03/09/2010 - 19:15h Ibope mostra Agnelo Queiroz (PT) na liderança pelo governo do Distrito Federal

O Globo

BRASÍLIA – Pesquisa Ibope divulgada nesta sexta-feira, e encomendada pela TV Globo e pelo jornal O Estado de S.Paulo, mostra a ascensão do candidato ao governo do Distrito Federal Agnelo Queiroz (PT). Ele tem 40% das intenções de voto, contra 32% de seu principal adversário, Joaquim Roriz (PSC), que teve seu pedido de registro de candidatura negado esta semana pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), enquadrado na Lei da Ficha Limpa. Toninho do PSOL tem 2% e os outros candidatos juntos somam 2%. Os nulos e brancos são 10% e os indecisos 14%. Pela margem de erro, de dois pontos percentuais para mais ou para menos, não é possível dizer se vai haver ou não segundo turno.

Para o Senado, lidera a disputa Cristovam Buarque (PDT), com 47%. A segunda vaga ficaria com o deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB), que tem 33% das intenções de voto. Em terceiro lugar vem a ex-governadora Maria Abadia (PSDB), com 24%. Aliada de Roriz, Abadia também teve sua candidatura negada pelo TSE por causa da Lei da Ficha Limpa. Em quarto lugar está o deputado federal Alberto Fraga (DEM), com 12%.

A pesquisa ouviu 1806 pessoas entre 31 de agosto e 2 de setembro e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número 27599/2010.

17/08/2010 - 19:58h Vox Populi: Dilma tem 45%, Serra tem 29% e Marina, 8%

Portal IG

A candidata petista à Presidência da República, Dilma Rousseff, venceria no primeiro turno se a eleição fosse hoje, de acordo com a pesquisa Vox Populi/Band/iG divulgada nesta terça-feira.

Dilma teria 45% das intenções de voto, contra 29% do presidenciável tucano, José Serra, e 8% da candidata do PV, Marina Silva.

Para levar a disputa primeiro turno, a quantidade de votos válidos contabilizados por um determinado candidato deve ser superior à soma dos votos obtidos pelos demais concorrentes.

Os demais candidatos não atingiram 1% das intenções de voto, 5% declararam voto branco ou nulo e outros 12% se disseram indecisos.

A pesquisa estimulada, que mostra os nomes dos candidatos para os entrevistados, foi feita entre os dias 7 e 10 de agosto, após o primeiro debate entre presidenciáveis, realizado pela Band no dia 5 de agosto.

O melhor desempenho de Dilma é na região Nordeste e o pior é na região Sudeste. Em Pernambuco, ela teria 66% dos votos, contra 19% de Serra.

Já o tucano tem seu melhor desempenho na região Sul e o pior, no Nordeste. Em São Paulo, Estado que governou até abril, Serra teria 40% dos votos, contra 33% da petista.

O instituto entrevistou 3 mil pessoas em 219 municípios de todos os Estados, incluindo o Distrito Federal e excluindo Roraima.

A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número 22.956/10. A margem de erro é de 1,8 ponto percentual para mais ou para menos.

Dilma também aparece na frente na pesquisa espontânea, com 32% das intenções de voto, ainda segundo a Vox Populi/Band/iG.

José Serra aparece em segundo, com 18%, e Marina Silva em terceiro, com 5% das intenções de voto.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não é candidato, foi citado por 3% dos entrevistados. Outros 6% disseram votar nulo ou branco e 34% não sabem em quem votariam.

13/08/2010 - 20:57h Dilma confirma seu primeiro lugar

Nacional_data

07/08/2010 - 07:55h Ibope mantém a vantagem de 5 pontos para Dilma sobre Serra

Candidata tem 39% das intenções de voto e tucano, 34%, repetindo resultado da pesquisa anterior do Ibope, encomendada pelo Estado’ e pela Rede Globo; tucano vai melhor no Sul – onde lidera por 42% a 34% – e 47% acreditam que a vitória será da petista

Daniel Bramatti – O Estado de S.Paulo

Pesquisa Ibope/Estado/TV Globo encerrada horas antes do primeiro debate entre os candidatos aponta vantagem de cinco pontos porcentuais para a petista Dilma Rousseff (39%)nas intenções de voto para a Presidência sobre o tucano José Serra (34%).

Os índices dos dois principais concorrentes são exatamente os mesmos da pesquisa Ibope feita uma semana antes. A candidata do PV, Marina Silva, é a preferida de 8% dos eleitores.

Os adversários de Dilma, somados, têm 42%das preferências – nenhum dos chamados “nanicos” chegou a 1% das menções dos entrevistados. Para vencer no primeiro turno, um candidato precisa ter mais votos do que a soma dos obtidos pelos adversários.

Em um eventual segundo turno entre Dilma e Serra, a ex-ministra da Casa Civil venceria por 44% a 39% se a eleição fosse realizada hoje.

A vantagem da candidata petista é de oito pontos porcentuais na pesquisa espontânea ( 25% a 17%)- aquela em que os entrevistados manifestam sua intenção de voto antes de ler a lista de candidatos. O universo de indecisos ainda alcança 44% na pesquisa espontânea.

Veja a evolução dos candidatos no 1º turno:

Veja a evolução dos candidatos no 2º turno:

Geografia do voto. A pesquisa confirma que Serra perdeu a vantagem que tinha em junho no eleitorado feminino. Agora, os dois principais candidatos estão empatados entre as mulheres (35% para Dilma e 34% para Serra). No segmento masculino, a candidata do PT está 10 pontos à frente (43% a 33%).Na divisão do eleitorado por regiões, os candidatos tiveram apenas variações na margem de erro desde a pesquisa anterior. Dilma tem 46% no Nordeste, contra 27% de Serra, No Norte, ela vence por 40% a 33%.

O candidato do PSDB e ex-governador de São Paulo vai melhor no Sul, onde lidera por 42% a 34%. No Sudeste, há um empate – ambos têm 35% das intenções de voto.

Os cruzamentos do Ibope por faixa de renda mostram que Dilma alcança seu melhor índice no eleitorado mais pobre – 44% de preferências entre os que têm renda familiar mensal de até um salário mínimo. Já Serra alcança o resultado mais alto entre os que ganham acima de cinco salários mínimos (40%).

Programas sociais. No quesito rejeição, o ex-governador de São Paulo aparece com 25%. Outros 18% dizem que não votariam na candidata do PT de jeito nenhum. Marina tem índice de rejeição menor: 12%, próximo ao dos “nanicos” Plíni0 de Arruda Sampaio (PSOL), Zé Maria (PSTU), Rui Costa Pimenta (PCO), Ivan Pinheiro (PCB) e José Maria Eymael (PSDC).

A rejeição a Dilma é menor no Nordeste, onde 13% descartam a possibilidade de votar nela. Serra é menos rejeitado no Sul, onde 16% afirmam que não votariam nele de jeito nenhum.

No eleitorado beneficiado pelo principal programa social do governo, o Bolsa-Família, a ex-ministra da Casa Civil tem vantagem superior à de sua média nacional. Ela aparece com 44% nesse segmento.

Serra, por sua vez, conquista 31% das preferências na parcela que recebe o benefício governamental.

Os atendidos direta ou indiretamente pelo Bolsa-Família são 27% dos entrevistados pelo Ibope. A pesquisa revela que cerca de um terço da população é beneficiado por algum programa do governo, entre eles o Luz Para Todos, o Programa Universidade para Todos (Prouni) e o Minha Casa, Minha Vida.

Se podem influenciar o voto para presidente, não há evidência de que os programas sociais elevem a simpatia pelo partido governante. Entre os eleitores que recebem o Bolsa-Família, a parcela de simpatizantes é a mesma que no restante da população.

Preferência partidária. A pesquisa revela que o PT é o partido preferido de pouco mais de um quarto dos brasileiros. Em segundo lugar no ranking de simpatizantes aparecem, empatados, PSDB e PMDB, com 6%.

O PSB, que governa Estados importantes como Ceará e Pernambuco, é a legenda preferida de apenas 1% dos brasileiros – mesmo índice alcançado por PC do B, DEM e PDT.

Os eleitores sem preferência partidária são maioria absoluta: 53% do total.


27/06/2010 - 13:26h Escondidinho

O PSDB mineiro decidiu não divulgar o resultado de uma pesquisa, do Instituto Vox Populi, feita no estado, entre 16 e 23 de junho, sobre as eleições presidenciais.
Os números são muito ruins para o candidato tucano, José Serra.

Panorama Político – O GLOBO

07/06/2010 - 09:29h Emprego e renda ajudam petista; tucano capta descontentes

Daniel Bramatti – O Estado SP

A pesquisa Ibope/Estado/TV Globo mostra que a geração de empregos e a melhora da renda são fatores que impulsionam a preferência dos eleitores por Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência.

Já o eleitorado descontente com serviços públicos, principalmente na segurança e na saúde, tende a votar majoritariamente no tucano José Serra.

Dos entrevistados que consideram que a oferta de empregos “melhorou muito” no País nos últimos dois anos, 51% pretendem votar na petista e 32%, em Serra. A vantagem também é larga no segmento para o qual a situação do emprego melhorou “um pouco”: 47% a 33%.

No total, 56% dos brasileiros observaram alguma ampliação do mercado de trabalho nos últimos dois anos. As estatísticas oficiais alimentam essa percepção: em abril, a taxa de desemprego ficou em 7,3%, o melhor resultado desde 2002, ano do início da nova série histórica do IBGE.

Consumo. Dilma também lidera no eleitorado que viu seu poder de compra melhorar “muito”: 43% a 26%. Entre os que sentiram pouco crescimento da renda, a vantagem da petista sobre Serra é menor: 42% a 37%.

A percepção de ampliação do poder de consumo é generalizada, mas mais intensa na região Nordeste: 77% acham que a situação melhorou e apenas 7% consideram que piorou. Em todo o País, esses índices são de 72% e 11%, respectivamente.

Dilma vê a situação da renda e do emprego como trunfos a explorar na campanha. No programa partidário exibido em maio em rede de rádio e televisão, o PT destacou a geração de postos de trabalho e a ascensão social dos mais pobres no governo Luiz Inácio Lula da Silva.

Ainda no campo da economia, o Ibope perguntou aos entrevistados se a vida melhorou no quesito pagamento de impostos. Para um terço do eleitorado, houve piora nos últimos dois anos e 21% disseram ter sentido melhora. Nesse caso, Dilma lidera entre os mais satisfeitos e até entre os que acham que o peso dos impostos ficou igual nos últimos dois anos.

No grupo para o qual a situação dos impostos “piorou um pouco” ou “piorou muito”, José Serra vence por 46% a 30% e 51% a 22%, respectivamente.

Combate ao crime. Serra marcou a entrada na chamada pré-campanha com críticas à atuação do governo federal na área da segurança. Segundo ele, há falhas no controle das fronteiras que permitem o ingresso de armas e drogas que alimentam o crime organizado.

Esse discurso encontra eco no eleitorado que percebeu piora na situação da segurança pública nos últimos dois anos. No grupo segundo o qual “piorou muito”, o tucano vence Dilma por 46% a 26%. No segmento para o qual “piorou um pouco”, a vantagem dele é de 40% a 31%.

Há parcela significativa da população para a qual a situação da segurança não piorou: 29% dizem que ficou tudo igual e 30 %, que houve melhora. Os mais críticos, nessa área, somam 38%.

Na avaliação dos serviços públicos de saúde há uma divisão semelhante do eleitorado: 37% veem melhora, 34% relatam piora e 27% não apontam mudanças na qualidade dá área.

Ministro da Saúde no governo Fernando Henrique Cardoso, Serra vê o tema como um flanco da gestão Lula. Nas últimas semanas, por exemplo, ele atacou publicamente o “loteamento” político de áreas do Ministério da Saúde.

O serviço público mais bem avaliado na pesquisa Ibope foi a educação. Para 48% dos entrevistados, o setor melhorou nos últimos dois anos. Outros 25% tiveram opinião contrária e 24% disseram não ter observado diferenças no período. Como nos demais casos, dilmistas se concentram entre os mais satisfeitos e serristas são majoritários no extremo oposto. A petista lidera com 26 pontos porcentuais de vantagem (55% a 29%) no segmento para o qual a educação “melhorou muito”.

06/06/2010 - 07:43h IBOPE: Dilma agora é a “favorita” para vencer a eleição

Média das pesquisas mostra tendência de Dilma e Serra continuarem colados

por Jose Roberto de Toledo – VOX PÚBLICA – Estadão

(texto publicado na edição impressa de O Estado de S.Paulo)

O gráfico da média móvel das pesquisas desenvolvido pelo Estado mostra uma nova tendência: as linhas de intenção de voto de José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) correram sobrepostas desde que eles empataram, há três semanas.

Até 14 de maio, as curvas de Serra e Dilma estavam espelhadas, o que o tucano perdia, a petista ganhava. Foram cinco meses de tendência convergente de Dilma em relação a Serra. O gráfico desenhou um alicate.

Mas desde que as hastes da ferramenta se encontraram não houve sinais de que a pré-candidata do PT tenha continuado cooptando eleitores do rival do PSDB. As projeções de ultrapassagem não se confirmaram, por enquanto.

Screen shot 2010-06-05 at 15.17.36

Desde que o empate se configurou, Serra ocupou a maior parte da propaganda do DEM em cadeia de rádio e TV, e isso pode tê-lo ajudado a frear o crescimento de Dilma. A maior exposição da petista ocorreu imediatamente antes de ela empatar com o tucano.

O calendário nas próximas semanas favorece Serra. Ele deverá ser o centro das propagandas de 10 minutos do PPS, do PSDB e do PTB que irão ao ar nos dias 10, 17 e 24 de junho, respectivamente.

Além disso, cada um dos três partidos terá 40 inserções de 30 segundos no horário nobre entre os dias 3 e 29 de junho. Muitas poderão ser aproveitadas por Serra para manter seu nome na cabeça do eleitor.

A média móvel considera as últimas três pesquisas divulgadas pelos principais institutos. Desta vez, entraram no cálculo as pesquisas Sensus, Datafolha e Ibope.

Dilma vira “favorita”, mas calendário é melhor para Serra

por Jose Roberto de Toledo

(texto publicado na edição impressa de O Estado de S.Paulo)

Alguns detalhes da pesquisa Ibope/Estado/Rede Globo são melhores para Dilma Rousseff (PT) do que para José Serra (PSDB): ela é favorita para a maior parte do eleitorado, seu voto está mais consolidado, e seu eleitor, mais confiante. Mas o calendário próximo favorece o tucano.

A maior mudança detectada pela pesquisa foi no favoritismo dos presidenciáveis aos olhos dos eleitores: agora, 40% apostam que Dilma será a sucessora do presidente Lula, contra 35% que jogam suas fichas em Serra. Em abril, a situação era inversa: 43% apostavam no tucano, e apenas 34% achavam que ela venceria.

Screen shot 2010-06-05 at 15.06.12

Essa virada reflete o aumento da confiança do eleitor de Dilma: 84% apostam na vitória de sua candidata. Embora também alto, o percentual de correligionários de Serra que acreditam na sua eleição é menor: 71%. E pior, 1 a cada 8 dos eleitores serristas crê na vitória de Dilma.

O aumento do otimismo petista é consequência do empate de Dilma com Serra há três semanas. Confiança é um combustível importante para animar a campanha, mas é também volátil: um tropeço nas pesquisas pode reverter a opinião de alguns desses otimistas.

Menos mutável é a intenção de voto espontânea. Dilma chegou a 19%, contra 15% de Serra. Ou seja, metade do eleitorado da petista têm seu nome na ponta da língua. É um voto mais difícil de perder. Para Serra, essa proporção é de 40%. Mas pode crescer com o aumento de sua exposição na mídia.

Serra pode ocupar até uma hora e meia da faixa nobre na TV e no rádio ao longo de junho. Desde que seja a principal atração dos programas de 10 minutos e inserções de 30 segundos que PSDB, PTB e PPS terão direito a veicular este mês. Seria uma repetição do que ocorreu com o horário de propaganda do DEM.

Dilma não tem nenhuma propaganda programada para este mês. Apenas a convenção do PT, que deve formalizar sua candidatura no dia 13. Mas o PSDB também fará a sua, para oficializar Serra, na véspera.

Para os tucanos, a pesquisa Ibope não foi tão ruim. Ao menos Dilma não cresceu nas últimas duas semanas, se comparados os resultados aos da Datafolha. Por isso que eles dizem que maio foi de Dilma e que junho será de Serra. Mas isso, só as pesquisas de julho poderão confirmar. Ou não.

01/06/2010 - 10:06h Rio: Dilma, Crivella e Cabral lideram

Jornal do Brasil


NA FRENTE – Só 6% o acham ruim

Pesquisa do Ibope realizada entre os dias 19 e 21 de maio mostra que a pré-candidata do PT à Presidência venceria com folga em todas as regiões do estado do Rio de Janeiro A pesquisa do Ibope encomendada pelo Sindicato dos Condutores da Marinha Mercante divulgada hoje, como revela o Informe JB, traz algumas outras novidades sobre a intenção dos eleitores no Rio de Janeiro. Além da vantagem de 17 pontos sobre José Serra (PSDB), seu principal adversário na corrida ao Palácio do Planalto, Dilma Rousseff lidera em todas as regiões fluminenses – capital, metropolitana e interior, com pouca variação, entre 46% e 41%, com maio força entre os cariocas.

A petista perde força à medida que sai da capital (46%, 43% e 41%), enquanto que o tucano Serra vem em ascensão da ponta para dentro. Ele é mais forte no interior (36%), tem 29% na metropolitana e 21% na capital.

Contudo, perde para Dilma em todas as regiões.

Marina Silva teria 10% dos votos, mesmo percentual de brancos e nulos entre os eleitores do Rio de Janeiro. No estado, apenas 8% dos eleitores declararam não saber em quem irão votar para presidente.

Aliados na frente

O levantamento estimulado aponta vantagem do governador Sérgio Cabral (PMDB), que concorre à reeleição, com 43% das intenções de voto, sobre o ex-governador Anthony Garotinho (PR), que ficou com 21% das intenções, e Fernando Gabeira (PV), com 12%. Mas apesar de a pesquisa sinalizar que Cabral, aliado de Dilma no estado, poderia vencer no primeiro turno, o número de eleitores que não sabem em quem votar para governador é grande. Somados, chegam a 23%.

Deste total, 12% disseram que se as eleições fossem hoje votariam em branco ou anulariam seus votos. Já 11% dos entrevistados admitiram que ainda não sabem em quem votar para o Palácio Laranjeiras.

Apenas 1% preferiu não responder à pergunta.


GABEIRA – Preferido na classe A

Enquanto Cabral aparece no levantamento como o preferido do povão – tem 45% dos votos dos que ganham de 1 a 2 salários mínimos, e 28% dos que ganham o mínimo -, o deputado Fernando Gabeira é o escolhido da chamada classe A: 48% dos eleitores que ganham entre 5 e 10 mínimos.

Nas classes C e D, Cabral rivaliza com Garotinho. O ex-governador tem 34% das intenções de votos entre os eleitores que recebem até 1 salário mínimo, contra 28% de Cabral, entre a mesma faixa salarial. O levantamento foi realizado antes de o TRE-RJ tornar Garotinho inelegível por três anos, por abuso de poder econômico (o ex-governador recorreu da decisão).

Senado Se a eleição fosse hoje, o senador Marcelo Crivella (PRB) e o ex-prefeito Cesar Maia (DEM) estariam disparados na frente dos adversários (26% e 24%, respectivamente). Os eleitores de Crivella estão nas classes C e D, entre os que ganham de 2 a 5 salários, 31% o reelegeriam.

Dos que ganham 1 e 2 salários mínimos, 29%.

Maia é o preferido da classe A: teria 30% dos votos dos que recebem mais de 10 mínimos. O ex-prefeito abre vantagem sobre Crivella na capital, onde foi apontado por 26%, contra 19% que votariam no senador. Porém, na periferia e no interior, Crivella desponta (30% e 32%, respectivamente, contra 22% e 25% de Maia nessas regiões).

Em terceiro lugar no levantamento, o ex-prefeito de Nova Iguaçu Lindberg Farias (PT) – que registrou 8% das intenções de voto na pesquisa – teve desempenho parecido tanto entre os que ganham mais de 10 mínimos (10%) quanto entre os que recebem até um salário (9%).

Jorge Picciani, presidente da Assembleia Legislativa do Rio que também é pre-candidato à vaga pelo PMDB, contaria com 20% dos votos dos eleitores da classe A.

Atrás de Picciani, o ex-deputado Marcelo Cerqueira (PPS) aparece empatado com o ex-pagodeiro Vaguinho, hoje evangélico, que entrou na disputa pelo PTdoB: ambos estão com 2% das intenções de voto.

A margem de erro na pesquisa (registrada no TSE sob o número nº 12414/2010) é de 3%.

__________

46 % dos eleitores da capital votariam em Dilma, se a eleição fosse hoje

21 % dos cariocas, porém, seguiriam com o tucano José Serra

14 % dos eleitores na cidade do Rio iriam optar por Marina Silva

__________

* Empate – 31% não votariam em Crivella de “de jeito nenhum”; outros 31% votariam “com certeza”; 24%, “poderiam votar”

*Rejeição – 38% não votariam em Cesar Maia “de jeito nenhum”, contra 27% que votariam “com certeza”; e 24% “poderiam votar”

* 76% dos eleitores do Rio disseram ao Ibope que não saberiam em quem votar se as eleições fossem hoje. Este índice corresponde ao levantamento espontâneo, sem nenhum candidato sugerido

30/05/2010 - 09:59h ”Lula é o pai da Nação”, definem moradores da caatinga (I)

- O Estado de S.Paulo

Os lavradores dizem que não podem contar nem com o governo estadual nem com as prefeituras. Geraldo Oliveira dá um exemplo: na Emater, órgão de assistência técnica estadual, para tirar 10 kg de milho para plantar, é preciso deixar 20 kg de feijão. “Isso não é ajutório.” A Prefeitura de Uiraúna cedeu no ano passado duas horas de trator para a colheita do milho, mas tarde demais, quando ele já estava “seguro” na espiga. “Perdemos a colheita.”

Em contraste, o governo federal os apoia, afirmam eles. Geraldo define assim o presidente Lula: “É o pai da Nação.” Júnior tem uma justificativa simples para votar na candidata do presidente: “Tem que ajudar quem ajuda a gente.” Ele conta que sua irmã, que tem um filho de 4 anos, ganha Bolsa-Família e recebeu pelo teste do pezinho. Além disso, Júnior conseguiu comprar sua moto no ano passado, em consórcio, com mensalidades de R$ 125. “Melhorou muito para nós com a entrada desse presidente.”

Galego também comprou sua moto, por R$ 4.800, com o salário que ganhou trabalhando na construção da Barragem de Capivara, que abastece seis municípios da região, onde antes faltava água. Ele recebia salário mínimo (na época R$ 480) mais R$ 120 de hora extra. “A obra ajudou muito. Deixou muita gente com moto zero.”

As motocicletas converteram-se num sinal da “prosperidade” em muitas zonas rurais pobres do Brasil. No agreste nordestino, elas substituem os tradicionais jumentos como meio de transporte, e os animais são vistos abandonados nas estradas de terra.

A Barragem de Capivara foi construída pelo governo estadual, com verbas federais conseguidas pelo deputado Wilson Santiago (PMDB-PB), que apoia Lula, dizem os moradores. São mais obras assim, como o asfaltamento da estrada que liga Uiraúna a Icó (Ceará), ou a transposição do São Francisco, que eles esperam do próximo governo, para gerar empregos formais.

25/05/2010 - 09:03h Gasto com pesquisa é o maior em 11 anos

Ciência e tecnologia: Investimento privado aumenta, mas só 2 mil dos 87 mil doutores do país estão nas empresas


Ruy Baron/Valor
Foto Destaque
Sérgio Rezende: “Sempre faltam recursos, mas a nossa experiência, no caso das subvenções, mostra que a qualidade dos projetos ainda deixa a desejar”


Cristiano Romero, de Brasília – VALOR

O Brasil está investindo, neste ano, o equivalente a 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em pesquisa e desenvolvimento (P&D). É o maior patamar de investimento dos últimos 11 anos – no ano 2000, o país aplicou 1,02% do PIB e, no ano passado, 1,3% do PIB. Do total deste ano, 0,65% está sendo desembolsado por empresas privadas e estatais, percentual praticamente idêntico ao do setor público.

O ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, diz que, nos últimos anos, a estabilização da economia e a abertura comercial do país forçaram as empresas a investir mais em P&D, mas ele acha que elas ainda investem muito pouco. “Falta cultura”, afirma Rezende nesta entrevista. Ele informa que, dos 87 mil doutores existentes no Brasil, apenas dois mil trabalham em empresas. O ministro acredita, no entanto, que há um processo de mudança em curso.

Físico de materiais com doutorado pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), Rezende afiança que o Brasil está começando a ser percebido lá fora como um ator emergente não só na economia, mas também na área de ciência e tecnologia. Há duas semanas, ele foi à Costa Oeste americana, em viagem organizada pelo diplomata Rodrigo Baena, responsável na Secretaria de Comunicação do governo pela divulgação do Brasil no exterior.

Já como resultado da viagem, a Intel manifestou interesse em entender melhor as condições para implantar um centro de pesquisa no Brasil. A IBM decidirá, entre Brasil, Austrália e Emirados Árabes, onde instalar o seu. E a General Eletric (GE), recordado o ministro, optou recentemente pelo Brasil.

De amanhã até sexta-feira, o ministro comandará, em Brasília, a 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (CNCTI), que, até sexta-feira, já tinha quase 5 mil inscritos.

Valor: Que avanços o senhor julga que ocorreram na área de C&T nos últimos anos?

Sérgio Rezende: Houve quatro avanços, que estão relacionados às quatro prioridades do Plano de Ação em Ciência, Tecnologia e Inovação, lançado em 2007. O primeiro foi a consolidação de um sistema nacional de C&T. O sistema já existia com esse nome há muito tempo, mas somente agora ele está funcionando efetivamente.

Valor: No que consiste esse sistema?

Rezende: Consiste em decidir sobre a apoio a programas não de cima para baixo, mas de maneira articulada com sociedades científicas e entidades empresariais e com os Estados e até com alguns municípios. Hoje, existe um conselho de secretarias estaduais de C&T. Vários dos programas que temos atualmente foram articulados com os Estados, que têm que entrar com contrapartida, algo que foi definido pelo próprio conselho.

Valor: Como funciona a contrapartida?

Rezende: No caso de São Paulo, é um para um – para cada real colocado pelo governo federal num programa de pesquisa, o Estado coloca outro. Nos casos de Rio de Janeiro e Minas Gerais, a gente entra com 1,5 e eles, com 1. Nos Estados mais pobres, a proporção é de 5 para 1. Há um programa, destinado a expandir e consolidar o sistema de C&T, que é o de Núcleos de Excelência (Pronex). O edital é feito pelas fundações estaduais e uma boa parte dos recursos vem do governo federal. O resultado efetivo desse programa, que foi criado em 1997, mas sofreu esvaziamento e depois foi revigorado pelo governo Lula, é que os Estados passaram a colocar recursos. Os governadores passaram a ver que, se colocassem mais recursos nesses programas, mais eles receberiam do governo federal.

Valor: Há outros programas em parceria com os Estados?

Rezende: Há, por exemplo, o Programa de Apoio à Pesquisa em Pequena Empresa (Pappe). A Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) entra com os recursos da subvenção [a fundo perdido], mas a empresa tem que disputar isso por meio de edital. O governo estadual também coloca recursos, mas não pode escolher diretamente os projetos. A Lei de Inovação exige que haja disputa, via edital de concorrência, pelos recursos que vêm de subvenção.

Valor: Qual foi o segundo avanço?

Rezende: Foi o grande aumento nos recursos financeiros. No ano 2000, os recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), que inclui dinheiro para pesquisa e subvenções dadas a empresas, limitaram-se a R$ 220 milhões, em valores de hoje. Em 2010, vão a R$ 3,1 bilhões. Considerando todos os recursos federais, o que inclui as verbas dos institutos do MCT, os programas nuclear e espacial, o CNPq e outras ações do ministério, o orçamento saltou, no mesmo período, de R$ 1,070 bilhão para R$ 5,376 bilhões.

Valor: Na semana passada, o governo anunciou que cortará R$ 10 bilhões do orçamento. A sua área sofrerá cortes?

Rezende: Não houve nem haverá contingenciamento no MCT. Um artigo que está na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) há alguns anos proíbe o contingenciamento de recursos dos fundos setoriais.

Valor: Mas eles foram contingenciados nos últimos anos.

Rezende: Em 2007, o presidente Lula decidiu que o contingenciamento dos fundos seria decrescente até chegar a zero em 2010. É isso o que está ocorrendo.

Valor: Qual foi o terceiro avanço?

Rezende: Foi a percepção de muitos empresários e empreendedores da necessidade de investir em C&T e inovação, isso em paralelo à criação dos novos instrumentos de apoio. O setor privado está investindo 0,65% do PIB em P&D. Em 2000, investia 0,47% do PIB.

Valor: Os críticos dizem que é muito pouco quando se comparam aos investimentos feitos por países que concorrem com o Brasil?

Rezende: Isso é verdade. O interesse das empresas cresceu, mas ainda é muito pequeno. Mas antes não havia nada. Temos três modalidades de subvenção econômica: o Pappe; o edital nacional, criado em 2006; e o Prime (Primeira Empresa Inovadora), para novas empresas, lançado no ano passado. Nos três programas, foram beneficiadas até agora cerca de 2.500 empresas. Em 2006, do primeiro programa [de subvenção nacional], foram beneficiadas aproximadamente 200 empresas.

Valor: Quanto foi liberado?

Rezende: O total chegou a cerca de R$ 2 bilhões. As liberações são crescentes, o que demonstra o interesse das empresas. O edital nacional deste ano, que será anunciado durante a conferência pela Finep, vai dispor R$ 500 milhões.

Valor: Por que o interesse empresarial ainda é aquém das necessidade? Faltam recursos?

Rezende: Falta cultura. Sempre faltam recursos, claro, mas a nossa experiência, no caso das subvenções, mostra que a demanda é muito grande, mas a qualidade dos projetos, que são julgados por comitês com representantes das empresas, do meio acadêmico e do ministério, ainda deixa a desejar.

Valor: Por quê?

Rezende: Porque as empresas não têm pesquisadores de uma maneira geral.

Valor: E por que elas não contratam pesquisadores?

Rezende: Porque é uma questão cultural. Até a década de 80, a preocupação das empresas era pagar os salários no fim do mês, correr contra a inflação. Na década de 90, aconteceram duas coisas marcantes: uma foi a estabilização da economia; outra foi a abertura comercial. Com a abertura, aquelas empresas que não tinham gestão foram engolidas, muitas desapareceram, outras foram à falência. Mas já havia um movimento, que começou no governo e foi tendo a adesão das empresas, para desenvolver programas de gestão da qualidade. As empresas passaram a ver que tinham que ter certos padrões para ter boa gestão. Hoje, muitas das pessoas que foram líderes daquele processo, como Jorge Gerdau, são os que lideram agora o movimento para a inovação. Uma vez que a empresa tem gestão da qualidade, ela possui um produto de mercado, vai bem e sobrevive. Mas, para fazer grandes avanços, ela tem que ter coisa nova.

Valor: Faltam mestres e doutores na empresa brasileira?

Rezende: Na Coreia do Sul, 80% dos pesquisadores estão nas empresas. Nos Estados Unidos, mais de 60% estão nas companhias, embora lá haja um grande contingente no governo por causa dos laboratórios e dos investimentos em defesa. No Brasil, a maioria está no governo [principalmente, nas universidades]. Dos 87.063 doutores que temos no Brasil [dados de 2008), apenas 2 mil, o equivalente a 2,3% do total, estão trabalhando em empresas. Mas essa situação está começando a mudar.

Valor: Como?

Rezende: Há dez anos, havia somente 200 doutores nas empresas. A mudança foi grande e tenho certeza de que será maior ainda na próxima década. Além disso, o Brasil está formando mais de 10 mil doutores por ano [em 2009, foram 11,4 mil] e quase 39 mil mestres [38,8 mil no ano passado]. No caso dos doutores, formamos mais do que França, Itália, Coreia do Sul, Espanha e Finlândia e menos do que Índia, Rússia, China, Japão, Alemanha e Estados Unidos.

Valor: O que está faltando para que as empresas contratem pesquisadores, mestres e doutores?

Rezende: Está faltando o sistema empresarial ver que isso faz diferença. Uma empresa que possui doutores tem mais competitividade e maior lucratividade. Não adianta o governo falar. O governo pode criar mecanismos para estimular. Criamos, por exemplo, a Lei da Inovação, que procura aproximar os pesquisadores das empresas. Essa lei criou a subvenção tanto para financiar projetos quanto para contratar mestres e doutores, mas a demanda das empresas para esse tipo de contratação ainda é muito pequena. Há uma interpretação no mercado de que, de um modo geral, o doutor aprofundou os estudos e é muito acadêmico. As empresas acabam preferindo o engenheiro.

Valor: O doutor formado no Brasil não é mesmo muito acadêmico e distante da realidade das empresas?

Rezende: A maioria certamente é, mas isso é um processo. Há muitas universidades formando engenheiros com doutorado. O engenheiro sai do doutorado com uma base teórica, mas muitas vezes experimental também, muito grande. Mas quando chega à empresa, ele precisa se envolver com os problemas e usar toda aquela formação para tentar resolver as questões da companhia.

Valor: O problema está na forma como a universidade brasileira prepara seus doutores?

Rezende: Nós temos, por causa da demanda, um público na área de ciências humanas – ciências sociais, direito, administração etc. – proporcionalmente maior que o de outros países. Na Coreia, na China e na Índia, há uma procura muito maior pelas engenharias.

Valor: O senhor acha que é um problema o país formar mais doutores nas ciências humanas?

Rezende: Não. Isso reflete um estágio da nossa cultura e também das oportunidades existentes. O Brasil forma uma quantidade enorme de advogados, que têm muitas oportunidades no mercado de trabalho. Um exemplo: há inúmeros concursos na área pública para pessoas formadas em direito. O mercado tem um papel importante. Entre 1982 e 2002, o número de estudantes formados em engenharia diminuiu de 26 mil para 15 mil. Isso ocorreu por causa dos anos de estagnação da economia. Os jovens olham para as carreiras que oferecem oportunidades. Hoje, com a retomada do investimento e o crescimento da economia, está faltando engenheiro, e não se forma um da noite para o dia. A Vale e a Petrobras estão procurando profissionais no exterior.

Valor: O que o governo está fazendo para valorizar as ciências exatas?

Rezende: Estamos fazendo, com o Ministério da Educação, algo que terá resultado em dez anos: a Olimpíada Brasileira de Matemática na escola pública. Começou em 2005, por ordem do presidente Lula. O que ocorria até então é que os estudantes das escolas públicas não concorriam na olimpíada nacional de matemática por medo, então, o governo criou uma só para a escola pública. Em 2005, tivemos 10,5 milhões de concorrentes. Em 2009, foram 19,1 milhões, 10% da população brasileira. As crianças não são obrigadas a concorrer, como no exame do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).

Valor: O que os estudantes ganham ao participar da olimpíada?

Rezende: Os 300 melhores ganham medalha de ouro, os 600 seguintes, medalha de prata, outros 2.100 seguintes, medalha de bronze, e todos ganham uma bolsa de R$ 150 para, no ano seguinte, fazer curso de matemática, fora da sala de aula. Em 2009, estudantes de 43 mil escolas públicas em 5.650 cidades participaram da olimpíada, o que equivale a 99,1% dos municípios. Isso vai estimular muitos estudantes a optarem por engenharia e áreas afins mais adiante.

Valor: É muito comum comparar-se o fracasso brasileiro nessa área ao sucesso da Coreia do Sul.

Rezende: É muito diferente fazer uma política industrial e tecnológica para um país de 8,5 milhões de Km2 e 190 milhões de pessoas, do que fazer para a Coreia, que hoje é um país democrático, mas que quando deu o grande salto não era. Os “chaebols”, os grandes grupos coreanos, eram empresas da área de agricultura, de exploração de recursos naturais, que o governo chamou e disse o que é que eles iam fazer. A política industrial coreana, portanto, foi forçada.

Valor: Qual foi o quarto avanço?

Rezende: Foi o fato de termos priorizado também C&T para o desenvolvimento social, num sentido bem abrangente – inclusão digital, melhoria do ensino nas escolas públicas etc. Há coisas que o MCT não fazia antes. Inclusão digital, por exemplo, não era assunto desse ministério.

Valor: O Brasil é muto atrasado e desigual no acesso à internet rápida. Por que é assim?

Rezende: Eu não diria que está tão atrasado, afinal, existem 60 milhões de usuários de internet no Brasil. Em média, o brasileiro fica na internet três vezes mais tempo do que a média dos outros países.

Valor: O que explica isso não é a internet lenta?

Rezende: Certamente, isso contribui, mas não só. Não há mais acesso porque o custo é alto. Outra razão é que não existe internet ainda nos locais coletivos – principalmente, nas escolas públicas e nos centros comunitários, onde a população mais pobre poderia ter acesso. As escolas estão tendo acesso gradualmente, até o fim deste ano deve chegar a 56 mil. Agora, surge o plano nacional de banda larga porque, há quatro anos, não se falava disso; falava-se apenas de internet. Na medida em que a internet vai ficando sofisticada, a informação passa a ser mais completa e isso exige mais velocidade. O governo decidiu usar os cabos de fibra óptica que pertenciam a empresas estatais de energia e recriar a Telebrás para gerir isso.

Valor: Como ela vai operar?

Rezende: Não está definido ainda. Há visões diferentes dentro do governo.

Valor: Qual é a sua?

Rezende: É que a Telebrás deveria chegar aos municípios e, lá, oferecer o serviço a um provedor de internet a um determinado custo, menor do que aquele que as grandes empresas comerciais cobram hoje. Só no Rio Grande do Sul, há 600 licenças concedidas pela Anatel a pequenos provedores para exploração de internet. Falta chegar a infraestrutura.

Valor: É possível chegar a um custo mais baixo ou haverá subsídio?

Rezende: Por um bom tempo, quem vai bancar isso é o governo. A Telebrás vai levar o serviço aos locais onde não existe banda larga e também onde os preços estão muito altos. No fundo, o que o governo quer é contribuir para a regulação desse mercado, forçando os preços para baixo.

Valor: O setor de telecomunicação era muito ineficiente antes da privatização. O senhor não teme que a recriação de uma estatal crie novas ineficiências?

Rezende: O plano da Telebrás é ser uma empresa enxuta, que vai contratar serviços de outras empresas, como já fazem as empresas privadas. Prefiro correr esse risco a continuar como está hoje. Estão aí os preços altos cobrados pelas empresas privadas e a falta de cobertura. Com a Telebrás, as empresas serão obrigadas a cortar custos e a reduzir preços.

30/04/2010 - 10:14h Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação: Brasil é um dos 15 maiores investidores

Os dispêndios em P&D passaram de US$ 6,64 bilhões (1,3% do PIB) em 2000, para US$ 20 bilhões (1,43% do PIB) em 2008.

http://inovacao.scielo.br/img/revistas/inov/v3n1/a24img03.jpg

Brasil na rota global de P&D

Por Ricardo Camargo Mendes – VALOR

Para o National Science Board (NSB), o Brasil é um dos 15 maiores investidores em P&D

Nas últimas duas décadas, o mundo assiste ao redesenho do mapa de investimentos em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P&D&I). Nesse processo, está diminuindo a concentração dos recursos aplicados nos e pelos países desenvolvidos, e aumentado os registrados nas economias em desenvolvimento. No entanto, há diferenças relevantes nesse último grupo, chamando a atenção para a necessidade de aplicação, pelo Brasil, de uma estratégia para fazer o melhor proveito possível do movimento em curso.

Tal movimento deve-se a diversos fatores, sendo um dos principais a inclusão de P&D&I nas políticas de desenvolvimento de vários países. Para incentivar a produção do conhecimento que é capaz de se transformar em bem ou serviço de maior tecnologia e valor agregado, esses países adotaram medidas em diferentes áreas. E empresas inovadoras que procuram reduzir custos e acessar novos processos de pesquisa não tardaram a reconhecer, nessas economias, oportunidades de investimento.

O Science and Engineering Indicators 2010 do National Science Board (NSB), dos Estados Unidos, mostra a descentralização em P&D. Em 2007, América do Norte e União Europeia respondiam por 63% do US$ 1,1 trilhão em investimentos mundiais nessa área, ante 71% em 1996. O principal ganho foi da Ásia/Pacífico, que subiu de 24% para 31%, em boa parte devido à China e tigres asiáticos. A fatia do resto do mundo subiu de 5% para 6% (2,6% são da América Latina e Caribe).

As multinacionais dos EUA são outro indicador importante. Em 1995, cerca de 90% dos investimentos em P&D de suas afiliadas (mais de 50% de capital dos EUA) foram em países europeus desenvolvidos, Canadá e Japão. Em 2006 foram 80%. Enquanto isso, as filiais na China, Coreia do Sul e Cingapura puxaram a participação da Ásia, excluído o Japão, de 5,4% para 13,5%. China e Índia, que em 1994 respondiam por menos de US$ 10 milhões cada, passaram a contar com US$ 800 milhões e US$ 310 milhões, respectivamente. No Brasil foram US$ 570 milhões, a maioria no setor automobilístico.

Para o NSB, o Brasil é um dos 15 maiores investidores em P&D. De fato houve um salto no país, que também identificou nessa área chances de acelerar seu desenvolvimento. Segundo o governo, os dispêndios em P&D passaram de US$ 6,64 bilhões (1,3% do PIB) em 2000, para US$ 20 bilhões (1,43% do PIB) em 2008. Isso reflete ações como as leis de patentes (1996), que foi um divisor de águas em P&D, a da Inovação (2004), a Política de Desenvolvimento Produtivo (2008), a criação de órgãos como a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e a reestruturação de outros como o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Reflete também a liberação de recursos do governo e investimentos do setor privado. Com isso tudo, áreas de destaque global estão surgindo, incluindo a de saúde e biotecnologia, além da consolidação de outras, como a de tecnologia verde e de exploração petrolífera. Isso se comprova ainda pelos temas predominantes nos artigos brasileiros em publicações indexadas.

O que esses e muitos outros dados demonstram, portanto, é que o Brasil responde aos estímulos para gerar e exportar conhecimento produtivo. Mas o país deve agora avaliar os resultados obtidos desde a implantação da lei de patentes e estabelecer diretrizes para o futuro. Ainda há tempo para correções de percurso, evitando que fiquemos para trás na corrida global do conhecimento.

As travas à maior competitividade que já podem ser identificadas têm solução. Um exemplo: falta uma estratégia que coordene as ações dos atores envolvidos em P&D&I dentro e fora do governo, o que é possível de ser feito. Isso resolveria outras questões, como o temor de algumas empresas de usar a lei da Inovação para desoneração de impostos. Como a definição de inovação na lei é ampla, teme-se que o fisco não aceite a aplicação feita. Outro exemplo são incertezas referentes à proteção da propriedade intelectual, causadas em grande parte devido ao posicionamento adotado pelo Brasil em fóruns internacionais.

Há espaço para incrementar a parceria empresas/universidades, reconhecida internacionalmente como produtiva. A parceria cresceu, mas continua em nível que impede que boa parte da produção dos cientistas atinja o mercado. A co-operação entre países – como entre governo/governo, governo/empresa, empresa/empresa, universidade/universidade e empresa/universidade – também deve ser estimulada.

Os financiamentos para P&D aumentaram, porém é necessário mais, porque os inovadores lidam com investimentos elevados e de alto risco. Os investimentos em inovação pelas filiais dos EUA no Brasil mostram áreas ainda pouco exploradas e que podem ser atrativas, como a de serviços científicos e a indústria farmacêutica.

Outro ponto crucial é educação. Nossas universidades são um foco importante de produção científica. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) diz que em 2006, os Bric (Brasil, Índia, Rússia e China) formavam 50% mais doutorandos que a OCDE. Mas outros dados nessa área mostram diferenças. Segundo o NSB, de 1980 a 2000, a fatia de China de pessoas com terceiro grau passou de 5% para 11% do total mundial. O da Índia subiu de 4% para 8%. O Brasil ficou estagnado em 2%.

O Brasil está amadurecendo rapidamente em P&D&I e por isso deve ter uma estratégia para utilizar melhor suas capacidades competitivas. O mais preocupante é que estamos perdendo terreno em diversos aspectos para vários asiáticos. Poucas são as economias em desenvolvimento com atrativos como a nossa – como estabilidade econômica e política, segurança nas regras de propriedade intelectual e presença de empresas multinacionais no mercado há mais de cem anos. Por isso, aqui dentro é preciso equacionar os gargalos para a inovação e, no exterior, é fundamental promover esses ativos.

Ricardo Camargo Mendes é mestre em Relações Internacionais pela Universidade de Cambridge e sócio-diretor da Prospectiva Consultoria em Negócios Internacionais.

22/04/2010 - 12:50h Porque Serra fala bem de Lula?

13/04/2010 - 18:43h Sensus aponta Serra e Dilma em empate técnico

Sensus 2010-04-13 at 17.09.30

por Jose Roberto de Toledo – VOX PÚBLICA – ESTADÃO


Pesquisa Sensus feita na semana passada mostra José Serra (PSDB) e Dilma Roussef (PT) em empate técnico. Levando-se em conta apenas as pesquisas Sensus, o tucano ficou onde estava desde janeiro, com 33%, enquanto a petista oscilou de 28% para 32%. Segundo a Sensus, Ciro Gomes (PSB) e Marina Silva (PV) também estão empatados tecnicamente, com 10% e 8% das intenções de voto, respectivamente.

A pesquisa Sensus foi feita entre os dias 5 e 9 de abril, antes da festa de lançamento da pré-candidatura de Serra à Presidência, que aconteceu no sábado, em Brasília. A pesquisa foi feita por encomenda do Sintrapav, sindicato ligado à Força Sindical. A margem de erro máxima divulgada é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos. O Sensus divulga seus resultados com uma casa decimal. Este blog, como de hábito, arredondou o resultados, pois as casas decimais sugerem uma precisão que nenhuma pesquisa de intenção de voto tem.

No seu questionário, o Sensus, como sempre, incluiu a pergunta de avaliação do governo federal antes da pergunta de intenção de voto, bem como a pergunta de preferência partidária. Outra diferença metodológica em relação aos outros institutos é que o cartão do Sensus inclui o partido do candidato.

Essas particularidades do questionário do Sensus ajudam a explicar diferenças em relação aos resultados de outros institutos. Segundo o Sensus, Serra nunca teve mais do que 33% nem menos de 32%. Pelo Vox Populi, por exemplo, o tucano chegou a ter 40% e nunca caiu abaixo de 34%.

Mas as diferenças metodológicas não são suficientes para explicar divergências mais dramáticas, como a intenção de voto dos dois principais candidatos na região Sul. Pesquisa Datafolha concluída no dia 26 de março apontou grande vantagem do tucano sobre Dilma na soma de Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná: 48% a 20%. Já o Sensus concluído duas semanas depois dá vantagem da petista: 40% a 33% nos mesmos Estados.

Não houve nenhum evento tão dramático nesse período que explicasse uma reviravolta dessa monta. E as diferenças estão muito além da margem de erro (que, no caso, está em torno de 4 pontos percentuais). Um dos institutos deve ter errado.

21/03/2010 - 09:14h País pode ser líder em biocombustível

http://openinnovatio.org/wp-content/uploads/2009/04/bioetanol.jpg

Herton Escobar – O Estado de S.Paulo

Pioneiro e líder tecnológico na produção de bioetanol extraído do caldo da cana-de-açúcar, o Brasil tem potencial para se tornar uma liderança no aproveitamento da celulose para fabricação de biocombustíveis – apesar de ter entrado um tanto atrasado nessa área. Quem diz é o pesquisador Lee Lynd, do Dartmouth College (EUA), que há 20 anos estuda maneiras de transformar material vegetal (biomassa) em combustível.

Segundo ele, “o Brasil é um lugar lógico para iniciar a aplicação comercial de etanol celulósico”, porque, além de bons cientistas, dispõe de boas terras, bom clima, muita biomassa e uma indústria competente.

Líder de um projeto internacional que busca estudar e incentivar o desenvolvimento sustentável dos biocombustíveis, o Global Sustainable Bioenergy Project (GSB), Lynd chega hoje ao Brasil para um encontro de três dias com pesquisadores latino-americanos. Será a terceira de uma série de cinco reuniões do GSB – uma em cada continente -, sediada na Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Ao fim da última reunião, na África, Lynd conversou com o Estado por e-mail.

Quão próximos estamos de obter tecnologia economicamente viável para produzir etanol celulósico em larga escala?

Estou confiante de que já temos toda a tecnologia necessária para alguns tipos de biomassa. Para outros, ainda não, mas acho que chegaremos lá em breve. Nos EUA, os investimentos em etanol celulósico aumentaram uma ordem de magnitude no período 2005-2007, tanto no setor privado quanto no público, o que nos permitiu avançar de maneira muito mais rápida. Os resultados desse esforço já estão aparecendo.

O problema, então, é de custo e não de tecnologia. Como resolver isso? Quais são os principais entraves nessa área?

Espera-se que a via mais barata para produzir biocombustíveis de origem celulósica seja a conversão de carboidratos da celulose em açúcares, seguida da fermentação desses açúcares em etanol. Só que o custo das enzimas que quebram a celulose em açúcares (chamadas celulases) ainda é proibitivo. É possível desenvolver microrganismos que fermentam açúcar e produzem celulase ao mesmo tempo, permitindo que a celulose seja hidrolisada sem a adição de mais enzimas. Chamamos essa técnica de “bioprocessamento consolidado” ou CBP (em inglês). Se desenvolvermos um micróbio capaz de fazer isso, seria um avanço revolucionário no processamento de biomassa celulósica, tornando a produção de biocombustíveis economicamente viável.

O Brasil é pioneiro na produção de etanol de caldo de cana, mas só recentemente começou a investir na pesquisa do etanol celulósico. Isso poderá ser um problema para a indústria nacional de biocombustíveis no futuro?

Pelo contrário. Assim como ocorre com o refino do petróleo e a produção das commodities em geral, a economia dos biocombustíveis depende do custo da matéria-prima. Não só isso, mas o escalonamento e a sustentabilidade da produção dependem diretamente da produção de biomassa. Como o Brasil tem um dos melhores climas do mundo para a produção de biomassa, tem grande potencial para se tornar um líder na produção de biocombustíveis celulósicos. Em especial, por contar com a maior fonte já disponível de biomassa celulósica (o bagaço da cana) e uma indústria bem estabelecida. Por tudo isso, o Brasil é um lugar lógico para iniciar a aplicação comercial de etanol celulósico.

Qual a importância do etanol celulósico para o Brasil? Será que precisamos mesmo dele, visto que já nos viramos muito bem com o etanol da garapa?

O Brasil poderá extrair muito mais valor da cana-de-açúcar se fizer o aproveitamento da celulose. Seria bom para os produtores, bom para a economia, bom para o País e bom para o mundo, à medida que o carbono adquire valor de mercado. Enquanto que o desenvolvimento original da indústria de etanol no Brasil foi movido pela necessidade, é provável que a produção de biocombustíveis celulósicos seja movida pela oportunidade – o que seria, acho eu, um ímpeto bastante forte.

Os biocombustíveis são mesmo uma ameaça à produção de comida e ao abastecimento de água ou isso é só um argumento sensacionalista inventado pela concorrência? Se é um problema real, como resolvê-lo?

Essa é uma pergunta muito polêmica e, embora eu ache que a pergunta seja simples, a resposta não é. Numa extrapolação futura, em que as tendências atuais se mantêm, a produção de comida e a disponibilidade de água serão um problema de qualquer maneira, e a produção de biocombustíveis poderia exacerbar esses problemas. Então, há uma legitimidade nessa preocupação que não pode ser descartada de imediato. No entanto, é importante notar duas coisas. A primeira é que é possível produzir biocombustíveis sem ameaçar a produção de alimentos ou os recursos hídricos. A segunda é que não podemos chegar a um futuro sustentável e seguro se mantivermos as práticas que nos trouxeram a esse presente insustentável e inseguro. Não há como chegar a um mundo sustentável sem inovação e sem transformação, e isso vale tanto para a bioenergia quanto para as outras fontes de energia renovável.

17/02/2010 - 11:41h Folia eleitoral

MERVAL PEREIRA – O GLOBO

Depois do périplo carnavalesco pelo Nordeste, não há mais dúvidas de que o governador paulista José Serra será o candidato tucano à sucessão de Lula. Sua decisão pessoal já foi tomada; ele não colocaria aquele chapéu no Galo da Madrugada em Recife se não fosse por uma causa extrema. Resta agora superar obstáculos internos ainda resistentes.

Nos últimos dias surgiram boatos de que haveria uma pesquisa feita pelo instituto do cientista político Antonio Lavareda, ligado historicamente aos tucanos e ao DEM, que mostraria um cenário futuro desanimador para a candidatura Serra.

Embora não seja totalmente verdade, o fato é que ainda alguns setores do partido consideram que somente uma candidatura nova, como a do governador mineiro Aécio Neves, seria capaz de conter o ímpeto da candidatura oficial.

Esse retorno de uma disputa que parecia estar decidida começou a surgir depois da pesquisa CNT/Sensus, que mostrou uma redução da diferença entre Serra e Dilma.

O interessante é que, para esse grupo minoritário dentro do PSDB, não é suficiente o governador paulista continuar à frente de todas as pesquisas eleitorais.

O que eles compram é a mesma interpretação que anima os petistas, a de que Serra estaria em trajetória decadente, ou estagnada na melhor das hipóteses, e que Dilma teria uma trajetória ascendente que a levará à vitória inexorável.

Na pesquisa de Lavareda, Serra está dez pontos percentuais à frente de Dilma (38% a 28%) com o cenário de quatro candidatos. A saída de Ciro Gomes de campo, hipótese cada vez mais provável, leva essa diferença a aumentar para doze pontos (43% Serra e 31% Dilma).

O fato, porém, é que Dilma tem apoios organizados, já definidos, em todos os estados, e dificilmente essa aliança política que está sendo armada, com base no PMDB, será quebrada no início da corrida sucessória. E ela se saiu muito bem do teste do carnaval.

O mais provável é que a aliança com o PMDB se mantenha, e os demais partidos da base aliada continuem apostando na popularidade de Lula. Com isso, a candidata petista terá quase o dobro de tempo de televisão de Serra — 11 minutos e pouco contra 6 minutos.

Por isso, o PSDB tenta fechar acordo nacional com o PSC, para aumentar alguns segundos de televisão. Mas nesse pacote virá o provável candidato ao governo do Distrito Federal Joaquim Roriz, a matriz de todos os escândalos que está surgindo na capital.

O pior cenário para o PSDB é que, no período entre maio e junho, quando serão apresentados os programas de televisão da maioria dos partidos, as pesquisas mostrem uma subida forte de Dilma, abalando a autoconfiança nas possibilidades de vencer a eleição.

Os programas do PSDB e de seus aliados DEM e PPS serão os últimos a serem transmitidos, próximo das convenções partidárias no fim de junho.

Esse timing permitirá que o PT e seus aliados façam propaganda maciça, chegando às convenções animados com os resultados das pesquisas.

Em contrapartida, o candidato do PSDB chegará à convenção logo depois do programa, o que provavelmente lhe dará uma turbinada na candidatura.

Será preciso ter “nervos de aço” para superar as crises e pressões que separarão esses dois momentos na campanha sucessória.

Além disso, o PSDB tem situações instáveis em dois estados importantíssimos, em que não sabe o que vai acontecer.

No Ceará, dada a peculiaridade da aliança entre o senador Tasso Jereissatti, uma das principais lideranças do partido, e o deputado Ciro Gomes, há uma dificuldade política que deverá ser simplificada com a desistência de Ciro à disputa presidencial.

Mas Tasso será candidato ao Senado na chapa do governador Cid Gomes, que apoiará Dilma. Para resolver seu caso específico, o melhor para Tasso seria que Aécio fosse o candidato tucano, pois ele teria o apoio de Ciro Gomes.

Além disso, o senador Tasso Jereissatti teme que Serra tenha chegado ao seu teto, e disse isso recentemente, em um encontro em Minas, para o presidente do partido, Sérgio Guerra, na presença do governador de Alagoas Teotonio Vilela.

Tasso acha que Dilma cresceu muito e que é perigoso fazer uma campanha que favorece o plebiscito que Lula tanto quer.

A conversa de Sérgio Guerra e Teotonio Vilela em Minas, que seria para tentar convencer o governador mineiro a ser vice na chapa de Serra, virou uma conversa sobre a possibilidade de a candidatura Aécio ser retomada.

Aí entra a outra grande incógnita dos tucanos: como se comportará o eleitor mineiro diante do fato de Aécio não ser candidato e não querer ser vice de Serra? É fato que o governador de Minas, Aécio Neves, prefere ser candidato a presidente, mesmo tendo menos chance que Serra, a ser seu vice.

Mas não há nenhum indício de que preferirá perder a eleição nacional a ver Serra eleito.

Mesmo porque sua liderança em Minas está sob fogo cerrado do governo, que já mostrou todo o apetite para derrotálo quando aventou a possibilidade de lançar a candidatura do vice-presidente José Alencar a governador, com o apoio do PT e do PMDB.

Assim também o senador Tasso Jereissatti, mesmo sendo favorável à candidatura de Aécio, deve fazer campanha para Serra, que passou no teste carnavalesco no Nordeste, na região onde Lula é mais forte eleitoralmente.

Dilma, por sua vez, tem problemas com o PMDB no Rio, em Minas Gerais e na Bahia. E, se vingar mesmo a tentativa de Lula de se livrar de Michel Temer como vice, pode haver uma dissidência no partido que impediria a formalização da aliança, tirando do PT os preciosos minutos de propaganda política na televisão.

Os dias que faltam até o prazo final de desincompatibilização, no início de abril, e os que levam até as convenções partidárias em final de junho, reservam grandes surpresas, numa eleição que ameaça ser das mais disputadas dos últimos tempos.

E-mail para esta coluna: merval@oglobo.com.br

05/02/2010 - 14:39h Comunicação mental

Teste registra atividade cerebral em paciente vegetativo e levanta questão ética

Antônio Marinho* – O Globo

Há mais de cinco anos ele permanece completamente mudo e imóvel, numa cama de hospital, sob um diagnóstico de estado vegetativo após um acidente de carro. Mas agora, cientistas dizem ter conseguido se comunicar com o paciente de 29 anos, registrando traços de atividade cerebral mediante comandos verbais. A descoberta pode alterar o diagnóstico de danos cerebrais e levanta ainda questões filosóficas e éticas sobre a consciência e a vontade de pacientes.

No estudo britânico, publicado na “New England Journal of Medicine”, os autores usaram a ressonância magnética funcional para mapear o cérebro do paciente e provaram que ele era capaz de responder a questões pessoais de forma positiva ou negativa, em nível cerebral, sem mover um músculo. Cientistas acreditam que, um dia, será possível aprimorar a técnica para permitir que pessoas em coma expressem seus sentimentos e pensamentos, e controlem o seu ambiente para melhorar a qualidade de vida.

Respostas em cinco pacientes

Os cientistas da Universidade de Cambridge fizeram ao paciente perguntas como “Você tem irmãos?” e “O nome do seu pai é Thomas?”, num total de seis. Os médicos pediram a ele que se imaginasse jogando tênis, caso a resposta fosse “sim”, ou andando pela casa, se quisesse indicar “não”. Tais pensamentos ativam regiões específicas do cérebro — as mesmas ativadas no grupo de controle, formado por cidadãos saudáveis.

O teste de ressonância mediu a atividade de seu cérebro.

— Ficamos impressionados quando vimos os resultados dos testes ao constatarmos que ele conseguia responder corretamente as questões por meio de alterações de seu pensamento. Não apenas o teste nos revelou que o paciente não estaria em estado vegetativo como, mais importante, pela primeira vez em cinco anos ofereceu ao homem uma forma de comunicar seus pensamentos — afirmou Adrien Owen, da Universidade de Cambridge, coordenador do estudo. — Essa descoberta terá amplas implicações na avaliação de pacientes na zona intermediária entre consciência e inconsciência.

Os resultados indicam que indivíduos em situações semelhantes deveriam ser reavaliados, o que poderá mudar tratamentos.

O neurologista Sérgio Novis, chefe do Serviço de Neurologia da Santa Casa do Rio de Janeiro, explica que o estado vegetativo tem diferentes níveis de consciência e que, sem dúvida, a ressonância funcional pode ajudar a avaliar melhor esses casos.

— O desligamento de aparelhos só e permitido pelas leis brasileiras com o absoluto consentimento da família e em casos de morte cerebral, quando há diagnóstico irreversível — diz o médico, lembrando que tal diagnóstico é bem diferente do estado vegetativo.

No caso, o paciente já tinha aberto os olhos e mantinha um ciclo normal de sono e vigília, embora nunca tenha demonstrado qualquer consciência do que acontecia ao seu redor; não respondia a qualquer estímulo visual, auditivo ou tátil.

— Não temos qualquer evidência de que a vida interna desse homem é diferente da sua ou da minha.

Ele provavelmente está perfeitamente consciente, mas totalmente bloqueado. Acho que vamos observar isso em outros casos estudados — acredita Owen.

O homem é um dos 23 indivíduos diagnosticados em estado vegetativo examinados com a ressonância magnética funcional por imagens. Os médicos detectaram indícios de consciência em cinco dos pacientes. O estudo envolveu um total de 55 pacientes e o método aplicado pode decifrar as respostas do cérebro a perguntas em pessoas saudáveis com uma precisão de 100%. Porém isso nunca havia sido testado em pacientes incapazes de se mover ou falar.

Nova ferramenta de diagnóstico

Na opinião de Novis, a repercussão se deve ao fato de os autores afirmarem que estabeleceram com comunicação com alguns pacientes.

Mas acrescenta que nem todos responderam aos estímulos.

— A importância desse estudo é que pode ter sido criado um método para avaliar o grau de inconsciência em estado vegetativo. Seria importante saber se os pacientes que responderam aos estímulos evoluíram melhor que os outros.

Aí sim os autores podem ter descoberto uma importante ferramenta para avaliar o prognóstico de pessoas nessa situação — afirma.

Os próprios autores frisam que os resultados não significam que a maior parte dos pacientes inconscientes possam se comunicar. Tratase de um caso raro, dizem.

* Com agências internacionais e o jornal The Independent

A ativação do cérebro e a atividade cerebral

John Harris* – O Globo

O fascinante trabalho apresentado ontem na “New England Journal of Medicine” por um grupo de cientistas ingleses e belgas levanta uma intrigante e profundamente importante questão: como saber se estamos nos comunicando com uma pessoa se não podemos falar com ela? Na experiência, certas partes do cérebro de pessoas que, se achava, não tinham consciência alguma foram “ativadas” mediante o pedido de pensar em determinadas coisas. As mesmas regiões foram ativadas em pessoas do grupo de controle diante dos mesmos pedidos.

A questão chave é: estaria acontecendo a mesma coisa nos sujeitos saudáveis e nos supostamente inconscientes? Em outras palavras, essa ativação do cérebro seria, de fato, atividade cerebral? Pode parecer uma distinção semântica estéril, mas a “ativação” pode ser passiva, um simples reflexo, enquanto a “atividade cerebral” implica um uso consciente do cérebro pelo indivíduo; implica ação deliberada.

Mesmo em um dos casos em que parece ter havido comunicação é difícil saber que tipo de consciência seria essa.

É importante notar que essa ativação do cérebro ocorreu num número muito restrito de indivíduos com danos cerebrais (apenas 5 em 54). Mas 5 em 54 que são fantasmas em seus próprios corpos e que poderiam ser ajudados é um número significativo. Se eles ainda estão mesmo lá e tentam responder questões na esperança de receberem a ajuda de que precisam, então, claro, nós temos que tentar fazer algo.

Mas saber se existe mesmo alguém ali envolve mais do que indícios de consciência ou comunicação. Nos comunicamos com animais e eles têm consciência, mas não são pessoas. A maioria de nós não se sentiria moralmente responsável por resgatá-los a um grande custo se houvesse a chance.

O que é especial sobre os seres humanos é sua capacidade para o que, algumas vezes, chamamos de “vida biográfica”. Alguém com uma vida biográfica tem consciência de si, tem esperanças, medos, memórias. Tem um passado e um futuro do qual estão conscientes, experimentam alegrias e tristezas e podem escolher entre os dois.

Este é o tipo de pessoa que quereríamos voltar a ser se sofrêssemos um dano cerebral.

Também é o tipo de pessoa para a qual nossos parentes e amigos gostariam de dar as boas-vindas.

Se eu estivesse em estado vegetativo, eu não gostaria de “voltar” sem voltar a uma vida biográfica. Como é que aqueles que guardassem o meu corpo saberiam se o meu cérebro está ativo ou foi, meramente, ativado? Se eu estou, de fato, vivendo uma vida ali dentro ou se trata apenas o meu cérebro respondendo a estímulos externos? São essas perguntas que ainda precisam ser respondidas.

JOHN HARRIS é diretor do Instituto de Ciência, Ética e Inovação da Universidade de Manchester e escreveu este artigo para o jornal inglês “The Independent”

03/02/2010 - 11:48h O avanço do investimento em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) no Brasil

ColunistaO avanço de P&D no Brasil

Cristiano Romero – VALOR

Nunca foi fácil convencer empresário brasileiro a destinar parte do capital de suas companhias a investimentos em pequisa e desenvolvimento (P&D). O ambiente macroeconômico, marcado por décadas de inflação crônica, não ajudava, mas, além disso, inexistia no país uma cultura pró-Ciência e Tecnologia (C&T). Felizmente, isso está mudando.

Foto Destaque

Em 2006, o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) lançou, por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), o primeiro edital para a concessão de subvenção econômica (recursos a fundo perdido) a empresas interessadas em investir em inovação. De lá para cá, a demanda tem sido crescente. No total, chegou a 8.890 projetos, dos quais, 791 foram aprovados, a um custo de R$ 1,5 bilhão para os cofres públicos. Neste ano, serão liberados mais R$ 600 milhões para essa modalidade.

Além da subvenção, têm crescido, também de forma exponencial, as operações de crédito, igualmente para projetos de inovação, realizadas pela Finep e o BNDES. No primeiro caso, os desembolsos saltaram de R$ 117 milhões em 2004 para R$ 1,6 bilhão no ano passado. No BNDES, as liberações para projetos de apoio à inovação saltaram de R$ 105 milhões em 2006 para R$ 1,3 bilhão em 2008 – até outubro de 2009, os empréstimos haviam atingido R$ 980 milhões. Na gestão do presidente Luciano Coutinho, o banco passou a considerar inovação tecnológica um dos critérios da análise dos pedidos de crédito.

Nos dois casos, é interessante notar que a concessão de crédito cresceu em meio à crise financeira internacional. Esta é, sem dúvida, uma novidade. No passado, toda vez que o Brasil entrava em crise, ou por suas próprias mazelas ou em decorrência de turbulência externa, o governo cortava, imediatamente, a liberação de recursos para investimentos em C&T.

O governo federal, que tem tido um papel importante na alavancagem das aplicações privadas em P&D, não se deixou abater pela crise. Os dados de execução orçamentária do MCT mostram que, em 11 anos, os recursos para C&T, excluídos os gastos com pessoal, cresceram 506%. Em 2009, atingiram R$ 5,6 bilhões e no ano corrente devem chegar a R$ 7,2 bilhões, um recorde (ver gráfico).

O Brasil está começando, finalmente, a entrar na corrida das nações nessa área. A combinação de investimento público e privado tem elevado de forma expressiva o dispêndio nacional em P&D. Em 2004, ano que marcou o fundo do poço em C&T no período recente, possivelmente em consequência da violenta crise fiscal vivida pelo Estado brasileiro em 2002 e 2003, o total aplicado foi de apenas 0,9% do PIB. Em 2008, pulou para 1,13% (ver gráfico).

Os números mostram que o Brasil ainda está aquém da média dos países da OCDE – de 2% do PIB. Por outro lado, revelam que tem ocorrido uma evolução firme no país. “O Brasil é uma economia de pesquisa competitiva e crescentemente importante. A capacidade de sua força de trabalho de pesquisadores e o investimento em P&D estão expandindo rapidamente, oferecendo muitas novas possibilidades num portfólio de pesquisa diversificado”, atestou, em relatório do ano passado, a Thomson Reuters, empresa que lidera o fornecimento de informações sobre publicações de pesquisa e suas citações no mundo.

O ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, acredita que a mudança de mentalidade em curso no país se deve, em primeiro lugar, à mudança do ambiente econômico, que passou a exigir das empresas maior produtividade e competitividade. No setor público, um marco importante foi a criação, no governo Fernando Henrique, dos fundos setoriais de C&T, uma fonte permanente de recursos para pesquisa, e, já no governo Lula, a aprovação da Lei de Inovação, que tenta aproximar a pesquisa científica dos empreendimentos privados, além da chamada Lei do Bem, que criou incentivos fiscais para as empresas interessadas em aplicar em P&D.

Físico, com doutorado no MIT (Massachusetts Institute of Technology), a meca da inovação científica nos Estados Unidos, Rezende chama a atenção para o fato de entidades empresariais brasileira, como a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Movimento Brasil Competitivo (MBC), criado pelo empresário Jorge Gerdau, terem acordado para a importância dos investimentos em P&D. Ele lembra que, hoje, o Brasil forma 10 mil doutores por ano e publica cerca de 20 mil papers científicos, dez vezes mais do que fazia em 1981.

Apesar da sensível melhora, muito ainda há para se avançar. Existem programas do MCT em que sobram recursos e falta demanda. Um deles é a subvenção paga pela Finep às empresas que contratem mestres ou doutores para trabalhar em projetos inovadores – o benefício lhes assegura o pagamento de 50% do salário do novo funcionário. Desde o lançamento do incentivo, há quase quatro anos, apenas 42 mestres e 26 doutores, de 18 empresas, foram empregados no âmbito do programa. “As empresas preferem contratar engenheiros. Apesar do benefício, acham caro contratar mestres e doutores”, diz Rezende.

Cristiano Romero é repórter especial e escreve às quartas-feiras.

E-mail: cristiano.romero@valor.com.br

01/02/2010 - 18:33h A pesquisa CNT-Sensus por região

Curiosidades da pesquisa CNT-Sensus

O melhor resultado de Ciro é o Nordeste, com 15,9%. O pior é no Sul, com 7,9%
O melhor resultado de Serra é o sul, com 41,9%. O pior é no Nordeste, com 25,4%.
O melhor resultado de Dilma é no Nordeste, com 38,0%. O pior é no Sudeste, com 22,7%.
O melhor resultado de Marina é no Sudeste, com 8,4%. O pior é no Nordeste, com 4,3%.

(Atenção, a margem de erro aumenta na segmentação. É só uma curiosidade, com um valor muito genérico e relativo)

31/01/2010 - 15:43h Corrida descalça traz polêmica para as pistas


Estudo de Harvard defende a prática, mas especialistas divergem e alertam que ela não é para qualquer um

http://farm3.static.flickr.com/2252/2155794102_4862626277.jpg?v=0

Carlos Albuquerque – O GLOBO

Foi uma notícia de impacto, para deixar muita gente com o pé atrás. Um estudo da Universidade de Harvard, divulgado semana passada pela revista “Nature”, sugere que correr descalço pode ser bom para os pés por causa da forma como eles atingem o solo, bem diferente do modo como isso acontece quando a pessoa está calçada.

Embora não seja o caso de jogar fora aquele tênis bacana, comprado recentemente, e sair descalço pelas pistas da cidade, a pesquisa reforça a crescente discussão sobre o tema — correr com tênis versus correr descalço — e pode ajudar a colocar uma pedra no sapato da indústria esportiva.

Na pesquisa, a equipe liderada por Daniel Lieberman, professor do Departamento de Biologia Evolutiva da Universidade de Harvard, analisou o desempenho biomecânico de corredores nos Estados Unidos e no Quênia. Os pesquisadores descobriram que, embora as pessoas corram de formas distintas, a maior parte dos que correm descalços tem a tendência de tocar o chão primeiro com a parte central ou a frente do pé, o que Lieberman chama de “pisada frontal”.

Já 75% dos corredores que usam tênis pisam primeiro no solo com os seus calcanhares.

Os autores do estudo sugerem que esse movimento pode ocasionar lesões.

— O que nos motivou para essa pesquisa, que levou três anos para ser concluída, foi uma pergunta bem simples: “Como os humanos corriam antes dos tênis?” — conta Lieberman.

— Para isso, recrutamos, nos EUA, pessoas que correm tanto descalças como usando tênis, e as colocamos numa pista interna, filmando seus movimentos. Na África, fizemos o mesmo, realizando os testes e as gravações em pistas ao ar livre.

Pisada descalça seria mais suave e menos brusca O estudo indica que pisar com a frente ou a parte central do pé requer mais força na panturrilha e nos músculos dos pés, mas por outro lado oferece também “uma pisada mais suave, menos impactante”.

A evolução, segundo os autores, ajudaria a explicar isso, já que o pé do gênero humano desenvolveu o seu formato característico há quatro milhões de anos, talvez mais, em resposta à caminhada descalça, aprimorando posteriormente sua anatomia por causa da necessidade de correr distâncias maiores, há dois milhões de anos.

— Esse tipo de pisada frontal pode ser considerada mais natural, na medida em que todo mundo (no caso, hominídeos) corria assim há dois milhões de anos — explica o pesquisador.

— Verificamos que aqueles que correm descalços sofrem um impacto menor quando tocam o solo. Por isso, nossa hipótese é que esse jeito de correr pode ser bom para as pessoas, estejam elas correndo descalças ou não. É importante ressaltar que esse não é um estudo sobre danos aos pés e que precisaríamos de mais dados para afirmar que correr descalço é melhor do que correr calçado. Mas será interessante acompanhar as próximas pesquisas nesse sentido. É um tema que ainda vai render boas discussões.

Nos EUA, o assunto já tem rendido boas e acaloradas discussões.

Parte delas gira em torno do livro “Born to run”, do jornalista e ex-correspondente de guerra Christopher McDougall, lançado ano passado.

Após sofrer lesões ao correr, o autor optou por aposentar os tênis e reuniu uma série de histórias e estudos para justificar sua decisão. Segundo os trabalhos citados por McDougall, pelo menos um em cada três corredores sofre anualmente lesões nos pés. Isso ocorreria porque a parte posterior dos calçados esportivos, geralmente elevada para propiciar conforto, altera a pisada do corredor, levando-o a jogar mais peso do que o recomendado sobre o calcanhar. Assim, o tênis enfraqueceria tendões e ligamentos, tornando-os mais suscetíveis a lesões.

— Temos que lembrar que os tênis de corrida, desenhados com a ajuda da bioengenharia, só começaram a aparecer nos anos 70 — ressalta o pesquisador William Jungers, do Departamento de Ciência Anatômica da Universidade Stony Brook, em Nova York. — Eles foram feitos assim para amortecer o calcanhar para o impacto e ajudar a estabilizar a pisada. Pisar com os calcanhares é bastante doloroso e é por isso que os corredores descalços evitam fazê-lo.

De acordo com Jungers, que comentou o estudo para a “Nature”, embora ainda associada a um modismo, a corrida descalça ou com um mínimo de proteção já tem praticantes entusiasmados nos EUA.

— Tanto é que a indústria dos calçados esportivos já começa a responder a isso, como é o caso dos tênis Five Fingers da Vibram.

A Nike também está produzindo calçados minimalistas para corredores — diz Jungers.

Tênis é defendido para pessoas acima do peso Mas a polêmica caminha, lado a lado, com esse tipo de estudo.

O pesquisador Rogerio Teixeira da Silva, mestre e doutor em Ortopedia e Medicina Esportiva pela Unifesp, por exemplo, critica a metodologia do trabalho de Harvard.

— Acho que a metodologia desse trabalho é discutível. Teria que ser estudado um número bem maior de pessoas. Além do mais, é um trabalho de biomecânica, não um estudo clínico.

Falta, ainda, a média de peso dos atletas. O biotipo do queniano é diferente do americano.

São coisas que podem influenciar os resultados. Dessa forma, não vejo como incorporar isso no dia a dia.

Embora ressalte que a corrida descalça possa tornar a circulação de sangue mais eficiente e seja “de fato, mais natural”, o coordenador do Centro de Estudos em Medicina da Atividade Física e do Esporte (Cemafe), Turíbio Leite, ressalta que a prática não é para todos.

— Acredito que o correr descalço resgate alguma coisa natural, desde que, evidentemente, exista um solo favorável onde a pessoa vai pisar.

Mas é diferente e mais complexo pensar nisso nos dias atuais e na vida urbana. Muita gente começa a correr porque está com excesso de peso. Se ela for correr sem um tênis apropriado, capaz de amortecer o seu peso, ela vai ter prejuízo com isso.

Não alheio à polêmica, Daniel Lieberman concorda que correr descalço não é para qualquer um.

— E quem quiser fazer a transição, deve fazê-lo com muito cuidado. Mas no final são os corredores que decidem a melhor forma para se exercitar e se divertir. Ainda há muito o que aprender sobre isso

22/01/2010 - 11:12h O Brasil é um dos países em que os investimentos em pesquisa e desenvolvimento mais crescem no mundo

Investimento em pesquisa cresce 10% ao ano no Brasil, aponta relatório dos EUA

http://www.dekalb.com.br/imagens/img_pesquisa1.jpg

Alex Ribeiro, de Washington – VALOR

O Brasil é um dos países em que os investimentos em pesquisa e desenvolvimento mais crescem no mundo, afirma o Conselho de Ciência e Engenharia dos Estados Unidos, que acaba de soltar o seu relatório bianual, considerado um dos mais importantes guias para a formulação das políticas públicas americanas na área.

O foco central do relatório são os Estados Unidos, mas, quando são feitas comparações internacionais, o Brasil aparece bem algumas vezes, como na expansão nos investimento em pesquisa, calculada em 10% anuais. O destaque entre os emergentes, porém, é a China, com uma taxa de crescimento da ordem de 20%. O desempenho brasileiro também é positivo no número de publicações de artigos em revistas acadêmicas internacionais. “Ciência e tecnologia não são mais uma província das nações desenvolvidas”, conclui o relatório. “Elas se tornaram mais democráticas.”
Foto Destaque

Os investimentos mundiais em ciência em tecnologia são calculados em US$ 1,1 trilhão em 2007, ano mais recente com dados disponíveis, o que equivale ao dobro dos US$ 525 bilhões observados em 1996. “A cada 11 anos, os investimentos em pesquisa e desenvolvimentos duplicam”, afirma o relatório. O Brasil tem apenas uma fração desse valor, com investimentos calculados em US$ 13 bilhões em 2006. Os Estados Unidos mantêm a dianteira no ranking de investimentos, com US$ 369 bilhões; o Japão vem em seguida; com US$ 148 bilhões; e, na terceira posição, aparece a China, com US$ 102 bilhões.

Os dados sobre investimento em pesquisa são coletados pela OCDE, o clube dos países ricos, e incluem apenas os seus membros e alguns países selecionados. O Brasil, que não é sócio da OCDE, não está nas estatísticas. Mas o relatório usa dados coletados pela Unesco, organismo das Nações Unidas para cultura e educação, para mostrar que o Brasil está se tornando mais importante na área de pesquisa e desenvolvimento.

“Índia e Brasil estão entre os países com o melhor desempenho, ainda que não façam parte das estatísticas oficiais”, afirma o relatório, que diz que os dois países dobraram o volume de investimentos desde meados de 1990. “Brasil e a Índia estão entre os 15 maiores países que mais investem em pesquisa e desenvolvimento.”

Apesar de seu rápido crescimento, a China ainda tem uma relação entre investimento e o Produto Interno Bruto (PIB) relativamente pequena, de apenas 1,49%. Especialistas costumam citar como nível desejável percentuais acima de 3% do PIB, diz o conselho americano de ciência e tecnologia . Os Estados Unidos estão muito próximos disso (2,69%) e o Japão supera esse percentual (3,44%). O relatório não calcula o percentual do Brasil.

As empresas privadas respondem pela maior parte dos investimentos em ciência e tecnologia. Nos Estados Unidos, sua participação é de 72%. As empresas multinacionais americanas investiram US$ 31,1 bilhões em pesquisas em tecnologia fora dos Estados Unidos em 2006. A Alemanha é o país que mais recebe investimentos das multinacionais americanas, com US$ 4,919 bilhões. O Brasil recebeu US$ 571 milhões em investimentos em pesquisa das multinacionais americanas, à frente da Índia (US$ 310 milhões), mas atrás da China (US$ 804 milhões).

A maior parte dos investimentos de multinacionais americanas no Brasil vai para o setor de transportes e equipamentos, no qual está a indústria automobilística, com 53% dos investimentos. Depois vêm o setor químico (24%) e indústria de máquinas (8,4%).

O Brasil teve, em 2007, 11.885 artigos publicados em revistas acadêmicas, bem acima dos 3.436 de 1995. “O Brasil teve a maior taxa de crescimento na América Latina entre os países que produzem mais de mil artigos por ano, com crescimento de 10,9%, seguido de México (6,7%), Chile (5,8%) e Argentina (4,8%)”, diz o relatório.

Os brasileiros também têm, cada vez mais, escrito artigos em conjunto com argentinos. Normalmente, pesquisadores de países emergentes se associam a pesquisadores de países desenvolvidos, onde a infraestrutura de pesquisa costuma ser melhor. Mas o relatório do comitê americano de ciência e engenharia identifica uma tendência crescente de colaborações entre países vizinhos.

No relatório é calculado um índice de colaborações de artigos entre pesquisadores de diferentes países. Valores abaixo de 1 significam colaboração pequena. Os EUA e o Brasil têm um indicador conjunto de 0,88, enquanto os americanos têm um indicador de 1,03 com o México. Valores acima de 1 significam forte colaboração. Brasil e Argentina têm índice de 5,32, o maior do mundo.

16/12/2009 - 16:32h Trabalho infantil cai quase 50% no Brasil em 15 anos, diz OIT

Redução maior foi entre as crianças de 10 a 14 anos.
Redução é atribuída a programas de governo.

Do G1, Portal da Globo, em São Paulo

O número de crianças e adolescentes que trabalham no Brasil caiu quase 50% entre 1992 e 2007, mas ainda é alto e chega a quase 5 milhões, segundo um relatório divulgado nesta quarta-feira (16) pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).

A pesquisa analisou índices de desemprego entre jovens, participação das mulheres no mercado de trabalho e diferenças de rendimentos entre negros e brancos. O estudo também aborda a relação entre trabalho, vida pessoal e vida familiar.

Trabalho infantil

O estudo da OIT compara a situação no país em1992, quando havia 8,42 milhões de crianças e adolescentes no mercado de trabalho, com 2007, quando esse número foi de 4,85 milhões.

O relatório destaca que a redução maior, atribuída aos programas do governo brasileiro para erradicar o trabalho infantil, foi entre as crianças de 10 a 14 anos.

A OIT também disse ter constatado que, como em outros países, os meninos são maioria (66%) no universo do trabalho infantil, enquanto as meninas são 34% da mão de obra.

Desemprego

O relatório destaca ainda o crescimento da taxa de desemprego entre os jovens de 15 a 24 anos, que passou de 11,9% em 1992 para 17% em 2007. No entanto, o documento ressalta que, no período analisado, a percentagem de jovens que nem estudam nem trabalham caiu de 21,1% para 18,8%.

Em 2007, segundo a OIT, havia 7,8 milhões de trabalhadores sem emprego no Brasil, dos quais 46,7% (3,6 milhões) tinham de 15 a 24 anos de idade.

Mulheres

O estudo mostra que as taxas de participação feminina no mercado de trabalho cresceram em ritmo mais acelerado do que as taxas masculinas. A participação das mulheres passou de 56,7% em 1992 para para 64,0% em 2007.

No mesmo período, as mulheres passaram de 40% para 44% da população economicamente ativa. Já entre os homens, a participação no mercado teve queda de 89,8% para 86,3%.

Negros e brancos

A OIT analisou a desigualdade de rendimento entre trabalhadores negros e brancos. Em 2007, segundo a pesquisa, trabalhadores brancos recebiam em média R$ 1.184 e os negros, R$ 653, o equivalente a 55,2%. Em 1992, o percentual era de 50,3%.


Trabalho e vida pessoal

Segundo a entidade, a combinação entre trabalho, vida pessoal e vida familiar está ligada à qualidade de vida. Para analisar a situação dos trabalhadores brasileiros nesse quesito, foram estudados o tempo de deslocamento de casa para o trabalho e a média de horas semanais gastas em trabalhos domésticos.

De acordo com a pesquisa, pouco mudou em relação ao tempo gasto para ir ao trabalho. Em 1992, por exemplo, 71,8% das mulheres gastavam até 30 minutos nesse deslocamento. Em 2007, esse percentual passou para 69,7%.

Em 2007, as mulheres gastavam, em média, 27,2 horas por semana com afazeres domésticos. Já os homens consumiam 10,6 horas.

Com informações da Efe

02/12/2009 - 14:16h Analfabetismo no Brasil cai de 9% para 7%, aponta Ibope

http://www.senado.gov.br/comunica/agencia/cidadania/leitura/image/leitura_foto1.jpg

Levantamento alerta para a qualidade do ensino fundamental, que não consegue alfabetizar 10% dos alunos

Agência Estado

SÃO PAULO – A taxa de analfabetismo entre brasileiros de 15 a 64 anos caiu de 9% a 7% entre 2007 e 2009, aponta pesquisa Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), divulgada nesta quarta-feira, 2, pelo Instituto Paulo Montenegro (entidade de educação vinculada ao Ibope) em parceria com a ONG Ação Educativa.

A pesquisa mostra uma queda ainda mais expressiva, de 25% para 21%, no nível rudimentar (pessoas que conseguem ler textos simples e escrever números usuais), ampliando consideravelmente a proporção de brasileiros adultos classificados como funcionalmente alfabetizados. O nível básico continua apresentando um contínuo crescimento, passando de 34% em 2001-2002 para 47% em 2009.

O nível pleno de alfabetismo não mostra crescimento, oscilando dentro da margem de erro da pesquisa e mantendo-se em, aproximadamente, um quarto do total de brasileiros.


Escolaridade

A pesquisa alerta para o fato de 54% dos brasileiros que estudaram até a 4ª série atingirem, no máximo, o grau rudimentar de alfabetismo. “Mais grave ainda é o fato de que 10% destes podem ser considerados analfabetos absolutos, apesar de terem cursado de um a quatro anos do ensino fundamental”, avaliam os técnicos responsáveis pelo estudo.

Segundo a pesquisa, dentre os que cursam ou cursaram da 5ª a 8ª série, apenas 15% podem ser considerados plenamente alfabetizados. Além disso, 24% dos que completaram entre 5ª e 8ª séries do ensino fundamental ainda permanecem no nível rudimentar. Dos que cursaram alguma série ou completaram o ensino médio, apenas 38% atingem o nível pleno de alfabetismo (que seria esperado para 100% deste grupo).

“À medida que o ensino fundamental se universaliza, pessoas com menos recursos vão à escola, enfrentando maiores desafios para aprender, por conta tanto de condições de vida mais precárias como de um ensino empobrecido. Têm sido necessários tempo e esforços dos sistemas de ensino para que a ampliação do acesso se reverta também em ampliação da aprendizagem”, comenta Vera Masagão, coordenadora de programas da Ação Educativa.


Faixas Etárias

Na avaliação do desempenho das diferentes faixas etárias da população estudada, a pesquisa Inaf aponta para o impacto da universalização do acesso a escolarização, revelando que cerca de 1/3 dos brasileiros de 15 a 34 anos atingem, em 2009, o nível plano de alfabetismo. Para as gerações mais velhas, no entanto, só se enquadram neste nível 23% dos brasileiros entre 35 e 49 anos e 10% dos que têm entre 50 e 64 anos.

Por outro lado, observa-se que a evolução entre 2001-2002 e 2009 foi bem maior entre as faixas com mais de 25 anos (entre 14 e 15 pontos percentuais), enquanto para os jovens de 15 a 24 a melhora foi de somente sete pontos.

25/11/2009 - 12:45h Quem é o juiz?

A seguir reproduzo duas notas da coluna de hoje de Dora Kramer, no jornal O Estado SP.

A coluna da jornalista é uma coluna de opinião, é verdade, mas não deixa de ser curioso o procedimento da Dora Kramer na analise dos fatos.

Na primeira nota ela cutuca Aécio com o resultado da pesquisa CNT-Sensus, citando uma das simulações: “com Serra na cabeça de chapa e Aécio na vice, o PSDB venceria as eleições com 35,8% dos votos, seguido pela chapa Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (PMDB), que receberia 23,9% dos votos”.
Mas ela oculta ou finge ignorar que segundo a pesquisa, a chapa Aécio-Serra, ou seja com Aécio na cabeça, receberia 31% dos votos, seguida por Dilma-Temer, com 22,6% dos votos.

Ou seja a pesquisa mostra que a opção por uma chapa tucana “puro sangue” não significa que Serra esteja em melhor situação que seu adversário interno, para ocupar a cabeça de chapa. Quer dizer que Serra deve ter ficado muito irritado com esse resultado. Aparentemente, Dora Kramer também. LF


Vai ou racha

Se foi sincero quando ficou irritado com a divulgação de uma pesquisa do PSDB mostrando a boa aceitação de uma chapa presidencial “puro-sangue”, o governador de Minas, Aécio Neves, deve ter ficado mais irritado ainda com a pesquisa CNT/Sensus, confirmando a preferência: 35% para José Serra-Aécio contra 23% para Dilma Rousseff-Michel Temer.

Se não foi, esse tipo de pesquisa – que vai se repetir – pode acabar sendo um bom pretexto para Aécio aceitar compor a chapa. (Coluna Dora Kramer).

***

A segunda nota, “Dimenstaniana”, invoca a justiça para defender o legado de FHC (Dimenstein invocava a história ver Gilberto Dimenstein e a reescritura da história e também Gilberto Dimenstein e a reescritura da história II).

Segundo Dora Kramer, política não tem a ver com justiça.

O que é curioso, para quem invoca a justiça, é acoplar ao panegírico de louvações infundadas a FHC, o contraste com os chamados por ela “mensaleiros” do PT. Curioso, porque a jornalista não compara os petistas aos “mensaleiros” tucanos, como o Senador Azeredo de Minas Gerais, ou seu colega Marconi Perillo de Goias. Tampouco às condições “obscuras” que presidiram o voto permitindo a reeleição de FHC.

O resumo Krameriano da obra de FHC ignora os dados e procede da opinião política favorável ao tucano de Dora Kramer. Opinião legitima, claramente afirmada e veementemente defendida pela jornalista.

O povo, fazendo justiça a FHC, mas contrariando a opinião politica de Dora Kramer e do PSDB, quer vê-lo pelas costas. Porque?

Porque, por exemplo, sem a ajuda gigantesca do FMI o Brasil comandado por FHC teria quebrado. Um país sem reservas cambiais, com 8 anos de crescimento pífio, aumento brutal da carga tributária, crescimento gigantesco da dívida interna e externa, inflação de dois dígitos e desemprego, constitui seu legado. A tonelada de papel afirmando o contrário não consegue mudar a realidade vivenciada pelo povo brasileiro nos 8 anos de FHC, o que inclui seu apoio ao Plano Real e seu voto em 1998 em favor de FHC e seu balanço global. Por isso ao cabo desses 8 anos o candidato Serra de FHC foi derrotado por Lula em 2002. Por isso o candidato Alckmin de FHC, foi também derrotado por Lula em 2006.

Por isso José Serra e o PSDB querem esconder FHC. Por isso também pretendem esconder sua oposição a Lula. Vão tentar esconder o programa de governo tucano e simplesmente pretender que Serra é o melhor motorista para dirigir e continuar o excelente governo de Lula (declaração de Serra citada por Fernando Rodrigues*).

A pretensão da jornalista na sua afirmação “que a política definitivamente não tem a ver com justiça” é assim, a típica reação de quem não aceita por razões políticas a manifestação da justiça, pelo “tribunal” da democracia que é o veredicto do povo.
LF


Régua e compasso

Os tucanos pensam seriamente em esconder o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, cujos feitos de governo incluem um plano econômico que acabou com a inflação, estabilizou a moeda, ajustou as contas públicas, pôs o Brasil no rol do mundo e, só para citar o mais vistoso efeito das privatizações, universalizou o acesso à telefonia e viabilizou o acesso à internet.

Já os petistas exibem alegremente seus mensaleiros sem que isso cause, nem a eles nem ao público, um pingo de vergonha ou espanto. Ao contrário para o novo presidente do PT, José Eduardo Dutra, são motivo de orgulho “militantes em pleno gozo de seus direitos políticos que tiveram uma atuação importante para o PT e para a democracia brasileira”.

Política definitivamente não é algo que tenha a ver com Justiça. (Coluna Dora Kramer)


*“No novo figurino de quase candidato a presidente, Serra até usou uma metáfora. A alegoria poderia ter saído da boca de Lula. Se a economia está em boas condições, afirmou o tucano, a eleição de 2010 será como decidir sobre a substituição do motorista de um ônibus que está andando bem. O eleitor escolherá quem estará mais apto a continuar a conduzir o ônibus.”(Fernando Rodrigues FSP hoje, 25/11/2009)

19/11/2009 - 12:42h Petrobrás tem o 2º maior lucro das Américas

Empresa fica atrás apenas da ExxonMobil; a Vale está em 22.º lugar na lista, dominada por grupos dos EUA

http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/08/plataforma-petrol.jpg

Nicola Pamplona, RIO – O Estado SP

A Petrobrás teve o segundo maior lucro trimestral entre todas as empresas de capital aberto da América Latina e dos Estados Unidos. Segundo levantamento feito pela consultoria Economática, o resultado do terceiro trimestre, divulgado na semana passada, ficou atrás apenas dos números apresentados pela gigante americana ExxonMobil. Mesmo assim, com pequena diferença: US$ 4,107 bilhões da Petrobrás, ante US$ 4,730 bilhões da Exxon.

A lista dos 25 maiores lucros ainda inclui a brasileira Vale, que anunciou ganhos de US$ 1,689 bilhão no terceiro trimestre, ficando em 22º lugar. As demais empresas são todas americanas. Mesmo amargando uma queda considerável nos ganhos este ano, o setor de petróleo ocupa as três primeiras posições: no terceiro lugar, atrás de Exxon e Petrobrás, vem a Chevron, que teve lucro de US$ 3,831 bilhões.

As petroleiras sofreram com uma queda brusca no preço do petróleo, que chegou a ultrapassar os US$ 140 por barril em julho, mas fechou o terceiro trimestre de 2009 a uma cotação média de US$ 68 por barril, valor 41% menor do que o registrado no mesmo período de 2008.

Tal cenário levou o lucro das principais empresas do setor a despencar. A Exxon, por exemplo anunciou uma queda de 68% com relação ao terceiro trimestre de 2008. Já o lucro da Chevron caiu 41%.

No caso da Petrobrás, a queda foi bem inferior, de 26%, e mesmo assim com forte impacto de um acordo fechado com a Agência Nacional do Petróleo (ANP) para o pagamento de R$ 2 bilhões a título de recálculo da participação especial do campo de Marlim, o maior do País. Na entrevista de divulgação do balanço, o diretor financeiro da companhia, Almir Barbassa, disse que, sem o pagamento, a redução no lucro seria menor, de apenas 11%.

A principal diferença, dizem analistas, é que a Petrobrás tem a maior parte de sua receita proveniente do mercado interno, cujos preços não oscilam tanto quanto no mercado internacional. De fato, no terceiro trimestre, a cesta de combustíveis da Petrobrás custava R$ 162,96 por barril, enquanto o valor americano foi de R$ 121,62 por barril. A estatal tem mantido seus preços acima das cotações internacionais há mais de um ano.

A lista elaborada pela Economática considera a cotação do dólar Ptax de 30 de setembro (R$ 1,91), o que contribui para o bom desempenho da Petrobrás. Na moeda brasileira, o lucro da Petrobrás foi de R$ 7,3 bilhões. A primeira empresa não petroleira do ranking é o banco JP Morgan Chase, com lucro de US$ 3,588 bilhões. A Microsoft vem em quinto lugar (US$ 3,574 bilhões).

AMÉRICA LATINA

Dentre as empresas sediadas apenas em países latino-americanos, a Petrobrás ocupa a primeira posição em lucro no terceiro trimestre, com resultado 143% superior ao da Vale, segunda colocada.

Nesta lista, 15 empresas são brasileiras e cinco mexicanas – incluindo a terceira colocada, a America Movil. O Itaú Unibanco, resultado de fusão ocorrida neste ano, está em quarto lugar. Na sequência vêm Banco do Brasil, Bradesco, AmBev, CSN, Itaúsa e Braskem.

09/11/2009 - 09:02h Pobres já gastam 5% mais que ricos

http://www.vivaterra.org.br/consumo_93.1.jpg
Estudo mostra avanço do consumo das classes D e E do Norte e Nordeste em relação às classes A e B do Sudeste

Márcia de Chiara – O Estado SP

Os pobres do Norte e Nordeste estão consumindo mais que os ricos do Sudeste. Nos últimos 12 meses até setembro deste ano, as classes D e E das regiões Norte e Nordeste do País gastaram R$ 8,8 bilhões com uma cesta de alimentos, produtos de higiene pessoal e limpeza. Essa cifra é 5% maior que a desembolsada pelas camadas A e B (R$ 8,4 bilhões) que vivem no Sudeste do País no mesmo período com esses itens, revela estudo exclusivo da LatinPanel, maior empresa de pesquisa domiciliar da América Latina.

Em igual período do ano passado, a situação era exatamente inversa: o gasto das camadas que compõem a base da pirâmide social no Norte e Nordeste com bens não duráveis havia sido 5% inferior ao das classes A e B do Sudeste. “Houve uma reversão”, afirma Christine Pereira, diretora da empresa e responsável pela pesquisa.

Ela atribui a mudança a fatores conjunturais. Inflação em baixa, que dá mais poder de compra ao consumidor, ganhos de renda dos trabalhadores que recebem salário mínimo e o fato de a crise não ter afetado as camadas de menor renda explicam, segundo Christine, o avanço do consumo dos bens não duráveis pelos mais pobres. Os dados da pesquisa foram obtidos a partir de visitas semanais a 8,2 mil domicílios para auditar o consumo de 65 categorias de produtos.

Embora em maior número, as famílias das classes D e E do Norte e do Nordeste têm renda agregada bem menor que a das famílias das classes A e B do Sudeste. No Norte e no Nordeste, há 6,9 milhões de lares que recebem até quatro salários mínimos (R$ 1.860) por mês, o que corresponde a 40% do total de famílias das classes D e E do País. Já as classes A e B somam 4,9 milhões de domicílios no Sudeste ou 45% dos lares desse estrato social do Brasil. Essas famílias têm renda mensal superior a dez salários mínimos (R$ 4.650).

Para o economista chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges, boa parte do avanço do consumo dos mais pobres se deve ao aumento real do salário mínimo de 5,7% concedido neste ano. “O salário mínimo pesa muito nas regiões Norte e Nordeste”, diz.

Nas contas dele, a massa real de renda dos ocupados, pensionistas da Previdência e também beneficiários do Bolsa Família cresceu 7,7% no Norte e Nordeste no primeiro semestre deste ano em relação a igual período de 2008. O acréscimo é mais que o dobro do registrado para essa população que vive no Sudeste do País, que foi de 3,1% nas mesmas bases de comparação.

Além disso, Borges ressalta que a inflação dos mais pobres, que ganham até cinco salários mínimos (R$ 2.325), medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), perdeu fôlego este ano. Após fechar 2008 com alta de 6,5%, a maior taxa desde 2003, o INPC deve encerrar 2009 com aumento de 4,5%, prevê.