27/08/2008 - 13:04h O mantra

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“A petista é, entre todos os candidatos à prefeitura, a que tem a maior taxa de rejeição.”

Hoje no Blog de Josias (jornalista Folha de São Paulo)

Pesquisa Datafolha 

Rejeição e intenção de voto

 rejeição  intenção de voto
 Maluf 61% 09%
 Kassab 32% 14%
 Marta 31% 41%
 Alckmin 18% 24%

27/08/2008 - 11:12h Por partes

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Fugindo de meu estilo, decidi dar uma de Jack ou de Frankestein e comentar por partes o artigo do jornal Valor “Marta aposta em 2º turno com Alckmin” de César Felício e Cristiane Agostine. Em itálico meus comentários. LF

“Nas campanhas dos candidatos à Prefeitura de São Paulo Marta Suplicy (PT), Geraldo Alckmin (PSDB) e Gilberto Kassab (DEM) há um consenso: o candidato tucano, que saiu do empate técnico com a líder Marta Suplicy nas pesquisas de opinião para cair em um nível próximo de Kassab, o terceiro colocado, já chegou ao seu piso nas sondagens de intenção de voto.”

Não, o candidato tucano não caiu “em um nivel próximo de Kassab”. É não existe até certo ponto “piso”, nem teto, para ninguém.

“As pesquisas de consumo interno dos comitês de campanha, feitas diariamente pelo modelo conhecido como “tracking”, mostram o candidato tucano estável há alguns dias em um nível inferior ao mostrado nas pesquisas divulgadas na semana passada, mas ainda bem à frente do candidato do DEM, que segue em crescimento muito pequeno. A avaliação de petistas, tucanos e integrantes do DEM é que o quadro indica a realização de 2º turno, tendo a petista presença garantida na segunda rodada. A vitória da Marta Suplicy (PT) no primeiro turno é vista como remota no PT e no DEM e impossível no PSDB alckmista.”

Não conheço a informação, porém se Alckmin está estável “bem à frente do candidato do DEM”, então não estava “em um nivel próximo de Kassab”.

“Segundo o coordenador da campanha de Alckmin, o deputado Edson Aparecido (PSDB-SP), e integrantes da campanha de Kassab, o candidato tucano perdeu fôlego em razão da falta de volume de campanha. Nas últimas semanas, apoiadores de Marta e de Kassab fizeram visitas domiciliares na periferia, técnica considerada eficiente para captar votos. “A campanha na televisão não foi determinante para o movimento nas pesquisas. A imensa maioria das pessoas que entrevistamos não assistiram nem ao primeiro, nem ao segundo programa”, disse o tucano.”

Pode ser. A mensagem entregue pela TV, ou pelo visitador, têm impacto sim mas não faz milagre. A forma é muito importante, mas o conteúdo é essencial.

“Na avaliação de integrantes do DEM, os votos de Alckmin nas últimas semanas migraram majoritariamente para os indecisos. “Um grande contingente dos eleitores de Alckmin optavam pelo tucano por serem fundamentalmente anti-petistas. Como Kassab também disputa o anti-petismo, determinada parte dos eleitores decidiu aguardar para observar qual dos dois derrotará Marta mais facilmente”, opinou um estrategista de Kassab.”

Opinião, de todos deve ser respeitada. Nas “últimas semanas” Marta cresceu 5 pontos na pesquisa, Alckmin caiu 8 e Kassab subiu 3, Maluf 1. Como os indecisos, brancos e nulos não aumentaram na pesquisa Datafolha e sim diminuíram…

“Segundo tucanos e integrantes do DEM, a rejeição individual a Marta é a segunda maior entre todos os candidatos, excetuando Paulo Maluf (PP). E a eleição em São Paulo é excepcionalmente pulverizada, com quatro candidatos acima de dois dígitos nas pesquisas. Estes dois fatores afastam a hipótese de vitória de Marta no primeiro turno.”

Curioso os jornalistas nada comentarem e a inverdade ser propalada como “opinião”. Na última pesquisa Datafolha a maior rejeição é a do Maluf. Depois a do Kassab e só em terceira aparece Marta. Os jornalista o reconhecem? Então porque não nos informar as cifras exatas e procuram saber se a rejeição preocupa Kassab, qual seria o motivo de tamanha rejeição? arrogância? “vagabundo”? pfl? o fato de ser contra Alckmin?

“O próprio PT trabalha com dois turnos. E aposta que a segunda rodada aconteceria contra o PSDB. Para os petistas, a possibilidade de Marta vencer no primeiro turno só aconteceria se a candidata atingisse mais de 47%, o que consideram improvável. Marta já fala abertamente que está investindo em estratégias para o segundo turno. A principal delas é tirar mais vantagem da divisão do PSDB com o DEM. Se houver segundo turno, o PT tentará atrair o apoio de Kassab, que reúne os tucanos rebelados contra Alckmin,”

“Ontem, a petista deu uma demonstração da relação cordial que procura manter com a campanha de Kassab. Ela elogiou o secretário dos Esportes de Kassab, Walter Feldmann, tucano histórico e um dos principais críticos a Alckmin. Após um debate presidido pelo ex-governador Cláudio Lembo, apoiador de Kassab, na Federação do Comércio do Estado de São Paulo, Marta recebeu elogios de Lembo, que disse ter gostado do tom da candidata. Lembo comentou a falta de verbas na campanha tucana: “Parece que a fadiga dos metais atingiu mais a figura do Alckmin, porque não tem sido genérico o pouco investimento em campanhas. Creio que Alckmin deveria refletir mais”, disse.”

“As pesquisas realizadas pela campanha de Marta trazem índices semelhantes ao do Datafolha, na qual a petista tem 41% das intenções de voto, seguida por Alckmin, com 24% e Kassab, 14%. Segundo o coordenador da campanha petista, Carlos Zarattini, os votos que Alckmin perdeu foram, em sua maioria, para Marta. “É falsa a idéia de que o eleitor que vota em Alckmin votaria também em Kassab”, comentou Zarattini.”

“Para o PT ainda não é preocupante a taxa de rejeição de Marta. “À medida em que aumentar a intenção de votos dela, diminuirá a rejeição”, disse Zarattini. A taxa de Marta é de 31%. Kassab tem o mesmo índice e Alckmin tem 18%, segundo o Datafolha. (Com agências noticiosas).”

E para o DEM, uma rejeição superior ao dobro das intenções de voto, não preocupa? Sumirá como por arte de magia? tem a ver com os ataque contra Marta e o PT? os analistas que pensam? é possivel um candidato com 14% de intenção de voto e 32% de rejeição, caso de Kassab, ganhar uma eleição? Ou para falar em Alckmin com rejeição baixa, sua intenção de voto está 6 pontos acima da sua rejeição, Marta está com a mesma relação entre voto e rejeição, a intenção de voto alguns pontos acima da rejeição. Que tal evitar os clichês e a propaganda? LF

27/08/2008 - 09:59h Contra argumentos não há fatos

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Luiz Weis - O Estado de São Paulo

Entra eleição, sai eleição - e duas lendas continuam inabaláveis. Uma é a de que o horário gratuito é uma enganação. Outra é a de que o eleitor não dá a mínima para os partidos. A persistência desses clichês, apesar do acúmulo de evidências em contrário, parece dar razão aos que acham que, sendo as mentalidades o que são, o ditado certo é o que põe de ponta-cabeça a forma original: contra argumentos não há fatos.

No caso da propaganda no rádio e na TV, os fatos conhecidos não batem com a visão preconcebida - ou preconceituosa - de que ela afeta perversamente o voto popular, ao mistificar um público tosco o bastante, em geral, para aceitar pelo valor de face as patranhas que os marqueteiros lhe infligem. Isso, segue o raciocínio, quando o eleitor lhes dá trela, em vez de fazer qualquer outra coisa naquele período, o que seria, afinal, a atitude da grande maioria.

Na realidade, parcela do eleitorado suficientemente ampla para fazer diferença, porque repassa as suas impressões aos desligados, conta com o horário político para balizar as suas decisões e não se deixa levar por pirotecnias de imagem - acostumada que está a identificá-las na programação normal. Além disso, as pesquisas para uso interno das campanhas indicam que a audiência quer menos blablablá e mais propostas terra-a-terra, um sinal eloqüente de amadurecimento.

Quando atendido, o espectador considera que o candidato se dirige a ele diretamente, presta atenção no que ouve e faz comparações - o que o induz a manter ou mudar a sua intenção de voto, se é que já tinha. O horário gratuito, pois, é uma fonte decisiva de informações. A sua influência, para ficar no aqui e agora, ficou nítida no primeiro levantamento do Datafolha depois do início da atual temporada, na última terça-feira. O maior exemplo foi a reviravolta dos números em Belo Horizonte.

Até então, para surpresa de muita gente, as prévias ali eram lideradas pela obscura candidata do PCdoB, Jô Moraes, com 20% dos apoios. Márcio Lacerda, do PSB, candidato do governador tucano Aécio Neves e do prefeito petista Fernando Pimentel, era pouco mais do que um zé-ninguém, com 6% das preferências. Na pesquisa feita na quinta e na sexta-feira passadas, Jô perdeu a dianteira para Lacerda, que avançou olímpicos 15 pontos, depois de ser exibido ao lado de seus populares patronos e de dizer a que vem.

O horário eleitoral também propeliu a candidatura do petista João da Costa, no Recife. Em São Paulo, mudou a relação de forças entre o ex-governador Geraldo Alckmin e o prefeito Gilberto Kassab, do DEM. A diferença entre eles caiu de 21 para 10 pontos (Marta passou para 41%, ou 17 pontos acima do tucano). O peso do horário gratuito - com os acertos da mensagem de Marta, a nova visibilidade de Kassab e a desorientação da propaganda de Alckmin - parece inegável.

As pesquisas também confirmam o outro fato que, para o senso comum, simplesmente não existe: a influência partidária nas escolhas eleitorais. Não é por acaso que a região paulistana onde o predomínio da ex-prefeita alcança seu maior nível - o extremo sul - seja um forte reduto petista. Já se tornou uma referência, a propósito, o estudo Partidos e distribuição espacial dos votos na cidade de São Paulo, dos cientistas políticos Argelina Figueiredo, Fernando Limongi, Maria Paula Ferreira e Paulo Henrique da Silva, do Cebrap.

Debulhando as eleições entre 1994 e 2000, os pesquisadores verificaram que as bases geográficas dos partidos mais votados na capital - PSDB, PT e PPB - são claramente delimitadas. O primeiro tem o seu forte nas áreas centrais e de maior renda; o segundo, nas zonas mais pobres, em especial no leste; e o terceiro, nos bairros tradicionais de classe média baixa. Além disso, o desempenho das três legendas tende a se repetir nas eleições municipais, estaduais e federais, para o Legislativo e o Executivo.

A distribuição do voto por regiões, exprimindo preferências políticas que se relacionam com o perfil social da maioria dos seus moradores, “significa que cada partido conta com um capital de votos nessas regiões que, embora longe de garantir seu êxito eleitoral, constitui uma base de apoio sólida que lhe dá viabilidade em qualquer disputa eleitoral”, apontam os cientistas. A associação entre votações em diferentes eleições “é mais alta no partido mais fortemente organizado, o PT, e mais baixa no mais dependente de liderança individual (Paulo Maluf), o PPB”.

Outro estudo na mesma linha, As eleições municipais em São Paulo: 1985-2004, de Fernando Limongi e Lara Mesquita, trata dos nexos entre as estratégias dos partidos e as mudanças nas preferências dos eleitores. O trabalho comprova que a distribuição dessas preferências pode ser conhecida ou estimada com algum grau de certeza - e que “o eleitorado paulistano tem apresentado considerável estabilidade em suas opções” -, o que dificilmente aconteceria se as vinculações partidárias dos candidatos não contassem na hora do voto.

Claro que o estilo que cada político projeta pode fazer diferença. “Maluf construiu a reputação de um candidato obstinado, aguerrido e radical”, observam os autores. “A estratégia surtiu efeito, garantindo para o seu partido o controle sobre o eleitorado de direita.” O mesmo se aplica à imagem que os principais partidos querem passar ao público. “Não foi outra a estratégia perseguida pelo PT para conquistar o voto até então controlado pelo PMDB”, escrevem.

É sugestiva a constatação de que, analisando em conjunto as seis eleições no período pesquisado, “a direita e a esquerda foram as grandes vencedoras. O centro, representado inicialmente pelo PMDB e depois pelo PSDB, é o mais fraco dos competidores”. Em suma, o voto do paulistano é político-partidário, por menos que aceitem admiti-lo os defensores da ficção de que as pessoas votam em pessoas e os partidos pouco ou nada significam.

Luiz Weis é jornalista

LF -Sobre este tema ver também meu post Ondas e fundamentos

26/08/2008 - 18:31h Prestes a receber Lula na campanha, Marta diz que não pensa em vitória no 1° turno

Reuters/Brasil Online - Portal O Globo

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SÃO PAULO - Com 17 pontos acima do segundo colocado nas pesquisas e a quatro dias de receber o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha, a candidata a prefeita de São Paulo Marta Suplicy (PT) afirmou que não conta com a vitória no primeiro turno.

- Nós não estamos pensando nisso não, a gente está muito feliz de o presidente vir, mas nós acreditamos que nada de salto alto - afirmou Marta a jornalistas nesta terça-feira após realizar palestra na sede da Federação do Comércio do Estado de São Paulo.

” Nada de salto alto “

Pesquisa Datafolha divulgada no sábado mostrou Marta subindo de 36 % para 41 %, abrindo 17 pontos percentuais de vantagem sobre Geraldo Alckmin (PSDB), que caiu de 32 para 24 %. O prefeito Gilberto Kassab (DEM) passou de 11 para 14 %.

A alta de Marta e a queda de Alckmin já havia sido apontada em pesquisa Ibope anterior. Para ganhar no primeiro turno, em 5 de outubro, é necessário obter 50 % mais um dos votos válidos.

A candidata procurou não comentar a intensificação das críticas entre Alckmin e Kassab ao dizer que “a preocupação está em continuar apresentando propostas, porque foi assim que a gente chegou neste resultado.”

Mas não deixou sem resposta ataques do prefeito Kassab que a acusa de não acabar com as escolas de lata.

- As escolas de lata foram construídas, todinhas, na gestão (Celso) Pitta (1997-2000), da qual Kassab era secretário. Então me parece um pouco estranho ele fazer este discurso - afirmou, acrescentando que foi ela que iniciou o processo de desconstrução.

No sábado, o presidente Lula desembarca na campanha de Marta para o primeiro compromisso conjunto de campanha. Ele escolheu São Paulo para sua estréia na eleição deste ano. De acordo com informações ainda não oficiais, os dois farão uma caminhada e um comício na avenida Oliveira Freire, em São Miguel Paulista, zona leste da cidade. O extremo leste e a região sul são as duas áreas em que Marta tem seus melhores índices de intenção de voto.

- A idéia é ‘melhorar onde ela está bem’ - disse um petista da campanha.

Entre sábado e domingo Lula fará campanha também junto a candidatos do PT do ABC: Luiz Marinho (São Bernardo do Campo), Mário Reali (Diadema) e Vanderlei Siraque (Santo André).

25/08/2008 - 17:48h Ondas e fundamentos

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Desde a re-democratização e as suas primeiras eleições em 1982, foi se configurando na cidade de São Paulo três grandes eleitorados. A cada pleito eleitoral esses três setores disputam a hegemonia entre si, com uma constância que surpreende o analista superficial.

Esses três segmentos eleitorais começaram a sofrer uma mudança com a introdução do sistema eleitoral majoritário a dois turnos, o que reforça a tendência já presente nas democracias à bi-polarização da vida política. Mesmo assim, na cidade de São Paulo esses três segmentos eleitorais permeam a vida eleitoral desde 1982 até agora.

Inicialmente os setores hegemônicos foram constituídos pelo centro-esquerda peemdebista e a direita populista (janista e malufista). O terceiro segmento, muito pequeno, foi ocupado pela esquerda na criação do PT.

Como o sistema eleitoral proporcional não exigia maiorias absolutas para vencer, a divisão nestes três segmentos do eleitorado permitiu a vitória de Jânio e depois, uma primeira vitória do PT com Erundina.

Desde aquele momento, foi a evolução interna entre os diversos segmentos do eleitorado e a relação de forças entre eles a que levou a um ou outro desfecho nas eleições na cidade (municipais, estaduais ou federais).

Globalmente o campo da direita populista majoritário em 1982 com Jânio, e ainda majoritário com Maluf até levar a vitória de Pitta em 1996, começou a desfiar depois. A evolução do centro-esquerda peemdebista-tucano para um pragmatismo de centro-direita o transformou no principal receptáculo do debilitamento da direita populista, ao mesmo tempo que permitiu ao PT ocupar plenamente sua vocação social-democrata, de força de centro-esquerda. Como isto não foi produto de um processo linear, as relações de força eleitorais expressavam isto de maneira muito fluida, porém persistente.

Mesmo vencendo as eleições em 2000, por exemplo, a maioria em favor de Marta e do PT só foi possível no segundo turno pelo apoio de Mário Covas à Marta. O grosso do eleitorado de Alckmin no primeiro turno, na época candidato do PSDB, foi para Maluf no segundo turno, mas uma importante fração votou na Marta, que ganhou com 58% dos votos válidos contra 42% de Maluf (que no primeiro turno tinha obtido pouco mais de 15%).

Depois o processo só reforçou o campo do centro-direita tucano e parcialmente também o campo petista, em detrimento do malufismo. Isto permitiu em 2002 a vitória de Lula, mesmo que por pequena margem na cidade, na medida em que se fechava o ciclo do PSDB no governo federal e se consolidava a implantação do PT em São Paulo. Mas o PSDB emergia, com a vitória ao governo de Estado e com um bom resultado na cidade, como a força hegemônica no centro e na direita do espectro político.

As eleições de 2004 e de 2006 confirmaram está situação reforçando eleitoralmente o PSDB em São Paulo, sem porém eliminar completamente a direita populista que preserva um pequeno e importante eleitorado.

A está altura da analise é bom insistir que não existem categorias estancas entre os três segmentos eleitorais, nem sociológicas, mesmo que os setores mais pobres sejam o destaque do eleitorado do PT e que a burguesia e as altas camadas médias se identifique claramente com o PSDB. Uma parte do eleitorado de classe média oscila entre o PSDB e o PT, outra parte oscila entre os tucanos e a direita populista, é têm eleitores pobres em todas as candidaturas, evidentemente.

Os contornos mudam a cada eleição determinados pela conjuntura concreta e a intervenção das forças políticas e sociais nessa conjuntura.

Na situação atual persiste o fenômeno aqui analisado. A novidade é por conta de dois fatores novos, coincidentes no tempo: um, a ampla base de apoio no eleitorado nacional à política e à figura do presidente Lula, do PT; e o segundo é a novidade da disputa interna no campo do centro e centro-direita (hegemonizado pelo PSDB) com repercussões diretas na cidade de São Paulo com duas candidaturas, Kassab e Alckmin. A conjunção de ambos processos, aliados ao carisma e popularidade de Marta é a que constitui o tripé que sustenta a possibilidade de uma vitória da candidatura de centro-esquerda. Utilizo essas etiquetas de propósito, porque contrariamente ao mito de que o voto no Brasil não é ideológico, o eleitorado acaba agrupado sim, nos espectros ideológicos, seja de esquerda ou de direita com suas variantes.

Mas, apesar da crise no campo do centro-direita, não existe nenhum automatismo nesse desfecho. A vitória de Marta é possível, ela não é automática.

Primeiro, porque esses setores, mesmo divididos, contam com uma ampla base de sustentação eleitoral. Segundo, porque contam com uma amplíssima base de sustentação social e política nos diferentes mecanismos de poder: Estado, prefeitura, associações, mídia, instituições, ideológicas e culturais etc. Terceiro, porque souberam preservar esse apoio em São Paulo, com sustentação eleitoral incluso em setores médios e populares, disputando o eleitorado com o PT. Por último, porque serão pressionados a se unirem para enfrentar Marta, mesmo se essa união será limitada no tempo e apenas formal.

Por isso me parece essencial insistir na campanha, no nosso perfil de oposição aos demo-tucanos em seu conjunto e utilizar o momento para ampliar a receptividade às propostas do PT para a cidade, conjugadas com a ação do governo federal. Isto permitiu captar uma pequena parcela de eleitores que no primeiro turno não votaram no PT, nem em 2004, nem em 2006 e que aparecem nas duas últimas pesquisas inclinados a votar na Marta.

Esses eleitores vão ainda flutuar bastante, como ondas, e provocarão oscilações nas intenções de voto de todos os principais candidatos, até o desfecho do segundo turno. Mas é com eles que pacientemente o diálogo deverá ser preservado e aprofundado para conquistar no final seu voto, decisivo para a vitória. LF

24/08/2008 - 12:05h Estadão: duas edições, duas leituras

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A primeira edição do Estadão tinha uma pequena chamada de capa dizendo; “Pesquisa confirma avanço de Marta” seguido de “Datafolha aponta vantagem de 17 pontos para a petista. Pág A8″. Na página A8 a matéria abria com o título “Datafolha mostra Marta com 17 pontos de vantagem” e imediatamente abaixo do título “Candidata do PT subiu e Geraldo Alckmin, segundo colocado, caiu; pesquisa confirma movimento detectado pelo Ibope no último dia 16″.

A segunda edição do mesmo jornal, O Estado de São Paulo, a chamada de capa diz: “Pesquisa aponta avanço de Kassab” seguido de “Diferença para Alckmin caiu pela metade, indica Datafolha”. No interior o artigo passa a levar como título “Pesquisa mostra Kassab mais próximo de Alckmin” e no lide “Distância entre os dois caiu de 21 para 10 pontos, aponta Datafolha; Marta lidera, com 41%, confirmando movimento detectado pelo Ibope no dia 16″.

Acontece que contrariamente a chamada de capa da segunda edição do Estado, a pesquisa não aponta avanço de Kassab e sim constatou a queda de Alckmin. Kassab só oscilou dentro da margem de erro. Já Alckmin caiu e a dianteira de Marta passa a ser de 17 pontos. De todos os candidatos, Marta é a única a crescer acima da margem de erro em relação ao Datafolha anterior. A maioria dos eleitores que abandonaram Alckmin, entre as duas pesquisas, o fizeram em favor de Marta. LF

24/08/2008 - 09:11h Pela 1ª vez, petista aparece na frente de tucano no 2º turno

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DA REPORTAGEM LOCAL

Pela primeira vez em um ano -período em que o Datafolha começou a fazer levantamentos sobre a sucessão municipal de 2008-, a ex-prefeita Marta Suplicy (PT) aparece na frente do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) numa simulação de segundo turno.
Segundo o Datafolha, Marta teria 49% das intenções de voto contra 44% de Alckmin, num eventual segundo turno, se as eleições fossem hoje. Na pesquisa anterior, de 23 e 24 de julho, Alckmin tinha 51%. Marta, 43%. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.
Ainda segundo o Datafolha, Marta herdaria 20% dos eleitores do prefeito Gilberto Kassab (DEM). Alckmin, 73%.
Num segundo turno, Marta derrotaria Kassab por 55% a 35%. Alckmin venceria Kassab por 57% a 28%.
O índice de rejeição a Marta oscilou negativamente desde julho, passando de 34% para 31%. Essa taxa chega a 64% entre os eleitores com renda mensal superior a dez mínimos.
A rejeição a Marta é quase o dobro da de Alckmin: 18%. Kassab enfrenta 32% de rejeição. Já o ex-prefeito Paulo Maluf (PP) amarga um índice de rejeição de 61%, cinco pontos a mais do que na pesquisa anterior.

Leia também

Folha edita pesquisa Datafolha

Minha analise do Datafolha esta em

Datafolha confirma Marta em primeiro lugar e Alckmin segundo

24/08/2008 - 09:01h PMDB segue líder em Porto Alegre, com PT e PC do B em 2º

Fogaça oscila dois pontos para cima e chega a 31%; nos cenários do segundo turno, prefeito empata com Maria do Rosário (PT) e Manuela D’Ávila (PC do B)

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Maria do Rosário (PT) em campanha,  empate com Fogaça (PMDB) no 2° turno

GRACILIANO ROCHA - FOLHA SP

DA AGÊNCIA FOLHA, EM PORTO ALEGRE

Os dois primeiros dias da propaganda eleitoral no rádio e na TV não provocaram uma alteração significativa na disputa pela Prefeitura de Porto Alegre, segundo o Datafolha.
A pesquisa -realizada nos dias 21 e 22 de agosto- mostra o atual prefeito José Fogaça (PMDB) isolado na liderança, com 31% das intenções de voto -uma oscilação positiva de dois pontos percentuais em relação ao levantamento feito pelo instituto no final de julho.
As deputadas federais Maria do Rosário (PT) e Manuela D’Ávila (PC do B) continuam tecnicamente empatadas na disputa do segundo lugar. A petista continua com os mesmos 20% de julho, enquanto a comunista oscilou um ponto percentual, subindo dos 18% do mês passado para 19% agora.
Com margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos, a pesquisa Datafolha, uma parceria da Folha e TV Globo, ouviu 832 eleitores e foi registrada no TRE (Tribunal Regional Eleitoral) gaúcho com o número 32/2008.

PSOL e DEM
Em comparação com a pesquisa de julho, Luciana Genro (PSOL) oscilou negativamente de 8% para 6%; já Onyx Lorenzoni (DEM) segue com 5%, e Nelson Marchezan Junior (PSDB) oscilou de 1% para 2%. Os que pretendem votar em branco ou anular o voto somam 7%, e 9% se dizem indecisos.
Nos dois cenários de segundo turno pesquisados, há empate dentro da margem de erro. Maria do Rosário teria 44% contra 42% de Fogaça. Em uma disputa entre o atual prefeito e Manuela, ambos atingem 42%.
A rejeição ao peemedebista também é a maior, 28% -três pontos percentuais a mais do que em julho; 16% dos eleitores disseram não votar de jeito nenhum na petista Maria do Rosário (contra 15% em julho). A rejeição a Manuela é de 14%, a mesma do mês anterior.
“É uma eleição aberta porque, apesar de ter o Fogaça na frente, não há uma grande diferença em relação ao segundo lugar e a rejeição de todos os candidatos é bastante baixa”, declarou Mauro Paulino, diretor do Datafolha.
Na pesquisa espontânea, aquela em que o entrevistado escolhe sem que lhe sejam apresentados os nomes dos candidatos, Fogaça foi citado por 17% dos eleitores, e Maria do Rosário, por 13%. Nesse quesito, ambos tiveram crescimento de cinco pontos percentuais em comparação com o mês passado. Por Manuela, 8% manifestaram preferência (em julho eram 7%).
Além da estabilidade no quadro e do pequeno aumento em sua vantagem, Fogaça, que quebrou uma hegemonia de 16 anos do PT ao vencer a eleição de 2004, também viu melhorar a avaliação de sua administração. Hoje, 34% dos porto-alegrenses consideram o prefeito bom ou ótimo -os que se diziam satisfeitos era de 30% em julho e de 26% em novembro de 2007. Um quinto dos eleitores (20%) considera a gestão ruim ou péssima (eram 25% em julho e 23% em novembro), enquanto é regular para 43%.

24/08/2008 - 08:54h Candidato de Aécio e do PT já é líder em BH

Marcio Lacerda cresce 15 pontos em um mês e chega a 21%, empatando com Jô Moraes, que oscilou de 20% para 17%

O programa de Lacerda na televisão tem 11 minutos e 47 segundos, enquanto o da deputada Jô Moraes dura só um minuto e 46 segundos

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Aécio Neves, Fernando Pimentel (atual prefeito), Marcio Lacerda e Ciro Gomes em campanha no Mercado Central de Belo Horizonte

PAULO PEIXOTO - FOLHA SP

DA AGÊNCIA FOLHA, EM BELO HORIZONTE

Pesquisa Datafolha realizada após o início da propaganda eleitoral na TV e rádio mostra que Marcio Lacerda (PSB), o candidato à Prefeitura de Belo Horizonte do governador tucano Aécio Neves e do prefeito petista Fernando Pimentel, equilibrou a disputa e está na frente, empatado tecnicamente com Jô Moraes (PC do B).
Um mês após a primeira pesquisa, Lacerda cresceu 15 pontos percentuais -de 6% para 21% das intenções de voto, quatro pontos à frente da deputada federal Jô Moraes, que oscilou negativamente de 20% para 17%. O deputado Leonardo Quintão (PMDB) subiu quatro pontos (de 9% para 13%).
A pesquisa, encomendada em parceria pela Folha e TV Globo, ouviu 829 eleitores nos dias 21 e 22. A margem de erro é de três pontos percentuais. No levantamento espontâneo, Lacerda tem 11% (eram 2%), contra 5% de Jô Moraes (igual ao anterior) e 3% de Quintão.
O crescimento de Lacerda nesse período tem um peso muito importante do horário eleitoral, segundo o diretor do Datafolha, Mauro Paulino. O programa de Lacerda tem 11 minutos e 47 segundos, e o de Jô, apenas 1 minuto e 46 segundos. O segundo melhor tempo é o de Quintão: 5 minutos e 23 segundos. O candidato da aliança Aécio-Pimentel terá ao longo da campanha 1.062 inserções (média de 23 por dia), contra 159 para Jô (3,6 por dia).
“A pesquisa mede o período de um mês. Não tem como afirmar que foi na última semana [todo o crescimento], mas há um impacto muito forte com o tempo de TV que Lacerda tem. No período de um mês ele virou o jogo, saiu das últimas colocações e -apesar de estar na margem de erro, mas considerando essa evolução- assumiu a dianteira”, disse Paulino.
Apesar de 67% dos entrevistados terem dito que não assistiram ao horário eleitoral, Paulino disse que há um “efeito multiplicador” nessa fase da campanha, com as pessoas comentando. Muitos podem ter assistido às inserções sem considerá-las horário eleitoral.
O apoio de 14 partidos e as presenças constantes de Aécio e Pimentel na propaganda eleitoral, tidos pelo diretor do Datafolha como cabos eleitorais muito importantes por serem bem avaliados, ajudaram no crescimento de Lacerda -segundo o Datafolha, a gestão do prefeito petista é aprovada por 76% do eleitorado. E Lacerda tem a menor rejeição: 7%.
As posições dos demais candidatos não mudaram muito. Vanessa Portugal (PSTU) oscilou dois pontos para baixo e está com 4%, mesmo percentual de Sérgio Miranda (PDT), que antes tinha 5%. Gustavo Valadares (DEM) oscilou de 4% para 2%. André (PT do B), Jorge Periquito (PRTB) e Pepê (PCO) não atingiram 1%. Num eventual segundo turno entre Jô e Lacerda, haveria empate: 34% contra 33%, respectivamente. A pesquisa foi registrada sob o número 56616/ 2008.

23/08/2008 - 22:59h Folha edita pesquisa Datafolha

A Folha de SP, na sua edição de domingo disponivel nas bancas no sábado (edição São Paulo, concluída às 14H), edita a pesquisa Datafolha para não destacar a liderança de Marta e alavancar a candidatura de Kassab, em detrimento de Alckmin. A manchete é: “Diferença Alckmin/Kassab cai à metade”.

O Datafolha, instituto de pesquisas, apresentou seus resultados assim:

“A candidata do PT à prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, atinge 41% das intenções de voto, e abre uma vantagem de 17 pontos percentuais sobre o segundo colocado, Geraldo Alckmin, do PSDB, que obtém 24% das preferências, segundo pesquisa realizada pelo Datafolha nos dias 21 e 22 de agosto, a 44 dias do primeiro turno da eleição. No levantamento anterior, realizado nos dias 23 e 24 de julho, Marta e Alckmin empatavam, em razão da margem de erro da pesquisa, de três pontos percentuais: a petista atingia 36% e o tucano obtinha 32% das intenções de voto. Em um mês, a ex-prefeita ganhou cinco pontos percentuais, enquanto o candidato do PSDB perdeu oito.

A pesquisa, a primeira após o início da exibição do horário gratuito dos candidatos a prefeito na TV, no dia 20, também mostra que Marta empata com Alckmin em simulação de segundo turno, além de crescimento na taxa de intenção de voto espontânea e ligeira variação na taxa de rejeição à petista.” (reproduzido na integra em Pesquisa Datafolha).

A apresentação da Folha não destaca estes fatos.

Os números mostram que Marta ganhou seus cinco pontos de crescimento em detrimento do segundo colocado, que perdeu 8 pontos. A pesquisa mostra que o crescimento de Marta reverteu em seu favor o favoritismo na simulação do segundo turno: Marta vence Alckmin (diferentemente da pesquisa Datafolha anterior). Marta cresce na espontânea e no quesito rejeição ela diminui, sendo ultrapassada por Kassab que aparece com 32% de rejeição (a rejeição de Kassab oscilou para cima na mesma porcentagem que sua intenção de voto: 3 pontos, dentro da margem de erro).

Marta abre uma distancia de 17 pontos com o segundo colocado, Alckmin. Ela amplia a distancia que a separa de Kassab em 27 pontos (na pesquisa anterior está distancia era de 25 pontos).

Estes são os dados principais da pesquisa. A principal beneficiaria da queda de Alckmin é Marta. Ela cresce acima do eleitorado de Alckmin e Kassab só residualmente aproveita essa queda de Alckmin, oscilando positivamente de 3 pontos, ou seja dentro da margem de erro.

Na Folha de amanhã tudo isto é obscurecido ao ponto de Marta sumir da principal manchete da primeira página que proclama: “Diferença Alckmin/Kassab cai à metade”.

O fato de Marta pela primeira vez no Datafolha aparecer na frente de Alckmin no 2° turno é reproduzido numa pequena retranca embaixo da página A4. É a primeira vez em um ano de pesquisas Datafolha que isto acontece. A oscilação de Kassab, dentro da margem de erro, ganha destaque no lide da capa da Folha e não o crescimento efetivo de 5 pontos de Marta que a levam ao primeiro lugar (no Datafolha anterior ela aparecia empatada com Alckmin).

Como a pesquisa -reconhece o próprio jornal- captou o começo da propaganda na TV, este crescimento de Marta é significativo também do resultado das inserções e programas de rádio e TV. Os ataques de Kassab contra Marta fizeram oscilar para cima sua rejeição e não permitiram até agora que recuperasse para ele a queda de Alckmin (só em três pontos oscilou sua intenção de voto no primeiro turno, igual que sua rejeição, e dentro da margem de erro). Mesmo entre os eleitores com ensino médio, onde Alckmin cai 11 pontos, Marta é a principal beneficiária passando nesse estrato de 36% para 41%. Mais importantes numericamente, nos eleitores com renda mensal inferior a dois salários mínimos, Marta cresce 8 pontos, sendo que Alckmin cai 6 e Kassab só oscila de apenas 2 pontos (a margem de erro nesta categoria é superior aos 3 pontos da margem de erro sobre o total da pesquisa).

Para forçar sua peculiar apreciação da pesquisa, a Folha se apóia no crescimento da avaliação positiva do governo Kassab que passou de 35% de ótimo/bom em 23-24 de julho, para 40% agora (21-22 de agosto), um crescimento de 5 pontos em quase um mês. A Folha não destaca o fato que este crescimento sendo maior entre a população de baixa renda até 2 salários, não teve quase nenhum impacto na intenção de voto em favor de Kassab nesse mesmo segmento.

Quando a Folha passa à analise dos resultados por região, nada é dito sobre a margem de erro quando reportada a um universo bem menor. Mesmo assim a pesquisa mostra que Marta obteve seu maior crescimento em bairros como Ipiranga, Saúde, Vila Mariana e Jabaquara (+10 pontos) o que faz que na zona sul somada ao sudeste, Marta tem 49% contra 22% de Alckmin e 13% de Kassab. A zona sul é junto com a zona leste a mais populosa da cidade.

Em toda a Zona leste Marta tem 41%, Alckmin 22% e Kassab tem 13%.

O centro, bem menos populoso registra um crescimento de 15 pontos nas intenções de voto para Marta, chegando a 38% frente a Alckmin com 29% e Kassab com 13%.

Só na zona norte, bem menos populosa que a sul e a leste, zona norte que já foi um setor de forte implantação do janismo e do malufismo, Gilberto Kassab consegue recuperar uma parte importante da queda de Alckmin e registra seu melhor resultado 16%. Marta passa a liderar em toda a zona norte com 36%, seguida de Alckmin com 27%.

Por último, na zona oeste Marta cresceu 5 pontos e atinge 26%, Alckmin lidera com 33% e Kassab 16%.

Todos estes dados estão presentes no jornal, de uma forma ou de outra, mas a edição da pesquisa faz tudo para evitar que o leitor perceba a realidade da situação eleitoral registrada nos números do Datafolha.

A TV Globo abriu a informação hoje a noite sobre a pesquisa Datafolha: “Marta abre 17 pontos a frente de Alckmin”.

O Estado de São Paulo pós como título “Datafolha mostra Marta com 17 pontos de vantagem” e no lide, abaixo da manchete “Candidata do PT subiu e Geraldo Alckmin, segundo colocado, caiu; pesquisa confirma movimento detectado pelo Ibope no último dia 16″.

A Folha SP leva como manchete na capa: “Diferença Alckmin/Kassab cai à metade”, embaixo, no lide “Tucano recua 8 pontos, e prefeito, com sua melhor avaliação, oscila para cima; Marta cresce e se isola em 1°”. Dentro do jornal, na principal página com os resultados, a manchete é: “Alckmin cai e tem 10 pontos sobre Kassab; Marta se isola”. Na página A8 a manchete é: “Maior vantagem de Marta sobre tucano está no extremo sul”. Por último, pag A9: “Kassab tem maior índice de aprovação desde que assumiu”.

Julguem vocês

Luis Favre

23/08/2008 - 13:05h Pesquisa Datafolha

 

Eleições2008 - 23/08/2008 - Texto do Datafolha

Marta abre 17 pontos de vantagem sobre Alckmin
Diferença de Alckmin para Kassab diminui de 21 para 10 pontos percentuais


A candidata do PT à prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, atinge 41% das intenções de voto, e abre uma vantagem de 17 pontos percentuais sobre o segundo colocado, Geraldo Alckmin, do PSDB, que obtém 24% das preferências, segundo pesquisa realizada pelo Datafolha nos dias 21 e 22 de agosto, a 44 dias do primeiro turno da eleição. No levantamento anterior, realizado nos dias 23 e 24 de julho, Marta e Alckmin empatavam, em razão da margem de erro da pesquisa, de três pontos percentuais: a petista atingia 36% e o tucano obtinha 32% das intenções de voto. Em um mês, a ex-prefeita ganhou cinco pontos percentuais, enquanto o candidato do PSDB perdeu oito.

A pesquisa, a primeira após o início da exibição do horário gratuito dos candidatos a prefeito na TV, no dia 20, também mostra que Marta empata com Alckmin em simulação de segundo turno, além de crescimento na taxa de intenção de voto espontânea e ligeira variação na taxa de rejeição à petista.

O atual prefeito, Gilberto Kassab, oscilou três pontos para cima: o candidato à reeleição pelo DEM passou de 11% para 14% das preferências. Paulo Maluf oscilou de 8% para 9% das preferências. Assim, se mantém o empate entre os dois candidatos. Considerando a margem de erro de três pontos percentuais, Kassab pode ter entre 11% e 17% das intenções de voto. Maluf, por sua vez, pode ter entre 6% e 12% das preferências.

Soninha (PPS) se manteve com 2% das intenções de voto. Ciro (PTC) e Ivan Valente (PSOL), que na pesquisa anterior obtinham 1% das menções, cada, embora citados, não atingiram esse percentual no atual levantamento. Edmilson Costa (PCB) e Levy Fidelix (PRTB) foram citados, mas não atingem 1%, como ocorria na pesquisa de julho. Anaí Caproni (PCO) e Renato Reichmann (PMN), cujos nomes constavam do cartão circular apresentado aos entrevistados, não receberam nenhuma menção.

Se a eleição fosse hoje, 5% votariam em branco ou anulariam o voto. Não saberiam em quem votar 4%.
Foram ouvidos 1093 eleitores da cidade de São Paulo, a partir dos 16 anos de idade.

Outro dado da pesquisa demonstra a consolidação da liderança de Marta: a intenção de voto espontânea. O percentual dos que dizem, antes da apresentação dos cartões circulares com os nomes dos candidatos, que gostariam de votar na petista para prefeita, subiu oito pontos percentuais em relação à pesquisa anterior, passando de 22% para 30%. Citam Geraldo Alckmin de maneira espontânea 14%; eram 13% na pesquisa anterior. A taxa de menções espontâneas a Gilberto Kassab oscilou de 7% para 10%. Paulo Maluf é citado espontaneamente como seu candidato a prefeito por 5%.

O percentual dos que não sabem dizer espontaneamente em quem gostaria de votar para prefeito caiu 11 pontos percentuais, de 43% para 32%. A taxa dos que afirmam de maneira espontânea que pretendem votar em branco ou anular oscilou de 7% para 5%.

São Paulo, 22 de agosto de 2008

23/08/2008 - 12:28h Datafolha: em SP, Marta abre 17 pontos de vantagem sobre Alckmin

Instituto ouviu 1093 pessoas entre os dias 21 e 22 de agosto.
Margem de erro é de três pontos percentuais.

Do G1, em São Paulo

Pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (23) mostra que a candidata do PT à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, subiu cinco pontos percentuais em relação à pesquisa de julho e tem 41% das intenções de voto. Ela abriu 17 pontos de vantagem sobre Geraldo Alckmin, do PSDB, que caiu oito pontos e registra 24%. Antes, a vantagem da petista era de quatro pontos.

O instituto ouviu 1093 pessoas entre os dias 21 e 22 de agosto. Encomendada pela TV Globo e pelo jornal “Folha de S.Paulo”, a pesquisa tem margem de erro de três pontos percentuais e foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo com o número 01900108-SPPE.

O candidato do DEM na disputa, Gilberto Kassab, oscilou três pontos para cima e tem agora 14%. Paulo Maluf, do PP, passou de 8% para 9%. Os dois seguem tecnicamente empatados.

Soninha Francine (PPS) manteve 2% das intenções de voto. Os candidatos Ciro Moura (PTC) e Ivan Valente (PSOL), que tinham 1% cada, não atingiram 1% neste levantamento. Edmilson Costa (PCB) e Levy Fidelix (PRTB) repetiram o desempenho da pesquisa anterior e não alcançaram 1%.

Anaí Caproni (PCO) e Renato Reichmann (PMN), que não atingiram 1% no levantamento anterior, não foram citados nesta pesquisa.

O percentual de eleitores que disseram que votarão branco ou nulo passou de 6% para 5%. Os que não souberam responder somam 4% contra 3% no último levantamento.

Segundo turno

Na simulação de segundo turno entre Marta e Alckmin, a petista aparece com 49% contra 44% do tucano.

Se a disputa fosse entre Marta e Kassab, ela teria 55% e ele, 35%. Na hipótese de disputa entre Alckmin e Kassab, o tucano teria 57% e o democrata, 28%.

Caso Marta fosse para o segundo turno com Maluf, ela venceria por 62% a 22%, informou o instituto. Se Maluf disputasse com Alckmin, o tucano teria 69% contra 18% do candidato do PP

22/08/2008 - 13:42h Confira os resultados da pesquisa eleitoral para o ABC

Leandro Amaral - Repórter Diário

Com a divulgação nesta edição de mais três pesquisas eleitorais, encerra-se o primeiro ciclo dos quadros sucessórios na região. Com os sete levantamentos realizados, três cidades podem considerar-se já com o nome do novo prefeito, ou melhor, com reeleições definidas.

Em São Caetano, o atual chefe do Palácio da Cerâmica e candidato à reeleição, José Auricchio Júnior (PTB) com 73% das intenções de voto; em Rio Grande da Serra, o postulante a reeleição Adler Kiko Teixeira (PSDB) com 64% e em Ribeirão Pires, Clóvis Volpi (PV), também pleiteante a mais quatro anos de mandato com 51%, lideram com folga as disputas. Já Santo André, São Bernardo, Mauá e Diadema apresentam um quadro ainda indefinido sobre o novo administrador municipal.

Santo André
O candidato governista que disputa à sucessão municipal de Santo André, o deputado estadual Vanderlei Siraque (PT) lidera isolado com 31% das intenções de voto. A disputa, porém, está acirrada na busca pelo segundo lugar, pois três prefeituráveis aparecem tecnicamente empatados: Raimundo Salles (DEM) tem 11%, seguido por Newton Brandão (PSDB) 10% e Aidan Ravin (PTB) 9%. Já o candidato Ricardo Alvarez (PSol) registra 1%.

De acordo com a pesquisa, 25% do eleitorado afirmou que ainda não definiu o candidato e 14% não votará em nenhum dos postulantes ao Paço. Na pesquisa espontânea - onde o eleitor não recebe a lista com o nome dos candidatos - Vanderlei Siraque tem a preferência de 25% dos entrevistados, seguido por Raimundo Salles com 7% e, tecnicamente empatados, Newton Brandão e Aidan Ravin com 5%. Neste levantamento Ricardo Alvarez não atinge 1%.

Na avaliação quanto à rejeição de cada candidatura, Newton Brandão é o mais rejeitado com 43%. Na seqüência aparecem tecnicamente empatados: Vanderlei Siraque (28%), Ricardo Alvarez (25%), Raimundo Salles (23%) e Aidan Ravin (21%).

São Bernardo
O candidato governista à sucessão municipal de São Bernardo Orlando Morando (PSDB) lidera com 26% das intenções de voto, seguido por Luiz Marinho (PT) com 19%, Alex Manente (PPS) 13%; Aldo Santos (PSol) e Evandro de Lima (PTdoB) aparecem empatados com 1%. Se os números forem mantidos até o dia do pleito - 5 de outubro - a cidade terá 2º turno, fato que não ocorre desde 1996.
De acordo com a pesquisa, 28% do eleitorado afirmou que ainda não definiu o candidato e 12% não votará em nenhum dos postulantes ao Paço.

Na pesquisa espontânea, Orlando Morando é citado por 17% dos entrevistados, seguido por Luiz Marinho 13%, Alex Manente 8% e, assim como na estimulada, aparecem Aldo Santos e Evandro de Lima com 1%.

Na avaliação quanto à rejeição de cada candidatura, os pleiteantes aparecem tecnicamente empatados de acordo com a margem de erro: 25% dos entrevistados não votariam de jeito nenhum em Luiz Marinho; 23% descartam Orlando Morando e Evandro de Lima, 21% não escolheriam Aldo Santos e 20% não votariam em Alex Manente.

São Caetano

O atual prefeito e candidato à reeleição em São Caetano José Auricchio Júnior (PTB) deve manter o posto de chefe do Palácio da Cerâmica. Com 73% das intenções de voto dos eleitores o governista abriu 66 pontos percentuais de vantagem sobre o segundo colocado, o petista Jayme Tortorello, que aparece na preferência de 7% do eleitorado. O prefeiturável Horácio Neto (Psol) tem 4%. Ainda de acordo com o levantamento, apenas 12% dos eleitores estão indecisos e 4% afirmaram que não votarão em nenhum dos postulantes.

Na pesquisa espontânea as posições são não se alteram em relação ao levantamento estimulado. José Auricchio Júnior é lembrado por 64% dos entrevistados, seguido à distancia por Jayme Tortorello com 6% e Horácio Neto com 2%.

Na avaliação quanto à rejeição de cada candidatura, mesmo sendo o atual prefeito, José Auricchio Júnior é o candidato que registra menor índice: 8%. Já os dois postulantes oposicionistas aparecem tecnicamente empatados, isto é, estão com a mesma porcentagem se levada em consideração a margem de erro. Jayme Tortorello é rejeitado por 40% dos eleitores contra 38% de rejeição do prefeiturável Horácio Neto.

Diadema
O petista Mário Reali aparece na primeira colocação na pesquisa litoral estimulada. O candidato da situação registra 38% da preferência dos eleitores, seguido por José Augusto (PSDB), com 28%. Ricardo Yoshio (PMN) conta com 4% dos votos e Vladão (PCB) não registrou menos que 1%. Entre os entrevistados, 10% afirmaram que não votarão em nenhum dos pleiteantes à vaga do Executivo e 21% ainda estão indecisos.

Na pesquisa espontânea, Mário Reali também aparece na frente, com 31% dos votos contra 22 de José Augusto. Ricardo Yoshio registra 2 pontos percentuais e Vladão não foi citado pelos entrevistados. O número de indecisos salta para 37%, enquanto 8% afirmam que irão anular o voto.
A disputa entre os candidatos com o maior índice de rejeição está entre José Augusto e Vladão. Enquanto o tucano aparece com 24% na pesquisa, o comunista vem logo em seguida com 21%. Mário Reali aparece na terceira colocação, com 18 pontos percentuais e Yoshio registra 17%. 47% dos entrevistados não rejeitam ou não sabem se rejeitam os candidatos que estão disputando as eleições municipais.

Mauá
O petista Oswaldo Dias, um dos candidatos à prefeitura de Mauá, aparece em primeiro lugar na pesquisa eleitoral estimulada, com 36% de intenção de votos. Atrás dele está Chiquinho do Zaíra (PSB), com 22%. Diniz Lopes (PSDB) e Mateus Prado (PSol) aparecem com 12% e 1%, respectivamente. Entre os eleitores, 23% ainda não decidiram em quem irão votar em outubro. 7% do total afirmou que não votarão em nenhum dos candidatos que estão disputando a vaga do Executivo.

Na pesquisa espontânea, Oswaldo Dias também aparece na frente, com 31% da intenção de votos. Assim como na estimulada, Chiquinho do Zaíra está em segundo lugar, com 19%, seguido por Diniz Lopes, com 10%, e Mateus Prado, com 1%. Sete por cento disseram de irão anular o voto e 33% ainda estão indecisos.

Ribeirão Pires

O atual prefeito e candidato à reeleição Clóvis Volpi (PV) lidera a disputa em Ribeirão Pires com 51% das intenções de voto, seguido à distância pelo ex-prefeito Valdírio Prisco (PSDB) com 15% e Mário Nunes (PT) com 6%. De acordo com o levantamento, os indecisos somam 17% e 11% dos eleitores afirmaram que não votarão em nenhum dos postulantes.

Na pesquisa espontânea, Clóvis Volpi (PV) é citado por 35% dos entrevistados, seguido por Valdírio Prisco (PSDB) com 7% e Mário Nunes (PT) com 4%.

Rio Grande da Serra

O cenário político de Rio Grande da Serra é um dos mais definidos da região. Com 64% da intenção dos votos na pesquisa estimulada, Adler Kiko Teixeira (PSDB) está disparado na primeira colocação. Em segundo e terceiro lugares estão Carlos Augusto César, o Cafu (PT), com 8%, e Nilson Gonçalves, com 1%. Os que não souberam responder em quem irão votar somam 20% e os que afirmaram que não votarão em nenhum dos candidatos registra 7%.

A vantagem de Kiko na pesquisa espontânea também grande em relação ao segundo colocado. Ele aparece com 57% da intenção dos votos, enquanto Cafu registra 6% e Nilson Gonçalves 1%. O índice de indecisos é de 29% e os que não vão votar em nenhum dos candidatos atinge 7%.

22/08/2008 - 13:25h Mário Reali sai na frente em Diadema com 38% dos votos

A imagem “http://www.al.sp.gov.br/StaticFile/deputado/fotos/mreali.jpg” contém erros e não pode ser exibida.

Mário Reali (PT) lidera pesquisa em Diadema

Aline Bosio - Repórter Diário - ABC

O petista Mário Reali aparece na primeira colocação na pesquisa eleitoral estimulada. O candidato da situação registra 38% da preferência dos eleitores, seguido por José Augusto (PSDB), com 28%. Ricardo Yoshio (PMN) conta com 4% dos votos e Vladão (PCB) registrou menos que 1%.

A pesquisa foi realizada entre os dias 19 e 20 deste mês, quando 400 pessoas foram entrevistadas. A margem de erro é de 4,9% para mais ou para menos. O documento foi registrado na 222ª Zona Eleitoral sob o número 004/2008, processo 153/08.

Entre as seis regiões pesquisadas na cidade, a que Reali abre a maior vantagem perante seu principal adversário é no Jardim Canhema. O petista aparece com 50% e José Augusto registra 18% da intenção de voto. Em Campo Grande e Vila Conceição a situação não é muito diferente. Reali vence o tucano com diferenças de 17% e 15% respectivamente. No Centro, a diferença cai para 2 pontos percentuais. Entretanto José Augusto está em vantagem em duas regiões. Ele aparece com 3% a mais dos votos no Taboão e 13% no Eldorado.

O melhor desempenho de Ricardo Yoshio foi na Vila Conceição, com 12% da preferência. Já no Canhema e no Centro o prefeiturável não atingiu nem 1 ponto percentual. Vladão registrou 1% no Taboão e nas demais regiões o candidato não atingiu 1 ponto percentual. Entre os entrevistados, 10% afirmaram que não votarão em nenhum dos pleiteantes à vaga do Executivo e 21% ainda estão indecisos.

Quando o assunto é o conhecimento da candidatura dos prefeituráveis, José Augusto aparece na frente com 74%, seguido por Mário Reali, com 73%. Ricardo Yoshio é conhecido por 19% dos entrevistados e Vladão por 4%. No total, 21% das pessoas ouvidas na pesquisa não souberam responder quais são os candidatos.

Espontânea
Na pesquisa espontânea Mário Reali também aparece na frente, com 31% dos votos contra 22% de José Augusto. Ricardo Yoshio registra 2 pontos percentuais e Vladão não foi citado pelos entrevistados. O número de indecisos salta para 37%, enquanto 8% afirmam que irão anular o voto.

Assim como na pesquisa estimulada, Reali desponta na frente na região do Canhema com 41% dos votos, 27 pontos percentuais a mais que José Augusto que, por sua vez, também aparece na frente nos bairros Taboão e Eldorado, com 29% da intenção dos votos contra 24% do petista, e 35% contra 23%, respectivamente. Yoshio aparece com 8 pontos percentuais na região do Conceição, mas não registra intenções de votos em locais como o Centro da cidade, Taboão e Campo Grande.

Rejeição
A disputa entre os candidatos com o maior índice de rejeição está entre José Augusto e Vladão. Enquanto o tucano aparece com 24% na pesquisa, o comunista vem logo em seguida com 21%. Mário Reali aparece na terceira colocação, com 18 pontos percentuais e Yoshio registra 17%. 47% dos entrevistados não rejeitam ou não sabem se rejeitam os candidatos que estão disputando as eleições municipais.

Campo Grande é o local em que José Augusto registra o maior índice de rejeição: 30 pontos percentuais. Já Vladão conta com 35 pontos no Jardim Eldorado e, no mesmo bairro, Reali registra 29 pontos percentuais.

Especialistas
O professor de Ciência Política da Fundação Santo André, Marco Antônio Teixeira, acredita que um dos principais motivos que levam Mário Reali a despontar na frente na corrida eleitoral é o fato do candidato ter conseguido apoiadores de peso. “O PT conseguiu um grande aliado, que foi o ex-prefeito Gilson Menezes. Isso pode tornar a disputa mais fácil em relação aos pleitos anteriores”, diz.

O cientista político diz também que “os indecisos tendem a optar pela candidatura do Reali, pois como o José Augusto já foi prefeito, as pessoas o conhecem mais, fazendo com que elas busquem o que é novo, que registra menos rejeição”.

Já o diretor do Instituto Opinião, Nilton César Tristão, observa que 10% do eleitorado indeciso poderá decidir o cenário político da cidade. Ele explica que em 2004 havia 21% de votos perdidos (brancos, nulos e abstenções) e que neste ano a pesquisa registra 31% (sem abstenções). “Se o índice de 2004 não for alterado, 10% do eleitorado é que definirá quem será o prefeito eleito e se será no primeiro turno”, conclui. “É mais fácil o Mário Reali vencer no primeiro turno em Diadema do que o Vanderlei Siraque em Santo André”, finaliza.

22/08/2008 - 12:21h A Coca-Cola já teria descoberto

VALOR

Marta Suplicy (PT) apareceu com um conjunto de blusa e casaco de malha rosa bebê, decote arredondado rente ao pescoço, mais para Luiza Erundina do que para o figurino arrojado que a caracteriza; Gilberto Kassab (DEM) chegou batendo com recortes de jornal denunciando a herança petista; e Geraldo Alckmin (PSDB) reprisou a campanha presidencial com a imagem de bom genro do médico de Pindamonhangaba.

O enfado da primeira reação - a quem eles pensam que ainda enganam - não sobrevive à estréia da campanha televisiva. Teve audiência maior que “Jornal Nacional” em tempos de mensalão - 57% na Grande São Paulo - entre outras razões porque o eleitor brasileiro, fartamente exposto às artimanhas da linguagem televisiva, sabe que a criancinha nos braços é para emocionar e os aplausos, para impressionar, mas assiste querendo, sobretudo, se informar.

Prova disso é o levantamento inédito que o professor da Fundação Cultural de Belo Horizonte, Luiz Lourenço, fez com duas amostras de municípios - com e sem horário eleitoral gratuito - nas disputas de 2000 e 2004. O grupo de pesquisas que coordena analisou 226 pesquisas eleitorais em todas as capitais e outros 14 municípios com mais de 100 mil habitantes.

Chegou à conclusão de que naqueles municípios onde há horário eleitoral gratuito o patamar de indecisos cai dez pontos percentuais com o início da programação. Na amostra de Lourenço, nas cidades onde a inexistência de retransmissora de TV priva os eleitores de programação eleitoral local, o patamar de indefinidos permanece alto ao longo da campanha e só cai às vésperas das urnas.

Em São Paulo, os indefinidos - pelo último Ibope, somam 33% do eleitorado - foram expostos a estratégias bem distintas. O programa de estréia de Marta fez uso comedido de sua imagem, optando por sua voz em off como locutora em tom confessional de cenas da cidade. Destinado a diminuir sua rejeição, foi direto ao ponto: “Sou hoje uma pessoa muito mais madura e preparada”; “o tempo foi me mostrando que os problemas cresciam tanto..”, “aprendi a pensar grande, como São Paulo”; “quero governar de modo moderno e ágil, de modo diferente”, “ela quer voltar a governar São Paulo para melhorar o que já fez”.

Floreou recursos de outras campanhas - “Esta cidade nasceu pobre e se tornou rica. Esta mulher nasceu rica e resolveu dedicar sua vida aos mais pobres” - e só colocou o tailleur para receber o apoio do presidente operário. Preencheu toda sua cota de incredulidades com a proposta do gabinete cercado de monitores capazes de identificar problemas de segurança e trânsito em tempo real para reagir instantaneamente.

Ainda não inventaram propaganda melhor

O recurso ao refrão “deixa ela trabalhar”, alusão direta ao da campanha presidencial de 2006, banalizou-se ainda mais porque também foi usado pelo programa de Gilberto Kassab, que lhe sucede. O prefeito abusa de propaganda negativa e atira para todos os lados - “Você não me viu criando taxas ou em cima do muro” - mas seu alvo preferencial é a candidata petista.

É clara a estratégia de se firmar como candidato anti-petista que tem tido, ao longo das duas últimas décadas, eleitorado cativo na cidade. Num programa acanhado e sem referências a Marta, Paulo Maluf (PP) não parece disposto a manter a titularidade do anti-petismo.

Kassab citou Serra cinco vezes no programa e abusou da primeira pessoa do plural - “Acabamos com a taxa do lixo”. Apareceu nas mais variadas situações com o governador - abraçado, de mãos erguidas, no metrô, no meio da rua - e contrapôs a dependência da aliança ao “pulso forte” que implantou o rodízio de caminhões e o Cidade Limpa, “enfrentando poderosos” e “contrariando interesses”.

Alckmin entrou confiante de que o baixo índice de rejeição é seu maior ativo. Ao contrário de Marta e Kassab, que abusaram de imagens da cidade, ele apareceu o tempo inteiro. “É o mais simpático”, dizia o locutor, em off. O programa focou antes na identificação pessoal entre eleitor e candidato do que no que pretende para a cidade. Por enquanto, limita-se a explorar a confiança do eleitor de que ele dará melhor rumo à cidade. É “São Paulo na mão certa” e “São Paulo na melhor direção”.

Eles terão 40 dias para convencer o eleitor. A campanha não se resume à telinha. A TV ajuda as boas campanhas e enterra as más. Luiz Lourenço encerra a discussão sobre o impacto da propaganda eleitoral na eleição citando o publicitário Chico Malfitani: “Se tivessem inventado algo melhor que a televisão para fazer propaganda, a Coca-Cola já teria descoberto”.

Maria Cristina Fernandes é editora de Política. Escreve às sextas-feiras

mcristina.fernandes@valor.com.br