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	<title>Blog do Favre &#187; petistas</title>
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	<description>Cultura, Política, Economia, Mundo, Sociedade, Comportamento</description>
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		<title>Crise regional define poder nacional</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Oct 2009 15:51:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Maria Inês Nassif &#8211; VALOR
Os dois partidos preferidos do eleitor paulista, PT e PSDB, mantêm a centralidade na política nacional mais pela polarização que o eleitor do Estado faz a partir deles &#8211; o eleitor define-se ideologicamente a partir da imagem que tem dessas legendas &#8211; do que pelo perfil de ambos. Desde a virada [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><img class="alignleft" src="http://www.valoronline.com.br/imagens/colunistas/COL-MARIA_INES_NASSIF.jpg" border="0" alt="Colunista" /><span style="background-color: #ffff99;">Maria Inês Nassif &#8211; VALOR</span></h2>
<p>Os dois partidos preferidos do eleitor paulista, PT e PSDB, mantêm a centralidade na política nacional mais pela polarização que o eleitor do Estado faz a partir deles &#8211; o eleitor define-se ideologicamente a partir da imagem que tem dessas legendas &#8211; do que pelo perfil de ambos. Desde a virada do milênio, as seções paulistas desses partidos vivem intensas crises internas porque vitórias estaduais são o primeiro passo da disputa nacional. As lideranças consolidadas pelo eleitorado tendem também a não abrir caminho para renovação.</p>
<p>A posição do PSDB, de partido há muito tempo no poder estadual, tornou-o demais atrativo para lideranças mais conservadoras que estavam abrigadas em partidos que perderam força e eleitorado, como o PMDB e o antigo PP de Paulo Maluf. Militantes antigos queixam-se da queda de qualidade de seus quadros. O destino trouxe de volta para o Estado líderes petistas de maior peso que se desgastaram no primeiro governo de Lula, mas hoje eles pendem muito mais a adequar o diretório paulista ao projeto de continuidade do PT no poder federal do que propriamente de adequação das necessidades nacionais às disputas paulistas.</p>
<p>PT e PSDB polarizam o eleitorado do Estado desde que o ex-governador e ex-prefeito Paulo Maluf (PRP) saiu do mapa das eleições majoritárias, posição consolidada quando ele se refugiou no mandato de deputado federal, em 2006. Parte do eleitorado malufista foi absorvida pelos tucanos &#8211; o voto que por conceito era antipetista &#8211; e pouco Maluf levou consigo em alianças com o PT.</p>
<p>O eleitor paulista tem mantido um certo padrão de voto: o governo do Estado está há 17 anos nas mãos do PSDB, duas das três cadeiras no Senado ficam com o PT e, na Câmara dos Deputados, os dois partidos paulistas têm as duas maiores bancadas do Estado &#8211; são 18 representantes do PSDB e 14 do PT. Na prefeitura da capital se revezam petistas e antipetistas &#8211; nas últimas eleições municipais venceu a disputa o prefeito Gilberto Kassab, do DEM, como o candidato antipetista, da mesma forma que Maluf ganhou em 1992 contra o PT e o seu sucessor, Celso Pitta, em 1996.</p>
<p>A candidatura vitoriosa de José Serra à prefeitura, em 2004, foi o momento em que a capital conseguiu realizar de forma mais completa o voto antipetista num representante tucano, sem que ocorresse perda de votos conservadores, claramente antipetistas, para uma legenda mais à direita no espectro partidário. Em 2008, o candidato tucano Geraldo Alckmin sangrou sua candidatura para Gilberto Kassab (DEM), que conseguiu a seu favor um perfil de eleitorado conservador, antipetista, antes dirigido a Maluf, e o eleitor tucano e o antipetismo menos conservador, os dois últimos vindos das mãos de Serra, de quem o candidato do Democratas era vice na prefeitura.</p>
<p>Polarizados nas eleições do Estado com mais eleitores, os dois partidos ainda conservam um grande poder na política nacional. O PT ainda tem uma forte concentração das decisões nacionais nas mãos dos representantes paulistas. Seu presidente é Ricardo Berzoini, deputado federal por São Paulo, e sua Executiva Nacional é fortemente paulista. O PSDB &#8220;despaulistizou&#8221; a direção nacional ao longo do governo de Fernando Henrique Cardoso, mas não o poder. A candidatura do paulista José Serra à Presidência mobiliza grande parcela do tucanato nacional desde 2002, quando ele perdeu a eleição para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2006, quando Lula disputou a reeleição, a briga pela legenda tucana à eleição nacional não saiu do Estado: o ex-governador Geraldo Alckmin foi o candidato, depois de ganhar uma queda-de-braço com o governador José Serra, que então se candidatou ao governo. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que se resguarda para as grandes decisões nacionais, também irradia daqui a sua influência para o resto do país.</p>
<p>Da mesma forma que São Paulo, no início da década de 80, produziu as novas lideranças políticas que iriam arejar a política nacional que saía da ditadura, é no Estado que, hoje, as lideranças antigas nacionais são mais arraigadas. A renovação está se produzindo primeiramente fora de São Paulo e começa a acontecer aqui de forma tardia e com mais dificuldades. Primeiramente, porque lideranças estaduais consolidadas tendem a não ceder espaço para novos personagens. Isso ocorre nos dois partidos. No PSDB, é mais acentuada a dificuldade de depuração de quadros de qualidade ruim que tendem a se amontoar num partido quando ele vira opção de poder &#8211; e foi o PSDB o grande atrativo para ex-quercistas e pemedebistas que abandonaram a legenda pemedebista esvaziada pela polarização eleitoral entre os tucanos e o PT. No PT esse efeito foi menor porque o partido tem mecanismos de controle interno que não foram desmontados depois que este alcançou o poder federal &#8211; e que, se não facilitam a vida dos que chegam de fora, pelo menos dá instrumentos para que as direções os submetam aos interesses de maiorias partidárias.</p>
<p>Se o trânsito das novas lideranças é difícil no PT e no PSDB paulista, também se tornam mais complicadas as disputas internas entre as velhas lideranças. No caso do PT, a luta interna entre os grupos, mesmo depois de 2005, em algum momento pode ser interrompida pela ação de um grupo majoritário. As próprias prévias eleitorais são regras para enquadramento de minorias. Nas eleições, esses mecanismos garantem coesão no palanque, mesmo que as divisões voltem a se manifestar no dia seguinte ao pleito. No PSDB, as disputas são enquadradas em articulações de lideranças que dificilmente conseguem garantir uma mínima coesão eleitoral. Não existem compromissos sólidos dos grupos derrotados em disputa com os grupos vitoriosos, nem se observa uma coesão partidária posterior a uma grande disputa interna pela legenda para cargos majoritários.</p>
<p>Pelos dados colocados na mesa até agora, o PT e o PSDB paulistas vão fazer valer a tradição e se aproximam das eleições rachados. O PT tem mais chances de ir unido para o palanque estadual do grupo vitorioso, mesmo que rache novamente logo em seguida. Qualquer que seja o grupo vitorioso no PSDB paulista, não há chances de unidade nem para as eleições.</p>
<p><strong>Maria Inês Nassif é repórter especial de Política. Escreve às quintas-feiras</strong></p>
<p><strong>E-mail: maria.inesnassif@valor.com.br</strong></p>
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		<title>Líder do PT na Assembleia indica que bancada não cogita ceder candidatura própria ao governo em favor de Ciro (PSB)</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Jun 2009 12:16:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Abrir mão de SP é &#8220;decadência&#8221;, diz Rui Falcão 
Líder do PT na Assembleia indica que bancada não cogita ceder candidatura própria ao governo em favor de Ciro (PSB)
&#8220;Quem acha que o PT não deve ter candidato próprio é também porque acha que nós vamos perder, o que contraria nossa história&#8221;, diz 
  
PEDRO [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.ptalesp.org.br/createthumb.php?image=internos/imagens/250_Rui_Falcao_120_120.jpg&amp;max=200" alt="http://www.ptalesp.org.br/createthumb.php?image=internos/imagens/250_Rui_Falcao_120_120.jpg&amp;max=200" align="left" /><font size="5"><strong>Abrir mão de SP é &#8220;decadência&#8221;, diz Rui Falcão </strong></font></p>
<p><strong>Líder do PT na Assembleia indica que bancada não cogita ceder candidatura própria ao governo em favor de Ciro (PSB)</strong></p>
<p><strong>&#8220;Quem acha que o PT não deve ter candidato próprio é também porque acha que nós vamos perder, o que contraria nossa história&#8221;, diz </strong></p>
<p><strong>  </strong></p>
<p style="background-color: #ffff99"><strong>PEDRO DIAS LEITE &#8211; FOLHA SP</strong></p>
<p><font size="-1">  DA REPORTAGEM LOCAL </font></p>
<p>A possibilidade de o PT não  ter candidato próprio ao governo do Estado seria um &#8220;atestado de decadência&#8221; do partido  em São Paulo, avalia o líder da  sigla na Assembleia Legislativa,  deputado estadual Rui Falcão.<br />
Na semana que passou, a  bancada paulista dos petistas  reagiu à articulação para fazer  do deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) o candidato do  presidente Lula em São Paulo.  O grupo vai apresentar nota em  defesa da candidatura própria  em reunião amanhã com representantes da ala nacional para  debater o cenário eleitoral no  Estado para 2010.<br />
Um dos homens mais próximos da ex-prefeita Marta Suplicy (PT), Falcão afirma que  ela já decidiu ser candidata,  mas ainda não sabe a que cargo.  Na hipótese de a candidatura  do deputado federal Antonio  Palocci (PT-SP) não se viabilizar, estaria aberta a tentar mais  uma vez o governo.  Um dos principais alvos das  críticas de Falcão são os articuladores, dentro do PT, do projeto Ciro em São Paulo. &#8220;Quem  acha que o PT não deve ter candidato próprio é também porque acha que nós vamos perder,  o que contraria nossa história.&#8221;<br />
&#8220;O pavão de hoje pode ser o  espanador de amanhã&#8221;, diz,  sem citar nomes, numa referência indireta a negociações  por meio da imprensa, e não  nos mecanismos partidários.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; A bancada do PT decidiu  emitir uma nota reafirmando a candidatura própria. É uma resposta à  alternativa Ciro Gomes?<br />
RUI FALCÃO</strong></em> &#8211; O PSB tem todo o  direito de lançar o deputado Ciro Gomes a qualquer cargo. Ele  tem qualidades políticas para  qualquer função. Nossa decisão  não é contrária ao Ciro.<em><strong>FOLHA &#8211; Um dos argumentos em  favor da candidatura Ciro é que o PT  não tem nomes fortes.<br />
FALCÃO</strong></em> &#8211; Não concordo. A participação do PT nas eleições estaduais tem sido crescente. Em  2006, para os que achavam que  o PT fora liquidado pelo episódio do dossiê, nós fizemos o  candidato do PSDB recuar na  votação no segundo turno.  Pretender que o PT não tenha candidato forte em São  Paulo é uma espécie de atestado de decadência do PT de São  Paulo. Isso não significa que a  gente não converse com os aliados, que não procure chapa  conjunta ou não possa ter pacto  de primeiro e segundo turno.<em><strong>FOLHA &#8211; O senhor descarta um  apoio do PT à candidatura Ciro?<br />
FALCÃO</strong></em> &#8211; Na minha opinião, isso não soma nada ao objetivo  prioritário, que é a eleição da  ministra Dilma. A melhor maneira de fortalecer a candidatura da ministra em São Paulo seria candidatura própria do PT.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; O senhor teme uma intervenção do PT nacional?<br />
FALCÃO</strong></em> &#8211; Não acredito que isso  vá ocorrer. Entre outros motivos, porque essas tentativas de  anular o PT nos principais Estados já têm provocado um certo mal-estar, seja em Minas, seja no Rio Grande do Sul.  Justamente num período em  que o PT tem chance de vitória,  abdicar disso, a um ano da eleição, significa também entrarmos em qualquer negociação  futura em desvantagem.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Qual a possibilidade de o  PT-SP apoiar a candidatura Ciro?<br />
FALCÃO</strong></em> &#8211; Hoje o que nós temos  é a decisão de candidatura própria. E nós não sabemos se há  disposição do PSB de apresentar a candidatura do Ciro.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Ciro Gomes disse que não  seria o PT se o partido não defendesse candidatura própria.<br />
FALCÃO</strong></em> &#8211; Também disse que  considerava essa hipótese uma  fofoca. Prefiro não discutir fofoca. É preciso tomar cuidado  com iniciativas individuais que  às vezes são bem-intencionadas e acabam criando constrangimentos. Há quem diga que o  pavão de hoje pode ser o espanador de amanhã.</p>
<p><em><strong>FOLHA &#8211; Qual a disposição de Marta  de concorrer ao governo em 2010?<br />
FALCÃO</strong></em> &#8211; Eu a respeito muito,  mas não sou seu porta-voz. Ela  disse que apoia a candidatura  ao governo de Palocci. Ela disse  o seguinte: &#8220;Caso ele não seja  candidato, eu considero a questão em aberto&#8221;. Outra declaração dela: &#8220;Vou ser candidata&#8221;.  Tire daí as conclusões.</p>
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		<title>Cogitado em SP, Ciro coleciona ataques à elite estadual</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Jun 2009 15:35:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[MÍDIA]]></category>
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		<description><![CDATA[Parece engraçado, mas não é. Cada vez que alguma força política ou político de renome se direciona para o lado do PT, imediatamente vira &#8220;bicho papão&#8221;. Quando o cara fica na seara dos tucanos, o bicho como que perde seu lado aterrorizador.
Veja o caso de Quercia, aliado hoje de Serra e Kassab. Quando fez movimento [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Parece engraçado, mas não é. Cada vez que alguma força política ou político de renome se direciona para o lado do PT, imediatamente vira &#8220;bicho papão&#8221;. Quando o cara fica na seara dos tucanos, o bicho como que perde seu lado aterrorizador.</em></p>
<p><em>Veja o caso de Quercia, aliado hoje de Serra e Kassab. Quando fez movimento para o lado do PT, era assustador. Hoje é &#8220;interlocutor&#8221;, &#8220;hábil&#8221; e com grande potencial eleitoral.</em></p>
<p><em>Leiam o artigo embaixo sobre Ciro Gomes. Diferentemente dos outros presidenciáveis que ganharam páginas contrastadas no jornal Valor, com prós e contra, do momento que alguns começaram a pensar em lançá-lo candidato ao governo de São Paulo, virou o &#8220;bicho-papão&#8221;da vez. Parece que Serra usou palavrão pesado com o PSB perante o factóide da candidatura do seu desafeto. </em></p>
<p><em>Com Dilma o papo é a alta rejeição, com Ciro vai ser a mesma coisa sua alta rejeição. A arma suprema que sempre foi utilizada contra os que podem ameaçar a hegemonia tucana no Estado ou seu retorno ao poder no país. Era assim com Lula, é assim com a Marta, com Dilma e agora com Ciro. No caso do artigo embaixo a história é invocada, mas ninguém viu artigos como este quando do ex-aliado de Pitta, Gilberto Kassab, virou candidato de Serra a prefeitura de São Paulo. Eram histórias velhas. LF</em></p>
<div style="text-align: center"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_q82HeJQFXTg/R_tuDnRvZMI/AAAAAAAAB-I/jhvdhJz8V34/s400/ciro3.jpg" alt="http://3.bp.blogspot.com/_q82HeJQFXTg/R_tuDnRvZMI/AAAAAAAAB-I/jhvdhJz8V34/s400/ciro3.jpg" /></div>
<div style="text-align: center"></div>
<p style="background-color: #ffff99">Yan Boechat de São Paulo &#8211; VALOR</p>
<p>Antes de ter seu nome oficializado como candidato ao governo do Estado de São Paulo por uma coligação envolvendo o PSB, o PT e o PDT, o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) já fornece um estoque de munição considerável para os adversários o atacarem . Ao longo da última década, o ex-governador cearense e ex-ministro da Fazenda no governo Itamar Franco declarou repetidas vezes que um dos maiores problemas do país é a elite econômica paulista . Mesmo tendo nascido em Pindamonhangaba (SP), a cidade natal do ex-governador paulista Geraldo Alckmin, Ciro arrisca ganhar a pecha de &#8220;estrangeiro&#8221; que não gosta de São Paulo pelos partidos que disputarão o governo estadual, em especial o PSDB, que lutará para ficar mais quatro anos no poder.</p>
<p>Nos três partidos pelos quais transitou nos últimos 20 anos, Ciro sempre foi enfático em seus ataques ao empresariado paulista. Para ele, seu Estado natal, sempre colocou seus interesses particulares à frente dos interesses da federação. Não são raras as frases do ex-governador cearense afirmando que o país é comandado por empresários paulistas. Em muitos desses episódios Ciro Gomes usou de sua conhecida verborragia para atacar os donos do capital do Estado mais rico.</p>
<div style="text-align: center"><img src="http://www.valoronline.com.br/imagens/impresso/ed_0002278/imagens/arte15pol-eleicoes-a5.gif" border="0" /></div>
<p>Uma das mais controversas declarações de Ciro ocorreu em 2001, quase no fim do segundo mandato de FHC. Comentando sobre uma reunião que o então presidente havia tido com empresários paulistas, Ciro comparou o encontro a uma reunião da Operação Bandeirantes, a Oban, grupo paramilitar criado para combater movimentos de esquerda durante a ditadura militar.</p>
<p>Um ano depois, durante a campanha presidencial, Ciro voltou à carga, afirmando que o país ainda continuava sendo comandado por barões, sendo os atuais ligados ao sistema financeiro. &#8220;O atual modelo que concentra uma oligarquia de barões paulistas no poder precisa ser destruído&#8221;, afirmou o então candidato à sucessão de FHC em comício na cidade mineira de Sabará.</p>
<p>As críticas de Ciro ao empresariado paulista remontam até mesmo ao tempo em que era aliado de FHC, na época candidato à Presidência da República, com o apoio de toda elite econômica. O então ministro da Fazenda afirmara publicamente que os empresários de São Paulo estariam em complô contra o Plano Real.</p>
<p>As críticas à elite econômica de São Paulo continuaram ao longo dos últimos anos. Em 2006 Ciro Gomes afirmou que a &#8220;tragédia do Brasil é a classe dominante paulista&#8221;. A declaração foi motivada pelo fato de o deputado federal ter encontrado em um teatro de São Paulo a ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy, o atual secretário de cultura do Estado de São Paulo, João Sayad, e o governador de São Paulo José Serra. &#8220;Em São Paulo o PT e o PSDB são a mesma coisa&#8221;, disse ele na época.</p>
<p>Apesar de todas as críticas feitas à elite econômica paulista, Ciro recebeu mais de dois milhões de votos em São Paulo quando concorreu à Presidência da República em 2002. Percentualmente, teve um desempenho em São Paulo muito próximo de sua média nacional. Enquanto recebeu em todo o país 12% dos votos válidos, foi escolhido por 10% dos eleitores paulistas.</p>
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		<title>Divisão do PT em eleição interna mantém a salvo apoio a Dilma</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Jun 2009 15:07:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Raymundo Costa, de Brasília &#8211; VALOR
No momento em que o PSDB não consegue superar a divisão interna, a consolidação da candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) uniu o PT e devolveu ao partido a expectativa de manter o poder, o que não dispunha, de fato, até bem pouco tempo. O resultado é que a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="background-color: #ffff99">Raymundo Costa, de Brasília &#8211; VALOR</p>
<p><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/06/divisao-do-pt-em-eleicao-interna-mantem-a-salvo-apoio-a-dilma/11866/" rel="attachment wp-att-11866" title="estrela_sobe1.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/06/estrela_sobe1.jpg" alt="estrela_sobe1.jpg" align="left" /></a>No momento em que o PSDB não consegue superar a divisão interna, a consolidação da candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) uniu o PT e devolveu ao partido a expectativa de manter o poder, o que não dispunha, de fato, até bem pouco tempo. O resultado é que a lógica de fração que preside a sigla deve prevalecer na renovação do comando partidário, em 22 de novembro, mas esta será uma eleição em que os petistas devem demonstrar um raro entendimento entre suas tendências.</p>
<p>&#8220;Agora temos um candidato de verdade&#8221;, diz o líder na Câmara, Cândido Vacarezza (SP). Há até quem defenda a formação de uma chapa única com base na proporção de cada grupo na última eleição, caso do deputado José Genoino (SP). &#8220;Então nós transformaríamos o dia da eleição num grande evento de unidade política&#8221;, diz o deputado.</p>
<p>É difícil, como reconhece o próprio candidato do grupo majoritário, o presidente da BR Distribuidora, José Eduardo Dutra. Integrante da tendência Construindo um Novo Brasil (CNB), Dutra tem o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e já abriu negociações com as demais tendências do PT, inclusive a segunda maior delas, a Mensagem, que tem como líder o ministro Tarso Genro e deve concorrer com o deputado José Eduardo Cardozo (SP). Dutra acha que a lógica de fração deve se manter em mais essa eleição: é a maneira que os grupos petistas têm de medir sua força &#8211; &#8220;contar as garrafas&#8221;, como dizem os petistas históricos. Afastado há sete anos da rotina petista, Dutra procura agora restabelecer a convivência partidária para se favorito.</p>
<p>Uma demonstração do novo clima vivido pelo PT é o apoio dado pelo ex-ministro José Dirceu ao candidato Dutra, embora o ex-presidente da Petrobras não seja o seu candidato dos sonhos. O governador Marcelo Déda, que encampou a tese de refundação do ministro Tarso Genro, na crise do mensalão, apoia a candidatura do aliado, que antes do governo Lula era senador por Sergipe. Dutra agora conversa com outras três tendências que já haviam fechado com a CNB, se o candidato fosse Gilberto Carvalho (Lula não liberou seu chefe de gabinete): Novo Rumo, do líder na Câmara, Cândido Vacarezza (SP), que deve apoiá-lo, PT de Lutas de Massa, do deputado Jilmar Tatto (SP) e Movimento PT, capitaneada pelo deputado Arlindo Chinaglia (SP). &#8220;Já tivemos uma conversa. Mas no momento a posição que prevalece é a que foi tirada em encontro nacional pela candidatura própria&#8221;, diz Chinaglia.</p>
<p>Vacarezza acredita que &#8220;essa eleição não será ditada pela lógica das tendências&#8221;, isso porque o partido fechou com Dilma e pelo fato de as pesquisas indicarem que a candidatura da ministra é viável. E expectativa de manter o poder era algo que o PT não tinha, a ponto de o partido namorar com a ideia do terceiro mandato: Genoino é o relator da emenda que tramita no Congresso e pretende apresentar seu parecer na próxima quinta-feira ou, no máximo, na terça-feira 23. &#8220;No mérito eu sou contra, mas a fundamentação lá na CCJ tem de ser de técnica, e eu ainda não escrevi o parecer&#8221;, diz o deputado. De fato, cabe à Comissão de Constituição e Justiça apenas se manifestar sobre a constitucionalidade da emenda e não sobre seu mérito.</p>
<p>Para o líder na Câmara, a consolidação da candidatura Dilma permitiu dois movimentos ao PT, um ofensivo, no sentido da unidade, e outro defensivo, pois fica claro ao partido que &#8220;se nós começarmos a brigar entre nós, vamos ter problemas&#8221;. Integrante do Diretório Nacional, o ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh lista os aspectos em torno dos quais se costura a unidade petista, no momento: &#8220;A candidatura Dilma, a defesa do governo e a política de alianças&#8221;. Vacarezza acrescenta mais um: &#8220;Os elementos já postos para a campanha da Dilma, como a continuidade com mudanças&#8221;, diz. Ou seja, &#8220;a correção de eventuais erros e o aprofundamento dos acertos&#8221;, acentua Vacarezza.</p>
<p>O reconhecimento da viabilidade da candidatura Dilma, no entanto, não ilude o candidato favorito para presidir o PT, José Eduardo Dutra: &#8220;Vai ser uma eleição polarizada com o Serra (José Serra, governador de São Paulo) e muito difícil, mas temos todas as condições de vencer&#8221;, diz ele. O PT celebra uma pesquisa que encomendou ao instituto Vox Populi, na qual aparece com 29% dos 49% dos eleitores que declararam ter preferência partidária, muito à frente do PMDB, com 8% e do PSDB, com 7%. Outra medição: o PT é o partido com maior &#8220;recall&#8221;, com 35%, enquanto o PSDB parece em terceiro, com 14%, atrás do PMDB e seus 24%. E caiu por terra a percepção de que o PT atrapalhava o governo Lula: 70% responderam que o partido ajuda no país a crescer.</p>
<p>Apesar do otimismo sobre a unidade manifestado pelos petistas, no entanto, pelo menos um aspecto da lista de convergências já está dando problemas: a política de alianças. Todos concordam que a aliança nacional deve reger os acordos regionais. Dutra inclusive acredita que pode formalizar a coligação com o PMDB, de vez que na próxima eleição não haverá mais verticalização (a lei que condicionava as coligações estaduais à coligação nacional). O problema é que cada petista concorda com a tese da aliança ou prioridade de coligação com o PMDB desde que seja no Estado vizinho.</p>
<p>No Rio Grande do Sul, o argumento é que PT e PMDB são partidos que, tradicionalmente, polarizam as eleições gaúchas. Em Minas Gerais, são dois os candidatos de porte desavindos desde a eleição municipal: o ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) e o ex-prefeito Fernando Pimentel &#8211; mas é Hélio Costa (PMDB) quem está na frente das pesquisas. No Rio de Janeiro o PT quer quebrar o acordo com o PMDB.</p>
<p>Certo, mesmo, parece ser a adesão do PMDB paulista a Serra e a convicção da cúpula petista de que poderá convencer Ana Júlia Carepa que ela não tem chance de reeleição ao governo do Pará, se não se aliar ao deputado Jader Barbalho, mais forte pemedebista no Estado.</p>
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		<title>Empresários veem muita competência e pouco carisma</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Jun 2009 17:21:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
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		<description><![CDATA[2010: Empresariado vê Dilma como aliada mas teme pelo jogo de cintura
Jorge Araújo/Folha Imagem &#8211; 12/1/2009

 Dilma na Couromodas, em janeiro deste ano: posição de confronto anterior à posse de Lula cedeu lugar a uma atitude de maior valorização da iniciativa privada
&#160;
Yan Boechat e Raquel Landim, de São Paulo &#8211; VALOR
A ministra chefe da Casa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>2010: Empresariado vê Dilma como aliada mas teme pelo jogo de cintura</strong></p>
<p align="center"><font size="1"><em>Jorge Araújo/Folha Imagem &#8211; 12/1/2009<br />
</em></font><img src="http://www.valoronline.com.br/imagens/impresso/ed_0002272/imagens/foto04pol-dildma-a12.jpg" border="0" /><br />
<font size="1"><em> Dilma na Couromodas, em janeiro deste ano: posição de confronto anterior à posse de Lula cedeu lugar a uma atitude de maior valorização da iniciativa privada</em></font></p>
<p align="center">&nbsp;</p>
<p style="background-color: #ffff99">Yan Boechat e Raquel Landim, de São Paulo &#8211; VALOR</p>
<p>A ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, não tem o que se possa chamar exatamente de perfil carismático. Os anos de militância em organizações de esquerda, formadas em grande parte por intelectuais, não deram a essa mineira de alma gaúcha o que se costuma chamar de traquejo popular. Dilma ainda não se sente confortável em um palanque político. Ainda não fala a língua do povo, como faz com absoluta fluência seu principal cabo eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.</p>
<p>Desde que assumiu o posto de candidata virtual à sucessão de Lula, Dilma vem tentando melhorar essa comunicação com a base do eleitorado. Tem tomado aulas com políticos experientes, pedido conselho a colegas com cancha de palanque e consultado especialistas em discursos. &#8220;Ela está se esforçando, ainda falta muito, mas vai chegar nas eleições pronta para tomar um banho de povo&#8221;, diz um parlamentar petista que dia desses enviou um relatório para a ministra sobre um discurso feito por ela em Minas Gerais. &#8220;O principal problema da Dilma é que ela ainda fala como se discutisse, com empresários ou economistas, um projeto de governo&#8221;.</p>
<p>É fato. Quando começou a intensificar sua participação em eventos de caráter político, em março deste ano, Dilma parecia estar discursando para economistas ou empresários, mesmo que a plateia fosse formada por metalúrgicos ou moradores da periferia de Campinas (SP). Quando tentou se aproximar desse público, adotou uma postura professoral, mas com um didatismo quase infantil. O resultado foi um discurso sem carisma, enfadonho, até. &#8220;Desliga o microfone dela, pelo amor de Deus&#8221;, brincava um metalúrgico durante um evento em que a ministra participou em São Bernardo do Campo (SP) em março deste ano.</p>
<p>O tecnicismo que caracteriza as falas da ministra, no entanto, é herança de um capital político intangível &#8211; seu traquejo em embates com empresários, principalmente do setor de infraestrutura. Executivos de alto escalão de vários setores ouvidos pelo Valor, alguns dos quais com resistência histórica ao PT, reconhecem em Dilma foco em resultados, organização, poder de comando, conhecimento técnico e coragem para correr riscos.</p>
<p><img src="http://www.valoronline.com.br/imagens/impresso/ed_0002272/imagens/arte04pol-dilma-a12.gif" align="left" border="0" />&#8220;Ela é uma executiva, no termo mais exato da palavra&#8221;, afirma o presidente de uma empresa de construção civil que participou de mais de uma dezena de reuniões com a ministra durante a formulação do programa Minha Casa, Minha Vida. &#8220;É uma executiva de nível internacional, é muito bem preparada, o trabalho flui e tive a sensação de estar discutindo com outro executivo, não com um representante do governo&#8221;, conta, claramente impressionado com o desempenho da ministra nas reuniões de trabalho em que participaram. Para ele, uma das principais características de Dilma é o entendimento claro de que a iniciativa privada está em busca de lucros e que isso é justo. &#8220;Não somos beneficentes e muitas vezes o Estado nos vê como gananciosos por queremos ganhar dinheiro, isso azeda a discussão porque toca no ponto que é a razão da existência de uma companhia: ter lucro&#8221;, afirma o executivo.</p>
<p>Mas nem sempre foi assim. Dilma, ao longo de sua carreira, teve uma relação muitas vezes conturbada com o setor privado. Não raros foram os episódios em que fez valer suas opiniões por meio da mão forte do Estado, sem contextualizar as demandas e os interesses de seus interlocutores. Doutoranda em Ciências Sociais pela Unicamp, Dilma teve os alicerces de sua formação intelectual e ideológica consolidados pela luta de classes marxista. Em muitos momentos, Dilma colocou de forma inflexível que os interesses privados e os interesses do Estado eram essencialmente divergentes.</p>
<p>Isso aconteceu, por exemplo, quando coordenava a equipe de infraestrutura do governo de transição do então presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva em 2002. Nos meses que antecederam a posse de Lula, Dilma reuniu-se com diretores de empresas de comercialização de energia elétrica. Recebeu os executivos sozinha, sem auxílio de técnicos. Logo no início da conversa, chamou os empresários de &#8220;nefastos atravessadores&#8221; e disse que as empresas de comercialização &#8220;não têm função no setor elétrico&#8221;, relembra um dos executivos que participou da reunião.</p>
<p>Passados sete anos, o estilo direto e agressivo ainda é o mesmo, mas hoje a ministra parece mais madura no exercício do poder. Desde que assumiu a Casa Civil &#8211; e principalmente depois que passou a ser preparada para ser a candidata de Lula -, Dilma adotou uma postura mais leve e menos centralizadora, principalmente com o setor empresarial. Aos poucos as medidas que, em geral, colocavam a ministra em posição de confronto com o setor produtivo cederam espaço para uma maior valorização da iniciativa privada. O tempo dos duros embates sobre o novo modelo do setor elétrico &#8211; considerado mais intervencionista que o deixado pelo governo Fernando Henrique Cardoso &#8211; cedeu lugar para a quase lua de mel com o setor privado nas reuniões que discutem como o pré-sal, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) ou o plano habitacional para construção de centenas de milhares de casas podem estimular a economia nacional.</p>
<p>A convicção de Dilma de que o Estado é um indutor do crescimento tem forte apelo para significativa fatia do empresariado. Para aqueles que criticam esse tipo de modelo de desenvolvimento, a tentação dos empresários de buscar agrados do setor público é muito grande, porque o governo tem mecanismos para diluir riscos e acomodar problemas, transferindo o custo para o contribuinte. Também tranquiliza o setor produtivo a independência da ministra, que não é considerada &#8220;candidata do PT&#8221;, mas do presidente. Com Dilma, os empresários acreditam que os radicais do PT estariam tão controlados como o foram nos últimos sete anos.</p>
<p>&#8220;Tenho mais medo do autoritarismo do (governador José) Serra e do tucanato. Com o governo Lula, nós dialogamos&#8221;, confidencia um empresário, que ficou insatisfeito com o mecanismo de substituição tributária introduzido pelo governador de São Paulo. O presidente de uma importante associação de classe recorda que seus pares desconfiavam do governo petista. &#8220;Ouvi muita gente boa dizendo que eleger o Lula iria transformar o país em ditadura. Tenho certeza que muitos agora abandonaram a convicção pela prática. É uma lição para o setor empresarial não perder a capacidade de avaliar por conta própria&#8221;.</p>
<p>Em setembro do ano passado, Dilma convidou 30 empresários da área de infraestrutura para uma reunião na Casa Civil, que começou às 19h e se estendeu até às 22h. Com a participação do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, e do presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, o encontro discutiu o plano de investimentos da estatal, ainda sem levar em conta as novas reservas do pré-sal.</p>
<p>Durante o encontro, Dilma disse aos &#8220;senhores da indústria&#8221; &#8211; maneira como se referiu ao grupo &#8211; que o presidente Lula havia determinado que os insumos para as novas plataformas e refinarias da Petrobras fossem adquiridos &#8220;ao máximo&#8221; da indústria nacional, e, por isso, precisava saber as reais condições de fornecimento, com prazos e preços compatíveis com o mercado internacional.</p>
<p>No relato de um dos presentes, Lobão e Gabrielli argumentaram que não seria possível dar preferência para a indústria brasileira na construção das 12 primeiras plataformas. &#8220;A concorrência já está na rua, não dá para voltar atrás&#8221;, disse Gabrielli. &#8220;Então, recolha&#8221;, respondeu Dilma. Gabrielli acabou vencendo a disputa, depois que os estaleiros informaram que não tinham condições de atender à demanda.</p>
<p>A atitude de Dilma retrata exatamente o que agrada ao setor privado. Os empresários gostam quando Dilma &#8220;fala grosso&#8221; em defesa da indústria e não se prende aos emaranhados burocráticos que muitas vezes contrapõem de forma tão profunda o setor privado e o público.</p>
<p>Uma das bandeiras políticas de Dilma que mais agradam ao setor privado é a fama de gerente competente. &#8220;Vamos até a Dilma que ela resolve&#8221; é uma frase comum nas reuniões das associações de classe. Com algumas ressalvas, os executivos a consideram uma boa gestora, com características apreciadas no meio empresarial e raras no setor público como agilidade para tomar decisões, grande capacidade de trabalho, disposição para ouvir opiniões divergentes e preparo técnico em vários assuntos.</p>
<p>&#8220;Dilma tem capacidade de decidir em momentos cruciais&#8221;, avalia o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto. &#8220;A ministra é a favor de um Estado ativo e dá o tom das ações do setor público, que precisa de alguém que vislumbre a solução e leve adiante&#8221;, diz o ex-secretário de política econômica do Ministério da Fazenda e consultor do Instituto de Estudos do Desenvolvimento Econômico (Iedi), Júlio Sérgio Gomes de Almeida.</p>
<p>Foi exatamente com essa impressão que saíram os cerca de 15 empresários da construção civil que participaram da formulação do programa Minha Casa, Minha Vida em conjunto com a ministra. &#8220;Ela é uma gestora, com foco no resultado e as querelas políticas e burocráticas ficam em segundo plano, isso é raro de se ver no setor público&#8221;, diz o executivo de uma construtora que participou de mais de dez reuniões de trabalho com Dilma nos primeiros meses deste ano. &#8220;Durante todo o processo ela sempre estava extremamente bem informada sobre os aspectos técnicos e financeiros e deu segurança ao setor&#8221;.</p>
<p>O ambicioso, e quase irreal, projeto habitacional de construir um milhão de novas casas populares até 2010 também mudou um paradigma em planos como esse. Pela primeira vez será a iniciativa privada quem vai executar as obras, e não o Estado. A decisão de retirar das companhias estaduais de habitação a responsabilidade por executar o projeto trouxe ainda mais prestígio para a ministra junto aos empresários, mas gerou, também, um ônus político considerável entre os governadores, em especial os de oposição.</p>
<p>Pelos planos do governo, a conta do Minha Casa, Minha Vida só fecha com uma série de renúncias tributárias nos âmbitos federal, estadual e municipal. Aos Estados caberia uma redução no ICMS e aos municípios isenção de tributos como Imposto sobre Transferência de Bens Imóveis. Concentrando a execução das obras com a iniciativa privada e a concessão de crédito junto aos agentes financeiros federais, Dilma conseguiu evitar que Estados não alinhados a Brasília ficassem com os ativos políticos. Por temerem ficar marcados como inimigos de um projeto tão popular, raros foram os Estados e municípios que se recusaram a participar. &#8220;Não sei o quanto de jogo político teve aí, só sei que ela conseguiu fazer o projeto deslanchar com um mínimo de burocracia, privilegiando quem sabe de fato fazer isso, a iniciativa privada&#8221;, afirma o presidente de uma construtora paulista.</p>
<p>Os empresários dizem que a candidata Dilma já dispõe de realizações importantes conquistadas pela ministra: o marco regulatório do setor elétrico &#8211; ainda bastante criticado -, a aprovação da Lei do Gás, a retomada das licitações de ferrovias e rodovias, a superação das restrições ambientais para as usinas do Rio Madeira &#8211; uma briga política que causou atritos com a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que deixou o cargo &#8211; e até mesmo a exploração do pré-sal. &#8220;O licenciamento do Madeira não sairia sem a Dilma&#8221;, afirma Ricardo Lima, presidente da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e Consumidores Livres.</p>
<p>Apesar da fama &#8211; nem sempre unânime &#8211; de boa gestora, dedicada e focada em resultados, a política Dilma Rousseff não goza do mesmo prestígio que sua figura executiva. Para muitos empresários, ainda faltam para a ministra qualidades ligadas ao lado emocional de um gestor experiente, como capacidade para formar e motivar sua equipe e jogo de cintura em situações adversas. Executivos próximos à ministra a descrevem com uma pessoa culta &#8211; uma de suas paixões é a ópera &#8211; e contida, que não gosta de ostentações ou restaurantes luxuosos. Segundo eles, Dilma é formal e só se dirige a Lula como &#8220;senhor presidente&#8221;, enquanto é tratada por ele com camaradagem. Outros afirmam ainda que Dilma é muitas vezes grosseira, desagradável, dura e perfeccionista, principalmente com seus subordinados. &#8220;Ela não tem receio de expor as pessoas em público, o que não é bom para a formação de uma equipe&#8221;, disse um executivo que ficou mal impressionado pela maneira com que a ministra tratou um de seus assistentes.</p>
<p>Alguns executivos também criticam a escassa experiência da ministra em articulação política e citam suas desavenças com o PMDB desde que deixou o Ministério de Minas e Energia para assumir a Casa Civil. Segundo uma fonte do setor elétrico, Dilma batalhou para manter a influência na Pasta, mas hoje apenas o secretário de energia elétrica, Ronaldo Schuck, é de sua confiança, porque o atual titular, Edison Lobão, ganhou espaço. Lobão teria demitido até o chefe da procuradoria jurídica, indicado por Dilma. &#8220;No setor público, gestão e política estão intimamente ligados&#8221;, diz um empresário.</p>
<p>Essa inexperiência no jogo baseado na disputa de poder comum ao Planalto Central e não nos embates essencialmente ideológicos, no qual Dilma forjou seu ingresso na política, é um dos principais motivos de preocupação do setor empresarial. Para muitos executivos, a ausência desse jogo de cintura tão necessário para circular pelos labirintos do poder em Brasília, especialmente os estreitos corredores do Congresso, pode levar boas ideias a naufragarem. &#8220;Além da doença da ministra, que sempre gera insegurança, a dúvida se ela vai conseguir ter capital político para governar e fazer as complicadas e necessárias reformas permeia a cabeça de todos, não há como fugir disso&#8221;, afirma um empresário do setor de telecomunicações.</p>
<p>Exemplos históricos recentes não faltam para alimentar essas dúvidas. Fernando Collor de Mello, que foi eleito com apoio maciço do capital, não conseguiu se sustentar por conta, principalmente, de sua relação autoritária e conflituosa com o Congresso. Mesmo Lula teve que buscar métodos heterodoxos para conseguir uma maioria &#8211; frágil &#8211; no parlamento em seu primeiro mandato e, por pouco, não correu o risco de ter o mesmo destino de Collor. Os dois episódios mostram quem mesmo em um sistema presidencialista os sonhos absolutistas se transformam com facilidade em pesadelo.</p>
<p>Dilma, na visão dos empresários, sabe como poucos no governo discutir olho no olho assuntos importantes e de interesse nacional. Agora a ministra precisa aprender a falar ao pé do ouvido questões nem sempre tão objetivas quanto um plano habitacional ou uma nova fronteira energética. Antes disso tudo, é claro, Dilma Rousseff tem que se convencer de que dizer que &#8220;a falta de liquidez mundial que fez com que o crédito se retraísse a níveis históricos foi causada por um problema sistêmico no núcleo do sistema financeiro internacional&#8221; não é exatamente a melhor maneira de explicar a um metalúrgico porque ele está correndo sérios riscos de ficar desempregado.</p>
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		<title>Distrito Federal: Indefinição entre os petistas</title>
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		<pubDate>Thu, 14 May 2009 15:03:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Embora Agnelo Queiroz tenha anunciado renúncia à corrida, Magela não assumiu candidatura oficialmente
Ana Maria Campos &#8211; Correio Braziliense
O ex-ministro do Esporte Agnelo Queiroz (PT) anunciou sábado a renúncia à disputa pela candidatura ao Governo do Distrito Federal, mas seu principal rival, o deputado federal Geraldo Magela, ainda não assumiu oficialmente o posto. Apesar da desistência [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/05/distrito-federal-indefinicao-entre-os-petistas/11241/" rel="attachment wp-att-11241" title="estrelita1.gif"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/05/estrelita1.gif" alt="estrelita1.gif" align="left" /></a></p>
<p><strong>Embora Agnelo Queiroz tenha anunciado renúncia à corrida, Magela não assumiu candidatura oficialmente</strong></p>
<p style="background-color: #ffff99">Ana Maria Campos &#8211; Correio Braziliense</p>
<p>O ex-ministro do Esporte Agnelo Queiroz (PT) anunciou sábado a renúncia à disputa pela candidatura ao Governo do Distrito Federal, mas seu principal rival, o deputado federal Geraldo Magela, ainda não assumiu oficialmente o posto. Apesar da desistência de Agnelo, o PT continua batendo cabeça quanto à escolha de seu representante nas próximas eleições. A avaliação entre petistas é que poderá surgir até mesmo um terceiro nome ainda não cogitado.</p>
<p>Por meio de sua assessoria, Magela informou que só fará um pronunciamento sobre a campanha depois que Agnelo comunicar oficialmente a posição. O ex-ministro do Esporte, por sua vez, tem se reunido com vários aliados no PT para explicar a postura adotada no sábado, durante debate no Gama, o primeiro com o adversário, como preparatório para as prévias. A várias pessoas, Agnelo tem dito que quer ser candidato a governador, mas não aceita prolongar até março de 2010 uma disputa interna. Ele avalia que esse embate vai inviabilizar qualquer pretensão do PT de concorrer com o governador José Roberto Arruda (DEM), que deverá disputar a reeleição, ou com o ex-governador Joaquim Roriz (PMDB), outro nome apontado como pré-candidato ao GDF.</p>
<p>Embora Agnelo esteja conversando com vários petistas e até mesmo com parceiros de outros partidos, muita gente ainda não entendeu o que ele quis fazer. “Acho que o timing foi errado. Ele não poderia ter tomado essa decisão no primeiro debate. Deveria ter ouvido o que a militância tem a dizer”, analisa o deputado distrital Cabo Patrício (PT). Entre petistas, há uma avaliação de que Agnelo se antecipou a uma determinação da direção nacional que tem sinalizado a petistas de todos os estados uma preferência pelo projeto presidencial. Nessa estratégia, a direção do PT proibiu o lançamento de candidaturas antes do encontro nacional, que vai definir o arco de alianças para a possível campanha da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. A preferência do partido é ampliar a bancada de deputados e senadores.</p>
<p>Tática<br />
Aliados de Agnelo, no entanto, afirmam que a medida é apenas uma tática para transformá-lo no candidato a governador. Eles levam em conta que Magela não estaria, de fato, interessado em disputar o governo, já que tem se destacado no Congresso e, inclusive, conseguiu neste ano a relatoria-geral do orçamento da União para 2010, ano eleitoral. A avaliação é de que Magela estaria apostando na visibilidade da disputa para crescer como candidato à reeleição ou ao Senado. Sem um adversário, no entanto, ele perderia essa posição. Procurado pelo Correio, Agnelo disse que respeita a posição de Magela como candidato a governador.</p>
<p>Magela tem procurado desmentir essa informação em todos os debates e em entrevistas ao Correio. Ele sempre reitera a intenção de concorrer ao GDF. Nesta semana, no entanto, reclamou com políticos da postura de Agnelo e tem dito, em conversas reservadas, acreditar que é o ex-ministro do Esporte quem não quer ser candidato a governador. Ele afirma acreditar que o rival está, na verdade, em busca de uma campanha ao Senado, com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.</p>
<p>O presidente regional do PT, Chico Vigilante, garante que a intenção real de Agnelo é disputar o governo, mas ele não quer colocar o partido num impasse que o leve a derrota. O deputado distrital Paulo Tadeu (PT) também aposta que Agnelo sonha com a candidatura. “Acho que ele ainda poderá rever essa posição. Acredito que o PT encontrará uma solução para esse embate”, disse Tadeu.</p>
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		<title>Aliança reabre rixa entre Genro e Dirceu</title>
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		<pubDate>Wed, 06 May 2009 13:59:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Ricardo Berzoini]]></category>
		<category><![CDATA[Tarso Genro]]></category>

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		<description><![CDATA[Sérgio Bueno, de Porto Alegre &#8211; VALOR
Sérgio Lima/Folha Imagem &#8211; 28/4/2009

 Tarso Genro: petistas alinhados à corrente de Berzoini e Dirceu defendem a candidatura própria do PT gaúcho
A decisão do PT gaúcho de definir o candidato ao governo do Rio Grande do Sul já em julho, antes do congresso nacional do partido que, em fevereiro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="background-color: #ffff99">Sérgio Bueno, de Porto Alegre &#8211; VALOR</p>
<p align="center"><em><font size="1">Sérgio Lima/Folha Imagem &#8211; 28/4/2009<br />
</font></em><img src="http://g1.globo.com/Noticias/Politica/foto/0,,14325092-EX,00.jpg" style="cursor: -moz-zoom-in" alt="http://g1.globo.com/Noticias/Politica/foto/0,,14325092-EX,00.jpg" width="96" height="126" /><img src="http://www.valoronline.com.br/imagens/impresso/ed_0002251/imagens/foto06pol-tadrso-a6.jpg" border="0" /><img src="http://1.bp.blogspot.com/_GgI7-2UIpiU/Sb0B0Mwt63I/AAAAAAAAN74/mKsEDBmhn_8/s400/dirfeu.jpg" alt="http://1.bp.blogspot.com/_GgI7-2UIpiU/Sb0B0Mwt63I/AAAAAAAAN74/mKsEDBmhn_8/s400/dirfeu.jpg" width="169" height="127" /><br />
<font size="2"><em> Tarso Genro: petistas alinhados à corrente de Berzoini e Dirceu defendem a candidatura própria do PT gaúcho</em></font></p>
<p>A decisão do PT gaúcho de definir o candidato ao governo do Rio Grande do Sul já em julho, antes do congresso nacional do partido que, em fevereiro do ano que vem, vai oficializar a política de alianças em torno da candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Presidência da República, colocou novamente em confronto dois velhos adversários petistas: o ministro da Justiça, Tarso Genro, e o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, que já haviam medido forças durante o escândalo do mensalão, em 2005.</p>
<p>Agora a briga envolve uma eventual aliança com o PMDB no Estado, algo impensável para a maior parte dos petistas gaúchos devido à rivalidade local histórica entre os dois partidos. A polêmica começou quando o presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, da corrente Construindo um Novo Brasil, a mesma de Dirceu, criticou o calendário estabelecido pelo diretório estadual. Segundo o dirigente, a decisão do partido no Rio Grande do Sul é informal e a definição de nomes deverá se subordinar à estratégia nacional de alianças, que é &#8220;prioridade&#8221; para o PT.</p>
<p>A declaração, dada ao jornal gaúcho &#8220;Zero Hora&#8221; na semana passada, foi entendida como um recado para os petistas gaúchos apoiarem um candidato do PMDB no Estado em troca do apoio dos pemedebistas à candidatura de Dilma ao Planalto. Genro, um dos três pré-candidatos do PT ao governo gaúcho, logo reagiu e disse em entrevista ao mesmo jornal que a manifestação de Berzoini foi &#8220;infeliz&#8221; porque desconsiderava a polarização local com o PMDB e &#8220;o fato de termos um partido programático, politizado e ético&#8221;.</p>
<p>Genro chegou a exigir um pedido de desculpas públicas de Berzoini, mas ontem foi a vez de Dirceu entrar na briga em defesa do presidente nacional da sigla. Em sua página na internet, ele negou participar de qualquer &#8220;manobra&#8221; da cúpula nacional para interferir na decisão do diretório gaúcho e disse que o ministro da Justiça tratou as divergências internas &#8220;de forma desrespeitosa&#8221;, mas deixou bem clara sua posição.</p>
<p>&#8220;Defendo, sim, o diálogo com o PMDB, com os outros aliados, e a abertura para alianças no Estado, sem pré-condições e sem ilusões. Se dialogamos com o PTB e o PDT, com o PP, inclusive, e fazemos alianças nos municípios, por que não dialogar com o PMDB, nosso principal aliado em nível nacional?&#8221;, escreveu. Segundo ele, todos os Estados, &#8220;inclusive o Rio Grande do Sul&#8221;, deverão aguardar a acatar a &#8220;tática&#8221; eleitoral que será definida pelo diretório nacional.</p>
<p>Em 2005, Genro assumiu interinamente a presidência nacional do PT e, para disputar a eleição para permanecer no cargo, exigiu a saída de Dirceu, da chapa do então Campo Majoritário (hoje Construindo um Novo Brasil), devido ao envolvimento dele com a crise do mensalão. O ex-ministro, que havia deixado a Casa Civil em junho para retornar à Câmara dos Deputados (onde foi cassado em dezembro em função do escândalo) negou-se a atender e ganhou a queda-de-braço contra Genro, que desistiu da disputa.</p>
<p>Mas agora Genro não está sozinho. O próprio deputado estadual Adão Villaverde, pré-candidato pela mesma corrente de Berzoini e Dirceu, afirmou ontem que &#8220;é muito difícil&#8221; uma coalizão com o PMDB no Estado. &#8220;O PMDB participa do núcleo do governo tucano de Yeda Crusius&#8221;, afirmou o parlamentar. &#8220;Tudo indica que aqui a saída será ter dois palanques para a ministra Dilma&#8221;.</p>
<p>O pré-candidato da corrente Articulação de Esquerda, Ary Vanazzi, disse que o PT &#8220;não pode abrir mão&#8221; da candidatura própria ao governo do Estado, até para reacender a militância e fortalecer a ministra Dilma na disputa pela Presidência. &#8220;O PMDB daqui nunca foi aliado do presidente Lula&#8221;, afirmou. De acordo com ele, é &#8220;irreal&#8221; se pensar em qualquer tipo de apoio do PT ao PMDB no Rio Grande do Sul.</p>
<p>Genro não quis comentar o assunto ontem. Um dos articuladores da pré-candidatura do ministro da Justiça, o ex-prefeito de Bagé, Luis Fernando Mainardi, porém, disse que o PT gaúcho vive uma situação &#8220;surreal&#8221;, com seu principal nome para 2010, que lidera as pesquisas de intenção de voto, instado pelo presidente nacional do partido a abrir mão da disputa em favor do PMDB. &#8220;Os dois partidos sempre estiveram em polos opostos da política no Estado&#8221;, comentou.</p>
<p>Para Mainardi, que não vê problemas na existência de dois palanques para Dilma no Estado em 2010, só quem está &#8220;absolutamente&#8221; alheio ao contexto local pode imaginar uma aliança entre o PT e o PMDB no Rio Grande do Sul. &#8220;Não existe nenhuma possibilidade de o PT apoiar o PMDB aqui&#8221;, reforçou o secretário geral do partido, Carlos Pestana, da corrente Democracia Socialista, que tem cerca de 24% das cadeiras no diretório estadual e já declarou apoio a Genro. Segundo ele, as tendências Rumo Socialista (17% do diretório), PT Amplo (10%) e Esquerda Democrática (8%) também apoiam o ministro da Justiça.</p>
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		<title>PT: sucessão no RS põe Tarso e Berzoini em conflito</title>
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		<pubDate>Tue, 05 May 2009 14:05:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Clarissa Oliveira &#8211; O Estado SP
Os preparativos para a corrida eleitoral de 2010 no Rio Grande do Sul abriram no último fim de semana uma crise pública entre o presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), e o ministro da Justiça, Tarso Genro (RS). O conflito começou após Berzoini afirmar, em entrevista ao jornal [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://g1.globo.com/Noticias/Politica/foto/0,,14325092-EX,00.jpg" style="cursor: -moz-zoom-in" alt="http://g1.globo.com/Noticias/Politica/foto/0,,14325092-EX,00.jpg" width="241" height="318" /><img src="http://4.bp.blogspot.com/_GgI7-2UIpiU/R1zZbFd9GxI/AAAAAAAACrM/Wjipfxxd7hE/s320/tarso.jpg" alt="http://4.bp.blogspot.com/_GgI7-2UIpiU/R1zZbFd9GxI/AAAAAAAACrM/Wjipfxxd7hE/s320/tarso.jpg" /></div>
<p style="background-color: #ffff99">Clarissa Oliveira &#8211; O Estado SP</p>
<p>Os preparativos para a corrida eleitoral de 2010 no Rio Grande do Sul abriram no último fim de semana uma crise pública entre o presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), e o ministro da Justiça, Tarso Genro (RS). O conflito começou após Berzoini afirmar, em entrevista ao jornal Zero Hora, que considera &#8220;prematuras&#8221; decisões sobre candidaturas nos Estados ainda este ano.</p>
<p>link Confira a íntegra da entrevista</p>
<p>A declaração foi feita em referência ao fato de Tarso ter registrado oficialmente no PT sua pré-candidatura ao governo gaúcho, no final do mês passado. Um dia após tomar conhecimento das declarações do presidente do PT, Tarso veio a público para cobrar um pedido de desculpas. &#8220;As declarações são constrangedoras e ofendem todo o partido no Estado&#8221;, declarou o ministro,ao mesmo jornal.</p>
<p>Ontem, em entrevista à TV Estadão, Berzoini não aceitou a cobrança. Questionado se acredita que deve desculpas a Tarso, rebateu: &#8220;Temos de trabalhar com tranquilidade. Esse tipo de debate público não interessa ao PT nem ao ministro.&#8221;</p>
<p>Ainda assim, ele reafirmou as declarações do fim de semana. Disse que a prioridade no partido é o calendário para a eleição presidencial de 2010, que prevê definições como a política de alianças nacional. &#8220;Qualquer decisão antes disso, seja sobre política de alianças ou sobre candidaturas, é uma decisão provisória&#8221;.</p>
<h1 class="titulo"><span id="Titulo">Berzoini: Tarso deve respeitar prazos para candidatura</span></h1>
<p><br clear="all" /></p>
<div id="fotoDestaque">				 							<script type="text/javascript"> 								carregaFlash('http://render.estadao.com.br/images/videos/player.swf?http://render.estadao.com.br/images/videos/80/5F/B1/805FB1D430074E5888A93C969C2588C7.xml','300','245'); 							</script></p>
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</div>
<p align="center"><span id="creditoDestaque">TV Estadão | 4.5.2009 </span></p>
<p><span id="linhaFina">O presidente do PT, Ricardo Berzoini, rebate críticas do ministro da Justiça Tarso Genro, que havia anunciado a pré-candidatura ao governo gaúcho. Berzoini disse que anúncio era &#8220;prematuro&#8221; </span></p>
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		<title>PT inicia caravanas pro-Dilma em São Paulo</title>
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		<pubDate>Sun, 12 Apr 2009 17:03:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
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		<description><![CDATA[
Petistas criam força-tarefa para &#8221;vender&#8221; Dilma em SP
Ideia é fazer um contraponto às articulações do PSDB pela candidatura presidencial de Serra e ao domínio tucano em território paulista
Julia Duailibi e Clarissa Oliveira &#8211; O Estado SP
A fim de fortalecer em São Paulo a pré-candidatura presidencial da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, o PT organizou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img src="http://oglobo.globo.com/fotos/2009/02/10/10_MHG_pais_dilma_rousseff.jpg" style="cursor: -moz-zoom-in" alt="http://oglobo.globo.com/fotos/2009/02/10/10_MHG_pais_dilma_rousseff.jpg" width="554" height="354" /></div>
<p><font size="5"><strong>Petistas criam força-tarefa para &#8221;vender&#8221; Dilma em SP</strong></font></p>
<p><strong>Ideia é fazer um contraponto às articulações do PSDB pela candidatura presidencial de Serra e ao domínio tucano em território paulista</strong></p>
<p style="background-color: #ffff99">Julia Duailibi e Clarissa Oliveira &#8211; O Estado SP</p>
<p>A fim de fortalecer em São Paulo a pré-candidatura presidencial da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, o PT organizou uma força-tarefa no Estado para tornar o nome da petista mais conhecido entre os eleitores e militantes no maior colégio eleitoral do País. A ideia é fazer um contraponto às articulações do PSDB em prol da candidatura do governador José Serra e ao domínio tucano em território paulista, onde o partido governa desde 1995.</p>
<p>O PT acabou de fechar um calendário com caravanas que vão percorrer 19 cidades até 27 de junho. A meta é que os principais nomes do partido em São Paulo, como a ex-ministra do Turismo Marta Suplicy, o deputado Antonio Palocci (SP) e o senador Aloizio Mercadante (SP) ajudem a divulgar o nome da ministra e a relacioná-la com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).</p>
<p>De quebra, o PT vê a chance de alinhar o discurso para a corrida estadual e testar a reação da militância a alguns possíveis candidatos, como é o caso de Palocci. Há preocupação na legenda com a visibilidade dos nomes tucanos na disputa, como o ex-governador Geraldo Alckmin, cuja força eleitoral vem principalmente do interior, e o secretário da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira, que, apesar do desempenho ainda fraco nas pesquisas, tem bom trânsito com prefeitos paulistas.</p>
<p>&#8220;É uma ótima iniciativa porque permite ao partido ir se aglutinando, trocando ideias e propostas. Fortalece as nossas candidaturas de 2010&#8243;, declarou Marta, que já confirmou ao PT sua presença na série de eventos. Enfraquecida desde a derrota na eleição do ano passado, Marta foi recrutada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ajudar no trabalho de apoio a Dilma, numa manobra para acalmar a pressão de seu grupo para que fosse realocada no governo.</p>
<p>Nas caravanas, também serão abordados a crise econômica e o papel do PAC na reativação da economia. Uma das propostas em pauta é que o diagnóstico regional feito nos encontros embase uma série de demandas para serem levadas até Serra no fim do ano, em marcha ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.</p>
<p>Além da articulação interna, o PT diz ver a necessidade de se contrapor diretamente à movimentação de aliados de Serra. Petistas avaliam que secretários do tucano têm tido a oportunidade de rodar o Estado em atividades de governo, onde aproveitam para promover o nome do governador. &#8220;Vamos preparar o partido para o enfrentamento de 2010&#8243;, justificou o presidente estadual do PT, Edinho Silva. Marta, por exemplo, já ensaia o discurso com os ataques ao governador. &#8220;Enquanto Lula anunciou o aumento do número dos que recebem Bolsa-Família e de valores pagos, o governo do Estado contingenciou o social&#8221;, afirmou a ex-ministra.</p>
<p>&#8220;É fundamental e muito importante que aqueles (no PT) que têm experiência de governo ouçam as pessoas para elaborar um projeto para o futuro&#8221;, completou o secretário-geral do PT, deputado José Eduardo Martins Cardozo (SP).<br />
<strong><br />
DESVANTAGEM</strong></p>
<p>Há 14 anos no poder, o PSDB aumentou sua presença eleitoral no Estado, o que deixa o PT em posição desconfortável. Em 2002, Lula venceu em São Paulo com 55,4% dos votos válidos, ante 44,6% de Serra. Os candidatos petistas e a própria legenda tiveram, juntos, mais de 35 milhões de votos no primeiro turno, contra 25 milhões de votos obtidos pelos tucanos em São Paulo. Uma diferença de 10 milhões de votos.</p>
<p>Em 2006, o sinal inverteu. O então candidato tucano, Geraldo Alckmin, ganhou no Estado, apesar de ter sido derrotado por Lula &#8211; teve 1 milhão de votos a mais no segundo turno. No primeiro, os tucanos levaram 33 milhões de votos, ultrapassando os 31 milhões dos petistas.</p>
<p align="center">&nbsp;</p>
<p align="center">&nbsp;</p>
<p align="center"><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/04/pt-inicia-caravanas-pro-dilma-em-sao-paulo/10682/" rel="attachment wp-att-10682" title="prefeitos_ptsp.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/04/prefeitos_ptsp.jpg" alt="prefeitos_ptsp.jpg" /></a><font size="1"><em><br />
Prefeitos do PT da região metropolitana em jantar pro-Dilma &#8211; 14/02/2009</em></font></p>
<div align="center"></div>
<p align="left">&nbsp;</p>
<p align="left">&nbsp;</p>
<div align="center"></div>
<p align="center"><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/04/pt-inicia-caravanas-pro-dilma-em-sao-paulo/10683/" rel="attachment wp-att-10683" title="deputado_pt_sp_dilma_marta.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/04/deputado_pt_sp_dilma_marta.jpg" alt="deputado_pt_sp_dilma_marta.jpg" /></a><br />
<font size="1"><em>Deputados estaduais do PT &#8211; SP</em></font></p>
<div align="center"></div>
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<p align="left">&nbsp;</p>
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<div align="center"></div>
<div align="center"> <a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/04/pt-inicia-caravanas-pro-dilma-em-sao-paulo/10684/" rel="attachment wp-att-10684" title="deputado_ptfederais_sp_dilm.jpg"><img src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/04/deputado_ptfederais_sp_dilm.jpg" alt="deputado_ptfederais_sp_dilm.jpg" /> </a><br />
<font size="1"><em>Senadores e Deputados federais do PT-SP</em></font></div>
<p align="left"><a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2009/04/pt-inicia-caravanas-pro-dilma-em-sao-paulo/10684/" rel="attachment wp-att-10684" title="deputado_ptfederais_sp_dilm.jpg"><br />
</a></p>
<p align="left"><strong><font size="5"> </font></strong></p>
<div id="c"><strong><font size="5">Largada será na Baixada Santista e no Vale do Ribeira</font></strong></div>
<div class="grupoC2">
<p class="fonte">&nbsp;</p>
<p style="background-color: #ffff99" class="fonte">Julia Duailibi e Clarissa Oliveira &#8211; O Estado SP</p>
<p class="fonte">&nbsp;</p>
<p class="tmTexto" id="ctrl_texto"><span style="color: #155e91" id="tm04" onclick="sizeFonts(14),selectedFonts('tm04'); return false"><br />
</span></p>
<p><script>Componentes.montarControleTexto("ctrl_texto")</script></div>
<div id="corpoNoticia">
<div class="ImagemMateria"></div>
<p>A série de caravanas organizadas pelo PT para alinhar o discurso da militância para 2010 e fortalecer a candidatura da ministra da Casa Civil , Dilma Rousseff, será aberta no fim deste mês, na Baixada Santista.</p>
<p>A ideia é abrir os trabalhos no dia 24, com uma reunião do Diretório Estadual do partido em Santos (SP). Os debates continuam até o dia seguinte, quando outra caravana ocorrerá no Vale do Ribeira.</p>
<p>No último dia 4, o PT fez um &#8220;teste&#8221; em Guarulhos, onde lançou internamente o projeto das caravanas.</p></div>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Perto do príncipe, ma non troppo</title>
		<link>http://blogdofavre.ig.com.br/2009/03/perto-do-principe-ma-non-troppo/</link>
		<comments>http://blogdofavre.ig.com.br/2009/03/perto-do-principe-ma-non-troppo/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 24 Mar 2009 14:32:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
		<category><![CDATA[]]></category>
		<category><![CDATA[entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Itamaraty]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>
		<category><![CDATA[MAG]]></category>
		<category><![CDATA[Marco Aurélio Garcia]]></category>
		<category><![CDATA[petistas]]></category>
		<category><![CDATA[PT]]></category>
		<category><![CDATA[relações internacionais]]></category>

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		<description><![CDATA[O &#8216;conselheiro&#8217; Marco Aurélio, um dos mais próximos de Lula, fala de sua rotina palaciana

&#160;
Flávia Tavares e Ivan Marsiglia - O Estado de S.Paulo &#8211; Suplemento semanal Aliás
&#160;


Componentes.montarControleTexto("ctrl_texto")
- Marco Aurélio Garcia é maquiavélico. Não no julgamento que os inimigos fazem dele, ao criticar sua dupla atuação como assessor especial do governo Lula e vice-presidente do Partido dos Trabalhadores, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="c"><font size="5"><strong>O &#8216;conselheiro&#8217; Marco Aurélio, um dos mais próximos de Lula, fala de sua rotina palaciana</strong></font></div>
<div class="grupoC2">
<p class="fonte">&nbsp;</p>
<p style="background-color: #ffff99" class="fonte">Flávia Tavares e Ivan Marsiglia - O Estado de S.Paulo &#8211; Suplemento semanal Aliás</p>
<p class="fonte">&nbsp;</p>
<p class="tmTexto" id="ctrl_texto"><span style="color: #155e91" id="tm04" onclick="sizeFonts(14),selectedFonts('tm04'); return false"><br />
</span></p>
<p><script>Componentes.montarControleTexto("ctrl_texto")</script></div>
<p>- Marco Aurélio Garcia é maquiavélico. Não no julgamento que os inimigos fazem dele, ao criticar sua dupla atuação como assessor especial do governo Lula e vice-presidente do Partido dos Trabalhadores, ou ao relembrar o episódio relacionado ao acidente com um avião da TAM em 2007 &#8211; quando foi flagrado fazendo &#8220;top-top&#8221; na janela de seu gabinete ao conferir pelo <em>Jornal Nacional</em> notícias que eximiam o governo de culpas. Marco Aurélio diz-se maquiavélico na forma como conduz seu relacionamento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva: &#8220;Procuro estar perto do príncipe, mas não vê-lo o tempo todo&#8221;, explica, aludindo a Nicolau Maquiavel, pensador florentino do século 16.</p>
<div style="border: medium none ; padding: 5px; float: left; margin-right: 10px"><img src="http://www.estadao.com.br/fotos/maroaureliogarcia.jpg" /></div>
<p>O &#8220;professor Marco Aurélio&#8221;, ou MAG, como também é chamado no Palácio do Planalto, admite que chega a se encontrar com o chefe &#8220;cinco ou seis vezes por dia&#8221;. Quinta-feira, por exemplo, interrompeu esta entrevista ao receber um bilhete de Lula para ir ter com ele. Tratariam das visitas dos presidentes Cristina Kirchner, da Argentina, e o recém-eleito Mauricio Funes, de El Salvador, que ocorreriam no dia seguinte.</p>
<p>Reconhece o privilégio, que de fato tem, de ocupar um cargo de primeiro escalão sem o ônus de administrar uma pasta. &#8220;A grande vantagem é que não assino ordem de pagamento, nem tenho problemas com o Tribunal de Contas&#8221;, brinca. E, a despeito dos insistentes rumores de que desperta ciumeiras no Itamaraty, jura que em seis anos de governo jamais teve divergências com o chanceler Celso Amorim ou com o secretário-geral da instituição, Samuel Pinheiro Guimarães. Define-se como &#8220;conselheiro&#8221; especializado em assuntos da América Latina e parece empenhado, até o último fio da barba, numa polêmica justificativa dos voluntarismos de Hugo Chávez: &#8220;Ele é consequência, não causa da instabilidade na Venezuela&#8221;.</p>
<p>Natural de Porto Alegre, Marco Aurélio Garcia tem 68 anos, é viúvo e pai de um filho. Cursou direito e filosofia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e ainda estudou na Escola de Altos Estudos e Ciências Sociais na França. Ex-filiado ao Partido Comunista Brasileiro, exilou-se em Santiago e em Paris durante a ditadura militar brasileira, período no qual iniciou seus contatos com agrupamentos de esquerda europeus e latino-americanos.</p>
<p>De volta ao Brasil, no fim da década de 70, acompanhou as greves de metalúrgicos do ABC paulista das quais Lula emergiria como líder. Foi Marco Aurélio que, em 1980, redigiu a ata de fundação do PT. Acompanhou, como secretário de relações internacionais do partido, as inúmeras viagens de Lula ao exterior; e quando o operário chegou à Presidência, em 2002, licenciou-se do Departamento de História da Unicamp para assumir o posto que ocupa até hoje.</p>
<p>Nesta entrevista, o &#8220;conselheiro do príncipe&#8221; revela detalhes do encontro de Barack Obama com Lula na Casa Branca, no dia 14. Estava lá, na comitiva presidencial. Diz que as conversas giraram em torno da crise econômica, mas o tema Cuba, cogitado item de pauta, apareceu mesmo foi no diálogo que o próprio Marco Aurélio manteve com o general James Jones, assessor de Obama para assuntos de Segurança Nacional. Reuniu-se por duas horas com o militar, num gabinete da Casa Branca. Mas nega que o governo brasileiro queira intermediar a reaproximação entre Havana e Washington: &#8220;O Brasil não é um país oferecido&#8221;.</p>
<p><strong>Quais foram as suas impressões do encontro dos presidentes Lula e Barack Obama?</strong><br />
Os dois falaram, principalmente, da questão econômica. O presidente Lula transmitiu sua visão sobre a incidência da crise no Brasil e ouviu de Obama a avaliação sobre a situação da crise lá. Além disso, trataram da América Latina: o presidente Lula disse que seria essencial que os EUA tivessem uma política de parceria com a região. Informou o desejo do presidente Hugo Chávez de estabelecer um bom relacionamento com os EUA. Por fim, falaram de temas bilaterais, num balanço positivo da cooperação entre EUA e Brasil. Lula expressou sua preocupação com tendências protecionistas dos americanos e tratou do tema energético, reivindicando o fim das barreiras aos biocombustíveis.</p>
<p><strong>Cercando o encontro, havia comentários de que Obama pode vir a comprar mais petróleo brasileiro, e menos venezuelano, baixando a estridência de Chávez. Isso é fato?</strong><br />
Não há nada nesse sentido. Isso acabou crescendo porque um jornalista do (<em>diário espanhol</em>) El País levantou o assunto. Mas é uma ficção. O Brasil não tem excedentes petroleiros significativos para exportar. E não iríamos estabelecer concorrência com países como a Venezuela e o Equador.</p>
<p><strong>Obama também teria perguntado a Lula se Mauricio Funes seria eleito presidente em El Salvador e se era confiável. O senhor confirma?</strong><br />
Foi o presidente Lula que tocou no assunto, elogiando Funes.</p>
<p><strong>Qual foi sua missão nesse primeiro contato Lula-Obama?</strong><br />
A visita foi montada pelo Itamaraty, especialmente pelo embaixador Antonio Patriota. Eu tive uma reunião com o general James Jones, assessor de Segurança Nacional de Obama.</p>
<p><strong>Por que o governo americano designou o general para falar com o senhor? Há um olhar militarista sobre a América Latina?</strong><br />
Não, nos EUA ele é tido como minha contraparte. Inclusive, na última visita que fez ao Brasil, Condoleezza Rice referiu-se a mim como <em>national security adviser</em> &#8211; uma figura de conselheiro presidencial, que não é ministro. O general Jones e eu falamos da próxima Cúpula das Américas, em Trinidad e Tobago. Ele me perguntou se a questão cubana teria papel central e eu disse que achava que não, o tema principal deveria ser a crise econômica. Há países na região muito penalizados pela diminuição drástica das importações americanas e das remessas dos imigrantes para casa. O tema de Cuba vai aparecer, porque há um sentimento generalizado na América Latina de que o embargo não tem mais sentido. Faz parte de uma agenda ultrapassada, da Guerra Fria. E a normalização das relações com Cuba teria um efeito extraordinário na imagem dos EUA. Penso que, num primeiro momento, as iniciativas americanas deveriam ser unilaterais, sem nenhuma condicionante.</p>
<p><strong>O Brasil não arrisca seu cacife político nessa intermediação?</strong><br />
O Brasil não é um país oferecido. O pedido de mediação deve partir dos envolvidos e não houve isso nem da parte dos EUA nem da parte de Cuba. Obviamente temos interesse em que esse problema se resolva. A América Latina é uma região de paz e remover esse obstáculo seria um ganho para todos.</p>
<p><strong>Na quarta-feira, Costa Rica e El Salvador restabeleceram relações diplomáticas com Cuba, aumentando o já amplo consenso sobre a integração da ilha ao continente e ao mundo. Isso influencia os EUA?</strong><br />
Seria bom que os EUA vissem esses fatos como mais um sinal de que governos com as mais distintas sensibilidades políticas na região consideram importante o diálogo.</p>
<p><strong>Houve expectativas frustradas na visita? As barreiras ao etanol brasileiro não caíram&#8230;</strong><br />
Não somos ingênuos de achar que num sábado de manhã o presidente dos EUA iria resolver os problemas tarifários do etanol, sabendo que isso depende de negociações no Congresso. Foi um contato entre dois líderes do continente que têm hoje uma incidência forte nas decisões internacionais, e a intenção era que eles pudessem, já no começo da administração Obama, estabelecer um diálogo e uma confiança recíproca. Isso aconteceu, em um ambiente de extrema cordialidade.</p>
<p><strong>Empatia pessoal é um elemento que define o jogo político?</strong><br />
Influencia muito, principalmente pelo estilo Lula. O presidente valoriza os contatos pessoais e sempre diz que nada substitui o &#8220;olho no olho&#8221;. Depois do encontro Casa Branca, disse que viu em Obama inteligência e juventude, qualidades fundamentais. Ainda mais porque essa é uma crise com componentes culturais fortes&#8230; Lula imagina que o fato de a condução dos EUA ter sido entregue a uma pessoa de geração inclusive diferente da dele é algo muito alentador.</p>
<p><strong>Bush falava espanhol com Lula, Obama não fala. A barreira da língua pode dificultar a relação entre os dois presidentes?</strong><br />
Olha, as pessoas sobrevalorizam o espanhol do Bush (<em>risos</em>). Quando Lula foi eleito, muitos diziam que ele não iria bem na política internacional porque não fala outras línguas. Eu tinha andado com ele dez anos por este mundo afora, como secretário de relações internacionais do PT, e pude ver que língua estrangeira nunca foi barreira para o entendimento dele com outros líderes.</p>
<p><strong>O governo Lula foi alvo de críticas pela adoção da política Sul-Sul, sob o argumento de que ela não coloca o País entre os grandes. </strong><br />
Mas ela foi benéfica. Não sei de quem vem esse argumento de que o Brasil não estaria entre os grandes, o que é desmentido pela realidade. Que eu saiba, foi a partir de 2003 que o Brasil começou a frequentar as reuniões do G-8, a ter papel importante nas negociações comerciais e terminou sendo convidado para a instância máxima de governança mundial, que é o G-20. A política Sul-Sul e iniciativas como aquela que temos com a Índia e a África do Sul, e com o mundo árabe, tudo isso foi feito sem confrontação com os EUA, a União Europeia ou o Japão. Mantivemos uma relação fluida, mas não de subordinados.</p>
<p><strong>Acentuar relações bilaterais com os EUA e a UE seria melhor no enfrentamento da atual crise?</strong><br />
Acho que não. Prova disso é que os países que estabeleceram os tratados de livre comércio têm hoje uma relação deficitária com os EUA, enquanto nós temos superávit. Quase quadruplicamos nosso comércio exterior e o diversificamos em duas direções. Uma é geográfica: não somos dependentes de nenhuma região em particular. E há outro dado importante: o Brasil não é dependente do comércio exterior, que representa 14% do PIB. Hoje o eixo da economia brasileira é interno. Por isso estamos sofrendo, mas resistindo melhor à crise do que os países com mais de 40% de seu PIB vinculado ao exterior.</p>
<p><strong>Episódios recentes explicitam discordâncias do Brasil com vizinhos. Houve a crise do Equador com a Odebrecht, a do gás boliviano e as reclamações do Paraguai sobre Itaipu. Como exercer liderança nesse contexto?</strong><br />
O Brasil não tem aspirações de liderança. Quem aspira a liderança quebra a cara. A opção que fizemos é de integração solidária, crescermos juntos. Todos esses incidentes tiveram desfechos favoráveis. Com a Bolívia, normalizamos as relações e continuamos importando gás &#8211; e quem estabeleceu essa dependência em relação ao gás boliviano foram os governos anteriores. Com o Equador, foi um incidente que opôs uma empresa ao governo local, que, a meu ver, agiu de forma precipitada. Mas nós não perdemos um centavo e o Equador continua pagando as dívidas que havia contraído. Com o Paraguai, estamos discutindo civilizadamente as diferenças e tenho certeza de que vamos chegar a bom termo.</p>
<p><strong>O presidente cobrou-o por causa desses incidentes, justamente na região onde o senhor mais atua?</strong><br />
Não fui cobrado nem pelo presidente nem pelo ministro Celso Amorim. Sou um assessor: a única coisa que tenho que fazer é assessorar, expressar meus pontos de vista, cumprindo as orientações do governo. O grande vetor da política externa é o Ministério das Relações Exteriores, que é extremamente qualificado em sua composição. Eu me beneficio de ter um razoável conhecimento intelectual da região e relações pessoais com muitos dirigentes. Mas não gosto de me estender sobre esses temas, porque ou se acaba fazendo autopropaganda ou se fica justificando. Não tenho do que me justificar. Estou preocupado com as minhas funções.</p>
<p><strong>E quais são elas?</strong><br />
Houve uma opção do presidente Lula por um tipo de assessoria especial, diferente daquela de outras gestões. Fui precedido de extraordinários diplomatas. Mas, pelo fato de serem diplomatas, muitas vezes eram quase uma extensão do Itamaraty na Presidência da República. Eles tinham tarefas, algumas iguais às minhas, outras distintas, mas que correspondiam a outro estilo de governo.</p>
<p><strong>Qual é seu estilo, professor?</strong><br />
Alguns colegas tentam dizer que eu tenho orientação ideológica. Tenho as minhas ideias, como todo mundo. Mas o sujeito que diz que o outro tem orientações ideológicas também tem as suas, às vezes mais radicais. Nunca coloquei minhas ideias acima dos interesses nacionais.</p>
<p><strong>Mas em que sua atuação se diferencia do trabalho de um diplomata do Itamaraty? </strong><br />
Temos coisas em comum: preparamos os discursos do presidente, os pontos de conversação das reuniões de que ele vai participar, tudo isso no âmbito da política externa. Preparamos também textos de informação para ele. No meu caso, tenho cumprido muitas missões por determinação do presidente, mas nunca fiz uma viagem que não comunicasse ao Itamaraty, em que não fosse assessorado pela embaixada local. Há uma sintonia muito grande.</p>
<p><strong>Em seis anos jamais ocorreram discordâncias entre a sua assessoria e o Itamaraty?</strong><br />
Lamento dizer, sei que isso faria a graça da entrevista (<em>risos</em>), mas nós não tivemos nenhuma divergência. Porque estamos sempre discutindo, em particular com o ministro Amorim. Mas, repito, o grande condutor e formulador da política externa é o presidente da República, como é de todas as outras políticas. Os ministros são executores, eu nem executor sou. Sou muito mais um conselheiro.</p>
<p><strong>Ocupar um cargo de primeiro escalão sem o ônus de administrar uma pasta é um privilégio, não?</strong><br />
A grande vantagem é que eu não assino nenhuma ordem de pagamento ou coisas do tipo, nem vou ter problema com o Tribunal de Contas.</p>
<p><strong>Como é sua interlocução com o presidente Lula?</strong><br />
Ele ouve muito, é de trato afável. Eu o conheço há muito tempo, temos uma relação de confiança grande. Pode ocorrer, e já ocorreu, de eu ter uma opinião distinta da dele. Mas não sou pago para estar de acordo, e sim para expressar meu ponto de vista. No fim, me submeto às decisões dele, porque sei quantos votos Lula teve e quantos votos eu não tenho. Quanto à frequência dos encontros, tem dias em que eu o vejo cinco ou seis vezes, às vezes menos. Procuro seguir a máxima do Maquiavel, em <em>O Príncipe</em>, que é a de estar perto do príncipe, mas não vê-lo todo o tempo.</p>
<p><strong>Esse contato não causa ciúme?</strong><br />
Olha, nunca percebi. Tenho uma relação muito fluida com meus colegas, sobretudo com os que têm funções mais importantes que as minhas, como é o caso dos ministros. Agora, uma das muitas coisas em que estou de acordo com o presidente é quando ele diz que ciúme de homem é o pior tipo (<em>risos</em>).</p>
<p><strong>Como o senhor explica a dificuldade brasileira nas negociações comerciais com a Argentina?</strong><br />
Na questão econômica, a Argentina é fundamental para nós. Os empresários brasileiros sabem disso. Sabem que, se eles arriscam a perder um pouco das vantagens comerciais, ainda assim o atrativo do mercado argentino é de tal ordem que certas renúncias serão perfeitamente factíveis. Nosso comércio com aquele país ultrapassou, em 2008, US$ 30 bilhões. Por outro lado, o Brasil é hoje o principal investidor na Argentina.</p>
<p><strong>Lula influencia Chávez?</strong><br />
Mantemos uma relação intensa com a Venezuela, com um comércio em torno de US$ 7 bilhões. Mais do que isso, o governo Lula tem insistido muito junto ao presidente Chávez, e ele foi sensível a esse apelo, sobre a importância de escapar à maldição do petróleo, da monoprodução e da vulnerabilidade diante de oscilações do mercado mundial. A Venezuela importava tudo: ovos, leite, farinha de trigo&#8230; Isso é injustificável. Fomos nessa direção e estabelecemos um programa de cooperação entre os países. Porém, não temos direito de nos imiscuir nas decisões de política interna venezuelana. E procuramos resolver tudo na base da negociação. O presidente Lula é um incansável homem do diálogo.</p>
<p><strong>Na semana passada, Chávez militarizou os aeroportos e portos do país, segundo alguns, para enfraquecer os Estados de oposição. O governo brasileiro não vê isso como sinal de autoritarismo?</strong><br />
Não acredito que isso ponha em risco as instituições. O presidente Fernando Henrique tomou a iniciativa de ocupar as refinarias brasileiras para reprimir greves <em>(em 1995, FHC ordenou a ocupação de quatro refinarias da Petrobrás, para garantir o acesso a quem quisesse trabalhar)</em>. Eu me opunha a essa iniciativa, mas nunca cheguei a dizer que ela ameaçava a democracia. Não vejo riscos nesses países que têm Constituição, leis, instituições, liberdade de imprensa. O presidente Chávez briga com a imprensa? Briga, mas a imprensa também briga com ele. E não há presos políticos. Enfim, esses são elementos, a meu juízo, fundamentais na análise.</p>
<p><strong>E a insistência de Chávez na reeleição ilimitada? Não é um jogo para se perpetuar no poder? </strong><br />
Veja bem, há países onde existem mecanismos de reeleição indefinida. A questão fundamental é saber se em 2012, quando haverá novas eleições presidenciais, os venezuelanos vão querer manter o Chávez ou não. Se eles quiserem mantê-lo, tudo bem. O Brasil é que fez uma opção por dois mandatos. É a nossa cultura política. A Venezuela até 15 anos atrás era apresentada como paradigma da democracia na região. Mas então o sistema político se desagregou. Aqueles que acham que Chávez é o causador da instabilidade na Venezuela não se dão conta de que ele é a consequência, não a causa dela. Além do mais, com que autoridade vou deitar cátedra sobre outros países, quando sei que temos aqui problemas graves no funcionamento das nossas instituições?</p>
<p><strong>Essa semana Chávez anunciou que vai abrir uma ilha no Caribe para bombardeiros russos usarem como base. Não é provocação aos Estados Unidos?</strong><br />
Meus caros, isso, seguramente, é uma provocação bem menor que a instalação de um sistema antimísseis na Europa Central. Pode ser uma provocação verbal, mas não tem dimensão política. A Doutrina Monroe não tem mais vigor, não existe mais aquela coisa de &#8220;a América para os americanos&#8221;. A determinação de criar a quarta frota é muito mais provocativa do que isso. Talvez até essa iniciativa seja uma resposta malcriada a essas tentativas. Hoje em dia os EUA mantêm relações estáveis com a Rússia. Não há mais &#8220;perigos vermelhos&#8221;. Perigo vermelho é o meu time, o Internacional, que é muito bom (<em>risos</em>).</p>
<p><strong>O PT tem a pretensão de ser um ?modelo político de exportação? para a América Latina?</strong><br />
O PT tem mantido com muitos partidos da região um diálogo grande. Exercemos influência sobre eles, que também já exerceram influência sobre nós. E hoje as realidades desses países são muito distintas da nossa. O Fernando Lugo elegeu-se no Paraguai praticamente sem partido, numa coalizão da qual participam partidos de direita. Na Nicarágua, também houve uma aliança com um partido de direita. No caso de El Salvador foi um enfrentamento fortíssimo com a direita, por parte da Frente Farabundo Martí. Claro que o PT tem visto isso, mas tem os próprios problemas a enfrentar, tem de se atualizar e fazer um balanço de seus quase 30 anos de vida.</p>
<p><strong>O que vai ser do PT pós-Lula?</strong><br />
Com a chegada de Lula à Presidência, tivemos certos problemas. Talvez o PT não tenha avaliado todas as consequências do que é ser um partido de governo. E o que é isso? Um partido de governo tem, por um lado, que apoiar esse governo, mas, por outro, ser também uma espécie de consciência política, que olhe os problemas na ótica da sociedade. Em 2005 <em>(durante a crise do mensalão)</em>, nossa resposta foi extremamente tímida, não só para a sociedade, mas para dentro do partido. Ainda está inconcluso esse processo de reflexão que o partido precisa realizar.</p>
<p><strong>O momento mais dramático de sua passagem pelo governo foi o episódio do ?top-top?. Hoje, como avalia o que aconteceu? </strong><br />
Ainda persiste na cabeça de algumas pessoas, por desinformação ou por má-fé, a ideia de que eu estava comemorando. Nós estávamos extremamente abatidos pela tragédia da TAM, com quase 200 mortos. E víamos em parte da imprensa um julgamento precipitado no qual se tentava responsabilizar o governo integralmente. Estávamos sob tensão e, quando veio aquele desmentido, eu e meu assessor tivemos um desabafo. Eu até tinha conhecidos no avião, porque ele vinha de Porto Alegre. Claramente, houve uma invasão de privacidade por parte da televisão. Mas já vivi situações muito mais difíceis que essa, de perda, repressão, e sempre saí bem. A única preocupação que tive naquele momento foi que isso pudesse cair em cima do governo.</p>
<p><strong>E o senhor pôs o cargo à disposição do presidente Lula&#8230;</strong><br />
Imediatamente, porque achei que, independentemente de estar convencido de que tinha sido cometida uma infâmia contra mim, uma ação sórdida dessa emissora de televisão, o episódio seria visto por milhões de pessoas e usado como um elemento injusto de crítica ao governo. Mas o presidente não aceitou meu pedido. Enfrentei alguns tipos de constrangimento, mas também quero dizer que recebi uma solidariedade muito grande de pessoas pelas quais tenho muito apreço e de outras que nem conhecia.</p>
<p><strong>O que pretende fazer quando Lula deixar o Planalto?</strong><br />
Sempre tive profissão e estou transitoriamente no governo. Saindo daqui posso fazer uma coisa de que gosto muito, que é voltar a dar aula na Unicamp, me dedicar à pesquisa e escrever. Quero realizar uma reflexão mais ampla sobre a experiência no governo, sobre a política externa. Se virar livro, muito bem &#8211; preciso ter tempo e disciplina para fazê-lo. A única coisa que não quero é me aposentar. Vou me empenhar na campanha da nossa candidata à Presidência, se efetivamente o PT tiver o consenso em torno dela, e terá.</p>
<p><strong>O que o senhor acha da eventual candidata? </strong><br />
Ela reúne um conjunto de condições muito favoráveis para ocupar a Presidência da República. Tem um profundo conhecimento dos problemas brasileiros, que não decorre só da sua enorme experiência administrativa, mas também de uma curiosidade intelectual que faz com que passeie tranquilamente sobre problemas teóricos e práticos do País. Dilma tem cabeça para governar, mas não se esquecerá de seguir uma regra do presidente Lula: &#8220;Em momento de dúvida, consulte o coração&#8221;. O que é importante, porque o coração está à esquerda&#8230;</p>
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