05/11/2009 - 12:24h Fundo social do pré-sal é ampliado


Relatório aprovado em comissão da Câmara garante repasse; Palocci afirma que volume de dinheiro é ‘considerável’


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Renato Andrade, BRASÍLIA – O Estado SP

http://robertocordeiro.files.wordpress.com/2009/08/palocci-fabio-rodrigues-pozzebom.jpgO deputado Antônio Palocci (PT-SP) resolveu aumentar o volume de recursos que serão repassados para o Fundo Social do pré-sal. De acordo com o relatório, aprovado ontem na comissão especial da Câmara, todo o dinheiro que o governo receber por meio da cobrança de royalties e participação especial dos campos no pré-sal que já foram licitados será depositado no fundo. Segundo o ex-ministro da Fazenda, o volume de dinheiro é “considerável”.

De acordo com cálculos feitos por um economista a pedido do Estado, a transferência poderia atingir R$ 160 bilhões.

Cerca de 28% da área do pré-sal já foi licitada seguindo as regras vigentes, pela qual a União concede a empresas o direito de explorar petróleo e gás na costa brasileira. Somente os Campos de Tupi, Iara e Parque das Baleias, que fazem parte desse bloco já licitado, podem ter um total de 14 bilhões de barris. Se esse montante fosse completamente retirado hoje, a União receberia R$ 160 bilhões em royalties – uma compensação financeira devida pelas empresas pela exploração – e participação especial, uma espécie de “royalty extra” cobrado nos campos mais rentáveis.

A mudança aprovada ontem vai retirar recursos que seriam repassados para Marinha, Ministério de Ciência e Tecnologia e para um fundo especial administrado pela Fazenda. Apesar de reconhecer o potencial de “polêmica”, Palocci defendeu sua decisão. “Os ministérios já têm royalties e participação especial de tudo o que aconteceu (no modelo de concessão) e terão tudo o que acontecerá (no modelo de partilha).Portanto, é recurso de sobra para esses ministérios realizarem o que for necessário.”

Palocci também alterou um detalhe na regra de investimento do fundo. No texto aprovado, o ex-ministro resolveu autorizar o governo federal a usar “na etapa inicial” de formação do fundo parte dos recursos que serão depositados e não apenas o ganho que será obtido com a aplicação do dinheiro. Na primeira versão do relatório, o ex-ministro havia limitado em cinco anos o espaço de tempo para que isso pudesse ser feito.

Outra comissão, que trata da criação da nova estatal que vai gerenciar os contratos do modelo de partilha, aprovou o parecer do deputado Luiz Fernando Faria (PP-MG). A votação do projeto sobre a capitalização da Petrobrás, entretanto, foi adiada para terça-feira, quando o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), pretende dar início às votações dos pareceres no plenário da Casa.

Ao mesmo tempo em que o governo conseguiu aprovar sem grandes problemas os relatórios dos Fundo Social e da Petro-Sal, a disputa travada entre o Palácio do Planalto e os Estados produtores de petróleo pode comprometer a votação do parecer do líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves, que trata do principal projeto do pacote enviado pelo governo ao Congresso no início de setembro, o que define o novo modelo de exploração.

Alves disse ontem que o aumento concedido no volume dinheiro a ser dividido entre todos os Estados e municípios é “imexível (sic)”, parafraseando a expressão eternizada por Antônio Rogério Magri, que foi ministro do governo Collor.

Rio e Espírito Santo querem que a União ceda parte do dinheiro que receberá com royalties para garantir que os Estados produtores não tenham sua fatia reduzida de 22% para 18%, como previsto no relatório de Alves. O relator admitiu que a votação parecer, prevista para hoje, pode ser adiada.

BNDES

Em Londres, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, disse acreditar que a instituição poderá administrar no exterior os recursos provenientes do pré-sal. Segundo ele, o País receberá um fluxo relevante de capital, sendo que uma parte não poderá ser internalizada para evitar flutuações indevidas no câmbio. A administração de recursos do pré-sal seria uma das funções do BNDES a partir de sua nova base em Londres, inaugurada ontem.

COLABOROU DANIELA MILANESE

28/10/2009 - 10:06h Palocci incluí a saúde entre as beneficiadas com o Fundo do pré-sal

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Congresso: Pedido de vista coletivo adiou a votação do relatório da comissão para terça-feira da próxima semana

Raquel Ulhôa, de Brasília – VALOR

O deputado Antonio Palocci (PT-SP) incluiu a saúde pública entre as áreas que poderão ter programas e projetos financiados pelos rendimentos das aplicações do Fundo Social (FS), a ser constituído com recursos da exploração e produção do petróleo na camada pré-sal – parcela do bônus de assinatura e dos royalties da União, receita da comercialização, resultados de aplicações financeiras e outros, a serem destinados em lei).

Palocci é relator do projeto de lei do governo que cria o FS, de natureza contábil e financeira, vinculado à Presidência da República. Ele apresentou ontem parecer na comissão especial responsável pela análise da proposta antes da votação em plenário. Como era previsto, houve pedido de vista coletivo e a votação ficou marcada para terça-feira.

O texto original do governo previa que as seguintes áreas poderiam ser financiadas pelos recursos do fundo: combate à pobreza, educação, cultura, ciência e tecnologia e mitigação e adaptação às mudanças climáticas. “A saúde foi a área em que mais recebemos demanda [para incluir no projeto], não só da comissão como da sociedade, o que mostra que a área está necessitada de recursos”, disse.

Palocci acrescentou aos recursos do FS já previstos parcela da “participação especial” (compensação governamental que não existirá no novo modelo de exploração, o regime de partilha) e dos royalties da União provenientes da exploração dos blocos de pré-sal já licitados. Essa medida exigirá alteração na legislação dos royalties, já que os blocos já licitados – mesmo tratando-se do pré-sal – seguem as regras do modelo atual de exploração (concessão).

Palocci explicitou no projeto que os recursos do Fundo Social, “finitos por definição”, não poderão financiar gastos permanentes. “Devem ser direcionados para programas e projetos com clara definição de metas, prazos de execução, metodologia de avaliação e análise dos impactos nas áreas de intervenção. Se não cumprirem os objetivos, devem ser extintos”, afirmou o relator.

Foi incluído dispositivo para assegurar que os investimentos e aplicações do fundo serão “preferencialmente” destinados a ativos no exterior, “com a finalidade de mitigar a volatilidade de renda e de preços na economia”. Os programas das áreas contempladas serão financiados com os recursos resultantes do retorno do capital e não com o principal. O relator abriu uma exceção, permitindo o uso de parte do principal nos primeiros cinco anos de composição do FS.

“Queremos que o Fundo Social dure várias décadas. Para isso, temos que usar o rendimento e não o principal. É como uma poupança que uma família tem. Ela usa o rendimento e não o principal, senão a poupança acaba. Queremos uma poupança de longo prazo para atender a várias gerações. Queremos que acumule bilhões de dólares para que anualmente esse fundo produza alguns bilhões que serão investidos em programas e ações nas áreas previstas”, afirmou.

Uma novidade é a inclusão do desenvolvimento regional entre os objetivos do fundo. Segundo Palocci, foi uma reivindicação de muitos parlamentares da comissão. Pelo parecer, os recursos do FS devem respeitar “critérios de redução das desigualdades regionais, priorizando os municípios com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) abaixo da média nacional”.

O relator do projeto que cria a Petro-sal, Luiz Fernando Faria (PP-MG), também apresentou seu parecer ontem à tarde. Ele propõe um período de quatro meses em que diretores da Petro-sal ficarão impedidos de exercer atividade a outra empresa.

Alan Marques/Folha Imagem
Foto Destaque
Palocci, com o presidente da comissão, Rodrigo Rollemberg (PSB-DF): “A saúde foi a área em que mais recebemos demanda”




Palocci inclui áreas já licitadas


Renato Andrade e Leonardo Goy – O Estado SP

O deputado Antonio Palocci (PT-SP) resolveu incluir nova fonte de receita para o fundo social, uma espécie de poupança que o governo criará após a aprovação do modelo de exploração do petróleo da camada pré-sal.

Em relatório apresentado ontem na Câmara, o ex-ministro da Fazenda decidiu destinar ao fundo uma parcela do dinheiro que a União já recebe das empresas que exploram a área do pré-sal.

Além disso, o deputado incluiu a saúde como uma das áreas a serem beneficiadas com recursos da nova reserva e fixou regra que determina que o financiamento de projetos será feito com o ganho das aplicações financeiras do fundo e não com o dinheiro depositado. “As áreas do pré-sal já licitadas estão fora do marco legal que está em debate, mas não podemos esquecer esses recursos, queremos incluí-los no fundo social”, disse Palocci após apresentar seu relatório.

O deputado Luiz Fernando Faria (PP-MG) também apresentou ontem seu parecer sobre a criação da Petro-Sal, estatal que será responsável pela gestão dos contratos de partilha. Apesar das mais de 100 emendas apresentadas, o deputado fez poucas alterações no texto original.

14/10/2009 - 12:12h SABATINA FOLHA: JOSÉ SERGIO GABRIELLI

O petróleo é boa bandeira política

Presidente da Petrobras diz que emissão para capitalizar empresa deve chegar a 3 vezes o valor dos 5 bi de barris que União cederá para a estatal


O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, demonstra confiança nos projetos do governo Lula para mudar o modelo exploração de petróleo. Em sabatina da Folha, disse que a oposição está “atordoada” com as propostas do governo para a exploração das reservas do pré-sal, que as críticas mais agudas vêm de empresas estrangeiras que ainda não exploram a região e que o petróleo sempre foi uma “boa bandeira política”. Gabrielli se diz um “petista histórico”, fundador do partido. Foi diretor financeiro da estatal de 2003 a 2005, quando assumiu a presidência da maior empresa do país.

Jorge Araujo/Folha Imagem
Gabrielli_Folha
O editor de Dinheiro, Sérgio Malbergier, o colunista Vinicius Torres Freire, José Sergio Gabrielli, a colunista Maria Cristina Frias e o repórter especial Valdo Cruz, na sabatina da Folha no Tuca



AGNALDO BRITO – FOLHA SP


DA REPORTAGEM LOCAL

A Petrobras fará uma emissão primária de ações três vezes superior ao valor total dos 5 bilhões de barris que o governo cederá à companhia na chamada operação de capitalização. A transação está prevista num dos quatro projetos de lei em discussão neste momento no Congresso Nacional.
A informação é do presidente da estatal, José Sergio Gabrielli. O executivo -integrante “histórico” do PT (Partido dos Trabalhadores)- participou ontem da sabatina da Folha, realizada no teatro Tuca, em São Paulo.
Foi sabatinado por Maria Cristina Frias, colunista da Folha, Sérgio Malbergier, editor de Dinheiro, o colunista Vinicius Torres Freire e o repórter especial Valdo Cruz. A principal dúvida sobre a dimensão dessa operação de capitalização ainda é o valor que será atribuído a cada barril a ser cedido pela União à Petrobras. Só a partir disso será possível saber qual a cifra que terá de ser desembolsada pelos acionistas da companhia para compra das ações a fim de manterem a mesma participação atual.
Se os acionistas minoritários não conseguirem subscrever um volume de ações equivalente ao que têm hoje, terão participação reduzida. Segundo avaliação de Gabrielli, toda a operação de transferência de reservas do governo para a estatal e a operação de emissão de ações ocorrerá ao longo do primeiro semestre de 2010.
Gabrielli disse que a operação da estatal com o governo é comum no mercado mundial. Em 2008, segundo ele, houve 134 operações com reservas provadas e prováveis no mundo e, até agosto deste ano, outras 42 transações. Os valores entre todos esses negócios, disse ele, variaram de US$ 1,1 a US$ 27 por barril de petróleo. Ele não deu indicações se o valor da negociação com o governo ficará dentro dessa variação. O projeto de lei no Congresso exige auditoria internacional para aferir esse valor.

Questão fiscal
Gabrielli afirmou que o impacto dessa transação no caixa do governo será nulo. Como a cessão dos 5 bilhões de barris será onerosa, a Petrobras pagará ao governo pelo direito de explorar essa reserva. Em troca, a União receberá o equivalente a um terço das ações da companhia. “Do ponto de vista do deficit público, o efeito é zero. O governo no final do dia vai trocar o direito de exploração de 5 bilhões de barris pelo equivalente em ações da Petrobras.
O dinheiro dos outros acionistas ficará no caixa da companhia”, disse. Os 5 bilhões de barris poderão depois ser vendidos pela estatal. O recurso ficará no caixa da companhia.

FGTS
Gabrielli disse que será respeitado o direito dos minoritários em exercer a compra das ações, mas reconheceu um problema no caso dos cotistas do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). Hoje, 2,1% da Petrobras pertencem a cotistas do FGTS. O primeiro problema é que, ao aceitar que os cotistas detentores de ações comprem mais papéis, haverá um benefício para eles em detrimento de outros trabalhadores com recursos no fundo. O segundo problema é legal. A legislação veta a quem não é acionista da empresa o direito de adquirir ações em operações de aumento de capital.
“Há duas assimetrias. Não vamos fazer oferta pública de ações. Quem não tem ações da Petrobras não vai poder comprar. Entre os cotistas do FGTS, a possibilidade de ter mais recursos do FGTS aplicados em ações da Petrobras diferencia-os ainda mais dos cotistas do FGTS não acionistas.”

“Oposição atordoada”
Fora a discussão sobre o FGTS, Gabrielli acha que a discussão do novo modelo no Congresso não enfrenta oposição. Ao contrário do previsto, diz, a oposição tem feito poucas mudanças nos quatro projetos em discussão no Congresso. Gabrielli afirma que “a oposição está atordoada”.
“[Atordoada] porque ela não tem uma proposta de confronto. Entre as 850 emendas, não existe nenhuma grande emenda que seja confrontante dos elementos centrais dos projetos do governo. São pontuais”, disse. Para o presidente da Petrobras, isso mostra o esfriamento de posições contrárias ao modelo de partilha que está em discussão, em substituição ao regime de concessões, que vigora desde 1997.
“Isso mostra o amadurecimento do país, significa que há muito mais convergência do que aparentemente existia. Antes de o governo apresentar o projeto, havia na imprensa uma defesa unânime do modelo de concessões. Hoje, é raríssimo encontrar quem as defenda.”

Ingerência política
Baiano, participante de primeira hora do PT, Gabrielli disse que pode ser demitido do comando da maior companhia do país a qualquer momento. Encarregado por controlar uma empresa responsável por 10% do PIB brasileiro, 12,5% de toda a arrecadação federal e 6,5% das divisas oriundas das exportação, Gabrielli reconheceu que enfrenta pressões políticas no comando da estatal.
“Toda empresa de petróleo, de qualquer país, está sujeita diariamente a pressões políticas, isso é parte da indústria do petróleo. Seja do acionista majoritário ou do governo diretamente. Você acha que a Exxon não sofre influência do governo norte-americano, que a British Petroleum não sofre influência do governo inglês? Claro que sofre”, disse.
Ele negou, porém, que essa ingerência do governo Lula sobre a estatal prejudique os acionistas minoritários, e disse que o modelo de governança adotado pela companhia é uma defesa a qualquer tipo de gestão temerária. “Se tem influência política? Claro que tem. Mas a companhia tem uma estrutura de governança interna, tudo passa por vários comitês, são inúmeros pareceres, o processo de revisão é grande.”

Critica externa
Gabrielli disse durante a sabatina que uma parte das companhias estrangeiras de petróleo mobiliza grupos de resistência no país contra a decisão do governo de alterar o modelo de exploração do petróleo. Segundo ele, são empresas que não apostaram no país ao longo das nove rodadas de licitação de blocos. “As empresas que não assumiram risco, algumas europeias, algumas norte-americanas, são hoje as mais vocais contra o novo projeto de lei. Não assumiram o risco, agora vão trabalhar com nova regra”, disse.

Veja a íntegra da sabatina com José Sergio Gabrielli

www.folha.com.br/092861

07/10/2009 - 12:33h Equipe de juristas do governo convencem deputados a defender Petrobras como operadora única

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Ministros convencem governistas

Arnaldo Galvão e Paulo Victor Braga, de Brasília – VALOR

Uma equipe interministerial de juristas convenceu os deputados Arlindo Chinaglia (PT-SP) e Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) de que a Constituição e a jurisprudência do Supremo Tribunal federal (STF) autorizam a Petrobras a ser a única operadora do pré-sal. Segundo o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, os dois parlamentares tinham “certa insegurança” sobre o assunto, mas saíram “tranquilos” de reunião realizada na manhã de ontem, em Brasília. Chinaglia preside a comissão especial que analisa o projeto de partilha das riquezas do pré-sal e Alves é o relator.

Para Lobão, que participou ontem à tarde de audiência da comissão especial que analisa a criação da Petro-sal, não há razão para impedir que a Petrobras seja a operadora única. Ele argumentou que, atualmente, a empresa já é a operadora em aproximadamente 80% dos campos de petróleo licitados no regime de concessão. “Ela [Petrobras] conseguiu todo o êxito que temos. Somos autossuficientes graças a ela, que tem atuação em mais de 22% dos campos do mundo. Portanto, não se diga que ela não tem condição de ser a operadora do pré-sal”, afirmou.

Chinaglia disse ao Valor que Alves vem sendo questionado por deputados que julgam polêmica a contratação direta da Petrobras pela União, sem licitação, possibilidade que consta do projeto enviado pelo governo. Apesar dessa dúvida, ele disse que as explicações dadas por juristas de várias áreas do governo foram “consistentes”. “A garantia constitucional é a de que se trata de um monopólio com características diferentes das aplicadas ao regime da mineração”, explicou.

Lobão revelou ontem que o governo terá de escolher outro nome para a empresa – batizada de Petro-sal – que vai administrar os contratos de partilha e comercialização de petróleo e gás natural. Citou sugestões apresentadas na Câmara, como Petromar, Petrosal do Brasil, Petrobras-Sal e Petrobrasil, mas explicou que terá de ser feita consulta ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi) para não se cometer novo equívoco – a marca Petro-sal já havia sido registrada por um empresário. A palavra final será do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

De acordo com Lobão, representantes do governo perderam contato com o empresário dono da marca Petro-sal. “Fizemos uma tentativa inicial apelando ao patriotismo, mas reconhecemos o direito dele de ceder ou não o título.”

Ao participar de audiência pública sobre o projeto de partilha das riquezas do pré-sal, o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, revelou que a primeira turma de funcionários da Petro-sal será formada por aposentados da Petrobras. “Eles têm o conhecimento necessário para exercer essa função e o mercado não está pronto para fornecer funcionários em um primeiro momento”, explicou.

Lobão também disse ser impossível que a Petro-sal seja transformada em reduto político do PMDB do Maranhão. Prometeu que serão escolhidos apenas os melhores nomes, sem discriminação. “Criticavam Getúlio Vargas por escolher muitos gaúchos para o governo. Ele respondia que, realmente, eram do Rio Grande do Sul, mas eram os melhores. Se o Maranhão tiver os melhores, vamos escolher os maranhenses”, ironizou.

O ministro garantiu que os projetos do pré-sal não significam uma nova estatização da economia. Ele explicou que o objetivo da União é apenas apropriar-se da riqueza – hoje, pelo regime de concessão, a maior parte dos recursos do petróleo fica com as empresas. Sobre o regime de partilha, afirmou que esse é o modelo usado por 80% dos países produtores de petróleo e se adapta às maiores concentrações de riqueza ou “áreas generosas”. Onde há maior risco exploratório, explicou o prêmio para o investidor tem de ser maior e, para isso, existe o regime de concessão. Outra preocupação do governo, segundo Lobão, é gerar empregos no Brasil.

Gabrielli defendeu a Petrobras como operadora única nos campos do pré-sal. Disse que a Lei 9.478, de 1998, não foi a responsável pelo aumento de produção de petróleo ocorrida de lá para cá. A lei abriu o mercado brasileiro para empresas internacionais, mas, segundo ele, o aumento da produção se deu por causa de poços que já haviam sido descobertos antes da quebra do monopólio estatal. “Não posso dizer que a lei em vigor é ruim, mas estamos em um momento econômico muito diferente do que estávamos em 1997″, comentou, ressaltando que o Brasil deixou de ser importador e passou a exportar petróleo.

Esse salto na produção, para Gabrielli, teve como único motivo o trabalho da empresa. Na interpretação dele, é um equívoco atribuir essa evolução à competição gerada pelas empresas privadas que ingressaram no mercado brasileiro.

02/10/2009 - 13:45h CNI focará pressão no Legislativo contra Petrobras como operadora única

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Danilo Fariello, de Brasília – VALOR

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) fechou ontem uma posição oficial a ser encaminhada a governo e parlamentares sobre os projetos de lei que tratam do pré-sal. Resignados sobre a tentativa de estimular o governo a rever o sistema de partilha da produção do óleo, o foco das demandas dos industriais estará no estabelecimento da Petrobras como operadora única dos campos e sobre os poderes que serão concedidos à nova estatal do setor, inicialmente chamada de Petro-sal.

Depois de reunir-se com o presidente da Petrobras no início da semana, José de Freitas Mascarenhas, presidente do conselho de infraestrutura da CNI, considerou “ingênua” a visão de José Sérgio Gabrielli ao minimizar a importância de a empresa ser operadora única. “Quem não tem competidor não é capaz de aferir sua maior eficiência. Fugir disso é fugir do que a sociedade quer” No debate na sede da Confederação, com representantes da indústria, do Ministério de Minas e Energia, do BNDES e do setor acadêmico, ficou evidente a preocupação dos potenciais fornecedores da estatal em tê-la como compradora única de seus produtos.

“A Petrobras peca por ter uma visão de si muito além do que seria razoável. Às vezes ela é mais que um Estado dentro do Estado”, acrescentou Mascarenhas.

Os industriais acreditam que o modelo atual de concessões para a exploração do petróleo poderia ser adotado no pré-sal com apenas algumas modificações. Porém, o clima na reunião era de batalha perdida com relação à tentativa de dissuadir o governo sobre o modelo de partilha.

Na mesmo evento, o representante da Associação Brasileira da Indústria Quimica (Abiquim), Roberto Ramos, defendeu que o novo marco regulatório do pré-sal tenha um tratamento diferenciado para o gás que será extraído das reservas. Na visão de Ramos, o sistema de partilha prevê que o governo terá também uma grande parte da produção de gás produzido, mas essa matéria-prima é muito menos rentável do que o petróleo, por isso a tarifação pode encarecer muito o seu aproveitamento.

A expectativa da associação é de grande volume de produção de gás nas aréas do pré-sal, mas, segundo Ramos, pelo modelo atual, ele poderia chegar às indústrias a preço acima dos US$ 9 dólares por milhão de BTU (Unidade Térmica Britânica, usada como referência de preços). É por volta desse preço que o gás importado da Bolívia chega às indústrias do Sul e Sudeste hoje.

Na avaliação de Ramos, com dados preliminares, o gás do pré-sal é de alta qualidade e muito mais rico do que a proporção entre barris de petróleo e gás na Bacia de Campos, embora existam importantes problemas tecnológicos para seu aproveitamento.

Atualmente, a Petrobras usa cerca de 15% do gás para convertê-lo em energia elétrica para as próprias plataformas na Bacia de Campos, diz Ramos. Ele prevê que, para o pré-sal, será necessário usar 25% da produção de gás para o próprio sistema, segundo cálculos preliminares conservadores da Abiquim. “De cada cem mil barris extraídos, é possível gerar cerca de 100 MW.”

Além desses 25%, mais gás pode ser reinjetado na terra para manter a pressão dos campos e evitar que ele seja jogado no ambiente, explicou. Ontem, a empresa anunciou que em novembro iniciará testes no campo terrestre de Miranga, na Bahia, para avaliar a tecnologia que poderá ser adotada para reinjeção de gás em alta pressão no pré-sal.

O desafio ambiental é grande já que, se jogado na atmosfera, o gás do pré-sal levaria ao ar 7 milhões de toneladas de gás carbônico por dia, ou 3,5% das emissões atuais brasileiras. Durante o debate, foi lembrado ainda que, mesmo antes da crise, o preço do gás nos EUA sempre esteve abaixo do preço no Brasil, de US$ 9 o milhão de BTU. Atualmente, o preço do gás americano é de cerca de US$ 3,00 pela mesma unidade de referência.

28/09/2009 - 10:42h Pré-sal: Proposta que muda regime de produção e exploração é o principal alvo do bloco PSDB-DEM

Congresso: DEM é o campeão de emendas ao pré-sal

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José Cruz / ABr
Foto Destaque
Rodrigo Maia: “O regime de concessões Fortaleceu as empresas e permitiu que elas investissem no setor sem excluir o Estado”

Raymundo Costa e Raquel Ulhôa, de Brasília – VALOR

As duas principais alianças partidárias à sucessão presidencial, em 2010, disputam também a primazia das mudanças nos quatro projetos do pré-sal enviados pelo governo ao Congresso. O bloco PSDB-DEM concentrou suas forças na proposta que trata da troca do modelo de concessão pelo regime de partilha na exploração do óleo. Foram 271 emendas do total de 836 apresentadas aos quatro projetos. O PT e o PMDB apresentaram, somadas, 230 emendas. Mas suas prioridades foram o Fundo Social.

Na depuração das emendas propostas, o Democratas foi o campeão no ataque ao projeto que trata da exploração e produção de óleo: 70, ao todo, contra 59 do PMDB, 48 do PSDB e 32 do PT. “Essa ofensiva não foi articulada, mas mostra a identidade da bancada com uma linha na qual partido acredita”, disse o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ).

O Democratas foi um dos partidos que mais se preparou para o debate do pré-sal, proposta que trata de questões programáticas essenciais ao partido. Outro foi o PCdoB, sigla diretamente interessada no assunto pela simples razão de que um filiado, Haroldo Lima, é o diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Logo após os quatro grandes partidos, o PCdoB é a quinta legenda com maior número de emendas (70).

Tão logo foram divulgados os projetos, DEM e PCdoB trataram de se preparar para o embate no Congresso. Os comunistas fizeram debates na Câmara; o DEM, duas reuniões da bancada – uma com consultores da área energética e outra com a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan). Já a Executiva Nacional discutiu os projetos com o economista Cláudio Adilson, que é consultor do partido.

“Somos contra o regime de partilha por duas razões: ele é inconstitucional e pela defesa que nos cabe fazer do modelo atual: o regime de concessão fortaleceu a Petrobras”, diz Rodrigo Maia. “Fortaleceu as empresas e permitiu que elas investissem no setor sem excluir o Estado. É um modelo nem liberal, nem estatizante. É híbrido”, acrescentou.

Mas o maior número de emendas apresentadas ao projeto que trata da partilha não é sobre o regime de exploração e produção. É sobre o assunto que divide Estados e que, se puder, o relator da proposta, o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), deixa para ser discutido apenas em 2011: a divisão dos royalties. “Mais das metade (das emendas) trata de royalties e participação especial”, diz Alves.

Os representantes dos Estados produtores, entretanto, acham que é assunto a ser definido agora, pois do contrário não será tratado tão cedo. Argumentam que a disputa entre os Estados é um falso debate estimulado pela União: ao contrário do que estaria sugerindo o governo federal, os Estados produtores querem sim que os demais Estados sejam beneficiados, mas com o que couber à parte da União.

O segundo maior bloco é de emendas que discordam do modelo da partilha. “Sobre essas, a possibilidade (de mudança) é zero”, diz o relator Henrique Alves. “O modelo da partilha é indiscutível, irreversível e quem não se convenceu vai se convencer”. Alves também acha que regime especial – defendido pelos Estados produtores – não cabe na partilha. O deputado também lembra que atualmente 28% do pré-sal já são explorados sob o regime de concessão.

Os dois extremos do espectro político, o PT, com 15 emendas, e o DEM, com 14, foram os partidos que mais se interessaram pelo projeto referente à capitalização da Petrobras. A comissão especial que vai analisar o assunto é a única a ter um representante da oposição entre os oito cargos-chave dos projetos do pré-sal.

Trata-se do deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP), presidente da comissão de capitalização. Ele vai defender que os acionistas que usaram o FGTS para comprar ações da Petrobras possam novamente recorrer o fundo para aumentar sua participação na empresa. Jardim diz que essa é a tendência da comissão especial.

O PL que cria o Fundo Social recebeu mais sugestões de mudança do PMDB (58) e PT (54). A deputada Iriny Lopes (PT-ES) foi o desaguadouro das emendas apresentadas pelos movimentos sociais e sindicais. A maior parte das emendas ao FS destina dinheiro para a Saúde (cerca de 25%). O problema, nesse caso, será o relator Antonio Palocci (PT-SP): o deputado já declarou que é contrário à pulverização dos recursos.

O cientista político Cristiano Noronha, da consultora Arko Advice, chama a atenção para o interesse despertado nas bancadas: 16 das 19 siglas representadas na Câmara apresentaram propostas de modificações.

“O PT está entre os quatro da lista que mais apresentaram sugestões, o que quer dizer que nem mesmo no partido do presidente da República os projetos são consensuais”, diz Noronha. Ele chama a atenção para o fato de que o governo federal também se deu conta da importância estratégica do Fundo Social, tanto que deslocou Palocci da relatoria do projeto de capitalização da Petrobras para a do FS.

A Arko Advice também concluiu na última quinta-feira uma pesquisa sobre a expectativa da Câmara em relação à votação do projeto. Dos 272 deputados ouvidos (mais que a maioria absoluta), 73,28% disseram acreditar que os projetos do pré-sal serão aprovados neste ano.

23/09/2009 - 10:41h Dilma defende monopólio da Petrobrás no pré-sal

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Renato Andrade, BRASÍLIA – O Estado SP

O governo resolveu ontem sair em defesa da proposta de fixação da Petrobrás como operadora única da área do pré-sal, um dos pontos mais criticados no novo modelo de exploração proposto pelo Palácio do Planalto. Durante seminário realizado em Brasília, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirmou que o mecanismo é fundamental para que haja um “controle” sobre a riqueza a ser explorada. O presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, também apontou vantagens econômicas da proposta. Na contramão, o senador Delcídio Amaral (PT-MS) questionou a validade da ideia e deixou claro que os projetos encaminhados ao Congresso serão alterados.

“A operação é algo que leva ao conhecimento estratégico sobre a bacia que você explora, e você dita também o ritmo de produção, a forma pela qual se vai organizar a demanda por serviços e o padrão tecnológico”, disse Dilma durante sua apresentação. “Isso permite que haja um controle do País sobre essa riqueza.” Gabrielli, por sua vez, argumentou que a importância do operador único é “maximizar” a capacidade de produção, além de conseguir baixar os custos das instalações da infraestrutura exigida.

O setor privado e a oposição no Congresso têm questionado a ideia. O projeto que estabelece o novo modelo, encaminhado aos parlamentares no início do mês, recebeu 350 emendas, dentre elas, algumas do PSDB e do DEM propondo a derrubada do monopólio da estatal.

Presente ao seminário, o presidente do Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP), João Carlos De Luca, voltou a afirmar que tem “divergências” sobre o tema e considera que a manutenção da Petrobrás como operadora única pode inviabilizar a exploração de campos de menor porte. “As empresas privadas têm a justa ambição de também serem operadoras”, disse.

Uma das ideias defendidas pelo IBP é permitir que outras empresas possam operar os campos considerados de menor capacidade. Gabrielli, entretanto, mostrou que a Petrobrás jogará de acordo com as regras estabelecidas. “Se a lei diz que não pode isso, você tem que se preparar para isso.”

MUDANÇAS

O senador Delcídio, que já foi diretor da Petrobrás, deixou claro em sua intervenção que os projetos não passarão pelo Congresso sem sofrer “mudanças e aperfeiçoamentos”. Mesmo afirmando que não vê problemas em defender as propostas do governo, o petista questionou a ideia do operador único. “Será que vale a pena? Será que não é melhor abrir isso?”, disse Delcídio, em linha com a defesa do IBP.

O senador também criticou o peso que a nova estatal a ser criada terá nos comitês operacionais, o que também é criticado pela indústria petrolífera. “Não sei nem se a Petrobrás quer ter alguém dentro do comitê com tamanha força”, disse. Pela proposta, o presidente da Petro-Sal presidirá os comitês e terá poder de veto nas decisões a serem tomadas.

Dilma evitou criticar diretamente a proposta de alteração defendida pela oposição no Congresso, e disse que os argumentos em favor de mudanças nos projetos devem ser “considerados” no debate. Ainda assim, a ministra afirmou que a fixação da Petrobrás como operadora única é uma “cláusula muito importante” do projeto.

22/09/2009 - 11:25h IBP têm como alvo a contratação da Petrobras como operadora única e o poder conferido à Petro-sal

Para IBP, projetos do pré-sal, sem emendas, inibirão investimentos


Leo Pinheiro / Valor

Foto Destaque
De Luca: “Sem dúvida, essa faculdade irá desestimular o investimento”

Ana Paula Grabois e Rafael Rosas, do Rio – VALOR

As empresas privadas do setor de petróleo ameaçam investir menos caso a marco regulatório do pré-sal enviado ao Congresso pelo governo seja aprovado sem alterações. O Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), que congrega as empresas nacionais e estrangeiras com atuação no país, teme que o fortalecimento da atuação do Estado nos projetos de lei enviados pelo governo ao Congresso acabe por inibir os investimentos privados e enviou na semana 13 emendas a deputados federais de oito partidos. As principais críticas aos projetos têm como alvo a contratação da Petrobras como operadora única (com participação mínima de 30% nos projetos) e o poder conferido à Petro-sal, estatal que vai gerir a exploração na nova área petrolífera.

Conforme um dos quatro projetos do governo, a Petro-sal deve representar pelo menos 50% dos integrantes do comitê operacional, a presidência desse comitê, terá o direito do voto de minerva e direito de veto. “Sem dúvida, essa faculdade irá desestimular o investimento. É um tremendo desequilíbrio entre o poder de decisão desses membros e o das empresas. Afinal, não é razoável esperar que os sócios, que estarão financiando 100% do projeto, inclusive a Petrobras, tenham que resignar-se ao absoluto poder de veto de cada um de seus integrantes e que não assumem risco financeiro”, disse o presidente do IBP, João Carlos de Luca, que participou de seminário sobre os riscos e oportunidades do pré-sal, na Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). “O que nos preocupa ainda e que não reforça o interesse das empresas é a questão do operador único, que remeteria a um papel absolutamente secundário todas as outras empresas. E nós vemos que há oportunidade para todas poderem atuar e trazer tecnologia para o país”, afirmou De Luca.

Para o ex-presidente da Statoil Hydro no Brasil, Jorge Camargo, a obrigação de tornar a Petrobras operadora única dos blocos pode aumentar os custos e riscos de exploração da região. “Essa é a decisão que mais limita ou até retira o valor do pré-sal no Brasil”, frisou Camargo. O executivo, que a partir do ano que vem será conselheiro da companhia norueguesa no Brasil, ressaltou que a estatal, como operadora única, pode ter que explorar áreas independentemente do seu interesse, seguindo propostas que foram formuladas por outras companhias, de outros consórcios. Camargo também criticou o excessivo poder dado à Petro-Sal, pois trata-se de um sócio que não fará investimentos e terá o poder de vetar propostas comerciais. “Esse não é o melhor modelo para atrair investimentos”, disse. “Na minha experiência, decisões estratégicas, de governo, de controle, de ritmo de produção, têm que ser tomadas acima, fora dos comitês operacionais”, acrescentou.

No seminário, que reuniu parlamentares da bancada do Rio de diferentes partidos, executivos do setor e o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB), foi pedido mais tempo para debater o novo marco regulatório do pré-sal. O deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), presidente e relator da comissão do pré-sal, foi pouco receptivo ao que ouviu. Pretende colocar em votação o assunto no dia 10 de novembro, em linha com o acordo fechado entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB). A tramitação rápida não vai significar pouco debate. “Imaginar que um deputado ou senador vota em um assunto como esse sem saber é como acreditar em Papai Noel. Frente aos recursos envolvidos, à dimensão que isso tem para o país, é um falso argumento dizer que não se conhece a matéria”, disse.

O deputado acredita ainda que a oposição perde ao pedir mais prazo. A maior parte das emendas do IBP foi aceitas por parlamentares do DEM e do PSDB. “Esse tema pode decidir as eleições no ano que vem. Se eu fosse da oposição, preferiria resolver agora”, afirmou.

No seminário, o ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luiz Carlos Mendonça de Barros, alertou para o risco aos acionistas minoritários da Petrobras no projeto de capitalização da estatal. A captação terá que respeitar não apenas a Lei das S.A. existente no Brasil, como as normas da Securities and Exchange Commission (SEC), reguladora do mercado de capitais nos Estados Unidos, onde a empresa tem ações negociadas em bolsa. “O governo tem que prestar satisfação, do lado interno, ao TCU (Tribunal de Contas da União) e, ao mesmo tempo, o preço não pode agredir o minoritário. É uma operação muito complicada e pode haver conflito.”

22/09/2009 - 10:57h Oposição ataca monopólio da Petrobrás no pré-sal

Projeto que torna estatal única operadora recebe 350 emendas na Câmara

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Renato Andrade, BRASÍLIA – O Estado SP

A definição da Petrobrás como única operadora do pré-sal será o foco do embate entre oposição e governo na discussão, na Câmara dos Deputados, sobre os quatro projetos que estabelecem o novo marco regulatório para a exploração de petróleo e gás no País. Deputados do PSDB e do DEM encaminharam emendas derrubando o monopólio pretendido pelo Palácio do Planalto. Ao todo, os quatro projetos apresentados pelo governo receberam 823 emendas na Câmara.

“A previsão legal de um monopólio ou reserva de mercado para a Petrobrás não se justifica em hipótese alguma”, afirmou o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA) na justificativa de uma das emendas ao projeto que estabelece o modelo de partilha de produção.

No projeto original, o governo estabelece que a estatal será a única responsável pela condução e execução de todas as atividades de exploração, avaliação, desenvolvimento, produção e desativação das instalações de exploração e produção da área. Esse foi um dos pontos criticados por representantes do Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP) nos projetos apresentados pelo governo.

“A outorga de tais privilégios à Petrobrás constituiria hipótese de enriquecimento sem causa da empresa, e seu capital privado, em detrimento de toda a sociedade brasileira”, disse Aleluia.

Ao todo, o projeto que define o modelo de partilha para a exploração do pré-sal recebeu 350 emendas. O projeto que cria o Fundo Social, que funcionará como uma espécie de poupança dos recursos obtidos, ficou em segundo lugar, com 301 emendas, seguido pelo da criação da Petro-Sal, com 105 emendas , e o da capitalização da Petrobrás, com 67.

Apesar das reclamações sobre a substituição do modelo atual de exploração, feito por meio de concessões, a oposição resolveu não concentrar suas críticas nos questionamentos do modelo, evitando a possibilidade de transformar a discussão em um debate ideológico com o governo Lula às vésperas de uma eleição presidencial.

Ainda assim, alguns parlamentares chegaram a apresentar alterações no modelo. O deputado Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB-ES) propôs a criação de um regime único misto de concessão e partilha. Pela proposta, a exclusividade pretendida da Petrobrás como operadora cai. “Não há como se garantir, abstratamente como pretende o projeto de Lei, que a Petrobrás é a empresa que melhor desempenhará a atividade de operação dos blocos”, afirmou o deputado na justificativa da emenda.

As quatro comissões especiais criadas para discutir os projetos começam seus trabalhos essa semana. E o início das votações está previsto para o dia 10 de novembro.

09/09/2009 - 13:51h Financial Times entrevista Dilma Rousseff

Blog de Azenha

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A entrevista de Dilma ao Financial Times (1)

Atualizado em 09 de setembro de 2009 às 09:17 | Publicado em 08 de setembro de 2009 às 22:58

Primeira parte de entrevista publicada na edição de 7 de setembro do diário britânico Financial Times:

Jonathan Wheatley: Primeiro, por que é este o melhor modelo para o Brasil e para o pré-sal?

Dilma Rousseff: Por que o que?

FT: Por que escolher esse modelo?

DR: Porque esse modelo é certo para a quantidade de petróleo que temos, para o pequeno risco exploratório e por causa dos altos níveis de retorno. Nós queremos manter uma parte maior dos lucros do petróleo.

FT: Vocês se inspiraram em outros modelos de outros lugares do mundo?

DR: Nós estudamos todos os modelos existentes. Cada país escolheu o modelo certo para sua própria história na indústria do petróleo e o que melhor se encaixa em suas necessidades. Somos um país com características próprias.

Desde o início de nossa história na indústria do petróleo havia uma grande interrogação sobre se tinhamos ou não petróleo. As pessoas diziam geralmente que não e que nossas condições geológicas significavam que não tínhamos petróleo. Por nossa conta e risco nós começamos a buscar petróleo em terra. E de fato foi um processo muito difícil. Nós fomos para a água e foi uma longa jornada, primeiro em águas rasas, depois em águas profundas, e agora em águas ultraprofundas.

Não tivemos transferência de tecnologia como outros países tiveram. Nós criamos as circunstâncias para chegar onde estamos, com o pré-sal. Ao produzir petróleo criamos uma grande companhia de petróleo com sua própria tecnologia. Ao mesmo tempo somos um país com uma base industrial diversificada e um grande mercado consumidor.

Agora temos uma oportunidade dupla. Podemos transformar a riqueza natural em riqueza social, para avançar a luta contra a pobreza. Nós acabaríamos com a pobreza no Brasil de qualquer forma, mas o pré-sal vai adiantar isso em anos porque teremos mais recursos para fazê-lo. Teremos educação de alta qualidade, vamos investir em ciência e tecnologia. E ao mesmo tempo temos a chance de criar um indústria de serviços e equipamentos para acrescentar valor ao nosso petróleo.

Assim, a grande pergunta é, o que deveríamos fazer para ficar com uma parte maior da renda do petróleo? Quando você tira petróleo do chão você cria riqueza, já que o custo de produção é muito menor que seu preço final. Quando você recupera os custos e dá um bom retorno ao capital investido, ainda sobra renda. A questão é quem deve ficar com essa renda extra. Escolhemos o modelo de produção compartilhada como forma de ficar com essa renda extra. Ao mesmo tempo temos claro os aspectos da geopolítica do petróleo.

FT: O que isso significa?

DR: O que isso significa? Que países produtores e países consumidores tem interesses distintos. E que hoje 77% das reservas estão nas mãos de companhias nacionais de petróleo, companhias estatais. É de nosso interesse garantir que quaisquer parcerias que o país fizer sejam de grande importância.

FT: Parcerias com?

DR: Com outros países, para fornecer petróleo. Para vender petróleo.

FT: Há algumas coisas que…

DR: Para suprir o mercado internacional de petróleo. Nós somos um país com instituições estáveis, com regras claras, que não rompe contratos, que estamos no Ocidente, e portanto somos um fornecedor de quem se pode depender. Eu não acredito que haja alguém que não queira uma relação conosco. Não estamos em uma área de turbulência, não temos conflitos étnicos e respeitamos contratos. Então, penso que somos extremamente atrativos.

FT: Qual será o papel de outras companhias na indústria de petróleo?

DR: Elas terão um papel importante. Por que? Porque essa é uma parceria que é de interesse para nós, mas é de nosso interesse em nossos termos. Não temos razão para acreditar que toda a renda tem de ser transferida para companhias internacionais de petróleo ou companhias nacionais de petróleo de outros países para atraí-las ao Brasil.

Sabemos que as companhias internacionais de petróleo sabem que as regras do jogo podem mudar quando se passa a uma situação de baixo risco exploratório e de grande lucratividade. Considere os dois grandes blocos que encontramos, Tupi e Iara. Em Tupi temos entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris; em Iara temos entre 2 e 4 bilhões de barris. Então eu te pergunto, por que não seria atrativo para as companhias internacionais de petróleo participar no processo do pré-sal se a questão estratégica de acesso às reservas é garantida por nós? Se você tiver 10 por cento de um bloco de 8 bilhões de barris você tem 800 milhões de barris. Quando você considera que um bloco é considerado grande de 500 a 600 milhões de barris, não vejo qual é o problema.

FT: Uma problema que me foi apresentado é de que as companhias estrangeiras não serão operadoras, elas serão convidadas para ser pouco mais que investidoras de capital.

DR: Não. Não. Elas serão convidadas a participar nos blocos de operação. Hoje, por exemplo, no pré-sal, por que uma companhia internacional de petróleo quer ser parceira da Petrobras?

FT: Para participar do risco e da recompensa?

DR: Não. Não. Porque elas ganham com a transferência de tecnologia da Petrobras. Qual é a diferença entre a Petrobras e qualquer outra grande companhia internacional de petróleo? A Petrobras faz 22% por cento da exploração em águas profundas do mundo. As outras duas companhias privadas mais próximas tem 14% cada. Assim, a Petrobras está no mesmo nível das grandes companhias internacionais de petróleo em termos de conhecimento das águas profundas. Mas aqui no Brasil qual é o grande diferencial? Você sabe qual é?

FT: Qual?

DR: Que a Petrobras conhece os campos sedimentários brasileiros em águas profundas. Já os conhece. E esse conhecimento, você sabe o que produz? Reduz riscos. Se você reduz o risco, você sabe o que isso produz? Alta rentabilidade. Por que argumentamos que a Petrobras deve ser a operadora? Porque ser a operadora significa ter acesso a tecnologia, ditar o ritmo de produção e, ao mesmo tempo, a adoção da tecnologia específica mais apropriada àquela área.

Não vemos qualquer obstáculo a que as companhias internacionais de petróleo participem conosco. Elas terão um papel ativo nos comitês operacionais, op com. Por que elas terão um papel fundamental? Porque… como trabalha o comitê operacional? Todo mundo se senta, certo? E discute o melhor… o operador vai, apresenta seu projeto operacional. E os outros, que tem conhecimento, sem qualquer dúvida, eles discutem se deveria ser desse jeito ou daquele. A Petrobras obviamente vai usar empresas de serviços como qualquer outra companhia internacional.  As companhias tradicionais de serviços, como a Halliburton e outras.

FT: Um comentário que ouvi é de que no Golfo do México, nos Estados Unidos, há mais de 100 companhias operando e que elas se entenderam enquanto faziam. Elas desenvolveram tecnologia em parcerias, atuando, e há uma preocupação de que desde que essas companhias serão minoritárias em qualquer comitê de operação [no pré-sal] vão se dispor menos a trocar tecnologia.

DR: Posso dizer algo? Eu não penso que as tecnologias existentes e disponíveis são segredos tecnológicos. O que faz a diferença entre uma companhia e outra é o conhecimento que ela tem daquele campo, daquela região. Não temos exatamente uma companhia de baixa tecnologia na Petrobras. Se fosse assim não haveria explicação para o número de premios que a Petrobras ganhou da OTC (Conferência de Tecnologia Offshore); na verdade fui a um OTC em Houston para receber um deles, como presidente do conselho.

Assim, não acredito que haja qualquer questão sobre se a Petrobras será excluída de acesso a tecnologia. É muito pouco provável, se você é uma companhia que tem um campo e o que está em jogo é a renda de 600 milhões de barris, que você não vá investir nas melhores práticas. É pouco provável, ninguém dá tiro no próprio pé nessa área, ninguem. De outro parte, estou certa de que nessas parcerias, hoje, as pessoas estão minimizando o papel que todas essas companhias internacionais de serviços jogam. Elas estão sendo subestimadas. Porque nenhuma dessas companhias de petróleo opera sem elas, não que eu saiba.

FT: Ok. Outra dúvida que as pessoas tem é sobre a capacidade de investimento da Petrobras. De onde virá o dinheiro? E gostaria de entender essa questão do…

DR: De onde vem o dinheiro de uma companhia internacional de petróleo? O que você pensa?

FT: Dos acionistas, dos lucros…

DR: Uh uh, na na na. Do tamanho de suas reservas. Se você é um banco, a quem empresta? A uma que tenha reservas. Por que você acha que as pessoas emprestam à Petrobras? Hoje. Por que você acha que nós, no meio de uma crise, temos acesso a dinheiro? Esse argumento não tem base. A idéia de que as companhias de petróleo não vão investir… não acredito nisso por um minuto. Você acredita?

FT: Bem, não tenho opinião, mas pessoas expressaram dúvidas.

DR: Estou te perguntando se é plausível. É o que estou perguntando. A Petrobras terá acesso a financiamentos? Penso que sim. E acho que as companhias internacionais de petróleo vão participar desse investimento.

FT: Explique como a capitalização da Petrobras vai funcionar. São 5 bilhões de barris…

DR: Deixe-me voltar à questão do financiamento. Não estamos tirando as companhias internacionais de petróleo do investimento. É por isso que perguntei a você se é plausível. Estamos dizendo, olhe, venha e participe conosco porque você terá acesso a reservas enormes. A Petrobras será a operadora, o que reduz o risco por causa do conhecimento dela sobre os campos, e você terá um retorno adequado porque as reservas são grandes e você, a companhia internacional de petróleo, será capaz de colocar em seu balanço essas reservas às quais ganhará acesso nos leilões.

Vamos supor que a companhia obtém 600 milhões de barris, poderá registrá-los e será capaz de se financiar da mesma forma que a Petrobras. Então não acreditamos que o financiamento virá só da Petrobras, nem só das companhias internacionais de petróleo, nem só dos bancos. Virá da melhor combinação possível entre os três. É por isso que digo que não acredito ser plausível supor que se o arranjo é dessa forma ou daquela outra, isso vá reduzir o acesso ao capital. O que garante o acesso ao capital para uma companhia de petróleo e permite que ela se financie é precisamente a quantia de reservas de que dispõe.

FT: Mas a dúvida é…

DR: É um círculo virtuoso.

FT: Mas a dúvida é sobre de onde vem o capital que colocará esses poços em produção. Por exemplo, Tupi tem de 5 a 8 bilhões de barris. Se o custo de extração é de 10 dólares por barril, estamos falando de algo entre 50 e 80 bilhões de dólares, o que é um monte de dinheiro.

DR: Para um período de 35 anos. Ninguem tira tudo aquilo em um ano.

FT: Não, com certeza, mas…

DR: Seria fisicamente impossível. Deixa eu explicar.

FT: Mas há uma companhia [a Petrobras] que fica com de 30% a 100% de todo bloco…

DR: Deixa eu explicar. Tupi e Iara já estão sob concessão. Ok? Para a Petrobras, Tupi e Iara estão sob concessão. Assim, não fazem parte desse novo modelo regulatório.

FT: Sim…

DR: Na sua parte de Tupi e Iara, a Petrobras está investindo 174 bilhões de dólares até 2013. Certo?

FT: Não, é o total para tudo….

DR: São 174 bilhões de dólares sem contar o pré-sal. Isso é antes do pré-sal. Você sabe quanto a Petrobras levantou durante esse ano de crise? Foram 31 bilhões de dólares. Você sabe como levantou 31 bilhões de dólares? Vendeu petróleo adiantado à China [U$ 10 bilhões]. Ok? Nós colocamos 12,5 bilhões de dólares; 12,5 bilhões. O resto [a Petrobras] levantou no mercado. Levantou 31 bilhões de dólares. Ninguem no mundo levantou 31 bilhões de dólares. Entre fundos próprios, vendas adiantadas e acesso ao financiamento — e não estou falando do pré-sal, que é um processo que vai levar décadas, isso é o pré-pré-sal.

FT: Mas o pré-sal em si vai requerer centenas de bilhões.

DR: Vai. Parte disso, vamos capitalizar. Estamos dando à Petrobras 5 bilhões de barris. Dos 5 bilhões de barris que a Petrobras terá, parte será de sua própria renda. Outra parte, vai mostrar a qualquer banco internacional que tem 5 bilhões de barris extras para dar de garantia. E [a Petrobras] tem um bom acesso às reservas do Brasil. O rating da Petrobras será bom.

FT: E…

DR: E te digo mais. Não há país no mundo com o qual conversamos recentemente onde… a grande pergunta é, como eu participo do pré-sal?

FT: Estive lendo a lei que você mandou para o Congresso e há um parágrafo dizendo que a União, através de um fundo criado por lei, pode participar em investimentos e atividades de produção. Que fundo é esse e como vai funcionar?

DR: Você tem familiaridade com o mecanismo norueguês?

FT: Sim.

DR: Quando eles ainda tinham grandes reservas, a Statoil era obrigada a ficar com 50%. Em alguns casos a União pôs dinheiro, em outros não. Em nosso modelo, em princípio, não adiantamos qualquer dinheiro. Mas, caso a caso, se decidirmos participar, poderemos. É assim que funciona. Deixe-me explicar o fundo. Todo o dinheiro que extrairmos do pré-sal irá para um fundo. Esse fundo vai gastar sua renda em várias atividades. Lutar contra a pobreza, investir em educação, ciência e tecnologia. Mas ao mesmo tempo também vai investir.

FT: Então é o mesmo fundo.

DR: Esse mesmo fundo precisa criar renda, tem que fazer seu dinheiro funcionar. Então pode investir em ações, em vários bônus internacionais, você pode fazer investimentos diretos. E quando esse fundo atingir um grande volume, pode ser que o investimento mais atrativo no Brasil seja no setor do petróleo. Por que não? Assim, em princípio, a União não coloca qualquer dinheiro, mas no futuro, se quiser, poderá.

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Full text: Dilma Rousseff interview

Published: September 7 2009 18:15 | Last updated: September 7 2009 22:13

Jonathan Wheatley, the FT’s Brazil correspondent, interviewed Dilma Rousseff, chief minister to President Luiz Inácio Lula da Silva of Brazil on September 2. Ms Rousseff is a former mines and energy minister and remains chairman of the board of Petrobras, the government-owned but publicly-traded oil company. She is one of the architects of the government’s proposed new regulatory regime for the oil industry that will govern operations in the pre-salt fields, Brazil’s potentially enormous off-shore oil deposits discovered over the past two years.

FT: First, why is this the best model for Brazil and the pre-salt?

DR: Why what?

FT: Why choose this model?

DR: Because this model is right for the amount of oil we have, for the low level of exploratory risk, and because of the high levels of returns. We want to keep a bigger part of the oil revenues.

FT: Were you inspired by other models around the world?

DR: We studied all the models in existence. Each country has chosen the model that is right for its own history in the oil industry and best suits its needs. We are a country with characteristics very much our own. From the beginning of our history in the oil industry there was a big question mark over whether we had any oil. People often said we didn’t have any and that our [geological] conditions meant that we couldn’t have. At our own cost and risk we began to look for oil on land. And indeed it was a very difficult process. We moved off land and underwent a long journey, to shallow water, then to deep water, and now to ultra deep water.

There was no transfer of technology in the way that other countries have had. We created the circumstances for us to get to where we are now, with the pre-salt. By producing oil we created a great oil company with its own technology. At the same time we are a country with a diversified industrial base and a large consumer market.

Now we have a double opportunity. We can transform natural wealth into social wealth, to advance the fight against poverty. We were going to end poverty in Brazil anyway, but the pre-salt will bring that forward by years because we will have more resources to do it. We will have high quality education, we will invest in science and technology. And at the same time we have the chance to create a supplies and services industry and add value to our oil.

So the big question is, what should we do to appropriate a greater share of the oil revenues? When you bring oil out of the ground you create revenues, because the cost of producing oil is much less than its final price. So once you have recovered the costs, and delivered an adequate return on the capital invested, there are still revenues left over. The question is who should have this extra. We chose the shared production model as a way of appropriating this extra revenue. At the same time we are very clear about the geopolitical aspects of oil.

FT: What does that mean?

DR: What does that mean? That producing countries and consuming countries have different interests. And that today 77 per cent of reserves are in the hands of national oil companies, state oil companies. It is in our interest to ensure that whatever partnerships the country might enter into are of great importance.

FT: Partnerships with?

DR: With other countries, to supply oil. To sell oil.

FT: There are some things that…

DR: To supply the international oil market. We are a country with stable institutions, with clear rules, that doesn’t break contracts, that is in the west, and is therefore a reliable supplier. I don’t believe that anybody won’t want to have a relationship with us. We are not in an area of turbulence, we don’t have ethnic conflicts, we don’t have religious conflicts and we respect contracts. So we think we are extremely attractive.

FT: What will be the role of other companies in the oil industry?

DR: They will have an important role. Why? Because this is a partnership that is of interest to us, but it is of interest to us on our terms. We have no reason to think that the revenue has to be entirely transferred to international oil companies or to national oil companies in other countries in order to attract them to Brazil. We know that international oil companies know the rules of the game change when you move to a situation with low exploratory risk and high profitability. Take the two biggest blocks we have found, Tupi and Iara. In Tupi we have between 5bn barrels and 8bn barrels; in Iara we have between 2bn barrels and 4bn barrels. So, I ask you, why would it not be attractive for an international oil company to take part in the pre-salt process if the strategic question of access to the reserves is guaranteed by us? If you have 10 per cent of a block of 8bn barrels you have 800m barrels. When you consider that a block is considered large from 500m to 600m barrels, I don’t see what the problem is.

FT: One problem that has been put to me is that foreign operating companies won’t actually be operators, they are going to be invited to be little more than capital investors.

DR: No. No. They will be invited to take part in the operating blocks. Today, for example, in the pre-salt, why would an international oil company want to be a partner with Petrobras?

FT: To participate in the risk and reward?

DR: No. No. Because they gain from technology transfer from Petrobras. What is the difference between Petrobras and any other big international oil company? Petrobras does 22 per cent of the world’s exploration in deep waters. The other two nearest who are private international companies have 14 per cent [each]. So Petrobras is on a level with big international oil companies in terms of knowledge of deep waters. But here in Brazil what is its big differential? Do you know what it is?

FT: What?

DR: That it knows the Brazilian sedimentary fields in deep waters. It knows them. And this knowledge, do you know what it produces? Reduced risk. If you reduce the risk, do you know what you produce? Higher profitability. Why do we argue that Petrobras should be the operator? Because being the operator means having access to technology, setting the rate of production, and at the same time, adopting the specific technology most appropriate for that area. We don’t see any obstacle to the international oil companies that will participate with us. They will have an active role in the operational committee, the op com. Why will they have this fundamental role? Because, how does the operational committee work? Everyone sits down – right? – and discusses the best… the operator goes in and presents its operational project. And the others, who have knowledge, without a doubt, they discuss if it should be like this or like that. Petrobras obviously will contract service companies like any other international company. The traditional service companies, like Halliburton and the others.

FT: One comment I’ve heard is that in the US Gulf of Mexico there are more than 100 companies operating and they have worked out how best to operate while actually doing it. They develop technology in partnerships on the job, and there is a concern that since these companies will be minorities in any operating committee that they will be less willing to share technology.

DR: Can I say something? I don’t think that the technologies in existence and available are technological secrets. What makes the difference between one company and another is the knowledge that it has over that field, that region. We don’t exactly have a low technology company in Petrobras. If it was like that there would be no explanation for the number of prizes that Petrobras has won from the OTC [Offshore Technology Conference], in fact I went to an OTC in Houston to receive one of them, as chairman of the board. So I don’t believe there’s any question of Petrobras being excluded from access to technology. It’s very unlikely, if you are a company that has a field and what is at stake is the income from 600m barrels, that you won’t invest in the best practices. It’s very unlikely, nobody shoots themselves in the foot in this area, nobody. On the other hand I’m sure that in these partnerships, today, people are minimising the role that all these international oil service companies play. They are underestimating it. Because none of these companies operate without them, not that I know of.

FT: OK. Another doubt that people have is over the capacity of Petrobras to invest. Where will the money come from? And I’d like to understand this question of…

DR: Where does the money come from for any international oil company? Where do you think?

FT: From its shareholders, its profits…

DR: Uh uh, na na na. From the size of its reserves. If you are a bank, which company do you lend to? The one with the reserves. What do you think is the reason people lend to Petrobras? Today. Why do you think that we, in the middle of the crisis, have had access to money? That argument has no basis. The idea that oil companies won’t invest… I don’t believe that for a minute. Do you believe it?

FT: Well, I don’t have any opinion, but people have expressed doubts.

DR: But I’m asking you if it’s plausible. That’s what I’m asking. Will Petrobras have access to finance? I think it will. And I think the international oil companies will take part in the investment.

FT: Explain to me how the capitalisation of Petrobras will work. It’s 5bn barrels…

DR: Let me go back to the question of funding. We’re not taking the international oil companies out of the investment. That’s why I asked you if it’s plausible. We’re saying look, come and participate with us because you will have access to enormous reserves. Petrobras will be the operator, which reduces the risk because of its knowledge of the fields, and you will get an adequate return because the reserves are large and you, the international oil company, will be able to put onto your books those reserves you gain access to in the auction. Let’s suppose the company gets 600m barrels, it will be able to register them and it will be able to leverage itself in the same way Petrobras will. So we don’t think the funding will come only from Petrobras, nor only from the international oil companies, nor only from the banks. It will come from the best possible combination between them. That’s why I say I don’t believe that it’s plausible to suppose that if the arrangement is this one or that one it reduces the amount of access to capital. What guarantees access to capital for an oil company and allows it to finance itself is precisely the amount of reserves that it has.

FT: But the doubt is…

DR: So it’s a virtuous circle.

FT: But the doubt is over where the capital comes from to bring these wells into production. For example, Tupi has 5bn to 8bn barrels. If the cost of extraction is $10 per barrel, that’s $50bn to $80bn in one field, which is a lot of money.

DR: Over a period of 35 years. Nobody takes all this out in a year.

FT: No indeed, but there is….

DR: That would be physically impossible. Let me explain.

FT: But there is one company taking between 30 per cent and 100 per cent of every block…

DR: Let me explain. Tupi and Iara are already under concession. OK? To Petrobras, Tupi and Iara are under concession. So they are not part of this new regulatory model.

FT: Yes…

DR: In its part of Tupi and Iara, Petrobras is investing $174bn up to 2013. Right?

FT: No, that’s the total in everything…

DR: $174bn, without the pre-salt. This is before the pre-salt. Do you know how much Petrobras raised during this year of crisis? $31bn.

Do you know how it raised $31bn? It sold 10bn in advance to China. OK? $12.5bn we put in. $12.5bn. The rest, it raised in the market. It raised $31bn. Nobody else in the world raised $31bn. Between internal funds, advance sales and access to finance, and I’m not talking about the pre-salt, which is a process that will take decades, this is pre-pre-salt.

FT: But the pre-salt itself will require hundreds of billions.

DR: It will. Part of it, we are capitalising. We are giving Petrobras 5bn barrels. Of the 5bn barrels Petrobras will have, part of this will be its own income. Another part, it will show any international bank that it has 5bn barrels extra as guarantee. And it has good access to Brazil’s reserves. Its rating will be good.

FT: And…

DR: And I’ll tell you something else. There is no country in the world that we have talked to recently where…. the big question is, how can I take part in the pre-salt?

FT: I’ve been reading the bill you sent to Congress and there’s this paragraph saying the Union [the Republic of Brazil] through a fund created by law may take part in the investments and activities of production. What fund is this and how will it work?

DR: Are you familiar with the Norwegian mechanism?

FT: Yes

DR: When they still had a lot of reserves, Statoil was obliged to take 50 per cent. In some cases the Union put in money and in some cases they didn’t. In our model, in principle, we won’t advance any money. But in case, in case, we decide to take part, we can do so. That’s what this is about. So let me explain the fund. All the money that we extract from the pre-salt will go to a fund. This fund will spend its income on various activities. Fighting poverty, education, science and technology. But at the same time it will invest.

FT: So it’s the same fund.

DR: This same fund has to create income, it has to make its money work. So you can invest in shares, in various international bonds, you can make direct investments. And when this fund has reached a large volume, it could be that the most attractive investment available in Brazil is in the oil sector. Why not? So in principle the Union doesn’t put in any money but if in the future it wants to put money in, it can.

FT: And it puts in via Petro-Sal, via Petrobras?

DR: No, it puts it in directly, it’s the fund that invests, in the consortia. Let’s suppose the Union takes a 60 per cent share in a consortium. It puts its money in. The fund joins the consortium.

FT: There’s another doubt about this comparison with the Norwegian model, where…

DR: No, it’s different.

FT: No, exactly, it’s different. In Norway there is a very strong separation between the government, the regulator and StatoilHydro. Here the government is capitalising Petrobras and it can come in as an investor, so it’s coming in on both sides…

DR: I’m sorry but I don’t think this is the difference. In Norway, they don’t do auctions. There, the criteria for choice of partnerships are more subjective. Who makes the choice is the ministry, it’s not a manner, let’s say, in which there is no subjectivity. Because for us, the winner is the one that offers the biggest share [of oil to the government]. In Norway, no. There’s no tendering and no auction. This is a substantial difference.

The second substantial difference is that in Norway, the reserves are in decline, so they can’t be compared with us because we are in the phase of rising reserves. The North Sea can no longer be compared with the pre-salt. But in Norway, Statoil used to be guaranteed 50 per cent. We are giving 30 per cent [to Petrobras] of the investment and less [than that] of the profit. In Norway Statoil had 50 per cent of the investment. There are various other differences I could list.

FT: And what is happening with the ANP [Brazil’s independent oil industry regulator]?

DR: The ANP has a central role.

FT: But there are some functions that the new law gives to the CNPE [the national council on energy policy, a government body] that used to be the ANP’s. The choice of the blocks…

DR: No, no. We never gave that to the ANP. For example when the pre-salt was taken out of the last auction round, it was done by the CNPE.

FT: The management of the auctions…

DR: No. Look. What is the role of the ANP? Who does the auctions? The ANP. The auction process is handled by the ANP and the ANP does the contracts. The contracts are signed by the ministry of mines and energy, because they are signed in name of the Union. How does this model work? It’s a system of checks and balances. Petro-Sal, which represents the Union in the management of the blocks, enters the consortium in the name of the Union to oversee the cost of the oil and investment decisions. Because the cost of the oil is a strategic variable. Right?

FT: Right.

DR: And inside the consortium, in the operating committee, an operating plan is approved. Then the ANP has to approve this plan just as it approved them before. The ANP looks at Petro-Sal like any other agent. So there are checks and balances because Petro-Sal does one thing, but the ANP above it is the regulator. OK? So, it’s a very good question because it could seem that we were doing away with the role of the ANP, but it’s the contrary.

On the other hand, the rate of production isn’t decided by the ANP. The ANP doesn’t make policy. It regulates. The interests of the Union are defined by the CNPE which is an organ linked to the Presidency of the Republic. And it defines at what rate we will produce oil and the amount of local content that we want in the supply of goods and services. And that isn’t a role for the ANP because it’s a political role.

FT: Understood. Now, explain the capitalisation of Petrobras, which is something I don’t understand. Petrobras will be able to sell these exploration rights at a certain price, and the higher the price, the more money the government puts into Petrobras, correct? And what happens to the minority shareholders? If the price is high, they have to pay a higher price as shareholders and also pay to take part in the capitalisation or else be diluted?

DR: Let me explain. There are various separate stages. That’s why it’s a good question. First, we authorise the transfer of 5bn barrels of oil equivalent to Petrobras, and to do this transfer we will do a contract under which Petrobras will pay us for the 5bn, OK? And we will use this money to capitalise Petrobras, OK? There are two parallel operations.

I’ll explain how. What will we do? We will contract an independent evaluator to set the price per barrel. That price will have to be certified by the ANP. Then, Petrobras and the government will have up to 24 months – the first evaluation is a simpler one – Petrobras and the government will have 24 months to contract out a definitive valuation.

FT: OK…

DR: If the definitive evaluation is bigger than the first one, Petrobras will pay the Union. If it’s smaller, the Union will pay Petrobras. We know that the price of oil under the ground is one thing, and the price of oil above ground is another. Why will there be these two stages? Because we will discount here, at the second stage, the operating costs.

In any event, when you increase the company’s capital, minority shareholders have the right, because Petrobras is a public company, to exercise their option in full or in part in proportion to their shareholding. This is company law anywhere in the world. At every increase in capital, the minority shareholders have to be called to take part. Either they pay more or they are diluted. This is under any hypothesis, whether its done with oil or money or government bonds.

FT: So Petrobras and the government will decide together…

DR: No, no, we will contract out an independent evaluation and the ANP will certify the contract. When the ANP certifies it, the operation with Petrobras is completed. Petrobras takes government bonds, or money, it can pay any way it likes and we, once we have received this, will deliver it back to Petrobras.

FT: So the minority shareholders…

DR: They will have to be called, that’s an obligation, or you would be damaging their rights.

FT: And the higher the price, the more the minorities will be called on to pay…

DR: That’s life, isn’t it? The more money we put in, the more the minorities will be asked to contribute. And the less we put in, the less they will be invited to contribute.

FT: What is the logic of the Union capitalising Petrobras as an operator, to increase its ability to operate, instead of having the new fund put money in so that the cost of operation is less?

DR: Good question. First, the fund doesn’t have any money.

FT: But the government does…

DR: In the future. Second, Petro-Sal idem, it doesn’t have any money. The government has, but it hasn’t got so much money that it can go out capitalising Petrobras in that way. As it is highly advantageous for Petrobras to be paid in barrels, it’s much better for the government to capitalise it in barrels. There’s no disadvantage to Petrobras.

FT: But the question is about the relation between a company that is basically government-owned but has most of its capital in the hands of minorities…

DR: Of course, if it was a private company, if we were putting 5bn barrels into the hands of a private company, it would like that a lot. So we are neither damaging the rights of Petrobras nor of the minorities.

FT: But I want to understand the logic. The government will put in money to reduce the cost of production and it could put it in via Petro-Sal to reduce the cost for all operators, Petrobras and the rest.

DR: But we don’t have any money at all in Petro-Sal. We don’t want to transform Petro-Sal into an operating company.

FT: OK, but I mean either via the fund or directly, since you’re putting public money into Petrobras…

DR: But why would we put in public money?

FT: To lower the cost of production and get more oil flowing more quickly.

DR: Only if we gave subsidised money. What for? Why would we take Brazilian money and give subsidised funding to Petrobras or any other oil company, Brazilian or not?

FT: In the way you described that the fund can come in as an investor.

DR: Be we won’t be subsidising anything.

FT: No, I don’t mean as a subsidy, I mean as a way of reducing the overall cost for the operators.

DR: But look, this will happen at different stages. In the first stage, there is no money in the fund. And we won’t give any money to Petrobras. We will give it funding the form of barrels of oil. Petrobras can convert this into money. We can’t but Petrobras can, it’s an oil company. And I’ll tell you, I think this is very creative. I’m taking wealth that exists, that everybody knows is there, I’m taking this wealth and capitalising Petrobras. I’m doing a contract to transfer rights to Petrobras. And Petrobras has to pay me. At what price will it pay me? At a price related to the profit from the production of these 5bn barrels. I’ll hire an evaluation and I’ll say, look, the price per barrel down there under the sea is one thing, I’ll pay a certain amount, let’s say it’s 1. So I’m paying you 1. Then this price is certified. At the current stage of our knowledge, it’s 1. This will help Petrobras to raise finance, improve its international standing, its balance sheet will get better, when the banks look at it’s accounts they’ll say, ah, they’re much better. Fine. Based on this I drill several wells, one here, one there, one over there, and I say, ah, I have 5bn barrels here. My seismic says this, my exploration study says this, I have all this knowledge about this field, and this value isn’t 1. It’s 12. OK? So my contract, with this clause about the adjustment, goes to 12. So it’s not 5bn, its 5bn times this and Petrobras owes me X. It does a capital call and pays me with shares. I call the minority shareholders and they put in money. Great for me, because money has come in, it’s primary income, excellent. If the minorities don’t come in I have shares in Petrobras that are worth X amount on the international market. If the minority shareholders don’t come in of course their share will be diluted. It’s like that anywhere in the world.

Now, there’s one thing that I didn’t answer. Why don’t we do it with money? Because, as I was saying, at stage one in the capitalisation process: investments are always made in advance. It takes years before you arrive at the point of bringing up oil. So at the beginning we don’t have money in the fund, we don’t have any resources from the pre-salt. Nothing. What do we have? We have the reserves that Brazil has accumulated. But it makes no sense for the government to do this now if it can hand over 5bn barrels and with that put Petrobras in a better situation, ensure that it can raise funding on international markets, given that it has this access.

FT: So who will pay for the first years of investment?

DR: We will. With the 5bn barrels of oil.

FT: But who will lend the money?

DR: Today, if you look at this year, coming out of the crisis, there are $12.5bn that we guaranteed. $10bn from the contract with China, in which we supply oil and China advances the money. So that’s $22.5bn. So to get to $31 leaves $8.5, OK? And we got that on the international market. So there are various ways to capitalise Petrobras. Without a shadow of a doubt, Petrobras will become because of the pre-salt, a large and interesting player to do partnerships with, to do investments and loans. With the return to economic growth in the developed countries and the performance of the emerging countries we are certain that Petrobras will offer extremely attractive greenfield investments. We have no doubt of that, from the traditional international financiers, the banks, especially if their situation improves, and form other international partners that will appear. But we are certain of one thing. This stress test that the Brazilian government and Petrobras have gone through, which is that after the fall of Lehman Brothers and the absolute closure of international credit lines, we survived. So if we have survived the worst scenario of recent times I don’t have the slightest doubt that Petrobras will have every possibility of raising finance on international markets. If you look at the performance of the oil industry, only Petrobras and one other company reported profits.

FT: When will the next auction round for new blocks take place?

DR: We have to wait for this [the new regulatory framework] to be approved in Congress. Minister Lobão [mines and energy] said in a press conference that he was looking at the possibility of doing a round of concessions this year. Concessions, not production sharing, not the pre-salt. For the pre-salt we have to wait for the regulatory framework. That’s why the government is using the urgency system in Congress [which gives it 90 days to approve or reject the bills]. Now, we are confident that Congress will evaluate this quickly so that we can beginning work on the pre-salt.

FT: What will be the impact of all this on the elections next year?

DR: It’s like this. In Brazil we have a difficult situation, and I’m glad you asked the question. Life is difficult, we have a cycle of four years at the federal and state government level, and a separate four-year cycle for the municipal governments that gives us elections every two years. So you’ve either just been elected, or you’re in the municipal cycle, or you’re in the intermediate year or you’re in election year again. So it’s not possible to imagine that things can only be done in Brazil in years with no election, or else there would be very little time to get anything done. And we’re not in a situation where the people can be kept waiting. This year they’re saying that everything we are doing is electoral, and this year is an intermediate year. Imagine next year.

FT: Well, it’s next year that the bills are likely to be approved.

DR: Yes, it has to be approved next year.

FT: And your candidacy?

This candidacy, this is something, I don’t know if you’ll understand the Brazilian expression, but I always say to the Brazilian press that I won’t talk about my candidacy not even tied up.

But let me tell you one thing about the pre-salt. We looked at all the other regulatory systems in the world. Not me, we commissioned a study for the BNDES. We looked at Angola, everything about Norway, the United States, what was done in the North Sea, the Middle East. We looked at contracts, auction systems, and I’ll tell you something. In few places were there pure auction, in very few places.

FT: Do you think you’ve created a new model?

DR: We adapted various things for Brazil, but we had to adapt them, because here, for example, if you compare Brazil and Norway, there are enormous differences because of each country’s history. We began in Brazil with everybody saying there was no oil. And Petrobras has grown with each step that we’ve taken, side by side. It hasn’t made any great leaps, it has grown alongside the knowledge that we have about our reserves. And it’s Petrobras that has made the discoveries, in contrast with what happened in Norway, where part was discovered by international oil companies. And then Statoil came later and took over control of the reserves. Here the process was different. We began in great difficulties, because the oil in the Campos Basin is heavy, it has high sulphur content, and it’s hard to find. So the concession regime was right for that moment.

And it attracted medium sized companies, like Galp – Chevron came but it was the only big one. But the big ones appeared in strength on the day that we sold concessions in the pre-salt area. And the reason they were attracted was the size of the reserves and the quality of the oil. That’s what explains the presence of big oil companies in some strange parts of the world. Of course operating conditions are a factor but not to the extent that people would have you believe. Of course the companies would like us to keep the concessions system. But that’s not what attracts them. It is the quantity and quality of the oil. One oil company executive said to me the other day, what matters to us is clear and stable rules. And Brazil has clear and stable rules. And he didn’t say that to make me happy. It’s what will happen. We will deliver clear and stable rules. And it is possible in these conditions for an international oil company and a national oil company, as other national oil companies do in other countries, to enter a contract and take their profit.

Today it’s not a trivial matter to have access to reserves. We think we have created a stable and attractive market and international oil companies will want to operate under these rules, which we hope will be approved by Congress. At least this is what we have proposed. Congress can always change it.

But let me tell you: for us the pre-salt is a passport. It’s a passport out of the condition of being the most unequal country in the world.