23/11/2009 - 15:58h Segundo pesquisa, 76% preferem governo Lula ao de FHC

Sondagem da CNT também revelou a recuperação do otimismo da população em relação ao ano que vem

LEONARDO GOY - Agencia Estado

BRASÍLIA - A pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT) com o Instituto Sensus pediu aos entrevistados uma comparação entre o atual governo e o anterior. Para 76%, o governo Luiz Inácio Lula da Silva é melhor que o governo Fernando Henrique Cardoso. A sondagem também revelou a recuperação do otimismo da população. Segundo os dados apresentados nesta segunda-feira, em novembro 73,4% dos entrevistados disseram acreditar que 2010 será melhor do que 2009. No fim de 2008, o porcentual dos que acreditavam que o ano seguinte seria melhor era de 65,4%.

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Com relação a itens mais específicos, 62,9% das pessoas entrevistadas afirmaram que a situação do emprego vai melhorar nos próximos 6 meses e outros 61,6% avaliam que sua renda vai aumentar neste mesmo período. Com relação ao que será feito com o 13º salário, 25,6% responderam que irão pagar dívidas, contra 11,2% que vão comprar produtos para casa e a para a família, 7,4% que vão fazer poupança e 3,5% que pretendem viajar.

23/11/2009 - 15:58h Porco mostra sua vaidade e esperteza

Natalie Angier


Inteligência suína tem relação com busca por alimentos

http://3.bp.blogspot.com/_FK5QjE4gwZc/Sr9Y7z6uzhI/AAAAAAAADeo/KpFPqj_aR2Q/s320/porco-758944.jpghttp://www1.bestgraph.com/gifs/animaux/cochons/cochons-43.gif

Na atual edição da revista “Animal Behaviour”, pesquisadores apresentam evidências de que porcos domésticos podem aprender rapidamente como os espelhos funcionam e usar isso para investigar os arredores e localizar seu alimento.
Essa é apenas mais uma descoberta no nascente estudo da cognição suína. Outros pesquisadores já descobriram que os porcos são brilhantes em lembrar onde a comida foi acumulada e o tamanho de cada esconderijo em relação ao resto. Eles demonstraram que o Porco A pode aprender quase instantaneamente a seguir o Porco B quando este indica saber onde um bom alimento está armazenado, e que o Porco B tentará enganar o porco perseguidor e afastá-lo do caminho.
Os estudiosos descobriram que os porcos estão entre os animais mais rápidos para aprender uma nova rotina, que eles podem fazer muitos truques e que também demoram a esquecer.
Recentemente, uma equipe internacional de biólogos divulgou o primeiro esboço do genoma dos porcos.
Mesmo numa olhada superficial, “o genoma suíno se compara favoravelmente ao genoma humano”, disse Lawrence Schook, da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign (EUA), um dos líderes da equipe.
Schook está particularmente interessado em ver se os muitos paralelos fisiológicos e comportamentais entre porcos e humanos se refletem nos respectivos genomas. Há semelhanças nos corações, nos dentes, na forma de metabolizar drogas e, talvez, nos hábitos, segundo ele. “Olho para o porco como um grande modelo animal para as doenças [ligadas ao] estilo de vida humano”, afirmou. “Os porcos gostam de ficar deitados por aí, gostam de beber se tiverem a chance, fumam e assistem TV.”
Richard Byrne, professor de psicologia evolutiva da Universidade de Saint Andrews, atribui a inteligência suína às mesmas pressões evolutivas que levaram à inteligência dos primatas: vida social e comida. Porcos selvagens vivem em grupos de longo prazo e fuçam em busca de alimentos.
Como comprovadamente os macacos sabem usar espelhos para achar alimentos, Donald Broom, da Universidade de Cambridge, e seus colegas decidiram verificar isso em porcos. Começaram expondo sete porcos de 4 a 8 semanas de vida a períodos de cinco horas com um espelho e gravando suas reações. Os porcos ficavam fascinados, grunhiam, esfregavam o focinho na superfície, olhavam para sua imagem de diversos ângulos, examinavam atrás do espelho. No dia seguinte, quando o espelho era colocado em seu estábulo, os porcos o cumprimentavam com indiferença.
Em seguida, os pesquisadores colocaram o espelho junto com uma tigela de comida que não poderia ser diretamente vista, mas cuja imagem estava refletida no espelho. E, então, compararam as reações dos porcos acostumados ao espelho com as de um grupo de porcos “ingênuos”. Ao ver a comida virtual pelo espelho, os porcos experientes se viravam e, após em média 23 segundos, encontravam o alimento. Já os porcos desacostumados ao espelho buscavam em vão a tigela fuçando atrás do espelho.

23/11/2009 - 14:02h “Serra lidera intenção de voto e Dilma passa Ciro” ou tentando tapar o sol com a peneira

Entre aspas acima a manchete da Folha Online. Como no G1, da Globo, sobre a pesquisa eleitoral CNT-Sensus de hoje.

A constatação procura ocultar a verdadeira notícia trazida pelos números da CNT-Sensus. Serra cai, ou melhor, continua caindo e Dilma sobe, continua subindo.

Segundo o presidente da CNT (Confederação Nacional dos Transportes), Clésio Andrade, Serra caiu em média 15 pontos percentuais desde o ano passado –quando a pesquisa chegou a registrar índices acima de 40% de apoio ao tucano na disputa com os demais candidatos: “Há queda acentuada do Serra se comparada com listas passadas. Há um ano, ele aparecia com percentuais que variavam de 45% a 49%.”

Hoje Serra aparece com 31,8% das intenções de voto. A ministra petista Dilma Rousseff (Casa Civil) aparece em segundo, com 21,7% das intenções de voto, seguida pelo deputado Ciro Gomes (PSB-CE), com 17,5%. Marina Silva (PV) tem 5,9% das intenções de voto.

Os resultados de Dilma estão acima das expectativas dos petistas, os de Serra bem abaixo dos desejos de parte da mídia e dos demo-tucanos em geral.

Serra é conhecido, foi candidato a presidente, a governador, a prefeito. Participou de numerosos pleitos eleitorais. Dilma nunca participou de uma eleição, nem é candidata até agora. mas a diferencia de intenção de votos entre eles é hoje pequena.

A candidatura Serra a presidente? Não sei não… Se continuar assim vai precisar de coragem para ser candidato, característica que poucos atribuem a Serra.

Não sei não…

LF

23/11/2009 - 13:41h Ardua tarefa

Pesquisa após pesquisa, começa a se desenhar um quadro favorável ao candidato do governo nas eleições de 2010.

O que em verdade as pesquisas traduzem é de fato uma avaliação geral sobre os diferentes atores da política no país e sua relação com as questões centrais do dia-a-dia da população.

Enquanto a política do governo federal mostra resultados extremadamente positivos em matéria de enfrentamento a crise, preservação do emprego e do crescimento das empresas; resultados reforçados pelo impacto dos programas sociais e do reconhecimento das organizações e da mídia mundial; a oposição mostra uma ausência total de programa, de propostas e uma divisão interna, agravada pelos resultados medíocres das suas duas principais administrações, estadual e municipal de São Paulo.

Após um ano de paralisia no plano municipal, marcado pelo crescimento da sujeira, irregularidades em diversas licitações, aumento dos seus próprios salários e da carga tributária da cidade, trânsito caótico e transporte público sem investimento, a administração demo-tucana sob a batuta de Kassab enfrenta um descontentamento crescente de sua própria base eleitoral na classe média. O quanto este desgaste influencia as intenções de voto em seu padrinho e mentor, José Serra, não está claro ainda.

Como não está claro o efeito nas pesquisas das obras eleitoreiras apresadas de Serra, que atrapalham a vida dos eleitores, dos pedágios multiplicados e aumentados e do desabamento recente no Rodoanel.

Os intensos investimentos em publicidade e propaganda tanto de Serra, como de Kassab, não parecem surtir o efeito desejado, mesmo quando as empresas estaduais fazem propaganda em outros Estados para tentar alavancar a candidatura do governador paulista.

Acontece que nesta fase da disputa política os efeitos do marketing pesam bem menos que em período eleitoral, prevalecendo, na minha opinião, a apreciação geral que a população faz de sua própria situação e de suas perspectivas imediatas. Isto favorece sem dúvida o campo do governo Lula e é nitidamente desfavoravel a oposição demo-tucana.

Como todos os indicadores anunciam um 2010 bem melhor em matéria de emprego, renda e a economia em geral, a oposição dificilmente encontrará um terreno mais propício para se apresentar como alternativa a candidatura governamental.

Por isso ela aposta cada vez mais na idéia do que poderíamos definir como “estelionato eleitoral”. Utilizar a notoriedade de seu candidato para apresentá-lo como continuador da política de Lula, ocultando sua oposição aos programas sociais do governo, a sua política econômica, a sua defesa do Estado. Ou seja, tentar apresentar Serra como “garante” do Bolsa-família (já não mais bolsa-esmola); defensor do Estado no pré-sal e adversário de privatizações em geral (já não mais venda da Cesp e nem uma palavra sobre a Petrosal).

Um setor da mídia, FHC e uma parte dos eleitores demo-tucanos consideram errada essa estratégia. Isto ficou claro na intervenção pública de FHC sobre o “autoritarismo populista”, na posição assumida por Merval Pereira da Globo ou nos editoriais do Estadão. Eles defendem um posicionamento oposicionista claro, identificado com o programa neoliberal próprio dos tucanos, o que hoje implica ir contra a corrente da maioria do eleitorado.

Aécio Neves rejeita abertamente essa postura o que deixou pouco espaço para José Serra utilizar seu trololó de suposto candidato de esquerda. Ou seja ficou mudo.

Cada vez mais sua candidatura depende de combinar o “estelionato eleitoral”, com um apóio aberto e direto de Aécio aceitando ser vice na chapa de Serra. Poderiam assim combinar uma campanha misturando o “posLula” de Aécio, com um “posFHC” do próprio Serra. Esperando que o povo engula um candidato de direita embrulhado de progressista. Descontando o apóio da mídia para construir a biografia de um e desconstruir a de Dilma, a candidata de Lula.

Árdua tarefa tem Serra pela frente.

LF

23/11/2009 - 12:41h Enquanto aumenta o apoio a Lula e Dilma, após o blecaute; cai a intenção de voto no Serra, após desabamento no Rodoanel

Serra lidera pesquisa para 2010, mas adversários crescem, diz CNT/Sensus

Presidente da CNT diz que apoio de FHC a Serra prejudica o tucano.
‘Fica clara a queda de Serra e o crescimento de Dilma e de Aécio’, disse.

Diego Abreu Do G1, em Brasília

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), aparece em primeiro lugar na pesquisa estimulada de intenções de votos para a eleição presidencial de 2010, divulgada nesta segunda-feira (23) pelo CNT/Sensus. De acordo com o levantamento, no cenário mais provável Serra lidera com 31,8%, seguido pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), com 21,7%, e pelo deputado Ciro Gomes (PSB), com 17,5%. Em quarto lugar, aparece a senadora Marina Silva (PV), com 5,9% das intenções.

Na última pesquisa, divulgada em setembro, não aparecia o cenário com a presença de Ciro Gomes. No entanto, na primeira lista desenhada nesta pesquisa, com Ciro no lugar em que na pesquisa anterior aparecia a vereadora Heloísa Helena (PSOL), Serra registrou queda de 7,7 pontos percentuais, caindo de 39,5% para 31,8%. Já Dilma, subiu de 19% para 21,7%. Marina Silva, por sua vez, cresceu de 4,8% para 5,9%. Os dados apontam a tendência clara de segundo turno.

Já em um cenário em que o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), aparece no lugar de José Serra como o candidato tucano, Ciro Gomes levaria vantagem no primeiro turno, com 25% das intenções de voto. Dilma aparece com 21,3%, Aécio com 14,7%, e Marina Silva com 7,3%.

No quadro em que Ciro Gomes não é candidato e Serra o candidato do PSDB, o tucano lidera a pesquisa com 40,5%, seguido por Dilma (23,5%) e Marina (8,1%). Já sendo Aécio o candidato tucano, a ministra Dilma leva vantagem, com 27,5%. Na sequência, aparecem Aécio (20,7%) e Marina (10,4%).

A pesquisa aponta que 51,7% dos entrevistados votariam ou poderiam votar em candidato apoiado por Lula, enquanto 16% disseram que não votariam. Por outro lado, apenas 17,2% votariam em um político apoiado por Fernando Henrique, sendo que 49,3% responderam que não votariam no candidato de FHC.

O presidente da CNT, Clésio Andrade, avalia que houve uma “queda acentuada de Serra”. “Ciro entrando prejudica o Serra. Está muito claro isso”, disse. Outra observação de Andrade foi a de que Aécio e Dilma devem crescer muito.

“Fica muito clara a queda de Serra e o crescimento de Dilma e de Aécio”, avisou Andrade. “Serra cai com o apoio do ex-presidente Fernando Henrique”, acrescentou. Ele, porém, afirmou que não compartilha com a percepção da sociedade em relação ao ex-presidente FHC, que, ao apoiar Serra, pode estar aumentando o índice de rejeição em relação ao governador. Clésio considera que o tucano fez um bom governo.

“A Dilma aparecer na mídia está fazendo ela crescer. Se o Aécio continuar no páreo, ele também vai crescer mais”, avaliou o presidente da CNT.

A pesquisa CNT/Sensus também traçou um cenário de votos espontâneos. Nesse quadro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não pode disputar a eleição de 2010, lidera a preferência dos eleitores com 18,1%. Na sequência, aperecem José Serra (8,7%), Dilma Rousseff (5,8%), Aécio Neves (4,2%), Ciro Gomes (2,6%), Heloísa Helena (1,4%) e Marina Silva (0,7%).

Chapas

A pesquisa trouxeu uma novidade sobre o primeiro turno da eleição, ao apresentar aos entrevistados chapas compostas por candidatos a presidente e a vice. A chapa José Serra com Aécio como vice teria 35,8% das intenções de voto, seguida pela chapa Dilma com o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP) como vice, com 23,9%. Em terceiro, ficaria a dupla Ciro Gomes e Carlos Lupi (ministro do Trabalho), com 16,1%, e em quarto lugar, Marina Silva com Guilherme Peirão Leal como vice, com 5,2%.

No cenário em que Áécio seria o candidato a presidente e Serra o seu vice, a chapa tucana também lidera as preferências como 31%.Na sequencia aparecem Dilma/Temer (22,6%), Ciro/Lupi (18,1%) e Marina/Guilherme (5,3%).

Já em um cenário com a dupla Aécio (presidente) e Ciro (vice), a chapa deles venceria o primeiro turno com 32,4%, seguidos por Dilma/Temer (26,6%) e Marina/Guilherme (8,3%). Na semana passado, Ciro Gomes disse que abriria mão de sua candidatura ao Palácio do Planalto caso Aécio seja lançado como candidato pelo PSDB.

Segundo turno

No cenário de um segundo turno entre Serra e Dilma, o tucano levaria vantagem, com 46,8% contra 28,2% da petista. Em um quadro entre Aécio e Dilma, a ministra venceria o governador com 36,6% contra 27,9%. Já em um possível segundo turno entre Ciro Gomes e José Serra, o tucano aparece com 44,1% frente os 27,2% do adversário. Se fosse entre Ciro e Dilma, a petista ganharia por 35,1% a 31,5%. Por fim, no improvável cenário de Ciro contra Marina, o deputado venceria com 44,8% contra 14,7%.

Quanto aos índices de rejeição, Marina Silva lidera a pesquisa com 38,4%, seguida por Dilma (34,4%), Serra (27,7%), Ciro (25,3%) e Aécio (22,8%). Quando perguntados se poderiam votar, 45,9% disseram que votariam em Ciro, 40,4% em Serra, 29,7% em Dilma, 29,6% em Aécio e 17,8% em Marina.

A pesquisa foi realizada entre os dias 16 e 20 de novembro. Foram entrevistadas 2.000 pessoas em 136 municípios de 24 estados. A margem de erro é de três pontos percentuais.

23/11/2009 - 12:12h Avaliação positiva de Lula sobe para 78,9%, diz CNT/Sensus

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GABRIELA GUERREIRO da Folha Online, em Brasília

A avaliação do governo federal e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu em novembro deste ano, segundo pesquisa CNT/Sensus divulgada nesta terça-feira. A aprovação da população brasileira ao governo do presidente Lula passou de 65,4% em setembro para 70% em novembro. Já a avaliação positiva do presidente subiu de 76,8% para 78,9%.

Apesar da subida da popularidade de Lula e do governo, os índices são menores do que os registrados pelo petista no início deste ano –quando o presidente bateu recordes de popularidade. Na ocasião, o índice chegou a 80%.

Este mês, somente 6,2% avaliaram o governo federal negativamente, enquanto 14,6% desaprovaram a maneira de Lula governar o país.

O retorno à avaliação positiva do governo ocorre depois do episódio do apagão que deixou 18 Estados do país sem luz, mas a CNT não questionou a população a respeito do blecaute.

Na avaliação do presidente da CNT, Clésio Andrade, a imagem de Lula e do governo subiram em consequência da imagem positiva que o Brasil conquistou no exterior.

“Houve melhora da imagem do país. O pesquisador sente nas pessoas que Lula melhorou o país, além de seu forte discurso de otimismo. Essa imagem que o Lula criou de respeito no exterior são positivas para a sua imagem”, disse Andrade.

Em março deste ano, o governo Lula registrou a primeira queda em sua popularidade desde setembro do ano passado, quando a gestão do petista vinha registrando sucessivos recordes positivos. Em maio, a popularidade do governo voltou a crescer, mas caiu novamente em setembro.

Os eleitores que avaliam o governo como regular somam 22,7% em novembro contra 26,6% em setembro deste ano.

Histórico

Até janeiro deste ano, os índices de popularidade de Lula foram superiores às avaliações de sua popularidade registradas em janeiro de 2003 –ano em que foi empossado no cargo–, quando obteve 83,6% de aprovação.

O cenário mudou em março, de acordo com a CNT/Sensus, em consequência da crise econômica internacional. Os patamares positivos de avaliação do governo e do presidente voltaram a subir em maio, mas caíram novamente em setembro e, agora, voltaram a subir.

A pesquisa CNT/Sensus foi realizada entre os dias 16 e 30 de novembro, em 136 municípios de 24 Estados. Foram ouvidas 2.000 pessoas, e a margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou menos.

21/11/2009 - 15:35h Pesquisas associam taxas de colesterol a risco de tumores

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Altos níveis de HDL (colesterol “bom”) parecem proteger contra o câncer

JULLIANE SILVEIRA ENVIADA ESPECIAL A ORLANDO – FOLHA SP

Uma revisão científica de 21 estudos, que acessou dados de mais de 586 mil pacientes norte-americanos, apontou uma associação entre altos índices de HDL (o chamado colesterol “bom”) e menor risco de desenvolvimento de câncer.
Entre os pacientes avaliados, 7.928 desenvolveram tumores malignos ao longo de cinco anos. A cada 10 mg/dl aumentado de HDL, a redução de incidência de câncer foi de 21%.
O estudo foi realizado pelo Tufts Medical Center e apresentado no congresso da American Heart Association, em Orlando. “Constatamos que, nos estudos com pacientes com taxas mais baixas de HDL, a incidência de câncer foi maior”, disse à Folha Richard Karas, autor do estudo.
Os mecanismos que levam à associação entre as taxas de colesterol e câncer ainda não foram bem estabelecidos. No entanto, os pesquisadores levantam algumas hipóteses para explicar a relação.
Uma delas é o fato de que o HDL está relacionado a mecanismos inflamatórios. “O HDL pode ter um efeito no sistema imunológico, desempenhando um efeito anti-inflamatório. Um dos papeis desse sistema, em termos leigos, é procurar as células cancerosas e matá-las”, explicou Karas.
A outra hipótese, segundo Karas, está no efeito antioxidante de uma proteína que compõe o HDL. Sabe-se que substâncias antioxidantes têm efeito preventivo contra o desenvolvimento de tumores.
“É possível que o HDL atue em mecanismos inflamatórios do organismo e, por isso, contribua para reduzir as taxas de câncer. Mas não podemos deixar de lado o fato de que pessoas com níveis mais altos de colesterol “bom” geralmente apresentam melhores hábitos de vida, o que também influencia no aparecimento de câncer”, observa o cardiologista Antônio Carlos Chagas, presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

Próstata
Um outro estudo realizado com mais de 5.000 homens pela Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health, nos Estados Unidos, também mostrou que altos índices de colesterol total estão relacionados a maior risco de desenvolver câncer de próstata. Aqueles que tinham níveis totais de colesterol menores do que 200 mg/dl apresentaram 59% menos risco de desenvolver câncer de próstata agressivo.
De acordo com os pesquisadores, as moléculas de colesterol podem interferir na sobrevida das células cancerosas. Dessa forma, os tumores podem fazer uso desse mecanismo para burlar o ciclo normal de vida e morte celular.

11/11/2009 - 10:03h Bem pequenino para ninguém ver

Na versão eletrónica da Folha a notícia nem figura. No Estadão (ver a seguir) são poucas linhas com o título de “Ela” sobe (quem é “Ela”? Marina? Dilma? Ora, todos sabem que “Ela” é Ela). Não aparecem os cenários, os detalhes técnicos, os perfis socio-econômicos, às regiões; só três linhas.
Será que o instituto Vox Populi, contratado pelo Jornal da Band, não tem credibilidade? Será que o destaque seria o mesmo se os resultados das pesquisa fossem inversos e “Ela” caísse? Será que o título seria “Ele sobe”? Será? LF


Ela sobe 4 pontos e Serra cai 4 na Vox Populi

André Mascarenhas, estadao.com.br

Pesquisa Vox Populi/Band, divulgada ontem pelo Jornal da Band, mostra a recuperação da pré-candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT). Ela tem 19% das intenções de voto no cenário com o governador de São Paulo, José Serra (PSDB). O tucano continua em primeiro lugar, com 36% das intenções de voto. Em outubro, a petista tinha 15% e Serra, 40%.

06/11/2009 - 10:14h Em três anos, 18,5 milhões de brasileiros passaram para faixa de renda maior

De São Paulo e Brasília – VALOR

Entre 2005 e 2008, 18,5 milhões de brasileiros subiram de classe social, segundo levantamento realizado pelo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O número representa quase 10% da população do país, hoje com cerca de 193,7 milhões de habitantes. O estudo mostra que, no período, 11,5 milhões de pessoas passaram para o nível de maior renda, enquanto 7 milhões passaram para a classe média.

O Ipea, que utilizou dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE, dividiu a população do país em três partes iguais. No primeiro terço, ficaram pessoas com rendimento de até R$ 188 mensais no ano de 2008. No segundo terço, que compreende o segmento intermediário, aqueles dentro do intervalo de rendimento individual de R$ 188 a R$ 465 mensais. Na terceira parte, que representa o estrato superior da renda, ficaram os rendimentos individuais acima de R$ 465 mensais.

A partir dessa divisão, se tornou possível aos pesquisadores retroagir e avançar no tempo em relação ao ano de 2001. Com a atualização do valor do rendimento individual, em termos reais, constitui-se a evolução da população brasileira em relação às três faixas de renda entre 1995 e 2008.

Os dados mostram também que, nos últimos anos, a população de menor renda perdeu importância dentro do conjunto – representava 34% da população até 2004, e passou a 26% em 2008, o menor índice desde 1995. Apesar disso, aponta o Ipea, o Brasil ainda possui um quarto da população vivendo com rendimentos extremamente baixos.

As classes média e alta, por outro lado, ganharam maior representatividade. O segundo estrato de renda passou de 21,8% de participação em 1995 para 37,4% em 2008. No caso do estrato de maior renda, de 31,5% em 2004, subiu para para 36,6% no ano passado.

O Sudeste e o Nordeste se destacam como as as regiões que mais registraram casos de ascensão entre as faixas baixa e média de renda. Juntas, elas responderam por quase 71% do movimento nacional da mudança na estrutura social na base da pirâmide brasileira. Em seguida, vêm Sul (11,1%), Norte (10,4%) e Centro-Oeste (8,1%). No movimento de ascensão para a classe mais alta, a região Sudeste respondeu pela incorporação de 51,2% dos indivíduos. Na sequência, ganhou importância o Sul, com 18,1%, o Nordeste com a inclusão de 16,4%, o Centro-Oeste com 7,6%, e o Norte com 6,7%.

Na avaliação de Rogério César de Souza, economista do Instituto de Estudos para Desenvolvimento Industrial (Iedi), foram esses fatores de ascensão social que colocaram o Brasil em condição favorável neste ano, quando comparado a outros países. “E isso é bom para a indústria em particular”, diz, citando o consumo de alimentos e da construção civil.

O economista do Iedi lembra que a indústria sofreu muito com a diminuição de exportações, durante o auge da crise internacional, mas “cresce de forma contínua se valendo do mercado interno”.

Além do setor industrial, os bancos comemoram a expansão das atividades financeiras ocorridas a partir do aumento das pessoas com renda na faixa intermediária. Segundo dados da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), entre 2005 e 2008 o número de contas correntes passou de 95 milhões para 125,7 milhões. As contas de caderneta de poupança saltaram de 71,8 milhões para mais de 92 milhões. O total de cartões de crédito no período teve o maior crescimento: passou do patamar de 68 milhões para 124 milhões.

O diretor de Estudos e Políticas Sociais do Ipea, Jorge Abrahão de Castro, diz que a “elevação desse conjunto grande de pessoas no mercado” se dá também com a diminuição das desigualdades sociais. Para ele, a sustentabilidade do movimento depende da manutenção da política de ganhos salariais efetivos e pode ser incrementada com a diminuição dos juros. (Agências noticiosas)

05/11/2009 - 11:34h Brasileiros de baixa renda viajam mais

Nos últimos dois anos, o número de pessoas que fizeram pelo menos uma viagem aumentou 83%, segundo levantamento do governo

Renato Andrade, BRASÍLIA – O Estado SP

O aumento da renda dos brasileiros contribuiu para a expansão do número de turistas dentro do País, de acordo com pesquisa divulgada ontem pelo governo. Segundo o levantamento, o número de pessoas que fizeram pelo menos uma viagem nos últimos dois anos aumentou 83% em relação ao verificado em 2007. Para o ministro do Turismo, Luiz Barretto, os dados mostram que o turismo começa a fazer parte da lista de consumo dos brasileiros de menor renda, o que significa um novo desafio para as empresas do setor. “Temos que ter produtos para essa nova classe média”, disse.

De acordo com o levantamento, 58,8% dos 2.514 entrevistados pelo Instituto Vox Populi fizeram pelo menos uma viagem no Brasil entre 2007 e 2009. Na pesquisa anterior, esse porcentual era de 32%. O número de pessoas que não viajou e nem pretende viajar nos próximos dois anos caiu para 7,6%, ante 32% na pesquisa de 2007. Neste caso, a falta de dinheiro continua sendo o principal entrave. As entrevistas foram feitas em 11 capitais, entre 17 de junho e 7 de julho.

De acordo com a pesquisa, 15,8% das pessoas que recebem de um a três salários mínimos fizeram uma viagem nos últimos dois anos. Na faixa entre 3 a 5 salários mínimos, esse fatia sobe para 19,7%. “Esse número é expressivo”, disse Barretto. “O turismo era muito concentrado nas classes A e B, e a classe C tem entrado e contribuído para o alargamento da base”, acrescentou.

A pesquisa mostra ainda que a internet tem ganhado mais espaço como instrumento de pesquisa para definir roteiros de viagens. A rede mundial de computadores foi citada por 39% dos entrevistados como a principal fonte de informação, praticamente empatada com a tradicional consulta a amigos e familiares, ainda a melhor alternativa para 41% dos entrevistados.

O planejamento das viagens por conta própria também é outra característica do turista brasileiro revelada pela pesquisa. Da parcela de entrevistados que fizeram alguma viagem desde 2007, mais de 78% não utilizaram os serviços oferecidos pelas agências de viagem. Para Barretto, as empresas do setor devem buscar mais especialização e diversificação, para tentar atender aos diferentes perfis de turistas do País.

***


Classe C viaja mais e turbina turismo no país, diz estudo

Pesquisa traça o perfil do turista; NE é destino preferido


JOHANNA NUBLAT – FOLHA SP

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O brasileiro viajou mais a turismo pelo país nos últimos dois anos, segundo indica pesquisa divulgada ontem pelo Ministério do Turismo. O percentual dos que fizeram pelo menos uma viagem interna passou de 32,4%, entre 2005 e 2007, para 58,8% nos últimos dois anos (variação de 83,7%).
O estudo mostra ainda que caiu de 32,5% para 7,6% o percentual de brasileiros que não viajaram nos dois anos anteriores e não pretendiam viajar nos dois seguintes.
O gasto médio total dos que viajaram, por outro lado, teve uma queda de 9% no período. Essa diminuição pode ser explicada em parte pela ampliação da base dos consumidores, trazendo para o consumo pessoas com renda menor, diz Márcio Nascimento, diretor do Departamento de Promoção e Marketing Nacional da ministério. Outra justificativa, segundo a pasta, é o barateamento de parte dos serviços.
A presença maior das pessoas de renda mais baixa deve fazer a “indústria do turismo repensar o hábito do mercado”, afirma o ministro da pasta, Luiz Barretto. “Há uma nova classe média com quem dialogar. Mais de 60% de quem viajou ganha até dez salários mínimos. A chamada classe C tem um peso também no turismo.”
Além desse fator, outros colaboraram para o aumento do turismo nacional, como a crise econômica e a gripe A (que diminuíram viagens para países vizinhos), diz o governo.
A pesquisa foi feita pelo Instituto Vox Populi, com 2.322 entrevistas entre junho e julho deste ano em 11 capitais. Foram ouvidos maiores de 18 anos, de todas as classes econômicas. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
O perfil traçado do viajante brasileiro mostra que ele viaja principalmente com a família, para destinos no Nordeste e por um curto período de tempo (54,6% por até uma semana).
A grande maioria (80,3%) se desloca nas férias e um número expressivo viajou nos feriados e finais de semana prolongados (66,8%) nos últimos dois anos -a pesquisa anterior mostrava um percentual menor, de 41%.
O brasileiro também recorre mais a dicas de conhecidos e à internet para planejar sua viagem, buscando agências especializadas em viagens apenas em 5,6% dos casos.
As estradas são usadas pela maioria das pessoas: 41,8% usam normalmente o carro, e 23,8%, o ônibus. O avião é usado por 33,5% dos viajantes.
Apesar de pensarem o deslocamento com certa antecedência, 19,9% dos viajantes pagam a viagem em até sete dias da partida. O pagamento é feito à vista em 63,2% dos casos.
Esses dados se referem ao chamado cliente atual, ou seja, o que viajou pelo menos uma vez nos últimos dois anos. A pesquisa mostra ainda as expectativas do cliente potencial: o que demonstra interesse de procurar destinos nacionais nos próximos dois anos.
Há diferenças entre esses dois públicos, como a renda. Enquanto 35,5% dos que viajaram têm renda familiar de até cinco salários mínimos, 58,5% dos que pretendem viajar nos próximos anos pertencem a essa faixa salarial.
Trabalhar esse “turismo social”, oferecendo produtos às classes C e D, é um dos principais pontos da pesquisa que podem levar ao desenvolvimento de políticas públicas e privadas, explica Elisangela Machado, do CET (Centro de Excelência em Turismo) da UnB. Outro é a referência ao maior uso de hotéis. “Se eu tenho mais brasileiros viajando e vou ter um incremento ainda com a Copa, como vou atender meu público interno e externo?”

30/10/2009 - 15:23h Remédio para colesterol pode combater gripe, diz estudo

AE-AP – Agencia Estado

MILWAUKEE – Pode haver um novo tratamento para a gripe suína que já está nas prateleiras das farmácias: as estatinas, remédios vendidos comercialmente com nomes como Lipitor e Zocor, usadas para diminuir os níveis de colesterol. Pesquisadores divulgaram hoje um estudo mostrando que pessoas que usam esses medicamentos e foram hospitalizadas por causa da gripe sazonal tinham duas vezes mais chances de sobreviver do que as que não tomavam esse tipo de remédio.

Isso não prova que as estatinas são a cura para a gripe, já que mais estudos ainda são realizados para verificar se essas drogas podem ser um bom tratamento. O estudo sobre as estatinas, apresentado hoje durante um congresso médico, envolveu 2.800 pessoas pesquisadas entre 2007 e 2008.

“O estudo é muito promissor”, disse a coordenadora, Ann Thomas, da Divisão de Saúde Pública do Oregon. A estatinas são conhecidas também por reduzirem a maioria dos problemas causados pela gripe, independentemente se for a sazonal ou a causada pelo vírus A H1N1, são as inflamações, uma reação exagerada do sistema imunológico enquanto luta contra o vírus.

Estudos prévios também descobriram que as estatinas podem ajudar as pessoas a superar a pneumonia e sérias infecções bacterianas do sistema sanguíneo. A nova pesquisa, patrocinada pelos Centros de Prevenção e Controle de Doenças, é o maior já feito nos Estados Unidos que analisa o efeito das estatinas contra gripe.

O tratamento é uma questão muito importante para a gripe suína, já que a vacina está demorando para chegar ao público em geral. Remédios contra a gripe como o Tamiflu têm sido reservados apenas para os pacientes mais graves. As estatinas são baratas, relativamente seguras e estão entre os remédios mais utilizados em todo o mundo.

10/10/2009 - 11:31h Serra e governo de São Paulo, trabalhando por você

USP cai em ranking de ensino superior

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Instituição fica em 207º lugar; lista também cita Unicamp e UFRJ

Alexandre Gonçalves – O Estado SP

A Universidade de São Paulo (USP) não aparece mais entre as 200 melhores instituições de ensino superior do mundo no ranking elaborado pelo suplemento de educação do jornal britânico The Times, publicado anualmente desde 1971. No ano passado, a instituição estava em 196º lugar. Caiu para a 207º. Foi a segunda queda consecutiva. Em 2007, a USP atingiu sua melhor posição no ranking: 175. No cálculo do ranking, a variável com mais peso (40% da nota atribuída a cada instituição) é uma pesquisa de opinião com membros da academia pelo mundo. Foram entrevistadas 9.386 pessoas e são considerados os resultados dos últimos três anos. Nenhum pesquisador pode votar na universidade em que trabalha. Também contam fatores como a opinião do mercado de trabalho, número de alunos por docente, volume de citações de pesquisas realizadas pela instituição e quantidade de cientistas e estudantes de outros lugares do mundo que atuam na universidade. O professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP), Hamilton Luiz Corrêa, estuda avaliação global de empresas. Ele considera importante analisar com cuidado métodos que pretendem resumir em um número o desempenho de instituições. “Você pode valorizar um aspecto em detrimento de outro, igualmente importante.” Mesmo assim, considera inegável que alguns fatores prejudicam o desempenho de universidades brasileiras, entre elas, a USP. Ele cita um provável aumento na quantidade de artigos publicados nos últimos anos. “Mas não sabemos se houve um aumento proporcional na qualidade dos trabalhos”, aponta. O difícil diálogo com as empresas e a ausência de racionalidade administrativa nas instituições universitárias completariam o rol de obstáculos para a melhora do ensino superior no País. Procurada, a reitoria da USP não quis comentar. No ranking aparecem ainda a Unicamp (295º) e a UFRJ (383º).

10/10/2009 - 10:42h Desigualdade cai, mas continua alta

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Foto Tuca Vieira – Paraisópolis – cidade de São Paulo

O Estado SP

Em 2008, grupos dos mais ricos ganhavam 18 vezes a renda dos pobres, ante 20,2 em 2006

Em três anos, de 2006 a 2008, diminuiu muito rapidamente a distância entre os dois extremos de rendimentos da sociedade brasileira, o que reduziu a desigualdade social no País, apontou o estudo do IBGE. A melhoria na renda contrasta com dados referentes a bens e serviços: apenas 61% dos domicílios brasileiros tinham simultaneamente, em 2008, água encanada, coleta de esgoto, de lixo e iluminação elétrica.

Em 2006, a razão entre a renda familiar per capita dos 20% mais ricos e dos 20% mais pobres era 20,2, ou seja, o grupo mais rico ganhava 20,2 vezes a renda do mais pobre. No ano seguinte, essa relação caiu a 18,7, e em 2008, foi a 18. O nível ainda é alto – em países desenvolvidos, fica em torno de 4 a 6 -, mas já mostra redução na desigualdade entre os brasileiros, segundo Ana Lucia Saboia, coordenadora-geral do estudo.

O IBGE também apurou que caiu a proporção de pessoas com rendimento familiar per capita abaixo de 60% do mediano. Como foi estimado em R$ 415, os 60% eram R$ 249 em 2008 – essa medida serve para mensurar a pobreza dos grupos sociais. Em 2006, 37,3% ganhavam menos que essa fronteira; em 2007, 36,1%; em 2008, 33,8%. Também caiu o diferencial entre o rendimento familiar mensal per capita das famílias dos 10% mais ricos em relação aos 40% mais pobres. Em 2001, era 22,1 e em 2008, 16,8. Os números foram comemorados pelo diretor do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas, Marcelo Néri. Ele lembrou que a queda começou em 2001 e se acentuou a partir de 2004, porque se associou ao crescimento econômico. “Não era mais como em 2001, quando o bolo caiu e a parte dos pobres caiu menos.”

Os problemas de distribuição de renda, porém, continuam. Enquanto o rendimento familiar médio ficou em R$ 720, metade das famílias vivia com menos de R$ 415 – salário mínimo vigente em setembro de 2008.

SERVIÇOS

Apesar de 40% das residências brasileiras não terem ao menos um serviço público essencial (água encanada, coleta de esgoto, de lixo e iluminação elétrica), o dado representa um avanço em relação a 1998. Naquele ano, o porcentual de unidades com os quatro benefícios ao mesmo tempo era de 56,8%, ante 43,2% desprovidos de pelo menos um deles. A região com maior acesso era o Sudeste (82,6% dos lares) e a com menor era o Norte (14,9%).

08/10/2009 - 16:03h “O candidato conservador no Brasil está perdendo popularidade”

O Angus Reid Monitor, referência em pesquisa global, começou a seguir a sucessão no Brasil, destacando que “Serra mantém liderança, mas perde momentum”. Abrindo o texto, “O candidato conservador no Brasil está perdendo popularidade”. (Fonte Toda Mídia – Folha SP)


Serra Keeps Lead but Loses Momentum in Brazil

October 07, 2009


(Angus Reid Global Monitor) – The conservative candidate in Brazil’s race for the presidency is losing popularity, according to a poll by Instituto Sensus. 39.5 per cent of respondents would vote for Sao Paulo governor Jose Serra of the opposition Brazilian Party of Social Democracy (PSDB) in next year’s election, down 6.2 points since March.

Current government chief of staff Dilma Rousseff of the Worker’s Party (PT) is second with 19 per cent, followed by Heloisa Helena of the Socialism and Freedom Party (PSOL) with 9.7 per cent, and Marina Silva of the Green Party (PV) with 4.8 per cent.

Luiz Inacio Lula da Silva—a member of the PT—won the October 2002 presidential election with 61 per cent of the vote in a run-off against Serra. In October 2006, he earned a new four-year term, defeating PSDB candidate Geraldo Alckmin with 60.8 per cent of the vote in the second round.

On Sept. 18, Lula said he is “pleased” to see that there are no “troglodyte candidates from the right” running for office in these elections, noting that Rousseff is a former guerrilla fighter, Serra—in his youth—used to run a Catholic student group that opposed the military dictatorship, and Silva was a revolutionary communist.

Lula is ineligible for a third term in office. The first round of Brazil’s next presidential election is scheduled for Oct. 3, 2010.

Polling Data

Which of these candidates would you vote for in the next presidential election?

Sept. 2009 Mar. 2009 Jan. 2009
Jose Serra (PSDB) 39.5% 45.7% 42.8%
Dilma Rousseff (PT) 19.0% 16.3% 13.5%
Heloisa Helena (PSOL) 9.7% 11.0% 11.2%
Marina Silva (PV) 4.8% n.a. n.a.
None / Blank ballot 14.4% 16.7% 16.5%
Not sure / Undecided 12.8% 10.3% 16.1%

Source: Instituto Sensus
Methodology: Interviews with 2,000 Brazilian adults, conducted from Aug. 31 to Sept. 4, 2009. Margin of error is 3 per cent.

06/10/2009 - 13:49h Rio 2016 e o choque de progresso

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ColunistaMarcelo Neri – VALOR

O Rio de Janeiro foi um engano. Deixe-me explicar, já que sou carioca da gema. Os lusitanos quando aqui aportaram em janeiro, por suposto, enxergaram a baía de Guanabara como o estuário de rio, dando o nome de Rio de Janeiro. A não ser por esse engano que parece anedota de português: a baía de Janeiro deveria ser aqui. A Baia de Todos os Santos inspirou Bahia, os grandes rios ao sul e ao norte do Brasil deram nome aos respectivos estados do Rio Grande. Aqui o lapso inicial foi eternizado no nome do estado, do município e do Grande Rio, a metrópole, perfazendo o que chamamos aqui de os “três Rios”. Por favor, não confundam com o município fluminense de Três Rios, provinciano sim, mas nem tanto.

O engano não foi só na nascente do Rio mas segue curso acima: o PDBG (Programa de Despoluição da Baia de Guanabara), é financiado pelo Banco Japonês de Desenvolvimento, nosso concorrente olímpico. Além de dinheiro, havia a mobilização popular herdada da Rio 92. Nossa pesquisa com o Instituto Trata Brasil, demonstra o entupimento da expansão da rede geral de esgoto no Rio. PDBG é um caso clássico de esgoto “enganado”. Já o Baia Azul, um similar de Salvador do PDBG, financiado pelo BID dobrou o acesso a saneamento básico entre as copas de 1998 e 2002. Se dinheiro e mobilização são precisos, boa gestão também é.

No caso dos três Rios, a má gestão, além dos problemas internos às diferentes esferas públicas, estão também na confluência delas. Octávio Amorim argumenta que sucessivos prefeitos e governadores do Rio ao almejarem a presidência do Brasil, assorearam o fluxo de financiamento federal em direção aos três Rios. O alinhamento entre os três níveis de governo, patente em Copenhague seria exceção, e não regra. A relação entre Estado e sociedade também aqui retrocedeu. Enquanto o país viveu nos últimos 10 anos um processo de formalização, os três Rios navegaram a primeira parte desse percurso na contramão. Entre 1997 e 2003 todos os indicadores de formalização dos pequenos negócios que caracterizam o tecido produtivo local caíram à metade, idem para formalização previdenciária dos trabalhadores em geral. Nesse período a conhecida malandragem local, o verdadeiro esporte local, tem como capital a renovada Lapa e como personagem símbolo mais o Mané do que propriamente o Zé Carioca. O sucesso de público e de crítica da série do jornal “O Globo” intitulada “Ilegal, e daí?” ilustra o clamor carioca contra o caos, ouvido pelos atuais governador e prefeito, e traduzido em ação nas favelas, nas ruas, campos, construções sob o codinome de choque de ordem. O termo choque de gestão foi tomado emprestado do sucesso de Minas Gerais e do Espírito Santo, digo sucesso não só pela marca administrativa mas pelo bom desempenho dos indicadores sociais, econômicos e eleitorais, alçando respectivos governadores reeleitos aos 80% de votos locais. Isso demonstra como uma gestão voltada a metas e resultados tangíveis pode pelas vias de seus diversos afluentes desaguar em um mar de sucessos.

Os três Rios lançaram seus respectivos choques de ordem, passaram ao choque de gestão mas estamos talvez ainda em meio aos meios e não nos fins; nas condições necessárias e não nas suficientes. Aí entra o sucesso da candidatura olímpica carioca que representa uma ponte do “Ilegal, e aí?” ao “Legal, e aí!”, de fazermos a travessia entre as margens, superando os percalços existentes entre os choques de ordem e de gestão, de um lado, e o choque de progresso, de outro. Podemos agora, quem sabe, aproveitar o aniversário de meio século de Brasília em 2010 para superar de uma vez por todas o saudosismo de quem foi Capital da República e Corte do Império mas ainda não desacostumou da fantasia.

Nossos Amir Klink e Torben Grael são exemplos vivos da capacidade dos habitantes dos três Rios de navegar em direção a novas metas traçadas. A escolha em 2007 do Cristo Redentor, essa milenar obra de 75 anos como uma das sete novas maravilhas da humanidade, reflete essa capacidade. Eu estava então em Machu Picchu e vi a surpresa dos peruanos com o veredito, afinal não se tratava de competição acerca de nossos inegáveis dotes naturais mas de obras humanas. Mal sabem nuestros hermanos que a grande obra humana em questão é a coesão da corrente carioca em consonância com a do resto do Brasil, em direção aos objetivos apresentados. A cada carnaval mostramos a nossa renovada capacidade de atingir desafios.

Agora como muitos podem se enganar por muito tempo, e serem iludidos por falas fáceis sobre um improvável futuro, o Centro de Políticas Sociais – CPS/FGV lança pesquisa para monitorar indicadores sociais das 27 capitais brasileiras. A nossa inovação metodológica está em abrir os microdados dos municípios das capitais da PNAD, para comparar prefeitos e suas obras. Começamos aproveitando a coincidência entre ciclos olímpicos e mandatos de prefeitos, comparando a performance de diferentes prefeitos das olimpíadas de Atlanta 1996 a Pequim 2008. Por exemplo, quem foi melhor em levantamento de pessoas da pobreza Cesar Maia II (entre Sidney 2000 e Atenas 2004) ou Cesar Maia III? Onde o salto da nova classe média citado por Lula da Silva em Copenhague foi maior? Na pequena Campo Grande ou na Grande São Paulo? O que mudou nessas cidades? Mudou por que? Queda do desemprego, aumento de salário ou nenhuma das alternativas acima? Obviamente, há que se considerar as diferenças de contexto, olhar para as diferenças de velocidades relativas entre localidades, como uma saudável corrida por melhores indicadores em diferentes períodos de tempo. Para além da PNAD 2008, trazemos dados dos últimos doze meses quando além da crise econômica em curso, houve a passagem de bastão entre alcaides. Mais do que rota fixa, o site www.fgv.br/cps/2016 é um instrumento de navegação, permitindo comparar a performance das capitais, aí incluindo as das 12 sedes da Copa de 2014.

A conquista da sede da Olimpíada de 2016 é apenas a largada de uma corrida de obstáculos por resultados palpáveis que está apenas começando, e como qualquer competição deve ser acompanhada pelo público. A Olimpíada, além de servir ao interesse global, deve produzir legado local. Do povo, pelo povo, para o povo brasileiro em geral e dos três Rios, em particular.

Marcelo Côrtes Neri, chefe do Centro de Políticas Sociais do IBRE/FGV e professor da EPGE/FGV, é autor de “Retratos da Deficiência”, “Cobertura Previdenciária: Diagnóstico e Propostas” e “Ensaios sociais”. E-mail: mcneri@fgv.br

06/10/2009 - 12:56h Coluna Panorama Político do jornal O Globo

Leia a integra da coluna de Ilimar Franco com Fernanda Krakovics, no jornal O Globo


Yeda_pesquisa

06/10/2009 - 09:25h Impeachment de governadora tucana de Rio Grande do Sul é apoiado por 62%

http://www.estado.rs.gov.br/arquivos/galeria_fotos/img414X276_20090210140554jef_4874a.jpg

Mesmo tendo assinado documento de apoio a Yeda, o candidato José Serra quer distancia


No RS, 74% desaprovam Yeda e 62% querem saída

Segundo Ibope, 43% dos gaúchos consideram seu governo péssimo

Elder Ogliari, PORTO ALEGRE – O Estado SP

Uma pesquisa feita pelo Ibope para o Grupo RBS mostra que a maioria dos gaúchos desaprova o desempenho da governadora Yeda Crusius (PSDB) e é favorável ao seu afastamento do cargo no momento em que ela enfrenta a maior crise política de sua conturbada gestão.

O resultado foi divulgado ontem pelo jornal Zero Hora. Os números indicam que 43% da população avalia o governo estadual como péssimo, 21% como ruim, 24% como regular, 9% como bom e 2% como ótimo.

Entre os entrevistados, 74% desaprovam o desempenho da governadora e 19% aprovam. Uma maioria de 84% diz ter conhecimento do processo de impeachment que tramita na Assembleia Legislativa. O índice de consultados favoráveis ao afastamento da Yeda é de 62%, enquanto o dos contrários é de 22% e o de indiferentes, de 8%.

Para 29%, as denúncias de envolvimento da governadora com a fraude do Detran gaúcho são verdadeiras, enquanto para 39% são mais verdadeiras do que falsas, para 12% são mais falsas que verdadeiras e para 3% são falsas.

Outra parte da mesma pesquisa foi divulgada no domingo, indicando a atual intenção de voto dos gaúchos um ano antes da eleição. O candidato do PT, Tarso Genro, lidera todas as projeções estimuladas para o primeiro turno, com índices de 37% a 40% e é seguido por José Fogaça (PMDB), com 28% em dois cenários, ou Germano Rigotto (PMDB), com 26% e 27%.

Yeda aparece em quarto lugar em dois cenários, com 5% e 4%. Em quatro das projeções para o segundo turno, a governadora fica com índices de 8% a 11%, contra adversários como Rigotto, com 48%, Beto Albuquerque (PSB), com 54%, Fogaça, com 61%, e Tarso, com 65%.

A pesquisa ouviu 812 pessoas de 52 municípios do Estado entre os dias 25 e 29 de setembro. A margem de erro é de 3 pontos porcentuais para mais ou para menos.

PROBLEMAS

No início de agosto a governadora se viu na condição de ré, com outras oito pessoas, de uma ação de improbidade administrativa na Justiça Federal. Enfrenta uma Comissão Parlamentar de Inquérito que tenta encontrar vínculos de agentes públicos com a fraude que desviou R$ 44 milhões do Detran entre 2003 e 2007. Além disso, espera que uma comissão especial de deputados negue a admissibilidade de um processo de impeachment proposto pelo Fórum de Servidores Públicos Estaduais (FSPE). Yeda nega participação em qualquer irregularidade.

Um de seus principais aliados, o deputado federal Cláudio Diaz (PSDB), admitiu que o partido avalia com preocupação os índices apurados pelo Ibope. Mas acredita que o quadro vai mudar porque a Assembleia deve rejeitar a tramitação do processo de impeachment, ainda nesta semana. Para ele, tanto a CPI como a Justiça não encontraram provas contra a governadora. Diaz afirmou que a crise política e o mau momento de Yeda nas pesquisas são resultado do esforço “denuncista e antidemocrático” que a oposição faz para “desacreditar um governo de realizações”.

O deputado Henrique Fontana (PT) refuta as acusações de Diaz. “É quase inacreditável que o PSDB pense que o Ministério Público Federal, a Polícia Federal e a Justiça Federal estejam envolvidos num complô contra o partido.”

http://www.drrosinha.com.br/mostrafoto.php?w=590&foto=n227-1.jpg

Aécio, Alckmin, Yeda e Serra. Agora todos querem abandonar a governadora a sua própria sorte


RIO G. DO SUL

Impeachment de governadora é apoiado por 62%

DA AGÊNCIA FOLHA, EM PORTO ALEGRE

Pesquisa do Ibope divulgada ontem revela que 62% dos eleitores do Rio Grande do Sul são favoráveis ao impeachment da governadora Yeda Crusius (PSDB) por causa das acusações de corrupção.
A permanência dela é defendida por 22%. A pesquisa, publicada ontem no jornal “Zero Hora”, ouviu 812 pessoas de 25 a 29 de setembro. A margem de erro é de três pontos.
Yeda é acusada pelo Ministério Público de ter recebido propina de operadores da fraude que desviou R$ 44 milhões do Detran-RS de 2003 a 2007.
As acusações geraram CPI e processo de impeachment na Assembleia, além de ação de improbidade na Justiça Federal. Yeda nega as denúncias. Ontem, no “Roda Viva”, ela disse que os números apontam que “a população quer a investigação [das denúncias] como eu quero”. Ela atribuiu a má avaliação do governo ao “mercado de escândalo que tem no RS”.

Colaborou a Reportagem Local

01/10/2009 - 16:09h 59% consideram a internet de grande importância nas eleições, diz pesquisa

da Agência Senado – FOLHA ONLINE

A televisão e a internet são os meios de comunicação mais usados pela população para obter informações sobre política, segundo pesquisa do DataSenado.

De acordo com o levantamento, dois em cada três (59%) entrevistados consideram que a web terá grande impacto nas eleições de 2010, sendo que entre os cidadãos que usam regularmente sites de notícias e participam de redes sociais (Orkut e Twitter, por exemplo), esse percentual sobe para 64%.

A pesquisa avaliou ainda a importância dos meios de comunicação no esforço do cidadão para informar-se sobre questões políticas. A TV foi o veículo mais usado (67%), seguida pela internet, com 19%.

Jornais e revistas surgiram em terceiro, com 11%. O rádio é preferido por apenas 4% dos entrevistados.

Quase metade dos eleitores ouvidos (46%) acredita que a principal vantagem da internet nas eleições será a troca de informações e ideias entre os eleitores. A possibilidade de facilitar a comunicação entre candidatos e eleitores aparece em segundo lugar, com 28%, o mesmo percentual dos que responderam “divulgar as propostas dos candidatos”.

Os entrevistados que disseram usar a internet diariamente somaram 58%; 78% acessam sites de notícias e 53% participam de alguma rede social, como Orkut ou Twitter.

A pesquisa ouviu, por telefone, 1.088 eleitores no país.

30/09/2009 - 17:27h Expectativa da indústria para a produção é a melhor em 18 anos, diz FGV

http://fiepb.com.br/images/noticias/3108/image/prodindust.jpg

TATIANA RESENDE da Folha Online

O índice de expectativa para a produção da indústria atingiu neste mês o maior nível (139,2) desde abril de 1991, segundo pesquisa da FGV (Fundação Getulio Vargas) divulgada nesta quarta-feira.

O indicador considera a projeção para o trimestre (setembro, outubro e novembro), no comparativo com os três meses imediatamente anteriores, e é a combinação entre as respostas dos empresários otimistas e dos pessimistas. Nesse confronto, 49,9% esperam ampliar a produção, patamar semelhante ao de agosto de 2008 (50,0%). Já os que preveem diminuição totalizam 10,7% –menor nível desde novembro de 2007 (5,7%).

Para Aloísio Campelo, coordenador do Núcleo de Pesquisas e Análises Econômicas da FGV, esse indicador é “o mais operacional” entre os que compõem o Índice de Confiança da Indústria, que atingiu neste mês o maior nível desde setembro de 2008. O dado (109,5), que apresentou a nona alta consecutiva neste mês, está acima da média histórica e só 4,7% abaixo do patamar pré-crise. “Houve uma diminuição das incertezas.”

O setor de material de transporte, que engloba montadoras e autopeças, é o que tem a melhor expectativa sobre a produção, seguido de metalurgia, materiais plásticos e celulose, papel e papelão. A cadeia da indústria automotiva também lidera o otimismo na análise do índice de confiança geral e já está em um patamar mais elevado até do que a média histórica, considerando o período desde o Plano Real.

A partir de amanhã, o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) reduzido em dezembro do ano passado para automóveis, com o objetivo de impulsionar as vendas, volta a subir gradativamente, até chegar à alíquota original em janeiro.

Emprego

A expectativa para o emprego no mesmo período é menos otimista do que para a produção. Isso mostra, na avaliação de Campelo, que a indústria vai em busca de aumento de produtividade e ampliação no número de horas extras antes de acelerar as contratações. De acordo com a pesquisa, 26,5% dos empresários projetam um incremento no quadro de funcionários e 14,4%, retração, resultando em um índice (112,1) que só é inferior ao de setembro de 2008 (115,1).

Na perspectiva da situação dos negócios para os próximos seis meses, o índice também é o melhor desde o agravamento da crise. “O mercado externo deve passar a ter mais relevância”, afirmou.

O nível de demanda global teve uma leve queda (-1,9%) entre agosto e setembro por causa do mercado interno (-0,7%), que já estava em um patamar alto. Já o nível de demanda externa cresceu 2,9%, mas ainda está abaixo da média histórica.

Na avaliação de estoques, 5,0% dos empresários o consideram insuficiente, e 4,5%, excessivo.”Esse indicador retrata o equilíbrio. Os estoques estão ajustados”, comentou Campelo. Corroborando o momento favorável, a utilização da capacidade instalada na indústria chegou a 81,9% em setembro, superior a agosto (81,3%) e bem próxima da média histórica (82,2%).

25/09/2009 - 10:15h Sem discurso e sem programa, TV é aposta tucana para subir nas pesquisas

A persistente queda de Serra nas sucessivas pesquisas de opinião deixou o PSDB nervoso. Contrariamente a avaliação vendida no final da nota do Estadão, as pesquisas que seguem a aparição do candidato na TV sempre mostram um crescimento que não necessariamente se mantém posteriormente. Depois de ter usado como “programa de aluguel” o espaço na TV do PPS, os tucanos vão investir em propaganda negativa contra Dilma e promoção de Serra com suas “realizações” em São Paulo. Não veremos nem o metrô real, nem a cidade “limpa” real, ou seja dará para subir uns pontinhos seguramente. LF


http://www.bemparana.com.br/politicaemdebate/wp-content/uploads/2009/07/jose-serra.jpg

TV é aposta tucana para subir nas pesquisas

Serra será a principal estrela do programa estadual do PSDB em outubro

Julia Duailibi e Silvia Amorim – O Estado SP

Os tucanos usarão o programa partidário na TV como cartada estratégica para frear o crescimento dos rivais e a consolidação da tendência de segundo turno, evidenciada na pesquisa do Ibope divulgada nesta semana. O PSDB fará de seu principal nome na disputa de 2010, o governador José Serra, a estrela do programa estadual que irá ao ar em outubro. E ontem decidiu que usará as inserções nacionais, em novembro, para desmontar a imagem de boa administradora da ministra Dilma Rousseff, pré-candidata do PT.

A avaliação é de que o bom desempenho de Marina Silva (PV) e Ciro Gomes (PSB) na pesquisa está relacionado à exposição nos programas partidários em rádio e TV nas últimas semanas. Os tucanos apostam que, assim que as inserções estaduais forem ao ar, Serra voltará a subir nas pesquisas. Usam como exemplo o caso de 2004, quando, na disputa à prefeitura paulistana, chegou a subir 10 pontos após estrelar o programa do partido.

Ontem houve reunião com a cúpula do PSDB para definir como será o programa nacional do partido. Aliados de Serra defendiam a tese de que o espaço deveria ser usado para tecer críticas ao governo federal, com o argumento de que a oposição à gestão Lula nos últimos anos tem sido fraca. A ala ligada ao governador de Minas, Aécio Neves, que também pôs seu nome na disputa presidencial, preferia que parte do programa fosse usada para divulgar os próprios pré-candidatos, já que ele não é tão conhecido nacionalmente como Serra.

Na reunião, resolveu-se que a maior parte das inserções deverá ter forte tom oposicionista e vai bater em áreas do governo sob a coordenação de Dilma. Os pré-candidatos, no entanto, só deverão aparecer no programa de 10 minutos, em dezembro.

Ontem Serra criticou o uso dos programas partidários para propaganda eleitoral. “Não estou entrando em horário partidário fazendo campanha e não vou fazer isso”, afirmou. À noite, no entanto, o governador foi uma das estrelas do programa de TV do PPS. Aliado dos tucanos, o PPS também promoveu a imagem de Aécio e, quase num formato de horário eleitoral gratuito, atacou o governo Lula, vinculando-o ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

Serra conversou nesta semana com os principais estrategistas ligados ao partido para traçar um diagnóstico da pesquisa divulgada nesta semana. No cenário em que é possível fazer a comparação com a pesquisa anterior, o tucano caiu 4 pontos. A avaliação é de que só após o programa na TV será possível traçar o real “grid de largada”.

O resultado da pesquisa serviu para reforçar o discurso de ala do PSDB que defende maior atividade de pré-campanha. Amanhã, Serra e Aécio devem aparecer juntos em Natal.

24/09/2009 - 15:25h Mônica Bergamo: Serra convoca especialistas para entender sua queda em pesquisa

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da Folha Online

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), convocou às pressas especialistas em pesquisa, do próprio Ibope, para entender sua queda na sondagem divulgada anteontem pelo instituto, em parceria com a CNI (Confederação Nacional da Indústria), informa a coluna de Mônica Bergamo, publicada nesta quinta-feira pela Folha (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal).

Segundo a coluna, o tucano foi surpreendido pelos números. A comparação entre a pesquisa de agora e os números divulgados pela mesma CNI em junho mostra que Serra caiu de 38% para 34%.

A coluna informa que os técnicos e o governador, no entanto, trabalham com um número maior, já que comparam os dados com o de outra sondagem do Ibope, mais recente, feita entre 29 de agosto e 1º de setembro por encomenda do PMDB.

Nela, Serra aparecia com 41%, Dilma Rousseff (PT) com 13%, Ciro Gomes (PSB) com 14%, Heloísa Helena (PSOL) com 9% e Marina Silva (PV) com 3%. Em relação aos números divulgados ontem, portanto, Serra caiu sete pontos, Dilma, Ciro e Heloísa Helena se mantiveram no mesmo patamar e Marina Silva dobrou de tamanho, para 6%.

Leia a coluna completa na Folha desta quinta-feira, que já está nas bancas.

23/09/2009 - 08:58h MAIOR PARTE DOS BRASILEIROS ESTÁ OTIMISTA

ECONOMIA:

Pesquisa CNI/Ibope divulgada ontem aponta melhora da expectativa da população em relação à economia: 85% acreditam que o restante do ano será “muito bom” ou “bom”. Apenas 45% acham que a inflação pode aumentar (contra 51% há três meses). O percentual da população que acredita que o desemprego vá subir também caiu: de 53% em junho para 30%. A margem de erro é de 2 pontos percentuais. Fonte Folha SP

22/09/2009 - 08:55h Programas sociais do governo Lula tiram 19 milhões da pobreza

Em 5 anos, 19 milhões saem da pobreza

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Agência Brasil, do Rio – VALOR


Cerca de 31 milhões de brasileiros subiram de classe social entre os anos de 2003 e 2008. Entre eles, 19,4 milhões deixaram a classe E, que traça a linha da pobreza no país, tendo a renda domiciliar inferior a R$ 768,00, e outros 1,5 milhão saíram da classe D (de R$ 768,00 a 1.114,00). Com isso, houve uma queda acumulada de 43% no grupo dos mais pobres nesse período.

Ao mesmo tempo, a classe AB, que representa o grupo com renda domiciliar mais elevada (superior a R$ 4.807,00), ganhou 6 milhões de pessoas. A classe C (renda familiar entre R$ 1.115,00 e 4.807,00), que reúne a maioria da população, recebeu 25,9 milhões de brasileiros nos últimos cinco anos.

A constatação faz parte de um estudo divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), com base nos dados de 2008 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), apresentada na semana passada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com o economista da FGV Marcelo Néri, responsável pelo estudo, esse movimento foi puxado principalmente pelas políticas de transferência de renda do governo federal, como o Bolsa Família, que traz como impacto direto a melhoria na renda do brasileiro pertencente à camada mais baixa. Ele acredita que as transferências de renda no momento atual de crise podem contribuir para a retomada da economia.

“Se eu reajusto o Bolsa Família, a grande beneficiária é a classe E. Se eu aumento o salário mínimo, quem mais ganha é a classe D. Já se faço reajuste das aposentadorias acima do salário mínimo quem ganha mais é a classe AB”, diz Néri. “Por isso defendo mais reajustes transitórios ao Bolsa Família do que reajustes permanentes ao mínimo e ganhos de pensões acima do mínimo, que não beneficiam nem a classe média brasileira.”

19/09/2009 - 12:16h IBGE: Brasil no auge do ciclo de avanços sociais

IBGE aponta queda na desigualdade e no desemprego e aumento da renda, embora ainda abaixo do nível de 1998

 

Fernando Dantas e Wilson Tosta, RIO – O Estado SP

 


Último retrato do Brasil antes do aprofundamento da crise mundial, em setembro do ano passado, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2008 mostra o País no auge de uma fase de avanços de quase cinco anos. Houve recorde na criação de empregos formais e continuidade na redução da desigualdade, no aumento da escolarização de jovens e na redução do trabalho infantil.Veja também:

linkAnalfabetismo permanece inalterado no País em 2008

linkTrabalho infantil recua, mas 4,5 mi de crianças ainda trabalham

linkAcesso à web aumenta, mas desigualdade regional permanece

linkNúmero de contribuintes da Previdência cresce 5,9% em 2008

linkRenda em Brasília é mais que o dobro da nacional, aponta IBGE

especialVeja a variação nos indicadores econômicos e sociais
Mas a amostra também revela problemas. Caiu o ritmo de redução da desigualdade de renda do trabalho. Houve pouco avanço na redução do analfabetismo – a taxa até subiu na Região Sudeste. Em alguns Estados, houve queda na proporção de crianças matriculadas na escola. E, embora a renda tenha crescido mais uma vez, como ocorre desde 2005, o trabalhador ainda ganha, em média, menos do que em 1998.

A sondagem, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), também informa que, pela primeira vez, a soma de pardos e pretos já representa a maioria absoluta da população (50,6%), mas caiu tanto a parcela de brasileiros que se assumem como negros quanto a de brancos.

“A desigualdade continua caindo. A velocidade, como já se esperava, não manteve o ritmo em que se encontrava, mas o nível médio de renda de todos os grupos da população cresceu”, afirmou o presidente do IBGE, Eduardo Pereira Nunes.

DESEMPREGO

Na Pnad 2008, a taxa de desemprego de 7,1% registra a maior baixa desde 2001 (na realidade, desde 1996, mas aí é preciso usar a taxa sem a zona rural da Região Norte, que em 2008 foi de 7,2%). Além disso, o aumento do número de carteiras assinadas foi de 2,1 milhões, ou 7,1%, e há um grande aumento tanto da população economicamente ativa quanto da população ocupada – neste último caso, de 2,5 milhões, ou 2,8%.

A renda média, por sua vez, prossegue no processo de expansão iniciado em 2004, e a desigualdade cai pelo sexto ano consecutivo (e até pelo décimo, no caso da renda domiciliar), mas ainda não foi o suficiente para fazer o trabalhador brasileiro retornar ao nível alcançado em 1998. Na renda do trabalho, há uma desaceleração no ritmo de crescimento e de queda da desigualdade, na comparação com 2007 e outros anos precedentes.

O pesquisador Ricardo Paes de Barros, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), ficou animado com os resultados. “A primeira impressão é boa: a desigualdade cai, a renda sobe, o desemprego cai, a participação no mercado de trabalho sobe; parece ser tudo o que todo mundo pediu a Deus, uma melhora generalizada na qual os pobres ganharam ainda mais que os outros”, diz, ressaltando que ainda não analisou os dados de forma aprofundada.

Ex-presidente do IBGE, o economista Sérgio Besserman constata que a Pnad 2008 reflete “o pico de um ciclo que acabou com a crise”. E pondera que o avanço econômico, puro e simples, não garante melhorias na desigualdade. “Falta uma política estruturante de distribuição do conhecimento”, comenta.

Segundo os cálculos de Marcelo Neri, diretor do Centro de Políticas Sociais (CPS) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a pobreza caiu 12,07% em 2008, para um nível de 16,02% da população. A queda foi um pouco acima da redução média anual desde 2003, de 10,6%. Em 2003, a pobreza atingia 28,05% da população, de acordo com os critérios do CPS.

EDUCAÇÃO

Na educação, a Pnad mostra o aumento de 97% para 97,5% na proporção de crianças e adolescentes de 6 a 14 anos frequentando a escola, dado que se conjuga com a queda no trabalho infantil – de 2007 para 2008, quase 400 mil jovens de 5 a 17 anos deixaram de trabalhar. Nos dois casos, porém, os índices se mostraram com distorções e desigualdades.

Em seis Estados – Roraima, Santa Catarina, Pernambuco, Alagoas, Goiás e Rio Grande do Norte -, houve redução na proporção de jovens matriculados na escola. E o trabalho dos mais jovens, com idades de 5 a 9 anos, passou de 1% para 0,9% de um ano para o outro. “Não caiu nada”, criticou a professora Rosana Morgado, da Escola de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A pesquisa também revela a continuidade do processo de envelhecimento da população brasileira, acelerado pela contínua queda da taxa de fecundidade, que saiu de 1,95 filhos por mulher em 2007 para 1,89 em 2008. A Pnad foi a campo em setembro do ano passado, mês do colapso do Lehman Brothers, que deflagrou o pior da crise mundial. Mas os 2,5 mil pesquisadores, que ouviram 391 mil pessoas em 150 mil domicílios, não captaram os efeitos da crise, que só começaram a ser sentidos na economia real em meados do último trimestre do ano passado.

11/09/2009 - 14:04h 75 % da população considera que cresceu a apuração dos escândalos no governo Lula e não a corrupção

Pesquisa: Para professores da UFMG, tema da corrupção não deverá ser fator determinante na hora do voto

http://4.bp.blogspot.com/_wgeILsYcbhI/SEU4L6TV7aI/AAAAAAAAAbw/LDNRwVN-mvo/s400/Descalabro+tucano,+SP+%E2%80%93+Corrup%C3%A7%C3%A3o+do+PSDB-SP.+PIG+silencia+sobre+esc%C3%A2ndalo+Alstom.+E+SE+FOSSE+ALGU%C3%89M+DO+PT+OU+DE+OUTRO+PARTIDO+DE+ESQUERDA+ENVOLVIDO....jpg

Denúncias saturam opinião pública

César Felício, de Belo Horizonte – VALOR

Em um ano em que a profusão de casos de corrupção no noticiário manteve-se em alta, a opinião pública brasileira mostra sinais de exaustão com o tema, segundo pesquisa com 2,4 mil entrevistados feita em julho pelo instituto Vox Populi, sob a coordenação dos professores Leonardo Avritzer e Fernando Filgueiras, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), onde são responsáveis pelo Centro de Referência do Interesse Público.

Reduziu-se de 54% para 39% os pesquisados que consideram que a corrupção “aumentou muito” nos últimos cinco anos e de 77% para 73% o de pesquisados que classificam o tema como “muito grave”, em relação ao levantamento feito em maio do ano passado. Na faixa com renda acima de 10 salários mínimos, a redução da classificação “muito grave” foi de 90% para 84%. Na que recebe até um salário mínimo, houve uma queda nesta faixa de 69% para 64%.

“A corrupção sempre é percebida como um problema da esfera pública, e não privada. E neste sentido, há uma percepção de maior atuação das instituições de controle, como Polícia Federal, controladorias e tribunais de contas. A sucessão de escândalos começa a ser vista como esperada”, disse Filgueiras.

E mesmo a atuação das instituições de controle começa a ser vista com desconfiança: na pesquisa do ano passado, 86% dos entrevistados avaliaram a atuação da Polícia Federal como positiva e 55% afirmaram que a instituição não ultrapassava limites legais para fazer suas investigações. Desta vez, ainda que o percentual de avaliação positiva da PF tenha praticamente se repetido, a maioria absoluta dos pesquisados afirmou que a instituição, às vezes, pode transgredir as leis ao apurar eventuais delitos.

Ao longo do ano passado, a PF atravessou uma crise decorrente da Operação Satiagraha, comandada inicialmente pelo delegado Protógenes Queiroz, que resultou na prisão do banqueiro Daniel Dantas, entre outras personalidades. Dantas foi beneficiado por dois habeas corpus concedidos pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, Protógenes afastou-se das investigações com seus métodos de atuação sob suspeita e ingressou na vida partidária.

A mesma situação acontece com o Legislativo. Em 2008, 48% dos pesquisados afirmaram que deputados e senadores poderiam pisar no arcabouço legal ao investigar os integrantes do Executivo. Agora, a maior parte dos pesquisados disse acreditar nesta possibilidade.

A pesquisa da Vox Populi-UFMG não chegou a medir o grau de conhecimento dos pesquisados sobre a onda de denúncias contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que, ao lado dos questionamentos sobre a atuação da Petrobras, dividiu o noticiário de escândalos neste ano. Mas foram detectados indícios de que a imagem do Legislativo conseguiu se tornar ainda pior do que já estava.

Em 2008, instados a atribuírem notas de zero a dez em instituições e grupos, sendo a nota máxima o maior grau de corrupção e a nota mínima o menor, os pesquisados consideraram as Câmaras de Vereadores como o órgão mais corrupto, com nota 8,36. A Câmara dos Deputados vinha em segundo, com 8,34; as prefeituras em terceiro, com 8,07; e o Senado em quarto, com 8,02. Agora os deputados pularam para o primeiro lugar, com 8,54, e os senadores os escoltam em segundo, com 8,43.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva permanece, assim como na pesquisa de 2008, relativamente blindado da associação com escândalos. A Presidência da República caiu do 7º para o 12º posto entre as instituições com maior nota de corrupção. E permaneceu igual o percentual dos pesquisados que acredita que o que cresceu no governo Lula não foram os casos de corrupção, mas a apuração dos escândalos: 75% das entrevistas. Apesar disso, ao contrário do que ocorreu em 2009, o número de entrevistados que acredita que os escândalos do momento guardam alguma relação com o governo federal é ligeiramente maior do que os que não veem relação.

Tanto para Avritzer como para Filgueiras, os resultados da pesquisa deste ano são um indicativo de que o tema da corrupção, ainda que atraia a atenção da mídia e seja considerado grave ou muito grave pela grande massa da população, continuará não sendo um fator para a determinação do voto.

“No Brasil o corte partidário entre denunciantes e denunciados impede que esta questão seja determinante em termos eleitorais. A denúncia à corrupção usualmente é vista como uma ferramenta de setores conservadores para um ataque ao Estado, e não como uma proposta de reforma”, afirmou Avritzer, para quem a eleição de Fernando Collor, em 1989, foi o último momento em que o combate à corrupção foi o elemento central de uma campanha bem sucedida. “E a evidente contradição entre a plataforma de Collor e o que representaram seus governos fizeram com que o discurso moralista perdesse audiência na cena eleitoral”, afirmou. Collor foi o primeiro chefe de Estado no mundo a ter um processo de impeachment aprovado pelo Legislativo, em 1992.

Avritzer e Filgueiras chamam atenção para o fato de mais de 50% dos pesquisados afirmarem concordar inteiramente com a necessidade de leis mais duras contra a corrupção, um dado já presente na pesquisa do ano passado. “A sensação de impunidade leva à defesa de leis cada vez mais severas, em um círculo virtuoso. Este, ao contrário do que se poderia imaginar, não é um processo por si positivo. Termina por engessar o poder público e a sociedade em um conjunto de normas cerceadoras”, afirmou o cientista político.

Avritzer citou que a própria pesquisa realizada pela Vox Populi só se tornou possível graças ao apoio financeiro da Fundação Konrad Adenauer, vinculada ao CDU, o partido de centro-direita alemão. “Se fosse seguir o trâmite de uma instituição pública, uma pesquisa como essa não teria viabilidade, dado o grau de controle existente “, comentou Avritzer. O professor vê de maneira auspiciosa as propostas que endureçam o processo e a execução penal. “O conceito de presunção de inocência deveria ser relativizado para os que concorrem a cargo eletivo, caso exista condenação judicial em primeira instância”, sugeriu.