20/08/2012 - 20:07h Dans la forêt…

Antoine Bernhart

31/07/2012 - 21:02h Obras de Caravaggio chegam a SP ligadas a mitos e dramas

Divulgação / Divulgação
“São Francisco em Meditação”, pintura aparece em duas versões na exposição “Caravaggio e Seus Seguidores”


Por Mariana Shirai | Para o Valor, de São Paulo

Duas telas quase idênticas integram o conjunto de 22 obras da mostra “Caravaggio e Seus Seguidores”, que será aberta amanhã no Museu de Arte de São Paulo (Masp). As duas versões de “São Francisco em Meditação” foram recentemente restauradas pela pesquisadora italiana Rossella Vodret, especialista na obra e idealizadora da exposição brasileira. Uma das telas, datada de 1606, é a obra original de Caravaggio; a segunda, realizada de 1606 a 1618, era considerada uma cópia feita pelo próprio artista. Mas em 2010 Rossella formulou a tese de que a cópia não havia sido executada por ele.

A descoberta da pesquisadora não obteve aceitação unânime. O próprio material de divulgação da mostra se refere aos dois “São Francisco em Meditação” como obras de Caravaggio, ignorando a hipótese de Rossella.

De acordo com Arnaldo Spindel, diretor da Base7, produtora da mostra, a questão da comprovação ainda não está definida. “A apresentação dos dois ‘São Francisco em Meditação’ e de uma sala dedicada à explicação mais detalhada do processo de análise e autenticação de obras de Caravaggio se inserem na perspectiva da curadoria de colocar como um dos pontos centrais dessa exposição as questões relacionadas às atribuições e confirmações.”

Quando se trata da obra de Michelangelo Merisi da Caravaggio (1571-1610), divergências em relação a autoria são frequentes.

O gênio do “chiaroscuro” é atualmente um dos objetos preferidos de pesquisas que revolvem a história da arte para reescrevê-la ou alimentá-la com novos detalhes. Os resultados anulam ou asseguram a autoria de peças, descobertas de obras até então desconhecidas de grandes artistas e até exumações de corpos, como ocorreu no mês passado em Florença, quando um grupo de pesquisadores afirmou ter encontrado a ossada da modelo de “Mona Lisa”, quadro de Leonardo da Vinci.

Esse mesmo grupo de arqueólogos encontrou há alguns anos o que seriam os restos mortais de Caravaggio, que foram desenterrados e exibidos ao público em 2010, ano que marcou os 400 anos da morte do artista. Para o historiador de arte Luiz Marques, essas buscam sugerem um processo de “beatificação” dos grandes artistas, como se a procura fosse por relíquias de santos.

Dali em diante, sua obra seria alvo de diversas descobertas, quase sempre polêmicas.

A mais recente delas, divulgada no início deste mês, diz respeito a um conjunto de cem desenhos do artista, que poderiam valer US$ 700 milhões caso a autoria não suscitasse tanta desconfiança – muito já foi escrito sobre o fato de que Caravaggio não desenhava.

A exposição no Masp traz textos e painéis informativos que, a partir das obras reunidas, aprofundam essas questões. “Por isso, essa é uma mostra que discute não só a obra do mestre italiano, mas também a história da arte”, afirma Fábio Magalhães, curador brasileiro da exposição.

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“Medusa Murtola”: assim como a tela “Retrato do Cardeal”, obra é exposta pela primeira vez fora da Itália


As inovações tecnológicas têm papel importante para a proliferação de pesquisas no campo da arte. “Até há pouco tempo, essas análises eram todas feitas ‘no olho’. Vinha um especialista e, apenas a partir de seu conhecimento e da observação da obra, ditava se ela era ou não autêntica”, afirma Magalhães. “Hoje em dia, as análises vão muito além. Há raios infravermelhos que atravessam o pigmento e revelam o processo da pintura e ampliações de 200 vezes para analisar uma pincelada, entre muitas outras estratégias.”

Não fossem esses novos recursos, a obra “Medusa Murtola” provavelmente não estaria nessa mostra. Assim como “Retrato do Cardeal”, a peça sai da Itália pela primeira vez. As obras chegam a São Paulo pouco depois da conclusão de uma pesquisa que durou 20 anos e desmistificou uma crença de quatro séculos.

Acreditava-se que “Medusa Murtola” era uma cópia feita por um “caravaggesco” (nome dado aos artistas que seguiam o estilo do mestre italiano) de uma das obras mais conhecidas do artista, a “Cabeça de Medusa”. O estudo revelou que o próprio Caravaggio concebeu a “Medusa Murtola” e só depois fez a obra que era considerada “a original”.

A degola, aliás, é um tema recorrente na obra do mestre italiano, que precisou fugir de Roma depois de ser condenado à decapitação pelo assassinato de Ranuccio Tomassoni. Caravaggio chegou a obter o perdão pelo crime, mas adoeceu e morreu antes de conseguir retornar para Roma. A violência e a morte estão entre os principais temas retratados pelo artista.

Além de “Medusa Murtola” e “São Francisco em Meditação”, a mostra na capital paulista apresenta outras quatro obras de Caravaggio, incluindo “São Jerônimo Que Escreve” e “São João Batista Que Alimenta o Cordeiro”. Esta última entrou nos últimos três dias da exposição em Belo Horizonte, primeira parada das obras no Brasil. Quase 90 mil pessoas visitaram a mostra, que, depois de São Paulo, vai para Buenos Aires.

Também será incluída agora na exposição uma cópia de autor desconhecido da tela “Os Trapaceiros”, de Caravaggio. Completam o conjunto no Masp outras 15 obras de artistas contemporâneos do gênio italiano e influenciados por ele, como Artemisia Gentileschi, Bartolomeo Cavarozzi, Giovanni Baglione e Hendrick van Somer.

São conhecidas apenas cerca de 60 obras de Caravaggio. Muitas são painéis em igrejas e outras nunca saem dos acervos das instituições que as detêm. As que estão no país provêm de coleções particulares e de três prestigiados museus italianos: a Galleria Borghese e o Palazzo Barberini, em Roma, e a Galleria degli Uffizi, em Florença.

Foi o italiano quem primeiro recusou a tradição renascentista da perspectiva. “Caravaggio revolucionou a arte com uma nova concepção de espaço. Em suas telas, é como se a luz esculpisse os corpos”, diz o historiador de arte Luiz Marques. E não há polêmica ou pesquisa que mude o impacto de se pôr diante de suas telas.


“Caravaggio e Seus Seguidores”

Masp (av. Paulista, 1.578, São Paulo), tel.: (0xx11) 3251-5644. De terça a domingo, das 11 h às 18 h; quinta, das 11 h às 20 h, R$ 15

30/07/2012 - 19:58h Of Two Magicians and more…

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Norman Lindsay

29/07/2012 - 20:37h Madalena desmaiada

Guido Cagnacci (1601 – 1663, Italian) » Maddalena svenuta

Maddalena svenuta

10/07/2012 - 18:22h LE CORPS DÉCOUVERT

Derniers Jours

Du 27 mars 2012 au 15 juillet 2012

L’IMA présente, du 27 mars au 15 juillet 2012, une grande exposition d’art moderne et contemporain sur le thème de la représentation du corps et du nu dans les arts visuels arabes. La représentation du corps dans les arts visuels arabes constitue une matière jusqu’ici ignorée, une sorte de terra incognita pour le moins inexplorée. On aurait ainsi pu s’attendre à ce que ces représentations n’existent pratiquement pas dans la peinture arabe ; or, à travers le corps, c’est tout un pan méconnu d’une riche iconographie qui vient à se découvrir.
C’est à cette quête et à cette découverte tout à la fois, que sera convié le public d’une exposition pleine de surprises, Le Corps Découvert. Cette exposition a pour ambition de rassembler, sur deux étages, une large sélection d’oeuvres et de médiums permettant d’aborder cette question de manière synchronique et diachronique à la fois.
De la même manière qu’il s’est pris naguère d’un intérêt soudain pour les artistes chinois ou les artistes indiens, le monde de l’art s’est récemment tourné vers les créateurs arabes. L’Institut du monde arabe, organisateur depuis vingt-cinq ans qu’il existe, de plus d’une centaine d’expositions d’artistes arabes ne peut, bien sûr, que se féliciter d’un engouement auquel il ne se sent certes pas étranger.
Avec Le Corps Découvert, l’IMA entend présenter à son public, une exposition qui, à travers ce thème ample, complexe et fondamental à la fois, embrasse tout un siècle de peinture arabe ou, plus exactement, de pratique des arts plastiques. Car lorsque l’on parle ici de peinture, on entend le mot dans l’acception européenne ou occidentale du mot, bien évidemment, c’est-à-dire, selon celle qui est désormais reçue sur la scène internationale, à présent mondialisée.

Artistes pressentis

Sundus Abdul Hadi, Tamara Abdul Hadi, Adel Abidin, Inji Afflatoun, Aram Alban, Shadia Alem, Abdel Hadi Al- Gazzar, Sama Alshaibi, Mohand Amara, Ghada Amer, Mamdouh Ammar, Angelo, Antranik Anouchian, Asaad Arabi, Muhamad Arabi, Muhamad Muri Aref, George Awde, Armenak Azrouni, Dia Azzawi, Ismaïl Bahri, Baya, Farid Belkahia, Mahi Fouad Bellamine, Binebine, Zoulikha Bouabdallah, Meriem Bouderbala, Halida Boughriet, Nabil Boutros, Katia Boyadjian, Huguette Caland, Chaouki Choukini, Georges Daoud Corm Murad Daguestani, Kamel Dridi, Nermine El Ansari, Ibrahim El Dessouki, Zena El Khalil, Mohammad El Rawas, Adel El Siwi, Salah Enani, Touhami Ennadre, Tarik Essalhi, Rania Ezzat, Moustafa Farroukh, Sakher Farzat, César Gémayel, Gibran Khalil Gibran, Azza Hachimi, Farid Haddad, Mehdi Halim Hadi, Naman Hadi, Ahmed Hajeri, Taheya Halim, Youssef Hoyek, Hayv Kahraman, Amal Kenawy, Mahmoud Khaled, Majida Khattari, Mehdi-Georges Lahlou, Hussein Madi, Maroulla, Fatima Mazmouz, Sami Mohamed, Mahmoud Moukhtar, Laila Muraywid, Youssef Nabil, Malik Nejmi, Marwan Obeid, Omar Onsi, Mohamad Racim, Adli Rizkallah, Georges Hanna Sabbagh, Muhamad Sabri, Mahmoud Saïd, Khalil Saleeby, Mourad Salem, Mona Saudi, Ihab Shaker, Shawki Youssef , Habib Srour, Salah Taher, Mona Trad Dabaji, Van Léo, Ramsès Younan, Khalil Zgueïb, Lamia Ziadé, Hani Zurob.

Le catalogue Cette exposition est accompagnée d’une publication riche de textes et d’illustrations, de sorte à élargir l’approche iconographique par d’autres angles essentiels à la compréhension du sujet : la question de la représentation du corps dans les arts visuels arabes.

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Georges Mehdi Lahlou

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Adel Abidin

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George Awde

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Youssef Nabil

07/07/2012 - 18:00h Camille Bombois

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Camille Bombois with his wife Eugénie Christophe, by Ida Kar, 1954 - NPG  - © National Portrait Gallery, London

© National Portrait Gallery, London

Camille Bombois with his wife Eugénie Christophe

by Ida Kar
vintage bromide print, 1954
8 7/8 in. x 6 1/2 in. (224 mm x 165 mm) image size

04/07/2012 - 18:02h A Porta Saint-Martin


La Porte Saint-Martin – Maurice Utrillo

03/07/2012 - 18:31h Rue Lepic

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Rue Lepic – Maurice Utrillo

02/07/2012 - 18:52h Rue des Abbesses


Rue des Abbesses – Maurice Utrillo

29/06/2012 - 18:05h Sentada

Modigliani_ seatednude1916
Amadeo Modigliani – seated nude 1916.
Óleo sobre lienzo. 92.4 x 59.8 cm.
Samuel Courtauld Collection

Courtauld Institute Galleries. Londres.

28/06/2012 - 18:27h La belle romaine

Modigliani_Amadeo
Nude Sitting on a Divan (”La Belle Romaine”) – Amedeo Clemente Modigliani (1884 – 1920)
c. 1917
Oil on canvas
100 x 65 cm
Private collection

25/06/2012 - 21:00h Place de l’église à Montmagny

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Maurice Utrillo, Place de l’église à Montmagny

22/06/2012 - 21:04h Verlaine

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Paul Verlaine – pintura de Gustave Courbet

22/05/2012 - 17:00h Mostra reúne obras de Caravaggio e de seus discípulos

CARAVAGGIO - São Jerônimo escritor - Óleo sobre tela - 112 x 157 - Galleria Borghese, Roma
São Jerônimo Que Escreve


22 de maio de 2012

AE – Agência Estado

Após dois anos de negociações e três cancelamentos sucessivos, a mostra “Caravaggio e Seus Seguidores” finalmente é inaugurada no Brasil. A partir desta terça-feira e até 15 de julho, a exposição, que traz seis obras do pintor italiano Michelangelo Merisi da Caravaggio (1571-1610), entre elas, uma das duas versões de sua famosa “Medusa”, e o quadro “São Jerônimo Que Escreve”, pertencente, desde o século 17 à Galleria Borghese de Roma, é apresentada na Casa Fiat de Cultura de Belo Horizonte. Depois de Minas, as pinturas de Caravaggio e de 14 pintores caravaggescos, que se inspiraram no mestre precursor do barroco, serão exibidas em São Paulo, no Masp, de 26 de julho a 30 de setembro.

Um pintor que teve a genialidade reconhecida em vida, homem de temperamento “maldito”, com sua história sempre contada de maneira romanceada. Apesar de mitos, um fato foi determinante em sua trajetória, o homicídio cometido por ele em 1606 em Roma, forçando-o a iniciar um processo de fuga de sua prisão e condenação à morte – Caravaggio deslocou-se para Nápoles, Malta e Sicília até morrer em circunstâncias ainda não claras em Porto Ercole. Mais do que ser o artista que desenvolveu como poucos a técnica do claro-escuro, conferindo uma beleza intensa de estilo e na escolha dos temas de suas telas, e de ser autor que promoveu experimentações pioneiras, Caravaggio “é um pintor que sabe o drama da existência e o vive e o coloca de maneira realista na sua obra, aproximando-a da realidade de sua vida”, diz o curador italiano Giorgio Leone.

Logo na entrada da mostra, duas telas são a encarnação desse duo vida e obra. A principal pintura da mostra, “São Jerônimo Que Escreve” (1605-1606) – que representa o legado da relação do cardeal Camillo Borghese (que se tornou o papa Paulo V) – e “São Francisco em Meditação” (1606), pertencente à Galleria Nazionale d?Arte Antica di Palazzo Barberini de Roma, têm em comum a figura da caveira, símbolo da morte. Na obra de São Jerônimo, o crânio é uma espécie de espelhamento do rosto do santo, que está “inacabado”, como diz Giorgio Leone. “Creio que ele não conseguiu terminar a face porque teve de fugir de Roma”, conta o curador. Já o São Francisco, “feito já em fuga”, segura a caveira na mão, como se tivesse a consciência de seu fim.

Tanto “São Jerônimo” como “São Francisco” são obras que têm a autoria incontestada e histórica atribuída a Caravaggio, desde o século 17, mas as outras pinturas presentes na exposição representam caráter diferente. “A mostra trata dessa questão de autoria”, afirma Leone. Para um quadro ser considerado um Caravaggio, deve constar em documentos históricos, corresponder ao estilo do artista e ter sido executado a partir de técnica típica do artista. “Duas obras da mostra, a Medusa Murtola, pertencente a colecionador privado, e Retrato do Cardeal Benedetto Giustiniani, são reconhecimentos recentes, respectivamente, de 2011 e 2010″, conta o curador. “E temos duas outras pinturas cuja autoria de Caravaggio é controversa, um exemplar de São Francisco em Meditação pintado em Malta que, para mim, trata-se de uma cópia, e o quadro São Januário (do Museu Diocesano de Palestrina), que alguns estudiosos dizem não ser do pintor.”

A mostra, feita com R$ 5,5 milhões incentivados e com recursos próprios da Fiat, depois de São Paulo deve seguir para o Museo Nacional de Bellas Artes de Buenos Aires, mas essa itinerância ainda não está confirmada. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

13/04/2012 - 20:06h Na rua

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Alejandra Fenochio

30/03/2012 - 21:00h Le delizie infrante

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Roberto Ferri© – Le delizie infrante

15/02/2012 - 17:30h Composição 10

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Kandinsky – Composição 10

14/02/2012 - 18:07h A VENUS DE TABOGA

AS FÁBULAS URBANAS DE FERNANDO UREÑA RIB

A Venus de Taboga, tela do pintor dominicano Fernando Urena Rib

A Venus de Taboga, tela do pintor dominicano Fernando Urena Rib


Era o calor espesso das três. Paul se esfregou os olhos com um pano grande manchado de azul de cobalto e tratou de concentrar-se no lenço que era mal um esboço, mas os mosquitos e o resplendor de uma luz segadora lhe fizeram abandonar a tentativa. Suava copiosamente. Verteu rum sobre o pano e se empapou o rosto e a nuca. Depois limpou o pincel com o mesmo pano. Sentiu que começava o delírio mas conteve sua raiva.

O traumático desembarque só lhe permitiu salvar uns quantos frascos de cor, dos muitos que trazia em seu arcón de duplo fundo. Agora uma marca de azul lhe partia o rosto e lhe manchava o cabelo desordenado e longo. Divisou um barco que se acercava, saindo ao Pacífico pela brumosa boca do Canal. A praia reverberaba e o sangue lhe fervia

Três meses atrás uma barcaça lhe arrojou nas praias médio desertas de Taboga, como náufrago sob um pau de água. Apesar da baixa maré, o mar se meteu nas rendijas tapiadas com brea do baú, atacando os pomos de alvo de zinco e de amarelo de cadmio. A média praia, Philipe seu cunhado, ajudou-lhe a montar o baú sobre uma mula sombria que parecia cojear de várias patas.

Quiçá deva aclarar que Philipe era um francês procurador de fortuna (como tantos outros europeus durante a febre do ouro) que se ganhava a vida fabricando a farinha de pescado com que alimentar os porcos e os peões que hollaban valas nas terras baixas do Chagres. “Deixa de rabiar , Paúl. Já secarás tuas cores sobre a praia, como secamos a farinha”, disse-lhe sua irmã, mostrando-lhe seu quarto. Era uma casa de tabelas vermelhas montada sobre pilotes negros, na mesma orla do mar. Foi desde ali que viu pela primeira vez aquela mulher revolcándose no água e que incessantemente lhe persegue com resplendores de argento.

A maré subia tanto como a temperatura de seu sangue. Paúl voltou a esfregar-se os olhos e se encheu a boca com um sorvo de rum que cuspiu sobre os gallinazos, para espantá-los, sentiu fervores e outra vez viu o súbito resplendor. Não era delírio. Os lugarejos asseguravam que era verdadeiro.

Falavam de uma Venus índia aparecia e desaparecia, dançando nua no mar ou com atuendos de prata. No meio das noites mais negras se ouviam cantos estranhos. Mas a Paúl lhe mortificaba tanto essa luz e essa história que passava as noites em claro e de dia se lhe iam as horas tomando rum e espantando mosquitos e gallinazos frente ao mar sem poder dar uma pincelada que valesse a pena. No meio do sopor do aguardiente atingiu a ver uma barcaça abrindo-se passo entre as brumas luminosas da boca do canal.

Ébrio de luz e de rum, creu que se não podia atrapar aquela mulher no lenço, quiçá poderia atrapá-la no água, caçá-la ali, definitivamente. “¡E se é um peixe e não uma mulher, mato-o e o volto farinha!”, disse-se tomando o último trago e lançando-se ao água. Tinha-lhe louco aquela mulher índia que lhe roubava os sonhos e se jogava nua ao mar e resplandecia como uma miragem sob a lua, e no meio da tarde. Voltou à caseta como um louco, deu um jalón a seu grande baú, atirou a roupa desfeita e jogou adentro os pomos, deixando rodar o arcón até que boiou na maré que subia agora e que já quase cobria os pilotes da caseta e toda a areia da praia.

Submergiu-se e nadou procurando a fonte do resplendor. Creu vê-la nadar e saltar como um golfinho, quis atê-la. Ofegava. Paúl lhe gritava ao espectro luminoso: “¡Toma meu corpo e vete! ¡Toma meu corpo ou deixa-me!” Se afundava e resurgia, asido sempre do enorme baú flutuante. No meio de um fulgurante estalido de luz ouviu o grito: “¡Paúl, Paúl Gaugin! ¡Paul, Paul Gaugin!” O não já não ouvia, nem via quando o capitão do mesmo barco que o arrojou em Taboga o alçou pela manchada camisa e o atirou sobre a coberta. “¡Vamo-nos Paúl, esquece esses golfinhos, Tahití te espera!”

Fernando Ureña Rib

13/02/2012 - 19:53h Vincent

http://i42.servimg.com/u/f42/11/02/16/90/00052-11.jpg
Vincent par BMC (De la série “Les Hommaginaires”)

18/01/2012 - 18:27h Inspiração cega

Michael Cheval© - Blind Inspiration II
Michael Cheval© – Blind Inspiration II

Fonte Uno de los nuestros

03/01/2012 - 16:59h Cartas de Baires: arte e paixão no subsolo

Gisele Teixeira – Blog Aquí me quedo

A Plaza de Mayo tem um novo atrativo, o Museu do Bicentenário e, dentro dele, uma jóia que ficou mais de um século abandonada: o mural Exercício Plástico, do mexicano David A. Siqueiros (1896-1974).

Siqueiros e Blanca

A obra tem uma história que mistura arte, amor, traição, dinheiro, poder.

Tudo começou em 1933 quando Siqueiros desembarcou em Buenos Aires acompanhado da mulher, a poeta uruguaia Blanca Luz Brum.

Siqueiros é considerado, junto a Diego Rivera e José Clemente Orozco, um dos pais fundadores da escola muralista mexicana, que proclamou uma arte pública dedicada a temas revolucionários e sociais com o objetivo de inspirar as classes populares.

Aqui, o casal conheceu Natalio Botana, fundador do jornal Crítica e excêntrico milionário argentino. Foi ele quem pediu ao artista que pintasse um mural num porão de sua casa de campo, na periferia de Buenos Aires.

O mexicano aceitou a oferta e convocou três jovens pintores para a empreitada: Antonio Berni, Lino Spilimbergo e Juan Carlos Castagnino – que depois fariam os murais da Galeria Pacifico e dariam início ao movimento muralista argentino. Completava a equipe o cenógrafo uruguaio Enrique Lázaro.


Foto AFP

A obra foi executada em apenas três meses e é a única em que Siqueiros driblou a temática política e social. Pintou sua mulher, Blanca, com uma técnica moderna para sua época.

Os artistas substituíram o pincel pelo aerógrafo, o desenho pela fotografia, o óleo pelas resinas sintéticas o banco acadêmico por um ponto de vista arbitrário que se desloca o tempo todo. A intenção era simular uma caixa de cristal afundada na água e visitada por voluptuosas figuras aquáticas.

Para isso, usaram slides que se projetavam de forma oblíqua contra a parede. Como os muros do subsolo eram curvos, as imagens das mulheres nuas se deformavam e os contornos eram traçados a partir dessas imagens.

Blanca não foi somente musa inspiradora: sua figura dotou o mural de um halo de lenda e misticismo. Enquanto Siqueiros pintava o corpo nu de sua mulher no subsolo, Blanca se convertia em amante de Botana. A obra é, dessa forma, também um retrato do fim de um romance.

Pouco tempo depois, Siqueiros apoiou uma greve de trabalhadores e foi expulso do país. Blanca ficou na Argentina, com Botana.

Com a morte do empresário em 1941, a propriedade foi vendida e a mulher do novo dono tentou destruir o trabalho com ácido, por considerá-lo muito pornográfico. Não deu certo. Ela então tapou o mural com cal.

Em 1989 o lugar foi comprado por Héctor Mendizábal, que decidiu resgatar o mural e o separou em cinco pedaços como se fosse um quebra-cabeças, com a intenção de mostrá-la ao mundo.

A obra de engenharia foi super sofisticada, mas esbarrou com um problema judicial e os pedaços ficaram 17 anos guardados em caixas até que, em 2003, Nestor Kirchner declarou o trabalho de interesse artístico e o Senado aprovou a sua expropriação.

Com uma história assim, o mural já virou filme. Aliás, dois. A ficção El Mural de Siqueiros, de Hector Oliveira (o mesmo de Patagônia Rebelde), e o documentário Los Próximos Pasados, de Lorena Muñoz.

Texto no Noblat, AQUI.

Textos técnicos sobre o tema:

1. O MURAL DE SIQUEIROS NA ARGENTINA – ARTE E POLÍTICA NA AMERICA LATINA, do historiados Daniel Schávelzon, publicado na revista Contratiempo. Integra AQUI.

2. Un “Ejercício Plástico” para el arte, de María Laura Guevara (Agencia CTyS).

19/12/2011 - 17:20h O aliado


O aliado (1978) – Siron Franco

18/12/2011 - 17:27h Gaiola

Siron_Franco_gaiola
Siron Franco – Gaiola

16/12/2011 - 17:50h Navio de emigrantes

Lasar_segall
Lasar Segall – Navio de emigrantes

15/12/2011 - 17:33h Na rede

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Lula Cardoso Ayres
Sem título