06/11/2009 - 10:28h O setor de petróleo brasileiro, com a exploração e desenvolvimento da camada pré-sal, tem tudo para ser a maior alavanca da economia nos próximos anos

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Exploração do pré-sal impulsiona novos negócios

Simone Goldberg, para o Valor, do Rio

O setor de petróleo brasileiro, com a exploração e desenvolvimento da camada pré-sal, tem tudo para ser a maior alavanca da economia nos próximos anos, abrindo inúmeras perspectivas de negócios. A festa já começou. Entre 2009 e 2012, de acordo com dados da Organização Nacional do Petróleo (Onip), os investimentos no setor industrial somarão R$ 450 bilhões, 60% dos quais oriundos do segmento de petróleo e gás. “A programação de investimentos é bilionária: a Petrobras e as demais petroleiras vão aportar US$ 200 bilhões nos próximos cinco anos”, informa o diretor geral da Onip, Eloi Fernandez.

Desses US$ 200 bilhões, US$ 45 bilhões irão para o pré-sal, somando Petrobras – que contribuirá com 62% desse montante – e demais empresas. Num horizonte de prazo mais longo, esses valores dão saltos consideráveis: até 2020, a previsão é a Petrobras, sozinha, gastar US$ 111,4 bilhões no pré-sal. Petroleiras estrangeiras, ainda que estejam em compasso de espera, aguardando as definições sobre o marco regulatório da nova província exploratória em análise pelo Congresso Nacional, também já anunciaram planos bilionários de investimento no Brasil.

É o caso da petrolífera norueguesa StatoilHydro, que pretende fazer aportes de US$ 5 bilhões a US$ 10 bilhões no país em uma década e da americana Chevron, que revelou intenção de investir US$ 5 bilhões também nos próximos dez anos. A StatoilHydro, que tem expertise em águas profundas, vai gastar os recursos em campos onde já opera no Brasil. Mas, segundo o presidente no país, Kjetil Hove, há interesse também no pré-sal. “É um projeto que se encaixa bem nas ambições de longo prazo da empresa”, diz.

Já a Chevron vai tocar o desenvolvimento de cinco campos que opera em sociedade com outras petroleiras e em empreendimentos novos, que podem incluir o pré-sal, se a legislação referente a sua exploração não for restritiva. Além delas, outra grande ‘player’, a anglo-holandesa Shell, com grande experiência em pré-sal, que atua em regiões como o Golfo do México e o Oriente Médio, também está acompanhando as mudanças das regras do negócio.

Há quase cem anos no Brasil, a Shell já desembolsou mais de US$ 2,8 bilhões explorando e produzindo petróleo por aqui. A empresa participa de 15 blocos de exploração e só no ano passado investiu mais de meio bilhão de dólares no país. De acordo com seu gerente de relações externas de exploração e produção no Brasil, Flavio Rodrigues, o pré-sal exigirá muitos recursos e tecnologia para confirmar sua viabilidade e potencial. Ele espera que se estabeleça um ambiente de negócios transparente, com regras estáveis, e competitivo.

Muitas petroleiras estrangeiras são sócias da Petrobras em blocos já licitados do pré-sal, como a própria Shell, as portuguesas Partex e Galp, a espanhola Repsol, a britânica BG e as americanas Hess e Exxon. Algumas têm razões para dar sorrisos largos, pois já foram confirmados grandes volumes de óleo em suas áreas de exploração. É a sorte da Galp, que participa de cinco blocos no pré-sal. Ela pretende investir US$ 2,6 bilhões até 2013 para desenvolver essas descobertas, focando nos seus quatro blocos da Bacia de Santos. O outro fica na Bacia do Espírito Santo.

Os blocos já leiloados representam cerca de 28% da nova província exploratória e, segundo o projeto do marco regulatório que está no Congresso, vão se manter sob as regras atuais de concessão. Os demais, que ainda serão licitados, ficarão sob o regime de partilha, conforme propõe o governo.

Essa movimentação traz a reboque uma série de outros negócios, estimulando a grande cadeia produtiva de bens e serviços domésticos e abrindo apetites estrangeiros. A quinta edição da Brasil Offshore, feira da indústria petroleira, realizada em Macaé, em junho, serviu de termômetro para o negócio de óleo e gás daqui para frente. O número de expositores do exterior -138 – representou aumento de 100% em relação à feira anterior. Vieram fabricantes principalmente da China, França, Reino Unido, Holanda, EUA e Alemanha. Vários já se preparam para se instalar no país e ficar mais perto dos clientes.

Um exemplo é a francesa Ixsea, fabricante de sistemas de giroscópio com sensores de movimento usados para estabilizar embarcações. Outra francesa, a Imeca, avalia desembarcar no Brasil com sua fábrica de equipamentos que movimentam tubos em alto mar. A empresa já está presente no pré-sal brasileiro: fornece maquinário para a também francesa Technip, que trabalha para a Petrobras no Teste de Longa Duração do Campo de Tupi, na Bacia de Santos. A Technip é dona da Flexibras, fabricante de tubos flexíveis, no Espírito Santo.

Empresas brasileiras também já se preparam para morder um pedaço do bolo. O Estaleiro Atlântico Sul (EAS), instalado no Porto de Suape, Pernambuco, já tem uma carteira cheia de pedidos da Petrobras. O EAS está contratado para fazer 22 navios petroleiros, integrantes das fases um e dois do Programa de Modernização da Frota (Promef). Em setembro de 2008 foi iniciada a construção do primeiro, que deverá ser lançado ao mar, para acabamento e testes finais, no começo de 2010. Dos 22 navios, sete são da fase dois do Promef e tiveram seu contrato assinado em setembro. Eles serão usados no transporte de petróleo das novas áreas produtoras do pré-sal para os terminais da Petrobras.

O estaleiro também está fazendo o casco da plataforma P-55 para a estatal. Sua carteira de encomendas soma US$ 3,4 bilhões e o estaleiro avalia uma expansão para atender ao aumento de demanda que virá com o pré-sal. “O pré-sal traz aos fornecedores da cadeia do petróleo a oportunidade de viabilizar investimentos de médio e longo prazos. Especialmente no Nordeste, onde estamos instalados, contamos muito com o pré-sal”, afirma o presidente do EAS, Ângelo Bellelis.

O EAS é controlado pelos grupos Camargo Corrêa e Queiroz Galvão. Este último, por sinal, por meio da Queiroz Galvão Óleo e Gás (QGOG), tem projetos ambiciosos para prestar serviços no pré-sal. Entre eles está a compra, junto a estaleiros estrangeiros, de três plataformas capazes de operar em áreas ultraprofundas. A Queiroz Galvão Óleo e Gás acumula experiência como prestadora de serviços de perfuração em águas profundas desde agosto, quando teve sua plataforma Olinda Star contratada pela Petrobras para trabalhar nos campos de Barracuda e Caratinga, na Bacia de Campos. O investimento, incluindo a adaptação da Olinda Star para atuar em águas profundas, chega a US$ 1,65 bilhão.

28/10/2009 - 09:44h Indústria naval prevê US$ 55 bi em investimentos

Valor inclui dois estaleiros e plataformas e navios encomendados pela Petrobrás, segundo o BNDES

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Kelly Lima, RIO – O Estado SP

Os investimentos projetados pela indústria naval brasileira já chegam a US$ 55 bilhões, segundo o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O volume inclui dois novos estaleiros e várias encomendas de plataformas de petróleo e navios pela Petrobrás.

Na opinião do gerente do Departamento de Transportes e Logística do BNDES, Antonio Carlos de Andrade Tovar, tal demanda é suficiente para justificar a construção de novos estaleiros no Brasil. Segundo Tovar, ao volume citado podem ser acrescidos outros US$ 15 bilhões projetados por petroleiras privadas que atuam no País – principalmente a OGX, do grupo empresarial de Eike Batista.

Outro investimento, que deve ser aprovado no ano que vem, são os US$ 4 bilhões de encomendas da Transpetro, subsidiária da Petrobrás, na segunda fase do seu plano de renovação de frota. As petroleiras Shell, Statoil e Exxon devem ser as próximas a anunciar encomendas, disse o executivo.

“Diante desse volume de investimentos, há uma demanda gigantesca por novos estaleiros, novas empresas fabricantes, enfim, novos investimentos na cadeia para atender a essas encomendas”, afirmou Tovar, em conferência sobre o setor naval, no Rio. Ele ressaltou que os 13 maiores estaleiros do País ocupam hoje área total de 3,5 milhões de metros quadrados, menor do que uma única unidade de gigantes mundiais como o Daewoo ou o Hyundai, respectivamente com 4,2 milhões de metros quadrados e 6 milhões de metros quadrados de área.

“O Hyundai é um estaleiro capaz de cortar 2 milhões de toneladas por ano, fabricar 70 navios por ano, o que perfaz a média de um navio pronto a cada quatro dias. Perto disso, o volume brasileiro, com capacidade total de 500 mil toneladas de chapas de aço por ano, fica risível”, disse o gerente do BNDES.

De fato, a percepção da demanda crescente já movimenta os investidores locais. O consórcio Estaleiro Atlântico Sul (EAS), formado por Camargo Correa e Queiroz Galvão, já analisa áreas para a instalação de um segundo canteiro no Brasil – o primeiro está em Pernambuco. “Já estudamos 17 áreas e estamos avaliando a possibilidade”, disse o diretor da companhia Fernando Tourinho, em entrevista após evento do setor naval, ontem no Rio.

Segundo fontes, a Bahia larga na frente na disputa pelo empreendimento, que terá como objetivo construir navios de grande porte e plataformas de exploração e produção de petróleo. Se confirmado, o investimento vem somar-se a vários outros projetos, todos orçados entre US$ 1 bilhão e US$ 1,5 bilhão, anunciados por OSX (também do grupo de Eike Batista, em Santa Catarina), Odebrecht (na Bahia), Jurong (no Espírito Santo) e outros dois ainda em negociação, no Ceará e em São Paulo.

De acordo com o secretário de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços do Rio, Julio Bueno, os novos projetos podem ajudar a garantir competitividade da indústria nacional de navipeças, até mesmo em âmbito internacional.

Para Bueno, a concentração de um setor em um só Estado – como a indústria naval, que está praticamente 80% no Rio – é prejudicial ao País. “Temos de ter um olho no mercado interno, mas também precisamos nos voltar à descentralização.”

19/10/2009 - 11:58h Tecnologia corre para reduzir custo de produzir no pré-sal

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Conhecimento atual faz com que despesas para extrair um barril dessa região somem o triplo do valor em outras áreas

Petrobras pretende que no pré-sal extração de petróleo seja controlada de forma remota, com o mínimo de pessoal, para conter gastos

SAMANTHA LIMA – FOLHA SP

DA SUCURSAL DO RIO

Adaptar a tecnologia existente para produzir mais petróleo no pré-sal, a um custo menor e com segurança, é uma das maiores empreitadas que a Petrobras enfrentará nos próximos cinco anos. Em termos financeiros, vencer esse desafio significa, em valores de hoje, um impacto positivo de mais de US$ 50 milhões por dia no caixa da empresa, em 2020.
Para especialistas, a tecnologia atual já permite produzir do pré-sal. “O que estamos fazendo é evoluir, testar novos materiais e formatos, para adaptá-la às novas condições”, diz Segen Estefen, coordenador do laboratório de tecnologia submarina da Coppe/UFRJ.
Entendem-se por novas condições as particularidades das regiões de maior potencial de produção. Embora se acredite que a província de petróleo abaixo da camada de sal vá da Bahia a Santa Catarina, a exploração hoje se concentra principalmente nas bacias de Campos (RJ) e de Santos (SP).
Em Campos, a Petrobras já produz óleo do pré-sal no campo de Jubarte, há um ano. Mas as reservas mais promissoras -e mais difíceis de extrair óleo- estão na bacia de Santos. Só em 3 das 10 áreas pesquisadas nessa bacia -Tupi, Iara e Guará-, estimativas apontam para até 13 bilhões de barris.
Nas palavras do presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, isso significa “óleo possível de extrair com as técnicas de hoje”, de forma a dar lucro. Na prática, o número dobra as reservas que a Petrobras havia levado 56 anos para acumular.
As reservas do pré-sal da bacia de Santos estão a 2.000 metros de profundidade do mar e mais 5.000 metros solo abaixo. No meio, ainda existe uma camada de sal de 2.000 metros a ser vencida. Tudo isso a 300 quilômetros da costa.
Em Jubarte, a distância da área até a costa é de 70 quilômetros, e as reservas do pré-sal estão a 4.700 metros do nível do mar, sendo 1.400 metros de lâmina d’água.
Somam-se a isso as dificuldades impostas pelo ambiente mais hostil no fundo do mar da região, onde a pressão elevada, a baixa temperatura e a presença de ácidos são ameaças constantes aos equipamentos, potencializando os riscos de incidentes e prejuízos.
Para completar, a empresa ainda está construindo o conhecimento sobre as rochas da região, chamadas de carbonáticas, e sobre o sal, que tem um comportamento menos previsível. Isso é importante porque o tipo de rocha determina o nível de produção. Os testes de produção em Tupi, desde maio, ajudam a trazer informações.
Diante de seu vasto portfólio e da dificuldade de fazer tudo ao mesmo tempo, a Petrobras sempre deu prioridade a produzir em áreas de alta lucratividade, deixando de lado as de baixo retorno. Sua corrida vai em direção a fazer do pré-sal uma fronteira mais lucrativa.
A empresa diz que o valor de US$ 45 por barril torna viável a produção do pré-sal. Tomando esse valor como um patamar de custo de produção e o petróleo na casa dos US$ 75 hoje, representaria, em valores atuais, uma margem positiva de US$ 30 por barril. Nos projetos fora do pré-sal, o custo médio de produção é de US$ 15, o que daria um saldo de US$ 60.
A diferença de cotação significaria, em 2020, quando a Petrobras pretende produzir 1,8 milhão de barris de petróleo por dia, cerca de US$ 54 milhões por dia no caixa da empresa, a valores de hoje. Por isso, baratear a produção no pré-sal é tão urgente.
“A ordem no pré-sal é reduzir custos da produção, e, sem avançar na tecnologia, isso não será possível”, diz Celso Morooka, professor de engenharia do petróleo da Unicamp.

Distância

A logística para transporte de pessoas, equipamentos e mantimentos usada até hoje para a produção em águas profundas em poços distantes até cem quilômetros da costa, na bacia de Campos, deverá ser deixada de lado no pré-sal de Santos.
A empresa já declarou que a produção no pré-sal terá menos gente porque o custo ficaria muito alto. A ideia é que a produção seja controlada de forma remota, na medida do possível.
Uma solução em estudo é a construção de dutos que iriam da costa até os poços, dispensando a passagem do óleo por plataformas e navios de produção. “Haveria apenas algumas embarcações de apoio na região”, afirma Estefen.
A construção de bases intermediárias, como se fossem ilhas, a meia distância entre a costa e os reservatórios, é outra possibilidade. “Mantimentos e equipamentos para manutenção ficariam sobre esse ponto intermediário e só seriam levados para a área de produção quando necessário.” Nesse caso, o transporte da produção poderia ser de navio até a base intermediária e, de lá até a costa, por meio de dutos.

Corrosão, pressão e temperatura são obstáculos

DA SUCURSAL DO RIO

Embora produza petróleo no mar há 30 anos, a Petrobras está aprendendo a lidar com o ambiente hostil do fundo da bacia de Santos. Pela profundidade e pelas características geológicas, a pressão e os riscos de corrosão são maiores. Somem-se como adversários a baixa temperatura das águas ultraprofundas e a camada de sal.
Se não forem domados de forma adequada, esses fatores podem representar eterna ameaça aos equipamentos.
O maior risco de corrosão decorre da forte presença de gás carbônico no fundo do mar sobre os reservatórios, devido à formação geológica da região. Ao reagir com a água, forma ácido carbônico, corrosivo.
A interrupção inesperada do primeiro teste de produção no bloco de Tupi em julho passado, dois meses depois de iniciada, foi uma mostra do que a corrosão no fundo do mar da bacia de Santos é capaz.
A Petrobras diz que houve um problema com uma peça do equipamento que controla a saída do petróleo do poço (chamado de árvore de Natal), instalado no fundo do mar. Mas comenta-se no mercado que houve corrosão prematura.
O coordenador do LNDC (Laboratório de Ensaios Não Destrutivos, Corrosão e Soldagem), Oscar Matos, trabalhou na solução para o problema do equipamento de Tupi. Ele não confirmou se houve corrosão.
“A corrosão é uma preocupação constante. Para desenvolver materiais mais resistentes, estamos estudando o uso de ligas metálicas especiais, como aço à base de níquel”, diz.
O revestimento dos equipamentos com produtos anticorrosivos é outra alternativa analisada pela indústria.
O LNDC -inaugurado em abril com a parceria da Petrobras e ligado à Coppe/UFRJ- tem uma série de câmaras que simulam ambientes de alta pressão, reproduzindo o fundo do mar. “Em outras profundidades, pode-se conviver com um defeito por 15 anos, mas, lá, não sabemos ainda.”
Devido à profundidade, a pressão do fundo do mar na bacia de Santos é maior do que na de Campos. Representa uma ameaça à integridade dos risers, tubos que ligam as plataformas ou navios-plataforma ao fundo do mar, onde os poços são furados. Se os risers romperem, podem causar acidentes.
Esses tubos normalmente são construídos com duas camadas de aço. Para o leigo, solução lógica seria reforçar a parede dos tubos com mais aço. Entretanto, isso o tornaria extremamente pesado, gerando risco de rompimento.
Uma solução estudada pela Coppe é revestir esse espaço entre as duas camadas com um polímero mais leve e resistente.
A Petrobras avalia novos materiais para a construção dos tubos que irão perfurar a camada de sal e a aplicação de um cimento protetor, por fora, uma vez que o comportamento dela ainda é pouco previsível.

Empresas buscam se unir à Petrobras

DA SUCURSAL DO RIO

Apontada como líder global em produção de petróleo em águas ultraprofundas, a Petrobras liderará o processo no pré-sal, mas não poderá dispensar a ajuda externa.
Um dos maiores parceiros é a Coppe (Coordenadoria de Programas de Pós-Graduação em Engenharia), da UFRJ, com quem a Petrobras trabalha há 30 anos e tem cerca de 200 contratos para realização de estudos.
A Coppe fica na ilha do Fundão, no Rio, perto do Cenpes (Centro de Pesquisas da Petrobras), por onde passam todos os estudos de tecnologias da empresa.
“Por o pré-sal ser um ambiente muito específico, a solução mais eficiente nascerá no Brasil, mas serão usadas tecnologias de outros projetos, dentro e fora do país”, afirma o vice-presidente da Baker Hughes no Brasil, Maurício Figueiredo.
A empresa presta serviços tecnológicos para o setor em 90 países e foi uma das que primeiro buscaram parceria com a Petrobras para tecnologias para o pré-sal. Uma das que estão em desenvolvimento é o uso de uma broca mais eficiente na perfuração de poços direcionais (que não são na vertical).
O acordo inclui a construção de uma área de pesquisa no parque tecnológico da UFRJ com investimentos de R$ 88 milhões em quatro anos, dos quais R$ 32 milhões da Petrobras.
Outra que desembarcou no parque é a concorrente Schlumberger, que também já presta serviço à Petrobras. Fechou parceria com a empresa e a UFRJ para criar um centro de tecnologia.

08/10/2009 - 09:54h Petrobrás lança na próxima semana licitação de 28 sondas que beira US$ 20 bi

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Cada unidade pode custar até US$ 1 bi; concorrência será aberta a estrangeiras, mas construção deverá ser feita no Brasil

Vale, que aguarda fim de licitação com estaleiros do Brasil, confirma contratação de estaleiro coreano para frete de navios por US$ 1 bi


PEDRO SOARES DA SUCURSAL DO RIO – FOLHA SP

Para atender a demanda de equipamentos para a exploração do pré-sal, a Petrobras lançará na próxima semana uma licitação para a construção de 28 sondas de perfuração -todas no Brasil. Cada unidade pode custar até US$ 1 bilhão, dependendo das especificações.
A concorrência será aberta a empresas estrangeiras, mas toda a construção terá de ser feita no Brasil, a partir de projetos de engenharia também elaborados no país, segundo Renato Duque, diretor da área de Serviços da Petrobras.
Segundo ele, a licitação foi “desenhada” com sete navios-sonda para permitir a criação de um novo estaleiro no país para receber essa encomenda. Não há, diz Duque, a obrigatoriedade de que um novo empreendimento do setor naval seja feito para montar as embarcações.
A contratação das sondas será dividida em três fases, e a exigência de conteúdo local mínimo (encomendas à indústria brasileira) é crescente.
Na primeira etapa, sete navios-sonda serão contratados e ficarão sob propriedade da Petrobras. Nesse caso, o conteúdo local será de 55% para a obra como um todo e de 20% apenas para os equipamentos de perfuração -hoje, importados integralmente. A expectativa é que as primeiras unidades comecem a ser entregues em três anos e meio.
Na fase seguinte, a Petrobras vai contratar mais duas sondas -que podem ser semissubmersíveis, navios-sonda ou fixas-, que também serão de propriedade da empresa. Para estas, a exigência global ficará em 60%, e a dos equipamentos de perfuração sobe para 40%.
Por fim, serão licitadas as 19 sondas restantes. Não há restrição quanto ao tipo. A diferença é que, nesse caso, todas serão afretadas (alugadas) pela estatal de terceiros, responsáveis pela operações dos equipamentos. Nessa última fase, o conteúdo local exigido será de 65% para o conjunto da obra e de 50% para a perfuração.
A licitação será feita pela modalidade de carta-convite, pela qual a Petrobras chama as empresas a participar da disputa. É a forma usada pela companhia em grandes contratações.
Duque disse que, para essa concorrência, o estaleiro Mauá não será convidado. Tal decisão tem por base a investigação da Polícia Federal em curso no âmbito da operação Águas Profundas, que apurou, em 2007, supostas fraudes em licitações da Petrobras. O caso está na Justiça. A Petrobras vetou o Mauá apesar da pressão do governador do Rio, Sérgio Cabral, que pediu a inclusão do estaleiro na licitação e assegurou a “idoneidade” da empresa, controlada pelo empresário German Efromovich.
Procurado, o estaleiro Mauá informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não se pronunciará sobre o caso enquanto ele estiver na Justiça.

Vale
A Vale anunciou ontem a contratação do estaleiro coreano STX Pan Ocean para o afretamento de navios, dentro do seu programa de criar uma linha exclusiva para o transporte de seus minérios. Na Coreia, a empresa informou que o contrato envolve 11 embarcações e um valor de US$ 1 bilhão, informação não confirmada
A Vale ressaltou que o contrato com a STX Pan Ocean é um afretamento de navios, não compra de embarcações. A empresa disse ainda que está aguardando a finalização do processo de licitação aberto em estaleiros nacionais para a construção de navios no Brasil.
A ressalva da Vale visa evitar nova polêmica com o presidente Lula, que, no mês passado, cobrou publicamente da Vale que compre navios brasileiros e exporte produtos com maior valor agregado.
Em nota, a empresa afirmou que o contrato com os coreanos “está alinhado com a política da Vale de estabelecer um portfólio de fretes que garanta nossa competitividade no mercado transoceânico, em especial a China, no médio e longo prazos, ajudando no desempenho da balança comercial”, diz o texto, lembrando que Vale respondeu por 44,2% do superavit comercial brasileiro no primeiro semestre de 2009.

05/10/2009 - 11:32h Petrobras fará até ilha artificial para explorar o pré-sal

Infraestrutura: Produção em águas ultraprofundas exigirá grandes investimentos na logística da estatal

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Danilo Fariello, de Brasília – VALOR

A exploração e produção do pré-sal vai exigir uma revolução logística da Petrobras. Os principais campos da empresa, atualmente na Bacia de Campos, estão localizados a uma distância entre 120 e 150 quilômetros da costa, e os poços de exploração do pré-sal estarão, em geral, a uma distância ente 200 e 300 quilômetros. Por isso, serão necessários novos investimentos em infraestrutura para que a operação no mar tenha o máximo de autonomia possível.

“Estamos diante de circunstâncias totalmente diferentes das conhecidas”, diz o gerente-geral da unidade de serviços de transporte e armazenagem do setor de Exploração e Produção da Petrobras, Ricardo Albuquerque. “Como os campos são gigantes e distantes, isso leva a um planejamento distinto daquele já conhecido.”

Apesar das muitas incertezas, há dados preliminares suficientes para planejar. Já está definido, por exemplo, que a estratégia envolverá o modelo de “hub” (termo em inglês que significa ponto de conexão) para três itens específicos.

Um é a adaptação do que já ocorre na Bacia de Campos, para a distribuição de óleo diesel às unidades marítimas da Petrobras. Atualmente, os navios-tanque ficam atracados em zona próxima às diferentes plataformas alimentando, “no varejo”, as necessidades do óleo combustível de cada unidade, explica Albuquerque. A ideia do “hub” de diesel nasceu dentro da Petrobras especificamente para a Bacia de Campos e hoje já são três os navios-tanque na região. A empresa entendeu que a concepção de “hub” adotada no caso do óleo diesel será usada no pré-sal de forma ampliada. Isso leva aos dois outros itens, que são os fluidos químicos e passageiros.

Na perfuração e produção dos poços, são necessários fluidos específicos para se manter a produtividade dos poços. São elementos que resultam da operação e que devem ser processados quimicamente e reinseridos nos poços. Hoje, isso é feito no continente, mas a ideia da Petrobras é adaptar um navio-tanque com os elementos necessários a essa operação.

O desafio tecnológico para isso é grande, pois se trata de uma infraestrutura que nunca foi levada ao mar. Roberto Ramos, da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), acha que a solução pode ser a construção de uma plataforma fixa para operar os fluidos, porque são necessários equipamentos de compressão complexos e torres acima de 60 metros.

É no sistema de transporte de passageiros, porém, que a Petrobras prepara a grande novidade logística para o pré-sal. Hoje, apenas na Bacia de Campos, a empresa transporta 10 mil passageiros por mês (ou 20 mil, contando ida e volta). No Sul e Sudeste, o transporte chega a quase 60 mil passageiros por mês. A ampliação e construção de bases aeroportuárias já está nos planos. No entanto, para o pré-sal está planejado também um ponto de interconexão no meio do mar.

Para baratear esse transporte, a estratégia é a criação de unidades marítimas que servirão como estações intermediárias. Será um meio de caminho onde os passageiros chegam por meio de uma lancha ultrarrápida para, de lá, pegar helicópteros de médio porte rumo ao seu destino final. No entanto, esse projeto também carrega diversos desafios tecnológicos.

O primeiro refere-se a manutenção dos helicópteros, explica Albuquerque. É mais eficiente fazê-la em terra e à noite. Portanto, eles teriam de ser trazidos de volta ao continente diariamente. Na primeira e na última viagem do dia, portanto, seria possível que alguns passageiros não tivessem de passar pelo “hub” de transbordo marítimo – que poderá ser mais de um, dependendo do ritmo de exploração e da distância entre os poços.

A dificuldade maior é fazer essa viagem agradável ao passageiro, de forma que ele mantenha sua capacidade de trabalho ao chegar ao destino final. Para isso, a Petrobras encomendou à americana Lockheed Martin um modelo de lancha específico para as suas necessidades, com espaço para 150 pessoas. A empresa já fornece embarcações similares para empresas que exploram campos no golfo do México, no território americano. O projeto já vem sendo desenvolvido pela empresa para a Petrobras por mais de dois anos, para a Bacia de Campos. Agora terá que ser adaptado para o pré-sal.

Segundo Albuquerque, é relativamente fácil ter uma lancha rápida com pouca movimentação, para evitar enjoo dos passageiros, mas a grande dificuldade é montar uma estrutura no mar em que, parada, a lancha não balance demais e seja firme e grande o suficiente para os helipontos. É ainda necessário que ela torne rápida a mudança de meio de transporte. Essa estrutura flutuante, com nome técnico de “gangway”, é chamada pelos funcionários da estatal de “ilha artificial”.

Um modelo que vem sendo desenvolvido confidencialmente por uma empresa tem uma forma similar à de uma rampa, com uma escada articulada – como aquelas de caminhões de bombeiros. “São vários modelos de ‘gangways’, mas todos os existentes mostram dificuldades principalmente em dois pontos: segurança e agilidade no transbordo”, explica Albuquerque. Por isso, a necessidade de desenvolvimento específico. A empresa também planeja que a “ilha artificial” possa servir como escala ou mesmo permanência por um tempo de passageiros que trabalhem em diferentes plataformas.

Apesar da inovação, Albuquerque diz que não se tratam de projetos suntuosos financeiramente. “A simplicidade é o destaque e a meta é reduzir custos.” No caso dos navios-tanque de diesel a solução foi simples e barata, porque foram adaptados navios ociosos da Transpetro. A lancha não será mais cara que a média das 165 embarcações que a Petrobras já possui.


Empresas aéreas querem informações sobre licitações

A demanda da Petrobras por helicópteros nos próximos anos já empolga o setor, mas, entre as empresas que fornecem aeronaves para a empresa, são grandes as incertezas quanto ao futuro. A maior crítica das companhias de táxi aéreo se refere à falta de informações quanto ao volume e o ritmo de contratações futuras, principalmente para o pré-sal, que, pelas longas distâncias, podem exigir grandes investimentos.

Atualmente, a Petrobras é a maior cliente das companhias do setor, com contratos para cerca de 60 aeronaves, que voam um total de 95 mil horas por ano. A estatal tem contratos para voos com sete empresas: Aeróleo, BHS, Castle Air, Helívia, Líder, Omni e Senior.

A Petrobras tem uma licitação aberta para o aluguel de helicópteros médios (até 12 passageiros) e outra para grandes (até 18 passageiros). Porém, os editais não dizem quantas serão as aeronaves contratadas, nem quando se encerra o período de escolha. Um contrato para uso de helicóptero grande pode chegar a US$ 1 milhão por mês. Dez contratos de cinco anos podem significar algo como US$ 600 milhões.

“Elas têm razão em reclamar”, reconhece o gerente-geral da unidade de serviços de transporte do setor de Exploração e Produção da Petrobras, Ricardo Albuquerque. A Petrobras tem atualmente um programa claro de compra de 146 embarcações nos próximos anos. “Precisamos fazer o mesmo com os helicópteros”, diz ele. As empresas precisam ter previsões claras para reservar os helicópteros com as fabricantes e preparar-se financeiramente, diz. O próprio uso dos “hubs” de passageiros no mar era uma incerteza entre as empresas de taxi aéreo.

“A falta de informação é uma angústia do setor, porque são investimentos de longo prazo”, afirma Eduardo Vaz, diretor-presidente da Líder Taxi Aereo. “Comprar aeronaves agora é um jogo especulativo, porque não temos informações para nos preparar para futuras licitações.”

Albuquerque diz que a direção da Petrobras está avaliando por esses dias sua demanda futura e pode divulgar ao mercado, na sexta-feira, quantos serão os helicópteros contratados. (DF)

22/07/2009 - 09:48h Com encomendas da Petrobrás, Brasil vira o 5.º maior mercado do mundo

País terá até 17 novos estaleiros

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Kelly Lima, RIO – O Estado SP

Plataformas, sondas, petroleiros e embarcações de apoio em encomendas bilionárias da Petrobrás podem fazer do Brasil a meca dos investimentos da indústria naval nos próximos anos. Os valores chegam a US$ 17 bilhões, numa primeira fase (entre 2009 e 2010), podendo ir a US$ 40 bilhões até 2012. O mercado brasileiro já detém a quinta maior carteira de encomendas do mundo, com estudos para a construção de até 17 estaleiros, segundo fontes do setor.

A maioria dos projetos, no entanto, aguarda ganhar uma licitação para efetivar os investimentos que, isoladamente, variam de US$ 100 milhões a US$ 1 bilhão. “Primeiro tivemos o boom do ressurgimento da indústria naval brasileira, após 20 anos sem encomendas. Com isso, vieram os estaleiros virtuais, hoje uma realidade, e investimentos na modernização e ampliação de outros, já existentes. Agora são novos investidores nacionais e internacionais, de olho nas oportunidades que o País oferece”, diz o presidente da Transpetro, Sérgio Machado.

Além de 26 novos petroleiros – dos quais 18 estão sendo negociados e 8 serão licitados dentro de 60 dias – encomendados pela Transpetro, a Petrobrás recebe em 7 de agosto os envelopes com as propostas para a construção de oito cascos em série para navios-plataforma que vão operar em Tupi.

A estatal também lança no segundo semestre a encomenda do primeiro pacote de sete sondas de perfuração em águas ultraprofundas, de um total de 28 que serão construídas pela primeira vez no Brasil.

Por fim, colocou na praça o primeiro lote para contratação de 24 (de um total de 146) embarcações de apoio. O governo do Rio está intermediando duas negociações de grande porte.

ATRAÇÃO

Além de ter incentivado a construção de quatro estaleiros no Complexo Industrial de Barra do Furado, no Norte Fluminense, o governo quer atrair investidores para uma área em Itaguaí, no sul do Estado, área próxima ao porto. “Temos holandeses, brasileiros, franceses, vários interessados. Há uma fila de investidores”, diz o secretário de Desenvolvimento do Estado, Júlio Bueno. Ele também atua em negociação de compra ou aluguel pela Petrobrás da área que abrigou o estaleiro Ishibrás, o maior já instalado no Brasil.

Por causa de sua extensão às margens da Baía de Guanabara e seu calado, a área poderia sediar a construção simultânea de até dois navios-plataforma FPSO (de produção e estocagem de óleo), do tipo que está sendo encomendado para Tupi. O diretor da área de serviços da estatal, Renato Duque, confirma as negociações, mas não dá maiores detalhes.

A ideia é repetir no Rio o arrendamento de um dique seco construído no Rio Grande do Sul, que é ofertado nas licitações. A área no Estado do Rio pertence aos grupos Iesa e Banco Fator.

24/05/2009 - 11:30h Petróleo reanima a indústria naval

Encomendas da Petrobrás puxam 2.ª onda de investimentos em modernização e construção de novos estaleiros

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Alberto Komatsu e Nicola Pamplona – O Estado SP

A indústria brasileira de construção naval deflagrou uma segunda onda de investimentos após o chamado “renascimento” do início da década, que culminou com a reabertura dos principais estaleiros nacionais. Agora, porém, o foco é a expansão da capacidade instalada, com tecnologias avançadas para atender à demanda do setor de petróleo. Há hoje pelo menos oito novos canteiros projetados para o País, com investimento total de R$ 8,4 bilhões.

Além do histórico volume de recursos em novas unidades, executivos do setor contam que, mesmo com a crise, também vão investir para ampliar e modernizar as estruturas já existentes. O apetite é motivado pela extensa carteira de encomendas da Petrobrás – 296 embarcações entre plataformas, navios e barcos de apoio – e pelo crescimento da atividade petrolífera privada no País.

“Nas décadas de 60, 70 e começo de 80, os estaleiros não eram obras com sustentabilidade. Era mais um programa que o governo tinha que incentivava as empresas a produzir navios no Brasil. Hoje é demanda firme, não é mais induzida”, diz o presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), Ariovaldo Rocha.

Essa segunda fase de investimentos teve início com a construção dos estaleiros Atlântico Sul, em Pernambuco, e Rio Grande, no Rio Grande do Sul, primeiros grandes canteiros do País desde a década de 60, que já nasceram lastreados por encomendas da Petrobrás. E pretende descentralizar a atividade, até agora muito concentrada no Rio.

Dos novos projetos em estudo, apenas um deve ser construído no litoral fluminense. O alto custo dos terrenos em frente ao mar e a dificuldade para obter licenças ambientais empurraram os empreendimentos para fora da região Sudeste. É o caso do grupo Sinergy, que já controla o Estaleiro Ilha S.A (Eisa) e o Mauá, ambos no Rio, mas tende a abrir sua terceira unidade em Maceió, com investimento de R$ 1 bilhão.

“O Brasil vive sua quarta chance histórica de se consolidar como polo construtor naval”, disse essa semana o diretor de planejamento do BNDES, João Carlos Ferraz. Na opinião dele, a demanda existente coloca o País em posição privilegiada nestes tempos de crise. “O desaquecimento do mercado dá poder de barganha para atrairmos investimentos.”

O Programa de Renovação e Expansão da Frota da Petrobrás (Promef), que já encomendou 26 navios e negocia contratos para outros 15, é um exemplo do que diz Ferraz: foi um contrato com a Transpetro que levou à abertura do estaleiro Atlântico Sul, por exemplo. A expectativa é de que haja ainda uma terceira fase, já que o cronograma atual ainda não considera a demanda por transporte de petróleo que será gerada pelo pré-sal.

Nesse sentido, o papel do Promef, agora, é semelhante ao que teve, no início da década, a reserva de mercado criada pelo governo Fernando Henrique Cardoso para barcos de apoio às plataformas, que gerou a demanda necessária para a reabertura de canteiros depois de duas décadas de ostracismo.

“A crise teve um reflexo direto no preço do barril de petróleo, mas não nos investimentos da construção naval”, comenta Gisela Mac Laren, presidente do estaleiro Mac Laren, que vai investir R$ 240 milhões em modernização no canteiro da empresa no Rio.

Desse total, R$ 140 milhões serão destinados a um dique seco, instalação que ainda não existe no Brasil e é necessária para a construção de grandes cascos de plataformas semissubmersíveis de petróleo. Outros dois diques desse tipo estão em obras atualmente no País, no Atlântico Sul e no Rio Grande. Os dois estão entre os maiores projetos da lista elaborada para o Estado pelo Sinaval, que inclui um empreendimento de R$ 300 milhões do grupo coreano STX, no norte do Rio, e três projetos na Bahia – o Estaleiro da Bahia S.A, parceria entre a OAS, Setal Engenharia e Piemonte Construções; um projeto da UTC ; e outro da Odebrecht.

Na semana passada, um novo projeto veio à tona: o estaleiro BEX, do grupo controlado pelo empresário Eike Batista, a EBX. Orçado em US$ 600 milhões (ou cerca de R$ 1,2 bilhão), o empreendimento será construído em Biguaçu (SC). O objetivo inicial é atender à demanda do braço petrolífero do grupo, a OGX , construindo as embarcações necessárias para extrair as reservas da companhia. Na outra ponta, Batista usou o estaleiro para garantir demanda para uma siderúrgica projetada para o porto do Açu.

Segundo estimativas do Sinaval e da EBX, os novos projetos vão garantir uma geração de vagas superior a 20 mil empregados diretos. Atualmente, cerca de 42 mil pessoas trabalham no setor, número equivalente ao atingido no auge da indústria naval brasileira, na década de 70.

Parte dos equipamentos terá de ser importada

Tecnologia e capacitação de pessoal ainda são gargalos para a produção nacional de peças

Embora os números sobre investimentos em novos estaleiros sejam animadores, há ainda preocupações do governo com relação ao crescimento da indústria naval brasileira. O principal refere-se à indústria de navipeças, fornecedora de equipamentos para a construção de navios, segmento que pode ganhar uma linha específica de financiamento no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

BNDES e Transpetro se uniram em fevereiro para estudar um programa conjunto de apoio à indústria de navipeças. A estatal estima que o programa de construção de navios no Brasil represente encomendas de US$ 5 bilhões em peças e equipamentos e procura “uma estratégia para superar gargalos e construir uma cadeia competitiva”, segundo nota distribuída na época.

“Tem coisas que não tem como fugir: só dá para comprar lá fora. Mas mesmo o que se produz aqui precisa de garantias de qualidade”, diz o presidente da Associação Brasileira das Empresas de Apoio Marítimo (Abeam), Ronaldo Lima. A Petrobrás prevê a contratação de 195 embarcações desse tipo até 2020, mas equipamentos de maior tecnologia, como motores e componentes eletrônicos, ainda são importados.

A capacitação tecnológica e de pessoal é apontada pelo diretor de planejamento do BNDES, João Carlos Ferraz, como um dos desafios a serem enfrentados. Ele acompanhou comitiva da Petrobrás em viagem à Coreia do Sul, em busca de investimentos, e viu grandes diferenças na organização da indústria naval dos dois países.

Além da alta qualificação dos empregados coreanos, Ferraz citou a proximidade entre estaleiros e produtores de equipamentos como modelo que a ser copiado. “O ideal seria a formação de clusters de produção, com fabricantes de hélices, equipamentos, todos próximos aos estaleiros”, comentou, lembrando que a indústria naval brasileira está se espalhando por diversos Estados.

A comitiva voltou da viagem, que passou ainda por Cingapura e Japão, com promessas de novas fábricas no País, como uma unidade de produção de motores da coreana STX. “Com uma fábrica aqui já dá para exigir (nas licitações) que o motor seja construído em território nacional. Outras fábricas virão certamente”, comentou o diretor de serviços da Petrobrás, Renato Duque, afirmando que a exigência de que certos equipamentos sejam construídos no Brasil passará a ser política da estatal.

“A ideia é que os preços caiam gradativamente na construção em série desses equipamentos. Ou seja, o primeiro pode ser um pouco mais caro para amortizar os custos de investimento em uma nova unidade no país, mas, na proposta, as empresas deverão prever que até o último equipamento encomendado, o custo seja reduzido e o conteúdo nacional ampliado”, explicou Duque.

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Estaleiro leva vida nova a 2,2 mil pessoas

Até a inauguração, o Atlântico Sul deverá ter 4 mil empregados

Angela Lacerda – O Estado SP

“O que eu acho mais lindo é a hora da largada, aquela multidão de pessoas felizes, a maioria era tudo desempregada.” A observação é do montador do Estaleiro Atlântico Sul Gildo José de Lira, de 41 anos, casado, três filhos, salário de R$ 640,00, ele mesmo um ex-desempregado, ex-trabalhador rural, ex-pedreiro amador que vivia de bicos. Ele se refere ao momento em que os atuais 2,2 mil funcionários do estaleiro encerram o trabalho diário e voltam para o lar. A maioria deles, como Gildo, é de Ipojuca, onde se localiza o empreendimento, ou dos municípios do entorno do Complexo Industrial e Portuário de Suape, no litoral sul pernambucano.

Ainda em construção, com 70% da obra concluída, o estaleiro, que ocupa uma área de 154 hectares, tem inauguração prevista para dezembro, quando deverá contar com aproximadamente 4 mil empregados. Desde o ano passado, “a multidão de pessoas felizes” a que se referiu Gildo constrói um navio petroleiro para a Transpetro e o casco da plataforma semissubmersível P-55 da Petrobrás, cuja entrega deverá ocorrer em abril e junho de 2010, respectivamente.

“Estaleiro de quarta geração, moderno, com padrões internacionais, em nada comparável ao que possuía o Brasil”, diz o presidente da empresa, Angelo Bellelis. O Atlântico Sul já tem contratos para a fabricação de 15 navios petroleiros – dez do tipo Suezmax e cinco do tipo Aframax -, além do casco da plataforma.

Trabalhadores rurais, pescadores, desempregados e também gente que trocou empregos até com melhor salário, mas sem perspectiva de futuro, integram a maioria dos funcionários do Atlântico Sul. Eles destacam a estabilidade, o direito a plano de saúde, férias, transporte e refeição e, especialmente, o estímulo à especialização e ao aprendizado e a possibilidade concreta de galgar degraus – e aumentos salariais dentro da empresa.

Josenildo Francisco da Silva, 28 anos, solteiro, aos sete anos já acompanhava o pai no trabalho na zona canavieira. Começou a estudar aos 13 e trabalhava numa usina de cana-de-açúcar quando surgiu o estaleiro. “Tive que ir para o dicionário, nunca tinha ouvido falar em estaleiro nem em indústria naval”, conta, com um grande sorriso. Agora soldador, ele divide com Gildo Lira a boa sensação de fazer parte de “uma nova história do Nordeste, sem discriminação”.

A grande expectativa, hoje, dos trabalhadores do Estaleiro Atlântico Sul, que tem como acionistas os Grupos Camargo Corrêa e Queiroz Galvão, a sul-coreana Samsung e a PJMR, é ver sair para o mar o primeiro navio construído.

“Será como um primeiro filho, um pedaço de cada um de nós”, resume Gildo, apoiado por Jonathan Calixto Ribeiro Júnior, 43 anos, que já se sobressai na área de pintura naval da indústria e, estimulado, pretende ampliar seus conhecimentos, com um curso de computação gráfica. “Ainda tenho muito a aprender”, disse.

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Mulheres têm 13% das vagas

Trabalhar no Atlântico Sul já virou símbolo de status

As mulheres conseguiram uma parte, 13%, das vagas da área industrial do Estaleiro Atlântico Sul. “Arrisquei, larguei a loja onde trabalhava como vendedora, sem carteira assinada, e me inscrevi”, conta Tatiane Maria da Silva Santos, 21 anos, pintora de petroleiro em fase de treinamento.

“Não quis perder a oportunidade de crescer”, acrescenta ela, que, como todos os funcionários, passou primeiro por um reforço escolar, depois por um curso no Senai e, finalmente, pelo Centro de Treinamento do estaleiro, para, enfim, assumir a função. O trabalho, de segunda a sexta-feira, vai das 7h30 às 17h30, com 1h15 de almoço.

Tatiane já tinha curso médio e aproveita a noite para fazer um curso técnico de operações logística. Em seguida, vai tentar a faculdade de administração. “É cansativo, mas quero me qualificar para tirar o máximo proveito do que a empresa pode oferecer”, diz.

Joádia Kele Xavier de França, 26 anos, está em fase de qualificação como soldadora. Identificada com a profissão, ela diz sentir orgulho em trabalhar no Atlântico Sul. “Nunca teve um indústria tão grande que tenha empregado tanta gente da terra”, comenta.

Trabalhar no estaleiro já dá status, segundo ela. Entre os amigos é comum a brincadeira baseada num humorístico televisivo. “Trabalha no estaleiro? Então, poooode.

08/10/2008 - 12:00h Lula quer mercado mais regulado


Segundo presidente, Mantega vai propor, em Washington, medidas que limitem ganhos de executivos de bancos

Nicola Pamplona e Kelly Lima, O Estado de São Paulo

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que o Brasil vai propor medidas para evitar a repetição da crise financeira atual. O ministro da Fazenda, Guido Mantega – que participa, a partir de hoje, em Washington, da reunião anual conjunta do Fundo Monetário Nacional (FMI) e do Banco Mundial – levará, segundo Lula, três procedimentos com o objetivo de fomentar um “debate global” sobre o tema. O Brasil vai propor maior regulação do mercado, imposição de limites para alavancagem bancária e novos critérios para a distribuição de bônus a executivos de bancos.

“Não temos o direito de aceitar a socialização da desgraça”, disse Lula, após o batismo da plataforma P-51, onde voltou a criticar o que chama de “cassino” em que se tornou o mercado financeiro. “Esta é uma crise dos países ricos”, disse, cobrando maior atuação do FMI para debelá-la. “Quando o Brasil ou a Argentina estavam na pior, o FMI vinha dar palpites e ditar regras. Cadê o FMI agora?”

Lula criticou a falta de regulação dos mercados e lembrou que o Acordo de Basiléia poderia intensificar a ação sobre os bancos centrais para que regulem a atuação das instituições financeiras. “Primeiro tem que coibir a especulação financeira que vem acontecendo há muito tempo.” Ele citou como exemplo o preço do petróleo, que subiu a US$ 150 por barril e depois caiu abaixo de US$ 100 sem que as condições de oferta e demanda tivessem se alterado.

Sobre a alavancagem dos bancos, o presidente citou o exemplo brasileiro, onde há um limite de concessão de empréstimo de até 10 vezes o valor patrimonial da instituição. “Nos Estados Unidos, tinha banco que estava com (alavancagem) 35 vezes (sobre o patrimônio)”, comentou. “Não pode permitir alavancagem além da competência de um banco”, frisou, afirmando que se trata de um exemplo de que “as pessoas estão vendendo financiamento de coisas que não podem garantir”.

AGIOTAS

O terceiro ponto a ser atacado, afirmou o presidente, são os bônus que transformam executivos de bancos em “agiotas”. “Temos que acabar com essa maldita figura dos bônus no mercado financeiro. Ficam uns agiotas profissionais inventando ganhos para aumentar os bônus”, criticou. “O que não é justo é que países pobres agora sejam chamados a fazer sacrifícios por uma dívida que eles, com a mesma facilidade que criaram, deveriam resolver.”

O presidente descartou a adoção de um pacote econômico no Brasil por causa da crise. “Não haverá nenhum pacote econômico”, repetiu Lula por três vezes durante o discurso, completando que “todas as vezes em que houve um pacote econômico no Brasil, o trabalhador é que foi prejudicado”.

Falando para uma platéia composta por cerca de 3 mil trabalhadores que o ouviam debaixo de chuva no pátio do estaleiro Brasfels, em Angra dos Reis, Lula disse que o Brasil adota medidas pontuais, conforme surge a necessidade. Em tom paternal, acusou os Estados Unidos de terem feito a “farra do boi” com o dinheiro público.

O presidente afirmou também que espera que o “pacote americano ajude a resolver o problema deles”. “Mas pelo amor de Deus, agora que deixamos de comer o pão que o diabo amassou e começamos a comer um pãozinho com mortadela, eles que não venham querer se socializar com a gente. Este tipo de socialismo não é o que queremos. Queremos socializar a bonança e não a miséria.”

Sobre as conseqüências da crise internacional na economia brasileira, Lula foi enfático em afastar o risco de “contaminação do mercado” e voltou a afirmar que a crise não chega ao Brasil. “Muitos acham que é prepotência minha dizer que esta crise não chega ao Brasil. Digo e insisto: se chegar, chega mais leve, mesmo que haja quem esteja torcendo para ela chegar logo e causar estragos.”

16/09/2008 - 10:30h Petrobrás contrata 10 plataformas para pré-sal

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Equipamentos chegarão ao País entre 2013 e 2014 para testes

Kelly Lima, Gustavo Porto, Mônica Ciarelli, Nicola Pamplona – O Estado de São Paulo

A Petrobrás anunciou ontem a contratação de dez novas plataformas para a área do pré-sal da Bacia de Santos, conforme antecipou o Estado na quinta-feira. As duas primeiras, que serão afretadas, chegam ao Brasil entre 2013 e 2014 para testes de produção, provavelmente nas áreas de Guará e Iara. Segundo o presidente da companhia, José Sérgio Gabrielli, o Brasil enfrentará “enormes desafios” após as descobertas no pré-sal.

“As descobertas são gigantescas e os desafios, idem”, disse. Ele citou o potencial de 8 bilhões a 12 bilhões de barris de petróleo recuperáveis nos blocos de Tupi e de Iara. “Para cada sistema produtivo (plataforma e equipamentos de apoio) serão necessários investimentos de US$ 7 bilhões; e são muitos sistemas, não sabemos ainda quantos, podem chegar a 60.”

O diretor-financeiro da Petrobrás, Almir Barbassa, informou que o governo estuda um programa de isenção de impostos para incentivar a produção nacional dos equipamentos. Em maio, no lançamento da nova política industrial, o governo reduziu os impostos sobre a construção de navios e plataformas de exploração de petróleo.

Barbassa lembra que, na época, quando o governo lançou o incentivo fiscal, não havia produção de sondas no Brasil. “Agora existe uma demanda muito grande; serão 28 sondas construídas até 2017″, afirmou.

Após a abertura, ontem, da feira Rio Oil & Gas, Gabrielli comentou que a próxima área a ter a estimativa de volume anunciada será Júpiter, que tem potencial de gás natural. Até agora, a companhia divulgou projeções apenas para Tupi e Iara. Somados, os dois campos têm volume quase equivalente aos 16 bilhões de barris descobertos até hoje no pré-sal da porção americana do Golfo do México, segundo informações do vice-presidente da Chevron, Stephen Thurston.

O bloco de Tupi começa a ser testado no ano que vem e receberá um projeto piloto em 2010, com capacidade para 100 mil barris por dia. Os dois novos sistemas-piloto anunciados ontem, com capacidade semelhante, só começam a produzir em meados da próxima década. “Com esses projetos, vamos definir os melhores sistemas de produção para a região”, disse o gerente-executivo de Exploração e Produção da companhia, Francisco Nepomuceno.

Segundo ele, o modelo será diferente do adotado na Bacia de Campos. No pacote anunciado ontem, há oito navios-plataforma com capacidade para produzir 120 mil barris por dia. Mas, segundo Nepomuceno, uma das idéias em estudo prevê a substituição de plataformas convencionais por depósitos de petróleo e gás em cavernas na camada de sal. “A plataforma serve para armazenar petróleo, mas tem 2 mil metros de sal lá que podem desempenhar essa função.”

O gerente-executivo de Pré-Sal da Petrobrás, José Formigli Filho, disse que a Petrobrás vai lançar em outubro a licitação para dez navios-plataforma para a área do pré-sal na Bacia de Santos. Segundo ele, oito delas serão construídas no estaleiro Rio Grande, no Sul do País.

Considerando a encomenda dos oito sistemas de produção com capacidade para 120 mil barris, a Petrobrás gastaria em torno de US$ 50 bilhões nessa primeira fase de produção. Essas unidades serão instaladas entre 2015 e 2016.

Também no evento, o diretor-financeiro da Shell, Peter Voser, informou que o Brasil é “peça-chave no portfólio” da companhia e a empresa vai perfurar dez poços exploratórios no País nos próximos dois anos, alguns deles abaixo da camada de sal. A companhia produz no pré-sal desde o fim da década de 50 na Holanda.

O executivo disse que a companhia vem trabalhando em um modelo de liquefação de gás em plataformas, esquema que vem sendo estudado pela estatal para os campos da Bacia de Santos mais distantes do continente. “Esperamos ter, até o fim do ano, um desenho mais detalhado do projeto.”

11/09/2008 - 09:19h País pode ser economia petrolífera

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Segundo BNDES, se ritmo de exploração for alto, óleo poderá representar 47% das exportações em 2030

Ribamar Oliveira e Lu Aiko Otta – O Estado de São Paulo

Por conta da exploração da camada do pré-sal, o Brasil poderá se tornar uma “economia petrolífera” a partir de 2020, quando o País deverá exportar 1,4 milhão de barris de petróleo por dia, obtendo uma receita naquele ano de US$ 37 bilhões a US$ 63 bilhões, dependendo do preço do barril. As simulações foram apresentadas ontem pelo economista Antonio Barros de Castro, assessor da presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), durante palestra no seminário comemorativo dos 200 anos do Ministério da Fazenda. Em 2025, as exportações poderão chegar a 3,3 milhões de barris por dia, com receitas entre US$ 93 bilhões e US$ 158 bilhões.

Para evitar os efeitos negativos da excessiva entrada de dólares no País, principalmente uma supervalorização do real, e permitir que a indústria nacional tenha tempo para se adaptar à nova realidade econômica criada pelo pré-sal, Castro defendeu o controle pelo governo da velocidade de exploração do petróleo. O economista coordenador do grupo de Petróleo, Gás e Etanol do BNDES, citou três razões que fortaleceriam a sua tese.

Em primeiro lugar, lembrou que serão necessários vultosos investimentos para explorar o pré-sal. O cenário montado por Castro parte do pressuposto de que existem 70 bilhões de barris de petróleo naquela área – número também citado por outros especialistas do mercado.

Se a exploração do pré-sal for feita em ritmo acelerado, observou o economista, o problema de onde virão os recursos necessários para realizar os investimentos será maior.

Uma exploração em ritmo mais moderado, explicou o economista, permitirá que o problema dos investimentos seja resolvido. Nesta hipótese, Castro disse que será necessário fazer os investimentos para as primeiras plataformas, pois cada uma que entrar em operação financiará a seguinte. “Se baixarmos a velocidade, teremos condições de autofinanciar o empreendimento. Por isso, a calibragem da oferta é fundamental”, argumentou.

A segunda razão é que a indústria naval brasileira precisa de tempo para se tornar capaz de fornecer os navios, embarcações e plataformas que serão utilizadas na exploração do pré-sal. “Somos fortes na produção de cascos, mas a nossa produção é modesta”, disse. O assessor do BNDES afirmou que é preciso pensar na criação de um pólo exportador no País e, para isso, “o controle da velocidade de exploração do pré-sal passa a ser fundamental”.

A terceira razão apontada por Castro diz respeito às adaptações do setor industrial brasileiro à nova realidade econômica, o que levará algum tempo. “São três fortíssimas razões para segurar a velocidade de produção do pré-sal”, afirmou o economista.

O “controle da velocidade” seria feito, segundo Castro, pela adoção de “políticas ativas de oferta e de demanda” na área do petróleo. Ele não quis especificar que políticas seriam essas. Mas afirmou que se elas forem adotadas será possível “distribuir melhor” a oferta do petróleo ao longo do tempo.

Se nada for feito, observou, as exportações brasileiras de petróleo poderão chegar a 1,4 milhão de barris por dia em 2020, a 3,3 milhões de barris por dia em 2025 e a 3,5 milhões de barris por dia em 2030. A partir de 2035, as exportações começarão a cair e, em 2045, o País já se tornaria importador líquido de petróleo.

Nessa hipótese, as exportações de petróleo representariam 43,8% das exportações totais do país em 2025 e 47,3% em 2030. “O Brasil se tornaria uma economia petrolífera”, disse. Se as políticas ativas de oferta e de demanda forem adotadas, Castro estimou que as exportações brasileiras de petróleo poderão chegar a 600 mil barris por dia em 2020, 1,6 milhão de barris por dia em 2025 e chegar a 2045 ainda exportando 1,4 milhão de barris por dia.

O economista fez questão de ressaltar que suas hipóteses não refletem a posição do governo ou do BNDES, mas do grupo que ele coordena na instituição. Disse também os dados que apresentou “são discutíveis” e “corrigidos semanalmente”. O grupo do BNDES utilizou várias projeções para os preços do barril do petróleo. As com preços mais baixos são do departamento de energia do governo dos Estados Unidos. As outras, com preços mais elevados, do mercado.

07/09/2008 - 22:51h Lula: Pré-sal é ponte entre riqueza natural e fim da pobreza

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REUTERS – Agencia Estado

RIO DE JANEIRO – O petróleo a ser produzido no pré-sal será “uma ponte direta entre riqueza natural e erradicação da pobreza”, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em pronunciamento de rádio e TV para comemorar o dia da Independência, neste domingo.

O presidente focou o pronunciamento nas perspectivas que a descoberta da camada pré-sal abre para o país, destacou o papel da Petrobras na exploração das jazidas e prometeu responsabilidade, assinalando que “não vamos nos deslumbrar e sair por aí gastando o que ainda não temos ou torrando dinheiro em bobagens”.

Lula enfatizou o principal destino que pretende dar às futuras riquezas do pré-sal para resgatar dívidas sociais do país.

“Os recursos das jazidas do pré-sal serão canalizados, prioritariamente, para a educação e a erradicação da pobreza. Vamos aproveitar esta grande quantidade de recursos para pagar a imensa dívida que o nosso país tem com a educação”, afirmou.

As potencialidades do pré-sal foram apresentadas por Lula como um “passaporte para o futuro”, que o presidente disse ter vislumbrado na costa do Espírito Santo, quando viu e tocou o petróleo que começou a ser produzido.

Na última terça-feira, Lula esteve no campo de Jubarte, próximo ao litoral do Espírito Santo, de onde foi extraído o primeiro óleo da camada pré-sal, em águas rasas.

Didático em sua fala, Lula lembrou que a comissão interministerial encarregada de estudar a melhor forma de exploração do pré-sal entregará suas sugestões “dentro de algumas semanas” e listou as diretrizes que encaminhou: agregar valor ao óleo cru para exportar derivados, fomentando ao mesmo tempo “uma poderosa e sofisticada” indústria petrolífera, consolidando a indústria naval e desenvolvendo a petroquímica.

“Vamos encomendar — e produzir aqui dentro — milhares e milhares de equipamentos, gerando emprego, salário e renda para milhões de brasileiros. Só nos próximos anos serão construídos no Brasil cinco novas refinarias, dezenas de sondas e plataformas e centenas de navios”, anunciou.

A segunda diretriz é a que garante que a principal destinação dos recursos será para a educação e combate à pobreza. “Vamos investir esses recursos naquilo que temos de mais precioso e promissor: nossos filhos e nossos netos”.

A Petrobras, cujo papel na exploração do pré-sal chegou a ser posto em dúvida pelo novo modelo em debate, foi destacada pelo presidente, que a citou três vezes.

Na primeira referência, Lula a chamou de “nossa querida Petrobras”; depois a qualificou de “maior símbolo da criatividade e competência dos brasileiros” ao falar do desafio tecnológico que terá na exploração das jazidas, e por fim garantiu o crescimento da empresa no boom que espera vir com o pré-sal: “Vamos reforçar a nossa Petrobras”.

Lula encerrou o pronunciamento conclamando a sociedade a participar do debate sobre o pré-sal, que classificou de “decisivo para o futuro”, e disse que a descoberta da nova riqueza chegou quando “o país vive o melhor momento econômico e social de sua história…com distribuição de renda e inclusão social”. (Texto de Mair Pena Neto; Edição de Taís Fuoco)

05/09/2008 - 10:11h Volvo reajusta salário em 10%. No ABC, impasse

Assembléia de metalúrgicos da Teksid do Brasil e da Nemak, em Betim (MG)http://portalctb.org.br/site/images/stories/Imagens/di_greve_mg_metal_teksid_nemak_betim.jpg

Continuam em greve no Paraná trabalhadores de Volks, Renault e Nissan.

Em SP, funcionários pararam por 2 horas

Lino Rodrigues – O Globo

SÃO PAULO e RIO. A onda de paralisações de trabalhadores das montadoras produziu ontem um primeiro resultado. A Volvo aceitou conceder 10% de reajuste linear a seus empregados, a ser pago a partir deste mês, mais abono de R$ 1.500. As duas partes cederam: os metalúrgicos, que pediam 5% só de reajuste real (acima da inflação), e a empresa, que reviu sua oferta de 1,25% para 2,5%. A fábrica da Volvo, na Região Metropolitana de Curitiba, estava parada há três dias. Continuam parados na região os 8 mil trabalhadores de Volkswagen, Renault e Nissan. Ao contrário da Volvo, as três querem que o reajuste seja apenas a partir de dezembro.

O impasse também perdura no ABC paulista, onde paralisações de uma a duas horas interromperam ontem a produção na Ford, na Volks e na Scania. Até as 21h de ontem, representantes do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e do Sinfavea (das empresas) continuavam reunidos em São Paulo para tentar um entendimento. De manhã, em assembléias, os trabalhadores decidiram suspender a produção extra para este fim de semana. Eles ameaçam entrar em greve por tempo indeterminado na segundafeira, caso as montadoras não apresentem nova proposta.

A entidade não revela a proposta feita aos empresários. — Acreditamos que as empresas vão oferecer proposta razoável para evitar uma greve que não interessa a ninguém — disse o presidente do sindicato, Sérgio Nobre, antes da reunião.

Os metalúrgicos da Força Sindical (mais de 700 mil no estado de São Paulo) devem engrossar o movimento na próxima semana. Ontem, eles fizeram passeata na Avenida Paulista para entregar a pauta de reivindicações à Fiesp. A campanha envolve 54 sindicatos com data-base em 1ode novembro, e reivindica 20% de aumento salarial e jornada de 40 horas semanais.

A pressão dos metalúrgicos pegou as montadoras com estoques em alta, diz a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). O volume de veículos nas concessionárias e na indústria subiu 30% entre julho e agosto, de 23 para 30 dias. Para o presidente da Anfavea, Jackson Schneider, a alta reflete a acomodação do mercado de carros no país, após sucessivos recordes. As vendas de veículos caíram 15,1% em agosto sobre julho, mas subiram 4% contra igual mês de 2007, atingindo 244,8 mil unidades. Já a produção recuou 1% na comparação mensal e avançou 12,6% na anual. — Você não pode crescer sempre 25% — disse Schneider. Sobre as negociações com os metalúrgicos, ele afirmou: — Acredito na maturidade dos atores (sindicalistas e empresários) e que chegaremos a um ponto de equilíbrio com a expectativas dos trabalhadores.

Protesto no Rio deu um nó no trânsito do Centro

No Rio, metalúrgicos da capital, de Niterói e Angra fizeram manifestação em frente à sede da Petrobras, no Centro, pela construção da plataforma P-62 no estaleiro Mauá, de Niterói. Cerca de 3 mil manifestantes iniciaram a caminhada na Praça XV, dando um nó no trânsito. Segundo sindicalistas, a construção da plataforma pode gerar 2.500 empregos no Rio, mas corre o risco de ser levada para outro estado.

02/09/2008 - 14:44h Presidente Lula participou da primeira coleta de petróleo da camada de pré-sal da Petrobras

Campo de Jubarte

Ramona Ordoñez – O Globo – G-1

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VITÓRIA – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, no Espírito Santo, na plataforma P-34, a primeira coleta da camada de pré-sal no campo de Jubarte.

Ele mostrou o óleo retirado da plataforma e posou para fotos. Em seguida, Lula sujou as mãos com o óleo, que será utilizado para pesquisas, e marcou o macacão do presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, e o do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão

Além de Lobão, Lula estava acompanhado dos ministros Dilma Rousseff (Casa Civil) e Franklin Martins (Comunicação Social).

Antes, o presidente havia descerrado a placa alusiva à coleta do óleo na plataforma P-34. Lula segue para Vitória, onde participará da cerimônia de início da produção na camada do pré-sal

O poço da P-34 está a cerca de 4.700 metros de profundidade total, dos quais cerca de 1.300 metros são da distância do nível do mar ao fundo.

Esse poço vai produzir cerca de 18 mil barris diários de petróleo de boa qualidade abaixo da camada de sal. Essa camada, contudo, está a apenas 200 metros de profundidade, contra os dois mil metros de camada de sal na Bacia de Santos.

A Petrobras inicia uma produção simbólica de petróleo na camada e já acelera o processo exploração dessa região. O gerente-executivo de pré-sal da Petrobras, José Formigle, informou que a companhia terá mais quatro sondas de perfuração em águas profundas nas áreas do pré-sal.

As sondas vão se somar a outras três que já estão operando atualmente. Duas delas estão na Bacia de Santos, uma perfurando o poço na área de Júpiter, onde a Petrobras descobriu reservas gigantes de gás natural, e a segunda na área de Iara, no mesmo bloco onde foi descoberto Júpiter. A terceira plataforma de perfuração atual está neste momento na Bacia de Campos no litoral do Espírito Santo, onde a Petrobras descobriu petróleo também na área do pré-sal.

Para o diretor de Exploração e Produção da Petrobras, Guilherme Estrella, este primeiro poço que vai funcionar como uma espécie de escola para se avaliar o comportamento dos reservatórios no pré-sal. O diretor disse que ainda não se sabe o volume de reservas nessa área do pré-sal em Jubarte, mas para isso estão programadas as perfurações de dois poços.

A Petrobras encontrou petróleo abaixo da camada do pré-sal no campo de Jubarte, no litoral paulista da Bacia de Campos. Esse campo já está produzindo, atualmente, cerca de 35 mil barris por dia acima do pré-sal, com a plataforma P-34.

Leia também:

Petrobras não está preocupada com regras do pré-sal.

27/08/2008 - 11:52h ‘Não vamos simplesmente vender óleo cru’

O GLOBO

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GRAMADO (RS). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que a recém-descoberta reserva de petróleo na camada do pré-sal é o impulso de que o país precisava para investir na construção de estaleiros, navios e sondas para perfuração de poços.

— Não vamos simplesmente vender o óleo cru. Temos que preparar o país para vender produtos de valor agregado.

Vamos construir refinarias e produzir gasolina e óleo diesel premium para exportar para Europa e Estados Unidos — afirmou Lula ontem em Gramado, durante o 18º Congresso Brasileiro de Contabilidade.

Lula não especificou o investimento necessário para tanto.

Mas somente para perfuração em alto mar, afirmou, seria necessário construir 38 sondas, ao custo de US$ 700 milhões cada.

O presidente disse que o pré-sal representa um novo momento na independência do Brasil: — Não sei quantos barris de petróleo há no pré-sal, a sete mil pés de profundidade. Mas é muito mais do que as todas as reservas do país.

Lula também disse que deverá ser aberta outra frente de trabalho — sem especificar qual — no Estaleiro de Rio Grande, para ocupar a mão-de-obra hoje envolvida na construção da plataforma P-53: — Não podemos fazer uma festa para entregar essa plataforma e deixar milhares de desempregados. (Marcelo Barbosa, especial para O GLOBO)

27/08/2008 - 11:35h Exploração verde-amarela

Governo dará desoneração a empresas do pré-sal e vai exigir equipamentos nacionais

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Eliane Oliveira* – O GLOBO

BRASÍLIA

A exploração dos campos de petróleo abaixo da camada de sal marinha terá, entre as regras, conteúdo nacional no maquinário utilizado, desonerações tributárias e linhas de financiamento em condições compatíveis às oferecidas no mercado internacional, segundo estudos aos quais O GLOBO teve acesso.

O governo estuda instituir a obrigatoriedade de comprar navios e plataformas no país e do uso de equipamentos — como sondas — fabricados com um mínimo de componentes brasileiros, além de incluir a sonda no Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (Reidi), que isenta de PIS e Cofins os investimentos em bens de capital para energia e transportes.

A idéia é criar uma indústria petrolífera (naval, de máquinas e equipamentos) forte e competitiva em escala global. O grande mote é dar prioridade aos fornecedores brasileiros nas licitações não apenas da Petrobras, mas de outras petrolíferas que entrarem no pré-sal. A sonda é o exemplo mais citado por técnicos que estão trabalhando no assunto, e sua inclusão no Reidi já está sendo examinada pelo Ministério da Fazenda.
Essas fontes destacaram que a preferência a fabricantes nacionais só será possível se, a partir de 2012, a indústria brasileira estiver preparada.
Por enquanto, a Petrobras encomendou 12 sondas (de US$ 700 milhões a US$ 1 bilhão cada) para serem montadas em países como Cingapura e China. A parceria com esses países para projetos no Brasil está no cardápio do governo. A partir de 2012, a estatal brasileira licitará outras 28 sondas, com a condição de serem montadas no Brasil, princípio que se estenderá às demais empresas.

Ontem, a Petrobras assinou um memorando de intenções com a japonesa Mitsui Ocean Development & Engineering Co. (Modec) para construção, afretamento e operação do navio-plataforma (FPSO) que atuará no projeto piloto das reservas gigantes de Tupi, na Bacia de Santos. A unidade, batizada de Angra dos Reis, será alugada por 15 anos, com opção de mais cinco, diz a Modec, e deverá chegar ao Brasil no fim de 2010.

Mercosul também seria fornecedor

Quanto ao conteúdo nacional, esse dispositivo já existe nas rodadas promovidas pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). O governo quer traçar um plano para que o setor privado possa fabricar internamente equipamentos que hoje a indústria nacional não pode oferecer, garantindo escala de produção, preços competitivos e tecnologia, para que sejam estipuladas cotas de itens nacionais. Nesse caso, além das sondas, entram equipamentos mais sofisticados para perfuração em profundidade.

A Petrobras tem planos de investir, nos próximos quatro anos, de US$ 97,4 bilhões, além de outros US$ 30 bilhões de outras companhias, sem considerar o pré-sal. Levando em conta a compra de 40 sondas até 2017, as encomendas da Petrobras devem superar US$ 40 bilhões. Uma fonte do setor privado diz que a estatal poderá optar pelo afretamento (aluguel) a outras empresas do setor.

— As empresas brasileiras precisam se preparar tecnologicamente para participar das licitações de equipamentos mais específicos — disse uma fonte do governo.

Segundo a Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústria de Base (Abdib), é crescente o potencial de investimentos motivados pelo pré-sal.
Há diversas iniciativas de empresas para construir estaleiros para atender a plataformas, barcos de apoio e navios de transporte de grande porte.
Outro desafio, destacou a Abdib, é capacitar a mão-de-obra existente.

Os desafios são consideráveis. Segundo fontes do setor privado, há poucos fornecedores de equipamentos no mundo, distribuídos por China, Coréia, Noruega e EUA. É com esses grupos que as indústrias brasileiras terão de competir.

Os debates tendem a esquentar ainda mais. Além da possível criação de uma estatal voltada especificamente para gerir os recursos oriundos das reservas, há duas alternativas em estudo: a partilha de produção e o contrato de serviço. Outra figura que está em debate é a unitização, prevista no artigo 27 da atual Lei do Petróleo.

Nessa modalidade, quando uma jazida — caso do pré-sal — estende-se por mais de um bloco contíguo, e eles são de concessionários diferentes, desenvolvimento e produção devem ser feitos em conjunto pelas empresas.

Também pesa nas discussões a integração regional. Com a ajuda do Brasil, as empresas do Mercosul vão se preparar para atuar como fornecedoras de equipamentos e serviços para a Petrobras e, no futuro, para outras petrolíferas. A participação de pequenas, médias e grandes empresas argentinas, uruguaias e paraguaias promoveria o desenvolvimento do bloco e reduziria o déficit comercial que esses países têm com o Brasil. De janeiro a julho, a balança comercial brasileira com o Mercosul teve superávit de US$ 14,6 bilhões.

O Palácio do Planalto estima que, já na primeira semana de setembro, terá início a exploração experimental do pré-sal no campo de Jubarte, no Espírito Santo. Serão retirados até 15 mil barris de petróleo por dia. Em março de 2009, começa a exploração experimental no campo de Tupi, com a retirada de 20 mil barris por dia.

(*) Com agências internacionais

25/08/2008 - 11:19h O centro não é a nova estatal

http://g1.globo.com/Noticias/Economia_Negocios/foto/0,,14724740-EX,00.jpg

Ribamar Oliveira, O Estado de São Paulo

email: ribamar.oliveira@grupoestado.com.br

A partir de 2010, o Brasil se tornará exportador de petróleo – um feito inimaginável uma década atrás. É importante observar que o País alcançará o status de exportador de petróleo antes mesmo de explorar as enormes reservas da camada do pré-sal. Sem contar o pré-sal, a Petrobrás vai produzir cerca de 2,8 milhões de barris de óleo condensado por dia em 2015, segundo estimativa da empresa.

Como a demanda brasileira prevista para 2015 é de 2,3 milhões de barris de óleo ao dia, a estatal poderá vender ao exterior 500 mil barris por dia de petróleo, ou algo como 18% de sua produção total. Estimando que o preço do barril de petróleo de longo prazo fique em torno de US$ 100, o excedente exportável pela Petrobrás permitirá uma receita anual de cerca de US$ 18 bilhões, o que elevará o superávit comercial do País e ajudará a valorizar o real.

Essa realidade será potencializada com o início da exploração comercial da camada do pré-sal, onde os especialistas do mercado estimam existir algo entre 50 bilhões e 70 bilhões de barris de petróleo. Para se ter uma idéia do que isso significa, as reservas atuais do Brasil estão em torno de 14 bilhões de barris equivalentes (óleo e gás). Se as estimativas se confirmarem, o País passará a ocupar uma posição de destaque entre os 10 maiores produtores de petróleo do mundo.

Somente o campo de Tupi, onde a Petrobrás já dimensionou reservas de 5 bilhões a 8 bilhões de barris, produzirá cerca de um milhão de barris de óleo por dia, antes do final da próxima década. Em Tupi, a Petrobrás planeja instalar 11 plataformas com capacidade para produzir 100 mil barris diários cada uma. Por isso, a receita do Brasil com o petróleo poderá ser acrescida em US$ 50 bilhões ao ano ainda na próxima década.

Os economistas costumam falar da “maldição do petróleo” e de “doença holandesa” quando se referem aos efeitos negativos que as receitas dos recursos naturais podem ter sobre toda a economia de um país. Na década de 1970, o preço do gás natural apresentou substancial elevação. Como era um grande produtor de gás, a Holanda viu suas receitas aumentarem muito, o que provocou forte valorização da moeda local (na época, o florim). A valorização cambial afetou as outras exportações holandesas, pois os seus produtos perderam competitividade.

O petróleo também é chamado de “maldito” porque os grandes produtores mundiais nunca conseguiram desenvolver as suas indústrias, nem mesmo aquela relacionada à atividade. O risco que o Brasil corre, portanto, é de que as grandes receitas com o petróleo resultantes da exploração da camada do pré-sal valorizem o real e, com isso, as demais atividades industriais sejam desestimuladas. O medo é que ocorra uma desindustrialização do País.

Mas a “doença holandesa” não é uma fatalidade para os países ricos em recursos naturais. Ela pode ser evitada, como mostrou a Noruega. O governo brasileiro namora o modelo norueguês de exploração de petróleo, que usa uma empresa 100% estatal para administrar os recursos de suas reservas. Aquele país também tem uma empresa de economia mista (a Statoil), nos moldes da Petrobrás. O debate no Brasil passou a ser em torno da criação de uma empresa estatal, quando isso não é o mais importante.

Depois que descobriu as imensas reservas do mar do Norte, a Noruega conseguiu desenvolver sua indústria ligada ao petróleo, com base na proteção governamental aos setores industriais domésticos responsáveis pelo fornecimento de equipamentos, como mostrou a série de reportagens do jornalista Sérgio Gobetti, publicada pelo Estado.

O governo da Noruega obrigou os operadores privados dos campos de petróleo a usar fornecedores noruegueses de equipamentos nas diversas fases de desenvolvimento e produção. Uma pequena ilha habitada por pescadores descendentes de vikings, chamada de Fosnavag, tornou-se um dos principais centros de construção de navios e embarcações usadas na extração de petróleo.

É essa questão que deve estar no centro do debate em torno das reservas de petróleo do pré-sal. O desafio brasileiro é desenvolver a sua indústria ligada ao petróleo. “O Brasil precisa fortalecer sua indústria naval e de equipamentos para a exploração do petróleo, ao mesmo tempo em que amplia a sua capacidade de refino”, sintetizou o economista Júlio Sérgio Gomes de Almeida, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda e atual consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).

A produção de embarcações, de sondas e demais equipamentos para a exploração e refino de petróleo vai dar um impulso considerável, lembrou Gomes de Almeida, à indústria siderúrgica brasileira e à indústria de bens de capital. Segundo ele, o Iedi vai apresentar sugestões ao governo. “É preciso reabrir a discussão sobre a política industrial, na perspectiva de exploração do pré-sal”, defendeu.

Para ele, o governo precisa oferecer apoio financeiro aos empreendimentos por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e conceder incentivos fiscais, que possam atrair os investidores estrangeiros. “A política para a indústria do petróleo precisa se antecipar a qualquer decisão sobre o pré-sal”, aconselhou.

22/08/2008 - 12:07h Para Lula, Petrobras inibe projeto social

bastidores

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DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

FOLHA SP

O presidente Lula avalia que um modelo de exploração do pré-sal concentrado na Petrobras dificultaria a execução de sua idéia de usar os recursos para “reparações históricas”, como investimento maciço em educação e no combate à pobreza. Daí sua decisão de criar uma estatal para administrar as reservas do pré-sal que ainda não foram leiloadas, como antecipou anteontem a Folha.

Um ministro de Lula diz que os interesses do governo muitas vezes se chocam com os da Petrobras, uma estatal de capital misto (público e privado) cujo presidente é indicado por Lula, mas que deve satisfações a seus acionistas.

Exemplo de choque de interesse e de tensão entre Lula e a Petrobras que reforça, na opinião do governo, a necessidade de uma nova estatal. No primeiro mandato, Lula comprou uma briga com a direção da Petrobras para que a empresa encomendasse plataformas da indústria naval brasileira.

A Petrobras argumentava que seria mais barato e mais rápido adquirir as plataformas no exterior. Lula queria reestimular a indústria naval no Rio de Janeiro. Hoje, diz um ministro, o setor se fortaleceu graças à Petrobras.

Lula também teve embates para convencer a Petrobras a investir mais em álcool e no biodiesel.

No mais recente embate, mandou a Petrobras suspender a venda de uma mina de potássio a uma empresa canadense. Ficou contrariado por não ter sido comunicado.

Para Lula, uma nova estatal, apenas com capital público, dará ao governo mais flexibilidade para aplicar os recursos do pré-sal em políticas públicas.

No Planalto, a tensão entre a Petrobras e o governo é classificada como rotineira e normal. O presidente da empresa, José Sergio Gabrielli, defende os interesses da Petrobras, mas tem um limite para esticar a corda porque é nomeado por Lula. Além do mais, é petista.

O governo acredita que não sofrerá contestação judicial séria às novas regras de exploração do petróleo se mantiver o respeito aos contratos já estabelecidos.

(KENNEDY ALENCAR)

21/08/2008 - 09:50h Petrobrás pede aumento de capital ao governo

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Principal argumento são os custos da exploração dos nove campos na área do pré-sal

Ribamar Oliveira e Leonardo Goy – O Estado de São Paulo

O governo confirmou ontem que a direção da Petrobrás apresentou, para análise do Palácio do Planalto e do Ministério da Fazenda, um pedido de aumento do capital social. O principal argumento utilizado pela empresa é que a exploração dos nove campos na área do pré-sal, que já ganhou nas licitações feitas pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), exigirá investimentos de grande magnitude, que terão de ser financiados com empréstimos internacionais e pelo aumento do capital. A fonte não informou o montante da capitalização solicitada pela estatal.

Nas discussões com a diretoria da empresa, o governo deixou claro que os contratos obtidos pela empresa serão respeitados. “Não se discutirá o passado”, disse uma importante fonte governamental. “O que se discute são as regras para o futuro do pré-sal”, explicou, numa referência aos blocos daquela área que ainda não foram licitados. O governo já decidiu, embora não tenha anunciado oficialmente, que não fará mais concessões dos demais blocos do pré-sal, pois deseja que esses blocos sejam explorados no regime de partilha de produção.

Não é intenção do governo, segundo um político com grande trânsito na Casa Civil, fragilizar a Petrobrás, que continuará “um parceiro privilegiado”, mesmo com a decisão do presidente Lula de criar outra empresa, 100% estatal, para administrar as reservas do pré-sal.

“A Petrobrás sabe que não vai perder poder. A nova estatal não terá atribuição operacional, pois será uma espécie de escritório, que terá a função de distribuir, da maneira como o governo preferir, as receitas oriundas da exploração do pré-sal”, disse uma fonte.

Uma vez confirmada essa tendência, a situação da Petrobrás acabaria sendo semelhante à da estatal norueguesa Statoil, que atua na exploração e produção de petróleo. Mas, naquele país nórdico – cujo modelo é tido, pelo governo brasileiro, como um dos melhores exemplos a serem seguidos – a administração dos recursos é feita por outra estatal, a Petoro.

Para mostrar que a Petrobrás não perderá força, outra fonte disse que a empresa tem uma grande carteira de pedidos de construção de plataformas e sondas para águas profundas em vários estaleiros de todo o mundo. “Como é que o governo brasileiro poderá deixar de utilizar uma empresa que possui a tecnologia de exploração do pré-sal e os equipamentos que estão sendo fabricados, que serão os únicos disponíveis no mundo para a área do pré-sal?”, questionou a fonte.

17/08/2008 - 13:44h ”Petróleo precisa de política industrial”

 

 

A imagem “http://futepoca.com.br/fotos/LuisGonzagaBelluzzo/Belluzzo_Gabriel_Maretti04.jpg” contém erros e não pode ser exibida.Para economista, sem mudar marco regulatório, País corre risco de desindustrialização, a “doença holandesa”

 

 

 

Sérgio Gobetti – O Estado de São Paulo


Considerado um dos principais conselheiros informais do presidente Lula na atualidade, o economista Luiz Gonzaga Belluzzo acredita que a riqueza do petróleo é uma “bênção” que poderá se tornar “maldição” se o governo não assumir a coordenação do processo de exploração e de investimento em setores complementares. A história econômica, lembra Belluzzo, mostra que invariavelmente países ricos em recursos naturais tendem à desindustrialização – situação descrita nos livros de economia como “doença holandesa”.

Para evitar esse tipo de epidemia, diz Belluzzo, o governo pensa em criar uma empresa estatal ao estilo da Noruega, que seja capaz de planejar o ritmo de exploração das reservas e, ao mesmo tempo, induzir outros ramos da indústria a trabalharem juntos no fornecimento de equipamentos, plataformas e navios.

Do lado fiscal, acredita o economista, o Brasil deve aproveitar as receitas do petróleo para usá-las como antídoto contra crises externas, investir em políticas que beneficiem as gerações futuras e promover uma reestruturação tributária. A seguir, os principais trechos da entrevista.

Como o senhor avalia o temor do mercado em relação à quebra de condições contratuais no setor do petróleo?

O Brasil não está mais na etapa de fazer esse tipo de coisa. Não há retrospecto nesse governo de que isso tenha sido feito alguma vez. Havia uma suspeita incrível que ele fosse fazer, mas não fez. Os interesses privados não correm risco, mas é preciso fazer uma coordenação de interesses com o objetivo de preservar o valor das reservas e maximizar a receita que possa melhorar a situação fiscal do País.

A mudança do marco regulatório tem motivação meramente fiscal ou macroeconômica também?

Se o marco regulatório não for mudado, vamos ter vários desastres por aí. Um deles é o risco macroeconômico da doença holandesa, se não acoplar isso em um processo de industrialização fundado nos fornecedores de equipamentos. A dependência externa é muito grande nesse setor. É preciso ter uma política industrial para o setor.

O risco da doença holandesa existiria em razão da sobrevalorização ainda maior da taxa de câmbio?

São duas coisas interligadas: você desestimula a produção interna com uma taxa de câmbio baixa e uma capacidade de importação muito alta. A doença holandesa é isso. Nenhum país produtor de petróleo conseguiu desenvolver atividades correlatas, mesmo na área petroquímica.

Mesmo na Noruega?

Não, a Noruega é exceção, mas estou falando da península da Arábia, onde os sistemas políticos são autocráticos e a diferenciação da estrutura produtiva é quase nula. É um problema, porque você pode criar uma situação em que há equilíbrio da balança de pagamentos e, ao mesmo tempo, está perdendo massa econômica e capacidade de gerar emprego.

Será que existe consciência no governo desses riscos?

Há uma preocupação muito grande do presidente e da ministra Dilma Rousseff quanto a isso. Há o problema da velocidade com que se vai explorar isso, que tem a ver com o cálculo atuarial das reservas. Não se pode sair exportando petróleo cru, e é preciso que a indústria tenha capacidade de fornecer equipamentos. Precisa ser programado com antecedência e cuidado, porque não se pode submeter o programa de exploração à conveniência dos fornecedores. Precisa fazer uma política para ampliar o fornecimento, mas isso é coisa que precisa ser administrada com o tempo e com a colaboração do setor privado.

A idéia de criar uma estatal tem a ver com essa estratégia de planejamento ou de domínio da propriedade do petróleo?

Essa questão da propriedade é importante, mas não prioritária. Ele (Lula) quer uma empresa capaz de coordenar a exploração dos novos campos, parecida com uma holding, que tenha embaixo as empresas privadas e a Petrobrás. O outro lado da coisa é que há uma preocupação muito grande com o fenômeno PDVSA.

A estatal venezuelana?

Sim, na Venezuela houve a atomização da burocracia da empresa e criação de interesses que vão se tornando independentes das políticas de Estado. Na Noruega, ao contrário, socializaram os benefícios do petróleo. Eles aplicam na previdência e têm uma gestão para evitar que se jogue pela janela os recursos renováveis.

O modelo norueguês pode servir de referência para o Brasil?

Não sei se a gente pode copiar, mas o modelo é bem saudável.

O que é mais apropriado ao Brasil? Criar um fundo de pensão ao estilo norueguês ou aplicar em educação?

É uma discussão de prioridades. Do ponto de vista fiscal e da vulnerabilidade externa, o Brasil tem possibilidade de fazer uma gestão muito competente, porque vamos nos tornar não só auto-suficientes, mas exportadores de um produto cujo preço dificilmente vai voltar a US$ 30 por barril. Então, o Brasil vai se livrar do risco de uma crise externa, de balança de pagamentos, a não ser que seja muito incompetente e faça uma maluquice, ou seja, que permita que se destrua a base produtiva não petroleira. Em segundo lugar, podemos fazer uma política fiscal com superávit permanente sem danar a infra-estrutura.

Não há risco de que, com esse fantasma da estatização, haja uma fuga dos investidores?

Acho que essa empresa vai ser, na verdade, uma garantia de que os investimentos ocorrerão. Eles vão ter de discutir as regras, e isso vai ser uma coisa conflitiva. Estou vendo que o setor privado está estrebuchando um pouco por causa da possibilidade de isso ser mudado, mas não acho que haja ameaça à participação do setor privado. É um problema da repartição dos ganhos, e aí precisa levar em conta que o petróleo é recurso natural não renovável e pertence à comunidade. Então você tem de dar um destino minimamente público e racional a isso.

O que o senhor acha das propostas de mudança na Lei do Petróleo para redirecionar os recursos do petróleo?

É preciso ter critérios. A Noruega, por exemplo, tem um benefício intergeracional, porque alivia a dor da contribuição de quem está trabalhando para quem está fora do mercado. No caso da educação também: transferimos os benefícios daqueles que estão no mercado para aqueles que irão entrar. A princípio, o governo federal teria mais condições de cumprir esses objetivos do que Estados e municípios, mas é difícil impor maior fatia da União sobre os royalties na atual situação de concentração da carga tributária. Mas pode negociar com o empresariado uma redução na carga fiscal que onera mais os investimentos e a folha salarial.

Comenta-se que os royalties são baixos no Brasil, mas a tributação indireta sobre derivados de petróleo é alta.

Então, você poderia redistribuir essa carga. Essa é uma coisa que a União pode negociar com os Estados: aumentar a participação dela sem reduzir e até aumentar o volume de arrecadação dos Estados.

Os royalties devem continuar privilegiando os ditos Estados produtores, como o Rio e talvez São Paulo, num futuro próximo?

Não acho, porque isso aumenta a apropriação particular, mesmo que feita por um ente federativo, a menos que discutamos a destinação dos recursos. Essa discussão vai além das vantagens ou desvantagens econômicas, mas está relacionada ao projeto de país e às carências que pretendemos sanar. Seria desejável que, diante dessa bênção, ou maldição, fizéssemos uma redistribuição dos recursos e até uma reestruturação tributária.

Quem é: Luiz Gonzaga Belluzzo


É professor titular de Economia da Unicamp

Foi chefe da Secretaria Especial de Assuntos Econômicos do Ministério da Fazenda, no governo Sarney

Foi secretário de Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo, no governo Quércia

É diretor de Planejamento da Sociedade Esportiva Palmeiras

28/05/2008 - 09:01h Falta capacidade nos estaleiros para atender Petrobras até 2012

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Plataforma P-52 deixa estaleiro rumo à Bacia de Campos

Francisco Góes – VALOR

A indústria naval e offshore indicou ao governo e à Petrobras que não terá como fazer no Brasil os primeiros 12 navios-sonda e plataformas semi-submersíveis de perfuração previstos para serem entregues até 2012. A encomenda integra o pacote de 40 unidades lançado, com pompa e cerimônia, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na segunda-feira. Horas depois do anúncio, o Sinaval, entidade que reúne os estaleiros nacionais, enviou carta à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, na qual diz concordar com a colocação das primeiras doze unidades no mercado internacional.

No documento, o Sinaval condiciona a posição da entidade ao compromisso de construção das demais 28 unidades no Brasil. E acrescenta que, na hipótese de a estatal não conseguir contratar todas as 12 primeiras unidades no exterior no prazo previsto, o saldo remanescente seria incorporado ao conjunto de plataformas e sondas a ser contratado no país. A previsão da Petrobras é contratar o pacote todo, de 40 navios-sonda e plataformas, até 2017.

A Petrobras disse que não teria nada a comentar além do já anunciado, na segunda-feira, por José Sérgio Gabrielli, presidente da empresa. Segundo a assessoria da Petrobras, o assunto está em análise. Procurado pela reportagem, o presidente do Sinaval, Ariovaldo Rocha, não retornou a ligação. Na segunda, Rocha também comunicou a proposta do Sinaval a Gabrielli.

Executivos do setor avaliam que a concordância do Sinaval de “liberar” a Petrobras para construir as primeiras plataformas de perfuração no exterior, sem exigência de conteúdo nacional, deve-se à dificuldade da indústria brasileira de atender, a curto prazo, a demanda da estatal. Uma das limitações está na falta de capacidade física dos estaleiros, já que a maioria das empresas capacitadas para a obra (são cinco ou seis estaleiros) estão com carteira cheia.

Há também o problema tecnológico pois o Brasil não produz os principais equipamentos das sondas e plataformas de perfuração.

A dificuldade da Petrobras para cumprir os compromissos de perfuração até 2013-2014 aumenta se for considerado que os estaleiros estrangeiros também estão ocupados, o que diminui a oportunidade de encomendas no exterior. Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE), afirma que o problema, se não for resolvido, pode atrasar o programa exploratório da Petrobras. Uma possibilidade seria pagar mais caro para “furar” a fila e antecipar a contratação no exterior.

Fontes da indústria naval dizem que as 12 plataformas a serem construídas no exterior devem ser contratadas pelo modelo tradicional de afretamento. Por este modelo, a Petrobras convida um grupo de empresas a participar da concorrência. As empresas oferecem uma diária para alugar e operar a plataforma. Com o valor da diária, vão ao mercado e contratam um estaleiro para construir a plataforma. Na segunda-feira, Gabrielli disse que o afretamento de plataforma com capacidade de perfurar em profundidades de 2 mil a 3 mil metros de lámina d´água situa-se hoje entre US$ 400 mil a US$ 600 mil por dia.

Uma fonte disse que, segundo rumores de mercado, algumas empresas operadoras nacionais estariam com dificuldade de levantar capital para reservar espaço para a construção dos navios-sonda em estaleiros no exterior. Esta reserva pode chegar a US$ 10 milhões por unidade, dependendo da relação do afretador com o estaleiro.

Carlos Maurício de Paula Barros, que assume hoje a presidência da Associação Brasileira de Engenharia Industrial (Abemi), avalia que não haverá como fazer os primeiros navios-sonda e plataformas de perfuração no país pela dimensão da encomenda e pelo desafio tecnológico que ela impõe. Ele afirmou que não há no Brasil fabricação dos principais itens deste tipo de plataforma como motores, torres de perfuração e equipamentos de posicionamento dinâmico, que ajudam a manter a plataforma no lugar apesar de ventos e variações de maré.

“A posição mais sensata é que as encomendas das primeiras unidades sejam colocadas onde possa se dar uma resposta”, disse Barros. Uma das principais preocupações da nova diretoria da Abemi é a qualificação de recursos humanos para fazer frente ao volume de investimentos previsto para o país nos próximos anos, incluindo os programas de exploração e produção da Petrobras no pólo do pré-sal. Outra prioridade da Abemi é fortalecer empresas de pequeno e médio porte para permitir que elas participem das oportunidades de investimento que estão surgindo no país.