21/12/2008 - 10:45h Em meio à crise, governo Serra autoriza Comgás a aumentar o gás para indústria em 19%

http://portaldecaragua.com.br/images/stories/jose_serra.jpgA Folha escolheu uma outra manchete para a capa do jornal: “Em meio à crise, gás para indústria de SP subirá 19%”.

Evidentemente que o gás, mesmo com propriedades que incluem a volatilização, não subirá só. Alguém decidiu pelo aumento do preço. Quem?

A manchete de capa da Folha não diz.

O lide, texto imediatamente embaixo, informa: “O governo de São Paulo autorizará nesta semana que a Comgás reajuste em 19% o preço do gás cobrado das grandes indústrias no Estado, relata Guilherme Barros. Para os pequenos consumidores da indústria, o aumento deve ficar em 10%. Não se prevê alta para consumidores residenciais. A autorização atende parcialmente à Comgás, que solicitara reajuste de 56% para cobrir perdas.”

Acostumados a manchetes onde Lula isto ou aquilo; onde Fiscal da Marta é preso; a discrição e objetividade da Folha chama a atenção.

A manchete de capa é chamada para o artigo de capa do caderno Dinheiro e que leva como manchete: “Na crise, SP eleva gás à indústria em 19%”. O lide do artigo, após a manchete, disse: “Segundo o Estado, reajuste decorre da defasagem no cálculo do produto fornecido pela Petrobras; residências não devem ter aumento. Estatal, por sua vez, defende critério de preço, que tem ajuste trimestral com base no dólar e na cotação, de seis meses antes, do petróleo.”

O SP da manchete, não é o time e sim José Serra e o seu governo. Notem que na capa do jornal é “a indústria de SP” a vítima e na manchete do artigo “SP eleva o gás”, SP é o algóz.

O SP decidiu como? Quem é que decide e que encarna o Estado?

O artigo começa “O governo de São Paulo anuncia nesta semana autorização para a Comgás reajustar em 19% o preço do gás cobrado dos grandes consumidores industriais do produto no Estado.”

A primeira e única menção, no artigo, ao governador José Serra é assim: “Já o preço do gás residencial não deve ser reajustado. O objetivo do governador José Serra (PSDB) é poupar o consumidor residencial de um aumento.”

Resumo da ópera: O aumento “em meio à crise” foi uma ação negativa de uma abstração e o bom governador Serra tem “o objetivo de poupar o consumidor residencial de um aumento”.

Mas, a indústria vai absorver o aumento reduzindo o valor dos seus lucros? Ou repassará ao consumidor o aumento?

O artigo nada diz sobre isto.

Mas o governo Serra, nos informa Guillerme de Barros, recusou que o aumento fosse de 56% e, de qualquer jeito, a culpa não é do governo de São Paulo e sim da Petrobrás.

Resumindo: o Secretário de Finanças de Serra dá a informação do aumento para Folha, para poder assim apresentar sua versão e suas explicações para o aumento. Ele pauta o jornal com a matéria. As manchetes correspondem  assim a pauta estabelecida pelo governador e o impacto negativo do aumento não atinge a figura de… José Serra!

A seguir o artigo da Folha. LF

Capa Folha de S.Paulo - Edição São Paulo

Na crise, SP eleva gás à indústria em 19%

Segundo o Estado, reajuste decorre da defasagem no cálculo do produto fornecido pela Petrobras; residências não devem ter aumento

Estatal, por sua vez, defende critério de preço, que tem ajuste trimestral com base no dólar e na cotação, de seis meses antes, do petróleo

GUILHERME BARROS
COLUNISTA DA FOLHA

O governo de São Paulo anuncia nesta semana autorização para a Comgás reajustar em 19% o preço do gás cobrado dos grandes consumidores industriais do produto no Estado. Aos pequenos consumidores da indústria o aumento deve ser da ordem de 10%.
Já o preço do gás residencial não deve ser reajustado. O objetivo do governador José Serra (PSDB) é poupar o consumidor residencial de um aumento.
A informação foi confirmada à Folha pelo secretário estadual de Fazenda, Mauro Ricardo Costa, após mais de um mês de discussão com diversas outras áreas do governo. A autorização do reajuste no preço do gás será anunciada pela Arsesp (agência estadual reguladora de saneamento e energia).
A decisão de autorizar o aumento do gás atende só parcialmente ao pedido feito pela Comgás, a maior distribuidora do país, de repasse tarifário para cobrir perdas com a defasagem no preço do produto.
A Comgás tinha solicitado reajuste de 56%. O cálculo da distribuidora é de que essa defasagem já tenha provocado perdas de R$ 500 milhões até novembro. Em janeiro, iria para R$ 600 milhões.
O grande problema, para o governo de São Paulo, é a fórmula da Petrobras para o cálculo do preço do gás às distribuidoras. Há um desbalanceamento entre o preço que a Comgás paga pelo gás à Petrobras e o que ela vende.
A tarifa cobrada pela Petrobras sofre reajustes trimestrais e é indexada ao dólar e ao preço do barril de petróleo de seis meses antes. Já o gás vendido ao consumidor pelas distribuidoras sofre reajuste anual e é fixado em reais.
Assim, hoje a Comgás compra o gás com base num preço do barril de petróleo equivalente a US$ 110 e a um dólar a quase R$ 2,50. Já a tarifa que a empresa vende é fixada levando em conta o barril a US$ 88 e o dólar a R$ 1,75.
“O Brasil tem que pensar numa nova política de gás, senão ninguém mais vai consumir o produto”, diz Mauro Ricardo. Segundo o secretário, o governo paulista tentou por diversas formas convencer a Petrobras a mudar a fórmula de cálculo do preço do gás às distribuidoras, mas não obteve sucesso.
Já a diretora de gás e energia da Petrobras, Maria da Graça Foster, afirma que não houve intransigência da companhia. O que ela argumenta é que São Paulo consome 8,5 milhões de metros cúbicos de gás boliviano e apenas 4,5 milhões de gás nacional, e o preço que a Petrobras cobra da Comgás segue a mesma fórmula do que a companhia compra da Bolívia.
“São contratos-espelhos com os da Bolívia”, diz Foster. “Quando o preço do petróleo está em alta, a empresa ganha, mas, quando cai, perde”.
Dessa forma, a diretora da Petrobras diz que a queda do preço do petróleo -de US$ 147 o barril para US$ 35- não pode ser incorporada ao preço do gás imediatamente em razão do contrato com a Bolívia.
Mauro Ricardo diz, no entanto, que a Petrobras foi inflexível nas negociações, apesar de ter sido dito que essa política de gás poderia destruir as distribuidoras de São Paulo.
O consultor Adriano Pires, especialista do CBIE (Centro Brasileiro de Infra-Estrutura), afirma que a distorção na fórmula do cálculo do preço do gás cobrado pelas distribuidoras é evidente. Para ele, em vez de anual, o repasse deveria ser feito mediante um gatilho a ser acionado quando o preço do barril de petróleo ultrapasse um determinado limite para cima ou para baixo. Atualmente, o reajuste no preço do gás só é concedido no mês de maio, mas pode ser antecipado no caso de se verificar que a tarifa esteja provocando desequilíbrio econômico e financeiro nas contas da distribuidora.
De acordo com Mauro Ricardo, ao autorizar esse aumento do gás, o governo de São Paulo procurou determinar uma tarifa que sacrificasse o mínimo possível os consumidores industrial e residencial. O objetivo foi o de evitar que o preço do gás seja mais um fator de preocupação à indústria num momento de crise econômica.

19/12/2008 - 10:00h Em janeiro, juro vai cair

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Banco Central reduzirá taxa básica para combater a desaceleração econômica brasileira

Vicente Nunes - Correio Braziliense

A taxa básica de juros (Selic) deverá cair 0,5 ponto percentual em janeiro próximo, dos atuais 13,75% para 13,25% ao ano, como contribuição do Banco Central para minimizar os impactos da crise financeira internacional na economia brasileira. Foi essa a conclusão da maioria dos analistas depois da leitura da ata da reunião da semana passada do Comitê de Política Monetária (Copom), na qual os juros permaneceram inalterados. Divulgado ontem, o documento mostrou que no BC já vê a inflação de 2009 convergindo para o centro da meta, de 4,5%, em meio a um quadro que combina consumo em queda, produção industrial menor, desemprego em alta e crédito ainda restrito. “Somente um fato muito sério fará com que o Copom não corte os juros no mês que vem”, disse Flávio Serrano, economista-sênior do Banco BES Investimento.

A tendência, segundo Serrano, é de que o Copom promova três reduções consecutivas da Selic em 2009, sendo duas de 0,5 ponto e uma de 0,25. “A partir daí, os juros ficarão estacionados em 12,5%, permitindo ao BC uma visão mais clara da atividade econômica. Se realmente constatar que a desaceleração será forte, inviabilizando por completo o repasse da alta do dólar para os preços, o BC retomará o processo de corte dos juros”, acrescentou. A baixa da Selic em janeiro, segundo ele, será ditada por dados relevantes que estarão à disposição do Copom: a retração da indústria e do comércio em novembro e os indicativos de um novo tombo em dezembro. É com base nesse cenário, inclusive, que os analistas, endossados pelo secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, falam em queda do Produto Interno Bruto (PIB) de até 1,5% no quarto trimestre do ano.

Movimento
Na avaliação do economista José Márcio Camargo, da Opus Gestão de Recursos, em princípio, há espaço para que o Copom promova redução de até dois pontos percentuais no juros, para 11,75%, ao longo de 2009, movimento que poderá até ser acentuado se a inflação cair para um patamar abaixo de 4,5%. “O BC identificou que a economia está sofrendo dois choques, um inflacionário, outro, deflacionário”, disse. “De um lado, a significativa arrancada do dólar criou uma inflação potencial, que, em algum momento, pode ser repassada aos consumidores. De outro, a restrição do crédito fez o consumo e os investimentos desabarem. O problema é que não se sabe qual desses choques prevalecerá. Caso o choque deflacionário se sobreponha, os juros terão de cair mais”, frisou.

Para os diretores do BC, apesar da certeza de piora da economia em 2009, há muitas incertezas à frente. Por isso, mesmo com os integrantes do Copom tendo discutido a possibilidade de derrubarem a Selic em 0,25 ponto na semana passada, optou-se pela manutenção da taxa por pura cautela. No entender dos diretores do BC, criou-se um cenário mais benigno para a inflação, com o equilíbrio entre oferta e demanda, cujo descompasso vinha sendo o principal motivo para o arrocho na política monetária. Mas é preciso lembrar que a demanda interna se mantinha robusta até o terceiro trimestre, devido ao aumento da renda a da maior oferta de emprego e do crédito. Agora, com o crédito escasso, a economia será movida, basicamente, pelos rendimentos dos trabalhadores. Caso, porém, não sejam suficientes para sustentar um crescimento do PIB em um nível adequado, o estímulo adicional virá por meio dos juros, para deleite do presidente Lula.


“Não houve contradição. O fato de discutir um assunto não quer dizer que houve decisão. Não vejo como a ata poderia ser mais clara”

Henrique Meirelles, presidente do Banco Central

“Não consigo entender o que aconteceu naquela sala. A maioria dos diretores defendia o corte de juros, mas foi pulverizada pela minoria. É incompreensível”

Aloizio Mercadante, deputado federal (PT-SP)

Gasolina mais barata

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central admite a possibilidade de a Petrobras reduzir os preços da gasolina e do diesel nos próximos meses, repassando aos consumidores parte da expressiva queda da cotação do petróleo no mercado internacional. A expectativa — e a torcida — é para que os preços caiam ao longo dos primeiros seis meses de 2009, como forma de aliviar a inflação e permitir cortes seguidos na taxa básica de juros (Selic) sem grandes traumas. Os analistas estimam que a gasolina esteja 52% mais cara no Brasil do que no exterior e o diesel, 19%.

Pelas contas de Flávio Serrano, economista-sênior do Banco BES Investimento, a cada 5% de baixa nos preços da gasolina nas bombas dos postos, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado como referência para o sistema de metas do governo, encolhe 0,2 ponto percentual. “Se realmente os combustíveis ficarem mais baratos, não será surpresa se a inflação fechar o ano que vem abaixo de 4,5%, o centro da meta perseguido pelo BC”, afirmou. Pelo governo, os preços da gasolina e o diesel já teriam caído. Mas a Petrobras alegou que precisa fazer caixa nesse momento de grande escassez de crédito.

Segundo o BC, ainda que os preços da gasolina e do diesel não tenham se alterado, o impacto da retração da cotação do petróleo de quase US$ 150 para US$ 40 o barril desde junho já se faz presente na economia brasileira, por meio da indústria petroquímica (resinas plásticas, por exemplo), base para as demais cadeias produtivas. O principal insumo da petroquímica, a nafta, ficou bem mais barato, assim como o querosene de aviação e o óleo combustível que move as fábricas de muitas empresas. “É por isso que os Índices Gerais de Preços (IGPs) estão desabando, ficando próximos de zero”, afirmou Serrano.

Os consumidores, no entanto, devem se preparar para pagar 2,6% a mais pelo gás de cozinha até o fim do ano e arcar com reajuste de 3,6% nas contas de telefonia fixa. Na média, estimou o Copom, os preços administrados pelo governo (tarifas públicas e serviços como planos de saúde e medicamentos) terão reajustes médios de 3,8% neste ano e de 5,5% em 2009. (VN)
Bate-boca no Senado

Ricardo Allan
Da equipe do Correio

Sob pesado tiroteio político por causa da manutenção dos juros em níveis altos, o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, protagonizou ontem um bate-boca com o presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP). Na audiência pública trimestral para discutir a atuação do BC, o senador se mostrou inconformado com a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de deixar a taxa básica de juros (Selic) inalterada em 13,75% na semana passada. Constrangido, Meirelles foi obrigado a defender veementemente a decisão. Para ele, ainda não era o momento de baixar a Selic, apesar dos nítidos indícios de forte desaceleração econômica no país.

Logo no início da sessão, Mercadante usou a ata do Copom, divulgada ontem, para basear o seu ataque. “Não consigo entender o que aconteceu naquela sala. A maioria dos diretores defendia o corte de juros, mas foi pulverizada pela minoria. É incompreensível”, disse. Na avaliação do senador, a recusa em amenizar a política monetária pode agravar a situação econômica. “Lendo a ata, fiquei ainda mais convencido de que havia espaço para uma redução dos juros em pelo menos 0,25 ponto.”

Meirelles tentou explicar. “Quando a ata diz que a maioria considerou cortar os juros já naquele momento, não diz que a maioria decidiu por isso. Houve uma discussão sobre essa possibilidade, mas se concluiu que esse não seria o movimento adequado naquele momento”, disse. Para ele, as razões para a manutenção da taxa estão “muito claras” na ata. Meirelles apelou para que os senadores não fizessem um “encontro pós-ata”, o que, a seu ver, seria “altamente inadequado” e poderia dar sinalizações indevidas ao mercado.

Mesmo com o apelo, Mercadante voltou à carga, afirmando que a manutenção dos juros altos no Brasil num momento em que os demais países do mundo estão cortando suas taxas, prejudica a competitividade dos produtos brasileiros. “Na ata, não fica claro porque os diretores mudaram de opinião”, disse. Mais uma vez, Meirelles rebateu: “Não houve contradição. O fato de discutir um assunto não quer dizer que houve decisão. Não vejo como a ata poderia ser mais clara.” Para o presidente do BC, se o órgão tivesse errado a mão ao calibrar os juros, a economia não estaria crescendo tanto e a inflação estaria abaixo da meta.

18/12/2008 - 12:23h Na bolsa: estrangeiro volta e pode ser para ficar

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Daniele Camba - VALOR

Desde o início do mês, mas com mais intensidade da semana passada para cá, o mercado brasileiro vem se recuperando. Alguns dizem que é pela melhora do cenário internacional, enquanto outros atribuem o movimento ao rali de alta que tradicionalmente costuma ocorrer no fim do ano. Seja por um motivo ou por outro, o que se sabe é que essa valorização está sendo patrocinada pela volta do investidor estrangeiro. Os mais pessimistas acham que ele está retornando apenas para se aproveitar de um ganho ali outro acolá e que irá bater em retirada assim que estiver com os bolsos cheios. O que se diz nas mesas de operações é que a maior parte é formada por investidores institucionais de longo prazo, como gestores de fundos de ações de grandes gestoras de recursos, que costumam fazer aplicações vislumbrando pelo menos os próximos 12 meses. Caso isso seja verdade, é bem possível que a alta das ações neste mês seja mais do que um simples rali de fim de ano.

Os números comprovam o interesse crescente desses investidores. No mês, até o dia 12, o saldo líquido (diferença entre compras e vendas) de estrangeiros na Bovespa está negativo em R$ 483 milhões, sendo que até o dia 5 essa cifra estava negativa em R$ 3 bilhões. Isso significa que nos cinco pregões da semana passada (de 8 a 12 de dezembro), as compras de ações dos estrangeiros superaram as vendas em cerca de R$ 2,5 bilhões. Nada mau considerando que nos últimos meses, com o agravamento da crise financeira internacional, o que mais se viu foram grandes saídas de recursos.

O saldo deve ser mais animador levando-se em conta que o volume de compras de papéis brasileiros via American Depositary Receipt (ADR, recibo de ações negociados nos Estados Unidos) é ainda maior, dado o câmbio favorável. “Se considerarmos as aplicações nos ADRs, o saldo líquido positivo da última semana deve no mínimo dobrar, ultrapassando a casa dos R$ 5 bilhões”, diz o gestor de uma administradora de recursos independente.

Ele lembra que esse fluxo de investimentos se concentra nos papéis de maior liquidez da Bovespa. Entre eles, Petrobras, Vale e as siderúrgicas. Não é à toa que tais ações vêm se valorizando desde a semana passada, a despeito de todas as perspectivas negativas para a economia global, e conseqüentemente, para os preços das principais commodities. As ações ordinárias (ON, com voto) da Petrobras, por exemplo, sobem no mês 24,80%, enquanto o Índice Bovespa registra uma alta de 9,16%. Dentro do índice, os papéis da estatal só se valorizam menos que as preferenciais (PN, sem voto) da Votorantim Celulose e Papel (VCP) e da TAM. Já as PN série A da Usiminas no mês têm alta de 21,95% e as ON da CSN de 21,82%.

Graças ao fluxo de estrangeiro, ontem, as PN da Petrobras subiram 2,31% e as ON, 2,73%, mesmo com a queda de 8,1% do petróleo tipo WTI, negociado em Nova York, fechando aos US$ 40,06, a menor cotação dos últimos quatro anos e meio. A alta dos papéis da estatal e de outras ações de commodities amorteceram a baixa do Ibovespa que ontem foi de apenas 0,12% aos 39.947 pontos.

Na linha oposta, os papéis considerados defensivos num cenário de crise, como as teles, as elétricas e os setores voltados ao mercado interno (varejo, consumo e bebidas), registram quedas nos últimos pregões. “Essa é uma típica movimentação de investidores que resolveram deixar de se proteger para começar a colocar pelo menos um pé em operações mais arriscadas”, diz o gestor.


Medo de perder a festa

Mas o que de tão positivo os estrangeiros estão vendo no cenário econômico a ponto de quererem retomar as aplicações? Nada. Na realidade, eles estão voltando na expectativa de que a economia melhore a partir de 2010 e que o mercado, como sempre, antecipe esse quadro. Sem contar com o fato de que aparentemente a bolsa já refletiu tudo que deveria da crise atual. “Ninguém quer perder nem um instante da festa de recuperação que os mercados devem ter”, diz o gestor. Para ajudar, a queda da taxa de juros nos países desenvolvidos torna ainda mais atraente os investidores aportarem por aqui o mais cedo possível. “O custo de oportunidade de ficar na Bovespa hoje é insignificante.”

Daniele Camba é repórter de Investimentos

E-mail: daniele.camba@valor.com.br

12/12/2008 - 11:18h Novas medidas a caminho

Breno Fortes/CB/D.A Press - 8/10/08
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Crédito ao setor da construção apenas sustenta as obras em andamento e não garante expansão

Construção está na lista de setores a serem ajudados pelo governo, que conta com investimentos da Petrobras

Raul Pilati - Correio Braziliense

O governo estuda novas medidas para estimular a economia. “Não serão as últimas ações”, adiantou o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Ele disse que mais incentivos estão sendo preparados para o setor de construção civil, um dos pilares que tem chance de sustentar o crescimento em 2009, segundo a análise feita no Ministério da Fazenda. O estímulo seria para as habitações populares. Mas Mantega não quis revelar detalhes.

Manter elevada a atividade das empresas da construção civil é essencial para a economia do país. O setor é um dos principais responsáveis pelos investimentos capazes de suportar um crescimento de médio e longo prazos. As medidas para o segmento adotadas até agora — como a linha de crédito de R$ 3 bilhões aberta pela Caixa Econômica Federal — tiveram como objetivo impedir que as obras em execução fossem interrompidas.

O próprio secretário de Polícia Econômica do Ministério, Nelson Barbosa, admite que novos lançamentos de prédios vão depender da “reavaliação” do cenário pelas empresas. Mas ressalta que o governo conta com outros dois pilares para não deixar os investimentos despencarem: o cumprimento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e a Petrobras.

Barbosa destaca que, mesmo que não esteja dentro das metas de prazos programadas, o PAC vem aumentando os desembolsos, estimulando a economia. Este ano, o programa deve pagar R$ 28 bilhões em obras executadas, equivalente a 1% do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2009, ele espera que os pagamentos às construtoras cheguem a R$ 34 bilhões, ou 1,2% do PIB, acelerando a economia.

A outra fonte crucial de investimentos é a Petrobras, maior empresa da América Latina. Os gastos da gigante no ano que vem devem chegar a 1,9% do PIB, superando a previsão inicial de 1,6%. O secretário, entretanto, não quis entrar na discussão sobre a fonte de financiamento para a estatal que, em novembro, precisou recorrer a um empréstimo de R$ 2,7 bilhões de bancos estatais para fechar suas contas do mês.

Renda
Enquanto tem esperança de manter os investimentos em 2009, os economistas do governo já não contam com a mesma força da renda dos brasileiros. Barbosa estima que as despesas das famílias, um dos principais motores da economia em 2008, devem crescer entre 4% e 5% no próximo ano. Será uma forte desaceleração, pois entre julho e setembro deste ano, subiram 7,3% em relação a igual período de 2007.

O secretário olha com esperança para uma retomada da atividade no segundo semestre do ano que vem. Até lá, crê, os efeitos nas medidas antirecessivas tanto no Brasil quando nos países desenvolvidos terão produzido efeitos positivos. E aponta três fatores que podem reverte a desaceleração econômica: as taxas de juros no mercado futuro em queda, o fim do pessimismo exagerado que se instalou entre os consumidores e as ações do governo.

10/12/2008 - 09:01h Massa salarial pode sustentar demanda das famílias

Rua 25 de março, em São Paulo

Ana Paula Grabois, do Rio - VALOR

O consumo das famílias subiu pela vigésima vez seguida no terceiro trimestre e atingiu nível igual ao maior já registrado na série do IBGE, de 7,3%, fortalecido pela massa salarial em alta e pelo crédito. “A massa salarial aumentou e afeta diretamente o consumo das famílias. Isso afeta o desempenho do PIB porque o consumo das famílias corresponde a pouco mais de 60% do PIB”, disse a gerente das Contas Trimestrais do IBGE, Rebeca Palis.

Na avaliação de economistas ouvidos pelo Valor, esse consumo deve sustentar o PIB de 2009. Se os investimentos devem diminuir sensivelmente pelo menos até o fim do primeiro semestre, o consumo de bens não duráveis e semi-duráveis, como alimentos, vestuário e remédios, ditará o crescimento da economia, ainda que em ritmo menor que o de 2008.

As projeções para a alta do PIB ano que vem giram em torno de 2% a 3%. “O que vai segurar a economia em 2009 serão os bens básicos”, disse o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale. Os bens duráveis, como automóveis e eletrodomésticos, devem ter queda de vendas por conta do receio do consumidor de se endividar sem ter segurança da manutenção do emprego, avalia Vale.

Bráulio Borges, economista-chefe da LCA Consultores, lembra que a massa salarial continuará reforçada pelo aumento real do salário mínimo no ano que vem, indexado ao PIB de 2007, de 5,7%. O mercado de trabalho, ainda que piore, não deve cortar vagas e sim reduzir o nível de contratações visto em 2007 e 2008. “O consumo das famílias vai segurar a economia e o reajuste do salário vai ser muito importante, principalmente no Norte e no Nordeste. E ainda tem as aposentadorias do INSS atreladas ao reajuste do salário mínimo. 2009 vai ser o ano do consumo básico, de bens essenciais e de mais baratos”, avalia.

O consumo do governo, que no terceiro trimestre acelerou-se para uma taxa de 6,4%, também deve contribuir de forma significativa para a manutenção do crescimento da economia em 2009, de acordo com os economistas da MB e da LCA. Sérgio Vale projeta para o próximo ano uma expansão de 4% do consumo, superior à sua expectativa para o PIB, de 2,8%. Para Bráulio Borges, o resultado do terceiro trimestre surpreendeu. “No primeiro trimestre se imaginava que o crescimento forte era por causa do calendário eleitoral, que impedia o comprometimento do Orçamento após o meio do ano. Mas as despesas de Estados e municípios seguiu acelerada e há sinais de que o governo continuará ajudando a aumentar a demanda agregada”, avaliou. Conforme o IBGE, o desempenho no trimestre passado foi influenciado também pelo aumento de obras públicas, entre as quais as do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Do lado da oferta, a produção industrial se mantém como principal fonte de preocupação para o próximo ano. A MB estima para 2009 um crescimento da indústria de 2,4%, menos da metade da variação estimada para este ano (5,5%). Para o quarto trimestre deste ano, a produção industrial deve crescer 1,5% em comparação com igual intervalo de 2007; no terceiro trimestre, o aumento foi de 5,9%. “O crescimento com ajuste sazonal que foi de 0,8% no terceiro, vai se reverter em queda no quarto trimestre”, disse Vale. A LCA projeta queda de 1% em relação ao terceiro trimestre, e aumento de 3% sobre o quarto trimestre do ano passado.

Outro setor que deve sentir de forma forte o efeito da crise é o setor extrativo mineral, por conta da redução no ritmo de extração de minério e petróleo pela Vale e a Petrobras, diz o economista-chefe da MB. Ele estima que no quarto trimestre o setor crescerá 2,2%, após 7,8% no terceiro trimestre. Para 2009 a projeção é de 2,5%, ante 4,8% no ano fechado de 2008.

A área de serviços de intermediação financeira, que no terceiro trimestre cresceu 8,8%, também deve registrar desaceleração considerável, para 1,8% no último trimestre, também sob efeito da crise externa. Fernando Montero, economista-chefe da Convenção Corretora, prevê para o quarto trimestre um crescimento maior, de 5,7%. Ele ponderou que esse setor é influenciado pelo “momentum” e pode apresentar recuperação em 2009 com a retomada da concessão de financiamentos pelas instituições bancárias, caso os sinais de até onde a crise internacional pode chegar se tornem mais claros. (Colaborou CB)

05/12/2008 - 14:07h Um arsenal contra a recessão

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Claudia Safatle - VALOR

O governo acionou sua usina de idéias e propostas para colocar na rua caso a desaceleração da atividade econômica no Brasil se transforme em risco de recessão para 2009. Inúmeras alternativas estão colocadas sobre a mesa: da redução do IOF sobre as operações de crédito a um redutor temporário de, por exemplo, 10% nas alíquotas do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) e ampliação do seguro desemprego de cinco para dez meses. Há, também, outras várias sugestões de desoneração de impostos sobre a produção e busca-se, ainda, mecanismos de persuasão para levar o sistema bancário privado a soltar o crédito. Nada está decidido, por enquanto, nem há concordância sobre todas as hipóteses aventadas.

No caso do IRPF, a função da medida seria dar dinheiro direto ao consumidor. As alíquotas do Imposto de Renda poderiam ser reduzidas de 27,5% para 24,75% e de 15% para 13,5% por um período pré determinado, uns seis meses. A proposta é controversa dentro do próprio Ministério da Fazenda, o governo não está podendo abrir mais mão de receitas tributárias - a renúncia de receitas com incentivos e desonerações fiscais soma R$ 76 bilhões este ano - e o contra-argumento de economistas que são contrários à idéia é que o contribuinte, em lugar de usar essa renda adicional para consumir, acabaria entesourando o dinheiro com medo da crise e do desemprego.

O Palácio do Planalto está muito preocupado com o crescimento econômico de 2009. Embora as contas feitas e refeitas pelos economistas oficiais indiquem que para se ter uma recessão no país as condições da economia teriam que piorar muito, há dúvidas.

O carregamento do crescimento deste ano para o próximo (”carry-over”) por si só já garantiria 1,5% de aumento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009. Os investimentos públicos serão rigorosamente mantidos, já garantiu o presidente Lula, e as políticas sociais de transferência de renda, também. O governo está tomando todas as medidas para prover de recursos a construção civil. Há os R$ 14 bilhões deste ano reservados para o Fundo Soberano, que podem ser usados em políticas anticíclicas, os investimentos da Petrobras estão mantidos e o sistema de bancos públicos está sendo usado para irrigar a economia de financiamentos.

O crédito, que em outubro teve uma freada abrupta, começa devagar a reaparecer, mais caro, é verdade, mas está reaparecendo. Enfim, tudo somado sustentaria uma taxa de crescimento entre 2,5% a 3% no ano que vem, argumentam os técnicos do governo.

Outro cálculo indica que mesmo que a expansão do consumo em 2009 caia à metade do que foi este ano e a taxa de investimento se reduza a zero, ainda assim seria possível chegar a algo entre 2,5% e 3% de variação do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009.

Admite-se que o último trimestre deste ano possa registrar retração do PIB, por estar contaminado pelo auge da crise econômico-financeira internacional, mas há incertezas sobre se esse cenário se perpetuará em 2009. Uma ala de economistas do governo não acredita nessa possibilidade e considera provável uma reação do nível de atividade nos primeiros meses do próximo ano.

A guerra que se trava agora, porém, não é com os números, mas com as expectativas. Se o consumidor não comprar, a indústria não vai produzir, o emprego vai cair e o temor de uma recessão pode se materializar. Isso inquieta o presidente Lula.

Pelos poucos indicadores disponíveis até o momento, a tendência do governo é esperar ainda um tempo, pelo menos o início do ano que vem, para aprovar mais medidas expansionistas fiscais e creditícias. Mas, diante de tantas incertezas, nem essa visão é consensual. Há, na equipe econômica, quem ache que a situação já é gravíssima e defenda que as medidas saiam já.

As reuniões dos ministros com o Palácio do Planalto têm sido permanentes e delas surge uma certeza: se a economia ameaçar ir para o brejo, há toda a margem da elevadíssima taxa de juros básica (a Selic, de 13,75% ao ano) para começar a reduzir e usar para reanimar os investimentos, a produção e o emprego.

A arma da queda dos juros, contudo, não deverá fazer parte do arsenal na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do dia 10. Há um outro problema também sério para administrar, que é a maxidesvalorização da taxa de câmbio de agosto para cá e seus efeitos sobre a inflação do próximo ano.

O Copom deverá manter, na próxima semana, a taxa Selic em 13,75% ao ano e não está claro se poderá começar um novo ciclo de redução da taxa básica já no início de 2009. ” A desaceleração não foi nem será tão forte a ponto de fazer com que as preocupações do Banco Central com a inflação desapareçam”, comentou um economista que comunga da tese de que a retração da produção industrial de outubro não se propagará por 2009.

Todas essas questões em discussão não são triviais. O presidente Lula optou por colocar o Estado como o esteio do nível de atividade, mas a equipe econômica deverá monitorar com precisão as dosagens das políticas monetária e fiscal para, no afã de sustentar o crescimento, não produzir um movimento artificial que poderá pressionar o déficit em conta corrente do balanço de pagamentos numa hora em que o financiamento externo é escasso e, por conseqüência, a taxa de câmbio e a inflação.

O mundo piorou muito depois de 15 de setembro. Todos estão mais pobres, inclusive o Brasil, que viu os preços dos seus principais produtos de exportação despencarem. É, portanto, um mundo que exige certa dose de austeridade na condução da política econômica, pois não é mais possível crescer como antes sem causar os desequilíbrios que produziram décadas de atraso no país, como inflação e dívida pública elevadas e fragilidade das contas externas.

Claudia Safatle é diretora de redação adjunta e escreve às sextas-feiras

E-mail claudia.safatle@valor.com.br

01/12/2008 - 13:22h Cinema Paradiso?

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Ancine anuncia investimento recorde de R$ 74 milhões na produção de filmes, num momento em que o principal gargalo é a exibição, com público em queda

Jotabê Medeiros - O Estado SP

A Agência Nacional de Cinema (Ancine) anuncia nesta quinta-feira os primeiros editais do Fundo Setorial do Audiovisual, criado há dois anos, e que destinarão a quantia recorde de R$ 74 milhões para projetos cinematográficos em 2009. Paradoxalmente, malgrado os investimentos, o cinema nacional vive um momento de queda de público. Em julho, o último dado oficial divulgado mostrava uma participação do cinema nacional no público exibidor de cerca de 6,9% (diante de uma média, no período da retomada, entre 10% a 15%).

“É muito expressivo o investimento. Nunca houve, em nenhum governo, federal, municipal ou estadual, um montante como esse sendo investido no cinema”, disse ao Estado Manoel Rangel, presidente da Ancine, na sexta. Para se ter uma idéia, duas das maiores empresas nacionais a investirem em cinema, o BNDES e a Petrobrás, destinaram este ano para o setor, respectivamente, R$ 12 milhões e R$ 26 milhões.

Em 2007, o cinema nacional teve 10 milhões de espectadores no ano, diante de 16 milhões em 2004. Mas o presidente da Ancine rebateu a tese de que o público do cinema brasileiro enfrenta momento de queda. Disse que o market share (participação do público nacional no total da bilheteria de cinemas) subiu para 9,4% em outubro e que o monitoramento da Ancine mostra que está em crescimento e o ano deve fechar em “10%, 10,5% ou 11%”.

Rangel acredita que houve uma “repercussão excessiva de uma situação de momento, pontual”, quando o market share caiu abaixo de 7% em julho. Para ele, a recuperação tem-se mostrado bastante expressiva nas últimas semanas.

De qualquer modo, diz Rangel, o dinheiro do Fundo Setorial do Audiovisual, embora nesse primeiro ano seja destinado à produção, poderá engordar as estratégias de exibição em 2010. “Além de destinar recursos do fundo, teremos outras ações no terreno do consumo, como a proposta do Vale Cultura”, ponderou.

Segundo o dirigente, a chegada de um fundo direto de investimento não quer dizer que se vá abrir mão do mecanismo de renúncia fiscal, o motor da Lei do Audiovisual. “Nosso projeto não é substituir, é compartilhar o fundo com a renúncia fiscal.”

Os editais a serem anunciados nesta quinta-feira, os quatro primeiros, prevêem investimentos em produção para cinema; produção para TV aberta e TV por assinatura; aquisição de direitos de distribuição de obras cinematográficas brasileiras de produção independente e comercialização de longas-metragens para salas de cinema.

O Fundo Setorial do Audiovisual destina recursos para estímulo à atividade audiovisual. Foi criado em 2006 (lei 11.437) e regulamentado no ano passado, e sua verba provém da taxação da indústria cinematográfica (a taxa Codecine), da atividade econômica do setor e do Fundo de Fiscalizações das Telecomunicações (Fistel).

Segundo Manoel Rangel, o Fundo Setorial do Audiovisual já arrecadou R$ 90 milhões, cuja proveniência principal é, principalmente, da Condecine (Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Brasileira) - os impostos que os distribuidores e exibidores pagam. No ano que vem, a maior parte dos recursos virá do Fundo das Telecomunicações.

Após a euforia da retomada, o cinema brasileiro vive uma fase de diversificação. Segundo dados do site Filme B, que compila estatísticas do cinema no País, está havendo um aumento expressivo de co-produções internacionais (eram em média cinco parcerias por ano em 2003, e o número saltou para 32 parcerias em 2008). O Brasil tem acordos com 8 países.

O resultado tem sido bom para a imagem do cinema nacional no exterior. Quatro co-produções foram selecionadas em importantes festivais de cinema do mundo: Ensaio Sobre a Cegueira, de Fernando Meirelles, e Linha de Passe, de Walter Salles, disputaram a Palma de Ouro em Cannes; e Birdwatchers, de Marco Bechis, e Plastic City, de Yu Lik Wai (apesar dos diretores estrangeiros, foram rodados no Brasil), concorreram em Veneza.

31/10/2008 - 15:28h Os premiados em BsAsPhoto

Los premiados de la fotografía

Santiago Porter obtuvo el primer premio otorgado por Petrobras en Buenos Aires Photo, la feria organizada por Arte al Día y adnCULTURA en el Palais de Glace

Una obra originariamente sin título, a la que su autor, Santiago Porter, puso luego Evita entre paréntesis, obtuvo el primer premio Petrobras Buenos Aires Photo 08, en la muestra que se realiza en el Palais de Glace.

La foto en color, de 100 por 130 centímetros que Petrobras comprará por $ 9000, muestra una estatua de Eva Perón decapitada que se halla en la quinta de San Vicente que fue de Juan Domingo Perón. Porter, de 37 años, señaló que elige algunos objetos como excusa para hacer una crítica sobre la historia política del país. Señaló que después de la Revolución Libertadora “una horda que quería desterrar todo ícono que reflejara el gobierno derrocado la decapitó y la tiró al Riachuelo, donde fue encontrada en tareas de limpieza en 1996″.Entre 1359 postulaciones, un jurado integrado por Victoria Verlichak, Ana María Battistozzi, Alicia de Arteaga, Rodrigo Alonso y Julio Sánchez otorgó este premio en la muestra Buenos Aires Photo, donde exponen 35 galerías de arte.

Fin de la jornada, de Juan Carlos Amadeo, logró el segundo premio; Los oficios, de Geovanny Verdezoto, el tercero; Blackness, de Eduardo Gil, el cuarto, y La novia muerta, de Arturo Aguiar, el quinto.

FICHA. Buenos Aires Photo en el Palais de Glace (Posadas 1725). Hasta el 2 de noviembre, de 13 a 21. Entrada: $ 15. Hasta el 31 de octubre, un ticket de $ 20 habilita para ingresar también en Límite Sud/South Limit .

24/10/2008 - 08:09h Turismo: Sergipe pede US$ 100 milhões ao BID



Cibelle Bouças, de Aracaju - VALOR

João Gama da Silva:
“O Estado não cumpria a Lei de Responsabilidade Fiscal
e só em 2007 voltou a ter superávit fiscal”

Sergipe entrou atrasado no cenário turístico. A constatação é do próprio secretário de Turismo do Estado, João Augusto Gama da Silva. Dono de uma costa litorânea de 200 quilômetros, Sergipe recebeu no ano passado 164 mil visitantes, mas a maioria foi ao Estado a trabalho, sobretudo para atuar em projetos da Petrobras e da Vale. A principal razão para isso não é a atratividade do setor de negócios, mas problemas na infra-estrutura do Estado. “Sergipe praticamente não recebe turistas estrangeiros, por falta de estrutura adequada do aeroporto”, acrescenta Gama.

O aeroporto é o menor dos problemas. De acordo com dados da Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso), hoje apenas 40% da região metropolitana possui sistema de esgoto sanitário - mas está em andamento projeto para ampliar essa cobertura para 80% da população da grande Aracaju até 2010, com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

O acesso a linhas de financiamento tem sido um desafio do Estado para desenvolver a infra-estrutura e a área turística. A situação das contas públicas era um dos fatores que dificultavam o acesso ao crédito . “O Estado não estava cumprindo a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Somente em 2007 o governo voltou a ter superávit fiscal”, afirma Gama. Com as contas saneadas, o governo sergipano volta a brigar por recursos do Programa de Desenvolvimento do Turismo no Nordeste (Prodetur/NE), programa de crédito do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que tem em caixa US$ 1 bilhão para projetos de turismo no Nordeste. O último ano em que Sergipe teve acesso ao programa foi 2000. “Era preciso arrumar a casa para ter acesso ao crédito”, afirma o secretário.

Ontem, representantes do governo de Sergipe entregaram uma carta-consulta solicitando a liberação de US$ 100 milhões do Prodetur para financiar projetos ligados ao turismo no Estado. A expectativa do secretário é que a proposta seja analisada e aprovada em 60 dias. Se aprovado, 60% desse recurso será utilizado em obras de infra-estrutura e saneamento.

Entre as obras que podem ser beneficiadas com o recurso está a conclusão da ponte Joel Silveira, que ligará a região de Mosqueiro, em Aracaju, à cidade de Itaporanga, no sul do Estado. Outro projeto previsto é a construção de outra ponte em Pedra do Cavalo. Juntas, as pontes comporão uma rota litorânea que se ligará à BA-099, estrada turística da Bahia. “O trajeto é 70 quilômetros menor que pela BR-071 e, sendo uma estrada litorânea, poderia atrair parte dos turistas que visitam a Bahia”, afirma Gama.

Rumo ao norte do Estado, o governo planeja recuperar a rodovia SE-100 em parceria com o governo de Alagoas. “Com isso teríamos 700 quilômetros de costa entre Recife e Salvador atravessados por uma estrada turística, o que traria um grande avanço para o turismo da região”, diz. Já com recursos do Estado, outras duas estradas serão recuperadas, segundo Gama, uma que liga Aracaju a Canindé e outra que liga a capital a São Cristóvão.

Para 2009, a Secretaria de Turismo tem previstos no orçamento R$ 4,1 milhões para custeio e investimento - mesmo valor obtido para 2008 - e outros R$ 2 milhões para a Empresa Sergipana de Turismo (Emsetur), que foi reestruturada neste ano.

Os empreendimentos do setor privado, que superam R$ 300 milhões e devem elevar o número de leitos no Estado de 10 mil para 15 mil até o fim de 2009, seguem inalterados, segundo o secretário. Um deles é um empreendimento que reúne hotel de luxo, moradias de veraneio (segunda residência) e campos de golfe na Barra dos Coqueiros, realizado pela multinacional Investment Vision (IN-VI). Outro projeto é um complexo hoteleiro em Ponta do Saco, no município de Estância, realizado pelo grupo Viva Wyndham Resorts, da República Dominicana.

16/09/2008 - 10:30h Petrobrás contrata 10 plataformas para pré-sal

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Equipamentos chegarão ao País entre 2013 e 2014 para testes

Kelly Lima, Gustavo Porto, Mônica Ciarelli, Nicola Pamplona - O Estado de São Paulo

A Petrobrás anunciou ontem a contratação de dez novas plataformas para a área do pré-sal da Bacia de Santos, conforme antecipou o Estado na quinta-feira. As duas primeiras, que serão afretadas, chegam ao Brasil entre 2013 e 2014 para testes de produção, provavelmente nas áreas de Guará e Iara. Segundo o presidente da companhia, José Sérgio Gabrielli, o Brasil enfrentará “enormes desafios” após as descobertas no pré-sal.

“As descobertas são gigantescas e os desafios, idem”, disse. Ele citou o potencial de 8 bilhões a 12 bilhões de barris de petróleo recuperáveis nos blocos de Tupi e de Iara. “Para cada sistema produtivo (plataforma e equipamentos de apoio) serão necessários investimentos de US$ 7 bilhões; e são muitos sistemas, não sabemos ainda quantos, podem chegar a 60.”

O diretor-financeiro da Petrobrás, Almir Barbassa, informou que o governo estuda um programa de isenção de impostos para incentivar a produção nacional dos equipamentos. Em maio, no lançamento da nova política industrial, o governo reduziu os impostos sobre a construção de navios e plataformas de exploração de petróleo.

Barbassa lembra que, na época, quando o governo lançou o incentivo fiscal, não havia produção de sondas no Brasil. “Agora existe uma demanda muito grande; serão 28 sondas construídas até 2017″, afirmou.

Após a abertura, ontem, da feira Rio Oil & Gas, Gabrielli comentou que a próxima área a ter a estimativa de volume anunciada será Júpiter, que tem potencial de gás natural. Até agora, a companhia divulgou projeções apenas para Tupi e Iara. Somados, os dois campos têm volume quase equivalente aos 16 bilhões de barris descobertos até hoje no pré-sal da porção americana do Golfo do México, segundo informações do vice-presidente da Chevron, Stephen Thurston.

O bloco de Tupi começa a ser testado no ano que vem e receberá um projeto piloto em 2010, com capacidade para 100 mil barris por dia. Os dois novos sistemas-piloto anunciados ontem, com capacidade semelhante, só começam a produzir em meados da próxima década. “Com esses projetos, vamos definir os melhores sistemas de produção para a região”, disse o gerente-executivo de Exploração e Produção da companhia, Francisco Nepomuceno.

Segundo ele, o modelo será diferente do adotado na Bacia de Campos. No pacote anunciado ontem, há oito navios-plataforma com capacidade para produzir 120 mil barris por dia. Mas, segundo Nepomuceno, uma das idéias em estudo prevê a substituição de plataformas convencionais por depósitos de petróleo e gás em cavernas na camada de sal. “A plataforma serve para armazenar petróleo, mas tem 2 mil metros de sal lá que podem desempenhar essa função.”

O gerente-executivo de Pré-Sal da Petrobrás, José Formigli Filho, disse que a Petrobrás vai lançar em outubro a licitação para dez navios-plataforma para a área do pré-sal na Bacia de Santos. Segundo ele, oito delas serão construídas no estaleiro Rio Grande, no Sul do País.

Considerando a encomenda dos oito sistemas de produção com capacidade para 120 mil barris, a Petrobrás gastaria em torno de US$ 50 bilhões nessa primeira fase de produção. Essas unidades serão instaladas entre 2015 e 2016.

Também no evento, o diretor-financeiro da Shell, Peter Voser, informou que o Brasil é “peça-chave no portfólio” da companhia e a empresa vai perfurar dez poços exploratórios no País nos próximos dois anos, alguns deles abaixo da camada de sal. A companhia produz no pré-sal desde o fim da década de 50 na Holanda.

O executivo disse que a companhia vem trabalhando em um modelo de liquefação de gás em plataformas, esquema que vem sendo estudado pela estatal para os campos da Bacia de Santos mais distantes do continente. “Esperamos ter, até o fim do ano, um desenho mais detalhado do projeto.”

11/09/2008 - 00:09h Área vizinha a Tupi tem reservas de até 4 bilhões de barris, diz Petrobras

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CIRILO JUNIOR - da Folha Online, no Rio

A Petrobras informou nesta quarta-feira que a área de Iara, no bloco BM-S-11 da camada pré-sal da bacia de Santos, tem entre 3 e 4 bilhões de barris de óleo equivalente –soma de petróleo e gás natural. A área é vizinha ao megacampo de Tupi, e o indício de óleo havia sido comunicado no dia 7 de agosto.

A confirmação da reserva sustenta o grande potencial da camada pré-sal. As reservas de Iara e Tupi, que compõem um único bloco, podem chegar a 12 bilhões de boe (barris de óleo equivalente). As reservas totais provadas no Brasil atualmente, segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo), somam 13,9 bilhões de boe.

A Petrobras é a operadora do bloco, com 65% de participação, em parceria com o BG Group (25%) e Galp Energia (10%). Segundo a estatal, a área fica a 230 quilômetros da costa e o óleo foi encontrado a 6.080 metros de profundidade.

O óleo encontrado na região é leve, de boa qualidade, com densidade em torno de 30º API (American Petroleum Institute). Quanto mais alto o grau, mais aproveitável é o óleo –a escala API vai até 50º.

O bloco é composto por duas áreas exploratórias. A maior delas foi informalmente chamada de Tupi, cuja descoberta havia sido anunciada em julho de 2006, mas a estimativa de reservas entre 5 bilhões de boe (barris de óleo equivalente) e 8 bilhões de boe só foi confirmada no final de 2007.

A camada pré-sal se estende por cerca de 800 quilômetros, entre os Estados do Espírito Santo e Santa Catarina, e engloba três bacias sedimentares (Espírito Santo, Campos e Santos). O petróleo encontrado está a profundidades superiores a 5 mil metros, abaixo de uma extensa camada de sal, que segundo geólogos, conservam a qualidade do petróleo.

Estimativas apontam que a camada pode abrigar algo próximo de 100 bilhões de boe em reservas, o que colocaria o Brasil entre os dez maiores produtores do mundo.

Com o anúncio de Iara, já são nove descobertas no pré-sal, entre as quais as áreas de Júpiter, Bem-Te-Vi, Guará e Carioca. A estatal, no entanto, ainda não fez, a exemplo de Tupi, estimativas em torno das reservas de todas estas regiões. A área de Carioca foi alvo de polêmica, após o diretor-geral da ANP, Haroldo Lima, afirmar que as reservas poderiam totalizar 33 bilhões de boe.

08/09/2008 - 23:23h Rendas e lucros do pré-sal

Luiz Carlos Bresser-Pereira - Folha de S.Paulo
http://www.folhapress.com.br/web/galeria/imagens/Foto149.jpg A TEORIA econômica distingue os lucros ou dividendos dos capitalistas inativos (que são a remuneração do seu capital e correspondem aos juros e aos aluguéis), dos lucros dos empresários derivados de suas inovações e das “rendas ricardianas” que têm origem nos diferenciais de produtividade dos recursos naturais. Enquanto lucros-dividendos, juros e aluguéis são legítimos desde que modestos, e os lucros de empresários schumpeterianos são excelente sinal de que o país se desenvolve, as rendas ricardianas, além de não terem legitimidade, causarão graves prejuízos para a sociedade se não forem capturadas por ela. Por isso, e porque o mercado não tem poder de controlá-las, David Ricardo, há 200 anos, as estigmatizava, e as nações bem governadas as controlam.

No debate sobre o pré-sal, o problema fundamental que a sociedade brasileira enfrenta é o de capturar e depois usar bem as rendas ricardianas do petróleo.

Por isso, o governo iniciou o debate do problema por isso, entende que a Agência Nacional do Petróleo (ANP) não é uma verdadeira agência reguladora (não tem preços monopolistas a definir como se mercado houvesse), mas uma agência executiva a quem cabe executar a política do governo (nos países desenvolvidos, as agências de petróleo são sempre executivas) por isso, está estudando a conveniência da criação de uma empresa 100% estatal para ser proprietária das reservas de petróleo e agir como instrumento adicional do governo na partilha das rendas. Como essas rendas são elevadas, empresas nacionais e estrangeiras do setor, reunidas em associação, organizam seminários e contratam economistas e engenheiros para garantir que a ANP seja “autônoma” e que a empresa 100% estatal não seja criada. Dessa forma, esperam participar dessas rendas. Alguns dos argumentos que apresentam em seu favor devem ser considerados pela sociedade brasileira. Sem dúvida, serão necessários grandes investimentos, e, portanto, é preciso não desestimulá-los. Mas, para isso, não é preciso que se apropriem das rendas do petróleo basta que fiquem com os lucros.

Sem dúvida, é preciso garantir a Petrobrás -esta é um grande patrimônio nacional-, mas não deixa de ser curioso que os setores que sempre lhe foram contrários de repente se transformem em seus defensores. Sem dúvida, o Brasil já ultrapassou a fase em que empresas estatais eram necessárias para promover a industrialização, mas não é essa a questão em jogo em torno da empresa 100% estatal. Se esses argumentos merecem consideração, há um argumento adicional que considero indigno: um desrespeito aos brasileiros.

Já li e ouvi que a empresa 100% estatal necessitará de, no máximo, 100 técnicos altamente qualificados, mas que logo estará empregando 5.000. Críticas aos governantes e às instituições são essenciais para a democracia. Com esse argumento, porém, o que se está afirmando é que o Estado brasileiro é formado por um bando de políticos e servidores corruptos que ignoram o interesse público.

Não se está fazendo, portanto, uma crítica razoável, mas se está ignorando e desmoralizando dois séculos de esforço dos brasileiros para construir seu sistema constitucional legal e sua administração pública. Para ser coerente, quem faz tal afirmação deveria advogar que o Brasil devolva seu Estado a Portugal e volte à condição de colônia.

07/09/2008 - 22:51h Lula: Pré-sal é ponte entre riqueza natural e fim da pobreza

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REUTERS - Agencia Estado

RIO DE JANEIRO - O petróleo a ser produzido no pré-sal será “uma ponte direta entre riqueza natural e erradicação da pobreza”, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em pronunciamento de rádio e TV para comemorar o dia da Independência, neste domingo.

O presidente focou o pronunciamento nas perspectivas que a descoberta da camada pré-sal abre para o país, destacou o papel da Petrobras na exploração das jazidas e prometeu responsabilidade, assinalando que “não vamos nos deslumbrar e sair por aí gastando o que ainda não temos ou torrando dinheiro em bobagens”.

Lula enfatizou o principal destino que pretende dar às futuras riquezas do pré-sal para resgatar dívidas sociais do país.

“Os recursos das jazidas do pré-sal serão canalizados, prioritariamente, para a educação e a erradicação da pobreza. Vamos aproveitar esta grande quantidade de recursos para pagar a imensa dívida que o nosso país tem com a educação”, afirmou.

As potencialidades do pré-sal foram apresentadas por Lula como um “passaporte para o futuro”, que o presidente disse ter vislumbrado na costa do Espírito Santo, quando viu e tocou o petróleo que começou a ser produzido.

Na última terça-feira, Lula esteve no campo de Jubarte, próximo ao litoral do Espírito Santo, de onde foi extraído o primeiro óleo da camada pré-sal, em águas rasas.

Didático em sua fala, Lula lembrou que a comissão interministerial encarregada de estudar a melhor forma de exploração do pré-sal entregará suas sugestões “dentro de algumas semanas” e listou as diretrizes que encaminhou: agregar valor ao óleo cru para exportar derivados, fomentando ao mesmo tempo “uma poderosa e sofisticada” indústria petrolífera, consolidando a indústria naval e desenvolvendo a petroquímica.

“Vamos encomendar — e produzir aqui dentro — milhares e milhares de equipamentos, gerando emprego, salário e renda para milhões de brasileiros. Só nos próximos anos serão construídos no Brasil cinco novas refinarias, dezenas de sondas e plataformas e centenas de navios”, anunciou.

A segunda diretriz é a que garante que a principal destinação dos recursos será para a educação e combate à pobreza. “Vamos investir esses recursos naquilo que temos de mais precioso e promissor: nossos filhos e nossos netos”.

A Petrobras, cujo papel na exploração do pré-sal chegou a ser posto em dúvida pelo novo modelo em debate, foi destacada pelo presidente, que a citou três vezes.

Na primeira referência, Lula a chamou de “nossa querida Petrobras”; depois a qualificou de “maior símbolo da criatividade e competência dos brasileiros” ao falar do desafio tecnológico que terá na exploração das jazidas, e por fim garantiu o crescimento da empresa no boom que espera vir com o pré-sal: “Vamos reforçar a nossa Petrobras”.

Lula encerrou o pronunciamento conclamando a sociedade a participar do debate sobre o pré-sal, que classificou de “decisivo para o futuro”, e disse que a descoberta da nova riqueza chegou quando “o país vive o melhor momento econômico e social de sua história…com distribuição de renda e inclusão social”. (Texto de Mair Pena Neto; Edição de Taís Fuoco)

07/09/2008 - 11:03h Lula, en exclusiva con Clarín: “No existe ninguna hipótesis de que Brasil se juegue solo”

El análisis de Marcelo Cantelmi e imágenes de la entrevista exclusiva de Clarín.


“Brasil deberá ayudar a la Argentina a recuperar su industrializacion para integrarla como socia”. (En Portugués)

El presidente brasileño, montado en su voz grave y áspera, habla con tal pasión que sus respuestas parecen arengas. Hace ademanes, ríe, se levanta para sostener sus puntos. Y enciende un cigarrito de hoja divirtiéndose con el desafío a su ministro de Salud que quiere tabaco cero en los edificios públicos: “Aquí se fuma”, dice y acerca ceniceros a los periodistas. Un reportaje a este político tan peculiar es una experiencia única. Un equipo de Clarín lo entrevistó en Brasil durante bastante más de una hora con una agenda en la que no eludió ningún tema. El encuentro, el primero in extenso que da a un medio argentino desde que es jefe de Estado, tuvo una primera, inevitable, dosis de fútbol. “No hay nadie de Boca aquí, Presidente, así que podemos hablar tranquilos”, le dijimos. Lula tomó el desafío y lanzó un elogio a Argentina por los Juegos Olímpicos pero remató con un sonoro: “Yo sinceramente siento vergüenza”. Ayer siguió por la misma línea con una reivindicación encendida de Messi. Y el arquero de la selección, Julio Cesar le devolvió con pocos cuidados: “Por qué no se va a vivir a Argentina, renuncie a la presidencia”.

Hay mucho más que fútbol en estas pasiones. Pero para Lula, quien pocas horas después recibía a la presidenta argentina Cristina Kirchner, la rivalidad binacional sólo tiene que estar ahí, en el deporte. En el resto “todo lo que deseo en la vida es que Brasil y Argentina crezcan cada vez más”, dirá. Defenderá luego la posición de su país en Doha, lanzará críticas y desconfianzas a EE.UU. y aconsejará que no sirve confrontar todo el tiempo. “Cuanto menos conflictos, mejor”.

La impresión que hay en Argentina es que Brasil juega en otra liga y que sobre todo, como lo demostraría la ronda de Doha, decidió tomar decisiones autónomas.

No existe esta posibilidad. Primero porque personalmente creo, trabajo y apuesto a la integración de América del Sur y con más empeño todavía en el fortalecimiento del Mercosur. Segundo, como dije en el seminario que se hizo en Buenos Aires, es muy importante que Brasil y Argentina no se miren como competidores, sino como socios. Argentina tiene que mirar a Brasil como un mercado de 190 millones de habitantes, que tiene frontera con Argentina. No son precisos barcos y vuelos de 14 horas para exportar. Basta atravesar un puente. Lo importante es que los dos países alcanzarán este año un flujo comercial de más de 30.000 millones de dólares. Y es más: el lunes (mañana) firmaremos con la presidenta Cristina Kirchner el acuerdo que lanza oficialmente el empleo de reales y pesos en nuestro intercambio comercial. Vamos a abolir el dólar como moneda en nuestro comercio. Es importante recordar que más del 70% de lo que Argentina exporta para Brasil son productos manufacturados. Eso significa más valor agregado, más producción, más empleo. Y eso es un potencial extraordinario, porque Argentina está en un proceso de reindustrialización. En función de esa realidad argentina, Brasil tiene conciencia del papel que juega en la Ronda de Doha y de cómo combinar eso con la cooperación con Argentina para su recuperación industrial. Por eso, no existe ninguna hipótesis ni posibilidad de que Brasil se juegue sólo. Brasil tiene claridad que su relación con Argentina cuanto más armónica y más productiva sea, más contribuiremos para fortalecer el Mercosur y la integración sudamericana.

¿Por qué entonces hubo diferencias conceptuales explícitas cuando se negociaba la mayor apertura del mercado para bienes industriales en la Ronda de Doha?

No hubo diferencia de conceptos. Vea, por más que usted trabaje en un proceso de integración, sea de la Unión Europea o de América del Sur, o del mundo asiático, en algunos momentos usted tiene que tomar en cuenta la situación de su Estado nacional. No debemos ver, en nuestras divergencias, situaciones de conflicto sino situaciones de diferencias; diferencias económicas y de potencial industrial. Vea, cuando Brasil estuvo dispuesto en la Ronda de Doha a realizar un acuerdo con los términos negociados para agricultura y productos industriales, es porque el país estaba dispuesto a realizar, en el ámbito del Mercosur, las compensaciones que exigiera Argentina para no tener problemas. Esto lo conversamos con la presidenta Cristina. Muchas veces me he quedado en mi gabinete viendo las noticias de Doha (por TV) y me he sentido muy inquieto porque lo que aparece no es lo que sucedió allí. En un ambiente de negociación llega una hora en que usted acepta o rechaza, no tiene términos intermedios. Ocurre que Brasil trabajó todo el tiempo teniendo en cuenta que Doha debería tener un instrumento: favorecer a los más pobres del mundo, que dependen casi exclusivamente de la agricultura y con un mercado europeo prácticamente cerrado
para ellos. Lo que nosotros queríamos es que ese mercado se abriese un poco.

Pero la realidad es que Doha no parecía traer una gran ventaja para Argentina y Brasil

En la realidad, ni Brasil ni Argentina le deben algo a Europa desde el punto de vista de la capacidad productiva, de los avances tecnológicos en agricultura. Nosotros disputamos con ellos en cualquier situación. Pero otros países no. Lo que queríamos entonces, por un lado, un poco más de oportunidad para esos países y, por el otro, exigir que EE.UU. disminuya los subsidios. Nuestra contrapartida era flexibilizar los productos industriales en un acuerdo a 10 años y que daba el tiempo suficiente para que pudiéramos en el ámbito de la relación Brasil-Argentina hacer las compensaciones que fueran necesarias para no poner obstáculos a nuestra industrialización. Ellos son países industrializados, nosotros somos países más o menos industrializados. Brasil, en cierto modo, está mejor todavía que Argentina porque no hemos sufrido la devastación que sufrió Argentina. Nosotros entendemos que cuanto más crezca la industria argentina, más exportará Argentina para Brasil y más vamos a poder equilibrar la balanza comercial bilateral. Nosotros trabajamos siempre con la idea de que la balanza comercial debe ser una vía de dos manos: tiene que haber cierto equilibrio; uno puede tener una diferencia pequeña, un año tener déficit comercial y al siguiente superávit. Al gobierno brasileño no le interesa que haya una consumación de un superávit comercial grande a favor de Brasil. Es preciso el equilibrio y es por eso que estamos trabajando. Por eso, muchas empresas brasileñas compran empresas argentinas, incluso para exportar a Brasil lo que fuera un excedente, que Argentina no precise usar en su política de industrialización.

Hubo una versión en la Argentina respecto de la eventual renuncia de la presidenta Cristina tras la crisis por las retenciones. Se rumoreó muy fuerte en ese momento que usted intervino para que ella no renunciara ¿Es verdad?

No. No es verdad. Mire, el sentido común no me permitiría tal osadía; semejante interferencia en la política argentina. No es verdad que Cristina Kirchner me llamó y no es verdad que yo la llamé. Conversé con Cristina para prestarle mi solidaridad pero nunca tuve la imprudencia de dar ninguna impresión personal sobre la política argentina.

En febrero, usted y la Presidenta argentina firmaron un plan de acción de 17 puntos. Ahora se lanza el intercambio pesos por reales, pero todo lo demás está pendiente: obras energéticas, el acuerdo con Embraer y el Banco del Sur. Tampoco avanzó la sociedad entre el BNDES, el Banco Nación y el BICE.

Está claro y nadie puede negar que tenemos un problema energético en la región. Sobre todo, un problema que perjudica más a unos países y menos a otros. Por eso, analizamos con Argentina la posibilidad de construir la hidroeléctrica binacional Garabí que dará 3.000 megavatios de energía para repartir entre ambos. Y si llegara a hacer frío en la Argentina, podría ir la totalidad para allí.

¿Y qué pasa con el gas? ¿Hay algún proyecto conjunto?

No podemos depender del gas porque no hay suficiente para explotar. La última vez que estuve con la presidenta Kirchner y con Evo Morales (de Bolivia) fue claro que Bolivia, en este momento, no tiene cómo cumplir los contratos con Argentina. Por otro lado, Argentina no puede construir un gasoducto (para aumentar la capacidad de transporte) sin la certeza de que tendrá ese gas. Bolivia debe proveer a Brasil 30 millones de metros cúbicos diarios; a Argentina debe entregarle 7 millones y a su vez Bolivia usa 6 millones. La suma da 43 millones; pero Bolivia produce sólo 40 millones.

Y por eso nunca llega a entregarle a la Argentina lo acordado por contrato…

Vea, hay inversiones de Petrobras para intentar aumentar la capacidad de Bolivia de producir más gas. El presidente Evo debe estar atrás de otras empresas para conseguir nuevas inversiones. Ahora, para que esas inversiones vayan a Bolivia es preciso que haya contratos con respaldo internacional. Porque ningún país hará inversiones si quedara sujeto a las eventualidades cotidianas de un país. Y en cuanto a la Argentina, lo que hicimos fue establecer una política de compensación porque el gobierno de la presidenta Cristina se quejó de que cuando compró energía de Brasil pagó precios más caros que cuando se la vende. Entonces decidimos eliminar el dinero de la negociación: se entrega megavatio y se devuelve megavatio. Gracias a Dios, este año no tuvimos problemas. Argentina devolvió la energía que le mandamos antes de lo acordado porque el invierno no fue tan violento.

¿El ex presidente Néstor Kirchner le pidió que Brasil cediera gas a la Argentina?

El año pasado, o el antepasado (no recuerdo bien), el presidente Kirchner me reclamó que tenía una urgencia de energía. En aquel momento que él me reclamaba algunos millones más de metros cúbicos de gas, Brasil por cuenta de los juegos Panamericanos (que se realizaron en julio de 2007) precisaba la totalidad de los 30 millones y por lo tanto no podía ceder gas. ¿Qué hice? Cuando volví a Brasilia, un viernes a las 8 de la noche, hice una reunión a las 22 y el sábado, Marco Aurelio García encabezó una delegación de nueve ingenieros del sistema eléctrico brasileño y en la semana siguiente le ofrecimos a la Argentina los megavatios que necesitaba para resolver el problema.

¿Esa estrategia se repite?

Es con esa visión que precisamos trabajar la cuestión energética: o sea, relevar el potencial de los cuatro socios del Mercosur y tratar de explotarlo al máximo. Es urgente porque cada año que pasa tenemos más necesidad de energía y, cada año que pasa, tenemos menos energía para consumir. Es un problema que resolveremos sólo si tenemos la firme convicción de que vamos a hacer sociedades. Y ahí entra la cuestión de la integración sudamericana. La verdad es que durante medio siglo la Argentina y Brasil se miraban preocupados. Nuestros hombres de defensa se veían como enemigos o como eventuales invasores. Sólo hay una forma de recuperar el tiempo perdido: es mirarnos como amigos, como socios, como economías complementarias. Esa cultura está cambiando en Brasil, dentro de Itamaraty, dentro del gobierno y dentro del Congreso. Y tengo certeza que en Argentina también está cambiando en la visión del gobierno, de la diplomacia y de sus políticos. Tenemos que construir los puentes que faltan, las rutas, los trenes, los vínculos en comunicación. Cuanto más trabajemos juntos más fuertes seremos en el escenario internacional.

El gobierno de Cristina Kirchner quisiera ver a Embraer en Argentina ¿Es posible?

La cuestión es que Embraer, aunque esta sea una empresa privada, tiene una relación muy productiva con el gobierno brasileño. Y nosotros tenemos interés que Embraer monte un brazo en Argentina para producir algunas partes. Sé que hubo una reunión del ministro Julio De Vido y de la ministra Dilma Roussef y con la dirección de Embraer. En la conversación posterior que tuve con De Vido él se mostró muy optimista. Pido a Dios que eso resulte y podamos tener a Argentina produciendo algunas cosas de los aviones que se fabrican en Brasil.

¿El Banco Nacional de Desarrollo Económico y Social podría financiar empresas argentinas y extranjeras fuera de Brasil?

Hoy el BNDES no puede invertir en una empresa extranjera porque los recursos que financian sus inversiones provienen del Fondo de Amparo al Trabajador. Nosotros enviamos un proyecto al Congreso Nacional para crear un área internacional del BNDES y ya colocamos una agencia en Uruguay. Segundo, estamos creando un “fondo soberano”, un proyecto que está dentro del Congreso Nacional. Con este fondo podremos tener una parte de ese dinero direccionado hacia el BNDES para que él pueda realizar préstamos inclusive a empresas extranjeras. Financiar esas empresas, financiar nuevas plantas y financiar sociedades entre empresas. El Congreso brasileño puede aprobar antes de fin de año ese proyecto que mandamos con “urgencia urgentísima”, o sea urgencia constitucional. Espero que el Parlamento lo vote y así podremos consolidar el BNDES como una agencia de financiación más allá de Brasil.

¿Y qué ocurre con el Banco del Sur?

Este ya es una realidad. Ya está configurado como institución financiera y se está en la etapa de discutir cuánto va a aportar cada país. Al mismo tiempo se realiza el proceso para la elección de la dirección de ese banco. Esas cosas tienen que ser hechas con mucha seriedad. No vale sólo la pasión. Tiene que tener un sistema estructural para que pueda ganar credibilidad en su funcionamiento y establecer relaciones con otros bancos con finalidades iguales. Entonces tendremos el dinero para financiar la infraestructura en América del Sur. Yo soy optimista con relación al banco.

¿Venezuela entiende al Banco del Sur igual que Brasil? ¿O subsisten diferencias?

Venezuela lo entiende así. Tenemos que comprender que muchas veces mi amigo Chávez, con quien hablo mucho, es impetuoso. Es muy audaz. Desde que lo conocí hasta ahora hubo una evolución extraordinaria. Chávez comprende que dentro de Venezuela los tiempos no son los de Brasil ni los de Argentina. Cada país debe lidiar con su propia realidad económica, política, con la realidad de su Congreso. Todos percibimos hoy que es posible construir sin supremacía de un país sobre otro, sino con un consenso de finalidades. Por eso soy optimista con el Banco del Sur. Hoy tengo claridad, al igual que Chávez y Cristina, de que debemos hacer las cosas muy seriamente para que el resultado sea exitoso.

¿Brasil tiene deudas con Paraguay, por ejemplo con Itaipú?

Es importante comprender la relación entre Brasil y Paraguay. Tenemos un Tratado de 1973 y que establece que mitad de la energía es brasileña y mitad es de Paraguay. Y fija que toda la energía excedente que Paraguay no use, debe vendérsela a Brasil; no puede venderla para otro país. Y esto porque fue Brasil quien financió prácticamente Itaipú. La cuestión del precio que le pagamos a Paraguay por el excedente que nos vende es siempre relativo: hoy Brasil paga más la energía que compra a Paraguay que lo que se paga aquí dentro. Estoy aguardando al presidente Fernando Lugo que vendrá a Brasilia el 17 y debemos comenzar conversaciones. Brasil tiene que hacer todo el esfuerzo necesario para facilitar la vida de Paraguay, un país pequeño. No encuentro justificación que Paraguay, con una hidroeléctrica que genera 12.000 megavatios, todos los días tengan apagones en Asunción. Entonces, Brasil asumió el compromiso de hacer una línea de transmisión, financiada por la parte brasileña de Itaipú, hasta Asunción. Voy a esperar que Lugo presente las demandas paraguayas para empezar a conversar lo que puede ser hecho. Ya dije a Lugo lo mismo que le decía a (ex presidente Duarte Frutos) Nicanor: cambiar el tratado significa hacerlo pasar por el Congreso Nacional y no pasa. En el Parlamento brasileño no aceptará discutir esa cuestión. Hay otras formas en que Brasil puede ayudar a Paraguay. Los brasileños tenemos que asumir que tenemos responsabilidades con Paraguay.

Hay una propuesta del presidente Rafael Correa de que el ex presidente Néstor Kirchner presida el Unasur ¿Brasil apoya?

Estamos de acuerdo.

Usted dijo que para que Brasil y Argentina inviertan en Bolivia se necesitan seguridades jurídicas internacionales ¿Qué significa eso en el contexto actual de problemas internos bolivianos?

Cualquier inversión que podemos hacer en Bolivia no tiene ninguna implicación en la disputa política interna de ese país. Estoy convencido que cualquier país tiene más chances de progresar y de crecer económicamente si estuviera tranquilo y en paz. Si uno gasta la mitad de las energías para los conflictos internos, tendremos menos capacidad productiva para pensar un futuro para nuestro país.

Hubo dificultades con Bolivia…

Cuando Evo asumió, tuvimos problemas con él. Pero no hubo ninguna reacción de nuestra parte a no ser las concesiones que Evo quería. Porque los conservadores brasileños querían un Brasil duro con Evo Morales. Entre tanto, él quería la refinería y se la vendimos. Quería aumentar los impuestos y nosotros aceptamos. No olviden que yo nací en la política creyendo que las riquezas del suelo y del subsuelo son de soberanía del país. En aquel momento sugerí a Evo: “Mira compañero, no es suficiente con hacerse cargo de los lugares, es preciso tener tecnología para explorar porque si se queda sentado encima del gas, él no produce riqueza para nadie”. Fue entonces que fui a La Paz e hicimos un acuerdo de inversiones y lo vamos a cumplir. Es obvio que cualquier empresario argentino que fuera invitado a invertir en Brasil, en Bolivia, en Venezuela y en Ecuador, va a realizar la pregunta de rigor: ¿cuál es la garantía?. Un empresario que va a invertir quiere un retorno de su inversión. Creo que Evo Morales tiene todas las posibilidades de conducir Bolivia para una política que no existió en todo el siglo pasado: de más justicia social, de ayudar a la parte más pobre de la población. Ahora, es preciso combinar esa voluntad y esa determinación con la política de desarrollo del país porque si no, usted no tiene qué distribuir.

Brasil, que tiene un desarrollo tan pujante ¿podría jugar un papel al estilo de Alemania en la Unión Europea, con Bolivia o ahora Paraguay donde resuena la inestabilidad y denuncias de golpismo?

Déjeme decirle una cosa. Ustedes siguieron la crisis brasileña de 2005 y nunca me oyeron hablar de golpe. Nunca. Yo tenía claridad de lo que querían los conservadores de este país. Sabía que una pequeña parcela de la elite brasileña no se conformaba con que yo hubiera llegado al poder. Tenía claridad sobre lo que querían los partidos de oposición y en vez de quedarme diciendo que era un golpe fui completamente político con ellos. El resultado es que nosotros estamos aquí y Brasil vive el mejor momento histórico. Es casi un momento mágico, donde se combina crecimiento económico con distribución de renta, donde mejoró la calidad de vida de los pobres y muchos se elevaron a la condición de clase media. Por otro lado tenemos reservas en el Banco Central de más de 200.000 millones de dólares y no le debemos nada más al FMI. O sea, yo diría que estamos viviendo un momento glorioso. A las inversiones contratadas de obras planificadas. habrá que sumar inversiones por causa de la Copa del Mundo de 2014. En marzo de 2009 hacemos la licitación del tren bala que vincule Río, San Pablo y la ciudad de Campinas. Brasil había pasado 22 años sin construir un nuevo polo siderúrgico; ahora vamos a construir 5. Brasil no tenía desde hace 18 años una nueva fábrica de cemento; ahora tenemos 10 grandes y varias pequeñas en construcción.

Y alguna en Argentina….

También alguna en Argentina para que Brasil pueda adquirir el excedente y Argentina exportar para Brasil. Todo lo que deseo en la vida es que Brasil y Argentina crezcan cada vez más y uno pueda vender para el otro.

El Mercosur está buscando una asociación con Africa, ¿por qué el objetivo en ese continente?

Miren, Africa tendrá en 30 años 1.300 millones de habitantes. Y si el continente continúa pobre como hasta hoy, no habrá océano Atlántico que evite la inmigración. No tenemos que aceptar que nos pase en el futuro lo que ocurre hoy en Europa, que no deja entrar a nadie que no tenga ojos verdes. Porque si sigue así, dentro de poco argentinos y brasileños no querremos que negros africanos visiten nuestros países. Pero además, fíjense que Angola crece a 20% anual, todos los países africanos están creciendo. Y nuestros empresarios precisan descubrir los nichos de oportunidades. Mientras miramos a Europa y Estados Unidos, los chinos ocupan Asia. No hay un único país en el mundo donde usted va donde no encuentre chinos en los hoteles, en las calles, en los bares y restaurantes. No hay lugar que tenga materia prima donde el presidente de China no haya estado. Y nosotros estamos parados.

¿Qué se debería hacer?

Precisamos hacer lo mismo que hicieron nuestros descubridores: buscar nuevos socios de nuestros mercados y vender lo que producimos a quienes nos puedan comprar. No vamos a vender máquinas en Alemania porque este país tiene más tecnología que Brasil. Argentina tampoco puede vender sus máquinas en Francia. Pero sí podemos vender en Angola, Africa del Sur, Mozambique, Ghana, en el Congo, en Argelia, en Nigeria. Lo que nosotros precisamos es hacer el papel del turco que va casa por casa vendiendo sus productos hasta que la dueña de casa decide comprar. Argentina también tiene que hacer eso. Yo le dije a la presidenta Cristina: tenemos que hacer dos grandes ferias por año, una en Buenos Aires y otra en San Pablo, con música, comida, teatro. Nosotros estamos muy distantes.

¿Cómo se logra eso en el poco tiempo que tienen los presidentes para ejercer mandatos?

Un mandato de presidente es muy corto. Parece largo para la oposición, pero para el oficialismo cuatro años pasan muy rápido. Por eso, no hay tiempo que perder. Es preciso trabajar con mucho ahínco. Por eso, tenemos que trabajar para que haya acuerdos entre los bloques asiáticos, africanos y el Mercosur. Tenemos que tener mucha urgencia, porque las cosas demoran en ser aprobadas por los Congresos. Yo no me conformo con llegar a un país pobre de Africa, que está más cerca nuestro que de EE.UU. o de Japón, y sin embargo ellos compran autos norteamericanos. Eso es porque no les vamos a vender, no insistimos. El desafío no es quedarnos esperando que nos vengan a comprar.

05/09/2008 - 10:11h Volvo reajusta salário em 10%. No ABC, impasse

Assembléia de metalúrgicos da Teksid do Brasil e da Nemak, em Betim (MG)http://portalctb.org.br/site/images/stories/Imagens/di_greve_mg_metal_teksid_nemak_betim.jpg

Continuam em greve no Paraná trabalhadores de Volks, Renault e Nissan.

Em SP, funcionários pararam por 2 horas

Lino Rodrigues - O Globo

SÃO PAULO e RIO. A onda de paralisações de trabalhadores das montadoras produziu ontem um primeiro resultado. A Volvo aceitou conceder 10% de reajuste linear a seus empregados, a ser pago a partir deste mês, mais abono de R$ 1.500. As duas partes cederam: os metalúrgicos, que pediam 5% só de reajuste real (acima da inflação), e a empresa, que reviu sua oferta de 1,25% para 2,5%. A fábrica da Volvo, na Região Metropolitana de Curitiba, estava parada há três dias. Continuam parados na região os 8 mil trabalhadores de Volkswagen, Renault e Nissan. Ao contrário da Volvo, as três querem que o reajuste seja apenas a partir de dezembro.

O impasse também perdura no ABC paulista, onde paralisações de uma a duas horas interromperam ontem a produção na Ford,