19/03/2009 - 11:53h Bornhausen, o “natural” cabo eleitoral de Serra

Jorge Konder Bornhausen (Rio de Janeiro, 1 de outubro de 1937) é um advogado e político brasileiro.

Foi ministro-chefe da Casa Civil durante o governo de Fernando Collor[1]. Foi também governador biônico de Santa Catarina entre 1979 e 1983 e senador entre 1983 e 1991 e entre 1999 e 2007 pelo estado de Santa Catarina.

Em sua gestão como governador biônico, ocorreu a manifestação popular conhecida como Novembrada, em Florianópolis, quando da visita oficial do general-presidente João Figueiredo à Santa Catarina.

Foi presidente nacional do PFL, atual Democratas. Wikipedia

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”Candidatura natural tem um nome: Serra”

Bornhausen pede ”bom senso” e diz que ”erro não se repete”, numa referência à candidatura de Alckmin em 2006

Christiane Samarco – O Estado SP


Enquanto o PSDB discute prévias para escolher o candidato a presidente, o DEM declara sua preferência pelo governador paulista José Serra e prega o respeito dos tucanos a uma velha regra da política: a candidatura natural. “O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, é um bom nome e merece o maior respeito, mas, como ex-presidente do DEM, membro da Executiva e do Conselho Político, sou obrigado a dizer que há uma candidatura natural e sua tradução é José Serra”, diz Jorge Bornhausen em entrevista ao Estado.

A despeito dos elogios a Aécio na reunião do Conselho Político do DEM, semana passada, em São Paulo, a preferência por Serra vem desde 2006, quando o PSDB optou pela candidatura de Geraldo Alckmin. “Erro não se repete”, adverte. Por isso mesmo, a aposta agora é em Serra.

Bornhausen pede “bom senso” ao tucanato. A seguir, os principais trechos da entrevista.

O DEM recuou da posição inicialmente contrária às prévias do PSDB?

Não. Nós compreendemos a necessidade que tem o PSDB de dar uma boa solução para a escolha de seu candidato. Se eles entenderem que o caminho são as prévias, não há por que contestar. Queremos é que a solução seja boa.

E a preferência do DEM é…

Há uma regra em política sobre contrariar candidaturas naturais. Candidatura natural é aquela que tem a maior possibilidade de vitória e isto está constatado em todas as pesquisas. Se o PSDB vai decidir por prévias, ou não, a maioria do Conselho Político do DEM é pela candidatura natural, que tem um nome: José Serra.

Mas o que define o candidato natural são as pesquisas de opinião?

O candidato se define por pesquisas, pela densidade eleitoral do seu Estado, pela posição do Brasil em relação às circunstâncias da crise. Tudo isso indica a candidatura de Serra. Sem nenhum demérito ao governador Aécio, que faz boa administração em Minas, Serra é o melhor perfil para administrar na crise.

Tem candidato que larga com 3% nas pesquisas e acaba vencendo a eleição, como Fernando Collor (1989). O sucesso de gestão em Minas não torna Aécio competitivo?

Collor era candidato de um partido inexistente. Foi uma aventura política que deu certo, e em seguida deu errado. A escolha, agora, é de um partido grande, sólido, conceituado, com a responsabilidade de ganhar a eleição.

Os aecistas do PSDB dizem que ele é a melhor opção pela capacidade de agregar apoios, sobretudo em uma eleição de dois turnos.

Eu antevejo uma eleição bipolarizada. Tudo caminha na direção da candidata governista (ministra Dilma Rousseff) contra o candidato da oposição. É muito provável que esta eleição se defina no primeiro turno, porque será realmente um plebiscito em torno de quem poderá dirigir melhor o Brasil na crise.

A grande preocupação do PSDB é que Minas Gerais está fechada com Aécio. Tem como trazer Aécio para o projeto Serra sem prévias?

Se o caminho escolhido for o das prévias, será exatamente para atender o sentimento da maioria do partido.

O sr. acredita que a maioria do PSDB é Serra, assim como o DEM?

Eu acredito que a tese da candidatura natural não é a tese de um partido. É uma regra da política, e o bom senso me diz que esta regra será respeitada.

Na condição de parceiro do PSDB na sucessão presidencial, qual é o prazo máximo que o DEM defende para a definição da candidatura?

Os dois governadores – Aécio e Serra – têm suas obrigações de bem administrar seus Estados. Portanto, exigir que haja uma antecipação desta decisão do PSDB não é o caminho mais correto, porque ainda estamos bem distantes da eleição. Se este assunto for resolvido no final do ano, acho que é o tempo hábil para que tenhamos condições de, com a coligação já formada com o DEM e o PPS, acrescentar mais partidos. E acho que a preocupação deve ser a de conquistar uma boa parcela do PMDB.

Sua aposta é que, mesmo em aliança oficial com o PT, na prática o PMDB não fecha com ninguém e uma parcela ficará com o PSDB?

A verticalização acabou (regra que obrigava os Estados a reproduzirem a aliança nacional). Portanto, o PMDB de Estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Pernambuco e Mato Grosso do Sul já está conosco (PSDB-DEM-PPS). Estará, portanto, na coligação do Serra. Isto está claro. O que não sei é que decisão o PMDB vai tomar em convenção.

Com ou sem prévias, o fim da reeleição ajudaria a fechar um acordo no PSDB?

Não acredito em reforma política, nem em reforma da Lei Eleitoral e da Lei Partidária e, muito menos, em mudança na Constituição para acabar com a reeleição. Acho que as regras da próxima eleição serão as mesmas da passada.

Mas pode haver acordo político para acabar com a reeleição, como o que o sr. patrocinou entre o governador José Roberto Arruda (DEM) e o vice Paulo Octávio (DEM) na sucessão do DF?

Acordo pode haver. E aí é um problema do PSDB. Não me compete interferir. Entendemos que precisa mudar a forma de administração que o PT vem dando ao País. Queremos melhorar e, por isto, queremos o candidato natural e, para isto, não estamos exigindo posição na chapa, embora tenhamos nomes à vontade.

O que o sr. acha de uma chapa “puro-sangue”, com Aécio como vice de Serra?

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tem sempre lembrado essa hipótese e eu não posso deixar de aceitar a inteligência política de FHC.

O lugar de vice na chapa do PSDB não está em aberto para atrair o PMDB?

A melhor solução para a vitória é a certeza da recuperação do Brasil, que está mal administrado e não está enfrentando a crise como deveria. O presidente não tomou medidas adequadas na hora oportuna.

Mas o povo está satisfeito e nunca houve um presidente com tanta aprovação popular nas pesquisas. Como o sr. explica esta contradição?

Esta popularidade vai começar a escassear. Um protesto dos produtores de café em Varginha reuniu 30 mil pessoas e Lula foi vaiado. O desemprego é grande e o dinheiro do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) está sendo usado para piorar a situação, patrocinando fusões no setor da telefonia. Também há crise na pecuária, na siderurgia e no setor madeireiro.

E a oposição tem sido eficaz?

Há um erro no foco da oposição, concentrada no Congresso, que hoje não é bem visto pela opinião pública. É preciso partir para a sociedade. A atuação do presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), e do presidente da Fundação Liberdade e Cidadania, deputado José Carlos Aleluia (BA), convocando economistas para apresentar soluções construtivas para a crise, é elogiável. Devemos nos pautar por esse caminho e na fiscalização, acompanhando nos locais este plano de marketing denominado PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), e mostrando o que não sai do papel.

20/02/2009 - 11:46h Montagem de chapa de Skaf ao governo de SP reúne bloco de esquerda e Maluf

Anna Carolina Negri/Valor

Paulo Skaf: presidente da Fiesp pode dispor de sete minutos na televisão para expor discurso de união entre capital e trabalho no enfrentamento da crise

 

Caio Junqueira, de São Paulo – VALOR

O presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, empresário ligado ao setor têxtil, tem mantido conversas com o chamado bloco de esquerda formado por PDT, PSB e PCdoB, para viabilizar sua candidatura ao governo do Estado de São Paulo em 2010. A ideia é que ele se filie até maio ao PSB e que a possível chapa contenha ainda o PR e o PP, somando, assim, cerca de sete minutos no horário eleitoral gratuito.

Na formulação da chapa, a vice ficaria com o deputado em terceiro mandato Milton Monti (PR-SP), economista que foi secretário estadual de Relações do Trabalho no governo Luiz Antonio Fleury Filho (1991-1994). Ex-prefeito de São Manuel, pequeno município paulista a 272 km a noroeste da capital paulista, sua entrada daria o viés interiorano à composição. A vaga para o Senado seria do deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (PDT-SP). Uma pesquisa Vox Populi para testar os nomes já está em negociação.

O deputado federal Paulo Maluf, presidente do PP paulista, e o ex-deputado Valdemar Costa Neto, participam diretamente da negociação, além do próprio Paulinho, e do deputado federal e presidente do PSB paulista, Márcio França, que é muito próximo de Skaf.

Em um provável cenário em São Paulo com políticos não tão conhecidos do eleitorado, à exceção do ex-governador Geraldo Alckmin, a aposta é que a constante exposição de Skaf à mídia nos últimos seis anos seja um diferencial, junto com um discurso de capital e trabalho unidos pelo desenvolvimento. Os ideários da composição entre de empresário com sindicalista inspiram-se na chapa que elegeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu vice e o fundador da Coteminas, José Alencar. Até o marqueteiro que fez vitoriosa essa dupla em 2002 é cogitado para a provável chapa: Duda Mendonça.

Os tucanos, embalados na máquina estadual desde 1995, viriam favoritos para a disputa, dentro de uma aliança com seis partidos (PMDB, PTB, PPS, PV, PPS, PSDB), mais de dez minutos de horário eleitoral e cerca de 450 das 645 prefeituras do interior. Embora Alckmin pareça ser o candidato eleitoralmente mais forte, o governador de São Paulo, José Serra, tem preferência por seu secretário da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira. A última eleição majoritária que disputou foi em 1992, para a Prefeitura de São Paulo, onde, mesmo com apoio do então governador Fleury, não foi ao segundo turno.

A avaliação do bloquinho é de que haverá em 2010 espaço para neófitos na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes, na medida em que o Estado se divide basicamente entre petistas e anti-petistas. Com a composição, Skaf poderia se fortalecer sendo uma terceira via e incorporando votos dos dois lados.

Uma aliança que inclui o PT não é descartada pelo bloquinho, mas os petistas descartam a ideia. Não cogitam ceder espaço no maior colégio eleitoral do país nem tampouco compor com Skaf, um crítico constante do governo Lula que notabilizou-se no embate pelo fim da CPMF e pela queda de juros. Nas palavras de um integrante da cúpula petista, “esperava-se uma postura diferente dele em relação ao governo”. Na legenda, a disputa deve ficar entre os deputados federais Arlindo Chinaglia e Antonio Palocci. Entretanto, caso prospere uma aliança bloquinho, Skaf, PP e PR, o tempo de propaganda eleitoral gratuita do PT será o menor.

Oficialmente, a Fiesp informa que muitos partidos procuram o empresário. As incursões políticas de empresários ligados a Fiesp têm sido discreta nos últimos anos.

O último de seus presidentes a ingressar na política foi Carlos Eduardo Moreira Ferreira, eleito deputado federal em 1998 pelo então PFL, hoje DEM. Com uma campanha tendo por mote “Produção, Emprego e Educação”, obteve 91.194 votos em 520 municípios. Quatro anos depois, frustrado com a atividade política, por não conseguir emplacar as reformas tributária, trabalhista e política, desistiu de tentar a reeleição. “Jogar para a plateia é outra característica marcante da política nacional, à qual é extremamente difícil para alguém proveniente do meio empresarial se adaptar”, escreveu em sua justificativa pela desistência de tentar um novo mandato.

O adversário de Moreira Ferreira pela presidência da Fiesp em 1992, Emerson Kapaz, foi secretário de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico do governo Mário Covas antes de se eleger deputado federal pelo PSDB em 1998. Deixou o partido para tentar a candidatura a Prefeitura de São Paulo pelo PPS em 2000, disputa em que acabou como vice da candidatura Luiza Erundina (PSB). Foi reeleito deputado federal em 2002, mas iniciava a função de arrecadador da campanha de Alckmin à Presidência em 2006 quando acabou envolvido no escândalo das sanguessugas, deixando a política. Em um seminário do PPS em 2007, disse que “a política já não faz mais diferença no Brasil”.

À margem das urnas, Pedro Piva, pai do ex-presidente da Fiesp Horácio Lafer Piva, foi o último empresário ligado à instituição a exercer mandato majoritário por São Paulo. Financiador de campanha e suplente do então senador José Serra (PSDB), eleito em 1994, ocupou sua cadeira durante quase todos os oito anos do mandato, do qual o atual governador paulista ausentou-se para ocupar, consecutivamente, dois ministérios no governo Fernando Henrique Cardoso, Planejamento e Saúde.

03/12/2008 - 11:02h Kassab cria número recorde de secretarias para abrigar aliados

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Prefeito iniciará novo mandato com 27 secretarias, seis a mais do que quando assumiu; prefeitura diz não saber custo total da medida

Aumento da estrutura municipal contradiz discurso de oposição dos principais dirigentes do DEM em relação à União

FOLHA SP

O prefeito Gilberto Kassab (DEM) iniciará seu segundo mandato com um número recorde de secretarias: 27, seis delas criadas por ele mesmo. A decisão de aumentar a estrutura municipal foi tomada para acomodar aliados.

O prefeito já confirmou a criação de duas pastas para o DEM: Controle Urbano e Desenvolvimento Urbano. Também prometeu dar status de secretaria a duas coordenadorias comandadas por tucanos: Direitos Humanos e Segurança.

Agora colocou José Aristodemo Pinotti (DEM), deputado federal, na Secretaria Especial da Mulher. Uma sexta pasta foi criada por Kassab no início do ano a fim de abrigar outro antigo aliado, o deputado estadual Rodrigo Garcia -seu ex-sócio.

A assessoria de Kassab diz que, de modo geral, as novas secretarias usarão estruturas já existentes, uma vez que a idéia é “dar status” de secretário para alguns cargos já ocupados.

Discurso e prática

A prática da atual gestão se mostra bem diferente do discurso que elegeu José Serra (PSDB) em 2004 -Kassab era o seu vice. O hoje governador dizia que sua adversária à época, a então prefeita Marta Suplicy (PT), tinha a equipe “inchada”. Marta deixou a administração com 21 secretarias -criou as pastas de Relações Internacionais e de Segurança.

Ao assumir o comando do município, em 2005, Serra extinguiu essa última, transformando-a numa coordenadoria. Kassab vai recriá-la agora.
Ainda em 2004, durante a transição de governo, a equipe tucana chegou a montar um organograma que, se levado a cabo, reduziria o número de secretarias para 14. O plano foi abandonado, também para acomodar aliados políticos.

O recorde do número de secretarias na gestão municipal também colide com o discurso de oposição dos principais dirigentes de seu partido em relação ao governo federal.

No primeiro ano do governo Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, quando o presidente criou seis novas vagas para abrigar aliados políticos do PT- parlamentares do PFL (depois rebatizado de DEM) criticaram a iniciativa.

Ao final daquele ano, o então presidente nacional do PFL e um dos principais interlocutores de Kassab, Jorge Bornhausen, deu esta declaração: “O governo criou seis novos ministérios e secretarias especiais. Patente a incompetência de seus colaboradores e a ineficiência dos novos ministérios, o Planalto se recusa a rever esse verdadeiro cabide de empregos.”

Procurado ontem pela Folha, Bornhausen afirmou, por meio de sua assessoria, que não comentaria as medidas de seu aliado e colega de sigla.

Mesma estrutura

A assessoria de Kassab afirma que nem todos os novos cargos no primeiro escalão criados por ele precisarão de novas estruturas na máquina municipal e de eventual aumento do gasto público.

As pastas de Segurança e de Direitos Humanos, dizem os assessores, utilizarão os mesmos espaços físicos que já ocupam atualmente como coordenadoria e comissão, respectivamente. Nos dois casos, não será preciso aumentar o número de funcionários, afirmam.

Nas pastas de Controle Urbano e Desenvolvimento Urbano ainda há certa indefinição. As duas novas pastas surgirão do desmembramento de estruturas já existentes. A gestão de Kassab não tem clareza sobre a necessidade de criação de cargos nem sobre a demanda orçamentária.

(CONRADO CORSALETTE)

29/10/2008 - 11:45h Aliança para 2010 pode de novo isolar Alckmin

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Tendência é PSDB atrair PMDB de Quércia, que ex-governador rechaçou

Christiane Samarco, BRASÍLIA – O Estado SP

A engenharia eleitoral do arco de alianças que conduziu Gilberto Kassab à reeleição em São Paulo já desenha um novo projeto político que – mais uma vez – escanteará o ex-governador tucano Geraldo Alckmin do palco principal. Fiador da aliança do DEM com o PSDB e negociador do ingresso do PMDB de Orestes Quércia na aliança vitoriosa de Kassab, o secretário de Emprego e Relações de Trabalho, Afif Domingos, ganhou musculatura para ambicionar dois projetos, ambos conflitantes com os interesses de Alckmin.

Na primeira hipótese, o DEM quer fazer de Afif o candidato ao Palácio do Bandeirantes. No segundo cenário, que o PSDB considera mais provável, Afif seria vice de um tucano indicado pelo governador José Serra (PSDB). A aposta geral nos dois partidos é de que este tucano não será Alckmin.

Líderes e dirigentes do DEM avaliam que, ao deixar o caminho ao Senado livre para Quércia, o secretário de Serra, que por pouco não venceu o PT do senador Eduardo Suplicy (SP) em 2006, pode ser o ungido para disputar o Palácio dos Bandeirantes.

A cúpula do DEM está certa de que, na pior hipótese, Afif já é, hoje, o candidato a vice na chapa do PSDB. Ninguém tem dúvidas de que, estando fora da prefeitura da capital, o PSDB vai pôr empenho máximo no projeto de manter o governo de São Paulo sob seu comando.

Isto, é claro, no cenário de Serra trocar o projeto da reeleição pela disputa presidencial.

PERFIL SOB MEDIDA

No entanto, o entendimento geral é de que o PSDB vai investir em um perfil que possa facilitar a composição nacional com o PMDB, a partir de São Paulo. Neste caso, o DEM acredita que não haveria lugar para um Alckmin, que recusou aliança com Quércia. A opção estaria mais para Aloysio Nunes Ferreira, o chefe da Casa Civil de Serra que, em 1992, foi candidato à Prefeitura de São Paulo pelo PMDB.

Seja qual for o cenário, tucanos e representantes do DEM paulista que acompanharam de perto a eleição municipal crêem que a maior pedra no caminho de Alckmin daqui a dois anos será o próprio Kassab.

O raciocínio neste caso é de que o prefeito terá se fortalecido ainda mais até se sentar à mesa de negociação para compor o xadrez de 2010. A seu favor, pesa o fato de que ele poderá ser o único negociador com mais dois anos de mandato pela frente.

Mais do que isso, pesa a animosidade entre Kassab e Alckmin, que é bem anterior à eleição. Tucanos e membros do DEM mais próximos do prefeito comentam hoje, nos bastidores, que Kassab quer “ver o diabo”, mas não Alckmin à sua frente.

Lembram que os problemas começaram quando o deputado estadual Rodrigo Garcia, do então PFL, foi eleito presidente da Assembléia Legislativa de São Paulo, ainda em março de 2005. Em conversas reservadas, Kassab jura que o governador Alckmin participou da articulação para eleger Garcia, sem lhe dar conhecimento, e ainda o acusou de traição.

Até hoje o prefeito se queixa da “falsidade”. Diz que foi traído e, pior, saiu do episódio com fama de traidor.

Um dirigente do DEM que acompanhou aquele momento avalia que Kassab usará toda a sua força política para evitar uma candidatura Alckmin ao governo.

29/10/2008 - 10:52h Com Lula no poder, oposição perde 910 prefeituras

DEM é partido mais ‘desidratado’ da era petista e deixou de controlar 532 municípios em relação a 2000, quando ainda se chamava PFL

 Clique na imagem para ampliar e ver o quadro

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Marcelo de Moraes – O Estado SP

O período de poder do presidente Luiz Inácio Lula da Silva representou uma desidratação municipal dos partidos de oposição. Em relação ao mapa eleitoral municipal de 2000, quando o tucano Fernando Henrique Cardoso ainda era o presidente, PSDB, DEM e PPS, atualmente as principais legendas da oposição, já encolheram em 910 prefeituras. A maior redução aconteceu com o DEM, que deve comandar a partir do próximo ano 532 cidades a menos do que fazia em 2000, quando ainda se chamava PFL.

Esses números apontam claramente a volatilidade da política nacional, onde grande parte dos políticos se alia automaticamente aos principais núcleos de poder do País, independentemente de ideologia.

Assim, o PMDB, que se manteve na base de sustentação do governo federal durante as gestões de Fernando Henrique e de Lula, conseguiu preservar nos últimos anos sua condição de partido com o maior número de prefeituras. Enquanto era aliado de Fernando Henrique em 2000, os peemedebistas conquistaram a gestão de 1.257 cidades.

Na eleição seguinte, em 2004, houve uma queda por conta da demora do partido em aderir completamente ao novo governo petista. O PMDB perdeu 200 prefeituras, mas mesmo assim ainda venceu em 1.057 cidades. Agora, completamente afinado com o governo Lula, o partido voltou a se fortalecer, com vitórias em 1.203 municípios.

DECLÍNIO

Para a oposição, ao contrário, o afastamento do Palácio do Planalto significou a redução de sua capilaridade municipal. Em 2000, quando ocupava a Vice-Presidência da República e era o segundo partido mais forte do governo Fernando Henrique, o então PFL ganhou em 1.028 cidades. Quatro anos depois, caiu para 790. Desde então, já com o nome novo e um discurso muito forte de oposição ao governo federal, a queda foi mais drástica ainda, com a vitória em apenas 496 cidades, embora tenha vencido em São Paulo – a maior de todas. Um desempenho pior, por exemplo, que o modesto e governista PP, que ganhou em 549 municípios.

O comando nacional do DEM atribui também essa queda à suposta cooptação feita pelo governo federal sobre os quadros do partido. Segundo o presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), somente a adoção do princípio da fidelidade partidária – que puniu os infiéis com a perda de mandato – foi capaz de frear a sangria nos quadros do partido.

Entre os tucanos, a queda foi menos sensível até por conta dos importantes governos regionais controlados pelo partido, como São Paulo e Minas Gerais, e pela expectativa de poder para a sucessão presidencial de 2010. Afinal, o partido tem hoje nos governadores de São Paulo, José Serra, e de Minas, Aécio Neves, dois nomes com grande potencial político para disputar a sucessão de Lula. Mesmo assim, os tucanos perderam 204 cidades desde 2000.

PPS

Menor dos três partidos de oposição, o PPS também sentiu na pele os efeitos de ser ou não aliado do governo. Em 2000, tinha 166 prefeituras. Embora tivesse candidato à Presidência em 2002, com Ciro Gomes, sua direção mantinha boa relação com o governo Fernando Henrique.

Com a vitória de Lula, o PPS se juntou à base aliada, ganhando o Ministério da Integração Nacional, entregue justamente a Ciro, e outros cargos importantes. Assim, saltou em 2004 para 306 prefeituras. Mas o PPS rompeu com o governo nesse mesmo ano e Ciro acabou se mudando para o governista PSB. Na oposição, o PPS voltou a encolher, caindo agora para 132 prefeituras.

23/10/2008 - 10:15h O que está em jogo nas eleições municipais

Expansão do transporte público e CEU em toda a rede municipal: instrumentos de integração social

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O Grupo Abril organizou uma sabatina com Marta sobre educação. Um debate de extrema importância pois a educação é um elemento central para o progresso social e a redução das desigualdade.

Segundo o jornal O Globo um diálogo significativo aconteceu durante o evento entre Roberto Civita, presidente do Grupo Abril, e Marta.

O empresário queria saber porque Marta fazia propostas apenas para as classes menos favorecidas, deixando de lado a maioria da população de São Paulo.

- Para você ficar vivo, respondeu Marta.

Marta não se estendeu e Civita não fez mais perguntas, diz O Globo que acrescenta, “mas a ex-ministra do Turismo sugeriu que, sem políticas sociais, os pobres poderiam fazer uma revolução:

- Você sabe do que eu estou falando. Não ficariam nem as paredes”, completou Marta.

Este diálogo é um resumo concentrado do que está em jogo nestas eleições municipais e também das eleições de 2010.

Basta ler os dois post precedentes aqui no blog para entender o abismo político que separa as alternativas presentes na disputa municipal de domingo.

São Paulo é uma das cidades mais desiguais do mundo, segundo relatório da ONU (Ver País tem as cidades mais desiguais do mundo). Violência e criminalidade são os resultados palpáveis dessa realidade. A redução da desigualdade tem efeito direto na redução da violência, mas tem efeito direto também na economia e na saúde da população.

Educação e formação profissional, integrando ensino com cultura e lazer, contribui conjuntamente para reduzir a criminalidade e para melhorar a produtividade e a expansão das empresas e do mercado. Transporte público de qualidade, economiza tempo, reduz poluição e reverte em melhor qualidade de vida e maior produtividade para a economia. Só para ficar em dois exemplos.

Significativamente, na sabatina do Grupo Abril, no dia anterior com a participação de Kassab, o candidato do PFL declarou que os CEU não serão sua prioridade. Como constatou o jornal AGORA SP (ver Kassab vai abandonar o CEU), Kassab vai acabar com os CEU e nenhum a mais será construído.

Para Marta a construção dos CEU’s e sua expansão, construindo mais 20, além de concluir os que não foram feitos por Kassab, visa a criar a Rede CEU municipal permitindo que todas as crianças da rede pública municipal tenham acesso, combinando assim ensino, cultura e esporte com integração à comunidade.

Os demo-tucanos sempre foram contra o projeto do CEU. Fizeram alguns pressionados pela população e como cálculo eleitoral, para manipular o eleitorado. Convictos que já conseguiram este resultado, assumem agora sem escrúpulos seu verdadeiro programa de regressão social.

Manipulação por parte da direita e ilusões na propaganda do liberais por parte das classes trabalhadoras não são novidade, nem aqui, nem no resto do mundo.

As eleições municipais no país mostram que São Paulo não é o Brasil, mas para a direita será a ponta de lança para tentar retomar o poder.

As classes menos favorecidas que se cuidem, estão avisadas.

Luis Favre

21/10/2008 - 10:16h A força da verdade

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Kassab agredindo munícipe: DNA do truculento PFL

Até uma semana atrás, a campanha de Kassab pretendia que o prefeito-candidato constituía uma espécie de “aparição divina”. Sem passado e sem partido, sua força eleitoral se explicaria pelas suas “realizações”, que todos desconheciam até começar a propaganda eleitoral.

No debate na Record, assim como na campanha deste segundo turno, as “realizações” ficaram cada vez mais reduzidas às do próprio marqueteiro da propaganda eleitoral, do mesmo que redigiu o papel com a “realizações” para Kassab ler frente as câmeras da Record.

Por isso agora, para evitar que a população descubra que “o rei está nu”, ressurgiu com força na boca de Kassab os mesmos argumentos do PFL e dos tucanos utilizados quando tentaram derrubar o presidente Lula, o famoso “mensalão” (aquele sistema criado pelos tucanos de Minas Gerais, com dinheiro não declarado a justiça eleitoral).

Justamente o ativo agente do “reage Pitta”, o candidato do partido da “Máfia dos Fiscais” (Máfia na época de Pitta e também agora) e dos que querem “acabar com a raça do PT por 30 anos”; emerge agora como manipulador udenista procurando esconder sua própria trajetória.

O problema é que os eleitores começam a querer entender porque demoraria 4 anos para fazer uma licitação para um corredor e durante esses 4 anos nenhum corredor foi construído? Será que é pelo mensalão?

O eleitor, mesmo com poucos estudos, acaba se perguntando: se Kassab consegue construir e entregar um CEU em 4 meses como prometeu para ocultar que o CEU Formosa é só um terreno, porque não construiu os 25 CEU’s previstos e já licitados pela Marta em 2004? 4 anos para construir CEU’s, onde 4 meses são suficientes e ele só entregou 14?

Até a questão das escolas de lata deixa o eleitor em dúvida. Se Kassab fosse sincero quando diz que era inadmissível tolerar essas escolas, porque as construiu junto com Pitta e nunca diz nada até a campanha eleitoral de 2004? Porque nada diz sobre as mesmas escolas de lata estaduais que até hoje infernizam a vida dos alunos e que Kassab recriminou ao Alckmin no primeiro turno?

Nos debates da Band e da Record, emergiu com força o Kassab da propaganda e a Marta do engajamento em favor da população mais pobre.

Nada foi mais esclarecedor, por exemplo, sobre a realidade da saúde de Kassab que a afirmação da Marta sobre os problemas encontrados para ser atendido e marcar consulta no Hospital Cidade Tiradentes. Hospital planejado, licitado e construído a 60% por Marta e que a propaganda dá como modelo de Kassab para os desavisados eleitores das outras regiões. O voto da Marta em Cidade Tiradentes, mais de 60%, e o do Kassab, menos de 20%, mostra o peso da verdade para os que a conhecem, na escolha eleitoral.

Por isso a questão do pedágio urbano ganhou relevância. O estelionato eleitoral, ocultando a permanente tentativa de aprovar esse pedágio, ficou a nu nos debates. As promessas de Kassab, afirmando ser contra o pedágio só funcionariam se os cidadão conhecessem bem quem ele é e tivessem confiança na sua palavra. Foi por isso que a promessa, mesmo enganosa, escrita e assinada por Serra que cumpriria integramente seu mandato, funcionou. Mas ninguém sabe quem é Kassab. Ninguém o conhece e o que ele mostra é, em grande parte, fantasia e maquiagem. Será que a enganação vai de novo funcionar, como funcionou com o compromisso assinado pelo Serra? LF

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30/09/2008 - 19:55h Cancelado o debate na Globo, dizem que o periquito do papagaio agiu a pedido de um Grã tucano

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da Folha Online

Os candidatos à Prefeitura de São Paulo lamentaram a decisão da TV Globo de cancelar o debate antes do primeiro turno da eleição municipal. A petista Marta Suplicy admitiu a possibilidade de algum dos seus adversários ter manobrado para impedir a realização do debate.

“Talvez [tenha acontecido uma manobra]“, respondeu ela ao ser questionada. “Porque da nossa parte houve compromisso e eu lamento muito que não haja debate.”

Marta não citou nomes, mas fez várias críticas ao prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), candidato à reeleição.” No Nordeste, brasileiro colocou o PFL, os ‘demos’, na extinção. De repente a cidade de São Paulo está com alguém que nunca foi eleito e um partido que nunca foi eleito em São Paulo, com possibilidade de votação boa. São Paulo é a maior cidade do país, como vai ter a bandeira do retrocesso do PFL?”

Em público, Kassab disse lamentar o cancelamento do debate. “Lamento muito porque os debates são muito importantes. Eu compareci a todos e infelizmente não vai ter este. É uma oportunidade a menos do eleitor paulistano definir o seu voto”, afirmou Kassab.

Nos bastidores, de acordo com o blog Campanha no Ar, a equipe de Kassab comemorava o cancelamento do debate da Globo.

Em nota divulgada à imprensa, Alckmin disse que “perde São Paulo ganha a dissimulação” com o cancelamento do debate. “Perde o eleitor, que poderia comparar as propostas para o governo de sua cidade, e ganha a articulação de bastidor que inviabilizou o encontro. Perde a população, que poderia conhecer melhor o passado e os compromissos de cada candidato e ganha a estratégia obscura”, diz a nota.

O “Painel” da Folha, editado por Renata Lo Prete, informou que Alckmin (PSDB) recebeu como má notícia o cancelamento do debate.

Acordo

Em nota, a TV Globo informa que tentou fechar um acordo com os candidatos Ivan Valente (PSOL), Ciro Moura (PTC) e Renato Reichmann (PMN) para que eles não participassem do debate de São Paulo. “Este acordo tem sido tentado desde maio. Para que aqueles com menos densidade eleitoral abrissem mão do debate, a TV Globo ofereceu cobertura muito maior do que aquela a que fariam jus inicialmente se apenas critérios jornalísticos fossem levados em conta. Esta cobertura já foi ao ar”, diz a nota.

O objetivo era fazer o debate somente com os cinco candidatos mais bem posicionados nas pesquisas de intenção de voto –Marta Suplicy (PT), Gilberto Kassab (DEM), Geraldo Alckmin (PSDB), Soninha Francine (PPS) e Paulo Maluf (PP).

Em nota à imprensa, Valente disse que a lei eleitoral determina que todos os candidatos com representação na Câmara dos Deputados sejam convidados para os debates televisivos. Afirmou também que os candidatos não aceitaram as formas de compensação oferecidas pela emissora –entrevistas em jornais locais — por considerarem uma medida antidemocrática.

O candidato alegou ainda que a ampla exposição e a troca de idéia entre os concorrentes são fundamentais para a construção da democracia. “É no debate eleitoral –muito mais do que no próprio horário gratuito — que o real confronto de idéias, essencial para a escolha do eleitoral, se faz presente”, disse.

De acordo com o blog Campanha no Ar, Ciro rechaça a idéia de que tenha causado o cancelamento do debate. Lembrando que outros dois candidatos se recusaram a assinar o acordo, Moura afirma que “a Globo é grande, mas não está acima da lei”.

30/09/2008 - 11:12h “Popularidade de Lula não é capaz de eleger postes”, diz governador da Bahia

Ruy Baron/Valor – 9/12/2005

Jaques: governador baiano mantém discurso conciliador em relação ao ministro Geddel Vieira Lima

Raymundo Costa, VALOR

Na reta final da campanha, a eleição embolou em Salvador, Bahia. Talvez mais que em qualquer outra cidade, o clima entre os aliados é tenso.

Os três dos dois candidatos cotados para passar para o segundo turno são da base de apoio do governo Luiz Inácio Lula da Silva e do governador Jacques Wagner: João Henrique, do PMDB, atual prefeito, e Walter Pinheiro, do PT. O terceiro é Antonio Carlos Magalhães Neto, ACM Neto, do DEM e herdeiro do carlismo.

Em poucos Estados a disputa pelo uso da imagem do presidente foi tão intensa, a ponto de levar o ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional), um dos fiadores da aliança PT-PMDB, ao ponto de ameaçar um rompimento com o governo. Jaques diz que não é de “esquentar” briga. Acredita na recomposição, apesar da “tensão” entre os aliados.

O governador da Bahia acha que não basta a popularidade para eleger “um poste”. É preciso haver sinergia com o eleitorado. “Há uma maximização da imagem do governador e do presidente da República, que eu acho que contam, mas não é uma coisa absoluta de o cara sair de zero para 60%!”, disse ao Valor, em conversa na sexta-feira. O petista também não vê o governador de Minas Aécio Neves como candidato pelo PMDB com o apoio de Lula. “Só se for na oposição”, diz.

A seguir, os principais trechos da entrevista:

Valor: O apoio do presidente e do governador desequilibra a eleição?

Jaques Wagner: Quando alguém diz ‘eu sou Lula desde criancinha’, quando é Lula só a partir do ano passado, as pessoas se dão conta. Até porque eu acho que as pessoas lêem errado as pesquisas. Quando ela diz assim: 60% dos eleitores dizem que o apoio do presidente Lula é benéfico, o que eles estão dizendo é que, para 66% do eleitorado, saber que o candidato que ele escolheu é aliado do presidente Lula, aumenta a vantagem dele em 60%. Mas é o que eu digo aqui é que 60% de 1% é 0,6%. Então o cara sairá de 1% para 1,6%. É que as pessoas querem ler assim: se o presidente Lula botar a mão eu saio de zero para 60%. O que não é verdade.

Valor: Não é automático.

Wagner: Não existe isso. É óbvio que quando você cria uma sinergia, quando há uma consciência coletiva, as pessoas raciocinam assim: eu vou votar nesse cara que ele é amigo do governador, é amigo do presidente e não é um babaca, para falar um termo bem objetivo. Agora, se o cara for um babaca, diz assim ‘pô Lula, você vai me perdoar mas nesse aí eu não voto não’. Então não funciona aquela idéia de eu ‘elejo um poste’. Não existe isso.

Valor: No entanto, o senhor acha que o PT vai crescer mais que os outros.

Wagner: Com essa identificação do 13, eu acho que os candidatos do PT ganham mais que os outros. Não é em detrimento dos outros.

Valor: O fato é que há reclamação. Como é que a base vai chegar em Brasília para as votações?

Wagner: Óbvio que a volta é uma volta com pontos de tensão. Não tem como. Toda eleição, evidente que mais na eleição municipal, não é um mar de rosas. A lógica municipal é mais intensa que a estadual e que a nacional. O que está em jogo agora? Os deputados estaduais e federais lutam fortemente para a eleição do seu prefeito, e isso na contabilidade dele significará uma posição melhor para a eleição dele em 2010. É essa a briga. E o governador? O prefeito pesa X para deputado estadual e federal e pesa um pouco menos para governo do estado e presidente da República. Evidente. Isso porque ele consegue muito mais coordenar o voto para deputado estadual e federal.

Valor: Mas a eleição de prefeitos agora não dará uma base melhor para a eleição do presidente e de governador de 2010?

Wagner: A população está estabelecendo uma lin ha direta entre ela e os cargos majoritários, principalmente governador e presidente da República. Vou dar o meu exemplo: eu tinha 50 prefeitos em 417. E ganhei na faixa de 230 cidades. Significa que nem os prefeitos que trabalharam contra convenceram a população. Eu não estou menosprezando, evidentemente que ele é um elemento da política, e da base de apoio, mas ele pesará muito mais na eleição de deputado estadual e federal, eventualmente na de senador, do que na de governador e presidente da República.

Valor: Por quê?

Wagner: Eu me convenço cada vez mais que as pessoas não querem intermediário para escolher governador e presidente. Por que dá tensão? Dá uma tensão maior aqui e vai dar uma tensão menor em nível nacional. É uma coisa até curiosa: onde você vai e ganha, em geral o cara vai dizer que foi ele que ganhou. Onde você não vai e o cara perde, ele vai dizer que você é que foi o culpado pela derrota dele.

Valor: A base fica unida?

Wagner: Está todo mundo mais maduro e todo mundo dá importância a estar participando de um projeto, até agora, exitoso, que é o do presidente Lula, em nível nacional, e na Bahia. até agora, a gente está bem. Então eu não acho que vá haver alguma sangria desatada.; Agora é fato que haverá uma tensão pós eleitoral normal. Eu, por exemplo, estou tentando ser o mais equilibrado possível. Há uma maximização da imagem do governador e do presidente da República, que eu acho que contam, mas não é uma coisa absoluta de o cara sair de zero para 60%. Quando está pau a pau, digamos um está com 40% e outro está com 38%, aí eu concordo que pode fazer a diferença.

Valor: O senhor e o ministro Geddel saem como entraram nessa eleição?

Wagner: Temos um ponto de conflito que foi produzido por alguém que não era meu nem dele, que é o prefeito atual, que foi eleito pelo PDT, com vice do PSDB, e baixíssima participação do PMDB, que não tinha nem interesse em ficar no governo. Tinha lá uma secretaria marginal. De repente, quando o cidadão viu que estava com problemas de sobrevivência política, ele teve de sair de um partido pequeno e procurar um partido maior para se abrigar. Ele é muito midiático. Eu até gosto dele, não é um mau caráter, não é um larápio, mas é um cara confuso. Confuso na política e confuso na gestão. Ele precisava de tempo de televisão. Quis vir para o meu partido, coisa que eu recomendei.

Valor: Mas o PT não quis?

Wagner: O vício do cachimbo deixa a boca torta. A gente vai amadurecendo mas alguns vícios vez por outra aparecem. Então apesar de o governador dizer: ‘rapaz, põe o cara pra dentro. A gente já está no governo, põe logo o cara no PT’, o meu partido não acolheu a minha sugestão, o pedido de seu governador. E ele acabou indo para o PMDB. Ao ir para o PMDB gerou então um pólo de tensão. Não por culpa dele, por culpa da conjuntura. Geddel e o PMDB receberam esse presente – tinham pouquíssima coisa em Salvador e ganharam um prefeito e uma prefeitura, como máquina política para fazer a operação da política, no bom sentido. É óbvio que gostariam de ter todo mundo em torno deles. Então lutaram por isso. Eu defendi a tese da minha base de sustentação (um candidato só), pelo menos na capital. As pessoas não se convenceram. Até porque diziam que ele é ruim de compromisso. O pessoal de pesquisa dizia que ele tinha dificuldade de ir até para o segundo turno. O argumento é que era melhor não jogarmos com uma hipótese só e perdermos para o PFL. A outra hipótese era o Imbassahy, com quem eu tenho relação. Mas isso não animava muita gente exatamente porque era um alinhamento com o PSDB nacional e as pessoas aqui não tinham interesse óbvio nessa aproximação. Quando acabar a eleição tem um rescaldo a ser tratado. E eu tenho que ficar administrando esse conjunto todo.

Valor: A base se mantém até 2010?

Wagner: Político é um animal objetivo, que eu dividiria em dois tipos: uns um pouco mais programáticos e outros, vamos dizer assim, mais conjunturais. Quem é mais programático, tende a continuar, apesar de ter havido um estremecimento com o chamado bloquinho (a união congressual de PSB, PCdoB e PDT). Mas eu acho que diminuiu essa tensão. Já vinha diminuindo antes, com a solução de São Paulo (a indicação de Aldo Rebelo para vice de Marta Suplicy). A relação do Eduardo Campos (governador de Pernambuco e presidente do PSB) com o presidente é excepcional. O episódio de Minas, por mais que localmente tenha ha reflexos no PT – e há um rescaldo a ser cuidado internamente – , do ponto de vista externo da relação dos aliados o PT acabou marcando um tento positivo, porque bem ou mal apoiou um candidato do PSB com interligação do PSDB, o que mostra que, aos trancos e barrancos, o PT também consegue apoiar os outros.

Como senhor vê a questão de Minas?

Wagner: Internamente ainda tem muita coisa a ser trabalhada. Ficou a tensão com o Fernando Pimentel, vem a eleição para governador e ele evidentemente é um nome. Há insatisfações que terão de ser aparadas. Eu não sou de Minas e não quero me meter, mas o problema parece sido mais de método mesmo.

Como encaixar esse grupo no plano da sucessão federal.?

Wagner: Eu acho que a administração que foi feita em Minas, é óbvio que ela sempre terá contornos nacionais, mas na minha opinião ela terá muita influência na questão estadual. Eu acho que o Fernando e o Eduardo não têm peso para influir na questão interna do PSDB. Portanto não têm peso para ajudar o Aécio a ser o candidato do PSDB. Também não vejo nenhuma hipótese de o Aécio ser candidato em composição, vamos dizer, como Eduardo Campos, o PSB. A relação do PSB com o presidente é excepcional. O Ciro Gomes, o Eduardo. Então, sinceramente, eu não consigo ver a tal história de o Aécio vir ao PMDB para virar candidato, só se for para ser candidato contra o candidato do presidente Lula.

A eleição de São Paulo prova que não há como ter dois candidatos da situação?

Wagner: Se o presidente Lula desembarca em 2010 extremamente bem avaliado, e coloca uma candidatura à sucessão que mostre fôlego, não acho que os aliados atuais queiram sair fora. Tendo uma candidatura boa,. a tendência é manter isso tudo junto.

Valor: O PT vai para o segundo turno em Salvador?

Wagner: De há muito esta é a primeira eleição de Salvado equilibrada. Está dando o que eu imaginava: Neto tem o público deles (carlismo, que está na casa entre 23% e 25%, não cai mas também não sobe, que foi o índice do último candidato deles (César Borges); Imbassahy perde fôlego…

Valor: E foi abandonado pelos tucanos?

Wagner: Pelos daqui não, pelo Serra (José, governador de São Paulo) não, mas pelos outros talvez sim, porque ele está numa posição meio autônoma em relação ao comando nacional. Pinheiro está crescendo, e aí vamos ver. Qualquer dois dos quatro pode ir.

Valor: Para o governador seria mais fácil administrar uma disputa Neto-Pinheiro, não é?

Wagner: Politicamente, se forem dois aliados para o segundo turno a mensagem política é positiva, e a administração é difícil.

13/09/2008 - 19:38h Trajetórias

http://www.4news.com.br/impresso/200809/130920080003a13c.jpg

Quando a questão das trajetórias dos candidatos é evocada no meio da luta política, a história sofre.

Nada contra a transparência e sempre é bom avaliar o percurso dos que pleiteiam dirigir a cidade de São Paulo.

O PSDB vai, pelo que diz a nota do Jornal da Tarde (JT), evocar o passado de Gilberto Kassab.

Faz bem, pois o mesmo foi “apagado” por motivos de oportunismo político. Coube a Marta em 2004 alertar para esse passado e para o fato que a prefeitura iria para as mãos do ex-secretário de Pitta. Na época isto aparentemente não incomodava nenhum tucano.

É verdade que em 1994, quando Mario Covas concorreu ao governo, Alckmin estava com ele e Kassab com Maluf. É verdade que em 1996, Alckmin estava com Serra, candidato tucano à prefeitura, e Kassab com Pitta e Maluf.

http://www.terra.com.br/istoe/1622/fotos/26.jpgPodemos acrescentar para bem dos fatos, que em 1998 enquanto Kassab continuava com Maluf; Marta apoiava Mário Covas. Lembrar também que em 2000 contra Maluf, Mário Covas, Alckmin e até Serra estiveram com Marta. Kassab ainda com Maluf.

Acontece que após morte de Covas, o seu vice, Alckmin, escolheu um vice do PFL Cláudio Lembo e Kassab já tinha migrado para a turma peefelista.

Que logo, para tentar tirar Serra do caminho da pretensão “presidencial” de Alckmin, o PSDB impós Kassab como vice de Serra, acreditando que isto “amarraria” Serra à prefeitura.

Nada disto invalida uma verdade: Kassab é um sobrevivente do malufismo travestido de tucano. Mas quem emprestou as penas e o bico, vendendo a fantasia, foi o PSDB e seus dois caciques: Alckmin e Serra.

Nunca é tarde para reconhecer o erro e a crise do PSDB em São Paulo pode levar a uma reconsideração do itinerário seguido pelos tucanos.

Depois de tudo, agora até Lula é bom para eles (mesmo nisto, o PSDB não é original. Maluf já tinha tentado em 1996 “roubar” o Suplicy, contra o PT. “Nada contra Suplicy, mas não quero o PT mandando aqui” dizia o chefe de Kassab na época, igualzinho aos tucanos hoje).

Nunca é tarde para reconsiderar erros passados.

Mas isto não deveria depender de passar ou não para o segundo turno.

E não deveria conduzir a falsificar a história, apagando os personagens das fotos em função da conveniência do poder.

Luis Favre

09/09/2008 - 10:23h Além dos números

Merval Pereira – O Globo

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/foto/0,,12005448,00.jpgNOVA YORK. Um trabalho da equipe do cientista político da PUC do Rio de Janeiro Cesar Romero Jacob, que reúne pesquisadores brasileiros e franceses, publicado na edição de setembro da revista Alceu, dá boas indicações para se entender o que está acontecendo com os votos nas duas principais capitais do país, Rio e São Paulo, e que conseqüências podem ter as eleições municipais para a eleição presidencial de 2010. O artigo, com 50 mapas por zonas eleitorais do TRE, e por Áreas de Ponderação da Amostra, do IBGE, para os dados socioeconômicos, mostra a correlação entre a votação das eleições municipais de 2002 e a eleição presidencial de 2006, assim como já haviam feito com as eleições municipais de 1996 e 2000 e as presidenciais de 1998 e 2002.

Um primeiro ponto a destacar: diferentemente de eleições anteriores — quando se verificou um descompasso entre as votações dos candidatos a presidente pelo PSDB, Fernando Henrique Cardoso, em 1998, e José Serra, em 2002, e o desempenho dos candidatos desse partido a prefeito, José Serra, em 1996, e Geraldo Alckmin, em 2000, com os candidatos do PSDB a presidente tendo ótimas votações na capital paulista e os seus postulantes a prefeito não tendo desempenho semelhante — houve uma convergência dos resultados obtidos por Serra, para prefeito em 2004, e por Alckmin, para presidente em 2006, “o que se constitui num fato novo na política paulistana”.

Esta mudança, segundo o estudo, deve-se ao enfraquecimento do malufismo, atingido por uma sucessão de denúncias de corrupção envolvendo os ex-prefeitos Paulo Maluf e Celso Pitta.

Já no Rio, o descompasso entre as votações dos candidatos do PT, nesses dois níveis de eleição, se acentua. É grande a discrepância entre o bom desempenho de Lula, em 2006, e a reduzida votação de Jorge Bittar, em 2004, o que se deve, em parte, segundo o estudo da PUC do Rio, à divisão das forças de esquerda no pleito municipal.

Além disso, com o enfraquecimento do brizolismo, acentuado com a morte de Leonel Brizola, em 2004, e com a perda de expressão eleitoral do grupo de Anthony Garotinho, um “vácuo político” propiciou o bom desempenho de um candidato fora dos quadros partidários tradicionais, como o bispo licenciado Marcelo Crivella.

Na verdade, ressalta o estudo coordenado pelo cientista político Cesar Romero Jacob, este fato se constitui num elemento novo na política carioca, tradicionalmente dividida entre os diversos grupos da família brizolista: o próprio Brizola (PDT), Cesar Maia (PFL), Marcello Alencar (PSDB) e Garotinho (PMDB).

Com a vitória em 2004, Cesar Maia se afirmou como o principal herdeiro da família brizolista na cidade, ao vencer a quarta eleição consecutiva, como candidato (em 1992, 2000 e 2004) ou elegendo o seu sucessor (Luiz Paulo Conde, em 1996).

A candidatura de Crivella acabou provocando uma divisão de caráter religioso na cidade: os católicos fazendo voto útil em Cesar Maia e os evangélicos votando no irmão Marcelo Crivella.

Desse modo, “enquanto no Rio observou-se uma cidade dividida pela religião, em São Paulo verificou-se uma cidade polarizada pela política, numa acirrada disputa entre os dois maiores partidos brasileiros do momento, o PT e o PSDB”, destaca o estudo.

O trabalho dos pesquisadores da PUC do Rio de Janeiro não vai além dos dados das últimas eleições, mas com base neles é possível fazer-se algumas ilações. A forte votação de Marta Suplicy confirma uma situação recorrente, com os candidatos do PT a prefeito e a presidente tendo seus maiores percentuais de votos nos bairros populares. Vencendo, Marta Suplicy torna-se uma forte candidata à Presidência pelo PT, com uma base de votos importante na capital paulista.

Se confirmada a “cristianização” do candidato tucano Geraldo Alckmin em benefício da reeleição do prefeito Gilberto Kassab, com apoio de Serra, é possível prever-se uma boa votação do candidato tucano à Presidência da República em 2010, principalmente se ele for Serra. Indo Alckmin para o segundo turno, mesmo que derrote Marta, o PSDB estará irremediavelmente dividido. Terá sido uma vitória pessoal dele, e não do partido.
No Rio, dos 7 pleitos realizados desde 1982 para o governo estadual, 5 foram ganhos por políticos pedetistas ou que atuaram, em algum momento de sua vida política, nesse partido: Brizola (1982 e 1990), Marcello Alencar (1994), Garotinho (1998) e Rosinha Garotinho (2002)
.
Portanto, com exceção de Moreira Franco (1986) e Sérgio Cabral (2006), ambos do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), os demais poderiam ser considerados integrantes da “família brizolista”.

O crescimento da candidatura de Eduardo Paes, apoiado pelo PMDB do governador Sérgio Cabral, pode significar que uma nova era na política do Rio está se abrindo, com a máquina peemedebista sendo ajudada pelo fato de Paes ser oriundo da máquina da prefeitura, onde ele iniciou sua vida política com o prefeito Cesar Maia.

Assim como em 2004 o voto útil foi para Cesar Maia contra Crivella ainda no primeiro turno, agora estaria indo para Eduardo Paes, mesmo que seja previsível um segundo turno.

Os estudos da equipe da PUC do Rio revelam a existência em São Paulo de territórios eleitorais fiéis ao PT e ao PSDB, “num confronto político do tipo direita-esquerda mais clássico”. São Paulo continua sendo uma cidade polarizada pela política e não pela religião, como aconteceu na última eleição municipal do Rio de Janeiro, e continua acontecendo hoje.

Segundo o estudo, “a boa implantação dos dois maiores partidos brasileiros na capital paulista tem impedido que, pelo menos nas eleições para prefeito, questões de natureza religiosa se sobreponham a escolhas políticopartidárias”. No Rio, ao contrário, PT e PSDB são fracos politicamente.

E-mail para esta coluna: merval@oglobo.com.br

28/08/2008 - 11:15h Sobra PT e falta PSDB na TV em Salvador

Alan Marques/Folha Imagem – 30/7/2008
Serra: governador de São Paulo gravou imagens para as campanhas de Curitiba, Porto Alegre e Teresina

Raquel Salgado – VALOR

Depois de usar a imagem do governador Jaques Wagner (PT) apoiando sua candidatura na convenção do PSDB e de frisar que tem a simpatia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o candidato tucano à Prefeitura de Salvador, Antonio Imbassahy, duas vezes prefeito, dificultou uma possível participação do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), no horário eleitoral. Por ora, a coordenação da campanha não pensa em usar sua imagem.

Além de São Paulo, Serra só apareceu, até agora, no programa do deputado Fernando Gabeira, candidato da coligação PV-PSDB-PPS à Prefeitura do Rio. Serra, assim como o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), já gravaram para a campanha à reeleição do prefeito Beto Richa, em Curitiba, assim como para a campanha de Nelson Marchezan Júnior, candidato do PSDB em Porto Alegre. Serra também gravou para a campanha tucana em Teresina.

Sua situação poderá se complicar. “Além de não ter hoje um mandato como os outros candidatos, não pode contar com um apoio muito militante do PSDB”, diz Paulo Fábio Dantas Neto, diretor do Centro de Recursos Humanos da Universidade Federal da Bahia (UFBA) que estuda há anos a política baiana. No segundo turno, contudo, Imbassahy se fortalece, pois é pouco rejeitado pela população e se apresenta ao eleitorado como uma boa segunda opção.

Na avaliação de Dantas Neto, não é apenas a aproximação de Imbassahy com Wagner e Lula que impede a participação de Serra no pleito soteropolitano. Mesmo sendo muito próximo de um tucano de destaque na política local e nacional, o deputado federal Jutahy Magalhães Junior, Serra precisa ser pragmático e pensar em um palanque competitivo na Bahia em 2010. “A solução mais provável é que o PSDB marche com o Democratas, o que limita os movimentos de Serra neste ano”, diz. Há ainda a aproximação de ACM Neto com Serra e Aécio, que o vêem como um aliado promissor.

Serra, por sua vez, não é grande angariador de votos em Salvador. Na eleição presidencial de 2002 obteve apenas 4,6% dos votos válidos no º turno e 10,6% na segunda etapa.

Depois de evitar maiores comparações com seu falecido avô, o deputado federal e candidato do Democratas, Antonio Carlos Magalhães Neto, resolveu resgatar não só a imagem do senador ACM, mas também reforçar sua campanha com a presença de outros carlistas: a do hoje senador, César Borges, e a do ex-governador da Bahia, Paulo Souto.

“Veja o que o Democratas e o PR já fizeram por Salvador”, diz o narrador do programa de ACM Neto. Uma seqüência de imagens de ruas, avenidas, parques, além de uma maternidade e de jornais anunciando a vinda da Ford para o Estado são apresentadas seguidas por frases que lembram muito uma antiga campanha de Paulo Maluf. A cada obra, um coro diz: “Foi ACM que fez”, “Foi Paulo Souto que fez”, “Foi César Borges que fez”.

Imbassahy e ACM Neto disputam faixas parecidas do eleitorado. O tucano já foi um dos quadros do antigo PFL e foi graças ao apoio carlista que chegou à prefeitura da capital em 1992. Apesar de seguir bem colocado nas pesquisas, Imbassahy caiu de 27% para 18% na última pesquisa Ibope por encomenda da Rede Bahia, da família Magalhães.

O candidato do PT, o deputado federal Walter Pinheiro, após ter arrancado no Ibope, chegando a 13% das intenções de voto (antes tinha 6%), vai ter, já no 1º turno, uma grande ajuda de Wagner. Depois de afirmar que permaneceria eqüidistante no º turno, pois três dos cinco candidatos são da base aliada de seu governo, Wagner decidiu gravar participações no programa de Pinheiro.

O atual prefeito, João Henrique Carneiro (PMDB) tem usado a parceria com Lula e com o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima. Com a desvantagem de ter sua administração atacada por todos os candidatos, o peemedebista partiu para o confronto. O alvo preferido é Imbassahy que, segundo ele, teve oito anos de mandato e não fez nem metade do que João fez em menos de quatro. O prefeito, que tem 15% das intenções de votos, preocupa-se também com a evolução de Pinheiro. Ambos se apresentam como próximos a Lula e Wagner e opositores ao modo carlista de se fazer política. (Colaboraram Ana Paula Grabois, do Rio; Marli Lima, de Curitiba; Sérgio Bueno, do Rio Grande do Sul, e Cesar Felício, de São Paulo)

05/08/2008 - 19:36h Fora do páreo, Kassab agora é linha auxiliar de Alckmin

Salve o perdedor!

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Valdo Cruz – Folha Online

Kassab está fora do páreo. Viva o Kassab. Assim pode ser resumido o clima das conversas entre os tucanos, alckmistas e até serristas, no atual momento da disputa pela cadeira de prefeito de São Paulo. Coisa de bate-papo reservado, mas que já está totalmente explícito. Ninguém no PSDB acredita mais na viabilidade eleitoral do prefeito paulista, Gilberto Kassab, mas todos sabem que ele é peça chave no tabuleiro do segundo turno.

Portanto, a ordem é manter desobstruídas as pontes que unem os tucanos ao democrata paulista. Por uma questão de sobrevivência política, Kassab deve topar entrar nesse jogo. Só não podem deixar que o prefeito fique muito desidratado e vá minguando até o dia da votação. Aí, o risco é a eleição se resolver no primeiro turno, objetivo confesso dos petistas. A equipe de Marta Suplicy sabe que um segundo turno será osso duro de roer, teria exatamente de enfrentar tucanos e democratas juntos.

Agora, não será Gilberto Kassab o grande derrotado em São Paulo, caso se confirmem as avaliações do momento. Ele conseguirá uma sobrevida política transferindo seu apoio ao candidato tucano. Será o seu partido, o Democratas, o antigo PFL o maior perdedor.

São Paulo era o sonho eleitoral de um partido às voltas com uma crise de identidade desde que mudou de nome. Desde que Lula chegou ao poder e só fez aumentar sua popularidade e influência no Nordeste, os democratas só perderam espaço na política depois que ficaram sem as verbas e cargos federais. Ganhando na capital paulista, o DEM aumentaria seu cacife político, visando principalmente a eleição de 2010. Hoje, nem os democratas acreditam muito na vitória na capital paulista.

O drama do DEM é que a eleição em São Paulo pode ser a maior de várias outras derrotas. Nas demais cidades que contam, o partido tem chances reais em duas: Salvador, com ACM Netto, e Recife, com Mendonça Filho. Nas duas capitais, porém, há quem avalie que o partido irá para o segundo turno. E nisso ficará, diante da união dos adversários tucanos, petistas e peemedebistas contra seus candidatos.

Antes do início das campanhas municipais, lideranças democratas faziam uma avaliação otimista de suas chances eleitorais. Acreditavam que a inflação só faria crescer até a eleição de outubro, prejudicando os candidatos governistas nas grandes cidades.

Agora, os últimos índices de preços indicam que o remédio amargo ministrado pelo Banco Central está surtindo efeito. A pressão altista sobre os preços está se arrefecendo. Mantida a tendência, a eleição deve ocorrer com inflação em queda e popularidade presidencial elevada, jogando por terra o sonho democrata de faturar alto.

Resultado, o partido corre o risco de sair dessa e da eleição de 2010 como uma legenda de deputados e senadores. E talvez nem tantos quanto hoje.

Ainda a inflação

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, mandou seu recado ontem. Sua equipe vai trabalhar para que a inflação volte a ficar no centro da meta, 4,5%, no próximo ano. Leitura imediata: o aperto monetário do BC será mantido até o final do ano, bem acima das expectativas do início do ano. A dúvida, porém, é sobre o custo efetivo dessa decisão, que conta com o apoio do presidente Lula. Nesse ano, o crescimento já está praticamente contratado e deve ficar entre 4,8% a 5% do PIB (Produto Interno Bruto). No próximo ano, o governo espera que ele fique na casa dos 4%, acima disso, não abaixo. Mas tem gente que enxerga números menores, exatamente por conta do aperto maior na política monetária. Mas aí Lula já foi convencido. Melhor reduzir o ritmo em 2009, com uma inflação controlada, podendo voltar a crescer mais em 2010, o ano da sucessão. Se vai dar certo, aí é outra história.

Valdo Cruz, 46, é repórter especial da Folha. Foi diretor-executivo da Sucursal de Brasília durante os dois mandatos de FHC e no primeiro de Lula. Ocupou a secretaria de redação da sucursal e atuou como repórter de economia. Escreve às terças.

E-mail: valdo@folhasp.com.br

15/07/2008 - 22:30h “Ajuste fino” no ninho tucano: infiéis serão expulsos

PSDB ameaça expulsar infiéis pró-campanha de Kassab

http://oglobo.globo.com/fotos/2006/08/30/30_MHG_eleicao_alckmin2.jpg

REUTERS – Agencia Estado

SÃO PAULO – No dia seguinte à manifestação de amplo apoio à candidatura do prefeito Gilberto Kassab (DEM) pelos secretários municipais tucanos, o PSDB enviou carta aos filiados ameaçando com processo de expulsão aqueles que aderirem a nomes de outras siglas.

O partido evoca a lei da fidelidade partidária, que prevê adesão obrigatória de filiados às determinações dos partidos.

“Os filiados que não atenderem a este princípio (apoiar candidatos da sigla), ou seja, que apoiarem publicamente nossos concorrentes, deverão ser encaminhados ao conselho de ética e fidelidade partidária”, diz trecho da carta enviada a cerca de 8 mil filiados no Estado.

Na eleição da capital paulista, o PSDB se definiu pelo ex-governador Geraldo Alckmin, mas um grande número de tucanos atua na administração de Kassab, herdada do governador José Serra (PSDB). Na segunda-feira, Kassab convocou seus secretários tucanos a defenderem sua gestão na campanha eleitoral e recebeu a anuência da equipe.

“Candidatos a vereador e a prefeito do partido querem que os filiados subam no palanque deles e não no do adversário”, disse à Reuters o secretário-geral do PSDB estadual, César Gontijo.

O dirigente disse que a carta já vinha sendo gestada em reuniões do partido e foi aprovada pela executiva estadual na segunda-feira. Para ele, 2008 é importante por ser uma etapa para o PSDB retomar a Presidência da República.

“Temos que fazer um ajuste fino em São Paulo. Nosso enfrentamento é com o PT e nosso candidato é o Geraldo, que vai dar as condições para eleger Serra presidente da República em 2010″, afirmou.

Entre os secretários tucanos da administração paulista, os mais engajados na campanha de Kassab são o deputado federal Walter Feldman (Esportes) e Clóvis Carvalho (Governo).

Kassab tem dito que o PSDB tem uma “peculiaridade”, por ter dois candidatos a prefeito em SP. Gontijo devolve: “Como ele é do PFL (atual DEM), é difícil para ele falar sobre o PSDB.”

O processo no conselho de ética leva cerca de um mês. O filiado pode ser advertido, suspenso de 3 a 12 meses, destituído de função em órgão partidário ou expulsão. Se for parlamentar, poderá perder o mandato.

Na segunda-feira, o deputado Edson Aparecido, coordenador-geral da campanha de Alckmin, havia dito que o encontro do prefeito com auxiliares era “absolutamente irrelevante”. (Reportagem de Carmen Munari)

10/07/2008 - 12:32h Kassab: Depenando tucanos para se fantasiar como eles

Demo fantasiado de tucano
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Kassab, o demo, patrão do PFL em São Paulo e ex-secretario de planejamento de Pitta, realiza uma operação inteligente de apropriação “ilicita” do PSDB, graças ao apoio de José Serra.

O objetivo visa permitir a Kassab se apresentar aos eleitores travestido com a “fantasia” de tucano .

Mas não é sem razão que ele apresenta sua candidatura como sendo do PSDB e desse jeito tirar eleitores do tucano Alckmin. Ele foi vice-tucano e é preposto de Serra. Governa com o PSDB, com a política do PSDB e com a maquiagem do PSDB. Por isso considera injusto não ser o candidato dos tucanos.

Os ataques cada vez mais freqüentes de Alckmin ao governo Kassab tentam neutralizar esta operação dos kassabo-serristas.

Mas uma coisa parece difícil para ambos: esconder o balanço dos seus respectivos governos e o que eles tem em comum: o descaso com a população e a defesa do serviço mínimo, (ops) quero dizer Estado mínimo.

Confirmando o que temos reiterado aqui no blog, os serristas continuarão manifestando seu apoio a Kassab e a agir contra Alckmin. A determinação de José Serra em destruir seu concorrente no próprio ninho é uma questão de sobrevivência e de ambição. LF

Kassab reunirá tucanos para cobrar apoio

CATIA SEABRA – FOLHA SP
DA REPORTAGEM LOCAL

Em novo capítulo da crise do PSDB, tucanos do primeiro escalão da Prefeitura de São Paulo deverão descer do muro na segunda-feira, em almoço com o prefeito Gilberto Kassab (DEM).
Secretários e subprefeitos filiados ao partido foram convidados para o almoço pelo secretário municipal de Governo, Clóvis Carvalho. Nos e-mails, ele pede que não usem carros oficiais, deixando claro que o cardápio é político. A expectativa é que sejam cobrados a defender com mais ênfase o governo Kassab, sob o argumento de que é o trabalho de todo o grupo que está em xeque.
Ontem, após homenagem aos heróis da Revolução Constitucionalista de 1932, Kassab disse que considera natural o apoio de tucanos a seu governo.
“É o governo deles. Não estão contrariando a ética aqueles que estiverem me apoiando. Muito pelo contrário”, disse. “O PSDB participará de meu plano de governo, meus secretários participarão do meu plano de governo. Não tem sentido [para] um governo que será de continuidade os secretários não participarem”, justificou.

05/07/2008 - 19:29h Marta lidera com 38%, segundo Datafolha

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A pesquisa Datafolha mostra, no começo da campanha municipal, uma progressão indiscutível de Marta Suplicy que lidera as intenções de voto com 38%.

Ao mesmo tempo a pesquisa retrata a dificuldade do atual prefeito que oscilou para baixo e não consegue sair do seu patamar de 13%, um pouco acima de Paulo Maluf (8%). A rejeição de Kassab aumentou em três pontos possivelmente por sua postura agressiva contra Marta e a de Marta oscilou para baixo, .

martakassabalckminmaluf.jpgGeraldo Alckmin continua recolhendo mais intenções de voto que seu adversário demo, com 31%, recuperando para si os dois pontos perdidos por Kassab.

Outro dado interessante da pesquisa é que pela primeira vez Marta e Alckmin aparecem empatados no cenário do segundo turno, com vantagem para o tucano de 5 pontos percentuais (a margem de erro é de 3 pontos a + ou -). Alckmin está com 50% e Marta com 45%. Já contra Kassab, Marta aparece com 55% e o peefelista 36%.

O fato de Kassab não melhorar na pesquisa vai reforçar o movimento em favor de Alckmin numa parcela do eleitorado. No plano partidário provavelmente este movimento não se produzirá. O objetivo dos serristas é impedir uma vitória de Alckmin a qualquer preço e continuaram a agir na campanha em favor de Kassab. Como as inaugurações estão proibidas pela justiça eleitoral, Serra estará menos visível na campanha do seu candidato Kassab, mas continuará a defender-lo. A declaração de Feldman dizendo que pela primeira vez não fará campanha, traduz esta determinação de Serra em “resolver” o obstáculo que Alckmin representa na sua ambição presidencial.

Em agosto talvez a situação mude em favor dos serristas, na medida em que a disputa ficará mais acirrada e Kassab disporá de um tempo de TV superior ao do Alckmin. Mesmo não podendo usar as imagens de Serra, que é do PSDB e não pode aparecer em programas de outro partido não estando coligados, Kassab procurará se apresentar como candidato tucano, escondendo sua filiação pfl e seu passado de secretário de planejamento de Pitta.

Nas simulações de segundo turno percebe-se que uma parte do eleitorado de Alckmin iria para Marta e isto também é assim com uma parte do eleitorado de Kassab. Isto mostra a dificuldade a criar um movimento de voto anti-PT , na medida em que a crise demo-tucana libera o debate político do esquematismo do bloco contra bloco. Existe uma fluidez maior entre os eleitores, dispostos a ouvir e debater das questões da cidade.

LF

30/06/2008 - 19:46h Kassab anuncia campanha “peculiar” contra Alckmin

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Em entrevista à Reuters, Gilberto Kassab do ex-PFL (DEM), afirma que realizará uma campanha “peculiar”.

A peculiaridade consiste em considerar o candidato Alckmin um adversário e o PSDB um aliado. Resumindo, a linha de Kassab é pretender que ele é o candidato do PSDB e carimbar Alckmin como o candidato de ninguém.

Para Kassab “Ele é adversário, é evidente, a partir do momento que ele não quis apoiar minha candidatura, ele entendeu que seria melhor outro caminho para a cidade e, portanto, é adversário. Ele escolheu seguir este caminho”, disse à Reuters, em entrevista concedida em seu gabinete na sede da prefeitura.

Para o prefeito, o PSDB não entendeu que sua candidatura era “natural”, por se tratar de reeleição. Ou seja, do momento em que ele “herdou” o cargo de mãos de Serra, pensa ser natural “herdar” ao mesmo tempo do PSDB, mesmo que a maioria esmagadora dos delegados tucanos decidiram que o PSDB não é propriedade do PFL e preferem Alckmin como candidato.

A prepotencia de Kassab com o PSDB só é possivel porque os serristas e o governador decidiram fazer a campanha de Kassab, ignorando o candidato do próprio PSDB.

A campanha “peculiar” de Kassab usurpando o PSDB pode vingar deixando Alckmin à míngua.

“O PSDB está no meu governo e portanto as críticas que ele (Alckmin) poderia fazer já teria feito. Ele tem liberdade, se ele tivesse enxergado equívocos teria dito”, ironizou Kassab em sua previsão sobre a postura de Alckmin na campanha.

Para Alckmin e a maioria do PSDB que o escolheu como candidato só resta a opção de demarcar terreno com Kassab criticando sua gestão. Isto explica os ataques a administração do antigo alíado, na educação, na saúde, no transporte e na iluminação.

Nesse sentido a campanha de Alckmin é tão “peculiar” quanto a campanha de Kassab. Ambos tentam serrar o galho no qual o outro está sentado, com a idéia peculiar de pensar que só o outro cairá da arvore. Acontece que estão sentados no mesmo galho e para não cair, um dos dois deverá tentar trocar de galho.

Será que a população de São Paulo será tolerante com a “peculiaridade” dos demo-tucanos lavarem a roupa suja na frente de todos, sem escrúpulos e sem consideração para com os verdadeiros problemas da cidade, e depois pretenderem que nada aconteceu?

LF

23/06/2008 - 09:04h O ponto de vista de Serra

A trilha de Alckmin


“É importante que nada seja de mão beijada. A disputa me faz um candidato melhor”. (Geraldo Alckmin, que levou sem disputa)

Ricardo Noblat – O Globo

serra_presidenc.jpgSabe quem ganhou a convenção do PSDB que indicou, ontem, Geraldo Alckmin para candidato a prefeito de São Paulo? O atual prefeito, Gilberto Kassab, do DEM, candidato à reeleição. Foi o único que nada perdeu com o episódio. Com o racha do PSDB, Alckmin sai enfraquecido — assim como Serra, que tentou, em vão, barrar a candidatura de Alckmin.

Quem era Kassab até virar vice na chapa de Serra, candidato a prefeito de São Paulo em 2004? Apenas um hábil deputado federal de um partido, na época o PFL, sem futuro em São Paulo.

Ganhou a confiança de Serra enquanto foi seu vice. E seu coração ao assumir o cargo de prefeito abandonado por Serra para se eleger governador de São Paulo.

Manteve a equipe montada por Serra. Tocou a adm i n i s t r a ç ã o d e c o m u m acordo com ele. E saiu-se bem. De olho na sucessão de Lula, empenhado em manter a aliança do PSDB com o DEM, o novo nome do PFL, nada mais natural que Serra identificasse em Kassab o candidato ideal para enfrentar a ex-prefeita Marta Suplicy.

Mas havia uma pedra no caminho de Serra. E essa pedra, velha conhecida dele, atendia pelo nome de Alckmin.

De nada adiantou Serra garantir a Alckmin que o apoiaria para o governo de São Paulo em 2010 caso venha a ser o candidato do PSDB à vaga de Lula. Ou que o apoiaria para o Senado se preferir se candidatar outra vez ao governo de São Paulo. Alckmin não confia em Serra. Atropelouo em 2006, roubando-lhe a condição de candidato a presidente. Atropelou-o novamente desta vez. “Como deixar de ser candidato a prefeito, se lidero as pesquisas?”, argumentou Alckmin.

O argumento não valeu para Alckmin há dois anos, quando era Serra que liderava as pesquisas.

Ao desembarcar em São Paulo na manhã do último sábado, de volta de uma viagem a Moscou, Serra se viu diante de um dilema.

Onze dos 12 vereadores do PSDB haviam registrado uma chapa favorável a Kassab para concorrer contra Alckmin na convenção marcada para o domingo. A chapa atraiu a assinatura de 425 dos 1.300 delegados à convenção com direito a voto. A turma de Alckmin espalhou que algumas assinaturas foram obtidas em troca da promessa de empregos na prefeitura ou simplesmente do pagamento de propinas. Mais de 50 assinaturas acabaram retiradas.

Nunca antes na história do elegante PSDB se batera chapa em convenções.

O que Serra deveria fazer? Correr o risco de ser acusado de estraçalhar o partido? Correr o risco de, mesmo assim, ainda assistir a uma provável vitória de Alckmin na convenção? Pesou na decisão dele, de forçar a retirada da chapa dos partidários de Kassab, o que ouviu de um amigo há pouco mais de um mês: “A única coisa que você não pode permitir é que Alckmin vença sem seu apoio”.

Dito de outra forma: ou Serra teria força para ajudar Kassab a derrotar Alckmin na convenção, ou o melhor seria que ele interviesse em favor de Alckmin, e que este ficasse lhe devendo o favor.

Alckmin não se sente devedor. Pelo contrário.

Acha que ganhou contra Serra e Kassab.

O PSDB de Kassab faltou à convenção. Alckmin só conseguirá atraí-lo, no todo ou em parte, se crescer nas pesquisas de intenção de voto e pintar como o adversário certo de Marta no segundo turno. Serra não se m e t e r á d i re t a m e n t e n a campanha. Alckmin é o candidato da maioria do PSDB — mas o candidato de Serra a prefeito continua sendo Kassab. Serra está convencido de que uma campanha bem-feita no rádio e na televisão empurrará Kassab para cima nas pesquisas.

E que Alckmin se ressentirá da falta de um discurso consistente. Ele não poderá bater em Kassab, que governa a cidade junto com o PSDB. E muito menos no governo do estado.

Imagine duas largas e bem pavimentadas vias expressas.

Por uma trafegará Marta, amparada pelo governo federal. Por outra, Kassab, amparado pelo cargo que ocupa e animado por Serra.

E Alckmin? Não lhe falta disposição para ir em frente pelo gramado estreito que separa as duas vias.

22/06/2008 - 10:05h Contribuição à convenção do PSDB (1)

VINICIUS TORRES FREIRE – FOLHA DE SÃO PAULO

Memória da ruína tucana

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De tão parecido com a modernidade avacalhada que implantou no país, PSDB nada tem a dizer ao público

OS TUCANOS seriam o partido da modernização, dizem eles mesmos. Se tal discussão não provoca o tédio imediato, pode-se achar até graça nisso. Mas, no fim das contas, não era verdade? A modernização tucana foi tão bem sucedida e o PSDB a encarnou tão bem que a forma do partido mal se destaca do fundo que produziu. O sucesso faz com que as idéias tucanas percam seus contornos quando confrontadas com o país modernizado: o PSDB hoje não fede nem cheira.
A “utopia do possível” do PSDB era um país mais capitalista, mas com “10% de desconto”, como dizia Mangabeira Unger. Uma economia mais aberta, mas que protege a grande empresa. Um país com seu mercado de capitais e uns trocados para a escola dos pobres, para formar “capital humano”. Com mais mercado e uma “rede de proteção social” que enreda os deserdados, o embrião do Bolsa Família. Com privatização e politização dos negócios privados.
O filme do PSDB era um roteiro adaptado da arenga do Banco Mundial. Era um grupo de políticos menos selvagens e de tecnocratas mais capazes, encapsulados num saquinho de chá metido no balde d”água ainda mais sujo da política partidária brasileira. Mudou muito pouco do mar de desigualdades de poder, renda e educação. Mas o saquinho de chá tucano se dissolveu no balde. A tecnocracia tucana ouviu a própria pregação do empreendedorismo e retirou-se, em especial na finança. Restaram os caciques e a “aliança com o atraso, instrumento do avanço”, tal como era racionalizado o pacto com PFL e PMDB, o de sempre, de Sarney a Lula.
Hoje, o PSDB tem um governador denunciado à Justiça (Teotonio Vilela, Alagoas) e amigão de Renan Calheiros. No Rio Grande do Sul, os pedaços da coalizão tucana se acusam de bandidagem e mau-caratismo, todos aparentemente com razão. O governador tucano de Minas ameaça namorar o lulismo, chantagem que tem como objetivo confrontar o governador de São Paulo, que corre o risco de deixar como grande legado político a implantação do PFL (Democratas) no Estado, antes praga inaudita. Com os anos, aparecem os esqueletos corruptos do partido, vide o caso Alstom.
O neotucanato é a direita que não ousa dizer seu nome, o alckmismo, que deixou a gestão do Estado em estado de choque, vide o desastre na educação paulista, a falácia da responsabilidade fiscal e a inanidade do desenvolvimento estadual durante o governo Alckmin. No campo das “idéias”, a liderança tucana no Congresso faz chacrinha sobre responsabilidade fiscal, mas vota anônima e unânime a favor de projetos que estouram o orçamento público. Se passa a picuinhas e vergonheiras como fingir-se de morta quando nota que as CPIs que defende se voltam também contra o próprio partido.
O último candidato tucano a presidente renegou o seu arremedo de programa e até mesmo a receita de bolo fernandina. Como o petismo-lulismo é a reprodução ampliada e pirateada do velho programa tucano e como o “choque de capitalismo” do PSDB realizou-se, a seu modo avacalhado, o tucanato nada tem a dizer que contraste com a realidade da política e da vida brasileiras. O PSDB é só uma briga de foice por um lugar no horário eleitoral gratuito.

vinit@uol.com.br

08/06/2008 - 12:35h Corrupção e desvio de dinheiro público provoca crise e derruba principais secretários do governo tucano em RS

No dia 26 de maio, o chefe da Casa Civil do governo Yeda Crusius (PSDB), Cézar Busatto (PPS), foi conversar com o vice-governador Paulo Feijó (PFL). O objetivo da conversa: tentar convencer Feijó a parar com as denúncias sobre irregularidades no Banrisul. Busatto tenta comprar a posição de Feijó:“…Se pudéssemos encontrar um modus vivendi que nos permitisse tu não romper com tuas convicções….para tu estar dizendo pra ti mesmo, pra tua consciência…qual é o custo disso? Eu não sei, de repente o Fernando (o presidente do Banrisul chama-se Fernando Lemos) faz um gesto concreto pra ti, não quero pensar alto porque isso não tá no horizonte…uma coisa concreta que pudesse permitir ou outra coisa, quem sabe?

Além de fazer essa oferta, Busatto, didaticamente explica a Feijó que o Banrisul é fonte de financiamento das campanhas do PMDB e o Detran e o Daer do PP.

BLOG RS

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A seguir artigo da Folha

Crise derruba parte do secretariado de Yeda

Governadora demitiu três membros do primeiro escalão da administração e o comandante-geral da Brigada Militar

A mudança é uma resposta à crise política agravada pela divulgação, por parte do vice-governador, de diálogo com o ex-chefe da Casa Civil

GRACILIANO ROCHA – FOLHA DE SÃO PAULO
DA AGÊNCIA FOLHA, EM PORTO ALEGRE

Em mais um capítulo da maior crise política de sua gestão, a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), anunciou ontem a demissão de três membros do primeiro escalão do governo e do comandante-geral da Brigada Militar (a PM gaúcha).
Segundo a tucana, as cartas de demissão do chefe da Casa Civil, Cézar Busatto, do secretário-geral de Governo, Delson Martini, do chefe do escritório do Estado em Brasília, Marcelo Cavalcante, e do comandante-geral da Brigada Militar, coronel Nilson Bueno, foram apresentadas na noite de sexta.
A mudança -a maior no primeiro escalão desde a posse de Yeda, em 2007- veio como resposta à crise política agravada na semana passada com a divulgação de grampos telefônicos feitos pela Polícia Federal e de conversa gravada pelo vice-governador e inimigo político de Yeda, Paulo Feijó (DEM), em que Busatto reconhece o uso de estatais no financiamento de campanhas eleitorais.
O ex-chefe da Casa Civil, que não sabia que sua conversa com Feijó estava sendo gravada, menciona o PP e o PMDB -os maiores partidos da base de Yeda- como beneficiários da prática em órgãos estatais que comandam, o Banrisul (Banco do Estado do Rio Grande do Sul) e o Detran (Departamento Estadual de Trânsito). Depois, Busatto disse que se referia a contribuições de servidores filiados aos partidos.
Os 18 deputados estaduais das duas siglas pressionaram Yeda pela demissão.
Ela classificou o comportamento do vice como “indigno” e “insólito”. Disse que a gravação “não tem valor ético ou moral”. “Quando alguém não sabe que estava sendo gravado, quem estava gravando pôde fazer o teatro que bem quis.” Feijó não se manifestou ontem.

Relação com Ferst
A governadora negou ter tomado conhecimento da carta enviada pelo empresário tucano Lair Ferst, apontado pela PF como um dos pivôs do desvio de R$ 44 milhões no Detran. Na carta, recebida por Cavalcante, Ferst fala do funcionamento da fraude e cita sua participação na campanha de Yeda em 2006.
A governadora defendeu Cavalcante. Afirmou que a carta não trazia provas da existência do esquema no Detran. Sustentou que sua relação com Ferst é partidária. “Lair é militante do PSDB. Hoje está afastado, esteve presente em todos os momentos como militante.”
Yeda afirmou que a crise não abalou o relacionamento com os aliados nem a confiança da população no governo. “Mostrem que o povo gaúcho não confia no meu governo.”
A mudança no secretariado, disse Yeda, não vai alterar seu modelo de gestão “baseado em resultados”, mesmo com a saída de Delson Martini, que coordenava projetos prioritários do governo e foi acusado de participar da fraude do Detran.
Bueno, da Brigada Militar, pediu demissão após ter sido denunciado pelo Ministério Público Militar por uso irregular de diárias.
Em pronunciamento veiculado ontem à noite em rádios e TVs gaúchas, a tucana defendeu sua gestão e disse, na única menção à crise, que “o desenvolvimento do Rio Grande do Sul não será afetado por ataques desleais”.

07/06/2008 - 16:06h Tucanos e consortes: os podres aliados das terras gaúchas

BLOG RS

No dia 26 de maio, o chefe da Casa Civil do governo Yeda Crusius (PSDB), Cézar Busatto (PPS), foi conversar com o vice-governador Paulo Feijó (PFL). O objetivo da conversa: tentar convencer Feijó a parar com as denúncias sobre irregularidades no Banrisul. Busatto tenta comprar a posição de Feijó:“…Se pudéssemos encontrar um modus vivendi que nos permitisse tu não romper com tuas convicções….para tu estar dizendo pra ti mesmo, pra tua consciência…qual é o custo disso? Eu não sei, de repente o Fernando (o presidente do Banrisul chama-se Fernando Lemos) faz um gesto concreto pra ti, não quero pensar alto porque isso não tá no horizonte…uma coisa concreta que pudesse permitir ou outra coisa, quem sabe?

Além de fazer essa oferta, Busatto, didaticamente explica a Feijó que o Banrisul é fonte de financiamento das campanhas do PMDB e o Detran e o Daer do PP.

Alguma dúvida? Clique AQUI para ouvir a íntegra da conversa de Busatto com Feijó.

Postado por Marco Aurélio Weissheimer

O governo Yeda Crusius é uma vergonha

O governo Yeda Crusius é uma vergonha para o Estado do Rio Grande do Sul. A inacreditável sucessão de escândalos e denúncias a que o povo gaúcho assiste nos últimos meses revela um governo fraco moral e politicamente.É um governo onde a governadora não fala com o vice-governador.

É um governo onde o chefe da Casa Civil tenta comprar a posição do vice-governador.

É um governo onde o vice-governador grava uma conversa com o chefe da Casa Civil para denunciá-lo.

É um governo onde o chefe da Casa Civil chama o vice de canalha e mau-caráter.

É um governo onde aliados da governadora a chamam de sem-vergonha. E nada acontece.

É um governo onde secretários de Estado negociam, combinam festas e tomam chopp com acusados de integrar uma quadrilha que roubou mais de R$ 40 milhões dos cofres públicos.

É um governo onde os partidos de sustentação da governadora, nas palavras do chefe da Casa Civil, utilizam empresas públicas para financiar campanhas eleitorais e para comprar maioria no Parlamento.

É um governo que, diante de graves denúncias de corrupção, com provas materiais eloqüentes, emudece, se esconde e, através de seu patético porta-voz, afirma não existirem fatos relevantes.

É um governo onde a governadora foge da imprensa e do povo.

É um governo onde a governadora não tem coragem de prestar contas sobre seus atos e de seus aliados, mas tem coragem de fechar escolas, demitir funcionários públicos e mandar a polícia bater em manifestantes.

É um governo que privatiza o meio ambiente e hipoteca o futuro.

É um governo onde seus aliados e padrinhos (como o inacreditável senador Pedro Simon, que foi incapaz de pronunciar uma palavra sobre todos esses escândalos) não tem mais coragem de defendê-lo e abandonam o navio em número cada vez maior.

É um governo cujo modus vivendi é a dissimulação e a covardia.

É um governo que chegou ao fim.

Marco Aurélio Weissheimer BLOG RS

06/05/2008 - 09:58h Demos vêm eventual vitória de Alckmin como o pior cenário para Serra

DEM avalia vitória de Alckmin como pior cenário em São Paulo

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César Felício – VALOR

A oferta do governador paulista José Serra (PSDB), do DEM e do PMDB para que o ex-governador Geraldo Alckmin concorra ao governo estadual em 2010 deverá ser retirada, caso o tucano vença o grupo serrista na briga interna e torne-se o candidato do partido à prefeitura de São Paulo. Segundo um integrante do DEM com livre trânsito no Palácio dos Bandeirantes, com a consolidação da candidatura de Alckmin o objetivo dos defensores da reeleição do prefeito Gilberto Kassab (DEM) será debilitar o tucano ao máximo, para impedir que “o governador mineiro Aécio Neves cave uma cunha em São Paulo”.

Na avaliação corrente na cúpula do DEM, a vitória de Alckmin em São Paulo seria o pior cenário , dado o que representaria em termos de enfraquecimento da candidatura de Serra à Presidência. A avaliação é que Serra tem densidade eleitoral para permanecer na disputa presidencial até mesmo se a petista Marta Suplicy (PT) fosse eleita, mas no caso de vitória de Alckmin estaria em desvantagem dentro do partido para obter a candidatura presidencial, em relação a Aécio Neves. E o mineiro já deixou claro que pretende construir uma candidatura presidencial tendo governistas como parceiros preferenciais, e não o DEM.

O comando do DEM em São Paulo avalia que Serra agora irá se empenhar em derrotar Alckmin na convenção do partido, por meio de operadores políticos como o secretário municipal dos Esportes, Walter Feldman. Se não conseguir, o DEM espera que, na prática, Serra mantenha estrita neutralidade, o que, na avaliação corrente na cúpula do DEM, deve desidratar financeiramente a campanha do tucano.

Na avaliação dos aliados de Kassab, a neutralidade de Serra fará ainda que Alckmin viva um isolamento político. Dentro da cúpula do DEM, não se acredita que Alckmin vá fechar aliança com o PTB. Segundo esta versão, o líder maior do partido, o deputado estadual Campos Machado, só fecharia o apoio com os tucanos se recebesse em troca apoio para a eleição uma bancada petebista de vereadores nas eleições deste ano, mas também de 2010, metas com as quais o ex-governador não tem como se comprometer. Os integrantes do DEM trabalham com o cenário da candidatura de Campos Machado à prefeitura, para pavimentar o caminho do petebista à reeleição em 2010 e para negociar participação no governo municipal em um segundo turno.

Nas negociações com o PTB, assim como nas já encerradas com o PMDB ou com as ainda em curso com o PR, o governador não participa, segundo garantem integrantes do DEM. As negociações fora do PSDB são tocadas por Kassab, que chegaria a falar em nome do próprio governador, o que teria ficado claro nas conversações com o ex-governador paulista Orestes Quércia, presidente regional do PMDB. Na ocasião, a palavra de Kassab teria bastado para convencer Quércia de que o governador Serra iria apoiar sua presença na chapa em 2010. Até porque a aliança deste ano começou a ser negociada ainda na eleição passada, com participação direta de Kassab, que acabara de assumir a prefeitura. Na ocasião, ficou acertado que o então PFL ficaria com a vice na chapa de Serra , enquanto Quércia seria candidato a senador. Na última hora, o pemedebista decidiu não fechar o acordo.

28/04/2008 - 08:55h Quixote e sua hora

FERNANDO DE BARROS E SILVA


SÃO PAULO – A aliança demo-quercista patrocinada por José Serra, o padrinho da candidatura de Gilberto Kassab, deixa Geraldo Alckmin a pé na sucessão paulistana. A grande questão que se coloca agora é: o ex-governador tucano vai desistir da sua candidatura?
Aquele que divide a liderança com Marta Suplicy -respectivamente 28% e 29%, segundo o Datafolha- aceitaria sair da disputa em nome de um suposto acordo envolvendo o governo paulista em 2010? E faria isso para se incorporar arrastado, como sócio menor, à aliança costurada por Serra em favor de Kassab, hoje com 13%?
Ninguém tem a resposta, mas Alckmin dá sinais enfáticos de que não pretende ceder ao canto da sereia demo-quercista. Asfixiado, vê na candidatura o único recurso capaz de conter seu esmagamento político precoce pela brigada serrista.
Mas, se já tinha dificuldades para formular um discurso alternativo a uma gestão municipal que na prática é tucana, Alckmin agora fica muito desfavorecido na divisão do tempo na TV. Pior, deixa exposta a fragilidade de sua sustentação política, hoje restrita à sua pequena aldeia e à influência local muito limitada de figuras como Tasso e Aécio. Resta-lhe, como consolo, a atuação de uns poucos animadores sociais, como o padre Marcelo Rossi.
Quem, entre os grandes grupos do setor privado, vai derramar dinheiro numa candidatura que está contra as máquinas municipal e estadual e não tem, como no caso de Marta, o apoio do governo federal?
Sim, Alckmin corre o risco de virar um Quixote na disputa paulistana. Mas algo desse figurino pode lhe ser útil. Por exemplo, quando invoca a memória de Mário Covas para ressaltar o que haveria de moralmente abjeto na união dos antigos pefelês com o quercismo sob a bênção do atual governador.
Ao amarrar o PMDB à reeleição do prefeito, Serra prepara o seu próprio terreno para 2010. Se der certo, será o sucessor de Lula. Se der errado, pode ficar marcado como aquele que ressuscitou Quércia e enraizou o PFL em São Paulo.

27/04/2008 - 12:03h De costas para os paulistanos

Editorial – O Estado de São Paulo

Política é agregação de interesses e construção de maiorias visando à conquista e à permanência no poder dos agregados e majoritários para a efetivação de objetivos comuns. Dito assim, abstratamente, o enunciado pode induzir o eleitor de espírito desarmado a imaginar que os interesses passíveis de se concertar descendem sempre, legitimamente, da interação, em busca de pontos de convergência, de parcelas das múltiplas forças sociais que competem entre si nas complexas sociedades atuais; o eleitor de boa-fé tenderá igualmente a presumir que as maiorias necessárias à governança hão de se construir com a argamassa de um entendimento que faça prevalecer entre os envolvidos a acomodação e as concessões recíprocas, do contrário os objetivos comuns iriam para o espaço. Por último, o mesmo eleitor saberá que esses objetivos incluem, destacadamente, expectativas de ganhos partidários ou pessoais – aceitáveis, no entanto, por entrelaçarem-se com genuínas intenções de obrar pelo bem público, ao menos como o entendam as maiorias em formação.

Quando a evidência bruta dos fatos põe por terra a teoria alojada na torre de onde se têm essa visão quase ideal da política, o impacto priva o observador dos seus derradeiros vestígios de confiança em que, mesmo nos seus cálculos egoístas, os políticos levem em conta que o povo não é bobo e que, portanto, os seus negócios precisam pelo menos aparentar coerência e decoro. Até esse mínimo dos mínimos acaba de ser ignorado nos consórcios para as eleições de novembro próximo – e não em algum grotão esquecido de Deus, mas em plena capital de São Paulo.

A açodada iniciativa do ex-governador tucano Geraldo Alckmin de se lançar candidato à Prefeitura paulistana, estilhaçando a coligação PSDB-DEM em torno do prefeito Gilberto Kassab (o vice que substituiu José Serra quando ele resolveu migrar para os Bandeirantes, em 2006), criou as condições para transformar ninguém menos do que o ex-governador peemedebista Orestes Quércia em condestável da sucessão municipal. A sua idéia fixa era formar uma aliança com qualquer um que apoiasse a sua candidatura ao Senado em 2010. Antes da desordem armada no ninho tucano, o PT tentou atrair Quércia, de olho nos 4 minutos e meio de que o PMDB disporá no horário eleitoral – o que daria a Marta Suplicy um total de 10 minutos, já incluído o possível 1min30s do PR.

Mas Quércia sabia por experiência própria que os petistas são duros de molejo em negociações, por mais que o presidente Lula queira vê-los unidos ao PMDB para a sua sucessão. Estavam criadas as condições para um acerto, heterodoxo mesmo segundo os sumamente flexíveis padrões brasileiros, unindo Serra, Quércia e o patriciado do antigo PFL, nas figuras do senador Marco Maciel e do ex-senador e ex-presidente da agremiação Jorge Bornhausen. Para ter o peemedebista na canoa de Kassab, o DEM aceitou defenestrar a pré-candidatura senatorial do correligionário Afif Domingos. De seu lado, Quércia designou a sua leal seguidora Alda Marco Antônio como companheira de chapa pro tempore de Kassab. Ou seja, se o PSDB, ao fim e ao cabo, persuadir Alckmin de que a sua hora é a da eleição seguinte para governador de Estado (com o apoio do PMDB), ficará restabelecida a coligação municipal de 2004 e o lugar de vice de Kassab será ocupado por um tucano.

Se Alckmin não desistir, apesar das pressões crescentes, poderá se aliar ao PTB, um dos esteios da base parlamentar de Lula. Antes, também ele tentou a sociedade com Quércia. Um dos alvos de Serra, que deverá abrir espaço para o PMDB quercista no seu governo, é introduzir uma cunha na aproximação do partido com o governador de Minas Gerais, Aécio Neves. Os dois são candidatos estampados à sucessão de Lula – e, no que depender da cúpula peemedebista, o mineiro poderá trocar de caderneta partidária quando queira. A se fixar ao redor de Kassab o arco PSDB-PMDB-DEM desejado pelo governador paulista, ele terá demonstrado que o rival não é o único tucano benquisto pelos peemedebistas, sobretudo na facção do partido refratária a Lula. Quércia já anunciou que o apoiará em 2010. Mas o que todos, rigorosamente todos, têm em comum nesse show é a posição no palco político – de costas para os paulistanos.

28/03/2008 - 05:48h Lapidario

Coisas municipais

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Luiz Garcia – O Globo

Para quem não é do ramo, as idas e vindas da política municipal deveriam ser relativamente mais fáceis de entender do que acordos e desacordos federais.

Tem de fazer alguma diferença o fato de que tudo se passa mais perto da gente. Com certeza sentimos com rapidez, na carne e no bolso, as conseqüências de êxitos e acertos, trampas e tramóias dos nossos políticos.

E sempre é importante esmiuçar fatos novos inesperados.

Como a mudança desta semana no quadro de candidatos a prefeito do Rio, com a detonação da candidatura de Eduardo Paes pelo governador Sérgio Cabral, seu padrinho político até outro dia.

Paes tem estrada. Começou como cria do prefeito Cesar Maia, andou pelo Partido Verde, foi vereador e deputado federal pelo PFL, passou para o PTB, voltou ao PFL, andou pelo PSDB e no ano passado aterrissou no PMDB. Em recompensa pelo apoio à eleição de Sérgio Cabral Filho foi nomeado secretário de Turismo e apontado como candidato do partido a prefeito do Rio.

Mas acabou caindo mais depressa do que subira: o governador fez outro dia um acordo com o PT, cujo candidato a prefeito apoiará, em troca da escolha de um peemedebista para candidato a viceprefeito.

O pobre do Paes nem entrou na disputa pela candidatura a vice.

O petista é o deputado Alessandro Molon, cuja biografia inclui pesada oposição ao governo de Rosinha Garotinho. Palmas para ele. O pessoal diz que é reduzida a possibilidade de problemas no PMDB, onde Garotinho e esposa ainda estão acampados. Parece que Sérgio Cabral tem competência política de sobra para neutralizar a dupla, que está em queda livre há muito tempo. Principalmente, depois da comicamente falsa greve de fome do cabeça do casal.

A troca de candidatos no PMDB coincide com o crepúsculo do grupo de Cesar Maia, berço político do detonado Eduardo Paes. E parece ser coincidência mesmo: o prefeito, por decisão inteiramente pessoal e sem nada a ver com a sucessão, há algum tempo desistiu de administrar a cidade, pelo menos de corpo presente. Os munícipes perderam o direito de ver o seu prefeito em ação: podem apenas tomar conhecimento de seus palpites — sobre tudo e qualquer coisa — no blog que ocupa quase todo o seu tempo.

Esta semana, Cesar mostrou que o distanciamento da realidade pode ter preço alto. Ele saiu em campo para negar, com peremptória indignação, que haja surto de dengue no Rio. Simplesmente ignorou as 31 mortes confirmadas no município, onde o total de doentes já passa de 28 mil.

Um administrador público dar as costas à realidade é problema grave. Por esse motivo, entre vários outros, há claros e tristes indícios de que o novo prefeito receberá uma casa bastante desarrumada para administrar.

O que aumenta bastante a nossa responsabilidade na hora do voto. E a dos partidos, na escolha dos candidatos.