15/07/2012 - 09:36h Estados Unidos estão perto de obter a independência energética

Exploração do gás do xisto dá novo impulso à economia americana e pode deixar o país menos vulnerável à política do Oriente Médio

JOSEPH NYE , PROJECT SYNDICATE – O Estado de S.Paulo

Quando o presidente Richard Nixon proclamou, no início dos anos 70, que queria assegurar a independência energética nacional, os Estados Unidos importavam um quarto do seu petróleo. No fim da década, após um embargo ao petróleo árabe e a Revolução Iraniana, a produção doméstica estava em declínio, os americanos estavam importando metade de suas necessidades de petróleo a um preço 15 vezes maior, e era aceito que o país estava ficando sem gás natural.

Os choques de energia contribuíram para uma combinação letal de crescimento com inflação, e cada presidente americano, desde Nixon, proclamou a independência energética como uma meta. Mas poucos levaram a sério essas promessas.

Hoje, especialistas em energia não caçoam mais. No fim desta década, segundo a Agência de Informação sobre Energia (EIA) dos Estados Unidos, quase metade do petróleo bruto que os EUA consomem será produzida em casa, enquanto 82% virão do lado americano do Atlântico. Philip Verleger, um respeitado analista do setor de energia, argumenta que, até 2023, o 50.º aniversário do “Projeto de Independência” de Nixon, os EUA serão independentes em energia no sentido de que exportarão mais energia do que importarão.

Verleger argumenta que a independência energética “poderia fazer deste o Novo Século Americano ao criar um ambiente econômico em que os Estados Unidos gozam de acesso a suprimentos de energia a um custo mais baixo que outras partes do mundo”. Os europeus e asiáticos já pagam 4 a 6 vezes mais que os americanos pelo seu gás natural.

O que houve? A tecnologia de perfuração horizontal e fraturamento hidráulico, pela qual o xisto e outras formações rochosas duras em grandes profundidades são bombardeados com água e químicos, libertou grandes suprimentos novos de gás natural e petróleo. A indústria americana de gás de xisto cresceu 45% por ano de 2005 a 2010, e a participação do gás de xisto na produção total de gás dos EUA cresceu de 4% para 24%.

Gás para um século. Os EUA possuem estimadamente gás suficiente para sustentar sua taxa de produção atual por mais de um século. Apesar de muitos outros países também terem um potencial considerável de gás de xisto, existem problemas abundantes que incidem na sua exploração como a escassez de água na China, a segurança dos investimentos na Argentina, e as restrições ambientais em vários países europeus.

A economia americana se beneficiará de inúmeras maneiras de sua mudança de abastecimento energético. Centenas de milhares de empregos já estão sendo criados, alguns em regiões remotas desde há muito mergulhadas na estagnação. Essa atividade econômica adicional intensificará o crescimento geral do Produto Interno Bruto, acarretando um aumento expressivo da arrecadação fiscal. De mais a mais, a conta mais baixa na importação de energia reduzirá o déficit comercial do país e melhorará a situação de seu balanço de pagamentos. Alguns setores americanos, como o de químicos e plásticos, ganharão uma considerável vantagem competitiva em custos de produção.

Como respeito à mudança climática, porém, os efeitos da maior dependência do gás de xisto são irregulares. Como a combustão de gás natural produz menos gases do efeito estufa do que outros hidrocarbonetos, como carvão ou petróleo, ela pode ser uma ponte para um futuro com menos emissão de carbono. Mas o preço baixo do gás impedirá o desenvolvimento de fontes de energia renováveis a menos que venha acompanhado por subsídios ou impostos sobre o carbono.

Neste estágio, só se pode especular sobre os efeitos geopolíticos. O fortalecimento da economia americana claramente robusteceria o poder econômico americano – um cenário que vai na contra mão dos que retratam um declínio dos EUA.

Mas não se devem tirar conclusões precipitadas. O equilíbrio das importações e exportações de energia é apenas uma primeira aproximação da independência. Como argumento em meu livro The Future of Power (O Futuro do Poder), a interdependência global envolve tanto sensibilidade como vulnerabilidade. Os EUA podem ser menos vulneráveis no longo prazo se importarem menos energia, mas o petróleo é uma commodity fungível, e a economia americana permanecerá sensível a choques de mudanças súbitas nos preços mundiais.

Em outras palavras, uma revolução na Arábia Saudita ou um bloqueio do Estreito de Ormuz ainda poderiam causar da danos aos EUA e seus aliados. Portanto, mesmo que os EUA não tivessem outros interesses no Oriente Médio, como Israel ou a não proliferação nuclear, seria improvável que um equilíbrio das importações e exportações de energia livrasse os EUA de gastos militares – que alguns especialistas calculam que poderão chegar a US$ 50 bilhões anuais – para proteger rotas de petróleo na região.

Ao mesmo tempo, a posição de barganha dos EUA na política mundial deve ser fortalecida. O poder decorre de assimetrias na interdependência.

Durante décadas, os EUA e a Arábia Saudita tiveram um equilíbrio de assimetrias em que nós dependemos dela como uma grande produtora de petróleo e ela depende de nós para a segurança militar em última instância. Agora, as barganhas serão alcançadas em termos um pouco melhores do ponto de vista dos EUA. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

27/06/2012 - 10:05h Conteúdo nacional deve ser exigido em energia


Governo quer criar uma política pública para reduzir a participação de equipamentos importados no setor

27 de junho de 2012

ANNE WARTH/BRASÍLIA – O Estado de S.Paulo

A exemplo do que fez com a indústria de petróleo, o governo pretende criar uma política pública para exigir conteúdo local do setor de energia elétrica nas áreas de geração, transmissão e distribuição. A ideia é combater o aumento das importações de equipamentos, estimular a competitividade da indústria nacional e garantir a segurança e a confiabilidade do sistema.

De acordo com documento obtido pelo Estado, apresentado ontem na reunião do Conselho Nacional de Polícia Energética (CNPE), o governo deve iniciar estudos levando em conta a capacidade de fornecimento da indústria nacional, o impacto das propostas e sua compatibilidade com os compromissos assumidos pelo País no âmbito da Organização Mundial do Comércio.

A assessoria econômica do Ministério de Minas e Energia avalia que houve um crescimento no número de empresas estrangeiras que participam de obras de infraestrutura, principalmente em projetos que envolvem a exploração de recursos naturais.

Aliado a isso, a participação de equipamentos importados e de mão de obra estrangeira na execução e operação dos projetos também aumentou. Após a entrada de europeus no setor, o documento menciona que os chineses são os que mais investem na área de transmissão atualmente.

“No setor de petróleo, esse problema foi enfrentado com a adoção de índice de conteúdo local nos contratos de concessão para a exploração e produção de petróleo”, diz o documento, fazendo referência a regras da Agência Nacional do Petróleo (ANP), que vêm sendo aprimoradas desde 1999.

Sugestões. Entre as recomendações do texto, estão alterações nos editais de licitação de geração, transmissão e distribuição de energia, com a previsão de porcentual mínimo de investimentos em itens nacionais na proporção dos investimentos totais. Se houver mudança de titularidade nos contratos de concessão para grupos estrangeiros, a recomendação é incorporar cláusulas de conteúdo local e governança. O documento sugere o direcionamento de recursos para pesquisa e desenvolvimento a políticas setoriais que fortaleçam a indústria. / COLABORARAM EDUARDO RODRIGUES, GUSTAVO PORTO e SABRINA VALLE

24/05/2012 - 10:49h Perú: Se pone en marcha modernización de la Refinería de Talara

Jueves, 24 de mayo de 2012

Société Générale buscará en el mercado internacional la estructuración del crédito de largo plazo.

Carlos Bessombes B. – LA REPÚBLICA

El primer paso para el inicio del Proyecto de Modernización de la Refinería de Talara (PMRT) está dado. Petroperú y Société Générale suscribieron el contrato en el que el banco francés será el estructurador financiero del PMRT, cuyo costo estimado es de US$ 1.711 millones, el que aproximadamente en julio se conocerá el monto de inversión final que se requiere.

Al respecto, Humberto Campodónico, presidente del directorio de Petroperú, explicó que mediante la Carta de Mandato Petroperú delega a Societé Générale el análisis, evaluación, diseño y ejecución de la estructura financiera integral del PMRT y dirigir el due diligence (diligencia debida) para este fin.

“Adicionalmente, se contratará a una empresa de prestigio internacional que hará la evaluación económico-financiera para garantizar la viabilidad de la inversión. Además, se contará con la asesoría de la empresa internacional Purvin & Gertz para el estudio de mercado y precios”, indicó.

Paul Miquel, director ejecutivo de Société Générale para Perú, Chile y Colombia, recordó que no es la primera experiencia de la firma en el país, al haber participado en el financiamiento de grandes proyectos como en el caso de Perú LNG, centrales hidroeléctricas, transmisión de energía y en temas de infraestructura en general.

“Creemos que podemos aportar capacidades a nivel mundial en términos de estructuración de financiamiento, y poner la tecnología financiera de punta al servicio de Petroperú y del Perú”, apuntó.

Resurge la estatal

El ministro de Energía y Minas, Jorge Merino, aseveró que con la firma de este contrato se está demostrando que el Perú quiere más inversión responsable, además que con la inclusión de la estatal se estaría frente al ineludible hecho del renacimiento de Petroperú.

“El siguiente paso será la vuelta al upstream, el Gasoducto del Sur, entre otros”, dijo Merino.

Alfonso Zárate, presidente de la Corporación Financiera de Desarrollo (COFIDE), sostuvo que este proyecto no solo significa muchas ventajas sino un enorme procesamiento patrimonial a la estatal.

“Agradezco a la petrolera por permitirnos participar y espero que en los próximos proyectos que emprenda el Perú siempre considere a Cofide como su brazo financiero”, añadió Zárate.❧

Crédito puente para gasoducto

Jorge Merino, titular del MEM, señaló que con el fin de ejecutar el Gasoducto Sur Andino se solicitará un crédito que será determinado al finalizar los estudios técnicos encargados a la Corporación Andina de Fomento(CAF).

Agregó que la obra por ser un proyecto de interés nacional requiere previamente un análisis técnico, encargado al CAF, donde se evalúa el ingreso de Petroperú y que está a punto de culminarse. “Como se entenderá, hay un primer tramo, habrá un crédito puente, creo que responde a un préstamo como cualquier proyecto privado; ese crédito va a ser determinado luego de que se reciban las recomendaciones de la CAF”, explicó.

16/05/2012 - 11:21h Mantega volta a dizer que preço da gasolina não sobe

16 de maio de 2012

O Estado de S.Paulo

Apesar da pressão velada da Petrobrás por um aumento no preço dos combustíveis, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, reafirmou ontem que o governo não autorizará o reajuste. “Não vai ter nenhum aumento”, limitou-se a dizer quando questionado por jornalistas.

Mantega participou da reunião do Conselho de Administração da Petrobrás, presidido por ele, para debater e aprovar os resultados da petrolífera no primeiro trimestre deste ano.

Embora o descompasso entre o custo internacional do petróleo e o preço da gasolina nas bombas brasileiras tenha impacto nas contas da companhia, a presidente da estatal, Maria das Graças Foster, negou que o assunto tenha sido debatido no encontro.

Há menos de um mês, Graça chegou a dizer que a alta da gasolina seria inevitável caso os custos do barril de petróleo continuassem a subir.

Na ocasião, a executiva também disse que um dos fatores que pressionariam essa decisão seria o câmbio, que ontem chegou a superar a casa de R$ 2, pela primeira vez em quase três anos.

“Não tenho como dizer que não vou aumentar os combustíveis, porque tenho contas a pagar”, afirmou ela no último dia 25 de abril, em audiência pública realizada na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados. / EDUARDO RODRIGUES

03/05/2012 - 09:34h Andrade Gutierrez entra na briga bilionária de serviços para óleo e gás


Infraestrutura. Construtora cria unidade específica para atuar na área de petróleo, tanto em terra como no mar, de olho em um mercado em que já estão concorrentes como Odebrecht e Queiroz Galvão e que deve movimentar bilhões no País nos próximos anos

03 de maio de 2012

SABRINA VALLE, ENVIADA ESPECIAL / HOUSTON – O Estado de S.Paulo

O desenvolvimento de uma indústria de óleo e gás brasileira, fomentada pelas leis de incentivo à produção local de equipamentos, fez as grandes construtoras nacionais montarem planos ambiciosos no setor de petróleo. A nova entrante é a Andrade Gutierrez, que acaba de inaugurar uma divisão global específica para óleo e gás.

“Com a reestruturação, a Andrade Gutierrez abre um novo leque de negócios”, disse à Agência Estado o presidente global de Óleo e Gás do grupo, Paulo Roberto Dalmazzo, que assumiu o posto em janeiro e participa da Conferência de Tecnologia Offshore OTC, em Houston (EUA).

A empresa, que nesta área tinha atuação restrita a erguer refinarias, vai entrar agora em construção e serviços offshore (no mar), no Brasil e também no exterior. Estão no radar a Petrobrás, seus fornecedores e os 34 países onde o grupo AG já está presente em construção.

A AG entra num ambiente de competição crescente. A Queiroz Galvão já tem uma empresa neste setor desde 1980. A Odebrecht vendeu suas participações em exploração no País e agora quer se consolidar como a maior fornecedora de serviços em exploração e produção nacional, como disse o presidente da Odebrecht Óleo e Gás (OOG), Roberto Prisco Ramos.

A empresa manteve atividade exploratória em Angola, num consórcio onde detém 15%, dividindo participação com Maersk Oil (50%, operador), Sonangol (20%) e Devon Energy Corporation (15%). A OOG já investiu US$ 4 bilhões no setor desde 2007 e aguarda apenas fechar contratos com a Petrobrás neste ano para fazer uma oferta de ações e abrir capital, o que deve ocorrer no ano que vem.

Disputa. As construtoras disputarão um mercado de bens e serviços offshore no Brasil estimado em US$ 400 bilhões até 2020. As mudanças na AG foram impulsionadas pela chegada da terceira geração das famílias Andrade e Gutierrez ao comando, num movimento de renovação ainda em curso.

“Vamos para o offshore. Entraremos fortemente em toda a cadeia de serviços. Nos próximos dias, finalizaremos a compra de um ativo que nos credenciará para entrar também em construção offshore”, diz Dalmazzo, que não adianta o negócio alegando exigências contratuais de confidencialidade.

O grupo atua em consórcios de construção de refinarias. No exterior, só opera no setor de petróleo na Argentina e Venezuela. A expansão de terra para mar e do Brasil para o exterior fará crescer a representatividade de óleo e gás na AG, hoje equivalente a 25% das receitas da área de construção, segundo Dalmazzo.

Além da Petrobrás e sua cadeia de fornecedores, a AG Óleo e Gás vai usar a representação que a holding da construtora já tem em 34 países para acessar esses mercados em petróleo, onshore (terrestre) e offshore. Entre eles estão Arábia Saudita, Turquia, Azerbaijão e Angola.

“São países onde já somos fortes em construção e já temos uma estrutura pronta”, disse. Parte da produção será feita no Brasil e exportada, como é o caso de Angola. Já na construção, será usada mão de obra local, junto com brasileiros enviados para o país de destino. A AG não será operadora. O segmento de portos também será contemplado.

A AG Óleo e Gás também acaba de concluir o processo, iniciado há um ano, de habilitação para se qualificar como fornecedora de operadoras fora do Brasil. No Brasil, já começou a participar de concorrências. “A questão agora é quando sairá o primeiro contrato”, disse Dalmazzo.

02/05/2012 - 10:44h Equador diz que pagará US$ 217 milhões de indenização à Petrobras

Por Associated Press, de Quito – VALOR

(O título da matéria estava incorreto quanto ao valor do acordo, que é de US$ 217 milhões, não de US$ 270 milhões como antes informado)

Após longo impasse, o governo do Equador informou ontem que chegou a um acordo para o pagamento de US$ 217 milhões à Petrobras como forma de indenização por ter rompido contrato com a estatal brasileira em 2010.

O montante será pago em duas parcelas anuais, informou o ministro de Recursos Naturais Não Renováveis, Wilson Pástor, citado pela imprensa local. “O acordo poderá ser concretizado nas próximas semanas”. Segundo ele, com o acordo a Petrobras desistirá formalmente de levar a questão à arbitragem internacional e a única pendência são as obrigações tributárias com o país.

A indenização cobrirá os investimentos da Petrobras no Bloco 18 e no Campo Unificado Palo Azul, na Amazônia equatoriana, até dezembro de 2010, quando a estatal brasileira deixou o país. Em novembro daquele ano, Quito suspendeu cinco convênios para exploração de petróleo, incluindo dois com a Petrobras, ao mesmo tempo que fechou outros oito contratos, inclusive com a estatal chilena ENAP e com a então hispano-argentina Repsol-YPF.

Pelos novos contratos, Quito garantiu 100% do controle da produção e uma renda média de 80%, contra os 18% que recebia no modelo anterior. As novas condições reduziram a autonomia das empresas, transformando-as em prestadoras de serviços – o que não interessou à Petrobras. Na época, a estatal reiterou que “não é uma prestadora de serviços, mas uma empresa produtora de petróleo”.

A Petrobras defendia que o Equador cumprisse uma cláusula do contrato que prevê indenização por investimento não amortizado. O cálculo era de US$ 300 milhões, e levava em conta quanto a companhia investiu e previsão de retorno desse investimento com base em um determinado volume de petróleo que seria produzido durante o período da concessão. As informações sobre o acordo não foram confirmadas com a Petrobras.

23/04/2012 - 14:00h Argentina: El Gobierno acelera gestiones con las petroleras para que inviertan

Esta semana habrá reuniones con Exxon, Chevron y Conoco, entre otras firmas.

Clarín

Los interventores de YPF, el ministro de Planificación Julio De Vido y el viceministro de Economía Axel Kicillof, encabezarán desde la mañana de hoy reuniones con representantes de empresas petroleras. En su doble calidad de funcionarios y ahora gerentes de la principal petrolera del país, De Vido y Kicillof buscarán sumar a otras compañías como inversoras en proyectos de YPF o, como manifestó un comunicado de YPF que difundió ayer Télam, a “generar nuevas inversiones que permitan incrementar la producción de gas y petróleo”.

Los encuentros tendrán lugar apenas horas antes de que el Senado trate de convertir en ley, pasado mañana, el proyecto de expropiación del 51% de las acciones de YPF, que prevé que sean tomadas exclusivamente del 57,4% que actualmente están en poder de la española Repsol. Ni las acciones en poder de la familia Eskenazi (grupo Petersen) ni las que están en manos de inversores bursátiles (sobre todo de EEUU) forman parte de las acciones a expropiar.

La primera entrevista será a las 10, con la petrolera local Medanito, propiedad de las familias Grimaldi y Carosio, con presencia en explotaciones gasíferas y petroleras en la cuenca neuquina y un flamante contrato de asociación con otra empresa energética, la estadounidense EOG Resources, especializada en la explotación de recursos no convencionales, tales como los que Repsol YPF anunció haber descubierto el año pasado en la formación Vaca Muerta.

Apenas una hora más tarde, está agendado un encuentro con ejecutivos de ConocoPhillips, la tercera petrolera más grande de Estados Unidos. A las 17.30 recibirán a autoridades de otra empresa estadounidense, la californiana Chevron (ex-Standard Oil, de la familia Rockefeller). La otra gran petrolera de Estados Unidos, Exxon, también está agendada para mañana a las 11. La semana próxima, De Vido y Kicillof tienen previsto recibir ejecutivos de la petrolera Talismán, una compañía canadiense basada en Calgary, que hasta 1992 formaba parte de British Petrolleum.

La semana pasada, antes de viajar hacia Brasil, De Vido se había reunido con el vicepresidente de Exploración y Explotación de las Américas de la petrolera francesa Total, Ladislas Paszkiewicz.

“Esta ronda de reuniones se realiza en el marco del proyecto que recupera el control de la empresa YPF y está orientada a ampliar el nivel de inversiones, con la vista puesta en lo que será la administración de la nueva gestión”, agregó el comunicado de YPF.

De Vido estuvo el viernes en Brasila. En su nuevo doble rol de ministro y empresario, se reunió primero con su par brasileño de brasileño de Minas y Energía, Edison Lobao y luego con la presidente de Petrobras, María das Gracas Foster. “El desafío que tienen esta nueva YPF y Petrobras es el de trabajar en conjunto, en negocios conjuntos y finanzas conjuntas”. Cabe aclarar que ambas petroleras tienen contratos conjuntos de exploración en la cuenca marítima argentina.

19/04/2012 - 09:02h Espanha ameaça guerra comercial com Argentina, mas faltam opções

Sem muitas opções, Madri tem pressionado seus pares na União Europeia (UE) a retaliar e ameaça cortar importações de soja e biocombustíveis

VALOR

A Espanha ameaça promover uma guerra comercial contra a Argentina após a estatização dos 51% das ações da YPF que estavam nas mãos da espanhola Repsol. Mas analistas dizem que isso poderia ser mais prejudicial para empresas europeias, incluindo espanholas, com interesses no país. Sem muitas opções, Madri tem pressionado a União Europeia (UE) a retaliar.

A cúpula do governo espanhol tem reunião marcada para amanhã para decidir que tipo de resposta pode ser dada à expropriação anunciada nesta semana pela presidente argentina Cristina Kirchner. O ministro da Indústria, José Manuel Soria, afirmou as medidas podem atingir o comércio e o setor energético.

Ontem, o porta-voz do Partido Popular (PP, governista) para assuntos exteriores, José María Beneyto, disse que a Espanha pode deixar de comprar soja e biocombustíveis da Argentina.

“O governo está vendo exatamente que consequências terão esse tipo de represálias comerciais e o que se pode fazer”, disse ele. “Já foi anunciada a possibilidade de que as importações importantes para a Argentina, como soja e bioetanol, sejam eliminadas, além de uma série de outras medidas.”

Em entrevista ao jornal “Financial Times”, o diretor do Centro Europeu para Economia Política Internacional, Fredrik Erixon, disse que quem tem mais a perder com uma guerra comercial seriam as empresas europeias. “Se a Europa adotar medidas de retaliação, quem vai perder mais são os importadores europeus de produtos argentinos”, afirmou. “Isso seria um tiro no próprio pé.”

A Espanha é o maior investidor estrangeiro na Argentina, à frente dos Estados Unidos. O investimento direto espanhol atingiu US$ 23,2 bilhões em 2010, ou 26,3% do total na Argentina. Os americanos ficam com uma fatia de 16,8%, segundo o Banco Central argentino.

O comércio bilateral também é favorável à Argentina, e não parou de crescer desde que Cristina Kirchner assumiu a Presidência, em 2007. Em 2011, no auge de sua crise da dívida, a Espanha importou US$ 2,745 bilhões em produtos argentinos. Isso representa mais que o dobro de suas exportações para o país sul-americano, que chegaram a US$ 1,313 bilhão.

Apesar do saldo amplamente favorável à Argentina, o país é sul-americano é responsável por apenas 0,8% das exportações totais da Espanha. Isso, em tese, dá margem de manobra a Madri para promover sanções sem prejudicar sua balança comercial.

Do lado argentino, apesar de a Espanha assimilar apenas uma pequena fração de suas exportações totais (US$ 86 bilhões em 2011), o país europeu é importante para compor o superávit comercial desejado pelo governo. Em 2011, o superávit com a Espanha somou US$ 1,42 bilhão, enquanto o saldo total da balança argentina ficou positivo em US$ 10,3 bilhões.

Ontem, a agência de risco Moody’s anunciou ter colocado a nota da Repsol em revisão, para possível rebaixamento, medida que a Fitch já havia anunciado anteontem. Isso se deve à perda de ativos e receita da filial argentina da Repsol.

19/04/2012 - 08:24h Brasil destaca diálogo com Argentina e minimiza os riscos para Petrobras

VALOR

O governo brasileiro conta com os mecanismos de cooperação e diálogo na área de energia para evitar danos aos interesses da Petrobras na Argentina; e há expectativas na diplomacia brasileira de que o governo argentino possa até ampliar oportunidades de atuação da empresa no país vizinho, apurou o Valor.

Na sexta-feira, como informou o Valor, o ministro de Minas e Energia, Édson Lobão, e a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, terão reunião com o ministro do Planejamento argentino, Júlio De Vido, marcada antes do anúncio de tomada das ações da espanhola Repsol na YPF.

O próprio de Vido havia anunciado a reunião, na semana passada, após reunião com executivos da Petrobras em que, segundo o ministério, foram discutidos “projetos de desenvolvimento” no setor de petróleo e gás. Em comunicado oficial, o ministro argentino previu a discussão de projetos de investimento com a Petrobras nessa próxima reunião de sexta-feira.

O governo brasileiro e a Petrobras querem, porém, explicações sobre a decisão do governo da Província de Neuquén, no sudoeste argentino, de retirar da empresa brasileira a concessão do campo de Veta Escondida, sob argumento de que não teria havido investimentos ou produção suficientes.

A “parceria” entre Brasil e Argentina no setor de energia vai além de petróleo e gás, e há projetos conjuntos em biocombustível, energia nuclear e hidreletricidade. O Brasil já garantiu a Argentina contra apagões, com “empréstimos” de energia no passado; essa relação é apontada no governo brasileiro como razão para que não haja muita preocupação com riscos de intervenção governamental da Argentina na Petrobras.

O ministro das Minas e Energia, Edson Lobão, encarregado das conversas sobre o assunto com os argentinos, viajou recentemente ao país vizinho para discutir um dos empreendimentos conjuntos no setor energético, as hidrelétricas binacionais Garabi e Panambi, que terão 2.200 megawatts, e serão construídos pela brasileira Eletrobras e a argentina Emprendimientos Energéticos Binacionales S.A. (Ebisa) a um custo estimado oficiosamente em US$ 4 bilhões. Após a nomeação de Maria das Graças Foster para a Petrobras, o governo argentino tomou a inciativa de pedir uma reunião com ela, mostrando interesse em ampliar a atuação da empresa no país.

“Acompanharemos de perto o desenvolvimento dessa história”, disse o ministro de Relações Exteriores, Antônio Patriota, lembrando a reunião com De Vido, ao ser questionado sobre riscos à Petrobras. “As relações com a Europa são excelentes”, afirmou, ao comentar se o conflito em torno da nacionalização forçada da YPF não afetaria as relações do Mercosul com a União Europeia. Patriota confundiu-se, porém, ao informar que seria hoje a reunião com de Vido, em Brasília, marcada para amanhã.

O ministro de Relações Exteriores do Chile, Alfredo Moreno, que reuniu-se ontem com Patriota, também minimizou as consequências, para a região, da crise gerada pela decisão Argentina com governos e investidores europeus.

Após informar que iria à Espanha em seguida à viagem ao Brasil, Moreno disse que não comentaria a decisão do governo argentino, mas afirmou que o Chile defende respeito “às leis, o estado de Direito, as regras e normas internacionais”. O Chile presidirá a próxima reunião de cúpula dos países da América Latina e uma reunião paralela, dos latino-americanos, com a União Europeia, em janeiro.

O governo brasileiro fez um estudo do projeto de lei que determinou a nacionalização da YPF e avalia que o impacto sobre os interesses do Brasil e da Petrobras dependerá da maneira como o governo argentino exercerá os poderes a serem conferidos pelo Congresso ao Executivo. O alcance da lei, as intenções em relação à Petrobras e as medidas para garantir a atuação da empresa em Neuquén fazem parte da reunião de amanhã, em Brasília.

18/04/2012 - 11:47h Reservas na Patagônia são esperança argentina de liderança no mercado de energia


Especialistas entretanto alertam que serão necessários tecnologia e investimentos milionários para explorar recém-descobertas reservas de gás e de petróleo não convencional.

18 de abril de 2012

BBC Brasil – O Estado SP

As reservas energéticas na região da Patagônia são a esperança argentina de protagonismo no mercado de energia mundial. Em novembro do ano passado, a petrolífera Repsol-YPF anunciou o descobrimento de gás e de petróleo não convencional em terra, em uma área conhecida como Vaca Muerta (”Vaca Morta”), na província patagônica de Neuquén.

“O descobrimento espetacular equivaleria a cinco anos de produção da empresa no país”, informou o jornal La Nación, na ocasião. “De agora em diante a Argentina pode começar a reverter o déficit energético que tem acumulado”, publicou o Clarín, outro diário argentino.

Num discurso nesta segunda-feira, a presidente Cristina Kirchner recordou que o país seria o terceiro maior produtor mundial desta energia “não convencional” segundo documento do Departamento de Energia dos Estados Unidos.

De acordo com o estudo citado, o líder neste ramo, do chamado “gás não convencional”, seriam os Estados Unidos e em segundo lugar a China. Cristina fez a referência ao anunciar a “expropriação” da petrolífera Repsol-YPF – cinco meses após aquela descoberta.

Nova YPF

Mas a exploração de gás e de petróleo “não convencional” na Vaca Muerta necessitará de tecnologia avançada e investimentos milionários, segundo disseram à BBC Brasil assessores do governo de Neuquén.

“A Repsol-YPF era a principal empresa em Vaca Muerta e após a decisão do governo nacional deverá continuar sendo, como a nova YPF, mas não é e não será a única empresa (nesta exploração). Aqui estão empresas estrangeiras também e outras estão interessadas”, afirmaram.

Esta energia é definida como “não convencional” porque assim como o pré-sal, dizem especialistas, necessita de “tecnologia de última geração” para chegar a ser extraída.

E para o ex-secretário de Energia da Argentina, Daniel Montamat, “após a expropriação da Repsol-YPF, tende a ficar mais difícil atrair os investidores internacionais”.

Montamat acredita que somente em “seis anos ou sete anos” se saberá se será possível chegar às grandes reservas energéticas desta bacia neuquina – que inclui Neuquén e Mendoza e outras províncias, de acordo com assessores do governo de Neuquén.

Dúvidas

Mas muitos duvidam do fôlego do setor energético argentino. A senadora da oposição Norma Morandini, da Aliança Frente Cívico, questionou se o Estado argentino receberá de volta a YPF, que foi estatal, “vazia” ou com conteúdo para os argentinos.

“Vamos receber uma vaca morta?”, disse em relação à YPF. Sua dúvida foi apresentada durante exposição do vice-ministro da Economia, Axel Kicillof, ligado ao grupo político La Campora, que é o braço jovem do kirchnerismo e com viés nacionalista. “Várias empresas internacionais estão interessadas na bacia de Vaca Muerta”, respondeu ele, referindo-se a bacia na Patagônia.

Na exposição, Kicillof sugeriu que o governo não deverá pagar o que a espanhola Repsol espera pela “expropriação” da petrolífera e indicou que esta será uma longa disputa.

“Não vamos pagar a Repsol o que eles querem. E vamos apurar com as províncias se a empresa, que está endividada, teve algum desastre ecológico”, disse.

De acordo com levantamentos do setor privado, a Repsol-YPF administrava 30% da produção e da exploração de petróleo e de gás do país, além de mais de 50% da comercialização do setor no território argentino – antes do anúncio da presidente segunda-feira.

18/04/2012 - 11:32h Para Argentina, segurança jurídica ‘é palavra horrível’

Por César Felício | VALOR

De Buenos Aires

A Repsol será indenizada pelo governo argentino pela expropriação da petroleira YPF de acordo com a avaliação do Tribunal de Taxações da Nação, e o valor ficará muito longe dos US$ 10,5 bilhões pleiteados pela empresa espanhola, segundo afirmou ontem no Congresso argentino o vice-ministro da Economia do país, Axel Kicillof.

“O preço seguirá uma avaliação que levará em conta os passivos, e não o movimento especulativo do senhor [Antonio] Brufau”, disse, em referência ao CEO da Repsol. Em uma longa fala pontuada pela agressividade, Kicillof foi irônico ao comentar as repercussões à medida. “Segurança jurídica e ambiente de negócio são palavras horríveis”, afirmou.

De acordo com Kicillof, os passivos da YPF somariam cerca de US$ 9 bilhões. Na visão das autoridades argentinas, a empresa deliberadamente reduziu sua produção nos últimos anos para tentar forçar o governo a flexibilizar a sua política de preço, que remunera o barril do petróleo a US$ 65. A cotação internacional supera US$ 100. “Nos levaram ao desabastecimento para torcer o nosso braço. Mas vamos manter estável o preço interno, sem a flutuação internacional. O que deve determinar o valor dos derivados é a estrutura de custos, e não a cotação exterior”, disse.

Segundo o projeto enviado pela presidente Cristina Kirchner, que deve ser aprovado na próxima semana, caberá ao tribunal local fixar a indenização de acordo com a lei 21.499, que determina que uma empresa expropriada deve ser indenizada pelo seu “valor objetivo”, sem incluir itens como lucros cessantes ou investimentos já realizados.

“Em tese, isso indica uma indenização pelo valor de mercado cotado em bolsa, mas não é possível afirmar, uma vez que não há precedentes”, disse o advogado Leonardo Rodríguez, do escritório de advocacia Marval O ‘Farrell. Segundo Rodríguez, todas as expropriações realizadas anteriormente na Argentina, como a da empresa dos correios, de saneamento e a aérea Aerolíneas Argentinas, eram de empresas sem capital aberto.

A dúvida sobre qual será o preço a ser pago pela Repsol é o que gera mais nervosismo ao setor privado no país. “Estamos numa postura de esperar para ver. Se o preço a ser pago mostrar compromisso governamental com o direito à propriedade, há perspectivas de investimentos a longo prazo, dado o potencial argentino. Mas, se a Repsol reagir juridicamente, a incerteza aumenta”, disse Mateo Turic, CEO da petroleira canadense Crown Point, que atua no Golfo de San Jorge, na Patagônia argentina.

“Não pergunte por quem os sinos dobram, eles dobram por você. É essa frase que todos vão lembrar”, comentou o ex-presidente da YPF e consultor na área de energia Daniel Montamat, citando frase do poeta John Donne que serviu de título a um livro de Ernest Hemingway. Ele quer dizer que a Argentina é que vai sofrer.

De acordo com Montamat, em um primeiro momento mesmo as empresas que tinham interesse em investir na Argentina se sentirão inibidas. “O custo financeiro vai aumentar muito. Evidentemente o sistema financeiro cobrará um prêmio para fornecer crédito a investimentos no país”, afirmou.

No longo prazo, segundo Montamat, há perspectivas de ganhos para o setor no país, que tem a terceira maior reserva de petróleo e gás não convencionais do mundo, segundo um levantamento recente da KPMG. “As empresas petroleiras são obrigadas a estar onde estão os recursos naturais. Eles estarão lá para sempre e os governos passam”, disse.

Além do preço a ser pago para a Repsol, outro ponto de incerteza na iniciativa governamental é uma possível reação dos acionistas minoritários. É certo que eles não receberão nada no momento, mas a compulsoriedade em ser sócio do governo pode levar a ações internacionais. Segundo Rodríguez, como o que houve foi um ato de expropriação, e não uma compra, não haveria a obrigatoriedade de uma oferta de compra das demais ações, mas isso pode ser questionado no exterior. “Os investimentos no país com participação externa sempre podem ser objeto de ação no exterior”, comentou Montamat.

A capacidade de investimento da nova estatal levanta ceticismo entre os observadores. “É preciso lembrar que a estrutura acionária proposta contempla diversas diretorias e boa parte do capital para as províncias. Isso pode levar a uma politização da gestão, o que evidentemente irá comprometer a capacidade de investimento”, afirmou Montamat. O principal ativo da YPF na Argentina é a reserva de gás não convencional de Vaca Muerta, em Neuquén, que exigirá investimentos mínimos de US$ 15 bilhões para se tornar operacional.

18/04/2012 - 11:07h Investimento estagnado fez YPF ser amplamente superada pela Petrobras

Por Cláudia Schüffner e Cesar Felício | VALOR

Do Rio e de Buenos Aires

A situação energética da Argentina chegou à beira do precipício atual por um conjunto de medidas que incluem controle de preços, investimentos abaixo do ritmo necessário para que a produção se mantivesse no longo prazo e má gestão.

Um olhar sobre a trajetória da Petrobras e da Yacimientos Petrolíferos Fiscales (YPF) da Argentina nos últimos 17 anos mostra o declínio da Argentina, que era um grande exportador de petróleo, e a ascensão da Petrobras no Brasil.

Em 1995, a YPF investiu US$ 2,36 bilhões, US$ 226 milhões a mais que a Petrobras naquele ano. Desde então, isso nunca mais aconteceu. A Petrobras e YPF descolaram seus investimentos desde então, sendo que, em 2011, a diferença foi abissal: foram US$ 37 bilhões da brasileira contra US$ 2,8 bilhões de investimentos da YPF, segundo dados da Economática elaborados pelo Valor Data.

A YPF começou a ser privatizada em setembro de 1992. Até 1999, o Estado detinha 25% e uma “golden share”, participando da gestão estratégica da empresa. Naquele ano vendeu sua participação para a Repsol.

Em 1999, a produção da YPF era de 18,297 milhões de metros cúbicos, o equivalente a 40,14% da produção do país, de 45,586 milhões.

A Repsol, que assumiu o controle da YPF em 1999 pagando US$ 15 bilhões, também tem sua parcela de culpa. Endividada, devido à aquisição, e amarrada a uma empresa que garantia 45% de sua receita operacional, a Repsol começou a ter problemas para remeter lucros. O controle de preços na Argentina afetava a receita, já que ela controlava 40% do mercado varejista. Em 2002, havia receio quanto à capacidade dos espanhóis de honrar o serviço da dívida, àquela altura já em US$ 19,7 bilhões.

Nesse ano, a Petrobras, comprou a petroleira argentina Perez Companc, maior empresa independente de energia da América Latina, por US$ 1,18 bilhão. No ano seguinte, o então presidente argentino, Eduardo Duhalde, tentou reverter a operação, sem sucesso.

Em 2008 a venda de 25% da YPF para o Grupo Petersen, do empresário Enrique Ezkenazi, deteriorou a situação, já o argentino pagaria à Repsol usando dividendos recebidos. Com raras exceções, as empresas costumam investir menos quando pagam altos dividendos.

No caso da YPF, a distribuição de dividendos atingiu 90% do lucro por quatro anos seguidos, exatamente no período em que a Argentina perdeu a autossuficiência no setor e passou de um superávit comercial de US$ 5 bilhões no setor de energia para um déficit de US$ 4,1 bilhões no ano passado, com projeção de US$ 7 bilhões este ano.

Em 2000 a Petrobras importou em média 74 mil barris/dia de petróleo e condensado da Argentina, volume que no ano seguinte começou a cair. A estatal brasileira se tornou autossuficiente em 2006, mas o aumento de consumo sem capacidade de refino levou o Brasil a fechar 2011 com déficit de US$ 2,3 bilhões na balança de petróleo.

No ano passado, a YPF teve a sua menor produção de petróleo desde a privatização, 11,251 milhões de metros cúbicos. A empresa produzia 19,111 milhões em 2003, quando Néstor Kirchner assumiu. A produção caiu todos os anos desde 2003. Nesse período, a produção da Petrobras, saltou de 668 mil barris de óleo equivalente (boe) para 2,6 milhões, alta de 292,2%.

Atualmente a Petrobras é a segunda maior empresa de petróleo integrada da Argentina, onde ainda tem a refinaria de Bahía Blanca, com capacidade de refinarar 30 mil barris de petróleo por dia. Considerando apenas as reservas, é a terceira maior, atrás da YPF e da Pan American Energy.

Agora, a expectativa no Brasil diz respeito à possibilidade de o ministro do Planejamento argentino, Julio De Vido, propor alguma parceria com a Petrobras para desenvolver as reservas não convencionais de óleo e gás de xisto. Fontes ouvidas pelo Valor avaliam que dificilmente esse tipo de associação atrairia a Petrobras, já que a YPF não tem tecnologia de interesse para a estatal brasileira.

A presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, reúne-se na sexta-feira com De Vido. Ela disse desconhecer a pauta da reunião, que está coordenada pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, com quem Graça se reúne antes.

Sobre o tema, a executiva disse apenas que o encontro foi agendado em março, antes, portanto, da reestatização da YPF. Antes da reunião, ela vai se reunir com o pessoal da área internacional da Petrobras, para se inteirar das questões envolvendo a Petrobras na Argentina. Graça explicou que não teve nenhuma informação do governo argentino sobre uma possível revogação da decisão da província de Neuquén, que cassou a concessão na área de Veta Escondida, sob a alegação de falta de investimentos. Sobre a medida, disse que a Petrobras foi surpreendida.

17/04/2012 - 09:38h Cristina diz que vai copiar modelo adotado no Brasil

Composição acionária da YPF será semelhante à da Petrobrás, na qual o Estado brasileiro tem 51% de participação
17 de abril de 2012

ARIEL PALACIOS , CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES – O Estado de S.Paulo

Cristina Kirchner disse ontem que escolheu o modelo brasileiro para a gestão do setor de petróleo no país. O governo argentino expropriou ontem 51% das ações da YPF. Durante seu discurso, a presidente da Argentina citou vários casos de produção petrolífera estatal ou com grande peso do Estado na exploração.

“Estão aí os casos de Arábia Saudita, China, México, Venezuela, entre outros. E está o caso da Petrobrás, onde o Estado brasileiro tem 51% das ações. Esse é o modelo que escolhemos.”

A YPF foi privatizada em 1992 ficando na mão de empresários argentinos, além de uma participação de 20% do Estado. A privatização foi respaldada calorosamente por Cristina, que na época era parlamentar.

Em 1999, a empresa foi vendida à espanhola Repsol. No discurso de ontem, Cristina omitiu seu respaldo à privatização e fez questão de ressaltar que o problema da empresa foi a “desnacionalização”.

Até ontem, a composição acionária da YPF dividia-se entre 57,43% da Repsol, 25,46% do argentino Grupo Petersen, além de 17,11% na Bolsa (principalmente investidores americanos). Com a expropriação, 26,03% das ações ficam com o Estado argentino, 24,99% com as províncias, 25,46% com o Grupo Petersen e 6,43% que permanecerão nas mãos da Repsol.

O poderoso ministro de Planejamento Federal e Obras Públicas, Julio De Vido, será o interventor da companhia. O vice-interventor será o atual vice-ministro da Economia, Axel Kiciloff.

O mentor jurídico do avanço do governo Kirchner na YPF nos últimos meses foi Roberto Dromi, que assessorou a Casa Rosada. Paradoxalmente, o próprio Dromi foi nos anos 90 o “cérebro” do então presidente Carlos Menem para implementar um processo de privatizações sem precedentes na América Latina.

Com a medida, a Argentina se junta ao grupo de países que, nos últimos anos, nacionalizaram empresas do setor de petróleo. Antes dela, Venezuela, Equador, Bolívia e Equador já haviam tomado ações semelhantes.

Reestatizações. O ex-presidente Néstor Kirchner e sua esposa Cristina tentaram reverter de forma parcial as privatizações feitas nos anos 90 com uma política de “reargentinização”. Nos últimos cinco anos, reestatizaram o Correio Argentino, as Minas de Carvão Río Turbio, o Sistema Radioelétrico Nacional, a Aguas Argentinas, a companhia aérea Aerolíneas Argentinas e o sistema de aposentadorias.

Além disso, os Kirchners criaram pequenas estatais, como a Enarsa, uma energética que aspira recuperar o protagonismo que o Estado argentino perdeu com a privatização da YPF. Eles também criaram uma estatal aérea, a Lafsa, fundada para salvar a estrutura de duas pequenas empresas aéreas privadas falidas.

17/04/2012 - 09:34h Após embate com Repsol, governo argentino deve pressionar a Petrobras

Por Daniel Rittner e Cláudia Schüffner | VALOR

De Brasília e do Rio

O ministro do Planejamento da Argentina, Julio de Vido, vem ao Brasil na sexta-feira para insistir na expansão dos investimentos da Petrobras no país. Homem-forte do kirchnerismo na área de infraestrutura, De Vido tem reunião prevista com o ministro brasileiro de Minas e Energia, Edison Lobão, e com a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster.

Fontes do governo brasileiro disseram ao Valor que a orientação à estatal é clara: ajudar no que for possível, aumentando os investimentos em exploração e em produção, mas sem fazer nada “em detrimento da rentabilidade de suas operações”. Em outras palavras, a ordem é não ceder a nenhum tipo de chantagem contra a empresa no país vizinho. A expectativa em Brasília é que o ministro argentino esclareça como a Casa Rosada exercerá controle sobre indústria de petróleo local a partir de agora.

Com um plano bilionário para colocar de pé as metas de produção no pré-sal, a estatal brasileira não deve aumentar significativamente seus investimentos na Argentina. E pode enfrentar um recrudescimento do controle de preços de combustíveis naquele país, que vai piorar a já prejudicada margem da distribuição.

A avaliação de uma outra fonte familiarizada com o assunto é que, depois da reestatização da YPF, o governo passe a controlar diretamente os preços dos combustíveis. “Estamos preocupados. Esse é um grande fator de risco. A tendência agora é a YPF baixar preços, e o governo forçar os outros a vender combustíveis com preço dentro de uma faixa, o que afetará mais ainda a economicidade dos projetos”.

Em janeiro a empresa brasileira foi acusada, junto com Esso, Shell e YPF de abuso de posição dominante no mercado de combustíveis. No mês passado, a Petrobras teve uma concessão cassada.

O ministro De Vido tem uma relação amistosa com o primeiro escalão do governo brasileiro. No início deste mês, telefonou para Lobão para dizer que a retomada da concessão da área de Veta Escondida – operada pela Petrobras – foi uma atitude isolada da Província de Neuquén, sem anuência do governo federal. Na Argentina, as concessões petrolíferas são dadas pelas províncias.

Em março, quando esteve em Buenos Aires para reunião com De Vido, Lobão foi levado à Casa Rosada para uma conversa fora da agenda com a presidente Cristina Kirchner. Ela lhe pediu maior presença da Petrobras na Argentina. O ministro respondeu que o aumento da participação da estatal brasileira poderia ocorrer, por exemplo, na exploração de gás não convencional (de xisto) ou na ampliação da rede de postos de gasolina.

Dados recentes demonstram, no entanto, um encolhimento dos negócios da Petrobras no país. Segundo a consultoria IES, a fatia da empresa nas vendas de combustíveis diminuiu quase 30% no ano passado, devido à transferência de praticamente metade de seus postos para a Oil M&S. O empresário kirchnerista Cristóbal López, dono da Oil M&S, pagou US$ 110 milhões por 360 postos da Petrobras e pela refinaria de San Lorenzo. Com isso, a fatia da estatal brasileira caiu para 8,1% no mercado de gasolina e para 7,3% no de diesel.

Durante a sua visita oficial ao Brasil, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, comentou rapidamente a reestatização da YPF, após seguidas perguntas dos jornalistas. Questionada sobre Argentina e Chevron, ela se limitou a falar do Brasil e da companhia americana. Quando os repórteres insistiram, Hillary fez um comentário crítico, mas sem citar a Argentina diretamente. “Não sei de detalhes, mas acho que ter competição, mercado aberto, para petróleo e qualquer commodity, é preferível. Os países devem justificar e conviver com as decisões que fazem. Eu, pessoalmente, acho que o modelo de abertura e competição total, com acesso a mercados é o melhor”. Já o governo brasileiro evitou comentar o tema.

Ambiente para investimentos deve piorar no país

Por Do Rio

Depois da reestatização da YPF, o ambiente de negócios na Argentina deve piorar, não apenas para a Petrobras, segunda maior petroleira da Argentina, mas também para outras companhias que têm maior participação no mercado de combustíveis, como a Shell.

A Argentina enfrenta uma queda da produção e aumento das importações de combustíveis, fruto de uma política energética equivocada, na avaliação de vários executivos do setor ouvidos pelo Valor. Esse populismo de preços levou à quase paralisação da exploração no país nos três mandatos dos Kirchner (sendo um do ex-marido de Cristina, Néstor Kirchner) e nem mesmo o programa Gas Plus, que prevê incentivos para a exploração de novas jazidas por meio da autorização para comercialização de gás a preços mais altos, conseguiu impulsionar o setor. Na Argentina, o preço cobrado pelo gás que é extraído de campos maduros é tabelado.

Para se ter uma ideia, alguns projetos de gás que precisariam de uma remuneração mínima de US$ 3,5 a US$ 4 por milhão de BTU (medida que mede o poder calorífero do gás) para dar retorno, são remunerados por US$ 2 a US$ 2,5. São exemplos como esse que levam uma fonte ouvida pelo Valor a questionar a eficácia da nacionalização no que diz respeito ao aumento imediato da produção de petróleo e gás na Argentina.

“Ninguém vai colocar US$ 5 bilhões ou US$ 10 bilhões em um projeto sem retorno. Até o próprio governo deve encontrar dificuldades para isso”, diz a fonte.

Os valores se referem às previsões de investimento para explorar as descobertas de imensos reservatório de óleo e gás de xisto nas províncias de Loma La Lata e Neuquén, onde a Repsol descobriu a província de Vaca Muerta, que abriga o que parece ser a terceira maior reserva do mundo de óleo e gás não-convencionais. (CS)

16/04/2012 - 13:55h Cristina envía al Congreso el proyecto para expropiar el 51% de YPF

Lo hizo por cadena nacional. El texto, enviado al Congreso, declaran de utilidad público y sujeto a expropiación ese porcentajes de las acciones de YPF, que pasarán al Estado Nacional y las provincias productoras. Son todas acciones de Repsol, que quedará con una participación minoritaria. El Tribunal de Tasaciones determinará cuánto se pagará por la expropiación.

CLARÍN



A través de una cadena nacional, el Gobierno anunció hoy formalmente el envío al Congreso de un proyecto de ley para expropiar el 51% de YPF, a un precio que fijará el Tribunal de Tasaciones de la Nación y en el marco de la declaración de “interés público y nacional” al “autoabastecimiento de hidrocarburos”. El total a expropiar pertenece a la española Repsol.

El proyecto lleva por título “De la soberanía hidrocarburífera de la República Argentina”. En lo esencial, tiene varios puntos de contacto con el texto que había trascendido la semana pasada y que ya era analizado por legisladores oficialistas, aunque éste incorpora los reclamos de las provincias productoras de hidrocarburos.

El primer artículo del proyecto, de un total de 19 y que hoy mismo será enviado al Parlamento, declara “de interés publico nacional y como objetivo prioritario el logro del autoabastecimiento de hidrocarburos” y “la explotación, industrialización, trasnporte y comercialización de hidrocarburos”.

Ese marco es el que permite la parte más sustancial del proyecto: la declaración de “utilidad pública y sujeto a expropiación” del 51% de YPF Sociedad Anónima. Esas acciones, especifica el proyecto, se repartirán entre el Estado Nacional y las provincias que integran la Organización Federal de Provincias Productoras de Hidrocarburos (OFEPHI) de modo tal que el Estado nacional tendrá el 26,01% del total y las provincias productoras, el 24,99% (con, respectivamente, el 51% y el 49% del 51% que sería expropiado).

El texto establece, además, que el 51% a expropiar estará “representado por igual porcentaje de las acciones Clase D pertenecientes a Repsol YPF Sociedad Anónima” (es decir que, por lo menos según está planteado, no expropian las acciones que tiene la familia Eskenazy a través del Grupo Petersen ni las de los accionistas que compraron los títulos en la bolsa); que el ejercicio de los derechos accionarios de las provincias, además, se realizará “en forma unificada por el plazo mínimo de 50 años a través de un pacto de sindicación de acciones”, y que “se encuentra prohibida la transferencia posterior de tales acciones (las expropiadas) sin la autorización del Congreso de la Nación”.

El proyecto que tratará el Congreso Nacional fija también la “remoción de los directores y síndicos titulares y suplentes” y estipula que “la designación de los directores se efectuará en proporción a las tenencias del Estado nacional, de los estados provinciales y uno en representación de los trabajadores de la empresa”.

Si se aprueba la ley –algo previsible dada la mayoría legislativa del oficialismo- el Estado pasará a controlar el 51% de la petrolera –la mayor empresa del país-. La presidenta Cristina Fernández de Kirchner enfatizó que “no es un modelo de estatización sino de recuperación de la soberanía. Seguimos manteniendo el modelo de Sociedad Anónima y el de una conducción profesionalizada”.

Más allá del capítulo sobre la expropiación del 51% de YPF, el proyecto establece también que, en el marco de la soberanía hidrocarburífera, el Estado “arbitrará las medidas conducentes” para, entre otros objetivos, la “conversión de recursos en reservas comprobadas y su explotación”; la “integración del capital público y privado nacional e internacional en alianzas estratégicas”; la “maximización de las inversiones”; la “promoción de la explotación y comercialización de los hidrocarburos con alto valor agregado” y la “explotación racional” de los recursos. Asimismo, crea un “Consejo federal de hidrocarburos” en el que participarán los ministerios de Economía, Planificación, Trabajo e Industria y que promoverá “la actuación coordinada del Estado nacional y los estados provinciales”.

13/04/2012 - 08:21h Possível estatização da YPF gera tensão entre Argentina e Espanha

Por Agências internacionais – VALOR

A possível estatização pela Argentina da petrolífera YPF, controlada pela espanhola Repsol, está gerando tensão entre os governos dos dois países. Jornais argentinos e espanhóis davam ontem como certa a operação.

Segundo o site do jornal “Clarín”, a presidente Cristina Kirchner já tem pronto para enviar ao Congresso um projeto de lei para que o governo fique com 50,01% do controle da YPF, a maior petrolífera da Argentina, com a alegação de que a operação é de “interesse público”. Desde o final do ano passado, o governo está em atrito com a YPF, acusando-a de não investir o suficiente na produção de petróleo, o que teria feito o país passar de exportador a importador da commodity.

Pelo projeto, o governo irá comprar 100 milhões de ações pertencentes ao Grupo Petersen, da família argentina Eskenazi, equivalentes a 25,5% do controle acionário da empresa, e outros 96,6 bilhões da Repsol. O valor das indenizações será determinado por um tribunal especial e pela Secretaria de Energia. Com isso, o grupo espanhol passaria a ter em torno de 20% da YPF, em vez dos atuais 57,4%. As reservas da YPF representam 42% das reservas totais da Repsol, que são estimadas em 2,1 bilhões de barris de petróleo.

O governo espanhol reagiu à provável estatização antes mesmo de o anúncio oficial. Após o jornal “Clarín” apresentar detalhes do projeto de lei, o ministro da Indústria espanhol, José Manuel Soria, disse que haveria “consequências”. “Se em alguma parte do mundo houver gestos hostis contra os interesses de empresas espanholas, o governo irá considerá-los como hostilidade contra a Espanha”, afirmou.

Segundo o jornal espanhol “El País”, o próprio Soria vinha trabalhando discretamente para debelar o conflito, e até o rei espanhol, Juan Carlos, tentou intervir, sem sucesso. O presidente da Repsol, Antonio Brufau, está há dias na Argentina, fazendo reuniões com ministros do governo – a presidente Cristina teria se recusado a vê-lo. De acordo com outro jornal espanhol, o “ABC”, Brufau apresentou novos planos para a exploração da reserva de Vaca Muerta, mas obteve como resposta apenas um “não é suficiente”. Vaca Muerta tem potencial de reservas de 22 bilhões de barris de petróleo não convencional (derivado de xisto).

Antes de anunciar a reestatização, o governo de Cristina colocou a YPF sob forte ataque. Desde 13 de março, em reação a manifestações da Casa Rosada exigindo o aumento da produção, os governos regionais de seis Províncias cancelaram pelo menos 15 concessões para a exploração de petróleo – somadas, elas representavam cerca de 16% da produção da empresa.

Criada em 1922, a YPF foi privatizada em 1993, no governo Carlos Menem. Em 1999, a Repsol adquiriu o controle acionário. Segundo informações da Repsol em relatório para investidores, a YPF teve em 2010 uma receita operacional de € 1,4 bilhão – valor que representou 18,4% da receita operacional do Grupo Repsol. A produção total de hidrocarbonetos da YPF em 2010 chegou a 197,4 milhões de barris de petróleo – queda de 5,4% em relação a 2009.

A YPF não é a única sob pressão para aumentar a produção. No dia 3, a Província de Neuquén cassou a concessão da Petrobras para explorar petróleo na área de Veta Escondida. Argenta e Tecpetrol também perderam concessões.


Medidas podem dificultar exploração do xisto

Por Mateus Craze e Brian Swint | Bloomberg

A Argentina terá dificuldades em atrair investidores para explorar seus campos de xisto, que contêm estimados 22 bilhões de barris de petróleo equivalentes, após ter revogado as licenças da YPF e da Petrobras devido a uma desavença sobre investimentos.

A exploração dos recursos naturais no campo de Vaca Muerta, na Província de Neuquén, é de “fundamental importância” para que o país revitalize sua centenária indústria de petróleo e gás, disse a YPF em fevereiro, ao anunciar a descoberta. O país poderá dobrar sua produção em uma década, investindo US$ 25 bilhões por ano para explorar os campos, disse a companhia.

A Argentina está buscando ajuda para explorar os recursos numa área que abriga cerca de metade das reservas de 50 bilhões de barris contidas no chamado pré-sal brasileiro, após ter revogado licenças da YPF e da Petrobras e congelado o preço do petróleo em US$ 42 por barril durante a década passada.

“Nenhuma das grandes companhias petrolíferas gostaria de entrar num campo expropriado de outra grande petroleira”, disse Peter Hutton, analista da RBC Capital Markets, de Londres. “O xisto está no radar de todo mundo, mas há incertezas, no momento.”

A YPF tornou-se pioneira na exploração de recursos petrolíferos não convencionais em “tempo recorde”, tendo aprendido com empresas americanas as técnicas exploratórias de depósitos que exigem perfuração horizontal, em um processo conhecido como fraturamento hidráulico, ou “fracking”, disse a empresa.

Neuquén, que abriga a maior parte da formação petrolífera de xisto de Vaca Muerta, continuará a atrair investidores, mesmo em meio a uma estatização da YPF, disse o governador Jorge Sapag em comentários postados no site da Província, ontem. Ele reuniu-se no início desta semana com representantes da Petrobras e também deverá encontrar-se com a norueguesa Statoil ASA e a Apache nesta semana. As empresas estrangeiras que se comprometem a investir em reservas de petróleo na Província são “bem-vindas”, disse Sapag.

A decisão governamental de assumir o controle da YPF “esfriará o interesse de outras empresas, e não é uma boa maneira de atrair investimentos quando o país necessita know-how estrangeiro”, disse Andrea Williams, gestor de 1 bilhão de libras (US$ 1,6 bilhão) em um fundo de ações europeias na Royal London Asset Management, em entrevista por telefone, ontem. “O temor é de que eles revoguem mais licenças.”

Williams tem ações da Repsol em sua carteira e, recentemente, ampliou sua exposição aos papéis.

Cristina exigiu mais investimentos das companhias petrolíferas, numa tentativa de aumentar a produção em queda e reduzir as importações de combustíveis, que dobraram, para US$ 9,4 bilhões, no ano passado. A Província argentina de Santa Cruz revogou três concessões de exploração petrolífera da YPF, medida cuja efetivação depende de aprovação legislativa, disse ontem a Télam, agência estatal de notícias.

Os investimentos petrolíferos na Argentina caíram na última década, depois que o governo impôs um teto ao preço do petróleo desde 2002. Os exportadores de petróleo recebem US$ 42 por barril, e o governo fica com o restante, ao passo que o petróleo vendido no mercado interno é pago a cerca de US$ 60. No ano passado, o governo também ordenou que os produtores de petróleo e as mineradoras repatriassem todas as receitas de exportações, como parte da política de governo para conter a fuga de capital.

A produção petrolífera americana avançou por três anos consecutivos, quando os produtores aceleraram a perfuração em depósitos não convencionais.

“A Argentina tem a oportunidade de repetir a revolução que os hidrocarbonetos não convencionais têm significado para os EUA, mediante a exploração de recursos naturais na formação de Vaca Muerta”, disse a Repsol numa declaração em 8 de fevereiro.

O governo argentino não dispõe do capital para explorar sozinho as reservas, disse Jason Kenney, analista do Banco Santander SA, em Edimburgo, numa entrevista por telefone.

“A Argentina necessita que alguém invista em suas reservas energéticas, tanto convencionais como na oportunidade proporcionada pelo xisto”, disse Kenney. “Quanto mais tempo isso se prolongar, menor será a chance de alguém fazer alguma coisa na Argentina.”

10/04/2012 - 08:48h Governo americano quer menos conteúdo local no pré-sal

VALOR

O governo americano quer que o Brasil reduza a exigência de conteúdo nacional na exploração de petróleo e gás para facilitar a entrada de empresas americanas no mercado brasileiro e no pré-sal. A reivindicação foi feita oficialmente pelo subsecretário de Comércio e Comércio Internacional dos Estados Unidos, Francisco Sánchez, uma espécie de vice-ministro.

“Acho que o Brasil estaria bem servido se desse uma segunda olhada nessas políticas (de exigência de conteúdo nacional) para que tivesse acesso à melhor tecnologia e know-how logo no início do processo (de exploração do pré-sal)”, disse Sánchez, durante seminário que fez parte da programação oficial da visita da presidente Dilma Rousseff a Washington.

A insatisfação das empresas americanas com as regras do pré-sal já havia sido tema de conversas bilaterais, mas nenhuma autoridade dos EUA havia tratado do assunto publicamente e de modo tão direto. Os americanos consideram muito elevado o percentual de até 65% de conteúdo nacional exigido pela legislação brasileira e argumentam que isso funciona como uma barreira à entrada delas no pré-sal.

A cooperação dos dois países na área de energia é um dos pontos considerados prioritários para os dois presidentes. Em declaração após reunião de trabalho na Casa Branca com o presidente Barack Obama, Dilma falou no potencial de parcerias para o fornecimento de equipamentos e serviços e participações comerciais. “Temos grande campo de cooperação quando se considera o petróleo e o gás”, afirmou.

Obama deixou claro que a intenção do país não é ser apenas um cliente do petróleo brasileiro. “O Brasil está se tornando um ator importante no setor de óleo e gás mundial. Os Estados Unidos não são apenas um potencial grande cliente do Brasil. Acho que podemos ter uma cooperação estreita num amplo leque de projetos na área de energia”, disse o presidente americano.

O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, defendeu a política brasileira de conteúdo nacional. Segundo ele, países como Noruega e Inglaterra usaram o petróleo para fortalecer a indústria local. “Seria falta de inteligência não ter incentivos no Brasil para desenvolver a cadeia de óleo e gás”, afirmou.

Coutinho reconheceu que será necessário tomar uma “decisão política” que calibre o ritmo entre a necessidade de explorar o pré-sal mais rapidamente e a de desenvolver a indústria local. Esse “ponto ótimo”, segundo ele, será definido por Dilma.

Na visão da Petrobras, cumprir as regras de conteúdo local não será o grande desafio. A presidente da empresa, Graça Foster, argumenta que a estatal já trabalha com percentuais mais altos de conteúdo nacional em outros projetos. O treinamento e oferta de mão de obra será o grande gargalo. “O conteúdo local não é um problema. O desenvolvimento de recursos humanos deveria ser o foco”, afirmou Foster, durante o seminário com investidores brasileiros e americanos. Segundo ela, o setor precisará de 220 mil novos trabalhadores até 2016.

Graça Foster também teve que responder perguntas sobre o vazamento de óleo no Campo de Frade, na bacia de Campos, no Rio, ocorrido em novembro. A Chevron é contratada pela Petrobras para fazer a operação do campo. “Trabalhamos juntos para resolver o problema. Mas são eles [Chevron] que precisam dar as respostas oficiais às autoridades”, disse Foster.

O Ministério Público Federal entrou com uma ação civil pública contra a Chevron pedindo indenização de R$ 20 bilhões por danos ambientais e sociais. Além disso, executivos da empresa americana foram proibidos de deixar o país. A Chevron considerou a indenização arbitrária e sem bases legais.

O representante do governo americano, o vice-secretário de Energia, Daniel Poneman, não quis comentar o caso da Chevron, mas disse que os Estados Unidos procuram garantir tratamento igualitário e justo e a aplicação transparente da lei a todas as empresas que operam fora do país. (LP)

05/04/2012 - 10:57h Petroperú participará en siete lotes petroleros cuyos contratos están por vencer

Buena noticia.

Jueves, 05 de abril de 2012

Campo de producción. A estas maquinarias se les conoce como

Campo de producción. A estas maquinarias se les conoce como “caballitos” y se usan en las faenas de extracción del hidrocarburo del subsuelo.


El Estado recuperará su participación en la renta petrolera a través de su empresa estatal. Seis lotes se ubican en Talara y uno en Loreto.

Carlos Bessombes – LA REPÚBLICA

Los lotes de explotación de hidrocarburos cuyos contratos están por concluir durante el actual gobierno serán licitados públicamente y con la participación obligatoria de Petroperú.

Vale decir que siete lotes podrían estar en manos de nuevas empresas junto a Petroperú, aunque en el caso de Unipetro podría haber una excepción debido a su baja producción y a que está en manos de la Universidad Nacional de Ingeniería (UNI). Su alianza con otras universidades públicas es una opción.

“Se acordó que todos los lotes que terminen con su plazo contractual, hoy que ya se conoce el reglamento de la Consulta Previa, serán sacados a licitación pública. Es decir, no se les renovará el contrato a las empresas que hoy tienen la concesión ni habrá adjudicación directa para los privados”, anunció Aurelio Ochoa, presidente de Perupetro (entidad del Estado que se encarga de promover la inversión en explotación y exploración del recurso hidrocarburífero del país).

Las empresas que operan los lotes podrán presentarse al concurso e incluso podrían tener mejores condiciones de ganar, señaló el funcionario.

LOTES POR VENCER

Los lotes cuyos contratos están por vencer son: lotes III y IV operados por Interoil, lotes VII y VI en manos de Sapet, el Lote 1-AB bajo la administración de Pluspetrol Norte, y el Lote II en manos de Petrolera Monterrico. A excepción del lote que explota Pluspetrol, ubicado en la selva norte (Loreto), los demás se sitúan en Piura.

“Habrá mayor competencia entre empresas petroleras y eso es lo que queremos”, dijo Ochoa al agregar que la decisión, tomada en consenso por el directorio, contempla en sus bases la participación de Petroperú en los seis lotes comerciales, pero de forma minoritaria. “El privado sabe que la convocatoria es en ese sentido”, dijo.

Lo que imperará en el concurso será un programa mínimo de trabajo, en el que la dimensión y la magnitud de las inversiones, que implican directamente el incremento de la producción, determinarán la adjudicación.

“Ganarán las empresas que presenten un mejor programa de inversiones para explotar ese lote, el cual tendrá mucho mayor puntaje que el relativo a regalías”, apuntó Ochoa.

PARTICIPACIÓN ESTATAL

Ochoa precisó que la decisión política sobre la participación de Petroperú en estos lotes está dada, pero vienen estudiando en qué porcentaje participará junto a la empresa privada.

“Salen a licitación con la incorporación de Petroperú que lo permite la ley mediante adjudicación directa. Porque la adjudicación de un determinado porcentaje de participación de Petroperú es adjudicación directa”, precisó.

Dijo que la adjudicación directa es algo que sí permite la ley, mas no en el caso de las adjudicaciones directas para privados. “Solo si se trata de empresas públicas, es decir Estado con Estado, esa sería la única modalidad”, indicó.

Según Ochoa, el ingreso a esos lotes es un excelente negocio para cualquier petrolera, al tener reservas probadas, con buena producción y donde lo único que habría que hacer es sacarlas a la superficie.

EXPLORACIÓN PETROLERA

Respecto a los lotes de exploración, Aurelio Ochoa confirmó que también habrá concurso internacional y que el directorio de Perupetro estaba a la espera de la salida del reglamento de Consulta Previa para poder hacerlo.

“Los primeros que tienen que enterarse son las poblaciones, los gobiernos regionales, locales y las comunidades donde se ubican los lotes. No podemos darlos a conocer en tanto la poblaciones del lugar no lo sepan. Pero eso demorará entre 60 y 70 días”, dijo.

Adelantó que la convocatoria saldrá en el segundo semestre del año, al haberse cumplido los plazos del reglamento. “No estamos perdiendo ni un solo día, ni siquiera horas, porque necesitamos inversiones en el país”, señaló el titular de la entidad promotora de la inversión en hidrocarburos.

SON LOTES MUY PRODUCTIVOS

Los lotes de explotación que se licitarán una vez venzan sus contratos son: lotes III y IV de Interoil, que tuvieron una producción de 3.292 y 851 barriles diarios al cierre del 2011, respectivamente. Los lotes VII y VI a cargo de Sapet, que produjeron 3.048 barriles diarios en el 2011. El lote II explotado por Petrolera Monterrico, que produjo 506 barriles al día en el 2011. Estos cinco lotes se ubican al noroeste de Talara en Piura.

El Lote 1-AB, a cargo de Pluspetrol Norte y ubicado en Loreto, tuvo una producción de 17.645 barriles diarios a diciembre 2011.

Las reservas probadas al 2010 del Lote II tienen un promedio de 4 millones de barriles. El Lote III tiene 15 millones de barriles, el Lote IV tiene más de 5 millones de reservas probadas y los lotes VI y VII tienen 18 millones 500 mil barriles.

El Lote I AB tiene 77 millones 338 mil barriles, a cifras del 2010.

28/03/2012 - 09:16h País terá mais de 12 mil grandes obras até 2016

As áreas de petróleo e gás, de infraestrutura de transporte e de energia (hidrelétricas) são as que atraem os maiores investimentos

Por Marcos de Moura e Souza | VALOR

De Belo Horizonte

Até 2016, o Brasil terá 12.265 grandes obras, a maioria já em andamento, com investimentos públicos e privados estimados de R$ 1,48 trilhão. As áreas de petróleo e gás, de infraestrutura de transporte e de energia (hidrelétricas) são as que atraem os maiores aportes. Os dados são de levantamento da Associação Brasileira de Tecnologia para Equipamentos e Manutenção (Sobratema).

Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo aparecem, nessa ordem, como os Estados que estão recebendo a maior parte dos investimentos. Isso por causa dos projetos relacionados à exploração de petróleo offshore na camada pré-sal. Levando em conta as obras que estavam em curso desde o ano passado, 10.482 ao todo, com investimentos alcançando R$ 1,37 trilhão, 57% dos aportes estavam no Sudeste.

No mapa da distribuição das obras pelo Brasil, Minas Gerais, que não se beneficia diretamente dos investimentos em petróleo e gás, aparece em sétimo lugar. São 886 obras a partir deste ano e R$ 62,2 bilhões de investimentos.

Embora muito visíveis, os investimentos em infraestrutura esportiva para a Copa do Mundo de 2014 e para os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, representam uma fatia entre 2% e 3% do total a ser investido no país nos próximos quatro anos, disse o consultor da Sobratema, Brian Nicholson. Ele foi o responsável pela pesquisa e apresentou os resultados ontem na capital mineira.

21/03/2012 - 09:13h Alta do petróleo ameaça a recuperação da economia mundial, alerta o FMI

21 de março de 2012

NOVA YORK – O Estado de S.Paulo

A preocupação com a escalada dos preços internacionais do petróleo aumenta a cada dia no mundo. O temor de analistas e autoridades é o de que os combustíveis mais caros atrapalhem a recuperação da economia global, notadamente dos Estados Unidos. Embora as cotações tenham caído ontem em Londres e Nova York, no ano o petróleo tipo Brent acumula alta de 17%.

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, afirmou que “um choque repentino nos preços do petróleo ameaçaria a recuperação da fragilizada economia global”. Também ontem, a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) reduziu a previsão para o lucro das companhias aéreas em 2012 por causa da alta da commodity.

Na semana passada, o economista Nouriel Roubini, conhecido como “Dr. Apocalipse” por ter antecipado a crise que eclodiu em 2008, alertou que o risco mais sério para a economia global, hoje, é a escalada dos preços dos combustíveis.

“O petróleo já está bem acima dos US$ 100 por barril, apesar do fraco crescimento econômico nos países avançados e em muitos dos mercados emergentes”, escreveu. “O ágio por medo pode causar elevação significativa de preços mesmo que não surja conflito militar, e é possível que cause uma recessão se a guerra vier”, observou, em referência às tensões no Oriente Médio.

A crise na Líbia no ano passado já apertou a oferta global de petróleo, e, segundo analistas, o aumento das hostilidades entre o Ocidente e o Irã pode representar novo choque de oferta, o que elevaria ainda mais os preços.

A diretora-gerente do FMI advertiu que os preços podem ficar de 20% a 30% mais altos se as exportações do petróleo do Irã caírem rapidamente, e levaria muito tempo para que o petróleo de outros exportadores conseguissem ajustar a oferta global para estabilizar os preços.

O efeito do petróleo mais caro sobre os países se dá por meio da alta da inflação. Em tese, os bancos centrais seriam obrigados a desacelerar a atividade – com elevações do juro básico – para impedir uma escalada ainda mais forte da inflação. Esse procedimento foi defendido, por exemplo, por Andrew Sentance, ex-integrante do Comitê de Política Monetária do Banco da Inglaterra, em artigo no Financial Times.

Arábia Saudita alivia. Especificamente ontem as cotações reagiram em queda às declarações do ministro de Petróleo da Arábia Saudita, Ali Naimi. Segundo ele, a alta nos preços da commodity é “injustificável”. Ali também disse que seu país, maior exportador do planeta, está disposto a elevar a produção em até 25%. O óleo do tipo WTI para entrega em abril fechou em queda de 2,29% em Nova York, para US$ 105,61 por barril. Em Londres, o barril do tipo Brent recuou 1,26%, para US$ 124,12. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

21/03/2012 - 09:02h Argentina: Ataque de Cristina à YPF pode virar reestatização


Governo argentino iniciou a ofensiva contra as petroleiras por causa das elevadas importações de combustíveis, de quase US$ 10 bilhões em 2011

21 de março de 2012

MARINA GUIMARÃES , CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES – O Estado de S.Paulo

O mercado tem poucas esperanças de um final feliz para a ofensiva de Cristina Kirchner contra a YPF desde meados de janeiro. A expectativa é que o governo termine decretando a reestatização da companhia, como já fez com outras empresas: Águas Argentinas, Correio, Aerolíneas Argentinas, Fundos de Aposentadorias e Pensões, Papel Prensa e várias outras de menor porte.

Em todos os processos de reestatização, houve um período prévio de tensão e ofensivas – exceto no caso dos fundos de pensão, que pegou os mercados de surpresa. A Casa Rosada começou o ataque às petrolíferas por causa das elevadas importações de combustíveis no ano passado, de quase US$ 10 bilhões. No cenário de crise internacional com repercussões nos países emergentes e falta de divisas no país, a presidente quer reverter essa balança energética para manter o superávit entre US$ 10 bilhões a US$ 12 bilhões e garantir os dólares necessários para a economia.

A primeira medida contra a petrolífera foi a denúncia ao organismo antitruste, em janeiro, por “abuso de posição dominante” por causa do preço do diesel. Na causa, embora o alvo principal da estratégia do governo seja a YPF, outras quatro companhias foram denunciadas, entre elas a Petrobrás Argentina.

Logo, começaram os boatos de estatização da YPF e os ativos da empresa iniciaram uma trajetória de queda. O governo proibiu a petrolífera de distribuir dividendos e exigiu que os recursos sejam reinvestidos no país.

Hoje haverá assembleia de diretoria da YPF e a pressão do governo deverá ser o principal tema. Na última reunião, o representante do Estado, Roberto Baratta, secretário de Gestão do Ministério de Planejamento, levou a proposta de formar um fundo para exploração e desenvolvimento com os lucros não distribuídos de 2011 (cerca de US$ 1,3 bilhão) e de 2010 (cerca de US$ 229,8 milhões). A companhia, segundo fonte do setor, estaria disposta a atender ao pedido se o governo interromper a ofensiva contra a empresa.

Porém, fonte ouvida pela Agência Estado disse que os últimos sinais do governo são no sentido de avançar na reestatização parcial da companhia. Entre as hipóteses em discussão no mercado está uma provável lei que declare a petrolífera como “de interesse público”.

Alternativa. Também se comenta a possibilidade de uma intervenção mais forte do governo na YPF, mas por meio de medida mais moderada do que a estatização. Seria algum tipo de lei que permita ao Estado aumentar a participação acionária mediante investimentos. O governo realizaria uma oferta pelas ações da Repsol YPF, que possui 58,23% de participação, e manteria os sócios minoritários argentinos, o Grupo Petersen (família Eskenazi), que tem 25,46%. Ainda como opção, o governo poderia declarar de interesse público somente os hidrocarbonetos, a exemplo do que ocorreu na Bolívia.

Até o momento, o governo não desmentiu nem confirmou nenhuma das medidas que vêm sendo comentadas pelos mercados. As informações que circulam na imprensa local e estrangeira se devem à série de consultas a advogados, analistas, acadêmicos e especialistas em energia para elaborar os documentos de justificativa legal para avançar no assunto.

O estatuto da YPF prevê que qualquer oferta superior a 14,9% da companhia deverá ser ampliada a 100% das ações da empresa. Até 27 de janeiro, antes do início da ofensiva oficial, a empresa valia US$ 15,685 bilhões, conforme sua capitalização na bolsa. Desde então, o valor recuou 30%.

09/03/2012 - 10:10h Colômbia é estrela em ascensão no setor de petróleo

Por Javier Blas | Financial Times – VALOR

O Brasil está fortemente associado à alta da produção de petróleo na América Latina, mas a região tem outra estrela em ascensão influindo nos preços e nas tendências do setor: a Colômbia

Nos últimos cinco anos, a Colômbia elevou sua produção de petróleo quase tanto quanto o Brasil, contribuindo para um aumento da oferta por países não pertencentes à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

A produção de petróleo na Colômbia subiu quase 450 mil barris por dia entre janeiro de 2007 e dezembro de 2011, contra 500 mil b/d no Brasil no mesmo período, de acordo com estimativas do Departamento de Energia dos EUA.

O aumento da produção colombiana é importante para o mercado petrolífero mundial, pois a maioria dos outros países não pertencentes à Opep enfrentam dificuldades para ampliar a oferta, dizem executivos do setor. A Colômbia é o quarto maior produtor de petróleo na América Latina, atrás do México, Venezuela e Brasil.

O aumento da produção aconteceu após a privatização parcial da Ecopetrol, estatal petrolífera colombiana, em 2007. As reformas provocaram uma renovação do interesse no setor petrolífero colombiano, com níveis recordes de perfuração exploratória em 2010.

O incremento da prospecção foi recompensado, tendo ocorrido um aumento na produção, no início deste ano, para 1 milhão de b/d, a maior em décadas, bem antes da meta da Ecopetrol, que era alcançar essa marca até 2015.

Mas será difícil aumentar ainda mais a produção. Após cinco anos de forte crescimento na produção e na exportação de petróleo, a Colômbia parece estar se aproximando de um limite natural, pelo menos por enquanto. Assim, os produtores não pertencentes à Opep perderiam um dos principais contribuintes para o crescimento da oferta anual.

A Agência Internacional de Energia (AIE), órgão que reúne os principais países importadores de petróleo, ainda acredita em um grande aumento na oferta de petróleo dos países não pertencentes à Opep neste ano, após uma estagnação do crescimento no ano passado. Com a queda da produção mexicana, e tendo em vista que as produções argentina e colombiana já não exibem um crescimento forte, toda a atenção e pressão na região da América Latina voltará a focar o Brasil.

A Petrobras, grupo semi-estatal brasileiro, planeja aumentar a produção petrolífera do país de 2,1 milhões de b/d em 2011 para 3,1 milhões de b/d em 2015, e substanciais 4,9 milhões de b/d até 2020. O plano de expansão custará US$ 120 bilhões – provavelmente mais -, e envolverá reservas no pré-sal, em águas profundas, que deverão responder por 40% da produção do país até o fim da década, dos menos de 2% agora.

Mas o Brasil tem enfrentado dificuldades para implementar seu plano de negócios para 2011-15 e, nos últimos três anos, conseguiu ampliar a oferta em só 150 mil b/d, menos do que a Colômbia.

A perspectiva de crescimento da oferta dos países não pertencentes à Opep é vital, neste ano, devido ao impacto da perda da produção iraniana devido às sanções europeias e americanas. Os negociantes de petróleo já preveem um crescimento inferior ao esperado na oferta dos países de fora da Opep, como resultado de interrupções periódicas na produção na Síria e no Iêmen. Além disso, na região do Mar do Norte, que produz petróleo tipo Brent, os volumes também estão caindo.

05/03/2012 - 20:44h Petrobras não vai aumentar preços de combustíveis, diz Graça Foster

Marca internacional de US$ 125 o barril é apenas pico de preços, garante presidente

Ramona Ordoñez – O GLOBO

RIO – A Petrobras não planeja aumentar os preços da gasolina ou do óleo diesel neste momento, garantiu há pouco a presidente da companhia, Maria das Graças Foster. Para a dirigente da empresa, o fato de o preço do petróleo ter atingido US$ 125 o barril no mercado internacional não representa um novo patamar, mas apenas um pico de preços.

- Não existe nenhuma ação em curso entre a Petrobras e o governo federal para aumentar os preços dos combustíveis. Não tem nenhuma data prevista – garantiu Graça Foster.

A presidente falou sobre o assunto após participar do lançamento da 6ª edição do Prominp (Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural), que tem como objetivos capacitar a indústria nacional e qualificar pessoal para atender à demanda da companhia nos próximos anos. As inscrições para o processo de seleção pública do Prominp para atender a futura necessidade de mão de obra na indústria nacional de petróleo e gás começam nesta quarta-feira, dia 7 de março.

Graça Foster fez questão de anunciar a nova fase do programa, no qual serão oferecidas 11.671 vagas em 14 estados, para cursos gratuitos em categorias profissionais de níveis básico, médio, técnico e superior. Os estados incluídos no 6º ciclo de seleção pública do Prominp, com o respectivo número de vagas, são: Amazonas (562), Bahia (920), Ceará (212), Espírito Santo (387), Maranhão (130), Minas Gerais (180), Mato Grosso do Sul (708), Pernambuco (384), Rio de Janeiro (4.602), Rio Grande do Norte (485), Rio Grande do Sul (1.192), Santa Catarina (524), Sergipe (364) e São Paulo (1.021).

Petrobras está preocupada com estaleiros

Ela disse ainda que Petrobras está preocupada com a capacidade de os estaleiros instalados no Brasil conseguirem atender a forte demanda de encomendas, principalmente das 35 sondas para o pré-sal, nos próximos anos. Segundo ela, todo o trabalho que vem sendo feito pela companhia, como o lançamento da nova etapa do Prominp (Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural), é justamente para garantir que a indústria nacional possa atender a demanda de forma competitiva e sustentável.

- Todo esse trabalho que fazemos é fruto da nossa preocupação de que a indústria nacional possa nos atender com bases competitivas e sustentáveis. Ser um estaleiro virtual não é um problema, o problema é não fazer nada para deixar de ser virtual, aí é um problema real – afirmou Graça.

Estão sendo chamados estaleiros virtuais aqueles que ainda não existem fisicamente, mas que ganham encomendas da Petrobras a partir das quais são construídos. O Estaleiro Atlântico Sul, em Pernambuco foi um dos primeiros estaleiros virtuais, que só passaram a existir após receber a encomenda de uma série de navios petroleiros da Petrobras.

- Essa solução em relação a pessoal e oferta de serviços é fundamental para conseguirmos nossas metas a partir de 2014/15 – destacou Graça.

A presidente disse que hoje, inclusive, teve uma longa reunião com os executivos da Sete Brasil, empresa que ganhou a licitação para construir ao todo 28 sondas de perfuração no país.

- Tudo que diz respeito a sondas nos preocupa. E tudo tem que ser muito bem administrado e acompanhado – afirmou Graça.

Segundo a presidente, estaleiros virtuais como o da Jurong Aracruz, no Espírito Santo, que ainda não saiu do papel, não estão atrasados.

- Existem uma série de discussões entre as partes que estão buscando um novo modelo de negócios para se tornarem mais eficientes. O contrato que eu tenho é com a Sete Brasil, então a cobrança forte é com eles – afirmou Graça.

Petrobras busca vazamento zero

Ao se referir ao vazamento de gás natural ocorrido na última sexta-feira na plataforma P-51, a presidente da Petrobras disse que a companhia trabalha para não acontecer nenhum vazamento. O total de óleo vazado ano passado foi de 234 mil litros, abaixo do limite máximo fixado pela companhia que é de 600 mil litros por ano.

- A gente planeja vazamento zero. Vazamento é completamente inadmissível, não trabalhamos para contabilizar vazamentos. Mas no ano passado o volume de óleo vazado foi menor do que no ano anterior – destacou Graça.

No ano passado, o total de vazamentos em todas as atividades da Petrobras foi de 234 mil litros, contra 668 mil litros no ano anterior. Esse volume representou uma média de 600 litros por dia para uma produção de 218 milhões de litros por dia de petróleo (2 milhões de barris/dia). A Petrobras destaca que o total de vazamentos de 234 mil litros se refere a todas as atividades da companha da produção, ao refino e transporte. A Petrobras informou ainda que mais da metade do volume de óleo vazado ano passado se referiu a acidentes rodoviários com caminhões da Petrobras Distribuidora.

No ano anterior o volume foi significativamente elevado, de 669 mil litros, devido a um problema em um oleoduto terrestre no Rio Grande do Norte, que apresentou problemas na solda.

27/02/2012 - 08:44h Aumento de preços pressiona Petrobras

Por Cláudia Schüffner | VALOR

Do Rio

O embargo da União Europeia ao petróleo iraniano como represália ao programa nuclear daquele país vai pôr mais pressão sobre os preços da gasolina e diesel comercializados pela Petrobras no Brasil. Tanto o petróleo tipo Brent, usado como referência na Europa, como o WTI, do mercado americano, estão subindo rapidamente. O Brent chegou a ser cotado a US$ 125 na sexta-feira e os contratos para entrega em maio fecharam o dia cotados em US$ 124,48 o barril depois que a Agência Internacional de Energia Atômica divulgou um relatório mostrando um aumento do programa nuclear do Irã e da produção de urânio enriquecido.

No ano, a alta do Brent já chega a 16,48%, ante 12,03% nos últimos 12 meses. Em euro, a cotação na sexta também foi a maior desde julho de 2008. A nova crise internacional do petróleo ocorre em um momento em que a Petrobras está com preços defasados e aumentou importações, pagando em dólar e a preços internacionais pelos derivados trazidos do exterior para suprir o mercado interno.

Essa combinação de fatos aumentou o processo de sangria das receitas da companhia e deve ficar mais crítica com a nova alta dos preços internacionais. A estatal vinha deixando de elevar suas receitas por não vender derivados no Brasil pelos preços que obteria se fossem oferecidos no mercado internacional. Mas, com a retomada de pesadas importações, o impacto dos subsídios passou a ser sentido direto no caixa.

Os resultados da atual política de preços são difíceis de mensurar, pois a Petrobras não divulga detalhes de sua política comercial. Mas não faltam projeções. O Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE) calcula que a estatal teve prejuízo de R$ 3,7 bilhões somente com importações de gasolina e diesel em 2011, valor que pode subir para R$ 6,1 bilhões em 2012. O economista Adriano Pires destaca que o impacto pode ser maior, já que os cálculos foram feitos tomando como base a cotação de US$ 100 o barril de petróleo, com o câmbio a R$ 1,80 e sem considerar reajustes de preços no mercado doméstico.

“Estamos prevendo um crescimento de 20% das vendas, inferior aos 24% de 2011, e crescimento de 240% nas importações em 2012, o que é conservador, já que em 2011, em relação ao ano anterior, elas cresceram 300%. O problema da Petrobras é que sua capacidade de refino bateu no teto e qualquer crescimento adicional será por meio de importações até que as novas refinarias fiquem prontas”, afirma Pires, para quem as perdas totais da Petrobras este ano podem ficar entre R$ 12 bilhões e R$ 15 bilhões.

Um relatório do Bank of America (Bofa) Merrill Lynch, divulgado na sexta-feira, lembra que se o petróleo continuar subindo poderá prejudicar a meta do Brasil de obter um superávit primário de 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2012. Isso porque há riscos ascendentes de uma transmissão dos preços dos combustíveis para a inflação. O analista Marcos Buscaglia, autor do relatório, vê poucos mecanismos para controlar um eventual aumento dos preços. E cita apenas duas possibilidades: a redução da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) ou da mudança do percentual de mistura de etanol na gasolina, ressaltando que elas podem prejudicar a meta de inflação.

A estimativa do Bofa é que os preços da gasolina no Brasil estão com 15% de defasagem em relação aos preços internacionais, enquanto no diesel é de 13%. Esse “desconto” é maior do que a defasagem de 5% e 3%, respectivamente, que existia em março de 2011.

O cenário global pode piorar a partir de 1º de julho, quando entra em vigor o embargo que pode reduzir entre 500 mil e 700 mil barris ao dia – as estimativas variam – as importações dos países membros da União Europeia originárias do Irã. Adicionalmente, os Estados Unidos ameaçam com sanções a quem furar o embargo, o que deve reduzir as compras da India.

Na Zona do Euro, o Deutsche Bank aponta que as maiores reduções das importações serão da Itália (190 mil barris), Espanha (160 mil) e Grécia (120 mil). Esses países já começaram a cortar importações do Irã, que foi substituído pela Arábia Saudita, maior produtor do mundo. O reino saudita tem capacidade ociosa de produção de 2 milhões de barris ao dia, o equivalente à capacidade de produção da Petrobras.

Greg Priddy, diretor global da área de petróleo da consultoria Eurasia Group destaca que nos últimos dois meses houve alta de 300 mil barris nas exportações de petróleo leve da África em direção à China, enquanto, em fevereiro, o Irã exportou 400 mil barris a menos. Ele chama a atenção para o fato de a China ter motivações comerciais para a medida, pois a trading estatal Unipec estava em renegociação do contrato de venda a termo entre os dois países concluído semana passada. Agora, segundo Priddy, a expectativa é de que o Irã tente cooptar compradores, reduzindo seus preços. Para o mercado, essa nova tensão está longe de um desfecho.

27/02/2012 - 08:30h Alta do petróleo já ameaça economia global

Por Javier Blas | Financial Times – VALOR

“Até recentemente eu começava as minhas manhãs verificando o rendimento dos bônus italianos”, diz Ed Yardeni, que trabalha como estrategista financeiro em Wall Street. Não é mais assim. Agora, ele verifica primeiro o preço do petróleo Brent.

Na semana passada, quando os preços do petróleo subiram para mais de US$ 125 por barril, maior patamar desde a guerra civil na Líbia em 2011, a atenção dos investidores mudou nitidamente de direção: da crise na Grécia para a ameaça representada pelo petróleo mais caro.

Se continuar em alta – e a Vitol, maior comercializadora de petróleo independente do mundo, já alertou para a possibilidade de a cotação atingir US$ 150 – então, qualquer perspectiva imediata de recuperação econômica, especialmente na Europa, ela provavelmente perderá força.

Há vários motivos para a alta d preço do petróleo, sendo que o mais importante é a tensão cada vez maior em relação ao programa nuclear iraniano.

As sanções planejadas pela União Europeia (UE) e as ameaças do Irã, de cortar o fornecimento a alguns países europeus, vêm preocupando os operadores do mercado de petróleo.

O petróleo do tipo Brent chegou a recorde, em euros e em libras, na semana passada. Na sexta, atingiu o maior valor em nove meses, de US$ 125,32, impulsionado por um informe da agência de supervisão nuclear da Organização das Nações Unidas (ONU) apontando um grande aumento na produção de urânio de alto grau de enriquecimento pelo Irã.

“O petróleo encaminha-se para um ponto crucial”, afirma Michael Lewis, chefe de análise de commodities no Deutsche Bank, em Londres.

O aumento nos preços do petróleo, justamente quando os EUA começam a dar sinais de sair do atoleiro econômico, é ameaçador para a economia mundial. Quase todas as recessões anteriores dos EUA foram precedidas por grandes aumentos no custo das fontes de energia. O valor da gasolina nos EUA aproxima-se da marca psicológica dos US$ 4 por galão (3,785 litros), nível que provavelmente enfraquecerá a confiança dos consumidores.

Para o economista James Hamilton, da Universidade da Califórnia, em San Diego, que estudou o impacto do preço do petróleo na atividade econômica, “todas as 11 recessões do pós-guerra [nos EUA], menos uma, estiveram associadas a aumentos no preço do petróleo, com a única exceção sendo a de 1960″.

A Europa poderia sofrer impacto maior que os EUA. Apesar de todos os esforços das refinarias da região para assegurar fornecimentos alternativos, a alta desta semana afetará países como Grécia, Itália e Espanha, cujas economias já estão fragilizadas.

Didier Houssin, diretor de mercados de energia e de segurança energética da Agência Internacional de Energia (AIE), o órgão dos países ocidentais de supervisão do setor, disse em conferência nesta semana que os preços elevados do petróleo já agem como um freio ao crescimento econômico.

O “fardo do petróleo”, que indica o custo do produto em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), está perto dos níveis de 2008, quando o petróleo chegou ao recorde, em dólares, de US$ 147.

O Deutsche Bank estima que, mesmo se os preços do petróleo continuarem no nível atual pelo resto do ano, esse indicador aumentará para 5,5%, acima dos 4,8% verificados em 2008 e o maior nível desde 1983.

A alta acentuada do petróleo decorre dos vários casos de interrupção no fornecimento, assim como dos temores quanto ao impacto que as sanções europeias e americanas terão nas exportações iranianas.

A forte demanda por petróleo na Ásia, particularmente no Japão, aumentou ainda mais a tensão no mercado.

Colin Fenton, chefe de análise de commodities no JPMorgan, em Nova York, diz que a onda de valorização é “guiada pela economia e tem raízes reais”. A parcela no preço resultante dos temores com o Irã representa apenas “alguns dólares por barril”, diz.

O Sudão do Sul parou de extrair cerca de 300 mil barris por dia de petróleo com baixo índice de enxofre, um dos mais cobiçados. Inquietações políticas e greves reduziram a produção em cerca de 250 mil barris diários no Iêmen. A Líbia está extraindo cerca de 1 milhão de barris por dia, o que ainda está bem abaixo do patamar pré-guerra civil, de 1,6 milhão de barris. Na Síria, a produção caiu cerca de 150 mil a 200 mil barris por dia, afetada pela agitação política no país.

Essas interrupções no fornecimento pressionaram o mercado físico – em que as entregas realmente ocorrem e não se negocia o petróleo apenas como investimento – a ponto de surpreender executivos de tradings de commodities na Suíça e muitos analistas experientes.

Paul Tossetti, da empresa de consultoria PFC Energy, em Washington, diz que o mercado físico está “apertado e parece que poderia ficar mais apertado”.

O envelhecimento da infraestrutura e dos campos petrolíferos também influencia a alta. A produção de petróleo no Mar do Norte está em queda, e a da Venezuela também vem caindo de forma acentuada.

A demanda na Ásia cresceu, em grande parte porque as geradoras de energia no Japão recorreram ao petróleo como alternativa à energia atômica, depois do terremoto e do tsunami de 2011 e do desastre nuclear na usina de Fukushima.

O analista David Wech, da empresa de consultoria JBC Energy, afirma que o Japão consumiu um total de 635 mil barris diários de petróleo e derivados para gerar de energia em janeiro, mais que o dobro em comparação com um ano atrás.

A AIE, por sua vez, estima que o consumo mundial de petróleo aumentará 830 mil barris diários neste ano, acima da alta de 740 mil barris verificada em 2011.

“Permanece a perspectiva de duas velocidades”, destacou a AIE em seu informe mensal mais recente, no qual antecipa “crescimento robusto na demanda por petróleo” nos países emergentes e continuidade do declínio do consumo na maioria dos países desenvolvidos.

Caso o petróleo encaminhe-se aos US$ 150 por barril, a elevação poderia ter vida curta, se houver repetição do verificado em 2008, quando a recessão levou de novo os preços para baixo. Isso, contudo, serviria de pouco consolo.