26/05/2008 - 10:15h STF retoma quarta-feira votação sobre pesquisas com células-tronco
25 países permitem uso de embrião
Entre as nações capazes de investir em pesquisas com células-tronco, apenas a Itália proíbe embrionárias, diz estudo

Lisandra Paraguassú, BRASÍLIA – O Estado de São Paulo
Um levantamento feito pela ONG Anis – Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero, com recursos do Ministério da Saúde, mostra que, dos 26 países – incluindo o Brasil – que hoje têm condições e investem em pesquisas com células-tronco, apenas a Itália proíbe o uso de embriões completamente. Na quarta-feira, o Supremo Tribunal Federal (STF) retoma o julgamento para definir se o País poderá fazer pesquisas com células-tronco embrionárias.
Nos países investigados, a pesquisa foi autorizada, mesmo que as legislações sejam diferentes e contenham restrições. Na Alemanha, foi encontrada a solução mais restritiva. Ainda sob os efeitos das manipulações genéticas ocorridas no período nazista, lá o governo só autoriza pesquisas com linhagens importadas de embriões. “É uma maneira de escapar do debate sobre se quem retira a célula-tronco está destruindo o embrião. Quando se importam as linhagens, pode-se alegar ‘quem destruiu não fomos nós’”, explica Débora Diniz, pesquisadora responsável pelo levantamento.
Nos Estados Unidos, a pesquisa é autorizada, mas há restrições do governo quanto a financiamentos, influenciadas por grupos religiosos. Dinheiro federal só é liberado para o uso de linhagens importadas. Vários Estados e empresas usam recursos próprios para pesquisas com embriões americanos.
“A tendência no mundo todo é a autorização. Mesmo países religiosos, como Irã e Israel, têm permitido. Israel é hoje o terceiro país com mais pesquisas com células-tronco embrionárias no mundo”, diz Débora.
Os países que compõem a amostra são democracias laicas, com desenvolvimento científico, médico e tecnológico compatível ou superior ao brasileiro. Juntos, detêm mais da metade da população mundial e são responsáveis pela maioria das publicações em saúde nos principais veículos científicos e pelos mais importantes registros de patentes internacionais.
“Esses países representam cinco regiões do globo e acolhem expressivas comunidades filosóficas, tais como religiões budistas, cristãs, hinduístas, islâmicas e judaicas”, diz o memorial do estudo. O caso do Irã “merece destaque, pois pesquisas com células-tronco embrionárias vêm sendo conduzidas a partir de fatwas (posicionamentos religiosos que autorizam ou não uma ação) favoráveis”.
A visão religiosa terminou por predominar no caso da Itália, sede da Igreja Católica, onde as pesquisas são totalmente proibidas. Já a América Latina praticamente ficou de fora por falta não apenas de legislação, mas de trabalhos significativos na área. A exceção, como o Brasil, é o México, que autoriza a pesquisa. Uma das hipóteses é a falta de competência técnica para conduzir pesquisas a ponto de haver um interesse na criação de uma legislação. Outra hipótese seria a força da religião nesses países.
13/05/2008 - 08:47h Política industrial: Meta é elevar taxa de investimento para 21% do PIB
Plano também pretende aumentar a fatia do Brasil no comércio mundial e a participação privada em pesquisa

Fernando Dantas – O Estado de São Paulo
Uma das principais “macrometas” da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP), lançada ontem, é elevar a taxa de investimentos da economia brasileira de 17,6% do PIB, em 2007, para 21% em 2010. Outras macrometas (ou “metas-país)”, também para 2010, são as de ampliar a participação brasileira nas exportações mundiais de 1,18% ( 2007) para 1,25% do PIB, ou US$ 208,8 bilhões; e elevar os gastos privados em pesquisa e desenvolvimento (P&D) de 0,51% do PIB (2005) para 0,65%.
As macrometas são um dos elementos principais da arquitetura complexa da nova política industrial, criada a partir de quatro desafios principais. O primeiro é aumentar a oferta para “enfrentar uma demanda em expansão”, evitando pressões inflacionários e gargalos.
O segundo é “preservar a robustez do balanço de pagamentos brasileiros”, com aumento e diversificação de exportações e maior atração de investimento estrangeiro direto. O terceiro desafio é aumentar a capacidade de inovação das empresas brasileiras e o quarto, ampliar as condições de acesso a mercados por parte de pequenas e microempresas.
Dentro das medidas para aumentar a competitividade da economia como um todo, o BNDES, além da ampliar seus financiamentos (ver página B1), vai reduzir o spread médio em 20% (em relação ao 2007), com queda de 1,5% ao ano para 0,9% no caso da comercialização de bens de capital.
Na área de estímulo à inovação e a P&D, o BNDES oferece novas linhas de apoio aos esforços das empresas, de TJLP (6,25% ao ano); e inovação tecnológica, de 4,5%. ano.
Uma das partes centrais da nova política industrial são os chamados “programas estruturantes para sistemas produtivos”, nos quais o governo escolhe de fato setores para incentivar e apoiar.
A PDP divide esses programas em três categorias. A primeira é a dos “programas mobilizadores em áreas estratégicas”, que consiste em integrar o setor privado com a comunidade científica e as instituições tecnológicas para superar desafios científico-tecnológicos. Essa categoria inclui o complexo industrial da Saúde, as tecnologias de informação e comunicação, a energia nuclear, o complexo industrial de defesa, a nanotecnologia e a biotecnologia.
A segunda categoria é a dos “programas para fortalecer a competitividade”, que abrange 12 setores (número que pode aumentar), entre os quais o automotivo, bens de capital, construção civil, indústria naval, agroindústrias, biodiesel, plásticos, têxtil e móveis.
A terceira categoria consiste nos “programas para consolidar e expandir a liderança”, no qual estão setores e empresas com projeção internacional e capacidade competitiva, que recebem financiamento estratégico do setor público. Estão incluídos o complexo aeronáutico, petróleo e gás e petroquímica, bioetanol, mineração, siderurgia, celulose e carnes.
A PDP vai trabalhar com diferentes estratégias para se adequar ao estágio de desenvolvimento das empresas e sistemas produtivos do Brasil. Em alguns casos, o objetivo estratégico é a “liderança mundial”, o que significa manter ou posicionar um sistema produtivo ou empresa brasileira entre os cinco maiores do mundo.
A PDP usará como instrumentos os incentivos (crédito, capital de risco e isenções fiscais), as compras governamentais, a regulação e o apoio técnico, como promoção comercial e gestão de propriedade intelectual.
A coordenação geral da PDP ficará com o Ministério do Desenvolvimento, apoiado por uma secretaria-executiva formada pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), BNDES e Ministério da Fazenda. Haverá ainda um conselho gestor, presidido pelo Ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, e com representantes da Casa Civil, da Fazenda, e do Ministério da Ciência e Tecnologia.
Na área de “destaques estratégicos” , a PDP tem como uma das diretrizes a integração produtiva com a América Latina e o Caribe.
29/04/2008 - 13:18h Vírus comuns ligados ao câncer de pulmão

HPV e sarampo facilitariam a evolução da doença
Pesquisadores encontraram evidências que dois tipos comuns de vírus podem estar por trás de alguns casos de câncer de pulmão: o papiloma vírus humano (HPV), já conhecido como a causa do câncer cervical, e o vírus do sarampo. Os resultados, apresentados na Conferência Européia de Câncer de Pulmão, em Genebra, são preliminares. Embora o fumo seja a principal causa do câncer de pulmão, a descoberta pode levar a novas formas de tratamento e prevenção da doença.
Alguns tumores teriam origem viral
O trabalho foi conduzido, em parte, pelo pesquisador Samuel Ariad, do Centro Médico de Soroka, em Beer Sheva, Israel. Samuel e sua equipe analisaram tumores em 65 pacientes.
Eles encontraram proteínas do vírus do sarampo em cerca de metade das amostras coletadas.
Trata-se da primeira evidência que sugere uma ligação entre esse vírus e o câncer de pulmão. O pesquisador israelense já havia publicado estudos ligando o vírus do sarampo com um tipo de câncer linfático.
Por sua vez, a equipe de Arash Rezazadeh, da Universidade de Louisville, no Kentucky, EUA, analisou 23 casos de câncer de pulmão. Em cinco amostras foram encontrado traços genéticos do vírus HPV.
Apesar de os vírus serem associados com câncer de pulmão em pelo menos 20% dos casos, ainda não há evidências diretas que eles sejam a causa da doença. Mas segundo especialistas, a idéia de que vírus possam contribuir para alguns tipos de câncer é bastante plausível.
Há casos conhecidos. Além da ligação entre o HPV e o câncer cervical, infecções crônicas pelos vírus da hepatite B e C contribuem para o câncer do fígado. Já a bactéria Helicobacter pylori tem sido associada com o câncer de estômago.
Recentemente, pesquisadores descobriram seqüências de vírus no genoma das células de um dos mais agressivos tipos de câncer de pele, o chamado carcinoma de Merkel, embora ainda não esteja claro como ou se ele contribui para o surgimento da doença.
Acredita-se também que um vírus semelhante ao que causa câncer de mama em camundongos possa estar ligado ao surgimento do mesmo tipo de câncer em humanos.
— Temos razões suficientes para acreditar que existem alguns tumores com origem viral — salienta Denise Galloway, do Centro de Pesquisas para o Câncer Fred Hutchinson, em Seattle.
Os dois estudos, porém, deixam várias questões em aberto. O grupo de Ariad especula que o vírus do sarampo pode não estar na raiz do surgimento do câncer de pulmão, mas, de alguma forma, facilitaria a evolução da doença.
— O problema é que só temos especulações.
Não podemos injetar o vírus nas pessoas para um teste — diz Dusty Miller, do Centro de Pesquisas para o Câncer Fred Hutchinson.
— Por isso, estabelecer uma real ligação entre vírus e o câncer de pulmão pode levar anos.
Fonte O Globo
17/04/2008 - 15:30h FDA debate testes de terapias com células embrionárias

Em azul, camada de células de retina ecuperadas com células-tronco embrionárias
(Foto: Reprodução/ACT)
Se você acha que os EUA estão atrasados na pesquisa de células-tronco embrionárias humanas (CTEHs) porque George Bush proibiu pesquisas com embriões, pode tirar o cavalo da chuva. Bush só proibiu o uso de verbas federais para esse tipo de pesquisa. Atrasado, literalmente, está o Brasil, que permitiu os estudos, em 2005, mas a rigor não permitiu, porque uma ação direta de insconstitucionalidade se arrasta desde então, sem decisão à vista do Supremo Tribunal Federal (como registrei aqui).
Leio agora na agência Bloomberg que três empresas americanas já se preparam para fazer, talvez ainda em 2008, testes pré-clínicos (fase 1) de tratamentos com CTEHs transformadas (diferenciadas) em células de reposição de tecidos lesados. São elas:
Geron Corp., de Menlo Park, Califórnia – Em meados do segundo semestre poderá iniciar testes preliminares com células nervosas derivadas CTEHs (oligodendrócitos e neurônios dopaminérgicos) no tratamento de traumas de medula espinhal, que confinam tantas pessoas a cadeiras de rodas. Até o momento a empresa só obteve a chamada prova de princípio de que essa terapia celular poderia funcionar, ao restaurar a função de nervos seccionados de ratos com a ajuda de células humanas. Falta provar que é seguro (esta é a função do teste de fase 1) e que funcionaria também em gente (fase 2).
Advanced Cell Technology, de Alameda, Califórnia – A empresa já obteve das CTEHs células pigmentares da retina que pretende testar no tratamento da degeneração macular, moléstia que pode provocar perda progressiva da visão e afeta de 15% a 25% das pessoas com mais de 75 anos (estimam-se 60 mil novos casos por ano no Brasil). A ACT prevê um mercado de US$ 28 bilhões para o tratamento, se der certo. Veja uma apresentação da empresa sobre a pesquisa, em inglês, aqui.
Novocell, Inc., de San Diego, Califórnia – Em fevereiro, a companhia anunciou ter obtido de CTEHs células pancreáticas capazes de produzir insulina em camundongos. Outra prova de princípio, neste caso de que a terapia com células embrionárias poderia tratar pacientes de diabetes tipo 1, que hoje dependem da injeção constante de insulina.
Não por acaso as três empresas se encontram na Califórnia. O Estado do Oeste dos EUA há muito se voltou para a alta tecnologia e embarcou cedo no trem das células-tronco. Em 2004, por meio da Proposição 71, o governo estadual consultou a população sobre a criação de um Instituto de Medicina Regenerativa (CIRM), e obteve autorização para investir US$ 3 bilhões na iniciativa. Enquanto isso, no Brasil, discutia-se se era o caso de permitir a pesquisa com embriões (e ainda discutimos).
Hoje em dia, nos EUA, o debate já é outro: como testar a segurança das CTEHs, ou melhor, das células terapêuticas delas derivadas. CTEHs são células polivalentes (”pluripotentes”, no jargão biomédico), capazes de assumir a identidade de células da maioria das centenas de tecidos que compõem o corpo humano: sangue, dente, cérebro, músculo, osso etc. É preciso ter certeza de que as CTEHs usadas no tratamento vão se transformar só nas células do tecido que se quer regenerar, e em nada mais.
“Você não vai querer um dente crescendo em seu olho, portanto precisamos saber com absoluta certeza o que vai acontecer”, disse à Bloomberg Robert Lanza, diretor da ACT. “Não é do interesse de ninguém correr riscos de qualquer tipo.”
O problema é que ninguém sabe que tipo de testes é preciso fazer, porque se trata de uma terapia nunca antes experimentada. Nem se existiria uma maneira de padronizar esses testes, como em geral se faz com novos medicamentos, ou se será necessário desenvolver um padrão para cada tipo de células e terapia desenvolvida a partir das CTEHs.
Foi com esse objetivo que a agência de alimentos e fármacos dos EUA, a FDA, realizou cinco dias atrás uma reunião exploratória, como noticiou a revista The Scientist. Não se alcançou definição alguma – a não ser sobre a necessidade de criar um ensaio-modelo para testar a capacidade de cada tipo de célula derivada de CTEHs para induzir tumores (não adianta nada resolver tetraplegia, cegueira ou diabetes e ao mesmo tempo arranjar um câncer para o paciente). Mas pelo menos estão discutindo.
E aqui, na Terra dos Papagaios, não conseguimos nem saber se e quando o STF dará uma decisão final sobre pesquisas com embriões. Quem é que se atrasou?
Escrito por Marcelo Leite
17/04/2008 - 08:30h Suplemento vitamínico pode ser perigoso
Análise com mais de 200 mil pessoas indica que não existem benefícios para a saúde
Jeremy Laurance Do Independent
LONDRES. Não há provas de que suplementos de vitaminas trazem benefícios, e eles podem mesmo causar problemas, dizem cientistas. Num golpe na multimilionária indústria de suplementos vitamínicos, uma revisão de 67 estudos indicou que, longe de prolongar a vida, eles a encurtariam.
“Não há qualquer evidência convincente” de que suplementos antioxidantes reduzam a probabilidade de morrer prematuramente e alguns dos mais comuns, na verdade, trazem mais risco, diz a análise, publicada pela respeitada Cochrane Collaboration, uma organização britânica dedicada a prestar informações sobre saúde.
A análise, que envolveu dados de 232 mil pessoas, comparou dados de quem toma suplementos com os de indivíduos que tomaram placebo (substância inócua) ou não receberam tratamento algum.
Os suplementos estudados foram betacaroteno (um precursor da vitamina A), vitaminas A, C e E e o mineral selênio.
Goran Bjelakovich, que coordenou a revisão, realizada pela Universidade de Copenhague, disse: — Não encontramos provas de que tomar antioxidantes prolonga a vida de pessoas saudáveis ou doentes. Na verdade, pessoas que tomaram betacaroteno e vitaminas A e E tiveram uma maior taxa de mortalidade.
Não há indícios de que a vitamina C e o selênio tenham efeitos positivos ou negativos.
Para Bjelakovich, não há razão para recomendar antioxidantes a pessoas saudáveis.
