15/11/2008 - 16:42h IBGE: PIB ainda mostra concentração

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Distrito Federal tem a maior renda per capita do país e Piauí, a menor

Liana Melo - O Globo

O Brasil começou a ensaiar os primeiros passos no sentido de reduzir sua concentração econômica, mas ainda assim 78,7% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos) continuaram a ser gerados, em 2006, por sete estados mais o Distrito Federal. Este grupo é composto por São Paulo, Rio, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia e Santa Catarina.

A capital do país manteve ainda a maior renda per capita nacional. No Distrito Federal, este valor foi de R$ 37.600 em 2006, o que significou três vezes o PIB per capita geral (de R$ 12.688).

São Paulo, a principal economia do país, perdeu representação no PIB nacional entre 2002 e 2006. A economia paulista, que tinha um peso de 34,6% em 2002, caiu para 33,9% quatro anos depois. Segundo Frederico Cunha, gerente de Contas Regionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por ser a locomotiva econômica do país, São Paulo tende a sofrer mais com os baixos resultados do nível de atividade industrial.

— Do mesmo modo que São Paulo sofre em anos de baixa atividade econômica, também se recupera rapidamente quando o país volta a crescer — explicou Cunha.

O Rio, por sua vez, aumentou sua participação no PIB, de 11,60%, em 2002, para 11,62%, em 2006. A ligeira queda de São Paulo foi compensada pelo pequeno aumento de participação do Rio, o que acabou conferindo à região Sudeste do país um aumento de 56,7% do PIB, em 2002, para 56,8% em 2006. Pelos dados do IBGE, o valor nominal do PIB de São Paulo e Rio de Janeiro eram, respectivamente, de R$ 802,5 bilhões e R$ 275,3 bilhões.

Apesar de não constar do clube das oito maiores economias do país, o Ceará foi o estado que mais cresceu em 2006: 8%, bem acima da média nacional, 4%. O desempenho da economia cearense foi seguida praticamente por toda a região Nordeste. A explicação, segundo Cunha, é que o comércio, setor da economia que tem peso importante na região, apresentou um bom desempenho em 2006. O impulso para estimular as vendas veio do aumento da massa salarial e dos recursos liberados pelos programas de transferência de renda, como o Bolsa Família.

De 2002 a 2006, segundo o IBGE, o peso da região Nordeste no PIB nacional cresceu de 13% para 13,1%.

Enquanto o Distrito Federal manteve a liderança no ranking do PIB per capita anual, os estados do Maranhão e Piauí continuaram a ocupar as últimas posições no ranking do IBGE: R$ 4,6 mil e R$ 4,2 mil, respectivamente.

Já em São Paulo, dono do maior PIB nacional, a renda per capita foi de R$ 19.548 e no Rio, de R$ 17.695.

— Como para alguns estados, como o Distrito Federal, a a administração pública tem muita importância, movimentos de contenção de despesas podem ter força para afetar o resultado do PIB — afirmou Cunha, referindo-se a eventuais reduções de gastos devido à crise econômica.

07/09/2008 - 14:24h In hoc signo vinces

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A tragédia de Romeu e Julieta recontada no português escorreito d’antanho e, na ilustração, no bárbaro internetês hodierno.

 


WALNICE NOGUEIRA GALVÃO - Revista Piauí

Em Verona, por obra de Cupido fulminífero, Julieta e Romeu se apaixonaram, conquanto de clãs em feudo. Como se viu, o solo do feudo, que se dizia sáfaro, era pingue.

Capuletos e Montecchios, senhores de baraço e cutelo de seus rebentos, ameaçaram potro e polé, com tonitruância. Debalde. Por isso, uma entente cordiale enterreirou o caso e extraiu o ucasse: ordálio para avaliar o casal de saberetes. O colendo cabido, de borla e capelo sobre bombazina e cheviote, começou pela dulcinéia, desferindo-lhe uma questão:

– Qual a diferença entre epistemologia e ontologia, tal como postulada pela escola fenomenológica?

A dulcamara respondeu, e bem. A nova questão, que tentou acapachar o suposto acapadoçado, coube ao pelintra:

– Serão acrofobia e oclofobia opostos, ou, ao contrário, podem tornar abilolado o mesmo degas com mania deambulatória?

Não contente de responder corretamente, Romeu ainda os profligou, em objurgatória bem temperada:

– Refuto a contumélia: cediça e epicena é tal questão, para não dizer es-drúxula e periclitante. Vossas munificências querem é procrastinar! Quanta androlatria feudal!

(Nisso, uma maçaroca cujo esturro em prolação desencarquilhava as aurifulgentes comas passou aos boléus no varote.)

O cabido tentou tergiversar, acusando Romeu de tosquenejar. Romeu obtemperou que por fás ou por nefas não se calaria. A protonotária, que executava uma varsoviana anapéstica, deu-lhe razão. O anspeçada batavo adrede auscultou a beletriz. O vavassalo protestou: “Bofé! Isso é vavavá, quando não vuvu!” Esclareça-se que ele não era tatibitate.

Observação vatídica: o fuzuê virou forrobodó. E foi a nota babélica: todos confundiam lumbago com quiasmo, zeugma com hemoptise, suarabácti com anaptixe. Que cizânia entre os doges de Verona! Que facúndia! Que salacidade! Quão pantafaçudos!

A essa altura, Romeu estava atacado de satiríase e Julieta tinha-se tornado vulgívaga. Convolando-se na calada da noite, decidiram fugir no vaticano com toda a palamenta, ucha onusta inclusive, soando o vatapu, em demanda de um tugúrio. E anatematizaram: “É tudo uma choldra!” Alvinitente, a lua dealbava. Ante o casal, prosternavam-se as passariúvas. Uma cáfila desfilava, enquanto algo invisível barria nas matas ciliares, sobre os rípios.

Bem o fizeram. Hodiernamente, pode-se dizer que nada tisnou o contubérnio de Romeu e Julieta, para sempre. Até coube-lhes uma conezia, devidamente subenfiteuticada, concedida como prebenda pelos Capuletos e Montecchios.

(Entretanto, lá atrás um parlapatão regougava: “Eu pertenço ao partido que tem por partido tirar partido de todos os partidos!”)

22/08/2008 - 18:11h Vale a pena ler de novo Alfredo Ribeiro, revista Piauí: O indignado anônimo

ALFREDO RIBEIRO

Ele odeia o apelido que lhe caiu feito luva no botequim da esquina. “Indignaldo é o cacete!” – reagiu, bravo, às provocações do pessoal da firma no serão etílico da última sexta-feira. Neguinho faz de molecagem. “E o Renan Calheiros, hein, Indignaldo?!” Tem sempre um engraçadinho pra botar pilha na bronca do colega. Divertem-se com a cólera galopante que, a certa altura da conversa, de qualquer conversa, faz sua impaciência transbordar, feito chope tirado na pressão, frente ao estado de coisas a que chegamos. O cara é um indignado épico, caricatura de homem de bem injuriado, delirante e genérico contra tudo o que aí está, do governo Lula ao xixi na tábua, da fila do INSS à pedofilia na internet, do achaque do flanelinha ao lucro do Bradesco. O bicho está por aqui, ó, com o brasileiro. Há muito perdeu a paciência com o país. “Ô, raça!” – resmunga a cada flagrante de bandalha que testemunha.

Indignaldo é um tipo de chato que, estimulado ao exagero, tem lá sua graça, desde que observados certos limites da sacanagem. A brincadeira de fazê-lo perder as estribeiras prevê que alguém peça a conta em tempo hábil, para que seu discurso não atinja o anticlímax da infalível citação de Rui Barbosa: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”. Isso por causa de alguém que furou a fila do supermercado, francamente, ninguém merece. O próprio já se deu conta de que a eloqüência foge-lhe inteiramente ao controle sempre que cisma de elogiar a última crônica de Arnaldo Jabor, sobretudo nos almoços de domingo, com a família da mulher. No Dia dos Pais, então, foi constrangedor. Precisou a sogra lhe dar água com açúcar, as crianças não entenderam nada. Baixou-lhe o santo do não-dá-mais-para-viver-neste-país-de-sanguessugas.

Contando assim não parece, mas Aguinaldo Gladyson dos Santos, 52 anos, Indignaldo para os íntimos, é um homem comum. Pai de três rapazinhos adolescentes, casado com a mesma mulher há dezoito anos, está prestes a quitar o apartamento que comprou em prestações quando ainda era noivo. O carrinho na garagem, ele tirou no consórcio. Indignaldo está em dia com tudo. Não exerce a função no momento, mas preserva o espírito de síndico. Sua mania de correção lhe rendeu, além de brigas com vizinhos, um sucesso relativo no trabalho. Ganhou, há três anos, um cargo de confiança, no setor de processamento de dados na instituição financeira onde trabalha desde 1992. Estaria, enfim, tudo razoavelmente certo na sua vida – não fosse seu inconformismo com a coisa errada. Das guimbas que o sujeito do 501 joga pela janela ao aquecimento global, tudo é motivo para um discurso exaltado do pobre Indignaldo.

Não tem caos aéreo, ultrapassagem pelo acostamento, crise nas bolsas de valores, latido de cachorro de vizinho, escândalo no Congresso, engarrafamento em véspera de feriado, língua negra na praia, seqüestro relâmpago, entrevista de Caetano Veloso, fila do visto no consulado americano, telemarketing, gente que fala no cinema, Dunga, piercing no bico do seio, enchente, operação da PF, Bruna Surfistinha, José Dirceu, Daniela Cicarelli, Big Brother Brasil ou manchete de prostituição infantil no Jornal Nacional que não o deixe do jeito que o diabo gosta – meio Rui Barbosa, meio Arnaldo Jabor – fazendo jus ao apelido que detesta ouvir.

Fingiu que não era com ele o quanto pôde, até aquela noite em que reagiu mal, ao cair da ficha: Indignaldo já era personagem conhecido de todos, atração do botequim há tempos. “Meu Deus, que vergonha!” O que pegou – mais ainda que a falta de respeito com a questão do fim das utopias que embalava sua falação – foi aquela sensação de que seu zelo pela coisa certa tinha virado piada, motivo de galhofa, risadinhas pelas costas.

O indignado compulsivo tem com a queixa a mesma relação do alcoólatra com a bebida. Não sabe a hora de parar, exagera na dose de correção no mundo caótico em que vive, vira um porre. A certo ponto da conversa, pode-se até confundir o discurso do bêbado com o do indignado. Com todo respeito ao Nizan Guanaes, esse papo de “e aí, nós não vamos fazer nada?” poderia muito bem ser coisa de algum pinguço resistindo à idéia de voltar para casa às 4 da madrugada. Se acrescentar um “porra” no final, então…

Deprimido, Indignaldo bateu perna com a depressão até quase amanhecer. Não bebeu nada. Tomou consciência de que não sabe mais se indignar socialmente, como o Gabeira, por exemplo, sem nunca perder a linha. Passa sempre da medida, dá uns tapas a mais, torna-se inconveniente, agressivo na exposição de seu ponto de vista, intolerante, dono da verdade. Chegou em casa com essa questão e levou a família às lágrimas ao pedir desculpas aos filhos por ter-lhes enchido o saco com esse seu jeito sempre irritado contra tudo e todos. Decidira largar a indignação. “Se precisar, paro até com o Jornal Nacional, para não cair em tentação.” Os garotos passaram do choro ao riso em instantes com seu bom humor, coisa rara no pai. Até o fim do expediente de segunda-feira, quando falou a respeito com dois ou três amigos de trabalho, sua recuperação parecia favas contadas.

Calhou de na volta para casa um motorista de van – ô, raça! – estragar tudo com uma fechada que quase joga na calçada o carro recém- quitado do novo Aguinaldo, o ex-Indignaldo. Subiu-lhe um troço mais quente que sangue à cabeça. Algo desproporcional à barbeiragem do perueiro, maior do que a bagunça do transporte público, pior do que o desgoverno… Estava pálido e desfigurado quando o filho mais novo abriu-lhe a porta de casa. “A culpa é do Lula!” – foi tudo que conseguiu falar, tentando equilibrar-se sobre as pernas, antes de desmaiar sobre o moleque. Gritaria! Veio todo mundo lá de dentro ajudar a levá-lo pra cama.

O médico diz que é estresse, mas o paciente sabe que não é só isso. Está convencido de que a indignação, pelo menos da forma nele manifesta, é um vício como outro qualquer. Não contou essa parte para ninguém, nem para o doutor Lamy, mas, depois de perseguir sem sucesso a van que desencadeou sua última crise, Indignaldo parou o carro para discutir com o padeiro sobre o peso do pão francês comprado na véspera. Não lembra direito o que aconteceu daquele momento até apagar nos braços do filho. Torce para não ter encontrado o Poodle da vizinha urinando, como de hábito, no elevador.

Desde então, faz três semanas que Indignaldo não aparece nos serões etílicos do pessoal da firma. Sem zangas. Tem aproveitado todo tempo livre para procurar, na internet, indignados compulsivos que, como ele, estejam dispostos a encarar a insatisfação generalizada como uma dependência crônica de problemas. Quer fundar a AIA, a Associação dos Indignados Anônimos, nos mesmos moldes que os alcoólicos e narcóticos criaram, em busca de apoio mútuo. Cada dia sem ficar puto dentro das calças é uma batalha vencida na guerra permanente contra o vício da lengalenga combinada com aporrinhação.

Se é o seu caso, companheiro, escreva já para indignaldo@aia.com.br dizendo que apóia e se dispõe a participar como voluntário da iniciativa. Dê um basta à indignação, mas vê lá se não exagera no que vai dizer a respeito. O pior indignado é o que se exalta contra a indignação.

29/04/2008 - 20:14h Piauí: Quando parei de me preocupar com canalhas, por Caio Galhardo

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09/04/2008 - 14:40h Investimento com responsabilidade ecológica no turismo de Piauí

L'image “http://www.turismo.gov.br/portalmtur/export/pics/alkacon-documentation/IMG145_PQ.jpg” ne peut être affichée car elle contient des erreurs.Teresina (08/04) – A ministra do Turismo, Marta Suplicy, disse hoje que o Piauí está sabendo alinhavar muito bem toda a cadeia do turismo. Durante a visita ao estado, assinou contratos e participou do lançamento de licitações e ordens de serviços para obras que totalizam R$ 30,3 milhões de investimentos no centro de convenções da capital, em aeroportos e na pavimentação e recuperação de rodovias.
Depois de sobrevoar o Delta do Parnaíba, a ministra Marta Suplicy disse que ficou “impactada” com a preservação da biodiversidade. “O governo está dando passos em todas as direções. O Piauí está no caminho certo. Está preservado, organizado e consciente. E todo investimento vai preservar essa beleza natural, porque serão aplicados com responsabilidade ecológica. Isso é o turismo do século 21”, destacou.
Além dos aspectos ambientais, a ministra também ficou bem impressionada com o Centro Estadual de Educação Profissional, em Parnaíba, que prepara jovens para o ramo da hotelaria. “Se você investe na qualificação profissional, você investe na vida das pessoais. Possibilita que ela ingresse no mercado e busque uma nova atividade. A hotelaria era uma profissão que nossos pais não conheciam e, hoje, é uma realidade”, disse a ministra, ao acrescentar que “se o poder público não ajuda nesse investimento não possibilita a formação dos nossos jovens”.
A ministra manifestou, em nome do governo federal, solidariedade às vítimas das enchentes ocorridas no Piauí nos últimos dias. “Quero prestar solidariedade aos piauienses por essa situação adversa verificada em virtude das chuvas que atingiram o estado”, disse Marta Suplicy.
O governador Wellington Dias expressou também seu agradecimento aos investimentos que o Piauí tem recebido do Ministério do Turismo e do governo federal. “A gente quer celebrar tanto o recebimento dos recursos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) quanto os do Ministério, bem como a união de esforços dos nossos prefeitos para organizar a infra-estrutura voltada ao desenvolvimento do setor turístico. Prefeitos de vários partidos estão unidos, porque o mais importante é o projeto do Piauí”, disse o governador.
A ministra Marta Suplicy visitou também as obras de esgotamento sanitário, em Parnaíba. “É uma das notícias mais importante e o ministério fica contente de ser partícipe dessa obra. Quando se investe no turismo, você investe na melhoria da qualidade de vida de quem mora no destino turístico”, ressaltou.
Ainda pela manhã, quando desembarcou em Parnaíba, à ministra foram explicados os investimentos nas obras de restauração e ampliação da pista do Aeroporto Internacional de Parnaíba Prefeito Dr. João Silva Filho. A reforma ampliará de 2.100 metros para 2.500 metros a pista de pouso, o que permitirá pousos de vôos internacionais. “A cidade estará preparada para o turismo internacional e o Piauí ficará a sete horas de distância da Europa”, disse a ministra, ao destacar que o estado passará, com a conclusão das obras, a competir com outros destinos turísticos do Nordeste. “Isso é muito bom para todo o mundo”, completou.
No encerramento da visita, o governador Wellington Dias afirmou que todos os recursos anunciados pela ministra Marta Suplicy mostram comprometimento do governo federal e do Ministério do Turismo com a região. “Vamos aplicar com muito zelo cada centavo. Isso vai garantir que possamos ter desenvolvimento e criar oportunidades para as pessoas”, afirmou o governador.
Destinação dos recursos − Dos R$ 30 milhões liberados pela ministra Marta Suplicy R$ 22,9 milhões são do Orçamento Geral da União, e R$ 7,4 milhões do Prodetur Nordeste II. Entre 2003 e 2006, o Ministério do Turismo repassou R$ 73,6 milhões para o Piauí, e, em 2007, esse valor foi de R$ 47,9 milhões.

Das ações em andamento, R$ 4,5 milhões foram para a construção de dois aeroportos regionais: Piripiri e Bom Jesus. Também foram destinados R$ 5 milhões para a segunda etapa da construção do Centro de Convenções de Teresina, que passará a ser um dos maiores e mais bem equipados do Nordeste. Terá 1,2 mil lugares, além de salas com capacidade de 150 a 200 pessoas, e um pavilhão climatizado com 3,2 mil metros quadrados.

A pavimentação e recuperação de rodovias, um dos aspectos considerados fundamentais pela ministra para o desenvolvimento turístico, recebeu R$ 5,2 milhões do Ministério, que serão utilizados na pavimentação da PI 372, trecho Porto Alegre/ Marcos Parente – PI; na segunda etapa, da construção e recuperação de estradas vicinais na área de acesso ao Sítio Arqueológico da Região da Lapa - Pedro II/PI; e na primeira etapa da pavimentação da Rodovia Jatobá para a BR 343. Além disso, R$ 7 milhões, do Prodetur, serão utilizados na restauração e reabilitação da PI-315, trecho Entroncamento da Rodovia PI – 116/Macapá (DER); restauração e reabilitação da PI – 210, trecho Ilha Grande/Porto dos Tatus (DER); restauração e reabilitação da PI – 116, trecho Coqueiros/entroncamento da Rodovia PI – 315 (DER); lançamento do edital de licitação para contratação da obra de restauração da Rodovia PI 315 (Macapá) a Rodovia BR 402 (Camurupim).

Foram destinados ainda R$ 500 mil para reestruturação e urbanização dos parques Encontro dos Rios e Pólo Ceramista do Poti Velho. A orla da praia do Atalaia também ganhou R$ 72 mil para urbanização.

08/04/2008 - 14:55h Ministério do Turismo investe R$ 30,3 milhões em infra-estrutura no Piauí

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Delta Parnaíba - Piauí

Brasília (08/04) – A ministra do Turismo, Marta Suplicy, chegou ontem (7) no Piauí, onde foi agraciada com a ordem estadual do mérito Renascença do Piauí, no grau Grã Cruz, conferida em reconhecimento pelas ações do Ministério do Turismo para o desenvolvimento do setor no estado e no país. Ao lado da ministra, o diretor do Departamento de Programas Regionais de Desenvolvimento do Turismo, Frederico Silva da Costa, recebeu comenda no grau oficial. A cerimônia ocorreu no Clube dos Diários, onde, na prática, teve início a agenda oficial da ministra no Piauí, que continua hoje (8).

A ministra Marta Suplicy se solidarizou com as vítimas das enchentes do Piauí. “São momentos de dificuldades e com esforço poderão ser superados. O Piauí conta uma administração muita dinâmica do governador Wellington Dias. E não é só dinâmica, mas planejada. O Piauí deu realmente um salto extraordinário“, ressaltou.

Nesta visita ao estado, a ministra assina contratos e participa de cerimônias que marcam lançamentos de licitações e ordem de serviços para obras que, da parte do Ministério do Turismo, são da ordem de R$ 30 milhões. Do total dos recursos que envolvem essa visita, R$ 22,9 milhões são verbas destinadas pelo Orçamento Geral da União, e R$ 7,4 milhões são provenientes do Prodetur Nordeste II. Entre 2003 e 2006, o Ministério do Turismo repassou R$ 73,6 milhões para o Estado do Piauí, e, em 2007, esse valor foi de R$ 47,9 milhões.

Das ações em andamento, R$ 4,5 milhões são para a construção de dois aeroportos regionais: Piripiri e Bom Jesus. Também serão destinados R$ 5 milhões para a 2ª etapa da construção do Centro de Convenções de Teresina, que passará a ser um dos maiores e mais bem equipados do Nordeste. Terá capacidade de 1,2 mil lugares, além de salas com capacidade de 150 a 200 pessoas, e um pavilhão climatizado com 3,2 mil metros quadrados.

A pavimentação e recuperação de rodovias, um dos aspectos considerados fundamentais pela ministra para o desenvolvimento turístico, receberá R$ 5,2 milhões do Ministério, que serão utilizados na pavimentação da PI 372, trecho Porto Alegre/ Marcos Parente – PI; na 2ª etapa, da construção e recuperação de estradas vicinais na área de acesso ao Sítio Arqueológico da Região da Lapa - Pedro II/PI; e na 1ª etapa da pavimentação da Rodovia Jatobá para a BR 343. Além disso, recursos na ordem de R$ 7 milhões, vindos do Prodetur, serão utilizados na restauração e reabilitação da PI-315, trecho Entroncamento da Rodovia PI – 116/Macapá (DER); restauração e reabilitação da PI – 210, trecho Ilha Grande/Porto dos Tatus (DER); restauração e reabilitação da PI – 116, trecho Coqueiros/entroncamento da Rodovia PI – 315 (DER); lançamento do edital de licitação para contratação da obra de restauração da Rodovia PI 315 (Macapá) a Rodovia BR 402 (Camurupim).

Dois importantes Parques do Estado também receberão recursos do Ministério do Turismo. O Parque Encontro dos Rios e o Parque e Pólo Ceramista do Poti Velho receberão R$ 500 mil para investimentos em reestruturação e urbanização. A orla da praia do Atalaia também receberá R$ 72 mil para obras de urbanização.

18/09/2007 - 18:34h Um outro crime

 

JOÃO MOREIRA SALLES

Numa manhã de 1974, um rapaz de vinte e poucos anos cometeu o crime com o qual sonhara desde os dezoito. Local: as torres do World Trade Center.

Levou mais de um ano planejando o golpe. Durante semanas registrou pacientemente o movimento do lugar onde agiria. Anotou tudo num pequeno caderno: logos de empresas estampados nas laterais dos veículos de entrega, números de telefone, horários de entrada e saída de pessoal, uniformes de trabalho. Simulando um aleijão, durante dias passou lentamente diante da porta de segurança que dava acesso à área de serviço do prédio comercial. A rotina era sempre a mesma: fingindo cansaço, parava de andar e apoiava-se nas muletas, enquanto o olho acompanhava os dedos dos funcionários que digitavam o código de abertura da porta. Decifrou a combinação: 7-7-4-3-5. Daí por diante, suas visitas clandestinas ao interior do prédio se tornaram diárias. Finalmente, depois de criar uma empresa fantasma, de forjar documentos e crachás, depois de lograr introduzir ilegalmente no edifício mais de trezentos quilos de material indispensável ao delito, o rapaz burlou pela última vez os sistemas de segurança, passou a noite escondido nas escadas de incêndio e, na manhã do dia 7 de agosto de 1974, cometeu seu crime.

Toda a cidade de Nova York foi testemunha. Wall Street parou. O trânsito parou. As pessoas que chegavam para o trabalho pararam. Mais tarde, o escritor Paul Auster diria: “É muito bom lembrar daquela manhã de 74 em que um rapaz ofereceu a Nova York um presente de beleza atordoante e indelével”.

Durante quarenta minutos, o francês Philippe Petit andou numa corda bamba estendida entre as torres gêmeas, a quatrocentos metros de altura, sem nenhum dispositivo de segurança, nem mesmo um cinto para prendê-lo ao cabo sobre o qual andou, correu, dançou e, finalmente, sobre o qual se deitou para ver o céu.

Hoje, seis anos depois do desaparecimento das torres, é bom falar de Petit. Com seu gesto, Petit cometeu o anti-11 de setembro. Um crime lindo, cuja única conseqüência é a memória de um homem que desafiou e venceu a altura.

Petit descobriu na adolescência suas duas paixões: o funambulismo e os gestos inúteis. A primeira diz respeito à velha arte de andar na corda bamba. A segunda, a tudo o que é intranscendente e gratuito, existindo apenas para si, como a canção que a gente canta no chuveiro.

Em 26 de junho de 1971, Petit estendeu um cabo entre as torres da catedral de Notre Dame e, para espanto de Paris, passeou de lá para cá e de cá para lá a mais de cem metros de altura. Foi preso logo que desceu. Dois anos depois, em 1973, repetiu o golpe em Sidney, agora fixando seu cabo nas pilastras da ponte que atravessa a baía da cidade. Mais uma vez, decidiu não pedir licença. Foi preso novamente. Sempre julgou que recorrer a pedidos de autorização equivaleria a reconhecer o direito de alguém lhe dizer o que podia ou não fazer com sua corda bamba. Além disso, supôs, acertadamente, que a grande beleza do que faz tem relação estreita com a surpresa, com a possibilidade de que, num dia cinza e trivial, as pessoas que passam pela rua olhem para cima e se deparem com o impossível. Por isso, os preparativos devem ser secretos. Sem o segredo, não haveria aquilo que, por falta de palavra melhor, pode-se chamar de maravilhoso.

“IMPOSSÍVEL”

A história começa em Paris, na sala de espera de um dentista. Petit chega antes da hora marcada. Para passar o tempo, pega uma revista. Vira as páginas sem muito interesse. Até que: “Há silêncio. Olho atentamente para uma ilustração e leio e releio um pequeno artigo sobre um edifício incrível cujas torres gêmeas, com 110 andares de altura, vão se erguer sobre Nova York e ‘fazer cócegas nas nuvens’. Então é como por reflexo que pego o lápis na minha orelha e desenho uma linha entre as duas torres — uma corda, mas sem ninguém se equilibrando nela”. Petit acaba de completar dezoito anos.

Dois anos depois, desembarca em Nova York. Pega o metrô e sai na nova estação que serve as torres gêmeas. Enquanto sobe as escadas que desembocam na rua, tenta avistar o topo dos prédios. O pescoço vai se dobrando para trás. Já na calçada, os olhos a um ângulo de 90 graus contra o céu, Petit se apóia na ponta do corrimão e pensa: “Impossível”.

Minutos depois, encontra uma escada de serviço e começa a subir a Torre Norte. Leva uma hora para chegar ao topo. A plataforma de observação ainda está em obras. Petit espeta a cabeça para fora e, através de uma selva de cabos e vergalhões estruturais, consegue avistar a outra torre. Nesse primeiro dia não tem coragem de chegar até a beirada.

Poucos dias depois, chega. Petit e um amigo alcançam o alto da Torre Norte na hora do almoço dos operários. A plataforma está deserta. Petit salta a mureta de proteção e caminha pelo parapeito. Os pés estão a milímetros do abismo. Começa a se sentir à vontade. Equilibra-se numa perna. Dá saltinhos. Vê uma vassoura largada no chão e a equilibra na ponta do nariz. O amigo fotografa.

Daí por diante, visita as torres praticamente todos os dias. Inventa uma revista francesa de urbanismo (Metropolis — Premier mensuel français de planification urbaine et regionale) e consegue ser recebido pelo engenheiro responsável da obra. Petit posa de repórter, e o amigo, de fotógrafo. Pede para acompanhar os trabalhos na cobertura do prédio; solicita, e consegue, entrevistar os operários. Obtém informações sobre horários, hábitos, segurança. Enquanto isso, o amigo, com a máquina fotográfica e uma filmadora tomada de empréstimo de outro comparsa, registra todas as saliências da fachada, os pontos onde é possível fixar um cabo.

Certo dia, subindo as escadas, pega um lápis e rabisca a parede. Leia mais aqui, na revista Piauí