05/11/2009 - 18:56h Morena provençal

Dormindo com o espelho – André Hambourg (França, 1909-1999)

André Hambourg (1909-1999) : « Saint-Rémy-de-Provence », 1947
03/11/2009 - 19:59h Red is beautiful
29/10/2009 - 19:59h Disfarce de alma


Lawrence Alma-Tadema
21/10/2009 - 18:30h Mercado de escravos

Jean-Léon Gérôme (França, 1824 -1904)
19/10/2009 - 17:53h ”Pintamos como um único artista”

ENCONTROS com o ESTADÃO: Às vésperas de inaugurar mostra na Faap, a dupla os gemeos conta como funciona a arte de juntar dois talentos em um só
Sona Racy – O Estado SP

Eles já foram idênticos. Hoje, Gustavo e Otávio Pandolfo estão com visual diferente e não são mais chamados de grafieteiros. Otávio, de cabeça raspada, e Gustavo, com barba e cabelo compridos, formam a consagrada dupla de artistas plásticos osgemeos. Foi exatamente desta forma, com as duas palavras juntas em minúsculo, que eles se autobatizaram desde pequenos, quando já pintavam as paredes e muros da casa onde moravam no bairro do Cambuci, em São Paulo.
Embora muita coisa tenha mudado de lá para cá, o processo de criação da dupla é o mesmo. “Criamos juntos e executamos juntos, como se fôssemos a mesma pessoa. Nada de um questionar o que o outro faz”, conta Gustavo. Conflito é coisa impénsável para a dupla: “Eu sou a terapia dele e ele, a minha”, brinca Otávio. No caminho inverso da maior parte dos artistas, a primeira galeria a representá-los era de fora do Brasil – a Deitch Projects, de Nova York. Dentro do País, os dois mantêm exclusividade com a Fortes Vilaça.
Vai longe o tempo dos meninos que sonhavam em ser bombeiros e que precisavam sair à noite para pintar os muros da cidade. Hoje eles são convidados para expor em museus do mundo todo – ano passado fizeram um painel gigante na Tate Modern, de Londres. No momento, estão totalmente envolvidos com a exposição Vertigem, que abre sábado na Faap. Nela há um painel com mosaicos de 38 metros feito especialmente para a mostra – além de esculturas inéditas. E foi no meio desta montagem de 60 obras, que envolveu ajuda de mais de 10 profissionais, que a dupla conversou com a coluna.

Como foi para vocês a transição da rua, de uma arte urbana, para dentro das galerias? Gustavo: Foi muito natural. Não percebemos o que estava acontecendo. É claro que já existia uma vontade ocupar um espaço fechado, de criar um ambiente tridimensional. Porque na rua não podíamos fazer isso. Porque lá está tudo pronto. Já no ambiente fechado podemos colocar uma escultura, mexer com som, luz. Além de lidarmos com todos os sentidos. E o mais bacana de tudo isso foi que aconteceu sem pretensão. Não tínhamos a noção dessa grandeza.
Então vocês já tinham vontade de fazer esculturas? Gustavo: Sim. A gente não trabalhava nessa direção ainda, mas já queríamos fazer. Construir. Quando fomos para galerias, isso se tornou possível. É incrível. As pessoas mexem na obra, entram no teu universo. Isso é o mais legal. Transformar. Para nós, fazer uma mostra não é simplesmente colocar uma tela em um espaço expositivo. Não conseguimos fazer isso. Mexemos no espaço inteiro.
Vocês podem dar um exemplo? Otávio: Nunca deixamos uma parede em branco. G: Fizemos um trabalho no CCBB do Rio, onde não havia mosaicos – no estilo em que estamos realizando nessa mostra da Faap. Eram só telas, mas pintamos a parede de rosa. Nunca conseguimos deixar algo só branco.
E como começaram a se envolver com a cultura do grafiti? G: Começamos nos inserindo na cultura hip-hop. Íamos para o Largo São Bento dançar break, por exemplo. Passávamos o tempo na rua. Porque o Cambuci é um bairro assim, em que as pessoas ficam na porta de casa batendo papo, as crianças jogando bola na rua.
Como era o relacionamento na rua, difícil? O: O relacionamento a era bom. O difícil foi, durante uma fase, a bandeira do grafite. Mostrar que essa manifestação é uma coisa legal para a cidade, que deveria ser feita de dia e não somente à noite.
Mas vocês ainda saem à rua para grafitar, ou os trabalhos de rua são na maioria das vezes encomenda? O: Saímos para pintar na rua, às vezes, mas só por diversão.
O sucesso de vocês começou antes da Street Art entrar na moda. Vocês tiveram um padrinho que ajudou no começo da carreira? O: Acho que não. Foi fruto da nossa insistência em querer pintar sempre. Não pensávamos em viver de arte e ganhar dinheiro com isso, no começo.
Já trabalharam em outras coisas? G: Sim. Em funilaria, banco, em fábrica de picles, locadora. Trabalhávamos para ajudar em casa porque nossos pais eram separados e tínhamos que ajudar a nossa mãe.
E como é pintar a quatro mãos? O: Quando pintamos é como se fossemos uma pessoa. É tudo junto. Sempre foi e será assim.
Mas vocês não brigam? O: Nunca. A gente não tem conflitos pintando. Um complementa o outro.
Vocês fazem terapia? O: Eu sou a terapia dele e ele, a minha.
Mesmo com sucesso e sendo reconhecidos vocês conseguem manter a autonomia do trabalho que fazem? G: Temos a total liberdade. Foi algo que conquistamos devagar. Hoje, se alguém quiser nosso trabalho é isso aí (aponta para as obras) que tem para comprar. Não foi fácil conquistar essa autonomia, especialmente no Brasil.
E vocês vendem tudo que produzem? Em quantos museus já têm obras? G:Não vendemos tudo. Fazemos acervo próprio. Mas em NY nossa galeria vende muito. O último que fizemos foi umtrabalho um grande para o Museu Nacional de Tokyo.
Qual é o melhor mercado para arte? G: O americano. Mas o do Brasil é bom também. Aqui tem muita gente que acompanha o nosso trabalho desde sempre e há muitos colecionadores.
E a crítica? Incomoda? G: Nós é que somos nossos críticos de arte. Não ligamos para o que escrevem da gente, mas para o que cada um de nós fala sobre o trabalho.
E a pichação? O: Não falamos de pichação porque é outro mundo. Não discriminamos porque faz parte da cidade, mas não falamos disso porque não tem nada a ver com o que fazemos.
E o que vocês discriminam? G: Sinceramente? Nada. O: Quem destrói a Amazônia, ou que está aí poluindo os rios.
E o spray de grafite não é nocivo para a camada de ozônio? O: Não tem mais CFC no spray que usamos. É especial para grafite.
Como nascem as criações? G: Não nascem, já existem. Só colocamos para fora. É como se fosse um filme que está na cabeça, ao qual foi dado um “pause”. As pinturas já existem lá dentro e estão em movimento. O: Nascem outras coisas, o trabalho, o relacionamento.
Quais são os projetos futuros? G: Temos um trabalho com o Plasticiens Volants, grupo francês que mescla teatro e arte cênica, num esquema ligado ao Ano da França no Brasil, para o fim do ano. Depois, vamos participar da Art Basel Miami. Além disso, temos exposições programadas em outras cidades como Milão, e também em Portugal.
DORIS BICUDO e MARILIA NEUSTEIN
18/10/2009 - 20:01h Vênus adormecida

Giorgione – Vênus adormecida (1510)
17/10/2009 - 17:52h Conto

Sacho Kamburov
14/10/2009 - 20:17h No banho

Felix Vallotton
09/10/2009 - 17:52h Cézanne III
3° Partie
BMC – Blog Art-Maniac
Cézanne le paysage et la Sainte Victoire

Paul Cézanne – “La montagne Sainte Victoire” -1896-1898 – 81 x 100 cm. Musée de l’Ermitage – Saint Pétersbourg
Jusqu’en 1872 Paul Cézanne avait toujours peint en atelier et jamais “sur le motif ” comme on disait à l’époque.
À la demande insistante de son ami Camille Pissarro, Cézanne s’installe pour quelque temps, d’abord à Pontoise et ensuite à Auvers-sur-Oise chez le docteur Gachet.
Paul Cézanne – Auvers-sur-Oise.- Musée d’Orsay Paris
Ne dirait-t-on pas un Van Gogh de la première période ! Pour ceux qui douteraient voici la signature :

L’influence de Pissarro va être notable durant la période où ils travailleront en commun (1872 -1873). Ce sera certainement à ce moment que la peinture de Cézanne n’aura jamais été aussi impressionniste. De cette époque, je vous ai montré dans mes articles précédents “La maison du pendu”, “La maison du docteur Gachet” ; il y aurait bien d’autres exemples.
De retour à Aix, Cézanne n’aura de cesse d’aller peindre d’après nature, mais maintenant sa peinture favorisera toujours le côté construit. Cézanne trouve vraiment son style. L’influence de Pissarro disparaît. Ce qui n’empêchera pas Cézanne de vouer durant toute sa vie une très grande admiration pour son confrère et ami.
Paul Cézanne – “Le pont de Maincy – 1878-1879 – 60 x 75 cm. Musée d’Orsay Paris.
Cézanne – “La carrière de Bibémus” – 1895 – 65,1 x 81 cm.- Muséum Folkwang Essen.
Sur ce tableau, on entrevoit très nettement une prémonition de ce que seront les peintures cubistes de Braque et Picasso.
Probablement Cézanne n’aurait pas revendiqué la paternité du cubisme, mais difficile d’imaginer que ce dernier ne soit pas né de sa peinture. Les premières œuvres de Braque et Picasso sont directement inspirées de Cézanne. Voir par exemple de Braque “Viaduc à l’Estaque” ( lien image).
La Sainte Victoire
Il existe 11 peintures de la Sainte victoire et 17 aquarelles.
Paul Cézanne – “La montagne Sainte Victoire” 1902-1906 – Collection privée.

Paul Cézanne- Le château noir et la montagne Sainte Victoire – 1890 – 1895 – Mine de Plomb et aquarelle-31,6 x 48,7.
Dans ces aquarelles, on va se rendre compte à quel point Cézanne souhaitait tout ramener à l’essentiel, sur ces petits chefs d’œuvres ne reste plus que quelques lignes et autant dire pas de couleurs. Ne subsistent que les caractéristiques fondamentales du paysage.
Comme on le sait, Cézanne était “obsédé » par la sainte victoire, il y retournera sans cesse. Il était un perfectionniste et non un laborieux, comme certains le laisseraient entendre. Il peignait lentement, revenant sans cesse sur l’œuvre en cours, on se rend compte du travail accompli pour réaliser autant de tableaux.
Cézanne et le portrait
Et aussi les autoportraits. Hormis Van Gogh, peu de peintres de cette époque ont en fait autant.

Paul Cézanne – Autoportrait – 1873-1876 – Musée du Jeu de Paume Paris – (Don Laroche).
Difficile pour Cézanne de trouver des modèles suffisamment patients… Cela aussi explique ses nombreux autoportraits.

Paul Cézanne – Portrait de Victor Choquet – 1876-1877 – Collection Rothschild – Cambridge.
Victor Choquet était un homme modeste, pas bien riche, mais qui, à une époque où personne ne s’intéressait aux “impressionnistes”, a su voir avant tout le monde l’intérêt de ces peintres. En fonction de ses moyens, il achetait quelques tableaux, et particulièrement des Cézanne dont il adorait la peinture. Il existe aussi un portrait de lui peint par Renoir.
Cézanne va aussi s’intéresser à la composition avec plusieurs personnages, en particulier avec ses célèbres joueurs de cartes.

Paul Cézanne – Les joueurs de Cartes – 1890 -1895 - 47 x 57 cm – Musée d’Orsay, Paris.
Mais c’est bien avec “ Les grandes baigneuses” que Cézanne va arriver à l’accomplissement de ses théories.
Il est curieux de constater que les peintres qui produisent de petits tableaux se surpassent souvent dans les grands formats, ce fut le cas pour Cézanne.

Paul Cézanne (1839-1906) – Les Grandes Baigneuses – 1894 -1905 – 136 x 191 cm
Londres, National Gallery
08/10/2009 - 17:42h Cézanne II
BMC – Blog Art-Maniac

Comme je l’ai écrit dans mon article précédent, les premières œuvres de Cézanne n’ont rien d’impressionnistes, c’est ce qu’il appelait “sa période couillarde”. Personnellement je la qualifierai plutôt de romantisme baroque.
Il faut dire que ses premiers tableaux reflétaient l’influence de Delacroix, peintre pour lequel il avait une profonde admiration, et aussi des réalistes, en particulier Courbet. Sans compter tous les autres peintres, que Cézanne “côtoyait” au Louvre.
Non seulement sa peinture était très “classique”, mais il y avait un côté que l’on pourrait qualifier d’espagnol, je pense à Murillo et même à Zurbaran.
Heureusement pour nous Cézanne a viré sa cuti, ce ne sont certainement pas ses œuvres-là qui nous auraient laissé un souvenir impérissable.
Dès les premiers tableaux, on s’aperçoit que chez le maître d’Aix la forme et la composition priment sur la couleur. Chez lui la couleur est plus là pour souligner la forme que pour créer une impression comme ce serait le cas chez Pissarro ou Monet. Je ne veux pas dire que Cézanne n’attachait aucune importance à la couleur, il en parlera souvent, mais il ne l’utilisera pas comme un peintre impressionniste ou pointilliste, qui eux vont se soucier de juxtaposer les tons complémentaires de telle ou telle façon, par exemple pour l’ombre d’un objet.
À titre indicatif voici quelle était la palette de Cézanne :
Jaune brillant
Jaune de Naples
Jaune de chrome
Ocre jaune
Terre de Sienne naturelle
Terre de Sienne brûlée
Vermillon
Ocre rouge
Laque de garance
Laque carminée fine
Laque brûlée
Vert Véronèse
Vert émeraude
Terre verte
Bleu de cobalt
Bleu outremer
Bleu de Prusse
Noir de pêche
En ce qui concerne le blanc , je n’ai aucun renseignement, peut-être a-t-il utilisé le blanc de céruse, dont à l’époque on ne connaissait pas encore la nocivité.
Au début Cézanne “s’embourbe” dans une pâte épaisse. Bien qu’il n’utilise pas le bitume comme son maître Delacroix, les fonds sont souvent noirs ou foncés. Par exemple, “Le déjeuner sur l’herbe” qu’il peindra en 1869, soit 8 ans après Manet.

Paul Cézanne – “Le déjeuner sur l’herbe” première version 1869 / 70 – Collection particulière.
Dans “La pendule noire” (1867), on va se rendre compte à quel point Cézanne attache de l’importance à la composition. Ce tableau est organisé selon des verticales et des horizontales, comme beaucoup plus tard aurait pu le faire Mondrian.
Remarquez le “cadrage” très particulier pour une peinture de l’époque, cadrage qui serait celui d’un photographe contemporain mais sûrement pas celui d’un peintre de 1860.
Je ne résiste pas à l’envie de vous conter la petite histoire de cette toile dont la sobriété et le dépouillement feraient facilement penser à une vanité. Tout l’esprit de Cézanne est dans ce tableau.
Vers 1867, date approximative à laquelle il fut peint, Zola habitait aux Batignolles, rue de la Condamine (Lire “l’Œuvre” ou Zola raconte les soirées du jeudi chez Sandoz, alias Zola) . Dans cette toile Cézanne avait réuni quelques objets chers à son ami. La pendule, bien sûr, son encrier, sa tasse à thé.
Curieux de constater que la pendule n’a pas d’aiguilles, venant d’un esprit aussi rigoureux que celui de Cézanne, ce n’est certainement pas un hasard. Peut-être voulait-il arrêter le temps, peut-être pressentait-il sa future brouille avec Émile ?
Pour l’explication du coquillage, voir un psy qui aura certainement beaucoup plus de choses à dire que je ne pourrais le faire sans tomber dans de la psychologie de bistrot. ![]()
Par la suite ce tableau ira dans la célèbre maison de Médan où, après leur “fâcherie”, il se retrouvera face au mur dans le grenier.
Aujourd’hui cette toile est au Musée d’Orsay où vous pourrez l’admirer et raconter son histoire à ceux qui ne la connaîtraient pas encore.

Paul Cézanne – “Le déjeuner sur l’herbe” deuxième version – 1870 / 71 – 89,5 x 166,5 cm. . Musée d’Orsay Paris.
Dans la deuxième version la “Période couillarde” a complètement disparu.
07/10/2009 - 17:38h Cézanne I
BMC – Blog Art-maniac

Cézanne, le peintre de la raison, qui va par ces théories et surtout par son œuvre être à la base du cubisme et de tout ce qui va suivre.
Van Gogh, le peintre de la passion, l’initiateur de l’expressionnisme.
Claude Monet, peintre de la sensibilité ira jusqu’à l’abstraction. Même si le premier tableau abstrait fut peint par Kandinsky, il faut bien reconnaître que certaines œuvres de Monet deviennent presque totalement abstraites.
À la période dite impressionniste correspondent un certain nombre de peintres dont l’importance n’est pas contestable et je ne voudrai pas diminuer leur mérite. Mais pour moi, il s’agit avec les trois que je viens de citer de ce que l’on pourrait appeler “Les piliers de l’art moderne”.
Revenons, si vous le voulez bien à notre cher Cézanne.

LA JEUNESSE :

Louis Auguste Cézanne voit en son fils le futur directeur de la banque. Aussi décide-t-il que Paul fera des études de droit.

On ne le sait pas toujours, mais Cézanne est d’origine italienne, à l’époque où il rencontre Zola celui-ci est toujours italien et ne sera nationalisé français qu’à l’age de 21 ans. Émile est chétif, il parle en zézayant, avec un accent parigot, et, pour comble, il est un bon élève. Il n’en fallait pas plus pour être pris pour cible par ses petits camarades. Le “françiot” va devenir leur souffre-douleur.

Cézanne et Zola resteront très liés durant toute leur jeunesse, mais il y a un troisième larron dénommé Batistin Baille qui s’il n’a pas laissé son nom dans l’histoire a été leur camarade, les trois amis découvriront ensemble, la musique, la littérature, la peinture. Leurs fréquentes promenades sont agrémentées de discutions sans fin et particulièrement dans les domaines que je viens de citer.
Cézanne qui joue du cornet et Zola de la clarinette iront plusieurs fois interpréter une aubade sous le balcon de tel ou tel fille qu’ils espèrent séduire mais, dit-on, sans succès. À moins que l’on considère les douches d’eau froide comme un succès.
De cette époque, ils garderont le souvenir de jours heureux. Dans ses lettres Cézanne évoquera souvent cette période, Zola dans ses écrits transcrira les expériences vécues à Aix (qu’il nommera Plassans). Voir dans l’Assommoir Gervaise qui se souvient du temps où elle était blanchisseuse à Plassans. La famille Rougon-Macquart a ses origines à Plassans, c’est dire à quel point Aix avait marqué Zola.
CÉZANNE LE PEINTRE

C’est maintenant l’âge où l’on pressent ce que l’on veut vraiment faire, Cézanne sait qu’il sera peintre. Il sait aussi que la route sera longue, que son père a d’autres ambitions le concernant.
Son ami Zola rentre à Paris. Cézanne rêve de Paris qui est à l’époque la capitale des arts.
En 1861 Cézanne a 22 ans. Depuis Paris Zola, lui écrit de nombreuses lettres. Il lui raconte un rêve dans lequel il a écrit un livre que Cézanne va illustrer.
02/10/2009 - 18:32h Desejo
30/09/2009 - 19:48h Red with pleasure

O vestido vermelho – Katy Bailey
21/09/2009 - 20:43h Sampoema

Paulo Von Poser
Flávio Viegas Amoreira
Teu ventre regurgita seres de estranheza
orgíaco encanto terra sem marcos
acampamento solidário aos lobos da estepe
poetas / fodidos/ eruditos de céu in-concreto:
campos de pivas orides fontellas panaméricanos
agripinos catadores lumpensinato estelar
vencer Sampa é perde-lhe o medo
tua geografia são seus rostos bolívares-norte-coreanos
lagos anônimos de gozo e morte
a Paulista é praia de ondas com pressa cimento
cal fétido / grana espúria : do Jaraguá vejo-te
cosmovo : Sampa é ducaralho divino esporro
único mundo donde perdi o medo: perder nu ao medo
nu era o começo indistinto agora reconheço
alamedas / janelas / quartos de estórias insuspeitas
em cada cômodo um coito / parto / féretro
águas pútridas / córregos em transe / pirajuçaras
marginais de rios carontes refletindo desespero
de Virgilíos e Dantes : cosmoagonias : Sampa é ducaralho azar mais sorte: a vida não perdoa desatento transeunte tudo-todo-rola-cada- instante; poemizosampa
navalhando névoas cinzas nuvens de estanho
ilusão paraísos consoloção liberdade jardins
oscar freires de infame exclusão marianas
ângelas leopoldinas vilas no caminho havia uma
praça trecho arremedo de troços e a praça fez-se
árvore numa igreja de enforcados insones luzes de
horas : cada habitante inapetente é uma paisagem
espreitando esconderijos dalguma memória
te esperam vãos / vales / veredas / te esperam algum
sentido : algum sentido para onde damos em alamedas
becos / beneditocalixtos / anhamgabamentos
conas / répteis / fósseis / múmias virgens
salve Sampa sodomizada / poesia pederasta oralizada:
todo-tudo-sempre é Sampa e Sampa é foda:
aqui-quase-nada / quase-nada/ nada em orgasmo
múltiplos de signos/ significados infindos
vejo estranhos que passam: eu Whitman tropicano:
garanhões / ninfetas / anjos putos/ proxenetas
risco que corro e escorro longa mirada para ser feliz
num átimo / fóton de esquina por esquina
senhas códigos berros espectros em amuradas
Davids Lynchs / Win Wenders / barras códigos estacas:
Meu cérebro é onde? : noites de autorama
Madrugafas mais darks que a escuridão do nada
Interlagos de lágrimas: engulhos esgares vômitos
Da metrópole essa meretriz viada que comigo deita
Quando esparramo-me de paisagem e realizo delírio
Por inteiro : eu sou carona de teus fetiches pesadelos
Espasmos oníricos: insights luminares / beatniks
Transmodernos / aqui Deus é Joyce , Mallarmé é seu profeta : eu moro é na Literatura sampauleira sampaulisto sampinferno sanparteiro de entradas
bandeiras volpianas baratas forasteiras trens sobrehumanos traças suburbanas : trago o gole de amargura oswaldiana : a tristeza é a prova dum 69
sou 13/ 11 / oito infinito, infinito onde o som se estreita/
andróides / zumbis / iracemas da Vieira / índios de Moema
incorporo metálico estalido dos espigões em meu rabo
e meus cornos eriçados de antenas
Sampa é zoom!!!!
Disposto o peito aberto a camisa em desalinho
Sampa me afronta com sua zona e risco
Sampa é o Ó entre brejos e bronhas :
atmosfera saída dum filme B
assassinatos chacinas negras noir
ferozes volantes / violência fashion
homens mix de mulheres
blade runners andróginos : transgêneros líricos
merda cercada de gente por todos os poros dos lados
dentro estou fora e foda-se o recheio
o borbagato me bulina / sinto a maresia baseada
no Oceano lisérgico na imagética moldada por camadas de cânhamo: O Mar é longe / vagas de gente empoçam
castelos de areia: a multidão é sempre sociedade anônima : cambaleio / resisto por grutas/ grotas/ gretas/
rizomas/ elevadores capengam / shoppings da babilônia:
midnights cowboys pela gay caneca
não existem pontes entre todas essa gente
viver é lançar pontes do vazio refletindo a luz do nada
muretas guaritas tiras do ouro bandeirante
nada insiste subsiste uma vista onde nunca se
encaixa ao mesmo tempo ao todo se situa
onde mora o deserto é menos só que na Augusta
a chama tupi jazz, jazz, jazz em terracota e taipa
em Sampa fiespe-se, fiespe-se ou foda-se!
Urbe orbe pulsando fênix de turbinas em chamas
Caldeiras / turbilhão : miragem do movimento
Sempre estamos onde nem supomos
Os vagões levam homens apalpando suas malas
Duras penas / diamantes em pencas chaminés de ouro
Cravejados de sapopembas e diademas
Eu canto por que minha alma não desiste
Penso, louco logo resisto!
Reconheço todas tribos
O gigante polvo capitalista não é nada perto de nosso
Espanto e grito
Cruel argamassa solitude que nos une
Artefatos / bólidos/ hélices / inversão térmica das cores
Sampa é asco que não afugenta
Náusea que me alucina
Sampa não existe : está sendo no ato:
Porra loca dum gozo carcomido
O mercado come-se : dinheiro é autofáfico
Cria é para sempre onde sempre exista
Sampa anda em mim por via estreita
Poetemos onanistas!
Abaixo arcadas cerebrais: descontruir discursos é urgente! Façamos desse cú doce subversivo argumento.’’
Flávio Viegas Amoreira, escritro, semiólogo e jornalista;
já lançou 7 livros entre poe sia, conto e romance pela ´´7 Letras ´´ do Rio de Janeiro;
é militante cultural e na luta contra homofobia em São Paulo e litoral paulista;
´´Sampoema´´, poema longo dedicado ‘a Sampa
21/09/2009 - 19:23h Tomando banho à tarde

Hippolyte Petitjean
18/09/2009 - 20:00h Frutas do bosque

Camille Pisarro – nude in the forest
11/09/2009 - 18:33h Sentimentos ocultos

Katy Bailey
07/09/2009 - 19:18h Entre outras mil, és tu Brasil…
06/09/2009 - 17:24h O erotismo, a razão e a decoração de Matisse
Organizado pela crítica Sonia Salzstein, livro traz textos sobre esses três temas
Antonio Gonçalves Filho – O Estado SP

Dois pintores marcaram definitivamente o século que passou, Matisse e Picasso, ambos visionários com ideias conflitantes sobre a função da arte. Matisse queria que sua arte fosse “como uma boa poltrona em que se descansa o corpo cansado”. Picasso, ao contrário, queria eliminar a poltrona e tirar o espectador de sua posição confortável. Será mesmo assim? Até que ponto as interpretações da célebre frase matissiana – que provocaram irônicos comentários da turma de Picasso – não conduziram a uma leitura equivocada de sua obra? O livro Matisse: Imaginação, Erotismo, Visão Decorativa (Cosac Naify, organização de Sônia Salzstein, tradução de Denise Bottmann, 256 págs., R$ 79) trata justamente de atualizar a discussão da pintura de Matisse, homenageado com uma exposição aberta ontem na Pinacoteca do Estado. Veja galeria de fotos de Matisse
Nessa coletânea dedicada ao pintor figuram textos históricos de críticos como o inglês Roger Fry (1866-1934) e o norte-americano Clement Greenberg (1909-1994), análises de historiadores como o inglês T. J. Clark e o alemão Robert Kudielka, um ensaio do professor e filósofo argelino Yve-Alain Bois (autor de um livro sobre Matisse e Picasso) e outro do crítico brasileiro Ronaldo Brito. A organizadora do livro, a crítica Sônia Salzstein, convocou ainda artistas brasileiros como o pintor Paulo Pasta e a escultora e desenhista Iole de Freitas para registrarem suas impressões sobre Matisse. Cinco desses nomes – Kudielka, Sônia Salzstein, Ronaldo Brito, Iole de Freitas e Paulo Pasta – participam do Colóquio Internacional Matisse que começa na terça e vai até quinta-feira na Pinacoteca.
Kudielka é a grande estrela internacional do encontro. Filósofo, o alemão defende uma leitura fenomenológica da obra de Matisse. Também por isso sugere uma nova interpretação da expressão “pura”, “genuína”, incessantemente perseguida pelo pintor. O critério de pureza dos primeiros modernos do século 20 não é, evidentemente, o mesmo no conturbado mundo contemporâneo, dominado, como pontuou o crítico Arthur Danto – citado por Kudielka – por ecos políticos da noção de pureza e purgação. Matisse, desde o período de Nice, começou a fazer luz com a cor preta, lembra Kudielka, mostrando como a subversão dos princípios que o pintor defendeu a vida inteira o levou a criar uma pintura em que desejo de ordem e a antagônica força expressiva travam uma luta sem-fim.
O crítico Clement Greenberg viu nas telas de Matisse uma tentativa de conciliar o inconciliável. Não é, porém, o que pensa o brasileiro Ronaldo Brito. Ele diz que esses quadros “pretendem expor de maneira ostensiva o conflito, não dar trégua ao senso moderno do paradoxo”. Em outras palavras, a pintura de Matisse assimilaria seus conflitos “em precário equilíbrio”. Em seu ensaio sobre o pintor, T. J. Clark diz, a respeito, que uma tela como Mulher com Chapéu não é o Quadro Negro (1913), do russo Maliévitch, defendendo que os dois são os polos opostos do modernismo: o suprematista seria a revolução e Matisse, “o fulgor do Antigo Regime”. O “frio e calculista” Matisse também é Matisse “o sensualista” quando usa modernamente o preto para “espreitar para além dos vermelhos e amarelos resplandecentes”.
O pintor Paulo Pasta desenvolve esse conceito de Clark , acrescentando que a atitude de Matisse diante do trabalho e da vida “sugere uma modalidade de ascese, de purificação”. Toda a alegria de suas pinturas viria carregada de uma “operação paradoxal”, na qual Matisse tenta rimar espontaneidade com complexidade. “Matisse sempre quis ser o pintor não do confronto, como Picasso, mas aquele que estabelece relações, cria pontes.” Faz o outro alegre, enfim. Seu sentimento religioso, escreve Pasta, nasce do exercício do trabalho, e mesmo o seu erotismo, a volúpia de suas telas, “eram organizados”, construídos “com armas apolíneas”.
Um dos mais originais textos da coletânea é o de Yve-Alain Bois. O coeditor da prestigiada publicação acadêmica sobre arte, a October, pergunta a origem do desejo de expansão de Matisse e ele mesmo dá a resposta: não exatamente da arte islâmica, como se pensa. O pintor visitou três mostras de arte islâmica em Paris entre 1893 e 1903, mas em seu quadro “mais islâmico”, Interior com Berinjelas, não há nenhum efeito que Matisse “já não tivesse ousado alcançar por outros meios salvo o do padrão decorativo”. Em suma: não há sombra de orientalismo em sua pintura, argumenta. Está aí uma opinião para provocar polêmica no colóquio sobre o pintor francês.














