02/04/2012 - 18:29h Zona que balança – como a geografía pode definir a eleição paulistana

José Roberto de Toledo – estadao.com.br

Quem percorre os 20 quilômetros da avenida Sapobemba, cortando a zona leste da cidade de São Paulo, desde os limites da Mooca até os confins de São Rafael, assiste a uma paulatina mudança de paisagem urbana: marcas famosas vão sumindo das fachadas do comércio, construções perdem o acabamento, e os anos de uso dos carros em circulação se tornam proporcionais à quantidade de lombadas e buracos interpostos pelo caminho.

Enquanto rodam dígitos no hodômetro, terrenos baldios intercalam conjuntos habitacionais e casas cada vez mais modestas. O mato invade o espaço que seria das calçadas e até uma multicolorida lona surge na tangente de uma curva à esquerda: “Circo de Cuba”. A coincidência assume ares premonitórios.

Entre a esquina com a avenida Salim Farah Maluf e a encruzilhada com a estrada do Rio Claro, o conteúdo das urnas eletrônicas sofre um câmbio tão radical quanto a substituição do falar italianado -típico dos moradores de bairros adjacentes ao começo do trajeto- pelo sotaque nordestino, de quem vive no extremo oposto.

São dois territórios com preferências partidárias arraigadas e muito diferentes entre si. No 2º turno da eleição presidencial de 2010, José Serra (PSDB) teve 72% dos votos na 4ª Zona Eleitoral, a da Mooca. Mas a proporção mudava a cada quilômetro adiante, até Dilma Rousseff (PT) alcançar 65% da votação na zona eleitoral de São Mateus.

O voto do paulistano está relacionado ao bairro onde ele mora. O PT tem seus maiores redutos na região periférica da cidade, enquanto o PSDB é forte no centro expandido. Esse padrão se repete desde os anos 90 em todas as votações -para vereador ou presidente, passando por prefeito, deputado e governador.

O determinismo geográfico do voto reflete uma divisão de classe. A explosão demográfica de São Paulo centrifugou imigrantes e trabalhadores de baixa renda entre os anos 40 e 80 do século passado. Em regra, quanto mais longe a moradia, mais pobre o morador. Quanto mais periferia, menos calçamento, iluminação e hospitais.

O PT reforçou o geovoto durante os governos de Luiza Erundina (1989 a 1992) e Marta Suplicy (2001 a 2004). Canalizou investimentos, programas assistenciais e assistencialistas para as regiões mais pobres e distantes das zonas sul e leste da cidade. Cativou seu eleitorado em Paralheiros e Guianases, por exemplo, mas alienou eleitores dos bairros mais centrais que se sentiram preteridos com a mudança de prioridade.

O PSDB é menos organizado que o PT, como provou o baixo quórum das prévias tucanas na cidade. Mas se faltam militantes, seu eleitorado é tão fiel quanto o petista. Em 2008, PT e PSDB lideraram, juntos, os votos de legenda para vereador em São Paulo: 21% para cada partido. A divisão se repetiu em 2010 na eleição para deputado federal. A legenda do PT recebeu 22%, e a do PSDB ficou com 19% -bem à frente dos demais partidos.

A concentração do eleitorado tucano é proporcional à riqueza dos moradores. No centro expandido, varia de 82% no homogêneo Jardim Paulista a 68% no Butantã, uma zona eleitoral que mescla bairros ricos como Cidade Jardim e Morumbi com comunidades pobres, como Jardim Jaqueline e Morro da Fumaça.

Em décadas passadas, a outra parte do eleitorado antipetista foi janista e malufista. É o segmento que se concentra numa faixa contínua, desde o Jaçanã e a Vila Maria, ao norte, até a Vila Prudente, onde a zona leste faz esquina com a zona sul. Decepcionado e/ou desamparado por seus líderes, esse eleitor voltou-se para quem tem mais chances de derrotar os petistas. Votou em Serra em 2004 e em Gilberto Kassab (então no DEM) em 2008.

Nesses pedaços da cidade, só muda a intensidade da vitória, mas o vencedor é sempre o mesmo: petistas na extrema periferia e tucanos no centro expandido e no colar janio-malufista. Por isso, tornou-se estratégico o meio do caminho entre o petismo e o antipetismo. São as zonas eleitorais que oscilam de um partido a outro de eleição para eleição. É também uma zona de transição social, de emergência da nova classe média, que muda de hábitos de consumo e pode mudar também de partido.

Na zona leste, os termômetros que indicarão para qual lado a eleição vai virar são Ermelino Matarazzo, São Miguel Paulista, Vila Jacuí, Ponte Rasa, Vila Matilde, Itaquera, Conjunto José Bonifácio e Sapobemba. Na zona sul: Jardim São Luís, Socorro e Campo Limpo. Juntos, eles somam 1 milhão de votos válidos. O futuro prefeito de São Paulo deve sair de para onde essa zona balançar.

05/03/2012 - 08:05h Renovação eleitoral pauta discussão na corrida paulistana


Enquanto PT aposta em novidade na eleição com Haddad, o PSDB deve lançar Serra, nome já conhecido do eleitorado

05 de março de 2012

FERNANDO GALLO – O Estado de S.Paulo

A falta de novas lideranças em seus quadros leva o PT e o PSDB a optarem por caminhos distintos na eleição municipal de 2012, avaliam especialistas consultados pelo Estado. Com a entrada do ex-governador José Serra na corrida eleitoral, os tucanos continuam a apresentar desde 1996 os mesmos dois nomes aos eleitores da capital: Serra e o governador Geraldo Alckmin. Os petistas, por sua vez, optam pelo novato Fernando Haddad, que desbancou a senadora Marta Suplicy (PT-SP) depois de três eleições consecutivas.

O PSDB, dizem os analistas, é vítima de uma armadilha: sem um nome alternativo forte, busca o recall alto de Serra, mas adia o processo de renovação, impedindo o surgimento de novas lideranças. “Como vai haver recall de outros nomes se nunca é dado aos mais jovens a oportunidade de aparecer?”, indaga Carlos Melo, professor do Insper.

Ele lembra que Serra, em 1996, e Alckmin, em 2000, concorreram nas eleições municipais, e perderam. “Perder não é pecado, é do jogo. Eleições não são feitas só para ganhar, mas para expor um programa, uma alternativa a ser testada. Você não pode ser o dono da fila”.

O cientista político Fernando Abrucio, professor da FGV, avalia que Alckmin não fez pelo deputado Bruno Covas, seu secretário de Meio Ambiente, aquilo que o avô de Bruno, Mário Covas, fez pelo governador ao fomentar sua candidatura à prefeitura em 2000. “O Alckmin é fruto do Covas, que o bancou. Uma liderança pensa no futuro”, alfineta. “Pode ser que Bruno, que foi o deputado estadual mais votado e tem sobrenome forte, perdesse a eleição, mas chegaria a 15% ou 20 % dos votos e seria um PSDB novo”.

Marco Aurélio Nogueira, da Unesp, vê a falta de base partidária como impeditivo à renovação no tucanato. “O PSDB tem ligação precária com a sociedade e um problema grave de reprodução. Não cresce nem se renova porque não é oxigenado pela sociedade”.

PT. No caso petista, além do envelhecimento e do desgaste de alguns líderes como Marta Suplicy e o ministro Aloizio Mercadante, houve dirigentes abatidos pela crise do mensalão. “Envelheceram e não é apenas de idade, envelheceram politicamente. O José Dirceu é mais novo que o Serra, mas não tem a mesma força de antes”, diz Abrucio.

Mesmo com um nome novo na disputa, o PT não escapa das críticas, dirigidas a escolha de Haddad pelo dedaço do ex-presidente Lula, segunda etapa de um processo de renovação nacional do partido, iniciado em 2010 com a escolha de Dilma.

“Não é uma renovação natural, de políticos que surgiram na base, foram vereadores, deputados”. Segundo ele, a renovação foi “contingencial”, uma necessidade do projeto nacional de Lula. “O Lula enfrentou uma queda de braço com setores do PT e ganhou. Por isso ocorre a renovação”. Para Abrucio, os nomes foram tirados da burocracia de governo. “Não é necessariamente ruim, embora fosse melhor que nascessem nos partidos. Mas a vida partidária está frágil”.

21/09/2010 - 11:13h Formador de opinião II

Reproduzo a seguir um texto que escrevi em janeiro de 2009 polemizando com Merval Pereira sobre o mesmo assunto que tratei no post anterior (Formador de opinião). O debate é, como se vê, de atualidade.

Visão opositora 6 de janeiro 2009

Na sua coluna no jornal O Globo, o articulista Merval Pereira investe contra o presidente Lula.

Segundo Merval, em seu desprezo pela liberdade de imprensa e na sua recusa a ler o que os jornais escrevem,  se esconde o fato que “Ele (Lula) montou uma estrutura de propaganda que não há no país talvez desde a era Vargas, coroada pela criação de uma TV oficial” (…) porque “Do que eles gostam mesmo é de uma imprensa oficial”.

Para Merval Pereira se Lula se informasse melhor, estaria mais próximo da realidade e teria sabido que “o mundo estava numa crise de proporções bem superiores a uma marolinha”.

Erigindo-se em porta-bandeira da liberdade de imprensa, o comentarista da Globo invoca “o grande jornalista Jack Anderson, considerado o pai do jornalismo investigativo, segundo quem a necessidade da imprensa ocupar um lugar antagônico ao governo foi percebida com clareza pelos fundadores dos Estados-Unidos, e por isso tornaram a liberdade de imprensa a primeira garantia da Carta de Direitos”.

Que a imprensa no Brasil ocupa “um lugar antagônico ao governo” me parece uma evidência dificilmente contestável.

Então, o que pretende Merval?

Ele não se contenta com esse lugar antagônico ao governo Lula e considera que a defesa que o “antagonista” faz de suas escolhas, são pura propaganda visando a impor uma “imprensa oficial”. Uma acusação grave e sem nenhum fundamento.

Merval reivindica para si, um direito que ele nega a seu “antagonista”: o direito de criticar e defender seu próprio ponto de vista. O articulista da Globo pretende o monopólio da crítica?

Voltemos ao exemplo da crise econômica mundial. A maioria dos analistas internacionais destacaram a boa situação do Brasil para enfrentar a crise. Foi quase unanimidade entre eles que Brasil não entrará em recessão, mesmo reduzindo seu ritmo de crescimento. Todos coincidem em afirmar que a situação do país é solida e que o governo esta tomando as medidas certas para enfrentar o impacto da crise, incentivando o crédito, os investimentos e o consumo. Longe de subestimar a crise, Lula soube responder ao seu desenvolvimento a altura e, mais que isso, o país está melhor preparado para enfrentar suas consequências. Para Lula o mundo estava mergulhado em uma crise gigantesca mas o Brasil desta vez não fazia parte da causa e os efeitos aqui poderiam ser minimizados. A marolinha eram os efeitos aqui e não a crise lá fora, como insinua Merval.

Já em 1998, quando o país foi para o brejo por conta da decisão do presidente Fernando Henrique de manter sobrevalorizada a moeda até sua releição, jogando no ralo somas fabulosas das reservas do Brasil para manter a paridade do real e o dólar, a maioria dos analistas internacionais apontavam para as gravíssimas distorções e fraquezas da economia brasileira que não poderia continuar sustentando tamanho endividamento.

Pois bem, em ambas situações a maioria dos articulistas daqui, e Merval Pereira entre eles, destoavam em relação aos analistas internacionais.

Desde que a crise do subprime estourou, a imprensa nativa, com raras excepções, insiste em desqualificar o discurso presidencial (e dos analistas internacionais) pretendendo o país despreparado para amortiçar os seus efeitos aqui (na melhor dizem que Brasil esta bem graças a política econômica de FHC). Uma parte da mídia e da oposição parece torcer para o país desandar.

Já em 1998, esquecendo que ela ocupa “um lugar antagônico ao governo”, essa mesma mídia fazia eco ao carimbo de “neobobos” com o qual os tucanos rejeitavam o “catastrofismo petista”.

É que em 1998, Merval colocava o acento sobre o lugar da imprensa em outro lugar. Nada de “antagônico ao governo”. Na época ele a definia assim:

“Exercemos um papel socialmente relevante – o de ser um canal de comunicação entre Estado e Nação e entre os muitos setores da Nação entre si. É nossa atribuição fazer com que o Estado conheça os desejos e intenções da Nação, e com que esta saiba os projetos e desígnios do Estado.”

Merval acrescentava que “Justifica-se essa definição de nosso papel com o fato de que, no sistema democrático, a representação é fundamental, e a legitimidade da representação depende muito da informação, que aproxima representados e representantes.”

Por isso, em 1998, ele fustigava o denuncismo e proclamava: “o denuncismo é uma deturpação e um inimigo dos nossos próprios interesses profissionais e empresariais” (todas estas citações são da dissertação de Merval Pereira no 10 Fórum Nacional em 11 de maio de 1998, publicado pelo Observatório da Imprensa).

Este “esquecimento” do seu “lugar antagônico ao governo” parece ser uma constante da maioria da mídia, quando o governo é ocupado pelos tucanos. Basta ver o espaço que os jornais dão aos representantes da oposição ao governo Serra-Kassab, no Estado de São Paulo, para perceber quanto é fantasiosa a suposta “independência” arguida.

A própria afirmação de Merval Pereira sobre a “estrutura de propaganda” faz parte do lenga-lenga oposicionista, que junto com o “terceiro mandato” e outras invencionices do mesmo teor, poluem o noticiário enviesado da imprensa.

Basta olhar para a quase totalidade dos articulistas dos principais jornais do país para constatar que a oposição ao governo está amplamente representada e raríssimos são os que com Lula ou o PT simpatizam. Os chamados “formadores de opinião” são oposicionistas, não por apego ao lugar antagônico invocado por Merval e sim por simpatias pouco dissimuladas pela oposição.

Mesmo assim, nos seis anos do governo petista nenhuma ação cerceadora da liberdade de imprensa foi implementada ou projetada. Diferentemente de outros, nunca Lula levantou o telefone para exigir a cabeça de algum jornalista. A liberdade de imprensa aqui é total e irrestrita.

Agora querer que o presidente seja obrigado a ler as baboseiras que alguns escrevem para provar seu apego a liberdade da imprensa é querer demais.

Luis Favre

Visão oficial

Merval Pereira – O Globo

NOVA YORK. O jornalista Ricardo Kotscho, primeiro assessor de imprensa do presidente Lula, ensinou a ele a diferença entre notícia e propaganda: notícia é tudo aquilo que o governo não quer ver publicado. O resto é propaganda. Mas Lula, ao que tudo indica, não aprendeu. Dando sequência a diversas declarações espaçadas com críticas à imprensa, que considera que só vê o lado negativo, o número de janeiro da revista “Piauí” traz uma reveladora entrevista do presidente feita pelo editor-chefe da revista, Mario Sérgio Conti, especificamente sobre sua relação com a imprensa, uma relação, do seu ponto de vista, tumultuada e injusta desde que assumiu a Presidência da República, em 2003.

Mas, a se julgar pelo que está dito na entrevista, o que está tumultuada é a capacidade de julgamento do próprio presidente, a começar pelo fato de que ele admite que não lê jornais e revistas, não acessa a internet para ler notícias, não lê blogs de jornalismo, não vê televisão, porque tem azia.

Embora passe a entrevista reafirmando a importância da liberdade de imprensa e que não quer que apenas falem bem dele, o presidente Lula revela todo o seu desagrado com o noticiário crítico e, assim como quando se vangloria de ter chegado à Presidência sem ter uma educação formal estimula a falta de estudos, desqualifica a importância da imprensa na vida do país.

Então, como se informa o presidente da República? Além das audiências, onde recebe representantes da sociedade brasileira que lhe transmitem suas opiniões e sensações que seriam, segundo ele, um painel amplo do que acontece no país, Lula recebe informações especialmente de dois assessores diretos: de Clara Ant, assessora especial, e do jornalista Franklin Martins, ministro da Comunicação Social.

Quando consideram que merece a atenção do presidente, eles até lhes levam recortes de jornais e vídeos de reportagens. Na maior parte das vezes, porém, o que lhes transmitem, como fica claro na entrevista de Lula, são suas opiniões pessoais sobre o que está sendo publicado.

Clara Ant, por exemplo, conta que fica revoltada quando insinuam que o presidente Lula não gosta de ler. Na Casa Branca, diz ela, os relatórios que saem de uma imensa estrutura de seleção e análise de notícias acabam em um documento para a secretária de Estado, Condoleezza Rice, em pequenos parágrafos de não mais de quatro linhas cada.

O que Clara Ant não conta, ou não sabe, é que é assim porque também o presidente George Bush não é muito chegado a uma leitura. Quem conta é Richard Clarke, chefe do conselho de contraterrorismo da Casa Branca, no número de fevereiro da revista “Vanity Fair”, já nas bancas:

“No início da administração, Condy Rice e seu adjunto, Steve Hadley, disseram francamente: não deem ao presidente um bando de longos memorandos. Ele não é um grande leitor”.

Temos então um presidente que confessadamente se informa do que acontece pelo mundo ou com assessores que pensam como ele, ou com pessoas que pediram uma audiência e dificilmente vão ao Palácio do Planalto para criticar, mas para pedir favores ou decisões do governo.

Mas tanto o presidente Lula quanto o ministro Franklin Martins têm opiniões muito parecidas sobre a importância da grande imprensa. Os dois acham que o surgimento de canais de informações alternativos, com os novos meios tecnológicos, dá mais pluralidade ao noticiário e neutraliza a influência dos formadores de opinião, o que ajudaria o presidente Lula, em última análise.

Embutida nessa tese está a teoria da conspiração de que os grandes veículos de informação estão unidos contra o governo Lula. Em mais uma incongruência, Lula repete na entrevista uma tese que já havia firmado anteriormente, de que ele só chegou à Presidência graças à liberdade de imprensa existente no país.

Já que escrevo dos Estados Unidos, não é demais relembrar o grande jornalista Jack Anderson, considerado o pai do jornalismo investigativo, segundo quem a necessidade de a imprensa ocupar um lugar antagônico ao governo foi percebida com clareza pelos fundadores dos Estados Unidos, e por isso tornaram a liberdade de imprensa a primeira garantia da Carta de Direitos.

“Sem liberdade de imprensa, sabiam, as outras liberdades desmoronariam. Porque o governo, devido à sua própria natureza, tende à opressão. E o governo, sem um cão de guarda, logo passa a oprimir o povo a que deve servir”.

Thomas Jefferson entendeu que a imprensa, tal como o cão de guarda, deve ter liberdade para criticar e condenar, desmascarar e antagonizar. “Se me coubesse decidir se deveríamos ter um governo sem jornais ou jornais sem um governo, não hesitaria um momento em preferir a última solução”, escreveu ele.

Para o ex-presidente americano, o caminho mais eficiente até hoje encontrado para a busca da verdade é a liberdade da imprensa. “Por isso, é o primeiro a ser fechado por aqueles que receiam a investigação de suas ações”.

A visão de Lula talvez se aproximasse mais da realidade, e ele saberia mais cedo que o mundo estava numa crise de proporções bem superiores a uma marolinha se, como todo cidadão interessado no país, lesse jornais, revistas, visse o noticiário da televisão, lesse os blogs, se informasse, enfim, com a pluralidade que a democracia oferece, e não apenas com subordinados ou dependentes.

Os canais de informação do presidente, porém, estão mais para propaganda do que para notícia. Ele montou uma estrutura de propaganda que não há no país talvez desde a Era Vargas, coroada pela criação de uma TV oficial, assim como, dentro de suas possibilidades, Evo Morales está lançando um jornal oficial na Bolívia.

Do que eles gostam mesmo é de uma imprensa oficial.

08/10/2009 - 12:51h Crise regional define poder nacional

ColunistaMaria Inês Nassif – VALOR

Os dois partidos preferidos do eleitor paulista, PT e PSDB, mantêm a centralidade na política nacional mais pela polarização que o eleitor do Estado faz a partir deles – o eleitor define-se ideologicamente a partir da imagem que tem dessas legendas – do que pelo perfil de ambos. Desde a virada do milênio, as seções paulistas desses partidos vivem intensas crises internas porque vitórias estaduais são o primeiro passo da disputa nacional. As lideranças consolidadas pelo eleitorado tendem também a não abrir caminho para renovação.

A posição do PSDB, de partido há muito tempo no poder estadual, tornou-o demais atrativo para lideranças mais conservadoras que estavam abrigadas em partidos que perderam força e eleitorado, como o PMDB e o antigo PP de Paulo Maluf. Militantes antigos queixam-se da queda de qualidade de seus quadros. O destino trouxe de volta para o Estado líderes petistas de maior peso que se desgastaram no primeiro governo de Lula, mas hoje eles pendem muito mais a adequar o diretório paulista ao projeto de continuidade do PT no poder federal do que propriamente de adequação das necessidades nacionais às disputas paulistas.

PT e PSDB polarizam o eleitorado do Estado desde que o ex-governador e ex-prefeito Paulo Maluf (PRP) saiu do mapa das eleições majoritárias, posição consolidada quando ele se refugiou no mandato de deputado federal, em 2006. Parte do eleitorado malufista foi absorvida pelos tucanos – o voto que por conceito era antipetista – e pouco Maluf levou consigo em alianças com o PT.

O eleitor paulista tem mantido um certo padrão de voto: o governo do Estado está há 17 anos nas mãos do PSDB, duas das três cadeiras no Senado ficam com o PT e, na Câmara dos Deputados, os dois partidos paulistas têm as duas maiores bancadas do Estado – são 18 representantes do PSDB e 14 do PT. Na prefeitura da capital se revezam petistas e antipetistas – nas últimas eleições municipais venceu a disputa o prefeito Gilberto Kassab, do DEM, como o candidato antipetista, da mesma forma que Maluf ganhou em 1992 contra o PT e o seu sucessor, Celso Pitta, em 1996.

A candidatura vitoriosa de José Serra à prefeitura, em 2004, foi o momento em que a capital conseguiu realizar de forma mais completa o voto antipetista num representante tucano, sem que ocorresse perda de votos conservadores, claramente antipetistas, para uma legenda mais à direita no espectro partidário. Em 2008, o candidato tucano Geraldo Alckmin sangrou sua candidatura para Gilberto Kassab (DEM), que conseguiu a seu favor um perfil de eleitorado conservador, antipetista, antes dirigido a Maluf, e o eleitor tucano e o antipetismo menos conservador, os dois últimos vindos das mãos de Serra, de quem o candidato do Democratas era vice na prefeitura.

Polarizados nas eleições do Estado com mais eleitores, os dois partidos ainda conservam um grande poder na política nacional. O PT ainda tem uma forte concentração das decisões nacionais nas mãos dos representantes paulistas. Seu presidente é Ricardo Berzoini, deputado federal por São Paulo, e sua Executiva Nacional é fortemente paulista. O PSDB “despaulistizou” a direção nacional ao longo do governo de Fernando Henrique Cardoso, mas não o poder. A candidatura do paulista José Serra à Presidência mobiliza grande parcela do tucanato nacional desde 2002, quando ele perdeu a eleição para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2006, quando Lula disputou a reeleição, a briga pela legenda tucana à eleição nacional não saiu do Estado: o ex-governador Geraldo Alckmin foi o candidato, depois de ganhar uma queda-de-braço com o governador José Serra, que então se candidatou ao governo. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que se resguarda para as grandes decisões nacionais, também irradia daqui a sua influência para o resto do país.

Da mesma forma que São Paulo, no início da década de 80, produziu as novas lideranças políticas que iriam arejar a política nacional que saía da ditadura, é no Estado que, hoje, as lideranças antigas nacionais são mais arraigadas. A renovação está se produzindo primeiramente fora de São Paulo e começa a acontecer aqui de forma tardia e com mais dificuldades. Primeiramente, porque lideranças estaduais consolidadas tendem a não ceder espaço para novos personagens. Isso ocorre nos dois partidos. No PSDB, é mais acentuada a dificuldade de depuração de quadros de qualidade ruim que tendem a se amontoar num partido quando ele vira opção de poder – e foi o PSDB o grande atrativo para ex-quercistas e pemedebistas que abandonaram a legenda pemedebista esvaziada pela polarização eleitoral entre os tucanos e o PT. No PT esse efeito foi menor porque o partido tem mecanismos de controle interno que não foram desmontados depois que este alcançou o poder federal – e que, se não facilitam a vida dos que chegam de fora, pelo menos dá instrumentos para que as direções os submetam aos interesses de maiorias partidárias.

Se o trânsito das novas lideranças é difícil no PT e no PSDB paulista, também se tornam mais complicadas as disputas internas entre as velhas lideranças. No caso do PT, a luta interna entre os grupos, mesmo depois de 2005, em algum momento pode ser interrompida pela ação de um grupo majoritário. As próprias prévias eleitorais são regras para enquadramento de minorias. Nas eleições, esses mecanismos garantem coesão no palanque, mesmo que as divisões voltem a se manifestar no dia seguinte ao pleito. No PSDB, as disputas são enquadradas em articulações de lideranças que dificilmente conseguem garantir uma mínima coesão eleitoral. Não existem compromissos sólidos dos grupos derrotados em disputa com os grupos vitoriosos, nem se observa uma coesão partidária posterior a uma grande disputa interna pela legenda para cargos majoritários.

Pelos dados colocados na mesa até agora, o PT e o PSDB paulistas vão fazer valer a tradição e se aproximam das eleições rachados. O PT tem mais chances de ir unido para o palanque estadual do grupo vitorioso, mesmo que rache novamente logo em seguida. Qualquer que seja o grupo vitorioso no PSDB paulista, não há chances de unidade nem para as eleições.

Maria Inês Nassif é repórter especial de Política. Escreve às quintas-feiras

E-mail: maria.inesnassif@valor.com.br

15/06/2009 - 12:35h Cogitado em SP, Ciro coleciona ataques à elite estadual

Parece engraçado, mas não é. Cada vez que alguma força política ou político de renome se direciona para o lado do PT, imediatamente vira “bicho papão”. Quando o cara fica na seara dos tucanos, o bicho como que perde seu lado aterrorizador.

Veja o caso de Quercia, aliado hoje de Serra e Kassab. Quando fez movimento para o lado do PT, era assustador. Hoje é “interlocutor”, “hábil” e com grande potencial eleitoral.

Leiam o artigo embaixo sobre Ciro Gomes. Diferentemente dos outros presidenciáveis que ganharam páginas contrastadas no jornal Valor, com prós e contra, do momento que alguns começaram a pensar em lançá-lo candidato ao governo de São Paulo, virou o “bicho-papão”da vez. Parece que Serra usou palavrão pesado com o PSB perante o factóide da candidatura do seu desafeto.

Com Dilma o papo é a alta rejeição, com Ciro vai ser a mesma coisa sua alta rejeição. A arma suprema que sempre foi utilizada contra os que podem ameaçar a hegemonia tucana no Estado ou seu retorno ao poder no país. Era assim com Lula, é assim com a Marta, com Dilma e agora com Ciro. No caso do artigo embaixo a história é invocada, mas ninguém viu artigos como este quando do ex-aliado de Pitta, Gilberto Kassab, virou candidato de Serra a prefeitura de São Paulo. Eram histórias velhas. LF

http://3.bp.blogspot.com/_q82HeJQFXTg/R_tuDnRvZMI/AAAAAAAAB-I/jhvdhJz8V34/s400/ciro3.jpg

Yan Boechat de São Paulo – VALOR

Antes de ter seu nome oficializado como candidato ao governo do Estado de São Paulo por uma coligação envolvendo o PSB, o PT e o PDT, o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) já fornece um estoque de munição considerável para os adversários o atacarem . Ao longo da última década, o ex-governador cearense e ex-ministro da Fazenda no governo Itamar Franco declarou repetidas vezes que um dos maiores problemas do país é a elite econômica paulista . Mesmo tendo nascido em Pindamonhangaba (SP), a cidade natal do ex-governador paulista Geraldo Alckmin, Ciro arrisca ganhar a pecha de “estrangeiro” que não gosta de São Paulo pelos partidos que disputarão o governo estadual, em especial o PSDB, que lutará para ficar mais quatro anos no poder.

Nos três partidos pelos quais transitou nos últimos 20 anos, Ciro sempre foi enfático em seus ataques ao empresariado paulista. Para ele, seu Estado natal, sempre colocou seus interesses particulares à frente dos interesses da federação. Não são raras as frases do ex-governador cearense afirmando que o país é comandado por empresários paulistas. Em muitos desses episódios Ciro Gomes usou de sua conhecida verborragia para atacar os donos do capital do Estado mais rico.

Uma das mais controversas declarações de Ciro ocorreu em 2001, quase no fim do segundo mandato de FHC. Comentando sobre uma reunião que o então presidente havia tido com empresários paulistas, Ciro comparou o encontro a uma reunião da Operação Bandeirantes, a Oban, grupo paramilitar criado para combater movimentos de esquerda durante a ditadura militar.

Um ano depois, durante a campanha presidencial, Ciro voltou à carga, afirmando que o país ainda continuava sendo comandado por barões, sendo os atuais ligados ao sistema financeiro. “O atual modelo que concentra uma oligarquia de barões paulistas no poder precisa ser destruído”, afirmou o então candidato à sucessão de FHC em comício na cidade mineira de Sabará.

As críticas de Ciro ao empresariado paulista remontam até mesmo ao tempo em que era aliado de FHC, na época candidato à Presidência da República, com o apoio de toda elite econômica. O então ministro da Fazenda afirmara publicamente que os empresários de São Paulo estariam em complô contra o Plano Real.

As críticas à elite econômica de São Paulo continuaram ao longo dos últimos anos. Em 2006 Ciro Gomes afirmou que a “tragédia do Brasil é a classe dominante paulista”. A declaração foi motivada pelo fato de o deputado federal ter encontrado em um teatro de São Paulo a ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy, o atual secretário de cultura do Estado de São Paulo, João Sayad, e o governador de São Paulo José Serra. “Em São Paulo o PT e o PSDB são a mesma coisa”, disse ele na época.

Apesar de todas as críticas feitas à elite econômica paulista, Ciro recebeu mais de dois milhões de votos em São Paulo quando concorreu à Presidência da República em 2002. Percentualmente, teve um desempenho em São Paulo muito próximo de sua média nacional. Enquanto recebeu em todo o país 12% dos votos válidos, foi escolhido por 10% dos eleitores paulistas.

15/06/2009 - 12:07h Divisão do PT em eleição interna mantém a salvo apoio a Dilma

Raymundo Costa, de Brasília – VALOR

estrela_sobe1.jpgNo momento em que o PSDB não consegue superar a divisão interna, a consolidação da candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) uniu o PT e devolveu ao partido a expectativa de manter o poder, o que não dispunha, de fato, até bem pouco tempo. O resultado é que a lógica de fração que preside a sigla deve prevalecer na renovação do comando partidário, em 22 de novembro, mas esta será uma eleição em que os petistas devem demonstrar um raro entendimento entre suas tendências.

“Agora temos um candidato de verdade”, diz o líder na Câmara, Cândido Vacarezza (SP). Há até quem defenda a formação de uma chapa única com base na proporção de cada grupo na última eleição, caso do deputado José Genoino (SP). “Então nós transformaríamos o dia da eleição num grande evento de unidade política”, diz o deputado.

É difícil, como reconhece o próprio candidato do grupo majoritário, o presidente da BR Distribuidora, José Eduardo Dutra. Integrante da tendência Construindo um Novo Brasil (CNB), Dutra tem o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e já abriu negociações com as demais tendências do PT, inclusive a segunda maior delas, a Mensagem, que tem como líder o ministro Tarso Genro e deve concorrer com o deputado José Eduardo Cardozo (SP). Dutra acha que a lógica de fração deve se manter em mais essa eleição: é a maneira que os grupos petistas têm de medir sua força – “contar as garrafas”, como dizem os petistas históricos. Afastado há sete anos da rotina petista, Dutra procura agora restabelecer a convivência partidária para se favorito.

Uma demonstração do novo clima vivido pelo PT é o apoio dado pelo ex-ministro José Dirceu ao candidato Dutra, embora o ex-presidente da Petrobras não seja o seu candidato dos sonhos. O governador Marcelo Déda, que encampou a tese de refundação do ministro Tarso Genro, na crise do mensalão, apoia a candidatura do aliado, que antes do governo Lula era senador por Sergipe. Dutra agora conversa com outras três tendências que já haviam fechado com a CNB, se o candidato fosse Gilberto Carvalho (Lula não liberou seu chefe de gabinete): Novo Rumo, do líder na Câmara, Cândido Vacarezza (SP), que deve apoiá-lo, PT de Lutas de Massa, do deputado Jilmar Tatto (SP) e Movimento PT, capitaneada pelo deputado Arlindo Chinaglia (SP). “Já tivemos uma conversa. Mas no momento a posição que prevalece é a que foi tirada em encontro nacional pela candidatura própria”, diz Chinaglia.

Vacarezza acredita que “essa eleição não será ditada pela lógica das tendências”, isso porque o partido fechou com Dilma e pelo fato de as pesquisas indicarem que a candidatura da ministra é viável. E expectativa de manter o poder era algo que o PT não tinha, a ponto de o partido namorar com a ideia do terceiro mandato: Genoino é o relator da emenda que tramita no Congresso e pretende apresentar seu parecer na próxima quinta-feira ou, no máximo, na terça-feira 23. “No mérito eu sou contra, mas a fundamentação lá na CCJ tem de ser de técnica, e eu ainda não escrevi o parecer”, diz o deputado. De fato, cabe à Comissão de Constituição e Justiça apenas se manifestar sobre a constitucionalidade da emenda e não sobre seu mérito.

Para o líder na Câmara, a consolidação da candidatura Dilma permitiu dois movimentos ao PT, um ofensivo, no sentido da unidade, e outro defensivo, pois fica claro ao partido que “se nós começarmos a brigar entre nós, vamos ter problemas”. Integrante do Diretório Nacional, o ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh lista os aspectos em torno dos quais se costura a unidade petista, no momento: “A candidatura Dilma, a defesa do governo e a política de alianças”. Vacarezza acrescenta mais um: “Os elementos já postos para a campanha da Dilma, como a continuidade com mudanças”, diz. Ou seja, “a correção de eventuais erros e o aprofundamento dos acertos”, acentua Vacarezza.

O reconhecimento da viabilidade da candidatura Dilma, no entanto, não ilude o candidato favorito para presidir o PT, José Eduardo Dutra: “Vai ser uma eleição polarizada com o Serra (José Serra, governador de São Paulo) e muito difícil, mas temos todas as condições de vencer”, diz ele. O PT celebra uma pesquisa que encomendou ao instituto Vox Populi, na qual aparece com 29% dos 49% dos eleitores que declararam ter preferência partidária, muito à frente do PMDB, com 8% e do PSDB, com 7%. Outra medição: o PT é o partido com maior “recall”, com 35%, enquanto o PSDB parece em terceiro, com 14%, atrás do PMDB e seus 24%. E caiu por terra a percepção de que o PT atrapalhava o governo Lula: 70% responderam que o partido ajuda no país a crescer.

Apesar do otimismo sobre a unidade manifestado pelos petistas, no entanto, pelo menos um aspecto da lista de convergências já está dando problemas: a política de alianças. Todos concordam que a aliança nacional deve reger os acordos regionais. Dutra inclusive acredita que pode formalizar a coligação com o PMDB, de vez que na próxima eleição não haverá mais verticalização (a lei que condicionava as coligações estaduais à coligação nacional). O problema é que cada petista concorda com a tese da aliança ou prioridade de coligação com o PMDB desde que seja no Estado vizinho.

No Rio Grande do Sul, o argumento é que PT e PMDB são partidos que, tradicionalmente, polarizam as eleições gaúchas. Em Minas Gerais, são dois os candidatos de porte desavindos desde a eleição municipal: o ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) e o ex-prefeito Fernando Pimentel – mas é Hélio Costa (PMDB) quem está na frente das pesquisas. No Rio de Janeiro o PT quer quebrar o acordo com o PMDB.

Certo, mesmo, parece ser a adesão do PMDB paulista a Serra e a convicção da cúpula petista de que poderá convencer Ana Júlia Carepa que ela não tem chance de reeleição ao governo do Pará, se não se aliar ao deputado Jader Barbalho, mais forte pemedebista no Estado.

14/05/2009 - 12:03h Distrito Federal: Indefinição entre os petistas

estrelita1.gif

Embora Agnelo Queiroz tenha anunciado renúncia à corrida, Magela não assumiu candidatura oficialmente

Ana Maria Campos – Correio Braziliense

O ex-ministro do Esporte Agnelo Queiroz (PT) anunciou sábado a renúncia à disputa pela candidatura ao Governo do Distrito Federal, mas seu principal rival, o deputado federal Geraldo Magela, ainda não assumiu oficialmente o posto. Apesar da desistência de Agnelo, o PT continua batendo cabeça quanto à escolha de seu representante nas próximas eleições. A avaliação entre petistas é que poderá surgir até mesmo um terceiro nome ainda não cogitado.

Por meio de sua assessoria, Magela informou que só fará um pronunciamento sobre a campanha depois que Agnelo comunicar oficialmente a posição. O ex-ministro do Esporte, por sua vez, tem se reunido com vários aliados no PT para explicar a postura adotada no sábado, durante debate no Gama, o primeiro com o adversário, como preparatório para as prévias. A várias pessoas, Agnelo tem dito que quer ser candidato a governador, mas não aceita prolongar até março de 2010 uma disputa interna. Ele avalia que esse embate vai inviabilizar qualquer pretensão do PT de concorrer com o governador José Roberto Arruda (DEM), que deverá disputar a reeleição, ou com o ex-governador Joaquim Roriz (PMDB), outro nome apontado como pré-candidato ao GDF.

Embora Agnelo esteja conversando com vários petistas e até mesmo com parceiros de outros partidos, muita gente ainda não entendeu o que ele quis fazer. “Acho que o timing foi errado. Ele não poderia ter tomado essa decisão no primeiro debate. Deveria ter ouvido o que a militância tem a dizer”, analisa o deputado distrital Cabo Patrício (PT). Entre petistas, há uma avaliação de que Agnelo se antecipou a uma determinação da direção nacional que tem sinalizado a petistas de todos os estados uma preferência pelo projeto presidencial. Nessa estratégia, a direção do PT proibiu o lançamento de candidaturas antes do encontro nacional, que vai definir o arco de alianças para a possível campanha da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. A preferência do partido é ampliar a bancada de deputados e senadores.

Tática
Aliados de Agnelo, no entanto, afirmam que a medida é apenas uma tática para transformá-lo no candidato a governador. Eles levam em conta que Magela não estaria, de fato, interessado em disputar o governo, já que tem se destacado no Congresso e, inclusive, conseguiu neste ano a relatoria-geral do orçamento da União para 2010, ano eleitoral. A avaliação é de que Magela estaria apostando na visibilidade da disputa para crescer como candidato à reeleição ou ao Senado. Sem um adversário, no entanto, ele perderia essa posição. Procurado pelo Correio, Agnelo disse que respeita a posição de Magela como candidato a governador.

Magela tem procurado desmentir essa informação em todos os debates e em entrevistas ao Correio. Ele sempre reitera a intenção de concorrer ao GDF. Nesta semana, no entanto, reclamou com políticos da postura de Agnelo e tem dito, em conversas reservadas, acreditar que é o ex-ministro do Esporte quem não quer ser candidato a governador. Ele afirma acreditar que o rival está, na verdade, em busca de uma campanha ao Senado, com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O presidente regional do PT, Chico Vigilante, garante que a intenção real de Agnelo é disputar o governo, mas ele não quer colocar o partido num impasse que o leve a derrota. O deputado distrital Paulo Tadeu (PT) também aposta que Agnelo sonha com a candidatura. “Acho que ele ainda poderá rever essa posição. Acredito que o PT encontrará uma solução para esse embate”, disse Tadeu.

05/05/2009 - 11:05h PT: sucessão no RS põe Tarso e Berzoini em conflito

http://g1.globo.com/Noticias/Politica/foto/0,,14325092-EX,00.jpghttp://4.bp.blogspot.com/_GgI7-2UIpiU/R1zZbFd9GxI/AAAAAAAACrM/Wjipfxxd7hE/s320/tarso.jpg

Clarissa Oliveira – O Estado SP

Os preparativos para a corrida eleitoral de 2010 no Rio Grande do Sul abriram no último fim de semana uma crise pública entre o presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), e o ministro da Justiça, Tarso Genro (RS). O conflito começou após Berzoini afirmar, em entrevista ao jornal Zero Hora, que considera “prematuras” decisões sobre candidaturas nos Estados ainda este ano.

link Confira a íntegra da entrevista

A declaração foi feita em referência ao fato de Tarso ter registrado oficialmente no PT sua pré-candidatura ao governo gaúcho, no final do mês passado. Um dia após tomar conhecimento das declarações do presidente do PT, Tarso veio a público para cobrar um pedido de desculpas. “As declarações são constrangedoras e ofendem todo o partido no Estado”, declarou o ministro,ao mesmo jornal.

Ontem, em entrevista à TV Estadão, Berzoini não aceitou a cobrança. Questionado se acredita que deve desculpas a Tarso, rebateu: “Temos de trabalhar com tranquilidade. Esse tipo de debate público não interessa ao PT nem ao ministro.”

Ainda assim, ele reafirmou as declarações do fim de semana. Disse que a prioridade no partido é o calendário para a eleição presidencial de 2010, que prevê definições como a política de alianças nacional. “Qualquer decisão antes disso, seja sobre política de alianças ou sobre candidaturas, é uma decisão provisória”.

Berzoini: Tarso deve respeitar prazos para candidatura


TV Estadão | 4.5.2009

O presidente do PT, Ricardo Berzoini, rebate críticas do ministro da Justiça Tarso Genro, que havia anunciado a pré-candidatura ao governo gaúcho. Berzoini disse que anúncio era “prematuro”

12/04/2009 - 14:03h PT inicia caravanas pro-Dilma em São Paulo

http://oglobo.globo.com/fotos/2009/02/10/10_MHG_pais_dilma_rousseff.jpg

Petistas criam força-tarefa para ”vender” Dilma em SP

Ideia é fazer um contraponto às articulações do PSDB pela candidatura presidencial de Serra e ao domínio tucano em território paulista

Julia Duailibi e Clarissa Oliveira – O Estado SP

A fim de fortalecer em São Paulo a pré-candidatura presidencial da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, o PT organizou uma força-tarefa no Estado para tornar o nome da petista mais conhecido entre os eleitores e militantes no maior colégio eleitoral do País. A ideia é fazer um contraponto às articulações do PSDB em prol da candidatura do governador José Serra e ao domínio tucano em território paulista, onde o partido governa desde 1995.

O PT acabou de fechar um calendário com caravanas que vão percorrer 19 cidades até 27 de junho. A meta é que os principais nomes do partido em São Paulo, como a ex-ministra do Turismo Marta Suplicy, o deputado Antonio Palocci (SP) e o senador Aloizio Mercadante (SP) ajudem a divulgar o nome da ministra e a relacioná-la com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

De quebra, o PT vê a chance de alinhar o discurso para a corrida estadual e testar a reação da militância a alguns possíveis candidatos, como é o caso de Palocci. Há preocupação na legenda com a visibilidade dos nomes tucanos na disputa, como o ex-governador Geraldo Alckmin, cuja força eleitoral vem principalmente do interior, e o secretário da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira, que, apesar do desempenho ainda fraco nas pesquisas, tem bom trânsito com prefeitos paulistas.

“É uma ótima iniciativa porque permite ao partido ir se aglutinando, trocando ideias e propostas. Fortalece as nossas candidaturas de 2010″, declarou Marta, que já confirmou ao PT sua presença na série de eventos. Enfraquecida desde a derrota na eleição do ano passado, Marta foi recrutada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ajudar no trabalho de apoio a Dilma, numa manobra para acalmar a pressão de seu grupo para que fosse realocada no governo.

Nas caravanas, também serão abordados a crise econômica e o papel do PAC na reativação da economia. Uma das propostas em pauta é que o diagnóstico regional feito nos encontros embase uma série de demandas para serem levadas até Serra no fim do ano, em marcha ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.

Além da articulação interna, o PT diz ver a necessidade de se contrapor diretamente à movimentação de aliados de Serra. Petistas avaliam que secretários do tucano têm tido a oportunidade de rodar o Estado em atividades de governo, onde aproveitam para promover o nome do governador. “Vamos preparar o partido para o enfrentamento de 2010″, justificou o presidente estadual do PT, Edinho Silva. Marta, por exemplo, já ensaia o discurso com os ataques ao governador. “Enquanto Lula anunciou o aumento do número dos que recebem Bolsa-Família e de valores pagos, o governo do Estado contingenciou o social”, afirmou a ex-ministra.

“É fundamental e muito importante que aqueles (no PT) que têm experiência de governo ouçam as pessoas para elaborar um projeto para o futuro”, completou o secretário-geral do PT, deputado José Eduardo Martins Cardozo (SP).

DESVANTAGEM

Há 14 anos no poder, o PSDB aumentou sua presença eleitoral no Estado, o que deixa o PT em posição desconfortável. Em 2002, Lula venceu em São Paulo com 55,4% dos votos válidos, ante 44,6% de Serra. Os candidatos petistas e a própria legenda tiveram, juntos, mais de 35 milhões de votos no primeiro turno, contra 25 milhões de votos obtidos pelos tucanos em São Paulo. Uma diferença de 10 milhões de votos.

Em 2006, o sinal inverteu. O então candidato tucano, Geraldo Alckmin, ganhou no Estado, apesar de ter sido derrotado por Lula – teve 1 milhão de votos a mais no segundo turno. No primeiro, os tucanos levaram 33 milhões de votos, ultrapassando os 31 milhões dos petistas.

 

 

prefeitos_ptsp.jpg
Prefeitos do PT da região metropolitana em jantar pro-Dilma – 14/02/2009

 

 

deputado_pt_sp_dilma_marta.jpg
Deputados estaduais do PT – SP

 

 

 

 deputado_ptfederais_sp_dilm.jpg
Senadores e Deputados federais do PT-SP


 

Largada será na Baixada Santista e no Vale do Ribeira

 

Julia Duailibi e Clarissa Oliveira – O Estado SP

 


A série de caravanas organizadas pelo PT para alinhar o discurso da militância para 2010 e fortalecer a candidatura da ministra da Casa Civil , Dilma Rousseff, será aberta no fim deste mês, na Baixada Santista.

A ideia é abrir os trabalhos no dia 24, com uma reunião do Diretório Estadual do partido em Santos (SP). Os debates continuam até o dia seguinte, quando outra caravana ocorrerá no Vale do Ribeira.

No último dia 4, o PT fez um “teste” em Guarulhos, onde lançou internamente o projeto das caravanas.

24/03/2009 - 11:32h Perto do príncipe, ma non troppo

O ‘conselheiro’ Marco Aurélio, um dos mais próximos de Lula, fala de sua rotina palaciana

 

Flávia Tavares e Ivan Marsiglia - O Estado de S.Paulo – Suplemento semanal Aliás

 


- Marco Aurélio Garcia é maquiavélico. Não no julgamento que os inimigos fazem dele, ao criticar sua dupla atuação como assessor especial do governo Lula e vice-presidente do Partido dos Trabalhadores, ou ao relembrar o episódio relacionado ao acidente com um avião da TAM em 2007 – quando foi flagrado fazendo “top-top” na janela de seu gabinete ao conferir pelo Jornal Nacional notícias que eximiam o governo de culpas. Marco Aurélio diz-se maquiavélico na forma como conduz seu relacionamento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva: “Procuro estar perto do príncipe, mas não vê-lo o tempo todo”, explica, aludindo a Nicolau Maquiavel, pensador florentino do século 16.

O “professor Marco Aurélio”, ou MAG, como também é chamado no Palácio do Planalto, admite que chega a se encontrar com o chefe “cinco ou seis vezes por dia”. Quinta-feira, por exemplo, interrompeu esta entrevista ao receber um bilhete de Lula para ir ter com ele. Tratariam das visitas dos presidentes Cristina Kirchner, da Argentina, e o recém-eleito Mauricio Funes, de El Salvador, que ocorreriam no dia seguinte.

Reconhece o privilégio, que de fato tem, de ocupar um cargo de primeiro escalão sem o ônus de administrar uma pasta. “A grande vantagem é que não assino ordem de pagamento, nem tenho problemas com o Tribunal de Contas”, brinca. E, a despeito dos insistentes rumores de que desperta ciumeiras no Itamaraty, jura que em seis anos de governo jamais teve divergências com o chanceler Celso Amorim ou com o secretário-geral da instituição, Samuel Pinheiro Guimarães. Define-se como “conselheiro” especializado em assuntos da América Latina e parece empenhado, até o último fio da barba, numa polêmica justificativa dos voluntarismos de Hugo Chávez: “Ele é consequência, não causa da instabilidade na Venezuela”.

Natural de Porto Alegre, Marco Aurélio Garcia tem 68 anos, é viúvo e pai de um filho. Cursou direito e filosofia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e ainda estudou na Escola de Altos Estudos e Ciências Sociais na França. Ex-filiado ao Partido Comunista Brasileiro, exilou-se em Santiago e em Paris durante a ditadura militar brasileira, período no qual iniciou seus contatos com agrupamentos de esquerda europeus e latino-americanos.

De volta ao Brasil, no fim da década de 70, acompanhou as greves de metalúrgicos do ABC paulista das quais Lula emergiria como líder. Foi Marco Aurélio que, em 1980, redigiu a ata de fundação do PT. Acompanhou, como secretário de relações internacionais do partido, as inúmeras viagens de Lula ao exterior; e quando o operário chegou à Presidência, em 2002, licenciou-se do Departamento de História da Unicamp para assumir o posto que ocupa até hoje.

Nesta entrevista, o “conselheiro do príncipe” revela detalhes do encontro de Barack Obama com Lula na Casa Branca, no dia 14. Estava lá, na comitiva presidencial. Diz que as conversas giraram em torno da crise econômica, mas o tema Cuba, cogitado item de pauta, apareceu mesmo foi no diálogo que o próprio Marco Aurélio manteve com o general James Jones, assessor de Obama para assuntos de Segurança Nacional. Reuniu-se por duas horas com o militar, num gabinete da Casa Branca. Mas nega que o governo brasileiro queira intermediar a reaproximação entre Havana e Washington: “O Brasil não é um país oferecido”.

Quais foram as suas impressões do encontro dos presidentes Lula e Barack Obama?
Os dois falaram, principalmente, da questão econômica. O presidente Lula transmitiu sua visão sobre a incidência da crise no Brasil e ouviu de Obama a avaliação sobre a situação da crise lá. Além disso, trataram da América Latina: o presidente Lula disse que seria essencial que os EUA tivessem uma política de parceria com a região. Informou o desejo do presidente Hugo Chávez de estabelecer um bom relacionamento com os EUA. Por fim, falaram de temas bilaterais, num balanço positivo da cooperação entre EUA e Brasil. Lula expressou sua preocupação com tendências protecionistas dos americanos e tratou do tema energético, reivindicando o fim das barreiras aos biocombustíveis.

Cercando o encontro, havia comentários de que Obama pode vir a comprar mais petróleo brasileiro, e menos venezuelano, baixando a estridência de Chávez. Isso é fato?
Não há nada nesse sentido. Isso acabou crescendo porque um jornalista do (diário espanhol) El País levantou o assunto. Mas é uma ficção. O Brasil não tem excedentes petroleiros significativos para exportar. E não iríamos estabelecer concorrência com países como a Venezuela e o Equador.

Obama também teria perguntado a Lula se Mauricio Funes seria eleito presidente em El Salvador e se era confiável. O senhor confirma?
Foi o presidente Lula que tocou no assunto, elogiando Funes.

Qual foi sua missão nesse primeiro contato Lula-Obama?
A visita foi montada pelo Itamaraty, especialmente pelo embaixador Antonio Patriota. Eu tive uma reunião com o general James Jones, assessor de Segurança Nacional de Obama.

Por que o governo americano designou o general para falar com o senhor? Há um olhar militarista sobre a América Latina?
Não, nos EUA ele é tido como minha contraparte. Inclusive, na última visita que fez ao Brasil, Condoleezza Rice referiu-se a mim como national security adviser – uma figura de conselheiro presidencial, que não é ministro. O general Jones e eu falamos da próxima Cúpula das Américas, em Trinidad e Tobago. Ele me perguntou se a questão cubana teria papel central e eu disse que achava que não, o tema principal deveria ser a crise econômica. Há países na região muito penalizados pela diminuição drástica das importações americanas e das remessas dos imigrantes para casa. O tema de Cuba vai aparecer, porque há um sentimento generalizado na América Latina de que o embargo não tem mais sentido. Faz parte de uma agenda ultrapassada, da Guerra Fria. E a normalização das relações com Cuba teria um efeito extraordinário na imagem dos EUA. Penso que, num primeiro momento, as iniciativas americanas deveriam ser unilaterais, sem nenhuma condicionante.

O Brasil não arrisca seu cacife político nessa intermediação?
O Brasil não é um país oferecido. O pedido de mediação deve partir dos envolvidos e não houve isso nem da parte dos EUA nem da parte de Cuba. Obviamente temos interesse em que esse problema se resolva. A América Latina é uma região de paz e remover esse obstáculo seria um ganho para todos.

Na quarta-feira, Costa Rica e El Salvador restabeleceram relações diplomáticas com Cuba, aumentando o já amplo consenso sobre a integração da ilha ao continente e ao mundo. Isso influencia os EUA?
Seria bom que os EUA vissem esses fatos como mais um sinal de que governos com as mais distintas sensibilidades políticas na região consideram importante o diálogo.

Houve expectativas frustradas na visita? As barreiras ao etanol brasileiro não caíram…
Não somos ingênuos de achar que num sábado de manhã o presidente dos EUA iria resolver os problemas tarifários do etanol, sabendo que isso depende de negociações no Congresso. Foi um contato entre dois líderes do continente que têm hoje uma incidência forte nas decisões internacionais, e a intenção era que eles pudessem, já no começo da administração Obama, estabelecer um diálogo e uma confiança recíproca. Isso aconteceu, em um ambiente de extrema cordialidade.

Empatia pessoal é um elemento que define o jogo político?
Influencia muito, principalmente pelo estilo Lula. O presidente valoriza os contatos pessoais e sempre diz que nada substitui o “olho no olho”. Depois do encontro Casa Branca, disse que viu em Obama inteligência e juventude, qualidades fundamentais. Ainda mais porque essa é uma crise com componentes culturais fortes… Lula imagina que o fato de a condução dos EUA ter sido entregue a uma pessoa de geração inclusive diferente da dele é algo muito alentador.

Bush falava espanhol com Lula, Obama não fala. A barreira da língua pode dificultar a relação entre os dois presidentes?
Olha, as pessoas sobrevalorizam o espanhol do Bush (risos). Quando Lula foi eleito, muitos diziam que ele não iria bem na política internacional porque não fala outras línguas. Eu tinha andado com ele dez anos por este mundo afora, como secretário de relações internacionais do PT, e pude ver que língua estrangeira nunca foi barreira para o entendimento dele com outros líderes.

O governo Lula foi alvo de críticas pela adoção da política Sul-Sul, sob o argumento de que ela não coloca o País entre os grandes.
Mas ela foi benéfica. Não sei de quem vem esse argumento de que o Brasil não estaria entre os grandes, o que é desmentido pela realidade. Que eu saiba, foi a partir de 2003 que o Brasil começou a frequentar as reuniões do G-8, a ter papel importante nas negociações comerciais e terminou sendo convidado para a instância máxima de governança mundial, que é o G-20. A política Sul-Sul e iniciativas como aquela que temos com a Índia e a África do Sul, e com o mundo árabe, tudo isso foi feito sem confrontação com os EUA, a União Europeia ou o Japão. Mantivemos uma relação fluida, mas não de subordinados.

Acentuar relações bilaterais com os EUA e a UE seria melhor no enfrentamento da atual crise?
Acho que não. Prova disso é que os países que estabeleceram os tratados de livre comércio têm hoje uma relação deficitária com os EUA, enquanto nós temos superávit. Quase quadruplicamos nosso comércio exterior e o diversificamos em duas direções. Uma é geográfica: não somos dependentes de nenhuma região em particular. E há outro dado importante: o Brasil não é dependente do comércio exterior, que representa 14% do PIB. Hoje o eixo da economia brasileira é interno. Por isso estamos sofrendo, mas resistindo melhor à crise do que os países com mais de 40% de seu PIB vinculado ao exterior.

Episódios recentes explicitam discordâncias do Brasil com vizinhos. Houve a crise do Equador com a Odebrecht, a do gás boliviano e as reclamações do Paraguai sobre Itaipu. Como exercer liderança nesse contexto?
O Brasil não tem aspirações de liderança. Quem aspira a liderança quebra a cara. A opção que fizemos é de integração solidária, crescermos juntos. Todos esses incidentes tiveram desfechos favoráveis. Com a Bolívia, normalizamos as relações e continuamos importando gás – e quem estabeleceu essa dependência em relação ao gás boliviano foram os governos anteriores. Com o Equador, foi um incidente que opôs uma empresa ao governo local, que, a meu ver, agiu de forma precipitada. Mas nós não perdemos um centavo e o Equador continua pagando as dívidas que havia contraído. Com o Paraguai, estamos discutindo civilizadamente as diferenças e tenho certeza de que vamos chegar a bom termo.

O presidente cobrou-o por causa desses incidentes, justamente na região onde o senhor mais atua?
Não fui cobrado nem pelo presidente nem pelo ministro Celso Amorim. Sou um assessor: a única coisa que tenho que fazer é assessorar, expressar meus pontos de vista, cumprindo as orientações do governo. O grande vetor da política externa é o Ministério das Relações Exteriores, que é extremamente qualificado em sua composição. Eu me beneficio de ter um razoável conhecimento intelectual da região e relações pessoais com muitos dirigentes. Mas não gosto de me estender sobre esses temas, porque ou se acaba fazendo autopropaganda ou se fica justificando. Não tenho do que me justificar. Estou preocupado com as minhas funções.

E quais são elas?
Houve uma opção do presidente Lula por um tipo de assessoria especial, diferente daquela de outras gestões. Fui precedido de extraordinários diplomatas. Mas, pelo fato de serem diplomatas, muitas vezes eram quase uma extensão do Itamaraty na Presidência da República. Eles tinham tarefas, algumas iguais às minhas, outras distintas, mas que correspondiam a outro estilo de governo.

Qual é seu estilo, professor?
Alguns colegas tentam dizer que eu tenho orientação ideológica. Tenho as minhas ideias, como todo mundo. Mas o sujeito que diz que o outro tem orientações ideológicas também tem as suas, às vezes mais radicais. Nunca coloquei minhas ideias acima dos interesses nacionais.

Mas em que sua atuação se diferencia do trabalho de um diplomata do Itamaraty?
Temos coisas em comum: preparamos os discursos do presidente, os pontos de conversação das reuniões de que ele vai participar, tudo isso no âmbito da política externa. Preparamos também textos de informação para ele. No meu caso, tenho cumprido muitas missões por determinação do presidente, mas nunca fiz uma viagem que não comunicasse ao Itamaraty, em que não fosse assessorado pela embaixada local. Há uma sintonia muito grande.

Em seis anos jamais ocorreram discordâncias entre a sua assessoria e o Itamaraty?
Lamento dizer, sei que isso faria a graça da entrevista (risos), mas nós não tivemos nenhuma divergência. Porque estamos sempre discutindo, em particular com o ministro Amorim. Mas, repito, o grande condutor e formulador da política externa é o presidente da República, como é de todas as outras políticas. Os ministros são executores, eu nem executor sou. Sou muito mais um conselheiro.

Ocupar um cargo de primeiro escalão sem o ônus de administrar uma pasta é um privilégio, não?
A grande vantagem é que eu não assino nenhuma ordem de pagamento ou coisas do tipo, nem vou ter problema com o Tribunal de Contas.

Como é sua interlocução com o presidente Lula?
Ele ouve muito, é de trato afável. Eu o conheço há muito tempo, temos uma relação de confiança grande. Pode ocorrer, e já ocorreu, de eu ter uma opinião distinta da dele. Mas não sou pago para estar de acordo, e sim para expressar meu ponto de vista. No fim, me submeto às decisões dele, porque sei quantos votos Lula teve e quantos votos eu não tenho. Quanto à frequência dos encontros, tem dias em que eu o vejo cinco ou seis vezes, às vezes menos. Procuro seguir a máxima do Maquiavel, em O Príncipe, que é a de estar perto do príncipe, mas não vê-lo todo o tempo.

Esse contato não causa ciúme?
Olha, nunca percebi. Tenho uma relação muito fluida com meus colegas, sobretudo com os que têm funções mais importantes que as minhas, como é o caso dos ministros. Agora, uma das muitas coisas em que estou de acordo com o presidente é quando ele diz que ciúme de homem é o pior tipo (risos).

Como o senhor explica a dificuldade brasileira nas negociações comerciais com a Argentina?
Na questão econômica, a Argentina é fundamental para nós. Os empresários brasileiros sabem disso. Sabem que, se eles arriscam a perder um pouco das vantagens comerciais, ainda assim o atrativo do mercado argentino é de tal ordem que certas renúncias serão perfeitamente factíveis. Nosso comércio com aquele país ultrapassou, em 2008, US$ 30 bilhões. Por outro lado, o Brasil é hoje o principal investidor na Argentina.

Lula influencia Chávez?
Mantemos uma relação intensa com a Venezuela, com um comércio em torno de US$ 7 bilhões. Mais do que isso, o governo Lula tem insistido muito junto ao presidente Chávez, e ele foi sensível a esse apelo, sobre a importância de escapar à maldição do petróleo, da monoprodução e da vulnerabilidade diante de oscilações do mercado mundial. A Venezuela importava tudo: ovos, leite, farinha de trigo… Isso é injustificável. Fomos nessa direção e estabelecemos um programa de cooperação entre os países. Porém, não temos direito de nos imiscuir nas decisões de política interna venezuelana. E procuramos resolver tudo na base da negociação. O presidente Lula é um incansável homem do diálogo.

Na semana passada, Chávez militarizou os aeroportos e portos do país, segundo alguns, para enfraquecer os Estados de oposição. O governo brasileiro não vê isso como sinal de autoritarismo?
Não acredito que isso ponha em risco as instituições. O presidente Fernando Henrique tomou a iniciativa de ocupar as refinarias brasileiras para reprimir greves (em 1995, FHC ordenou a ocupação de quatro refinarias da Petrobrás, para garantir o acesso a quem quisesse trabalhar). Eu me opunha a essa iniciativa, mas nunca cheguei a dizer que ela ameaçava a democracia. Não vejo riscos nesses países que têm Constituição, leis, instituições, liberdade de imprensa. O presidente Chávez briga com a imprensa? Briga, mas a imprensa também briga com ele. E não há presos políticos. Enfim, esses são elementos, a meu juízo, fundamentais na análise.

E a insistência de Chávez na reeleição ilimitada? Não é um jogo para se perpetuar no poder?
Veja bem, há países onde existem mecanismos de reeleição indefinida. A questão fundamental é saber se em 2012, quando haverá novas eleições presidenciais, os venezuelanos vão querer manter o Chávez ou não. Se eles quiserem mantê-lo, tudo bem. O Brasil é que fez uma opção por dois mandatos. É a nossa cultura política. A Venezuela até 15 anos atrás era apresentada como paradigma da democracia na região. Mas então o sistema político se desagregou. Aqueles que acham que Chávez é o causador da instabilidade na Venezuela não se dão conta de que ele é a consequência, não a causa dela. Além do mais, com que autoridade vou deitar cátedra sobre outros países, quando sei que temos aqui problemas graves no funcionamento das nossas instituições?

Essa semana Chávez anunciou que vai abrir uma ilha no Caribe para bombardeiros russos usarem como base. Não é provocação aos Estados Unidos?
Meus caros, isso, seguramente, é uma provocação bem menor que a instalação de um sistema antimísseis na Europa Central. Pode ser uma provocação verbal, mas não tem dimensão política. A Doutrina Monroe não tem mais vigor, não existe mais aquela coisa de “a América para os americanos”. A determinação de criar a quarta frota é muito mais provocativa do que isso. Talvez até essa iniciativa seja uma resposta malcriada a essas tentativas. Hoje em dia os EUA mantêm relações estáveis com a Rússia. Não há mais “perigos vermelhos”. Perigo vermelho é o meu time, o Internacional, que é muito bom (risos).

O PT tem a pretensão de ser um ?modelo político de exportação? para a América Latina?
O PT tem mantido com muitos partidos da região um diálogo grande. Exercemos influência sobre eles, que também já exerceram influência sobre nós. E hoje as realidades desses países são muito distintas da nossa. O Fernando Lugo elegeu-se no Paraguai praticamente sem partido, numa coalizão da qual participam partidos de direita. Na Nicarágua, também houve uma aliança com um partido de direita. No caso de El Salvador foi um enfrentamento fortíssimo com a direita, por parte da Frente Farabundo Martí. Claro que o PT tem visto isso, mas tem os próprios problemas a enfrentar, tem de se atualizar e fazer um balanço de seus quase 30 anos de vida.

O que vai ser do PT pós-Lula?
Com a chegada de Lula à Presidência, tivemos certos problemas. Talvez o PT não tenha avaliado todas as consequências do que é ser um partido de governo. E o que é isso? Um partido de governo tem, por um lado, que apoiar esse governo, mas, por outro, ser também uma espécie de consciência política, que olhe os problemas na ótica da sociedade. Em 2005 (durante a crise do mensalão), nossa resposta foi extremamente tímida, não só para a sociedade, mas para dentro do partido. Ainda está inconcluso esse processo de reflexão que o partido precisa realizar.

O momento mais dramático de sua passagem pelo governo foi o episódio do ?top-top?. Hoje, como avalia o que aconteceu?
Ainda persiste na cabeça de algumas pessoas, por desinformação ou por má-fé, a ideia de que eu estava comemorando. Nós estávamos extremamente abatidos pela tragédia da TAM, com quase 200 mortos. E víamos em parte da imprensa um julgamento precipitado no qual se tentava responsabilizar o governo integralmente. Estávamos sob tensão e, quando veio aquele desmentido, eu e meu assessor tivemos um desabafo. Eu até tinha conhecidos no avião, porque ele vinha de Porto Alegre. Claramente, houve uma invasão de privacidade por parte da televisão. Mas já vivi situações muito mais difíceis que essa, de perda, repressão, e sempre saí bem. A única preocupação que tive naquele momento foi que isso pudesse cair em cima do governo.

E o senhor pôs o cargo à disposição do presidente Lula…
Imediatamente, porque achei que, independentemente de estar convencido de que tinha sido cometida uma infâmia contra mim, uma ação sórdida dessa emissora de televisão, o episódio seria visto por milhões de pessoas e usado como um elemento injusto de crítica ao governo. Mas o presidente não aceitou meu pedido. Enfrentei alguns tipos de constrangimento, mas também quero dizer que recebi uma solidariedade muito grande de pessoas pelas quais tenho muito apreço e de outras que nem conhecia.

O que pretende fazer quando Lula deixar o Planalto?
Sempre tive profissão e estou transitoriamente no governo. Saindo daqui posso fazer uma coisa de que gosto muito, que é voltar a dar aula na Unicamp, me dedicar à pesquisa e escrever. Quero realizar uma reflexão mais ampla sobre a experiência no governo, sobre a política externa. Se virar livro, muito bem – preciso ter tempo e disciplina para fazê-lo. A única coisa que não quero é me aposentar. Vou me empenhar na campanha da nossa candidata à Presidência, se efetivamente o PT tiver o consenso em torno dela, e terá.

O que o senhor acha da eventual candidata?
Ela reúne um conjunto de condições muito favoráveis para ocupar a Presidência da República. Tem um profundo conhecimento dos problemas brasileiros, que não decorre só da sua enorme experiência administrativa, mas também de uma curiosidade intelectual que faz com que passeie tranquilamente sobre problemas teóricos e práticos do País. Dilma tem cabeça para governar, mas não se esquecerá de seguir uma regra do presidente Lula: “Em momento de dúvida, consulte o coração”. O que é importante, porque o coração está à esquerda…

24/03/2009 - 10:02h Mercadante: “PT está unificado com Dilma”



TV Estadão | 23.3.2009

Em entrevista aos jornalistas Roberto Godoy e Clarissa Oliveira, o senador falou sobre a eventual candidatura de Palocci ao Governo de SP e o plano para reverter royalties do pré-sal para a educação

17/03/2009 - 12:23h Crise embaralha sucessão presidencial

Wilson Dias/AB

Serra, Dilma e Aécio, durante reunião de governadores: alcance da crise determinará peso de temas na campanha

 

Maria Cristina Fernandes, Valor, de São Paulo

O maior ativo da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, é também o maior risco do governo Luiz Inácio Lula da Silva até 2010. Foi pelo reconhecimento à sua capacidade de gestão que Dilma deixou o Ministério das Minas e Energia para, em meados de 2005, assumir a Casa Civil no lugar de José Dirceu, até aquele momento insubstituível condestável do governo petista. Alçada à mãe do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), tornou-se a preferida de Lula à sua sucessão. Se os investimentos públicos tiveram um tímido, mas importante avanço em 2008 isso se deveu, em grande parte, à saúde financeira das estatais e à dinâmica que a ministra imprimiu aos negócios do governo.

Com a antecipação da campanha presidencial, a ministra intensificou sua agenda de viagens pelo país, grande parte delas sem o presidente. Se a agenda segue, por um lado, a estratégia de levar sua fatia de intenção de votos a 25% até o final do ano, deixa a descoberto, por outro, o gerenciamento das ações de governo.

A demonstração de que as obras que dependem da ação direta do governo não andam foi o modelo adotado para o programa de habitação. Estratégico para a campanha presidencial de Dilma, o programa vai ser integralmente tocado pela iniciativa privada, sem intermediação de União, Estados ou municípios.

A ação de governo, no entanto, não se resume ao programa cuja meta de construção de 1 milhão de casas até 2010 é pouco crível. A dificuldade de imprimir agilidade às obras governamentais foi agravada pela crise de crédito que atingiu uma grande parte das empresas contratadas da União.

Na administração direta, o sinal de alerta soou na Receita Federal. Ainda que a queda na arrecadação seja decorrência direta de uma atividade econômica fortemente afetada pela crise de crédito, a eficiência da máquina da Receita está sendo posta à prova, por exemplo, pela redução em quase R$ 30 bilhões das multas aplicadas em 2008 comparativamente ao ano anterior.

Vice-presidente da Comissão de Assuntos Econômicos e relator do Orçamento de 2009, o senador Delcídio Amaral (PT-MS), reconhece que a queda na arrecadação obrigará o governo a fazer um duro programa de ajustes nos gastos deste ano. O Orçamento foi feito com base em um crescimento de 3,5% em 2009 e será executado em um cenário que pode vir a se confirmar como recessivo.

O principal alvo dos ajustes, confirma Delcídio, são os reajustes a diversas categorias de servidores públicos federais. O impacto desses reajustes, diz, é de R$ 29 bilhões este ano e R$ 40 bi em 2010. A brecha legal para o adiamento são os gatilhos contidos nas medidas provisórias dos reajustes que condicionam sua concessão ao desempenho da Receita.

Como a remuneração dos servidores federais serve de parâmetro para o funcionalismo dos Estados e municípios, é significativo o impacto fiscal do adiamento dos reajustes. E também da reação política dos servidores afetados. O Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) calcula que, em todas as esferas de poder, haja cinco milhões de funcionários públicos no país. Estima-se que movimentem 15 milhões de votos. Se fosse um Estado, este colégio eleitoral seria o segundo maior do país, atrás apenas de São Paulo.

O presidente da República, com os índices recordes de popularidade que desfruta, avalia o relator do Orçamento, teria condições de segurar politicamente a decisão de postergar esses aumentos. O risco de jogar esse colégio eleitoral no colo dos tucanos é mitigado pela disposição amplamente conhecida da oposição de endurecer ainda mais o jogo com os servidores.

A relação com o funcionalismo deverá ser um dos temas mais delicados da campanha eleitoral. No discurso dos pré-candidatos do PSDB, os governadores de São Paulo, José Serra, e de Minas, Aécio Neves, é frequente a menção ao gigantismo que a máquina estatal adquiriu no governo Lula. Dilma Rousseff também incorporou em seu discurso o tema da reforma do Estado. Ao contrário dos tucanos, no entanto, aborda o tema da eficiência antes pela adoção da meritocracia do que pela redução da máquina.

O alcance da crise determinará o peso que os temas vão adquirir na campanha eleitoral mas certamente os debates não escaparão do tema do salário mínimo que, no acumulado do governo Lula, aumentou 51%. O governador de São Paulo, por dois anos consecutivos, fez aprovar na Assembleia, um mínimo superior ao da União.

Essa política de valorização do mínimo é o esteio do modelo brasileiro de enfrentamento da crise pela base. O que não é suficiente para deixá-la a salvo depressões, seja pelo impacto sobre as contas da Previdência (18 milhões de beneficiários) quanto pela relação com o desemprego, tese que é esboçada por influentes conselheiros do presidente, como o economista Delfim Netto.

O presidente já deu sinais de que pretende resistir às pressões e concluir a votação do projeto que torna lei a política de reajuste do mínimo. O modelo, já em vigor, estabelece um reajuste em função da evolução do crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) apurado dois anos antes mais a inflação do ano anterior. Esta política de reajuste é uma das maiores vitórias alcançadas pelo movimento sindical junto a este governo. Ciente de que não será capaz de avançar sua agenda no governo de quaisquer dos pré-candidatos mais do que o fez na gestão Lula, o movimento sindical já se prepara para uma ação preventiva, no sentido de evitar recuos, como o reconhecimento das centrais.

Boa parte do prestígio de Lula junto ao empresariado foi obtido com a tese de que ninguém mais seria capaz de manter os pressupostos da política econômica herdada do governo anterior e as rédeas do movimento sindical para fazer o país crescer. O presidente ganhou passe livre junto à elite empresarial como a personificação desse equilíbrio entre capital e trabalho. E foi capaz, em grande parte, de cumprir sua missão porque a economia cresceu. O dilema da sucessão que se avizinha é justamente como manter um modelo que tem 84% de aprovação num cenário econômico adverso. Fracionada pelas disputas internas, a oposição perde-se na tentativa de capitalizar politicamente a crise.

No palco dessa disputa digladiam-se dois políticos de perfil tecnocrático – Dilma e Serra – com respeitável histórico de resistência à ditadura e pouca propensão à contemporizações; e um político formado na tradição da conciliação nacional – Aécio Neves – e o melhor de sua geração no trânsito por todo o espectro partidário.

Nesse cenário, eivado de indefinições, ainda pairam dúvidas sobre a candidatura do deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) e sobre os rumos do PMDB. O partido fez crescer sua influência no governo Lula à medida que se aproxima a sucessão presidencial e hoje está no comando de pastas obreiras com grande peso na inoperância gerencial do governo. Ruma para chegar a 2010 como o fez no final de quase todos os governos da redemocratização – fiador do precário equilíbrio entre o arcaísmo e a modernização do país.

17/03/2009 - 09:14h Eleito por ex-guerrilha, salvadorenho acena aos EUA

mauricio_funes_lancamento_web.jpg

Mauricio Funes chega à Presidência do país centro-americano após décadas de governos conservadores e prega “reconciliação nacional”

DA REDAÇÃO FOLHA SP

O presidente eleito de El Salvador, Mauricio Funes, da ex-guerrilha de esquerda FMLN (Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional), prometeu ontem fazer um governo de reconciliação nacional e de estreitos laços com os EUA, um dia após pôr fim nas urnas a duas décadas de gestão conservadora no país.
“Desejo uma política exterior independente. Quero a integração centro-americana e o fortalecimento da relação com os EUA”, disse Funes a milhares de apoiadores no discurso de vitória, anteontem à noite.
Pouco antes, a Arena (Aliança Republicana Nacionalista), no poder desde 1989, admitira a derrota -51,27% dos votos para Funes contra 48,73% do engenheiro e ex-chefe de polícia Rodrigo Ávila.
Foi uma vitória histórica da ex-guerrilha FMLN, convertida em partido político em 1992, com o acordo de paz que encerrou 12 anos de guerra civil na qual lutou contra o governo, apoiado militarmente por Washington. Cerca de 75 mil pessoas morreram no conflito no país centro-americano.
Funes citou o bispo da Teologia da Libertação Oscar Romero, ícone da resistência na guerra civil, morto a tiros por paramilitares em 1980 enquanto rezava uma missa. “Monsenhor Romero disse que a igreja tinha uma opção preferencial pelos pobres. Isso eu farei: favorecer os pobres e os excluídos.”
Tanto no discurso quanto nas primeiras entrevistas como presidente eleito, o jornalista Funes, 49, seguiu a cartilha de pragmatismo da campanha. “Este não é um tempo de vingança. É de entendimento.”
O Departamento de Estado parabenizou Funes pela vitória e reiterou que Barack Obama cooperará com o novo governo, que toma posse em 1º de junho. A campanha governista havia inflado temores de que seu triunfo atrapalharia as cruciais relações com a Casa Branca -em 2004, essa foi a mensagem da gestão Bush.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que conhece o salvadorenho há anos, também telefonou para felicitá-lo. Funes é próximo do PT e casado com a advogada paulistana Vanda Pignato. Sua campanha foi dirigida por João Santana, marqueteiro petista.

Desafios
Funes assumirá um país com mais da metade da população abaixo da linha de pobreza e, como os vizinhos de América Central, profundamente dependente da economia americana, hoje em crise.
Cerca de 18% do PIB do país vem de remessas enviadas pelos mais de 2 milhões de salvadorenhos que vivem nos EUA. Também enfrentará a maior taxa de homicídios do continente -63 para cada cem mil habitantes- e quadrilhas ligadas aos cartéis mexicanos.
No front político, o presidente eleito também terá de fazer alianças. A FMLN elegeu a maior bancada da Assembleia Legislativa, em janeiro, duas cadeiras a mais que a direita. Para maioria qualificada, porém, terá de fazer acordos com partidos de centro, como o Democrata Cristão.

14/03/2009 - 13:00h Um jornalista informado e bem-humorado

Clique na imagem da coluna Nhenhenhém do jornalista Jorge Bastos Moreno no jornal O Globo para ampliar e ler

nhenenhem.jpg

13/03/2009 - 15:00h Lula, um ator em 27 palcos

César Felício – VALOR

Não é apenas em relação à própria sucessão presidencial que a ação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva se faz notar neste ano de pré-campanha. Além de consolidar o nome da sua preferida, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, dentro do partido, Lula começa a agir em um raio de Porto Alegre a Salvador, de Curitiba a Fortaleza.

A sombra do lulismo paira sobre cada unidade da federação. O presidente é polo aglutinador em alguns Estados e o ponto de equilíbrio em outros, onde há a disputa entre o PT e algum aliado. Serão raras as sucessões estaduais que não terão a sua ação decisiva. Um observador atento da cena petista aponta que até mesmo uniões tidas em passado recente como impensáveis começam a se desenhar, como a aproximação entre o PT e o PMDB no Rio Grande do Sul. Na arena gaúcha, os dois partidos jamais se coligaram em suas histórias. Agora esta aliança entra pela primeira vez no terreno da hipótese, em um cenário onde a governadora tucana Yeda Crusius sofre um desgaste avassalador. O ministro da Justiça, Tarso Genro, pelo PT, e o ex-governador Germano Rigotto, pelo PMDB, podem ser os protagonistas de uma coligação inédita, que, se surgir, nascerá no Planalto Central, e não no Guaíba. É com Lula, e não com líderes regionais petistas, que o PMDB poderá se coligar.

A ação de Lula também desenha uma grande frente no Paraná, onde o governador Roberto Requião (PMDB) e os petistas já tiveram várias aproximações e rompimentos. No ano passado, sob recomendação expressa de Lula, o governador paranaense nomeou o técnico Valter Bianchini para a Secretaria Estadual de Agricultura. Na ocasião, empossou outro petista, Enio Verri, para a Secretaria do Planejamento. É um aliado do ministro do Planejamento, o petista Paulo Bernardo. Não está claro quem poderá ser o candidato ao governo paranaense que una Requião e o petismo, mas é evidente a ofensiva lulista para isolar o PSDB, que caminha para uma divisão entre o senador Álvaro Dias e o prefeito de Curitiba, Beto Richa. O próximo lance do Planalto poderá ser a atração do irmão de Álvaro, o também senador Osmar Dias (PDT) para o governismo, rachando a família.

A depender das conversas com o PSB, o Planalto também poderá ser a chave para uma aliança que isole o senador tucano Tasso Jereissati no Ceará. No desenho imaginado, o governador Cid Gomes poderia disputar a reeleição, apoiado por PT e PMDB, que lançariam respectivamente para o Senado o ministro da Previdência, José Pimentel, e o deputado Eunício Oliveira. Em Pernambuco, o pacto envolveria o apoio petista à reeleição do governador Eduardo Campos e a candidatura do ex-prefeito do Recife João Paulo, ao Senado. Tanto em um caso como no outro, são equações que necessariamente envolvem a desistência do deputado Ciro Gomes (PSB) em tentar a Presidência pela terceira vez.

O quadro é mais delicado na Bahia, onde Lula já começou a agir para diminuir a competição entre o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB) e o governador petista Jaques Wagner. Aos petistas baianos, o presidente pediu que a escalada verbal fosse interrompida. Na disputa pela prefeitura de Salvador, no ano passado, o PMDB baiano aproximou-se muito dos tucanos e dos integrantes do DEM. O lado oposicionista já ofereceu a Geddel o apoio para concorrer ao governo estadual, em troca de seu empenho para impedir que o PMDB apoie o PT na eleição presidencial. Não está claro o que pode ser oferecido a Geddel para que permaneça na trincheira governista.

As maiores dificuldades de atuação presidencial estão nos dois grandes colégios eleitorais. Em Minas Gerais, a divisão do PT entre as possíveis candidaturas do ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, e do ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel impede uma movimentação por cima. O provável é que se aguarde o resultado da eleição direta dos dirigentes petistas, no fim do ano passado. Um resultado claro a favor de um dos adversários internos em Minas poderá destravar a ação de Brasília. Ao longo dos últimos meses, a atuação do presidente em Minas visou apenas a enfraquecer Aécio: com sucesso, Lula impediu que o governador mineiro tentasse enredar Pimentel na construção de uma candidatura ao governo estadual fora da órbita do PT.

Em São Paulo, está a pior situação. Diante da provável candidatura do governador José Serra à Presidência, é o PT que está isolado. O governador paulista monta uma aliança com lugar para o PMDB de Orestes Quércia e o DEM de Gilberto Kassab, além de todas as alas e subalas do tucanato. Já o PT oscila entre duas possibilidades, inviáveis eleitoralmente cada uma a seu modo: o deputado federal Antonio Palocci e a ex-prefeita paulistana Marta Suplicy. Fato novo, que poderá representar uma saída para o bloco governista, é a articulação de partidos aliados ao Planalto em torno de uma hipotética candidatura do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf. A construção de um cenário de dois turnos para a eleição paulista atenua a fraqueza do palanque regional para a virtual candidata presidencial do PT, Dilma Rousseff.

César Felício é correspondente em Belo Horizonte.

E-mail cesar.felicio@valor.com.br

07/03/2009 - 17:59h Petistas articulam candidaturas de Dilma e Palocci para 2010

Grupo Um novo rumo para o PT realiza encontro em São Paulo neste sábado
Grupo “Um novo rumo para o PT” realiza encontro em São Paulo neste sábado
Raphael Falavigna/Terra

Vagner Magalhães

Direto de São Paulo

O Grupo “Um novo rumo para o PT”, que concentra os principais nomes da legenda no Estado de São Paulo, reúne-se neste sábado para apoiar a candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, como representante do partido nas eleições presidenciais de 2010. O nome do ex-ministro da Fazenda, Antônio Palocci, também é apontado como o favorito para a sucessão do governador de São Paulo, José Serra (PSDB-SP).

O deputado federal Ricardo Berzoini, presidente nacional do PT, afirmou que Palocci é capacitado e tem currículo para ser candidato petista nas eleições estaduais. “O importante para o PT de São Paulo é fazer um bom diagnóstico de governo nas áreas de educação, saúde e logística de desenvolvimento, para em seguida abrir o debate sobre nomes. No entanto, acredito que a opinião do presidente Lula é legítima. Não quero entrar no debate de nomes, mas, sem dúvida, todos reconhecem que o Palocci é um nome gabaritado”, disse.

A ex-ministra do Turismo e candidata derrotada nas eleições municipais de São Paulo no ano passado, Marta Suplicy, também afirma que Palocci é um bom candidato. “Entre os possíveis candidatos, ele é o mais interessante”, disse.

Marta, que tem o seu nome entre os possíveis candidatos a legenda do partido em 2010 para o Estado de São Paulo, ainda afirmou que não há nenhum constrangimento em apoiar o colega. “Apóio o Palocci de maneira condicional. Somente se ele não for candidato nós iremos avaliar a questão da minha candidatura. Em relação a qualquer outro, Palocci é um nome unânime. Se for candidato, tem o meu apoio”.

Candidato petista nas últimas eleições estaduais em São Paulo, o senador Aluízio Mercadante disse no encontro que Palocci tem experiência para pleitear esse cargo. “Meu nome está à disposição do partido para distribuir panfletos e concorrer ao Senado. Eu já havia dito que a minha preferência é disputar uma vaga ao Senado em 2010″.

Quanto a preferência de Lula ao nome de Palocci, revelada neste sábado por uma reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, Mercadante afirmou que o presidente tem muito carinho pelo ex-ministro, porém não declarou que Palocci deva ser o nome do PT. “Essa discussão será levada adiante pelo PT paulista, mas ele é um nome muito forte, sem dúvida”.

O grupo “Um novo para o PT” declarou em documento que estará no palanque de Dilma Rousseff em 2010. “Esse é o palanque do Lula, do ProUni, do Bolsa Família, que resgatou milhões de brasileiros da miséria absoluta. É o palanque do PAC, da reconstrução da infra-estrutura, do Luz Para Todos e, acima de tudo, do respeito internacional… O palanque da Dilma é o do desenvolvimento com inclusão social, que promoveu 20 milhões de brasileiros para a classe média. No palanque da Dilma, estarão todos aqueles que sabem o que e quem é melhor para o presente e para o futuro do Brasil”.

Redação Terra

07/03/2009 - 17:16h Palocci vai a evento do PT, mas não fala em candidatura

http://g1.globo.com/Noticias/Politica/foto/0,,18921844-EX,00.jpg
Palocci seria o candidato indicado de Lula para disputar o governo do estado de São Paulo (Foto: G1) 

CELIA FROUFE – Agencia Estado

SÃO PAULO – O deputado federal e ex-ministro Antonio Palocci se esquivou da imprensa paulista hoje em evento realizado pelo PT em São Paulo, no dia em que o jornal O Estado de S. Paulo traz a informação de que ele seria o candidato preferido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para disputar o governo paulista. Mesmo assim, Palocci foi a figura de destaque do evento, que foi organizado, entre outros motivos, para dar apoio oficial à candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à presidência da República nas eleições de 2010.

Previsto para discursar sobre a crise econômica, às 11 horas, durante o seminário “Um Novo Rumo para o PT”, organizado na Câmara Municipal de São Paulo pelo grupo homônimo, uma corrente dentro do partido, Palocci chegou ao local pouco antes do meio-dia. A imprensa, que circulava tranquilamente pelos corredores da Câmara, passou a ser orientada a desobstruir a porta do evento. Houve, inclusive, a tentativa de evitar que alguns jornalistas abordassem o ex-ministro enquanto este seguia até o palco. Nenhum contato acabou por ser feito. Depois de discursar, Palocci saiu por trás do palco, local sem acesso a jornalistas.

No seminário, o ex-ministro fez uma análise da crise financeira internacional e os seus efeitos no País. E só no final do discurso é que falou, de maneira geral, sobre as eleições de 2010. Palocci afirmou que o debate do pleito de 2010 será um dos mais importantes da história do País porque o governo Lula, segundo ele, mudou os paradigmas brasileiros. “O desafio para o Brasil não é mais a estabilidade. A crise mostrou que isso é coisa do passado e devemos recusar, portanto, um debate rebaixado”, defendeu.

Crise

“Não se trata apenas de um esfriamento. É o fim de um grande ciclo de crescimento econômico, que pode durar um período importante”, constatou Palocci no seminário. Para ele, há uma diferença significativa, no entanto, entre a ação do governo hoje e no passado no enfrentamento de crises. Palocci salientou que a estabilidade econômica atual é fruto do esforço de diferentes governos, mas que o novo projeto para o País é algo que está relacionado diretamente ao governo Lula.

Um episódio lembrado pelo ex-ministro da Fazenda foi a necessidade de aumento dos juros, em 2003, para se combater a inflação. Quando a equipe econômica levou a circunstância ao presidente ele teria aceitado a proposta, de acordo com Palocci, mas desde que a equipe econômica encontrasse uma maneira de a população pagar um juro menor. “Assim nasceu o crédito consignado”, lembrou Palocci. Até então, segundo o ex-ministro, o povo tinha como hábito apenas receber frases de efeito e que acabavam por não surtir melhora em sua qualidade de vida. “Tentaram convencer o povo de que não adiantava repartir o bolo sem que ele crescesse antes”, criticou. “O País chegou ao absurdo de passar por uma fase de maior crescimento econômico com pior divisão de renda.”

Palocci salientou ainda que as empresas brasileiras que passam por mais dificuldade hoje são as que têm o mercado externo como negócio e defendeu o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) como uma forma de enfrentamento da crise. “Estamos no caminho certo”, considerou. Sobre o mundo, ele se mostrou preocupado em relação à deterioração das expectativas para o crescimento da Europa, Estados Unidos e Japão. “As más notícias ainda não acabaram. Ainda teremos um ano de dificuldades.”

Berzoini e Marta em seminário do PT
Nilton Fukuda/AE –
Berzoini e Marta em seminário do PT

 

Marta diz apoiar Palocci, mas não descarta candidatura

CÉLIA FROUFE – Agencia Estado

SÃO PAULO – A ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy (PT) manifestou hoje seu total apoio a uma eventual candidatura do ex-ministro da Fazenda e deputado federal Antonio Palocci (PT-SP) ao governo do Estado de São Paulo, nas eleições gerais de 2010. Caso haja qualquer impedimento dessa candidatura, no entanto, Marta disse que poderá estudar várias possibilidades e não descartou a hipótese de ela mesmo concorrer ao cargo. As considerações da ex-prefeita foram feitas a jornalistas durante o seminário “Um Novo Rumo para o PT”, organizado na Câmara Municipal de São Paulo, hoje, por essa corrente petista.

A ex-prefeita não considera que o assunto, neste momento, possa trazer constrangimento a outros potenciais candidatos. O tema veio à tona hoje com a informação de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem preferência pelo nome de Palocci para a cabeça de chapa da legenda nas eleições ao governo paulista, publicada hoje com exclusividade pelo jornal O Estado de S.Paulo. “Não estou constrangida porque também sou uma das que acham que o Palocci seria um bom candidato. Existe um certo consenso do PT entre os nomes que poderiam ser candidatos mais fortes e o Palocci, neste momento, parece ser o nome mais interessante para todos nós”, alegou.

No seminário promovido pelo PT paulista, Marta foi questionada sobre a possibilidade de abrir mão de concorrer ao cargo, em prol do ex-ministro da Fazenda. “Eu não disse isso (que não vai sair candidata pelo PT). Eu disse que apoio a candidatura de Palocci. Se o Palocci não for candidato, aí vamos ver. Na (candidatura) do Palocci, eu estou junto. Se ele não for candidato, vou pensar. Não é que eu vá ser candidata, mas vou avaliar a questão”, argumentou.

Para Marta, Palocci seria um bom nome do PT nessa disputa porque ele tem muita experiência, é uma pessoa muito querida dentro do partido e possui condições de fazer uma campanha muito boa como candidato. Sobre a possibilidade de a candidatura de Palocci não ser confirmada, em função de processos que ainda estão sendo julgados na Justiça envolvendo o ex-ministro, Marta defendeu que esta não é a hora de “botar a carroça na frente dos bois”. E avaliou: “No momento, ele tem que superar esses problemas para ser candidato. Isso na avaliação do Lula e da nossa também. Se for superado, eu o apoio. Se os problemas não forem superados, está tudo em aberto.”

Indagada sobre se o seu futuro político dependeria da definição de Palocci, Marta tergiversou: “Sim e não”. E disse que ela terá de pensar um pouco mais sobre o assunto, pois considera que ainda é cedo para tomar qualquer decisão. E evitou comentar uma possível dobradinha com Palocci na chapa para concorrer ao Palácio dos Bandeirantes, como vice-governadora. “Está muito longe qualquer consideração. Ainda tem muitos ‘’se”. Vamos esperar um pouco”, sugeriu.

Segundo Marta, há momentos de agir e há momentos de aguardar. “Este é um momento para mim de aguardar”, frisou. A ex-prefeita, que já esteve à frente da pasta do Turismo, também disse não acreditar na possibilidade de voltar a integrar o quadro de ministros. “Não creio que o presidente esteja com intenção de mudar ministérios neste momento, tão pertinho da eleição de 2010″, afirmou.

Nome de Palocci é só uma possibilidade, diz Mercadante

CÉLIA FROUFE - Agencia Estado

SÃO PAULO - O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) ponderou, hoje, que o nome do ex-ministro Antonio Palocci foi mencionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva apenas como uma possibilidade e não como fato fechado para disputar a vaga ao governo do Estado de São Paulo nas eleições de 2010. “O presidente não disse que (Palocci) deve ser (candidato), mas que pode ser”, minimizou o petista, ao comentar a manchete de hoje do jornal O Estado de S.Paulo, antes de participar do seminário “Um Novo Rumo para o PT”, na capital.

O nome de Mercadante também é um dos que aparecem nas discussões à sucessão do governador José Serra.

De acordo com o jornal, o presidente teria mandado um recado para suas bases indicando a preferência por Palocci na disputa ao Palácio dos Bandeirantes. “Se ele tivesse definido o nome, não o comunicaria para mim. Ele chamaria o partido e diria: minha definição é essa”, argumentou Mercadante. E continuou: “Não será pela imprensa que a militância (do PT) saberá quem será o candidato”, disse o senador, depois, em discurso, no seminário, para uma plateia formada por aproximadamente 200 pessoas.Mercadante explicou que o presidente Lula tem um “carinho, um respeito, uma confiança” muito grandes por Palocci. “O presidente, como eu, acha que o ministro Palocci pode ser seu candidato para o governo de São Paulo”, afirmou, enumerando o que seriam as qualidades do ex-ministro: experiência, competência e história partidária para pleitear esse cargo. “O presidente jamais tomaria uma decisão como essa sem ouvir amplamente as lideranças do partido. Portanto, no momento em que ele achar oportuno, vai considerar as lideranças do partido e vai encaminhar esse processo.”

O senador petista explicou que o assunto surgiu entre ele e o presidente apenas porque os dois estão sempre conversando sobre as questões relativas a São Paulo. “E um dos nomes que o PT tem e que poderá disputar o governo paulista é o ministro Palocci”, disse. Ele afirmou que o partido ainda não abriu o processo formal de escolha do candidato.

Apesar de ter minimizado o fato de ter sido a pessoa para quem o presidente expôs sua preferência, Mercadante fez questão de mencionar que tem total sintonia com Lula: “Não conheço nenhum momento importante da história de 27 anos do PT que a opinião dele (Lula) fosse contrária à minha”. E mencionou outros virtuais nomes para disputar o governo paulista: a ex-prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, e o prefeito de Osasco, Emídio de Souza. Questionado se também não seria um nome forte para essa disputa, já que concorreu ao cargo nas eleições passadas, Mercadante explicou que está à disposição do partido para “desde distribuir panfletos até ser candidato”. Porém, emendou: “Sou candidato ao Senado Federal. Todos sabem disso e o presidente também. Minha posição neste momento é essa, mas meu nome está à disposição do partido para qualquer tarefa.”

Sobre o envolvimento de Palocci em episódios que estão sendo analisados pela Justiça, Mercadante se mostrou confiante. “Não temos certeza de nada porque a Justiça é absolutamente soberana, mas temos confiança de que a decisão da Justiça será favorável a Palocci.” Para 2010, ele voltou a dizer que a ministra Dilma Rousseff é “a cara do governo”. “Não só por estar na chefia da Casa Civil, mas por articular o PAC, que é o programa mais estratégico neste momento”, argumentou.

07/03/2009 - 08:27h Lula avisa PT que Palocci é seu candidato ao governo paulista

 

Presidente já discute com aliados, certo de que ex-ministro não será punido pelo STF por escândalo do caseiro

Tânia Monteiro, BRASÍLIA – O Estado SP

A bordo do Aerolula, no voo que o levou de Campinas a Brasília na última segunda-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mandou um recado explícito para uma plateia de petistas e assessores palacianos sobre o nome da sua preferência para disputar o governo de São Paulo, em 2010: é o do deputado federal e ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci (PT-SP).

Certo de que Palocci não será responsabilizado no Supremo Tribunal Federal (STF) pela violação direta do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa, Lula já discute com aliados a candidatura do deputado ao governo paulista.

O presidente da República tem tratado do assunto com regularidade. No voo para Campinas, ele reiterou a sua posição em favor de Palocci numa conversa em que o interlocutor direto era o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) – mas o diálogo foi mantido diante de vários ministros e assessores especiais.

TRÂNSITO

Lula disse ao senador Mercadante, outro potencial candidato ao governo paulista pelo PT, que Palocci é a pessoa que reúne as principais credenciais para tentar suceder ao governador José Serra (PSDB). Na opinião do presidente, Palocci é conciliador, consegue dialogar com a classe média, tem um bom trânsito com o empresariado paulista e sabe como abordar o povo. A outros interlocutores, Lula também costuma lembrar que o ex-ministro da Fazenda já demonstrou sua competência e lealdade.

Mercadante ponderou, no Airbus da Presidência, que, mesmo absolvido pelo STF, Palocci poderá enfrentar, numa campanha eleitoral muito disputada, a ressurreição do caso Francenildo e os processos que investigaram suas gestões na Prefeitura de Ribeirão Preto (1993-1996 e 2001-2002) – compras supostamente superfaturadas e suposto pagamento de propina nos contratos do serviço de limpeza urbana.

PESQUISA

Lula ouviu atento, mas disse que Palocci tem jogo de cintura e saberá sair das dificuldades. Segundo relatos repassados ao Estado, o presidente avalia que esse passado não é motivo para Palocci se intimidar. E, em frase emblemática, sentenciou: “Fosse assim, durante as denúncias do mensalão, eu teria ficado trancado no Palácio da Alvorada”.

Segundo informações obtidas pelo Estado, pelo menos um instituto de pesquisa está preparando uma grande sondagem de opinião pública, em nível nacional, para medir a receptividade do nome de Palocci entre o eleitorado.

Publicamente, o presidente Lula evita tratar do assunto para não atrapalhar o julgamento do processo de Palocci, ou dar a impressão de que está pressionando o Supremo na sua decisão. Mas, reiteradamente, fala sobre as chances de Palocci assumir o cargo sucedendo a Serra.

Procurado, o senador Mercadante disse que não comentaria nenhum tipo de conversa mantida com o presidente da República. Negou até mesmo que tivesse tratado de candidatura Palocci com Lula.

No momento, Palocci é apontado como o único capaz de unificar o partido no Estado, além de contar com o apoio da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, candidata à sucessão de Lula.

Há outros nomes no partido, como o do ministro da Educação, Fernando Haddad, mas eles só serão avaliados se o Supremo aceitar a denúncia do Ministério Público contra o ex-ministro.

ANTECEDENTES

A trajetória política de Palocci sofreu um revés em 2006, quando estourou o escândalo do caseiro Francenildo, revelado pelo Estado. De acordo com Francenildo, Palocci era um assíduo frequentador da chamada mansão da “República de Ribeirão Preto”, em Brasília. No local, pessoas ligadas ao então ministro e empresários de Ribeirão Preto beneficiados por contratos superfaturados com a cidade paulista, onde Palocci fora prefeito, fariam partilha de dinheiro.

O escândalo custou a demissão de Palocci em março de 2006, já que, depois da denúncia, a conta bancária do caseiro na Caixa Econômica Federal foi violada por órgãos do governo. A operação tinha como objetivo apurar a suspeita de que o caseiro fizera a denúncia a soldo da oposição, o que não ocorreu.

04/03/2009 - 11:36h R$ 1 bi para o Metrô? Ficou pela metade

 Era promessa de Kassab para 2008, mas a verba só chegou a R$ 473 mi, confirmou secretário

kassab_metro_jt2.jpg

FABIO LEITE, JT

f.leite@grupoestado.com.br

Mais de dois meses após o início do segundo mandato, o governo Gilberto Kassab (DEM) admitiu que ainda não concluiu o repasse de R$ 1 bilhão da Prefeitura para o projeto de expansão do Metrô na capital prometido pelo prefeito para 2008 durante as eleições. A informação foi confirmada pelo próprio secretário de Finanças, Walter Aluísio Morais Rodrigues, e pelo Metrô, que informou ter recebido apenas R$ 473 milhões. Kassab ainda assegura que investirá outro R$ 1 bilhão até 2012.

Durante audiência pública da Comissão de Finanças da Câmara Municipal, na semana passada, Rodrigues foi questionado pelo vereador petista Antonio Donato (vice-presidente da comissão) se a Prefeitura havia repassado toda a quantia prometida. “Não, totalmente”, respondeu o secretário.

De acordo com as notas taquigráficas da audiência obtidas pelo JT, Rodrigues afirmou que foram repassados R$ 275 milhões em espécie e o restante – cerca de R$ 725 milhões – estavam à disposição do Metrô em Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs), títulos negociados no mercado que permitem a construção acima da metragem permitida pela lei de zoneamento.

Destes, contudo, o secretário só identificou os R$ 198 milhões da Operação Urbana Água Espraiada, repasse feito simbolicamente por Kassab ao governador José Serra (PSDB) durante a campanha e que ficou conhecido como ‘checão do metrô’. Em relação aos outros R$ 527 milhões, Rodrigues disse apenas que já foram transferidos, sem detalhar quantos papéis foram vendidos.

Questionada posteriormente, a Secretaria de Finanças enviou nota afirmando que a promessa foi cumprida ainda em 2008 com “parte dos recursos transferida em dinheiro e parte na forma de Cepacs”. A informação, porém, foi desmentida pelo Metrô, que informou, também em nota, ter recebido “repasses da ordem de R$ 473 milhões da Prefeitura”.

O repasse de R$ 1 bilhão foi ratificado por meio de dois convênios entre Prefeitura e Metrô. Cerca de R$ 500 milhões viriam dos Cepacs da Operação Urbana Faria Lima, que serão investidos na expansão da Linha 4-Amarela (Luz-Vila Sônia) e outros R$ 200 milhões da Operação Urbana Água Espraiada, revertidos para a ampliação da Linha 5-Lilás (Capão Redondo-Chácara Klabin).

Para o vereador Donato, o secretário não o convenceu de que os recursos por meio dos Cepacs foram repassados ao Metrô. “Isso mostra que foi tudo propaganda de campanha. Eles construíram um discurso nas eleições. Pegaram um setor deficitário, que é transporte, e disseram que colocaram R$ 1 bilhão no Metrô, o que não é verdade.” O vereador ainda pôs em dúvida se a Prefeitura vai conseguir vender todos os papéis num cenário de crise, que afetou também o setor imobiliário.

Lentidão

Ao tentar justificar a totalidade dos repasses, Rodrigues disse ainda que o “Metrô não tem velocidade para gastar todos os recursos”. O Metrô respondeu que “tem destinado os recursos de acordo com o andamento das obras, que estão dentro do cronograma”.

donato_metro.jpg

DIÁLOGO

Donato (ao lado)- Quanto foi transferido do Tesouro para o Metrô?

Rodrigues (baixo)- Em espécie, R$ 275 milhões.

D – E os demais recursos?
R – Os demais em Cepacs.
D – Os R$ 198 milhões da Operação Urbana Água Espraiada até o fim do ano não foram transferidos
R – Foram transferidos, estão à disposição do Metrô. O Metrô não tem velocidade para gastar os recursos.
D – E os demais? 275 mais 198 dá 473. Então, são R$ 527 milhões de papéis à disposição do Metrô?
R – Isso.
D – Então, o famoso R$ 1 bilhão ainda não se completou?
R – Não totalmente…

02/03/2009 - 14:00h João Paulo quer fazer campanha para Dilma

Capa do dia 02/03/2009 da editoria de Política


Sucessão // Em vez de ocupar cargo no governo federal, ele pretende ajudar a eleger a ministra
Leonardo Augusto // Do Estado de Minas – Diário de Pernambuco

Brasília – O ex-prefeito do Recife João Paulo (PT) defendeu que ele e os colegas de partido, Fernando Pimentel, ex-prefeito de Belo Horizonte, e Marta Suplicy, candidata derrotada à Prefeitura de São Paulo, não ocupem cargos no governo federal, conforme começou a ser ventilado em Brasília depois das eleições municipais de outubro. Na avaliação de João Paulo, o ideal seria que os três começassem a trabalhar na campanha da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Presidência da República, com o objetivo de vencer a disputa pelo Palácio do Planalto no primeiro turno.

João Paulo, Pimentel e Marta participam de encontro do PT no próximo sábado, em São Paulo, para debater “os desafios da unidade partidária na nova conjuntura”, nas palavras do ex-prefeito do Recife. Na prática, a reunião será para começar a traçar estratégias para a candidatura do PT à presidência no ano que vem.

Para João Paulo, tanto ele como Pimentel e Marta tiveram bons resultados nas eleições deoutubro e, por serem possíveis candidatos ao Senado ou ao governo de seus estados, os três ficariam pouco tempo ocupando cargos no governo federal antes do início das campanhas. João Paulo já se coloca como candidato ao Senado. Pimentel disputa espaço no PT com o ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, para se lançar ao Palácio da Liberdade. Quanto a Marta Suplicy, existe a possibilidade de que se candidate ao governo de São Paulo.

“Fiz o meu sucessor. O Pimentel, apesar das dificuldades, também fez, e a Marta teve 40% dos votos em um colégio eleitoral importante como São Paulo. Então, o melhor é ajudar na coordenação da campanha de Dilma”, argumenta. Depois de dois mandatos, João Paulo lançou João da Costa (PT), que venceu a disputa em primeiro turno. Em Belo Horizonte, Fernando Pimentel apoiou Márcio Lacerda (PSB), favorito para vencer também no primeiro turno por contar com o apoio do ex-prefeito e do governador de Minas, Aécio Neves, mas foi obrigado a disputar o segundo turno para chegar ao comando da capital.

No caso específico de Pimentel, estava praticamente certa a ida do ex-prefeito para a Secretaria Geral do Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (CNDES), mas houve resistência do ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, que acumula o cargo. Como se não bastasse, Pimentel chamou de xiita o grupo petista que se opôs à aliança que fez com Aécio para o lançamento de Lacerda à prefeitura. Entre os contrários ao acordo estavam os ministros Patrus Ananias e Luiz Dulci (Secretaria-Geral da Presidência da República).

20/02/2009 - 12:29h Encarcerado no PMDB

Maria Cristina Fernandes – VALOR

http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2008/02/jarbas-vasconcelos.jpgSó há dois tipos de políticos: aqueles que levantam grana para fazer política e os que fazem política para levantar grana. O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) tem militado ao longo de seus 40 anos de vida pública na primeira categoria. Nesta militância tem companheiros egressos de quase todos os partidos. É compreensível que se sintam minoritários face ao portentoso exército que cerra fileiras do outro lado. Mas não é esta militância, de um lado ou do outro, que pavimenta a chegada ao poder. É a política. E não são visíveis hoje os rumos da oposição neste campo. É este o resumo da entrevista do senador à ‘Veja’.

Não é a primeira vez que Jarbas se rebela contra seu partido ou contra o poder. O que impressiona é como a oposição à qual hoje se filia tenha sido capaz de encarcerar um espírito como o seu nos limites das páginas de uma revista.

O senador pernambucano resistiu ao golpe militar abrindo diretórios do MDB pelo interior de seu Estado; rebelou-se contra a eleição indireta, ausentando-se do colégio eleitoral que escolheu Tancredo Neves; e segurou, como presidente do partido, a campanha de Ulysses Guimarães, quando a maioria de seus correligionários pulava para o barco de Fernando Collor de Mello.

Fez política nadando contra a maré dentro do PMDB, mas não se furtou a deixá-lo quando viu sua carreira ser ameaçada pela burocracia do partido que, em 1985, montou uma convenção municipal para derrotar suas pretensões de se candidatar a prefeito do Recife.

Jarbas saiu do PMDB e foi para o PSB, quando montou a chamada “Frente Popular do Recife”, reunindo PT e PCdoB, além do então deputado federal Miguel Arraes, com quem depois romperia. Elegeu-se prefeito do Recife derrotando um obscuro deputado lançado por seu partido. Passadas as eleições, Jarbas voltou para o PMDB e foi, paulatinamente, reconquistando a legenda.

A eleição que salvou a carreira política do então deputado federal, tendo sido determinante para a história do Estado naquele momento de retomada do poder pelos civis, só foi possível graças a uma infidelidade partidária.

Hoje a história não se repetiria face à decisão dos tribunais superiores de que o mandato é dos partidos, saudada como indício de moralização dos costumes políticos. Foi uma decisão ansiosamente aguardada pelos partidos de oposição, que nela viram a salvaguarda para a defecção de seus correligionários rumo ao curral governista. E teve entusiasmado apoio do próprio Jarbas.

Ainda é cedo para se concluir que o PMDB vai compor chapa com a ministra Dilma Rousseff, mas, para ser substantivo, um movimento pró-Serra no partido hoje teria que partir de posições que internamente detenham poder, como o presidente da Câmara, Michel Temer (SP).

Se a cacicada do PMDB, com os redobrados poderes da fidelidade partidária, limita seus movimentos na política nacional, o senador também enfrenta problemas no plano regional.

Ao contrário do senador Pedro Simon (PMDB-RS), que atira para o céu e preserva pontes na terra face a interesses do governo de sua aliada Yeda Crusius (PSDB), Jarbas hoje tem mitigadas chances de ver seu grupo retomar o poder em Pernambuco.

O governador do Estado, Eduardo Campos (PSB), está na faixa dos 80% de aprovação e conta com o apoio da quase totalidade dos 49 deputados da Assembleia Legislativa. Na última vez que foi ao Recife, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalizou publicamente sua candidatura à reeleição.

No início do primeiro governo Lula, quando o ex-ministro José Dirceu (PT) tentou fechar uma aliança com o PMDB que só viria a se concretizar anos mais tarde, o então governador Jarbas Vasconcelos foi a ponta de lança dessa aproximação, respaldada pela simpatia do presidente que nunca esqueceu da visita que o então emedebista lhe fez na prisão.

Dirceu chegou a almoçar no Palácio do Campo das Princesas com Jarbas. Comunicou ao então deputado Eduardo Campos que, em 2006, o lulismo juntaria o então governador e o prefeito do Recife à época, João Paulo (PT), numa única chapa como candidatos, respectivamente, ao Senado e ao governo do Estado.

Veio o mensalão, Dirceu caiu e Jarbas acabou se afastando da esfera petista. Eduardo Campos, que saiu do ministério da Ciência e Tecnologia para reforçar a retaguarda governista na Câmara no auge do mensalão, foi ganhando espaço até que, em 2006, derrotou o candidato jarbista à sua sucessão.

Na entrevista, o senador diz não ter mais pretensão de disputar cargos. Seus correligionários no Estado ficaram em polvorosa, mas não há motivos para desacreditar dele.

Maria Cristina Fernandes é editora de Política. Escreve às sextas-feiras

E-mail mcristina.fernandes@valor.com.br

19/02/2009 - 12:23h O PSDB e a difícil arte de aprender a somar

http://www2.paulohenriqueamorim.com.br/wp-content/uploads/2008/12/serra_aecio.jpg

Maria Inês Nassif – VALOR

A divisão faz parte da dinâmica dos dois partidos que têm polarizado as eleições no país, o PT e o PSDB, mas o partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva acabou desenvolvendo mecanismos de disputa interna mais maleáveis à composição em torno de candidaturas que a legenda do governador de São Paulo, José Serra.

No PT, as piores brigas, as mais autofágicas, giram em torno do poder interno, que dá às tendências majoritárias maior poder não apenas sobre a máquina partidária, mas para conquistar espaços em governos petistas. Os embates não são personalizados: os atores se agrupam conforme suas posições políticas. Mais recentemente, assumiram importância os grupos comandados por políticos com bases clientelistas, donos de votos, mas ainda assim as tendências que se formam em torno desses personagens se integram à dinâmica interna de disputa política quer pelo controle de pedaços da máquina partidária, quer por espaços em governos, o que significa fazer alianças e compor. Os resultados de prévias partidárias, dados esses mecanismos menos personalistas que o PSDB de composição interna, acabam sendo melhor assimilados. Existe um pragmatismo maior nas decisões sobre candidaturas, pelo fato de não ser um partido onde as lideranças individuais têm um grande peso e porque a disputa entre os grupos mira também o horizonte pós-eleitoral, isto é, a composição dos governos, na hipótese de eleição dos candidatos do partido.

No PSDB, a personalização da luta interna dificulta a assimilação de disputas – incentiva, portanto, as divisões. A decisão sobre candidaturas nacionais sempre foi centralizada na direção nacional, que por sua vez não é produto da luta interna entre posições políticas, mas representa o consenso entre poucas lideranças. O cacife de cada postulante são os votos que ele pode arregimentar sozinho, como liderança política – e se supõe que a eles vão se somar posteriormente os votos resultantes da polarização com o PT (essa é a realidade na história recente, polarizar sempre com o partido de Lula); ou então o poder de desestabilizar, pela ameaça, seu adversário. Em 2006, o ex-governador Geraldo Alckmin desbancou a candidatura favorita dos cardeais tucanos, de José Serra, porque ameaçou disputar com ele na convenção nacional. Serra, que perdeu as eleições de 2002 em grande medida porque provocou a divisão do PSDB – apostando erradamente que o partido iria se unir mais na frente, durante a campanha – recuou e deixou Alckmin, nas eleições seguintes, às voltas com um partido igualmente dividido e tendo que administrar também uma derrota.

Nas eleições de 2010, essa incapacidade de assimilar discordâncias internas pode novamente comprometer o PSDB. O alarme já soou, tanto da parte do grupo de Serra como do lado do DEM. O ex-PFL não apenas está fechado com o governador de São Paulo na disputa pela Presidência, como abriu mão da vaga de vice, para que o PSDB tente negociar a saída do PMDB da base da candidatura governista – mas quer que seja o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, o candidato a governador da coligação. O DEM tem se articulado para obrigar não apenas um entendimento entre Serra e o governador de Minas, Aécio Neves, sobre quem vai ser candidato (a preferência do ex-PFL, e a sua aposta, são em Serra), como uma rápida definição. Acha que a oposição tem que botar o bloco na rua, pois a última pesquisa Sensus/CNT revela, na sua avaliação, que a candidatura de Dilma Rousseff pelo PT já está consolidada junto ao eleitorado. Se não andar logo, a oposição corre o risco de ser atropelada pela candidata petista, mesmo tendo Serra como candidato, hoje o melhor colocado nas pesquisas.

Serra, por seu lado, está às voltas com a solução de uma equação difícil: como disputar com Aécio sem dividir o partido. Minas Gerais é o Estado com o segundo maior colégio eleitoral do país (10,86% do total de eleitores do Brasil) e, se não tem o poder de, por si só, garantir uma vitória de Aécio, se ele disputar a Presidência da República, pode ter o efeito de derrotar Serra, se for o governador paulista o candidato do partido à sucessão de Lula. Segundo um “serrista”, a questão agora é deixar claro para o eleitor mineiro que o PSDB não está subtraindo de Aécio as chances de tornar-se candidato a presidente, mas que o candidato será Serra porque ele é o que tem mais chances de vencer a candidata petista. Por esta razão Serra mandou recados para todos os lados que topa as prévias. Se elas vão ocorrer, é outra história. Mais para a frente, e antes da data marcada, a situação pode ser resolvida em favor do paulista com manifestações claras e inequívocas de maioria dentro do partido – o apoio declarado, por exemplo, dos 26 dos 27 diretórios estaduais do partido. Não existe entusiasmo com as prévias, até porque os “serristas” não acreditam que o governador mineiro tenha a intenção de se unir ao candidato vitorioso se perdê-las, mas a questão agora é não dar chances para que Aécio pareça vítima – nem pretexto para que ele deixe o partido e leve o eleitorado mineiro a votar contra a candidatura de Serra.

Enquanto isso, os grupos do PT se articulam em torno da candidatura de Dilma Rousseff. Praticamente não há resistências internas ao seu nome. A ministra, por sua vez, tem se aproximado e mantém conversas com as tendências petistas. É uma forma de se inserir na lógica do partido, de abrigar as discordâncias internas e, ao mesmo tempo, unificar as tendências que brigam pelo poder da máquina no mesmo palanque. Um jantar na residência da ex-prefeita Marta Suplicy foi uma aproximação com o PT paulista que rearticula um campo majoritário e, assim, a hegemonia no partido. Também tem marcada uma reunião com a tendência Mensagem ao PT, do ministro da Justiça, Tarso Genro.

O pragmatismo petista deve-se ao fato também de ser um partido que depende muito do seu grande líder, o presidente Lula, mas mais ainda de sua estrutura nacional e da identificação do eleitor com a legenda para conseguir votos. No caso do PSDB, o pragmatismo é menor porque disputam a ribalta grandes líderes num partido com pequena capacidade de se unificar nacionalmente.

Maria Inês Nassif é editora de Opinião. Escreve às quintas-feiras

E-mail: maria.inesnassif@valor.com.br

18/02/2009 - 14:05h O barraco no PMDB


Ninguém pode dizer que se enganou com o PMDB e seus caciques regionais. Mas a política brasileira poderia ser ainda pior sem eles, como aliás já foi provado

Por Luiz Carlos Azedo – Correio Braziliense

luizazedo.df@diariosassociados.com.br

O senador Jarbas Vasconcelos , ex-governador de Pernambuco e fundador do partido, armou o maior barraco no PMDB e ficou por isso mesmo. A cúpula da legenda resolveu deixá-lo falando sozinho, embora a repercussão de sua entrevista à revista Veja, na qual acusa o partido de corrupção e fisiologismo, continue grande na mídia. Aparentemente, Jarbas cansou de ser escanteado pelos demais caciques da legenda e resolveu abrir uma dissidência que, pelo teor das acusações, não tem volta e deixa o PMDB na berlinda.

Fiel da balança
Não vou entrar no mérito da discussão aberta por Jarbas, que resolveu lavar a roupa suja de seu partido em público, para alegria da imprensa, pois quebrou a monotonia da cobertura política. Tão pouco quero adivinhar suas motivações íntimas, que para alguns analistas seriam fundar outro partido e virar vice da candidatura do governador paulista José Serra (PSDB) a presidente da República. Também não discuto suas críticas ao governo Lula, principalmente ao Bolsa Família, que para alguns são coisas de quem não gosta de pobre. Vou fechar o foco no que julgo mais importante: o PMDB começa a pagar o preço de ser o fiel da balança na sucessão de Lula em 2010.

Com seus governadores, prefeitos e parlamentares, a força renovada do PMDB no Congresso foi construída de baixo para cima, nas duas últimas eleições, e sua presença no governo Lula é muito mais uma consequência do que a causa desse fortalecimento. A legenda é fiadora da governabilidade do país. Sem o apoio do PMDB, o governo Lula não teria sustentação política no Congresso e ficaria à matroca. Não é à toa que ocupa seis ministérios na Esplanada, muito menos que tenha conquistado as presidências do Senado e da Câmara, ocupadas respectivamente por um antigo desafeto de Jarbas, o senador José Sarney (AP), e um suposto aliado, o deputado Michel Temer (SP).

A propósito, há uma curiosa assimetria nas relações do PT com o PMDB nas duas casas do Congresso. No Senado, as relações entre os dois partidos do “governo de coalizão” vão de mal a pior. Jarbas apoiou o petista Tião Viana (AC), que deveria ter retirado a sua candidatura anti-Sarney e não o fez porque recebeu o apoio da oposição. Na Câmara, ao contrário do que se poderia supor, o PT nunca esteve tão afinado com o PMDB, numa aliança que serviu de eixo para eleição de Michel Temer, diga-se de passagem, com apoio dos partidos de oposição.

Uma esfinge
Ninguém pode dizer que se enganou com o PMDB e seus caciques regionais. Mas a política brasileira poderia ser ainda pior sem eles, como aliás já foi provado. Ocorre que a cúpula do PMDB — da qual Jarbas se excluiu — há muito não estava tão unida como agora. E transformou a legenda numa esfinge, capaz de devorar aqueles que não forem capazes de decifrá-la. Ninguém, por exemplo, precisa falar ao ex-presidente José Sarney que ele é um personagem do passado, que teima em protagonizar o presente. Ele sabe disso melhor do que ninguém.

Mas qual Sarney? O da UDN Bossa Nova, que era suspeito de ser comunista? O deputado da Arena que apoiava o regime militar? O dissidente que articulou o PDS e se filiou ao PMDB para ser vice do presidente Tancredo Neves? O presidente da República que legalizou o Partido Comunista? O chefe de Estado que autorizou o Exército a reprimir os operários de Volta Redonda? O oligarca que resolveu embarcar na candidatura de Lula em 2002? Ninguém sabe o que Sarney fará na eleição de 2010, só que ele está no jogo.

Temer, com a sua troika de escudeiros na bancada de deputados do PMDB — Henrique Eduardo Alves (RN), Eliseu Padilha (RS) e Eduardo Cunha (RJ) —-, dá as cartas na Câmara. Qual é a do presidente licenciado do PMDB, um notório equilibrista da política? Para onde irá essa turma em 2010? Ninguém sabe ainda, pois operam ao mesmo tempo com o governo e a oposição, num jogo em que garantem apoio ao presidente Lula mas se reservam ao direito de lançar um candidato próprio ou apoiar um candidato não oficial desde que não seja um anti-Lula. Por isso, dividir o PMDB anula esse jogo.

18/02/2009 - 09:24h Base de Kassab veta abertura de CPI da Merenda

http://doisdedosdeprosa.files.wordpress.com/2007/04/kassab.jpgForam aprovadas comissões para apurar crime ambiental e sonegação

Eduardo Reina – O Estado SP

A base governista na Câmara Municipal enterrou ontem as possibilidades de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigaria as fraudes na compra de merenda escolar para a rede paulistana de ensino. No Colégio de Líderes, ficou acertado pelos partidos que não sai a CPI da Merenda ou nenhuma outra que possa trazer algum inconveniente ao prefeito Gilberto Kassab (DEM). Foram aprovadas três comissões: IPTU, Poluição do Córrego Jurubatuba e da Pedofilia.

Ficou determinado que também não prosperaria o requerimento de criação de comissão para apurar irregularidades no fornecimento de alvarás para templos religiosos e locais com frequência maior que cem pessoas e tampouco uma CPI para investigar corrupção nas subprefeituras. Momentos depois, em plenário, a base governista acatou a decisão e aprovou criação da CPI do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), que deverá investigar possível sonegação por parte de grandes instituições financeiras, proposta pelo vereador Aurélio Miguel (PR). Foi uma ação bastante rápida, com a oposição tentando obstruir a sessão e sem os votos necessários para brecar a máquina governista. São precisos 28 votos para aprovar ou não as propostas. Kassab conseguiu 37, ante 15 votos contrários.

Outra CPI que passou foi a da Poluição do Córrego Jurubatuba, que analisará as causas e tentará identificar as empresas que poluem a bacia do Jurubatuba. O autor desse pedido foi Antonio Goulart (PMDB), da base de sustentação de Kassab. Uma terceira CPI, que teve o pedido de preferência aceito, foi a da Pedofilia, proposta por Marcelo Aguiar (PSC). Hoje, entra em votação o pedido de instalação dessa comissão.

“Foi um coro muito bem orquestrado. O governo manobrou para não deixar prosperar as CPIs que cutucavam a administração Kassab. Ficou claro que não querem investigar nada”, reclamou João Antonio, líder do PT. O petista disse que não vai desistir e pretende apresentar hoje requerimento alegando motivo relevante que justifica a instalação da comissão. “Vamos insistir até o fim e sensibilizar os parlamentares de que investigar a máfia da merenda é necessário.” A Casa permite até cinco CPIs simultâneas.

Já o líder do governo, Jose Police Neto (PSDB), disse que não houve manobra, mas otimização do trabalho da Câmara. Para Police Neto, nos dois últimos anos os problemas de merenda já foram investigados na Casa em uma CPI e em uma subcomissão. O tucano defendeu a CPI do Jurubatuba. “O Município está prestes a perder R$ 1 bilhão da terceira fase do Projeto Tietê, se não detectar de onde vem o esgoto despejado no rio. Por isso é importante investigar a poluição na cidade, principalmente na bacia do Jurubatuba, onde há maior volume de esgoto”, afirmou.

FRASES

João Antonio
Líder do PT na Câmara

“O governo manobrou para não deixar prosperar as CPIs que cutucavam a administração Kassab. Ficou claro que não querem investigar”

José Police Neto
Líder do governo

“O Município está prestes a perder R$ 1 bilhão da terceira fase do Projeto Tietê, se não detectar de onde vem o esgoto despejado no rio”

17/02/2009 - 11:05h Fumaça branca na chaminé do PT

 http://4.bp.blogspot.com/_nIhHylcueUs/SUOz72OrsWI/AAAAAAAATW4/o05CG1kkpHo/s320/dilma+pt.jpgmarta_jantar_dilma_berzoini.jpg

Raymundo Costa – VALOR

Lula e o PT têm Plano A, Plano B e Plano C para a sucessão de 2010. O primeiro é público e notório e já não provoca divergência significativa no partido: Dilma Rousseff, ministra da Casa Civil e “Mãe do PAC”. O segundo é Aécio Neves, governador tucano de Minas Gerais, cada vez mais uma carta fora do baralho do PSDB. O Plano C – mas só na hipótese de os dois primeiros falharem – é a prorrogação ou a instituição do terceiro mandato presidencial.

O ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel cumpre tarefa ao dizer que não existe um Plano B a Dilma. É natural que o faça. O Plano A de Lula – que o PT assumiu integralmente — já foi posto em movimento. Começou quando Lula disse ao PT que era Dilma e o PT, na última reunião do Diretório Nacional, descascou a cebola sem chorar, camada por camada.

“É Dilma ou não é Dilma”? Até agora a ministra era uma indicação bancada apenas pelo presidente. Resposta dos petistas: “É Dilma”. O PT assumiu a candidatura da ministra e logo vai receber a indicação de Lula para ela ser a candidata.

O PT então vai responder que o presidente da República é quem tem mais condições para dizer quem é melhor para sucedê-lo, dentre aqueles que integram sua equipe de governo, e em seguida homologa a indicação de Lula . Este é o ritual programado. Quando vai acontecer?

A ideia era fazer a indicação no ano que vem. Mas o Diretório Nacional concluiu que os fatos se precipitaram rapidamente. Todas as movimentações de José Serra, o provável candidato tucano, dizem respeito à sua sucessão, na visão do PT (o PSDB vê exatamente a mesma coisa em relação a Lula e Dilma) e o governo e o partido vão começar a mexer nisso também. Assim sendo, a formalização da candidatura da Dilma será feita o mais rapidamente possível.

O que é que se pode entender com o mais rapidamente possível, afinal, já que havia no Palácio quem disse que o nome da ministra seria anunciado no segundo semestre de 2008? Pelo roteiro traçado no Diretório Nacional é depois de ela concluir um ‘circuito de agendas’ em diversos Estados, juntando os movimentos sociais do campo e da cidade, mais o PT e a base de sustentação política do governo no Congresso. Depois desse périplo, o PT formaliza a candidatura.

Trata-se de uma agenda importante, pois não se destina apenas a fazer Dilma mais conhecida do eleitorado, algo que os marqueteiros acham fácil de fazer no mundo conectado em rede dos dias de hoje. O que há por trás da ideia é que Dilma seja não só a favorita do presidente Lula, mas também a candidata dos movimentos sociais, do PT e dos aliados nos quais se assentaram as bases do atual governo.

Sem densidade política, não bastará à ministra se tornar conhecida. Mas como fazer isso (literalmente, uma campanha antecipada), se Dilma é ministra de Estado, gerente do PAC e agora a ministra encarregada de evitar que a crise econômica mundial ataque o Programa de Aceleração do Crescimento, ainda hoje o carro-chefe da campanha da ministra. Há aspectos legais que limitam os movimentos de ação de Dilma como pré-candidata (só uma convenção do PT, em junho de 2010, oficializará a candidatura).

A proposta é que segunda, terça, quarta, quinta e sexta-feira ela se dedique à agenda de governo. E de sexta à noite até domingo à noite faça o ‘circuito de agendas.’ Assim como fez no último fim de semana, quando participou de um jantar na casa da ex-prefeita Marta Suplicy, em São Paulo. Apesar de todo o cuidado que ela tomou ao tratar do assunto, ficou claro que Dilma quer ser candidata e no PT já não há oposição – a não ser residual – a seu nome. Na realidade, saiu fumaça branca da chaminé do PT.

As principais personalidades do PT estiveram presentes, fizeram discursos. Dilma muito habilmente não se colocou como candidata. Disse que isso vai seguir o calendário do partido, que para ela já basta a honraria de ter sido indicada pelo presidente Lula. Realista, destacou que sua candidatura dependeria da conjuntura, da base aliada – “dos astros”, brincou um companheiro afinado com o projeto.

O resto dos convivas fez discurso “já de beija-mãos”, contou um dos presentes: ‘É você mesmo, nós estamos aqui para ajudar, queremos fazer, o presidente falou’. Dilma, modestamente, voltou a insistir que para ela já bastaria a glória de ter sido indicada por Lula. Mas que ela sabe bem o que é que é ser candidata do PT, que quer respeitar o cronograma do partido, a base aliada, os movimentos sociais, que o que a preocupa no momento é por o PAC pra frente.

Jura-se no PT que não existe uma meta a ser cumprida por Dilma em determinado prazo. Por exemplo: 25% das pesquisas de opinião, até o final deste ano.

Isso seria “chute de campanhólogo” Os problemas reais seriam a candidatura não decolar, a crise externa, uma eventual paralisação do PAC ou até uma crise do tipo ‘ mensalão’. que, evidentemente, ninguém espera no partido que aconteça, mas, diante dos antecedentes… Só então o governo recorreria aos dois outros planos na gaveta.

O Plano B prevê a filiação de Aécio Neves ao PMDB até setembro. A insistência do governador mineiro na realização de prévias para a escolha do candidato do PSDB às eleições de 2010 seria o pretexto para o rompimento do tucano, uma vez que o partido definitivamente não parece disposto a fazer uma eleição primária e está cada vez mais sob o controle de José Serra, governador de São Paulo.

A última saída é a prorrogação com a aprovação do terceiro mandato. Assunto que vai ser discutido na comissão que tratata do fim da reeleição e da aprovação do mandato de cinco anos, posta em movimento no final do ano passado pelo fiel escudeiro João Paulo Cunha, (PT-SP). Em resumo, se uma alternativa não der certo, haverá outra sempre à mão.

Raymundo Costa é repórter especial de Política, em Brasília. Escreve às terças-feiras

E-mail raymundo.costa@valor.com.br