09/11/2009 - 11:00h Prefeitura de Kassab limpa só 14% dos córregos

Gestão Kassab limpou neste ano 14% dos 1.216 quilômetros de córregos que cortam a capital. Moradores da região temem período de enchentes.


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Lixo e entulho tomam conta de córrego na Água Branca



Prefeitura limpa poucos trechos de córregos

Léo Arcoverde do Agora

Entre janeiro e outubro deste ano, a gestão Gilberto Kassab (DEM) limpou 14% dos 1.216 quilômetros de córregos que cortam a capital, segundo dados da Secretaria Municipal de Coordenação das Subprefeituras. Os dados se referem apenas à limpeza feita com tratores –única intervenção do poder público de retirada de lixo e entulho que são lançados diariamente, e de forma ilegal, no leito desse tipo de afluente.

O Agora esteve na semana passada em sete córregos nas quatro regiões da cidade –um em Americanópolis (zona sul de SP), três no Itaim Paulista (zona leste de SP), um no Jardim Peri e outro na favela do Rio do Fogo, ambos na zona norte da capital, e no que corta a favela do Sapo, na Água Branca (zona oeste de SP). A reportagem viu sofás, carrinhos de bebê, pneus, entulho e até barracos de madeira inteiros despedaçados amontoados dentro dos leitos, impedindo a vazão da água.

  • Leia esta reportagem completa na edição impressa do Agora, nas bancas nesta segunda-feira, 9 de novembro

23/09/2009 - 12:30h Uma leitura indispensável

Editorial Jornal da Tarde

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16/09/2009 - 09:19h Corte na coleta: mais lixo na rua e emprego em risco

 

Prefeitura avisou as duas empresas que recolhem lixo na cidade que verbas terão redução de 10%. Uma delas, a Ecourbis, vai demitir 245 funcionários e cobra da administração a definição dos bairros que serão prejudicados

CRISTIANE BOMFIM, Jornal da Tarde

cristiane.bomfim@grupoestado.com.br

Avisada pela gestão Gilberto Kassab (DEM) de um corte de 10% no orçamento para coleta de lixo domiciliar e hospitalar, a Ecourbis, uma das duas empresas que prestam o serviço na cidade, afirmou ontem que deverá demitir na próxima semana pelo menos 245 trabalhadores e avisa: uma área equivalente ao porcentual do corte será prejudicada. “Quero que a Prefeitura defina qual a região que ficará sem coleta, porque não há como nos adequarmos à redução sem demissões”, diz o presidente da Ecourbis, Ricardo Acar. A empresa atende 45 bairros das zonas leste e sul, como Mooca, Moema, Vila Mariana e Itaquera, com um total de 6.252.186 habitantes. Em agosto, a Prefeitura já havia anunciado a redução de 20% nos gastos com a varrição, o que provocou a demissão de garis e o aumento da sujeira nas ruas.

Segundo Acar, na semana passada foram realizadas três reuniões com a Prefeitura para discutir o corte na coleta. “O problema é que eles não quiseram discutir e para me adaptar preciso cortar 10% dos custos, que são as pessoas”, afirma. Ele diz que, apesar de as empresas argumentarem que o serviço perderia qualidade, o secretário de Serviços, Alexandre de Moraes, não mudou de opinião. “Eles não quiseram discutir, apenas nos comunicaram que teríamos de nos adequar. E ponto”, afirma. O motivo seria o mesmo do corte na varrição: a queda na arrecadação da cidade com a crise financeira mundial.

A Ecourbis é responsável pela coleta diária de 6 mil toneladas de resíduos sólidos na cidade. “Com o corte, deixaremos de recolher 600 toneladas de lixo. O que o prefeito vai fazer?”, questiona Acar. Segundo ele, hoje a empresa possui 2.450 funcionários e 400 equipamentos, que inclui caminhões compactadores, de coleta de chorume e carretas para o transporte dos resíduos recolhidos. “Além do pessoal, serão menos 25 caminhões operando dia e noite”, afirma.

A última concessão da coleta de lixo na cidade foi feita em novembro de 2004 na gestão da ex-prefeita Marta Suplicy (PT). O contrato, com validade de 20 anos, dividiu a cidade em dois lotes. A Loga Logística, responsável por bairros da regiões central e norte, respondeu, por nota, que “está estudando o assunto e não tem posição oficial”. O valor do contrato para este período é de R$ 10 bilhões. Em 2007, a Prefeitura reduziu o valor em 17%. O gasto mensal da administração municipal antes do novo corte era de R$ 48 milhões, R$ 24,6 milhões repassados à Ecourbis.

“À primeira vista, o valor pode parecer alto, mas além da coleta dos resíduos, temos de transportar o lixo para o aterro. Além disso, temos de pagar pelo uso de um aterro particular, já que o municipal está com capacidade quase esgotada”, afirma Acar.

A Prefeitura diz que “foi solicitado às concessionárias de coleta de lixo domiciliar que façam adaptações nos trabalhos de forma que a verba a ser repassada às empresas se enquadre no orçamento de R$ 903 milhões para a limpeza urbana. As concessionárias deverão fazer uma readequação dos serviços de coleta, sem que isso prejudique a qualidade do serviço”.

Varrição

Dados do Sindicato das Empresas de Limpeza Urbana de São Paulo (Selur) mostram que o corte na varrição reduziu em 32,05% o serviço nas vias do município e em 26,45% nas calçadas. Mais afetada ainda foi a limpeza em vias de grande circulação, como a Radial Leste e as marginais do Tietê e do Pinheiros, cujo serviço era feito por máquinas. O corte foi de 100%. O balanço mostra aumento no número de demitidos pelas cinco empresas responsáveis. Agora são 3.274. Segundo o presidente do Selur, Ariovaldo Caodaglio, as empreiteiras entregaram às subprefeituras novos planos de serviços adequados à redução no orçamento. “Há ruas que não serão limpas, outras terão a frequência diminuída.” A Prefeitura diz que os planos estão em fase de elaboração.

47 BAIRROS SÃO da capital
atendidos pela Ecourbis, entre eles Moema e Vila Mariana

AS EMPRESAS

A coleta de lixo domiciliar e hospitalar em São Paulo é feita pelas empresas Ecourbis e Loga Logística Ambiental. Juntas, elas recolhem diariamente 9.590 toneladas de resíduos. A Secretaria de Serviços é a responsável pela fiscalização do trabalho

Já o serviço de varrição de vias e calçadas é realizado por outras cinco empresas: Unileste, Delta Construções, Paulitec, Qualix e Construfert. Mensalmente são retiradas das ruas da capital 300 toneladas de lixo. A vistoria dos serviços prestados é feita por 83 fiscais das subprefeituras

15/09/2009 - 09:45h Kassab continua propalando inverdades: arrecadação este ano esta em patamares semelhantes a 2008

O Estadão não esclarece, mas aos poucos os dados aparecem. Contrariamente as repetidas afirmações de Kassab a “crise” não afetou a arrecadação da prefeitura e ela vai concluir o ano com um volume de recursos arrecadados semelhantes ao do ano passado, ano que foi recorde na arrecadação.

As falsas “previsões orçamentárias” do orçamento de Kassab serviram para ele contar com um índice absurdo de remanejamento, o que permitiu entre outras coisas, deslocar dinheiro para publicidade e propaganda. Serviram também para “vender” sua propaganda eleitoral, fazendo acreditar que existia dinheiro para promessas eleitoreiras (como zerar o número de crianças sem creche).

Agora, chegando aos finais do ano, Kassab esta obrigado a justificar a “previsão orçamentária”, contrastada com a realidade da arrecadação. Para isso ele tenta uma “justificativa”: a crise! Mas ela se desmorona quando se verifica que o dinheiro efetivamente arrecadado pela prefeitura é semelhante em valores reais à arrecadação de 2008, a maior dos últimos 20 anos.

Estes simples dados, de conhecimento de qualquer jornal, por motivações estranhas ao jornalismo não aparecem nos artigos que tratam do assunto. Pareceria que em lugar de esclarecer, os jornais alimentam a confusão procurada por Kassab para justificar a sua manipulação eleitoreira.

Fica aqui, novamente, o desafio: publiquem as cifras da arrecadação, os números. Comparem com os de 2008 e provem a “queda” provocada pela crise, que Kassab invoca. LF

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SP volta a ter arrecadação positiva, após 1 ano de crise

Daniel Gonzales – O Estado SP

Depois de um ano com a arrecadação de impostos em baixa, por causa da crise internacional, a Prefeitura registrou em agosto, pela primeira vez, um resultado positivo. Houve uma melhora de 8% na arrecadação da principal fonte de receita do Município, o Imposto sobre Serviços (ISS), em relação ao mesmo mês do ano passado, de acordo com as análises feitas pela Secretaria municipal de Finanças.

No entanto, mesmo com esse aquecimento, o Orçamento de 2009 da cidade de São Paulo já ficou definitivamente comprometido pelo mau resultado dos primeiros meses do ano. Entre setembro de 2008 e agosto deste ano, o volume de impostos municipais que entrou nos cofres da Prefeitura ficou pelo menos R$ 5 bilhões abaixo da expectativa.

No entanto, o prefeito Gilberto Kassab se mostrou otimista em relação ao futuro. “Já vivemos uma fase de recuperação”, afirmou, ontem, em entrevista à Rádio Bandeirantes. Mesmo assim, a arrecadação projetada pela Prefeitura de São Paulo na peça orçamentária enviada à Câmara Municipal no ano passado, com expectativa de chegar a R$ 29 bilhões de janeiro a dezembro, deve atingir, no máximo, R$ 24,5 bilhões no fim do ano, segundo o prefeito. Kassab ressaltou, porém, que serviços essenciais da cidade, como limpeza urbana e iluminação, não ficaram nem ficarão comprometidos com o fluxo de caixa menor.

15/09/2009 - 09:00h Ruas continuam sujas e vereadores querem fazer a CPI da varrição

Ontem: Secretário diz que cidade está extremamente limpa. Hoje: jornal Agora mostra a sujeira e a Folha informa que mesmo com Cidade suja: Após varrição, Kassab reduz coleta de lixo. Em ambos os casos, um comum denominador: a oposição entre as afirmações demo-tucanas e a realidade. LF

André Vicente/Folha Imagem
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Rua no Bom Retiro continua com sujeira acumulada

Aline Mazzo, Bruno Ribeiro e Gilberto Yoshinaga do Agora

Três das cinco ruas mostradas pelo Vigilante Agora do último domingo, que revelou que só 37% das varrições programadas pela prefeitura realmente ocorrem, continuavam sujas ontem. Apenas as ruas Maria Paula (região central) e Darzan (zona oeste) estavam mais limpas do que na última sexta.

Já as ruas Anhaia, Doutor Falcão Filho e Capitão Mor Jerônimo Leitão, todas no centro, concentravam a mesma quantidade de lixo na via.

Os contratos da prefeitura com as empresas de varrição estão no alvo de diversos órgãos de fiscalização. A oposição ao governo na Câmara Municipal disse que vai apresentar hoje um requerimento pedindo instauração de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para avaliar esses contratos. Atualmente, três CPIs estão em andamento na Câmara de São Paulo.

O vereador Donato (PT) disse que deve ter, já amanhã, as 19 assinaturas necessárias para apresentar o pedido. Se conseguir, o pedido terá de ser votado em plenário e aprovado por 28 vereadores. O líder do governo, José Police Neto (PSDB), não comentou a possível CPI.

Já o Ministério Público Estadual disse que vai analisar se os contratos estão sendo cumpridos e que, daqui a pelo menos três dias, um promotor cuidará do caso.

A Corregedoria do Tribunal de Contas do Município afirmou que já há um procedimento investigativo aberto nas subprefeituras da Lapa, de Pinheiros, do Butantã e da Sé.

13/09/2009 - 10:54h Sob temporais, falhas de estrutura e de emergência ameaçam São Paulo

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Capital não tem nem 1 agente da Defesa Civil para cada área de risco; Prefeitura teve de admitir dificuldades

 

Renato Machado e Vitor Hugo Brandalise – O Estado SP

 


O temporal de terça-feira pegou de surpresa meteorologistas, o poder público e a população, causando caos e morte em São Paulo. Por outro lado, as chuvas de dezembro, janeiro e fevereiro são bem conhecidas e viraram sinônimo de enchente. E algumas cenas devem se repetir. Se a Prefeitura diz ter intensificado serviços e concluído obras importantes, investimentos em algumas áreas foram reduzidos e a população cresce em locais sem estrutura.

A morte de duas crianças após um deslizamento de terra na Favela Araucária, na zona leste, é o exemplo mais recente de um dos principais dramas das chuvas. A cidade tem 477 áreas de risco à beira de morros e encostas, onde vivem 57,5 mil pessoas. “A retirada dessas famílias não é a solução, pois elas ou outras retornam. Por isso a Prefeitura prefere eliminar os riscos nesses locais”, diz o assessor técnico da Secretaria de Coordenação das Subprefeituras, Marcel Costa Sanches.

O monitoramento das áreas para detectar tragédias é feito pela Defesa Civil, mas seu efetivo é inferior ao número de locais de risco. São 300 agentes divididos pelas 31 subprefeituras. O órgão tem apenas 45 viaturas, 11 delas no comando central. Portanto, nem todas as unidades das subprefeituras têm veículos.

“Não deixamos de realizar as atividades, pois possuímos um programa em que as viaturas são deslocadas para determinados locais de acordo com a necessidade. A Subprefeitura da Sé, por exemplo, não tem viatura porque privilegiamos áreas com risco”, diz o coordenador da Defesa Civil, coronel Orlando Camargo Filho. Após o caos recente, o prefeito Gilberto Kassab entregou três unidades inteligentes para o órgão, com computadores e equipamentos de resgate. Até o fim de outubro, outros 20 veículos serão repassados pela Guarda Civil Metropolitana, que receberá novas unidades.

Para compensar o efetivo menor, foram criados os Núcleos de Defesa Civil (Nudecs). Moradores de diversas comunidades são treinados para identificar riscos e alertar o órgão e os bombeiros. A cidade tem cerca de cem Nudecs.

A própria administração admite as dificuldades. Anteontem, Kassab disse que há falhas no sistema de emergência, “pego de surpresa” pelo temporal. Por isso, segundo o prefeito, não houve alerta à população para que tomasse “certos cuidados”, como evitar deixar lixo na rua.

O outro problema de difícil solução é o trânsito nos dias de chuvas fortes. Assim que a situação passa de estado de observação para atenção, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) põe em prática o Plano Emergencial. Primeiro, os agentes são destinados para 61 pontos onde tradicionalmente há alagamentos. Vias são bloqueadas. A prioridade é a segurança dos motoristas e por isso o fluxo muitas vezes fica comprometido. Além disso, a CET ainda não tem como informar os motoristas sobre rotas alternativas.

As chuvas também causam panes nos semáforos. A maior parte é do tipo eletromecânico, mais antigo e não integrado à central da CET. É preciso que um agente veja ou um motorista informe o problema.

Uma das causas apontadas para o alagamento foi o excesso de lixo nas ruas, intensificado pelo corte de 20% na verba de varrição. Em casos de enchente no Rio Pinheiros, por exemplo, há dificuldade em bombear água para a Represa Billings, por entupimento provocado por lixo. “A impermeabilização do solo, que toma 80% da capital, também é causa direta de tudo o que vimos”, diz o professor José Rodolfo Martins, especialista em drenagem urbana do Laboratório de Hidráulica da Poli-USP.

A construção de piscinões, com prioridade para o sistema do Alto Tietê, também está defasada, principalmente na região do ABC, no entorno dos Rios Tamanduateí, Pirajuçara e Aricanduva – dos 61 piscinões projetados para esses três pontos desde 1994, apenas 25 foram finalizados.

Em xeque, o excesso de lixo e o corte de garis

Em volume oposto, eles estão por aí

 


Mesmo com o uniforme laranja ou amarelo, com o carrinho e o boné no mesmo tom, eles já foram tachados de invisíveis. Fazem, esgueirando-se pelo meio-fio e entre carros e barracas, o trabalho que é sujo, mas que alguém tem de fazer. E só se tornam protagonistas assim: quando São Paulo fica debaixo d”água e cogita-se que um dos motivos seja que o lixo da cidade não esteja sendo varrido e recolhido na mesma velocidade com que é produzido.

De fato, os garis não estão dando conta. Especialmente depois da demissão de mais de 2 mil varredores por conta dos cortes orçamentários da Prefeitura – que agora serão revistos pelo prefeito Gilberto Kassab. Hoje, a proporção é de um varredor para 1.743 habitantes e os trabalhadores do setor ameaçam com greve. A limpeza da região central, que era realizada por 1.600 garis, conta agora com 1.272. Do Mosteiro de São Bento ao Parque D. Pedro II, a reportagem circulou por mais de uma hora na sexta-feira e, além de não encontrar um varredor sequer, detectou pouquíssimos cestos de lixo. Fácil de encontrar foram bueiros tapados por copos, cascas de fruta e muitas, mas muitas bitucas de cigarro.

A Rua 25 de Março é um ponto histórico de acúmulo de lixo e um convite a alagamentos. Não foi diferente na terça-feira. “Ficamos até o joelho de água. E claro que o lixo é culpado. Faz duas semanas que não vejo gari por aqui”, exagera Valmira Furlan, dona de uma banca de jornais. O vendedor de quentinhas duas esquinas adiante reforça a reclamação. “Antigamente, passava um de duas em duas horas. Agora, não vem ninguém.” A Prefeitura rebate, dizendo que “os locais com maior circulação de pessoas são, naturalmente, mais propensos a ter maior produção de lixo. Na 25 de Março, há três turnos de varredores, 24 horas por dia”.

Os garis preferem não se identificar. Mas consentem quando questionados sobre o trabalho ampliado. “Faz um mês que o setor que eu cuido dobrou. Foi de 5 para 10 quarteirões”, conta uma varredora. Ela faz quatro varrições em seu turno, das 6h às 14h20. Orgulhosa, completa que nunca levou bronca. “Deixo aquele Mercadão um brinco.” “E as pessoas tratam a gente muito mal. O pior é quando passam pela gente e tampam o nariz, pra mostrar que a gente fede”, diz outra varredora.

Vários colegas delas já foram para a rua – e não para varrer. Josué recebeu aviso prévio na segunda-feira. “Tenho dois filhos pequenos”, conta, apressado, ainda de uniforme, rumo à escola do mais velho. “Já estou na luta para arrumar outro trabalho.”

13/09/2009 - 09:49h Gestão Kassab não utiliza verba do BID para piscinões

 Banco Interamericano do Desenvolvimento se comprometeu a repassar US$ 104 mi

Projeto aprovado em 2004, na gestão Marta, é para acabar ou ao menos reduzir enchentes na região do vale do Anhangabaú

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JOSÉ ERNESTO CREDENDIO – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

O governo Gilberto Kassab (DEM) não usou até hoje um financiamento internacional do BID, aprovado em 2004, para a construção de dois piscinões projetados para acabar ou ao menos reduzir as enchentes na região do vale do Anhangabaú.
O projeto dos piscinões das praças 14 Bis e da Bandeira foi elaborado há seis anos, ainda na gestão Marta Suplicy (PT), que em junho de 2004 assinou o financiamento do BID.
As obras fazem parte do programa Ação Centro, que tem financiamento do BID, o Banco Interamericano de Desenvolvimento. O empréstimo previa a liberação de recursos em três anos. O valor original do acordo era de US$ 168 milhões.
Desse total, o BID se comprometeu a repassar US$ 104 milhões (cerca de R$ 200 milhões). A cada R$ 10 repassados pelo banco, a prefeitura deve aplicar outros R$ 4.
Na época em que o projeto foi lançado, chegou-se ao preço de R$ 105,9 milhões em investimentos no plano que inclui os piscinões, obra mais cara de todo o projeto. Há ainda melhorias em córregos e novas galerias. Hoje, a prefeitura ainda está realizando a pré-qualificação das empresas interessadas. Andrade Gutierrez, OAS, Camargo Correa e Queiroz Galvão disputam o contrato.
Entre idas e vindas, os piscinões chegaram a constar no Orçamento da prefeitura em 2004, mas o projeto emperrou e só agora começa a ser analisado pela Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, para a concessão de licença ambiental.
Os piscinões visam acumular a chuva que enche o Anhangabaú, por onde passa o corredor de tráfego norte-sul, um dos mais importantes de São Paulo.
Ao final de 2006, o plano foi considerado inadequado pelo então vice-presidente da Emurb, Geraldo Biazoto Junior, que coordenava o programa do BID. Ele dizia temer que as obras pudessem agravar problemas ambientais no centro.
Serão duas estruturas enterradas, com capacidade para até 51,9 milhões de litros (praça da Bandeira) e 35,5 milhões (14 Bis), interligadas com as galerias de águas pluviais da região das avenidas 9 de Julho e 23 de Maio, que deve ser reformada.
A gestão Marta chegou a abrir o processo para contratar as obras, em seu último ano de governo, em 2004, mas a pré-qualificação foi revogada em janeiro deste ano.
Pouco depois, em março, a região do Anhangabaú voltou a sofrer com enchentes. Na semana passada, faixas do túnel do Anhangabaú foram bloqueadas por causa da chuva.
O vereador Antonio Donato (PT), secretário das Subprefeituras do governo Marta, disse que a indefinição atrasou obras já financiadas e permitiu que as enchentes continuassem.
“Sem defender piscinão ou outra obra, já deveriam ter buscado a solução para o Anhangabaú, mas ficaram anos sentados em cima do projeto”, disse.

12/09/2009 - 13:40h Kassab usa dinheiro dos precatórios e esporte, para fazer propaganda

Mais R$ 2,5 mi para publicidade

http://www.estadao.com.br/fotos/2607kassab.jpgJornal da Tarde

Em meio à crise nos serviços de varrição causada pelo corte de uma verba de R$ 53 milhões que seria repassada às cinco empresas que fazem o serviço, o prefeito Gilberto Kassab remanejou ontem mais R$ 2,5 milhões para publicidade. A verba foi transferida de eventos esportivos e do pagamentos de precatórios. Até dezembro, o governo tem a previsão de gastar R$ 80 milhões em publicações de interesse do Município.

O montante de publicidade em 2009 é 110,5% maior que o gasto de R$ 39 milhões do ano passado, quando Kassab foi reeleito, e 142% maior que a estimativa feita na peça orçamentária para 2009 enviada à Câmara.

Kassab defendeu as despesas. “Foi um erro prever só R$ 20 milhões (em publicidade), e não se pode confundir publicidade com campanhas educativas”, argumentou. A estimativa correta no Orçamento foi de R$ 32,2 milhões. Até o fim de agosto, porém, o prefeito havia empenhado R$ 69,2 milhões.

O prefeito disse que vai desenvolver novas campanhas educativas de combate às enchentes. “Precisamos fazer alertas para as pessoas colocarem o lixo na rua somente momentos antes de o caminhão passar.” Só no primeiro semestre, Kassab gastou R$ 4,43 milhões a mais do que o total de 2008. Em 2009, o gasto com publicidade será recorde, superando 2007 (R$ 66,9 milhões).

12/09/2009 - 08:33h Kassab agora admite culpa por enchente

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”Foi mesmo uma falha, ninguém esperava essa chuva”, diz prefeito

 

Diego Zanchetta – O Estado SP

 


Depois de ter culpado a gestão do PT da ex-prefeita Marta Suplicy (2001-2004) pela enchente que gerou caos na cidade na terça-feira, afirmando que a gestão anterior havia deixado de investir na área por quatro anos, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) admitiu ontem pela manhã que houve uma falha no sistema de emergência do governo. Ao dizer que a chuva forte foi fora de época, lembrou que a população não tomou as medidas que costuma adotar no período do verão e foi pega de surpresa.

“A Prefeitura também (foi pega de surpresa). Foi mesmo uma falha, ninguém esperava essa chuva. Quando fazemos alertas para as pessoas não deixarem o lixo nas ruas, na iminência de um temporal, os riscos diminuem de inundações. Foi uma falha”, admitiu o prefeito pela manhã, ao vistoriar a retirada de entulhos de um terreno na Vila Prudente, zona leste.

“Nessa semana, não tivemos essa oportunidade (de fazer os alertas sobre o lixo), não estávamos atentos a isso, e é até, acho, uma falha da própria Prefeitura, do nosso sistema de emergência, da nossa estrutura de comunicação, que agora está atenta, que podemos ter, a qualquer momento, uma chuva dessa intensidade”, disse Kassab.

Nesta semana, o governador José Serra (PSDB) chegou a culpar a natureza pelo transbordamento do Rio Tietê, após quatro anos.

“As chuvas dessa semana foram totalmente atípicas”, completou o prefeito.

IRONIA

Ex-secretário de Coordenação de Subprefeituras da gestão petista, o vereador Antonio Donato (PT) ironizou o mea-culpa do prefeito.

“O Kassab percebe a culpa três dias depois e assume agora que está no governo cinco anos depois. Muito engraçado se a maior prejudicada não fosse a população de mais de 11 milhões de habitantes que sofre a cada enchente e com a sujeira espalhada pelas calçadas dos quatro cantos da cidade”, atacou o parlamentar petista.

Prefeitura vai transferir verba de obras para varrição e coleta

Medida permitirá que gasto com setor em 2009 se iguale ao do ano passado; no início do ano, verba foi congelada

 

Diego Zanchetta – O Estado SP

 


Para garantir R$ 903 milhões até o fim do ano às empresas que realizam os serviços de limpeza em São Paulo, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) afirmou ontem que vai transferir dinheiro de grandes obras. No Orçamento de 2009, a previsão de gastos com a coleta de lixo e com os serviços de varrição é de R$ 775 milhões, verba inferior aos R$ 948 milhões aplicados no ano passado. O contingenciamento de 20% no Orçamento foi feito no início do ano, por causa da crise financeira, e atingiu principalmente as obras e os serviços de manutenção da cidade, como a varrição, a limpeza de galerias pluviais e o recapeamento de ruas. Apenas as áreas de Saúde e de Educação foram preservadas.

Ao assegurar um investimento maior para os serviços de limpeza, o prefeito terá de transferir R$ 128 milhões de outras pastas e setores do governo nos próximos três meses. O dinheiro que Kassab pretende arrumar para elevar a verba do lixo é suficiente para construir 50 AMAs (Assistências Médicas Ambulatoriais), 5 Centros Educacionais Unificados (CEUs) ou 256 creches. O prefeito, porém, não detalhou de quais obras o dinheiro será remanejado.

“Não vai haver esse problema não (falta de verba para a limpeza). Nós estamos remanejando, principalmente as grandes obras, todos sabem disso. Não haverá problema, serão R$ 903 milhões (para as empresas de coleta e varrição) até dezembro”, afirmou o prefeito. Por enquanto, o prefeito gastou com os serviços de limpeza, entre 1º de janeiro e ontem, um total de R$ 560 milhões. O Orçamento anual tem estimativa de R$ 25 bilhões, ante os R$ 29,4 bilhões previstos até fevereiro, antes do corte.

Pressionado pelas empresas de varrição, que demitiram 2.192 dos 8.500 garis da capital após a redução na verba, o prefeito cogitou até um contrato de emergência para manter o serviço, caso os trabalhadores entrem em greve contra as demissões. Os sindicatos da categoria ameaçam com uma paralisação na próxima semana, para que as demissões sejam revistas.

A capital tem hoje um varredor de rua para cada 1.743 habitantes. A sujeira nas ruas tem sido uma das principais reclamações da população e foi, segundo especialistas, uma das causas das inundações ocorridas no início da semana. “As empresas não podem entrar em greve, a legislação não permite. O contrato será anulado se elas entrarem. Já disse que a verba não será menor ao fim do ano”, justificou o prefeito. Ao lado de Kassab, o secretário municipal de Serviços e Transportes, Alexandre de Moraes, afirmou já ter alertado as empresas sobre o risco de rompimento dos contratos, caso ocorra interrupção no serviço.

O corte de garis afeta principalmente regiões nobres da zona oeste, como Pinheiros, Lapa e Perdizes. “Qualquer tentativa de greve é locaute, é conluio das empresas”, afirmou Moraes.

11/09/2009 - 09:56h SP não mapeia áreas de risco desde 2003

Levantamento é o principal instrumento da prefeitura para planejar obras e evitar soterramentos como o que matou 2 garotos na terça

Em favela na zona leste, parte do barranco que não recebeu contenção deslizou e quase desmoronou sobre casa onde moram 7 pessoas

Leonardo Wen/Folha Imagem
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Débora Avelar junto a área desmoronada no fundo de sua casa, na favela do Bueru (Penha, zona leste de São Paulo)

 

CONRADO CORSALETTE – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

A Prefeitura de São Paulo não mapeia as áreas de risco desde 2003. O levantamento é o principal instrumento para o planejamento de obras de contingência a fim de evitar tragédias em dia de chuva forte.
Sem dados consolidados para priorizar investimentos, a administração municipal acaba intervindo só pontualmente em novas áreas invadidas, como aquela onde dois garotos morreram soterrados durante o temporal de terça passada.
A Promotoria de Habitação e Urbanismo, que exigiu da prefeitura a elaboração do levantamento de seis anos atrás, considera “um problema grave” a inexistência de um novo mapa, já que invasões e formação de novas favelas são constantes.
Em 2003, a prefeitura identificou 522 áreas de risco. Havia 27,5 mil moradias ameaçadas, sendo 42% em locais de risco considerado alto ou muito alto.
Os pontos foram localizados, na época, em 192 favelas. A prefeitura vai iniciar em breve novo mapeamento, desta vez mais amplo (leia texto nesta página). Segundo dados de 2008, o município possui 1.565 favelas.
Ex-diretor do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), o geólogo Álvaro Rodrigues dos Santos diz que “mais grave” é o fato de muitas obras não terem sido feitas ainda, apesar de a prefeitura saber que elas são necessárias desde 2003.
A gestão Gilberto Kassab (DEM) gastou até o final de agosto só 21% dos R$ 29 milhões reservados no Orçamento deste ano para “contenção em áreas de risco”. O volume de gastos para remoção e reacomodação de famílias é maior: 65% de R$ 38 milhões orçados.

Susto

Na noite de terça, a dona de casa Débora Avelar, 48, ouviu um estrondo que julgou ser um trovão. Saiu para conferir e tomou um susto: a terra da encosta de quase dez metros nos fundos de sua casa descia para seu quintal. Havia uma árvore pendurada por parte da raiz. Um barraco de alvenaria construído na parte de cima da encosta também parecia pendurado, só que por finas vigas de concreto.
A chuva passou. Apesar do susto, a dona de casa, sua filha e seus cinco netos não se feriram. Estão orientados pela Defesa Civil a deixar o imóvel.
A família mora na rua Paratigi, numa favela da Penha, zona leste. O local foi mapeado e rotulado pela prefeitura como área de risco seis anos atrás.
Ainda na gestão da petista Marta Suplicy (2001-2004), as obras na rua foram classificadas como “demanda prioritária”, mas nada saiu do papel.
Só em 2008 a prefeitura começou a concretar a encosta, mas não terminou a obra. A parte do barranco que não recebeu a contenção foi justamente a que quase desmoronou sobre a casa de Débora.
“Vieram na véspera da eleição e consertaram metade”, reclama o aposentado Orlando Pandori, 75, vizinho de Débora, referindo-se ao período em que Kassab disputou a reeleição.
Um dos responsáveis pelo mapeamento de 2003, o geólogo do IPT Eduardo Macedo diz que na Europa, por exemplo, o mapeamento de áreas de risco são anuais e as obras, constantes. Ele diz que, no caso de São Paulo, não adianta mapear todo ano, pois o poder público tem limitações de verba para obras.
Para Macedo, a prefeitura vem “atacando as regiões prioritárias”. Ele diz que, apesar da defasagem de dados, a Defesa Civil atua em áreas não cadastradas a fim de evitar tragédias.
Para Rodrigues dos Santos, a solução só virá quando a prefeitura inibir invasões. “É preciso parar de trabalhar só depois, sob a ótica de Defesa Civil”, diz.

Morte de irmãos foi em local sem mapeamento

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A encosta na Cidade AE Carvalho (zona leste) onde morreram na terça dois irmão de três e oito anos não está no mapa de áreas de risco da Defesa Civil da Subprefeitura de Itaquera.
Mas André Pereira de Melo, 30, e Marizete Barbosa, 27, dizem que o risco de deslizamentos existe há cinco anos, quando uma queda da encosta destruiu a casa que construíam.
Segundo a Subprefeitura de Itaquera, o descarte de entulho no local provocou o acidente de terça.

outro lado

Prefeitura diz monitorar áreas não mapeadas

DA REPORTAGEM LOCAL

A Prefeitura de São Paulo afirma que, apesar de contar com um mapa desatualizado, monitora as regiões que não constam do levantamento de 2003.
A gestão Kassab diz que irá realizar um novo mapeamento neste ano, desta vez mais abrangente.
Assim como no primeiro mapeamento, os responsáveis pelo trabalho serão geólogos do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), órgão ligado ao governo estadual.
A assessoria do prefeito afirma que, neste ano, 6.200 famílias foram beneficiadas com obras de contenção. Esse número chega a cerca de 18.700 famílias se contadas as obras a partir de 2005, segundo os assessores.
A Secretaria de Coordenação das Subprefeituras diz ter em andamento 19 novas obras para conter desmoronamentos. Outras 12 obras estão em fase de licitação, afirma a pasta.
“Cada subprefeitura conta com um Grupo de Monitoramento de Áreas de Risco, composto por coordenador de Defesa Civil, agente vistor, assistente social e engenheiro”, diz nota oficial da secretaria.
“Além disso, durante os períodos de chuvas ou em situações de emergência, recomenda-se que não somente o grupo mas toda a equipe técnica da subprefeitura esteja voltada para os atendimentos necessários”, acrescenta a nota.
Sobre a obra inacabada na rua Paratigi, a secretaria diz que realizou o possível “com as dotações orçamentárias disponíveis”.
A pasta informou que “já existem tratativas” para complementar as obras de contenção da encosta.
O custo estimado para isso, informa a secretaria, é de cerca de R$ 600 mil.

 Por memória

Editorial do Estadão 24 dezembro 2008

(…) A Defesa Civil tem plano para retirar moradores de áreas de alto risco de desabamento quando chover 60 milímetros por três dias consecutivos numa mesma região da cidade. É o alerta máximo para se colocar em prática o plano emergencial de evacuação. No entanto, o mapa de riscos, com áreas sujeitas a enchentes ou desabamentos, em períodos de chuvas na capital, é de 2003 – portanto, é preciso atualizá-lo.

Pelo levantamento feito pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) cerca de 5.500 famílias moram em 562 pontos de risco, em encostas e margens de córregos. Desse total, 315 pontos são considerados de muito alto e alto riscos. Nas áreas mais perigosas há cerca de 11.500 moradias, onde habitam 57.500 pessoas. Considerando-se, porém, que os locais de risco com o correr do tempo vão se tornando ainda mais arriscados, é preciso que se faça, a respeito, uma rigorosa atualização de dados.

Segundo o coordenador de áreas de risco da Secretaria das Subprefeituras, Marcel Sanches, a Secretaria estima que metade dos 562 pontos de risco foi eliminada nos últimos quatro anos porque a administração municipal investiu R$ 28,5 milhões em intervenções, realizando – até 31 de outubro – 57 obras, das 108 previstas, beneficiando 6.200 famílias. Seria importante, no entanto, a Secretaria dar pormenores sobre a situação dos pontos de risco que continuam perigosos. Em se tratando de segurança para vidas humanas, a informação precisa é absolutamente essencial.” (…)

 Jornal AGORA 10 de fevereiro 2009

Áreas de risco serão mapeadas só após as chuvas

Adriana Ferraz do Agora

A Prefeitura de São Paulo vai fazer um levantamento das áreas de risco da cidade no período pós-chuva. O edital para a contratação de uma nova análise só será lançado em março e, por isso, os resultados poderão ser usados apenas no verão de 2010.

A falta de planejamento vai impedir, por mais um ano, que o período crítico seja trabalhado com dados mais atualizados. Segundo o CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências), da própria prefeitura, o primeiro trimestre acumula 42% das chuvas registradas em um ano.

A previsão do tempo para esta semana confirma a necessidade de um trabalho direcionado para evitar tragédias em temporais.

“Amanhã [hoje], por exemplo, vai chover o dia inteiro, mas mesmo sem pancadas fortes é possível que aconteçam inundações, por conta do volume d’água”, afirmou o meteorologista da CGE Michael Rossini Pantera.
De acordo com a previsão do CGE, fevereiro deste ano deve superar a média histórica de 217 mm -cada milímetro representa um litro de água no espaço de um metro². Nos nove primeiros dias deste mês, já choveu o equivalente a 34% do esperado.

Mapeamento de 2003
A última pesquisa contratada pelo município para áreas de risco é de 2003, ainda na gestão Marta Suplicy. Na época, 57.500 pessoas viviam em 562 pontos que foram considerados perigosos por estarem próximos a encostas e margens de córregos. Quase a metade oferecia risco alto ou muito alto.

“De lá pra cá, solucionamos praticamente 70%. Sabemos, porém, que a cidade é dinâmica, que cresce com rapidez e, por isso, estamos contratando uma atualização”, disse o chefe-de-gabinete da Secretaria Municipal de Coordenação das Subprefeituras, Lacir Baldusco.

O atraso no planejamento é justificado por um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) assinado com o Ministério Público Estadual, em 2005. “O estudo estava previsto, mas foi estabelecido que a prefeitura fizesse outros serviços, como limpeza de boca de lobo e drenagem, por exemplo. Só no ano passado, investimos R$ 100 milhões em obras de intervenção.”

O prefeito Gilberto Kassab (DEM) assegurou que está tomando as providências para atender a população no período de chuvas. Disse que a prefeitura tem planos específicos para regiões prioritárias.

“Já fizemos bastante coisa nos primeiros quatro anos e continuaremos fazendo. Choveu muito na região [referindo-se a Americanópolis, onde uma mulher morreu afogada dentro de casa no último sábado], que já é complicada. Já melhorou, mas precisa melhorar ainda mais”, disse.

O programa de ações refere-se às mesmas obras citadas por Baldusco. Kassab não comentou a defasagem no mapeamento das áreas de risco de deslizamento.

A secretaria promete que, além de investir no estudo novo de encostas, pesquisará também as áreas de inundação.

11/09/2009 - 09:41h Kassab só gastou 6% do previsto para combater enchentes

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Bruno Ribeiro do Agora

A Prefeitura de São Paulo tinha reservado cerca de R$ 27,7 milhões neste ano para fazer obras classificadas como “emergenciais” para combate às enchentes. Mas só gastou R$ 1,7 milhão até o fim do primeiro semestre. O valor gasto equivale a 6% da grana separada no Orçamento. Na terça-feira, a capital parou com mais de cem pontos de alagamento.

Até o dia 31 de junho, a Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras empenhou (disponibilizou para serem gastos) R$ 18 milhões do dinheiro reservado, segundo o relatório de execuções orçamentárias, disponível na internet, que mostra como a prefeitura aplica seu dinheiro.

A prefeitura só utilizou até agora R$ 1,7 milhão. O restante tem de ser liberado com rapidez, uma vez que a temporada de chuvas começa em menos de dois meses.

A secretaria respondeu com valores diferentes dos que estão no relatório e disse que as obras seriam em regiões como Ipiranga e Aclimação, entre outros.

Fora isso, a mesma secretaria tinha uma verba de R$ 87 mil só para cuidar da limpeza de canais e galerias que recebem as águas das chuvas. Mas não usou um centavo sequer desse recurso.

O relatório mostra ainda que as subprefeituras também estão gastando menos do que o previsto para cuidar dos córregos e canais da cidade. A reportagem checou os gastos das 31 subprefeituras da cidade e verificou que, no Orçamento da cidade, estavam reservados R$ 115,4 milhões para fazer esse serviço. Mas as unidades, até junho, só tinham gasto menos de um terço desse dinheiro, R$ 34 milhões. Assim como no caso das obras, R$ 86 milhões da grana já está empenhada.

A limpeza dos córregos é tão importante para a prevenção de alagamentos quanto a coleta de lixo e varrição de ruas, assuntos que estão no centro das discussões sobre as enchentes que pararam a cidade na última terça-feira.

A subprefeitura que menos investiu na limpeza dos córregos foi a do M’Boi Mirim (zona sul de SP). A prefeitura previu gastar quase R$ 7 milhões nesse serviço no Orçamento. Já empenhou R$ 3,8 milhões, mas só gastou R$ 354 mil no primeiro semestre. A de São Mateus (zona leste de SP) está no outro oposto. Já usouR$ 3,2 milhões dos R$ 6,6 milhões que previa gastar neste ano. Quase toda a grana do ano reservada para a limpeza dos córregos já estava empenhada até o final de junho.

Varrição

O prefeito Gilberto Kassab (DEM) afirmou ontem que está analisando como a varrição das ruas e a coleta de lixo da cidade estão sendo feitas e comentou que haverá punição se houver irregularidades.

Ele voltou a dizer que não vê problemas no serviços e, ao ser questionado, não informou quantas multas foram aplicadas nas empresas. Os garis prometem greve na quarta-feira.

10/09/2009 - 17:30h Marta rebate afirmações infundadas do prefeito

Em nota distribuída ontem (9), a ex-prefeita Marta Suplicy rebateu as afirmações do prefeito Kassab que tentou jogar nas costas de administrações passadas a responsabilidade pelas enchentes da última terça-feira que transformaram São Paulo em um verdadeiro caos. Leia a íntegra da nota:

Nota

http://geraldofreire.uol.com.br/marta_suplicy3.jpgDepois de seis anos de gestão, não dá mais para o prefeito Gilberto Kassab culpar governos anteriores pelas enchentes que acontecem em São Paulo. Vamos aos fatos. Entre 2005 e 2007, realizou menos da metade dos investimentos necessários na cidade. Destinou apenas entre 35 e 52% do total previsto do orçamento da prefeitura em ações de combate às enchentes. Somente em 2008, em plena disputa eleitoral, executou a totalidade de recursos disponíveis no orçamento, com clara aceleração nos meses mais próximos à eleição.

Comparativamente aos investimentos efetuados na gestão que realizamos (2001-2004), vale citar que o valor gasto em 2002 foi de cerca de R$ 160 milhões, patamar que somente foi alcançado novamente em 2008. Considerando o total de liquidação da prefeitura no combate a enchentes, nos quatro anos do nosso mandato, tem-se que o investimento alcançou 1,09% enquanto Kassab esforçou-se em 2008 para chegar a 0,9% do total. Já neste ano, acompanhamento que a bancada do PT faz na Câmara Municipal aponta para nova desaceleração dos investimentos da prefeitura no combate às enchentes.
Marta Suplicy (prefeita de São Paulo entre 2001/2004)

Kassab gastará neste ano R$ 300 milhões a menos com limpeza do que em 2008
O lixo espalhado nas ruas foi uma das principais causas das enchentes ocorridas na terça-feira (8) em São Paulo. Como o prefeito Kassab cortou 20% dos gastos da prefeitura com a varrição de ruas e manutenção de praças, as empresas que prestam serviço foram forçadas a diminuir a execução do serviço e a demitir funcionários.

Tão ou mais grave do que isso é a constatação de que o corte não é uma medida eventual. Levantamento feito pela Bancada do PT revela que neste ano a Prefeitura de São Paulo se preparou para gastar menos com os serviços de limpeza em comparação com 2008.

No ano passado, o orçamento atualizado desse serviço chegou a R$ 1,041 bilhão. Para 2009, a gestão Kassab prevê gastar até o momento R$ 765 milhões. Ou seja, quase R$ 300 milhões a menos. Detalhe: 2008 foi ano de eleição e Kassab candidatou-se à reeleição.

Quando o projeto de orçamento de 2009 chegou à Câmara Municipal no fim de 2008, a Bancada do PT questionou o fato de a verba para limpeza para este ano ser muito menor. Técnicos do Limpurb reconheceram em audiência na Câmara Municipal que precisavam de mais dinheiro, mas evitaram criticar o corte de recursos efetuado pelo prefeito.
“Isso é mais uma prova da incompetência administrativa do governo demotucano. No ano passado investiram em limpeza pública porque era ano eleitoral e o Kassab queria mostrar para a população que estava trabalhando. Como não tem eleição, reduziram os gastos e quem paga a conta do prejuízo é a população, que sofre com as enchentes”, disse o líder do PT, vereador João Antônio.
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Fonte bancada de vereadores do PT

10/09/2009 - 10:21h Perguntar não ofende: quantos piscinões foram construidos pela “gestão” Serra/Kassab em 5 anos?

A cidade de São Paulo conta com 17 piscinões (ver mapa). Na administração de Maluf começou a construção do primeiro, na de Pitta foram inaugurados mais 6. Total 7 piscinões. Após receber uma cidade falida, em 4 anos Marta Suplicy construiu mais 7 e junto com o governo estadual mais um. Total de piscinões até final de 2004: 15. A “gestão” Serra/Kassab, em cinco anos construiu mais um e o governo estadual um. “Detalhe”: Kassab tem um orçamento superior ao dobro do que a prefeitura tinha na gestão da Marta.

Para Kassab o problema foram as gestões que o precederam. LF

 

Diário de S. Paulo (clique na imagem para ampliar)

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09/09/2009 - 09:16h Kassab, cadê a bomba?

  Sem bomba, piscinão de Guainases resiste à chuva

Daniel Gonzales – O Estado SP

O maior piscinão da capital, o de Pedreira, na região de Guaianases, zona leste, enfrentou o temporal de ontem sem as suas bombas de sucção, equipamentos que servem para retirar a água do reservatório. O contrato de aluguel das bombas venceu em maio. A instalação de novos equipamentos está em fase final de licitação, segundo a Prefeitura.

Por sorte, dizem os vizinhos, o piscinão não chegou ao limite. Com capacidade de armazenamento de até 1,5 milhão de metros cúbicos de água (o segundo maior reservatório, o piscinão Jabaquara, comporta 320 mil m³), o piscinão foi inaugurado em 2003 pela então prefeita Marta Suplicy (PT) e nunca transbordou.

Segundo Maria Luiza de Oliveira Assoni, moradora da região, no entanto, as pessoas ficaram assustadas. “Algumas casas nas proximidades do CEU Jambeiro, perto daqui, acabaram enchendo de água, o que não ocorria há alguns anos”, afirmou. Segundo ela, a Subprefeitura de Guaianases informou aos moradores que o piscinão ficaria sem as bombas durante essa época do ano, em que a probabilidade de chuvas é menor.

De acordo com a Secretaria Municipal de Subprefeituras, a intenção era instalar as bombas em outubro, “quando começa a época das chuvas”. A pasta confirmou que o piscinão ainda ficou com folga no armazenamento. As enchentes na região teriam sido provocadas pelo Córrego Itaquera, que não é atendido pelo piscinão.

O deputado estadual Adriano Diogo (PT), um dos idealizadores do piscinão, avaliou que, sem as bombas, “a população fica à mercê das enchentes do passado.”

09/04/2009 - 15:32h “Gestão” Kassab: dinheiro nos bancos, obras paradas e aumento de gastos com propaganda

Para justificar a paralisia em obras e investimentos, a “gestão” Kassab culpa a crise internacional.

Porém, neste período aumentou o volume de recursos financeiros aplicado em bancos, principalmente nos bancos privados. De acordo com o último balancete divulgado (fevereiro de 2009), a Prefeitura já tem quase R$ 4 bilhões de reais em caixa, voltando a patamares pré-eleição.

Relevantes áreas, como educação, habitação, assistência social, obras, subprefeituras, transportes e trânsito foram as mais prejudicadas, pois deixaram de receber quase R$ 1 bilhão, quando comparados com o orçamento do ano anterior.

Um exemplo da rubrica Construção de Reservatórios e Piscinões: No primeiro trimestre do ano passado já haviam sido empenhados R$ 5,1 milhões, mais da metade dos R$ 9,1 milhões previstos. Em 2009, embora o orçamento seja maior, R$ 18,4 milhões, ainda não empenharam nada. Ou seja, não há sequer um piscinão sendo construído por esta dotação.

Uma das poucas áreas em que a Prefeitura mostrou que está fazendo mais é justamente na Comunicação, pois a Secretaria havia empenhado até mar/08 R$23.821.305,29, contra R$ 28.950.739,30 atuais, mais de R$ 5 milhões corresponde a um crescimento de 21,5% nas despesas realizadas pelo órgão. Há uma dotação específica para divulgação do Plano de Metas, mas o referido programa só foi anunciado no dia 31 de março. Só que antes disso, a Secretaria já havia empenhado R$ 12.225.500,00 com esta ação. Os dados são da Bancada de Vereadores do PT.

Conclusão
Os números não deixam dúvidas de que Kassab voltou a ritmo de serviço que sempre desempenhou à frente da Prefeitura, aumentando gastos em Propaganda e aplicações em bancos privados e frustrando a população de São Paulo ao deixar de fazer importantes obras para o desenvolvimento da cidade e a melhoria da qualidade de vida dos seus moradores.

LF

24/03/2009 - 09:02h GOVERNO SERRA GASTA MAIS EM PUBLICIDADE DO QUE NO COMBATE ÀS ENCHENTES

O Governo Serra não vem priorizando o combate às enchentes em todo o Estado de São Paulo da mesma forma que prioriza a propaganda e a publicidade de suas realizações.

Segundo informações coletadas no Sistema de Gerenciamento da Execução Orçamentária do Estado de São Paulo/ SIGEO, o Governo Serra gastou R$ 68 milhões com as ações do Programa de Infraestrutura Hídrica e Combate à Enchentes (Programa 3907) em 2007, enquanto os valores gastos com Publicidade e Propaganda foram de R$ 88,3 milhões.

Já em 2008, os recursos gastos com o Combate às Enchentes foram de R$ 107,4 milhões, abaixo novamente dos gastos com Comunicação, que atingiram o valor de R$ 178,7 milhões.

Em 2009, outra vez, Serra vem gastando mais com propaganda e publicidade do que com obras anti-enchentes. Até meados de março, já haviam sido gastos R$ 18,8 milhões com propaganda, mas apenas R$ 12,8 milhões no combate às enchentes.

Cumpre lembrar que estão incluídos neste programa os gastos com ações de manutenção e novas obras no Rio Tietê, implantação de piscinões, preservação e conservação de várzeas e parques, limpeza e conservação de canais e corpos d´água e obras em parceria com os municípios em todo o Estado.

Comparando os gastos realizados pelo Governo Estadual desde 2002, observamos que gastar mais com propaganda do que com o Combate às Enchentes tem sido uma marca específica do Governo Serra. Até 2006, isso não ocorria no Estado.

As enchentes observadas na Capital paulista e na região do ABC, ocorrida nesta última terça feira (17 de março de 2009), uma das maiores dos últimos anos, na verdade, reforçam um problema que vem crescendo fortemente em todo o Estado de São Paulo: o aumento da vulnerabilidade das cidades às enchentes.

Além da Capital e da Região Metropolitana de São Paulo, cidades importantes do interior paulista, tais como Ribeirão Preto e São José do Rio Preto, também vem sofrendo de maneira crescente com enchentes nos últimos anos, sem que o Governo Serra priorize ações anti-enchentes em parceria com os municípios.

Relembrando, em janeiro deste ano, a cidade de Ribeirão Preto (norte do Estado) foi atingida por mais uma grande enchente, prejudicando moradores e comerciantes em toda a região central e bairros importantes da cidade.

A principal obra anti-enchente na cidade foi iniciada no ano passado, a um custo de R$ 15 milhões. Deste valor total, cerca de R$ 10 milhões estão sendo financiados pelo Governo Lula, através do PAC, enquanto o Governo Estadual aplicará apenas R$ 2,5 milhões. Nesta mesma cidade, no entanto, o Governo Estadual deve investir dez vezes mais (cerca de R$ 24,5 milhões) na implantação de trevos e viadutos superdimensionados em uma das avenidas de entrada da cidade (Avenida Castelo Branco), obras estas em uma região nobre, que não sofre com o problema de inundação. A falta de prioridade no Combate às Enchentes é flagrante.

A cidade de Rio Preto, que também vem sendo castigada por grandes inundações nos últimos anos, estima ser necessário cerca de R$ 40 milhões para obras anti-enchentes, mas o Governo Estadual também não tem previsão de investimentos naquela localidade.

Por fim, na cidade de Campinas, a prefeitura cansou de esperar o Governo Estadual e investiu, com recursos próprios, cerca de R$ 20 milhões no combate às enchentes em uma das avenidas centrais da cidade (Avenida Princesa d´Oeste).

Estes exemplos por todo o Estado e os números da execução orçamentária demonstram que a falta de prioridade no Combate às Enchentes tem sido uma marca do Governo Serra.

Bancada do deputados do PT na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo

 

 

Gráfico: Gasto com Combate às Enchentes x Publicidade e Propaganda. Governo Estadual. 2002 a 2008.

Fonte: SIGEO/ Sistema de Gerenciamento da Execução Orçamentária do ESP

Tabela: Gasto com Combate às Enchentes x Publicidade e Propaganda. Governo Estadual. 2002 a 2009. (em milhões de R$)

ano combate às enchentes propaganda e publicidade
2002 266,2 35,6
2003 348,5 33,3
2004 302,1 51,1
2005 401,1 55,3
2006 119,2 49,2
2007 68,0 88,3
2008 107,4 178,7
2009 12,8 18,8

20/03/2009 - 10:44h Quase um ano depois, piscinão “prioridade” de Kassab é… prioridade

Piscinão cancelado está entre as prioridades, diz Kassab

Contrato para fazer reservatório na zona leste foi anulado em setembro

Marcela Spinosa e Vitor Sorano, JORNAL DA TARDE e O Estado SP

O prefeito Gilberto Kassab (DEM) afirmou ontem que está entre suas “prioridades” a construção de um piscinão na região da Vila Prudente, na zona leste- uma das mais atingidas pelas chuvas de terça-feira. Ontem, a reportagem divulgou que o contrato fechado em junho de 2008 para elaboração do projeto de um desses reservatórios na região foi cancelado em setembro. “Temos um cronograma de prioridades, essa é uma delas. Será iniciada o mais rápido possível”, disse Kassab, em entrevista coletiva, quando questionado sobre o reservatório na Vila Prudente.

O piscinão que teve o contrato cancelado é previsto para o Córrego da Mooca, que deságua no Tamanduateí – um dos rios que transbordaram na terça-feira. A empresa Drenatec Engenharia havia sido contratada em junho por R$ 245 mil para elaborar, em 150 dias, projeto básico da estrutura a ser instalada entre as Avenidas Luiz Inácio de Anhaia Mello e Jacinto Menezes Palhares, na Vila Prudente. A contratada deveria fazer também estudo ambiental sobre o impacto da estrutura.

Em setembro, foi publicada no Diário Oficial da Cidade uma declaração de rescisão unilateral do contrato. A Drenatec confirma ter desistido, na expectativa de que uma nova licitação – que incluísse a realização do projeto executivo, mais detalhado – fosse lançada. No dia 20 de dezembro, foi publicada a aplicação de multa à empresa por “inexecução total” dos serviços contratados.

Ontem, a Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras (Siurb) informou que nenhum pagamento foi feito à Drenatec. Em nota, disse que em 8 de dezembro a unidade fiscalizadora da Siurb autorizou o cancelamento dos recursos para pagar o serviço. Em seguida, diz a nota, é que ocorreu a rescisão do contrato. O texto diz que foram gastos R$ 2,3 milhões em projetos hidráulicos (construção de piscinões e galerias, entre outros) em 2008. Ontem, a reportagem mostrou que o orçamento de 2008 contabilizava R$ 1,5 milhão até 31 de dezembro.

A construção de piscinões na região da Anhaia Mello – que teve três alagamentos na terça-feira – foi o motivo alegado pela São Paulo Transportes (SPTrans), em outubro de 2008, para suspender a licitação do trecho 4 do Expresso Tiradentes – antigo Fura-fila.

19/03/2009 - 09:14h “Gestão” Kassab: o resumo da incompetência

Clique na imagem para ampliar e ler

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Esta estampado na capa do Jornal da Tarde (JT) de hoje. Kassab cortou verbas para os piscinões e canalização de córregos. Mesmo assim, do dinheiro previsto que era de R$5,7 milhões, só gastou R$1,5 milhões. O descaso com o problema é evidente.

Qual foi a resposta de Kassab, após passar o dia em Brasília enquanto a cidade virava o caos? “Nem todo o dinheiro do orçamento bastaria”, disse ele. A questão porem é outra: porque não foi utilizado o pouco dinheiro previsto? Porque tão poucos piscinões e córregos canalizados em mais de 4 anos? Porque o único mapeamento das áreas de risco remonta a 2003? porque aumentaram tanto os pontos de alagamento e enchentes nos últimos 4 anos? porque a prevenção funciona tão mal?

O impecável cabelo preto-acaju do prefeito teria seguramente ficado eriçado, se tivesse que responder concretamente a cada uma dessa perguntas. Os jornalista começaram a responder por ele, como mostra este artigo do JT. LF

 

***

Contrato de piscinão foi cancelado

Estrutura fica no córrego da Mooca, que deságua no Tamanduateí. Rio foi um dos que transbordou

Vitor Sorano, JT

vitor.sorano@gruopoestado.com.br

O contrato para realização de projeto para construção de um piscinão na Vila Prudente, na zona leste, uma das áreas mais atingidas pela chuva de terça-feira, foi cancelado em setembro do ano passado pela gestão Kassab (DEM). A justificativa oficial é “inexecução total” por parte da empresa contratada, a Drenatec Engenharia. A Secretaria de Infraestrutura e Obras (Siurb), responsável pela obra, não comentou o caso.

O equipamento está previsto para ser instalado na região do Córrego da Mooca, que deságua no Rio Tamanduateí. Na enchente de anteontem, o rio transbordou. O piscinão é previsto para ser instalado na confluência das avenidas Jacindo Menezes Palhares e Luiz Inácio de Anhaia Mello. Os três pontos de alagamentos dessa via registrados anteontem ficam num raio de cerca de 2,5 km a 3,5 km dali, segundo o Centro de Gerenciamento de Emergência (CGE).

A vitória da Drenatec na licitação para fazer o projeto chegou a ser anunciada pela Prefeitura em maio. A empresa fechou um contrato de R$ 241.536,95, que incluía o projeto básico, um estudo de termo de referência e de vazão para a implantação do “reservatório de vazão ou amortecimento de cheias”. Segundo a publicação, feita no site da administração, “a área, como é de conhecimento, é um dos pontos da região que sofre com enchentes e alagamentos”.

A decisão de encerrar o contrato consta como “unilateral” no Diário Oficial em setembro. Em 20 de dezembro, foi publicado no Diário Oficial a aplicação de uma multa de R$ 6.038,42 à Drenatec por “inexecução” do contrato.

A Drenatec, por meio de um representante que pediu para não ter seu nome revelado, confirmou ter feito o pedido. “Normalmente não fazemos só o projeto básico. Fazemos o básico mais o executivo. Vamos recorrer da multa, mas esse valor não muda nada no giro da empresa”, afirmou.

Obras emergenciais

A verba para a execução do serviço sairia de uma rubrica denominada “Projetos Hidráulicos”, da Siurb, que incluem piscinões e canalização de córregos. Em 2008, o orçamento para esses serviços começou com R$ 8,6 milhões.

No segundo semestre, porém, remanejamentos de parte dessa verba para outras áreas – inclusive obras emergenciais antienchente – reduziram o valor disponível para R$ 5,7 milhões.

Desse total, foram empenhados (tiveram despesa programada) 42%, ou R$ 2,5 milhões. O valor liquidado (efetivamente gasto), chegou a R$ 1,5 milhão. A assessoria da Prefeitura de São Paulo enviou uma lista de 30 projetos com os recursos empenhados. A assessoria de imprensa afirma que essa verba e os serviços não são as únicas intervenções. A lista, afirmou, é parcial e há um número “muito maior” na Siurb. Para este ano, a rubrica prevê R$ 7,4 milhões, dos quais R$ 371 mil foram empenhados e R$ 27,5 mil liquidados. A verba não liquidada em um ano é repassada ao próximo .


CORTE

1,5 milhão de reais
foi o valor gasto dos R$ 8,6 mi previstos a projetos hidráulicos

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28/02/2009 - 11:11h Com R$ 48 mi em caixa, obra antienchente fica no papel

Prefeitura obteve verba, mas não fez a obra prevista em Operação Urbana para a Pompéia

Ao todo, as 4 operações urbanas têm R$ 440,4 mi para gastar; especialistas apontam problemas de gestão da prefeitura

Estas são as manchetes de reportagem da Folha de São Paulo.

Para os leitores deste blog o fato não configura novidade. Durante todos os anos da gestão demo-tucana o dinheiro foi acumulado no banco e o investimento nas obras essenciais para a cidade ficaram em “projetos”, “estudos” e “planos”.

No caso das obras antienchente é significativo o fato que, entrando no quinto ano de gestão, o governo municipal tenha feito quase nada na construção de piscinões. Porque não perguntar para Kassab o motivo de ter feito tão pouco?

O último plano com o mapeamento das áreas de risco é de 2003, na gestão Marta Suplicy. Nenhuma atualização e pouco investimento nos pontos de alagamentos. A cidade é a que mais mortos teve em todo o Estado como consequência das enchentes e dos desabamentos.

Diferentemente da situação financeira deixada por Pitta, os demo-tucanos tiveram as finanças saneadas e desde o primeiro mês em 2005 acumularam superávit. Agora, 4 anos depois, novamente os jornais apontam esta incompetência e incapacidade dos gestores demo-tucanos.

Plano para aliviar o problema das enchentes na região de Pompeia existem, mostra a Folha. Nos últimos dois anos, com a Operação Urbana Água Branca, o dinheiro para as obras estã no caixa, repete o jornal. Até agora não existe projeto executivo e nem previsão para a licitação.

Estes são os tristes fatos. Inútil de diluir as responsabilidades para discussões genéricas sobre mecanismos para agilizar a execução dos projetos.

A falta de foco e de empenho da prefeitura demo-tucana tem um nome: indiferença social.

As maiorias que formam a base da piramide social só interessam aos demo-tucanos em época de eleição e como massa de manobra. O Estado não é para eles um instrumento de redistribuição e de redução dos abismo entre as classes sociais e o Estado mínimo para agradar o alto da piramide social, constitui a pedra filosofal do credo demo-tucano. LF

27/02/2009 - 10:58h “Liguei alertando e ninguém fez nada. Agora está tudo destruído e não tenho para onde ir”

Todas as fotos são deste verão na cidade de São Paulo e do jornal O Estado de SP
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Às vésperas do natal, apenas dois meses atrás, o editorial do jornal O Estado de São Paulo manifestava um genuíno entusiasmo pelo tratamento dado às enchentes pela administração demo-tucana. (ver Euforia natalina). Vários alagamentos, enchentes, desabamentos e mortos nestes dois meses jogaram provavelmente um balde de água fria no entusiasmo dos editorialistas do Estadão (ver Melhora o tratamento da questão das enchentes em São Paulo; Áreas crônicas voltam a sofrer alagamento). As questões se acumulam e os problemas continuam.

Vale a pena reiterar o que foi dito aqui no blog comentando entrevista do prefeito em 27 de dezembro último:

“E as enchentes? Porque com R$10 bilhões de reais a mais foram construidos nos últimos quatro anos muito menos piscinões que na gestão anterior? A pergunta não foi feita, mas o entrevistador não deixou passar o assunto. Kassab não consegue dar nenhuma indicação do que foi feito na área. Diz que o fundamental é salvar vidas. Vários já morreram nos últimos 4 anos como conseqüência das enchentes. Ainda hoje três crianças estão desaparecidas. Os mapas estão desatualizados (o último é de 2003). As obras projetadas não foram realizadas. Sem rir, Kassab diz que a coisa melhora e melhorará se a cidade continuar elegendo administrações como a dele. Mas para continuar fazendo o que, no combate as enchentes?” (ver O congelamento de Gilberto Kassab).

Em todo caso, as informações que o jornal publica hoje sobre o tema mostram que, longe da proclamada melhora no tratamento do assunto, a prefeitura de Kassab e seu “padrinho” o governo estadual, nadam na maquiagem dos problemas procurando ocultar a lentidão para combater o flagelo. LF

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Governo se recusa a ceder dados sobre áreas de risco

 

 

O Estado de São Paulo

 

O governo de São Paulo se recusa, desde dezembro de 2008, a fornecer dados sobre as áreas de risco no Estado. As informações existem e são produzidas e compiladas tanto pelo Laboratório de Riscos de Ambientais do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) quanto pelo Instituto Geológico (IG). Embora nem todos os mapeamentos estejam atualizados, técnicos ouvidos pelo Estado foram unânimes em dizer que eles são hoje o único instrumento capaz de fornecer aos governantes e à população um panorama das áreas e localidades em que há riscos de deslizamentos de terra – uma das principais causas de mortes em épocas de chuvas.

Em dezembro do ano passado, a reportagem solicitou os dados ao IPT, que se comprometeu a repassá-los desde que houvesse autorização da Defesa Civil Estadual, financiadora dos estudos. Em nota, o governo alegou que “cabe a cada município a avaliação da existência de população em áreas de risco e a atuação nesses locais, quando necessário”. Esclareceu que “o levantamento citado foi realizado em 2000 e vem, desde então, sendo utilizado como referência para a ação da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec)”. Argumentou, no entanto, não se tratar da “única informação disponível” e que ela “não serve como indicador global das áreas de risco no Estado”, o que contraria a opinião de técnicos no assunto. A nota, encaminhada em 4 de dezembro, assinala ainda que a divulgação dos dados “poderia causar pânico desnecessário nas populações dos locais indicados”.

Desde então, o Estado vem reiterando os pedidos de liberação dos dados – sem sucesso. Os únicos dados à disposição do público estão no site do Ministério das Cidades, que reúne 11 Planos Municipais de Redução de Riscos (PMRR) de municípios paulistas, em que constam os mapeamentos das áreas de risco. Atualmente, 67 municípios fazem parte do Plano Preventivo de Defesa Civil e a maioria dele tem PMRR.

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Chuva causa 6 mortes em 48 h

Quatro pessoas morreram soterradas, duas delas na capital paulista; houve 400 quedas de barreiras na SP-50

 

Eduardo Reina e Renato Machado – O Estado SP

 


Em dois dias, pelo menos seis pessoas morreram em quatro cidades do Estado de São Paulo, por causa das fortes chuvas. Na capital, dois operários foram soterrados na noite de anteontem, dentro de uma obra, no Tremembé (zona norte). No mesmo horário, um aposentado acabou arrastado pela enxurrada em Pedro de Toledo, a 149 quilômetros de São Paulo.

Na quarta-feira, no Guarujá, litoral sul de São Paulo, houve a morte de duas crianças após o desabamento de oito casas na Vila Baiana. Em 24 horas, o índice pluviométrico do município atingiu a quantidade de uma semana. De acordo com a empresa Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa), nesse período foram registrados 400 deslizamentos de terra no trecho entre o km 128 e o km 145 da SP-50, entre os municípios de São José dos Campos e Monteiro Lobato, no Vale do Paraíba. A estrada se encontra interditada para ônibus e caminhões. Ainda anteontem, um lavrador foi fulminado por um raio, quando estava trabalhando num canavial de São Simão, na região de Ribeirão Preto.

O mapa mais recente das áreas com risco de enchentes, inundações, escorregamentos e erosão no Estado de São Paulo, feito em 2005 pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), mostra que 193 dos 645 municípios estão classificados como de situação muito crítica. Nessa categoria estão a capital e a cidade de Marília, onde uma ponte desabou na madrugada de ontem e um ônibus foi arrastado pelas águas. O veículo levava 15 passageiros, além do motorista, e ia de Sarandi (PR) para Ibitinga (SP). Uma caminhonete com dois ocupantes também caiu dentro do Rio Tibiriçá, na SP-333. Todos ficaram ilhados, com água até o peito. Os passageiros usaram celulares para chamar a polícia.

No relatório do IPT, os técnicos destacam que “acidentes decorrentes de processos de inundações, erosão e escorregamentos têm ocorrido frequentemente no Estado de São Paulo”. Tudo isso é consequência de um “crescimento urbano nas cidades, propiciando a criação de áreas de risco, comumente associadas a assentamentos urbanos precários, em terrenos sujeitos a processos geológico-geomorfológicos (escorregamentos e erosão) e hidrológicos (enchentes, inundações, alagamentos e solapamento de margens).”

São avaliadas no estudo condições do solo ao lado de estradas, rios, pontes, viadutos e túneis em todas as cidades. Na lista de municípios em estado muito crítico aparecem ainda Presidente Prudente, Botucatu, Franca, Bananal, São José do Rio Preto, Paraguaçu Paulista e Tupã, entre outros. Classificados como moderadamente críticas estão 345 cidades, incluindo Barretos, Cunha, Getulina, Brotas, Peruíbe e Itirapina.

Além disso, há 107 municípios considerados pouco críticos, como Iguape, Avaré, Guaira, Ilha Solteira e Araraquara. Entre a segunda e a quarta-feira, por exemplo, choveu perto de 250 milímetros em Iguape, no litoral sul de São Paulo. É mais do que a precipitação prevista para a capital durante todo o mês de fevereiro.

CGE

Ontem à tarde voltou a chover na capital. O Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) chegou a decretar estado de atenção na zona sul por uma hora. Hoje, a previsão é de tempo nublado e chuvas isoladas no decorrer do dia. As temperaturas ficarão entre os 20°C e os 31 °C.

COLABOROU LAIS CATTASSINI

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Por mês, SP tem 3 vezes mais desabamentos

Cidade impermeabilizada e chuva atípica agravam quadro

 

Renato Machado – O Estado SP

 


A média mensal de desabamentos de residências na cidade de São Paulo neste ano já é três vezes maior que a registrada em 2008. Em menos de dois meses – entre 1º de janeiro e ontem -, a Defesa Civil Municipal registrou 43 casos, média superior a 21 por mês. Em todo o ano passado, foram 89 desabamentos ao longo dos 12 meses, aproximadamente 7 mensais.

A situação é pior em relação aos deslizamentos de terra. Foram registradas em menos de dois meses 24 ocorrências desse tipo, o que corresponde a 77% do número total de casos do ano de 2008 – 31. Uma das causas apontadas para esse quadro é o nível atípico de chuvas. De acordo com a Climatempo, foram registrados em janeiro 350 milímetros de chuva, quando a média histórica para o mês é de 240 mm. Neste mês, foram 190 mm de chuva até as 9 horas de ontem, pouco abaixo da média de 220 mm.

Segundo o coordenador da Defesa Civil Municipal, coronel Orlando Rodrigues de Camargo Filho, a situação é agravada pela quantidade de famílias que vivem às margens dos rios e perto de encostas. “A cidade está muito impermeabilizada, então uma chuva mais intensa provoca grandes estragos.”

Alguns casos podem ser considerados tragédias anunciadas, como o da noite de anteontem, no Parque Colonial, em São Mateus, na zona leste. O vendedor Nelson Bossi, de 48 anos, havia telefonado no mesmo dia para o telefone 156 da Prefeitura para alertar que sua casa apresentava riscos. Após a instalação de uma antena de telefonia na região e, principalmente, por causa de uma obra ao lado, a casa em que vive com outros sete parentes passou a ter infiltrações e rachaduras.

A atendente do serviço registrou todos os dados e afirmou que a reclamação seria passada para a Defesa Civil Municipal e um atendimento ocorreria entre 1 e 40 dias. “Em nenhum momento, a atendente me falou que o telefone da Defesa Civil era outro e seria mais rápido se eu ligasse direto para eles”, diz Bossi. O coronel Camargo vai averiguar o caso, pois situações de emergência têm prioridade.

Por causa da chuva forte, a obra alagou e a água começou a pressionar o muro que faz divisa com a casa de Bossi. Às 21h30, a parede cedeu e destruiu a sala e a cozinha. Os irmãos de Nelson Bossi – José Roberto, de 42 anos, e Luís Antônio, de 49 – estavam na sala, assistindo à televisão, quando a parede desabou. Os dois tiveram escoriações no corpo. A mais atingida foi a sobrinha do vendedor, Jaqueline Matos, de 11 anos, que usava o computador na sala e teve fraturas na clavícula e no tornozelo e diversos cortes no rosto. Ela está internada no Hospital São Miguel e não corre risco. A avó da menina, Vera Lúcia Bossi, de 47 anos, teve cortes no rosto, foi hospitalizada e teve alta ontem.

Também anteontem, outras duas pessoas morreram vítimas de um desabamento em Tremembé, na zona norte da cidade. Edinalvo Ferreira de Lima, de 26, e Maxwel Santos de Oliveira, de 17 anos, trabalhavam em uma obra quando a forte chuva fez ruir uma pilha de madeiras e tijolos. Lima veio para São Paulo há dois meses para trabalhar. De acordo com vizinhos, ele deixou na terra natal a mulher, que está grávida, e seu objetivo era juntar dinheiro e voltar para o Nordeste. Ele fazia diversos trabalhos com construção na região e sempre era ajudado pelo primo, Maxwel Santos de Oliveira.

Por causa da chuva anteontem, os primos resolveram descer da parte de cima do sobrado em construção e buscaram abrigo da chuva embaixo da laje. A força da água, no entanto, provocou o soterramento dos dois. Ainda não se sabe a hora exata em que o acidente ocorreu, pois ninguém presenciou.

À noite, a mãe de Oliveira foi procurá-lo e um comerciante disse que os tinha visto trabalhando à tarde. Quando chegaram à obra, ligaram para o celular do adolescente e viram que o toque vinha de dentro do canteiro. Os corpos foram resgatados por volta de meia-noite e seriam velados ainda na noite de ontem.

FRASES

Coronel Orlando de Camargo Filho,
Coordenador da Defesa Civil Municipal

“A cidade está muito impermeabilizada, então uma chuva mais intensa
provoca grandes estragos”

Nelson Bossi
Vendedor

“Liguei alertando e ninguém fez nada. Agora está tudo destruído e não tenho para onde ir”

24/02/2009 - 11:59h Cadê K?

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Moradores protestam contra inundações no Aricanduva

Cerca de 500 pessoas interditaram avenida contra obra feita pela prefeitura

PM conteve manifestantes; engenheiro da prefeitura diz que chuva foi forte demais para a capacidade de vazão do córrego Bento Henriques

LAURA CAPRIGLIONE – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

Cerca de 500 pessoas (a avaliação é da PM) interditaram a avenida Aricanduva, ontem à tarde, para protestar contra a obra de reurbanização da favela 9 de Julho, a cargo da Prefeitura de São Paulo. Foram contidos pela polícia, que usou balas de borracha. Até as 22h, a avenida, uma das principais artérias da zona leste, permanecia intransitável. Funcionários da prefeitura limpavam-na de entulhos, pedras e pneus queimados, espalhados por 800 metros pelos manifestantes.

Segundo os moradores, avalizados pelo engenheiro da prefeitura Carlos Tatsuo Hoshii, 56, erros de projeto nas obras de reurbanização, somados à forte chuva, provocaram a inundação de 700 barracos. Um caldo de água e esgoto com 1,20 metro de profundidade tomou a favela.

Eliana de Almeida, 28, que trabalha com reciclagem, chegou do serviço e encontrou a geladeira boiando no único cômodo de sua casa. O rack e o guarda-roupas recém-comprados nas Casas Bahia por R$ 600 ficaram imprestáveis.

Eliana tem três filhos que moram com ela, uma irmã e a mãe. Só restou um colchão de solteiro (o do andar de cima de um beliche) para acomodar toda a família. Ontem, o fogão não funcionava e os sacos de arroz e feijão da cesta básica se haviam perdido, encharcados.

Segundo o engenheiro Hoshii, uma chuva como a de ontem já seria forte demais para a capacidade de vazão do córrego Bento Henriques, que atravessa a favela e desemboca no rio Aricanduva. A situação piorou porque no ano passado foi construído um piscinão bem em frente, no Aricanduva. “Quando chove, o nível da água no piscinão sobe e , em vez de o Bento Henriques desembocar no Aricanduva, é o Aricanduva que joga as suas águas na calha do Bento Henriques, inundando a favela”, disse.

Ouvido pela Folha, o secretário Andrea Matarazzo (Subprefeituras) disse não dispor de informações de que o piscinão agrave a enchente.

11/02/2009 - 11:03h “Tem momentos em que não tem jeito”

Carros arrastados pela enxurrada na Vila Madalena,                 Zona Oeste de São Paulo, neste sábado (7) (Foto: Reprodução)Passageiros saem pela escotilha de emergência de ônibus na zona sul de São Paulo para fugir da inundação causada pelo temporal que atingiu a cidade na tarde de ontem e provocou 44 alagamentos

Até pouco tempo atrás os tucanos espalhavam cartazes pretendendo que as enchentes tinham sumido das marginais. Os cartazes foram retirados, mas não a falsidade das proclamações dos demo-tucanos. Na recente campanha eleitoral, Kassab não parou de repetir que a questão das enchentes tinha sido resolvida na cidade. Aparentemente, para o prefeito basta sumir da mídia nos dias de chuva, que o problema cessa de existir. Sem falar em editoriais obsequiosos sobre o tema, como aquele de dezembro 2008 do Estadão que afirmava “Em certa medida, a razoável rapidez com que as águas se escoaram, a despeito do extraordinário volume, mostrou os resultados positivos do que se tem feito em termos de saneamento básico e limpeza pública na capital.”

A verdade, já explicitada aqui no blog (Melhora o tratamento da questão das enchentes em São Paulo) aparece agora e basta ler os artigos do Jornal da Tarde (JT) e do Estado SP para por a nu a mentirada demo-tucana e o descaso com os problemas por parte da atual administração. Vale a pena repetir, com R$10 bilhões a mais por ano, Kassab construiu menos piscinões que a administração Marta Suplicy e até hoje foram incapazes de elaborar um novo mapa de áreas em risco.

Agora vemos os resultados, segundo o artigo do Estadão aumentaram em 22% os pontos de alagamento em toda a cidade. Reconhecendo sua impotência, Andrea Matarazzo, declara “tem momentos em que não tem jeito”.

É…

Quando chove!

LF

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Marginal do Pinheiros tem mais cheias

Quantidade de ocorrências, 77 desde o início da estação, coloca via como líder isolada entre as principais de SP

 

Daniel Gonzales, Felipe Grandin e Vitor Sorano, JORNAL DA TARDE

 


Embora seja menor, a Marginal do Pinheiros já registra sete vezes o número de alagamentos da Marginal do Tietê. Nos 51 primeiros dias do verão – completados na segunda-feira -, houve 77 casos, antes os 11 registrados na via principal das zonas norte e leste pelo Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) de São Paulo (isso sem contar a continuação da Pinheiros, a Nações Unidas). A Prefeitura alega que, em alguns trechos, as galerias pluviais são muito antigas, com mais de 50 anos, e não comportam a atual ocupação do solo. A situação só seria resolvida com obras, que poderiam afetar o fluxo na principal avenida das zonas sul e oeste.

Mais da metade dos casos ocorre perto das pontes. É nessas regiões que a água da chuva torna os trechos intransitáveis. Ao todo, a Pinheiros teve oito ocorrências de fluxo paralisado no período. Cinco delas foram próximas das grandes estruturas.

Três foram na área da Ponte Roberto Zuccolo, anteriormente chamada de Cidade Jardim, que no total teve 18 alagamentos neste verão. A região sofreu, há dois anos, um rebaixamento de via que fez as pistas perderem 80 centímetros de altura em relação à ponte, para evitar o choque de caminhões. Mas, segundo a Secretaria de Coordenação das Subprefeituras, isso não prejudicou o sistema de drenagem da área.

A pasta informou que há um estudo em andamento no órgão para que seja executada a ampliação e o alargamento das galerias de águas pluviais, sobretudo nas imediações das Pontes Eusébio Mattoso e Cidade Universitária. Nesses locais, a idade das tubulações atuais varia entre 30 anos e 50 anos, impossibilitando a vazão adequada, por causa do adensamento urbano.

Já na Marginal do Tietê, as pontes marcam os locais onde mais ocorrem os alagamentos. Dos 11 casos registrados desde dezembro, oito foram nas proximidades dessas estruturas. Quatro ocorrem na das Bandeiras, em Santana (zona norte). Mas a água tornou um trecho da pista intransitável apenas uma vez.

Os especialistas da Prefeitura, porém, dizem que um ranking de alagamentos tem de ser relativizado. Segundo o engenheiro Hassan Barakat, do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), cheias em ruas menores podem causar mais problemas para o trânsito do que nas Marginais. “Se alagar a Rua Domitila (no Brás), pode trancar o trânsito de todo um bairro. Já as Marginais dificilmente são interditadas por completo, pois têm cinco, seis pistas.” Da mesma forma, o CGE alega que pode registrar um alagamento na Marginal mais de uma vez – quando esse afeta as duas pistas, expressa e local.

Para Barakat, os pontos de alagamento são causados principalmente por três fatores: chuvas fortes e localizadas, ocupação desordenada e despejo de lixo irregular. “Na Marginal do Tietê provavelmente não choveu tanto como na Pinheiros. Se analisarmos de um ano para o outro, haverá variações na incidência desses pontos de alagamento. A chuva nunca cai no mesmo lugar com a mesma intensidade”, afirma. “Pode ser também que as condições de limpeza e drenagem de uma via estejam melhores do que em outra.”

VIAS MAIS ALAGADAS

77
Marginal do Pinheiros

14
Av. João Dias

13
Av. Prof. Abraão de Moraes

12
Viaduto Rep. da Armênia

11
Marginal do Tietê

9
Av. Maria Coelho Aguiar

9
Av. Marquês de S. Vicente

9
Av. Presidente Tancredo Neves

9
Av. 23 de Maio

8
Av. dos Bandeirantes

Sub de Pinheiros lidera em alagamento

Neste início de ano, número de registros na área cresceu 227%

 

Renato Machado – O Estado SP

 


O número de pontos de alagamento na área da Subprefeitura de Pinheiros, nas zonas sul e oeste de São Paulo, subiu 227% neste início de ano, em relação ao mesmo período do ano passado. A reportagem do Estado cruzou dados disponibilizados pelo Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) de janeiro e fevereiro de 2008 e 2009.

Além de apresentar a maior alta de todas as 31 subprefeituras, Pinheiros também liderou em número de enchentes neste ano. A região teve no mesmo período do ano passado 18 pontos de alagamento. O número ficou bem abaixo das regiões que encabeçavam a lista: Lapa (38 casos), Butantã (35) e Sé (22). Neste ano, como tradicionalmente acontece, a maior parte das ocorrências foi registradas em trechos da Marginal do Pinheiros (foram 80 de um total de 424, considerando a continuação da Avenida Nações Unidas).

No entanto, outras áreas de cobertura que não costumavam ser atingidas viram suas ruas alagarem nos últimos dias. É o caso da Vila Madalena. Nenhuma via do bairro está no mapa do CGE com os 30 principais pontos de alagamento da capital paulista. No sábado passado, no entanto, as fortes chuvas alagaram ruas e a água invadiu dezenas de casas. Na Harmonia, carros que estavam estacionados na rua foram arrastados pela correnteza. Só na área de abrangência da Sub de Pinheiros choveu 47 mm no fim de semana, segundo a Prefeitura

O secretário de Coordenação das Subprefeituras, Andre Matarazzo, afirma que os problemas nessa região foram consequência do excesso de chuvas. “Tem momentos que não tem jeito. As chuvas dos últimos dias foram muito acima da capacidade de drenagem, mesmo se todos os bueiros estivessem completamente limpos”, diz. Matarazzo diz que a Prefeitura gastou no ano passado R$ 100 milhões na manutenção do sistema de drenagem e na limpeza de bueiros e córregos. E há outros projetos que devem ser realizados em breve.

Em janeiro, o índice de chuva na capital medido pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) foi de 351,8 mm, aproximadamente 30% acima da média histórica para o mês. Em toda a cidade de São Paulo, houve um aumento de 22% no número de pontos de alagamentos, passando de 218 para 281.

Assim como Pinheiros, a região da Subprefeitura de Santo Amaro, na zona sul da cidade, também sofreu com mais ocorrências, passando de 12 para 33 pontos de alagamento – aumento de 175%. Vale ressaltar que a principal via sob tutela das duas subprefeituras é a Marginal do Pinheiros. Outra localidade que apresentou grande variação foi a da Subprefeitura de Capela Socorro, que teve um único alagamento entre 1º de janeiro e 9 de fevereiro de 2008 – neste ano, foram oito.

LAPA

A região da Subprefeitura da Lapa, também na zona oeste, apresentou redução no número de pontos de alagamento no período, passando de 38 para 27. Foi nessa área, no entanto, que aconteceram as maiores perdas com enchentes neste ano, principalmente nos cruzamentos da Avenida Pompeia com a Francisco Matarazzo e a Rua Turiaçu, onde se inaugurou no ano passado o Shopping Bourbon. No fim de semana, muitos clientes ficaram “ilhados” no empreendimento e os carros nas ruas foram destruídos.

COLABOROU MÔNICA CARDOSO

27/12/2008 - 12:03h O congelamento de Gilberto Kassab

A Folha e o jornal Agora publicam entrevista com o prefeito Gilberto Kassab. Uma boa entrevista que permite medir a capacidade de Kassab de fugir de suas responsabilidades.

Por exemplo, porque o número de crianças sem creche aumentou nos quatro anos do mandato? A pergunta não foi assim formulada, mas esta realidade denunciada durante a campanha eleitoral pelo candidato tucano Geraldo Alckmin, encontra como resposta a cantilena do descaso anterior. Mas na gestão anterior o número de crianças fora das creches foi diminuindo ao longo dos quatro anos.

Outro exemplo, porque a avaliação do transporte público passou de uma aprovação de 61% em 2004 a uma desaprovação de 60% hoje? Para Kassab -sem rir-, é porque “herdou políticas equivocadas em matéria de transporte”. Ou seja, a população aprovava o “erro” da gestão anterior e desaprova o “acerto” da atual política. Mas qual sería esse “erro” e qual é o “acerto”? Não ter construído um único corredor em quatro anos pode ser um ” acerto”? Ter construído mais de 100 Km de corredor, renovar a frota e criar o Bilhete-Único foi o “erro” da Marta? Mas mesmo assim, porque caiu 11% a avaliação nos principais corredores da cidade entre o ano passado e hoje? O que piorou em um ano? porque? A questão não foi tocada, mas o silêncio de Kassab é eloqüente.

E as enchentes? Porque com R$10 bilhões de reais a mais foram construidos nos últimos quatro anos muito menos piscinões que na gestão anterior? A pergunta não foi feita, mas o entrevistador não deixou passar o assunto. Kassab não consegue dar nenhuma indicação do que foi feito na área. Diz que o fundamental é salvar vidas. Vários já morreram nos últimos 4 anos como conseqüência das enchentes. Ainda hoje três crianças estão desaparecidas. Os mapas estão desatualizados (o último é de 2003). As obras projetadas não foram realizadas. Sem rir, Kassab diz que a coisa melhora e melhorará se a cidade continuar elegendo administrações como a dele. Mas para continuar fazendo o que, no combate as enchentes?

Para concluir, o prefeito recusa a idéia que a criação de novas secretarias implique qualquer “inchaço” da máquina pública. A criação de mais de 170 cargos decorrente deste inchaço é só eficiência administrativa.

O verdadeiramente curioso desta entrevista é que Kassab não expõe qualquer objetivo, plano, programa ou proposta que possa ser objeto de um acompanhamento da população ou da mídia. O vazio das propostas é o eco da mediocridade dos resultados. Como se vê o congelamento não é só do orçamento.

O resultado eleitoral foi uma indiscutível vitória para Gilberto Kassab, ela não é um cheque em branco para premiar essa mediocridade.

A seguir a entrevista de Kassab publicada na Folha SP de hoje. LF

Orçamento será congelado em 2009, anuncia Kassab

Prefeito reeleito de São Paulo diz que corte será amplo, mas não atingirá áreas sociais

O DISCURSO DO PREFEITO de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), 48, está menos otimista dois meses após ter sido reeleito.
Às vésperas de tomar posse para seu segundo mandato, ele agora declara que a crise econômica “adquiriu uma dimensão grande” e que ela vai reduzir a arrecadação. Já anuncia para 2009 um congelamento do Orçamento da capital paulista.
Embora a extensão do congelamento ainda não seja revelada, Kassab já adianta que ele “será bastante amplo”. O prefeito paulistano se compromete a preservar somente as áreas sociais.

Eduardo Knapp/Folha Imagem

O prefeito Gilberto Kassab em sala de reuniões do edifício onde mora

 

ALENCAR IZIDORO – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

O anúncio do congelamento de verbas se dá depois do corte de R$ 1,9 bilhão feito pelos vereadores no Orçamento recém-aprovado pela Câmara Municipal -da previsão de R$ 29,4 bilhões para R$ 27,5 bilhões. O objetivo da medida, diz Kassab, é ter “tranqüilidade para enfrentar uma eventual redução de receitas que ainda não identificamos qual será”.
Na prática, significa que a contratação de novos projetos e de novas despesas deverá ficar bastante limitada. O congelamento poderá ser flexibilizado no decorrer do ano -para evitar que vire um corte definitivo- se a arrecadação não for muito afetada pela crise.
Em entrevista concedida à Folha ontem, Kassab disse que, mesmo a prefeitura sabendo dos pontos crônicos de alagamento de vias públicas na época de chuva, “seria uma leviandade” dizer que fará obras para resolvê-los dentro de quatro anos. Para ele, a prioridade deve ser as áreas de risco onde vivem “famílias que podem morrer se forem atingidas”.
Leia trechos da entrevista:

FOLHA – Qual será a principal mudança no segundo mandato?
GILBERTO KASSAB
- O que a cidade pode esperar é a continuidade da melhora da eficiência do uso do recurso público.

FOLHA – O Cidade Limpa foi no primeiro mandato uma das marcas principais da administração…
KASSAB
- Não. O principal foi saúde e educação. De longe, essa é a nossa marca.

FOLHA – Mas na campanha de 2004 uma das promessas era zerar o déficit de creches…
KASSAB
- E vamos, nessa nossa gestão, que é de oito anos, zerar. Criamos 60 mil vagas em creche. É um número extraordinário. O compromisso assumido está sendo cumprido.

FOLHA – Por que não foi possível cumprir em quatro anos?
KASSAB
- Não é que não foi possível. É lamentável o descaso das administrações anteriores.

FOLHA – Por que alguns secretários mais próximos do governador José Serra (PSDB), como Andrea Matarazzo (Subprefeituras) e Manuelito Pereira Magalhães (Planejamento), estão perdendo poder agora?
KASSAB
- Eles são também muito próximos a mim. Por que estariam [perdendo poder]? Não houve alteração, todos continuam motivados.

FOLHA – O novo mandato vai ter mais a cara do sr.?
KASSAB
- Vai continuar com a mesma cara. Se tinha a minha cara antes, vai continuar. Se não tinha, vai continuar. Não muda nada.

FOLHA – A cidade já começa a sofrer mais uma vez com as enchentes. A própria prefeitura sabe de 30 pontos crônicos de alagamento há mais de dois anos e, mesmo assim, eles voltam a alagar. A gestão se preparou?
KASSAB
- Sim, principalmente em relação às áreas de risco. Quando se fala em enchentes, antes de mais nada tem que pensar em proteger as pessoas que correm risco de vida. Os paulistanos vão entender que essa é a prioridade.
Quanto aos pontos sujeitos a alagamento, estamos atuando em várias frentes, construindo com o Estado o piscinão do Pirajuçara, encerrando as obras do Aricanduva, canalização, limpeza de bueiros, como nunca teve na cidade de São Paulo. E também obras de dimensão pequena ou média que contribuem para que a gente não tenha outros pontos de alagamento. Administrar é estabelecer prioridades. Não há cidade do porte de São Paulo, com seus problemas e seu Orçamento, que consiga resolver todos os problemas em quatro anos.

FOLHA – O CGE (Centro de Gerenciamento de Emergência) listou há dois anos 30 pontos que eram considerados mais sérios, que costumavam alagar com mais freqüência…
KASSAB
- Ele apresentou 30 que estavam em observação, mas havia outros. Senão fica parecendo que, quando assumimos, só havia os 30 pontos e que não fizemos nada nesses 30.

FOLHA – Os pontos de alagamento são de conhecimento do poder público. Daqui a quatro anos terão sido realizadas obras em todos?
KASSAB
- Seria uma leviandade. Sempre digo que na vida pública se trabalha com metas, não com prazos. A meta é avançar o máximo possível.

FOLHA – Algum dia São Paulo vai se livrar dos terríveis alagamentos?
KASSAB
- Tenho certeza. Basta continuar tendo administrações como a nossa. E sempre preocupado em primeiro lugar com as áreas de risco, que envolvem famílias que podem morrer se forem atingidas.

FOLHA – O mapeamento das áreas de risco está cinco anos desatualizado. Por quê?
KASSAB
- Tem vários mapeamentos na cidade, da Secretaria da Habitação, Polícia Militar,Defesa Civil. Não tem nenhum sentido fazer um mapeamento todos os anos de todas as áreas.

FOLHA – Que impacto a crise econômica pode ter nas promessas de campanha do sr. e nas demais atividades da prefeitura?
KASSAB
- A crise existe, adquiriu uma dimensão grande. Hoje é globalizada. Temos uma preocupação grande. Vamos procurar, através de criatividade, criar novas fontes de receita, como analisar a criação de novas operações urbanas, a concessão de serviços. Mas é evidente que a crise afeta. As receitas serão reduzidas. O próprio governo federal já informou que suas receitas estão diminuindo. O governo do Estado também já nos transmitiu que está reduzindo suas receitas. E a prefeitura tem seu Orçamento baseado também no repasse de receitas de verbas do governo federal e estadual. Nossas receitas [de impostos municipais] ainda não diminuíram. Serviços são sempre osúltimos da fila a terem queda. Mas vamos ter com certeza e estamos trabalhando com essa expectativa.

FOLHA – Se não for possível conseguir novas receitas, que medida…
KASSAB
- Já determinei ao secretário de Planejamento para que, no início do ano, congele recursos. Vamos ter um congelamento do Orçamento. Ainda não foi definida a extensão. Depois vamos definir as áreas que terão cortes. Mas com certeza não serão na área social.

FOLHA – A dimensão só será definida nos próximos dias?
KASSAB
- Exatamente. Mas será bastante amplo. É mais do que correto que seja assim para nos dar tranqüilidade para enfrentar uma eventual redução de receitas que ainda não identificamos qual será.

FOLHA – Algumas obras terão um ritmo menor no começo de 2009?
KASSAB
- Seria prematuro fazer uma afirmação antes de definir o contingenciamento.

FOLHA – O Serra, em 2004, criticava o inchaço da prefeitura. O sr. criou novos cargos e secretarias, como a da Segurança. Não é uma contradição numa situação de crise?
KASSAB
- Não. Em relação à Secretaria da Segurança, ela adquiriu uma dimensão muito maior. São cargos que foram ou teriam sido criados independentemente de ser secretaria ou não. Ao longo dos quatro anos tivemos vários cortes e vamos continuar a ter, porque nossa meta é enxugar. Mas diminuir não significa não ter preocupação em dar mais eficiência. Não criamos novas secretarias, só transformamos o cargo do coordenador em cargode secretário. Não posso concordar com a afirmação de que foi criada uma nova estrutura.

FOLHA – A crise econômica não põe em xeque a promessa de campanha de manter a tarifa de ônibus de R$ 2,30 congelada no ano que vem?
KASSAB
- Não. É nossa prioridade. Tarifa é social. Ainda mais num momento em que há expectativa de aumento do desemprego.

FOLHA – O reajuste em 2010 será inevitável?
KASSAB
- Não é que é inevitável. É natural. Temos a felicidade de ficar três anos sem aumentar a tarifa. Vamos dar um aumento mínimo possível.

FOLHA – Que áreas prejudicariam menos a cidade se sofressem cortes?
KASSAB
- Tem áreas que já foram apartadas de qualquer corte que são as sociais. Agora vamos aguardar se haverá queda nas receitas, se conseguiremos ou não novas fontes de receitas, para depois definir eventuais cortes. Até porque o Orçamento estará contingenciado desde o primeiro dia da gestão.

FOLHA – Pesquisa recente mostrou que a aprovação aos ônibus é a mais baixa da década. Qual é a razão?
KASSAB
- É importante apartar da pesquisa o nosso corredor Expresso Tiradentes, onde 90% aprovam e estão felizes [pelos dados divulgados, foram 76% de excelente ou bom]. Mostra que a prioridade da minha administração de fazer transporte público de qualidade está correta. Herdamos políticas equivocadas em transporte. A população hoje paga o preço dessa falta de investimento.

FOLHA – A aprovação aos ônibus era maior. Por que piorou?
KASSAB
- O importante é que melhorou a qualidade dos investimentos.

FOLHA – Mas então os usuários de ônibus não perceberam?
KASSAB
- É natural que, numa cidade que cada vez cresce mais e que não tivemos investimento em transporte público nas administrações anteriores, enquanto não tivermos os resultados dos investimentos que agora acontecem você não tem essa expectativa.

FOLHA – A cidade ganha mil carros por dia. O trânsito vai estar pior do que hoje no final do seu mandato?
KASSAB
- Daqui a quatro anos vamos ter os primeiros resultados da ação do poder público municipal e estadual, a ampliação da malha metroviária, dosnossos corredores de ônibus. Acredito que estará melhor.

FOLHA – O sr. pode sair candidato ao governo estadual em 2010?
KASSAB
- Não. É o primeiro cargo majoritário que ocupo tendo sido eleito. Ficarei os quatro anos.

FOLHA – Quem são os bons nomes para o governo em 2010?
KASSAB
- Em São Paulo nós temos uma aliança. Meu esforço é para manter essa aliança já no primeiro turno. Meu partido tem bons quadros. Destaco entre eles o Guilherme Afif Domingos. Mas essa aliança vai ser conduzida pelo Serra.

FOLHA – O sr. apoiaria o Alckmin?
KASSAB
- Não gostaria de falar de nomes. É muito prematuro.

25/12/2008 - 12:20h Melhora o tratamento da questão das enchentes em São Paulo

Passageiros saem pela escotilha de emergência de ônibus na zona sul de São Paulo para fugir da inundação causada pelo temporal que atingiu a cidade na tarde de ontem e provocou 44 alagamentos

Falando dos problemas das enchentes na cidade de São Paulo, o editorial do Estadão de ontem (ver aqui no blog Euforia natalina) -mesmo inteiramente favorável a administração Kassab- reconhecia que “o mapa de riscos, com áreas sujeitas a enchentes ou desabamentos, em períodos de chuvas na capital, é de 2003 – portanto, é preciso atualizá-lo. 

Pelo levantamento feito pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) cerca de 5.500 famílias moram em 562 pontos de risco, em encostas e margens de córregos. Desse total, 315 pontos são considerados de muito alto e alto riscos. Nas áreas mais perigosas há cerca de 11.500 moradias, onde habitam 57.500 pessoas. Considerando-se, porém, que os locais de risco com o correr do tempo vão se tornando ainda mais arriscados, é preciso que se faça, a respeito, uma rigorosa atualização de dados.”

Além de atualizar o mapa de risco, “com as áreas sujeitas a enchentes ou desabamentos”, é importante saber o que foi feito durante estes 4 anos nessas áreas e quais os projetos em andamento para reduzir o drama deste flagelo.

O jornal Folha de São Paulo disse ter recebido, já em 2007, um mapa mais recente . Segundo a Folha, Kassab tomo conhecimento do mapa há pelo menos dois anos (Kassab e a Folha aparentemente desconhecem o mapa de 2003). Mas independentemente de saber se o mapa de 2003 é o último mapeamento existente ou se outro foi realizado, atualizando os dados do precedente, o importante é saber o que foi feito até agora, após 4 anos de administração demo-tucana e às vésperas de iniciar Kassab um novo mandato de mais 4 anos. Mesmo se nos últimos 4 anos -com muito mais recursos- foram construidos muito menos piscinões que nos 4 anos precedentes, devemos supor -perante as informações coincidentes do Estadão e da Folha- que a situação nessa área está bem melhor.

A Folha está constatando hoje, com muita ironia, um “progresso” no tratamento do problema:

“A Prefeitura de São Paulo diz ter projetos para solucionar 14 dos 30 pontos crônicos de alagamentos na cidade, entre obras realizadas, em licitação ou estudos concluídos. Para um deles não existe uma solução técnica viável. E para os outros 15 não há projetos prontos, apenas estudos.
Essa lista dos trechos mais problemáticas -aqueles que nas chuvas ficam parcial ou totalmente intransitáveis- é conhecida pela administração Gilberto Kassab (DEM) há pelo menos dois anos. A situação é pouco melhor do que no início de 2007, quando a prefeitura informou à Folha os pontos principais. Na época, não havia previsão para 16 deles.
Conforme a Folha revelou ontem, 22 desses locais voltaram a causar transtornos neste ano, como aqueles vividos pelos paulistanos na última terça-feira, quando veículos e pessoas ficaram ilhados em várias partes da cidade.
Houve melhora também no número de obras realizadas ou em andamento neste ano em relação a fevereiro de 2007. Há quase dois anos, a prefeitura informava estar só com uma obra em andamento. Agora, são seis trechos com trabalhos em andamento ou concluídos.
Entre os trabalhos realizados está, por exemplo, o trecho da marginal Tietê sob a ponte das Bandeiras. Segundo o município, “o reservatório existente foi reformado com ampliação do número de bombas. O novo sistema já está em operação e, desde então, não foram registrados novos alagamentos”.
Esse trecho, segundo o CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências), ficou parcialmente interditado das 15h40 às 18h18 da terça. Outros dois pontos onde a prefeitura diz ter feito obras ou serviços -avenida Dr. Ricardo Jafet com viaduto Saioá e avenida Professor Abraão de Morais com avenida Bosque da Saúde-, também ficaram alagados na terça.
Segundo a prefeitura, neste ano foram investidos R$ 321,3 milhões em ações antienchentes -94,75% da verba orçada.”

Ou seja, após 4 anos, a administração Kassab tem projetos para tentar resolver o problema em 14 pontos, dos 30 mapeados, e para o resto nem projeto tem. Dois anos atrás, segundo a prefeitura, tinha uma obra em andamento ou concluída, agora são seis. Segundo a Folha, em três dos seis o alagamento continua.

A ironia da Folha é mordaz. O descaso e abandono é posto em evidência, sem crítica ao prefeito, nem agressividade desmedida. O leitor atento percebe a incompetência e o jornal cumpre sua função de informar, com objetividade. Em relação ao editorial do jornal rival, o artigo da Folha mostra uma melhora no tratamento da questão das enchentes na cidade de São Paulo. Uma pequena melhora… do tratamento dado pela Folha. LF

24/12/2008 - 10:10h Moradores calculam o prejuízo

Chuva levou o carro e o salário, mas não o Natal
Marcio Ximenez/AE
O Uno 89 de João Inácio (branco, acima) foi um dos três carros arrastados pela chuva para o piscinão da Água Espraiada. Além do carro, as águas levaram o salário (R$ 610)

Jornal da Tarde

Na Rua João de Léry, na zona sul, três carros foram arrastados para o Piscinão Água Espraiada

MARIA REHDER, maria.rehder@grupoestado.com.br

A cada puxada do guindaste, uma lágrima de desespero. Nem cheiro ruim nem o sol forte no rosto fizeram o mecânico Luiz Claudio Brasil, de 36 anos, perder a esperança de ver o seu Astra 95 sair inteiro do fundo do piscinão da Água Espraiada na manhã de ontem. Esse foi um dos três veículos – que não tinham seguro – arrastados para o piscinão pela enchente na tarde de anteontem . E, para o desespero dos proprietários, estavam totalmente destruídos.

Da mesma angústia compartilham o autônomo Hélio Araújo, de 41 anos, dono de uma Kombi 82, e o técnico em desentupimento Olavo Geraldo, de 34, primo de João Inácio, que sobreviveu ao escapar pelo porta-malas do Uno 89, minutos antes de o carro afundar. “Não sei o que fazer, minha Kombi está toda destruída. Trabalho com sucata, tinha reformado (o veículo) fazia dois meses”, disse, enquanto chorava ao ver a lataria do automóvel destruída.

Anteontem à tarde, os três veículos estavam estacionados na Rua João de Léry, na zona sul, que termina no córrego Água Espraiada. Por volta das 15 horas, começou a chuva de granizo. “A minha preocupação era que o granizo ia riscar o meu Astra, mas a chuva estava tão forte que não deu para tirar o carro dali. Quando me dei conta, estava sendo arrastado pela água”, disse Brasil.

As férias de fim de ano para a Praia Grande com a família foram canceladas e, segundo a mulher de Brasil, Alexandra, o prazer de ter conseguido pagar o carro após três anos de financiamento foi por água abaixo. “Esse carro era o nosso xodó, meu marido trabalhou muito para comprar o Astra. Tínhamos alugado casa na praia, mas agora vamos ficar aqui. Nem sei como vamos conseguir comprar um carro de novo.”

Apesar de ver o Uno branco totalmente destruído, Olavo comemorava o fato de seu primo ter sobrevivido. “Podia ter sido pior.”

Promessa não cumprida

Os moradores da Rua João Léry afirmaram que o problema com enchentes “não é de hoje”. “A Prefeitura promete colocar uma grade de proteção na cratera, mas não fez nada até agora. Perdemos a esperança”, disse Hélio, o dono da Kombi arrastada.

A Rua João Léry termina no córrego Água Espraiada, cuja margem não possui nenhuma proteção, o que dá a impressão de ser uma cratera, conforme descreveram os moradores. “A água arrastou os carros para o córrego, que, com a correnteza, foram para o piscinão. Se tivesse uma grade nada teria acontecido. Até criança já caiu ali”, contou o auxiliar de manutenção Claudio Dias, de 35 anos, que mora na rua há 20 anos.

Por meio da assessoria de imprensa, a Prefeitura explicou que a cratera citada pelos moradores se trata de uma erosão. Para evitar deslizamentos, hoje serão colocados terra e restos de entulho. Posteriormente, será construído um muro de proteção, embora a Subprefeitura de Santo Amaro tenha informado que não recebeu solicitação dos moradores sobre isso.

O final da Rua João Léry, às margens do córrego, segundo a Prefeitura, era uma área invadida. Recentemente, as famílias foram retiradas do local e, por essa razão, o problema da erosão ainda não foi solucionado.

Sobre os prejuízos dos proprietários dos automóveis, a orientação é que entrem com requerimento na Secretaria Municipal de Negócios Jurídicos.