16/06/2009 - 08:50h Patrus e Pimentel rejeitam chapa em MG sem o PT na cabeça

2010: Adversários internos no PT, ambos refutam negociação com Hélio Costa, do PMDB

Alex de Jesus/O Tempo/Folha Imagem – 28/6/2008

Pimentel e Patrus: os dois pré-candidatos petistas defendem candidatura própria do partido ao governo de Minas

 

César Felício, de Jeceaba (MG) – VALOR

Pré-candidatos a governador de Minas Gerais pelo PT, o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, e o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel adotaram o mesmo discurso ao defenderem a candidatura própria do partido em Minas Gerais. A alternativa a um nome próprio é o apoio ao candidato virtual do PMDB, o ministro das Comunicações, Hélio Costa.

“Sou um ator político, um militante, não um analista do cenário. Me dedico a fazer as coisas acontecerem. Estou empenhado em viabilizar a minha candidatura dentro do PT. A primeira etapa é garantir a unidade dentro do PT, depois dentro do campo das forças progressistas e depois dentro de um universo de uma aliança mais ampla”, afirmou Patrus Ananias, ao ser indagado sobre uma aliança com PMDB, durante evento promovido pela empreiteira Odebrecht e pela siderúrgica Vallourec & Sumitomo em Jeceaba, cidade a 120 km de Belo Horizonte.

“Há os que querem uma aliança a qualquer custo. Eu digo que a discussão da aliança deve ser feita a seu devido tempo”, disse Fernando Pimentel, em entrevista por telefone. Pimentel negou que haja pressão da direção nacional do partido para que o PT coloque em segundo plano as eleições para os governos estaduais, em detrimento da candidatura presidencial da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e da eleição para o Senado. “Tudo o que existe é uma determinação para que a discussão das candidaturas estaduais seja feita após a escolha da nova direção do PT. Apenas isso”, afirmou.

Em recente reunião do diretório nacional, o PT mandou suspender todos os processos de escolha interna de candidatos a governador que estavam em curso neste ano. A decisão afetou com mais força Minas Gerais e o Rio Grande do Sul, onde há disputa pela vaga.

Primeiro colocado nas pesquisas de intenção de voto, o ministro das Comunicações já fez afirmações públicas de que só deverá ser candidato a governador em um contexto de aliança ampla, mas não é categórico em dizer que a coligação será com o PT. Mantém o diálogo com o governador mineiro Aécio Neves (PSDB), de cuja candidatura presidencial duvida, e com a ala do PT defensora da candidatura de Patrus Ananias.

Isto tem feito com que Patrus avance posições dentro do próprio PT nacional. Bastante próximo a Pimentel, o ex-ministro e ex-presidente nacional do partido, José Dirceu, encontrou-se com Patrus na posse do novo presidente salvadorenho, Mauricio Funes, em San Salvador. Ficaram de ter um novo encontro em breve. “Ele percebeu que o entendimento do PT com o PMDB em Minas está muito mais próximo do que se imagina”, disse o ministro. Pimentel têm procurado diminuir a distância com o PMDB, conversando com deputados estaduais do partido. Também deve encontrar-se com Dirceu, dentro de alguns dias, em Belo Horizonte ou São Paulo.

08/04/2009 - 11:21h Disputa entre Pimentel e Patrus expõe fratura do PT em MG

Charles Silva Duarte/O Tempo – 2/7/2004

Fernando Pimentel e Patrus Ananias almoçam em restaurante popular no bairro de Venda Nova, de BH, onde o diretório nacional determinou recontagem de filiações em massa

 

César Felício, de Belo Horizonte – VALOR

Disputa entre Pimentel e Patrus expõe fratura em palanque de Dilma em MG

Protagonistas da mais acirrada luta interna do PT para definir os candidatos majoritários em 2010, o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, e o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel começam a se preparar para a possibilidade de decidirem a candidatura a governador por meio de prévias. Diminui, de um lado e de outro, a possibilidade de êxito nas estratégias para impedir a disputa pelo voto dos filiados.

Entre os aliados de Pimentel, ainda há a convicção que um bom resultado dos apoiadores do ex-prefeito na escolha das direções municipais e da direção estadual no processo de eleição direta dos dirigentes petistas (PED), no fim deste ano, pode fazer com que o ministro desista da pré-candidatura. Mas a ala que apoia Patrus Ananias articula composições internas nos municípios para impedir que o resultado do PED seja um mapeamento sobre qual dos dois lados têm o domínio do partido.

Os aliados de Patrus contam com interferências externas para debilitar Pimentel: apostam que podem conseguir a preferência do PMDB, do PCdoB e do vice-presidente José Alencar (PRB) para a montagem de um palanque mais amplo do que o que poderia ser o de Pimentel. E lembram do melhor trânsito do ministro no meio sindical e nos movimentos sociais, em grande parte ação de um aliado em Brasília, o secretário-geral da Presidência, ministro Luiz Dulci. Mas o ex-prefeito acredita que o pragmatismo irá prevalecer: os partidos da base aliada de Lula tenderiam a se alinhar com o candidato mais bem colocado nas pesquisas de intenção de voto. No último levantamento publicado pelo instituto Datafolha, Pimentel oscilou entre 24% e 25%, conforme a lista de candidatos. Patrus patinou entre 11% e 13%.

Na disputa pelas preferências dos filiados, o primeiro obstáculo que Pimentel terá que superar é a ofensiva dos aliados de Patrus para reduzir a base de votantes em Belo Horizonte, onde a hegemonia do ex-prefeito é completa. Termina no dia 17 de abril o prazo para a revalidação ou não de 6 mil filiações feitas em 2008, tendo como principal região eleitoral o bairro de Venda Nova, na zona norte da capital. De acordo com a Justiça Eleitoral, a capital mineira concentrava 16 mil dos 139 mil filiados ao PT no Estado em fevereiro deste ano, mas tanto aliados de Pimentel quanto de Patrus estimam que o total de aptos a votar no processo interno em Belo Horizonte, incluindo as filiações contestadas, chegue a, no máximo, 13 mil.

O grupo que apoia Patrus conseguiu questionar estas filiações em uma reunião do diretório estadual da sigla em 2 de dezembro, sob o argumento de que foram feitas em massa. Caso as 6 mil inscrições fossem anuladas, seria um golpe decisivo no ex-prefeito: elas correspondem a quase 40% do colégio eleitoral da cidade. Os aliados de Pimentel recorreram ao diretório nacional, que concedeu um prazo para que as filiações questionadas fossem recadastradas pela direção nacional. Até 31 de março, foram feitos 90 recadastramentos.

“A opinião de muitos é que o processo de crescimento do partido em Belo Horizonte no ano passado seguiu um padrão diferente do que o de anos anteriores, que estava amparado na articulação do partido com movimentos sociais e comunitários”, disse o deputado estadual André Quintão (PT), que foi aluno de Patrus na universidade, coordenador de sua campanha para prefeito de Belo Horizonte em 1992, chefe de gabinete do atual ministro na prefeitura e seu secretário municipal de Desenvolvimento Social.

Com cerca de 200 mil eleitores, Venda Nova é um dos maiores e mais pobres bairros de Belo Horizonte e o PT na região é comandado pelo deputado federal Miguel Corrêa Júnior. Ex-líder estudantil, Corrêa montou entidades assistenciais na região e ingressou na política filiado ao PPS. Chegou ao partido trazido por Fernando Pimentel. Para Corrêa Júnior, “a revalidação está sendo feita porque alguns setores do partido ficaram em minoria nas instâncias partidárias”. O parlamentar afirma que articulou as milhares de filiações por orientação de uma campanha promovida pela direção nacional da sigla. E diz que não está sozinho nesta prática. “Em Betim, são 4 mil filiados. Cerca de 1,2 mil entraram no ano passado. Lá não é nossa base e estas filiações não estão sendo contestadas”, disse. Segundo a Justiça Eleitoral, em Betim o PT está com 2.937 filiados.

Em caso de prévias, Patrus Ananias conta com um eleitorado pulverizado em pequenos e médios municípios, muitos dentro dos bolsões de pobreza que foram beneficiados pelas políticas assistenciais coordenadas por ele no governo federal, como o programa Bolsa Família.

Com o apoio da esquerda petista, Patrus deve ter o apoio do prefeito de Coronel Fabriciano, Francisco Simões (1,5 mil filiados, segundo o TSE). Sua base ainda deve estender-se por Betim, Teófilo Otoni , da prefeita Maria José Haueisen (809 filiados), Varginha, do prefeito Eduardo Carvalho (579 filiados), Janaúba, administrada por José Benedito (354 inscritos), além de cidades onde o PT não governa como Montes Claros (700 filiados), Uberaba (1.009 inscritos), Uberlândia (3,7 mil militantes) e Juiz de Fora (1,5 mil integrantes), entre as mais importantes.

Já Pimentel está mais presente nos grandes centros. Deve ter, além de Belo Horizonte, a hegemonia sobre o segundo maior colégio eleitoral petista em Minas, Ipatinga, onde a Justiça Eleitoral registrava em fevereiro 12,9 mil filiações. E disputa em situação de favoritismo em Governador Valadares (1,6 mil inscritos), Nova Lima (420 filiados) e Contagem (3,6 mil integrantes).

Depois das eleições municipais, Patrus reforçou a sua agenda de viagens dentro do Estado. Procura fazer encontros todos os sábados. Já esteve nas cidades de Betim, Luz, Montes Claros, Itaobim e Teófilo Otoni. Neste mês, irá a Ponte Nova, Caratinga, Governador Valadares, Coronel Fabriciano e cidades do sul e do Triângulo Mineiro.

Articulando sua candidatura a partir de um pequeno escritório no centro de Belo Horizonte, Pimentel gastou os últimos dias procurando aumentar seu espaço na direção nacional do PT, que tentou impedir no ano passado a aliança informal com o PSDB costurada por ele para apoiar o secretário estadual Márcio Lacerda, do PSB, que terminou eleito. No fim de março, encontrou-se na capital mineira com o ex-deputado e ex-presidente do PT, José Dirceu. E cultiva a antiga relação com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, com quem militou na luta armada nos anos 60 no Comando de Libertação Nacional (Colina).

A virtual candidata do PT à Presidência, que é natural de Belo Horizonte, procura se manter longe da briga em seu Estado de origem. Em fevereiro, cancelou de última hora a sua participação em um evento organizado pelo PT mineiro em Venda Nova, o reduto dos pimentelistas recém-filiados à sigla. O encontro era boicotado pela ala do partido que defende a candidatura de Patrus e havia o receio de que se tornasse um instrumento a favor de Pimentel na disputa interna. No início de fevereiro, Pimentel concedera uma entrevista à revista “Veja” em que defendera a candidatura de Dilma à Presidência e criticara adversários internos petistas como vinculados a práticas políticas de esquerda ultrapassadas. A entrevista até hoje irrita os aliados do ministro do Desenvolvimento Social.

Neste mês, no dia 17, Dilma irá finalmente a Belo Horizonte, em um evento com perfil completamente diferente. A pré-candidata irá a um seminário organizado pela Fundação Perseu Abramo, órgão de estudos do partido, formalmente para debater a crise econômica global. Também farão parte da mesa Patrus Ananias e Fernando Pimentel. O primeiro, na condição de gestor da área social do governo. O segundo, por ser um dos poucos quadros dirigentes do partido com formação específica em economia. O evento será em um hotel no centro da cidade, que não é reduto de nenhum dos dois postulantes.

02/03/2009 - 14:00h João Paulo quer fazer campanha para Dilma

Capa do dia 02/03/2009 da editoria de Política


Sucessão // Em vez de ocupar cargo no governo federal, ele pretende ajudar a eleger a ministra
Leonardo Augusto // Do Estado de Minas – Diário de Pernambuco

Brasília – O ex-prefeito do Recife João Paulo (PT) defendeu que ele e os colegas de partido, Fernando Pimentel, ex-prefeito de Belo Horizonte, e Marta Suplicy, candidata derrotada à Prefeitura de São Paulo, não ocupem cargos no governo federal, conforme começou a ser ventilado em Brasília depois das eleições municipais de outubro. Na avaliação de João Paulo, o ideal seria que os três começassem a trabalhar na campanha da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Presidência da República, com o objetivo de vencer a disputa pelo Palácio do Planalto no primeiro turno.

João Paulo, Pimentel e Marta participam de encontro do PT no próximo sábado, em São Paulo, para debater “os desafios da unidade partidária na nova conjuntura”, nas palavras do ex-prefeito do Recife. Na prática, a reunião será para começar a traçar estratégias para a candidatura do PT à presidência no ano que vem.

Para João Paulo, tanto ele como Pimentel e Marta tiveram bons resultados nas eleições deoutubro e, por serem possíveis candidatos ao Senado ou ao governo de seus estados, os três ficariam pouco tempo ocupando cargos no governo federal antes do início das campanhas. João Paulo já se coloca como candidato ao Senado. Pimentel disputa espaço no PT com o ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, para se lançar ao Palácio da Liberdade. Quanto a Marta Suplicy, existe a possibilidade de que se candidate ao governo de São Paulo.

“Fiz o meu sucessor. O Pimentel, apesar das dificuldades, também fez, e a Marta teve 40% dos votos em um colégio eleitoral importante como São Paulo. Então, o melhor é ajudar na coordenação da campanha de Dilma”, argumenta. Depois de dois mandatos, João Paulo lançou João da Costa (PT), que venceu a disputa em primeiro turno. Em Belo Horizonte, Fernando Pimentel apoiou Márcio Lacerda (PSB), favorito para vencer também no primeiro turno por contar com o apoio do ex-prefeito e do governador de Minas, Aécio Neves, mas foi obrigado a disputar o segundo turno para chegar ao comando da capital.

No caso específico de Pimentel, estava praticamente certa a ida do ex-prefeito para a Secretaria Geral do Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (CNDES), mas houve resistência do ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, que acumula o cargo. Como se não bastasse, Pimentel chamou de xiita o grupo petista que se opôs à aliança que fez com Aécio para o lançamento de Lacerda à prefeitura. Entre os contrários ao acordo estavam os ministros Patrus Ananias e Luiz Dulci (Secretaria-Geral da Presidência da República).

17/02/2009 - 11:05h Fumaça branca na chaminé do PT

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Raymundo Costa – VALOR

Lula e o PT têm Plano A, Plano B e Plano C para a sucessão de 2010. O primeiro é público e notório e já não provoca divergência significativa no partido: Dilma Rousseff, ministra da Casa Civil e “Mãe do PAC”. O segundo é Aécio Neves, governador tucano de Minas Gerais, cada vez mais uma carta fora do baralho do PSDB. O Plano C – mas só na hipótese de os dois primeiros falharem – é a prorrogação ou a instituição do terceiro mandato presidencial.

O ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel cumpre tarefa ao dizer que não existe um Plano B a Dilma. É natural que o faça. O Plano A de Lula – que o PT assumiu integralmente — já foi posto em movimento. Começou quando Lula disse ao PT que era Dilma e o PT, na última reunião do Diretório Nacional, descascou a cebola sem chorar, camada por camada.

“É Dilma ou não é Dilma”? Até agora a ministra era uma indicação bancada apenas pelo presidente. Resposta dos petistas: “É Dilma”. O PT assumiu a candidatura da ministra e logo vai receber a indicação de Lula para ela ser a candidata.

O PT então vai responder que o presidente da República é quem tem mais condições para dizer quem é melhor para sucedê-lo, dentre aqueles que integram sua equipe de governo, e em seguida homologa a indicação de Lula . Este é o ritual programado. Quando vai acontecer?

A ideia era fazer a indicação no ano que vem. Mas o Diretório Nacional concluiu que os fatos se precipitaram rapidamente. Todas as movimentações de José Serra, o provável candidato tucano, dizem respeito à sua sucessão, na visão do PT (o PSDB vê exatamente a mesma coisa em relação a Lula e Dilma) e o governo e o partido vão começar a mexer nisso também. Assim sendo, a formalização da candidatura da Dilma será feita o mais rapidamente possível.

O que é que se pode entender com o mais rapidamente possível, afinal, já que havia no Palácio quem disse que o nome da ministra seria anunciado no segundo semestre de 2008? Pelo roteiro traçado no Diretório Nacional é depois de ela concluir um ‘circuito de agendas’ em diversos Estados, juntando os movimentos sociais do campo e da cidade, mais o PT e a base de sustentação política do governo no Congresso. Depois desse périplo, o PT formaliza a candidatura.

Trata-se de uma agenda importante, pois não se destina apenas a fazer Dilma mais conhecida do eleitorado, algo que os marqueteiros acham fácil de fazer no mundo conectado em rede dos dias de hoje. O que há por trás da ideia é que Dilma seja não só a favorita do presidente Lula, mas também a candidata dos movimentos sociais, do PT e dos aliados nos quais se assentaram as bases do atual governo.

Sem densidade política, não bastará à ministra se tornar conhecida. Mas como fazer isso (literalmente, uma campanha antecipada), se Dilma é ministra de Estado, gerente do PAC e agora a ministra encarregada de evitar que a crise econômica mundial ataque o Programa de Aceleração do Crescimento, ainda hoje o carro-chefe da campanha da ministra. Há aspectos legais que limitam os movimentos de ação de Dilma como pré-candidata (só uma convenção do PT, em junho de 2010, oficializará a candidatura).

A proposta é que segunda, terça, quarta, quinta e sexta-feira ela se dedique à agenda de governo. E de sexta à noite até domingo à noite faça o ‘circuito de agendas.’ Assim como fez no último fim de semana, quando participou de um jantar na casa da ex-prefeita Marta Suplicy, em São Paulo. Apesar de todo o cuidado que ela tomou ao tratar do assunto, ficou claro que Dilma quer ser candidata e no PT já não há oposição – a não ser residual – a seu nome. Na realidade, saiu fumaça branca da chaminé do PT.

As principais personalidades do PT estiveram presentes, fizeram discursos. Dilma muito habilmente não se colocou como candidata. Disse que isso vai seguir o calendário do partido, que para ela já basta a honraria de ter sido indicada pelo presidente Lula. Realista, destacou que sua candidatura dependeria da conjuntura, da base aliada – “dos astros”, brincou um companheiro afinado com o projeto.

O resto dos convivas fez discurso “já de beija-mãos”, contou um dos presentes: ‘É você mesmo, nós estamos aqui para ajudar, queremos fazer, o presidente falou’. Dilma, modestamente, voltou a insistir que para ela já bastaria a glória de ter sido indicada por Lula. Mas que ela sabe bem o que é que é ser candidata do PT, que quer respeitar o cronograma do partido, a base aliada, os movimentos sociais, que o que a preocupa no momento é por o PAC pra frente.

Jura-se no PT que não existe uma meta a ser cumprida por Dilma em determinado prazo. Por exemplo: 25% das pesquisas de opinião, até o final deste ano.

Isso seria “chute de campanhólogo” Os problemas reais seriam a candidatura não decolar, a crise externa, uma eventual paralisação do PAC ou até uma crise do tipo ‘ mensalão’. que, evidentemente, ninguém espera no partido que aconteça, mas, diante dos antecedentes… Só então o governo recorreria aos dois outros planos na gaveta.

O Plano B prevê a filiação de Aécio Neves ao PMDB até setembro. A insistência do governador mineiro na realização de prévias para a escolha do candidato do PSDB às eleições de 2010 seria o pretexto para o rompimento do tucano, uma vez que o partido definitivamente não parece disposto a fazer uma eleição primária e está cada vez mais sob o controle de José Serra, governador de São Paulo.

A última saída é a prorrogação com a aprovação do terceiro mandato. Assunto que vai ser discutido na comissão que tratata do fim da reeleição e da aprovação do mandato de cinco anos, posta em movimento no final do ano passado pelo fiel escudeiro João Paulo Cunha, (PT-SP). Em resumo, se uma alternativa não der certo, haverá outra sempre à mão.

Raymundo Costa é repórter especial de Política, em Brasília. Escreve às terças-feiras

E-mail raymundo.costa@valor.com.br

12/02/2009 - 10:35h De volta à cena o ex-Campo Majoritário

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Maria Inês Nassif – VALOR

O ex-Campo Majoritário do PT paulista está se articulando rapidamente em torno da candidatura da ministra Dilma Rousseff à Presidência da República e de um único nome na disputa para o governo de São Paulo em 2010. Com isso, procura retomar a hegemonia na estrutura nacional do partido e o poder de barganha que tinha no passado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A tentativa do ex-Campo Majoritário, agora distribuído em mais de uma tendência, é para que essa articulação recomponha o equilíbrio de poder interno do PT que deu a vitória ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2002. A partir de 1998, e até 2002, prevaleceu um pacto de convivência entre um líder carismático conhecido nacionalmente e uma estrutura burocrática que era forte e capilarizada. Lula usava da estrutura para disputar eleições e sua popularidade contribuia para o crescimento da legenda. Recompor agora com Lula significa proporcionar à Dilma o uso de uma máquina partidária grande – e muito organizada no Estado mais rico da Federação – e capitalizar a excepcional popularidade de Lula. De quebra, a tendência pode ganhar mais densidade num futuro governo Dilma, se ela vencer as eleições.

Foram os integrantes do ex-grupo chamados por Lula no Palácio do Planalto, no começo do ano, e encarregados de transitar internamente o nome da ministra Dilma Rousseff como candidata à sua sucessão, em 2010. Os ex-prefeitos Marta Suplicy (SP) e Fernando Pimentel (MG) e o deputado João Paulo (SP) foram os encarregados da tarefa. Os paulistas articularam-se rapidamente. Venceram a resistência de José Dirceu. O presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, já deu uma declaração pública em favor da ministra – com a ressalva implícita de que a candidatura tem que obrigatoriamente passar pelo partido. Amanhã, haverá uma reunião de Dilma com os petistas paulistas, na casa da ex-prefeita. Simultaneamente, fecharam um acordo entre os três postulantes ao governo – Marta Suplicy, o ex-presidente da Câmara Arlindo Chinaglia e o ex-ministro Antonio Palocci – e vão se entender em torno de um único candidato. Isso levará um grupo grande e coeso para a candidatura de Dilma e fortalecerá a sua posição no Diretório Nacional.

No período que antecedeu ao escândalo do mensalão, o Campo Majoritário paulista era hegemônico, tanto na tendência como no partido. Enfraqueceu-se devido ao envolvimento de vários de seus integrantes no escândalo do mensalão, em 2005, e dividiu-se. O grupo perdeu posições no partido – apesar da eleição para a presidência nacional do deputado Ricardo Berzoini – e no governo, com a queda dos dois ministros mais poderosos do primeiro mandato de Lula: José Dirceu, da Casa Civil, e Antonio Palocci, da Fazenda. São Paulo perdeu espaço para outros líderes que cresceram na contramão das agruras sofridas principalmente por líderes que irradiavam do Estado a sua influência para o resto do país. O presidente Lula distanciou-se da legenda e garantiu uma reeleição quase que apenas contando com a sua popularidade. É certo, usou a estrutura partidária, mas sem estabelecer uma relação orgânica com o seu partido.

Dilma, no pontapé inicial de sua candidatura, conta com a popularidade de Lula, mas não conseguirá se viabilizar sem uma relação estreita com o PT, que continua grande e capilarizado mesmo depois de passar pelos revezes de 2005. Vai definir suas relações com o PT pelas mãos do ex-Campo Majoritário. O grupo que tenta se reunificar conta com a sua experiência de articulação interna, que lhe dá rapidez, e com a concordância tácita das outras tendências de que a candidatura deve ser a da ministra. Segundo um dos petistas envolvidos na articulação, para qualquer dos grupos é vantajoso que o partido capitalize a popularidade de Lula. Como é importante que o partido continue sendo governo, onde todos estão representados na estrutura ministerial.

Ao que parece, o ex-Campo retoma suas articulações com a força que tinha antes. Mostra-se capaz de passar como um trator por interesses que contrariem a sua estratégia. A vitória de dois peemedebistas para a presidência da Câmara e do Senado passa por uma articulação já em andamento para negociar, com cada diretório regional do PMDB, a aliança com Dilma. Na Câmara, o grupo lutou até o último minuto para conseguir a vitória do deputado Cândido Vaccarezza (SP) como líder. O outro candidato, Paulo Teixeira (SP), era aliado do ministro da Justiça, Tarso Genro (RS), que vê a sua postulação à Presidência da República reduzir-se a pó.

Maria Inês Nassif é editora de Opinião. Escreve às quintas-feiras

E-mail maria.inesnassif@valor.com.br

10/02/2009 - 22:50h Dilma janta na casa de Marta para reduzir resistência do PT paulista

Ricardo Galhardo – O Globo

SÃO PAULO – A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, inicia na próxima sexta-feira, com um jantar na casa da ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy, a tarefa de consolidar dentro do PT sua candidatura à Presidência da República em 2010. O objetivo do jantar é dirimir eventuais resistências ao nome de Dilma no PT paulista, principal pólo de poder do partido, no qual a ministra – mineira que construiu a carreira no Rio Grande do Sul – tem pouco trânsito.

- Há um burburinho sobre supostas resistências do PT paulista ao nome de Dilma. O objetivo do jantar é mostrar que, ao contrário do que dizem os boatos, o partido está unido em torno dela. Depois disso, ninguém mais vai poder dizer que o PT de São Paulo resiste a Dilma – disse um petista próximo a Marta.

O jantar marca também o retorno de Marta ao cenário político depois da derrota na eleição municipal e o início das atividades do núcleo de coordenação pré-eleitoral de Dilma, criado pelo próprio presidente Luiz Inácio da Silva. No início do ano, Lula se reuniu com Marta e os ex-prefeitos de Belo Horizonte e Recife, Fernando Pimentel e João Paulo, e os incumbiu de uma série de tarefas para pavimentar a candidatura de Dilma.

Em breve o grupo será reforçado pelo ex-governador do Acre, Jorge Viana. Em comum, os quatro têm a experiência administrativa e o fato de não ocuparem cargos públicos, o que os libera para atividades políticas.

A primeira tarefa estabelecida por Lula foi apresentar Dilma ao PT de São Paulo.

- A idéia é criar uma empatia entre Dilma e o PT paulista. Muita gente ainda não a conhece – disse o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP).

Foram convidados todos os senadores, deputados federais, estaduais, vereadores, prefeitos da região metropolitana e alguns dirigentes estaduais e muinicipais.

A idéia é sair do jantar com um esboço de agenda de visitas e encontros políticos de Dilma em São Paulo.

- Vamos elaborar uma agenda de interlocutores, reuniões e atividades. Por outro lado, Dilma terá elementos de reflexão sobre a política paulista que talvez ela não conheça. São Paulo é o estado onde a oposição ao PT é mais forte e daqui deve sair o adversário dela em 2010 – disse um petista ligado a Marta.

Uma das preocupações dos organizadores do jantar é evitar que a disputa interna pela candidatura ao governo paulista contamine o encontro. Por isso, foram convidados os deputados Antônio Palocci e Arlindo Chinaglia, que surgem como principais nomes do PT para a sucessão de José Serra (PSDB) ao lado da própria Marta.

Nomes que correm por fora como os prefeitos de Osasco, Emídio de Souza, e São Bernardo, Luiz Marinho, e os senadores Aloizio Mercadante e Eduardo Suplicy também foram convidados.

Dirigentes de grupos hostis a Marta e da esquerda petista não haviam recebido convite até a noite de terça-feira.

18/11/2008 - 13:45h Encontro sela divisão de petistas em campanha ao governo de Minas

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Fernando Pimentel e Patrus Ananias

Ivana Moreira, de Belo Horizonte – VALOR

Abrigado na tendência majoritária Construindo um Novo Brasil, o grupo petista que não apoiou a aliança informal com o PSDB para a eleição de Márcio Lacerda (PSB) como prefeito de Belo Horizonte, já entrou em campanha para 2010, lançando o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, como candidato ao governo do Estado. Embora as principais lideranças do PT de Minas falem em reunificação da legenda, o que o encontro do grupo mostrou, no último fim de semana, em Contagem, foi um distanciamento cada vez maior entre os aliados de Patrus e do atual prefeito da capital, Fernando Pimentel.

Para os membros do grupo, como o ministro Luiz Dulci, da Secretaria Geral da Presidência, o PT mineiro precisa liderar uma aliança com partidos da base do presidente Lula, oferecendo à população mineira uma alternativa “antineoliberal”. É o oposto do que vem propondo o prefeito Pimentel, um aliado do governador tucano Aécio Neves na tese da convergência entre PT e PSDB.

O apoio de Aécio Neves a uma eventual candidatura de Pimentel ao governo do Estado sempre foi o pano de fundo das discussões que levaram à aliança para eleição do socialista Márcio Lacerda. A avaliação do grupo próximo a Pimentel é que Aécio, um governador com altos indíces de aprovação, tem tudo para fazer seu sucessor. Dificilmente o PT conseguiria chegar ao Palácio da Liberdade com uma candidatura de confronto.

Em Contagem, durante o encontro da Articulação, Patrus Ananias procurou ser cauteloso ao falar de uma possível candidatura ao governo. Mas deixou claro que está “disponível” e “preparado” para ser o candidato se esta for uma construção coletiva. “Estou me colocando sim para construirmos um projeto político alternativo e de desenvolvimento econômico vinculado a um projeto democrático popular para Minas.”

Sobre as rugas que ficaram do polêmico processo eleitoral na capital, que acabou por rachar a legenda, o ministro afirmou que é assunto encerrado. É momento de “passar a borracha”. Segundo ele, não cabem punições a nenhum dos lados. Nem ao grupo de Pimentel que teria desrespeitado uma determinação da executiva nacional contra alianças com o PSDB, nem ao grupo ligado ao Construindo um Novo Brasil que se envolveu com a campanha do pemedebista Leonardo Quintão, contra Márcio Lacerda. “Um bom ponto de partida para a unificaçao do PT em Minas é zerarmos esse processo difícil, equivocado”, declarou Patrus.

Enquanto o ministro do Desenvolvimento Social era lançado candidato em Contagem, Fernando Pimentel acompanhava Aécio Neves em agenda na França, onde o Estado celebra convênios para as comemorações do ano da França no Brasil, em 2009. O governador já disse publicamente que gostaria de ter Pimentel em sua equipe de secretários, o que serviu para alimentar boatos sobre o prefeito ter intenção de deixar o Partido dos Trabalhadores. Fontes próximas ao prefeito duvidam dessa possibilidade e acham que a fala de Aécio serviu apenas para colocar o nome de Pimentel, em destaque, na mídia. O nome do prefeito continua cotado para assumir uma pasta na reforma ministerial.

03/11/2008 - 08:27h ”Campanha do meu adversário teve apoio forte vindo de São Paulo”

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Márcio Lacerda: prefeito eleito de Belo Horizonte;

segundo ele, ajuda financeira para Quintão veio de correntes que não queriam o sucesso de Aécio na eleição

 

 

Eduardo Kattah, BELO HORIZONTE – O Estado SP

O prefeito eleito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), afirma que a campanha de Leonardo Quintão (PMDB), seu adversário no segundo turno, recebeu forte apoio financeiro “vindo de São Paulo”. Em entrevista ao Estado, o prefeito disse que esse apoio veio de correntes “que não queriam o sucesso do governador (Aécio Neves)”, em alusão velada ao governador José Serra (PSDB).

Lacerda disse que seus padrinhos Aécio e o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) trabalham por um projeto de centro-esquerda, em contraponto à aliança de centro-direita de PSDB e DEM, simbolizada pela eleição de Gilberto Kassab (DEM) em São Paulo. Aécio e Ciro, diz, não demonstram “aquela fome de ser presidente que Serra tem”.

Não ganhar no primeiro turno comprometeu a aliança que o elegeu?

A vitória no primeiro turno aconteceu por falhas da nossa estratégia, não por falhas de concepção da aliança. Mas no Sudeste eu tive a maior votação (no primeiro turno) entre os candidatos mais bem colocados. Dizer que houve vitórias do Serra e do Sérgio Cabral (governador do Rio), porque os seus candidatos foram para o segundo turno, e uma derrota porque eu não fui (eleito no primeiro turno), é forçar um pouco a barra. Não houve derrota da aliança.

Que influência a eleição de Belo Horizonte teve sobre 2010?

Ela sinalizou que é possível tendências social-democratas dentro do PT e dentro do PSDB se unirem. E se uniram num projeto eleitoral para uma cidade. Não significa que isso aconteceria em outras eleições. Pode acontecer. O mínimo que deveria acontecer é os social-democratas dos grandes partidos se unirem para ter um projeto para o País. Qualquer que seja o novo presidente, o ideal seria que ele tivesse uma ampla coalizão de forças de centro-esquerda o apoiando, tanto na eleição quanto no governo.

O sr. classificou a vitória de Gilberto Kassab em São Paulo como uma aliança de centro-direita…

E é.

Ela não ajudou a desgastar a aliança do governador Aécio e do prefeito Pimentel, de PSDB com PT?

Não estou dizendo que (a aliança) tenha essa importância toda. Estou dizendo que ela sinaliza algo novo na política nacional, pelo ineditismo. O papel do Kassab será municipal, embora a máquina de uma prefeitura como a de São Paulo – Belo Horizonte muito menos – seja importante no apoio para eleição de governador e presidente. Mas eu digo que é de centro-direita na medida em que reflete uma aliança que o PSDB de São Paulo já tinha com o PFL (atual DEM) há mais tempo. O governador (Aécio) falou isso para ele. Ele disse: “Já falei para o meu amigo Serra que se ele quiser ser presidente tem de criar uma ampla coalizão, um movimento de opinião.”

Como assim, um movimento de opinião?

Para que ele possa governar com a base social-política necessária capaz de gerar as transformações de que o País precisa. Ele precisa ganhar essa base ampla de opinião. Mostrar que é capaz de aglutinar. Ninguém pode ser candidato de si mesmo ou de um partido. Se você pensar bem, o Lula não foi eleito pelo PT. A votação dele foi o dobro da capacidade do PT de gerar votos. Acho que o centro do debate é este: que projeto o novo presidente terá para o País e qual a ampla coligação de forças e movimento de opinião que vai ajudá-lo a governar depois.

O sr. disse que a sua aliança enfrentou resistências vindas de fora, de São Paulo. De onde partiram essas resistências?

A cúpula do PT foi amplamente contrária, isso é conhecido. O PSDB nacional apoiou. Mas a gente tem notícias de que a campanha do meu adversário teve um apoio muito forte vindo de São Paulo.

Que tipo de apoio? Dado por quem?

Prefiro não dizer, porque eu tenho notícias de que o apoio financeiro vindo de São Paulo foi muito forte. Apoios ao candidato do PMDB e de correntes que não queriam o sucesso do governador (Aécio) nessa empreitada.

Qual a participação de Ciro na escolha do seu nome? Que tal a dobradinha Aécio-Ciro para 2010?

Ele participou da articulação aqui. Eu soube da participação dele nas articulações em outubro de 2007. Eu não vejo nem Ciro nem Aécio com aquela fome de ser presidente. Eles são até desapegados da idéia. Não têm aquela gana de ser presidente que parece que o governador José Serra tem. Eles querem um projeto para o País. Os dois querem um projeto de centro-esquerda.

30/09/2008 - 11:12h “Popularidade de Lula não é capaz de eleger postes”, diz governador da Bahia

Ruy Baron/Valor – 9/12/2005

Jaques: governador baiano mantém discurso conciliador em relação ao ministro Geddel Vieira Lima

Raymundo Costa, VALOR

Na reta final da campanha, a eleição embolou em Salvador, Bahia. Talvez mais que em qualquer outra cidade, o clima entre os aliados é tenso.

Os três dos dois candidatos cotados para passar para o segundo turno são da base de apoio do governo Luiz Inácio Lula da Silva e do governador Jacques Wagner: João Henrique, do PMDB, atual prefeito, e Walter Pinheiro, do PT. O terceiro é Antonio Carlos Magalhães Neto, ACM Neto, do DEM e herdeiro do carlismo.

Em poucos Estados a disputa pelo uso da imagem do presidente foi tão intensa, a ponto de levar o ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional), um dos fiadores da aliança PT-PMDB, ao ponto de ameaçar um rompimento com o governo. Jaques diz que não é de “esquentar” briga. Acredita na recomposição, apesar da “tensão” entre os aliados.

O governador da Bahia acha que não basta a popularidade para eleger “um poste”. É preciso haver sinergia com o eleitorado. “Há uma maximização da imagem do governador e do presidente da República, que eu acho que contam, mas não é uma coisa absoluta de o cara sair de zero para 60%!”, disse ao Valor, em conversa na sexta-feira. O petista também não vê o governador de Minas Aécio Neves como candidato pelo PMDB com o apoio de Lula. “Só se for na oposição”, diz.

A seguir, os principais trechos da entrevista:

Valor: O apoio do presidente e do governador desequilibra a eleição?

Jaques Wagner: Quando alguém diz ‘eu sou Lula desde criancinha’, quando é Lula só a partir do ano passado, as pessoas se dão conta. Até porque eu acho que as pessoas lêem errado as pesquisas. Quando ela diz assim: 60% dos eleitores dizem que o apoio do presidente Lula é benéfico, o que eles estão dizendo é que, para 66% do eleitorado, saber que o candidato que ele escolheu é aliado do presidente Lula, aumenta a vantagem dele em 60%. Mas é o que eu digo aqui é que 60% de 1% é 0,6%. Então o cara sairá de 1% para 1,6%. É que as pessoas querem ler assim: se o presidente Lula botar a mão eu saio de zero para 60%. O que não é verdade.

Valor: Não é automático.

Wagner: Não existe isso. É óbvio que quando você cria uma sinergia, quando há uma consciência coletiva, as pessoas raciocinam assim: eu vou votar nesse cara que ele é amigo do governador, é amigo do presidente e não é um babaca, para falar um termo bem objetivo. Agora, se o cara for um babaca, diz assim ‘pô Lula, você vai me perdoar mas nesse aí eu não voto não’. Então não funciona aquela idéia de eu ‘elejo um poste’. Não existe isso.

Valor: No entanto, o senhor acha que o PT vai crescer mais que os outros.

Wagner: Com essa identificação do 13, eu acho que os candidatos do PT ganham mais que os outros. Não é em detrimento dos outros.

Valor: O fato é que há reclamação. Como é que a base vai chegar em Brasília para as votações?

Wagner: Óbvio que a volta é uma volta com pontos de tensão. Não tem como. Toda eleição, evidente que mais na eleição municipal, não é um mar de rosas. A lógica municipal é mais intensa que a estadual e que a nacional. O que está em jogo agora? Os deputados estaduais e federais lutam fortemente para a eleição do seu prefeito, e isso na contabilidade dele significará uma posição melhor para a eleição dele em 2010. É essa a briga. E o governador? O prefeito pesa X para deputado estadual e federal e pesa um pouco menos para governo do estado e presidente da República. Evidente. Isso porque ele consegue muito mais coordenar o voto para deputado estadual e federal.

Valor: Mas a eleição de prefeitos agora não dará uma base melhor para a eleição do presidente e de governador de 2010?

Wagner: A população está estabelecendo uma lin ha direta entre ela e os cargos majoritários, principalmente governador e presidente da República. Vou dar o meu exemplo: eu tinha 50 prefeitos em 417. E ganhei na faixa de 230 cidades. Significa que nem os prefeitos que trabalharam contra convenceram a população. Eu não estou menosprezando, evidentemente que ele é um elemento da política, e da base de apoio, mas ele pesará muito mais na eleição de deputado estadual e federal, eventualmente na de senador, do que na de governador e presidente da República.

Valor: Por quê?

Wagner: Eu me convenço cada vez mais que as pessoas não querem intermediário para escolher governador e presidente. Por que dá tensão? Dá uma tensão maior aqui e vai dar uma tensão menor em nível nacional. É uma coisa até curiosa: onde você vai e ganha, em geral o cara vai dizer que foi ele que ganhou. Onde você não vai e o cara perde, ele vai dizer que você é que foi o culpado pela derrota dele.

Valor: A base fica unida?

Wagner: Está todo mundo mais maduro e todo mundo dá importância a estar participando de um projeto, até agora, exitoso, que é o do presidente Lula, em nível nacional, e na Bahia. até agora, a gente está bem. Então eu não acho que vá haver alguma sangria desatada.; Agora é fato que haverá uma tensão pós eleitoral normal. Eu, por exemplo, estou tentando ser o mais equilibrado possível. Há uma maximização da imagem do governador e do presidente da República, que eu acho que contam, mas não é uma coisa absoluta de o cara sair de zero para 60%. Quando está pau a pau, digamos um está com 40% e outro está com 38%, aí eu concordo que pode fazer a diferença.

Valor: O senhor e o ministro Geddel saem como entraram nessa eleição?

Wagner: Temos um ponto de conflito que foi produzido por alguém que não era meu nem dele, que é o prefeito atual, que foi eleito pelo PDT, com vice do PSDB, e baixíssima participação do PMDB, que não tinha nem interesse em ficar no governo. Tinha lá uma secretaria marginal. De repente, quando o cidadão viu que estava com problemas de sobrevivência política, ele teve de sair de um partido pequeno e procurar um partido maior para se abrigar. Ele é muito midiático. Eu até gosto dele, não é um mau caráter, não é um larápio, mas é um cara confuso. Confuso na política e confuso na gestão. Ele precisava de tempo de televisão. Quis vir para o meu partido, coisa que eu recomendei.

Valor: Mas o PT não quis?

Wagner: O vício do cachimbo deixa a boca torta. A gente vai amadurecendo mas alguns vícios vez por outra aparecem. Então apesar de o governador dizer: ‘rapaz, põe o cara pra dentro. A gente já está no governo, põe logo o cara no PT’, o meu partido não acolheu a minha sugestão, o pedido de seu governador. E ele acabou indo para o PMDB. Ao ir para o PMDB gerou então um pólo de tensão. Não por culpa dele, por culpa da conjuntura. Geddel e o PMDB receberam esse presente – tinham pouquíssima coisa em Salvador e ganharam um prefeito e uma prefeitura, como máquina política para fazer a operação da política, no bom sentido. É óbvio que gostariam de ter todo mundo em torno deles. Então lutaram por isso. Eu defendi a tese da minha base de sustentação (um candidato só), pelo menos na capital. As pessoas não se convenceram. Até porque diziam que ele é ruim de compromisso. O pessoal de pesquisa dizia que ele tinha dificuldade de ir até para o segundo turno. O argumento é que era melhor não jogarmos com uma hipótese só e perdermos para o PFL. A outra hipótese era o Imbassahy, com quem eu tenho relação. Mas isso não animava muita gente exatamente porque era um alinhamento com o PSDB nacional e as pessoas aqui não tinham interesse óbvio nessa aproximação. Quando acabar a eleição tem um rescaldo a ser tratado. E eu tenho que ficar administrando esse conjunto todo.

Valor: A base se mantém até 2010?

Wagner: Político é um animal objetivo, que eu dividiria em dois tipos: uns um pouco mais programáticos e outros, vamos dizer assim, mais conjunturais. Quem é mais programático, tende a continuar, apesar de ter havido um estremecimento com o chamado bloquinho (a união congressual de PSB, PCdoB e PDT). Mas eu acho que diminuiu essa tensão. Já vinha diminuindo antes, com a solução de São Paulo (a indicação de Aldo Rebelo para vice de Marta Suplicy). A relação do Eduardo Campos (governador de Pernambuco e presidente do PSB) com o presidente é excepcional. O episódio de Minas, por mais que localmente tenha ha reflexos no PT – e há um rescaldo a ser cuidado internamente – , do ponto de vista externo da relação dos aliados o PT acabou marcando um tento positivo, porque bem ou mal apoiou um candidato do PSB com interligação do PSDB, o que mostra que, aos trancos e barrancos, o PT também consegue apoiar os outros.

Como senhor vê a questão de Minas?

Wagner: Internamente ainda tem muita coisa a ser trabalhada. Ficou a tensão com o Fernando Pimentel, vem a eleição para governador e ele evidentemente é um nome. Há insatisfações que terão de ser aparadas. Eu não sou de Minas e não quero me meter, mas o problema parece sido mais de método mesmo.

Como encaixar esse grupo no plano da sucessão federal.?

Wagner: Eu acho que a administração que foi feita em Minas, é óbvio que ela sempre terá contornos nacionais, mas na minha opinião ela terá muita influência na questão estadual. Eu acho que o Fernando e o Eduardo não têm peso para influir na questão interna do PSDB. Portanto não têm peso para ajudar o Aécio a ser o candidato do PSDB. Também não vejo nenhuma hipótese de o Aécio ser candidato em composição, vamos dizer, como Eduardo Campos, o PSB. A relação do PSB com o presidente é excepcional. O Ciro Gomes, o Eduardo. Então, sinceramente, eu não consigo ver a tal história de o Aécio vir ao PMDB para virar candidato, só se for para ser candidato contra o candidato do presidente Lula.

A eleição de São Paulo prova que não há como ter dois candidatos da situação?

Wagner: Se o presidente Lula desembarca em 2010 extremamente bem avaliado, e coloca uma candidatura à sucessão que mostre fôlego, não acho que os aliados atuais queiram sair fora. Tendo uma candidatura boa,. a tendência é manter isso tudo junto.

Valor: O PT vai para o segundo turno em Salvador?

Wagner: De há muito esta é a primeira eleição de Salvado equilibrada. Está dando o que eu imaginava: Neto tem o público deles (carlismo, que está na casa entre 23% e 25%, não cai mas também não sobe, que foi o índice do último candidato deles (César Borges); Imbassahy perde fôlego…

Valor: E foi abandonado pelos tucanos?

Wagner: Pelos daqui não, pelo Serra (José, governador de São Paulo) não, mas pelos outros talvez sim, porque ele está numa posição meio autônoma em relação ao comando nacional. Pinheiro está crescendo, e aí vamos ver. Qualquer dois dos quatro pode ir.

Valor: Para o governador seria mais fácil administrar uma disputa Neto-Pinheiro, não é?

Wagner: Politicamente, se forem dois aliados para o segundo turno a mensagem política é positiva, e a administração é difícil.

30/08/2008 - 20:53h Márcio Lacerda dispara nas corrida eleitoral de BH, mostra Ibope

http://tbn0.google.com/images?q=tbn:wSeDura2beKYyM:http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/images/AecioPimentelLacerda.jpgJornal da Globo – O Globo Online

RIO – O candidato do PSB à prefeitura de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, disparou na preferência dos eleitores e atingiu 40% das intenções de votos, mostra pesquisa do Ibope, encomendada pelo jornal “O estado de São Paulo” e pela TV Globo, e divulgada pelo Jornal da Globo na noite desta sexta-feira. Ele tinha 8% das intenções de voto em julho. Foi para 9% na pesquisa de 15 de agosto e agora disparou, atingindo 40% das intenções. Lacerda é o candidato das duas maiores autoridades políticas de Belo Horizonte, o prefeito Fernando Pimentel (PT), e de Minas, o governador Aécio Neves (PSDB).

A deputada federal, Jô Moraes, do PC do B, tinha 17% em julho. Na primeira quinzena de agosto oscilou para 18% e agora está com 15%. O deputado federal Leonardo Quintão, do PMDB, tinha 14% em julho, caiu para 10% na primeira quinzena de agosto e na nova pesquisa se manteve estável. Sérgio Miranda, do PDT, começou com 3%. Oscilou para 2% e agora se manteve estável.Vanessa Portugal, do PSTU, tinha 4% em julho, oscilou para 5% na primeira quinzena de agosto e agora caiu para 1% das intenções. Gustavo Valadares, do DEM, tinha 2% das intenções em julho manteve-se estável na primeira quinzena de agosto. Agora, oscilou para 1%.

Na última pesquisa em Belo Horizonte, brancos e nulos somam 10%. Não sabem e não opinaram, 20%. Os candidatos André, do PT do B, Pepê, do PCO, e Jorge Periquito, do PRTB, tiveram menos de 1% das intenções.

Num eventual segundo turno, Marcio Lacerda teria 48% das intenções de voto contra 21% de Jô Moraes. Em outro cenário, o candidato do PSB teria 43% dos votos no segundo turno contra 17% de Leonardo Quintão.

O Ibope entrevistou 805 eleitores na capital mineira entre os dias 26 e 28 de agosto. A pesquisa, registrada na 26ª Zona Eleitoral com o número 59638/200, tem margem de erro de três pontos percentuais.

25/08/2008 - 17:24h A opinião de Ricardo Noblat

Eleições – Quem sobe, quem cai

Blog de Noblat

Os resultados das pesquisas de intenção de voto do Instituto Datafolha divulgados no último fim de semana pouco ou nada têm a ver com os efeitos da primeira semana de propaganda eleitoral no rádio e na televisão dos candidatos a prefeito de algumas das capitais do país.

A atenção do brasileiro estava voltada para as olimpíadas de Pequim.

O período de 42 dias de propaganda eleitoral foi inaugurado na última terça-feira dia 19. Nos dias 21 e 22, o Datafolha entrevistou entre 800 a 1.200 eleitores em Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Recife.

Até então apenas dois programas de candidatos a prefeito haviam ido ao ar – embora não devam ser desprezadas eventuais conseqüências dos comerciais veiculados diariamente a respeito deles e que pegam os eleitores desprevenidos. São peças de propaganda mais eficientes do que os programas.

Mas não foram os comerciais que provocaram as mudanças no quadro eleitoral registradas pelo Datafolha. A exceção fica por conta de Curitiba onde nada mudou. Candidato à reeleição, o prefeito Beto Richa (PSDB) coleciona 70% das intenções de voto.

No Rio, o favoritismo de Marcelo Crivella (PRB) está cada vez mais a perigo. Crivella caiu no Datafolha de 24% das intenções de voto no final de julho para 20%. Eduardo Paes (PMDB) saiu de 13% para 17%. Jandira Feghali (PC do B) empacou em 15%. Qualquer um dos dois será capaz de derrotar Crivella no segundo turno.

O que explica no Recife o salto espetacular dado por João da Costa (PT)?

Em julho, ele tinha 22% das intenções de voto, atrás de Mendonça Filho (DEM) com 30%. Foi para 37%. Mendonça caiu para 26%. Cadoca (PSC) despencou de 22% para 13%.

O tempo decorrido desde julho parece ter sido suficiente para o eleitor identificar João da Costa como o candidato da esquerda. Sim, ainda existe essa história de direita e esquerda no Recife. Cerca de 30% dos eleitores votam na esquerda. Outros 30% na direita. Os demais decidem as eleições.

Nos idos de 60, quando ainda se votava em separado para prefeito e vice-prefeito, Recife elegeu Pelópidas da Silva, pela esquerda. O vice dele, Miguel Arraes, perdeu para Augusto Lucena, apoiado pela direita.

Até um dia desses, João da Costa era um desconhecido secretário do prefeito João Paulo (PT). Os estrategistas de sua campanha imaginavam que ele atingiria o patamar dos 30% depois de duas semanas de propaganda eleitoral.

Subestimaram o fato de que João da Costa dispõe de três poderosos padrinhos: Lula, aprovado por 74% dos recifenses; o prefeito João Paulo, por 61%, e o governador Eduardo Campos (PSB) por 52%. Está em Belo Horizonte, contudo, o caso mais exemplar de pura e simples transferência de votos.

Quem é Márcio Lacerda (PSB), candidato a prefeito?

É um empresário que jamais disputou uma eleição. Filiou-se ao PSB só para ser candidato. Subiu de 6% das intenções de voto em julho para os atuais 21%, ultrapassando Jô Moraes (PC do B) que tem 17%.

A administração do governador Aécio Neves (PSDB) é considerada ótima ou boa por 86% dos habitantes de Belo Horizonte. A do prefeito Fernando Pimentel (PT), por 76%. Os dois apóiam Lacerda, que tem 12 minutos diários de comerciais no rádio e na televisão contra dois minutos de Jô.

Quase 95% dos mineiros estão convencidos de que Aécio sucederá Lula em 2010. Fazer o quê? Lacerda na cabeça.

A essa altura, o que o PSDB poderá fazer para evitar o desastre anunciado em São Paulo?

É cedo para falar em desastre ali? Talvez não. Marta Suplicy (PT) continua em ascensão – dessa vez passou de 36% na pesquisa de julho para 41%. Geraldo Alckmin (PSDB) continua caindo – tinha 32% das intenções de voto, agora tem 24%. O prefeito Gilberto Kassab (DEM) foi de 11% para 14%. Paulo Maluf (PP) está com 8% ou 9%. A divisão do PSDB entre Alckmin e Kassab desorientou o eleitorado do partido.

A culpa é de quem? Ora, de Alckmin.

O governador José Serra, a bancada de vereadores do PSDB, secretários municipais e subprefeitos estavam dispostos a apoiar a reeleição de Kassab. Seria o natural. Kassab é Serra na prefeitura.

Aí o filhinho mimado de Pindamonhangaba bateu com o pé e anunciou: “Sou candidato”. Capaz de perder uma eleição para não perder a elegância, o PSDB engoliu a seco a decisão de Alckmin e bovinamente tomou o caminho do matadouro.

Como consertar a situação? E tem conserto?

24/08/2008 - 08:54h Candidato de Aécio e do PT já é líder em BH

Marcio Lacerda cresce 15 pontos em um mês e chega a 21%, empatando com Jô Moraes, que oscilou de 20% para 17%

O programa de Lacerda na televisão tem 11 minutos e 47 segundos, enquanto o da deputada Jô Moraes dura só um minuto e 46 segundos

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Aécio Neves, Fernando Pimentel (atual prefeito), Marcio Lacerda e Ciro Gomes em campanha no Mercado Central de Belo Horizonte

PAULO PEIXOTO – FOLHA SP

DA AGÊNCIA FOLHA, EM BELO HORIZONTE

Pesquisa Datafolha realizada após o início da propaganda eleitoral na TV e rádio mostra que Marcio Lacerda (PSB), o candidato à Prefeitura de Belo Horizonte do governador tucano Aécio Neves e do prefeito petista Fernando Pimentel, equilibrou a disputa e está na frente, empatado tecnicamente com Jô Moraes (PC do B).
Um mês após a primeira pesquisa, Lacerda cresceu 15 pontos percentuais -de 6% para 21% das intenções de voto, quatro pontos à frente da deputada federal Jô Moraes, que oscilou negativamente de 20% para 17%. O deputado Leonardo Quintão (PMDB) subiu quatro pontos (de 9% para 13%).
A pesquisa, encomendada em parceria pela Folha e TV Globo, ouviu 829 eleitores nos dias 21 e 22. A margem de erro é de três pontos percentuais. No levantamento espontâneo, Lacerda tem 11% (eram 2%), contra 5% de Jô Moraes (igual ao anterior) e 3% de Quintão.
O crescimento de Lacerda nesse período tem um peso muito importante do horário eleitoral, segundo o diretor do Datafolha, Mauro Paulino. O programa de Lacerda tem 11 minutos e 47 segundos, e o de Jô, apenas 1 minuto e 46 segundos. O segundo melhor tempo é o de Quintão: 5 minutos e 23 segundos. O candidato da aliança Aécio-Pimentel terá ao longo da campanha 1.062 inserções (média de 23 por dia), contra 159 para Jô (3,6 por dia).
“A pesquisa mede o período de um mês. Não tem como afirmar que foi na última semana [todo o crescimento], mas há um impacto muito forte com o tempo de TV que Lacerda tem. No período de um mês ele virou o jogo, saiu das últimas colocações e -apesar de estar na margem de erro, mas considerando essa evolução- assumiu a dianteira”, disse Paulino.
Apesar de 67% dos entrevistados terem dito que não assistiram ao horário eleitoral, Paulino disse que há um “efeito multiplicador” nessa fase da campanha, com as pessoas comentando. Muitos podem ter assistido às inserções sem considerá-las horário eleitoral.
O apoio de 14 partidos e as presenças constantes de Aécio e Pimentel na propaganda eleitoral, tidos pelo diretor do Datafolha como cabos eleitorais muito importantes por serem bem avaliados, ajudaram no crescimento de Lacerda -segundo o Datafolha, a gestão do prefeito petista é aprovada por 76% do eleitorado. E Lacerda tem a menor rejeição: 7%.
As posições dos demais candidatos não mudaram muito. Vanessa Portugal (PSTU) oscilou dois pontos para baixo e está com 4%, mesmo percentual de Sérgio Miranda (PDT), que antes tinha 5%. Gustavo Valadares (DEM) oscilou de 4% para 2%. André (PT do B), Jorge Periquito (PRTB) e Pepê (PCO) não atingiram 1%. Num eventual segundo turno entre Jô e Lacerda, haveria empate: 34% contra 33%, respectivamente. A pesquisa foi registrada sob o número 56616/ 2008.

17/08/2008 - 13:38h Manual de auto-ajuda

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A ministra Dilma Russeff, junto com Fernando Pimentel(esq) e Aécio Neves

Dora Kramer – O Estado de São Paulo

Reza a mais recente lenda eleitoral que a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, cumpre uma frenética agenda de palanques para ajudar o PT a eleger seus candidatos a prefeito e vereador.

Depois de muita insistência do partido, o presidente Luiz Inácio da Silva teria “concordado” – contrariado, certamente – em liberar Dilma da regra imposta aos outros ministros, restritos à participação em campanhas nos respectivos domicílios eleitorais, para correr o País para ajudar os petistas a conquistar o coração do eleitorado.

Na mesma toada – menos enfeitada no tocante a devaneios, é verdade – segue o PSDB querendo fazer crer que a presença do governador de Minas Gerais, Aécio Neves, é imprescindível para eleger tucanos aos magotes nesse Brasil varonil.

Aécio desembarcou outro dia em São Paulo para dar seu aval à candidatura de Geraldo Alckmin e, segundo consta, já gravou participação em programas no horário gratuito de mais de 50 candidatos.

Ao fato: Marta Suplicy disparou na dianteira com 15 pontos porcentuais de diferença sem que Dilma pusesse os pés em São Paulo, eleitoralmente falando; na seara tucana, entre as duas últimas pesquisas e a passagem do governador mineiro pela cidade, Alckmin caiu de 31% para 26% na preferência do eleitor.

E o que Aécio Neves tem a ver com isso? Tanto quanto Dilma Rousseff tem a ver com o desempenho de Marta: nada.

Antes que se diga que São Paulo é um caso à parte, combinemos que a assertiva não influi nem contribui para a análise do tema em tela simplesmente porque não quer dizer nada.

Só não se pode afirmar que a presença dos dois pretendentes a presidente nos palanques municipais de Norte a Sul, de Leste a Oeste, é também desprovida de significado porque, no tocante aos respectivos projetos políticos, quer dizer muito.

A oportunidade de aparecer em palanques reais e virtuais durante mais de 40 dias no País inteiro é uma chance de diamante para quem tem muito capital – próprio ou potencialmente transferível -, mas precisa construir popularidade e disseminar sua imagem para poder pensar em 2010 com objetividade.

Não há nada de errado no movimento de ambos. Ao contrário. Dariam o jogo por entregue ao adversário (os internos e os externos, explícitos e ocultos) se não aproveitassem a campanha de 2008 para, como se dizia na esquerda, acumular forças.

Principalmente no caso da ministra, só não fica bem falar à sociedade na base do sinal trocado, tentando transparecer uma força política que não tem, mas nada impede que possa vir a ter.

No presente momento, se alguém ajuda alguém de verdade são os candidatos municipais quando abrem espaço para seus correligionários com pretensão a dirigentes nacionais.

A ministra da Casa Civil e o governador de Minas quando correm o País não o fazem em auxílio a outrem. Se ajuda há, é em prol da causa própria.

Dilma não é “puxadora” de votos – nem sequer viveu a experiência de produzir alguma quantidade deles na vida – muito menos tem o condão de transferi-los, tarefa árdua até para um ás na captura de mentes como o presidente Lula.

Ao fato: em 2006, Roseana Sarney perdeu a reeleição para o governo do Maranhão, a despeito do apoio de um Lula reeleito.

Merece atenção o que disse o cientista político Jairo Nicolau ao jornal Valor dias atrás: “O presidente influencia, mas o que define votos nessas eleições são os temas locais”.

E mesmo assim, alguns referenciais de competência local não conseguiram impor seus pesos nas respectivas províncias no período inicial das campanhas.

Dois fatos: no mais conhecido, Aécio Neves com mais de 80% de avaliação positiva e o prefeito Fernando Pimentel, popular na casa dos 70%, ainda não fizeram seu candidato sair do terceiro lugar.

No menos, a candidata do PT em Natal tem o apoio de Lula, do presidente do Senado, da governadora, do prefeito, todos maravilhosamente bem avaliados, mas está levando um baile de 20 pontos da adversária sustentada por uma esquisita aliança do PV com o DEM.

Ora, sendo o eleitor um imprevisível, pode virar um rebelde diante de imposições muito explícitas.

Ubaldo

Mãe de criação da paranóia no mundo dos negócios e da política, a grampolândia desenfreada tem deixado espíritos habitualmente atormentados em petição de miséria.

O governador José Serra, por exemplo. Se o assunto requer reserva, põe o indicador sobre os lábios pedindo silêncio e aponta para as paredes em volta sinalizando cuidado com escutas ambientais.

Há quem já tenha presenciado Serra pedir ao interlocutor que retirasse o chip do celular antes de conversar.

Fernando Henrique Cardoso contou o caso a um deputado, mas ele achou a coisa com jeito de intriga da oposição. Até conferir com dois secretários do governo de São Paulo, que confirmaram a história.

13/08/2008 - 11:20h O ensaio mineiro das eleições presidenciais

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Aécio Neves, Fernando Pimentel (atual prefeito), Marcio Lacerda e Ciro Gomes em campanha no Mercado Central de Belo Horizonte

Editorial – VALOR

Por enquanto, a inédita coligação em Belo Horizonte, que uniu os dois partidos que tradicionalmente polarizam a eleição, PT e PSDB, em torno de um candidato do PSB que em outra hipótese não teria chance alguma, produziu apenas um candidato obscuro cercado de estrelas por todos os lados. Márcio Lacerda (PSB) desfilou anteontem seu terceiro lugar nas pesquisas ladeado pelo governador Aécio Neves (PSDB), pelo atual prefeito Fernando Pimentel (PT) e pelo deputado Ciro Gomes (PPS) como aquele que pode vir a ser uma criatura política concebida pela transferência direta do prestígio pessoal do governador e do prefeito. A aposta é a de que ambos têm substância eleitoral suficiente não apenas para transformar os 60% dos indecisos em votos favoráveis, mas para fazer da eleição de Lacerda um dado definitivo no jogo eleitoral de 2010, quando se estará decidindo a Presidência da República.

O cearense Ciro Gomes entrou no jogo mineiro por absoluta falta de opções. Por quase seis anos, foi a promessa de candidatura presidencial que aglutinaria todo o bloco governista por obra e graça de um apoio pessoal de Lula, que acenou com essa possibilidade até ceder – à sua maneira – à opção do PT por uma candidatura própria. Também o presidente Lula passou a apostar unicamente na força de seu prestígio – tanto no PT quando junto ao eleitor – para transformar uma ministra técnica, a da Casa Civil, Dilma Rousseff, em sua sucessora. Abrigado num pequeno partido e com chances cada vez mais remotas de coligação com o PT em 2010, Ciro tem que aumentar o seu cacife para ter algum poder de negociação na sucessão de Lula. A vitória do candidato de seu partido em Belo Horizonte é um dado importante, e uma aposta que o une a Aécio, um ex-colega de PSDB – Ciro foi um dos fundadores do partido e saiu batendo a porta no governo de Fernando Henrique Cardoso.

A capital mineira tornou-se uma peça importante no jogo sucessório nacional por falta de opção. Aécio Neves tem que encontrar um caminho próprio que não passe por São Paulo, onde tem um adversário interno declarado, o governador José Serra, e um que pode sempre ser um postulante a qualquer cargo, Geraldo Alckmin. As eleições de BH tornaram-se um modelo do que seria o ideal para ele em 2010: uma aliança entre ele, o PT e o PSB que isole postulantes paulistas; e um acerto com Ciro Gomes, que pode lhe valer uma visibilidade no Nordeste que hoje não tem.

No meio dessa porção de interesses políticos que se projetam a 2010, existe o eleitor da capital mineira. Por enquanto, não é possível dizer que ele vá referendar o projeto político de seu governador e do seu prefeito – este, interessado, no momento, em definir sua hegemonia sobre o diretório mineiro do PT. Os dados objetivos não permitem nenhuma aposta: Jô Morais, do PCdoB, tem hoje o primeiro lugar nas pesquisas, mas é também a mais conhecida do eleitor – e não começou o horário eleitoral gratuito, que apresentará o desconhecido Lacerda e tentará converter o alto grau de aprovação das administrações de Aécio e Pimentel em votos a favor dele. De outro lado, o alto índice de indecisão, e o fato de nenhum dos candidatos a prefeito ter um peso próprio que garanta um claro favoritismo, dá chances a Lacerda de ganhar apenas apresentando ao eleitor o aval de seus apoiadores. Conta também a favor do candidato do PSB, registra uma pesquisa do Instituto Vox Populi, um alto índice de aprovação do eleitorado à aliança entre PT e PSDB, que o apóia.

Se Jô Moraes ganhar, ninguém ganha grandes coisas junto com ela. Se Lacerda perder, perdem Aécio, Pimentel e Ciro Gomes – e a maior chance de a sucessão presidencial sair do círculo de influência paulista. Nessa circunstância, é de se esperar que pelo menos as duas lideranças mineiras joguem todo o seu prestígio e poder não apenas para conseguir votos para Lacerda, mas para conter dissidências. A máquina municipal do PT, sob influência do prefeito, abriu processo na Comissão de Ética contra todos aqueles que declararam apoio público à candidata do PCdoB. É só o começo. O jogo tende a ser pesado – e se for pesado demais, pode ter o efeito contrário e favorecer Jô Morais, numa eleição onde nenhum candidato tem uma fatia de liderança própria – e onde, teoricamente, qualquer vitorioso será um azarão.

11/08/2008 - 09:24h Com crescimento e gestão, previdência espera zerar déficit em 2010

”Qualquer reforma é para 2050”

Ministro diz que vai equilibrar a previdência urbana com medidas de gestão, mesmo ampliando o número de beneficiados

Isabel Sobral – O Estado de São Paulo

José Pimentel, Ministro da Previdência Social
http://diariodonordeste.globo.com/imagem.asp?Imagem=285951

O governo federal não tem interesse em promover um novo ajuste nas regras da previdência até o fim de seu mandato. “O que a gente tem que ter clareza é que qualquer reforma previdenciária é para 2050″, disse o ministro da Previdência Social, José Pimentel. No cargo há dois meses, Pimentel afirmou que as prioridades até 2010 são investir na gestão administrativa, melhorar o atendimento aos segurados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e tirar pelo menos parte das contas previdenciárias do vermelho. “Nós estamos fazendo uma opção pela gestão”, afirmou o ministro, nesta entrevista ao Estado.

Além da gestão, Pimentel diz que o governo tem como horizonte imediato a ampliação da cobertura previdenciária, “com a criação da figura do microempreendedor individual”, cujo projeto está na Câmara. “É o feirante, o camelô, o sacoleiro, o pipoqueiro, o borracheiro, a cabeleireira, a manicure, que, se tiverem renda de até R$ 36 mil por ano, poderão ter um CNPJ nacional e único que valerá para municípios, Estados e União. Eles serão isentos de contabilidade e terão tributação zero de todos os impostos federais devidos pelas pessoas jurídicas”, resumiu Pimentel, lembrando que eles terão todos os benefícios, exceto aposentadoria por tempo de contribuição.

O ministro informou que quer chegar a um entendimento com o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), e os líderes partidários para enviar um projeto de lei à Câmara ainda este ano tornando automática a concessão de aposentadorias, sem a necessidade de o contribuinte comprovar o seu direito, invertendo o ônus da prova para o INSS. O projeto vai retomar ainda um antigo desejo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que é mudar formalmente a contabilidade da previdência.

As contas dos benefícios dos trabalhadores urbanos seriam separadas das contas da previdência rural, além de deixar transparente os valores das renúncias previdenciárias em favor, por exemplo, das entidades filantrópicas. “Podemos chegar em 2010 com a previdência urbana superavitária”, completou. A seguir, os principais trechos de entrevista.

O governo Lula ainda pretende fazer uma nova reforma da Previdência?

Os nossos cálculos apontam que, até 2050, (o Brasil) não precisa de reforma previdenciária. A questão é gestão e crescimento econômico. A partir de 2050 é que uma reforma será necessária por causa da queda na taxa de natalidade e o aumento de expectativa de vida de quem completa os 60 anos. Em 2010, por exemplo, estará em 79,6 anos essa sobrevida para os homens e em 82,9 anos para as mulheres. Em 2050, passará para 82,7 anos para os homens e 87 anos para mulheres.

Não é melhor, então, começar a discutir agora uma reforma previdenciária que entre em vigor nesse futuro?

Evidente que se pode começar a pensar já em fazer isso, mas nós estamos fazendo uma opção pela gestão, vamos cuidar da gestão. O que a gente tem que ter clareza é que qualquer reforma previdenciária é para 2050.

O que será feito ainda na gestão da Previdência?

O presidente Lula determinou que seja feita a separação das aposentadorias rurais e urbanas na contabilidade da previdência, algo que já fazemos administrativamente e agora vamos formalizar. Com isso, queremos deixar clara para a sociedade brasileira a situação do sistema previdenciário público brasileiro. Explicitar que as aposentadorias especiais (rurais, artesanais e extrativistas) serão sempre subsidiadas pela sociedade, mas que a previdência urbana nós queremos superavitária.

E como ela pode ser superavitária?

A leitura é que, se a economia continuar a crescer em 2009 pelo menos 4% e outros 4% em 2010, ao final desse ano a previdência urbana será superavitária. Os dados do primeiro semestre mostram uma queda de 17,5% no déficit em relação ao mesmo período do ano passado. Boa parte desses R$ 18,5 bilhões de déficit acumulado nos seis meses vem das aposentadorias especiais. Aliado a esse esforço de redução do déficit, vamos aumentar o reconhecimento dos direitos previdenciários.

Trata-se da proposta de inverter o ônus da prova para os segurados?

Isso mesmo. A atual legislação, de 1991, determina que o contribuinte comprove o direito ao benefício. Vamos implantar o CNIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais), que permitirá ao trabalhador chegar ao balcão da agência da previdência, puxar o seu extrato e homologar na hora seu pedido de aposentadoria. O objetivo é simplificar o atendimento e, ao mesmo tempo, combater as fraudes. Porque nós passaremos a ter um banco de dados prévio e certificado. Para quem tem direito às aposentadorias por idade, de 60 anos para mulher e 65 anos para homens, com tempo mínimo de contribuição de 13,5 anos, já temos condições de certificar porque o nosso banco de dados de julho de 1994 para cá está completo. Portanto, na hora em que o Congresso Nacional alterar a lei, nós temos condições de implantar a nova regra imediatamente para quem pedir aposentadorias por idade no meio urbano.

E a aposentadoria por tempo de contribuição, que exige 30 anos das mulheres e 35 anos dos homens?

Para esse pessoal, estamos montando o banco de dados que começará em 1976 (data de criação da Relação Anual de Informações Sociais (Rais). Esse está dando mais trabalho porque precisamos dos dados mês a mês. Já fizemos um primeiro grande batimento de dados e em mais ou menos 40% do cadastro ainda falta alguma complementação. Na hora em que o Congresso autorizar, vamos pedir informações aos empregadores e depois aos trabalhadores, se necessário.

O sr. tem falado em atrair mais contribuintes pessoas físicas para o INSS pagando alíquota reduzida, de que forma?

A nossa grande preocupação é ampliar a cobertura previdenciária e mais um passo para isso será a criação da figura do microempreendedor individual, cujo projeto está na Câmara. É o feirante, o camelô, o sacoleiro, o pipoqueiro, o borracheiro, a cabeleireira, a manicure que, se tiverem renda de até R$ 36 mil por ano, poderão ter um CNPJ nacional e único que valerá para municípios, Estados e União. Eles serão isentos de contabilidade e terão tributação zero de todos os impostos federais devidos pelas pessoas jurídicas. Aí poderão contribuir com 11% sobre o salário mínimo para a previdência e terão direito a todos os benefícios, exceto aposentadoria por tempo de contribuição.

Mas já existe um plano simplificado de contribuição, com alíquota de 11%, criado pela Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas em 2007.

Esse é um segundo passo, pois agrega a possibilidade de formalização do microempreendedor, algo que o primeiro plano simplificado não prevê. No próximo dia 12 de agosto, vamos ter uma grande manifestação, em São Paulo, em favor desse novo sistema. Esse projeto de lei tem acordo entre governo e oposição, mas só não foi votado ainda porque a pauta da Câmara está trancada por medidas provisórias.

01/08/2008 - 10:08h Debate temático domina 1 encontro de candidatos

Debate ontem que reuniu os candidatos a prefeito de São Paulo, promovido pela Rede Bandeirantes de TV: discussão temática dominou primeira metade
Fernando Donasci / Folhaimagem
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VALOR – Cesar Felício e Danilo Jorge, Sérgio Bueno, Marli Lima e Raquel Salgado, de São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba e Salvador

O primeiro debate promovido pela TV Bandeirantes em seis capitais (São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Salvador e Manaus), entre candidatos a prefeito, foi dominado por discussões temáticas, com farpas mais acaloradas no da capital baiana.

No primeiro dos cinco blocos do debate paulistano, a primeira pergunta apresentada pelo mediador Boris Casoy foi sobre as propostas dos candidatos para combater a poluição na cidade. Os líderes em pesquisa, Marta Suplicy (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB) demonstraram mais segurança na abertura do debate. A candidata do PT, Marta Suplicy, atacou a atual gestão por ter abandonado a coletiva coletiva de lixo, o que teria agravado a poluição, além da política de expansão dos corredores de ônibus. Geraldo Alckmin disse que as doenças do aparelho respiratório já são a quarta causa de morte na cidade. Falou da redução do ICMS sobre o carro flex, que aprovou como governador.

O candidato do PP, Paulo Maluf, apresentou a principal proposta de sua plataforma, a “freeway”, seis pistas sobre os rios Tietê e Pinheiros. Foi o único momento em que o assessor de Marta, João Santana, riu, da platéia. “Carros em movimento poluem menos que aqueles em ponto morto”. A candidata do PPS, Soninha Francine, criticou a política de popularização de crédito que permite compra de carro em até 90 meses. E ainda observou que a proposta de Maluf, de asfaltar os rios da cidade, aumentaria a poluição.

No segundo bloco, Soninha, perguntou a Marta se ela se arrependia do túnel da Rebouças e da ponte estaiada, que não tem ciclovia nem passagem para pedestre . Marta disse que não se arrependia de nada e, de olho no eleitorado da candidata, elogiou sua iniciativa de ter chegado de bicicleta. “Foi coerente”. Disse que construiria mais 200 quilômetros de corredores de ônibus e citou o compromisso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de liberar recursos para as iniciativas em transporte público.

Perguntado por Ivan Valente (PSOL) sobre quem financiaria sua campanha, que tem teto de R$ 25 milhões, Alckmin disse que a previsão é modesta e não respondeu. Preferiu defender o financiamento público de campanha. O candidato do PSOL o acusou de faltar com a transparência e disse que o financiamento privado era a principal origem da corrupção no Brasil. Relacionou a atuação de seus financiadores com o acidente no metrô . Alckmin rebateu que a associação era de mau gosto.

Alckmin perguntou a Kassab qual seria sua proposta para a iluminação pública em São Paulo. Kassab acusou a privatização das empresas públicas de energica, feita por Alckmin, de não ter condicionado as empresas a investir em iluminação pública. Alckmin não acusou o golpe e disse que a iluminação teria que ser melhorada para ajudar a segurança.

Nos bastidores, o ex-governador Orestes Quércia (PMDB), que apóia Kassab, disse que seu candidato precisava mudar a postura. “Precisa demonstrar coragem, do homem que enfrenta caminhoneiros e está enfrentando o trânsito”. Os senadores Álvaro Dias (PSDB) e Sérgio Guerra (PSDB) prestigiaram Alckmin. Com Marta, chegaram seu vice, o deputado federal Aldo Rabelo (PCdoB), e os senadores petistas Aloizio Mercadante e Eduardo Suplicy. Soninha Francine, chegou de bicicleta. Ivan Valente foi o único a apostar em militância, com torcida uniformizada. Ele tem 1% nas pesquisas.

Em Belo Horizonte, oito dos nove candidatos participaram. Um dos mais esperados para o evento, devido às incertezas em relação à sua participação, o empresário Márcio Lacerda (PSB) disse que a decisão só foi tomada no início da noite, poucas horas antes do programa. “A questão principal era saber se participar de um debate com oito candidatos era produtivo ou não”, disse.

O candidato disse que a decisão foi tomada após avaliação feita pelos estrategistas da campanha e pelos membros do conselho político. Ele afirmou que a posição do governador Aécio Neves (PSDB) e do prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), os dois principais fiadores da candidatura de Lacerda, era favorável à participação.

No início do debate, o candidato do PMDB, deputado federal, Leonardo Quintão ressaltou que a sua candidatura fazia parte da base partidária que apóia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e, no Estado, o governador Aécio Neves.

Para a candidata do PC do B, deputada federal Jô Moraes, que lidera até agora as primeiras pesquisas eleitorais já divulgadas, o debate serviria para revelar ao eleitor, “quem efetivamente conhece a cidade e quem pode estar a serviço dela”.

No início do debate de ontem à noite em Porto Alegre, os candidatos à prefeitura trataram de apresentar – e reapresentar – promessas de governo enquanto o prefeito José Fogaça (PMDB), que concorre à reeleição, preferiu relacionar as iniciativas da própria administração. Segundo ele, que lidera as pesquisas de intenção de voto, nos últimos quatro anos o município investiu em segurança comunitária, no combate às pichações de locais públicos e na qualificação da Guarda Municipal. Ele lembrou ainda a contratação de médicos, a ampliação do programa da saúde da família e a reforma de parte dos postos de saúde pública.

A candidata do PT, Maria do Rosário, segunda colocada nas pesquisas, comprometeu-se a levar adiante o programa de despoluição do lago Guaíba, iniciado ainda na última gestão do partido (2001-2004). Ela prometeu ainda estender a coleta seletiva de lixo para toda a cidade e construir uma usina de geração de energia a partir de resíduos orgânicos. Manuela D’Ávila (PCdoB), que vem em terceiro nas pesquisas, voltou a afirmar que se empenhará na construção de um metrô na cidade e disse que pretende estabelecer restrições ao trânsito de caminhões no centro em horários determinados.

Os oitos candidatos à prefeitura de Curitiba participaram ontem do debate da Band. Havia a expectativa de que seriam sete contra o prefeito Beto Richa (PSDB), que busca a reeleição e conta com vitória no primeiro turno. O primeiro embate foi entre o tucano e o candidato do PMDB, Carlos Augusto Moreira Júnior, que questionou os gastos de R$ 30 milhões para propaganda da atual gestão em 2008. Richa disse que ele estava ‘mal informado’ e o acusou de usar a estatal TV Educativa para propaganda pessoal.

Na pergunta feita pela emissora a todos os candidatos, a questão envolvia um poste de energia colocado no meio de uma ciclovia e a necessidade de ter de conversar com empresas do governo para resolver problemas. Gleisi Hoffmann, do PT, aproveitou para elogiar a gestão de Lula logo na primeira oportunidade. Numa cutucada ao tucano, Moreira disse que tem bom relacionamento com o governo do Estado, ou seja, com o governador Roberto Requião, que o indicou à disputa. Assuntos como mobilidade urbana e transporte público, falta de creches, necessidade de mais investimentos em saúde e falta de segurança foram outros assuntos em pauta.

Os candidatos à prefeitura de Salvador resolveram colar não só na imagem de Lula, mas também na do governador da Bahia, Jaques Wagner. O primeiro a lançar mão disso foi justamente o candidato tucano, o ex-prefeito Antonio Imbassahy. Logo na abertura, aproveitou para exaltar conhecimento da cidade ressaltar que tem um “relacionamento fundamental com o governador”.

Wagner tem frisado que três candidatos, Imbassahy, Walter Pinheiro (PT) e João Henrique Carneiro (PMDB) “o tem” e fez questão de participar da convenção não só do PT, mas também das demais dos partidos de sua base: PMDB e PSDB.

Mesmo tendo falado primeiro do que Imbassahy, Walter Pinheiro, candidato pelo PT, não se lembrou de citar sua parceria com Wagner, deixando isso para o segundo bloco do debate. O deputado federal enumerou problemas de Salvador, como gestão, trânsito e exclusão dos negros, e disse que sua prioridade é humanizar a cidade.

O candidato do Democratas, Antonio Carlos Magalhães Neto, também falou sobre os pontos críticos de Salvador e, como tem feito em sua campanha, se colocou como o novo. Em busca de uma imagem de preparado, tinha, na ponta da língua, o número de policlínicas, postos e médicos da família que pretende implantar na capita baiana. Não deixou de atacar o atual prefeito, João Henrique Carneiro (PMDB).

João, por sua vez, acusou ACM Neto de ser mais do mesmo e de vir de um partido que governou o Estado por 16 anos e Salvador por oito. Foi o primeiro a citar a aliança com o presidente Lula, o que fez por três vezes durante os dois minutos em que respondeu sobre a saúde em Salvador.

01/08/2008 - 09:53h Um encontro marcado com a derrota

Foto: Agências

Os seis governadores eleitos do PSDB: Yeda Crusius, Cássio Cunha Lima e Ottomar Pinto (no alto);
Teotônio Vilela, Aécio Neves e José Serra (abaixo)

VALOR

Do alto de seus 73% de aprovação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva procura dar-se ao luxo de se afastar dos palanques municipais. Começará a organizar a sua sucessão depois de contados os votos sem dívidas a pagar e sem derrotas que lhe sejam creditadas. Sua capacidade de liderança tende a ficar ainda mais realçada pelo contraste: a situação dos governadores é exatamente oposta. O começo da temporada eleitoral deste ano nas capitais estaduais é um prenúncio de desastre para os governadores, de leste a oeste, de sul a norte, independente de partido.

No PSDB, tropeça o paulista José Serra e tropeça o mineiro Aécio Neves. Depois de não conseguir evitar a candidatura a prefeito de Geraldo Alckmin , Serra agora vê a campanha de seu favorito Gilberto Kassab patinar. Tornou-se um ausente da eleição na maior cidade do continente.

Em Belo Horizonte, Aécio imaginava que conseguiria montar uma coligação para eleger seu secretário Márcio Lacerda tão ampla que tornaria a eleição uma formalidade. Teve de manter o PSDB fora da aliança formal, recebeu um PT rachado e ficou sem o PMDB e o DEM. Não é provável que a líder nas pesquisas Jô Moraes mantenha o fôlego até outubro. Mas já não há dúvidas de que em Belo Horizonte a disputa será em dois turnos e que Aécio precisará cortar seus descansos de fim de semana no Rio para eleger seu candidato.

Gestores de crises, os demais governadores tucanos estão em situação ainda pior. No Rio Grande do Sul, Yeda Crusius apóia Marchezan Júnior, candidato ao sexto lugar em Porto Alegre. Em Alagoas, a candidata do governador Teotonio Vilella Filho apareceu com 1% na última pesquisa divulgada.

O petista Jaques Wagner é outro mero expectador do processo, na Bahia. Não trouxe o prefeito João Henrique para o PT e nem promoveu a aliança do partido com o PMDB. Ficará feliz se conseguir evitar a vitória de ACM Neto, que lidera as pesquisas. No Rio de Janeiro, o pemedebista Sérgio Cabral Filho também está longe de emplacar seu candidato. A lista completa enfadaria o leitor: estão mal posicionados na eleição para a capital de seus Estados Blairo Maggi (MT), Roberto Requião (PR), Alcides Rodrigues (GO), Ana Júlia Carepa (PA), Cid Gomes (CE), Eduardo Campos (PE), Luiz Henrique (SC), entre outros.

Tendência é governadores perderem nas capitais

A concentração de riqueza e saber em relação ao resto do Estado tradicionalmente torna as capitais centros oposicionistas. A capacidade da ação administrativa do governador reverter em popularidade é diluída na capital. A construção de uma ponte pode mudar o jogo político numa pequena cidade. Numa capital de Estado, obras de bilhões têm efeito reduzido. A regra não é apenas brasileira, que o digam Argentina e México, onde os prefeitos de Buenos Aires e Cidade do México se opõem ao poder central.

Desde a redemocratização as derrotas dos governadores em suas capitais quase sempre predominaram sobre as vitórias chegando ao extremo das eleições de 1992, quando todos os governos estaduais saíram derrotados. Esta tendência geral só não predominou na eleição de 2000 quando oposição e situação aos governos estaduais elegeram treze prefeitos de capital cada. Na última disputa, há quatro anos, apenas cinco governadores tiveram sucesso na eleição municipal mais importante de seus Estados.

A questão é entender o desdobramento destas derrotas na eleição seguinte. E é neste ponto que as situações não podem ser analisadas em bloco. Algumas capitais, como Curitiba e Teresina, apresentam uma linha de continuidade política de pelo menos vinte anos. Os governadores Requião e Wellington Dias chegaram ao poder apesar da oposição dos grandes centros e uma nova derrota não é diminuição de capital político.

Há também os casos em que a capital não é determinante para o controle da máquina estadual. No Pará, o PT ganhou em Belém em 2000. Dois anos depois, o PSDB manteria o controle do governo estadual. Em 2004, por meio do aliado PTB, foram os tucanos que venceram a eleição municipal. Na eleição para o governo estadual, quem levaria seria a petista Ana Júlia.

Por motivos análogos – a tentativa de forjar alianças amplas- Serra e Aécio amarraram as eleições de 2008 a 2010. O primeiro apostou na junção de quercismo e dos antigos pefelistas, hoje democratas. O segundo mirou na esquerda, dando mãos ao PSB de Ciro Gomes e ao prefeito petista Fernando Pimentel. Qualquer resultado diferente da vitória de Kassab em São Paulo fará com que Serra dependa do apoio de seus adversários dentro do próprio partido para viabilizar sua candidatura presidencial de 2010.

O cenário eleitoral para Aécio em Belo Horizonte está longe de ser tão adverso quanto é o paulistano para Serra, mas uma derrota de Márcio Lacerda teria um potencial destruidor muito maior. Principalmente porque não poderia ser debitada ao candidato – um desconhecido na capital mineira – mas exclusivamente a Aécio e Fernando Pimentel. Tinge de fracasso a imagem de articulador político de ambos. Tenderia a sepultar a candidatura do primeiro à Presidência e do segundo ao governo estadual.

César Felício é repórter de Política. Substitui, interinamente, a editora de Política Maria Cristina Fernandes, titular da coluna, às sextas-feiras

26/07/2008 - 12:41h Pimentel (PT), prefeito de Belo Horizonte obtém sua melhor avaliação: 74% de ótimo e bom

Fernando Pimentel (PT), no meio da foto, Prefeito de Belo Horizonte
http://oglobo.globo.com/fotos/2008/04/27/27_MHG_pais_pimentel.jpg


Tive que acrescentar Belo Horizonte e prefeito do PT, poque como está na Folha me pareceu que o título carecia de informação relevante. LF

Pimentel obtém a sua melhor avaliação

DA AGÊNCIA FOLHA, EM BELO HORIZONTE

A cinco meses de deixar o comando da Prefeitura de Belo Horizonte após quase sete anos, a avaliação da gestão Fernando Pimentel (PT) atingiu o maior percentual entre os eleitores da capital mineira: 74% de ótimo e bom, segundo pesquisa Datafolha. 20% consideram a gestão regular e 5%, ruim e péssima. A nota média atribuída a ele foi de 7,4.
Realizada nos últimos dias 23 e 24, a pesquisa indica que a avaliação do petista cresceu cerca de dez pontos percentuais desde maio de 2006. Naquela ocasião, sua gestão foi considerada ótima e boa por 64% dos entrevistados.
Nas três pesquisas seguintes, a avaliação da gestão oscilou negativamente e positivamente.
A gestão Pimentel nos últimos anos tem sido marcada por grandes obras na cidade, quase sempre com em parcerias com os governos estadual e federal.
(PAULO PEIXOTO)

19/07/2008 - 19:16h Segundo Ibope, Jô Moraes lidera Belo Horizonte. Márcio Lacerda é 3º

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Aécio, Pimentel e Lacerda, mesmo com dois padrinhos de peso 3° no IBOPE. Na liderança Jô Moraes do PCdoB

GlobonewsTV

RIO – O Ibope divulgou neste sábado pesquisa sobre intenções de votos em Belo Horizonte. A candidata do PCdoB, Jô Moraes, lidera a disputa à prefeitura, com 17%. Em segundo lugar está Leonardo Quintão, do PMDB, com 14%. Márcio Lacerda, do PSB, que conta com o apoio do governador Aécio Neves (PSDB) e do prefeito Fernando Pimentel, tem 8%. Vanessa Portugal, do PSTU, tem 4%. Sérgio Miranda, do PDT, 3%; Gustavo Valadares, do DEM, 2%; e André Alves, do PTdoB, 1%. Brancos e nulos somaram 19% e 30% não opinaram.

Segundo o Ibope, em eventual segundo turno Jô Moraes venceria quintão por 26% a 21%, e Lacerda por 27% a 16%.

20/06/2008 - 09:24h PDT, PCdoB e PSB apoiam Marta e sugerem Aldo Rebelo como vice

Aldo Rebelo recua e aceita ser vice de Marta Suplicy

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Valor Econômico

aldo.jpgBRASÍLIA – O PT contrariou o apelo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e decidiu manter o veto à coligação formal do partido com o PSDB na eleição para prefeito de Belo Horizonte. Antes da reunião Comissão Executiva Nacional (CEN) petista, o deputado Aldo Rebelo (PCdoB), que recebera o mesmo apelo de Lula, autorizou os partidos que integram o chamado ” bloquinho ” a apresentar seu nome para compor a chapa da candidatura de Marta Suplicy a prefeita de São Paulo, na condição de vice.

Segundo Aldo, sua decisão deveria ser entendida como um ” gesto de boa vontade ” em relação ao entendimento da esquerda, conforme pedira Lula numa reunião, na véspera, com os presidentes do PT, PSB, PCdoB e PDT. Aldo então contava, embora sem muito otimismo, que seu gesto provocasse alguma ” reciprocidade ” do PT. Referia-se à retirada do veto à aliança entre PSB, PT e PSDB em Belo Horizonte. O PCdoB já dera por perdida a possibilidade de obter o apoio do PT no Rio de Janeiro.

À noite, Aldo preferiu não comentar a decisão. O deputado, que é ex-ministro de Lula e ex-presidente da Câmara, quer antes conversar com os partidos que integram o ” bloquinho ” , que defendem sua indicação para a chapa de Marta a prefeito. Aldo defendeu o lançamento de candidaturas próprias do bloco nos grandes colégios eleitorais, mas os partidos que integram o bloco, em São Paulo, pensavam de maneira diferente e a divisão entre eles era dada como certa. O PDT, por exemplo, iria com Marta de qualquer maneira.

Ainda assim, Aldo comemorou o fato de os três partidos tomarem a decisão de apresentá-lo como vice. ” O símbolo de São Paulo pesa muito ” , disse. Além da suposta unidade do bloco em São Paulo, Aldo disse que a decisão foi tomada sob condições, como a discussão de uma plataforma de governo com a candidata Marta Suplicy. A decisão do ” bloquinho ” foi aplaudida ao ser anunciada na reunião da executiva petista.

Hoje, as siglas do bloco se reúnem com a direção municipal do PT para debater os pontos que foram apresentados aos petistas como condição de apoio a Marta. São eles: a indicação de Aldo na vice; a formação de um conselho político de campanha constituído por lideranças de todos os partidos e que tenha poder para definir tanto rumos da campanha eleitoral quanto aspectos do programa de governo; e a participação no governo, em caso de vitória na eleição. Ao PCdoB interessa, por exemplo, a área de esportes, assim como ao PDT a área trabalhista.

A coligação na chapa para vereadores ainda não é consenso. O PDT já firmou posicionamento de que não tem interesse em que a aliança seja ampliada também para a chapa de vereadores. Já o PRB tem esse interesse. Os outros dois partidos ainda não firmaram entendimento sobre o assunto. A avaliação é de que a ausência de uma candidatura a prefeito faz com que diminuam os votos de legenda, que costumam ajudar a eleger bancada para a Câmara Municipal. Além disso, uma chapa própria garante a linha de sucessão, na eventualidade de algum vereador desejar se candidatar em 2010 para a Assembléia Legislativa ou a Câmara dos Deputados.

Em reunião anteontem, o PT demonstrou abertura para discutir os pontos. A expectativa é de que já no início da próxima semana seja oficializada a chapa e as questões que demandem mais tempo, como a formação do conselho político, sejam negociadas após a formalização da candidatura. Há também um limite temporal para que isso ocorra: as chapas devem estar constituídas até o fim do mês, uma vez que a campanha se inicia no dia 6 de julho. As convenções desses partidos estão marcadas para o próximo fim de semana.

Fora de São Paulo, o maior problema para a direção do PT continua sendo Minas, pois Lula fizera um apelo ao partido para que não fossem criados problemas para a aliança com o PSDB. Dois recursos à CEN ajudaram a cúpula petista a resolver o problema rapidamente. Um pedia a intervenção prévia no diretório municipal de Belo Horizonte; outro, que o veto à aliança com os tucanos fosse reconsiderado. Por 13 votos, a Executiva decidiu rejeitar os dois recursos. Houve um voto pela intervenção e outro pela reconsideração.

A decisão já era esperada pelos petistas ligados ao prefeito Fernando Pimentel, de Belo Horizonte, que a classificam de ” bolchevismo tardio ” e não têm a menor intenção de cumprir a determinação. A convenção para referendar a aliança com o candidato Márcio Lacerda (PSB) está confirmada para o próximo dia 21. Falta acertar como se dará a participação do PSDB do governador Aécio Neves. Para contar com o tempo de TV dos tucanos, PSB e PT precisam se coligar formalmente com o PSDB.

Para os aliados de Pimentel a decisão do PT tem contornos de ” revanchismo ” , algo pessoal contra o prefeito de Belo Horizonte, que defendia a ” despaulistização ” do PT. Avaliam que dá para fazer a campanha e ganhar a eleição sem o aval da cúpula ” bolchevique ” e que, em dezembro, o que importará é que no final do ano Fernando Pimentel e Aécio Neves terão eleito o prefeito da capital de Minas Gerais e que nada restará ao PT fazer.

A decisão da cúpula petista serve para agastar ainda mais a relação do PT com seus aliados à esquerda, mas demonstra que nenhum deles ainda conseguiu reunir força suficiente para avançar sobre uma porção significativa do espaço petista. Os partidos registraram também que, a exemplo do que ocorreu em outras ocasiões, como a eleição para a presidência da Câmara vencida pelo deputado Arlindo Chinaglia, o PT fez o que quis apesar das manifestações em contrário do presidente Lula.

(Raymundo Costa e Caio Junqueira | Valor Econômico)

04/06/2008 - 10:24h Petista deixa ministério ao lado da Turma da Mônica

Ministra ‘empossou’ personagem como embaixadora do turismo; Marinho se despede em ato com servidores

Vera Rosa, Brasília – O Estado de São Paulo

Candidata do PT à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy se despediu ontem do Ministério do Turismo ao lado da turma da Mônica. Ao participar da última cerimônia como ministra, Marta “empossou” Mônica, a mais conhecida personagem das histórias em quadrinhos, como Embaixadora do Turismo Brasileiro. A poucos metros dali, na mesma Esplanada, o ministro da Previdência, Luiz Marinho (PT), que vai concorrer à Prefeitura de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, foi às lágrimas ao receber homenagem dos servidores.

Marta e Marinho conversam hoje à tarde com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e anunciam a saída da equipe para a disputa municipal. A ministra deverá ser substituída por Luiz Barreto Filho, atual secretário-executivo do Turismo, e Marinho, pelo deputado José Pimentel (PT-CE).

Diante de um auditório repleto de crianças, Marta brincou com Mônica, que estava acompanhada de seu indefectível coelhinho azul, e aplaudiu Cebolinha, Cascão, Magali e Chico Bento. “Essa, certamente, foi a mais alegre atividade de que eu participei no ministério”, garantiu.

O desenhista Maurício de Sousa, que criou a personagem em 1963, disse que a cerimônia não tinha ligação com a campanha do PT. “Se a ministra sai candidata com uma festa para criança, é uma beleza de saída, não é?”, comentou. “Tenho amigo em todos os lados e todo mundo compra nosso gibi, tanto os petistas como os tucanos.”

Sem querer falar de sua campanha, que até agora não conseguiu conquistar apoios fora do PT, Marta não escondeu a animação. “Mônica, não pode falar bobagem!”, advertiu ela, dirigindo-se para a platéia. Depois, em tom de voz semelhante ao de quem conta histórias infantis, disse que a personagem nunca faz nada errado. “Sabem por quê?”, perguntou para as crianças. “Porque ela ensina noções de higiene, como escovar os dentes…”

Questionada sobre a pesquisa do Ibope, indicando sua liderança, com 30% das intenções de voto, Marta foi econômica. “Foi boa”, encerrou. O primeiro ato de Marta como candidata será sexta-feira, na Casa de Portugal.

A cúpula do PT também está organizando uma recepção para Marinho. Na tarde de ontem, faixas no estacionamento do ministério agradeciam o seu “empenho” na valorização dos servidores. “Marinho, você vai lavar nossa alma”, afirmou o deputado Vicente Paulo da Silva (PT-SP), o Vicentinho, derrotado nas eleições de São Bernardo em 2004.

03/06/2008 - 12:08h “Não há grupo algum”, diz Dulci

L'image “http://www.pt.org.br/portalpt/images/stories/easygallery/thumbs/227/1196183697_congresso-06.jpg” ne peut être affichée car elle contient des erreurs.Ministro Tarso Genrohttp://www.pt.org.br/portalpt/images/stories/easygallery/thumbs/227/1196183478_congresso-04.jpg

VALOR

Ao contrário do governador de Minas Gerais, Aécio Neves, o ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento) não distingue uma “era pós-Lula” ao final do segundo mandato do presidente. O que o PT deve discutir, em sua opinião, é como consolidar e ampliar as conquistas sociais do governo, que ainda tem dois anos e meio pela frente.

Um problema com o avião que o traria de volta de El Salvador, onde esteve com Lula na semana passada, impediu Patrus de participar da reunião do Diretório Nacional do PT que discutiu a situação da eleição para prefeito de Belo Horizonte. O ministro é contrário à aliança que o prefeito Fernando Pimentel negociou com o PSDB de Aécio.

Como Pimentel é correligionário declarado da candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) a presidente, os petistas que se opõem à aliança tucano-petista em Belo Horizonte foram logo carimbados de “anti-Dilma”. E relacionado ao grupo que Tarso Genro (Justiça) tenta articular para construir um novo campo hegemônico no PT.

Além de Patrus, o ministro Tarso Genro incluiu dois outros palacianos no grupo: Luiz Dulci (Secretaria Geral) e Marco Aurélio Garcia, o assessor de assuntos internacionais de Lula. Genro estava em férias, andou por Porto Alegre, Buenos Aires e hoje deve estar em Brasília. Vai se deparar com o olhar enviesado de ministros. Se for o caso, Dulci talvez faça uma cobrança pública sobre o tal grupo: “Não há grupo algum”, diz.

Os petistas estão intrigados com o anúncio feito por Genro da criação de um novo campo hegemônico no PT, do qual participariam os ministros mencionados, e com o desdém com que tratou a eventual candidatura de Dilma.

Das duas, uma: ou Genro quer chamar a atenção de Dilma para alguma questão estadual ou se convenceu de que a união de interesses temporária dos grupos a Mensagem e Construindo um novo Brasil, na eleição do Diretório Nacional, sirva para assentar as bases de uma nova maioria no PT.

Patrus tem boa relação com Dilma, e pode apoiar sua candidata em 2010. O ministro também é lembrado para a disputa presidencial, especialmente por comandar o maior programa social do governo, o Bolsa Família, mas tem no governo de Minas Gerais o desdobramento mais provável de sua carreira política. Nisso, Pimentel é seu concorrente direto.

Olhares enviesados esperam Tarso Genro

http://carosamigos.terra.com.br/da_revista/edicoes/ed81/images/debate005.jpgO que Patrus considera muito prematura é a discussão sobre a sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva, quando faltam ainda dois anos e meio de mandato.

“Estamos olhando muito para 2010 e esquecendo o município”, dizia o ministro na sexta-feira, ainda em El Salvador enquanto refazia seu roteiro de viagem para ir se encontrar com Lula em Roma. O ministro reconhece que tem discutido questões partidárias, ido a fundo na questão de Belo Horizonte, mas decididamente não acha hora de falar de 2010.

Segundo Patrus Ananias, “os temas devem ser discutidos no seu tempo próprio”, como a “integração do econômico com o social, consolidando um mercado interno no pais. A integração das políticas sociais, o controle da inflação para nós é essencial. Essa é a discussão nos encontros que temos tido”, afirma o ministro do Desenvolvimento. A sucessão presidencial é definitivamente um assunto prematuro”.

Patrus conta que o seu “compromisso com o presidente da República é o da integração positiva, em como consolidar e ampliar conquistas sociais do governo Lula”.

“O PT não é um fim em si mesmo, mas um instrumento a serviço do povo brasileiro, muito importante para a consolidação de um projeto nacional”, argumenta. “É preciso discutir a sua responsabilidade no momento em que estamos vivendo. Não vejo uma era pós-Lula, mas de consolidação progressiva de um governo histórico”.

A ligação normal de Dulci seria com o conterrâneo Patrus , mas na hipótese de não haver nenhum candidato natural, tende a optar pelo que chama de “perfil novo”, ou seja, Dilma Rousseff. Na falta do “candidato natural”, Dulci acha que Lula deve assumir a coordenação da própria sucessão, no que está de acordo Ananias.

O PT espera ser ouvido por Lula, os ministros dizem que é isso o que Lula quer fazer, e – todos – que Genro articule a maioria que puder, mas sem envolver artificialmente terceiros.

Raymundo Costa é repórter especial de Política, em Brasília. Escreve às terças-feiras

02/06/2008 - 11:34h Petistas articulam frente contra Dilma

Katia Lombardi/Valor
Fernando Pimentel: ao conseguir apoio tácito de Lula, reverteu derrota política no Diretório Nacional do partido, que vetaria aliança em Belo Horizonte

Raymundo Costa – VALOR

http://diariodonordeste.globo.com/imagem.asp?Imagem=271394A ofensiva desencadeada pelo ministro Tarso Genro (Justiça) para a construção de um novo campo hegemônico no PT tem objetivo determinado: impedir a consolidação e que se torne irreversível a candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) ao Palácio do Planalto, com o patrocínio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O veto da Executiva Nacional petista à aliança com o PSDB, na eleição para a prefeitura de Belo Horizonte (MG), é reflexo dessa disputa, na qual está em jogo quem vai conduzir o processo de sucessão de Lula.

Boa parte da cúpula petista julga que o partido deve ter autonomia na escolha do candidato. Mas o presidente não pretende perder o controle do processo e demonstrou força ao levar a direção do PT a ser menos rigorosa em relação à disputa pela prefeitura da capital de Minas Gerais do que na decisão que adotara semana antes.http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/a/aa/Dilma_Rousseff.jpeg/429px-Dilma_Rousseff.jpeg

Na ocasião, o PT foi taxativo e decidiu “comunicar” a seção mineira que não autorizaria, “em nenhuma hipótese, o PT a participar de qualquer coligação da qual faça parte o PSDB naquela capital”. O tom foi outro na resolução aprovada na última sexta-feira, e em vez de “nenhuma hipótese” o PT resolveu “recomendar” aos mineiros uma nova discussão “afastando a possibilidade de coligação com PSDB e PPS”.

A questão mineira está longe de ser resolvida, mas na segunda-feira passada o Diretório Nacional era majoritariamente favorável ao veto radical da Executiva ao lançamento da candidatura de Márcio Lacerda (PSB) a prefeito de Belo Horizonte numa aliança com o PT – que indicará o candidato a vice – e o PSDB do governador Aécio Neves.

O que aconteceu entre a reunião da Executiva e o encontro Diretório foi a entrada em cena de Lula. E antes disso, uma entrevista do ministro Tarso Genro (Justiça) ao jornal “Zero Hora”, de Porto Alegre, que deu contornos bem delineados ao que antes não passava de um rumor entre os petistas: mais que insatisfação, havia uma reação articulada entre os potenciais presidenciáveis petistas aos privilégios de Lula à eventual candidatura Dilma.

Aliados de Lula acreditam que até então o presidente não havia se dado conta da extensão da ofensiva do gaúcho. Tarso nominou inclusive alguns dos petistas – cerca de 10 – que estariam empenhados na construção desse novo campo hegemônico. Entre eles dois ministros, Luiz Dulci (Secretaria Geral) e Patrus Ananias (Desenvolvimento Social), e o assessor para Assuntos Internacionais do Palácio do Planalto, Marco Aurélio Garcia.

L'image “http://www.videversus.com.br/fotos/6979/6979_jaques_wagner.jpg” ne peut être affichée car elle contient des erreurs.Entre os governadores, o ministro citou Jaques Wagner, da Bahia. Também não descartou a hipótese dele próprio vir a ser candidato. Sobre Dilma, foi bem claro que, entre as hipóteses possíveis, ela era “uma das”. O manifesto gaúcho levou vários setores do PT a acreditar que estava em formação uma “frente anti-Dilma”. O Valor apurou, no entanto, que há nuances e posições diversas entre os petistas citados.

O discurso de Genro encerra no partido autonomia para decidir sobre a candidatura. Mas Marco Aurélio Garcia, por exemplo, apenas teria dúvidas sobre a oportunidade da escolha – seria ainda cedo – e os métodos de gestão de Dilma Rousseff, mas nenhuma oposição a entrega do comando da sucessão a Lula.

Responsável pelo programa-símbolo do governo Lula, o Bolsa Família, o ministro Patrus Ananias diz que sim, tem debatido questões partidárias, inclusive é parte diretamente interessada na questão de Belo Horizonte, onde preferia uma aliança do PT com o PMDB. Mas definitivamente acha que não é hora de se falar em 2010. Patrus é um dos nomes citados no PT para a sucessão de Lula, para o governo de Minas Gerais, e seu ministério tem boa interação com o de Dilma.

Nesse contexto, Lula decidiu ir a Belo Horizonte no início da semana passada, onde tirou fotos com Lacerda ao lado do governador Aécio Neves e do prefeito Fernando Pimentel, os dois principais articuladores da candidatura. Nesse meio tempo, encontrou com a deputada Maria do Carmo e cobrou “a onda” que o PT estava fazendo. O deputado Ricardo Berzoini, presidente do PT, nega, mas tanto Aécio como Pimentel confirmam que Lula telefonou para o deputado a fim de dizer que apoiava a aliança.

A posição de Lula teve adesões previsíveis, como a de seu chefe de gabinete, Gilberto Carvalho, e dos ministros Paulo Bernardo (Planejamento) e Luiz Marinho (Previdência e Assistência Social; mas também algumas inesperadas para os conhecedores dos meandros da política petista. O exemplo mais ilustrativo é o de Marta Suplicy, ministra do Turismo, e assim como Dilma, Genro, Patrus e Jaques uma das opções consideradas no PT.

Se vencer a eleição para prefeito de São Paulo, Marta Suplicy em dois anos pode se candidatar ao governo do Estado ou até mesmo à Presidência da República, segundo avaliação feita no PT. No embate mineiro, Marta teve como aliado o ex-ministro Antonio Palocci, também citado como opção, na hipótese de conseguir se livrar das ações judiciais em que está envolvido até agora. Marta quer o apoio de Lula na eleição de São Paulo, mas o presidente está inclinado a não participar das eleições onde houver mais de um candidato aliado na disputa, caso de São Paulo.

Na véspera da reunião do Diretório Nacional do PT, no dia 30, o embate sobre o candidato e a condução do processo sucessório presidencial ficou m ais claro aos petistas no decorrer do dia. À noite, Pimentel, que estava em Brasília mas no dia seguinte não participaria da reunião do DN, chegou a dizer em alto e bom som, como se estivesse arrebatado: “Eu prefiro perder com o Lula a ganhar contra ele”. Quatro dias antes, o prefeito achava que seria derrotado no DN.

Um grupo de deputados teve ação decisiva na negociação de uma solução em que parecesse que nenhum dos lados perdeu, especialmente José Genoino (SP), Andre Vargas (PR), João Paulo Cunha (SP) e Maurício Rands (PE). A idéia era recuperar um pouco a força da Executiva, que parecia prestes a uma derrota após a entrada de Lula, e reduzir “um pouco o ímpeto do Pimentel”, segundo esse grupo. Mas a avaliação que fica é que a atual Executiva do PT tem pouca condição de enfrentamento. Depois de rosnar, fincou mansa. Resta esperar a solução para Belo Horizonte, onde o próximo passo é do PSB e será de ratificação da aliança com os tucanos.

11/05/2008 - 09:51h ‘Aécio não é obcecado pela idéia de ser candidato como Serra’

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Vera Rosa – O Estado de São Paulo

Disposto a selar uma aliança com o PSDB do governador Aécio Neves para a eleição, o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), desistiu de brigar com a Executiva Nacional do PT, que vetou a coligação. Trocou a luva de boxe pelo tom conciliador e garantiu que a parceria com Aécio, criticado um dia sim e outro também pelo PT, não tem impacto na sucessão do presidente Lula, em 2010.

“Aécio não é obcecado pela idéia de ser candidato a presidente, como José Serra”, diz Pimentel, referindo-se ao governador de São Paulo. Com fala mansa e discurso sob medida para convencer a cúpula do PT a voltar atrás na decisão de proibir o casamento com os tucanos em Belo Horizonte, ele não desiste. “Não podemos transformar a política num eterno Fla-Flu, numa disputa do bem contra o mal”, insiste. “Aécio é um adversário político, mas não é um inimigo.”

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Ex-guerrilheiro que militou em organizações de esquerda com Dilma Rousseff, hoje ministra da Casa Civil, o prefeito defende a amiga de juventude do escândalo do dossiê com gastos do governo FHC: “Com todo respeito à oposição, o dossiê é um episódio secundário.”
Para arrepio dos que o consideram o mais tucano dos petistas, Pimentel diz que Dilma – a favorita de Lula na corrida ao Planalto – é tão qualificada para ser presidente quanto Aécio e o deputado Ciro Gomes (PSB-CE). Não falta a ela jogo de cintura política? “Eu acho que Dilma tem treinado com aquele bambolê que o PMDB deu para ela de presente”, diverte-se. E, mesmo com todas as divergências no PT, Pimentel jura que não fará as malas para deixá-lo. “Se eu sair do PT, é só para ir para casa”, garante.

Por que o sr. defende uma coligação do PT com o PSDB para a Prefeitura de Belo Horizonte?

Precisávamos buscar uma solução eleitoral que contemplasse aquilo que a cidade quer. Belo Horizonte quer esse modelo de governança, de gestão compartilhada, que tem obtido resultados excepcionais porque criamos um clima político-administrativo de bom entendimento com os governos estadual e federal. As pesquisas indicam que até 85% da população vê com absoluta naturalidade uma candidatura que ponha na mesma campanha o prefeito e o governador. Não acha isso nenhuma aberração.

A Executiva do PT diz que a gestão Aécio é comprometida com políticas distintas das que estão no ideário petista e no programa de governo. Em que o sr. diverge disso?

Eu respeito a posição da Executiva, mas não concordo.O governador Aécio Neves é um adversário político nosso, mas não é um inimigo. Não temos nenhuma grande divergência de fundo. Estou mencionando Aécio, e não o PSDB. Eu acho que o PSDB é, sim, em âmbito nacional, um adversário incontornável do PT. E daqui até 2010 isso não vai mudar.

Qual é a saída para o impasse na eleição em Belo Horizonte?

Agora é o momento de decantação das paixões. Reconhecemos que a Executiva Nacional tem obrigação de acomodar num grande eixo de políticas todas as realidades do Brasil, o que não é tarefa fácil e merece o nosso respeito. Mas é preciso haver alguma flexibilização, tanto da nossa parte quanto da parte dos nossos companheiros da Executiva. Nós também não vamos recorrer à Justiça de nenhuma decisão. É um episódio que devemos superar sem que haja vencidos nem vencedores.

Para a aliança em Belo Horizonte vingar é preciso que o PSB apóie a candidatura da ministra do Turismo, Marta Suplicy, em São Paulo?

Eu quero crer que há interesse do PSB em abrir com o PT um campo de entendimento que contemple várias cidades. Isso pode incluir São Paulo, Belo Horizonte, Rio, Natal, Manaus.pimentel.jpg

O presidente Lula vai ajudar?

Ele já tem problemas demais. Eu vi com muita alegria as declarações que ele deu, dizendo que vê com naturalidade o que estamos fazendo em Minas. Por dever de lealdade, sempre dei ciência ao presidente de todos os meus movimentos. Mas nunca usei o nome dele para endossar nada.

Se o sr. for derrotado, vai sair do PT? Integrantes do PSB disseram que será bem recebido se sua situação ficar insustentável no PT.

Eu não tenho para onde ir se eu sair do PT. Sou militante do PT desde a fundação do partido e sempre busquei resolver as questões pela via do entendimento. Se eu sair do PT é só para ir para casa. Tenho respeito pelo PSB, mas não cogito deixar o meu partido.

A aliança em Belo Horizonte não fortalece a candidatura de Aécio para a Presidência em 2010, como alega o PT?

Em primeiro lugar, 2010 está muito longe e não devemos trabalhar com essas ilações. É um erro porque sequer sabemos se o governador Aécio vai ser candidato a presidente ou não. É uma superestimação do papel que esse episódio tem. Aécio é um homem público qualificado para ser presidente da República. É capaz, honrado, um bom gestor. Mas está num partido adversário, o que significa que, se for candidato, nós não poderemos marchar juntos. Serei fiel ao meu partido.

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A coligação em Minas poderia ser eficaz para se contrapor à candidatura de Serra ao Planalto?

O governador Aécio nunca mencionou que essa construção nossa faça parte de uma grande estratégia para fortalecê-lo ou enfraquecer Serra. Não quero cometer inconfidências, mas percebo que Aécio trabalha a questão da candidatura num diapasão um pouco diferente de Serra.

Por quê?

Ele não vê essa candidatura como uma coisa inevitável. Não vai forçar o destino. O governador Aécio não é obcecado pela idéia de ser candidato a presidente, como o governador Serra. Acho que Serra, com quem também tenho boas relações, trabalha com mais determinação. Tem uma boa obsessão. Ele, sim, está determinado a ser candidato a presidente e trabalha 24 horas por dia para isso. São posturas diferentes.

No PT, os comentários são de que o sr. atropelou o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, ao fechar acordo com Aécio que pressupõe o apoio tucano à sua candidatura ao governo de Minas. Em troca, o sr. seria cabo eleitoral de Aécio para a Presidência ou para o Senado…

Não atropelei ninguém, muito menos Patrus, que é meu amigo dileto. Patrus seria o nosso candidato natural a prefeito se esse tivesse sido o seu desejo. E não foi. Por isso começamos a construir esse outro caminho, que é a candidatura do Márcio Lacerda, do PSB, com um vice do PT, o deputado Roberto Carvalho.

Mas o senhor é candidato a governador de Minas…

Está cedo para a gente dizer isso. Se na ocasião houver um conjunto de forças organizadas em torno dessa idéia, não vou ser hipócrita de dizer que não aceito. Mas não existe acordo com o governador Aécio. Existe, sim, um entendimento comum sobre como conduzir a administração pública. Nós achamos que a política é para construir convergências e não para aprofundar divergências. Mas é um entendimento pragmático. O PT vai ter candidato à Presidência em 2010, e eu certamente estarei na campanha desse candidato.

E se Aécio for para o PMDB, um partido da base aliada?

Acho isso muito difícil. Hoje nós temos quatro nomes colocados no cenário: a ministra Dilma Rousseff, do PT, o ex-ministro Ciro Gomes, do PSB, e os governadores Aécio Neves e José Serra, do PSDB.

Dilma saiu do depoimento no Senado fortalecida, mas o caso do dossiê não que pode prejudicar a candidatura dela mais à frente?

Não acho que haja dano maior. Esse assunto está sendo esclarecido de maneira adequada.Com todo respeito à oposição, esse é um episódio secundário, que não mereceria tanta dedicação dos parlamentares.

Mas o sr. não acha grave terem sido usados dados de gastos do governo FHC para municiar aliados na disputa na CPI dos Cartões?

É grave, mas não é suficientemente grave para paralisar a vida política em torno de um tema desses, porque nós temos instituições que funcionam, como a Polícia Federal. Eu não quero ser juiz moral de ninguém, mas, fosse eu um senador que tivesse recebido material sigiloso, teria imediatamente procurado a ministra, entregue os documentos a ela e pedido que abrisse investigação para saber quem vazou.

O sr. acha que o senador Álvaro Dias deveria agir assim? O PT, na oposição, nunca fez isso.

É o que eu faria fosse eu um senador. Felizmente eu não sou. Sou apenas prefeito e o senador sabe o que faz.

dilma.jpgNão falta jogo de cintura à ministra para ser candidata?

Acho que Dilma tem treinado com aquele bambolê que o PMDB deu para ela de presente (risos). Isso é um aprendizado. Eu também era um técnico quando fui para o governo do Patrus, como secretário da Fazenda. A vida vai ensinando. Temos sorte de ter uma pessoa qualificada como ela para ser candidata a presidente. Se vai ser mesmo ou não é outra história. Se for, fará bonito.

Desde quando o sr. a conhece?

Fomos companheiros de militância em 1968, 1969. Primeiro numa organização menor, em Minas, chamada Colina. Depois formou-se a VAR-Palmares. Passei alguns meses como militante da VAR e a Dilma também. Depois eu saí, fui para a VPR (Vanguarda Popular Revolucionária). Ela continuou na VAR. E depois fomos presos. Sou amigo da ministra desde essa época, ainda na luta contra a ditadura. Dilma talvez seja o melhor quadro que minha geração política produziu.

Ainda é possível uma aproximação entre o PT e o PSDB mais adiante, no plano nacional?

Nem no longo prazo consigo vislumbrar uma confluência entre PT e PSDB. Os dois têm identidades e características muito definidas e caminham paralelamente. Então, não vão se encontrar. Agora, tem de haver um território em que os homens públicos do PSDB e do PT conversem sobre uma agenda de temas para o Brasil.

Que pontos teria essa agenda?

Podemos trabalhar juntos na questão da reforma tributária. Não vejo por que a gente precise ter uma divergência com o PSDB nesse aspecto. Também acho que não há dificuldade em estabelecer identidades em torno da reforma política.

O PT é seu maior adversário?

É uma maldade dizer isso. O PT é minha casa. Às vezes você também tem incompreensões dentro de casa. Já me disseram que sou o mais tucano dos petistas. Não é verdade. Nem eu quero ser tucano nem estou querendo convencer nenhum tucano a virar petista. Mas não podemos transformar a política num eterno Fla-Flu, numa disputa do bem contra o mal. Tenho uma frase que eu mesmo cunhei e gosto muito: a política é o território onde a virtude paga tributo ao interesse para construir o bem comum. Em todos os partidos existem homens de bem, corretos, honestos.

O senhor é favorável a um terceiro mandato para o presidente Lula?

Não. Ele também não quer. A reeleição foi uma coisa boa. O ciclo hoje é de oito anos, dá estabilidade ao sistema político e ao horizonte econômico de investimento. Mais do que isso seria uma violência.

Quem é: Fernando Pimentel

Um dos fundadores do PT, elegeu-se prefeito de Belo Horizonte em 2004.

Foi secretário de Fazenda de Patrus Ananias (1993 a 1996).

Economista, chegou a ser sondado em 2006 para ocupar o Ministério da Fazenda na vaga de Antonio Palocci.

10/04/2008 - 03:57h Um encontro de duas crises

VALOR

jose-serra.jpg O encontro durou quase duas horas, no gabinete do Palácio dos Bandeirantes, e apenas em sua reta final contou com a participação do secretário da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira Filho, e da Comunicação Social, Bruno Caetano. A conversa do governador de São Paulo, José Serra, com o de Sergipe, Marcelo Déda foi um raro diálogo público do tucano com um petista com pauta estritamente política, desde sua posse. Serra já encontrou-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e da Previdência Social, Luiz Marinho, e até com a ministra do Turismo, Marta Suplicy, mas tratavam-se de encontros institucionais, entre o governador e uma autoridade do governo federal, para tratar de temas específicos, em que as questões políticas estão presentes, mas não vão para o primeiro plano.

Serra procura a interlocução petista em um momento delicado para si mesmo e para o partido que polariza com os tucanos. O PT se angustia com o emparedamento da sua maior aposta presidencial para 2010, a ministra Dilma Rousseff e o relançamento da tese do terceiro mandato demonstra mais a falta de alternativas do que a existência de uma. A ofensiva sobre Dilma não só a atinge como opção futura como compromete o presente. “Esta tática de desgaste, este denuncismo, termina por pautar o Congresso; e lidar com ela virou a agenda do governo. Reprime a ação administrativa e inviabiliza o PAC”, queixa-se Déda. Dentro do PSDB, a crise se alastra.

Enquanto Serra trocava idéias com Déda na tarde de terça-feira, Alckmin procurava sacramentar sua candidatura à Prefeitura de São Paulo com a direção nacional da sigla, à revelia do governador. É a primeira vez na história do PSDB que um líder regional é atropelado deste modo na escolha do candidato a prefeito da capital de seu Estado.

Também dilacerado por brigas internas, o PT há muito tempo já procurou mapear o território inimigo: é corrente na direção do partido o diagnóstico de que Serra e o rival Aécio Neves, governador de Minas, jogam juntos na moderação, enquanto o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso comanda a radicalização contra Lula.


Para Serra e PT, ambiente de guerra é nocivo

Integrante de uma minoria no PT – a que apoiou a candidatura derrotada do deputado José Eduardo Cardozo à presidência da sigla – Déda não comenta sobre as guerrilhas petistas intra-muros. Mas vê na divisão tucana o grande obstáculo para uma aproximação institucional entre os dois partidos. “O PSDB é uma orquestra à procura de um maestro”, comenta. O sergipano avaliza a aliança do PT com o PSDB para tentar reeleger Edvaldo Nogueira (PCdoB) como prefeito de Aracaju e apóia a iniciativa do prefeito de Belo Horizonte, o petista Fernando Pimentel, de pactuar sua sucessão com Aécio Neves. E pára por aí. Ressalta que estes acordos nada projetam para 2010, a não ser regionalmente.

É nesta confluência de crises que nasce assunto para longas conversas de tucanos com oposicionistas. Presidenciáveis do PSDB, tanto Serra quanto Aécio não querem vestir o figurino anti-Lula em 2010 e prefeririam um partido com menos cheiro de sangue e pólvora. Sob o desafio de ter que mostrar que sobreviverá ao pós-Lula, o PT tenta se credenciar como herdeiro de sua administração. Por isso a opção preferencial por um ministro do governo como seu candidato à Presidência, seja Dilma Rousseff ou Patrus Ananias; que só se tornariam uma carta para negociação com os aliados se saírem dos traço nas pesquisas, em função de um hipotético sucesso administrativo do segundo mandato.

Serra reagiu de modo suave em 2006 ao ser alvo da desastrada iniciativa de dirigentes do PT paulista de desestabilizá-lo com um dossiê. Já governador, tentou impedir que o governo federal fosse derrotado na emenda constitucional que prorrogava a CPMF. Tem cobrado nos últimos tempos reciprocidade nas boas maneiras.

Os dissabores na eleição municipal de São Paulo não o imobilizaram. A movimentação de Serra para sair do isolamento começou há algumas semanas e o projeto de substituição tributária – o mecanismo pelo qual São Paulo recolhe o ICMS devido a Estados consumidores das mercadorias paulistas – é um dos instrumentos de aproximação.

Sob o pretexto destes acordos, Serra já esteve com governadores perfeitamente ajustados com o Planalto, como o do Ceará, Cid Gomes (PSB), a do Rio Grande do Norte, Wilma Maia (PSB), e do Mato Grosso, Blairo Maggi (PR). A celebração da Semana Santa de Nova Jerusalém, em Brejo da Madre de Deus (PE), foi a ocasião para uma conversa reservada com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB). E a abertura de uma exposição de artistas plásticos nordestinos no Palácio dos Bandeirantes lastreou o encontro já em abril com o governador de Alagoas, o também tucano Teotônio Vilella Filho.

É uma agenda para tentar dividir com o governador mineiro Aécio Neves a condição de aglutinador político, uma área onde Serra está em clara desvantagem em relação ao rival: Déda já esteve quatro vezes com Aécio de maneira pública, em audiências individuais. Com Serra, debutou na terça-feira.

César Felício é repórter de Política