07/06/2009 - 20:21h PhotoEspaña na visão de

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Gerhard Richter, 4.12.06
© Gerhard Richter

Começou esta semana a maratona de inaugurações do PhotoEspaña. Hoje abre ao público a muito aguardada exposição do alemão Gerhard Richter, Fotografias Pintadas, uma das grandes apostas do conjunto de mostras da Secção Oficial, grande parte das quais comissariadas por Sérgio Mah. O texto que apresenta e defende o tema da edição deste ano, Quotidiano, está disponível no portal do PHE, aqui.

ps: ao longo dos próximos quatro dias tentarei, na medida do possível, dar aqui algumas notas sobre o arranque do festival.

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Pedro Costa, Tarrafal (fotograma), 2007

À janela a olhar o dia que passa

(P2, Público, 03.06.2009)

A vista da janela de Le Gras, captada pelo pai da fotografia, Niépce, nos arredores de Chalon-sur-Saône, entre 1826 e 1827, mostra um trivial conjunto de casas, um par de janelas e uma vaga linha de horizonte. A vista de Le Gras (França) é uma experiência ainda enublada e tosca, mas é, ao mesmo tempo, a matriz de um postal nítido que já vimos vezes sem conta.

O sujeito que compõe a imagem fundadora da fotografia não podia ser mais premonitório do universo que mais se colou à sua prática ao longo dos anos – o quotidiano tornado visível através da ínfima variedade de gestos do dia-a-dia, comuns e repetitivos. É a percepção da realidade imediata que está simplesmente ao nosso alcance, ali, do outro lado da janela, na face de um postal ilustrado ou na janela de um browser de Internet. Se por um lado passámos a partilhar mais o nosso quotidiano, por outro também nos tornámos consumidores vorazes do quotidiano dos outros. Como se estivéssemos todos à janela.

São tão voláteis, complexas e diversas as manifestações visuais da vida diária que não deixa de surpreender (e de mostrar coragem) a escolha do tema Quotidiano como eixo central do PhotoEspaña, o festival de fotografia e artes visuais comissariado pelo segundo ano pelo português Sérgio Mah e que é hoje oficialmente inaugurado em Madrid.

Talvez por causa dessa dificuldade de limitar campos criativos que escapam a convenções e regras estabelecidas, Mah prefere abordar o tema de uma forma aberta e abstracta, não vinculando directamente nenhuma exposição do programa à defesa concreta da quotidianidade enquanto experiência criativa. “O PhotoEspaña não pretende ser uma referência de autoridade estética e moral. Acima de tudo, trata-se de um espaço aberto à multiplicidade de sensibilidades, motivações e comportamentos que compõem o panorama actual das práticas da imagem”, escreve no texto do catálogo oficial.

Mas o certo é que as propostas expositivas que apresenta, sozinho ou em conjunto com outros comissários, abarcam uma cronologia muito alargada (a mostra de trabalhos de Dorothea Lange dos anos 30 é a mais recuada na Secção Oficial) e o conjunto acaba por funcionar mais como ponto da situação do que “reflexão sobre tendências recentes da cultura e das artes visuais contemporâneas concentradas na realidade imediata e ordinária do quotidiano”.

Faltam, por exemplo, propostas que questionem a fruição de imagens via Web (o suporte onde hoje o quotidiano está mais efervescente), que representem as actuais ferramentas digitais de partilha de imagens – que estão a perder as qualidades vídeo-foto-gráficas para se tornarem cada vez mais “pixográficas” – ou ainda que reflictam sobre a tendência para dar ao conjunto alargado de quem vê através da Net o poder de escolher aquilo que deve ser levado para o museu, como recentemente aconteceu no nova-iorquino Brooklyn Museum of Art com a exposição Click!, na prática comissariada pelos cerca de cem mil cibernautas de todo o mundo que seleccionaram as 389 fotografias da mostra.

Inspirado no facto de nos últimos anos a fotografia, o cinema documental e a vídeo-arte terem redobrado o interesse por objectos visuais que se concentram na crueza do “verdadeiro”, no “reconhecível” e nas propostas que se dedicam e exploram “o movimento banal e rotineiro das situações do dia-a-dia”, o comissário decidiu dar protagonismo na Secção Oficial à obra do cineasta português Pedro Costa, autor que leva a experiência do documental até à sua expressão mais extrema.

Ao PÚBLICO Mah justifica a escolha de Costa com a “atitude criativa baseada em gestos muito simples”. “O cinema de Pedro Costa é um exemplo paradigmático. Trabalha com suporte vídeo, o que lhe permite filmar com menos pessoas e focar-se no essencial. Ele não está preocupado com o espectacular nem com o extraordinário.”

Na programação do festival, Pedro Costa é o único autor com direito a mais do que uma iniciativa relacionada com o seu trabalho. Para a Filmoteca Española, durante todo o mês de Junho, está programada uma retrospectiva completa que inclui o último filme, Ne Change Rien (2009), um retrato singular da actriz e cantora francesa Jeanne Balibar, até agora visto apenas no Festival de Cannes.

Pedro Costa em Madrid, Benoliel em Cuenca
No Cine Doré da Filmoteca passarão ainda alguns filmes escolhidos pelo realizador e no Matadero de Madrid será montada uma instalação (Back Home. Video Works) com três momentos criados a partir de material audiovisual captado durante a rodagem dos filmes No Quarto da Vanda (2000) e Juventude em Marcha (2006).

Um sinal de que a obra de Pedro Costa reúne muitos admiradores no país vizinho foi dado pela versão espanhola da revista Cahiers du Cinéma, que dedica uma edição especial à obra do realizador português com textos assinados por mais de uma dezena de pessoas. Para Sérgio Mah, Pedro Costa “sempre se sentiu próximo da fotografia pela facilidade e simplicidade do seu processo de criação”. A exposição no Matadero promete dar “uma perspectiva do seu trabalho para além da produção cinematográfica” e propõe uma reflexão “sobre a sua aproximação a outros universos das artes visuais”.

Longe do reconhecimento internacional de que goza Pedro Costa, o repórter fotográfico Joshua Benoliel, pioneiro do fotojornalismo, é o outro representante português na programação deste ano. A exposição que será inaugurada em Cuenca, cidade nos arredores Madrid escolhida como sede do festival, trará parte do conjunto de imagens fotográficas e outros documentos que foram vistos durante a última edição do LisboaPhoto, em 2005. Incluída na secção OpenPhoto, que reúne propostas de vários países fora do tema geral do festival, a mostra, comissariada por Emília Tavares, representa, no entanto, uma oportunidade rara de divulgar internacionalmente o trabalho de um fotógrafo “histórico”, no caso a colossal produção de Benoliel ao longo dos primeiros e cruciais 30 anos do século XX português.

Lugar para todos
Entre o conjunto de exposições da Secção Oficial, aquela que mais próxima tenta estar da ideia geral do tema, encontram-se propostas muito diversas, com múltiplos modelos criativos e autores de diferentes gerações e geografias. Lado a lado com representações mais actuais e imediatas do quotidiano (Pedro Costa e Zhao Liang) surgem propostas que apelam mais a momentos históricos de criação onde o fotográfico se cruza com o documento ético (anos 30, com Dorothea Lange) ou onde o estilo documental se mistura em definitivo com o conceptual e passa, no fim dos anos 70, a ser encarado como suporte artístico.

É dentro deste último universo que se inscrevem as exposições de Patrick Faigenbaum (retrospectiva em torno do documental e prática pictórica) e daquele que é considerado um dos mais influentes artistas vivos, o alemão Gerhard Richter, que apresenta uma monumental série de Fotografias Pintadas que cruzam dois universos criativos e problematizam a nossa percepção das imagens e da realidade.

Na colectiva Anos 70. Fotografia e Vida Quotidiana, comissariada por Sérgio Mah e Paul Wombell, tenta estabelecer-se um mapa das vanguardas ligadas à imagem fotográfica de uma década considerada fundamental para compreender tudo o que se passou na arte contemporânea dos últimos 35 anos. Estão representados, entre outros, Allan Sekula, Victor Burgin, Boltanski e Sophie Calle.

Para um festival preocupado em aumentar a cada ano o número de visitantes e empenhado em conquistar novos públicos, há também propostas que piscam o olho ao imediatamente reconhecível e ao universo da espectacularidade. No campo das exposições de encher o olho aparece, por exemplo, a ultramediática Annie Leibovitz e sua Vida de Uma Fotógrafa, que oscila entre a captura da intimidade familiar e o registo da mais brilhante constelação de estrelas de Hollywood.

PHE09 – Notas 1

Anders Petersen, s/t, da série Café Lehmitz, 1977
© Anders Petersen

# A palavra mais ouvida quando se anda à noite pela Calle Atocha: cariño.

# O presidente da Telefónica conhece bem a obra de Gerhard Richter. Divagou sobre a morte da fotografia e foi descortinar um poema de um Pulitzer dedicado ao artista alemão. O presidente da Telefónica gosta de fotografia, dá dinheiro para exposições e parece boa pessoa, mas é um péssimo diseur.

# A exposição de Richter é magnífica, talvez demasiado extensa. Ficará como um dos grandes acontecimentos da edição deste PHE.

# No Circulo de Bellas Artes o sistema de som parece que nunca funciona como deve ser. Falou-se francês, castelhano, checo e castelheco e tudo foi mais difícil de entender. Já as fotografias de Patrick Faigenbaum não aparentam nenhum problema técnico e adequam-se muito bem ao tema proposto. Quando vimos Jindřich Štyrský já estávamos em countdown para a realeza, mas deu para perceber que foi o surrealismo a mandar no universo do multifacetado artista checo.

# No Real Jardín Botánico, o príncipe entrou a rir e a distribuir holas (não se sabe se a fazer publicidade à revista). Já a princesa está muito (mas mesmo muito) magra e menos expansiva. A realeza foi chamada outra vez para cortar a fita do festival. E cortou, salvo seja.

# Os homens-armário estavam por todo lado. E a floresta de fotógrafos fazia concorrência à floresta de árvores.

# No Botánico, para além da realeza em pessoa, reinam as fotografias-arte que já só foram fotografias-documento. São as provas de Sultan & Mandel.

# Ali ao lado, a banca de livros do PHE faz pensar no máximo de 23 quilos que se pode transportar na mala de regresso.

PHE09 – Notas 2

Bartolomé Ros, Franco e Millán Astray, 1926
© Cortesia Arquivo Familia Ros Amador

# O trabalho que Walid Raad tem desenvolvido no projecto Atlas Group é de uma grande consistência e mostra-nos como as mais básicas linguagens gráficas baseadas na cor e na forma continuam a ser veículos eficazes para contar histórias, mesmo as mais complexas como as que aconteceram durante os conflitos recentes no Líbano.

# A esplanada da Casa América convida ao descanso. Essa era a ideia do brasileiro Mauro Restiffe depois da apresentação de Mirante, não fosse a hora do avião para a Bienal de Veneza. Em Mirante, Mauro também andou em trânsito – passou de uma América para a outra para olhar para a tomada de posse de Obama, depois de ter feito o mesmo com Lula. No meio, sem multidões, aparecem a Casa de Serralves e mesquitas de Istambul.

# O canal de Isabel II é um encanto para a vista. É lá que Sergei Bratkov nos mostra o mundo complexo e tenebroso em que se transformou o antigo bloco de leste.

# O trabalho do espanhol Bartolomé Ros da primeira metade do século passado faz lembrar o de Joshua Benoliel.

PHE09 – Notas 3

William Egglestom, da série Seventies vol. II, circa 1970
© William Egglestom/Chaim & Read, Nova Iorque

# Não sei se o Teatro Häagen Dazs tem bom teatro. Bons gelados (como seria de esperar) e bom café (coisa mais ou menos difícil de encontrar em Espanha) tem.

# A Filmoteca Española e o PhotoEspaña respiram o cinema de Pedro Costa por estes dias. O trabalho do realizador português tem sido coberto de elogios.

# O vídeo de Zhao Liang escolhido para o festival (City Scene, 2004) é herdeiro da mesma linguagem narrativa que Pedro Costa utiliza na maioria dos seus filmes. Os dois estão interessados em dar-nos acontecimentos na sua escala mais ínfima. Divergem as abordagens formais para chegarem ao hiperrealismo.

# A edição deste ano do PHE já tem mais artes visuais para além da fotografia. Talvez ainda não tenha o suficiente.

# Dois títulos da primeira página do El Mundo de ontem: Antología del disparate en la recta final de la campaña; La ex alcaldesa de Marbella abofetea a un menor que la llamó “choriza”.

# Na exposição de Dorothea Lange (The Crucial Years) ouvem-se algumas gravações da voz de Dorothea Lange. Falava alto e era assertiva.

# O pudim flan na Cocina de Neptuno (c. Cervantes) é de se lhe tirar o chapéu. Agradeço a dica ao companheiro de trabalho da RTPN que tinha acabado de passar por lá.

# Há dois portugueses envolvidos no prémio para melhor livro de fotografia editado no ano passado – Edgar Martins, Topologies (Aperture); Helena Almeida, Tela Rosa para vestir (Telefónica).

# O comissário Paul Wombell saiu-se muito bem como DJ no Matadero. Ao contrário da exposição no Teatro Fernán Gómez, 70s. Photography and Everyday Life, a sessão dedicada aos sons da mesma época esteve carregada de nostalgia, coisa que, aliás, sentimos de uma forma mais aguda na música do que na imagem.

Fonte Arte photographica

29/05/2009 - 19:31h As fotos da crise

Dorothea: fotografiar la crisis

“Te cuelgas la cámara en el cuello así como te calzas los zapatos y ahí está, un accesorio del cuerpo que comparte la vida contigo. La cámara es un instrumento que enseña a la gente cómo ver sin la cámara.”

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Dorothea Lange



En el marco del festival español de la fotografía, Photoespaña, que se inicia el miércoles 3 en Madrid, destaco la muestra Los años decisivos de Dorothea Lange, conocida mundialmente como la fotógrafa de la gran depresión y pionera de la fotografía documental.

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Desde el 4 de junio hasta el 26 de julio, el Museo Colecciones ICO acogerá en su sede una muestra que ofrece cerca de 140 fotografías de una etapa fundamental para Lange, la de los años 30 y 40, periodo en que documentó los proyectos de la “Farm Security Administration” que supuso el envío de 120 mil japoneses a campos de realojamiento, retratando así la difícil situación que atravesaba su país. También se editará un libro que respetará el título de la muestra. La edición corre por cuenta de La Fábrica, organizadora histórica del festival.

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“En todos los escenarios, su fotografía es humanista, con un estilo maduro, sabiendo enmarcar a los personajes en medio de las masas, utilizando los recursos de la Nueva Visión para hacer imágenes potentes, muchas de ellas de gran belleza estética, más allá de su carácter documental”, destaca la curadora de la muestra, Oliva María Rubio. Y añade: “La exposición documenta una época dura de la historia americana, pero una época que también dio lugar al gran crecimiento que se produjo en los años cincuenta”.

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Imágenes de la crisis en blanco y negro, la de los tiempos modernos, que cobran vida en colores en los avatares de esta nueva crisis del capitalismo, ahora en nuestra más inmediata contemporaneidad.

01/07/2008 - 18:07h “Muchas de las imágenes que nos rodean son mentira”

Martin Parr em Fortaleza, Brasil
(© Luiz Marinho)
Depois de ter vencido o prémio carreira no PHotoEspaña, Martin Parr deu uma pequena entrevista ao El País onde volta a questionar a verdade em muitas das imagens que nos rodeiam.
Martin Parr

Martin Parr- foto de  CRISTÓBAL MANUEL

ISABEL LAFONT - Madrid – El País

La obra del fotógrafo Martin Parr lleva décadas retando a quien pretenda interpretarla con un solo código. Ha hecho de las múltiples lecturas su especialidad. Una maestría que ha generado imágenes al mismo tiempo divertidas y dramáticas; poéticas y vulgares.

Parr (Epsom, Surrey, 1952) se hizo célebre en los ochenta con su proyecto The last resort, una sátira visual del ocio de la clase trabajadora con la localidad turística de New Brighton como escenario. Desde entonces, el fotógrafo, que se autodefine como “comprometido y político”, no ha dejado de usar la ironía para lanzar una carga de profundidad contra la cultura del consumo de masas. Prolífico y versátil, miembro de la agencia Magnum desde 1994, ha obtenido el Premio PHotoEspaña Baume & Mercier 2008.

Pregunta. ¿Quiere provocar la sonrisa o el rechazo con sus imágenes?

Respuesta. Yo quiero que mi trabajo sea serio pero también accesible. Que sea entretenido e inteligente al mismo tiempo.

P. ¿Cómo compatibiliza su trabajo artístico con el más comercial?

R. Soy un fotógrafo muy promiscuo. Hago publicidad, moda, trabajos periodísticos, proyectos culturales… Puedo estar en la Tate o en periódicos baratos. Lo grande de la fotografía es que es el medio más democrático y accesible del mundo y quiero explotar todas sus posibilidades. Alta y baja cultura.

P. ¿Cómo lleva su fama de ser una especie de héroe de la clase trabajadora?

R. He fotografiado a todas las clases sociales. La gente presume que sólo he fotografiado a las clases trabajadoras. Ahora estoy con un proyecto llamado Lujo que versa acerca de la idea de cómo la gente exhibe el dinero que gana. He ido a desfiles de moda, ferias de arte, carreras de caballos… Situaciones en las que todos están muy felices de hacer ostentación del dinero que poseen.

P. ¿Qué quiere poner en evidencia tras lo obvio?

R. Trato de poner el dedo en la vulnerabilidad del mundo. Cuanto más avanzamos, más vulnerable es el mundo. Estamos jugando un juego peligroso con el crecimiento económico, las cuestiones ecológicas, ahora mismo los precios del petróleo se han disparado y ello está golpeando las economías. Es excitante y deprimente. Hay algunas cosas que han mejorado. Es más agradable ir al dentista ahora que hace 30 años, pero en términos generales nos encaminamos hacia situaciones más peligrosas.

P. Pero en sus fotos no aparecen estos dramas…

R. No trato de sermonear. Uso la dramatización que hay en la propaganda que nos rodea. Estamos rodeados de cosas que nos mienten. Si compras comida en un supermercado, la foto del envase no tiene nada que ver con lo que hay dentro. Es una mentira básica a la que estamos acostumbrados. En los folletos de viajes todo parece bonito, pero la realidad es muy diferente. La mayor parte de las fotografías que nos rodean son una forma de mentira. Y creo que es importante que los fotógrafos luchemos contra eso y sirvamos como de antídoto. Yo entiendo las reglas del juego de la propaganda y las subvierto, las rompo a propósito. Los prejuicios, los clichés, los uso como punto de partida. La mayoría de la gente no se da cuenta de que está rodeada de propaganda.

P. ¿Y el humor en su trabajo?

R. Es un mecanismo para hacerlo más accesible. El mundo es muy divertido. Una de las pocas cosas en las que los británicos somos buenos -y ya no hay muchas cosas en las que seamos buenos- es el sentido del humor y la ironía. Yo lo uso de manera muy consciente. No quiero tener un público elitista. Yo quiero llegar a un público amplio.

P. ¿Cómo mantiene la distancia para no juzgar el sujeto que fotografía?

R. Yo quiero que los juicios los haga el espectador, pero al mismo tiempo mi trabajo es muy subjetivo. Siempre tengo presente que estoy creando una forma de ficción, aunque esté basada en la realidad. Es una línea delgada la que hay entre las opiniones, prejuicios y sesgos de uno, entre intentar ser objetivo y ser subjetivo. Hay un poco de todo en mi trabajo. Todas estas cosas intervienen. Es difícil establecer diferencias. Es como el mundo: no es ni bueno ni malo, sino algo intermedio. Intento buscar esa ambigüedad entre lo objetivo y lo subjetivo, lo bueno y lo malo, el ying y el yang.

13/06/2008 - 18:04h Apaleados

Apaleados: una serie sobre la violencia callejera

Civilización & Barbarie

 Cristina Civale


El artista finlandés Harri Pälviranta (Tampere, 1971) expone en el marco de la megamuestra madrileña Photoespaña, su ensayo Battered (Apaleados), un documental fotográfico, social y contemporáneo cuyas imágenes entroncan visualmente con la fotografía de escenarios de crímenes y las fotos policiales.

Pälviranta se concentra fundamentalmente en las huellas físicas que las agresiones y las peleas de los fines de semana, producto del abuso de alcohol y drogas, dejan en el cuerpo.

Photoespaña se viene celebrando desde 1998 cada junio. Este año el tema propuesto para las más de 600 exposiciones fotográficas que pueblan la capital española es el “lugar”. Según Alberto Anaut, presidente de Photoespaña, “Lugar es un concepto que tiene muchas connotaciones. He querido poner una atención particular sobre el espacio, más allá de la dimensión geográfica. Más que un tema, entiendo el lugar como una gran área de confluencias. Nos interesa discutir la imagen del lugar, pero también el lugar de la imagen”.

Esta noche Photoespaña celebra su noche off, donde se abren al público las galerías periféricas y cuando, además, en el barrio de Chueca se celebra una fiesta nocturna y sin fin con proyecciones de las obras más celebradas del festival.
La fiesta se puede seguir desde este site.

Aquí una secuencia de la serie Apaleados:

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