23/12/2008 - 08:20h Lula: “O país está preparado e tem comando”

Presidente Lula discursa durante o seminário empresarial Parceria Brasil-UE: desafios e oportunidades para os próximos anos _(Rio de Janeiro, RJ, 22/12/2008) _Foto: Ricardo Stuckert/PR

Presidente Lula discursa durante o seminário empresarial Parceria Brasil-UE: desafios e oportunidades para os próximos anos
(Rio de Janeiro, RJ, 22/12/2008)Foto: Ricardo Stuckert/PR

Pronunciamento à Nação do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em cadeia nacional de rádio e tv, por ocasião do final de ano

Minhas amigas e meus amigos,
Esta noite quero conversar com vocês sobre a crise econômica mundial. É uma crise muito diferente das anteriores. Não surgiu num país emergente ou na periferia do sistema. Ao contrário, nasceu e explodiu no coração do mundo desenvolvido. Mais precisamente, nos Estados Unidos e na Europa.
Esta crise, que afeta todo o mundo, foi provocada pela falta de controle do sistema financeiro nos países mais ricos. Em vez de cumprirem seu papel na economia, financiando o setor produtivo, os bancos viraram um grande cassino.
A jogatina foi longe, mas, um dia, a conta chegou. Bancos quebraram, um grande número de empresas entrou em dificuldades e milhões de trabalhadores perderam suas casas ou seus empregos.
Aqui no Brasil não tivemos este tipo de crise. Nosso sistema bancário estava e está saudável. Nossa economia, arrumada e organizada vem crescendo a taxas robustas, as maiores dos últimos 30 anos.
Portanto, a crise coincide com nosso melhor momento. É uma pena, mas como estamos muito bem, a situação é menos complicada. Todos concordam que somos um dos países mais preparados para enfrentar este desafio.
Nas crises anteriores, em poucos dias o Brasil quebrava e era obrigado a pedir socorro ao FMI. Desta vez, o Brasil não quebrou, nem vai quebrar. Esta enfrentando a situação de cabeça erguida.
Enquanto a maioria dos países ricos está em recessão, o Brasil vai continuar crescendo. É verdade que, com o vento a favor, poderíamos ir mais longe. Mas, mesmo com o vento contra, podemos e vamos seguir progredindo.
Se hoje estamos em melhores condições para enfrentar qualquer crise, é porque soubemos fazer as opções acertadas. É porque aceleramos o crescimento da economia em bases consistentes. E crescemos distribuindo renda e reduzindo as desigualdades entre as regiões.
Em primeiro lugar, mantivemos a inflação sobre controle. Quando assumi o governo, a inflação estava acima de 9% . Foi declinando ano a ano. Em 2008, mesmo com a explosão dos preços internacionais, ela vai ficar dentro da meta.
Também diminuímos a dívida pública. Em 2003, ela representava 52% do PIB. Foi caindo e este ano deve ficar em 36%.
Além disso, diversificamos nossas exportações. Viajei pelo mundo afora, como um verdadeiro mascate dos nossos produtos. Alguns nos criticaram. Mas hoje, quando os Estados Unidos e a Europa estão no olho do furacão, vemos como foi acertada a decisão de diversificar nossas relações comerciais.
Minhas amigas e meus amigos,
Outra vantagem são as nossas grandes reservas em moeda internacional. Quando assumimos, o Brasil devia muito ao FMI e ao Clube de Paris. Hoje, não deve um só centavo.
Naquele tempo, nossas reservas em moeda estrangeira eram muito baixas. Hoje chegam a 207 bilhões de dólares. Com isso, deixamos de ser devedores para ser credores internacionais. Uma diferença e tanto. Agora temos um colchão de segurança para nos proteger.
Mas nossa maior defesa hoje é a força do mercado interno. Ele fez progressos extraordinários nos últimos anos. Para isso, foram decisivos o Bolsa-Família, a melhoria do salário mínimo e a expansão do emprego.
De 2003 para cá, o salário mínimo cresceu em termos reais, 51% e o emprego também cresceu fortemente.
Em 2007, batemos um recorde: 1 milhão 812 mil novos empregos com carteira assinada. Em 2008, novo recorde: até outubro, 2 milhões 148 mil empregos. Resultado: a taxa de desemprego caiu de 12,3% em 2003 para 7,6% em outubro de 2008.
Nosso desenvolvimento econômico e social fez com que, nos últimos anos, mais de 20 milhões de pessoas entrassem na classe média.
Tudo isso fez a roda da economia girar mais forte e abriu um círculo virtuoso no nosso país. Mudamos de cara e de astral.
Minhas amigas e meus amigos,
Esses avanços estão permitindo ao Brasil enfrentar com firmeza e serenidade o atual momento.
E estamos agindo em todas as frentes desde que a crise começou. Já adotamos medidas para normalizar o crédito, para apoiar nossas empresas exportadoras e para manter a atividade nos setores que geram mais empregos, como as pequenas e médias empresas, a agricultura, a construção civil e a indústria automobilística. Reforçamos o poder de fogo dos bancos estatais e baixamos impostos para que as empresas e os consumidores pudessem ter um pouco mais de dinheiro em caixa e no bolso.
Ao mesmo tempo, o governo manterá todos os investimentos previstos no PAC, e nos programas sociais. Em hipótese alguma, haverá cortes nos investimentos governamentais. Porque eles são decisivos para o Brasil enfrentar a crise e sair dela mais reforçado.
Minhas amigas e meus amigos,
Quero dizer, com toda a serenidade, que a crise não nos assusta. O País está preparado e tem comando. Seguiremos acompanhando com lupa a situação da economia, 24 horas por dia. O que tiver que ser feito, será feito. No tempo certo e na dose adequada. E sempre dialogando com o País.
Mas é fundamental que todos façam sua parte.
É importante que os empresários sigam investindo. É imprescindível que os trabalhadores defendam a produção e o emprego. Já o setor financeiro, deve trabalhar para estimular o crédito e baixar os juros, que estão muito altos.
E você, meu amigo e minha amiga, não tenha medo de consumir com responsabilidade. Se você está com dívidas, procure antes equilibrar seu orçamento. Mas, se tem um dinheirinho no bolso ou recebeu o décimo terceiro, e está querendo comprar uma geladeira, um fogão ou trocar de carro, não frustre seu sonho, com medo do futuro.
Porque se você não comprar, o comércio não vende. E se a loja não vender, não fará novas encomendas à fábrica. E aí a fábrica produzirá menos e, a médio prazo, o seu emprego poderá estar em risco.
Assim, quando você e sua família compram um bem, não estão só realizando um sonho. Estão também contribuindo para manter a roda da economia girando. E isso é bom para todos.
Minhas amigas e meus amigos,
Posso assegurar que o Brasil não só vencerá a crise, como sairá dela mais forte. Temos todas as condições para isso. Em 2009, vamos começar a explorar as imensas reservas do pré-sal. Com isso, o Brasil passará a ser um dos grandes produtores de petróleo do mundo. Estamos todos no mesmo barco. E se remarmos juntos na mesma direção, venceremos as turbulências e prosseguiremos na rota do crescimento. Só depende de nós.
Um feliz natal para você e para sua família. Que 2009 seja um ano ainda melhor que 2008. Que seja um ano de saúde, de paz e de prosperidade.
Acredite no Brasil porque antes de tudo, você estará acreditando em você.
Boa noite.

21/12/2008 - 10:45h Em meio à crise, governo Serra autoriza Comgás a aumentar o gás para indústria em 19%

http://portaldecaragua.com.br/images/stories/jose_serra.jpgA Folha escolheu uma outra manchete para a capa do jornal: “Em meio à crise, gás para indústria de SP subirá 19%”.

Evidentemente que o gás, mesmo com propriedades que incluem a volatilização, não subirá só. Alguém decidiu pelo aumento do preço. Quem?

A manchete de capa da Folha não diz.

O lide, texto imediatamente embaixo, informa: “O governo de São Paulo autorizará nesta semana que a Comgás reajuste em 19% o preço do gás cobrado das grandes indústrias no Estado, relata Guilherme Barros. Para os pequenos consumidores da indústria, o aumento deve ficar em 10%. Não se prevê alta para consumidores residenciais. A autorização atende parcialmente à Comgás, que solicitara reajuste de 56% para cobrir perdas.”

Acostumados a manchetes onde Lula isto ou aquilo; onde Fiscal da Marta é preso; a discrição e objetividade da Folha chama a atenção.

A manchete de capa é chamada para o artigo de capa do caderno Dinheiro e que leva como manchete: “Na crise, SP eleva gás à indústria em 19%”. O lide do artigo, após a manchete, disse: “Segundo o Estado, reajuste decorre da defasagem no cálculo do produto fornecido pela Petrobras; residências não devem ter aumento. Estatal, por sua vez, defende critério de preço, que tem ajuste trimestral com base no dólar e na cotação, de seis meses antes, do petróleo.”

O SP da manchete, não é o time e sim José Serra e o seu governo. Notem que na capa do jornal é “a indústria de SP” a vítima e na manchete do artigo “SP eleva o gás”, SP é o algóz.

O SP decidiu como? Quem é que decide e que encarna o Estado?

O artigo começa “O governo de São Paulo anuncia nesta semana autorização para a Comgás reajustar em 19% o preço do gás cobrado dos grandes consumidores industriais do produto no Estado.”

A primeira e única menção, no artigo, ao governador José Serra é assim: “Já o preço do gás residencial não deve ser reajustado. O objetivo do governador José Serra (PSDB) é poupar o consumidor residencial de um aumento.”

Resumo da ópera: O aumento “em meio à crise” foi uma ação negativa de uma abstração e o bom governador Serra tem “o objetivo de poupar o consumidor residencial de um aumento”.

Mas, a indústria vai absorver o aumento reduzindo o valor dos seus lucros? Ou repassará ao consumidor o aumento?

O artigo nada diz sobre isto.

Mas o governo Serra, nos informa Guillerme de Barros, recusou que o aumento fosse de 56% e, de qualquer jeito, a culpa não é do governo de São Paulo e sim da Petrobrás.

Resumindo: o Secretário de Finanças de Serra dá a informação do aumento para Folha, para poder assim apresentar sua versão e suas explicações para o aumento. Ele pauta o jornal com a matéria. As manchetes correspondem  assim a pauta estabelecida pelo governador e o impacto negativo do aumento não atinge a figura de… José Serra!

A seguir o artigo da Folha. LF

Capa Folha de S.Paulo - Edição São Paulo

Na crise, SP eleva gás à indústria em 19%

Segundo o Estado, reajuste decorre da defasagem no cálculo do produto fornecido pela Petrobras; residências não devem ter aumento

Estatal, por sua vez, defende critério de preço, que tem ajuste trimestral com base no dólar e na cotação, de seis meses antes, do petróleo

GUILHERME BARROS
COLUNISTA DA FOLHA

O governo de São Paulo anuncia nesta semana autorização para a Comgás reajustar em 19% o preço do gás cobrado dos grandes consumidores industriais do produto no Estado. Aos pequenos consumidores da indústria o aumento deve ser da ordem de 10%.
Já o preço do gás residencial não deve ser reajustado. O objetivo do governador José Serra (PSDB) é poupar o consumidor residencial de um aumento.
A informação foi confirmada à Folha pelo secretário estadual de Fazenda, Mauro Ricardo Costa, após mais de um mês de discussão com diversas outras áreas do governo. A autorização do reajuste no preço do gás será anunciada pela Arsesp (agência estadual reguladora de saneamento e energia).
A decisão de autorizar o aumento do gás atende só parcialmente ao pedido feito pela Comgás, a maior distribuidora do país, de repasse tarifário para cobrir perdas com a defasagem no preço do produto.
A Comgás tinha solicitado reajuste de 56%. O cálculo da distribuidora é de que essa defasagem já tenha provocado perdas de R$ 500 milhões até novembro. Em janeiro, iria para R$ 600 milhões.
O grande problema, para o governo de São Paulo, é a fórmula da Petrobras para o cálculo do preço do gás às distribuidoras. Há um desbalanceamento entre o preço que a Comgás paga pelo gás à Petrobras e o que ela vende.
A tarifa cobrada pela Petrobras sofre reajustes trimestrais e é indexada ao dólar e ao preço do barril de petróleo de seis meses antes. Já o gás vendido ao consumidor pelas distribuidoras sofre reajuste anual e é fixado em reais.
Assim, hoje a Comgás compra o gás com base num preço do barril de petróleo equivalente a US$ 110 e a um dólar a quase R$ 2,50. Já a tarifa que a empresa vende é fixada levando em conta o barril a US$ 88 e o dólar a R$ 1,75.
“O Brasil tem que pensar numa nova política de gás, senão ninguém mais vai consumir o produto”, diz Mauro Ricardo. Segundo o secretário, o governo paulista tentou por diversas formas convencer a Petrobras a mudar a fórmula de cálculo do preço do gás às distribuidoras, mas não obteve sucesso.
Já a diretora de gás e energia da Petrobras, Maria da Graça Foster, afirma que não houve intransigência da companhia. O que ela argumenta é que São Paulo consome 8,5 milhões de metros cúbicos de gás boliviano e apenas 4,5 milhões de gás nacional, e o preço que a Petrobras cobra da Comgás segue a mesma fórmula do que a companhia compra da Bolívia.
“São contratos-espelhos com os da Bolívia”, diz Foster. “Quando o preço do petróleo está em alta, a empresa ganha, mas, quando cai, perde”.
Dessa forma, a diretora da Petrobras diz que a queda do preço do petróleo -de US$ 147 o barril para US$ 35- não pode ser incorporada ao preço do gás imediatamente em razão do contrato com a Bolívia.
Mauro Ricardo diz, no entanto, que a Petrobras foi inflexível nas negociações, apesar de ter sido dito que essa política de gás poderia destruir as distribuidoras de São Paulo.
O consultor Adriano Pires, especialista do CBIE (Centro Brasileiro de Infra-Estrutura), afirma que a distorção na fórmula do cálculo do preço do gás cobrado pelas distribuidoras é evidente. Para ele, em vez de anual, o repasse deveria ser feito mediante um gatilho a ser acionado quando o preço do barril de petróleo ultrapasse um determinado limite para cima ou para baixo. Atualmente, o reajuste no preço do gás só é concedido no mês de maio, mas pode ser antecipado no caso de se verificar que a tarifa esteja provocando desequilíbrio econômico e financeiro nas contas da distribuidora.
De acordo com Mauro Ricardo, ao autorizar esse aumento do gás, o governo de São Paulo procurou determinar uma tarifa que sacrificasse o mínimo possível os consumidores industrial e residencial. O objetivo foi o de evitar que o preço do gás seja mais um fator de preocupação à indústria num momento de crise econômica.

16/12/2008 - 10:13h Inimigo novo

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Celso Ming - O Estado SP

O mundo está acostumado a identificar a inflação e a lutar contra ela. Não está acostumado a combater o inimigo oposto, a deflação.

Uma das advertências que, nas últimas semanas, vêm sendo feitas por um número crescente de economistas é a de que os países ricos, especialmente os Estados Unidos, estão fortemente ameaçados pela rara síndrome denominada estagdeflação. É um período em que não só ocorre recessão (queda acentuada da atividade econômica e da renda), mas também deflação (queda relevante dos preços). A propósito veja o Entenda.

Como tanta coisa em Economia, não há causas únicas de deflação. Várias delas se reforçam uma à outra. Em geral, são dois os principais causadores primários de deflação: forte queda dos preços das commodities, especialmente petróleo e alimentos; e retração do consumidor, que provoca grande redução da procura e queda generalizada de preços.

Como a inflação foi sempre uma das principais ameaças da economia, muita gente estranha que o contrário dela, em vez de ser um benefício, possa ser uma grave ameaça.

É que a estagdeflação empurra o sistema produtivo para graves distorções, tanto quanto as provocadas pela inflação. Confira algumas.

(1) Aumento das dívidas - Se os preços caem e os passivos permanecem como estão, a dívida real aumenta. Como, em geral, numa recessão, o desemprego cresce e os salários caem, um aumento da dívida tende a dificultar os pagamentos, o que leva a calotes e inadimplências.

(2) Baixa da arrecadação - A maioria dos impostos é calculada como certa porcentagem cobrada sobre os preços. Assim, se os preços caem, a arrecadação de impostos vai atrás.

Como o setor público (governos) trabalha com despesas relativamente fixas (salários, aposentadorias e contratos), a queda da arrecadação tende a aumentar o déficit público (despesa sem cobertura de receita).

Além disso, como ficou dito, a deflação aumenta os passivos e, quase sempre, o maior deles é o dos tesouros. Isso significa que a deflação tende a dificultar o pagamento das dívidas públicas.

(3) Redução das vendas - A partir do momento em que se forma a percepção de que começou um processo de deflação, o consumidor tende a adiar suas compras, porque vai achar que quanto mais esperar para fechar um negócio, mais barato vai pagar. Quando se generaliza, essa atitude leva ao aumento do encalhe de mercadorias que, no momento seguinte, obriga as empresas a torrarem os estoques de maneira a reduzir as perdas (stop loss).

Por aí se vê, também, que a deflação tende a reduzir as encomendas ao setor produtivo, a aumentar o desemprego, a achatar o salário real e a derrubar os lucros. Radicalizado o processo, os preços das ações tendem a afundar e, com elas, se desvaloriza o patrimônio dos fundos de pensão e das carteiras das famílias.

(4) Trava na política de juros - Outro grave risco é o de que os juros caiam tanto que cheguem às cercanias do zero. A partir daí, a política monetária (política de juros) perde a capacidade de tração. Ou seja, o banco central não pode mais derrubar os juros para fazer a produção andar. E foi desse mal que a economia japonesa sofreu ao longo da década de 90.

Entenda

O que é - Deflação não é aquilo que, por desinformação ou falta de traquejo, os jornais brasileiros às vezes denominam quando usam o termo. Deflação não é queda eventual da inflação, mas queda constante de preços.

Se a inflação foi de 1% no mês 1 e caiu para 0,5% no mês 2, isso não é deflação. É inflação (aumento dos preços), embora mais baixa no mês 2 do que no mês anterior.

Também não é deflação a queda dos preços por um prazo curto, digamos de 1% no mês 1 para 0,3% no mês 2. Ela só ocorre quando a queda acontece por períodos mais longos, de cerca de seis meses ou mais.

14/12/2008 - 09:49h Um prognostico pessimista com argumentos

”Crescimento zero será bom resultado para o Brasil em 2009”

Professor de Harvard diz que País está mais bem preparado para enfrentar a crise, mas não tem como escapar de seus efeitos

Leandro Modé - O Estado SP

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/92/Kenneth_Rogoff.jpg/225px-Kenneth_Rogoff.jpg

O americano Kenneth Rogoff, de 55 anos, é um dos mais respeitados economistas do mundo hoje, o que não significa que seja unanimidade. Suas posições ortodoxas, muitas vezes expressas de uma forma contundente, nem sempre agradam ao interlocutor. Em 2002, quando era economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), envolveu-se em uma polêmica pública com o ex-economista-chefe do Banco Mundial e ganhador do Prêmio Nobel, Joseph Stiglitz. O tema da contenda era globalização. Talvez pelo cargo que tenha ocupado, Rogoff procura manter-se atualizado sobre a economia de vários países. Esse conhecimento dá a ele a certeza de que o mundo está em meio à pior recessão desde a Segunda Guerra Mundial. Por isso, avisa: o Brasil deve dar-se por satisfeito se não enfrentar recessão em 2009. Rogoff, que hoje leciona na Universidade Harvard, conversou com o Estado, por telefone, durante uma viagem de trem de Boston para Nova York.

Leia a íntegra da entrevista

Em artigo publicado há duas semanas, o sr. disse que o maior problema dos países ricos é a recessão. Por isso, devem deixar os juros em segundo plano. O que dizer de países emergentes, como o Brasil?

Os países emergentes têm muito menos espaço para políticas contracíclicas do que os Estados Unidos e os efeitos da inflação são mais danosos. Nos EUA, a inflação reduz o valor real das dívidas e pode ser parte da solução dos atuais problemas. O Brasil não tem esse problema. Além disso, como a inflação no Brasil já é elevada, o Banco Central está entre a cruz e a espada.

Como assim?

A economia global está apenas entrando na pior recessão desde a Segunda Guerra Mundial. As commodities estão despencando e o mercado de crédito secou. Ou seja, é uma situação extremamente difícil e perigosa. O crescimento no Brasil certamente vai desacelerar. Mas, ao mesmo tempo, a inflação permanece elevada. Isso deixa ao Banco Central um espaço menor para responder como gostaria (à desaceleração). Além disso, o real depreciou-se fortemente. Reduzir a taxa de juros desvaloriza o real à frente. Mas, como os juros estão caindo rapidamente mundo afora, o BC brasileiro acabará reduzindo a taxa.

Quando?

Em breve (risos). Ainda que o Brasil esteja às voltas com preocupações inflacionárias, a economia global enfrenta o risco de deflação. Isso ocorre nos EUA, na China e na Europa. Os preços das commodities estão despencando e a produção industrial está caindo. O Brasil sentirá tudo isso logo. Quaisquer que sejam as pressões inflacionárias, serão revertidas em breve.

O sr. vê risco de recessão no País?

Há grande chance de o Brasil experimentar uma recessão suave. É quase impossível escapar disso, uma vez que se espera uma profunda recessão no mundo. O Brasil vai sofrer como todos os outros, mas não acho que sofrerá mais do que os outros. Todas as mudanças que o Brasil implementou nos últimos anos vão permitir que a reação seja muito melhor do que há 10 anos. É uma situação desastrosa, mas, em termos relativos, o Brasil está melhor do que muitos outros países.

Qual sua projeção para o crescimento do Brasil em 2009?

Crescimento zero será um bom resultado, levando-se em conta o ambiente global.

Mas as pessoas aqui falam algo entre 2% e 3%.

Elas são otimistas. A economia global está afundando muito rapidamente.

Qual o seu cenário principal para a economia mundial em 2009?

Como já disse, será a pior recessão desde a Segunda Guerra, mas nada que se assemelhe à Depressão dos anos 30.

O que o sr. espera especificamente para os EUA?

Uma recessão que dure 2009 inteiro. Em 2010 e 2011, o crescimento ainda permanecerá lento, abaixo de 2%. Os preços das residências continuarão a cair e o desemprego, a subir. Os emergentes também terão uma queda em 2009, mas se recuperarão mais fortemente em 2010 e 2011.

E o PIB (Produto Interno Bruto) americano em 2009?

Crescimento negativo entre 3% e 4%.

Com essa retração nos EUA, como fica o PIB mundial?

Pode ficar negativo, especialmente se a China desacelerar mais do que se espera. Isso ocorrerá certamente em um ou dois trimestres. Para o ano todo, espero um crescimento na faixa de 1%.

E a China?

A China também está sofrendo. Já esperava que a China poderia crescer no máximo 6% no ano que vem. Agora, não ficaria surpreso se o país crescesse menos ainda do que isso. Temos de cruzar os dedos para que a China não tenha uma ruptura econômico-social, porque isso poderia aprofundar ainda mais a recessão global.

Alguns países estão sofrendo mais que os outros, como, por exemplo, a Hungria e a Rússia. Por quê?

A Hungria teria uma crise financeira de qualquer maneira. Eles tinham um endividamento instável, uma situação fiscal ruim. A Rússia é outro assunto. É basicamente uma economia de commodity (petróleo). O sistema russo não estava preparado para um petróleo a US$ 40. Eles nunca permitiram que a economia se diversificasse. O Brasil, por exemplo, tem uma economia muito mais diversificada.

Qual sua expectativa em relação à administração Barack Obama?

Ele montou uma grande equipe, incluindo (Timothy) Geithner (que será secretário do Tesouro), (Larry) Summers (que será diretor do Conselho Econômico da Casa Branca) e (Paul) Volcker (ex-presidente do BC americano, Fed, indicado para dirigir um conselho destinado a propor soluções para a crise). Por si só, isso já inspira confiança. Obama fará um serviço muito melhor do que (George W.) Bush no que se refere às pessoas se sentirem assistidas, e isso vai melhorar o humor da população. A administração atual já está em férias. Mas não deve haver dúvidas: mesmo os melhores e mais brilhantes não serão capazes de resolver o problema da noite para o dia.

12/12/2008 - 13:00h Economistas prevêem mais longa recessão nos EUA desde os anos 30

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Phil Izzo, Brenda Cronin e Sudeep Reddy, The Wall Street Journal - VALOR

A economia dos Estados Unidos está se deteriorando mais rapidamente do que se previa apenas algumas semanas atrás, o que indica que a recessão será mais profunda e longa do que se temia, com famílias e empresas enfrentando as maiores dificuldades em décadas.

O Departamento de Comércio informou que as exportações, que haviam ajudado a sustentar a economia até meados do ano, caíram 2,2% em outubro. O déficit comercial do mês aumentou para US$ 57,2 bilhões, ante US$ 56,6 bilhões em setembro, apesar de uma considerável queda nos preços do petróleo no mês. As exportações representaram 2,9 pontos porcentuais do crescimento do PIB no segundo trimestre e 1,1 ponto no terceiro.

Outro relatório do governo indicou que os pedidos iniciais de seguro-desemprego pularam na primeira semana de dezembro para 573.000, um aumento de 58.000 e o nível mais alto em 26 anos, reflexo de as empresas continuarem a cortar as folhas de pagamento. O número de trabalhadores que continuam a receber seguro-desemprego deu um salto de 338.000, para 4,33 milhões.

Outro dado do Federal Reserve mostrou que as famílias americanas reduziram suas dívidas pela primeira vez desde que o banco central começou a recolher os dados, em 1952. Embora uma tendência positiva no longo prazo, a maior poupança sugere que os consumidores estão gastando menos - o que é ruim para uma economia em que o consumo das famílias representa 70% do produto interno bruto.

Os dados do governo levaram economistas a atualizar suas previsões para a profundidade da contração, que se espera vai durar até o primeiro semestre do ano que vem. Citando os números ruins do comércio exterior e outros sinais de desaquecimento nas empresas, a firma de previsões Macroeconomic Advisers rebaixou sua estimativa do PIB no trimestre atual em 1 ponto porcentual, para um declínio anualizado de 6,6%.

Na mais recente pesquisa de previsão econômica conduzida pelo Wall Street Journal, os economistas ouvidos projetaram, em média, que o declínio iniciado em julho continuará pelos dois primeiros trimestres de 2009. Se isso se confirmar, será a primeira vez em que o PIB se contrai por quatro trimestres consecutivos nos EUA desde o fim da Segunda Guerra.

Na média, a opinião dos economistas é que a contração se encerrará em junho de 2009. Semana passada o Birô Nacional de Pesquisa Econômica afirmou que a recessão começou em dezembro de 2007. Dessa maneira, o período de baixa da economia seria de 18 meses, o mais longo desde a Grande Depressão. As recessões de 1973 a 1975 e de 1981 a 1982 duraram 16 meses cada.

Os 54 economistas que participaram da mais recente pesquisa previram, em média, que o PIB se contrairá a uma taxa anualizada de 4,3% neste trimestre e 2,5% e 0,5% nos dois primeiros trimestres de 2009. A estimativa preliminar do Departamento de Comércio foi de um declínio anualizado de 0,5% no PIB do terceiro trimestre deste ano. Os economistas foram ouvidos entre 5 e 8 deste mês.

Muitos economistas citaram o esperado pacote de estímulo fiscal como crucial para resgatar os EUA da recessão. Os detalhes sobre a intervenção governamental ainda não estão claros. “A data (em que a recessão vai terminar) provavelmente dependerá de quando o pacote de estímulo for instituído”, disse Lou Crandall, da Wrightson ICAP.

Mesmo com os detalhes do estímulo incertos, os economistas expressaram confiança na equipe econômica do presidente eleito Barack Obama.

Ao se contabilizar as previsões dos economistas, a média de variação do PIB do início até o fim da recessão é de pouco mais de 1% negativo. Breves períodos de crescimento no início de 2008 devem compensar o enfraquecimento esperado para este ano e o próximo. Isso tornaria a atual recessão mais profunda do que a dos anos 90 ou a do início do século, mas não seria tão profunda quanto as dos anos 70 e 80.

“Normalmente, as recessões mais profundas surgiram a partir de eventos que pegaram o empresariado de surpresa”, disse Kasman, que ressalta o fato de que os lucros das empresas não devem cair tanto como nas outras recessões. “Este evento teve um prelúdio. Por isso, a intensidade do evento está sendo suavizada ao longo de um período maior.”

Esta recessão é centrada não nas empresas, mas nos consumidores, que estão sendo prejudicados pelo declínio no valor da casa própria e o desemprego. Em média, os economistas dizem que o desemprego deve chegar no ápice a 8,4% por causa desta recessão. Embora o desemprego real tenha ultrapassado esse patamar nas recessões dos anos 70 e 80, ainda assim seria um aumento considerável em comparação com os 4,4% de março de 2007. Só a recessão de 1973 a 1975, em que o desemprego aumentou 4,1 pontos porcentuais, apresentou queda maior que essa no número de postos de trabalho durante o pós-guerra.

Para piorar a situação do americano médio, o fim da recessão não deve significar o fim da retração no número de postos de trabalho. Em outras recessões, o desemprego continuou durante meses depois do fim oficial da crise. Assim, os economistas prevêem que o corte de vagas deve continuar até 2010.

Esse cenário cria problemas para o Fed, ao mesmo tempo em que o banco central tenta cumprir suas obrigações de controlar a inflação e incentivar o crescimento. O desafio é intensificado por uma taxa de fundos federais que está se aproximando cada vez mais de zero, deixando pouco espaço para o BC americano usar sua ferramenta mais poderosa. O juro está agora em 1% e os economistas acham que o banco deve cortá-lo em meio ponto porcentual na reunião da semana que vem. Em média eles esperam que o juro se mantenha em 0,5% até junho de 2009.

10/12/2008 - 09:01h Massa salarial pode sustentar demanda das famílias

Rua 25 de março, em São Paulo

Ana Paula Grabois, do Rio - VALOR

O consumo das famílias subiu pela vigésima vez seguida no terceiro trimestre e atingiu nível igual ao maior já registrado na série do IBGE, de 7,3%, fortalecido pela massa salarial em alta e pelo crédito. “A massa salarial aumentou e afeta diretamente o consumo das famílias. Isso afeta o desempenho do PIB porque o consumo das famílias corresponde a pouco mais de 60% do PIB”, disse a gerente das Contas Trimestrais do IBGE, Rebeca Palis.

Na avaliação de economistas ouvidos pelo Valor, esse consumo deve sustentar o PIB de 2009. Se os investimentos devem diminuir sensivelmente pelo menos até o fim do primeiro semestre, o consumo de bens não duráveis e semi-duráveis, como alimentos, vestuário e remédios, ditará o crescimento da economia, ainda que em ritmo menor que o de 2008.

As projeções para a alta do PIB ano que vem giram em torno de 2% a 3%. “O que vai segurar a economia em 2009 serão os bens básicos”, disse o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale. Os bens duráveis, como automóveis e eletrodomésticos, devem ter queda de vendas por conta do receio do consumidor de se endividar sem ter segurança da manutenção do emprego, avalia Vale.

Bráulio Borges, economista-chefe da LCA Consultores, lembra que a massa salarial continuará reforçada pelo aumento real do salário mínimo no ano que vem, indexado ao PIB de 2007, de 5,7%. O mercado de trabalho, ainda que piore, não deve cortar vagas e sim reduzir o nível de contratações visto em 2007 e 2008. “O consumo das famílias vai segurar a economia e o reajuste do salário vai ser muito importante, principalmente no Norte e no Nordeste. E ainda tem as aposentadorias do INSS atreladas ao reajuste do salário mínimo. 2009 vai ser o ano do consumo básico, de bens essenciais e de mais baratos”, avalia.

O consumo do governo, que no terceiro trimestre acelerou-se para uma taxa de 6,4%, também deve contribuir de forma significativa para a manutenção do crescimento da economia em 2009, de acordo com os economistas da MB e da LCA. Sérgio Vale projeta para o próximo ano uma expansão de 4% do consumo, superior à sua expectativa para o PIB, de 2,8%. Para Bráulio Borges, o resultado do terceiro trimestre surpreendeu. “No primeiro trimestre se imaginava que o crescimento forte era por causa do calendário eleitoral, que impedia o comprometimento do Orçamento após o meio do ano. Mas as despesas de Estados e municípios seguiu acelerada e há sinais de que o governo continuará ajudando a aumentar a demanda agregada”, avaliou. Conforme o IBGE, o desempenho no trimestre passado foi influenciado também pelo aumento de obras públicas, entre as quais as do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Do lado da oferta, a produção industrial se mantém como principal fonte de preocupação para o próximo ano. A MB estima para 2009 um crescimento da indústria de 2,4%, menos da metade da variação estimada para este ano (5,5%). Para o quarto trimestre deste ano, a produção industrial deve crescer 1,5% em comparação com igual intervalo de 2007; no terceiro trimestre, o aumento foi de 5,9%. “O crescimento com ajuste sazonal que foi de 0,8% no terceiro, vai se reverter em queda no quarto trimestre”, disse Vale. A LCA projeta queda de 1% em relação ao terceiro trimestre, e aumento de 3% sobre o quarto trimestre do ano passado.

Outro setor que deve sentir de forma forte o efeito da crise é o setor extrativo mineral, por conta da redução no ritmo de extração de minério e petróleo pela Vale e a Petrobras, diz o economista-chefe da MB. Ele estima que no quarto trimestre o setor crescerá 2,2%, após 7,8% no terceiro trimestre. Para 2009 a projeção é de 2,5%, ante 4,8% no ano fechado de 2008.

A área de serviços de intermediação financeira, que no terceiro trimestre cresceu 8,8%, também deve registrar desaceleração considerável, para 1,8% no último trimestre, também sob efeito da crise externa. Fernando Montero, economista-chefe da Convenção Corretora, prevê para o quarto trimestre um crescimento maior, de 5,7%. Ele ponderou que esse setor é influenciado pelo “momentum” e pode apresentar recuperação em 2009 com a retomada da concessão de financiamentos pelas instituições bancárias, caso os sinais de até onde a crise internacional pode chegar se tornem mais claros. (Colaborou CB)

06/12/2008 - 12:09h Corte de 533 mil vagas nos EUA é o pior em 34 anos

Novembro apresentou a 11.ª retração consecutiva; no total, já são 10,3 milhões de americanos sem emprego

AGÊNCIAS INTERNACIONAIS - O Estado SP

http://a7.vox.com/6a00cdf3ab4a37cb8f00fad68f1aaf0004-320piA economia americana cortou 533 mil empregos em novembro, o 11º mês seguido de retração na oferta de trabalho. Foi o maior saldo negativo mensal entre contratações e demissões desde 1974. Em mais um sinal dramático de deterioração da economia americana, o desemprego no país subiu para 6,7%, pior nível em 15 anos. No fim de novembro, 10,3 milhões de americanos estavam sem emprego, 2 milhões a mais que a população de Nova York.

Apesar de os números divulgados ontem pelo Departamento do Trabalho dos Estados Unidos serem piores do que o previsto, as bolsas, que iniciaram o dia em baixa, se recuperaram, na esperança de novas ações governamentais para estimular a economia. Em Nova York, o Índice Dow Jones fechou em alta de 3,09%. Entretanto, os temores de uma prolongada recessão fizeram despencar o preço do petróleo. No quarto dia seguido de baixa, o petróleo recuou 6,55%, cotado por US$ 40,81, menor preço em quatro anos.

As bolsas reagiram depois que a Casa Branca e o presidente eleito, Barack Obama, deram declarações sinalizando que poderiam adotar medidas para estimular a economia. A Casa Branca declarou estar “muito preocupada” com o desemprego e prometeu “continuar com esforços agressivos” para restabelecer a saúde dos mercados imobiliário e de crédito.

Paralelamente, Obama pediu ao Congresso medidas “urgentes” para reativar o mercado de trabalho e estimular a economia. “Não há conserto rápido ou fácil para essa crise, que foi produzida durante muitos anos, e é provável que piore antes de começar a melhorar”, disse Obama, em comunicado.

A reação aos números do desemprego também renovou as esperanças da indústria automobilística. O setor recebeu ontem o apoio do deputado democrata Barney Frank, que alertou para um “desastre imitigável” caso uma grande montadora venha a falir neste momento em que o país perde empregos em velocidade alarmante.

É grande o consenso entre o Congresso e a administração Bush de que o setor automotivo precisa de ajuda. Os dois lados, porém, permanecem irredutíveis em suas propostas. O Partido Democrata propõe que parte do pacote de US$ 700 bilhões para salvar as instituições financeiras seja aplicada em Detroit. Já o presidente George W. Bush quer que o Congresso ajude as montadoras com mudanças nas regras de outro pacote, de US$ 25 bilhões, para estimular a produção de automóveis mais eficientes.

Diante do impasse, e depois de dois dias de audiências no Congresso, os executivos da General Motors, Ford e Chrysler foram para casa na sexta-feira sem nenhuma indicação se vão ou não conseguir ajuda. Juntos, eles pleiteiam US$ 34 bilhões.

Na audiência, o presidente da GM, Rick Wagoner, afirmou que a empresa fará um corte de 2 mil funcionários nas fábricas dos Estados de Ohio e Michigan e do Canadá no início de 2009.

Na primeira semana de dezembro, a conta das demissões passa de 34 mil, com cortes na AT&T, Du Pont e outras empresas.

04/12/2008 - 10:42h Por qué los profetas no lo vieron venir

http://www.galizacig.com/imxact/2008/02/oil_on_water_590.jpg

Los ‘gurús’ de la economía no anticiparon la crisis por miedo a disentir y por interés - Muchos analistas también viven del negocio

DAVID FERNÁNDEZ - EL PAÍS

Imagínese que usted forma parte de una de las instituciones económicas más influyentes del mundo como es la London School of Economics. Imagínese también que ejerce de anfitrión junto con sus colegas durante una visita de la reina Isabel II a la sede del centro. En principio, uno de tantos actos protocolarios de guante blanco. Imagínese que la soberana de todo un Imperio se salta el protocolo para lanzar al aire una pregunta que seguro también se la hace el tendero de la esquina: “¿Por qué nadie ha sido capaz de anticipar la que se nos ha venido encima?”. Deje de imaginar. La situación es real, ocurrió el pasado noviembre y ejemplifica cómo la crisis económica ha puesto en evidencia los pronósticos económicos. Hasta tal punto han fallado las previsiones que uno de los pocos que anticipó el crash, Nouriel Roubini, ha traspasado la línea que separa al economista de la estrella del pop y ahora va impartiendo doctrina por medio mundo en conferencias avaladas con cheques de varios ceros.

Simples turbulencias, desaceleración, crisis, recesión, ¿depresión? Ésta es la secuencia que han seguido las previsiones de Gobiernos (incluido el español, que hasta bien entrado 2008 se negó a hablar de crisis), organismos internacionales, escuelas de negocios, reputados consultores y gurús de la gestión empresarial. Nadie tiene una bola de cristal para anticipar el futuro. Como decía Karl Popper, “predecir el nacimiento de la rueda es inventarla”. Además, una crisis económica como la actual, la peor para muchos desde 1929, presenta varias raíces inéditas que han aflorado al mismo tiempo, lo que complica cualquier análisis. Sin embargo, estas dificultades no deben servir de excusa para esconder que los modelos de estimación económica presentan algunos vicios que limitan sus probabilidades de éxito. Conflictos de intereses, falta de transparencia, miedo a ir contracorriente (”fuera del consenso hace mucho frío”, ironiza un experto) o la resistencia a dar voz a los críticos con el sistema económico durante el largo periodo de bonanza porque sus teorías no venden son algunos de estos vicios.

Hace un año este periódico pidió a 15 casas de Bolsa que dijeran en qué nivel se situaría el Ibex 35 en diciembre de 2008. El precio objetivo medio situaba el índice bursátil español en 17.300 puntos. El Ibex 35 está hoy por debajo de los 9.000 enteros. En defensa de los analistas hay que decir que en ese momento la crisis financiera aún no había mostrado su cara más violenta y que la economía real no se había contagiado. Lo que ya tiene menos explicación es que el pasado junio, cuando la metástasis de las hipotecas basura se había extendido por todo el sistema, la venta de optimismo seguía siendo la tónica dominante.

Credit Suisse, UBS, Citigroup, JPMorgan, Deutsche Bank, Goldman Sachs y Exane BNP Paribas son algunas de las firmas de Bolsa más importantes del mundo. En conjunto analizan las acciones de más de 10.000 compañías cotizadas. Pues bien, en junio sólo un 13% de sus consejos eran de vender acciones. El resto de recomendaciones a sus clientes eran de comprar o en el peor de los casos de mantener los títulos en cartera.

¿Por qué cuesta tanto escribir en un informe de Bolsa la palabra vender? “Por la propia estructura del mercado. Una entidad financiera suele tener conflictos entre el análisis y el negocio. Esta situación puede significar que la independencia de los analistas a la hora de emitir sus opiniones se vea limitada”, reconoce Rafael Sarandeses, secretario general del Instituto Español de Analistas Financieros. A pesar de entonar el mea culpa, Sarandeses matiza que esta crisis no se debe a los errores de los analistas sino “a los fallos de los supervisores financieros y a las malas prácticas de las agencias de calificación de riesgos”.

Sería injusto centrar todas las críticas en los analistas de Bolsa. Sus colegas macroeconómicos tampoco han estado muy finos. En enero de 2007 el consenso de mercado (bajo este concepto se engloban organismos supranacionales como el FMI, el Banco Mundial o la OCDE cuyos juicios deberían estar a salvo de las tentaciones que acechan a las instituciones privadas) preveía un crecimiento del PIB en EE UU y en la zona euro del 3% y del 2,1%, respectivamente. En noviembre de 2008 esas expectativas habían caído al 1,4% y al 1%. “Las crisis ocurren porque son inesperadas. Si todo el mundo las esperase no se materializarían. Además, en este caso nos hemos topado no con una crisis, sino con tres al mismo tiempo: la financiera, la hipotecaria y la económica”, se defiende José Luis Martínez, economista jefe de Citigroup en España. Entonces, ¿no cree que haya que ajustar en nada los modelos económicos? “Todos los economistas manejamos varios escenarios. Quizás esta crisis lo que nos enseñe es que debemos aprender a asignar una determinada probabilidad al escenario elegido. No es lo mismo que digamos que va a producirse determinado acontecimiento cuando el margen de acierto que manejamos es de sólo el 40% que cuando asignamos a nuestro pronóstico el 80% de probabilidades. Esta crisis va a forzar una mayor transparencia en las previsiones”.

Al calor de cada burbuja suelen surgir teorías que hablan de cambios revolucionarios que transformarán por completo el sistema económico. Estos planteamientos, sin embargo, suelen desinflarse casi a la misma velocidad que la burbuja que los amparó. A finales del siglo pasado se popularizó el concepto de Nueva Economía según el cual el desarrollo de Internet y otras tecnologías harían que pasásemos de una economía industrial a una economía del conocimiento y, como consecuencia de ello, se acabarían los ciclos económicos. Que le pregunten a las personas que hacen cola a cientos a las puertas del Inem si todavía existen los altibajos en economía… Con la burbuja financiera de los últimos años, diferentes think tanks han puesto de moda otra teoría no menos visionaria bautizada con el nombre de decoupling. La corriente de pensamiento que está detrás de este vocablo viene a decir que las reformas estructurales acometidas por los países emergentes les permitirán seguir con su senda de crecimiento con independencia de lo que ocurra en las economías desarrolladas. En los últimos dos meses se ha vuelto a comprobar que cuando las economías occidentales tosen, el resto, como mínimo, se resfría. China echa el freno a su espectacular crecimiento, los inversores castigan las divisas de México y Brasil, Rusia se ve forzada a cerrar en varias ocasiones sus mercados, Argentina desempolva medidas confiscatorias… En fin, todo un déjà vu.

“No creo en los gurús. Es una tendencia a abolir”, sentencia José de Rafael, director de la Asociación Española de Empresas de Consultoría. “No se puede opinar más que con altos conocimientos de la situación. Se han corrido muchos riesgos por la proliferación de los mal llamados gurús. Siempre están los arribistas que tiene más pico que los demás, y en un determinado momento sus teorías pueden llegar a convencer”. A pesar de la fuerte crítica a los analistas estrella, De Rafael opina que las previsiones económicas en esta crisis no han resultado tan erróneas. “La crisis se veía venir desde hace 14 meses. Lo que los expertos no han sabido anticipar ha sido su intensidad. Además, la raíz de la crisis no es financiera, sino de valores, y esto es imposible de predecir. La codicia y la corrupción han prevalecido sobre la ética empresarial”, añade este experto.

El escritor especializado en temas de management Peter Drucker solía decir que el término gurú se había convertido en una palabra bastante popular debido a que la etiqueta alternativa de charlatán era demasiado larga para usarla en un titular periodístico. En los últimos años las conferencias de los grandes expertos en gestión empresarial han desbordado todos los aforos. Cientos de discursos y power points para encontrar la receta del éxito, pero pocas voces que alarmasen sobre lo que se estaba gestando. “Que yo recuerde, de los economistas extranjeros sólo adelantaron la crisis Nouriel Roubini y Paul Krugman mientras que entre los españoles destacan Ignacio Garikano y Xabier Mena”, recuerda Alberto Saiz, director de HSM España, empresa especializada en contenidos de gestión empresarial y organizadora de Expomanagement. “Es más fácil subirse a la ola del pensamiento reinante que hacer un estudio profundo de la situación. En este sentido, yo también criticaría la actitud de los medios de comunicación por popularizar algunos mensajes”, añade. “La verdad absoluta no la tiene nadie. Nuestra misión es inspirar a los ejecutivos para que encuentren alternativas para desarrollar sus estrategias, no decirles lo que tienen que hacer”.

Tanto Saiz como el resto de expertos consultados para este reportaje reconocen que ante el tema de las previsiones, sean estas económicas o de otra índole, las personas se mueven con un marcado sentido gregario y que, al igual que hace dos años era un milagro que un libro de management o un economista crítico se abrieran paso, ahora se corre el peligro, por la ley del péndulo, de que sólo quede espacio para los agoreros. “Los seres humanos queremos oír aquello que se adecúa a nuestros patrones mentales. Si antes lo único que parecía vender eran las noticias buenas, ahora parece que triunfan las previsiones pesimistas”, señala el director de HSM. “Tanta incertidumbre obliga a converger en posiciones, se traduce en una cierta opinión consensuada. Aunque con puntuales discrepancias, todos buscamos saber la opinión del de al lado. Ahora puede que corramos el riesgo de irnos al otro extremo: caer en el pesimismo absoluto y no valorar las cosas buenas que se están haciendo”, añade José Luis Martínez.

Pero, cuidado, conviene no pasarse de frenada en la teoría del caos. La realidad es tozuda y el éxito efímero. Y si no que se lo pregunten a Ariun Murti, experto de materias primas en Goldman Sachs. En marzo de 2005 Murti predijo que el precio del petróleo daría el salto de 50 dólares a 105 en sólo cuatro años. Se desvió sólo unos meses. La situación del mercado le llevó a doblar su apuesta en mayo pasado, situando el barril de crudo en 200 dólares en sólo dos años. Coincidiendo con este segundo augurio de Murti, el petróleo inició un vertiginoso descenso que le ha devuelto de nuevo a la zona de los 50 dólares.

Otra consecuencia de la crisis actual es que se ha puesto en duda un dogma de fe económico de los últimos años: el poder casi religioso del libre mercado. Incluso en el santa sanctorum del capitalismo como es Wall Street han tenido que hincar la rodilla y rogar una inyección de dinero público para resolver sus pecados. El retorno a políticas de corte más intervencionista ha vuelto a poner de moda al economista británico John Maynard Keynes, partidario de la intervención del Gobierno para estimular la economía.

Pero incluso él también erraba a veces en sus previsiones. Un día tuvo que salir del paso de las críticas de un economista rival que le acusaba de inconsistencia en sus argumentos. “Cuando los hechos cambian, yo cambio mi opinión, ¿qué hace usted, caballero?”. Habría sido interesante oír la respuesta que hubiera dado Keynes a la pregunta de la reina Isabel II.

27/11/2008 - 08:54h Queda do consumo de aço na China provoca calafrios globais

http://www.bloomberg.com/apps/data?pid=avimage&iid=iuy3Za0hzJd4

Andrew Batson, The Wall Street Journal - VALOR

A indústria chinesa do aço, que na fase de alta dos últimos anos se tornou a maior do mundo, enfrenta agora um longo e tenebroso inverno.

A demanda está caindo tanto no mercado doméstico quanto no externo. As exportações de aço do país, que vinham aumentando a um ritmo extraordinário de 60% ao ano, estão em queda. O declínio das exportações chinesas de aparelhos domésticos e maquinário reduziu a demanda pelo aço. O esfriamento no mercado imobiliário levou a uma forte queda na construção, deprimindo ainda mais a demanda de aço.

A atual baixa na siderurgia chinesa é a mais acentuada e mais profunda em pelo menos uma década, com uma queda de 17% na produção em outubro. Alguns executivos acreditam que os bons tempos do setor nunca mais vai voltar.

“Acreditamos que a época de altos lucros para as produtoras de aço já chegou ao fim”, disse Yang Siming, presidente do conselho da Nanjing Iron & Steel Group, uma siderúrgica de tamanho médio.

Com o rápido crescimento da indústria do aço no país nos últimos anos - hoje ela é cinco vezes maior do que na última contração do mercado e produz mais de um terço do aço consumido no mundo - a atual queda está causando impacto no país e no mundo.

A tendência ainda pode se inverter, claro, se a economia chinesa recuperar o recente furor. O governo está tomando medidas nesse sentido. Além de um enorme pacote de estímulo anunciado este mês, ontem o banco central chinês cortou juros, em mais uma tentativa de estimular a economia.

Mas o fim do túnel ainda parece longe, para desespero de grandes mineradoras como a Companhia Vale do Rio Doce, a BHP Billiton Plc. e a Rio Tinto Plc. Elas foram prejudicadas pelo colapso na demanda chinesa por minério de ferro e outros minerais utilizados na fabricação do aço. Produtores de carvão, que é consumido em grandes quantidades na indústria siderúrgica, também perderam um grande mercado com o esfriamento chinês. Com o declínio nos preços e fraqueza na demanda, a BHP está se concentrando agora em preservar suas finanças. Na terça-feira, a empresa abandonou sua proposta de comprar a Rio Tinto.

A queda na demanda também obrigou os fabricantes de aço de outros países asiáticos a cortar a produção e baixar os preços.

A japonesa Nippon Steel Corp., maior produtora mundial de aço depois da ArcelorMittal e dona de 24% da Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais SA (Usiminas), informou que aumentará os cortes na produção de 1 milhão para mais de 2 milhões de toneladas no segundo semestre fiscal que termina em março e não exclui a possibilidade de mais cortes no futuro.

A China Steel Corp., de Taiwan, informou que no primeiro trimestre de 2009 vai cortar os preços dos produtos de aço numa média de 22,56% para o mercado doméstico, que consome 75% de sua produção. Trata-se do primeiro corte em quase três anos. Essa medida se segue a onze trimestres consecutivos de alta de preços.

A China Steel também informa que sua produção em 2008 deve ficar cerca de 10% abaixo do patamar do ano passado, de 10,2 toneladas. A empresa também comunicou que no primeiro trimestre planeja fechar uma de suas fornalhas para manutenção, o que significa outro corte de 25% na produção.

Na Índia, os preços do aço baixaram em cerca de um terço desde julho, e caíram pela metade desde o início do ano.

As fábricas de aço indianas, incluindo a estatal Steel Authority of India, cortaram os preços entre 15% e 20% este mês, e muitos analistas acreditam que haverá outros cortes em breve.

Enquanto isso, as importações de aço em outubro diminuíram em um terço em relação ao mês anterior, segundo dados do governo indiano. Analistas dizem que o aço importado ainda é 5% a 10 % mais barato, em vista da queda nos preços do aço chinês.

A atual baixa também significa menos negócios para os portos, ferrovias e empresas marítimas que transportam commodities como carvão e minério de ferro. O Índice Báltico de Cargas Secas, ou Baltic Dry, que mede o preço do transporte marítimo de produtos a granel, já caiu mais de 90% em relação a junho deste ano, em grande parte devido à expectativa de menor demanda na China.

Uma retração na indústria do aço poderia ajudar a mudar o perfil da economia chinesa, que nos últimos anos tem se concentrado em indústrias pesadas, grandes consumidoras de energia. A expansão da produção de aço foi a base para a transformação da China em um gigante industrial, mas também contribuiu muito para o explosivo aumento no consumo de carvão e petróleo no país e suas emissões de poluentes e gases de efeito estufa. Uma indústria do aço de menor envergadura poderia significar uma China mais limpa, mais eficiente e que exerça menos pressão sobre os recursos mundiais.

“Se o crescimento da produção do aço se reduzir, conforme a tendências recente, para menos de 10%, e houver uma saudável consolidação do setor, até 2012 a China terá economizado mais de um bilhão de toneladas de carvão, fazendo um corte do tamanho da França no seu total anual de emissões de dióxido de carbono”, disse Trevor Houser, analista de energia do Rhodium Group.

(Colaboraram Yuzo Yamaguchi, Alex Pevzner, Arpan Mukherjee e Miho Inada)

24/11/2008 - 09:33h The Economist olha para 2009 com previsões e desejos

The World in 2009

The Americas

Latin drift

Nov 19th 2008
From The World in 2009 print edition
By Michael Reid

Sorting Latin America’s pragmatists from its populists

Alamy 

After five years in which Latin America’s economies have averaged 5% annual growth with generally low inflation, they face a severe test of their new-found resilience in 2009. Subdued consumption in the rich world will squeeze exports and commodity prices, and finance will be harder to find. Countries with diversified exports and sound policies will be better placed to ride out the storm than those, such as Venezuela and Argentina, that have squandered their commodity windfalls and spurned private enterprise. Politically, tougher times will coincide with, and contribute to, the start of a tentative shift away from the left.

Of the region’s two big economies, Brazil will continue to do better than Mexico, but neither will do well. Softening commodity prices will erode Brazil’s trade surplus (and cause further depreciation of the real), but the diversity of its export markets and the vigour of domestic consumption will keep growth below 3% (down by more than two percentage points from 2008). With a presidential election due in 2010, Brazilian politics will be dominated by preliminary jockeying over candidacies, with President Luiz Inácio Lula da Silva, the social-democratic president, seeking to transfer his own popularity to his chosen successor, probably Dilma Rousseff, his chief of staff.

The intertwining of Mexico’s economy with United States’ manufacturing will cut growth to under 1%. That will bring an increase in social tension: tighter border controls mean it has become harder to cross into the United States, and jobs are harder to find there, so the traditional safety valve of emigration will become blocked. The slowdown comes at an awkward moment for Felipe Calderón, Mexico’s president. In a mid-term congressional election in July, Mr Calderón’s conservative National Action Party is unlikely to win the majority it desperately needs to sweep away the vestiges of corporatism that still hobble the country’s economy. The centrist Institutional Revolutionary Party, which ruled Mexico for seven decades until 2000, will make gains at the expense of the divided left. Whatever happens in the election, Mr Calderón will hope to make headway against powerful drug gangs.

Argentina’s vigorous recovery from its financial collapse of 2001-02 will peter out in 2009, as commodity prices soften. Cristina Fernández de Kirchner, the populist president, will pay a political price for her failure—and that of her husband and predecessor, Néstor Kirchner—to persuade investors that Argentina is a safe place to do business. Despite the government’s manipulation of the inflation index, Argentines know they are getting poorer. The Kirchners’ hold over the Congress and the ruling Peronist party will vanish in a legislative election in October. Rather than the divided opposition parties, Peronist barons of the centre-right may be the big winners. Ms Fernández will govern at their pleasure for the rest of her term until 2012—if she lasts that long.

In Venezuela the cost of Hugo Chávez’s rule will become clearer. Hitherto, a high and rising oil price has paid for ballooning imports and public spending, concealing the growing inefficiencies of the state-dominated economy. Unless oil, improbably, rises above $100 per barrel again, economic growth will slow to a crawl. Mr Chávez still has some room for manoeuvre: he has stashed away perhaps $15 billion in various development funds, and the central bank’s reserves stand at some $30 billion. But as oil dollars become less abundant, the government will tighten import controls and a devaluation may be unavoidable. That will mean a downward spiral of inflation, stagnation and poverty.

Facing the unravelling of his regime, Mr Chávez may become more radical: expect him to unearth more fictitious coup plots and to curtail political freedoms.

Divided they fall

The most closely watched Latin American election in 2009 will be in Chile, where the Concertación, the moderate centre-left coalition that has governed the country since the end of General Augusto Pinochet’s dictatorship in 1990, may lose power. For the first time, the Concertación will probably run two candidates. One would be from the Socialist Party—either Ricardo Lagos, a successful former president, or José Miguel Insulza, the secretary-general of the Organisation of American States. The Christian Democrats may run their own candidate, probably Eduardo Frei, another former president. That division would help Sebastián Piñera, a moderate conservative and successful businessman. He is likely to win the presidency narrowly in a run-off ballot.

Four smaller countries will also choose a new president in 2009. In Uruguay, the ruling centre-left Broad Front will win a second term, provided it unites around the candidacy of Danilo Astori, a moderate former finance minister. Similarly, in Panama the ruling centre-left Party of the Democratic Revolution should retain power. In El Salvador, the left-wing FMLN’s attempts to dislodge the conservative Arena party may founder. In both El Salvador and Honduras the elections may be dominated by attempts by Venezuela’s Mr Chávez to influence the result with money and offers of aid.

In Bolivia Evo Morales, the left-wing president, is likely to win a referendum to ratify a new constitution that “refounds” the country as an Amerindian socialist republic. But he will face continuing unrest in the more capitalist eastern provinces. Another of Latin America’s radical socialists, Ecuador’s Rafael Correa, will organise and win a fresh presidential election under a new constitution. In Colombia, the era of Álvaro Uribe will draw towards a close—assuming that he opts not to change the constitution to allow him to stand for a third consecutive term in 2010. The fastest growing of the larger economies in Latin America will once again be Peru, not least because its government will keep faith in free trade, rather than the socialism fashionable elsewhere.

Michael Reid: Americas editor, The Economist; author of “Forgotten Continent: The Battle for Latin America’s Soul” (Yale)

24/11/2008 - 08:19h Governo planeja corte de impostos e até campanha publicitária anticrise

Última reunião ministerial do ano também discute manutenção de investimentos e crédito para a compra de máquinas

 

 

Renata Veríssimo, Vera Rosa e Lu Aiko Otta, BRASÍLIA - O Estado SP

 


Redução do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para setores produtivos em crise, como agricultura, automobilístico e da construção civil, manutenção do ritmo crescente dos investimentos em grandes obras, linhas de crédito para a compra de máquinas e equipamentos destinados à exploração e produção de petróleo e campanhas publicitárias para que as pessoas não deixem de comprar bens de consumo são as principais medidas que o governo estuda tomar para amenizar os efeitos da crise econômica no ano que vem.

As formas de o País enfrentar a crise serão o tema da última reunião ministerial do ano, marcada para hoje. Nela, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pedirá empenho de todos os auxiliares para tentar evitar que a crise venha a atrapalhar seus dois últimos anos de governo. Uma das formas de vencer a crise, na opinião do presidente, é manter os investimentos nas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) - cerca de R$ 200 bilhões até o fim de 2010 -, irrigar o crédito e convencer as pessoas de que devem continuar comprando.

Pelos cálculos do governo, a perda de arrecadação estimada para o ano que vem será de no mínimo R$ 8 bilhões. Mas Lula quer que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) fique em 4%. Portanto, os ministros terão de oferecer ao presidente soluções que conciliem os ajustes necessários ao enfrentamento da crise e a oferta de dinheiro para os investimentos.

“O presidente acha que o governo precisa entender o que está acontecendo com essa crise e se preparar para agir, de maneira unificada, tendo em vista as medidas que vamos tomar”, afirmou o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. “Não vamos liberar mais recursos em 2009 para gastos correntes, mas manteremos os investimentos e queremos fomentar a produção. Não se trata de favor nem de dar dinheiro: é fazer a roda girar.” O ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, farão uma exposição sobre o cenário econômico e as providências tomadas até agora pelo governo para combater os efeitos da crise. “Estamos conseguindo superar os problemas e acreditamos que dá para manter uma taxa positiva de PIB com políticas anticíclicas”, disse Mantega, numa referência à poupança feita em anos de crescimento para ser usada nos tempos de vacas magras.

Para injetar mais recursos na economia, a equipe econômica estuda cortar tributos, como novas reduções nas alíquotas do IOF. A equipe econômica avalia que há margem para novos cortes caso seja necessário.

Mas as medidas devem continuar sendo pontuais, para setores com dificuldades, como a decisão tomada na semana passada de reduzir o IOF para as operações de financiamento de motos para pessoa física. O setor havia registrado uma queda forte nas vendas.

O governo também fará todos os esforços para garantir os investimentos para os projetos incluídos no PAC. Na semana passada, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES), Luciano Coutinho, disse que o desafio do governo será manter a taxa de crescimento dos investimentos em pelo menos de 10% em 2009, contra o ritmo de expansão deste ano, que está em 16%.

Além dos recursos do Orçamento e os esforços para capitalizar o BNDES, o governo espera contar com os R$ 14 bilhões anunciados para criar o Fundo Soberano do Brasil (FSB). Caso seja aprovado pelo Congresso, o Fundo servirá para reforçar os investimentos em momento de baixa expansão da economia. Mas se o FSB não for aprovado até o final do ano, o governo já estuda a possibilidade de “carimbar” esses recursos para projetos de infra-estrutura de forma a garantir que serão gastos em 2009. A equipe econômica quer evitar que o dinheiro vire superávit primário e seja usado no pagamento dos juros da dívida pública.

DILMA E A CRISE

A pedido de Lula, a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, falará sobre investimentos. Favorita do presidente para concorrer à sua própria sucessão, em 2010, Dilma não se concentrará apenas no PAC, que hoje enfrenta dificuldades para sair do papel em vários Estados. Fará ainda um balanço das principais ações do governo.

“É uma reunião para que possamos trocar informações sobre o momento econômico e afinar o discurso”, comentou o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro. Articulador político do governo, Múcio conseguiu a duras penas, na semana passada, que Lula ordenasse à equipe econômica o empenho (reserva para pagamento) de R$ 1,2 bilhão em emendas parlamentares individuais. Na prática, o governo temia que a base aliada, movida a cargos e emendas, ficasse ainda mais rebelde se nada fosse autorizado.

Lula também pediu que os ministros da Agricultura, Reinhold Stephanes, e do Desenvolvimento, Miguel Jorge, apresentem um diagnóstico dos problemas em suas pastas no cenário pós-tormenta global. Para fechar a exposição, o chanceler Celso Amorim abordará as conclusões da reunião do G-20 - grupo de países que representa 85% do PIB mundial -, em Washington, no último dia 15.

Naquele encontro, o Brasil insistiu na tese de que os países emergentes devem ter mais peso nas discussões sobre uma solução coordenada para a crise e defendeu a reforma de organismos multilaterais como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial.

AS METAS PARA 2009

Crescimento da economia: 4%

Taxa de crescimento dos investimentos: 10%

Reduções pontuais do IOF para setores produtivos em dificuldades

Linha de crédito para fornecedores de equipamentos para exploração e produção de petróleo

Fundo Soberano do Brasil: R$ 14 bilhões

20/11/2008 - 12:08h Comission aprova projeto de reforma tributária

Relator faz concessões aos estados e consegue aprovar reforma tributária

Depois de passar pela Comissão Especial, projeto agora será votado em plenário

Brasília - Deputados Antônio Palocci (PT-SP) e Sandro Mabel (PR-GO) são eleitos presidente e relator da Comissão da Reforma Tributária Foto: f
Deputados federais, Palocci e Mabel, presidente e relator da comissão

Cristiane Jungblut - O Globo

BRASÍLIA. A reforma tributária foi aprovada ontem à noite na Comissão Especial da Câmara, depois que o relator, deputado Sandro Mabel (PR-GO), fez concessões aos governos estaduais.

Os partidos de oposição — DEM, PSDB, PSOL, PV e PPS — votaram contra. Até o fim da noite, a comissão ainda tentava votar os destaques. O projeto seguirá agora para votação no plenário da Câmara.

Num parecer complementar, Mabel contemplou reivindicações do Espírito Santo, Minas Gerais e Pará. Para agradar aos estados do Nordeste, especialmente, Mabel inflou os recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional (FNDR), elevandoos de R$ 2,8 bilhões para R$ 3,5 bilhões, e prometeu buscar mais verbas para chegar a R$ 8 bilhões até o fim da votação da reforma no Senado.

PMDB e PV dificultaram a votação do parecer de Mabel com obstrução. Os dois partidos querem aprovar um destaque ao texto prevendo um refinanciamento de dívidas com os impostos federais que serão extintos.

O governo disse ser contra.

O texto deixa claro que a Previdência não perderá receitas com a desoneração da folha de pagamento dos empregados. Segundo o relatório, se no primeiro ano após a aprovação da reforma tributária não for aprovado um projeto sobre o assunto, a partir do segundo ano haverá redução de um ponto percentual por ano da contribuição previdenciária do empregador, por seis anos. Com a redução, o INSS perderá R$ 4 bilhões ao ano.

Tributo sobre grandes fortunas sai do texto Mabel excluiu proposta do PT que criava uma contribuição sobre grandes fortunas. Ele manteve o atual texto da Constituição, que prevê um Imposto Sobre Grandes Fortunas, que nunca foi criado na prática. A reforma tem como principal objetivo mudar as regras de cobrança do ICMS e criar o Imposto Sobre Valor Adicionado, o IVA Federal.

— Só temos três semanas para votar. Ou então, só daqui a seis anos. No ano que vem, o governo não vai bancar uma reforma tributária — disse Mabel.

Até a noite, Mabel tentava ainda um acordo para elevar de 2% para 3% a alíquota do ICMS que permanecerá sendo cobrada nos estados de origem dos produtos depois de implementada a reforma, cujo objetivo é transferir a maior parte da cobrança para os estados de destino dos produtos. Pela reforma, o ICMS passará a ser cobrado nos estados de destino, depois de um período de transição de 12 anos.

Estados como São Paulo chegaram a pedir 4% na origem.

Mabel manteve o dispositivo que interessa ao Rio de Janeiro: o que inclui a taxação de 2% ou 3% do petróleo e da energia elétrica na alíquota que permanecerá nos estados de origem. Hoje, eles são taxados apenas nos estados de destino.

Palocci defende debate sobre Emenda 3 O presidente da Comissão Especial, Antonio Palocci (PT-SP), disse que a proposta de contratação de profissionais liberais como pessoas jurídicas, conhecida como Emenda 3, deverá ser discutida no futuro, quando forem aprovadas leis regulamentando a reforma tributária.

— Nessa parte constitucional da reforma não está incluído esse ponto. É um problema importante, que está pendente de solução no que diz respeito à legalidade, ao desenvolvimento normal das atividades de pessoas jurídicas. A reforma tributária pressupõe uma mudança constitucional e depois uma sucessão de medidas infraconstitucionais, que são leis complementares e ordinárias. Nesse processo de implantação de leis complementares, com certeza a questão da Emenda 3 tem que ser resolvida — disse Palocci

Empresários pedem votação rápida

Manifesto assinado por 17 entidades foi lido em seminário na CNI

BRASÍLIA. Entidades empresariais reforçaram ontem a pressão pela aprovação de uma reforma tributária ainda este ano.

Durante o seminário Reforma Tributária e Competitividade, na Confederação Nacional da Indústria (CNI), foi lido um manifesto de apoio ao relatório do deputado Sandro Mabel (PRGO), assinado por 17 entidades.

Segundo o documento, a proposta do relator da reforma “é a melhor que poderia ser apresentada no momento”. Os empresários afirmam que o novo sistema — apesar de só entrar em vigor daqui a alguns anos —, tornaria o país “mais competitivo no cenário globalizado, o que é fundamental para a atração de investimentos, sobretudo pelas limitações que a atual crise financeira impõe”.

Os empresários pedem que o texto de Mabel, que alterou a proposta original do governo, tramite com mais rapidez no Congresso. Eles alertam que, se isso não ocorrer, dificilmente a reforma será aprovada no ano que vem. Isso porque 2009 será ano pré-eleitoral e quando serão sentidos os reflexos da crise.

Para os empresários, a proposta de Mabel traz avanços, como as regras de transição da atual cobrança do ICMS para o novo modelo. O documento elogia também a proposta de desoneração da folha de pagamento do empregador, reduzindo a contribuição previdenciária dos empresários dos atuais 20% para 14%, ao longo de seis anos.

Essa é uma antiga reivindicação do setor. Os empresários pediram, no entanto, um “aperfeiçoamento” de pontos como a garantia de que a reforma não causará aumento da carga tributária.

Para os signatários, “é preciso distinguir o ideal do que é possível a ser alcançado”.

O documento é assinado por entidades como Associação Brasileira da Infra-Estrutura e das Indústrias de Base (Abdib), Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) e Associação Brasileira das Indústrias de Máquina e Equipamentos (Abimaq). O presidente da CNI, deputado Armando Monteiro (PTB-PE), que faz parte da comissão especial que analisa a reforma, disse que é fundamental sua aprovação neste momento de incerteza econômica.

Os principais pontos da reforma

IVA FEDERAL: Será criado o Imposto sobre Valor Adicionado (IVA), que unirá PIS, Cofins e salário-educação.

CIDE: O relator decidiu manter a Cide (o imposto sobre combustíveis) e não incluí-lo no IVA Federal.

CSLL: A Contribuição Sobre o Lucro Líquido (CSLL) será unificada com o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ).

IPI: O Imposto de Produtos Industrializados (IPI) será mantido.

ICMS: A legislação dos 27 estados será unificada a partir do segundo ano de aprovação da reforma tributária.

Haverá uma regra de transição de 12 anos do atual sistema de cobrança para o novo. O objetivo é transferir, nesse período, a cobrança do ICMS para os estados de destino dos produtos, ou estados consumidores.

Mas, ao final do processo, será mantida uma alíquota de 2% (ou 3%) nos estados de origem dos produtos, para agradar aos grandes estados produtores e para efeitos de fiscalização.

TAXAÇÃO DO PETRÓLEO: O relatório inclui o petróleo e a energia elétrica na alíquota residual que será cobrada nos estados de origem dos produtos. Essa é a principal reivindicação do governo do Rio de Janeiro.

Hoje, a Constituição exclui esses produtos de cobrança do ICMS feita na origem.

GUERRA FISCAL: A proposta mantém por 12 anos os atuais incentivos fiscais em setores como industrial, agropecuário e portuário.

FUNDO DE EQUALIZAÇÃO DE RECEITAS (FER): Criado para compensar perdas que os estados terão com a implantação das novas regras do ICMS. O fundo será formado com receitas do novo sistema de tributos federais (IR, IPI e IVA Federal), o que seria hoje equivalente a 10% do IPI repassados a estados.

FNDR: O Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional é criado para ajudar no crescimento de regiões mais empobrecidas. O relator diz que ele terá, pelo menos, R$ 3,5 bilhões.

DESONERAÇÃO DA FOLHA DE PAGAMENTO: Dispositivo determina que, se no primeiro ano após a aprovação da reforma tributária não for aprovado um projeto sobre o assunto, a partir do segundo ano haverá uma redução em um ponto percentual por ano da contribuição previdenciária paga pelo empregador junto ao INSS, que assim cairá dos atuais 20% para 14% em seis anos. Com a redução, segundo a equipe econômica, o INSS perderá R$ 4 bilhões a cada ano.

20/11/2008 - 10:32h Obama planeja uma intervenção profunda na economia dos EUA

Jonathan Weisman , The Wall Street Journal - VALOR

Intervenção, nos moldes dos anos 70, irá favorecer alguns produtos e serviços, e afastará outros dos consumidores

O presidente eleito dos EUA, Barack Obama, promete intervir na economia - da indústria automobilística ao setor de energia e bancos - usando modelos que o governo americano não experimenta desde os anos 70. Alguns produtos, serviços e indústrias serão favorecidos, enquanto outros serão colocados fora do alcance dos consumidores.

Sob nova política financeira, os bancos que receberem ajuda do governo serão forçados a dar empréstimos e a interromper execuções judiciais de hipotecas. As fabricantes de automóveis serão estimuladas a mudar as linhas de produção para veículos mais avançados e econômicos. Bilhões de dólares do governo poderão promover a geração de energia solar, eólica e de biomassa, enquanto a indústria suja do carvão pode ser tributada a tal ponto que teria de fechar as portas.

Em um vídeo para um encontro sobre mudanças climáticas, Obama prometeu seguir políticas de energia que reduzam as emissões de carbono em 2020 aos mesmos níveis de 1990, além de um corte adicional de 80% até 2050. O chefe de gabinete do futuro governo, Rahm Emanuel, disse a um grupo de executivos que a crise econômica é “uma oportunidade para fazer coisas que não poderiam ter sido feitas antes”.

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De automóveis a energia e bancos, o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, promete intervir na economia usando modelos que o governo americano não experimenta desde os anos 70. Alguns produtos, serviços e setores serão favorecidos, enquanto outros serão empurrados para fora do alcance dos consumidores.

Sob sua política financeira, os bancos que buscarem assistência do governo serão forçados a dar empréstimos e desistir da execução judicial de hipotecas. As fabricantes de automóveis seriam estimuladas a mudar as linhas de produção para veículos mais avançados e econômicos. Bilhões de dólares do governo poderão promover a geração de energia solar, eólica e de biomassa, enquanto a indústria suja do carvão pode ser tributada a tal ponto que acabaria tendo de fechar as portas.

Obama, num vídeo para um encontro sobre mudança climática terça-feira, prometeu seguir políticas de energia que reduzam as emissões de carbono em 2020 aos mesmos níveis de 1990, além de um corte adicional de 80% até 2050. O chefe de Gabinete de Obama, Rahm Emanuel, disse a um grupo de executivos durante um encontro promovido pelo Wall Street Journal, na terça-feira, que a crise econômica enfrentada pelos Estados Unidos é “uma oportunidade para fazer coisas que não poderiam ter sido feitas antes”.

“Ninguém quer que uma crise séria não sirva para nada”, disse Emanuel.

Os assessores de Obama dizem que tempos difíceis exigem medidas extraordinárias.

“Estamos no meio de uma reorganização maciça na indústria automobilística e também em outras áreas - finanças, informática. Tudo isso converge para (…)a nova economia de energia verde em que estamos vivendo, ainda em estágio embrionário”, disse o ex-deputado David Bonior, assessor econômico da equipe de transição de Obama e proponente da política industrial nos anos 80. Perguntado se isso seria uma política industial, respondeu: “A resposta é sim”.

Críticos e defensores vêem a reemergência da política de intervenção econômica, que entrou em voga quando o Japão, a Coréia do Sul e a Alemanha a adotaram, trinta anos atrás, e ficou desacreditada depois que alguns dos praticantes mais importantes afundaram em paralisia econômica. Em meio à crise no coração do capitalismo de mercado, a intervenção do governo pode voltar às graças.

Obama não é, de jeito nenhum, um ativista à maneira japonesa, disse Douglas Holtz-Eakin, um conselheiro econômico de John McCain, candidato republicano à presidência que concorreu contra Obama. Mas, como um todo, políticas concebidas para resolver problemas distintos nos setores automotivo, de energia e de bancos estão se fundindo numa política mais ampla que selecionaria vencedores e perdedores, preservaria setores inteiros e formataria as escolhas do consumidor.

“Estamos rumando para uma política industrial de caráter de emergência para corrigir enormes falhas do mercado”, disse Jared Bernstein, um economista do Instituto de Política Econômica, de tendência liberal, que trabalhou com a equipe econômica do presidente eleito.

A ajuda de US$ 700 bilhões do governo Bush ao setor financeiro pode ser encarada como uma intervenção do Estado para preservar a predominância dos EUA no setor financeiro, disse Bernstein. E, nascido de uma administração republicana conservadora, a ajuda a Wall Street abriu as portas para outras intervenções econômicas.

A novidade vai ser a natureza confiante das próximas intervenções, depois de décadas de rejeição, disse Fred Block, sociólogo da Universidade da Califórnia em Davis que estuda parcerias público-privadas. Obama tem dito que a assistência futura ao setor bancário será vinculada à suspensão por 90 dias da execução judicial de hipotecas. Os assessores estão tentando ampliar as exigências para garantir que o dinheiro do contribuinte que for dado aos bancos seja usado no crédito e não para recapitalizar as instituições.

Obama prometeu uma linha de crédito às montadoras americanas, mas disse que quem receber o dinheiro vai ter que mudar as linhas de produção para carros que consumam menos combustível. Alguns assessores sugerem que um representante do governo seja indicado membro do conselho dessas empresas, para garantir que a transformação do produto de fato aconteça.

No domingo passado, em entrevista a um programa de TV da rede CBS, Obama enfatizou que vai cumprir sua agenda de energia, a despeito da queda do preço do petróleo. Terça-feira, ele disse num encontro de governadores que estava falando sério a respeito de limitar as emissões de gases do efeito estufa e então permitir às empresas negociar licenças para emitir poluentes como gás carbônico. Algumas políticas prevêem o uso de US$ 15 bilhões ao ano para fontes alternativas de energia e energia nuclear, e, ao mesmo tempo, o aumento substancial do preço do carvão ao obrigar as termelétricas a comprar o direito de queimar carvão.

Não se falou a respeito do impacto negativo que essa política pode ter sobre as indústrias fora das prioridades. Nos últimos dias da campanha presidential, adversários políticos de Obama exibiram um videotape em que ele deixava claro esse efeito colateral, e o fizeram circular em abundância nos Estados onde a mineração de carvão é mais forte. Nesse vídeo, o então candidato democrata diz que, sob suas políticas, “se alguém quiser construir um usina a carvão, vai poder - só que isso o levará à falência, porque vai ter de pagar uma quantia enorme por toda a emissão de gases do efeito estufa”.

Até alguns aliados de Obama estão desconfortáveis com o plano de resgate dos democratas para as montadoras. Os economistas do Partido Democrata dizem que colocar representantes do governo no conselho das montadoras pode dar a ilusão de autoridade sem que na verdade haja poder real de voto para afetar as decisões das empresas.

Alguns dos argumentos para o resgate do setor automotivo, como o de que os EUA precisam manter o setor automobilístico por uma questão de prestígio ou de segurança nacional, soa tanto a inimigos quanto a aliados como intervenção do governo para preservar o status quo.

“A razão de a economia dos EUA ter dado tão certo por tanto tempo não foi porque fizemos tudo tão bem. Foi porque deixamos que as pessoas falhassem”, disse Holtz-Eakin. “Isso é perigoso a um nível profundo.”

19/11/2008 - 09:32h Maior parque automotivo do mundo está falido


Montadora Maruti Suzuky na Índia

Editorial - VALOR

O governo injetou crédito nos bancos das montadoras para evitar que sua falta derrube muito as vendas de carros. Em outubro, elas declinaram 11%, mas o mês foi atípico para a economia como um todo, com o agravamento da crise financeira internacional. A ajuda dos governos federal e estaduais, porém, não indica nem de longe que as montadoras estejam em apuros. Suas vendas serão recordes já com os resultados de apenas dez meses do ano: 2,44 milhões de carros. Com a desaceleração econômica, seu desempenho não será tão brilhante quanto os 30% de expansão anual dos últimos dois anos, mas ainda assim não serão desapontadores.

Mercados emergentes, como o Brasil, Índia, China e Rússia, sustentaram as grandes montadoras mundiais em tempos difíceis. Algumas delas estão em franco declínio, especialmente na terra do automóvel, os Estados Unidos - General Motors, Ford e Chrysler não escaparão da bancarrota sem um auxílio do governo.

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