20/11/2009 - 10:43h Economia brasileira está em fase de “boom”, diz pesquisa

PESQUISA


DA FOLHA ONLINE

A economia brasileira passou “para a fase de “boom” e se destacou entre as demais da América Latina, com um ICE (Índice de Clima Econômico) de 7,4 pontos em outubro, segundo pesquisa da FGV (Fundação Getulio Vargas) elaborada em parceria com o instituto alemão Ifo. Em julho, o indicador estava em 5,5 pontos.
O Brasil também lidera entre os Brics (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia e China). A Índia ficou com 7 pontos; a China chegou a 6,5 pontos e a Rússia foi para 4,7 pontos. O ICE mundial foi de 5,1 pontos.
O ICE é composto pelo Índice da Situação Atual (ISA), que trata do desempenho econômico do país no momento da pesquisa, e pelo Índice de Expectativas (IE), que aborda as previsões para os próximos seis meses.
O ISA no Brasil aumentou de 4,3 para 6,4 pontos e o IE passou de 6,6 para 8,4 pontos. “O Brasil se destaca por apresentar os maiores índices da região, seja o de clima econômico, situação atual ou de expectativas”, informou a FGV em comunicado.
A sondagem é feita trimestralmente com especialistas de cada país. Em outubro foram consultados 142 técnicos em 16 países.

Moody’s
A Moody’s Economy.com, uma divisão da agência de “rating” Moody’s, projeta um crescimento “”em torno de 4,5%” para a economia brasileira em 2010.
A previsão faz parte de relatório divulgado ontem, onde consta também a expectativa de que a taxa básica de juros não sofra ajustes “antes do final do ano que vem”.
Para 2009, o economista-chefe Alfredo Coutino calcula um crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) entre 0,5% e 1%.
Em outro relatório, também divulgado hoje, a OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) reportou que vê um país ainda estagnado, mas se recuperando com força em 2010 (crescimento de 4,8%) e 2011 (4,5%).

19/11/2009 - 12:42h Petrobrás tem o 2º maior lucro das Américas

Empresa fica atrás apenas da ExxonMobil; a Vale está em 22.º lugar na lista, dominada por grupos dos EUA

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Nicola Pamplona, RIO – O Estado SP

A Petrobrás teve o segundo maior lucro trimestral entre todas as empresas de capital aberto da América Latina e dos Estados Unidos. Segundo levantamento feito pela consultoria Economática, o resultado do terceiro trimestre, divulgado na semana passada, ficou atrás apenas dos números apresentados pela gigante americana ExxonMobil. Mesmo assim, com pequena diferença: US$ 4,107 bilhões da Petrobrás, ante US$ 4,730 bilhões da Exxon.

A lista dos 25 maiores lucros ainda inclui a brasileira Vale, que anunciou ganhos de US$ 1,689 bilhão no terceiro trimestre, ficando em 22º lugar. As demais empresas são todas americanas. Mesmo amargando uma queda considerável nos ganhos este ano, o setor de petróleo ocupa as três primeiras posições: no terceiro lugar, atrás de Exxon e Petrobrás, vem a Chevron, que teve lucro de US$ 3,831 bilhões.

As petroleiras sofreram com uma queda brusca no preço do petróleo, que chegou a ultrapassar os US$ 140 por barril em julho, mas fechou o terceiro trimestre de 2009 a uma cotação média de US$ 68 por barril, valor 41% menor do que o registrado no mesmo período de 2008.

Tal cenário levou o lucro das principais empresas do setor a despencar. A Exxon, por exemplo anunciou uma queda de 68% com relação ao terceiro trimestre de 2008. Já o lucro da Chevron caiu 41%.

No caso da Petrobrás, a queda foi bem inferior, de 26%, e mesmo assim com forte impacto de um acordo fechado com a Agência Nacional do Petróleo (ANP) para o pagamento de R$ 2 bilhões a título de recálculo da participação especial do campo de Marlim, o maior do País. Na entrevista de divulgação do balanço, o diretor financeiro da companhia, Almir Barbassa, disse que, sem o pagamento, a redução no lucro seria menor, de apenas 11%.

A principal diferença, dizem analistas, é que a Petrobrás tem a maior parte de sua receita proveniente do mercado interno, cujos preços não oscilam tanto quanto no mercado internacional. De fato, no terceiro trimestre, a cesta de combustíveis da Petrobrás custava R$ 162,96 por barril, enquanto o valor americano foi de R$ 121,62 por barril. A estatal tem mantido seus preços acima das cotações internacionais há mais de um ano.

A lista elaborada pela Economática considera a cotação do dólar Ptax de 30 de setembro (R$ 1,91), o que contribui para o bom desempenho da Petrobrás. Na moeda brasileira, o lucro da Petrobrás foi de R$ 7,3 bilhões. A primeira empresa não petroleira do ranking é o banco JP Morgan Chase, com lucro de US$ 3,588 bilhões. A Microsoft vem em quinto lugar (US$ 3,574 bilhões).

AMÉRICA LATINA

Dentre as empresas sediadas apenas em países latino-americanos, a Petrobrás ocupa a primeira posição em lucro no terceiro trimestre, com resultado 143% superior ao da Vale, segunda colocada.

Nesta lista, 15 empresas são brasileiras e cinco mexicanas – incluindo a terceira colocada, a America Movil. O Itaú Unibanco, resultado de fusão ocorrida neste ano, está em quarto lugar. Na sequência vêm Banco do Brasil, Bradesco, AmBev, CSN, Itaúsa e Braskem.

19/11/2009 - 11:23h Falta de renda para alimento cai no Brasil, diz consultoria

Mercado Aberto

MARIA CRISTINA FRIAS – cristina.frias@uol.com.br

O número de famílias com algum grau de insegurança alimentar no Brasil e nos Estados Unidos caminha em sentido contrário, segundo análise da consultoria MB Associados. A estimativa da MB é que 25,68% das famílias brasileiras estavam nessa condição em 2008, uma redução ante o índice de 35,28% registrado pelo IBGE em 2004.
Nos Estados Unidos, 14,6% das famílias sentiram insegurança alimentar em 2008, mais que em 2004, quando o problema atingiu 11,95% dos domicílios, segundo a Usda (Departamento de Agricultura dos EUA).
Insegurança alimentar se caracteriza pela falta de condições de suprir as necessidades de alimentação familiar.
Para Sergio Vale, economista-chefe da MB, a crise e o desemprego motivaram a piora na situação alimentar dos Estados Unidos. No Brasil, o aumento do salário mínimo e o Bolsa Família puxaram a melhora do resultado, diz.

Leia a integra da coluna Mercado Aberto, no caderno Dinheiro da Folha SP

15/11/2009 - 10:46h Perolas de Gaspari

Elio Gaspari

PRIVATARIA
Quando o tucanato vendeu o patrimônio da Viúva, seus sábios ensinavam que a entrega das distribuidoras de energia elétrica a empresas estrangeiras traria preciosos capitais para Pindorama. Tudo bem. A estatal Cemig vai comprar a Light, que foi vendida aos franceses da EDF em 1996. Como fez o corsário Duguay-Trouin no Rio no século 18, a turma da privataria veio, faturou e voltou. Agora verifica-se que a Eletropaulo, vendida em 1999 para a americana AES, devia R$ 910 milhões à Viúva e acorreu para baixo do guarda-chuva do Refis. Assim, bombará o balanço do quarto trimestre com um lucro líquido de R$ 250 milhões.

PÁREO DURO
Quem sabe ler pesquisa e examinou os números da Vox Populi (36% para Serra e 19% para Dilma) acha que, em condições normais de temperatura e pressão, entre o final de janeiro e o início de março, os dois estarão emparelhados.

SERRA X AÉCIO
Prospera num pedaço do empresariado a ideia de que é melhor perder a sucessão presidencial com Aécio Neves do que ganhá-la com José Serra. A manobra nasceu no poço de rancor que a ekipekonômica de Fernando Henrique Cardoso cultiva em relação a Serra. Desse núcleo propagou-pela pela banca e pela turma do papelório. A conta é simples: “Se ganharmos com Aécio, acertamos na loteria. Admitindo-se que para nós tanto faz Dilma como Serra, trocamos um jogo de perde-perde por outro de perde-ganha.”

A arma cinematográfica de Lula e Dilma


O filme “Lula, o filho do Brasil” conta uma história real que emociona e incomoda


O filme “Lula, o filho do Brasil” estreará em 500 cinemas no dia 1º de janeiro. As platéias chorarão de emoção e a oposição, de raiva. São 128 minutos de viagem pela história de um garoto que sai do sertão pernambucano, come o pão que o Diabo amassou, e chega à presidencia da República. É possível que algumas pessoas comecem a chorar já na fila para a compra de ingressos. Deliberadamente épico, o filme arranca até a última lágrima da platéia. A epopéia foi lustrada pelos roteiristas e pelo diretor Fábio Barreto, mas não foi invenção deles. Ela está na essencia da história do filho de Dona Lindu.
“O Filho do Brasil” baseia-se no livro do mesmo título, de Denise Paraná, lançado em 2002. Ele reúne uma longo depoimento de Lula à autora, mais entrevistas com seus três irmãos, três irmãs e a mulher, Marisa. Quem o leu viu uma parte da alma de Nosso Guia, acompanhou as vicissitudes de sua família e admirou a altivez das irmãs Marinete, Maria e Tiana, duas empregadas domésticas e uma operária.
A crítica a “Lula, Filho, do Brasil” correrá em duas pistas. Uma, estética, discutirá o filme. Outra, política, cuidará da narrativa e seus efeitos num ano de eleição presidencial. Só Deus sabe o tamanho do benefício que o sucesso do filme levará aos companheiros. Olhado sob esse prisma, é um exemplar de realismo petista. Retrata com fidelidade quase todos os fatos que conta, mas constrói um herói implausível, sem defeito nem deslize. Pena, porque aos 29 anos, Lula abandonou uma companheira grávida de seis meses com quem planejava viver. Foi o caso de Miriam Cordeiro, mãe de Lurian. (Essa história está bem contada, por ele, no depoimento que deu ao projeto “ABC de Luta”: “Eu até compreendo o ódio que [ela] tem de mim”). Situações desse tipo refletem a complexidade, as tensões e os sofrimentos da vida dos mortais. Tirá-las da narrativa, como fizeram, empobrece o personagem e ilude a platéia.
É comum ver adversários de Lula torcendo o nariz sempre que ele relembra as dificuldades por que sua família passou. As desgraças mostradas no filme são uma pequena e contida amostra do que eles penaram. Fábio Barreto não filmou a cena em que o menino Lula pede um chiclete mastigado a um amigo. Ficou de fora também a morte, sem qualquer assistência médica, de um casal de gemeos de Dona Lindu, recem-nascidos em São Paulo. A doença e morte de Lurdes, primeira mulher de Lula, grávida de oito meses, vai mostrada em cenas breves, quase secas. A tragédia que se vê na tela choca e emociona, mas não exagera. Aquilo foi o que aconteceu no Hospital Modelo em 1971.
Um episódio pouco conhecido da vida de Lula foi sovieticamente alterado pela arquitetura da construção do herói implausível. No filme um operário é assassinado durante uma greve e seus colegas atiram o empresário (ou gerente) do alto de um passadiço da fábrica. Lula assistiu a cena de longe e, indignado, reclamou com seu irmão. Falso. Nosso Guia contou o caso a Denise Paraná e ele está na página 80 de seu livro. (Paraná é co-roteirista do filme.) O episódio ocorreu em 1962, o dono de uma pequena confecção baleou um grevista e seus colegas atiraram-no do alto de um sobrado e lincharam-no. É Lula quem narra: “O pessoal chutou ele” (à) “Acho que ele morreu” (à) “Eu achava que o pessoal estava fazendo justiça”.
“Lula, o filho do Brasil” ajudará, e muito, as campanhas de Dilma Rousseff e do PT. Se Luís Inácio da Silva visse esse filme em 1968, quando era um peão que só pensava em futebol, votaria no PT, em Dilma e nos candidatos indicados por aquele filho porreta de Dona Lindu.
Nenhum dos ingredientes que o levariam a tomar essa decisão seria inteiramente falso. Noves fora a trapaça do linchamento e alguns retoques, o que aparece na tela aconteceu na vida real.
Como Tarzan, Rocky Balboa ou até mesmo o esplendido Napoleão de Abel Gance, o herói implausível de “Lula, o filho do Brasil”, encanta, comove, e só. Torce-se por ele, mais nada. Saudades de Erin Brokovich (Julia Roberts) e de George Patton (George C. Scott), filmes que enriquecem quem os vê.

Leia a integra da coluna de Elio Gaspari na Folha de São Paulo

09/11/2009 - 09:02h Pobres já gastam 5% mais que ricos

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Estudo mostra avanço do consumo das classes D e E do Norte e Nordeste em relação às classes A e B do Sudeste

Márcia de Chiara – O Estado SP

Os pobres do Norte e Nordeste estão consumindo mais que os ricos do Sudeste. Nos últimos 12 meses até setembro deste ano, as classes D e E das regiões Norte e Nordeste do País gastaram R$ 8,8 bilhões com uma cesta de alimentos, produtos de higiene pessoal e limpeza. Essa cifra é 5% maior que a desembolsada pelas camadas A e B (R$ 8,4 bilhões) que vivem no Sudeste do País no mesmo período com esses itens, revela estudo exclusivo da LatinPanel, maior empresa de pesquisa domiciliar da América Latina.

Em igual período do ano passado, a situação era exatamente inversa: o gasto das camadas que compõem a base da pirâmide social no Norte e Nordeste com bens não duráveis havia sido 5% inferior ao das classes A e B do Sudeste. “Houve uma reversão”, afirma Christine Pereira, diretora da empresa e responsável pela pesquisa.

Ela atribui a mudança a fatores conjunturais. Inflação em baixa, que dá mais poder de compra ao consumidor, ganhos de renda dos trabalhadores que recebem salário mínimo e o fato de a crise não ter afetado as camadas de menor renda explicam, segundo Christine, o avanço do consumo dos bens não duráveis pelos mais pobres. Os dados da pesquisa foram obtidos a partir de visitas semanais a 8,2 mil domicílios para auditar o consumo de 65 categorias de produtos.

Embora em maior número, as famílias das classes D e E do Norte e do Nordeste têm renda agregada bem menor que a das famílias das classes A e B do Sudeste. No Norte e no Nordeste, há 6,9 milhões de lares que recebem até quatro salários mínimos (R$ 1.860) por mês, o que corresponde a 40% do total de famílias das classes D e E do País. Já as classes A e B somam 4,9 milhões de domicílios no Sudeste ou 45% dos lares desse estrato social do Brasil. Essas famílias têm renda mensal superior a dez salários mínimos (R$ 4.650).

Para o economista chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges, boa parte do avanço do consumo dos mais pobres se deve ao aumento real do salário mínimo de 5,7% concedido neste ano. “O salário mínimo pesa muito nas regiões Norte e Nordeste”, diz.

Nas contas dele, a massa real de renda dos ocupados, pensionistas da Previdência e também beneficiários do Bolsa Família cresceu 7,7% no Norte e Nordeste no primeiro semestre deste ano em relação a igual período de 2008. O acréscimo é mais que o dobro do registrado para essa população que vive no Sudeste do País, que foi de 3,1% nas mesmas bases de comparação.

Além disso, Borges ressalta que a inflação dos mais pobres, que ganham até cinco salários mínimos (R$ 2.325), medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), perdeu fôlego este ano. Após fechar 2008 com alta de 6,5%, a maior taxa desde 2003, o INPC deve encerrar 2009 com aumento de 4,5%, prevê.

04/11/2009 - 14:51h Na contramão de outros países, salários no Brasil sobem mais

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Assis Moreira, de Genebra – VALOR

O Brasil é um dos poucos países onde os salários têm aumentado mais em termos reais, enquanto declinam na maior parte dos outros países, mesmo com os sinais de recuperação econômica global, avalia a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

O crescimento mundial dos salários declinou de 4,3% em 2007 para 1,4% em 2008, em termos reais, com o corte das horas trabalhadas e pode ser ainda pior este ano, segundo estudo da entidade.

Foto Destaque

Já no caso do Brasil, a OIT calcula que o país registrou o maior crescimento real de salários entre oito dos países que fazem parte do G-20, e também fez um dos maiores aumentos no salário mínimo.

O aumento médio foi de 2,8% do salário real em 2008, enquanto o México ficou na lanterna, com queda de 3,5% no mesmo período. O salário mínimo teve o sétimo maior aumento na categoria entre os países examinados, com alta real de 6%.

Segundo a OIT, no primeiro trimestre o ritmo de expansão dos ganhos caiu no país, mas a situação se estagnou no segundo trimestre e se espera alta de salários de novo no segundo semestre.

“O Brasil está num círculo vicioso, as políticas econômica e social dão resultado e isso se reflete nos salários”, disse o economista Patrick Belser. Em entrevista à imprensa, ontem, em Genebra, a OIT colocou de fato o Brasil no centro da discussão, como um dos melhores resultados em meio à crise global.

Comparado com a média de 2008, a alta de salários mensais reais no primeiro trimestre deste ano caiu pela metade em mais de 35 países. Dados sobre o desemprego indicam que a pressão sobre os salários vai aumentar no futuro.

26/10/2009 - 09:15h Redução do número absoluto de pobres é uma realidade em todo o Brasil. De 2006 a 2008, a maior diminuição, 26,68%, foi no Paraná. Em segundo lugar, veio Goiás com 25,89%. O terceiro melhor desempenho foi do Mato Grosso, com queda de 24,41% do número absoluto de pobres.

Desigualdade: Norte e Nordeste ainda têm situação preocupante
Estudo mostra que política pública reduz pouco pobreza

Arnaldo Galvão, de Brasília – VALOR

As políticas públicas de redução da pobreza e da desigualdade estão na direção correta, mas a força delas é insuficiente para resgatar as regiões mais pobres do país, especialmente Nordeste e Norte. Essa é a principal conclusão de um trabalho do Laboratório de Estudos da Pobreza (LEP) da Universidade Federal do Ceará (UFC) sobre o que ocorreu nos 27 Estados e no Distrito Federal, de 2006 a 2008.

O economista e professor Flávio Ataliba Barreto, coordenador da pesquisa, explica que foram usados dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do IBGE, com informações de renda, desigualdade e pobreza. O bem-estar foi apurado a partir do índice elaborado pelo economista indiano Nanak Kakwani, que mede o crescimento da renda das camadas mais pobres da população.

Barreto comenta que, apesar da queda da desigualdade, movimento que vem sendo verificado desde 2001, o Nordeste continua muito atrasado, com renda baixa e desigualdade alta. Ele lamenta que, nessa região, as políticas públicas não conseguiram reverter a situação “preocupante” mantida pelo baixo nível educacional. Na interpretação do professor da UFC, falta perspectiva para esse grupo de nove Estados que têm 28% da população brasileira, mas concentram 49% dos pobres. “Não há muito a comemorar no Nordeste. A região tem grande população, mas ainda é bastante dependente das transferências de renda”, conclui.

De 2006 a 2008, o que ocorreu com os dois Estados com a maior proporção de pobres na população – Alagoas e Maranhão – é exemplo dessa falta de perspectiva. Os dois deram saltos, mas, como a base de comparação é muito baixa, o movimento não significa muito para as pessoas.

O índice de Kakwani mostra que Alagoas ficou em sétimo lugar na lista do crescimento da renda favorável aos mais pobres, mas isso foi insuficiente para tirá-lo do incômodo topo no rol das unidades da federação que têm mais pobres na população. Alagoas tinha 65,27% da população na faixa da pobreza em 2006, o que significa renda familiar per capita de até meio salário mínimo. Em 2008, essa parcela recuou para 56,36%.

A situação do Maranhão também evoluiu positivamente quando é medida a evolução da renda dos mais pobres. O Estado, de 2006 a 2008, ficou no honroso sexto lugar nessa classificação, mas continuou em segundo lugar no “ranking” dos que têm mais pobres na população. Em 2006, eram 63,61% com renda familiar per capita de até dois salários mínimo e recuaram para 54,19% dois anos depois.

Os números da proporção de pobres na população revelam que todos os Estados e o Distrito Federal reduziram o número de pessoas que têm até meio salário mínimo como renda per capita familiar. De 2006 a 2008, o melhor desempenho é do Paraná. O Estado tinha 25,19% nessa situação e passou a ter 18,12%. Goiás aparece logo depois porque reduziu essa parcela da população de 30,87% para 22,20%. Em terceiro lugar está Mato Grosso, com queda de 33,10% para 24,18%.

As reduções mais tímidas da proporção de pobres na população, nesses dois anos, foram de Roraima (42,64% para 37,62%), Amazonas (47,36% para 41,88%) e Paraíba (53,98% para 48,98%).

Barreto informa que, na análise do LEP, o cenário que apresenta a melhor síntese é a comparação, entre os Estados, dos respectivos índices de bem-estar de Kakwani. Segundo ele, dessa maneira é possível medir se a renda dos mais pobres aumentou. A fórmula desse índice de Kakwani considera variações da renda geral com o movimento verificado na renda das camadas mais pobres da população.

Entre 2006 e 2008, Rondônia foi o único Estado que teve contração da renda geral, mas, apesar disso, houve aumento de 18,91% da renda dos mais pobres. Em quatro unidades – Distrito Federal, Mato Grosso, Paraíba e Tocantins – foi registrada expansão da renda geral nesse período, mas acompanhada de aumento da desigualdade.

O trabalho mostra que os demais 22 Estados tiveram, de 2006 a 2008, expansão da renda geral com perfil favorável à elevação da renda dos mais pobres.

Os melhores desempenhos de crescimento da renda dos mais pobres, sob a ótica do índice de Kakwani, foram de Rondônia, Roraima, Acre, São Paulo e Amapá. O índice de bem-estar de Amartya Sen considera as variações da renda e da desigualdade, mas, na opinião de Barreto, falha ao omitir se os ricos perderam renda ou se os pobres foram beneficiados.

Isolando a variação da desigualdade nas 27 unidades da federação, o LEP verificou que, de 2006 a 2008, a situação deteriorou-se em Tocantins, Paraíba, Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal. O coordenador do estudo revela que está sendo preparada uma análise mais profunda das causas da redução da desigualdade no Brasil. Os primeiros sinais apontam para o aumento do salário mínimo no Sudeste e os benefícios previdenciários e transferência de renda no Nordeste.

Outra boa notícia, segundo Barreto, foi a redução do número absoluto de pobres em todos 26 Estados e no Distrito Federal. De 2006 a 2008, a maior diminuição, 26,68%, foi no Paraná. Em segundo lugar, veio Goiás com 25,89%. O terceiro melhor desempenho foi do Mato Grosso, com queda de 24,41% do número absoluto de pobres. Na outra ponta da lista, as reduções mais modestas foram em Roraima (7,44%), Paraíba (7,63%) e Amazonas (8,33%).

14/10/2009 - 09:30h “Gestão” Kassab: Nas creches, de mal à pior

Tribunal de contas vai investigar acusações contra creches de SP

Aline Mazzo do Agora

O Tribunal de Contas do Município vai fiscalizar as creches mencionadas no relatório feito pelo Movimento de Mães Sem Creche para verificar as irregularidades apontadas no documento.

Em matéria publicada pelo Agora no dia 10, a entidade relatou ter encontrado creches municipais diretas e conveniadas com superlotação em salas de aula, problemas trabalhistas, cobrança indevida de materiais e dificuldade de acesso para deficientes.

O conselheiro corregedor do tribunal, Edson Simões, determinou uma inspeção nas unidades mencionadas na reportagem e a verificação junto à Secretaria Municipal de Educação sobre as denúncias. O tribunal também deverá checar se a pasta está fiscalizando o cumprimento do contrato firmado por parte das creches conveniadas.

Segundo a entidade, 84% dos professores de creches acompanhados são registrados como auxiliares de desenvolvimento infantil e ganham R$ 810 por 40 horas semanais, enquanto os registrados como professores na rede direta ganham R$ 1.237 por jornada de 30 horas. No Cei (Centro de Educação Infantil) Raio de Luz, na Vila Nova Cachoeirinha (zona norte de SP), a direção cobra uma lista mensal de materiais a serem levados, que inclui papel higiênico. A entidade entregará o relatório ao Ministério Público e ao Ministério do Trabalho hoje.

EDITORIAL DO JORNAL AGORA

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Descaso com as creches

Na campanha pela Prefeitura de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM) prometeu que acabaria com o deficit de vagas nas creches. Foi reeleito, o primeiro ano de mandato está na reta final e ainda falta muito chão para cumprir a promessa. Há cerca de 80 mil crianças na cidade à espera de uma creche municipal.

A situação é, na verdade, ainda pior. Não só faltam unidades, como as existentes enfrentam uma série de deficiências. Levantamento realizado pelo Movimento de Mães sem Creche apontou irregularidades trabalhistas, cobrança indevida de material e superlotação das salas.

Em uma amostragem de 16 creches, 84% de 131 funcionárias atuam como professoras, mas têm registro de “auxiliar de desenvolvimento infantil”. E, assim, recebem um salário menor.

Outra falha: em uma creche sem rampas de acesso, um aluno cadeirante precisa ser carregado o tempo todo. Cuidar bem das crianças que necessitam das creches municipais não é um gesto de generosidade da prefeitura. É sua obrigação. Enquanto isso, os gastos em publicidade da gestão Kassab não param de crescer.

Se a administração municipal não quer ficar à mercê de críticas e pesquisas feitas pelas associações de mães, então precisa criar seus próprios indicadores de qualidade para as creches. E, a partir deles, cobrar resultados e melhoria de suas unidades.

09/10/2009 - 08:58h Miséria cai no Brasil, mas aumenta em São Paulo

Enquanto a “gestão” Kassab dificulta a expansão do Bolsa-Família federal e os tucanos discorrem sobre a bolsa-esmola, a miséria se agrava em São Paulo. A região metropolitana governada por Serra e Kassab é a única em que a miséria se agravou, no resto do país, ao contrário, ela diminuiu. É o que mostra estudo da FGV publicado no Estadão. LF

Ver também

Kassab deixa os pobres sem o Bolsa-Família

http://www.novacorja.org/wp-content/uploads/2009/01/serrakassab.jpg

Crise global afetou mais SP, diz FGV

Região metropolitana da capital é a única em que a miséria se agravou em agosto, com expansão de 5,91%


Adriana Chiarini, RIO – O Estado SP

A região metropolitana de São Paulo foi a que mais sofreu com a crise econômica entre as seis principais do País, de acordo com dados de pesquisa do Centro de Políticas Sociais (CPS) da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Foi a única em que a miséria aumentou em agosto na comparação com o mesmo mês do ano passado, com expansão de 5,91% da classe E. Na média das seis regiões, a miséria caiu 4,82%.

“São Paulo é a região metropolitana mais identificada com a indústria e o sistema financeiro, que foram os setores mais atingidos pela crise”, disse o economista-chefe do CPS, Marcelo Neri. “Em agosto do ano passado estávamos às vésperas da crise e, apesar disso, a miséria e a pobreza diminuíram no Brasil”, afirmou, sobre o resultado nacional.

A pesquisa é baseada em análise de dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ela mostra também que São Paulo teve em agosto o menor crescimento do conjunto de pessoas das classes de renda A, B e C, de 0,19%, entre as regiões no estudo. Nas demais, as classes alta e média tiveram aumentos bem maiores: Recife (6,05%); Salvador (5,11%); Porto Alegre (4,43%); Rio de Janeiro (1,55%) e Belo Horizonte (0,98%).

“São Paulo também tem poucos pobres, proporcionalmente, e acaba não sendo tão beneficiada por programas sociais para a pobreza como o Bolsa-Família quanto o Nordeste”, disse Marcelo Neri.

A região metropolitana de São Paulo teve queda de renda média por habitante de 2,78% em agosto em relação a igual mês de 2008, passando de R$ 883,06 para R$ 858,48. Essa redução só não foi pior que a de 3,91% no Recife, enquanto a média de crescimento de renda per capita nas seis regiões foi de 1,56%.

Apesar desse aumento, a média das seis regiões ainda é inferior à de São Paulo em valor, totalizando R$ 662,15. Uma outra parte da pesquisa do CPS, baseada nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), também do IBGE, que considera as 27 capitais brasileiras, mostra que São Paulo caiu no ranking de mais alta renda domiciliar per capita. Saiu do quarto lugar entre 1997 e 1999, com R$ 952,82, para o oitavo, no período de 2005 a 2008, com R$ 891,58. Antes, esteve em sétimo lugar, entre 2001 e 2004, com R$ 816,40.

A capital com maior renda por habitante no período entre 2005 e 2008 é Florianópolis, com R$ 1.161,18. Em seguida vem Porto Alegre, com R$ 1.153,89; Vitória, com R$ 1.149,51; Brasília, com R$ 1.098,55, e Curitiba, com R$ 1.035,64. Ainda ficaram à frente de São Paulo, o Rio de Janeiro, com R$ 950,14, e Belo Horizonte, com R$ 941,60.

NÚMEROS

5,9% foi o aumento
da quantidade de miseráveis em São Paulo

4,8% foi a queda
da miséria no resto do País

05/10/2009 - 08:30h Aumento da renda eleva IDH do Brasil

Brasil_olho
País se manteve estável, no entanto, no ranking que compara o desenvolvimento humano de 182 nações, na 75ª posição

De 2006 para 2007, o IDH brasileiro passou de 0,808 para 0,813; valores acima de 0,800 representam “alto desenvolvimento humano”

ANTÔNIO GOIS – FOLHA SP

DA SUCURSAL DO RIO

Impulsionado mais uma vez pelo aumento na renda, o Brasil registrou uma melhora em seu IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), mas permaneceu estável no ranking de nações elaborado anualmente pelo Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), na 75ª posição.
O IDH varia de 0 a 1 e tenta medir o desenvolvimento humano dos 182 países comparados a partir de três dimensões: saúde, educação e PIB per capita. De 2006 para 2007 (os relatórios sempre se referem a dois anos antes), o IDH brasileiro variou de 0,808 para 0,813. Um valor acima de 0,800 é considerado nível de alto desenvolvimento humano.
Neste ano, o tema principal do relatório foi migração. Para facilitar as análises sobre este tópico, pela primeira vez, o Pnud separou nações com IDH acima de 0,900 num grupo considerado de muito alto desenvolvimento humano.
Fazem parte desta elite, que concentra a maioria dos imigrantes, 38 países, liderados por Noruega (0,971), Austrália (0,970) e Islândia (0,969).
Na base do ranking encontram-se Níger (0,340), Afeganistão (0,352) e Serra Leoa (0,365). O Pnud destaca que uma criança que nascer hoje em Níger terá expectativa de viver apenas até os 51 anos, enquanto uma norueguesa deverá chegar aos 81.
“Muitos países testemunharam retrocessos nas últimas décadas devido às retrações econômicas, crises induzidas por conflitos e epidemias de HIV”, afirma a principal autora do relatório deste ano, Jeni Klugman.
Como os dados divulgados no relatório deste ano vão somente até 2007, ainda não é possível mensurar o impacto da crise econômica mundial, iniciada no fim do ano passado.
Alison Kennedy, chefe da equipe de estatística do IDH, no entanto, diz esperar que os efeitos não sejam tão grandes: “O PIB per capita de muitos países pode ter sido bastante afetado, mas os indicadores de saúde e educação não reagem tão rapidamente a crises, o que poderá fazer com que a oscilação não seja tão significativa.”

Brasil
Os indicadores brasileiros no IDH serão detalhados hoje pelo escritório do Pnud no país, mas, na comparação com o relatório de 2008, é possível verificar que o avanço se deu principalmente por causa do PIB per capita.
Educação e saúde também melhoraram, mas em ritmo menor, já que o analfabetismo adulto tem caído pouco no país e a expectativa de vida ao nascer (único componente do índice de saúde) não costuma sofrer oscilações bruscas de um ano para o outro.
Além do próprio IDH, o Relatório de Desenvolvimento Humano permite comparar outros indicadores.
É possível destacar, por exemplo, que apesar de ter registrado queda na desigualdade desde o início da década, o Brasil ainda permanece no grupo de dez países mais desiguais do relatório, atrás apenas de Namíbia, Ilhas Comores, Botsuana, Haiti, Angola, Colômbia, Bolívia, África do Sul e Honduras. No Brasil, os 10% mais ricos detêm 43% da riqueza nacional, enquanto os 10% mais pobres, apenas 1%.
Na Noruega, país que lidera o ranking, os 10% mais ricos concentram 23% da riqueza, enquanto os 10% mais pobres respondem por 4%.
Outro indicador em que o Brasil destoa dos líderes é o investimento público em educação e saúde. Noruega, Austrália e Islândia investem, respectivamente, 35%, 31% e 36% de seu gasto público nessas áreas.
No Brasil, a proporção é de apenas 22%. O maior desnível acontece na saúde, setor em que o Brasil investe 7% dos gastos, menos da metade do que Noruega (18%), Austrália (17%) e Islândia (18%).

25/09/2009 - 11:53h Indústria de SP tem contratação recorde, diz IBGE

http://www.jsd.pt/novoportugal/img/causas/1250694795652190051.jpg

Taxa de desemprego, no entanto, sobe de 8% para 8,1% com mais pessoas procurando emprego

Jacqueline Farid, RIO – O Estado SP

A indústria paulista puxou a ocupação industrial do País em agosto para nível recorde, segundo dados revelados ontem pela pesquisa de emprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa de desemprego apurada pelo IBGE em agosto ficou estável, em 8,1%, ante 8,0% em julho.

O número de ocupados no setor industrial subiu 3,9% nas seis principais regiões metropolitanas do País em agosto ante julho, na maior alta ante mês anterior apurada pelo IBGE desde abril de 2004. A indústria paulista registrou alta recorde nas contratações, de 5,8% ante o mês anterior. Nessa base de comparação, é a maior alta para a região da série histórica da pesquisa, iniciada em março de 2002.

Nas seis regiões pesquisadas, foram gerados 135 mil postos na indústria de um mês para o outro, sendo que desse total, 106 mil em São Paulo. “Esse aumento na indústria em São Paulo é bem-vindo porque a região tende a ser um sinalizador do que vai acontecer nas outras regiões. O mercado de trabalho paulista sempre dá o primeiro passo”, observou o gerente da pesquisa mensal de emprego, Cimar Azeredo.

Ainda segundo ele, o resultado do emprego na indústria corrobora a avaliação de que há uma recuperação na economia brasileira. “Os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) e do PIB (Produto Interno Bruto) mostram que o efeito da crise passou e isso pode estar se refletindo na pesquisa mensal de emprego, como mostram os dados industriais de São Paulo, que são um sinal claro de que o cenário econômico está mais favorecido. Mas é um primeiro resultado positivo mais significativo no setor e será preciso aguardar os próximos meses”, disse Azeredo.

O gerente da pesquisa ressaltou, entretanto, que o emprego na indústria prossegue em queda em relação a igual mês do ano passado. Em agosto, a ocupação no setor caiu 3,4% nas seis regiões ante agosto de 2008, sendo que, em São Paulo, a queda foi de 1,7% nessa comparação. “A indústria foi dos setores mais afetados pela crise e era de se esperar queda em relação a igual mês do ano passado, em que havia forte alta na geração de empregos no setor”, disse Azeredo.

Mas a alta do setor industrial não foi suficiente para evitar uma pequena alta no desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do País. A taxa de desemprego apurada pelo IBGE ficou em 8,1%, ante 8,0% em julho. Azeredo considerou o levantamento como a confirmação da recuperação econômica após a crise. O aumento da taxa de desocupação reflete, em sua avaliação, a maior procura por trabalho.

A população desocupada (sem trabalho e procurando emprego) aumentou 1,9% em agosto ante julho e subiu 7,8% na comparação com igual mês do ano passado. O número de desempregados chegou a 1,89 milhão nas seis principais regiões do País. Para Azeredo, a alta pode estar revelando o aumento da procura por uma vaga após a divulgação de notícias de reaquecimento da economia, já que as pessoas ficam mais estimuladas a buscar emprego.

O número de ocupados também aumentou em julho, com variação de 0,5% ante o mês anterior e de 0,9% comparativamente a agosto de 2008, mas o incremento não foi suficiente para atender à demanda.

Para Azeredo, os efeitos da crise, que ainda permanecem sobre os dados do mercado de trabalho, estão refletidos especialmente na resistência da taxa de desemprego em cair em relação a iguais períodos do ano passado. Em agosto de 2008, a taxa nas seis regiões havia sido de 7,6%.

“Se não houvesse a crise, se a economia não tivesse passado pelas turbulências, talvez a taxa tivesse prosseguido na trajetória de queda em que vinha no ano passado e estivesse, agora, em patamar abaixo de 2008”, acredita.

O rendimento médio real dos trabalhadores teve desempenho mais favorável do que o emprego em agosto, favorecido pelo ritmo menor de reajustes de preços no mês. A renda dos ocupados ficou em R$ 1.336,80 na média das seis regiões, com aumento de 0,9% ante julho e alta de 2,2% na comparação com igual mês do ano anterior.

22/09/2009 - 14:00h Serra lidera pesquisa com 34% e continua caindo. Ciro empata com Dilma com 14%


Possível candidata do PV, Marina Silva aparece com 6%.

Diego Abreu Do G1, em Brasília

A última pesquisa CNI/Ibope divulgada nesta terça-feira (22) mostra um empate entre a ministra-chefe da Casa Civil e possível candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, e o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE). Ambos aparecem com 14% das intenções de voto em um universo de cinco candidatos avaliados. A pesquisa foi realizada de 11 a 14 de setembro, com 2.002 entrevistados em 142 municípios. A margem de erro é de 2 pontos percentuais.

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), aparece como favorito para a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2010. A pesquisa estimulada mostra que 34% dos entrevistados votariam em Serra.

Depois de Ciro e Dilma, vêm Heloísa Helena (PSOL), com 8%, e Marina Silva (PV), com 6%. Em relação a última pesquisa, realizada em junho, quando Marina ainda não aparecia, Serra caiu quatro pontos percentuais e Dilma, três. Ciro, por sua vez, surpreendeu, registrando crescimento de dois pontos. Na última pesquisa, ele aparecia com 12% das intenções.

Já em um cenário em que Heloísa Helena não é candidata, Serra lidera com 35%, seguido por Ciro Gomes (17%), Dilma (15%) e Marina (8%). Em um último contexto, sem Heloísa Helena, com Aécio como candidato do PSDB, Ciro Gomes ganharia a eleição com 28% dos votos. Na sequência, vêm Dilma (18%), Aécio (13%) e Marina (11%).

Em um cenário em que o candidato tucano é Aécio Neves, Ciro lidera a pesquisa com 25% das intenções de voto, seguido por Dilma (16%), Aécio (12%), Heloísa Helena (11%) e Marina Silva (8%). Vinte e oito por cento dos pesquisados disseram que votariam em branco ou nulo ou não responderam à pesquisa.

22/09/2009 - 13:21h Aprovação pessoal ao presidente Lula subiu de 80% para 81%, diz CNI/Ibope

Ainda segundo a pesquisa deste mês, os brasileiros elevam a nota média do governo de 7,5 para 7,6

Super Lula, 81% de aprovação

Super Lula, 81% de aprovação

Fabio Graner, da Agência Estado

SÃO PAULO – A avaliação positiva do governo Lula subiu em setembro, atingindo 69%, de acordo com a pesquisa CNI/Ibope, divulgada nesta terça-feira, 22. No levantamento de junho, o índice de ótimo/bom para o governo Lula era de 68%. A oscilação ocorreu dentro da margem de erro da pesquisa, que é de dois pontos porcentuais. A avaliação regular do governo Lula caiu de 24% para 22%, na mesma base de
comparação, enquanto o índice de ruim/péssimo subiu de 8% para 9%.

A aprovação pessoal ao presidente Lula subiu de 80% para 81%, mas a desaprovação também subiu,
passando de 16% para 17%, entre junho e setembro. Houve queda no índice dos que não sabem ou
não responderam, que passou de 4% para 2%.

De acordo com a pesquisa, a nota média para o governo Lula subiu de 7,5 para 7,6, em escala de
zero a 10. Já a confiança no presidente ficou estável, em 76%, enquanto 22% disseram não confiar no
presidente, ante 21% no levantamento anterior.

A pesquisa também fez uma comparação entre o primeiro e o segundo mandatos do governo Lula, em
que, para 44% a atual gestão do presidente é melhor que a anterior. Antes, 45% entendiam que o
segundo mandato era melhor que o primeiro. O índice dos que consideram o atual mandato igual ao
primeiro se manteve em 40% e os que consideram o segundo mandato pior que o primeiro ficou
estável em 14%.

A pesquisa CNI/Ibope foi realizada no período de 11 a 14 de setembro, ouvindo 2.002 pessoas, em
142 municípios.

21/09/2009 - 21:30h As mulheres e a pornografia

En attendant le porno unisexe

Un sondage Ifop commandé par la société Marc Dorcel bouscule l’idée reçue selon laquelle les femmes sont des êtres purs. En réalité, elles s’intéressent autant au porno que les hommes. A une différence près: elles le regardent plutôt en couple.

Gugli-1

La femme est un être doté de qualités très particulières: elle a plus de blanc dans les yeux par exemple. Elle peut inspecter vos organes génitaux sans baisser les yeux. Elle fait marcher son cerveau à droite. Elle a une bouche composée des mêmes tissus cellulaires que son vagin. Et surtout, comme dirait Desproges, elle est composée des mêmes substances que l’homme… «mais dans une proportion qui force le respect». Et ça, c’est scientifique. Ce qui est scientifique aussi, c’est que –d’après un sondage réalisé par l’Ifop «à l’occasion du 30ème anniversaire des vidéos Marc Dorcel, leader européen de la production de films pour adultes»- les femmes matent maintenant des films pornos sans problème. 83% des sondées reconnaissent avoir vu un film X en entier ou par petits bouts.

Dans leur majorité, ces femmes sont allées sur des sites pornos gratuits pour ce faire (comme les hommes). Elles avaient en moyenne 25 ans la première fois qu’elles ont vu un film X (les hommes avaient 24 ans). Elles étaient souvent seules quand elles ont vu ce film. Elles considèrent, pour 34% d’entre elles, que regarder un X à deux c’est l’occasion de parler avec leur compagnon de ce qui les excite sexuellement (35% pour les hommes). Elles pensent, pour 34% d’entre elles, que cela peut augmenter le désir dans le couple (41% pour les hommes). Et elles estiment, à 48%, que ces films n’ont rien de réaliste (57% pour les hommes): les scènes filmées de coït leur paraissent «assez éloignées» des pratiques sexuelles des Français. Comme les hommes également, elles n’accordent que très peu d’importance à la taille des seins (13%) ou du pénis (18%). Elles préfèrent le scénario, comme dans le cinéma normal. Et elles font parfois l’amour pendant que la vidéo défile.

Bref, le X n’est plus l’apanage de mâles frustrés et solitaires. L’enquête Ifop semble même indiquer que ceux qui consomment le plus de X sont aussi ceux qui ont la vie sexuelle la plus développée. La production pornographique s’oriente donc, de plus en plus, vers cette nouvelle cible avec des productions «plus clean» orientées «vers un public plus mixte, voire conjugal». Ce qui amène l’Ifop à conclure: «L’enjeu des prochaines années est donc l’émergence d’une pornographie de couple, moins sexiste et plus esthétisée, qui s’adresse aussi bien aux hommes qu’aux femmes.»

Illustration ; Laurent Gugli, artiste néo-pop, créateur de la galerie ArtDollar, à Paris. Fonte les 400 culs

17/09/2009 - 10:11h Um ano de crise: empate social com muitos gols

Colunista

Marcelo Neri – VALOR

Na passagem do Ano I D.C. (ano um depois da crise) no dia 15 de setembro, quando a crise irrompeu as bolsas de valores lá fora, o que podemos dizer dos seus efeitos no bolso do brasileiro? O Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (CPS/IBRE/FGV) revelou em sucessivos estudos a emergência de uma nova classe média no Brasil: no período de 2003 a 2008 quando 27 milhões de pessoas ascenderam às classes ABC ( www.fgv.br/cps/classemedia e www.fgv.br/cps/desigualdade ).

Com a chegada da crise externa ao país a partir de setembro de 2008, nossos estudos voltaram-se à crônica da manutenção, ou queda, dos padrões de vida recém-conquistados naquele período crítico (www.fgv.br/cps/crise e www.fgv.br/cps/crise2009). A nova classe média brasileira tornou-se um ativo macroeconômico crucial para compensar a queda na exportação de nossos produtos como fruto da retração global. Damos sequência aqui, com dados até julho de 2009, ao monitoramento da evolução da composição da população em seus diversos estratos econômicos (isto é, as classes E, D, C e AB), bem como de seus determinantes próximos, como a desigualdade e mobilidade de renda e seus respectivos componentes trabalhistas.

Julho de 2009, nove meses após a chegada da crise, já há uma visão clara dos seus efeitos na renda dos trabalhadores brasileiros nas seis maiores metrópoles do país. A desigualdade de renda, que passou por forte deterioração em janeiro, quando perdeu-se parte das melhoras dos últimos anos, já voltou em julho último aos níveis mais próximos do pré-crise, uma virtual estabilidade em níveis de julho de 2009 e 2008 (aumento do Gini de 0,3%).

A boa notícia é que estamos voltando aos níveis mais baixos da nossa série histórica, que datam de 1960. Mesmo a classe AB, que ganha mais de R$ 4.800,00 por mês e que tinha perdido mais com a crise (-2,7% só em janeiro), está hoje apenas 0,5% abaixo dos níveis de um ano atrás (14,97% da população estão na classe AB, com quase 55% da renda). A classe C já está no saldo positivo, com ganho de 2,5% em 12 meses (com 53,2%, a classe dominante no sentido populacional). Se esse empate com muitos gols pode ser considerado um bom resultado em época de crise, por outro lado ele esconde uma parada súbita da melhora prévia dos indicadores: de julho de 2003 a julho de 2008, a Classe AB cresceu 35,7%, a classe C subiu 23,1% e a desigualdade de renda caiu como nunca tinha caído antes nas séries estatísticas brasileiras.

Uma síntese pode ser encontrada na soma das classes ABC, que subiu 1,81% no período de crise e 25,7% na auspiciosa fase anterior à chegada da crise no Brasil. Um aspecto inovador da pesquisa foi abrir as periferias das metrópoles, onde observamos aumentos das classes ABC de 2,8% nos últimos 12 meses e de 31,15% no período anterior, em níveis portanto bastante superiores aos das metrópoles. Ou seja, da mesma forma que esta é uma crise no centro do capitalismo mundial, leia-se países desenvolvidos, e não da chamada periferia, nas metrópoles vale o mesmo: as capitais mais conectadas com o exterior pelas vias das exportações industriais e do crédito sofreram mais que as periferias.

Antes de começar a comemorar, devemos ressaltar que temos ainda muitas incertezas e desafios no futuro próximo. Ao compararmos esta última semana da série com o total do mês percebemos que a classe ABC assumiria um viés de baixa (67,44%, ou seja 1,06% abaixo da média do mês de julho de 2009 como um todo, mas ainda 1,1% maior que julho de 2008). Como se isto não bastasse, vai ser difícil nos próximos dois meses manter o ritmo de crescimento do período julho-setembro do ano passado, quando as classes ABC estavam bombando, como se diz na gíria, crescendo 2,4% no período. Ou seja, um empate de fato em setembro, um ano D.C. deve ser visto como um resultado ainda mais auspicioso que o observado até agora.

O brasileiro se acostumou com facilidade às vitórias e não aceita empates. Mal comparando, é como na louvável classificação antecipada que acabamos de conquistar para a Copa do Mundo, ou o fato de sermos, até 2018, o único país a ter participado de todas as edições da Copa. Mas, os trunfos recentes ou passados não vão atenuar um fiasco no ano que vem. Isto é tão certo quanto o fato dos argentinos não comemorarem por nós, ou que nós não choremos por eles.

Nossa estratégia é, a cada atualização das nossas séries tradicionais, incorporar uma nova dimensão à análise da nova classe média como o acesso a bens de consumo, empreendedorismo e microcrédito, educação de boa qualidade, entre outros, explorando a cada pesquisa uma nova ótica. Na nossa última pesquisa, impactados pelos riscos emanados do estouro de bolhas financeiras, exploramos a demanda por mecanismos de seguro pela população de baixa renda e pelos segmentos recém-promovidos a novos estratos econômicos.

Microsseguros é uma agenda que emerge só agora, tal como o microcrédito floresceu nas últimas duas décadas. São sequências naturais de um mesmo processo: o microcrédito possibilita às pessoas subirem na vida e o microsseguro impede que essas mesmas pessoas sucumbam a choques adversos relacionados a desemprego, doenças, acidentes, roubo, morte, entre outros. Isto é, microsseguro impede que uma situação crítica se torne crônica (vide WWW.fgv.br/cps/ms). Durante a melhora na distribuição de renda dos últimos anos, demos os pobres ao mercado consumidor. Há que se fechar o ciclo e dar o mercado aos pobres produtores.

Reconhecer os pobres como protagonistas de suas vidas, explorar as interações público-privadas no bojo das políticas sociais, desenvolver ações de empreendedorismo que atendam a principal dificuldade relatada pelos nanoempresários: falta de clientes, desenvolver microsseguros e o crédito produtivo popular, dar qualidade à educação básica compõem a nova geração de políticas públicas para a próxima década. O desafio é por meio dessas ações articular o meio de campo entre a nossa bem plantada defesa macroeconômica e o nosso ataque social.

Marcelo Côrtes Neri, chefe do Centro de Políticas Sociais do IBRE/FGV e professor da EPGE/FGV, é autor de “Retratos da Deficiência”, “Cobertura Previdenciária: Diagnóstico e Propostas” e “Ensaios sociais”. E-mail: mcneri@fgv.br

10/09/2009 - 15:57h Mesmo na crise, pobres migram para classe média

Estudo da FGV aponta expansão da classe média

FolhaNews – VALOR

A crise econômica não interrompeu o processo de expansão da classe média brasileira, revela estudo feito pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas (FGV), com base em dados da Pesquisa Mensal do Emprego do IBGE . A população economicamente ativa incluída na classe C (pessoas com renda domiciliar de R$ 1.115 a R$ 4.807) representava, em julho, 53,20% do total, crescimento de 2,5% sobre a proporção verificada em julho de 2008.

Ao mesmo tempo, a classe AB (renda superior a R$ 4.807) teve retração de 0,5%. Em julho, representava 14,97% da população, de acordo com os dados da FGV. A classe D (entre R$ 804 e R$ 1.115) diminuiu 4,1% em relação a julho do ano passado, significando 13,51% dos brasileiros. A classe E (renda inferior a R$ 804) apresentou recuo de 3,3% em um ano, passando a representar 18,32% da população.

“No período pré-crise, em cinco anos, houve crescimento de 35% da classe AB e de 23% da classe C. No pós-crise, a boa notícia é que houve algumas perdas iniciais já recuperadas. Hoje, a classe AB está 0,5% abaixo de um ano atrás, e a classe C está 2,5% acima. Ou seja, a crise não afetou o bolso do brasileiro comum”, afirmou o coordenador do estudo, Marcelo Neri.

Neri explicou que está havendo uma recomposição da classe AB, sem perdas significativas. Ele frisou que o aumento da classe C é resultado, basicamente, de pessoas oriundas das classe mais baixas (D e E). O economista acrescentou que as chamadas periferias mantiveram um bom ritmo de atividade econômica durante a crise, sendo menos afetadas que os grandes centros urbanos.

“A peça-chave contra a crise brasileira é a classe média, é o poder de compra construído nos últimos anos. Então, as periferias conseguiram aumentar suas rendas nos últimos anos, isso segurou a atividade econômica dessas áreas na crise. Esse mercado interno gera atividade, e atividade gera emprego e mercado interno”, comentou Neri.

Estadão

De acordo com pesquisador da FGV, com a crise, ficou mais difícil se manter nas classes A e B

Adriana Chiarini, RIO – O Estado SP

A crise no Brasil atingiu principalmente a população de maior renda, inclusive na capital de São Paulo. A virada econômica dificultou o acesso e a permanência nas classes econômicas mais altas, A e B. Porém, os mais pobres, das classes D e E, mantiveram a mobilidade em direção à classe, classificada como “média baixa”. Essas são algumas das conclusões de estudo do Centro de Políticas Sociais (CPS), da Fundação Getúlio Vargas (FGV) feito a partir da comparação de dados de julho deste ano com o mesmo mês de 2008.

O conjunto das classes A e B chegou a cair 0,5% entre julho do ano passado e julho deste ano, em contraste com o crescimento de 35,7% entre julho de 2003 e o mesmo mês do ano passado. Por outro lado, a classe C, cresceu 2,5% de julho do ano passado até julho de 2009, principalmente pela passagem de pessoas das classes mais baixas para a classe média. A classe C tinha crescido 23,1% entre os meses de julho de 2003 e 2008.

“É um empate e é um resultado muito bom para a época de crise, mas é uma parada súbita, já que a gente vinha melhorando a taxas altas. O copo está meio cheio e meio vazio”, disse o economista-chefe do CPS, Marcelo Neri. Ele observou que, entre 2003 e 2008, 27 milhões de pessoas – “meia França”, salientou – foram incorporadas ao conjunto de classes A, B e C e 24 milhões deixaram a pobreza.

Na capital de São Paulo, o conjunto das classes A, B e C caiu 0,68% entre julho de 2008 e julho de 2009. No entanto, na periferia paulista, houve um crescimento de 0,67% nesse grupo. Neri observou que, com exceção de Salvador, as periferias de maneira geral, reagiram melhor à crise do que as capitais nas seis principais regiões metropolitanas do País. Entre elas, São Paulo foi a única capital com queda no total das classes A, B e C.

Na avaliação de Neri, tanto a melhor performance das periferias quanto o pior desempenho de São Paulo podem estar relacionadas a que a indústria, principalmente a exportadora, e as instituições financeiras foram mais atingidas pela crise. Já as periferias teriam se beneficiado da renda da população mais pobre que continuou movimentando setores de comércio e serviços, segundo o especialista. “O mercado interno foi um verdadeiro Pelé contra a crise”, disse Neri.

A crise também parou a trajetória de queda do índice de Gini, que indica a desigualdade na economia quanto maior estiver, que subiu 0,30% em julho de 2009 em relação a igual mês de 2008. Foi a primeira alta na comparação de julho contra julho do ano anterior desde 2001, segundo Neri.

Ele comentou que a desigualdade esteve mais alta em janeiro deste ano e que o resultado de julho já representa melhora em relação àquele mês.

Também observou que a diferença entre o índice de julho de 2008 e o de julho deste ano é pequena.

De acordo com Néri, com a crise, ficou mais difícil se manter nas classes A e B. De cada 100 brasileiros que estavam em alguma dessas classes em julho de 2008, 25 tinham saído em julho de 2009, embora outros tenham ascendido. De julho de 2006 para 2007, os que saíram foram 18 em cada 100.

FOLHA

Desigualdade recua a patamar pré-crise

Estudo da Fundação Getulio Vargas aponta que principais regiões metropolitanas do país dão sinais de recuperação

Pobreza havia aumentado de forma preocupante no começo do ano; pesquisador questiona se indicador ficará parado no nível atual

ANTÔNIO GOIS
DA SUCURSAL DO RIO

As seis principais regiões metropolitanas brasileiras dão sinais de que estão se recuperando da crise, segundo estudo divulgado ontem pelo economista Marcelo Neri, do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas.
Ao analisar a evolução da renda na Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE -a PME- especialmente de julho de 2008 a julho deste ano, Neri detectou que a desigualdade, que tinha dado sinais preocupantes de aumento nos primeiros meses deste ano, no pico da crise, praticamente voltou aos patamares de 12 meses atrás.
De 2003 a 2008, a série histórica mostra que a pobreza e a desigualdade caíram de forma praticamente constante. Esse movimento de melhoria foi interrompido em janeiro deste ano, quando os efeitos da crise começaram a ser percebidos com mais força nas regiões metropolitanas brasileiras.
A piora verificada nos quatro primeiros meses do ano, no entanto, foi compensada pela melhoria na PME em maio, junho e julho. Com isso, os indicadores de desigualdade e pobreza voltaram praticamente aos patamares de 12 meses antes.
“O que houve foi um empate, o que não é ruim em tempos de crise. Mas a questão agora é o que vai acontecer no futuro: voltaremos a melhorar com a pujança de antes ou ficaremos estagnados nessa situação atual?”, indaga o pesquisador.
Em julho de 2003, 47% dos brasileiros estavam nas classes D ou E, definidas no estudo como aquelas em que a renda domiciliar total é inferior a R$ 1.115. Em julho de 2008, essa proporção caiu para 33%. Neste ano, no mesmo mês, o percentual registrado foi de 32%.
No caso da desigualdade, que é medida pelo índice de Gini, de julho de 2003 para julho de 2008 a redução foi de 5,8%. No período de julho de 2008 a julho deste ano, houve ligeiro aumento de 0,3%.
A analise mensal, no entanto, mostra que apenas em janeiro houve um aumento de 2,5% em relação a dezembro do ano passado. Esse pico foi compensado em parte pela redução verificada a partir de abril. Isso fez com que o indicador de todo o período de 12 meses de julho a julho ficasse praticamente estável.

São Paulo
Na comparação das seis regiões metropolitanas da pesquisa (São Paulo, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio e Porto Alegre), São Paulo teve o pior desempenho entre julho de 2008 e julho de 2009, com aumento na renda per capita de apenas 0,5%. Nas demais, o crescimento variou de 3,7% (caso de Recife) a 6,4% (em Belo Horizonte).
Neri analisou também separadamente as capitais e as demais cidades que compõem as regiões metropolitanas. Na maioria delas, os municípios ao redor das capitais atravessaram melhor o período de crise.
Em São Paulo, por exemplo, a capital chegou a registrar de julho de 2008 a julho de 2009 queda de 3,2% na renda média per capita. Em compensação, as demais cidades da região metropolitana tiveram crescimento de 7,7% na renda média.
A hipótese do economista para explicar esse comportamento é que as capitais, por serem mais industrializadas, sentiram mais os efeitos da crise econômica internacional.
“Foram os mercados financeiros que transmitiram a crise. Talvez as periferias sejam menos conectadas aos mercados externos via exportação.”

09/09/2009 - 17:27h 75% dos tumores de cabeça e pescoço são descobertos tarde

http://www.hcancerbarretos.com.br/imagens/odonto/Dr_Helio/helio_cirurgia_odonto111.jpg

Estudo avaliou mais de 16 mil registros no Estado de São Paulo de tumores em locais como lábio, língua e laringe

Maioria dos casos acontece nas mucosas da cavidade oral, laringe e esôfago; estágio avançado da doença leva a cirurgias mutiladoras

GABRIELA CUPANI – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

Três em cada quatro tumores de cabeça e pescoço são descobertos em estágio avançado, quando as chances de cura são menores e os tratamentos, mais agressivos. O dado é de um estudo sobre o perfil epidemiológico desses cânceres no Estado de São Paulo, feito pelo Hospital A.C. Camargo.
Para chegar ao resultado, os autores analisaram o registro de mais de 16 mil pacientes entre os anos de 2000 e 2006, diagnosticados com tumores de lábio, cavidade oral, faringe, amígdala e glândulas salivares, entre outros. Trata-se de um dos poucos levantamentos que detalharam as prevalências de cada um dos tumores englobados no grupo considerado câncer de cabeça e pescoço.
Segundo o trabalho, 75% dos casos foram diagnosticados em estágio avançado e isso não se alterou ao longo dos anos. No mesmo período, os casos de câncer de nasofaringe tiveram o maior aumento proporcional.
Os pacientes diagnosticados eram, na maioria, homens com mais de 60 anos e baixo nível de escolaridade. “Falta conhecimento dos sintomas”, afirma o cirurgião Luiz Paulo Kowalski, diretor do departamento de cirurgia de cabeça e pescoço e otorrinolaringologia do Hospital A.C. Camargo e um dos líderes desse trabalho.
“Nos Estados Unidos, a situação é inversa: 70% dos casos são descobertos em estágio inicial”, conta o cirurgião de cabeça e pescoço Sérgio Samir Arap, do Hospital das Clínicas de São Paulo e gerente-médico do centro cirúrgico do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.
“A maioria desses tumores acontece nas mucosas da cavidade oral, laringe e esôfago”, diz Arap. “Mas faltam profissionais capacitados para identificar esses tumores precocemente e encaminhar os casos para um serviço especializado”, completa o cirurgião.
Estima-se que os cânceres de boca e orofaringe sejam os tipos mais frequentes dessa categoria, somando aproximadamente 390 mil novos casos a cada ano no Brasil. Segundo o artigo, o Brasil se destaca como um dos países com maior incidência desses tumores, devido à exposição aos fatores de risco.
Os tumores de cabeça e pescoço são relacionados a exposição excessiva ao sol (que causa a doença na pele e nos lábios), tabagismo e consumo abusivo de álcool. Estudos recentes associam o aumento de casos à infecção pelo vírus HPV, mesmo em pessoas assintomáticas.

Inflamação na gengiva
Uma pesquisa recente da Universidade de Buffalo (EUA) revelou que a periodontite (inflamação crônica da gengiva) também está relacionada ao aumento do risco desses tumores. A doença leva à perda progressiva de ossos e do tecido que sustenta os dentes e foi associada a cânceres de cavidade oral, orofaringe e laringe.
Para prevenir as lesões, além de uma boa higiene oral, recomenda-se adotar uma dieta saudável. “Comer vegetais amarelos, ricos em vitamina A, frutas cítricas e folhas verdes diminui o risco”, diz Kowalski.
Além disso, pessoas com mais de 40 anos, com más condições dentárias, fumantes e portadores de próteses mal ajustadas devem passar por um exame visual da boca, que pode ser feito por dentista, uma vez por ano para identificar lesões.
“No entanto, as campanhas têm sido pouco eficazes no controle do surgimento de novos casos e no diagnóstico precoce”, observa Kowalski.
Diagnosticados precocemente, esses tumores têm grande chance de cura, que chega a 95%, com cirurgias mais simples. Já nos casos avançados, o tempo de operação pode ser dez vezes maior, as cirurgias são mais mutiladoras e há necessidade de reabilitação.

SINAIS SERVEM DE ALERTA

Feridas que crescem ou não cicatrizam, rouquidão ou dor de garganta por mais de duas semanas, sangramentos e gânglios endurecidos devem chamar a atenção.

02/09/2009 - 16:30h Petrobras tem o maior lucro do setor produtivo entre América Latina e EUA

http://www.ibtimes.com.br/data/articleimgs/3067-petrobras.jpg

da Folha Online

A Petrobras apontou no segundo trimestre de 2009 o maior lucro entre a empresas não-financeiras e de capital aberto da América Latina e Estados Unidos, segundo levantamento da consultoria Economática. A companhia registrou lucro líquido de US$ 3,963 bilhões no segundo trimestre deste ano.

A economática informou que considerou todos os relatórios enviados aos organismos reguladores de cada pais até 1º de setembro de 2009.

No levantamento geral, incluindo as empresas financeiras, o lucro da Petrobras fica atrás somente do Citigroup (US$ 4,279 bilhões).

Entre os 20 maiores lucros do segundo trimestre de 2009 da América Latina há 12 empresas brasileiras, cinco mexicanas, duas chilenas e uma argentina. No ranking por setor, a liderança fica por conta do setor bancário, com cinco representantes, seguido pelo setor de eletricidade, gás e água, com três empresas.

Para o cálculo, a Economática considerou os relatórios encaminhados pelas empresas aos seus respectivos órgãos de regulação local (CVM no caso do Brasil) e converteu os valores originais (moeda de cada pais) pelo dólar do dia 30 de junho (no caso do Brasil dólar Ptax venda).

Veja o ranking geral de empresas e o lucro do segundo trimestre

Citigroup — – US$ 4,279 bilhões
Petrobras — –US$ 3,963 bilhões
Exxon Mobil — US$ 3,950 bilhões
Goldman Sachs — US$ 3,435 bilhões
Berkshire Hathaway — US$ 3,295 bilhões
AT&T — – — – US$ 3,276 bilhões
Bank of America — US$ 3,224 bilhões
Johnson & Johnson — US$ 3,208 bilhões
Wells Fargo — – US$ 3,172 bilhões
IBM — – — – US$ 3,103 bilhões

30/08/2009 - 16:44h Pesquisa Vox Populi

18/08/2009 - 10:28h 52% dos paulistanos são contra restrição aos fretados, aponta Datafolha. Câmara propõe liberar fretado na Faria Lima

http://2.bp.blogspot.com/_3Lvxu8anRxc/SnGvFINCYiI/AAAAAAAADE8/J93ram-9528/s320/fretado.jpg

Proposta é do PSDB e de partidos de oposição -PT e PC do B-, que somam 26 dos 28 votos necessários para aprovar as mudanças

Para os vereadores, a avenida se enquadra na exceção adotada pela prefeitura na Berrini, pois ambas não têm metrô

EVANDRO SPINELLI – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

A Câmara vai flexibilizar as restrições aos ônibus fretados impostas pela gestão Gilberto Kassab (DEM). Uma das propostas que devem ser incluídas no acordo para aprovação do projeto na Casa é a liberação do tráfego desses veículos na av. Brigadeiro Faria Lima.

A proposta foi encampada pelo PSDB e pelos partidos de oposição -PT e PC do B- que, juntos, chegam a 26 votos. São necessários 28 para aprovar as mudanças.

O resultado da pesquisa Datafolha que mostra que a maioria da população é contra a restrição (leia texto nesta página) deve facilitar o trabalho de atrair vereadores de outras legendas para a ideia de flexibilizar as regras. Discute-se ainda a criação de uma comissão para julgar as exceções e a redução do horário da restrição, hoje das 5h às 21h.

As novas regras para os fretados entraram em vigor em 27 de julho. Após protestos de usuários, que chegaram a fechar a marginal Pinheiros, a prefeitura recuou e liberou o tráfego dos ônibus pela av. Luiz Carlos Berrini sob o argumento de que lá não há metrô. Como a Faria Lima também não tem metrô, tucanos e oposição pedem equiparação.

Hoje será fechado o acordo para a votação do projeto. O governo apresentará sua proposta no início da tarde. A votação está marcada para amanhã. Mas, se houver acordo com todas as bancadas, o tema pode até ir a plenário hoje.

O projeto foi aprovado na semana passada em primeiro turno com votação simbólica. Embora não tenha havido votação nominal, os vereadores do PT pediram para registrar o voto contrário da bancada.

O governo tem pressa em aprovar o projeto porque teme uma eventual decisão judicial contra as restrições. Um recurso do Transfretur (sindicato das empresas de fretamento) que está para ser julgado no Tribunal de Justiça aponta que a medida só poderia ter sido definida por lei, e não por portaria do secretário dos Transportes, como ocorreu.

52% dos paulistanos são contra restrição, aponta Datafolha

DA REPORTAGEM LOCAL

A restrição à circulação de ônibus fretados em parte do centro expandido de São Paulo é rejeitada pela maioria dos moradores da cidade.
De acordo com pesquisa do instituto Datafolha feita na semana passada, 52% dos paulistanos são contra a medida da gestão Gilberto Kassab (DEM). Outros 27% disseram ser a favor da restrição, 13% se declararam indiferentes e 9% não souberam responder.
A restrição foi imposta pela prefeitura com o argumento de que isso melhoraria o trânsito na cidade. Para a maioria da população, no entanto, isso não aconteceu.
Segundo o Datafolha, 57% dos paulistanos acreditam que o trânsito continuou igual após o início da restrição. Para 15%, os congestionamentos até pioraram e 14% disseram que houve melhora -14% não souberam avaliar.
Essa é a segunda restrição de circulação imposta pela gestão Kassab. No ano passado, também a partir do mês de julho, a prefeitura limitou o acesso de caminhões a uma parte do centro expandido.
Na ocasião, no entanto, a medida teve a aprovação da maioria da população: pesquisa Datafolha feita no início de julho de 2008 apontou que 54% dos paulistanos eram favoráveis à restrição dos caminhões, 33% eram contra e 9% se disseram indiferentes.

Aprovação a Kassab
A restrição à circulação de ônibus fretados em São Paulo não afetou a popularidade de Kassab. Aprovam a gestão 48% dos paulistanos. O percentual era de 46% na pesquisa anterior, de maio, e de 45% no levantamento de março.
A popularidade do prefeito, no entanto, segue menor que no período eleitoral, quando ele chegou a ter 61% de ótimo e bom (outubro de 2008).
Disseram reprovar a gestão Kassab 17% dos paulistanos com mais de 16 anos ouvidos pelo Datafolha. Em maio eram 19%. Em março, 23%.
O novo levantamento foi realizado entre os dias 11 e 13 de agosto. A pesquisa tem margem de erro de três pontos percentuais na capital, onde foram ouvidas 1.092 pessoas. Em todo o Estado, o Datafolha entrevistou 2.052 pessoas (incluindo as 1.092 da capital), com margem de erro de dois pontos.

01/07/2009 - 13:02h Trânsito caotico, transporte sem investimento e orçamento congelado. Os seis meses de Kassab que VALOR não viu

O balanço dos primeiro seis meses do segundo mandato de Kassab passou em branco, menos para o jornal VALOR.


Curioso balanço, em verdade. nenhuma palavra sobre transporte, saúde, educação. Nenhum opositor ao prefeito é citado e o artigo, em verdade uma opinião, contém outros pecadilhos factuais. O título é uma legenda da propaganda do próprio prefeito e o conteúdo também.

Primeiro, a legenda da foto. O orçamento de Kassab era uma ficção e previa um crescimento das receitas que o prefeito e o mundo sabiam impossíveis. Ou a crise não tinha estourado no Brasil desde setembro de 2008? Propositalmente o orçamento foi inflado para Kassab dispor de margens de remanejamento bem superiores ao 15% previsto pela Câmara.

Segundo, se a arrecadação já foi igual em 2009 da do ano 2008 -ano da eleição- porque os investimentos estão congelados este ano e não o foram no ano passado?

Terceiro, quem constatou alto respaldo popular as medidas demagógicas de Kassab? A última pesquisa Datafolha, citada no artigo, mostra uma queda de quase 20 ponto na aprovação de Kassab entre outubro de 2008 e maio 2009. Mas o jornalista repercute outra, “que chegou a mãos de Kassab”. Será que é o nome de um novo instituto?

Por último, vejam vocês, a grande aposta de Kassab era movimentar o mercado imobiliário, aquecé-lo perante a crise etc. Será que o prefeito decidiu jogar seu peso em favor do programa habitacional do governo federal? Investir em moradias para a população e desonerações de ICMS para a construção? oferecer terrenos? Não, só autorizar a especulação via adensamento indiscriminado de bairros já asfixiados. Nenhuma ONG, nem o MP foi ouvido pela reportagem sobre este assunto tampouco.

Boa leitura.
LF

 
Com impacto negativo da crise no orçamento, Kassab investiu em medidas de baixo custo e alto respaldo popular

Kassab dedica-se a cobrir perdas da crise e deixa grandes obras para Serra

Caio Junqueira, de São Paulo – VALOR

No primeiro semestre de gestão, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), atuou mais para conter os efeitos negativos da crise no orçamento municipal do que para fazer grandes investimentos na cidade. Com crescimento da receita tributária de apenas 0,2% entre o primeiro quadrimestre de 2008 e o de 2009 , muito aquém da média de 9% dos anos anteriores, Kassab apostou em medidas com baixo custo e alto respaldo popular. Deixou as grandes obras para serem tocadas pelo seu principal aliado, o governador do Estado, José Serra (PSDB).

A principal iniciativa de grande e positiva repercussão, com investimento quase nulo, foi o portal “De Olho nas Contas”, em que colocou na internet as contas da prefeitura, contratos com fornecedores e todos os nomes e salários dos servidores municipais. Anunciado oficialmente há duas semanas, o site continua ganhando elogios da opinião pública e contestação de servidores. Uma batalha de liminares foi instaurada nos tribunais entre a prefeitura e os sindicatos dos servidores municipais, que foram à Justiça contra a divulgação de seus nomes e salários na internet. Kassab tem ganhando duplamente: com decisões favoráveis dos juízes e com a construção de uma imagem de político que luta pela transparência pública contra o corporativismo, um capital político de grande relevância em tempos de atos secretos em Brasília.

Outro investimento de baixo custo e alto retorno foi a divulgação da “Agenda 2012″, em que apresentou 223 metas que pretende cumprir até 2012, com a possibilidade de acompanhamento em tempo real de sua execução. Embora implementada por força de uma lei aprovada em dezembro por iniciativa de movimentos civis, a medida é inovadora no país em uma cidade do porte de São Paulo.

O prefeito também aprovou na Câmara a “Lei das Mudanças Climáticas”, que prevê, entre outras metas, a redução em 30% da emissão de gás carbônico na capital mais poluída do país e a redução progressiva do uso de combustíveis fósseis (diesel e gasolina) pela frota de ônibus da cidade, a uma proporção de 10% por ano, a começar por 2009, até sua substituição total em 2017. Com isso, tenta firmar a imagem de político moderno, pró-meio ambiente, iniciada em seu primeiro mandato, com a Lei Cidade Limpa.

As medidas, embora inovadoras e populares, não geram receita. A maior aposta de Kassab nesse sentido era movimentar o mercado imobiliário por meio da revisão do Plano Diretor, da lei de uso e ocupação do solo e da lei do zoneamento. O “pacote” foi levado à Câmara, mas, por determinação do Ministério Público, teve de ser desmembrado em três, cada um sendo analisado a seu tempo. O primeiro deles, o Plano Diretor, está em fase de audiências públicas e enfrenta resistências de movimentos civis, mais pelas mudanças que a prefeitura pretende fazer no zoneamento e no uso e ocupação do solo do que no Plano Diretor em si.

Com o principal projeto de aquecer o mercado imobiliário afetado pela Justiça e a arrecadação fortemente atingida pela crise, a saída foi buscar caminhos para gerar caixa, como o programa para recuperar créditos tributários por meio do Plano de Parcelamento Incentivado (PPI), que até maio arrecadou R$ 155 milhões dos R$ 459 milhões previstos para o ano. A adesão ao plano foi prorrogada até dezembro.

Outro caminho é a pela lei de concessão urbanística. Aprovada em abril, seu intuito é atrair recursos privados para transformar áreas urbanas. A primeira concessão será na Luz, no centro histórico e degradado de São Paulo. Após anos de atraso, uma licitação internacional será anunciada até o fim do ano e pode atrair mais de R$ 700 milhões em investimentos.

Outras medidas amplamente anunciadas vem sendo tocadas, apesar de ainda terem resultados incipientes. A reavaliação de contratos e licitações é uma delas. Proporcionou economia de R$ 17,3 milhões em algumas áreas, mas não mexeu, por ora, nas áreas que detém os maiores contratos, como saúde, educação e transportes. Segundo a prefeitura, os processos desses setores estão em análise.

A venda de imóveis da prefeitura, outra medida alardeada com a qual se pretende levantar R$ 500 milhões, também teve pouca efetivação até agora. De acordo com a prefeitura, neste momento encontra-se em andamento a identificação dos imóveis que serão objeto de alienação, para posterior encaminhamento do projeto de lei solicitando a autorização da venda para a Câmara Municipal.

A Companhia São Paulo de Parcerias, idealizada para captar recursos para a prefeitura, também ainda não saiu do papel, assim como as Parcerias Público-Privadas (PPPs) municipais. Há atualmente dois projetos de PPPs na capital: um para oferta de 40 mil vagas em unidades de educação infantil, mas que está suspenso pelo Tribunal de Contas do Município desde junho de 2008, e outro, em parceria com o governo estadual, para concessão dos serviços do sistema único de arrecadação do transporte coletivo metropolitano.

Com essas iniciativas ainda em andamento, os grandes investimentos na cidade vêm de José Serra. Pela agência de saneamento paulista, a Sabesp, Serra fechou um acordo com Kassab que irá gerar cerca de R$ 500 milhões por ano a prefeitura: a concessão à empresa do direito de explorar os serviços de abastecimento de água e saneamento na capital paulista pelos próximos 30 anos. O acordo fez ainda com que a Sabesp perdoasse uma dívida de R$ 1 bilhão da prefeitura com a empresa.

O governador também efetivou medidas de grande impacto na capital. Liberou cerca de R$ 500 milhões na despoluição de córregos e deu início às obras de ampliação da marginal do Tietê, que prevê investimento de R$ 1,3 bilhão para a construção de quatro pontes, três viadutos e mais faixas, além da promessa de concluir o trecho sul do Rodoanel ainda neste ano, meses antes do prazo inicial previsto.

Com essas obras viárias, a prefeitura espera melhorar seu desempenho na área em que é pior avaliada, o trânsito. Segundo uma pesquisa que chegou às mãos de Kassab, o item “controle de trânsito” é o que recebeu a nota mais baixa entre nove áreas da gestão: 4,8, o que se compreende, já que neste ano São Paulo bateu o recorde de congestionamento, com 293 km de vias paradas. A nota baixa também ajuda a explicar a queda no apoio entre os paulistanos com ensino superior. Segundo o Datafolha, entre março e maio deste ano, o índice de ótimo/bom nesse grupo de eleitores caiu de 57% para 49%, enquanto o de ruim/péssimo passou de 12% para 18%. A mesma pesquisa apontou crescimento do apoio ao prefeito entre as classes mais baixas. O número de eleitores com ensino fundamental que declararam que a administração é ótima/boa foi de 42% para 47%, em grande parte devido às obras em educação e saúde, como reformas em escolas e as AMAs, que fizeram com que Kassab roubasse muitos votos do PT na periferia nas eleições de 2008, onde o partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sempre foi forte.

As outras notas da pesquisa interna foram: “guarda municipal”, com 5,1, “obras públicas” e “urbanização”, ambas com 6,4; “limpeza”, com 6,3; “educação”, com 6,2; “funcionamento das escolas”, com 6; “iluminação”, com 5,8; e “saúde”, com 5,6. Para integrantes do DEM, a avaliação do prefeito o credencia para pelo menos colocar seu nome à disposição de Serra para sucedê-lo no Palácio dos Bandeirantes a partir de 2010. Entretanto, a hipótese disso ocorrer é remota para dois correligionários muito próximos ao prefeito. Primeiro porque a avaliação se restringe à capital paulista, excluindo o interior, onde se concentra metade do eleitorado do Estado. Segundo porque Kassab teme uma má repercussão em abandonar o posto a que foi alçado em sua primeira eleição majoritária. Serra fez o mesmo em 2006, mas ancorado em mais de 40 anos de vida pública. E terceiro porque a candidatura do prefeito tem sido colocada para marcar posição contra o favoritismo de Geraldo Alckmin (PSDB), adversário derrotado nas eleições de 2008, que disparou diversos ataques à gestão Kassab durante a campanha eleitoral. O prefeito não gostaria de ver Alckmin retornar à vida política em posição superior a sua e apoiado por Serra, ao qual sempre foi leal, ao contrário do ex-governador.

08/05/2009 - 10:20h Um em cada quatro brasileiros ignora existência da crise, diz pesquisa. É que as medidas do governo estão funcionando

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Um em cada quatro brasileiros ignora existência da crise, diz pesquisa

YGOR SALLES da Folha Online

Um em cada quatro brasileiros disseram não ter nem ouvido falar de crise econômica no Brasil e mais da metade ainda não sentiram nenhum efeito dela, revelou pesquisa feita pela Ipsos a pedido da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e obtida pela Folha Online.

Segundo a pesquisa mensal Pulso Brasil de abril, 26% dos 1.000 entrevistados não leram nem ouviram falar de alguma crise econômica. E para 55% do total, a crise não afetou seu cotidiano. A margem de erro da pesquisa é de três pontos percentuais.

“O resultado é bom por dois motivos. Primeiro porque mostra que os efeitos [da crise] não tocam a sociedade como um todo, não são amplificados. E segundo porque, se não afeta, a pessoa tem uma vida normal, segue consumindo”, explicou Paulo Francini, diretor do Depecon (Departamento de Pesquisas Econômicas) da Fiesp.

Para ele, o caso não é de falta de informação da população acerca da crise. “Se fosse, o cara falaria que não ouviu falar de crise mas saberia que algo está errado, seja porque tem menos trabalho ou porque o vizinho foi demitido, entre outros efeitos que a crise traz.”

Dentre os 45% que sentiram efeitos da crise, os maiores problemas citados foram o aumento dos preços dos alimentos (41%), o desemprego (25%) e a redução do poder de compra (8%). Já os maiores temores com a crise são não poder honrar compromissos financeiros (23%), perder o emprego (23%) e redução do rendimento da família (18%).

Os maiores temores, disse o diretor da Fiesp, mostram que a crise só será efetivamente sentida pela população quando a renda for atingida com severidade. E não basta uma redução do emprego para que isso ocorra.

“A perda de vagas formais está descolada da renda. O mercado informal é um escoadouro, o cara perde o seu emprego formal e vai para o informal. A renda dele não se alterou, embora não tenha mais emprego”, disse Francini. “É diferente dos EUA, onde o trabalhador perde o emprego, pega o seguro-desemprego e fica em casa.”

Medidas do governo

Ao “ignorar” a crise, a população também mostrou desconhecimento quanto às medidas tomadas pelo governo para reduzir seus impactos. 60% dos entrevistados na pesquisa disseram não ter conhecimento sobre essas medidas, 35% disseram conhecer e 5% não souberam responder.

Entre os que tinham conhecimento, a maioria –variando de 60% a 85%– consideraram eficazes todas as principais decisões do governo, entre elas redução dos juros, liberação do depósito compulsório, redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para veículos e plano de construção de casas populares.

“Há uma noção, mesmo que não seja profunda, de que há medidas em curso e estão funcionando. O governo consegue passar à população a sensação de que está trabalhando”, apontou Francini.

A preocupação com a renda volta a aparecer quando os entrevistados foram questionados sobre quais medidas deveriam ser adotadas pelo governo para barrar a crise. Para 27% deles, a geração de empregos é a principal medida a ser tomada, seguida por redução de juros (23%), redução de impostos (11%) e construção de casas populares (6%).

03/02/2009 - 13:32h Popularidade de Lula bate recorde. Dilma cresce e Serra e Aécio caem

Pesquisa

Aprovação a Lula bate novo recorde e chega a 84%, diz CNT/Sensus

Rodrigo Vizeu – O Globo

BRASÍLIA – Em meio à crise financeira internacional, a aprovação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu para 84% e bateu novo recorde em janeiro, segundo pesquisa do Instituto Sensus divulgada nesta terça-feira pela Confederação Nacional do Transporte (CNT). Na pesquisa anterior , realizada em dezembro, o índice de aprovação ao presidente era de 80,3%. No mesmo período, o índice de desaprovação caiu de 15,2% para 12,2%.


De acordo com a pesquisa, a avaliação positiva do governo também bateu mais um recorde, chegando a 72,5% em janeiro. O índice de “ótimo ou bom” supera os 71,1%, registrados em dezembro. A avaliação regular oscilou de 21,6% para 21,7% em janeiro, enquanto a negativa (”ruim ou péssima”) caiu de 6,4% para 5%.

Em queda, Serra e Aécio mantêm liderança para 2010. Dilma cresceO levantamento mostra ainda que tanto o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), quanto o de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), sofreram queda nas intenções de voto para as eleições presidenciais de 2010 . Por outro lado, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, preferida do presidente Lula para a sucessão pelo PT, teve crescimento na pesquisa.

Pode ter sido causado por divergências internas dentro do PSDB, elas não favorecem o partido


O pesquisador do Instituto Sensus Ricardo Guedes aponta as divergências internas no PSDB para definir o candidato de 2010 como uma das razões para a piora do desempenho dos governadores:

- Pode ter sido causado por divergências internas dentro do PSDB, elas não favorecem o partido – disse Guedes.

População espera aumento de renda e emprego, apesar da crise

Diante da crise financeira, mais da metade da população acredita que o emprego e a renda vão melhorar nos próximos seis meses. Segundo a pesquisa, 51,1% dos entrevistados afirmaram em janeiro que o emprego vai melhorar, índice superior ao divulgado em dezembro, quando 47,3% diziam o mesmo. Outros 21,7% afirmaram que o emprego vai continuar igual, contra 20,3% que preveem piora.

O presidente Lula é a âncora da esperança. O povo acredita em Lula e nas medidas do governo contra a crise


Quanto à renda, 51,7% acham que ela vai melhorar nos próximos seis meses, contra 31,4% que não preveem mudança e 11,1% que apostam em redução. O pesquisador Ricardo Guedes associa a esperança da população à alta popularidade do presidente Lula:

- O presidente Lula é a âncora da esperança. O povo acredita em Lula e nas medidas do governo contra a crise. O cidadão percebe o desemprego, mas acredita que as medidas anunciadas por Lula vão funcionar – afirmou o analista.

O presidente da CNT, Clésio Andrade, faz, no entanto, um alerta:

- Mas isso não se sustenta se a crise continuar. Não tem como sustentar essa popularidade em cima de uma crise.

Mais de 70% acham que Obama será bom para o Brasil e para o mundo

O levantamento mostrou que 76,6% da população brasileira considera o novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, positivo para o mundo, enquanto 72,8% o consideram bom para o Brasil. De acordo com a pesquisa, 56,4% dos entrevistados afirmam que o democrata vai resolver os problemas políticos dos EUA, enquanto 24,5% afirmam que talvez ela resolva, contra 6,6% que acham que ele não o fará.

O otimismo se mantém quanto à economia americana: 56,4% dos entrevistados acham que Obama vai resolver a crise financeira do país, contra 26,9% que consideram que talvez ele resolva e 5,5% que descartam a possibilidade. O levantamento mostrou que 79,8% da população brasileira viu pela imprensa, pelo menos em parte, a posse do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, contra 18,4% que não o fizeram.

Para 71,4%, violência e criminalidade estão fora do controle

A pesquisa mostrou também que o percentual da população que acha que a violência e a criminalidade no país estão fora do controle caiu, mas continua sendo majoritário: 71,4% dos entrevistados acham que a situação foge do controle, contra 76,1% do registrado em junho de 2007, última vez que o questionamento foi feito. Outros 23,2% consideram que a violência e o crime estão razoavelmente controlados, contra 18,7% em 2007. Apenas 4% acham que eles estão bastante controlados. Há um ano e meio, 3,7% diziam o mesmo.

Entre as formas de violência consideradas mais ameaçadoras, 37,3% citam o tráfico de drogas, seguido de 31,7% que lembram de assalto em casa ou na rua. Em seguida aparecem estupro (10,2%), briga em locais públicos (8%) e violência na família (5,9%).

População culpa madeireiras por desmatamento da Amazônia

A pesquisa mostrou ainda que quase metade da população – 49,9% – tem acompanhado o desmatamento da Amazônia, contra 38,9% que apenas ouviram falar e 8,9% que nem têm acompanhado nem ouviram falar. Os entrevistados culparam as madeireiras como principal responsável pelo problema, com 40%, das citações. Em seguida aparecem o governo brasileiro (16,7%), as empresas estabelecidas na região (10,8%), os governantes e políticos locais (10,8%) e a população local (8,3%). Por último aparecem as ONGs (1,4%), os índios (1,5%) e os países estrangeiros (2,5%).

Para 27%, as ONGs são as que mais trabalham pela preservação da região. Depois aparecem os índios (22,5%), o governo brasileiro (16,7%) e a população local (9,4%).

Para 70,9% dos entrevistados, o Brasil deve preservar a Amazônia, mas sob regras nacionais. 10,9% creem que o país devem fazer o mesmo, mas seguindo diretrizes internacionais. Apenas 5,9% acham que o Brasil pode fazer o que quiser com a floresta, mas menos ainda defendem que ela deve ser internacionalizada (2,3%).

A pesquisa foi realizada entre 26 a 30 de janeiro em 136 municípios de 24 estados do país. Foram entrevistados 2 mil eleitores, com margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos.

05/12/2008 - 06:52h Capa da FOLHA SP

Aprovação de Lula bate novo recorde

Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva beija moradora durante sua <br>visita ao complexo de favelas do Alemão, na zona norte do Rio

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva beija moradora durante sua
visita ao complexo de favelas do Alemão, na zona norte do Rio

 

Pesquisa Datafolha mostra que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva é considerado ótimo ou bom por 70% dos brasileiros, maior aprovação de um presidente desde 1990, no período da redemocratização. O recorde anterior era do próprio Lula, avaliado positivamente por 64% em setembro. A margem de erro do levantamento, feito entre os dias 25 e 28 de novembro, é de dois pontos percentuais.

 

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/images/cp05122008.jpg

19/09/2008 - 09:32h Em Recife, petista João da Costa chega a 48%


Mendonça, do DEM, também sobe e tem 24% das intenções

RECIFE. A eleição de Recife segue sem reviravoltas, com a liderança do petista João da Costa, que atingiu 48% das intenções de voto. De acordo com a pesquisa divulgada ontem pela Rede Globo e pelo Datafolha, o segundo colocado é José Mendonça Filho (DEM), que tem 24% das intenções de voto. Em relação à pesquisa anterior, o petista teve evolução de três pontos contra dois de seu principal adversário. Na terceira posição, permanece o empate entre Raul Henry (PMDB), com 9%, e Cadoca (PSC), com 8%.

Edilson Silva (PSOL) e Kátia Telles (PSTU) têm 1% cada, enquanto Roberto Numeriano (PCB) não chega a isso.

Votos em branco e nulos seriam 6%, e 3% não sabem em quem votar. Numa disputa de segundo turno entre Costa e Mendonça, o petista venceria por 55% a 39%. A margem de erros é de três pontos para mais ou para menos. A pesquisa ouviu 832 eleitores entre os dias 17 e 18 de setembro e foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco sob o número 052/2008.