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	<title>Blog do Favre &#187; PIB</title>
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	<description>Cultura, Política, Economia, Mundo, Sociedade, Comportamento</description>
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		<title>Indústria prevê início de 2010 a todo vapor</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Nov 2009 10:55:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[ECONOMIA]]></category>
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		<description><![CDATA[Produção deverá crescer até 16,5% no primeiro trimestre
Marcelo Rehder &#8211; O Estado SP

A indústria iniciará 2010 embalada como não se via há muito tempo no País. Empresários e economistas projetam dois dígitos de crescimento da produção industrial no primeiro trimestre, período tradicionalmente fraco, marcado por férias coletivas e demissão de temporários. A consultoria MB Associados [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><span style="font-size: x-large;">Produção deverá crescer até 16,5% no primeiro trimestre</span></strong></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Marcelo Rehder &#8211; O Estado SP</span></h2>
<p><img class="alignleft" src="http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20091122/img/4.10.imagem_industria2.jpg" alt="" /><br />
A indústria iniciará 2010 embalada como não se via há muito tempo no País. Empresários e economistas projetam dois dígitos de crescimento da produção industrial no primeiro trimestre, período tradicionalmente fraco, marcado por férias coletivas e demissão de temporários. A consultoria MB Associados prevê expansão de 12,1% para a indústria no período. Já a LCA Consultores espera crescimento maior, de 16,5%.</p>
<p>Parte disso será efeito da base de comparação muito baixa. Basta lembrar que a indústria chegou a cair 17,2% no começo deste ano. Em compensação, as empresas estão diminuindo estoques rapidamente e, com a perspectiva de um bom Natal, o setor deverá chegar na virada do ano sem produtos acabados, o que ajudará ainda mais na reação, no começo de 2010.</p>
<p>&#8220;Isso sem falar dos efeitos de política monetária e fiscal acumulados ao longo do ano&#8221;, afirma Sergio Vale, economista chefe da MB Associados. &#8220;No caso da política monetária, pelas defasagens naturais de política, devemos ter um pico de impacto da redução dos juros no primeiro semestre de 2010.&#8221;</p>
<p>A Vitopel, maior fabricante de embalagens plásticas flexíveis da América Latina, fechou o orçamento para 2010 com previsão de aumento de 13,7% na produção do primeiro trimestre. Para o ano todo, a expectativa é de 7%. &#8220;O ambiente é bastante positivo para os próximos cinco meses&#8221;, diz o presidente da Vitopel, José Ricardo Roriz Coelho. A empresa trabalha a plena carga desde agosto, e mesmo assim terá de cancelar as férias coletivas que normalmente concede entre 20 de dezembro e 5 de janeiro.</p>
<p>A Vitopel não está sozinha. Segundo Roriz Coelho, diretor do Departamento de Tecnologia e Competitividade da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a grande maioria das empresas que não dependem de exportação também trabalha neste fim de ano no limite máximo da produção e teve de recorrer ao cancelamento das tradicionais férias de fim de ano. &#8220;Os níveis de estoque nos diversos segmentos da indústria continuam muito baixos e os pedidos do varejo ainda não terminaram&#8221;, diz o executivo. &#8220;A logística vai ter que trabalhar muito para não faltar produtos nas lojas, porque este Natal promete ser um dos melhores dos últimos cinco anos.&#8221;</p>
<p>Fabricantes de eletroeletrônicos instalados na Zona Franca de Manaus trabalham em três turnos para dar conta das encomendas. Várias empresas, como a LG e a Philips, tiveram de reduzir ou suspender as férias coletivas. No setor de informática, a expectativa da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) é de que as vendas de PCs mantenham no ano o mesmo volume de 2008 (12 milhões de unidades), apesar da queda de 17% ocorrida no primeiro semestre.</p>
<p>Nesse contexto, quase não se ouve mais falar em crise, com exceção dos exportadores, que reclamam da valorização do real e da demanda fraca no mundo. &#8220;A economia brasileira voltou ao nível pré-crise nesse terceiro trimestre, que terminou em setembro&#8221;, diz o economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges.</p>
<p>A recuperação foi rápida (a crise durou quatro trimestres), comparada com outras recessões ocorridas entre 1980 e 2003, quando o País levava de oito a dez meses para retomar o crescimento. &#8220;Foi uma recuperação rápida, que ajuda a explicar por que as taxas de crescimento vão ficar ainda mais robustas no último trimestre deste ano e, principalmente, nos primeiros três meses de 2010&#8243;, afirma o economista.</p>
<p>Para Bráulio, a tônica da atividade nesse período será &#8220;os bancos privados pisando no acelerador do crédito para o consumo e para as empresas&#8221;. Hoje, segundo ele, já não há tanto receio de emprestar, porque a inadimplência do consumidor está em queda e a das empresas parou de subir. &#8220;Com os bancos privados voltando ao jogo do crédito, a gente pode esperar uma competição ferrenha pelo consumidor e pelas empresas, o que obviamente vai estimular a atividade econômica&#8221;, ressalta o economista da LCA.</p>
<p>No Bradesco, a inadimplência na carteira de crédito de pessoas jurídicas começa a sinalizar recuo, principalmente em grandes empresas. Nesse segmento, a taxa de inadimplência saiu de um nível de 0,5%, em dezembro de 2008, e atingiu o pico de 0,9% em setembro último.</p>
<p>&#8220;Não posso dar dados oficiais em números antes da publicação do balanço trimestral, mas nossos indicadores internos apontam para baixo&#8221;, conta o superintendente executivo do departamento de empréstimos e financiamentos do Bradesco, José Ramos Rocha Neto. &#8220;Os indicadores apontam para uma tendência de regularização no primeiro trimestre de 2010.&#8221;</p>
<p>A maior oferta de crédito no cenário atual de vendas aquecidas estimula as empresas a retomar investimentos engavetados por causa da crise. &#8220;Nossos números de outubro e novembro são muito positivos&#8221;, adianta o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Luiz Aubert Neto. Os dados serão divulgados na quarta-feira. Até setembro, o setor acumulava no ano queda de 24%.</p>
<p><strong>NÚMEROS</strong></p>
<p>12,1%<br />
é a previsão da MB Associados para o crescimento da indústria no primeiro trimestre de 2010</p>
<p>16,5%<br />
é a previsão da LCA Consultores</p>
<p>13,7%<br />
é a previsão da Vitopel para o aumento da produção no período</p>
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		<title>Sudeste lidera PIB nacional, mas perde participação</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Nov 2009 14:17:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[ECONOMIA]]></category>
		<category><![CDATA[Estados]]></category>
		<category><![CDATA[IBGE]]></category>
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		<category><![CDATA[PIB por Estado]]></category>
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		<description><![CDATA[VALOR
Oito Estados brasileiros concentravam cerca de 80% da riqueza do país em 2007, revelaram os dados das Contas Regionais 2007, divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Lideravam as participações no Produto Interno Bruto (PIB) nacional São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia, Santa Catarina, além [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><span style="background-color: #ffff99;">VALOR</span></h2>
<p>Oito Estados brasileiros concentravam cerca de 80% da riqueza do país em 2007, revelaram os dados das Contas Regionais 2007, divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Lideravam as participações no Produto Interno Bruto (PIB) nacional São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia, Santa Catarina, além do Distrito Federal.</p>
<p>Essas unidades da federação com os maiores PIBs em 2007 eram as mesmas em 1995. A diferença, continuou o organismo, é que a soma de participações daqueles Estados representava 81,5% do PIB de 1995 e diminuiu para 78,7% em 2007.</p>
<p>Segundo o levantamento, o Sudeste continua com a maior participação do PIB do Brasil, com 56,4%. No entanto, essa representatividade diminuiu frente a 1995, quando era de 59,1%.</p>
<p>Na região, São Paulo se sobressaiu, com perda de 3,4 pontos percentuais (37,3% do PIB em 1995 para 33,9% em 2007). &#8220;A economia paulista perde participação na indústria geral (-9,1 pontos), perde menos nos serviços (-1,5 ponto) e ganha na agropecuária (1,4 ponto)&#8221;, destacou o IBGE.</p>
<p>No Rio de Janeiro, houve avanço entre 1997 e 2000, quando a participação do Estado chegou 11,9% do PIB nacional, mas, em 2007, retornou à mesma participação de 1995 (11,2%). Minas Gerais (0,4 pontos percentuais) e Espírito Santo (0,3 pp) ampliaram a fatia.</p>
<p>O Estado que mais perdeu participação na indústria foi São Paulo (- 4,3 pp) seguido pelo Rio Grande do Sul (-1,6 pp). Grande parte dessa participação perdida distribuiu-se entre os outros seis Estados líderes da indústria nacional em 2007, além de Goiás, Espírito Santo e Pará.</p>
<p>De maneira geral, este processo foi impulsionado por investimentos regionais ou mesmo pela guerra fiscal, ou ainda pela procura de mão de obra mais barata em outras unidades da federação. Apesar disso, enfatiza o IBGE, &#8220;ainda não é possível afirmar que há uma migração industrial maciça, pois se percebe um movimento forte de redistribuição dentro do próprio Estado de São Paulo&#8221;.</p>
<p>No caso da indústria gaúcha, houve uma queda de sua participação por dois anos consecutivos a partir de 2004, quando o Estado sofreu com fortes secas.</p>
<p>Minas Gerais, nos últimos anos, se apropriou de parte da indústria do fumo, principalmente do Rio Grande do Sul e da cadeia automobilística, além de ser também o maior produtor de aço do país.</p>
<p>A Região Sul ganhou participação no PIB, indo de 16,2% em 1995 para 16,6% em 2007. O mesmo aconteceu com o Centro-Oeste, que saiu de 8,4% para 8,9%, com o Norte, 4,2% para 5%, e com o Nordeste, de 12% para 13,1%.</p>
<p>O levantamento do IBGE mostrou ainda que o PIB das regiões Norte e Nordeste se expandiu abaixo da taxa de crescimento da economia nacional, que era de 6,1% em 2007. O Norte verificou expansão de 3,8%, enquanto o PIB do Nordeste cresceu 4,8%. As demais regiões tiveram crescimento acima da média nacional, com destaque para o Centro-Oeste, com uma expansão de 6,8%, seguido do Sul (6,5%) e do Sudeste (6,4%).</p>
<p>Em termos de PIB per capita em 2007, o maior foi o do Distrito Federal, com R$ 40,6 mil, seguido por São Paulo (R$ 22,6 mil) e Rio de Janeiro (R$ 19,2 mil). O resultado mais baixo foi verificado no Piauí (R$ 4,6 mil). (Agências noticiosas)</p>
<p><strong>Infografico do jornal O Estado SP</strong></p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-16503" title="PIB_SP" src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/11/PIB_SP.jpg" alt="PIB_SP" width="556" height="418" /></p>
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		<title>Criação de empregos formais supera a marca de 1 milhão no ano</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Nov 2009 13:39:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[ECONOMIA]]></category>
		<category><![CDATA[CAGED]]></category>
		<category><![CDATA[Carlos Lupi]]></category>
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		<description><![CDATA[Abertura de 230.956 postos de trabalho em outubro foi o melhor resultado para o mês na série histórica do Caged
Renata Veríssimo, BRASÍLIA &#8211; O Estado SP
A recuperação da atividade industrial ajudou o País a bater novo recorde na geração de empregos com carteira assinada. Em outubro, foram abertos 230.956 postos de trabalho, o melhor resultado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Abertura de 230.956 postos de trabalho em outubro foi o melhor resultado para o mês na série histórica do Caged</strong></p>
<p><span style="background-color: #ffff99;">Renata Veríssimo, BRASÍLIA &#8211; O Estado SP</span></p>
<p>A recuperação da atividade industrial ajudou o País a bater novo recorde na geração de empregos com carteira assinada. Em outubro, foram abertos 230.956 postos de trabalho, o melhor resultado para o mês na série histórica iniciada em 1992 do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), elaborado pelo Ministério do Trabalho e Emprego.</p>
<p>O resultado mensal elevou para 1,164 milhão o número de empregos formais criados entre janeiro e outubro de 2009. Embora o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, tenha comemorado a superação da marca de 1 milhão, o acumulado no ano é o pior para o período desde 2003, quando foram gerados apenas 910.547 vagas.</p>
<p>Em razão da sazonalidade de dezembro, quando ocorrem as demissões de funcionários contratados temporariamente para a demanda de fim de ano, Lupi previu que a criação de empregos formais em 2009 ficará entre 1 milhão e 1,1 milhão.</p>
<p>Ele estimou, entretanto, cerca de 200 mil dispensas em dezembro que, se confirmadas, será o menor resultado negativo para o mês. Com exceção de 2008, quando o País enfrentava o auge da crise internacional, as demissões em dezembro de anos anteriores giraram em torno de 300 mil. Para novembro, Lupi espera bater novo recorde, com a geração de cerca de 150 mil empregos formais. O melhor resultado, até então, foi em novembro de 2007, quando foram criados 125 mil vagas.</p>
<p>Lupi aposta na recuperação do mercado de trabalho e da atividade econômica em 2010. Segundo ele, serão abertas 2 milhões de vagas. Se a marca for atingida, será o maior número de geração de empregos formais em um ano no País.</p>
<p>Para o ministro, os dados do Caged no segundo semestre já mostram o início de um novo ciclo do emprego. Em agosto, setembro e outubro, a abertura de vagas superou em mais de 200 mil o número de demissões.</p>
<p>&#8220;O Brasil foi o único país do G-20 que gerou mais de 1 milhão de empregos formais este ano&#8221;, afirmou Lupi. Ele acredita que a economia brasileira crescerá em torno de 2% este ano, o dobro da previsão da equipe econômica.</p>
<p>O ministro destacou o aumento da massa salarial de janeiro a outubro, 4,4% acima da inflação pelo INPC. Lupi disse que anunciará, nos próximos dias, um recorde no pagamento do abono salarial, pago a trabalhadores com renda média de até dois salários mínimos no ano anterior.</p>
<h3><span style="font-size: xx-large;">Indústria lidera pela 2ª vez abertura de vagas</span></h3>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Renata Veríssimo, BRASÍLIA &#8211; O Estado SP</span></h2>
<p>A indústria de transformação liderou pelo segundo mês consecutivo a abertura de novos empregos formais no País. Em outubro, o setor foi responsável pela criação de 74.552 postos de trabalho. É o melhor resultado para meses de outubro. Segundo o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, o desempenho do setor mostra uma recuperação da indústria, setor mais atingido pela crise global.</p>
<p>&#8220;Os estoques terminaram e já tem indústria trabalhando em três turnos para atender a demanda&#8221;, disse Lupi. As indústrias de produtos alimentícios, têxtil, metalúrgica e química são as que mais contrataram no mês passado. Segundo os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), além da indústria mais quatro setores registraram desempenho recorde em outubro.</p>
<p>O setor de serviços teve 69.581 contratações a mais do que as demissões. O comércio ampliou em 68.516 os postos de trabalho e a construção civil, em 26.156. O setor de extração mineral abriu 1.157 vagas.</p>
<p>O único setor que demitiu mais do que contratou foi a agropecuária, que fechou 11.569 postos de trabalho. Segundo o Ministério do Trabalho, essa redução se deve à entressafra, principalmente, no Sudeste do País.</p>
<p>O número de contratações em outubro foi de 1,433 milhão, enquanto 1,202 milhão de trabalhadores foram demitidos no período.</p>
<p>O saldo líquido, de 230.956 novos empregos, embora seja o melhor resultado para meses de outubro, é menor que o resultado de setembro, quando foram criadas 252.617 vagas. De janeiro a outubro, o setor de serviços foi o que o mais empregou, com um saldo positivo de 481.007 vagas este ano, seguido pela construção civil, comércio e indústria.</p>
<p>Segundo o Ministério do Trabalho, desde janeiro de 2003, quando começou o governo Lula, a outubro de 2009, 8.884.579 vagas formais foram criadas.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>País cresce a 9% ao ano no 3º trimestre</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Nov 2009 13:19:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Consultorias atribuem taxa chinesa à recomposição de estoques e dizem que ritmo de crescimento vai cair




Márcia de Chiara &#8211; O Estado SP
A economia brasileira cresceu no terceiro trimestre deste ano em ritmo chinês, com taxa anualizada do Produto Interno Bruto (PIB) beirando 9%, apontam as projeções de várias consultorias independentes. O número oficial do desempenho [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><br />
Consultorias atribuem taxa chinesa à recomposição de estoques e dizem que ritmo de crescimento vai cair</strong></p>
<p><strong><br />
</strong></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://www.acemprol.com/download/file.php?id=9524" alt="http://www.acemprol.com/download/file.php?id=9524" /></p>
<p style="text-align: center;">
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Márcia de Chiara &#8211; O Estado SP</span></h2>
<p>A economia brasileira cresceu no terceiro trimestre deste ano em ritmo chinês, com taxa anualizada do Produto Interno Bruto (PIB) beirando 9%, apontam as projeções de várias consultorias independentes. O número oficial do desempenho do PIB do terceiro trimestre, medido pelo IBGE, será conhecido em 10 de dezembro. Para este trimestre, no entanto, a perspectiva é de arrefecimento do crescimento para uma taxa anualizada em torno de 6%.</p>
<p>&#8220;A taxa marginal de crescimento de 2,1% do PIB do terceiro trimestre que, anualizada, corresponde a 8,7%, não deve se repetir no quarto trimestre&#8221;, prevê o economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges. Segundo ele, o PIB do terceiro trimestre foi &#8220;inflado&#8221; pelo ajuste dos estoques.</p>
<p>Após a brusca freada na produção industrial no fim de 2008, os empresários da indústria não acreditavam numa recuperação tão rápida e cortaram a oferta. Passaram dois trimestres enxugando estoques. Mas, a partir do segundo trimestre, a economia começou a reagir.</p>
<p>No terceiro trimestre, diz Borges, a produção foi fortemente acelerada para recompor os estoques que eram, em alguns setores, insuficientes para atender à demanda. &#8220;Houve problemas de abastecimento nos eletrodomésticos da linha branca e nos carros, ambos setores que tiveram corte de impostos para incentivar as vendas&#8221;, lembra.</p>
<p>Fábio Silveira, sócio da RC Consultores, também projeta desaceleração de crescimento do PIB de 9% anualizado no terceiro trimestre para algo em torno de 6% neste trimestre. Ele atribui esse movimento à recomposição dos estoques queimados no primeiro semestre. Maurício Molon, economista-chefe do Banco Santander, acrescenta outro fator que está contribuindo para diminuir o ritmo de crescimento do PIB neste trimestre: o aumento das importações, favorecidas pelo dólar baixo. &#8220;O setor externo vai roubar o crescimento da economia.&#8221;</p>
<p>Além do aumento das importações, Bernardo Wjuniski, economista da Tendências Consultoria Integrada, acrescenta que a exportação ainda levará algum tempo para se recuperar plenamente. Esse é mais um fator que tira o ímpeto do crescimento nos próximos meses, já que a arrancada no terceiro trimestre resultou de um ajuste de estoques para cima, puxado pelo mercado interno.</p>
<p>Para 2010, as projeções das consultorias para o crescimento do PIB vão de 3,7% a 5,6%, sem pressões inflacionárias. &#8220;A inflação corrente é baixa e há ociosidade na indústria&#8221;, diz Silveira. Wjuniski acredita que o cenário é benigno para a inflação em 2010 e as pressões de preços podem ocorrer em 2011. Nas suas previsões, a produção industrial deve fechar 2009 com queda de 8% e crescer 8,7% em 2010.</p>
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		<title>&#8220;Há entusiasmo incontido no câmbio&#8221;</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Nov 2009 11:57:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Regulador: Henrique Meirelles diz ver excesso de euforia também na bolsa, mas não necessariamente uma bolha




Peter MacDiarmid/Getty Images

 O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirma que o crescimento de 8% do PIB é insustentável e deve se estabilizar em patamar mais baixo




Sergio Lamucci e Cristiano Romero, de Londres &#8211; VALOR
O ritmo de crescimento da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Regulador: Henrique Meirelles diz ver excesso de euforia também na bolsa, mas não necessariamente uma bolha<br />
</strong></p>
<p><strong><br />
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<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: x-small;"><em>Peter MacDiarmid/Getty Images<br />
</em></span><img src="http://www.valoronline.com.br/imagens/impresso/ed_0002380/imagens/foto09fin-meidrelles-c8.jpg" border="0" alt="Foto Destaque" /><br />
<span style="font-size: x-small;"><em> O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirma que o crescimento de 8% do PIB é insustentável e deve se estabilizar em patamar mais baixo</em></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: x-small;"><em><br />
</em></span></p>
<p><em><br />
</em></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Sergio Lamucci e Cristiano Romero, de Londres &#8211; VALOR</span></h2>
<p>O ritmo de crescimento da economia brasileira exibido no segundo e no terceiro trimestres, na casa de 8% em termos anualizados, é &#8220;insustentável&#8221;, devendo arrefecer no próximo ano, avalia o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles. Segundo ele, as previsões do mercado apontam para uma expansão entre 4,5% e 5% em 2010, o que sugere estabilização da taxa anualizada num número menor que os 7,8% observados no segundo trimestre e os cerca de 8% esperados para o terceiro.</p>
<p>&#8220;É normal que esse processo se estabilize num ritmo menor e mais sustentável&#8221;, disse Meirelles em entrevista exclusiva ao Valor na sexta-feira. No fim de semana, ele participou da reunião do G-20 financeiro, em Edimburgo, na Escócia.</p>
<p>O presidente do BC ressaltou a importância da recuperação do investimento, que deve fechar 2009 com retração superior a dois dígitos. &#8220;Não há dúvida de que é muito importante a retomada dos investimentos, que os empresários se antecipem à demanda futura, não esperando que o uso da capacidade atinja o limite&#8221;, afirmou ele.</p>
<p>O presidente do BC acredita, no entanto, que os investimentos serão feitos. Ele observou, mencionando previsão do BNDES, que a formação bruta de capital fixo (medida do que se investe na construção civil e em máquinas e equipamentos) deve avançar com força em 2010, ajudando a impulsionar o PIB.</p>
<p>Meirelles foi cauteloso ao falar da formação de bolhas de ativos no Brasil e no exterior. Disse que existe, no mercado brasileiro, &#8220;excesso de euforia&#8221; na bolsa e no mercado de câmbio. Ele não crê, porém, que esteja se formando uma bolha especulativa no segmento de commodities e acha que uma perturbação dos mercados, lá fora, dependerá principalmente da ação do Federal Reserve (o BC dos Estados Unidos) nos próximos meses e da implementação, ou não, das medidas prudenciais que estão sendo recomendadas pelo G-20 após a recente crise mundial.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Robert Shiller (autor do livro &#8220;Exuberância Irracional&#8221;) diz que há uma nova bolha no mundo, o eco da bolha anterior. Como o sr. avalia esse fenômeno?</em></p>
<p align="justify"><strong>Henrique Meirelles: </strong> O Federal Reserve, numa escala maior, e alguns outros bancos centrais, em escala menor, estão em meio a uma política expansionista, visando combater a crise. Essa política tem um componente quantitativo &#8211; a compra de títulos, a compra de crédito etc &#8211; que aumenta o tamanho do balanço do Fed e dos outros BCs, e também uma taxa básica em algumas situações muito próxima de zero. Dentro de um processo de alta liquidez, é esperado que aconteça alguma distorção na formação de preços de ativos. Isso pode levar à supervalorização de alguns ativos. A questão é saber se o Fed e os outros BCs, mas principalmente o Fed, vão começar a fazer um processo de saída dessas medidas a tempo de não permitir o prosseguimento da sobrevalorização de ativos, o que, aí sim, poderia ter consequências para a economia.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Que tipo de bolha temos neste momento?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Há três tipos de bolhas, com componentes concomitantes e similares, mas com algumas características diferentes. A primeira, e que é a mais perigosa e que causa mais prejuízos, é a bolha de crédito. Um exemplo clássico disso foi a bolha no mercado imobiliário e do mercado de crédito nos Estados Unidos. Toda a sociedade americana estava superalavancada. O segundo tipo são as bolhas que surgem e são corrigidas a tempo. Isto é, se o processo que conduziu à bolha, como uma expansão monetária, é corrigido a tempo, há um processo de correção. Os prejuízos ficam para os investidores.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>É uma bolha de ativos?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Ambas são bolhas de ativos, mas uma não é relacionada a uma bolha de crédito e não tem uma duração muito prolongada. O terceiro tipo de bolha é um intermediário. Não é uma bolha de crédito, mas é resultado de uma expansão monetária um pouco maior do que seria desejável. Esta causa um pouco mais de prejuízo, apesar de não ser tão grave como a bolha de crédito. No presente momento, há um risco, porque não se sabe até que ponto as novas regras prudenciais, em desenvolvimento pelo Conselho de Estabilidade Financeira por recomendação do G-20, para serem implementadas pelo Comitê da Basileia, serão aplicadas por todos os países relevantes a tempo, principalmente pelos EUA, e até que ponto isso poderia prevenir uma bolha de crédito, a mais grave. Existe esse risco, mas não quer dizer que vá acontecer.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Onde está o risco?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> A situação dos EUA é um pouco mais complicada porque eles têm mais de um regulador e mais de um supervisor. Não é apenas dizer que o Fed tem que fazer isso ou aquilo. As bolhas que não são as de crédito vão depender do quão cedo o Fed vai retirar seus mecanismos de estímulo. Acredito que os alertas dos BCs são úteis. Não apenas as autoridades monetárias e prudenciais dos diversos países devem saber dos riscos, mas também e principalmente os investidores. São eles que conduzem à formação de bolhas.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Shiller diz que há uma bolha no mercado de commodities. Além disso, a bolsa brasileira teve valorização em dólar superior a 130% este ano. Que riscos o Brasil corre?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Bolhas de crédito no Brasil não existiram e não serão permitidas por este Banco Central; 95% da regulamentação que será proposta pela Basileia já está aplicada e implementada no Brasil. Essa primeira incerteza quanto à implementação de novas regras prudenciais não existe no Brasil. O que vier a faltar será implementado imediatamente. Em relação às commodities, uma das coisas mais difíceis da análise econômica é definir quando existe ou não uma bolha. Este foi o grande problema dos últimos anos. É por isso que a regra prudencial é importante no caso do crédito, porque você define claramente normas para prevenir a bolha, e no crédito você tem critérios mais quantitativos.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Por que no caso das commodities é mais difícil enxergar uma bolha?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Definir o preço adequado para commodities, num mundo em transformação como este, com a incorporação da massa de consumidores asiáticos no mercado e com a alta demanda, é difícil. Não dá para saber se os preços já estão acima de um nível mais sustentável ou não. Antes da crise, o petróleo chegou a atingir quase o dobro do preço atual. É difícil afirmar o quanto disso é resultado de movimento especulativo e o quanto é simplesmente um aumento da demanda. O Fed está afirmando que não vai permitir um surto inflacionário nos EUA. Mas, como existe incerteza, alguns investidores estão procurando diversificar suas aplicações. Isso significa euro, commodities, outras formas de ativos, moedas de economias sólidas. Uma parte disso de fato está ocorrendo, mas é difícil e um pouco prematuro dizer que existe uma bolha de commodities. A bolha você só conhece se e quando ela estoura.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Uma alta das bolsas muito forte, e não apenas no Brasil, num intervalo tão pequeno, não caracteriza de algum modo uma bolha?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Pode caracterizar ou não. É normal que tenhamos em momentos de saída de crise movimentos de valorização muito acentuados. Nós tivemos isso na década de 30 e em outras saídas de crise. Muitas vezes, isso é prematuro. O mercado, tentando antecipar uma recuperação, move-se um pouco antes da hora e às vezes há movimentos de correção. O mercado internacional está tentando se situar a esse respeito e isso explica a volatilidade. O que temos alertado, e diversos bancos centrais estão fazendo isso, bem como outras autoridades econômicas brasileiras, é sobre sinais de possíveis componentes de euforia.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Por exemplo?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Movimentos de investidores que caracterizam pouca análise, um certo comportamento de manada. O alerta contra a euforia é importante, contra aquilo que se chamou no passado de &#8220;exuberância irracional&#8221;, para que se evite que se chegue na bolha. Mas isso não quer dizer que já esteja num patamar de bolha.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>O excesso de euforia no Brasil está restrito ao mercado acionário?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Está ocorrendo um pouco também no mercado de câmbio. Quando converso com investidores do mundo todo, começo a ver um clima de entusiasmo incontido.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>O senhor viu isso no seminário Financial Times/Valor?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Não vi no seminário nenhum sinal de exuberância irracional. As manifestações me pareceram muito sólidas. Principalmente porque foram feitas por investidores de longo prazo no Brasil. São empresas que estão no país há décadas e estão dizendo que acreditam no seu futuro. Isto é extremamente saudável.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Mas o que preocupa, então?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Os movimentos que possam levar a distorções de preços, gerar correção. É um alerta que o BC fez há vários meses e que outros bancos centrais estão fazendo. Uma preocupação global.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Depois das crises, os BCs passaram a olhar não apenas os índices de preços, mas também a inflação de ativos. O BC brasileiro também está fazendo isso?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Estamos falando de diversos tipos de ativos. Uns são ativos cujo componente preço é diretamente relacionado a um crédito concedido para comprar esses ativos. Nesse caso, há muita confusão quando se fala, por exemplo, da crise japonesa dos anos 80 e 90.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Por quê?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Um dos grandes impulsos do mercado acionário japonês foi a compra de ações pelos bancos, financiada por depósitos, como aconteceu nos EUA na década de 20. Apesar de ter ocorrido no mercado de ações, aquela bolha foi muito impulsionada pelo crédito, o que é diferente de simplesmente o investidor, com dinheiro real, apostar o seu capital. Isso é diferente de o banco comprar ação ou financiar diretamente o especulador.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Essa dinâmica se repetiu nos EUA na recente crise?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Sim. O sistema financeiro americano financiou a bolha imobiliária, como uma bolha de crédito. Adotaram-se critérios de concessão de crédito excessivamente liberais. Isto, o BC brasileiro monitora com rigor.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Como?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> O componente preço se torna importante na medida em que ele passa a ser relevante como garantia do crédito. Ou seja, o BC olha prudencialmente o mercado de crédito. Não pode estar tentando controlar os preços da economia. O BC olha o crédito e o componente preço na garantia do crédito. Nos EUA, os bancos financiaram fortemente os ativos, os preços ficaram inflacionados, os valores dos empréstimos também inflaram, as garantias caíram de preço radicalmente e os bancos quebraram.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>O senhor disse que a apreciação do câmbio tem um componente de euforia. Deve-se tentar conter esse movimento?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> O sobrepreço ou o movimento especulativo, qualquer que seja ele, leva a uma correção. Cedo ou tarde. No caso do câmbio no Brasil, isso vai ficar claro ao longo do tempo através dos números de conta corrente, investimento estrangeiro direto. Quando a economia estiver em pleno processo de consolidação de uma recuperação já ocorrida, caso tenha havido sobrepreço, como muitos analistas dizem que há, então, teremos um processo de correção.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>O que o BC pretende fazer?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> O que o BC faz são intervenções, visando evitar distorções na formação de preços.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Por exemplo?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Excesso ou falta momentânea de liquidez pode gerar distorções de preços importantes. Um exemplo ocorreu no fim do ano passado. Por razões diversas, principalmente nos mercados futuros, por causa do problema dos derivativos, faltou liquidez e isso levou a uma sobredesvalorização do real. Claramente, houve uma distorção grande na formação de preço, então, o BC entrou vendendo reservas e dólares no mercado futuro. Neste ano, configurou-se em alguns momentos um problema de liquidez por excesso de entrada de recursos. Houve um dia em que o BC comprou bilhões de dólares, o que significa que o BC também interveio naquele momento para evitar uma distorção na formação de preço. Isto se conjuga com a política do BC de tirar partido dessa mudança de liquidez em dólares, que tem prevalecido na economia brasileira nos últimos anos, para acumular reservas e reforçar a capacidade de resistência do país a crises.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>É justificável continuar acumulando reservas?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Sim. A crise mostrou que mais reservas é melhor do que menos. Num quadro de excesso de liquidez em dólar, no momento em que o Fed fizer a saída do processo (de estímulo monetário), teremos talvez uma certa reversão, e aí será muito importante termos reservas para evitar crises de liquidez. Então, é altamente conveniente acumular reservas.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>O Brasil cresceu 7,8% no segundo trimestre e, agora, há analistas prevendo alta anualizada de mais de 8% no terceiro. Esse crescimento é sustentável?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Estamos falando de duas previsões. Da previsão de crescimento, a taxas anualizadas, do terceiro trimestre, e das previsões de crescimento para 2010. Se olharmos as duas, com o mercado prevendo algo entre 4,5% e 5% para o ano que vem e essa previsão de 8% para o terceiro trimestre, então, não é sustentável. As previsões estão dizendo que não. Essa taxa anualizada deve se estabilizar num número menor; 4,5% a 5% é diferente de 8%, o que é normal na medida em que o Brasil saiu da crise rapidamente e entrou em processo de recuperação. É normal que esse processo se estabilize num ritmo menor e mais sustentável.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Apesar desse crescimento, os investimentos não estão voltando aos níveis pré-crise. Não estão atrasados?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Não há dúvida de que é muito importante a retomada dos investimentos, que os empresários se antecipem à demanda futura, não esperando que o uso da capacidade atinja o limite. Os investimentos estão sendo retirados das gavetas. A previsão do BNDES é que a Formação Bruta de Capital Fixo do ano que vem deve crescer muito e ser, inclusive, um dos impulsos ao crescimento. É um alerta válido aos empresários: &#8220;corram e não fiquem atrasados&#8221;.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>Os empresários não estariam ressabiados, preocupados com a possibilidade de uma nova recessão mundial?</em></p>
<p align="justify"><strong> Meirelles: </strong> Não acredito. Os índices de confiança empresarial da FGV mostram recordes históricos, inclusive, com algo muito importante que é o fato de o índice de confiança estar acima da média histórica em todos os setores. Isso é que determina investimento. Apesar de existir uma preocupação com o cenário externo, a dúvida está muito mais relacionada a quem é dependente de exportação. As indústrias que podem direcionar a produção para o mercado doméstico estão mais otimistas.</p>
<p align="justify"><strong>Valor:</strong> <em>O aquecimento do mercado de trabalho tem sido um impulso mais forte do que a ocupação de capacidade ociosa na indústria?</em></p>
<p align="justify"><strong>Meirelles: </strong> Vamos aguardar porque são vários fenômenos. Um deles é que a empregabilidade aumentou numa parte do setor industrial, mas não atingiu ainda o mesmo nível em que estava no ano passado. Uma boa parte dessa redução do desemprego se deu na construção civil, que tem nível salarial médio menor. E o crescimento desse setor tende a se estabilizar conforme o índice de construção entre no ritmo do estímulo. Estamos num momento de avaliação.</p>
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		<title>Brasil se antecipa e desfaz política anticíclica</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Nov 2009 14:23:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Alberto Tamer* &#8211; O Estado SP
Afinal, retira-se ou não a política de incentivos à economia para sair da recessão? Esse é um dilema dos países ricos. Do Brasil, não. Nós já estamos desfazendo as medidas anticíclicas em ordem, com redução de juros e impostos. Eles voltam aos poucos, de forma gradual e seletiva, sem afetar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><span style="background-color: #ffff99;">Alberto Tamer* &#8211; O Estado SP</span></h2>
<p>Afinal, retira-se ou não a política de incentivos à economia para sair da recessão? Esse é um dilema dos países ricos. Do Brasil, não. Nós já estamos desfazendo as medidas anticíclicas em ordem, com redução de juros e impostos. Eles voltam aos poucos, de forma gradual e seletiva, sem afetar a demanda e aumentando a arrecadação. Mas a pergunta, quase acadêmica, voltou no cenário mundial, este fim de semana, com a reunião dos ministros das Finanças do G-20, na Escócia.</p>
<p>Barack Obama e Ben Bernanke dizem que não. O Banco Central Europeu diz que sim. Chega de ajuda ao sistema financeiro a partir do próximo ano, afirmou o seu presidente Jean-Claude Trichet, na quinta-feira. E só não aumentou os juros por pressão dos governos, principalmente da França. O juro permanece em 1%, com sinais de alta. O BCE tem medo da inflação que não é inflação, mas deflação. Menos 0,3% em setembro.</p>
<p>Nos EUA, o desemprego de 10,2% se antecipa às previsões. Não era para acontecer agora, mas no início do ano. Janeiro ou fevereiro. Preocupa, mas era esperado, pois a economia, que havia dado um salto no último trimestre, continua frágil. Ainda não se sustenta.</p>
<p>O governo estava preparado. No mesmo dia em que se anunciou esse índice, Obama estendeu os benefícios federais aos desempregados, que se acumulam aos estaduais, e prorrogou medidas de estímulo ao setor imobiliário. A Casa Branca informou também que novas medidas anticíclicas estão sendo estudadas e poderão ser anunciadas em breve.</p>
<p>Um dia antes, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano), também veio a público para informar que não muda a política monetária, vai manter ainda por algum tempo o juro básico em torno de 0,25%, praticamente negativo em termos reais. Vai continuar ativo na compra de títulos do Tesouro e imobiliários. Ou seja, mais dólares vão entrar no mercado.</p>
<p>Para Obama e Bernanke, a economia só reage com mais estímulos. Tudo o mais, déficit, dívida, fica para depois</p>
<p>Na Europa, nada muda, apesar de o desemprego já estar em 9,7%, e a inflação crescendo. Não seria grave se ela não tivesse o mesmo que os EUA no Produto Interno Bruto (PIB) mundial. US$ 14 trilhões.</p>
<p>Quem está certo, os americanos ou os europeus? Trichet ou Bernanke?</p>
<p>É isso que estava na pauta da reunião dos ministros do G-20, encerrada ontem. Foi a terceira do ano ? um balanço com resultados previsíveis. A conclusão é que vão continuar estimulando a economia, mas cada um do seu modo. Só que isso não funciona porque alguns querem agir mais, outros menos. E a economia mundial vai continuar se arrastando ainda por muitos e muitos meses.<br />
<strong><br />
RETOMADA NÃO CONVENCE</strong></p>
<p>Eles deveriam ouvir quem não foi ouvido no passado, e acertou ao prever a recessão: Nouriel Roubini, da Universidade de Nova York. Para ele, a retomada é ainda incerta e não se mantém porque está sendo sustentada pelos estímulos fiscais e monetários, gastos dos governos e pela política de juros baixos. Quanto dura? Roubini arrisca. Quando muito, não mais de seis meses. É mais ou menos o prazo para que os estímulos do governo não se transformem em déficits insuportáveis. Em determinado momento, o setor privado, as empresas, terão de substituir o governo. Há ainda muitos desequilíbrios. O mercado financeiro está se recuperando mais rapidamente que a atividade econômica. Sinal, o desemprego continua aumentando. E permanece a pergunta. Quando o governo deve começar a sair? Roubini não responde, mas insinua que o setor privado ainda não está preparado. E cabe aos governos dos países desenvolvidos continuar a tarefa de prepará-los. Só devem tentar administrar melhor seus déficits. E antecipar-se a bolhas previsíveis.</p>
<p><strong>QUEM ESTÁ CERTO?</strong></p>
<p>Acho que nós. Estamos indo devagarzinho nas duas frentes, fiscal e monetária. Sem a ousadia dos dias que antecederam a crise e se enfrentou, com êxito, a recessão. Agora, não há pressa. O governo está começando a remover as medidas anticíclicas de forma gradual. Na área tributária, com o restabelecimento do IPI no setor automobilístico, o mais afetado pela crise. Nessa área, grande empregadora de mão de obra, evitou-se o pior. Mas esse imposto está sendo restabelecido gradualmente para que empresas e compradores se adaptem à nova realidade. E a realidade é uma economia na qual o crédito volta, o desemprego recua e o rendimento das famílias aumenta. No final da linha, isso vai representar maior arrecadação.</p>
<p>O mesmo está sendo feito ainda com mais cuidado na linha branca por causa do seu componente social.</p>
<p>Na área monetária, lembra Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, o Banco Central mantém sua posição, também com medidas graduais, sem precipitações. Reduziu o juro básico para 8,75% e o mantém nesse nível.</p>
<p>Não temos pressa porque nos apressamos antes, aproveitando um terreno já preparado no governo anterior e neste. A inflação caiu de 12,5% em 2002 para 4,3% neste ano.</p>
<p>O juro nominal em 2002 era de 19,1%, teve de ser aumentado para 23,3% no ano seguinte para conter a inflação e agora está em 8,7%.</p>
<p>Sabedoria? Não. Apenas soubemos aproveitar esse cenário, que nós mesmos preparamos, para nos sobrepormos aos outros, que afundaram na recessão.<br />
<strong><br />
*Email: at@attglobal.net </strong></p>
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		<item>
		<title>CEOs e diretores de bancos disputam lugares para ouvir Lula em seminário organizado pelos jornais &#8220;Financial Times&#8221; e Valor Econômico, em Londres</title>
		<link>http://blogdofavre.ig.com.br/2009/11/ceos-e-diretores-de-bancos-disputam-lugares-para-ouvir-lula-em-seminario-organizado-pelos-jornais-financial-times-e-valor-economico-em-londres/</link>
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		<pubDate>Fri, 06 Nov 2009 12:51:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[ECONOMIA]]></category>
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		<category><![CDATA[PIB]]></category>
		<category><![CDATA[prêmio]]></category>
		<category><![CDATA[rainha Elizabeth II]]></category>

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		<description><![CDATA[
Lula foi recebido pela rainha Elizabeth II em um encontro privado na Banqueting House. Depois, foi homenageado com prêmio da Chatham House, instituição privada que trata de assuntos internacionais e tem vínculos com a monarquia inglesa. A distinção é concedida às personalidades que mais contribuem para melhorar as relações internacionais
Investidores e governo mostram entusiasmo com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><span id="ctl00_ctl00_bcr_maincontent_ThisContent"><img id="Photo4201" class="aligncenter" src="http://dn.sapo.pt/storage/ng1213690.jpg?type=big&amp;pos=0" alt="Lula 'vende' Brasil aos investidores e à Rainha" width="420" /></span><span style="font-size: x-large;"><strong></strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: x-small;"><em>Lula foi recebido pela rainha Elizabeth II em um encontro privado na Banqueting House. Depois, foi homenageado com prêmio da Chatham House, instituição privada que trata de assuntos internacionais e tem vínculos com a monarquia inglesa. A distinção é concedida às personalidades que mais contribuem para melhorar as relações internacionais</em></span></p>
<p><span style="font-size: x-large;"><strong>Investidores e governo mostram entusiasmo com a economia</strong></span></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">de Londres &#8211; VALOR</span></h2>
<p>A alta superior a 130% da bolsa paulista em dólares neste ano e a agressiva entrada de dólares que mantêm o real sobrevalorizado em pelo menos 50% são os sinais mais evidentes do clima de entusiasmo com o Brasil que tomou conta dos investidores. Em seminário organizado em Londres pelos jornais &#8220;Financial Times&#8221; e Valor Econômico, ontem, CEOs e diretores de bancos, fundos de investimentos e grandes companhias disputaram um convite para ouvir o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os ministros da Fazenda e Casa Civil, Guido Mantega e Dilma Rousseff, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e um grupo de presidentes de grandes bancos e companhias estatais e privadas.</p>
<p>O tema era investimentos no Brasil. Os chairmans da British Gas, sir Robert Wilson, da GDF Suez Group, Gérard Mestrallet, e do Banco Santander, Emilio Botín, deram o tom ao falar dos investimentos que pretendem continuar a fazer no Brasil nos próximos anos e de sua satisfação pelos resultados colhidos até aqui. Além de apontar as perspectivas favoráveis de crescimento para os próximos anos, Wilson e Mestrallet ressaltaram que o Brasil é um lugar confiável para o investimento de longo prazo, com respeito aos contratos.</p>
<p>Na mesma onda seguiram os presidentes do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, e do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, que ressaltaram a importância, para o sistema financeiro, da inclusão de milhões de brasileiros que passaram a ter renda suficiente para manter algum tipo de relacionamento bancário. Henrique Meirelles destacou a solidez do sistema bancário brasileiro, cujas regras prudenciais mais conservadoras evitaram que a crise se abatesse de modo mais violento sobre o país, enquanto Lula e Mantega defenderam a importância dos bancos públicos para o enfrentamento da crise.</p>
<p>O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, colocou em cifras o que representa esse entusiasmo: R$ 550 bilhões em investimentos nos próximos quatro anos só no pipeline do banco. Do clima de &#8220;estamos todos felizes no mesmo barco&#8221; não destoou nem mesmo o presidente da Vale, Roger Agnelli, que passou os últimos meses sob fogo cerrado do Palácio do Planalto, que lhe cobrava uma participação mais ativa nos investimentos no país, especialmente no setor siderúrgico, até como contrapartida ao que a empresa lucra sem devolver nada aos Estados de onde tira o minério, que é isento de impostos.</p>
<p>O discurso estava afinado no mote &#8220;o futuro é aqui e agora&#8221;, em referência ao &#8220;Brasil, país do futuro&#8221;, um futuro que nunca chegava e frustrou várias gerações. Botín disse que o Brasil se tornou o país do presente.</p>
<p>As estatísticas sobre o país, de bancos e organismos internacionais, que sempre castigaram a imagem do Brasil e lhe faziam perder credibilidade, agora são mais fortes que qualquer discurso. O ministro da Fazenda exibiu os números que muitos investidores anotavam: o crescimento do PIB no terceiro trimestre deverá superar 8% em termos anualizados e o país poderá gerar mais de 1 milhão de empregos formais neste ano. Apesar da crise, o crédito avança a um ritmo de 20% a 25% em 12 meses. Para 2010, Mantega previu uma expansão do PIB de 5%, mesma aposta do presidente Lula. Dilma, por sua vez, destacou o volume de investimentos ligados ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).</p>
<p>O presidente Lula aproveitou a participação no seminário para se encontrar, na quarta-feira, com o primeiro-ministro da Inglaterra, Gordon Brown. Ontem, ele foi recebido pela rainha Elizabeth II em um encontro privado na Banqueting House. Depois, foi homenageado com prêmio da Chatham House, instituição privada que trata de assuntos internacionais e tem vínculos com a monarquia inglesa. A distinção é concedida às personalidades que mais contribuem para melhorar as relações internacionais.</p>
<p>Lula foi escolhido para receber o prêmio por seus esforços na mediação de crises regionais e pela iniciativa de liderar a missão da ONU de estabilização do Haiti. Também foram levadas em conta as ações para incluir Cuba no Grupo do Rio e a criação da União de Nações Sul-Americanas (Unasul).</p>
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		<title>Sondagem da FGV mostra que o crescimento da produção no fim do ano será o maior dos últimos dez anos</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Nov 2009 15:51:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Produção superaquecida para o Natal




Márcia De Chiara &#8211; O Estado SP
A produção industrial prevista para o último trimestre deste ano está superaquecida, o que sinaliza um Natal forte e um início de 2010 acelerado nas fábricas. Metade das 1.065 empresas consultadas pela Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação da Fundação Getúlio Vargas (FGV) planeja crescimento [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: xx-large;">Produção superaquecida para o Natal</span></p>
<p><span style="font-size: xx-large;"><br />
</span></p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-large wp-image-15579 aligncenter" title="Lula_noel" src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Lula_noel-1023x516.jpg" alt="Lula_noel" width="554" height="279" /></p>
<p style="text-align: center;">
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Márcia De Chiara &#8211; O Estado SP</span></h2>
<p>A produção industrial prevista para o último trimestre deste ano está superaquecida, o que sinaliza um Natal forte e um início de 2010 acelerado nas fábricas. Metade das 1.065 empresas consultadas pela Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação da Fundação Getúlio Vargas (FGV) planeja crescimento da produção entre outubro e dezembro e apenas 4,3% delas programam redução. É o menor índice de indústrias que vão cortar a produção no último trimestre do ano desde 1980, o início da série.</p>
<p>Dos 14 gêneros industriais pesquisados pela sondagem em outubro, todos estavam com a produção prevista para o último trimestre do ano acima da média de dez anos para esse período, um resultado inédito. &#8220;A produção de outubro costuma ser menor que a de setembro&#8221;, observa o coordenador técnico da pesquisa, Jorge Ferreira Braga. Mas, neste ano, os resultados contrariaram a regra.</p>
<p>Segundo o economista, dois fatores explicam a mudança no padrão. O primeiro deles é atraso na produção da indústria, que primeiro tratou de se livrar dos estoques excessivos para depois acelerar a produção. O segundo fator é a própria sinalização de crescimento vigoroso do Produto Interno Bruto (PIB) para 2010, na casa de 5%, puxado pela demanda interna.</p>
<p>De setembro para outubro, o indicador de produção prevista para três meses, apurado pela FGV, descontadas as influências sazonais, cresceu 4,5%. O indicador leva em conta o saldo entre os porcentuais de empresas que apostam no aumento e na queda de produção.</p>
<p>Dos 14 gêneros pesquisados, 7 puxaram de forma acentuada o crescimento da produção prevista para o trimestre: minerais não metálicos, metalurgia, mecânica, material elétrico e de comunicações, material de transporte, têxtil e alimentos. Três desses gêneros atingiram o maior nível de produção prevista para três meses apurado pela FGV num mês de outubro.</p>
<p>Segundo a pesquisa, 57,4% das indústrias de minerais não metálicos, itens usados principalmente pela construção civil, acreditam que a demanda será maior até dezembro e só 3,2% delas, menor. A Eternit, por exemplo, fabricante de telhas e caixas d&#8221;água, trabalha com mais de 90% de uso da capacidade nas 5 fábricas. &#8220;Estamos praticamente sem estoques nas fábricas&#8221;, afirma o presidente da companhia, Elio A. Martins.</p>
<p>O empresário explica que o que o que está puxando atualmente a demanda por seus produtos é o consumo &#8220;formiga&#8221;. &#8220;É a autoconstrução, a reforma&#8221;, exemplifica. A população de baixa renda responde por 80% desse consumo. Segundo Martins, o quadro de abastecimento deve ficar mais apertado no ano que vem quando entrar em operação o programa habitacional do governo. Por isso, ele já estuda investimentos em aumento de produtividade.</p>
<p>A indústria mecânica, que inclui dos bens de capital que começam a reagir à linha branca (geladeiras e máquinas de lavar, por exemplo), é outro setor que está super otimista, com 58,1% das empresas planejando alta da produção no trimestre.</p>
<p>Beneficiadas pela prorrogação do corte do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os eletrodomésticos, os fabricantes da linha branca vão acelerar o ritmo das fábricas. A Mabe, dona das marcas GE e Dako, por exemplo, vai ampliar em 25% a produção no último trimestre deste ano em relação a 2008. &#8220;Com certeza, será o maior trimestre de vendas da companhia no Brasil&#8221;, afirma o presidente da companhia para o Mercosul, Patricio Mendizabal. Ele observa que &#8220;os estoques da empresa estão abaixo do adequado para encarar a temporada&#8221;.</p>
<p>Na concorrente Whirlpool, donas das marcas Brastemp e Consul, o otimismo se repete. O diretor de Relações Institucionais, Armando Ennes do Valle Júnior, diz que o crescimento da produção no último trimestre deste ano deve oscilar entre 13% 15% em relação a 2008, que foi uma base baixa por causa da crise. Na comparação com igual período de 2007, o acréscimo varia entre 8% e 9%. &#8220;Teremos um começo de ano aquecido&#8221;, prevê o executivo, lembrando a recuperação da renda, do emprego e da oferta de crédito.</p>
<p>Até o setor têxtil, tido como &#8220;patinho feio&#8221; da indústria por perder mercado para os importados, deu a volta por cima. A sondagem revela que 31,5% das empresas do setor planejam aumentar a produção no último trimestre deste ano. A Stenville Têxtil, por exemplo, trabalha hoje usando 100% da capacidade de produção da fábrica de Jundiaí (SP). &#8220;A reação da economia foi muito rápida&#8221;, afirma o sócio diretor, George Tomic. O motor da reação é a reposição de estoques no varejo e as boas perspectivas para 2010.</p>
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		<title>País deve receber reforço de até R$ 500 bilhões para crédito em 2010</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Nov 2009 14:21:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Crédito pode fazer o PIB surpreender, diz economista


Leandro Modé &#8211; O Estado SP
De 2004 para cá, a relação entre crédito e Produto Interno Bruto (PIB) no Brasil quase dobrou, de 24% para 45,7%. Com isso, o crescimento do País passou a depender mais da concessão de empréstimos, como ficou claro na crise global &#8211; o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><span style="font-size: xx-large;">Crédito pode fazer o PIB surpreender, diz economista</span></strong></p>
<p><strong><span style="font-size: xx-large;"><br />
</span></strong></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Leandro Modé &#8211; O Estado SP</span></h2>
<p>De 2004 para cá, a relação entre crédito e Produto Interno Bruto (PIB) no Brasil quase dobrou, de 24% para 45,7%. Com isso, o crescimento do País passou a depender mais da concessão de empréstimos, como ficou claro na crise global &#8211; o crédito secou, a economia despencou. Como a expectativa para 2010 é positiva, a surpresa pode se dar no sentido contrário, disse o economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges.</p>
<p>&#8220;O PIB pode surpreender para cima&#8221;, afirmou ele, que hoje projeta uma expansão da economia de 5,6% no ano que vem. Borges fez um estudo, obtido com exclusividade pelo Estado, para medir o impacto do crédito no avanço da economia.</p>
<p>A partir do trabalho, ele criou o que batizou de &#8220;Índice de Potência do Crédito&#8221;. O indicador relaciona o crescimento real das concessões de crédito no País com a penetração dos empréstimos na economia. A conclusão é que há forte correlação entre crédito e a demanda doméstica, principal responsável pela expansão do PIB.</p>
<p>Borges calcula para 2010 uma alta de 6,4% das novas concessões em termos reais, ou seja, descontada a inflação &#8211; ante uma queda de 5% em 2009. &#8220;Assim, tem-se a sinalização de que a demanda interna poderá crescer quase 10% em 2010&#8243;, disse.</p>
<p>O economista Demian Fiocca, presidente do Banco Nossa Caixa, também destaca a relevância cada vez maior do crédito para o crescimento brasileiro. &#8220;Uma expansão de 20% do crédito em 2010, como a que projetamos para o sistema, é muito mais potente do que um crescimento de 25% em 2004, quando o atual ciclo econômico começou&#8221;, observou.</p>
<p>Para ele, se esse ciclo se prolongar pelos próximos 10 anos, a economia brasileira estará, ao seu final, muito mais próxima do nível dos países mais desenvolvidos do que dos países menos desenvolvidos. &#8220;Continuando nessa trilha, é razoável supor que a relação crédito/PIB no Brasil vai se estabilizar ao redor de 80%&#8221;, disse.</p>
<div id="c">
<h3><span style="font-size: xx-large;">País deve receber reforço de até R$ 500 bilhões para crédito em 2010</span></h3>
<p><strong>Previsão dos bancos, de que vão emprestar mais 20%, e ofertas de ações do setor financeiro animam analistas</strong></div>
<div>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Leandro Modé &#8211; O Estado SP</span></h2>
<p id="ctrl_texto"><span id="tm04" style="color: #155e91;" onclick="sizeFonts(14),selectedFonts('tm04'); return false"><br />
</span></p>
<p><script type="text/javascript">// <![CDATA[
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<div style="text-align: center;"><img src="http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20091101/img/4.1.imagem_creditoeconomia.jpg" alt="" width="554" height="356" /></div>
<div style="text-align: center;"></div>
<p>Depois de um ano difícil, em decorrência da crise internacional, o crédito na economia brasileira tem tudo para &#8220;bombar&#8221; em 2010. A expectativa é tamanha que há quem diga que o desempenho nessa área pode fazer o País crescer mais do que os analistas esperam hoje.</p>
<p>Além do apetite dos bancos, que projetam, em média, expansão de 20% de suas carteiras, o potencial de empréstimos será engordado por operações realizadas recentemente no setor, sendo a principal delas a oferta pública de ações do Santander na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Juntando esses dois fatores, o crédito total pode ter reforço de até R$ 500 bilhões no ano que vem &#8211; para se ter uma ideia, em 2009, o estoque de empréstimos no País deve avançar R$ 180 bilhões.</p>
<p>Aproximadamente 60% dos R$ 500 bilhões decorrem do crescimento esperado para as carteiras. Como o crédito total do País deve encerrar 2009 na casa de R$ 1,4 trilhão, 20% de expansão significa cerca de R$ 280 bilhões adicionados ao sistema. As operações que elevaram o capital (e, portanto, a capacidade de crédito) de Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal resultarão em mais R$ 210 bilhões potenciais.</p>
<p>O pano de fundo para as expectativas positivas é formado, em primeiro lugar, pelas estimativas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), hoje na faixa de 5%. Esse nível garante taxa de desemprego em queda e renda em alta &#8211; vale lembrar que emprego e renda são os pilares de uma concessão de crédito segura. &#8220;Já percebemos, nos últimos meses, que a retomada do emprego leva as pessoas a querer comprar mais, o que, por sua vez, aumenta a demanda por crédito&#8221;, diz o presidente da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), Adalberto Savioli.</p>
<p>&#8220;O Brasil está diante de uma grande oportunidade de crescer com fundamentos sólidos. Realmente acreditamos nisso&#8221;, acrescenta o diretor de Controladoria do Itaú Unibanco, Silvio de Carvalho. Segundo ele, as operações de crédito na instituição avançarão de 20% a 25% no ano que vem. Além disso, o sistema financeiro brasileiro está capitalizado. Diferentemente dos seus pares nos EUA e na Europa, os bancos brasileiros passaram incólumes pela crise.</p>
<p>Nos cálculos do analista de instituições financeiras da Austin Rating, Luís Miguel Santacreu, se emprestassem tudo o que podem dentro das regras do Banco Central (BC), as instituições financeiras poderiam colocar na economia mais de R$ 1 trilhão de crédito &#8211; o que elevaria a relação crédito/PIB dos atuais 45,7% para cerca de 80%. Ele ressalta que é uma conta hipotética, pois nenhum banco teria interesse em conceder empréstimos até o limite de suas possibilidades.</p>
<p>O analista de bancos da Lopes Filho, João Augusto Frota Salles, lembra, ainda, que a queda da taxa básica de juros (Selic) para o menor nível da história &#8220;obriga&#8221; os bancos a emprestar mais, para manter os altos índices de rentabilidade.</p>
<p>Outro elemento que colabora para uma oferta de crédito expressiva em 2010 é o provável aumento dos investimentos, por sua vez explicado pela retomada da economia e pelo início da preparação do País para hospedar a Copa do Mundo de 2014. &#8220;A Copa vai aquecer os projetos de infraestrutura no Brasil&#8221;, diz o vice-presidente de crédito do Banco do Brasil, Ricardo Flores.</p>
<p>O aquecimento dos setores imobiliário e automotivo é mais um fator para o otimismo dos bancos. &#8220;Os propulsores do crédito serão o financiamento imobiliário, para o qual projetamos mais 30%, significativamente maior do que a média para pessoas físicas, e o financiamento de veículos, pois o Brasil é um dos grandes produtores mundiais&#8221;, diz o presidente do HSBC no Brasil, Conrado Engel.</p>
<p>Por fim, os bancos privados vão tentar recuperar o terreno perdido para os públicos. &#8220;A concorrência ficará mais acirrada, o que nos obrigará a ser mais ativos, incluindo a criação de produtos&#8221;, diz o vice-presidente de Finanças da Caixa Econômica Federal, Márcio Percival.</p>
<p>&#8220;Estamos atentos. Não queremos ficar fora do mercado&#8221;, diz o diretor do Departamento de Empréstimos e Financiamentos do Bradesco, Nilton Pelegrino, negando que durante a crise o banco tenha puxado o freio do crédito. &#8220;Não queríamos ter perdido participação. O que houve é que o tomador perdeu o apetite.&#8221;</p>
<p>Apesar do discurso politicamente correto, a disputa entre bancos públicos e privados em 2009 parece ter deixado sequelas. &#8220;Eu não tenho o Tesouro atrás de mim. Tenho de ser prudente, proteger o capital do acionista&#8221;, diz um banqueiro. Nessa briga, quem pode ganhar é o consumidor. &#8220;As taxas de juros já estão de volta aos níveis pré-crise. A tendência é continuarem caindo por causa da concorrência&#8221;, diz Engel.</p>
<p>Como em qualquer cenário econômico, o de crédito para 2010 também tem seus riscos. O principal é a possibilidade de o BC elevar a taxa Selic no primeiro semestre. Se isso realmente ocorrer, diz Frota Salles, &#8220;os bancos vão defender seus níveis de rentabilidade, repassando o custo maior ao consumidor&#8221;. &#8220;Isso pode inibir o crescimento acelerado do crédito.&#8221;</p>
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		<title>Para Lula, empresários decepcionaram na crise; leia íntegra da entrevista</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Oct 2009 11:02:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Alan Marques/Folha Imagem

O presidente Lula dá entrevista à Folha, no CCBB, em Brasília


da Folha de S.Paulo &#8211; Kennedy Alencar
 
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu entrevista para o repórter especial da Folha, Kennedy Alencar. Leia abaixo íntegra da entrevista:
FOLHA &#8211; É correto classificar de marolinha uma crise que gerou desemprego, redução de investimentos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><span style="font-size: x-small;"><em>Alan Marques/Folha Imagem<br />
<img src="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/images/n2210200901.jpg" border="0" alt="" /><br />
O presidente Lula dá entrevista à Folha, no CCBB, em Brasília</em></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: x-small;"><em><br />
</em></span></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">da </span><strong><span style="background-color: #ffff99;">Folha de S.Paulo &#8211; Kennedy Alencar</span></strong></h2>
<h2><strong> </strong></h2>
<p>O presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu entrevista para o repórter especial da <strong>Folha</strong>, <strong>Kennedy Alencar</strong>. Leia abaixo íntegra da entrevista:</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; É correto classificar de marolinha uma crise que gerou desemprego, redução de investimentos e derrubou o crescimento da economia de 5% ao ano para 1% em 2009 no cenário mais otimista?</strong><br />
<strong>LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA</strong> &#8211; Foi correto. Temos que separar a crise em dois momentos. Até setembro de 2008, discutíamos a crise do subprime quando ainda não havia o problema dos bancos. Até esse momento, o Brasil sentiria muito pouco a crise por várias razões. A economia estava sólida. Havíamos diversificado nossas exportações. Os bancos brasileiros tinham maior solidez e havia maior controle do Banco Central. Quando veio o Lehman Brothers [quebra do banco americano de investimentos em setembro de 2008], aconteceram duas coisas graves. O dinheiro desapareceu. Uma empresa como a Petrobras passou a pegar empréstimos na Caixa que seria destinado a pequenas empresas brasileiras.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; Ali não houve um tsunami?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; As coisas não aconteceram aqui como em outras partes do mundo porque nós tomamos medidas imediatas. Liberamos R$ 100 bilhões do depósito compulsório para irrigar o sistema financeiro. Fizemos com que o Banco do Brasil e a Caixa agilizassem mais a liberação de crédito. Fizemos o Banco do Brasil comprar carteiras de bancos menores que estavam prejudicados. Fizemos o Banco do Brasil comprar a Nossa Caixa em São Paulo e comprar 50% do Banco Votorantin. Era preciso que os bancos públicos entrassem em outras fatias do mercado, em que não tinham expertise, como financiar carro usado.</p>
<p>Nos debates com empresários, a minha inconformidade é que houve no mês de novembro e dezembro uma parada brusca desnecessária de alguns setores da economia.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; Em outubro de 2007, o sr. disse que tinha aprendido que era importante governar também para a burguesia, que possuía uma visão diferente de quando era dirigente sindical, pois tinha um lado claro. Como presidente, precisava governar para todos, pobres e ricos.</strong></p>
<p><strong>Disse também que a burguesia brasileira era a &#8220;burguesia que sempre foi, a burguesia que está sempre querendo mais&#8221;. Falou ainda: &#8220;Da minha parte, não existe preconceito. Tenho consciência de que estão ganhando dinheiro no meu governo como nunca&#8221;.</strong></p>
<p><strong>FOLHA &#8211; Durante a crise econômica internacional, o que o sr. achou do papel do empresariado brasileiro?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; Alguns setores empresariais resolveram colocar o pé no breque de forma muita rápida, a começar do setor automobilístico, que seguia a orientação das matrizes, que estavam em situação muito delicada. Tinha um estoque razoável. Estavam numa situação privilegiada de produção e venda de carros. De repente, a indústria automobilística parou. Quando ela para, para uma cadeia produtiva que representa 24% do PIB industrial brasileiro. E outros setores que já tinham empréstimos assegurados com o BNDES pararam porque ninguém sabia o que ia acontecer.</p>
<p>Aí, fizemos desonerações, liberação de financiamentos, o Meirelles colocou dinheiro das reservas para facilitar nossas exportações. Depois, descobrimos outra coisa grave, os derivativos, feitos por empresas que não pareciam que faziam derivativos. Foi outro problema. Tivemos de conversar com empresa por empresa. Discutir como financiar, como evitar que algumas quebrassem, e colocamos o BNDES em ação.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; No auge da crise, os bancos privados secaram o crédito. A Vale e a Embraer demitiram de imediato. Foi um comportamento à altura do país naquele momento?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; Não foi. Foi precipitação do setor empresarial, que deveria ter tido tido a tranquilidade que o governo teve. Deveriam ter ouvido o pronunciamento de 22 de dezembro em que fui à TV contraditar a tese de que as pessoas não iam comprar com medo de perder o emprego. Fui dizer que iam perder emprego exatamente se não comprassem.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; O sr. comprou algo?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; Lógico. Comprei geladeira nova.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; E a sua opinião hoje sobre a burguesia, pós-crise?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; Não utilizo mais a palavra burguesia.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; Sobre o grande capital nacional?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; Tem setores diferenciados. Não pode colocar todo mundo no mesmo barco. Tem o setor automobilístico que é dinâmico, mas depende de orientação da matriz. Como a matriz, estava numa situação muito delicada, a orientação recebida aqui era para colocar o pé no breque. Tinha o setor siderúrgico, com 60% da produção para exportação, que, de repente, minguou. A Vale exportava quase tudo o que produz de minério. Na hora em que caiu a demanda da China, houve um breque. O que me deixou decepcionado é que as pessoas deveriam ter tido a paciência para ver o tamanho do buraco. Quando dizíamos que o Brasil seria o último a entrar na crise e o primeiro a sair, nós estávamos convencidos do potencial do Brasil e do mercado interno. Há anos venho dizendo: o problema do Brasil não é o custo final do carro, o problema é saber se a mensalidade que o trabalhador vai pagar cabe no seu holerite.</p>
<p>Hoje é um fato consagrado no mundo inteiro: o Brasil hoje é o país mais bem preparado e o que melhor enfrentou a crise.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; O sr. vai prorrogar a isenção de IPI para a linha branca? Total ou parcialmente?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; Essas coisas a gente não diz sim ou não com antecedência. Se eu disser agora que vai ser prorrogado, as pessoas que iam comprar agora deixam de comprar.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; O sr. tem simpatia pela prorrogação?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; Tanto que tenho simpatia que fiz a desoneração.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; Com o dólar no patamar de R$ 1,70 e juros ainda altos na comparação com outros países, o sr. não teme viver uma crise cambial em 2010 ou deixar uma bomba-relógio para o sucessor?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; Nunca trabalhei com juros altos tendo como parâmetro outros países.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; Mas os juros no Brasil são altos, e o sr. reclama.</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; Sei. Mas trabalho na comparação com o que era. Em vez de ficar achando que a calça do outro é apertada, eu vejo a minha de manhã. O Brasil tem a menor taxa de juros de muitas décadas.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; A taxa básica não poderia estar menor?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; Poderia. Mas, descontada a inflação, temos 4%, 4,5% de juro real. Há muitas décadas o Brasil não tinha esse prazer. O problema hoje é o spread bancário, que ainda está alto, e o governo tem trabalhado para reduzir.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), tem uma crítica&#8230;</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; Deixa eu falar do câmbio. Depois respondo à crítica do Serra, que é menos importante para mim, para você e para o povo brasileiro. O câmbio sempre foi uma preocupação nossa. Se um dia você for presidente da República e sentar naquela cadeira, vai entrar na sua sala uma turma reclamando que o dólar está baixo, porque ele é exportador e está perdendo. Quando sai, entra a turma dos compradores, importadores, que acham que o dólar está maravilhoso, que é preciso manter assim. Aí entra o ministro da Fazenda, o presidente do Banco Central e dizem que é maravilhoso o dólar baixo porque controla a inflação.</p>
<p>Agora, antes que aconteça, uma superentrada de dólares no Brasil, reduzindo muito o valor do dólar em relação ao real, criando problema na balança comercial, e com algumas empresas exportadores tendo problema, nós demos um sinal com o IOF [Imposto sobre Operações Financeiros, que passou a ser cobrado no ingresso de capitais]. Demos um sinal para ver se a gente equilibra.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; Especialistas dizem que o IOF será inócuo?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; Se for inócuo, mudamos. Há uma disputa. O setor produtivo totalmente favorável, e o financeiro totalmente contrário. Isso é importante, porque significa que o governo está no caminho do meio, e aí é mais fácil a gente acertar.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; A crítica básica do Serra é a seguinte: o Banco Central jogou fora na crise um bilhete premiado, que seria a oportunidade de baixar mais os juros sem custo. Agora, a crise acabou, a taxa está alta, pode ter que aumentar e jogou fora o bilhete premiado?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; Vivi os dois lados. Quando se é oposição, você acha, pensa, acredita. Quando é governo, faz ou não faz. Toma decisão. O Serra participou de um governo oito anos. Tiveram condições de tomar decisões e não tomaram. Obviamente, qualquer um que for presidente, tem o direito de tomar a posição que bem entender. É como jogador bater pênalti. Brincando todo mundo marca gol. Na hora do pega para capar, até pessoas como o Zico e o Sócrates perderam pênalti.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; Uma crítica de especialistas e da oposição é o aumento dos gastos públicos no segundo mandato. Além da elevação temporária de gastos na crise, há despesas permanentes que pressionarão o caixa no futuro e tornarão mais difícil baixar os juros. O sr. estaria deixando uma herança maldita.</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; As contas do governo nunca estiveram tão boas na história deste país. A política anticíclica na crise fez com que o governo deixasse de arrecadar uma enormidade de dinheiro. Mas é o preço que a gente tem de pagar. Compare o que colocamos de dinheiro na crise, com desoneração, com o que os países ricos tiveram de colocar. Foram trilhões de dólares colocados para ajudar o sistema financeiro, coisa que não precisamos fazer.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; Saiu barato?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; Eu acho. Em setembro, recuperamos os empregos que perdemos na crise e muito mais. Vamos chegar a um milhão de empregos no final do ano. Veja o mundo desenvolvido.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; Qual é a sua previsão de crescimento do PIB para este ano?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; Positivo, entre 1% e 1% e pouco. Se não houvesse a brecada brusca entre dezembro e janeiro, poderíamos ter crescido 2,5%, 3% com certa tranquilidade. O importante é o sinal para 2010.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; Aquela brecada do empresariado sacrificou crescimento econômico?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; O empresário brasileiro foi vítima de uma circunstância. O pânico criado no mundo fez com que todo mundo acordasse de manhã achando que ia acabar o mundo. O pânico precipitou decisões de recuo de setores empresariais. Eu chamei empresários, disse que tínhamos de aproveitar a crise, que tínhamos dinheiro no BNDES, que as empresas com dinheiro em caixa tinham de fazer investimento agora porque, quando a crise acabasse, estaríamos preparados para ocupar outro patamar no mundo. O momento não é de medo, é de investir. Eu jamais demoraria o tanto que foi demorado nos Estados Unidos para salvar a GM.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; Aécio Neves ataca o inchaço da máquina e diz que o sr. faz um governo para a companheirada. Como o sr. responde?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; Tem duas concepções de ver o Brasil. Tem pessoas que governam o Brasil para o imaginário de uma pequena casta. E tem pessoas que governam pensando em envolver 190 milhões de brasileiros. Quebramos o preconceito de primeiro tem que enxugar a máquina, fazer o país crescer e, então, dividir. Vivi isso durante quatro décadas. Quando resolvemos fazer política social, dissemos que era possível crescer concomitantemente e criamos uma nova casta de consumidores que está ajudando a indústria e o comércio.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; O sr. recuou no envio de um projeto para cobrar IR de poupança acima de R$ 50 mil e mandou normalizar a devolução da restituição do IR. A lógica eleitoral, com temor de desgaste, autoriza a conclusão de que o sr. não pretende tomar medidas impopulares até o final do governo?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; (Risos). Não faça injustiça, querido. Não adiamos o envio do projeto de lei. Decidimos o que íamos fazer em março, por unanimidade. A oposição que imaginava pegar a poupança como cavalo de batalha, ficou sem discurso. Em vez de a Fazenda mandar em março, como era algo que só valeria para 2010, esperou para mandar agora.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; Vai enviar ao Congresso?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; Vai mandar. Obviamente, poderemos discutir outras bases. Vai mandar, vai mandar.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; E sua ordem para normalizar o pagamento da restituição do IR?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; Não havia nada de anormal. No Brasil, já tivemos momentos em que a devolução atrasou. No nosso governo, tivemos momentos em que adiantou.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; O ministro da Fazenda disse que estava atrasado, e o sr. deu a ordem para acelerar.</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; Lógico, porque tem que pagar. Nós precisamos de consumo. Precisamos que o povo tenha dinheiro para comprar. Falei com o Guido [Mantega]: Guido, nós precisamos que o povo tenha dinheiro para comprar. O povo tem de ter o dinheiro em dezembro.</p>
<p>*</p>
<p><strong>&#8220;No Brasil, Jesus teria de fazer aliança com Judas&#8221;</strong></p>
<p><strong>FOLHA &#8211; Por que o sr. escolheu Dilma como candidata, uma cristã nova no PT e pessoa que nunca disputou eleição, sem fazer uma discussão no partido e levar em conta os nomes de governadores, como Jaques Wagner (BA) e Marcelo Déda (SE), e de ministros, como Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) e Tarso Genro (Justiça)?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; Não estava em discussão quem era PT mais puro sangue, menos puro sangue. Era uma questão de viabilidade política. Dilma é a mais competente gerente que o Estado brasileiro já teve. A capacidade de trabalho da Dilma, a competência, o passado político e o presente, me faz garantir que a Dilma é uma excepcional candidata a presidente da República.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; O sr. nunca havia sido gestor, era político, virou presidente e faz um governo bem avaliado. Seu argumento não é muito tucano, essa coisa de gerente.</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; Não é tucano, não. Além de extraordinária gestora, a Dilma é um extraordinário quadro político. Tem firmeza ideológica, tem compromisso, tem lealdade, sabe de que lado está.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; O sr. a acha preparada para presidir o Brasil?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; Muito preparada.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; Já há faixas na rua dizendo que Dilma eleita equivale ao terceiro mandato de Lula.</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; É exatamente o contrário. Uma mulher que tem a personalidade que a Dilma tem. Conheço bem a personalidade dela. Isso vai exigir que eu tenha o bom senso de quando elegi o Jair Meneguelli presidente do sindicato de São Bernardo, o José Dirceu presidente do PT. Rei morto, rei posto. A Dilma no governo tem de criar a cara dela, o estilo dela, o jeito dela de governar.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; Falando do estilo, ela é retrata por pessoas do governo como muito dura no trato pessoal, que falta habilidade política, que massacra algumas pessoas. Isso não é ruim para um presidente?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; O Brasil já teve muitos governantes maleáveis, e não deram certo? Você tem de ser bom, afável, duro, em função de cada circunstância. Uma mulher por si já tem a necessidade de ser mais retraída, pelo preconceito que existe contra a mulher. A Dilma vai surpreender esse país. Quem pensa que a Dilma é uma mulher grosseira, é uma mulher dura, está errado. Na sua casa, se você for com uma gracinha para o lado de sua mulher, ela vai lhe dar um tranco. Se a conversa for séria, não vai dar. E a Dilma tem toda a clareza disso.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; Dilma precisará refazer sua imagem, tomar um banho de loja, semelhante ao que o sr. fez em 2002?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; (Risos) Por esse aspecto, não precisa. Não mudei minha cara. Comprei apenas um terno novo para 2002. Não é possível mudar a cara. A pessoa pode aprimorar. Em 2002, fizemos uma pesquisa em que 85% diziam que a reforma agrária tinha de ser pacífica. Levei mais de 15 dias para que minha boca pudesse proferir reforma agrária tranquila e pacífica. Essas mudanças têm de ter. Algumas que a gente fala, pensando que está agradando, não batem com o que povo pensa.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; O sr. defende uma coalizão e uma disputa plebiscitária. Se a coalizão é tão importante, por que faz tanta questão que o candidato seja do PT e não de um partido aliado?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; Porque seria inexplicável para grande parte da sociedade brasileira o maior partido de de esquerda do país, que tem o presidente da República atual, não ter um sucessor. Apenas por isso.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; Fechou ontem a aliança ontem com o PMDB?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; Patrocinei uma reunião de líderes do PT com o PMDB, que fizeram uma nota. Haverá um acordo nacional, e a chapa será PT-PMDB.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; Michel Temer é o nome para vice?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; Não posso dar palpite. Quem discute vice é o candidato a presidente.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; O sr. ainda tem o desejo de que Ciro seja vice de Dilma e que o PMDB apoie?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; Um presidente não tem desejo. Faz o que é possível.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; É possível?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; Na política, tudo pode acontecer. O Ciro tem todas as condições de ser candidato a presidente. Sou um homem feliz. Feliz desse país, que tem o Ciro, a Dilma, o Serra, o Aécio, a Marina, a Heloísa Helena. Nesse espectro, não tem ninguém de extrema-direita ou conservador ao extremo. Todos tem história. Não acho que é mérito meu, não. Fernando Henrique Cardoso tem importância nisso, pelo fato de ter feito comigo uma transição excepcional.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; Se Ciro se mantiver emparelhado ou à frente de Dilma em março, quando o sr. e ele combinaram de tomar uma decisão final, que argumento o sr. pode usar para convencê-lo a desistir da Presidência e concorrer em São Paulo?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; Não vou tentar convencê-lo.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; O sr. patrocina a articulação para ele ser candidato a governador de São Paulo.</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; Não é verdade. Não patrocino. O Ciro pertence a um partido pelo qual tenho profundo respeito. O PSB tem os mesmos direitos do PT. Sou o único cidadão que não tem autoridade moral para pedir para alguém não ser candidato. Fui candidato a vida inteira. Só cheguei à Presidência porque teimei. Muita gente achava que eu tinha de desistir. Jamais farei isso [pedir para Ciro desistir].</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; Como o sr. explica ter um governo popular e a oposição liderar nas pesquisas sobre sucessão?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; Ainda não temos candidatos</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; Os motivos? Recall?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; Lógico que é recall. O fato de ter um candidato da oposição que é governador de São Paulo, já foi candidato a presidente, que já foi senador, que já foi ministro, tem uma cara muito conhecida no Brasil inteiro.</p>
<p>Obviamente, a transferência de voto não é como passe de mágica. Vamos trabalhar para que a gente possa transferir todo o prestígio angariado pelo governo e pelo presidente para a nossa candidatura.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; O sr. diz que ainda não há candidatos. Mas todo dia a Dilma aparece com o sr. no noticiário, viajando. O presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, classificou de vale-tudo as viagens que viram comícios.</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; Você passa o tempo inteiro plantando a sua rocinha. É justo que, quando ela ficar no ponto de colher, você vá colher. Foi grande o sacrifício que fizemos para o Brasil voltar a investir em infraestrutura. A gente não tinha dinheiro. Se olhássemos o saldo de caixa do governo para fazer o PAC, a gente não teria feito. Foi uma decisão de faríamos e arrumaríamos dinheiro onde fosse necessário.</p>
<p>A Dilma trabalha das oito, nove da manhã às três da manhã. Quando era ministra das Minas e Energia, ela ficava, às vezes, três e meia da manhã, ficava comendo lanche com os assessores para fazer as coisas andar. Ninguém pode ser contra a Dilma ir às obras comigo. Até porque, se ela for candidata, a lei determina quem tem prazo em que ela não poderá mais ir. Até chegar lá, ela é governo. É um debate pequeno.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; Mendes disse que o governo testa o limite da Justiça Eleitoral.</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; É um debate pequeno. Cada brasileiro, seja ele presidente da suprema corte ou o mais humilde, tem o direito de falar o que bem entender, mas tem uma lógica. Nós vamos continuar inaugurando obra. Tudo que a oposição quer é mostrar na TV tudo o que eu não fizer. O que eu fizer eu tenho obrigação de inaugurar, porque sei qual foi o sacrifício para chegar aonde chegamos.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; O sr. teme uma chapa Serra-Aécio?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; Não [com voz firme].</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; O sr. pediu a Aécio para não ser vice de Serra?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; [Riso] Não, não.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; O sr. não subestimou Marina, que deixou o PT para, segundo ela, construir uma nova utopia no PV?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; Se ela acredita nisso, não sou que vou desmentir. Nunca subestimei a Marina, porque a adoro como pessoa humana. Tenho carinho por ela. Fomos militantes juntos por 30 anos. Ela me pediu demissão em janeiro do ano passado, eu não dei. Na medida em que quis sair do governo e do partido, é um direito dela. Só tenho que desejar sorte, que Deus ajude. É uma pessoa boa.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; Por que o sr. não abandonou Sarney na crise do Senado?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; Por uma razão muito simples. O PT teve candidato a presidente do Senado, derrotado [Tião Viana, do Acre]. Não entendi porque os mesmos que elegeram Sarney, um mês depois, queriam derrubá-lo. Coincidentemente, o vice não era uma pessoa [Marconi Perillo, do PSDB de Goiás] que a gente possa dizer que dá mais garantia ao Estado brasileiro do que o Sarney. A manutenção do Sarney era questão de segurança institucional. O Senado está calmo. Está funcionando. Qualquer cidadão pode perder a cabeça, um presidente da República não pode perder a cabeça.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; Se Sarney caísse, acabaria sua sustentação política no Senado?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; A queda do Sarney era o único espaço de poder que a oposição tinha. Aí, ao invés de governabilidade, iam querer fazer um inferno neste país. Foi correta a decisão de manter o Sarney no Senado.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; Falando do seu papel como presidente da República, o sr. chegou a dizer que Sarney não poderia ser tratado como um cidadão comum. Não é incorreto numa democracia, onde ninguém está acima da lei? Um presidente falar isso não transmite mensagem ruim?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; É verdade que ninguém está acima da lei, mas é importante que a gente não permita a execração das pessoas por conveniências eminentemente políticas. Sarney foi presidente. Os ex-presidentes precisam ser respeitados, porque foram instituições brasileiras. Não pode banalizar a figura de um ex-presidente. O que vem depois da negação da política é pior do que a gente tinha. O mundo está cheio de exemplos.</p>
<p>A negação do socialismo, feita pela Gorbatchov, deu quem? O que tomava vodca lá, o [Bóris] Iéltsin. A relação com a política tem de ser mais séria. Não adianta falar mal do Congresso Nacional, porque ele é a cara do que foi votado pelo povo. O importante é que a democracia garante que a cada 4 anos haja troca.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; O sr. apoiou Sarney, reatou relações com Collor, é amigo do Renan Calheiros, do Jader Barbalho e recebeu o Delúbio Soares recentemente na Granja do Torto. Todos eles são acusados de práticas atrasadas na política e até de corrupção. Ao se aproximar dessas figuras, o presidente não transmite ideia de tolerância com desvios éticos?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; O dia que você for acusado, justa ou injustamente, enquanto não for julgado, terá de ser tratado como cidadão normal. Não tenho relações de amizade, mas relações institucionais. As pessoas ganharam eleições e exercem seus mandatos.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; O cidadão que admira o Lula e o vê abraçado com essas figuras&#8230;</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; O cidadão que admira o Lula tem de saber que essas pessoas foram eleitas democraticamente. E o eleitor dessas pessoas é tão bom quanto ele.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; O sr. trabalhou tanto pela reabilitação política de Palocci. O episódio do caseiro não é insuperável do ponto de vista eleitoral para um candidato majoritário?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; Estranho a malandragem da pergunta: &#8220;O sr. trabalhou pelo Palocci&#8221;. Deixa eu lhe falar uma coisa, desejo que todos os que foram acusados, e acho que tem muita gente acusada injustamente, que todos sejam julgados. Palocci teve um veredicto. Não tem mais nenhuma pendência com a Justiça. Portanto, o Palocci pode ser o que ele quiser ser.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; E [pendência] perante o eleitorado?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; Aí terá de ser construído.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; Ele pode ser candidato a governador de São Paulo?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; Ele tem inteligência suficiente para saber se o momento é de ter uma candidatura ou não.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; Qual é sua opinião?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; Não tenho opinião. Se fizer a pergunta em março, terei opinião. Palocci pode reconstruir a vida dele. Durante os primeiros anos do meu governo, ele era considerado a pessoa mais respeitada no mundo empresarial, no mundo financeiro. Ele está quase perto de ser um gênio político e vai saber tomar a decisão.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; Seu aliado Ciro Gomes diz que há &#8220;frouxidão moral&#8221; na hegemonia da aliança PT-PMDB, da qual o sr é o principal avalista. Sobre o encontro com o PMDB, disse: &#8220;Espero que o PMDB entregue o que prometeu. E espero que os argumentos dessa aliança sejam confessáveis publicamente&#8221;. Como o sr. responde a essas críticas?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; A aliança com o PMDB e os demais partidos permitiram uma governança muito tranquila. Tive a governança mais tranquila que FHC e Sarney. Se for confirmada a aliança com o PMDB, será feito um documento público explícito para saber qual são os compromissos assumidos. Pra mim, as coisas têm de ser explícitas.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; E a frouxidão moral?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; É um conceito do Ciro.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; Não quer responder.</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; Estou respondendo. É uma opinião do Ciro.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; Não o incomoda?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; Não. O Ciro esteve no meu governo. A única que não tem aqui é frouxidão moral.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; Ciro disse que o sr. e FHC foram tolerantes com o patrimonialismo para fazer aliança no Congresso. Ou seja, aceitaram a prática política de usar os bens públicos como privados. &#8220;No governo Lula, vi um pouco de novo a mesma coisa&#8221;, ele disse em entrevista em fevereiro de 2008. Como responde a essa crítica?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; Qualquer um que ganhar as eleições, pode ser o maior xiita deste país ou o maior direitista, ele não conseguirá montar o governo fora da realidade política. Entre o que se quer e o que se pode fazer, tem uma diferença do tamanho do oceano Atlântico. E o eleitor escolheu seus representantes. Quem ganhar a Presidência amanhã, terá de fazer quase a mesma composição, porque este é o espectro político brasileiro. Não é o espectro do Ciro, do Lula, do FHC, do Serra, da Dilma. Coloque tudo isso na frigideira e perceberá que são os ovos que a galinha botou. São com eles que terá de fazer o omelete.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; Nunca se sentiu incomodado por ter feito alguma concessão?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; Nunca me senti incomodado. Nunca fiz concessão política. Faço acordo. Uma forma de evitar a montagem do governo é ficar dizendo que vai encher de petista. O que a oposição quer dizer com isso. Era para deixar quem estava. O PSDB e o PFL (hoje DEM) queriam deixar nos cargos quem já estava lá. Quem vier para cá não montará governo fora da realidade política. Se Jesus Cristo viesse para cá, e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; É isso que explica o sr. ter reatado com Collor, apesar do jogo baixo na campanha de 1989?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; Minha relação com o Collor é a de um presidente da República com um senador de um partido que faz parte da base da base. Os senadores do PTB têm votado sistematicamente com o governo.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; Do ponto de vista pessoal, não o incomoda? Não lhe dá aperto no peito?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; Não tenho razão para carregar mágoa ou ressentimento. Quando o cidadão tem mágoa, só ele sofre. A pessoa que é a razão de ele ter mágoa vive muito bem, e só ele sofre. Quando se chega à Presidência da República, a responsabilidade nas suas costas é de tal envergadura que você não tem o direito de ser pequeno. Tem de ter as atitudes de chefe de Estado. Fico sempre olhando quando a Alemanha e a França resolveram criar a União Européia. A grandeza daqueles dirigentes políticos, ainda com o gosto de sangue da Segunda Guerra Mundial.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; O sr. cobrou um esclarecimento da ex-secretária da Receita, Lina Vieira. Ela achou a agenda e a data, 9 de outubro, em que teria se encontrado com Dilma e ouvido o pedido para acelerar as investigações da Receita sobre Sarney. A ministra e o governo não devem esclarecimentos que o sr. mesmo cobrou?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; É fantástico. O engraçado é que quando se levanta uma tese, essa tese fica sendo martelada todo santo dia para ver se ela vinga. Ora, o governo mesmo disse que a Lina tinha vindo aqui em outubro. Isso foi nós que dissemos. Acho estranho tirar tantos dias de férias para depois encontrar sua agenda.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; Não é preciso mais explicações da Dilma?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; Não tenho dúvida nenhuma. Também não tenho dúvida de que a Lina também deve ser uma grande funcionária pública. Muitas vezes as pessoas são vítimas de uma palavra a mais ou a menos. Quando as pessoas viram vítimas de utilização política, quando fulano procura alguém, e ninguém fala diretamente, sempre alguém fala por eles, aprendi a não levar muito a sério.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; O sr. acha que Lina está sendo usada?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; A dona Lina é dona da sua consciência. A dona Dilma é dona da sua consciência.<br />
p(star). *</p>
<p><strong>&#8220;Papel da imprensa não é fiscalizar, é informar&#8221;</strong></p>
<p><strong>LULA</strong> &#8211; Não faz mal porque aprendi, ao longo da minha vida, cair e levantar, cair e levantar. A pesquisa de opinião pública é como medir a pressão.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; Quando o Rio foi escolhido para sediar as Olimpíadas de 2016, o sr. disse que simbolizava a entrada do Brasil no primeiro mundo político e econômico. O episódio de derruba de um helicóptero no último sábado não mostra que aquele Rio vendido lá é fantasia e que seu discurso é irrealista?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; Pelo contrário. Disse que o Brasil tinha conquistado sua cidadania internacional. E reafirmo. Foi um momento glorioso ter a maior votação que um país já teve na história das Olimpíadas. Não foram escondidos os problemas sociais do Rio.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; O secretário da Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, diz que &#8220;o Rio precisa que o governo federal assuma a responsabilidade legal pelo combate à droga&#8221;. Empurrou a responsabilidade para o governo federal.</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; O governador [Sérgio Cabral] contraditou o secretário. O secretário é uma figura da Polícia Federal muito respeitada, muito amigo do diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa. Em momentos de medo, de insegurança, as pessoas falam qualquer coisa. Converse com o governador para ver a parceria na área de segurança que estamos construindo.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; O sr. assistiu ao filme &#8220;Lula, o filho do Brasil&#8221;?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; Não. Estou sendo convidado. Quinhentas ofertas. Quero sentar com a minha família e ver o filme.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; Com financiamento de grandes empresários e ajuda das centrais sindicais na distribuição, não é um instrumento de propaganda personalista?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; Se isso prevalecer, não sei o que fazer. Vou entrar numa redoma de vidro, mandar cobrir e não apareço mais em lugar nenhum. Tem um livro sobre a minha vida que é pública. O cidadão resolve fazer um filme. A única condição que impus foi não ter dinheiro público, e eu não quero que fale do governo. Do governo, só quando acabar.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; O sr. não teme a repercussão negativa entre os judeus do encontro com o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; Muito pelo contrário. Não estou preocupado com judeus nem com árabes. Estou preocupado com a relação do estado brasileiro com o estado iraniano. Temos uma relação comercial, queremos ter uma relação política, e eu disse ao presidente Barack Obama (EUA), ao presidente Nicolas Sarkozy (França) e à primeira-ministra Angela Merkel (Alemanha) que a gente a não vai trazer o Irã para boas causas se a gente ficar encurralando ele na parede. É preciso criar espaços para conversar.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; Ações recentes da política externa na América Latina foram de contraponto a Washington. O Brasil tem de ser um contrapeso à força dos EUA na região?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; Não quero ser um contraponto a Washington. Quando propus a criação do Conselho de Defesa e de combate ao narcotráfico, tinha duas coisas na cabeça. Nós precisamos nos transformar numa zona de paz. E, enquanto América do Sul, a gente assuma a responsabilidade de combater o narcotráfico. Porque aí vai permitir que os países consumidores cuidem dos seus consumidores.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; Zelaya completou completou um mês na embaixada brasileira fazendo política interna. Não foi longe demais?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; Só tem um exagero em Honduras. É o golpista.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; O sr. diz que a imprensa internacional elogia o Brasil e a nacional puxa o Brasil para baixo. Nos EUA, o Obama apanha da imprensa, e é elogiado na imprensa internacional. Isso não acontece porque a imprensa nacional conhece o país melhor?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; [Risos] Quisera Deus que fosse verdade. Estou convencido de que a imprensa nacional conhece melhor o país, até porque tem obrigação de conhecer. Mas, às vezes, vejo um comportamento de um setor da imprensa muito ideologizado. Sou amante da democracia e da liberdade de imprensa. A maior alegria que tenho é que os leitores, ouvintes e telespectadores são os únicos censuradores que admito nos meios de comunicação. Portanto, cada um paga pelo que faz.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; Um dos papéis da imprensa é fiscalizar o poder. O sr. não está incomodado com a imprensa cumprindo o seu papel?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; Não incomoda.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; O sr. disse que tem azia quando lê jornais.</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; Como presidente, nunca fico incomodado. Não acho que o papel da imprensa é fiscalizar. O papel é informar.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; A imprensa não tem de ser fiscal do poder?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; Para ser fiscal, tem o Tribunal de Contas da União, a Corregedoria-Geral da República, tem um monte de coisas. A imprensa tem de ser o grande órgão informador da opinião pública. Essa informação pode ser de elogios ao governo, de denúncias sobre o governo, de outros assuntos. A única que peço a Deus é que a imprensa informe da maneira mais isenta possível, e as posições políticas sejam colocadas nos editoriais.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; O sr. acha legítimo o governo interferir na gestão de uma empresa privada como o sr. faz em relação à Vale?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; Não interferi na Vale.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; Houve interferência pública.</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; É preciso parar com essa mania de entender que só o presidente da República tem responsabilidade com o Brasil. Os 190 milhões têm. E, mais ainda, os empresários têm. E aqueles que receberam benefício do governo têm mais ainda. O que eu disse ao companheiro Roger foi pedir para a Vale colocar todo o seu poder de investimento em investimentos internos. Não apenas na exploração de minério, mas também na transformação desses minérios em aço.</p>
<p>Os trabalhadores da Vale sabem do carinho que tenho por ela. Tenho feito esforço em vários países do mundo, ajudando a cavar espaço para que a Vale seja empresa multinacional. Agora, não pode acontecer, quando deu um sinal de crise, mandar tanta gente embora como mandou. O Roger já sabe que houve equívoco nisso.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; Na fusão da Oi com a Brasil Telecom, o sr. mudou a regra para favorecer um negócio em andamento de um empresário que é seu amigo e contribui para suas campanhas, Sérgio Andrade. Foi um benefício do Estado a um grupo privado. Isso não ultrapassa o limite ético?</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; Vocês são engraçadíssimos. Temos uma agência reguladora.</p>
<p><strong>FOLHA &#8211; Mas o sr. assinou um decreto mudando a regra.</strong><br />
<strong>LULA</strong> &#8211; A legislação brasileira permite que a agência faça a regulação que melhor atenda ao mercado brasileiro. Estou convencido de que foi correta a decisão do governo.</p>
<p>*</p>
<p><strong>Lula elogia Dunga e diz quem tem vaga garantida na seleção</strong></p>
<p>O presidente Lula diz ser &#8220;excepcional&#8221; o saldo de Dunga na seleção brasileira. Acha que o Corinthians não tem mais chance de ganhar o Campeonato Brasileiro. O título, crê, está em disputa entre Palmeiras, São Paulo, Atlético Mineiro e Flamengo, que vem &#8220;despontando&#8221;.</p>
<p>Fala que Robinho &#8220;faz motocicleta&#8221; em campo. &#8220;Nem bicicleta é.&#8221; Conta que aconselhou Ronaldo a se preparar para ser convocado. Recusou-se a escalar seus onze titulares, mas opinou sobre quem teria vaga garantida para a Copa de 2010 na África do Sul.</p>
<p>&#8220;Dunga ganhou o que a gente não imaginava que ele ia ganhar&#8221;. Diz que o técnico foi &#8220;demonizado&#8221; como jogador em 1990, com &#8220;o fracasso da seleção&#8221; na Alemanha. Mas saiu como &#8220;herói&#8221; na Copa de 1994, nos Estados Unidos. &#8220;É casca de ferida.&#8221;</p>
<p>Falou que, se a seleção jogar a Copa de 2010 com &#8220;o espírito&#8221; da Copa das Confederações, &#8220;já está bom&#8221;. &#8220;Ganhar a Copa ou não, é consequência. Para o torcedor, o que é a gente quer, além de ganhar, é muita raça&#8221;, disse.</p>
<p>Para ele, Luís Fabiano &#8220;está excepcional&#8221; e será titular. Os outros titulares seriam Júlio Cesar, Maicon, Lúcio, Júan, Felipe Melo, Gilberto Silva e Kaká.</p>
<p>Apesar da irregularidade, Lula levaria Robinho para a África do Sul: &#8220;Às vezes, o cara é convocado porque o técnico tem afinidade com as pessoas que cumprem as tarefas do técnico. E o Robinho é aquele moleque de explosão. Tem dia que a gente fica nervoso porque ele não faz nada. Tem dia que a gente vê ele fazer lá uma motocicleta, nem bicicleta é, e marcar um gol espetacular&#8221;.</p>
<p>O presidente colocaria no grupo André Santos, Daniel Alves e Nilmar. &#8220;Se fosse técnico, levaria o Nilmar. Tenho de convocar 22 e só vou colocar 11 em campo. O Nilmar é um moleque de uma explosão extraordinária. Muito esperto, muito ligeiro&#8221;, opina.</p>
<p>Conta que disse a Ronaldo para se preparar fisicamente para &#8220;ser convocado&#8221; e ser reserva de Luís Fabiano. &#8220;O Ronaldão é sempre o Ronaldão&#8221;. Sobre Gilberto Silva, diz; &#8220;Sinto que é uma das figuras de confiança do Dunga&#8221;.</p>
<p>*</p>
<p><strong>PINGA FOGO</strong></p>
<p><strong>Vale, a maior empresa privada do país</strong><br />
A cara do Brasil lá fora.</p>
<p><strong>Roger Agnelli, presidente da Vale</strong><br />
Grande executivo.</p>
<p><strong>Eike Batista, o homem mais rico do Brasil</strong><br />
Grande executivo.</p>
<p><strong>Dona Lindu, mãe</strong><br />
Junto com a Marisa são as duas melhores mulheres do mundo.</p>
<p><strong>Sr. Aristides, pai</strong><br />
Tenho boa lembrança do meu pai. Quando era pequeno, tinha muita bronca, porque ele era muito severo. Depois que fiquei politizado, tenho compreensão do motivo de meu pai ser rude.</p>
<p><strong>Frei Chico, irmão</strong><br />
Figura excepcional</p>
<p><strong>Lurdes, primeira mulher, que já morreu</strong><br />
Extraordinária</p>
<p><strong>Marisa Letícia, primeira-dama</strong><br />
Uma das responsáveis pelo que eu sou</p>
<p><strong>José Alencar, vice-presidente</strong><br />
O melhor vice do mundo</p>
<p><strong>José Sarney, presidente do Senado</strong><br />
Grande republicano</p>
<p><strong>Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã</strong><br />
Não conheço bem</p>
<p><strong>Barack Obama, presidente dos EUA</strong><br />
Grande esperança. Um bem para os EUA e para o mundo</p>
<p><strong>Michele Obama, primeira-dama dos EUA</strong><br />
Muito simpática</p>
<p><strong>Nicolas Sarkozy, presidente da França</strong><br />
Surpreendentemente extraordinário.</p>
<p><strong>Carla Bruni, primeira-dama da França</strong><br />
Sei que é muito bonita</p>
<p><strong>Cristina Kirchnerr, presidente da Argentina</strong><br />
Grande presidente. Vai terminar fazendo grande governo</p>
<p><strong>Michelle Bachelet, presidente do Chile</strong><br />
Muito competente</p>
<p><strong>Angela Merkel, primeira-ministra</strong><br />
Figura séria. A Alemanha está em boas mãos</p>
<p><strong>Lula</strong><br />
Sempre procuro me comportar com a maior humildade possível. Gosto de falar com o povo. Odeio intermediário com o povo. Esse negócio de gente falar por mim, eu não gosto. Por isso, falo muito.</p>
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