas ciclovias seguras.

Se a cidade tivesse outras ciclofaixas, 68% dos entrevistados mostrariam disposição de utilizar as magrelas. Esse potencial equivale a um exército de 5,3 milhões de pessoas sobre duas rodas. Mais de nove em cada dez (92%) são favoráveis à construção ou ampliação de ciclovias, enquanto o grupo contrário caiu de 11% para apenas 5%.

Proibições. A limitação de circulação de veículos na cidade começa a perder adesão. A pesquisa aponta que o rodízio de veículos em dois dias é apoiado por 41% das pessoas – em 2009, eram 52%. Já o número de paulistanos contra cresceu: foi de 46% para 56%.

O apoio ao pedágio urbano no centro expandido baixou seis pontos em um ano, de 26% para 20%. Por outro lado, são 62% aqueles que se dizem favoráveis à proibição de estacionamento nas ruas e vias do centro expandido da capital.

10/09/2010 - 21:13h Ibope/SP: Alckmin cai 5 pontos percentuais

SPTV – O GLOBO

SÃO PAULO – A pesquisa Ibope/Rede Globo/O Estado de S.Paulo, divulgada nesta sexta-feira, mostra que o candidato Geraldo Alckmin (PSDB) caiu 5 pontos percentuais em relação à última pesquisa para o governo de São Paulo, divulgada há uma semana. O tucano tem 46% das intenções de voto, ante 51% da pesquisa divulgada no último dia 3. Na pesquisa divulgada hoje Mercadante subiu 2 pontos percentuais e agora aparece com 22% das intenções de voto.

Os demais candidatos citados na pesquisa são Celso Russomano (PP), com 8%; Paulo Skaf (PSB), com 2%; e Fábio Feldman (PV), com 1%. Os candidatos Paulo Búfalo (PSOL), Mancha (PSTU) e Anaí Caproni (PCO) não pontuaram. Igor Grabois (PCB) não foi citado pelos entrevistados. Brancos e nulos somam 10 e indecisos, 11%.

Na simulação para o segundo turno, segundo a pesquisa Ibope, Alckmin venceria Mercadante, 54% contra 27%. Brancos e nulos somam 10% e indecisos, 8%.

Questionado sobe quem o eleitor não votaria para governador de São Paulo, 24% não votariam em Mancha, 18% em Mercadante, 15% em Alckmin e 13% em Russomano.

O Ibope ouviu 1.806 eleitores entre os dias 7 e 9 de setembro. A pesquisa foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral (TER) com o número 83153/2010.

06/09/2010 - 17:30h Tracking Vox Populi/Band/iG: Dilma 55% (+2), Serra 22%(-2), Marina 8%

Blog do Alê

Tracking Vox Populi/Band/iG: Dilma 55%, Serra 22%
No sexto dia de medição, petista oscila positivamente acima da margem de erro

iG São Paulo | 06/09/2010 17:16

No sexto dia das medições do tracking Vox Populi/Band/iG para a eleição presidencial, a petista Dilma Rousseff obteve 55% e o tucano José Serra 22% das intenções de voto. Pela primeira vez desde o início da medição, no dia 1 º de setembro, a petista oscila positivamente acima da margem de erro que é de 2,2 pontos percentuais. O mesmo ocorre com o candidato tucano, que oscila negativamente além da margem de erro. No dia 1º, Dilma tinha 51% e Serra 25%.

A candidata Marina Silva (PV), terceira colocada, apresentou novamente 8% das intenções de voto –mesmo percentual da última pesquisa. Brancos e nulos são 4%, indecisos somam 10%, mesmo índice do levantamento do dia anterior, e os outros candidatos têm 1%.

A pesquisa, publicada diariamente pelo iG, ouve novos 500 eleitores a cada dia. A amostra é totalmente renovada a cada quatro dias, quando são totalizados 2.000 entrevistados.

Na pesquisa espontânea, quando o nome do candidato não é apresentado ao entrevistado, Dilma ocilou positivamente um ponto e tem 44%, Serra por sua vez oscilou negativamente e marca 17%, dois pontos a menos que a sondagem anterior, e Marina Silva 6%.

A petista apresentou melhora em todas as regiões do País e segue na liderança. Já Serra, oscilou negativamente em todas as regiões. Dilma tem seu melhor desempenho na região Nordeste, onde soma 71% dos votos contra 15% de Serra e 5% de Marina.

03/09/2010 - 19:34h Em MG, Anastasia e Hélio Costa mantém empate técnico, aponta Ibope. EM SP, Alckmin lidera.

Jair Stangler/SÃO PAULO – Estadão.com.br

Os candidatos ao governo de Minas Gerais, Antonio Anastasia (PSDB) e Hélio Costa (PMDB) mantiveram exatamente os mesmos porcentuais da pesquisa feita entre 18 e 20 de agosto. O tucano registra os mesmos 35% das intenções de voto contra 33% de seu adversário.

Vanessa Portugal (PSTU) e Fabinho (PCB) têm 1% e os demais não pontuaram. Brancos e nulos somaram 6% e os indecisos chegam a 23%.

A situação de empate técnico entre Costa e Anastasia se repete na pesquisa sobre segundo turno: o tucano teria 37% das preferências, contra 36% de Costa.


Alckmin amplia vantagem sobre Mercadante, aponta Ibope

Jair Stangler/SÃO PAULO – Estadão.com.br

O candidato do PSDB ao governo de São Paulo, Geraldo Alckmin, voltou a subir e ampliou a liderança na pesquisa Ibope/Estado/TV Globo, indo a 51%. Já seu adversário, o petista Aloizio Mercadante caiu de 23% para 20%. O resultado daria a vitória em primeiro turno para o tucano.

Celso Russomanno (PP) atingiu 7%, enquanto Paulo Skaf, do PSB, marcou 2% e Fábio Feldmann (PV), 1%. Luiz Carlos Prates, o Mancha (PSTU), Paulo Búfalo (PSOL), Igor Grabois (PCB) e Anaí Caproni (PCO) não pontuaram.

Os votos brancos e nulos para a disputa ao governo paulista somam 8%. Os indecisos são 10%.

Em um possível cenário de segundo turno entre Alckmin e Mercadante, o candidato tucano venceria com 58% das intenções de voto. Mercadante teria 26%. Brancos e nulos seriam 8%, mesmo porcentual de indecisos.

Na espontânea, em que não são apresentados os nomes dos candidatos, Alckmin lidera com 28% das intenções de voto. Mercadante assinalou 14% e Celso Russomanno, 2%. Skaf marcou 1% e outros com menos de 1% somaram 2%. Nessa modalidade, brancos e nulos somaram 8%. Os indecisos são 45%.

03/09/2010 - 19:19h Ibope/Estadão/TV Globo aponta Cabral com 58% dos votos e Gabeira com 15%


Candidato do PMDB mantém liderança com folga de 43 pontos sobre seu principal adversário na disputa pelo governo do Rio

Ricardo Chapola, do estadão.com.br

SÃO PAULO – A nova pesquisa Ibope/Estadão/TV Globo aponta que o candidato Sérgio Cabral (PMDB) permanece, com grande folga, na liderança da disputa pelo governo do Rio com 58% das intenções de voto. Seu principal adversário, Fernando Gabeira (PV), aparece em segundo lugar, com 15%.

Os outros demais candidatos não ultrapassam 2% das menções.

Com relação à última pesquisa, realizada entre os dias 24 e 26 de agosto, Cabral oscilou 2 pontos percentuais para mais (de 56% para 58%), enquanto Gabeira oscila 1 ponto percentual (de 14% para 15%). Este novo resultado mantém a diferença entre os dois candidatos estável em 43 pontos.

O crescimento dos dois principais candidatos se atribui à diminuição de eleitores indecisos. Segundo indica a pesquisa, 10% dos fluminenses estavam indecisos. Eles somavam 16% na sondagem anterior. Votos brancos e nulos totalizam 11% das menções.